Teoria
Macroeconômica
Carlândia Brito Santos Fernandes
Teoria macroeconômica
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Fernandes, Carlândia Brito Santos
	
	 ISBN 978-85-8482-326-0
1.	Macroeconomia. 2. Brasil - Política econômica. 3.
Economia keynesiana. I. Título.
	 CDD 339
Fernandes. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2016.
176 p.
F7363t Teoria macroeconômica / Carlândia Brito Santos
© 2016 por Editora e Distribuidora Educacional S.A
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Sumário
Unidade 1 | Macroeconomia Clássica
Seção 1 - Produto, emprego e equilíbrio
1.1 | Demanda e oferta de trabalho
1.2 | A oferta agregada de longo prazo
Seção 2 - Demanda agregada, moeda e preços
Seção 3 - Consumo, investimento, poupança e juros
3.1 | Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada
3.2 | Algumas questões comentadas
Unidade 2 | Macroeconomia Keynesiana
Seção 1 - O princípio da demanda efetiva
1.1 | O princípio de demanda efetiva
Seção 2 - Modelo keynesiano simples
2.1 | Modelo keynesiano com consumo
Seção 3 - Os componentes da demanda agregada
3.1 | Modelo keynesiano com consumo e investimento
3.2 | O multiplicador
3.4 | Modelo keynesiano com governo e setor externo
Unidade 3 | Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
Seção 1 - O modelo IS-LM
1.1 | Derivação da curva IS
1.2 | Derivação da curva LM
Seção 2 - Equilíbrio no modelo IS-LM
2.1 | Efeitos da política fiscal no modelo iS-lM
2.2 | Efeitos da política monetária no modelo IS-LM
2.3 | Combinação de políticas monetária e fiscal
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39
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53
53
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59
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67
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106
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109
Seção 3 - Modelo IS-LM-BP
3.1 | A curva de balanço de pagamentos (BP)
3.2 | A curva BP sem mobilidade de capital
3.3 | Curva BP com livre mobilidade de capital
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115
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Unidade 4 | O papel da política econômica
Seção 1 - O modelo de oferta agregada e demanda
agregada (OA-DA)
1.1 | Derivando a demanda agregada
1.2 | Derivando a oferta agregada
1.3 | Equilíbrio entre demanda agregada e oferta agregada
1.4 | O papel das políticas econômicas no modelo oa-Da
Seção 2 - A curva de Phillips
2.1 | A curva de Phillips: origem e transformações
2.2 | Derivando a curva de Phillips a partir da relação de oferta agregada
Seção 3 - Expectativas, novo-clássicos, ciclos reais de
negócios e novo-keynesianos
3.1 | Expectativas
3.2 | Ciclos reais de negócios, novo-clássicos e novo-keynesianos
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Apresentação
Caro aluno, sabemos que na macroeconomia estudamos os agregados
econômicos. Nesta disciplina os estudaremos sob as perspectivas clássica e
keynesiana, principalmente.
Na primeira unidade estudaremos a macroeconomia clássica, que pode ser
considerada uma análise de longo prazo, pois os preços e os salários são flexíveis.
Para isto, veremos o comportamento do mercado de trabalho e de fundos de
empréstimos.
Na segunda unidade entenderemos o comportamento básico do modelo
keynesiano, que, ao contrário do clássico, é considerado de curto prazo, pois preços
e salários são inflexíveis. Veremos, entre outros aspectos, como a despesa agregada
é composta e como o nível de renda da economia é determinado.
Na terceira unidade aprenderemos o funcionamento dos modelos IS-LM simples
e IS-LM-BP, veremos que as ideias de Keynes são a base destes modelos.
Na quarta e última unidade analisaremos o papel das políticas econômicas
integrando os mercados de bens, financeiro e de trabalho. Isso possibilitará termos
claro como se dará o equilíbrio do curto para o longo prazo.
No final seremos capazes de definir o que gera, de acordo com diferentes teorias,
as flutuações econômicas e como o equilíbrio é alcançado. Veremos também como
as políticas econômicas são aplicadas para este fim.
Tenhaemmentequeassimcomoasoutrasdisciplinas,estaexigemuitadedicação,
é importante que faça sempre as atividades sugeridas. Fique atento às questões para
reflexão e para aprofundar seus conhecimentos recorra às sugestões de leituras
complementares. Você tem ciência que há uma ampla equipe de professores e
tutores para atendê-lo e tornar o processo de aprendizado o mais simples possível?
Lembre-se sempre disso e, mediante dúvidas, comentários e sugestões, não hesite
em nos procurar.
Vamos então compreender a macroeconomia?
Bons estudos!
Profª Drª Carlândia Brito Santos Fernandes
Unidade 1
MACROECONOMIA CLÁSSICA
Objetivos de aprendizagem:
Nesta unidade você será levado a compreender a macroeconomia
clássica.
Carlândia Brito Santos Fernandes
Nesta seção estudaremos a oferta agregada clássica, a oferta e demanda
de trabalho, o equilíbrio no mercado de trabalho e os deslocamentos da
curva de oferta. Para isso, precisaremos ter claro o que envolve os fatores
de produção e a função de produção.
Nesta seção discutiremos a demanda agregada clássica, os
comportamentos da moeda e dos preços e os deslocamentos da curva
de demanda.
Nesta seção serão abordados o funcionamento do mercado de fundos
de empréstimos e o equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada.
Seção 1 | Produto, emprego e equilíbrio
Seção 2 | Demanda agregada, moeda e preços
Seção 3 | Consumo, investimento, poupança e juros
Macroeconomia Clássica
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Macroeconomia Clássica
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Introdução à unidade
Caro aluno! Quantas vezes você deve ter ouvido falar na mídia sobre desemprego,
capacidade ociosa e crescimento econômico? Estas preocupações são a base da
macroeconomia.
Assim, na evolução do pensamento econômico encontramos as raízes de tais
preocupações. Com os mercantilistas e fisiocratas a resposta a essas questões era
dada ainda de maneira pontual, propondo que o crescimento depende do acúmulo
de metais preciosos ou aumento da produção agrícola.
Porém, os fundamentos macroeconômicos com uma teoria sistematicamente
organizada para explicar as questões do crescimento e desemprego foram
primeiramente organizados pelos economistas da Escola Clássica.
Desta forma a macroeconomia clássica está relacionada à escola fundadora do
pensamento econômico, que inclui autores como Adam Smith e David Ricardo.
Conforme afirma Bresser-Pereira (1976) a macroeconomia clássica, assim como
toda a teoria econômica clássica, parte do pressuposto fundamental de que o
mundo econômico é governado por leis naturais, que ao funcionarem livremente,
produzirão sempre os melhores resultados possíveis. O modelo clássico que será
apresentado nesta unidade, assim como em outros livros texto, não se trata de
um modelo desenvolvido por um autor clássico em específico, mas sim da junção
das ideias de diferentes autores. É importante sabermos que o modelo clássico
apresentado nos livros-texto de macroeconomia, na verdade refere-se ao modelo
neoclássico, que se baseia na hipótese de racionalidade dos agentes econômicos
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Antes de darmos sequência ao estudo, precisamos abordar alguns aspectos que
nos auxiliarão na compreensão dos próximos itens.
•	 No estudo da macroeconomia há dois grupos de variáveis: as que descrevem
a economia real, pois não consideram a influência dos preços, ou ainda, são
variáveis medidas em unidades físicas. Como o produto real, o investimento,
a poupança, o emprego e a taxa de juros real; e as variáveis que descrevem
as variações nos valores nominais, são mensuradas em unidades monetárias.
Como a inflação, a taxa de juros nominal, o produto nominal e o salário
nominal. A divisão destas variáveis será muito importante no entendimento
da macroeconomia clássica.
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•	 Os economistas clássicos consideram que a economia opera sempre em
nível de pleno emprego. Todos os indivíduos que desejam trabalhar estão
trabalhando, o que acontece em função da hipótese de preços e salários
flexíveis.
•	 Dentro da macroeconomia clássica é válida a Lei de Say (Jean Batiste Say) de
que a oferta cria a sua própria demanda. Assim, os indivíduos utilizam toda a
sua renda na aquisição de mercadorias.
Nesta unidade concentraremos os estudos na oferta agregada e na demanda
agregada. Para isso, exploraremos os principais agregados macroeconômicos
(produto, investimentos, poupança, emprego, estoque de moeda, nível de preços
etc.) e veremos como se dá o equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada,
considerando, inclusive, uma economia com governo. No final dessa unidade
teremos os elementos suficientes para se compreender a macroeconomia clássica.
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Seção 1
Produto, emprego e equilíbrio
Introdução à seção
O foco desta seção é a oferta agregada, que se refere à quantidade total de
produtos que o setor produtivo (empresas e famílias) deseja disponibilizar no
mercado, por período de tempo, a um determinado preço. Assim, tudo que
é produzido na economia compõe o produto agregado, o produto interno
bruto (PIB). Para explorarmos e obtermos a oferta agregada de uma economia,
precisamos entender os seus componentes, que são os fatores de produção e a
função de produção.
Sabemos que o processo de produção envolve a combinação de vários fatores,
os quais são chamados de fatores de produção ou insumos. As empresas se utilizam
desses fatores, que são, principalmente, trabalho (N) e capital (K), dada a tecnologia
(A), e os combinam para se gerar produto (Y). O capital não se refere a dinheiro,
mas sim aos estoques de equipamentos e estruturas que os trabalhadores utilizam
para realizarem suas tarefas e que os tornam mais produtivos, como, por exemplo,
os computadores, as colheitadeiras utilizadas na agricultura, os caminhões que
uma transportadora utiliza e os fogões e freezers de um restaurante. Trabalho é
o tempo de trabalho humano que as pessoas dispendem durante a produção.
Tecnologia é o nível tecnológico, o conhecimento da melhor forma possível para
se produzir bens e serviços. São exemplos de tecnologia a linha de montagem de
carros de Henry Ford, a telefonia móvel e as tecnologias de acesso remoto como a
Caro aluno, para entender os conceitos de oferta, demanda e os
demais agregados macroeconômicos você deve ler o Capítulo 1 e
2 do livro de ABEL, Andrew. Macroeconomia. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2008. Disponível na Biblioteca Digital.
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wi-fi. Há ainda outros fatores de produção, como os recursos naturais (como terra
e minerais) e o capital humano, que envolve as habilidades e conhecimentos dos
trabalhadores, obtidos por meio de investimento em educação e treinamentos ou
por meio da própria experiência. Por motivos de simplificação, não os incluiremos
na função de produção.
A forma como os fatores de produção é combinada para se gerar o máximo
de produto (PIB real) é expressa por meio de uma função de produção, como a
que podemos ver na figura 1.1. De outra forma, a função de produção evidencia a
tecnologia (A), pois a tecnologia é exatamente a forma como a função transforma
os fatores de produção em produto. Assim, por exemplo, uma melhora do nível
tecnológico, mantendo os demais fatores constantes, leva a um aumento na
quantidade produzida.
O fato é que a função de produção tem relação direta com as variáveis que
a determina: um aumento (redução) na quantidade utilizada de capital leva a um
aumento (redução) do produto; um aumento (redução) no número empregado
de trabalhadores leva a um aumento (redução) do produto. Além disto, para uma
dada tecnologia (A), a função de produção apresenta retornos constantes de
escala, ou seja, a produção responde em proporção exatamente igual à proporção
de alteração nos fatores de produção. Por exemplo, dada a tecnologia (A), uma
redução de 10% nas quantidades utilizadas de capital (K) e trabalho (N), gera uma
redução de 10% no produto (Y).
Y= A.F(K, N)
O que acontece se somente um dos fatores de produção variar e o outro se
manter fixo? Imagine que você é um empresário e que mantém fixa a quantidade
utilizada de máquinas em seu processo de produção, alterando somente a
quantidade de trabalho. Nesta situação, os aumentos marginais na quantidade de
trabalho provocarão aumentos na quantidade produzida, porém os aumentos serão
cada vez menores. Isto significa que a produtividade marginal do fator de produção
(o incremento da produção em resultado do aumento de uma unidade do fator,
tomando os demais como fixos) é decrescente (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Os termos retornos de escala, produtividade marginal de um fator (ou
produto marginal) e curto prazo, são da microeconomia. Você pode
saber mais sobre estes e outros termos no capítulo 6 - Produção -
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Agora que conhecemos um pouco sobre a produção, podemos obter
graficamente a função de produção agregada. Sendo o curto prazo o período no
qual existe pelo menos um fator de produção fixo, considerando o trabalho como
o único fator variável, a função de produção é ilustrada na figura 1.1, no espaço de
produto (Y) e quantidade de trabalho (N), e é positivamente inclinada, pois conforme
vimos a relação entre o produto e os fatores que o determina é direta.
do livro de PINDYCK, Robert; RUBINFELD, Daniel. Microeconomia.
8. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. Disponível na
Biblioteca Digital.
A relação entre a taxa de desemprego e o produto real é inversa, um
aumento na taxa de desemprego está associado a uma redução no
PIB (produto interno bruto) real. Esta relação é chamada de Lei de
Okun, em homenagem a Arthur Okun. Para conhecer mais sobre esta
lei, você pode consultar o “Estudo de caso 2.4 - Desemprego, PIB e
Lei de Okun” apresentado no livro do Mankiw (2004 p. 28-29).
Figura 1.1 | Função de produção agregada
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 108)
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A função de produção pode se deslocar para cima (esquerda) ou para baixo
(direita). Suponha um aumento no estoque de capital, a função de produção se
desloca para cima, com isto, obtém-se mais produto com uma mesma quantidade
de trabalho. Em resumo, temos que os fatores de produção e a função de produção
determinam a produção agregada.
Vimos que a quantidade de trabalho influencia diretamente a quantidade
produzida, assim, precisamos entender melhor como se comporta o mercado de
trabalho, é o que veremos no próximo item.
1.1	 Demanda e oferta de trabalho
O comportamento do mercado de trabalho lembra o comportamento do
mercado de bens e serviços, por exemplo, a análise da oferta e demanda de artigos
de vestuário, mas tem algumas diferenças. Primeiro, no mercado de trabalho os
ofertantes de mão de obra são os trabalhadores e os demandantes os empresários.
No mercado de bens e serviços os ofertantes são os produtores e os demandantes
os consumidores. Segundo, no mercado de trabalho a demanda por este fator é
derivada, ou seja, a demanda dos empresários por trabalho somente existe porque
os empresários decidiram ofertar um determinado bem ou serviço no respectivo
mercado de bens e serviços. Por exemplo, a demanda por costureiros(as) é
derivada da decisão do empresário da indústria de confecção a ofertar artigos de
vestuário. Uma semelhança importante é que em ambos os mercados, a relação
é dada entre preço e quantidade: no mercado de bens e serviços, o preço é o
próprio preço de venda e quantidade, o montante de produto; no mercado de
trabalho, o preço é o salário e a quantidade é o montante em horas de trabalho ou
em número de trabalhadores.
Na macroeconomia clássica, a demanda de trabalho representa a relação entre
a quantidade demandada de trabalhadores e o salário real - poder de compra, isto é,
a quantidade em produtos que se pode comprar com determinado tempo (horas)
de dedicação em trabalho - mantendo-se constante os demais fatores de produção.
Novamente retomando um conceito da microeconomia, consideramos que o
Quais seriam os efeitos de uma piora do nível tecnológico na
funçãodeprodução?Comoilustraressesefeitosgraficamente?
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mercado de trabalho (assim como o de bens e serviços) é do tipo concorrência
perfeita, a empresa é competitiva, pois há um grande número de empresas que
não conseguem afetar nem o preço de seus produtos e nem o preço do fator
trabalho. As firmas contratarão trabalhadores pensando em maximizar seus lucros
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
O lucro das empresas é a diferença entre a receita total e o custo total. De
outra forma, representa a diferença entre o montante que obtém com a venda
de seus produtos e o montante que gasta para produzi-los. Os custos envolvem
a remuneração do trabalho, o salário nominal (W) e o custo com o capital,
representado por (R), sendo que o preço pago por qualquer fator de produção
depende das quantidades ofertadas e demandas. A receita total é obtida por meio
da multiplicação da quantidade produzida (Y) pelo preço (P).
Lucro = Receita total – custo total
Lucro = P*Y - (WN + RK)
O que acontece quando, em decorrência de um aumento da demanda, a
empresa precisa aumentar sua produção?
A empresa está sempre considerando o fato de maximizar o lucro, então, se
precisa contratar mais trabalhadores, para aumentar sua produção, fará isso até o
pontoemqueforlucrativo.Aprodutividademarginaldotrabalho(PMgN)representa
quanto a produção aumenta a cada unidade empregada a mais de trabalho.
Porém, dado que os outros fatores se mantêm constantes, a função de produção
apresenta um produto marginal, do fator em questão, decrescente. Tomemos
como exemplo o caso de um restaurante. Ao se contratar mais trabalhadores o
restaurante servirá mais refeições, o PMgN é a quantidade a mais em refeições que
é obtida em função de mais um trabalhador. Fixando-se a quantidade de capital,
a estrutura da cozinha do restaurante, por exemplo, não adianta o empresário
contratar cada vez mais trabalhadores, pois a estrutura não comportará. A questão
é que, se o empresário fizer isto o número de refeições servidas irá reduzir a cada
unidade adicional de trabalho, pois haverá muitos trabalhadores para uma dada
estrutura. A isto se deve o formato da curva de função de produção da figura 1.1,
que vai se tornando mais horizontal com o aumento no número de trabalhadores,
pois a sua inclinação representa a produtividade marginal do trabalho.
Você acha que, tudo o mais constante, compensa para o empresário contratar
mais trabalhadores se o incremento que obtém em sua produção é menor do
que o gasto que tem com salários? Acredito que você já saiba a resposta. Assim,
para a empresa aumentar a sua demanda de trabalho, que reflete a produtividade
(ou produto) marginal do trabalho, o salário real deve cair, pois a produtividade
marginal do trabalho também está caindo, o que nos dá uma relação negativa
entre o salário real e a quantidade de trabalho, que é ilustrada na figura 1.2. Para
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dado salário real (W/P), a demanda de trabalho (ou de outro fator) aumenta até o
ponto em que a sua produtividade marginal se iguala ao seu preço real, o salário
real (MANKIW, 2004).
Figura 1.2 | Demanda de trabalho no modelo clássico
Fonte: Adaptado de: Mankiw (2009, p. 380)
É possível encontramos formalmente (matematicamente) o ponto
onde a PMgN se iguala a W/P, para isto basta maximizar a função lucro
em relação a N, ou seja, derivar a função em relação a N. Lembre-se
de que o produto (Y) é função do trabalho, Y=F(N), então é possível
substituir o Y da função lucro por F(N). Para mais detalhes, consulte
Lopes e Vasconcellos (2008, p. 109).
Mankiw (2009) apresenta alguns fatores que podem fazer a curva de demanda
de trabalho se deslocar:
• O preço do produto: para uma determinada empresa o valor do produto
marginal do trabalho é o produto marginal multiplicado pelo preço de venda
produto. Quando o preço do produto se altera, o seu valor marginal também
se altera e a curva de demanda de mão de obra se desloca. Um aumento
do preço do produto, por exemplo, aumenta o valor do produto marginal
de cada trabalhador e a empresa aumenta sua demanda por trabalhadores,
deslocando a curva de demanda de trabalho para a direita. No caso de
redução do preço do produto, ocorre uma redução do produto marginal,
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reduzindo a demanda da empresa por trabalhadores e deslocando a curva
de demanda de trabalho para a esquerda.
•	 Mudanças tecnológicas: para dada empresa um avanço tecnológico
aumenta o produto marginal do trabalho, o que leva a empresa a demandar
mais trabalhadores e então, a curva de demanda de trabalho se desloca
para a direita. Porém, mudanças tecnológicas também podem reduzir a
demanda por trabalhadores. Por exemplo, a invenção de um robô industrial
de baixo custo para a empresa, poderia reduzir o produto marginal do
trabalho, deslocando a curva de demanda de trabalho para a esquerda. Este
tipo de mudança é conhecido como economia de mão de obra.
•	 A oferta de outros fatores: a quantidade disponível de um fator de produção
pode afetar o produto marginal de outros fatores. Por exemplo, em uma
indústria de confecção, a redução no número de máquinas de costura
reduzirá o produto marginal dos(as) costureiros(as) e então, a empresa
reduzirá a demanda por eles. Perceba que geralmente os fatores de
produção são utilizados em conjunto, por exemplo, não há como utilizar
máquinas de costura sem costureiros(as), ou vice e versa, isso faz com que
a produtividade de cada fator dependa da quantidade dos demais fatores
que está sendo utilizada no processo de produção.
No caso do nosso país, o que você pensa sobre o progresso
tecnológico, aumenta ou reduz a mão de obra empregada? Qual
a importância da tecnologia para a produtividade do trabalho?
Você sabia que a produtividade de um trabalhador brasileiro é, em
média, um quarto da produtividade de um trabalhador americano?
Acesse reportagens sobre este assunto nos links disponíveis em:
<http://www.fgv.br/professor/ferreira/FerreiraFolha.pdf> e
<http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_
produtividade_porque_ru>. Acesso em: 23 ago. 2015.
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Fonte: Adaptado de: Mankiw (2009, p. 384)
No que se refere à quantidade de trabalho oferecida pelas famílias no mercado,
precisamos entender como a mesma é influenciada pelo salário real. No modelo
clássico, a decisão do indivíduo de quanto trabalhar corresponde à escolha de
como alocar as horas do dia entre o trabalho e o lazer. O trabalho não gera prazer,
apenas a renda necessária para poder consumir e obter a satisfação decorrente do
consumo de mercadorias. O lazer, porém, gera satisfação por si mesmo. A decisão
de quanto trabalhar decorre da maximização de uma função utilidade cuja “cesta”
de bens é composta pela renda (consumo de bens) e lazer. Cada hora adicional
de trabalho é o custo de oportunidade do lazer (o quanto se sacrifica de produto
para obter lazer) (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). A curva de oferta de trabalho
(figura 1.3) reflete a desutilidade marginal do trabalho, ou seja, mostra o quanto
deve ser o salário real para que o indivíduo abra mão do lazer e dedique seu tempo
ao trabalho.
Através da figura 1.3 evidencia-se a relação positiva entre oferta de trabalho e
salário real. Os indivíduos estão dispostos a ofertarem mais trabalho a salários reais
cada vez mais elevados. Mankiw (2009) elenca alguns fatores que podem provocar
O indivíduo pode escolher quanto do seu tempo será reservado
ao trabalho. O que você pensa sobre esta hipótese?
Figura 1.3 | Oferta de trabalho
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Fonte: adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 113-114)
Figura 1.4 | Equilíbrio no mercado de trabalho e o produto
de pleno emprego
em que a oferta
de trabalho se
iguala à demanda
de trabalho. O
mercado de
trabalho estará
sempre em
equilíbrio? Não,
poderão ocorrer
d e s e q u i l í b r i o s
na forma de
excesso de oferta
de trabalho ou
de excesso de
demanda de
trabalho. Nestes
casos, a variável
de ajuste será o
salário real. Vamos
analisar a figura
1.4 para melhor
entendermos o
funcionamento
do mercado de
trabalho.
deslocamentos na curva de oferta de trabalho:
• Mudanças das preferências: há algumas gerações as mulheres normalmente
ficavam em casa cuidando dos filhos. Hoje, as famílias são menores e mais
mães optam por estar no mercado de trabalho. Mudanças como essas
provocam aumento na oferta de mão de obra.
• Imigração: a movimentação de trabalhadores entre regiões ou entre países
é outro fator que causa deslocamentos da oferta de mão de obra.
Agora que conhecemos a demanda e oferta de trabalho podemos analisar
como ocorre o equilíbrio no mercado de trabalho. Este equilíbrio ocorre no ponto
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O ponto A, por exemplo, na figura 1.4, corresponde a um excesso de oferta
de trabalho, pois o salário real é superior àquele que garante o equilíbrio, então
os indivíduos oferecem uma quantidade de trabalho superior àquela que os
empresários demandam, representando uma situação de desemprego. O ponto
A é de desequilíbrio. Para o mercado de trabalho retornar ao ponto de equilíbrio
é necessário que o salário real reduza, o que ocorrerá em razão da disputa entre
os indivíduos para conseguir uma vaga de emprego. Porém, é importante que
tenhamos claro que a redução do salário real acontece, dado o nível de preços,
mediante uma redução do salário nominal, que é flexível. À medida que o salário
real for reduzindo os indivíduos reduzirão a quantidade ofertada de trabalho e
o mercado tenderá ao ponto de equilíbrio, que é, na macroeconomia clássica,
o ponto de pleno emprego. Este ponto é representado por Y* e será a oferta
agregada da economia, podemos identificá-lo no painel inferior da figura 1.4.
Perceba que é derivado a partir do equilíbrio do mercado de trabalho e da função
de produção. No ponto de pleno emprego todos os indivíduos que desejam
trabalhar àquele salário estão trabalhando. Desta forma, a economia está sempre
em pleno emprego, dado o salário real, não acontece de um indivíduo que deseja
trabalhar ficar desempregado.
Vejamos como Bresser-Pereira (1976) analisa essa situação:
[...] O nível de emprego seria determinado pela renda apenas
indiretamente. Diretamente dependeria do nível dos salários,
os quais dependeriam da produtividade marginal do trabalho,
ou seja, da derivada da renda em relação ao trabalhador. No
momento transitório em que houvesse desemprego, teríamos
uma indicação de que os salários estariam artificialmente
altos, de forma que estes começariam automaticamente a
declinar devido à pressão dos trabalhadores desempregados,
que estariam agora dispostos a trabalhar por um menor
salário. Como conseqüência do excesso da oferta de trabalho
baixariam os salários nominais e reais. As empresas, em vista
disso, aumentariam o número de empregados (já que a curva
de procura de empregados não sofrera alteração). Com o
aumento do número de empregados, aumentaria a renda real,
Y. Este processo continuaria até que todos os trabalhadores
fossem empregados, voltando-se à situação normal de pleno
emprego (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 17).
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O ponto B, por sua vez, que se encontra abaixo da curva de demanda,
corresponde a um excesso de demanda de trabalho, ou de alto nível de emprego. O
salário real neste ponto é inferior àquele que garante o pleno emprego. As empresas
desejam aumentar o número de postos de trabalho, mas os trabalhadores não
estão dispostos a aceitarem as propostas dos empresários àquele salário. A disputa
dos empresários por trabalhadores provoca uma pressão sobre o salário nominal
e então, do salário real, que começa a aumentar. Assim, com o salário mais alto,
os trabalhadores estão dispostos a aceitar as propostas dos empresários, o que
vai ocorrendo até que o excesso de demanda de trabalho esteja completamente
eliminado. O mercado retorna ao equilíbrio de pleno emprego, no qual o número
de trabalhadores que as empresas desejam contratar é igual ao número de
indivíduos dispostos a trabalhar por aquele salário.
O que você acha, o ponto de equilíbrio de pleno emprego pode se alterar?
A resposta a esta pergunta é sim. Os fatores que vimos anteriormente que são
responsáveis pelos deslocamentos na curva de oferta e demanda de trabalho, são,
portanto, fatores que provocam mudanças no ponto de equilíbrio do mercado
de trabalho. Sempre que ocorrerem deslocamentos nessas curvas o ponto de
equilíbrio se alterará. Se, por algum motivo, ocorrer uma redução da oferta de
trabalho, devido a um controle de natalidade, por exemplo, a curva de oferta de
trabalho se deslocará para a esquerda (e para cima). O novo ponto de cruzamento
entre as curvas de oferta e demanda de trabalho representará um novo equilíbrio
de pleno emprego, mas que terá um salário real superior ao ponto de equilíbrio
inicial, pois com a redução da oferta de trabalho o salário real terá de se ajustar de
forma a equilibrar o mercado.
O mercado de trabalho é do tipo concorrência perfeita, em
que há muitos indivíduos ofertando mão de obra e um grande
número de empresas que demandam esse fator. Um único
indivíduo tem poder de influenciar o salário que irá receber? Uma
única empresa tem poder de determinar o salário que irá pagar?
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Desde a crise global do final de 2008, a taxa de desemprego
tem oscilado muito no Brasil e também em outros países. Faça
uma pesquisa sobre a evolução da taxa de desemprego no
Brasil e compare os resultados com algum outro país de seu
interesse. Você poderá encontrar dados sobre o desemprego
nesses links:
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/
trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm> e <http://
www.ipeadata.gov.br>. Acesso em: 23 set. 2015.
Podemos frisar esta questão do pleno emprego e do mercado de trabalho na
macroeconomia clássica através da análise de uma questão do ENADE (2012),
conforme abaixo:
•	 De acordo com a teoria clássica, a economia funciona no nível de pleno
emprego; e o desemprego é o resultado da recusa dos trabalhadores de
trabalharem pelo salário vigente. Segundo essa corrente teórica, o desemprego
pode ser classificado como voluntário ou friccional (ENADE, 2012).
•	 Na teoria clássica a economia opera a pleno emprego, a dado nível de
salário real, todos os que desejam trabalhar encontrarão emprego. Assim,
nesta teoria não há possibilidade de ocorrência de desemprego involuntário.
Mas pode ocorrer desemprego friccional, que pode surgir da mobilidade da
mão de obra, de um período para adaptação dos trabalhadores às novas
condições, ou de mudanças estruturais no sistema de produção. Pode
ocorrer também, mesmo que brevemente, o desemprego voluntário, em
que o indivíduo não deseja trabalhar a determinado salário, e então, prefere
esperar que o salário se ajuste.
1.2 A oferta agregada de longo prazo
A oferta agregada (OA) de longo prazo é a relação entre a quantidade real
ofertada de produto (PIB real) e o nível de preços, em que o salário nominal se
altera de acordo com o nível de preços para manter o pleno emprego. Vimos
isso no item anterior. No nível de pleno emprego a quantidade de produto real
ofertada representa o produto potencial da economia, ou seja, o máximo que
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23
determinada economia tem condições de produzir quando todos os fatores de
produção estão sendo plenamente empregados, considerando que não haja
desperdício. O produto potencial permanecerá o mesmo independente do nível
de preços. Ao longo da curva de oferta agregada de longo prazo, à medida que o
nível de preços se altera, o salário nominal também se altera. Assim, o salário real
permanece no nível de equilíbrio de pleno emprego e o produto real no nível de
produto potencial (PARKIN, 2010).
Vimos no início da seção 1.1 que a quantidade produzida depende de capital,
trabalho e do nível de tecnologia disponível. Percebemos que de acordo com a
teoria clássica a quantidade produzida não depende do nível de preços ou salário
nominal, que são variáveis monetárias, nominais, mas sim das variáveis reais. Uma
melhora na tecnologia, por exemplo, aumenta a produtividade marginal do trabalho,
levando os empresários a demandarem mais trabalhadores e, consequentemente,
ampliando a quantidade produzida. Se o produto não depende dos preços a oferta
agregada também não. Então, se ilustramos a oferta agregada no espaço produto
e preço, como será essa curva de longo prazo? Veja a figura 1.5, em que YP
é o
produto de pleno emprego ou a renda e YE
é a renda ou o produto de equilíbrio.
A curva de oferta agregada, ou de pleno emprego, é vertical, pois o produto
potencial independe do nível de preços e a razão para isto é que um movimento
ao longo da curva é acompanhado por uma mudança tanto nos preços de
mercadorias e serviços quanto nos preços dos fatores de produção, aqui o salário
nominal. Exemplo: suponha um aumento de 5% no nível geral de preços, ou seja,
nos preços das mercadorias, como os agentes não sofrem de ilusão monetária
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 115)
Figura 1.5 | Oferta agregada de pleno emprego
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(eles sabem que os preços subiram) este aumento será acompanhado por um
aumento correspondente de 5% no salário nominal, o que manterá o poder de
compra (salário real) no mesmo patamar de pleno emprego, mantendo o nível de
emprego constante e o produto real no nível potencial (PARKIN, 2010).
A curva de oferta agregada de pleno emprego pode se deslocar, para a esquerda
ou para a direita e o que influencia nesses descolamentos são as alterações no
nível de produto potencial. Para entendermos isso melhor, precisamos entender
como o produto potencial pode ser influenciado.
•	 Mantendo-se constante os demais fatores, o produto potencial aumenta quando
aumenta a quantidade de trabalhadores de pleno emprego, o que pode ocorrer
em função de um aumento da população economicamente ativa.
•	 Aumentos no estoque de capital (incluindo capital humano) geram
aumentos no produto potencial, pois quanto maior o nível de capital por
trabalhador, maior é a produtividade do trabalho.
•	 Avanço tecnológico leva a aumento do produto potencial, uma economia
que possui melhores níveis tecnológicos produz relativamente mais do que
aquela que utiliza tecnologia obsoleta.
Aqui, compreendemos o que é a oferta agregada, como ela se comporta e
como é influenciada. Na próxima seção veremos a demanda agregada clássica.
População economicamente ativa (PEA) é um conceito elaborado
para indicar qual a parcela população está inserida no mercado de
trabalho ou que, de certa forma, está procurando se inserir nele
para exercer algum tipo de atividade remunerada. Pesquisas para
o Brasil sobre trabalho e rendimento, dentre outras características
gerais da população, são efetuadas pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD). Para obter mais informações acesse
o link: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/
trabalhoerendimento/pnad2013/default.shtm>. Acesso em: 23 set.
2015.
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Por que a curva de oferta agregada de pleno emprego é de
longo prazo? É possível ilustrar graficamente os efeitos de um
aumento do capital humano no produto potencial? Se sim,
tente realizar esta atividade.
1. A respeito da função de produção, avalie as afirmações
abaixo.
I. A função de produção tem relação direta com as variáveis
que a determina, assim, uma piora do nível tecnológico,
mantendo os demais fatores constantes, leva a um aumento
na quantidade produzida.
II. A função de produção apresenta retornos constantes
de escala. Isto significa que a produção responde em
proporção exatamente igual à proporção de alteração
nos fatores de produção. Por exemplo, dada a tecnologia,
um aumento de 8% nas quantidades utilizadas de capital
e trabalho, gerará um aumento de 8% na quantidade
produzida.
III. Se somente um dos fatores de produção variar e o
outro se manter fixo, a produtividade marginal do fator de
produção será constante.
É correto o que se afirma em:
a) I e II.
b) I e III.
c) II.
d) III e II.
e) III, II e I.
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2. Desenhe e explique a curva de oferta agregada de
longo prazo do modelo clássico. Há algum fator que pode
deslocar esta curva?
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Seção 2
Demanda agregada clássica, moeda e preços
Introdução à seção
Podemos definir a demanda agregada (DA) como a relação entre a quantidade
demandada e o nível geral de preços. Assim a sua curva expressa a quantidade
de bens e serviços que serão adquiridos a dado nível de preços. A partir da teoria
quantitativa da moeda podemos derivar a demanda agregada.
Na teoria quantitativa da moeda temos que MV = PY. Sendo M a oferta de
moeda, V a sua velocidade, por hipótese constante, P o nível de preços e Y o
produto real. Então, PY é o produto nominal ou monetário e a equação é vista
como uma equação de equilíbrio do mercado monetário que mostra que a oferta
de moeda é igual à sua demanda e que a demanda é proporcional à quantidade do
produto real (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Bresser-Pereira (1976) resume da seguinte forma o papel da moeda na teoria
clássica:
A moeda para os clássicos é uma unidade de conta e um
meio de troca. Além de servir para se somarem mercadorias
diferentes, a moeda é fundamentalmente um meio de troca.
Os homens só teriam interesse em mantê-la em seu poder
na medida em que dela necessitassem para realizar suas
transações. Segundo os clássicos, portanto, existiria apenas
um motivo para a procura de moeda: o motivo transacional. O
outro possível uso do dinheiro, como um meio de reserva de
ativos líquidos, e, portanto, seu consequente entesouramento,
era considerado irracional. Conservando o dinheiro em forma
líquida, nos bancos, sem que haja tomadores de empréstimos
ou debaixo do colchão, o capitalista estaria perdendo os juros
que poderia ganhar se houvesse aplicado seu dinheiro em
ativos fixos ou em títulos. O entesouramento, portanto, era
considerado inexistente (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 11).
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Precisamos de moeda para efetuar nossas transações, este é o motivo
transacional da demanda de moeda que está por traz da teoria
quantitativa da moeda. Para saber mais sobre esta teoria consulte o
capítulo 6 do livro de Mankiw (2004).
Observe a figura 1.6, a curva de demanda agregada tem inclinação negativa.
Por quê? Para determinada oferta de moeda, se o produto (renda) da economia
é mais elevado (lembre-se de que alterações no produto somente ocorrem em
função de alterações nas variáveis reais, na seção anterior citamos alguns fatores),
então a demanda por moeda transacional é mais elevada e um maior estoque real
de moeda seria necessário para atender às transações. Porém, como a oferta de
moeda está dada, a variável de ajuste é o nível de preços, que reduzirá. Suponha,
por exemplo, que ocorra um aumento no estoque de capital, isso gerará um
aumento no produto potencial, ou seja, crescimento econômico, pois as empresas
utilizarão um maior nível de capital por trabalhador, ampliando o produto marginal
do trabalho. O aumento do produto potencial gera aumento da demanda por
moeda, então os preços cairão de forma a ampliar o estoque real de moeda.
Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 176)
Figura 1.6 | Demanda agregada no modelo clássico
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A curva de demanda agregada pode se deslocar para a direita ou para a esquerda
e isto ocorrerá devido a alterações na quantidade ofertada de moeda. Por exemplo,
uma redução na oferta de moeda gera uma redução nos saldos monetários reais,
ou seja, do estoque real de moeda (Mo/P), reduzindo a demandada agregada (sua
curva se desloca para a esquerda), o que provoca, somente, uma redução no nível
de preços, ou seja, o produto da economia se mantém, a demanda não tem poder
em determinar o produto da economia, tem poder somente sobre o nível de
preços, o nível de produto é determinado pelas condições de oferta (quantidade
de capital, de trabalho e nível tecnológico).
Analogamente um aumento na oferta de moeda provoca um aumento do
estoque real de moeda, aumentando a demanda agregada e, então, deslocando
sua curva para a direita, conforme figura 1.7. Dado o produto potencial, um maior
nível de demanda gera uma elevação nos preços.
Figura 1.7 | Deslocamentos da demanda agregada
Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p.179)
A lei de Say […] afirma que as crises de superprodução ou
subconsumo são impossíveis, a não ser muito transitoriamente,
e no mais das vezes, setorialmente. Isto porque toda produção
implica em uma remuneração que vai se transformar
imediatamente em procura. As pessoas não produzem e
oferecem suas mercadorias no mercado pelo simples prazer
de fazê-lo. Elas têm em mira produzir para, com isso, obter
Macroeconomia Clássica
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recursos que lhes permitiam comprar outros bens (de consumo
ou investimento) que desejam. Quando a produção aumenta,
ou seja, quando a oferta aumenta, a procura também aumenta
concomitantemente. Em outras palavras, a oferta cria sua
própria procura. A economia de mercado possuiria assim um
mecanismo de controle automático, que a levaria sempre
para o equilíbrio, tornando a superprodução geral impensável.
Desequilíbrios setoriais poderiam ocorrer com frequência,
quando, por exemplo, os produtores de um determinado
artigo superestimassem sua procura, mas tais desequilíbrios
seriam rapidamente corrigidos pelo mecanismo dos preços
(BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 11).
Vimos que no modelo clássico a quantidade de moeda não afeta as variáveis reais
(produto, emprego, salário real etc.), afeta somente as variáveis nominais, como o
nível geral de preços. Esta separação das variáveis em dois grupos é conhecida por
dicotomia clássica, que evidencia a neutralidade da moeda e reserva um papel
passivo para a demanda agregada (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Quando o
Banco Central dobra a quantidade de moeda, o nível de preços dobra, o salário em
reais dobra e todos os demais valores em reais dobram. Porém, as variáveis reais
mantêm-se inalteradas. Essa irrelevância das alterações monetárias para estes tipos
de variáveis é chamada de neutralidade da moeda (MANKIW, 2009).
A aplicação da dicotomia clássica é um pouco complicada
quando nos voltamos para os preços. Os preços na economia
são normalmente cotados em termos de moeda e, portanto,
são variáveis nominais. Por exemplo, quando dizemos que o
preço do milho é de $ 2 por saca ou que o preço do trigo é de $
1 por saca, os dois preços são variáveis nominais. Mas e quanto
aos preços relativos – o preço de uma coisa comparado ao
preço de outra? Em nosso exemplo, poderíamos dizer que o
preço de uma saca de milho são duas sacas de trigo. Observe
que o preço relativo não mais é medido em termos de moeda.
Quando comparamos os preços de dois bens quaisquer, os
sinais de dólar se cancelam e o número resultante é medido em
unidades físicas. A lição é que os preços em dólar são variáveis
nominais, ao passo que os preços relativos são variáveis reais
(MANKIW, 2009, p. 640-641).
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O PIB nominal é uma variável nominal porque mede o valor em reais
(R$) da produção de bens e serviços da economia; o PIB real é uma
variável real porque mede a quantidade total de bens e serviços
produzidos na economia e não é influenciado pelos preços correntes
desses bens e serviços (MANKIW, 2009).
Diante do que vem estudando, defina Lei de Say?
1. Desenhe e explique os efeitos de uma redução na oferta
de moeda e, consequentemente, na demanda agregada,
sobre o produto potencial e o nível de preços.
2. Explique a expressão “dicotomia clássica”.
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Seção 3
Consumo, investimento, poupança e juros
Introdução à seção
No modelo clássico, a poupança representa um “sacrifício” ao consumo
presente que exige um “prêmio pela espera”, ou seja, o indivíduo só poupará
se puder consumir no futuro mais do que consumiria no presente. A poupança
depende, assim, do tamanho do prêmio pela espera, ou seja, da taxa de juros que
remunerará a poupança do indivíduo. Quanto maior a taxa de juros mais caro o
consumo presente em termos de consumo futuro e, portanto, maior o estímulo à
poupança (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
A poupança é a fonte da oferta de fundos para empréstimos (MANKIW, 2009).
Todos os agentes que possuem renda extra, por isso podem ser chamados de
superavitários, vão ao mercado de fundos de empréstimos para depositarem
(pouparem) seus recursos e emprestar. Por outro lado, os agentes que precisam
de recursos, os deficitários, vão a este mercado para adquirir empréstimos. Os
empréstimos podem ser de forma direta, por exemplo, quando um indivíduo
compra o título de uma empresa, ou indiretamente, quando um indivíduo faz um
depósito em um banco e o banco utiliza os fundos para conceder empréstimos
(MANKIW, 2009). De outra forma, o dinheiro que depositamos nos bancos é
utilizado por estes para empréstimos a outros indivíduos ou empresas.
Da mesma forma que os indivíduos consomem, empresas e famílias adquirem
bens com o objetivo de investir. Por exemplo, o proprietário de uma fábrica pode
desejar investir na ampliação da planta e uma determinada família na aquisição
da casa própria (investimento corresponde ao aumento do estoque de capital na
economia). A decisão de investir também é influenciada pela taxa de juros, assim,
o empresário precisará adquirir empréstimos para investir na planta de sua fábrica,
por exemplo, e fará isso somente se a taxa de juros oferecida for menor do que
o retorno que terá com o investimento. Mesmo que o empresário não necessite
recorrer a empréstimos para realizar o investimento, ele deve considerar o custo
de oportunidade, pois ao utilizar recursos próprios ele está deixando de aplicar
seus recursos em títulos, portanto, deixando de receber os juros que os títulos
renderiam. Da mesma forma, a família decidirá pela aquisição da casa própria ou
não, a depender da taxa de juros que será negociada.
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Investimento refere-se à compra de novo capital, como equipamentos
ou prédios. Quando um indivíduo toma um empréstimo do banco para
construir uma casa nova, ele aumenta o investimento nacional, pois
a compra de um imóvel é considerada investimento e não consumo.
Similarmente, quando uma empresa vende ações e usa os recursos
para construir uma nova fábrica, ela também está aumentando o
investimento nacional (MANKIW, 2009).
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 121)
Figura 1.8 | Equilíbrio entre poupança e investimento no modelo clássico
No geral, taxa de juros relativamente alta incentiva a poupança e desincentiva
o investimento. De outra forma, quanto mais elevada a taxa de juros menor a
demanda por investimento e maior a quantidade ofertada de recursos no mercado
financeiro (ou mercado de fundos de empréstimos), ou seja, maior a poupança.
Desta forma, a curva de demanda por fundos para empréstimos, a de investimento,
tem inclinação negativa e a curva de oferta de recursos, a poupança, tem inclinação
positiva, conforme figura 1.8.
Na figura 1.8, o ponto no qual se cruzam as curvas de investimento e poupança
representa os valores de equilíbrio dessas variáveis e também da taxa real de juros,
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que se ajusta para equilibrar a oferta e demanda de fundos para empréstimos. A taxa
de juros é o custo do investimento que se tem para adquirir empréstimos e, então,
bens de capital. A taxa real de juros é afetada pelas preferências intertemporais dos
indivíduos e pela produtividade marginal do capital. Da mesma forma que para o
fator trabalho, a produtividade marginal do capital é decrescente (incrementos no
investimento geram aumentos no produto, mas a taxas cada vez menores), por
isso, a curva de investimento vai se tornando cada vez mais horizontal, para que
o investimento aumente a taxa real de juros precisa reduzir. A política monetária,
ao afetar somente a taxa de juros nominal, não afeta as decisões de poupança e
investimento na economia (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Suponha que a taxa de juros esteja abaixo da taxa de equilíbrio, haverá um
excesso na demanda por investimentos, consequentemente a oferta de recursos
não será suficiente para atender ao aumento de demanda. A disputa entre os
agentes por aquisição de empréstimos leva os fornecedores de empréstimos
a aumentarem a taxa de juros, ou seja, o custo de empréstimo será mais alto.
Esta nova taxa de juros mais elevada incentiva a poupança, o que, em seguida,
gerará novamente aumento na oferta de recursos e redução na demanda por
investimento, guiando o mercado de volta ao ponto de equilíbrio.
No caso de a taxa de juros estar acima da taxa que garante o equilíbrio, a
demanda por investimentos ou por empréstimos será inferior à oferta de recursos.
Como há excesso de recursos, e poucas pessoas ou empresas estão dispostas a
adquiri-los àquela taxa, os ofertantes passam a cobrar uma taxa mais baixa para
a concessão de empréstimos, reduzindo a oferta e aumentando a demanda por
Através do mecanismo da taxa de juros, portanto, investimento
e poupança são sempre mantidos em equilíbrio. O consumo,
por sua vez, dependendo também da taxa de juros, aumenta
ou diminui, à medida que a taxa de juros varia. E nesses
termos, verificamos novamente a impossibilidade de uma
crise de subconsumo. A macroeconomia clássica conduz-nos
novamente à conclusão que, dentro do sistema capitalista
do laissez-faire, em que impera a concorrência perfeita,
estamos no melhor dos mundos possíveis - um mundo
sem desemprego, sem subconsumo, no qual a renda seria
distribuída segundo a produtividade marginal dos fatores,
os consumidores maximizariam sua utilidade e as empresas
maximizariam seus lucros, dentro de um espírito de harmonia
universal... (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 18).
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recursos, até o mercado retornar ao ponto de equilíbrio inicial. Perceba que estas
alterações, tanto no caso de a taxa de juros ser maior que a de equilíbrio, quanto no
caso de ser menor, ocorrem ao longo das curvas de investimento ou de poupança,
ou seja, alterações na taxa de juros não provocam deslocamentos das curvas.
A pergunta que se faz é: o que provoca deslocamentos na curva de poupança
e de investimento? Veremos isso no próximo item.
3.1 Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada
O equilíbrio no mercado de bens e serviços é dado pela igualdade entre oferta
agregada e demanda agregada. O consumo (C), o investimento (I) e os gastos
do governo (G) compõem a demanda agregada, que é o PIB. O setor externo,
computado pela diferença entre exportações e importações é outro componente
da demanda agregada, mas, para os objetivos desta unidade e por simplificação,
trabalharemos com os três primeiros, ou seja, com economia fechada. Com a
participação do governo no modelo clássico, devemos considerar que os impostos
arrecadados (T) reduzem a renda do setor privado e, portanto, as suas despesas.
Neste modelo, tanto a arrecadação de impostos, quanto os gastos do governo,
serão tomados como variáveis exógenas. O equilíbrio é representado pela seguinte
expressão:
Y = DA
Y = C + I + G
A equação acima é uma identidade porque cada unidade monetária da despesa
que surge no lado esquerdo também aparece em um dos três componentes do
lado direito (MANKIW, 2009). Podemos reescrever essa equação da seguinte forma:
Y – C – G = I
O lado esquerdo da equação (Y – C – G) é o que resta da renda total após o
setor privado efetuar o pagamento de seus dispêndios e o setor público dos seus
gastos. Esse montante é a poupança nacional (S). Substituindo (Y – C – G) por S, a
Qual a diferença entre taxa de juros real e nominal? Qual delas
importa nas decisões dos agentes?
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equação acima é escrita de forma a afirmar que poupança é igual a investimento.
S=I
Esta identidade indica que, para a economia como um todo, a poupança deve
ser igual ao investimento. É o mercado financeiro que coordena os agentes que
estão decidindo quanto poupar (aqueles que chamamos de superavitários) e os que
estão decidindo quando investir (os deficitários). Os intermediários financeiros − as
instituições financeiras por meio das quais os poupadores podem indiretamente
ofertar fundos aos tomadores de empréstimos – se colocam entre os dois lados
da equação S=I, recolhendo a poupança nacional e direcionando ao investimento
nacional. É importante destacar que para a economia em geral embora poupança
seja igual a investimento, isso não precisa ser verdade para cada família ou empresa
individualmente (MANKIW, 2009).
Sabemos que o consumo depende positivamente da renda, mas, da renda
disponível, pois como temos o governo no modelo, a renda disponível é aquela
que resta aos indivíduos após o pagamento de impostos (Y-T). Consideraremos
que a decisão de consumo depende desta renda e da taxa de juros real (r) (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008). Assim, temos as seguintes expressões para o consumo e
para a poupança:
C = C (Y – T; r)
S = S (Y – T; r)
Para se manter a igualdade entre oferta agregada e demanda agregada, a
receita em impostos, que é uma parcela da renda que deixa de ser consumida (ou
poupada), deve ser gasta pelo governo (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
S (Y – T; r) + T = I(r) + G
Rearranjando, temos:
S (Y – T; r) + (T – G) = I(r)
Sendo S (Y – T; r) a poupança privada (Sp) e (T – G) a poupança do governo
(Sg), a parte não gasta da arrecadação em tributos. A soma dessas duas poupanças
compõe a poupança nacional ou interna (S).
S = Sp + Sg
Vejamos então o que pode provocar deslocamentos nas curvas de poupança
ou investimento. O que acontece se o governo aumentar seus gastos? Esta
situação está ilustrada na figura 1.9. Com o aumento dos dispêndios do setor
público ocorre um excesso de demanda por recursos financeiros, pois o governo
sai do seu orçamento equilibrado gastando mais do que arrecadou, ou seja, gera
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um déficit orçamentário, e precisa de recursos para financiá-lo.
Este excesso de demanda por recursos provoca o aumento da taxa de juros
para r2, pois os ofertantes de recursos cobrarão uma taxa mais elevada para
realizar empréstimos. Porém, a taxa de juros real mais elevada reduz o investimento
privado (–∆I), mas, gera um aumento na poupança ou queda no consumo (∆S ou
- ∆C), mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda de recursos. Resumindo,
o impacto da política fiscal de aumento de gastos do governo é de redução
do consumo e do investimento, esse efeito é conhecido como crowding-out,
ou efeito deslocamento. Na verdade, a política fiscal não provoca aumento no
produto ou renda da economia, somente altera a composição da demanda, sendo
composta por uma proporção maior de gastos públicos e menores de gastos
privados (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Figura 1.9 | Efeito deslocamento
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 125)
Se a política fiscal adotada fosse de redução dos impostos, os efeitos seriam
semelhantes ao de aumento dos gastos? Vamos entender isso. Uma redução em
impostos provoca uma redução nas receitas do governo, isto é, na poupança do
governo, fazendo com que a oferta de recursos seja inferior à quantidade necessária
para os agentes realizarem suas transações, a curva de poupança se deslocaria
para a esquerda, ocorrendo uma disputa por recursos e fazendo com que a taxa de
juros se eleve. Taxa de juros mais elevada, como já sabemos, provoca redução no
investimento e aumento na oferta de recursos, reestabelecendo o equilíbrio. Uma
vez que ocorre redução nos impostos, o que acontece com o consumo? A renda
disponível dos indivíduos será maior e a tendência é de aumento do consumo,
reduzindo a oferta de recursos e, posteriormente, aumentando a taxa de juros. A
Macroeconomia Clássica
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taxa de juros se eleva em função do aumento do consumo ou redução da poupança
privada que ocorre com a redução dos impostos. Caso a redução de impostos não
provocasse aumento de consumo, o efeito seria aumento de poupança privada,
compensando a redução da poupança pública e então, mantendo inalterada a
taxa de juros, já que não houve alteração na oferta de recursos. O que podemos
concluir sobre a política fiscal no modelo clássico? Os componentes da demanda
agregada (C, I e G) são afetados e provocam alterações na taxa de juros, mas
não no nível de produto, este se mantém no nível de pleno emprego (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
3.2 Algumas questões comentadas
Neste tópico veremos algumas questões comentadas sobre o que estudamos
nesta análise. O objetivo desses exercícios é de reforçar os principais aspectos da
macroeconomia clássica que foram explorados nesta unidade.
As afirmativas abaixo serão classificadas em correta ou falsa e serão
detalhadamente comentadas.
a)	 Na teoria clássica, mudanças no nível de produto da economia somente
ocorrem se houverem mudanças nas curvas de oferta e demanda de trabalho.
Falsa. O produto pode ser alterado em virtude de alterações nas variáveis reais
da economia, isto inclui os fatores que deslocam as curvas de oferta e demanda
de trabalho, mas não se limitam a estes. Veja a próxima alternativa.
b)	 Dentre os determinantes da curva de oferta agregada podemos citar o
número de pessoas no mercado de trabalho, ou seja, a população economicamente
ativa, a produtividade da força de trabalho, o nível tecnológico e o tamanho do
estoque de capital.
Correta. Perceba que alterações em variáveis como os preços, oferta nominal
de moeda e demanda agregada não afetam o produto real.
c)	 A demanda de moeda para os clássicos existe somente com o objetivo de
entesouramento. Assim, dada uma determinada oferta de moeda, um maior nível
de produto na economia elevará a demanda para entesouramento.
Esta afirmativa é falsa. Na teoria clássica, o entesouramento, guardar o dinheiro
em casa, por exemplo, era considerado inexistente, pois os agentes estariam
deixando de receber os juros com a aplicação do seu dinheiro. Na verdade, a
moeda para os clássicos existe somente para fins transacionais. Assim, dada a
oferta de moeda, maiores níveis de produto na economia, gerarão um aumento
no número de transações e então um aumento na demanda por moeda real, o
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que será possível com redução do nível de preços.
d)	 Na teoria clássica quanto mais alta a taxa de juros maior tende a ser a
quantidade poupada.
Correta. Quando maior a taxa de juros mais caro será o consumo presente em
relação ao consumo futuro, o prêmio por deixar de consumir no presente é alto,
o que incentiva a poupança.
e)	 Na teoria clássica a decisão de investimento pelo empresário depende da
taxa de juros nominal. Quanto maior a taxa de juros nominal menor o incentivo
para o empresário investir.
Falsa. A decisão de investimento do empresário depende da taxa de juros real,
pois nesta teoria os agentes não sofrem de ilusão monetária.
f)	 Diferentemente do produto marginal do trabalho, dados os demais fatores,
o produto marginal do capital é positivo e crescente.
Falsa. Incrementos em qualquer fator de produção geram um produto marginal
decrescente. Assim, em um sistema de produção, incrementos na utilização de
capital, mantendo-se os demais fatores constantes, geram aumentos no produto,
mas a taxas cada vez menores.
g)	 No mercado de trabalho da teoria clássica o salário real é a variável de
ajuste, caso ocorram desequilíbrios. No mercado de fundos de empréstimos a
variável de ajuste são os preços.
Falsa. A primeira parte da afirmativa está correta, mas a segunda não. No
mercado de trabalho, se houver excesso de oferta de trabalho o salário real cairá
até o ponto de equilíbrio e no caso de excesso de demanda de trabalho, o salário
real aumentará atraindo cada vez mais trabalhadores até o ponto de equilíbrio. No
mercado de fundos de empréstimos a variável de ajuste é a taxa de juros real. Um
excesso na demanda por investimentos provoca um aumento na taxa de juros,
pois a quantidade de recursos disponível no mercado é inferior àquela que os
agentes desejam. Um excesso de oferta de recursos provoca uma redução na taxa
de juros, até que o mercado atinja o equilíbrio.
1. Sobre o conceito de crowding-out, ou efeito
deslocamento, é correto afirmar que:
Macroeconomia Clássica
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2. Como podemos definir a renda disponível dos indivíduos?
a) É o aumento da proporção dos gastos do governo na
demanda agregada ao custo de uma redução do consumo
e do investimento, ou seja, o gasto público aumenta, mas
o gasto privado se reduz.
b) É o aumento da poupança em função de uma maior taxa
de juros.
c) É a redução na renda disponível em função de aumento
de impostos.
d) É o deslocamento da curva de poupança.
e) É o deslocamento da curva de oferta agregada.
Nesta unidade você aprendeu sobre a macroeconomia clássica.
Podemos destacar os seguintes aspectos.
• A análise da macroeconomia clássica concentra-se no longo
prazo, o que se deve à flexibilidade de preços e salários.
• A economia está sempre a pleno emprego.
• No mercado de trabalho a variável que ajusta possíveis
desequilíbrios é o salário real. No mercado de fundos de
empréstimos a variável de ajuste é a taxa de juros real.
• A curva de oferta agregada é vertical, ou seja, inelástica, em
relação ao nível de preço.
• A curva de oferta agregada e, então, o produto potencial, pode
se deslocar em razão de alterações em variáveis reais, como no
estoque de capital.
• A separação entre variáveis reais e nominais denomina-se
Macroeconomia Clássica
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42
dicotomia clássica.
• A neutralidade da moeda indica que alterações na oferta de
moeda afetam a demanda agregada, mas não o produto.
