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Cadeia de Suprimentos
André Paes Viana
Luana de Oliveira Alves
Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda
Curso Técnico em Administração
Educação a Distância
2019
Cadeia de Suprimentos
André Paes Viana
Luana de Oliveira Alves
Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda
Curso Técnico em Administração
Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa
Educação a Distância
Recife
1.ed. | out. 2019
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISDB
V614c
Viana André Paes.
Cadeia de Suprimentos: Curso Técnico em Administração: Educação a distância / André Paes
Viana, Luana de Oliveira Alves, Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda. – Recife: Escola Técnica
Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, 2019.
81 p.: il.
Inclui referências bibliográficas.
Caderno eletrônico produzido em outubro de 2019 pela Escola Técnica Estadual Professor
Antônio Carlos Gomes da Costa.
1. Administração de operações. 2. Administração da cadeia de suprimentos. 3. Indicador –
Cadeia – Suprimento. II. Título.
CDU – 658.56
Elaborado por Hugo Carlos Cavalcanti | CRB-4 2129
Catalogação e Normalização
Hugo Cavalcanti (Crb-4 2129)
Diagramação
Jailson Miranda
Coordenação Executiva
George Bento Catunda
Renata Marques de Otero
Manoel Vanderley dos Santos Neto
Coordenação Geral
Maria de Araújo Medeiros Souza
Maria de Lourdes Cordeiro Marques
Secretaria Executiva de
Educação Integral e Profissional
Escola Técnica Estadual
Professor Antônio Carlos Gomes da Costa
Gerência de Educação a distância
Professor(es) Autor(es)
André Paes Viana
Luana de Oliveira Alves
Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda
Revisão
André Paes Viana
Luana de Oliveira Alves
Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda
Coordenação de Curso
Leticia Alves de Melo
Coordenação Design Educacional
Deisiane Gomes Bazante
Design Educacional
Ana Cristina do Amaral e Silva Jaeger
Helisangela Maria Andrade Ferreira
Izabela Pereira Cavalcanti
Jailson Miranda
Roberto de Freitas Morais Sobrinho
Descrição de imagens
Sunnye Rose Carlos Gomes
Sumário
Introdução..............................................................................................................................................6
1.Competência 01 | Entender o conceito e a operação da Cadeia de Suprimentos.............................7
1.1 Origens: do artesão à Revolução Industrial ................................................................................................7
1.2 O desenvolvimento da tecnologia .......................................................................................................... 10
1.3 Globalização............................................................................................................................................. 14
1.3.1 Operações logísticas.............................................................................................................................. 16
1.3.2 Compreendendo a cadeia de suprimentos........................................................................................... 21
2.Competência 02 | Conhecer os processos de fornecimento............................................................25
2.1. Conhecendo o processo de compras (Gestão de Aquisição e Suprimentos) ......................................... 26
2.1.1 Comprar ou Fazer (make or buy) .......................................................................................................... 28
2.1.2 Estratégias de Compras........................................................................................................................ 31
2.1.3 Portfólio de Estratégia de Compras ...................................................................................................... 35
2.1.3.1 Compra de rotina............................................................................................................................... 35
2.1.3.2 Compras de “gargalos” ...................................................................................................................... 36
2.1.3.3. Compras para alavancagem.............................................................................................................. 36
2.1.3.4 Compras críticas................................................................................................................................. 37
2.2 Conhecendo o processo de armazenagem.............................................................................................. 37
2.2.1 Benefícios Econômicos......................................................................................................................... 39
2.2.1.1 Consolidação e fracionamento de carga........................................................................................... 39
2.2.1.2 Estocagem sazonal............................................................................................................................ 40
2.2.2 Classificação quanto à propriedade..................................................................................................... 41
2.2.2.1 Depósitos próprios ou alugados........................................................................................................ 41
2.2.2.2 Depósitos terceirizados..................................................................................................................... 41
3.Competência 03 | Conhecer os processos de expedição .................................................................43
3.1 Distribuição .............................................................................................................................................. 51
3.1.1 Denominações usuais na expedição ..................................................................................................... 52
4.Competência 04 | Operações Just in Time........................................................................................61
4.1 Origem e conceitos do JIT ........................................................................................................................ 61
4.2 Objetivos do Just in Time ......................................................................................................................... 64
4.3 Filosofia Just in Time ................................................................................................................................ 66
4.3.1 Eliminando o desperdício...................................................................................................................... 67
4.3.2 Envolvimento dos funcionários............................................................................................................. 68
4.3.3 Esforço de aprimoramento contínuo.................................................................................................... 69
4.4 Como implementar o Just in Time ........................................................................................................... 70
4.5 Vantagens do Just in Time........................................................................................................................ 73
4.6 Desvantagens do Just in Time.................................................................................................................. 74
Conclusão .............................................................................................................................................76
Referências...........................................................................................................................................80
Minicurrículo do Professor...................................................................................................................81
6
Introdução
Caros estudantes,
Começamos mais uma disciplina: Cadeia de suprimentos
Mas, do que se trata?
É algo que você já detém algum conhecimento?
Se sim. Que bom!
Esta é uma oportunidade para revisar, ampliar ou mesmo se apropriar!
E se ainda não tem conhecimento, não se preocupe, pois vamos juntos trilhar esse
caminho de um novo aprendizado para que você compreenda o que é uma cadeia de suprimentos,
como lidar com as decisões referentes à escolha dos processos, fornecedores, transporte e
distribuição de produtos, além de entender de que forma podemos eliminar o desperdício e assim
manter a qualidade dos produtos/serviços e a satisfação dos clientes, que é o principal foco de toda
a Administração de uma organização. Portanto, conhecer e saber lidar com as atividades que geram
vantagem competitiva para as organizações, como a cadeia de suprimentos, é primordial.
Para sua melhor compreensão dividimos esse e-book em quatro competências.
Na primeira você irá conhecer um pouco sobre a cadeia de suprimentos, dentro de um
processo histórico; definir cadeia de suprimentos e entendê-la como parte integrante da logística;
identificar as principais operações da cadeia de suprimentos. Já na segunda vai ser possível você
entender sobre o apoio da atividade de compras na gestão de cadeia de suprimentos; compreender
as decisões relacionadas a armazenagem; compreender as diferenças entre armazenagem e
estocagem. E na terceira vamos abordar sobre a definição de expedição dentro do contexto da Cadeia
de Suprimentos; definir distribuição dentro do contexto da Cadeia de Suprimentos; conhecer sobre a
importância do processo de expedição para a Cadeia de Suprimentos e como valor agregado para o
consumidor final. Na última vamos tratar do Just in Time, conhecer a origem do sistema; compreender
a filosofia; sua implementação e identificar as vantagens e limitações.
Aproveite e bons estudos!
Competência 01
7
1.Competência 01 | Entender o conceito e a operação da Cadeia de
Suprimentos
Olá, Estudante!
Antes de explicarmos sobre o que é uma cadeia de suprimentos é importante que você
entenda um pouco sobre a origem dessa atividade que está relacionada com a evolução da produção
de bens. Tudo inicia com os artesãos que trabalhavam em oficinas e fabricavam peças para
comercializar em pequenas quantidades. Com a mudança nos modelos de produção ao introduzir o
uso de máquinas nos processos de fabricação, inicia-se o processo de industrialização produzindo
grandes quantidades de produtos, que é o que acontece no nosso contexto atual.
Existem muitos detalhes interessantes desta história. Vamos conferir?
1.1 Origens: do artesão à Revolução Industrial
A origem do conceito da cadeia de suprimentos está relacionada com a evolução da
produção dos bens. Para iniciarmos nossa viagem pela história é importante falar de uma
personagem central: o artesão. Esse, por sua vez, podia atuar como autônomo sendo, ele mesmo, o
proprietário da oficina ou poderia exercer seu ofício trabalhando na oficina artesanal de outros, onde
recebia homens de negócios para comprar suas peças, essa forma de trabalho ficou conhecida como
sistema doméstico, conforme representação na figura: O trabalho dos artesãos.
O artesão era dono dos meios de produção (instalações, ferramentas manuais e matéria-
prima), realizando todas as etapas do processo de produção. A produtividade dependia do ritmo e da
habilidade do artesão. Por isso, o artesanato não garantia uma produção volumosa.
Ainda existe este tipo de produção, porém, observamos que em algumas regiões do Brasil,
o artesanato voltou-se para a produção de artigos de luxo, peças artísticas e de decoração etc.
Competência 01
8
Figura 01: O trabalho dos artesãos
Fonte: Blog do Enem - https://blogdoenem.com.br/revolucao-industrial-historia-enem/
Descrição da figura: No interior de uma casa com paredes sem acabamento e iluminada pela luz do sol que entra
timidamente por uma janela à direita, há a imagem de um homem com bigode e calvanhaque e touca vermelha na
cabeça. Ele veste camisa de manga comprida e suas mãos estão sobre os fios encaixados no tear, sobre o qual o homem
se apoia em um pedal largo para manuseá-lo. No chão à frente do tear está um recipiente semelhante a uma bacia onde
dentro desta existe o cabo de algum tipo de utensílio que está encoberto por alguns fios de linha. À esquerda da figura
existe uma mulher vestida com saia longa e blusa de manga comprida com lenço na cabeça sentada de perfil em um
pequeno banco de madeira girando a roda do tear. Ao lado direito da mulher há um cesto de bebê com um bebé dentro
encoberto por um pequeno lençol. Ao lado do cesto existe uma menina vestida com saia na altura do joelho, de casaco,
com meias longas e sapato sentado ao chão brincando com uma boneca que veste saia. Ao fundo, preso na parede
existe um quadro com pintura de flores dentro de um vaso decorando o ambiente.
Na figura 1 observamos quando um artesão e sua esposa trabalhavam em uma oficina
doméstica. Podemos perceber que há uma criança no cesto e outra brincando ao lado enquanto os
pais trabalham. O sistema doméstico de produção não separava a vida familiar das tarefas do
trabalho.
Com o passar do tempo, e principalmente devido ao crescimento da população que gerou
o aumento do consumo, o trabalho artesanal deu lugar a outras formas de organização da produção,
a outro espaço de manuseio das encomendas: as fábricas. Nestes espaços os artesãos deixaram de
ser os donos dos instrumentos, por outro lado, eram capazes de atender uma maior quantidade de
encomendas, por dois fatores: 1) a introdução da máquina no processo produtivo e 2) por poder
contar com a força de trabalho de outros artesãos, com o propósito de atender as demandas dos
comerciantes.
Iniciava-se assim a revolução industrial. A primeira fase desta revolução foi marcada pela
introdução do carvão e ferro como insumos para a produção, o surgimento da máquina a vapor, a
transformação das oficinas em fábricas, a passagem do artesão de pequena oficina a operário e a
Competência 01
9
urbanização. Já na segunda fase ocorre a substituição do vapor pela eletricidade, do uso dos
derivados de petróleo, substituição do ferro pelo aço, evolução dos meios de comunicação e
transportes e expansão da industrialização. O setor mais representativo dessa época foi o
automobilístico, pois introduziu novas técnicas de produção que foram adotadas por outras
empresas.
Essas novas técnicas ficaram conhecidas como Fordismo, pois seu criador se chamava
Henry Ford. De acordo com o fordismo, a produção deve ser em escala – em grandes quantidades –
a fim de reduzir os custos, diminuir os preços e aumentar os lucros com a venda de mais produtos.
Ao mesmo tempo, Ford percebeu que a produção em escala deveria ser direcionada para o consumo
em massa, isto é, era necessário ampliar o mercado consumidor. Para implementar o modelo fordista
de “produção em massa e consumo em massa”, os produtos passariam a seguir uma padronização.
Por exemplo, a Ford passou a fabricar o mesmo modelo de carro durante vários anos.
Tempos depois, por volta da metade do século XX, o modelo fordista parecia ter esgotado
a sua capacidade de oferecer novos produtos. Isso fez com que a indústria ampliasse os seus
horizontes com uma variedade muito maior, ou seja, produtos mais personalizados, por exemplo. Foi
quando a Ford passou a fabricar diferentes tipos de modelos de carros.
Voltando a nossa mudança no processo produtivo... a população estava crescendo e o
consumo aumentando, eleva-se assim a produção e consequentemente passa a existir uma
necessidade de escoamento dos produtos por diferentes rotas, que até então eram utilizados por
navios (embarcações). Ou seja, a partir da revolução industrial houve uma evolução, também dos
transportes. Uma dessas evoluções ocorreu em 1830, quando George Stephenson inventou a
Curiosidade:
Você sabia que dizem que o insight para o processo de produção em massa,
através de esteiras mecânicas aplicadas por Henry Ford no processo de produção
dos veículos surgiu quando da visita dele a um abatedouro de bovinos? Nesses
frigoríficos, os animais eram suspensos de cabeça para baixo por uma corrente
que corria presa à uma calha, passando de um funcionário para o outro.
Para saber mais acesse o link: https://www.vista-se.com.br/o-que-o-consumo-
da-carne-tem-a-ver-com-as-linhas-de-montagem-de-producao-em-massa/
Competência 01
10
locomotiva a vapor, e consequentemente surgiram as ferrovias que evoluíram rapidamente. Com as
estradas de ferro e as embarcações a vapor, o transporte das mercadorias ficou mais rápido, o custo
do transporte foi reduzido, e aumentou a troca de mercadorias1. Mas não parou por aqui, você sabe
que a Ford começou a fabricar carros e depois disso surgiram outras fábricas que por meio da
tecnologia foram aprimorando os transportes que existem hoje? O avião, por exemplo, surgiu em
19062.
Assim, o que anteriormente demorava meses ou anos para ir de um ponto ao outro do
globo terrestre, atualmente pode ocorrer simplesmente em algumas horas ou dias. E isso graças ao
desenvolvimento da tecnologia. Não é impressionante? Sobre isso vamos explorar mais na próxima
sessão.
1.2 O desenvolvimento da tecnologia
Estávamos falando de como os transportes foram evoluindo e isso aconteceu por conta
do desenvolvimento tecnológico. Já imaginou você ter que caminhar até o pólo do EAD? Graças à
tecnologia existem carros, ônibus e moto para você chegar até o pólo.
Mas, o que é Tecnologia, mesmo?
De acordo com o dicionário Houaiss (2019)3 podemos definir tecnologia como: teoria
geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou
mais ofícios ou domínios da atividade humana.
Para situar você um pouco na história do desenvolvimento das tecnologias queremos
convidá-lo para uma pequena viagem no tempo. Vamos?
1
Troca de mercadoria no sentido de escambo, troca do valor monetário por um bem.
2
Saiba mais sobre a história da aviação em: <https://www.portalbrasil.net/aviacao_historia.htm>. Acesso em: setembro,
2019.
3
Disponível em: <https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v3-3/html/index.php#0>.Acesso em: agosto, 2019.
Antes de seguir adiante, que tal conferir o Fórum da competência? Vamos lá?
Competência 01
11
O primeiro ano da nossa visita no tempo é em 14 de fevereiro de 1876 no escritório de
patentes de Nova York, onde Alexander Graham Bell, deu entrada no registro de patentes do que
seria à invenção do telefone4. Pois é, este aparelho que hoje, mas parece peça de museu, foi também,
à sua época, uma das invenções responsáveis por “encurtar” distâncias geográficas. Veja na figura 2
o modelo do primeiro telefone.
Figura 02: Primeiro Telefone 1875
Fonte: Commons Wikimedia Org5
Descrição da figura: Ao centro da figura existe uma espécie de campainha, em formato cilíndrico fixada por dois
parafusos sobre uma base quadrada. Acima desta campainha há uma espécie de campainha menor de tamanho
equivalente ao tamanho de um carretel de linha de uma polegada, que está suspenso por uma trave onde há na parte
superior da trave um parafuso borboleta de cada lado, quase ao centro da trave, que ligam cada um, à direita e à
esquerda um fio com pequenas voltas ao cilindro menor que fazem contato com o cilindro maior por meio de uma
haste que prende os dois cilindros.
4
Disponível em: <https://www.sohistoria.com.br/biografias/graham/>. Acesso em: agosto, 2019.
5
Disponível em:<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:First_Bell_telephone_1875.png>
Competência 01
12
Agora que assimilamos o telefone como uma tecnologia que encurtou distâncias, esta
foi, e ainda é uma tecnologia que muito contribui para com o desenvolvimento dos processos da
cadeia de suprimentos.
Continuando nossa viagem no tempo, nossa parada agora acontece no ano de 1843. Veja
a figura 3, um aparelho muito similar ao aparelho telefônico: o fax.
Figura 03: Aparelho de Fax antigo
Fonte: Thehiresolution - http://thehiresolution.net/throwback-thursday
Descrição da Figura: Peça cilíndrica apoiada na horizontal sobre base com duas hastes e na parte superior um carretel
com agulhas que gravavam a imagem no fax.
Mas para que serve o fax?
O fax é uma tecnologia das telecomunicações usada para a transferência remota de
documentos por meio da rede telefônica. Como não existia computador, nem celular, o fax resolvia
o problema de enviar documentos de forma mais rápida. Isso ajudou bastante a cadeia de
suprimentos. Mais adiantevocê vai conseguir entender o porquê.
E os computadores quando surgem?
Curiosidade: você sabia que a primeira ligação telefônica, via cabo, na qual foi
possível ouvir nitidamente a voz de Graham Bell, aconteceu a 10 metros de
distância de uma sala à outra. Acredita?
Competência 01
13
O primeiro computador eletromecânico foi construído por Konrad Zuse, um alemão, que
chegou a oferecer a máquina ao governo alemão em 1936, no entanto, o governo estava ocupado
demais com a Segunda Guerra Mundial e não aceitou a oferta e o projeto ficou parado. Foi netsa
época da guerra que surgiu os computadores atuais, só que nos EUA, eles foram mais rápidos. A
Marinha dos Estados Unidos, em conjunto com a Universidade de Harvard, desenvolveu o
computador Harvard Mark I, que ocupava 120m³, imagina o tamanho desse computador? Grande
não acha? Mas com o tempo ele foi aperfeiçoado até chegar nos tamanhos atuais. A tecnologia é
incrível, concorda?
Os primeiros computadores demoravam para calcular números, imagina digitar textos
imensos como estes que você faz ao realizar os trabalhos do seu curso técnico em EAD.
Como está o seu entendimento até aqui?
Próxima parada é o ano de 1950, com breve recorte da atividade daquele que foi
considerado pioneiro por iniciar e implantar um sistema de comunicação, via dados. Estamos falando
de J.C.R. Licklider, do Instituto de Tecnologia do Massachussetts - MIT que foi recrutado pelo exército
dos Estados Unidos da América (EUA), depois de teorizar sobre uma rede galáctica de computadores
em que era possível acessar qualquer dado. Surge assim a internet.
E para instigar você a ampliar o seu conhecimento sobre a história da, “grande rede”, a
internet, vamos apresentar de forma cronológica o desenvolvimento desta, a partir de 1969. Vamos
lá!
• 1969 - Primeira conexão entre a Universidade da Califórnia e o Stanford Institute, a
quase 650 quilômetros.
• 1971 - Já são 15 pontos na rede. Parte disso possível por causa do Network Control
Protocol.
• 1972 - É feita a primeira demonstração pública em um evento de computação. Neste
ano é inventado o e-mail.
• 1975 - Neste ano uma agência de defesa dos Estados Unidos assume o controle do
projeto. A rede ainda não tem um pensamento comercial, só militar e científico.
• 1984 - A rede é separada em duas. Parte para comunicação e troca de arquivos
militares, a MILNET, e parte civil e científica ainda chamada de ARPANET.
Competência 01
14
• 1985 - A internet já estava mais estabelecida como uma tecnologia de comunicação
entre pesquisadores e desenvolvedores [...aos poucos, ela sairia das universidades e
começaria a ser adotada pelo mundo corporativo e por último pelo público
consumidor].
• Depois disso muitas outras coisas aconteceram até a gente chegar ao formato de
sites, plataformas digitais, redes sociais digitais, aplicativos, etc.
Fonte: Adaptado de Techmundo6
Não é incrível como ao longo da história a humanidade foi desenvolvendo,
instrumentos/ferramentas e, meios que contribuem até os dias atuais para abreviar o “tempo”? Você
pode se interessar, por meio da internet, por algum produto que esteja em algum país distante
geograficamente e adquiri-lo por meio do acesso ao seu smartphone. Quer um exemplo?
1.3 Globalização
Vamos tratar então de definir a palavra?
Este termo faz referência ao intercâmbio, ou seja, as trocas relacionadas, as questões
econômicas, políticas e culturais. Devido ao processo acelerado no desenvolvimento dos meios de
comunicação, as organizações e os cidadãos do mundo inteiro têm realizado trocas de um lado para
o outro utilizando apenas os meios de comunicação digital.
6
Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/mercado/129569-historia-origem-da-internet-video.htm> Acesso, setembro 2019.
Vamos pensar que você queira comprar uma camisa original, de uma banda
musical de muito sucesso, e de origem Japonesa. E que você queira comprar
direto da loja de produtos daquela banda (lozalizada no Japão), mas sem você
sair daqui do Brasil. Você então, por meio do acesso ao site da banda, realiza o
pedido, escolhe onde quer recebê-lo, e dentro de alguns dias, você receberá o
produto no endereço escolhido. Tudo isso sem você precisar se deslocar da sua
cidade para ir até o Japão! Isso não é fantástico?
E qual o propósito mesmo de tratarmos destas ferramentas, que têm como
premissa “encurtar distâncias”?
É aí que chegamos ao ponto principal, e que desemboca em mais um tópico
importantíssimo referente a cadeia de suprimentos. A Globalização. Vamos em
frente!
Competência 01
15
Percebe como os meios de comunicação, a informática e os transportes que citamos antes
são importantes para o nosso cotidiano? E todos eles contribuíram para que o mundo se tornasse
globalizado? Diz-se que vivemos em uma “aldeia global”. Você sabe o que é isso?
Então, lembra do exemplo da compra da camisa lá no Japão? Fisicamente você está no
sofá da sua sala, conectado a sua rede Wi-Fi. E hipoteticamente, também está fisicamente retirando
da prateleira com as suas próprias mãos, a camisa que você quer, mas que está lá, do outro lado do
mundo! Agora, essa frase faz todo sentido, não é mesmo?
No que tange a globalização, em termos de negócios para empresas atuarem no mercado
global, além de potencializar as vendas, podem também impulsionar oportunidades de aumento da
eficiência operacional. A eficiência operacional é realizável, ao menos em três áreas:
• Compra estratégica de matéria-prima e de componentes.
• Obtenção de vantagens trabalhistas significativas, que podem ser obtidas para
instalação de produção e distribuição localizadas em países em desenvolvimento.
• A legislação tributária favorável pode fazer com que o desempenho das operações
que agreguem valor seja altamente atraente em países específicos.
