Ernest young copa 2014

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Ernest young copa 2014

  1. 1. Brasil sustentávelImpactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014ÍndiceApresentação 01Impactos socioeconômicos 03• Economia produzirá R$ 142 bilhões adicionais 03• Mudanças ao longo da história 05• Fluxo de turistas turbina o consumo 06• Cidades-sede: os vários corações da Copa 07Efeito dominó 08• Impactos socioeconômicos diretos e indiretos 08• Impactos diretos em números 09• As ações vitais da operação 13O mapa dos investimentos 14Copa sustentável 16• Responsabilidade socioambiental em jogo 16Sete passos para a Copa verde 18Microeconomia e impacto social 24• Milhares de microempresas serão beneficiadas 24Riscos e condicionantes 26• Corrida de obstáculos 26• De que precisam as cidades-sede? 26• A preocupação com o legado 29• O risco da ineficiência econômica 30• Os imponderáveis fatores externos 31Desafios e oportunidades 32• Como potencializar os efeitos positivos da Copa? 32Governança e planejamento 34• Plano diretor da Copa para cada cidade-sede 34Monitoramento, controle e transparência 36• Gestão de projetos com foco em análise de riscos,controles e monitoramento 36Gestão financeira 38• Recursos do BNDES relacionados à Copa 38Ambiente regulatório 40• Lei Geral da Copa e as exigências dos organizadores 40Infraestrutura e serviços 42• Condições para o sucesso 42Capital humano 46• Copa deve contar com milhares de voluntários bilíngues 46Gestão de imagem 48• Ganho de imagem pode ser maior do que o financeiro 48Legado e sustentabilidade 50• Legado da Copa pode ser físico, institucional e social 50São Paulo | SPCondomínio São LuizAv. Presidente JuscelinoKubitschek, 1.830Torre I - 5º ao 9º andares,Torre II - 5º ao 7º e 13º andaresItaim BibiCEP: 04543-900+55 11 2573 3000Av. Francisco Tramontano, 100MorumbiCEP: 05686-010+55 11 2573 3000Rio de Janeiro | RJCentro Empresarial BotofogoPraia de Botafogo, 30013º andarBotafogoCEP: 22250-040+55 21 2109 1400Praia de Botafogo, 228, Ala B13º andarBotafogoCEP: 22359-900+55 21 3736 9500Belo Horizonte | MGEdifício AsamarR. Paraíba, 1.00010° andarFuncionáriosCEP: 30130-141+55 31 3055 7750Blumenau | SCEdifício California CenterR. Dr. Amadeu da Luz, 1008° andar, conjunto 801CentroCEP: 89010-160+55 47 2123 7600Brasília | DFEdifício Brasil 21Setor Hoteleiro Sul - Quadra 06conjunto A, bloco A1º andar - sala 105CEP: 70316-106+55 61 2104 0100Campinas | SPGalleria CorporateAv. Dr. Carlos Grimaldi, 1.7013° andar 3AFazenda São QuirinoCEP: 13091-908+55 19 2117 6450Curitiba | PRCondomínio Centro Século XXIR. Visconde de Nacar, 1.44014º andarCentroCEP: 80410-201+55 41 3593 0700Porto Alegre | RSCentro Empresarial MostardeiroAv. Mostardeiro, 32210º andarMoinhos de VentoCEP: 90430-000+55 51 2104 2050Recife | PEEdifício Empresarial Center IIIR. Antônio Lumack do Monte, 12814° andarBoa ViagemCEP: 51020-350+55 81 3092 8300Salvador | BAEdifício Guimarães TradeAv. Tancredo Neves, 1.18917° andarPitubaCEP: 41820-021+55 71 3496 3500Projeto e direção editorial: Mitizy Olive KupermannCoordenação editorial: Roseli LoturcoApoio editorial: Paula Quental e Michele GassiProjeto gráfico: André Heller e André SciglianoInfográficos: Mario KannoRevisão: João HélioDesenvolvimento de conteúdo: Ernst & Young e FGV ProjetosCoordenação técnica: FGV ProjetosEquipe FGVDiretor técnico: César Cunha CamposSupervisor: Ricardo SimonsenCoordenador: Fernando BlumenscheinCorpo técnico: Rafael Kaufmann Nedal, Diego Navarro Pozoe Rodrigo Fernando DiasEsta é uma publicação do Departamento de Comunicação e Gestãoda Marca da Ernst & Young Brasil. A reprodução deste conteúdo,na totalidade ou em parte, é permitida desde que citada a fonte.Sobre a Ernst & YoungA Ernst & Young é líder global em auditoria, impostos,transações corporativas e assessoria em gestão de riscos.Nos 144 países em que atuamos, fazemos a diferençaajudando colaboradores, clientes e as comunidades comas quais interagimos a atingir todo o seu potencial.www.ey.com.br© 2010 EYGM Limited.Todos os direitos reservados.Esta é uma publicação do Departamento de Comunicação e Gestão da MarcaA reprodução deste conteúdo, na totalidade ou em parte, é permitida desdeque citada a fonte.Auditoria | Impostos | Transações corporativas| AssessoriaErnst & Young
  2. 2. ÍndiceApresentação 01Impactos socioeconômicos 03• Economia produzirá R$ 142 bilhões adicionais 03• Mudanças ao longo da história 05• Fluxo de turistas turbina o consumo 06• Cidades-sede: os vários corações da Copa 07Efeito dominó 08• Impactos socioeconômicos diretos e indiretos 08• Impactos diretos em números 09• As ações vitais da operação 13O mapa dos investimentos 14Copa sustentável 16• Responsabilidade socioambiental em jogo 16Sete passos para a Copa verde 18Microeconomia e impacto social 24• Milhares de microempresas serão beneficiadas 24Riscos e condicionantes 26• Corrida de obstáculos 26• De que precisam as cidades-sede? 26• A preocupação com o legado 29• O risco da ineficiência econômica 30• Os imponderáveis fatores externos 31Desafios e oportunidades 32• Como potencializar os efeitos positivos da Copa? 32Governança e planejamento 34• Plano diretor da Copa para cada cidade-sede 34Monitoramento, controle e transparência 36• Gestão de projetos com foco em análise de riscos,controles e monitoramento 36Gestão financeira 38• Recursos do BNDES relacionados à Copa 38Ambiente regulatório 40• Lei Geral da Copa e as exigências dos organizadores 40Infraestrutura e serviços 42• Condições para o sucesso 42Capital humano 46• Copa deve contar com milhares de voluntários bilíngues 46Gestão de imagem 48• Ganho de imagem pode ser maior do que o financeiro 48Legado e sustentabilidade 50• Legado da Copa pode ser físico, institucional e social 50
  3. 3. ApresentaçãoA série Brasil Sustentável, após cincoedições analíticas sobre o horizontemacroeconômico nos setoreshabitacional, energético, de consumo,industrial e agroindustrial, traz mais umtema estratégico à pauta de discussão,tanto por sua capacidade geradora emultiplicadora de riquezas para o País,quanto pela importância e grandiosidadedo evento: Copa do Mundo 2014.Em 30 de outubro de 2007, o ComitêExecutivo da Fifa nomeou o Brasil comoanfitrião da competição. Com isso, o Paísserá o quinto a sediar duas edições daCopa do Mundo, após o México, Itália,França e Alemanha. Entretanto, o perfildo evento se alterou significativamentedesde a Copa de 1950. Em 2014,teremos uma competição de grandeporte, cuja realização vai requererextensos processos de preparação ecomplexas operações. Por um lado, oCampeonato Mundial gerará reflexose benefícios em diversos setoresda economia e da sociedade, sejamtemporários ou duradouros, diretos ouindiretos. Por outro, também apresentavários riscos, necessitando de processosde gestão eficientes no setor público eprivado para que possa proporcionarplenamente esses benefícios à sociedade.Este estudo, portanto, tem sete objetivos,além de pontos de ineditismo:Apresentar estimativas dosimpactos socioeconômicos da Copado Mundo 2014 sobre o Brasil;Estabelecer métricas eindicadores para a realização daprimeira Copa sustentável;Apontar os impactos dosinvestimentos nos PIBs regionaisem cada cidade-sede do evento;Entender os efeitos nos PIBssetoriais de mais de 30 áreas damacro e microeconomia;Apresentar em detalhesos processos de gestão para osucesso de um megaevento;Delinear e avaliar os riscos e gargalospara a concretização dos impactospositivos e minimização dos impactosnegativos;Mostrar oportunidadese iniciativas para potencializare perenizar os benefícios do eventopara a sociedade brasileira.•••••••
  4. 4. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014Este trabalho, resultado de parceria daErnst Young com a Fundação GetulioVargas (FGV), busca jogar luz em umnovo ambiente que se desenha no Paíscom a Copa do Mundo e que poderáproporcionar, com preparo adequadodo poder público e da iniciativa privada,inúmeras oportunidades de crescimento.Os impactos socioeconômicos – fluxode bem-estar que o evento gerará paraa população brasileira – têm diversasdimensões e serão percebidos em funçãode vários fatores. Dependem de que oPaís consiga aportar os investimentos eas ações necessárias a tempo de o eventoser realizado de forma bem-sucedida;de que aproveite os legados da Copa,transformando-os em bens perenes; e,finalmente, de que alcance esses objetivosde forma economicamente eficiente, semdispêndios excessivos, má alocação derecursos ou custos de oportunidade.A ideia é que o Brasil se prepare desdejá para que o evento não seja de apenasalguns dias, mas de muitos anos, deixandoum legado positivo para o conjunto dasociedade. Mais importante do que sócorresponder às expectativas externasem relação ao Campeonato Mundial écriar um ambiente interno para que todasas obras de infraestrutura e os impactossobre a macro e a microeconomiagerem condições melhores de vida àsociedade brasileira.Para capturar a totalidade desses“efeitos multiplicadores”, esteestudo desenvolveu um modelo deInsumo-Produto Estendido, baseadona Matriz Insumo-Produto (MIP)do Instituto Brasileiro de Geografiae Estatística (IBGE).O modelo representa a economiabrasileira por meio de 55 atividadeseconômicas, 110 categorias de produtose 10 perfis de renda/consumo dapopulação, e permite estimar os impactostotais (diretos, indiretos e induzidos)das atividades relacionadas à Copa sobrea produção nacional, emprego, renda,consumo e arrecadação tributária.As previsões utilizadas nestelevantamento se pautaram, tantoquanto possível, por experiênciascomparáveis e pelo planejamentofinanceiro dos órgãos públicos.Os impactos foram mensuradosde acordo com critérios específicos,como a diferença entre os dispêndiosefetuados em cenários com e sema Copa. Além disso, os custosde todas as operações e aquisiçõesforam considerados estáveis, de formaa permitir a soma entre quantiasreferentes a transações feitas emqualquer momento até 2014, sema utilização de taxas de descontointertemporais. Não foram consideradaseventuais oscilações ou tendênciasdo ambiente macroeconômico.
