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  6. 6. OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasDOSSIÊ ESPORTEUm estudo sobre o esporte na vida do brasileiro
  7. 7. 13OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasÍndicePrefácio 15Metodologia 16Esporte s.m. 27O esporte na vida do brasileiro 59Praticar e assistir 61Como o brasileiro pratica 68Como o brasileiro assiste 73Os benefícios do esporte 78O brasileiro e o esporte: segmentação 83Publicidade & Patrocínio 87Ídolos e torcidas 99O PIB do esporte 127
  8. 8. 14 15OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasPrefácioO esporte é tema tão popular quanto a religião e tão desconhecido quanto umcostume exótico. Este estudo parte da ancestralidade ritual do esporte na GréciaAntiga e acompanha a sua evolução social até os nossos dias, numa pesquisaampla sobre as dimensões básicas da vida esportiva. Eis a distância entre o ver epraticar, eis a relação entre ídolos e torcidas, eis os números surpreendentes do PIBesportivo no Brasil e no mundo.Do ponto de vista de um antropólogo social fascinado pelo assunto, o que maisme chama a atenção é que a narrativa é construída em cima de entrevistas, o quepermite avaliar com riqueza de perspectiva o modo pelo qual a nossa sociedadeconcebe e vivencia o esporte, inclusive nas suas formas mais populares.O dossiê demonstra como o esporte ultrapassa a esfera do entretenimento, comoindústria cultural e de massa. É também fonte de identidades que se cruzam coma segmentação econômica, social e política dos seus espectadores e praticantes,criando mais um sistema de emblemas coletivos. Emblemas que, ao definir aspessoas como praticantes deste ou daquele esporte, ou como admiradores deste oudaquele time ou atleta, separa ou reúne ricos e pobres, doutos e analfabetos, empapéis sociais que podem ou não combinar com sua posição social.A investigação do ídolo e do espectador ajuda a descobrir como os grandescraques servem de modelo social e moral para a pessoa comum, como exemplos decomportamento a serem seguidos ou evitados. São equivalentes éticos dos santosque, antigamente, ocupavam tal lugar no imaginário popular.A pesquisa mostra, ainda, que os valores do mundo esportivo — regras fixas quevalem para todos, respeito pelos árbitros e, sobretudo, o rodízio entre vitória ederrota — reforçam implicitamente elementos básicos da vida democrática, ondeo adversário não se confunde com o inimigo e o vencer não legitima nenhumaperpetuidade no topo da lista. É jogo jogado em campo e fora dele.Roberto DaMatta
  9. 9. 16 17OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasMetodologiaO estudo que deu origem ao Dossiê Esporte foi realizado pela Ipsos Marplan, entresetembro de 2005 e junho de 2006, em quatro fases:• Discussões em grupo, com o duplo objetivo de investigar de forma amplao esporte na vida das pessoas e subsidiar a pesquisa quantitativa. Foram 20 gruposcom pessoas de 7 a 69 anos, das classes ABC, em São Paulo e Rio de Janeiro, denovembro de 2005 a janeiro de 2006.• Pesquisa quantitativa, com o objetivo de mensurar as questões relativasao esporte, por meio de entrevistas pessoais e domiciliares. Foram realizadas2.338 entrevistas também com pessoas de 7 a 69 anos, das classes ABC, nas noveprincipais praças brasileiras*, de março de 2006 a junho de 2006.• Entrevistas em profundidade com personalidades do esporte e deuniversos relacionados a ele, com o objetivo de desenvolver de forma aprofundadae individual as questões relativas ao esporte e agregar ao estudo a visão dosespecialistas. Foram realizadas 19 entrevistas em profundidade, de novembro de2005 a junho de 2006.• Desk Research, com o objetivo de prover informações de referênciasobre as diferentes dimensões do esporte, utilizadas como pano de fundo paraos resultados da pesquisa com a população e das entrevistas em profundidade,através de informações advindas de organizações, publicações, autores e entidadesrelacionados ao esporte. Realizada de setembro de 2005 a abril de 2006.Os diferentes resultados - quantitativos e qualitativos - foram integrados paraproporcionar insights e conclusões utilizados como base para o Dossiê Esporte.*Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Grande Recife, Fortaleza, Brasília, Curitiba, Grande BeloHorizonte, Grande Porto Alegre, Grande Salvador.Distribuição da amostra, fasequantitativaTotal de entrevistados: 2.338Por classe socialClasse A: 291Classe B: 909Classe C: 1.138Por gêneroHomens: 1.118Mulheres: 1.220Por mercadoSão Paulo: 833Rio de Janeiro: 541Belo Horizonte: 185Porto Alegre: 184Recife: 123Curitiba: 119Brasília: 127Fortaleza: 95Salvador: 131Por faixa etária7 a 9 anos: 13510 a 12: 13413 a 17: 23218 a 24: 34225 a 34: 42035 a 44: 38845 a 49: 17650 a 59: 25160 a 69: 260
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  14. 14. 26 27OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasEsporte s.m.