Fonte: Adaptado de Bowersox et al. (2014, p. 28)
Desta forma, a globalização permitiu com que as empresas se instalassem em outros
países diferentes da sua origem, o que aumentou a participação destas no mercado. No entanto, a
decisão de expandir a operação para outros países não é fácil e gera um investimento que muitas
vezes as empresas não possuem capacidade para suportar. Nesses casos muitas delas adotam as
Anota aí! Aldeia Global
Um autor de nome McLuhan, no ano de 1960, escreveu: a informação
transmitida eletronicamente contribui para abolir virtualmente as separações
geográficas entre os centros de decisão, de produção e de distribuição à escala
mundial.
Fonte: McLuhan (1960) citado por Nunes (2019) Disponível em:
<https://knoow.net/cienceconempr/gestao/aldeia-global/>
Competência 01
16
atividades de exportação, no caso das vendas para países estrangeiros. Mas e no caso de vender para
dentro do próprio país?
Fácil de responder! Entenda que no caso de vender para dentro do próprio país, as
empresas podem fazer parcerias com distribuidores de outros Estados. Percebe como a globalização
facilitou tudo isso?
Se a empresa necessita de matéria-prima de outro Estado ela estabelece um acordo com
o fornecedor para que seja feita a entrega.
Voltando ao exemplo da camisa japonesa. qual é mesmo o caminho percorrido por ela, a
partir do momento em que você a comprou lá no Japão, para chegar até você?
É aqui que apresentamos mais uma palavra: Logística.
E o que isso significa?
Vamos descobrir a seguir.
1.3.1 Operações logísticas
Mas porque eu preciso entender de logística se estamos querendo explicar sobre a cadeia
de suprimentos?
Porque a logística é uma área importante, e que já existia antes do surgimento da cadeia
de suprimentos, ou seja, o conceito de cadeia de suprimentos surgiu como uma evolução natural do
conceito de Logística.
Lembra dos grandes impérios da Grécia e Roma que estudamos em história? A logística
foi responsável pelo sucesso e fracasso de muitos desses impérios. Naquela época existia um grupo
de militares, que eram os responsáveis por garantir recursos e suprimentos para a guerra. Assim o
conceito de logística se insere nesta movimentação de bens, e mais na frente vamos explorá-lo com
maior clareza.
Um dos grandes personagens da história dessa época é Alexandre, O Grande. Existem até
filmes sobre ele e você provavelmente já ouviu falar. Como imperador, ele tinha uma visão
estratégica, determinação e disciplina, e assim criou o mais móvel e rápido exército da época. Ele
trouxe inspiração para vários outros personagens da história mundial e para a evolução do conceito
logístico nas organizações ao redor do mundo.
Contudo, por muito tempo, especialmente no Brasil a área de logística tinha uma
importância secundária nas organizações, e para muitas delas, a logística era considerada como o
Competência 01
17
setor responsável pela expedição de produtos ou o setor que contratava serviços de transportes.
Mas, após o fim da Segunda Guerra Mundial, as organizações notaram que era muito grande a
importância de se ter um departamento para cuidar da logística, pois a demanda crescia em um ritmo
acelerado, e os consumidores tornavam se cada vez mais exigentes. A partir dos anos 50 e 60, as
empresas começaram a se preocupar com a satisfação do cliente. Foi então que surgiu o conceito de
logística empresarial, motivado por uma nova atitude do consumidor.
Mas o que é mesmo a logística?
A logística é a área que trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem
que facilitam o planejamento, a operação e o controle de todo o fluxo de mercadorias e informação,
e vai desde a fonte fornecedora até o consumidor (o cliente).
Lembra das guerras que falamos antes?
A fonte fornecedora era os impérios, e o consumidor era os militares que estavam em
combate e necessitavam de suprimentos, como alimentação, armas etc.
Lembra dos artesãos que falamos antes?
A logística para eles era mais simples, pois eles mesmos produziam e comercializavam. Já
na industrialização, surgem vários outros atores no processo, além dos donos de indústrias, como o
distribuidor, os comércios menores etc.
Agora vamos pensar em uma organização deste século. Imagine uma situação em que
você acorde com a decisão de comprar um celular novo. Você se dirige até uma loja revendedora de
celular e lá verifica que só existem os modelos expostos e que não há estoques guardados de outros
modelos. Você chama um vendedor, este com auxílio de um computador lhe atende, mostrando a
você as diferentes opções que a fábrica possui e que não estão ali. O vendedor lhe apresenta os
diferentes modelos, as configurações, cores conforme a sua necessidade. Por exemplo, se você deseja
um celular com uma câmera melhor, ele lhe apresenta um modelo que atenda seu desejo, e então
você escolhe e rapidamente, a partir daí o vendedor aciona a fábrica para fazer o processamento do
pedido e você efetua o pagamento. Pronto, você já é dono de um novo celular! Mas você quer receber
logo o celular, e está empolgado para testar a câmera, então pergunta ao vendedor o dia da entrega.
O vendedor verifica junto a fábrica, por meio de um sistema de controle da distribuição física que a
data de entrega será no final da semana seguinte e pela manhã, no endereço da sua residência. Isso
Competência 01
18
é realmente interessante concorda? Percebe que nesta história todos os pontos principais do sistema
de logística são apresentados? Vamos resumir eles aqui:
1. O cliente: perceba que tudo começou e terminou no cliente.
2. Área comercial: o vendedor que atendeu à solicitação do cliente, o setor de
marketing que treinou pessoas e por meio das ferramentas de marketing criou um
produto que despertasse interesse no consumidor, o setor de informática que criou
o sistema de controle da distribuição física, e possibiliou informar dia e hora de
entregar da mercadoria.
3. A fábrica: ao receber a confirmação do pedido comunica ao setor de produção, rede
de suprimentos e setor de distribuição física.
4. A administração: gerencia tudo, desde o momento de compra dos produtos ou
matérias primas, recebimento do pedido de compras dos clientes, contas a pagar e a
receber etc.
5. O mercado: o que incluíra o novo consumidor e seu celular nas estatísticas de vendas.
6. O fornecedor: aquele que fornece o celular a loja revendedora, que por meio do
computador recebeu o pedido e providenciou ao cliente.
7. A transportadora: a que verificou o roteiro de entrega na região que você como
cliente deseja receber seu celular.
8. O cliente: novamente aparece, pois tudo começa e termina aqui. Você pode se tornar
um cliente fiel a marca, se suas expectativas forem atingidas e assim induzir outros a
comprar os produtos, além disso você pode solicitar a garantia da marca, no caso do
seu celular apresentar algum defeito.
Para ficar mais claro o foi dito sobre a logística, e você verificar onde estão todos os atores
principais desse processo, veja a figura 4.
Competência 01
19
Figura 04: O processo de gerenciamento logístico
Fonte: Christopher (2010)
Descrição da figura: A figura descreve através de um fluxograma com caixas de texto contendo na parte superior: Fluxo
de materiais de valor adicionado, clientes, fluxo de informações sobre as necessidades, fornecedor de forma circular
ligados por setas. Na parte interior do círculo saída uma seta de mão dupla da caixa de texto onde está escrito
fornecedor, a seta na parte interna liga esta caixa a um outro fluxo: compras, fabricação, distribuição física e clientes.
Estando a sequencia: compras, fabricação e distribuição física dentro de uma caixa nomeada como indústria. Onde a
total desta figura representa o processo de gerenciamento logístico.
Pela figura 4, podemos dizer que a logística trata da criação de valor - valor para os
clientes e fornecedores da empresa, e valor para todos aqueles que têm interesses diretos no êxito
da empresa (BALLOU, 2010).
Lembra do exemplo da camisa da banda musical do Japão, que falamos logo no começo
desta competência?
Antes de chegar até você, a camisa pode ter passado pelos mais diferentes lugares, tipos
de transportes, tecnologias da comunicação e sistemas de gerenciamento que lhe permitiram, por
exemplo, ir a um show aqui no Brasil com a camisa original da banda de sucesso lá do Japão.
Isso é valor para o cliente! Entende?
Dentro da logística, ainda é importante você saber que ela deve ser vista por meio de duas
grandes atividades que são denominadas de: primárias e de apoio.
As atividades primárias identificam aquelas que são de importância fundamental para
obtenção dos objetivos logísticos de custo e nível de serviço que o mercado exige.
Competência 01
20
São três: Transportes (Modais); Manutenção de estoques; e Processamento de pedidos.
(POZO, 2007).
1. Transporte: uma das atividades logísticas mais importante, pois absorve de um a dois
terços dos custos logísticos. Nenhuma organização opera sem realizar movimentação
de matérias-primas ou produtos acabados para ser levados até o consumidor final.
Falaremos mais sobre essa atividade na competência 3.
2. Manutenção de estoques: atividade para alcançar um grau razoável de
disponibilidade do produto em face de sua demanda, sendo necessário manter
estoques para atender as necessidades do cliente prontamente, ou seja, o estoque
adiciona valor de tempo enquanto o transporte adiciona valor de lugar. Falaremos na
competência 4 sobre a necessidade de manter os estoques no nível mais baixo
possível quando não, eliminá-los.
3. Processamento de pedidos: é a atividade que dá início ao processo de movimentação
de materiais e produtos bem como a entrega desses serviços.
Já as atividades de apoio são aquelas, que dão suporte ao desempenho das atividades
primárias. Para que seja possível ter sucesso na empresa, busca-se atender plenamente os clientes.
As atividades de apoio são: armazenagem; manuseio de materiais; embalagem; suprimentos,
planejamento e sistema de informação (POZO, 2007).
1. Armazenagem: atividade que envolve a gestão dos espaços necessários para manter
os materiais estocados. Envolve fatores como localização, dimensionamento da área,
arranjo físico, equipamentos de movimentação etc.
2. Manuseio de materiais: está associado com a armazenagem e manutenção de
estoques. Envolve a movimentação dos materiais no local de estocagem, que pode
ser tanto estoque de matéria prima como de produtos acabados. Lembra dos
supermercados grandes que possuem aquelas pessoas andando com carrinhos
movimentando os produtos? É disso que estamos falando.
3. Embalagem: os produtos por serem bastante movimentados devem ter embalagens
adequadas para não ser danificados, evitando assim desperdícios.
Competência 01
21
4. Suprimentos: atividade que proporciona ao produto ficar disponível, no momento
exato, para ser utilizado pelo sistema logístico, além de ser o procedimento de
avaliação e seleção das fontes de fornecimento, definição de quantidades a serem
adquiridas etc.
5. Planejamento: a base que irá servir de apoio a programação detalhada da fabricação,
permitindo o cumprimento dos prazos exigidos pelo mercado.
6. Sistema de informação: função que permitirá o sucesso da logística, pois contém
todas as informações necessárias de custos, procedimentos e desempenho
É importante entender que os processos logísticos tendem, naturalmente, a ser
classificados como “meios” que suportam e viabilizam processos “fins” como vender, produzir e
entregar. Essa classificação só não é válida para aquelas empresas que são operadoras logísticas,
porque os “fins” delas já são a própria logística em si.
Nas últimas décadas muitas empresas de sucesso mostraram ao mundo que a logística do
meio/fim não se aplica tão facilmente em alguns setores da economia.
Conhece a Empresa Dell?
Aquela empresa de notebook bem famosa?!
Pois ela é um caso de sucesso, suportada por conta dos processos logísticos.
Consegue perceber que a logística é importante mesmo?!
Agora vamos pensar no mundo tecnológico.
Vamos pensar naqueles sites de compra/venda de roupas, celulares, entre outras coisas.
A principal função é vender, certo? Mas pouco valor ele terá se esse processo de venda não vier
acompanhado de um efetivo processo de entrega que faz parte de um dos processos da logística, a
distribuição.
Pronto, agora que você compreendeu o papel da logística podemos voltar a discutir sobre
a cadeia de suprimentos, vamos lá!
Aproveito para lembrar de você ir conferir o fórum, está bem legal! Vai lá e participa!
1.3.2 Compreendendo a cadeia de suprimentos
Em primeiro lugar você precisa compreender que sem cadeias de suprimentos eficientes,
o mundo praticamente para. Mas por quê? Elas são responsáveis, entre outras coisas, por colocar
Competência 01
22
comida na sua mesa, providenciar a cama em que você dorme, o carro em que você anda, a roupa
que você veste e, provavelmente, até o chão em que você pisa. Entender seu funcionamento e como
gerenciá-la da melhor maneira possível, é de extrema importância.
Independente do tamanho da organização, sempre existirá uma cadeia de suprimentos.
Ela pode ser simples, compreendendo seu negócio, seus clientes e seus fornecedores. E pode ser mais
complexa, aglutinando fornecedores de fornecedores, representantes, provedores de serviços
terceirizados e intermediários em geral, por exemplo.
Como já falamos, a cadeia de suprimento é uma rede de organizações envolvidas nos
diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços destinados
ao consumidor final. Esses processos envolvem fornecedores-clientes e ligam empresas desde a
fonte inicial de matéria prima até o ponto de consumo do produto acabado. Em outras palavras,
abrange todos os esforços envolvidos na produção e liberação de um produto final, desde o,
(primeiro) fornecedor do fornecedor até o último cliente do cliente.
Achou difícil?
Vamos pensar na McDonald’s. Uma rede de produtos alimentícios, que precisa de
agilidade e estoques no nível ideal (nem em excesso, para não ter prejuízos com desperdícios, nem
escassos, para não comprometer a composição dos produtos de seu portfólio). Nesse sentido, o papel
do Prestador de Serviços Logísticos, conhecido pela sigla PSL, é fundamental. É ele quem vai
intermediar os processos e ligar a necessidade das unidades da rede, que ficam por exemplo em
Recife, com os fornecedores que podem supri-las. Assim, a estrutura da cadeia logística do
McDonalds's se organiza basicamente desta maneira: primeiro temos os agropecuários e indústrias
que fabricam carne, vegetais, etc, depois temos os fornecedores que entregam os produtos ao PSL,
que é responsável por distribuir entre os restaurantes os produtos para que você, que é o último
cliente, poder consumir aquele hambúrguer, sorvete, batata frita, etc. Ficou fácil agora, concorda?
Veja que você é o último cliente, o restaurante que você comprou é cliente do PSL, e assim por diante.
É importante você saber que vários autores da área utilizam a expressão Rede de
Suprimentos (Supply Network), ao invés de Cadeia de Suprimentos (Supply Chain), isso porque a
lógica de rede remete-nos a uma estrutura mais complexa em que raramente existe uma linearidade
na execução dos processos e/ou atividades e o contato com o cliente final não tende a ser exclusivo
do elo final da rede, até porque é difícil definir qual é o último elo da rede.
Competência 01
23
O grande desafio das organizações consiste em operar de forma eficiente e eficaz, com
vistas a garantir a continuidade de suas operações, obrigando-as constantemente a buscar vantagens
competitivas. Assim, o gerenciamento da cadeia de suprimentos visa responder a questão de como
agregar mais valor e, ao mesmo tempo, reduzir os custos, garantindo aumento da lucratividade nas
operações da organização. Mas a logística também não visa a mesma coisa? Qual então a diferença
entre logística e cadeia de suprimentos?
Bem, enquanto a logística concentra-se nas operações da própria empresa, a cadeia de
suprimentos olha desde o início (o primeiro fornecedor) até os elos finais da corrente de fornecedores
e clientes. E com uma visão mais ampla e panorâmica do que a visão logística. Além da preocupação
de todas as empresas com o que ocorre ao longo de toda a sua cadeia, é necessário um intenso grau
de colaboração entre empresas ao longo da cadeia de suprimentos para que se atinja maior eficiência.
A logística, como vimos anteriormente, trata da movimentação e da armazenagem de
produtos e, para tais operações, utiliza modais de transporte, sistemas de informações, recursos
humanos e outras ferramentas para executar suas atividades. Desse modo, a logística é apenas uma
parcela envolvida com as atividades existentes em uma cadeia de suprimentos. Já as atividades da
cadeia de suprimentos estão ligadas à estratégia da empresa e são divididas em várias operações que
veremos a seguir.
As operações na cadeia de suprimentos, segundo Bertaglia (2003) , podem ser
classificadas em: planejamento, compras, produção e distribuição. Vamos juntos descobrir cada uma
das operações!
1. Planejamento: o objetivo é propiciar uma visão clara do processo como um todo,
avaliando perspectiva estratégicas de demanda e abastecimento. Essa visão
determinará de que forma as decisões tomadas isoladamente podem afetar os
diferentes processos ou seus componentes. Para atingir a integração do
planejamento, as empresas necessitam concentrar os seus esforços em algumas
atividades que afetarão seu desempenho, tais como: desenvolvimento de canais,
planejamento de estoque, produção e distribuição, envolvendo transporte etc.
Nesse caso, o conhecimento do mercado, recursos internos, a disponibilidade de
recursos externos e as atividades de integração são fatores que influenciam na
Competência 01
24
elaboração dos planos. É importante também que esteja alinhado com o plano de
negócios da empresa.
2. Compras: é o processo de aquisição de materiais, componentes, acessórios e
serviços, incluindo também a seleção de fornecedores, contratos de negociação,
monitoração contínua de pedidos a fim de evitar atrasos. É muito mais que comprar
e monitorar, é estratégico que envolve custo, qualidade e rapidez nas respostas.
Assim é necessário que o profissional dessa área tenha entendimento global de
negócios e tecnologia.
3. Produção: o processo fundamental é converter um conjunto de matérias em um
produto acabado ou semiacabado. A estratégia adotada aqui afeta significativamente
toda a cadeia de suprimentos, por isso deve estar sempre alinhada com as demais
operações.
4. Distribuição: está relacionada a movimentação de material de um ponto de produção
ou armazenagem até o cliente. Inclui várias atividades: gestão e controle de estoque.
manuseio de materiais ou produtos acabados, transporte, armazenagem,
administração de pedidos etc.
De forma geral, com o gerenciamento da cadeia de suprimentos, a organização consegue
tornar-se mais ágil e mais flexível do que seus concorrentes, permitindo assim maior competitividade.
É importante, entender cada uma das operações envolvidas, por isso nas próximas competências
vamos tratar um pouco mais sobre cada uma delas.
Pronto! Você agora já possui uma noção inicial sobre o que é uma cadeia de suprimentos
e quais suas principais operações. Vamos estudar nas próximas competências sobre outros processos
importantes, como: fornecimento; expedição e Just in Time.
Vamos lá?!
Competência 02
25
2.Competência 02 | Conhecer os processos de fornecimento
Olá, estudante!
Extremamente rico o conteúdo da Competência 1, não é mesmo? Agora que você
conheceu brevemente a evolução histórica da Cadeia de Suprimentos, assim como, se apropriou de
alguns conceitos importantes, vamos aprofundar um pouco mais o conhecimento e embarcar juntos
nesse universo?
Pois bem!
Antes de iniciarmos esta competência, precisamos ter em mente que os fornecedores são
essenciais para qualquer negócio, independente do seu porte, (pequeno, médio ou grande). Aqui
compreenderemos que há um esforço da Cadeia de Suprimentos no sentido coordenar as etapas
desde o fornecedor do fornecedor até o cliente do cliente, para a entrega de um produto e/ou serviço
na hora certa e com o menor custo final.
Vamos juntos conhecer um pouco sobre os processos de fornecimento?
Mas antes, vamos entender o que é um processo.
Existe uma área específica do conhecimento que se dedica exclusivamente ao estudo da
história ou origem das palavras. Esta área é chamada de etimologia. A palavra processo, segundo sua
etimologia é uma palavra que tem origem no latim procedere, que significa método, sistema, maneira
de agir ou conjunto de medidas tomadas para atingir algum objetivo.
Com base nesse entendimento, pode-se afirmar que, como por exemplo, fornecer
suprimentos para a cadeia de suprimentos.
Até aqui, tudo tranquilo no entendimento?
Para entender melhor o processo de fornecimento, é necessário que você compreenda
sobre as questões relacionadas a compras, pois todas as organizações, seja ela industrial, atacadista
ou varejista, compram, ou seja, adquirem matérias-primas, serviços ou suprimentos que apoiam suas
operações. Ainda nesta competência trataremos sobre armazenagem, seus processos, diferença
entre armazenagem, estoque e centro de distribuição e entenderemos os benefícios e sua
classificação quanto à propriedade.
Competência 02
26
2.1. Conhecendo o processo de compras (Gestão de Aquisição e Suprimentos)
A aquisição de matérias-primas, suprimentos e componentes representa um fator
decisivo na atividade de uma empresa, pois dependendo de como é conduzida, pode gerar lucro ou
prejuízo nos processos. Dessa forma, temos a área de compras como um importante componente na
organização, em função, sobretudo do contato direto com os fornecedores e, além disso, a área de
compras é também responsável por selecionar e desenvolver fornecedores que servirão de base para
o crescimento da empresa no longo prazo.
Martins et Al (2006), reconhece que a função de compras também pode ser chamada de
suprimentos ou aquisição, ele defende que ela assume um papel verdadeiramente estratégico nos
negócios, isso mesmo! Estratégico! Devido ao volume de recursos, principalmente financeiros
envolvidos, deixando cada vez mais para trás a visão preconceituosa de que é um centro de despesa
e não um centro de lucros.
É com esse entendimento que temos que observar a área de compras, como um centro
de lucros da organização!
Como abordado anteriormente, as compras envolvem a aquisição de matérias-primas,
suprimentos e componentes para o conjunto da organização. Entre as atividades associadas a elas
incluem-se:
• Selecionar e qualificar fornecedores;
• Avaliar desempenho de fornecedores;
• Negociar contratos;
• Comparar preço, qualidade e serviço;
• Pesquisar bens e serviços;
• Programar as compras;
• Estabelecer os termos das vendas;
• Avaliar o valor recebido;
• Mensurar a qualidade recebida, enquanto esta não estiver incluída entre as
responsabilidades do controle de qualidade;
• Prever mudanças de preços, serviços e, às vezes, da demanda.
Competência 02
27
Com todas estas atribuições já deu para notar a real importância deste setor para a Cadeia
de Suprimentos, não é mesmo?
Mas, vamos em frente!
Veja na figura 5, um exemplo de fluxo de compras na Cadeia de Suprimentos:
Figura 05: fluxo de compras na Cadeia de Suprimentos
Fonte: Adaptado de OLIVEIRA; WAGNER, 2018.
Descrição da figura: Fluxograma com etapas de um sistema de gestão ERP
Na figura acima, observamos o processo de compras sendo executado a partir da
informação gerada pelo sistema ERP7. Neste exemplo, o sistema gera uma requisição informando a
necessidade do produto, o comprador gera a solicitação de cotação que é enviada para os
fornecedores. Por sua vez, os fornecedores respondem a cotação que será analisada pela empresa
solicitante. Após análise, uma ou mais cotações (fornecedores) são selecionadas. O gestor de compras
avalia a proposta e gera o pedido que é recebido pelo fornecedor selecionado. O fornecedor envia o
pedido que é fisicamente recebido e alimentado novamente no sistema ERP.
