Em Busca de uma Ciberantropologia A Comunidade de Prática como Comunidade de Aprendizagem no espaço virtual Adelina Silva CEMRI, LabAV, Universidade Aberta,Portugal 17 Agosto 201,  Universidade Presbiteriana Mackenzie  S. Paulo, Brasi l
1. Conceito de Comunidade
Aglomerado físico e territorial => fatores quantificáveis População residente Número de casas Limites ou fronteiras espaciais Não inclui : população móvel; mudanças de habitação; permeabilidade fronteiriça. Não inclui : fatores emocionais, simbólicos, mentais e subjetivos de identificação dos indivíduos de um grupo de pertença. Não inclui : a ideia de elos ou laços sociais. Estabilidade temporal => localiza a comunidade no tempo e no espaço
“ a unidade do agregado populacional, a comunidade, é um  campo social estruturado de relações interindividuais que se desenrolam através do tempo . A comunidade não é apenas uma unidade territorial e uma unidade de organização: é também um  padrão temporal duradoiro de coexistências, um progresso-temporal ordenado de indivíduos, desde o seu nascimento até à sua morte, através de papéis e relacionamentos de cada tipo conhecido pela sua espécie e pela sua cultura ”   (Arensberg, cit. in O ’ Neil, 2006: 157).
Comprometimento => Comunidades Intencionais empenham-se em recriar coletivamente as suas vidas, partilhando práticas, ritos e crenças sentido de propósito comum que liga as pessoas a um viver produtivo, partilhado e solidário Movimento Anabatista; movimento sionista; kibbutz; Hippies; Quilombos
Orgânico no ser humano => vínculos  Animada por princípios vitais e liberta de limites e conceitos Finalidade pela Comunidade : doação e entrega criativa  Finalidade pela Vida : vida vivida na ação, além dos dogmas e imposições societárias, na unificação da pessoa (...)  Comunidade e Vida são uma só coisa. As comunidades que imaginamos são somente uma expressão de transbordante anseio pela Vida em sua totalidade. Toda Vida nasce de comunidades e aspira a comunidades.  (Buber, 1985: 34)
“ Na pista que leva à felicidade, não existe linha de chegada. Os pretensos meios se transformam em fins: o único consolo disponível em relação ao carácter esquivo do sonhado e ambicionado  “ estado de felicidade ”  é permanecer no curso; enquanto se está na corrida, sem cair exausto nem receber um cartão vermelho, a esperança de uma vitória futura se mantém viva ” .  (Bauman, 2009: 17)
Os invidíduos pertencem a uma única comunidade? É neste  campo técnico da escolha  que as aspirações, as decisões e as opções dos indivíduos são instrumentalizadas em prol de uma  cidadania total .
INTERNET  => interpessoal / intrapessoal / interorganizacional No meio desta mudança em direção ao individualismo da rede, é a natureza mesma da pertença que muda.   π π π π π π π π π π π π π π π Troca de informações π π π π π π π π π π π Troca de valores Troca de Competências Troca de papeis sociais Troca de bens materiais Troca de ideias π
“ A fissura nos muros de proteção da comunidade torna-se trivial com o aparecimento dos  meios mecânicos de transport e; portadores de informação alternativa (ou pessoas cuja estranheza mesma é informação diferente e conflituante com o conhecimento internamente disponível) já podem em princípio viajar tão rápido, ou mais, que as mensagens orais originárias do círculo da mobilidade humana  “ natural ” .  A distância , outrora a mais formidável das defesas da comunidade, perdeu muito de sua significação. (...) . A partir do momento em que  a informação passa a viajar independente de seus portadores, e numa velocidade muito além da capacidade dos meios mais avançados de transporte  (como no tipo de sociedade que todos habitamos nos dias de hoje),  a fronteira entre o  “ dentro ”  e o  “ fora ”  não pode mais ser estabelecida e muito menos mantida ”   ( Bauman, 2001: 18).
