Literatura Piauiense

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Literatura Piauiense

  1. 1. LITERATURA PIAUIENSE II PROFº WELLINGTON SOARES
  2. 2. AUTORES CONSAGRADOS O. G. REGO DE CARVALHO TORQUATO NETO ASSIS BRASIL H.DOBAL MÁRIO FAUSTINO FONTES IBIAPINA FASE DE CONSOLIDAÇÃO
  3. 3. 1 – O. G. REGO DE CARVALHO Orlando Geraldo Rego de Carvalho, natural de Oeiras (1930). Aos 12 anos, depois da leitura d'O Guarani, de José de Alencar, decidiu ser escritor. Colaborou em várias revistas e suplementos literários no país. Ao lado de H. Dobal e M. Paulo Nunes, fundou o Caderno de Letras Meridiano. Encantou-se em Teresina aos 83 anos, no dia 9 novembro de 2013, deixando esposa (Divaneide Carvalho) e filho (Orlando Victor). OBRAS: Ulisses Entre o Amor e a Morte (1953) Amarga Solidão (1955) Rio Subterrâneo (1967) Somos Todos Inocentes (1971) Ficção Reunida (2001) TEMAS: O. G. Rego privilegiou temas universais em suas histórias: amor, morte, solidão, loucura, família, angústia existencial, sexualidade, preconceitos, aborto, frustração amorosa e religiosidade e adolescência.
  4. 4. TEXTO SELECIONADO AMAVA-A SIM Não demorou muito, notei que o tempo havia serenado: a chuva se fora logo, mas já não me atraía a praça: esta perdera toda a poesia – Conceição. Ao voltar para a casa, indaguei de mim, enquanto metia o pé, insensivelmente, numa poça d’água, por que resistia à sedução dessa garota. Que havia nela de extraordinário, além da beleza? Nada descobrindo, cheguei à conclusão de que amava e tudo isso era passageiro. Depois, estando prestes a dormir, tornei a pensar em Conceição. Vi-a agora sorrindo, tão recatada, tão doce! Seus menores gestos me passavam pela mente, levando-me a uma ansiedade nunca sentida. Até altas horas fiquei desperto, e apenas consegui adormecer quando, desistindo de enganar meu próprio coração, disse-lhe baixinho: - Amo-a sim, meu velho. E repeti diversas vezes que a amava com loucura. ULISSES ENTRE O AMOR E A MORTE
  5. 5. O táxi livrou-se de um engarrafamento e veio por uma rua sombreada de oitizeiros Adiante o Parnaíba - uma torrente obscura, agitada ao depor do sol. Ela mal percebeu Timon, devido à névoa que caía, empalidecendo o arvoredo do bosque e as luzes do porto. Embaixo, o vulto do trem na ponte. - Chegamos; só nos resta a travessia - gritou Lucínio, em luta com a tosse. Eis o rio de minha angústia. Parece que fala, dentro dos remansos: “Ser bem-vinda. É doce a morte”. Helena empalideceu e abaixou a vista. "Não convém que me iluda. Sinto-me desfalecer agora". E recusou a mão que o primo lhe oferecia, para ajudá-la a desce. O vento fazia ondas por toda a parte, agitando o bote levemente. Ela hesitou a princípio, entrando nervosa, pelo braço do vareiro. - Ande, que está chovendo. O mestre encaminhou o barco rio acima, até que adiante largou o remo e se dirigiu ao motor. Pingos a engrossar, nuvens a todo céu. Mas ainda dava tempo para a travessia, e para chegarem à quinta em sossego. Sentados no banco da popa, juntos do saco e do baú. Lucínio e Helena miravam a vastidão das águas, confusa dentro da neblina. Iam silenciosos: ele, a evocar a insônia da noite precedente, cheia de mistério e duvida, ela absorta na contemplação das espumas, como se visse os buraquinhos de Joana na parede - uma corrente secreta, viscosa, assim um rio subterrâneo: álgido escuro e aterrador. RIO SUBTERRÂNEO