7
Assunto que você pode conferir no e-Book de Tecnologia da Informação do Curso Técnico em Administração.
Competência 02
28
Assim como toda a organização, para que a atuação da área de compras seja realizada de
maneira mais efetiva, se faz necessário que ela trabalhe de forma estratégica, pois vimos que dela
são exigidas muitas atribuições.
Neste momento, você pode estar se perguntando: - Mas como elaborar uma estratégia
de compras eficaz?
O processo de compras realmente é complexo e diversificado, e é exatamente por este
motivo que é preciso pensar estrategicamente para que os objetivos do setor e da empresa possam
ser alcançados. Utilizamos aqui autores que são importantes para essa discussão, como Bowersox et
al (2014), que para eles existem três importantes passos para pensar estrategicamente nas compras:
• Primeiro, devemos tomar as decisões pertinentes a quais produtos e serviços
devem ser produzidos ou realizados internamente e qual devem ser adquiridos de
fornecedores externos (terceirizados);
• Segundo, pensando nessa situação de compras, temos que traçar alternativas
estratégicas para lidar com esse processo;
• Terceiro, também devemos determinar abordagens para criar um portifólio de
estratégia de compras.
A partir destes passos os autores acreditam ser possível fomentar um bom cenário de
estratégias das compras.
Vamos detalhar um pouco mais esses passos?
E aí, comprar ou fazer? Eis a questão!
2.1.1 Comprar ou Fazer (make or buy)
Pensar sobre estes fatores requer uma decisão precisa e bem estruturada. É necessário,
como dito anteriormente que a empresa analise quais produtos e serviços devem ser internamente
executados ou, quando necessários, adquiridos de fornecedores externos. Esta decisão é classificada
como suprimento interno versus terceirização, também conhecida em inglês como make or buy.
Observe adiante, o exercício adaptado a partir do livro de Martins e Alt (2006, p.96). Sobre
o caso da Empresa Meshmax8.
8
Empresa fictícia elaborada pelos autores, 2019.
Competência 02
29
Meshmax, empresa de médio porte localizada em Petrolina é fabricante de filtros,
utilizados em máquinas de refrigerantes. A empresa recentemente desenvolveu um novo sistema de
filtragem com uma tripla camada capaz de filtrar três vez mais a água, o que torna a bebida ainda
mais adequada para o consumo. O gerente de projetos quer decidir se a Meshmax deverá comprar
ou fabricar esse novo sistema de filtragem. Estão disponíveis os seguintes dados:
FABRICAR
COMPRAR
PROCESSO A PROCESSO B
Volume (unidade/ano) 10.000 10.000 10.000
Custo Fixo (R$) 100.000 300.000 -
Custo Variável
(R$/unidade)
75 70 80
Quadro 01: Quadro comprar/ Fabricar
Fonte: Dicionário de Logística GS1 Brasil, 2019. Disponível em:
<https://enspangola.co.ao/moodle/pluginfile.php/425/mod_resource/content/1/Dicionario_logIstica.pdf>. Acesso em:
setembro, 2019.
a) A Meshmax deve utilizar o processo A, o processo B, ou comprar?
Solução:
O custo total (CT) é dado pela função do custo fixo (CF) e do custo variável (CV)
multiplicado pela quantidade (q), ou seja, CT = CF + CV x q. Temos, então:
Fazendo-se q = 10.000 unidades, temos:
(CT)A = R$850.000 / ano
(CT)B = R$1.000.000 / ano
(CT)comprar = R$800.000 / ano
Logo, neste caso, comprar é a melhor opção.
E quanto à escolha pela terceirização?
Vamos a um exemplo!
Competência 02
30
Dessa forma, a melhor opção verificada para o gestor da limpeza urbana é a utilização dos
recursos próprios. Ou seja, terceirizar o serviço as vezes não será a melhor opção. Um fator
importante para ser pensado sobre este processo é ter ciência que a decisão pela terceirização,
implica na empresa abrir mão do controle para um fornecedor.
Não ficou claro? Veja, esse “abrir mão do controle”, significa que a empresa deverá
assumir os riscos, sobretudo, caso deseje terceirizar sua atividade fim. Em regra, o processo de
terceirização deve ser utilizado como vantagem na realização de atividades menos importantes, pois
como foi anteriormente abordado os recursos financeiros que seriam investidos na execução de
determinadas atividades, poderão ser melhor empregados nas atividades internas. Todo processo de
decisão sobre “comprar ou fazer” deve ser bem pensado e calculado.
Na oportunidade, que tal você dar uma lida no material complementar antes de continuar
a leitura do e-Book?
A prefeitura de Caruaru identificou que precisará ajustar sua
estratégia de coleta seletiva de lixo, para atender de forma satisfatória todo o
município. Com investimentos do Governo Federal, por meio do programa Minha
Casa Minha Vida um novo bairro foi construído com cerca de 300 ruas. O gestor
responsável pela limpeza urbana deseja saber se estende a coleta para o novo
bairro ou se subcontrata o serviço, terceirizando-o a um preço anual por rua de
R$ 150,00. Se decidir realizar o serviço, incorrerá em custos fixos anuais de
R$10.000. Os custos variáveis da coleta são estimados em R$ 80,00/rua ano. Qual
a melhor solução para o gestor da limpeza urbana?
Solução:
As equações do custo total (CT) são:
CT = CF + CV x (número de ruas N)
(CT)recursos próprios = 10.000 + 80 x N
(CT)terceiros = 150 x N
Para N = 300 ruas, teremos:
(CT)recursos próprios = 10.000 + 80 x 300 = R$34.000/ano
(CT)terceiros = 150 x 300 = R$45.000/ano
Competência 02
31
2.1.2 Estratégias de Compras
De forma geral, toda empresa possui o setor ou a pessoa (profissional) responsável pela
realização das compras. Bowersox et al. (2014, p.90) identifica quatro abordagens estratégicas para
compras, são elas:
• Compras pelo usuário;
• Consolidação de volume;
• Integração Operacional dos Fornecedores;
• Gerenciamento de Valor.
Para que você compreenda de forma mais rápida a estratégia de compras pelo usuário,
veja esse exemplo:
Patrícia trabalha na Meshmax, aquela empresa que trabalha produzindo filtros para
máquinas de refrigerantes. Pois bem, na empresa, Patrícia é responsável pelos serviços gerais e todos
os meses ela precisa fazer um check-list de todos os itens que estão chegando ao fim para que possa
fazer a reposição (sacos de lixos, desinfetantes, vassouras, álcool, sabão em pó, sabonete líquido,
papel toalha, lustra móveis etc.). Na Meshmax existe um setor responsável pela compra dos
suprimentos para a fabricação dos filtros, porém quando as compras são referentes aos materiais de
escritório ou mesmo aos materiais de serviços gerais, essa atividade passa a ser do responsável pelo
setor que solicitou o material e dessa forma não sobrecarrega o setor de compras. Na estratégia de
compra pelo usuário, os próprios funcionários podem determinar suas necessidades de compras.
Já que estamos aqui falando sobre estratégias de compras, o que seria a estratégia de
consolidação de volume? Vamos supor a seguinte situação:
A empresa Meshmax, no início de suas atividades na década de 1980, tinha como prática
a aquisição dos seus materiais através de diversos fornecedores. Esta era a realidade da empresa à
época. Os proprietários observavam vantagens significativas nesta conduta, pois recebiam cotações
Terceirização: como essa tendência mundial reflete no Brasil? ou copie o
endereço e cole no seu navegador: http://blog.seguridade.com.br/terceirizacao-
como-essa-tendencia-mundial-reflete-no-brasil/
Competência 02
32
de diferentes empresas fornecedoras e acreditavam que manter diversas fontes impediria o processo
de dependência de fornecedor. No entanto, esta já é considerada uma visão ultrapassada no processo
de compras. Atualmente, consolidar volume, quer dizer trabalhar com um número reduzido de
fornecedores.
Mas qual vantagem estratégica em reduzir o número de fornecedores?
Veja, bem! Consolidar as compras em poucos fornecedores, aumenta a capacidade de
negociação da empresa junto ao fornecedor, assim, também é vantajoso para o fornecedor, pois este
tem garantido o seu volume de vendas.
É importante ter em mente que apesar das vantagens apresentadas, manter um único
fornecedor é um risco para empresa. É por esse motivo que certificar fornecedores, poderá minimizar
futuros contratempos.
A Meshmax, compreendendo estes novos conceitos sobre consolidação de volume,
entendeu que não se tratava de manter uma única fonte de suprimento. Ela percebeu que era
necessário utilizar uma quantidade menor de fornecedores quando comparado a períodos
anteriores. Um fator importante e que já temos ciência é que o pessoal da Meshmax já compreende
bem e aplica a estratégia da consolidação de volume. Mas precisamos conversar sobre a estratégia
utilizada que é chamada de integração operacional dos fornecedores. O nome já deixa claro sobre o
que se trata, mas caso você ainda não tenha percebido, vamos ao exemplo para clarear as ideias.
O gestor de compras da Meshmax resolveu integrar seu principal fornecedor ao seu
sistema operacional interno.
Mas, como assim?
Ele abriu as informações internas das vendas para o fornecedor?
Isso mesmo! Vamos a explicação?!
Primeiro, para que essa prática de integração ocorra, é importante que exista confiança,
parceria e contratos que a regule. Um dos principais propósitos da integração operacional dos
fornecedores é o de permitir que o fornecedor tenha acesso direto às informações de compra e
venda, assim o fornecedor fica ciente sobre quais são os produtos mais vendidos.
Com base nestas informações, o fornecedor poderá se posicionar de forma mais eficaz,
pois à medida que acompanha as informações no sistema de vendas consegue realizar um
Competência 02
33
planejamento mais adequado e o comprador, no caso aqui a Meshmax, receberá seus suprimentos
sempre dentro do prazo.
O que pode-se destacar, deste modelo estratégico de compras, é a melhoria no processo
de comunicação, pois a integração operacional, tende a melhorar o fluxo das informações, reduz o
tempo do pedido e elimina erros de comunicação.
Percebeu agora que ambos os lados são beneficiados?
Para que você possa compreender um pouco melhor sobre cliente-fornecedor, sugiro
acessar o material disponível através do link de QR-Code disponível a seguir.
Quando observada, a estreita construção de confiabilidade entre empresa (cliente) e
fornecedor, por meio do processo de integração operacional, cria-se a oportunidade para o chamado
gerenciamento de valor.
Desenvolver o gerenciamento de valor para a empresa Meshmax é fundamental, pois este
é um tipo de relacionamento mais abrangente e sustentável.
Lembra que no exercício anterior a Meshmax estava planejando a produção de novos
filtros para serem utilizados nas máquinas de refrigerantes com uma melhor capacidade e mais
tecnologia?
Então, o entendimento é que o envolvimento com o fornecedor possibilita a efetivação
de mudanças nas estratégias da compra, saindo do estilo tradicional que como vimos, corresponde
aquele tipo de compra baseada no conflito, onde (acreditava-se que manter diversas fontes impediria
o processo de dependência de fornecedor), para o conceito de compras mais contemporâneo e
colaborativo, utilizado pela Meshmax.
Para a elaboração dos novos filtros, ou seja, na etapa inicial de um projeto, como é aqui
nosso exemplo, busca-se um menor custo total, assim como, a adequação nos processos de qualidade
que vão sendo incorporados as etapas da construção do novo produto (dos filtros). Além das
vantagens apresentadas anteriormente, o envolvimento com o fornecedor desde as etapas do início
A relação entre empresas e fornecedores tornou-se cada vez
mais consistente, gerando um clima de confiabilidade e
segurança. Utilize o QR-Code e saiba mais.
Competência 02
34
do projeto pode reduzir custos. Dessa forma, quanto maior o nível de envolvimento do fornecedor
com o projeto, maiores são as possibilidades de a empresa lucrar com o conhecimento e as
competências desse fornecedor.
Para tornar mais clara essa relação entre empresa versus fornecedor, veja a situação a
seguir (adaptado: BOWERSOX, et al., 2014, p.92):
O engenheiro de projetos da Meshmax estava completando o esquema de montagem dos
novos filtros que seriam testados em uma das máquinas de refrigerantes quando, durante o processo,
o engenheiro do fornecedor (que já havia sido designado apesar de a produção ainda não ter iniciado)
perguntou se a terceira camada do filtro poderia ser alterada em cerca de 1,3mm. O engenheiro de
projetos da Meshmax, depois de alguma consideração, respondeu que isso poderia ser feito sem
qualquer impacto no produto final; e ficou curioso para saber por que o fornecedor havia solicitado
a alteração. A resposta foi que, ao reduzir a terceira camada do filtro, ele poderia utilizar as
ferramentas e moldes já existentes para fabricar o novo filtro numa espessura um pouco mais fina.
Com o projeto original, seria necessário um enorme investimento de capital para comprar as novas
ferramentas para fabricação. Quando analisados os custos, notou-se uma redução de
aproximadamente 25% a 30% no custo da fabricação do filtro.
Ficou claro para você o quanto foi importante a intervenção do engenheiro do
fornecedor? Ambas empresas obtiveram vantagens. A Meshmax que vai pagar um pouco menos pela
fabricação do novo modelo de filtro e a empresa fornecedora que irá utilizar equipamentos já
disponíveis o que otimizará a fabricação e o tempo de entrega.
Todo esse processo de estratégias de negociação, foram vistos, nestes exemplos, no setor
de compras, mas o processo de negociação é importante e deve envolver outros setores da empresa
(marketing, financeiro, contabilidade, comercial, entre outros), assim através da cooperação de todos
a empresa alcançará seus objetivos de maneira mais eficaz.
Por fim, chegamos à etapa sobre portfólio de estratégias de compra. No caso, portfólio
será entendido como etapas que a empresa utilizará para selecionar melhor seus fornecedores, ou
seja, ela formará um portfólio de fornecedores excelentes.
Adiante conversaremos um pouco mais!
Competência 02
35
2.1.3 Portfólio de Estratégia de Compras
Precisamos reforçar o entendimento de que o processo de compra não é igual para todas
as situações, pois cada insumo é diferente e requer uma perspectiva distinta. Muitas organizações,
de maneira equivocada, demandam a mesma energia para os procedimentos de compras. Uma coisa
é a aquisição de uma pequena quantidade de itens, outra é a realização de uma compra estratégica.
O ideal é que seja despendido tempo e recurso de maneira proporcional para cada tipo de compra.
Uma estratégia que deve ser adotada para obter êxito é a chamada análise de gasto, esta
ferramenta possibilita que os gestores identifiquem quanto está sendo gasto em cada tipo de produto
ou serviço.
Vamos ao exemplo?
Uma análise de gastos na empresa Meshmax constatou que os equipamentos de proteção
individual (EPI) descartáveis, utilizados pelos 20 operários da produção, (propé, touca, máscara e
luvas), eram provenientes de 8 fornecedores. Através da análise de gastos é possível determinar uma
estratégia de compra mais adequada para cada um dos produtos necessários para a empresa.
É dessa forma que se vai construindo um portfólio estratégico de compras!
Bowersox et al. (2014, p.95), identifica quatro abordagens para determinar a compra de
rotina, compras de gargalo, compras de alavancagem e compras críticas, como estratégias
adequadas de compras.
Vejamos, nos tópicos adiante cada uma delas.
2.1.3.1 Compra de rotina
De modo geral, a compra de rotina oferece baixa percentagem do gasto total da empresa.
O não fornecimento, não compromete as atividades fins e geram apenas alguns incômodos. Podemos
imaginar a falta de material de escritório, falta de sacos de lixo, de papel higiênico, de sabonete
líquido. Estes itens são de fácil aquisição utilizando-se, por exemplo, o “cartão de compras”, um tipo
de cartão de crédito coorporativo para que os usuários comprem justamente estes itens rotineiros.
Competência 02
36
2.1.3.2 Compras de “gargalos”
Compra de itens de “gargalo”, também é considerada como de baixa percentagem nos
gastos da empresa, porém diferente do item anterior, nestes casos o risco de fornecimento é alto e
desta forma são percebidos como de alto impacto em operações importantes para o comprador. São
considerados “gargalos”, qualquer obstáculo que possa influenciar o andamento e o resultado dos
processos em uma empresa.
Pra você compreender melhor, são itens encontrados em um pequeno número de
fornecedores. O ideal é que o gestor de compras da empresa firme contratos de longo prazo para
assegurar a continuidade do fornecimento ou mantenha várias fontes de fornecimento.
2.1.3.3. Compras para alavancagem
Aqui temos como itens os commodities para os quais existem muitas fontes de
fornecimento.
Não sabe ou não está lembrando o que são os commodities?
Agora que você já acessou a matéria sobre commodities, ficou mais fácil de entender o
motivo pelo qual existem muitas fontes de fornecimento, não é mesmo?
Pois bem, as compras para alavancagem envolvem pouco risco de fornecimento, no
entanto, o gasto nesses produtos é relativamente alto. Nestas situações é significativo que o gestor
de compras trabalhe na estratégia de consolidação de volume.
Recomendo que você volte um pouco a leitura para recordar sobre o que tratamos sobre
este assunto no item 2.1.2.
As commodities costumam ser classificadas em 4 grupos
gerais, são eles: agrícola, ambiental, financeiro e mineral.
Ficou curioso? Utilize o QR-Code e saiba mais.
Competência 02
37
2.1.3.4 Compras críticas
Compras críticas se- referem justamente àqueles itens e serviços estratégicos para a
empresa. São aqueles que geram um alto impacto e uma falha pontual no fornecimento pode gerar
danos catastróficos.
Neste sentido, dado a sua importância e ao risco envolvido, há uma forte tendência em
concentrar as compras em fornecedores específicos. Aqui, então, faz-se necessário estabelecer as
estratégias de integração operacional do fornecedor e lembrar do gerenciamento de valor.
Vamos agora entender o que acontece com os insumos após a etapa de compras. Este
processo é chamado de armazenagem, vamos conhecer ele a seguir.
2.2 Conhecendo o processo de armazenagem
Figura 06 - Processo de Armazenagem
Fonte: https://www.inotec.de/branchen/lager-logistik/
Descrição da figura: Armazém de alto compartimento com corredor de estantes do lado esquerdo, no meio
profissionais manuseando maquinários, no fundo mercadorias a serem despachadas
Entender o processo de armazenagem é fundamental para executar uma boa gestão da
cadeia de suprimentos.
Mas o que seria o armazenamento?
Competência 02
38
Assim como vimos na competência 1 sobre o desenvolvimento histórico da cadeia de
suprimentos, aqui, também, convém mais uma vez esse “olhar pelo retrovisor da história”, pois ele
nos auxiliará a compreender que o processo de armazenamento da forma que conhecemos hoje,
passou por algumas transformações ao longo de sua história.
Na era pré-industrial o armazenamento era realizado em casa mesmo, de maneira
individual, em quartos, porões, garagens. Tínhamos aí o início da armazenagem. Com o
desenvolvimento da sociedade, com a criação de estradas e de outras formas que facilitariam o
escoamento de matéria-prima e produtos, o armazenamento passou a ser realizado pelos
atacadistas, varejistas e, também, pelos próprios fabricantes.
A partir desta mudança a armazenagem passa para o setor de atacado e varejo, e sentiu-
se a necessidade de criar grandes galpões, capazes de armazenar linhas completas de produtos. A
forma mais comum de armazenagem deu-se por meio de estruturas porta-paletes,
convenientemente dispostas a facilitar o acesso de equipamentos de elevação e transporte, observe
a figura 7 com diversos modelos.
Para o armazenamento é necessário desenvolver cuidados contra contaminantes
internos e externos, cuidados com a iluminação, incêndios e os produtos devem ser sempre
armazenados de forma a facilitar a localização.
Figura 07: Diversos modelos de paletes utilizados para armazenagem.
Fonte: http://www.guialog.com.br/paletes.htm
Descrição da figura: Diversos modelos paletes. A figura apresenta 15 modelos de peças em madeira de tamanhos
aproximados de 2mX1mx30cm de altura.
Competência 02
39
Antes de avançarmos nos estudos sobre armazenagem, acredito ser relevante distinguirmos
esses três termos: armazenagem, estoque e centro de distribuição.
Você sabe a diferença entre eles?
Apesar da semelhança, cada um tem um objetivo distinto.
Vamos conhecer?
• Armazenamento – ação de reter, armazenar, guardar um determinado bem.
• Estoque – quantidade de mercadoria, quantidade de produtos armazenados para fins
específicos.
• Centro de Distribuição – além de armazenar produtos, atende também a pedidos.
Agora que já sabemos sobre o armazenamento, vamos estudar um pouco mais sobre
algumas especificidades deste importante componente dentro da cadeia de suprimentos?
Que o processo de armazenagem é importante, isso sabemos. Mas, quais os benefícios
econômicos ele pode trazer?
2.2.1 Benefícios Econômicos
Os benefícios econômicos da armazenagem surgem dentro de uma perspectiva de
armazenamento estratégico. Este modelo de armazenagem está relacionado à presença local.
Para esclarecer, este termo também é compreendido como depósito local e os estudos
apontam que há grandes vantagens nos depósitos locais, pois estes aumentam de forma significativa
a participação no mercado e como consequência a lucratividade. O fato de se ter uma rede de
depósitos estrategicamente localizados, proporciona aos principais clientes, confiança e a segurança
que estão apoiados logisticamente, devido à proximidade do seu fornecedor.
Tem-se, então, que a implementação da armazenagem próxima dos principais clientes,
persegue a diminuição do custo total. Vejamos dois exemplos de benefícios econômicos básicos:
consolidação e fracionamento de carga e estocagem sazonal.
2.2.1.1 Consolidação e fracionamento de carga
Competência 02
40
A consolidação e fracionamento de carga é um tipo de benefício econômico que ocorre
sempre que diversas fontes (empresas) são combinadas, agrupadas em quantidades exatas em um
único grande carregamento para um destino específico. Além do benefício econômico existente, pelo
fato de dividir a tarifa de frete com outras empresas, tem-se o tempo de entrega pontual e redução
do congestionamento na doca de recebimento. Doca é o nome dado ao local responsável por receber
as cargas e as redistribuir.
Para você entender melhor doca, observe adiante a figura 7, adaptada de Bowersox 2014,
p.230).
Figura 08: Consolidação e fracionamento de carga
Fonte: Os autores
Descrição da Figura: A figura apresenta duas caixas de texto em separado, estando uma acima da outra. A caixa
superior está nomeada com consolidação e dentro dela ao lado esquerdo de cima para baixo esta escrito Empresa A,
Empresa B e Empresa C unidas por uma seta direcionada para a palavra DOCA que está ao centro da Figura. Da Palavra
Doca saí uma única seta com direção à direita onde constam as letras A, B e C divididos por quadrados onde acima
destas consta escrita a palavra clientes. No quadro inferior nomeado com a palavra Fracionamento, consta no centro na
parte interna à esquerda a palavra Empresa A com uma seta direcionada para centro do quadro para a palavra doca de
onde saem três setas direcionadas para direita sendo a seta superior Cliente A, a seta ao centro Cliente B e a seta
inferior cliente C. Tem-se assim, o processo de consolidação e fracionamento da carga.