  5. 5. ImpactossocioeconômicosEconomia produziráR$ 142 bilhõesadicionaisO cenário de referência adotadoneste estudo aponta que a Copa doMundo de 2014 vai produzir umefeito cascata surpreendente nosinvestimentos realizados no País.A economia deslanchará comouma bola de neve, sendo capazde quintuplicar o total deaportes aplicados diretamentena concretização do evento eimpactar diversos setores.Além dos gastos de R$ 22,46bilhões no Brasil relacionados àCopa para garantir a infraestrutura,e a organização (veja quadro nestapágina), a competição deveráinjetar, adicionalmente, R$ 112,79bilhões na economia brasileira, coma produção em cadeia de efeitosindiretos e induzidos. No total,o País movimentará R$ 142,39bilhões adicionais no período2010-2014, gerando 3,63 milhõesde empregos-ano e R$ 63,48bilhões de renda para a população,o que vai impactar, inevitavelmente,o mercado de consumo interno,como é possível notar na tabelada página 6.Essa produção também deveráocasionar uma arrecadaçãotributária adicional de R$ 18,13bilhões aos cofres de municípios,estados e federação. O impactodireto da Copa do Mundo noProduto Interno Bruto (PIB)brasileiro é estimado em R$ 64,5bilhões para o período 2010-2014– valor que corresponde a 2,17%do valor estimado do PIB para2010, de R$ 2,9 trilhões.Como a Copa do Mundo é umevento pontual, uma parte deseus impactos sistemáticos nãoserá permanente. De fato, umavez concluídos os investimentos erealizada a Copa, a continuidadeImpactos consolidados da Copa do Mundo 2014Quadro 1a) Impacto sobre a demanda final(gastos no Brasil relacionados à Copa)• Investimentos• Despesas operacionais• Despesas de visitantesb) Impacto sobre a produção nacional de bens e serviçosc) Impacto sobre a renda (renda gerada pelo item a)d) Impacto sobre o emprego (ocupações-ano geradas pelo item a)e) Impacto sobre a arrecadação tributáriaSetores mais beneficiados(atividades econômicas com maioraumento na produção)R$ 29,60bilhõesR$ 112,79 bilhõesR$ 63,48 bilhões3,63 milhõesR$ 18,13 bilhõesR$ 22,46 bilhõesR$ 5,94 bilhõesR$ 1,18 bilhãoAlimentose bebidasConstruçãocivilEletricidade egás, água, esgotoe limpeza urbanaServiçosprestados àsempresasServiços deinformaçãoTurismo ehotelaria
  6. 6. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014dos impactos positivos dependeráda capacidade dos stakeholders(agentes envolvidos) em aproveitaras oportunidades e os legadosdo evento. Por esse motivo, aavaliação realizada na primeiraparte deste estudo é limitada aoperíodo 2010-2014.Assim, a geração de empregoestimada aqui se refere, emprincípio, apenas a ocupaçõestemporárias. Os 3,63 milhõesde empregos-ano estimadoscorrespondem, em termos salariais,a 3,63 milhões de ocupações comduração de um ano. A distribuiçãoexata desses empregos-ano aolongo do período 2010-2014dependerá do cronograma precisode realização das obras e ações.Os setores mais beneficiadospela Copa do Mundo serão osde construção civil, alimentos ebebidas, serviços prestados àsempresas, serviços de utilidadepública (eletricidade, gás,água, esgoto e limpeza urbana)e serviços de informação.Em conjunto, todas essas áreasdeverão ter sua produçãoaumentada em R$ 50,18 bilhões.No topo da lista dos beneficiados,a construção civil geraráR$ 8,14 bilhões a mais no período2010-2014. A produção totaldo setor em 2010 é estimada emQuadro 2ConstruçãoServiços prestados às empresasServiços imobiliários e aluguelOutros serviços (condomínios, sindicatos, ONGs, etc.)ComércioIntermediação financeira e segurosEletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbanaServiços de informaçãoTransporte, armazenagem e correioServiços de alojamento e alimentação (hotelaria)Alimentos e bebidasAgricultura, silvicultura e exploração florestalArtigos de vestuário e acessóriosEducação mercantilPecuária e pescaPetróleo e gás naturalProdutos farmacêuticosAdministração pública e seguridade socialPerfumaria, higiene e limpezaServiços de manutenção e reparaçãoOutros produtos de minerais não metálicosJornais, revistas e discosMóveis e produtos de indústrias diversasProdutos de metal – inclusive máquinas e equip.0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.00015.317 41.900TOTAL57.21724setoresImpacto direto Impacto indiretoImpacto direto e indireto sobre o PIB do setorEm R$ milhõesAno-base do PIB - 2010
  7. 7. A Copa deverá gerar 3,63 milhões de empregos/anoe R$ 63,48 bilhões de renda para a populaçãono período 2010-2014, além de uma arrecadaçãotributária adicional de R$ 18,13 bilhões.R$ 144,6 bilhões. Outros exemplosde segmentos da economia queobterão vantagens com a Copasão os de serviços prestados àsempresas e serviços imobiliáriose de aluguel. O primeiro produziráR$ 6,5 bilhões adicionais noperíodo e o segundo, R$ 4,4 bilhões.Do total de R$ 29,6 bilhõesque correspondem aos gastosestimados relacionados à Copa(incluindo despesas de visitantes),R$ 12,5 bilhões terão como origemo setor público (42%) e R$ 17,16bilhões serão provenientes do setorprivado (58%).Mudanças ao longoda históriaO País passou por muitasmudanças desde que foi sede pelaprimeira vez da Copa do Mundo,em 1950. O porte do evento eraindiscutivelmente outro. Naquelemomento, competiam 13 seleções,disputando 22 jogos em seisestádios, com um público estimadoem 1,04 milhão de espectadores.Já a edição de 2006, sediadana Alemanha, contou com 32times disputando 64 jogos em 12estádios, e atraiu 3,35 milhões deespectadores, além de ter gerado18 milhões de visitas aos Fan Parks(grandes áreas de lazer paradiversão pública e gratuita que nãoexistiam na década de 50) e decontar com um número estimado de26,29 bilhões de telespectadores.A Copa de 2014, provavelmente,terá dimensões ainda maiores depúblico e telespectadores, masseguirá moldes estruturais e deorganização semelhantes à dasCopas da Alemanha e da África doSul, em 2010. Além do mais, esseevento não ocorre isoladamente,sendo antecedido e acompanhadopor uma série de outros, dentreos quais se destaca a Copa dasConfederações, um ano antes.A Copa das Confederações éo primeiro grande evento a serealizar no Brasil pouco antes daCopa do Mundo e será, portanto, aprova dos nove para testar se todosos preparativos estão correndodentro do cronograma e seguindoas especificações da FederaçãoInternacional de Futebol (Fifa).Com importância relevante, masem escala reduzida, competemoito seleções, que disputam 16jogos, com duração de 16 a 22dias. O público atraído é menor,assim como a divulgação e o pesohistórico do evento. Espera-se, porexemplo, que o fluxo de turistasinternacionais para esse torneioseja inferior a um quarto dosvisitantes estrangeiros esperadospara a Copa do Mundo.Muitas das estruturas requeridaspara a Copa do Mundo devemestar prontas para a Copa dasConfederações, quando serãotestados os estádios, os várioscentros de mídia (InternationalMidia Center, IMC) e o centrode transmissão dos jogos(International BroadcastingCenter, IBC). Já a infraestruturahoteleira e de transportes deverá,nesse momento, estar em estágiode conclusão.Para que o megaevento da Copado Mundo ocorra, o País terá quecaminhar a passos largos, apesardo cronograma apertado para arealização das obras já previstas– como será possível observar aolongo desse estudo.Os efeitos positivos em sediarum dos eventos esportivos maisimportantes do mundo podemser perenizados e multiplicados,como veremos a seguir.Cumpridas todas as etapas eexigências impostas pela Fifa,além de selarmos a imagemdo Brasil como País capaz deorganizar com seriedade umacompetição de dimensõesinternacionais, estaremosalcançando outro patamarsocioeconômico e estrutural.Com algumas etapas jávencidas e sólidos fundamentosmacroeconômicos, o País segue maispróximo ao almejado status dequinta maior economia do planetaem um futuro bem próximo.
  8. 8. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014AlimentaçãoQuadro 3Despesas com consumo dos visitantesEm R$ milhões0 500 1.000 1.500 2.000 2.5002.126,52273,24902,88528,66516,78831,60760,32Fluxo de turistasturbina o consumoUm dos fatores que mais motivamum país a sediar uma Copa doMundo é o fluxo turístico quetal evento gera – não somentede forma direta, por meio detorcedores que vão assistir àcompetição, como tambémindiretamente, em função daexposição na mídia internacional.Entretanto, tal oportunidade decrescimento do turismo deve seraproveitada por meio de diversoseixos de ação, dos quais no Brasilo mais relevante é a remoção degargalos. A respeito deste pontoespecífico, é preciso ter em menteque, à exceção de iniciativasisoladas, a crescente visibilidadedo País no cenário internacionaldurante a última década não temsido adequadamente alavancadapelos setores privado e públicopara gerar um aproveitamentointegral do potencial turísticobrasileiro. Esse fato se evidenciana deterioração da qualidade dosistema aeroportuário, bem comona estagnação do número deturistas em anos recentes.O presente estudo indica que,caso sejam realizadas as açõesnecessárias para permitir aoPaís aproveitar as oportunidadesgeradas pela Copa do Mundo, oevento poderá proporcionar umcrescimento de até 79% no fluxoturístico internacional para oBrasil em 2014, com impactos,possivelmente, até superiores nosanos subsequentes. No período2010-2014, esse número devechegar a um total de até 2,98milhões de visitantes adicionais.O fluxo turístico traz consigo umaentrada significativa de divisas,notoriamente direcionada para ossetores de hotelaria, transporte,comunicações, cultura, lazer ecomércio varejista. Estima-se queo fluxo turístico induzido direta eindiretamente pela Copa do Mundoseria responsável por receitasadicionais de até R$ 5,94 bilhõespara as empresas brasileiras.HotelariaComprasTransporteCultura e lazerComunicaçõesOutros(serviços médicose jurídicos, etc.)
  9. 9. Cidades-sede:os vários coraçõesda CopaHá muita expectativa em tornoda preparação adequada dascidades-sede para o evento.Muito se questiona se estarãototalmente de acordo com asexigências impostas pela Fifano que tange à infraestruturade estádios, mobilidadeurbana, hotelaria e segurança,principalmente. Delas dependeráo sucesso da Copa do Mundode 2014 e seu legado não só doponto de vista do evento em si,mas também das condiçõesturísticas regionais.Quanto ao número de estádiose cidades participantes, a Copacontará com 12 cidades-sede,que, distribuídas entre as cincomacrorregiões do País, diferemsignificativamente entre si,em termos de condições deinfraestrutura, capacidade eadequação de seus estádiose características geográficas.Neste contexto, os jogos commaior expectativa de público –tais como o de abertura e osjogos da segunda fase –deverão ser recebidos pelasOs investimentos de R$ 14,54 bilhõesnas cidades-sede devem impactaros PIBs municipais em R$ 7,18 bilhões.cidades-sede com estádios demaior capacidade e melhorescondições gerais.Essas cidades serão alvo deiniciativas de infraestrutura queno total somarão investimentosda ordem de R$ 14,54 bilhões(veja mapa dos investimentos emcada cidade-sede e seus respectivosimpactos nos PIBs municipaisnas páginas 14 e 15). Só emreurbanização e embelezamento,com foco nos locais com maiormovimento de turistas e noentorno dos estádios, os gastosestão estimados em R$ 2,84bilhões. A estrutura necessáriapara a realização da Copa e doseventos associados é extensa,compreendendo não apenas osestádios, que devem se adequaràs especificações da Fifa, comotambém a base de tecnologia deinformação em cada cidade-sede,os centros de mídia (IMCs) ede transmissão dos jogos (IBCs),e as instalações dos Fan Parks.Mas não é só isso. Há aindadiversos aspectos da infraestruturalocal que devem atender a certospadrões para que o evento sejaviável, como complexos hoteleirose acessos aos diversos modaisde transporte que comportemo intenso movimento associadoà Copa.