• Política fiscal de aumento dos gastos do governo não provoca
aumento do produto, pois ocorre um crowding-out, ou efeito
deslocamento.
• No modelo clássico o governo fica impossibilitado de interferir
no nível de produto ou de emprego da economia. Lembre-se: na
teoria clássica a Lei de Say é válida.
Chegamos ao final dessa primeira unidade. Você poderá
saber mais sobre a macroeconomia clássica consultando o
terceiro capítulo do livro de Lopes e Vasconcellos (2008) e o
artigo “Da macroeconomia clássica à keynesiana” de Bresser-
Pereira (1976). Este último encontra-se disponível no seguinte
link: <http://www.bresserpereira.org.br/papers/1968/68-
98DaMacroclassicaAKeynesiana.apostila.pdf>. Acesso em: 14
out. 2015.
1. Sobre a macroeconomia clássica, considere as
afirmativas:
I. A macroeconomia clássica é considerada uma teoria que
explica o comportamento da economia no longo prazo. ( )
Macroeconomia Clássica
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2. Sobre o conceito de produtividade marginal do trabalho,
considere as afirmativas:
I. A sua curva tem formato positivo, pois aumentos na
quantidade utilizada de trabalho levará a aumentos cada
vez maiores no produto. ( )
II. A produtividade marginal do trabalho é representada
pela inclinação da função de produção. ( )
III. As empresas, sendo maximizadoras de lucro, sempre
contratam trabalhadores até o ponto em que o salário
nominal se iguala à produtividade marginal do trabalho. ( )
IV. Para uma dada empresa, considerando constantes
o estoque de capital e a tecnologia, quanto mais essa
empresa aumenta o número de indivíduos empregados,
menor será a produtividade marginal do trabalho. ( )
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) III e IV.
d) II, III e IV.
e) II e IV.
II. Na macroeconomia clássica os preços são rígidos,
portanto, não respondem a alterações da oferta agregada.
( )
III. O ponto de pleno emprego corresponde à rigidez de
preços e salários. ( )
IV. Na visão da macroeconomia clássica é válida a Lei de
Say, ou seja, de que a oferta cria a sua própria demanda. ( )
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) III e IV.
d) I e IV.
e) II, III e IV.
Macroeconomia Clássica
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3. Sobre o equilíbrio no mercado de trabalho, considere as
afirmativas:
I. O mercado de trabalho pode ser considerando como
do tipo concorrência perfeita. Assim, quando ocorrer de
as empresas demandarem um número de trabalhadores
superior àquele oferecido pelas famílias, o salário real,
em consequência de um aumento no salário nominal,
aumentará até que oferta e demanda de trabalho sejam
iguais.
II. Deslocamentos das curvas de oferta ou de demanda de
trabalho levam a mudanças do equilíbrio no mercado de
trabalho.
III. Na perspectiva da teoria clássica o salário que importa
na tomada de decisão tanto de empresários quanto de
trabalhadores é o salário real.
IV. Pleno emprego significa que a um determinado
salário real não haverá indivíduos que desejem trabalhar,
desempregados. Da mesma forma, não haverá uma única
empresa que deseje contratar trabalhadores que não
encontrará.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
4. Sobre a oferta e a demanda agregada clássica, é correto
afirmar que:
a) O produto da economia não é afetado por variáveis
nominais como a oferta de moeda.
b) A oferta agregada de pleno emprego pode ser alterada
em função de mudança na taxa de juros nominal.
c) Deslocamentos na curva de demanda agregada clássica
provocam deslocamentos na curva de oferta agregada
clássica.
d) A demanda agregada tem influência sobre o produto da
economia e sobre o nível de preços.
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5. Na teoria clássica defende-se a hipótese de neutralidade
da moeda. Sobre esta hipótese considere as afirmativas:
I. Alterações na quantidade de moeda da economia alteram
a curva de demanda.
II. O nível de produto da economia é afetado apenas
por variáveis reais. Esta separação entre variáveis reais
e nominais na teoria clássica é chamada de dicotomia
clássica.
III. Mudanças no nível de preços provocam mudanças
sobre o produto real.
IV. A curva de oferta agregada de longo prazo é vertical,
pois o produto potencial independe do nível de preços.
Estão corretas as afirmativas:
a) I, II e IV.
b) II, III e IV.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, III e IV.
e) A curva de oferta agregada clássica é horizontal.
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Referências
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011.
BRASIL. Ministério da Educação. Exame Nacional de desempenho dos estudantes
(ENADE). Ciências Econômicas. Novembro de 2012. Disponível em: <http://
download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2012/03_CIENCIAS_
ECONOMICAS.pdf>. Acesso em: 18 set. 2015.
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Da macroeconomia clássica à keynesiana. São
Paulo, abr. 1976. Disponível em: <http://www.bresserpereira.org.br/papers/1968/68-
98DaMacroclassicaAKeynesiana.apostila.pdf>. Acesso em: 17 set. 2015.
LOPES, L.; VASCONCELLOS, M. (Orgs.). Manual de macroeconomia: básico e
intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MANKIW, N. G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning,
2009.
PARKIN, M. Macroeconomics. 10th
. ed. Boston: Pearson, 2010.
VARIAN, H. Microeconomia: princípios básicos: uma abordagem moderna.
Tradução: Maria José Cyhlar Monteiro e Ricardo Doninelli. 7. ed. Rio de Janeiro:
Campus, 2006.
Unidade 2
MACROECONOMIA
KEYNESIANA
Objetivos de aprendizagem:
O objetivo desta unidade é entender o comportamento básico do
modelo keynesiano. Isto significa que você será capaz de explicar: como
a despesa agregada é determinada; como o nível de produto/renda da
economia é determinado; a dinâmica dos multiplicadores keynesianos.
Carlândia Brito Santos Fernandes
Nesta seção veremos em que se fundamenta o princípio da demanda
efetiva de Keynes. Entenderemos como as mudanças na demanda
agregada podem afetar o produto da economia e como os empresários
ajustam suas expectativas de forma a buscar lucros maiores. Além disso,
veremos uma representação gráfica do princípio da demanda efetiva.
Nesta seção veremos o modelo keynesiano com gastos em consumo.
Para isso entenderemos o comportamento da oferta agregada de curto
prazo, conheceremos alguns conceitos da Teoria Geral, como os de
propensão a consumir e a poupar. Ilustraremos graficamente o equilíbrio
entre oferta agregada e demanda agregada, por meio do formato que é
conhecido na literatura como cruz keynesiana.
Seção 1 | O princípio da demanda efetiva
Seção 2 | Modelo keynesiano simples
Macroeconomia Keynesiana
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Nesta seção veremos o modelo keynesiano com os outros
componentes da demanda agregada. Primeiramente faremos a análise
incluindo o investimento, depois, incluiremos o governo e por último
o setor externo. Nesta parte do estudo precisaremos compreender os
multiplicadores de gastos e de tributos.
Seção 3 | Os componentes da demanda agregada
Macroeconomia Keynesiana
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Introdução à unidade
A teoria predominante até início do século XX defendia que quedas no nível
de atividade econômica eram normais, assim, diante de flutuações a economia
alcançaria um novo equilíbrio automaticamente. A Lei de Say, a de que a oferta cria
sua própria demanda, era válida. Você deve lembrar que vimos na unidade 1 que esta
era a concepção defendida pelos clássicos, de que toda produção gera uma renda
de igual valor, de modo que qualquer produção terá a sua realização garantida.
Baseada nessa lei, a escola clássica chega à conclusão de que o único limite para a
acumulação de capital são os recursos disponíveis, entendidos como a poupança
própria, e que a demanda não representa qualquer empecilho ao crescimento da
produção ou do emprego. Associava-se a esse aspecto a doutrina do laissez-faire.
Para Carson (1992), intervenções no mercado poderiam ser necessárias, mas ainda
eram exceções, o laissez-faire ainda era regra, ou seja, era mínima a atuação do
Estado na economia.
Os anos 1920 foram marcados pela Grande Depressão econômica, o
desemprego aumentava mesmo com os salários nominais despencando. Então,
o que aconteceu com a Lei de Say? Entre 1929 e 1932, nos Estados Unidos, o
índice de produção industrial caiu de 114 pontos para 54 pontos e o desemprego
passou de 3,2% para 22% da força de trabalho. Esta situação nos remete ao fato
de que existia um desemprego permanente numa economia em condições de
laissez-faire (CARSON, 1992). Para termos uma noção do comportamento da
economia brasileira nesse período, observe o gráfico 2.1, o produto interno bruto
(PIB) real caiu de uma taxa de crescimento superior a 11% em 1928 para uma da
ordem de -3% em 1931. Veja também que a economia brasileira, assim como as
demais economias são marcadas por flutuações, períodos de elevadas taxas de
crescimento e períodos de recessão e baixas taxas de crescimento. Porém, como
explicar essas flutuações?
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52
Gráfico 2.1 | Produto Interno Bruto (PIB) de 1920 a 2013
Nota: PIB - preços de mercado - var. real anual - ref. 2000 - (% a.a.).
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sistema de Contas Nacionais.
O episódio da Grande Depressão levou muitos economistas a questionarem
a validade do modelo clássico, já que esta teoria não apresentava explicações
para as flutuações que estavam acontecendo, a economia não estava voltando ao
equilíbrio automaticamente. A publicação da Teoria Geral do Emprego, do Juro
e da Moeda, em 1936 por J. M. Keynes, viria a encerrar uma era dominada pela
tradição econômica clássica.
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Seção 1
O princípio da demanda efetiva
Introdução
Keynes apresenta em seu livro “A Teoria Geral” uma nova maneira de se analisar
a economia que contrapõe a teoria clássica. Para o autor as crises têm como fonte
as insuficiências de demanda efetiva.
Nesta seção veremos em que se fundamenta o princípio da demanda efetiva
de Keynes. Entenderemos como mudanças na demanda agregada podem afetar o
produto da economia e como os empresários ajustam suas expectativas de forma
a buscar lucros maiores.
1.1 O princípio de demanda efetiva
Para Keynes são as firmas que tomam as decisões fundamentais numa economia
capitalista: tanto o nível de emprego como o nível de poupança dependem das
decisões das firmas de produzir e investir. A decisão de produção e emprego deve
ser tomada com base em expectativas a respeito da demanda futura pelos produtos
Esta obra seria antes de mais nada uma denúncia do laissez-
faire. Keynes não era marxista, sequer socialista. Pelo contrário,
acreditava no sistema capitalista, dentro do qual fora educado.
Verificou, porém, que o sistema econômico capitalista estava
longe de assegurar automaticamente o pleno emprego
e o desenvolvimento econômico sem crises crônicas, de
duração indefinida, como pretendia a teoria econômica
vigente. Este fato fora também constatado pela maioria de
seus contemporâneos. Mas apenas Keynes logrou montar
um modelo teórico que tivesse condições de fazer frente ao
modelo clássico (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 22).
Macroeconomia Keynesiana
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54
da empresa, ou seja, os empresários tomam a decisão de quantos trabalhadores
contratarem e de quanto produzir com base em quanto ele espera vender.
O empresário então se defronta com duas curvas: a de oferta agregada, Z(N), que
resulta do emprego de N trabalhadores, é ascendente, expressa a renda necessária
(mínima) para se oferecer determinado volume de emprego e reflete as condições
de custos marginais crescentes; a de demanda agregada, D(N), ascendente para
a direita, expressa a renda/produto que o empresário espera receber por oferecer
determinado volume de emprego, reflete as expectativas dos empresários sobre
a demanda agregada, ou seja, as expectativas dos empresários sobre o quanto os
consumidores e demais empresários irão gastar.
Figura 2.1 | O ponto de demanda efetiva
Fonte: Adaptado de: Chick (1983)
Na figura 2.1 temos uma ilustração das curvas de oferta agregada e de demanda
agregada, o volume de emprego será determinado pelo ponto de intersecção
dessas curvas, E, neste ponto estabelece-se o nível de produção e assim a
demanda efetiva de trabalho. O volume de emprego é efetivo, e não esperado,
e é determinado pelas expectativas dos empresários, com base em quanto eles
esperam vender e não como no modelo clássico, que considera as reduções
salariais uma solução para o desemprego. Na realidade para Keynes reduções
salariais poderiam aumentar o desemprego, pois geraria uma redução da demanda
efetiva, principalmente por bens de consumo, e influenciariam negativamente as
decisões empresariais.
No ponto de demanda efetiva os empresários obtêm o máximo dos lucros
esperados, se oferecessem mais ou menos empregos os lucros seriam menores.
Neste ponto, os rendimentos esperados são exatamente iguais ao rendimento
Macroeconomia Keynesiana
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necessário para induzir um volume dado de emprego. Porém, nada garante que os
empresários formulem expectativas corretas a respeito da demanda efetiva, o que
significa que a receita efetivamente obtida pela venda da produção acabada no
mercado pode ser maior ou menor do que a receita esperada pelos empresários.
Se as expectativas forem incorretas os empresários irão rever suas expectativas.
Outro detalhe importante é de que o ponto de demanda efetiva não ocorre
necessariamente ao pleno emprego, ou seja, existe desemprego involuntário.
Keynes define o princípio da demanda efetiva no capítulo 3 do seu livro “A
Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”.
Em qualquer ponto que se situe à esquerda de E, veja que a curva D(N) fica
acima da Z(N), assim, ao nível de emprego oferecido pelos empresários, a receita
que elas esperam receber pela venda da produção é superior à receita mínima que
elas exigem para oferecer esse nível de emprego. Desta forma, os empresários
têm possibilidade de aumentar seus lucros se expandirem o nível de emprego até
o nível correspondente ao cruzamento das duas curvas, ou seja, até N*. Qualquer
ponto que se situe à direita de E, ou de N*, ao nível de emprego oferecido pelos
empresários, a receita que as empresas esperam obter pela venda da produção
é menor do que a receita mínima que elas exigem para oferecer esse nível de
emprego observe que agora Z(N) fica acima de D(N). Então, os empresários podem
aumentar os seus lucros se reduzirem o nível de emprego até N*.
No que se refere à remuneração do fator trabalho, para Keynes os salários
nominais são os que importam para os trabalhadores, pois é sobre estes que
eles podem ter controle (por meio das forças sindicais, por exemplo), o que não
acontece com os salários reais. Dado o nível de emprego, o salário real se ajustará
até o ponto em que for igual à produtividade marginal do trabalho compatível com
o respectivo nível de emprego, definindo o tamanho da massa salarial. Se lembre
que a produtividade marginal do trabalho é decrescente, assim, aumentos no nível
de emprego são seguidos por reduções no salário real, porém, não é sua queda
que leva ao aumento do emprego e do nível de produção da economia. Pense da
seguinte forma, dado o volume de salários reais, a disputa dos trabalhadores de
A quantidade de mão de obra N que os empresários resolvem
empregar depende da soma (D) de duas quantidades, a saber:
D1, o montante que se espera seja gasto pela comunidade
em consumo, e D2, o montante que se espera seja aplicado
em novos investimentos. D é o que já chamamos antes de
demanda efetiva (KEYNES, 1996, p. 63).
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diferentes categorias pela divisão entre si desse volume de salarial, é, na verdade,
a disputa dos trabalhadores por salários nominais. Por exemplo, em uma situação
de desemprego, se uma determinada categoria aceitasse a redução do salário
nominal, isto não garantiria a redução do desemprego, mas se as demais categorias
não aceitassem, essa categoria teria uma perda em termos de salário real, ou seja,
perda de poder de compra, pois o nominal seria mais baixo. Sabemos que os
trabalhadores não têm como controlar o nível de preços da economia, e dada a
disputa pela distribuição do salário nominal, é totalmente racional os trabalhadores
lutarem por salários nominais. Pela macroeconomia keynesiana, para se analisar a
determinação do nível de produto e de emprego, deve-se olhar o comportamento
da demanda efetiva (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Mikail Kalecki e a demanda efetiva
Antes de surgir a Teoria Geral de Keynes, Mikail Kalecki já havia
publicado, em polonês, três estudos que constituíram, em conjunto,
a primeira formulação precisa e sistemática do papel da demanda
efetiva no processo de reprodução capitalista. A partir deles Kalecki
foi ampliando e aprimorando suas concepções, que culminaram na
publicação de sua principal obra a “Teoria da Dinâmica Econômica”,
em 1954.
Mikail Kalecki nasceu em Lodz, em 22 de junho de 1899. Estudou na
EscolaPolitécnicadeVarsóviaedepoisnadeGdanski,masnãochegoua
graduar-se. Obteve seu primeiro título acadêmico aos 57 anos de idade,
quando já era internacionalmente reconhecido, o governo polonês o
nomeou professor universitário e em 1964 a Universidade de Varsóvia
lhe conferiu o título de doutor honoris causa. Foi um autodidata. Em
sua formação como economista, recebeu profunda influência das
obras de Marx e de outros autores marxistas. Se você quer saber mais
sobre esse autor e sua principal obra acesse o link: <http://home.ufam.
edu.br/andersonlfc/Coleção%20-%20Os%20Economistas/Michal_
Kalecki_-_Teoria_da_Din%25C3%25A2mica_Econ%25C3%25B4mica_
(Os_Economistas).pdf>. Acesso em: 23 set. 2015.
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Como podemos conceituar o princípio da demanda efetiva?
O que você acha, flutuações na demanda agregada podem
afetar o nível de produto da economia?
1. Sobre o princípio da demanda efetiva, avalie as afirmações
abaixo.
I. O princípio da demanda efetiva foi desenvolvido por John
Maynard Keynes, em seu livro “A teoria geral do emprego,
do juro e da moeda”.
II. No conceito de demanda efetiva mantém-se a ideia
de que toda a produção gera uma renda de igual valor,
de modo que qualquer produção terá a sua realização
garantida.
III. A decisão de produção e emprego deve ser tomada com
base em expectativas a respeito da demanda futura pelos
produtos da empresa, ou seja, os empresários tomam a
decisão de quantos trabalhadores contratarem e de quanto
produzir com base em quanto ele espera vender.
É correto o que se afirma em:
a) I e II.
b) I e III.
c) II.
d) III e II.
e) III, II e I.
2. Sobre as ideias de Keynes relacionadas ao mercado de
trabalho, avalie as alternativas abaixo em verdadeiro (V) ou
falso (F).
a) O volume de emprego será determinado no ponto de
Macroeconomia Keynesiana
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demanda efetiva.
b) Os salários reais são os que importam para os
trabalhadores, pois é sobre estes que eles podem ter
controle.
c) Reduções salariais poderiam aumentar o desemprego,
pois geraria uma redução da demanda efetiva,
principalmente por bens de consumo, e influenciariam
negativamente as decisões empresariais.
d) O ponto de demanda efetiva não ocorre necessariamente
ao pleno emprego, ou seja, existe desemprego involuntário.
e) A curva de oferta agregada Z(N) expressa a renda que
o empresário espera receber por oferecer determinado
volume de emprego.
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Seção 2
Modelo keynesiano simples
Introdução
No modelo keynesiano, a hipótese básica é de que os preços e salários nominais
são rígidos, por isso, pode se afirmar que esse modelo reflete o comportamento
da economia no curto prazo, portanto, não há pleno emprego, pode ocorrer de
capital e trabalho não estarem plenamente empregados. Nas palavras de Mankiw
(2004, p. 181), “A rigidez de preços é tida como um importante fator explicativo das
flutuações econômicas que observamos de um mês em relação ao outro, ou de
um ano ao outro.”
Nesta seção entenderemos o modelo keynesiano simples, o que envolve a
compreensão do comportamento da oferta agregada de curto prazo, a demanda
agregada e o equilíbrio no mercado de bens.
2.1 Modelo keynesiano com consumo
No modelo keynesiano, ao contrário do modelo clássico, não há restrições
de oferta para o aumento da produção na economia. Como se considera que
os recursos não são plenamente empregados, há possibilidade de as empresas
aumentarem a quantidade produzida sem pressionar seus custos unitários. Em
outras palavras, qualquer nível de demanda pode ser atendido a um nível constante
de preços, os empresários têm como ofertar qualquer quantidade ao nível de
preços estabelecido, por isso, a quantidade ofertada é a variável de ajuste e os
empresários produzirão o necessário para atender a demanda. Isto indica que se
esboçarmos no eixo das abscissas o nível de produto e no eixo das ordenadas
o preço, a curva de oferta agregada de curto prazo, ou do modelo keynesiano,
será horizontal, infinitamente elástica, conforme ilustramos na figura 2.2. Assim,
diferentemente do modelo clássico que vimos na unidade 1, a demanda agregada
tem total influência sobre o nível de produto, validando o princípio da demanda
efetiva (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
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Figura 2.2 | Curva de oferta agregada keynesiana
Fonte: Mankiw (2004, p. 180)
Podemos inferir a partir da figura 2.2 que, nos casos de desequilíbrios no mercado
de bens, como um excesso de demanda ou de oferta, os preços, que são rígidos,
não se ajustarão, a quantidade produzida que aumentará ou reduzirá de acordo
com a demanda. Mankiw (2004) afirma que um caso extremo de rigidez de preços
seria aquele em que todas as empresas publicassem catálogos de preços e que
fosse caro republicá-los, mantendo todos os preços amarrados em um determinado
nível. A esse preço, continua o autor, as empresas estão dispostas a vender qualquer
quantidade que seus clientes desejarem comprar e contratam apenas o número de
trabalhadores necessários para produzir a quantidade demandada.
No modelo keynesiano o equilíbrio no mercado de bens e serviços, ou o
equilíbrio de curto prazo na economia, ocorre quando a oferta agregada (OA) de
bens e serviços é igual à demanda agregada (DA) de bens e serviços. Antes de
representarmos esse equilíbrio graficamente, vamos entender o que compõe a
demanda agregada.
Partindo, hipoteticamente, de uma economia fechada sem governo, o produto
real (Y) é composto pelas despesas em consumo (C) e pelos gastos com investimento
(I). Na contabilidade nacional esta composição é expressa da seguinte forma:
Y= C + l (1)
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A igualdade expressa na equação 1 acontece porque na contabilidade nacional,
para se calcular o valor dos bens e serviços produzidos na economia - de acordo
com sua utilização ou destino – são computados o consumo das famílias e a
formação de estoques, mais precisamente a variação de estoques. Os estoques
são constituídos por mercadorias que representam o consumo futuro, dessa
forma, tudo que é produzido num período, mas não é consumido nesse período,
significando consumo futuro, é chamado de investimento. Apesar de todos os
bens que ensejam consumo futuro serem considerados investimento, é comum
separá-los em duas categorias distintas: variação de estoques e formação de
capital fixo. A primeira é representada por bens cujo consumo ou absorção
futuros irão se dar de uma única vez. A segunda categoria expressa os bens que
não desaparecem depois de uma única utilização, e possibilitam a produção ao
longo de um determinado período de tempo, como, por exemplo, as máquinas e
as estradas de ferro (PAULANI; BRAGA, 2007).
Lopes e Vasconcellos (2008) argumentam que o comportamento dos estoques
não segue necessariamente os planos dos empresários, pois pode ser influenciado
por alterações nas condições de mercado. Se a quantidade produzida exceder a
demandada, ocorrerá um aumento nos estoques das empresas, pois não terão
como vender a quantidade excedente. Então, os empresários terão que acumular
estoques, mesmo sem o terem planejado. De forma similar, se a demanda exceder
a oferta, as empresas venderão os produtos em estoque para atender o aumento
da demanda, mesmo que esta estratégia não esteja em seus planos iniciais. De
forma um pouco diferente às definições de Paulani e Braga (2007), esses autores
nomeiam as duas categorias do investimento em investimento planejado ou
voluntário, representado pelas aquisições de bens de capital pelas empresas e à
variação pretendida no nível de estoques, e em investimento involuntário ou não
planejado em estoques, ou seja, as variações no nível de estoque devido a erros na
A Contabilidade nacional, ou contabilidade social, congrega
instrumentos de mensuração capazes de aferir o movimento da
economia de um país num determinado período de tempo: o quanto
se produziu, consumiu, investiu, vendeu para o exterior e comprou
do exterior. Você pode rever e/ou aprofundar seus conhecimentos
nesta área, consultando o livro “A nova contabilidade social: uma
introdução à macroeconomia” de Paulani e Braga (2007).
Macroeconomia Keynesiana
U2
62
previsão do nível de produção realizados pelas empresas.
Na verdade, a decomposição do investimento nas duas categorias, conforme
foi dito, é a forma normalmente apresentada nos livros-textos. Dadas as categorias
de investimentos, temos então o conceito de despesa planejada ou demanda
agregada planejada, que corresponde ao total que as empresas e famílias desejam
gastar na compra de bens e serviços. Sendo que, a despesa efetiva ou observada,
aquela que se realiza, pode ser maior ou menor do que a planejada, quando isto
acontece significa que houve alterações inesperadas no nível de estoques das
empresas, que venderam menos ou mais do que o planejado.
Para esclarecermos melhor estes conceitos, temos que a demanda agregada
efetiva ou observada, que é aquela cujo resultado é divulgado pela contabilidade
nacional, inclui o consumo e as duas partes do investimento, ou seja, o voluntário
(os bens de capital) e o involuntário (a variação de estoques), pois conforme
discutido anteriormente, a contabilidade nacional considera ambos em suas
apurações. Desta forma, produto da economia corresponderá à demanda agregada
efetiva. A demanda agregada planejada, ou despesa planejada, por sua vez, inclui
o consumo e a parte planejada do investimento. A economia estará em equilíbrio
quando a demanda agregada efetiva for igual à demanda agregada planejada, isto
é, quando o investimento involuntário for nulo. Antes de vermos isso graficamente,
veremos primeiramente como se determina a renda de equilíbrio. Para isto vamos
supor que o consumo seja o único componente da demanda agregada planejada,
conforme expressão 2 abaixo.
Y = C
									
Vimos no início desta seção que o consumo aumenta à medida que a
renda aumenta, mas em menor proporção. Assim, a função consumo pode ser
representada conforme a equação 3.
C = C (Y)
O consumo, portanto, pode ser dividido em dois componentes. O consumo
autônomo (C0), aquele que se realiza no curto prazo mesmo que os indivíduos não
tenham renda, por exemplo, o consumo de subsistência; e a propensão marginal
a consumir (PMC) ou (c), que é a proporção de uma variação na renda que é gasta
em consumo, o quanto o consumo cresce a partir de aumentos na renda. Por
exemplo, supondo uma propensão marginal a poupar de 0,7, significa que para
um dado aumento da renda de $ 6 bilhões a coletividade tende a consumir $ 4,2
bilhões. A propensão marginal a poupar é calculada da seguinte forma:
(2)
(3)
Macroeconomia Keynesiana
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63
Sabemos que em equilíbrio o produto é igual à demanda agregada planejada
(OA = DA), a qual é igual ao consumo (DA = C= C0
+ cY), pois, estamos supondo, de
momento, que este é seu único componente. Dadas estas condições e que a oferta
agregada é igual ao produto real da economia (OA = Y), substituindo as respectivas
expressões de OA e DA na condição de equilíbrio, conforme demonstrado abaixo,
podemos obter a renda de equilíbrio (YE
), resolvendo a equação para esta variável
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Y = C0
+ cY
Y - cY + C0
YE = 1
(1-C)
. C0
Precisamos obter agora a função poupança. Sabemos que a poupança é a
parte da renda não consumida, assim temos:
S = Y - C
S = Y - (C0
+ cY)
S = - C0
+ (1 - c) Y
PMC = ∆C
∆Y
Como Keynes (1996) define a propensão a consumir?
Propensão a consumir: são as características psicológicas da
comunidade e são de tal forma que quando a renda agregada aumenta,
o consumo agregado também aumenta, mas não tanto quanto a renda.
Em outras palavras, a propensão a consumir expressa a variação positiva
no consumo em virtude de um aumento na renda. Essa resposta pode
ser influenciada por fatores como a distribuição de renda, variações
na política fiscal, precaução, orgulho e avareza. Lembrando que a
propensão a consumir será positiva, mas menor do que a unidade, pois
a coletividade não consome toda a renda que recebe.
(4)
(5)
(6)
Macroeconomia Keynesiana
U2
64
Perceba que a função poupança é o complemento da função consumo, assim,
o intercepto é o consumo autônomo com sinal negativo. A poupança aumenta
conforme a renda aumenta, assim como o consumo, mas em menor magnitude.
O termo (1-c) representa a propensão marginal a poupar (PMP), isto é, a fração da
variação da renda que é poupada, é calculada por meio da variação na poupança
dividida pela variação na renda (LOPES; VASCONCELLOS, 2008; PARKIN, 2010).
PMP = ∆S
∆Y
As funções consumo e poupança podem ser representadas graficamente. A
figura 2.3(a) ilustra a primeira relação. No eixo da abscissa temos o produto ou
a renda (Y) e na ordenada a demanda agregada, observe que conforme a renda
aumenta o consumo também aumenta e que há consumo mesmo quando a
renda é nula, o que representa o consumo autônomo (C0
). A propensão marginal
a consumir é a inclinação da função consumo. Esta figura também contém uma
linha de 45º, que divide o quadrante em duas partes iguais, em qualquer ponto
sobre esta reta o gasto em consumo é igual à renda. Observando a figura 2.3(a),
do lado esquerdo da reta, entre os pontos A e B da função consumo, o gasto
em consumo excede à renda, do lado direito, entre o pontos B e C, o gasto em
consumo é inferior à renda. O ponto B representa o equilíbrio, onde a função
consumo é igual à renda, ou seja, onde a função consumo intercepta a reta de 45º.
(7)
Como você diferencia a demanda agregada planejada e a
demanda agregada efetiva? O investimento involuntário está
de alguma forma, associado a estes conceitos?
Macroeconomia Keynesiana
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65
No painel (b) da figura 2.3 é ilustrada a função poupança, sua inclinação
representa a propensão marginal a poupar. Observe que quando o consumo excede
a renda no painel (a), a poupança é negativa no painel (b), o que é chamado de
despoupança. Quando a função consumo está abaixo da linha de 45º a poupança
é positiva. No ponto de equilíbrio, onde a função consumo intercepta a reta de
45º, toda a renda é gasta em consumo, então, a poupança é zero.
Figura 2.3 | Funções consumo e poupança e equilíbrio
Fonte: Adaptado de: Parkin (2010. p. 267)
Macroeconomia Keynesiana
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Questão comentada
Vamos fixar um pouco mais o conceito de propensão marginal a poupar por
meio de uma questão comentada.
1. Avalie a afirmativa a seguir em verdadeira ou falsa.
Segundo a teoria keynesiana, variações absolutas no consumo são menores do
que variações absolutas na renda porque a propensão marginal é menor do que a
propensão média a consumir (ANPEC, 2003).
Resposta: esta afirmativa é falsa. Na teoria keynesiana variações absolutas no
consumo são menores do que variações absolutas na renda porque a propensão
marginal a consumir é positiva, mas inferior à unidade, pois se considera que os
indivíduos não gastam toda a renda que ganham.
1. Considerando as fórmulas de cálculo da propensão
marginal a consumir e da propensão marginal a poupar,
com as informações abaixo encontre os valores das
variáveis e explique seus conceitos.
a) Quando a renda aumenta em $1,5 trilhão o consumo
aumenta em $1 trilhão.
b) Quando a renda aumenta em $1,5 trilhão, a poupança
aumenta em $0,5 trilhão.
2. Explique o comportamento da curva de oferta agregada
no curto prazo e a influência da demanda agregada sobre
o nível de produto e de emprego da economia.
Macroeconomia Keynesiana
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Seção 3
Os componentes da demanda agregada
Introdução
Nesta seção incluiremos na análise os outros componentes da demanda
agregada, quais sejam: o investimento, os gastos públicos e o setor externo.
O que mudará no modelo com a introdução dessas variáveis? Entenderemos
esse e outros aspectos, por exemplo, a dinâmica de ajustamento da economia
quando a demanda agregada é diferente da efetiva. Qual variável cumprirá o papel
de ajuste?
3.1 Modelo keynesiano com consumo e investimento
Nesta versão do modelo keynesiano introduziremos o investimento e vamos
considerá-lo como sendo fixo ( ), isto é, autônomo ou independente da renda. Na
seção anterior a demanda agregada era composta apenas pelo consumo, agora
será composta por este e pelo investimento autônomo, de forma que a renda
também será expressa através da soma dessas variáveis, conforme abaixo.
DA = C + I0
Y = C = l
Substituindo na expressão (8) o consumo por sua função e o investimento por
I0
podemos derivar a renda de equilíbrio.
Y = C0
+ cY + I0
YE
= 1
1-c
(C0
+ I0
)
(8)
(9)
Macroeconomia Keynesiana
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O que você acha, a inclusão do investimento provocará alguma mudança na
representação gráfica do ponto de equilíbrio? Vejamos o que acontece analisando
a figura 2.4.
Analisando a figura 2.4 observe que são ilustradas duas formas de se verificar
o equilíbrio no modelo keynesiano simples. O investimento autônomo é
representado, no painel b, por uma reta, pois é constante. Sua inclusão provoca
um deslocamento na demanda agregada paralelamente para cima em magnitude
igual ao valor do investimento. Uma diferença importante com relação à figura 2.3
é que a condição de equilíbrio, antes Y = DA, agora se dá em S = I, ponto em que
a função poupança intercepta a função investimento e onde se determina a renda
de equilíbrio. Essa forma de determinar o equilíbrio macroeconômico é chamada
Figura 2.4 | Modelo keynesiano com investimento: equilíbrio
Fonte: Adaptado de: Mankiw e Parkin (2010, p. 267) e Lopes e Vasconcellos (2008, p. 147)
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69
Figura 2.5 | Um aumento nas despesas de investimento
de ótica dos vazamentos e injeções de renda. Os vazamentos ocorrem quando
há reduções autônomas da demanda agregada, assim, aumentos na poupança
representam vazamentos de renda, o que desloca a curva de demanda agregada
para baixo e causa redução na renda de equilíbrio. Aumentos nos gastos com
investimento representam injeções ao fluxo de renda da economia, pois, indicam
aumento autônomo da demanda agregada (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Como podemos representar graficamente um aumento do investimento
autônomo? O que acontecerá com a função de demanda agregada?
Podemos responder às questões anteriormente citadas analisando a figura 2.5.
Inicialmente o equilíbrio macroeconômico apresentava-se no ponto A, sendo YE1
a respectiva renda de equilíbrio. Com o aumento nas despesas de investimento
autônomo, supondo que devido a um ajuste das expectativas dos empresários,
ocorre um aumento na despesa planejada, ou seja, na demanda agregada planejada,
deslocando sua curva para cima, de DA para DA’. Com esse deslocamento o ponto
de equilíbrio se desloca do ponto A para o ponto B, ao qual corresponde um
nível de renda YE2 mais elevado do que aquele do equilíbrio anterior. De maneira
reversa, no caso de uma redução nos gastos com investimento autônomo a DA se
desloca para baixo, deslocando também o ponto de equilíbrio, mas gerando uma
renda de equilíbrio mais baixa do que a inicial.
Os efeitos de alterações nos gastos com consumo autônomo seriam
Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 194)
Macroeconomia Keynesiana
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70
semelhantes aos efeitos de alterações no investimento. Somente no caso de
alterações na propensão marginal a consumir (ou a poupar) que, apesar de,
provocarem alterações na renda de equilíbrio, graficamente a mudança seria
evidenciada por meio de mudanças na inclinação da função de demanda agregada.
Estas demonstrações de alterações nos gastos em investimento/consumo são
importantes para enfatizar (e demonstrar) os efeitos sobre o nível de produto da
economia, e então na renda, a partir de uma alteração na demanda agregada,
conforme preconiza o princípio da demanda efetiva de Keynes.
O que garante o ajustamento da economia em situações de desequilíbrio?
Vejamos como se dá essa dinâmica através de um exemplo. Suponha que para uma
determinada economia - representada na figura 2.6 - o PIB real que corresponde
ao ponto A de equilíbrio seja de $7 trilhões, indicando também que a demanda
agregada efetiva é do mesmo montante. No entanto, um PIB real de 5,5 trilhões,
observe que neste ponto a curva de demanda agregada planejada está acima
daquela de 45º, assim, a demanda agregada efetiva também é de $5,5 trilhões,
mas, a demanda agregada planejada, ponto B, é de $6 trilhões. Assim, a demanda
agregada planejada excede a demanda efetiva, provocando uma redução no nível
de estoques, ou seja, o nível de investimento efetivo é menor do aquele que foi
planejado em $0,5 trilhão.
Como você representaria graficamente uma redução na
propensão marginal a consumir? E um aumento da propensão
marginal a poupar?
Macroeconomia Keynesiana
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71
O PIB real não permanecerá neste nível, $5,5 trilhões, como o investimento ficou
abaixo dos planejamentos das empresas, as firmas contratarão mais trabalhadores e
aumentarão a produção, de forma que não haja variação indesejada dos estoques.
Disto podemos concluir que, para atender ao aumento da demanda, as firmas
ajustarão a quantidade produzida. Este processo acontecerá até que a economia
retorne ao equilíbrio, ou seja, quando o PIB real for de $7 trilhões, no qual o
investimento involuntário é nulo e então, as firmas não mudam suas produções.
Supondo agora um PIB real de $9 trilhões, ou seja, acima do ponto de equilíbrio,
a situação será aposta à descrita anteriormente. Neste caso, a demanda agregada
efetiva também é de $9 trilhões, mas a demanda agregada planejada é de $8
trilhões, ponto C na figura 2.6, representando um excesso de oferta em relação
à demanda, pois a despesa total da população é de $8 trilhões e a produção de
bens e serviços das firmas é de $9 trilhões, as empresas vendem menos do que
produzem. Há então, uma variação positiva de $1 trilhão no nível de estoques, isto
é, um investimento não planejado. As empresas ajustarão a produção reduzindo
o número de trabalhadores, o que provocará queda na produção. Este processo,
que inclui acumulação de estoques não desejados e queda da renda, continuará
Figura 2.6 | A cruz keynesiana: equilíbrio e desequilíbrios
Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 193)
Macroeconomia Keynesiana
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72
até que o PIB/renda esteja no nível que garanta o equilíbrio, no qual a renda é igual
à demanda agregada planejada de bens e serviços, ou seja, não há variações no
nível de investimento involuntário.
3.2 O multiplicador
Vimos no item anterior que quando os gastos autônomos em investimento
ou consumo se elevam a demanda agregada também se eleva, provocando
uma mudança no ponto de equilíbrio e um aumento na renda da economia. No
entanto, o aumento na renda é proporcionalmente maior do que o aumento do
gasto autônomo. A essa amplificação do produto real ou da renda dá-se o nome
de multiplicador de gastos. Em outras palavras, o multiplicador é a magnitude com
que o aumento do gasto autônomo é amplificado para determinar o novo gasto
de equilíbrio ou a nova renda de equilíbrio. Ou ainda, é a sensibilidade com que a
renda responde à variação inicial no gasto autônomo, que por definição é maior
do que a unidade.
Vamos entender melhor esse conceito do multiplicador. Supondo um aumento
no investimento autônomo, isso provoca um aumento da demanda agregada e
então um aumento do produto real - lembre-se de que pela teoria keynesiana os
empresários sempre ajustarão a produção para atender à demanda. O aumento do
produto real gerará um aumento na renda da coletividade (ainda estamos realizando
a análise sem governo no modelo). O aumento da renda levará os indivíduos a
ampliarem seu consumo de acordo com a propensão marginal a consumir. Este
aumento do consumo gerará um novo aumento na demanda agregada. Então,
novos aumentos ocorrerão no produto e na renda, provocando, novamente,
aumento no consumo. Perceba que os aumentos que ocorrem no consumo em
função do aumento inicial no gasto com investimento fazem com que a renda
cresça mais do que a variação inicial do gasto autônomo em investimento, pois vai
se acumulando aumentos sobre aumentos.
Vejamos, na figura 2.7, um exemplo apresentado por Parkin (2010). Observe
que no ponto de equilíbrio inicial, o ponto B, de interseção da curva de demanda
O que acontece com o nível de estoques quando a demanda
agregada efetiva é superior ao produto de equilíbrio? Qual o
papel dos preços neste processo de ajuste?
Macroeconomia Keynesiana
U2
73
agregada planejada e da reta de 45º, o PIB real é de $13 trilhões. O que acontece
com o ponto de equilíbrio se o gasto autônomo em investimento aumentar em
$0.5 trilhão? Quando o aumento no gasto é adicionado à demanda agregada
inicial, esta aumenta em $0.5 trilhão para cada nível do PIB real, gerando uma
nova curva de demanda agregada (DA’) acima da inicial. Este deslocamento da
curva DA gera um novo ponto de equilíbrio (D’), mais alto, na interseção da curva
de demanda agregada planejada e da reta de 45º, ou seja, a demanda agregada
planejada é igual à efetiva, no montante de $15 trilhões (PARKIN, 2010).
Vamos entender melhor a dinâmica do multiplicador através do exemplo acima.
Compare o montante do produto/renda no ponto de equilíbrio inicial (B) com o
do novo ponto de equilíbrio (D’). Veja que o aumento no gasto autônomo em
investimento de $0.5 trilhão gerou um aumento no produto real da economia de
$2 trilhões, passou de $13 para $15, ou seja, o aumento do produto de equilíbrio
foi de quatro vezes do aumento inicial do gasto em investimento, claramente o
multiplicador é maior do que 1, especificamente 4. Para conferir este valor, vejamos
como se realiza o cálculo do multiplicador de gastos.
Inicialmente, quando o gasto em investimento aumenta, a demanda agregada
planejada supera a demanda agregada efetiva, o PIB real, então, conforme vimos
anteriormente, os estoques das firmas são reduzidos. As empresas reagem
contratando mais trabalhadores e aumentando a produção, o PIB e a renda. O
aumento da renda induz ao aumento do consumo, assim, o PIB de equilíbrio
aumenta na proporção do aumento inicial no investimento mais a proporção no
aumento induzido no consumo. No exemplo anterior, como o aumento inicial
no gasto foi de $0.5 trilhão e o PIB real aumentou em $2 trilhões, infere-se que o
aumento no consumo induzido foi de $1,5 trilhão.
Cálculo do multiplicador de gastos
(10)
Multiplicador =
Variação da renda nacional (∆Y)
Variação autônoma na DA (∆DA)
Multiplicador =
$ 2 trilhões
$ 0,5 trilhão
= 4
Macroeconomia Keynesiana
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74
Podemos entender facilmente o multiplicador de gastos utilizando
um pouco de cálculo. No modelo que vimos até então a demanda
agregada é composta por dois componentes autônomos (exógenos),
o gasto autônomo em consumo e o gasto em investimento. Podemos
calcular os multiplicadores destes dois componentes em relação à
renda de equilíbrio (YE
da expressão 9). Basta derivar YE
com relação a
C0
e a I0, vejamos.
YE
=
1
1 - c
(C0
+ I0
)
∂YE
∂C0
= 1
1 - c
(multiplicador do consumo)
∂YE
∂I0
=
1
1 - c
(multiplicador do investimento)
O multiplicador de gastos também é válido para o caso de reduções no
gasto autônomo. Para visualizar isso graficamente basta fazer a análise reversa
da anterior. Assim, adotando na figura 2.7 a curva de demanda agregada inicial
como sendo DA’ e o ponto de equilíbrio inicial como D’, então, uma redução
do gasto autônomo, deslocará a curva de demanda agregada para baixo, para
DA, provocando uma mudança do ponto de equilíbrio para B, com PIB real de
$13 trilhões. Dada a redução inicial de gasto a demanda agregada planejada é
inferior ao PIB real, à demanda agregada efetiva, assim, os estoques das firmas
aumentarão, as empresas reduzirão a produção, o que, por sua vez, gera redução
da renda e então do consumo, até o novo ponto de equilíbrio em B. Disso, se
conclui que o multiplicador é válido tanto para aumentos dos gastos, quanto de
forma perversa, para reduções dos gastos, ou seja, o multiplicador se reflete na
renda da economia, conforme o caso, de maneira positiva ou negativa.
Macroeconomia Keynesiana
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75
Vimos que o multiplicador de gastos é maior do que 1, esse multiplicador tem
algum limite? Qual a proporção dos efeitos do multiplicador? Vimos na unidade
1 que o produto potencial, isto é, o máximo que a economia tem condições de
produzir, depende dos fatores de produção e do nível tecnológico da economia.
Dada a hipótese de rigidez de preços e salários do modelo keynesiano, os preços
assim permanecerão enquanto as empresas tiverem capacidade produtiva para
aumentarem a produção mediante um aumento da demanda. A partir do momento
Figura 2.7 | O multiplicador de gastos
Fonte: Adaptado de: Parkin (2010, p. 275)
Macroeconomia Keynesiana
U2
76
em que as empresas atingirem o limite da capacidade produtiva, aumentos
na demanda agregada se refletirão em aumentos de preços. Disso surge, no
modelo keynesiano, o conceito de hiato inflacionário, que representa o excesso
de demanda em situação de pleno emprego dos fatores de produção (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
Em resumo, podemos afirmar que as análises que realizamos durante esta
unidade, considerando a hipótese de preços e salários fixos, foram possíveis em
um cenário de desemprego dos fatores de produção, inclusive, este é um dos fatos
que diferencia o modelo keynesiano do modelo clássico. A partir do momento que
há pleno emprego dos recursos, aumentos na demanda agregada provocarão,
como no modelo clássico, aumento do nível de preços.
Oqueémultiplicador?Vocêachaqueépossívelomultiplicador
atuar de maneira perversa, ou seja, na redução da renda da
economia?
Outro conceito estabelecido por Keynes na Teoria Geral é o do
paradoxo da parcimônia ou da poupança: uma elevação da taxa
de poupança da sociedade a tornaria mais pobre, ou seja, uma
elevação da propensão marginal a poupar provocaria uma queda da
renda, devido aos menores gastos. Você pode saber mais sobre esse
paradoxo em Blanchard (2011, p. 51).
3.4 Modelo keynesiano com governo e setor externo
Até então temos estudado o modelo keynesiano básico, ou seja, para uma
economia hipotética sem governo. Vamos agora incluir o governo em nossas
análises e verificar o que se altera. A demanda agregada será expressa conforme
abaixo, sendo G os gastos do governo.
Macroeconomia Keynesiana
U2
77
DA = C + l + G
Seguindo Lopes e Vasconcellos (2008) a primeira alteração que precisamos
incluir é que deveremos realizar as análises tomando como base a renda disponível,
ou seja, aquela que fica para os indivíduos após o pagamento dos impostos.
Sendo (Yd) a renda disponível, isto é, a renda nacional total (Y) menos o total de
arrecadação em impostos (T), teremos:
C = C (Yd)
Yd = Y - T
Precisamos considerar também que a arrecadação é proporcional à renda,
isto é, quanto maior o nível de atividade econômica maior será o volume de
arrecadação, e que os gastos públicos são dados. Então:
T = Ty
G = G0
Onde t representa a participação do imposto no produto, varia entre zero e
a unidade. Considerando essas alterações a função consumo ficará da seguinte
forma:
C = C0
+ c (Y - T)
C = C0
+ c (Y - tY)
Dada a demanda agregada expressa em (11), no equilíbrio teremos:
Y = C0 + c (Y - tY) + I0
+ G0
YE
=
1
1 - c (1 - t)
. (C0
+ I0
+ G0
)
Analisando a expressão (15) percebemos que o gasto público contribui para o
aumento a renda da economia, pois é um dos componentes da despesa agregada.
Dado um nível de renda qualquer inicial, um aumento dos gastos do governo leva
a um aumento da despesa agregada planejada, isto é, da demanda agregada.
Vejamos esse efeito na cruz keynesiana.
(11)
(12)
(13)
(14)
(15)
Macroeconomia Keynesiana
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78
Figura 2.8 | A cruz keynesiana e o aumento dos gastos do governo
Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 194)
Por meio da figura 2.8 percebe-se que a representação gráfica de um aumento
dos gastos do governo é idêntica à representação gráfica de um aumento nos
gastos em investimento ou consumo. Isto não poderia ser diferente, pois sabemos
que todas essas variáveis compõem a despesa ou demanda agregada. Assim, o
aumento dos gastos do governo desloca a curva de demanda agregada para cima,
aumentando a produção e renda da economia, cujo equilíbrio se dá a um nível
mais alto do que o inicial. Lembrando que neste caso também há os efeitos do
multiplicador de gastos, assim, a magnitude da variação na renda será maior do
que a magnitude inicial do aumento dos gastos.
Qual a magnitude do multiplicador de gastos em um modelo com governo?
Na expressão 15, perceba que os impostos, por meio de sua alíquota, possuem
um efeito redutor sobre o nível de produto, reduzindo o valor do multiplicador.
Ocorrendo um aumento na renda, a arrecadação de impostos faz com que a
variação na renda disponível seja menor, o que limita os efeitos sobre o consumo.
Ou seja, a alíquota de impostos faz com que os aumentos induzidos no consumo,
decorrentes do aumento da renda, sejam menores, pois os indivíduos terão uma
renda menor a ser dedicada ao consumo, fazendo com que o efeito final do
multiplicador de gastos no modelo com governo seja menor do que o multiplicador
de gastos no modelo sem governo (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Macroeconomia Keynesiana
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79
Com relação aos impostos, estes também têm efeito multiplicador sobre a renda
da economia? Supondo uma redução de impostos na economia, isto aumenta a
renda disponível da coletividade, provocando um aumento no consumo, e, então,
a demanda agregada será maior. Graficamente o efeito será similar ao de aumento
dos gastos autônomos, como na figura 2.8, a demanda agregada se deslocará para
cima, provocando um aumento da renda de equilíbrio da economia. Respondendo
à pergunta, a resposta é sim, há o multiplicador de impostos.
Podemos encontrar matematicamente o multiplicador de gastos
no modelo com governo. Basta derivar a renda de equilíbrio, YE na
expressão 15, com relação a C0
, I0
, ou G0
, conforme abaixo.
YE
=
1
1 - c (1 - t)
(C0
+ I0
+ G0
)
∂YE
∂C0
= 1
1 - c (1 - t)
(multiplicador do consumo com governo)
∂YE
∂I0
=
1
1 - c (1 - t)
(multiplicador do investimento com governo)
∂YE
∂G0
=
1
1 - c (1 - t)
(multiplicador dos gastos do governo)
Para encontrarmos os multiplicadores de impostos, vamos considerar
que o nível de arrecadação é independente da renda, como em Lopes
e Vasconcellos (2008). Então, T=T0, de modo que:
Y =C0
+ c (Y - T0
) + I0
+ G0
YE
=
1
1 - c
. C0
+ I0
+ G0
) -
c
1 - c
. T0
∂YE
∂T0
= -
c
1 - c (multiplicador de impostos)
Macroeconomia Keynesiana
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80
Vamos agora introduzir no modelo o setor externo, que acrescenta outro
elemento de demanda, as exportações (X), mas que também tem um elemento de
vazamento da renda, as importações (M). As exportações representam a demanda
do resto do mundo por produtos produzidos internamente, assim, a quantidade
exportada em bens e serviços pelo país depende da renda do resto do mundo e
da taxa de câmbio. Consideraremos essas variáveis como dadas. As importações
representam a demanda dos residentes por produtos produzidos no exterior, por
isso, indica um vazamento de renda da economia, parte da renda que poderia ser
gasta em produtos nacionais está sendo empregada na compra de produtos de
outros países, ampliando a demanda destes (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Com a introdução do setor externo precisamos compreender outro conceito,
o da propensão marginal a importar (m), que indica a relação entre a renda e as
importações, na verdade esse termo indica a fração do aumento da renda que é gasta
com produtos importados, seu valor fica entre zero e a unidade. Para a calcularmos
seguimos o mesmo raciocínio dos cálculos das outras propensões, basta efetuarmos
a razão entre a variação na quantidade importada (M) e a variação na renda.
PMI = ∆M
∆Y
Incluindo o setor externo na condição de equilíbrio, consideraremos, as
exportações como sendo exogenamente determinada (X= X0), assim como temos
feito para o investimento e os gastos do governo, ficaremos com a seguinte expressão:
Y = C0
+ c (1 – t) Y + I0
+ G0
+ X0
- mY
YE
=
1
1 - c (1 - t) + m
. (C0
+ I0
+ G0
+ X0
)
Por meio do termo (-mY) percebemos que as importações são descontadas
da demanda agregada, de forma que esta indicará a demanda agregada dedicada
somente aos produtos produzidos internamente. O termo 1
1 - c (1 - t) + m
é chamado
de multiplicador de gastos da economia aberta1
. Porém, como a propensão
marginal a importar é positiva, este multiplicador é menor do que o multiplicador
de gastos da economia fechada.
(16)
(17)
1
Da mesma forma que encontramos os outros multiplicadores matematicamente, este também pode ser obtido.
Para isto, derive a renda de equilíbrio, YE
na expressão 17, com relação a C0
, I0
, G0
ou X0
.
Macroeconomia Keynesiana
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81
Qual a diferença entre o multiplicador de gastos no modelo
com governo e o multiplicador de gastos da economia aberta?
Qual desses multiplicadores é menor? Por quê?
1. O que são vazamentos da renda?
2. O que são injeções de renda?
Nesta unidade você aprendeu que:
• A análise da macroeconomia keynesiana se dá no âmbito do
curto prazo, pois preços e salários são considerados fixos.
• A teoria keynesiana é desenvolvida em torno do princípio da
demanda efetiva, segundo o qual os empresários tomam a decisão
de quantos trabalhadores contratarem e de quanto produzir com
base em quanto eles esperam vender.
• A curva de oferta agregada de curto prazo é horizontal, indicando
que para um dado nível de preços os empresários podem
produzir qualquer quantidade, de forma a atender ao aumento
da demanda. Para isso, considera-se que haja desemprego dos
fatores de produção.
Macroeconomia Keynesiana
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82
• A cruz keynesiana é a representação do equilíbrio entre a oferta
agregada e a demanda agregada.
• Você aprendeu também que os componentes da demanda
agregada planejada (ou da despesa agregada planejada) provocam
efeitos sobre a renda da economia.
• Que em situações de desequilíbrios macroeconômicos os
níveis de estoques das empresas, o componente involuntário do
investimento, se ajustarão de forma a reequilibrar o mercado de
bens.
• Que o multiplicador dos gastos é um efeito que faz com o
aumento gerado na renda, devido a um aumento na demanda
agregada, seja maior do que o aumento inicial no gasto autônomo.
A leitura da obra de Keynes “A Teoria Geral do Emprego do Juro e
da Moeda” é um requisito básico para os estudantes de Ciências
Econômicas. Realizando esta leitura você poderá aprofundar seus
conhecimentos sobre a macroeconomia keynesiana. Boa leitura!
1. O multiplicador de gastos pode ser conceituado como
a magnitude com que o aumento do gasto autônomo é
amplificado para determinar o novo gasto de equilíbrio
ou a nova renda de equilíbrio. No caso do multiplicador
tributário, é correto afirmar que:
Macroeconomia Keynesiana
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83
a) É da mesma proporção que o multiplicador de gastos,
pois tanto um aumento dos gastos quanto uma redução
das alíquotas de impostos geram aumento da renda de
equilíbrio.
b) É inferior em relação ao multiplicador de gastos, pois
ocorrendo um aumento na renda, a arrecadação de
impostos faz com que a variação na renda disponível seja
menor, o que limita os efeitos induzidos sobre o consumo.
c) A magnitude da variação na renda será maior do que a
magnitude inicial do aumento dos gastos.
d) A alíquota de impostos faz com que os aumentos
induzidos no consumo, decorrentes do aumento da renda,
sejam maiores, pois os indivíduos terão uma renda maior a
ser dedicada ao consumo.
e) Não provocará alterações sobre a renda disponível, pois
esta é afetada somente pela propensão marginal a poupar.
2. Sobre a demanda agregada planejada, é correto afirmar
que:
a) Corresponde ao total que as empresas e famílias desejam
gastar na compra de bens e serviços.
b) É aquela cujo resultado é divulgado pela contabilidade
nacional, incluem o consumo e as duas partes do
investimento, ou seja, o voluntário (os bens de capital) e o
involuntário (a variação de estoques).
c) A demanda agregada planejada, ou despesa planejada,
representa o consumo e a parte planejada do investimento.
d) Representa o investimento involuntário nulo.
e)Asempresasestãodispostasavenderqualquerquantidade
que seus clientes desejarem comprar e contratam apenas
o número de trabalhadores necessários para produzir a
quantidade demandada.
3. Com respeito ao modelo keynesiano, considere as
afirmativas:
I. A oferta agregada, assim como o modelo clássico, assume
um papel determinante no nível de renda da economia.
II. Existindo desemprego dos fatores de produção as
Macroeconomia Keynesiana
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84
empresas conseguem ajustar a quantidade produzida para
atender ao aumento da demanda sem provocar alterações
nos preços.
III. O governo tem um importante papel na economia,
pois por meio da política fiscal pode aumentar ou reduzir
a demanda agregada e assim, evitar profundas flutuações
na renda.
IV. Se a demanda agregada efetiva está abaixo do ponto de
equilíbrio, o mecanismo de ajustamento do modelo gera
uma redução no nível de estoques.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e IV.
b) I, II e IV.
c) I, II e III.
d) I e III
e) II, III e IV.
4. Dado o nível de preços fixos, considerando um aumento
do gasto autônomo, é correto afirmar sobre a curva de
demanda agregada e o ponto de equilíbrio:
a) A curva de demanda agregada se desloca para cima
gerando um novo ponto de equilíbrio, de renda mais baixa
do que a inicial.
b) A curva de demanda agregada não se altera, pois, a
propensão marginal a consumir tende a ser constante.
c) A curva de demanda agregada se desloca paralelamente
para cima, gerando um novo ponto de equilíbrio, ao qual
corresponde um nível de renda mais elevado do que aquele
do equilíbrio inicial.
d) A curva de demanda agregada se desloca para baixo,
deslocando também o ponto de equilíbrio, mas gerando
uma renda de equilíbrio mais baixa do que a inicial.
e) A curva de demanda agregada é horizontal, pois a
demanda não é influenciada pelo nível de preços, de forma
que o ponto de equilíbrio não se altera.
Macroeconomia Keynesiana
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5. Sobre os conceitos utilizados no modelo keynesiano,
considere as afirmativas:
I. A propensão marginal a consumir é a proporção da renda
total que é gasta em consumo.
II. A propensão marginal a consumir são as características
psicológicas da comunidade e, são de tal forma que quando
a renda agregada aumenta, o consumo agregado também
aumenta, mas não tanto quanto a renda. Em outras palavras,
a propensão a consumir expressa a variação positiva no
consumo em virtude de um aumento na renda.
