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Educação do Negro na Primeira República-1889 á 1930. 
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Dentre alguns motivos, no qual este se destaca o interesse neste trabalho, a educação é política e su...
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redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores da época. O Governo Provisório foi marca...
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Fontes 
-Jornais Militantes da Frente Negra 
-O Alfinete ano 1. 1918 
- Senzala ano I. 1946 
-Manchete de O Clarim d´A...
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-BRASIL. Lei 10.639. Inclui a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira no Currículo Oficial da R...
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-MUNANGA, Kabengele. Políticas Afirmativas em Beneficio da População Negra no Brasil: um ponto de vista em defesa de c...
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  1. 1. 1 Educação do Negro na Primeira República-1889 á 1930. Talita de Lima Balthazar 1 Resumo O objetivo primordial neste trabalho é a educação dos afros-descendentes e seu embasamento político e social. Promover as alterações positivas na realidade vivenciada pela população negra. Trilhar rumo para uma sociedade democrática, justa e igualitária, a educação ajuda a reverter os efeitos danosos causados pelo preconceito racial e discriminação social. O afrodescendente hoje ainda sofre com o preconceito, mas existem transformações favoráveis que possibilitam os afrodescendentes serem mentores de suas ações e a maior destas é o total direito á educação. Não podemos negar que as transformações do século XIX e XX são muito significativas, e dão o despertar para está pesquisa, educação do negro na primeira república. Palavras-chave: Educação, Afrodescendente, Primeira República. Pós-Abolição 1889 A lei 10.639 aprovada pelo conselho nacional de educação em 09 de Janeiro de 2003, que entre outras coisas prevê a obrigatoriedade do ensino de História e cultura afro-brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, oficiais e particulares e a reserva de vagas no ensino superior público para afrodescendentes, lei 12.711de 2012, chamada Lei das Cotas, define que as instituições de ensino superior vinculadas ao Ministério da Educação e as instituições federais de ensino técnico de nível médio devem reservar 50% de suas vagas para as cotas. A lei não atinge as instituições de ensino estaduais ou privadas. ────────────────────── 1Artigo apresentado como exigência da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, no curso de Licenciatura de História, da Universidade Nove de Julho, no ano de 2013, sob orientação do professor (a) Dr. Elaine Lourenço. Agradeço a Dr. Elaine Lourenço orientadora deste trabalho e o dedico a José Lima, e Léo Matos.
  2. 2. 2 Pós-Abolição 188 Dentre alguns motivos, no qual este se destaca o interesse neste trabalho, a educação é política e suas ações devem ser de transformações. A educação liberta ou aprisiona, de maneira que ela pode distanciar um individuo do outro, para combater a causa é preciso conhecê-la e identificá-la. O Brasil do século XIX viu surgir em seu interior, conjuntos de valores e modelos que a elite dirigente desejava incorporar como referência para sociedade segundo Luís Pereira Barreto2, um dos principais articuladores da entrada das ideias positivistas no Brasil, a igreja e a academia são as duas cúmplices que estão resolvidas a instruir-nos. Não foram exatamente a abolição, a democracia e a república os pilares que se identificou no Brasil naquele momento. Evidenciava a primeira vista as poucas opções de estudos, o negro vivia na condição de ex- escravo, e também na condição de quem era cidadão? Quem tinha direito a educação, todo o cenário político e social gerava conflitos. O Brasil moderno diferenciava seus cidadãos, o negro tinha seus direitos restringidos pelo preconceito, o impedimento de frequentar vários locais inclusive escolas e outros ambientes, reforçava a questão da inserção social deste indivíduo político e social marginalizado, necessitando de trabalho e educação. Como argumenta José Murilo de Carvalho 3 após a proclamação da República era inevitável conflitos entre diferenças, tudo que era contraditório entra em manifesto, este confronto propiciava vários fatores sociais e políticos. Com o advento da Revolução Industrial, na sociedade agropecuária são inseridos outros meios de trabalho na indústria, mas a sociedade não deixava de ser patriarcal e preconceituosa, novos sujeitos e interesses buscavam referências sociais neste contexto. A ordem vigente era civilizar-se, ou seja, hábitos e costumes europeus estavam diante das medidas propostas pelo Estado para o povo, aqui é o ponto crucial, por que educar era uma medida de civilizar e tirar os maus hábitos e vícios. Diz que se difundiu no Brasil a necessidade de um processo de branqueamento e cita intelectuais da época como Silvio Romero e Nina Rodrigues que defendiam a ideia do negro ser portador de características degenerescentes, e caso a população brasileira não passasse por um processo de branqueamento o Brasil nunca poderia chegar a ser uma nação grande e gloriosa como as nações europeias (HOFBAUER (2006). ───────────────────── 2HERSCHMANN, Micael e PEREIRA, Carlos. O Imaginário Moderno no Brasil.p.28 (orgs.) 3CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem .A elite política imperial .rio de Janeiro ,Campus 1980.
