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066I-006I
A arquitetura brasileira do século XX
alcançou prestígio ii.[ern~cional como
poucos países do mundo lograram atingir.
Brasília é obra consagrada como uma das
contribuições brasileiras às criações mais
marcantes na cultura do século. Mas se esse
reconhecimento é a face mais visível da sua
importância, não menos importante é
reconhecer os múltiplos rumos e os
processos na gênese dessa produção, tão
alardeada e tão pouco examinada em seu
conjunto como realizações de um contexto
conturbado como o que marcou a história
do Brasil nos últimos cem anos.
Arquiteturas no Brasil 1900-1990 é uma obra
que vem proporcionar uma visão
abrangente e ao mesmo tempo concisa da
arquitetura brasileira no século XX, sob o
signo da releitura do movimento moderno
após a crítica do pós-modernismo-
embora situe o moderno como o epicentro
das inquietações do século.
Ao relacionar as intervenções urbanas como
signos de modernização no final do século
XIX, o livro identifica as raízes de
modernidades paralelas aos movimentos
como a Semana de Arte Moderna de 1922.
Realizações estas que passaram tanto pela
arquitetura neocolonial quanto por diferentes
manifestações arquitetônicas em três linhas -
modernismo programático, modernidade
pragmática e modernidade corrente -
caracterizando práticas distintas no país até a
Segunda Guerra Mundial.
0661-0061
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Diretara Administrmiva Angela Maria Conceição Torres
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I' edição: I 998
2' edição: 1999
2' edição, 1' reimpressão: 2002
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Segawa, Hugo, 1956-
N.Cham.:- 720.981 S454a 2.ed.
Autor: Segawa, Hugo,l956-
Tílulo: Arquitetura no Brasil 1900-1 990 .
lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllEx.2 CAC
Arquiteturas no Brasill900- l990 I llugo Segawa . - 2. ed. I. reimpr.-
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002.- (Acadêmica; 21 )
Bibliografia.
ISBN: 85-314-0445-2
1. Arquitetura - Brasii- História I. Título li. Série.
98-1!54 CDD-720.981
Índices para catálogo sistemático:
L. Brasil :Arquitetura : llístória 720.98 1
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Printed in Brazil 2002
Foi feito o depósito legal
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UTELIOLU::lUIIIJ
;))j1EJ3:Jlll{l.IVopp~MSQ
ElSO:)0!)111
._.f0[[;))!JOI~liO(]
(o-rfueDdpll.Tpuvdpse~oz!n'lO!LI<]Hrv
SUMÁRIO
ilg-ulll<t Explicação ........................................................................................................................... 13
I. O Brasil em Ud)aniração 1862-1945 ........................................................... .......................... 17
2. Do An Licolonial ao Ncocolon ial:
i Busca de A lg-um;t Mod ernidade l HH0-1 926 ....................................................................... 29
3. Modernismo Prug-ra m úlicu 1q17-1q:12 ................................................................................... 41
1. Muclcrn irlad!· Prag-má tica 1922-1~)4:~ .... ...... ............................ .................. .. ..... ....................... 5;)
5. Modernicladc Correm<' 1929-1945 ......................................................................................... 77
6. A Afirmação de uma Escola 19 1 ~- 1 960........ ...... . .... ...... .... .. ............ ............ ... .... .................... 1 0~
7. A Afirmação ele uma Hegemonia 1945-1970 ........................................................................ 129
H. Episódios ele um Brasil Grande e Moderno 1950-1980 ...................................................... 159
9. Desaniculação e Rcarticulação? 1980-1990 .......................................................................... 189
1O. Referências Ribliográficas ........................................................................................................ 199
Font es das llusLraçõcs ................. ........................................... ........................................................... 213
Índ ice Re tn issi'C> ............................................................................................................................... 21!)
...
.,,_tl]/JU J.I.11-IJJ/11fJ.W, J ';u~wt nJ "lliil :mu nw.s·
'II W11Up ?J d.ll/Vt}UUJ f!IJ/ fUJ fd ..UII!IIlJSJ/ltWIII S.IIIJ/ J]J
JJI!/)U //)/!},7 fltJ(llJOlll l11Ú HIUSIV.I S~J/3 St10.1]V/!Yrlf YJf 'SJ}'I10Jl SJ/ 'SJ/ntfn,t.J.' ',Jf
'uvpo 'll11, p ,).JU,)JlS d/ .IVC{ S/1.0 /1 il]? S~WII/1.' 'J.I.i/.tf.~,?} Z:ll(J H{(/1liO.J !VJ
.'SIIJ'if XI'IV fd 'dWI!f.l X III) Jf /10(}. 11J.(Jn f1 d''d.tpttd f d jlli/J.tJ"f ,1/J./! .Wrj /<}
Jf(/J}}V[(/1111 llii.'W./. Jlln .IV(/ JltÚ1.if111V./ J/) J]fj11ÚIIUJ 0/!}fliJf fD.f
(i(,G1 'nso:) ü i:JirJ
"'S!Jll J/1 0.1/UJ p !'7 1/WIW/.'J J1i.Ú YV/11 'Ji/ IIOS VJillll/ J /U,/iJ V Jllb ~OSlO.) ,Jp
'.wp_lNI!ÚSJ SI)SIO.J mp 1}.1(/IUJ/ JS J 'Zi/J/ 'Jil/J]UOJ OJff 'V.I/IIOJliJ JY ;mb 01/IIJJ Jfll,/B u
' IJfi?.t.d.tns W J vsJ.u/.ms 11p '.wl;u,"il .wvnlm 'yunJ.J !iOpnbv opu<~;
......
ALGUMA EXPLICAÇÃO
Sou d e urna geração de arquitetos br<tsilei-
ros ?t C]ll<ll , nos hancos escolares, se ensin ou que
existe uma mane ira de l'azer arquitetura, de
apreciar arquitcLUra, de usufruir as cidades. Q ue
o arquiteto tem uma m issão messiânica ao exer-
cer a sua pro1issão na sociedade. Nossos p rofes-
sores mrtndm·am lt>r Pt>vsnPr, Hitchcock, Giedion,
Zcvi c scHH..:lhaHtcs- autores que escreveram
retratos to tal izadores, mostraram in terpre t<t-
ções amparadas em grandes modf'los de expli-
cação, que esgotavam quaisquer dúvidas elo sa-
be r ver e faze r arC]uitetu ra. Nada tão frustrante
qua m o o abismo entre a academia c a vida. Essa
escritura tdculógica que legi timou a afi rm<tç;1o
d e uma certa modernidade eu ropéia e norte-
arnericana e consolidou mitologias arquitetôni-
cas permanece no imaginário de muita gen te.
Leitores de diversificados matizes ainda.buscam
em revistas e livros interpretações à altura dos
"pioneiros da teoria moderna". Certamen te, os
pevsners, hitchcocks, giedions e zevis deste final
de milê nio não serão tão persuasivos; nem seu s
leitores, tão persuadidos.
O risco de escrever um estudo sobre a ar-
quitetura brasileira do século 20 é reproduzir
inadverridamcnte aquilo que se critica: uma vi-
são LOtalizadora que apaga as diferenças, exalta
as formas dominadoras e dissimula a diversida-
de. A história c a historiografia recentes ainda
se refazem elo impacto epistemológico provo-
cado, por exemp lo, pelas idéias de um Michel
Foucault- escritos tecidos com a microtrama de
nrna co1t1plcxa urdidura. lesse caminho, a via-
bilidade ele dar formas a p roblemas, de articular
p erguntas é mu ito mais intensa que nossa capa-
cidade in divid ual de formu lar respostas. Respos-
tas que tendem cada vez mais a exames localiza-
dos, talvez profundos (contempland o minorias,
"vencidos", movimentos populares e Le.). U ma
posLUra que se avizinha às tendências da frag-
mentação "regulamentada" do con hecimento,
como que u ma reação às grandes leituras tota-
lizacoras.
O h istoriador britânico Eric Hobsbawn,
comentando a respeito de algumas tendências da
historiografia n o tina! dos anos 1970, escrevia:
74 • Arquiteturas no nrasil
Não há nada de novo em ol har o m undo com um
microscópio ou com um telescópio. Desde que coJJcor·
d eJJIOs <!'"" estam os estudando o meswo cosrnns, a es·
colha eutrc o microcosmo e o m acrocosmo é uma ques·
tão de sclccion:'ll" a técnica apropriada. r.signific:~tivo
que atualme nte mais historiadores julguem o microscó-
pio mais (ttil. Mas isso n:'in sígn i!ica necessat·iamc nLc que
eles rejeiwm o t ele~c ópio, como instrumento snp<>rado.
E.ste livro teve uma gê nese peculiar: con-
vidado pela Universidade Autôn oma 1etropo-
litana do México para integrar u rna coleção ele
monografias sobre arqn itt"tn ra latino-america-
na , seu form ato original c ircunstanciava-sc a
um compê ndio de arquitetura brasileira no sé-
culo 20 pa ra o púhlíco latino-americano. A
oportunidade d e uma edição brasileira não cles-
ca•·acl «:>rizou esse perfil. O difícil e> sutil equilí-
brio a se ati ng ir no con teúdo deste trabalho é
uma ta re fa que deve respeitar as características
ela iniciatiYa editorial, exigindo u ma compostu-
ra que se expressa num jargão arq uitetônico,
no Lermo francês bienshm ce. As circ unstâncias
apon tam mais para o manejo d o tt"lescópio; to-
davia, o microscópio às vezes foi útil, m esmo
com prt:juízo de alguma coerência lotalizador a
(C]ue não constitui, propriamente , uma preocu-
pação cPntral) . A manutenção das lentes e as
direções para que elas apou1arn são de minha
in te ira responsabilidad e; a razão dessas dire-
ções, espero que os leitores a percebam percor-
rendo as páginas deste trabalho.
AS REFERÊNCIAS
Ao escrever um trabalho do presente esco-
po, fui me reportar às obras d e mesm a natureza
-aos manuais de história da a•·quitetura brasilei-
ra - que não são muitos e possuem enfoques dis-
tintos. Trabalhos como Quatro Séculos de Arquite·
tu:ra, de Paulo Ferreira Sant.os ( 1977, primeira
versão 1965), Atlas dos Monumentos flistóriros e A-r-
tísticos do Brasil, de Augusto Carlos da Silva Tellcs
(1975) c Arqu.ilelum Bmsilr>ira, d e Carlos A. C.
Lemos (1979), são panoramas de qnatro séculos
de arquitCLura; o século 20 é um segmen to des-
se conjunto. A arquitetura brasileira é pane de
um contexto mais amplo também em Arqu.itectum
y lh-ba.nismo en lberoa.merica, de Ramón Guliérrez
( 1983) . Precisamente pelo númer·o reduzido de
trabalhos nesse úmbito, publicaçôes como o ca-
túlogo Braz.il Builds, editado ~•n 1943 pelo MOl'v1A
ele Nova York, e Modern Archilectu·rp in JJmzil, de
TTenrique Mindlin, ele 1956 poderiam ser cu-
quadradas como panoramas ela arquitetura bra-
sileira da primeira rnetacle d o século 20.
Rigorosame nte, seriam três os trabalhos
no gênero preLendido por m inh a pesquisa: Ar-
quitetura Contemporânea no Bmsil, ele Yvcs Rruand
( lY81), Arquitet·um Moderna NrasileiTa, ele Sylvia
Ficher c Marlene Milan Acayaba (1982) e oca-
píwlo "Arquitetura Contemporúnea" escrito por
Carlos A. C. Lemos na H istória G11ml ela A-rlf no
Bmsil (coordenada por Walter Zanini, 1983) .
Todas e ssas obras foram importantes na
elaboração do presente livro. Paulo F. Santos,
A. C. Silva Tellcs e Carlos A. C. Lem os são si-
m ultan eamente historiadores e protagonistas
do que re latam. O saboroso capítulo du livro d e
Paulo Santos é um depoimen to de um persona-
gem que vivenciou os 11uiclos criarivos do mo-
dernismo carioca da primeira metade d o sécu-
lo . Carlos A. C. Lemos é importante pelo q ue
escreveu c por tudo que aprendi como seu alu-
uo c estagiário; os escritos em forma de manu-
ais do professor Lemos são parte pequ ena d e
um(] vida dedi cada à pesquisa. 8-razil Ruilrls e
M otlr>rn An hilectm·e in Brazil são trabal hos apolo-
géticos da arquite tura moderna, no espírito in-
sinn::~do no início desta explicação, formad ores
de mitografias da moderna arquitetura brasilei-
ra e, como tal, são objetos d e an álise no meu
texto . A impor1ância de Fichcr e Acayaba está
na modesta aspiração de ser um guia in trodutó-
rio da arquitetura moderna brasileira. Sua o ri-
gem, aliás, demo nstra o propósito: tratava-se de
um verbe te do fnlenwtional Handbook ofContem-
jJorar)• Developrnents in An:hitecture, dirig ido por
Warren Sanderson (1982) . Um roteiro que p io-
neiramente incluiu, no map a arq uitetura! bra-
sil eiro, alg umas regiões pouco conte mpladas,
sem a vtsao modernista c hcgcmônica que ca-
racteriza o livro de Yves Bruand.
Arquitetum Contemporânea no B-rasil é o
mais completo clossiê sobre a arquitetura brasi-
leira elo s{:cnlo 20 at.é 1969, momeulo de con-
clusão dessa tese, apresentada na Université de
Paris IV em 1971 e publicada dez anos depois e m
português (lamentavelmente, sem uma revisão
técnica adequada da tradução, comprometendo
parcialmente sua leitura). Bruand escreveu uma
obra fundarncn t.alnie ll te baseada 11a variada hi-
hliografia brasileira e internacional e na coleta
de depoiment:os de estudiosos locais, reunindo
um conjunto documental do maior valor: um
re trato do estado-da-arte da bibliografia brasi-
leira até os anos de 1960. No e ntanto, o autor
francês, embora não sendo arquilclu, assimilou
todos os preconceitos modernistas contra a ar-
quitetura do ecletismo ("da constatação de que
a arquitetura brasileira só conhecera dois gran-
des períodos de atividade criadora: a arte luso-
brasileira dos séculos 17 c IH [...] e o período
atual", escreveu). Bruand dedicou-se principal-
mente ao Rio ele .Janeiro, São Paulo, Bahia e
Brasília, deix<mdo a descoberto outras importan-
tes regiões, cludindo a diversidade da produç~w
arquitetônica brasileira . Ademais, seu posiciona-
mento sobre o sentido de "moderno'' desgastou-
se no tem po: "o adjetivo 'moderno' não é de mo-
do algum con veniente, pois contém apenas uma
noção ele tempo aplicável ao con junto da produ-
ção de uma época e não unicamente a uma d e
suas partes; substituir sua acepção cronológica
por um elemento de valor é um contra-senso... "
A avaliação de Bruand padece uma leitura
tri unfalista e apologética da arquitetura moderna
do Brasil. Se não há un1 comprometimento do
valor intrínseco do excelente trabalho que desen-
volveu, suas posições são historicarnenLe datadas.
PONTOS DE PARTIDA
Meu trabalho não tem a pretensão acadê-
mica do amplo esforço de Yves Bruand e volta-se
A~!{llma Ex:plicaçiiu • 1 5
para um outro mapeamenco arquitetônico. Os re-
tra tos de grandes arquitetos e das obras-primas
da arquitetura brasileira constituem uma contri-
buição insuperada em Arquitetura Contemporânea
no Brasil: protagonistas e realizações são o cerne
da sua pesquisa. Sem pretender contestar o sig-
nificado dessa abordagem, busquei eswdar os
jJmcessos da constituição da nossa arquitetura
moderna e m matizes diversos, caracterizando
modernidades clistint.as, que intitulam os capítu-
los. Nesse sentido, nào privilegiei arquitetos (ex-
ceções honrosas a Warchavchik, Niemeyer, Lu-
cio Costa c Vilanova Artigas), tampouco obras
(também com exceçôes) , rnas a inserção de ar-
quitetos e obras no debate cultural e arquitetô-
n ico num certo recorte da história. Ao operar
com processos, o desejo ele realizar uma carto-
grafia arquitetônica turna-se uma empreitada
d ifícil, d evido :1 ~!mplitud e c complexidade elo
panorama arquitetônico brasileiro. Todavia,
mesmo na ausência de vários arquitetos ou
obra:; no presente trabalho, o possível entendi-
mento advindo dos processos que d escrevo per-
mitiria u ma contextualizaçào dos personagens e
realizações preteridos em meu mapeamento.
Tendo como eixo de narrativa a arquitetura,
imagino a possibilidade de interlocução com
outras disciplinas sem necessariamente preten-
der r esenhar episódios da história, ela sociolo-
gia ou ela economia brasileiras.
Os lemas urbanismo c cidades têm un1
peso significativo no primeiro terço do livro,
para virtualmente ficarem pulverizados no res-
tante elo trabalho . A complexidade desses tópi-
cos após a Segunda Guena- quando a maioria
da população no Brasil passa a viver em cidades
- uào recomendaria o aprofundamento da ques-
tão, sob o risco d e o autor ser obrigado a escre-
ver não um, mas dois livros. Reuniões como as
realizadas pela ANPUR e os Seminários de Histó-
ria da Cidade e elo Urbanismo nos últimos anos
relevam cada vez mais certa autonomia discipli-
nar no trato dessas questões.
A mençào in icial à questão urbana tem
uma relação mais próxima com o te ma moder-
n idade. Uma preocupação fim-de-século- qual
1 ó • Arqu ilelums no lJrasil
será a arquitetura do século 20? - permeou lanl-
bé m localizad os debates sobre o tema no Rrasil
do século 19. Ao m e debruçar sobre esse mote,
p rocurei resgatar alg umas interpretações so bre
o mod erno ern arrprircrnra. Não há defin ição
unívoca de m odernidade: se n ::~ Europa a pro-
blemática é objeto de entend imento diverso, o
con ceito de moderno no Brasil é ain ci::~ mais
controverso, p rccisalllcnte p ela necessidade de
examiná-lo sob uma óptica apropriada à realida-
de local - sem dcscnrar de sua entrop ia com um
meio mais amplo. A segunda p::1rt e elo livro foi
AGRADECIMENTOS
Toda relação de agradecimentos é u ma
lista d e esqu ecimen tos injustos. Não posso rela-
cio nar c agradecer a todas as pessoas e institui-
ções que me ajudaram na re;:~ l i zação d esta pes-
quisa. Todavia, deYo lembrar-m e de Conce pción
Vargas e Ernesto Alva, que me confiaram origi-
nalmente a escrita deste trabalho. Pela feitura
deste livro, dt:vo meus reconhecimentos a Vicen-
te Wissenbach , editor da revista Projeto, da qual
fui colaborador há muito tempo g raças <1. cora-
gem de seu editor; à Ruth Verde Zein, colega na
revista e in terlocuto ra pe rmane nte; ao J<.leber
Friz?.era c ~ Universidade Federal do Espírito
Santo; à Vera Helena Moro Rin ~ Ely e à 1.Jnivcr-
organizada com a preocupação de mostrar as vá-
rias modernidades p raticadas na arquite tura d o
Brasil no período e n tregucrras.
No correr das páginas e com o evoluir da
na rrativa, a a bordagem dos assuntos torna-se
mais esquemática. Naturalmente, o tempo é um
poderoso depurador c o distanciamento maio r
dos acon tecimentos pc rrni!.e selecion ar as len-
tes mais adequad as para o exame das qucstôes.
Por isso, a con tem poraneidadc sempre é mais
seduro ra e instigan te. E os riscos ele equívocos,
proporcionais ao nosso discernimento.
siclade Federal de Santa Catarin a; e àisa Pierma-
tiri e à Universidade Fcrler::JI do Paraná, <]Ue , em
diferentes mo me ntos no in ício de minha aproxi-
mação com a arquitetura brasile ira do século 20,
me convidaram para ministrar cu rsos, obrigan-
do-me a desenvolver uma estrutura de aula que
está na raiz deste trabaho; ao arquhcto c profe~­
sor Paulo Rrnna CJlle, convidand o-me a auxiliá-lo
numa disciplina de pós-graduação na U niversida-
de Mackcnzic , me permitiu cxpot· h ipóteses d e
interpretações que estão alinhavadas neste liTo.
Aos alunos desses cursos, a paciência de ouYirem
c d iscuLircm min has idéias que, após essas ses-
sôes, deixaram de ser exclusivamt:n le minhas.
1
0 BRASIL EM URBANIZAÇÃO
1862-1945
Na arquitetura (o 1/ll,!!;enlu:irol perpetua as gló·rú1> de ma j;âtria em
monunu•nüJs, que os séculos veneram snn destruir I' r/ri nos sr•us
wntemfJOTâneos nocâo do (11do euritmiw derivado das obms f;rimas da
Antigüidade, que f!oT sua or:z. o recebeu de civilizarõr:s idas, 11 que rlej)()is rir
millzarPs de anos !'IP faz ressusritar ao impulso aiador do seu r;ênio!
Nas ridruiPs, ai rmdP as multidliPs SP ojnimPm Pm busra do bPm-PJ!fll;
nas grnndPs rolmhns, Ptn quP a alividariP jfbril do homnn vai
diarian!l'nte premcher o seu papel jHMiidencial de elemrnlo ronstitutivo dt>
riquPZa jJP/o lmbalho, o mr;enhPirn; ainda a luz, o guia na r>smlha
de localidades, no preparo do solo, nn orientaçâo e traçado das ruas,
110 rstwlo das !IPrPssidadPs públiras f' parlirularrs, uo.ç jlnigos, na.
mwgênrias P ali> nas rrisPs patológiras! Sf' um baino é diji.rilmeniP
ventilado, se uma jHtTie do litoml é otujHtda intermitentemente jJelas águas
em seu etemoflu ."w e refluxo, ei-lo removendo montanhas, dilatando a área
1ahrm a P anulando s-ilnnltanr:amr>nfe duas fontes de insalubridade.'
j. S. DE CASTRO BARBOSA,
Lrecho elo panegírico ~obre a profissão do.engenheiro
por ocasião do l6Q aniversário elo Club de
Engenharia do Rio ele Janeiro em 1896.
O an o de 1900, além de algum sig nifica-
do na numerologia, não te m muita importância
~ >(· .1'. datas marcantes da histó ria mundial, a
não ser o fato de assinalar a transição do século
19 para o século 20. Todavia, para o Brasil, o ano
marcou a grande efeméride da celebração dos
L...i
18 • llrquile/urus 110 flrasil
quatrocen tos anos da cheg-ada de u ma frota
pon ug-uesa na cost.a sul-americana - contato que
ofiriali1.ou o domínio de Ponugal sobre essas
terras que, mais tarde, se transformariam num
país de dimensões continentais.
Foi em fins ele 1900 que, a pretexto dessas
comcmoraçiks, o Clnh de F:ngenharia p romoveu
o Congresso de Engenharia c lnrlústria. O Club
de l•:ngenharia era uma ag-remiação politicamen-
te vitoriosa em busca de uma a firmação inédi-
ta naquele tempo: a Rcpltbl ica havia sido pro-
clamada pouco ;uJles, e o Club, ele convicçfto
republicana (an tagônica ao monárquico lnsti-
llll<> Polité-cnico Rt·asile iro) .firmava-se como o
furo oficioso de urna corporação que buscava
habilitar-se como uma alternativa na esfera po-
lítica contra o monopólio exercido por ou tra
c<Jtegoria profissional: os bacharéis de D ire itu.
CREDENCIAMENTO
TÉCNICO PARA A MODERNIZAÇÃO
A formação d a elite intelectual brasileira
na passagem do século sustentava-se num Ll"ÍfJé:
a medicina (cujas primeiras escolas datam de
1808-1809) , as ci{:ncias juríclicas (suas duas aca-
demias foram fundadas em 1827) c a engenha-
ria- n~a consolidação se faria no final do século
19 com a Escola Politécnica rlo Rio de Janeiro
em 1874, a Escola ele Minas, em Ouro !'reto , ele
H:l76, a Pol it <:cnica rle São Paulo em 1894 e a
Mackenzie College (de origem norte-am erica-
na) , também em São Paulo, em 1896. Foi a ver-
tente jurídica que maior espaço conquist(m no
cxcrcicio do poder ao longo rlo sécu lo 19- domí-
nio ora crn rlisputa com engenheiros e médicos,
no alvorecer do novo século.
Os enge nheiros buscavam repercussão
em suas recomendações nascidas ele pautas am-
biciosas. De acorrlo com o seu programa, o Con-
gresso de Engenharia e Indústria teve como
[...] objeto exclusivo discutir e deliberar sobre as prin-
cipais questões técnicas, industriais, econômicas, finan-
<.:eiras e administrativas que. de mai~ pt-rlo t' rlirt-tamcn-
te, possam interessar ao desenvolvimento material d o
B•·asil, de modo a formu lar rt-soilt ~·flt's <JHC' tradn~:o.m
com clilreza o parecer dos mais competentes sobre a so-
lu (<'io prútica de r::tdil uma d as yucstõcs vcHLiladas, c
que scr:ío submel idas ú ap reciação dos poderes públi-
cos. I"Prog ra ntlll <l ..." 190 l , pp. 7-1!>] .
O temário do congresso Locou numa série
ele questões que inven tariavam um repertório de
tare fas nacionais nesse momento: sistema ferro-
viário, portos e navegação interio r, h idráulica
agrícola, saneamento das cidades, urbanização.
A bem da verdade, em IH.:nhunl momento se em-
pregou, nos debates ern 1900, o lermo "urhaui-
zação" ou qualquer derivado de "urbe" como ci-
dade. Mas o contexto geral dos debates indicava
esse rnmo.
DO SJNF.JMF.NTO AO URBANISMO
O Brasil aJentrava o século 20 com uma
população da ordem de 17 mi lhões de h abitan-
tes, com cerca d e 36% elos brasileiros vivendo
nas cidades. A economia do país era impulsiona-
da <I base da exportação de produtos prirn{trios.
Entre 1871 e 1Y28, o café - um artigo de consu-
mo das mesas abastadas na Europa e nos Estados
Unidos- participava com mais d a metade da
receita brasileira de exportação, sccundaclo por
um período de te mpomaiscurro ( 1891 a 1913)
pela borracha [Singer 1985] . O paí!j possuía uma
rarefeita economia urbana, pulverizada em cen-
tros urbanos nas frentes agrícolas ou cidades
portuárias a serviço da exportação ons p rodutos:
Campinas, São Paulo, San tos, Campos e Rio de
J an eiro para o café; Recife para a zona açucarei-
ra; Salvador para o cacau; Porto Alegre para cou-
ro c peles; Be lém e Man aus para a borracha. E,
embora incipiente como rede urbana, algumas
capitais conheceram um extraordinário cresci-
mento demográfico: o Rio de J aneiro em 1900
era habitado por 746.749 habitantes- sua p opu-
lação aumentou 271% em relação à de 1872; São
Paulo, nesse mesmo período, Leve um aumen to
populacional da ordem ele 870%, com 2~19 .820
habitantes na virada do século; Bdém yuase du-
plicou sua população de 53 150 habiran tes em
1872 para 96. :)60 em 1900 [Graham 1973, p .
40J . Os núme ros apenas indiciavam os graves
conflitos de espaço que se afiguravam com o
crescimento clesorden;~do cbs cid;~rles .
A cidade afirmava-se como o palco do
moderno - modernização Lendo como referên-
cia a organização, as atividades e o modo de vi-
ver do mundo europeu. Os engenheiros coloca-
vam-se como agentes dessa modernização - era
a corporação que apostava na ciência c na récni-
ca como os instrumentos de progresso material
para o país, nos moldes do desenvolvimento in-
dustrial do Velho Mundo, vislumbrando, na in-
d ustrialização, um objetivo nacional a se atingir.
O Congresso de Engenharia e Tnclústria demons-
trava a amplitude das tarefas da profissão c
apont;~va nm1os para a montagem ela nova cena:
t·acionalização nas intervenções de ocupação
territorial, vetores de urbanização num país de
vastas regiões inexploradas. O desejo de mudan-
ça era late nte: a elite nrh<~n<~, progressista, posi-
tivista, cosmopolita, contrapunha-se à sociedade
tradicional, de índole agrária e conservadora.
CIDADES COMO
CENÁRIOS DE MODERNIDADE
Algumas cidades brasileiras, j{t na segunda
metade do século l 9, assimilavam intervenções
modernizadoras ern suas infra-estruturas, à ma-
neira das metrópoles eu ropfias - resson<lnci<l da
questão (central na cidade européia oitocentis-
ta) do sauitarismo ou salubrismo. Cidades como
Rio de.Janeiro (a partir de 1862) , Recife, Santos,
São Paulo, Manaus c Salvador contaram com em-
presas que instalaram e operaram sistemas de
drenagem, abastecimento de água e esgoto-urba-
nos. Também nesse f'inal do século opentvam
nessas cidades, e ainda em Fortaleza, Belém e
Porto Alegre, companhias de gás; serviços de ele-
tricidade e transporte urbano também funciona-
O Brasil em Urbanização • I 9
ram em algumas dessas cidades - em sua maioria,
empreendinrentos com o envolvimento de capi-
tais e empresas inglesas (também responsáveis,
desde o século 19, pela implantação do sistema
ferroviário no país) [Graham 1973, pp. l 21 -124J .
A implan tação dessa infra-estrutura técni-
ca nas cidades consolidadas configurou m edidas
<JliC não ncccssariarnente prcconit.ararn a reor-
denação d o tecido urbano -sobretudo a reorga-
nização dos espaços físicos he rdados da cidade
colonial, no caso brasileiro. Ao contrário, a im-
plan 1aç<-to desses mclhoranwntos reil<~ ntv<l a es-
tr utura existente, com poucas modificações. O
sentido ele intervenção urbana como produto de
uma elaboração icleolúgica n ão sú derivava dos
processos de saneamento urbano desenvolvidos
no século 10, mas adquiria nova condição - co-
mo visão racionalizadora c integrada de intcrfc-
rência na cidade, numa lógica de modernização
das estruturas urbanas -com a codificação de
uma disciplina específica: o urbanismo.
Simbolícameme, pode-se e leger quatro
even tos como representativos de: formas de m o-
dernização urbana no Brasil na passagem do sé-
enio 19 para o 20.
A N ECAÇAO DAS
ESTRUTURAS URBANAS COLONIAIS
O primeiro even t.o {; a transfcr(:ncia, crn
1H9G, da capital do Estado de Minas Gerais da co-
lonial Ouro Prelo para uma cidade nova, inlcira-
menle planejada e construída para ab rigar as
funções administrativas ck sede governamenlai -
lklo Horizonte - , projeto de nma comissão che-
fiada pelo engenheiro Aarão Reis (1853-1936),
formado na l'olit{;cnica do Rio de Janeiro .
O segundo é a "haussm anisatio n " (num
ncologismo criado por Pierrc Lavedan) do Rio
de Janeiro, grande intervenção promovida pelo
prefeito Francisco Pereira Passos (1836-1913), a
partir de 1904, com a criação ele novos eixos vi-
ários, a unifor mização das fachadas dessas aveni-
das e a implantação de parques públicos median-
·J~'sodun~:)~p01
-ll:'lllll'.;)lll!SOl!Jted~;()()(;>p<>P!o.od011Ej)l'.lli;)SJ.odl!S<)_l'.(lldOdS.H_>.~l!l!C(~'I(E.l"d1.nsodo.od:<>ii.IHJj)Oll!ll.lllll!SO.l":llll'..l~.(;
f:f:jK>
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St811'iONO'J3JSJJ8nlfS-S3t:!VlndOdS3_9ÓV.ll8'v'H
/.1~;/J.I[jOUW.IIIP/.111/J./JI•()(
te a rC'modelac::ão do tecido urbano colonial da
cidad<:. Foi uma iniciativa de saneamento físico
e social e ele "e mbelezamento" (termo corrente
na época) da cidade- capital e principal en tra-
da in ternacional ao país. Conciliar a <:nadicação
d as epidemias que varreram a cidade ao long-o
d o século 19, afastar a populaÇão pobre de seto-
res estratégicos para a <:xp<msão urbana e confe-
rir <1 paisagetn uma <..:slélica arquitetônica d e pa-
drão europeu carac terizaram iniciativas para a
ntodclagcm de ttm llrasil condizente com o fig-u-
rino de nma nação "civilizada".
PRIMÓRDIOS
DO PLAN~JAMENTO URBA~O
O terc<'iro evento reprcscutativo não é es-
pccificatttctt t<..: uma, mas 'árias intcrv<:nçõcs,
concebidas com ideários comuns: aquelas desen-
volvidas pelo engenheiro Francisco Saturnino Ro-
drigues ck Brito (1864-1929), formado na Esco-
la Politécnica do Rio de .Jan eiro. Saturnino de
Brito é considerado o fundador ela engenharia sa-
nitária brasileira pelo conjunto dos projetos (cer-
ca de dttas clcL.enas em 'ários quadrantes do país)
c pela contribuição tecnológica ad,·incla dessas
propostas. Brito tah-ez se tornasse apenas mais
unt itnpul"l<lltlt' tfcnico na árPa san it át~ia no Bra-
sil nas primeir;ts d{·cadas do século 20 não rosse
certa sensibilidade (re forçada pela cren ça positi-
vista) q ue o tornou um sanitarista n::io só 'olt<tdo
para as equaçôes ck r<:gimes hidráulicos ou para
as últimas novidades em sistemas de abastecimen-
to c cscoan1ento, 1nas também preocupado com
o ambiente da cidack como um Lodo, p redorni-
nantcmcttt<..: f'ísico, mas com interfaces sociais.
ü plano de san <:<un<:nto da cidade de Cam-
pos, no Estado do Rio deJaneiro, ele 1903, é uma
referência para a engenharia sanitária: um exten-
so diagnóstico abordando d e forma inte-grada as
questões tecno-sanitárias- abastecimento de água,
esgotos, águas pluviais - com a ocupação do solo
- sistemas construtivos, habitações populares, es-
paços P cdil'ícios públicos, ori<:ntação e insolação,
O Rmsif em 1/r/;unizoçiio • 2 7
circulação etc. A segu nda referência fundamental
elaborada por Saturnino de Brito foi o plano de
saneamento c <:xpansão de Santos, no Estado de
São Paulo, desenvolvido entre 1905 e 1910 para o
principal porto de exportação de caf{:. Nesse pro-
.ieto, às a titudes inovadoras <tdotadas no plano de
Campos acresc<:utuu-s<: " dimensão cslética na re-
solttçào dos problemas u rbanos: Satttntino de
Brito reconhecia em seus escritos a importância
de um aporte urbanístico a p<trtir das id{·ias de
Camillo Sitte (1843-1903). Ao longo elos <Utos de
l ~:llO, o engenheiro foi um atento monitor das
discussões em curso na Europa sobre o Town
Planning ou Urbanisme, disciplina em institucio-
nali;.ação na {;poca por m<:Ío de coug-r<:ssos iut~:::1~
nacionais, os quais freqiicnta'a como ouvinte ott
;~prcsentando comunicações. Sem nunca se auto-
qualificar Townplanner ou Urbaniste, Saturnino
de Brilo ioi uw ideúlogo d a engenharia sanitária
que, a seu tempo, de forma pioneira introduziu
em seus planos o leque de d iretrizes metodológi-
cas d o repertório téc nico da então nascente dis-
ciplina urbanística. Essas idéias, todavia, não fo-
ra m inrorporad<ts sem u ma filtragem crítica: sua
atuação sempre Considerntt ttma a'aliaç·ão dos
pro('editucutos c das L(~cn icas codificados pela ex-
periência européia e, nas proposições c cspcciti-
caçõcs de seus projetos, percebe-se que há uma
elaborac::ão de uma solução apropriada tendo em
vista as condições específicas do meio em que
atnm·a: as limitações, as potencialidades e as pos-
sibilidades locais configuravam projetos tecnoló-
gicos específicos como respostas a realidades
concretas, brasileiras [S<:gawa 1987a, !JP· 66-70] .
JARDINS-UTOPIAS URBANAS
A potencialidade da expansão nrbana das
cidades brasikiras j á chamava a atendío dos in-
gleses na segu nda metade do <;é·culo 19, como jc'i
visto, mas foi na década d<: 191 Oqu<: o capilal cs-
Lrangeiro inverteu recursos numa ousada inicia-
tiva d<: im plantação ele bairros novos. A cidade
de São Paulo, e m pleno crescimento econômico
t-
2 2 • ArquítN11ms 110 l5rusíf
LIIAIRRO Ol::lõl.ITE
l'ropricdadc tle 1
Manoel Garcia da Silva
!-lll·:,~ ID ·D'lf!J"' [1 rr-·tni·D~~n~
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~- Pwpa~a1ul;o de 1928 do Jardim
Europa e m São Paulo, bairro que
itnilava o ntoclclo do conLíguo Jar-
N• aae•-• alf.Jf.ad• ela. Pra4:a •••..aarelaa
A.PDOTE•TE A. 'I'A.DDE DE HOJE
Alem de C1tcr 11m paucio 'Srad».Yel r~J
1~ ~~:tN~~~:~~;,c:~í "':l,ci:~~~~~~~,:J~I;~..,11pr~c'iaa· o ç:r~nJ•· oll:t"lnl nh·iwento
dirn An1érit:a, n--odi/a·úo ela Cia. A iUttttth~ão Jmbli~ c~~O:,~~d:
1 ~~.{}~!1l1':u:~,::.~,;~rl:::.~...s.!Y4 fciw a iHJiti(ur~o
PALACJET~.; •: Lt...-.:...~ Dlt "I'C.;ft.R~NU
City, dcmonstraorlo o apelo do pa- '-': • l>f'riola~ÕK-,.. 'Uil' 1~ r 1"''1'"''11:1• chlr.kla•
lllf~ , Ao. dOtMin~o• "" lon:.l ,. m)" oh.l• ,.,..j. ua
rlr:io gfl.rdt•JI rifit•.. LOJA DO JAPAO
e físico com a riqueza propiciada pela exporta-
(ào do "~fé· , roi contemplada com uma operação
espccubtiva que trouxe um padr~m urbanístico
inédito na América do Sul. Em 1912 fói conslituí-
<.la, em Londres, a Tbe City ofSan Paulo lmprove-
me>nt~ élncl Frcchold Company, empresa organi-
t.ada para lotear grandes áreas a1~1Sl<t<hts ao sul e
a oeste da cidade - então em plena área rural - ,
com a finalidade de criar bairros de allo padrão
para a crcscenrt> burguesia cafccira. Para o pro-
jeto urbanístico, foram contratados Ra)'lliOlld
U nwin (1863- 1940) e P.~1rry P:wker (1867-HHl),
ambos n•!;ponsáveis pela implantação das primei-
ras cidades-jardins inglesas, segundo os prr>ct:itos
<.k Ebenezer llowarcl ( lS:í0-1928). Parker desen-
volveu dois projetos- o .Jardim Amérie<t e o Ciry
Lapa - c a remodelação de um jardim público na
<:tVenida P<'lulista (Parque Trianon) entre 1017 c
1919, período em que se estabelt:ceu em São Pau-
lo. Todavia, foi uma operação de long-o prazo: os
bairros conheceram alguma ocupação a partir
do fi nal da década de 1920, c a consolidação efe-
tiva somente se proct:ssou bem mais tarde. Pela
qualidade projt>tual t: a rigorosa legislação t:ntão
elaborach1 para os loteamentos, tanto o Jardim
América quanto o City Lapa resistiram às trausfor-
mações urbanas por mais de setenta anos e con-
servam até hoje as qu<'llidades ambientais propos-
- __,_
Hua S. Bento..JO ~ (;AHCI. IH SUX & CIA.
tas no idcário das cidades-jardins de Howard
[Scgawa 1987a, pp. 71-77; Bm:clli 1982J.
As primeiras duas décadas do século 20
testemunharam. transformações nas cidadt:s bra-
sileiras numa escala c num ritmo até então sem
precedentes: alt~ts laxas ele crescimento popu-
lacional nas principais capitais pressionavam a
demanda por habitação c serviços urbanos; a
prosperidade proporcionada pelo café tral'.ia be-
nefícios materiais e novos padrões de consumo
para alguns segmentos da populayão, mas as es-
lxulut·<t8 urb<tnas, t'm sua rn.ai.or·,t h erd·'"das ÜQ
período colonial, não se coadunavam com as ex-
pectativas de uma sociedade que se urbanizava
em passo acelerado, embora sustentada por uma
economia agroexportaclora de valores arraigada-
mente rurais. As cidades transformavam-se nas
plataformas rumo ao mundo moderno, isto é,
em busca de um nível de vida à maneira das
grandes metrópoles europ éias ou norte-america-
nas. Alguns esforços convergiram para esse ideal.
O pretexto da ciência, da técnica, da racionali-
zação d os meios e rt:cursos para se alcançar esses
oqjerivos foram argumentos instaurados nesse
início de século. Embora em nenhum momento
se identif-ique, no conjunto de iniciativas, algu-
ma coerência de estratégia - um planejamento
sobre uma enorme extensão territorial mergu-
I
~
lhada na p!'"rifcria ela economia mundial-, há
um vetor comum nas pontuais operações urba-
nas processadas nesse período: a apropriação de
um repertório ieleologizaelo ele intervenção nas
estruturas urbanas - o urbanismo como discipli-
na, tal como se coclificava na Europa- , instru-
menw modernizador por excelência, uma tenta-
tiva de equiparação da cidade brasileira aos
patamares europeus o u a prnn1ra ele uma tênue
modernidade à brasileira.
O ENTREGUERRAS E AS CIDADES
No final dos anos de 19 1O, o Brasil conti-
nuava um país de economia funclamentalrnentc
agrocxport<iclora, modelado na riqueza propor-
cionada pela vencia do café no mercado imcrna-
cional. A exlra<,:iio da borrac ha, atividade que
movimentou o norte do país - na regiüo da bacia
do rio Amazonas-, entre o final do século 19 e a
primeira década do século 20. fracassou c!iantc da
concorrência dos seringais ela Malásia c de Cinga-
pur<~_ A dil'nsão elo gosto pelo chocolate eus<.:jou
o nc:scimento do plantio do cacau na P.:-~h ia, uma
elas culturas que se expandem a partir de então
numa escala regioual ponderável. A atividade
pecuarista, por seu turno, dc:sen volvia-se nos Es-
Lados suliuos, sobretudo no Rio Granelc do Sul.
No final elos anos ele 1920, oito produtos primá-
rios respondiam por 90% do valo r tot<tl das expor-
tações: café (com cerca ele 70%), açúcar, cacau,
algodão, mate, tabaco, borracha, couro e peles
[Abreu l986J. A estrutura da economia brasilc:i-
ra, em 19 19, baseava-se 79% na agricullura e 21%
n a indústria.
Nos anos de 1920, a política econômica
persistia no privilégio da produção do café, com
poucas alterações e m relação à prática anterior à
Primeira Guerra. O domínio político-partidário
da oligarquia cafeeira de: São Paulo assegurava a
sustentação de sua cotação medianLe tllanobras
que viabilizavam os preços internacionais do pro-
duto. Na segunda metade dessa década, a cafei-
cultura sofreu forte expansão na produção, em
O Hrasil em Urhtlltizaçàu • 2 3
alguma rnedida associada à política mo netária c
à entrada de capitais estrangeiros (em forma de
investimentos e ÜJJanciamento ele obras públi-
cas, sobretudo de origem inglesa) [Abreu 1986J.
!hegemonia política e as formas ele con-
trole e manipulação do poder dos grupos ligados
ú agroexportação não estavam isentas do descon-
tentamen to de setores da sociedade, sobretudo
os segme ntos de classe média urbana não repre-
sentados pela oligarquia agrária. Ao lado de gre-
ves operárias (marcantes a partir de 19 18, com
o fim da Guerra), as mais si){nificativas manifes-
tações contrárias ao quadro vigente partiram dos
quartéis, em movimentos liderados por elemen-
tos da ala jovem da oficialidade militar- os te-
nentes. A partir de 1922, inúmeros levautes em
quartl~ is- yue ficaram conh ecidos co mo rcvolt<1s
"ten ent·istas" ou, enquanto fenômeno político,
"teueutismo" - foram registrados em vári<~s cida-
des rio Brasil, alguns extrapolando os limites da
caserna e assum indo contornos revolucio nários,
como no Rio de .Janeiro, no Rio Grande do Sul
c em São Paulo. A oposição fazia con tatos com a
oficialidade inquicr.a, em nome de uma "morali-
zação do regime", e se preparava o c<1minho para
a Revolução de 1930.
O colapso elo mercado lltUIH-Iial provoca-
do pela quebra da Bolsa de Nova York, em outu-
bro de 1929, não deixou d e repercutir no Brasil,
so hrewclo cliautc da fragilidade ela política de
manute nção dos preços elo café. O s altos esto-
ques do produto aliados à vertiginosa queda ela
sua cotação internacional levaram a economia
cafeeira à bancarrota. Em 1930, revolucionários
do Rio Grande do Sul derrubaram o presidente
Washingwn Luís (1870-19S7) sem maior como-
ção. Assumia o poder Getúlio Vargas (1883-1954).
Segundo Singer [1985, p. 235], "o princi-
pal mérito ela Revolução de 1930 foi ter g uinda-
elo ao poder uma aliança heterogên ea ele corren-
tes políticas e militares que , para se consolidar,
não podiam se dar ao luxo de seguir a onocloxia
liberal no campo econô mico, assistindo ele braços
cruzados à hecatombe de atividades produtivas
que a crise mundial estava acarretando". Ainda
segundo esse autor, "a oligarquia agroexportado-
..
i........l
2 4 • ,1l"<jll ilei11 r11s 110 1Jr11sil
ra, economicamente arruinada, leve que ceder o
papel de fração hcgcmúnica à coligação indus-
trializame de tecnocratas, militares e empr('s<Írios,
CJllC vC"io g-anhando poder c acumulando capital
ao longo de lodo este período". No pcríodo ID:-20-
192~) , a agricult.ura sc clcscnvolveu com taxas mé--
dia~ <tttuais de /1,1%, enquanto a indústria <T('SC('ll
2,8%. A inércia ctlU·c os anos I~J2D e 1933 era o
sintoma inH'diato da Crandc Lkptcssão. Entre
1933-10:-39, inverteram-se as posi(Ôes: a agricultu-
ra virtualmente estagnou-se com taxas de 1,7%,
e a indústria desen volveu-se a índ ice~ de 11,2%
ao auo. Em 1939, a agricultura <linda respondi<~
por 57% da csrrnmra da economia brasileira,
mas a indústri<t já comparecia com ponderável
parcela de 4~ 1
/fJ [Dinii' 19lnj.
A ~u pcração ela estrutura de privikgios do
domínio agrário somente se l"aria ele fornta <· li-
ciente mediante a substitui<;ão dos instrumentos
de controle c operarão do porl<'r. O sentido de
modC"rn ii'a(;io da chamada ''Era Vargas" ( 1930
1945) fundamentava-se na 1ransformac;ão das es-
trulUras de sustentação ela oligarquia cafccira
numa administração centra]i;.ada c intcrn,ncio-
nista, de d iscurso naciomdista. rs principais me-
didas políticas e !"conômicas tornar-se-iam deci-
sões orientadas por políticas nacion<1is de Fstado,
em detrimento das políticas regionalistas de in-
tCl·esses !ocali1ados; crit{Tios 'jnrídicos" e "polí-
ticos" eram suhsl il tiÍdos por t·;tzócs técnicas",
"econômicas" e 'tdmiuistnttivas", vinculadas a
rnecanismos de mercado [Fonseca 19H9l . Novas
leis, códigos e dC"lC"rmina(Õcs davam amparo ao
processo de modernização. ; reformula(ão do
aparelho estatal, com a criação de noYos ministé-
rios (da Educação e Saúde, do Trabalho) c órgãos
públicos operacionalizavam as mudanças, articu-
lando os setores público c privad o. Constituía-se
um mercado nacional integrado, definiam-se ru-
mos para o capitalismo industrial do país; ohser-
'a-se, no plano econômico, ··o deslocamento do
l·ixo da economia do pólo agroexportador para o
pólo urbano-industrial c, no plano político, o es-
vaziamento da infht€>ncia e elo poder dos interes-
ses ligados à presen-ação da preponderância do
setor externo no conjun1o ela economia" [Di.niz
l9R3]. Esse ide:írio seria reafirmado de for ma
autoritária com a implantação do Estado :--Jovo,
golpe cuntinuísla de Vargas e111 1037 (contrarian-
do a CarLa de 1!);)4, rp w previ<~ c lciçôcs presiden-
ciais para esse ano) com a ou torga de uma cons-
tituição CJll<' perduro u até a CJUeda do d itad or,
com o fim da Segunci.-t Cuerra.
ORDENAR AS CIDADES
No final dos anos de 1920, a população do
Brasil era ela o rdem de 37 milhôC"s de habitallles,
com cerca de 70% ,·ivendo na úrca ntral. Em
l 940, esse total ati11gia pouco mais df:' IJ 1 milhtll's,
com a mesma propon;ão ele brasileiros vivendo
no campo. Novas frentes de exp ansão agrícola
pelo território gerayam m ig rações inte r nas in-
tensas, assim como, em regiões de incremento
econômico mais di nâmico (sobretudo São Paulo
c Rio d e Janeiro), as tendências apo11tavam para
o d eslocuncn to ele populações da área rural
pan1 a ull.>aml - a confirmar a caracterizaçáo das
cidades como locais de cstn tfllração elo poder e
organização das atiYidades comerciais c financei-
ras, bem como das inslituiçôcs burocráticas do
Estado rPatarra 19861 .
O Rio dejatwiro continum·a sendo o alvo
preferido para inter'cnçôcs "hattsstmtn ianas",
ua seqüência das gTandcs obras empreend idas
pelo prefeito Pereira Passos a part ir ele 190<1. Em
1919, o ex-assistente ele Pereira Passos, o enge-
n heiro Paulo de Frontin (1860-1933), assulllia a
p refeitura elo Distrito Federal e r~ali zaya uma
série ele obras vi:trias de porte . Dois anos mais
tarde, o prefeito Carlos de Campos (1866-1927)
detonava o d esmonte do morro do Castelo, um
dos prime iros sítios ocupados pelos portugueses
no século 16 para a fun dação da cidade, e criava
um "vazio" urbano onde seria provisoriamente
montada a Exposição do Centenário da Indepen-
dê ncia, C lll 1922 rver próximo capítulol. Tratava-
se efetivamente de nm "vazio", porquan to ne-
nhuma destinação prévia havia sido planejada
para a esplanada que surg-ira. O material do ar-
U lJmsil e111 f !rhaniz(lç(Jo • 2 5
..... :i .... C)....
,;; ·l~·,,;~~;;;•,S>~;~
·--.._
•,
'',,...
L-4. Projcto núo l'~t·( 11tado de arr11~111 e nro para a área rc:;ultante do d esalt'r rn rln morr o do Castelo c para án:a a tt'tTada
rlt>srlc a Glória até a Ponta do Calabuurn. S<').;lllldo proposta de uma comissúu dc cngenlwiros c· arCJuitctos nomeados pelo
[li efeito do Rio de Jancim, Carlos Sampaio, 1920 1922.
1·as:1mento do morro foi transferido para a com-
pactação de um aterro que, lllais tarde, abrigaria
v Aeroporto Santos Dumont.
A capital elo país contiuua,·a a ditar a voga
de intervenções urbanísticas. O irnpassc do de-
senvolvimento c a ocupação urbana do Distrito
Federal ensejariam a contratação, em 1927, do <~r­
quiteto Donat Alfred Agache ( IH7!l--1959), profis-
sional que vinha se notabilizando na França, des-
de ;t década ele 1910, em assnntm url>anísticos.
Agache desenvolveu um volumoso relatório com
diretrizes urbanísticas básicas publicado em 1930,
que. com a Revolução, n~t o !'oi imedia tamente
implementado. Em 1931 era criada uma Comis-
são do Plano da Cidade para o reestudo do Plano
Agache, permitindo sua aplicação parcial. Em
1937, com o Estado NoYO, uma no'a comissão de-
senvolveu um projeto que acolheu inúmeros sub-
sídios do plauo de l 930 e foi o que orientou o
desenvolvime nto do Rio de .Janeiro até por volta
dos anos 1960 [Rezende 1982; Bruand 1981J.
Alfred Agache dese nvolveu no Brasil, nes-
se período, vários projetos c consultorias: ern
]935 fc:z o desenho do Parqu e Farroupilha Iver
capítulo "Modemidade Pragrnútica 1922-194:-r'l,
faria consultoria para o cntüo prefeito de Belo
TIori7onte, J uscdiuu Kubitschek de O liveira
(1902-1976) no f"inal rlos anos El30 [ver capítulo
"Modernidade Corrente 1929-1945"], um plano
diretor para a cidade de Curitiba (1913) e o de-
senho de um bairro de clirc e m São Paulo, em
Interlagos (anos de 1940). Participou de inúme-
ros outros planos, como os de Vitória, Campos,
Cabo Frio, Araruama, Petrópolis, São João da
Barra e Atafona lSilva 1996].
A cidade de São P<nlio, também ao tina!
dos auus ele 1920, apresentaria um plano corn
preocupação basicamente viária mas não isenta
de elementos referenciados nas questões urbanís-
ticas mais amplas. O engenheiro-arquite to Fran-
cisco Prestes Maia (1896-1 965) foi o autor de um
<tmbicioso "Plano de Avenidas" publicado num
relatório em 1930 - tão suntuoso qu anto o de
Agache. A Re,·oluçào de 30 também. interferiria
na adoção do plano; todavia, em 19~7, com o
Estado Novo, Prestes Maia era conduzido à pre-
26 • Arquiteturas no nmsil
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.'. Proposta elo l'lano de ivenicbs, de 19:10, cl.- l'restt's Maia , para p raça circul:tr na imerccssào das ;~v.-nidas do EsLado e
da Jnclcpc nch~ncia: monurncntal id adc vi;i t ia num entorno campeslr<>.
fcimra de São Puulo c em sua primt>ira g-csl<'io at<::
194!i, e posleriorrnenre entre 1961 c 196Pí (quan-
do foi cleiLo prefeito da r iclade) , ele implan Io u
parcialmente seu projeto, incompleLO em sua
execução pe la falla de recursos. As diretrizes bá-
sicas do plauo foram seguidas até 1969 pelo seu
sucessot· [Toledo 1996].
Os planos para o Rio de jane iro e São Pau-
lo ensejaram uma seqüência de propostas para
várias cidades brasileiras, em maior ou menor me-
dida inspirados nessas experiências. No início elos
anos dt" 1930, Nestor Fig-tteiredo c Fernando Al-
meida clesenvolveram pl:mos de remodelaçiio e
extensão para diversas capitais do Nordeste: For-
taleza, João Pessoa, Recife e para a cidade ele
Cabedelo. Recife ainda seria estudado em 1934
por AtLilio Correia Lima (190 l-1943) e em 1942
por Ulhôa Cinlra (1BH7-1944). O mesmo Correia
Lima elahorflria uma tese no Instituto de Urbanis-
mo da Universidade ele Paris sobre um plano de
remodda<:ão e extensão de Niterói em 1932 e, no
auo seguinte, faria o desenho ela nova capital do
Fsl<tdo de Goiás, (;oiânia fver tarnb(:m capítulo
"Modernidade Pragmática 192:2-1943"]; em 1941,
elabora I';.Jmbém o plano para a cidade de Volta
Redonda ILopes 19941. Na primeira metade dos
anos de 1930, os engenh eiros U batuba de Faria e
Edvaldo Pereira Paiva preparariam um plano pant
Porto Alegre sob a inspiração elo plano Agach e
para o Rio de Janeiro. Com a nomeação do pre-
feito José Loureiro da Silva (l9m~-1964) com o
Estado Novo, o arquiteto elo Rio deJaneiro Arnal-
do Gladoscl! era contratado para o descnvoh·i-
mento d e um IJlano direror para a cidade; nos
anos de 1940, Edvaldv Paiv<1 iria desenvolver estu-
dos nrbanísticos par·a a capital com o título "Ex-
pedien te Urbano". Salvador também teve organi-
zada, entre 1 9~4 e 1 9~7, a Comissão do Plano da
Cidade, desativada pelo li.~taco Novo. Somente
em 1942 seria organizado o Escritório elo Plano
de Urbanismo ela Cidade ele Salvador (EPUC:S) , di-
rigido pelo e ngenheiro Mário Leal Ferreira.
O sub strato conceitual desses inúmeros
esforços era referenciado em teorias e expcri-
ências urbanísticas européias c norte-america-
na::;; enqu::1n to propostas concretas, boa parte se
limit ava a esquemas de circulação com novos
sistemas viários sobrepostos aos tecidos urbanos
antigos, quando não se tratava ele áreas eu1 ex-
pansão o u cidades novas. A 111aiori::J dt>sscs pro-
jetos foram rejeitados pelas câmaras muni('ipais
ou adot::Jclos c.m condições excepcionais, isto é,
com prefeitos nomeados pelo Estado Novo, que
uão se suhorrl.inavam ao respaldo do poder legis-
lativo para suas in tervcn ções urbanas. Mesmo
nessas sitml<:Ôcs ele exceção, esses prefeitos não
conseguiram implementar os planos na sua tota-
lidadf', pela amplitude e complexidade das pro-
postas a exigir recursos que demandariam o in-
vestimento de inúmeras gcraçôes de cidadãos.
O plauejanu.:nLo das cidades, a funciona-
lizaçào dos espaços, a organiwr,·ão de uma hierar-
quia viária eficiente e a definição de políticas de
construção mediante códigos t>clificatórios vinnl-
lados a padrócs urbanos foram aspectos que, a
parti r de 1930, caracterizaram uma faceta da mo-
derniza~· ;lo dos grandes centros urbanos do país.
Quando concretizados, <.:onstituíram verdackiras
O /Jmsil e111 Urbanizaçâo • 2 7
cirurgias urbanas que tentaram 'arrer as referên-
cias da cidade colonial ou imperial, substituindo-
se a paisagem "at1·asada" do casario antigo por
largas e arc::jadas ;wrnidas ou bulevares e constru-
ções vistosas ele <1rquitctura modernil'.<mtc ou rno-
rlerna. Todavia, entre a utopia transformaclo•·a e a
realidade conscr'adora, estabeleceu-se um impas-
se que acabou gerando nf'nhnma imagem integral
de modernidade. ;'!em se pode afirmar, categori-
camente, que os significados dessa modernização
estivessem conscientemente assimilados pelos ci-
dadãos ou govcrnan tes. Ademais, cst rat{:gias des-
sa narnrcza c·ontcmplando ol-~jctos tão complexos
como as cidades dificilmente são exeqüíveis em
prazos condicionados às veleidades ele autoricl:Kks
ou autoritarismos. No entanto, o conjunto de ten-
tativ;ls d(' plant:jameiJto u•lxnw no Brasil que se
registrou no período rl.o enrregucrras inclicia, com
rnaior ou tneuor sucesso, que o Brasil procurava
ingresso entre <'~S naçócs dcscm·olvidas buscando
encontrar formas racionalizaci::Js ele uso c manipu-
lação elo espaço das cidades, segundo regras de
uma das disciplinas instauracloras da modernida-
de do século 20: o urbanismo.
2
DO ANTICOLONIAL AO NEOCOLONIAL:
A BUSCA DE ALGUMA MODERNIDADE
1880-1926
O estilo modr.mo aceita lodos os estilos, cai l''ln todos OJ PXrP.uos, t' '//(LO formando idéia
das IU'rt>ssidadr.s tâo várias da gerarlio f.m•scnte, finde-se na jiP.stpú.w rir• 11ovas f ormas
n r.rim; de nova exjJTfSSÚo a ado/(l,r; o seu caráter rssr•náal é a ri'úvida I' a incerteza.
ANDRÉ {_;( ISTAVO PAU LO DE FRO:-.lTIN,
proposições sobre "estilos em arCJUilct tu·a", tese apresentada em concurso
C'm Engenharia Civil para a Escola Politécnica do Rio d e Jancil·o, 1880.
Ufanismo é uma palavra derivada do ver-
bo uümar. Esclarece o di cionário que o Lermo
de nota a "atitude, posição ou sentime nto dos
que, influen ciados pelo potencial das riquezas
brasileiras, pelas belezas naturais do país etc.,
dele se vangloriam, desmedidamente" [Ferreira
1975, p. 1.436]. Trata-se de uma alusão ao livro
de Affon so Celso (1860-1938) , Por quf' me Ufano
do uu•n Pais, ediLado em 1900, precisarnenLe no
calor das celebrações elo quarto centenário elo
descobrimento do Brasil.
No final do século 19, o Brasil não se ufa-
nava de sua arquitetura. F. d enegria seus antece-
dentes: "Herdamos dos a ntigos portugu eses a
parte má do gosto arquitetônico; e, por muito
tempo, nos conservamos estacionários. Recente-
mente as construções vão se ndo mais elegantes e
adequadas às condições de nosso clima, porém
ainda com excesso inútil ele materiais". Era essa a
opinião do engenheiro C. R. Cabaglia [1869, p.
103J em 1866.
O ensino de arquitetura no Brasil é ante-
rior ao estabelecimento dos cursosjurídicos, mas
nem por isso os arquite tos angariaram prestígio
equivalente ao dos bacharéis. Data de 1816 a vin-
da de urn grupo de artistas fi·anceses para a cor-
Le do Rio de Janeiro, ainda sob a regência do en-
tão p ríncipe D..Joào (1767-1826 -futuro D.João
Vl , rei d e Portugal), para introduzir no país um
con hecimenLO artístico de gosto neoclássico.
....._
.3 O • Arquil!!lllrCIS 110 Brasil
Mas i· somL·ntc em 1827 que com~ça a runcionar
regularmente a Academia ele Relas-Ancs, incluin-
do em seu currículo a arquitemra, curso o rg;.u ti..:<t-
clo por Augustc Hcnri Victor (~randjean ele Mon-
Ligny (177b-1 R50), arcptiLelo francf>s de algum
prestígio em seu país de origem, autor de nm á l-
bum de levantamentos arquilctúuicos, Arr!tileclure
inscanc, ou jwlai.1, uwi.wns, e/ autrfis édijlas rll' la
'f'osumc, J.>tthlicado elHr(' 180ti e l Hli).
CARÊNCIA DE ARQUITETURA
As ;w;-tliações sobre o cnsiuo da arquirctu-
r<t no último quartel do século 19 uão eram nada
promissoras. Luiz Schrciner (1838-1892), enge-
nheiro c arqnitc:to fo rmado na Real Academia
de Rf'hs-Artes de Berlim e ativo no Rio de Janei-
ro, foi unt crítico radical da situação no país. Em
Hl83 manifestava-se:
Se não pod emos nc:gar, que a nossa Escol;~ Politécni-
c;t jií tctn formado engenheiros q ue p odt"tll ri,·;tli7ar
con1 os tlll'ilwres do Vcllto iVIundo, i: tamb.:m indiscutí-
vt'l que a a1 qnitetura ainda(; pouco rulti v:~rla c-ntrf" n<'>s,
:l.Ch:lnclo-sc: a art ... d e co nstruir ainda hoje mcri<l:l na ca-
misa de força c hamada "rotina", c melo isso pe lo t:tto de
sr c nt f' nd !"r que utn arquiteto pod e form::H-st> n:~ Aca
d...,nia das B<·hts Ar l('s I ... 1 Ainda hoje os alunDs copiam
os mesmos d esenhos do fundador da aub ele a rquit!"ttt-
ra (está entendido qu <> ralo d a parte construti'a, c não
csrhica destas rópi:ts) n qual, no fínt do s(<.:ulo passado c
no prin cípio do nosso . d istingu iu-se por ter p u blicad o
uma obra sobre arquitetura toscana L...j .
6. Casa d~.: Detenção elo Reci fe, projt·tada e construída pelo engen heiro .José Mameclt· Alves Ferreira (lf20-1862) a par-
til· de 18!'>0. ü engen hcit·o Perei ra Sim<ics c o arquiteto Ilcrculan o Ra11tos comen taram em 1882: "a nossa Casa de Detcn-
çiio , estudada em face da teoria da arquitc1 11ra, é- um dos p oucos edifícios onde existe h armonia mais o u men<" perfei ta
e ntre.: a forma adotada"' a necessidade que ocasionou a construção. H ii ali. tH:sse ponto rk vista c em relação ao conjunto
de elementos, o caráter acertado das obras raciona lm ente feitas. [...j Cada ç lcme nto t<.:tn assim nma significação peran te.:
a arte; cada lin ha pode despertar um 'cntime uto rapaz de concorre r para o fim a qnc se destina a di spo~içiio geral"
[Scgawa l J87al .
i arquitetura entre nós não de u um pas'o ;1antc
desde o princípio deste sécu lo, c·rnhnra l'sta t-poca mar-
casse uma revnln(";)o co loss;~l ISehreine 1884, p. 7·1.
A situação cios arquitetos uo Brasil à épo-
ca sofria também de constrangimen tos suscitados
pelo próprio poder público. Um aviso do tninis-
tro do lmpf-rio, Antonio Ferreira Viauw.t (1834-
1005), solicitava em 1HH9 a contrara<;ão de u m
arquiteto na Europa. Na j ttstificativa rla solicila-
çào, argumentava-se cptc
A ,..J,..vação cln nosso n ÍH'I int<"kctual torna çada dia
menos su ponáH·I a !'alta de gr·a(a t> t>stilo em nossas
construções. ainda as destinadas a , ,.,·viços pÍihlicos d:~
lllaior imponãnci:1. como se a beleza não fosse cond i
ç;io essencial ou d ela sç pudesse prescindi r a troco d;1
solidez, nem sempre conseguida. r...1 F. f' l't>Ciso que à
primitiva ane d e constru ir se jnmc·m a concep<;<io e a
diglliclacte da arquitetura. cujos exen1 plarcs são t:'io ril-
ros en tre nós, t' , o que é m<'lis inquietante. em gera l vi-
t'l'<llii do pe ríodo colo nial !Vianna IH!JU, pp. 12 1- 122j.
