AUTOR DO MÊSSophia de Mello Breyner Andresen(1919-2004)
Dados biográficosDe ascendência dinamarquesa pelo lado paterno, Sophiade Mello Breyner Andresennasceu a 6 de Novembro de 1919,no Porto.Durante a infância e a adolescência viveu no Porto e na Granja.  Iniciou o curso de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não o concluiu. Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Dados biográficosMais tarde, casou-se com o jornalista e políticoFrancisco Sousa Tavares, do qual teve cinco filhos. Estes foram a sua motivação para a escrita de contos infantis.A par do gosto pela literatura, Sophia de Mello Breyner desenvolveu uma carreira política marcada pela luta antifascista, tendo sido candidata a Deputada da Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista, após a Revolução do 25 de Abril.Faleceu a 2 de Julho de 2004, com 84 anos.Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Percurso literárioData de 1944 a estreia de Sophia de Mello Breyner Andresen no panorama literário português com a publicação do livro “Poesia”.A sua carreira literária ficou marcada pela prosa [“Contos Exemplares” (1962), “A Fada Oriana” (1958), “A Menina do Mar”,  (1958), O Cavaleiro da Dinamarca” (1964), “O Rapaz de Bronze” (1965)...] e pela poesia [“Geografia” (1967), “Dual” (1972), “O Nome das Coisas” (1977), “Navegações” (1983), “Ilhas” (1989)…].Traduziu ainda obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes. Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
APOESIADESOPHIA
Quem és tuQuem és tu que assim vens pela noite adiante, Pisando o luar branco dos caminhos, Sob o rumor das folhas inspiradas?A perfeição nasce do eco dos teus passos, E a tua presença acorda a plenitude A que as coisas tinham sido destinadas. A história da noite é o gesto dos teus braços,O ardor do vento a tua juventude, E o teu andar é a beleza das estradas.                                                                Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Como uma flor vermelhaÀ sua passagem a noite é vermelha,E a vida que temos parece Exausta, inútil, alheia. Ninguém sabe onde vai nem donde vem, Mas o eco dos seus passos Enche o ar de caminhos e de espaços E acorda as ruas mortas.Então o mistério das coisas estremece E o desconhecido cresce Como uma flor vermelha.                                                                Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Um diaUm dia, gastos, voltaremos A viver livres como os animais E mesmo tão cansados floriremos Irmãos vivos do mar e dos pinhais. O vento levará os mil cansaços Dos gestos agitados irreais E há-de voltar aos nossos membros lassos A leve rapidez dos animais. Só então poderemos caminhar Através do mistério que se embala No verde dos pinhais na voz do mar E em nós germinará a sua fala.Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Evadir-me, esquecer-meEvadir-me, esquecer-me, regressar À frescura das coisas vegetais,Ao verde flutuante dos pinhais Percorridos de seivas virginais E ao grande vento límpido do mar.                                              Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Fundo do marNo fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso. Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
PraiaNa luz oscilam os múltiplos navios Caminho ao longo dos oceanos friosAs ondas desenrolam os seus braços E brancas tombam de bruços A praia é lisa e longa sob o vento Saturada de espaços e maresia E para trás fica o murmúrio Das ondas enroladas como búzios.Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
Casa brancaCasa branca em frente ao mar enorme, Com o teu jardim de areia e flocos marinhas E o teu silêncio intacto em que dorme O milagre das coisas que eram minhas. A ti eu voltarei após o incerto Calor de tantos gestos recebidos Passados os tumultos e o deserto Beijados os fantasmas, percorridos Os murmúrios da terra indefinida. Em ti renascerei num mundo meu E a redenção virá nas tuas linhas Onde nenhuma coisa se perdeu Do milagre das coisas que eram minhas.                                                                                  Poesia IAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
PoemasSophia de Mello Breyner AndresenIlustraçõesFernanda FragateiroConcebido por Prof.ª Ana RibeiroPara:Biblioteca Escolar/Centro de Recursos EducativosAgrupamento Escolas de MontenegroJaneiro 2010

Sophia de Mello Breyner Andresen

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    AUTOR DO MÊSSophiade Mello Breyner Andresen(1919-2004)
