Poetas do século XXSophia de Mello Breyner AndresenRita Bornes  2010/11
BiografiaPorto  e  LisboaPorto1919Filologia ClássicaCasa-se com o advogado e jornalista Francisco Sousa TavaresSócia fundadora da “Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos”Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido SocialistaRita Bornes  2010/11
Universo PoéticoJogo dos quatro elementos primordiais:Terra- Fauna e FloraÁgua- Mar, praia e espumaAr- vento, brisa e soproFogo- sol, luz e lumeProcura da justiça:VerdadeIgualdade das classes sociaisTomada de consciência do comportamento humanoRita Bornes  2010/11
Temáticas   Natureza associada à ideia de harmonia e pureza;    Evocação de imagens da infância e adolescência;    Valorização da Antiguidade Clássica;    Desigualdades e injustiças sociais;    Poesia e criação poética.Rita Bornes  2010/11
Estilo/linguagem    Captação do real através das sensações;    Discurso figurado com recurso a símbolos e a alegorias;    Uso de certas palavras dotadas de grande simbolismo e magia;    Rima ao serviço da beleza fónica;    Quase inexistência de pontuação;    Uso frequente de figuras de estilo, como a metáfora, a comparação, a anáfora e a ironia.Rita Bornes  2010/11
?Rita Bornes  2010/11
Rita Bornes  2010/11
Porque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam mas tu não.Porque os outros se compram e se vendemE os seus gestos dão sempre dividendo.Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigosE tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.Rita Bornes  2010/11
Porque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam mas tu não.Porque os outros se compram e se vendemE os seus gestos dão sempre dividendo.Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigosE tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.“O poema Porque sintetiza admiravelmente a solidão e a marginalidade em que  se encontra aquele que luta coerentemente pela justiça com as armas da justiça, dizendo a verdade e não utilizando a contra-violência.”Helena SantosRita Bornes  2010/11Espaço mais vasto do poema:- Comportamento da maioria (“os outros”), sendo a minoria (“tu”) a dizer não ao culto da aparência, à falsa virtude, ao medo, à podridão moral disfarçada, à submissão injusta, ao aviltamento de se comprar e de se vender, ao artifício hábil, à excessiva autoprotecção, ao abuso dos cálculos dos actos.Oposição entre o comportamento colectivo e o comportamento raro de quem procura coerência entre palavras e actos.
Em todos os jardinsEm todos os jardins hei-de florirEm todos beberei a lua cheiaQuando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areiaA tudo quanto existe me hei-de unirE o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagensA secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagens.Rita Bornes  2010/11
Em todos os JardinsEm todos os jardinsDesejo de união total sujeito/NaturezaUso de formas verbais que nos remetem para um tempo futuro Em todos os jardinshei-de florirEm todos beberei a luacheiaQuando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde omarondeia.Um dia serei eu o mar e aareiaA tudo quanto existe me hei-de unirE o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagensA secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagens.Em todos os jardins hei-de florirEm todosbeberei a lua cheiaQuando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areiaA tudo quanto existe me hei-de unirE o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagensA secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagens.Remete para o momento da morte do sujeito, pensada num tempo futuroUso de indefinidosReferência a sensações: visuais, auditivas, gustativas e tácteis.Utilização  de nomes com grande carga semântica e simbólica:Sangue;
 Veia;
 Abraço;
 Beijo;

Sophia de Mello Breyner

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    Poetas do séculoXXSophia de Mello Breyner AndresenRita Bornes 2010/11
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    BiografiaPorto e LisboaPorto1919Filologia ClássicaCasa-se com o advogado e jornalista Francisco Sousa TavaresSócia fundadora da “Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos”Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido SocialistaRita Bornes 2010/11
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    Universo PoéticoJogo dosquatro elementos primordiais:Terra- Fauna e FloraÁgua- Mar, praia e espumaAr- vento, brisa e soproFogo- sol, luz e lumeProcura da justiça:VerdadeIgualdade das classes sociaisTomada de consciência do comportamento humanoRita Bornes 2010/11
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    Temáticas Natureza associada à ideia de harmonia e pureza; Evocação de imagens da infância e adolescência; Valorização da Antiguidade Clássica; Desigualdades e injustiças sociais; Poesia e criação poética.Rita Bornes 2010/11
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    Estilo/linguagem Captação do real através das sensações; Discurso figurado com recurso a símbolos e a alegorias; Uso de certas palavras dotadas de grande simbolismo e magia; Rima ao serviço da beleza fónica; Quase inexistência de pontuação; Uso frequente de figuras de estilo, como a metáfora, a comparação, a anáfora e a ironia.Rita Bornes 2010/11
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    Porque os outrosse mascaram mas tu nãoPorque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam mas tu não.Porque os outros se compram e se vendemE os seus gestos dão sempre dividendo.Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigosE tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.Rita Bornes 2010/11
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    Porque os outrosse mascaram mas tu nãoPorque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam mas tu não.Porque os outros se compram e se vendemE os seus gestos dão sempre dividendo.Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigosE tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.“O poema Porque sintetiza admiravelmente a solidão e a marginalidade em que se encontra aquele que luta coerentemente pela justiça com as armas da justiça, dizendo a verdade e não utilizando a contra-violência.”Helena SantosRita Bornes 2010/11Espaço mais vasto do poema:- Comportamento da maioria (“os outros”), sendo a minoria (“tu”) a dizer não ao culto da aparência, à falsa virtude, ao medo, à podridão moral disfarçada, à submissão injusta, ao aviltamento de se comprar e de se vender, ao artifício hábil, à excessiva autoprotecção, ao abuso dos cálculos dos actos.Oposição entre o comportamento colectivo e o comportamento raro de quem procura coerência entre palavras e actos.
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    Em todos osjardinsEm todos os jardins hei-de florirEm todos beberei a lua cheiaQuando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areiaA tudo quanto existe me hei-de unirE o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagensA secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagens.Rita Bornes 2010/11
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    Em todos osJardinsEm todos os jardinsDesejo de união total sujeito/NaturezaUso de formas verbais que nos remetem para um tempo futuro Em todos os jardinshei-de florirEm todos beberei a luacheiaQuando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde omarondeia.Um dia serei eu o mar e aareiaA tudo quanto existe me hei-de unirE o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagensA secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagens.Em todos os jardins hei-de florirEm todosbeberei a lua cheiaQuando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areiaA tudo quanto existe me hei-de unirE o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagensA secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagens.Remete para o momento da morte do sujeito, pensada num tempo futuroUso de indefinidosReferência a sensações: visuais, auditivas, gustativas e tácteis.Utilização de nomes com grande carga semântica e simbólica:Sangue;
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