2.2.1.2 Estocagem sazonal
Aqui temos a situação de produtos que são fabricados o ano inteiro, mas que são vendidos
em grande volume, em determinadas épocas do ano, a exemplo de produtos escolares, enfeites de
natal, etc. E, temos também produtos que tem sua produção apenas em determinadas épocas do
ano, é o caso de produtos agrícolas, que dependem da safra para sua produção. O armazenamento
Competência 02
41
eficiente em ambos os casos, precisa atender as restrições impostas tanto pelos produtores de
insumos como pelos consumidores.
2.2.2 Classificação quanto à propriedade
O processo de armazenamento ocorre em depósitos que podem ser classificados quando
à sua propriedade. A decisão relacionada ao depósito é estritamente financeira e os depósitos podem
ser classificados de diversas formas, aqui veremos: depósitos próprios ou alugados ou depósitos
terceirizados. Vejamos nos tópicos adiante alguns detalhes sobre cada um.
2.2.2.1 Depósitos próprios ou alugados
Nos casos em que a empresa opta pelo gerenciamento ou aquisição da armazenagem em
depósitos próprios ou alugados a empresa ficará responsável pelos custos (manutenção, reparos),
pela flexibilidade (horário de atendimento a cliente, condicionamento correto das mercadorias) e
todos os outros aspectos intangíveis que estejam relacionados. Esse modelo apresenta algumas
desvantagens e como exemplo podemos citar a infraestrutura física, pois nem sempre o local
disponível tem uma natureza física favorável para o correto manuseio de carga e descarga de
mercadorias.
2.2.2.2 Depósitos terceirizados
A escolha por depósitos terceirizados normalmente é estabelecida por contratos de longo
prazo e essa escolha poderá trazer benefícios quanto à flexibilidade, economia com recursos
administrativos e humanos, mão de obra especializada, equipamentos adequados, entre outras. Um
outro diferencial dos depósitos terceirizados é que muitos oferecem serviços logísticos integrados
como: gerenciamento de transportes; controle de estoques; processamento de pedidos e
devoluções, serviços ao cliente.
Percebeu que nas duas possibilidades de armazenamento existem vantagens?
Competência 02
42
Pois é! A empresa poderá optar, inclusive, por uma combinação entre parte da sua
produção em depósito próprio ou alugado e parte em depósitos terceirizados. A decisão ficará a
critério da gestão sempre com o objetivo de redução no custo total.
Então, estudante, o que achou desta competência?
Espero que tenha compreendido que o processo de fornecimento envolve um
posicionamento estratégico da gestão da empresa.
Vamos para nossa próxima competência!
Antes de concluirmos esta competência, acesse o link veja o artigo da empresa
Cargo X, sobre estas e outras possibilidades de armazenamento
https://cargox.com.br/blog/tipos-de-armazenagem-saiba-qual-o-mais-
adequado-para-sua-empresa
Competência 03
43
3.Competência 03 | Conhecer os processos de expedição
Antes de iniciarmos esta competência, vamos recordar que na competência 1, no tópico
referente às tecnologias de comunicação usamos como exemplo do “encurtamento de distâncias”, a
hipótese de que você comprou um produto em uma outro país. Lembra? Para este produto chegar
até você, no nosso exemplo hipotético, o mesmo passou por diferentes lugares (transportes) e
virtuais (sistemas), ou seja, o ato de você incluir o produto no carrinho de compras (no site), realizar
o pagamento e este ser confirmado pela empresa, desencadeou dentro da empresa, pequenas ações:
separar fisicamente, registrar no sistema para baixa do produto no estoque, sendo integrada a
emissão da nota fiscal. E na sequência, pode ter ocorrido as ações de: embalar, incluir endereço de
entrega, incluir documentos auxiliares de identificação da mercadoria e despachar para destino. Até
aqui, ainda estamos tratando do produto dentro da empresa. E ainda, dentro da empresa, existe o
departamento de expedição. É aqui, onde começamos a definir os termos que conduzirão nosso
aprendizado, nesta competência. Adiante?
Mas antes… Você sabia que existe a atividade de antecipação da expedição?
Sobre a questão da atividade de antecipação da expedição podemos compreender que é
o registro, que ocorre através de um sistema de gerenciamento: input - processamento de dados -
output. Conforme pode ser visto no e-book de Tecnologia da Informação. Ou seja, aquela ação que
tem início quando da confirmação da compra do produto por e-commerce, referente à entrada:
confirmação da compra, processamento de dados, o que se está sendo comprado, baixado no
estoque, informado ao financeiro, emitida a nota fiscal; e a saída: os demais desdobramentos
necessários para que o produto chegue ao comprador e/ou consumidor final.
Lembre-se de que as ferramentas de tecnologia de informação ajudam, inclusive na
elaboração dos planos de reposição de itens auxiliando outras operações da cadeia de suprimentos.
Para entender mais sobre essa antecipação da expedição, acesse o artigo no link: Gestão da Cadeia
de Suprimentos. (https://esales.com.br/blog/gestao-de-cadeia-de-suprimentos-integrada-a-ti/)
A antecipação de expedição (FORWARDING) consiste
na consolidação de informações relacionadas aos produtos
e seu transporte anterior ao envio de remessas.
Fonte: Dicionário de Logística GS1 Brasil, 2019.
Competência 03
44
Agora que entendemos sobre a antecipação da expedição, vamos mergulhar na
compreensão sobre o que trata a expedição dentro da cadeia de suprimentos. Vamos começar
definindo a palavra expedição: ato de expedir; remessa; despacho rápido. No entanto, para a cadeia
de suprimentos, é importante pontuar que a expedição pode ser compreendida como: um local, uma
ação e/ou procedimento. Vamos conferir alguns termos técnicos referentes a expedição? Observe o
quadro 1, a seguir:
• EXPEDIÇÃO (SHIPPING) - Função que oferece instalações para a expedição de
peças, produtos e componentes. Inclui embalagem, identificação, pesagem e
carregamento de veículo para transporte.
• EXPEDIÇÃO DE PEDIDO (ORDER SHIPMENT) - Atividade que se dá do momento
em que o pedido é colocado no veículo até o pedido ser recebido, verificado e
descarregado no destino do comprador.
• EXPEDIÇÃO DE TRANSFERÊNCIA (HANDOVER SHIPMENT) - Expedição entregue
por um agente de transportes de frete, mas que foi transferida a outro agente
de transportes conforme estipulado pelo consignatário para liberação em
alfândega e entrega, conforme incoterms.
Quadro 02: Significado de Expedição dentro da Logística
Fonte: Dicionário de Logística GS1 Brasil, 2019. Disponível em:
<https://enspangola.co.ao/moodle/pluginfile.php/425/mod_resource/content/1/Dicionario_logIstica.pdf>. Acesso em:
setembro, 2019.
Os chamados Incoterms (International Commercial Terms / Termos
Internacionais de Comércio) servem para definir, dentro da estrutura de um
contrato de compra e venda internacional, os direitos e obrigações recíprocos
do exportador e do importador, estabelecendo um conjunto padronizado de
definições e determinando regras e práticas neutras, como por exemplo: onde o
exportador deve entregar a mercadoria, quem paga o frete, quem é o
responsável pela contratação do seguro. Disponível em:
http://www.aprendendoaexportar.gov.br/index.php/negociando-com-
importador/incoterms.
Acesso em: agosto, 2019.
Competência 03
45
Retomando o nosso exemplo da compra de produto por e-Commerce em um outro país
é provável que este tenha passado por essas diferentes etapas. Ou ao menos, por estas: de
identificação, pedido e transferência. Conforme consta no quadro apresentado 1, com significados
para expedição.
Ainda sobre o processo de expedição, há também a função de agente de expedição. As
atribuições deste profissional consistem em: facilitar, por exemplo, a chegada de um navio - liberação,
carga ou descarga e pagamento de tarifas em um porto específico. Ver mais em Dicionário Logística,
2019.
Foi mencionado anteriormente que produtos podem ser transportados por navios,
quando citamos das responsabilidades do agente de expedição, vamos fazer uma breve referência a
comercialização internacional ou Comércio Exterior (COMEX). O que também é denominado de
mercado - espaço (físico ou virtual), onde ocorrem as transações comerciais de compra e venda de
produtos dos mais diferentes lugares do mundo. Os produtos advindos dos mais diferentes lugares
precisam ser enviados ao seu destino final. Para que isso ocorra é necessária a atuação de um
profissional denominado de Agente de Cargas - Este é responsável por gerenciar e coordenar todos
os recursos de uma empresa e colocá-los à disposição para o alcance dos objetivos do negócio.
Ver mais em: Atribuições do Agente de Cargas.
E, é nesse ponto que começamos a compreender a expedição como algo inerente ao
desdobramento de processos internos da empresa responsável pelo envio e, ao mesmo tempo
externo a empresa. Pois a depender do volume e distância geográfica envolvidos entre o
envio/destino, a encomenda pode ser entregue ao consumidor final com ou sem o uso de agentes
intermediários9. - Ao tomarmos como exemplo uma das atividades do agente de cargas, de gerenciar
todos os recursos de uma empresa, este precisa ter conhecimento do tipo de mercadoria que está
sendo movimentada e ter uma visão holística da cadeia de expedição, com ênfase nas etapas a seguir:
• Transporte
• Recebimento
9
Compreender agentes como profissionais e/ou empresas envolvidas no processo de transporte, armazenamento, expedição, movimentação da
mercadoria.
Competência 03
46
• Armazenagem de matérias-primas (no caso de produção de bens), materiais (no caso
de serviços) e produtos (mercadoria acabada).
Passamos agora a ampliar o nosso entendimento referente a expedição, para além de um
local físico de retirada de mercadorias. Mas também, como um ponto de espera/transição das
mercadorias que aguardam seus modais para envio ao destino, que seria denominado de: área de
expedição.
Mas para que os envios cheguem em conformidade aos destinos, o Gerente de Expedição
precisa optar pelo melhor modal ou modais! Ao que importa dizer, em relação aos modais de
transporte, nota-se que estes correspondem às formas usadas para que os produtos e as mercadorias
sejam levadas do endereço em que são fabricadas até o seu destinatário final.
Logo, se faz necessário um breve recorte sobre transporte - O transporte é uma área
operacional da logística, que movimenta e posiciona geograficamente os estoques. Pozo (2007),
autor de referência na área de logística, diz que: “o transporte é essencial na organização, para levar
de alguma forma, até o consumidor final, as suas matérias-primas ou produtos acabados” ou serviços.
Os modais utilizados são: rodoviário, ferroviário, hidroviário, dutoviário e aeroviário”.
Área de Expedição - É a área demarcada nos armazéns,
próxima das rampas/plataformas de carregamento, onde os
materiais que serão embarcados/carregados são pré-separados
e conferidos, a fim de agilizar a operação de carregamento.
Fonte: Dicionário Logístico
Competência 03
47
Figura 09: Exemplo de transporte modal
Fonte: Transporte Intermodal e Modal, 2019.
Descrição da figura: BR com vários tipos de modais: rodoviário, hidroviário e aeroviário. Ao lado esquerdo temos uma
carreta com lateral amarela e uma listra preta no meio. Um foco de luz solar intensa no meio da rodovia, acima um
avião decolando e ao fundo um navio de carga ao lado esquerdo.
Ainda sobre os modais de transporte, o autor referência na área de Gestão Logística da
Cadeia de Suprimentos, Bowersox (2014), elenca algumas necessidades relacionadas ao transporte
que podem ser satisfeitas de três maneiras:
• Através de uma frota particular de veículos;
• Através de contratos com especialistas dedicados ao transporte;
• Através do contrato de serviços de uma ampla variedade de transportadoras que
prestam diferentes serviços, conforme o necessário, de acordo com os tipos de carga.
Ainda segundo Bowersox (2014), três fatores são fundamentais de serem observados, do
ponto de vista logístico:
1. Custos do transporte - destaca-se o pagamento por carregamento entre duas
localizações geográficas e as despesas de manter as mercadorias em trânsito - à partir
do endereço de partida (origem) ao endereço final (destino).
2. Velocidade do transporte - o tempo necessário para completar uma movimentação
específica.
3. Consistência do transporte - refere-se às variações no tempo necessárias para realizar
uma movimentação específica de carregamentos.
Competência 03
48
Dentro da cadeia de suprimentos os transportes podem ser subdivididos em: intermodal
e multimodal. Para o autor Bowersox (2014), o transporte intermodal combina dois ou mais modais
para obter vantagens da economia inerente de cada um, e assim fornecer um serviço integrado por
um custo mais baixo. Já, sobre o transporte multimodal, pode-se dizer que é todo transporte
efetuado por mais de um modal (marítimo, terrestre ou aéreo), afirma Martins (2006) outro autor
que estuda a cadeia de suprimentos.
Sobre o tipo de modal para o traslado da mercadoria, esta é uma decisão de grande
responsabilidade do gerente de expedição. Compete a este profissional dar a devida atenção a
logística de armazenagem e distribuição. Pois, “uma vez que, se ele não for feito da maneira correta,
podem ocorrer prejuízos na qualidade do produto” e consequentemente para as empresas
envolvidas no processo movimentação da mercadoria (ver mais no seguinte link: O que são modais
de transporte).
Uma vez decidido o tipo de modal escolhido o gerente de expedição deve combinar os
sistemas de: movimentação de materiais e de armazenagem, além de ser flexível. O que é
corroborado, pelo autor Martins (2006), autor já conhecido aqui, quando afirma que:
Sabendo quando e qual o melhor modal a ser utilizado para o transporte de seu
produto, ainda em estágio de matéria-prima ou já industrializado, uma empresa pode
aumentar sua margem de lucros diminuindo os custos de distribuição, os gastos com
produtos avariados e logística reversa (MARTINS, 2006, p.406).
Para firmar o quão é relevante a necessidade de ser assertiva a decisão do gerente de
expedição, em relação aos modais apresentamos, vejamos no quadro 2, a seguir exemplo de modais
para itens distintos.
Modal aéreo Transporte marítimo
O transporte aéreo é uma das principais formas
de agilizar a distribuição de mercadorias por
meio de aviões comerciais ou aeronaves
adaptadas para o transporte exclusivo de
cargas. A sua demanda tem aumentado
significativamente nos últimos anos, mas ainda
O transporte marítimo, por meio de navios
especializados, é um dos grandes trunfos que
permite a importação e exportação de
mercadorias em grandes quantidades. Essa
opção utiliza os oceanos como rotas para
conectar as transações entre países.
Competência 03
49
não é o suficiente para superar o modal
rodoviário.
Esse tipo de transporte é frequentemente
utilizado para o envio de cargas de alto valor
agregado, tais como equipamentos eletrônicos,
que exigem maior segurança até a sua chegada
ao destino. Outra área que utiliza esse tipo de
transporte são os produtos perecíveis, como:
flores; alimentos; e medicamentos.
O custo elevado é um dos principais
empecilhos para o crescimento dessa
modalidade, que, muitas vezes, não é
compensado pela eficiência e maior segurança.
Geralmente, é utilizado para todos os tipos de
encomendas, desde que em grande volume.
Isso ocorre porque os pedidos são
acondicionados em contêineres e depois
acomodados no navio. Apenas a lentidão dos
navios e o risco de naufrágios afetam essa
operação.
Quadro 03: Exemplo de utilização de modal: Aéreo e Marítimo
Fonte: Adaptado de Bsoft, 2019. Disponível em: <https://www.bsoft.com.br/blog/principais-tipos-de-modais-de-
transporte>. Acesso em: agosto, 2019.
Do que foi apresentado sobre os modais no quadro 2, você conseguiu perceber que a
decisão por determinado modal também se dá pelo tipo de carga que será transportada? No que
tange ao que foi apresentado até agora, a afirmação é até óbvia, não é mesmo?
Em síntese, podemos afirmar que quanto mais perecível for a carga a ser movimentada,
maior a necessidade do curto prazo (rapidez entre o despacho e a entrega), o que por vezes, onera
os custos referentes à logística e impacta na lucratividade da empresa. Isso são os impactos da
Curiosidade
Você sabia que a Intermodalidade, nas ferrovias,apesar de o transporte de
minério e carvão representar aproximadamente 80% do volume total, as
ferrovias têm procurado diversificar as cargas transportadas. A movimentação de
contêineres, por exemplo, tem revelado uma expansão bastante positiva. Desde
1997, a movimentação de contêineres cresceu quase 142 vezes. Em 2018, foram
mais de 492 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés)
transportados por ferrovias. Ver artigo completo em: ANTF .
Fonte: Associação Nacional dos Transportes Ferroviários, 2019.
Competência 03
50
decisão pelo modal ou sistema de modal, quando esta não é assertiva, ou há ocorrências que
impedem o trânsito do item ao destino, no tempo previsto para entrega.
Somada às variáveis já mencionadas, que devem está no “radar de decisão” do gerente
de cargas, compete lembrar que ainda há necessidade de transporte com acondicionamento
específico, para o tipo de carga a ser movimentada. Este é o caso, por exemplo, das flores naturais.
Para este tipo de artigo é imprescindível que se mantenha a qualidade do que precisa ser entregue,
desde a sua origem, e mais uma vez, ao destino final, em perfeito estado para distribuição,
comercialização e/ou consumo. E por vezes, há situações na quais, o profissional responsável pela
expedição da carga precisa decidir por um sistema de transporte multimodal, entende?
Mas, espera! Você quer lembrar o que são commodities?
Assim, do que foi apresentado até agora sobre: expedição, funções relacionadas a
expedição e modal, por certo você já é capaz de fazer uma síntese em ao menos cinco linhas do que
aprendeu até aqui, não é mesmo?
Vamos experimentar?
Então, como você se saiu?
Acredito que bem!
Você sabia que no Brasil o transporte multimodal é constantemente utilizado
para o transporte de commodities, que são produtos de origem primária como
café, arroz, soja etc.
Fonte: Adaptado de Datamex, 2019.
Commodities são produtos que funcionam como matéria-prima. Eles,
geralmente, são produzidos em larga escala e podem ser estocados sem perder
a qualidade. Dessa forma, o mercado de commodities têm seus preços
definidos pela oferta e procura desses materiais primários. Fonte: Toronto
Investimentos, 2019.
Competência 03
51
E após esse pequeno exercício de memorização, que tal trocar uma ideia com os colegas
para se apropriar do conhecimento adquirido e voltar ao e-Book de Cadeia de Suprimentos onde na
sequência vamos tratar de distribuição sob a óptica da expedição?
Vamos adiante agora para o próximo subtópico desta competência!
3.1 Distribuição
A distribuição trata de um dos pontos críticos do negócio da cadeia de suprimentos. De
acordo com o autor já apresentado, Martins (2006, p.405), no livro Administração de Materiais e
Recursos Patrimoniais “O transporte e o bom suporte de um serviço de atendimento ao cliente, são
parte importante da distribuição e eficazes instrumentos para o relacionamento de marketing”.
Pois bem, lembra do nosso exemplo hipotético de você ter comprado algo de outro país,
através das tecnologias de comunicação? Ou mesmo da menção das flores sendo transportadas por
avião? É como se neste instante, os produtos citados finalmente passassem pelas últimas etapas de
movimentação/transporte para chegarem ao destino. Mas, o que é distribuição, mesmo?
Ainda, o mesmo autor, Martins (2006, p.405), diz que o processo de distribuição já tem
início na fábrica do fornecedor e encerra com a entrega ao cliente final. E como os produtos estão
em constante movimento da fábrica ao consumidor final, importa destacar duas etapas do
movimento desses produtos. Que são:
• Movimento: modal de transporte
• Quem faz a movimentação: o operador de transportes
O mesmo Martins (2006, 406), ainda afirma que “a movimentação física dos bens, para a
maioria dos negócios representa um custo significativo”. O que impacta na competitividade, com
destaque para: Confiabilidade e Controlabilidade. No que tange a confiabilidade, esta trata da entrega
A distribuição é o conjunto de atividades entre o produto
pronto para o despacho e sua chegada ao consumidor final.
Fonte: Martins (2006, p. 405)
Competência 03
52
no prazo correto, com a embalagem correta, sem danos causados pelo transporte e erros no
faturamento. Já em relação a controlabilidade é indispensável a capacidade de rastreamento e ação.
Destaca-se ainda, que algumas empresas optam por possuir seus próprios meios de
distribuição, o que por vezes exige grande investimento inicial. Este é o exemplo de uma fábrica que
atua no segmento de descartáveis. A fábrica está localizada em São Ludgero - RS e a distribuição da
produção era realizada por frota rodoviária de carretas própria, com tecnologia de sistema de
monitoramento desenvolvido pela própria empresa. Ao menos era assim, que funcionava lá pelos
anos “2000 e idos…” Já àquela época, o custo de uma frota própria era oneroso - porém este também
era um grande diferencial competitivo, para o cliente receber o que era esperado, dentro do prazo
esperado e com a otimização dos recursos, por conta das carretas também servirem de transporte
para outras fábricas do grupo em outros Estados do País.
Em contrapartida, o custo oneroso em ter um sistema próprio de frota faz com que outras
empresas contratem os serviços de terceiros. Tipo de serviço, para o qual há no mercado empresas
especializadas, desde a entrega de pequenos volumes (pacotes) a grandes frotas. Conforme
observado na competência 2. O que nos remete a entender mais sobre denominações usuais na
expedição a partir do item a ser movimentado, observe o subtópico seguinte.
3.1.1 Denominações usuais na expedição
No decorrer desta competência a expedição já foi apresentada como um espaço e como
um desdobramento de processos necessários, para que um item / bem, que denominamos por vezes
de produto, mercadoria ou volume seja movimentado para um determinado local de transporte ou
destino. Assim, para a expedição, no processo de ação da movimentação, o que precisa ser
transportado, a depender da especificidade ou acomodação recebe o nome de carga. No quadro 3,
aborda-se o tipo de transporte de carga, e algumas denominações de carga antecedida pela palavra
transporte, com objetivo de ampliar o entendimento referente a decisão do modal para a expedição.
TIPO DESCRIÇÃO
TRANSPORTE DE CARGA GERAL
- é o tráfego de porta-a-porta, de cargas
completas ou fracionadas, embaladas ou não,
que, por sua natureza e característica, utiliza
Competência 03
53
veículos ou equipamentos convencionais,
compreendendo o transporte de produtos
industrializados, produtos químicos
(classificados como não perigosos) e
farmacêuticos, líquidos
TRANSPORTE DE ENCOMENDAS -
é um serviço específico de transporte de carga,
cuja operação compreende a coleta ou a
recepção da carga, tráfego e entrega à
domicílio pelo transportador, dentro de um
prazo por este previamente definido, entre
locais de origem e destino pré-fixados;
TRANSPORTE DE CARGAS SÓLIDAS A GRANEL
–
é o que se realiza mediante a utilização de
carroçaria apropriadas e providas de
mecanismos de carregamento e
descarregamento adequados; compreende o
tráfego de cereais, fertilizantes e outros,
abrangendo também o transporte de produtos
britados, ou em pó a granel.