“ uma coisa boa ”  –  “   o que quer que  “ comunidade ”  signifique, é bom  “ ter uma comunidade , ”   “ estar numa comunidade ” …  “ lugar  ‘ cálido ’ ,  um lugar confortável e aconchegante . É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado ”  mas também  “ o tipo de mundo que não está, lamentavelmente, a nosso alcance — mas no qual gostaríamos de viver e esperamos vir a possuir ” (…)  “ outro nome do  paraíso perdido  — mas a que esperamos ansiosamente retornar, e assim buscamos febrilmente os caminhos que podem levar-nos até lá ”   Sensações de Comunidade de Bauman
T ö nnies  =>  entendimento partilhado por todos os seus membros Rosenberg =>imersão ingénua na união humana  -  círculo aconchegante   Redfield =>  pequena  comunidade,  autosuficiente  que assenta na distinção entre o  “ nós ”  e o  “ eles   Bauman a  identidade  é a ameaça à ideia de comunidade,  “ uma vida dedicada à procura da identidade é cheia de som e de fúria ” .  “ Identidade ”  significa aparecer: ser diferente e, por essa diferença, singular — e assim a procura da identidade não pode deixar de dividir e separar.
Comunidades Colaborativas no Ciberespaço Typaldos, C. (2000), RealCommunities.com
“ comunidades virtuais são os  agregados sociais surgidos na Rede  quando os intervenientes num debate o levam por diante em números e sentimentos suficientes para formarem teias de relações pessoais no ciberespaço ”   (Rheingold, 1996:19). gift economies   (Kollock, Rheingold) inteligência colectiva  (Contreras, Levy) cooking-pot markets   (Ghosh) estilo bazar  (Raymond) comunidades  open-source intelligence   (Stalder & Hirsch) common-based peer production   (Benkler)  criação colectiva  (Casacuberta) micro-media  ou  nano-media  (Rafaeli & LaRose) - wikis
CdP e produção colaborativa uma forma de cooperação e colaboração, poderá ser voluntária,  perdura no tempo,  o objectivo é a produção de informação e de conhecimento,  em comunidades que podem ser formais ou informais no ciberespaço, mas que se gerem de forma autónoma.
Repertório Sócio-Técnico “ o técnico está socialmente construído e o social está tecnicamente construído ”   (Bijker, 1995: 273) Os utilizadores constroem o significado das tecnologias através das suas práticas, porque a tecnologia está submetida a uma flexibilidade interpretativa, um conceito fundamental do construtivismo social.  O significado de uma determinada tecnologia não está predefinido: constrói-se durante o seu desenho e o seu uso. São os utilizadores que modelam com as suas práticas e que constroem com a sua dinâmica social, o significado da tecnologia.
Aponta à emergência de uma nova categoria, que apaga as distinções entre o social e o técnico e que não é simplesmente a soma das outras duas, pois o técnico está construído socialmente, tanto como o social está construído tecnicamente.  A sociedade não está determinada pela tecnologia, nem a tecnologia está determinada pela sociedade. As duas emergem durante o processo de construção dos artefatos, dos factos e dos grupos sociais relevantes. Uma comunidade no ciberespaço é um todo sócio-técnico.
Da Ciberantropologia à ciberetnografia concepção de uma comunidade de prática como objecto de estudo;  a identidade no ciberespaço está num processo de construção permanente;  os estudos sobre a CST, que tomam em consideração o efeito da arquitectura técnica na comunidade e a forma como a comunidade modela essa mesma arquitectura técnica.
As múltiplas etnografias realizadas no ciberespaço durante os últimos anos (Contreras, 2003; Hine, 2000; Mayans, 2002; Pacagnella, 1997; Reid, 2003) mostram que pode aplicar-se esta metodologia em comunidades mantidas na Internet – as cibercomunidades. Nas últimas duas décadas, a etnografia enfrentou importantes revisões que questionaram muitos de seus conceitos fundamentais (Hine, 2000), desde o conceito de campo e objeto de estudo (Wittel, 2000), até às formas narrativas (Contreras, 2003), passando pela metodologia etnográfica e pela forma de seleção de dados (Howard, 2002). “ a etnografia virtual não é pois uma mera adaptação de um "velho" método a um novo objecto de estudo ”  (Ardèvol et al., 2003:18: propostas de etnografias em rede (Howard, 2002); etnografia  “ assituada ”  (Hine, 2000).
Produção de informação significativa Tecnicasecretariado  é  um wiki que: Promove a escrita colaborativa; Apresenta um produto final (permanente construção);  Incentiva a aprendizagem reflexiva;  Utiliza diferentes formas /estratégias;  Incentiva a aprendizagem através da execução -  saber-fazer;  Exige dinâmica de trabalho de equipa –  saber-ser e  saber-estar;  Possibilita a construção de um documento público; Potencializa a interacção; Promove a negociação e a colaboração voluntária, exigindo uma mudança do papel do professor (facilitador).
