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Uma Experiência Prática da Utilização da Ferramenta Moodle para Comunidades
                             Virtuais na ENSP - Fiocruz

Autores: Ana Paula Bernardo Mendonça
          Ana Cristina da Matta Furniel
          Rosane Mendes da Silva Máximo



Introdução

Com o crescimento da rede global de computadores no início da década de 1990, a
Internet surge como um novo meio de comunicação possibilitando que todos sejam
emissores e receptores de informação. Os recursos proporcionados por esse meio
substituiu as formas de interação humana territorialmente limitada.

O avanço e popularização do acesso a Internet permitiu a comunicação rápida e
instantânea entre pessoas que, de outra forma, geograficamente distante, dificilmente
teriam tal oportunidade.

Através de ferramentas como correio eletrônico, salas de bate-papo e programas de
mensagens instantâneas, permitiu-se que indivíduos participassem de discussões
formando redes sociais de interesse, o que Rheingold (1996:20) definiu como
comunidades virtuais.

As comunidades virtuais se apresentam como um espaço para a interatividade - forma
livre de expressão de comunicação horizontal - possibilitando ao sujeito estar presente
agindo tanto como emissor quanto receptor de informação. Para Rheingold, o
surgimento de um novo suporte tecnológico para a sociabilidade e a criação de novos
canais de participação do cidadão.

Na sociedade atual, enfatiza-se a cultura do compartilhamento e a formação de
memória    organizacional,   principalmente    visando   captar,   reter   e   disseminar
conhecimento tácito nas organizações (Teixeira, 2002). Com este princípio, busca-se a
alteração da idéia de “Quem detém o conhecimento, tem o poder” para “Quem troca o
conhecimento, detém o poder”. Para Beijerse (1999), este princípio é representado pelo
estímulo à cooperação entre os membros. O compartilhamento de conhecimento pode
determinar a capacidade dessas organizações, sob a ótica da administração pública,
compartilharem experiências, melhores práticas, gerarem conhecimento e resolverem
seus problemas para atender as necessidades dos cidadãos (Reis, 2005).

Na área da saúde, as comunidades virtuais são de relevância estratégica. Ampliam a
capacidade argumentativa no processo de negociação, interlocução e disseminação do
conhecimento em saúde, sejam para os gestores de saúde, gestores de informações e/ou
cidadãos. Podem ainda favorecer a troca de experiências entre profissionais médicos,
entre médicos e estudantes de medicina e entre estes últimos, proporcionando uma
melhor qualidade em sua atuação.

Este projeto contou com o levantamento de ferramentas de software-livre disponíveis e
do estudo de casos de sucesso como os da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
- Embrapa, do Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro e Petróleo
Brasileiro   -    Petrobras    e    da    Comunidade      de    usuários     do    Moodle
(http://www.moodle.org).




Origem das Comunidades Virtuais ENSP-FIOCRUZ

Um dos grandes problemas enfrentados pela maioria das instituições atualmente é não
ter a dimensão real do próprio conhecimento, e conseqüentemente também não
encontram maneiras eficientes de gerir este conhecimento.

A internet trouxe desafios, avanços e problemas para o cotidiano do trabalho das
empresas. Um exemplo disso é o uso crescente de mensagens eletrônicas. Hoje, a troca
de emails é usada para enviar notícias, escrever relatórios, avisar sobre reuniões, enfim,
para uma gama enorme de finalidades.

Se por um lado, esse fenômeno trouxe facilidades para os profissionais, principalmente
a possibilidade de trocar informações sem precisar se locomover. Por outro, alguns
problemas começam a aparecer, um deles é o tráfego de mensagens na rede interna,
causando congestionamentos na rede e falta de espaço para armazenamento. Isso, sem
falar no problema de perda de informação e redundância.
As comunidades virtuais podem e devem ser entendidas como uma excelente alternativa
para a gestão do conhecimento de uma empresa. Os conteúdos que circulam entre
grupos pelo correio eletrônico passam a fazer parte de uma base de conhecimento
estruturada por diferentes temas e ferramentas.