TRANSPORTE DE CARGAS LÍQUIDAS A GRANEL
- é o que se realiza mediante a utilização de
veículos ou equipamentos com tanques ou
cisternas apropriados com dispositivos de
carregamento e descarregamento adequados,
compreendendo o transporte de água, leite,
óleos alimentícios, vinho e outros.
TRANSPORTE DE CARGA UNITIZADA EM
“CONTAINERES” OU COFRES DE CARGA -
é o que emprega veículos providos de
dispositivos de fixação e de segurança deste
equipamento, segundo normas técnicas
específicas e depende de utilização de
dispositivos de carregamento e
descarregamento;
TRANSPORTE DE CARGAS EXCEPCIONAIS E
INDIVISÍVEIS -
é o que requer condições especiais de trânsito,
quanto à horários, velocidade, sinalizações,
Cadeia de suprimentos apostila técnico em administração
Cadeia de suprimentos apostila técnico em administração
Cadeia de suprimentos apostila técnico em administração
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  • 1. Cadeia de Suprimentos André Paes Viana Luana de Oliveira Alves Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda Curso Técnico em Administração Educação a Distância 2019
  • 2. Cadeia de Suprimentos André Paes Viana Luana de Oliveira Alves Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda Curso Técnico em Administração Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa Educação a Distância Recife 1.ed. | out. 2019
  • 3. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISDB V614c Viana André Paes. Cadeia de Suprimentos: Curso Técnico em Administração: Educação a distância / André Paes Viana, Luana de Oliveira Alves, Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda. – Recife: Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, 2019. 81 p.: il. Inclui referências bibliográficas. Caderno eletrônico produzido em outubro de 2019 pela Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa. 1. Administração de operações. 2. Administração da cadeia de suprimentos. 3. Indicador – Cadeia – Suprimento. II. Título. CDU – 658.56 Elaborado por Hugo Carlos Cavalcanti | CRB-4 2129 Catalogação e Normalização Hugo Cavalcanti (Crb-4 2129) Diagramação Jailson Miranda Coordenação Executiva George Bento Catunda Renata Marques de Otero Manoel Vanderley dos Santos Neto Coordenação Geral Maria de Araújo Medeiros Souza Maria de Lourdes Cordeiro Marques Secretaria Executiva de Educação Integral e Profissional Escola Técnica Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa Gerência de Educação a distância Professor(es) Autor(es) André Paes Viana Luana de Oliveira Alves Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda Revisão André Paes Viana Luana de Oliveira Alves Lucinea Maria de Lima Freire Lacerda Coordenação de Curso Leticia Alves de Melo Coordenação Design Educacional Deisiane Gomes Bazante Design Educacional Ana Cristina do Amaral e Silva Jaeger Helisangela Maria Andrade Ferreira Izabela Pereira Cavalcanti Jailson Miranda Roberto de Freitas Morais Sobrinho Descrição de imagens Sunnye Rose Carlos Gomes
  • 4. Sumário Introdução..............................................................................................................................................6 1.Competência 01 | Entender o conceito e a operação da Cadeia de Suprimentos.............................7 1.1 Origens: do artesão à Revolução Industrial ................................................................................................7 1.2 O desenvolvimento da tecnologia .......................................................................................................... 10 1.3 Globalização............................................................................................................................................. 14 1.3.1 Operações logísticas.............................................................................................................................. 16 1.3.2 Compreendendo a cadeia de suprimentos........................................................................................... 21 2.Competência 02 | Conhecer os processos de fornecimento............................................................25 2.1. Conhecendo o processo de compras (Gestão de Aquisição e Suprimentos) ......................................... 26 2.1.1 Comprar ou Fazer (make or buy) .......................................................................................................... 28 2.1.2 Estratégias de Compras........................................................................................................................ 31 2.1.3 Portfólio de Estratégia de Compras ...................................................................................................... 35 2.1.3.1 Compra de rotina............................................................................................................................... 35 2.1.3.2 Compras de “gargalos” ...................................................................................................................... 36 2.1.3.3. Compras para alavancagem.............................................................................................................. 36 2.1.3.4 Compras críticas................................................................................................................................. 37 2.2 Conhecendo o processo de armazenagem.............................................................................................. 37 2.2.1 Benefícios Econômicos......................................................................................................................... 39 2.2.1.1 Consolidação e fracionamento de carga........................................................................................... 39 2.2.1.2 Estocagem sazonal............................................................................................................................ 40 2.2.2 Classificação quanto à propriedade..................................................................................................... 41 2.2.2.1 Depósitos próprios ou alugados........................................................................................................ 41 2.2.2.2 Depósitos terceirizados..................................................................................................................... 41 3.Competência 03 | Conhecer os processos de expedição .................................................................43 3.1 Distribuição .............................................................................................................................................. 51
  • 5. 3.1.1 Denominações usuais na expedição ..................................................................................................... 52 4.Competência 04 | Operações Just in Time........................................................................................61 4.1 Origem e conceitos do JIT ........................................................................................................................ 61 4.2 Objetivos do Just in Time ......................................................................................................................... 64 4.3 Filosofia Just in Time ................................................................................................................................ 66 4.3.1 Eliminando o desperdício...................................................................................................................... 67 4.3.2 Envolvimento dos funcionários............................................................................................................. 68 4.3.3 Esforço de aprimoramento contínuo.................................................................................................... 69 4.4 Como implementar o Just in Time ........................................................................................................... 70 4.5 Vantagens do Just in Time........................................................................................................................ 73 4.6 Desvantagens do Just in Time.................................................................................................................. 74 Conclusão .............................................................................................................................................76 Referências...........................................................................................................................................80 Minicurrículo do Professor...................................................................................................................81
  • 6. 6 Introdução Caros estudantes, Começamos mais uma disciplina: Cadeia de suprimentos Mas, do que se trata? É algo que você já detém algum conhecimento? Se sim. Que bom! Esta é uma oportunidade para revisar, ampliar ou mesmo se apropriar! E se ainda não tem conhecimento, não se preocupe, pois vamos juntos trilhar esse caminho de um novo aprendizado para que você compreenda o que é uma cadeia de suprimentos, como lidar com as decisões referentes à escolha dos processos, fornecedores, transporte e distribuição de produtos, além de entender de que forma podemos eliminar o desperdício e assim manter a qualidade dos produtos/serviços e a satisfação dos clientes, que é o principal foco de toda a Administração de uma organização. Portanto, conhecer e saber lidar com as atividades que geram vantagem competitiva para as organizações, como a cadeia de suprimentos, é primordial. Para sua melhor compreensão dividimos esse e-book em quatro competências. Na primeira você irá conhecer um pouco sobre a cadeia de suprimentos, dentro de um processo histórico; definir cadeia de suprimentos e entendê-la como parte integrante da logística; identificar as principais operações da cadeia de suprimentos. Já na segunda vai ser possível você entender sobre o apoio da atividade de compras na gestão de cadeia de suprimentos; compreender as decisões relacionadas a armazenagem; compreender as diferenças entre armazenagem e estocagem. E na terceira vamos abordar sobre a definição de expedição dentro do contexto da Cadeia de Suprimentos; definir distribuição dentro do contexto da Cadeia de Suprimentos; conhecer sobre a importância do processo de expedição para a Cadeia de Suprimentos e como valor agregado para o consumidor final. Na última vamos tratar do Just in Time, conhecer a origem do sistema; compreender a filosofia; sua implementação e identificar as vantagens e limitações. Aproveite e bons estudos!
  • 7. Competência 01 7 1.Competência 01 | Entender o conceito e a operação da Cadeia de Suprimentos Olá, Estudante! Antes de explicarmos sobre o que é uma cadeia de suprimentos é importante que você entenda um pouco sobre a origem dessa atividade que está relacionada com a evolução da produção de bens. Tudo inicia com os artesãos que trabalhavam em oficinas e fabricavam peças para comercializar em pequenas quantidades. Com a mudança nos modelos de produção ao introduzir o uso de máquinas nos processos de fabricação, inicia-se o processo de industrialização produzindo grandes quantidades de produtos, que é o que acontece no nosso contexto atual. Existem muitos detalhes interessantes desta história. Vamos conferir? 1.1 Origens: do artesão à Revolução Industrial A origem do conceito da cadeia de suprimentos está relacionada com a evolução da produção dos bens. Para iniciarmos nossa viagem pela história é importante falar de uma personagem central: o artesão. Esse, por sua vez, podia atuar como autônomo sendo, ele mesmo, o proprietário da oficina ou poderia exercer seu ofício trabalhando na oficina artesanal de outros, onde recebia homens de negócios para comprar suas peças, essa forma de trabalho ficou conhecida como sistema doméstico, conforme representação na figura: O trabalho dos artesãos. O artesão era dono dos meios de produção (instalações, ferramentas manuais e matéria- prima), realizando todas as etapas do processo de produção. A produtividade dependia do ritmo e da habilidade do artesão. Por isso, o artesanato não garantia uma produção volumosa. Ainda existe este tipo de produção, porém, observamos que em algumas regiões do Brasil, o artesanato voltou-se para a produção de artigos de luxo, peças artísticas e de decoração etc.
  • 8. Competência 01 8 Figura 01: O trabalho dos artesãos Fonte: Blog do Enem - https://blogdoenem.com.br/revolucao-industrial-historia-enem/ Descrição da figura: No interior de uma casa com paredes sem acabamento e iluminada pela luz do sol que entra timidamente por uma janela à direita, há a imagem de um homem com bigode e calvanhaque e touca vermelha na cabeça. Ele veste camisa de manga comprida e suas mãos estão sobre os fios encaixados no tear, sobre o qual o homem se apoia em um pedal largo para manuseá-lo. No chão à frente do tear está um recipiente semelhante a uma bacia onde dentro desta existe o cabo de algum tipo de utensílio que está encoberto por alguns fios de linha. À esquerda da figura existe uma mulher vestida com saia longa e blusa de manga comprida com lenço na cabeça sentada de perfil em um pequeno banco de madeira girando a roda do tear. Ao lado direito da mulher há um cesto de bebê com um bebé dentro encoberto por um pequeno lençol. Ao lado do cesto existe uma menina vestida com saia na altura do joelho, de casaco, com meias longas e sapato sentado ao chão brincando com uma boneca que veste saia. Ao fundo, preso na parede existe um quadro com pintura de flores dentro de um vaso decorando o ambiente. Na figura 1 observamos quando um artesão e sua esposa trabalhavam em uma oficina doméstica. Podemos perceber que há uma criança no cesto e outra brincando ao lado enquanto os pais trabalham. O sistema doméstico de produção não separava a vida familiar das tarefas do trabalho. Com o passar do tempo, e principalmente devido ao crescimento da população que gerou o aumento do consumo, o trabalho artesanal deu lugar a outras formas de organização da produção, a outro espaço de manuseio das encomendas: as fábricas. Nestes espaços os artesãos deixaram de ser os donos dos instrumentos, por outro lado, eram capazes de atender uma maior quantidade de encomendas, por dois fatores: 1) a introdução da máquina no processo produtivo e 2) por poder contar com a força de trabalho de outros artesãos, com o propósito de atender as demandas dos comerciantes. Iniciava-se assim a revolução industrial. A primeira fase desta revolução foi marcada pela introdução do carvão e ferro como insumos para a produção, o surgimento da máquina a vapor, a transformação das oficinas em fábricas, a passagem do artesão de pequena oficina a operário e a
  • 9. Competência 01 9 urbanização. Já na segunda fase ocorre a substituição do vapor pela eletricidade, do uso dos derivados de petróleo, substituição do ferro pelo aço, evolução dos meios de comunicação e transportes e expansão da industrialização. O setor mais representativo dessa época foi o automobilístico, pois introduziu novas técnicas de produção que foram adotadas por outras empresas. Essas novas técnicas ficaram conhecidas como Fordismo, pois seu criador se chamava Henry Ford. De acordo com o fordismo, a produção deve ser em escala – em grandes quantidades – a fim de reduzir os custos, diminuir os preços e aumentar os lucros com a venda de mais produtos. Ao mesmo tempo, Ford percebeu que a produção em escala deveria ser direcionada para o consumo em massa, isto é, era necessário ampliar o mercado consumidor. Para implementar o modelo fordista de “produção em massa e consumo em massa”, os produtos passariam a seguir uma padronização. Por exemplo, a Ford passou a fabricar o mesmo modelo de carro durante vários anos. Tempos depois, por volta da metade do século XX, o modelo fordista parecia ter esgotado a sua capacidade de oferecer novos produtos. Isso fez com que a indústria ampliasse os seus horizontes com uma variedade muito maior, ou seja, produtos mais personalizados, por exemplo. Foi quando a Ford passou a fabricar diferentes tipos de modelos de carros. Voltando a nossa mudança no processo produtivo... a população estava crescendo e o consumo aumentando, eleva-se assim a produção e consequentemente passa a existir uma necessidade de escoamento dos produtos por diferentes rotas, que até então eram utilizados por navios (embarcações). Ou seja, a partir da revolução industrial houve uma evolução, também dos transportes. Uma dessas evoluções ocorreu em 1830, quando George Stephenson inventou a Curiosidade: Você sabia que dizem que o insight para o processo de produção em massa, através de esteiras mecânicas aplicadas por Henry Ford no processo de produção dos veículos surgiu quando da visita dele a um abatedouro de bovinos? Nesses frigoríficos, os animais eram suspensos de cabeça para baixo por uma corrente que corria presa à uma calha, passando de um funcionário para o outro. Para saber mais acesse o link: https://www.vista-se.com.br/o-que-o-consumo- da-carne-tem-a-ver-com-as-linhas-de-montagem-de-producao-em-massa/
  • 10. Competência 01 10 locomotiva a vapor, e consequentemente surgiram as ferrovias que evoluíram rapidamente. Com as estradas de ferro e as embarcações a vapor, o transporte das mercadorias ficou mais rápido, o custo do transporte foi reduzido, e aumentou a troca de mercadorias1. Mas não parou por aqui, você sabe que a Ford começou a fabricar carros e depois disso surgiram outras fábricas que por meio da tecnologia foram aprimorando os transportes que existem hoje? O avião, por exemplo, surgiu em 19062. Assim, o que anteriormente demorava meses ou anos para ir de um ponto ao outro do globo terrestre, atualmente pode ocorrer simplesmente em algumas horas ou dias. E isso graças ao desenvolvimento da tecnologia. Não é impressionante? Sobre isso vamos explorar mais na próxima sessão. 1.2 O desenvolvimento da tecnologia Estávamos falando de como os transportes foram evoluindo e isso aconteceu por conta do desenvolvimento tecnológico. Já imaginou você ter que caminhar até o pólo do EAD? Graças à tecnologia existem carros, ônibus e moto para você chegar até o pólo. Mas, o que é Tecnologia, mesmo? De acordo com o dicionário Houaiss (2019)3 podemos definir tecnologia como: teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana. Para situar você um pouco na história do desenvolvimento das tecnologias queremos convidá-lo para uma pequena viagem no tempo. Vamos? 1 Troca de mercadoria no sentido de escambo, troca do valor monetário por um bem. 2 Saiba mais sobre a história da aviação em: <https://www.portalbrasil.net/aviacao_historia.htm>. Acesso em: setembro, 2019. 3 Disponível em: <https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v3-3/html/index.php#0>.Acesso em: agosto, 2019. Antes de seguir adiante, que tal conferir o Fórum da competência? Vamos lá?
  • 11. Competência 01 11 O primeiro ano da nossa visita no tempo é em 14 de fevereiro de 1876 no escritório de patentes de Nova York, onde Alexander Graham Bell, deu entrada no registro de patentes do que seria à invenção do telefone4. Pois é, este aparelho que hoje, mas parece peça de museu, foi também, à sua época, uma das invenções responsáveis por “encurtar” distâncias geográficas. Veja na figura 2 o modelo do primeiro telefone. Figura 02: Primeiro Telefone 1875 Fonte: Commons Wikimedia Org5 Descrição da figura: Ao centro da figura existe uma espécie de campainha, em formato cilíndrico fixada por dois parafusos sobre uma base quadrada. Acima desta campainha há uma espécie de campainha menor de tamanho equivalente ao tamanho de um carretel de linha de uma polegada, que está suspenso por uma trave onde há na parte superior da trave um parafuso borboleta de cada lado, quase ao centro da trave, que ligam cada um, à direita e à esquerda um fio com pequenas voltas ao cilindro menor que fazem contato com o cilindro maior por meio de uma haste que prende os dois cilindros. 4 Disponível em: <https://www.sohistoria.com.br/biografias/graham/>. Acesso em: agosto, 2019. 5 Disponível em:<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:First_Bell_telephone_1875.png>
  • 12. Competência 01 12 Agora que assimilamos o telefone como uma tecnologia que encurtou distâncias, esta foi, e ainda é uma tecnologia que muito contribui para com o desenvolvimento dos processos da cadeia de suprimentos. Continuando nossa viagem no tempo, nossa parada agora acontece no ano de 1843. Veja a figura 3, um aparelho muito similar ao aparelho telefônico: o fax. Figura 03: Aparelho de Fax antigo Fonte: Thehiresolution - http://thehiresolution.net/throwback-thursday Descrição da Figura: Peça cilíndrica apoiada na horizontal sobre base com duas hastes e na parte superior um carretel com agulhas que gravavam a imagem no fax. Mas para que serve o fax? O fax é uma tecnologia das telecomunicações usada para a transferência remota de documentos por meio da rede telefônica. Como não existia computador, nem celular, o fax resolvia o problema de enviar documentos de forma mais rápida. Isso ajudou bastante a cadeia de suprimentos. Mais adiantevocê vai conseguir entender o porquê. E os computadores quando surgem? Curiosidade: você sabia que a primeira ligação telefônica, via cabo, na qual foi possível ouvir nitidamente a voz de Graham Bell, aconteceu a 10 metros de distância de uma sala à outra. Acredita?
  • 13. Competência 01 13 O primeiro computador eletromecânico foi construído por Konrad Zuse, um alemão, que chegou a oferecer a máquina ao governo alemão em 1936, no entanto, o governo estava ocupado demais com a Segunda Guerra Mundial e não aceitou a oferta e o projeto ficou parado. Foi netsa época da guerra que surgiu os computadores atuais, só que nos EUA, eles foram mais rápidos. A Marinha dos Estados Unidos, em conjunto com a Universidade de Harvard, desenvolveu o computador Harvard Mark I, que ocupava 120m³, imagina o tamanho desse computador? Grande não acha? Mas com o tempo ele foi aperfeiçoado até chegar nos tamanhos atuais. A tecnologia é incrível, concorda? Os primeiros computadores demoravam para calcular números, imagina digitar textos imensos como estes que você faz ao realizar os trabalhos do seu curso técnico em EAD. Como está o seu entendimento até aqui? Próxima parada é o ano de 1950, com breve recorte da atividade daquele que foi considerado pioneiro por iniciar e implantar um sistema de comunicação, via dados. Estamos falando de J.C.R. Licklider, do Instituto de Tecnologia do Massachussetts - MIT que foi recrutado pelo exército dos Estados Unidos da América (EUA), depois de teorizar sobre uma rede galáctica de computadores em que era possível acessar qualquer dado. Surge assim a internet. E para instigar você a ampliar o seu conhecimento sobre a história da, “grande rede”, a internet, vamos apresentar de forma cronológica o desenvolvimento desta, a partir de 1969. Vamos lá! • 1969 - Primeira conexão entre a Universidade da Califórnia e o Stanford Institute, a quase 650 quilômetros. • 1971 - Já são 15 pontos na rede. Parte disso possível por causa do Network Control Protocol. • 1972 - É feita a primeira demonstração pública em um evento de computação. Neste ano é inventado o e-mail. • 1975 - Neste ano uma agência de defesa dos Estados Unidos assume o controle do projeto. A rede ainda não tem um pensamento comercial, só militar e científico. • 1984 - A rede é separada em duas. Parte para comunicação e troca de arquivos militares, a MILNET, e parte civil e científica ainda chamada de ARPANET.
  • 14. Competência 01 14 • 1985 - A internet já estava mais estabelecida como uma tecnologia de comunicação entre pesquisadores e desenvolvedores [...aos poucos, ela sairia das universidades e começaria a ser adotada pelo mundo corporativo e por último pelo público consumidor]. • Depois disso muitas outras coisas aconteceram até a gente chegar ao formato de sites, plataformas digitais, redes sociais digitais, aplicativos, etc. Fonte: Adaptado de Techmundo6 Não é incrível como ao longo da história a humanidade foi desenvolvendo, instrumentos/ferramentas e, meios que contribuem até os dias atuais para abreviar o “tempo”? Você pode se interessar, por meio da internet, por algum produto que esteja em algum país distante geograficamente e adquiri-lo por meio do acesso ao seu smartphone. Quer um exemplo? 1.3 Globalização Vamos tratar então de definir a palavra? Este termo faz referência ao intercâmbio, ou seja, as trocas relacionadas, as questões econômicas, políticas e culturais. Devido ao processo acelerado no desenvolvimento dos meios de comunicação, as organizações e os cidadãos do mundo inteiro têm realizado trocas de um lado para o outro utilizando apenas os meios de comunicação digital. 6 Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/mercado/129569-historia-origem-da-internet-video.htm> Acesso, setembro 2019. Vamos pensar que você queira comprar uma camisa original, de uma banda musical de muito sucesso, e de origem Japonesa. E que você queira comprar direto da loja de produtos daquela banda (lozalizada no Japão), mas sem você sair daqui do Brasil. Você então, por meio do acesso ao site da banda, realiza o pedido, escolhe onde quer recebê-lo, e dentro de alguns dias, você receberá o produto no endereço escolhido. Tudo isso sem você precisar se deslocar da sua cidade para ir até o Japão! Isso não é fantástico? E qual o propósito mesmo de tratarmos destas ferramentas, que têm como premissa “encurtar distâncias”? É aí que chegamos ao ponto principal, e que desemboca em mais um tópico importantíssimo referente a cadeia de suprimentos. A Globalização. Vamos em frente!