  6. 6. Entre as ruínas da cadeia, Dulce lembrava-se da manhã em que, protegida pelas rótulas da janela, entrevira a chegada de Raul. Seu porte baixo, porém garboso, era inconfundível. Quem não o conhecesse, logo imaginaria, ser descendente do velho Joaquim Ribeiro, tal a semelhança física. Como o avô, não dispensava o chapéu de palhinha, nos dias de muito sol. Viera num sedã azul, que ele próprio guiava, antes de transpor a ponte, já os meninos corriam à sua frente, cheios de alegria. À porta, velhas e mocinhas acenavam-lhe a sorrir. Com exceção de alguns rapazes, que se distraíam no jogo de damas, todos se esforçavam para ver o automóvel e o chofer. Raul, um pouco envaidecido, andara sem pressa, buzinando nas esquinas, nas ruas estreitas por onde os burricos carregavam lenha e até mesmo na Praça da Vitória, onde sobressaía o Sobrado. O prazer, sendo inédito, não tinha limites, e a cada instante exibia as luvas, ao saudar os parentes e amigos. Dulce não pudera vê-lo bem, e continuava em seu posto quando a mãe entrou no quarto. - Não tem vergonha, menina? Ela corara e não conseguira responder. D. Odete, percebendo-lhe o vexame, abanara a cabeça em negativa. SOMOS TODOS INOCENTES
  7. 7. - Não se iluda, minha filha. Você sabe o que a esperaria, se viesse a apaixonar-se por ele. Dulce olhara-a com resignação, caindo em seus braços. - Mamãe - dissera-lhe, enquanto a apertava com torça - por que não acabam essa história? Os filhos não têm culpa. A senhora afastara-se de leve, fitando-a carinhosamente. Não torne a falar nesse assunto. Eu... Eu nada posso fazer. No passado, quando Raul veio passar férias... - Calara-se de súbito, esmorecida. Ninguém consegue demover seu pai. Depois que ela saíra, Dulce atirara-se à rede, pensando com amargura no próprio destino. A mãe conhecia-lhe o segredo. E agora? O pai não lhe bateria? Não; talvez nem viesse a saber. "Oh, como é triste amar assim. Se ao menos pudéssemos falar- nos." Domingo haveria uma festa no sobrado. Lá estariam as primas de Raul com as colegas, dispostas a conquistá-lo: até Pedrina compareceria. Dulce não se conformava. Era imperioso ir, ainda que tivesse que enfrentar a zanga do pai. À noite, de tanto imaginar cenas em que lhe pedia licença, sem a obter, terminara sentindo a cabeça tonta. Quase de manhã, a brisa dos morros, cheia de perfume silvestre, restituíra-lhe a calma e ela adormecera. Ao despertar com o movimento do pai que seguia para a “Varjota”, ocorrera-lhe uma ideia. “E se eu pedir a ajuda de Amparinho?” CONTINUAÇÃO
  8. 8. 4 – TORQUATO NETO Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina no ano de 1944. Foi poeta, letrista, cineasta, critico, publicitário e jornalista. Deteve uma coluna no jornal Última Hora batizada de Geléia Geral. Não só divulgava os acontecimentos artísticos de modo geral como também emitia pareceres seus quanto à Arte. Integrou a Tropicália, ao lado de Gilberto Gil, Tom Zé, Caetano Veloso, Mutantes.Teve várias letras suas musicadas não só na época como ainda hoje. Torquato suicida-se no dia de seu aniversário em 1972. OBRAS - LIVROS Os Últimos Dias de Paupéria (1973) O Fato e a Coisa (2012) Juvenílias (2012) - FILMES O Terror da Vermelha ou o Forasteiro da Cidade Verde Só matando Adão e Eva do Paraíso ao Consumo Nosferatu no Brasil
  9. 9. TEXTOS SELECIONADOS LET’S PLAY THAT quando eu nasci um anjo louco muito louco veio ler a minha mão não era um anjo barroco era um anjo muito louco, torto com asas de avião eis que esse anjo me disse apertando minha mão com um sorriso entre dentes vai bicho desafinar o coro dos contentes vai bicho desafinar o coro dos contentes let's play that GO BACK Você me chama Eu quero ir pro cinema Você reclama Meu coração não contenta Você me ama Mas de repente a madrugada mudou E certamente Aquele trem já passou E se passou passou daqui pra melhor, foi! Só quero saber do que pode dar certo Não tenho tempo a perder
  10. 10. COGITO Eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível Eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secretos dentes nesta hora Eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um pedaço de mim Eu sou como eu sou vidente e vivo tranquilamente todas as horas do fim.