Este conhecimento organizado passa a ser compartilhado por grupos de profissionais ou
por todos os membros de uma instituição, dependendo dos objetivos a serem alcançados
por essa comunidade e do nível das discussões.

Segundo Jayme Teixeira Filho, podemos falar em seis benefícios básicos de uma
comunidade virtual:

   ·   Reduz os custos de comunicação entre os membros da organização;
   ·   Aumenta a produtividade na solução de problemas;
   ·   Favorece a criação de memória organizacional;
   ·   Favorece o processo de inovação de produtos e processos;
   ·   Facilita a cooperação entre os membros da organização;
   ·   Facilita o compartilhamento de conhecimentos.

Pode-se afirmar que a cultura do compartilhamento é um dos princípios mais
importantes para a gestão do conhecimento, e sob este aspecto, as comunidades virtuais
de prática aparecem como seu principal instrumento.

Em janeiro de 2006, foi iniciado o projeto de desenvolvimento das Comunidades
Virtuais ENSP-FIOCRUZ com o intuito de oferecer aos pesquisadores, professores,
profissionais e estudantes de saúde pública, localizados geograficamente distante, um
ambiente virtual para comunicação e troca de experiências para o início ou
continuação dos trabalhos iniciados em encontros presenciais. Começamos a implantar
um projeto piloto com três comunidades e atualmente, contamos com dez comunidades
em funcionamento:

   ·   Gestão do Conhecimento
   ·   Rede de Práticas em Monitoramento e Avaliação com vistas à melhoria do
         Programa de DST/AIDS
   ·   Tecnologias Educacionais em Saúde
   ·   Informação e Informática em Saúde
·   Gestão da Informação em Saúde
·   Hacia el plan de comunicación de EUROsociAL Salud
·   Curso Nacional de Qualificação de Gestores do SUS
·   ACRE (Acervo Colaborativo de Recursos Educacionais)
·   Moodle na educação em saúde
·   Sistemas de Gestão Acadêmica e padrões de troca de dados para estruturação de
      um sistema de informações da Educação em Saúde




      ·
                    Fig1. Tela inicia da Comunidade Rede de Práticas em Monitoramento e
                         Avaliação com vistas à melhoria do Programa de DST/AIDS
·   Fig2. Tela inicia da Comunidade Curso Nacional de Qualificação de Gestores do SUS




Metodologia

Após ter identificado profissionais na instituição com necessidade de um ambiente com
as características de uma Comunidade Virtual, entrevistou-se os potenciais participantes
com o objetivo de compreender como se organizavam para trocar informações e que
tipo de ferramenta ou meio eletrônico utilizavam. A partir desses dados foi identificado
as ferramentas necessárias para promover a comunicação e interação entre os
participantes da comunidade.

A opção pela utilização de uma ferramenta de ensino a distância LMS (Learning
Management System) de código livre (Open Source), chamada Moodle se justifica
principalmente pela quantidade de recursos para comunicação e interação disponíveis,
como Chat, Messenger e Wiki; pela facilidade de configuração, adaptação e utilização
do sistema; custo baixo para a implantação e disponibilização; facilidade de operação e
edição de conteúdo por usuários leigos. A maior parte das áreas de texto (fontes,
recursos, fóruns, notícias) podem ser editados usando um editor html WYSIWYG
incorporado, permitindo que os conteúdos possam ser facilmente adaptados e
disponibilizados aos participantes; possuir tradução integral das interfaces para a língua
portuguesa; possuir uma grande comunidade de desenvolvedores ativa, suporte e
atualização gratuitos através desta comunidade via internet.




