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Poesia amor

Os poemas exploram os diferentes aspectos do amor, como um sentimento complexo e ambíguo. É descrito como um "fogo que arde sem se ver", uma "dor que desatina sem doer", e algo que causa tanto "contentamento descontente" como "terror de amar num sítio tão frágil". Os poemas celebram o amor, mas também reconhecem sua capacidade de causar dor.

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Amor é fogo que arde sem se ver


                Amor é fogo que arde sem se ver;
                 É ferida que dói e não se sente;
                É um contentamento descontente;
                  É dor que desatina sem doer;

              É um não querer mais que bem querer;
                É solitário andar por entre a gente;
                É nunca contentar-se de contente;
               É cuidar que se ganha em se perder;

                 É querer estar preso por vontade;
                É servir a quem vence, o vencedor;
                É ter com quem nos mata lealdade.

                Mas como causar pode seu favor
                Nos corações humanos amizade,
              Se tão contrário a si é o mesmo Amor?




Luís de Camões- (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de Junho de 1580)
Não te Amo

                       Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
                              E eu n 'alma – tenho a calma,
                                   A calma – do jazigo.
                                   Ai! não te amo, não.
                          Não te amo, quero-te: o amor é vida.
                                  E a vida – nem sentida
                                   A trago eu já comigo.
                                   Ai, não te amo, não! /
                            Ai! não te amo, não; e só te quero
                                 De um querer bruto e fero
                                 Que o sangue me devora,
                                 Não chega ao coração. /
                      Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
                                Quem ama a aziaga estrela
                                  Que lhe luz na má hora
                                     Da sua perdição?

                         E quero-te, e não te amo, que é forçado,
                                  De mau, feitiço azado
                                    Este indigno furor.
                                Mas oh! não te amo, não.

                          E infame sou, porque te quero; e tanto
                                Que de mim tenho espanto,
                                   De ti medo e terror...
                               Mas amar!... não te amo, não.




Almeida Garrett- ( Porto 4 de Fevereiro de 1799; - Lisboa em 9 de Dezembro de 1854)
Terror de te amar

               Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
                    Mal de te amar neste lugar de imperfeição
                        Onde tudo nos quebra e emudece
                       Onde tudo nos mente e nos separa




Sophia de Mello Breyner Andresen – (Porto, em 1919-Lisboa 2 de Julho de 2004)
Amor é uma companhia.


                                 Amor é uma companhia
                           Já não sei andar só pelos caminhos,
                              Porque já não posso andar só.
                  Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
             E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo,
                   E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
               Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
         Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

                     Todo eu sou qualquer força que me abandona.
       Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.




                   Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)




Fernando Pessoa- (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)
Todas as cartas de amor são
                 Ridículas.
    Não seriam cartas de amor se não fossem
                   Ridículas.

   Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
                Como as outras,
                   Ridículas.

          As cartas de amor, se há amor,
                    Têm de ser
                     Ridículas.

                     Mas, afinal,
       Só as criaturas que nunca escreveram
                   Cartas de amor
                     É que são
                     Ridículas.

      Quem me dera no tempo em que escrevia
                Sem dar por isso
                 Cartas de amor
                   Ridículas.

               A verdade é que hoje
               As minhas memórias
              Dessas cartas de amor
                    É que são
                    Ridículas.

          (Todas as palavras esdrúxulas,
         Como os sentimentos esdrúxulos,
                São naturalmente
                   Ridículas.)

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)
Há palavras que nos beijam


                            Há palavras que nos beijam
                             Como se tivessem boca.
                         Palavras de amor, de esperança,
                       De imenso amor, de esperança louca.

                             Palavras nuas que beijas
                           Quando a noite perde o rosto;
                             Palavras que se recusam
                            Aos muros do teu desgosto.

                               De repente coloridas
                              Entre palavras sem cor,
                              Esperadas inesperadas
                             Como a poesia ou o amor.

                             (O nome de quem se ama
                               Letra a letra revelado
                               No mármore distraído
                              No papel abandonado)

                          Palavras que nos transportam
                            Aonde a noite é mais forte,
                             Ao silêncio dos amantes
                         Abraçados contra a morte.Abraça




Alexandre O'Neill - (19 de Dezembro de 1924 - Lisboa, 21 de Agosto de 1986)

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Poesia amor

  • 1. Amor é fogo que arde sem se ver Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís de Camões- (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de Junho de 1580)
  • 2. Não te Amo Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma. E eu n 'alma – tenho a calma, A calma – do jazigo. Ai! não te amo, não. Não te amo, quero-te: o amor é vida. E a vida – nem sentida A trago eu já comigo. Ai, não te amo, não! / Ai! não te amo, não; e só te quero De um querer bruto e fero Que o sangue me devora, Não chega ao coração. / Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela. Quem ama a aziaga estrela Que lhe luz na má hora Da sua perdição? E quero-te, e não te amo, que é forçado, De mau, feitiço azado Este indigno furor. Mas oh! não te amo, não. E infame sou, porque te quero; e tanto Que de mim tenho espanto, De ti medo e terror... Mas amar!... não te amo, não. Almeida Garrett- ( Porto 4 de Fevereiro de 1799; - Lisboa em 9 de Dezembro de 1854)
  • 3. Terror de te amar Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa Sophia de Mello Breyner Andresen – (Porto, em 1919-Lisboa 2 de Julho de 2004)
  • 4. Amor é uma companhia. Amor é uma companhia Já não sei andar só pelos caminhos, Porque já não posso andar só. Um pensamento visível faz-me andar mais depressa E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo, E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. Todo eu sou qualquer força que me abandona. Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio. Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa) Fernando Pessoa- (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)
  • 5. Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas.) Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)
  • 6. Há palavras que nos beijam Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte.Abraça Alexandre O'Neill - (19 de Dezembro de 1924 - Lisboa, 21 de Agosto de 1986)
  • 7. Nascemos para amar; a humanidade Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura, tu és doce atractivo, oh formosura, que encanta, que seduz, que persuade. Enleia-se por gosto a liberdade; E depois que a paixão n'alma se apura, alguns então lhe chamam desventura, chamam-lhe alguns então felicidade. Qual se abisma nas lôbregas tristezas, qual em suaves júbilos discorre, com esperanças mil na ideia acesas. Amor ou desfalece, ou pára, ou corre; E, segundo as diversas naturezas Um porfia, este esquece, aquele morre. Manuel Maria Barbosa du Bocage - (Setúbal,1765– Lisboa 1805)
  • 8. Este é o poema do amor. O poema que o poeta propositadamente escreveu só para falar de amor, de amor, de amor, de amor, para repetir muitas vezes amor, amor, amor, amor. Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico contar as palavras que o poeta escreveu, tantos que, tantos se, tantos lhe, tantos tu, tantos ela, tantos eu, conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu foi amor, amor, amor. António Gedeão - (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 - Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997)
  • 9. Urgentemente É urgente o amor. É urgente um barco no mar. é urgente destruir certas palavras. odio, solidão e crueldade, alguns lamentos muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923-Porto, 13 de Junho de 2005)
  • 10. Amar! Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: Aqui... além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!... Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente! Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! E se um dia hei de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder... pra me encontrar... Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930)