  3. 3. 3 Nota-se que na Primeira República a marginalização da população negra estava presente no pensamento da população. Este momento evidencia um paradigma social, e também uma sociedade desigual, excludente e preconceituosa. Se referindo o fim da monarquia e o advento da república Machado de Assis argumenta: Nada mudaria. O regime sim era possível, mas também se muda de roupa sem trocar de pele 9 (...) No sábado, ou quando muito na segunda- feira, tudo voltaria ao que era a véspera menos a constituição. (ASSIS ,Machado de.1971,p.1.031.) A visão de que a sociedade senhorial, patriarcal, não mudou requer um desempenho bastante amplo, porque está sociedade está desentendida com as políticas sociais vigentes, e aqui entra a questão a exclusão do negro, do pobre se da por vários âmbitos sociais e políticos, não se demora para que os excluídos almejem novas ações do Estado, o negro agora livre é negligenciado pelas ações estatais. Ao mencionar os imigrantes, as políticas públicas não se distanciam tanto como fazem com o negro, que não são impedidos de frequentar a escola pública, porém não se menciona ações para que isto aconteça. A busca por um condicionamento surge dos próprios negros e instituições dirigidas por este, que moldam sua cultura e alimentam o aprendizado. Esse fato ajuda a ilustrar que o alvo das políticas de educação pública era essencialmente quem necessitava ser “civilizado” em novos hábitos e valores para alterar seu modo de inserção social (BITTENCOURT, Circe Maria F.e IOKOI, Z. 1996, p.99.) Não é a intenção aqui fazer comparações, mesmo porque ocorreram mudanças significativas, o que volto a mencionar é a necessidade de conhecer e avaliar a questão da exclusão social e preconceito somos um pais miscigenado e buscamos melhorias que precisam ser avaliadas como um todo. Ao longo de nossa história se concretiza mudanças que se rementem ao público e privado, com, por exemplo, a ampliação da rede de ensino superior métodos de ensino, políticas educacionais que outorga aos afro descendentes sua cultura. Os séculos XIX e XX, encontramos enormes fatores que despertam olhares para educação do Brasil hoje, seus objetivos e planejamentos, que podemos compreender dentro de tantas mudanças, tomando outros parâmetros podemos emergir em relativos conhecimentos educacionais. A educação do negro confere pouca documentação e tomando algumas referencias bibliográfica e documentos como jornais da época que desejo fazer este estudo educacional.
