Antologia poética

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Antologia poética

  1. 1. Antologia Poética Escolas | João de Araújo Correia
  2. 2. Antologia Poética Nome: Cesarina Sousa Nº: 13 Turma: 10ºF Disciplina: Português Docente: Emília Craveiro Ano Lectivo 2013/2014
  3. 3. Introdução • A Poesia nasceu não se sabe ao certo quando nem como, mas é expressa pela linguagem humana e como tal indica, quem sabe se não existiria mesmo antes da escrita. É uma arte e como tal é necessário valora-la e dar-lhe vida, e construir no seu amplo terreno novos projectos. • Assim, pode-se escrever antologias como esta, que preservam algumas das maravilhosas obras que os poetas escrevem e que nos transmitem algo. • No âmbito da disciplina de Português, este trabalho consiste numa antologia poética, com poemas seleccionados por mim, com a finalidade de demonstrar as minhas preferências no campo da poesia. • Tentei diversificar autores e temáticas, mas tive como objectivo pessoal colocar poemas com que me identificasse de alguma forma.
  4. 4. Ser poeta Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e cetim… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Florbela Espanca Florbela Espanca
  5. 5. Terror de Te Amar Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa. Que nenhuma estrela queime o teu perfil Que nenhum deus se lembre do teu nome Que nem o vento passe onde tu passas. Para ti eu criarei um dia puro Livre como o vento e repetido Como o florir das ondas ordenadas. Sophia de Mello Breyner Andresen Sophia de Mello Breyner Andresen
  6. 6. Todas as cartas de amor… Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas.) Fernando Pessoa Fernando Pessoa
  7. 7. Há Palavras que Nos Beijam Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O'Neill Alexandre O'Neill
  8. 8. Lembra-te Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos Mário Cesariny Mário Cesariny
  9. 9. Urgentemente É urgente o amor É urgente um barco no mar É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Eugénio de Andrade Eugénio de Andrade
  10. 10. Soneto do amor total Amo-te tanto meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te enfim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. Vinícios de Moraes Vinícios de Moraes
  11. 11. Última página Vou deixar este livro. Adeus. Aqui morei nas ruas infinitas. Adeus meu bairro página branca onde morri onde nasci algumas vezes. Adeus palavras comboios adeus navio. De ti povo não me despeço. Vou contigo. Adeus meu bairro versos ventos. Não voltarei a Nambuangongo onde tu meu amor não viste nada. Adeus camaradas dos campos de batalha. Parto sem ti Pedro Soldado. Tu Rapariga do País de Abril tu vens comigo. Não te esqueças da primavera. Vamos soltar a primavera no País de Abril. Livro: meu suor meu sangue aqui te deixo no cimo da pátria Meto a viola debaixo do braço e viro a página. Adeus. Manuel Alegre Manuel Alegre
  12. 12. Sono limpo Não mais sono, mas sono limpo de todo excremento romântico. A isso aspira, deus expulso de um Olimpo onde sonhar eram versões de existir. Não á morte: ao sono que petrifica a morte e vai além e me completa em finidade, ser isento de ser, predestinado ao prémio excelso de exalar-se. Não mais, não mais gozo de instantes de delícia, pasmo, espasmo Quero a última ração do vácuo, a última danação, parágrafo, penúltimo do estado- menos isso – de não ser. Carlos Drummond de Andrade Carlos Drummond de Andrade
  13. 13. Quando eu sonhava Quando eu sonhava, era assim Que nos meus sonhos a via; E era assim que me fugia, Apenas eu despertava, Essa imagem fugidia Que nunca pude alcançar. Agora que estou desperto, Agora que a vejo fixar... Para quê? – Quando era vaga, Uma ideia, um pensamento, Um raio de estrela incerto No imenso firmamento, Uma quimera, um vão sonho, Eu sonhava – mas vivia: Prazer não sabia o que era, Mas a dor não na conhecia... Almeida Garret Almeida Garret
  14. 14. Análise do poema “Há palavras que nos beijam” de Alexandre O’neill Análise externa: • O poema é constituído por 5 estrofes de 4 versos, classificando-se de quadras. • Quanto á rima, é apresentado o esquema rimático abcb/aded/fghg/ijlj/mnon, rimando o 1º verso da 1ª estrofe com o 1º verso da 2ª estrofe (“beijam”), rima intercalada. Na 1ª estrofe temos a rima do 2º verso com o 4º verso (rima cruzada), sendo o 3º verso solto. Na 2ª estrofe ocorre a mesma sequência. Na 3ª, 4ª e 5ª estrofe ocorre a rima do 2º e 4º verso, sendo uma rima cruzada e o 1º e 3º verso são versos soltos. • Quanto ao número de sílabas métricas todos os vinte versos são constituídos por 7 sílabas métricas, sendo redondilhas maiores ou heptassilabos.