  15. 15. 28 29OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasSegundo o site da Fifa, a audiênciaacumulada nas 112 partidas da Copado Mundo de 2006 ultrapassou os 32bilhões de telespectadores. Audiênciasemelhante, senão maior, é esperadanas Olimpíadas de Pequim, dentro dedois anos. Entre a festa de Berlim e ade Pequim, haverá o CampeonatoMundial de Atletismo de Paris (203países), os Jogos da ComunidadeBritânica na Austrália (53 países), aCopa do Mundo de Rugby na França(20 países), duas temporadas docampeonato mundial de Fórmula 1,duas de futebol americano e centenasde torneios nacionais e internacionaisde futebol, vôlei, basquete, tênis, golfe,hóquei no gelo e até peteca.Todas essas competições têm algoem comum, além da excitação dastorcidas e do frenesi dos vendedores decerveja e cachorro-quente. São liturgiasorganizadas para satisfazer a crescenteobsessão mundial com o esporte.Essa obsessão se manifesta, sobretudo,nos grandes torneios e campeonatos,mas é visível o tempo todo também nasacademias de ginástica, nos currículosescolares, nos parques, nas praias e,naturalmente, nos estádios.O esporte está, sim, em toda parte.Mas, o que é mesmo esporte? O que,em última análise, pode ou deveser chamado de esporte? Senhoresaposentados jogando xadrez no calçadãoestão fazendo esporte? Meninas de tutubranco e sapatilha ensaiando um trechodo Lago dos Cisnes apenas dançambalé ou também fazem esporte? Petecaé brincadeira ou esporte? E aquelasmulheres que se acham sempre umpouco acima do peso, em conjuntos dejogging coloridos fazendo alongamentoem colchonetes no gramado do clube,estão se dedicando exatamente a quê?Ao esporte?O fato é que não existe uma definiçãoúnica do termo. Dicionários, acadêmicos,historiadores, esportistas profissionais,instituições oficiais, jornalistasespecializados, cada fonte conceituade um jeito próprio aquilo que o sensocomum chama de esporte.Quando alguém diz que faz algo “poresporte”, já reconhece no termo um deseus atributos essenciais: a diversão,o lazer, o entretenimento. Quandooutra pessoa é chamada de “craque”ou elogiada como “profissional”, recebeautomaticamente atributos típicos dosque se dedicam à prática esportivacomo meio de vida: obediência a regras,vocação para competir, competência,empenho, talento, comprometimento.A palavra esportenão tem umadefinição universal,mas todo mundosabe o que éAs duas vertentesdo esporte: oexercício físico ea competição
  16. 16. 30 31OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasA emoção e as regrasSegundo o Dicionário Houaissda Língua Portuguesa, esporte(substantivo masculino) é “atividadefísica regular para fins de recreação oucondicionamento corporal e de saúde”,mas também “jogos ou atividadesregulares que requerem destreza físicacom observação de regras específicas”;e, entre outras possibilidades, “atividadelúdica, hobby, passatempo”.Consultem-se outros bons dicionários- Dictionaire de la Langue FrançaiseLarousse, Duden DeutchesUniversalwortenbuch, CambridgeInternational Dictionary of Englishetc. – e serão encontradas definiçõesigualmente múltiplas e abrangentesdo que é esporte.Do ponto de vista etimológico, oslingüistas reconhecem no esporte duasgrandes vertentes: a da competição ea do exercício físico. No primeiro caso,os jogos são sujeitos a regras e normasfixas, e a prática pressupõe treinamentoregular, método, condicionamento físicoe habilidade. O exercício físico, por suavez, está ligado à idéia de lazer e bem-estar, saúde e qualidade de vida.Ou seja, é esporte tentardesesperadamente acertar uma bolanuma rede esticada entre duas travese um travessão, dando combate aadversários que têm o mesmo objetivo esob o olhar atento de um árbitro dispostoa fazer valer 17 regras invioláveis,mas também é esporte uma prazerosacaminhada no parque ou na praia, numamanhã de sol, com roupas confortáveise, quem sabe, ouvindo música comfones de ouvido.Como em muitas outras questões, daguerra no Iraque à junk food, EstadosUnidos e Europa divergem também naaceitação do que é ou não esporte. Omundo acadêmico americano, com suacorrente sociológica, reconhece comoesporte apenas as práticas que tenhamreflexos sociais e compreendam,além do esforço físico, regrasinstitucionalizadas, competição emotivação (seja ela intrínseca, no casodo esporte amador, seja extrínseca, ousonante, no profissional).Num recente editorial sobre o businessdo esporte, a revista inglesa TheEconomist, com seu reconhecido bomsenso e pragmatismo, sentenciou: “Osdicionários falam do esporte comoentretenimento, diversão ou alegria,a competição seria secundária ou nãofundamental para a atividade esportiva.Nossa opinião é diferente: o esportedeve envolver sempre competição; semela há apenas exercício físico”.O Curso de Bacharelado em Esporteda Universidade de São Paulo filia-seà visão americana de que, ao contráriodo que admitem os europeus, nem tudopode ser considerado esporte. “Parao esportista profissional que vive doesporte, isso é trabalho, não lazer”,diz o professor Valdir J. Barbanti, daUniversidade de São Paulo.O professor Manoel Tubino, presidenteda Federação Internacional de EducaçãoFísica, diz que na maioria dos paíseseuropeus existe uma distinção entreesporte, educação física e