  4. 4. 4 Nós unicamente nos que vivemos na mais vergonhosa ignorância, no mais profundo obsecamento moral, que não compreendemos finalmente a angustiosa situação em que vivemos. Tudo no mundo tem sua utilidade ,tudo gira na escala da evolução ,tudo contem em si o germem de uma vida que se manifesta com vibração ,luz e calor (Arquivo Apesp Jornal O Alfinete ,p.2,1918) Educação do Negro Optei pra utilização de alguns jornais da época, para analisar a visão do negro neste período e para contribuir para uma maior reflexão sobre o negro no pensamento educacional. Estudando estes periódicos, que guardam informações significativas, como a luta da Frente Negra para orientar os negros a educarem-se, preservar sua cultura, preocupação com a mulher no mercado de trabalho, preconceito, questões sociais e econômicas, a baixo alto estima do negro na sociedade, o conhecimento destas questões no pós-abolição e nas décadas que seguem desenrolam as atividades da frente negra e a luta dos negros que viam na educação um meio de ascensão social, direitos de cidadão, cultivar sua cultura e memória. Os jornais militantes pertencentes a frente negra publicavam orientações como principal ,mas também propaganda, cultura ,laser ,informações sobre cursos , citam vários intelectuais e seus textos ,Cruz e Sousa ,André Rebouças ,José do Patrocínio e notadamente Luiz Gama ,destacam datas comemorativas e combatiam o suposto lugar de inferioridade dos negros com a memória. Os jornais pertencentes à raça negra aqui analisados refletem a importância da educação para os negros no século XIX e XX. O negro ainda estava cativo à economia, sua liberdade sancionada pelo preconceito, marginalizado e exposto como inferior luta para legitimar sua liberdade e direito de cidadão. Durante todo o tempo em que a imprensa negra circulou através de jornais de pequena tiragem e duração precária, as atividades da comunidade negra brasileira principalmente em São Paulo. Ali se refletiam, dando-nos, por isso, esses jornais um painel ideológico do universo do negro [...]. A preocupação com a educação é uma constante. O Negro deve educar-se para subir socialmente [...].Em todas as publicações é visível a preocupação com uma ética puritana capaz de retirar o negro da situação de marginalizado (MOURA. 2002,p.6). O valor dado à educação era pertinente porque era vista como forma de ascensão social dos negros na sociedade, ao analisar alguns artigos do jornal Senzala4 um jornal de grande circulação entre os negros brasileiros observa-se as reivindicações de uma parcela da popula- ───────────────────── 4 Arquivo Apesp Jornal Senzala ano I, 1946, p.2.
  5. 5. 5 -ção negra, que nestes artigos estudados mencionava para os outros negros incentivos a educação, a aprenderem alguma função, mandarem seus filhos para escola. Uma ressalva como uma grande parcela populacional não era alfabetizada, alguns se reunião em torno dos que sabiam ler, e assim ouviam os artigos publicados pelos jornais de raça negra. O problema do negro é antes de mais nada de educação secundado pelo fator econômico. Qualquer indivíduo, até de pouca cultura sociológica pode, facilmente averiguar esse fenômeno, porém, o que se deve condenar é a reserva, prevenção “a priori” que boa parte da nacionalidade ainda tem contra todo elemento negro (Arquivo Apesp Jornal Senzala ano I, 1946, p.2). Todas estas mudanças e transformações afetaram vários setores da sociedade e consequentemente, afetaram o pensamento da educação pública brasileira HILSDORF5 argumenta que os signatários do manifesto republicano tinham a convicção de que a educação escolar levaria o Brasil rumo ao desenvolvimento econômico. Pode–se dizer que os grupos escolares atenderam nas primeiras décadas de sua implantação, a alunos provenientes das camadas populares, no entanto, daqueles setores mais bem integrados no trabalho urbano. Desse contingente estavam a pequena excluídos os pobres, os miseráveis e os negros. As fotografias da época revelam a pequena presença de crianças negras nas classes dos grupos escolares, e isso se explica pelas péssimas condições sociais em que se encontrava a população negra da época. (SOUZA.1998,p.27) CYNTIA Veiga6 argumenta a escola pública em sua gênese não comtemplou o negro brasileiro e o estado não viabilizou a sua inclusão durante o período de 1889 a 1930. Isso não significa que o ex-escravo não encontrou alguma forma de lutar contra a discriminação e exclusão social. As primeiras entidades organizaram-se como sociedades recreativas e o movimento por vagas nas escolas públicas vai se firmar apenas no fim da década de 1920 (HISDORF. 2011 p.77). Nesse contexto de reivindicações dos segmentos da população brasileira que ainda não estava incorporada ao sistema educacional proposto pelos republicanos, vários intelectuais estavam preocupados com alto índice de analfabetismo. ───────────────────── 5HISDORF, Maria Lucia Spedo. História da Educação Brasileira. São Paulo :Cengage 2011. 6VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo :Ática ,2007.