O ESTADO DA
ARQUITETURA MODFRNA
Esse tipo de ceticismo era também com-
partilhado pelo engenheiro civil Bern<Jrdo Ribei-
ro rle Freitas (formado na Escola Puliti::cnica em
1881) , par<J qncm, em 1888, o ensino arquitetô-
nico no Brasil era "quase desconhecido". É Rihei-
ro de Freitas que publica, nesse ano, nma avalia-
ção do quadro ela arquitcwra naquele final de
sécu lo. Num anigo intitulado "A Arquitetura Mo-
derna", o engenheiro tecia considerações sobre
as grandes Lransrurmações tecnológicas e sociais
processadas ao longo do século que t'erminava,
assinalando a perplexidade de sua época:
O século 19. instigado pt'la~ grandes conquist:Js rias
ciências e das indústri as, fone pelo fl:rro que tornou-se
a sua matéria-prima por excelf>ucia, revoltou-se contra o
P"ssado c de ous;Idi<~ em ousadia apresentou for mas in-
1c-iramentc novas que acharam sua raôo ck st>r nas leis
ela estatística, mas que se afastaram da estética até ago-
ra conhecida. Estamos em pleno domínio da rt>voluçào.
Como se mptT acon tece nas rt>voltas, os acaclf>lll icos,
os que g uardavam corno sagrad os os princípios da ar-
no Antirolo11ial oo Nroroloniol • 3 l
quitt>tttra [...] protestam contra as exigf·ucias cl<t indús-
tria e cteclararam n:bcldes e fora ro>npletamente ela (O-
Ill tlllhào da arte as novas manifesta<,:ôcs elas H<·cessiu<Ides
h umanas c: elas idéias elo nosso s(•cttlo.
Oaí dois cam pos lwm d istintos na arte das constru-
~·<->('S: os rc·voi LOso~. w, progressistas, ele 11111 lado: do ou-
tro, os fié is. os respeitadores da an c a nrig;.t.
Não ohsratllc a coustatação do dualismo,
Ribeiro de Ft-eitas supunha concmnirantcmente
uma unicidade da arquitetura de seu tempo: "nos
diversos povos o caráter arC]nirctflnico é um; é a
expressão da civili:t.ação da era presente. F,certo
que ainda há poYos separarlos da comunhão ge-
ra.l; mas nos países 'errladeiramentc civilizados,
conforme as nossas idéias há uma só civilização,
costumes e idéias concordes, e daí um<l arquite-
tura, a arqui telllra moderna".
Tomando ClllJXestadas as análises de César
Daly (181 1-1R91), Ribeiro de Freitas via a arq ui-
tetura dividindo-se em três correntes: o "grupo
histórico" ("fiel da csli:tica mais conhecida, acei-
ta somente as arqui teLUr<Js Cllle caracterizam as
duas civilizaçôcs mais notáveis: a greco-romana c
a da Idade Média"), o "grupo er.l{:tico" ("reserva-
se o direito ele escolher em todos os estilos, em
rorlas as manifestações da construção o que mais
perfeito julgar para o fim que se tiYer em vista")
c o "grupo racionalista" ("é uma reação elo pre-
scnre contra o passado [... ] lançando mão dos
novos malcr·iais l---J esse grupo adotou a libercla-
ck da t<>rrna, sem obrigação d e atender às leis da
estética legadas pdo passado").
Negando a existên cia de um "corpo de
doutrina" aos grupos "eclético" e "racionalista",
as pa lavras do engenheiro brasilei ro bem espe-
lham o dilema da modernidade arquitetônica no
crepúsculo do sfculo 19:
() ar LisLa moderno, o an1uitt>to moderno lnta com
gr<tncle~ d ificuldades, se se fil ia à e~co l a ,·acionalista,
tendo por único guia a mecâni ca aplicada , tem(~ cair
e m formas secas, frias, esque letos, ó rg::io:; de máquinas
antes do que elementos arq ui tetôu ico~ ; se aceita a es-
cola eclética, sen1 outro critéi-io para escolher· as suas
normas a não ser o se u próprio _juízo cai no cetic ismo
<trtístico, no :.~handono e d esprezo de todos os princí-
pios admitidos.
32 • Arquitetums no nmsil
lkssf' estado da arquitetura moderna 11<1SI'' o ind i-
vid ualislno ('111 qnestüo da arte; cada um é: seu préJprio
_juiz c não actmi1e dog111a ~ c· 1weceitos estéticos. Há a per-
feita dt'sor){ani·tação das verdadeiras escolas. A crítica
artística desapareceu , pois qnc nào há leis esté-ticas; mio
hú cúdigo, logo u<lo h{t,iuiz [Freitas lfltll:l, pp. 1!1!1- 1~11 .
MODF.RNIDADE E
IDENTIDADE CULTURAL
A hesitação pelos caminhos que a arquitc-
Lura deveria trilhar- debate em curso sobretu-
do na Europa - collhcceu no Brasil uma outra
variável: a da nacionalidade. Em meio a uma vida
culrural r mundana orientada pelos padrôcs
fr;:Jnct>ses (daí o recorrente uso da cxprcss:'io " hc-
lle êpoLJLI<.:" para esse período na historiografia
brasileira), rssa preocupação se esboçou com
maior i11 Lcnsidadc nos meios literários. O ltfanis-
rno de Affonso Cf'lso in;m?;u rava o palriolismo
oficial; escritores como Euclides da Cunha ( 1866-
1909) e Lima Barreto (1881-1922) teciam abor-
dagens distintas d::~quclas prt'scrilas na literaLUra
<lo Velho Mundo. Não há registros escr itos de
rlf'hates dessa natureza no âmbito da arcptitt>lu-
ra na J.nimcira década do século ~0. Todavia, a
questão era la lelllc, c, ao menos isoladamente,
arquitelos manifestavam-se a rf'spPito na esteira
da discussão mais ampla.
É o que se ctr preencle ele um memorial
explicativo df' um projeto ele palá<.:io municipal
para Belém, cidade que se beneficiava., nesse
momento, ela riqueta proporcionada pela cxpor-
ra(i'io da borracha. Seu autor, o engcnhf'it-o ar-
quiteto Filinto Santoro, era italiano com estudos
em Nápo les, tendo chegado ao Rio de .Janeiro
em 1890. Sahc-sc CjtH' foi um profissional que es-
teve aLivo e m várias cidades bt·asileiras (Rio de
Janeiro, Vilória, M::~naus, Belém c Salvador), fi-
gura de prestíg-io com obras públicas de impor-
tância [Derenji 1988] . Ao elaborar sua memória
técnica sobre o j amais cxccULaclo palácio, em
1908, Santoro reg-istrava a situação presente ela
arquitetura:
O s~cn l o atual , possante e inov<tdor nas cii'·ncias,
n8s teu·as c nas demais arLcs. nfw conseguiu ainda ter
11111a 110'a ;n qnitctura. i maior parte dos granrlio~os
t'ciilícios 'O IISI ruído~. longe de tc1· uma fisionomia prú-
pria, como nos sé-culos passados, ou são cópias de anti-
gos m o n umentos ou compo, i(i>Ps bhoriosas de elc-
llll'ntos llt'lt'rogêneos amalgamados com maior nu
menor habilidade. Certo é que o espírito ntodl·rno
toge ;ls velhas form as; c os arcpr irt'tos, nwsn1o os mais
geniaiS, CSforçalll-S(' para dotar a ll OSSa t:]JOCa ele lllll
non1 estilo arquitetura! CJlH' mdhor respu1uLt ús aspira-
ções hod iernas e ao bom gosLo, acocdando-o com o
desenvolvimento grandioso progrrssivo dt' ioclas as ar-
les apl icadas. Na nossa pcrcgrinaç~o aos velhos e cultos
países da Europ<~ ficamos convencidos de que pouco~
são aqtlt'lt's que m;unêm na arquitetura os expressivos
elementos cl;1ssicos c quase achamos os artistas de hoje
identificados, concordes ua pt'squisa de um novo ideal
estéLico. mostr::~ndo até em algu mas consLruções, ap'-
sar das iucvitá,·cis inccrl e~:as e exagems, uw complexo
hannôuico dr.: linhas, 11111 conj11n1o till, rif' inf'undú a es·
pera u ~·a de n;io estar longe o ad·t'nto da d t'st·jada ar-
quitL:tura do século 20.
E posicion;.~va-se quanto ao eslilo adequa-
do ao BrasiI:
N u111 país novo, que seuiP a cada hor<J ;1 i11rlui'ucia
·ariável da~ idéias d<' além-n1ar, a imposição ele um e~­
tilo único seria i111proccdeute [... j
Todo c qualqu.-r estilo, consoante a sua oportunida-
de. pode e deve ser adapi<Jrio ao nosso clima e ao nosso
meio, dc~de que sejam iiTepreensiw·l mentc obsen·ada~
as modernas prcscrit;Ões higiênicas. I'o Vl'lho M uudo
todas as l'orm<~s a rquitc wrais t>rocnlcram de estilos an-
tc1·iores aos qua i, foi sc111pre assimilado um elemento
e.~tran h o, dependente d o progresso e da transCormaçüo
das v;íri<Js civilizações, da aquisição d e um·os conhl'ci-
mentos, d<J inrJu ência de novas idéias c sen1ime11los ('
1ambénoda introdJl(iio de novos materiai s.
Deixt"-S<', pois, ao cngeuheiro, num país como o
nosso, <t escolha do eslilo que melhor corresponda ao
seu gosto, às suas idéias e aos l'ins a que se destina o
edifício. Esta liberdade de agir, porém, niio o d ispensa
d e se preocupar in ccssa n tem <' llll> com os ele uieuLOs
cuja influência t;m to ~e afirma sobre as construções: o
clima, as tendências do viver coletivo, o progresso dos
materiais ele que, porventura, disponha [Santoro 1900,
pp. 111 -t 11].
Não obstante o oLimismo e o tom progres-
sista do discurso, o Palácio Municipal de Santoro
era um pr~jeto de arquitetura convencional.
ESTETICA DA RACIONALIDADE
Os mais surpn:<:ndcntcs escritos irnprt>g na-
dos de uma precoce modernidacl<: foralll feitos a
respeito ela ohra rlo arquiteto Victor Dubugras
( I R6R-l 933), francf:s com formação profissional
em Rucnos Aires c radicado no Brasil a partir ele
1890. Dubugras, t-m st> us primeiros projetOs co-
m o fun cionário público para o Est::ldo rle s:w
Paulo, dese nho! fúruns c escolas ncogúlicos. Na
virada elo século. o arquitt:to er<l um projetista
p<:dcitamente sintonizado com a expcrirncnra-
ção Art Nouvcau, praticando obras residenciais
com ::l mesma desenvo ltura modernista de Bru-
xelas, nan-elona O ll Paris.
Em 1905, o arquile to havia org<mizado uma
exposição de seus projetos e obras e foi saudado
pela Revista Pul)'lechníra, periódico crlitado pelo
grêm io cs1udan Lil tla Escola Politécnica de São
no A nlimlonial rto Nt>orolonial • 3 3
Paulo, pe la "coragem do arqlitcto cnt expor lra-
balhos que fogem compkt<mt<:ntc às formas ha-
nais, manifestando uma tendência hem acentua-
da para urn novo método de construção, ainda
pouco c.studcldo" (n:feria-se ao concreto armado).
Poucos 1neses depois, a r<:vísla publicou uma aprt>-
c:ia~:ão do csLUdan te Augusto de Toledo sobrt- a
obra elo seu professor, Dubugras, manifestando
11 rna inédita postura estético-construtiva:
Eut toda coustr ução o Sr. Dubu~ras deu inteira p rl:'-
fer~ucia às form<:~s ele est rutura real. As d i sros i ~·iH''
const.rut i';lS c· a natureza dos mat l:'riais s~to rrancamen-
tc acusadas. lealmente poslas em evidê ncia: o que pare-
ce parte ~upunad;1 funciona verdadeirame n te como L~ I;
o g ran ito i:: g-r:-tni to 1nesmo; os rc'cstimentos dt· <trg;t-
massa não iluden1; e wda pcp d e madcirajú eslú colll
~ua co•· própria , tendo apenas uma C;lm<td a protetora
de verniz transparente.
Aplau dimos convictos esta maneira de construir tão
honesta c racional. O arquücw te m de cingir-se ao> re-
cursos de que dispõe, e à~ formas impostas pela 1-'stahi-
----------- --------~ ------ ---------·--------------.--:.-·::---_--
- -'":- · - --:--
U Oue!.lJ6Ftt;,.
fi"'c. 4
7_ Vinor Duhugras: estação fcr.-oviúria em Ma irinquc, SP, 1905- 1908.
31 • Arquiteturas 110 Brasil
lidade c resistência dos materiais. Lade:>ar dificuldades
ou siullllar riquezas cn 111 fingim e ntos c an ifícios t:, a
nosso vt'r, cair em uma ane viciada c mcntiros;l. Nada
mais rid ículo d o que, por cxcrnplo. os 111<Írmores d e es-
mquc c os trontõcs impropo~iamcntc t>st;1tchodos no nll·-
po das rachadas.
O distiu to professor pt>s de maq; t'm todo velho ;u·-
scnal de cornijas, consolos, balaústres decorat ivos, ao·-
lf llil ravcs etc. l~ o caros aos rotineiros , aos que L1zcm
arquircwra com as fcu·malísticas e inllllúvcis receitas de
Vinhola. c c nvt>rednu corajosamo•ottc pela a n e llwdcr-
ua c pt>los modernos processos de constr u~ ão ITolcclo
1901í, p. 771.
Trb au os d epois a mesma RPvisla Poly
lechnicn publicou um elogio à então recém-inau-
gurada estarão ferroviária na cidade de Mairin-
que, no Estado de São Paulo, projeto de Dubu-
gras. O edifício é praticamen te uma esLrn tura
monol íLica de concreto armado, estrutura com
trilho~ (fundações, pilares c vig-as) e metal ex-
pandido, o ·metal déjJLoyé (pared es, lajes, abóba-
das), alérn d e empregar coberturas a tiran tadas
sobre <'ls pla taformas. Num artigo assinado por
P. J. (hipoleticamente Hyppolito Pujol.Júnior,
li-l!-10-1 952, engenheiro civil recém-formado) ,
ressaltava-se o pioneirismo da obra:
A bela composição do Sr. Dubugras tem [...] [o]
grande mé rito [... j de co nvencer d :~ possibilidade d e
fazer be la uma obra de r imerno armarlo os d e~crentes
da estt'- rica do novo sisrema de COilslnoção, os que acre-
d itam que o único me io de tornar atraente uma o bra
t>xecu tada com essl:! tmncrial é esconder a natural rigi-
d(~z geom(•trica d:~s formas que decorrem da consrru-
(ào mesma, fazendo-a dcsaparPcer sob suct>ssivas ~.:ama­
das de em boço e r<"'boco (...]
A simplicidade do mé todo es1élico a qne rcçorre o
arq11itPto mocomposição da sua linda garr, a f~1c i lid;~de
c nal.llralidadc ela ordenança elas sua~ fac hadas, não
são, ento-etanto, seniiu aparentes ... uào excluem, pelo
menos para quem não possuir as superiores qua lidades
de artista elo d istintO mestre, um penoso ll·aballoo de ra-
ciocíuio e uma ponderação muito j usta do noYo méw-
do de const r uç~o , de que d.-ve decorrer nt-cessaria-
mente todo o efei to arquitetura! , quer d o conjunto,
CJU<"'r da dccora(i.o ckmcntar da obra. I:: para mostrar
q ue não é f~1cil chegar a uma composiç;'io tàu rac:ion;~ l ,
tão elegante e a paren temente' tão esponr:inea e f<ícil,
para acentuar todo o merecimen to desta bela constru-
ção, basta lembrar o clt>plorável aspecto das cdilicações
e m cimento armado que se alastram pelos Estados Uni-
dos c pela Ir;lia, pela luglaterra e pela Françil, reconlan-
do parti cu l<~ rmt>nte as casas em n·1ncnto scmi-annato de
Alzano d i Sopra c a memorável casa d o cngt>nheinJ
lle n nc biq ue, em Paris- em que, ora s1· descur::t inll·i-
ramento:: du efe ito arqu itt>lônico. tratando ape nas chl
pa rte COIISI.nltiva e utili1ária, ora, como no caso da Villa
Hcnnt>biq11e, se sacrifica todo o cfei lo decorativo, afo-
g-ando a construção de cimento arm:-tdo e on uma imit:-t-
ção ridícula c co m p!icad;~ de a h·cnari;~ de pedra [...].
É que é cfetivanwnl c difícil e~cap;n ú insensível IT-
pc li<Jw elas velhas u orm:~s ci... composição, adaptar-se a
u m mate-rial intciramenle novo, se-guindo uuicanwntc
as indicações do bom senso, procurar uma composição
geral <" um;o decoração inspiradas na própria constrll-
r;io, chegando, e nfim , a uma obra o riginal, inteligente
c bela [...] E essa é precisamente a dificuldade que su-
pe ra mag-istralmente o iusigne <~rqu ileto . que nos dá
com a Estação Mairinque u m brilhan le exemplo a se:>-
gn ir, no camin ho ela reabil itação esl ética d o cimc11 to
arm<~rlo, túu cedo t> tão ít~j usta mt"n LI:! con den:~do u .llllO
coisa fund;tllwn talmente dt>sgraciosa c fe ia [...] [P. J.
1HJX, pp. 189-190].
Na primeira década elo século 20, a Esco-
la Politécn ica de São Paulo ainda comple tava seu
prime iro decênio de.: funcionamc.:nto, c a tarefa
de buscar e organizar o conhccimcnto ciell tífico
era urna prioridade. Em 1899, criava-se o Gal>i-
uetc de Resistência de Materiais, constiLuinclo
um laboratório de ponta em tecnologia da cons-
trução. Cottb<.: a Hyppoli to Pujoljúnior, quando
estudante, diri)!;ir a elaboração do Manual de Re-
sistência dos Materiais, publicado e m 1905 pelo
Grêmio Politécnico; assim como, dois a uos de-
pois, já como professor da Politécnica, realizar
urna viagem por laboratórios de ensaios de ma-
teriais na Europa [Pujul Júnior 1907]. Man uais
pioneiros de concreto armado corno os d e Gé-
rard Lwergne (1901), Cesarc Pesenti (190fi) ou
catálogos da Fxpanded Metal (1905) de Londres
ou da /VlPtal déployé de Paris eram publicaçôes
acessíveis en tre os en genheiros em Sio Pa ulo.
Victor Dubugras beneficiou-se de um contexto
fe bril ele capacitação tecnológica na escola em
que era p rofessor, e não foi grat11iLa a admiração
de seus alunos <]llando o mestre respondeu ao
entusiasmo tecnológico corrente corr.t uma apli-
cação judiciosa do novo material numa obra ar-
quitetonicamente elaborada.
Não há registros, todavia, ele novas expe-
riências dessa natureza, ou ao menos com reper-
cussão equivalente. Dubugras aparentemente
prosseguiu sua carreira sem repetir o radicalismo
coustrutivo experimentado n a estação Mairin-
que, mas continuou como um arquite to aten to
<lO <~mbicn tc inrcrnacional c local. Recém-ch ega-
do ao Bntsil, co111 po11co ntais d e vin te a nos d e
idade, abraçava a linguagem neogótica; com
pou co mais de trin ta anos, praticava o Arl Nou-
vcau sim ultaneame nte aos seus colegas euro-
pclls; prúxi111o dos q11arc nta anos, na pri111cira
década do sécu lo 20, desenvolveu experiê ncias
f!llC o filiariam ao "gr11po racionalista", detecta-
da por Ribeiro de Freitas, em 188R, a partir ele
categorias elaboradas por César Daly. Aproxi-
mando-se <lOS rinqt-tcnra anos ck idade, VicLOr
Dubugras embarcou numa nova experimcnta~·ão
rorrnal, inclllindo-se entre os pioneiros que, na
metade da década de I!) I O, adotariam a arquiLe-
tura inspirada na arte tracl irion aI hrasi le ira: o
n eocolonial.
O FUTURO NO PASSADO
O ano de 1914 pode ser considerado
como a data inaugural de um movimento que
incorporou um componente inédito no debate
sobn· a modet·nização da arquitetura no Brasil.
Nesse ano, Ricardo Severo ( 1869-1940) profe-
ri u na Sociedade de Cultura ArlísLica um a con-
ferên cia, "A Arte Tradicional no Brasil", preco-
nizando a valorização d a .arte tradicional como
man ifestação de nacionalidad e e corn o elemen-
to de constitui~·áo de uma arte b rasile ira. Dis-
corrcnelo sobre ;.~s o rigens portuguesas da cultu-
ra brasileira, Severo defendia o estudo da arte
colon ia! como orientação para "perfeita crista-
lização da nacionalidade". Se·ero não defendia
uma postura propriamente conser vadora. For-
mado engenheiro civil e de minas na Academia
Politécnica do Porto, em 1891 exilou-se no Bra-
sil devido ao seu envolvimento com o movimen-
to republicano português, preconizador ela im-
l!n A nlirnlrrnilll 110 Nr>nro/oniol • .') 5
plan taçiio da democracia ern Portugal- afinal
be m-sucedida em 191 O. Entrc 1H9H c 190H rcror-
nou ao seu país de origem c editou uma publi-
cação de valorização ela cnltu ra rr;.~d icional por-
tuguesa, Portugálirt, com trabalhos de etnologia
e a rqueol ogi<~ , sua contribuição para 11111 movi-
men to de afirmação da cultura l u ~a em curso
em Portugal na virada do século- iniciativa que
se confund ia corn as conviq:úes republicanas.
Radicando-se de fini tivamente no Tirasi l em
1909, associou-se ao maior escritório de enge-
nharia e arquitetura e m São Paulo, o Escritório
T{·cnico Ramos de Azevedo, c iniciou seu prose-
lilismo por uma "arte nacional". O "culto à tra-
rli(;1o" já era mna posi~:ão revelada com sua ati-
vic.htdt: "lusilanista" em Portugal desde o final elo
~éculo 19, c sua atuação p rosseguiu 110 Brasil,
transro r mando a ex<~ltação ela raiz cultural c
é tnica portugu esa no fundam ento da a rte bra-
sileira. Era uma compatível corn u11hão da creu-
(a republicana e luso-nacio nalista co m o em er-
gente ufan ismo elo Brasil elo início do s(:culo
20. Seu discurso, todavia, era u ma especulação
sobre o presen te:
Não procurem ver, meus senhon:!S, nesta veneração
1radicionalista, diluída em nostálg ica poesia do passado,
1 1rn~ Jnan if<'sf"a(fio d(· ''saudoslstno" rontc'"tn tico t' rt't rúgn.L-
do. Com efeito, para criar urna an e que seja nossa c do
nosso tempo. cumprirá. qualquer que seja a orientação,
CJII<' não se pes()uisem motivos. origens, fontes de inspi-
ração. pa1<1 muito lon~c de nós próprios. do meio cn1 qul·
tleco1 n·u o uosso passado c no qual Lerá que prosseguir
o nosso fut uro. Ficará he m explícito qne não se intima ao
anisla de hoje a postura iuerte tl>t esfinge, voliada e m
adoração estática para os mitos do passado, mas si111 a
atilllde viva do caminhante que, olhando o lüwro, tem
de seguir um caminho clcm a•·cado pela cxperif nçia e
pelo estudo do passado, e CL0a única diretriz é o progres-
so e a glória das artes nacionais [Sevcm 1916, p. RI] .
A publicação de sua conferência de 191.4.
e de outra palestra, proferida na Escola Politéc-
nica de São Paulo em 1917, constituem as pri-
m eiras tentativas de sistematização do conheci-
mento sobre a arquitetura tradicional brasileira.
Todavia, a manifestação pioneira de Severo não
encontrou rcbatimen to imed iato em for ma de
obras realizadas, porquan to a deflagração da Pri-
3 G • A rquilelllros //() nrasil
··.. I
flg. 26 - Velha egreja de Santos.
R. lht"raçào utilizad;, por Ricardo Scv<·•·o na conferl-n cia
'', Arre Tradiciun:1l n o Brasil ", <'111 j ulho ck Jql 11.
xm·ira Guerra (1914-1918) repercu!i11 negativa-
mente no ritmo cb construção civil no país. Vic-
tor Dubttgras, n esse se n Lido,já em 1915 pn~jeta­
va as primeiras casas de inspiração tradicio nal na
cidade de Santos [Motta 19571 .
A p ropagação dessas idéias lastreava-sc
num sentimento de nacioualismo q ue se inten-
sificava desde as com e111ora~:ões do quarto cen-
tcn;~rio do descobri111cnto elo Brasil. A década
de l 9 LOconheceu a institucionalização de rno-
vimenLos nacionalistas - como a Liga ele Defe-
sa Nacional, criada e m 1916 pelo pocra O lavo
Bilac ( 1865-1918 ) [Naglc 1974], ou o recrudes-
cimento de movimen tos capi taneados por insti-
tuições como a Sociedade Eugê nica ele S. Pau-
lo ou a Liga Pró-Saneamento elo Brasil- críticos
do falso ufanismo c da situação médico-sanitá-
ria no Brasil lLobato 1918] .
Foi o proselitismo do médico e historiado r
de arte José Mariauo Filho (1881-1946), no Rio
de .Janeiro, no entanto, que assegurou maior re-
percussão à linha tradicio nalista com maiores
conseqüências que a ação ele Severo em São Pau-
lo. Respousávcl pela denominação "ncocolonial"
ao movimento [Maria no Filho 1926], seu ativis-
mo, a p<1rtir d e 1919 como ideólogo e incentiva-
c <w n.() "'~~ ·o.n:~'t~.)~ c '<I.IÚ'i>t'à~, a'm-iu esp~ço
para que uma série de obras públicas d e porte
fossem ex~cutadas com inspiração na arq uitetu-
ra tradiciom.d brasileira. A pregação de Ricardo
Sev<.:ro c .losé Mariano Filho roi bastan te bem-
sucedida em d uas frentes d istinlas. Na Exposiç;'io
d o Centenário no Rio de Janeiro em 1922 -co-
memoração da inde pe ndência brasileira -, al-
guns elos principa is pavilh<ies foram projetados
dentro do espírito neocolonial. De o utro lado,
no mesmo ano d e 1922, a Sernana de Arte Mo-
clcrna, prou10vid a em São Panlo por um ?;rupo
d <-' jovens inte lectuais, re unia no Teatro IVl unici-
pal um:.t exposição de pintura, escultura e arqni-
tetura, com apresenlação de músicas e leitura de
textos e poemas deliberadamen te chocantes para
o~ padrões r~ rtísticos vigentes no país- a primei-
ra manift>st<t<;ão antitrauicionalista, cultivada com
a inspiração dos movimentos artísticos modernos
eurnpcus, que ;)ntadureccria a partir ele então.
Touavia, a pa rticipa1,:ào da arquiretur<J r<.:stnniu-se
aos esboços ck dois arquitetos: Amônia Garcia
Moya (1891- 1949) e Georg Przyrem bel (1R85-
195fi) - o primeiro, com desenhos de volumes
gcomctrizados cuja i nspir::~ção podcri ::~ ser tau to
a arqnilctura asteca qua nto a m editerrânea; c o
segundo, polonês de ror maç;io germânica, mos-
trou o projeto ele sua casa de praia, no padrão ela
ar(ju ite tura tradicional brasileira [Amaral 1972,
pp. 148-156; P.atista 199 1].
Marir~no patrocinnu, no lnsrituto Brasilei-
ro de Arquit<.:tos, alguns concursos d e arquitetu-
ra e mobiliário e interh:riu junto ao governo
para que, nos editais dos concursos para os pro-
je tos elos pavilhões do Brasil na Exposição de Fi-
ladélfia (1925) e na exp osição de Sevilha (1928)
e do projeto do novo edif'ício da Escola Normal
(1928), obrigatoriamente se in spi1·assem ua ar-
quitetura tradicio nal brasileira [Santos 1977, pp.
98-100].
O recon hecimento oficial do neocolonial
e a construção de im portantes edifícios públicos
nessa linh a vulgarizaram os elementos ornamen-
tais ele gosto tradicio nal a ponto de serem apro-
priados, em todo o Brasil, em edificações tão
TJn Anlímlrmío! rto Nmm/onial • 3 7
9. F.snitúrio Tt('toico F. P. Ramos d e Azevedo; Sociedade Port11g11t"a dt' lkncllcência de Santos. Sl'. dccada de 19:>0.
distin tas C]Uanto h abilações populares o u postos
de gasuliua. J aplicação indiscriminada do n eo-
colonial gerou u ma acalorada discussão entre
a rq uitetos e artistas - tendo como opositores
sistemáticos os de fensores d o pensam ento
Tka 11x-art s mais o r10doxo, ou que julgava1n a
arte colonial brasileira ou a barroca p onuguesa
destituídas d e conteúdo estético significativo . O
debate culminou numa série de reportagens or-
gani;.ada por Fernando de i.zevedo (1891-1971),
puhlicada no jornal O i;'stado rle S. Paulo em 1926,
sob influê ncia de Severo e Mariano. At.everlo ,
posterio rmente, se transformaria num dos mais
importantes educadores brasileiros, o~o pensa-
mento se manifestaria em totalidade nos vários
tomos de A r:utt1tm Rmsi!Pim, editaria em 1 94~.
É in tcrcssau te registrar o cará ter de "progresso"
q ue os defe nsores do movimento a tribuíam ao
neocolo nial. Severo reafirmava suas convicções
mani festadas em 1914 e radicalizava os objetivos
de transformação:
A açio primitria tem que ser a r.-.,·olurâo; ma~ a e~~êu­
ci<~ rl:1 obra constru tiva é apenas a tradição; c :1 meta de~­
St> I r:1dicionalismo rt>Yolucionário i- o nwsmD d esen 'olvi-
IIICntu do progresso que todos os p o'OS buse<llll 11:1 t 11ai~
a ngu stiosa elas ansiedades.
F.m m<ttéria de arre, alistar-me-ia "a priori'' como "fu·
n orist;o"- consoante o ten110 em moda -s<· este pseudo·
fuwrismo não sig-nificasse um ilogísmo ana rcptil.an te,
se uão fosse urna n eg;niv<t~ se não dt:nnn r.iassc un1n fac:~ ­
çào ele fa to retrógrada f...1 Po rém este tradicionalismo
revolucionário é também futuri sr:-~ [Sever·o 192fij .
O d epoimento do pintor José Wasth Ro-
drigues (1891-1 957), na mesma série de reporta-
gens, constataya uma d imensão mais ampla no
neocolonial:
Não faço mais do que seguir um movimento que me
parece universal. O regionalismo é :-t const>qi'téncia do
_:) 8 • ~rquile/JirtiS 110 Nrosif
excesso ele cosmopoli tismo. O que, fatigados de lellla-
lias, prnc nralllOS n a arquitetut·a colonial é arte que
repousa o espíri to. traga o ca r:ttcr das coisas brasileiras
e falo llla is, tanto an scntimt"nto como?. scusi bilidack.
Niio quero a arq nitewra <lntiga na sua rigidel. mas uma
arte moderna que a í proc urt" unt elemento de renova-
~·;io [Wasth Rodrigues 1Y2t"l.
O movimento nt>ocolonial teve sen apo-
geu na déc:-~rl a de 1920; praticad o ou apropria-
elo popularmente na~ décadas seguintes, a força
i11staurado ra co11tida e m seus postulados foi fe-
necendo em imitac,:ôes iuco nsistcntes e destitu-
ídas da carga ideológica formulada pelos seus
idealizadores. A úlrima o bra neocolonial impor-
tan te executada no Brasil foi o edifício da Facul-
d aelc ue Direito ele São Paulo, projeto de
Ricardo S<>vero inaugurado em 1939; a mais ex-
te nsa concenTração d e arquitetura neocolonial,
a cicladc de Ottro Preto, lt>ve a maior pan e das
construções qtte caracterizam o atua l cenário
"colo nial " e rguida após a dé cada de 19::!0. No
entanto, nào se pode afirmar que o movime nto
se snstcntasse com uma consistên cia perfeita.
Em. Fc n,-;1.ndo de. 1'I .t::'>'CÓO - parü <ário <lo neo-
co lnnial-, nas conclusões do d chatf> flUe pt·omo-
""-'-' "" "n,.~p1 e u sa, vi s lumhr::~va-se inadvertida-
ment e a principal crítiot ao movimento, mesmo
que a co nsi dera~,:ão não se <<tracrf'rizassc como
uma autocrüica consciente:
A rcuasCI"IICa da arte na a rquitcttn·a se dará com a
con dição cssc·llcial de se ;tpo iar "sobre princípios"<' u ão
«solwe fonnas... Os verdadeiros artistas têm q ue lear sem-
pn· em conta a va riedade complexa das l"ondi çf>cs
m esnlúgicas e sociais c abandonar o erro em q ue incidem
ti·e(jücntemente os arquitetos de adstringir-se à reprodu-
ção d e formas ct ~o sen tido não co nlwcem e n;o procu-
ram p enetrar. Nas mais belas épol"as cl<-- arquitetura hou-
ve sentpre utlla concord ância en tn' idéia e expressão,
entre a estr utura c a forma. Que é originalidade senão a
cxprcssãojusta de uma idéia, a illt erpt-ctaç~to ornamental
das formas clrrivadas dos materiais c a adaptação exata
dos motivo~ ú vm·icdadt· fun cio nal das construçõeú , vc1~
d:1cle, porém. é fJUC não temos tentado ver claramente
que ess:1s disposições c formas de outras épocas, Cl~a rcs-
tauraç<io se p•·ocura, só se dci'Clll restaurar, pot·qHe elas,
por exprimirem as nossas o rigens c a nossa tradição. es-
tive ram, como estão ainda, em funçiio elo meio físico para
o CJUal se transpvnaram [Azevedo lY26b] .
i aparente postura liberal e aberta à rno-
uerniza~·;io com a clualíslica fo rmulação de um
"tradicionalismo n .:voluciou;:irio" não foi sufi-
cienLc para Ricardo Severo assimilar o cubismo,
o uadaísmu, () ··geometrismo rctilinear" na arqui-
tetura c o jazz-band- mauifestações que, em seu
conjtil1lO, se caracterizavam para ele co mo "no-
víssima aspiração social, a praga nevrálgica que
assola a sociedade mode rna", ·'vícios ou molésti-
as d os sentidos ou do gêtiio" [Severo l9::!6] .José
Mariau o Filho adotava um lingn~jar de c~quiva­
lentc virulê ncia <to tratar das manifestações da
arquite tura funcionalista européia em curso nas
décadas de 19::!0 e 1930, taxando-as de "comunis-
tas" ou 'judias" fMariano Filho 1 94~]. Essas apre-
ciações revelavam as fronteiras de um liberalismo
que admitia uma ruptura ftmdame ntada e m pa-
drões do tradicionalismo colonial ou ibérico,
avessos à ortodoxia do fechado sistema estético
Beaux-arts, mas incapaz de estabelecer uma crí-
tica coeren te sobre a irnprevisibilidaclc do novo,
representado pelo fnncio nalismo europeu, emer-
gindo daí uma coleção mais de ata(el ?H~<.:.<W­
ceituosos que ele argumentos fund amentados.
N~>.o cnt' -..~ c.úúc~ o-:; neocolon·ta)istas contra o
fun cionalism o fosse absolutamente infundada;
mas a carga de p reconceitos político-ideológicos
uebilitava a alltCnticidaclc d<t crítica.
Essa neg-ação completa do (quase) total-
men te novo permite..: situar o neocolonialismo
1111ma posição simétrica ao sistema Bea11x-ans:
ambos se sustentam c se legirimam no passado,
com discursos tautológicos- de monstram teses
rcpetinuo-as com palavras diferentes. O perfil
distinto na rctó t·ica ncocolonial é o tempero na-
cionalista; o repertó rio sistematizado das formas
do colonia l hrasilei•-o ou elo barroco ibérico e n-
quan to indiciador de manifestação nacional, no
lugar das regras clássicas, seria o rompimento <'i
norma . Efe tivame nte, esses aportes n ão p ro-
põem uma ruptura estrutural - apenas a substi-
lltição de formas. Mtrdam-se as formas, não os
princípios. O ncocolonial, n a prática concreta ,
afig uro u-se como uma variação do ecle tism o no
que busca eleger um "estilo " mais ad equado
para o fim que se tinha em vista, num con texto
ainda de dcsconcertantes d ikums sobre a nova
arquite tura d o século 20 - uma tentativa e m
meio à "perfei1a desorganização de verdadeiras
escolas'', como havia escrito o engenheiro Ber-
nan lo Ribeiro de Freitas em 1888.
Não se nega, erllretanto, ao episódio neo-
colonial na arquitetura brasileira um papel signi-
tic;.~ ti vo no debate das idéias sobre novos con cei-
tos arquitetônicos. O discurso rlc seus defensores
não é isen to de uma vontade modcrnizadora no
sentido de atualizar a arquitemra face às transfor-
rnaçôes da sociedade c da cultura material do iní-
cio do século 20. Independente do referencial ele
"modernidade" que adotavam , o principal aporte
da postura n eocolonial foi a introdução do con-
traponto 1egionali.sta - a busca de uma arquitetu-
ra identifi carlora d<i nacionalidade - como fator
de renovação. O substrato conce itual dos líderes
do movimento era de n atureza reacionári<1, po-
rém intcrpre1açiics mais brandas- destituídas do
/Jo An.liroloniol ao Nt'O(I)/nnial • 3 9
sectarismo c capazes de reformular com sere nida-
de os radicalismos- for maram a base de uma ati-
lude ele assimilação de posições aparentemente
antagônicas, como o próprio Ricardo Severo for-
mulou, mas não materializou: o "tradicionalismo
revolucionário". A busca de uma arte moderna
no contexLO brasileiro foi alimentada por um in-
lcllSo debate da questão da nacionalid<1de e ela
aulonomia nacional- do w sco ufanismo da vira-
da do século, atravessando as instituições eugenís-
ticas c redunda11do no patriotismo mistificado
das comemorações do centenário da indepen-
dência. A versão arquiLetõnica desses episódios ela
história brasileira elas prime iras décadas elo sécu-
lo consubslanciam-se na mirabolante campanha
neocolonialista, CJUe, em sua essência, trazia algu-
mas raízes d(l vertente de arquitetura moderna
<lllC vai irromper no Rio deJaneiro, na década de
1930, prolagon izacla por um ex-discípulo do nco-
colouial: o arquite to Lucio Costa (1902-1 998) .
3
MODERNISMO PROGRAMÁTICO
1917-1932
A raqu it11tnm no Bmsil está jJositivamente deslocada das duas
correntes adversárias em. que se dividi', do jwnlo dn vista ltTlist/t:o, a
concepção da aTquill'lum wodenw. Nüo estó, r/,, Jato, ·r1f'11l rom os
rrfnrmrulorr's rnwlnl'ionários qu.f' procuram na arquitetum um jO[ÇO de
fonnas geomélriras jJrirnâ1·ias ordenadas no esjHtÇO virtu.a.l f' df' u.m
mráter snrial mormdo; IUWI rom os tmrlirionalistas que a querem
f'ncamda sob uma ój>tirn loral, rrn todos os aspectos qui' loma rw S(!'U
ambiente. Nem SI' nriPnla 110 Sl'ntirlo rlP uma "arte mundial" em rptP sf.
apaguem as díji'YI'TI(fl' n'gion!tÜ I' ruja estética ·resulit' do umm lhuica
de construrão e da so/uçiio de fHob/emas fmrmrumfl' utiliLIÍTios; nem
tnilrt vinrula·r a arte âs tmrliuie., lowis e rw rsfJirito da mra. fim uma
jJalavm nem é /radicionalista, 11em antitmdirionalisla. Nem nacional,
nem "sufJranacivnal ". Definiu-a Montei-ro Lobalo com essa exjJI'I'Hrio
Este capítulo é d edicado ao estudo ele
uma certa modernidade no Brasil na seguuda
década do século 20. Preliminarmente, conviria
alertar que esse modern ismo - rle matriz sobre-
tudo literária, mas com 'erten tes nas artes plás-
ticas e ~rqui tetura - é distinto das ma nifestações
motPjorlom: "um jogo internacion al rü dísf){lmftl.l'... "
F ERNANDO DF. iZEVEDO r1926a]
modernistas - ele raízes literárias - que se mani-
festaram na América Latina ao longo da segun-
da metade do século 19 [Franco 1985].
São Paulo, na década de 1910, j á se gaba-
ritava como a grande metrópole brasileira d o sé-
culo 20. Lugar onde a riqueza do café patrocina-
12 • AIYfllitetums 110 Brasil
va um quadro de prosperidade material c capa-
citação iutlustrial num Rrasil ainda dominant.e-
rnen te rural. Era 11m am bicnte provinciano, mas
a elite urban<t espelhava-se nos cent-ros irradia-
dores de cuhura fora do país.
É consensu;d, cutre os historiadores, que o
marco inicial do movimento moderno no 11rasil
aconteceu em São Paulo, t>m dezembro de 1917:
a exposição de pinturas de Anita lvlalbttti (IR96-
1964). A jovem artista- qne expunha o scn apren-
dizado artístico na Alemanh<t e nos Fstarlos Uni-
dos- não pretC'ndia, com suas telas de car{ucr.faurlt',
deflagr<~r nenhum movim ento. Mas a reaçi'ío
negativa, sobretudo a do escritor Monteiro Loba-
to (1882-194B), provocada pelas suas pintmas
sem ncnhum;t relação com o academisrno c o
naturalismo vig·eutes chamo u a atenção de jo-
vens intelectuais <]Ue se solidari ;.o;.~ram com a pin-
tora. Poetas,jornalistas e artistas reuniram-se em
torno de 11m debate: o car<Íter conservador, "pas-
sadista" do meio artístico. Articulava-se o primei-
ro g-rupo modernista brasile iro.
A pintn ra catalisou o movimento, a reu-
nião organizou-se com a concorrê ncia sobretudo
de literatos, mas o sentido de "movimento" visa-
va algo além das artes plásticas c da lite ratura: a
causa era ;.1 renovação do ambiente cultural em
geral- <tlimcntada com os valores da vanguarda
e uropéia, sem necessariam e nte aderir-se a uma
ou outra corrente literária ou p ictórica. 1 pri-
meira man ifestação conjunta desse grupo (con-
tando também com a participa(;io de intcleclll-
ais do Rio de .Janeiro) aconteceu em 1922, em
pleno ano da comemo•·ação do centenário da in-
dependê ncia do Brasil. Em fevereiro, o Teatro
Municipal de São Paulo abrigou a Semana ele
Arte Moderna: três sara11s com literatnr::l e mú-
sica, urna exposi~:ão d e arquitetura, escullllr<t e
pintura. A reação do público fo i de escândalo,
mas o desafio estava perpetrado.
Periodiza-se como um primeiro momento
elo modernismo brasileiro os anos 1917-1924:
urna fase iconoclasta, em que o modernizar era
permeado pela polêmica dos modernistas contra
os valores passadistas, acadêmicos. A preocupa-
ção era opor-se ao passadismo, era a busca d a
atualizarão estética sem a oricntaç;"io de corren-
tes específicas.
MODERNISMO NAl'IVO
Uma segunda l~1sc <"stabelece-se eJttre 1924
e 1929. Naquele ano, o escritor e jomalista Oswald
de Andrade (1l')<.J0-l954) publicava o "Manifesto
Pau-Brasil ", in troduzindo uma problemática até
então inédita na discussão da literatura moder-
nista: o nacionalismo. "O modernismo passa a
adotar como primordial a questão da elaboração
de uma cultura nacional: a qualidade da obra de
arte uão reside mais no seu caráter de renovação
formal. Ela deve au tes refleti r o país em que foi
criada". O ide;'u·io d o grupo modernista, a partir
de 102'1 , subordinar-se-ia a um princípio: "só
atingiremos o universal passand o pelo nacional"
[Moraes 107~. p. 49, passim] .
Diferentes grupos formavam um mosaico
de posições sobre utna arte brasileira de dimen-
são univers<tlizautc. A combinação positiva entre
trarlição e mo<lcrn id<~de er<t um discurso recor-
rente na retór-ica dos apologistas da arquitetura
neocolonial. Sérgio Bua.rque d e Tlolau da ( 1902-
1982) e Pn1dente de Nforaes Neto (1904-1982),
modernistas diretores da revista l~slélim, do Rio
de janeiro, rlcfendiam uma posiv~w antipassa-
dista com uma rcin terpretação do alcan ce do
modernism o:
'lodos os que antes de nós <>ncararam o problema de
uma arte brasileira seguiram dois processos que hoje nos
parecem, sen iio negativos, pelo mt"n us iucficazes. Para
tti i S a questão cifrava-se na criação de 11111a espécie de
Jnirologia n<u.: ional, de nma lenda heróica ~ man eira das
que possuíam o utros povos.
Não tardon que essa rendf>ncia parecesse artifici;1l e
fillsa. A ouu·a ten tou iuspirar-se em motivos brasileiros,
mas salientou apenas o que havi<t de pitoresco, de exó-
tico nesses motivos. Quer di zer: condenava-nos a se- r
estra ngeiros dentro do Brasil. [...]
Penso, ao con trário, que se a tendência modernista
pode oferect>r o aspecto de um rom pimentO com a con-
linuidade de nossa tradição é porque julga que essa tra-
dirão (jUase nunca re fletiu o sentido de nacional idade .
Assim declarava Holanda numa entrevista
para um jornal em 192!>. Prude n te d e lforaes,
n ;;~ mesma entrevista, indicava o caminho:
I r ivilizaç;"io no firasil pegou de enxerto. Isso fc:t com
que surgisse aqui uma faba u·.,diç;io que n:.o pass;~ do
prolougau ien lo de lradirôcs alheias. [...]
Precisamos, ponanto, achar por nós mesmos o nos-
so c1minho. 0 1·a, o modernismo que ao lado de SU;) fci-
~·üo univC'rsal correspondt> t>m toda parte a uma cxaiLa-
ção de u acioualiswo est<Í m<1gn ificame nte apart>lhado
para enfre ntar esse problema. rBarbosa EJ89, pp. 70-73] .
ARQUITETURA MODERNISTA
Modern idade e tradição era um ;;~ pcnc!ên-
cia sobretudo nos meios literários. Modernidade
espelhada nas vanguardas européias, porquanto,
no âmbito da arquiretura, o conceito ele moderno
era veiculado como uma variação do ecletismo, o
neocolonial. Nesse scntido, a arqui tetu rrt n:'io
acompan hava o mestHo vigor do debate literário
ou pictórico: a mostra em particular dos arqnite-
LOS na Semaua de Arle Moderna não 1·egistrou ne-
nhuma celeuma. Apresen taram-se apenas dese-
nhos; a aust'ncia de obras construídas reforçou a
indiferença do meio profissional. Tí!mpouco seus
participantes demonstraram, posteriormente, vo-
cação "para o direito <1 pesquisa estética", que o
rnodcmisla Mário de Amlntdc (1RfJ1- l~H !)) quali-
ficou como conquista do movimenw elo qual foi
um elos líderes. Georg Przyrcmbcl, arquiteto po-
lonês que rrabalhou com o neogótico e o neoro-
mân ico em igrejas, colé~ios e conventos, apre-
sentou no Teatro Municipal sua inlerprcLação elo
neocolonial aplicacla e m casa de praia [Amaral
1Yn , pp. 237-23HJ. Antônio Garcia Moya expôs
desenhos de mausoléus, templos c casas de ins-
piração maia ou asteca, confundíveis também
com infl uências ela arquitetura popular mediter-
rânea (Moya tinha ascendência espan hola) , sem
dúvida estranhos aos cânoncs Bcaux-arts. Nas
décadas seguintes, entretan to, e le prosseguiu
sua carreira éomo um profissional eclético, para
quem o moderno era apenas mais um estilo. Os
Jl!fodl.'rllisnw f>ro8 ra málico • 4.)
arquitetos da Semana ele Arte Moderna não os-
le n tavam uma consistência programáüca como
os seus colegas literatos ou arr is1as plásticos.
A introdttção da problemática elo nacio-
nal ism o como vetor de mode rn idade tornava
mais evide n te o d escompasso da arqu itc tllra
com a vanguarda literária modernista. O poder
de persuasão das palavras - num meio cultural
de forte adesão à verbalização bach are lesca -
confrontava-se com a imaterialicladc d o argu-
mento a rcp1iterônico: a inexisLência da obra
moderna cou.struída conde nava a intenção ar-
quitetô ni c:.~ ao limbo da utopia. O debate na
arquiLetura estava virtualme nLe monopolizado
pelo prosclil ismo c pelas obras executadas sob
a inspiração de José Marian o Filho c Ricardo
Severo na cr uzada pelo ncucolonial - postnra
que somhreav<t a preocupação da nacionalidade
d os modernislí!s c arre111essava a questão do na-
cionalismo ao rol da discussão estilística, nos
moldes acadêmicos.
MODERNOS DE PRIMEIRA HORA
Ern I9~5 dois ílrtigos na g-rande imprensa
registravam os primeiros discursos ele fundo mo-
d erno publicad os n o Brasil. O primeiro d e les,
publicado no_jornal O.t'stado de 5;. Prmú1, e m 15 de
outubro, e ra uma carta do jovc111 brasileiro Rino
Levi (190l -J<:J65) enviaria de Roma (onde cursa-
va a Real Escola Superior de ArquitcLUra), intitu-
lada "A Arquitetura e a Estética das Cidades".
Nela, Levi fazia uma apologia da realidade mo-
derna chamando a atenção para os novos mate-
riais e "aos grandes progressos conseguidos nes-
tes últimos a nos na técnica da construção c
sohrel ndo ao novo espírito que reina ern contra-
posição ao neoclassicismo, frio c insípido". Cla-
mava de pela "praticidade c economia, arquitetu-
ra de volumes, linhas simples, poucos elementos
decorativos, mas sinceros e bem em destaque,
nada d e mascarar a estrutura elo edifício para
conseguir efeitos que no mais das vezes são des-
proporcionados ao fim, c que constituem sempre
.P-1 • ,1/if/l'it'C1"1'1'/i"/.l- tlfl i?trr.rtl
uma coisa falsa c artificial". E conc l uí::~ seu pensa-
mento voltado ao Br::tsil:
f: p1·eciso estudar o que se [,..z c? o fJLIC se c;,tá fazen-
do nu <'Xterior c resolver os IIossos casos so bre estética
da cidade com alma hrasilcii·a. Pelo nosso clima, pela
nossa naw reza c cusLUmcs, as nossas cidadt>s dcYem ter
um Gll"<tl!"r dil"crentc das da Europa.
Creio 411t' a nossa llurescentc 'egeti~çào e todas as
nossas ínigua l;ívcis belczils na1111-ais podem (' ckvcin
sug-eri,· aos nossos artistas algun1a coisa de o ri~i nal dau-
do às nossas cidades 11111<1 gntça ctc 'ÍYacicladc e de co-
n.:s, única no mu nelo [Levi 1987. pp. 21-22] .
No mês seguinte, em 1" ele novembro, o
Correio da Manhâ do Rio de Janeiro publicava o
artig-o "Acerca da Arquitetura Mode rna" do arfJui-
teto russo emigrado para o Hrasil, Gregori War-
chavchik (1896-19n). Originalmente publicado
e m italiano Jlltmjornal da colônia iraliana em ju-
nho de 1 9~ 5, sub o título "Fuluri~mo?", o texto
e ra um elogio cb racionalidade da máquina, do
"princípio da econ omia e comoclidade" e dane-
ga(::lo do uso dos estilos do passado, salvo no que
e les OnLribuam pelo desenvolvimento de um
"sentimento csrhico". Era a apologia da inclústria:
ros nossos indusl ri<1is, propulsores do progresso téc-
n ico. cabe o papel dos :vff'rlici da época rf,.. HnwissanrP r
do~ LtlÍses da fr;,nça. Os princípios da gramlt> iudllstria.
a t:>stan dardizaç:10 (i_ e ., prodttçiin em grande <:".~cal<~ ba-
seada no pri11 CÍpio da di·isão elo trabalho) terão q ue
achar a sn:l apl ict~·iio na m;Jis b,t·ga cscal ~, na cotistruçào
de edifícios modernos. A estandardizaç;'io dt• ponas eja-
nclas, em vez de pr~judicar a anptitetura modc·rna, só
poderá ajudar o arquiteto a criar o qu<", uo futuro . se
chan1ará o estilo do nosso tempo. O arquiteto set·ú for-
çado a pensar com lllaior in tensielade, sua atcnçâo não
ficará presa pelas decora~·ões de janelas e portas, buscas
de proporç(-tes etc. As panes cstandard i~.<tdas ele ediHcio
são como tons n<t mt'1sica, elos quais o com positor cons-
trói utn edifício music<~l.
Constr uir um <~ e<tS<l a mais cômoda P barata possí·el,
eis o que deve preocupar o arquiteto constrmor da nos-
sa ~poca tlt: perptr tt o <:apita lismn onde a qucst:1n d<>eco-
nomia predomin:~ todas as d('mais. A beleza da t~tchaela
tem que resultar da racionalidade do p lano da disposi-
ção interio r, como a form a da nníquina é determinada
pe lo mec<tn ismo que é sua alma. [Ferra? 1965. p. ~9D j.
Rino Levi e Grcgori Warchavchik eram
do is personagens com traços comuns nesse mo-
mento. Am bos estavam afastados do ambiente
local: Levi, estudando em Roma, onde se forma-
ria em 19~6, e Warchavchik, estrangeiro ch egado
ao Brasil em 1923, proveniente de Rom.a, onde se
fonuara em 1920. A publicação desses man ifcs-
los e m nada alterou a rotina da arquite tura cor-
rente no Brasil. Foralll textos p ioneiros resgata-
dos muito tempo depois pela h istoriografia do
modernismo, mas que prenunciaram <-l a tividade
futura desses d ois arq uitew s, CJlle efelivarnentc
mais tarde materializaram suas idéias em obn-ts
construíelas.
PROSELITISMO E MODERNIDADE
EM WARCHAVCHIK
Wa1-chavchik foi quem ntais rápido soube
explorar sua vcrve amalizada, passando a dialo-
gar com os re manescentes ela Semana de Ln c
Moderna. Em J9~6. n o último número editado
da revista Terra Roxa e Outras Term,ç- o mais com-
pleto panfle to dos nwdernistas de São Paulo
pela pesquisa da especificidade brasileira após o
"Man ift>sLo Pau-Brasil" fLara 1977] -, esta1llpava-
sc uma cnlrevisla concedida por Warchavchik, in-
titulada "Lrquit('tura Tkasilcira". Em duas meias
páginas do quinzenário, era o arLigo de maior ta-
manho que se p ublicou nos sete números da re-
vista. Todavia, o reor das declarações do arquite-
to não contemplava a pauta nacionalista que a
maioria das matérias traziam. Mas o relaciona-
mento entre o arquiteto russo e os mode rnistas
estava estabelecido.
No ano seguinte, em 19~ 7 , Warchavhik
se casaria com Mina Klahin (1896-1%9), de um<l
rica fam ília de industriais de São Paulo. O casa-
mento lhe assegurou ingresso nos círculos da
eli te local, bem como lhe proporcio nou condi-
ções p ara realizar suas experiências arquitetô-
nicas construindo para si mesmo e para a famí-
lia. A sua pró pria casa, concluída em 1928 no
distante su búrbio da Vila Mariana (onde os Kla-
bin eram proprietários de grandes Lcrrenos),
constituiu a primeira expressão de arquitetura
moderna nos termos do proselitismo do arquite-
to. Dois importantes jornais, o Cormio Paulistano
(politi<.:amcn te d <~ si tuação) e o {)iário Nacional
(de oposição, reduto dos modernistas) cobriram
o "acontC'cimcnto": uma <.:asa moderna na rua
Santa C:ntL.
A boa divulgação pela imprensa de urna
o bra que o arquite to a firmava ser de uma linha
~qu e já vencera ua França, na Alemanha, na Che-
coslov;tquia, na JTolanda e outros países" [Ferraz
1965, fJ· 2G] atiçou a reação dos arquitetos tradi-
<.:iouais, c a indiferença que cercou o manifesto
de 192!> fui substituída por uma polêmica r1u Cor-
reio Pm.distano com os ataques do arquiteto Dácio
Aguiar ele Moraes e a possibilidade de defender
se us pontos de vista, o que lhe rendeu a publica-
~,·ào de <kz arligos nas páginas desse cliúio ao
longo do ano de 1928, divulgando suas idéias ele
modernidade.
Eutre 192R c El31, Warchavchik projetou
etc residências (além da sua) c dois COltjuntos de
moradias econômicas em São Paulo bem corno
uma residência no Rio de Janeiro. Dessas obras,
a casa da r ua ltúpolis, no P<·tcaernbu, roi a que
mais se aproximou do ideal à Bauhaus de integra-
ção das artes. Warchavchik organizou a Exposição
1O. Gregori Warchavchik: casa
na rua Sanla Cruz, São Paulo,
1928. Fo1o da época, do act:n•o
do arquitctu , possiv<"llliCIIlC ja-
mais publicad a , acentuando o
eixo de simeu·ia definido desde
a ent1·ada d o terreno.
1l1orlf'mismu f'ro.rvamáticu • 4 5
de U lll a Casa Modernista, evenlO de inaugura<;ão
de uma moradia patrocinada pela loteadora, a
Cia. City (que contou com ampla cobnwra <.la
imprensa c a visitação de cerca de trinta mil pes-
soas [Fe rraz l965J) com interiores decorados por
obras assinadas pela nata dos artistas plásticos
modernistas: Tarsila do Amaral ( 1886-1973) ,Joh n
Cra:t. (1891-1980) , Regina Gomide Graz (1902-
1973), Di Cavak<~nt i ( IFl97-l 976), Cícero Dias (n.
em 190Fl), Celso Amonio (1896-1984), Victor
Brecherct (1894-l 9!'i.5), Anita Malfatti c mobiliá-
rio clesenhado pelo próprio arquiteto, akrn de al-
g umas peças de Jacqucs Lipchitz (1891-1973),
Sonia Delaunay (1885-J979) e tapeçaria d :-~
Bauhaus. i casa William Nordschild, na rna
Toneleiros no Rio de J aneiro, foi inaugurada em
1931 também com tr ma exposição [Ferraz 1965].
Suas casas e seu aLivismo renderam-lhe
também repercussão internacional: q uando Le
Corbusie r (1RR7- I 965) esteve em São Paulo em
1929, convidou-o para ser delegado para a Arn{·-
rica elo Sul do CTAM (Congrcs International cl'Ar-
chitcuure: Modcrne), formado no ano anterior
em La Sarr<1z, hem como suas obras publicadas
em Gli Elemenli dell'A rrhitt?ttum Funzionalt!de Alber-
to Sartoris (1901-1998) em 19~1.
1 6 • Arquiteturas 110 Brasil
Em que medida W::~rchavchi k se inseria no
panoram a internacional da arquitetura moder-
na? A sua primeira obra, a própria residência na
rua Santa Cruz, não pode ser con siderada um
trabalho h ei ao ideário moderno europc11, tam-
pouco ao seu discurso revolucion:trio: era uma
casa que aparentava ter uma geometria própria
para racionalização ela coustruçào, ntas era toda
dt:> tijolo revestido c não empregava o concrclo
armado, Lamponco cowponcn tes pré-fabricados.
As fotos ela época mostram uma fach ada princi-
pal com uma simetria ele co mposição convencio-
nal (bem explorada pelo fotógrafo) que não se
rebate n<t disposiç::ío das depen dências inte rnas.
vVarchavch ik teria btlSC<tdo contemporit'.ar a in-
le nçào moderna com elementos locais, declaran-
do para a imprensa, logo após a inangnração,
que tcnron "criar um cará ter de arquitetura qu<..'
se adaptasse a esta região, ao clima c ta111hém às
antigas tradições desta terra" [.Ferraz 1965, p.
27], assim jusr.iticando também a cobertura de
telhas tradicionais. Todavia, ern seu diálogo in-
ternacional, o argumento era outro. Em relató-
rio preparado para a rcnniào do CTAM de Bruxe-
las em 19:>0 e e nviado a Siegfricd Giedion
(1888-1968) (então secrt>t;Í rio geral da entida-
de), Warchavchik escrevia que uã.o e mpregara o
teto~jardim p01·que não havia "ma terial iSolante"
adequado para essa finalidade no mercado local
[Ferraz l96fí, p. 51J, o que não correspondia ?t
realidade, conhecendo-se outras construções até
a nteriores à casa da Vila l'viariana com terraços
e m concreto. Suas obras posteriores superaram
<ts limitações iniciais e utilizaram concreto arma-
do, chegando a soluções com terraços nas cober-
turas (sem jardin s) e volnmetrias mais condizen-
tes com o geome trisn10 famili<t•· à linguagem
racionalista; no entanto, o a rquiteto, em seu re-
latório ao CIA M, descrevia "certos p rogressos" ao
fabr·icar ern "sua própria oficina" portas de ma-
de ira compensada e mandar executar janelas,
grades, maçanetas, lusLres e outros porme nores
de decoração conform e dcsenhos de gosto mo-
derno, mas de forma artesanal - co11trariando a
concepção de não mais se preocupar com as "de-
corações d e janelas e portas, buscas de propor-
ções etc. " c o ba rateamenlo da obra pela estan-
clardização, como manifestava o artigo pioneiro
de 1~l2fl.
Import;u1te {: assinalar, torlavia, que War-
chavch ik tin ha con heci mento das experiências
<~ u ropéias acerca da paclronizaçào de componen-
te s arquitetônicos e economia da construção.
Num dos artigos-respostas a Dácia A. de Moraes,
em 1928, o <~rquiteto comentava sobre "o senti-
d o econômico n<t arte" e tecia considerações so-
hre a "casa tipo" da Bauhaus da exposição d e
Weimar ern 1923, as casas ern Pcssac de Le Cor-
busier de 1924-1926 (sem se rcfet·ir ao fr<te<1sso
d o empreendimento) e as casas econômicas d e
Frankfurt, projct<:~das por Ernst May (1886-1970)
a partir de 1925 [Warch<tvchik 1928] .
As experiências de casas populares de vVar-
chavchik foram convencionais, tanto const-rutiva-
mentc. qnanLo em termos de plaula (dir-se-ia ro-
tincir<ls ao padrão local) . A:; casas de melhor
padrão, como as da rua ltápolis, a de Luiz da Sil-
va Prado (r ua Bahia) c a de Antônio da Silva Pra-
do (rua Estados Unidos) - em prega·am discreta-
mente o concreto armado na estrutura e ,
contando com ter renos maiores ou diferenciados
(íngreme, na rua Bahia), tiveram plantas mais
elaboradas. Eru especial, a casa na rua Estados
Unidos pode ser considerada a sua mais o usrtda
experiê ncia.
CONSTRUÇAO MODERNA
Warchavchik era um construtor cuidadoso
- assim se pocic concluir do depoimento de um
outro pioneiro da arquitetura moderna brasileira,
Álvaro Vital Brazil (1909-1997) , que visitou e ad-
mirou os cuidados de uma obra do arquiteto rus-
so na década de 1930 [Segawa 1987bJ. O caráter
renovador que Warchavchik não só assumia como
alardeava pelos meios de comunicação demanda-
va um cu idado pro jetual e de execução que mini-
mamen te deveriam corresponder ao seu partida-
rismo modernista, para e nfren tar as pesadas
críticas dos a rquite tos passadistas. No relatório
ll.Grcgo ri Warchavchik: casa na
r ua Bahia. Sáo Pau lo. 1930. Folo
da é poca. do an·r'o do arquiteto,
possiv<'lmcntc nunca publicada.
li!:
f;;'"'
~-.~,
,,
para Gicdion crn 1930, Warchavchik, ao descre-
ver a sua própria casa, descia aos pormenores de
acabamento exterior ("reboco rústico de cimento
branco, caulim e mica"- numa textura muito pró-
xima ao que J.uís Barragán empregava em suas
obras no M{:xico) c interior (incluindo o mobiliá-
rio, todo desenhado e executado por ele), com as
combinações de materiais c cores: "entrada pinta-
da em cor limão claro, vermelho vivo e branco",
estúdio com "forro de esmalte prateado", sala de
jantar em "vários tons de cinza e prata, preLO c
branco'', sala de música em "azul-claro acinzenta-
do", cortinas azuis, <;stofados roxo-·iolcta c cinza,
móveis prateados e pretos; o primeiro andar era
rodo branco, porras c móveis na cor vermelho-
vivo. Le Corbusie r, em sua visita às casas de War-
chavchik em 19~9 , admirou-se com o uso da cor
-o verde dos jardins contrastava com o branco
das paredes c o vcrmdho das venezianas na casa
Max Graf [Ferraz 1965, p. 29] .
Era o próprio arquiteto, contudo, gue re-
clamava das conrliçôcs predirias de construir
modernamente, em 1928:
Em São Paulo, dada a carestia ele cimento e a falta
de materia is para ('onstruçào (materiais adequados à
Modemis111o Pm,~miiiCÍ!ico • 4 7
coHsLruçiio ltiOderna) ainda nào é possívl'l fa'lc r o C( lll'
j[l se faz <'111 ou1ras partt'S do lllll!ldo. A indústria local,
l>elll que em estado ele incessan te progre sso, ainda niio
fabrica as peças necessárias, estancla J-d i7.adi!s , de bom
!-(OSLo e de bo<1 qualidade, como sej<tm: portas,j;Jncl;Js,
ferragens. a parelhos sanitários e tc. Estamos sem pre
pei<tdos pt' la ohl·ig·a ç;)o de empreg<~ r ma1crial imporla-
do, o que Yem a e ncarecer muito as construções
[Warchavchik 1928].
Warchavchík refere-se, em outra parte
d esse texto, à construção conduzida "cientifi-
camen te", sugerindo que ele tivesse conheci-
me nto das idéias de Frederick Winslow Taylor
(185G-1915) , vulgarmente conh ecidas como
taylorismo. Os princípios taylorist.as pc rmca-
vam a lógica industrialista d os <11-quitetos racio-
nalistas. Foram introduzidos no Brasil em 1918
pelo engenheiro Roberto Cochrane Simonsen
(1889-1948) e eram discutidos na Escola Poli-
técnica d e São Paulo por volta de 1924 lFre ire
1924], mas certamente Warchavchik deve ter
se familiarizado com a metodologia quando
trabalhou para Simonscn na Companhia Cons-
trutora de San tos, empresa gue o trouxe para
o Brasil em 1923 [a propósito, ver adiante no
capítulo "Modernidade Pragmática 1922-1943''1.