III. A propensão marginal a poupar é a fração da variação da
renda que é poupada, é calculada por meio da variação na
poupança dividida pela variação na renda.
IV. O paradoxo da parcimônia ou da poupança significa que
uma redução da propensão marginal a poupar provocaria
uma queda da renda e tornaria a sociedade mais pobre.
Estão corretas as afirmativas:
a) I, II e IV.
b) II e III.
c) I e IV.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.
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Macroeconomia Keynesiana
Referências
Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC).
Exame 2003. Disponível em: <http://www.anpec.org.br/novosite/br/exame>
Acesso em: 23 ago.2015.
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011.
CARSON, R. B. O que os economistas sabem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.
CHICK, V. Macroeconomics after Keynes: a reconsideration of the general theory.
Oxford: Philip Alan. 1983.
KALECKI, M. Teoria da dinâmica econômica. Tradução: Paulo de Almeida. São
Paulo: Nova Cultural, 1977. (Os economistas). Disponível em: <http://home.ufam.
edu.br/andersonlfc/Coleção%20-%20Os%20Economistas/Michal_Kalecki_-_Teoria_
da_Din%25C3%25A2mica_Econ%25C3%25B4mica_(Os_Economistas).pdf>. Acesso
em: 24 ago. 2015.
KEYNES, J. M. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Nova
Cultural, 1996. (Os economistas).
LOPES, L.; VASCONCELLOS, M. (Orgs.). Manual de macroeconomia: básico e
intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MANKIW, N. G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
PARKIN, M. Macroeconomics. 10th ed. Boston: Pearson, 2010.
PAULANI, Leda Maria; BRAGA, Márcio Bobik. A nova contabilidade social: uma
introdução à macroeconomia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.
Unidade 3
ESTRUTURA
GERAL DA ANÁLISE
MACROECONÔMICA: IS-LM E
IS-LM-BP
Objetivos de aprendizagem:
Nesta unidade você será levado a entender o funcionamento do modelo
IS-LM simples e do modelo IS-LM-BP.
Carlândia Brito Santos Fernandes
Nesta seção entenderemos a origem das curvas IS e LM e veremos
quais variáveis podem afetá-las. Como a taxa de juros é determinada?
O que define o nível de produto da economia? Além disso veremos os
impactos das políticas monetárias e fiscais sobre a economia.
Seção 1 | O modelo IS-LM
Nesta seção analisaremos como ocorre simultaneamente o equilíbrio
nos mercados de bens e monetário. Como são determinados os níveis
conjuntos do produto e da taxa de juros?
Seção 2 | Equilíbrio no modelo IS-LM
Nesta seção estudaremos o modelo IS-LM para economia aberta,
bem como os efeitos, em diferentes contextos, de políticas econômicas
sobre a economia.
Seção 3 | Modelo IS-LM-BP
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
91
Introdução à unidade
O conteúdo desta terceira unidade está, de certa forma, relacionado ao
conteúdo da unidade 2, na qual aprendemos o modelo keynesiano. Nesta
terceira unidade veremos o modelo IS-LM que pode ser interpretado como uma
demonstração formal (analítica e matemática) da obra de Keynes “A Teoria Geral do
Emprego, do Juro e da Moeda”, que foi realizada por John R. Hicks em seu artigo
“Mr. Keynes and the Classics: a Suggested Interpretation”, publicado em 1937, na
revista Econométrica, um ano após a obra de Keynes. O modelo foi inicialmente
nomeado por Hicks como IS-LL, somente depois viria a ser conhecido como IS-
LM (não se preocupe com os significados dessas siglas/variáveis por enquanto, em
breve as entenderemos).
O modelo IS-LM, apesar de todo o avanço da macroeconomia, é um dos pontos
centrais dos estudos da macroeconomia, pois capta grande parte do que ocorre
na economia no curto prazo. Desde o seu desenvolvimento, o modelo já avançou
muito, os aspectos que veremos nesta unidade são os aspectos base do modelo.
Partiremos de um contexto de economia fechada com governo, explorando a
derivação das curvas IS e LM, para o contexto de uma economia aberta, em que
temos a inclusão de outros componentes da demanda agregada, bem como de
outras variáveis/fatores que influenciam os efeitos das políticas econômicas sobre
a economia, como a taxa de câmbio e a mobilidade de capitais. Da mesma forma
que o modelo keynesiano que estudamos na unidade 2, o modelo IS-LM considera
apenas o comportamento da demanda agregada.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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93
Seção 1
O modelo IS-LM
Introdução
A sigla IS-LM se origina, respectivamente, dos termos em inglês investment saving
e liquidity money. De forma semelhante ao modelo keynesiano que estudamos, a
ideia básica do modelo IS-LM é de que, no curto prazo, os preços não são flexíveis,
o que requer que a economia esteja operando abaixo da sua capacidade máxima,
de forma que os produtores podem aumentar a quantidade ofertada sem afetar os
preços. Nesse modelo, o equilíbrio é de curto prazo, há uma combinação entre a
taxa de juros (r) e o produto (Y) que satisfaz o equilíbrio tanto no mercado de bens
quanto no monetário.
Na figura 3.1 percebemos que a economia é composta por dois mercados, o
mercado monetário ou de ativos, no qual se estabelecem as quantidades ofertadas
e demandadas de moeda, e o mercado de bens e serviços, que corresponde ao
lado real da economia e é representado pelo nível de produto ou pela demanda
agregada. Analisando a figura 3.1, começando da esquerda para a direita, veja que
Figura 3.1 | Estrutura do modelo IS-LM
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 188)
Mercado
monetário
Política
monetária
Política
fiscal
Mercado
de bens e
serviços
Nível de
produto
Taxa de juros
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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94
há uma seta ligando o mercado monetário e o mercado de bens, assim, a oferta
e demanda de moeda determinam a taxa de juros, a qual, por sua vez, afeta o
mercado de bens e serviços, especificamente, a demanda agregada por meio dos
investimentos. Assim, o nível de produto da economia também é afetado (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
Perceba que nesta unidade, diferentemente da anterior, o investimento agregado
não é constante, pois é influenciado pela taxa de juros. Note que a ligação entre o
lado real e o lado monetário da economia é realizada pela taxa de juros. Na figura
3.1 o último retângulo é conectado ao retângulo do mercado de ativos, indicando
que o nível de produto da economia, ou a renda, por sua vez, afeta o mercado de
ativos. Da análise desta figura podemos concluir que esta estrutura representa um
sistema de determinação simultânea da renda e da taxa de juros, sendo a política
monetária (oferta de moeda), a política fiscal (gastos do setor públicos e tributos) e
o nível de preços (inflexíveis) variáveis exógenas no modelo.
Antes de passarmos ao próximo item vamos relembrar os componentes de
demanda agregada, ou da despesa planejada total, que vimos na segunda unidade,
e que utilizaremos no decorrer desta:
•	 O consumo, que não é mais constante, agora é influenciado pela renda
disponível (Yd
);
•	 Investimento, que, conforme afirmado acima, é função da taxa de juros (r);
•	 Gastos Públicos: definido institucionalmente;
•	 Impostos, exportações e Importações, por simplificação, supõe-se que
sejam exógenas;
As hipóteses consideradas no modelo IS-LM são:
•	 Preços inflexíveis;
•	 Economia com capacidade ociosa e mão-de-obra desempregada, isto é,
com desemprego de fatores;
•	 Políticas de crescimento levam a aumento da produção, e não de preços,
lembrem-se de que estes são rígidos;
•	 A demanda agregada determina o produto, ou seja, mantém-se o princípio
da demanda efetiva;
•	 As variáveis são expressas em termos reais, pois, os preços são constantes;
•	 Dada a hipótese anterior, a taxa nominal de juros (i) é igual à taxa real de
juros (r);
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
95
Considerando o consumo (C), a renda disponível (Yd), o investimento (I), a taxa
real de juros (r) e os gastos do governo (G), podemos representar a relação da
curva IS da seguinte forma:
Y = C (Yd
) + I (r) + G
A expressão (1) demonstra que a relação da curva IS é afetada pelos elementos
da despesa planejada, de forma que o consumo é relacionado diretamente à renda
disponível e o investimento, conforme afirmado anteriormente, negativamente à
taxa de juros. Os gastos do governo são um instrumento da política fiscal, assim
como os tributos (T).
Na unidade 2 vimos a cruz keynesiana, podemos utilizá-la para derivar a curva IS.
Partindo de uma situação inicial, em que temos uma determinada taxa de juros (r1
)
o que acontece se a taxa de juros diminuir para (r2
)? Vamos entender essa situação.
Observe inicialmente o painel (b) da figura 3.2. A taxa de juros inicial (r1
) corresponde,
(1)
1.1 Derivação da curva IS
Para derivarmos a curva IS incluiremos no modelo keynesiano simples, aquele
para economia fechada, que vimos na unidade anterior, a taxa de juros afetando o
nível de investimento. A curva IS demonstra todas as combinações entre a r e Y que
geram o equilíbrio no mercado de bens, isto é, oferta agregada iguala a demanda
agregada de bens e serviços (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Dada a eficiência marginal do capital, o investimento (definido endogenamente)
varia inversamente à taxa de juros. Por isso, a curva IS é decrescente:
•	 A queda na taxa de juros incentiva as empresas a aumentar os gastos com
investimento e, portanto, a renda.
•	 O aumento na taxa de juros leva as empresas a reduzir o investimento e,
portanto, a renda.
A eficiência marginal do capital é a taxa de desconto que iguala o
fluxo de receitas esperado ao custo do investimento. Se esta taxa
for superior à taxa de juros, correspondente ao custo de se obter
empréstimo para realizar o investimento, o empresário investe, caso
contrário, não.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
96
no painel (b), a um equilíbrio (A1
) entre a despesa planejada ou demanda agregada
(DA) e a reta de 45 graus (lembre-se de que sobre esta a demanda agregada é igual
à produção/renda real), equivalente a uma produção (Y1
). Uma redução na taxa de
juros para (r2) incentiva as empresas a ampliarem o investimento, o que se reflete
em uma despesa planejada total mais elevada, de forma que a curva DA se desloque
para cima, para DA’, ocasionando um novo ponto de interseção da DA e da reta de
45 graus e uma quantidade produzida mais elevada, (Y2
).
Você se lembra do conceito de multiplicador dos gastos que vimos na
segunda unidade? Este também está incluso na situação anterior, e considerando,
podemos resumir nossa análise da seguinte forma: com a redução da taxa de
juros os empresários se sentem motivados a investir gerando uma ampliação neste
elemento da despesa e na despesa planejada total e, então, na produção real,
como a coletividade terá uma renda maior a seu dispor, os dois tipos de gastos
privados, C e I, aumentarão ainda mais.
A partir da análise anterior como podemos derivar a curva IS?
Observe os painéis (a) e (b) da figura 3.2. Veja que para qualquer valor da taxa
de juros é possível obter o valor do produto/renda correspondente. O painel (b)
evidencia essas relações. Assim, o ponto (A1
) no painel (a) corresponde ao ponto
Figura 3.2 | Derivando a curva IS
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 79)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
97
(A1
) no painel (b). Da mesma forma, o ponto (A2
) no painel (a) corresponde ao ponto
(A2
) no painel (b). Observe que uma taxa de juros mais alta está associada a um nível
de produto/renda mais baixo. Assim, derivamos a curva IS, a curva negativamente
inclinada do painel (b), que apresenta a relação entre a taxa de juros e o produto
(BLANCHARD, 2011).
Quais fatores podem deslocar a curva IS?
A curva IS refere-se ao mercado de bens, assim, qualquer fator que afete a
despesa planejada desloca a curva IS. Entre esses fatores podemos citar: as
alterações no consumo ou investimento autônomos e as alterações nos elementos
da política fiscal. De outra forma, os fatores que deslocam a curva IS são variáveis
exógenas, isto é, variáveis que consideramos como dadas.
Vejamos graficamente, na figura 3.3, os efeitos na curva IS de uma política fiscal
expansionista de aumento das despesas do governo. A curva IS é elaborada para
uma dada política fiscal, no entanto, sempre que ocorrer mudanças nesta política a
curva IS se deslocará. Considerando um acréscimo nas despesas do setor público,
para uma dada taxa de juros, sabemos que ocorre um acréscimo na despesa
planejada total e, então, um acréscimo na renda da economia, ocasionando uma
elevação no consumo da coletividade e consequentemente uma ampliação na
produção real da economia. Assim, a produção se altera de Y1
para Y2
, pois, a curva
IS se desloca para a direita, de IS para IS’.
A curva IS também pode ser derivada do mercado de fundos de
empréstimos. Você poderá estudar sobre esse aspecto no capítulo 9
de Mankiw (2004).
Qual seria o efeito sobre a produção real de uma taxa de juros
mais baixa?
Como demonstrar essa situação graficamente?
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
98
Figura 3.3 | Deslocamento da curva IS
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 80)
Quais seriam os efeitos sobre a curva IS de uma política fiscal novamente
expansionista, mas por meio de uma redução dos impostos?
Os efeitos sobre a curva IS serão similares aos da política fiscal de aumento
dos gastos, vejamos. Considere, por exemplo, que o governo deseje impulsionar
a economia, ou seja, praticar uma política que gere e amplie a produção da
economia e, então, da renda. O governo decide colocar sua estratégia em prática
por meio de um abatimento na alíquota do imposto de renda, por exemplo. Neste
caso, ocorrerá uma ampliação na renda disponível da coletividade, para uma dada
taxa de juros, este maior nível de renda gerará um consumo mais elevado, o que
induz, por sua vez, a um aumento na demanda por bens e serviços e, então, a um
acréscimo na produção real da economia. Desta forma, a representação gráfica
é similar à da figura 3.3, em que ocorre um aumento no produto de equilíbrio, de
outra forma, a IS se desloca para a direita.
Nos dois casos anteriores falamos de políticas expansionistas, ou seja, que
impulsionam a economia e geram aumento do produto de equilíbrio. No que se
refere à política fiscal restritiva quais serão os impactos sobre a curva investment
saving? Considere, por exemplo, que em função de um déficit nas contas públicas
o governo adote uma política fiscal de corte de gastos. Neste caso, o corte de
gastos gera uma diminuição da despesa planejada e, consequentemente, uma
diminuição no produto/renda de equilíbrio, para uma dada taxa de juros. Dito de
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
99
outra forma, a uma dada taxa de juros, com o corte nas despesas do setor público
a curva IS se desloca para a esquerda, gerando um novo produto de equilíbrio
inferior àquele que prevaleceria antes do corte de gastos. No caso de adoção
de política fiscal de aumento dos impostos os efeitos sobre o mercado de bens
seriam similares ao de corte de gastos.
Além das razões para os deslocamentos da curva IS, há as razões que
determinam a inclinação da IS, Lopes e Vasconcellos (2008), destacam duas:
•	 Sensibilidade do investimento em relação à taxa de juros: quando a
demanda por investimentos é muito sensível (mais elástica) à taxa de juros,
mais horizontal será a curva IS, isto é, menor sua inclinação. Assim, uma
pequena variação na taxa de juros, levará a grande variação no investimento
e, portanto, na demanda agregada e na renda. Quando os investimentos
não são muito sensíveis à taxa de juros, IS muito inclinada ou quase vertical,
ocorre o contrário, os juros terão de variar muito para alterar o investimento.
•	 Propensão marginal a consumir ou o multiplicador dos gastos: alta
propensão marginal a consumir e, portanto, alto multiplicador de gastos,
variações no investimento gerarão grandes expansões induzidas no
consumo, ampliando a demanda e a renda. Quanto maior o multiplicador,
maior o impacto sobre a renda e menor a inclinação da IS (mais horizontal).
1.2 Derivação da curva LM
A Curva LM (Liquidity Money) representa os possíveis pares de taxa de juros e nível
de renda que equilibram o mercado monetário. Considerando que os indivíduos
destinam sua riqueza em dois tipos de ativos na economia, em moeda ou títulos.
Quando alocamos nossa riqueza em forma de moeda, apesar da característica
deste ativo ser a liquidez absoluta, sua posse não rende juros. Já se empregarmos
nossa riqueza em títulos estes rendem juros, mas são de menor liquidez em relação
à moeda. Se, por algum motivo você precisar transformar os títulos que adquiriu em
Resultado primário: corresponde ao resultado líquido do total das
receitas primárias do Governo Central deduzidas suas despesas
primárias. Valores positivos indicam superávit e valores negativos
indicam déficit.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
100
moeda, em poder de compra, terá um custo para isso. Sendo (W/P) a riqueza em
termos reais, seu montante será igual à oferta total dos ativos na forma de moeda
e de títulos. De outra forma, quando a oferta de ativos é igual à demanda de ativos
o mercado monetário estará em equilíbrio e como estamos considerando dado
o estoque de riqueza, se o mercado monetário estiver em equilíbrio, o mercado
de títulos também estará. Já se ocorrer um excesso de demanda por moeda, os
indivíduos estão preferindo empregar sua riqueza em forma de moeda, haverá,
por outro lado, um excesso de oferta de títulos, ou seja, estará sobrando títulos,
pois os indivíduos estão preferindo moeda, a liquidez absoluta. Da mesma forma,
se houver excesso de oferta de moeda, haverá excesso de demanda de títulos.
Resumindo, não há necessidade de analisarmos cada mercado individualmente,
basta analisarmos um que saberemos o que está acontecendo no outro. Assim,
consideraremos apenas o mercado monetário (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Naunidade1estudamosofuncionamentodomercadodefundosdeempréstimos
sob a perspectiva da escola clássica. Agora, precisamos entender o funcionamento
do mercado monetário pela perspectiva keynesiana para entendermos como se
dá a relação entre a taxa de juros e a renda, para isso utilizaremos a teoria da
preferência pela liquidez, que trata da interpretação da teoria keynesiana da taxa
de juros e é a base para a construção da curva LM (MANKIW, 2004).
Iniciaremos a análise pela oferta de moeda, sendo esta, representada por M e
uma variável exógena, seu nível é determinado pelo Banco Central (Bacen). O nível
de preços é representado por P, lembrando que no modelo keynesiano este é fixo,
portanto, uma variável exógena. Assim, a oferta real de moeda (M/P) é constante,
não depende da taxa de juros, por isso, ao representá-la graficamente, sendo a
mesma no eixo horizontal e a taxa de juros no eixo vertical, a oferta de moeda será
uma reta vertical. No que se refere à demanda por moeda, retém-se moeda porque
é um ativo líquido, é facilmente utilizada nas transações. De acordo com a teoria da
preferência pela liquidez a demanda de moeda depende da taxa de juros, que é o
Liquidez envolve o tempo e os custos para que uma determinada
aplicação se transforme em poder de compra, em dinheiro em
espécie. Assim, por exemplo, se parte de seus recursos está aplicada
em um imóvel e outra parte na poupança, a liquidez do imóvel é
inferior à da poupança.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
101
custo de oportunidade de se reter moeda. Por exemplo, se você guarda um certo
montante de moeda em casa, você está tendo um custo de oportunidade, que é o
juro que você receberia se esse mesmo montante de moeda estivesse na poupança
ou alocado em títulos. Em geral, quando a taxa de juros sobe, os indivíduos desejam
manter uma menor parte de sua riqueza na forma de moeda, ou seja, a demanda de
moeda diminui quando a taxa de juros aumenta (MANKIW, 2004).
Seguindo Lopes e Vasconcellos (2008), podemos apresentar dois fatores
para os indivíduos demandarem ou reterem moeda. O motivo transação, que
está diretamente relacionada à renda da economia. Assim, quanto maior o nível
de produto da economia, a renda da economia será maior, a despesa também
é mais elevada, então, maior será a quantidade de moeda demandada para as
pessoas realizarem suas transações, ou seja, a demanda de moeda aumenta com
o aumento da renda. O outro fator é o motivo portfólio, que depende da taxa de
juros, em que o indivíduo compara a rentabilidade dos diferentes ativos e escolhe
a opção que lhe gerará um melhor retorno para alocar sua riqueza. O equilíbrio
no mercado monetário se dá quando a demanda de moeda se iguala à oferta de
moeda. Sendo M
P
−
a oferta de moeda, Md
(Y) a demanda por moeda para transação,
e Md
(r) a demanda de moeda para portfólio, temos:
M
P
−
= Md
M
P
−
= Md
(Y) + Md
(r)
Resumindo, a demanda de moeda varia positivamente com a renda e
negativamente com a taxa de juros. Vejamos isso graficamente.
(2)
Figura 3.4 | Derivação da curva LM
Fonte: Blanchard (2011, p. 82)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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102
A partir da figura 3.4 podemos entender a influência da renda e da taxa de juros
sobre a demanda por moeda, bem como derivar a curva LM. Partindo de um equilíbrio
inicial entre a oferta e demanda de moeda, um aumento da renda real de Y1
para Y2
gera um aumento das transações na economia exigindo uma maior quantidade de
moeda para este fim, deslocando a curva de demanda por moeda (negativamente
inclinada, já que depende inversamente da taxa de juros) para cima, de forma que a
taxa de juros precisa aumentar de r1
para r2
para reequilibrar o mercado monetário.
Plotando os pontos de equilíbrio do painel (a) no painel (b), obtemos a curva LM
e podemos ver, claramente, que um aumento da renda real gera um aumento na
taxa de juros, por isso, a curva LM é positivamente inclinada. É importante destacar
que sempre que nos referimos à oferta de moeda, estamos falando em oferta real
de moeda, ou seja, o estoque de moeda em termos de bens e não em termos de
unidades monetárias. Da mesma forma, a demanda por moeda é a demanda real
por moeda e a renda, a renda real.
Vimos que a curva LM é crescente, porém, esta curva pode ser mais ou menos
inclinada, isto vai depender de alguns fatores. Você tem alguma ideia de quais fatores
são esses?
Os fatores que afetam a inclinação da curva LM são as elasticidades da demanda
de moeda em relação à renda e à taxa de juros. Se a sensibilidade (elasticidade)
da demanda por moeda em relação à renda é elevada, a curva LM será mais
inclinada, mais vertical, pois uma pequena variação na renda levará a um excesso
de demanda por moeda, de forma que será necessária uma elevação na taxa de
juros, relativamente alta, para anular o excesso de demanda por moeda e equilibrar
o mercado monetário. Se a demanda por moeda for muito sensível à taxa de juros,
a curva LM será pouco inclinada, LM mais horizontal. Neste caso, qualquer alteração
no nível de renda exigirá uma pequena alteração na taxa de juros para equilibrar a
oferta e a demanda de moeda (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Pode acontecer da curva LM ser completamente horizontal? A resposta é sim,
inclusive este tipo de comportamento da demanda de moeda em relação à taxa de
juros foi estabelecido por Keynes, que o nomeou de armadilha de liquidez. Nesta
situação os agentes teriam preferência pela liquidez absoluta, pois, a taxa de juros
encontra-se em níveis muito baixos que os agentes consideram que o melhor a fazer
é manter sua riqueza em forma de moeda e não investir em ativos. Assim, qualquer
aumento que ocorra na oferta de moeda será retido pela coletividade. Outro caso
extremo seria a demanda por moeda ser completamente insensível à taxa de juros,
a LM seria vertical, o que estaria em acordo com a macroeconomia clássica que
estudamos na unidade 1. Por isso, a LM vertical é conhecida na literatura como caso
clássico, sendo que as alterações na taxa de juros não influenciam o equilíbrio entre
oferta e demanda de moeda.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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103
O que pode afetar a posição da curva LM? Qualquer alteração na oferta real
de moeda, o que ocorre em função da política monetária, deslocará a curva LM.
Pense, por exemplo, para determinado nível de preços, que o Banco Central adote
uma política monetária expansionista, assim, a oferta real de moeda na economia
aumenta. Graficamente a curva LM se desloca para baixo (direita), sendo necessária
uma taxa de juros mais baixa para equilibrar o mercado monetário. Similarmente, se
o Banco Central reduzir a quantidade de moeda, a curva LM se desloca para cima
(esquerda) provocando, para qualquer nível de renda, uma redução da taxa de juros.
Figura 3.5 | Política monetária expansionista e deslocamento da LM
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 82)
1. Represente graficamente, e explique, os efeitos sobre a
curva LM de uma redução na oferta real de moeda.
2. Quais variáveis podem provocar deslocamentos da curva
IS? E da curva LM?
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
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Seção 2
Equilíbrio no modelo IS-LM
Introdução
O equilíbrio no mercado de bens e monetário ocorre quando a curva IS
intercepta a curva LM, de forma que há uma taxa de juros e um nível de produto
que satisfazem o equilíbrio, conforme ilustrado na figura 3.6.
O próximo passo da análise consiste em entendermos, mediante desequilíbrios
macroeconômicos, como ocorrem ajustamentos na economia. Para isso, faremos
vários exercícios analíticos, que nos permitirão compreender os efeitos de diferentes
políticas macroeconômicas sobre o nível de produto da economia e sobre a taxa
de juros. De outra forma, por meio de um modelo IS-LM, podemos analisar se
determinadas políticas praticadas pelo governo podem provocar aumento ou
redução na taxa de crescimento do PIB.
Figura 3.6 | Equilíbrio no modelo IS-LM
Fonte: Blanchard (2011, p. 83)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
106
2.1 Efeitos da política fiscal no modelo IS-LM
Suponha que o governo precise reduzir o déficit orçamentário e para isto adote
uma estratégia de aumento dos impostos, mantendo seus gastos inalterados, ou
seja, uma política fiscal contracionista ou restritiva. Analisamos algo similar no item
1.2, quando verificamos os deslocamentos da curva IS. As perguntas que faço
agora são: quais serão os impactos dessa política fiscal de aumento dos impostos
sobre o produto e taxa de juros da economia? O que acontecerá com o ponto de
equilíbrio no modelo IS-LM?
Para responder a estas perguntas utilizaremos como base a figura 3.7. Assim,
partindo do ponto de equilíbrio inicial, um aumento dos impostos gera uma redução
na renda disponível, o que, por sua vez, provoca uma redução do consumo,
pois as pessoas terão menos renda para atender esse propósito, gerando então
uma redução na demanda agregada, que se reflete na redução do produto e da
renda. Lembre-se que uma redução na renda também provoca uma redução na
demanda por moeda, pois os indivíduos necessitarão de menos moeda para as suas
transações, e, consequentemente, a taxa de juros diminui de r par r’. Perceba que
a política fiscal não afeta a curva LM, pois os elementos de política fiscal aparecem
somente na relação da curva IS, que apresentamos na equação (1) desta unidade.
Podemos concluir então, que um aumento dos impostos leva a uma redução na
taxa de juros e no nível de produto de equilíbrio, portanto, todo o mais constante,
uma redução na taxa de crescimento do PIB.
Figura 3.7 | Efeitos de uma política fiscal de aumento de impostos
Fonte: Blanchard (2011, p. 85)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
107
No caso de uma política fiscal expansionista, a de expansão das despesas do
governo, por exemplo, quais seriam os efeitos sobre a economia? Esta seria uma
política oposta a essa que ilustramos na figura 3.7, então, basta fazermos a análise
oposta. Aqui, não há necessidade de ilustrarmos graficamente, você poderá fazer
isso posteriormente, como um exercício, combinado? Vamos à análise. A expansão
das despesas do setor público provoca um aumento da despesa planejada, que será
atendido com uma redução dos estoques das empresas. As empresas aumentarão
a produção, ampliando o nível de renda da economia. Isso deslocaria a curva IS
para a direita, provocando também uma taxa de juros mais elevada, pois com a
expansão da demanda agregada a quantidade de moeda que a coletividade terá para
realizar suas transações será inferior à quantidade necessária. Concluindo, os efeitos
na economia da política de aumento dos gastos seriam contrários àqueles que
ilustramos na figura 3.7, pois teríamos produção/renda e taxa de juros mais elevadas.
2.2 Efeitos da política monetária no modelo IS-LM
Passemos agora à análise de uma política monetária. Suponha que o Banco
Central pratique uma política monetária expansionista, ou seja, de aumento da
oferta nominal de moeda − então, da oferta real de moeda, pois temos como
hipótese que os preços são fixos − utilizando-se de uma redução da taxa de
depósito compulsório. Sabemos que a oferta de moeda é uma variável da relação
da curva LM, representada na equação (2) desta unidade, assim, podemos antecipar
que a curva que se deslocará em função desta política monetária será a curva LM.
A curva IS permanecerá inalterada, pois a oferta de moeda não afeta diretamente
o mercado de bens.
Tomando a figura 3.8 como base, partindo do ponto inicial de equilíbrio, o
aumento na oferta de moeda desloca a curva LM para baixo, de LM para LM’.
Dado o nível de renda inicial, um aumento na oferta de moeda provoca um
excesso de oferta de moeda, pois há mais moeda do que a quantidade necessária
para os indivíduos realizarem suas transações. O excesso de moeda leva a uma
redução da taxa de juros, gerando um aumento do investimento na economia, e,
consequentemente, um aumento da demanda agregada, então, um excesso de
demanda por bens que é suprido por uma redução dos estoques das empresas.
Consequentemente, as empresas aumentam a produção para atender o aumento
da demanda. À medida que a produção aumenta, a renda também aumenta.
Observe na figura 3.8 que a taxa de juros reduz de r para r’ e o produto aumenta
de Y1
para Y2
e que esses movimentos ocorrem sobre a curva IS, ou seja, como
afirmado antes, a IS não se desloca, somente a LM.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
108
Figura 3.8 | Efeitos de uma política monetária expansionista
Fonte: Blanchard (2011, p. 87)
Os depósitos compulsórios são recolhimentos obrigatórios de
recursos que as instituições financeiras fazem ao Banco Central. São
considerados como instrumento de política monetária, mas têm sido
também utilizados como instrumentos de preservação da estabilidade
financeira. Para saber mais consulte o link: <http://www4.bcb.gov.
br/pec/gci/port/focus/FAQ%2012-Depósitos%20Compulsórios.pdf>.
Acesso em: 23 out. 2015.
Da análise anterior podemos afirmar que, seguindo a lógica keynesiana, sempre
que houver desequilíbrio no mercado de bens, o ajuste se dará via quantidade,
alterando o nível de produto e de renda. Assim, ocorrendo excesso de oferta de
bens, o nível de estoque se elevará, levando as empresas a reduzirem a produção.
Ocorrendoexcessodedemandadebens,osestoquesreduzirão,levandoasempresas
a aumentarem a produção. Por outro lado, sempre que houver desequilíbrios no
mercado monetário, o ajuste se dará com variações nas taxas de juros. Em situações
de excesso de oferta de moeda a taxa de juros diminui e em situações de excesso
de demanda de moeda a taxa de juros aumenta (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
109
O que aconteceria na figura 3.8 se ao invés de política monetária expansionista o
Banco Central tivesse adotado uma política monetária restritiva? Pense da seguinte
forma, se o Banco Central deseja praticar uma política monetária para reduzir a
taxa de inflação, por exemplo, terá de adotar uma política restritiva, de redução da
quantidade real de moeda na economia. Desta forma, a um nível de renda inicial,
haverá uma quantidade de moeda na economia inferior àquela que a coletividade
precisa para realizar suas transações, provocando um aumento da taxa de juros.
Lembre-se que o aumento da taxa de juros leva a uma redução do investimento na
economia, reduzindo a demanda agregada, o nível de produto e, portanto, a renda.
Assim, na figura 3.8, uma política monetária restritiva deslocaria a curva LM para cima
(esquerda), gerando um novo ponto de equilíbrio com um menor nível produto/
renda e uma maior taxa de juros. Perceba que a IS não se deslocaria. Pois a política
inicial foi de redução da quantidade de moeda, ou seja, uma alteração no mercado
monetário e não no de bens. Então, novamente, a curva IS não se deslocaria, a
economia se moveria sobre ela. Estou enfatizando isso, porque esta é uma confusão
comum em análise como essas, por isso, fique atento. Qualquer dúvida não hesite
em fazer contato com seu professor ou tutor.
2.3 Combinação de políticas monetária e fiscal
Nos itens anteriores vimos que, na perspectiva do modelo IS-LM, por um lado, a
política fiscal expansionista tem o efeito de ampliar o nível de renda e a taxa de juros
na economia, sendo que o inverso ocorre para uma política fiscal restritiva. Por outro
lado, a política monetária expansionista também gera um aumento do produto, mas
uma taxa de juros menor, o inverso ocorre para a política monetária restritiva. O
que você acha, o governo pode praticar uma combinação desses diferentes tipos
de políticas econômicas? A resposta é sim, na política econômica o governo pode
utilizar uma combinação de instrumentos, assim os resultados serão diferentes dos
descritos anteriormente, nos quais as políticas eram independentes. Vamos ver um
pouco sobre isso?
No final de 2008 enfrentamos uma crise financeira global, que é considerada a
maior da história do capitalismo desde a grande depressão de 1929. No Brasil, os
efeitos iniciais da crise foram de forte redução da demanda agregada (investimento
e consumo), para tentar amenizar os efeitos negativos da crise o governo brasileiro
adotou medidas expansionistas de políticas monetária e fiscal, ou seja, anticíclicas.
Dentre essas políticas podemos citar como exemplos: na área fiscal, as reduções
nas alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para automóveis1
; na
área monetária foram ampliadas diferentes linhas de crédito dos bancos públicos
1
Em resumo, as reduções foram de 100% para carros até 1000 cilindradas, 50% para carros entre 1000 e no máximo
3000 cilindradas e de 75% para camionetas e furgões. Para detalhes, consultar o Decreto nº 6.687, de 11 de dezembro
de 2008 e o Decreto no 6.743, de 15 de janeiro 2009.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
110
e realizadas alterações nas regras dos depósitos compulsórios, todas de forma a
aumentar a quantidade de moeda na economia.
Analisando os efeitos dessas políticas no modelo IS-LM, ao adotar uma política
fiscal expansionista (aumento de gastos ou redução de impostos) sabemos que a
demanda agregada aumenta. Inicialmente as empresas reduzirão seus estoques e
depois aumentarão sua produção, isso deslocará a curva IS para a direita, de IS1
para IS2
, levando a um aumento da taxa de juros, o que podemos observar na
figura 3.9. No entanto, a intenção do Banco Central era manter a taxa de juros
em patamares relativamente mais baixos para incentivar o nível de investimento
e consequentemente, aumentar a demanda agregada da economia, o nível de
produção. Para atender a esse outro objetivo, o Banco Central adotou uma política
monetária expansionista, deslocando a curva LM para baixo (direita), provocando
a redução da taxa de juros. Veja na figura 3.9 que o resultado final de uma política
como esta será de um nível de produto maior do que aquele do equilíbrio inicial e
uma taxa de juros inferior.
Você poderá consultar um resumo das medidas praticadas no Brasil,
para combater os efeitos da crise de 2008, acessando o link:
<http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2009/09/464961-veja-as-
medidas-ja-anunciadas-no-brasil-para-combater-os-efeitos-da-
crise.shtml>. Acesso em: 23 out. 2015.
Figura 3.9 | Combinação de políticas fiscal e monetária expansionistas
Fonte: Adaptada de Blanchard (2011, p. 91)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
111
Podemos afirmar que no período da crise financeira aconteceu uma combinação
de políticas fiscal e monetária. O governo aumentou seus gastos, isso levaria a um
aumento da renda e da taxa de juros. Mas como o objetivo era manter a taxa de juros
mais baixa para ampliar os investimentos e aquecer a economia, o Banco central foi
levado a ampliar a oferta de moeda até que a taxa de juros fosse diminuindo.
As políticas monetária e fiscal também podem ser combinadas de forma a manter
o produto da economia. Assim, por exemplo, se o governo está com desequilíbrio
em seu orçamento e precisa reduzir seu déficit, poderá fazer isso sem provocar uma
redução do nível de produto/renda da economia. Apresentaremos a análise e você
poderá elaborar os gráficos durante seus estudos. Para reduzir o déficit orçamentário
o governo terá que aumentar impostos e/ou realizar um corte de gastos, isso
deslocará a IS para a esquerda, o que provocaria uma redução do produto e da
taxa de juros. Para anular o efeito da redução do produto o Banco Central teria que
expandir a quantidade de moeda na economia, LM se deslocaria para baixo (direita),
ampliando o produto, então, o resultado final na economia seria de manutenção do
nível de produto, mas com uma taxa de juros mais baixa do que a inicial.
De forma semelhante, as políticas econômicas podem ser combinadas de
maneira a manter a estabilidade da taxa de juros. Assim, supondo uma elevação
dos gastos públicos, a curva IS se deslocaria para a direita (cima), pressionando pela
elevação da renda e da taxa de juros, mas isso somente aconteceria se o Banco
Central mantivesse inalterada a oferta de moeda. Se a intenção do Banco Central
for de estabilidade da taxa de juros, como os juros subiram com a política fiscal, ele
será levado a ampliar a oferta de moeda, deslocando a LM para a direita, até que taxa
de juros retroceda ao nível inicial. Neste caso o resultado das políticas combinadas
será de ampliação da renda sem alteração da taxa de juros, já que o gasto público se
eleva sem reduzir os investimentos. É importante notar que quando o Banco Central
tem por objetivo manter a estabilidade da taxa de juros, a oferta de moeda torna-se
endógena, ou seja, fica dependente da política fiscal.
O que significa efeito crowding-out?
A eficácia das políticas fiscal ou monetária pode depender da
inclinação das curvas IS e LM?
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
112
1. Partindo de um ponto de equilíbrio dos mercados de
bens e monetário, quais os efeitos sobre o produto e a
taxa de juros de um aumento dos gastos do governo, ou
seja, de aumento do déficit orçamentário ou de redução
do superávit? Como você pode representar esta situação
graficamente?
2. Explique por que uma política monetária afeta diretamente
(e somente) o mercado monetário, isto é, a curva LM.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
113
Seção 3
Modelo IS-LM-BP
Introdução
O modelo IS-LM que vimos anteriormente trata-se do modelo básico, sem
participação do setor externo. Nesta seção estudaremos o modelo IS-LM para
economia aberta, mas continuando com a hipótese de preços fixos, por isso, as
taxas de câmbio nominal e real, que incluiremos no modelo, variam juntas. Para
isto veremos a curva BP e os efeitos de políticas econômicas, sob regimes de taxa
de câmbio fixa e flutuante, além de considerar a ausência e a perfeita mobilidade
de capital.
Vimos que a curva IS representa o mercado de bens da economia, e que sua
relação é composta pelos elementos da demanda agregada. Agora que estamos
trabalhando com economia aberta precisamos incluir nesta relação o setor externo,
ou seja, as exportações (X) e as importações (M). Além disso, introduzimos a taxa
de câmbio θ e a renda externa Y* de forma que a primeira influencia as relações
comercias entre o país e o resto do mundo e a segunda influencia as exportações.
Lembremos que taxa de câmbio alta (moeda nacional desvalorizada), por exemplo,
tende a aumentar as exportações e a reduzir as importações. Renda externa mais
elevada aumenta as exportações, pois o resto do mundo irá adquirir mais bens
de nosso país. Porém, renda interna mais elevada tende a aumentar o nível de
importações do nosso país.
A relação da curva IS e as funções exportações e importações são:
Y = C + I + G + (X - M)
X = X (θ;Y*)
M = M (θ;Y*)
Das expressões acima podemos inferir que alterações na taxa de câmbio e na
renda levarão a alterações na posição da curva IS. Segundo Lopes e Vasconcellos
(2008) como as importações correspondem a vazamentos de renda da economia
(vimos isso na unidade 2), a propensão marginal a poupar diminui o valor do
multiplicador de gastos, afetando a inclinação da curva IS. Assim, em economia
(3)
(4)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
114
aberta, a variação na renda decorrente de um aumento dos gastos autônomos será
menor, pois o multiplicador diminui. O vazamento de renda pelas importações nos
leva a definir dois efeitos:
•	 Efeito-transbordamento: é o impacto da renda interna sobre a renda dos
demais países, ou seja, o efeito de uma política expansionista ou recessiva
não são somente internos. Esse efeito depende do grau de abertura da
economia e de sua dimensão perante a economia mundial.
•	 Efeitos-repercussão: se o país x pratica uma política expansionista, isso
provocará aumento da renda interna e das suas importações. Isso será bom
para determinado país y que fornecerá a x os produtos que precisar, a renda do
país y, então, crescerá em função de uma política expansionista praticada em
x. O aumento da renda no país y gerará um aumento das suas importações, as
quais serão fornecidas por x. Assim, o país x terá um novo efeito expansionista
sobre sua renda, que é derivado da política expansionista original que praticou.
3.1 A curva de balanço de pagamentos (BP)
Considerando o modelo IS-LM para economia aberta, precisamos derivar uma
terceira curva que compõe esse modelo, a curva BP. Pelos estudos da contabilidade
nacional sabemos que o balanço de pagamentos da economia se divide em
transações correntes (TC) e movimento de capitais (MK). O saldo de transações
correntes, que inclui todas as transações de bens e serviços do país com o resto
do mundo, depende da taxa de câmbio e da renda interna e externa. O movimento
de capitais, ou seja, a entrada e saída de capitais, depende essencialmente das
decisões dos agentes e responde positivamente ao diferencial entre as taxas de juros
interna e externa. Para que o saldo do balanço de pagamentos seja zero, o saldo em
transações correntes precisa ser igual ao movimento de capitais com sinal invertido.
Assim, a curva BP representa as combinações entre a renda interna e a taxa de juros
que equilibram o balanço de pagamentos (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
O saldo de transações correntes do balanço de pagamentos é o
somatório da balança comercial e da balança de serviços. Assim, estão
incluídas as receitas e despesas da balança comercial (exportações
e importações), da conta de serviços (juros, viagens internacionais,
transportes, seguros, lucros, dividendos e serviços diversos) e das
transferências unilaterais.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
115
A curva BP pode se comportar de diferentes maneiras, pois sua inclinação
depende de como o movimento de capitais responde às variações nas taxas de
juros. Veremos os seguintes tipos: a curva BP sem mobilidade de capital; e, a curva
BP com livre − ou perfeita − mobilidade de capital.
3.2 A curva BP sem mobilidade de capital
Um país que não tem acesso ao mercado internacional de capitais, o equilíbrio do
BP se dá quando X e M se igualam. Como estamos considerando a taxa de câmbio
e a renda externa como dados, o volume de X passa a ser uma variável exógena. M
é função crescente da renda interna. Haverá um único nível de renda, independente
da taxa de juros, que equilibra a conta corrente e, consequentemente, o balanço de
pagamentos (LOPES e VASCONCELLOS; 2008). Assim, esboçando a curva BP sem
mobilidade no espaço renda no eixo horizontal e taxa de juros no vertical, a curva
será vertical, conforme se ilustra na figura 3.10.
Observando a figura 3.10, o que podemos concluir sobre o saldo de transações
correntes? Partindo da direita da curva BP, à medida que a renda interna
aumenta, aumentam as importações, mas as exportações não acompanham esse
movimento − sabemos que estas seriam afetadas somente a partir do câmbio ou
da renda externa − levando a um déficit na balança comercial e, então, no saldo
de transações correntes. Da mesma forma, partindo da esquerda da curva BP, à
medida que a renda se reduz as importações serão menores que as exportações,
gerando um superávit no saldo de transações correntes.
Caso o governo pretenda atingir tanto o equilíbrio externo, situado em um
ponto sobre a BP, quanto o equilíbrio interno, no ponto de interseção da IS-LM
Figura 3.10 | Curva BP sem mobilidade de capital
Fonte: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 256)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
116
e que corresponde a produto de pleno emprego, com taxa de câmbio e renda
externa dadas, haverá um único nível de renda interna compatível com o equilíbrio
externo, mas este não será afetado por política fiscal ou monetária (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
Que estratégia o governo poderá adotar?
A única maneira do governo atingir seu objetivo é fazer com que a renda
que equilibra a balança de pagamentos seja exatamente a renda que garanta o
pleno emprego. Assim, devemos gerar um volume de exportações autônomas
compatível com o volume de importações de pleno emprego. Como vimos, as
exportações são função da renda externa e do câmbio. Como o governo não
tem condições de controlar diretamente a renda externa, a solução é desvalorizar
o câmbio. Sabemos que ao ganhar competitividade, a política de desvalorização
cambial amplia as exportações e reduz as importações, pois encarece o produto
estrangeiro, isto fará com que a curva BP se desloque para a direita, ampliando
o produto para um nível compatível ao do equilíbrio externo. A desvalorização
também provocará deslocamento da IS para fora, conforme se apresenta na figura
3.11. Observe que uma desvalorização cambial amplia a demanda por produtos
nacionais elevando o emprego interno, mas reduzindo as exportações do resto do
mundo e, portanto, a demanda nos demais países, reduzindo o emprego nestes.
Essa é a política beggar-the-neighboor, pois se corrige o desemprego interno
exportando-o para os demais países (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Figura 3.11 | Desvalorização cambial no modelo IS-LM-BP sem mobilidade de capital
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 258)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
117
Considerando uma economia sem mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, o
que acontecerá se o Banco Central adotar uma política monetária expansionista? É
importante lembrar que sob taxas de câmbio fixas o Banco Central precisa, sempre
que necessário, intervir no mercado de divisas de forma a vender ou comprar
moeda estrangeira, para evitar valorização ou desvalorização do câmbio. No
caso de uma política monetária expansionista a LM se desloca para baixo (direita),
gerando um novo ponto de equilíbrio interno, onde IS-LM se interceptam. Neste
ponto a taxa de juros é inferior a inicial, o que leva ao aumento do investimento, a
demanda agregada e, portanto, o nível de renda da economia. Com o aumento da
renda, as importações se ampliam, levando ao aparecimento de déficits no balanço
de pagamentos e uma tendência à desvalorização cambial, pois a demanda por
moeda estrangeira aumenta. Como o câmbio é fixo, o Bacen terá de atender à
maior demanda por moeda estrangeira, vendendo-a aos agentes, o que provocará
uma redução no nível de reservas internacionais e, também, uma redução na
oferta de moeda nacional, já que os agentes compraram moeda estrangeira. Isto
desloca LM em direção ao ponto inicial, para cima (esquerda), esse processo de
redução da oferta de moeda nacional continuará até que o déficit do balanço
de pagamentos seja eliminado, ou seja, que o nível de renda volte ao inicial. Isso
ocorrerá por que a taxa de juros vai se elevando, à medida que a oferta de moeda
diminui, fazendo com que o investimento retorne ao nível inicial e a LM ao ponto
de equilíbrio inicial. Conclusão: sem mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa,
uma política monetária expansionista não tem efeitos sobre a renda da economia.
O mesmo seria válido para uma política monetária contracionista, pois a curva LM
também retornaria à posição inicial (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Figura 3.12 | Política monetária expansionista no modelo IS-LM-BP sem mobilidade de
capital e regime de câmbio fixo
Fonte: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 263)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
118
Supondo agora uma política fiscal de aumento dos gastos públicos, sendo que
a ilustração gráfica você poderá desenvolver posteriormente. O efeito inicial é o
deslocamento da IS para a direita, pois ocorre um aumento da demanda agregada,
levando a um aumento do produto e da taxa de juros, para manter o equilíbrio
interno. O aumento da taxa de juros provoca uma redução no investimento privado,
mas este não chega a anular os efeitos da política fiscal. O aumento do produto
da economia, portanto da renda, tende a aumentar o número de transações de
bens e serviços, exigindo um acréscimo de moeda para a sua efetuação, porém, a
quantidade de moeda nominal na economia é a mesma.
O aumento da renda interna provoca déficits no balanço de pagamentos, pois
as importações aumentam, gerando maior demanda por moeda estrangeira. Isto
força o Bacen a despender reservas internacionais, o que, por sua vez, contrai a
oferta de moeda nacional, deslocando LM para cima. Nesse processo a taxa de
juros vai se elevando, reduzindo a cada passo o investimento privado, isso ocorrerá
até que o nível de renda volte ao original, eliminando o desequilíbrio externo, mas
com uma taxa de juros mais elevada. Resumindo, a política fiscal expansionista gera
perda de reservas, devido aos déficits temporários, e uma alteração na composição
da demanda agregada, ao substituir o investimento privado por gastos públicos.
Esta situação é conhecida por crowding-out, em que o aumento do gasto público
leva a uma redução do gasto privado, deixando inalterado o produto da economia.
3.3 Curva BP com livre mobilidade de capital
Sabemos que sempre há capitais se deslocando instantaneamente de um país
para outro, inclusive, isso tem se intensificado com o avanço da globalização.
Isto ocorre porque os agentes procuram as melhores remunerações para seus
investimentos. Com mobilidade livre de capital, um pequeno diferencial na taxa de
juros causa uma entrada massiva de capitais. Há uma única taxa de juros interna que
é igual à taxa de juros externa. Neste caso os equilíbrios no balanço de pagamentos
são possíveis por meio do ajuste da taxa de juros. Se representarmos a curva BP sem
mobilidade de capital no espaço renda no eixo horizontal e taxa de juros no vertical,
a curva BP será horizontal, o que podemos observar na figura 3.13.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
119
Podemos deduzir que, com perfeita mobilidade de capital e regime de câmbio
for fixo, os Bancos Centrais não terão condições de praticar uma política monetária
autônoma, eficaz. Vamos entender como. Por exemplo, se o país adota uma política
monetária restritiva para elevar suas taxas de juros, a LM se desloca para cima
(esquerda), veja na figura 3.14 que no novo ponto de cruzamento da IS e da LM a taxa
de juros é mais elevada, o que provocará uma entrada massiva de capitais, pois os
agentes procuram aplicações de melhores rendimentos para suas riquezas. Como
resultado, o balanço de pagamentos apresentará um elevado superávit, provocando
um excesso de divisas (moeda estrangeira) na economia e uma tendência à
valorização da taxa de câmbio.
Figura 3.13 | Curva BP com livre mobilidade de capital
Figura 3.14 | Política monetária restritiva com livre mobilidade de capital e regime de
câmbio fixo
Fonte: Adaptada de Lopes e Vasconcellos (2008, p. 259).
Fonte: Adaptado de: Dornbusch, Fischer e Startz (2010, p. 298)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
120
Como a taxa de câmbio é fixa o Banco Central precisa intervir para retirar
moeda estrangeira do mercado. Ao fazer isto, a oferta de moeda nacional aumenta,
colocando a LM em trajetória de retorno ao ponto inicial, a continuação do processo
fará com que a LM retorne ao seu ponto inicial, igualando novamente as taxas de
juros doméstica e internacional. Assim, o Banco Central não tem controle sobre a
política monetária, esta somente se ajustará para garantir a igualdade entre a taxa de
juros interna e externa, ou seja, a política monetária é ineficaz.
Considerando este mesmo tipo de mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa,
quais seriam os efeitos sobre a economia de uma política fiscal?
Para este caso faremos a análise sem recorrermos aos gráficos, você poderá
desenvolvê-los durante seus estudos. Considerando a situação de um aumento dos
gastos do governo − política fiscal expansionista − sabemos que isso provocará um
aumento da demanda agregada, levando, então, a um aumento da quantidade de
moeda necessária para se atender o aumento das transações, o que acaba por gerar
um aumento da taxa de juros. A taxa de juros mais elevada do que a externa atrairá
a entrada de capitais e um superávit no balanço de pagamentos. Como a taxa de
câmbio é fixa, o Banco Central precisa evitar que o câmbio se valorize, para isso
intervirá no mercado retirando divisas e colocando moeda nacional, de forma que
a oferta nacional de moeda se ampliará, fazendo com que a taxa de juros não se
altere, deixando de gerar uma redução dos investimentos. A política fiscal neste caso
é totalmente eficaz, com plena operação do multiplicador de gastos keynesiano
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
O que ocorre nesse modelo considerando um regime de câmbio flutuante? A
combinação do regime de câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capital nos
remete ao chamado Modelo Mundell-Fleming. Na figura 3.15 é ilustrado os efeitos
de uma política monetária expansionista.
O Modelo Mundell-Fleming foi desenvolvido pelo ganhador do
Prêmio Nobel Robert Mundell e do falecido Marcus Fleming, que
era pesquisador do Fundo Monetário Internacional. A análise foi
desenvolvida na década de 1960, muito antes de entrar em operação
os regimes de taxas de câmbio flutuantes, como uma forma de
compreensão do funcionamento das políticas econômicas com alta
mobilidade capital.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
121
Com taxa de câmbio totalmente flutuante o Banco Central não intervém no
mercado de divisas. Os déficits de transações correntes serão financiados com
entrada de capitais e os superávits com saída de capitais. Com este regime cambial a
política monetária é autônoma. No caso de uma política monetária expansionista, a
LM se desloca para baixo (direita), conforme figura 3.15, pressionando a redução da
taxa de juros, o que provoca uma saída de capitais ao exterior. A maior procura pela
moeda estrangeira desvalorizará a moeda nacional, aumentando a taxa de câmbio
e ampliando as exportações. O aumento das exportações leva a um deslocando da
curva IS para a direita. A taxa de câmbio se desvalorizará até que a IS intercepte a LM
ao nível de taxa de juros internacional. Neste caso a política monetária é plenamente
eficaz, pois leva à melhora do saldo de transações correntes, ampliando a demanda
por produto doméstico e, portanto, a renda (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Em qual estrutura você acha que a economia brasileira melhor
se encaixa: sem mobilidade de capitais ou perfeita mobilidade
de capitais?
Atualmente, que regime cambial é adotado no Brasil?
Figura 3.15 | Política monetária expansionista no modelo Mundell-Fleming
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 271)
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
122
O que acontece no caso de adoção de política fiscal expansionista? Supondo
uma redução de impostos, o efeito inicial é um deslocamento da curva IS para
a direita, o que pressiona o aumento da taxa de juros, atraindo capitais externos
e provocando uma valorização da moeda nacional, portanto, uma queda da
taxa de câmbio. Esta situação gera uma perda de competividade dos produtos
nacionais, reduzindo as exportações e aumentando as importações, fazendo
com que a curva IS retorne à posição inicial, eliminando a pressão no câmbio.
Perceba que não ilustramos esta situação graficamente, você poderá realizá-la.
Atente-se para o fato de que o aumento da demanda agregada que se gera com a
redução de impostos é anulado com a redução da demanda externa que ocasiona
a valorização cambial, portanto, o produto da economia se mantém inalterado
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
1. Quais seriam os efeitos de uma valorização cambial no
modelo IS-LM-BP para uma economia sem mobilidade de
capital?
2. No modelo Mundell-Fleming qual política econômica é
mais eficaz em aumentar o nível de produto da economia?
Nesta unidade você aprendeu sobre o modelo IS-LM, podemos
resumir os seguintes aspectos:
• A derivação das curvas IS e LM e a influência da taxa de juros
e da quantidade de moeda nos respectivos mercados de bens
e monetário.
• As variáveis que deslocam a curva IS e as que deslocam a
curva LM.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
123
• Os fatores que afetam as inclinações das curvas.
• Os impactos das políticas econômicas no modelo IS-LM.
• Os efeitos das políticas econômicas sobre o produto da
economia, em regimes de câmbio fixo e flutuante.
• Destaca-se que sem mobilidade de capital e regime e câmbio
fixo uma política monetária expansionista não tem impacto
sobre a taxa de juros e o produto; mas tem impacto, gerando
aumento do nível de renda, com câmbio flutuante.
• No caso de livre mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, a
políticamonetáriaexpansionistamantémonívelderendaconstante.
Com câmbio flutuante ocorre aumento do nível de renda.
Finalizamos o estudo da unidade 3. Comentei durante a
unidade que os estudos do modelo IS-LM vão além daquilo
que estudamos aqui. Você poderá aprofundar seus estudos
consultando os capítulos 5, 14 e 17 de Blanchard (2011).
1. Sobre o modelo IS-LM é correto afirmar que:
a) Foi inicialmente desenvolvido e formalizado por Keynes
na Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
124
b) A sigla IS-LM se origina, respectivamente dos termos
em inglês investment saving e liquidity Money e estão,
respectivamente, relacionadas aos mercados de bens e
monetário.
c) O modelo IS-LM, assim como o keynesiano considera
a oferta agregada.
d) A ligação entre o lado real e o lado monetário da
economia é realizada pela taxa de investimento.
e) Entre as hipóteses consideradas no modelo IS-LM
podemos citar os preços constantes.
2. Sobre as curvas IS e LM é correto afirmar que:
a) Dada a eficiência marginal do capital, o investimento é
definido endogenamente e varia inversamente à taxa de
juros.
b) A cruz keynesiana pode ser utilizada para derivar a
curva IS.
c) A curva IS refere-se ao mercado de bens, assim,
qualquer fator que afete a oferta agregada desloca a
curva IS.
d) Com o corte de gastos do governo a curva IS se desloca
para a direita.
e) A sensibilidade do investimento em relação à taxa de
juros desloca a IS.
3. Sobre o modelo IS-LM considere as afirmativas:
I. A curva LM é crescente, porém, esta curva pode ser mais
ou menos inclinada, isto vai depender das elasticidades
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
125
da demanda de moeda em relação à renda e à taxa de
juros.
II. Quanto maior a elasticidade da demanda de moeda
em relação à taxa de juros, menor será a inclinação da
LM.
III. Qualquer alteração na oferta real de moeda, o que
ocorre em função da política monetária, deslocará a
curva IS.
IV. Qualquer alteração na oferta real de moeda, o que
ocorre em função da política monetária, deslocará a
curva LM.
Estão corretas as afirmativas:
a) I, II e IV.
b) II, III e IV.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, III e IV.
4. Sobre o modelo IS-LM-BP considere as afirmativas.
I. Esboçando a curva BP sem mobilidade com a renda no
eixo horizontal e taxa de juros no vertical, a curva BP será
horizontal.
II. Caso o governo pretenda atingir tanto o equilíbrio
externo, situado em um ponto sobre a BP, quanto
equilíbrio interno, no ponto de interseção da IS-LM, a
solução é valorizar o câmbio.
III.Apolíticabeggar-the-neighboorcorrigeodesemprego
interno exportando-o para os demais países.
Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP
U3
126
IV. Sem mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, uma
política monetária expansionista não tem efeitos sobre a
renda da economia.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
5. Sobre o modelo IS-LM-BP considere as afirmativas.
I. Com mobilidade livre de capital um pequeno diferencial
na taxa de juros causa uma entrada massiva de capitais.
II. A curva BP sem mobilidade de capital é vertical.
III. Com perfeita mobilidade de capital e regime de
câmbio for fixo, os Bancos Centrais não terão condições
de praticar uma política monetária autônoma eficaz.