  10. 10. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014seguros, etc.). Esse é o denominadoconsumo intermediário. Assim, oaumento na produção dos setoresdiretamente demandados pela Copaexige que estes consumam umaquantidade maior de insumos (porexemplo, o setor de construçãocivil demandará mais vigas,oriundas do setor siderúrgico).Os produtores desses insumos,por sua vez, precisam aumentartambém seu próprio consumointermediário (as siderúrgicasprecisarão consumir maiseletricidade), e assimsucessivamente. Vê-se, portanto,que a Copa do Mundo gerauma cadeia extensa deconsequências econômicas, quesão denominadas coletivamentede impactos indiretos.Efeito-renda - Existe outrocanal análogo de interligaçõesentre setores que gera umacadeia de impactos similar àprimeira, e conectada comesta. Trata-se do consumo dasfamílias: a remuneração dostrabalhadores e acionistas decada setor é convertida, parcialou integralmente, na aquisição debens e serviços, de forma que umacréscimo na produção causa umincremento no consumo dessesbens e serviços. Por exemplo, osalário de um operário envolvidona construção de um estádio podeImpactossocioeconômicosdiretos e indiretosO cenário dos impactos provocadospela Copa não resulta de fatoresisolados, mas de um conjuntointerligado de fatores. O efeitodominó das ações diretas éevidenciado por uma série dedesdobramentos econômicos,sociais e culturais – alguns dosquais, se bem aproveitados,poderão ser incorporados de formaduradoura à sociedade. Para seter uma ideia clara, e para fins dopresente estudo, foram analisadostrês grupos de ações ou atividadesrelacionados à Copa do Mundo:• Investimentos: atividades deformação de capital visando àCopa do Mundo, incluindo as queseriam realizadas de qualquerforma, porém com aportesfinanceiros e projetos reduzidosou em um período de tempo maisextenso. Por exemplo, construçãoou reforma de estádios,expansão do parque hoteleiro,investimentos em infraestruturade transportes, etc.;• Operação do evento: preparaçãoe gestão do evento, por parte doComitê Organizador Local (COL),dos comitês específicos nascidades-sede (com investimentosainda em definição) e das equipesde segurança responsáveis; e• Consumo dos visitantes:compra de bens e serviços porparte dos turistas atraídosdireta ou indiretamente pelaCopa do Mundo.Esses três grupos de açõesrepresentam fontes de demandapor bens e serviços e, desta forma,afetam positivamente os setores daeconomia responsáveis por atendera essa demanda. Tais benefícios– aumentos na produção, emprego,renda e arrecadação tributária –são o que se entende no presentecontexto por impactos diretos.Por exemplo, a construção de umestádio representa um aumento naprodução do setor de construçãocivil, aumento esse que é refletidona contratação de mão de obrae na subsequente distribuição derenda da produção a funcionários,acionistas e governos.Entretanto, os impactos das açõesassociadas à Copa do Mundo vãoalém. Isso é devido ao caráterinterligado da economia: qualquerempresa, para produzir, precisaconsumir insumos vindos de outrossetores (quer sejam produtosfísicos, tais como equipamentosou materiais de construção,ou serviços como eletricidade,Efeito dominó
  11. 11. contribuir para a aquisição de umautomóvel novo, o que representaum incremento à demanda do setorautomotivo, e assim por diante.O conjunto das consequênciascausadas por meio do canal deconsumo das famílias é chamado deimpacto induzido, ou efeito-renda.Para capturar a totalidade desses“efeitos multiplicadores”, esteestudo da Ernst Young emparceria com a FGV desenvolveuum modelo de Insumo-ProdutoEstendido, baseado na MatrizInsumo-Produto (MIP) do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). O modelo representa aeconomia brasileira por meio de55 atividades econômicas, 110categorias de produtos e 10perfis de renda/consumo dapopulação, e permite estimar osimpactos totais (diretos, indiretose induzidos) das atividadesrelacionadas à Copa sobre aprodução nacional, emprego,renda e arrecadação tributária.A análise de insumo-produtocumpre um papel importante,inserido em um arcabouçomais geral. Ela permite estimaros impactos socioeconômicossistemáticos de um conjunto bemdefinido de atividades e ações,valendo a hipótese de que taisatividades serão realizadas dentrodos parâmetros pressupostos.Desta forma, ela deve sercomplementada por outrasconsiderações: a avaliaçãodos condicionantes para a boarealização do evento, para oaproveitamento dos legadose para a eficiência econômicadas atividades, minimizando, namedida do possível, os custosde oportunidade, os gastosexcessivos, desnecessários ou maldirecionados, que serão analisadosna segunda parte do estudo.Definidos os três tipos deações relacionadas à Copa eos impactos que elas geram,classificados como diretos,indiretos e induzidos, partimospara o detalhamento e estimativasnuméricas desses impactos.Impactos diretosem númerosO período de preparação para aCopa do Mundo envolve, comojá mencionado, uma série deinvestimentos em projetos deinfraestrutura, edificações e obras,formação de capital humano,aquisição de bens de capital e emmídia e publicidade. Parte dessesinvestimentos será custeada pelogoverno, sendo o restante bancadopelo setor privado e pelas instituiçõesassociadas à Copa do Mundo.O efeito dominó das ações diretasé evidenciado por uma sériede desdobramentos econômicos,sociais e culturais.
  12. 12. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201410incremento de fluxo turísticocausado pela maior exposiçãointernacional do País comodestino turístico. Entretanto, detodas as cidades-sede, somenteRio de Janeiro, São Paulo eCuritiba estão melhor preparadaspara atender a essa demanda.Nas demais cidades, o númerode turistas esperado supera acapacidade atual para hospedá-los,ocasionando deficit totalprojetado de 62.397 unidades.O desafio de quitar essedeficit exigirá uma expansãoe adequação da capacidadedo setor, necessitando deinvestimentos significativos.Os investimentos já projetados,da ordem de R$ 3,16 bilhões,adicionarão 19.493 novasunidades habitacionais ao poolhoteleiro das cidades-sede.Nota-se que essa projeçãoé insuficiente para atenderà demanda por completo,indicando que, provavelmente,será feito uso de alternativas dehospedagem, tais como aluguelde apartamentos por temporada,acomodação em cidadespróximas, ou até o recrutamentode navios de cruzeiro ociosos,como ocorreu na Olimpíadade 2004 em Atenas.• Investimentos em mídia epublicidade: a exemplo deedições anteriores, a Copade 2014 gerará uma grandevalorização do espaço demídia (incluindo televisão,rádio, internet, espaço físicoe outros). Por exemplo, aCopa do Mundo da Alemanhaimpulsionou um crescimentode 5,1% no faturamento dosetor de publicidade daquelepaís em 2006. Similarmente,estima-se que serão realizadosinvestimentos em mídia da ordemde R$ 6,51 bilhões por contado evento no Brasil, efetuadosprincipalmente pelo setor privadoe concentrados majoritariamenteno ano de 2014.• Investimentos em tecnologiada informação: em 32 dias,a Copa do Mundo de 2006 naAlemanha gerou a produçãoe tráfego de cerca de15 terabytes de dados, oequivalente a 100 milhões delivros. Esse tráfego exigiu aimplantação e operação deuma extensa infraestrutura deTI, com a participação de maisde 1.000 profissionais da área.O crescimento da participaçãoda mídia profissional e daconectividade dos usuáriosamadores, assim como oaumento contínuo na resoluçãodos formatos digitais deimagem e vídeo, são indicadoresde que, na Copa de 2014,esses números serão aindamais elevados. Estima-se queserão necessários investimentosde R$ 309 milhões para acomodarEste estudo analisou as seguintescategorias de investimentos:• Construção e reforma dosestádios esportivos: diversascidades-sedes não dispõemde estádios em condições desediar partidas de competiçõesinternacionais. Mesmo aquelesestádios que estão entre osmais adequados do Brasil nãocumprem atualmente todos osrequisitos de acessibilidade,segurança, conforto, iluminação,estrutura e serviços exigidospela Fifa. Em Natal, Recife eSalvador, por exemplo, serãoconstruídos estádios novos.As demais cidades-sede terãoseus estádios readequados pormeio de reformas. Esta categoriacorresponde ao principalcomponente de custo isoladoda Copa do Mundo 2014,alcançando um total de R$ 4,62bilhões. As obras previstas sãoextensas e, caso não sejamrealizadas de acordo com osrequisitos da Fifa, podem custaràs cidades-sede a oportunidadede sediar certos jogos.• Expansão e adequação doparque hoteleiro: a Copado Mundo gerará aumentona demanda dos complexoshoteleiros das cidades-sede,não apenas diretamente devidoao evento, mas também ao
  13. 13. 11o grande fluxo de dados ecapacidade de processamentoassociados ao evento.• Implantação de centros demídia e transmissão de dados(IMCs e IBC): os centrosinternacionais de transmissão dedados ou broadcasting e de mídiasão estruturas fundamentaispara o funcionamento da Copado Mundo. Os InternationalMedia Centers (IMCs) são centroslocalizados em cada cidade-sedeque transmitem informaçõessobre os eventos ocorridospara o International BroadcastCenter (IBC). Este funciona comouma central, a partir da qual asinformações são enviadas paraoutros países. O IBC é um centromuito mais complexo que osdiversos IMCs e precisa de umlocal apropriado para exercersua função, enquanto os IMCspodem ser localizados dentro dosestádios que sediarão os jogos.A implantação do IBC requereráinvestimentos de R$ 184 milhões.Já os custos de implantação dosIMCs estão incluídos nos projetosde adequação dos estádios.• Investimentos públicos eminfraestrutura de transportes:a grande distância entre asQuadro 4cidades brasileiras e o esperadoaumento no fluxo de visitantesao País obrigarão o setorpúblico a investir na expansãoda capacidade aeroportuária ena manutenção ou recuperaçãode rodovias. Ao longo de junhoe julho de 2014, a Copa geraráum fluxo adicional de 2,25milhões de passageiros nosaeroportos brasileiros. Essefluxo corresponde a 11,8% dademanda média mensal dosistema aeroviário em 2009.Para fazer frente a esse aumentode demanda, serão realizadosinvestimentos de R$ 1,21 bilhão.Além disso, será necessárioOs investimentos em mídia e publicidadesão da ordem de R$ 6,51 bilhões,feitos principalmente pelo setor privadoe concentrados majoritariamente em 2014.Fan Parks203,83IMCs e IBC184,50Energia280,52Reurbanização2.837,30Segurança1.697,38Rodovias1.441,02Tecnologiada Informação309,00Investimentos para a Copa do MundoEm R$ milhõesMídia6.510,00Estádios 4.624,45ParqueHoteleiro3.163,93Aeroportos1.213,74