Novembro de 2007 Técnicas de Secretariado (10º ano)  Membros registados - inicialmente 15  http://tecnicasecretariado.wikispaces.com
 
Participação Uma plataforma para a ação, facilitadora da reflexão, da colaboração, da comunicação e, consequentemente, de aprendizagem.  “ As páginas do wiki que achei mais proveitosas foram as do módulo 7 (Protocolo e Etiqueta), porque tive mais participação ” .(…)  ” (…)  sermos nós a escrever e a pôr lá a informação, (..) e além disso, de podermos corrigir o que os nossos colegas punham . ”  (membro C).
A participação é importante e todas as contribuições são  “ valiosas ” , com qualidades e conteúdos distintos, pelos quais os membros sabem que serão avaliados e que nem todos os utilizadores têm a mesma  “ credibilidade ”  dentro da comunidade o que poderá explicar o facto de... (…)  dedicarmos mais  (ao estudo) , de querermos mostrar às outras pessoas o que somos capazes de fazer e de aprendermos melhor ”  (membro E).
Há um repertório compartilhado de artefactos, símbolos, sensibilidades, práticas e rotinas e, os objectivos e necessidades comuns foram formulados e negociados de forma a que todos contribuam com os seus conhecimentos “ O wiki contribuiu para a minha aprendizagem porque fui obrigada a ler o que os meus colegas punham lá, e também tive de saber seleccionar a informação. Acho que foi útil, e continuar espero poder participar de igual modo ”  (membro D).
Identidade O registo estabelece categoria de membros Para participar plenamente, o registo e a criação de uma identidade são elementos inevitáveis.  Para criar uma identidade, basta aceder ao espaço wikispaces.com, fornecer um  username , uma palavra passe e uma conta de e-mail. Depois de aceder ao espaço wiki  Tecnicasecretariado   e solicitar-se ao organizador para fazer parte desse espaço.
O registo não é obrigatório e pode-se contribuir de forma completamente anónima, lançando tópicos de discussão, por exemplo “ Quando não nos encontramos em aulas podemos tirar dúvidas no wiki. E assim podemos tirar as nossas dúvidas como as dúvidas de visitantes ”  (Membro L).
Moderação Destina-se a estabelecer uma hierarquia de importância na informação.  Permite valorizar a qualidade da informação e filtrá-la. Realiza-se de forma distribuída pelos utilizadores registados e consiste na qualificação das publicações. Componente colectivo e individual  Para o domínio público, o espaço passa por ser um produto de contribuição anónima, mas para os próprios membros é um espaço moderado.  Os únicos que podem moderar são os membros registados.
“ O wiki contribui muito para a minha aprendizagem (…) quando colaboro no wiki aprendo mais coisas, aprendo a seleccionar as informações mais importantes e aprendo a colaborar e a organizar a informação com a turma ”  (membro E). (…)  “ também o facto de podermos ser mais do que um a utilizar a mesma página, por exemplo, de podemos acrescentar algo essencial ao que o nosso colega colocou ”   (membro G). “ o que sei é que quando edito algo em Tecnicasecretariado, haverá gente que lê o que lá é escrito (...) sei que qualquer coisa que escreva em Tecnicasecretariado vai ter uma audiência. O meu incentivo é esse: saber que o que faço tem visibilidade para além desta escola ”  (membro J).
Conclusão No ciberespaço, cada ferramenta oferece, a quem o habita, diferentes mecanismos para construir e desenvolver sua identidade. a ausência de um EU digital tem seus inconvenientes, nomeadamente a ausência de uma identidade (que não permite o ser-se reconhecido) e de um EU permanente que tenha uma história Ter uma presença numa comunidade e habitá-la (participando) , obriga um indivíduo a encarar suas responsabilidades, cumprir as normas e assumir  os seus atos. A moderação, assenta na identidade, pois aos membros registados é concedido o privilégio de serem moderadores e de publicarem os seus conteúdos ficando desse modo mais expostos à moderação.
Adelina Silva [email_address] Em Busca de uma Ciberantropologia A Comunidade de Prática como Comunidade de Aprendizagem no espaço virtual

Em busca de uma ciberantropologia

  • 1.
