Escola Secundária Sá       de Miranda          As Personagens: Caracterização                               transmitem, sã...
Escola Secundária Sá   de Mirandamotivado por interesses individuais: a manutenção do seu posto e              Gomes Frei...
Escola Secundária Sá   de MirandaParalelismo passado/condições históricas dos anos 60                     Povo reprimido ...
Escola Secundária Sá   de MirandaEspaço social: meio social em que estão inseridas as personagens,     Para Matilde, estas...
Escola Secundária Sá   de Mirandaassociada à vida, à saúde e à felicidade, a noite e as trevasrelacionam-se com o mal, a i...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

As personagens de felizmente há luar caracterização

27.591 visualizações

Publicada em

0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
27.591
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
134
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
377
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

As personagens de felizmente há luar caracterização

  1. 1. Escola Secundária Sá de Miranda As Personagens: Caracterização transmitem, são também a denúncia do absurdo a que a intolerância e a violência dos homens conduzem.Gomes Freire: homem instruído, letrado ("um estrangeirado"), ummilitar que sempre lutou em prol da honestidade e da justiça. É Sousa Falcão: é o amigo de todas as horas, é o amigo fiel em quemtambém o símbolo da modernidade e do progresso, adepto das se pode confiar e que está sempre pronto a exprimir a suanovas ideias liberais e, por isso, considerado subversivo e perigoso solidariedade e amizade. No entanto, ele próprio tem consciênciapara o poder instituído. Assim, quando é necessário encontrar de que, muitas vezes, não actuou de forma consentânea com osuma vítima que simbolize uma situação de revolta que se adivinha, seus ideais, faltando-lhe coragem para passar à acção.Gomes Freire é a personagem ideal. Ele é o símbolo da luta pela Vicente, o traidor: elemento do povo, trai os seus iguais,liberdade, da defesa intransigente dos ideais, daí que a sua chegando mesmo a provocá-los, apenas lhe interessando a suapresença se torne incómoda não só para os "reis do Rossio", mas ascensão político-social. Apesar da repulsa/antipatia que astambém para os senhores do regime fascizante dos anos 60. A sua atitudes de Vicente possam provocar ao público/leitor, o que émorte, duplamente aviltante para um militar (ele é enforcado e facto é que não se lhe pode negar nem lucidez nem acuidade nadepois queimado, quando a sentença para um militar seria o análise que faz da sua situação de origem e da força corruptora dofuzilamento), servirá de lição a todos aqueles que ousem afrontar poder. Vicente é uma personagem incómoda, talvez porque noso poder político e também, de certa forma, económico, faça olhar para dentro de nós próprios, acordando másrepresentado pela tença que Beresford recebe (16.000$00 anuais, consciências adormecidas.uma fortuna para a época!) e que se arriscaria a perder se GomesFreire chegasse ao poder. Manuel, Rita: símbolos do povo oprimido e esmagado, têm consciência da injustiça em que vivem, sabem que são simplesMatilde de Sousa: companheira de todas as horas de Gomes joguetes nas mãos dos poderosos, mas sentem-se impotentesFreire, é ela que dá voz à injustiça sofrida pelo seu homem. As suas para alterar a situação. Vêem em Gomes Freire uma espécie defalas, imbuídas de dor e revolta, constituem também uma Messias e daí, talvez, a sua agressividade em relação a Matilde,denúncia da falsidade e da hipocrisia do Estado e da Igreja. Todas após a prisão do general, quando ela lhes pede que se revoltem eas tiradas de Matilde revelam uma clara lucidez e uma verdadeira que a ajudem a libertar o seu homem. A prisão de Gomes Freire écoragem na análise que faz de toda a teia que envolve a prisão e uma espécie de traição à esperança que o povo nele depositava.condenação de Gomes Freire. No entanto, a consciência da Podem também simbolizar a desesperança, a desilusão, ainevitabilidade do martírio do seu homem (e daí o carácter épico frustração de toda uma legião de miseráveis face à quaseda personagem de Gomes Freire) arrasta-a para um delírio final em impossibilidade de mudança da situação opressiva em que vivem.que, envergando a saia verde que o general lhe oferecera em Paris(símbolo de esperança num futuro diferente?), Matilde dialoga Beresford: personagem cínica e controversa, aparece comocom Gomes Freire vivendo momentos de alucinação intensa e alguém que, desassombradamente, assume o processo de Gomesdramática. Estes momentos finais, pelo carácter surreal que Freire, não como um imperativo nacional ou militar, mas apenas Português 12º ano Luís de Sttau Monteiro – Felizmente há Luar