  14. 14. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201412intervir em 4.334 quilômetrosde rodovias, entre obras dereconstrução, manutençãoe ampliação. A realizaçãodessas obras requererá aportesde R$ 1,44 bilhão além dosinvestimentos já previstossem a Copa.• Reurbanização das cidades:como em outras ediçõesdo evento, a Copa de 2014representará uma oportunidadepara revitalizar as áreas turísticasdas cidades-sede (totalizando379 km²), os entornos de seusaeroportos (132 km²) e de seusestádios (0,6 km²). Esses locaisserão alvo de iniciativas taiscomo: iluminação pública;pavimentação de calçadas evias; renovação do mobiliáriourbano; readequação do espaçourbano para atendimentodas necessidades de pessoasportadoras de necessidadesespeciais; construção de áreasde lazer; e embelezamento emgeral. No total, tais iniciativasrepresentarão investimentosestimados em R$ 2,84 bilhões.• Investimentos em segurançapública: em um evento degrandes proporções e visibilidadecomo a Copa do Mundo, garantira segurança é essencial. Emboraalgumas cidades candidatasapresentem desafios relacionadosà violência urbana, a experiênciado País em eventos internacionaiscomo a Eco-92 e os Jogos Pan-Americanos Rio 2007 demonstraque esse objetivo pode serplenamente alcançado, desdeque se realizem os investimentosnecessários. A experiênciarecente mostra que dispêndiosem treinamento e equipamentostendem a reduzir o tempo deresposta da ação policial econtribuir para a diminuiçãoda violência, até mesmo após acompetição, representando umimportante legado da realizaçãodo evento. A garantia darealização do campeonato comum nível elevado de segurançavai requerer investimentos deR$ 1,70 bilhão em infraestruturade segurança (veículos eaeronaves, sistemas decomunicação e tecnologia),treinamento, armamentos eoutros dispêndios essenciais.• Instalação de Fan Parks,grandes parques ou áreas aoar livre transformados emespaços de lazer para diversãoe integração do público: essesparques, instalados pela primeiravez na Copa do Mundo daAlemanha, estarão presentes nas12 cidades-sede e contarão comQuadro 5Obras de intervenção em rodoviasEm quilômetros0 500 1.000 1.500 2.000 2.5001.3687992.167ReconstruçãoRestauração/ManutençãoAmpliação
  15. 15. 13Segurança327,00Despesas com aoperação do eventoEm R$ milhõesQuadro 6COL*854,00atividades de entretenimento,venda de alimentos e bebidas,festas, telões para transmissãodos jogos ao vivo e palcos parashows entre as partidas.Com entrada franca, os Fan Parksde 2006 tiveram alta frequência,programação intensa e excelentereceptividade por parte dosparticipantes. Enquanto naCopa da Alemanha o públiconos estádios de futebol chegoua 3,4 milhões de pessoas, osFan Parks atraíram 18 milhões departicipantes. Os investimentosde instalação dos Fan Parks estãoestimados em R$ 204 milhões,incluindo a estrutura física,serviços de limpeza, segurançae outros, além das atividadesde entretenimento.As ações vitaisda operaçãoPara que o evento de fatoocorra no padrão exigido pelaFifa, um comitê organizador éconstituído e responsabilizadopela fiscalização e cobrançado cumprimento da agenda deconclusão das obras.As ações vitais de operaçãodo evento se distribuemprincipalmente em três:• Operações do ComitêOrganizador Local (LocalOrganizing Committee): oCOL é responsável por gerir aorganização e cobrir os custosoperacionais da competição.Esses gastos incluem custos deviagem das seleções, comitivase responsáveis, custo de pessoale administração do comitê,gastos com propaganda eoutros. O recurso necessáriopara a cobertura de todo essedispêndio é integralmente deresponsabilidade da Fifa e seráde R$ 854 milhões.• Operações de segurança:referem-se aqui ao custeio doefetivo policial necessário pararealização das operações desegurança do evento nascidades-sede, o que requereráum efetivo de até 78 mil policiais.Estima-se que o custeio dessaforça de segurança (incluindosalários, custos de deslocamentoe outras variáveis) totalizaráR$ 327 milhões.• Operação de redundânciaelétrica: para garantir aqualidade do evento, a Fifa fazinúmeras exigências em relaçãoà infraestrutura das cidades einstalações selecionadas parasediar os eventos da Copa.No quesito infraestruturaelétrica, o item principalrefere-se à necessidade deredundância na transmissãode energia nas cidades.Verifica-se, por exemplo, quea cidade-sede de Manaus nãotem linhas de transmissãoredundantes. Supõe-se queessa cidade opere as usinastermoelétricas existentesutilizando a nova linha detransmissão como backup.O custo de operação dessastermoelétricas em Manaus estáestimado em R$ 280 milhões.Para revitalizar as áreas turísticasdas cidades-sede, os entornos dos aeroportose estádios serão necessários R$ 2,84 bilhõesem investimentos.*Comitê Organizador Local
  16. 16. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201414INVESTIMENTOS E SEUSO mapa dosBrasíliaEstádio NacionalBelo Horizonte*MineirãoCuiabáVerdãoFortalezaCastelãoManausVivaldão NatalCidade das DunasPorto AlegreBeira-RioRio de JaneiroMaracanãSão PauloMorumbiSalvadorFonte NovaSituaçãodos estádiosReformaConstrução* Ainda indefinido entre os estádios Mineirão,Independência e Arena do Jacaré.758,610.650,7(7,1%)339,344.385,0(0,8%)RecifeCidade Copa606,9132.681,9(0,5%)343,250.169,3(0,7%)597,310.489,1(5,7%)CuritibaArena daBaixada664,545.672,3(1,5%)723,3424.806,0(0,2%)987,4185.270,8(0,5%)717,450.724,6(1,4%)625,735.481,4(1,8%)378,727.504,1(1,4%)439,032.490,3(1,4%)TOTAL7.181,31.050.325,5(0,7%)Impacto PIB DiretoPIB Municipal 2010Impacto Direto (% do PIB 2010)Em R$ milhões
  17. 17. 15Belo HorizonteBrasíliaCuiabáCuritibaFortalezaManausNatalPorto AlegreRecifeRio de JaneiroSalvadorSão Paulo0 500 1.000 1.500 2.0001.435,11.219,01.212,9720,2890,61.357,51.499,6724,6779,81.973,21.263,91.455,0Rio terá mais aportesEm R$ milhõesEFEITOS NOS PIBs REGIONAIS5.0002.000 4.0001.000 3.0000SegurançaEnergiaDespesaOperacionalInvestimentosDestino dos investimentosEm R$ milhõesMaior fluxo nos aeroportosPassageiros por ano, em milhõesCapacidade atual114,6Meta 2014Outros38,7Copa13,5Estádios 4.624,50Aeroportos 1.213,70IBC 184,50Segurança 1.697,40Reurbanização 2.847,30Fan Parks 204,00Parquehoteleiro3.163,93327,00280,52Total: 14.542,00
  18. 18. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201416Responsabilidadesocioambientalem jogoA análise de impactossocioeconômicos não pode estardissociada dos aspectos ambientaisem um megaevento como a Copado Mundo, que costuma servirde espelho para ações futuras.Assegurar o desempenho parao desenvolvimento sustentávelnesse tipo de competição globalsignifica contribuir para a reduçãode custos sociais e ambientais,de ineficiências e desperdícios,além de colaborar para maiorintegração com a sociedade e como desenvolvimento contínuo daspessoas, das comunidades e dosrelacionamentos entre a sociedadee o meio ambiente.Segundo os critérios adotadospela United Nations EnvironmentProgramme (Unep), as dimensõeseconômicas, sociais e ambientaisdevem ser integradas para venceros desafios em seis áreasprioritárias: mudanças climáticas,desastres e conflitos, manejode ecossistema, governançado meio ambiente, substânciasperigosas e eficiência do usode recursos naturais.Um evento como a Copa do Mundo,que tem na prestação de serviçosum dos seus pilares centrais,não pode deixar de lado suasresponsabilidades em relaçãoa todas essas questões.O aspecto socioambiental permeiatodas as suas atividades.Por exemplo, na realização diretaou na contratação dos serviçosé importante identificar critériosque garantam a saúde e segurançado trabalhador, as condições detrabalho, o pagamento de direitose benefícios, a qualidade de vida,o fortalecimento de sistemasde aprendizado e a ocupação esustentabilidade pós-evento.Em relação ao público, sãofundamentais a garantia àqualidade urbana, acessibilidade,segurança, acesso à informação,educação ambiental e utilidade dasinstalações e intervenções urbanaspara além do evento.Deve-se exigir do poder públicoe das empresas envolvidas coma Copa que sejam asseguradasa responsabilidade no uso derecursos naturais e econômicos,e a origem responsável dematéria-prima, produtos e serviçosadquiridos. O objetivo é reduzira emissão de dióxido de carbono(CO2), relacionado à queima decombustíveis fósseis, que é um dosprincipais gases causadores doefeito estufa.Pegada de carbono - A Fifa vemdesenvolvendo desde a Copa daAlemanha o programa oficial “TheGreen Goal”, com o objetivo, entreoutros, de reduzir a emissão deCO2. Seu foco envolve quatroaspectos: água, resíduos, energia etransporte. Estima-se que a pegadade carbono da Copa do Mundo2010 seja de 896.661 toneladasde carbono, com o adicional de1.856.589 toneladas como parteda contribuição do transporteaéreo, segundo demonstra a tabelana página ao lado. A pegada decarbono mede quanto dióxido decarbono é produzido em todas asatividades (transporte, eletricidade,etc.) de uma pessoa, uma empresa,um evento – atividades essas quenormalmente utilizam combustíveisfósseis, como petróleo, gáse carvão.A expressão pegada de carbonoestá relacionada a outra expressão,“pegada ecológica” (do inglêsecological footprint), que se refereà quantidade de recursos naturaisnecessários para sustentaruma determinada população.Excluindo as viagens aéreas naCopa de 2006 na Alemanha,a pegada de carbono da Copa de2010 na África do Sul deve seroito vezes maior.Como demonstrado na tabela aseguir, as viagens internacionaisde avião correspondem a 67% dapegada de carbono, uma vez quea maioria dos visitantes deveráCopa sustentável
  19. 19. 17usar esse meio de transportepara chegar à África do Sul.Considerando a localização doBrasil e a sua dimensão continental,a emissão de CO2 certamente secomparará a esses resultados naCopa de 2014.A demonstração do desempenhopara o desenvolvimento sustentáveldo País, estado, cidade oucomunidade requer a definiçãode um sistema de indicadoresque deve ser proposto de acordocom critérios de desempenhopré-selecionados e definidos,fundamentados no cumprimento daresponsabilidade socioambiental.Indicadores de desempenho podemser definidos como parâmetros ouvalores derivados de parâmetros,fundamentados em padrõesestruturados para atender a umprograma de responsabilidadeambiental e social. Os padrões sãoconstituídos de princípios, critérios,metas, indicadores e verificadores.O padrão a ser estabelecidopelos estados e organizaçõesparticipantes na realização daCopa 2014 pode ser definido apartir da análise do escopo deresponsabilidade ambiental eO aspecto socioambiental permeia todas asatividades da Copa, dos estádios erguidos com oscritérios de “construção verde” ao impacto dasviagens de avião no cálculo da “pegada de carbono”.Quadro 7Transporte internacionalTransporte entre as cidadesTransporte intracidadesConstrução de estádios e materiaisEstádios e uso adicional de energiaUso de energia em acomodaçõesTotal excluindo transporte internacionalTotal incluindo transporte internacional1.856.589484.96139.57715.35916.637340.128896.6612.753.250Emissões(tCO2e)Componente ParticipaçãoSumário da pegada de carbono na Copa do Mundo 201067,4%17,6%1,4%0,6%0,5%12,4%100%social dos estados e das áreasdefinidas como prioritárias pelaFifa a partir da Copa da Alemanha.A seguir, encontra-se um primeiroensaio de um conjunto preliminarde indicadores quantitativosidentificados de acordo comum padrão preestabelecido deresponsabilidade socioambientaldos estados e áreas prioritáriasdo Green Goal, considerando arealidade brasileira. Esse conjuntode indicadores deve ser avaliadoe testado de acordo coma dinâmica de cada estadoe/ou organização.