  6. 6. 6 Essa situação comprometeria os rumos da nação, já que o progresso econômico brasileiro dependia da inclusão de todos os segmentos na escola pública. Um exemplo de tal fato é a elaboração no manifesto dos Pioneiros da educação Nova em 1932, que tinha como discurso a busca por uma educação que contemplassem os diversos grupos sociais existente na sociedade brasileira. Como argumenta Luiz Alberto Oliveira7 à necessidade de ser liberto durante o período do império ou de usufruir o exercício da cidadania na República, aproximou as camadas negras do desejo de uma educação escolar que lhes permitissem serem reconhecidos como cidadãos brasileiros. Quando se trata da população negra brasileira no inicio da primeira República, os principais centros de mobilização se localizavam na cidade São Paulo e Rio de Janeiro. Os movimentos sociais afro-brasileiros começam a partir de meados de 1910, na tentativa de lutar pela cidadania recém-adquirida e evoluir para organizações de âmbito nacional. Neste sentido, a primeira grande manifestação foi o lançamento da imprensa negra paulista, o primeiro jornal o Menelick começou a circular em 1915, em seguida: A Rua (1916), O Alfinete (1918), A Liberdade (1919), A Sentinela (1920). O Getulino e o Clarim d’ Alvorada (1924). Estes jornais possuíam como características principais, o fato de não se envolverem na cobertura dos grandes acontecimentos nacionais, os quais evitavam ,cautelosamente, tratava- se de uma imprensa altamente setorizada nas suas informações e dirigida a um público específico. Na prática mesmo tendo garantido o direito dos libertos estudarem, não se criaram condições materiais para a realização plena desse direito. No contexto social as instituições existentes, funcionavam como associações e forneciam ajuda material, e não subtraiam sua cultura africana. Vários segmentos mostram o surgimento das organizações negras combativas que vão se desenvolvendo ao longo do século XX.·. Ao meu ver, só os negros poderiam advogar essa questão, pois era uma carga muito forte e negativa dos 400 anos de retardamento não só físico, mas também material e espiritual (GONÇALVES, Luiz Alberto O. 2003 p.337). O apontamento das questões sociais é um fator que uniu as organizações afrodescendentes para buscar melhorias educacionais, e usufruir dos mesmos direitos das outras parcelas da população. ───────────────────── 7VEIGA, CYNTHIA. 500 Anos de Educação no Brasil. Autêntica, 2007 p.337.