  2. 2. Escola Secundária Sá de Mirandamotivado por interesses individuais: a manutenção do seu posto e  Gomes Freire, pela coragem, determinação e defesada sua tença anual. A sua posição face a toda a trama que envolve intransigente dos ideais de liberdade;Gomes Freire é nitidamente de distanciamento crítico e irónico,  Matilde de Melo, pela nobreza moral, pelo conflito que viveacabando por revelar a sua antipatia face ao catolicismo caduco e entre os seus "humanos" sentimentos e a progressivaao exercício incompetente do poder, que marcam a realidadeportuguesa. consciencialização do seu dever de verdadeira patriota. A simplicidade da acção e o despojamento cénico.D. Miguel: é o protótipo do pequeno tirano, inseguro e O desenlace final: o martírio e a morte de Gomes Freire.prepotente, avesso ao progresso, insensível à injustiça e à miséria.Todo o seu discurso gira em torno de uma lógica oca e Aspectos simbólicosdemagógica, construindo verdades falsas em que talvez acabe A moeda de cinco réis: a moeda que Matilde pede a Rita assume,mesmo por acreditar. Os argumentos do "ardor patriótico", da assim, um valor simbólico, teatralmente simbólico. Assinala oconstrução de "um Portugal próspero e feliz, com um povo reencontro de personagens em busca da História, por um lado, e,simples, bom e confiante, que viva lavrando e defendendo a terra, por outro, é o penhor de honra que Matilde, emblematicamente,com os olhos postos no Senhor", são o eco fiel do discurso político usará ao peito, como "uma medalha".dos anos 60. D. Miguel e o Principal Sousa são talvez as duas A fogueira não era destinada à execução de militares. No entanto,personagens mais execráveis de todo o texto pela falsidade e Gomes Freire, após ser enforcado, foi queimado. Contudo, aquilohipocrisia que veiculam. que inicialmente é aviltante acaba por assumir um carácter redentor. Na verdade, o fogo simboliza também a purificação, aPrincipal Sousa: para além da hipocrisia e da falta de valores éticos morte da "velha ordem" e o ponto de partida para um mundoque esta personagem transmite, o Principal Sousa simboliza novo e diferente.também o conluio entre a igreja, enquanto instituição, e o poder e O título: a frase "Felizmente há luar" é proferida por duasa demissão da primeira em relação à denúncia das verdadeiras personagens de "mundos" diferentes: por D. Miguel, símbolo doinjustiças. Nas palavras do Principal Sousa é igualmente possível Poder (Acto II, pág. 131), e por Matilde, símbolo da resistência (nodetectar os fundamentos da política do "orgulhosamente sós" dos final do Acto II, pág. 140). Assim, e tendo em conta a estruturaanos 60. dual que organiza o texto, será fácil detectar a importância do luarAndrade Corvo e Morais Sarmento: são os delatores por para cada uma das personagens. Para D. Miguel, o luar permitiráexcelência, aqueles a quem não repugna trair ou abdicar dos que o clarão da fogueira atemorize todos aqueles que queiramideais, para servirem obscuros "propósitos patrióticos". lutar pela liberdade; para Matilde, o luar sublinhará a intensidade do fogo que simboliza a coragem e a força de um homem, queCarácter Apoteótico morreu para defender a liberdade.Carácter excepcional das personagens: Português 12º ano Luís de Sttau Monteiro – Felizmente há Luar
  3. 3. Escola Secundária Sá de MirandaParalelismo passado/condições históricas dos anos 60  Povo reprimido e explorado; Tempo da História (século XIX - 1817)  Miséria, medo e analfabetismo;  Agitação social que levou à revolta liberal de 1820 -  Obscurantismo, mas crença nas mudanças; conspirações internas; revolta contra a presença da Corte  Luta contra o regime totalitário e ditatorial; no Brasil e influência do exército britânico;  Agitação social e política com militares antifascistas a  Regime absolutista e tirânico protestarem;  Classes sociais fortemente hierarquizadas;  Perseguições da PIDE;  Classes dominantes com medo de perder privilégios;  Denúncias dos chamados "bufos", que surgem na sombra e  Povo oprimido e resignado; se disfarçam, para colher informações e denunciar;  A "miséria, o medo e a ignorância";  Censura à imprensa;  Obscurantismo, mas "felizmente há luar";  Prisão e duras medidas de repressão e de tortura;  Luta contra a opressão do regime absolutista;  Condenação em processos sem provas.  Manuel, "o mais consciente dos populares", denuncia a opressão e a miséria; Tempo Tempo histórico: século XIX.  Perseguições dos agentes de Beresford; Tempo da escrita: 1961, época dos conflitos entre a oposição e o  As denúncias de Vicente, Andrade Corvo e Morais regime salazarista. Sarmento que, hipócritas e sem escrúpulos, denunciam; Tempo da representação: 1h30m/2h.  Censura; Tempo da acção dramática: a acção está concentrada em 2 dias.  Severa repressão dos conspiradores; Tempo da narração: informações respeitantes a eventos não  Processos sumários e pena de morte; dramatizados, ocorridos no passado, mas importantes para o  Execução do General Gomes Freire. desenrolar da acção. Tempo da escrita (século XX - 1961)  Agitação social dos anos 60 - conspirações internas; Espaço Espaço físico: a acção desenrola-se em diversos locais, exteriores principal irrupção da guerra colonial; e interiores, mas não há nas indicações cénicas referentes a  Regime ditatorial de Salazar; cenários diferentes.  Maior desigualdade entre abastados e pobres;  Classes exploradas, com reforço do seu poder; Português 12º ano Luís de Sttau Monteiro – Felizmente há Luar