    Em Busca deuma Ciberantropologia A Comunidade de Prática como Comunidade de Aprendizagem no espaço virtual Adelina Silva CEMRI, LabAV, Universidade Aberta,Portugal 17 Agosto 201, Universidade Presbiteriana Mackenzie S. Paulo, Brasi l
  • 2.
    1. Conceito deComunidade
  • 3.
    Aglomerado físico eterritorial => fatores quantificáveis População residente Número de casas Limites ou fronteiras espaciais Não inclui : população móvel; mudanças de habitação; permeabilidade fronteiriça. Não inclui : fatores emocionais, simbólicos, mentais e subjetivos de identificação dos indivíduos de um grupo de pertença. Não inclui : a ideia de elos ou laços sociais. Estabilidade temporal => localiza a comunidade no tempo e no espaço
  • 4.
    “ a unidadedo agregado populacional, a comunidade, é um campo social estruturado de relações interindividuais que se desenrolam através do tempo . A comunidade não é apenas uma unidade territorial e uma unidade de organização: é também um padrão temporal duradoiro de coexistências, um progresso-temporal ordenado de indivíduos, desde o seu nascimento até à sua morte, através de papéis e relacionamentos de cada tipo conhecido pela sua espécie e pela sua cultura ” (Arensberg, cit. in O ’ Neil, 2006: 157).
  • 5.
    Comprometimento => ComunidadesIntencionais empenham-se em recriar coletivamente as suas vidas, partilhando práticas, ritos e crenças sentido de propósito comum que liga as pessoas a um viver produtivo, partilhado e solidário Movimento Anabatista; movimento sionista; kibbutz; Hippies; Quilombos
  • 6.
    Orgânico no serhumano => vínculos Animada por princípios vitais e liberta de limites e conceitos Finalidade pela Comunidade : doação e entrega criativa Finalidade pela Vida : vida vivida na ação, além dos dogmas e imposições societárias, na unificação da pessoa (...) Comunidade e Vida são uma só coisa. As comunidades que imaginamos são somente uma expressão de transbordante anseio pela Vida em sua totalidade. Toda Vida nasce de comunidades e aspira a comunidades. (Buber, 1985: 34)
  • 7.
    “ Na pistaque leva à felicidade, não existe linha de chegada. Os pretensos meios se transformam em fins: o único consolo disponível em relação ao carácter esquivo do sonhado e ambicionado “ estado de felicidade ” é permanecer no curso; enquanto se está na corrida, sem cair exausto nem receber um cartão vermelho, a esperança de uma vitória futura se mantém viva ” . (Bauman, 2009: 17)
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    Os invidíduos pertencema uma única comunidade? É neste campo técnico da escolha que as aspirações, as decisões e as opções dos indivíduos são instrumentalizadas em prol de uma cidadania total .
  • 9.
    INTERNET =>interpessoal / intrapessoal / interorganizacional No meio desta mudança em direção ao individualismo da rede, é a natureza mesma da pertença que muda. π π π π π π π π π π π π π π π Troca de informações π π π π π π π π π π π Troca de valores Troca de Competências Troca de papeis sociais Troca de bens materiais Troca de ideias π
  • 10.
    “ A fissuranos muros de proteção da comunidade torna-se trivial com o aparecimento dos meios mecânicos de transport e; portadores de informação alternativa (ou pessoas cuja estranheza mesma é informação diferente e conflituante com o conhecimento internamente disponível) já podem em princípio viajar tão rápido, ou mais, que as mensagens orais originárias do círculo da mobilidade humana “ natural ” . A distância , outrora a mais formidável das defesas da comunidade, perdeu muito de sua significação. (...) . A partir do momento em que a informação passa a viajar independente de seus portadores, e numa velocidade muito além da capacidade dos meios mais avançados de transporte (como no tipo de sociedade que todos habitamos nos dias de hoje), a fronteira entre o “ dentro ” e o “ fora ” não pode mais ser estabelecida e muito menos mantida ” ( Bauman, 2001: 18).
  • 11.
    “ uma coisaboa ” – “ o que quer que “ comunidade ” signifique, é bom “ ter uma comunidade , ” “ estar numa comunidade ” … “ lugar ‘ cálido ’ , um lugar confortável e aconchegante . É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado ” mas também “ o tipo de mundo que não está, lamentavelmente, a nosso alcance — mas no qual gostaríamos de viver e esperamos vir a possuir ” (…) “ outro nome do paraíso perdido — mas a que esperamos ansiosamente retornar, e assim buscamos febrilmente os caminhos que podem levar-nos até lá ” Sensações de Comunidade de Bauman
  • 12.