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    Dados biográficosDe ascendênciadinamarquesa pelo lado paterno, Sophiade Mello Breyner Andresennasceu a 6 de Novembro de 1919,no Porto.Durante a infância e a adolescência viveu no Porto e na Granja. Iniciou o curso de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não o concluiu. Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Dados biográficosMais tarde,casou-se com o jornalista e políticoFrancisco Sousa Tavares, do qual teve cinco filhos. Estes foram a sua motivação para a escrita de contos infantis.A par do gosto pela literatura, Sophia de Mello Breyner desenvolveu uma carreira política marcada pela luta antifascista, tendo sido candidata a Deputada da Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista, após a Revolução do 25 de Abril.Faleceu a 2 de Julho de 2004, com 84 anos.Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Percurso literárioData de1944 a estreia de Sophia de Mello Breyner Andresen no panorama literário português com a publicação do livro “Poesia”.A sua carreira literária ficou marcada pela prosa [“Contos Exemplares” (1962), “A Fada Oriana” (1958), “A Menina do Mar”, (1958), O Cavaleiro da Dinamarca” (1964), “O Rapaz de Bronze” (1965)...] e pela poesia [“Geografia” (1967), “Dual” (1972), “O Nome das Coisas” (1977), “Navegações” (1983), “Ilhas” (1989)…].Traduziu ainda obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes. Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Quem és tuQuemés tu que assim vens pela noite adiante, Pisando o luar branco dos caminhos, Sob o rumor das folhas inspiradas?A perfeição nasce do eco dos teus passos, E a tua presença acorda a plenitude A que as coisas tinham sido destinadas. A história da noite é o gesto dos teus braços,O ardor do vento a tua juventude, E o teu andar é a beleza das estradas. Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Como uma florvermelhaÀ sua passagem a noite é vermelha,E a vida que temos parece Exausta, inútil, alheia. Ninguém sabe onde vai nem donde vem, Mas o eco dos seus passos Enche o ar de caminhos e de espaços E acorda as ruas mortas.Então o mistério das coisas estremece E o desconhecido cresce Como uma flor vermelha. Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Um diaUm dia,gastos, voltaremos A viver livres como os animais E mesmo tão cansados floriremos Irmãos vivos do mar e dos pinhais. O vento levará os mil cansaços Dos gestos agitados irreais E há-de voltar aos nossos membros lassos A leve rapidez dos animais. Só então poderemos caminhar Através do mistério que se embala No verde dos pinhais na voz do mar E em nós germinará a sua fala.Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Evadir-me, esquecer-meEvadir-me, esquecer-me,regressar À frescura das coisas vegetais,Ao verde flutuante dos pinhais Percorridos de seivas virginais E ao grande vento límpido do mar. Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Fundo do marNofundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores. Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas.Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo-marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços. Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço. Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso. Obra Poética I, CaminhoAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    PraiaNa luz oscilamos múltiplos navios Caminho ao longo dos oceanos friosAs ondas desenrolam os seus braços E brancas tombam de bruços A praia é lisa e longa sob o vento Saturada de espaços e maresia E para trás fica o murmúrio Das ondas enroladas como búzios.Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    Casa brancaCasa brancaem frente ao mar enorme, Com o teu jardim de areia e flocos marinhas E o teu silêncio intacto em que dorme O milagre das coisas que eram minhas. A ti eu voltarei após o incerto Calor de tantos gestos recebidos Passados os tumultos e o deserto Beijados os fantasmas, percorridos Os murmúrios da terra indefinida. Em ti renascerei num mundo meu E a redenção virá nas tuas linhas Onde nenhuma coisa se perdeu Do milagre das coisas que eram minhas. Poesia IAutor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen
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    PoemasSophia de MelloBreyner AndresenIlustraçõesFernanda FragateiroConcebido por Prof.ª Ana RibeiroPara:Biblioteca Escolar/Centro de Recursos EducativosAgrupamento Escolas de MontenegroJaneiro 2010