recreação. Oesporte é praticado em clubes e centrosesportivos comunitários, enquantoa educação física é prerrogativa dasescolas. Segundo Tubino, mais afinadocom a visão européia, “o esporte éapenas uma das manifestações dacultura física, que também compreendea dança e a recreação, e se fundamentana educação física”.Num estudo acadêmico de fôlego sobrea matéria - Sport and Social Order:Contributions to the Sociology ofSports –, os pesquisadores americanosDonald W. Ball e John W. Loy deram umacontribuição lapidar para o paradoxodaquilo que todo mundo sabe o que é eninguém explica do mesmo jeito:“O significado do esporte, assim comoo do tempo, é auto-evidente, até quealguém seja questionado a defini-lo”.A materialização do espíritoAo longo da história pode ter havidodúvida sobre o que fosse ou nãoesporte, mas não sobre o seu significadosocial e alcance político.No século VI a.C., muito antesde jogadores de futebol seremtransacionados por dezenas demilhões de dólares, o historiador gregoXenofonte já criticava as excessivashonrarias prestadas aos vencedores dostorneios e exclamava indignado que oseu saber de poeta e filósofo era “melhordo que a força de homens e cavalos”(a história registra que os primeirosprêmios em dinheiro aos atletasprofissionais gregos começaram a serpagos em 580 a.C.).Segundo Platão, quando Sócratesdiscursou aos juízes atenienses parademonstrar que não merecia sercondenado à morte, disse:“Quem não tem coragem paracorrer riscos nunca vai sernada na vida” Muhammad Ali,ex-campeão de boxe
  17. 17. 32 33OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidas“O que convém a um homem que épobre, que é vosso benfeitor e que pedeapenas para ter um pouco de tempo paravos falar? Não há nada mais merecido,ó cidadãos atenienses, que um homemcomo esse seja nutrido pelo tesouropúblico no Pritaneu, mais até que um devós que com um cavalo ou biga tenhavencido nos Jogos Olímpicos. De fato,este vos faz acreditar que sois felizes,enquanto eu vos torno felizes”.A peroração de Sócrates mostrou-seinútil, como se sabe, mas aqueles eramtempos difíceis e de todo modo, hojeem dia, ninguém contrapõe, por motivoalgum, a filosofia à competição atlética.O esporte teve extrema importânciana vida política grega em todas asfases da sua história. Em Atenas, ascompetições físicas e eqüestres eramatividades sociais prestigiosas capazesde mobilizar a população inteira emtorno dos eventos, sempre festivos.Muitos atletas eram ao mesmo tempogenerais e políticos, e o esporte e apolítica refletiam de forma diversa ecomplementar a vida cotidiana eos conflitos locais.A conjunção de esporte, política evida guerreira foi a especialidade deEsparta. Na militarizada e combativacidade-Estado, exercícios físicosnão eram apenas passatempo, mastinham o objetivo de educar os jovensà resistência física e à habilidade naguerra. Para os soldados já maduros, aparticipação nas competições esportivasconstituía uma distração nobre e deacordo com os valores da ética militar.A sintonia entre mente e corpoparece um conceito do século XXI e,de fato, é atualíssimo, mas essa é umaidéia popularizada por Platão, antes docristianismo. Coube ao poeta romanoJuvenal a criação do lema que ornaacademias de ginástica e estádios aoredor do planeta: mens sana incorpore sano (Sátira X, versículo 356).No seu livro A History and Philosophyof Sport and Physical Education, queconta a história da cultura física daAntiguidade até agora, os professoresamericanos Robert Mechikoff e StevenEstes mostram que a interpretação maiscomum dada ao esporte ao longo dahistória foi a de ser a materialização dolado espiritual do ser humano.Coragem, força, beleza, resistênciafísica, valores pétreos da Grécia antiga,cantados por Homero e Píndaro,estão também no tratado de ginásticaescrito por Filostrato no século II a.C.A popularidade do esporte na Grécia,marcada pelos Jogos Olímpicos realizadosa cada quatro anos, perdurou até acolonização romana, quando o excessode impostos, primeiro, e a proibiçãopura e simples pelo imperador cristãoTeodósio em 393 d.C., encerrou ocapítulo brilhante do atletismo grego.Teodósio matou os jogos porque eramdedicados a divindades pagãs. Na prática,o cristianismo impunha a sua antigacondenação do corpo, dos exercíciosfísicos e do hedonismo em geral.O renascimento olímpicoPassaram-se 1.503 anos até que osJogos renascessem, em 1896, por obrae graça de um barão francês chamadoPierre de Coubertin, aquele do “oimportante não é vencer, é competir”.Coubertin teve de vencer indiferençae sarcasmo, mas conseguiu recriar amística dos Jogos.A primeira edição reuniu apenas 14países e 311 atletas (três quartosdeles, gregos), e não chegou a serum modelo de organização. No seuGuia dos Curiosos - História dasOlimpíadas, Marcelo Duarte lembra quea delegação americana, formada quaseexclusivamente por atletas universitáriosde Princeton, chegou a Atenas faltando24 horas para a abertura, porqueignorava a diferença entre o calendárioortodoxo grego e o calendário ocidental.Entre Teodósio e Coubertin o esportenunca deixou de existir no Ocidentecomo no Oriente. Era admitido nasmanifestações religiosas e folclóricasnas profundezas da Idade Média. Háregistro de jogos de pólo hípico naPérsia, no sétimo século. Na Índia, nocomeço do primeiro milênio, as virtudesdos exercícios físicos eram uma doutrinacodificada nas chamadas Leis de Manu,uma espécie de código civil, político,social e religioso. No Renascimento,a Igreja Católica Romana encampou oconceito da mente sã no corpo são. Em1488, em Florença – quando Leonardoda Vinci fazia seus estudos anatômicosclandestinos – popularizou-se um jogochamado “calcio fiorentino”. Era um“Quando escuto a palavra,eu sempre paro para pensar:esporte de que maneira?Esporte de lazer? De competição?Esporte de brincadeira ali naquadra da escola?” Daniele Hypólito, campeãde ginástica artística
