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HOMEM E SOCIEDADE
CULTURA: UM CONCEITO
ANTROPOLÓGICO
Roque de Barros Laraia
Determinismo Biológico
• Os antropólogos estão totalmente convencidos
  de que as diferenças genéticas não são
  determinantes das diferenças culturais.
• Segundo Felix Keesing, “não existe correlação
  significativa entre a distribuição dos caracteres
  genéticos e a distribuição dos comportamentos
  culturais. Qualquer criança humana normal pode
  ser educada em qualquer cultura, se for colocada
  desde o início em situação conveniente de
  aprendizado”.
•A     espécie humana se diferencia anatômica e
  fisiologicamente através do dimorfismo sexual (macho e
  fêmea de uma mesma espécie com formas
  diferentes), mas é falso que as diferenças de
  comportamento existentes entre as pessoas de sexos
  diferentes sejam determinadas biologicamente.
• o comportamento dos indivíduos depende de um
  aprendizado, de um processo que chamamos de
  endoculturação. Um menino e uma menina agem
  diferentemente não em função de seus hormônios, mas
  em decorrência de uma educação diferenciada.
Determinismo Geográfico
• O determinismo geográfico considera que as diferenças
 do ambiente físico condicionam a diversidade cultural.
•A      partir    de    1920,      antropólogos      como
 Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, refutaram este tipo
 de determinismo e demonstraram que existe uma
 limitação na influência geográfica sobre os fatores
 culturais.
• Não    é possível admitir a ideia do determinismo
  geográfico, ou seja, a admissão da “ação mecânica das
  forças naturais sobre uma humanidade puramente
  receptiva”.
• A posição da moderna Antropologia é que a “cultura age
  seletivamente”, e não casualmente, sobre o meio
  ambiente, “explorando determinadas possibilidades e
  limites de desenvolvimento, para o qual as forças
  decisivas estão na própria cultura e na história da
  cultura”.
ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO
CONCEITO DE CULTURA
• O termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar
  todos os aspectos espirituais de uma comunidade.
• A palavra francesa Civilization referia-se principalmente
  às realizações materiais de um povo.
• Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor
  (1832- 1917) no vocábulo inglês Culture.
• Culture,   “tomado em seu amplo sentido
  etnográfico é este todo complexo que inclui
  conhecimentos, crenças, arte, moral, leis,
  costumes ou qualquer outra capacidade ou
  hábitos adquiridos pelo homem como membro de
  uma sociedade”.
• Em 1871, Tylor definiu cultura como sendo todo
  comportamento aprendido, tudo aquilo que
  independe de uma transmissão genética, como
  diríamos hoje.
IDEIA SOBRE A ORIGEM DA CULTURA
• Claude Lévi-Strauss, o mais destacado antropólogo
  francês, considera que a cultura surgiu no momento em
  que o homem convencionou a primeira regra, a primeira
  norma.
• Para Lévi-Strauss, esta seria a proibição do
  incesto, padrão de comportamento comum a todas as
  sociedades humanas. Todas elas proíbem a relação
  sexual de um homem com certas categorias de mulheres
  (entre nós, a mãe, a filha e a irmã).
• Leslie       White,      antropólogo    norte-americano
  contemporâneo, considera que a passagem do estado
  animal para o humano ocorreu quando o cérebro do
  homem foi capaz de gerar símbolos.
• White afirma: “todos os símbolos devem ter uma forma
  física, pois do contrário não podem penetrar em nossa
  experiência, mas seu significado não pode ser percebido
  pelos sentidos”. Ou seja, para perceber o significado de
  um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou.
• Alguns pensadores católicos, preocupados com
  a   conciliação    entre    a    doutrina  e   a
  ciência, defendiam que o homem adquiriu cultura
  no momento em que recebeu do Criador uma
  alma imortal.
• A cultura desenvolveu-se, pois, simultaneamente
  com o próprio equipamento biológico e é, por
  isso mesmo, compreendida como uma das
  características da espécie, ao lado do bipedismo
  e de um adequado volume cerebral.