    T ö nnies => entendimento partilhado por todos os seus membros Rosenberg =>imersão ingénua na união humana - círculo aconchegante Redfield => pequena comunidade, autosuficiente que assenta na distinção entre o “ nós ” e o “ eles Bauman a identidade é a ameaça à ideia de comunidade, “ uma vida dedicada à procura da identidade é cheia de som e de fúria ” . “ Identidade ” significa aparecer: ser diferente e, por essa diferença, singular — e assim a procura da identidade não pode deixar de dividir e separar.
  • 13.
    Comunidades Colaborativas noCiberespaço Typaldos, C. (2000), RealCommunities.com
  • 14.
    “ comunidades virtuaissão os agregados sociais surgidos na Rede quando os intervenientes num debate o levam por diante em números e sentimentos suficientes para formarem teias de relações pessoais no ciberespaço ” (Rheingold, 1996:19). gift economies (Kollock, Rheingold) inteligência colectiva (Contreras, Levy) cooking-pot markets (Ghosh) estilo bazar (Raymond) comunidades open-source intelligence (Stalder & Hirsch) common-based peer production (Benkler) criação colectiva (Casacuberta) micro-media ou nano-media (Rafaeli & LaRose) - wikis
  • 15.
    CdP e produçãocolaborativa uma forma de cooperação e colaboração, poderá ser voluntária, perdura no tempo, o objectivo é a produção de informação e de conhecimento, em comunidades que podem ser formais ou informais no ciberespaço, mas que se gerem de forma autónoma.
  • 16.
    Repertório Sócio-Técnico “o técnico está socialmente construído e o social está tecnicamente construído ” (Bijker, 1995: 273) Os utilizadores constroem o significado das tecnologias através das suas práticas, porque a tecnologia está submetida a uma flexibilidade interpretativa, um conceito fundamental do construtivismo social. O significado de uma determinada tecnologia não está predefinido: constrói-se durante o seu desenho e o seu uso. São os utilizadores que modelam com as suas práticas e que constroem com a sua dinâmica social, o significado da tecnologia.
  • 17.
    Aponta à emergênciade uma nova categoria, que apaga as distinções entre o social e o técnico e que não é simplesmente a soma das outras duas, pois o técnico está construído socialmente, tanto como o social está construído tecnicamente. A sociedade não está determinada pela tecnologia, nem a tecnologia está determinada pela sociedade. As duas emergem durante o processo de construção dos artefatos, dos factos e dos grupos sociais relevantes. Uma comunidade no ciberespaço é um todo sócio-técnico.
  • 18.
    Da Ciberantropologia àciberetnografia concepção de uma comunidade de prática como objecto de estudo; a identidade no ciberespaço está num processo de construção permanente; os estudos sobre a CST, que tomam em consideração o efeito da arquitectura técnica na comunidade e a forma como a comunidade modela essa mesma arquitectura técnica.
  • 19.
    As múltiplas etnografiasrealizadas no ciberespaço durante os últimos anos (Contreras, 2003; Hine, 2000; Mayans, 2002; Pacagnella, 1997; Reid, 2003) mostram que pode aplicar-se esta metodologia em comunidades mantidas na Internet – as cibercomunidades. Nas últimas duas décadas, a etnografia enfrentou importantes revisões que questionaram muitos de seus conceitos fundamentais (Hine, 2000), desde o conceito de campo e objeto de estudo (Wittel, 2000), até às formas narrativas (Contreras, 2003), passando pela metodologia etnográfica e pela forma de seleção de dados (Howard, 2002). “ a etnografia virtual não é pois uma mera adaptação de um "velho" método a um novo objecto de estudo ” (Ardèvol et al., 2003:18: propostas de etnografias em rede (Howard, 2002); etnografia “ assituada ” (Hine, 2000).
  • 20.
    Produção de informaçãosignificativa Tecnicasecretariado é um wiki que: Promove a escrita colaborativa; Apresenta um produto final (permanente construção); Incentiva a aprendizagem reflexiva; Utiliza diferentes formas /estratégias; Incentiva a aprendizagem através da execução - saber-fazer; Exige dinâmica de trabalho de equipa – saber-ser e saber-estar; Possibilita a construção de um documento público; Potencializa a interacção; Promove a negociação e a colaboração voluntária, exigindo uma mudança do papel do professor (facilitador).