  • 15. Competência 01 15 Percebe como os meios de comunicação, a informática e os transportes que citamos antes são importantes para o nosso cotidiano? E todos eles contribuíram para que o mundo se tornasse globalizado? Diz-se que vivemos em uma “aldeia global”. Você sabe o que é isso? Então, lembra do exemplo da compra da camisa lá no Japão? Fisicamente você está no sofá da sua sala, conectado a sua rede Wi-Fi. E hipoteticamente, também está fisicamente retirando da prateleira com as suas próprias mãos, a camisa que você quer, mas que está lá, do outro lado do mundo! Agora, essa frase faz todo sentido, não é mesmo? No que tange a globalização, em termos de negócios para empresas atuarem no mercado global, além de potencializar as vendas, podem também impulsionar oportunidades de aumento da eficiência operacional. A eficiência operacional é realizável, ao menos em três áreas: • Compra estratégica de matéria-prima e de componentes. • Obtenção de vantagens trabalhistas significativas, que podem ser obtidas para instalação de produção e distribuição localizadas em países em desenvolvimento. • A legislação tributária favorável pode fazer com que o desempenho das operações que agreguem valor seja altamente atraente em países específicos. Fonte: Adaptado de Bowersox et al. (2014, p. 28) Desta forma, a globalização permitiu com que as empresas se instalassem em outros países diferentes da sua origem, o que aumentou a participação destas no mercado. No entanto, a decisão de expandir a operação para outros países não é fácil e gera um investimento que muitas vezes as empresas não possuem capacidade para suportar. Nesses casos muitas delas adotam as Anota aí! Aldeia Global Um autor de nome McLuhan, no ano de 1960, escreveu: a informação transmitida eletronicamente contribui para abolir virtualmente as separações geográficas entre os centros de decisão, de produção e de distribuição à escala mundial. Fonte: McLuhan (1960) citado por Nunes (2019) Disponível em: <https://knoow.net/cienceconempr/gestao/aldeia-global/>
  • 16. Competência 01 16 atividades de exportação, no caso das vendas para países estrangeiros. Mas e no caso de vender para dentro do próprio país? Fácil de responder! Entenda que no caso de vender para dentro do próprio país, as empresas podem fazer parcerias com distribuidores de outros Estados. Percebe como a globalização facilitou tudo isso? Se a empresa necessita de matéria-prima de outro Estado ela estabelece um acordo com o fornecedor para que seja feita a entrega. Voltando ao exemplo da camisa japonesa. qual é mesmo o caminho percorrido por ela, a partir do momento em que você a comprou lá no Japão, para chegar até você? É aqui que apresentamos mais uma palavra: Logística. E o que isso significa? Vamos descobrir a seguir. 1.3.1 Operações logísticas Mas porque eu preciso entender de logística se estamos querendo explicar sobre a cadeia de suprimentos? Porque a logística é uma área importante, e que já existia antes do surgimento da cadeia de suprimentos, ou seja, o conceito de cadeia de suprimentos surgiu como uma evolução natural do conceito de Logística. Lembra dos grandes impérios da Grécia e Roma que estudamos em história? A logística foi responsável pelo sucesso e fracasso de muitos desses impérios. Naquela época existia um grupo de militares, que eram os responsáveis por garantir recursos e suprimentos para a guerra. Assim o conceito de logística se insere nesta movimentação de bens, e mais na frente vamos explorá-lo com maior clareza. Um dos grandes personagens da história dessa época é Alexandre, O Grande. Existem até filmes sobre ele e você provavelmente já ouviu falar. Como imperador, ele tinha uma visão estratégica, determinação e disciplina, e assim criou o mais móvel e rápido exército da época. Ele trouxe inspiração para vários outros personagens da história mundial e para a evolução do conceito logístico nas organizações ao redor do mundo. Contudo, por muito tempo, especialmente no Brasil a área de logística tinha uma importância secundária nas organizações, e para muitas delas, a logística era considerada como o
  • 17. Competência 01 17 setor responsável pela expedição de produtos ou o setor que contratava serviços de transportes. Mas, após o fim da Segunda Guerra Mundial, as organizações notaram que era muito grande a importância de se ter um departamento para cuidar da logística, pois a demanda crescia em um ritmo acelerado, e os consumidores tornavam se cada vez mais exigentes. A partir dos anos 50 e 60, as empresas começaram a se preocupar com a satisfação do cliente. Foi então que surgiu o conceito de logística empresarial, motivado por uma nova atitude do consumidor. Mas o que é mesmo a logística? A logística é a área que trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem que facilitam o planejamento, a operação e o controle de todo o fluxo de mercadorias e informação, e vai desde a fonte fornecedora até o consumidor (o cliente). Lembra das guerras que falamos antes? A fonte fornecedora era os impérios, e o consumidor era os militares que estavam em combate e necessitavam de suprimentos, como alimentação, armas etc. Lembra dos artesãos que falamos antes? A logística para eles era mais simples, pois eles mesmos produziam e comercializavam. Já na industrialização, surgem vários outros atores no processo, além dos donos de indústrias, como o distribuidor, os comércios menores etc. Agora vamos pensar em uma organização deste século. Imagine uma situação em que você acorde com a decisão de comprar um celular novo. Você se dirige até uma loja revendedora de celular e lá verifica que só existem os modelos expostos e que não há estoques guardados de outros modelos. Você chama um vendedor, este com auxílio de um computador lhe atende, mostrando a você as diferentes opções que a fábrica possui e que não estão ali. O vendedor lhe apresenta os diferentes modelos, as configurações, cores conforme a sua necessidade. Por exemplo, se você deseja um celular com uma câmera melhor, ele lhe apresenta um modelo que atenda seu desejo, e então você escolhe e rapidamente, a partir daí o vendedor aciona a fábrica para fazer o processamento do pedido e você efetua o pagamento. Pronto, você já é dono de um novo celular! Mas você quer receber logo o celular, e está empolgado para testar a câmera, então pergunta ao vendedor o dia da entrega. O vendedor verifica junto a fábrica, por meio de um sistema de controle da distribuição física que a data de entrega será no final da semana seguinte e pela manhã, no endereço da sua residência. Isso
  • 18. Competência 01 18 é realmente interessante concorda? Percebe que nesta história todos os pontos principais do sistema de logística são apresentados? Vamos resumir eles aqui: 1. O cliente: perceba que tudo começou e terminou no cliente. 2. Área comercial: o vendedor que atendeu à solicitação do cliente, o setor de marketing que treinou pessoas e por meio das ferramentas de marketing criou um produto que despertasse interesse no consumidor, o setor de informática que criou o sistema de controle da distribuição física, e possibiliou informar dia e hora de entregar da mercadoria. 3. A fábrica: ao receber a confirmação do pedido comunica ao setor de produção, rede de suprimentos e setor de distribuição física. 4. A administração: gerencia tudo, desde o momento de compra dos produtos ou matérias primas, recebimento do pedido de compras dos clientes, contas a pagar e a receber etc. 5. O mercado: o que incluíra o novo consumidor e seu celular nas estatísticas de vendas. 6. O fornecedor: aquele que fornece o celular a loja revendedora, que por meio do computador recebeu o pedido e providenciou ao cliente. 7. A transportadora: a que verificou o roteiro de entrega na região que você como cliente deseja receber seu celular. 8. O cliente: novamente aparece, pois tudo começa e termina aqui. Você pode se tornar um cliente fiel a marca, se suas expectativas forem atingidas e assim induzir outros a comprar os produtos, além disso você pode solicitar a garantia da marca, no caso do seu celular apresentar algum defeito. Para ficar mais claro o foi dito sobre a logística, e você verificar onde estão todos os atores principais desse processo, veja a figura 4.
  • 19. Competência 01 19 Figura 04: O processo de gerenciamento logístico Fonte: Christopher (2010) Descrição da figura: A figura descreve através de um fluxograma com caixas de texto contendo na parte superior: Fluxo de materiais de valor adicionado, clientes, fluxo de informações sobre as necessidades, fornecedor de forma circular ligados por setas. Na parte interior do círculo saída uma seta de mão dupla da caixa de texto onde está escrito fornecedor, a seta na parte interna liga esta caixa a um outro fluxo: compras, fabricação, distribuição física e clientes. Estando a sequencia: compras, fabricação e distribuição física dentro de uma caixa nomeada como indústria. Onde a total desta figura representa o processo de gerenciamento logístico. Pela figura 4, podemos dizer que a logística trata da criação de valor - valor para os clientes e fornecedores da empresa, e valor para todos aqueles que têm interesses diretos no êxito da empresa (BALLOU, 2010). Lembra do exemplo da camisa da banda musical do Japão, que falamos logo no começo desta competência? Antes de chegar até você, a camisa pode ter passado pelos mais diferentes lugares, tipos de transportes, tecnologias da comunicação e sistemas de gerenciamento que lhe permitiram, por exemplo, ir a um show aqui no Brasil com a camisa original da banda de sucesso lá do Japão. Isso é valor para o cliente! Entende? Dentro da logística, ainda é importante você saber que ela deve ser vista por meio de duas grandes atividades que são denominadas de: primárias e de apoio. As atividades primárias identificam aquelas que são de importância fundamental para obtenção dos objetivos logísticos de custo e nível de serviço que o mercado exige.
  • 20. Competência 01 20 São três: Transportes (Modais); Manutenção de estoques; e Processamento de pedidos. (POZO, 2007). 1. Transporte: uma das atividades logísticas mais importante, pois absorve de um a dois terços dos custos logísticos. Nenhuma organização opera sem realizar movimentação de matérias-primas ou produtos acabados para ser levados até o consumidor final. Falaremos mais sobre essa atividade na competência 3. 2. Manutenção de estoques: atividade para alcançar um grau razoável de disponibilidade do produto em face de sua demanda, sendo necessário manter estoques para atender as necessidades do cliente prontamente, ou seja, o estoque adiciona valor de tempo enquanto o transporte adiciona valor de lugar. Falaremos na competência 4 sobre a necessidade de manter os estoques no nível mais baixo possível quando não, eliminá-los. 3. Processamento de pedidos: é a atividade que dá início ao processo de movimentação de materiais e produtos bem como a entrega desses serviços. Já as atividades de apoio são aquelas, que dão suporte ao desempenho das atividades primárias. Para que seja possível ter sucesso na empresa, busca-se atender plenamente os clientes. As atividades de apoio são: armazenagem; manuseio de materiais; embalagem; suprimentos, planejamento e sistema de informação (POZO, 2007). 1. Armazenagem: atividade que envolve a gestão dos espaços necessários para manter os materiais estocados. Envolve fatores como localização, dimensionamento da área, arranjo físico, equipamentos de movimentação etc. 2. Manuseio de materiais: está associado com a armazenagem e manutenção de estoques. Envolve a movimentação dos materiais no local de estocagem, que pode ser tanto estoque de matéria prima como de produtos acabados. Lembra dos supermercados grandes que possuem aquelas pessoas andando com carrinhos movimentando os produtos? É disso que estamos falando. 3. Embalagem: os produtos por serem bastante movimentados devem ter embalagens adequadas para não ser danificados, evitando assim desperdícios.
  • 21. Competência 01 21 4. Suprimentos: atividade que proporciona ao produto ficar disponível, no momento exato, para ser utilizado pelo sistema logístico, além de ser o procedimento de avaliação e seleção das fontes de fornecimento, definição de quantidades a serem adquiridas etc. 5. Planejamento: a base que irá servir de apoio a programação detalhada da fabricação, permitindo o cumprimento dos prazos exigidos pelo mercado. 6. Sistema de informação: função que permitirá o sucesso da logística, pois contém todas as informações necessárias de custos, procedimentos e desempenho É importante entender que os processos logísticos tendem, naturalmente, a ser classificados como “meios” que suportam e viabilizam processos “fins” como vender, produzir e entregar. Essa classificação só não é válida para aquelas empresas que são operadoras logísticas, porque os “fins” delas já são a própria logística em si. Nas últimas décadas muitas empresas de sucesso mostraram ao mundo que a logística do meio/fim não se aplica tão facilmente em alguns setores da economia. Conhece a Empresa Dell? Aquela empresa de notebook bem famosa?! Pois ela é um caso de sucesso, suportada por conta dos processos logísticos. Consegue perceber que a logística é importante mesmo?! Agora vamos pensar no mundo tecnológico. Vamos pensar naqueles sites de compra/venda de roupas, celulares, entre outras coisas. A principal função é vender, certo? Mas pouco valor ele terá se esse processo de venda não vier acompanhado de um efetivo processo de entrega que faz parte de um dos processos da logística, a distribuição. Pronto, agora que você compreendeu o papel da logística podemos voltar a discutir sobre a cadeia de suprimentos, vamos lá! Aproveito para lembrar de você ir conferir o fórum, está bem legal! Vai lá e participa! 1.3.2 Compreendendo a cadeia de suprimentos Em primeiro lugar você precisa compreender que sem cadeias de suprimentos eficientes, o mundo praticamente para. Mas por quê? Elas são responsáveis, entre outras coisas, por colocar
  • 22. Competência 01 22 comida na sua mesa, providenciar a cama em que você dorme, o carro em que você anda, a roupa que você veste e, provavelmente, até o chão em que você pisa. Entender seu funcionamento e como gerenciá-la da melhor maneira possível, é de extrema importância. Independente do tamanho da organização, sempre existirá uma cadeia de suprimentos. Ela pode ser simples, compreendendo seu negócio, seus clientes e seus fornecedores. E pode ser mais complexa, aglutinando fornecedores de fornecedores, representantes, provedores de serviços terceirizados e intermediários em geral, por exemplo. Como já falamos, a cadeia de suprimento é uma rede de organizações envolvidas nos diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços destinados ao consumidor final. Esses processos envolvem fornecedores-clientes e ligam empresas desde a fonte inicial de matéria prima até o ponto de consumo do produto acabado. Em outras palavras, abrange todos os esforços envolvidos na produção e liberação de um produto final, desde o, (primeiro) fornecedor do fornecedor até o último cliente do cliente. Achou difícil? Vamos pensar na McDonald’s. Uma rede de produtos alimentícios, que precisa de agilidade e estoques no nível ideal (nem em excesso, para não ter prejuízos com desperdícios, nem escassos, para não comprometer a composição dos produtos de seu portfólio). Nesse sentido, o papel do Prestador de Serviços Logísticos, conhecido pela sigla PSL, é fundamental. É ele quem vai intermediar os processos e ligar a necessidade das unidades da rede, que ficam por exemplo em Recife, com os fornecedores que podem supri-las. Assim, a estrutura da cadeia logística do McDonalds's se organiza basicamente desta maneira: primeiro temos os agropecuários e indústrias que fabricam carne, vegetais, etc, depois temos os fornecedores que entregam os produtos ao PSL, que é responsável por distribuir entre os restaurantes os produtos para que você, que é o último cliente, poder consumir aquele hambúrguer, sorvete, batata frita, etc. Ficou fácil agora, concorda? Veja que você é o último cliente, o restaurante que você comprou é cliente do PSL, e assim por diante. É importante você saber que vários autores da área utilizam a expressão Rede de Suprimentos (Supply Network), ao invés de Cadeia de Suprimentos (Supply Chain), isso porque a lógica de rede remete-nos a uma estrutura mais complexa em que raramente existe uma linearidade na execução dos processos e/ou atividades e o contato com o cliente final não tende a ser exclusivo do elo final da rede, até porque é difícil definir qual é o último elo da rede.
  • 23. Competência 01 23 O grande desafio das organizações consiste em operar de forma eficiente e eficaz, com vistas a garantir a continuidade de suas operações, obrigando-as constantemente a buscar vantagens competitivas. Assim, o gerenciamento da cadeia de suprimentos visa responder a questão de como agregar mais valor e, ao mesmo tempo, reduzir os custos, garantindo aumento da lucratividade nas operações da organização. Mas a logística também não visa a mesma coisa? Qual então a diferença entre logística e cadeia de suprimentos? Bem, enquanto a logística concentra-se nas operações da própria empresa, a cadeia de suprimentos olha desde o início (o primeiro fornecedor) até os elos finais da corrente de fornecedores e clientes. E com uma visão mais ampla e panorâmica do que a visão logística. Além da preocupação de todas as empresas com o que ocorre ao longo de toda a sua cadeia, é necessário um intenso grau de colaboração entre empresas ao longo da cadeia de suprimentos para que se atinja maior eficiência. A logística, como vimos anteriormente, trata da movimentação e da armazenagem de produtos e, para tais operações, utiliza modais de transporte, sistemas de informações, recursos humanos e outras ferramentas para executar suas atividades. Desse modo, a logística é apenas uma parcela envolvida com as atividades existentes em uma cadeia de suprimentos. Já as atividades da cadeia de suprimentos estão ligadas à estratégia da empresa e são divididas em várias operações que veremos a seguir. As operações na cadeia de suprimentos, segundo Bertaglia (2003) , podem ser classificadas em: planejamento, compras, produção e distribuição. Vamos juntos descobrir cada uma das operações! 1. Planejamento: o objetivo é propiciar uma visão clara do processo como um todo, avaliando perspectiva estratégicas de demanda e abastecimento. Essa visão determinará de que forma as decisões tomadas isoladamente podem afetar os diferentes processos ou seus componentes. Para atingir a integração do planejamento, as empresas necessitam concentrar os seus esforços em algumas atividades que afetarão seu desempenho, tais como: desenvolvimento de canais, planejamento de estoque, produção e distribuição, envolvendo transporte etc. Nesse caso, o conhecimento do mercado, recursos internos, a disponibilidade de recursos externos e as atividades de integração são fatores que influenciam na
  • 24. Competência 01 24 elaboração dos planos. É importante também que esteja alinhado com o plano de negócios da empresa. 2. Compras: é o processo de aquisição de materiais, componentes, acessórios e serviços, incluindo também a seleção de fornecedores, contratos de negociação, monitoração contínua de pedidos a fim de evitar atrasos. É muito mais que comprar e monitorar, é estratégico que envolve custo, qualidade e rapidez nas respostas. Assim é necessário que o profissional dessa área tenha entendimento global de negócios e tecnologia. 3. Produção: o processo fundamental é converter um conjunto de matérias em um produto acabado ou semiacabado. A estratégia adotada aqui afeta significativamente toda a cadeia de suprimentos, por isso deve estar sempre alinhada com as demais operações. 4. Distribuição: está relacionada a movimentação de material de um ponto de produção ou armazenagem até o cliente. Inclui várias atividades: gestão e controle de estoque. manuseio de materiais ou produtos acabados, transporte, armazenagem, administração de pedidos etc. De forma geral, com o gerenciamento da cadeia de suprimentos, a organização consegue tornar-se mais ágil e mais flexível do que seus concorrentes, permitindo assim maior competitividade. É importante, entender cada uma das operações envolvidas, por isso nas próximas competências vamos tratar um pouco mais sobre cada uma delas. Pronto! Você agora já possui uma noção inicial sobre o que é uma cadeia de suprimentos e quais suas principais operações. Vamos estudar nas próximas competências sobre outros processos importantes, como: fornecimento; expedição e Just in Time. Vamos lá?!
  • 25. Competência 02 25 2.Competência 02 | Conhecer os processos de fornecimento Olá, estudante! Extremamente rico o conteúdo da Competência 1, não é mesmo? Agora que você conheceu brevemente a evolução histórica da Cadeia de Suprimentos, assim como, se apropriou de alguns conceitos importantes, vamos aprofundar um pouco mais o conhecimento e embarcar juntos nesse universo? Pois bem! Antes de iniciarmos esta competência, precisamos ter em mente que os fornecedores são essenciais para qualquer negócio, independente do seu porte, (pequeno, médio ou grande). Aqui compreenderemos que há um esforço da Cadeia de Suprimentos no sentido coordenar as etapas desde o fornecedor do fornecedor até o cliente do cliente, para a entrega de um produto e/ou serviço na hora certa e com o menor custo final. Vamos juntos conhecer um pouco sobre os processos de fornecimento? Mas antes, vamos entender o que é um processo. Existe uma área específica do conhecimento que se dedica exclusivamente ao estudo da história ou origem das palavras. Esta área é chamada de etimologia. A palavra processo, segundo sua etimologia é uma palavra que tem origem no latim procedere, que significa método, sistema, maneira de agir ou conjunto de medidas tomadas para atingir algum objetivo. Com base nesse entendimento, pode-se afirmar que, como por exemplo, fornecer suprimentos para a cadeia de suprimentos. Até aqui, tudo tranquilo no entendimento? Para entender melhor o processo de fornecimento, é necessário que você compreenda sobre as questões relacionadas a compras, pois todas as organizações, seja ela industrial, atacadista ou varejista, compram, ou seja, adquirem matérias-primas, serviços ou suprimentos que apoiam suas operações. Ainda nesta competência trataremos sobre armazenagem, seus processos, diferença entre armazenagem, estoque e centro de distribuição e entenderemos os benefícios e sua classificação quanto à propriedade.
  • 26. Competência 02 26 2.1. Conhecendo o processo de compras (Gestão de Aquisição e Suprimentos) A aquisição de matérias-primas, suprimentos e componentes representa um fator decisivo na atividade de uma empresa, pois dependendo de como é conduzida, pode gerar lucro ou prejuízo nos processos. Dessa forma, temos a área de compras como um importante componente na organização, em função, sobretudo do contato direto com os fornecedores e, além disso, a área de compras é também responsável por selecionar e desenvolver fornecedores que servirão de base para o crescimento da empresa no longo prazo. Martins et Al (2006), reconhece que a função de compras também pode ser chamada de suprimentos ou aquisição, ele defende que ela assume um papel verdadeiramente estratégico nos negócios, isso mesmo! Estratégico! Devido ao volume de recursos, principalmente financeiros envolvidos, deixando cada vez mais para trás a visão preconceituosa de que é um centro de despesa e não um centro de lucros. É com esse entendimento que temos que observar a área de compras, como um centro de lucros da organização! Como abordado anteriormente, as compras envolvem a aquisição de matérias-primas, suprimentos e componentes para o conjunto da organização. Entre as atividades associadas a elas incluem-se: • Selecionar e qualificar fornecedores; • Avaliar desempenho de fornecedores; • Negociar contratos; • Comparar preço, qualidade e serviço; • Pesquisar bens e serviços; • Programar as compras; • Estabelecer os termos das vendas; • Avaliar o valor recebido; • Mensurar a qualidade recebida, enquanto esta não estiver incluída entre as responsabilidades do controle de qualidade; • Prever mudanças de preços, serviços e, às vezes, da demanda.
  • 27. Competência 02 27 Com todas estas atribuições já deu para notar a real importância deste setor para a Cadeia de Suprimentos, não é mesmo? Mas, vamos em frente! Veja na figura 5, um exemplo de fluxo de compras na Cadeia de Suprimentos: Figura 05: fluxo de compras na Cadeia de Suprimentos Fonte: Adaptado de OLIVEIRA; WAGNER, 2018. Descrição da figura: Fluxograma com etapas de um sistema de gestão ERP Na figura acima, observamos o processo de compras sendo executado a partir da informação gerada pelo sistema ERP7. Neste exemplo, o sistema gera uma requisição informando a necessidade do produto, o comprador gera a solicitação de cotação que é enviada para os fornecedores. Por sua vez, os fornecedores respondem a cotação que será analisada pela empresa solicitante. Após análise, uma ou mais cotações (fornecedores) são selecionadas. O gestor de compras avalia a proposta e gera o pedido que é recebido pelo fornecedor selecionado. O fornecedor envia o pedido que é fisicamente recebido e alimentado novamente no sistema ERP. 7 Assunto que você pode conferir no e-Book de Tecnologia da Informação do Curso Técnico em Administração.