TEORIAS MODERNAS SOBRE A
CULTURA
• Keesing     refere-se, inicialmente, às teorias que
  consideram a cultura como um sistema adaptativo.
• Culturas são sistemas (de padrões de comportamento
  socialmente transmitidos) que servem para adaptar as
  comunidades humanas aos seus embasamentos
  biológicos.
• Mudança cultural é primariamente um processo de
  adaptação equivalente à seleção natural.
• A tecnologia, a economia de subsistência e os
  elementos da organização social diretamente
  ligada à produção constituem o domínio mais
  adaptativo da cultura.
• Os componentes ideológicos dos sistemas
  culturais podem ter consequências adaptativas
  no controle da população, da subsistência, da
  manutenção do ecossistema, etc.”
• Para    W. Goodenough, cultura é um sistema de
  conhecimento: “consiste em tudo aquilo que alguém tem
  de conhecer ou acreditar para operar de maneira
  aceitável dentro de sua sociedade”.
• Para Geertz, todos os homens são geneticamente aptos
  para receber um programa, e este programa é o que
  chamamos cultura. A criança está apta ao nascer a ser
  socializada em qualquer cultura existente. Esta amplitude
  de possibilidades, entretanto, será limitada pelo contexto
  real e específico onde de fato ela crescer.
• David      Schneider tem uma abordagem
  distinta, embora em muitos pontos semelhante à
  de Geertz.
• “Cultura é um sistema de símbolos e significados.
  Compreende categorias ou unidades e regras
  sobre relações de modos de comportamento. O
  status epistemológico das unidades ou „coisas‟
  culturais não depende da sua observabilidade:
  mesmo fantasmas e pessoas mortas podem ser
  categorias culturais”.
A CULTURA CONDICIONA A VISÃO DE
MUNDO DO HOMEM
• O modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e
  valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as
  posturas corporais são produtos de uma herança cultural, ou seja, o
  resultado da operação de uma determinada cultura.
• As pessoas não se chocam apenas porque as outras comem coisas
  diferentes, mas também pela maneira como agem à mesa. Como
  utilizamos garfos, surpreendemo-nos com o uso dos palitos pelos
  japoneses e das mãos pelos indianos.
• Em algumas sociedades o ato de comer pode ser público,
  em outras uma atividade privada. Alguns rituais de boas
  maneiras exigem um forte arroto, após a refeição, como
  sinal de agrado da mesma. Tal fato, entre nós, seria
  considerado, no mínimo, como indicador de má
  educação.
• Entre os latinos, o ato de comer é um verdadeiro rito
  social, segundo o qual, em horas determinadas, a família
  deve toda se sentar à mesa, com o chefe na cabeceira, e
  somente iniciar a alimentação, em alguns casos, após a
  prece.
• O homem tem despendido grande parte da sua história
  na Terra, separado em pequenos grupos, cada um com
  sua própria linguagem, sua visão de mundo, seus
  costumes e expectativas.
• O fato de que o homem vê o mundo por meio de sua
  cultura tem como consequência a propensão em
  considerar seu modo de vida como o mais correto e o
  mais    natural.   Tal   tendência,    denominada de
  etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos
  pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.
•O    etnocentrismo, de fato, é um fenômeno
  universal. É comum a crença de que a própria
  sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo
  sua única expressão. As autodenominações de
  diferentes grupos refletem este ponto de vista.
• Tais crenças contêm o germe do racismo e da
  intolerância, e, frequentemente, são utilizadas
  para justificar a violência praticada contra os
  outros.
A CULTURA INTERFERE NO PLANO
BIOLÓGICO
• As doenças psicossomáticas são fortemente influenciadas pelos
  padrões culturais.
• Muitos brasileiros, por exemplo, dizem padecer de doenças do
  fígado, embora grande parte dos mesmos ignore até a localização do
  órgão.
• Entre nós é também comum os sintomas de mal-estar provocados
  pela ingestão combinada de alimentos. Quem acredita que o leite e a
  manga constituem uma combinação perigosa, certamente sentirá um
  forte incômodo estomacal se ingerir simultaneamente esses
  alimentos.