IV. Com taxa de câmbio totalmente flutuante e perfeita
mobilidade de capitais a política monetária expansionista
é plenamente eficaz.
Estão corretas as afirmativas:
a) II, III e IV.
b) II e III.
c) I, II e IV.
d) III e IV.
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e) I, III e IV.
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Referências
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011.
BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 6.743, de 15 de janeiro de 2009.
Dá nova redação ao art. 2º do Decreto nº 6.687, de 11 de dezembro de 2008, que
altera a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI,
aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6743.htm>.
Acesso em: 15 set. 2015.
DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley; STARTZ, Richard. Macroeconomia. 10.
ed. São Paulo: McGraw Hill, 2010.
LOPES, Luiz Martins; VASCONCELLOS, Marco Antonio. S. Manual de
macroeconomia: básico e intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MANKIW, N. G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
PARKIN, M. Macroeconomics. 10th ed. Boston: Pearson, 2010.
Unidade 4
O PAPEL DA POLÍTICA
ECONÔMICA
Carlândia Brito Santos Fernandes
Objetivos de aprendizagem:
O objetivo desta última unidade é compreender o papel das políticas
econômicas integrando os mercados de bens, financeiro e de trabalho.
Nesta seção aprenderemos a derivar as curvas de oferta agregada e
demanda agregada, obteremos o equilíbrio entre essas duas curvas e
analisaremos os impactos de algumas políticas econômicas sobre o nível
de produto/renda da economia, preços e taxa de juros.
Seção 1 | O modelo de oferta agregada e demanda
agregada (OA-DA)
Nesta seção derivaremos a curva de Phillips da relação de oferta
agregada e entenderemos as questões relacionadas a inflação e
desemprego.
Nesta seção compreenderemos a questão das expectativas adaptativas
e racionais e estudaremos as explicações das novas teorias para as
flutuações econômicas.
Seção 2 | A curva de Phillips
Seção 3 | Expectativas, novo-clássicos, ciclos reais de
negócios e novo-keynesianos
O papel da política econômica
U4
132
O papel da política econômica
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133
Introdução à unidade
Sabemos que modelo IS-LM representa o comportamento do mercado de bens
e do mercado financeiro e que neste modelo podemos fazer diferentes análises das
políticas econômicas. Porém, neste modelo, não se incluem inflação e desemprego,
pois os preços (e salários) são constantes. Isto não acontece no modelo de oferta
agregada e demanda agregada. Neste caso, os preços são flexíveis o que nos permitirá
analisar situações que vão do curto ao longo prazo. Porém não deixaremos de lado
o modelo IS-LM, o utilizaremos em diferentes momentos, por exemplo, nas análises
dos efeitos de políticas monetárias e/ou fiscais sobre a economia, em conjunto com
as relações de oferta agregada e demanda agregada, isto é, envolveremos todos os
mercados nas análises. A questão da inflação será abordada nessas análises, mas
também será examinada a sua relação com a taxa de desemprego.
Através da análise do comportamento do mercado de trabalho e da curva de Phillips
faremos a transição para o estudo das expectativas adaptativas e racionais, bem como
para as novas teorias de explicações das flutuações econômicas, em que abordaremos
as ideias dos novo-clássicos, ciclos reais de negócios e novo-keynesianos.
Caro aluno, como nesta unidade agregaremos nos estudos diferentes mercados, as
análises gráficas, por consequência, serão mais amplas, com mais curvas e alterações,
inclusive. Por isso, peço que acompanhe cada raciocínio e sempre resolva os exercícios
e questões para reflexão, esses sempre ajudam no entendimento do assunto. Caso
tenha dúvidas procure seu tutor. Combinado?
O papel da política econômica
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134
O papel da política econômica
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135
Seção 1
O modelo de oferta agregada (OA) e demanda
agregada (DA)
Introdução à seção
Nesta seção, utilizando o modelo IS-LM, aprenderemos a derivar a curva de
demanda agregada. E a curva de oferta agregada, também será derivada do modelo
IS-LM? A resposta é não, pois precisamos da variação nos preços para derivá-la.
Assim, derivaremos a curva de oferta agregada a partir do comportamento do
mercado de trabalho, por isso, retomaremos algumas questões sobre este mercado
e aprenderemos outras, como os conceitos de taxa natural de desemprego e
produto natural. Nesta seção também veremos que por trás da forma como os
agentes definem preços e salários há a questão das expectativas, porém, este
conceito será explorado, de forma mais ampla, na seção 4.3.
Após entendermos a passagem do modelo IS-LM para o modelo OA-DA,
estudaremos os impactos de políticas econômicas no contexto de ambos os
modelos. Esta trata-se de uma análise dinâmica, pois percorreremos do curto
para o longo prazo sempre atentos aos efeitos sobre diferentes variáveis, como
os preços e salários, a oferta, a demanda, a moeda, os juros e, principalmente, o
produto.
	
1.1 Derivando a demanda agregada
Na unidade 3 estudamos o modelo IS-LM, que tem como base as ideias de Keynes,
sendo assim, o nível de preços é inflexível. Antes de iniciarmos a análise do modelo
OA-DA, deduziremos e entenderemos o comportamento da demanda agregada, a
qual, como você deve estar se recordando, está diretamente relacionada ao modelo
IS-LM. Desta forma, utilizaremos este modelo para deduzirmos a demanda agregada.
Caro aluno, você se recorda do conceito de demanda agregada que abordamos
na primeira unidade deste livro? Vamos relembrá-lo. A demanda agregada (DA)
relaciona a quantidade demandada de bens e serviços e o nível geral de preços,
de forma que a sua curva expressa a quantidade de bens e serviços que serão
O papel da política econômica
U4
136
adquiridos a dado nível de preços. Na segunda e terceira unidade deste livro vimos
que a demanda agregada também pode ser chamada de despesa planejada, já que
indica a quantidade total que a coletividade tem intenção de obter/comprar em
produtos e serviços em dado período e a um determinado nível de preços.
A partir deste conceito de demanda agregada, precisamos então migrar da
relação gráfica do modelo IS-LM, que é esboçado no espaço taxa de juros e renda,
para a relação gráfica entre nível de preços e renda. Destacando que no modelo
OA-DA o nível de preços é flexível. Nas unidades anteriores vimos que as alterações
na quantidade real de moeda na economia se originam de alterações realizadas
pelo Banco Central na oferta nominal de moeda, mas podem se originar também
de alterações no nível de preços. Vamos entender isso. Imagine que ocorra um
aumento de 8% no nível geral de preços, isto é, um aumento na taxa de inflação. O
impacto será uma redução real de 8% sobre o estoque real de moeda, os indivíduos
perdem poder de compra. Conforme afirma Blanchard (2011), tanto a redução
nominal de moeda quanto o aumento no nível de preços provocam o mesmo
efeito sobre a oferta real de moeda. Assim, se o Banco Central decide reduzir a
oferta nominal de moeda em 8% o impacto também será de uma redução de 8%
no estoque real de moeda.
A figura 4.1 apresenta a derivação da demanda agregada a partir do modelo IS-LM,
conforme podemos observar no painel (a). Partindo de um equilíbrio no mercado
de bens e financeiro, veja que um aumento nos preços, de P1
para P2
, provoca um
deslocamento da curva LM para cima (esquerda), para LM (P2), pois, conforme
discutimos anteriormente, com o aumento nos preços os indivíduos perdem poder
de compra, há uma contração da oferta real de moeda, a taxa de juros se eleva de
r1
para r2
, consequentemente, a dado montante nominal de moeda, os indivíduos
adquirirão menos produtos. Acompanhando esse mecanismo o nível de produto
da economia contrai de Y1
para Y2
, o que, em conjunto com a elevação dos juros,
reequilibra o mercado monetário (ou de ativos). Atente-se para o fato de que a
relação negativa entre o produto da economia e o nível de preços é expressa como
a curva de demanda agregada negativamente inclinada, apresentada no painel (b) da
figura 4.1. Assim, quanto maior o nível de preços, menor o produto da economia,
destacando que, sob a curva de demanda agregada os mercados de bens e de ativos
estão em equilíbrio (BLANCHARD, 2011; LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
O papel da política econômica
U4
137
A curva de demanda agregada pode se deslocar? A resposta é sim. Na situação
que analisamos anteriormente isso não ocorre porque as alterações iniciais foram
no nível de preços, mas se ocorrerem alterações nos componentes da despesa
planejada ou no estoque de moeda, a curva DA sofrerá deslocamentos. Podemos
colocar isso da seguinte forma: sempre que a curva IS ou LM se deslocar, desde que
não seja em função de alteração nos preços, a curva de demanda agregada também
se deslocará (BLANCHARD, 2011).
O que você acha de verificarmos os efeitos de uma política fiscal contracionista
sobre a curva de demanda agregada? Vejamos. Considerando uma redução nos
gastos do governo, sendo este um dos grandes demandadores da economia, ocorre
uma redução na aquisição de bens e serviços. Assim, a um dado nível de preços,
a curva IS, que representa o mercado de bens, se desloca para a esquerda, de IS1
para IS2
, conforme podemos observar no painel (a) da figura 4.2, provocando uma
redução no produto de equilíbrio e na taxa de juros de equilíbrio. Seguindo o efeito,
no painel (b) a curva de demanda agregada se desloca para baixo. Veja que neste
caso, os preços permanecem em P1
, de forma que a curva LM também não se altera.
Figura 4.1 | Derivando a demanda agregada
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 125)
O papel da política econômica
U4
138
Figura 4.2 | Efeito da política fiscal contracionista sobre a curva DA
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 214)
O que aconteceria na situação de política monetária contracionista? Considere
que, como estratégia para o controle da taxa de inflação, o Banco Central adote
uma política de redução do estoque nominal de moeda da economia, por meio de
operações de open market, por exemplo. Neste caso o Banco Central irá vender
títulos públicos ao público, o que provocará a redução da oferta nominal de moeda,
deslocando a curva LM para a esquerda, de LM1
para LM2
. A redução do estoque
nominal de moeda gera um aumento da taxa de juros, que por sua vez, impactará
negativamente os investimentos na economia, o que se reflete no deslocamento da
curva DA para a esquerda, contraindo o produto/renda da economia para Y2
. Veja
na figura 4.3 que, assim como na situação exposta anteriormente, o nível de preços
não se altera.
O papel da política econômica
U4
139
Figura 4.3 | Efeito da política monetária contracionista sobre a curva DA
Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 213)
Open market é um instrumento da política monetária e representa
as compras e vendas de títulos públicos pelo Banco Central. Há
outros instrumentos de política monetária. Você pode recordá-los
consultando o capítulo 16 do livro de MANKIW, N. G. Princípios
de macroeconomia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.
Disponível na biblioteca digital.
O papel da política econômica
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140
No caso de uma política fiscal de redução de impostos, quais
seriam os impactos sobre a demanda agregada? Como ilustrar
essa situação graficamente?
No caso de uma política monetária expansionista, quais seriam
os impactos sobre a demanda agregada? Como ilustrar essa
situação graficamente?
1.2 Derivando a oferta agregada
Na unidade 1 estudamos que a curva de oferta de longo prazo, ou clássica, a
curva de oferta agregada é vertical. Dado que os preços são flexíveis, alterações na
demanda agregada provocam alterações nos mesmos, porém, o nível de produto
da economia, não se altera, mantém-se no nível potencial. Na unidade 2 vimos que
a curva de oferta agregada de curto prazo, ou do modelo keynesiano, é horizontal,
pois os preços são inflexíveis. Neste caso, alterações na demanda agregada geram
alterações no nível de produto da economia.
No entanto, é possível retratar uma situação para a oferta agregada em que
não seja horizontal, nem vertical. Este é um caso intermediário, em que a curva de
oferta agregada é positivamente inclinada, tendo o preço no eixo vertical e produto
no horizontal. Este tipo de oferta agregada, que é possível expressar o trade-off,
crescimento versus inflação na análise da política econômica, é frequentemente
abordado na literatura (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Em breve o estudaremos.
Primeiramente veremos como derivar a curva de oferta agregada a partir do
comportamento do mercado de trabalho.
A relação de oferta agregada representa os impactos do produto sobre o nível
de preços e pode ser derivada do comportamento dos salários e preços. Vejamos.
O salário nominal (W) depende do nível esperado de preços (Pe
), da taxa de
O papel da política econômica
U4
141
desemprego (u) e de outros fatores (z) que possam afetar a determinação dos salários,
como o salário mínimo e a estabilidade do mercado de trabalho (BLANCHARD,
2011). Assim, a determinação do salário pode ser expressa da seguinte forma:
W = Pe
F (u.z)
O preço (P) fixado pelas empresas é igual ao salário nominal multiplicado pela
soma de 1 com a margem (µ), ou markup, do preço sobre o custo (BLANCHARD,
2011). Assim, temos:
P = (1+µ) W
A partir das duas relações mostradas anteriormente podemos derivar uma relação
entre o nível de preços, o nível de produto e o nível de preços esperados. Para isto,
precisamos substituir na expressão (2) o salário nominal por sua respectiva expressão
(1), obtendo (3).
P = Pe
(1+µ) F (u.z)
Assim, na expressão (3) temos que o nível de preços depende do nível de preços
esperado, da taxa de desemprego, como também da margem e dos outros fatores
que afetam os salários, mas estes dois últimos serão considerados constantes
(BLANCHARD, 2011). Podemos verificar a relação entre desemprego (U), emprego
(N) e a população economicamente ativa (L) da seguinte forma:
u ≡ U
L
= L-N
L
= 1 - N
L
= 1 - Y
L
Da expressão (4) o primeiro termo representa o conceito da taxa de desemprego,
isto é, da proporção da população economicamente ativa que encontra-se sem
trabalho; o segundo indica que o nível de desemprego é igual à força de trabalho ou
população economicamente ativa menos a parcela empregada; o terceiro termo
é apenas uma simplificação da fração. Supondo, por simplificação, que o trabalho
é o único fator de produção utilizado pelas empresas, de forma que para obter
uma unidade de produto é necessário um trabalhador. Tudo o mais constante,
podemos escrever (Y=N), assim, o quarto termo indica a taxa de desemprego em
termos de produto. Para dada força de trabalho, quanto maior o produto, menor
a taxa de desemprego (BLANCHARD, 2011). Substituindo a taxa de desemprego
da equação (3) pelo quarto termo da equação (4) teremos a relação de oferta
agregada (5).
P = Pe
(1+µ) F 1- Y
L
, z
A expressão (5) significa que o nível de preços depende do nível esperado de
preços, Pe
, e do nível de produto, Y, e também de µ, z, e L, mas, seguindo o que
adotamos para a expressão (3), vamos supor que esses sejam constantes.
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
( )
O papel da política econômica
U4
142
Observando a equação (5) o que acontece com o nível de preços quando o
produto (Y) aumenta? Caro aluno, para facilitar o entendimento siga o seguinte
raciocínio, conforme indica Blanchard (2011). Uma elevação do nível de produção
gera, por parte das empresas, uma elevação da contratação de trabalhadores,
isto é, ocorre uma ampliação do emprego, que, consequentemente, gera uma
redução do desemprego, e, então, da taxa de desemprego. Sempre que há menos
pessoas desempregadas, que a taxa de desemprego é menor, o que ocorre? As
empresas terão certa dificuldade em contratar trabalhadores, então, ocorre uma
elevação do salário nominal. Porém, os salários nominais mais elevados fazem com
que as empresas fixem preços em patamares mais altos, já que estes dependem
diretamente daqueles, de forma que ocorrerá um aumento do nível de preços. Em
resumo, um nível de produção mais elevado está diretamente associado a um nível
de preços mais elevado.
Agora, observe novamente a equação (5) e tente inferir o que acontece com o
nível de preços quando os preços esperados pelos indivíduos são mais elevados.
Neste caso, se os sindicatos e empresas esperam preços mais elevados (estamos
considerando que os salários são negociados de forma coletiva) o salário nominal
será estabelecido em um patamar mais elevado, o que ocasionará um aumento de
custos para as empresas, então, estas fixarão os preços de seus produtos em níveis
mais elevados. Assim, um acréscimo do nível esperado de preços provoca um
acréscimo do nível de preços efetivo de mesma magnitude (BLANCHARD, 2011).
Agora já temos os elementos suficientes para representar graficamente a curva
de oferta agregada (OA). Teremos uma curva de OA positivamente inclinada,
conforme figura 4.4, pois quanto mais elevada a quantidade produzida na economia,
maior o nível de preços. Veja que a curva OA passa pelo ponto em que o nível de
preços (corrente ou efetivo) é igual ao nível esperado de preços, onde o produto
correspondente é o de pleno emprego (Yp
), ou nível natural de produto (Yn
). De
outra forma, o produto não se altera apenas quando o mercado de trabalho está
em equilíbrio, ou seja, quando está na taxa natural de desemprego (un
). A igualdade
entre os preços efetivos e esperados, isto é, de diferentes períodos, indica que a
economia está em uma situação de pleno emprego1
(LOPES; VASCONCELLOS,
2008; BLANCHARD, 2011).
Precisamos entender os conceitos de nível natural de produto e de taxa natural
de desemprego. Esta é a taxa de desemprego que ocorre em uma situação de
equilíbrio de longo prazo. Mesmo quando há pleno emprego dos fatores de
produção, há algum nível de desemprego, assim, a taxa de desemprego natural
é conceituada como a diferença entre o total de trabalhadores, a população
1
Lopes e Vasconcellos (2008) afirmam que, em termos formais, tanto faz usar o nível de preços esperados ou o nível
de preços passados, já que estes representam um caso particular de formação de expectativas, em que os agentes
esperam que o nível de preços do passado recente irá permanecer no período corrente.
O papel da política econômica
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143
economicamente ativa, e os trabalhadores que efetivamente trabalham em uma
situação de pleno emprego em relação ao total de trabalhadores. Em termos
gerais, a taxa de desemprego natural é a taxa de desemprego de pleno emprego
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008; BLANCHARD, 2011).
Associada à taxa natural de desemprego está o nível natural de emprego, ou
seja, o número de indivíduos que se mantêm empregados quando o desemprego
está no nível de pleno emprego. Associado ao nível natural de emprego está o
nível natural de produto, o produto de pleno emprego (BLANCHARD, 2011).
A curva de oferta agregada pode se descolar e isso acontecerá sempre que
ocorrer uma mudança no nível esperado de preços. Tendo como dados o nível de
produto e da taxa de desemprego, uma diminuição no nível esperado de preços
gera uma diminuição dos salários, ocasionando uma contração do nível de preços
efetivo. Neste caso, a curva de OA se move de OA1
para OA2
, conforme ilustrado na
figura 4.5. Caso a situação fosse de aumento do nível esperado de preços, a curva
de OA teria se movimentado para cima.
Caro aluno, você poderá ampliar seus conhecimentos sobre o
comportamento do mercado de trabalho estudando o capítulo 6 do
livro do Blanchard (2011), que está disponível na biblioteca digital.
Figura 4.4 | Curva de oferta agregada
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 123)
O papel da política econômica
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144
Figura 4.5 | Deslocamento da curva de oferta agregada
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.124)
1.3 Equilíbrio entre demanda agregada e oferta agregada
O ponto de equilíbrio entre a demanda agregada e a oferta agregada será o
ponto onde as duas curvas se interceptarem. As análises dos equilíbrios dependerão
se estamos considerando o curto prazo ou o longo prazo2
. Vamos iniciar pelo
curto prazo?
Combinando as curvas de oferta e demanda agregada, conforme figura 4.6,
nós obtemos um ponto de equilíbrio correspondente a P* e Y*, no qual todos os
mercados envolvidos estão em equilíbrio, isto é, o de bens, o financeiro e o de
trabalho. Veja que neste caso não fizemos Y=Yn
, como fizemos na figura anterior,
pois não há razões para isso.
Qualmercadoestáassociadoàcurvadeofertaagregada?Quais
mercados estão associados à curva de demanda agregada?
2
Alguns autores, como Blanchard (2011), preferem se referir ao longo prazo como médio prazo.
O papel da política econômica
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145
Figura 4.6 | Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada
Tomando como base os argumentos de Blanchard (2011), vamos entender o
que acontece entre o curto e o longo prazo. Observando a figura 4.7, o ponto
de equilíbrio de curto prazo é o ponto A, em que o nível de produto é superior
ao produto natural ou de pleno emprego. Se isto ocorre, então o nível de preços
efetivo é superior ao nível esperado de preços. Assim, os sindicatos e empresas
provavelmente ajustarão suas expectativas quantos ao nível de preços. No próximo
momento em que esses agentes forem fixar o nível de remuneração nominal do
trabalho, o farão considerando um patamar mais elevado para os preços futuros.
Desta forma, no próximo período a curva de OA se movimentará para OA’. Com
isto, o equilíbrio muda de A para A’, com nível de preços mais alto e produto
inferior, este último contrai de Y para Y’, que ainda é superior ao produto natural.
Desta forma, o ajuste continua até que Y seja igual a Yn
, e o nível de preços efetivo
seja igual ao esperado, é o que ocorre no ponto A’’. Para concluir, podemos afirmar
que a longo prazo o nível de produto retorna para o nível de pleno emprego.
Lopes e Vasconcellos (2008) afirmam que no prazo é possível obter níveis de
produto mais elevados, mas para isto tem que se aceitar níveis de preços mais
altos. Uma política econômica não prevista pelo público que amplie a demanda
agregada da economia, consequentemente, desloque a curva de demanda
agregada para a direita, no curto prazo tem impacto positivo sobre o produto, mas
também eleva os preços. De forma geral, políticas expansionistas não previstas
pelo público provocarão no curto prazo tanto elevação do produto quanto dos
preços, mas no longo prazo, somente os preços serão afetados. Assim, a curva de
oferta agregada de longo prazo é vertical ao nível do produto de pleno emprego,
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.127)
O papel da política econômica
U4
146
conforme defendido pela macroeconomia clássica (neoclássicos) (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
1.4 O papel das políticas econômicas no modelo OA-DA
Podemos analisar os efeitos de políticas econômicas no produto ou renda da
economia por meio da interação entre os modelos OA-DA e IS-LM, algo similar
às situações que analisamos para as figuras 4.2 e 4.3, com a diferença de que
agora teremos tanto a curva de DA quanto a de OA. Não se preocupe com a
complexidade que os gráficos parecem ter, conduzirei a análise com o máximo de
detalhes possível, combinado?
Vamos iniciar por uma política fiscal expansionista, de expansão dos gastos do
governo, ou de expansão do déficit orçamentário, por exemplo. Já estudamos em
outras situações que com este tipo de política a curva IS se descola para a direita,
aumentando o produto e a taxa de juros. De outra forma, considerando que nosso
ponto inicial era a taxa natural de produto (Yn) o resultado da mudança da curva IS
é um nível de produto superior ao nível natural, ou de pleno emprego, e uma taxa
de juros mais elevada, o que está representado graficamente no painel (a) da figura
4.8. No painel (b), a política fiscal expansionista desloca a curva DA para a direita
(cima), elevando os preços de P1 para P2, sendo superiores ao nível de preços
Figura 4.7 | Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada
Fonte: Blanchard (2011, p. 128)
O papel da política econômica
U4
147
Figura 4.8 | Efeitos da política fiscal expansionista nos modelos OA-DA e IS-LM
futuro. Estamos então no ponto B da figura 4.8, que é o novo ponto de equilíbrio
de curto prazo. Precisamos agora entender a transição para o longo prazo.
Uma vez que, no ponto B, os preços são mais elevados, os sindicatos e empresas
ajustarão para cima suas expectativas com relação aos preços. Este aumento no
nível esperado de preços movimentará a curva de oferta agregada para cima,
gerando um novo aumento no nível de preços efetivo. O mecanismo se inicia
novamente, os sindicatos e empresas novamente ajustarão suas expectativas para
os preços, deslocando a curva OA para cima. Este processo se dará gradativamente,
até que o nível de produto retorne ao nível natural, o que ocorrerá no ponto C,
no qual os agentes não têm motivos para ajustar suas expectativas de preços, pois
os preços correntes são iguais aos esperados, finalizando o processo de ajuste
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.135)
O papel da política econômica
U4
148
do curto para o longo prazo. Voltando ao painel (a), observe que o aumento de
preços que ocorre entre o curto e o longo prazo, que indica uma redução na
oferta real de moeda, acaba provocando um deslocamento da curva LM para cima,
e continuará se deslocando para cima até que o produto atinja o nível de pleno
emprego, o inicial, ou seja, o ponto C, porém com uma taxa de juros mais elevada,
r3
. Concluindo, os efeitos de uma política fiscal expansionista nos modelos OA-DA
e IS-LM são de produto ao nível de pleno emprego, mas com preços superiores
àqueles que prevaleciam antes da medida.
Vamos analisar agora os efeitos de uma política monetária contracionista. Caro
aluno, quais serão os efeitos de uma redução da oferta de moeda sobre o produto
da economia, preços e taxa de juros? Vamos entender isso?
O primeiro efeito de uma política monetária contracionista é uma contração
da curva LM para a esquerda (cima), provocando uma expansão da taxa de juros
e uma retração na quantidade produzida. Ilustramos isso no painel (a) da figura
4.9, observe que a curva LM se altera de LM1
para LM2
, a taxa de juros passa de r1
para r2
e o produto de Yn
para Y1
. Observando o painel (b), perceba que a política
econômica de contração monetária também causa impacto no modelo OA-DA.
O deslocamento da curva LM para a esquerda está associado a um deslocamento
da curva DA também para a esquerda, de DA1
para DA2
, de forma que no novo
ponto de equilíbrio de curto prazo, o ponto B, o nível de produto é menor do que
aquele que prevalecia no equilíbrio inicial, ou seja, no ponto A. Da mesma forma,
o nível de preços corrente também é inferior ao nível inicial e inferior ao nível
esperado de preços. Passando do curto prazo para o longo prazo, considerando
que os preços reduziram, e como sabemos, os agentes ajustarão suas expectativas
de preços para baixo, deslocando a curva de OA para baixo, de OA1
para OA2
,
provocando nova queda no nível de preços correntes. Gradativamente os preços
vão se reduzindo e os agentes vão ajustando suas expectativas de preços, até que
o nível de preços correntes seja igual ao esperado e nível de produto retorne ou
nível de pleno emprego, isto é, que a economia atinja o equilíbrio de longo prazo.
É importante entendermos que a redução dos preços que ocorre neste processo,
representa um aumento real da oferta de moeda, os indivíduos terão um maior
poder de compra, assim, a curva LM se desloca para baixo, em um movimento
em direção ao seu ponto inicial. Este movimento continuará até que o nível de
produto retorne ao seu nível inicial, no ponto A, em que a taxa de juros também
retorna ao nível inicial, r1
. Podemos concluir que o equilíbrio de longo prazo se
dará no ponto C, em que o nível de preços é inferior ao inicial, mas o nível de
produto é o mesmo que prevalecia antes da política monetária contracionista, em
seu nível natural ou de pleno emprego.
O papel da política econômica
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149
Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.131)
Figura 4.9 | Efeitos da política monetária contracionista nos modelos OA-DA e IS-LM
1. A demanda agregada (DA) relaciona a quantidade
demandada de bens e serviços e o nível geral de preços,
de forma que a sua curva expressa a quantidade de bens
e serviços que serão adquiridos a dado nível de preços.
Sobre esta curva avalie as afirmações abaixo:
I. A curva de demanda agregada é derivada dos impactos
de alterações no nível de preços da economia sobre o
equilíbrio no mercado de bens e financeiro.
II. A curva de demanda agregada é positivamente inclinada
O papel da política econômica
U4
150
devido ao comportamento da taxa de juros.
III. A curva de demanda agregada é decrescente, pois
quanto maior o nível de preços, menor o produto da
economia e, da mesma forma, quanto menor o nível de
preços maior o nível de produto da economia.
IV. A curva de demanda agregada é constante, não sofre
deslocamento, pois o nível de preços no modelo IS-LM é
constante.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e IV.
b) I, II e IV.
c) I, II e III.
d) I e III.
e) II, III e IV.
2. A curva de oferta agregada, positivamente inclinada,
representa os impactos do produto sobre o nível de preços.
Sobre esta curva avalie as afirmações abaixo:
I. Assim como a curva de demanda agregada, a curva de
oferta agregada é derivada a partir do modelo IS-LM.
II. A relação de oferta agregada pode ser derivada do
comportamento dos salários e preços, ou seja, do
comportamento do mercado de trabalho.
III. A curva de oferta agregada se desloca sempre que
ocorrer uma mudança no nível esperado de preços.
IV. Dados o nível de produto e a taxa de desemprego, uma
elevação no nível esperado de preços gera um aumento dos
salários, elevando o nível de preços efetivos e deslocando a
curva OA para cima.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e IV.
b) I, II e IV.
c) I, II e III.
d) I e III.
e) II, III e IV.
O papel da política econômica
U4
151
3. Sobre o modelo oferta agregada e demanda agregada,
avalie as afirmações abaixo:
I. Se o nível de produto é inferior ao produto natural ou de
pleno emprego, o nível de preços efetivo é inferior ao nível
esperado de preços.
II. A análise conjunta de políticas econômicas nos modelos
IS-LM e OA-DA expressa a dinâmica da economia, por
meio do ajuste das expectativas de preços e salários do
curto para o longo prazo, no qual o nível de produto é igual
ao natural.
III. Uma política fiscal expansionista nos modelos OA-DA e
IS-LM provoca redução nos preços e nas taxas de juros e o
nível de produto volta ao nível natural.
É correto o que se afirma em:
a) I e II.
b) I e III.
c) III, somente.
d) III e II.
e) I, II e III.
O papel da política econômica
U4
152
O papel da política econômica
U4
153
Seção 2
A curva de Phillips
Introdução à seção
O economista neozelandês Alban William Phillips, na época, professor
da London School of Economics, publicou em 1958 o artigo intitulado “The
relationship between unemployment and rate of change of money wages in the
United Kingdom, 1861-1957”. O autor relaciona a taxa de desemprego com a taxa
de variação do salário nominal, um indicativo para a taxa de inflação, para o Reino
Unido e conclui que existia uma relação inversa entre estas duas variáveis.
Nesta seção veremos a evolução da curva de Phillips e aprenderemos a
derivá-la da relação de oferta agregada, tornando possível a análise de inflação e
desemprego no contexto do modelo OA-DA
2.1 A curva de Phillips: origem e transformações
Para Phillips (1958) quanto mais alta a taxa de desemprego, mais baixa seria a
taxa de inflação salarial, havendo então, um trade-off. Esta relação é ilustrada na
figura 2.10, conforme apresentada em artigo.
O papel da política econômica
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154
Fonte: Phillips (1958, p. 285) e Dornbusch, Fischer e Startz (2010, p. 117)
Figura 2.10 | A curva de Phillips
O termo “curva de Phillips”, para a relação apresentada na figura 4.10, somente
foi estabelecido após a publicação do artigo de Samuelson e Solow (1960), que
consideraram uma relação entre desemprego e taxa de inflação para os Estados
Unidos. A curva de Phillips rapidamente se tornou uma base da análise de políticas
macroeconômicas, sugerindo que os formuladores de política econômica
poderiam escolher combinações diferentes de taxas de desemprego e inflação.
Por exemplo, poderiam ter desemprego baixo à medida que suportassem uma
inflação alta, ou poderiam sustentar a inflação baixa tendo um desemprego alto
(DORNBUSCH; FISCHER; STARTZ, 2010).
O que uma sociedade deveria escolher: baixo desemprego e
inflação alta ou inflação baixa e desemprego alto?
O papel da política econômica
U4
155
Segundo Roll (2007), a determinação do ponto da curva de Phillips para uma
dada sociedade, ou seja, se essa sociedade teria a taxa de inflação ou desemprego
alto, dependeria da atuação do governo. Assim, se o momento fosse de baixa
demanda agregada e alto nível de desemprego, o governo (policy maker) poderia
ampliar seus gastos, para com isso diminuir o nível de desemprego, aceitando
uma taxa de inflação mais elevada. Ao contrário, numa conjuntura em que a
inflação superasse um patamar suportável, promover-se-ia um corte de gastos,
o que causaria deslocamentos para a esquerda nas curvas de demanda, e assim,
queda nos preços, na produção e, consequentemente, no emprego. Essa política
representaria uma opção por menor inflação e maior desemprego.
A relação mostrou-se verdadeira até a década de 70 quando os choques do
petróleo de 1973 e 1979 provocaram aumento no nível de preços, evidenciando
que a inflação elevou por fatores não diretamente relacionados aos custos com
o fator trabalho. Outra razão para o fracasso da curva de Phillips original é o fato
de, nos Estados Unidos, a partir dos anos 60, a inflação ter entrado em trajetória
crescente consistente, fazendo com que os agentes ajustassem suas expectativas
de preços/inflação. Esperar que os preços do ano corrente fossem os mesmo do
ano passado tornou-se incorreto (BLANCHARD, 2011). Ainda segundo este autor no
período avaliado por Phillips, Samuelson e Solow, a média de inflação era igual a
zero, o que fazia com que as expectativas não interferissem no modelo. De fato,
a partir da década de 70 a relação descrita acima entre desemprego e inflação na
economia americana desapareceu, quando o desemprego aumentava a inflação
também aumentava. Samuelson e Solow não apresentaram nenhuma resposta para
o problema, neste contexto destacam-se os argumentos elaborados por Friedman.
Para Friedman o que ocorreu foi um deslocamento da curva de oferta para a
direita, já que os agentes econômicos não tinham mais expectativas de que os
preços se manteriam inalterados. Assim, alguma taxa de inflação positiva passou
a integrar as expectativas dos agentes devido à inflação que ocorreu durante os
anos 60 e início de 70. Trabalhadores têm interesse no seu salário real, isto justifica
o cálculo do salário futuro, levando em conta as expectativas de inflação. Dada
essa aceleração inflacionária, o trade-off inflação e desemprego só vale no curto
prazo. No longo prazo, o governo não conseguirá manter indefinidamente a
inflação acima do esperado, uma vez que os agentes aprenderam com os erros do
passado. Assim, no longo prazo a curva é vertical, a economia situar-se-á na taxa
natural de desemprego e qualquer tentativa de reduzi-la apenas gerará inflação
(FROYEN, 2013).
2.2 Derivando a curva de Phillips a partir da relação de oferta agregada
A análise do processo inflacionário é de difícil visualização no modelo OA-DA,
O papel da política econômica
U4
156
mas isso pode ser facilitado se inserirmos a curva de Phillips nesse modelo. De
fato, a curva de Phillips pode ser derivada com base na oferta agregada (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
Seguindo Blanchard (2011), partiremos da equação (3), repetida abaixo, que é
a relação de oferta agregada entre o nível de preços efetivo, o nível esperado de
preços e a taxa de desemprego.
P = Pe
(1+µ) F (u,z)
Essa relação pode ser reescrita para estabelecer uma relação entre inflação,
inflação esperada e taxa de desemprego. Então, assumiremos para a função F a
seguinte forma:
F (u,z) = 1 - au+z							
A expressão (6) indica que quanto maior a taxa de desemprego, menor o salário
e que, quanto maior z, mais elevado o salário. Sendo α o impacto do desemprego
sobre o salário. Agora, substitua a função (6) na relação inicial de oferta agregada,
de forma que obteremos:
P = Pe
(1+µ)	(1 - au+z)				
Sendo π a taxa de inflação e πe
a taxa de inflação esperada, então a expressão
(7) pode ser reescrita como:
π = πe
+(u+z) - au
Blanchard (2011) afirma que a partir da equação (8):
•	 Uma ascensão da inflação esperada, πe
, leva ao avanço da inflação,π.
•	 Dada a inflação esperada, πe
, um aumento no markup, µ, ou um aumento
nos fatores que afetam a determinação do salário, z, leva a um aumento na inflação.
(6)
(7)
(8)
Caro aluno, a passagem da expressão (7) para a (8) envolve algumas
manipulações matemáticas, por isso não a apresentei nesta seção. O
importante é que você compreenda a ideia das equações acima. Caso
você queira estudar a passagem consulte o apêndice do capítulo 8 do
livro do Blanchard (2011), disponível na biblioteca digital.
O papel da política econômica
U4
157
•	 Dada a inflação esperada, πe
, um aumento na taxa de desemprego, u, leva
a uma queda na inflação, π.
Para referir-se à inflação, inflação esperada ou desemprego em um ano
específico, a equação (8) precisa incluir um indicador de tempo, como se segue:
πt
= πt
e
+ (µ+z) - aut
A variáveis πt
,πt
e
eut
referem-se, na mesma ordem, à inflação, inflação esperada
e desemprego no ano t. Veja que µ e z são consideradas constantes, por isso, não
têm indicador de tempo (BLANCHARD, 2011).
	 Agora temos os elementos suficientes para derivarmos a versão da curva de
Phillips. Blanchard (2011) afirma que o período analisado por Phillips, Samuelson e
Solow, por volta de 1960, para a relação entre desemprego e inflação, apresentava
uma taxa média de inflação próxima de zero. Se a taxa de inflação era próxima de
zero, como os sindicatos e empresas estabeleciam os salários? Eles esperavam
uma inflação de zero também para o próximo período. Assim, fazendo πt
e
= 0 a
equação (9) se torna:
πt
= (µ+z)- aut
Finalmente, a equação (10) representa o trade-off, ou relação inversa entre
desemprego e inflação, que conforme discutimos no item anterior, Phillips
encontrou para o Reino Unido e Solow e Samuelson para os Estados Unidos.
Agora precisamos interpretar essa relação para a curva de Phillips que derivamos
a partir de oferta agregada. Vamos lá?
No decorrer desta unidade, em diferentes momentos, analisamos a relação
entre desemprego, salários e preços. A expressão (6) deixa evidente que, quanto
maior a taxa de desemprego, menor o salário (e, menor o nível de preços), e
vice-versa. A partir deste aspecto, vamos entender a relação da curva de Phillips
apresentada na equação (10).
Considerando uma situação inicial de elevado desemprego, portanto de baixos
salários nominais, as empresas estabelecerão níveis mais baixos para seus preços,
já que têm custos mais baixos com mão de obra, gerando redução do nível de
preços efetivos. Na próxima fase, empresas e sindicatos ajustarão os salários em
níveis mais baixos, já que o nível de preços no período anterior foi mais baixo. Como
resultado, o nível de preços reduzirá ainda mais, provocando uma queda contínua
de preços e salários. Conclusão: a inflação cai, mas o desemprego permanece
elevado. Caso tivéssemos realizado a análise partindo de situação de alto nível de
emprego, desemprego baixo, o resultado seria um aumento contínuo dos preços
e salários, mas com baixo desemprego.
(9)
(10)
O papel da política econômica
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Fonte: Adaptada de Lopes e Vasconcellos (2008, p. 296)
Figura 4.11 | Curva de Phillips com inflação zerada
Podemos associar a curva Phillips com a curva de oferta agregada da figura
4.4, em que o produto é igual ao produto natural ou de pleno emprego e os
preços correntes são iguais aos preços esperados. Assim, quando o produto se
encontra em tal nível e o desemprego está no seu nível natural, na curva de Phillips
a taxa de inflação é zero, conforme ilustrado na figura 4.11. Supondo que o público
passe a acreditar que haverá inflação, ou seja, a inflação esperada (πe
) é positiva.
As expectativas dos agentes se realizarão e a inflação efetiva será igual à esperada.
Quanto maior a expectativa de aumento de preços, maior será a inflação efetiva
para qualquer nível de desemprego. Neste caso, tomando por base a figura 4.11,
a curva de Phillips se deslocará para cima. No caso de os agentes esperarem uma
redução da taxa de inflação a curva de Phillips se deslocará para baixo (LOPES;
VASCONCELLOS, 2008).
Caro aluno, você sabia que a taxa de desemprego no Brasil passou de 5%
emagostode2014para7.6%emagostode2015,segundodadosdoIBGE
(2015)? Você poderá saber mais sobre a variação da taxa de desemprego
no Brasil e ficar informado sobre essa importante questão econômica
acessando o seguinte link disponível em: <http://saladeimprensa.ibge.
gov.br/noticias?view=noticia&id=1&idnoticia=2994&busca=1&t=agos
to-desocupacao-foi-7-6>. Acesso em: 23 out. 2015.
O papel da política econômica
U4
159
1. A curva de Phillips resultou do estudo empírico, do
economista neozelandês Alban William Phillips, realizado
para o Reino Unido e publicado em 1958. Em relação a esta
curva, é correto afirmar que:
a) A curva de Phillips apresenta uma relação direta entre a
taxa de desemprego e a taxa de inflação.
b) Na curva Phillips quanto mais alta a taxa de desemprego,
mais baixa a taxa de inflação, havendo então, um trade-off
entre estas variáveis.
c) A relação evidenciada por Phillips para a taxa de
desemprego e inflação foi batizada por curva de Phillips
após a publicação dos trabalhos de Milton Friedman.
d) Curva de Phillips não foi utilizada pelos formuladores
de política econômica porque seria difícil para os mesmos
escolherem entre o alto desemprego e a baixa inflação, ou
entre alta inflação e baixo desemprego.
e) A curva de Phillips manteve-se em seu aspecto original,
não apresentando transformações ou evoluções.
2. A curva de Phillips pode ser derivada da relação de oferta
agregada, o que facilita o entendimento do processo
inflacionário, assim, é correto afirmar que:
a) A partir da equação πt
= (µ+z)- aut
, considerando uma
situação de baixo nível de desemprego, pode-se afirmar
que ocorrerá um aumento contínuo dos preços e salários.
b) A partir da equação, considerando uma situação de alto
nível de desemprego, pode-se afirmar que ocorrerá um
aumento contínuo dos preços e salários.
c) A relação entre inflação e desemprego independe do
que ocorre na determinação dos salários nominais.
d) A equação πt
= (µ+z)- aut
representa uma relação direta
para as variáveis da curva de Phillips.
e) Na curva de Phillips, derivada do modelo OA-DA, é
possível que os formuladores de política econômica
obtenham reduzido desemprego com reduzida inflação.
O papel da política econômica
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160
O papel da política econômica
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161
Seção 3
Expectativas, novo-clássicos, ciclos reais de
negócios e novo-keynesianos
Introdução
Na seção anterior, por meio do comportamento do mercado de trabalho e
da curva de Phillips introduzimos a noção de expectativas, mas precisamos
fundamentar o seu conceito. Nesta seção, veremos também a questão das
flutuações econômicas (que estão relacionadas às expectativas) e algumas
explicações teóricas para estas, incluindo as teorias dos novo-clássicos, dos ciclos
reais de negócios e dos novo-keynesianos.
3.1 Expectativas
Na seção anterior compreendemos o papel das expetativas dos agentes na
determinação de preços e salários, bem como o papel das expectativas na curva
de Phillips, inclusive que mudanças nas expectativas levam a deslocamentos nesta
curva. Precisamos agora compreender como as expectativas são formadas, para
tanto, estudaremos as expectativas adaptativas e as racionais.
•	 Expectativas adaptativas: são aquelas que se formam a partir dos
acontecimentos passados. Os indivíduos corrigem suas expectativas em
relação ao valor esperado de uma variável de acordo com os erros que
cometeram no passado. Por exemplo, se no período anterior o indivíduo
esperou uma inflação de 5% e a realizada foi de 8%, então, no próximo
período ajustará sua expectativa considerando o erro que cometeu. Assim,
no próximo período a inflação esperada será de 8%. Ao olharem para o
passadoparapreveremofuturo,ainflaçãotendeasemanternonívelanterior,
causando o que é conhecido na literatura como inércia inflacionária. Para
que esta situação se altere, será necessário ocorrer um choque deflacionário
ou, a taxa de desemprego deverá ser momentaneamente superior à taxa
de desemprego natural, de modo que o público ajuste suas expectativas
(LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
O papel da política econômica
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162
•	 Expectativas racionais: os agentes tomam as decisões olhando para o
futuro e são maximizadores de satisfação. Assim, os agentes otimizam
também a utilização das informações que recebem. Eles formam as
expectativas olhando também para o futuro e não somente para o passado.
As expectativas racionais se dividem em versão fraca e versão forte. A
versão fraca significa que os indivíduos formam as expectativas usando da
melhor forma possível todas as informações de que dispõem. Supõe-se
que as informações não são desperdiçadas. Na hipótese forte assume-se
que os indivíduos sempre acertam na média em suas expectativas, o valor
que se espera para uma variável é, na média, aquele que se efetiva. Assim,
podemos afirmar que os efeitos de qualquer política econômica serão
antecipados pelos agentes (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Este conceito
das expectativas racionais faz parte das ideias da escola novo-clássica.
Simonsen (1986) argumenta que esta escola fundamenta as expectativas
racionais com as seguintes hipóteses: os agentes econômicos conhecem
um modelo quantitativo que determina o valor das variáveis endógenas em
função das exógenas; todos os agentes possuem as mesmas informações,
por isso, as expectativas serão as mesmas; com essas expectativas e com
o modelo os agentes preveem o comportamento das variáveis endógenas.
No caso da curva de Phillips com expectativas racionais, o trade-off entre
inflação e desemprego no curto prazo deixaria de existir e a curva se tornaria vertical.
Assim, se os agentes possuírem previsão perfeita, o desemprego estará sempre em
sua taxa natural. No caso da oferta agregada, o produto sempre estará no nível
potencial, não haverá desvios, mesmo que momentâneos. Estes surgirão somente
devido à ocorrência de choques. Com expectativas racionais, pode-se eliminar
a necessidade de recessão para combater a inflação, deixa de existir a chamada
taxa de sacrifício. Para reduzir a inflação basta o governo apresentar um plano
consistente de combate à inflação, como por exemplo anunciar que estancará a
emissão monetária. Caso o governo tenha credibilidade e os agentes confiem nas
medidas e as considerem adequadas, estes reveem suas expectativas, e a inflação
pode declinar sem qualquer perda de produto (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Robert Lucas, Prêmio Nobel em 1995, um dos maiores estudiosos da
escola das expectativas racionais, ressaltou o que ficou conhecido
como crítica de Lucas. Seu significado é que em uma tentativa de
O papel da política econômica
U4
163
3.2 Ciclos reais de negócios, novo-clássicos e novo-keynesianos
Na análise da oferta agregada e da hipótese das expectativas racionais vimos que
a principal explicação para as flutuações econômicas, daqueles que acreditam que
os mercados sempre se ajustam, é a existência de problemas informacionais, que
fazem com que o público se engane sobre os valores reais das variáveis ao tomarem
suas decisões. As novas teorias que explicam os ciclos têm como fundamentos
as hipóteses clássicas, mas essa ideia foi formalizada por Robert Lucas, que como
vimos, deu origem à crítica de Lucas, incluem uma hipótese extra de percepção
equivocada por parte dos agentes (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Esse argumento de Lucas é a proposta de pesquisa dos estudiosos da escola
novo-clássica. Nesta linha, os modelos que Edward Prescott e seus seguidores
desenvolveram, são conhecidos como modelos dos ciclos reais de negócios,
os quais têm como objetivo explicar as flutuações econômicas com base no
referencial clássico. Esta teoria dos ciclos reais de negócios tem como base duas
proposições. A primeira refere-se aos microfundamentos da macroeconomia,
isto é, maximização da utilidade pelos trabalhadores, maximização dos lucros
pelas empresas e expectativas racionais (BLANCHARD, 2011). A segunda é que se
considera que os choques tecnológicos são as causas principais das flutuações
econômicas. Estes choques ampliam a produtividade do trabalho, aumentando a
preverem os impactos de uma grande alteração na política econômica,
poderia ser muito errado tomar como dadas as relações estimadas
com base em dados passados (BLANCHARD, 2011).
A crítica das expectativas racionais foi mais do que apenas
uma crítica à economia keynesiana. Ela também ofereceu sua
própria interpretação das flutuações. Em vez de se basearem
nas imperfeiçoes os mercados de trabalho, no ajuste lento de
salários e preços, e assim por diante, para explicar as flutuações,
argumentou Lucas, os macroeconomistas deveriam ver até
que ponto podiam explicar as flutuações como efeitos de
choques nos mercados competitivos om preços e salários
totalmente flexíveis (BLANCHARD, 2011, p. 529).
O papel da política econômica
U4
164
demanda por trabalho. Quanto à oferta de trabalho, a teoria considera que exista a
chamada substituição intertemporal na oferta de mão de obra. Isto significa que os
trabalhadores podem escolher o melhor momento para ofertarem trabalho.
O que é a escola novo-clássica e o que é a teoria dos ciclos reais de negócios?
A teoria dos ciclos reais de negócios ou dos ciclos econômicos faz parte da
economia novo-clássica, pois utiliza hipóteses da macroeconomia clássica, como
a flexibilidade de preços e a neutralidade da moeda, para analisar as flutuações
econômicas de curto prazo. Pode-se associar a escola novo-clássica a algumas
ideias que vimos no decorrer desta unidade, como as expectativas racionais e
a crítica de Lucas. Esta ligação entre a teoria dos ciclos reais de negócios e a
economia novo-clássica pode gerar algumas confusões, os próprios economistas
clássicos nunca defenderam que a moeda fosse neutra no curto prazo (MANKIW,
2004). Froyen (2013) afirma que a teoria dos ciclos reais de negócios é uma versão
moderna da economia clássica. Os economistas novo-clássicos defendem que
os modelos macroeconômicos precisam ter duas características básicas, que os
agentes são otimizadores e os mercados se equilibram; os teóricos dos ciclos reais
de negócios concordam com essas características.
O ciclo de negócios é um fenômeno de equilíbrio, é o resultado das ações de
agentes otimizadores diante de mudanças no ambiente econômico, por exemplo,
nos choques de produtividade ou em preferências. Os economistas novo-clássicos
e dos ciclos reais de negócios se diferenciam sobre as razões para as flutuações
no produto e no emprego. Os teóricos dos ciclos reais de negócios acreditam
que as flutuações sejam causadas por fatores como, os choques de tecnologia,
variações nas condições ambientais, variações nos preços reais de matérias-primas
importadas e mudanças nas alíquotas tributárias. Para os teóricos novo-clássicos a
causa de flutuações no produto e no emprego está nas mudanças não antecipadas
na demanda agregada, ou seja, políticas inesperadas (FROYEN, 2013).
O princípio central de política econômica da economia novo-
clássica é que a estabilização de variáveis reais, como produto
e emprego, não pode ser alcançada pela administração da
demanda agregada. Os valores dessas variáveis tanto no curto
como no longo prazo são insensíveis a políticas sistemáticas
de administração da demanda agregada. Em outras palavras,
na visão novo-clássica, ações sistemáticas de política fiscal
e monetária que alterem a demanda agregada não afetarão
o produto e o emprego nem mesmo no curto prazo. A isso
deu-se o nome de proposição novo-clássica da ineficácia de
políticas econômicas (FROYEN, 2013, p. 270).
O papel da política econômica
U4
165
Outra escola que contribuiu para explicar os ciclos econômicos é a dos novo-
keynesianos. Segundo Carvalho (1992) os novo-keynesianos têm o objetivo de
construção de modelos de demanda efetiva baseados na rigidez de preços, mas
explorando modelos de concorrência imperfeita. No curto prazo, as flutuações no
produto e o desemprego involuntário ocorrem em consequência da existência de
imperfeições de mercado, mais precisamente pelo fato de existir rigidez de preços
e salários impedindo o equilíbrio instantâneo dos mercados. Para este grupo,
no longo prazo, onde não existem flutuações econômicas nem desemprego
involuntário, os mercados se auto equilibram via preços e salários. Eles procuram
fornecer microfundamentos mais adequados para a existência de rigidez de preços
e salários, como os custos de menu, o salário eficiência e defasagem de preços e
salários. Vamos entender esses microfundamentos?
•	 Custos de menu: são os custos que a firma se depara quando deseja alterar
o preço de determinada mercadoria, também conhecidos por custos de
cardápio. Embora pareçam pequenos para cada firma individualmente, têm
efeito de rigidez importante no agregado social, as empresas só alteram seus
preços considerando esses custos, e só farão tal mudança caso o ganho para
elas seja superior a esses custos. Blanchard (2011) explica que decisões que
não importam muito para cada firma individualmente, ou seja, a frequência
com que preços ou salários são alterados, geram grandes efeitos ao se
considerar o agregado, como o ajuste lento dos preços e o deslocamento
da demanda agregada que tenham um grande impacto sobre o nível de
produto. Em resumo, as empresas resistirão em elevar os preços.
•	 Salário eficiência: independentemente do poder de negociação dos
trabalhadores, as empresas podem desejar pagar mais do que o salário reserva,
o que torna a permanência dos trabalhadores na empresa financeiramente
atraente, ou seja, os trabalhadores têm um custo de oportunidade elevado
se forem demitidos, isso diminui a rotatividade e aumenta a produtividade
(BLANDHARD, 2011; LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
•	 Defasagens de preços e salários: os salários e preços da economia não
são fixados ao mesmo tempo, pois existem defasagens nos reajustes. Por
exemplo, nenhuma empresa quer ser a primeira a fazer um grande reajuste
de preços (para não perder clientes) e os trabalhadores de determinada
categoria relutariam em ser os primeiros a aceitar uma redução em seus
salários, pois saberiam que isso lhes implicaria menor poder de compra
com relação aos trabalhadores de outras categorias. Assim, os preços
defasados tornam os preços rígidos (MANKIW, 2004).
O papel da política econômica
U4
166
Qual a diferença entre novo-clássicos e novo-keynesianos?
1.Expliqueoquesãoexpectativasadaptativaseexpectativas
racionais.
2. Como seria a curva de Phillips com expectativas
racionais?
Caro aluno, você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre
expectativas racionais, as teorias novo-clássica, teoria novo-
keynesiana e a teoria dos ciclos reais de negócios (ou teoria do
cicloeconômico)estudandoocapítulo17dolivrodoautorParkin
(2003). Além disto, você poderá aprender mais sobre os novo-
keynesianos consultando o capítulo 5 do livro “Macroeconomia
do Emprego e da Renda: Keynes e o Keynesianismo”. Todos
estes livros estão disponíveis na biblioteca digital.
O papel da política econômica
U4
167
• O objetivo desta última unidade é compreender o papel
das políticas econômicas integrando os mercados de bens,
financeiro e de trabalho. Para isto, iniciamos nossos estudos
pelo modelo de oferta agregada e demanda agregada (OA-DA).
• Aprendemos a derivar a curva de demanda agregada a partir
do modelo IS-LM e a de oferta agregada a partir do mercado de
trabalho. Vimos os fatores que afetam essas curvas bem como
o equilíbrio entre elas. Analisamos as políticas econômicas
integrando os mercados de trabalho, de bens e financeiro e
concluímos que independente da política o nível de produto de
longo prazo será sempre o natural.
• Estudamos a origem e evolução da curva de Phillips, que
trata da relação inversa entre taxa de inflação e desemprego, e
aprendemos a derivá-la a partir da relação de oferta agregada,
tornando possível a análise de inflação e desemprego no
contexto do modelo OA-DA.
• Entendemos as diferenças entre as expectativas adaptativas
e racionais e as explicações teóricas para as flutuações
econômicas. Para isto, percorremos as principais ideias das
teorias dos novo-clássicos, dos ciclos reais de negócios e dos
novo-keynesianos.
1. A curva de demanda agregada pode se deslocar se
ocorrerem alterações nos componentes da despesa
planejada ou no estoque de moeda, sobre isto é correto
afirmar que:
O papel da política econômica
U4
168
a) Um aumento na taxa de inflação deslocará a curva de
demanda agregada para a direita.
b) Uma política fiscal de redução dos gastos do governo
provoca deslocamento da curva de demanda agregada
para a direita e a da curva LM para cima.
c) Uma política monetária contracionista desloca a curva
LM para cima, gerando taxas de juros maiores e produto
menor e deslocamento da curva de demanda agregada
para a esquerda (baixo).
d) Uma política monetária de aumento da quantidade de
moeda desloca a curva LM para cima, gerando taxas de
juros maiores e produto menor e deslocamento da curva
de demanda agregada para a esquerda (baixo).
e) Uma política fiscal contracionista provoca
deslocamento da curva IS para a direita e a da curva LM
para cima.
2. Na análise conjunta dos modelos IS-LM e OA-DA,
pode-se afirmar que em uma política fiscal expansionista:
a) A curva IS se descola para a direita, aumentando o
produto e a taxa de juros, a curva DA se desloca para a
direita (cima), elevando os preços e o produto, de forma
que ocorre uma mudança no equilíbrio de curto prazo.
Os ajustes nas expectativas de preços movimentarão a
curva de oferta agregada para cima, até que o nível de
produto retorne ao nível natural e ocorra o equilíbrio de
longo prazo.
b) Há contração da curva LM para a esquerda, expansão
da taxa de juros e redução da quantidade produzida.
c) O deslocamento da curva LM para a esquerda está
O papel da política econômica
U4
169
associado a um deslocamento da curva DA também para
a esquerda.
d) Do curto para o longo prazo os agentes ajustarão suas
expectativas de preços para baixo, deslocando a curva de
OA para baixo.
e) O equilíbrio de longo prazo se dará no ponto em que
o nível de preços é inferior ao inicial.
3. Com relação à curva Phillips associada à curva de
oferta agregada, em que o produto é igual ao produto
natural ou de pleno emprego e os preços correntes são
iguais aos preços esperados, é correto afirmar que:
a) Na curva de Phillips a taxa de inflação é zero.
b) A curva de Phillips é vertical.
c) A curva de Phillips se deslocará para cima.
d) Na curva de Phillips a taxa de inflação é maior que a
taxa de desemprego.
e) Na curva de Phillips a taxa de inflação é igual à taxa de
desemprego.
4. Sobre os conceitos de expectativas adaptativas e
racionais, assinale a opção incorreta.
a) Expectativas adaptativas são aquelas que se formam a
partir dos acontecimentos passados.
b) Com expectativas adaptativas os indivíduos corrigem
suas previsões sobre o valor esperado de uma variável de
O papel da política econômica
U4
170
acordo com os erros que cometeram no passado.
c) Nas expectativas racionais os agentes tomam as
decisões olhando para o futuro e são maximizadores de
satisfação.
d) As expectativas racionais se dividem em versão fraca e
versão forte.
e) O conceito de expectativas racionais surgiu entre os
estudiosos novo-keynesianos.