  11. 11. Eu, brasileiro, confesso Minha culpa, meu pecado Meu sonho desesperado Meu bem guardado segredo Minha aflição Eu, brasileiro, confesso Minha culpa, meu degredo Pão seco de cada dia Tropical melancolia Ao canto da juriti Aqui, meu pânico e glória Aqui, meu laço e cadeia Conheço bem minha história Começa na lua cheia E termina antes do fim Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Minha terra tem palmeiras Onde sopra o vento forte Da fome, do medo e muito Principalmente da morte Olelê, lalá A bomba explode lá fora E agora, o que vou temer? Oh, yes, nós temos banana Até pra dar e vender Olelê, lalá Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo. Marginália II Negra solidão Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Aqui, o Terceiro Mundo Pede a bênção e vai dormir Entre cascatas, palmeiras Araçás e bananeiras
  12. 12. 3 – ASSIS BRASIL Francisco de Assis de Almeida Brasil é natural de Parnaíba (1932). Juntamente Com O. G. Rego, Assis Brasil é um dos romancistas piauienses mais importantes na atualidade. Os gêneros explorados por este autor são os mais variados, desde o romance, passando pelo conto, a novela e a crítica literária. Vive atualmente em Teresina e participa ativamente do cenário cultural do Estado. OBRA: TETRALOGIA PIAUIENSE Beira Rio Beira Vida (1965) A Filha do Meio Quilo (1966) Salto do Cavalo Cobridor (1966) Pacamão(1969) CICLO DO TERROR Os que Bebem como os Cães (1975) Aprendizado da Morte (1976) Deus, Sol, Shakespeare (1978) Os Crocodilos (1980)
  13. 13. TEXTO SELECIONADO “Agora já pode namorar, Ceci.” A sineta dos navios-gaiola, o apito mais grosso de uma barca, o grito dos canoeiros, o barulho seco do arroz e feijão pisados no cais, pareciam varrer com a brisa a calçada escura , cheia de lembranças. Alguns flocos de algodão, caídos dos fardos ou das barcas, acompanhavam a correnteza barrenta, os postes traziam a luz fraca da esquina... Estava na hora das marrecas sobrevoarem os navios iluminados – as barcas carregadas soltavam apitos longos, os apitos que anunciavam a volta de Jessé, a volta de Nuno, a volta daquele batalhão de fardas douradas e altivas. Quantos haviam voltado por ela? Exatamente por ela? Talvez Nuno – nem ele. Jessé morto. Sete anos depois dos primeiros vestidos, a boneca Ceci esperaria nua e abandonada pelas roupas de fazendinhas berrantes – o filho para nascer, o anseio, a dor, queria um filho que tivesse vida diferente (como seria? Branco e dos olhos claros como Nuno?) – o rio no verão descobria todas as pedras.” BEIRA RIO BEIRA VIDA TEMAS ABORDADOS A obra de Assis Brasil, seja regional ou não regional, explora uma linearidade temática que vai ao encontro da filosofia existencialista, cara aos neorrealistas franceses, centrada principalmente em aspectos como a solidão, a dor, o absurdo, a incomunicabilidade, a angústia, a náusea, o destino e a morte.
  14. 14. OBRAS: O Tempo Consequente (1966) O Dia Sem Presságios (1970) A Viagem Imperfeita (1973) A Província Deserta (1974) A Serra Das Confusões (1978) A Cidade Substituída (1978) Os Signos E As Siglas (1986) Uma Antologia Provisória (1988) Um Homem Particular (1987) Cantiga De Folhas (1989) Hindemburgo Dobal produziu sua literatura na efervescência do modernismo brasileiro e piauiense, e junto com os escritores O. G. Rego de Carvalho e M. Paulo Nunes criaram em 1949 o Caderno de Letras Meridiano, revista que buscava uma renovação literária no Estado e que viria a sair em apenas três volumes, tornou-se célebre pelo conjunto da sua obra poética e é reconhecido pela crítica nacional como um grande poeta. 4 - H. DOBAL
  15. 15. TEXTOS SELECIONADOS OS AMANTES Eis-me de novo adolescente. Triste Vivo outra vez amor e solidão Canto em segredo palpitar macio De pétala ou de asa abandonada Outro amor em silêncio e na incerteza Oprime o coração desalentado. Ó lentidão dos dias brancos quando A angústia os deseja breves como um sonho. Insidioso amor em minha vida Reverte o tempo para o desespero, A inquietação da adolescência E o pensamento me tortura, prende Como se nunca houvesse outro consolo Que não é mais de amor. Porém de morte. O RIO Meu rio Parnaíba feito lembrança Não corre mais entre barrancos. É um fio na memória um rio esgotado No recreio de muitas manhãs Rio risco rio tatuado Na deriva de um dia perene. Meu rio turvo se depositando Num claro engano que não se renova, E descendo suas águas pelo nunca mais De outras infâncias ensolaradas. Meu rio largo de água doce de brejo Jaz o seu curso entre coroas e canaranas, E de outros meninos consumidos No sol de suas águas Num delta escuro dividido Rola do dia perene.