4 8 • !lnpliteruras 110 /Jrasif
LIMITES DA MODERNIDADE
DE WARCllAVCHIK
Nn rualtrífJolis 'J'I" 61, a casa moderna ria "Cia. City".
Muita genll' rouht•n• f.:la leve um dia d f jJOfJularirla-
tli'..'uns paredes nuas desconcntamm, s1ws janrlru qua-
dradas initant?ll, st•n aT drfortoleza mexicana causou nr-
rejJio:s. H oje rmlron inlegmlmenle em nossos wstwnes.
Vencen. Qu.t•m nmslrói um bangalô, já espeta no tareiro
um mrmdarant.{. ..].
D1•jmis, sP-g·uiu-se para a rua Bahia n" 114 n fim de vi-
silnr a "casa modernista" também conslruída fwlo senh.o·r
Grr~ori Wanlwvchih.
Nessa residênria, o m·quilelo aplicou todos os rrr:u.rso.1
de que, modernamantr, disjJÕe a nrquile/ura. PrerJI:UfHm-
rlo-~t' quase exclusivamentP rom n ntilidad1• da -residíhtcia,
a roucefJrão até ar;ora aceita do belo r11i.o entmu em con-
sideraçri.o.
A.1 rlependhu·ias todas cuidadosamente estudrula~,
de modo a jJmporcionar oo.1 mnmdores o máximo ronfor-
lo JmHível, Juram ronstnddas r:om. simplir:itlttde. A linha
reta ajllimda em tudo, mas vendo-se que houve um esfor-
ço íntelignzte para qne a ronslrurüo, escravizando-se rw
cubismo, nâo foHI' jJrejudirrula no ponto de vista do r:on-
jurlu.
Os congn~ssi.,la pnsenles fomm unlinimes em arlmi-
mr o cunslnlçào do senhor Gregnri Wan:lwvrhill, uumifes-
tanrlo n seu agrado tique/e arquiteto.
A imjm'SSito ,; ogradâoel. Os que se mantinham rm1, Tt'·
snva foram logo conquistados. Afinal, jJensando bmt, os
modernistas não .fizeram mnis que lúnjHtr as fachadas,
nmjJ/ia·r r rPtijicm· os resjJiradouros, nbriT esfm_ços pmn tl
luz e jmm o m; mjJ1'imir a·rrebiques, f risos, lambreqnins,
tudo aqnilo que du mnfl' muito tempo parr.ren 1m(11ilar
uma casa. Ora, 11 éjJOca P. do wbelo ru1·to e liso, das
veslimrm/as simjJtissimas, dos sajHtios de biro latgo. Uma
casa modernista é uma rasa qv e almnçou a última sim-
filiridade. Disso ~u rgin a beleza.
0 ESTADO DE S. P; ULO, 28 de maio de 1931.
Nenhuma das obras pioneiras ele Warchav-
chik corrcsponde u plenamente ao discurso m o-
dernizador panflctado em seus anigos e é preci-
samente nesses textos CJtle o próprio arquiteto
reconheceu as limitações locais quanto aos ma te-
riais c técnicas construtivas disponíveis, inadequa-
dos aos conceitos de racionalização ou escala in-
dustrial. A modernidade de sua obra persistiu
mais como uma intenção, aplicada em casas bur-
guesas, até os interiores, mas que ele não pôde
demonstrar em programas de alcance social ou
econômico maiores- como habit.açôes popnlilres,
escolas, edifícios ou fáhricas - condizentes com as
preocupações dos rnocternistas europeus. Não
obstan te a prática limitada, Warchavchik teve o
importante papel de agimdor cultural ao mobili-
zar a opinião pública com suas realizações c pro-
mover uma causa - a arquiletura moderna racio-
nalista. A repercussão mais sign i(!cativa de seu
trabalho foi o convite, cm 1931, <k Lucio Costa-
então o reor~J;anizador <la Escola Nacional de
Belas-Artes no Rio ele j aneiro - para panicipar da
re formulação do curso de arquiterura, com um
currículo modernizante. Extrapolar a discussão
do meio int.clc<:rual ou profissional para ser obje-
to de caricaturas na grande impre nsa - o (jUe
parece insignificante para nós, Lcnrlo clecorrirlo
mais de sessenta anos - constituiu um aconteci-
m ento de imponância para uma cidade e um
país culturalmente provincianos. O úuico prece-
dente significativo, nesse sentido, roi a Sema na
de Arte Mocterna, que, com vVarchavchík, é re-
prcscnrativ::~ ele uma renovação formal c da atua-
lização das id(;ias como negação do pclssadismo
em plc:na d écada d e 1920.
Warchavchik foi "adotado" pelos moder-
nistas de São Paulo, preenchendo uma lacuna
inexistente na literaturil ou nas arlcs plásticas.
J.<~n t re ta nto , na segunda met.arlc rla décad a de
1920, as correntes modernistas (então dividindo-
se em algumas vertentes) condamavam por um
conteúdo nacionalista sem , todavia, abandona-
rem radicalmente as citaçôes ;' vanguarda euro-
péia. O d iscurso nacionalista era embaraçado di-
ante dessas referências: era incomum refe rir-se
aos modelos europeus nos q u<~is os escritores
modernistas brasileiros se teriam inspirado; toda-
via, e ram inúmeras as manifestações laudatórias
desses mesmos modernistas para com Le Corbu-
sier, sobretudo e m sua visita ao Brasil e m 1929,
além das citações do próprio Warch avchik acer-
ca do arquiteto franco-suíço, da Bauhaus e da ex-
periência Das Neue Franlifitrt. Ainda era tênue, na
arquitetura, essa preocup<~çào de brasilidadt>. São
~olitúrias as menções ao caráter nativo da obra de
"archavchik. O educador Anísio Teixeira (1900-
1971 ), ainda em 1929, foi o mais generoso, numa
emn·vist<t à imprcusa: "A pintura de Tarsila elo
Amaral, a música dt-· Villa Lobos, a arquiLl'lur<~ de
"archavchik sáo esforços deliciosos para não se
...e r nada senão l}rasiI c esse .Br<~sil novo que e stá
a{ora sm gindo" [Ferraz 19(15, p. !H)].
O svaldo Costa, num artigo de jornal em
192R, chamava atenção sobre a incorporação de
d elllentos tradicionais na casa ela rua Satll<t Cruz:
(...] o onais curioso é que ·w a rch;wchik pôde c souht-
,..."trair para ela intt-rt-ssantcs elemen tos elo uosso colo-
la!. e isso porque, ao contrário dos d emais pt>srptisado-
·e• que. pn·nrttpados exclusivamente com o oruamt•n-
:al do nos~o v!'lho t•stil o. se csq uccera tn d e n:·-r nel e,
mo Warchavcltik, o es;oencial. E foi a"im que o ilus-
• t m·q uitc•to r usso [...] chegou, sem esforço. a lançar as
••,e, ele ltlla <u·qui ft- t ur~, essa sirn pu ramen te hrasilci-
nr rnt>lhor, rropical, dt:- tal rno<io se adapta às condi-
· c:-, c circunstftncia;, do meio ambi<'nle t· cuncspontk
'nt·rt>ssidades elo nmso cl ima. rcmpc rament o, tr·acli-
o. rosltrrm·s Clt.:. [FerTa7 1965, p. 60].
.Lírio ele Andrad e, pouro depois da sua
nau{uraç·ão, caractcrituu a casa de Warchavch ik
como uma p1ova ele "cp tc m esmo cn1 arquitetu-
ra no~ coube iniciar a mocleru ização artísLica do
Bfa!,il". alinhando a obra como representativa de
m noYo concei lo tk arqui tetunt 111odcrn a. E
h:una·a a atençao d os jardins ela casa: "Os gra-
mado;, l i~os e planos, emoldurados por n tctos c
palmeira~ são d umJ originalidade esplêndida e
dão~··> conjunto urna nota feliz de lropi r.alismo
e di-.riplina" [/_ndrade 1972, p. 26J.
Esse jardint, projetado pela mulher do ar-
uiu.:to. ~fi na Klabin Warchavch ik, efetivamente
:m~tiw i o aspecto mais "brasileiro" da casa da
ila ~!ariana.
[,,as mençôes refe re m-se à casa pioneira
'~chaYc h ik; exceto uma ou outra menção
~terior. 'iào raras as referências da "brasilida-
- da •- bra elo arquiteto. Os e logios nacio nalis-
as.. concerurado~ sobretudo na casa do próprio
uilero. eram esforcos de compatibilizar a no-
ricbde moderna de 'archavchik com o ideário
Mudentismo l'm.({l·wnáJ ico • 4 9
do modernismo nacio nalizante, sem recair no
rcacionarismo do neocoloni<tl.
O patrocínio d os modc-~rnistas foi o grande
trunfo de Warchavchik para se inserir no circui-
to intelectual de São Paulo f' do Rio de Jane iro,
e se u trabalho corresponcle11 à tardia participa-
ção ela ar(juitcwra no concerto ensaiado a par-
I ir de 1917 por urn movime nto de re novação dils
artes. Participação não propriamente sintoniza-
da com as preocupações por uma arte brasileira
- o papel d t> 1Tarchavchik, nesse.: 1>entido, fo i
muito mais ele u m pione iro n a rnptura com a
arquitetura conservadora passadista. A renova-
ç;io inspirava-se em idéias européias, mas restrin-
giu-se apenas n o pbno das idéias, porq uan ro
concretamente a p rática do arquiteto estava afas-
tada de conteúdos de maior repercussão social,
como se preconizava no fuucionalismo europeu
de entreguerras.
Os modernistas brasileiros, a pilrtir de
l 9~0, com a derrnhacla da oligarquia do café· e
a ascensão do presidente Getúlio Vargas, ingTes-
saram também no ativismo político - t.::tnto para
a c~querda (Oswalu de Anclraclc) quanto para a
direita (Plínio Salgado, ll:l95-1975). Jean Franco
chama a atenção para o fato ele que,
[...] na Europa, é legítimo estudar <1 arte como uma
t radi~:;[o centrada ('rrt si mesma e na q ual podem s rr r-
gi r· n ovos movime11tos como soluçào a problemas mc-
l'<ll tlente formais; esta siTuaç;io t- impossível na A111é ri
ca Latin a . on d e até os nom es d os mo,·im e ntos
lit t-rários dikrcm dos e uro peu s. "Modernisn,o ", "no-
vomuu disrno", "i11d igcuis111o ", dr·fi ne rn a ti tudcs soci-
ais. f...] A difcrenç<~ í· ex trerrl <J m<"ntc irnporta11te pois
sig nifi ca que, e m geral, os 111uvimen ros artísticos nflo
constituem rlt>sprcndim err tos d e urn movime nto ;rnt t'-
rior, mas surge111 c:omo respostas a fatores externos i
arte [Fra nco I ~JH5, p. ! ;)].
A se acreditar nc.:ssa interpre1ação, Gregori
Warchavch ik não vai acompanhar a polilização
do modernismo brasileiro, tamp ouco partir.ipa-
rá da cooptaçáo da linguagem mod e rna pelo
Estado na década de 1930. Pode-se afirmar que
o papel ele protagonista da arquitetura moderna
d e Warchavchik encerrou-se no alvorecer da d é-
cada de 1930.
'50 • Arquílelltras Jl!i Brasil
TRIBUTÁRIOS
DO MODERNISMO DE SÃO PAULO
Nos íil timos anos cl:"l década de 1920 c
inícios de 1930 a arquitetura modern a com re-
ferê ncias na v;mguard a eu ro pL·ia era uma pre-
ocupação corren te mais no meio int<'lectnal
que p rop riam ente no meio d os arqui tetos. Le
Corbusier e ra um nome conh ecido no Br-.sil :
seus liv.-os eram acessíveis no Rio de J aneiro c
em São Paulo , c sua visita ao Brasil e m 1929
t.ev<> nJaior repcrcuss;io no Rio de .Janeiro que
em São Paulo (como verewos adiante).
Entre os eventos que registram inte nções
modernizantcs, vale le mbrar a ruidosa pol(:m i-
ca surg ida com o concu rso (posterio rme nLc
anulado) par;1 o Palácio do Go'erno do Estado
de São Paulo, orga niz;1do em fins de 1927. O
proje to d o engenheiro Flávio de Carvalho
(1899-EJ73) cham ava a atenção por seu inedi-
tismo fo rmal e suas proposições rniliLaristas: um
p alácio com o ap;-trato bé lico/ cstraté·gico de
uma fortaleza militar. A proposta mereceu vári-
os artigos de apoio dos escritores modernistas
na imp1·cnsa, em meio à reação elos arquitetos
couscrvadores. Mário de Andrade ch cgnu a lhe
dcdic ::~r três artigos no Diário Nru:imwl analisau-
d o e defendendo a idéia. Era u m::~ pro posição
}rr , ~'"'""- • •·~~. ,u •! IC. Q"tft f,.,~ .,.. ~,~
..,( L no. •.l•~t' ti... ~~"..lJoM. h>~«-1
, .,.._j - •
Mo. •"')'t 'I S']• .,..,Ji,. "'.- futd fo. tr Í Kw hoc>..,.._ .J
mais leúrica que propriamente um projeLo para
vencer concurso, mas o seu caráter pro p<lgan-
dístico e iconoclasta condizia com a von r.ad c
renovadora elos modernistas, da qual Flávio de
Carval ho to rno u-se u m ad epto a p oslni uri. Es-
cr evia Carvalho no come ço d e 1928 que, em
seu pr~jeto, prevalecia "a doutrina moclen1a d e
Le Corhusier, modificada para melhor: no pré-
dio o imporlante é a p lan la. O prédio é o de-
senvolvimento natu ral da planta. A fachada(·
um Le rmo que não exisLe na arquite tura moder-
na" [Dahcr I !JH2, p. 17] .
Flávio de Carvalho participou, em 1928,
ctc mais quatro concursos com suas idéias revolu-
cionárias: o Palácio d o Congresso Estadual dl'
São Paulo (no mesmo lugar do anre rior Palácio
do Governo ), a embaixada do Brasil na Argenti-
na, a U niversidade de Belo H orizonte e o Farol
de Colombo na República Dominicana. Sua pro-
posta para o P;-tlácio do Congresso foi aprcscnta-
d<~ com o mesmo pseudôn imo (indiretamente
identificando o a uto r) e gerou a mesma reper-
cu ssão do concurso de 1927. Carvalho propôs,
então, a "111::iquina d e legislar", n u ma referên cia
à célebre fr;;tsc de Le Corbusier. Io caso elo Fawl
de Colombo, havia referências formais ao fuLUris-
lllO c a clemen LOs p ré-colombiau os [Leir.e 1983].
Sem pre um concorren te malsucedido
mas formidável polemista, Flávio de Carvalho
1~. Fl(lvio ele Carvalho: propos(a
para o con curso do Farol d e
Colombo, Repúbl ica Domini-
ca na, IY28.
somente executaria suas p1·ina:iras obras mo-
rlcrnizadoras a panir de 1933: um conjunto de
casas para aluguel na a lameda Lorena e alame-
d a Ministro Rocha Azevedo. Moradias com al-
gumas novidades de planta e que foram
alug-adas com certa dificulclacle, apesar d e ter
contado com urna publicidade impressa dando
conta elas "óltimas criações rlc Flávio de Carva-
lho", com informações sobre o "modo de usar"
as casas lDaher 1981, pp. 137-153j .
Carvalho foi um arquiteto de poucas obras
e limi1 m1-se em sua atuação na arquitetura. ;lo-
tabilízou-sc como um artista em várias fren tes:
pintu1·a, desenho, escultura, cenografia, rearro t'
ainda corno um precursor de performances públi-
cas. Foi mais um uutsidt•r ela arquitetura, polemis-
lil <pie íllllOiliiOS IJI"illleiros momentOS do mocler-
niSHIO arquitetônico em Süo Paulo.
J ayme da Silva Teltes (1895-1966) foi ou-
tro arquiteto que Leve participação no debate
da arquitetura moderna na passagem da déca-
da de 1920 para 1 9~0 em São Paulo. Formado
na Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de
.Janeiro em lY26, foi dos poucos assinantes bra-
si lf' iros ria revista /,'IIspril nmweau [a respeito,
ver também o capítulo "Modernidade Corn:nle
1929-1945 '1. Radicado Clll São Paulo como run-
cionário da Companhia Construtora de Santos,
Si lva Telles esteve presente na reunião com Le
Corhusier na casa de W<trchavchik em 1929; e m
l :l:W, publicaria em revistas e jornais artigos de
franca deresa pela n ova arquitetura, tendo rea-
lizado alguns projetos c obras de linha moder-
na, h<~je demolidas. Flávio de Carvalho e Jayme
da Silva Telles foram rlc-si.gn:.~rlos como os dois
delegados modernistas de São Paulo para o rv
Congresso Pan-americano ele Arq uitetos de
19:10, e111hora o último Lenha declinado da no-
meação [Tell<.:s 1967] .
CRÍTICA SOLITÁRIA
A mais surpreendente manifestação teóri-
ca no período partiu de um engenheiro-arquite-
. BiblioteGJ. Joaquim CardO'~o 1
I CAC • UFPEl
Modemismo Prugmmâtico • 51
to q ue, cf'rtamente assumindo (mesmo incons-
cientemen te) o teor de sua crítica, pouco pro-
duziu em arquitetura. Carlos ela Silva Prado (n.
em 1908) completava o último ano elo curso de
engenheiros-arquitetos da Escola Politécnica de
São Paulo quando publicou, no último n ÚIIH.:m
de 1932 da Rl'11isla PolylN:hnim, o artigo "A Ar-
quitetura do Futuro em Face da Sociedade Ca-
pitalista". l•:m seis páginas, Praelo fazia urna con-
tunde nte crítica às tendências <~rqn itctônicas
e m dehatf' a panir de uma ótica marxista. No
Brasil, o comunismo erneq.~iu oficialmente com
a fundação elo Partido Comunista Brasile iro em
1922 e em 1030 con lava com a adesão do mo-
dernisra Oswald ele Anelraele em seus quadros.
Todavia, até então, nenhuma manifestação de
natu reza e SI(: I Íca havia sido IJ ul.Jlicada com a
ên rasc de Prado. Ele criticava tanto as tendênci-
as passadistas quanto a:; Lentativas moclernizaclo-
ras, posto que ambas escamoteassem a dimen-
são social da arquitetura:
Os ~pologisras burgueses d a arq uiLctura moderna
vêem nela apena~ o resul tado da aplicação de novos
materiais e nova técnica, isto é. o cimento. o ferro, o
con creto armado.
O arg utllt'tllo de:: que se servem f. que com estes ma-
teriais se podem obter fo rmas C)ll<' st•t·iam irrealizáveis
sem elas. Este ;u gunte n to levado ao extremo ind uziu
mesmo algn ns arquiteto~ a co.11~truírem c1sas r.sff.ric.as,
casas suspe11sas ou e m equil íbrio sobre um mastro, c
ainda Olllras CXtravag{tn c i;-Is. r...l
Os mat<~ r iais não se podem co tt~Lrui r a si mesmos.
São os h o nt t:IIS q ue projetam c executam. Por outro
lado, ninguém c:onstrói um edifício qualquer sem que
haja necessidade deste ediflcio. Ora acpti csrá justamen-
te a questão prin cipal.
O que ç;n·at· tc·t·i~:a principa lmcnrP u ma arquitetura
são as necessidad es de habitaçfio, rrabalho , recreio etc.,
da sociedadt• qu e a pt·od uz_Nnma sociedade mais de-
se nvolvida , os homr-ns procuram ad<tptar os materiais
às suas necessidades. Duas sociedades em que predomi-
nam necessidades diferentes não JXoduzem arquilcllt-
ras iguais, mesmo quando dispõem elos mesmos mate-
riais. Quando porém as necessidades são as mesmas, o
emprego dl" ma t cri:~ is difcrcnrcs produz arquiteturas
semelhan tes.
Defendendo o aspecto econômico ela cons-
trução - a repetição, a padronização, a produção
4
MODERNIDADE PRAGMÁTICA
1922-1943
Os anos lf'llt' vti.o riP 1914 a 1918, f' dt' 19 18 a 1930 são, para a Arnh-ira do Svl,
rtnos inmLorPS, como quaisquer outros. Nâo obstrmlr', ajlnnrmws qui'
o modernismo dt• tif)(} Pumpen é la.miH;m nosso.
Por qun- Porqur é o bonde q11e nos runuhn.
E por quê nos ronvém? - T'orqnr é o bonde que 11em depois...
R ·UL DE POLILLO [193 1, p. 13)
Como ~e ltá de discutir com ulftlttros, que nâo ./' dão ao l·mbaL!to de raciocinar sobre o que d izem? Eli's uiio
rPrlamam da trcnica modnna a solução a·rquiletônim rJp que carecemos.
Contentam-se emfazerfmses lilerâ1irts. "A wsa é a júnção". "A jit11çào[az a casa ".
"A fonna é a.fun ,r:ri.o". Enquanto se entretêm em dejinirões cabalísticas deixam os arquitrtos
de ajustar a tal técnica nwrlrrna ao nosso mso jMtlt,liru:
Pa-ra nós bra.si!Pims, j10uro si' nos dá que a l~·u.ropa jaça uso,
por motivos que só a ela inlf'ressaut, dt' um determinado gênero rir arqniiPlnm.
O que nos imfHnla a nós outros, é a solucüo do nosso caso aTlj'ttiletfini ro.
Gregori '"arch;lchik repre~enwu. para a
imelenualidade emohid3 r... '-...·:::~•'a rle 19~~.
a referência que falta"3 de t..::::.-
t.a da arquitetura. a partir.d! ~
JOS~: MARIM0 FILIIO [1943, p. 25]
qualilicada como mode rna - a própria mo radia,
na r ua Santa Cruz. O arquiteto russo correspon-
Jc:-u plenamenre a seu papel de agitad o r cultural
polemi~r.. no con;;en-ador meio arquitetônico
54 • Arquileturas Jto Brasil
culrc 19~8 c 1933. Sua capacidade de mobilizar
os meios de comunicação (grande imprensa, re-
vistas, documentário cinematográfico e, certa~
mente, o rádio) notabilizaram-no fora do ;tmhito
proJissional, alcançando setores sociais alheios a
polêmicéts df' nétn reza est·étic-o-arquitetônicas -
e talvez com mais repercussão que seus parceiros
literatos ou artistas plásticos. É inegável a sua con-
diçáo de pioneiro, ao postular puhlicamcutc po-
siçôcs referenciadas na arquitetura racionalista
de vanguarda da Europa, e sobretudo por intro-
duzir, d e forma ampla, o debate p úblico acerca
da modernidade arquitetônica. É ccrw que, en-
tre o discurso escrito (o manifesto ele 1925, a po-
lêmica na imprensa) c o arquitetônico (a obra
construída) havia um relativo hiato, c isso procu-
ramos demonstrar no capítulo anterior. Todavia,
é ponderável que Warchavchik buscasse urna re-
novação arquitetônica direcionada - reterencia-
cla na Bauhaus, em Ernst May, <:m Lt: Corbusier
c em tantas outras experiências que o arquiteto
russo le nha tom ado conhecim ento e tentado
trasladar enquanto conceito para suas obras bra-
sileiras. Warchavchik inseriu o Brasil no mapa da
arquitetura moderna mundial logo no início dos
anos de 1930. Nesse contexto, Warchavchik foi po-
siciomtdo na historiografia ria arquitetura corno o
iniciador da arquitetura moderna no Brasil.
O rlirccionamento que vVarchavchik im-
primiu 110 seu discurso foi a sua principal virtu-
de e contribuiçào para a arguitcLUra brasileira.
No entanto, a mod ernidade de inspiração euro-
péia preconizada pelo arquiteto russo era apenas
nma vertente entre tantas outras que se formula-
ram no imediato pós-primeira guerra. Moderni-
dades que caracterizavam as inccnczas de urna
socicuadc iustável, recém-saída d e uma confla-
gração da qual emergiram rcaliclacles díspares,
em que uma Alemanha humilhada c urna Fran-
ça vitoriosa seriam os contextos ele d iferentes
formulações d e modernid ade arq uitetônica.
A França sublimou uma noção de moder-
no de difícil caracterit.ação. A grande celebração
à modernidade, a Exposition Internationale des
Arts Décoratifs et Industriels Moderncs, em 1925,
bem espelhou a busca de qualquer moclernida-
de, a necessidade de exprimir idéias novas, d e
tentar ser mod erno mesmo sem que se pudesse
esclan:ccr o que isso significava ou como se che-
gava à condição ele moderno. A busca ele um
comportamento novo refleti<J a instabilidade d e
uma sociedade mais preocupada com prazeres
efêmeros fJIIe com realizações duráveis - o te r-
mo "lcs anécs follcs" aplicado ~~ década ck 1920
é sintomático-, incapaz de fixa/ uma escolha en-
tre u rna her·arH;a cultural do século 19 c as pers-
pectivas indttstrial istas da era da máquina. Essa
ambigüidade também a limentou os sonhos de
uma afluente sociedade norte-americana, que
tomou emprest<J.do e multiplicou os artifícios
decorativos do lado próspero da cultura euro-
péia- artifícios que, d écadas depois, convencio-
no u-se chamar irt Déco.
A modernidade d e vanguarda nutriu a
difusa perspectiva Art. Déco, c essa diluiçào é o
poulo d e antagouismo entre as vanguardas c o
Déco. O engajamento polít ico-ideológico do fn-
turismo. o anliinacioualismo, o anLi-suujelivis-
mo e a eliminação elo supérfluo nas plataformas
dos programas do neoplast.icisrno holandês, do
constru tivismo russo, do purismo francês e ela
Rauhaus alemã - foram todos manifestos conrr~t­
rios ao otimismo c à frivolidade Déco, nascirlos
em contexros históricos convulsivos, com assumi-
do engajamen to ideológico c social. Funcionalis-
mo, utilitarismo, estandardização, foram palavras
de o rdem numa formulação de modernidade
engajada.
O Brasil não deixou de sentir a voga mo-
d crnizadora européia dos anos del910 a 1930.
Resta saber como se processou essa assimi lação
no campo arquitetônico. Nesse sentido, vVarchav-
chik pode ter sido um pioneito, rnas outras for-
mas de modernidade também se man ifestaram
até a nte rio rme nte ao advento da casa da rua
Santa Cruz. Sáo arquiteturas que também foram
chamadas de "modernas", "cúbicas", "futuristas",
"comunistas", 'judias", "estilo 19~5", "estilo cai-
xa d'água" e assim por d iante . Hoje podem ser
ide ntificadas ainda como Déco e também corno
fascista. O presente capítulo alinha algumas des-
sas modernidades. Talvez não as manifestações
radicais ou as efusivas, mas demonstrações de re-
nova~·ão anptitetôn ica, qualquer que seja ela - à
maneira folle, mimeticamentc, pragrnaticamen te
ou como transformação modernizadora em sua
dimensão perversa.
A MARGEM DO
MODERNISMO ENGAJADO
Ano de 19~~: centenário da inclepend(·n-
cia, Semana de Arte Moderna. No marcante ano
de 1922, ttlll edifício recém-inaugurado angaria-
va repercussão regional, nem tanto por sua arCjlli-
tetura, mas por se tratar da mais luxuosa casa de
diversão da cidade. Era o Cassino c Teatro Parque
Ba lneário na cidade de Santos, Estado de São
Paulo. San Los era o porto estratégico para o es-
coamento do principi! l item de exportação da
economia hrasileira- o caf(:.
O Cassino/ Teatro era uma obra d e arCjui-
l.clura destoante do meio: formalmente se filiava
·,
'iii
Modernidadr Pmgmâliut • 55
à arquitetura da Deutscher vVerkbund - a orga-
uização não Linha uma linguagem artística par-
ticular, mas, por analogia, fi liava-se à produçáo
anterior a 1920 de arquitetos ligados ao movi-
mento como Pc tcr Bc hrcns ( I!:l6R-1940), Walrer
Gro pius (1883-1969) c Adolf Mcycr (1881-1929).
Não se conhece o autor do projeto , mas e ra mais
uma obra da Companhia Construtora d e Santos
(entre outras <]Ue osten tavam formas ma is depu-
radas), empresa con stituída em 1912 pelo enge-
nheiro civil Roberto Cochrane Simonsen e colc-
~<ts . A constr utora de Simonsen notabilizou-se
por pr~jetar e construir inúmeras obras pt."tblicas
importantes na cidade, por rcr investido cnt ha-
bitaçôes ccontmticas c em planejamento urbano.
O engenheiro foi o introdutor dos princípios tay-
loristas n o Brasil, ao publicar, em 1919, o livro O
Tmúallw Moderno. Entre 1921 e 1924, <t compa-
nhia admiu isLruu c construiu simultaneamente
26 qLtartéis de grande porte (alguns e m áreas ele
incipiente urban izaçáo) em nove Estados brasi-
le iros. Mediante a normalização d e processos
adrni ttislrat ivos, revisão e adequação dos pr~je-
·~ ~~~- ;
-- -- : ·--~"·~:.;;.!! ~~.:::···~~-~ , , -,
14. Co mpanhia Construtora d e Santos: Cassino c Teatro Parque Balneário d e S;mt.os, SP, 1922.
56 • /lnfiiÍI<'IIIms no I:Jmsil
los à racionalização de can teiro e adaptação de
sistemas conslrutiYos às pecu1iariJades locais (in-
cluindo alguns sistemas rústicos de pré-l'ahrica-
ção), a empresa cumpr iu <.:ronogramas reduzidos
(alguns casos, quartéis com pk tos ern oito me-
ses) rncsmo trabalhando numa escala operacio-
nal q ue envolvia ciist;incias de milhares de q uilô-
metros e condiçõt>s de trab<tlhu extremamente
ad'ersas - rnmo materiais em hoa parte tra ns-
portados para o local da obra ISimonscn 1931].
Simonseu foi um. elos balu:-trtes da industri-
alização no Hrasil, e sua atuação empresari(ll e po-
lítica foi se d ivt:rsificando (e-m detrimento ele sua
construtora) sempre nessa perspectiva. Esse per-
fil ccnamente pode se relacionar com o possível
contato que o jovem Simonseu teve com os prin-
cípios da Werkhund akmã. Outras evidências,
todavia, relacionam o engenheiro com manifesta-
ções de arquitet"nra moderna: Sim onsen era o
redator da Revista PolytPtlmira de l 90H, que puhli-
rou a pioneiríssirna crílint de modern idade cons-
trutiva sob1 e a Estação Mairinque de Victor Du-
bugras [ver capítulo "Do AnLicolo nial ao "Ncoco-
lonial... 1RRO- L926"] ; em 1922, Simonsen era um
dos onze brasileiros que mantinham uma assina-
tura da revista I ,'f<.'sfnit nmweau, de Le Corbusier
<' Améd('C' Ozenfan t ( 1RR6-1 96G) [San tos 111 n/.
1987]; roi a Co r11 pa nhia Construto ra d e San-
tos qu e tr o uxe ao Brasil o a rquitet o Gregm-i
vVarchavchik c teve em sens quad ros técnicos os
arquitetosjayme da Silva Tclles e Rino Levi, na
segunda metad e da clécad <~ de 1920 . Essas evi-
dências pontuais não comprovam necessariamen-
te coerência de perspectiva arquitetônica; no cn-
tauto, a perspectiva industrialista ele Simonsl:'n
ind icia u 111a possível aliança entre a apo logia da
in dústria na arquitetura racionalista !."uropéia e a
in trodução de elementos inovadores na arquite-
tura mediante a m odernização da const rução ci-
vil no llrasil das primeir(IS décadas do si'culo ~0.
No extremo sul do país, um(! outra obra
foi precursora isolada de uma linha racionalizan-
te da arquitetura, sobretudo pela sna função uti-
litária: o edifício do Moinho Chaves, e m Porto
/:). Companhia ConstruLora de Santos: Ca.,sino c Teatro Parque Baln eário de Sanros, SP, 1922.
16. Júlio de .-bre u Jl.: pr(:dio ua an:nicb An~élica. S:w
Paulo. 191!H.
,legrt>, construído em 1921 com pr~jeto do ar-
quiteto alemão Theo Wiedersphan (1878-1952).
Fachada marcada por pilastras acentuando a ver-
Licaliúade, repelitividade de janela~ e apenas uma
discreta linha de cimalha e desenho de platiban-
da, o tratameuto externo do edifício industrial de
quatro pavimentos parecia refletir a sobrieclade
do pro~r<tma arquitetônico. Uma construção que
passaria despercebida hoje, não tivesse sido rea-
lizad::t no início da clécacla de 1920 [Wcirner
19R9, pp. M29-M31; 19921. Wiedersphan , r<tdica-
do no Brasil em 1908, pode ser considerado um
arquiteto que trouxe informaçôes sobre a arqui-
Lelllra alemã das primeiras décadas do século,
produzindo algumas obras que refletiam prcocu-
pacões modernizantcs, embora a maioria de seus
trabalhos ostentassem compostura tradicional.
No ano em que Gregori vVarchavchik inici-
a·a as obras ele sn:o~ prim e ir::~ n ·sidência modernis-
ta.Júlio de Alm.:uJúnior (11. <::m 1895) c:uncluía
um cdif'ício de seis pavimentos na avenida Angé-
lica. em São Paulo. Era um prédio d e apartamen-
tos CLUa fachada era composta apenas pelos vazi-
'h dos terraços da sala e pelas parceles lisas de
fechamento dos banheiros, mais algun s vãos de
entilacão e iluminação. Nenhuma decoração tra-
dicional. Os quartos voltavam-se para o fundo elo
iote. orientados para o sol poente, e a cobertura
abrü;aYa as dependências de empregados- num
arranjo não mual para a época [Xavier f'l nl. I9R~;
Lemos 1~1'-''
E--co!a p,,...__n
u-~e en ~en hciro na
~~'- em 191-l. com
Modt'midr~dr< Pm!{IIIIÍiha • 5 7
17. F•t·dc·ri<'o Kirchgiissu t..-: casa do a rqui teto~'"' Cu ritiba,
PR, 19~10.
poste'rior <"Studos n<J École Specia lc eles Travaux
Publics du Bâtiment et d e L'Industrie de Paris.
Atuando em São Paulo com edifícios residenciais
e industriais, obras residenciais com característi-
cas formais próximas ao cclilício da avenida Angé-
lica foram construídas também para o Rio ele .Ja-
neiro. Não era ele, todavia, um arquiteto que
adotava a linguagem rnoderna como princípio.
Mais fiel à identidade moderna foi Frede-
rico Ki.rchgãssncr (1899-1988), descend ente de
alemães nascido no Estado de Santa Catarina que
fez um curso por corrcsponclência na Kunstschulc
ele Berlim, tendo conse~uiclo o diploma de arqui-
teto ao prestar exames na então capital alemã em
1929. No ;mo seguinte, Kirchgassner construiria
sua própria residência em Curitiba, Estado do Pa-
raná: casa adotando formas modernas, com terra-
ço-mirante que clava vista para a serra no horizon-
te distante, c projctacla com mobiliário coerente
com a moradia. Na ainda mais provinciana capital
do Estaclo elo Paraná, a obra toi recebida com hos-
tilidade. Kirchgassner construiu algumas poucas
obras com linhas modernas, lendo sido relcrnbra-
do como um pioneiro incompreencliclo cerc<~ de'
quarenta anos após a obra inovadora [Piermartiri
1989].
Aos alemães c seus dcsccnclcntcs, o Brasil
deve uma avaliação ainda n ão totalmente conhe-
cida como contribuin tes na introd ução de lin-
gua~cns modernas na arquitetura elo sul do país.
Günter 'eimcr [1989] anota que as primeiras
manifeqacõe' modernas em Porto .Jc!?,"rC (cxce-
58 • /lrqui/('/ur as 110 Hrasil
tw1ndo urna casa projetada por Joiio Antouio
Monteiro Neto (1R93-1956) em 193~) se deve a
profissiouais alemães: Franz Filsinger, atuanre no
Brasil entre 192!í c l~J:-~9, autor das primeir·as re-
sidências de linhas modernas e m 19?. l I 1932;
Karl Siegert (1R89-1961) ejulius Lohweg (lR79-
l 9GO), au Lor de projetos d e Jllaior porte, roJllo
os cdi fícios da Fcrle raçào Rural, o Agostin ho
Piccardo c o Rio Rranco hem coJuo a fábrica da
camis:1ria Taunllauser, Lodas as obras situadas na
capital elo Rio Grande do Snl.
São manifcstaçôes que ainda merecem al-
gum aprofundamcuco enq uanto vertentes do
1110dernismo brasileiro.
UMA ESTRUTURA
PARA O MODERNO
ils ili!Jrll('rJI'S I' as de.l·obertas rir•ntífims nriu exmc
fl'rt/111 ;,~fluenria alguma tiOS ,•.,tilvs dn. ouJuitetura,
nr•m me~nw o rimrn/o mmodo, qu.r• ,; 1111'1 11U!lt'1Úti
ilu·sthirn, .fi'io em Sllju•i.fhir·, df a.ljH•do Ji'in r• mO'rio e
fJII I' lvnw ((1111 o temjJo "mte sale pati·ne". nn diur do
j1mji>ssnr Cloq111'1.
CIIIUSTIANO DiS Nl::VI·:S, 1930 (p. 3)
No CUJTÍ<'ulo profissional do arquiLcto Eli-
siário Bahiana ( lH91-J9HO) arquivado na l Jniver-
sidacle de São Paulo. uma observação ano1ando
o insucesso lluma participação em concurso no
Rio de .Janeiro{: basLante reveladora. Consta o
seguinte: "Pn~jeto do Estádio do Clube de Rega-
tas do Flamengo, na Cávea, c tira o 2° lugar com
projclO moderno, gênero Perret (o primeiro lu-
gar foi adjudicado a um projeto clássico)". Esse
concurso foi promm·ido em 1925: por "clássico",
pode-se entender a adoção de linguagens orna-
men l<lÍS Bcaux-ans; por "moderno", a idcn tifica-
(ào é eloqüente.
Em 1928, Bahiana novamente ohtevc um
segundo IJJ).'al.., agora no concurso pa ra a embai-
xada da Argentina; o vencedor era seu colega de
IS. Vale do Anhangahaú e 'iaduto d o Chá, e m posLal de 1955. llurn inaç;io kérica compôc o ccnát·io de modernidade.
wrma, que apresentara um projeto de gosto neo-
colonial: Lucio Costa. Flá'io de Carvalho, o mo-
dernista de São Paulo, fora desqualificado. Entre
1927 e 1943, Bahiana pr~jetou no Rio rlc J aneiro
c em São Paulo prédios públicos, edifícios comer-
ciais e/ ou rcsidênciais, casas e até~ um viaduto,
um dos cartões-postais rle São Paulo: o viaduto do
Chá [Segawa 1984] . Nem Lodos os projetos obe-
deciam ao mesmo tr atarncnt.o formal, mas predo-
minava uma linha nas obras maiores: o Art Uéco.
Em 1979, numa cntrt>vista com o velho arquiteto,
ele não compreendia o significado desse termo.
O Art Déco, como "estilo", jarna1s existiu: como
convenção figurativa, nasceu na rt>lrospectiv<l
"Les Anées 25", em 1966. Ele recusava também
o rótulo ele "futurista"- uma palavra f!IIC popu-
lanuen le trazia uma conotação pe jorativa nas
décadas de 1920 c 1930. F.m todas as hipóteses,
sctt trabalho e ra "moderno", "gênero Perrct ".
F.lisiário Bahiana não foi um arquiteto ge-
nial ou revolucionário, mas U lll pwfission::1l hem-
sucedido por ter projetado obras sign ificativas
nas duas maiores cidades brasileiras. Como tan-
tos ourros arquitetos de sua geração, Bahiana
!JOd<: ser tolllado como um profissionaI arq uetí-
pico de uma etapa da arqttitcl m a brasileira: for-
mado nos valores Beaux-arts, "inti·ingiu" os ensi-
narnen ws adotando uma linguagem distinta da
boa norma acadêmica. em busca de uma arqui-
tetura moderna, sem eslan.lalhaço ou panHetis-
mo. Modernidade nem i Lt> C01busiet·, nem à
Bauhaus, nem aos fun cionalistas/ racionalistas
europeus. Talvez um pouco disso tudo. Mas, mo-
dernidade, como o próprio Rahiana revere ncia-
va, àAuguste Pcrrct (1874-1~54) .
O CAMINHO DE PERRET
J.c Corbusier c Augustc Pcrrct (1874-1954)
eram de tendências opostas, escrevia I .ucio Costa
em 1951 [19G2, p. 187]. I.e Corbusier fjllalifica-
va Perret não como um revolucionário, mas um
"continuador" rla "grande, nohrc c elegante ver-
dade da ar(}uitetura francesa". Todavia, o arquite-
M nrlr•müladr l'mgmrílim • 59
to franco-suíço reconhecia em sua autobiografia
que, em 191O, Perrct era "o único no caminho por
uma nova direção ela arquitetura" [ajmrl Collins
1959, p. 153]. A "nova direção" era uma lingua-
gem desenvolviela a partir da experimentação t{~c­
nica e formal sobre o concreto armado: o aparta-
me nto da rua Franklil1 C lll Paris é considerado
como o primeiro uso do concreto como urn meio
de expressão arqtlitctônica. Seu trabalho elabo-
rava nm novo raciocínio arquircttmico inserido
num contexto técnico novo, sem abandonar re-
ferências tradicionais.
"Jão é incorreto associar-se o pensamento
ele Auguste PerreL ao Art 1)(-co ou, mais precisa-
mente, à Exposition lutcrnatiuualc eles Arts Dé-
coratirs et lndustriels Morlt>rnes em Paris no ano
de 1925. O relatório final do evento, n a seção de
arquitetura, é tudo permeado pelo ideário do ar-
quiteto rranco-belga. Definia-se a arquitetura
mockrna como a que, '·tirando vantagem elas con-
quistas da indústria, utiliLa, para realizar os novos
programas, os materiais e procedimentos da cons-
trução de seu te mpo" rFxjmsition. . 192H, p. lOJ .
Assim elegia ela a técnica construtiva dos tempos
modernos: "Podemos dizer, com Auguste Perrct,
que se os homens desaparecessem subitamente,
os edifícios ent fe rro e aç.o n::io tardariam em se-
gui-los. [...J O 'material' ou , ~e pn"'ft>rir, o 'apare-
lho' da arquitetura moderua é, sem clüvida, o con-
creto armado" [ExjJusition... Hl28, p. 15].
Do concreto armado derivaria uma nova
estética:
E"islt> uma .-,rética do concre to arruado, como a da
pedra, da madrira , do ft-rro. Sc:-111 dúvida, é o pro~··ama
que clita a composi(<io e a co mposiçiio em si que deter-
mina a escolha dos m<J tt>ri ai~. Mas a m a1i'ria escolhida
repercute por sua vez sobre a planta. Se o a rqui1 C'to é
tanr.o coustrutor quanto anista, c ele de,·t> sê-lo, compo-
siç;iu e m<~1 r.riai s se apresentam silllultaneanlc:-ll lf' a seu
e ·pírito, inclissoluve lmcn u· ligados, como o são. na illla-
ginarão do cnalllisla , o galho do pote e a terra.
Que rormas nascem , en1[Jo, na turalmente , do con-
creto arm ado' A.~ fonnas simplçs e grandiosas. Apiloado
nas fôrmas , ele exclui as com plicações. Se se presta para
;nnplas a bóbadas, de se coloca sobretudo em honra à
linha horizonral. , plcn<l sc(ão dt> se us p il an~s lhes con-
fere uma clcgincia austera. Nada de bases, pois a cohma
bruta do solo. Nada de capitêis, porque a Yiga c a coluna
(Í O • Arq11iter11ras no Hrasif
são da mesm a matéria. O capitel, útil cn1 nma constni(Úo
de ped ras e mp<IIT ih adas. po r rt'parrir sobre o apoio a
carga da arqnitrave ou lin td, torna-se supé:rflno em tllll
sist~:ma monolítico flixfJIJ.ütion... 1928, p. 189J.
F talvez um n ovo eslilo?
O concreto M lllado é a conc rcçào ck materia is t:w
con hec idos <·m rod o o pai~ t' e le pode satisfaLer. en1
cnnd içocs bem econômicas, ;~s exigências d e v;~ri ados
progr:u11as ele tal m odo q••c seu emprego tende a se
torna r ltnin:•·sal. [...J
Poder-se-ia dizer q ue dessa maneira de construir nas-
cer~• un1 csrilo n niV!' rsal? 1-'clizmen l<', nflo chega mos lá.
Sem n1esmo con tar co1n ns climas, os gostos das raças,
das uações, as tcnd(·ncias individuais mantêm uma g ran-
de variedilde n;1s sol uç<ir.~ a rquit<:tônicas, assilll r o mo na
dccoraçiio pintada ou esculpida dos edifícios. A Exposi-
(iío de 192G fúi a testemunha d isso ll•.'xposition... 1928,
pp. 19-20].
1 primei r<~ obra no Brasil condizente com
o discurso de Perret e o elogio :10 concreto ar-
m<tdo fo i contcmporâuea (se não anterior, en-
quanto re tórica) à elaboração dessa teorização.
Já nos referimos anteriorlllcnre à estação ferro-
viária em Maírinque, projeto d e Victor Dubugr<~s
de 1907 c ol~jeto de lottvor crítico pela sua racio-
nalidade na época de sua inauguração lver capí-
tulo "Do Anticolonial ao Neocolo nial. .. 1880-
1926"1 . D11 hl1gras é um caso pione iro, e mbora
isolado.
LIMITES DO ART DÉCO
Nós, anjtlittto.l, ru-Jwmos ótimo o "estilo moderno·~
,·omo tudo qw<éfimta.l·ia, uniwmm'!lt• f/llrrt esses am-
bit•ntt'.l de alegria romo utihmslr, cinema.·, ttwlrínlws,
''p,wronnih'es ". etc. t•lr.
CH RISTliNO DAS N i·:VES, 1920 [ l929b, p. 161
1:-'stt• e.1tilo f 925, fu•sto, idiota, raplajifrí quejitz os
mrdíorres .JirarPm babando de JPiirir/ade.
LE CORBUSIF.R, 19:-W [Santos el al. 1987, p. 96]
Ao se ad o tar o termo Jn Déco, corre mos
o risco de acentuar u m so taque francês risonho,
de um país vitorioso - contrariamente às demais
nações devastad as, re moendo-se em inquie la-
ções sociais c econ ômicas na Europa d o p rimei-
ro pós-guerra -, Lmindo manifestações tão d ispa-
ratadas entre si, como a Compagu ie eles Arts
Français e a nauhatts, a valorização elo decorati-
vismo de culturas d itas "exóticas" (asteca, egíp-
cia, exln:rno-oriente) e a Deutscher 'Verkbund,
ou a fusão ctc refcrêucias ;-Jrqnite tônicas marcan-
tes como Anguste Perret, Frank LIO)'d Wrigh t
(Hl67-HI59) , Hendrik Petnts Berlage (1856-
19311) un J osef H offm;-Jn n (1870-1056) numa
massa amorfa. Adema is, estudos d edicados ao
Art Déco, e m geral, desconsideram a contribui-
ção da llália, país que. desde o início do século
20, desenvolvia alta Lecnologia em coucrcto arma-
d o [Pesenti 190G] c estabelece urna arquite tura
de t.n·ttamento for mal geom et.ri?.acto IMclani
1910] à maneira futurista de Antouio San t'Elia
(1888-1916), concretamente ilustrado na diversi-
dade de um Marcello Piacenti ni ( l 8H1- 1960) no
período fascista ou em nma vcn ente do raciona-
lismo, como em Giuseppe Te rragni (1904-1941)
e seus colegas d e geração - o que não é despre-
zíve l enquanto iniluê nci;-J no Hrasil, diante do
enorme anuxo da imigração italiana para o país
desde o úllimo q uarte l do século 19.
Para efeitos práticos, vou considerar o
Art Déco n o Brasil mais como urna manifesta-
ção essencialme nte decorativa que propriame n-
te construtiva - embora c tn certas siluações as
!'moleiras entre a deco ração e a tectônica s<.jarn
lê nnes.
O ART DÉCO COMO "ESTILO"
O s vários trabalhos que o arquiteto Antô-
nio Moya aprescnwu no Teatro Municipal de
São Paulo, na Semana de Ane lVIoderna de 1 92~ ,
captavam a vertente "exótica" q ue pairava no
ambicnlc culLttral de então. Alguns de seus esbo-
ços conotarn inspiração maia, como já dito [ver
capítulo "Modernismo ProgramáI ico 1917-1932"]
e é a mais antiga proposição conhecida dessa
tendê ncia d e tomar emprestado motivos pré-co-
lombianos no Brasil. Antecedeu à proposta de
Flávio de Carvalho para o concurso do Farol de
Colombo em 1928 c foi o precursor de um forma-
lismo que se seguiu ao esgotamellto da voga n co-
colonial: no início da década d e 1930, o p intor
Theodoro Braga (1872-1953) preconizava uma
saída por uma arte brasileira mirando-se na ex-
periência dos países latino-americanos que ado-
tavam desenhos pré-hispânicos como ornamen-
tação lBraga 1930J. Braga foi um estudioso dos
motivos da cerâmica man~joara- uma an Liga cul-
lllr,. ,.nlcrior à chcgad,. dos ponugt~cses , na ilh,.
do Marajú, no Estado do Pará, onde o pi 111or
nasceu . Enquanto idéia, ,.. aplicação de temática
marajoara foi bem-suced ida ao ser adotada no
projeto d e Archimedes Memória (lH4~-l!-lfiO) e
Francisquc Cuchet, vencedor do concurso para <l
st>df' do Min istério da Educação f' Saú.de p m 1935
(foi o pn~j eto preterido pelo governo, que enco-
mendon outro a Lucio Costa [ver capítulo "Mo-
dernidade Corrente 1929-1945"]. O mar;:Uoara e
ouI ras fignraçôes pré-colombianas roram recor-
19.Rino Lcl'i: Cinc Uf<t-P<tlúcio no Recife. PE. 19:H.
Mudnnidwlr PraKm.rílim • 6 7
rentes na decoração de interiores nos anos 1930,
e seu geometrismo combinava com o gosto Déco.
O Art Déco foi o suporte fo rmal para inú-
meras tipologias ;u-guitctônicas que se afirma-
vam a partir dos anos de 1930. O cinema (c por
associação, alguns teatros), a grande novidade
entre os espetáculos ele massa que mimetizava
as fantasias da cultura moderna, desfilava sua
tecnologia sonora e visual em deslumbrantes sa-
las no Rio de janeiro, em São Pau lo c algumas
outras capitais em verdadeiros monumentos
Déco; algumas sedes de e missoras de rádio fo-
ram conslruídas ao goslo, como"' R;.ídio C!lllu-
ra de São Paulo, de Elisiário Bcthiana, ou a tardia
(194R) sede d" Rádio .Jom;:~l do C:omi-rc:io de Re-
cife, do engenheiro Antonio Hugo Guimarães
[Silva 1988]. A maioria dessas construções foram
demolidas.
VITRINE DE MODERNIDADE
C'I'Yirtmt' lllr nrio jáltarào lugar!'s Jmm a conslru.-
rüo de nlifiâus fJúbliros impirados na arquill'lum
62 • /lrquilelums no Hrosif
ri)IIIUnisla. A cidadP r/p Goiânia, jmr rxrmjJfo, I'SitÍ 1'111
nwti>ria dP M·qllilelllra, mais longr' do SPnlimr•nlo
national, do qw' rrrlrn ridades da pmimula ilir'rim.
jOSf M,RtANO FILHO r1943, p. 12R]
Se o Art Déco se consagrou numa grande
exposição, certo caráter l'ugaL yue pcrrm:ou a
voga Déco pode ter sido refon:ado pela reali;.a-
ção de grandes exposições transitórias com o
predomínio de pavilhões desenharlos ao gosto. A
VIl Feira Internacional de- Amostras de 1934, rea-
li1ada no Rio deJaneiro (no aterro onde hoje se
ergue o Museu de irte Moderna, de Reidy), era
uma vit rine rla prorlução industrial e agrícola bra-
sileira abrigada em edifícios de traços Déco. Um
evento de maior porlc, a Exposi~:ão rlo Cente ná-
rio d a Revolução Farroupilha e m Puno Alc~!;r<.:,
no ano de 1935, transformou o amigo Campo da
Redenção - grande área verde hoje no coração
da cidade - no Parque Farroupilha, com pr~je­
to básico do urbanista francês Alfrcd Agache e a
montagem de um complexo, para exposição de
produtos agrícolas e indnstriais, organizado por
Christiano de la Paix Gelbcrt (1899-19R4). Con-
tando com pavilhões te máticos (como :::~gricu l tu-
ra, inrlttstria estrangeira, empresas ferroviárias e
outros), par<J diversão (cassino, caf(:-har, restau-
rante), de quatro Estados brasile iros (o ele Per-
nambuco foi projetado pela equipe m odernista
dirigida por Lu iz Nunes ( 1 ~08- 1 937) ) c os admi-
n ist.rativos, predom inava a figu ra(ão Déco nos
edifícios (inclusive com a variação marajoara no
pavilh:'io do Pará). O caráter efêmero dessas obras
conduzia a opções simples ele conslru~:üo c deco-
ração: os pavilh ões eram estruturas de madeira
com fechamentos em estuque (à excq:ão do Pará,
de alvenaria); o despojamen to ou a n~jo orna-
mental subordinava-se ao sistema construtivo em-
pregado, e o Déco coníluía para urna solução for-
mal menos rebuscada~
Inúmeras obras públicas de importâ ncia
seguiram a tendência; ttrn:.i rlC'l;.~s , é a Prefei tura
de Belo TJorizon te ( 1036- 1939), projnada por
Luiz Signore lli. Goiân ia, a nova capital do Esta-
d o de Goiás, criada em 1q33, com urbanismo e
primeiros edifícios (palácio do governo, prefeitu-
ra e hotel) p rojetados por Attilio Correia Lima,
tem imponentes monumentos Déco, como o tea-
tro ela cidade e a antiga estação ferroviária, além
dos pioneiros palácios. Em São Paulo, o primei-
ro viaduto Déco foi o Boa Vista, projetado em
20.Exposiçâo do Cenlt!núrio d;o Revolução Farroupi lh a, c·m 1935, no an tigo Campo da Redenção, em Porto Alegre, RS.
Traçado orig inal elo parq ue ck Atfred Agache.
2l. Pa,·ilhào do Parii na h;posiçào do C<'n tcn;írio da Rf",·o-
luç<1 o Fa rroupilh a, em Porto Alq~re. RS, I~)3f>. Tcmns da
cerâtnica tnar~joara tOlll O l liOtiYo~ dccortltivos. Foto·( ente·
sia de Cüntcr Weimcr.
1930 por um engenhciro-arqmteto recém-lonna-
d o, Oswaldo Arthur Bratke ( I907-1997) (ele se-
ria, n us anos de 1950, u m dos mais irnponantcs
arqui tetos modernos) . Um elos símbolos da cida-
de do Rio de.Jant"iJU, o Cristo Rcrlcntor, nu topo
d o morro do Corcovado, é urna estátua Déco. É
certo que todas essas referências de importâucia
urba na ser viram para disseminar popularmente
o gosto Art Déco.
IMAGENS DO FUTURO:
O ARRANHA-CÉU
Os orran/111-dus n o limsil /HOVI;IIl de um nm
fJrofundo. RinjustifirrÍ1<riP lammtável numa lerm
rira de PS/)(t('u t'.HI' Úl/ntw rl1• ron.l'/l'll(ÕfS qui' em ou-
tws rirlotfn, 1'111 Nova IOI'({III', por exnnJ!lo, 11'111 sua
I'Xfllica{'âll r sua razrio rft• se~: Nu Riu deJanàm a l'xis-
/Pncía dvs tiiTflnlw-dto urio IPI/I sentido.
f; uma imitaçrio. As Jonnw d1• arte nrio rr.wllam
tl1• LW/11 vontade. Nâo !ui .forma tft• tnlt• infl'nrional.
E, jmr isso mesmo, os vo;sos arranha crus qut' nâo
rorre.1pondrm a uma tll'tessidadr, qtw nrio surgt'lll e.-
{)(m/aneanwnlr da il'tTa, 1rio 11/'I'P.uariamenlr uma
I'Xfwessâo falsa di: arl1•. Pf'11so muito qw•, de um modo
gemi, a arqui/i•lura do Rio 1; IJllilSP 1ww oji>n.1·a it pai-
sagnn. DPve-sP jn·ururar semjnt' ·t.mw lirilw corrrsfion-
dn!le t) do nolu rt•za.
L UIC! PIR. NDEI.LO, 1927 rBarbosa 1989, p. 98]
,lodernidadt• f>mgmrítiw • 63
~~.Jorg<' Ft·lix de Souta: Tf'aln>de l;oián i;~, CO, r. I94~.
Li a rnlrevi.1111 d1· Pimrtd!•lln / ...} e rerordo-lltt'
das suas jmlrwms a jlrojlâsilo do.~ arm11fw-rPus.
St• 111i11 IIU' Pngano ela fala na nnt'.l.wlodt' dt• se rrior
no l?io I.L/1111 an;uilt•lum qu'' sc ronjonne rom a linha
do fulisagt•llt. 'llwto mrllw1: .V1io snia o raso de Sf
romltu.ir 1•dijírú>1' da o{l!o·a do !'r'io-rle-rpímr ou do
Co1·wvrulo? Creio 111Ps1no qw· Nnbora sPfiussr'm aqui
Nlificios tlua.1 ou trfs veus 1110im·es que os de Nmm
lorqtu a linha da jmisagem nada so.frPria. 11 própria
tw111reza dá o exemjJio u M'!fLÚt: {. .}
Arlw IJIIl' a o!JsPnJa({tO rfp Pirandrllo ,; idiota:
com llllta Jmisagl'/11 leio Krr11uliosa o Rio J)f'rlllile
r l'<igP llli'WIU que u.1 Sl'll. nlijírios .ll'jnm altos.
BLLSE CE1 DR:R~. 1927 lBad>Osa l!l89, p. 101 ]
Cerca de quareuta anos se passaram entre
os dez andares do primeiro shysrm{Jf'r projeLado
por Will iam L e Baron .Jcnney (1832-1907) em
Chicago e as pion eiras lentativas do gên ero no
Rio de .Janeiro e em São Paulo. Nesta última ci-
dade, u m ambicioso empreendimento elo imi-
grante italiano C iuscppe Martinelli (11-70-1946)
t>rgucria, entre 1924 c 1929, um arran ha-céu com
105,65 m de altura c 25 andares: o Edifício Marti-
uelli. Ern 1928 era pr~jetaclo o edifício A Noit<',
no Rio d e.Janeiro, concluído no início dos anos
de 1930 cont 24 pavimentos e l 02,5 m de a!Lura.
ConLrariando a t"xperii·ncia norte-americana,
ambos em concreto armado . Recorda o pionei-
ro livro de Starrctt l l<l28] u quanlo o arranh<~-
64 • Arquitettt.ras no Brasil
céu, nos primórdios, foi esteticamente d escte-
n hado. Quase contemporâneos, o Martinclli e A
Noite representavam duas verte ntes opostas: o
primeiro, uma torre ornamentada ao gosto eclé-
tico; o segundo, um edifício de linhas geométri-
<::ts, com toque lkco. Joseph Gire c Elisiário
Bahiana, ao projetarem o edifício A Noite, da-
vam vazão ao preceito perrcliano de uma arqui-
te tura integrada à estrutura. A solução Déco,
doravan te, prevaleceria na corrida sul-americana
às altur<ts: o edifício Kavanagh em Buenos Aires,
de 1935, com 1~5 , 30 m de altura, seria o mais
alto préd io da Am érica do Sul até 1954 fVascon-
cclos 1985].
Na década de 1930, a linguagem Art Dé-co
estaria associada ao envoltório por excelência das
granrles estruturas qu e romperiam os horizon tes
urbanos desenhados pelos homens, rnarcados so-
bretudo (ou apenas) pela verticalidade de torres
sineiras cic igrejas ou referências semelh antes.
Assim, em São Paulo, o eciif'ício Saldanha Mari-
nho competiria com o seisccntista convento e
ign;ja dos franciscanos; o edittcio Oceania em Sal-
vador - a maior construção em todo o Norte e
Nordeste na época lAzevedo 1988] -faria o con-
tJ·aponto robusto ao esbelto farol da Barra, do sé-
culo IH. A inserção mais espetacular de uma obra
Déco n a paisagem tradicional foi, sem dúvida, o
Elevador Lacerda, tamh~m e m Salvador. Trata-se
da ligação entre a parte alta e a baixa ua cidade,
na peculiar topografia cia capital da llahia, com
uma estrutura de 73,50 m de altura em concreto
armado. O discreto relevo e a geomctrização pre-
dominante da esguia estrutura de elevadores sal-
tando na paisagem e sobrepujando a íngreme
escarpa em dezessete segundos sinalizava o arro-
jo c a velocidade dos tempos modernos. Prqjetacio
pelo arquiteto Fleming Thiesen, foi detalhado
pelo escritório Prentice & Flodercr elo Rio de j a-
neiro, com a provável participação do arquiteto
húngaro Ad alberto Szilard [Lima 1990] para a
firma dinamarquesa Ch ristian i & Nielsen e
construído ao longo do ano de 1929. Paulo Or-
min do de Azevedo [1988] o considera a primeira
o bra de arquitetura moderna construída na
Bahia.
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23.Carlaz do 4° Congresso Pan-amt:ricano dt· Arquitetos
no Rio de Jane iro, 1930.
Na maioria elas grandes ciciarles brasileiras
nas décadas de 1930 e 1940 as estruturas altas de
gosto Déco ou variações predominariam na ver-
ticalização das paisagens. Usualmente, e ram edi-
fícios comerciais: nos anos de 1930/ 1940, o arra-
nha-céu era um investimento pesado, e mesmo
nos Estados Unidos, pairavam dúvidas quanto à
sua viabilidade técnica e econômica. Enquanto
solução para habitação no Brasil, o edifício em
altura era um desafio para uma sociedade que
desconhecia esse modo de vida, tido como pro-
míscuo. A falta de habitação no período entre-
guerras, num certo sentido, incentivou a vertica-
lização das estruturas para habitação, e somen te
em 1928 uma lei estabeleceu as bases do direito
d e propriedade elas un idades componentes de
um edifício.
Em São Paulo, um dos primeiros eciificios
de apartam entos residenciais - o Columbus- foi
projetado por Rino Levi e inaugurado em 1932.
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lU I::~ li Wi
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~-L Jn~e ph Cin: c F.lisiário Ihhiana: edifício A Noilc, Rio
rl" Janeiro, 1'1?.0.
O bra inovadora para a época: para uma socieda-
de pouco afeita à "promiscuidade" ou ao "cole-
Ü'ismo" da moradia em altura, um projeto com
planta c infra-estrutura be m resolvidas (vale
lembrar que os primeiros arranha-céus no Brasil
tin ham péssima resolução de planta, pelo inedi-
tismo da tipologia), destinado a usuários de bom
padrão econômico - quando ainda a casa c o j ar-
d im eram valores altamente considerados num
am biente arquitetonicamente conservador. O
Colurnbus (hoje d emolido) e ra u m edifício ele
dez andares com uma massa robusta que se des-
w.cou na paisagem da época. Seu exterior não foi
propriamente uma aplicação do moderno perre-
tiano, mas tributário do racionalismo italiano
formalmente d espojado: paredes lisas revestidas
coin argamassa de cimento branco, cal, areia,
gr ão~ de mármore, granito, quartzo e mica (aca-
M odrmidade l'ragmátiw • 6 5
25. Freire &: Sodré: edifício ücea11ia. Sal"aclor, liA, d(·ca-
das de l!J:IO- lJ~U .
bamento largamen1·t> empreg-ado rra Í'poca) , h<rl-
cóes curvos, os indispensáveis porm enores pe la
manutenção dos muros (peitoris, pingadciras) c
algumas aplicações de gosto Déco no térreo y ua-
lificam as f'orm<rs simples da obra; simplicidade,
entretanto, sem perda de dignidade- destoando
elo rehuscamento decorativo típico da ocasi;'ío. O
Columbus está muito mais para conteúdos racio-
nalistas q ue preocupações de fachadas Déco.
A simplificação decorativa por geom etri-
zaçõcs derivadas das estruturas em concreto ti-
nha razões pragm;iticas crn edifícios altos. Sa-
muel Rod er (1894-1985) , enge nh eiro-arqniteto
forrnad.o n a Academia Imperial de Belas-Artes
na Rússia em 1917 e auxiliar ele Barry Parker em
São Paulo - e ainda urn dos primeiros a pn~jeta r
ern linguagem Déco na cidade, no final dos anos
de 1920, calculando suas própr ia~ cslrtlturas em
66 • ,~trquiteturas 110 Hmsil
concn:to armado-, afirmava cpw !lão via senti-
do em decorar arranha-céus com ornamentos
que não seriam visíveis ao observador n a rua ou
que implicassem a especificação de ornamentos
em tamanho compatível para serem apreciados
à distância, cncarf'<e nuo a obra [Segawa 1985b1.
Essa lógica não pode ser tomada como tínicajus-
tificativa da supressão ck elementos decorativos
tradicionais, mas é certo CJUC muitos e dif'lcios
dessa époe<t osleraam ornamentos que, vistos d o
ch ão, não nos fazem suspeitar da dimensão des-
sas peças, hem corno smrs implicações construti-
vas c orçamentárias.