5. Sobre as teorias novo-clássica, dos ciclos reais de
negócios e novo-keynesianos, é correto afirmar que:
a) Os novo-keynesianos têm o objetivo de construção de
modelosdedemandaefetivabaseadosempreçosflexíveis
e explorando modelos de concorrência imperfeita.
b) No longo prazo, para os novo-keynesianos, as
flutuações no produto e o desemprego involuntário
ocorrem em consequência da existência de imperfeições
de mercado, mais precisamente pelo fato de existir rigidez
de preços e salários impedindo o equilíbrio instantâneo
dos mercados.
c) Os teóricos dos ciclos reais de negócios acreditam
que as flutuações sejam causadas por fatores como,
os choques de tecnologia, variações nas condições
ambientais, variações nos preços reais de matérias-
primas importadas e mudanças nas alíquotas tributárias.
d) A teoria dos ciclos reais de negócios é uma versão
moderna da economia keynesiana.
e) A teoria dos ciclos reais de negócios ou dos ciclos
econômicos faz parte da economia novo-clássica, pois
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utiliza hipóteses da macroeconomia clássica, como a
inflexibilidade de preços e salários.
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173
Referências
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011.
CARVALHO, Fernando Cardim de. Moeda, produção e acumulação: uma
perspectiva pós-keynesiana. Moedas e produção: teoria comparadas. Brasília, ed.
UnB, 1992.
DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley; STARTZ, Richard. Macroeconomia. 10.
ed. São Paulo: McGraw Hill, 2010.
FROYEN, Richard. Macroeconomia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Sala de Imprensa.
<http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&idnoticia=2994&bus
ca=1&t=agosto-desocupacao-foi-7-6>. Acesso em: 23 out. 2015.
LIMA, Gilberto Tadeu; SICSÚ, João. Macroeconomia do emprego e da renda:
Keynes e o Keynesianismo. São Paulo: Manole, 2003.
LOPES, Luiz Martins; VASCONCELLOS, Marco Antonio S. Manual de
macroeconomia: básico e intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. Tradução: Maria José Cyhlar Monteiro. 3.
ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/Oberon666/
mankiw-n-gregory-macroeconoma>. Acesso em: 03 jul. 2015.
MANKIW, N. Gregory. Princípios de macroeconomia. 6. ed. Cengage Learning,
2013.
PARKIN, Michael. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2003.
PHILLIPS, A. W. The relation between unemployment and the rate of change of
money wage rates in the United Kingdom, 1861-1957. Economica, v. 25, n. 100, p.
283-299, 1958.
ROLL, Renato Matos. Curva de Phillips: anexo ao texto “Macroeconomia”, de
Roberto Elerry Jr. 2007. Disponível em: <http://docslide.com.br/documents/curva-
de-phillips-55b08aebe2f27.html>. Acesso em: 04 out. 2015.
SAMUELSON, P. A.; SOLOW, R. M. Analytical aspects of anti-inflation policy.
U4
174 O papel da política econômica
American Economic Review, v. 50, n. 2, p. 177-194, 1960.
SIMONSEN, Mário Henrique. Keynes versus expectativas racionais. Pesquisa e
Planejamento Econômico, v. 16, n. 2, p. 251-262, 1986.
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  • 1.
  • 3.
    Carlândia Brito SantosFernandes Teoria macroeconômica
  • 4.
    Dados Internacionais deCatalogação na Publicação (CIP) Fernandes, Carlândia Brito Santos ISBN 978-85-8482-326-0 1. Macroeconomia. 2. Brasil - Política econômica. 3. Economia keynesiana. I. Título. CDD 339 Fernandes. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016. 176 p. F7363t Teoria macroeconômica / Carlândia Brito Santos © 2016 por Editora e Distribuidora Educacional S.A Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente: Rodrigo Galindo Vice-Presidente Acadêmico de Graduação: Rui Fava Gerente Sênior de Editoração e Disponibilização de Material Didático: Emanuel Santana Gerente de Revisão: Cristiane Lisandra Danna Coordenação de Produção: André Augusto de Andrade Ramos Coordenação de Disponibilização: Daniel Roggeri Rosa Editoração e Diagramação: eGTB Editora 2016 Editora e Distribuidora Educacional S.A Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/
  • 5.
    Sumário Unidade 1 |Macroeconomia Clássica Seção 1 - Produto, emprego e equilíbrio 1.1 | Demanda e oferta de trabalho 1.2 | A oferta agregada de longo prazo Seção 2 - Demanda agregada, moeda e preços Seção 3 - Consumo, investimento, poupança e juros 3.1 | Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada 3.2 | Algumas questões comentadas Unidade 2 | Macroeconomia Keynesiana Seção 1 - O princípio da demanda efetiva 1.1 | O princípio de demanda efetiva Seção 2 - Modelo keynesiano simples 2.1 | Modelo keynesiano com consumo Seção 3 - Os componentes da demanda agregada 3.1 | Modelo keynesiano com consumo e investimento 3.2 | O multiplicador 3.4 | Modelo keynesiano com governo e setor externo Unidade 3 | Estrutura Geral da Análise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP Seção 1 - O modelo IS-LM 1.1 | Derivação da curva IS 1.2 | Derivação da curva LM Seção 2 - Equilíbrio no modelo IS-LM 2.1 | Efeitos da política fiscal no modelo iS-lM 2.2 | Efeitos da política monetária no modelo IS-LM 2.3 | Combinação de políticas monetária e fiscal 7 11 14 22 27 33 36 39 49 53 53 59 59 67 67 72 76 89 93 95 99 105 106 107 109
  • 6.
    Seção 3 -Modelo IS-LM-BP 3.1 | A curva de balanço de pagamentos (BP) 3.2 | A curva BP sem mobilidade de capital 3.3 | Curva BP com livre mobilidade de capital 113 114 115 118 Unidade 4 | O papel da política econômica Seção 1 - O modelo de oferta agregada e demanda agregada (OA-DA) 1.1 | Derivando a demanda agregada 1.2 | Derivando a oferta agregada 1.3 | Equilíbrio entre demanda agregada e oferta agregada 1.4 | O papel das políticas econômicas no modelo oa-Da Seção 2 - A curva de Phillips 2.1 | A curva de Phillips: origem e transformações 2.2 | Derivando a curva de Phillips a partir da relação de oferta agregada Seção 3 - Expectativas, novo-clássicos, ciclos reais de negócios e novo-keynesianos 3.1 | Expectativas 3.2 | Ciclos reais de negócios, novo-clássicos e novo-keynesianos 131 135 135 140 144 146 153 153 155 161 161 163
  • 7.
    Apresentação Caro aluno, sabemosque na macroeconomia estudamos os agregados econômicos. Nesta disciplina os estudaremos sob as perspectivas clássica e keynesiana, principalmente. Na primeira unidade estudaremos a macroeconomia clássica, que pode ser considerada uma análise de longo prazo, pois os preços e os salários são flexíveis. Para isto, veremos o comportamento do mercado de trabalho e de fundos de empréstimos. Na segunda unidade entenderemos o comportamento básico do modelo keynesiano, que, ao contrário do clássico, é considerado de curto prazo, pois preços e salários são inflexíveis. Veremos, entre outros aspectos, como a despesa agregada é composta e como o nível de renda da economia é determinado. Na terceira unidade aprenderemos o funcionamento dos modelos IS-LM simples e IS-LM-BP, veremos que as ideias de Keynes são a base destes modelos. Na quarta e última unidade analisaremos o papel das políticas econômicas integrando os mercados de bens, financeiro e de trabalho. Isso possibilitará termos claro como se dará o equilíbrio do curto para o longo prazo. No final seremos capazes de definir o que gera, de acordo com diferentes teorias, as flutuações econômicas e como o equilíbrio é alcançado. Veremos também como as políticas econômicas são aplicadas para este fim. Tenhaemmentequeassimcomoasoutrasdisciplinas,estaexigemuitadedicação, é importante que faça sempre as atividades sugeridas. Fique atento às questões para reflexão e para aprofundar seus conhecimentos recorra às sugestões de leituras complementares. Você tem ciência que há uma ampla equipe de professores e tutores para atendê-lo e tornar o processo de aprendizado o mais simples possível? Lembre-se sempre disso e, mediante dúvidas, comentários e sugestões, não hesite em nos procurar. Vamos então compreender a macroeconomia? Bons estudos! Profª Drª Carlândia Brito Santos Fernandes
  • 9.
    Unidade 1 MACROECONOMIA CLÁSSICA Objetivosde aprendizagem: Nesta unidade você será levado a compreender a macroeconomia clássica. Carlândia Brito Santos Fernandes Nesta seção estudaremos a oferta agregada clássica, a oferta e demanda de trabalho, o equilíbrio no mercado de trabalho e os deslocamentos da curva de oferta. Para isso, precisaremos ter claro o que envolve os fatores de produção e a função de produção. Nesta seção discutiremos a demanda agregada clássica, os comportamentos da moeda e dos preços e os deslocamentos da curva de demanda. Nesta seção serão abordados o funcionamento do mercado de fundos de empréstimos e o equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada. Seção 1 | Produto, emprego e equilíbrio Seção 2 | Demanda agregada, moeda e preços Seção 3 | Consumo, investimento, poupança e juros
  • 10.
  • 11.
    Macroeconomia Clássica U1 9 Introdução àunidade Caro aluno! Quantas vezes você deve ter ouvido falar na mídia sobre desemprego, capacidade ociosa e crescimento econômico? Estas preocupações são a base da macroeconomia. Assim, na evolução do pensamento econômico encontramos as raízes de tais preocupações. Com os mercantilistas e fisiocratas a resposta a essas questões era dada ainda de maneira pontual, propondo que o crescimento depende do acúmulo de metais preciosos ou aumento da produção agrícola. Porém, os fundamentos macroeconômicos com uma teoria sistematicamente organizada para explicar as questões do crescimento e desemprego foram primeiramente organizados pelos economistas da Escola Clássica. Desta forma a macroeconomia clássica está relacionada à escola fundadora do pensamento econômico, que inclui autores como Adam Smith e David Ricardo. Conforme afirma Bresser-Pereira (1976) a macroeconomia clássica, assim como toda a teoria econômica clássica, parte do pressuposto fundamental de que o mundo econômico é governado por leis naturais, que ao funcionarem livremente, produzirão sempre os melhores resultados possíveis. O modelo clássico que será apresentado nesta unidade, assim como em outros livros texto, não se trata de um modelo desenvolvido por um autor clássico em específico, mas sim da junção das ideias de diferentes autores. É importante sabermos que o modelo clássico apresentado nos livros-texto de macroeconomia, na verdade refere-se ao modelo neoclássico, que se baseia na hipótese de racionalidade dos agentes econômicos (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Antes de darmos sequência ao estudo, precisamos abordar alguns aspectos que nos auxiliarão na compreensão dos próximos itens. • No estudo da macroeconomia há dois grupos de variáveis: as que descrevem a economia real, pois não consideram a influência dos preços, ou ainda, são variáveis medidas em unidades físicas. Como o produto real, o investimento, a poupança, o emprego e a taxa de juros real; e as variáveis que descrevem as variações nos valores nominais, são mensuradas em unidades monetárias. Como a inflação, a taxa de juros nominal, o produto nominal e o salário nominal. A divisão destas variáveis será muito importante no entendimento da macroeconomia clássica.
  • 12.
    Macroeconomia Clássica U1 10 • Oseconomistas clássicos consideram que a economia opera sempre em nível de pleno emprego. Todos os indivíduos que desejam trabalhar estão trabalhando, o que acontece em função da hipótese de preços e salários flexíveis. • Dentro da macroeconomia clássica é válida a Lei de Say (Jean Batiste Say) de que a oferta cria a sua própria demanda. Assim, os indivíduos utilizam toda a sua renda na aquisição de mercadorias. Nesta unidade concentraremos os estudos na oferta agregada e na demanda agregada. Para isso, exploraremos os principais agregados macroeconômicos (produto, investimentos, poupança, emprego, estoque de moeda, nível de preços etc.) e veremos como se dá o equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada, considerando, inclusive, uma economia com governo. No final dessa unidade teremos os elementos suficientes para se compreender a macroeconomia clássica.
  • 13.
    Macroeconomia Clássica U1 11 Seção 1 Produto,emprego e equilíbrio Introdução à seção O foco desta seção é a oferta agregada, que se refere à quantidade total de produtos que o setor produtivo (empresas e famílias) deseja disponibilizar no mercado, por período de tempo, a um determinado preço. Assim, tudo que é produzido na economia compõe o produto agregado, o produto interno bruto (PIB). Para explorarmos e obtermos a oferta agregada de uma economia, precisamos entender os seus componentes, que são os fatores de produção e a função de produção. Sabemos que o processo de produção envolve a combinação de vários fatores, os quais são chamados de fatores de produção ou insumos. As empresas se utilizam desses fatores, que são, principalmente, trabalho (N) e capital (K), dada a tecnologia (A), e os combinam para se gerar produto (Y). O capital não se refere a dinheiro, mas sim aos estoques de equipamentos e estruturas que os trabalhadores utilizam para realizarem suas tarefas e que os tornam mais produtivos, como, por exemplo, os computadores, as colheitadeiras utilizadas na agricultura, os caminhões que uma transportadora utiliza e os fogões e freezers de um restaurante. Trabalho é o tempo de trabalho humano que as pessoas dispendem durante a produção. Tecnologia é o nível tecnológico, o conhecimento da melhor forma possível para se produzir bens e serviços. São exemplos de tecnologia a linha de montagem de carros de Henry Ford, a telefonia móvel e as tecnologias de acesso remoto como a Caro aluno, para entender os conceitos de oferta, demanda e os demais agregados macroeconômicos você deve ler o Capítulo 1 e 2 do livro de ABEL, Andrew. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. Disponível na Biblioteca Digital.
  • 14.
    Macroeconomia Clássica U1 12 wi-fi. Háainda outros fatores de produção, como os recursos naturais (como terra e minerais) e o capital humano, que envolve as habilidades e conhecimentos dos trabalhadores, obtidos por meio de investimento em educação e treinamentos ou por meio da própria experiência. Por motivos de simplificação, não os incluiremos na função de produção. A forma como os fatores de produção é combinada para se gerar o máximo de produto (PIB real) é expressa por meio de uma função de produção, como a que podemos ver na figura 1.1. De outra forma, a função de produção evidencia a tecnologia (A), pois a tecnologia é exatamente a forma como a função transforma os fatores de produção em produto. Assim, por exemplo, uma melhora do nível tecnológico, mantendo os demais fatores constantes, leva a um aumento na quantidade produzida. O fato é que a função de produção tem relação direta com as variáveis que a determina: um aumento (redução) na quantidade utilizada de capital leva a um aumento (redução) do produto; um aumento (redução) no número empregado de trabalhadores leva a um aumento (redução) do produto. Além disto, para uma dada tecnologia (A), a função de produção apresenta retornos constantes de escala, ou seja, a produção responde em proporção exatamente igual à proporção de alteração nos fatores de produção. Por exemplo, dada a tecnologia (A), uma redução de 10% nas quantidades utilizadas de capital (K) e trabalho (N), gera uma redução de 10% no produto (Y). Y= A.F(K, N) O que acontece se somente um dos fatores de produção variar e o outro se manter fixo? Imagine que você é um empresário e que mantém fixa a quantidade utilizada de máquinas em seu processo de produção, alterando somente a quantidade de trabalho. Nesta situação, os aumentos marginais na quantidade de trabalho provocarão aumentos na quantidade produzida, porém os aumentos serão cada vez menores. Isto significa que a produtividade marginal do fator de produção (o incremento da produção em resultado do aumento de uma unidade do fator, tomando os demais como fixos) é decrescente (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Os termos retornos de escala, produtividade marginal de um fator (ou produto marginal) e curto prazo, são da microeconomia. Você pode saber mais sobre estes e outros termos no capítulo 6 - Produção -
  • 15.
    Macroeconomia Clássica U1 13 Agora queconhecemos um pouco sobre a produção, podemos obter graficamente a função de produção agregada. Sendo o curto prazo o período no qual existe pelo menos um fator de produção fixo, considerando o trabalho como o único fator variável, a função de produção é ilustrada na figura 1.1, no espaço de produto (Y) e quantidade de trabalho (N), e é positivamente inclinada, pois conforme vimos a relação entre o produto e os fatores que o determina é direta. do livro de PINDYCK, Robert; RUBINFELD, Daniel. Microeconomia. 8. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. Disponível na Biblioteca Digital. A relação entre a taxa de desemprego e o produto real é inversa, um aumento na taxa de desemprego está associado a uma redução no PIB (produto interno bruto) real. Esta relação é chamada de Lei de Okun, em homenagem a Arthur Okun. Para conhecer mais sobre esta lei, você pode consultar o “Estudo de caso 2.4 - Desemprego, PIB e Lei de Okun” apresentado no livro do Mankiw (2004 p. 28-29). Figura 1.1 | Função de produção agregada Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 108)
  • 16.
    Macroeconomia Clássica U1 14 A funçãode produção pode se deslocar para cima (esquerda) ou para baixo (direita). Suponha um aumento no estoque de capital, a função de produção se desloca para cima, com isto, obtém-se mais produto com uma mesma quantidade de trabalho. Em resumo, temos que os fatores de produção e a função de produção determinam a produção agregada. Vimos que a quantidade de trabalho influencia diretamente a quantidade produzida, assim, precisamos entender melhor como se comporta o mercado de trabalho, é o que veremos no próximo item. 1.1 Demanda e oferta de trabalho O comportamento do mercado de trabalho lembra o comportamento do mercado de bens e serviços, por exemplo, a análise da oferta e demanda de artigos de vestuário, mas tem algumas diferenças. Primeiro, no mercado de trabalho os ofertantes de mão de obra são os trabalhadores e os demandantes os empresários. No mercado de bens e serviços os ofertantes são os produtores e os demandantes os consumidores. Segundo, no mercado de trabalho a demanda por este fator é derivada, ou seja, a demanda dos empresários por trabalho somente existe porque os empresários decidiram ofertar um determinado bem ou serviço no respectivo mercado de bens e serviços. Por exemplo, a demanda por costureiros(as) é derivada da decisão do empresário da indústria de confecção a ofertar artigos de vestuário. Uma semelhança importante é que em ambos os mercados, a relação é dada entre preço e quantidade: no mercado de bens e serviços, o preço é o próprio preço de venda e quantidade, o montante de produto; no mercado de trabalho, o preço é o salário e a quantidade é o montante em horas de trabalho ou em número de trabalhadores. Na macroeconomia clássica, a demanda de trabalho representa a relação entre a quantidade demandada de trabalhadores e o salário real - poder de compra, isto é, a quantidade em produtos que se pode comprar com determinado tempo (horas) de dedicação em trabalho - mantendo-se constante os demais fatores de produção. Novamente retomando um conceito da microeconomia, consideramos que o Quais seriam os efeitos de uma piora do nível tecnológico na funçãodeprodução?Comoilustraressesefeitosgraficamente?
  • 17.
    Macroeconomia Clássica U1 15 mercado detrabalho (assim como o de bens e serviços) é do tipo concorrência perfeita, a empresa é competitiva, pois há um grande número de empresas que não conseguem afetar nem o preço de seus produtos e nem o preço do fator trabalho. As firmas contratarão trabalhadores pensando em maximizar seus lucros (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). O lucro das empresas é a diferença entre a receita total e o custo total. De outra forma, representa a diferença entre o montante que obtém com a venda de seus produtos e o montante que gasta para produzi-los. Os custos envolvem a remuneração do trabalho, o salário nominal (W) e o custo com o capital, representado por (R), sendo que o preço pago por qualquer fator de produção depende das quantidades ofertadas e demandas. A receita total é obtida por meio da multiplicação da quantidade produzida (Y) pelo preço (P). Lucro = Receita total – custo total Lucro = P*Y - (WN + RK) O que acontece quando, em decorrência de um aumento da demanda, a empresa precisa aumentar sua produção? A empresa está sempre considerando o fato de maximizar o lucro, então, se precisa contratar mais trabalhadores, para aumentar sua produção, fará isso até o pontoemqueforlucrativo.Aprodutividademarginaldotrabalho(PMgN)representa quanto a produção aumenta a cada unidade empregada a mais de trabalho. Porém, dado que os outros fatores se mantêm constantes, a função de produção apresenta um produto marginal, do fator em questão, decrescente. Tomemos como exemplo o caso de um restaurante. Ao se contratar mais trabalhadores o restaurante servirá mais refeições, o PMgN é a quantidade a mais em refeições que é obtida em função de mais um trabalhador. Fixando-se a quantidade de capital, a estrutura da cozinha do restaurante, por exemplo, não adianta o empresário contratar cada vez mais trabalhadores, pois a estrutura não comportará. A questão é que, se o empresário fizer isto o número de refeições servidas irá reduzir a cada unidade adicional de trabalho, pois haverá muitos trabalhadores para uma dada estrutura. A isto se deve o formato da curva de função de produção da figura 1.1, que vai se tornando mais horizontal com o aumento no número de trabalhadores, pois a sua inclinação representa a produtividade marginal do trabalho. Você acha que, tudo o mais constante, compensa para o empresário contratar mais trabalhadores se o incremento que obtém em sua produção é menor do que o gasto que tem com salários? Acredito que você já saiba a resposta. Assim, para a empresa aumentar a sua demanda de trabalho, que reflete a produtividade (ou produto) marginal do trabalho, o salário real deve cair, pois a produtividade marginal do trabalho também está caindo, o que nos dá uma relação negativa entre o salário real e a quantidade de trabalho, que é ilustrada na figura 1.2. Para
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    Macroeconomia Clássica U1 16 dado salárioreal (W/P), a demanda de trabalho (ou de outro fator) aumenta até o ponto em que a sua produtividade marginal se iguala ao seu preço real, o salário real (MANKIW, 2004). Figura 1.2 | Demanda de trabalho no modelo clássico Fonte: Adaptado de: Mankiw (2009, p. 380) É possível encontramos formalmente (matematicamente) o ponto onde a PMgN se iguala a W/P, para isto basta maximizar a função lucro em relação a N, ou seja, derivar a função em relação a N. Lembre-se de que o produto (Y) é função do trabalho, Y=F(N), então é possível substituir o Y da função lucro por F(N). Para mais detalhes, consulte Lopes e Vasconcellos (2008, p. 109). Mankiw (2009) apresenta alguns fatores que podem fazer a curva de demanda de trabalho se deslocar: • O preço do produto: para uma determinada empresa o valor do produto marginal do trabalho é o produto marginal multiplicado pelo preço de venda produto. Quando o preço do produto se altera, o seu valor marginal também se altera e a curva de demanda de mão de obra se desloca. Um aumento do preço do produto, por exemplo, aumenta o valor do produto marginal de cada trabalhador e a empresa aumenta sua demanda por trabalhadores, deslocando a curva de demanda de trabalho para a direita. No caso de redução do preço do produto, ocorre uma redução do produto marginal,
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    Macroeconomia Clássica U1 17 reduzindo ademanda da empresa por trabalhadores e deslocando a curva de demanda de trabalho para a esquerda. • Mudanças tecnológicas: para dada empresa um avanço tecnológico aumenta o produto marginal do trabalho, o que leva a empresa a demandar mais trabalhadores e então, a curva de demanda de trabalho se desloca para a direita. Porém, mudanças tecnológicas também podem reduzir a demanda por trabalhadores. Por exemplo, a invenção de um robô industrial de baixo custo para a empresa, poderia reduzir o produto marginal do trabalho, deslocando a curva de demanda de trabalho para a esquerda. Este tipo de mudança é conhecido como economia de mão de obra. • A oferta de outros fatores: a quantidade disponível de um fator de produção pode afetar o produto marginal de outros fatores. Por exemplo, em uma indústria de confecção, a redução no número de máquinas de costura reduzirá o produto marginal dos(as) costureiros(as) e então, a empresa reduzirá a demanda por eles. Perceba que geralmente os fatores de produção são utilizados em conjunto, por exemplo, não há como utilizar máquinas de costura sem costureiros(as), ou vice e versa, isso faz com que a produtividade de cada fator dependa da quantidade dos demais fatores que está sendo utilizada no processo de produção. No caso do nosso país, o que você pensa sobre o progresso tecnológico, aumenta ou reduz a mão de obra empregada? Qual a importância da tecnologia para a produtividade do trabalho? Você sabia que a produtividade de um trabalhador brasileiro é, em média, um quarto da produtividade de um trabalhador americano? Acesse reportagens sobre este assunto nos links disponíveis em: <http://www.fgv.br/professor/ferreira/FerreiraFolha.pdf> e <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140519_ produtividade_porque_ru>. Acesso em: 23 ago. 2015.
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    Macroeconomia Clássica U1 18 Fonte: Adaptadode: Mankiw (2009, p. 384) No que se refere à quantidade de trabalho oferecida pelas famílias no mercado, precisamos entender como a mesma é influenciada pelo salário real. No modelo clássico, a decisão do indivíduo de quanto trabalhar corresponde à escolha de como alocar as horas do dia entre o trabalho e o lazer. O trabalho não gera prazer, apenas a renda necessária para poder consumir e obter a satisfação decorrente do consumo de mercadorias. O lazer, porém, gera satisfação por si mesmo. A decisão de quanto trabalhar decorre da maximização de uma função utilidade cuja “cesta” de bens é composta pela renda (consumo de bens) e lazer. Cada hora adicional de trabalho é o custo de oportunidade do lazer (o quanto se sacrifica de produto para obter lazer) (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). A curva de oferta de trabalho (figura 1.3) reflete a desutilidade marginal do trabalho, ou seja, mostra o quanto deve ser o salário real para que o indivíduo abra mão do lazer e dedique seu tempo ao trabalho. Através da figura 1.3 evidencia-se a relação positiva entre oferta de trabalho e salário real. Os indivíduos estão dispostos a ofertarem mais trabalho a salários reais cada vez mais elevados. Mankiw (2009) elenca alguns fatores que podem provocar O indivíduo pode escolher quanto do seu tempo será reservado ao trabalho. O que você pensa sobre esta hipótese? Figura 1.3 | Oferta de trabalho
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    Macroeconomia Clássica U1 19 Fonte: adaptadode: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 113-114) Figura 1.4 | Equilíbrio no mercado de trabalho e o produto de pleno emprego em que a oferta de trabalho se iguala à demanda de trabalho. O mercado de trabalho estará sempre em equilíbrio? Não, poderão ocorrer d e s e q u i l í b r i o s na forma de excesso de oferta de trabalho ou de excesso de demanda de trabalho. Nestes casos, a variável de ajuste será o salário real. Vamos analisar a figura 1.4 para melhor entendermos o funcionamento do mercado de trabalho. deslocamentos na curva de oferta de trabalho: • Mudanças das preferências: há algumas gerações as mulheres normalmente ficavam em casa cuidando dos filhos. Hoje, as famílias são menores e mais mães optam por estar no mercado de trabalho. Mudanças como essas provocam aumento na oferta de mão de obra. • Imigração: a movimentação de trabalhadores entre regiões ou entre países é outro fator que causa deslocamentos da oferta de mão de obra. Agora que conhecemos a demanda e oferta de trabalho podemos analisar como ocorre o equilíbrio no mercado de trabalho. Este equilíbrio ocorre no ponto
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    Macroeconomia Clássica U1 20 O pontoA, por exemplo, na figura 1.4, corresponde a um excesso de oferta de trabalho, pois o salário real é superior àquele que garante o equilíbrio, então os indivíduos oferecem uma quantidade de trabalho superior àquela que os empresários demandam, representando uma situação de desemprego. O ponto A é de desequilíbrio. Para o mercado de trabalho retornar ao ponto de equilíbrio é necessário que o salário real reduza, o que ocorrerá em razão da disputa entre os indivíduos para conseguir uma vaga de emprego. Porém, é importante que tenhamos claro que a redução do salário real acontece, dado o nível de preços, mediante uma redução do salário nominal, que é flexível. À medida que o salário real for reduzindo os indivíduos reduzirão a quantidade ofertada de trabalho e o mercado tenderá ao ponto de equilíbrio, que é, na macroeconomia clássica, o ponto de pleno emprego. Este ponto é representado por Y* e será a oferta agregada da economia, podemos identificá-lo no painel inferior da figura 1.4. Perceba que é derivado a partir do equilíbrio do mercado de trabalho e da função de produção. No ponto de pleno emprego todos os indivíduos que desejam trabalhar àquele salário estão trabalhando. Desta forma, a economia está sempre em pleno emprego, dado o salário real, não acontece de um indivíduo que deseja trabalhar ficar desempregado. Vejamos como Bresser-Pereira (1976) analisa essa situação: [...] O nível de emprego seria determinado pela renda apenas indiretamente. Diretamente dependeria do nível dos salários, os quais dependeriam da produtividade marginal do trabalho, ou seja, da derivada da renda em relação ao trabalhador. No momento transitório em que houvesse desemprego, teríamos uma indicação de que os salários estariam artificialmente altos, de forma que estes começariam automaticamente a declinar devido à pressão dos trabalhadores desempregados, que estariam agora dispostos a trabalhar por um menor salário. Como conseqüência do excesso da oferta de trabalho baixariam os salários nominais e reais. As empresas, em vista disso, aumentariam o número de empregados (já que a curva de procura de empregados não sofrera alteração). Com o aumento do número de empregados, aumentaria a renda real, Y. Este processo continuaria até que todos os trabalhadores fossem empregados, voltando-se à situação normal de pleno emprego (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 17).
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    Macroeconomia Clássica U1 21 O pontoB, por sua vez, que se encontra abaixo da curva de demanda, corresponde a um excesso de demanda de trabalho, ou de alto nível de emprego. O salário real neste ponto é inferior àquele que garante o pleno emprego. As empresas desejam aumentar o número de postos de trabalho, mas os trabalhadores não estão dispostos a aceitarem as propostas dos empresários àquele salário. A disputa dos empresários por trabalhadores provoca uma pressão sobre o salário nominal e então, do salário real, que começa a aumentar. Assim, com o salário mais alto, os trabalhadores estão dispostos a aceitar as propostas dos empresários, o que vai ocorrendo até que o excesso de demanda de trabalho esteja completamente eliminado. O mercado retorna ao equilíbrio de pleno emprego, no qual o número de trabalhadores que as empresas desejam contratar é igual ao número de indivíduos dispostos a trabalhar por aquele salário. O que você acha, o ponto de equilíbrio de pleno emprego pode se alterar? A resposta a esta pergunta é sim. Os fatores que vimos anteriormente que são responsáveis pelos deslocamentos na curva de oferta e demanda de trabalho, são, portanto, fatores que provocam mudanças no ponto de equilíbrio do mercado de trabalho. Sempre que ocorrerem deslocamentos nessas curvas o ponto de equilíbrio se alterará. Se, por algum motivo, ocorrer uma redução da oferta de trabalho, devido a um controle de natalidade, por exemplo, a curva de oferta de trabalho se deslocará para a esquerda (e para cima). O novo ponto de cruzamento entre as curvas de oferta e demanda de trabalho representará um novo equilíbrio de pleno emprego, mas que terá um salário real superior ao ponto de equilíbrio inicial, pois com a redução da oferta de trabalho o salário real terá de se ajustar de forma a equilibrar o mercado. O mercado de trabalho é do tipo concorrência perfeita, em que há muitos indivíduos ofertando mão de obra e um grande número de empresas que demandam esse fator. Um único indivíduo tem poder de influenciar o salário que irá receber? Uma única empresa tem poder de determinar o salário que irá pagar?
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    Macroeconomia Clássica U1 22 Desde acrise global do final de 2008, a taxa de desemprego tem oscilado muito no Brasil e também em outros países. Faça uma pesquisa sobre a evolução da taxa de desemprego no Brasil e compare os resultados com algum outro país de seu interesse. Você poderá encontrar dados sobre o desemprego nesses links: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/ trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm> e <http:// www.ipeadata.gov.br>. Acesso em: 23 set. 2015. Podemos frisar esta questão do pleno emprego e do mercado de trabalho na macroeconomia clássica através da análise de uma questão do ENADE (2012), conforme abaixo: • De acordo com a teoria clássica, a economia funciona no nível de pleno emprego; e o desemprego é o resultado da recusa dos trabalhadores de trabalharem pelo salário vigente. Segundo essa corrente teórica, o desemprego pode ser classificado como voluntário ou friccional (ENADE, 2012). • Na teoria clássica a economia opera a pleno emprego, a dado nível de salário real, todos os que desejam trabalhar encontrarão emprego. Assim, nesta teoria não há possibilidade de ocorrência de desemprego involuntário. Mas pode ocorrer desemprego friccional, que pode surgir da mobilidade da mão de obra, de um período para adaptação dos trabalhadores às novas condições, ou de mudanças estruturais no sistema de produção. Pode ocorrer também, mesmo que brevemente, o desemprego voluntário, em que o indivíduo não deseja trabalhar a determinado salário, e então, prefere esperar que o salário se ajuste. 1.2 A oferta agregada de longo prazo A oferta agregada (OA) de longo prazo é a relação entre a quantidade real ofertada de produto (PIB real) e o nível de preços, em que o salário nominal se altera de acordo com o nível de preços para manter o pleno emprego. Vimos isso no item anterior. No nível de pleno emprego a quantidade de produto real ofertada representa o produto potencial da economia, ou seja, o máximo que
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    Macroeconomia Clássica U1 23 determinada economiatem condições de produzir quando todos os fatores de produção estão sendo plenamente empregados, considerando que não haja desperdício. O produto potencial permanecerá o mesmo independente do nível de preços. Ao longo da curva de oferta agregada de longo prazo, à medida que o nível de preços se altera, o salário nominal também se altera. Assim, o salário real permanece no nível de equilíbrio de pleno emprego e o produto real no nível de produto potencial (PARKIN, 2010). Vimos no início da seção 1.1 que a quantidade produzida depende de capital, trabalho e do nível de tecnologia disponível. Percebemos que de acordo com a teoria clássica a quantidade produzida não depende do nível de preços ou salário nominal, que são variáveis monetárias, nominais, mas sim das variáveis reais. Uma melhora na tecnologia, por exemplo, aumenta a produtividade marginal do trabalho, levando os empresários a demandarem mais trabalhadores e, consequentemente, ampliando a quantidade produzida. Se o produto não depende dos preços a oferta agregada também não. Então, se ilustramos a oferta agregada no espaço produto e preço, como será essa curva de longo prazo? Veja a figura 1.5, em que YP é o produto de pleno emprego ou a renda e YE é a renda ou o produto de equilíbrio. A curva de oferta agregada, ou de pleno emprego, é vertical, pois o produto potencial independe do nível de preços e a razão para isto é que um movimento ao longo da curva é acompanhado por uma mudança tanto nos preços de mercadorias e serviços quanto nos preços dos fatores de produção, aqui o salário nominal. Exemplo: suponha um aumento de 5% no nível geral de preços, ou seja, nos preços das mercadorias, como os agentes não sofrem de ilusão monetária Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 115) Figura 1.5 | Oferta agregada de pleno emprego
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    Macroeconomia Clássica U1 24 (eles sabemque os preços subiram) este aumento será acompanhado por um aumento correspondente de 5% no salário nominal, o que manterá o poder de compra (salário real) no mesmo patamar de pleno emprego, mantendo o nível de emprego constante e o produto real no nível potencial (PARKIN, 2010). A curva de oferta agregada de pleno emprego pode se deslocar, para a esquerda ou para a direita e o que influencia nesses descolamentos são as alterações no nível de produto potencial. Para entendermos isso melhor, precisamos entender como o produto potencial pode ser influenciado. • Mantendo-se constante os demais fatores, o produto potencial aumenta quando aumenta a quantidade de trabalhadores de pleno emprego, o que pode ocorrer em função de um aumento da população economicamente ativa. • Aumentos no estoque de capital (incluindo capital humano) geram aumentos no produto potencial, pois quanto maior o nível de capital por trabalhador, maior é a produtividade do trabalho. • Avanço tecnológico leva a aumento do produto potencial, uma economia que possui melhores níveis tecnológicos produz relativamente mais do que aquela que utiliza tecnologia obsoleta. Aqui, compreendemos o que é a oferta agregada, como ela se comporta e como é influenciada. Na próxima seção veremos a demanda agregada clássica. População economicamente ativa (PEA) é um conceito elaborado para indicar qual a parcela população está inserida no mercado de trabalho ou que, de certa forma, está procurando se inserir nele para exercer algum tipo de atividade remunerada. Pesquisas para o Brasil sobre trabalho e rendimento, dentre outras características gerais da população, são efetuadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Para obter mais informações acesse o link: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/ trabalhoerendimento/pnad2013/default.shtm>. Acesso em: 23 set. 2015.
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    Macroeconomia Clássica U1 25 Por quea curva de oferta agregada de pleno emprego é de longo prazo? É possível ilustrar graficamente os efeitos de um aumento do capital humano no produto potencial? Se sim, tente realizar esta atividade. 1. A respeito da função de produção, avalie as afirmações abaixo. I. A função de produção tem relação direta com as variáveis que a determina, assim, uma piora do nível tecnológico, mantendo os demais fatores constantes, leva a um aumento na quantidade produzida. II. A função de produção apresenta retornos constantes de escala. Isto significa que a produção responde em proporção exatamente igual à proporção de alteração nos fatores de produção. Por exemplo, dada a tecnologia, um aumento de 8% nas quantidades utilizadas de capital e trabalho, gerará um aumento de 8% na quantidade produzida. III. Se somente um dos fatores de produção variar e o outro se manter fixo, a produtividade marginal do fator de produção será constante. É correto o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) II. d) III e II. e) III, II e I.
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    Macroeconomia Clássica U1 26 2. Desenhee explique a curva de oferta agregada de longo prazo do modelo clássico. Há algum fator que pode deslocar esta curva?
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    Macroeconomia Clássica U1 27 Seção 2 Demandaagregada clássica, moeda e preços Introdução à seção Podemos definir a demanda agregada (DA) como a relação entre a quantidade demandada e o nível geral de preços. Assim a sua curva expressa a quantidade de bens e serviços que serão adquiridos a dado nível de preços. A partir da teoria quantitativa da moeda podemos derivar a demanda agregada. Na teoria quantitativa da moeda temos que MV = PY. Sendo M a oferta de moeda, V a sua velocidade, por hipótese constante, P o nível de preços e Y o produto real. Então, PY é o produto nominal ou monetário e a equação é vista como uma equação de equilíbrio do mercado monetário que mostra que a oferta de moeda é igual à sua demanda e que a demanda é proporcional à quantidade do produto real (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Bresser-Pereira (1976) resume da seguinte forma o papel da moeda na teoria clássica: A moeda para os clássicos é uma unidade de conta e um meio de troca. Além de servir para se somarem mercadorias diferentes, a moeda é fundamentalmente um meio de troca. Os homens só teriam interesse em mantê-la em seu poder na medida em que dela necessitassem para realizar suas transações. Segundo os clássicos, portanto, existiria apenas um motivo para a procura de moeda: o motivo transacional. O outro possível uso do dinheiro, como um meio de reserva de ativos líquidos, e, portanto, seu consequente entesouramento, era considerado irracional. Conservando o dinheiro em forma líquida, nos bancos, sem que haja tomadores de empréstimos ou debaixo do colchão, o capitalista estaria perdendo os juros que poderia ganhar se houvesse aplicado seu dinheiro em ativos fixos ou em títulos. O entesouramento, portanto, era considerado inexistente (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 11).
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    Macroeconomia Clássica U1 28 Precisamos demoeda para efetuar nossas transações, este é o motivo transacional da demanda de moeda que está por traz da teoria quantitativa da moeda. Para saber mais sobre esta teoria consulte o capítulo 6 do livro de Mankiw (2004). Observe a figura 1.6, a curva de demanda agregada tem inclinação negativa. Por quê? Para determinada oferta de moeda, se o produto (renda) da economia é mais elevado (lembre-se de que alterações no produto somente ocorrem em função de alterações nas variáveis reais, na seção anterior citamos alguns fatores), então a demanda por moeda transacional é mais elevada e um maior estoque real de moeda seria necessário para atender às transações. Porém, como a oferta de moeda está dada, a variável de ajuste é o nível de preços, que reduzirá. Suponha, por exemplo, que ocorra um aumento no estoque de capital, isso gerará um aumento no produto potencial, ou seja, crescimento econômico, pois as empresas utilizarão um maior nível de capital por trabalhador, ampliando o produto marginal do trabalho. O aumento do produto potencial gera aumento da demanda por moeda, então os preços cairão de forma a ampliar o estoque real de moeda. Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 176) Figura 1.6 | Demanda agregada no modelo clássico
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    Macroeconomia Clássica U1 29 A curvade demanda agregada pode se deslocar para a direita ou para a esquerda e isto ocorrerá devido a alterações na quantidade ofertada de moeda. Por exemplo, uma redução na oferta de moeda gera uma redução nos saldos monetários reais, ou seja, do estoque real de moeda (Mo/P), reduzindo a demandada agregada (sua curva se desloca para a esquerda), o que provoca, somente, uma redução no nível de preços, ou seja, o produto da economia se mantém, a demanda não tem poder em determinar o produto da economia, tem poder somente sobre o nível de preços, o nível de produto é determinado pelas condições de oferta (quantidade de capital, de trabalho e nível tecnológico). Analogamente um aumento na oferta de moeda provoca um aumento do estoque real de moeda, aumentando a demanda agregada e, então, deslocando sua curva para a direita, conforme figura 1.7. Dado o produto potencial, um maior nível de demanda gera uma elevação nos preços. Figura 1.7 | Deslocamentos da demanda agregada Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p.179) A lei de Say […] afirma que as crises de superprodução ou subconsumo são impossíveis, a não ser muito transitoriamente, e no mais das vezes, setorialmente. Isto porque toda produção implica em uma remuneração que vai se transformar imediatamente em procura. As pessoas não produzem e oferecem suas mercadorias no mercado pelo simples prazer de fazê-lo. Elas têm em mira produzir para, com isso, obter
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    Macroeconomia Clássica U1 30 recursos quelhes permitiam comprar outros bens (de consumo ou investimento) que desejam. Quando a produção aumenta, ou seja, quando a oferta aumenta, a procura também aumenta concomitantemente. Em outras palavras, a oferta cria sua própria procura. A economia de mercado possuiria assim um mecanismo de controle automático, que a levaria sempre para o equilíbrio, tornando a superprodução geral impensável. Desequilíbrios setoriais poderiam ocorrer com frequência, quando, por exemplo, os produtores de um determinado artigo superestimassem sua procura, mas tais desequilíbrios seriam rapidamente corrigidos pelo mecanismo dos preços (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 11). Vimos que no modelo clássico a quantidade de moeda não afeta as variáveis reais (produto, emprego, salário real etc.), afeta somente as variáveis nominais, como o nível geral de preços. Esta separação das variáveis em dois grupos é conhecida por dicotomia clássica, que evidencia a neutralidade da moeda e reserva um papel passivo para a demanda agregada (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Quando o Banco Central dobra a quantidade de moeda, o nível de preços dobra, o salário em reais dobra e todos os demais valores em reais dobram. Porém, as variáveis reais mantêm-se inalteradas. Essa irrelevância das alterações monetárias para estes tipos de variáveis é chamada de neutralidade da moeda (MANKIW, 2009). A aplicação da dicotomia clássica é um pouco complicada quando nos voltamos para os preços. Os preços na economia são normalmente cotados em termos de moeda e, portanto, são variáveis nominais. Por exemplo, quando dizemos que o preço do milho é de $ 2 por saca ou que o preço do trigo é de $ 1 por saca, os dois preços são variáveis nominais. Mas e quanto aos preços relativos – o preço de uma coisa comparado ao preço de outra? Em nosso exemplo, poderíamos dizer que o preço de uma saca de milho são duas sacas de trigo. Observe que o preço relativo não mais é medido em termos de moeda. Quando comparamos os preços de dois bens quaisquer, os sinais de dólar se cancelam e o número resultante é medido em unidades físicas. A lição é que os preços em dólar são variáveis nominais, ao passo que os preços relativos são variáveis reais (MANKIW, 2009, p. 640-641).
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    Macroeconomia Clássica U1 31 O PIBnominal é uma variável nominal porque mede o valor em reais (R$) da produção de bens e serviços da economia; o PIB real é uma variável real porque mede a quantidade total de bens e serviços produzidos na economia e não é influenciado pelos preços correntes desses bens e serviços (MANKIW, 2009). Diante do que vem estudando, defina Lei de Say? 1. Desenhe e explique os efeitos de uma redução na oferta de moeda e, consequentemente, na demanda agregada, sobre o produto potencial e o nível de preços. 2. Explique a expressão “dicotomia clássica”.
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    Macroeconomia Clássica U1 33 Seção 3 Consumo,investimento, poupança e juros Introdução à seção No modelo clássico, a poupança representa um “sacrifício” ao consumo presente que exige um “prêmio pela espera”, ou seja, o indivíduo só poupará se puder consumir no futuro mais do que consumiria no presente. A poupança depende, assim, do tamanho do prêmio pela espera, ou seja, da taxa de juros que remunerará a poupança do indivíduo. Quanto maior a taxa de juros mais caro o consumo presente em termos de consumo futuro e, portanto, maior o estímulo à poupança (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). A poupança é a fonte da oferta de fundos para empréstimos (MANKIW, 2009). Todos os agentes que possuem renda extra, por isso podem ser chamados de superavitários, vão ao mercado de fundos de empréstimos para depositarem (pouparem) seus recursos e emprestar. Por outro lado, os agentes que precisam de recursos, os deficitários, vão a este mercado para adquirir empréstimos. Os empréstimos podem ser de forma direta, por exemplo, quando um indivíduo compra o título de uma empresa, ou indiretamente, quando um indivíduo faz um depósito em um banco e o banco utiliza os fundos para conceder empréstimos (MANKIW, 2009). De outra forma, o dinheiro que depositamos nos bancos é utilizado por estes para empréstimos a outros indivíduos ou empresas. Da mesma forma que os indivíduos consomem, empresas e famílias adquirem bens com o objetivo de investir. Por exemplo, o proprietário de uma fábrica pode desejar investir na ampliação da planta e uma determinada família na aquisição da casa própria (investimento corresponde ao aumento do estoque de capital na economia). A decisão de investir também é influenciada pela taxa de juros, assim, o empresário precisará adquirir empréstimos para investir na planta de sua fábrica, por exemplo, e fará isso somente se a taxa de juros oferecida for menor do que o retorno que terá com o investimento. Mesmo que o empresário não necessite recorrer a empréstimos para realizar o investimento, ele deve considerar o custo de oportunidade, pois ao utilizar recursos próprios ele está deixando de aplicar seus recursos em títulos, portanto, deixando de receber os juros que os títulos renderiam. Da mesma forma, a família decidirá pela aquisição da casa própria ou não, a depender da taxa de juros que será negociada.
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    Macroeconomia Clássica U1 34 Investimento refere-seà compra de novo capital, como equipamentos ou prédios. Quando um indivíduo toma um empréstimo do banco para construir uma casa nova, ele aumenta o investimento nacional, pois a compra de um imóvel é considerada investimento e não consumo. Similarmente, quando uma empresa vende ações e usa os recursos para construir uma nova fábrica, ela também está aumentando o investimento nacional (MANKIW, 2009). Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 121) Figura 1.8 | Equilíbrio entre poupança e investimento no modelo clássico No geral, taxa de juros relativamente alta incentiva a poupança e desincentiva o investimento. De outra forma, quanto mais elevada a taxa de juros menor a demanda por investimento e maior a quantidade ofertada de recursos no mercado financeiro (ou mercado de fundos de empréstimos), ou seja, maior a poupança. Desta forma, a curva de demanda por fundos para empréstimos, a de investimento, tem inclinação negativa e a curva de oferta de recursos, a poupança, tem inclinação positiva, conforme figura 1.8. Na figura 1.8, o ponto no qual se cruzam as curvas de investimento e poupança representa os valores de equilíbrio dessas variáveis e também da taxa real de juros,
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    Macroeconomia Clássica U1 35 que seajusta para equilibrar a oferta e demanda de fundos para empréstimos. A taxa de juros é o custo do investimento que se tem para adquirir empréstimos e, então, bens de capital. A taxa real de juros é afetada pelas preferências intertemporais dos indivíduos e pela produtividade marginal do capital. Da mesma forma que para o fator trabalho, a produtividade marginal do capital é decrescente (incrementos no investimento geram aumentos no produto, mas a taxas cada vez menores), por isso, a curva de investimento vai se tornando cada vez mais horizontal, para que o investimento aumente a taxa real de juros precisa reduzir. A política monetária, ao afetar somente a taxa de juros nominal, não afeta as decisões de poupança e investimento na economia (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Suponha que a taxa de juros esteja abaixo da taxa de equilíbrio, haverá um excesso na demanda por investimentos, consequentemente a oferta de recursos não será suficiente para atender ao aumento de demanda. A disputa entre os agentes por aquisição de empréstimos leva os fornecedores de empréstimos a aumentarem a taxa de juros, ou seja, o custo de empréstimo será mais alto. Esta nova taxa de juros mais elevada incentiva a poupança, o que, em seguida, gerará novamente aumento na oferta de recursos e redução na demanda por investimento, guiando o mercado de volta ao ponto de equilíbrio. No caso de a taxa de juros estar acima da taxa que garante o equilíbrio, a demanda por investimentos ou por empréstimos será inferior à oferta de recursos. Como há excesso de recursos, e poucas pessoas ou empresas estão dispostas a adquiri-los àquela taxa, os ofertantes passam a cobrar uma taxa mais baixa para a concessão de empréstimos, reduzindo a oferta e aumentando a demanda por Através do mecanismo da taxa de juros, portanto, investimento e poupança são sempre mantidos em equilíbrio. O consumo, por sua vez, dependendo também da taxa de juros, aumenta ou diminui, à medida que a taxa de juros varia. E nesses termos, verificamos novamente a impossibilidade de uma crise de subconsumo. A macroeconomia clássica conduz-nos novamente à conclusão que, dentro do sistema capitalista do laissez-faire, em que impera a concorrência perfeita, estamos no melhor dos mundos possíveis - um mundo sem desemprego, sem subconsumo, no qual a renda seria distribuída segundo a produtividade marginal dos fatores, os consumidores maximizariam sua utilidade e as empresas maximizariam seus lucros, dentro de um espírito de harmonia universal... (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 18).
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    Macroeconomia Clássica U1 36 recursos, atéo mercado retornar ao ponto de equilíbrio inicial. Perceba que estas alterações, tanto no caso de a taxa de juros ser maior que a de equilíbrio, quanto no caso de ser menor, ocorrem ao longo das curvas de investimento ou de poupança, ou seja, alterações na taxa de juros não provocam deslocamentos das curvas. A pergunta que se faz é: o que provoca deslocamentos na curva de poupança e de investimento? Veremos isso no próximo item. 3.1 Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada O equilíbrio no mercado de bens e serviços é dado pela igualdade entre oferta agregada e demanda agregada. O consumo (C), o investimento (I) e os gastos do governo (G) compõem a demanda agregada, que é o PIB. O setor externo, computado pela diferença entre exportações e importações é outro componente da demanda agregada, mas, para os objetivos desta unidade e por simplificação, trabalharemos com os três primeiros, ou seja, com economia fechada. Com a participação do governo no modelo clássico, devemos considerar que os impostos arrecadados (T) reduzem a renda do setor privado e, portanto, as suas despesas. Neste modelo, tanto a arrecadação de impostos, quanto os gastos do governo, serão tomados como variáveis exógenas. O equilíbrio é representado pela seguinte expressão: Y = DA Y = C + I + G A equação acima é uma identidade porque cada unidade monetária da despesa que surge no lado esquerdo também aparece em um dos três componentes do lado direito (MANKIW, 2009). Podemos reescrever essa equação da seguinte forma: Y – C – G = I O lado esquerdo da equação (Y – C – G) é o que resta da renda total após o setor privado efetuar o pagamento de seus dispêndios e o setor público dos seus gastos. Esse montante é a poupança nacional (S). Substituindo (Y – C – G) por S, a Qual a diferença entre taxa de juros real e nominal? Qual delas importa nas decisões dos agentes?
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    Macroeconomia Clássica U1 37 equação acimaé escrita de forma a afirmar que poupança é igual a investimento. S=I Esta identidade indica que, para a economia como um todo, a poupança deve ser igual ao investimento. É o mercado financeiro que coordena os agentes que estão decidindo quanto poupar (aqueles que chamamos de superavitários) e os que estão decidindo quando investir (os deficitários). Os intermediários financeiros − as instituições financeiras por meio das quais os poupadores podem indiretamente ofertar fundos aos tomadores de empréstimos – se colocam entre os dois lados da equação S=I, recolhendo a poupança nacional e direcionando ao investimento nacional. É importante destacar que para a economia em geral embora poupança seja igual a investimento, isso não precisa ser verdade para cada família ou empresa individualmente (MANKIW, 2009). Sabemos que o consumo depende positivamente da renda, mas, da renda disponível, pois como temos o governo no modelo, a renda disponível é aquela que resta aos indivíduos após o pagamento de impostos (Y-T). Consideraremos que a decisão de consumo depende desta renda e da taxa de juros real (r) (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Assim, temos as seguintes expressões para o consumo e para a poupança: C = C (Y – T; r) S = S (Y – T; r) Para se manter a igualdade entre oferta agregada e demanda agregada, a receita em impostos, que é uma parcela da renda que deixa de ser consumida (ou poupada), deve ser gasta pelo governo (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). S (Y – T; r) + T = I(r) + G Rearranjando, temos: S (Y – T; r) + (T – G) = I(r) Sendo S (Y – T; r) a poupança privada (Sp) e (T – G) a poupança do governo (Sg), a parte não gasta da arrecadação em tributos. A soma dessas duas poupanças compõe a poupança nacional ou interna (S). S = Sp + Sg Vejamos então o que pode provocar deslocamentos nas curvas de poupança ou investimento. O que acontece se o governo aumentar seus gastos? Esta situação está ilustrada na figura 1.9. Com o aumento dos dispêndios do setor público ocorre um excesso de demanda por recursos financeiros, pois o governo sai do seu orçamento equilibrado gastando mais do que arrecadou, ou seja, gera
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    Macroeconomia Clássica U1 38 um déficitorçamentário, e precisa de recursos para financiá-lo. Este excesso de demanda por recursos provoca o aumento da taxa de juros para r2, pois os ofertantes de recursos cobrarão uma taxa mais elevada para realizar empréstimos. Porém, a taxa de juros real mais elevada reduz o investimento privado (–∆I), mas, gera um aumento na poupança ou queda no consumo (∆S ou - ∆C), mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda de recursos. Resumindo, o impacto da política fiscal de aumento de gastos do governo é de redução do consumo e do investimento, esse efeito é conhecido como crowding-out, ou efeito deslocamento. Na verdade, a política fiscal não provoca aumento no produto ou renda da economia, somente altera a composição da demanda, sendo composta por uma proporção maior de gastos públicos e menores de gastos privados (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Figura 1.9 | Efeito deslocamento Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 125) Se a política fiscal adotada fosse de redução dos impostos, os efeitos seriam semelhantes ao de aumento dos gastos? Vamos entender isso. Uma redução em impostos provoca uma redução nas receitas do governo, isto é, na poupança do governo, fazendo com que a oferta de recursos seja inferior à quantidade necessária para os agentes realizarem suas transações, a curva de poupança se deslocaria para a esquerda, ocorrendo uma disputa por recursos e fazendo com que a taxa de juros se eleve. Taxa de juros mais elevada, como já sabemos, provoca redução no investimento e aumento na oferta de recursos, reestabelecendo o equilíbrio. Uma vez que ocorre redução nos impostos, o que acontece com o consumo? A renda disponível dos indivíduos será maior e a tendência é de aumento do consumo, reduzindo a oferta de recursos e, posteriormente, aumentando a taxa de juros. A
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    Macroeconomia Clássica U1 39 taxa dejuros se eleva em função do aumento do consumo ou redução da poupança privada que ocorre com a redução dos impostos. Caso a redução de impostos não provocasse aumento de consumo, o efeito seria aumento de poupança privada, compensando a redução da poupança pública e então, mantendo inalterada a taxa de juros, já que não houve alteração na oferta de recursos. O que podemos concluir sobre a política fiscal no modelo clássico? Os componentes da demanda agregada (C, I e G) são afetados e provocam alterações na taxa de juros, mas não no nível de produto, este se mantém no nível de pleno emprego (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). 3.2 Algumas questões comentadas Neste tópico veremos algumas questões comentadas sobre o que estudamos nesta análise. O objetivo desses exercícios é de reforçar os principais aspectos da macroeconomia clássica que foram explorados nesta unidade. As afirmativas abaixo serão classificadas em correta ou falsa e serão detalhadamente comentadas. a) Na teoria clássica, mudanças no nível de produto da economia somente ocorrem se houverem mudanças nas curvas de oferta e demanda de trabalho. Falsa. O produto pode ser alterado em virtude de alterações nas variáveis reais da economia, isto inclui os fatores que deslocam as curvas de oferta e demanda de trabalho, mas não se limitam a estes. Veja a próxima alternativa. b) Dentre os determinantes da curva de oferta agregada podemos citar o número de pessoas no mercado de trabalho, ou seja, a população economicamente ativa, a produtividade da força de trabalho, o nível tecnológico e o tamanho do estoque de capital. Correta. Perceba que alterações em variáveis como os preços, oferta nominal de moeda e demanda agregada não afetam o produto real. c) A demanda de moeda para os clássicos existe somente com o objetivo de entesouramento. Assim, dada uma determinada oferta de moeda, um maior nível de produto na economia elevará a demanda para entesouramento. Esta afirmativa é falsa. Na teoria clássica, o entesouramento, guardar o dinheiro em casa, por exemplo, era considerado inexistente, pois os agentes estariam deixando de receber os juros com a aplicação do seu dinheiro. Na verdade, a moeda para os clássicos existe somente para fins transacionais. Assim, dada a oferta de moeda, maiores níveis de produto na economia, gerarão um aumento no número de transações e então um aumento na demanda por moeda real, o
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    Macroeconomia Clássica U1 40 que serápossível com redução do nível de preços. d) Na teoria clássica quanto mais alta a taxa de juros maior tende a ser a quantidade poupada. Correta. Quando maior a taxa de juros mais caro será o consumo presente em relação ao consumo futuro, o prêmio por deixar de consumir no presente é alto, o que incentiva a poupança. e) Na teoria clássica a decisão de investimento pelo empresário depende da taxa de juros nominal. Quanto maior a taxa de juros nominal menor o incentivo para o empresário investir. Falsa. A decisão de investimento do empresário depende da taxa de juros real, pois nesta teoria os agentes não sofrem de ilusão monetária. f) Diferentemente do produto marginal do trabalho, dados os demais fatores, o produto marginal do capital é positivo e crescente. Falsa. Incrementos em qualquer fator de produção geram um produto marginal decrescente. Assim, em um sistema de produção, incrementos na utilização de capital, mantendo-se os demais fatores constantes, geram aumentos no produto, mas a taxas cada vez menores. g) No mercado de trabalho da teoria clássica o salário real é a variável de ajuste, caso ocorram desequilíbrios. No mercado de fundos de empréstimos a variável de ajuste são os preços. Falsa. A primeira parte da afirmativa está correta, mas a segunda não. No mercado de trabalho, se houver excesso de oferta de trabalho o salário real cairá até o ponto de equilíbrio e no caso de excesso de demanda de trabalho, o salário real aumentará atraindo cada vez mais trabalhadores até o ponto de equilíbrio. No mercado de fundos de empréstimos a variável de ajuste é a taxa de juros real. Um excesso na demanda por investimentos provoca um aumento na taxa de juros, pois a quantidade de recursos disponível no mercado é inferior àquela que os agentes desejam. Um excesso de oferta de recursos provoca uma redução na taxa de juros, até que o mercado atinja o equilíbrio. 1. Sobre o conceito de crowding-out, ou efeito deslocamento, é correto afirmar que:
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    Macroeconomia Clássica U1 41 2. Comopodemos definir a renda disponível dos indivíduos? a) É o aumento da proporção dos gastos do governo na demanda agregada ao custo de uma redução do consumo e do investimento, ou seja, o gasto público aumenta, mas o gasto privado se reduz. b) É o aumento da poupança em função de uma maior taxa de juros. c) É a redução na renda disponível em função de aumento de impostos. d) É o deslocamento da curva de poupança. e) É o deslocamento da curva de oferta agregada. Nesta unidade você aprendeu sobre a macroeconomia clássica. Podemos destacar os seguintes aspectos. • A análise da macroeconomia clássica concentra-se no longo prazo, o que se deve à flexibilidade de preços e salários. • A economia está sempre a pleno emprego. • No mercado de trabalho a variável que ajusta possíveis desequilíbrios é o salário real. No mercado de fundos de empréstimos a variável de ajuste é a taxa de juros real. • A curva de oferta agregada é vertical, ou seja, inelástica, em relação ao nível de preço. • A curva de oferta agregada e, então, o produto potencial, pode se deslocar em razão de alterações em variáveis reais, como no estoque de capital. • A separação entre variáveis reais e nominais denomina-se
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    Macroeconomia Clássica U1 42 dicotomia clássica. •A neutralidade da moeda indica que alterações na oferta de moeda afetam a demanda agregada, mas não o produto. • Política fiscal de aumento dos gastos do governo não provoca aumento do produto, pois ocorre um crowding-out, ou efeito deslocamento. • No modelo clássico o governo fica impossibilitado de interferir no nível de produto ou de emprego da economia. Lembre-se: na teoria clássica a Lei de Say é válida. Chegamos ao final dessa primeira unidade. Você poderá saber mais sobre a macroeconomia clássica consultando o terceiro capítulo do livro de Lopes e Vasconcellos (2008) e o artigo “Da macroeconomia clássica à keynesiana” de Bresser- Pereira (1976). Este último encontra-se disponível no seguinte link: <http://www.bresserpereira.org.br/papers/1968/68- 98DaMacroclassicaAKeynesiana.apostila.pdf>. Acesso em: 14 out. 2015. 1. Sobre a macroeconomia clássica, considere as afirmativas: I. A macroeconomia clássica é considerada uma teoria que explica o comportamento da economia no longo prazo. ( )
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    Macroeconomia Clássica U1 43 2. Sobreo conceito de produtividade marginal do trabalho, considere as afirmativas: I. A sua curva tem formato positivo, pois aumentos na quantidade utilizada de trabalho levará a aumentos cada vez maiores no produto. ( ) II. A produtividade marginal do trabalho é representada pela inclinação da função de produção. ( ) III. As empresas, sendo maximizadoras de lucro, sempre contratam trabalhadores até o ponto em que o salário nominal se iguala à produtividade marginal do trabalho. ( ) IV. Para uma dada empresa, considerando constantes o estoque de capital e a tecnologia, quanto mais essa empresa aumenta o número de indivíduos empregados, menor será a produtividade marginal do trabalho. ( ) Estão corretas as afirmativas: a) I e II. b) I, II e III. c) III e IV. d) II, III e IV. e) II e IV. II. Na macroeconomia clássica os preços são rígidos, portanto, não respondem a alterações da oferta agregada. ( ) III. O ponto de pleno emprego corresponde à rigidez de preços e salários. ( ) IV. Na visão da macroeconomia clássica é válida a Lei de Say, ou seja, de que a oferta cria a sua própria demanda. ( ) Estão corretas as afirmativas: a) I e II. b) I, II e III. c) III e IV. d) I e IV. e) II, III e IV.