  20. 20. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201418Conservação de energia emudanças climáticasPrincípio: Como minimizar a pegadade carbonoCRITÉRIOS INDICADORESCálculo da pegada decarbono na Copa de 2014.Quantidade de dióxido decarbono gerada.Implementação desequestro de carbono.Quantificação da redução deemissão de CO2.Tecnologiasenergeticamenteeficientes.Quantificação da energiareduzida em um ano.1SETE PASSOS paraa Copa verde2ÁguaPrincípio: Como promover a conservação daágua, por meio da minimização do usoCRITÉRIOS INDICADORESTecnologias de reúso daágua em diversosambientes: estádios,alojamentos, hotéis elocais de turismo.Quantificação de águaeconomizada.Fontes alternativas parasuprir a necessidade deirrigação.Quantificação de águaeconomizada.
  21. 21. 19Gestão integrada de resíduosPrincípio: Como reduzir, reutilizar e reciclarresíduos com o apoio dos catadores de modoa incluí-los no processo de gestãoCRITÉRIOS INDICADORESPrograma de coletaseletiva de resíduos emestádios, alojamentose outros.Quantificação dos resíduosdestinados à coleta seletiva porclasse e tipo de resíduo.Programa de educaçãoambiental com foco emcoleta seletiva.Quantidade de pessoascapacitadas para seremmultiplicadores.Plano diretor de resíduossólidos com inclusãode catadores deve serelaborado.Quantidade de pessoas alcançadasno programa de educaçãoambiental.Número de catadores inclusosno processo.Número de instalações debeneficiamento instaladas emgestão compartilhada comorganizações de catadores.Proporção de resíduos recicláveisdestinados aos catadores emrelação ao total de resíduos.Plano de sustentabilidadepara catadores de resíduosapós o evento da Copa.Quantidade de catadores eorganizações alcançadas.Número e tipo de capacitaçãofornecida aos catadores.Número de associações/cooperativas que conseguiramimplantar plano de negócios.3 Transporte, mobilidade e acessoPrincípio: Como alcançar a eficiência energética, pelouso de meios universais e acessíveis de transporteque minimizem a poluiçãoCRITÉRIOS INDICADORESInfraestrutura para ciclistase pedestres.Quilômetros de cicloviasconstruídas.Número de usuários das ciclovias.Transporte público comminimização da emissãoda poluição.Tipo de transporte públicoimplementado.Avaliação de fumaça pretados veículos.Quantidade equivalente decarbono reduzido.Eco-táxis.Número de eco-táxis nafrota urbana.Quantidade equivalente decarbono reduzido.4
  22. 22. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201420Paisagem e biodiversidadePrincípio: Como conservar a biodiversidade, por meio dapromoção da paisagem naturalCRITÉRIOS INDICADORESTreinamento parapaisagismo para promovera paisagem natural.Número de funcionários treinados.Tipo de treinamentos fornecidos.Número de horas investidasem treinamento.Mostruáriosda biodiversidade.Número de mostruáriosimplementados.Acessibilidade dos mostruáriosao públicos.Competição de estudantespara o jardim em volta docampo de futebol.Número de participantes inscritospor faixa etária.Número de projetos realizados.Número de projetos mantidos apósum ano de implantação.Programa de educaçãoambiental com foco noembelezamento da cidade.Número de árvores plantadas einiciativas de embelezamento dacomunidade.Número de material didáticoproduzido.5 6Edifícios verdes e estilos devida sustentáveisPrincípio: Como promover a conscientizaçãoe estilo de vida sustentávelCRITÉRIOS INDICADORESParque ecológico eCentro Smart living.Número de parques ecológicosimplementados.Área em metros quadrados ouhectares.Quantidade de parques quesobreviveram por um ano.Campanha de EducaçãoAmbiental (CEA).Avaliação positiva da qualidadee eficácia da CEA (mais que 50%dos usuários).Quantidade de materialdidático gerado.Número de pessoas alcançadas.Quantidade de pessoascapacitadas como multiplicadores.
  23. 23. 21Construção sustentávelPrincípio: Como assegurar a construção sustentávelnos processos construtivos e edificaçõesCRITÉRIOS INDICADORES E VERIFICADORESCertificação de projetos e da construçãode estádios e alojamentos sustentáveisreconhecidos internacionalmente(Leed, Acqua, Breeam, etc.).Quantidade de CO2 reduzido – tanto naconstrução quanto na operação das edificações.Quantidade de água potável economizada.Quantidade de resíduos segregados enviadosem sistema de coleta seletiva.Tipos de matérias-primas que tiveram a origemresponsável avaliada.Resultado positivo do processo de Etiquetagem– Selo Procel.Programa de saúde e segurança implementado.Frequência e gravidade dos acidentes detrabalho.Critérios de construção sustentável a serematendidos nas obras de infraestrutura.Quantidade de CO2 reduzido – tanto naconstrução quanto na operação das edificações.Quantidade de água potável economizada.Quantidade de matéria-prima que teve origemresponsável verificada.Quantidade de energia economizada com ainstalação de energia solar na geração deiluminação pública.7
  24. 24. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201422vão além do plantio de árvores, queatualmente é uma das alternativaspara reduzir a emissão de gáscarbônico na atmosfera, e talveza mais divulgada. Mas é precisouma visão sistêmica, que permitaintegrar a redução de emissão(que inclui a aplicação de soluçõesecoeficientes, o uso racional dosrecursos naturais, a avaliação damatriz energética da empresas,entre outros) e a compensaçãoda emissão.Para uma gestão sustentáveldos projetos, devem ser traçadosobjetivos, metas, indicadorese planos de ação. Um exemplode ação que pode ser planejadapara cada uma dessas etapas éo programa de neutralização depegadas de carbono envolvendoo incentivo ao uso de transportesmovidos a etanol ou biodiesel, abusca pela eficiência energética dasempresas, projetos de “construçõesverdes” e o monitoramento dasResponsabilidade ambiental esocial - Atender ao desempenhodefinido a partir desse conjunto deprincípios, critérios e indicadoresexige considerar os impactosnos custos de implementação deprogramas e políticas públicase dos processos produtivos erespectivos produtos. Se porum lado há um custo para asorganizações que assumem atendera sua responsabilidade ambiental esocial, por outro há benefícios paraà sociedade e o meio ambiente;o fortalecimento de sistemas deaprendizado; a contribuição paraa boa reputação de empresas eorganizações (públicas e privadas)e a oportunidade para investimentono mercado de carbono.Sequestro de carbono -A aplicação do critério dedesenvolvimento de projetos desequestro de carbono (carbonoffset projects) deve estarintegrada a ações e programas que22
  25. 25. 23emissões de carbono antes,durante e depois dos eventos.Outro exemplo é a gestão daqualidade do ar, que pode incluir aconstrução de mais ciclovias quedeem acesso aos principais locaisdos eventos, por exemplo.Os conceitos de “construçãoverde” podem ser utilizadosna construção de estádios ehotéis. Por exemplo, os materiaisestruturais a serem utilizados nãodevem ser agressivos à saúdee ao meio ambiente, devem seroriginados de fontes sustentáveise priorizar o consumo energético;as tecnologias empregadas devemproporcionar redução do consumoe reúso da água; deve-se buscara minimização de consumo deenergia elétrica (com sistemasde refrigeração, ventilação eiluminação inteligentes) e fazer agestão de resíduos tanto naetapa de construção quanto nade operação.Incentivo ao uso de transportes movidosa etanol ou biodiesel, assim como a busca pelaeficiência energética, são algumas das açõespara neutralizar a pegada de carbono.Reduzir, reutilizar e recliclar -As medidas sustentáveis envolvemainda a gestão de resíduos,seguindo a prática dos três Rs(reduzir, reutilizar, reciclar),a gestão de água e esgoto,com prioridade na redução douso, e também nos critérios decontratações: os contratos aserem fechados devem priorizaraqueles fornecedores que adotamprincípios de gestão sustentávelem seus serviços e produtos.Certificações – Para garantira “construção verde” há várioscritérios de certificação. Projetose construções dos estádios ealojamentos podem receberalgum dos selos reconhecidosinternacionalmente (Leed,Acqua, Breeam, etc.). No Brasil,são aplicadas atualmente duascertificações ambientais com focoem construção (projeto e processoconstrutivo): o Acqua, de origemfrancesa, já adaptado à realidadebrasileira; e o Leed (Leadershipin Energy and EnvironmentalDesign), que é uma certificaçãonorte-americana. O Breeam(Building Research EstablishmentEnvironmental AssessmentMethod), por sua vez, criado naInglaterra, está sendo introduzidono mercado brasileiro.As normas ISO 14001, queestabelecem diretrizes para agestão ambiental dentro dasempresas, vêm sendo, aos poucos,adotadas pelas construtoras,especialmente após ofortalecimento da culturada ISO 9000. Por outro lado,grandes organizações e/ouinstituições, que têm como metaassegurar o desempenho deresponsabilidade ambiental e socialde seus processos construtivos,tendem a elaborar padrões internosde certificação, customizadose personalizados. Nesse caso,é necessário reconhecer oenvolvimento indispensável de umagente externo para auditoria.
  26. 26. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201424Microeconomiae impacto socialMilhares demicroempresasserão beneficiadasAlém do impacto sobre amacroeconomia, detalhado até aqui,há o efeito da Copa sobre uma legiãode centenas (ou mesmo milhares)de micro e pequenas empresas eserviços que, certamente, serãofortemente impulsionados. Além dosimpactos diretos e indiretos porsetores econômicos já mencionadosno estudo na página 4, há pelomenos 11 outros setores com umcontingente expressivo de pequenas,médias e grandes empresas que serádiretamente atingido pelo evento daCopa, como demonstra a tabela abaixo.PIBtotal por setor(R$ milhões)CrescimentoPIB setorial emfunção da CopaImpacto total(R$ milhões)Impacto direto(R$ milhões)Impacto indireto(R$ milhões)Impacto da Copa em 11 diferentes setores da economia18.604,9923.416,564.193,715.922,7931.675,1811.182,779.305,759.641,359.494,36TêxtilPeças e acessórios paraveículos automotoresEletrodomésticosMáquinas, aparelhos e materiais elétricosMáquinas e equipamentos,inclusive manutenção e reparosProdutos de madeira – inclusive móveisArtefatos de couro e calçadosAparelhos/instrumentosmédico-hospitalares, medidas e ópticosOutros equipamentos de transporteCaminhões e ônibusMáquinas para escritório eequipamentos de informática3,12%2%10,24%2,41%0,84%2,32%2,61%1,36%0,12%0,86%580,47469,23429,40384,20267,64259,97242,70131,443,9581,920,073,870,1142,781,240,380,160,600,2148,37580,40465,36429,28341,42266,39259,59242,54130,833,7433,543.380,723.331,29 1,43% 47,62 37,41 10,21SetorQuadro 9Ano-base do PIB - 2010Estes setores atingem tanto pequenas e médiasquanto grandes empresas
  27. 27. 25Efeito social - Outro ambientede impacto indireto dá contados efeitos sociais e em cadeiaadvindos de ações ligadas àrealização da Copa.Os impactos até aqui mencionadospodem ser classificados comosistemáticos, pois estão relacionadosàs variações previsíveis nocomportamento agregado dossetores econômicos. Por essageneralidade e previsibilidade,tais impactos são suscetíveis àestimativa quantitativa.O que neste estudo se denominamimpactos específicos, por outro lado,são aqueles que são idiossincráticosàs características microeconômicasou sociais do evento e da populaçãopor ele atingida. Entre eles, épossível listar:• Os impactos do Programade Voluntariado sobrea escolaridade e rendada população;• A exposição do País na mídiamundial e os consequentesefeitos sobre o turismo;• As potenciais reduções daviolência e criminalidadeadvindas dos investimentosem segurança;• Os benefícios sociaisdos investimentos eminfraestrutura; e• Os impactos microeconômicosda construção e melhoriados estádios e todo um novoambiente de oportunidadesque se cria em seu entorno emfunção do megaevento.Por sua própria natureza, osimpactos específicos não sãocaptados em modelos quedescrevem as relações econômicasentre agentes e instituições deforma puramente monetária eagregada, o que os remove doescopo de atuação dos métodosde insumo-produto utilizados.De fato, devido à complexidade dasredes de interações envolvidas, emmuitos casos não existem modelosquantitativos adequados paradescrever esses fenômenosde forma verossímil, predominandoas análises qualitativas e estudosde caso.Efeitos em cadeia gerados pelo eventomundial estimulam e incentivam benefíciossociais como: aumento de renda eredução da violência e criminalidade.
