3ao clarice, joão cabral e guimarães

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3ao clarice, joão cabral e guimarães

  1. 1. CLARICE, JOÃO CABRAL Os grandes autores da geração de E GUIMARÃES 45.
  2. 2. CLARICE – OS DESASTRES DE SOFIA ―O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Em vez de nó na garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhara. Passei a me comportar mal na sala. Falava muito alto, mexia com os colegas, interrompia a lição com piadinhas, até que ele dizia, vermelho: — Cale-se ou expulso a senhora da sala. Ferida, triunfante, eu respondia em desafio: pode me mandar! Ele não mandava, senão estaria me obedecendo. ‖ Lispector, Clarice – Legião estrangeira, Rio de Janeiro, Editora Rocco, 1999.)
  3. 3. CLARICE: POESIA EM PROSA “Lá (pátio do colégio) cabia um ar livre imenso. (...) Meninos e meninas faziam ali seu mel .” “É possível também que já então meu tema de vida fosse a irrealizável esperança.” “A gota de suor foi descendo pelo nariz e pela boca, dividindo ao meio meu sorriso.” “Meu sorriso cristalizara em silêncio, e mesmo os ruídos que vinham do parque escorriam pelo lado de fora do silêncio.” “Meu pai estava no trabalho, minha mãe morrera há meses. Eu era o único eu.” “Ele me olhava com os olhos despenteados, como se tivesse acordado.” “ Na minha impureza em havia depositado a esperança de redenção nos adultos.”
  4. 4. JOÃO CABRAL: MORTE E VIDA SEVERINA
  5. 5. GUIMARÃES ROSA: FAMIGERADO Nesse conto é possível observar o poder da força, Damásio, em oposição ao poder da instrução, do conhecimento médico. Um médico do interior (narrador da história) recebe a visita de quatro cavaleiros rudes do sertão. Seu líder, Damásio, conhecido assassino da região, quer que o doutor, pessoa letrada do lugar, o esclareça a respeito do significado da palavra ―famigerado‖, pois ouviu esta palavra de um moço do governo. Caso o médico tivesse revelado o sentido dicionarizado do termo ―famigerado‖, estaria, por certo, infligindo uma sentença de morte ao moço. Guimarães Rosa tematiza a importância da linguagem. Seu conhecimento ou não determina as posições sociais.
  6. 6. GUIMARÃES ROSA: A TERCEIRA MARGEM DO RIO Um homem que evade de toda e qualquer convivência com a família e com a sociedade, preferindo a completa solidão do rio, lugar em que, dentro de uma canoa, rema ―rio abaixo, rio a fora, rio a dentro‖. Por contradizer os padrões normais de comportamento, ele é tido como um desequilibrado . Narração em 1ª pessoa – o filho. A escolha do isolamento no rio instiga permanentemente o filho. Este é levado a questionar o próprio existir humano .
  7. 7. GUIMARÃES ROSA: PARTIDA DO AUDAZ NAVEGANTE Narrado em terceira pessoa, no qual há duas histórias justapostas: a que nos conta o narrador, envolvendo as crianças; e a que Brejeirinha inventa sobre o ―Audaz Navegante‖. Desenvolve duas narrativas correspondentes, a do narrador onisciente e a de Brejeirinha sobre as mesmas personagens e ações, Zito, a namorada, a separação e o reencontro . A intenção é privilegiar a linguagem e o universo infantil, seus jogos e brincadeiras.
  8. 8. GUIMARÃES ROSA: A MENINA DE LÁ Rosa define Nhinhinha – Maria - ―com seus nem quatro anos‖ como a menina de lá, dotada de sabedoria, personagem que não pertence ao mundo de cá (terra), mas o de lá (céu) por ser uma criança especial, diferente das demais. Apesar de ser quieta, cabeçuda, ter olhos grandes, corpo magro e frágil, torna-se milagreira, desconstruindo, dessa forma, a ideia de que somente o forte tem o poder. A criança frágil, excluída, mostra -se especial, ganha voz e vez, tendo em vista que ―ninguém tinha real poder sobre ela‖. Morre ainda menina, figurando o conto numa categoria de lenda, própria das lendas do interior.
  9. 9. GUIMARÃES ROSA: GRANDE SERTÃO - VEREDAS 1956: Obra-prima de Guimarães, uma das mais importantes da LB; Mais de 600 páginas, sem divisão por capítulos; Foco narrativo em 1ª pessoa – Riobaldo, rico fazendeiro e um interlocutor, que não se apresenta no texto; A narrativa, longa e labiríntica, por causa das digressões do narrador, simula o próprio sertão físico, espaço onde se desenrola toda a história; Riobaldo e Diadorim.
  10. 10. GRANDE SERTÃO: CITAÇÕES "O ser tão não tem janelas nem por tas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o ser tão, ou o ser tão maldito vos governa...― "Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.― "E o que era que eu queria? Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria era – ficar sendo!" "O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais. " "Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, questão de opiniães..." "O ser tão é do tamanho do mundo― "Ser tão é isto, o senhor sabe: tudo incer to, tudo cer to― “ Viver...o senhor já sabe: Viver é etecétera."

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