Resultados

Atualmente, as Comunidades Virtuais ENSP-FIOCRUZ possuem 994 participantes
cadastrados, distribuídos em 10 comunidades temáticas. A primeira criada foi a do
Plano diretor da pós-graduação da ENSP com objetivo utilizar a comunidade virtual
para facilitar e potencializar o debate entre os membros da Comissão e os docentes da
ENSP, assim como a construção colaborativa do Plano Diretor da pós-graduação. A
segunda comunidade criada foi a de Informação e Informática em Saúde, cujo objetivo
seria proporcionar a troca de experiência para ampliar a capacidade de acesso,
tratamento, análise e utilização das Informações em Saúde, promover discussões que
venham contribuir para a construção de uma inteligência nacional no campo da
informação em saúde. Comunidade que serve também de apoio ao curso de
Especialização em Informática em Saúde. A terceira comunidade criada foi a Rede de
Práticas em Monitoramento e Avaliação em DST/HIV/Aids que tem como objetivo
fortalecer o desenvolvimento e implementação do Plano Nacional de Monitoramento e
Avaliação mediante a troca de conhecimentos e experiências com vistas a melhoria do
programa. A comunidade mais ativa em 2009 é a do Curso Nacional de Qualificação de
Gestores do SUS, um espaço de formulação de documentos e sugestões que
contemplem a complexidade e diversidade das ações da formulação de um Curso em
Rede com a participação dos diversos estados brasileiros e, também, de
acompanhamento, troca e publicidade das informações entre os parceiros envolvidos no
Projeto, visando apontar alternativas criativas para os diferentes aspectos da execução
do Curso.

Para as 10 comunidades criadas, observou-se que a comunidade com participação ativa
do moderador incentivou a participação dos membros nos fóruns e atividades propostas.
Enquanto na comunidade em que o moderador atuou somente como provedor de
conteúdo, membros só atuavam como observadores.
Dos quase mil participantes cadastrados, menos de 100 solicitaram suporte devido à
dificuldade de inscrição na comunidade, 63 participantes solicitaram suporte quanto a
utilização do sistema.

Discussão e Conclusão

Observa-se com esse estudo que o fator principal para o sucesso e a permanência ativa
de uma comunidade virtual vai além da facilidade na utilização dos recursos disponíveis
pela ferramenta. A participação ativa do moderador fomentando discussões, delimitando
propósitos específicos, desenvolvendo argumento, explorando idéias é essencial como
estímulo à participação dos membros.

As comunidades podem facilitar o processo de transferência de conhecimento, segundo
alguns autores somente 20% do conhecimento organizacional é utilizados pelas
empresas (Teixeira, 2002). Embora o sucesso das comunidades virtuais dependa de
investimentos em tecnologia e dedicação de um mediador, o principal elemento
continua sendo a mudança cultural. Esta mudança será realizada aos poucos e a medida
que os membros da instituição se sintam pertencendo ao ambiente e percebendo os
benefícios que podem ter ao utilizar as diversas ferramentas disponíveis.


Acreditamos que no caso da ENSP, o investimento em práticas de compartilhamento e
transferência de conhecimento está em sua fase incipiente, mesmo considerando-se as
trocas espontâneas entre seus profissionais, a definição de uma política de gestão do
conhecimento, com objetivos, propostas e avaliação de resultados se faz necessária para
que de fato, se possa discutir um modelo de gestão organizacional baseado em
competências e que esteja de acordo com a missão institucional, garantindo assim o
cumprimento das metas e a efetividade dos projetos.

Este modelo referencial pode ser utilizado em diferentes áreas da saúde tanto para
Comunidades Virtuais de Prática, quanto para Comunidades Virtuais de Aprendizagem
como uma ferramenta coletiva de compartilhamento e construção de conhecimento.
Referências

CASTELLS, M. A galáxia da internet: Reflexões sobre a internet, os negócios e a
sociedade. Rio de janeiro(2003).

RHEINGOLD, H. A comunidade Virtual. Lisboa: Gradiva: 1996, p.13-56.

Reis, MEA. Portal corporativo como ferramenta de gestão do conhecimento. Rio de
Janeiro. ENSP/FIOCRUZ. 2005.