VERTENTES RACIONALISTAS:
AS OBRAS PÚBLICAS
Pam rir<sgwra do Brnsil, "~ grandrs nportuniria-
rfps arquiti1LÔnirn~ surgiram w11w 'lue por ''fJid,•mirt,
depois da rrvoluctlo. O 11l011wnto teria sido jJrojJício
jJam SI' rrgnnrm monuwttmlos de arte, condúionados
ris nossas ju•culiares PXigÍ>ncios mesológico-.1oriais.
E.to!JI'lro•n-sp tt111 padulo ínfimo, miserá1n•l, a m ixa
d'ág-ua 1'1171id·raçarla que sr1imjilrm tou em aula hoir
Til à guisa de esrola municipal. () mrsmo padriio
peslrnn o cidadr, i nfiltrrmdo-sr nos mimstérios.
Sob o m:c;umrulo muito sedutor de qur I'.Ul' gênero r/11
arquitl'lnm dt• baixa classt• é bamtíssimo, u:. hrn1w11s
do gmwrno não hr'.~ilorrnn em adolrí-lo. Quando tiver
passado rs.1a onda de e.1lujJidn, olhando fmrn os
ma:.to<io11tes de rimr111o ondr• se alojam a fnero.l d1'
qui/ando os nobrf's edifícios fní./Jliros, as geracões jú-
turas fJoderrio rm j ustiça julga·r o Tmlgm-idarlr da épo-
ca em quP ,,_,/amos TJivtmrlo.
.J OSÉ .1AIUA:0 FTUlü, "A Sovielização cta Ar-
qu itetura Brasileira·· ( l943, p. 241
:'los anos de 1930, conceitos como funcio-
nalidade, eficiência e economia na arquitetura -
termos próprios de equações racionalistas - tive-
ram firme aplica~:ão em obras públicas. l3oa pane
delas, projetos e obras de repartições oficiais de
engenharia e arquitetura. A racionalização admi-
nistrativa e coustr utiva foi largamente cxperimen-
26. Fleming Thicsen/ Prenticc 8.: Flode rcr: clcYador L.•cl•rcla,
Salvador, ~A. 1!}~9.
t.ada no início dos anos de 1920 com a Compa-
nhia Construtora ele Sanros e a empreitada de
levantar int'rmcros quartéis a várias ·regiões no
Brasil, como vimos ant.eriormcnLc.
São Paulo e Rio de .Janeiro experimenta-
ram, logo após a ascensão do presidente Getú lio
Vargas, uma proposta d e re formulação da :m;a
educacional- reflexo das transformações preco-
nizadas pe lo discurso dos revolucionários de
1930 - , esforço que redundou também na elabo-
ração de modelos de edifícios escolares.
As linhas geornetrizantes foram caracteri-
zadoras da arquitetura escolar dessa época. Toda-
via, não se tratava somente de uma preocupação
estética. Isso se de prcende elo trabalho que a
Secretaria da Educação de São Paulo ll936] de-
senvolveu com a Diretoria de Obras Públicas do
EsLado de São Paulo: uma série de tópicos funcio-
nais, programáticos c pedagógicos - orien tação
do edifício e desenhos de janelas, organização do
programa mínimo de de pendências, acabamcn-
ros - foram destacados como elementos determi-
nantes para u m novo modelo de prédio escolar.
José :1aria da Silva Neves (18%-1978), e ngenhei-
ro-arqttitew responsável por inúmeros desses
projetos, citava arquitetos como Mallct-Stcvens,
Le Corbusier e Piacentini, conceituando:
F<tt-<::r ;trquilclura n;1o {· somcnl!· construir r~ c h a­
das. A arquilelttra é fnnç;!o dos processos d e <'011s trn-
cào d" época. O grande anptileto de u111a époc:~ é o seu
e'tado ~oc i a l. Acima das ohras, acin1a dos pn>gnunas
l':.pcciais. h ít o programa dos programils: a civil il ação
de cada sécnlo,- a ré ou a incredulidade. a de mocracia
ou a aristocracia. a sneridaclc ou a desmo t·al i~aç;io elos
costumes. [...]
Seja111os a rtistas elo nosso te mpo e 1en' 111os Jt•;II i;.a-
do uma nob1-c missão. 1'ão podemos admitir hoje uma
arq uitetura q ue não seja r;tcional , pois, a escola d<''('
apro,·eit.ar de todo o conforto das conslruções moder-
nas. de torlns ns conq uistas da cii'·ncia no scnliclo el e
realilar a pc r fcir iio sob o ponto de vista da higien e pe-
dagógi<:a. L... j
Fa7.er a rquitetura moderna não sig nifica copi ar o
ülti1110 l'iguri110 de l1oscou ou de Paris. A arquitetura
raciollal exige o e mprego de male ri ai~ daregiüo, a 1<'11-
cll"nrlo ils condi ções de clima, usos, co~tu111 cs ele. Obe-
decendo a esses princípios básicos, criaremos um est i-
lo origi11al para cada povo .
Niio deve haver temores quanto à monotonia da
arquitetura.
E. ironizava os defensores da linha neoco-
lon ial para as fachadas ele escolas: "Se adotásse-
mos novamente a rótula, a taipa ou a ensilharia
ele pedra, deveríamos também voltar para a sole-
27.Jos<' M ari ;~ da Silva N<·v<'s/ Dirt>toria ele Obras Pt'1blicas
do Estado dl" São l'<lllio: Grupo Escolar Visconde cic
Congonhas do Campo. São Paulo. r..l9~fi.
Modr•mirlacle f'ragmrítim • 6 7
tração. a palmatória e o decuriáo" [Secretaria...
1936, pp. 63-65].
Pouco anterior à iniciativa de São Paulo, a
nova orientaç;,io preconizada pelo educador
baiano Anísio Teixeira como d iretor do Departa-
mento de Educaçáo do Distrito Federal a partir
rlc 1Bl rt>dundon na ref'ormu hu,:ão do programa
educacional da cidade do Rio de Janeiro com
reflexos na arquitetura escolar. Estabelecendo
uma família de cinco tipos ele escolas, de acordo
corn um plano pedagógico elaborado por Teixei-
ra, a Divisão de Prédios e Aparelhamentos Esco-
lares do Departamento de Educação da Prefeitu-
ra do Distrito Federal projetou ~H prédios a té
1935, com a participação de a rquitetos como
Enéas Silva, Wladimir Alves de Souza (n. em
1908) , Paulo Camargo de Almeida ( 1906- 1 97~) c
Raul l'cnna Fir m e lSisson 19901. José Mariano
Filho, defensor da adoção do n eocolonial na ar-
quitetura escolar, cleHagrou raivosa campanha na
imprensa contra a proposta dos novos edifícios
escolares. Mariano os classificava ele "estilo arqui-
tetônico 'caixa d 'úgua"', com "ligurino comunis-
ta", inspirados em "alguns mode los corriqueiros
de escolas alemãs ou russas, ahstr(lindo-sc de ra-
ciocinar que elas lerão de lidar com fatores
mesológicos que não foram considerados pelos
arquitetos europeus que as conceberam muito
de acordo com as condições locais de seus paí-
ses" f:1ariano Filho 19'13, p. í 6, f)(lssim]. Projeta-
das por Enéas Silva, eram construções de baixo
custo (scgtmdo estimativa do amor elo pn~jeto)
em estrutura de concreto annado e fechamentos
de alvenaria, coberturas ern te iTaçojarclilll, cir-
culações c ventilações cuidadosamente a nalisa-
das em função do prog-rama pedagógico e acaba-
mentos padronizados. Segundo o projetista,
O aspect o arquiretôn ico d C'SI:tS ron stnu; ues é pura-
mente funcional. Não !oi seq uer ol~je to de conjecturas,
quilisquer estilo clássico ou regional. Rit111o plástico
obtid o mercê elo próprio partido a•·quite tôuico adota-
do e m plan1a, as 111assas plenas singelamente coloridas
em vermel ho, alaranjado e verde-cla ro e os vãos d e
esquaclt·ia recortados de luz c som bra. bra nco c negro
se harmonizam , se complctau1, dalJdo ao çonjunto um
aspecro ntracntc c sugestivo à jovial idade caracterísLica
do pequeno escolar. [...]
6& • ll rqnireru m s 110 Brasil
~-,;...,_ ' l '
2X. I·:nh l' Silva/ Divisão ele Pré<líus e ip a re lh:"llll<"ll tos f.sco-
la r c s do De p<lll <tlllt' ll (o de Edncll'iio do Distrito Feder;)):
Escola Argentina, Rio de Janeiro , c 193')_
Concepção pura mente baseada e m eficiê ncia e eco-
nomia , realizam de fato esses prédios em tod a sua ple-
nitude, o s car·:~ r i Prístí cos para os quais foram proje ta-
nos e construídos. [Silva 1935, p p . 363-364j
Todavia, do pon to de vista do conforto am-
biental, as escolas efetivamen te foram mal-suce-
didas.
Em Belém, a administração do interventor
Gama Malcher (1872-1956), en tre 1937 e 1943
(na vigên cia do Estado Novo) , executou alguns
edifícios escolares de linhas modernizantes, ain-
da que n eles p revalecessem antigas regras de si-
metria. Mas o edifício escolar mais importante li-
gado à linguagem d a arquite tura racion alista no
Brasil foi realizado em Salvador. O Instituto de
Educação da Bahia foi construído entre 1937 c
1939 pela empresa dinamarquesa Christiani & Niel-
~~::;;~~~:;b
..tâ~ "--~-.C--~~
y :-:::=.~- .... ......... ,-{oi.····
29. Escrítúrio T écnico J- Ganta Malche r: Gr-upo Escolar
Villwna Alv<·s, 1-klé rn , PA, c. 1038.
30.Aif'xander Buddeus (atribuído a) : l n stíwto cll" Ed uca-
( <i o da Ba hia , Salvador. UA, 1 9~17- 19~9 . F o to-co r tesia de
Paulo O r mindo de "-Le l'êclo.
sen (a mesma do Elevador Lacerda) e é um com-
p lexo de edifícios ligados por passarelas e entre-
meados com quadra, piscina e áreas de recreio
claramente identificados com a arquitetura racio-
nalista como propagada por Sartoris em Gli Ele-
mm ti Dell'ATchitettura Funz.ionale (1931). Atribui-se
a autoria do projeto a Alexander Buddeus [Aze-
vedo 1988], arquiteto belga radicado no Rio de
J aneiro no início dos anos 1930 (ver o próximo
capítulo, "Modernidade Corrente 1929-1945"] e
que anteriormente havia projetado o Pavilhão
Hanscático Germânico da Exposição de Antuér-
pia e o Ae roporto de Munique [Santos 1977] .
Buddcus foi o arquiteto de outra notável obra
racionalista em Salvador: a sede do Instituto do
Cacau, realizada em 1933-1936 pela Christiani &
Nielsen. Era um edifício construtivamente sofisti-
(·ado. com lajes-cogumelo e estrutura para abrigar
-.alão para armazen amento, com equipamcmos
e peciais como esteiras subterrâneas automatiza-
das para transporte de sacarias até o porto, auto-
claves para expurgo do cacau, controle de umida-
de interna por meio de ventilação forçada c
filtros instalados na cobertura [Azevedo 1988) -
um edifício inclustrial de eficiência c imagem coe-
rente com as realizaçôes fabris reproduzidas por
Gropius no fnternationale An:hiteMunl c 1925.
No Rio Grande do Sul, a Seção ele Arqui-
tetura da Diretoria de Obras da cidade, chefiada
por Chris1iano de la Paix Gelbcrt desenvolveu
projetos ao gosto Déco, como o Hospital de Pron-
to-Socorro (1940-1943), o Centro ele Saúclc Mo-
delo (1910-1913) c o Mercado Livre (1943) [Sil-
,.a 1Y4:1; Wcimcr 1YHY].
Duas outras repartições públicas se carac-
terizariam nos anos de 1930 por sua aproximação
à linguagem racionalista: a Dire toria de Enge-
nharia da Prefeitura do Distrito Federal no Rio
11/odemidadt' Pra;;málica • Ó 9
de .Janeiro e a Diretoria de Arquitetura e Cons-
trução de Pernambuco. Essas iniciativas serão ob-
jeto de estudo no próximo capítulo.
Decerto, o mais ambicioso projcro nacion;.~ l
de normalização arfplitetônica oficial estabeleceu-
se no âmbito do então Departamento de Corre i-
os e Telégrafos. Num esforço ele reequipamento
do sistema, os anos de 1Y30-1940 conheceram um
esforço de aperfeiçoamento ela infra-estrutura de
edifícios mediante o prc~eto e a construção de se-
des regionais nas capitais c agências das princi-
pais cidades brasileiras: Belém, São Luís, Teresi-
na, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Aracaju,
Salvador, Vitória, Belo Hori1.on te, Curitiba e Flo-
rianópolis foram al~1mas das capitais contempla-
das; Campo Grande, no Estado do Ma10 Grosso;
Juazeiro, Alagoinhas, Feira de Santana c Tlhéus,
na Bahia; Colatina, Cachoeira de Itapemirim, no
Espírito Santo; Friburgo c Tcrcsópolis, no Rio de
Janeiro; Poços de Caldas, Cambnquira, Lambari,
Caxambu e j uiz ele Fora, em Minas Gerais; Uru-
3 1./11:-xatuler n udde11s: l~t sl illl l o do Caca11. Salvador, !lA. 1933-193G.
70 • /1rquileluras no lirasil
3~_Chri~ l iano de la P<1ix r..-Jlwr f: llt"pítal de" Pronlo-Socor ro, Porw :lc!{l·c, RS, 1')40-19,n _
guaiana, Alegrete, Caçapava, Taquari, Piratini,
Caxias do Sul e São Bo1ja, no Rio Grande do Sul,
são algumas cidades que ostentam agências cons-
truídas nos anos de 1930. Em dez anos, o gover-
uo federal construiu 141 agt'-ncias em todo o Tira-
si! [Schwartzman 1982J. O e nt<io Departamento
elos Correios e Te légrafos, em 1932, contratou
vários ar<.JUÍtctos no Rio de.Janeiro (entre os apu-
rados, Raphael (~alvão (n. em 1894). Paulo Can-
diota c Mario Fertin), fornecendo-lhes ttm pro-
gram a funcional pormenorizado e fotografias elo
local do futuro cditlcio. São edifícios estrategica-
mente localizados na malha urbana (parece haver
um predomínio em lOLes de esquina), caracteriza-
dos por evidente separação ele acessos ou por cir-
culações independ entes conforme hierarC]uia
fnncioual, amplos salões de atendimento propor-
cionados pelo emprego de estruturas em concreto
armado com grandes vãos e despojados de decora-
ção (agências importantes, como Salvador, osten-
tavam interiores com motivos marajoaras; Belém
possuía imponentes c caprichosos gradis) c exte-
rim·es de linhas gcornctrizada:>, algurnlls ao gosto
Déco. A ag-ência de Salvador foi criticacla na épo-
ca pela imprensa local, qu<1lificada como "cúhic:a"
e "pouco adaptada ao nosso clima pelo uso abun-
danLe elo vidro e falta de varandas de proteção"
[Azevedo 1988, p . 161. A maioria dessas agências
continuam em funcionamento. É possível que essa
políLica arquitetônica moderna tenha se inspirado
na ação dos Correios e Telégraios da França.
Essa abra ngên cia u aciunaltambém carac-
terizou a iniciativa privad a, em vários sentidos.
Construtoras como a Ch ristiani & Iielsen espe-
cializaram-se em obras de grande pon e com re-
fe rências modernas e m várias panes do Brasil; a
Construtora Comercial e Industrial do Brasil foi a
responsável pelas obras tanto d a moderna agf:n-
cia dos Correios e Telégrafos de Salvador quanto
de uma escola municipal no Rio de Janeiro pro-
jetada p or Enéas Silva. Nesse sen tido, a Compa-
nhia Rrasileira Imobiliária e Constr uções em Sal-
vador deve ser destacada corno uma empreiteira
que dih.mdiu a nova arquitetura na Bahia [izcve-
,YJodernidade /'·ragmática • 71
33 .Deparlamenlo de Correios e Telégrafos : agência de Belo Ho rizonte , MC, rlécarlas de 1930-1 940 (;i esq11 rrrhl ); l.niz
Sig n o relli, Preft>it m<t de Tklo TTorizonle, MG, 1936-19?,9,
34.D epar lainenlo de Cor reios c Telégrafos: agência de
Cnt'il iha, PR, 1934.
35.Depanamento de Correios e Telégrafos: agên cia postal
relegrMica I ', classe, proj eto n" 90. 1934-1 936. A agê ncia
de Barbacena, H;, ro i co11slntída co nfo rme o padrão ,
36.Departamento de Correios e Tel(:grafos: agência postal
telegráfica tipo especial parl ronizad<t , projclo n' H5 , 1934.
As agências de Carangola e Cataguases, :VIC , de I r.abuna,
BA, e ele .Jaú. SI', !o ram construídas segundo o modelo.
72 • ; Irq11 itl'tt!IYIS no Brasil
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3i.Rohrrln Capl'llo: edifício Snlac~p. Bl'lo Horizonte. M(~, 19·'11.
do 19t>t>]. No setor empresarial, a Sulamérica Ca-
piwlização (Sulacap)- empresn de investimentos
-foi uma gr:mde empn:endcdora de edifícios
comerciais de alto padrão e arquitetura de ponta,
com linhas moc!erncts. São demonstrações dessa
iniciativa vários ananha-céus projetados m1 segun-
da metade dos anos de 1930 nu Rio de Janeiro,
em São Paulo, SanLOs, Salvador, Belo I-loriwnte
c Porto Alegre, empregando profissionais do
Rio d e .Jctm:iro para pr~jetá-lus.
DILUIÇÃO E ENGAJAMENTO
DE UMA MODERNIDADE
Na segunda metade dos anos de 1930, as
arquiteturas "cúbicas" e Art Uéco disseminavam-
se entre os profissionais de várias regiões elo Bra-
sil. Em duas revistas de arquitetura surgidas nes-
sa época, A rquitetu·m e Urbanismo (1936, no Rio de
.Janeiro) e AcrójJole ( 193H, São Paulo), havia uma
convivência pacífica entre circunspectas obras tra-
dicionalistas, exóticas casas ncocoloniais c geomé-
tricas consLruções modern i:t.an t<'S em suas
ecléticas páginas, mas com leve p redominância
das linhas modernas - ampliando-se esse domínio
ano a ano, mais nos programas tlc úmbito coleti-
vo- prédios comerciais, terminais de transporte,
mc~:cados , clubcs etc. - c menos nas obras resi-
clenci;:tis. Boa parte dcss::~s obras resultavam da
ausência de um ideal estético definido, configu-
rando puro forma lismo de fachada. O Art Déco
conquistava arleptos populares ao ser adotado,
em linhas mais simplificadas, nas vilas operárias
em singelas moradias conhecidas como "porta-e-
j«nela'', em todos os q uadrantes do Brasil. Cida-
des construídas nos anos de 1930-1940 são verda-
deiras concentrações ele arquilelura popular de
gosto Déco, nas mais variadas interpreLações pos-
síveis e imagináveis.
A agitação provocada pelas paredes lisas e
sem ornamentos de Warchavchik, em 1928, esta-
va Lranqüilamcnte assimilada menos de dez anos
·depois, às vezes pelos mesmos profissionais que
se postaram contra a inovação. Da mesma forma,
arquitetos que cerraram as primeiras filas pela
arquite tura moderna d eixaram o dogmatismo
renovador de lado por um relacionamento me-
lhor com uma clientela conservadora, ignorante
ou indiferente, incapaz de criteriosarnente fixar
urna opção arquitetônica. Foram poucos, aliás,
que seguiram fiéis a linhas arquitetônicas defini-
das e acompanharam o desenvolvimento das re-
ferências modernas dos anos ele I~~20. Sequer
Warchavchik - radical ao abraçar e propagandear
os conceitos da vanguarda européia - foi ortodo-
xo nesse sentido, derivan do a sua obra a partir
dos anos de 1940 para o lugar-comum do me rca-
do imobiliário elas elites sociais d e São Paulo.
Boa parte dos arquitetos que praticaram o
moderno "à Perret" não se engajaram no proseli-
tismo deLe Corhusier 011 no raciocínio à Rauhaus.
Os arquitetos alemães no Sul que operaram corn
linhas modernas ou se alistaram nas filas do na-
zismo ou foram acusad os como simpatizantes
lWeimer 19~ 9]. O Art Déco como ornamenta-
M orlemirlru/,• Pmgmrítim • 73
ção decaía no gosto elos arquitetos c era pratica-
mente abandonado n<:t década de 1940. Da ar-
quite tura de linhas geornetrizadas dos anos de
1930 derivaria urna arquitetura monumental que.;
tomava emprestadas soluções compositivas de
grandes massas do ensinamento Beaux-arts. Era
mna tendência q11 e se acentuava na Europa de
crescente inquietação política, com a ascensão
do nazismo e elo f'ascismo , visto com simpatia en-
quanto ideologias de discurso nacionalista c
f'omen tadoras da arte como manifestação de
uma cultura própria e apropriada.
No plano arquite tônico, essa visão mate-
rializava-se em concei tos e obras q ue não passa-
ram despercebidos no Brasil. Alfredo E rnesto
Becker, arquiteto atuante em São Paulo c con-
sultor da revista Acrópole, fazia vaticínios sobre o
futuro da arquitetura a partir dessa tendência.
Admirando a arquitetura do Museu de Arte Mo-
derna e o Pavilhão Italiano na exposição Arts P-t
tP.clmiqu.es dans la vie moderneem Paris, em 1937,
bem como o estádio de Nurcmhcrg, na Alemanha,
Becker qualificava esses projetos como "obras-pri-
:JH.Casas populares na zona leste de São Pau lo . As refonnas nas fachadas registram os m odismos arquite tônicos de várias
é· pocas.
74 • Arquiteturas 110 Bmsi/
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~f).Crandc eixo d a ~:x posiçâo do Cerllen:Orio rl~ Re,·ol uç~io Farroupilh" em Puno Alegre, RS, 19~1G. Fuw-concsia ck Gün rer
''e in u' r.
w as l...] podendo mesmo servir de pontos de par-
tida para a scdimenlação definiti'a da arquitetu-
r<l contemporânea":
Em que ronsisu:m , no e ntanto, a importância e o
v;r lo r estético dessas uhras? A resposta a esta perg unta
pode ser resumida n'l d efini ção que se segue: volra às
antig<~s t> indestrutíveis conce pções dr belc:w , p an icu-
larcs às r;~ças brannts e que há milhares de anos j á en-
contrado Isirj is suas sed imentações mais p erfeitas,
mais cristalinas e mais sint{·ticas, nos estilos "clássico-
gr<'go" c "clássico gr<'gn-romano ". F.ste retorno , conin-
do, n ão si)!;niíica submissão ser vil ou mera reedição de
rcalizaçÕ(~S antigas, p elo contrário prm·a o ressurgi me n-
to in doruáw l de arquétipos, que as nr-woses arrísticas
elo "Art nouv!';m ", elo "Fururismo" c do "Uri litarismo à
Le Corbusie r~ tinham consegui ndo ''recalcar" pa ra as
mais p rofun <i;~ s esferas do su bconsciente . [...]
O ressurgimento dos "arquétipos" da an e arq niletô-
nica o pe rou-se, no c ulre tanto, evo lutiva rn ente- quer
d izer·, de acordo com o ambien te e com as novas llC('(' S-
sidades da nossa época, dando em result::.clo reali?ações
infditas e de rara beleza [ ... ] c qut> mostram até fJliC
ponto as divü~as n acionali d ad e~ co nseguiram irnpri-
rnir-lhes os seus ca racterísticos próprios [Bcckcr 19;)H,
pp. ê1-~5 1'
Essa arquitetura monumental- que pode
ser classificada como um moderno inspirado nos
arquétipos "clássicos"- constituiria ontr·o arqué:-
tipo: a configuração dos c en;;'trios de ideologias e
governos autoritários, de direita ou de esquerda.
A implantação do Estado :-.lovo no Brasil, com :1
permanência do presidente Getúlio V<~rgas à
frente do poder, ensejaria os ânimos pela manu-
tenção das veleidades dessa arquite LUra. São P<~u­
lo oste nta uma das obras mais proximam ente re-
presentativas dessa linha: a antiga sede do grupo
empresarial Matarazzo, edifício numa das vistosas
cabeceiras do Viadul'o do Chá, no coração da ci-
dade, projetado pelo arquiteto oficial do fascis-
mo, Marcello Piacen tini. Um exemplo de espaço
<~bert.o dentro dos princípios monume ntais des-
se pensamento é o grande eixo do Parque .Far-
C h ristiano Stoc kler das N~:ves : Mini'"'rio d a Cll<' rra ,
R • de .Janeiro, I'1:'1'1 , postal de l !)5:1.
'"Oupilha em Porto Alegre (que abrigou a Expo-
,icão do Cente nário da Revolução Farroupilha,
anteriormente mencionado). Esse monumenta-
li~mo serviria a programas arquitetônico-ideoló-
gicos tão distintos como a Faculdade de Medici-
n a de São Pa ulo (demro do padrão hospit.alar
norte-americano ela Rockefd.ler Foundation ) ou
o Ministério da Guerra no Rio de Janeiro (1937-
1941) , projetado por Christiano das Neves (1889-
l9H~) rLima 19901.
As grandes cidades brasileiras na virada da
década de 19:30 para 1940 tiveram suas fisio no-
mias alte radas sobretudo com o adensamento ele
seu s núcleos antigos ou áreas lindciras. Essa ocu-
pação se processou sobretudo com a verticali-
zação, com a construção de gran diosos volumes
e m concreto armado - no imaginário ela época,
signos de progresso e modernização- in seridos
em lotes definidos por padrões de divisão fun-
diária do período colonial c do Império. As ten-
Modt•rnir/(lr/t> Pmgm.ál ú:a • 7 5
41.Arnaldo Gladosch: cdíliciu Sula~,ap, Porlo Alegre, RS.
IO:lR-1 949.
76 • Arquiletums 110 JJrasi/
tativas d e p lanej ame nto urbano nesse período
buscaram alguma d isciplina. Alfrcd Agache foi
um dos principais teóricos elo modelo de rlese-
u ho urbano enlrc o tina! dos a nos ele 1920 à dé-
cada de 1910, formulan do planos para o Rio de
Janeiro e Curitiba c um seguidor seu , Arn r~ ldo
Gladosch, responsahi lizando-sc por um plano
para Porto Alegre. Gladosch, nesse sentido, foi
um arf]uite to que projetou edífTcios que bem re-
presentam um conceito de implantação de gran-
des obras na paisagem u rb<ma das cidades orde-
nadas nos moldes à Agache: o edifício Sulacap
em Porto Alegre (pr~jetado e m 19~8, concluído
em 1949) é um paradigma de boa qualidarle da
arf]uitelura P'1r:-~ fins comerciais d esse período.
No Rio de .Janeiro, a esplanada do Castelo
-resultado do desmonte de um morro no centro
da cidade -foi uma das áreas em que se respei-
taram as recomendações do Plano Agache. Nes-
se espaço foram construídos ecliHcios abrigando
ministérios, alguns criados a pa•-tir de 1930 com o
presidente Vargas. Dois desses edifícios chamam
a atenção pela oposição ele composturas, embora
1·i~orosamente contemporâneos entre si. O Mi-
nistério da Fazenda (1938-l94.3). proj etado por
uma equipe coordenada pdo engenheiro Ary
Fonlüura de Azambuja c com projeto do arquite-
to Luiz Eduardo Frias de Moura (Cavalcanti 1995],
é um monumento típico do moderno "classiciza-
do" pela sua simétrica e maciça volumetria assen-
t<lda sobre toda uma quadra, emoldurando a pra-
ça do Expcdicionário (ou emolclurado por ela).
Ao seu lado, o Ministério da Educação e Saúde
(1936-194!'>), projetado por Lucio Costa e equipe,
um prisma sobre pilotLç, virtualmente liberando o
nível rérrco para circulação e jardins: um edifício
que impunha uma monumen talidade não pela
imposição física de sua presença, mas exatamen-
te pelo con trário. Era outra a modernidade, a
que se formulou na década de 1930.
5
MODERNIDADE CORRENTE
1929-1945
f)pvfl! qui' estou na AmPrica querem .fazer dr mim um filósofo.
Dizem que defendo idéias filosóficas. Pouco uu1 importa o qnr jJP.nsrm.
l.F. CORI3USIER, anotação no Rio rlc Janeim , 1929 IS:1n tos f't ai 19R7, p. fi!'>]
Em outubro de 1920, Charlcs-Ed ou ard
Jeanneret c Amédée Ozenfant lançavam u prí-
mein.> número da revista L 'Hçfnit nmweau., pnhli-
cação·quc d urou até 1925. Foi o início da carrei-
ra do "hommc de le ttres" (como se qualificava
profissionalmente no passaporte), o jovem suíço
Jeannerct, qnc logo passou a assinar com o Lc
Corbusier. Até 1922, onze brasileiros constavam
como assinantes da revista. Entre eles, os moder-
nistas de São Paulo, Yfário de Andrade e Oswald
de Andrade, o estudante da Escola Nacional de
lle las-Arres Jayme da Silva Telles, seu irmão, o
engenheiro-arquiteto Francisco Teixeira da Silva
Telles (n. em 1886) , e o engen heiro Roherto Si-
monsen, d a Companhia Construto ra de Santos
[Santos et nl. 1987, p . 39]. í.: dif'ícil saher quantos
c como muitos brasileiros tiveram acesso à pro-
dução literária de Le Corbusier. Lucia Costa lem-
bra que foi seu contemporâneo de escola,.Jayme
da Silva Telles, fonuauo em 1926, quem chamou
a atenção em anta para C&fJrit nouveau [Costa
1962, p. 192; ver também o e<1pítulo "Modernis-
mo Programático 1 9 1 7- 1 9~2 "1. ( ~regori Warchav-
chik, em seu manifesto modernisLa de 1925, vi-
sivelmente veiculava algumas idéias de Vers une
arrlúlecture (1923, livro-reun ião de artigos publi-
cados em L'EJfJrit 1uruveau) . Em uma viagem com
J1nalidade técnica em 1927, o d ire tor da Repar-
tição de Águas e EsgoLus d o Eslado de São Pau-
lo Arthur Mol.La (1R79- 1936) adqui ria em Paris a
nona edição de Urbanisme (primeira cdiçiio: 1925)
c o Alrnanach d'anhilectuTe modeme (1926). Em
1929, o pern<Jmbucano Aluizio Bezerra Cominho
(n. em 1909) doutorava-se na Faculdade de Me-
78 • Arquilt>luros 110 Rr({Sil
tlicina do Rio de J ;,neiro com a Lese O l'mh!PIIW
da habitacüo hip,'iênim nos paísf!S qwmlt•s emfaa da
"11rquitetum Viva'·. Nesse trabalho, defendia o
conf'orto ambien tal c a funcionalidarle na l!abi-
la<;Üo, citando lers UIU' arrhi!Prlure c Almanarh
ti 'ardzilett1uP moderlll' [Silva 1988] .
O ano de 1929 seria fundamental para a
dissem inaç;io das idéias d<' I.e Curhusier ua Am é-
rica do Su l. Su;,s palestras em Buenos Aires, Siin
Paulo e Rio dejaneiro foram ollvidas por atentas
pla téias n<1s três ciclad<.:s. No Rio de .Janeiro, os
cstudall(es de <n·quitelllra na Escola !acionai de
Belas-Artes Carlos Leão (1006-1983 - formado em
1931) e Álvaro Vital Brazil (formado ern 1933)
passariam a acomp;mhar a obra corbusieriana; a
engenheira civil Carmen Portin ho (n. em 1906)
confirmaria suas impressões ao vivo, antes <ip<'-
nas vislumbradas na leitura das publicações rsc-
gawa 1988aJ . F.rn S;LO Paulo, L<: Corbusier ro-
nllccerb Cregori Wan:l!avch ik e o convidaria
para ser delegado do l.T.Au1 para a A111érica do Sul
[ver capílulo "Modernismo Progralll<Íiico 1917-
1932"], b<.:m como travaria contato com Jayme da
Silva Tcllcs c Flávio de Carvalho eur reunião na
casa do arq uiteto russo lFerraz 19fi:Jl. O rclaw
dess;1 viag-em Lc Cor·J1usier fez em Précisions S'/11' un
é/ai prést>nl dP l'arrh.itec/UJY' "'de l'urbanismt), publica-
do nu segundo semestre de> 1930. No ano s<.:guin-
te (senão aulcs), o livro estaYa à venda no Brasil.
A REFORMA NA ESCOl.A
NACIONAL DE BELAS-ARTES
A tomada do poder central por Getúlio
Vargas, em ouLUbro de 1930, troux<.:, no plano do
ensino elas artes na capital do país, a nomeação
do arquitelo Lucio Costa para a direç:ão da Esco-
la Nacional de Belas-Artes (Ef:BA) . Ainda a com-
pletar ~9 anos, o j ovem diretor, que s<.: formara
no curso rle arquitetura em 1921 na escola que
passava a dirigir, havia sido convidado por Rodri-
go Mello Franco de Andrade ( 1891:3-1 968), inte-
lectual de Minas Cerais ligado aos escritores mo-
dernos, então chefe de gabinete do recém-criado
Ministério da l•:ducaçilo e Saúde. Não se conhe-
ciam pessoalmen te, mas constituiu-se um relacio-
namento qu<.: perduraria cloravanle. O arquiteto
foi indicado com poderes plenos p<tra reformular·
o e"nsino acadêmico ministr<tdo na ENBJ.
A princípio, a sua nomeação foi bem aco-
lhida pelos artistas c arCJll itetos 1rarlicionalistas.
Lucio Costa até então ti nha deseirvolviclo uma
prátic.;, profissional ele arquitetura eclética t·· era
associado ao movimento neocolonial de.José Ma-
riano Filho, ptH· quem fora comissionado em 19~~
par<t estudar a arquit<.:tura colonial da cidade de
Diamantina, além de outras viagens de estudos
realizadas em 19~6-1927; projetou também obras
c vcnc<.:u con curso com ]Jroposras neocoloniais.
Todavia, em 1930 ele já se havia desinteressado
por <.:ssa corrente, e a tra nsformação dos cursos
da ENBA se procedeu com o afastamento do cor-
po docente academizanle e a contratação de pro-
ressores aliuhaclos com conceitos de a!l.e moder-
na. Em arquitclura, Lncio Costa chamou Gregori
vTarchavchik (que conlr<.:cia apenas pelas notíci-
as de suas experiências moclernis1as em São Pau-
lo e que n<.:ssa oportunidade estava construindo
a casa Nordschild e reformando um aparta me n-
Lo, uo Rio ele Janeiro), Nfomo Eduardo Reicly
( 1909-1964 - destacado ex-aluno formado <.:111
1020, que se tornou assistente de ·warchavchik)
e Alcxandcr Buddcus- arquiteto bdga, talvez
pouco mais novo qu<" Warchavchik (segun do de-
poimento oral de Costa ao autor), que chamou a
sua atenção por uma obra na rua ela Alfândega,
no Rio deJaneiro. Rllddeus leria introdttzido na
ENfiA revistas como Fonn e Modern Bauformen,
difundindo os conceitos elo racionalismo euro-
peu. Scguudo Buddeus: " O motkrnismo não é
urna evolução do tradicional, isto é, dos valores
artísticos do pass::~do, mas uma criação integ-ral
do nosso tempo. A orientação mod erna é cons-
Lnu.iva, social c econômica, ao passo qu<.: a orien-
tação tradicional era artística, decorativa, simbó-
lica" [Santos 1977, p. 108; a respeito d<.: Bnddeus,
ver também o capítulo "Mod<.:ruidadc Pragmáti-
ca l9~~-1 943"J.
A reorganização da l•:NBA prontamente ge-
rou reações dos tradicionalistas. Christiano das
Neves, e m São Paulo, e José Mariano Filho, n o
Rio de janeiro, publicaram agressivos artigos na
imprensa. Marian o, antecessor d e Costa ll <l dire-
ção da escola, taxou a reforma corno "orientaçao
pe rniciosa", com a transformação da ENBA n um
"centro propulsor das idéias derrotistas" (como
qualificava o pensamento deLe Corbusier) "por
iuiciativct de um jovem inexperiente e ambicio-
so partidário extremado do estilo nacional até a
véspera de galgar o ambicioso posto" [Mariano
Filho 194?•, p. 54, passirn].
Lucio Costa revidaria pela imprensa com
urna agressividade à altura, assumindo uma auto-
crítica.
Todos nús, sem cxn:cúes, sú le11•os feito pasüche, ca-
nwlot<', falsa anl'lÍT<'Tllra l'nfim, e m todos os se ntidos,
tradicionalista ou não .
As nossas ob•·as são amontoados de contradições
s~m o m~nor s~ntido comum . 1. .. 1
O sr. José Manano cosr.mna cír.ar como modelo da
a rquite tura falsamente por ele chamada tradicionalista
]nota: neocolonialj, de acordo com os seus fa lsos ide-
a is, o novo edirício da Escola Normal.
O s seus a•·quitelos são meus amigos, vítimas, como
igual men te fui , de um e-rro inicial , c me compreenderão.
A Escola Normal pode ser mu ito bem composta ,
tudo o t[Ue tJuiserem meuo~ an]UiLetura no verdad eiro
sentido da e xp ress;i o. A Escola Nor mal {> simplesmen-
te uma anomalia arquitetônica [Xavier 1987, p. -18] .
A experiência renovadora implantada por
Lucio Costa d uraria até setembro de 1931, quan-
d o ele foi exonerado elo cargo, sob o protesto dos
estudantes, que iniciaram uma greve. Nessa oe<t-
sião, Frank Lloyd Wright encontrava-se no Rio
de janeiro participando do j ú ri do segundo con-
curso do Farol ele Colombo e, procurado pelos
estudantes, ele foi solidário no protesto contra o
fim ela reforma na ENBA [Samos 1977]. Embora
tenha durado pouco mais de sete meses e nada
tenha restado da reslrutun.tção após a saíd<t rlc
Lucio Costa, esse período foi marcante o sufi-
ciente para que uma geração de futuros arquite-
tos tivesse consciência das transformaçôes em
curso na arquitetura mundial - consciência im-
pensável numa estrutura conservadora como a
que prevaleceu.
Modem idade Correu/e • 79
A OPÇÃO POR UMA MODERNIDADE
Desligado da direção da F.NBA, mas presti-
giado por aqueles que se revelavam preocupados
com as ideologias modernas. Lucio Costa associa-
va-se, em 1931, a Crcgori Warchavchík, co111 <[UCIII
manteve um escritório por cerca de três anos. A
crise econômica pós-1929 e uma tentativa de re-
volução em São Paulo crn 19;)2 prejudicaram as
atividades da construção civil, e dessa sociedade
resultaram apenas três residências (duas execu-
tadas) c um conjunto de casas para operários no
bairro da Camboa [Ferraz 1965]. Foram as pri-
meiras obras construídas po r Lucio Costa em
linguagem moderna. At{: tins de l9ê{!), ao ser con-
vocado para fazer o novo projeto ela sede du Mi-
n isté:rio da Educação c Saúrk, l.ucio Cosia per-
maneceu no ostracismo, com pouco serviço no
cscrirúrio c com parricipa~:ã o mals11ccdida em
concursos, corno o pr·~jeto da cidade ele Mon-
lcvadc clll Minas Gcrais, classificado em último
lttgar. O re tiro serviu-lhe como um período de
meditação.
Não obstante a tentativa de reorganização
da FNRA se amparasse num quadro de professo-
res mod ernistas e a essência da ref"orma buscas-
se a mod ern ização elo conlel'lclo cu rricular, as
referências de Lucio Costa para a sua ref"ormu-
laçãu baseavam-se numa difusa interpretação elas
vanguardas europ éias e da p ercepção da moder-
nidade num quadro d e transformações sociais c
mate riais. A resposLa do arquiteto para José Ma-
riano Filho era uma autocrítica pela prática
eclética (como _já citado), uma dcclanu;ão anti-
tradicionalista on antíacademicista ("evitar que
os nossos escultores e pintores continuassem imo-
bilizados no seu rnodo de pensar c ver", escrevia
Costa), o reconhecimento da inte rnacionaliza-
ção da cullura ("as cxlraordin:u-ias facilidades de
informações e comunicaçôes rápidas [...] aboli-
ram o isolamento em que viviam países e provín-
cias r..-1 e a arquitetura não pode deixar de os
acusar, 'clesnacionalizando-se"'), a percepção das
novas realidades sócio-econômicas ("os proble-
mas de ordem econômica em tempo algum tive-
80 • Arquiteturas no Brasil
I -. ' . ·- .L
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42. Lucio Costa: Museu da, Miss!a·,, Santo Ângelo, RS. 19~7. T"thalhando como funcionário do SPHAN. o arrpliteto <·n-
rr>rllt·ou uma brillt'-lnle soluç:in para inserir uma conslft( ~tu nova uas inwdi~ çôes das r uín as da ntissüo _jesuítica cio sécu lo
I R. () museu - constr uído em parte com <'IPmt·n tos arquitetônico' reman escentes encontrado' na rcgiúo - (' a c~sa do
7.t>lador intq~nun-sc intcligcntenwnlf' ao co njun to monumental. Est<~ teal i~aç<io - uma rcfrri> n c i<~ do I'"Pt'i de Lucio Cos-
ta na lorlllulaçào de uma pr~ tic1 arquitetônica que int!"gra o an tigo COtH o moderno- caraderi1011 o arquiteto como um
dos principais rcspons~vcis pelo pcn sam('nto oficial d o patrimô nio ltistúricn doravan le.
ram t.amanha preponde rância"; "a questão social
nunca esteve..: tão em evidência. As diferentes clas-
ses tendem a uma aproximação cada ve7. mais m<tr-
cada") c o rt'conhccimenLO da padroni?.ação ("u
que foi a arte grega senão uma pnra e contínua
cstandardização?") lXavier 1987, p. 50]. Em ne-
nhum momento comparecia uma filiação clara a
alguma doutrina específica da vanguarda - mes-
mo porque, em 1930, Lucio Costa as rlesconhecia.
O arquiteto ad mite que, quando ass1mtiu
a direção da ENBA, estava em completo "alhca-
mento", sequer conhecia l.e Corbusier e aventu-
rava-se nesse rlesaf'io apenas com a insatisfação
do ecletismo dominante. Em cana ao arquiteto
franco-suíço em janeiro de 1936, Costa relatava-
lhe que, em 1929, chegara ao meio de sua confe-
reucta no Rio de Janeiro, com a s;.tla repleta, c
qu e "cinco minutos mais tarde saía csc.andalil'.a-
do", acreditando ter se deparado com um '·cabo-
Lino'' [Santos et al. 1987, p. 142]. O seu aprendi-
zado moderno se realizaria na convivência curla
como diretor da ENHA e no ostracismo profissio-
nal, com leituras pmporcionadas sobretudo com
as inrlicaçõcs de Carlos Leão, seu sócio entre 1933
e 1 9~6, e dono de uma atualizada biblioteca.
fora m nesses momentos que antecederam ao
convite para o projeto da sede do Ministério da
Educação e Saúde (MES) que Lucio Costa se con-
verteu ao credo corlmsieriano:
[ ...j foi então, nessa época que tomei conhecimento a
fu ndo, de verdade, de todo esse movimento que havia
ocorrido na Europa [...1 Aí comecei a tomar conheci-
men to da obra de Le Corbusicr (' lll C api!ixonei, p01·quc
ele e ra extraordinário, tan to na paixão q ue tinha pelo
que estava fazendo co mo foi o único dactue les arqu ite-
tos q ue trabalhara m na época, lodos extraord inários-
o G ropius, o Mies van der Ro he -, q ue fez u ma aborda-
gem com pleta do movimen to do pon to de vista social,
do pon to de vista tecn o lógico, das novas técnicas cons-
trutivas. e do ponto de 'Ísla pl:tstico, pon to d(' visl<t das
an cs. Ele re n ni<1 esses p1·opósitos abrangen1es; os o u-
tros cuidaYam da <~rq u itel u ra, cada u111 fazia seu pr(·clio,
sua arquii!'IUnJ, tuas nunca u ma aborcl<lgem global. lLc
Corbusie r] crio u u m movimento un;l nimc no sentido
de encarar essa possibilidade de transforma(ões tanto
no campo da ::r(jllitc nn·a e do urbanismo como do pon-
to de ·ista socia l, pois hm·ia u111a coinc idi'·ncia. Na épo-
ca est<ivamos conve ncidos d e q ue uma cois<t era vi ncu-
lad a a outra, re ndo as mesmas o rige ns, na revolução
indust ria l. Essa arct u il e t ur<~ nuva que vinha surgindo
destinava-se a um a n ova era soc ial. uma nova época,
porq ue pan.:cia qu e as coisas iam S<' encamin ha r num
sen tido wuito claro. H avia uma cena ética, uma coisa
de cunho mo ral até, um apego ck não se pc:rm itir cer-
tas lil>erdacles que não se e uquad rassem be m den tro
dessa con cepção sociológica ISe~awa 1987c, p. 147).
O contato ao vivo com Wrigh 1. não como-
ve u Lucio Costa tan to quanto o proselitismo li-
te rário, a a mplitude da <tl>ordagem de Le Cor-
busier, imbuído em espírito de transformações
sociais. A reu nião das reflexões desse período
transformaram-se no que pode ser considerada
a mais comple ta apologia sobrt> a modernidade
arquite tô nica na p erspectiva rlc transição dos
anos de 1930 escrita por um brasileiro: "Razões
da Nova Arqui tetura", um texto elaborado em
19~4- 1 935. 1~: uma man ifestação de vislum bre so-
bre o presente (com "falta de r umo, de raízes",
de "de molição !:>umúria de tudo que precedeu ")
e o futuro ("as transform<L.ções se processam tão
p rofundas e radicais qu e a pró pria aven tura h u-
maníst.íca d o Renascim ento l ...J talvez ve nha a
parecer [...] um simples jogo de intclcctllais re-
quin tados"; "as 'revoluções' -com os seus desati-
nos- são, apenas, o meio de veucer a encosta le-
vando-nos de um plano já árido a outro, ainda
fértil"). Dedica-se a uma louga reflexão sobre o
significado da técnica na transformação das soci-
edades, ou ao menos como "pouto de partida", o
advento da indústria e em panicula r o descom-
passo da técnica com a aJ"te ("no sentido acadêmi-
J1udemidade Correllle • 81
co": "a nova técnica reclama a revisão elos valores
plásticos tradiciouais"); não vendo no intemacio-
nalismo da arquitct ttra rnodermt qualquer excep-
cionalidade, porquanto o passado seria pleno de
situações de arquilelllras "in ternacionais", como
o górico, barroco ou o classicismo modela ndo as
arquiteturas em todos os recantos da Europa e
Am{:rica. Um texto denso ct~ja compreensão está
snbordinada <ls críticas ao modernismo arquitetõ-
nico em debate n <~ época, de difícil sín l t'st'. Mas
n o q ual ficava clara a admiração ele Lucia Costa
por Lc Corhusier, que e ra elogiado como o Hru-
nellcsch i elo século 20 [Costa 1962, pp. 17-4 I].
PLATAFORMAS DA MODERNIDADE
Lucio Cosr<t pu blicou seu man iíesto mo-
den w no primeiro número de 1936 da Revista da
J)i1Ploria rle Engr'nlwria, periódico da repartição
oficial da Pref'eitttra do Distrito Federal respon-
sável pelas obras públicas na cid ade do Rio ele
Jau eiro. A ccliç~w inaugural da publicação saiu
em julho de 1932 e, junto com matérias té-cnicas
ele engenharia civil, publicava um projeto rle
Affonso Eduardo Reid)' (!üncioná1io da diretoria)
e as h:1bitações operárias no Garnboa, de Lucio
Costa e vVa rch <~ vc h i k. Rebatizada depois COIIt a
abreviatura J'm' (Prefeitura do Distrito Federal), a
revista tornou-se o prime iro periódico de divulga-
ção da arquitetura modem a no Rrasil (jamais pu-
blicou proj etos academicistas) e pioneira no trato
de assuntos urbanísticos, trazendo experiê ncias
d e outras cidades do mundo c as p ropostas para
o Rio ele J an eiro. Sua co-fundadora c secretária
(de pois diretont) , a engenheira Carmeu Porti-
n lto, era a gra.nrle <>ntusiasta dessa produção no
Rio de J aneiro, gra<:,:as aos contaros cpH' csrahclc-
ceu com os jovens arquitetos a partir de seu ma-
rido, Affonso Eduardo Re idy, tornando-se divnl-
gadora privilegiada (as matérias ele arquitetura
abriam a revista) das p rimeiras o bras dos grevis-
tas ua E~l3A em 19::11, corno Luiz N unes, Jorge
Machado Mo reira (1901-1992), Erna n i Vascon-
cellos (1909-1988), Álvaro Vital Brazil, Oscar
82 • Arquiteturas no Bmsil
Nicmeyer (n. em 1907) c antros [Scgawa 19R8a],
além de obras modernas de linhas diversificadas,
como as escolas de Enéas Silva e as agências dos
Correios c Telégrafos no Nordeste. Vários ante-
projetos de concursos em linha moderna não
aproveitados eram divulgados nas suas púginas
(sede da Associação Brasileira de Imprensa, Ae-
roporto Santos Dumont, cidade operária de Vila
Monlevaclc). Um me lho r conhecimento sobre
insolação e iluminação (fundamental para o de-
senho de b-rise-soleils) derivou dos estudos de urn
colaborador da Pm; o engcn heiro Paulo Sá. Are-
vista ser viu també m corno veículo de info•-m a-
çõcs arquitetôn icas internacionais: notícias so-
bre os CIAMs, C irpac, os grupos Praesens 7.P
(polonês), (~atepac (cspanhol) , Mars (inglês) e
Tccto n (d o qual se publicou o Penguín Pool ,
cujas rampas certamente in11uenciaram os arqui-
tetos brasileiros) e textos de Le Corbusier (um
elogio ao "homem de visão" que fora o prefeito
Pereira Passos nas grandes reformas urbanas elo
início do século 20, à Haussrnann e a artigo so-
bre as "favelas" parisienses) , além da literatura
urbanística e de construção internacional.
Affonso Eduardo Reidy foi no meado ar-
qu iteto-ch efe ela Diretoria d e Engenharia da
Prefeitura do Distrito Federal em 1 9~2 . Corno
funcionário público, Rt:idy vai p rojetar alg uns
edifícios de lin h as moder nas, caracteri7.a ndo
u ma tentativa de modernização isolada, num
discurso projctual regido pela busca de respos-
tas lógicas ao programa de necessidades - racio-
nalização dos usos e circulações, ênfase para a
iluminação c insolação adequadas associadas a
dispositivos especiais rle ventilação e a modula-
ção estrutural em concreto armado corno lógi-
ca construtiva, sem nenhuma con cessão a for-
malismos senão o r cba1·imento das questões
técnicas c econômicas sobre o resultad o arqui-
tetônico linal. Esse racionalismo radical - per-
meável na le itura dos mcuwriais dos p rojetos
(em que pese, todavia, serem artigos numa re-
vista de engenharia) - aplicado em edifícios ad-
ministrativos, escola , pequenas unidades de
apoio (para policiamento, vestiário) , tanto em
seus projetos p ara <t diretoria como na prática
privada, teria um ponto de in flexão a partir de
1936, quando Reicly participou da equip e de
Lucio Costa p ara <'I e laboração do pr~je lo da
sede do Ministério da Educação e Saúde - exp e-
riência que o tornou um incondicional adepto
ao ideário dt: Le Corbusier.
43.AJTo nso Eduardo Reicly: pmjcto (não executado) de bar para jardim público na Tijuca, Rio de .Janeiro, c. 1939.
OS FRUTOS DA REFORMA
I~ /(onbém meu destju que ludus unnjJI'et-'rtrlant- smn.
a menor dúvida que estas nossas realizações, cheias
dr r.jJÍritu wnle11!f}()rfinro, i.wnlas de 1fUalqun injlu-
êuáa indivúlualisla, que Jora.m até agora dirigidas
jwr um trilhio d11 absoluta horwstirl.rulr< fnojissilmal,
capaz de wnrluzir a urna tÍ'mica rna.is evoluída, mais
fH!rfl:ila r: fmrlrmlo 1jir"ir:nte, jir:arrí rlumnte algu m
tempo ainda, marrando em J'ernamlntro uma época
11111 qui', 1'01/lo nos l'l'nlms gm·ndr•s rir. rirJi!izarr7o, a m·-
quilr:lura 1; uma jneor:ufla ráo wlmiuislrotiva, u ma
demonstmcrio de cu.I!ura e espirilu. muila wasa 1Ü:
humano e soâal.
Essa profissão de fé no "espírito contem-
porJneo" /Luiz Nunes 19(:i~), p. 5J era uma men-
sagem dirigida aos seus ex-auxiliares, demitido
que estava do comando d<l Diretoria de Arquite-
tura c Construção (DAC) do Estado do Pernam-
buco, por suspeita de atividades subversivas por
ocasião da Intentona Comunista em J935.
Luiz Carlos Nunes de Souza, nascido em
1inas Gerais, foi o presidente do diretório acadê-
mico que liderou a greve contra o afastamento
de Lucio Costa da direção da Escola Nacional de
Bdas-Artcs em 1931. Em 1934, Nunes dirigia-se: a
Recife para organizar mna in{:dita rcpartiç;.lo de
arquitetura (autônoma da engenharia) desdo-
brada dentro da Secretaria de Obras Públicas,
n uma iniciativa administrativa modcrnizan te do
governador Carlos de Lima Cavalcanti (1892-
l Y67), tido como um progressista dentro das li-
mitações da "aristocracia do açúcar" [Silva 1988],
que modelou a economia e a sociedade pernam-
bucana desde os tempos coloniais. Pernambuco,
nos anos de 19:)0, ahrigava. a CJilinr.a maior con-
centração populacional do paí:s; era o mais indus-
trializado Estado do Nordeste brasileiro ao final
dessa década- mas a inda distante de ser uma
região social c economicame nte pujante.
Luiz Nunes tinha clara consciência do pa-
pel modcrmzador da arquitetura c seu potencial
transformador. "Arquitetura [...] é urna demons-
tração de cultura", escrevia em 193() lp. 60J, ca-
111'odenridad<' 0 1tH" IIf<" • 83
paz de "marcar uma época", ilustrando seu pen-
samento nas obras racionalmente implantadas
pela administração de Maurício de Nassau du-
rante a ocupação holandesa de Pernambuco
(1639-1654) e nas escolas propostas por Anísio
Teixeira para o Distrito Federal, projetadas por
Enéas Silva [ver, a propósito, o capítulo "Moder-
nidade Pragmática l922-l 943"j.
Nunes tinha ciência do padrão construti-
vo regional e do empirismo técnico conservadoi-
e desqualificado da in:w-de-obra. Ele criticava os
maus resultados decorrentes de um sistema de
trabalho viciado, erros na rotina ele construções
via concorrências públicas c a ineficiência do
Estado em gerir suas próprias o bras. Ao criar o
DAC em 1Y35, Nunes buscou centralizar "todos
os serviços ele arquitetura e construções numa
única repartição devidamente aparelhada", com
"um quadro mínimo de funcionários efetivos c
um quadro variável de contratados", que se am-
pliava ou diminuía conforme as necessidades de
serviço. Ele pretendia que os projetos fossem
e laborados rlcnrro de um "crir{:rio único", na
pcr~:>pcctiva de introduzir novos métodos c ma-
teriais ele consrruçüo, desenvolvidos a partir de
pesquisas e ensaios Lecnológ"icos visando a raci-
onalização dos processos construtivos, o dimen-
sionamento adequado e econômico das estrutu-
ras e a funcion alidade das plantas_ As diversas
fases de uma obra - concepção arquitetônica,
cálculos cstruturaís, q uan tifi caç·ão, orçamentos,
controle e medição de materiais, estoque, tem-
po dispendido nos diversos serviços - eram rigo-
rosamente controladas c a etapa ele canteiro era
permanentemente acompanhada com relatórios
di~trios. Esse: cuidado, que hoje: parece óbvio do
ponto de vista de sisTematização de trabalho, era
uma preocupaç;{o quase inédit<l num momento
em que o taylorismo ainda se implantava no
mundo. Nunes exLrapolava até a d ime nsáo alie-
nadora taylorista e integrava os profissionais e n-
volvidos com o OAC mediante a preparação de
opedrios em escolas-oficinas, em cursos tecno-
profissionais e mesmo o aproveitamento das ofi-
cinas da casa de detenção. Os envolvidos na
construção- do engenheiro ao pin tor, do arqui-
84 • Arquiteturas nu Brusd
teto ao carpinleiro- deveriam ter uma partici-
pa~:;io ativa n o can teiro de obras, pesquisando
as melhores soluções (o DAC in troduziu, tta re-
gião, os tetos planos Li pu p·ilzendech c rifJjJendeck,
lajes rnis1as, lajes-logurnclo e o desenho de vi-
gas com d imensionamento e perfis variáveis
obtendo o máximo d a resist.f:n cia com a m enor
q uantírlarle d e material), evitando dc~pcnlícios
e org-anizando o rr::~balho em uma eq uipe ho-
mogênea, co m "espírito de unidade " [Nunes
J~g(:i; .Ualtar 10ü3]. Defendia Nun es: "Num
meio pobre, csra possibilidade d o Cover no
constru ir bem e por preço baixo, melhorando
as condições locais, educando, aperfeiçoando,
seleciona ndo, pesquisauuo c uniformizando,
seria uma conquista de ordem técnica e social
tão expressiva, que justificaria rodos os sacrifí-
cios..." [Nunes 19~6, p. 57, jH1ssim].
A ação de Luiz Nunes e m Pernambuco
teve duas fases: a primeira, durante 19:15; a se-
gunrl:o~, em fins d e 1 9~6, quando o arquiteto foi
convocado a dar continuidade ao trabalho inicia-
do an teriormente, por pressão dos funóonários
da repartição, r.ransformanclo-se a antiga unidade
no Dcpanamento de Arquitetura c Urh;m ismo
(DA li) . Essa gestão durou até novem bro de 1037,
quando o golpe do Estado Novo iutcnompcu os
trabalhos. A m orte de Nunes nesse ano, por do-
<~n ça , privou o movimento de uma lidera nça, e
virlualrncn te encerrou-se a inéclita expe riê ncia
governamen tal elo Estado de Pernambuco.
O DAC projetou e construiu o Hospilal da
Brigada Mili tar, a Escola Rural Alberto Tor res, a
Usina I-Iigienizador<t de LeiLc, al(:m rk peque nas
obras; pr~jeLou Lam bém o pavilhão de Pernam-
buco na Exposição do Centenário da Revolução
Farroupilha em Pono Alegre. Afora o pavilhão,
os trabalhos da primeira fase e ram o p rod ttlo de
n m conceito ele arquitetura no qual os condicio-
nantes técnicos e econômicos presidiam a elabo-
ração dos pr~jetos - concepção de um raciona-
lismo radical, conformado pelas limitações locais
e sem concessão a formalismos gratuitos, mas
com formas (poder-se-ia qualificar de "duras")
derivadas da sobriedade funcionalista dos pro-
gramas ele n ecessidades.
44.1.uit ~unes/ Depan;u nenw dt'" Arquitetura t' C.on.~1r11·
~·iio: pavilhão ele Pernambuco na t-:xposi(iio do Ccntl"ll:írio
ela Revolução Farro upilha. Porto 1legrc, RS, I~l:lii . A sime·
tda e a luz ro rarn cknu::nlos recorrcn t~s nos vário~ pavi-
lhôe, do recinto. FoiO·COrt(•sia de Günu•r Weimcr.
O pl an~jame nto urbano tel'ia sido a gran-
de conquista d a seg1uHla e última fase da a tua-
ç;'io de Luiz. N unes t>In Pernambuco, rebatizada
como DAU. Foram <lpenas dez 111escs ele efetivo
trabalho, materializad o apenas em algu ns pou-
cos cd il'ícios, com o o lep rosário de Mirueira, o
pavilhão de verificação de óbitos ela Faculdade
de Medicina e o reservatório de úgua ele Olinda
e ou tras p equena~ obras. Foi nessa fase que o
DAU adotou in tensivamente o empreg-o do cobo-
gó, peças pré-Fabricadas ele cimen to e areia com
50x50xl Oem, com orifícios de 5x5 em que, asso-
ciadas, compu nham extensas supe rfícies servin-
d o como brise-solr{il.1· e como superfícies vazadas
para ven tilação, ao m esmo tempo que definiam
fach adas neutras, sem propriamente serem ce-
gas. As obras desse período preservaram todas as
preocupações d e elonomia e fuucionalidade e
incorporavam um pad rão estético mais elabora-
do, sendo o exemplo mais evidcnlc a ascendên-
cia de Le Corbusier no pavilhão de verificação de
óbitos. Decerto essa influência se deve à presen-
ça d e Fernan do Saturnin o de BriLO- jovem a r-
quiteto formado no Rio d e Janeiro - , incorpora-
do à equipe do DAU. Esse edifício foi constr uído
praticamen te com sobras de ma Lerial; o fato inu-
sitado gerou desconfianças, e mais tarde foi abe r-
45.Lui,. Nunes/ Departamento de Arquitetura c Urbanis-
mo: lep.-os;írio de Mirucira. PE. 1936. em imagem receu-
tc: os c:ohogós d efiniam a fachada d o bloco. Foto-cortesia
de Geraldo Co mes.
LO um inquérito para se apurar como se cons-
truiu um edifício sem verbas específicas para a
tlm1lidarlc [Silva 19RR]. Em 1036, n o imervalo ele
atuação entre o DiC e o DAU, Luiz Nunes retor-
nou ao Rio de Janeiro on de organ izou um escri-
tório particular de arquitetura. Nessa passagem
pela c:apital, o arquiteto mamcvc contato cu111 a
revista J'f>F, o nde publicou artigo sobre a sua ex-
periência em Pernambuco c em vários outros pro-
jetos. Nessa rápida passagem, deve ter assimilado
alg uma influência corbusieriana (considerando-
se que, em 1936, Le Cor-busier esteve no Rio de
Janeiro por um mês), que adotaria ern Per nambu-
co enquanto chefe do DAU no fimll ele sua vida .
bnbura a experiência de Luiz Nunes em
Pernamhnco não tenha frutificarlo, alguns profis-
sionais de sua equipe se destacaram posterio r-
mente: o engenheiro calculista (anista plástico e
poela, também) Joaquim Cardozo (1R97-197R-
futuro íntimo colaborador ele Niemeyer e m Pam-
pulha e Brasília) , o eng-enheiro e urbauista An to-
nio Bezerra Baltar (n. em 1915- que mais J(lrrl<'
chegou a prestar serviços à ONU), o e ngenhe iro
Ayrton Carvalho (n. em 19 13) (que, por mais de
meio século dírígíu o escritório regional do Pau·i-
mônio Histórico e Artístico Nacion(ll); no mesmo
período da experiência DAC/ DAU, fui muito pró-
xima a colaboração dessa repartição com o dirc-
t1/udemidade Corrente • 85
'""-~-- --- - --------------- .
4ii. Lu iz Nunes/ Departamento de irquilt·tura e Urbanis-
mo: esquema e srn11ur:li do ~t·~crva t ório cte água d e
O linda, PE, rcprodmido d•• ••s11ulo •·lahnraclo por Rita de
Cássia Vaz [ 1989] .
ror de Parqu es e Jardins de Recife, o jovem pai-
sagista Roberto Rurlc Marx (1909-1994) .
SINAIS DE MUDANÇA
Vimos no capítulo a11Lerior, "Modernidade
Pragm<ítica 1922-1943", que, ua segunda metade
da década de 1930, tendências modernizantes o n
não-acadêmicas estavam em plena assimilação nas
cidades brasileiras. Nessa apropriação também se
incluíam as arquileluras mais eng<úadas ele mo-
dernidade, isto é, aquelas baseadas em princípios
definidos ou praticadas por arquitetos antagôn i-
cos aos valores tradicionalistas. São exemplos no-
táveis dessa vertenle algtm1é!S oh réts realizadas pot-
jovens arquitetos, com menos de !Tinta anos de
idade, como Álvaro Vital Brazil e os ir111ãos Mar-
celo (190R-1964) e Milton Roberto (1914-1953).
Álvaro Vital Rrazil e Adhemar Mar.inho
(n. em 1909), esludantes da ENBA q ue participa-
ram da greve em solidariedade a Lucio Costa e m
1931, ganh aram e m 1936 o concurso de antepro-
je tos para um edifício d e uso misto de alro pa-
d rão em São Paulo. Álvaro Vital Brazil levt: que
d issolver a sociedade para transferir-se a São Pau-
lo e acompanhar a ohra, a pedido da constr utora,
86 • /-l1"quiteturas no Brasil
..,
47. Álvaro ViLa! Brazíl Jcfronlt: ao t:difício EsLher, Süo Pau-
lo. t: lll 1!85.
resultando dis.so a rcformulação parcial do pr~je­
to inicial. O edifício Esther localizava-se num
p onto privilegiado da cidade (a Praça da Repú-
blica) e ben eficiou-se ao sn concebido como
um prédio isolado em suas quatro face~, num
remanC:jamento no terreno que ainda as~cgurou
t::spaço para a constntção de outro editicio na
área do primitivo lote. Embora sendo um edifí-
cio de alto padrão, Vital Brazil conduziu o pro-
jeto no sentido de encontrar as soluções mais
econômicas sem abrir mão elos "cinco pontos da
arquitetura nova" preconizados em 1926 por I.e
Corbu~ier: volume construído e levado em fJilotis,
pla nta livre com estr utura independente, racha-
da livre, jan elas dispostas na ho1·izontal (fenêtre en
longueu-r) t> o terraço:jardim. Atender aos cinco
pontos sig-nificou equacionar uma série d e con-
dicionantes inéditos e não necessariame nte eco-
nô micos para a tecnologia ou para a rotina da
construção d a é poca. A adoção de plantas livres
48. Marcelo e MilLOn Rohcrr.o : Associ~ção R1·asilcira de
Im prensa, Rio de }1nc iro, 1936.
possibilitou acomod ar diferentes arranjos e m
cada pavimento, abrigando lojas, andares para
escritórios c unidades residenciais (algumas em
duplex), demonstrando a versatilidade possível
com o conceito d a estr utura ind ependente. O
térreo, embora com estr utura em pilotis, é apro-
veitado de maneira convencional, não se benefi-
ciando integralmente da solução. Foi urna obra
de impacto ao ser inaugurada e m 1938 [Brazil
19H6; Daher 1981; Segawa 1987bj.