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    Macroeconomia Clássica U1 44 3. Sobreo equilíbrio no mercado de trabalho, considere as afirmativas: I. O mercado de trabalho pode ser considerando como do tipo concorrência perfeita. Assim, quando ocorrer de as empresas demandarem um número de trabalhadores superior àquele oferecido pelas famílias, o salário real, em consequência de um aumento no salário nominal, aumentará até que oferta e demanda de trabalho sejam iguais. II. Deslocamentos das curvas de oferta ou de demanda de trabalho levam a mudanças do equilíbrio no mercado de trabalho. III. Na perspectiva da teoria clássica o salário que importa na tomada de decisão tanto de empresários quanto de trabalhadores é o salário real. IV. Pleno emprego significa que a um determinado salário real não haverá indivíduos que desejem trabalhar, desempregados. Da mesma forma, não haverá uma única empresa que deseje contratar trabalhadores que não encontrará. Estão corretas as afirmativas: a) I e II, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. 4. Sobre a oferta e a demanda agregada clássica, é correto afirmar que: a) O produto da economia não é afetado por variáveis nominais como a oferta de moeda. b) A oferta agregada de pleno emprego pode ser alterada em função de mudança na taxa de juros nominal. c) Deslocamentos na curva de demanda agregada clássica provocam deslocamentos na curva de oferta agregada clássica. d) A demanda agregada tem influência sobre o produto da economia e sobre o nível de preços.
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    Macroeconomia Clássica U1 45 5. Nateoria clássica defende-se a hipótese de neutralidade da moeda. Sobre esta hipótese considere as afirmativas: I. Alterações na quantidade de moeda da economia alteram a curva de demanda. II. O nível de produto da economia é afetado apenas por variáveis reais. Esta separação entre variáveis reais e nominais na teoria clássica é chamada de dicotomia clássica. III. Mudanças no nível de preços provocam mudanças sobre o produto real. IV. A curva de oferta agregada de longo prazo é vertical, pois o produto potencial independe do nível de preços. Estão corretas as afirmativas: a) I, II e IV. b) II, III e IV. c) II e III. d) III e IV. e) I, III e IV. e) A curva de oferta agregada clássica é horizontal.
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    U1 47 Macroeconomia Clássica Referências BLANCHARD, Olivier.Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011. BRASIL. Ministério da Educação. Exame Nacional de desempenho dos estudantes (ENADE). Ciências Econômicas. Novembro de 2012. Disponível em: <http:// download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2012/03_CIENCIAS_ ECONOMICAS.pdf>. Acesso em: 18 set. 2015. BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Da macroeconomia clássica à keynesiana. São Paulo, abr. 1976. Disponível em: <http://www.bresserpereira.org.br/papers/1968/68- 98DaMacroclassicaAKeynesiana.apostila.pdf>. Acesso em: 17 set. 2015. LOPES, L.; VASCONCELLOS, M. (Orgs.). Manual de macroeconomia: básico e intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MANKIW, N. G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2004. MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2009. PARKIN, M. Macroeconomics. 10th . ed. Boston: Pearson, 2010. VARIAN, H. Microeconomia: princípios básicos: uma abordagem moderna. Tradução: Maria José Cyhlar Monteiro e Ricardo Doninelli. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2006.
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    Unidade 2 MACROECONOMIA KEYNESIANA Objetivos deaprendizagem: O objetivo desta unidade é entender o comportamento básico do modelo keynesiano. Isto significa que você será capaz de explicar: como a despesa agregada é determinada; como o nível de produto/renda da economia é determinado; a dinâmica dos multiplicadores keynesianos. Carlândia Brito Santos Fernandes Nesta seção veremos em que se fundamenta o princípio da demanda efetiva de Keynes. Entenderemos como as mudanças na demanda agregada podem afetar o produto da economia e como os empresários ajustam suas expectativas de forma a buscar lucros maiores. Além disso, veremos uma representação gráfica do princípio da demanda efetiva. Nesta seção veremos o modelo keynesiano com gastos em consumo. Para isso entenderemos o comportamento da oferta agregada de curto prazo, conheceremos alguns conceitos da Teoria Geral, como os de propensão a consumir e a poupar. Ilustraremos graficamente o equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada, por meio do formato que é conhecido na literatura como cruz keynesiana. Seção 1 | O princípio da demanda efetiva Seção 2 | Modelo keynesiano simples
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    Macroeconomia Keynesiana U2 50 Nesta seçãoveremos o modelo keynesiano com os outros componentes da demanda agregada. Primeiramente faremos a análise incluindo o investimento, depois, incluiremos o governo e por último o setor externo. Nesta parte do estudo precisaremos compreender os multiplicadores de gastos e de tributos. Seção 3 | Os componentes da demanda agregada
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    Macroeconomia Keynesiana U2 51 Introdução àunidade A teoria predominante até início do século XX defendia que quedas no nível de atividade econômica eram normais, assim, diante de flutuações a economia alcançaria um novo equilíbrio automaticamente. A Lei de Say, a de que a oferta cria sua própria demanda, era válida. Você deve lembrar que vimos na unidade 1 que esta era a concepção defendida pelos clássicos, de que toda produção gera uma renda de igual valor, de modo que qualquer produção terá a sua realização garantida. Baseada nessa lei, a escola clássica chega à conclusão de que o único limite para a acumulação de capital são os recursos disponíveis, entendidos como a poupança própria, e que a demanda não representa qualquer empecilho ao crescimento da produção ou do emprego. Associava-se a esse aspecto a doutrina do laissez-faire. Para Carson (1992), intervenções no mercado poderiam ser necessárias, mas ainda eram exceções, o laissez-faire ainda era regra, ou seja, era mínima a atuação do Estado na economia. Os anos 1920 foram marcados pela Grande Depressão econômica, o desemprego aumentava mesmo com os salários nominais despencando. Então, o que aconteceu com a Lei de Say? Entre 1929 e 1932, nos Estados Unidos, o índice de produção industrial caiu de 114 pontos para 54 pontos e o desemprego passou de 3,2% para 22% da força de trabalho. Esta situação nos remete ao fato de que existia um desemprego permanente numa economia em condições de laissez-faire (CARSON, 1992). Para termos uma noção do comportamento da economia brasileira nesse período, observe o gráfico 2.1, o produto interno bruto (PIB) real caiu de uma taxa de crescimento superior a 11% em 1928 para uma da ordem de -3% em 1931. Veja também que a economia brasileira, assim como as demais economias são marcadas por flutuações, períodos de elevadas taxas de crescimento e períodos de recessão e baixas taxas de crescimento. Porém, como explicar essas flutuações?
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    Macroeconomia Keynesiana U2 52 Gráfico 2.1| Produto Interno Bruto (PIB) de 1920 a 2013 Nota: PIB - preços de mercado - var. real anual - ref. 2000 - (% a.a.). Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sistema de Contas Nacionais. O episódio da Grande Depressão levou muitos economistas a questionarem a validade do modelo clássico, já que esta teoria não apresentava explicações para as flutuações que estavam acontecendo, a economia não estava voltando ao equilíbrio automaticamente. A publicação da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, em 1936 por J. M. Keynes, viria a encerrar uma era dominada pela tradição econômica clássica.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 53 Seção 1 Oprincípio da demanda efetiva Introdução Keynes apresenta em seu livro “A Teoria Geral” uma nova maneira de se analisar a economia que contrapõe a teoria clássica. Para o autor as crises têm como fonte as insuficiências de demanda efetiva. Nesta seção veremos em que se fundamenta o princípio da demanda efetiva de Keynes. Entenderemos como mudanças na demanda agregada podem afetar o produto da economia e como os empresários ajustam suas expectativas de forma a buscar lucros maiores. 1.1 O princípio de demanda efetiva Para Keynes são as firmas que tomam as decisões fundamentais numa economia capitalista: tanto o nível de emprego como o nível de poupança dependem das decisões das firmas de produzir e investir. A decisão de produção e emprego deve ser tomada com base em expectativas a respeito da demanda futura pelos produtos Esta obra seria antes de mais nada uma denúncia do laissez- faire. Keynes não era marxista, sequer socialista. Pelo contrário, acreditava no sistema capitalista, dentro do qual fora educado. Verificou, porém, que o sistema econômico capitalista estava longe de assegurar automaticamente o pleno emprego e o desenvolvimento econômico sem crises crônicas, de duração indefinida, como pretendia a teoria econômica vigente. Este fato fora também constatado pela maioria de seus contemporâneos. Mas apenas Keynes logrou montar um modelo teórico que tivesse condições de fazer frente ao modelo clássico (BRESSER-PEREIRA, 1976, p. 22).
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    Macroeconomia Keynesiana U2 54 da empresa,ou seja, os empresários tomam a decisão de quantos trabalhadores contratarem e de quanto produzir com base em quanto ele espera vender. O empresário então se defronta com duas curvas: a de oferta agregada, Z(N), que resulta do emprego de N trabalhadores, é ascendente, expressa a renda necessária (mínima) para se oferecer determinado volume de emprego e reflete as condições de custos marginais crescentes; a de demanda agregada, D(N), ascendente para a direita, expressa a renda/produto que o empresário espera receber por oferecer determinado volume de emprego, reflete as expectativas dos empresários sobre a demanda agregada, ou seja, as expectativas dos empresários sobre o quanto os consumidores e demais empresários irão gastar. Figura 2.1 | O ponto de demanda efetiva Fonte: Adaptado de: Chick (1983) Na figura 2.1 temos uma ilustração das curvas de oferta agregada e de demanda agregada, o volume de emprego será determinado pelo ponto de intersecção dessas curvas, E, neste ponto estabelece-se o nível de produção e assim a demanda efetiva de trabalho. O volume de emprego é efetivo, e não esperado, e é determinado pelas expectativas dos empresários, com base em quanto eles esperam vender e não como no modelo clássico, que considera as reduções salariais uma solução para o desemprego. Na realidade para Keynes reduções salariais poderiam aumentar o desemprego, pois geraria uma redução da demanda efetiva, principalmente por bens de consumo, e influenciariam negativamente as decisões empresariais. No ponto de demanda efetiva os empresários obtêm o máximo dos lucros esperados, se oferecessem mais ou menos empregos os lucros seriam menores. Neste ponto, os rendimentos esperados são exatamente iguais ao rendimento
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    Macroeconomia Keynesiana U2 55 necessário parainduzir um volume dado de emprego. Porém, nada garante que os empresários formulem expectativas corretas a respeito da demanda efetiva, o que significa que a receita efetivamente obtida pela venda da produção acabada no mercado pode ser maior ou menor do que a receita esperada pelos empresários. Se as expectativas forem incorretas os empresários irão rever suas expectativas. Outro detalhe importante é de que o ponto de demanda efetiva não ocorre necessariamente ao pleno emprego, ou seja, existe desemprego involuntário. Keynes define o princípio da demanda efetiva no capítulo 3 do seu livro “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”. Em qualquer ponto que se situe à esquerda de E, veja que a curva D(N) fica acima da Z(N), assim, ao nível de emprego oferecido pelos empresários, a receita que elas esperam receber pela venda da produção é superior à receita mínima que elas exigem para oferecer esse nível de emprego. Desta forma, os empresários têm possibilidade de aumentar seus lucros se expandirem o nível de emprego até o nível correspondente ao cruzamento das duas curvas, ou seja, até N*. Qualquer ponto que se situe à direita de E, ou de N*, ao nível de emprego oferecido pelos empresários, a receita que as empresas esperam obter pela venda da produção é menor do que a receita mínima que elas exigem para oferecer esse nível de emprego observe que agora Z(N) fica acima de D(N). Então, os empresários podem aumentar os seus lucros se reduzirem o nível de emprego até N*. No que se refere à remuneração do fator trabalho, para Keynes os salários nominais são os que importam para os trabalhadores, pois é sobre estes que eles podem ter controle (por meio das forças sindicais, por exemplo), o que não acontece com os salários reais. Dado o nível de emprego, o salário real se ajustará até o ponto em que for igual à produtividade marginal do trabalho compatível com o respectivo nível de emprego, definindo o tamanho da massa salarial. Se lembre que a produtividade marginal do trabalho é decrescente, assim, aumentos no nível de emprego são seguidos por reduções no salário real, porém, não é sua queda que leva ao aumento do emprego e do nível de produção da economia. Pense da seguinte forma, dado o volume de salários reais, a disputa dos trabalhadores de A quantidade de mão de obra N que os empresários resolvem empregar depende da soma (D) de duas quantidades, a saber: D1, o montante que se espera seja gasto pela comunidade em consumo, e D2, o montante que se espera seja aplicado em novos investimentos. D é o que já chamamos antes de demanda efetiva (KEYNES, 1996, p. 63).
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    Macroeconomia Keynesiana U2 56 diferentes categoriaspela divisão entre si desse volume de salarial, é, na verdade, a disputa dos trabalhadores por salários nominais. Por exemplo, em uma situação de desemprego, se uma determinada categoria aceitasse a redução do salário nominal, isto não garantiria a redução do desemprego, mas se as demais categorias não aceitassem, essa categoria teria uma perda em termos de salário real, ou seja, perda de poder de compra, pois o nominal seria mais baixo. Sabemos que os trabalhadores não têm como controlar o nível de preços da economia, e dada a disputa pela distribuição do salário nominal, é totalmente racional os trabalhadores lutarem por salários nominais. Pela macroeconomia keynesiana, para se analisar a determinação do nível de produto e de emprego, deve-se olhar o comportamento da demanda efetiva (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Mikail Kalecki e a demanda efetiva Antes de surgir a Teoria Geral de Keynes, Mikail Kalecki já havia publicado, em polonês, três estudos que constituíram, em conjunto, a primeira formulação precisa e sistemática do papel da demanda efetiva no processo de reprodução capitalista. A partir deles Kalecki foi ampliando e aprimorando suas concepções, que culminaram na publicação de sua principal obra a “Teoria da Dinâmica Econômica”, em 1954. Mikail Kalecki nasceu em Lodz, em 22 de junho de 1899. Estudou na EscolaPolitécnicadeVarsóviaedepoisnadeGdanski,masnãochegoua graduar-se. Obteve seu primeiro título acadêmico aos 57 anos de idade, quando já era internacionalmente reconhecido, o governo polonês o nomeou professor universitário e em 1964 a Universidade de Varsóvia lhe conferiu o título de doutor honoris causa. Foi um autodidata. Em sua formação como economista, recebeu profunda influência das obras de Marx e de outros autores marxistas. Se você quer saber mais sobre esse autor e sua principal obra acesse o link: <http://home.ufam. edu.br/andersonlfc/Coleção%20-%20Os%20Economistas/Michal_ Kalecki_-_Teoria_da_Din%25C3%25A2mica_Econ%25C3%25B4mica_ (Os_Economistas).pdf>. Acesso em: 23 set. 2015.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 57 Como podemosconceituar o princípio da demanda efetiva? O que você acha, flutuações na demanda agregada podem afetar o nível de produto da economia? 1. Sobre o princípio da demanda efetiva, avalie as afirmações abaixo. I. O princípio da demanda efetiva foi desenvolvido por John Maynard Keynes, em seu livro “A teoria geral do emprego, do juro e da moeda”. II. No conceito de demanda efetiva mantém-se a ideia de que toda a produção gera uma renda de igual valor, de modo que qualquer produção terá a sua realização garantida. III. A decisão de produção e emprego deve ser tomada com base em expectativas a respeito da demanda futura pelos produtos da empresa, ou seja, os empresários tomam a decisão de quantos trabalhadores contratarem e de quanto produzir com base em quanto ele espera vender. É correto o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) II. d) III e II. e) III, II e I. 2. Sobre as ideias de Keynes relacionadas ao mercado de trabalho, avalie as alternativas abaixo em verdadeiro (V) ou falso (F). a) O volume de emprego será determinado no ponto de
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    Macroeconomia Keynesiana U2 58 demanda efetiva. b)Os salários reais são os que importam para os trabalhadores, pois é sobre estes que eles podem ter controle. c) Reduções salariais poderiam aumentar o desemprego, pois geraria uma redução da demanda efetiva, principalmente por bens de consumo, e influenciariam negativamente as decisões empresariais. d) O ponto de demanda efetiva não ocorre necessariamente ao pleno emprego, ou seja, existe desemprego involuntário. e) A curva de oferta agregada Z(N) expressa a renda que o empresário espera receber por oferecer determinado volume de emprego.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 59 Seção 2 Modelokeynesiano simples Introdução No modelo keynesiano, a hipótese básica é de que os preços e salários nominais são rígidos, por isso, pode se afirmar que esse modelo reflete o comportamento da economia no curto prazo, portanto, não há pleno emprego, pode ocorrer de capital e trabalho não estarem plenamente empregados. Nas palavras de Mankiw (2004, p. 181), “A rigidez de preços é tida como um importante fator explicativo das flutuações econômicas que observamos de um mês em relação ao outro, ou de um ano ao outro.” Nesta seção entenderemos o modelo keynesiano simples, o que envolve a compreensão do comportamento da oferta agregada de curto prazo, a demanda agregada e o equilíbrio no mercado de bens. 2.1 Modelo keynesiano com consumo No modelo keynesiano, ao contrário do modelo clássico, não há restrições de oferta para o aumento da produção na economia. Como se considera que os recursos não são plenamente empregados, há possibilidade de as empresas aumentarem a quantidade produzida sem pressionar seus custos unitários. Em outras palavras, qualquer nível de demanda pode ser atendido a um nível constante de preços, os empresários têm como ofertar qualquer quantidade ao nível de preços estabelecido, por isso, a quantidade ofertada é a variável de ajuste e os empresários produzirão o necessário para atender a demanda. Isto indica que se esboçarmos no eixo das abscissas o nível de produto e no eixo das ordenadas o preço, a curva de oferta agregada de curto prazo, ou do modelo keynesiano, será horizontal, infinitamente elástica, conforme ilustramos na figura 2.2. Assim, diferentemente do modelo clássico que vimos na unidade 1, a demanda agregada tem total influência sobre o nível de produto, validando o princípio da demanda efetiva (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
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    Macroeconomia Keynesiana U2 60 Figura 2.2| Curva de oferta agregada keynesiana Fonte: Mankiw (2004, p. 180) Podemos inferir a partir da figura 2.2 que, nos casos de desequilíbrios no mercado de bens, como um excesso de demanda ou de oferta, os preços, que são rígidos, não se ajustarão, a quantidade produzida que aumentará ou reduzirá de acordo com a demanda. Mankiw (2004) afirma que um caso extremo de rigidez de preços seria aquele em que todas as empresas publicassem catálogos de preços e que fosse caro republicá-los, mantendo todos os preços amarrados em um determinado nível. A esse preço, continua o autor, as empresas estão dispostas a vender qualquer quantidade que seus clientes desejarem comprar e contratam apenas o número de trabalhadores necessários para produzir a quantidade demandada. No modelo keynesiano o equilíbrio no mercado de bens e serviços, ou o equilíbrio de curto prazo na economia, ocorre quando a oferta agregada (OA) de bens e serviços é igual à demanda agregada (DA) de bens e serviços. Antes de representarmos esse equilíbrio graficamente, vamos entender o que compõe a demanda agregada. Partindo, hipoteticamente, de uma economia fechada sem governo, o produto real (Y) é composto pelas despesas em consumo (C) e pelos gastos com investimento (I). Na contabilidade nacional esta composição é expressa da seguinte forma: Y= C + l (1)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 61 A igualdadeexpressa na equação 1 acontece porque na contabilidade nacional, para se calcular o valor dos bens e serviços produzidos na economia - de acordo com sua utilização ou destino – são computados o consumo das famílias e a formação de estoques, mais precisamente a variação de estoques. Os estoques são constituídos por mercadorias que representam o consumo futuro, dessa forma, tudo que é produzido num período, mas não é consumido nesse período, significando consumo futuro, é chamado de investimento. Apesar de todos os bens que ensejam consumo futuro serem considerados investimento, é comum separá-los em duas categorias distintas: variação de estoques e formação de capital fixo. A primeira é representada por bens cujo consumo ou absorção futuros irão se dar de uma única vez. A segunda categoria expressa os bens que não desaparecem depois de uma única utilização, e possibilitam a produção ao longo de um determinado período de tempo, como, por exemplo, as máquinas e as estradas de ferro (PAULANI; BRAGA, 2007). Lopes e Vasconcellos (2008) argumentam que o comportamento dos estoques não segue necessariamente os planos dos empresários, pois pode ser influenciado por alterações nas condições de mercado. Se a quantidade produzida exceder a demandada, ocorrerá um aumento nos estoques das empresas, pois não terão como vender a quantidade excedente. Então, os empresários terão que acumular estoques, mesmo sem o terem planejado. De forma similar, se a demanda exceder a oferta, as empresas venderão os produtos em estoque para atender o aumento da demanda, mesmo que esta estratégia não esteja em seus planos iniciais. De forma um pouco diferente às definições de Paulani e Braga (2007), esses autores nomeiam as duas categorias do investimento em investimento planejado ou voluntário, representado pelas aquisições de bens de capital pelas empresas e à variação pretendida no nível de estoques, e em investimento involuntário ou não planejado em estoques, ou seja, as variações no nível de estoque devido a erros na A Contabilidade nacional, ou contabilidade social, congrega instrumentos de mensuração capazes de aferir o movimento da economia de um país num determinado período de tempo: o quanto se produziu, consumiu, investiu, vendeu para o exterior e comprou do exterior. Você pode rever e/ou aprofundar seus conhecimentos nesta área, consultando o livro “A nova contabilidade social: uma introdução à macroeconomia” de Paulani e Braga (2007).
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    Macroeconomia Keynesiana U2 62 previsão donível de produção realizados pelas empresas. Na verdade, a decomposição do investimento nas duas categorias, conforme foi dito, é a forma normalmente apresentada nos livros-textos. Dadas as categorias de investimentos, temos então o conceito de despesa planejada ou demanda agregada planejada, que corresponde ao total que as empresas e famílias desejam gastar na compra de bens e serviços. Sendo que, a despesa efetiva ou observada, aquela que se realiza, pode ser maior ou menor do que a planejada, quando isto acontece significa que houve alterações inesperadas no nível de estoques das empresas, que venderam menos ou mais do que o planejado. Para esclarecermos melhor estes conceitos, temos que a demanda agregada efetiva ou observada, que é aquela cujo resultado é divulgado pela contabilidade nacional, inclui o consumo e as duas partes do investimento, ou seja, o voluntário (os bens de capital) e o involuntário (a variação de estoques), pois conforme discutido anteriormente, a contabilidade nacional considera ambos em suas apurações. Desta forma, produto da economia corresponderá à demanda agregada efetiva. A demanda agregada planejada, ou despesa planejada, por sua vez, inclui o consumo e a parte planejada do investimento. A economia estará em equilíbrio quando a demanda agregada efetiva for igual à demanda agregada planejada, isto é, quando o investimento involuntário for nulo. Antes de vermos isso graficamente, veremos primeiramente como se determina a renda de equilíbrio. Para isto vamos supor que o consumo seja o único componente da demanda agregada planejada, conforme expressão 2 abaixo. Y = C Vimos no início desta seção que o consumo aumenta à medida que a renda aumenta, mas em menor proporção. Assim, a função consumo pode ser representada conforme a equação 3. C = C (Y) O consumo, portanto, pode ser dividido em dois componentes. O consumo autônomo (C0), aquele que se realiza no curto prazo mesmo que os indivíduos não tenham renda, por exemplo, o consumo de subsistência; e a propensão marginal a consumir (PMC) ou (c), que é a proporção de uma variação na renda que é gasta em consumo, o quanto o consumo cresce a partir de aumentos na renda. Por exemplo, supondo uma propensão marginal a poupar de 0,7, significa que para um dado aumento da renda de $ 6 bilhões a coletividade tende a consumir $ 4,2 bilhões. A propensão marginal a poupar é calculada da seguinte forma: (2) (3)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 63 Sabemos queem equilíbrio o produto é igual à demanda agregada planejada (OA = DA), a qual é igual ao consumo (DA = C= C0 + cY), pois, estamos supondo, de momento, que este é seu único componente. Dadas estas condições e que a oferta agregada é igual ao produto real da economia (OA = Y), substituindo as respectivas expressões de OA e DA na condição de equilíbrio, conforme demonstrado abaixo, podemos obter a renda de equilíbrio (YE ), resolvendo a equação para esta variável (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Y = C0 + cY Y - cY + C0 YE = 1 (1-C) . C0 Precisamos obter agora a função poupança. Sabemos que a poupança é a parte da renda não consumida, assim temos: S = Y - C S = Y - (C0 + cY) S = - C0 + (1 - c) Y PMC = ∆C ∆Y Como Keynes (1996) define a propensão a consumir? Propensão a consumir: são as características psicológicas da comunidade e são de tal forma que quando a renda agregada aumenta, o consumo agregado também aumenta, mas não tanto quanto a renda. Em outras palavras, a propensão a consumir expressa a variação positiva no consumo em virtude de um aumento na renda. Essa resposta pode ser influenciada por fatores como a distribuição de renda, variações na política fiscal, precaução, orgulho e avareza. Lembrando que a propensão a consumir será positiva, mas menor do que a unidade, pois a coletividade não consome toda a renda que recebe. (4) (5) (6)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 64 Perceba quea função poupança é o complemento da função consumo, assim, o intercepto é o consumo autônomo com sinal negativo. A poupança aumenta conforme a renda aumenta, assim como o consumo, mas em menor magnitude. O termo (1-c) representa a propensão marginal a poupar (PMP), isto é, a fração da variação da renda que é poupada, é calculada por meio da variação na poupança dividida pela variação na renda (LOPES; VASCONCELLOS, 2008; PARKIN, 2010). PMP = ∆S ∆Y As funções consumo e poupança podem ser representadas graficamente. A figura 2.3(a) ilustra a primeira relação. No eixo da abscissa temos o produto ou a renda (Y) e na ordenada a demanda agregada, observe que conforme a renda aumenta o consumo também aumenta e que há consumo mesmo quando a renda é nula, o que representa o consumo autônomo (C0 ). A propensão marginal a consumir é a inclinação da função consumo. Esta figura também contém uma linha de 45º, que divide o quadrante em duas partes iguais, em qualquer ponto sobre esta reta o gasto em consumo é igual à renda. Observando a figura 2.3(a), do lado esquerdo da reta, entre os pontos A e B da função consumo, o gasto em consumo excede à renda, do lado direito, entre o pontos B e C, o gasto em consumo é inferior à renda. O ponto B representa o equilíbrio, onde a função consumo é igual à renda, ou seja, onde a função consumo intercepta a reta de 45º. (7) Como você diferencia a demanda agregada planejada e a demanda agregada efetiva? O investimento involuntário está de alguma forma, associado a estes conceitos?
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    Macroeconomia Keynesiana U2 65 No painel(b) da figura 2.3 é ilustrada a função poupança, sua inclinação representa a propensão marginal a poupar. Observe que quando o consumo excede a renda no painel (a), a poupança é negativa no painel (b), o que é chamado de despoupança. Quando a função consumo está abaixo da linha de 45º a poupança é positiva. No ponto de equilíbrio, onde a função consumo intercepta a reta de 45º, toda a renda é gasta em consumo, então, a poupança é zero. Figura 2.3 | Funções consumo e poupança e equilíbrio Fonte: Adaptado de: Parkin (2010. p. 267)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 66 Questão comentada Vamosfixar um pouco mais o conceito de propensão marginal a poupar por meio de uma questão comentada. 1. Avalie a afirmativa a seguir em verdadeira ou falsa. Segundo a teoria keynesiana, variações absolutas no consumo são menores do que variações absolutas na renda porque a propensão marginal é menor do que a propensão média a consumir (ANPEC, 2003). Resposta: esta afirmativa é falsa. Na teoria keynesiana variações absolutas no consumo são menores do que variações absolutas na renda porque a propensão marginal a consumir é positiva, mas inferior à unidade, pois se considera que os indivíduos não gastam toda a renda que ganham. 1. Considerando as fórmulas de cálculo da propensão marginal a consumir e da propensão marginal a poupar, com as informações abaixo encontre os valores das variáveis e explique seus conceitos. a) Quando a renda aumenta em $1,5 trilhão o consumo aumenta em $1 trilhão. b) Quando a renda aumenta em $1,5 trilhão, a poupança aumenta em $0,5 trilhão. 2. Explique o comportamento da curva de oferta agregada no curto prazo e a influência da demanda agregada sobre o nível de produto e de emprego da economia.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 67 Seção 3 Oscomponentes da demanda agregada Introdução Nesta seção incluiremos na análise os outros componentes da demanda agregada, quais sejam: o investimento, os gastos públicos e o setor externo. O que mudará no modelo com a introdução dessas variáveis? Entenderemos esse e outros aspectos, por exemplo, a dinâmica de ajustamento da economia quando a demanda agregada é diferente da efetiva. Qual variável cumprirá o papel de ajuste? 3.1 Modelo keynesiano com consumo e investimento Nesta versão do modelo keynesiano introduziremos o investimento e vamos considerá-lo como sendo fixo ( ), isto é, autônomo ou independente da renda. Na seção anterior a demanda agregada era composta apenas pelo consumo, agora será composta por este e pelo investimento autônomo, de forma que a renda também será expressa através da soma dessas variáveis, conforme abaixo. DA = C + I0 Y = C = l Substituindo na expressão (8) o consumo por sua função e o investimento por I0 podemos derivar a renda de equilíbrio. Y = C0 + cY + I0 YE = 1 1-c (C0 + I0 ) (8) (9)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 68 O quevocê acha, a inclusão do investimento provocará alguma mudança na representação gráfica do ponto de equilíbrio? Vejamos o que acontece analisando a figura 2.4. Analisando a figura 2.4 observe que são ilustradas duas formas de se verificar o equilíbrio no modelo keynesiano simples. O investimento autônomo é representado, no painel b, por uma reta, pois é constante. Sua inclusão provoca um deslocamento na demanda agregada paralelamente para cima em magnitude igual ao valor do investimento. Uma diferença importante com relação à figura 2.3 é que a condição de equilíbrio, antes Y = DA, agora se dá em S = I, ponto em que a função poupança intercepta a função investimento e onde se determina a renda de equilíbrio. Essa forma de determinar o equilíbrio macroeconômico é chamada Figura 2.4 | Modelo keynesiano com investimento: equilíbrio Fonte: Adaptado de: Mankiw e Parkin (2010, p. 267) e Lopes e Vasconcellos (2008, p. 147)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 69 Figura 2.5| Um aumento nas despesas de investimento de ótica dos vazamentos e injeções de renda. Os vazamentos ocorrem quando há reduções autônomas da demanda agregada, assim, aumentos na poupança representam vazamentos de renda, o que desloca a curva de demanda agregada para baixo e causa redução na renda de equilíbrio. Aumentos nos gastos com investimento representam injeções ao fluxo de renda da economia, pois, indicam aumento autônomo da demanda agregada (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Como podemos representar graficamente um aumento do investimento autônomo? O que acontecerá com a função de demanda agregada? Podemos responder às questões anteriormente citadas analisando a figura 2.5. Inicialmente o equilíbrio macroeconômico apresentava-se no ponto A, sendo YE1 a respectiva renda de equilíbrio. Com o aumento nas despesas de investimento autônomo, supondo que devido a um ajuste das expectativas dos empresários, ocorre um aumento na despesa planejada, ou seja, na demanda agregada planejada, deslocando sua curva para cima, de DA para DA’. Com esse deslocamento o ponto de equilíbrio se desloca do ponto A para o ponto B, ao qual corresponde um nível de renda YE2 mais elevado do que aquele do equilíbrio anterior. De maneira reversa, no caso de uma redução nos gastos com investimento autônomo a DA se desloca para baixo, deslocando também o ponto de equilíbrio, mas gerando uma renda de equilíbrio mais baixa do que a inicial. Os efeitos de alterações nos gastos com consumo autônomo seriam Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 194)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 70 semelhantes aosefeitos de alterações no investimento. Somente no caso de alterações na propensão marginal a consumir (ou a poupar) que, apesar de, provocarem alterações na renda de equilíbrio, graficamente a mudança seria evidenciada por meio de mudanças na inclinação da função de demanda agregada. Estas demonstrações de alterações nos gastos em investimento/consumo são importantes para enfatizar (e demonstrar) os efeitos sobre o nível de produto da economia, e então na renda, a partir de uma alteração na demanda agregada, conforme preconiza o princípio da demanda efetiva de Keynes. O que garante o ajustamento da economia em situações de desequilíbrio? Vejamos como se dá essa dinâmica através de um exemplo. Suponha que para uma determinada economia - representada na figura 2.6 - o PIB real que corresponde ao ponto A de equilíbrio seja de $7 trilhões, indicando também que a demanda agregada efetiva é do mesmo montante. No entanto, um PIB real de 5,5 trilhões, observe que neste ponto a curva de demanda agregada planejada está acima daquela de 45º, assim, a demanda agregada efetiva também é de $5,5 trilhões, mas, a demanda agregada planejada, ponto B, é de $6 trilhões. Assim, a demanda agregada planejada excede a demanda efetiva, provocando uma redução no nível de estoques, ou seja, o nível de investimento efetivo é menor do aquele que foi planejado em $0,5 trilhão. Como você representaria graficamente uma redução na propensão marginal a consumir? E um aumento da propensão marginal a poupar?
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    Macroeconomia Keynesiana U2 71 O PIBreal não permanecerá neste nível, $5,5 trilhões, como o investimento ficou abaixo dos planejamentos das empresas, as firmas contratarão mais trabalhadores e aumentarão a produção, de forma que não haja variação indesejada dos estoques. Disto podemos concluir que, para atender ao aumento da demanda, as firmas ajustarão a quantidade produzida. Este processo acontecerá até que a economia retorne ao equilíbrio, ou seja, quando o PIB real for de $7 trilhões, no qual o investimento involuntário é nulo e então, as firmas não mudam suas produções. Supondo agora um PIB real de $9 trilhões, ou seja, acima do ponto de equilíbrio, a situação será aposta à descrita anteriormente. Neste caso, a demanda agregada efetiva também é de $9 trilhões, mas a demanda agregada planejada é de $8 trilhões, ponto C na figura 2.6, representando um excesso de oferta em relação à demanda, pois a despesa total da população é de $8 trilhões e a produção de bens e serviços das firmas é de $9 trilhões, as empresas vendem menos do que produzem. Há então, uma variação positiva de $1 trilhão no nível de estoques, isto é, um investimento não planejado. As empresas ajustarão a produção reduzindo o número de trabalhadores, o que provocará queda na produção. Este processo, que inclui acumulação de estoques não desejados e queda da renda, continuará Figura 2.6 | A cruz keynesiana: equilíbrio e desequilíbrios Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 193)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 72 até queo PIB/renda esteja no nível que garanta o equilíbrio, no qual a renda é igual à demanda agregada planejada de bens e serviços, ou seja, não há variações no nível de investimento involuntário. 3.2 O multiplicador Vimos no item anterior que quando os gastos autônomos em investimento ou consumo se elevam a demanda agregada também se eleva, provocando uma mudança no ponto de equilíbrio e um aumento na renda da economia. No entanto, o aumento na renda é proporcionalmente maior do que o aumento do gasto autônomo. A essa amplificação do produto real ou da renda dá-se o nome de multiplicador de gastos. Em outras palavras, o multiplicador é a magnitude com que o aumento do gasto autônomo é amplificado para determinar o novo gasto de equilíbrio ou a nova renda de equilíbrio. Ou ainda, é a sensibilidade com que a renda responde à variação inicial no gasto autônomo, que por definição é maior do que a unidade. Vamos entender melhor esse conceito do multiplicador. Supondo um aumento no investimento autônomo, isso provoca um aumento da demanda agregada e então um aumento do produto real - lembre-se de que pela teoria keynesiana os empresários sempre ajustarão a produção para atender à demanda. O aumento do produto real gerará um aumento na renda da coletividade (ainda estamos realizando a análise sem governo no modelo). O aumento da renda levará os indivíduos a ampliarem seu consumo de acordo com a propensão marginal a consumir. Este aumento do consumo gerará um novo aumento na demanda agregada. Então, novos aumentos ocorrerão no produto e na renda, provocando, novamente, aumento no consumo. Perceba que os aumentos que ocorrem no consumo em função do aumento inicial no gasto com investimento fazem com que a renda cresça mais do que a variação inicial do gasto autônomo em investimento, pois vai se acumulando aumentos sobre aumentos. Vejamos, na figura 2.7, um exemplo apresentado por Parkin (2010). Observe que no ponto de equilíbrio inicial, o ponto B, de interseção da curva de demanda O que acontece com o nível de estoques quando a demanda agregada efetiva é superior ao produto de equilíbrio? Qual o papel dos preços neste processo de ajuste?
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    Macroeconomia Keynesiana U2 73 agregada planejadae da reta de 45º, o PIB real é de $13 trilhões. O que acontece com o ponto de equilíbrio se o gasto autônomo em investimento aumentar em $0.5 trilhão? Quando o aumento no gasto é adicionado à demanda agregada inicial, esta aumenta em $0.5 trilhão para cada nível do PIB real, gerando uma nova curva de demanda agregada (DA’) acima da inicial. Este deslocamento da curva DA gera um novo ponto de equilíbrio (D’), mais alto, na interseção da curva de demanda agregada planejada e da reta de 45º, ou seja, a demanda agregada planejada é igual à efetiva, no montante de $15 trilhões (PARKIN, 2010). Vamos entender melhor a dinâmica do multiplicador através do exemplo acima. Compare o montante do produto/renda no ponto de equilíbrio inicial (B) com o do novo ponto de equilíbrio (D’). Veja que o aumento no gasto autônomo em investimento de $0.5 trilhão gerou um aumento no produto real da economia de $2 trilhões, passou de $13 para $15, ou seja, o aumento do produto de equilíbrio foi de quatro vezes do aumento inicial do gasto em investimento, claramente o multiplicador é maior do que 1, especificamente 4. Para conferir este valor, vejamos como se realiza o cálculo do multiplicador de gastos. Inicialmente, quando o gasto em investimento aumenta, a demanda agregada planejada supera a demanda agregada efetiva, o PIB real, então, conforme vimos anteriormente, os estoques das firmas são reduzidos. As empresas reagem contratando mais trabalhadores e aumentando a produção, o PIB e a renda. O aumento da renda induz ao aumento do consumo, assim, o PIB de equilíbrio aumenta na proporção do aumento inicial no investimento mais a proporção no aumento induzido no consumo. No exemplo anterior, como o aumento inicial no gasto foi de $0.5 trilhão e o PIB real aumentou em $2 trilhões, infere-se que o aumento no consumo induzido foi de $1,5 trilhão. Cálculo do multiplicador de gastos (10) Multiplicador = Variação da renda nacional (∆Y) Variação autônoma na DA (∆DA) Multiplicador = $ 2 trilhões $ 0,5 trilhão = 4
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    Macroeconomia Keynesiana U2 74 Podemos entenderfacilmente o multiplicador de gastos utilizando um pouco de cálculo. No modelo que vimos até então a demanda agregada é composta por dois componentes autônomos (exógenos), o gasto autônomo em consumo e o gasto em investimento. Podemos calcular os multiplicadores destes dois componentes em relação à renda de equilíbrio (YE da expressão 9). Basta derivar YE com relação a C0 e a I0, vejamos. YE = 1 1 - c (C0 + I0 ) ∂YE ∂C0 = 1 1 - c (multiplicador do consumo) ∂YE ∂I0 = 1 1 - c (multiplicador do investimento) O multiplicador de gastos também é válido para o caso de reduções no gasto autônomo. Para visualizar isso graficamente basta fazer a análise reversa da anterior. Assim, adotando na figura 2.7 a curva de demanda agregada inicial como sendo DA’ e o ponto de equilíbrio inicial como D’, então, uma redução do gasto autônomo, deslocará a curva de demanda agregada para baixo, para DA, provocando uma mudança do ponto de equilíbrio para B, com PIB real de $13 trilhões. Dada a redução inicial de gasto a demanda agregada planejada é inferior ao PIB real, à demanda agregada efetiva, assim, os estoques das firmas aumentarão, as empresas reduzirão a produção, o que, por sua vez, gera redução da renda e então do consumo, até o novo ponto de equilíbrio em B. Disso, se conclui que o multiplicador é válido tanto para aumentos dos gastos, quanto de forma perversa, para reduções dos gastos, ou seja, o multiplicador se reflete na renda da economia, conforme o caso, de maneira positiva ou negativa.
  • 77.
    Macroeconomia Keynesiana U2 75 Vimos queo multiplicador de gastos é maior do que 1, esse multiplicador tem algum limite? Qual a proporção dos efeitos do multiplicador? Vimos na unidade 1 que o produto potencial, isto é, o máximo que a economia tem condições de produzir, depende dos fatores de produção e do nível tecnológico da economia. Dada a hipótese de rigidez de preços e salários do modelo keynesiano, os preços assim permanecerão enquanto as empresas tiverem capacidade produtiva para aumentarem a produção mediante um aumento da demanda. A partir do momento Figura 2.7 | O multiplicador de gastos Fonte: Adaptado de: Parkin (2010, p. 275)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 76 em queas empresas atingirem o limite da capacidade produtiva, aumentos na demanda agregada se refletirão em aumentos de preços. Disso surge, no modelo keynesiano, o conceito de hiato inflacionário, que representa o excesso de demanda em situação de pleno emprego dos fatores de produção (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Em resumo, podemos afirmar que as análises que realizamos durante esta unidade, considerando a hipótese de preços e salários fixos, foram possíveis em um cenário de desemprego dos fatores de produção, inclusive, este é um dos fatos que diferencia o modelo keynesiano do modelo clássico. A partir do momento que há pleno emprego dos recursos, aumentos na demanda agregada provocarão, como no modelo clássico, aumento do nível de preços. Oqueémultiplicador?Vocêachaqueépossívelomultiplicador atuar de maneira perversa, ou seja, na redução da renda da economia? Outro conceito estabelecido por Keynes na Teoria Geral é o do paradoxo da parcimônia ou da poupança: uma elevação da taxa de poupança da sociedade a tornaria mais pobre, ou seja, uma elevação da propensão marginal a poupar provocaria uma queda da renda, devido aos menores gastos. Você pode saber mais sobre esse paradoxo em Blanchard (2011, p. 51). 3.4 Modelo keynesiano com governo e setor externo Até então temos estudado o modelo keynesiano básico, ou seja, para uma economia hipotética sem governo. Vamos agora incluir o governo em nossas análises e verificar o que se altera. A demanda agregada será expressa conforme abaixo, sendo G os gastos do governo.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 77 DA =C + l + G Seguindo Lopes e Vasconcellos (2008) a primeira alteração que precisamos incluir é que deveremos realizar as análises tomando como base a renda disponível, ou seja, aquela que fica para os indivíduos após o pagamento dos impostos. Sendo (Yd) a renda disponível, isto é, a renda nacional total (Y) menos o total de arrecadação em impostos (T), teremos: C = C (Yd) Yd = Y - T Precisamos considerar também que a arrecadação é proporcional à renda, isto é, quanto maior o nível de atividade econômica maior será o volume de arrecadação, e que os gastos públicos são dados. Então: T = Ty G = G0 Onde t representa a participação do imposto no produto, varia entre zero e a unidade. Considerando essas alterações a função consumo ficará da seguinte forma: C = C0 + c (Y - T) C = C0 + c (Y - tY) Dada a demanda agregada expressa em (11), no equilíbrio teremos: Y = C0 + c (Y - tY) + I0 + G0 YE = 1 1 - c (1 - t) . (C0 + I0 + G0 ) Analisando a expressão (15) percebemos que o gasto público contribui para o aumento a renda da economia, pois é um dos componentes da despesa agregada. Dado um nível de renda qualquer inicial, um aumento dos gastos do governo leva a um aumento da despesa agregada planejada, isto é, da demanda agregada. Vejamos esse efeito na cruz keynesiana. (11) (12) (13) (14) (15)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 78 Figura 2.8| A cruz keynesiana e o aumento dos gastos do governo Fonte: Adaptado de: Mankiw (2004, p. 194) Por meio da figura 2.8 percebe-se que a representação gráfica de um aumento dos gastos do governo é idêntica à representação gráfica de um aumento nos gastos em investimento ou consumo. Isto não poderia ser diferente, pois sabemos que todas essas variáveis compõem a despesa ou demanda agregada. Assim, o aumento dos gastos do governo desloca a curva de demanda agregada para cima, aumentando a produção e renda da economia, cujo equilíbrio se dá a um nível mais alto do que o inicial. Lembrando que neste caso também há os efeitos do multiplicador de gastos, assim, a magnitude da variação na renda será maior do que a magnitude inicial do aumento dos gastos. Qual a magnitude do multiplicador de gastos em um modelo com governo? Na expressão 15, perceba que os impostos, por meio de sua alíquota, possuem um efeito redutor sobre o nível de produto, reduzindo o valor do multiplicador. Ocorrendo um aumento na renda, a arrecadação de impostos faz com que a variação na renda disponível seja menor, o que limita os efeitos sobre o consumo. Ou seja, a alíquota de impostos faz com que os aumentos induzidos no consumo, decorrentes do aumento da renda, sejam menores, pois os indivíduos terão uma renda menor a ser dedicada ao consumo, fazendo com que o efeito final do multiplicador de gastos no modelo com governo seja menor do que o multiplicador de gastos no modelo sem governo (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
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    Macroeconomia Keynesiana U2 79 Com relaçãoaos impostos, estes também têm efeito multiplicador sobre a renda da economia? Supondo uma redução de impostos na economia, isto aumenta a renda disponível da coletividade, provocando um aumento no consumo, e, então, a demanda agregada será maior. Graficamente o efeito será similar ao de aumento dos gastos autônomos, como na figura 2.8, a demanda agregada se deslocará para cima, provocando um aumento da renda de equilíbrio da economia. Respondendo à pergunta, a resposta é sim, há o multiplicador de impostos. Podemos encontrar matematicamente o multiplicador de gastos no modelo com governo. Basta derivar a renda de equilíbrio, YE na expressão 15, com relação a C0 , I0 , ou G0 , conforme abaixo. YE = 1 1 - c (1 - t) (C0 + I0 + G0 ) ∂YE ∂C0 = 1 1 - c (1 - t) (multiplicador do consumo com governo) ∂YE ∂I0 = 1 1 - c (1 - t) (multiplicador do investimento com governo) ∂YE ∂G0 = 1 1 - c (1 - t) (multiplicador dos gastos do governo) Para encontrarmos os multiplicadores de impostos, vamos considerar que o nível de arrecadação é independente da renda, como em Lopes e Vasconcellos (2008). Então, T=T0, de modo que: Y =C0 + c (Y - T0 ) + I0 + G0 YE = 1 1 - c . C0 + I0 + G0 ) - c 1 - c . T0 ∂YE ∂T0 = - c 1 - c (multiplicador de impostos)
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    Macroeconomia Keynesiana U2 80 Vamos agoraintroduzir no modelo o setor externo, que acrescenta outro elemento de demanda, as exportações (X), mas que também tem um elemento de vazamento da renda, as importações (M). As exportações representam a demanda do resto do mundo por produtos produzidos internamente, assim, a quantidade exportada em bens e serviços pelo país depende da renda do resto do mundo e da taxa de câmbio. Consideraremos essas variáveis como dadas. As importações representam a demanda dos residentes por produtos produzidos no exterior, por isso, indica um vazamento de renda da economia, parte da renda que poderia ser gasta em produtos nacionais está sendo empregada na compra de produtos de outros países, ampliando a demanda destes (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Com a introdução do setor externo precisamos compreender outro conceito, o da propensão marginal a importar (m), que indica a relação entre a renda e as importações, na verdade esse termo indica a fração do aumento da renda que é gasta com produtos importados, seu valor fica entre zero e a unidade. Para a calcularmos seguimos o mesmo raciocínio dos cálculos das outras propensões, basta efetuarmos a razão entre a variação na quantidade importada (M) e a variação na renda. PMI = ∆M ∆Y Incluindo o setor externo na condição de equilíbrio, consideraremos, as exportações como sendo exogenamente determinada (X= X0), assim como temos feito para o investimento e os gastos do governo, ficaremos com a seguinte expressão: Y = C0 + c (1 – t) Y + I0 + G0 + X0 - mY YE = 1 1 - c (1 - t) + m . (C0 + I0 + G0 + X0 ) Por meio do termo (-mY) percebemos que as importações são descontadas da demanda agregada, de forma que esta indicará a demanda agregada dedicada somente aos produtos produzidos internamente. O termo 1 1 - c (1 - t) + m é chamado de multiplicador de gastos da economia aberta1 . Porém, como a propensão marginal a importar é positiva, este multiplicador é menor do que o multiplicador de gastos da economia fechada. (16) (17) 1 Da mesma forma que encontramos os outros multiplicadores matematicamente, este também pode ser obtido. Para isto, derive a renda de equilíbrio, YE na expressão 17, com relação a C0 , I0 , G0 ou X0 .
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    Macroeconomia Keynesiana U2 81 Qual adiferença entre o multiplicador de gastos no modelo com governo e o multiplicador de gastos da economia aberta? Qual desses multiplicadores é menor? Por quê? 1. O que são vazamentos da renda? 2. O que são injeções de renda? Nesta unidade você aprendeu que: • A análise da macroeconomia keynesiana se dá no âmbito do curto prazo, pois preços e salários são considerados fixos. • A teoria keynesiana é desenvolvida em torno do princípio da demanda efetiva, segundo o qual os empresários tomam a decisão de quantos trabalhadores contratarem e de quanto produzir com base em quanto eles esperam vender. • A curva de oferta agregada de curto prazo é horizontal, indicando que para um dado nível de preços os empresários podem produzir qualquer quantidade, de forma a atender ao aumento da demanda. Para isso, considera-se que haja desemprego dos fatores de produção.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 82 • Acruz keynesiana é a representação do equilíbrio entre a oferta agregada e a demanda agregada. • Você aprendeu também que os componentes da demanda agregada planejada (ou da despesa agregada planejada) provocam efeitos sobre a renda da economia. • Que em situações de desequilíbrios macroeconômicos os níveis de estoques das empresas, o componente involuntário do investimento, se ajustarão de forma a reequilibrar o mercado de bens. • Que o multiplicador dos gastos é um efeito que faz com o aumento gerado na renda, devido a um aumento na demanda agregada, seja maior do que o aumento inicial no gasto autônomo. A leitura da obra de Keynes “A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda” é um requisito básico para os estudantes de Ciências Econômicas. Realizando esta leitura você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre a macroeconomia keynesiana. Boa leitura! 1. O multiplicador de gastos pode ser conceituado como a magnitude com que o aumento do gasto autônomo é amplificado para determinar o novo gasto de equilíbrio ou a nova renda de equilíbrio. No caso do multiplicador tributário, é correto afirmar que:
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    Macroeconomia Keynesiana U2 83 a) Éda mesma proporção que o multiplicador de gastos, pois tanto um aumento dos gastos quanto uma redução das alíquotas de impostos geram aumento da renda de equilíbrio. b) É inferior em relação ao multiplicador de gastos, pois ocorrendo um aumento na renda, a arrecadação de impostos faz com que a variação na renda disponível seja menor, o que limita os efeitos induzidos sobre o consumo. c) A magnitude da variação na renda será maior do que a magnitude inicial do aumento dos gastos. d) A alíquota de impostos faz com que os aumentos induzidos no consumo, decorrentes do aumento da renda, sejam maiores, pois os indivíduos terão uma renda maior a ser dedicada ao consumo. e) Não provocará alterações sobre a renda disponível, pois esta é afetada somente pela propensão marginal a poupar. 2. Sobre a demanda agregada planejada, é correto afirmar que: a) Corresponde ao total que as empresas e famílias desejam gastar na compra de bens e serviços. b) É aquela cujo resultado é divulgado pela contabilidade nacional, incluem o consumo e as duas partes do investimento, ou seja, o voluntário (os bens de capital) e o involuntário (a variação de estoques). c) A demanda agregada planejada, ou despesa planejada, representa o consumo e a parte planejada do investimento. d) Representa o investimento involuntário nulo. e)Asempresasestãodispostasavenderqualquerquantidade que seus clientes desejarem comprar e contratam apenas o número de trabalhadores necessários para produzir a quantidade demandada. 3. Com respeito ao modelo keynesiano, considere as afirmativas: I. A oferta agregada, assim como o modelo clássico, assume um papel determinante no nível de renda da economia. II. Existindo desemprego dos fatores de produção as
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    Macroeconomia Keynesiana U2 84 empresas conseguemajustar a quantidade produzida para atender ao aumento da demanda sem provocar alterações nos preços. III. O governo tem um importante papel na economia, pois por meio da política fiscal pode aumentar ou reduzir a demanda agregada e assim, evitar profundas flutuações na renda. IV. Se a demanda agregada efetiva está abaixo do ponto de equilíbrio, o mecanismo de ajustamento do modelo gera uma redução no nível de estoques. Estão corretas as afirmativas: a) I e IV. b) I, II e IV. c) I, II e III. d) I e III e) II, III e IV. 4. Dado o nível de preços fixos, considerando um aumento do gasto autônomo, é correto afirmar sobre a curva de demanda agregada e o ponto de equilíbrio: a) A curva de demanda agregada se desloca para cima gerando um novo ponto de equilíbrio, de renda mais baixa do que a inicial. b) A curva de demanda agregada não se altera, pois, a propensão marginal a consumir tende a ser constante. c) A curva de demanda agregada se desloca paralelamente para cima, gerando um novo ponto de equilíbrio, ao qual corresponde um nível de renda mais elevado do que aquele do equilíbrio inicial. d) A curva de demanda agregada se desloca para baixo, deslocando também o ponto de equilíbrio, mas gerando uma renda de equilíbrio mais baixa do que a inicial. e) A curva de demanda agregada é horizontal, pois a demanda não é influenciada pelo nível de preços, de forma que o ponto de equilíbrio não se altera.