  28. 28. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201426Corrida deobstáculosPara que as diversas oportunidadessocioeconômicas que um eventocomo a Copa do Mundo traz sejamintegralmente aproveitadas pelasociedade, é preciso levar em contacertos condicionantes, ou fatoresde risco. São eles:• Atendimento das necessidadesdas cidades-sede: o sucesso doevento depende da capacidadede se atender até 2014 adiversas necessidades dascidades-sede, por meio de açõese investimentos nos setorespúblico e privado. Algumas dessasnecessidades requerem açõesespecíficas para a Copa, enquantoque outras podem ser atendidasno contexto de ações e atividadesmais amplas.• Aproveitamento do legado: apreparação e a realização da Copadarão origem a diversos legados,tanto físicos quanto intangíveis.Esses legados poderão gerarbem-estar para a população emum horizonte de tempo que seestende muito além do evento emsi. Mas, para que isso aconteça,eles devem ser bem aproveitadospelo País.• Eficiência econômica: asatividades de realização daCopa do Mundo e de utilizaçãodos legados devem serrealizadas de forma eficiente.Sem o planejamento e controleadequados, poderão ocorrerdispêndios excessivos oudesnecessários, alocaçõesde verba para finalidadesinadequadas, desvios de recursose não aproveitamento de custosde oportunidade.• Fatores externos: para alémdos fatores de risco diretamenteassociados à Copa em si,existem diversos condicionantesexternos, nos âmbitos nacionale internacional, que fogem àcapacidade de intervenção dosstakeholders, mas podem trazerriscos relevantes para o processode preparação e realizaçãoda Copa.De que precisamas cidades-sede?As 12 cidades-sede da Copatêm diversas necessidades queprecisam ser atendidas para que oevento seja bem-sucedido. Essasnecessidades podem ser resumidasnas seguintes categorias:• Energia• Transporte arterial (rodovias,aeroportos, etc.)• Infraestrutura de eventos(estádios, IBC/IMCs, Fan Parks)• Sistema hoteleiro• Segurança• Planejamento urbano(serviços de utilidade pública,operações urbanas, qualidadedas vias urbanas, transportepúblico, operações emcondições adversas)• Serviços auxiliares (alimentação,táxi, comunicações, saúdee comércio)A lista acima mostra a existência deum espectro entre necessidades de“grande porte” e “pequeno porte”.Em termos gerais, o atendimentoa essas necessidades pode serrealizado por meio de ações ouRiscos econdicionantes
  29. 29. 27políticas públicas “top-down” (decima para baixo) ou “bottom-up”(de baixo para cima). Cada umadessas categorias dá margem adiferentes deficiências e falhas deorigem distinta, conforme vistoa seguir. Entretanto, os riscossão os mesmos: que tais ações epolíticas resultem em intervençõesineficientes, dispendiosas, ou nonão atendimento das necessidadesem questão.O Brasil tem longa tradição deplanejamento verticalizado, emque as decisões são tomadas porgovernos centrais e irradiadas paraos pontos locais de organização.Frequentemente, existe poucaautonomia local, pouco feedbacksobre a eficácia e eficiência dasdecisões tomadas, e pouco controlesobre o alinhamento dos agentesresponsáveis pelas políticasestipuladas. Tais característicaspodem ser identificadas nãosomente na relação entre ogoverno federal e os demais entesfederativos, como também nasesferas estaduais e municipais.Diante disso, qualquer necessidadede política ou intervenção pública“de cima para baixo” introduz umrisco institucional, na medida emque, devido às falhas no processodecisório, tais intervençõespodem ser realizadas de formaequivocada, desnecessariamentedispendiosa, ou simplesmente nãose concretizar.Em relação às dificuldades doplanejamento central, pode-seconstatar em várias escalas oengessamento e o aparelhamentodo processo político local, o querepresenta um entrave significativoà realização de políticas públicas“de baixo para cima”. De fato,as tentativas embrionárias, emcidades como o Rio de Janeiro, dedesenvolver soluções urbanas porintermédio de subprefeituras ousimilares esbarram não somenteem problemas de coordenação,“vontade política”, falta de recursose inflexibilidade dos instrumentoslegais, como na própria dificuldadede articular as populaçõesde cada comunidade emfunção de necessidades eresponsabilidades comuns.Risco sistêmico - Considerandoesses fatos, deve-se constatarque as necessidades dascidades-sede classificadas comode “grande porte” são passíveisde planejamento central e deintervenções governamentaisdiretas e, entretanto, sujeitasao risco sistêmico de falhasinstitucionais que venham acomprometer aspectos cruciaisdo evento. Já as necessidadesde “pequeno porte” apresentamdificuldades de planejamentocentral, mas podem ser sanadaspor ações públicas ou privadas decada cidade-sede, contanto quehaja autonomia, iniciativa e osrecursos necessários.Em termos gerais, o nãoatendimento, ou atendimentoCategorização das necessidadesSistemáticasComuns entre as diferentes cidadesRelacionadas a responsabilidadesfederais e estaduaisIdiossincráticasEspecíficas a cada cidadeRelacionadas a responsabilidadesmunicipais ou do setor privadoQuadro 10Eventos recentes no Rio e São Paulo mostram queas cidades-sede precisam se aprimorar na questãodo planejamento, para evitar que a realizaçãodos jogos seja acompanhada de caos urbano.
  30. 30. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201428Categorização das políticas e açõesQuadro 11OrigemCausas da falhaEscopo da falhaMais adequada a• Pouco feedback• Pouco acompanhamento econtrole• Outras falhas no circuitodecisório• Falhas afetam todas ascidades-sedeNecessidades de grande porte• Problemas de coordenação• Aparelhamento por interesseslocais• Engessamento edesarticulação da população• Falta de recursos• Falhas afetam cada cidade-sede individualmenteNecessidades de pequeno porteBottom-up*Top-down*deficiente, das necessidadesdas cidades-sede pode ter comoconsequências:• Deterioração na qualidadedo atendimento aos visitantese à população;• Efeito gargalo (restriçãono fluxo de visitantes, devidoa escaladas de preço ouesgotamento da capacidade);• Perdas econômicas e humanas(causadas por acidentes,desordem, ou outros efeitosnegativos do fluxode visitantes);• Apresentação de uma imagemnegativa do Brasil na coberturainternacional.Cada uma das necessidadeselencadas acima é discutidaa seguir:• Energia: a segurança energéticadas cidades-sede é uma questãoque, embora fundamental, não éem absoluto garantida. À luz deeventos recentes como o apagãonacional ocorrido em novembrode 2009, fica evidente que, noestado atual do desenvolvimentodo sistema elétrico, ascidades-sede também não estãoa salvo de ameaças ao seufornecimento de energia.• Transporte arterial: emmuitos casos as distânciasentre as cidades-sede sãotranscontinentais e cobertasapenas por rodovias em péssimoestado de tráfego. Já a situaçãonos principais aeroportos doBrasil – particularmente nascidades do Rio de Janeiro e SãoPaulo – é de capacidade saturadae infraestrutura deficiente.• Estádios: três das cidades-sedeestão construindo estádiosnovos para a Copa, sendo queos outros nove passam oupassarão por reformas para seadequar às exigências da Fifa.Dada a complexidade das obrasenvolvidas, há um grande desafiopara que todos os estádios possamser entregues a tempo da Copadas Confederações, em junhode 2013, quanto menos um anoantes, conforme compromissofirmado pelo Brasil. Além disso,uma vez que a responsabilidadepela construção e reforma dosestádios está distribuída entrediversos clubes e/ou entidadespúblicas, pode não haverpadronização ou análise deconformidade dos projetosàs exigências da Fifa (riscosde coordenação).* Políticas públicas “top-down” (de cima para baixo) ou “botton-up” (de baixo para cima).
  31. 31. 29• Sistema hoteleiro: estecomponente é fundamentalmenteda alçada privada. A previsãoé de expansão de 19,5 milunidades habitacionais na ofertahoteleira das cidades-sede até2014. Entretanto, com exceçãodas cidades de Curitiba, Rio deJaneiro e São Paulo, que possuemmelhor estrututa hoteleira, aindanão há unidades suficientespara alcançar a capacidaderecomendada pela Fifa.• Segurança pública: este é umquesito em relação ao qual oBrasil tem grande dificuldade emevoluir, não somente no que serefere à segurança da populaçãoem geral, como também àviolência dentro dos estádios.A questão da segurança públicaé de difícil solução, não somentepor ser particularmente sujeitaa problemas de coordenação,como também por requerer,mais do que investimentos emcapital físico, políticas públicasconsistentes, inteligentes, delongo prazo e coordenadas comoutras áreas do poder público.• Planejamento urbano: este iteminclui serviços de utilidadepública como luz, água,telefonia e limpeza urbana,bem como a qualidade das viasurbanas, esquemas adequadosde engenharia de tráfego,sistemas de transporte públicoadequadamente dimensionados eorganizados. Estes são aspectoscom os quais boa parte, senãoa maioria, das cidades-sede temdificuldades renitentes. Eventosrecentes no Rio de Janeiro e SãoPaulo mostram que, no geral,as cidades-sede ainda precisamse aprimorar muito nestequesito, com planejamento einvestimentos coordenados,para evitar que a realizaçãodos jogos seja acompanhadade caos urbano.• Serviços auxiliares: há inúmerosserviços privados fundamentaispara o atendimento apropriadoaos visitantes durante a Copa,tais como alimentação, táxi,comunicações, saúde e comércioem geral. Como a oferta dessesserviços independe em largamedida de políticas públicas,se ajustando a expectativas dedemanda e preços de acordocom as pressões de mercado,é difícil saber se ocorrerá oredimensionamento necessário,especialmente em cidades-sedemenores e/ou com poucatradição turística.Para suportar o fluxo de turistas,há uma expectativa de expansão dacapacidade hoteleira nas cidades-sedede 19,5 mil unidades até 2014.A preocupaçãocom o legadoOs investimentos e ações realizadosem função da Copa do Mundogerarão legados em diversasformas de capital fixo:• Capital físico (estádios eoutras instalações esportivase de lazer);• Capital humano (profissionaiscapacitados em áreasrelacionadas à realização egestão de grandes eventos);• Capital tecnológico(equipamentos de segurançae telecomunicações);• Capital de marca (exposiçãointernacional do Brasil comodestino turístico).Todos esses legados podemcontinuar gerando bem-estar paraa população das cidades-sede,e do Brasil como um todo, emum horizonte de tempo que vaimuito além da Copa do Mundo.Porém, dependem de uma série decondicionantes. Talvez o primordialseja, evidentemente, a realizaçãobem-sucedida do evento.