  • 28. Competência 02 28 Assim como toda a organização, para que a atuação da área de compras seja realizada de maneira mais efetiva, se faz necessário que ela trabalhe de forma estratégica, pois vimos que dela são exigidas muitas atribuições. Neste momento, você pode estar se perguntando: - Mas como elaborar uma estratégia de compras eficaz? O processo de compras realmente é complexo e diversificado, e é exatamente por este motivo que é preciso pensar estrategicamente para que os objetivos do setor e da empresa possam ser alcançados. Utilizamos aqui autores que são importantes para essa discussão, como Bowersox et al (2014), que para eles existem três importantes passos para pensar estrategicamente nas compras: • Primeiro, devemos tomar as decisões pertinentes a quais produtos e serviços devem ser produzidos ou realizados internamente e qual devem ser adquiridos de fornecedores externos (terceirizados); • Segundo, pensando nessa situação de compras, temos que traçar alternativas estratégicas para lidar com esse processo; • Terceiro, também devemos determinar abordagens para criar um portifólio de estratégia de compras. A partir destes passos os autores acreditam ser possível fomentar um bom cenário de estratégias das compras. Vamos detalhar um pouco mais esses passos? E aí, comprar ou fazer? Eis a questão! 2.1.1 Comprar ou Fazer (make or buy) Pensar sobre estes fatores requer uma decisão precisa e bem estruturada. É necessário, como dito anteriormente que a empresa analise quais produtos e serviços devem ser internamente executados ou, quando necessários, adquiridos de fornecedores externos. Esta decisão é classificada como suprimento interno versus terceirização, também conhecida em inglês como make or buy. Observe adiante, o exercício adaptado a partir do livro de Martins e Alt (2006, p.96). Sobre o caso da Empresa Meshmax8. 8 Empresa fictícia elaborada pelos autores, 2019.
  • 29. Competência 02 29 Meshmax, empresa de médio porte localizada em Petrolina é fabricante de filtros, utilizados em máquinas de refrigerantes. A empresa recentemente desenvolveu um novo sistema de filtragem com uma tripla camada capaz de filtrar três vez mais a água, o que torna a bebida ainda mais adequada para o consumo. O gerente de projetos quer decidir se a Meshmax deverá comprar ou fabricar esse novo sistema de filtragem. Estão disponíveis os seguintes dados: FABRICAR COMPRAR PROCESSO A PROCESSO B Volume (unidade/ano) 10.000 10.000 10.000 Custo Fixo (R$) 100.000 300.000 - Custo Variável (R$/unidade) 75 70 80 Quadro 01: Quadro comprar/ Fabricar Fonte: Dicionário de Logística GS1 Brasil, 2019. Disponível em: <https://enspangola.co.ao/moodle/pluginfile.php/425/mod_resource/content/1/Dicionario_logIstica.pdf>. Acesso em: setembro, 2019. a) A Meshmax deve utilizar o processo A, o processo B, ou comprar? Solução: O custo total (CT) é dado pela função do custo fixo (CF) e do custo variável (CV) multiplicado pela quantidade (q), ou seja, CT = CF + CV x q. Temos, então: Fazendo-se q = 10.000 unidades, temos: (CT)A = R$850.000 / ano (CT)B = R$1.000.000 / ano (CT)comprar = R$800.000 / ano Logo, neste caso, comprar é a melhor opção. E quanto à escolha pela terceirização? Vamos a um exemplo!
  • 30. Competência 02 30 Dessa forma, a melhor opção verificada para o gestor da limpeza urbana é a utilização dos recursos próprios. Ou seja, terceirizar o serviço as vezes não será a melhor opção. Um fator importante para ser pensado sobre este processo é ter ciência que a decisão pela terceirização, implica na empresa abrir mão do controle para um fornecedor. Não ficou claro? Veja, esse “abrir mão do controle”, significa que a empresa deverá assumir os riscos, sobretudo, caso deseje terceirizar sua atividade fim. Em regra, o processo de terceirização deve ser utilizado como vantagem na realização de atividades menos importantes, pois como foi anteriormente abordado os recursos financeiros que seriam investidos na execução de determinadas atividades, poderão ser melhor empregados nas atividades internas. Todo processo de decisão sobre “comprar ou fazer” deve ser bem pensado e calculado. Na oportunidade, que tal você dar uma lida no material complementar antes de continuar a leitura do e-Book? A prefeitura de Caruaru identificou que precisará ajustar sua estratégia de coleta seletiva de lixo, para atender de forma satisfatória todo o município. Com investimentos do Governo Federal, por meio do programa Minha Casa Minha Vida um novo bairro foi construído com cerca de 300 ruas. O gestor responsável pela limpeza urbana deseja saber se estende a coleta para o novo bairro ou se subcontrata o serviço, terceirizando-o a um preço anual por rua de R$ 150,00. Se decidir realizar o serviço, incorrerá em custos fixos anuais de R$10.000. Os custos variáveis da coleta são estimados em R$ 80,00/rua ano. Qual a melhor solução para o gestor da limpeza urbana? Solução: As equações do custo total (CT) são: CT = CF + CV x (número de ruas N) (CT)recursos próprios = 10.000 + 80 x N (CT)terceiros = 150 x N Para N = 300 ruas, teremos: (CT)recursos próprios = 10.000 + 80 x 300 = R$34.000/ano (CT)terceiros = 150 x 300 = R$45.000/ano
  • 31. Competência 02 31 2.1.2 Estratégias de Compras De forma geral, toda empresa possui o setor ou a pessoa (profissional) responsável pela realização das compras. Bowersox et al. (2014, p.90) identifica quatro abordagens estratégicas para compras, são elas: • Compras pelo usuário; • Consolidação de volume; • Integração Operacional dos Fornecedores; • Gerenciamento de Valor. Para que você compreenda de forma mais rápida a estratégia de compras pelo usuário, veja esse exemplo: Patrícia trabalha na Meshmax, aquela empresa que trabalha produzindo filtros para máquinas de refrigerantes. Pois bem, na empresa, Patrícia é responsável pelos serviços gerais e todos os meses ela precisa fazer um check-list de todos os itens que estão chegando ao fim para que possa fazer a reposição (sacos de lixos, desinfetantes, vassouras, álcool, sabão em pó, sabonete líquido, papel toalha, lustra móveis etc.). Na Meshmax existe um setor responsável pela compra dos suprimentos para a fabricação dos filtros, porém quando as compras são referentes aos materiais de escritório ou mesmo aos materiais de serviços gerais, essa atividade passa a ser do responsável pelo setor que solicitou o material e dessa forma não sobrecarrega o setor de compras. Na estratégia de compra pelo usuário, os próprios funcionários podem determinar suas necessidades de compras. Já que estamos aqui falando sobre estratégias de compras, o que seria a estratégia de consolidação de volume? Vamos supor a seguinte situação: A empresa Meshmax, no início de suas atividades na década de 1980, tinha como prática a aquisição dos seus materiais através de diversos fornecedores. Esta era a realidade da empresa à época. Os proprietários observavam vantagens significativas nesta conduta, pois recebiam cotações Terceirização: como essa tendência mundial reflete no Brasil? ou copie o endereço e cole no seu navegador: http://blog.seguridade.com.br/terceirizacao- como-essa-tendencia-mundial-reflete-no-brasil/
  • 32. Competência 02 32 de diferentes empresas fornecedoras e acreditavam que manter diversas fontes impediria o processo de dependência de fornecedor. No entanto, esta já é considerada uma visão ultrapassada no processo de compras. Atualmente, consolidar volume, quer dizer trabalhar com um número reduzido de fornecedores. Mas qual vantagem estratégica em reduzir o número de fornecedores? Veja, bem! Consolidar as compras em poucos fornecedores, aumenta a capacidade de negociação da empresa junto ao fornecedor, assim, também é vantajoso para o fornecedor, pois este tem garantido o seu volume de vendas. É importante ter em mente que apesar das vantagens apresentadas, manter um único fornecedor é um risco para empresa. É por esse motivo que certificar fornecedores, poderá minimizar futuros contratempos. A Meshmax, compreendendo estes novos conceitos sobre consolidação de volume, entendeu que não se tratava de manter uma única fonte de suprimento. Ela percebeu que era necessário utilizar uma quantidade menor de fornecedores quando comparado a períodos anteriores. Um fator importante e que já temos ciência é que o pessoal da Meshmax já compreende bem e aplica a estratégia da consolidação de volume. Mas precisamos conversar sobre a estratégia utilizada que é chamada de integração operacional dos fornecedores. O nome já deixa claro sobre o que se trata, mas caso você ainda não tenha percebido, vamos ao exemplo para clarear as ideias. O gestor de compras da Meshmax resolveu integrar seu principal fornecedor ao seu sistema operacional interno. Mas, como assim? Ele abriu as informações internas das vendas para o fornecedor? Isso mesmo! Vamos a explicação?! Primeiro, para que essa prática de integração ocorra, é importante que exista confiança, parceria e contratos que a regule. Um dos principais propósitos da integração operacional dos fornecedores é o de permitir que o fornecedor tenha acesso direto às informações de compra e venda, assim o fornecedor fica ciente sobre quais são os produtos mais vendidos. Com base nestas informações, o fornecedor poderá se posicionar de forma mais eficaz, pois à medida que acompanha as informações no sistema de vendas consegue realizar um
  • 33. Competência 02 33 planejamento mais adequado e o comprador, no caso aqui a Meshmax, receberá seus suprimentos sempre dentro do prazo. O que pode-se destacar, deste modelo estratégico de compras, é a melhoria no processo de comunicação, pois a integração operacional, tende a melhorar o fluxo das informações, reduz o tempo do pedido e elimina erros de comunicação. Percebeu agora que ambos os lados são beneficiados? Para que você possa compreender um pouco melhor sobre cliente-fornecedor, sugiro acessar o material disponível através do link de QR-Code disponível a seguir. Quando observada, a estreita construção de confiabilidade entre empresa (cliente) e fornecedor, por meio do processo de integração operacional, cria-se a oportunidade para o chamado gerenciamento de valor. Desenvolver o gerenciamento de valor para a empresa Meshmax é fundamental, pois este é um tipo de relacionamento mais abrangente e sustentável. Lembra que no exercício anterior a Meshmax estava planejando a produção de novos filtros para serem utilizados nas máquinas de refrigerantes com uma melhor capacidade e mais tecnologia? Então, o entendimento é que o envolvimento com o fornecedor possibilita a efetivação de mudanças nas estratégias da compra, saindo do estilo tradicional que como vimos, corresponde aquele tipo de compra baseada no conflito, onde (acreditava-se que manter diversas fontes impediria o processo de dependência de fornecedor), para o conceito de compras mais contemporâneo e colaborativo, utilizado pela Meshmax. Para a elaboração dos novos filtros, ou seja, na etapa inicial de um projeto, como é aqui nosso exemplo, busca-se um menor custo total, assim como, a adequação nos processos de qualidade que vão sendo incorporados as etapas da construção do novo produto (dos filtros). Além das vantagens apresentadas anteriormente, o envolvimento com o fornecedor desde as etapas do início A relação entre empresas e fornecedores tornou-se cada vez mais consistente, gerando um clima de confiabilidade e segurança. Utilize o QR-Code e saiba mais.
  • 34. Competência 02 34 do projeto pode reduzir custos. Dessa forma, quanto maior o nível de envolvimento do fornecedor com o projeto, maiores são as possibilidades de a empresa lucrar com o conhecimento e as competências desse fornecedor. Para tornar mais clara essa relação entre empresa versus fornecedor, veja a situação a seguir (adaptado: BOWERSOX, et al., 2014, p.92): O engenheiro de projetos da Meshmax estava completando o esquema de montagem dos novos filtros que seriam testados em uma das máquinas de refrigerantes quando, durante o processo, o engenheiro do fornecedor (que já havia sido designado apesar de a produção ainda não ter iniciado) perguntou se a terceira camada do filtro poderia ser alterada em cerca de 1,3mm. O engenheiro de projetos da Meshmax, depois de alguma consideração, respondeu que isso poderia ser feito sem qualquer impacto no produto final; e ficou curioso para saber por que o fornecedor havia solicitado a alteração. A resposta foi que, ao reduzir a terceira camada do filtro, ele poderia utilizar as ferramentas e moldes já existentes para fabricar o novo filtro numa espessura um pouco mais fina. Com o projeto original, seria necessário um enorme investimento de capital para comprar as novas ferramentas para fabricação. Quando analisados os custos, notou-se uma redução de aproximadamente 25% a 30% no custo da fabricação do filtro. Ficou claro para você o quanto foi importante a intervenção do engenheiro do fornecedor? Ambas empresas obtiveram vantagens. A Meshmax que vai pagar um pouco menos pela fabricação do novo modelo de filtro e a empresa fornecedora que irá utilizar equipamentos já disponíveis o que otimizará a fabricação e o tempo de entrega. Todo esse processo de estratégias de negociação, foram vistos, nestes exemplos, no setor de compras, mas o processo de negociação é importante e deve envolver outros setores da empresa (marketing, financeiro, contabilidade, comercial, entre outros), assim através da cooperação de todos a empresa alcançará seus objetivos de maneira mais eficaz. Por fim, chegamos à etapa sobre portfólio de estratégias de compra. No caso, portfólio será entendido como etapas que a empresa utilizará para selecionar melhor seus fornecedores, ou seja, ela formará um portfólio de fornecedores excelentes. Adiante conversaremos um pouco mais!
  • 35. Competência 02 35 2.1.3 Portfólio de Estratégia de Compras Precisamos reforçar o entendimento de que o processo de compra não é igual para todas as situações, pois cada insumo é diferente e requer uma perspectiva distinta. Muitas organizações, de maneira equivocada, demandam a mesma energia para os procedimentos de compras. Uma coisa é a aquisição de uma pequena quantidade de itens, outra é a realização de uma compra estratégica. O ideal é que seja despendido tempo e recurso de maneira proporcional para cada tipo de compra. Uma estratégia que deve ser adotada para obter êxito é a chamada análise de gasto, esta ferramenta possibilita que os gestores identifiquem quanto está sendo gasto em cada tipo de produto ou serviço. Vamos ao exemplo? Uma análise de gastos na empresa Meshmax constatou que os equipamentos de proteção individual (EPI) descartáveis, utilizados pelos 20 operários da produção, (propé, touca, máscara e luvas), eram provenientes de 8 fornecedores. Através da análise de gastos é possível determinar uma estratégia de compra mais adequada para cada um dos produtos necessários para a empresa. É dessa forma que se vai construindo um portfólio estratégico de compras! Bowersox et al. (2014, p.95), identifica quatro abordagens para determinar a compra de rotina, compras de gargalo, compras de alavancagem e compras críticas, como estratégias adequadas de compras. Vejamos, nos tópicos adiante cada uma delas. 2.1.3.1 Compra de rotina De modo geral, a compra de rotina oferece baixa percentagem do gasto total da empresa. O não fornecimento, não compromete as atividades fins e geram apenas alguns incômodos. Podemos imaginar a falta de material de escritório, falta de sacos de lixo, de papel higiênico, de sabonete líquido. Estes itens são de fácil aquisição utilizando-se, por exemplo, o “cartão de compras”, um tipo de cartão de crédito coorporativo para que os usuários comprem justamente estes itens rotineiros.
  • 36. Competência 02 36 2.1.3.2 Compras de “gargalos” Compra de itens de “gargalo”, também é considerada como de baixa percentagem nos gastos da empresa, porém diferente do item anterior, nestes casos o risco de fornecimento é alto e desta forma são percebidos como de alto impacto em operações importantes para o comprador. São considerados “gargalos”, qualquer obstáculo que possa influenciar o andamento e o resultado dos processos em uma empresa. Pra você compreender melhor, são itens encontrados em um pequeno número de fornecedores. O ideal é que o gestor de compras da empresa firme contratos de longo prazo para assegurar a continuidade do fornecimento ou mantenha várias fontes de fornecimento. 2.1.3.3. Compras para alavancagem Aqui temos como itens os commodities para os quais existem muitas fontes de fornecimento. Não sabe ou não está lembrando o que são os commodities? Agora que você já acessou a matéria sobre commodities, ficou mais fácil de entender o motivo pelo qual existem muitas fontes de fornecimento, não é mesmo? Pois bem, as compras para alavancagem envolvem pouco risco de fornecimento, no entanto, o gasto nesses produtos é relativamente alto. Nestas situações é significativo que o gestor de compras trabalhe na estratégia de consolidação de volume. Recomendo que você volte um pouco a leitura para recordar sobre o que tratamos sobre este assunto no item 2.1.2. As commodities costumam ser classificadas em 4 grupos gerais, são eles: agrícola, ambiental, financeiro e mineral. Ficou curioso? Utilize o QR-Code e saiba mais.
  • 37. Competência 02 37 2.1.3.4 Compras críticas Compras críticas se- referem justamente àqueles itens e serviços estratégicos para a empresa. São aqueles que geram um alto impacto e uma falha pontual no fornecimento pode gerar danos catastróficos. Neste sentido, dado a sua importância e ao risco envolvido, há uma forte tendência em concentrar as compras em fornecedores específicos. Aqui, então, faz-se necessário estabelecer as estratégias de integração operacional do fornecedor e lembrar do gerenciamento de valor. Vamos agora entender o que acontece com os insumos após a etapa de compras. Este processo é chamado de armazenagem, vamos conhecer ele a seguir. 2.2 Conhecendo o processo de armazenagem Figura 06 - Processo de Armazenagem Fonte: https://www.inotec.de/branchen/lager-logistik/ Descrição da figura: Armazém de alto compartimento com corredor de estantes do lado esquerdo, no meio profissionais manuseando maquinários, no fundo mercadorias a serem despachadas Entender o processo de armazenagem é fundamental para executar uma boa gestão da cadeia de suprimentos. Mas o que seria o armazenamento?
  • 38. Competência 02 38 Assim como vimos na competência 1 sobre o desenvolvimento histórico da cadeia de suprimentos, aqui, também, convém mais uma vez esse “olhar pelo retrovisor da história”, pois ele nos auxiliará a compreender que o processo de armazenamento da forma que conhecemos hoje, passou por algumas transformações ao longo de sua história. Na era pré-industrial o armazenamento era realizado em casa mesmo, de maneira individual, em quartos, porões, garagens. Tínhamos aí o início da armazenagem. Com o desenvolvimento da sociedade, com a criação de estradas e de outras formas que facilitariam o escoamento de matéria-prima e produtos, o armazenamento passou a ser realizado pelos atacadistas, varejistas e, também, pelos próprios fabricantes. A partir desta mudança a armazenagem passa para o setor de atacado e varejo, e sentiu- se a necessidade de criar grandes galpões, capazes de armazenar linhas completas de produtos. A forma mais comum de armazenagem deu-se por meio de estruturas porta-paletes, convenientemente dispostas a facilitar o acesso de equipamentos de elevação e transporte, observe a figura 7 com diversos modelos. Para o armazenamento é necessário desenvolver cuidados contra contaminantes internos e externos, cuidados com a iluminação, incêndios e os produtos devem ser sempre armazenados de forma a facilitar a localização. Figura 07: Diversos modelos de paletes utilizados para armazenagem. Fonte: http://www.guialog.com.br/paletes.htm Descrição da figura: Diversos modelos paletes. A figura apresenta 15 modelos de peças em madeira de tamanhos aproximados de 2mX1mx30cm de altura.
  • 39. Competência 02 39 Antes de avançarmos nos estudos sobre armazenagem, acredito ser relevante distinguirmos esses três termos: armazenagem, estoque e centro de distribuição. Você sabe a diferença entre eles? Apesar da semelhança, cada um tem um objetivo distinto. Vamos conhecer? • Armazenamento – ação de reter, armazenar, guardar um determinado bem. • Estoque – quantidade de mercadoria, quantidade de produtos armazenados para fins específicos. • Centro de Distribuição – além de armazenar produtos, atende também a pedidos. Agora que já sabemos sobre o armazenamento, vamos estudar um pouco mais sobre algumas especificidades deste importante componente dentro da cadeia de suprimentos? Que o processo de armazenagem é importante, isso sabemos. Mas, quais os benefícios econômicos ele pode trazer? 2.2.1 Benefícios Econômicos Os benefícios econômicos da armazenagem surgem dentro de uma perspectiva de armazenamento estratégico. Este modelo de armazenagem está relacionado à presença local. Para esclarecer, este termo também é compreendido como depósito local e os estudos apontam que há grandes vantagens nos depósitos locais, pois estes aumentam de forma significativa a participação no mercado e como consequência a lucratividade. O fato de se ter uma rede de depósitos estrategicamente localizados, proporciona aos principais clientes, confiança e a segurança que estão apoiados logisticamente, devido à proximidade do seu fornecedor. Tem-se, então, que a implementação da armazenagem próxima dos principais clientes, persegue a diminuição do custo total. Vejamos dois exemplos de benefícios econômicos básicos: consolidação e fracionamento de carga e estocagem sazonal. 2.2.1.1 Consolidação e fracionamento de carga
  • 40. Competência 02 40 A consolidação e fracionamento de carga é um tipo de benefício econômico que ocorre sempre que diversas fontes (empresas) são combinadas, agrupadas em quantidades exatas em um único grande carregamento para um destino específico. Além do benefício econômico existente, pelo fato de dividir a tarifa de frete com outras empresas, tem-se o tempo de entrega pontual e redução do congestionamento na doca de recebimento. Doca é o nome dado ao local responsável por receber as cargas e as redistribuir. Para você entender melhor doca, observe adiante a figura 7, adaptada de Bowersox 2014, p.230). Figura 08: Consolidação e fracionamento de carga Fonte: Os autores Descrição da Figura: A figura apresenta duas caixas de texto em separado, estando uma acima da outra. A caixa superior está nomeada com consolidação e dentro dela ao lado esquerdo de cima para baixo esta escrito Empresa A, Empresa B e Empresa C unidas por uma seta direcionada para a palavra DOCA que está ao centro da Figura. Da Palavra Doca saí uma única seta com direção à direita onde constam as letras A, B e C divididos por quadrados onde acima destas consta escrita a palavra clientes. No quadro inferior nomeado com a palavra Fracionamento, consta no centro na parte interna à esquerda a palavra Empresa A com uma seta direcionada para centro do quadro para a palavra doca de onde saem três setas direcionadas para direita sendo a seta superior Cliente A, a seta ao centro Cliente B e a seta inferior cliente C. Tem-se assim, o processo de consolidação e fracionamento da carga. 2.2.1.2 Estocagem sazonal Aqui temos a situação de produtos que são fabricados o ano inteiro, mas que são vendidos em grande volume, em determinadas épocas do ano, a exemplo de produtos escolares, enfeites de natal, etc. E, temos também produtos que tem sua produção apenas em determinadas épocas do ano, é o caso de produtos agrícolas, que dependem da safra para sua produção. O armazenamento
  • 41. Competência 02 41 eficiente em ambos os casos, precisa atender as restrições impostas tanto pelos produtores de insumos como pelos consumidores. 2.2.2 Classificação quanto à propriedade O processo de armazenamento ocorre em depósitos que podem ser classificados quando à sua propriedade. A decisão relacionada ao depósito é estritamente financeira e os depósitos podem ser classificados de diversas formas, aqui veremos: depósitos próprios ou alugados ou depósitos terceirizados. Vejamos nos tópicos adiante alguns detalhes sobre cada um. 2.2.2.1 Depósitos próprios ou alugados Nos casos em que a empresa opta pelo gerenciamento ou aquisição da armazenagem em depósitos próprios ou alugados a empresa ficará responsável pelos custos (manutenção, reparos), pela flexibilidade (horário de atendimento a cliente, condicionamento correto das mercadorias) e todos os outros aspectos intangíveis que estejam relacionados. Esse modelo apresenta algumas desvantagens e como exemplo podemos citar a infraestrutura física, pois nem sempre o local disponível tem uma natureza física favorável para o correto manuseio de carga e descarga de mercadorias. 2.2.2.2 Depósitos terceirizados A escolha por depósitos terceirizados normalmente é estabelecida por contratos de longo prazo e essa escolha poderá trazer benefícios quanto à flexibilidade, economia com recursos administrativos e humanos, mão de obra especializada, equipamentos adequados, entre outras. Um outro diferencial dos depósitos terceirizados é que muitos oferecem serviços logísticos integrados como: gerenciamento de transportes; controle de estoques; processamento de pedidos e devoluções, serviços ao cliente. Percebeu que nas duas possibilidades de armazenamento existem vantagens?