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    Macroeconomia Keynesiana U2 85 5. Sobreos conceitos utilizados no modelo keynesiano, considere as afirmativas: I. A propensão marginal a consumir é a proporção da renda total que é gasta em consumo. II. A propensão marginal a consumir são as características psicológicas da comunidade e, são de tal forma que quando a renda agregada aumenta, o consumo agregado também aumenta, mas não tanto quanto a renda. Em outras palavras, a propensão a consumir expressa a variação positiva no consumo em virtude de um aumento na renda. III. A propensão marginal a poupar é a fração da variação da renda que é poupada, é calculada por meio da variação na poupança dividida pela variação na renda. IV. O paradoxo da parcimônia ou da poupança significa que uma redução da propensão marginal a poupar provocaria uma queda da renda e tornaria a sociedade mais pobre. Estão corretas as afirmativas: a) I, II e IV. b) II e III. c) I e IV. d) I, II e III. e) II, III e IV.
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    U2 87 Macroeconomia Keynesiana Referências Associação Nacionaldos Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC). Exame 2003. Disponível em: <http://www.anpec.org.br/novosite/br/exame> Acesso em: 23 ago.2015. BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011. CARSON, R. B. O que os economistas sabem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992. CHICK, V. Macroeconomics after Keynes: a reconsideration of the general theory. Oxford: Philip Alan. 1983. KALECKI, M. Teoria da dinâmica econômica. Tradução: Paulo de Almeida. São Paulo: Nova Cultural, 1977. (Os economistas). Disponível em: <http://home.ufam. edu.br/andersonlfc/Coleção%20-%20Os%20Economistas/Michal_Kalecki_-_Teoria_ da_Din%25C3%25A2mica_Econ%25C3%25B4mica_(Os_Economistas).pdf>. Acesso em: 24 ago. 2015. KEYNES, J. M. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Os economistas). LOPES, L.; VASCONCELLOS, M. (Orgs.). Manual de macroeconomia: básico e intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MANKIW, N. G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2004. PARKIN, M. Macroeconomics. 10th ed. Boston: Pearson, 2010. PAULANI, Leda Maria; BRAGA, Márcio Bobik. A nova contabilidade social: uma introdução à macroeconomia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.
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    Unidade 3 ESTRUTURA GERAL DAANÁLISE MACROECONÔMICA: IS-LM E IS-LM-BP Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você será levado a entender o funcionamento do modelo IS-LM simples e do modelo IS-LM-BP. Carlândia Brito Santos Fernandes Nesta seção entenderemos a origem das curvas IS e LM e veremos quais variáveis podem afetá-las. Como a taxa de juros é determinada? O que define o nível de produto da economia? Além disso veremos os impactos das políticas monetárias e fiscais sobre a economia. Seção 1 | O modelo IS-LM Nesta seção analisaremos como ocorre simultaneamente o equilíbrio nos mercados de bens e monetário. Como são determinados os níveis conjuntos do produto e da taxa de juros? Seção 2 | Equilíbrio no modelo IS-LM
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    Nesta seção estudaremoso modelo IS-LM para economia aberta, bem como os efeitos, em diferentes contextos, de políticas econômicas sobre a economia. Seção 3 | Modelo IS-LM-BP
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 91 Introdução à unidade O conteúdo desta terceira unidade está, de certa forma, relacionado ao conteúdo da unidade 2, na qual aprendemos o modelo keynesiano. Nesta terceira unidade veremos o modelo IS-LM que pode ser interpretado como uma demonstração formal (analítica e matemática) da obra de Keynes “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, que foi realizada por John R. Hicks em seu artigo “Mr. Keynes and the Classics: a Suggested Interpretation”, publicado em 1937, na revista Econométrica, um ano após a obra de Keynes. O modelo foi inicialmente nomeado por Hicks como IS-LL, somente depois viria a ser conhecido como IS- LM (não se preocupe com os significados dessas siglas/variáveis por enquanto, em breve as entenderemos). O modelo IS-LM, apesar de todo o avanço da macroeconomia, é um dos pontos centrais dos estudos da macroeconomia, pois capta grande parte do que ocorre na economia no curto prazo. Desde o seu desenvolvimento, o modelo já avançou muito, os aspectos que veremos nesta unidade são os aspectos base do modelo. Partiremos de um contexto de economia fechada com governo, explorando a derivação das curvas IS e LM, para o contexto de uma economia aberta, em que temos a inclusão de outros componentes da demanda agregada, bem como de outras variáveis/fatores que influenciam os efeitos das políticas econômicas sobre a economia, como a taxa de câmbio e a mobilidade de capitais. Da mesma forma que o modelo keynesiano que estudamos na unidade 2, o modelo IS-LM considera apenas o comportamento da demanda agregada.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 93 Seção 1 O modelo IS-LM Introdução A sigla IS-LM se origina, respectivamente, dos termos em inglês investment saving e liquidity money. De forma semelhante ao modelo keynesiano que estudamos, a ideia básica do modelo IS-LM é de que, no curto prazo, os preços não são flexíveis, o que requer que a economia esteja operando abaixo da sua capacidade máxima, de forma que os produtores podem aumentar a quantidade ofertada sem afetar os preços. Nesse modelo, o equilíbrio é de curto prazo, há uma combinação entre a taxa de juros (r) e o produto (Y) que satisfaz o equilíbrio tanto no mercado de bens quanto no monetário. Na figura 3.1 percebemos que a economia é composta por dois mercados, o mercado monetário ou de ativos, no qual se estabelecem as quantidades ofertadas e demandadas de moeda, e o mercado de bens e serviços, que corresponde ao lado real da economia e é representado pelo nível de produto ou pela demanda agregada. Analisando a figura 3.1, começando da esquerda para a direita, veja que Figura 3.1 | Estrutura do modelo IS-LM Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 188) Mercado monetário Política monetária Política fiscal Mercado de bens e serviços Nível de produto Taxa de juros
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 94 há uma seta ligando o mercado monetário e o mercado de bens, assim, a oferta e demanda de moeda determinam a taxa de juros, a qual, por sua vez, afeta o mercado de bens e serviços, especificamente, a demanda agregada por meio dos investimentos. Assim, o nível de produto da economia também é afetado (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Perceba que nesta unidade, diferentemente da anterior, o investimento agregado não é constante, pois é influenciado pela taxa de juros. Note que a ligação entre o lado real e o lado monetário da economia é realizada pela taxa de juros. Na figura 3.1 o último retângulo é conectado ao retângulo do mercado de ativos, indicando que o nível de produto da economia, ou a renda, por sua vez, afeta o mercado de ativos. Da análise desta figura podemos concluir que esta estrutura representa um sistema de determinação simultânea da renda e da taxa de juros, sendo a política monetária (oferta de moeda), a política fiscal (gastos do setor públicos e tributos) e o nível de preços (inflexíveis) variáveis exógenas no modelo. Antes de passarmos ao próximo item vamos relembrar os componentes de demanda agregada, ou da despesa planejada total, que vimos na segunda unidade, e que utilizaremos no decorrer desta: • O consumo, que não é mais constante, agora é influenciado pela renda disponível (Yd ); • Investimento, que, conforme afirmado acima, é função da taxa de juros (r); • Gastos Públicos: definido institucionalmente; • Impostos, exportações e Importações, por simplificação, supõe-se que sejam exógenas; As hipóteses consideradas no modelo IS-LM são: • Preços inflexíveis; • Economia com capacidade ociosa e mão-de-obra desempregada, isto é, com desemprego de fatores; • Políticas de crescimento levam a aumento da produção, e não de preços, lembrem-se de que estes são rígidos; • A demanda agregada determina o produto, ou seja, mantém-se o princípio da demanda efetiva; • As variáveis são expressas em termos reais, pois, os preços são constantes; • Dada a hipótese anterior, a taxa nominal de juros (i) é igual à taxa real de juros (r);
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 95 Considerando o consumo (C), a renda disponível (Yd), o investimento (I), a taxa real de juros (r) e os gastos do governo (G), podemos representar a relação da curva IS da seguinte forma: Y = C (Yd ) + I (r) + G A expressão (1) demonstra que a relação da curva IS é afetada pelos elementos da despesa planejada, de forma que o consumo é relacionado diretamente à renda disponível e o investimento, conforme afirmado anteriormente, negativamente à taxa de juros. Os gastos do governo são um instrumento da política fiscal, assim como os tributos (T). Na unidade 2 vimos a cruz keynesiana, podemos utilizá-la para derivar a curva IS. Partindo de uma situação inicial, em que temos uma determinada taxa de juros (r1 ) o que acontece se a taxa de juros diminuir para (r2 )? Vamos entender essa situação. Observe inicialmente o painel (b) da figura 3.2. A taxa de juros inicial (r1 ) corresponde, (1) 1.1 Derivação da curva IS Para derivarmos a curva IS incluiremos no modelo keynesiano simples, aquele para economia fechada, que vimos na unidade anterior, a taxa de juros afetando o nível de investimento. A curva IS demonstra todas as combinações entre a r e Y que geram o equilíbrio no mercado de bens, isto é, oferta agregada iguala a demanda agregada de bens e serviços (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Dada a eficiência marginal do capital, o investimento (definido endogenamente) varia inversamente à taxa de juros. Por isso, a curva IS é decrescente: • A queda na taxa de juros incentiva as empresas a aumentar os gastos com investimento e, portanto, a renda. • O aumento na taxa de juros leva as empresas a reduzir o investimento e, portanto, a renda. A eficiência marginal do capital é a taxa de desconto que iguala o fluxo de receitas esperado ao custo do investimento. Se esta taxa for superior à taxa de juros, correspondente ao custo de se obter empréstimo para realizar o investimento, o empresário investe, caso contrário, não.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 96 no painel (b), a um equilíbrio (A1 ) entre a despesa planejada ou demanda agregada (DA) e a reta de 45 graus (lembre-se de que sobre esta a demanda agregada é igual à produção/renda real), equivalente a uma produção (Y1 ). Uma redução na taxa de juros para (r2) incentiva as empresas a ampliarem o investimento, o que se reflete em uma despesa planejada total mais elevada, de forma que a curva DA se desloque para cima, para DA’, ocasionando um novo ponto de interseção da DA e da reta de 45 graus e uma quantidade produzida mais elevada, (Y2 ). Você se lembra do conceito de multiplicador dos gastos que vimos na segunda unidade? Este também está incluso na situação anterior, e considerando, podemos resumir nossa análise da seguinte forma: com a redução da taxa de juros os empresários se sentem motivados a investir gerando uma ampliação neste elemento da despesa e na despesa planejada total e, então, na produção real, como a coletividade terá uma renda maior a seu dispor, os dois tipos de gastos privados, C e I, aumentarão ainda mais. A partir da análise anterior como podemos derivar a curva IS? Observe os painéis (a) e (b) da figura 3.2. Veja que para qualquer valor da taxa de juros é possível obter o valor do produto/renda correspondente. O painel (b) evidencia essas relações. Assim, o ponto (A1 ) no painel (a) corresponde ao ponto Figura 3.2 | Derivando a curva IS Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 79)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 97 (A1 ) no painel (b). Da mesma forma, o ponto (A2 ) no painel (a) corresponde ao ponto (A2 ) no painel (b). Observe que uma taxa de juros mais alta está associada a um nível de produto/renda mais baixo. Assim, derivamos a curva IS, a curva negativamente inclinada do painel (b), que apresenta a relação entre a taxa de juros e o produto (BLANCHARD, 2011). Quais fatores podem deslocar a curva IS? A curva IS refere-se ao mercado de bens, assim, qualquer fator que afete a despesa planejada desloca a curva IS. Entre esses fatores podemos citar: as alterações no consumo ou investimento autônomos e as alterações nos elementos da política fiscal. De outra forma, os fatores que deslocam a curva IS são variáveis exógenas, isto é, variáveis que consideramos como dadas. Vejamos graficamente, na figura 3.3, os efeitos na curva IS de uma política fiscal expansionista de aumento das despesas do governo. A curva IS é elaborada para uma dada política fiscal, no entanto, sempre que ocorrer mudanças nesta política a curva IS se deslocará. Considerando um acréscimo nas despesas do setor público, para uma dada taxa de juros, sabemos que ocorre um acréscimo na despesa planejada total e, então, um acréscimo na renda da economia, ocasionando uma elevação no consumo da coletividade e consequentemente uma ampliação na produção real da economia. Assim, a produção se altera de Y1 para Y2 , pois, a curva IS se desloca para a direita, de IS para IS’. A curva IS também pode ser derivada do mercado de fundos de empréstimos. Você poderá estudar sobre esse aspecto no capítulo 9 de Mankiw (2004). Qual seria o efeito sobre a produção real de uma taxa de juros mais baixa? Como demonstrar essa situação graficamente?
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 98 Figura 3.3 | Deslocamento da curva IS Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 80) Quais seriam os efeitos sobre a curva IS de uma política fiscal novamente expansionista, mas por meio de uma redução dos impostos? Os efeitos sobre a curva IS serão similares aos da política fiscal de aumento dos gastos, vejamos. Considere, por exemplo, que o governo deseje impulsionar a economia, ou seja, praticar uma política que gere e amplie a produção da economia e, então, da renda. O governo decide colocar sua estratégia em prática por meio de um abatimento na alíquota do imposto de renda, por exemplo. Neste caso, ocorrerá uma ampliação na renda disponível da coletividade, para uma dada taxa de juros, este maior nível de renda gerará um consumo mais elevado, o que induz, por sua vez, a um aumento na demanda por bens e serviços e, então, a um acréscimo na produção real da economia. Desta forma, a representação gráfica é similar à da figura 3.3, em que ocorre um aumento no produto de equilíbrio, de outra forma, a IS se desloca para a direita. Nos dois casos anteriores falamos de políticas expansionistas, ou seja, que impulsionam a economia e geram aumento do produto de equilíbrio. No que se refere à política fiscal restritiva quais serão os impactos sobre a curva investment saving? Considere, por exemplo, que em função de um déficit nas contas públicas o governo adote uma política fiscal de corte de gastos. Neste caso, o corte de gastos gera uma diminuição da despesa planejada e, consequentemente, uma diminuição no produto/renda de equilíbrio, para uma dada taxa de juros. Dito de
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 99 outra forma, a uma dada taxa de juros, com o corte nas despesas do setor público a curva IS se desloca para a esquerda, gerando um novo produto de equilíbrio inferior àquele que prevaleceria antes do corte de gastos. No caso de adoção de política fiscal de aumento dos impostos os efeitos sobre o mercado de bens seriam similares ao de corte de gastos. Além das razões para os deslocamentos da curva IS, há as razões que determinam a inclinação da IS, Lopes e Vasconcellos (2008), destacam duas: • Sensibilidade do investimento em relação à taxa de juros: quando a demanda por investimentos é muito sensível (mais elástica) à taxa de juros, mais horizontal será a curva IS, isto é, menor sua inclinação. Assim, uma pequena variação na taxa de juros, levará a grande variação no investimento e, portanto, na demanda agregada e na renda. Quando os investimentos não são muito sensíveis à taxa de juros, IS muito inclinada ou quase vertical, ocorre o contrário, os juros terão de variar muito para alterar o investimento. • Propensão marginal a consumir ou o multiplicador dos gastos: alta propensão marginal a consumir e, portanto, alto multiplicador de gastos, variações no investimento gerarão grandes expansões induzidas no consumo, ampliando a demanda e a renda. Quanto maior o multiplicador, maior o impacto sobre a renda e menor a inclinação da IS (mais horizontal). 1.2 Derivação da curva LM A Curva LM (Liquidity Money) representa os possíveis pares de taxa de juros e nível de renda que equilibram o mercado monetário. Considerando que os indivíduos destinam sua riqueza em dois tipos de ativos na economia, em moeda ou títulos. Quando alocamos nossa riqueza em forma de moeda, apesar da característica deste ativo ser a liquidez absoluta, sua posse não rende juros. Já se empregarmos nossa riqueza em títulos estes rendem juros, mas são de menor liquidez em relação à moeda. Se, por algum motivo você precisar transformar os títulos que adquiriu em Resultado primário: corresponde ao resultado líquido do total das receitas primárias do Governo Central deduzidas suas despesas primárias. Valores positivos indicam superávit e valores negativos indicam déficit.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 100 moeda, em poder de compra, terá um custo para isso. Sendo (W/P) a riqueza em termos reais, seu montante será igual à oferta total dos ativos na forma de moeda e de títulos. De outra forma, quando a oferta de ativos é igual à demanda de ativos o mercado monetário estará em equilíbrio e como estamos considerando dado o estoque de riqueza, se o mercado monetário estiver em equilíbrio, o mercado de títulos também estará. Já se ocorrer um excesso de demanda por moeda, os indivíduos estão preferindo empregar sua riqueza em forma de moeda, haverá, por outro lado, um excesso de oferta de títulos, ou seja, estará sobrando títulos, pois os indivíduos estão preferindo moeda, a liquidez absoluta. Da mesma forma, se houver excesso de oferta de moeda, haverá excesso de demanda de títulos. Resumindo, não há necessidade de analisarmos cada mercado individualmente, basta analisarmos um que saberemos o que está acontecendo no outro. Assim, consideraremos apenas o mercado monetário (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Naunidade1estudamosofuncionamentodomercadodefundosdeempréstimos sob a perspectiva da escola clássica. Agora, precisamos entender o funcionamento do mercado monetário pela perspectiva keynesiana para entendermos como se dá a relação entre a taxa de juros e a renda, para isso utilizaremos a teoria da preferência pela liquidez, que trata da interpretação da teoria keynesiana da taxa de juros e é a base para a construção da curva LM (MANKIW, 2004). Iniciaremos a análise pela oferta de moeda, sendo esta, representada por M e uma variável exógena, seu nível é determinado pelo Banco Central (Bacen). O nível de preços é representado por P, lembrando que no modelo keynesiano este é fixo, portanto, uma variável exógena. Assim, a oferta real de moeda (M/P) é constante, não depende da taxa de juros, por isso, ao representá-la graficamente, sendo a mesma no eixo horizontal e a taxa de juros no eixo vertical, a oferta de moeda será uma reta vertical. No que se refere à demanda por moeda, retém-se moeda porque é um ativo líquido, é facilmente utilizada nas transações. De acordo com a teoria da preferência pela liquidez a demanda de moeda depende da taxa de juros, que é o Liquidez envolve o tempo e os custos para que uma determinada aplicação se transforme em poder de compra, em dinheiro em espécie. Assim, por exemplo, se parte de seus recursos está aplicada em um imóvel e outra parte na poupança, a liquidez do imóvel é inferior à da poupança.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 101 custo de oportunidade de se reter moeda. Por exemplo, se você guarda um certo montante de moeda em casa, você está tendo um custo de oportunidade, que é o juro que você receberia se esse mesmo montante de moeda estivesse na poupança ou alocado em títulos. Em geral, quando a taxa de juros sobe, os indivíduos desejam manter uma menor parte de sua riqueza na forma de moeda, ou seja, a demanda de moeda diminui quando a taxa de juros aumenta (MANKIW, 2004). Seguindo Lopes e Vasconcellos (2008), podemos apresentar dois fatores para os indivíduos demandarem ou reterem moeda. O motivo transação, que está diretamente relacionada à renda da economia. Assim, quanto maior o nível de produto da economia, a renda da economia será maior, a despesa também é mais elevada, então, maior será a quantidade de moeda demandada para as pessoas realizarem suas transações, ou seja, a demanda de moeda aumenta com o aumento da renda. O outro fator é o motivo portfólio, que depende da taxa de juros, em que o indivíduo compara a rentabilidade dos diferentes ativos e escolhe a opção que lhe gerará um melhor retorno para alocar sua riqueza. O equilíbrio no mercado monetário se dá quando a demanda de moeda se iguala à oferta de moeda. Sendo M P − a oferta de moeda, Md (Y) a demanda por moeda para transação, e Md (r) a demanda de moeda para portfólio, temos: M P − = Md M P − = Md (Y) + Md (r) Resumindo, a demanda de moeda varia positivamente com a renda e negativamente com a taxa de juros. Vejamos isso graficamente. (2) Figura 3.4 | Derivação da curva LM Fonte: Blanchard (2011, p. 82)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 102 A partir da figura 3.4 podemos entender a influência da renda e da taxa de juros sobre a demanda por moeda, bem como derivar a curva LM. Partindo de um equilíbrio inicial entre a oferta e demanda de moeda, um aumento da renda real de Y1 para Y2 gera um aumento das transações na economia exigindo uma maior quantidade de moeda para este fim, deslocando a curva de demanda por moeda (negativamente inclinada, já que depende inversamente da taxa de juros) para cima, de forma que a taxa de juros precisa aumentar de r1 para r2 para reequilibrar o mercado monetário. Plotando os pontos de equilíbrio do painel (a) no painel (b), obtemos a curva LM e podemos ver, claramente, que um aumento da renda real gera um aumento na taxa de juros, por isso, a curva LM é positivamente inclinada. É importante destacar que sempre que nos referimos à oferta de moeda, estamos falando em oferta real de moeda, ou seja, o estoque de moeda em termos de bens e não em termos de unidades monetárias. Da mesma forma, a demanda por moeda é a demanda real por moeda e a renda, a renda real. Vimos que a curva LM é crescente, porém, esta curva pode ser mais ou menos inclinada, isto vai depender de alguns fatores. Você tem alguma ideia de quais fatores são esses? Os fatores que afetam a inclinação da curva LM são as elasticidades da demanda de moeda em relação à renda e à taxa de juros. Se a sensibilidade (elasticidade) da demanda por moeda em relação à renda é elevada, a curva LM será mais inclinada, mais vertical, pois uma pequena variação na renda levará a um excesso de demanda por moeda, de forma que será necessária uma elevação na taxa de juros, relativamente alta, para anular o excesso de demanda por moeda e equilibrar o mercado monetário. Se a demanda por moeda for muito sensível à taxa de juros, a curva LM será pouco inclinada, LM mais horizontal. Neste caso, qualquer alteração no nível de renda exigirá uma pequena alteração na taxa de juros para equilibrar a oferta e a demanda de moeda (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Pode acontecer da curva LM ser completamente horizontal? A resposta é sim, inclusive este tipo de comportamento da demanda de moeda em relação à taxa de juros foi estabelecido por Keynes, que o nomeou de armadilha de liquidez. Nesta situação os agentes teriam preferência pela liquidez absoluta, pois, a taxa de juros encontra-se em níveis muito baixos que os agentes consideram que o melhor a fazer é manter sua riqueza em forma de moeda e não investir em ativos. Assim, qualquer aumento que ocorra na oferta de moeda será retido pela coletividade. Outro caso extremo seria a demanda por moeda ser completamente insensível à taxa de juros, a LM seria vertical, o que estaria em acordo com a macroeconomia clássica que estudamos na unidade 1. Por isso, a LM vertical é conhecida na literatura como caso clássico, sendo que as alterações na taxa de juros não influenciam o equilíbrio entre oferta e demanda de moeda.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 103 O que pode afetar a posição da curva LM? Qualquer alteração na oferta real de moeda, o que ocorre em função da política monetária, deslocará a curva LM. Pense, por exemplo, para determinado nível de preços, que o Banco Central adote uma política monetária expansionista, assim, a oferta real de moeda na economia aumenta. Graficamente a curva LM se desloca para baixo (direita), sendo necessária uma taxa de juros mais baixa para equilibrar o mercado monetário. Similarmente, se o Banco Central reduzir a quantidade de moeda, a curva LM se desloca para cima (esquerda) provocando, para qualquer nível de renda, uma redução da taxa de juros. Figura 3.5 | Política monetária expansionista e deslocamento da LM Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 82) 1. Represente graficamente, e explique, os efeitos sobre a curva LM de uma redução na oferta real de moeda. 2. Quais variáveis podem provocar deslocamentos da curva IS? E da curva LM?
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 105 Seção 2 Equilíbrio no modelo IS-LM Introdução O equilíbrio no mercado de bens e monetário ocorre quando a curva IS intercepta a curva LM, de forma que há uma taxa de juros e um nível de produto que satisfazem o equilíbrio, conforme ilustrado na figura 3.6. O próximo passo da análise consiste em entendermos, mediante desequilíbrios macroeconômicos, como ocorrem ajustamentos na economia. Para isso, faremos vários exercícios analíticos, que nos permitirão compreender os efeitos de diferentes políticas macroeconômicas sobre o nível de produto da economia e sobre a taxa de juros. De outra forma, por meio de um modelo IS-LM, podemos analisar se determinadas políticas praticadas pelo governo podem provocar aumento ou redução na taxa de crescimento do PIB. Figura 3.6 | Equilíbrio no modelo IS-LM Fonte: Blanchard (2011, p. 83)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 106 2.1 Efeitos da política fiscal no modelo IS-LM Suponha que o governo precise reduzir o déficit orçamentário e para isto adote uma estratégia de aumento dos impostos, mantendo seus gastos inalterados, ou seja, uma política fiscal contracionista ou restritiva. Analisamos algo similar no item 1.2, quando verificamos os deslocamentos da curva IS. As perguntas que faço agora são: quais serão os impactos dessa política fiscal de aumento dos impostos sobre o produto e taxa de juros da economia? O que acontecerá com o ponto de equilíbrio no modelo IS-LM? Para responder a estas perguntas utilizaremos como base a figura 3.7. Assim, partindo do ponto de equilíbrio inicial, um aumento dos impostos gera uma redução na renda disponível, o que, por sua vez, provoca uma redução do consumo, pois as pessoas terão menos renda para atender esse propósito, gerando então uma redução na demanda agregada, que se reflete na redução do produto e da renda. Lembre-se que uma redução na renda também provoca uma redução na demanda por moeda, pois os indivíduos necessitarão de menos moeda para as suas transações, e, consequentemente, a taxa de juros diminui de r par r’. Perceba que a política fiscal não afeta a curva LM, pois os elementos de política fiscal aparecem somente na relação da curva IS, que apresentamos na equação (1) desta unidade. Podemos concluir então, que um aumento dos impostos leva a uma redução na taxa de juros e no nível de produto de equilíbrio, portanto, todo o mais constante, uma redução na taxa de crescimento do PIB. Figura 3.7 | Efeitos de uma política fiscal de aumento de impostos Fonte: Blanchard (2011, p. 85)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 107 No caso de uma política fiscal expansionista, a de expansão das despesas do governo, por exemplo, quais seriam os efeitos sobre a economia? Esta seria uma política oposta a essa que ilustramos na figura 3.7, então, basta fazermos a análise oposta. Aqui, não há necessidade de ilustrarmos graficamente, você poderá fazer isso posteriormente, como um exercício, combinado? Vamos à análise. A expansão das despesas do setor público provoca um aumento da despesa planejada, que será atendido com uma redução dos estoques das empresas. As empresas aumentarão a produção, ampliando o nível de renda da economia. Isso deslocaria a curva IS para a direita, provocando também uma taxa de juros mais elevada, pois com a expansão da demanda agregada a quantidade de moeda que a coletividade terá para realizar suas transações será inferior à quantidade necessária. Concluindo, os efeitos na economia da política de aumento dos gastos seriam contrários àqueles que ilustramos na figura 3.7, pois teríamos produção/renda e taxa de juros mais elevadas. 2.2 Efeitos da política monetária no modelo IS-LM Passemos agora à análise de uma política monetária. Suponha que o Banco Central pratique uma política monetária expansionista, ou seja, de aumento da oferta nominal de moeda − então, da oferta real de moeda, pois temos como hipótese que os preços são fixos − utilizando-se de uma redução da taxa de depósito compulsório. Sabemos que a oferta de moeda é uma variável da relação da curva LM, representada na equação (2) desta unidade, assim, podemos antecipar que a curva que se deslocará em função desta política monetária será a curva LM. A curva IS permanecerá inalterada, pois a oferta de moeda não afeta diretamente o mercado de bens. Tomando a figura 3.8 como base, partindo do ponto inicial de equilíbrio, o aumento na oferta de moeda desloca a curva LM para baixo, de LM para LM’. Dado o nível de renda inicial, um aumento na oferta de moeda provoca um excesso de oferta de moeda, pois há mais moeda do que a quantidade necessária para os indivíduos realizarem suas transações. O excesso de moeda leva a uma redução da taxa de juros, gerando um aumento do investimento na economia, e, consequentemente, um aumento da demanda agregada, então, um excesso de demanda por bens que é suprido por uma redução dos estoques das empresas. Consequentemente, as empresas aumentam a produção para atender o aumento da demanda. À medida que a produção aumenta, a renda também aumenta. Observe na figura 3.8 que a taxa de juros reduz de r para r’ e o produto aumenta de Y1 para Y2 e que esses movimentos ocorrem sobre a curva IS, ou seja, como afirmado antes, a IS não se desloca, somente a LM.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 108 Figura 3.8 | Efeitos de uma política monetária expansionista Fonte: Blanchard (2011, p. 87) Os depósitos compulsórios são recolhimentos obrigatórios de recursos que as instituições financeiras fazem ao Banco Central. São considerados como instrumento de política monetária, mas têm sido também utilizados como instrumentos de preservação da estabilidade financeira. Para saber mais consulte o link: <http://www4.bcb.gov. br/pec/gci/port/focus/FAQ%2012-Depósitos%20Compulsórios.pdf>. Acesso em: 23 out. 2015. Da análise anterior podemos afirmar que, seguindo a lógica keynesiana, sempre que houver desequilíbrio no mercado de bens, o ajuste se dará via quantidade, alterando o nível de produto e de renda. Assim, ocorrendo excesso de oferta de bens, o nível de estoque se elevará, levando as empresas a reduzirem a produção. Ocorrendoexcessodedemandadebens,osestoquesreduzirão,levandoasempresas a aumentarem a produção. Por outro lado, sempre que houver desequilíbrios no mercado monetário, o ajuste se dará com variações nas taxas de juros. Em situações de excesso de oferta de moeda a taxa de juros diminui e em situações de excesso de demanda de moeda a taxa de juros aumenta (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 109 O que aconteceria na figura 3.8 se ao invés de política monetária expansionista o Banco Central tivesse adotado uma política monetária restritiva? Pense da seguinte forma, se o Banco Central deseja praticar uma política monetária para reduzir a taxa de inflação, por exemplo, terá de adotar uma política restritiva, de redução da quantidade real de moeda na economia. Desta forma, a um nível de renda inicial, haverá uma quantidade de moeda na economia inferior àquela que a coletividade precisa para realizar suas transações, provocando um aumento da taxa de juros. Lembre-se que o aumento da taxa de juros leva a uma redução do investimento na economia, reduzindo a demanda agregada, o nível de produto e, portanto, a renda. Assim, na figura 3.8, uma política monetária restritiva deslocaria a curva LM para cima (esquerda), gerando um novo ponto de equilíbrio com um menor nível produto/ renda e uma maior taxa de juros. Perceba que a IS não se deslocaria. Pois a política inicial foi de redução da quantidade de moeda, ou seja, uma alteração no mercado monetário e não no de bens. Então, novamente, a curva IS não se deslocaria, a economia se moveria sobre ela. Estou enfatizando isso, porque esta é uma confusão comum em análise como essas, por isso, fique atento. Qualquer dúvida não hesite em fazer contato com seu professor ou tutor. 2.3 Combinação de políticas monetária e fiscal Nos itens anteriores vimos que, na perspectiva do modelo IS-LM, por um lado, a política fiscal expansionista tem o efeito de ampliar o nível de renda e a taxa de juros na economia, sendo que o inverso ocorre para uma política fiscal restritiva. Por outro lado, a política monetária expansionista também gera um aumento do produto, mas uma taxa de juros menor, o inverso ocorre para a política monetária restritiva. O que você acha, o governo pode praticar uma combinação desses diferentes tipos de políticas econômicas? A resposta é sim, na política econômica o governo pode utilizar uma combinação de instrumentos, assim os resultados serão diferentes dos descritos anteriormente, nos quais as políticas eram independentes. Vamos ver um pouco sobre isso? No final de 2008 enfrentamos uma crise financeira global, que é considerada a maior da história do capitalismo desde a grande depressão de 1929. No Brasil, os efeitos iniciais da crise foram de forte redução da demanda agregada (investimento e consumo), para tentar amenizar os efeitos negativos da crise o governo brasileiro adotou medidas expansionistas de políticas monetária e fiscal, ou seja, anticíclicas. Dentre essas políticas podemos citar como exemplos: na área fiscal, as reduções nas alíquotas do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para automóveis1 ; na área monetária foram ampliadas diferentes linhas de crédito dos bancos públicos 1 Em resumo, as reduções foram de 100% para carros até 1000 cilindradas, 50% para carros entre 1000 e no máximo 3000 cilindradas e de 75% para camionetas e furgões. Para detalhes, consultar o Decreto nº 6.687, de 11 de dezembro de 2008 e o Decreto no 6.743, de 15 de janeiro 2009.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 110 e realizadas alterações nas regras dos depósitos compulsórios, todas de forma a aumentar a quantidade de moeda na economia. Analisando os efeitos dessas políticas no modelo IS-LM, ao adotar uma política fiscal expansionista (aumento de gastos ou redução de impostos) sabemos que a demanda agregada aumenta. Inicialmente as empresas reduzirão seus estoques e depois aumentarão sua produção, isso deslocará a curva IS para a direita, de IS1 para IS2 , levando a um aumento da taxa de juros, o que podemos observar na figura 3.9. No entanto, a intenção do Banco Central era manter a taxa de juros em patamares relativamente mais baixos para incentivar o nível de investimento e consequentemente, aumentar a demanda agregada da economia, o nível de produção. Para atender a esse outro objetivo, o Banco Central adotou uma política monetária expansionista, deslocando a curva LM para baixo (direita), provocando a redução da taxa de juros. Veja na figura 3.9 que o resultado final de uma política como esta será de um nível de produto maior do que aquele do equilíbrio inicial e uma taxa de juros inferior. Você poderá consultar um resumo das medidas praticadas no Brasil, para combater os efeitos da crise de 2008, acessando o link: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2009/09/464961-veja-as- medidas-ja-anunciadas-no-brasil-para-combater-os-efeitos-da- crise.shtml>. Acesso em: 23 out. 2015. Figura 3.9 | Combinação de políticas fiscal e monetária expansionistas Fonte: Adaptada de Blanchard (2011, p. 91)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 111 Podemos afirmar que no período da crise financeira aconteceu uma combinação de políticas fiscal e monetária. O governo aumentou seus gastos, isso levaria a um aumento da renda e da taxa de juros. Mas como o objetivo era manter a taxa de juros mais baixa para ampliar os investimentos e aquecer a economia, o Banco central foi levado a ampliar a oferta de moeda até que a taxa de juros fosse diminuindo. As políticas monetária e fiscal também podem ser combinadas de forma a manter o produto da economia. Assim, por exemplo, se o governo está com desequilíbrio em seu orçamento e precisa reduzir seu déficit, poderá fazer isso sem provocar uma redução do nível de produto/renda da economia. Apresentaremos a análise e você poderá elaborar os gráficos durante seus estudos. Para reduzir o déficit orçamentário o governo terá que aumentar impostos e/ou realizar um corte de gastos, isso deslocará a IS para a esquerda, o que provocaria uma redução do produto e da taxa de juros. Para anular o efeito da redução do produto o Banco Central teria que expandir a quantidade de moeda na economia, LM se deslocaria para baixo (direita), ampliando o produto, então, o resultado final na economia seria de manutenção do nível de produto, mas com uma taxa de juros mais baixa do que a inicial. De forma semelhante, as políticas econômicas podem ser combinadas de maneira a manter a estabilidade da taxa de juros. Assim, supondo uma elevação dos gastos públicos, a curva IS se deslocaria para a direita (cima), pressionando pela elevação da renda e da taxa de juros, mas isso somente aconteceria se o Banco Central mantivesse inalterada a oferta de moeda. Se a intenção do Banco Central for de estabilidade da taxa de juros, como os juros subiram com a política fiscal, ele será levado a ampliar a oferta de moeda, deslocando a LM para a direita, até que taxa de juros retroceda ao nível inicial. Neste caso o resultado das políticas combinadas será de ampliação da renda sem alteração da taxa de juros, já que o gasto público se eleva sem reduzir os investimentos. É importante notar que quando o Banco Central tem por objetivo manter a estabilidade da taxa de juros, a oferta de moeda torna-se endógena, ou seja, fica dependente da política fiscal. O que significa efeito crowding-out? A eficácia das políticas fiscal ou monetária pode depender da inclinação das curvas IS e LM?
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 112 1. Partindo de um ponto de equilíbrio dos mercados de bens e monetário, quais os efeitos sobre o produto e a taxa de juros de um aumento dos gastos do governo, ou seja, de aumento do déficit orçamentário ou de redução do superávit? Como você pode representar esta situação graficamente? 2. Explique por que uma política monetária afeta diretamente (e somente) o mercado monetário, isto é, a curva LM.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 113 Seção 3 Modelo IS-LM-BP Introdução O modelo IS-LM que vimos anteriormente trata-se do modelo básico, sem participação do setor externo. Nesta seção estudaremos o modelo IS-LM para economia aberta, mas continuando com a hipótese de preços fixos, por isso, as taxas de câmbio nominal e real, que incluiremos no modelo, variam juntas. Para isto veremos a curva BP e os efeitos de políticas econômicas, sob regimes de taxa de câmbio fixa e flutuante, além de considerar a ausência e a perfeita mobilidade de capital. Vimos que a curva IS representa o mercado de bens da economia, e que sua relação é composta pelos elementos da demanda agregada. Agora que estamos trabalhando com economia aberta precisamos incluir nesta relação o setor externo, ou seja, as exportações (X) e as importações (M). Além disso, introduzimos a taxa de câmbio θ e a renda externa Y* de forma que a primeira influencia as relações comercias entre o país e o resto do mundo e a segunda influencia as exportações. Lembremos que taxa de câmbio alta (moeda nacional desvalorizada), por exemplo, tende a aumentar as exportações e a reduzir as importações. Renda externa mais elevada aumenta as exportações, pois o resto do mundo irá adquirir mais bens de nosso país. Porém, renda interna mais elevada tende a aumentar o nível de importações do nosso país. A relação da curva IS e as funções exportações e importações são: Y = C + I + G + (X - M) X = X (θ;Y*) M = M (θ;Y*) Das expressões acima podemos inferir que alterações na taxa de câmbio e na renda levarão a alterações na posição da curva IS. Segundo Lopes e Vasconcellos (2008) como as importações correspondem a vazamentos de renda da economia (vimos isso na unidade 2), a propensão marginal a poupar diminui o valor do multiplicador de gastos, afetando a inclinação da curva IS. Assim, em economia (3) (4)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 114 aberta, a variação na renda decorrente de um aumento dos gastos autônomos será menor, pois o multiplicador diminui. O vazamento de renda pelas importações nos leva a definir dois efeitos: • Efeito-transbordamento: é o impacto da renda interna sobre a renda dos demais países, ou seja, o efeito de uma política expansionista ou recessiva não são somente internos. Esse efeito depende do grau de abertura da economia e de sua dimensão perante a economia mundial. • Efeitos-repercussão: se o país x pratica uma política expansionista, isso provocará aumento da renda interna e das suas importações. Isso será bom para determinado país y que fornecerá a x os produtos que precisar, a renda do país y, então, crescerá em função de uma política expansionista praticada em x. O aumento da renda no país y gerará um aumento das suas importações, as quais serão fornecidas por x. Assim, o país x terá um novo efeito expansionista sobre sua renda, que é derivado da política expansionista original que praticou. 3.1 A curva de balanço de pagamentos (BP) Considerando o modelo IS-LM para economia aberta, precisamos derivar uma terceira curva que compõe esse modelo, a curva BP. Pelos estudos da contabilidade nacional sabemos que o balanço de pagamentos da economia se divide em transações correntes (TC) e movimento de capitais (MK). O saldo de transações correntes, que inclui todas as transações de bens e serviços do país com o resto do mundo, depende da taxa de câmbio e da renda interna e externa. O movimento de capitais, ou seja, a entrada e saída de capitais, depende essencialmente das decisões dos agentes e responde positivamente ao diferencial entre as taxas de juros interna e externa. Para que o saldo do balanço de pagamentos seja zero, o saldo em transações correntes precisa ser igual ao movimento de capitais com sinal invertido. Assim, a curva BP representa as combinações entre a renda interna e a taxa de juros que equilibram o balanço de pagamentos (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). O saldo de transações correntes do balanço de pagamentos é o somatório da balança comercial e da balança de serviços. Assim, estão incluídas as receitas e despesas da balança comercial (exportações e importações), da conta de serviços (juros, viagens internacionais, transportes, seguros, lucros, dividendos e serviços diversos) e das transferências unilaterais.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 115 A curva BP pode se comportar de diferentes maneiras, pois sua inclinação depende de como o movimento de capitais responde às variações nas taxas de juros. Veremos os seguintes tipos: a curva BP sem mobilidade de capital; e, a curva BP com livre − ou perfeita − mobilidade de capital. 3.2 A curva BP sem mobilidade de capital Um país que não tem acesso ao mercado internacional de capitais, o equilíbrio do BP se dá quando X e M se igualam. Como estamos considerando a taxa de câmbio e a renda externa como dados, o volume de X passa a ser uma variável exógena. M é função crescente da renda interna. Haverá um único nível de renda, independente da taxa de juros, que equilibra a conta corrente e, consequentemente, o balanço de pagamentos (LOPES e VASCONCELLOS; 2008). Assim, esboçando a curva BP sem mobilidade no espaço renda no eixo horizontal e taxa de juros no vertical, a curva será vertical, conforme se ilustra na figura 3.10. Observando a figura 3.10, o que podemos concluir sobre o saldo de transações correntes? Partindo da direita da curva BP, à medida que a renda interna aumenta, aumentam as importações, mas as exportações não acompanham esse movimento − sabemos que estas seriam afetadas somente a partir do câmbio ou da renda externa − levando a um déficit na balança comercial e, então, no saldo de transações correntes. Da mesma forma, partindo da esquerda da curva BP, à medida que a renda se reduz as importações serão menores que as exportações, gerando um superávit no saldo de transações correntes. Caso o governo pretenda atingir tanto o equilíbrio externo, situado em um ponto sobre a BP, quanto o equilíbrio interno, no ponto de interseção da IS-LM Figura 3.10 | Curva BP sem mobilidade de capital Fonte: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 256)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 116 e que corresponde a produto de pleno emprego, com taxa de câmbio e renda externa dadas, haverá um único nível de renda interna compatível com o equilíbrio externo, mas este não será afetado por política fiscal ou monetária (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Que estratégia o governo poderá adotar? A única maneira do governo atingir seu objetivo é fazer com que a renda que equilibra a balança de pagamentos seja exatamente a renda que garanta o pleno emprego. Assim, devemos gerar um volume de exportações autônomas compatível com o volume de importações de pleno emprego. Como vimos, as exportações são função da renda externa e do câmbio. Como o governo não tem condições de controlar diretamente a renda externa, a solução é desvalorizar o câmbio. Sabemos que ao ganhar competitividade, a política de desvalorização cambial amplia as exportações e reduz as importações, pois encarece o produto estrangeiro, isto fará com que a curva BP se desloque para a direita, ampliando o produto para um nível compatível ao do equilíbrio externo. A desvalorização também provocará deslocamento da IS para fora, conforme se apresenta na figura 3.11. Observe que uma desvalorização cambial amplia a demanda por produtos nacionais elevando o emprego interno, mas reduzindo as exportações do resto do mundo e, portanto, a demanda nos demais países, reduzindo o emprego nestes. Essa é a política beggar-the-neighboor, pois se corrige o desemprego interno exportando-o para os demais países (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Figura 3.11 | Desvalorização cambial no modelo IS-LM-BP sem mobilidade de capital Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 258)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 117 Considerando uma economia sem mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, o que acontecerá se o Banco Central adotar uma política monetária expansionista? É importante lembrar que sob taxas de câmbio fixas o Banco Central precisa, sempre que necessário, intervir no mercado de divisas de forma a vender ou comprar moeda estrangeira, para evitar valorização ou desvalorização do câmbio. No caso de uma política monetária expansionista a LM se desloca para baixo (direita), gerando um novo ponto de equilíbrio interno, onde IS-LM se interceptam. Neste ponto a taxa de juros é inferior a inicial, o que leva ao aumento do investimento, a demanda agregada e, portanto, o nível de renda da economia. Com o aumento da renda, as importações se ampliam, levando ao aparecimento de déficits no balanço de pagamentos e uma tendência à desvalorização cambial, pois a demanda por moeda estrangeira aumenta. Como o câmbio é fixo, o Bacen terá de atender à maior demanda por moeda estrangeira, vendendo-a aos agentes, o que provocará uma redução no nível de reservas internacionais e, também, uma redução na oferta de moeda nacional, já que os agentes compraram moeda estrangeira. Isto desloca LM em direção ao ponto inicial, para cima (esquerda), esse processo de redução da oferta de moeda nacional continuará até que o déficit do balanço de pagamentos seja eliminado, ou seja, que o nível de renda volte ao inicial. Isso ocorrerá por que a taxa de juros vai se elevando, à medida que a oferta de moeda diminui, fazendo com que o investimento retorne ao nível inicial e a LM ao ponto de equilíbrio inicial. Conclusão: sem mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, uma política monetária expansionista não tem efeitos sobre a renda da economia. O mesmo seria válido para uma política monetária contracionista, pois a curva LM também retornaria à posição inicial (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Figura 3.12 | Política monetária expansionista no modelo IS-LM-BP sem mobilidade de capital e regime de câmbio fixo Fonte: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 263)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 118 Supondo agora uma política fiscal de aumento dos gastos públicos, sendo que a ilustração gráfica você poderá desenvolver posteriormente. O efeito inicial é o deslocamento da IS para a direita, pois ocorre um aumento da demanda agregada, levando a um aumento do produto e da taxa de juros, para manter o equilíbrio interno. O aumento da taxa de juros provoca uma redução no investimento privado, mas este não chega a anular os efeitos da política fiscal. O aumento do produto da economia, portanto da renda, tende a aumentar o número de transações de bens e serviços, exigindo um acréscimo de moeda para a sua efetuação, porém, a quantidade de moeda nominal na economia é a mesma. O aumento da renda interna provoca déficits no balanço de pagamentos, pois as importações aumentam, gerando maior demanda por moeda estrangeira. Isto força o Bacen a despender reservas internacionais, o que, por sua vez, contrai a oferta de moeda nacional, deslocando LM para cima. Nesse processo a taxa de juros vai se elevando, reduzindo a cada passo o investimento privado, isso ocorrerá até que o nível de renda volte ao original, eliminando o desequilíbrio externo, mas com uma taxa de juros mais elevada. Resumindo, a política fiscal expansionista gera perda de reservas, devido aos déficits temporários, e uma alteração na composição da demanda agregada, ao substituir o investimento privado por gastos públicos. Esta situação é conhecida por crowding-out, em que o aumento do gasto público leva a uma redução do gasto privado, deixando inalterado o produto da economia. 3.3 Curva BP com livre mobilidade de capital Sabemos que sempre há capitais se deslocando instantaneamente de um país para outro, inclusive, isso tem se intensificado com o avanço da globalização. Isto ocorre porque os agentes procuram as melhores remunerações para seus investimentos. Com mobilidade livre de capital, um pequeno diferencial na taxa de juros causa uma entrada massiva de capitais. Há uma única taxa de juros interna que é igual à taxa de juros externa. Neste caso os equilíbrios no balanço de pagamentos são possíveis por meio do ajuste da taxa de juros. Se representarmos a curva BP sem mobilidade de capital no espaço renda no eixo horizontal e taxa de juros no vertical, a curva BP será horizontal, o que podemos observar na figura 3.13.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 119 Podemos deduzir que, com perfeita mobilidade de capital e regime de câmbio for fixo, os Bancos Centrais não terão condições de praticar uma política monetária autônoma, eficaz. Vamos entender como. Por exemplo, se o país adota uma política monetária restritiva para elevar suas taxas de juros, a LM se desloca para cima (esquerda), veja na figura 3.14 que no novo ponto de cruzamento da IS e da LM a taxa de juros é mais elevada, o que provocará uma entrada massiva de capitais, pois os agentes procuram aplicações de melhores rendimentos para suas riquezas. Como resultado, o balanço de pagamentos apresentará um elevado superávit, provocando um excesso de divisas (moeda estrangeira) na economia e uma tendência à valorização da taxa de câmbio. Figura 3.13 | Curva BP com livre mobilidade de capital Figura 3.14 | Política monetária restritiva com livre mobilidade de capital e regime de câmbio fixo Fonte: Adaptada de Lopes e Vasconcellos (2008, p. 259). Fonte: Adaptado de: Dornbusch, Fischer e Startz (2010, p. 298)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 120 Como a taxa de câmbio é fixa o Banco Central precisa intervir para retirar moeda estrangeira do mercado. Ao fazer isto, a oferta de moeda nacional aumenta, colocando a LM em trajetória de retorno ao ponto inicial, a continuação do processo fará com que a LM retorne ao seu ponto inicial, igualando novamente as taxas de juros doméstica e internacional. Assim, o Banco Central não tem controle sobre a política monetária, esta somente se ajustará para garantir a igualdade entre a taxa de juros interna e externa, ou seja, a política monetária é ineficaz. Considerando este mesmo tipo de mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, quais seriam os efeitos sobre a economia de uma política fiscal? Para este caso faremos a análise sem recorrermos aos gráficos, você poderá desenvolvê-los durante seus estudos. Considerando a situação de um aumento dos gastos do governo − política fiscal expansionista − sabemos que isso provocará um aumento da demanda agregada, levando, então, a um aumento da quantidade de moeda necessária para se atender o aumento das transações, o que acaba por gerar um aumento da taxa de juros. A taxa de juros mais elevada do que a externa atrairá a entrada de capitais e um superávit no balanço de pagamentos. Como a taxa de câmbio é fixa, o Banco Central precisa evitar que o câmbio se valorize, para isso intervirá no mercado retirando divisas e colocando moeda nacional, de forma que a oferta nacional de moeda se ampliará, fazendo com que a taxa de juros não se altere, deixando de gerar uma redução dos investimentos. A política fiscal neste caso é totalmente eficaz, com plena operação do multiplicador de gastos keynesiano (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). O que ocorre nesse modelo considerando um regime de câmbio flutuante? A combinação do regime de câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capital nos remete ao chamado Modelo Mundell-Fleming. Na figura 3.15 é ilustrado os efeitos de uma política monetária expansionista. O Modelo Mundell-Fleming foi desenvolvido pelo ganhador do Prêmio Nobel Robert Mundell e do falecido Marcus Fleming, que era pesquisador do Fundo Monetário Internacional. A análise foi desenvolvida na década de 1960, muito antes de entrar em operação os regimes de taxas de câmbio flutuantes, como uma forma de compreensão do funcionamento das políticas econômicas com alta mobilidade capital.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 121 Com taxa de câmbio totalmente flutuante o Banco Central não intervém no mercado de divisas. Os déficits de transações correntes serão financiados com entrada de capitais e os superávits com saída de capitais. Com este regime cambial a política monetária é autônoma. No caso de uma política monetária expansionista, a LM se desloca para baixo (direita), conforme figura 3.15, pressionando a redução da taxa de juros, o que provoca uma saída de capitais ao exterior. A maior procura pela moeda estrangeira desvalorizará a moeda nacional, aumentando a taxa de câmbio e ampliando as exportações. O aumento das exportações leva a um deslocando da curva IS para a direita. A taxa de câmbio se desvalorizará até que a IS intercepte a LM ao nível de taxa de juros internacional. Neste caso a política monetária é plenamente eficaz, pois leva à melhora do saldo de transações correntes, ampliando a demanda por produto doméstico e, portanto, a renda (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Em qual estrutura você acha que a economia brasileira melhor se encaixa: sem mobilidade de capitais ou perfeita mobilidade de capitais? Atualmente, que regime cambial é adotado no Brasil? Figura 3.15 | Política monetária expansionista no modelo Mundell-Fleming Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 271)
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 122 O que acontece no caso de adoção de política fiscal expansionista? Supondo uma redução de impostos, o efeito inicial é um deslocamento da curva IS para a direita, o que pressiona o aumento da taxa de juros, atraindo capitais externos e provocando uma valorização da moeda nacional, portanto, uma queda da taxa de câmbio. Esta situação gera uma perda de competividade dos produtos nacionais, reduzindo as exportações e aumentando as importações, fazendo com que a curva IS retorne à posição inicial, eliminando a pressão no câmbio. Perceba que não ilustramos esta situação graficamente, você poderá realizá-la. Atente-se para o fato de que o aumento da demanda agregada que se gera com a redução de impostos é anulado com a redução da demanda externa que ocasiona a valorização cambial, portanto, o produto da economia se mantém inalterado (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). 1. Quais seriam os efeitos de uma valorização cambial no modelo IS-LM-BP para uma economia sem mobilidade de capital? 2. No modelo Mundell-Fleming qual política econômica é mais eficaz em aumentar o nível de produto da economia? Nesta unidade você aprendeu sobre o modelo IS-LM, podemos resumir os seguintes aspectos: • A derivação das curvas IS e LM e a influência da taxa de juros e da quantidade de moeda nos respectivos mercados de bens e monetário. • As variáveis que deslocam a curva IS e as que deslocam a curva LM.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 123 • Os fatores que afetam as inclinações das curvas. • Os impactos das políticas econômicas no modelo IS-LM. • Os efeitos das políticas econômicas sobre o produto da economia, em regimes de câmbio fixo e flutuante. • Destaca-se que sem mobilidade de capital e regime e câmbio fixo uma política monetária expansionista não tem impacto sobre a taxa de juros e o produto; mas tem impacto, gerando aumento do nível de renda, com câmbio flutuante. • No caso de livre mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, a políticamonetáriaexpansionistamantémonívelderendaconstante. Com câmbio flutuante ocorre aumento do nível de renda. Finalizamos o estudo da unidade 3. Comentei durante a unidade que os estudos do modelo IS-LM vão além daquilo que estudamos aqui. Você poderá aprofundar seus estudos consultando os capítulos 5, 14 e 17 de Blanchard (2011). 1. Sobre o modelo IS-LM é correto afirmar que: a) Foi inicialmente desenvolvido e formalizado por Keynes na Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 124 b) A sigla IS-LM se origina, respectivamente dos termos em inglês investment saving e liquidity Money e estão, respectivamente, relacionadas aos mercados de bens e monetário. c) O modelo IS-LM, assim como o keynesiano considera a oferta agregada. d) A ligação entre o lado real e o lado monetário da economia é realizada pela taxa de investimento. e) Entre as hipóteses consideradas no modelo IS-LM podemos citar os preços constantes. 2. Sobre as curvas IS e LM é correto afirmar que: a) Dada a eficiência marginal do capital, o investimento é definido endogenamente e varia inversamente à taxa de juros. b) A cruz keynesiana pode ser utilizada para derivar a curva IS. c) A curva IS refere-se ao mercado de bens, assim, qualquer fator que afete a oferta agregada desloca a curva IS. d) Com o corte de gastos do governo a curva IS se desloca para a direita. e) A sensibilidade do investimento em relação à taxa de juros desloca a IS. 3. Sobre o modelo IS-LM considere as afirmativas: I. A curva LM é crescente, porém, esta curva pode ser mais ou menos inclinada, isto vai depender das elasticidades
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 125 da demanda de moeda em relação à renda e à taxa de juros. II. Quanto maior a elasticidade da demanda de moeda em relação à taxa de juros, menor será a inclinação da LM. III. Qualquer alteração na oferta real de moeda, o que ocorre em função da política monetária, deslocará a curva IS. IV. Qualquer alteração na oferta real de moeda, o que ocorre em função da política monetária, deslocará a curva LM. Estão corretas as afirmativas: a) I, II e IV. b) II, III e IV. c) II e III. d) III e IV. e) I, III e IV. 4. Sobre o modelo IS-LM-BP considere as afirmativas. I. Esboçando a curva BP sem mobilidade com a renda no eixo horizontal e taxa de juros no vertical, a curva BP será horizontal. II. Caso o governo pretenda atingir tanto o equilíbrio externo, situado em um ponto sobre a BP, quanto equilíbrio interno, no ponto de interseção da IS-LM, a solução é valorizar o câmbio. III.Apolíticabeggar-the-neighboorcorrigeodesemprego interno exportando-o para os demais países.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 126 IV. Sem mobilidade de capital e taxa de câmbio fixa, uma política monetária expansionista não tem efeitos sobre a renda da economia. Estão corretas as afirmativas: a) I e II, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. 5. Sobre o modelo IS-LM-BP considere as afirmativas. I. Com mobilidade livre de capital um pequeno diferencial na taxa de juros causa uma entrada massiva de capitais. II. A curva BP sem mobilidade de capital é vertical. III. Com perfeita mobilidade de capital e regime de câmbio for fixo, os Bancos Centrais não terão condições de praticar uma política monetária autônoma eficaz. IV. Com taxa de câmbio totalmente flutuante e perfeita mobilidade de capitais a política monetária expansionista é plenamente eficaz. Estão corretas as afirmativas: a) II, III e IV. b) II e III. c) I, II e IV. d) III e IV.
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    Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP U3 127 e) I, III e IV.
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    U3 129 Estrutura Geral daAnálise Macroeconômica: IS-LM e IS-LM-BP Referências BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011. BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 6.743, de 15 de janeiro de 2009. Dá nova redação ao art. 2º do Decreto nº 6.687, de 11 de dezembro de 2008, que altera a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6743.htm>. Acesso em: 15 set. 2015. DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley; STARTZ, Richard. Macroeconomia. 10. ed. São Paulo: McGraw Hill, 2010. LOPES, Luiz Martins; VASCONCELLOS, Marco Antonio. S. Manual de macroeconomia: básico e intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MANKIW, N. G. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2004. PARKIN, M. Macroeconomics. 10th ed. Boston: Pearson, 2010.