  7. 7. 7 Talvez essa constatação explica no ideário de luta dos negros brasileiros a educação sempre ocupou lugar de destaque: ora vista como estratégia capaz de equiparar os negros aos brancos, dando-lhes oportunidades iguais no mercado de trabalho; ora como veículo de ascensão social e, por conseguinte de integração; ora como instrumento de conscientização por meio do qual os negros aprenderiam a história de seus ancestrais, os valores e a cultura de seu povo, podendo a partir deles reivindicar direitos á diferença e respeito humano (VEIGA, Cynthia. 2007, p.337) O Alfinete8 Surgiram iniciativas dos próprios negros em prol da educação e estas estavam desvinculadas ao Estado, as iniciativas foram propostas pelos próprios negros, que buscavam melhorias para obterem maiores chances de trabalho. Os negros construíram entidades para defender seus próprios interesses, e também os jornais militantes, incentivam atitudes frente a discursos de promoção social, a defesa da educação como instrumento de ascensão social é vista em vários discursos nos jornais militantes da época, incentivavam o indivíduo na busca por educação. A frente Negra não tinha o Estado como mantenedor de propostas educacionais para os negros, mas orientavam os negros para equiparar-se de outros meios de aprendizado. A frente Negra criou instituições e fundamentou vários discursos em prol da educação dos afrodescendentes, suas ações formularam a educação frente à situação do negro, que após inúmeros combates alguns negros conseguem frequentar o ensino superior e lecionar em algumas escolas. HILSDORF 9 no pós-abolição o que fica é a interiorização de anos na condição de cativos, os negros sendo anos marginalizados, tido como incapazes, se sentem inferiorizados, a recente liberdade, defronta com o preconceito que os distancia das orientações feitas pela Frente Negra O Alfinete10, as orientações feitas a esta parcela da população, para ela instruir-se o quanto antes nos cursos noturnos e encaminharem seus filhos as instituições de ensino. Dado o momento em que este movimento busca melhoria para educação é necessário uma amplitude de questão referente à educação no Brasil que vem sendo reformulada desde o império onde o negro era proibido de frequentar a escola pública. ───────────────────── 8Arquivo Apesp Jornal. O alfinete ano 2, 1918, p.2. 9HISDORF, Maria Lucia Spedo. História da Educação Brasileira. São Paulo: Cengage 2011. 10Arquivo Apesp Jornal. O alfinete ano 2, 1918, p.3-4.
  8. 8. 8 Os negros precisam se unir para reivindicar de fato os direitos que desde há muito já nos são outorgados por lei. Pois é sabido que até hoje os negros são barrados na Escola militar, Escola Naval, Aeronáutica, na carreira diplomática, em certos colégios, até de religiosos, o que é de se lastimar, dado o espírito anticristão de tais atitudes. O problema não é só de ordem cultural, econômica. É também de caráter social, porque é vedado na sociedade, o acesso de grande parte do elemento negro, nós temos que enfrentar essa sociedade reacionária e anticristã contando–lhe a sua lamentável falha democrática (Arquivo Apesp Jornal. O alfinete ano 2, 1918, p.3). O negro após a abolição 1888 ainda se encontra na servidão econômica, ganha o direito de cidadão, mas analfabeto e marginalizado, percebe seus direitos vetados mediante ao preconceito. O negro entra em luta para legitimar sua cultura, e identidade para isto é necessário ter conhecimento de suas ações, e ir rumo à educação e assim visa ter ascensão social. As Décadas de 1920 e 1930 Ao analisar os artigos de jornais militantes tendo como público alvo os negros, nos anos pós- abolição 20 e 30 estes documentos nos mostram vários eixos educacionais, entidades, o Movimento Negro que transporta valores e ideais para seu grupo, Cynthia Veiga11 outra questão ainda instigante é como a escola pública funciona quando se legitima leis para ensino desta parcela populacional. A década de 20 foi marcada de confrontos e levantes, várias ideias influenciadas pelos movimentos da Europa e logo após a crise econômica de 1929 está crise repercutiu sobre as forças rurais que sentiram sua hegemonia ameaçada. A década de 30 foi um marco para o Brasil que entra no sistema capitalista de produção industrial, que passou a exigir uma mão-de-obra especializada e para tal era preciso investir na educação. Sendo assim, em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública e, em 1931, o governo Provisório sanciona decretos organizando o ensino secundário. O Decreto 19.850, de 11 de abril, cria o Conselho Nacional de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação (que só vão funcionar em 1934). - O Decreto 19.851, de 11 de abril, institui o Estatuto das Universidades Brasileiras que dispõe sobre a organização do ensino superior no Brasil e adota o regime universitário. O Decreto 19.852, de 11 de abril, dispõe sobre a organização da Universidade do Rio de Janeiro. O Decreto 19.890, de 18 de abril, dispõe sobre a organização do ensino secundário. O Decreto 21.241, de 14 de abril, consolida as disposições sobre o ensino secundário. Em 1932 um grupo de educadores lança o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova,