  18. 18. 34 35OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasantepassado do futebol, disputado nacentralíssima Piazza di Santa Croce porduas equipes de 25 jogadores cada, osBrancos e os Verdes.Como se vê, a cada momento dopercurso humano o esporte foi visto,interpretado (e até condenado) de váriasmaneiras. O Iluminismo e a RevoluçãoIndustrial adotaram o predomínio docorpo e a performance física passou a tervalor econômico e social. Na nossa erapós-industrial, o culto do corpo refleteum narcisismo coletivo e a preocupaçãocom a saúde e a qualidade de vida, maso esporte competitivo tornou-se umnegócio fabuloso, que a revolução digitalcontribui para transformar em fenômenoglobal (leia o capítulo final, sobre o valoreconômico do esporte).Tendo o esporte tamanha relevânciahistórica, social e econômica, é de sesupor que organismos internacionaiscomo a ONU e a UNESCO tenhamprocurado dar a ele uma definiçãocomum, mas isso ainda não aconteceu.As duas instituições nasceram no pós-guerra orientadas para a manutençãoda paz, a ONU com foco na segurançae diminuição da fome e da mortalidadeinfantil, e a UNESCO com o objetivode promover a educação, a cultura, acomunicação e a ciência como armasda paz. Tanto para a ONU quanto paraUNESCO o esporte constitui uma dasferramentas para a inclusão social e aigualdade entre povos, raças e religiões.O “ideal olímpico” codificado pelo barãode Coubertin antevia o esporte comoinstrumento da paz universal, mas ahistória recente mostra outros usos doesporte. As Olimpíadas de Berlim, sobo nazismo, em 1936, foram, talvez,o exemplo mais lúgubre do seu usopropagandístico e belicoso. Na própriaFrança natal de Coubertin, a educaçãofísica foi introduzida nas escolas em1882, pouco depois do vexame francêsna guerra franco-prussiana. A elitefrancesa concluíra que a causa da derrotaera o sistema educacional que, aocontrário do prussiano, não contemplavaa ginástica. Nas escolas francesas, osalunos com mais de 12 anos foram entãoagrupados em bataillons scolaires, comexercícios físicos e militares no currículo.Foi também a onda nacionalista doséculo XIX a fornecer a base ideológicapara a difusão da educação física edo esporte em outros países. HenrikLing, o pai da chamada ginástica sueca,era militante de uma organizaçãopatriótica chamada Sociedade Gótica.A Tumvereine, associação de ginastasalemães da época, tinha no seu uniformeos misteriosos números 9, 919, 1519 e1819. Correspondiam, respectivamente,às datas da vitória do chefe germanoArmínio contra as legiões romanas,a do primeiro e do último torneio doSacro Império Romano-Germânico, efinalmente à data da introdução doesporte na Alemanha.Na Inglaterra vitoriana nasceu aoutra corrente que inspira o esportemoderno, os jogos de equipe praticadosnos colleges da alta burguesia e daaristocracia. Na tradição anglo-saxônica,a prática esportiva é concebida comouma verdadeira escola moral e cívica,capaz de difundir valores liberais, acompetição leal e o respeito a regras,e de forjar relações entre indivíduo ecoletividade. A célebre poesia If, deRudyard Kipling, contém uma ilustraçãoperfeita desses valores.Panem et circensesDo mesmo modo que existe a convicçãode que o esporte pode formar carátere educar para o bem, ainda é difusa– sobretudo entre torcedores frustradose os mau-humorados em geral – outraconvicção: a de que o esporte semprese prestou a todo tipo de manipulação,e as Olimpíadas de Berlim comoplataforma para a reivindicação hitleristada supremacia ariana são apenas oexemplo mais notório.Os imperadores romanos usaram afórmula panem et circenses paramanter dócil a população (a palavralatina circus quer dizer estádio). Algoparecido estaria acontecendo comos megaeventos esportivos de hoje?Certamente, não. Mas, como lembrouThe Economist no artigo citado, “oesporte é usado periodicamente paravender idéias estranhas”. As Olimpíadasde Moscou de 1980 (boicotadas pelosEstados Unidos) e as de Los Angeles, em1984, (boicotadas pela União Soviética)foram campos de combate da GuerraFria. A Fórmula 1 é a última trincheirado esporte na qual os fabricantes decigarros ainda podem fazer propagandade seus produtos polêmicos paraaudiências planetárias.Embora os promotores e patrocinadoresdo esporte possam ter outros interessesalém da emoção da disputa, dos troféuse da visibilidade de suas marcas, como secomportam os praticantes?George Orwell, o atormentado autor dolivro 1984, escreveu:“Eis uma definição que todosbuscamos e ainda nãoencontramos... Parece a busca dapedra filosofal” Istvan Kasznar,professor da FGV