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    Unidade 4 O PAPELDA POLÍTICA ECONÔMICA Carlândia Brito Santos Fernandes Objetivos de aprendizagem: O objetivo desta última unidade é compreender o papel das políticas econômicas integrando os mercados de bens, financeiro e de trabalho. Nesta seção aprenderemos a derivar as curvas de oferta agregada e demanda agregada, obteremos o equilíbrio entre essas duas curvas e analisaremos os impactos de algumas políticas econômicas sobre o nível de produto/renda da economia, preços e taxa de juros. Seção 1 | O modelo de oferta agregada e demanda agregada (OA-DA) Nesta seção derivaremos a curva de Phillips da relação de oferta agregada e entenderemos as questões relacionadas a inflação e desemprego. Nesta seção compreenderemos a questão das expectativas adaptativas e racionais e estudaremos as explicações das novas teorias para as flutuações econômicas. Seção 2 | A curva de Phillips Seção 3 | Expectativas, novo-clássicos, ciclos reais de negócios e novo-keynesianos
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    O papel dapolítica econômica U4 133 Introdução à unidade Sabemos que modelo IS-LM representa o comportamento do mercado de bens e do mercado financeiro e que neste modelo podemos fazer diferentes análises das políticas econômicas. Porém, neste modelo, não se incluem inflação e desemprego, pois os preços (e salários) são constantes. Isto não acontece no modelo de oferta agregada e demanda agregada. Neste caso, os preços são flexíveis o que nos permitirá analisar situações que vão do curto ao longo prazo. Porém não deixaremos de lado o modelo IS-LM, o utilizaremos em diferentes momentos, por exemplo, nas análises dos efeitos de políticas monetárias e/ou fiscais sobre a economia, em conjunto com as relações de oferta agregada e demanda agregada, isto é, envolveremos todos os mercados nas análises. A questão da inflação será abordada nessas análises, mas também será examinada a sua relação com a taxa de desemprego. Através da análise do comportamento do mercado de trabalho e da curva de Phillips faremos a transição para o estudo das expectativas adaptativas e racionais, bem como para as novas teorias de explicações das flutuações econômicas, em que abordaremos as ideias dos novo-clássicos, ciclos reais de negócios e novo-keynesianos. Caro aluno, como nesta unidade agregaremos nos estudos diferentes mercados, as análises gráficas, por consequência, serão mais amplas, com mais curvas e alterações, inclusive. Por isso, peço que acompanhe cada raciocínio e sempre resolva os exercícios e questões para reflexão, esses sempre ajudam no entendimento do assunto. Caso tenha dúvidas procure seu tutor. Combinado?
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    O papel dapolítica econômica U4 135 Seção 1 O modelo de oferta agregada (OA) e demanda agregada (DA) Introdução à seção Nesta seção, utilizando o modelo IS-LM, aprenderemos a derivar a curva de demanda agregada. E a curva de oferta agregada, também será derivada do modelo IS-LM? A resposta é não, pois precisamos da variação nos preços para derivá-la. Assim, derivaremos a curva de oferta agregada a partir do comportamento do mercado de trabalho, por isso, retomaremos algumas questões sobre este mercado e aprenderemos outras, como os conceitos de taxa natural de desemprego e produto natural. Nesta seção também veremos que por trás da forma como os agentes definem preços e salários há a questão das expectativas, porém, este conceito será explorado, de forma mais ampla, na seção 4.3. Após entendermos a passagem do modelo IS-LM para o modelo OA-DA, estudaremos os impactos de políticas econômicas no contexto de ambos os modelos. Esta trata-se de uma análise dinâmica, pois percorreremos do curto para o longo prazo sempre atentos aos efeitos sobre diferentes variáveis, como os preços e salários, a oferta, a demanda, a moeda, os juros e, principalmente, o produto. 1.1 Derivando a demanda agregada Na unidade 3 estudamos o modelo IS-LM, que tem como base as ideias de Keynes, sendo assim, o nível de preços é inflexível. Antes de iniciarmos a análise do modelo OA-DA, deduziremos e entenderemos o comportamento da demanda agregada, a qual, como você deve estar se recordando, está diretamente relacionada ao modelo IS-LM. Desta forma, utilizaremos este modelo para deduzirmos a demanda agregada. Caro aluno, você se recorda do conceito de demanda agregada que abordamos na primeira unidade deste livro? Vamos relembrá-lo. A demanda agregada (DA) relaciona a quantidade demandada de bens e serviços e o nível geral de preços, de forma que a sua curva expressa a quantidade de bens e serviços que serão
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    O papel dapolítica econômica U4 136 adquiridos a dado nível de preços. Na segunda e terceira unidade deste livro vimos que a demanda agregada também pode ser chamada de despesa planejada, já que indica a quantidade total que a coletividade tem intenção de obter/comprar em produtos e serviços em dado período e a um determinado nível de preços. A partir deste conceito de demanda agregada, precisamos então migrar da relação gráfica do modelo IS-LM, que é esboçado no espaço taxa de juros e renda, para a relação gráfica entre nível de preços e renda. Destacando que no modelo OA-DA o nível de preços é flexível. Nas unidades anteriores vimos que as alterações na quantidade real de moeda na economia se originam de alterações realizadas pelo Banco Central na oferta nominal de moeda, mas podem se originar também de alterações no nível de preços. Vamos entender isso. Imagine que ocorra um aumento de 8% no nível geral de preços, isto é, um aumento na taxa de inflação. O impacto será uma redução real de 8% sobre o estoque real de moeda, os indivíduos perdem poder de compra. Conforme afirma Blanchard (2011), tanto a redução nominal de moeda quanto o aumento no nível de preços provocam o mesmo efeito sobre a oferta real de moeda. Assim, se o Banco Central decide reduzir a oferta nominal de moeda em 8% o impacto também será de uma redução de 8% no estoque real de moeda. A figura 4.1 apresenta a derivação da demanda agregada a partir do modelo IS-LM, conforme podemos observar no painel (a). Partindo de um equilíbrio no mercado de bens e financeiro, veja que um aumento nos preços, de P1 para P2 , provoca um deslocamento da curva LM para cima (esquerda), para LM (P2), pois, conforme discutimos anteriormente, com o aumento nos preços os indivíduos perdem poder de compra, há uma contração da oferta real de moeda, a taxa de juros se eleva de r1 para r2 , consequentemente, a dado montante nominal de moeda, os indivíduos adquirirão menos produtos. Acompanhando esse mecanismo o nível de produto da economia contrai de Y1 para Y2 , o que, em conjunto com a elevação dos juros, reequilibra o mercado monetário (ou de ativos). Atente-se para o fato de que a relação negativa entre o produto da economia e o nível de preços é expressa como a curva de demanda agregada negativamente inclinada, apresentada no painel (b) da figura 4.1. Assim, quanto maior o nível de preços, menor o produto da economia, destacando que, sob a curva de demanda agregada os mercados de bens e de ativos estão em equilíbrio (BLANCHARD, 2011; LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
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    O papel dapolítica econômica U4 137 A curva de demanda agregada pode se deslocar? A resposta é sim. Na situação que analisamos anteriormente isso não ocorre porque as alterações iniciais foram no nível de preços, mas se ocorrerem alterações nos componentes da despesa planejada ou no estoque de moeda, a curva DA sofrerá deslocamentos. Podemos colocar isso da seguinte forma: sempre que a curva IS ou LM se deslocar, desde que não seja em função de alteração nos preços, a curva de demanda agregada também se deslocará (BLANCHARD, 2011). O que você acha de verificarmos os efeitos de uma política fiscal contracionista sobre a curva de demanda agregada? Vejamos. Considerando uma redução nos gastos do governo, sendo este um dos grandes demandadores da economia, ocorre uma redução na aquisição de bens e serviços. Assim, a um dado nível de preços, a curva IS, que representa o mercado de bens, se desloca para a esquerda, de IS1 para IS2 , conforme podemos observar no painel (a) da figura 4.2, provocando uma redução no produto de equilíbrio e na taxa de juros de equilíbrio. Seguindo o efeito, no painel (b) a curva de demanda agregada se desloca para baixo. Veja que neste caso, os preços permanecem em P1 , de forma que a curva LM também não se altera. Figura 4.1 | Derivando a demanda agregada Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 125)
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    O papel dapolítica econômica U4 138 Figura 4.2 | Efeito da política fiscal contracionista sobre a curva DA Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 214) O que aconteceria na situação de política monetária contracionista? Considere que, como estratégia para o controle da taxa de inflação, o Banco Central adote uma política de redução do estoque nominal de moeda da economia, por meio de operações de open market, por exemplo. Neste caso o Banco Central irá vender títulos públicos ao público, o que provocará a redução da oferta nominal de moeda, deslocando a curva LM para a esquerda, de LM1 para LM2 . A redução do estoque nominal de moeda gera um aumento da taxa de juros, que por sua vez, impactará negativamente os investimentos na economia, o que se reflete no deslocamento da curva DA para a esquerda, contraindo o produto/renda da economia para Y2 . Veja na figura 4.3 que, assim como na situação exposta anteriormente, o nível de preços não se altera.
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    O papel dapolítica econômica U4 139 Figura 4.3 | Efeito da política monetária contracionista sobre a curva DA Fonte: Adaptado de: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 213) Open market é um instrumento da política monetária e representa as compras e vendas de títulos públicos pelo Banco Central. Há outros instrumentos de política monetária. Você pode recordá-los consultando o capítulo 16 do livro de MANKIW, N. G. Princípios de macroeconomia. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013. Disponível na biblioteca digital.
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    O papel dapolítica econômica U4 140 No caso de uma política fiscal de redução de impostos, quais seriam os impactos sobre a demanda agregada? Como ilustrar essa situação graficamente? No caso de uma política monetária expansionista, quais seriam os impactos sobre a demanda agregada? Como ilustrar essa situação graficamente? 1.2 Derivando a oferta agregada Na unidade 1 estudamos que a curva de oferta de longo prazo, ou clássica, a curva de oferta agregada é vertical. Dado que os preços são flexíveis, alterações na demanda agregada provocam alterações nos mesmos, porém, o nível de produto da economia, não se altera, mantém-se no nível potencial. Na unidade 2 vimos que a curva de oferta agregada de curto prazo, ou do modelo keynesiano, é horizontal, pois os preços são inflexíveis. Neste caso, alterações na demanda agregada geram alterações no nível de produto da economia. No entanto, é possível retratar uma situação para a oferta agregada em que não seja horizontal, nem vertical. Este é um caso intermediário, em que a curva de oferta agregada é positivamente inclinada, tendo o preço no eixo vertical e produto no horizontal. Este tipo de oferta agregada, que é possível expressar o trade-off, crescimento versus inflação na análise da política econômica, é frequentemente abordado na literatura (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Em breve o estudaremos. Primeiramente veremos como derivar a curva de oferta agregada a partir do comportamento do mercado de trabalho. A relação de oferta agregada representa os impactos do produto sobre o nível de preços e pode ser derivada do comportamento dos salários e preços. Vejamos. O salário nominal (W) depende do nível esperado de preços (Pe ), da taxa de
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    O papel dapolítica econômica U4 141 desemprego (u) e de outros fatores (z) que possam afetar a determinação dos salários, como o salário mínimo e a estabilidade do mercado de trabalho (BLANCHARD, 2011). Assim, a determinação do salário pode ser expressa da seguinte forma: W = Pe F (u.z) O preço (P) fixado pelas empresas é igual ao salário nominal multiplicado pela soma de 1 com a margem (µ), ou markup, do preço sobre o custo (BLANCHARD, 2011). Assim, temos: P = (1+µ) W A partir das duas relações mostradas anteriormente podemos derivar uma relação entre o nível de preços, o nível de produto e o nível de preços esperados. Para isto, precisamos substituir na expressão (2) o salário nominal por sua respectiva expressão (1), obtendo (3). P = Pe (1+µ) F (u.z) Assim, na expressão (3) temos que o nível de preços depende do nível de preços esperado, da taxa de desemprego, como também da margem e dos outros fatores que afetam os salários, mas estes dois últimos serão considerados constantes (BLANCHARD, 2011). Podemos verificar a relação entre desemprego (U), emprego (N) e a população economicamente ativa (L) da seguinte forma: u ≡ U L = L-N L = 1 - N L = 1 - Y L Da expressão (4) o primeiro termo representa o conceito da taxa de desemprego, isto é, da proporção da população economicamente ativa que encontra-se sem trabalho; o segundo indica que o nível de desemprego é igual à força de trabalho ou população economicamente ativa menos a parcela empregada; o terceiro termo é apenas uma simplificação da fração. Supondo, por simplificação, que o trabalho é o único fator de produção utilizado pelas empresas, de forma que para obter uma unidade de produto é necessário um trabalhador. Tudo o mais constante, podemos escrever (Y=N), assim, o quarto termo indica a taxa de desemprego em termos de produto. Para dada força de trabalho, quanto maior o produto, menor a taxa de desemprego (BLANCHARD, 2011). Substituindo a taxa de desemprego da equação (3) pelo quarto termo da equação (4) teremos a relação de oferta agregada (5). P = Pe (1+µ) F 1- Y L , z A expressão (5) significa que o nível de preços depende do nível esperado de preços, Pe , e do nível de produto, Y, e também de µ, z, e L, mas, seguindo o que adotamos para a expressão (3), vamos supor que esses sejam constantes. (1) (2) (3) (4) (5) ( )
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    O papel dapolítica econômica U4 142 Observando a equação (5) o que acontece com o nível de preços quando o produto (Y) aumenta? Caro aluno, para facilitar o entendimento siga o seguinte raciocínio, conforme indica Blanchard (2011). Uma elevação do nível de produção gera, por parte das empresas, uma elevação da contratação de trabalhadores, isto é, ocorre uma ampliação do emprego, que, consequentemente, gera uma redução do desemprego, e, então, da taxa de desemprego. Sempre que há menos pessoas desempregadas, que a taxa de desemprego é menor, o que ocorre? As empresas terão certa dificuldade em contratar trabalhadores, então, ocorre uma elevação do salário nominal. Porém, os salários nominais mais elevados fazem com que as empresas fixem preços em patamares mais altos, já que estes dependem diretamente daqueles, de forma que ocorrerá um aumento do nível de preços. Em resumo, um nível de produção mais elevado está diretamente associado a um nível de preços mais elevado. Agora, observe novamente a equação (5) e tente inferir o que acontece com o nível de preços quando os preços esperados pelos indivíduos são mais elevados. Neste caso, se os sindicatos e empresas esperam preços mais elevados (estamos considerando que os salários são negociados de forma coletiva) o salário nominal será estabelecido em um patamar mais elevado, o que ocasionará um aumento de custos para as empresas, então, estas fixarão os preços de seus produtos em níveis mais elevados. Assim, um acréscimo do nível esperado de preços provoca um acréscimo do nível de preços efetivo de mesma magnitude (BLANCHARD, 2011). Agora já temos os elementos suficientes para representar graficamente a curva de oferta agregada (OA). Teremos uma curva de OA positivamente inclinada, conforme figura 4.4, pois quanto mais elevada a quantidade produzida na economia, maior o nível de preços. Veja que a curva OA passa pelo ponto em que o nível de preços (corrente ou efetivo) é igual ao nível esperado de preços, onde o produto correspondente é o de pleno emprego (Yp ), ou nível natural de produto (Yn ). De outra forma, o produto não se altera apenas quando o mercado de trabalho está em equilíbrio, ou seja, quando está na taxa natural de desemprego (un ). A igualdade entre os preços efetivos e esperados, isto é, de diferentes períodos, indica que a economia está em uma situação de pleno emprego1 (LOPES; VASCONCELLOS, 2008; BLANCHARD, 2011). Precisamos entender os conceitos de nível natural de produto e de taxa natural de desemprego. Esta é a taxa de desemprego que ocorre em uma situação de equilíbrio de longo prazo. Mesmo quando há pleno emprego dos fatores de produção, há algum nível de desemprego, assim, a taxa de desemprego natural é conceituada como a diferença entre o total de trabalhadores, a população 1 Lopes e Vasconcellos (2008) afirmam que, em termos formais, tanto faz usar o nível de preços esperados ou o nível de preços passados, já que estes representam um caso particular de formação de expectativas, em que os agentes esperam que o nível de preços do passado recente irá permanecer no período corrente.
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    O papel dapolítica econômica U4 143 economicamente ativa, e os trabalhadores que efetivamente trabalham em uma situação de pleno emprego em relação ao total de trabalhadores. Em termos gerais, a taxa de desemprego natural é a taxa de desemprego de pleno emprego (LOPES; VASCONCELLOS, 2008; BLANCHARD, 2011). Associada à taxa natural de desemprego está o nível natural de emprego, ou seja, o número de indivíduos que se mantêm empregados quando o desemprego está no nível de pleno emprego. Associado ao nível natural de emprego está o nível natural de produto, o produto de pleno emprego (BLANCHARD, 2011). A curva de oferta agregada pode se descolar e isso acontecerá sempre que ocorrer uma mudança no nível esperado de preços. Tendo como dados o nível de produto e da taxa de desemprego, uma diminuição no nível esperado de preços gera uma diminuição dos salários, ocasionando uma contração do nível de preços efetivo. Neste caso, a curva de OA se move de OA1 para OA2 , conforme ilustrado na figura 4.5. Caso a situação fosse de aumento do nível esperado de preços, a curva de OA teria se movimentado para cima. Caro aluno, você poderá ampliar seus conhecimentos sobre o comportamento do mercado de trabalho estudando o capítulo 6 do livro do Blanchard (2011), que está disponível na biblioteca digital. Figura 4.4 | Curva de oferta agregada Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p. 123)
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    O papel dapolítica econômica U4 144 Figura 4.5 | Deslocamento da curva de oferta agregada Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.124) 1.3 Equilíbrio entre demanda agregada e oferta agregada O ponto de equilíbrio entre a demanda agregada e a oferta agregada será o ponto onde as duas curvas se interceptarem. As análises dos equilíbrios dependerão se estamos considerando o curto prazo ou o longo prazo2 . Vamos iniciar pelo curto prazo? Combinando as curvas de oferta e demanda agregada, conforme figura 4.6, nós obtemos um ponto de equilíbrio correspondente a P* e Y*, no qual todos os mercados envolvidos estão em equilíbrio, isto é, o de bens, o financeiro e o de trabalho. Veja que neste caso não fizemos Y=Yn , como fizemos na figura anterior, pois não há razões para isso. Qualmercadoestáassociadoàcurvadeofertaagregada?Quais mercados estão associados à curva de demanda agregada? 2 Alguns autores, como Blanchard (2011), preferem se referir ao longo prazo como médio prazo.
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    O papel dapolítica econômica U4 145 Figura 4.6 | Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada Tomando como base os argumentos de Blanchard (2011), vamos entender o que acontece entre o curto e o longo prazo. Observando a figura 4.7, o ponto de equilíbrio de curto prazo é o ponto A, em que o nível de produto é superior ao produto natural ou de pleno emprego. Se isto ocorre, então o nível de preços efetivo é superior ao nível esperado de preços. Assim, os sindicatos e empresas provavelmente ajustarão suas expectativas quantos ao nível de preços. No próximo momento em que esses agentes forem fixar o nível de remuneração nominal do trabalho, o farão considerando um patamar mais elevado para os preços futuros. Desta forma, no próximo período a curva de OA se movimentará para OA’. Com isto, o equilíbrio muda de A para A’, com nível de preços mais alto e produto inferior, este último contrai de Y para Y’, que ainda é superior ao produto natural. Desta forma, o ajuste continua até que Y seja igual a Yn , e o nível de preços efetivo seja igual ao esperado, é o que ocorre no ponto A’’. Para concluir, podemos afirmar que a longo prazo o nível de produto retorna para o nível de pleno emprego. Lopes e Vasconcellos (2008) afirmam que no prazo é possível obter níveis de produto mais elevados, mas para isto tem que se aceitar níveis de preços mais altos. Uma política econômica não prevista pelo público que amplie a demanda agregada da economia, consequentemente, desloque a curva de demanda agregada para a direita, no curto prazo tem impacto positivo sobre o produto, mas também eleva os preços. De forma geral, políticas expansionistas não previstas pelo público provocarão no curto prazo tanto elevação do produto quanto dos preços, mas no longo prazo, somente os preços serão afetados. Assim, a curva de oferta agregada de longo prazo é vertical ao nível do produto de pleno emprego, Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.127)
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    O papel dapolítica econômica U4 146 conforme defendido pela macroeconomia clássica (neoclássicos) (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). 1.4 O papel das políticas econômicas no modelo OA-DA Podemos analisar os efeitos de políticas econômicas no produto ou renda da economia por meio da interação entre os modelos OA-DA e IS-LM, algo similar às situações que analisamos para as figuras 4.2 e 4.3, com a diferença de que agora teremos tanto a curva de DA quanto a de OA. Não se preocupe com a complexidade que os gráficos parecem ter, conduzirei a análise com o máximo de detalhes possível, combinado? Vamos iniciar por uma política fiscal expansionista, de expansão dos gastos do governo, ou de expansão do déficit orçamentário, por exemplo. Já estudamos em outras situações que com este tipo de política a curva IS se descola para a direita, aumentando o produto e a taxa de juros. De outra forma, considerando que nosso ponto inicial era a taxa natural de produto (Yn) o resultado da mudança da curva IS é um nível de produto superior ao nível natural, ou de pleno emprego, e uma taxa de juros mais elevada, o que está representado graficamente no painel (a) da figura 4.8. No painel (b), a política fiscal expansionista desloca a curva DA para a direita (cima), elevando os preços de P1 para P2, sendo superiores ao nível de preços Figura 4.7 | Equilíbrio entre oferta agregada e demanda agregada Fonte: Blanchard (2011, p. 128)
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    O papel dapolítica econômica U4 147 Figura 4.8 | Efeitos da política fiscal expansionista nos modelos OA-DA e IS-LM futuro. Estamos então no ponto B da figura 4.8, que é o novo ponto de equilíbrio de curto prazo. Precisamos agora entender a transição para o longo prazo. Uma vez que, no ponto B, os preços são mais elevados, os sindicatos e empresas ajustarão para cima suas expectativas com relação aos preços. Este aumento no nível esperado de preços movimentará a curva de oferta agregada para cima, gerando um novo aumento no nível de preços efetivo. O mecanismo se inicia novamente, os sindicatos e empresas novamente ajustarão suas expectativas para os preços, deslocando a curva OA para cima. Este processo se dará gradativamente, até que o nível de produto retorne ao nível natural, o que ocorrerá no ponto C, no qual os agentes não têm motivos para ajustar suas expectativas de preços, pois os preços correntes são iguais aos esperados, finalizando o processo de ajuste Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.135)
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    O papel dapolítica econômica U4 148 do curto para o longo prazo. Voltando ao painel (a), observe que o aumento de preços que ocorre entre o curto e o longo prazo, que indica uma redução na oferta real de moeda, acaba provocando um deslocamento da curva LM para cima, e continuará se deslocando para cima até que o produto atinja o nível de pleno emprego, o inicial, ou seja, o ponto C, porém com uma taxa de juros mais elevada, r3 . Concluindo, os efeitos de uma política fiscal expansionista nos modelos OA-DA e IS-LM são de produto ao nível de pleno emprego, mas com preços superiores àqueles que prevaleciam antes da medida. Vamos analisar agora os efeitos de uma política monetária contracionista. Caro aluno, quais serão os efeitos de uma redução da oferta de moeda sobre o produto da economia, preços e taxa de juros? Vamos entender isso? O primeiro efeito de uma política monetária contracionista é uma contração da curva LM para a esquerda (cima), provocando uma expansão da taxa de juros e uma retração na quantidade produzida. Ilustramos isso no painel (a) da figura 4.9, observe que a curva LM se altera de LM1 para LM2 , a taxa de juros passa de r1 para r2 e o produto de Yn para Y1 . Observando o painel (b), perceba que a política econômica de contração monetária também causa impacto no modelo OA-DA. O deslocamento da curva LM para a esquerda está associado a um deslocamento da curva DA também para a esquerda, de DA1 para DA2 , de forma que no novo ponto de equilíbrio de curto prazo, o ponto B, o nível de produto é menor do que aquele que prevalecia no equilíbrio inicial, ou seja, no ponto A. Da mesma forma, o nível de preços corrente também é inferior ao nível inicial e inferior ao nível esperado de preços. Passando do curto prazo para o longo prazo, considerando que os preços reduziram, e como sabemos, os agentes ajustarão suas expectativas de preços para baixo, deslocando a curva de OA para baixo, de OA1 para OA2 , provocando nova queda no nível de preços correntes. Gradativamente os preços vão se reduzindo e os agentes vão ajustando suas expectativas de preços, até que o nível de preços correntes seja igual ao esperado e nível de produto retorne ou nível de pleno emprego, isto é, que a economia atinja o equilíbrio de longo prazo. É importante entendermos que a redução dos preços que ocorre neste processo, representa um aumento real da oferta de moeda, os indivíduos terão um maior poder de compra, assim, a curva LM se desloca para baixo, em um movimento em direção ao seu ponto inicial. Este movimento continuará até que o nível de produto retorne ao seu nível inicial, no ponto A, em que a taxa de juros também retorna ao nível inicial, r1 . Podemos concluir que o equilíbrio de longo prazo se dará no ponto C, em que o nível de preços é inferior ao inicial, mas o nível de produto é o mesmo que prevalecia antes da política monetária contracionista, em seu nível natural ou de pleno emprego.
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    O papel dapolítica econômica U4 149 Fonte: Adaptado de: Blanchard (2011, p.131) Figura 4.9 | Efeitos da política monetária contracionista nos modelos OA-DA e IS-LM 1. A demanda agregada (DA) relaciona a quantidade demandada de bens e serviços e o nível geral de preços, de forma que a sua curva expressa a quantidade de bens e serviços que serão adquiridos a dado nível de preços. Sobre esta curva avalie as afirmações abaixo: I. A curva de demanda agregada é derivada dos impactos de alterações no nível de preços da economia sobre o equilíbrio no mercado de bens e financeiro. II. A curva de demanda agregada é positivamente inclinada
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    O papel dapolítica econômica U4 150 devido ao comportamento da taxa de juros. III. A curva de demanda agregada é decrescente, pois quanto maior o nível de preços, menor o produto da economia e, da mesma forma, quanto menor o nível de preços maior o nível de produto da economia. IV. A curva de demanda agregada é constante, não sofre deslocamento, pois o nível de preços no modelo IS-LM é constante. Estão corretas as afirmativas: a) I e IV. b) I, II e IV. c) I, II e III. d) I e III. e) II, III e IV. 2. A curva de oferta agregada, positivamente inclinada, representa os impactos do produto sobre o nível de preços. Sobre esta curva avalie as afirmações abaixo: I. Assim como a curva de demanda agregada, a curva de oferta agregada é derivada a partir do modelo IS-LM. II. A relação de oferta agregada pode ser derivada do comportamento dos salários e preços, ou seja, do comportamento do mercado de trabalho. III. A curva de oferta agregada se desloca sempre que ocorrer uma mudança no nível esperado de preços. IV. Dados o nível de produto e a taxa de desemprego, uma elevação no nível esperado de preços gera um aumento dos salários, elevando o nível de preços efetivos e deslocando a curva OA para cima. Estão corretas as afirmativas: a) I e IV. b) I, II e IV. c) I, II e III. d) I e III. e) II, III e IV.
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    O papel dapolítica econômica U4 151 3. Sobre o modelo oferta agregada e demanda agregada, avalie as afirmações abaixo: I. Se o nível de produto é inferior ao produto natural ou de pleno emprego, o nível de preços efetivo é inferior ao nível esperado de preços. II. A análise conjunta de políticas econômicas nos modelos IS-LM e OA-DA expressa a dinâmica da economia, por meio do ajuste das expectativas de preços e salários do curto para o longo prazo, no qual o nível de produto é igual ao natural. III. Uma política fiscal expansionista nos modelos OA-DA e IS-LM provoca redução nos preços e nas taxas de juros e o nível de produto volta ao nível natural. É correto o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) III, somente. d) III e II. e) I, II e III.
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    O papel dapolítica econômica U4 153 Seção 2 A curva de Phillips Introdução à seção O economista neozelandês Alban William Phillips, na época, professor da London School of Economics, publicou em 1958 o artigo intitulado “The relationship between unemployment and rate of change of money wages in the United Kingdom, 1861-1957”. O autor relaciona a taxa de desemprego com a taxa de variação do salário nominal, um indicativo para a taxa de inflação, para o Reino Unido e conclui que existia uma relação inversa entre estas duas variáveis. Nesta seção veremos a evolução da curva de Phillips e aprenderemos a derivá-la da relação de oferta agregada, tornando possível a análise de inflação e desemprego no contexto do modelo OA-DA 2.1 A curva de Phillips: origem e transformações Para Phillips (1958) quanto mais alta a taxa de desemprego, mais baixa seria a taxa de inflação salarial, havendo então, um trade-off. Esta relação é ilustrada na figura 2.10, conforme apresentada em artigo.
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    O papel dapolítica econômica U4 154 Fonte: Phillips (1958, p. 285) e Dornbusch, Fischer e Startz (2010, p. 117) Figura 2.10 | A curva de Phillips O termo “curva de Phillips”, para a relação apresentada na figura 4.10, somente foi estabelecido após a publicação do artigo de Samuelson e Solow (1960), que consideraram uma relação entre desemprego e taxa de inflação para os Estados Unidos. A curva de Phillips rapidamente se tornou uma base da análise de políticas macroeconômicas, sugerindo que os formuladores de política econômica poderiam escolher combinações diferentes de taxas de desemprego e inflação. Por exemplo, poderiam ter desemprego baixo à medida que suportassem uma inflação alta, ou poderiam sustentar a inflação baixa tendo um desemprego alto (DORNBUSCH; FISCHER; STARTZ, 2010). O que uma sociedade deveria escolher: baixo desemprego e inflação alta ou inflação baixa e desemprego alto?
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    O papel dapolítica econômica U4 155 Segundo Roll (2007), a determinação do ponto da curva de Phillips para uma dada sociedade, ou seja, se essa sociedade teria a taxa de inflação ou desemprego alto, dependeria da atuação do governo. Assim, se o momento fosse de baixa demanda agregada e alto nível de desemprego, o governo (policy maker) poderia ampliar seus gastos, para com isso diminuir o nível de desemprego, aceitando uma taxa de inflação mais elevada. Ao contrário, numa conjuntura em que a inflação superasse um patamar suportável, promover-se-ia um corte de gastos, o que causaria deslocamentos para a esquerda nas curvas de demanda, e assim, queda nos preços, na produção e, consequentemente, no emprego. Essa política representaria uma opção por menor inflação e maior desemprego. A relação mostrou-se verdadeira até a década de 70 quando os choques do petróleo de 1973 e 1979 provocaram aumento no nível de preços, evidenciando que a inflação elevou por fatores não diretamente relacionados aos custos com o fator trabalho. Outra razão para o fracasso da curva de Phillips original é o fato de, nos Estados Unidos, a partir dos anos 60, a inflação ter entrado em trajetória crescente consistente, fazendo com que os agentes ajustassem suas expectativas de preços/inflação. Esperar que os preços do ano corrente fossem os mesmo do ano passado tornou-se incorreto (BLANCHARD, 2011). Ainda segundo este autor no período avaliado por Phillips, Samuelson e Solow, a média de inflação era igual a zero, o que fazia com que as expectativas não interferissem no modelo. De fato, a partir da década de 70 a relação descrita acima entre desemprego e inflação na economia americana desapareceu, quando o desemprego aumentava a inflação também aumentava. Samuelson e Solow não apresentaram nenhuma resposta para o problema, neste contexto destacam-se os argumentos elaborados por Friedman. Para Friedman o que ocorreu foi um deslocamento da curva de oferta para a direita, já que os agentes econômicos não tinham mais expectativas de que os preços se manteriam inalterados. Assim, alguma taxa de inflação positiva passou a integrar as expectativas dos agentes devido à inflação que ocorreu durante os anos 60 e início de 70. Trabalhadores têm interesse no seu salário real, isto justifica o cálculo do salário futuro, levando em conta as expectativas de inflação. Dada essa aceleração inflacionária, o trade-off inflação e desemprego só vale no curto prazo. No longo prazo, o governo não conseguirá manter indefinidamente a inflação acima do esperado, uma vez que os agentes aprenderam com os erros do passado. Assim, no longo prazo a curva é vertical, a economia situar-se-á na taxa natural de desemprego e qualquer tentativa de reduzi-la apenas gerará inflação (FROYEN, 2013). 2.2 Derivando a curva de Phillips a partir da relação de oferta agregada A análise do processo inflacionário é de difícil visualização no modelo OA-DA,
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    O papel dapolítica econômica U4 156 mas isso pode ser facilitado se inserirmos a curva de Phillips nesse modelo. De fato, a curva de Phillips pode ser derivada com base na oferta agregada (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Seguindo Blanchard (2011), partiremos da equação (3), repetida abaixo, que é a relação de oferta agregada entre o nível de preços efetivo, o nível esperado de preços e a taxa de desemprego. P = Pe (1+µ) F (u,z) Essa relação pode ser reescrita para estabelecer uma relação entre inflação, inflação esperada e taxa de desemprego. Então, assumiremos para a função F a seguinte forma: F (u,z) = 1 - au+z A expressão (6) indica que quanto maior a taxa de desemprego, menor o salário e que, quanto maior z, mais elevado o salário. Sendo α o impacto do desemprego sobre o salário. Agora, substitua a função (6) na relação inicial de oferta agregada, de forma que obteremos: P = Pe (1+µ) (1 - au+z) Sendo π a taxa de inflação e πe a taxa de inflação esperada, então a expressão (7) pode ser reescrita como: π = πe +(u+z) - au Blanchard (2011) afirma que a partir da equação (8): • Uma ascensão da inflação esperada, πe , leva ao avanço da inflação,π. • Dada a inflação esperada, πe , um aumento no markup, µ, ou um aumento nos fatores que afetam a determinação do salário, z, leva a um aumento na inflação. (6) (7) (8) Caro aluno, a passagem da expressão (7) para a (8) envolve algumas manipulações matemáticas, por isso não a apresentei nesta seção. O importante é que você compreenda a ideia das equações acima. Caso você queira estudar a passagem consulte o apêndice do capítulo 8 do livro do Blanchard (2011), disponível na biblioteca digital.
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    O papel dapolítica econômica U4 157 • Dada a inflação esperada, πe , um aumento na taxa de desemprego, u, leva a uma queda na inflação, π. Para referir-se à inflação, inflação esperada ou desemprego em um ano específico, a equação (8) precisa incluir um indicador de tempo, como se segue: πt = πt e + (µ+z) - aut A variáveis πt ,πt e eut referem-se, na mesma ordem, à inflação, inflação esperada e desemprego no ano t. Veja que µ e z são consideradas constantes, por isso, não têm indicador de tempo (BLANCHARD, 2011). Agora temos os elementos suficientes para derivarmos a versão da curva de Phillips. Blanchard (2011) afirma que o período analisado por Phillips, Samuelson e Solow, por volta de 1960, para a relação entre desemprego e inflação, apresentava uma taxa média de inflação próxima de zero. Se a taxa de inflação era próxima de zero, como os sindicatos e empresas estabeleciam os salários? Eles esperavam uma inflação de zero também para o próximo período. Assim, fazendo πt e = 0 a equação (9) se torna: πt = (µ+z)- aut Finalmente, a equação (10) representa o trade-off, ou relação inversa entre desemprego e inflação, que conforme discutimos no item anterior, Phillips encontrou para o Reino Unido e Solow e Samuelson para os Estados Unidos. Agora precisamos interpretar essa relação para a curva de Phillips que derivamos a partir de oferta agregada. Vamos lá? No decorrer desta unidade, em diferentes momentos, analisamos a relação entre desemprego, salários e preços. A expressão (6) deixa evidente que, quanto maior a taxa de desemprego, menor o salário (e, menor o nível de preços), e vice-versa. A partir deste aspecto, vamos entender a relação da curva de Phillips apresentada na equação (10). Considerando uma situação inicial de elevado desemprego, portanto de baixos salários nominais, as empresas estabelecerão níveis mais baixos para seus preços, já que têm custos mais baixos com mão de obra, gerando redução do nível de preços efetivos. Na próxima fase, empresas e sindicatos ajustarão os salários em níveis mais baixos, já que o nível de preços no período anterior foi mais baixo. Como resultado, o nível de preços reduzirá ainda mais, provocando uma queda contínua de preços e salários. Conclusão: a inflação cai, mas o desemprego permanece elevado. Caso tivéssemos realizado a análise partindo de situação de alto nível de emprego, desemprego baixo, o resultado seria um aumento contínuo dos preços e salários, mas com baixo desemprego. (9) (10)
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    O papel dapolítica econômica U4 158 Fonte: Adaptada de Lopes e Vasconcellos (2008, p. 296) Figura 4.11 | Curva de Phillips com inflação zerada Podemos associar a curva Phillips com a curva de oferta agregada da figura 4.4, em que o produto é igual ao produto natural ou de pleno emprego e os preços correntes são iguais aos preços esperados. Assim, quando o produto se encontra em tal nível e o desemprego está no seu nível natural, na curva de Phillips a taxa de inflação é zero, conforme ilustrado na figura 4.11. Supondo que o público passe a acreditar que haverá inflação, ou seja, a inflação esperada (πe ) é positiva. As expectativas dos agentes se realizarão e a inflação efetiva será igual à esperada. Quanto maior a expectativa de aumento de preços, maior será a inflação efetiva para qualquer nível de desemprego. Neste caso, tomando por base a figura 4.11, a curva de Phillips se deslocará para cima. No caso de os agentes esperarem uma redução da taxa de inflação a curva de Phillips se deslocará para baixo (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Caro aluno, você sabia que a taxa de desemprego no Brasil passou de 5% emagostode2014para7.6%emagostode2015,segundodadosdoIBGE (2015)? Você poderá saber mais sobre a variação da taxa de desemprego no Brasil e ficar informado sobre essa importante questão econômica acessando o seguinte link disponível em: <http://saladeimprensa.ibge. gov.br/noticias?view=noticia&id=1&idnoticia=2994&busca=1&t=agos to-desocupacao-foi-7-6>. Acesso em: 23 out. 2015.
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    O papel dapolítica econômica U4 159 1. A curva de Phillips resultou do estudo empírico, do economista neozelandês Alban William Phillips, realizado para o Reino Unido e publicado em 1958. Em relação a esta curva, é correto afirmar que: a) A curva de Phillips apresenta uma relação direta entre a taxa de desemprego e a taxa de inflação. b) Na curva Phillips quanto mais alta a taxa de desemprego, mais baixa a taxa de inflação, havendo então, um trade-off entre estas variáveis. c) A relação evidenciada por Phillips para a taxa de desemprego e inflação foi batizada por curva de Phillips após a publicação dos trabalhos de Milton Friedman. d) Curva de Phillips não foi utilizada pelos formuladores de política econômica porque seria difícil para os mesmos escolherem entre o alto desemprego e a baixa inflação, ou entre alta inflação e baixo desemprego. e) A curva de Phillips manteve-se em seu aspecto original, não apresentando transformações ou evoluções. 2. A curva de Phillips pode ser derivada da relação de oferta agregada, o que facilita o entendimento do processo inflacionário, assim, é correto afirmar que: a) A partir da equação πt = (µ+z)- aut , considerando uma situação de baixo nível de desemprego, pode-se afirmar que ocorrerá um aumento contínuo dos preços e salários. b) A partir da equação, considerando uma situação de alto nível de desemprego, pode-se afirmar que ocorrerá um aumento contínuo dos preços e salários. c) A relação entre inflação e desemprego independe do que ocorre na determinação dos salários nominais. d) A equação πt = (µ+z)- aut representa uma relação direta para as variáveis da curva de Phillips. e) Na curva de Phillips, derivada do modelo OA-DA, é possível que os formuladores de política econômica obtenham reduzido desemprego com reduzida inflação.
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    O papel dapolítica econômica U4 161 Seção 3 Expectativas, novo-clássicos, ciclos reais de negócios e novo-keynesianos Introdução Na seção anterior, por meio do comportamento do mercado de trabalho e da curva de Phillips introduzimos a noção de expectativas, mas precisamos fundamentar o seu conceito. Nesta seção, veremos também a questão das flutuações econômicas (que estão relacionadas às expectativas) e algumas explicações teóricas para estas, incluindo as teorias dos novo-clássicos, dos ciclos reais de negócios e dos novo-keynesianos. 3.1 Expectativas Na seção anterior compreendemos o papel das expetativas dos agentes na determinação de preços e salários, bem como o papel das expectativas na curva de Phillips, inclusive que mudanças nas expectativas levam a deslocamentos nesta curva. Precisamos agora compreender como as expectativas são formadas, para tanto, estudaremos as expectativas adaptativas e as racionais. • Expectativas adaptativas: são aquelas que se formam a partir dos acontecimentos passados. Os indivíduos corrigem suas expectativas em relação ao valor esperado de uma variável de acordo com os erros que cometeram no passado. Por exemplo, se no período anterior o indivíduo esperou uma inflação de 5% e a realizada foi de 8%, então, no próximo período ajustará sua expectativa considerando o erro que cometeu. Assim, no próximo período a inflação esperada será de 8%. Ao olharem para o passadoparapreveremofuturo,ainflaçãotendeasemanternonívelanterior, causando o que é conhecido na literatura como inércia inflacionária. Para que esta situação se altere, será necessário ocorrer um choque deflacionário ou, a taxa de desemprego deverá ser momentaneamente superior à taxa de desemprego natural, de modo que o público ajuste suas expectativas (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
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    O papel dapolítica econômica U4 162 • Expectativas racionais: os agentes tomam as decisões olhando para o futuro e são maximizadores de satisfação. Assim, os agentes otimizam também a utilização das informações que recebem. Eles formam as expectativas olhando também para o futuro e não somente para o passado. As expectativas racionais se dividem em versão fraca e versão forte. A versão fraca significa que os indivíduos formam as expectativas usando da melhor forma possível todas as informações de que dispõem. Supõe-se que as informações não são desperdiçadas. Na hipótese forte assume-se que os indivíduos sempre acertam na média em suas expectativas, o valor que se espera para uma variável é, na média, aquele que se efetiva. Assim, podemos afirmar que os efeitos de qualquer política econômica serão antecipados pelos agentes (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Este conceito das expectativas racionais faz parte das ideias da escola novo-clássica. Simonsen (1986) argumenta que esta escola fundamenta as expectativas racionais com as seguintes hipóteses: os agentes econômicos conhecem um modelo quantitativo que determina o valor das variáveis endógenas em função das exógenas; todos os agentes possuem as mesmas informações, por isso, as expectativas serão as mesmas; com essas expectativas e com o modelo os agentes preveem o comportamento das variáveis endógenas. No caso da curva de Phillips com expectativas racionais, o trade-off entre inflação e desemprego no curto prazo deixaria de existir e a curva se tornaria vertical. Assim, se os agentes possuírem previsão perfeita, o desemprego estará sempre em sua taxa natural. No caso da oferta agregada, o produto sempre estará no nível potencial, não haverá desvios, mesmo que momentâneos. Estes surgirão somente devido à ocorrência de choques. Com expectativas racionais, pode-se eliminar a necessidade de recessão para combater a inflação, deixa de existir a chamada taxa de sacrifício. Para reduzir a inflação basta o governo apresentar um plano consistente de combate à inflação, como por exemplo anunciar que estancará a emissão monetária. Caso o governo tenha credibilidade e os agentes confiem nas medidas e as considerem adequadas, estes reveem suas expectativas, e a inflação pode declinar sem qualquer perda de produto (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Robert Lucas, Prêmio Nobel em 1995, um dos maiores estudiosos da escola das expectativas racionais, ressaltou o que ficou conhecido como crítica de Lucas. Seu significado é que em uma tentativa de
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    O papel dapolítica econômica U4 163 3.2 Ciclos reais de negócios, novo-clássicos e novo-keynesianos Na análise da oferta agregada e da hipótese das expectativas racionais vimos que a principal explicação para as flutuações econômicas, daqueles que acreditam que os mercados sempre se ajustam, é a existência de problemas informacionais, que fazem com que o público se engane sobre os valores reais das variáveis ao tomarem suas decisões. As novas teorias que explicam os ciclos têm como fundamentos as hipóteses clássicas, mas essa ideia foi formalizada por Robert Lucas, que como vimos, deu origem à crítica de Lucas, incluem uma hipótese extra de percepção equivocada por parte dos agentes (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Esse argumento de Lucas é a proposta de pesquisa dos estudiosos da escola novo-clássica. Nesta linha, os modelos que Edward Prescott e seus seguidores desenvolveram, são conhecidos como modelos dos ciclos reais de negócios, os quais têm como objetivo explicar as flutuações econômicas com base no referencial clássico. Esta teoria dos ciclos reais de negócios tem como base duas proposições. A primeira refere-se aos microfundamentos da macroeconomia, isto é, maximização da utilidade pelos trabalhadores, maximização dos lucros pelas empresas e expectativas racionais (BLANCHARD, 2011). A segunda é que se considera que os choques tecnológicos são as causas principais das flutuações econômicas. Estes choques ampliam a produtividade do trabalho, aumentando a preverem os impactos de uma grande alteração na política econômica, poderia ser muito errado tomar como dadas as relações estimadas com base em dados passados (BLANCHARD, 2011). A crítica das expectativas racionais foi mais do que apenas uma crítica à economia keynesiana. Ela também ofereceu sua própria interpretação das flutuações. Em vez de se basearem nas imperfeiçoes os mercados de trabalho, no ajuste lento de salários e preços, e assim por diante, para explicar as flutuações, argumentou Lucas, os macroeconomistas deveriam ver até que ponto podiam explicar as flutuações como efeitos de choques nos mercados competitivos om preços e salários totalmente flexíveis (BLANCHARD, 2011, p. 529).
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    O papel dapolítica econômica U4 164 demanda por trabalho. Quanto à oferta de trabalho, a teoria considera que exista a chamada substituição intertemporal na oferta de mão de obra. Isto significa que os trabalhadores podem escolher o melhor momento para ofertarem trabalho. O que é a escola novo-clássica e o que é a teoria dos ciclos reais de negócios? A teoria dos ciclos reais de negócios ou dos ciclos econômicos faz parte da economia novo-clássica, pois utiliza hipóteses da macroeconomia clássica, como a flexibilidade de preços e a neutralidade da moeda, para analisar as flutuações econômicas de curto prazo. Pode-se associar a escola novo-clássica a algumas ideias que vimos no decorrer desta unidade, como as expectativas racionais e a crítica de Lucas. Esta ligação entre a teoria dos ciclos reais de negócios e a economia novo-clássica pode gerar algumas confusões, os próprios economistas clássicos nunca defenderam que a moeda fosse neutra no curto prazo (MANKIW, 2004). Froyen (2013) afirma que a teoria dos ciclos reais de negócios é uma versão moderna da economia clássica. Os economistas novo-clássicos defendem que os modelos macroeconômicos precisam ter duas características básicas, que os agentes são otimizadores e os mercados se equilibram; os teóricos dos ciclos reais de negócios concordam com essas características. O ciclo de negócios é um fenômeno de equilíbrio, é o resultado das ações de agentes otimizadores diante de mudanças no ambiente econômico, por exemplo, nos choques de produtividade ou em preferências. Os economistas novo-clássicos e dos ciclos reais de negócios se diferenciam sobre as razões para as flutuações no produto e no emprego. Os teóricos dos ciclos reais de negócios acreditam que as flutuações sejam causadas por fatores como, os choques de tecnologia, variações nas condições ambientais, variações nos preços reais de matérias-primas importadas e mudanças nas alíquotas tributárias. Para os teóricos novo-clássicos a causa de flutuações no produto e no emprego está nas mudanças não antecipadas na demanda agregada, ou seja, políticas inesperadas (FROYEN, 2013). O princípio central de política econômica da economia novo- clássica é que a estabilização de variáveis reais, como produto e emprego, não pode ser alcançada pela administração da demanda agregada. Os valores dessas variáveis tanto no curto como no longo prazo são insensíveis a políticas sistemáticas de administração da demanda agregada. Em outras palavras, na visão novo-clássica, ações sistemáticas de política fiscal e monetária que alterem a demanda agregada não afetarão o produto e o emprego nem mesmo no curto prazo. A isso deu-se o nome de proposição novo-clássica da ineficácia de políticas econômicas (FROYEN, 2013, p. 270).
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    O papel dapolítica econômica U4 165 Outra escola que contribuiu para explicar os ciclos econômicos é a dos novo- keynesianos. Segundo Carvalho (1992) os novo-keynesianos têm o objetivo de construção de modelos de demanda efetiva baseados na rigidez de preços, mas explorando modelos de concorrência imperfeita. No curto prazo, as flutuações no produto e o desemprego involuntário ocorrem em consequência da existência de imperfeições de mercado, mais precisamente pelo fato de existir rigidez de preços e salários impedindo o equilíbrio instantâneo dos mercados. Para este grupo, no longo prazo, onde não existem flutuações econômicas nem desemprego involuntário, os mercados se auto equilibram via preços e salários. Eles procuram fornecer microfundamentos mais adequados para a existência de rigidez de preços e salários, como os custos de menu, o salário eficiência e defasagem de preços e salários. Vamos entender esses microfundamentos? • Custos de menu: são os custos que a firma se depara quando deseja alterar o preço de determinada mercadoria, também conhecidos por custos de cardápio. Embora pareçam pequenos para cada firma individualmente, têm efeito de rigidez importante no agregado social, as empresas só alteram seus preços considerando esses custos, e só farão tal mudança caso o ganho para elas seja superior a esses custos. Blanchard (2011) explica que decisões que não importam muito para cada firma individualmente, ou seja, a frequência com que preços ou salários são alterados, geram grandes efeitos ao se considerar o agregado, como o ajuste lento dos preços e o deslocamento da demanda agregada que tenham um grande impacto sobre o nível de produto. Em resumo, as empresas resistirão em elevar os preços. • Salário eficiência: independentemente do poder de negociação dos trabalhadores, as empresas podem desejar pagar mais do que o salário reserva, o que torna a permanência dos trabalhadores na empresa financeiramente atraente, ou seja, os trabalhadores têm um custo de oportunidade elevado se forem demitidos, isso diminui a rotatividade e aumenta a produtividade (BLANDHARD, 2011; LOPES; VASCONCELLOS, 2008). • Defasagens de preços e salários: os salários e preços da economia não são fixados ao mesmo tempo, pois existem defasagens nos reajustes. Por exemplo, nenhuma empresa quer ser a primeira a fazer um grande reajuste de preços (para não perder clientes) e os trabalhadores de determinada categoria relutariam em ser os primeiros a aceitar uma redução em seus salários, pois saberiam que isso lhes implicaria menor poder de compra com relação aos trabalhadores de outras categorias. Assim, os preços defasados tornam os preços rígidos (MANKIW, 2004).
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    O papel dapolítica econômica U4 166 Qual a diferença entre novo-clássicos e novo-keynesianos? 1.Expliqueoquesãoexpectativasadaptativaseexpectativas racionais. 2. Como seria a curva de Phillips com expectativas racionais? Caro aluno, você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre expectativas racionais, as teorias novo-clássica, teoria novo- keynesiana e a teoria dos ciclos reais de negócios (ou teoria do cicloeconômico)estudandoocapítulo17dolivrodoautorParkin (2003). Além disto, você poderá aprender mais sobre os novo- keynesianos consultando o capítulo 5 do livro “Macroeconomia do Emprego e da Renda: Keynes e o Keynesianismo”. Todos estes livros estão disponíveis na biblioteca digital.
  • 169.
    O papel dapolítica econômica U4 167 • O objetivo desta última unidade é compreender o papel das políticas econômicas integrando os mercados de bens, financeiro e de trabalho. Para isto, iniciamos nossos estudos pelo modelo de oferta agregada e demanda agregada (OA-DA). • Aprendemos a derivar a curva de demanda agregada a partir do modelo IS-LM e a de oferta agregada a partir do mercado de trabalho. Vimos os fatores que afetam essas curvas bem como o equilíbrio entre elas. Analisamos as políticas econômicas integrando os mercados de trabalho, de bens e financeiro e concluímos que independente da política o nível de produto de longo prazo será sempre o natural. • Estudamos a origem e evolução da curva de Phillips, que trata da relação inversa entre taxa de inflação e desemprego, e aprendemos a derivá-la a partir da relação de oferta agregada, tornando possível a análise de inflação e desemprego no contexto do modelo OA-DA. • Entendemos as diferenças entre as expectativas adaptativas e racionais e as explicações teóricas para as flutuações econômicas. Para isto, percorremos as principais ideias das teorias dos novo-clássicos, dos ciclos reais de negócios e dos novo-keynesianos. 1. A curva de demanda agregada pode se deslocar se ocorrerem alterações nos componentes da despesa planejada ou no estoque de moeda, sobre isto é correto afirmar que:
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    O papel dapolítica econômica U4 168 a) Um aumento na taxa de inflação deslocará a curva de demanda agregada para a direita. b) Uma política fiscal de redução dos gastos do governo provoca deslocamento da curva de demanda agregada para a direita e a da curva LM para cima. c) Uma política monetária contracionista desloca a curva LM para cima, gerando taxas de juros maiores e produto menor e deslocamento da curva de demanda agregada para a esquerda (baixo). d) Uma política monetária de aumento da quantidade de moeda desloca a curva LM para cima, gerando taxas de juros maiores e produto menor e deslocamento da curva de demanda agregada para a esquerda (baixo). e) Uma política fiscal contracionista provoca deslocamento da curva IS para a direita e a da curva LM para cima. 2. Na análise conjunta dos modelos IS-LM e OA-DA, pode-se afirmar que em uma política fiscal expansionista: a) A curva IS se descola para a direita, aumentando o produto e a taxa de juros, a curva DA se desloca para a direita (cima), elevando os preços e o produto, de forma que ocorre uma mudança no equilíbrio de curto prazo. Os ajustes nas expectativas de preços movimentarão a curva de oferta agregada para cima, até que o nível de produto retorne ao nível natural e ocorra o equilíbrio de longo prazo. b) Há contração da curva LM para a esquerda, expansão da taxa de juros e redução da quantidade produzida. c) O deslocamento da curva LM para a esquerda está
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    O papel dapolítica econômica U4 169 associado a um deslocamento da curva DA também para a esquerda. d) Do curto para o longo prazo os agentes ajustarão suas expectativas de preços para baixo, deslocando a curva de OA para baixo. e) O equilíbrio de longo prazo se dará no ponto em que o nível de preços é inferior ao inicial. 3. Com relação à curva Phillips associada à curva de oferta agregada, em que o produto é igual ao produto natural ou de pleno emprego e os preços correntes são iguais aos preços esperados, é correto afirmar que: a) Na curva de Phillips a taxa de inflação é zero. b) A curva de Phillips é vertical. c) A curva de Phillips se deslocará para cima. d) Na curva de Phillips a taxa de inflação é maior que a taxa de desemprego. e) Na curva de Phillips a taxa de inflação é igual à taxa de desemprego. 4. Sobre os conceitos de expectativas adaptativas e racionais, assinale a opção incorreta. a) Expectativas adaptativas são aquelas que se formam a partir dos acontecimentos passados. b) Com expectativas adaptativas os indivíduos corrigem suas previsões sobre o valor esperado de uma variável de
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    O papel dapolítica econômica U4 170 acordo com os erros que cometeram no passado. c) Nas expectativas racionais os agentes tomam as decisões olhando para o futuro e são maximizadores de satisfação. d) As expectativas racionais se dividem em versão fraca e versão forte. e) O conceito de expectativas racionais surgiu entre os estudiosos novo-keynesianos. 5. Sobre as teorias novo-clássica, dos ciclos reais de negócios e novo-keynesianos, é correto afirmar que: a) Os novo-keynesianos têm o objetivo de construção de modelosdedemandaefetivabaseadosempreçosflexíveis e explorando modelos de concorrência imperfeita. b) No longo prazo, para os novo-keynesianos, as flutuações no produto e o desemprego involuntário ocorrem em consequência da existência de imperfeições de mercado, mais precisamente pelo fato de existir rigidez de preços e salários impedindo o equilíbrio instantâneo dos mercados. c) Os teóricos dos ciclos reais de negócios acreditam que as flutuações sejam causadas por fatores como, os choques de tecnologia, variações nas condições ambientais, variações nos preços reais de matérias- primas importadas e mudanças nas alíquotas tributárias. d) A teoria dos ciclos reais de negócios é uma versão moderna da economia keynesiana. e) A teoria dos ciclos reais de negócios ou dos ciclos econômicos faz parte da economia novo-clássica, pois
  • 173.
    O papel dapolítica econômica U4 171 utiliza hipóteses da macroeconomia clássica, como a inflexibilidade de preços e salários.
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    O papel dapolítica econômica U4 172
  • 175.
    O papel dapolítica econômica U4 173 Referências BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2011. CARVALHO, Fernando Cardim de. Moeda, produção e acumulação: uma perspectiva pós-keynesiana. Moedas e produção: teoria comparadas. Brasília, ed. UnB, 1992. DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley; STARTZ, Richard. Macroeconomia. 10. ed. São Paulo: McGraw Hill, 2010. FROYEN, Richard. Macroeconomia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Sala de Imprensa. <http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&idnoticia=2994&bus ca=1&t=agosto-desocupacao-foi-7-6>. Acesso em: 23 out. 2015. LIMA, Gilberto Tadeu; SICSÚ, João. Macroeconomia do emprego e da renda: Keynes e o Keynesianismo. São Paulo: Manole, 2003. LOPES, Luiz Martins; VASCONCELLOS, Marco Antonio S. Manual de macroeconomia: básico e intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. Tradução: Maria José Cyhlar Monteiro. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/Oberon666/ mankiw-n-gregory-macroeconoma>. Acesso em: 03 jul. 2015. MANKIW, N. Gregory. Princípios de macroeconomia. 6. ed. Cengage Learning, 2013. PARKIN, Michael. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2003. PHILLIPS, A. W. The relation between unemployment and the rate of change of money wage rates in the United Kingdom, 1861-1957. Economica, v. 25, n. 100, p. 283-299, 1958. ROLL, Renato Matos. Curva de Phillips: anexo ao texto “Macroeconomia”, de Roberto Elerry Jr. 2007. Disponível em: <http://docslide.com.br/documents/curva- de-phillips-55b08aebe2f27.html>. Acesso em: 04 out. 2015. SAMUELSON, P. A.; SOLOW, R. M. Analytical aspects of anti-inflation policy.
  • 176.
    U4 174 O papelda política econômica American Economic Review, v. 50, n. 2, p. 177-194, 1960. SIMONSEN, Mário Henrique. Keynes versus expectativas racionais. Pesquisa e Planejamento Econômico, v. 16, n. 2, p. 251-262, 1986.