  • 42. Competência 02 42 Pois é! A empresa poderá optar, inclusive, por uma combinação entre parte da sua produção em depósito próprio ou alugado e parte em depósitos terceirizados. A decisão ficará a critério da gestão sempre com o objetivo de redução no custo total. Então, estudante, o que achou desta competência? Espero que tenha compreendido que o processo de fornecimento envolve um posicionamento estratégico da gestão da empresa. Vamos para nossa próxima competência! Antes de concluirmos esta competência, acesse o link veja o artigo da empresa Cargo X, sobre estas e outras possibilidades de armazenamento https://cargox.com.br/blog/tipos-de-armazenagem-saiba-qual-o-mais- adequado-para-sua-empresa
  • 43. Competência 03 43 3.Competência 03 | Conhecer os processos de expedição Antes de iniciarmos esta competência, vamos recordar que na competência 1, no tópico referente às tecnologias de comunicação usamos como exemplo do “encurtamento de distâncias”, a hipótese de que você comprou um produto em uma outro país. Lembra? Para este produto chegar até você, no nosso exemplo hipotético, o mesmo passou por diferentes lugares (transportes) e virtuais (sistemas), ou seja, o ato de você incluir o produto no carrinho de compras (no site), realizar o pagamento e este ser confirmado pela empresa, desencadeou dentro da empresa, pequenas ações: separar fisicamente, registrar no sistema para baixa do produto no estoque, sendo integrada a emissão da nota fiscal. E na sequência, pode ter ocorrido as ações de: embalar, incluir endereço de entrega, incluir documentos auxiliares de identificação da mercadoria e despachar para destino. Até aqui, ainda estamos tratando do produto dentro da empresa. E ainda, dentro da empresa, existe o departamento de expedição. É aqui, onde começamos a definir os termos que conduzirão nosso aprendizado, nesta competência. Adiante? Mas antes… Você sabia que existe a atividade de antecipação da expedição? Sobre a questão da atividade de antecipação da expedição podemos compreender que é o registro, que ocorre através de um sistema de gerenciamento: input - processamento de dados - output. Conforme pode ser visto no e-book de Tecnologia da Informação. Ou seja, aquela ação que tem início quando da confirmação da compra do produto por e-commerce, referente à entrada: confirmação da compra, processamento de dados, o que se está sendo comprado, baixado no estoque, informado ao financeiro, emitida a nota fiscal; e a saída: os demais desdobramentos necessários para que o produto chegue ao comprador e/ou consumidor final. Lembre-se de que as ferramentas de tecnologia de informação ajudam, inclusive na elaboração dos planos de reposição de itens auxiliando outras operações da cadeia de suprimentos. Para entender mais sobre essa antecipação da expedição, acesse o artigo no link: Gestão da Cadeia de Suprimentos. (https://esales.com.br/blog/gestao-de-cadeia-de-suprimentos-integrada-a-ti/) A antecipação de expedição (FORWARDING) consiste na consolidação de informações relacionadas aos produtos e seu transporte anterior ao envio de remessas. Fonte: Dicionário de Logística GS1 Brasil, 2019.
  • 44. Competência 03 44 Agora que entendemos sobre a antecipação da expedição, vamos mergulhar na compreensão sobre o que trata a expedição dentro da cadeia de suprimentos. Vamos começar definindo a palavra expedição: ato de expedir; remessa; despacho rápido. No entanto, para a cadeia de suprimentos, é importante pontuar que a expedição pode ser compreendida como: um local, uma ação e/ou procedimento. Vamos conferir alguns termos técnicos referentes a expedição? Observe o quadro 1, a seguir: • EXPEDIÇÃO (SHIPPING) - Função que oferece instalações para a expedição de peças, produtos e componentes. Inclui embalagem, identificação, pesagem e carregamento de veículo para transporte. • EXPEDIÇÃO DE PEDIDO (ORDER SHIPMENT) - Atividade que se dá do momento em que o pedido é colocado no veículo até o pedido ser recebido, verificado e descarregado no destino do comprador. • EXPEDIÇÃO DE TRANSFERÊNCIA (HANDOVER SHIPMENT) - Expedição entregue por um agente de transportes de frete, mas que foi transferida a outro agente de transportes conforme estipulado pelo consignatário para liberação em alfândega e entrega, conforme incoterms. Quadro 02: Significado de Expedição dentro da Logística Fonte: Dicionário de Logística GS1 Brasil, 2019. Disponível em: <https://enspangola.co.ao/moodle/pluginfile.php/425/mod_resource/content/1/Dicionario_logIstica.pdf>. Acesso em: setembro, 2019. Os chamados Incoterms (International Commercial Terms / Termos Internacionais de Comércio) servem para definir, dentro da estrutura de um contrato de compra e venda internacional, os direitos e obrigações recíprocos do exportador e do importador, estabelecendo um conjunto padronizado de definições e determinando regras e práticas neutras, como por exemplo: onde o exportador deve entregar a mercadoria, quem paga o frete, quem é o responsável pela contratação do seguro. Disponível em: http://www.aprendendoaexportar.gov.br/index.php/negociando-com- importador/incoterms. Acesso em: agosto, 2019.
  • 45. Competência 03 45 Retomando o nosso exemplo da compra de produto por e-Commerce em um outro país é provável que este tenha passado por essas diferentes etapas. Ou ao menos, por estas: de identificação, pedido e transferência. Conforme consta no quadro apresentado 1, com significados para expedição. Ainda sobre o processo de expedição, há também a função de agente de expedição. As atribuições deste profissional consistem em: facilitar, por exemplo, a chegada de um navio - liberação, carga ou descarga e pagamento de tarifas em um porto específico. Ver mais em Dicionário Logística, 2019. Foi mencionado anteriormente que produtos podem ser transportados por navios, quando citamos das responsabilidades do agente de expedição, vamos fazer uma breve referência a comercialização internacional ou Comércio Exterior (COMEX). O que também é denominado de mercado - espaço (físico ou virtual), onde ocorrem as transações comerciais de compra e venda de produtos dos mais diferentes lugares do mundo. Os produtos advindos dos mais diferentes lugares precisam ser enviados ao seu destino final. Para que isso ocorra é necessária a atuação de um profissional denominado de Agente de Cargas - Este é responsável por gerenciar e coordenar todos os recursos de uma empresa e colocá-los à disposição para o alcance dos objetivos do negócio. Ver mais em: Atribuições do Agente de Cargas. E, é nesse ponto que começamos a compreender a expedição como algo inerente ao desdobramento de processos internos da empresa responsável pelo envio e, ao mesmo tempo externo a empresa. Pois a depender do volume e distância geográfica envolvidos entre o envio/destino, a encomenda pode ser entregue ao consumidor final com ou sem o uso de agentes intermediários9. - Ao tomarmos como exemplo uma das atividades do agente de cargas, de gerenciar todos os recursos de uma empresa, este precisa ter conhecimento do tipo de mercadoria que está sendo movimentada e ter uma visão holística da cadeia de expedição, com ênfase nas etapas a seguir: • Transporte • Recebimento 9 Compreender agentes como profissionais e/ou empresas envolvidas no processo de transporte, armazenamento, expedição, movimentação da mercadoria.
  • 46. Competência 03 46 • Armazenagem de matérias-primas (no caso de produção de bens), materiais (no caso de serviços) e produtos (mercadoria acabada). Passamos agora a ampliar o nosso entendimento referente a expedição, para além de um local físico de retirada de mercadorias. Mas também, como um ponto de espera/transição das mercadorias que aguardam seus modais para envio ao destino, que seria denominado de: área de expedição. Mas para que os envios cheguem em conformidade aos destinos, o Gerente de Expedição precisa optar pelo melhor modal ou modais! Ao que importa dizer, em relação aos modais de transporte, nota-se que estes correspondem às formas usadas para que os produtos e as mercadorias sejam levadas do endereço em que são fabricadas até o seu destinatário final. Logo, se faz necessário um breve recorte sobre transporte - O transporte é uma área operacional da logística, que movimenta e posiciona geograficamente os estoques. Pozo (2007), autor de referência na área de logística, diz que: “o transporte é essencial na organização, para levar de alguma forma, até o consumidor final, as suas matérias-primas ou produtos acabados” ou serviços. Os modais utilizados são: rodoviário, ferroviário, hidroviário, dutoviário e aeroviário”. Área de Expedição - É a área demarcada nos armazéns, próxima das rampas/plataformas de carregamento, onde os materiais que serão embarcados/carregados são pré-separados e conferidos, a fim de agilizar a operação de carregamento. Fonte: Dicionário Logístico
  • 47. Competência 03 47 Figura 09: Exemplo de transporte modal Fonte: Transporte Intermodal e Modal, 2019. Descrição da figura: BR com vários tipos de modais: rodoviário, hidroviário e aeroviário. Ao lado esquerdo temos uma carreta com lateral amarela e uma listra preta no meio. Um foco de luz solar intensa no meio da rodovia, acima um avião decolando e ao fundo um navio de carga ao lado esquerdo. Ainda sobre os modais de transporte, o autor referência na área de Gestão Logística da Cadeia de Suprimentos, Bowersox (2014), elenca algumas necessidades relacionadas ao transporte que podem ser satisfeitas de três maneiras: • Através de uma frota particular de veículos; • Através de contratos com especialistas dedicados ao transporte; • Através do contrato de serviços de uma ampla variedade de transportadoras que prestam diferentes serviços, conforme o necessário, de acordo com os tipos de carga. Ainda segundo Bowersox (2014), três fatores são fundamentais de serem observados, do ponto de vista logístico: 1. Custos do transporte - destaca-se o pagamento por carregamento entre duas localizações geográficas e as despesas de manter as mercadorias em trânsito - à partir do endereço de partida (origem) ao endereço final (destino). 2. Velocidade do transporte - o tempo necessário para completar uma movimentação específica. 3. Consistência do transporte - refere-se às variações no tempo necessárias para realizar uma movimentação específica de carregamentos.
  • 48. Competência 03 48 Dentro da cadeia de suprimentos os transportes podem ser subdivididos em: intermodal e multimodal. Para o autor Bowersox (2014), o transporte intermodal combina dois ou mais modais para obter vantagens da economia inerente de cada um, e assim fornecer um serviço integrado por um custo mais baixo. Já, sobre o transporte multimodal, pode-se dizer que é todo transporte efetuado por mais de um modal (marítimo, terrestre ou aéreo), afirma Martins (2006) outro autor que estuda a cadeia de suprimentos. Sobre o tipo de modal para o traslado da mercadoria, esta é uma decisão de grande responsabilidade do gerente de expedição. Compete a este profissional dar a devida atenção a logística de armazenagem e distribuição. Pois, “uma vez que, se ele não for feito da maneira correta, podem ocorrer prejuízos na qualidade do produto” e consequentemente para as empresas envolvidas no processo movimentação da mercadoria (ver mais no seguinte link: O que são modais de transporte). Uma vez decidido o tipo de modal escolhido o gerente de expedição deve combinar os sistemas de: movimentação de materiais e de armazenagem, além de ser flexível. O que é corroborado, pelo autor Martins (2006), autor já conhecido aqui, quando afirma que: Sabendo quando e qual o melhor modal a ser utilizado para o transporte de seu produto, ainda em estágio de matéria-prima ou já industrializado, uma empresa pode aumentar sua margem de lucros diminuindo os custos de distribuição, os gastos com produtos avariados e logística reversa (MARTINS, 2006, p.406). Para firmar o quão é relevante a necessidade de ser assertiva a decisão do gerente de expedição, em relação aos modais apresentamos, vejamos no quadro 2, a seguir exemplo de modais para itens distintos. Modal aéreo Transporte marítimo O transporte aéreo é uma das principais formas de agilizar a distribuição de mercadorias por meio de aviões comerciais ou aeronaves adaptadas para o transporte exclusivo de cargas. A sua demanda tem aumentado significativamente nos últimos anos, mas ainda O transporte marítimo, por meio de navios especializados, é um dos grandes trunfos que permite a importação e exportação de mercadorias em grandes quantidades. Essa opção utiliza os oceanos como rotas para conectar as transações entre países.
  • 49. Competência 03 49 não é o suficiente para superar o modal rodoviário. Esse tipo de transporte é frequentemente utilizado para o envio de cargas de alto valor agregado, tais como equipamentos eletrônicos, que exigem maior segurança até a sua chegada ao destino. Outra área que utiliza esse tipo de transporte são os produtos perecíveis, como: flores; alimentos; e medicamentos. O custo elevado é um dos principais empecilhos para o crescimento dessa modalidade, que, muitas vezes, não é compensado pela eficiência e maior segurança. Geralmente, é utilizado para todos os tipos de encomendas, desde que em grande volume. Isso ocorre porque os pedidos são acondicionados em contêineres e depois acomodados no navio. Apenas a lentidão dos navios e o risco de naufrágios afetam essa operação. Quadro 03: Exemplo de utilização de modal: Aéreo e Marítimo Fonte: Adaptado de Bsoft, 2019. Disponível em: <https://www.bsoft.com.br/blog/principais-tipos-de-modais-de- transporte>. Acesso em: agosto, 2019. Do que foi apresentado sobre os modais no quadro 2, você conseguiu perceber que a decisão por determinado modal também se dá pelo tipo de carga que será transportada? No que tange ao que foi apresentado até agora, a afirmação é até óbvia, não é mesmo? Em síntese, podemos afirmar que quanto mais perecível for a carga a ser movimentada, maior a necessidade do curto prazo (rapidez entre o despacho e a entrega), o que por vezes, onera os custos referentes à logística e impacta na lucratividade da empresa. Isso são os impactos da Curiosidade Você sabia que a Intermodalidade, nas ferrovias,apesar de o transporte de minério e carvão representar aproximadamente 80% do volume total, as ferrovias têm procurado diversificar as cargas transportadas. A movimentação de contêineres, por exemplo, tem revelado uma expansão bastante positiva. Desde 1997, a movimentação de contêineres cresceu quase 142 vezes. Em 2018, foram mais de 492 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) transportados por ferrovias. Ver artigo completo em: ANTF . Fonte: Associação Nacional dos Transportes Ferroviários, 2019.
  • 50. Competência 03 50 decisão pelo modal ou sistema de modal, quando esta não é assertiva, ou há ocorrências que impedem o trânsito do item ao destino, no tempo previsto para entrega. Somada às variáveis já mencionadas, que devem está no “radar de decisão” do gerente de cargas, compete lembrar que ainda há necessidade de transporte com acondicionamento específico, para o tipo de carga a ser movimentada. Este é o caso, por exemplo, das flores naturais. Para este tipo de artigo é imprescindível que se mantenha a qualidade do que precisa ser entregue, desde a sua origem, e mais uma vez, ao destino final, em perfeito estado para distribuição, comercialização e/ou consumo. E por vezes, há situações na quais, o profissional responsável pela expedição da carga precisa decidir por um sistema de transporte multimodal, entende? Mas, espera! Você quer lembrar o que são commodities? Assim, do que foi apresentado até agora sobre: expedição, funções relacionadas a expedição e modal, por certo você já é capaz de fazer uma síntese em ao menos cinco linhas do que aprendeu até aqui, não é mesmo? Vamos experimentar? Então, como você se saiu? Acredito que bem! Você sabia que no Brasil o transporte multimodal é constantemente utilizado para o transporte de commodities, que são produtos de origem primária como café, arroz, soja etc. Fonte: Adaptado de Datamex, 2019. Commodities são produtos que funcionam como matéria-prima. Eles, geralmente, são produzidos em larga escala e podem ser estocados sem perder a qualidade. Dessa forma, o mercado de commodities têm seus preços definidos pela oferta e procura desses materiais primários. Fonte: Toronto Investimentos, 2019.
  • 51. Competência 03 51 E após esse pequeno exercício de memorização, que tal trocar uma ideia com os colegas para se apropriar do conhecimento adquirido e voltar ao e-Book de Cadeia de Suprimentos onde na sequência vamos tratar de distribuição sob a óptica da expedição? Vamos adiante agora para o próximo subtópico desta competência! 3.1 Distribuição A distribuição trata de um dos pontos críticos do negócio da cadeia de suprimentos. De acordo com o autor já apresentado, Martins (2006, p.405), no livro Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais “O transporte e o bom suporte de um serviço de atendimento ao cliente, são parte importante da distribuição e eficazes instrumentos para o relacionamento de marketing”. Pois bem, lembra do nosso exemplo hipotético de você ter comprado algo de outro país, através das tecnologias de comunicação? Ou mesmo da menção das flores sendo transportadas por avião? É como se neste instante, os produtos citados finalmente passassem pelas últimas etapas de movimentação/transporte para chegarem ao destino. Mas, o que é distribuição, mesmo? Ainda, o mesmo autor, Martins (2006, p.405), diz que o processo de distribuição já tem início na fábrica do fornecedor e encerra com a entrega ao cliente final. E como os produtos estão em constante movimento da fábrica ao consumidor final, importa destacar duas etapas do movimento desses produtos. Que são: • Movimento: modal de transporte • Quem faz a movimentação: o operador de transportes O mesmo Martins (2006, 406), ainda afirma que “a movimentação física dos bens, para a maioria dos negócios representa um custo significativo”. O que impacta na competitividade, com destaque para: Confiabilidade e Controlabilidade. No que tange a confiabilidade, esta trata da entrega A distribuição é o conjunto de atividades entre o produto pronto para o despacho e sua chegada ao consumidor final. Fonte: Martins (2006, p. 405)
  • 52. Competência 03 52 no prazo correto, com a embalagem correta, sem danos causados pelo transporte e erros no faturamento. Já em relação a controlabilidade é indispensável a capacidade de rastreamento e ação. Destaca-se ainda, que algumas empresas optam por possuir seus próprios meios de distribuição, o que por vezes exige grande investimento inicial. Este é o exemplo de uma fábrica que atua no segmento de descartáveis. A fábrica está localizada em São Ludgero - RS e a distribuição da produção era realizada por frota rodoviária de carretas própria, com tecnologia de sistema de monitoramento desenvolvido pela própria empresa. Ao menos era assim, que funcionava lá pelos anos “2000 e idos…” Já àquela época, o custo de uma frota própria era oneroso - porém este também era um grande diferencial competitivo, para o cliente receber o que era esperado, dentro do prazo esperado e com a otimização dos recursos, por conta das carretas também servirem de transporte para outras fábricas do grupo em outros Estados do País. Em contrapartida, o custo oneroso em ter um sistema próprio de frota faz com que outras empresas contratem os serviços de terceiros. Tipo de serviço, para o qual há no mercado empresas especializadas, desde a entrega de pequenos volumes (pacotes) a grandes frotas. Conforme observado na competência 2. O que nos remete a entender mais sobre denominações usuais na expedição a partir do item a ser movimentado, observe o subtópico seguinte. 3.1.1 Denominações usuais na expedição No decorrer desta competência a expedição já foi apresentada como um espaço e como um desdobramento de processos necessários, para que um item / bem, que denominamos por vezes de produto, mercadoria ou volume seja movimentado para um determinado local de transporte ou destino. Assim, para a expedição, no processo de ação da movimentação, o que precisa ser transportado, a depender da especificidade ou acomodação recebe o nome de carga. No quadro 3, aborda-se o tipo de transporte de carga, e algumas denominações de carga antecedida pela palavra transporte, com objetivo de ampliar o entendimento referente a decisão do modal para a expedição. TIPO DESCRIÇÃO TRANSPORTE DE CARGA GERAL - é o tráfego de porta-a-porta, de cargas completas ou fracionadas, embaladas ou não, que, por sua natureza e característica, utiliza
  • 53. Competência 03 53 veículos ou equipamentos convencionais, compreendendo o transporte de produtos industrializados, produtos químicos (classificados como não perigosos) e farmacêuticos, líquidos TRANSPORTE DE ENCOMENDAS - é um serviço específico de transporte de carga, cuja operação compreende a coleta ou a recepção da carga, tráfego e entrega à domicílio pelo transportador, dentro de um prazo por este previamente definido, entre locais de origem e destino pré-fixados; TRANSPORTE DE CARGAS SÓLIDAS A GRANEL – é o que se realiza mediante a utilização de carroçaria apropriadas e providas de mecanismos de carregamento e descarregamento adequados; compreende o tráfego de cereais, fertilizantes e outros, abrangendo também o transporte de produtos britados, ou em pó a granel. TRANSPORTE DE CARGAS LÍQUIDAS A GRANEL - é o que se realiza mediante a utilização de veículos ou equipamentos com tanques ou cisternas apropriados com dispositivos de carregamento e descarregamento adequados, compreendendo o transporte de água, leite, óleos alimentícios, vinho e outros. TRANSPORTE DE CARGA UNITIZADA EM “CONTAINERES” OU COFRES DE CARGA - é o que emprega veículos providos de dispositivos de fixação e de segurança deste equipamento, segundo normas técnicas específicas e depende de utilização de dispositivos de carregamento e descarregamento; TRANSPORTE DE CARGAS EXCEPCIONAIS E INDIVISÍVEIS - é o que requer condições especiais de trânsito, quanto à horários, velocidade, sinalizações,