Os ir mãos Marcelo (formad os na ENBA
em 1930) e Milron Roberto (formado em 1934,
nm dos grevistas d e 1931) formaram uma vitori-
osa dupla em concursos no Rio de .Janeiro: em
1936, ganharam a concorrência para o projeto
da sede da Associação Brasileira de Imprensa
(Am ); no ano seguinte, alcançaram o p rimeiro
lugar com o an teprojeto para o Aeroporto San-
tos Dumont. Como Vital Brazil e Marinho, os ir-
mãos Roberto também operavam com os "cinco
Corbusier. Todavia, diferentemente da oportu-
na possibilidade de isolar o edifício no lote
como feito no caso do Esther, a ABI cingiu-se à
norma d e im plantação estabelecida no Plano
Agache, que determinava a integração da mas-
sa edificada alinhada nos limites do passeio e do
lote , com previsão de recuo nos fundos, forman-
do, conjuntamente com os prédios contíguos da
quadra, um pá lio central. Com as li mitações de
uma implantação tradicional, alguns dos concei-
tos ine rentes aos "cinco po ntos" perdiam pane
de sua força , plena quando adotados em edifí-
cios totalmen te desvinculados de construções
adjacentes. No entanto, os Roberto souberam
explorar o fato de as duas racharias principais se
orientarem p ;u a o norte c oeste (percurso sola r
do período da tarde, o mais quente) e desenha-
ram dois sóbrios e elegantes alçados que se dis-
tinguiam pela sucessão clt> hrise-soleils verticais
lixos ou, descrevendo de outra forma, pela au-
sência de j anelas tradicion<~is. Sob a forte luz do
P1!RS~CTIVA
illoder11idade Corr<'111e • 8 7
Rio de .Janeiro, a sede da ABI tran sforma-se num
volume de plástica construtivista, variando os
efe itos visuais conforme a incidên cia do sol so-
bre as lâminas sombreantes. Os brises não atuam
diretamente nas salas de trabalho; eles protegem
galerias que percorrem o perímetro das tacha-
das uortc c oeste, que funcionam como antecâ-
maras d e atenuação do calor para o interior do
edifício. Não se pude afirm:.1r que as linhas mo-
dernas do prétliu tenham tido uma boa e unâni-
me acolhid a, mas.a repercussão posterior fo i
positiva IBruand 1981].
A proposta vencedora para o At>roporro
Santos Dumont, em 1937, não teve a mesma sor-
te que a sede da AHI. A idéia original previa um
terminal maior e mais complexo. Sua construção
arrastou-se de 193l:! a 1Y44, à exceção do ha ngar
n!.! 1, concluído em 1940 com u m sofisticado sis-
tema estrutural e uma fachada protegida com bri-
se-soleiLç verticais. Quanto ao terminal, a volume-
tria inicial proposta em 1937 reduziu-se a um
49.Marcelo c Milron Roheno: Je::ropurLO Santos Uumo nt. Rio de J aneiro, 1937-l 94'1 .
88 • !lrquiteturas 11n Rrusil
volurne prismático regular, preservando algnns
aspectos da sintaxe corbusieriana. !o e ntanto, o
padrão do :.~eroporto do Rio ele Janeiro (com a
marc<rntc: galcTia loug·itudin al n o miolo do edifí-
cio) constituiu a partir de en tão um pan ido tipo-
lúgico para os terminais (co mo o de Po rlo AJt.._
gre, Curitiba c Rccirc).
O concurso de an teproj etos para o Aero-
porr.o Santos Dumont deve ser entendido dentro
da política desenvolvida pelo Depan amenro rlc
Aero11áutica Civil, no scmido de dotar as cidades
brasileiras com terminais aeroportuários adequa-
dos para o novo c cada vez mais utilizado mt>io ele
transporte q ue se implarHava no Brasil na déca-
da de 1930. Em l93f>, foram construídos os aero-
portos de Pelotas, Bagé c Pono Alegre rCawn he-
de Filho IY~7l Foram iniciativas desse p eríodo
os ae ropon os d e tr0s das mais imp ortantes cida-
des hrasilt>iras: S<rlvador, São Paulo c Rio de J a-
neiro. ü terminal d<~ Salvador, uma estação ele
h idroavi<->es, teve seu projeto encomendado a um
arquiteto elo Rio ele Janeiro, Ricardo Antunes, c
foi inaugurado em 1939; era um obra de linhas
moderna~ . O aeroporto ele S.:io Paulo não estava
vinculado à área fcelcral: o F.stado construiu um
terminal nos anos d e 1940, ele gosto Déco, snhs-
rinríclo depois pela obra definitiva, projetada pdo
arq uiteto Ernani elo Vai Pcn teaclo (1901-19RO) c
inaugurada nos anos ele I!:150, também dentro ele
linhas modernas. A capital do país estava se equi-
pando com um novo tcrminallcncstre sirnultanea-
mcntc à implantação de um terminal para hidro-
aviões, ambos objeto de concurso de arquite tura.
Attilio Correia Lima, que havia participado
ela !"CJUipe que tirou o segundo lugar no concur-
so para o tenninal terrestre, foi mais bem-sucedi-
do no concurso para a estação de hidn>s. Dada a
urgência de um terminal aeroviário para o Rio
deJaneiro, o proje to ele Correia Lima foi rapida-
mente executado, estan do em funcionamen to
em 193H (t>mhora, com a inauguração do termi-
nal projetado pelos Roht>rto , a estação de h idros
caísse em desuso). Proje t<tda em equipe com .Jor-
ge Ferreira (n. em 1913), Renato )vfesquita dos
Santos (n. em 1914) , Renato Soeiro (19ll-l9R4)
e Thomaz Estrella ( 1912-1980), adotando estrutu-
ra independe nte em concreto armado, generosos
panos de vidro e espaços interiores amplos c ela-
borados (como o hall principal, onde se destaca-
va uma escu Itnral escada), a Estação de Hidros
transrormon-se numa obra admirada pela pu reza
de suas lin ha:; c a qualidade de seus acabamen-
tos, caracterizando-se como urna referên cia de
uma vertente ele arquitetura moder na que se
produzia I lOS anos de 1930.
Os pri ncipais termiu ais aeroportuários
desse período, de modo geral, fo ra m pr~j etados
em linhas modernas. Mais que u m gosto por fa-
chadas, o programa funcional de um aeroporto
refle tia um sen tido d e racionalidade que quase
compulsoriamente conduzia as soluções arquite-
tônicas para uma verten te moderna. Eviden te-
me nte , isso uão constituía um a regra porquanto
algu ns aero portos men ores fo ra m construíd os
em linhas neocoloniais. Todavia, os estudos :;o-
bre os aeroportos mais complexos eram referen-
ciados em literatura técnica estrangeira e, nesses
caso:;, eram raras (para não dizer inexistentes)
as arq uite turas de aeroportos realizados em mol-
des fo rmalmente academicizantes.
A accita('ão clt> lin has mod ernas para aero-
por to:; não significou um alinhamenro dos pode-
res públicos com a arquitetura modcn m de ideo-
logia mai:; defi nida pela vang-uarda. Importantes
concursos de editícios de programas mais conven-
cio nais acatavam modernismos tradicionalizanles,
ele vert.ente couscr vadora. O concurso para a
sede elo Miuist{:rio ela Fazenda, realizado e m fi ns
de 1 9~6. contemplou o projeto elos arquite tos
Enéas Silva e Wladirnir Alves de Souza em primei-
ro lugar, com uma obra d e compostura monu-
mental ele linha moderna "classicizante"; o segun-
do lugar foi atribuído à equipe ele Jorge Moreira,
Oscar Nicrneyer e José Reis (n. em 1909) , jovens
grevistas de l~3 1 . Nas apreciações do j úri, os p on-
tos positivos do anteprojeto quase vencedor pou-
savam nas qualidades da planta c das soluçóes téc-
n icas; pecavam pela "composição arqu itetônica
sofrível" [Concurso... 19~17]. Algo semelh an te
ocorreu em 1935, por ocasião do concurso para a
sede do Ministério da Educação e Saúde. Todavia,
os desdobramentos foram diferentes.
50. .Jorgto Moreira e Ernani Vasconcellos: proposta não
selec ionad;-1 para o concurso da sede do Ministt~rio da
E.duca~·<io e Saúde, Rio de janeiro, J ~n!í. Apesar elas facha-
das modernas. o partido do 'oiumt: ainda respeitava um
eixo de simetl'ia central.
A SEGUNDA ESTADIA
DELE CORBUSIER
L•:m I :!:~5, era ahertn o cnncttrso para ante-
projetos da nova sede elo Ministério da Educação
e Saúde (MES), em terreno na esplanada doCas-
te lo , centro elo Rio ele Jane iro- área anterior-
meute ocupada pelo morro do Castelo, arrasado
para conquistar novas áreas planas destinadas à
urbanização, com normas de ocupação determi-
nadas pe lo Plano Agach e. Archimed es Memória
e Francisque Cuchet furam proclamados os ven-
cedores, com um projeto que se d estacava pela
ornamentação marajoara la respeito, ver capítu-
lo "Modernidade Pragmálica 1922-1943"]. Am-
bos formavam o mais importante escritório de
arrplitctnra elo Rio de.Janeiro, alérn de Memória
ter sido o sucessor de Lucio Costa n a direção da
E.NKA e cidadão com forte penelrac;-ào no gover-
no, partidário de agrupamento político de apoio
ao presidente Vargas. Foi um grande desafio
para Gustavo Capanema (1901-1985) pre miar o
projeto vencedor e não construí-lo. Capanema,
segundo ministro da pasta de Educação c Saúde
d esde sua criaç<io em 1930, e ra um político de
Minas Gerais que se cercou de intelectuais mo-
dernistas contcrráneos à frente ele sua gestão mi- ·
nisterial, em bora não se ide ntificasse organica-
Mod<!ntidade Curre11te • 89
51. Affonso Eduardo Reidy: proposta não sdecionada para
o í'OIICllrso ela st->de d o Mi nist(·rio da Educaçüo e Saúde ,
Rio d e J ancit·o, I~n'í_ At·qllitCtlln1 inspintda nos edifícios
modernos da Europa Central.
Illcnte com seus assesson:s. Durante o gctulismo,
;-1 arte r:> a cul tttra errtm os Ílnicos canais de assi-
III ÍLH,:~to c convívio ent.rc os iu t.elcctuais e o po-
der [Schwartzman et al. 1984]. O anteprojeto ven-
cedor (e os dem ais finalistas, exceto um deles)
não se coadunava com as preocup;.tçôcs rnoderni-
zantes de seus auxiliares c com o apoio deles (en-
tre eles Rodrigo Mello Franco de Andrade), Ca-
panr:>ma r:>n r;1o apr:>lott para o arbítrio pr:>ssoal r:>
decidiu desprezar o resultado do concurso cha-
mando I.ucio Costa e m setembro de 1935 para
projetar a nova sede de seu ministério. O m inis-
tro não era o ti tular da pasta por ocasião d o io-
cidente da re forma curric ular da ENBA em 1931
(ele asstunitt em 19~4 c somente o deixaria com
a qneda d e Getú lio Vargas e m 1945), e nessa
época Lncio Costa ainda ;1marg;wa os momen-
tos pós-EN.BA hem como uma situação profissio-
nal pouco confortável, embora com prestígio
intelectual sedimentado.
f .u~io Costa n::io tomou o enc;u·go apenas
para si. Convocou os arquitetos que haviam apre-
sentado anteprojetos modernos no concurso para
formarem urna equipe sob sua ch efia: Affonso
Eduardo Reic!y, Carlos l.ó'to c Jo rge Moreira.
Ernani Vasconcellos reivindicou urn lugar por ser
assisrcntc ele Moreira c Oscar Nicmcycr kz o mes-
mo, pelo lado ele Lucio Costa. Assim organizado,
o grupo passou a desenvolver o novo projeto.
90 • Arqllile/1/rtiS 110 Rmsil
A pdoridadc arquitetônica do ministério,
nu e11Lanto, não era a su<t ~ecle própria. Capan e-
rna preocupava-se sobretudo com a implantação
da Universidade elo Brasil, a rlcmandar um cam-
pus que seria a primeira obra do gênero nu país.
Para tanl"o, o ministro havia instaurado em ju-
nho de 19~5 uma comissão de estudos formada
por professores para a cleJiniçâo de um organo-
grama c das suas nt>ressidades físicas, ao mesmo
tempo que convid;wa Marcello Piacentin i - autor
da fascista Cidade Universitária de Roma - para
realizar o pr<~jeto da congênere no Rio de .lanei-
ro. Em meados dos anos de 1930, o alinhamen-
to político do Brasil era ambíguo em relação ao
nazismo e ao fascismo, embora o getulismo cor-
respondesse em !inh as ger·ais ~ts formas ele auto-
ritarismo em voga na Alemanha e na Itália. O ar-
qrriteto italiano chegou ao Brasil em agosto de
1935, mas o Conselho Regional de Engenharia c
Arquitcmra advertia o ministro da proibição de
contratar profissionais estrangeiros para essa fi-
nalicladc. Em atenção ao t"::!to, o ministro inslan-
rou urna comissão de arquitetos (Angelo Bruhns
(1896-?), Lncio Costa, Firmino Saldanha ( 190fí-
1986)) e eng-enheiros (Paulo Frag-oso (n. em
1904) e Washington Azevedo) fSchwanzman et
aL. 19R4]. Lucio Costa, consultado a respeito d e
Piacentini por Ctpancma, emitiu um parecer
conn;irio à atribuição Jo pn~je to ao arquite to ita-
liano, subme tendo à apreciação do ministro o
no111e deLe Corhnsier como contrapartida [San-
tos P.t nl. 1987, p. 142]. (;ustavo Capancma acolheu
a sugestão ~" tornou as providências para trazê-lo
ao Brasil.
O convite a Le Corbusicr para uma série
de conferências 110 Rio de J aneiro foi um álibi
para que o arquiteto franco-suíço viesse para
uma consultoria sobre o projeto cl<-1 sede elo MES
e da Cidade Unive rsitária do Brasil (CU~). sem
afrontar diretam ente a legislação que vedava o
exercício profissional de estrangeiros no país.
Efetivamente, ele foi remunerado pelas suas p a-
lestras, mas, ao longo ele sua permanência de 31
dias em j ulho c agosto de 1936, se envolveu in-
Le nsame nte nos dois ateliês organizados para os
projetos do MES e da CUB.
A CIDADE UNIVERSITÁRIA
O anteproje to dét cidade universitária na
Quinta ela Boa Vista, desenvolvido por Le Cor-
busier e m sua passagem pelo Brasil [Le CorhiJ.-
sier... 1967; Cidade Universitária... 1937] foi suh-
rnetido à comissão de professores criada n o ano
anlerior e sumariamente rejeitado. Essa comissão
tinha clara identificação com as idéias d e
Piacentini, em oposição ao gru po de arguilctos e
engenheiros pró-Le Corbusier. Essa c~uipe t>laho-
ro u um novo plano ["Universidade do Brasil..."
19~-17J que, submetido a novo exame, foi definiti-
vamente reje iLado em 1937. Nesse ano a comissão
de arquitetos e engenheiros era formalmente dis-
solvida, e Piacentini, convocado para desenvolver
o plano da Clm_ Associado a Vitorio Murpurgo,
que esteve no Rio de Janeiro para estudar o p ro-
je to, a proposta final dos italianos foi aprovada
pela comissão de professores em 1~l 38. O projeto
definitivo foi entregue pelos arquitetos; no entau-
Lo, a construção da cidade universitária não foi
imedi at<~, e, com o ingresso do Bra~i l na guerra
conu·a o Eixo, nada resultou desses eslorços de-
senvolvidos durante o Estado Novo, com a queda
de Vargas em 191!í fSch wartzman et al. 1984;
Mello .Júnior l 9S5; Tognon 199ó].
A SEDE DO MTNTSTÉRIO
DA EDUCAÇÃO E SAÚDE
Le Corbusier <:tO chegar no Brasil já tinha
conhecimcnLO do projeto da equipe liderada por
Lucio Costa, posw que este lhe enviara com seis
meses de antecipação as fo tografias da proposta
elos brasileiros. Na realidade, os arquitetos apro-
priaram-se d os cnsina mentos teóricos corbusie-
rianos mas estavam inseguros elo resultado final,
a ponto de solicitarem um pa recer do próprio
mestre, mesmo às custas ela inter·rupção dos tra-
balhos - já em pouto de início ele obras [Costa
1984]. Le Corbusicr foi bastan te benevolente
com seus discípulos, elogiando-os no seu parecer
apresentado ao ministro Capanema; no entanto,
preferiu de recomeçar o proj eto sugerindo a
1ransl'e rência do edifício para nma nova localiza-
<;ão: da úrca na esplan ada do Castelo para um
aterro junto ao mar (onde hoje se encontra o Mu-
seu de Arte Moderna, de Reidy). A idéia foi ini-
cialmente encampada pelo ministro, c um p r~jc­
to, esboçado. Todavia, as contingências leg;-tis de
permuta do terreno irnpeGliram a concretizaçiio
dessa proposta, e, às vésperas de sua partida, Le
Corbusie r desenhou uma última proposta para o
terreno original. A partir desses estudos, a I:'C]IIi-
pe brasileira desenvolveu o projeto definitivo, que
foi submetido aLe Corbusier por· cana e m julho
d<.: 1937, tendo como resposta o seguinte:
St' u ecliHcio do Ministério da Educaç.1o e Saúde Pú-
blica parece-me excelente. Di.-ia ::Jté.: animado de urn es-
pírito ehtrivideHLe, <:uus<:iente dos ol~jcLivos: servir e etuo-
cionar. Ele não tern esses h iatos ou barharistuus que
freq i"ten tem<:"nl t> " li;is, em outras o bras modcruas, mos-
t r am (j u e não se sabe o que é harm onia. Ele cstú se ndo
construíclo? Sim? F.n rào tan to melhor, c estou cert o q11c
serú IJott ilu. Será como uma péro la em lixo ";-tg;ichico··.
Mf:'ns cumpt-itTt ettto~. me u "O K" (como você red;uuava)
LSantos et a/. 1!:!~7. pp. ll!J-1:201.
Pode-se afirmat- que, no co r~j o rlas várias
propostas daboraclas na ocasião, o pr~j e to dos
seis arquitetos brasileiros evoluiu para uma solu-
ção com person alidade pró pt·ia, e mbora com
evidentes citações dos esboços e das idéias deLe
Corbusier [cf. Bruan d 1981; SanLos ela!. 1987;
Comas 19871 . A obra in corporava toda a sinlaxc
corbusieriana - sobretudo os "cinco p on Los da
arquiteLura n ova". A situação do edifício e m
meio de qu adra subvertia as n ormas de ocupa-
ção do Plano Agache (que obrig-ava a construção
dos volum<.:s alin hados n o perímetro externo do
lote- daí a expressão ''lixo 'agáchico'" na carta
ele Le Corbusicr) c refletia u m modelo de im-
plantação de arran ha-céus isolados não caract<.:-
rizadorcs das combatidas ruas-corredores, re-
m ontando ao urbanismo d a Cidarlc d e Três
Milhões de Habitantes ou ao Plan Voisin. O vo-
lume Iamclar sobre pilotis e os dois blocos baixos
(um dos quais também sobre pilotis) Iiher<~m
llllla <.:splanacla aberta rpte rlissolve o sentido tra-
.llodemidade Corre11te • 91
clicional de quadra fechada por edificações c
constitui uma praça/ jardim público. Esse entor-
no livre caracteriza uma moldura ao edifício,
atribuindo ao conjunto uma monumentalidade
não deriYacla das formul ações rradicionais- de
massas volumétricas pesadas e impositivas, à
nta11e ira da arquitelura do l"ascismo- mas resul-
tante rlo contraste da imponência da escala da
obra e dos vazios criados no dist.anciarnerllO en-
tre o volulJie prismútico doMES com os crlif"ícios
aqjacentes, muros contínuos compulsoriameute
t"slabelecidos pelo padrão Agache.
Do ponto ele vista eslrut.ural, a sede doMES
constituiu um desafio de c:tlculo brilltauternenle
<.:ufrentaclo pelo engenheiro Emílio llaumgart
(1889-1943). O emprego ele pilotis não era propri-
amente uma n ovidade, masjamais se havia adota-
do a solução na escala de um prédio como o MES
- crian do dific uldades para o ron lravento rla es-
rrurura. Contrariando as normas então vigentes,
Baumgan atribuiu às hjes f.llanas a fuw,:ào de vi-
gas dispostas horizonlalmentt•, apoiadas nas pare-
des cegas laterais (qu<.; süo interrompidas na h~je
de encontro com os fúlotis; S<' elas s~.:guissem até
o chão, o problema ele contravctllamemo estaria
resolvido). A busc<t O(' urna soht(ão <.:slrutural ··ar-
quitelônica" - como preconizava T.e Corhusicr -
ensc:jou a definição ele uma <.:sLruwra que evitou
vigas, ao mesmo tempo que se conseg-uiram lajes
ele pouca espessura para os pavirnenros. Pela
primeira vez se especificou no Brasil a l<úe-cogu-
melo , e de forma inovadora. A estrutura 1.:111 co-
gumelo desvirtua a concepção de letos lisos; a
solução proj etada previu a inversão do capitcl
para a face superior da laje, deixando liso o aca-
bamento pelo lado elo fo rro. O nivelamento do
piso seria feito com material leve, aproveitando-
se esse espaço de enchimento para a passagem
das insLalações elétricas rvasconcelos 1985].
A í t nplan la~,_:ão numa esplanada ahena e o
desafogo assegurado pelos fJiloti::. no nível térreo
são idéias corbusicrianas que vão de cncoutro a
uma m elhor ventilação du e rllorno elo MES. A
fachada nor te do edifício (pennanenLemente
c:1stigada pelo sol) é: protegida com brise-soleils
horizon tais; a fachada sul (que ern nenhum mo-
92 • A ntnileln ros no Brasil
mcn to do ano recebe sol d ireto) é um jJan de
·oerre integral -a primeira aplicaçào ele uma fa-
d 1ada de vidro em escala monumental (anterior
às aplicações das torres de vidro norte-america-
nas, do início dos anos 1950) . Tal solução en-
stejou 11m sistema natural ele ventila~:;io cruzada:
a diferença de temperaturas entre as duas fact>s
do edifício(~ capaz de criar um deslocamento de
ar no interior do prédio que, em não havendo
ob~túculos, atravessa transversalmente o prérlio
criando uma corrente natural d e vento atenua-
clara d o calor típico do Rio de .Janeiro. Daí os
ambientes inte rnos originais dos andares terem
sido desenhados sempre com divisórias a meia-
altura -.iá que a pl:lnta é independente de mu-
ros estruturais.
Lt> Corhusier deixou uma série d e reco-
mendações valorizando aspectos tipicc1mente re-
gionais: o uso d e granitos disponíveis no Rio de
Janeiro, em detrimento de materiais importados;
a recuperação dos azulejos, tradicional revesti-
mento colonial de origem portuguesa, suporte
de painéis artísticos; a valorizaçilo ela palmeira
impt>rial (recuperada da tradição paisagística do
Rio deJaneiro do século 19) [ Hruand 19t:n; Le-
mos 19R4] .
A scck do MES foi complementada com
obras d e arte de notáveis artistas: Cándido Por-
tin;;ui (1903-1952) (murais no gabinete elo minis-
tro e dt>senho de todos os azulejos), esculturas
de Celso Antonio, Bruno Giorgi (190:J-199~) e
.Jacques Lipchitz e jardins de Roberto Burle Marx
-dentro do princípio da integraç-;w das ancs na
an1uilct.ura.
A sede do Miuistúio da Educação e Saú-
de é considerado o ponto inicial de uma arqni-
tetu ra moderna de fe itio brasileiro. A avaliação
é controversa, mas os desdobramentos posterio-
res c<1m in haram nu sentido de confirmar a afir-
mação, sobretudo no plano inte rnacional. A
construção do edifício (iniciada em 1937) arras-
tou-se ao longo dos anos com dificuldades, so-
bretudo com o advento da Guerra em 1939. Por
volta de 1942, o edifício estava virtualmente
completo em seus exteriores e assim foi fotogra-
fado pelos norte-americanos para a e xposir;üo
~;ir~~~--··
f>2 .1 .nrio <:ns101 e t"q uipe: Ministério ela Eclncaçào e Saúde,
Riu de Jan.-iru, cn1 postal dos anos de 1910. Cortesia de
Donalo Mel lo .Júnior.
Rmzil TJuilds. A inauguração oficial por Getúlio
Vargas somente se dari<1 em 1945 - também o ano
da queda do Estado Novo.
A PRIMEIRA MATERIALJZAÇAO
Enquanto se arrastava a construção da se-
ele elo Ministério da Educaçào e Saúde, uma o u-
tra obra antecipou a surpresa que esse edifício
provocaria mais tarde. O calendário de eventos
de 1939 leria dois pontos altos por conta do es-
forço dos Estados Un idos crn promover urn "en-
contro" de nações, no delicado panorama p olí-
tico internacional, que acabou desembocando
na Segunda Guerra. Os norte-americanos orga-
· -~.Luci o CosLa c o Ministério da Educa~ào e Saúde, Rio
.lt' Janeiro, 19lli.
'1izaram dnas grandes feiras - uma em Nova
York e outra em São Francisco, das q uais o Rra-
"il participou com pavilhôcs individuais que mar-
caram presença. O pavilhão da feira na Costa
Oeste fora pr(~eLado por um arquiteto nonc-amc-
,;cano, c sua repercussão roi limitada; a rcprcsen-
ta<,:ão na fe ira elo Leste, ao contrário, tra nsfor-
mou-se numa das grandes e boas surpresas.
Lucia Cost<~ havia vencirlo o concurso de
anteprojetos pa•-a o pavilhão brasileiro da Feira
Iundial de Nova York em 19?!R. Embora premi-
ado sem con testações, o arquitetO surprccudcn-
temenle renunciaria à sua idéia para propor um
projeto em associação com outro concorrente,
Oscar Niemcyer. El'etivamente, Niellle)'er acom-
panhou Costa como assisten lc para Nova Yor k
para desenvolverem o projeto t•um cscril úrio per-
Mudem idade Correllfe • 93
to do parque da Feira Mundial. A versão definiti-
va do pavilhão juntava alguns aspectos da pro-
posta inicial de Costa- os pilotis, a ramp<~ rlc aces-
so e os clt>mt>ntos vazados de fachada, a LÍLulo de
brüe-sole'il- com a de Nieme)'er- a curvatura da
parede acompanh ando o le rrcno, o jardim na
parte poslerior. Nenhuma das proposlas inrlivirlu-
ais era tão bem-sucedida quanto o resultado final,
desenvolvido por Niemeyer (que ficou no~ E~ta­
dos Unidos até entregar o pmjeto) cotn a o t·ien-
tação de Lucio Costa (que voltara an1es, por pro-
blemas f'amiliart>s).
O pavilhão brasileiro da Feira Mundial de
Nova York roi consirlcrarlo um dos pontos alws
de toda a exposição, tanto na sua arquitetura
quanto em seus interiores prqjelados pelo nor-
te-americano Paul Leste r 1liener (1HY5-l 967).
Em seu número especial cledicaclo às tt>iras inter-
n acionais de Nova York e S~o Francisco, a revis-
ta 'f'!U' Architer:tun:tll•'orwn teceu comentários para
cada pavilhão das feiras e elegeu a representação
sueca, projetada por Sven Markelius ( l~8<J-1Vn),
como a melho1- arquitetura de roda a feira (Mar-
kelius t<un bém se notabilizaria mundialmente a
partir desse projeto). dedica ndo duas páginas
para ela; os dois outros paYilhõcs que me1·eceram
o mesmo destaque foram o finlandês, de Alvar
Aalw (1898-1976), e o brasileiro [The Archileclu-
ralForum 1939]. O sucesso na mídia internacio-
nal gerou uma positiva repercussão no Brasil,
com a revista Arqnitetum e Urbanismo reproduzin-
do os comentários elogiosos~~ arquitetura brasilei-
ra ("o pavilhão brasileiro tem urna pureza c csli-
lo que faz a gen te perder o fôlego", elogiava o
M.af!:azine Ar/, ou "Lucio Costa c Oscar Niemeyer
s<io provas da maturidade intelectual do Brasil",
cumcnlava Fmlune) l"O Brnsil. .. " 19:19, p . 5301.
Uma mistura de surpresa c ufanismo caracteriza-
va o noticiário brasileiro do feito em Nova York.
O sucesso internacional do pavilhão brasi-
leiro pode ser creditado a uma postura serena
quan to ao significado do Brasil e da arquitetura
brasileira no contexto rnulldial, como bem per-
cebeu Lucio Costa:
Em um;~ rerr<t indllslrial e r ullltralmente desenvo l-
vida como os Estados U nidos e numa fe ira e m que to-
~
l)1 • -4rtjllile/ums l/li l~ru.,-i!
r---...
,.- w
I
......... ~,....

-I.:J):.~7,.,....l1
...____
------------51 _Lucio Costa: esboço rápido da sua proposta inicial para o l'avi lh;-,o do 1ra~il na Feira ivlundial dP lova York, f"ciw muna
f'lll rf'I'Í~Ia t'llii9X7 (recuperado com computação g•·áfica) .
fí5 .Lucio Co~1.a c Oscar lie111eyer: P;11·ilhào do llrasil " "Feira "1undial d e Nova York, 193H.
Modemic/(.fde Corrente • 95
- - " f>A. Lucio Costa c Oscar Niemeyer: jardim. itHcrior c acesso superior ao l'avilhfw do l:$rasi l na Feira l'vlundia l de
• ork. 1938.
parte países tão mais ricos c "cxperiJOf'tWldos"
no ·su, não se poderia r;Jzoan~lmente pensar em
,._air pelo aparato, pela monumcntalidadt> ou pela
.a. Procurou-se então in tcrcssar de outra maneira:
-O-se um pavilhão simples, pouco formalístico,
te e acol hedor, q1•c se impusesse, n<io pelas suas
rcõcs- que o terreno não é grande- nern p elo
-que o país ainda é pobre - mas pelas suas q uali-
..tdes de harmonia e equilíbrio e como expressão, lan-
'l qua nto possívtl pura, de arte contemporânea lCos-
- 1939, p. 471].
EsLava amadurecida, tambi-m, a superação
--!o racionalismo mais ortodoxo, com a consciê u-
~:a de uma nova dimcn:;ão estética da arquiLetu-
r:i moderna acima da aridez do mero rcbaLirncn-
da fu nção sobre a forma - lição aprendida no
m·ívio com Le Corbusier em 1 9~6 e algo ma is:
Respeitamos a lição de l.e Corbusier. Não pretende-
, ubunlinar o espírito moderno exclusivamente às
cotll'eHit:ncias de ordem técnica e funcional nem tão
pouco fazer cenografia '·pseuclo-modcrn n", dessa t;io
em ,-oga aí. n os E.U.A. Queremos, isso sim, a aplicação
rigorosa ela técn ica moderna e" Siltisfar~o p rt'cisa das
cxig·L·ncias de p rugr;.llllil e locai!, tudo por~nl guiado e
cont ro lad o, no con junto e nos deta lhes, pelo desejo
COI!stan tt· de fazt'r obra de al'le pl;tslie<t IJU sen lidu mais
puro da expressão. Na ;~rquitt' l tll'<·l assi111 <'Otnprt'cndi-
da , a pintura e a escu ltura vêm romar namralmente
cada qua l o seu lugar m1o coJno sirnples o r11atos 011 elc-
•nc ntos decorativos mas como valor artístico autônomo
embora fazendo pane in tegrante d<t com posi(<io rPrmi-
lhâo do Bmsil... El3U 1-
Foi em um<t obr<t cie uso efê mero que se
gestaram alguns dos d iscursos arquétipos que
iriam cloravante pm·oar a arquitetura brasileira.
A assimilação de conteúdo tradicional da arqui-
tetura coloni<tl em uma ele suas dimensões for-
mais - a curva barroca - era assumida pda pri-
meira vez desde o trauma provocado por José
96 • Arquitetu,·as no Brasil
Mariano Filho em sua campanha pelo neocolo-
nial. Até então, nenhum pronunciamento escrito
havia aven tado essa relação incestuosa entre tra-
dição e modernidade. Escrevia Lucio Costa: "Essa
quebra d e rigidez, esse movimt:nto ordenado que
percorre de um extremo a outro toda a composi-
ção tem mesmo qualquer coisa de banoco - no
bom sentido da palavra- o que é muito importan-
te para nós pois representa de certo modo uma li-
gação com o espírito tradicional da arquitetura
luso-brasileira" [Pavilhão do Brasil... 1939] .
Por outro lado, Oscar Niemeyer já f01java
nesse pavilhão nma de suas analogias preferidas
em sua apologia da curva, como revela uma car-
ta de Lucio Costa para Le Corbusier, em 1939:
"Oscar tt:ve a idéia de aproveitar a curva do terre-
no - bela como nma·curva de mulher- e o resul-
tado foi uma arquitetura elegante e graciosa, com
um espírito um pouco jônico, ao contrário da
maior parte da arquitetura moderna, que se apro-
xima mais do dórico" [Sautus et al. 1987, p. l91J.
A curva barroca e a curva feminina: este-
reótipos de uma arquitetura moderna brasilei-
ra tempos depois.
A ASCENSAO DE OSCAR NIEMEYER
Com a consagração do pavilhão brasilei-
ro na Feira Mundial de Nova York, Lucio Costa
apenas ampliou um prestígio já consolidado,
mas, na esteira do su cesso, ele reconheceu a ca-
pacidade extraordinária de seu assistente, Oscar
Niemeyer. Até esse mome nto, o jovem arquiteto
(então com 32 anos d e idade) n ão passava de
um coadjuvante talentoso: fora desenhista no es-
critório Lucio Costa/ Gregori Warchavchik, sem
ter demonstrado nenhuma aptidão especial; en-
trara na equipe d e projeto do Ministério da Edu-
cação e Saúde por deferência de Costa, assim
como compôs a equipe encarregada da Cidade
Universitári<t. Mas, ao longo dos trabalhos, reve-
lou-se uma personalidade habilidosa. Participara
de con cursos, tendo chegado próximo à vitória
(Ministério da Fazenda, pavilhão do Brasil para
Nova York), mas não despontava com brilho in-
dividuaL Apenas u m de seus projetos de maior
porte havia sido construído até então: o prédio
da entidade assistencial à maternidade, a Obra do
Berço, em 1937. Sua associação com Lu cia Costa
em Nova York (e o estímulo de seu protetor) fez
do apagado Niemeyer um arquiteto imedia ta-
mente encarregado de trabalhos de maior porle
e responsabilidade.
Em 1939, a Niemeyer seriam confiados
dois importantes trabalhos: o Serviço do Patri-
mônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) o
e n carregaria de p rojetar o Grande Hotel d e
Ouro Preto, c o prefeito indicado de Belo Hori-
zonte, Juscelino Kubitschek de Oliveira, o convo-
caria para projetar alguns edifícios públicos, aco-
lhendo recomendação de Rodrigo Mello Franco
d e Andrade.
O Grande Hotel era um projeto com d i-
fi culdades peculiares: tratava-se ele um edifício
novo, de grande porte, a ser inserido no sete-
centista tecido urbano p reservado da capilal do
ciclo de exploração de ouro na e ntão província
de Minas Gerais. Tratava-se do primeiro desafio
d essa natureza enfrentado pelo órgão que, por
princípio, deveria ser o guardião da paisagem
tradicional d a cidade, uma das mais homogê-
neas que restou n o Brasil. A ideologia moderni-
zante dos dirigentes do SPHAN repudiava as rei-
vindicações de José Mariano Filho [1943] pela
imprensa, a exigir uma o bra de gosto ncocolo-
nial como ún ica alternativa para o impasse. O
projeto d e Nicmeyer resultou numa obra cujo
volume e lançamento na topografia eram desto-
antes na paisagem. E ele era ainda condiciona-
do pelo imperativo do contexto , com pormeno-
res formais emprestados ela arquite tura
tradicional - telhas de barro, trançados de ma-
deira à maneira de muxarabis, volume longilí-
neo dividido e m balcões contín uos - que miti-
gavam a presença do edifício no locaL Não
obstante o efeito mediano, o Grande Hotel con-
figurou-se como o ponto inicial de uma atitude
em que a convivên cia d o "novo" dentro do "velho"
se realiza com a ética de evidenciar a inserção nova na
trama antiga auibuindo-lhe identidade própria -
.lludernidade Corrente • 97
'l9.0 scar Nit>llH')'f'r: paisagem descorti nacla do Grande Hotel de Ouro PrelO. MG, en1 croqui do arquiteto.
ôO.Cro<Jui de Oscar icmcycr, ilustrando uma justificati,·a do arquiteto: "Piasticamcnlc procu ra-
mos uma solução que fosse uma expressão o mais possiYcl pura de a•·tc contemporânea, mas apre-
sentando a necessária ligação com o ambiente local. Os j1ilnti.1. a cobertura de telha de canudo,
as j anelas em série, a silhueta do bloco em que predomina a linha ho.-izontal c mesmo a utiliza-
's'âu d'-' ccrtut; c ll'rrlcnLus tradi cionais, con1u tre liças etc. fo rnm crnpregados cum cs~a irncn çàn''.
61 e 62. Oscar Nicmeyer: Teatro Mu nicipal de Be lo Hori-
zonte, MG. 1940 (ob,·a não concluída) .
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98 • A rqu treturas no lJrasil
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n3 c 64. Oscar Niemeye r: ho tel da Pampulh<>, Belo H o rizonte. M(;, 1940 (o bra não rxccmada).
isto é, o novo não copia o antigo buscando con-
fundir o presente com o passado, de modo que
a arquitetura antiga seja reconhecida e valoriza-
da por ser a genuína, distinguindo-se das imita-
ções.
.Juscelino Kubitschek cha mou Oscar Nie-
meycr em 1940 para desenvolver o proje to do
Teatro Municipal de Belo Horizonte e um conjun-
to de edifícios em um novo e afastado bairro da
cidade, Pampulha. Quanto ao novo bairro, o pre-
feito contrariava uma recome ndação que Alfred
Agache - contratado por KubiLSchek para assesso-
rá-lo- lhe havia feito. O urbanista francês havia
sugerido criar uma cidade-saté lite naquele recan-
lo a 10 krn da capital. Juscelino preferiu criar um
bairro de elite, balizado por um lago artificial,
p ontilhando suas margens com equipame ntos
de lazer c turismo: um ca:;:;ino, um iate-clube,
um restaurante/casa de baile, um hotel e um
clube de golfe, além ele uma capela (!) [Segawa
1985a]. O conjunto construído da Pampulha
materializou-se apenas com os três p rimeiros
edifícios e a capela.
Em Pampulha, Oscar Niemeyer - agora tra-
balhando só - produziu uma arquite tura que se
afastava d a sintaxe corbusie riana por urna ex-
pressão mais pessoal, decert o amadurecida com
a sua expe riência novaiorquina. A sede do iate-
65.0scar Nicmcrc r: croqui da casa
para J uscelino Kubitschek na Pampu-
lha, Gelo H orizonte, MG. 1940.
66.Le Corbusier e Pierrc Jcannerel:
rasa Frrawri7, Chile, 1930 (obra não
t'xt'c utada).
clube (c uma casa desenhada para .Juscelino
Kubistchck, nas proximidades) tinha como refe-
rência a solução de cobertura da casa Errazuriz
de I.e Corbusier e Pierre .Jean ne re l (l H19- 1967),
de 1930 (planos inclinados vertendo para uma
calha central); todavia, afastando-se dess::~ inspi-
ração, o cassino é uma contrastante combinação
de um volume prismático regular, de rigorosa
modulação estrutural -explorando a liberdade
de ordenação dos espaços internos proporciona-
dos pelos pilotü -, associado ao curvil ín eo c
translúcido corpo que abriga a pisLa de dauça. A
Casa de Railc- pequeno t·estaurante com pista
de dança- é um edifício situado numa pequena
ilha artificial, de planta baseada em dois círculos
sccantcs da qual se desprende uma marqui e si-
nuosa, con1o a acompanhar as ondulantes mar-
gens do lago. A pequena capela de São Francis-
co de Assis é a obra mais instigante do conjunto.
Modemidade Corrente • 99
67.0scar Niemeycr: axonornétrica da capela de São F•·an-
cisco de Assis n a Parnpulha, 1l'lo Hori7ont ~. MC , El40.
100 • Arquiteturas no Hrasil
Inovador?_ pelo inusiLado emprego de uma casca
parabolóide para a nave, associada a abóbadas
para o abrigo das demais dependências rel igio-
sas, numa combinação de estruturas cuja resul-
Laut.c formal afastava-se de qualquer formulação
do racionalismo do pós-guerra. A capela, no t->11-
la nto, não estava concluída quando da maciça
divulgação que Pam pulha recebeu com a expo-
sição Brazil Ruilds, corno veremos adiante. O
bairro promovido por Juscelino Kubitschek, a
princípio, cliluiu-se no conjunto de realizações
que os arquitetos modernos brasileiros apresen-
tavam como sinais de uma inédila vitalidade
para um mundo em plena beligerância. Lucio
Costa, em 195 1, vislumbrou Pampulha como um
marco divisor, um "rumo diferente" que assegu-
rou urna "nova era". A repercussão dessas obras
d e Niemeyer serão revisitadas adiante.
BRAZ!!. BUJLDS
1'.·1.1 rrew que este é um dos gPstos de hwnanirlrui.P-
mais fecundos quPos t.•stados Unidos já jJraticamm
em relacrio a nrí., n.~ hrrHilt'irns_ Porque ele virá, já
vrio, regt'llf'rrt1' tt nnssa confianra nn nrís, P diminuir
o des(tstroso mmfJh•xo dt• inferioridadr• de mesticos qui'
nos prejudica trmlo. já escutt'Í muito brmiiPiro, não
apenas a.umnbmdn, mas até mesmo eslo'/1/al{ado, di-
ante desse livro que prova jJosstúnnos uma arqu.ilelu-
m moderna tiio boa como os mais avanç1tdos jHtísP.s
do mundo. Essa ronsciência dr nossa normalidade
hummw srí mrsmo os estrangei-ros é que podem nos
dar. Po-rque nÓ., pelo mesmo comjJlexo tfp injl'riorida-
dr, ou reagimos rai11(/o num poT-qur-me-ttjanismo idi-
ota, ou n-umjeca-laluísnw nmfonnista e apodrerl'nle.
MARIO DE ANDRADE, comenrário sobre
Braúl13uilds, 1943 [1980, p. 26] .
O bem-sucedido pavilhão brasileiro na Fe i-
ra Mundial parece ler sugerido ao Museum of
Modern Art (MoMA) de Nova York realizar um
reconhecimento mais abrangente ela arquiteLUra
brasile ira [Comas 1989] . Em 1943, o Mo_MAabria
a exp osição Bmzil Bu.ilds, que circulou també m
pelo Brasil. A mostra foi acom panhad a por um
68 c (j!:J_ Sobrecapa pouco conhecida do ca[áJogo Bmzil
Builds, frcJt Le e verso, reite rando as questões antigo/ mo-
derno c 1radiç:io/ rru,>deruidade ,
belo livro-catúlogo de duzentas páginas, resulta-
do de uma viagem pelo país do arquiteto Philip L.
Goodwin (1885-1958) (vice-presidente executivo
do MoMA) c do fotógrafo G. E. Kidder Sm ith
(1913-1997) , registrando a tradicional e a nova
arquitetura do Rrasil. Não se pode desvincular
esse extraordinário esforço dos norte-americanos
dos interesses geopolíticos de então_ Goodwin,
no prefácio d o catálogo, tratava o Brasil como
"nosso futuro aliado". O Brazil Bu,ilds era uma
das peças da "política de boa vizinhança" que o
presidente Franklin Roosevelt (1882-194-5) desen-
volvia na América Latina para angariar alianças
estratégicas no conflito mundial que corroía a
Europa. Até então, o presidente brasileiro Getú-
lio Vargas exercia uma política de neutralidade:
"namorava" nazistas e norte-americanos. Graças a
essa ambigüidade, o Brasil conseguiu recu rsos
norte-americanos para a implantação da Usina
Siderúrgica de Volta Redonda, Walt Disney dese-
nhou um personagem brasileiro, o Zé Carioca, c
o MoMA organizou o Bmzil Builds. E os brasilei-
ros exportaram para os Estados Un idos a atriz/
bailari na Carmen Mirancta (1909-1955) e BmziL
Bu.ilds para o mundo [Segawa l983al.
Bnnil Builds resgatava algumas imagens es-
quecidas e muitas inéditas. Dividida em duas
partes- "obras antigas", com fotogTafias da ar-
quitetura colonial e do Império, e "obras moder-
nas"-, Goodwin organizou uma publicação de
arquitetura brasileira q ue os próprios brasileiros
desconheciam , como testemunhava Mário de
Andrade. A ordenaç;:-LO "antigo/moderno" revi-
gorava a relação tradição/ rrwdernidade no d is-
curso que se instaurava entre os arquitetos mo-
dernos do Rio de Janeiro. Goodwin , como um
observador externo, enfatizava certas conquistas
de que a média dos arquitetos brasileiros não se
apercebia. Tomando o exemplo do Ministério da
Educação c Saúde (então em construção) , o nor-
, Biblioteca Joaquim Cardozo 1
l CAC- UFPE I Modernidade Corrente • 101
te-americano reconhecia a influência de Le
Corbusicr e comentava:
Nele a sua influência reflete-se acentuadame nte, o
mais importante porém é que aí se manifestam livres a
imaginação do desenho e a condenação da velha trilha
oficial. Enquanto o clássico dos ed ifícios Federais de
W<lshington, o arqueológico da Academia Re<1l de Lon-
dres e o clássico nazista de Munich dominam triunhm-
tcs, o Brasil teve a cor<1gem ele quebrar a rotina e tomar
um rumo novo tendo colllo resultado pode r o Rio or-
gulh<lr-se dt> possuir os m<1is belos edifícios públ icos do
continente ame ricano [Gooclwin 1943, p. 91 ].
Goodwin chamava a atenção das várias
verLentes modernas que se praücavam no Brasil:
a influência germânica na Escola Normal de Sal-
vador Lver capítulo "Modernidade Pragmática
I922-1943"] ou a linguagem "pesada" (no dizer
ele Goodwin) e pretensiosamente moderna, de
origem italiana, da Biblioteca Pública Municipal
de São Paulo (hoje Biblioteca Municipal Mário
de Andrade), projetada porJacques Pilon (1905-
l9b~ ) e Francisco Mat.arazzo Neto (rn. ern l~HO);
mas a ênfase recaiu sobre a p"rodução vinculada
aos arquitetos do Rio de Janeiro, com destaque
(pelo menos quatro páginas a cada um) para o
Minist{:rio da Educação c Saúde (Lucio Costa c
equipe), a sede da Associação Brasileira de Im-
prensa (Marcelo e Milton Roberto) , a Estação de
Hidroaviões (Atílio Correia Lima e equipe) , a
casa CavalcanLi, o Grande Hotel de Ouro Preto,
a Obra do Berço c o conjunto da Pampulha (Os-
car Niemeyer).
Em São Paulo, o "complexo de iníeriori-
dade" citado por Mário ele Andrade se transmu-
taria num exercício de auto-estima e imensu-
rável auto-valorização, tendo como argumento
o sucesso de JJrazíllJuíLds. Umjovem arquiteto,
Léo Ribeiro de Moraes (1912-1978) , cobrava do
poder público ("cabe ao Estado eslimuhu o de-
senvolvimento da arquitetura") maior conside-
ração para com os arquiletos de prática privada,
em detrimento das repartições públicas presas
a "rotinas" pouco criativas rMoracs 1944] . O Es-
tado era definitivamente o maior mecenas des-
sa arquitetura tão elogiada no exterior.
702 • Arqu ire/1uas 110 Rrasi!
Pouco depois de inaugurada a exposição, o
arquiteLo Henrique Mindlin (1911-1971), em via-
gem pelos Estados Unidos, tomou conhecimento
cte u ma nova expressão acerca da arqu itetura fei-
ta no país: Brazilian School [Moraes 1944; Minctlin
1975]. /Jmzil Buil,ds, publicado em pleno conOiLo
mundial, fo i o principal passaporte da arquiteLU-
ra brasileira para o mundo pós-segunda guerra.
6
A AFIRMAÇÃO DE UMA ESCOLA
1943-1960
A jJrimeira escola, o que fJode-se chamaT legitimamente de "escola" de
aTquitetum modeTna no Bmsil, f oi a do Rio de faneim, mrn I.w:io Costa
à jTenle, rt ainda r!slá ini!fUalada até hoje.
Um intelectual da importância de Mário
de Andrade parece ter sido o primeiro brasilei-
ro a caracterizar o grupo ele arquitetos em ativi-
dade no Rio ele .Janeiro como uma "escola", no
sentido ele uma concepção arquitetônica com
adeptos seguidores.
Brazilian School, Cariocan School, First
National Style in Modern Arch itecture, Neob<tr-
roco, foram alguns dos rótulos atribuídos pela
história c crítica ela arquitetura pensada e escri-
ta pelos estudiosos europeus e norte-americanos,
para a arquitetura feita no Brasil mais ou menos
entre a década ele 1930 até Brasília, naquilo que ,
no Brasil, se convenciona chamar ele aTquitetura
morlenw bn1sileira - em distinção, talvez, à aTqui-
M.ÁRIO DE A NDRADE, 1943 [ 1980, p. 26)
tetum contemjJorânea, diferenciação que se faria
n ecessária ante as qualificações ele pós-moderno
ou até o late mode-rn que se veiculam internacio-
nalmente.
Mas as considerações que originaram tais
rótulos, mais algumas apreciações amáveis (ou
não) ele repercussão internacional, devem ne-
cessariamente ser recebidas como produto de
uma revisão da prática da arquitetura que se pro-
cessou no segundo pós-guerra- e não somente
na prática, mas também na revisão historiográfi-
ca que se sucedeu na Europa e nos Estados Uni-
dos, por uma crítica especializada que, obviamen-
te, não deixou de sentir os efeitos corrosivos elo
con niLo mundial.
701 • Arquiteturas 110 Brasil
A ARQUITETURA
NO PÓS-GUERRA
Para a crítica internacional (ou , ao menos,
nos estudos publicados até o início dos anos de
1970), esse períod o do pós-guerra é re pleto ele
novos nom es c qualificações: Goff ( 1904-1982),
Sakakura (1904-1968), O'Go rman (1905-1982),
Maekawa (1905-198{)) , J ohnson, Niemeyer,
Eames (1907-1978) , Rogers (1909-1969),
Bun sch aft (1909-1990), Saarinen (1910-1961) ,
Zerhf11ss (191 1-1996) , Slllubins (n. em 1912),
Yamasaki (1912-1986), Tange (n. em 1913),
Candillis (1913-1995), Bakcma (1914-1981),
Johansen (n. e m 19 16), Utzon (n. em 1918), Van
Eyck (n. em 1918) , Rudolph (1918-1998), Viganõ
(1919-1996), Smithson (1928-1993), ao b elo dos
veteranos c mestres Mies (1886-1969), Gropius,
Le Corbusier e ' "'right [Kulterrnann 1969] .
Não faltavam qualificaç;ôes simplificado-
ras: o Bay Region Stylc norte-americano, o neo-
e mpirismo escandinavo, o New Brutalism batiza-
d o por Banham (1922-1988), o nco-realismo
italiano, o Neolihcrty de Paulo Portoghesi (n. em
1931) ou a versão italianizada da arqui tetura
wrightiana sintctizad::t por Bruno Zevi (n. em
1918) em sua an:hilettum organica, e aqueles a que
nos referimos, lembrando a arquiteLUra brasileira.
Júse disse q ue essa diversidade resultava
como corolário adverso das concepções ideadas
pela geração pioneira ou pelos vários movimen-
tos presentes do início do século 20 até o fim dos
a nos ele 1 9~0 , estabe lecendo o lnternational
Style ou, melhor, uma diversificação contestado-
ra ela suposta austeridade e impessoalidade des-
sa arquitetura dita "funcioualista". Constituíram,
portanto, regionalizações como con traponto à
h omogeneidade pressuposta pelos p ioneiros,
muitas vezes, conformando não mais que idiossin-
crasias arquitetônicas em nome de concepções
efetivas. Eram algumas manifestações CJUe, imbuí-
das de "historicismo", semeavam o icleário pós-mo-
derno acalentado na metade dos anos de I970.
A NOVA GEOGRAFIA
ARQUITETÔNICA
No pós-guerra, a geo?;mfia da arqu itetu ra
m oderna diversifi cava-se: não mais (ou não só)
a França, Jtália, Alemanha ou llol<tnda, 111as tam-
bém , a partir de então, os Estados Uniclos (bene-
ficiados pela im igração dos "notáveis" europeus
corno Gropius, Mies, Rreuer (1902-1981), Men-
delsohn (1887-1953)), oJ apão, os países escandi-
uavos, o México, a Venezucb-1, o Brasil. Geog-rafia
que não pôde se clesvincnlar de alguma geopolí-
tica: foi Winston Churchill (1874-1965) em 1946
qne alertou os uorte-american os p ara a su a nova
posiç:ão perante o devastado panorama elo mun-
do, causado de guerra. A crise nos gran des cen-
tros capital i sta~ (França, Tngla le r ra, Bélgica,
Holanda, Itália, Alemanha c .Japão) reforçava a
posição dos Estados Unidos de centralizar e de-
senvolver "as decisões e açôes in d ispensáveis à
p reservação e expan são do sistema econômico
funclaclo na livre empresa". A Doutrina T ruman
indicou o~ caminhos norte-americanos ele inter-
venção nos assuntos políticos internos de nações
pe riféricas, estabc lccenclo o sentido da chamada
Guerra Fri a. O presiclen te norte-americano
IIarryTruman (1884-1972), em 1949, anunciava
o pomo IV, "relativo à assistência e cooperação
com as 'áreas subdest>nvolvidas', com o parte de
u m program a em favor da 'paz c Hherdade"'
Llanni 1971, p. 104] .
A debilitada Europa Ocidental acabaria
reco1-rendo aos Estados Uuiclos, que proporiam
o Plauo Marshall para a recuperação dos p rejuí-
zos do palco ela g uerra. A América Latina, e o
Brasil em part icular, beneficiada por imenso sal-
do em câmbios estrangeiros, preparou a dinami-
zação de seu seto r industrial - não sem an tes se
situar na esfera da influência política e econômi-
ca norte-americana: "corrcspondeu à conciliação
entre a decisão dos govcrnauLes d e impulsionar
o d esenvolvimento econômico brasileiro, a escas-
sez de recursos (capital e tecn ologia) n acionais
e a nova fase de expansionismo econômico dos
Estados U nidos" [lanni 197 1, p. 117].
O próprio (;IAM apercebe-se dessa realida-
de quando recomenda trato especial no tocante
<1 "atitude do arquiteto fren te aos países subde-
~enlolvdos", no dizer de Siegfried Gicdion , num
prefácio da segunda edição de ; Decade ofConlun-
pomTy An:hiti'Ctu:re, ao fazer um r(tpiclo balanço dos
novos problemas cristali1.aclos nos anos 1947-1951.
AUTOCONSCIÊNCIA DA MUDANÇA
Essas relaçôes j á co ntribuíam para o
redirecionamento da política externa brasileira.
Colatcralmen te, a difusão da arquitetura moc!cr-
na brasileira benefi ciou-se dessa ligação. No ca-
pítulo anterior, comentei :;obre a origem c reper-
cussão da exposição c catálogo Rraúl Builds, do
~1useurn of Modcrn An of New York, c essa ini-
ciaftva àeve :>tr ·mseúà d. Y) <:on .e';(...0 (.<.:. 1..)'a se
configuro u.
N um d iscurso p ronunciado na Escola de
Engenha ria Mackenzie em agosto de I ~.J4!), o
arquiteto H enrique Mind lin prestava co11tas d a
importância c da auto-suficiên cia dessa nova ar-
quitetura emergente:
O roteiro da nova arquiteLura n o Brasil j:1se acha
traçado. Como nos ouLros países, ondt> o trabalho dos
bon, arquitetos. evoluindo do estrito fullcionalismo de
'lHe ano~ alr{IS, se c:wacteriza hojt> por 11111 regionalismo
-....<dio, assim também entre nós o.~ arquitetos emancipa-
dos estiio criando uma nova visáo, uma uol'a li nguagem
o~.rqu i telural. Não se trat:·l ele estreito nacionalismo, c sim
•~e uma adaptação prorunda à terra e ao meio. Dentro
óa mais completa identificação com o espírito da época,
,obre a base larga d e liberdade espiritual. C]ue é uma u·a-
;'to da nossa cultura, ao sopro ele um lirismo que é o
re1lexo ela alma coletiva, os n ovos arquiLetos elo Brasil
C"'..J.o criando a arqu itetura elo sol. Do sol, porque foi uo
~n1do do fato pri mário da luz no controle da insolação,
uc: 'e assen t(lram as primeiras realízaçôcs concretas da
o s-a arquíLcLura. Foi assim que nasceram a rBl, o Mi-
·.-·t:rio ela Educação, a Estação de Hidros e tantas outras
cbf'.._, que a crítica internacional consagrou como a PSCO-
zsileira. Foi ela con~osa aplicação de um ponto de
" t;.,. intransigen temente orgàn ico aos nossos proble mas
kx.-'i~. que surgiram esses edifícios che ios d e luz c ar
a.puntados em Lodos os países como exemplo aos arqui-
A Afirmaçào de 111110 F.scola • 105
tetos d e hoje. Esse prestígio de que se dourou a cultura
brasileira, pelo consenso internacional de que tais obras
consliLuc m atualmen te a mais importan te co ntribuiçüo
do Brasil ao p<~ trilll ôni o da cultura uni versal, esse reco-
n hecimento I!;Cral de <tue a nossa nova arqu itetu ra in te-
ressa ao mundo ínLciro, clcvc·m servir, ao me nos, para
apon tar o camin ho a q ttcm (]ueíra estudar ar(] uit<' tltra
lMindliu 1975, p. 172].
ATENÇÕES CULTURAIS
SOBRE O BRASIL
Antes de entrar no mérito das apreciaçôes
interuacionais sohre a arquilc tura brasileira, va-
leria a pena ampliar um pouco mais o guadm da
internacionalização da arte no Brasil, ocorrência
sim ultânea ü o msoliclação da n ova arquitetura.
No panorama m undial d o período da
guerra, dois nomes brasileiros d estacavam-se no
cenário das artes: o p in tor Cândido Porünar·I e
o músico Heitor Villa-Lobos ( 1887-1959). Poni-
nari colaborou com os arqu itetos brasileiros nos
painéis do edifício elo Ministério da Educação e
Saúde (1945) c no edifício-sede da ONU e m No-
va York (1957), n otabilizando-se pe la pin tura de
cunho social, na trilha do muralismo mexicano.
A p L~j ança econômica no imedia to pós-
guerra concorreu com um ambien te prop ício
para um maior in tercâmbio com as artes plásticas
internacion ais: a criação do Mu seu de Arte de São
Paulo (MASP) em ]947, sob o patrocínio do em-
presário de comunicações, Assis Ch ateaubriand
(1892-1968) , ens~j ou a vind a do casal Lina Bo
(1914-1992) e Pietro Maria Bardi (n. em 1900)
para a organização do novo espaço cultural, assim
como a aquisição de impo rtantes obras de signi-
ficativos pintores europeus de várias épocas, cons-
tituindo o mais importante acervo do gênero na
América do Sul. Para a formação dessa cultura
cosmopolita, contribuíram também a criação do
.:vfuseu rle Arte Moderna rlo Rio de J an eiro
(MAM/ HJ) e o Museu de Arte Mode rna de São
Paulo (MAM/ SP- este, núcleo gerador das bienais
de a rtes plásticas) -ambos em 1948. Nesse a no,_
o a rquiteto Hen rique Mindlin organizava, no
106 • Arquitelurtts no Brasil
...~ .......
70.1ffonso Eduanlo Rcidy: proposta de muS("ll com planta triangular na avenida l';llllista, São Paulo, inicio da década ele
1950.
salão do pioneiro ed ifício do Ministério da Edu-
cação e Saúde, uma exposição do emergente
Alexander Calder (1898-1976) , assim como dois
anos depois, a exposição do suíço Max Bill (1908-
1996) no MASP influenciaria Locia uma geração de
jovens artistas concrelistas brasileiros. O evento
culminante dessa rápida fermentação foi a Bienal
Inrernacional de Artf'S Plásticas de São Paulo, rea-
lizada pela primeira vez em 1951 , gesto eloqüen-
te e mecênico do industrial Francisco .Matarazzo
Sobrinh o (1898-1977) -típico capitão-de-i ndús-
tria produzido pelo esforço da imigração italiana
em busca de fortun a em novas terras, acolhido
pelo febril arnbiente de São Paulo.
A segu nda edição da llien al, inaugurada
em fins de 1953, concorreu tam bém com os pre-
para tivos dos festejos do quarto centenário da
fu ndação ela cidade de São Paulo (no ano seguin-
te) constituindo o cenário adequado para pr~je­
tar, em definitivo, o evento entre os grandes acon-
tecimentos in ternacionais no mu ndo elas artes
plásticas e arquitetura. Durante as primeiras Bie-
nais, para o Brasil acorreram críticos, historiado-
res de arte e arquiteros internacionais, amplian-
do o circuito de d ivulgação da atividade artística
e arquite tônica e m curso no país. Giedion, Gro-
pius, Pani (1911-1993), Sakakura, Aalto, Sert
(1902-1983), Rog-e rs, Breu er, entre outros, por
aqui passaram como membros do júri das Bienais
ou participantes em even tos. Ao que se saiba, a
primeii-a premiação internacional concedida a
Le Corbusier foi numa Bienal de São Paulo.
O crítico b rasileiro Mário Pedrosa (1900-
1981) observou que a Bienal
[...] cedo extr avasou de nossas fronteiras, e atraindo a
ate nção dos meios artísticos dos países vizinhos, p ermi-
tiu q ue se intensificasse o intercâmbio cultural entre o
Brasil e as n:~ çõcs latino-americanas. E sol.HT esses p::tí-
ses, mesmo os ma is remotos e isolados, exerceu ames-
ma influência que sobre os centros regionais elo Brasil.
Na época d as bienais, São Paulo tornava-se, com deito,
um centro vivo de contalO c inte•·câmbio de impressões
e idéias cnrre críticos e artistas do mundo, mas sobre-
tudo da América Latina [Pedrosa 1973, pp. 9-lüj.
Esse contexto é parcialmente explicador
da repercussão do Brasil no ambiente das artes
plásticas em geral e, em particular, da arquitetu-
ra no panorama mundial. Oscar Nicmeyer era
lançado como o grande arquiteto, ombro a om-
bro com os "notáveis" dos países desenvolvidos.
Lucio Costa, Affonso Eduardo Rcidy, irmãos
Roberto , Rino Levi, Roberto Burle Marx, Sérgio
Bcrnardes (n. em 1919), Oswaldo Bratke, Jorge
Moreira, Grcgori Warchavchik e outros tornam-
- - - - -- - - - ---------------------------------------------~
A AjlnnaçZlo de u ma A'scnlci • 10 7
71. Sérgio Bnnardes: projelo de residência, final dos anos de 1940.
se nomes familiares nos p eriódicos e livros es-
trangeiros especializados em arte e arquitetura e
até em tecnologia.
O PONTO DE VISTA
INTERNACIONAL
l::nt.re 1943 c 1973, o levantamento biblio-
grát1co de Alberto Xavier ls.d.J registrou B7 re-
ferências em periódicos .especializados fora elo
Brasil, tratando da arquitetura brasileira em ge-
ral, e 170, a resp eito de Brasília. Desses, d estaca-
·w n-se os números especiais dedicados ao Brasil
da L'Architecture rl'aujourd'h1ú (1947, 1952, 1960,
~964) , ArchitecturalForum (1947), Progressive Archi-
.«ture (1947) , Ar-chitecturalReview (1954), Arquitec-
.,ra illéxico (1 95tl), Nuestra Arquitectura (1960) e
Zodiac (1960) . Revistas como Architect-ural R.eview,
T~rhniqw:s et arr:hiter:ture, A n:hiter:tural Recorri,
_i.rchitectural Design, RJBA .Journal, Arhitektm;
_vchitecture/fonnes/fonctions, Domus, Werk, The
.1.rchitects '.Joumal, Ehistiks, Casabella, Landscape
_·vchitecluTe, Cmnache di Architettura, AIA.Jou.rnal,
en rre ourras, publicavam ar·tigos com freqüência
sobre temas brasileiros. Autores como Giulio
Carlo i.rgan, vValter Gropiu s, Max llill, Gillo
Dorf1es, Siegfried Giedion, Nikolaus Pevsner,
Gio Ponti (lHY l -l Y79) , .Michel Kagon , Alberto
Sartoris, Ada Louise Huxtable, Richard Neutra,
Bernarcl Rudotsky (l905-1988), Bruno Zevi, Fran-
çoise Choay, Sybyl Moh oly-Nagy, Pier Luigi Nervi
- lembrando alguns, elogiavam ou criticavam a ar-
quitetura brasileira em artigos publicados em pe-
riódicos. Três artigos de ArthurJ. Roasc, publica-
dos em },'ngineering News R ecm"d em 1944-1945,
chamavam a ate nção para a peculiaridade do cál-
culo estrutural em concreto no Brasil, em especial
no edifício do Ministério da Educação e Saúck.