  9. 9. 9 redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores da época. O Governo Provisório foi marcado por uma série de instabilidades, principalmente para exigir uma nova Constituição para o país. Em 1932 eclode a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Em 1934 a nova Constituição (a segunda da República) dispõe, pela primeira vez, que a educação é direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos Poderes Públicos. Ainda em 1934, por iniciativa do governador Armando Salles Oliveira, foi criada a Universidade de São Paulo. A primeira a ser criada e organizada segundo as normas do Estatuto das Universidades Brasileiras de 1931. O nosso grito vive nos fatos e nós advogamos os direitos da raça negra porque ela tem uma grande herança dentro do brasil.(Manchete de O Clarim d´Alvorada, 1931). Em 1935 o Secretário de Educação do Distrito Federal, Anísio Teixeira, cria a Universidade do Distrito Federal, com uma Faculdade de Educação na qual se situava o Instituto de Educação. Em função da instabilidade política deste período, Getúlio Vargas, num golpe de estado, instala o Estado Novo e proclama a nova constituição de 1937. A analisar estes eixos defrontamos com novas políticas educacionais e uma propostas de escola para a parcela da população que antes estava excluída deste processo, mas o que vigora anteriormente e agora, os indivíduos excluídos, a escola é de fato uma grande oportunidade, mas que ainda é para poucos. Negros e pobres tendem a não frequentá-la por diversos fatores econômicos, sociais, político, as desigualdades não se desfiguram elas sofrem mudanças que vão se legitimando, e tem um amplo espaço em nossa história, apesar da distancia percorrida entre as ações, a exclusão faz parte da luta dos afros descendentes no passado e presente. Pela demonstração de seu elevado grau de cultura e magnitude do seu saber o elogio que será sua legenda de glória nas páginas da história “negro, porém sábio”. Arquivo (Apesp Jornal. O alfinete ano 2, 1918, p.5). O nosso passado escravagista nos deixa marcas profunda que a educação pode ajudar na luta pela memória, e um novo rumo com perspectivas melhores, conhecer o passado e elaborar novas perguntas para que nossas lutas tenham frutos.
  10. 10. 10 Dentre as bandeiras de luta, destaca-se o direito á educação. Esta esteve sempre presente na agenda desses movimentos, embora concebida com significados diferentes: ”ora vista como estratégia capaz de equiparar os negros aos brancos, dando-lhes oportunidades iguais no mercado de trabalho; ora como veículo de ascensão social e, por conseguinte de integração, ora como instrumento de conscientização por meio da qual os negros aprenderiam a história de seus ancestrais, os valores e a cultura de seu povo, podendo a partir deles reivindicar direitos sociais e políticos, direitos á diferença e respeito humano “(GONÇALVES. 2000, p.337)”. E escolarização dos homens no século XX na maioria das vezes ocorreu em idade avançada, quanto às mulheres sua educação era voltada para os afazeres domésticos, e quando encaminhadas a orfanatos recebiam preparo para trabalhar como empregada doméstica ou costureira ,quando estas eram adotadas por famílias abastadas, na adolescência isto significava empregada domestica não remunerada, isto levanta uma questão o lugar da mulher negra no mercado de trabalho. A necessidade de trabalhar afastava tanto os homens quando as mulheres negras da escola, entretanto entidades negras não se acomodaram incentivavam os negros a se educarem. Nos jornais analisados nos anos 20 e 30, encontram-se artigos que incentivam o estudo, a importância de instrumentar-se para o trabalho, divulgam escolas ligadas a entidades negras, dando destaque às mantidas por professores negros. A imprensa negra, não somente divulgava incentivos a educação e cultura que aparecia na maioria dos artigos, mas também agenda cultural das conferências, representações teatrais, concertos musicais e outros, estes artigos publicados por jornais militantes reflete que a imprensa negra faz uma importante dimensão da educação dos