  32. 32. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201430Entretanto, somente um eventobem-sucedido não é suficientepara garantir os legados da Copa:é necessário também que o capitalformado seja bem conservado,reutilizado e atualizado ao longodo tempo. Caso contrário, ocorreráa depreciação: instalaçõesdesportivas se deterioram,profissionais mudam de ramo eequipamentos são desviados paraoutros fins ou se tornam obsoletos.Todos esses efeitos já foramobservados no caso do Rio deJaneiro, que não tem conseguidoaproveitar por completo oslegados deixados pelos JogosPan-Americanos de 2007. A VilaPan-Americana e seu entornoexibiram indícios e problemasestruturais pouco após o términodo evento; o Parque Aquático MariaLenk e o Velódromo da Barra têmsido subutilizados.Quanto à expansão do fluxoturístico ocasionada pela exposiçãointernacional das cidades-sede,sua concretização depende deuma série de condicionantes, emespecial os seguintes:• Avanços nas questões deacessibilidade, logística eregulamentação do setor aéreo;• Melhorias na infraestruturade transportes (especialmenteaeroportuária e rodoviária);• Consolidação das ações depromoção comercial da marca edo produto Brasil no exterior;• Ampliação e manutençãodas políticas de capacitaçãopara profissionais do setorde turismo; e• Expansão e facilitação dosinvestimentos privados emturismo e hotelaria.O risco daineficiênciaeconômicaA opção do Brasil por sediar aCopa do Mundo representa umadecisão de arcar com investimentossignificativos, fazendo uso derecursos públicos e privadosque poderiam ser destinados aoutros fins – escolas, hospitais,distribuição de renda, quitação dedeficit, etc. Esse trade-off carregaconsigo um custo implícito, o custode oportunidade.Estudos internacionais apontamque o custo de oportunidadeimplícito em sediar um megaeventoesportivo pode ser significativo.De fato, uma vez que os impactosdo evento em si são transitórios,o retorno sobre os investimentosrealizados depende criticamentedo grau de aproveitamento doslegados pelo país-sede. A questãodo retorno é ainda exacerbada pelofato de que, frequentemente, boaparte dos investimentos públicosem questão é financiada por meioda expansão da dívida pública,que tem seus próprios custose impactos macroeconômicosnegativos.Para que o Brasil alcance omaior retorno social sobre osinvestimentos e ações da Copa doMundo, estes devem ser realizadosde forma eficiente, vale dizer, aomenor custo possível (em termosde recursos e tempo) para obteros resultados desejados. Emtermos concretos, isso significarealizar obras e ações dentro dosorçamentos e prazos estritamentenecessários para garantir produtosde qualidade.Revendo o histórico doinvestimento público no Brasil,podemos identificar diversas causasfrequentes de ineficiências:• Realização de orçamentosdeficientes ou equivocados;• Readequações devidasa erros ou omissões nosprojetos iniciais;
  33. 33. 31• Readequações devidas a obrasmal executadas;• Custos devidos a atrasos einterrupções nas obras (horasextras, licitações emergenciais,obras refeitas devido adeteriorações);• Custos devidos a distorçõesno ambiente macroeconômico,cambial ou financeiro.Por sorte, com exceção do último,todas essas modalidades deineficiência podem ser prevenidaspor meio da aplicação judiciosados princípios da gestão pública– licitações bem planejadas erealizadas, utilização de expertisetécnica e, principalmente, açõesabrangentes e ininterruptas deacompanhamento e controle.Os imponderáveisfatores externosAté o momento, foramconsiderados apenas riscosde gestão, ou seja, impactosnegativos de certas decisõessobre a preparação, realização eaproveitamento das oportunidadesda Copa, e consequente geraçãode bem-estar. Esses riscos sãoespecíficos ao empreendimentoCopa e, em larga medida, podemser mitigados ou evitados por meiode ações e políticas adequadas,especialmente de acompanhamentoe controle.No entanto, a Copa do Mundo estátambém sujeita a riscos sistêmicosdevidos a fatores externos,fora da esfera de influência dosstakeholders, que afetam o Brasilcomo um todo. Podemos destacaras seguintes fontes de risco:• Cenário macroeconômicointernacional, afetando o fluxode visitantes estrangeiros ea disponibilidade de capitalestrangeiro para investimentos;• Cenário macroeconômico efiscal nacional, afetando o fluxode torcedores brasileiros e osorçamentos de obras e açõespúblicas e privadas;• Cenário político nacional,afetando a coordenação deações e investimentos entreesferas de governo;• Outros riscos atualmente nãoidentificados. Precisamentepor seu caráter desconhecido,tais riscos podem surgirinesperadamente ao longodo processo de preparação erealização da Copa.A Copa também está sujeita a riscos sistêmicosdevido a fatores macroeconômicosexternos que afetem a visita de estrangeirose o fluxo de capital.
  34. 34. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201432Como potencializaros efeitos positivosda Copa?Um evento do porte da Copado Mundo está relacionadoa impactos socioeconômicosdiretos e indiretos, como foi ditoneste estudo, sendo possíveldeterminar os efeitos sobre o Paíse as cidades-sede e dimensionare avaliar os riscos e gargalos quepodem comprometer seu sucesso.Paralelamente, a Copa traz, com osinvestimentos em infraestrutura, aatenção da mídia, a movimentaçãoda economia, a mobilização sociale os debates sobre as intervençõesurbanas, inúmeras oportunidadespara, o governo, a iniciativa privadae a sociedade em geral.É um marco na história das cidadesque a acolhem, o que faz com quesua importância extrapole, emmuito, a organização e o momentodos jogos. É uma chance realpara essas localidades – que noBrasil serão em número recorde– mudarem para melhor a qualidadede vida de suas populações. Além deconfigurar excelente oportunidadede geração de receita paradiferentes setores da economia.A necessidade de realizaçãode obras de infraestrutura éparticularmente interessante parao País, que poderia ter seu ritmode crescimento dos próximosanos prejudicado sem a realizaçãodos significativos investimentosprevistos na ampliação e melhoriade aeroportos e portos, namobilidade urbana, nos serviçosde energia, telecomunicações e emoutras medidas que serão tomadasem tempo recorde para Copa. Osganhos para o turismo são outrobenefício de longo prazo evidente.No Brasil, o setor encontra umagrande margem para crescimento,já que há cinco anos o número deturistas estrangeiros que recebese mantém praticamente estável,em torno de 5 milhões. Na AméricaLatina, o recordista é o México,que recebeu 21,5 milhões deturistas em 2009 – segundo dadosoficiais do Ministério de Turismomexicano –, ou quatro vezes mais.Em 2014, o País será o centrodas atenções de uma mídia quedeverá investir R$ 6,5 bilhões empublicidade e informação associadaà Copa do Mundo, como foi vistona primeira parte deste estudo.É a deixa para desenvolver umaeficiente gestão de imagem emostrar ao restante do mundo,Desafios e oportunidades
  35. 35. 33por exemplo, que além de sambae futebol, o Brasil tem centrosde excelência em pesquisa,desenvolvimento e inovação, umaeconomia complexa, estável erobusta e cidades modernase multiculturais.A Copa pode tirar o Brasil de uma estagnação decinco anos no fluxo de turistas estrangeiros querecebe, dos atuais 5 milhões para 7,48 milhõesaté 2014 e 8,95 milhões em 2018.Quadro 12Chegadas de turistas internacionaisEm milhõesCom CopaSem Copa2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 20182003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018ReceitasgeradasUS$ bi5.0004.1335,312,486.0187.0408.9557.4808,7310,653.0004.0005.0006.0007.0008.0009.0001210864201.915- 16,0% 11,8% -6,3% 0,1% 0,5% -1,0% 6,2% 6,8% 5,9% 7,3% 16,1% 1,0% 6,5% 6,0% 5,0%Var. anual de turistas- 30,0% 19,8% 11,8% 14,8% 16,9% -8,3% 10,9% 11,7% 10,6% 12,4% 6,7% 1,1% 7,1% 6,7% 5,6%Var. anual de receitaO aproveitamento das oportunidadesgeradas pela Copa vai dependerde se saber identificar essasoportunidades e os desafios a elasassociados em alguns grandestópicos temáticos, cada qual com oseu papel estratégico: governançae planejamento; monitoramento,controle e transparência;gestão financeira; ambienteregulatório; infraestrutura eserviços; capital humano;gestão de imagem; legadoe sustentabilidade.
  36. 36. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201434Plano diretor daCopa para cadacidade-sedeO ponto de partida para enfrentaros desafios de gestão de atividadesrelacionadas à Copa do Mundo éestabelecer um adequado processode planejamento, governança egestão. Essa estrutura pode serdefinida por meio da elaboração deum plano diretor. O plano deverádetalhar todos os projetos para aorganização e sucesso da Copa,definindo ações, prioridades,prazos, investimentos, custos eresponsáveis, além de identificare mapear as oportunidades.É fundamental o adequado nívelde integração de todos os projetos,tendo em vista que serão realizadossob a responsabilidade municipal,estadual, federal, ou, ainda, pelainiciativa privada.No caso das cidades-sede,estruturar a governança, definiro plano diretor e o modelo degestão são questões essenciaisGovernança e planejamentopara estabelecer as atribuições decada instância de governo e podercumprir o conjunto de obrigaçõesassumidas junto à Fifa e ao comitêorganizador da Copa, bem comoo que determina a Matriz deResponsabilidades, documentoassinado pelos governos federal,estaduais, prefeituras e clubescujos estádios receberão os jogosda competição.A matriz define responsabilidadese cronogramas de cada membroorganizador em relação às obrasnos estádios e no entorno deles,à mobilidade urbana e reformasde aeroportos e de terminaisturístico-portuários. O conjuntode obrigações é muito significativoe compreende, além da Matrizde Responsabilidades, o HostingAgreement, o Host City Agreement,o Caderno de Encargos,dentre outros.Conforme mencionado, asatribuições e responsabilidades dascidades-sede vão muito além dareforma ou construção dos estádiosonde os jogos serão realizados.