TEIXEIRA Filho, Jaime. Comunidades virtuais: como as comunidades de práticas na
Internet estão mudando os negócios. Rio de Janeiro: SENAC, 2002.

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Uma Experiência Prática da Utilização da Ferramenta Moodle para Comunidades

  • 1. Uma Experiência Prática da Utilização da Ferramenta Moodle para Comunidades Virtuais na ENSP - Fiocruz Autores: Ana Paula Bernardo Mendonça Ana Cristina da Matta Furniel Rosane Mendes da Silva Máximo Introdução Com o crescimento da rede global de computadores no início da década de 1990, a Internet surge como um novo meio de comunicação possibilitando que todos sejam emissores e receptores de informação. Os recursos proporcionados por esse meio substituiu as formas de interação humana territorialmente limitada. O avanço e popularização do acesso a Internet permitiu a comunicação rápida e instantânea entre pessoas que, de outra forma, geograficamente distante, dificilmente teriam tal oportunidade. Através de ferramentas como correio eletrônico, salas de bate-papo e programas de mensagens instantâneas, permitiu-se que indivíduos participassem de discussões formando redes sociais de interesse, o que Rheingold (1996:20) definiu como comunidades virtuais. As comunidades virtuais se apresentam como um espaço para a interatividade - forma livre de expressão de comunicação horizontal - possibilitando ao sujeito estar presente agindo tanto como emissor quanto receptor de informação. Para Rheingold, o surgimento de um novo suporte tecnológico para a sociabilidade e a criação de novos canais de participação do cidadão. Na sociedade atual, enfatiza-se a cultura do compartilhamento e a formação de memória organizacional, principalmente visando captar, reter e disseminar conhecimento tácito nas organizações (Teixeira, 2002). Com este princípio, busca-se a alteração da idéia de “Quem detém o conhecimento, tem o poder” para “Quem troca o conhecimento, detém o poder”. Para Beijerse (1999), este princípio é representado pelo estímulo à cooperação entre os membros. O compartilhamento de conhecimento pode
  • 2. determinar a capacidade dessas organizações, sob a ótica da administração pública, compartilharem experiências, melhores práticas, gerarem conhecimento e resolverem seus problemas para atender as necessidades dos cidadãos (Reis, 2005). Na área da saúde, as comunidades virtuais são de relevância estratégica. Ampliam a capacidade argumentativa no processo de negociação, interlocução e disseminação do conhecimento em saúde, sejam para os gestores de saúde, gestores de informações e/ou cidadãos. Podem ainda favorecer a troca de experiências entre profissionais médicos, entre médicos e estudantes de medicina e entre estes últimos, proporcionando uma melhor qualidade em sua atuação. Este projeto contou com o levantamento de ferramentas de software-livre disponíveis e do estudo de casos de sucesso como os da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, do Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro e Petróleo Brasileiro - Petrobras e da Comunidade de usuários do Moodle (http://www.moodle.org). Origem das Comunidades Virtuais ENSP-FIOCRUZ Um dos grandes problemas enfrentados pela maioria das instituições atualmente é não ter a dimensão real do próprio conhecimento, e conseqüentemente também não encontram maneiras eficientes de gerir este conhecimento. A internet trouxe desafios, avanços e problemas para o cotidiano do trabalho das empresas. Um exemplo disso é o uso crescente de mensagens eletrônicas. Hoje, a troca de emails é usada para enviar notícias, escrever relatórios, avisar sobre reuniões, enfim, para uma gama enorme de finalidades. Se por um lado, esse fenômeno trouxe facilidades para os profissionais, principalmente a possibilidade de trocar informações sem precisar se locomover. Por outro, alguns problemas começam a aparecer, um deles é o tráfego de mensagens na rede interna, causando congestionamentos na rede e falta de espaço para armazenamento. Isso, sem falar no problema de perda de informação e redundância.