negros. Fazia-se, assim, um esforço contínuo para convencer os que acreditavam que estudo não era para o negro, para o pobre, que a estes somente restaria o trabalho duro. Por isso, além dos jornais a que tinham acesso principalmente os alfabetizados, destacado papel tinham os oradores que se manifestavam em frente aos grandes jornais em ocasião de reivindicação, quando se aproveitava pra exortar os negros a educar-se, a lutar por seus direitos, para mostrar o valor do negro na construção da sociedade brasileira (CUNHA 1991). Em alguns artigos encontram-se objetos de avaliação que relatam a situação social do negro e suas ações, novamente voltando a estes documentos os jornais militantes. Ainda há grupos escolares que recebem negros porque é obrigatório, porém os professores menosprezam a dignidade da criança negra, deixando-os de lado para que não aprendam, e os pais pobres e desacorçoados pelo pouco desenvolvimento dos filhos resolvem tirá-los da escola e entregar-lhes serviços pesados (Apesp. A Voz da Raça, p.3 1934). Os artigos analisados citam vários intelectuais e seus textos, Cruz e Sousa, André Rebouças, José do Patrocínio e notadamente Luiz Gama, destacam datas comemorativas e combatiam o
  11. 11. 11 suposto lugar de inferioridade dos negros com a memória. Os negros tomam para si a responsabilidade da educação e porque não entregam Estado? Pouco se esperava do Estado, porque se desconfiava dele. Entre os militantes está atitude dura até o final dos anos 20. Pelos depoimentos de ex- militantes, a candidatura de Vargas incendeia o debate no meio negro. Começam a vislumbrar a possibilidade de não ficarem mais parados “na estrada do progresso, com o título de eleitor na mão, embrutecidos pelos vícios”. Reacende–se a esperança, que foi bem retratada por Correia Leite em suas memórias, ao saber que, com Vargas, os negros teriam grandes chances de ver aquelas famílias escravagistas apeadas do poder (CUTI. 1992, p.91). A frente negra foi interrompida pela ditadura de Vargas, o debate que se inicia sobre a educação dos negros só serão ouvidos nos anos seguintes e recai com responsabilidade sobre todos nós que fazemos perguntas para a educação destas décadas. A frente negra reflete a educação pela sua representação social, não meros acontecimentos e sim o enorme desejo por mudanças e reconhecimento, suas ações são plausíveis. A educação política já existia enquanto projeto, quando da criação do centro cívico Palmares, em 1926. Este funcionava como uma escola de formação de lideranças. A quase totalidade dos membros das diretorias da frente negra Brasileira foi integralmente formada naquele centro. Mas, ao reproduzirem a experiência de educação política nas escolas frente negrinas (lembrando que foram expandidas a outros estados), há um certo amadurecimento no que se refere aos objetivos de luta (GONÇALVES. Rio de janeiro, ANPEd. 2000). A educação para os negros era necessária, sua luta se contrapunha com enormes diversidades político, social, econômico, dentre tantos preconceito e educação é a luta que se perdura junto a todas as mudanças significativas que resultam destas décadas de lutas. Neste contexto vale ressaltar que a educação contemporânea é por meio de muitos discursos e ações mentora de projetos e luta para que as classes menos abastadas tenha o total acesso a ela. Resgatar significava tornar a ocupação das vagas em instituições públicas “menos brancas” e remediadas e mais aberta a uma população com um impressionante nível de diversificação (FREITAS. 2009, p.47). ───────────────────── 11VEIGA, Cynthia. História da educação .São Paulo :Ática ,2007.
  12. 12. 12 A inercia do Estado durante longos períodos repercutiu de diversas formas na sociedade contemporânea, as ações politicas pedagógicas que foram surgindo se manifestam de forma ampla no nosso cotidiano escolar, todos tem direito a educação, mas nem todos tem condições de frequentar a sala de aula, as adversidades econômicas e o preconceito são em suma umas das causas, durante a primeira república, o acesso à educação tem fatores interligados ao cotidiano do educando. A educação é uma forma de ascensão social que se manifesta das relações entre os grupos, o pobre e o negro tomam para si tal responsabilidade, a Frente Negra durante muito tempo advogou está causa, a educação como ascensão social para os negros e indivíduos marginalizados. Refletindo nas propostas e ações frente negrina, percebe-se que a busca por melhoria social e respeito dentro das diversidades étnico racial é o acesso ao conhecimento, à educação transforma mobiliza o individuo da sua zona de conforto para confrontar melhorias sociais.