  37. 37. 35O cumprimento desse conjunto deobrigações será monitorado pordiversos agentes, dentre os quais:comitê organizador, Fifa, órgãosde controle dos diversos níveis degoverno, Comitê Gestor do PlanoEstratégico das Ações do GovernoBrasileiro para a Realização daCopa do Mundo de 2014 (CGPEAC),composto por 20 órgãos dogoverno federal e da sociedadeem geral.Definição de atribuições -O estudo aprofundado de todosesses documentos e sobre o quecabe a cada participante faz parteda estruturação do planejamentoe da governança.Um plano diretor da Copa oumaster plan é o principal instrumentode coordenação de todas asatividades ao longo do tempo –do atual momento ao processo detransição para o legado pós-Copa.Envolve, em suma, a estruturaçãoda governança, dos processose do orçamento; a coordenaçãodas atividades relacionadas aoscompromissos contratuais; oplanejamento dos processos,rotinas e ferramentas demonitoramento; o planejamento ea articulação dos comitês, fórunse grupos de trabalho; e o plano deação de geração de oportunidadesadicionais.Define ações e seus responsáveis,os protocolos de comunicação,prazos, qualidade, recursoshumanos, riscos, suprimentos.Faz parte da criação de umplanejamento estratégico quefornece uma visão de longo prazo,fundamental para se desenhar asoportunidades trazidas pela Copa.Em um evento desse porte os riscossão significativos, por isso todos ospapéis precisam estar muito bemdefinidos. Será importante, ainda,levar em conta a complexidadede gestão dos governos, as váriastransições políticas que ocorrerãoaté 2014 e as regras específicasde anos eleitorais (2010, 2012 eo próprio 2014), que estabelecemlimites e condições para contratação deobras, realização de financiamentose repasse de recursos.O plano diretor deve contemplar estruturaçãoda governança, dos processos, do orçamento,da coordenação e integração dos projetos, doscompromissos contratuais e do planejamentode atividades que deverão ser executadas.
  38. 38. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201436Gestão de projetoscom foco em análisede riscos, controlese monitoramentoA gestão eficiente incluimonitoramento, controle etransparência. Essas etapas efunções abrangem um conjuntode planos, ferramentas decoordenação e monitoramento,ferramentas de diagnósticos,avaliação de riscos e instrumentosde acompanhamentofísico-financeiro. Para umacompanhamento ainda maiseficaz, a sugestão é criar umarobusta camada de gestão eintegração de projetos, com focoem avaliação e priorização de riscospotenciais, visando a possibilitarmaior previsibilidade sobre osfatores de riscos, assegurando,desta forma, tomadas de decisãoadequadas e tempestivas.Depois que se definiu a governançae se elaborou o planejamento(com a definição de prioridades,prazos, etc., descritos no masterplan), inicia-se a fase de execução.Monitoramento e controle estãorelacionados a essa fase, evão assegurar que os objetivosdefinidos no planejamento sejamadequadamente cumpridos.Prazo, custo e qualidade -Normalmente, o sucesso deum projeto pode ser resumidoem três objetivos principais:cumprimento do prazo, ao custoprevisto e na qualidade exigida.Evidentemente, esses objetivosdevem ser alcançados semprejuízo do pleno cumprimento deMonitoramento, controlee transparência
  39. 39. 37todo o conjunto de leis, normas,políticas, princípios éticos e demaisobrigações que permeiam as açõesque deverão ser implantadas.Monitoramento e controleperseguem esses três objetivos.No caso da Copa, o prazo ganhauma dimensão importantíssima:não há como atrasar um único dia.Além do Mundial, há a Copa dasConfederações em 2013, para aqual parte das cidades-sede têmde estar preparadas com um anode antecedência.Para monitorar a eficiência, ocumprimento do cronograma ea transparência na execução dasobras, o governo federal criouo CGPEAC. O Comitê Gestor é oresponsável pelo Sistema deApoio ao Gerenciamento eMonitoramento da Copa 2014(SGMC), uma ferramenta quefará o acompanhamento on-linedas ações nas cidades-sede,por meio do Portal daTransparência. Cidades e estadosse comprometeram a alimentaro portal com dados dos projetos,licitações, assinatura de contratos,incentivos fiscais, subsídios,patrocínios, contratação definanciamentos, andamentodas obras.A Controladoria-Geral da União(CGU) implementou o Portal daTransparência para consulta dasociedade em geral, dos Tribunaisde Contas e governos, em umesforço no sentido de permitir afiscalização dos gastos por todos osinteressados. É um desafio para umpaís com pouca tradição em exporgastos públicos e responsáveis, oque pode se tornar um legado devalor institucional.A transparência será um desafio para um Paíscom pouca tradição em expor gastos públicose suas responsabilidades, o que pode se tornarum legado de valor institucional.
  40. 40. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201438Recursos do BNDESrelacionados à CopaA Copa do Mundo demandaráinvestimentos significativos,tanto dos governos como dainiciativa privada. O desafio deobter financiamentos para osinvestimentos em infraestrutura eserviços (estádios, hotéis, rodovias,aeroportos, reurbanização,segurança e energia), alémdos gastos operacionais e emestruturas específicas, está longede ser pequeno – o valor deveultrapassar os R$ 22 bilhões,como já visto neste estudo.Desde que o Brasil foi escolhidopara sediar o Mundial de 2014,vários cenários se desenharam.Até meados de 2009, umadas apostas de modelo definanciamento era a realizaçãode Parcerias Público-Privadas(PPPs), principalmente parareforma e construção de estádiose investimentos em mobilidadeurbana. O modelo de PPP, que aliaa capacidade de investir, de atraircapital e a competência gerencialda iniciativa privada com a defesado interesse público e parte dosrecursos do setor governamental,não se firmou como modalidade definanciamento predominante paraos preparativos da Copa.No segundo semestre de 2009, foianunciado que o Banco Nacionalde Desenvolvimento Econômicoe Social (BNDES) disponibilizarárecursos para obras e edificaçõesrelacionadas à Copa 2014, pormeio de linhas de crédito.A primeira linha anunciada foi deR$ 4,8 bilhões, com o limite deR$ 400 milhões para cada estádioque sediará jogos da Copa, desdeque o valor não ultrapasse 75%do total do projeto. Os recursossão dirigidos às arenas e obras deinfraestrutura e desenvolvimentourbano. No caso de arenasprivadas, o BNDES informou queparte dessa linha de crédito poderáser utilizada, desde que hajaparceria com entes públicos.Em fevereiro de 2010, oBNDES anunciou outra linha definanciamento, no valor de R$ 1bilhão, para reforma, ampliação econstrução de hotéis. O aumentoda capacidade da rede hoteleiravisa a atender às demandastanto da Copa quanto daOlimpíada de 2016. Um poucoantes, o governo federal já haviadisponibilizado até R$ 9 bilhõesdo Fundo de Garantia do Tempode Serviço (FGTS) para obras detransporte que facilitem o acessoa estádios, aeroportos e portosnas 12 capitais-sede.Os recursos, que integramo chamado Programa deAceleração do Crescimento(PAC) da Mobilidade, priorizarãoo transporte coletivo, comocorredores de ônibus, veículosleves sobre trilhos (VLTs) e metrô.Diante desses anúncios, o quese vê é uma participação muitogrande do governo federal nofinanciamento da infraestruturapara o Mundial, especialmente nasobras de grande vulto. Parte desseGestãofinanceira
  41. 41. 39financiamento se confunde comações da segunda parte do PAC,o chamado PAC 2. Entre as áreasa serem contempladas por essesrecursos estão energia, logística,mobilidade urbana, rodovias,portos e aeroportos.Alternativas de financiamento -O desafio que se impõe na áreafinanceira é a obtenção derecursos para as obras menoresou complementares nas cidades-sede, voltadas, por exemplo,à reurbanização, sinalização,modernização dos ônibus etáxis, além das outras atividadesrelacionadas ao evento e quetambém demandam custos, comogestão, projetos, programasde capacitação, comunicação.Governos estaduais e municipaispodem ter restrições orçamentáriaspara esses investimentos e gastos,sobretudo quando considerada aLei de Responsabilidade Fiscal, oque exige a busca de alternativaspara esses investimentos.Entre essas alternativas,que podem significar novasoportunidades para diferentesplayers, estão o uso decontrapartidas e de ativosnão financeiros.Isso pode significar a utilizaçãode mecanismos de isençãofiscal, a ampliação de prazos deconcessão de serviços públicos,o uso de terrenos e espaçospúblicos para publicidade,dentre outros.Nem sempre é necessário darincentivos, às vezes apenas agarantia do acordo comercialé suficiente. Mas é preciso queos governos locais façam ummapeamento muito claro de todasessas possibilidades. Um exemplobem-sucedido de captação derecursos para desenvolvimentourbano sem mexer no dinheiro doscontribuintes é o Certificado dePotencial Adicional de Construção(Cepac), instrumento criadopor lei federal, que vem sendousado com bons resultados emalgumas cidades.Um dos desafios será obter recursospara gestão, projetos e obras menoresou complementares. Uma alternativaserá o uso de ativos não financeiros.$$$
  42. 42. BRASIL SUSTENTÁVEL Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 201440Lei Geral da Copae as exigências dosorganizadoresPolíticas de isenções fiscais etributárias farão parte de umconjunto de mudanças quevão compor um novo ambienteregulatório no país. Ele será criadopara viabilizar a realização da Copae deverá incluir outras alteraçõesde caráter temporário, como, porexemplo, nas regras de imigração,aduana, importação temporária eremessa de divisas. Boa parte dasnovidades estará reunida no queestá sendo chamado de Lei Geralda Copa, a ser analisada peloCongresso até 2011.Esse conjunto de leis deverácontemplar exigências feitas pelasentidades responsáveis pelo evento,entre as quais facilidades paraobtenção de visto de entrada paraas delegações dos países e todosos que trabalharão nos jogos, eisenção tributária para importaçãoe exportação de produtos eequipamentos relacionados àscompetições.Isenção de impostos - O governofederal já anunciou que vai isentarde impostos federais, entre janeirode 2011 e 31 de dezembro de2015, os organizadores do Mundial,comitês locais e seus parceiros(inclusive a rede de televisão comos direitos de transmissão dosjogos) em todas as transaçõescomerciais relacionadas à Copa dasConfederações e à Copa do Mundo.A decisão, porém, depende tambémde aprovação pelo Congresso.A redução do volume de impostos,alega o governo, será pequenadiante do aquecimento previstona economia (o que, por sua vez,causará aumento da arrecadação).Muitos setores poderão sebeneficiar com essas medidas.Algumas cadeias de suprimentosrelacionadas a produtos e serviçospotenciais para a Copa do Mundopodem ganhar com a desoneraçãofiscal, inclusive em competitividadeem relação a seus concorrentesinternacionais.Agências que farão recepção deturistas e delegações, produtoresde equipamentos eletrônicos, deartigos esportivos, de materialde construção, distribuidores debebidas e até seguradoras estãoentre os segmentos que poderãolucrar com a medida.De olho na possibilidade deaumento de receita, as empresasdeverão estar atentas paraas mudanças relevantes queAmbiente regulatório
  43. 43. 41Algumas cadeias de suprimentosrelacionadas a produtos e serviçospotenciais para a Copa poderãoganhar com a desoneração fiscal.acontecerão nesse ambiente,sobretudo benefícios fiscais.Publicidade controlada - Outraexigência dos organizadores quepoderá provocar alterações delegislação refere-se à exclusividadede publicidade de marcas deparceiros dentro e no entorno dosestádios, assim como em outroslocais de realização de eventosligados à Copa. Em algumas cidadesque possuem legislação restritivasobre publicidade nas ruas,as prefeituras poderão analisarprojetos específicos que permitema publicidade em alguns pontospreestabelecidos apenas duranteo mês da Copa.Por fim, um assunto polêmicoque se enquadra no tópicode ambiente regulatório estárelacionado à Lei de Licitaçõesnº 8.666, que, por suasexigências, pode afetar ocronograma de contrataçõese obras. Os organizadores dascidades-sede não devem esperarpor mudanças significativasde curto prazo na legislaçãode licitações, mas, ao contrário,devem se utilizar dos instrumentosde planejamento para anteciparas ações necessárias, de formaa não correr riscos de atrasosou de não cumprimento dasregras de licitação.

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