Após o Brazil Build~} de 1943 - que pode
ser considerado o pioneiro livro internacional
sobre arquitetura moderna brasileira - , a primei-
ra monografia com tema brasileiro foi The Worl~
of OscaT Niemeyer, ele Stamo Papadaki, em 1950;
seis anos depois, o mesmo autor publicou Uscar
Niemeyer: vVorhs in Progress- ambos editados pela
Rcinhold d e Nova York. Nicmcycr teve vários li-
vros dedicados à sua obra, em diferen tes línguas.
O livro de Henrique Mindlin, Nlodern Architecture
in Brazil, de 1956 (edições no Rio de Jan eiro/
Amsterdã e Nova York) , tornou-se a mais difun-
dida obra sobre o conjunto da produção brasilei-
ra depois de BmziL Builds. Mora Niemeyer, so-
·~
108 • Arquilelu ras no JJrasil
men te Arro nso Eduar do Rcidy m ereceu uma
monografia estrangeira nesse pe ríodo: o Affonso
Fdurmlo Rt!idy: Works and Proier:Ls, de Klaus Franck,
editado ern inglês c alemão e m 1960.
A OPINIÃO ESTRANGEIRA
Qual é a umfr·iúuiriio da arquiletum úmsileira
110 movimento contnnpurrineu? Na minhn ojJin.iào,
são li"Í;~ t•lmumtos: emjn-inll•iro lugm; a gen.erosirludr
do desr•nho r ria ronstruçâo; em segundo lugar, lntzer
solurtit's simjJles para jnohlnnas t:omplexos, Si'lll ex-
rlui1· a nPrr•uária <nganizarão, mos st•m estar rlomi-
nadajJor l'ia; t' rlaertu a rontriúuirrio mais import(UJ-
te pam 11 arqu.itetn ra runtemfJorânPa: o senso que
jumnite animar as grandes mfH'rficifs por eslrulumç
vivas P multifonne.~.
S!EC FRIED G ! F l)ION, 19!)2
[l.'Arrhi/('(ture d'nujourd'lwi 19G2]
Num primeiro esforço rle ;.~ prox im ação
polítiGI via intercâmbio cultural no :;cgundo pós-
guer ra, na !in ha do Bmzil Bu.ilds, o Mu seum of
Modern Art de Nova York promoveu , em 1955,
a exposição c o catálogo Latin Arnerican Anhitec-
t-ure sinre 1945, com a participação do mais pres-
tigioso crítico e historiado r norte-american o do
momento, Henry-Rnssell Ilitch cock - o idealiza-
dor, ao lado de Philip .Johnson (n . e m 1906), do
manifesto lnternational Style, de 1932. Em seu
texto, Hitchcock. tecia elogios à arquitetura lati-
no-americana com fo rte d ose de paternalismo .
Na geografia da <'~rqui telllra do pós-segunda
g uerra - a qual implicava tarnh ém necessaria-
men te dimensões geopolíticas-, os países peri-
féricos (mesmo semi-incólumes das fagulhas da
gue rra) foram postados na linha auxiliar dos ri-
cos - observação facilmente comprovávcl na lei-
tura dos sumários e ínrlices das publicações eu-
ropéias c norte-americanas editadas até os an os
de 1970. Compêndios de história da arquite tura
mode r na m u ndial são p rodu tos editoriais dos
pa íses desenvolvidos.
Alguns deles d edicam capítulos ou comen-
t{trios sobre a arquiLCLura brasileira. De man eira
geral, os panoramas mais bem rcalizarlos, como us
ele Leonardo Benevolo 11974] e Ken neth Framp-
ton [1981], seguem uma in lerpn:tação desenvol-
vida por Mário Pcd rosa, publicada em 1953 na
L 'Arclzitectw·e rl'aujottrd 'hui. Gillo Do rfles, em seu
L'Anhitettum Morlf!l'na [1957, pp. 110-l HJ, escre-
ve um capítulo in titu lad o "A Nova Arq uiletura
Brasileira e o Neobarroco".
Em 1954, Gropius afirmava qne os brasilei-
ros "desenvolveram uma atitude .:u-quitctôn ica
moderna própria" e dizia: "eu não acredito q ue
se ja apenas urna moda passageira, mas um movi-
mento co m vigor" [Anhitectuml Revir1w 19EJ4].
As qualificações e aproximações são as mais
diversificadas. DorDcs, num artigo para Dmnus em
setem bro de 1959, faz um jogo d e p alavras reu-
nindo dois tem as do mom ento: "Neobarroco ma
non ncoliber ty". Thom as Creighton , num a Pro-
gressive Architn'lttTe tam bém de setembro de 1959,
publicou um anigo sobre a a rquitetura brasileira
com o t.ítulo 'Thc New Scnsmtlism".Já Rcync r Ba-
nham, mais tarrli:1mentc, classificou r1 arquite tura
brasileira como derivada dos postulados corhusi-
erianos, m as chamando-a de "ti rst natio nal style
in modern architeclUre" [Banha m 1977, p. ~9] .
Em bora prevalecesse certa perplexid ade
positiva pela arquiterura que se prorluzia n o Bra-
sil, nem todas críticas eram favoráveis. Max Bill,
Brun o 7.evi e N ikolaus Pevsner estavam e ntre
aqueles que disparam ácidas considerações sobre
a "escola brasileira".
Coube ao designer suíço Max Bill as pri-
me iras contunden tes críticas não assimiladas
pelos arqu ite tos brasileiros. Lau reado corn o
Prê mio Internacional de Escultura da I Bienal
d e São Paulo em 1951, conferencista em su a vi-
agem ao Brasil no ano seguin te e, nessa época,
no meado reitor da H oc/w;hule für Gestaltung d e.
Ulm, Bill escreveu uma contundente crítica n a
Arrhitectuml Review rle outubro de 1954, referi n-
d o-se com ênfase aos pilares desenhados por
Oscar Niemcyer em edifícios do conjunto d o
Parque Ibirapucra em São Paulo (onde se pro-
moveu a li Bienal):
110 • Arquile/uras 110 Brasil
urna tradição de cultura ainda em formação - o que nos
Pxpi'><' naturalmente mais à crítica daqueles que sejulgam
repres(•nr;mws c!P uma civilização su perior. 1as, tamh.:m,
somos simples e confiantes em nossa obra. O suficien te ,
pelo tnenos, para apt·eciar essa cd tica, ainda quando par-
la de homens q ue não possncm, profission<-tlmC'nte, as crC'-
dcnciais necessárias. É claro flUe <1 autoridade ele Cmpius
é diferente, embora cumpra ressalvar a pouca afinidade
q ue temos com sua técnint e fria sensibilidade.
Consideramos a Anptilettll'a obra de ane e que, como
tal, sô subsiste quando se ren~la espontânea e criadora.
Trabalhamos co m o concreto armado, material dócil c
generoso a todils as nossas t:tn tasias. Tirar dele beleza c
poesia. especular sobre suas imensas possibi lidades é o
tlue uos seduz c apaixona. profissionalnteult'. E por estas
r01zües é q ue Lall LO nos identificamos cotn a obra de Le
Corbusirr. Obra dr amor e harmonia, onde as caracterís-
ticas (,k criação c beleza são as constan tes fundamentais.
E f'oijustamcnte de ntro desse espírito de liherta(<io
e niação at·tística que a nossa Arquilctura conseguiu em
qninrt' anos ( I ~::$8-1 953) o pres1ígio mundial d(• q ue ine-
gavehncnte hoje desfruta ["Criticada..." 19i'i5 , p. 171.
O corpo .editorial da Módulo foi menos su-
til: procurou rebaixar a autoridade de Ernesto
Nathan Rogcrs c Max Bill (que escreveram na
tevista inglesa) afirmando desconhecer a obra de-
les, "a não.ser pequenos e inexpressivos projeLOs",
desdenhando ironicamente. Na edição seguinte,
a revista apelava para a rctaliaç:'ío: reproduzindo
imagens de um pobre cor~jun to habiracional em
Milão projetado por Rogcrs (então ed itor rlil
Casabella-Continuità e respuusávcl pela transfor-
mação da revista numa das mais conceituadas pu-
blicações européias entre 19fí3 c 1964) , a Módulo
prete ndeu atacar a competê ncia opinativa do ar-
quiteto mostrando uma obra menor, no lugar de
rebater as opiniões divergentes com argumentos.
Isto é, procurou desquali.G.car o crítico, não a crí-
tica. 1nfelizmcntc, o esnobismo e as reações in-
tempestivas c retaliativas tornaram-se a norma de
resposta às críticas formuladas contra a arquitetu-
ra brasileira. Contrariamente à elegância contun-
dente de Lucio Costa, os arquitetos brasileiros, de
maneira geral, preferiram o caminho mais fácil e
menos inteligente ele não assimilar e raciocinar
sobre as opiniões contrárias, virtualmente criando
uma barreira contra críticas de qualquer nature-
%a- formuJaclas no exterior ou aqui, mesmo sen-
do pertine ntes. Esse comportamento inibiu algu-
mas gerações de arquitetos brasileiros e sufocou
uma discussão construtiva - em parte, responsá-
vel pela atitude refratária a qualquer forma de crí-
tica à arquitetura brasileira desde e ntão até hoje.
Pampulha, de Oscar Nicrneyer, tornou-se,
no pensamento de )Jikolaus Pevsner, uma obra
de caráter subversivo. Na virada da década de
1950 para 1960, u mil polêmica tornou conta dos
debates arquitetônicos na Europa, envolvendo
Bruno Zevi, Reyn er Banham c Pcvsne r, d e um
lado, na d efesa de uma postura funcionalista c
t.ecnologista da arquitetura moderna, contra ma-
nifestações de "histuricismo", corno a colocada
pelo grupo italiano Neoliberty, capitaneado por
Ernesto Rogers. Não cabe retomar essa discus-
são, registrada por Manrredo Tafuri no primeiro
capítulo ctc 'f f.orif! e Storia rfplf'Architettura e por
CharlesJencks no início da terceira parte de T'he
Lm1Kuage ofPost-mor!Pm Anhitecluu:. Pcvsner, n um
célebre discurso no Royal Institute or British
Architects em 1961, publicado no Joumal da e n-
tidade, Modem Archileclurr' anrl the Histmian, or the
Retum oj' .llisto-rir.i.wn, atribui a Nierneyer u ma
grande responsabilidade:
Mas a questão fu ndamental para explicar o retorno
d o ltistol'icismo con tinua a ser o fato de q ue, mais ou
menos a panir de 1938, ocorreu uma mudança na ar-
qui u~ rnra . A princípio ela pareceu baslan l.e inócua: o
NPo-Accomodating da h abita~·ão esca ndi nava e o Beton-
Rororo na obra de Oud e o utros, pouco an tes da guer-
ra. Mas repentinamen te ela ga11hou enorme vigor, com
o jovem Oscar Niemeycr no Brasil, em 1942-43. Seus
ed ifícios são os primeiros que, de mo do enfático, não
milis pertencem ao chamad o /n(ernatimwl Style, c são
o bras qu e têm força, têm porlrr, que ostentam uma
grande carga de o riginalidade, mas são, enfaticamente,
anti-racion;lis [Pevsner 1961] .
Nessa oportunidade, Pevsner qualificou a
produçào de arquitetos como H ans Scharoun
(1893-1972), j 0rn Utzon, Felix Candela (1910-
1997) e Oscar Niemeyer como de um anti-máona-
lismo pós-mnrlrrno, num dos primeiros empregos do
te rmo "pós-moderno" na crítica de arquitetura.
Menos controvertida foi a aceitação do
trabalho paisagístico de Roberto Burle Mar x.
Siegfried Giedion foi um exaltado admirador
do paisagista brasileir o. T raçando uma rápida
evolução da arte dos jardins- com o paisagismo
inglês, citando Frederick Law Olmstead (1822-
1903), Adolphe Alphand (1817-18~1) - o críti-
co suíço se questionava e respondia:
Como imaginais o jardim íntimo de nosso tempo?
Como utilizar a cor? Que formas dar aos canteiros de
flores e gramados? As respostas serão imprecisas c, se
perguntarmos o nome de h orticultores qu e tenham
encontrado uma exprcssiio que seja verdadeiramente
aquela elo jardim ele nossa época, estaremos diante da
incerteza. Sem risco poderei indicar um: é Roberto
Ru de .Marx elo Rio de J aneiro. Ele é pintor abstrato. F:
um artista sensível que com preend e a linguagem das
plantas. Em seu país exótico, e le pesquisou as plantas
nativas nas !lorestas virgens amazônicas. Mas ele encon-
trou, também, a maneira de usar as plantas mais sim-
ples, aquelas que crescem em todo lugar. As flores são
plan r:1das em massas c co1-cs unifo,·mes. Esses tufos de
cores fortes, com formas livres, são como que extraídos
de uma tela e pousados sobre o relvado. Esta afinidade
com a ane contem porânea é o segrecto elos jardins rk·
Burle Marx rG1edion 19521.
A Ajlrmação de uma E'icola • 111
Esse discurso de Giedion parece ter orien-
tado a maioria das apreciações posteriores sobre
Burle Marx, que alcançou o reconhecimento
mundial como um dos principais paisagistas do
século 20.
A produção latino-americana, e a brasilei-
ra em particular, que alcançou significativa reper-
cussão mundial no período, sempre foi analisada
como extensão do lnternational Style formado a
partir dos anos de 1920 na Europa, o que, confor-
me a abordagem, pode constituir grave equívoco
conceituaL Não existiu um lntcrnational Style pro-
priamente dito no Brasil, antes do advento do gru-
po do Rio de Janeiro no cenário da arquitetura
local, à exceção, talvez, do esforço isolado de um
Gregori Warchavchik no final dos anos de 1n0.
Algumas análises da crítica internacional pressu-
põem que a moderna arquitetura brasileira evo-
luiu na mesma linearidade histórica configur<tda
nos países europeus, analogamenle ao raciocínio
que vislumbra o barroco/ rococó latino-america-
no como mera extensão do fenômeno estilístico
7'l. Rohf'rio Rurlc Marx· flora do granito do Parque Zoobotãnico de Brasília, 1961.
112 • 11rqullelums nu Bmsil
europeu. Entretanto, as comemorações do quin-
to centenário da chegada de Colmnl>o à Améri-
ca, se enfatizaram, desde 1992, a revisão a respei-
to do alcance da influência do Novo Mundo no
pensamento do velho continente.
A arquite tura moderna brasileira, mesmo
informada de um conteúdo internacionalista,
correspo nde a um esforço de transfiguração de
concepções, adquirindo cores próprias sem se
apoiar numa tradição local imediata (eclética
nas trb primeiras d écadas do século 20) mas
buscando no passado referências de ideutidade
- um desafio pr-óprio ciaqueles que buscam a cri-
ação c a originalidade inerentes à con tempora-
nc irlade, mesmo enfrenta ndo c carregando as
marcas das incoerências políticas e sociais bem
como o peso das divergências ideológicCis de um
país à margem.
QUADRO DE
CONFLITOS IDEOLÓGICOS
Con tradiçôcs idcolúgicas parece Ler sido o
aspecto comum a vários países latino-america-
nos. Um fato marcante na implantação do movi-
mento moderno no suhcontinente latino foi o
evidente patrocínio governamental: o grupo bra-
sileiro liderado por Lucio Costa Leve impulso
inicia l do presidente Getúlio Vargas - um dita-
do r que tendia para o fascismo - , e seus desdo-
bramentos posteriores tiveram forte impulso ofi-
cial para efetivar suas criações arquitetônicas; no
Mé-xico, Juan O'Gorman, Juan l.egorreta, Álva-
ro Aburto, J osé Villagrán Carcía (1901-1 982); e
na Vcnezuela, Carlos Raúl Villanueva (1900-
1972) realizaram su as obras com pleno apoio
oficial de governos populistas. O patrocínio es-
tatal como pano de fundo para a introdução do
modernismo na América Latin a não passou d es-
percebido a Henry-Russell H itchcock [1955].
A arquitetura c a arte moderna brasileira
desenvolveram-se no imediato segundo pós-guer-
ra- ambie nte da chamada Guerra Fria. O mais
eminente dos arquitetos brasileiros, Oscar Nie-
meyer, sofreu severas restrições no período por
sua postura abertamente comunista: teve seu vis-
to de entrada recusado pelo Departamento do
Estado norte-americano em l 946 para uma con-
ferência em Vale, assim como foi impedido de se
tornar professor na Universidade de São Paulo
em 1951. Contudo conservou considerável clien-
tela oficial no Brasil, Lendo participado da equi-
pe original que desenvolve u os estudos para a
sede das Nações Unidas em Nova York em 1947,
como também projetou uma unidade de habita-
ção em Fe rlim em 1955. É certo que o credo co-
munista do mais importante arquile to brasileiro
influenciou o pensamento das novas gerações.
Cândido Poninari, o mais prestigiado pintor bra-
sileiro nessa época, elegera-se senador da Repú-
blica em ]946 pelo Partido Comunista Brasileiro.
A intelectualidade, por assim dizer, "pro-
gressista" cntr incheirava-se nas esquerdas. A con-
tradição aparente enrre a vanguarda artística do
momento c seu "idílio" com governos antagôni-
cos ao pensamento socialista, aliada à tutela nor-
te-americana, couheceu episódios que bem acen-
tuam a delicada teia de relações políticas elo
momento. Um dos mais combativos críticos de
arte e arcp1itetura brasileira, Mário Pedrosa,
trotkista, defendia abertamente a Bienal de São
Paulo e nquanto alternativa para ampliação do
repertório artístico, rompendo o "círculo fecha-
do em que se desenrolavam as atividades artísti-
cas no Brasil", embora reconhe:ccsse o conteúdo
especulativo-capitalista por trás do evento [Pc-
drosa 1 97~]. O próprio Pcdrosa foi o p rimeiro a
alertar, no plano internacional, e m artigo para
L 'Architectu·re d 'aujou·rd'huí em 1952, sobre as re-
lações entre a ditadura e o patrocínio da arqui-
tetw·a moderna no Brasil.
Na corrente principal da esquerda brasi-
leira, situada e n Lre os membros do Partido Co-
munista Brasileiro - então estalinista,- urna de
suas alas fazia a crítica ao movimento moderno
centrando-se na questão do suposLo distancia-
mento entre a linguagem estética do moderno c
o repertório formal de domínio popular, ou da
"arte do povo revolucionário". O arquiteto De-
métrio Ribeiro (n. em 1916) - importante lide-
rança intelectual em Porto Alegre- defendia no
início dos anos de 1950 uma arquite tura que pu-
desse ser "compreendida pelas massas", porquan-
to a nova arquitewra diferia "da arquitetura do
nosso passado e de lodos os edifícios que o povo
conhece". Para Ribeiro, a arquitetura moden1a
continuava "isolada do povo c reservada aos lati-
fundiários burgueses", "para agradar à burgue-
sia" [Amaral 1984, p. 2791, insinuando, sem
mui1a clareza, uma arquitetura rormalmente re-
ferenciada em padrões convcnciouais. F.m 1956,
Ribeiro, Nelson Souza (n. em 1925) e Enilda
Ribeiro (n. em 1923) publicavam sua proposta
de moção ao IV Congresso dos Arquitetos, na
qual concluíam:
1) A arquitetura brasileira está ameaçada de dege-
nerescência devido ao seu isolan1e11to do povo.
2) A ún ica possibilidade de d csenvoh·ilnento da a r-
quitetu ra brasi leira 1·csidc em sua dcnwnatização, na
base ela satisfação das necessidades materiais c cspiritn-
ais d o povo.
~) Os con h ~c:imen tos teóricos dos a1·qnitcros sobre
os problemas sociais, h istóricos 1:' e.~téticos desempe-
nham um papel decisivo na evolu(ão ela arquitetura. O
d ebate desses p1·oblemas n o IAB (l nstilnto de Arquite-
tos do Brasil), nas organ izações estudantis, c nas esco-
las é uma uecessidacle urgente da ;.~ rqni t c-tnnt brasilei-
ra [XaYie1· 1987, p. 154].
Outra importante liderança emergente
nos anos de 1950,João Batista Vi lanova Artigas
(1915-1985)- que se tornaria a mais importan-
te figura de São Paulo nos anos de 1960 - , con-
testava posturas "revivalistas" n<-~ forma arq uiletô-
nica (ou a busca de imagens estereotipadas da
cultura popular) , sem, contudo, deixar de l ado
ataques ü arquitetura modernr~ como uma forma
de dominação do capitalismo. Em dois artigos
puhlicarlos e m 1951 e 1952, respectivamente, "Le
Corbusier e o Imperialismo" e "Os Caminhos da
Arqttiletura Moderna", Artigas sentenciava: ''A
arquitetura morlerna, tal como a conhecemos, é
nma arma de opressão, arma da classe dominan-
te; uma arma de opressores contra oprimidos"
rArtigas 1981, p. 63]. Em outro lugar:
Hoje f1952] a arquitetura moderna bt·asile il·a pmgri-
de no 'eu tido de servir ele can at. ele propaganda para
11 l l}irmaçéio de 11 ma Escola • J 73
tudo quanto f- malandragem comercialcsca do tipo ven-
das em condomínio c hotéis e m praias dt>st'rt.as, ao mes-
1110 tempo que con corre, para reforçar a penetração do
impct·ialismo, dando-lhe cobcnun1 para entra1· despcl·cc-
bido pelas ponas d os movimen tos culturais do ti po
Bic-nal de São Paulo o u União Cultural Brasil-Estad os
Unidos [Anigas 19RI , p. 77] .
Posições essas que transcendiam as formas
de crítica arquitetônica conentes do momento,
<:ntrclaulo, carregadas ela linguagem temperada
da Guerra Fria c ele lllTla ortodoxia ideológica
decorrente do m eio político da época. Artigas,
posteriormente, abrandaria seu discurso virulen-
to, caminhando m esmo por uma linguagem cor-
busieriana em sua obra, uma década depois.
Uma crítica coutundcnte contra a arquite-
tura moderna brasileira encontrava um ponto co-
mum: a sua pouca expressão em obras de cunho
social - à exrcção elo isolado projeto habitacio-
nal de Pedregulho , rlt' Al"fonso Eduardo Reidy.
Essa crítica, n;corrente nas esquerdas, atazanada
por Max Rill, tinha vazão também c>m interlocu-
tores ao centro, como em Henrique Mindlin, tão
cedo como, em 1945, uo discurso enaltecedor do
reconhecimento internacional da arquitetura
brasileira reproduzido rarágrafos atrás. Dizia de:
F.n trerantn, falta-nos ainda muita coisa. falta-nos a
visão concreta, re<~ l izad a ua p1·<'í ti c<~, rios grandc-s pro-
blemas sociais ela colet ividarle. Faltam-nos habitações
populares, falta ut-uos escolas, hospitais, loc<1 is clec~ ntcs
de trabalho. Faltam-nos, ~ohrctu do , um urba n ismo de
sen tido soei<~ L um urbanismo voltado para as ncccssida-
dC's do pm·o, da massa trabalhadora e mio paJ a as con-
veniê ncias de al g uu~ 111 ilhares d e a u tomóveis. Sup1 i1·
essas faltas, equipar o Brasil de amanhi"t, st-"rú tllll traba-
lho giga ntesco, uma tarefa para a qual todos os a rq ui-
te tos do país serão po ucos. Po1· isso poderá ser também ,
se soube rem si:' int C'grar no espírito elo nosso tempo.
CO IIIO ho1nens e como cidadüos, ;1 t:~rcfa principal rlos
moços que têm a sorte e o privilé-gio de estudar arf]ni-
tcrura [Mindlin 1975. p. 172].
A necessidade de uma autocrítica também
se fazia presente en trc os protagonistas elo mo-
vimento. Lucio Costa, em sua resposta a Max Bill
(em 1953), já afirmava que "a arqniremra brasi-
leira [...] anda muito necessitarla de d ucha fria
d e quando em quando" LCosta 1962, p. 159].
111 • A rctu íteturus no I::Jmsil
Luiz Saia (1 911 -1975), arquiteto de São Paulo
ligado a Mário ue Andrade, e m 1954, ao mesmo
rcmpo que reconhecia um perfil d efinitivo da
arquitetura brasileira, alertava quan to à diluição
c banalização d os princípios dessa arquitetura:
Es,~· assu nto da existência ou não de lllll<t <~rquit<'tll­
rn con tcrnporâne<l brasileira, do ponto de vista fo rmal,
não f: mai s passível tle d iscussões. Existe, c e~r~ ilcabaclo.
As cla>ses dominantes já aceit aram " possibilidade esté-
ric<l. além do neoclássico c do colonial. O govem o já re-
con heceu a necessidade de instalar escolas especializa-
da> de <Hfjuitl'tura.l ... 1
Ja verdade. a cxeges<~ rl;1 arquirernra b ra~il cira leva-
ria, como é natui·al, à proposição sincera C' honesta d os
seus problemas anta is, cujo traw polêmico fo rçaria uma
revisão incômoda elas "verdades" q ue atu<J lment<· s<'
impingcm aos incaut os, mas q ue não resistem à menor
crítica, c que já provoril r<~m , ela pnrte de especialistas
estrangei ros, sérias reslriçi'ie~. as quais. embora visivel-
mente "interessadas" c ca•,.egadas d e S<'gllnuas in lcn-
ções, não deixa m de tC'r p•·ocedência, yuando encaradas
de tun ponto rle vista rrilerioso.
Com efeito, as cartas elo ;'ltual barallt<lo são poucits e
fáceis, cticientes e rendosas: meia dúzia de solurõcs for-
mais e algumas palavras de poder mágico: b1ise-solr.il, "co-
lunas em V", pilolis, "amebas", "pan os con tínuos ele vi-
dro", "moderno", "funcional" e i C'. O prestígio dessas
furlllas c dessas p<llitvras e o seu abuso sonegam a consi-
deração j usta dos problemas que realmente são propos-
tos prlo !ralo ruais conscntãneo d a nossa arq uitetura.
Mesmo n o estudo de um projeto parricul ar, h a bita~:ão,
rdifícío p úblico, fábric:~ ou o que quer que s<ja, a efi ci-
ência pmfissional fica mu itas ve<:es prejlldicada pela in-
ten~·ão modernista e acadêm ica, em detrimento rla cxce-
lê:ncia do Lrab;llho [Xavier· 1987, pp. 199-200J.
O bviamen te, o debate ideológico do mo-
men to n:'ío se circunscreveu aos poucos exemplos
mencio nados, mas as con tingências políticas e
econômicas condll7.iam a uma aliança implícita cte
grupos políticos conflitantes, numa co-existência
de antagonismos sob as estratégias de desenvolvi-
mento nacional. O nacionalismo era o signo con-
dutor do desenvolvimentismo dos anos de 1950,
temperado, todavia, pe lo reform ismo populista
[Mota 19771 . O presidente Juscelino Kubitschek
estabeleceu, em 1956, o Plano de Yletas, on a pla-
nificação da política econômica voltada para a di-
namização do setor industrial, sin tonizada com o
sistema capitalista mundial orquestrado pelos
Esrados Unidos. Brasília está no bojo desse proje-
to d esenvolvimcntista e constituiu o marco final
d essa vanguarda arquitetônica alime nlada por
uma política de "conciliações" ideológicas. O
marco cronológico final dessa etapa está em 1964,
com a implantação ela clit<tdura mili tar, encerran-
uo a u topia d o segundo pós-guerra.
HABITAR MODERNO
its casas proletária., mnslnâda.1· jJrlas Caixas e
Institutos rm vários Estados, ainda .wio t'm peqvl'f/0
nú·mero e de jJ!'I!(O elr.11orlo, em. rrlnçtio âs f)()SSI'S dus
t'm.pn•gados.
Dt•i ·inslnt(Õt•s ao Ministério do Trabalho para
qur, srm prrjuíw das constru.ções i.wtodas ondr st• tm·
nanm rum?Jrlhâl!eis. estude e jnojete gmndl's núcfe-
os de habita~·õP. modPstlJs r mnforláveiç. Hecomendei,
para isso, lflll' si! adquimm gmndes árm.1· de ten·pnos
t', se preciso, qw?sr, desapropánn ro· mais vantajosas;
que se jnoi'Pria â avalia{âo das uws·mn.1; qw• se lt•vr1n
em considemrtio os nu•ios d e lmnsporll' para Pssrs mí-
rlPus; q1te se racionafiu.m os méludos de ronslnt(tio;
que sr adquiram os malt•riais, din•l.rwumtt• do produ-
tm:: t.udo, l'!ifim, dr· modo a se obtn: pelo mrnur jHI'(:o,
a mrlltor rasa.
GETÚl.I O VARGAS, 19:18 rl 94 pp. 239-240'1
() arrasamento d11 IIWmm.hos, frmrlas r co1·liros
r.sl.ú n a m nsáência de todos e us msu.llrulos disso sfío
já f}(ltentes.
{...]Nas ~;rrmdes rúladt•s, mn grande esforço vai Sl'll-
do feito nu ;entido de substituir essi'S núdt•ns insa!u-
brPS pu,- habitações de!'lln/I?S. Essa camjmnlta nem sem-
jJTe lem sido hPm romjHemdida.
[...] Sr a. pojwlaçâo que vegeta nos rorhiclwluJ das
favelas, nas escarpas dos m.m·Tos, .fur 1·emovida.,
jJam onde poderá dirigir-se a nciu srr fJa.m muito lon-
ge ou para os lúgubres alagadiços da baía?
[.. .] A campanha dr conslrurües populares lem. sidu
orientada romu por um rígido espi?ito j1russiano.
Quando libertada dessa durr1za e com propagantla
melhor rntrnnPnle os gntjJOS h umanos çp disporão a
vivn neJses novos lugares qur lhrs sâo indimdos, sem
a ojl!'riza I' a aversâo de hoje, que os .fazem fneferir n
morte lenlct dos mon-os ou das vánras.
/Já um grande número de prujrtos, alguns em fJle-
na exrcu_çâo, de conjuntos dr habitações baratas, tal
romo se deu 1w liuropa e, mais rt•rt•ntnnnllr, nos l·.'s-
tados Unidos. Attilio Corn'irt Lima é o autor de wn
gm.ndr risro destinado 11 wn bai·rm industrial de Stiu
Paulo. l·.'stá nele incluído certo número dt• altos sobra-
dos de ofJarliwwnlos, ofirinos t• Oll/ms instalarõt•s
gt•rrâs.Realengo é uma interessantt' PXjJerifnria rlr ha-
bitafáo rolrliva, rmnjlrl'lmdrndo lauto m.ws de apar-
tamentos romo rrsirlfnrias isolados.
PtttUP L GOODWIN, 1912 [1943, p p. 96-971
{... } ,'linguhn podr Pwondt•r o raos que impera nas
ridnrlrs qui' a b1nguesia dirige. Muito ao rontrário,
todos oromprmhrnn os jJI'olrsto.l pofmlaus, inclusive
os urbanistas r lraladistas qut' 111!; di.lfnttmn entre si
mguuwn/IJS fmm uforrar e dm· corrs vivas às miséri-
as u rbrwas. 0 .1livros de ttrbani.ww, mn gnal, siioum
jNtSSI'ÍO 1111. mrfÍ(OS. {. . }
Os termos para isrnlar rir rnljJa n burguesia,
jmm f'IJ11111'1lrrr que nâo adianta dPrrubâ-la do poder,
qw• lllrfll ,1'111/Jr e foi o qw• r, l'lio ditlt'rWI~. Siegfried
(;irdinn, n famoso oilicu d,, 111/fLÚii•l·llm 'fltl' ainda a
fJuuw uo~ visitou a nmvilt• da Bienal imperialista,
'l'l'i'011li'nd Iou! um li'uro do urbanistajosé !.uis Sert
(Ca11 Our Cities Survivt>' ) {..} Pn.lavms que cuns-
til!tnn tamhhn o alerta de um lída burguês {Gierlion/
ao. .11'!1.1 mmmulrulos aTquitetos, uTbanislas I' .mriólo-
~;os rir nrmbaltlt·, de nâo l'SfjLU'/"1'1"1'111 mmra 0 .1 ''jJla-
1/0S ", ntiu asjúmm r·ealizar muito mais do que ron-
venar o jníbliro da inut'ência da bw-guesirl. Que o
proletariado se convença que o cortiço, a ignorânân,
a fome, a "reduzida r mrsquinha .forma de vida que
é obrigado a legar", thn a sua origem, niio na explo-
raçâo do lwmrm j;elo ltomern, na essfnâa rio rPgime
wpitali~llt, ma~ "no estado atual de nossas adades",
110 roo~ urbano'
j. B. VILANOVA ARTIGAS, 1952
[1981, pp. 65-671
Num quadro de confl itos ideológicos,
nada mais patente q ue a questão habitacional
como fulcro <..k divngências para a conjuntura
polírir<l cl<1 époc::1. E nada m ais emblemático ,
como símbolo da mode rnidad e arqu ite tônica e
..Irbanística, que a moradia popular.
Tudo o debate do CIAM anterior à Segunda
Guerra (I ,a Sarraz, 1928; Frankfilrt, 1929; Rruxe-
A Ajlrmaçiío de uma T:Scola • 115
las, 1930; a bordo do Patris lf, 1933: Paris, 1937)
desenvolveu-se num crescend o rumo à questão
urbanística e à sagração do habitar racional como
o fundamento da cidade moderna. Can Ottr Cities
Stnvive?, uma síntese das d iscussões do IV c v
CJAfs, foi um dos manuais mais difundidos entre
os arquitetos e urbanistas brasileiros.
É certo que as recomendações formuladas
nos CliMs, bem corno possivelmen te as experi-
ências de distritos residenciais norte-americanos,
como Radburn, instrumentaram um a vertente
dos programas oficiais de habitação popular no
Brasil nos anos 1940-1950. Apesar da oratória
promissora de Getúlio Vargas tomando a mora-
dia social corno uma p lata f'o rma de g-overno -
não só du rante a ditad ura q uanto em seu m :-~n­
dat.o como p residente eleito - , a resolução do
problema habitacional n ão alcançou os resulta-
dos pretendidos em seu discurso populisla. To-
davia, h á de se cousidcrar q ue, com V:-tr!{as, sP.
esboçou um es(jnema ele financi::1mentu e cous-
truç;lo e m escala d e habita1;ücs populares me-
diante caneiras p rediais estabelecidas 11::1 es-
trutura previdenciária dos vários Institutos de
Aposentadoria c l'ensúcs - os chamados TAPs-
criados durante o ~stado Novo. Recursos capi-
talizados com a arrecadação compulsória com a
organização do sistema previd enciário gcraralll
reservas que viabilizara m o investirneulo em se-
tores que o pod e r público passava a assumi r
como e ncargos d e sua responsabilidade. i par-
tir d e 1937, o governo ;mtorizou os lAPs a apli-
carem seus recursos e m construção e habitação
lFara h 1985]. As obras derivadas dessas inicia-
tivas assentava m-se e m premissas do urbanism o
moderno. A Fundação da Casa Popular- FCP,
criada em 1946 - , fr;:~r;:~ss::1rlo ensaio ele um orga-
nismo federal dedicado exclusivamente ao pro-
blem a da habiwção econômica, também abra-
çou teses modernas na resolução de conjuntos
habitacionais. Sç essas instituiçôes (ç algumas
outras, de abrangência regional c local, estabe-
lecidas na época) não form ularam propriamen-
te uma política de habitação pop ular, e las en-
camparam uma série dç iniciativas impregnadas
de valores de uma modernidade rcfor111ista, ao
-~-----------------------------------------------------------------------------------------------------
116 • ;!rquiteturas 110 8rusil
sabor de alguns ideais da modernidade arquite-
tônica e urbanística da prime ira metade do sé-
culo ~0.
Tal espírito moderno estava imbuído nos
estamentos burocráticos do Ministério do Tra h;;~­
lho, ao qual se subordinavam os IAPs. É interes-
sante observar as referências urbanísticas elo pe-
ríodo - usualmente tidas cowo circunscritas ao
repertório do CIAM e a Lc Cor busier, mas não
apenas a esses círculos. O arquiteto Rubens Por-
to (do Serviço de Engenharia do Conselho Na-
cional do Trabalho, fun cionário da a lta ltie rar-
fJttia do ministério), numa publicação de 1938, O
Proúfmw rlas Casas OjJerárias e os institutos e Caixas
de Pensões, descrevia um estudo de conjunto re-
sidencial (do qual não se publicaram os dese-
nhos) -elaborado pelos arquitetos Ruhr>ns Por-
tu e Aifumo Visconti e os engenheiros Paulo Sá
c Agostinho Sá- revelando algumas das matrizes
de cultura urban ística. Com ênfase, o autor cita-
va o socialista utópico .James Silk Buckingham
( 1786-1855) c o livro National Hvil anel Prartiral
Hrmwdies, with the J>tan ofa Model Town, de 1819, e
Ebcnezer Howard com TrnnmTow, a bíblia elas ci-
dadcs:jardins publicada em 1H9H. Sem precisar as
fontes, mencionava Clan:ucc Pcrry (1872-194.1)
(sistemarizador da Neighborhood Unit) , Rubert
Whiw.:n (diretor de pesquisa da School of ê,ity
Planning,da Harvard University), Charks Mulforcl
H.obinson (1869-1917), Maurice Rotina! eLe Cor-
husier. A capa do livro reproduzia a maqueta da
Casa Bloc em Barcelona, projetada por.José Luis
Scrt c construída e ntre 1932-193fi.
A p ro posta da equipe de Rubens Porto
sin tetizava um ideário de estrutura habitacional
de m:ilt riz racionalista. Contemplava um COI~jun­
to de "2000 moradias econôm icas a sere m CO IIS-
trnídas em série por processos racionalizados".
Conside rava o enfoque teórico de inserir a habi-
tação num quadro regional, examinando os aci-
clentes geográficos, os recursos naturais, o sistema
de transporte; o en tendirnento de un<a relativa
a utonom ia dos conjuntos h abitacionais como
Neighborhood Unit Cells, cada qual com sua es-
cola, igreja, comércio, diversões, infra-estrutura
administrativa (com previsão para serviço médico,
/~tiTU!=fJf~L,·.~:~,rr··..,--~- i . n-~~~~- .--___ ~=~ii ~r:~l
-·· • ../~[•,-::-:;:':.-c."-:. O., I(;, ! '"",~ )...... -
74.Rubens Porto. .Jaime Fonseca Rodrigues, Aro;ostinho S(t,
Paulo Sá: rcstauranl<' popular do !AI'!, c. 1939 (projeto
não cxcnnarlo).
telégrafo-correio e posto policial); a hierarquiza-
ção elas via.-; de comunicação internas c externas
aos conjuntos; a preferência por habitações cole-
tivas em casas geminadas com terreno próprio
ou em blocos não mais altos que quatro pavi-
mentos (evitando elevadores), vislumbrando a
padronização e pré-fabricação rlos componentes
construtivos; o emprego de jJilotis como recurso
para liberar :treas de convívio COIIJUHitário e con-
tato com a natureza; a racionalização elo interi-
or da nnidade d e moradia com a adoção do
apartam en to e m dúplex; a entrega ele unida-
des com mobiliário racionalmente concebido, de
acordo com a arquitetura [Porto 1938, pp. 40-
55] . Não se sabe se essa proposta se materiali-
zou; todavia, o repcnório proposto por Rubens
Porto se coadunava com a política que alguus
!Al's desenvolveram n os anos scg11in tcs.
Entre os IAPs, as m:ilis sig nificativas realiza-
ções de caráter moderno foralll desenvolvidas
pelo Instituto de Aposen tadoria e Pensões dos
Incl ustriários - JAPI. Suas primeiras iniciativas
apontavam a tendência: um editlcio para rendas
em São Paulo, projeto não executado de Rino
Levi em 1939 [Rino V vi 1974]; estudo de ResL<w -
rante Popular de "arquitetura racional" desen-
volvido por Ru bens Porto, Jaime Fonseca Rodri-
gues, Agostinho Sá c Paulo Sá [Porto 1939] ; o
edifício Anchieta em São Paulo (avenida Paulis-
ta esquina com avenida Consolação) e o Conjun-
to Residencial da Penha no Rio de Janeiro, com
1 248 unidades, ambos projetados pelos irmãos
Roberto (o último, premiado e m 1940 no V Con-
gresso Pan-americano de Arquitetos e m Monte-
vidéu [Finep/ GAP 1985, p. 54, jiassim]); o Cem-
. . Alht> rlo ck M 117 "' e 7 G
itt ili o c e ° Flôrcs.
•o rr<:i't 1 ·C ' .tma, Hé lio U .•
aval canti <' J • ' h o.t
. . osc Th<:odulu ..
con
1
u n to ..· da Stlva:
t <;~t denc i alC 'árzea
arm o _ IAPI s·· elo. . • ' •10 Paulo, 1l'l'> .
parcwlmcn te , , - (obta
ex~ru t arla) .
I
---)~
I
.1 . (irmaâi ..I • 11 -
1JR • Arquil(>lllrtts 110 Brasil
junto Residencial Várzea do Carmo em São Pau-
lo com 11038 unidades, projeto parcialmente im-
plantado de Alberto de Me llo Flôre s, Auilio
Correia Lima, Hé lio Uchôa Cavalcanti c José
T h eodulo da Silva no início dos anos 1940 [Flo-
res et al. 1942]; c o Conj unto Residencial d o
Rcalengo n o Rio de .Janeiro, com 23114 unida-
des IFi ne p / GAI' 1085], proje tado po r Carlos
Frederico Ferreira (1906-1996), Waldir Leal e
Mário H. C. Torres - os dois últimos cor~juntos,
le mbrados t>m Rmúl Bui lds. Carlos Frederico
Ferreira, que foi chefe da área de Arquitetura
do Setor de Engenharia do IAPI entre 1939 e
1964 [Boncluki 19941, projetou també m o edifí-
cio-sede ela delegacia <.lo IAPI com apartamentos
no Recife [Ferreira 1942] e o Conjunto Residen-
cial Vila Guiomar em San to André, São Paulo,
e m 1919, com 111 1 unidades. Outras obras sig-
nificativas foram o Conjunto Residencial Passo
d 'Areia em Porto Alegre, com pr~jcto de Marcos
Kruter e Edmundo Gardolinski, com 2 500 uni-
dades realizadas entre 1946 e 1950; e o edifício
.]apurá, em São Paulo, projelo de 1949 ele Eduar-
do Kneesc de Mello (1906-1994) com 2314 uni-
dades, inaugur<~do em lYS7.
O s ócmais IAPs aparentemente não osten-
taram o mesmo fôlego e envergadura do IAPI.
Notáveis foram os pr~jetos de Eduardo Kneesc
de Mello e m 1947 para um grandioso conjunto
reside ncial do Instituto de Aposentadoria c Pen-
sões d os Comerciários (IAPC) em São Paulo, às
margens do rio Pi11he iros, c o Conjunto Residen-
cial Vila Ipiranga em Niterói, projetado em 1947
por Álvaro Vila! Brazil [1986] para o lnsriruto de
Previdência c Assistência aos Ser vidores do Esta-
do (IPASE) - ambos não executados.
Uma amostra de arquitetura e nrbanismo
modernos promovida pela Fundação da Casa Po-
pular é o Conjunto Residencial em Deodoro, no
Rio de .Janeiro, conjunto de 1314 unidades pro-
j etado p o r Flávio Marinho Rêgo (n . em 1925)
[1954].
A mais difundida experiência de habitação
popular da arqui tetura moderna brasileira foi
realizada pelo Departamento de Habitação Popu-
lar da Prefeitura do Distrito Federal, instituído
em 194G. O Departamento nasceu de uma gestão
da engenh eira Carmen Portinha, inspirada nos
estudos de reconstrução <ias cidades britânicas
que conheceu durante visitas técnicas realizadas
em l94!'í na Inglaterra, de onde trouxe o concei-
to de "unidades de vizinhança", conforme depoi-
mento ISegawa 1988a], aplicadas no Conjunto
Residencial PrefeilO Mendes de Moraes - conh e-
cido como Pedregulho - , projetado por Mfonso
Eduardo Reidy a partir de 1947, com 328 unida-
des para abrigar funcionários públicos do Discri-
to Federal. Outros conjun tos com característ iras
similares foram realizados (mas não concluídos)
nos ;mos de 1950: o Conjunto Habitacional da
Gávca (1954), de Reidy, c o Conjunto Residen-
cial de Vila Isabel (1955), de Francisco Bolonha
(n. em 1923) [1956a; 195()b l- uma citação aos
edifícios à Lc Corhnsie r ou à Casa Bloc de José
Luis Sert. O Departamento de Habitação Popular
desenvolveu, ainda no final dos an os de 1940,
uma linhagem de moradias econômicas unifami-
liarcs térreas em lotes isolados, com variações tipo-
lógica~ derivarias das dimensões e características do
terreno, número de dependências e :trca útil cons-
truída e ntre 37,29 m~ c 57 m". Projetadas por Fran-
cisco Bolonha,J osé Oswaldo Henriques da Costa
e Helio Modesto, formavam um repertório de ti-
pos residenciais à guisa de pr~je tos-padrõcs refe-
renciados em nor ma do Distrito Federal estabele-
t:eudo a categoria de "habitações prole tárias"
• c......k.. &... w..tcv. .
~~~
c:~~J
-......J.....~
..........tu-~
77.Eduardo Kneese d e :11c llo: conjunto o-csidcncial Cidade
.Jardim - IAPC, São Panlo , 1947. Dia!-(rama d e o rdenação
dos equipamentos coletivos, blocos de habi tação c circu-
lação.
78.A!fonso Eduarrlo Rcidy/ DepartamcuiO d,.. TTabica~·üo Popular: conjunLU residen cial Prefeito Mendes clt: Moraes-
Ped regulho-, Riu d,.. .Ja ne iro. HH7.
para edificações de no máximo 70 m", em lotea-
mentos convencionais, sem vínculo com um pen-
samento urbanístico de maior amplitude ["Habi-
tação Popular" l94R] . Francisco Bolonha teve
materializado o Con junto Residencial de Paque-
t.á, reunião d e casas assobradacla.'; econômicas ele
1952 [Franco 1988]. Evidentemente, a vitrine do
DHP foi Pedregulho, elogiado p or Max Bill em
1953 [Aquino 1953] c louvado por Le Corbusicr
em su a passagem pelo Brasil em 1962 [Segawa
198Ra], vistosa amostragem de preocupaçües so-
ciais dos governan tes que, toclavia, não livraram
essas iniciativas da dccadêllcia e da degradação
nas dl:cadas subseqüentes, supostamente por
mal gerenciamento c d esvirtuamento dos con-
ceitos que presidiram a criação dos conjun tos.
Infelizmente constituem , h~j e, ru ín as de umrt
certa modernidade.
Os grandes conjunLO~ de moradias desen-
volvidos pelos sistemas previdenciários c institui-
ções habiLacionais realizados dos anos de 1940
em cl.iante revelavam sua filiação aos propósit.os
do urbanismo racionalista, enquanto uma teoria
global (supostamente científica) para enfrentar
os problemas urbanos c a hipótese cl.e um mode-
lo completo de organização de cidade. Os proj«"-
tos urbanos pressupunham um ideal de território
no qual se pretendeu a reconquista do controle
público sobre a terra, preconizando o fim da ex-
ploração inteu siva do solo mediante a disciplina
dos espaços segundo uma lógica onde a ordena-
ção fundiária se subordinava ao bem-estar cole-
tivo dos habitanles, e não aos interesses dos pro-
príet:u·ios. Esses conjuntos prornoYe ram a
orde nação de áreas suburbanas, periféricas ao<.
cen trus tradicionais - euormes terrenos adquiri-
I J 7 on.'in1osl u <><'.L " •' ~r '(, 0~'>1110$ . . . ' llciOJ. ' tu 01 ~lll. ti . 1lcud ·"'Li·Hvh I '· ~ .:.o.qJt< -sot. .
1
1
n:hntqv.t( :>p s • ·' 'OR ::. 6LI ' "IIIUOt ( ~- . u O.l~r:llllU,,/: ) 0( !_L . •dJQ/ I!ljllliiOa ·
') O)U.)LUV.).reO!):'Jt:ltqP.J-j' ~~
IJ/1 '/J./1/JJ/lllÚ.I V/!SIJ.II:f . • ()(;l
--
dos a custos mais baixos. A crítica à cidade tra-
dicional, privilegiadora do espaço rle prorlução
(tJ·abalho, comércio, circulação) reorientflva as
diretrizes da cirlade moderna, como no discurso
sintetizado pelas quatro funções urbanas preco-
nizadas pela Carta de Atenas: trabalhar, circular,
habitar c cultivar o corpo e o cspíriLO. Os últimos
dois tópicos foram ressaltados numa nova ordem
urbana: a habitação wrnava-sc a p;)rte mais im-
ponante da cirlacle, insepar::ivel dos espaços de
recreação c demais equipamentos como assisti~n­
cia médica, ensino, comércio, transporte e tc. A
unidade de viúHilauça configurava um padrão
mínimo de território racionalmente lli<:rarquiz:~­
do c auto-suficiente- um grau de ;wtonomia que
acentuava o carúter de enclavc lúncionalista ante
a cidade tradicional.
A cl ualidadc espaço público/ espa~·o priva-
do - tão cara ao pe nsame ntu urbanístico moder-
no - encontrou manífcstaçõc>s c> cli;tlélicas distin-
tas na resolução dos conjuntos habitacionais
brasileiros. Propostas como as de Pedregulho, ele
RPirly, e o Conjunto Residencial IAPI Várzea elo
Carmo da equipe de Attilio Correia Lima vislum-
bravam alta densidade populacional c o tot;1l
controle do solo co mo espaço público: blocos rle
quatro aduLe pavimentos isolados num ambien-
te dc> parque, à maneira da Ville Verte corbusic-
riana. O Conjunto Residencial do Rcalengo, ele
Carlos Frederico Ferreira, administrava uma so-
lução mista ele edifícios coletivos e unidades uni-
familares geminadas. O Co njunto Residencial
IAPl Passo D'Areia, de Kruter e Gardolinski, assi-
milava a figuração das cidad<'s-jardins, combi-
nando blocos coletivos c unidades geminadas e
isoladas, organicamen te distribuídos no territó-
rio, com quintais privados em cada unidade.
l~sses conjuntos resideuciais fo~javam ma-
neiras de convivência e ntre seus habitantes: d o
controle da célul<l habitacional às áreas livres, o
pr~jeto dos espaços buscava o r·denar as relações
sociais, a vida comuníLária, afetando o se ntido
de privacidade c coletividade de seus moradores.
F. inegável a vocaç;io educadora desses espaços,
o imprimir um a llloral inerente à doutrinare-
dentorfl do urbanismo moderno.
ri Aflmwçiío de 11111{/ !!:~cola • 121
81 c R2. .Marcos Krutcr c Edmund o Gardolinski: conjunLO
rt>idenrial PasM> d'.rt'ia - T.PI, Porto Aleg-re, RS, 11
1411.
No mesn10 conjun to, convivência <k bloco ' residt:IH iais,
unidades geminadas e isoladas de hahi taç~o.
Ped regulho c Passo D'Arcia parecem con s-
tituir os cxln:m os da expcrif> ncia I;J·asilcira no
âmbito dos COJ"Úuntos habitacionais do pós-segun-
da guerra: no Rio de jam:iro, o conj unto impreg-
nado dos preceitos urbanísticos do CIAM, as áre-
as livres de caráter ge nérico, a colc>tivizaçào dos
espaços, dos equipamentos (como a lavanderia),
o refinament-o da geome Lrização form;1l à Le Cor-
husier, à "escola cflrioca"; ern Porto Alegre, a sua-
vidade uo pad rão u rbanístico ci dadc~ja rdi m, a
mistura dc> códig-os simbólicos novos (blocos co-
letivos) e tradicio nais (casfls c.om quintais) com a
predo minância de formas arquitetôn icas verna-
cnlares, estabelecendo cntornos familiares o u de
fácil assimilação. Carmen Po rtiuho trouxe a in-
formação britânica das New Towns; Garclolinski
também parece r.cr mirado a experiência inglesa
122 • Arq11itt?t11ms 110 Brasil
- não na escalr1 elos grandes blocos, mas na inlimi-
dade dos bairros como ern Stcvcnage ou, m ais
provavelmente, na "nova tradição" das cidades-
_jardins. O sucesso ou o fracasso desses conjuntos,
enquan to apropriação dos usuários, pode ser ;wa-
liado segundo a relação que as propostas [unnu-
laram a nte a questão e a ponderação de três do-
mínios: o público, o privado e o comunitário.
Bonduki relativiza a produção habitacio-
nal dos fAPs e da FCP. A realização de pouco mais
de 140 m il unidad es h abitacionais pode ser
considcrach1 nm marco positivo d iante das con-
di~:<lcs e da população brasilcir<1 da época, assi-
nalando sobrnudo a questão da qualidade arqui-
tetônica das ohras executadas:
O fa lo é q tt<" apesar de tudo o que já se ::1pon tou
como fn tgilicladc ela aç.ão govf' f'lt <L IIJt:ntal , o resultado
não foi to talmr.n le clecepc iuttant l' c mere ce um a obser-
vação mais cuidaclosa d o rl' '"' te m sido kila. E, por ou-
tro lado. demonstra que existia m p l e n ;~s cond ições no
Brasil dos anos 40 e 50 para M! impl e mentar uma
massiva p•·odução d e habitação social, de cxcC'Ien te
qua lidade!, se não capaz d l' ale nrlf'•· às necessidades da
popul a~:~LO d e baixa renda , ao menos pa1·a limitar c con-
feri r 11m o utro padrão de q ual idaclf' ao incontt·olável
processo de favelização e perifC:' rização que tomou con-
ta d::Js p rin c ipa i~ c idades brasileiras a partir de então
LBund uki 1QQ1, r-199]
É claro que as diversas experiên cias habi-
tacionais dos modernos cariocas podem ser con-
sideradas como ensaios da nova capital do país.
BRASÍLIA
A -rrvnluriio que B-rasília imj1licaria, rm devt?-ria
simbolizar, llmi rlt• rrim 1·aízes, descer às inji·a-estru-
turas .soriai~, jmm swgir aos olhos do povo e das eli-
tes como obra Hut (r nüu tafn"ir"hn rio prrsidente), obra
rn{f'liVU, r.rtfmz. dt• YI'/JTfSl"'llal; f.JI/1(111/I(i, U/1/ IO II I" Ila ll l
na hi.l-ltírin fJolítica, snrial e rultumt do Hmsil.
MÁRIO PEOROSA, 195il [ 1981, p. 33R]
11 Arquitl'l·ll'm Brasileira lnn SIII'TJÍ(OS fneslnrlos á
nnrionalidade nr.ue sentido. Mostrou ao mundo ad-
mirado qur o H•·asil pode ergurr-.lt' fJam o roncerto
1111iven al de nacões, com linguagrm /JIIÍ/Jria, na qual
o brasileiro e o tt11Ívasal se rasam hannoniosa.mente.
Onlrun, mnslruírmws timidamente nlf!,1WS edijiâns;
lwjt', j ilumos Brasilia - uma t:idade intrim - w-m
argumrnlns nossos. De Casa em Casa, rl11 {',idnrlf' em.
Cidnrlr., fiwi n•rloç, r~judaremos a reconquistar o Bra-
sil pam ns hmsilrirus.
J. fi. VILANOVA iRT IGAS, 1959
r19sl, ~->~->· 31-321
A rnonttmrm.talidad" de Rm..1ília alimenta-se na
fo-rça I' no lransborrlaniP. nrg'lllho dt• 1tm povo quedes-
ro/yre seus próprios caminhos ,, .li' jJiir t'm marcha, ten-
do dianlr de si grandiosas penprrtivas df' desenvolvi-
mento. /...}
I~ muito jJrovâvi!l f[1U! Rrasília, como solu_câo ur·
banística e arqnitetônim, ente1TP mil e um pequenosc
grandes dejeitos - mas é inegável que a obra j;ossui o
essencial: expressa os grandes r nobres ideais de liber-
taçrio do fJovo brasileiro, que já SI! revelam como )in-
ca atuante.
EDGAR GRAEFF, 1960 ll979, p. 1'))
Juscelino Kubitschek foi um político visio-
nário. Durante o Estado Novo, nomeado prefe i-
to de Belo Horizonte, empreendeu o bairro de
Pampulha convocando Oscar Niemeyer e Rober-
to Burle Marx para os projetos de arquitetura e
paisagismo. Eleito presidente do Brasil em 1955,
criou un1 .1l11[!/tn para o ritmo d esenvolvimcntis-
d · "r, O h" B1·as'1ta que preten eu 1mpor: :J anos em ,J . < -
lia foi uma das alavancas ele sua gestão.
A idéia da transferência ela capital elo país
do Rio d e .Janeiro para o coração d o território
brasileiro data da primeira conslituição republica-
na, ele 1891. Estudos nesse senlido foram desen-
volvidos ao longo da primeira metade elo século
seo·uinte. Corn seis meses da administração de1':1
Kubitschek, em agosto d e 1956, o Congresso Na-
cional aprovava a mensagem d e lei prevendo a
transferência da capital para nova localidade, si-
tuada no Planalto Central- região :u·icla, a cerca
83.Brasília e sua escala JllOJHlmental, s~gundo o cro<1ui de
Lucio Costa .
A Afirmaçi:ío de uma Escola • 123
de 1100 m ele alwra elo mar e corn pouca clensicla-
ele humana - , em área junto a um lago artificial,
clclimitacla a partir ele estudos de urna consultoria
norte-americana. Con ta-se que, para o desenvol-
vimento do projeto da nova capital rlo Brasil,
Affonso Eduardo Reidy c Roberto Burle Marx
haviam suo·erido a contratação de Le Corbusier,o
repetindo a experiência elo Ministério ela Educa-
ção e Saúde de 1936 [Bruand 1981, p. 3541. Pres-
sões do Instituto ele Arquitetos do Brasil e uma
d ose ele nacionalismo conduziram à solução da
abertura de urn concurso público nacional, divul-
gado em setembro de 19!'ifi, contemplando ape-
nas o plano urbanístico. Nesse momento, .Jusceli-
no Kubitschek j á havia d eterminado que Oscar
Niemcycr fosse o autor dos projetos arquil.etôni-
cos dos principais edif"ícios públicos.
A pan.ir de uma documentação cartográ-
fica e o·eotécn ica remanescente elos estudos det>
localização do sítio da nova capital, a determina-
ção ele uma cidade para no máximo 500 mil ha-
bitantes, a exigência gráfica rnínima de "um tra-
çado básico da cidade, indicando a disposição dos
principais elementos da estrutura urbana, a loca-
lização e interligação dos diversos setores, centros,
instalações e serviços, distribuição dos espaços li-
vres e vias de comunicação (escala 1:20.000) " e um
"relatório jusúficativo", uma elite da arquitetura
brasileira participou elo concurso (com as nota-
elas ausências de Reidy, Burle Marx c Jorge Mo-
reira). Vinte e seis projetos foram submetidos a
um júri formado pelo inglês Wílliam llolford
(1907-1975) , o francês André Sive, o norte-ame-
ricano Stamo Papadaki (autor dos livros sobre
Niemeyer) e os brasileiros Oscar Niemeyer, Pau-
lo Antunes Ribeiro (1905-1973), L uiz Horta Bar-
bosa e Israel Pinheiro ( 1896-197::1) (presidente
da Novacap, empresa oficial responsável pelo de-
senvolvime nto da nova capital) . Em março ele
1957, proclamou-seu resultado: Lucio Costa era
o autor do projeto vencedor, estando en tre os
demais prem iados arquitetos como Ríno Levi,
irmãos Roberto, Henrique Mindlin / Giancarlo
Pahmti (l90G-1977) e .J. R. Vilanova Art.igas.
Alguns participantes d o concurso elabora-
ram complexos projetos incluindo estudos sócio-
124 • .llr(/llilelllms 110 R rnsil
econô rnicos e dcscnvoh·imcnto arquitetônico. O
vt:ncedor, ao cont r<írio, apresentou-se com urna
idéia, um plano-piloto em uma única planta c
croquis ilustrativos dos conceitos contidos num
relatório que delineava apenas o t"sseu cial da
proposta, como observou o parecer do júri: ''ex-
plica tudo o CfUe é preciso saber nesta fase; e
ornitt" tudo que é sem propósito".
O relatór-io ele Lucio Costa c.:ra direto
quanto à apresentação elas soluções: propunha
a cidade "não apenas como 1nbs, mas como ci-
vitas, possnidora dos atributos inereu tcs a uma
capital". Seu desenh o inicial nasceu de uma poé-
tica analogia ao "gcsto p rimário de quem assina-
la um lugar ou dele toma posse: dois eixos cru-
zando-se em ftngulo reto, o tt seja, o próprio sinal
da cruz" [Costa 1991, p. 20]. O dcscn ho f'i nal
buscou conformar-se à orif'nt<tção c às caracte-
rísticas do sítio.
L ucio Costa a1ribuiu à sua cidade 11111a or-
clenaçiio segundo quatro gn111des escalas: a mo-
numental, :1 residencial, a gregária e <~ bucólica.
Numa re;walia(ão da cicbclc, trinta anos de pois
de sua concepção:
A presença da escala monuntent"l - "náo no ~entido
cb ostt·n taç<io, mas no se-ntido ela expressão palpán:•l,
por assiut di;.:cr, rrm <l'il'nle dctquilo rp ot' vale e signitka .. -
conferiu ü cidn.-k nascente, dt:sde seus princípios, a
mao-ca inelu~<ívd de efetiva c<tpital elo país.
A escala n·sidencial, com a proposta inovadora da
superqttadra, a st>rcnidade urbana asscg uracta pelo ga-
ba ri to un ifo r me de seis paviml'n tos. o chão li vre e :1Ces-
sível a toclos atrayés elo uso generalizado elos jJiloli. <: o
franco predom ínio do 'enle, trouxe consigo o t!mbriiio
de uma nowt III<IIH'Í ra de viver, própria de Brasíli>~ c in-
tciramenl!· diversa das de mais cidades brasileiras.
A escala g regária, prevista pan1 o centro da cidade
-até hoje ainda em granclc pane dcsocurado -, teve a
intenção dt> criar um espaço urbano mais densamente
utilizado c propício ao encontro.
As t"Xtensas úreas livres, a serem dcnsameutc arbo-
rizadas ou guarclitndo a cobertura Vt:){t'tal nativa, dire-
Tamen te contígua~ a <it·eas edificadas, man.:am a presen-
ça d a t'SCala bucólica fCo~la 1987. p. 116).
Cada um dos grandes eixos assumiu urna
significação. O n1enor, concebido co mo o rixo mo-
numentaL, espaço para o centro cívico e adminis-
rrarivo, os setores comerciais, de serviço c cultu-
t·ais- corresponde à "escala rnonunH~ntal ". O eixo
maior, arqneado, o eixo mdnviário-residenáaf, é es-
truturado pelas amopistas de comunicação com
as regiões vi:>:inhas e ao longo das quais se alinha-
vam os blocos d<' moradia, organizados segundo
o princípio das superqu.adms : conjun to de quatro
CfHaclras de 300 m de lado cada, <t>rcadas perife-
ricamente por densa arbori7.ação e admitindo
<l"Tn~ Qt f. ~ t .J>l!AJ(. I A L
·.·=..--------~ ·_".'::,. -
S tToQ. (DhEitC•A.l E
S ii.T"'R.. !:>~ b <vE~~ ~ '>
84. A escala residencial ,. a proposta da suprrquaclra
de Brasília.
85. O cent.ro d(· J3rasília abrigando a escala grcgclria.
somente edifícios lineares de seis pavimentos so-
bre pilotis, formando uma "vizinhança" servida de
toda infra-estrutura comercial e de serviços para
a comunidade local - à maneira das "unidaeles
de vizinhança", idealizadas por Clarcnce Perry c
materializadas por Clarence Stein (1882-1975) e
Henry Wright ( 1878-1936) ern Radburn, Estados
Unidos, e m 1929. É a solução cor respondente à
"escala residencial". No cruzameu lo dos eixos
ordenaelorcs, uma plataforma em vários níveis
equacionando o sistema viário e abrigando o ter-
minal rodoviário - concentrando em sua vizi-
nhauça o principal centro comercial c de diver-
sôes da cidade - rep resen ta a "escala grcgúia ".
O plano de Lucio Costa previu a localização pre-
cisa elos principais edifícios públicos c a organ i-
zação dos setores funcio11ais na malha da cidade.
Brasília n asceu sob o signo da hierarq uia:
pen sada corno capital de u m país, Lucio Costa
atribuiu ao seu projeto o coeren te caráter de ri-
vilas - atributo nem semp re evidenciado nos
dem ais partici p<HHcs do conc urso, rnas rlevida-
mcntc formulad o pelo vencedor e destacado na
ata do júri. Hierarquia c1ue pernu;ia o desenh o
da cidade: uma clara d efinição da dimensão pú-
blica (eixo mon umen tal) da dim cusão privada
(eixo residencial) e, no aspecto intra-urbano, a
A 1{imwçiio de 11111a Escola • 125
sctorização das aLiviclad es em áreas especiali-
zadas (setor hoteleiro, setor bancário, setor indus-
trial, setor de cliversôcs e tc.) . O autor sempre r<'-
lacionou Brasília aos espaços públicos de Paris
(os grandes eixos haussmanianos, Champs Ely-
sécs) e Londres (Picadilly Circns, Times Squa-
rc), rei ntcrpretando-os na resolução do dese-
nho urbano da nova capital, sem prescindir da
referência às concepçôes ela Villc Radieuse, de
Lc Corbusier. A organização Jo setor residencial
encontron seu pretcxto Lambérn no mestre fra n-
co-suíço: fiel ao princípio da Ville Ver te, Lucio
Costa concebeu espaços residenciais em blocos
habitacionais isolados, dispostos e m grandes
{treas verdes (a chamad a "escala bu cólica''), eli-
minando a rua tradicional como eixo definidor
c aniculador dos volu mes constr uídos. F.rn li-
nhas gerais, aboliuclo o lote privaclo, o espaço
residencial caracteriza-se por lllll<l extcns;:io cou-
tín ua c livre, senr barreiras c tráfego ele automó-
veis, como um grande parq ue público. As lições
elos cuuj un tos habitacionais modenros ~ Tmtnei-
ra dos blocos dos IAPs ganhavam uma versão de-
finitiva enquan to agreg<Jção llrbana integral. As
prirnciras supcrquadras implantadas ostcntam
essas caract.críslicas; ho8 parte, no en tan to, care-
ce desse tratamento paisagístico.