  19. 19. 36 37OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasOrwell, obcecado pela violênciapolítica e o momentâneo sucesso dosregimes totalitários na Europa, nãoviveu para testemunhar a cenaedificante e socialmente evoluída quese via antes das partidas da Copa daAlemanha, quando times adversáriosseguravam, juntos, a faixa “Diga Não aoRacismo”. Se tivesse sido exposta nomesmo estádio em Berlim, há 70 anos,essa frase teria feito todo mundo irparar na cadeia.A lei e a ordemOs países que são culturalmente maisenvolvidos com o esporte – EstadosUnidos, Rússia, Inglaterra, França, Japão,China e, na América Latina, Argentinae Cuba – têm políticas públicas voltadaspara a prática esportiva e o bem-estarfísico da população. Contudo, até ondeapurou a pesquisa realizada para estedossiê, nenhum desses países procuroudefinir explicitamente, em leis ou outrosdocumentos oficiais, o que é esporte.O Ministério da Juventude e dosEsportes da França relaciona no seu sitea lista dos esportes que reconhece eapóia, compreendendo 335 disciplinas,agrupadas em 34 famílias e 9 classes– mas não procura definir o que éesporte ou prática esportiva.No Brasil, de modo peculiar, a lei 6.251,promulgada durante o regime militar(1976), procurou dar uma definição deesporte ou do desporto, que vem aser a mesma coisa, e estabeleciacom grande clareza:“Considera-se desporto a atividadepredominantemente física, comfinalidade competitiva, exercitadasegundo regras preestabelecidas”.Lapidar, mas e se não tiver finalidadecompetitiva? Não é esporte? A definiçãorestritiva da lei de 1976 não consegueabranger todo o conjunto de esportespraticados e reconhecidos como talpela população. Mas tem o mérito demencionar alguns requisitos universais:atividade física, regras, competição.A ambiciosa Lei Zico, de 1993 – umaespécie de código canônico do esportebrasileiro, com regras até sobre adivisão do dinheiro das loterias, relaçõestrabalhistas e punições disciplinaresaplicáveis a atletas faltosos – procurouenquadrar o senso comum nos doisparágrafos do seu artigo 1º:§ 1 A práticadesportiva formalé regulada pornormas nacionaise internacionaise pelas regrasde práticadesportiva decada modalidade,aceitas pelasrespectivasentidadesnacionais deadministração dodesporto.§ 2 A práticadesportivanão-formal écaracterizada pelaliberdade lúdica deseus praticantes.A Lei Zico aponta também os trêsgrandes ramos da prática esportiva:A voz do povoComo o senso comum define o queé esporte? Apesar da dificuldadeconceitual imposta pela pergunta, oresumo e a análise das várias etapasda pesquisa apontam para uma visãocomum bastante difusa, baseadaem três pontos:• Desporto educacional, praticado nas escolas evoltado para o desenvolvimento integral,cidadania e lazer.• Desporto de participação, com fins sociais, desaúde e consciência ambiental.• Desporto de rendimento, praticado segundoregras, com a finalidade de obter resultados e deintegrar pessoas e comunidades do país e estascom as de outras nações.• Esporte é um universo feito de atividade física,jogos coletivos e individuais com regras e disciplinapróprias voltados para a competição e a superação;exige esforço físico e mental.• Metade desse universo tem a ver com a melhora dofísico e com a saúde.• A outra metade do universo-esporte é voltada paraa diversão e o lazer.“O esporte sério não temnada a ver com fair-play.Ele está recheado comódio, ciúme, vaidade,desrespeito das regrase o prazer sádico detestemunhar violência:em outras palavras, é umaguerra, mas sem os tiros”George Orwell, escritor
  20. 20. 38 39OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasO grau de competitividade e a meta desuperação definem, na opinião comum,se uma prática esportiva está maispróxima da disputa atlética ou do lazere da saúde. Exemplos espontâneos:soltar pipa, jogar frescobol ou fazer camaelástica são lazer e diversão. Caminhadasou jogos amadores já têm característicasde esporte; e quando há competição,como no esporte profissional, trata-se deesporte em estado puro.Os significados relacionados ao esportemais valorizados são saúde e diversão:“A primeira coisa quevem à minha menteé saúde, seguida delazer e relacionamento.É um instrumento decrescimento individualdo ser humano”Dr. Moisés Cohen, chefe do Centrode Traumatologia do Esporte daUniversidade Federal de São Paulo“Esporte é toda atividadefísica, competitivaou não, voltada para aformação dos praticantese dos espectadores eque ajuda na formaçãomoral e cívica”Georgios Hatzidakis, professor deEducação Física na Uniban, em São PauloOs profissionaisAcadêmicos, atletas e jornalistas vêemo esporte como os demais, mas comoutro componente, o social: o esporteé instrumento de educação, controle daviolência, inclusão social e saúde pública.“Se dizem quexadrez é esporte,eu respeito. Eu vejoo esporte comoato físico, comdesgaste físico emental, como oxadrez. No skate,a gente tambémusa o mental e ofísico. O mental é omais importante: senão tiver preparomental, podeser o melhorfisicamente quenão vai adiantar”Sandro Dias,skatista profissionalSignificados e valores relacionados ao esporte (%)Esporte para mim estárelacionado a saúdeEsporte está relacionadoa diversão/hobbyGosto de superarmetas e desafiosnão respondeu / criançasconcordaindiferentenão concordaGosto da sensação de esforçoque o esporte proporcionaGosto de desafiar amim mesmoProcuro ter dedicação naprática de esporteProcuro bomcondicionamento físicoQuero sempre ganhar,gosto da competiçãoPara mim, esporte é umapossibilidade de ganhar dinheiroFonte:FaseQuantitativa-totaldaamostra9741253121817481624125591212171250 39212812162254124512 1225204316271618