  • 3. As comunidades virtuais podem e devem ser entendidas como uma excelente alternativa para a gestão do conhecimento de uma empresa. Os conteúdos que circulam entre grupos pelo correio eletrônico passam a fazer parte de uma base de conhecimento estruturada por diferentes temas e ferramentas. Este conhecimento organizado passa a ser compartilhado por grupos de profissionais ou por todos os membros de uma instituição, dependendo dos objetivos a serem alcançados por essa comunidade e do nível das discussões. Segundo Jayme Teixeira Filho, podemos falar em seis benefícios básicos de uma comunidade virtual: · Reduz os custos de comunicação entre os membros da organização; · Aumenta a produtividade na solução de problemas; · Favorece a criação de memória organizacional; · Favorece o processo de inovação de produtos e processos; · Facilita a cooperação entre os membros da organização; · Facilita o compartilhamento de conhecimentos. Pode-se afirmar que a cultura do compartilhamento é um dos princípios mais importantes para a gestão do conhecimento, e sob este aspecto, as comunidades virtuais de prática aparecem como seu principal instrumento. Em janeiro de 2006, foi iniciado o projeto de desenvolvimento das Comunidades Virtuais ENSP-FIOCRUZ com o intuito de oferecer aos pesquisadores, professores, profissionais e estudantes de saúde pública, localizados geograficamente distante, um ambiente virtual para comunicação e troca de experiências para o início ou continuação dos trabalhos iniciados em encontros presenciais. Começamos a implantar um projeto piloto com três comunidades e atualmente, contamos com dez comunidades em funcionamento: · Gestão do Conhecimento · Rede de Práticas em Monitoramento e Avaliação com vistas à melhoria do Programa de DST/AIDS · Tecnologias Educacionais em Saúde · Informação e Informática em Saúde
  • 4. · Gestão da Informação em Saúde · Hacia el plan de comunicación de EUROsociAL Salud · Curso Nacional de Qualificação de Gestores do SUS · ACRE (Acervo Colaborativo de Recursos Educacionais) · Moodle na educação em saúde · Sistemas de Gestão Acadêmica e padrões de troca de dados para estruturação de um sistema de informações da Educação em Saúde · Fig1. Tela inicia da Comunidade Rede de Práticas em Monitoramento e Avaliação com vistas à melhoria do Programa de DST/AIDS
  • 5. · Fig2. Tela inicia da Comunidade Curso Nacional de Qualificação de Gestores do SUS Metodologia Após ter identificado profissionais na instituição com necessidade de um ambiente com as características de uma Comunidade Virtual, entrevistou-se os potenciais participantes com o objetivo de compreender como se organizavam para trocar informações e que tipo de ferramenta ou meio eletrônico utilizavam. A partir desses dados foi identificado as ferramentas necessárias para promover a comunicação e interação entre os participantes da comunidade. A opção pela utilização de uma ferramenta de ensino a distância LMS (Learning Management System) de código livre (Open Source), chamada Moodle se justifica principalmente pela quantidade de recursos para comunicação e interação disponíveis, como Chat, Messenger e Wiki; pela facilidade de configuração, adaptação e utilização do sistema; custo baixo para a implantação e disponibilização; facilidade de operação e edição de conteúdo por usuários leigos. A maior parte das áreas de texto (fontes, recursos, fóruns, notícias) podem ser editados usando um editor html WYSIWYG incorporado, permitindo que os conteúdos possam ser facilmente adaptados e disponibilizados aos participantes; possuir tradução integral das interfaces para a língua