I I_
Hfi. A v<'gctaçào envolvendo ;os supcrquadras c as extensas iir"'"' livrt's a rboriLadas como referências <I escala bucúlica
de Brasil ia.
J2G • Artjll itetums nu Rmsil
É. incgúvcl que a generosidade dos espaços
livres condizia também com o caráter rodoviário
da o rganização urbana ("de uma parte, técnica
rodoviúria, de ourra, técnica paisagística ele par-
ques c _jardins", asseverava I ,ucio Costa em sua
justilicativa do plano-piloto em 1957) . Pistas de
alta velocidade estruturam o eixo maior da cida-
d e; o sistema viário intra-urbano roi concebid o
vinualmentc sem cruzamentos de nível (dizia-s<.:,
uo início, q ue e ra uma cidade sem semáforos) ; a
setorização das funções na trama urbana acabou
exigindo nma forrna d e transporte motorizado
para veJ1ccr as dis tâncias e os compromissos.
ão se pode compreeudcr essa ênfase rodovia-
rista sem caracterizar agu ele momento de indus-
trialização que o país atravessava no final dos
anos d e 1950:Juscelino Kubitschek foi o grande
iucentivador da implantaç;:ío d a indústria auto-
mobilística brasileira. Ati: então, o impacto do
automóvel na malha urbana das cidades era re-
lativamente restrito, por ser um tipo ele u·anspor-
te ainda não acessível à maioria ela po pulação. O
espaço ocupado pelo veículo automotor não e ra
questão prevista no p rojeto d as casas e edifícios
brasileiros, que>, até d urante a d(:cacla seguinte,
não comportavam áreas para garagem.
Uma das grandes virtudes que o júri do
concurso deve te r vislumbrado na proposta de
Lucio Costa !"oi uma concepção de cidade possí-
vel de se viabilizar materia lme nte em quatro
anos- te mpo que restava para o fim da gestão
de Juscelino Kubitschek erigir sua ca pital. Não
fosse a característica genérica de urna cidade
formada por edifícios isolad os eiTl um grande
parque - assegurando uma estratégia de organi-
zar v;:írias frentes simultâneas de canteiros de
obra-, difici lrnent<.: o preside nte te rminaria seu
mandado sem um coujunto razoável de obras
construídas a j ustificar urna inauguração da cida-
de e a transfe rência da sede do p oder político
para a nova capital -como o fez , efetivamente,
em 21 de abril de 1960.
A prioridade atribuída à con strução de
Brasília c a sua inauguração em tempo recorde
foi nm audacioso lance de afirmação política pe-
rante a nação e uma bem-sucedida ação de marhe-
tinginternacional: o Brasil - uma terra subdesell-
volvida - projetava-se no mundo como um país
de grandes iniciativas, capaz d e realizaçõ<.:s que
uma potência do Primeiro Mundo não linha ou-
s<tdo empreender- construir e inaugurar nn1a
nova capital. A repercussão internacio nal foi de-
vidame llle apropriada pelo meio político c pela
população e-n1 geral e, panicularmeu le, merece u
novamente um cntusiúst.ico posicionamento elos
arq ui teros dian te d as realizações ela categoria.
Todavia , se o êxito form <JI, em lermos de ima-
gem po lí1ica, foi hem-sucedido, o açodaru<.:nto
exigido pel<1 estratégia de Kuhitschek voltou-se
contra a própria afinnação de Brasília não com o
r:apital, mas como cidarle.
O pressuposto ancestral ela transferência
da capital para o inte rior fundamentava-se na
necessidade t"stratégica de ocupação te rritor ial
ele vasta área inan iculada econ ômica e demogra-
fica mentc com o resto do país. Nesse sentid o,
uma n ova cidade plantada na aridez do Planalto
Central esta be lecia um e lo de ligação entre o
Sudeste induslrializaclo c densam<.:nte ocupado c
o Norte e o Centro-Oeste, fronteiras agrícolas
virtualmente virgens na busca de reconhecimen-
to e ocupação política elo território brasileiro. Ao
se caraCLcrizar como ponto de articulação entre
regiões clesiguais, Brasília cornou-se local atrativo
para as enormes corren1es m igratórias campesi-
nas que fugiam das regiões mais pobres rumo ao
Sudeste ou às novas frc utes de ocupação do Nor-
lt> c Cenlro-Ocslc. Tornou-se o epicentro desse
fen ômeno.
A nova capital foi concebida sem maiores
estudos sócio-econômicos, sobre os possíveis im-
pactos de um núcleo urbano em tão isolada po-
sição, sem um sistema urbano ou rural apoiando
sua implantação. Ao con trário, Brasília foi indu-
tora da criação ele um sistema urbano, tornou-se
uma cidade-pioneira na região e, por isso mesmo,
um núcleo depe ndente ele suprime ntos que ne-
cessitavam ser impo rtados de regiôes afastadas.
Mas, por essa con dição arLiculadora, a Brasília-ca-
pital se confron tou com a Brasília-frente pioneira.
O desenho ele Lucia Costa para Brasília
atribuiu à cidade uma significação espacial con-
dizente com o caráter cívico de capital da nação.
Seu escopo inicial - nos term os do concurso -
previa uma população-limite de 500 mil habitan-
tes, c~jo horizonte de expansão supostamente
atingiria seu patamar máximo por volta do ano
2000. Contrariando o ideal, a nova capital aco-
lheu gente não somente para formar uma p opu-
lação de trabalhadores administrativos, m as para
abrigar migrantes em busca de ponto de apoio
para as perspectivas de expansão da ocupação
do Centro-Oeste . Inicialmente, como cidad e-
cante iro a ser materializada em quatro anos, Bra-
sília reuniu uma massa de mão-de-obra de forma
extensiva, que preferiu posteriormente fixar-se
na "cidade do futuro". O fluxo migratório pros-
seguiu tendo em vista as potenciais frentes de
emprego na nova cidade e na região. A absorção
desses contigentes extrapolou a previsão inicial
de seus planejadores, que não anteviram o assen-
tam ento dessa população e tampouco admitiam
a sua permanência no nobre setor residencial da
nova capital. Núcleos periféricos ao plano-pilo-
to foram oficialmente criados ao longo das d é-
cadas seguintes - as chamadas cidades-satélites
- para abrigar uma população remediada, im-
possihilir.ada d e adquirir um imóvel no plano-
piloto, ou mesm o ex-moradores do plano-pilo-
to que preferiram pcriferizar-se: auferira m um
valor ao seu patrimônio, alienando a proprieda-
de dum setor nobre. Originalmente, esses novos
núcleos somente deveriam ocorrer com a com-
pleta ocupação do plano-piloto; todavia, suce-
deu-se o inverso. Às rígidas normas urbanísticas
no plano-piloto opõem-se a liberdade construti-
va nas cidades-satélites: estas, cidades d e dese-
nho tradicional, de certa maneira "informais"
(embora com regras definidas de ocupação, são
convencionais no conteúdo) , cresceram muito
mais e são m aiores do que a cidade inovadora, a
cidade "formal", por assim dizer. Até 1985, o pla-
no-piloto abrigava cerca de 396 mil habitantes;
as oito cidades-satélites juntas abrigavam quase
l ,l milhão de h abitantes.
A Afirmação de uma Escola • 127
A interação dessas partes não permite
afirmar que Brasília é apenas o plano-piloto de
Lucio Costa. O Distrito Federal, como um todo,
continua se ampliando, novos núcleos vêm se
agregando ao conjunto, tornando-se um com-
plexo de características m etropolitanas. Nessa
reedição de processos conurbativos comuns a
núcleos urbanos não n ecessariam ente organiza-
dos em sua expansão, demonstra-se que Brasília
se tornou uma cidade como outra qualquer,
apenas com um setor originalmente planejado.
A UNESCO, em 1987, elevou Brasília à categoria ·
de "Monumento da Humanidade". Como Quito,
no Equador, ou Salvador, no Brasil, Rrasília teve
um se tor de sua cidade reconhecido pelo seu
valor cultural. Curiosamente, ela agora é cativa
das n ormas de preservação arquitetônica e ur-
banística como suas coloniais cidades-monu-
mentos-irmãs. Brasília, uma cidade no limiar
dos quarenta anos de rundaçàO, filha de U!II ur-
banismo que concebe a cidade como um todo,
que negou boa parte do desenho tradicional de
cidades históricas como Quito ou Salvador, tem
agora reconhecido um... "centro histórico".
F:ntiio eu senti esse rnovimenlo, essa vida intensa dos
verdadeiros brasiliensi'S, I'.Hn 11/.fl.I"Stt qu.e vive fora e
converge para a rodoviária. Ali é a casa deles, é o lugar
onde eles se sentem à vontade {. ..] Isso tudo é muito
diferente do que eu linha imaginado jJam esse centro
urbano, como uma coisa mais requintada, ·meio cosmo-
polita. Mas não é. Quem tomott wuta dele .foram esses
brasiltnros verdadeiros q·ue conskrnírmn n r.irlrulti e estão
ali legitimamente [. ..j }:;les estão com a rauio, e eu é que
eslava errado. Eles tomaram conta daquilo que não jói
concebido pam eles. Foi urna bastilha. Então eu vi que
Brasília tem mízes brasileiras, reais, não é uma flor de
estufa corno poderia m; Bmsília está funcionando e vai
junciona1· cada vez mais. Na verdade. o sonho foi menor
do que a realidade. A realidade foi maior, mais bela. Eu
fiquei satisfeito, me senti m-gulhoso de ter cont1ibuído.
LUClü Cü.STA (1991, p. 7)
7
A AFIRMAÇÃO DE UMA HEGEMONIA
1945-1970
J' inegávP-f IJW! n Tli!S.IIl rlHf'U,ileiuTa Ü!11l grartjuuJ.n S'IJ.U!SSO mundial juslo:nUinle fiO/ afrmsr:uiaT
alguns rMjH!I:ios originnis, LijJir:amenili lnasiltáros. Nossa anzuiteinra wnfinna, na Jnrílir:a,
que o jnocesso de universalização da arte é alcançado na medida em que ela reflete
o e;pà"iio nacional, as exp,-essões rnais caraUe-rislicas de seu p1úprio jJovo. (. ..1
Vemos, jJor outro lado, que as expTessões novas da a.Tquiletura no Brasil, vêm sendo
aceitas pelo povo, mesmo quando se aprestinlu em .mr.IS formas rnnis a.uriru:io.as.
Pudemos mesmo d'iz.eT que o povo bmsileim abre urn crédito de confiança
aos seus arquitetos. É nesse clima de súnfJatia e apoio pufntlm· que
lemos enwnlTadn o mrúm· incentivo ao nono trabalho de oiaçào.
A repercussão internacional da moderna
arquitetura brasileira representou, no plano do-
méstico, uma legitimação e um reconhecimento
social inéditos para uma categoria e para uma prá-
lica profissional, até então visível como urna d e-
rivação da engenharia ou apenas uma atividade ar-
tística associada à construção. Elementos formais
dessa arquitetura de prestígio foram apropriados
como modismo, quer por construtores popula-
res (às vezes com ingênua elegância), quer por
j. B. VILA'IOVA ARTICAS, 1955 (1981, p. 16]
engenheiros, tão ciosos quanto ignorantes do
conteúdo arquitetônico por trás dessas formas.
O extremo dessa situação foi o açambarcamen-
to grosseiro d e soluções formais "modernas" por
anúdinas constru~:ôes patrocinadas pela especula-
ção imobiliária oportunista. Cidades em todo Bra-
sil que expandiarn seus limites tn-banos nos anos
de 1950-1960 formaram verdadeiros repositórios
dessa arquitetura imitativa- às vezes, alcançando
resultados agradáveis ou, no mínimo, toleráveis.
-~~~=-------------
130 • ,-1rquileluras no !3rasi/
REVISTAS DE ARQUITETURA
A arquitetura como Lema autônomo mani-
fesl"ou-se nos tlnos ele 1950-1960 com a circulação
de q uase: urna dezena de: periódicos especializa-
dos- publicações com pauta centrada na arqui-
Lel.llra (ou re lacionada com as a rtes plásticas -
unut J->arceri:-1 típica do m omento) e não voltada
apenas a alguns de: seus aspectos, como as traeli-
cion:.lis revistas de: decoração, engcnharia e cons-
trução. Algumas delas tiveram boa duração: Acrô-
fwle ( Jg4l-197l- sen período áureo foi entre 19fí0
e 1970), ArquilPtum e Engenlul'lia (1946-1965), Ha-
bitat (1950-1%5- dirigida inicialmente por Lina
Bo Bardi) , Hmsil Anruitetura Contmnjmrânea (1953-
1957) , AI> Arquitetura f /)pcora(âo (1953- 19SR) ,
Módulo (1955-Hl65- revista do g r upo de Oscar
Nierneycr) , /hasilia (1gfí7-l %l- publicação da
estatal que construiu llrasília) c A'rquztetum (19Gl -
1969) - entre as mais import.t1tm•s. O ano de: 1965
marca o fim de algnm<ts revistas com os proble-
mas políticos relacionados ao golpe m ilitar de
1961. Nunca, em momento anterior ou poste-
rior. os leitores estiveram tão ser vidos com publi-
cações esvccializaclas de arquitetura.
A vulgarização elo tt>ma arquitetônico em
tli;trios e publicações ele grande circulação c , so-
bretudo, a gran de aven tura que se r.ornou Brasília,
com ampla divulgação elo papel dos arqnit<::Los na
concretização elo e mpreendimento, redundaram
também numa maior demanda por profissionais
ele urna categoria de "prestígio" no afluente mer-
cado dos anos de 19!JO, com reflexos na rcformu-
lação do ensino de arquitetura - de antiga espccirt-
liztlç:ào derivada da cngcn haria ou be las-artes para
cursos autônomos, or-igem das escolas exclusiva-
mente orientadas para a arquitetura e urbanismo.
A DISSEMINAÇÃO DO ENSINO
DA ARQUITETURA
A r egulamcntação federal das profissões
de e ngenheiro e de arquiteto data de 1933, com
a criação do Con selho Federal de Engenharia e
Arquitetura- Conka. A principal escola de for-
mação de arquitetos no Brasil até 1945- a Esco-
la Nacional de Belas-Artes- era a sucedânea ela
Academia ele llelas-Art<:s, fundada 110 Rio eleJa-
neiro em 1H26 com a pretensão ele implantar o
ensino artístico de alto nível no Império. Outros
cursos antigos, de alg-uma expressiio, funcion a-
vam: e m São Paulo (o da Escola Poli técn ica, fun-
dada em l 891, e do Mackem.ie College, criad o
em 1917, como derivações do curso ele engen ha-
ria) , eru Belo Horizonte (fundado em 1930) e,
m ui to irregularmente, em Salvador (Escola ele
Belas-Artes, de 1896) .
Na década ele 1940, con comitan te ao cres-
cimento elo prestígio da arqu itc:tnra como ativi-
dade (devido à sua r·epcrc ussão inte rnacional),
o ensino da arrJuitetura vai ganhando nitidez c
autonomia das estr uturas de escolas de belas-ar-
tes e cugcnharia. Em 194!1, a reforma ua cslru-
wra da Escola Nacion:-1l de Belas-Artes do Rio ele
.Janeiro tornava o ensino da arquitetura indepen-
dente, com a criação da Faculdade Nacional de
ArquitcLUra da U niversidade do Brasil. Na nova
cst.rulura, a habilitação crn urbanismo d ecorria
ele um curso de dois :-1nos acessível :-1penas aos
portadores de diplomas em arquitetura on enge-
nharia civil. Em 1946, os diplomas da Escola ele:
Arquitetura da lJn iversiclaclc rk Min;1s Gerais
(sucedânea do curso fundado e ru 1930) foram
validados nacionalmente. Em 1947, recon hecia-
se, no nível federal , a Faculdade de lrquitetura
Mackenzie enr São Paulo (separada ela Escola de
Engenharia). A funda ção da Faculdade de Ar-
quiletura f' Urbanismo da univcrsid<tcle de São
Paulo (independente d rt Escola Politécnica)
deu-se no ano segu inte, em 1948, com currícu-
lo de urbanismo m inistrado no período de gra-
d uação. No Rio Grande d o Sul, o curso de arqui-
tetura foi autorizado a funcionar (em nível
federal) no interior do Instituto de Belas-Artes
em 1945; um ano depois, o governo federal au-
todzou a criação elo curso de arquite tura na Es-
cola d e Engenharia, criando uma duplicidacle
que foi resolvida com a fusão elos dois cursos na
Faculdade d e Arquitetura da U niversidade de
Porto Alegre em 1951. Em 1945, o governo fede-
ral reconheceu o cu rso de arquitetura da Escola
de Belas-Artes de Pern ambuco, que se integrou
à Universidade do Recife n o ano seguinte. Toda-
via, somc n te e m 1959 foi criada a Faculdade ele
Arquite tura d a Universidad e ele Recife, junta-
men te com a ela Bahia. Em Salvador, o curso de
arquitetura, no bojo ela Escola de Belas-Artes, fo i
in corporado à Univcrsiclaclc ela Rahia em 191fJ,
e mbo ra o Conselho Federal de Engenharia e Ar-
quitetura tenha admitido a validade dos diploma-
dos anteriormen te. A autonomia didática veio
apenas em 1959, com a fundação da Faculdade
de Arquitetura [Moralcs de los Rios Filho 19G4].
Na década de 1960, com a realização de Bra-
sília, a p rofissão esteve em seu auge. Os cursos de
arquitetura criados em Curitiba, na Universidade
Federal do Paraná (1961) e o de Belé m, na Un i-
versidade Fed eral d o l'ad (19().1)), tiveram em
suas p rime iras turmas muitos veteran os en ge-
nhe iros civis que buscaram a qualificação de ar-
quitetos. Em Fortaleza, a Un iversidade Federal
do Ceará instalava-se e m 1965 como a terceira
escola uo Nordeste. A criação da Universidade
de Brasíl ia (U11B) apon tava para o surgimen to
ele uma escola de arquitetura revoluciomíria -
experiência estancada com o gol pe militar ele
1964.
Como já dito, o principal centro de forllla-
ção ele arquitetos até por volta de 1950 era o Rio
d t>Janeiro. Todavia, se se buscar nma c.orrelaçào
entre o surgim en w d a arquitetura m oderna bra-
sileira e a Escola 1""acional de Belas-Artes, consta-
tar-se-á um e nigm a. A estrutura acad êmica do
curso de a rquitetura do Rio dejaneiro foi abso-
lutamente convencional, à exceção da curtíssima
gestão ele Lucio Costa à frente da ENBA em 1930-
1931. Os alunos e professores part.iclários do j o-
vc:-m f> revolucionário diretor - mais tarde consa-
grados como os arquitetos in ovadores ela linha
carioca - quase não desempenharam atividades
no ensino formal de arquitetura. Lucio Costa, de-
pois de 1931, nunca mais entrou numa sal<~ para
ensinar; Oscar Niemeycr teve uma cuna experiên-
cia docen te em Brasília, depois de 196~. Reiciy c
Alcides da Rocha Yliranda (n. em 1909) foram as
A Ajirmaçiio de 11111a lfe,~e/1/ollia • 131
exceções de uma regra que incluiu Burle Marx,
Jorge Moreira, irmãos Robeno, entre os que não
m ilitaram sistematicamente no ensino da arquite-
tura, mas promoveram verdadeiras aulas magnas
fora da escola e não d t>ntro de uma faculdade.
Nesse sentido, surgiu uma maledicente afirmação
sohre as escolas d e arquitetura: "fez-se arquitetu-
ra no Brasil, apesar das escolas".
ARQUITETOS PEREGRINOS,
NÔMADES E MIGRANTES
É possível aventar a hipótese de que hou-
ve dois fatores (entre tantos outros) mais signifi-
cativos na dissf'min<~ção dos valores ela arquiteLU-
ra moderna atravi:s do país. A criação de escolas
de arquitetura em várias regiões d o Brasil teria
sido urn d eles; o deslocamento de profi ssion ais
de uma região para outra também foi decisivo
para a afirmação de nma linguagem comum pelo
território brasileiro. Esses dois aspectos se con-
fundem no te mpo c no espaço.
Uma escola de arquitelu ra pode ser um
impor tante centt-o formador e disseminador de
idéias. Mas não basta apenas a sua existência.
Sua consistência intelectual deriva elas pessoas
q ue nela mil itam - estnd<~ntes e professores,
principalmente - , suas in terações com o meio
profissional c suas relações com a sociedade e m
que se insere.
Contrariando a maledicência (a de "exis-
tir aryuilclura u u país apesar das escolas"), o
ambiente de discussão nas escolas de a rquitetu-
ra foi fundamental para a afirmação ela arquite-
tura moderna entre os jovens. E foi a circulação
de jovens arquitetos pelo Brasil que conslituiu
um vetor de disseminação das novas idéias.
Foi um jovem t·ecérn-forrnac..lo (1Y4Y) no
Rio deJaneiro um dos portadores da mensagem
moderna para o Nordcsle. Trausfcriudu-sc para
o Recife em 1951, Acácio Gil Borsoi (n. em 1924)
inicio u sua atividade docente em 1951 na Esco-
la de Belas-Artes do Recife, r.ornando-se urn dos
mentores- ao lado do português Delfim Amorim
--------
132 • Arquflalllras 110 llmsil
(1917-1972) (de quem sp falará adian Lc) - cte
uma "linha pernambucana" de cuquitetura (urna
derivação com linguagem própria da linha cario-
ca) , que vai form::~r algumas gerações de arqui-
lctos que hoje aLuam por toda a região, extrapo-
lando as fronteiras do Estado de Pernambuco e
mesmo ela regi;"ío em si rsilva 1988] o
Outro jovem recém-[onnaclo (1947) na
Faculdade Nacional de Arcp1itc>tma, Edgar Craeff
(1921 -1990), foi quem levou para Puno Alegre a
informação ria linha carioca, influiu na organiza-
ção da Faculdarlc de Arquitetura (na refonna do
ensino de 1962), tornando-se um incliscuLível lí-
der intelectual, fortemente impregnado do ideá-
rio arquiletônico originado no Rio de Janeiro.
Outra influência no Rio Grande do Sul derivou
do fascinanle modernismo uruguaio protagoniza-
do por arqui tetos corno Villamajó (1894-1 948) ,
Surraco (1896-1976), Scasso ( 1892-1975) , de Los
f7. Adlcio Gil ilorsoi: t:<ISa e m
J oão Pessoa. I'B, i11ício dos anos
de 19f>0.
RR. Román Frcsn cdo Siri: tribll-
nas sociais d o .Jockcy Cl ub d e
Porto Alcgrt!, RS, 19!:>2. A pr<'-
sc n <:<'~ da arllllil<::LUra uruguoia
t->rn urna obra ítn par no panora-
111a gaú cho.
Campos, Puente y Tournicr c a Facultad de
Arquitectura de Moutcvideo- de onde egTcssou
Demé trio Ribeiro - outra imponante referê n-
cia intelectual no sul do l3rasil. A escola d e ilr-
quite tura do Riu Grande do Sul , nesse sen tido,
é tribmária da informação vanguardista de
Montevidéu, do Rio de Janeiro e talvez, da eu-
ropéia, com o ainda não-avaliado papel desem-
penhado pelo austríaco Eugenio Stcinhof, rni-
lit.aJil C no ensino de arquitetura na Escola de
Engenharia rlc Pono Alegre, antes de sua
integração ao curso m inistrado nas Belas-Artes.
St.ein ho[ foi saudado em 1929 por Adolfo Montles
de los Rios Filho (1887-1973) como um "arquite-
to moderno" vie nense, por ocasião de sua con-
ferên cia no Rio de Janeiro, com poucos meses
de diferença da palestra ele Le Corbusier.
Essa fusão de influências no Rio Grande
do Sul talvez esteja na raiz da grande rnobilicla-
de de seus arquitetos. Mobilidade produzida por
um vetor específico : o ensino de arquitetura.
Parcela po nderável de profissionais que partici-
pa ra m d o corpo docente p ioneiro elo cu rso de
Arquitetura da Universidade de Brasília era com-
posta por oriundos do Rio Grande do Sul. O gru-
po origimtl que implantou o curso de arquite ru-
ra em Reté m, no Estado do Pa rá, na primeira
metade dos anos de 19fi0, e ra majoritariamente
de gaúch os - u ma empre itada de atl·avessar o
país do extremo sul ao extremo u orte.
São Paulo foi també m u m grande celeiro
de pro fissionais para o Brasil. Outra parcela
ponderável do corpo docente original da Univer-
sidade de Rrasília partiu ele São Paulo; o gr upo
inicial ele professores do curso ele arquitetura de
Curitiba, Estad o do Paraná era basicame nte
compostO por arquitetos de São Paulo . Nota-se
também a forte p resen ~·a paul ista na formação
do cm·so de arquitetura de For taleza.
Mas a síntese do signo do d eslocamento
na arquitetura encontra sua maior expressão em
Brasília: o cor po docente da experimental Facul-
dad e d e Arquite tura da Universidad e de Brasília
foi fo rmado por um con tingente de j ovens do
Rio de janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais,
São Paulo, Pernamhnco, capitaneado por me~­
tres do pone de u m Oscar Niemeyer, Alcides da
Rocha Miranda e Edgar Gracff. A reunião ctcsscs
arquitd os num ponto então longínquo no terri-
tório brasile iro confunde-se com a própria epo-
R9. Osca r Arint': fórum de T rê'
Lagoa~, MT, I!Hili.
11llfimwçiio de uma 1/egPmmlia • 133
péia de centenas de milhares de brasileiros, (jlle
vislumbraram em Brasília n ma nova etapa da
história d o país [Scgawa 1988a] .
É claro q ue o ensino não foi o único vetor
cte deslocamento de ar(juitetos. O ensejo de tra-
balho promissor é capaz de mobilizar qualquer
tipo de profissional em b usca de uma oportun i-
dade mdhm· para ganhar a vida. Parte dos arqui-
tetos que peregrinaram pelo Brasil, sob o signo
do eusiuo de arquitetura, e ncontraram tambbn
um lugar ctcfinitivo par:~ desenvolver também a
atividade de pr~jctista. No en tanto, (jUanclo o
deslocamento profissional é provocado apenas
pela busca ele oportun idade mt>lhor, t>sse mapea-
men to é mais difícil, mas certamente fac tível de
uma análise mais documen tada no futuro. Ape-
nas para ilustra r essa situ ação, dois exemplos
bastariam.
A política rlc ocupação do interior do país
no período pós-1964 definiu urna cstrat(:gia de
orupaç;ôio e integração de regiões isoladas c pou-
co desenvolvidas do Brasil, como o CenLro-Oeste
c a Amazônia. O Mato Grosso, Estado q ue faz
fronteira com a Bolívia e o Paraguai, foi bri ndado
com recu rsos para sua modernização, inrlnindo o
reforço de sua rede urbana com a melhoria da
infra-esu·utura administrat iva e de serviços públi-
cos, o que levou o arquiteto Oscar Arin c (n. em
1 9~~), de São P:-nllo, a transferir-se para a capital
do Estado, Cuiabá, e eventualmente levar colegas
de sua cidade n atal para desenvolver pn~jctos de
-------~~---- - - - - -
/_:yf • Arquiteturas 110 Brasil
edifícios públicos - escolas, rónms, hospi1ais, ca-
deias, delegarias, a11ditórios c: a té um campus uni-
versitário - , kvaudo para uma região inóspita um
Lipo de anplitctura de vanguarda que se praticava
em São Paulo nos anos de 1960 lSegawa 1990].
Situação anúloga c simultânea ocorreu com
o arquiteto do Rio de.Janeiro, Severiano Porto (n.
e m 1930): convidado para desenvolver pr~j etos e
fiscalizar obras em Manaus, capital elo F.staclo do
Amazonas, Porto foi o primeiro arquiteto a se
transferir para o Estado, 11a segunda mcwde dos
anos de 1960, e sua prorlu('ão credenciou-o como
um dos importantes arquitetos brasileiros no últi-
mo quartel do século 20 [Zein 198(-)a j.
Essas migrações inte rnas- como procnr<J-
m os demonstrar sinteticamen te - transcendem o
mero sentido de deslor.amento de profissionais
em busca de oportunidades melhores. Esse trân-
sito de profissionais pelo país simboliza uma tro-
ca e nm enriquecirncuto de valores que, como
sementes ao vento, vão desenvolver novas atitu-
des em outras parageus. É a origem do quadro
diversificado da produção arquitetônica que vai
dcsahroch::Jr no Brasil nos anos de 1980, como
verificaremos mais adiante. Essas migrações ca-
racterizaram um processo d e transferência de
conhecimento c tecnologia de regiões mais de-
senvolvidas (como o Rio de Ja neiro, São Paulo c
os grandes centros regionais) para outras menos
d esenvolvidas, num processo indutivo de moder-
nização c uniformização de valores culturais e
técnicos via a rquiLc:tura. Nesse sen tido, o arqui-
teto roi um agente de modernização, contribuin-
90 . Rcrnard Rudofsky: relojoaria em São Paulo, 1939.
elo com uma informação que, adequadamente
apropriada ao nível regional, !'oi e será capaz de
estabelecer uma nova base de atuação dos arqui-
tetos no arnbicntc.
EM nuSCA DA AMÉRICA:
ESTRANGEIROS NO BRASIL
(l uando eslava no úliimo ano da fa.cu.ldadl<, saiu
um livro sobre a grande llllftiÍlelum bmsili'Ú'fl, IJitR,
naquele temfw, 110 imediato pós-guerra, foi rumo um
farol d1! luz a resjJlnnrll'l'l't l'llt um mntjlll dP mm·te
I...I })·a uma roisa maravilhosa.
LINA Bo BARDI, sobre B-mzil Ruild.~. l9R9
J P rojPIO I~~9~, p. M]
A perversão da guerra é capaz cte p rovo-
car fenôme n os à maneira de uma diúspora. A
Europa, desde o tem po de prenúncio do grande
conflito, até pouco depois de seu fim, conheceu
também um a diáspora de intelectuais, cientistas,
arquitetos e artistas. Destroçado pda guerra, o
Velho Mundo pouco tinha a oferecer senão u m
penoso trabalho ele reconstrução c urna situação
econômica e política pouco confortável, mesmo
com a vitória dos aliados.
O Brasil também acolheu inúmeros refugi-
ados ilustres, incluindo aí literatos, artisws pl~lsti­
cos e arcptitcws. I enorme repercussão do Bmút
Huild.s durante o período de guerra foi decisiva
para a opção que alguns desses imigran tes sem
rumo tomaram.
Um dos mais co n hecido~ estrangeiros atu-
antes no Brasil foi Bernard Rudofsky, o arquite-
to austríaco conhecido como o autor do livro A r-
chiteclun~ willwnt Architects, além de outras obras
de temáti<:;a alternativa. Fala-se que Ruclof:~ky veio
ao Brasil tendo como meta alcançar os Estados
Unidos: nessa é poca, um europeu não conseguia
im igrar diretamente a esse país. Trabalhon em
São Paulo e ntre janeiro de 19~9 e abriI ele 1941,
tendo vivido antes no Rio de.Janeiro por seis me-
ses. Rudofsky construiu duas casas em São Paulo
(Arnstcin c Frontini, publicadas em BraziLBuil.ds),
91. Lukjan Kornp;old: cdillcio CBI-Esplanada, São L'aulo,
IV46.
projetou lojas, desenvolveu trabalhos em artes
gráficas e desenhou móveis de caráter precursor
para o meio, empregan do materiais nativos. Che-
gou a ser premiado em um concurso ele rlesign
promovido pelo Museum ofMoclern Art de Nova
York em 1941 [Amaral1983; Segawa 1982, 1983],
O polonês Lukjan Korngold (1897-1963)
chegou ao Brasil para se instalar definitivamente
no início de 1940, tendo no currículo um diploma
de honra da Trienal de Milão em 1936 e uma
passagem profissional por Tel Aviv em meados
dos anos de 1930, durante o boorn de arquitetura
moderna que marcou a paisagem dessa cidade
[The White City... 1994]. Ern 1946, projetou a en-
tão maior estrutura de concreto armado do país,
o edifício CBI, no Parque do Anhangabaú, um
dos canões-postais da cidade. Com rigorosa
modulação estrutural, criando plantas livres com
/ I Ajirrnaçãn de uma He15emonia • 13 5
9L. Giancarlo Palanti: edifício Condt"" dt": Prale s, S:-to Pau-
lo . I!JI'j2.
andares panorâmicos, essas inovações tornaram o
prédio uma referência para os edifícios de escri-
tórios posteriormen t.c desenvolvidos. Korngold
também foi o responsável pelo primeiro edifício
com estrutura metálica no Brasil - o Palácio do
Comércio, também em São Paulo, em 1951.
A experiência anterior do italiano Gian-
carlo Palanti o credenciava como um inovador:
diplomado na Politécnica de Milão em 1929, foi
professor de sua escola a partir de 1935 até 1946,
ano de sua chegada ao Brasil, onde faleceu. Na
Europa, participava do grupo milanês em torno
do racionalismo italiano ligado à revista Casabella
(fechada pelo fascismo em 194;)), ao lado de Igna-
zio Gardella (n. em 1905), Franco Albini (1905-
1977)- com quem compartilhou projetos- e Giu-
seppe Pagano (1896-1945), entre outros. Palanti
foi um dos co-autores do Grande Salão da VI
136 • Arquilc1uras no Brasil
Trienal de Milão de 1936, na equipe liderada por
Eduardo Persico (1900-1936). No Brasil, Palanti
foi um pioneiro no desenho de mobiliário indus-
trial ao fun dar em 1947, com Lina Bo Bardi, o
Studio de Arte Palma; entre 1952 e 1954, dirigiu
a seção de ;~ rqu i te rura da Construtora Alfredo
Math ias; e, de 19!16 a 1963, esteve associado a IIen-
rique Mindlin, dirigindo o escritório de São Pau-
lo da sociedade. Sua atividade concentrou-se ba-
sicamente nos anos de 1940-1950 em projetos de
edifícios come•-ciais, residenciais e desenho de
mobiliário [Rocha 1991] .
Como já dito ant·es, ; 1 romana Achillina
(Lina) Bo Hard i veio ao Brasil em 1947 acompa-
n han do o lll<trido, o crítico ele arte e mrtrchanrt
Pietro Maria Barcli, convidado para organizar o
Museu ele Arte de São Paulo pelo j ornalista Assis
Chateaubriand. Na Itália, Lina Bo havia trabalha-
elo com Gio Ponti (1891-1979) e dirigido a revis-
ta lJomus no período da Guerra. No Brasil, em
seus primeiros anos, Lina dirigiu a revista Habitat,
desenvolveu pr~jetos de desenho de móveis, ar-
quitetura de interiores, cen ografia e a residência
do casal, obra marcante para a época (1949) . En-
tre 1958 e 1964 trabalhou em Salvador, Escada da
Bahia, cie..,envolvendo projetos museogr:dicos, o
projeto de restauro do Solar do Unhão, transfor-
mando-o no Museu de Arte Popular e o pn~jeto de
uma casa (demolida) . Arquiteta de poucas obras,
sua principai realização ary_uitctônica dessa fase
foi o Museu de Arte de São Paulo (1957-1968),
que a lançou como urna das grandes figuras no
cenário brasileiro - e cujo trabalho lerá desdo-
bramentos nos anos de 1970-1980. Sua obra atu-
almente vem merecendo as atenções mundiais,
sobretudo a partir de uma exposição e d o livro
reunindo suas realizações, sistematizando um co-
nhecintento até então fragmentado sobre as vá-
rias facetas da arquiteta como musa e agitadora
cultural [Ferraz 1993] .
O utro estrangeiro imigrado em 1947 foi o
tcheco Adolr Franz H eep (1902-1978), formado
em Frankfurt, onde Leve en tre seus professores
Walter Gropius e Adolf Meyer (com que m traba-
lhou até J928) . Entre 1928 e 1943, Heep viveu na
França: trabalhou para Le Corbusier, associando-
se em 1932 a Jean Ginsberg (1905-1983) (outro
discípu lo de Le Cnrbusicr), com quem proj etou
alguns edifícios de apartamentos na linha do
mestre suíço (obras que hoje fazem parte do ro-
teiro arquitetônico moderno de Paris) . Em São
Paulo , Fra nz Heep trabalhou inicialmen te para
Jacq ues Pillon, para quern modificou o proj eto
da sede do jornal O Estado de S. Paulo; trabalhou
por um breve período com Henrique Mindlin c
abriu escritório próprio em l 950. Sua maior pro-
dução concentrou-se e ntre 1954 e 1962, com pro-
je tos de edifícios resicleuciais, comerciais e indus-
triais, além de algumas residências - todas obras
meticulosamente detalhaclas, transformando-se
num a prática q ue con heceu seguidores en tre
seus colegas brasileiros [Gaui 1987). Heep criou
uma referência de q ualidad e para ed ifícios de-
senvolvidos pa•·a o mercado imobiliário, num
período de inLensa verticalização da cidade de
São Paulo. Entre seus prqjetos destacam-se o edi-
fício Itália (1956) e a igreja de São Domingos
(1953) no bairro das Perdizes. Professor do cur-
so de arqn it.etura do Mackenzie, a ativid ade de
Franz Ileep em Süo Paulo deixou discípulos,
como o arquiteto Salvador Candia (1924-1 991) c
Elgsoll Ribeiro Gomes (n. em 1922) -que se
transferiu para Curiliba, capital do Estado do
Pará c projetou, com sett mestre, o ed ifício Sou-
za Naves (1 95~), considerado como o primeiro
prédio moderno dessa cidade.
Outro importau le imigrante para a arqui-
tetura brasileira foi o p ortuguês Delfim 1rnorim.
Formado no Pot·to em 1947, foi professor e m sua
escola e co-fun dador da Organização e m Defesa
da Arq uitetura Mocierna (ODAM), movimen to
portugu~s q ue tinha, entre suas referências, a ar-
quitetura b rasileira de então. Amorim imigmu
para Recife em 195 L, trabalhando inicialmente
com Acácio Gil Borsoi c, em seguida, tornando-
se seu assistente no curso de arquitetura da Es-
cola de Belas-Artes. Amorim, ao lado de Borsoi,
foi uma figura cle ponta como projetista c edu-
cador n o panorama do Nordeste, tendo sido um
dos responsáveis pela formaçi'io de uma "escoi<J
pernambucana" a partir dos anos de 1960 [Del-
fim Amorim 1981).
A A{irnwçi:io de urna He,r;emouia • 737
93. Li11a Ro !%reli: casa no C ha me Chame, Salvador, BA,
195il.
95. Fra n 1 T-Tccp: cdificio Ti nguá, Sã o Pa ul o , década de
1950.
94. Franz H ccp c Jean Cinsbcrg: edifício de apartamentos
enl Paris, 19::1.
96. Del!"irn Arn orinr e Lúc io EsLeliLa: cdificio Acaiaca, Re-
cife, PE, 1958. foto-co rtesia de Geraldo c;omcs.
--
138 • Arquiteturas 1w Brasil
Ao lado desses nomes, podem ser lembra-
dos lambém os de Mário Rnsso (m. e m 1996),
Victor Reif (n. em 1909), Daniclc Calabi (1~06-
1964) c Giancarlo Gaspe1Í11i (n. em 1!:)~6) - os
três úllimos alivos em São Paulo. O italiano Ma-
rio Russo pode ser co n s id ~raclo um precursor
moderno em Pernambuco, ao chegar a 1949
con tralado como Chefe do Escritório Técnico
cb Cidade Universit;:íri". elo Rt:cife. Desenvolveu
o plano urbanístico do campus c os projetos da
Faculcladt: de Medicina, do Hospital das Clíni-
cas, d o InsliLuLo de Biologia Marítima , do Ins-
tituto de An tihiólicos, da Escola de Enge nharia
e d e unidades residenciais n a p rimeira metade
dos <li10S d e IYSO (nem todos realizados) . Foi
professor do curso de arquilc LUra da Escola de
Belas-Artes, matriz d o curso de arguirctura [Sil-
va 1988; Russo 1956].
O polonês Victor Reif viveu anos acarlêmi-
cos e m plena efer vescência ela van ~u arda de
Berlim no fimtl dos anos de 1920. Estudando na
famosa Technische Hochschule de Berlim-Ch ar-
lottcnburg a partir de 1927, f'oi aluno de I-Jans
Poelzig (1869-1936) e estagiou alguns meses com
Bruno Taut. ( 1889-193R) , trabalhando nos estudos
de habitação mínima e no conhecido projeto do
conjunto habitacional "Ferradura " em Berlim
( 1925-1930). Nos anos de 1930 e 1940 (mesmo
durante a Guerra) trabalhm' e111 Varsóvia e na re-
gião ela Silésia com construção, proje to~ arquite-
tônicos e imcriores. Chegou ao Rio deJaneiro ern
1950 com perspectiva de serviços em arquitetura
de interiores, mas logo deslocou-se p ara São Pau-
lo, onde seg11iu cancira em escritório p1·óprio
desenvolven do belos projetos residenciais marca-
dos por sua formação racionalista, com desenhos
de geometria límpida acrescidos de um tOC]Ue tro-
pic<~ l. Segue até o presente como p,-ofessor da Fa-
culdi1de ele ArquiteLUra do Mackenzie.
Nascido em Vcrona, Daniele Calabi for-
mou-se e ngenheiro em Pádua (1929) e o bteve
grau de arquiteto em Milão em 1933. Calabi de-
senvolveu algumas obras significativas na Itália
(Casa d e! Fascio em Aban o Terme, Pádua;
Colonia Principi di Piemonti, Veneza; observató-
rio astrofísico da Universidad e de.: Pádua) antes
lJ7. M>trio Russo: Faculdade de Medicina da UFPE, Recife,
PF., décarl~• rlc 1950.
de se refugiar no Brasil em 1939, por sua origem
judaica. Em São Paulo, manteve uma construto-
ra c desenvo lveu projctos (alguns em parceria
com Rino Levi) e desenhou algumas residê ncias
noLáveis. Deixou o "Brasil cm 1949, com um pro-
jeto incolllpleto (C<~sa da Infância da Liga elas
Senhoras Católicas) associado ao n.:cém-chegado
Giancarlo Palanli. De volra à Itália, pr~jetou irn-
portantes edifícios universitá rios (1nstilul o ele
Geologia e Mineralogia da Universidade de Mi-
lão, restauro do conven to dos To letinos e nova
sede do lstituto UniversiLario di Architeltura di
Venezia), inúmcras obras hospitalares e de inser-
ção de ediiicios novos em tecidos antigos (Bihlio-
teca Augusta em Perúgia) - tendo sido premiado
por diversas dessas obras rzucconi 1992]. Dan ie-
le Calabi foi o único dos estrangeiros ,-adicados
no Brasil que retornou ao seu país de origem com
uma carreira viLoriosa.
Giancarlo Gasperini, formado na llália, e
sem perspectivas de trabalho em sua terra natal,
optou pelo Brasil ao conhecer pessoalmente o
Rio de janeiro, para onde imigrou e freqüentou
novamente o curso de arquitetura. Ao mudar-se
para São Paulo no início dos anos de 1950, car-
regava consigo u1na forte influência de Affon so
Reidy e iniciou uma brilhante carreira, toruanclo-
se um dos importantes arquitetos brasileiros. O
renome internacional de Oscar Niemcycr foi ca-
paz de atrair para o Brasil inúmeros estudantes e
arquitetos latino-am ericanos e d e outras partes
do mundo para estágios com o mestre- entre os
fJU<~is o a11straliano Harry Seidler (n. em 1923),
que, antes de voltar para sua terra após graduar-
se e m Harvard, passou uma temporada traba-
lhando no Rio de Janeiro. Sua obra, ainda hoje,
traz reminiscências d essa passagem.
Boa pane desses estrangeiros chegaram ao
Brasil atraídos pela vanguarda arquitetônica que
se vislumbrava, a panir do combalido ambiente
europeu. Todavia, destacar esses personagens
não é uma apologia da qualidade e da capacida-
de de sedução de uma arquitetura local. Impor-
la destacar que alguns desses arquitetos, em con-
tato com o Brasil e os brasileiros, contribuíram
com sua cultura de origem e, na interação com
a cultura local, foram capazes de fertilizar obras
que corroboram o poder de assimilação a que a
moderna arquitetura brasileira recorreu em sua
origem, a partir de fontes e uropéias - capacida-
de de assimi !ação, às vezes conciliando opostos,
comportamento pouco afeito a certo racionalis-
mo ou funcionalismo em voga nos anos de 1940-
19fi0 - c, talvez, razão primordial da "exuber:m-
cia" brasileira ante o olhar europeu.
CAMINHOS PARALELOS
A vanguarda ela arquiletura brasileira fica-
va no Rio eleJaneiro, mas boa parte dos arquite-
tos-imigranles estrangeiros veio par'a São Paulo.
Essa preferê ncia tinha sua razão no dinamismo
A /Jjlrm açan de 111/la Hegemonia • 139
que o Estado apresentava nos anos de 1940, j:t
como a principa l unidade eco nômica do país. O
Rio de Janeiro e ra a capital (e até a década de
1960, a cidade mais populosa) , e as encome1u.las
aos arquite tos modernos eram, em sua maioria,
patrocinadas pelo poder público; em São Paulo,
ao conrr{trio, o patrocínio eslalal aos escritórios
privados era diminuto. O acesso a obra~ maiores
pelos proCissionais liberais dependia principal-
ment.e da encomenda ela iniciativa privada.
Rino Levi foi o primeiro nnt<ÍvPI arquiteto
moderno de São Paulo depois de Warchavchik.
Trazendo ela Itália uma sólida formação profis-
sional [a propúsiLO, ver o capítulo "Modernismo
Programático 1917-1932"], a sua obra madura,
a partir dos anos de 1940, transformou-se numa
referência par;t os jovens arq uitetos c demais
colegas por seu cuidado na elaboração dos as-
pectos técnicos e artísticos, com a análise dos
condicionamentos fun cionais de programas ar-
quitetônicos complexos de forma pioneira no
meio profissional. Levi tornou-se um especialis-
ta em arquitetura hospitalar (o que o levou a ser
chamado pelo governo venezuelano para organi-
zar um sistema de edifícios hospitalares p;1ra o
país), de cinemas e teatros (o arquiteto mesmo
cuidava dos cálculos de acústica desses ambien-
tes) , bem como enfrentou inúmeros encargos ele
resolução complexa na área industrial. Rompen-
do com a tradição local, Rino Levi foi o primei-
98. Riuo Levi, Roberto Cerqueira César e Luiz Roberto
Carvalho Franco: Instit.ut.u úe Ca~lroenterologia, São Pau-
lu,l959.
740 • Arrplite/Jn·as nu Rmsil
ro arquiteto e m São Paulo a se dedic1r exclusiva-
mente ao projeto, desincumbíndo-sc ela coustru-
ção. Ele e seus sócios mais jovens, Roberto Cer-
queira César (n. em 1917) c Luiz Roberto Carva-
lho Franco (n. em I926), construíram uma repu-
tação profissional excepcional, marcando época
por sua atuação.
O segu ndo a seguir a trilha ele indepen-
dência da obra, ainda nos anos de I940, f·oi ( )swal-
do Arthur Bratke, formado no curso de engenhei-
ros-arquitetos do Mackcnzic em 1~J:-10. Bratkc,
nascido no mesmo ano d e Niemeyer, é represen-
tativo das tnuctórias disliutas cutrc os arquitetos
modernos do Rio de janeiro e de São Paulo. ~ão
houve arquiteto for mado em São Paulo da mes-
ma gera·ão elos pioneiros cariocas que tenha ini-
ciado sua vida profissional con1 a linguage m
moderna e sem envolvimento com a construçiio.
Todos os paulistas praticaram uma arquitetura
eclética antes de se converterem ao modernis-
rno; todos, também , adquiriram grande prática
99. Q,waldo BraLke : ,íJa Sena <.lo 1'avio, AI', 1955-1960.
de canteiro, porquanto rara era a encomenda de
projeto sem a respectiva obra. A in trodução de
componentes modernos na arquitetura paulista
não se in iciou med iante os recur·sos formais que
caracterizaram a linha carioca: foi no tratame n-
to racional e inovador das plantas que certa
modernidade emergiu em São Paulo. Í~ provável
que um dos arquitetos que mais se sensibiliza-
ram com essa preocupação no contato profissio-
nal com Bratke fosse o estagiári o João Batista
Vilanova Artigas.
Bratke também foi um admirador da ar-
quitetura que se desenvolveu na Costa Oeste dos
Estados Uniclos, sobretudo ela obra ele Richarcl
Neutra (1882-1970) e das manifestav)es ern tor-
no da revista da vanguarda Arts & Arr;h.itectu:re,
cujo p rograma das Case Study Houses (raciona-
li7.açiio ria construçiio, inrlustrializaçào c experi-
mentação de materiais, análise dos novos modos
ele vida pós-segunda guerra) marcou vários ar-
quitetos paulistas. Decerto Oswalrlo Bratke é o
mais paradigmático entre os profissionais que
compartilharam desses princípios, não se atendo
à int1uência de Le Corbusier como a maioria de
seus colegas de geração.
Numa outra senda, Bratke projetou dois
núcleos urbanos no então território do Amapá -
Vila Serra do Navio e Vila Amazonas - entre
1955 e 1960, bases para a estrutura de mineração
de manganês promovida pela empresa !COMI.
Divergindo de certa conduta funcionalista do ur-
banismo de entào sem, contudo, negar opções
racionalizantes, Bratke foi cuidadoso em inserir
núcleos e projetar edifícios que buscassem ade-
quação ao ambienlt: amazônico e à cullura local,
sobretudo no desenho das casas operárias, des-
tinadas aos nativos da região. Realização con -
temporânea à conslrução de Brasília, Serra do
Navio é um conlraponlo urbanístico à Brasília
no panorama da época [Ribeiro 1992; Segawa e
Dourado, 1997] .
A DIFUSÃO DE UMA LINGUAGEM
A influência da linha carioca se fez visível
em várias partes do Brasil, em obras de destaque
nas principais cidades do país. A disseminação
dessa linguagem deu-se, em hoa parte, pela par-
ticipação de arquitetos do Rio de Janeiro ou que
se formaram na Faculdade Nacional de Arquite-
tura. Por outro lado, diante da ampla divulgação
e repercussão por meio de publicações especiali-
zadas ou não, o repertório formal e projetual
mais ou menos codificado da linguagem carioca
permitiu que profissionais não necessariamente
relacionados com o movimento do Rio de Janei-
ro aplicassem as idéias dessa arquitetura moder-
na com maior ou menor fidelidade e acerto - e
entre esses profissionais, incluíam-se engenheiros
civis, técnicos de edificação e construtores - isto
é, uma apropriação tanto erudita quanto popular.
O Rio de Janeiro, por sua então condição
de capital do país, era uma referência cullural
muito forte para as demais cidades e regiões -
mesmo para São Paulo, no pós-guerra assumin-
A Afirmaçàu de uma Hegemonia • 141
do a condição de mais importante centro eco-
nômico e industrial do Brasil.
Em São Paulo, mesmo contando com arqui-
tetos de primeira linha em atividade, para o proje-
to do Parque lbirapuera- centro das comemora-
ções do quarto centenário da fundação da cidade
de São Paulo - a comissão organizadora contratou
Oscar Niemeyer - que reuniu urna equipe local
para auxiliá-lo na tarefa. No período entre 1951 e
1956, Niemeyer esteve projetando edifícios co-
merciais e residenciais para empresários de São
Paulo (num período de pujança econômica),
chegando a organizar um escritório na cidade,
dirigido por Carlos A. C. Lemos (n. em 1925). O
edificio Copan foi projetado nessa época. No iní-
cio dos anos de 1950, Niemeyer também foi cha-
mado para inúmeros projetos em Minas Gerais-
relacionados com seu mecenas mineiro, Jusceli-
no Kubitschek (que havia encomendado o con-
junto de Pampulha quando prefeito de Belo Ho-
rizonte), então eleito governador elo Estado nessa
época. Vários edifícios públicos (biblioteca c
I00. David Xavier Azambuja c equipe: Centro Cívico Esta-
""'"· Curitiba, PR, 195 1.
I. Palâóo do Gover no; 2. garagem; 3. residência do
gov{'rnadnr; ~t. monun1enlo. Ptdúcio da.Justi:a; tJ. Tribunal
Eleitoral; li. Palacio da .Justiça; 7. Tribunal do Júri; 8. Câ-
lilara dos Deputados (secretaria); 9 . Plenário da C:imara;
IO Conlissúes ti'·cnicas ela C;imara dos lkp11 1.adns; 11. Pa-
l;'tcio rlas s<~(T<~larias de El'it.ado; 1~ . Pag<:uluria.
----
742 • A rr;ui/('1/1 ms l/O !Jrasil
teatro na capital, escolas públicas no interior do
Estado) I' privac!os (cdificios resicle nriais, clulws,
hotel) foram projetados e alguns construídos.
.Jove ns de várias partes do Rrasil qnc foram
busc.u· formação em arquitetura no Rio deJam;i-
ro se transformaram e m me nsageiros da arquite-
tura moderna. Edgar (:raefT, do Riu Grande do
Sul, jú foi lembrado anterio rmente. O baiano
Jusl: Bina Fonyat (191 H-?), n1esmo estabelecielo
no Rio de J ane iro, d e:;euvolveu inúmeros proje-
tos para Salvador - o mais destacado, o teatro
Castro Alves (1 qs7- I9Gu) . O paranaense David
Xavie r Azambuja (1910-19H2) lide rou a equipe
do projeto do Ccnrro Cívico Estadual em Curiti-
ba, ao lado de O lavo Rcidig de Campos (1906-
1984), Flávio Amilcar Régis (n. em 1908) c Sér-
gio Rodrigues (n. em 1927).
Arquitctos-rnigrantes (como conceituamos
anLe rionnente) que se forma ram no Rio de Ja-
neiro rlisst:>minaram a linguagem carioca. Acácia
Gil Borsoi, como já lembrado, foi uma fig ura c::~­
pir.al par::~ Pernambuco. Carlos A!berro rlc Holan-
da Mendonça (1920-l V56), al::~goano qut> se trans-
feriu para Porto Alegre em 1948, introduziu o
padrão carioca e m empreendimento:; comerciais
rom dig-nidade c, não fosse a morte prematura,
seria um arquilt>lo com maior reconhecimento.
O carioca IIélio Dllartc (I 906-1989) foi p ara-
di?;mático como um arquite to-peregrino: for-
mado na Escol(l Nac ional ele Belas-Artes e m
1930 (antes d a tenlal iva de reforma de Lucia
Costa), D uartc t.raha1hou na d écada de 19::10
no Rio d e .Jane iro e em Salvarlor, até instalar-
se definitivam en le e m São Paulo, em ·1944. Le-
vou para Salvador, onde fo i pro ressor da F.sco-
la de Rl·l:-1s-Ancs até 1914, as id(:ias de Le
Corbusier - embora não tenha co nseg-uido im-
por conceitos modernos no curso. Projetou al-
gulls cc!ifícios que estão entre as primeiras
obras m odernas da capital da Bah ia. Em São
Paulo, desenvolveu bem-sucedida carreira profis-
:;ional e acadêmica, aposentando-se como profes-
sor titular d ::1 FJU-USP [Segawa 1990 1.
O outro caminho para a vulgarização do
pensamen Lo carioca foi a apropriação dos concei-
tos por profissionais de outras regiões. Fo i o caso
101. Rubens Meistcr: Teatro Guaíra, C:u ritiba , PR, 1941-.
~;w~~ .~~:;~--~&~tk:~~,..{~~-,;~..;..; :4ffu,;~~~~!4~;·
102. Jo~o Ralista VilaHoYa Anigas e Carlos C:ascaldi: rodo-
viária de l.o11d rina, PR, 1tl50.
de Diógenes Rebouças (1914-1 991 ) em Salvador,
cujo TTotel rla Bahia (1947-1949), qne con to u
com a co-a11Loria do n 1rioca Paulo Antunes Ribe i-
ro, foi uma das mais significativas obras do perío-
do. Rebouças, formado tan.liamen te n o curso rle
arquitetura da Bahia, foi um notável seguidor da
linha carioca por aproximação aos mestres como
Niemeycr e Reidy, sem todavia ter vivenciado d i-
re tamen te a agitação cultural do Rio d e Janeiro
[Reis el al. 1995] . No sul do país, Nelson Souza,
formado e m Porto Alegre, com o projeto do Ae-
roporto Salgado Filho (1950), retomou o mode-
lo do aeroporto Santos Dumont do Rio ele Janei-
ro, dos irmãos Roberto. Luiz Fernando Carona
(1923-1977) c Carlos Maximiliano Fayet (n. em
1930) ganharam um concurso púhlico nacional
de anteprojetos (1953) para o Palácio da j ustiça
de Porto Alegre com uma proposta clarameu tc
referenciada n a linha carioca. No Paraná, o en-
genheiro Rubens Meister (n . em 1922), inequivo-
cam ente um pioneiro do moderno paranaense,
ao projetar o Teatro Gnaíra na capiral do Estado,
o faz com algumas referências fo rmais à arq uite-
tura d o Rio de Janeiro. Todavia, Meister, na se-
qüência d e sua obra nos anos de 1950-1960, cle-
senvolve u uma linha menos vi nculacla à linha
carioca, aproximando-se d a arq ui tetu ra norte-
americana [Zein 1986]. Em São Paulo, um arqtti-
tcto de personalidad e própria como Rino Lcvi
também desenvolveu projetos com p equenas re-
f'er€-ncias à linha carioca; e um arquiteto que fez
fran ca oposi~:ão idcol(>gica ao t.rahalho de Lc
Corbusier, João Ratista Vilan ova Artigas, abra-
ço u a ling uagem da arcplÍtetura carioca e 111
obras como o Edifício Louvcira, em São Paulo,
ou seus projetos para a cidade de Londrina, in-
terior do Estado do Paraná, como o edifício
Auto lo n c a estação rodoviária, do final da déca-
da de 1940 [Segawa 1990aj.
A AUTOCRÍTICA DE NIEMEYER
Consagrada urna no rma arquite tônica,
apropriada uma coleção de "regras" para fazer
"boa " arquitetura, o lugar-comum c a banaliza-
ção de soluçôcs que consagraram a arquitetura
brasileira tornaram-se cami sas-de-forç<~ ranro para
os arquite tos que participa ram d a insta uração
dessa linh agem arquite tônica quanto para os jo-
vens seguidores. Esse falo não passava despercc.:-
bido ao seu principalmentor, Lu cio Costa, quan-
do adm i1iu - tão cedo como em 1953 - que a
"arquitetura brasileira [...] anda muilo n ecessita-
da de du cha fria de quando em quando", por
O('asião da resposta às críticas ele Max Bill.
A crítica (ou auwcrüica) mais rclc:.:vantc.: c
de re percussão foi elaborada pelo protagon ista
mais e rn evidência, Oscar Nie meyt>r. Na seguuua
metade elos anos ele 1950, e ngajado nos projetos
dos palácios de Brasília, o arquir.ero publicou
uma série de artigos na revista M ódulo, que j.>O-
de mos considerar entre as mais importantes ma-
nifestações por escrito de um arquite to moderno
brasileiro, depois dos ensaios d e L ucia Costa .
Em uu1 cl:lc:brc tcxlo, "Depoimento", saíd o em
A Afirmaçiio de 11111{1 lie,~emonia • 143
fevereiro de 1958, ~ iemeye r revelava ter passa-
do po r "um processo houcsLO c frio de revisão
de me u trabalho ele arquiteto". Fazeudo sua mea-
r:nljm pelo excesso d e projetos sem o d evido cui-
dado, reveland o sentimentos de contradi ç~w
pessoal diante do quadro social no Brasil c sua
atuação profissio nal j u nto .:s "classes abastadas",
ele admitia ter-se descuidado "de certos pro ble-
mas e a adotar uma te ndência excessiva para a
originalidade, no que e ra incentivado pelo:,; p ró-
p rios interessados, de:,;cjosos ele dar a seus pré-
dios maior repercussão c realce. Isso prejudicou
e m alguns casos a simplicidade das construções
e o sentido ele lógica e economia que muitos re-
clamavam" l).fiemeyer 195HJ. Nessa busca de de-
puração, o próprio arquiteto alinhavou o que
considerava como uma n ova etapa dt: seu tl·aba-
lho, a partir d e alguns poucos princípios:
Nesse sentido . passaram a me in [Crcssar as soluções
co1npaclas, simp lt>s <" gt>om;;tricas; os p rohle111as de hi-
erarq uia c de caráter arqui teJôniro; ~1 s convc ni ê·n cias
de un idade c h ar mon ia e ntre os edifícios e, ai nda , que
es1es não mais se exprimam por sctts dellleulüs secuu-
cl:trios, 111as pt>b própria estru tu ra, ctevidamente in te-
g rada na concepção plástica ol"igiual [Niemeyer 1958].
A simplicidade b uscada pelo arquiteto
encontraria na r.slm.lnra st"n principal protagonis-
ta, como pouco depois ele mesmo accnt11aria:
De ntro dessa a rquiletu J·a, [JI OCuro orientar meus
p,·oj<'tos caracterizaudo-os, se mpre CJ llf' possÍYe l, pela
p rópria estrutura_Nunca baseada nas imposi(Õcs rad i-
cai s do fnn cionalismo, mas sim, na procu ra de soluções
novas e variadas, se possíve l lógi<as rlcn rro do sis1cma
estático. F. isso sem lemer as contradições de forma com
a técnica e a fun çào , certo que permanecem, un icamen-
re, as solu:Ócs bdas, in esperadas e hilr mon iosas. Com
esse objetivo, ;-tecilo todos os artifícios, tOdos os compro-
missos, convicto de que a arq uit t'lur<J não consliLUi uma
simples qucsr<io de engeultal'ia, mas umz, m;-, nift>staç;io
do espírito , da imagina(iio e da poesia [Nic-J11eyer lY(iOJ .
Esse parágrafo contém a síntese do pensa-
men to niemeycriano: a licen ça pol:tica sem su-
bordinação às imposições técnicas - mas o con-
trário- admitindo a busca ela "forma bela", do
"novo " como desafio à orLocloxia elo lúncionalis-
mo, um reconhecimcnto da "von tade artística"
144 • ,;.JI·quitetu ras no HrusiI
(Kunstwollen) à maneira tlc Alols Rit>gl (1858-
1905) como vetor da arquitetura, elegendo a es-
lrumra como personagem principal da sua cria-
ção [Segawa 1992] .
O manifesto de 1958 foi prontamente
sentido pelos colegas: seu con teúdo foi semin al
para os arquitetos das esquerdas e certamente
tornou-se um ponto de partida para uma nova
"linha": um tipo de arquitetura feita em São Pau-
lo, a "linha paulista".
VILANOVA ARTIGAS
E A LINHA PAULISTA
No comPro de 1967fizemo.~ u·m estudo sob-re a j>a-
ln.vra desenho cuja inümrtlo era mostrar como na his-
tória do desenvolvimento econômico-social bru.siüáro
twhn ela perdido fmrtfi "'' sru sig;nijicado, o signifi-
cado de desígnio, de projeto. C'umo o desPnho é eman-
rijJa{'ão Como o projeto é demonstmção rlPsoberania.
J. B. V TI.Al"'OVA ARTIGAS, 1974 [1977, p. 35]
Essa manifestação de 1967 sinteli:tava u rn
conjunto de preocupaçõe:; de João Barista Vi-
lanova Anigas que data do final da década de
1950. Nesse momento - na efervescência de Bra-
sília- a vanguarda arquitetônica, as esquerdas e
alguns setores da sociedade compartilhavam da
estratégia do desenvolvimentismo brasileiro com
forte tintura nacionalista. Postulava A.rtigas:
A década de 50 caracter-izava-se para a história da
arquitetura brasileira pela planificação c construção de
Brasília. Note-se que a arquitetura brasileira represen-
tada por Lucio Cost<t e Oscar Niemeyer jü gozava nacio-
nalmente de prestígio suficiente para não ser necessá-
ria uma ''t:obcrtura" técnico-cultural estrangeira par'a
enfrentar tarefa desse tamanho [Artigas 1977, p. J3j.
O arquiteto de São Paulo pretendia de-
monstrar uma tese: que a responsabilidade social
do arquiteto se sustentava no conceito do projeto
como um instrumen to de emancipação política e
ideológica. Ao comentar a regulamentação profis-
sion al de 1933, Artigas caracterizou-a apenas
como uma n orma de natu reza corporativa, sem
dimensão política:
O rlerreto ck rcgulamcnlação [...) baseava-se no
princípio ele assegurar para os l'ngenheiros (c para os
arquitetos) a construção dos edi.lícios que esteve por·
longo tempo a cargo de leigos. O "projeto" na rcalirla-
de não tinha importância maior. Qualquer projeto. Ou
t<~lvez fosse mais corrt>tu dizer que não se atribuía valor
de autenticidade ao projeto brasileiro. Para construir o
Ministério da Educação foi necessária" presença deLe
Corbusier a fim de gar;-rntir o resultado ela obra, seu sig-
ni ficado moclenrizarlor tão necessário à conjuntura da
Revolução de 30 nas a lw r·as de 1937.
No fim da década de 50 já podíamos definir o pro-
j eto, os pr~j etos em geral, como manifestações de sobe-
rania.
A compreensão deste princípio muito custou e ain -
da custará aos arC]uitetos brasileiros. Ele cuutém em si
a idéia de emancipação de nossa cultura técnica e artís-
tica, de df'resa da nacionalidade [Artigas 1977, p. 34] .
O mais brilhante interlocutor de Vilanova
Anigas nesse período foi o professor Flávio L.
Motta (n. em 1923), com quem dialogou para a
elaboração de um forte e influente discurso sobre
a semântica dos termos "projeto" e "desenho " e a
poderosa carga ideológica a eles atribuída.