  21. 21. 40 41OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasOs esportes, de A a YAté agora, em pleno século XXI,nem a história nem as instituiçõesencontraram a definição perfeita paraa palavra esporte. Do mesmo modo,não existe unanimidade sobre quaispráticas esportivas ou físicas podemser chamadas de esporte. A variedadede jogos e atividades é enorme e só fazaumentar, estimulada pela globalizaçãoe a fertilização cultural cruzada.Os esportes mais populares são os queestão enraizados na cultura popular dostorcedores. O presidente da FIFA, JosephBlatter, vangloriou-se com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que a FIFAreúne mais países que a própria ONU.com regras próprias, mais atléticoe cheio de ação. No subcontinenteindiano, do Paquistão ao Sri Lanka,o críquete é o jogo da garotada, atécom equipamento improvisado eem qualquer terreno. Na China e noSudeste Asiático, outra herança inglesafaz com que o badminton – aquelaespécie de petequinha jogada com umaminirraquete em um campo parecido como de tênis – seja tão popular quanto ofutebol no Brasil.Claro que a tradição tem o seu peso,mas ela não impede que esportesnasçam, morram ou simplesmentesobrevivam em semi-anonimato. O cabo-de-guerra, que hoje todos consideramuma brincadeira divertida em convençõescorporativas ou churrascos no sítio, foiesporte olímpico até 1904. O squashtem um grande número de jogadores nasgrandes metrópoles, mas pouquíssimosfãs entre os não-praticantes, já que éimpossível de ser televisionado.Balé clássico tem algo a ver com oesporte? Instituições públicasbrasileiras que tratam do esporte deum ponto de vista oficial – Ministériodo Esporte, Comitê Olímpico Brasileiro(COB) e IBGE dizem que não. E a dançacontemporânea, em geral? O IBGE dizque sim, mas o COB e o Ministério dizemque não. Mas um jogo de mesa, o xadrez,segundo as três entidades, é esportesim. Na tabela a seguir, veja as práticasesportivas reconhecidas pelos órgãosoficiais brasileiros:É verdade, já que praticamente todasas nações da Terra, da Albânia ao Zaire,participaram da fase de qualificação paraa Copa da Alemanha.Ninguém discute, por isso, se o futebolé ou não um esporte. Mas a importânciado futebol é muito relativa em algunspaíses, em particular nos EstadosUnidos, onde raramente um grandejogo reúne mais de 10 mil ou 15 milpessoas. Nos Estados Unidos, o futebolainda é visto como um esporte juvenil esobretudo feminino. Espera-se (ou teme-se) que a forte imigração latina possamudar isso em uma geração ou duas.Há esportes curiosos em outras partesdo mundo, como o futebol australiano,“É cultural: na Alemanha,esporte é jogo, recreação,dança. No Brasil, é muitorelacionado com jogosnormatizados: vôlei, handebol,ginástica, futebol...” Dietmar Samulski,psicólogo do esporteMinistériodoEsporteCOBcabo-de-guerraacqua rideacrobacia aéreaaeromodelismoalpinismoarvorismoatletismoautomobilismobadmintonbalonismobalé clássicobasquetebolbeisebolbicicrossbiribolbobsledbochabodyboardbolãobolicheboxebungee jumpingcaça e tirocaça submarinacaminhadacanoagemcapoeiracanyonismomodalidades não relacionadas como esportemodalidades relacionadas como esporteIBGE
  22. 22. 42 43OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidas“O esporte é umaoportunidadepara o Brasil, paraas pessoas debaixa renda, numcaminho de saúde,bem-estar, inclusãosocial, cidadania.Provavelmente, aúnica saída para oproblema da faltade oportunidadepara os jovensbrasileiros”Fábio Fernandes,publici†ário“O esporte é umaimitação da vidae vice-versa. Querdizer, o esporteé o opus porexcelência, ondevocê aprende aganhar, aprendea perder, aprendea lidar com asfrustrações”Juca Kfouri,jornalistaginástica acrobáticacarteadocavalgadaciclismocorrida de orientaçãocross country skiingcurlingdançadecatloesgrimaesquiesqui aquáticofisiculturismofitnessfutebolfutebol americanofutebol de areia / praiafutebol soçaitefutevôleifutsalfrescobolgatebol, críqueteginástica (geral)ginástica aeróbicaginastica artísticaginástica olímpicaginástica rítmicagolfeginástica de trampolim acrobáticomalhahandebolhalterofilismohidroginásticahipismohóquei na gramahóquei no gelohóquei sobre patinsiatismojet skijiu-jítsujogo de damajogo de dominójudôkaratêkartismo / kartkitesurfkung fulevantamento de pesolugeluta de braçoluta greco-romanaluta livremaratonamaratona aquáticamergulhomontanhismomotocrossmotociclismoMinistériodoEsporteCOBIBGEMinistériodoEsporteCOBIBGEmodalidades não relacionadas como esportemodalidades relacionadas como esporteFonte: Como critério para serem reconhecidas peloMinistério do Esporte foram consideradas as confederações,associações, comissões e comitês que constam no site doMinistério do Esporte (www.esporte.gov.br).Fonte: Como critério para serem reconhecidas pelo COBforam consideradas as confederações filiadas e vinculadasao COB (encontram-se no site www.cob.org.br).