  4. 4. Escola Secundária Sá de MirandaEspaço social: meio social em que estão inseridas as personagens, Para Matilde, estas palavras são fruto de um sofrimentohavendo vários espaços sociais, distinguindo-se uns dos outros interiorizado reflectido, são a esperança e o não conformismopelo vestuário e pela linguagem das várias personagens. nascidos após a revolta, a luz que vence as trevas, a vida que triunfa da morte. A luz do luar (liberdade) vencerá a escuridão daO título noite (opressão) e todos poderão contemplar, enfim, a injustiçaO título da peça aparece duas vezes ao longo da peça, ora inserido que está a ser praticada e tirar dela ilação.nas falas de um dos elementos do poder - D. Miguel - ora inserido Há que imperiosamente lutar no presente pelo futuro e dizer nãona fala final de Matilde. Em primeiro lugar é curioso e simbólico o à opressão e falta de liberdade, há que seguir a luz redentora efacto de o título coincidir com as palavras finais da obra, o que trilhar um caminho novo.desde logo lhe confere circularidade. Elementos simbólicos  Página 131 - D. Miguel: salientando o efeito dissuasor das Saia verde: encontra-se associada à felicidade e foi comprada execuções, querendo que o castigo de Gomes Freire se numa terra de liberdade: Paris, no Inverno, com o dinheiro da torne num exemplo; venda de duas medalhas. "Alegria no reencontro"; a saia é uma  Página 140 - Matilde: na altura da execução são proferidas peça eminentemente feminina e o verde encontra-se destinado à palavras de coragem e estímulo, para que o povo se revolte esperança de que um dia se reponha a justiça. Sinal do amor contra a tirania. verdadeiro e transformador, pois Matilde, vencendo aparentemente a dor e revolta iniciais, comunica aos outrosNum primeiro momento, o título representa as trevas e o esperança através desta simples peça de vestuário. O verde é a corobscurantismo; num segundo momento, representa a caminhada predominante na natureza e dos campos na Primavera,da sociedade em busca da liberdade. associando-se à força, à fertilidade e à esperança.Como facilmente se constata a mesma frase é proferida por Título: duas vezes mencionado, inserido nas falas das personagenspersonagens pertencentes a mundos completamente opostos: D. (por D.Miguel, que salienta o efeito dissuador das execuções e porMiguel, símbolo do poder, e Matilde, símbolo da resistência e do Matilde, cujas palavras remetem para um estímulo para que oanti-poder. Porém o sentido veiculado pelas mesmas palavras povo se revolte).altera-se em virtude de uma afirmação dar lugar a uma eufórica A luz: como metáfora do conhecimento dos valores do futuroexclamação. (igualdade, fraternidade e liberdade), que possibilita o progressoPara D. Miguel, o luar permitiria que as pessoas vissem mais do mundo, vencendo a escuridão da noite (opressão, falta defacilmente o clarão da fogueira, isso faria com que elas ficassem liberdade e de esclarecimento), advém quer da fogueira quer doatemorizadas e percebessem que aquele é o fim último de quem luar. Ambas são a certeza de que o bem e a justiça triunfarão, nãoafronta o regime. A fogueira teria um efeito dissuasor. obstante todo o sofrimento inerente a eles. Se a luz se encontra Português 12º ano Luís de Sttau Monteiro – Felizmente há Luar
  5. 5. Escola Secundária Sá de Mirandaassociada à vida, à saúde e à felicidade, a noite e as trevasrelacionam-se com o mal, a infelicidade, o castigo, a perdição e amorte. A luz representa a esperança num momento trágico.Noite: mal, castigo, morte, símbolo do obscurantismo.Lua: simbolicamente, por estar privada de luz própria, nadependência do Sol e por atravessar fases, mudando de forma,representa: dependência, periodicidade. A luz da lua, devido aosciclos lunares, também se associa à renovação. A luz do luar é aforça extraordinária que permite o conhecimento e a lua poderásimbolizar a passagem da vida para a morte e vice-versa, o quealiás, se relaciona com a crença na vida para além da morte.Luar: duas conotações: para os opressores, mais pessoas ficarãoavisadas e para os oprimidos, mais pessoas poderão um dia seguiressa luz e lutar pela liberdade.Fogueira: D. Miguel Forjaz - ensinamento ao povo; Matilde - achama mantém-se viva e a liberdade há-de chegar. O fogo é umelemento destruidor e ao mesmo tempo purificador eregenerador, sendo a purificação pela água complementada pelado fogo. Se no presente a fogueira se relaciona com a tristeza eescuridão, no futuro relacionar-se-á com esperança e liberdade.Moeda de cinco reis: símbolo do desrespeito que os maispoderosos mantinham para com o próximo, contrariando osmandamentos de Deus.Tambores: símbolo da repressão sempre presente. Português 12º ano Luís de Sttau Monteiro – Felizmente há Luar

×