• A cultura também é capaz de provocar curas de
  doenças, reais ou imaginárias. Estas curas
  ocorrem quando existe a fé do doente na eficácia
  do remédio ou no poder dos agentes culturais.
• O que importa é que o doente é tomado de uma
  sensação de alívio, e em muitos casos a cura se
  efetiva.
A CULTURA TEM UMA LÓGICA
PRÓPRIA
• Todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não
  passa de um ato primário de etnocentrismo tentar
  transferir a lógica de um sistema para outro.
  Infelizmente, a tendência mais comum é de considerar
  lógico apenas o próprio sistema e atribuir aos demais um
  alto grau de irracionalismo.
• A coerência de um hábito cultural somente pode ser
  analisada a partir do sistema a que pertence.
• Rodney Needham, antropólogo inglês, afirma
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Homen e Sociedade - Cultura e Antropologia Aula 3

  • 1. HOMEM E SOCIEDADE CULTURA: UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO Roque de Barros Laraia
  • 2. Determinismo Biológico • Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais. • Segundo Felix Keesing, “não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado”.
  • 3. •A espécie humana se diferencia anatômica e fisiologicamente através do dimorfismo sexual (macho e fêmea de uma mesma espécie com formas diferentes), mas é falso que as diferenças de comportamento existentes entre as pessoas de sexos diferentes sejam determinadas biologicamente. • o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo que chamamos de endoculturação. Um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada.
  • 4. Determinismo Geográfico • O determinismo geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural. •A partir de 1920, antropólogos como Boas, Wissler, Kroeber, entre outros, refutaram este tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência geográfica sobre os fatores culturais.
  • 5. • Não é possível admitir a ideia do determinismo geográfico, ou seja, a admissão da “ação mecânica das forças naturais sobre uma humanidade puramente receptiva”. • A posição da moderna Antropologia é que a “cultura age seletivamente”, e não casualmente, sobre o meio ambiente, “explorando determinadas possibilidades e limites de desenvolvimento, para o qual as forças decisivas estão na própria cultura e na história da cultura”.
  • 6. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO CONCEITO DE CULTURA • O termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade. • A palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. • Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor (1832- 1917) no vocábulo inglês Culture.
  • 7. • Culture, “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. • Em 1871, Tylor definiu cultura como sendo todo comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética, como diríamos hoje.
  • 8. IDEIA SOBRE A ORIGEM DA CULTURA • Claude Lévi-Strauss, o mais destacado antropólogo francês, considera que a cultura surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a primeira norma. • Para Lévi-Strauss, esta seria a proibição do incesto, padrão de comportamento comum a todas as sociedades humanas. Todas elas proíbem a relação sexual de um homem com certas categorias de mulheres (entre nós, a mãe, a filha e a irmã).
  • 9. • Leslie White, antropólogo norte-americano contemporâneo, considera que a passagem do estado animal para o humano ocorreu quando o cérebro do homem foi capaz de gerar símbolos. • White afirma: “todos os símbolos devem ter uma forma física, pois do contrário não podem penetrar em nossa experiência, mas seu significado não pode ser percebido pelos sentidos”. Ou seja, para perceber o significado de um símbolo é necessário conhecer a cultura que o criou.
  • 10. • Alguns pensadores católicos, preocupados com a conciliação entre a doutrina e a ciência, defendiam que o homem adquiriu cultura no momento em que recebeu do Criador uma alma imortal. • A cultura desenvolveu-se, pois, simultaneamente com o próprio equipamento biológico e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características da espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.
  • 11. TEORIAS MODERNAS SOBRE A CULTURA • Keesing refere-se, inicialmente, às teorias que consideram a cultura como um sistema adaptativo. • Culturas são sistemas (de padrões de comportamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. • Mudança cultural é primariamente um processo de adaptação equivalente à seleção natural.