  23. 23. 44 45OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasComo o COI reconhece umesporte?Nas peladas de várzea, segundo atradição, é o dono da bola quem manda:distribui posições em campo, escolhepara ele mesmo a de sua preferênciae, contrariado, costuma até colocar abola debaixo do braço e encerrar o jogo(correndo alguns riscos, é verdade).No caso dos esportes olímpicos, e dasOlimpíadas, o dono da bola é o ComitêOlímpico Internacional (COI), entidadeprivada com sede no Castelo de Vidy,em Lausanne, na Suíça. Tem a últimapalavra (quase sempre também aprimeira) em tudo o que diz respeito aesportes, pelo menos os que pleiteiam oreconhecimento olímpico.O COI é o guardião do chamadoMovimento Olímpico, uma espéciede ideologia da competição leal criadapor Coubertin. A Carta Olímpica, naprática a Constituição do COI, nãodefine o esporte, mas sim os ideaisdo Movimento Olímpico:“O Olimpismo éuma filosofia devida balanceandonum todo asqualidades docorpo, vontade emente. Associandoesporte coma educaçãoe a cultura, oOlimpismo procuracriar um modo devida baseado naalegria encontradano esforço, novalor educacionaldo bom exemploe no respeito aosprincípios éticosfundamentaisuniversais”Trecho daCarta Olímpicamotonáuticamountain bikemusculação/culturismonataçãonatação sincronizadaparapentepára-quedismopatinaçãopatinação no gelopentatlon modernopescapelota de mãopetecapólopólo aquáticopontobolpunhobolqueimadaraftingrally – off roadrapel vôo a velaskatesnowboardsoftbolsquashsumôsurfetae kwon dotai chi chuantamboréutênistênis de mesatiro com arcotiro esportivototó / pebolimtrekking - endurotriatloturfevelavoleibolvôlei de praiavôo livrewakeboardwave skywindcarwindsurfeyogaxadrezpentatlon militarskeletonsinuca, bilharsandboardsaltos ornamentaisrúgbiremorodeioMinistériodoEsporteCOBIBGEMinistériodoEsporteCOBIBGEmodalidades não relacionadas como esportemodalidades relacionadas como esporteFonte: A listagem IBGE inclui as modalidades incluídas noquestionário de uma pesquisa anual do IBGE disponível nosite do Ministério do Esporte, no link abaixo:http://portal.esporte.gov.br/arquivos/cedime/projeto_IBGE/questionario_esporte_municipal.pdf
  24. 24. 46 47OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasSeu objetivo oficial é “contribuir paraconstruir um mundo pacífico e melhorpela educação dos jovens por meio doesporte praticado sem discriminação dequalquer tipo e no espírito olímpico, querequer compreensão mútua com espíritode amizade, solidariedade e fair-play”.Mesmo uma entidade com tão elevadospropósitos pode cometer faltas. O COIesteve envolvido em alguns escândalosembaraçantes, com alguns de seusmembros acusados de extorquir dinheiroe presentes caros das cidades candidatasa hospedar as Olimpíadas. O caso maisclamoroso foi o dos Jogos de Invernode 2002, em Salt Lake City (EUA). Mas,segundo relato dos jornalistas inglesesVyv Simson e Andrew Jennings no seulivro The Lord os the Rings, houveproblemas anteriores.A glamourização do esporte e o apelocomercial dos grandes torneios fizeramdo esporte em geral e das Olimpíadasem particular uma marca global capaz degerar enormes receitas com patrocíniospúblicos e privados. Segundo seurelatório quadrienal 2001 - 2004, oCOI faturou 1 bilhão de dólares por anono período. O Comitê repassa para asfederações internacionais e nacionaisdas várias disciplinas esportivas porvolta de 92% de suas receitas.Os críticos do COI argumentam quesua composição é parecida com a docolégio de cardeais da Igreja, com umsistema bizantino e pouco democráticode indicações – uma parte dos 115membros ainda é escolhida porcooptação direta – e membros quasevitalícios. Nos 112 anos de vida do COIhouve mais papas no Vaticano (9) do quepresidentes em Lausanne (8), incluindoo atual, Jacques Rogge. Seu antecessor,o espanhol Juan Antonio Samaranch,ex-ministro do Esporte na ditadura dogeneralíssimo Francisco Franco, reinoupor 21 anos como presidente. O sistemaestá mudando, agora há 15 atletas entreos membros do Comitê.Os dois únicos representantes doBrasil na organização são ex-atletas:João Havelange, membro há 46 anos(disputou natação nas Olimpíadasde Berlim, em 1936, e pólo aquáticoem Helsinque, em 1952); e CarlosArthur Nuzman, presidente do COB,da Federação Internacional de Vôleie do Comitê Organizador dos JogosPan-americanos de 2007 (disputou naequipe brasileira de vôlei nas Olimpíadasde Tóquio, em 1964).Para obter o reconhecimento do COIe ser admitido nas Olimpíadas, umesporte precisa ser praticado em pelomenos 75 países e 4 continentes, porhomens e, no mínimo, em 40 países e 3continentes, por mulheres. Para