  16. 16. 5 – MÁRIO FAUSTINO Mário Faustino dos Santos e Silva nasceu em Teresina a 22 de outubro de 1930. Em 1940, transfere- se para Belém do Pará, ingressando no jornalismo aos 16 anos n'A Província do Pará. No ano seguinte, colabora no suplemento literário do jornal Folha do Norte, publicando seus primeiros poemas, contos e traduções. Morre em 1962, quando o avião em que viajava explode no ar na região dos Andes, Peru, matando todos os passageiros. É criado um mausoléu na cidade de Lima para todos os tripulantes do avião. Publicou um único livro, O Homem e Sua Hora , em 1955 . Em 1949, conquista uma bolsa de estudo em língua e literatura inglesa nos Estados Unidos, onde permanece até 1953. Em 1956 foi contratado pela Fundação Getúlio Vargas, na mesma época em que escreve uma página no Jornal do Brasil chamada Poesia-Experiência, publicada entre setembro de 1956 a novembro de 1958.
  17. 17. TEXTOS SELECIONADOSO MUNDO QUE VENCI DEU-ME UM AMOR O mundo que venci deu-me um amor, Um troféu perigoso, este cavalo Carregado de infantes, couraçados. O mundo que venci deu-me um amor Alado galopando em céus irados, Por cima de qualquer muro de credo, Por cima de qualquer fosso de sexo. O mundo que venci deu-me um amor Amor feito de insulto e pranto e riso, Amor que força as portas dos infernos , Amor que galga o cume ao paraíso. Amor que dorme e treme. Que desperta E toma contra mini, e me devora E me rumina em cantos de vitória...
  18. 18. Necessito de um ser, um ser humano Que me envolva de ser Contra o não ser universal, arcano Impossível de ler À luz da lua que ressarce o dano Cruel de adormecer A sós, à noite, ao pé do desumano Desejo de morrer. Necessito de um ser, de seu abraço Escuro e palpitante Necessito de um ser dormente e lasso Contra meu ser arfante: Necessito de um ser sendo ao meu lado Um ser profundo e aberto, um ser amado. NECESSITO DE UM SER, UM SER HUMANO
  19. 19. 6 – FONTES IBIAPINA João Nonon de Moura Fontes Ibiapina nasceu na cidade de Picos, em 1921. Foi jornalista, professor e magistrado, tendo sido juiz de direito em várias cidades interioranas do Piauí. Pertenceu à Academia Piauiense de Letras ( cadeira no 9), foi membro do Conselho Estadual de Cultura do Piauí, além de ser um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Parnaíba de Letras. Faleceu em Parnaíba, no ano de 1986. OBRA Palha de Arroz (1968) Sambaíba (1971) Tombador(1971) Vida Gemida em Samambaia (1984) Nas Terras de Arabutã (1984) Curral de Assombrações (1985) Destacou-se como escritor regionalista, mesclando folclore e ficção, Palha de Arroz é a sua obra mais conhecida, adaptada para o cinema em 1979, com o título de A Solução Final.
  20. 20. “ E mais sofreram outros. Muito mais sofreram outros. Deles que até morreram. Com aqueles dois olhos que a terra há de comer, viu a morte de Zeca Palito. Depois de uma grossa tunda, enterraram-no em pé, até ã altura dos peitos. Só dos ombros pra cima de fora. Aí chegou um oficial, farda da Polícia Militar, com um bocado de galões nos ombros. Só que ninguém podia saber quem era. Mascarado. Mas, de tenente para baixo, que estavam ali, fizeram continência a ele. E ficaram em posição de sentido até segundas ordens: -À vontade! A seguir, pergunta o que ele havia feito. Vai um feitor e responde que fora flagrado tentando fugir. Então o desgraçado meteu o bico da botina nos queixos de Zeca palito, que foi só a conta. Só fez descangotar. Morreu na mesma da hora. E diz que do mesmo jeito morreu Feitosa. E muitos outros. Uns dessa, outros de outra natureza, de outra maneira. O certo é que muitos brasileiros estão sepultados ali nas Ilhotas - sem cemitério, sem cruz, sem nada. Custou muito suor, muito sangue, muitas vidas aquele prédio bonito das Ilhotas onde diz que hoje é uma Escola de Menores Abandonados. Estava lá .agora até um filho de Zeca palito. Coitado! ... sofrendo naquele mesmo lugar onde seu pai sofrerá até a morte.“ PALHA DE ARROZ TEXTOS SELECIONADOS

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