  15. 15. Análise interna: • Tema: as palavras, abrangem muito mais do que se pensa, pode despertar em cada um de nós inúmeros sentimentos, simplesmente pelo facto de as mencionarmos, de as ouvirmos ou somente de pensarmos nelas. • Assunto: o sujeito poético transmite os seus sentimentos e pensamentos neste poema, fazendo a apologia das palavras. Refere-se sobretudo às palavas que de forma personificada têm boca que nos podem beijar/tocar trazendo-nos felicidade. Em oposição a estas agradáveis palavras, o poeta faz referência também às palavras sem cor, banais. • Primeira estrofe e primeiro verso: na primeira estrofe do poema é possível ler que existem palavras que são como verdadeiros beijos, de esperança porque chegam de pessoas sinceras. Aqui, sim, “as palavras de amor, de esperança louca” é transmitido uma ideia de que estas palavras de amor e de esperança estão a apoiar-nos, dão-nos uma determinada força para seguir em frente em momentos em que nos sentimos desmotivados. O adjectivo “louca” reforça essa mesma ideia, realçando então o poder das palavras que de certa forma são encorajadoras. Desta forma podemos epilogar que o poeta, comparando as palavras ao beijo e à esperança, está a demonstrar a verdadeira força que estas apresentam. Por um lado como o beijo elas acalmam, sossegam, acarinham e confortam, por outro lado como esperança elas permitem acreditar, seguir em frente e enfrentar obstáculos.
  16. 16. • Segunda estrofe: já na segunda estrofe o poeta orienta mais os seus versos ás pessoas infelizes, referindo que as palavras detêm um poder só se conseguirem ajudar a superar a infelicidade dos maus momentos presentes nas vidas dessas pessoas, “quando a noite perde o rosto”. Esta ajuda, muitas vezes não passa só de uma tentativa, pois é em grande parte recusada, pois estes momentos de mágoa e tristeza transportam-nos para um outro mundo, uma outra realidade em que a única percepção é que tudo é impossível e inalcançável, “Palavras que se recusam/Aos muros do teu desgosto.” • Terceira estrofe: na terceira estrofe é feita uma comparação entre as palavras com a poesia e o amor, “Como a poesia ou o amor”. Isto porque tanto a poesia como o amor, erguem-se a qualquer momento, e geralmente são bastante imprevisíveis, trazendo na sua bagagem uma esperança de dar cor à vida, “De repente coloridas/Entre palavras sem cor”. • Quarta estrofe: na quarta estrofe, o sujeito poético quer essencialmente dar a entender que, quando estamos apaixonados, temos uma vontade louca de escrever o nome do(a) nosso(a) amado(a), “letra a letra”. Quer isto dizer que não importa onde vamos escrever, numa pedra completamente insignificante, num bocado de papel rasgado de um caderno, o importante é transmitir, através da palavra, o nome da pessoa que amamos. O facto de a estrofe surgir entre parêntesis pode representar um único momento do poema, e significa que apesar de uma pequena acção, como escrever um nome num papel, o significado para a pessoa que escreve é grandioso. • Quinta estrofe: na última e quinta estrofe, o autor mostra que as palavras podem ser também partilhadas em silêncio, ou seja, as palavras são ditas, mas não se ouvem, pois os amantes não precisam de falar para saber o que o seu parceiro pensa ou sente, “Ao silêncio dos amantes”.
  17. 17. • Figuras de estilo: 11º verso (Esperadas inesperadas)-oxímoro-contradição de ideias, aproximação de dois termos incompatíveis. 15º verso (No mármore distraído)-personificação- é atribuída uma característica própria de um ser humano a um objecto inanimado.
  18. 18. Conclusão • A Poesia sente-se, compreende-se e interpreta-se. É uma forma de ser imaginária e um mundo de possibilidades, onde as mentiras são verdades e onde o “eu” se torna outra pessoa. O lugar onde as palavras nos enganam e nos fazem sonhar, onde os sonhos se tornam realidade e onde a realidade se torna um sonho. Incrivelmente bela a Poesia está presente na vida de todas as pessoas, num poema ou numa simples frase que chama por nós. O que interessa é ler… Um poema, dois ou três…Uma antologia! • Se um poema já nos faz sonhar por um tempo, imaginemos o que uma antologia nos fará! • Consome-nos num tempo que não passa e num espaço irreal onde cada poema é uma nova aventura e um novo turbilhão de sentimentos. Uma forma de aprender que nos eleva a um patamar cujo único caminho é a Poesia e na qual não existem atalhos para lá chegar…

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