os Jogosde Inverno, só esportes amplamentepraticados em pelo menos 25 paísese 3 continentes. Para todos eles, érequisito básico para entrar no programada Olimpíada estar reconhecido há pelomenos sete anos e ter adotado ocódigo mundial antidopagem.A Fórmula 1 tem milhões de fãs, masnão é esporte olímpico porque o COInão admite nenhuma prática com meiosmecânicos de propulsão. Outro princípiodo COI é não admitir que uma só provaseja válida ao mesmo tempo paraclassificação individual e de equipes.Ou é esporte individual ou é de equipe.Naturalmente, o COI, como dono dabola, se reserva o direito de manternas Olimpíadas esportes, disciplinas enormas que não satisfaçam os critériosdo próprio COI, “em casos excepcionais”,e “em consideração à tradição olímpica”.Peteca, um case brasileiroNo seu livro Todos os Esportesdo Mundo, o experiente jornalistaesportivo Orlando Duarte, que cobriu11 Copas do Mundo e 7 Olímpíadasao longo da carreira, afirma que o paísque mais inventou esportes foram osEstados Unidos, com nada menos que25 modalidades. Em seguida viria aInglaterra, com 19; a França, com 10;o Japão e o Brasil, com 8; a Itália e oCanadá, com 4; a Índia, com 3...É claro que existem dúvidas a respeitode algumas paternidades, já que ascivilizações mais antigas do Oriente eda velha Europa tiveram mais tempopara lançar as bases de muitas práticasmodernas. Duarte argumenta, comO país que mais inventouesportes foram os EstadosUnidos, com nada menosque 25 modalidades. OBrasil, que inventou 8,vem em quarto lugar, juntocom o Japão
  25. 25. 48 49OPIBdoesporteEsportes.m.OesportenavidadobrasileiroÍdolosetorcidasrazão, que o mérito deve ser atribuídoao país que mais fez pelo esporte emorganização, participação e divulgação.A contribuição do Brasil para o mundoinclui especialmente futebol de salão,futebol de mesa, capoeira, esqui naareia e até o jogo de peteca. Vocêjá parou para pensar de onde vem apalavra peteca? Pe’teka, nome queem tupi que dizer bater, já seria umadiversão de índios brasileiros desde aépoca do Descobrimento.Mas foram os mineiros quetransformaram a peteca numa maniano seu estado, nas décadas de 70 e 80.A Federação Mineira de Peteca nasceuem 1975, dois anos depois de as regrasdo jogo serem consolidadas.Disseminou-se com rapidez, por ser umjogo de pouco empenho físico, simplese barato – joga-se em quadra de vôleie a própria peteca nada mais é do queuma almofadinha cheia de areia, cujaestabilidade em vôo é mantida poralgumas penas de galinha.A peteca chegou a merecer até umlivreto do antigo Movimento Brasileirode Alfabetização, o Mobral, em 1978.Chamava-se Vamos Jogar Peteca, efoi editado pelo Grupo Executivo daCampanha Esporte para Todos, doMinistério da Educação, no governo dogeneral Ernesto Geisel. Louvava, entre asmuitas características positivas do jogo,a de agradar a homens e mulheres detodas as idades.Curiosamente, além dos índios, tambémos finlandeses demonstraram uminteresse precursor pelo brasileiríssimojogo. Segundo registros históricos, adelegação brasileira às Olimpíadas deAntuérpia (Bélgica), em 1920, divertia-se nos momentos livres jogandopeteca. Atletas e dirigentes finlandesesgostaram do que viram e pediram asregras ao chefe da delegação brasileira,José Maria Castello Branco, paratambém poderem jogar.A peteca é uma prática exótica hojena Finlândia, mas ela teria 30 milpraticantes na França e alguma presençanos EUA, em vários países europeus eaté na Índia e no Vietnã.No Brasil, a peteca parece ainda emexpansão e a capital federal, Brasília,estaria roubando de Belo Horizonte otítulo de capital brasileira da peteca,com cerca de 2 mil atletas militantes,segundo cálculo da federação local.Mais de 400 atletas de 15 estadosdisputaram o campeonato brasileirode 2005, realizado no Country Club deGoiânia, particularmente preparado paraa peteca, com oito quadras exclusivas.Minas Gerais, segundo o presidente daFederação Mineira de Peteca, MárcioAlves Pedrosa, registra um certo refluxo,por falta de patrocínios e estímuloa novas vocações. Em 2003, das 14categorias existentes, Minas foi campeãem 10. Em 2004, em 8. Em 2005, emapenas 6. Além disso, em 2005, a atleta-revelação foi do Paraná e o atleta doano, de Goiás. A atleta-destaque veiode Rondônia. Minas, outrora potênciaindiscutível da peteca nacional, ficouapenas com o título do atleta-destaque.”A origem doesporte é oimpulso humanode transformar otrabalho, a guerra -na verdade, toda avida - em jogo”Frank Deford, jornalista e escritorem artigo sobre as Olimpíadas de Roma,na revista National Geographic, em 1960

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