  • 6. portuguesa; possuir uma grande comunidade de desenvolvedores ativa, suporte e atualização gratuitos através desta comunidade via internet. Resultados Atualmente, as Comunidades Virtuais ENSP-FIOCRUZ possuem 994 participantes cadastrados, distribuídos em 10 comunidades temáticas. A primeira criada foi a do Plano diretor da pós-graduação da ENSP com objetivo utilizar a comunidade virtual para facilitar e potencializar o debate entre os membros da Comissão e os docentes da ENSP, assim como a construção colaborativa do Plano Diretor da pós-graduação. A segunda comunidade criada foi a de Informação e Informática em Saúde, cujo objetivo seria proporcionar a troca de experiência para ampliar a capacidade de acesso, tratamento, análise e utilização das Informações em Saúde, promover discussões que venham contribuir para a construção de uma inteligência nacional no campo da informação em saúde. Comunidade que serve também de apoio ao curso de Especialização em Informática em Saúde. A terceira comunidade criada foi a Rede de Práticas em Monitoramento e Avaliação em DST/HIV/Aids que tem como objetivo fortalecer o desenvolvimento e implementação do Plano Nacional de Monitoramento e Avaliação mediante a troca de conhecimentos e experiências com vistas a melhoria do programa. A comunidade mais ativa em 2009 é a do Curso Nacional de Qualificação de Gestores do SUS, um espaço de formulação de documentos e sugestões que contemplem a complexidade e diversidade das ações da formulação de um Curso em Rede com a participação dos diversos estados brasileiros e, também, de acompanhamento, troca e publicidade das informações entre os parceiros envolvidos no Projeto, visando apontar alternativas criativas para os diferentes aspectos da execução do Curso. Para as 10 comunidades criadas, observou-se que a comunidade com participação ativa do moderador incentivou a participação dos membros nos fóruns e atividades propostas. Enquanto na comunidade em que o moderador atuou somente como provedor de conteúdo, membros só atuavam como observadores.
  • 7. Dos quase mil participantes cadastrados, menos de 100 solicitaram suporte devido à dificuldade de inscrição na comunidade, 63 participantes solicitaram suporte quanto a utilização do sistema. Discussão e Conclusão Observa-se com esse estudo que o fator principal para o sucesso e a permanência ativa de uma comunidade virtual vai além da facilidade na utilização dos recursos disponíveis pela ferramenta. A participação ativa do moderador fomentando discussões, delimitando propósitos específicos, desenvolvendo argumento, explorando idéias é essencial como estímulo à participação dos membros. As comunidades podem facilitar o processo de transferência de conhecimento, segundo alguns autores somente 20% do conhecimento organizacional é utilizados pelas empresas (Teixeira, 2002). Embora o sucesso das comunidades virtuais dependa de investimentos em tecnologia e dedicação de um mediador, o principal elemento continua sendo a mudança cultural. Esta mudança será realizada aos poucos e a medida que os membros da instituição se sintam pertencendo ao ambiente e percebendo os benefícios que podem ter ao utilizar as diversas ferramentas disponíveis. Acreditamos que no caso da ENSP, o investimento em práticas de compartilhamento e transferência de conhecimento está em sua fase incipiente, mesmo considerando-se as trocas espontâneas entre seus profissionais, a definição de uma política de gestão do conhecimento, com objetivos, propostas e avaliação de resultados se faz necessária para que de fato, se possa discutir um modelo de gestão organizacional baseado em competências e que esteja de acordo com a missão institucional, garantindo assim o cumprimento das metas e a efetividade dos projetos. Este modelo referencial pode ser utilizado em diferentes áreas da saúde tanto para Comunidades Virtuais de Prática, quanto para Comunidades Virtuais de Aprendizagem como uma ferramenta coletiva de compartilhamento e construção de conhecimento.
  • 8. Referências CASTELLS, M. A galáxia da internet: Reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de janeiro(2003). RHEINGOLD, H. A comunidade Virtual. Lisboa: Gradiva: 1996, p.13-56. Reis, MEA. Portal corporativo como ferramenta de gestão do conhecimento. Rio de Janeiro. ENSP/FIOCRUZ. 2005. TEIXEIRA Filho, Jaime. Comunidades virtuais: como as comunidades de práticas na Internet estão mudando os negócios. Rio de Janeiro: SENAC, 2002.