  13. 13. 13 Fontes -Jornais Militantes da Frente Negra -O Alfinete ano 1. 1918 - Senzala ano I. 1946 -Manchete de O Clarim d´Alvorada. 1931 -A Voz da Raça. 1934 Localização APESP -Nr. 05.02.03 -Nr. 05.02.013 -Nr. 05.02.013 Bibliografia -FREITAS, Marcos Cezar de. História Social da Educação no Brasil (1926-1996)-São Paulo: Cortes, 2009. -: PINSKY, Carla Bassanezi, LUCA, Tânia Regina de. O Historiador e Suas Fontes Editora: Contexto. Ano de Edição: 2009. -LUCA, Tânia Regina. A história dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bassanezi (org.). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2005. -BARBOSA, Irene Maria Ferreira. Enfrentando Preconceitos. Campinas: CMU/ Unicamp, 1997. -BINZER. Ina Von. Os Meus Romanos: alegrias e tristezas de uma educadora alemã no Brasil. -BRASIL, Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Racial e para Ensino História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília-DF, 2004. -BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 05/10/1998. Brasília: Senado Federal, 1988.
  14. 14. 14 -BRASIL. Lei 10.639. Inclui a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira no Currículo Oficial da Rede de Ensino. Diário Oficial da União, 2003. -BRASIL. Lei Diretriz de Bases da Educação Nacional, Lei 9.394, de 20/11/1996. - Diário Oficial da União. Brasília, 1996. -BRASIL. 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. -CARVALHO, Marta M. C. A Escola e a República. São Paulo: Brasiliense, 1989. -CARVALHO, Murilo. Os Bestializados. São Paulo: CIA das Letras, 1989. -CARVALHO, Murilo. Cidadania no Brasil: O Longo Caminho. 2. Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. -CUNHA JR. Henrique. Pesquisas Educacionais em Temas de Interesse dos Afrodescendentes. In: Lima, Ivan Costa et. al.(Org.) Os Negros e a Escola Brasileira. N. 6. Florianópolis: Núcleo de Estudos Negros/ NEN, 1999. -CUNHA, P. M. C. Da Senzala à Sala de aula: como o negro chegou à escola. In: OLIVEIRA, I. (Cord.) Relações raciais no Brasil: alguns determinantes. Niterói: intertexto, 1999. -DEMARTINI, Zélia de F. A Escolarização da População Negra na Cidade de São Paulo nas Primeiras Décadas do Século. Revista Ande 14 (1989): 51-60. - FIGUEIREDO, Ângela. Novas Elites de Cor: Estudos Sobre os Profissionais Liberais Negros em Salvador. São Paulo: Anna Blume, 2002. -HILSDORF, Maria Lucia Spedo. História da Educação Brasileira. São Paulo: Thompson, 2005. -HOFBAUER, Andréas. Uma História de Branqueamento ou o Negro em Questão. São Paulo: UNESP, 2006. -MACIEL, Cleber da Silva. Discriminações raciais: negros em Campinas. 2. Ed. Campinas: CMU/Unicamp, 1997. -MANIFESTO dos Pioneiros da Educação Nova. A Reconstrução Educacional do Brasil. Ao povo e ao Governo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1932. -MOURA Clóvis. A Imprensa Negra em São Paulo in Imprensa Negra. Estudo Crítico de Clóvis Moura. Legendas de Miriam N. Ferrara. São Paulo: Imprensa Oficial: Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, Edição Fac-Similar, 2002. -MOURA Clóvis. História do Negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1989. -MOURA Clóvis. Organizações negras, in Singer. Paul. Brant. Vinícius Caldeira (org.). São Paulo: o povo em movimento. Petrópolis: Vozes: CEBRAP, 1982.
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