  • 12. • A tecnologia, a economia de subsistência e os elementos da organização social diretamente ligada à produção constituem o domínio mais adaptativo da cultura. • Os componentes ideológicos dos sistemas culturais podem ter consequências adaptativas no controle da população, da subsistência, da manutenção do ecossistema, etc.”
  • 13. • Para W. Goodenough, cultura é um sistema de conhecimento: “consiste em tudo aquilo que alguém tem de conhecer ou acreditar para operar de maneira aceitável dentro de sua sociedade”. • Para Geertz, todos os homens são geneticamente aptos para receber um programa, e este programa é o que chamamos cultura. A criança está apta ao nascer a ser socializada em qualquer cultura existente. Esta amplitude de possibilidades, entretanto, será limitada pelo contexto real e específico onde de fato ela crescer.
  • 14. • David Schneider tem uma abordagem distinta, embora em muitos pontos semelhante à de Geertz. • “Cultura é um sistema de símbolos e significados. Compreende categorias ou unidades e regras sobre relações de modos de comportamento. O status epistemológico das unidades ou „coisas‟ culturais não depende da sua observabilidade: mesmo fantasmas e pessoas mortas podem ser categorias culturais”.
  • 15. A CULTURA CONDICIONA A VISÃO DE MUNDO DO HOMEM • O modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determinada cultura. • As pessoas não se chocam apenas porque as outras comem coisas diferentes, mas também pela maneira como agem à mesa. Como utilizamos garfos, surpreendemo-nos com o uso dos palitos pelos japoneses e das mãos pelos indianos.
  • 16. • Em algumas sociedades o ato de comer pode ser público, em outras uma atividade privada. Alguns rituais de boas maneiras exigem um forte arroto, após a refeição, como sinal de agrado da mesma. Tal fato, entre nós, seria considerado, no mínimo, como indicador de má educação. • Entre os latinos, o ato de comer é um verdadeiro rito social, segundo o qual, em horas determinadas, a família deve toda se sentar à mesa, com o chefe na cabeceira, e somente iniciar a alimentação, em alguns casos, após a prece.
  • 17. • O homem tem despendido grande parte da sua história na Terra, separado em pequenos grupos, cada um com sua própria linguagem, sua visão de mundo, seus costumes e expectativas. • O fato de que o homem vê o mundo por meio de sua cultura tem como consequência a propensão em considerar seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada de etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais.
  • 18. •O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal. É comum a crença de que a própria sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo sua única expressão. As autodenominações de diferentes grupos refletem este ponto de vista. • Tais crenças contêm o germe do racismo e da intolerância, e, frequentemente, são utilizadas para justificar a violência praticada contra os outros.
  • 19. A CULTURA INTERFERE NO PLANO BIOLÓGICO • As doenças psicossomáticas são fortemente influenciadas pelos padrões culturais. • Muitos brasileiros, por exemplo, dizem padecer de doenças do fígado, embora grande parte dos mesmos ignore até a localização do órgão. • Entre nós é também comum os sintomas de mal-estar provocados pela ingestão combinada de alimentos. Quem acredita que o leite e a manga constituem uma combinação perigosa, certamente sentirá um forte incômodo estomacal se ingerir simultaneamente esses alimentos.
  • 20. • A cultura também é capaz de provocar curas de doenças, reais ou imaginárias. Estas curas ocorrem quando existe a fé do doente na eficácia do remédio ou no poder dos agentes culturais. • O que importa é que o doente é tomado de uma sensação de alívio, e em muitos casos a cura se efetiva.
  • 21. A CULTURA TEM UMA LÓGICA PRÓPRIA • Todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não passa de um ato primário de etnocentrismo tentar transferir a lógica de um sistema para outro. Infelizmente, a tendência mais comum é de considerar lógico apenas o próprio sistema e atribuir aos demais um alto grau de irracionalismo. • A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que pertence.
  • 22. • Rodney Needham, antropólogo inglês, afirma que cada cultura ordenou a seu modo o mundo que a circunscreve e que esta ordenação dá um sentido cultural à aparente confusão das coisas naturais.