  • 21.
    Novembro de 2007Técnicas de Secretariado (10º ano) Membros registados - inicialmente 15 http://tecnicasecretariado.wikispaces.com
  • 22.
  • 23.
    Participação Uma plataformapara a ação, facilitadora da reflexão, da colaboração, da comunicação e, consequentemente, de aprendizagem. “ As páginas do wiki que achei mais proveitosas foram as do módulo 7 (Protocolo e Etiqueta), porque tive mais participação ” .(…) ” (…) sermos nós a escrever e a pôr lá a informação, (..) e além disso, de podermos corrigir o que os nossos colegas punham . ” (membro C).
  • 24.
    A participação éimportante e todas as contribuições são “ valiosas ” , com qualidades e conteúdos distintos, pelos quais os membros sabem que serão avaliados e que nem todos os utilizadores têm a mesma “ credibilidade ” dentro da comunidade o que poderá explicar o facto de... (…) dedicarmos mais (ao estudo) , de querermos mostrar às outras pessoas o que somos capazes de fazer e de aprendermos melhor ” (membro E).
  • 25.
    Há um repertóriocompartilhado de artefactos, símbolos, sensibilidades, práticas e rotinas e, os objectivos e necessidades comuns foram formulados e negociados de forma a que todos contribuam com os seus conhecimentos “ O wiki contribuiu para a minha aprendizagem porque fui obrigada a ler o que os meus colegas punham lá, e também tive de saber seleccionar a informação. Acho que foi útil, e continuar espero poder participar de igual modo ” (membro D).
  • 26.
    Identidade O registoestabelece categoria de membros Para participar plenamente, o registo e a criação de uma identidade são elementos inevitáveis. Para criar uma identidade, basta aceder ao espaço wikispaces.com, fornecer um username , uma palavra passe e uma conta de e-mail. Depois de aceder ao espaço wiki Tecnicasecretariado e solicitar-se ao organizador para fazer parte desse espaço.
  • 27.
    O registo nãoé obrigatório e pode-se contribuir de forma completamente anónima, lançando tópicos de discussão, por exemplo “ Quando não nos encontramos em aulas podemos tirar dúvidas no wiki. E assim podemos tirar as nossas dúvidas como as dúvidas de visitantes ” (Membro L).
  • 28.
    Moderação Destina-se aestabelecer uma hierarquia de importância na informação. Permite valorizar a qualidade da informação e filtrá-la. Realiza-se de forma distribuída pelos utilizadores registados e consiste na qualificação das publicações. Componente colectivo e individual Para o domínio público, o espaço passa por ser um produto de contribuição anónima, mas para os próprios membros é um espaço moderado. Os únicos que podem moderar são os membros registados.
  • 29.
    “ O wikicontribui muito para a minha aprendizagem (…) quando colaboro no wiki aprendo mais coisas, aprendo a seleccionar as informações mais importantes e aprendo a colaborar e a organizar a informação com a turma ” (membro E). (…) “ também o facto de podermos ser mais do que um a utilizar a mesma página, por exemplo, de podemos acrescentar algo essencial ao que o nosso colega colocou ” (membro G). “ o que sei é que quando edito algo em Tecnicasecretariado, haverá gente que lê o que lá é escrito (...) sei que qualquer coisa que escreva em Tecnicasecretariado vai ter uma audiência. O meu incentivo é esse: saber que o que faço tem visibilidade para além desta escola ” (membro J).
  • 30.
    Conclusão No ciberespaço,cada ferramenta oferece, a quem o habita, diferentes mecanismos para construir e desenvolver sua identidade. a ausência de um EU digital tem seus inconvenientes, nomeadamente a ausência de uma identidade (que não permite o ser-se reconhecido) e de um EU permanente que tenha uma história Ter uma presença numa comunidade e habitá-la (participando) , obriga um indivíduo a encarar suas responsabilidades, cumprir as normas e assumir os seus atos. A moderação, assenta na identidade, pois aos membros registados é concedido o privilégio de serem moderadores e de publicarem os seus conteúdos ficando desse modo mais expostos à moderação.
  • 31.
    Adelina Silva [email_address]Em Busca de uma Ciberantropologia A Comunidade de Prática como Comunidade de Aprendizagem no espaço virtual