Convém, preliminarmente, fazer uma obser-
vação de natureza etimológica. Na língua portu-
guesa, não existe a diferenciação que em inglês se
manifesta nos termos "rlesign" e "drawing", ou em
espanhol com "diseiio" e "dibtuo" - ambos se defi-
nem, no português, ambiguamente no termo "de-
senho". Um texto de Flávio Motta, de 1967 (a partir
de considerações anteriormente feitas por Lucio
Costa), ~jucla a ilustrar a dimensão ideo-lógica dos
conceitos propalaclos por Artigas:
O problema do desenho tem muito a ver com a
nossa emancipação política.
Ele se confunde com n desígnio de forj<lrmos urna
cultura humanística.
Bem sabemos que a palavra "desenho" tem, o rigi-
nalmente, um comprom isso com a palavra "desígnio".
Ambas se identificavam. Na medida em que restabele-
cemos, efelivamente, os vínculos entre as duas palavras,
estaremos também recuperando a capacidade de inf1uir
nu rumo do nosso viver. Assim, o desenho se aproxima-
ra da noção de "pr-ojeto" (pr-ojet), de uma espécie de
lançar-se para a frente, incessantemente, movido por
uma "preocupação". Essa "pré-ocupação" compartilha-
ria da consciência da necessidade. Nu m certo senlido,
elaj;j assinala um encaminhamento no plano da liber-
dad e. Desde que se considere a preocupação como re-
sull<tnte d e dimensões históricas c sociais, ela transfor-
rna o projeto em "projeto social".
Na medida c·m f[ll<' 1111l él soriPdadc ITilliza suas con-
dições hum aníst icas de viver, então o desenlw se mani-
festa mais preciso e dinâmico em seu significado. Vale
dizer que através d o desenho podemos idenLificar o pro-
jeto social. E com ele enconr.rarem os a linguagem ade-
quada para conduzir a emancipação humana rMotta
1975, p. :!9J.
O próprio Anig-as, em análise de HJ74,
circunscreveu o contexto inicial desses posicio-
namentos:
Os anos q u e antecederam 1962 roram de intensa
<ttivielack elos <~ rquitetos brasileirosjunto à Un i ~n Inter-
nacional de Arqu itetos I ..j
Na Uli a couviveucia dos arquitetos de LOdas as ua-
ç.ôes, para um mundo de paz, pretend e a valorização da
cultura arquitetônica de c:ada país, a dcscolonizaçiio des-
ta~ c ul t.llld~. A ui ~tlibui~:ão entre torht' <L~ culturas das
melhores conquistas da técn ica universal ;1 pa•· do respc~i­
to e reconhecimento à história de cada uma delas. [...]
A d cscolonização na arqu itetura não se faz pela
proihiç.ão da importação de modelos de solução de pro-
bl emas estético-construtivos. Mas prin cipalmente pela
descolonização da consciência dos arquitetos dentro da
cultura em que trabalham . Por isso são importantes as
escolas de arquitetura nacionais. A elas cabe educar os
arqttit.ctos na direção de c.onhecr.rem a fundo as ques-
IÓes d e suas p~t!ri as para versan·u1-nas eles mesll)oS l...j
A posição colonizada fllle se caracteriza pelo "não sabe-
mos" atribui a outros setores da cultura responsabilida-
d es nossas. Entretan to o pior dessa ati tude é que com
ela também se atribui a estrangeiros na constante pro-
cura de liderança metropolitana, co1no se constata nas
declarações sobre a crise da arquitellrra brasileira e tan-
tas outras rArtigas 1977, p. ::141 .
É preciso relembrar o delicado quadro
político do segundo pós-guerra e da década de
1050, como moldura d essa rellexão- imperialis-
mo, colonialismo, Guerra Fria, Cortina de Ferro,
macarthismo, a crítica ao estalinismo promovida
durante o XX Congresso do Partido Comunista
da União Soviética, a invasão da H ungria por
tropas do Exército Vermelho - tudo isso esgar~:a­
va as esquerdas brasileiras.
A Ajirmaçâo de 1111/tl I /ei;enJ0 /1 ia • 715
No capítulo anterior, "A Afirmação de
urna Escola 1943-1960", reportamo-nos ao deba-
te entre o grupo comunista do Rio Grande do
Sul (à frcutc Demétrio Ribeiro) c o arquiteto
paulista. Artigas posicionava-se contra o tipo de
uacionalisrno c o tradicioualismo da arquitetura
dos gaúchos, defensores d e estéticas "compreen-
síveis" ao povo. Ao contr~trio, ele seguiu a senda
da arquitetnra moderna da vanguarda ocidental:
Assumi posiçcies próximas rla arquite tura rhamarla
r:1cionalist:1 , on post erior mente cha mada "cn rhusie ri;J-
na ", lll<t~ fá: isso con1 espíri lu u íticu, 111 eu própri o, sa-
ht>ndo f[llf> t>ssas posi(Ôt>s er<~rn j;í nri11ndas de u rna vi-
são de mun do das quais homens como CorbHsier, que
as fundamentavam, não podiam participar. Essas foram,
rra sua e~sê11cia, originc-1<1:-ts de lllllél corrc~ptcio ."iociali s-
la do mundo, buscadas nos primórdios do socialismo
11a U11i;tu Suviéti c:~, e se tTisLali L~u-an.t L Uill as inllTjJJT-
taçôes pessoais de uma porção de gente que se aprcscn-
t<tva 11<1 ilcman h<t, 11<1 Fr<tnc;a- n<-10 nos Estados Unidos
- corno 1 . .. 1 pessoas t)lle lurava111 contra as opressrws
dt>ntro do seu próprio país, e ofereciam isso ao seu
povo, acima ele tudo, a casa populnr, como um mo men-
to de art.c moderna.
Foi com essa compreensão, já com uma comp•·een-
são de que nao era aí que estavam os idc<Jis do povo
brasileiro, mas nos idcai.s ele li be rtação nacional, de
lnT:1 conTra os poderes rnuito maiores que nos opri mi-
am, toi dentro desse caos que pude con str uir minha
vis;lo ele arquiTeTura [Arrigas llJRHh, p . 94].
Vilanova Artigas abraçou uma interpreta-
ção peculiar do intcrnacionalismo, sob a leitu-
ra d e Le nin:
E quando se fala em estilo internacional. qualquer
comunista. como cu n aquele tempo, logo sabia que o
sentido da intemacionalidade era de origem p roletári<l.
universal. Q ue r dizer, universal fJelo conteúdo, nacional
{llilafm·uut. U ma arrptitet.ura intern<Jcio nal seria aquela
que servisse ao total ela humanidade e tivesse suas lor-
lllas 1Laciouais cobrindo a i111ernacionalidatlc tla int.en-
ção. Essa relação entre forma c conteúdo é tipicamen-
te do pensa.mc:nt.o d essa época e , partiCltlarmente, d e
Lenin [Arligas 1989, p. 601.
Assim reconheceria Anigas em 1981. A
reconstituição do seu raciocínio em momentos
diversos mostra correlações que permitem com-
preender a coerência interna do pensamen to
desse arquiteto, fundamental na formulação de
14() • AnJUÍ/elums nu Rrusi/
conceitos ~u c embasaram a arquitetura paulista
elos anos ele 1960. Sem renuucíar às suas convic-
ções nacio nalistas e anticolonialistas (no plano da
subordinação cultural e tecnológica diante das
potências ocidentais) - ao ponto de qualificar Lc
Corbusier como um "agente do imperialismo"- ,
Arligas cnconlrou em Lenin uma interpretação
de solidariedade universalista ("internacionalida-
de oper~{ria") sem conflito com a busca ele iden-
tidade c nacionalidade. Ao vislumbrar no movi-
menlo moderno ela arquitetura elos anos de 1920
(anterior a CorbusitT e Gr·opius, estes tributários
daquele) uma utopia de concepções socializantcs,
com proposlas por uma sociedade igualitária c
justa, servindo ao "tot<~l ela humanidade" sob a
égide da industrialização, essa arquitetura moder-
na, em seu desenvolvimento, afigurar-se-ia como
um caminho redentor para a sociedade como um
Lodo. A arquitetura moderna, e ntão, como mui-
to bem colocou Aualolc Kopp [ 1990], não seria
lllais um estilo, mas uma causa.
MATURAÇAO
DO PROJETO PAULISTA
A partir ele 1957, os Encontros Nacionais
de Arquitetos, Professores e Estudantes de Ar-
quit<:tura promoveram vários tóruns de debate
acerca da formulação de um currículo mínimo
para os cursos de arquitetura. Em 1962, a Facul-
dade de Arquitetura c Urbanismo da Universicla-
clc de São Paulo e a Faculdade de Arquitetura da
Un iversidade elo Rio Grande do Sul irnplanta-
varn seus novos currículos, produtos desses anos
ele discussões. As propostas foram capitaneadas
pelos mais importantes líderes regionais: no Sul,
por Demétrio Ribeiro e F.elgar Graeff (que, toda-
via, nesse ano já estaria engajado na organização
do curso de arquitetura da U nive rsidade de Bra-
sília); em São Paulo, Vilanova Artigas. Há de se
constatar que essas duas faculdades- fermentan-
do d esde os anos de l9!'í0 - tiveram fundamen~
tal relevância nos anos de I960-1970: a de Porto
Alegre, pela formação ele profissionais que se
engé~aram no ensino, na teorização, e se deslo-
caram pelo país nessa peregrinação; a ele São
Paulo, também pela formação de teóricos mas,
sobretudo, pelo desenvolvimento ela prática de
uma arquitetura com características peculiares,
ao ponto de ser qualificada como uma "escola".
O currículo da FAU-USI', na proposição de
Vilanova Artigas, tinha como fundamento básico
o conceito ele fJmjel.o estruturando o curso, em
torno do estúdio ou ateliê como espaço de aula e
discussão, e organização didático-administraliva
em departamentos - História, Projetos e Técni-
cas - com o departamento de Projetos instiluído
em seqüên cias temáticas ele planejamento urba-
nístico, do edifício, da comunicação visual e elo
desenho industrial. Essa amplitude de áreas, se-
gundo Artigas, visava a formação de um profis-
sional qualificado para f: n[re ntar as mais dis-
tintas demandas:
Os cursos de arquitetura devem padronizar o futu-
ro arquite to d e for ma mais ampla do yue até lHlje.
Abrir as eHradas para o conhecimento d~s v::i rias ques-
tões permitindo ao estud ante d escobrir o seu mais pro-
fundo inLeresse , a sua maior vocação. A Fl.U-USP tem
alg uma experiência p rática nesse sentido, se conside-
rarmos que seus alunos se clistrih twrn na açiio pe los
mais variad os ramos das L{~c nicas c das artes. Assim, o
jJnfil elo arquiteto eleve se•· o mais variado possível e ba-
seaclo no mais am plo sistema de informaçôes de rnanei-
,·a que possamos contar com arquitetos nos mais varia-
dos ramos da arividadc social.
O arquiteto, nessa visão derivada da expe-
riência da Bauhaus, era um profissional "com-
pleto": "Há que formar e educar e prestigiar os
arquitetos para desempenharem as mais variadas
missões. Desde a construção, passando pela foto-
grafia, e a canção, até os cargos de natureza ad-
ministrativa c política".
Mais elo que apenas um construtor, o
conceito de projeto embutido nessa proposta
instauraclora atribuía ao arquiteto uma verda-
deira tarefa redentora, missionária, ele reformu-
lação do mundo:
Educar os estuda ntes na convicção d e que o dese-
nho é arma de expressão das pesquisas as mais profun-
das e de sínteses as mais complexas. Exato como os re-
cursos da ciência.
Os arquitetos tênt experiência acumulada para o tra-
Tamento de questiies que envolvem o condicionamen to
do espaço apropriado para a vida lnuuana. Os limites
que a tecnologia moderna estendem para o domínio ela
n<ltLlleza ultrap<lssam os limites da terra. As ciências do
meio ambiente vêm mostrando que o homem é cada vez
mais o se nhor da natureza. P reocuparn-se e nos alertam
a todo o momento sobre as relações sociais entt·e os ho-
men s, as quais poderão lev~-lo rk senhor~ destruidor do
meio em que vivem. Repilo-lhes estas coisas para desta-
c;u o papel que o arquiteto poderCt desempenhar na
apropriação cautelosa do meio ambien te assim como na
participação social cap:u de modirica r as relações enue
os homt>ns em proveito do pn)p,·io homem. As escoi:ls
de arquirerura devem educar os jovens pa ra a p;-trricipa-
~·;to do arqnircro twsr<· concciro de cnnhccimcntn dare-
alidade da existência humaua [Art.iga' 1977, p. :37] .
ARQUITETURA COMO MODELO
Qual a razão do alcance e influência que a
linha paulista atingiu n os anos de 1960-1970? Um
aspcno fundamental foi a clareza c a forç_:a ideo-
lógica contida em torno dos conceitos de fJrojeto c
de.wn.lw, linha mestra d a reorganização curricular
da Faculdad e de Arquitetura da Universidade de
São Paulo c convicção prorw.uncnt.c assimilada ou
discutida por alunos e discípulos. É preciso con-
siderar algun s dos fatores que propiciaram um
meio fértil para cliscussào e legitimação desse
103. .João Batista Vilanova Arligas c Carlos Cascaldi : Giná-
sio de lLanhaém, SP, 1959. A estrutura é definidora da for-
rna do edifício.
A Aj!rmaçào de uma 1/egenu m ia • 147
ideário: 1. as condições políticas de discussão e
ação das eSC]Ite rdas, possíveis nessa passagem de
década para os anos del960, até o golpe militar
de 1964; 2. a arquitetura era um tema presente
no debate público cotidiano ern função sobre tu-
do da construção de Brasília; 3. o domínio de
uma tecnologia própria constituía uma elas
q ttestôes program<Íticas do nacional-desenvolvi-
mentismo da época, e São Paulo, como o m aior
pólo industrial do país, enquadrava-se adequa-
damente ao figurino de centro de pesquisa ele
soluções tecnológicas e industrialização da cons-
trução (nos moldes ela busca de resposta indus-
trial para a construção em massa, tese da arqni-
tetu ra moderna d esde os anos ele 1920); 4 . o
curso ele arquitetura em São Paulo, diferente-
mente das demais reg iões, ti nha suas origens
não nas belas-artes, mas na engenharia, o que
lhe configu rava uma maior familiaridade com a
arquitetura enquanto questão tecnológica.
Mas o fator mais palpável para a materia-
lização de uma arquitetura formalmente identi-
ficável como "paulista" deveu-se ao seu caráter
de continuidade à linha carioca. A importante
autocrítica d e Oscar Nicmeyer em 1 95~ foi pron-
tamente apreendida pelos arquitetos, sobre tudo
aqueles i<kologicarncnLe alinhados ao mestre do
Rio deJaneiro. Mas Vilanova Artigas foi enf:ttico,
e o primeiro a acusar sua import~mcia de manei-
ra positiva na revista 1crójJole, com um curto tex-
to, "Revisão Crítica de Niemeyer", alguns meses
depois da divulgação elo manifesto de Niemeyer:
T rata-se de documento rico de sugestões para a aná-
lise da atual etapa d o dcseuvolvi mcnto d a arquitclllra
h r ;-1silel r;-l. Ni(~JTJ t->ye r nos C (Hnunic~l con fian·a n o desti-
ll ü da no~sa arquitetura e da cultura nacim1al. Numa
demonstração de grande se nsibil idade, define corn se-
gurança o significado d e certos aspectos deco.-at.ivos
qu~ in1agina1110S f}llf" d e C~r1a ronna t"' il Vo }vialn ll US~;-1s
expressões arquitetônicas, traçando o rumo certo para
evitá-los [Xavier 1987, p. 2~-1] .
A autocrítica ele Nicmcycr foi muito mar-
cante para Artigas. l1Iesmo anos depois (1965), o
arquiteto d e São Paulo vo ltaria a citar esse mani-
festo num ensaio, "Uma Faba Crise" [Artigas
1981], a propósito da polêmica da anti-racionali-
r.--- - - --
148 • A ·rrtllili!fllms 110 lJmsil
dade de Ronchamps ck l.e Corbusier e o debate
sohrc a falência elo funcionalismo. ~esse texto,
AJ·tigas, além de manifestar-sua reconcilia~:ào com
o mestre franco-suíço (chamava-o de "genial
arquiteto"), rckmbrava a passagem de outro tex-
to de Niemeycr com sua apologia d a r'.lntlum
como suporte de uma "manift>staç':ío do espírito,
ela imaginação e pocsia" [ver a parte "A Autocrí-
tica de Oscar NienH.:ycr" no preseme capítulo]. O
caráter mais marcante da arquitetura paulista - a
eslrutum mmo mquiletura - é tribut.ário das condu-
sões de Niemf:'yer de 1058-- l960.
Não se deve descartar, também, uma influ-
ê ncia da visão "indusLrial izávcl" da arqnitetura
no rte-americana, q uer pelo conhecimento dos
princípios elas Case Study Houses, e em particu-
lar a obra de Mies van der Rohe- sinteti:t.aclor da
máxima da "arquitetura como estrutura". A no-
ção de "modelo" tamhé-m veio caracter-izar uma
série de atitudes elos arquiletos paulistas: mode-
los de soluções arquitetônicas, modelos d e estru-
turas, até modelos de relações sociais (!).
Ao assim ilar a au tocrítica de Niemeyer,
Artigas encon trou uma "saída" concreta de co-
mo expressar materialme nte um a coleção d e
conceitos de admirável coesão in terna. Difer-en-
temente de seus colegas de restruturação c.rtrri-
cular do Rio Grande do Sul - que também de-
senvolveram :suas teses de ensino a partir elos
encontros de 1957-1062 c abra~:ararn fundamen-
tos conceituais ele e::oqucrda - , Artigas foi um pro-
fícuo realizador na prancheta e no cantt>iro, pa-
ralclarncn rc à condição d e esplêndido teórico
rzein l984]. Se Niemeyer foi u ma referência co-
muul ao Rio Grande do Sul e a São Paulo, no Sul,
o mestrf:' carioca era reverenciado pelas convic-
ções políticas c alguma mime::oe arquitetônica; em
São Paulo, Nicmeyer foi cultuado pelas idé ias e
pelas realizações construídas que, passadas por
uma releitnra, se transformaram noutra arquite-
tura nas mãos dos arquitetos paulistas- sem per-
da da essência que a originou.
As formu lações teóricas e ideológicas do
gr upo em torno de Vilanova Artigas buscavam
fundamentar teses-utopias que, longe de corres-
ponder apenas a teorias arquitetônicas tradi-
cionais, elevavam a questão a nma d imensão rla
é Lica po lítica e social. Essas idé ias conheceram
tentativas de materialização em forma de edifí-
cios, conjuntos edificados e espaços urbanos,
com linguagens formais e técnicas apropriadas
da experiência da arquitetu ra carioca, da essên-
cia da estética de Osc;;~r Niemeyer. Nunca antes
no J3rasi1houve uma ~.:sforr,;o Lão claro de correla-
cionar urna série de teses com realizações arqui-
tetônicas concretas. Ética e estética nunca estive-
ram Lào e rn evidência. Uma estética com ética ou
u ma é tica com eslética -jogos de palavras que
rondaram as discussões e a prútica da arquiteLu-
ra em São Paulo no::; anos de 1960-1970.
CONSOLIDA<;ÃO DO MODELO
Vila nova Arligas era um personagem ca-
rism ático, !Jl'Ofcssor eloqüente c articulado, mi-
litante de esquerda: perfil q ue lhe granjeou
admi ração, seguidores e vasta influência, com o
detr-alores e adversários. Mas não se pode crecli-
lar a e le a solitária tarefa de formulação de uma
linguagem clcsenvolvida em São Paulo. À man ei-
ra da lin ha carioca, a linha paulista também foi
um conjunto de vertentes não formalmente e m
acordo entre si, unitário, mas, examinadas e m
seus fu udamentos, derivadas de uma saudável
dialética entre as duas estolas de arquitetw-a
(USP c Mackenzie) , um ativo departamento regio-
nal do Instituto de Arquiletos c profissionais inde-
pendemes, respeitados por suas realizações, e m
wrno de preocupações concerne ntes à maio ria.
Grosso modo, cada vertente poderia ser clisLingui-
da como urna resposta possível a essas questões
comuns. A identidade paulista, portanto, não se
encontra somente na sim ilaridade formal que
obras de alguns arquitetos podem compartilhar,
mas ele pressupostos iniciais comuns que geraram
respostas distintas.
Entre as referências dire tas ou indiretas, a
arquitetllra brasi le ira em geral estava atenta a
determ inadas discussões ou personalidades no
plano internacionaLA polarização entre posições
"organicistas" (da linha de Frank U oyd Wright e
do proselitismo de Bruno Zevi) e "racionalistas"
(Le Corbusier, Gropius, Mies) tornou boa parte
dos debates até o início dos anos de 1960. Um
a rquiteto guc inspirou muitosj ovens brasileiros
foi Richard Neutra, que visitou o país e foi o
úuico arquiteto estrangeiro nesses anos que teve
nma publicação bilíngüe cuitacla no Brasil (Ar-
quitetura Social ern Países de Clima Quente/llrchi-
ü:r.l1.m: ofSocial Concern in Hegions ofM ild Climate,
1948), com uma introdução do pioneiro Grego-
ri Warchavchik. Ademais, a an1uir.et.ura da Costa
Oeste dos Estados Unidos teve ampla repercus-
são em São Paulo, sobn:tudo 111cdiantc as p:-ígi-
nas da revista A-rts & Architecture e as propostas
dos arquitetos do programa Case S!udy TTouses -
experiências de habitações racionalizadas na tec-
nologia e na revisão dos conceitos de vida do-
méstica no período pós-segunda guerra [Segawa
e Dourado 1997J.
A linha carioca foi um referencial marcan-
te: além da óbvia alus3o a Niemeyer, a influé'ncia
de Reidy pode ser notada em arquitetos tão
díspares do cenário paulista (pela trajetória pos-
terior) quanto Art.igas, GiarKarlo Gasperini ou
João Waltcr Toscano (n. em 1933).
A tecnologia da constru('ão era um te ma
relevante: a industrialização representava o alvo
maior para o pensame nto nacioual-desenvolvi-
mentista ela época. Para essa mentalidade, o do-
mínio de tecnologia própria constituía um atri-
buto ol~j e tivo elo grau de progresso do país. A
industrialização da constrnção foi uma preocupa-
ção constante, ainda vestígio do credo revolucio-
nário europeu dos anos de 1920. O emprego de
pré-moldados e a busca ela pré-fabricação conhe-
ceram ensaios no período (ern todo o Rr<~sil )
sem, todavia, ter-se alcançado resolução salisfató-
ria, afora experiências isoladas de alcance resu-i-
to. Mas o domínio da construção, mesmo artesa-
nal e tradicional, conhecia em São Paulo a força
dos mestres de obras e construtores italianos e
alemães, aliada à sólida inform<~ção dos egressos
da Escola Politécnica e da Escola de Engenharia
do Mackenzic. Rino Levi e Oswaldo Bratke foram
profissionais que primaram pela elaboração téc-
A Jifirmaçüo de 11111a llegemo11ia • 149
nica de seus pr~j etos, constituindo um paradig-
ma de qualidade para os jovens arquitetos.
No âmbito d os sistem as construtivos de
maior tecnologia , o concreto armado lll0110poli-
zou as espccificaçôes: material de ampla d isponi-
bilidade no mercado brasileiro, sem a concor-
rê ncia dos sistemas metálicos - na ocasião, não
rão acessíveis à con strução civil. São Paulo co-
nhecia longa tradição com a matéria - desde a
pioneira estação Mairinque de Victor Duhugras
[ve1· capítulo "Do Anticolonial ao Neocolonial: A
Busca de Alguma Mockmidadc 1880-1026", em
especial, a parte "Estética da Racionalidade"],
até uma vasta literatura c ensaios t.ccnolé>gicos
prodmirlos pela Escola Politécnica desde os anos
ck 1920.Já em 1951, os hrasileiros tomnvam co-
nhecimento dos e nsaios em concreto apare nte
de Le Corbusier na unidade de habitação e m
Marselha ( 1 946- L95~), por meio dos premiados
painéis presentes na I Bienal Internacional de
São Paulo. Na mesma mostra, as exuberantes es-
truturas aparentes de outro premiado, Pier Luigi
Ncrvi (1891-1979), para o edificio para Exposi-
ções de Turim (1948-1949) e o hang;u· para avi-
iks ( I940-1943), cenamente sugeriram novas es-
t é-ti c<~s pa•·a os arquitetos brasileiros. Reidy foi o
primeiro a empregar o concreto aparente de
maneira exprt"ssiv::~ no Museu de Arte Moderna
do Rio deJaneiro, em obras no final dos anos de
19!'i0. Qua ndo Rino T,evi começou a trabalhar
também com o concreto aparente de forma
escultural, não tardou a disseminar um<:1genera-
lizada aceitação das possibilidades esté-t icas do
material apare nte.
Com a deferência de Oscar Nicmcycr c
sua apologia do material como suporte ideal pa-
ra suas elaboraçôes p l~sl iras, o concreto armado
torno u-se uma solução recor ren te c im harível
entre os arquitetos alinhados ao pensamento da
"escola". Enfim, o concreto transformou-se na
expressão contemporânea da técnica construti-
va brasile ira.
Não se deve, todavia, limitar a aurangf:n-
cia da expressivid adc elo concreto armado ao
Brasil. Em tocb América Latina, a influência de
Le Corbusier ou, por via indireta, a influência ela
750 • Arquitctums no Rrasil
arq ui tetura brasileira de vcrl(;Utc corbusieriana,
promove u u m conjunto de obras rcfcrenci::lis da
cnlltlra arquitetô nica latinO-americana: o Edifí-
cio das Nações Unidas/CEPAL(l 960-1966), de
Emílio Duhan (n . em 1918), a Capela do Mostei-
ro Be neditino (1964), de Gabriel Guarda (11. em
1928) c outros, arnbos em Santiago de Chile; o
Urnário do Cem itério do Norte (1962) em Mon-
tevidé u, Urug uai, de Nelson Bayardo; o Edif'ício
de la C obernació n (1956-1963) de Santa Rosa,
Argentina, de Clo rinclo Testa (n. (;IH 1923) e ou-
tros- entre algumas obras marcantes_
O apelo à exprc:;sividadc do concreto, de
matri;.-. c:orbusieriana, também seria tributário do
pensamento em torno do movimento anglo-sa-
xô nico d o Rrutalismo, ou Novo Br utalismo, d e
meados dos anos de 1950, como caracterizado
por Reyn er Banh<Hll [Marchán Fiz J974, pp. 10G-
416j. A austeridade e o respeito no uso de m ate-
riais c instalações à vista (tidos como acaharnen-
tos em si), a preocupação por um funcionalismo
n ão necessariamen te mecanicista, fo ram evidê n-
cias formais que, associadas às ol>ras de Vilanova
Artigas e seu grupo, geraram a alcunha de "nru-
talismo Pau lista" ao trabalho dos arquitetos de
São Paulo. O Brutalismo pmpalado pelo casal
inglês Smithson tinha compone ntes de inquieta-
ção social e ético que se <~justariam ao pcns::lmen-
to paulista _Todavia, o próprio Vila nova Artigas
contestou essa influência em 1965, traçaudo um
paralelo ao seu pensamen to ao comentar postu-
mamente a obra ele seu cokga Car los Milla n
( 1927-1964):
As últimas residi'-nci01s CJUe construiu em São Paulo
rf'w laou u m a tend ência para o que a coítica, em especial
a europé ia, chama cl c hn n alismo. Um brutalismo bra-
s.ileiro, por assi m d izer. Não creio que isto se justifique
ele todo. O conteúdo ideológico do hrnralismo europeu
é bem o utro. Traz consigo uma carga de irracionalismo
tt"nrlen te a abandonar os valores artísticos d a arqui tetu-
ra, d t' um l:ulo, aos imperativos da técnica construLiv<t
qne se transform a e m fator de term inante; de o utro
lado , a forma arquitetôn ica surg ir ia como tnn <lc ide rne
da solução técnica. Como só o artista colhesse, na anar-
quia das soluções téntícas, os momentos de emoção
que mio prerle tcrminou mas que surgiram ao ar;~so
IAnigas 1988a] .
104. Carlos Mí llan: casa 110 Morumbi, São Paulo. 1961.
Não se pode negar que arquite tos brasile i-
ros também foram tri butários do Br utalismo;
muitos paulistas caminharam por essa sen da, e
talvez nela tenham identificado um recurso con-
C(;itual de legitimação de uma prática. Todavia,
dislinguir a produção paulista como "n ru talista"
força uma relação de ascendência que minimiza
as dernais influências o u condicionamcs significa-
tivas na formação de~se pensamen to arquitetôni-
co. Não há como tornar equivalentes a austericl:l-
de l>ritânica de um país que ainda passava pelo
rescaldo de gue rra, sufocado pela momentânea
carê ncia material, e um país como o Brasil , de li-
mitados recursos tecnológicos e cuja sobriedade
arquitetônica (para não dizer "rusticidade esteti-
cizada") derivava dos limites impostos pelas pos-
sibilidades ofe 1~ec idas pela indústria da constru-
ção civil. O concreto armado c sua potencialidade
plástica e estética (via Lc Corbusier ), nesse senti-
do, era o Jront tecnológico mais avançado à dispo-
sição dos arquitetos brasileiros.
Entre a melancolia do pós-guerra europ eu
e o simultân eo o timismo nacional-desenvolvi-
mentista brasileiro, os arquitetos iludiram-se com
as possibilidades de transformação do Brasil
rumo ao progresso c ao atendimento das neces-
sidades sociais_A prática arquitetônica paulista
d os an os de 1960 - apesar d o golpe militar de
1964 - não abandonou o positivista ideário utó-
pico de um país novo, econômica c socialmen te
resolvido . Mesmo distante ele qualquer transfor-
i h•t>liotecaJoaquimCardofo,
) CAC - uTIE AAjirmaçiiode umallegemonia • 151
mação redentora da sociedade brasileira (que as
esquerdas naturalmente não admitiam como sen-
do o golpe militar, muito ao contrário), a arqui-
tetura rleveria ensaiar modelos de espaços para
uma sociedade democrática, atendendo aos an-
seios da maioria da população. Para esses arqui-
tetos, a cidade era concebida como um espaço
democrático, espaço de convivência, de encon-
tro. O solo urbano deveria ser de todos e assim
manc:;jado, com a rninirnizaç;io ela propriedade
privada. Brasília, em suas características funda-
mentais (organização à Ville Verte de Le Corbu-
sicr, sctorização de funções, abolição das estrutu-
ras urbanas tradicionais, planos de massa), era
um paradigma ele cidade, que poderia ser traba-
lhado como um modelo urbano aplicável no ra-
ciocínio ele um edifício. Um escopo mais amplo
justificando soluções genéricas, a busca de um
sentido maior na prática de arquiLewras meno-
res, mas supostamente coeremes com pressupos-
tos dignos: um modelo ideal.
Modelo que, aplicado numa habitação, cri-
ticava padrões e valores tidos como "burgueses".
Condicionadas pelas limitações elo lote urbano
tradicional, as casas implantadas em vizinhanças
convencionais fechavam-se introspectivamente
com empenas cegas, como que negando o entor-
no imediato e voltando-se para dentro, em volu-
mes monohlocos (fiel ao instrumento do plano de
massas ao nível urbano). Os interiores, todavia,
eram admiravelmente abcl'los, com ambientes .Ou-
ente:s e interligados física e visualmente, muitas
vezes abolindo hierarquizações ele uso e convivên-
cia tradicionais. Os espaços comunitários eram va-
lorizados; os recantos privados, compaclarlos.
Vilanova Anigas foi o decano da tendência;
a geração seguinte ampliou o retrato paulista com
formuladores ou praticantes: Carlos Millan, Pau-
lo Mendes da Rocha (u. em 1928), Fábio Peute<t-
do (n. em 1 9~8 ), .Miguel j uliano (n. em 1928) ,
Julio Kuinsky (n. em 19~2) ,João Waltcr Toscano,
Eduardo de Almeida (n. em 1933), Pedro Paulo
de Mello Saraiva (n. em 1933), Abrah ão Sanovicz
(n. em 1934), Siegbert Zanettini (n. em 1934),
Décio Tozzi (n. em 1!)36), Paulo Bastos (n. em
1936) , Ruy Ohtakc (n. e m 1938) , Sérgio Pileg-gi
105. J oão Walte r Toscano, Odiléa Toscano e Mass<lyo~hi Kalllimura: Balneário de Águas da Prata, SP, I969-1073.
!52 • .Arquitetllras no Brasil
IOG. Sicgbcrl 7.anctrin i: flospital c Maternidadt"' rlc Vila
:uva C<tdwt'irinha, São Paulo. l9Gl:l-l !)72.
107. Ahrahüo Sanovicz: Parqu.- Cccap Serra Negra, SP,
197f).
(n. em 19~9) - <.:ntre alguns CJllt' se ckstacaram
com escritórios próprios ou na docência -, a maio-
ria engajada na 1;',."U-USP. A produção de alguns ar-
quitetos, supostamente antagônica ou divergen te
ckssa linha, n ão pode, entretanto, ser avaliada
sem o contexto da linha paulista: Joaquim Gue-
des (n . em 1932), Sérgio Ferro (n. em 1938) e
Rodrigo Lerevre (1938-1984).
A cidade de Curitiba abrigou a derivação
m ais eloqiien te do pensamcn to de São Paulo.
Como já dito pouco acima [em "i.rquiteros Pere-
grinos, i'ôm<-~ des e Migrantcs"], a porção pau-
lista do corpo docente do curso de arquitetura
paranaense - entre os quais.José Yfaria GandoHi
10::!. R11y Ohtakc: Aché l.aboratúrios Farmacêuticos,
G u;u·ulhos. SI'. I970.
109. .Joaqu illl Cucdcs: casa em S<io Paulo, 19!>!.
(n. em 1933),Jocl RamalhoJúnior (n. eml934),
Luiz Forte Netto (n. em 1935), Roberto Luiz
Gaudolfi (n . em 1936) - e a vizinhança dos Esta-
dos do Paraná c São Paulo asseguraram um in-
tenso inlercâmbio e in fluêucia profissional.
A dissem inação mais ampla de alguns va-
lores da arquitetura paulista, no en tanto, se deu
por meio da revista ic·rópole, editada em São Pau-
lo. Em 1965, várias revistas de arquitetura deixa-
ram de cit-ctdar, inclusive a influenle Jtfódulo, de
Niemcyer. De alcance nacional, ao lado da revis-
ta paulista, apenas a A-rqu.itPtum, edilada pelo
departamento carioca do 1nstituLO de Arquitetos
do Brasil, mantinha uma regularidade confiável.
A -~lirmaçilt' de uma li<~~em 11:a •
li O. Lui7 Forte :--leto. José ~laria
Gandolfi, Joel Ra malho Jr. e 'i-
Ct"ll t e dl:' C;o.,l oo : Cl:'n lro Prei-
cle nciãrio do Es1ado elo Para ná .
Curitiba, I'R, 1967 .
11 1. Ed ison Morozowki, Everson
Morozowski, l.niz Eduardo Pcrr y:
Sede Social e Recreativa d os
E co JJUI JJiÚ Jios do P:n an(l, C 11ri ti-
ha, PR, 1976-1978.
11 2. Rodrigo l .t'fi:·vn·: casa em
São Paulo, I970.
Pela trad ição, a Ar.róf>olr (em circulação desde
1941 ) impôs-se como a prinôpnl p ublicação d os
arquice tos c até ~c u fcch <uncnto, em "1971, vir-
tmtlmcntc e ra o órgão oticial de divulgação da li-
nha paulista.
A DILUIÇÃO UO MODELO
E A CRÍTICA
/fá momentos {.../ romo no Rm .,il mlre 10 t' 60,
em que os ~i-nlomrH de um fJiovávd drsl"nvolvimt•nlo
socinl [. ..] esliumlaTa111 'll ma olimista. n.lividadr
anlecifJadora. Ofu.tu-ro parecia conter jJromPssas pró-
ximas qu11 [... / n•queriam novos instrttmentos. 1s
154 • Arquiteturas 1zo Rrasi/
jJmfJOstas, sHpostamente passíveis de afnoveitamento
quase imediato, procuram cola·r-se às disfJOnibilidrule.
concretas do nosso máo r: ás r.rt-ríinr.ias do nosso sub-
desenvolvimento.
1~· o que distingue os trabalhos de Ntt!liWJWT e
Artigas: av1mçamm uma arquitetura sóbria e diretrt,
armada wm lodos os re1:unos rulequados â situação
bmsilàra. r:quiparam-se r:om a clareza, a abertum e
a coragem construtiva frrtÍflrins j)(l,m as transfonno.-
.(Õt!S vagamente anunárulas. l!ntsília marcou o apo-
geu e a in terrujl(âo destas esperanças.· logo f>'eamus
nossos tímidos e ilusó-rios avrmços sociais e atendemos
ao /()(flUI militar de raollun:
SÉRGIO FF.R RO, l9tiB l19RO, p 901
Urn jovem professor da FAU-USP, Sérgio
Ferro (então com trinta anos de idade), escre-
veu em 1968 uma contundente crítica à arquite-
tura de seus colegas paulistas. Intelectual e nga-
jado nas esquerdas, militamc de urna dissidência
do Partido Comunista Brasileiro, Ferro posicio-
nou-se radicalmente contra seu~ antigos compa-
nheiros de ideologia. O ano não poderia ser
mais carregado d e denotaçõe~ críLicas, ern todo
o m undo. No plano local, foi um momento de
grave crise político-insLitucional, que resultou
no endurecimento do regime militar com bárba-
ras perseguições a inte lectuais c opositores ao
regime ou às figuras instaladas no pode r.
Em 1968, a situação econômica tampouco
era boa, mas a mudança desse quadro era anun-
ciada: n os anos posteriores o país conheceu um
p eríodo de puja nça econômica sem precedentes.
Foi o chamado "milagre" econômico. O jovem
crítico op erava sua análise em torno ela produção
arquitetônica de um período de economia em
baixa (entre 1964- an o do golpe militar - e
1968). Mas Ferro constatou com clareza na obra
de seus pares uma exacerbação projetual contra-
ditória com a utopia que originou algumas atitu-
des da linha paulista. Para ele, as novas gerações,
formadas sob o signo do desenvolvimentismo e ele
uma nova realidade democrática e social que não
se concretizou, preparadas para responder com
propostas de grande alcance social, fr ustraram-se
com os rumos tomados pelo golpe militar. Impo-
tentes para materializar suas crenças numa escala
ele transformação ela sociedade, Ferro acusava
seus colegas de "maneiristas":
Ao adiamento d e suas esperanças reagiram [os ar-
quite tos], no primeiro inst;mte, com a afirmação reno-
vada e acentuada de su as posições principais. Daí I':'SICI
espéci e cabocla de brutalismo (oposto ao brutalísmo
eslet i zC~ n t l':' e11ropeu ); est<1 clícl<llização forçada de rodos
os procedimen tos; a excessiva racionalização constru ti-
va; o "econ omisrno" gerador d e espaços ultradensos ra-
ramente justificados por imposições objetivas etc...
Re petindo: nos projetos elaborados por este grupo
de novos arquitetos - o mais significativo d a atual gera-
ção -, a panir de 60, as propostas anteriores que carac-
terizavam a arquitetura brasile ira, feitas para um clesen-
volvimeulo que parecia provável, são retomadas com a
e nfase exagerad a d ecorren te da consciência d e: sua
impralicabilidade presente e d o desaparecimento de
suas tênues bases efetivas, desapa1·ecimento selado pelo
trunc:1mento irracional d o nosso processo social [refe-
rindo-se ao golpe milirarj lFerr-o 19RO, p. 9 11.
Os vários aspectos formais da linha paulis-
ta são dcsa.tados na crítica:
Se antes o uso do concreto aparente, na sua rustici-
dade, colabo rava para uma constr ução mais fra.nca e
econômica, h oje com<Jndi!, po1· razões qu e ninguém
examina, as mais rebuscadas filigranas. A organização
dife rente de plantas e espaços, fruto de um pensame n-
to at.enlo, desem boca n o exolismo inconseq üente dos
arranjos hiperbólicos. E tudo explicado em função d e
cuidadosa observação de significação imanente de téc-
nicas ou materiais, sob a proteção da racionalidade pró-
pria de sua evolução. A técnica cristalizaela assume o
papel ativo - ela contém a verdade . De ins trume nto
passa à motivação lFerro 1980, p . 92 ].
A técnica do concreto armado e sua ex-
pressividade plástica eram parte de um discur-
so auto-suficiente e exibicionista:
As estrutu ras foram sempre uma preocupação fun-
d amental para o arq ui teto brasileiro e por várias ra-
zões: oposição ao primitivismo d e nossos an ti quados
métodos construtivos, necessidaele didática de um mo-
vimento que buscava a firmação , reflexo de uma visão
de conjunto racion alizan tc estimulada pela promessa
ele d esenvolvimento etc. Se eram escolhidas e propor-
cionadas com algum excesso, respondiam a uma de-
manda d e experiências. Hoje assistimos, n as obras de
m ui tos arquitetos ela nova geração, à hemorragia das
pseudo-eso·uturas. Muitas ap resentam um novo dese-
nho d as poucas fó rmulas estruturais compatíveis com
as nossas limitadas possibilidad es, geralmente inadapta-
d o às reduzidas dimensões elo programa. Sublin hadas
artificialmente para evidenciar sua presença [...] com-
paradas às anteriores imediatamente revelam seu absur-
do: a simplicidade c a efi cácia esquecidas pelo prazer
do virtuosismo individual [Ferro l 980, p. 92].
Sérgio Ferro d enun ciava o desvirtuamen-
to das melhores r.écnicas e práticas, anterior-
me nte elaboradas sob a perspectiva de mudan-
ças progressistas:
Assim , os esLUclos sobre planejamento ou sobre nos-
sa li mitação construtiva h~jc são utilizados, depois de
conven icn 1c men te deformados, pelas forças mesmas
que estas in tenções modificadoras, em essência, contra-
riam: a ditadura c o imperialismo L...] .
A in esgotável capacidade antropofúgica elo sistema
baseado no comércio forçado pela propaganda de mcr-
cado,·ias freqüentemente supérfluas, com sua crônica
carência ele novidades cstirnulames, clegllltill, com faci-
lidade, o qu e parecia conter todo~ os req uisi tos de urna
atitude inquietante: a arquitetura brasilcil·n, castraria,
serviu de agente de vendas [Ferro 1980, p. Yll.
Radicalizando, d enunciava os d escami-
nhos da arquitetura para situações "sem saída" -
extrapolando o limite da arquitetura corno prá-
tica política:
Para enfrentar a~ fon,:a> negativas que os clilucm,
aceitam a fragmentação d a particularidade, o que é
outra forma de diluição. Adensando seus projetos, re-
vestindo-os d e malabarismos expressivos para agredir,
afastam-se mais e mais do objeto da agressão e da pos-
sibilidade da agressão: com pl exos demais, já não são
mais ouvidos. Para de,alienarcm-sc, au me ntam a pró-
pria alienação. Dentro da arquitetura, este é o limite da
ati tude crítica : a radicalização da con tnHlição ató o ab-
surdo. Esta situação, obviamente, é insuperável porca-
minhos arquitetônicos [Ft:rro 1980, p. 921.
A trilha analítica seguida por Ferro condu-
ziu-o à elaboração de uma complexa hipótese de
reavaliação da arquitetura, centrada f'undamen-
talmen re numa visão marxista do "modo de pro-
dução arquitetura!". Num texto de 1969-1970, o
arquiteto sintetizava a base de seu pensarnenlo:
O atual modo de produção arquitetura!, d eformado
e deformador, nilo podeservir como base de uma nova
.A Afirmação de uma 1-Iew.>monia • 755
consciência da arquitet.ura, ne m como gu ia da elabora-
ção d e um programa para a for maç;o d e arquitetos.
A atual situação ele crise e de transição impõe uma
conduta metodológica específica c experimental, colll-
posta de três e t.apas fundamentais:
A) Preservar e aper kiçoar os me ios d e produção
arquitcturais.
B) Aprofundar a crítica I·adical do atual modo de
produção.
C) Tentar, com um critério rígido, novos modos d e
produç~o arquitetura!, na expectativa de nma determi-
nação por um uovo Illodo de produção social.
/s novas necessidades a tuais, se examin<u las racio-
nalmente, estarão na o rigem dos mod os ele produção
arqu itetura is novos, próximos. possivelmente, daq ueles
considerados por um outro tempo [Ferro 1980a, p. 991.
O corolário dessa complexa elaboração
teórica foi um trabalho que circulou no Brasil
ern uma publicação alternativa, em meio ao qua-
dro ele repressão da ditadura na primeira meta-
de dos anos de J 970, com o autor exilado n a
França. O texto, que em 1979 foi publicado em
forma de livro, cham ava-se O Canteiro e n Desenho.
U m libelo contra as formas de exploração capi-
talisla ela mão-de-obra operária, a sua alicnaç~LO
a nte o trabalho que realiza (divisão do trabalho
no canteiro de obra como recurso segmentador
d o d omín io do conh ecimento do trabalh ador
diante do produto em gesLào) e a responsabiLida-
de do arquiteto corno amor do desenho (numa
alusão ao "desenho" de Artigas).
Não se pode desvincular o conjunto de
enunciados de Sérgio Ferro do contexto intelec-
tual simbolizado n os acontecimentos de 1968. O
clima de discursos radicais dos inLelectuais fnm-
ceses (com os quais Ferro tinha afinidades) c o
ambien te opressivo que se formava n o Rrasil no
final dos anos de 1960 explicam parte elas postu-
ras de Ferro. No plano latino-americano, o deba-
te arquitetônico tendeu também para uma visão
polilizacla, allamente sociologizante da arquitetu-
ra, direcionando o interesse elos estudantes para
o plan~jamento urbano. Sérgio Ferro, embora
auscn te do Brasil (e talvez por isso m esmo), foi
entronizado corno principal intelectual alternati-
vo da arquilelura sob o regime ditatorial. Suas ob-
servações guardam relações com as análises que
filósofos fnwccses (entre os quais Michel Fou-
756 • Arquiteturas 11n 11wsi/
__.,._. . --~ ... , -· " ~
1 1:~. P~11l o Me ndt·s d a Roch a, J orge Caron, Júl io Katiusky, R11y Ohtakc (ar<]uitctuca); Flávio Mo11a , Mnn:~· lo :-.litsch c,
í.a.-111ela C ross (consultores): Pavilhão do Tlrasil na Feira In ternacional d e Osaka, 1969-1!-170 .
cault (1026-19R4) ) desenvolviam denuncia ndo as
derormaçõcs da modernidade, o racionalismo re-
pressivo, a te leologia posilivist.a do modernismo.
Todavia, suas idéias no Brasil foram transformadas
na palavra de ordem contra o projeto, isto é, a
defesa do "não-projeto". Fcucr o projeto de arqui-
tewra significava endossar o sis1ema, corroborar
a ditadura; recusar o projeto era boicotar o "modo
de produção arquiteturéll" vig-ente, que deveria ser
subslituído. O CantPiTO e o DPsenho torn ou-se um
dos mais mencionados trabalhos entre os estudan-
tes de arquitetura c osjovens profissionais, muito
embora rarissimamcnte lido na íntegra c compre-
endido. Trata-se de nm texto de dificílima leitura.
O pr·óprio autor esclareceu, mais de dez anos de-
pois, que sua escrita complexa derivava de uma
época p olítica pesada, na qual os intelectuais se
manifestavam (às vezes, instintivamente como de-
fesa) median te figuras de linguagem muitas vezes
indccifráwis, pelo temor à perseguir,:ão.
Tendo participado de escaramuças políti-
cas e sido preso, Sérgio Ferro exilou-se no exte-
rior no início dos anos de 1970, radicando-se e m
Grenoble, França, onde ainda hoj e atua como
professor do curso de arquitetura e como pintor,
abandonando o projeto arquitetônico. Organizou
um grupo de pesquisa que prossegue em suas
teorizações acerca das re lações entre o canteiro c
o desenho, tendo publicado artigos dele c de seu
grupo de estudos na França e no Brasil, mais re-
centemente. Seu seguidor brasikiro rnais consis-
tente é o gaúcho Paulo Bicca (n. em 1943), que
publicou em 1984 o livro Arljuileto: A Máscam e a
Fau:, prosseguindo a vertente aberta p or Ferro.
Recluso nas idé ias e nos pincéis, Sérgio
Ferro n ào buscott rebater a sua teorização na
prática. Todavia, ele teve um inte rlocuto r que
perseguiu um desdobramento concreto desses
conceitos. Rodrigo Brotcro Lel'evrc foi um com-
panhe iro de trabalho ele Feno que não abando-
n ou a p rancheta, tampouco o can teiro (e a do-
cência, na qual foi urn professor de gran de
influência) . Cioso da possibilidade de supentr
as desavenças contidas nessas duas esferas da
materialização da arqui te tura, Lcfcvre raleceu
num cante iro de obras na África, trabalhando
para u ma grande em presa de consultoria brasi-
leira- talvez ensaiando as teses tão caras a si e
a Sérgio Ferro fZein 19R4aJ.
Deduzidas as de notações próprias d o cli-
ma político da época, Sérgio Ferrojá havia pres-
sentido o açambarcamento d a vitalidade criativa
e progressista imbuída no pensamento arquite tô-
nico dos pioneiros do Rio de J aneiro e de São
Paulo. Efeti vamente , os anos do "milagre econô-
mico" burocratizaram as formas originalmen te
. f :;
•· -c-.--.,....·--• •
- ----' - "-.·.··
~ ... ... , ....
instauracloras ele inovações e plenas ele con teú-
dos ideológicos de forte coerência interna. Essas
formas foram eslampaclas indistintamente aos
mais diversos programas arquitetônicos, nas mais
disparatadas escalas: casas, escolas, agências ban-
cárias, hospilais, lcrminais rodoviários, garagens,
clubes, prédios residenciais, prédios comerciais,
escritórios, igrejas, forno crematório, galpões
industriais, viadutos etc. A generalização elo mo-
delo banalizou a inovação, a ruptura. Diluía-se e
degenerava-se uma visão de arquitetura.
O marco simbólico de encerramenlo des-
se ensaio de vanguarda arquitetônica foi, sem dú-
vida, o Pavilh ão do Brasil na Feira Mundial de
1970 em Osaka,Japão, projeto ele uma equipe li-
derada por Paulo Mendes da Rocha. Síntese elos
aspectos morfológicos mais caros ~t linha paulis-
A A(lrmaçào de umu llef!.emonio • 15-
• ............... -- •• • .J
·--~ .:11 ....
v-- t,.t.... ;....
ta: uma grande cobertura regular, com ilumina-
ção zenital em toda sua extensão, apoiada em
apenas quatro pontos. Espaço coberto, livre: pa-
vilhão CJUC não tem portas, barreiras físicas, o
piso "interno" era uma continuid ade do chão
comum d e toda a Feira; local ele encontro, recin-
to de confraternização.
Fonuit.a a eleição das refe rê ncias de uma
época: a primeira obra efeLivarnenLe reconhecida
ela arquitetura rnoclenJ<t bra.sileira foi o Pavilhão
do Brasil na Feira Mundial de Nova York; o mar-
co simbólico da arquitetura paulista foi o Pavilhão
do Brasil em Osaka. Parece uma ironia deste que
escreve: os paradigmas de uma vanguardaj ~t uão
mais existem. Naturalmente, não foram concebi-
dos como paradigmas. Tampouco para sobreviver
ao tempo: c•a m ;;uquiteturas do efêmero.
8
EPISÓDIOS DE UM BRASIL GRANDE E MODERNO
1950-1980
Ainda há pouco, certo órgão da imprensa brasilei1·a definia o Brasil,
em manchete. como o país do "Samba, Café e A1·quitetum ". Vejo "''SSfl
df'jirti{"ão um intuito uwliciuso de fazer anrditm· ainda hojr> q1w
o nosso jmú f uma terra estranha, curiosrt e indefinível, desordenada
e injustificável. É uma definição que pn•tende dimitwir a torlo1
t' apre~entar a aTquitr>tura romo um desenvolver acromegáliw,
sem justij!cntírJa no desenvolvimento nacional.
O quarto de século após o té rmino da Se-
gunda Gue rra foi crucial para a transformação
do perfil do Brasil. Em 1950, 63,9% de seus qua-
se f)~ milhôcs de habitantes viviam no campo.
Em 1970, 56% dos mais de 93 milhões de habi-
tal'tes viviam nas cidades. Essa variação ilustra a
pressão demográfi ca que as cirlarlcs brasile iras
sentiram no período.
A guerra, sempre um signo de destruição,
assegurou à América um momento positivo na
siluação econômica c culturaL Vários países lati-
no-ame ricanos beneficiaram-se de nm bom saldo
J. R. V!LAJ'OVA iRTIGAS, 1959 [1981, p. 25]
cambial decorrente das exportaçôes de produtos
para o palco de conflitos e pa ra os aliados, ge-
rando um excedente qne, no caso brasileiro, ·em
parte estimulou o desenvolvimento industrial
nacional com a importação de equipamentos a
custos baixos, graças às diferenças cambiais favo-
ráveis nessa oportunidade.
O Brasil ela primeira m(·tadc dos anos de
1950 sofreu convu lsôes políticas com o suicídio
do presiden te Getúlio Vargas c movimentações
no sentido de impedir a posse consLitucional d o
presidente ele ito, Jusce:>lino Kubitsch ek d e Oli-
160 • !lrqui/l'lurus 1111 limsif
veira. Superada a c ri~e, Kubitschek eng<~jou-sc
em seu Plano de Metas, cujo símbolo m;úor foi
a transfcr(:ncia da capital federal para Brasília.
For<'!m anos de intensa atividade econômica -
com a reordenação elo sistema ele energia e trans-
portes, implantação de estruturas industriais c de
bc.:ns de produção (siderurgia, elétrica pes;lda,
máquinas, construção naval) c o nascimento ela
indústria automo bilística brasikira. Essa aparen-
te prosperidade era acompanhada, ao ritmo do
surgimento ela Bos::;a Nova no Rio de .Jane iro,
pelos clois campeonatos mundiais de futebol con-
yuistados pelo Hrasil (1956 e 1960) e pela gran-
de divulgação da arquitetura brasileira, solJrct.u-
do com as expectativas em torno de Brasília.
A chamada "Era .JK" (iniciais do presiden-
te) trouxe uma série de inovaçôes no quadro
econômico l>r:-tsilciro, mas deixou uma herança
crítica com inflação alta e déficit dr~ balança de
pagamentos.
O conflituoso quadro político no início elos
anos de 1960- entre uma esquerda confiante e a
direita acuada, entre nacionalistas e liberal-intcr-
nacionali~tas - teve como corolário o golpe militar
de março de 1064, com o triunfo elos conservado-
rt>s. O Exército passava a controlar os ncgúcios
públicos, com forte resp<tldo civil. O F.staclo pas-
saria por um processo d e modernização burocrá-
tica apoiada em intensa cenu·aliza<;ào arlministra-
tiva c financeira na esfera federal. i política das
reformas pós-1964 voltava-se para a capaci t;~ção
do aparelho do Estado para intervir na economia,
apc.:sar da retórica liberal de seus promotores.
Nesse período, a estatal Petrobrás (setor pe trolí-
fe ro) tornou-se a maior e mpresa da América La-
tina, ingressando no clnhc das cem maiores do
mundo. O vcto1· domiuante na economia era a
concentração; na verdade, o incentivo à organi-
zação de conglomerados fortes, às custas ela reu-
nião ou absorção de grupos pequenos. Essa me-
dida contemplou áreas estratégicas da economia:
setor energético, serviços bancários, transportes,
comércio atac;~ dista e varejista etc.
No campo da construção c da arquitetura,
h ouve uma "intensificação do processo de dife-
renciação no setor da construção civil, baseado
fundamentalmente nas áreas de infra-e~lrutura ,
transporte, comunicação, estradas e outros, num
projeto político-econômico de integração nacio-
nal, constituindo um ramo dinâmico c concen-
trado no setor e solidário aos setores mais dinâ-
micos da economia" LOseki 1982, p. 120].
Nesse ímpeto de modernização e int egra-
ção nacional, a arqllit.etnra vai conhecer novos
recantos gpogr<í.ficos, até então inexplorados.
Arquitetos vão se envolver em grandes pn~jetus
desenvolvimentistas, embutidos em equipes rn-
ganizadas por grand es empresas de engenharia
comultiva (Thernag, IIidroservice, Pr·o11rou, Fi-
gu eiredo Ferraz, lESA, C:N vc, Tcucngc), que, nos
anos de 1960-1970, virtualmente monopolizaram
o planejamento das grandes obras civis do regi-
me militar.
Entrc 19G8 c 1974, o crescimf'nto médio da
ccunornia brasileira foi da ordem de lO% ao ano.
Os investimentos intcnracion;.ris ingTessavam no
Brasil ern grandes fltrxos. O capitalismo brasilei-
ro tinha como base de sustentaç~o o Estado, as
multi naciouais c o grande capital local. Nf'ssa
época, o presidente nonc-arnericano Richard
Nixon (191?,-1994) afirmava: "p<rnt onde se incli-
nar o Brasil se inclinará a América Latina" L~it].
A crise elo petróleo faz desmoronar todo c.:ssc oti-
mismo ilusório.
Conviria retomar alguns desses aspcctos em
scus dcsdobramentos no plano da arqnitf'llrra.
ARQUITETURA INDUSTRIAL
Comojá dito, circuustâncias cambiais favo-
ráveis nos anos subseqüentes à Se)?;unda Guerra
assinalaram uma época ele grande desenvolvi-
mc.:nro para a economia brasileira e, em particu-
lar, um momento de prosperidade industrial.
Uma política seletiva de importações (prioridade
à aquisição ele equipamentos e matéria-prima e
dcscsúmulo a bens manufaturados, criando urna
reserva aos produtos nacionais) e, em seguida, a
entrada maciça de capitais estrangeiros no setor
manufatureiro (sobretudo com a rápida implan-
tação da indústria automobilística, e m apenas
cinco anos) constituíram fatores m arcan tes na
boa fase econômica registrada entre 1946 c 1961
no Brasil.
Entre 1948 e 1955, a produção industrial
global teve um incremento de 87% em seu desem-
penho. Num exame setorizado, a indústria têxtil
evoluiu 61%, a de alimentação 77%, a indústria
metalúrgica em 172% e a q uímica em 608% ~ es-
ta última, beneficiada com o petróleo e o mono-
pólio do refino atribuído à estatal Petrobrás [Pe-
reira 1 98~]-
Não se pode a firmar que, nesse momen-
to, o edifício industrial fosse uma encomenda
típica aos arquitetos. A grande maioria das ins-
ta lações industriais abrigava-se em galpócs an-
tigos, improvisados ou adaptados.
Examinando-se o conjunto de obras indus-
triais divulgadas em publicações especialiLadas
entre 1950 e 1!::170 [Costa et al. 19741, há evid en-
te pred omínio de obras projetadas para a indús-
tria automobilíslica, química, têxti l e alimentar.
Roa parte dos projetos era atribuída a construto-
ras e e mpresas de engenharia. Pela complexida-
de e especialiLação das estruturas industriais que
aportavam no Brasil como iniciativas estrangei-
ras, o layout industrial e as plantas eram elabo-
radas nas matrizes e transplantadas ou adap tadas
para as condições do país. Predomin<tv<t, tam-
bém, o proje to do galpão industrial isolado ~
sem a amplitude de um conjunto mais amplo de
preocupações quanto à expansão das instalações,
sistemas de segu rança indnstrial e con trole de
emissão de resíduos, depen dências ele atendi-
mento social e conforto dos operários. Algumas
mu llinacionais, todavia, ch egaram a impla ntar
indústrias p reviamente elaboradas com planos
diretores do com plexo industriaL
No início dos an os de 1950, o projeto da
fábric::-1 Peixe c Duchcn (prndHtns alimentícios)
torno u-s<.: bastante conhecido por ser de au toria
ele Oscar N iemeyer ~ tipologia arquitetônica, to-
davia, rara no acervo do arquiteto. Rino Levi no-
tabilizou-se também com projetos indu striais: os
escritórios e torrefação Café .Jardim (1943) e o
Laboratório Paulista ele Biologia (indústria far-
Lj.>isúdius de 11111 Brasil C ronde e Moderno • 767
rnacêutica, 1956-1959), em São Paulo. Dois dos
mais interessantes projetos industriais iniciados
nos anos de 1960 foram desenvolvidos para seto-
res distintos: na área têxtil, setor tradicional, o
complexo da Companhia Tiering na cidade de
Blurnenau, Estado de Santa Catarina, é um exem-
plo de planejamento físico de longo prazo com a
participação do arquiteto Hans Broos (n . em
1921); no setor químico, a Refinaria Alberto Pas-
qualini no município de Canoas, região metropo-
litana de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande
do Sul, constituiu um trabalho inusitado e inova-
dor no campo da <trquitetura.
A origem do complexo têxtil da Compa-
n h ia Bering data de 1880, qua ndo os irmãos
Bering, de origem alcrnà, montaram uma tecela-
gem em Blumenan ~ colôn i a germânica em San-
ta Catarina, atualmente um dos mais importantes
municípios <'lo Esrado. A colahora(ào profissional
do arquit<.:to Haus Broos ua Hering data dos anos
de 1960 e constitui, ainda hoje, um exemplo pou-
co usual de processo con linuaclo de planf'jamcn-
to físico das instalações de uma ?;rancle indústria
brasileira.
A atual matriz industrial da Hering desen-
volveu-se ao longo do vale do Bom Reriro, nas
cercanias de Blumenau, no mesmo local onde os
fun claclores da empresa montaram os galpôcs da
malharia e confecção no final do século 19. O
plano diretor elaborado por Hans Broos buscou
equacionar uma complexa ?;ama de condicio-
nantes ~ o maior deles, relacionado à vontade da
empresa de permanecer no sítio original do em-
preendimento pioneiro da b rnília, em detrimen-
to de uma expansão para outro .locaL As premis-
sas e as dificuldades básicas que nortearam a
formulação do plano diretor foram: respeitar a
paisagem e a vegetação do vale onde se insere o
conj unto; organizar e construir um conjunto de
edifícios numa área de configuraçào estreita e
alongada; valoriza.r os remanescentes arquitetôni-
cos das instalações pioneiras da empresa e inse-
rir novas edi[icações industriais e administrativas
com outra escala volumétrica; implantar a expan-
são do conjunto sem interro mper a linha de pro-
dução exi~Lcnle; programar a execução do con-
1ó2 • Arqu itet11 ras 11n Fimsi/
114 e 11 ?;. Hans Rroos c equipe. Rob~::rto Burle Marx
(pai'a~ i snw): complexo tC·xtil da Companh ia Hering,
Blumcn~ n , S< :, década <k 1970.
junto em etapas. A paisagem final do conjunto é
marcada pel<t estruturação linear do parque in-
dustrial num fundo de vale rodeado de vegeta-
ção, onde edifícios an ligos (com características
da arquitetura da imigração alemã da região)
convivem com os novos blocos fabris, administra-
tivos c sociais em concreto aparen te c tUolo à vis-
ta e em permanente contaLO com bem cuidados
jardins, projetados por Roberto Burle Marx.
A expansão da indústria estendeu-se tam-
bém para regiões vizinhas, segundo a concepção
d<.: "satélites" - unidades d<.: costura com empre-
go cte mã.o-dt>-ohra de peCjuen;1s cid;1d es locali-
zadas no inte rior elo Estado de Santa Catarina,
inspiradas nos conceitos q tte orien taram a. ar-
quitetura dos espaços de produção e convivên-
cia social do conjunto matriz de Blumenau.
F.rn 19()1, quatro escritórios foram conviria-
dos para desenvolver o plano diretor d<ts :ueas
administrativas c os projetos dos edifícios da Re-
finaria Alberto Pasquali ni , primeira instalação
dessa natureza e porle da Petrobrás no Rio Gran-
de do Sul. A equipe que então se o rganizou-
formada por Carlos Maximilano Fayet, Cláudio
Luiz Araijo (n. em l9:il) , Moacyr Moqjen Mar-
ques (n. em 1930) c Miguel Alves Pereira (n. em
193?!) - preocupou-se em definir um projeto pai-
sagístico no qual bosques e a antiga casa-sede da
fazenda original do síLio foram preservados, bem
corno o plauliu ele novas úrvores na ~{rea. O pla-
nejamento paisagístico do entorno de refinarias
era uma proposição inédita na ocasião. Todas as
LjJisôdios de 11111 Dra.>tf Grande e Moderno • 763
1](i. Eq~tipe de arquitetos: refeitório na
Refinaria Alhcno Pasqualini, Canoas, RS,
1962- 1969.
117. Equipe de arquit.c t.os: montagem de
galpão de man~tt.e n ção na Refinaria Alber-
to Pasqualini , Canoas, RS, 1962-1969. Ex-
periência pioneira em pré-fabricação.
edificações (incluindo as do Terminal Almirante
Souza Dutra, em Tramanclaí) - mais ele 25 pré-
dios- foram concebidas pelos arquitetos, desta-
cando-se a portaria (Pereira), o refeitório de lin-
guagem da arquitetura do Rio deJaneiro (Mar-
CJUes) e o emprego pioneiro de pré-moldados nos
galpões de manuLeiH,;ào (Fayet c Araújo). A hem-
sucedida contribuiçüo dos arquitetos reflete-se
h~je , quando os membros cb eCJuipe original ain-
da são consultados para reciclagens ou novas ins-
t.alações dentro elo conjunto.
Com o "milagre econômico" dos anos de
1970, a expansão industrial patrocinou inúrn<.:-
ras encomendas de projetos a escritórios de ar-
quitetura c empresas de consultoria de engenha-
ria com quadros funcionais incluindo arquilelos.
A experiência desse período redundou num cer-
to grau de especialização de profissionais, sinro-
niZ<tdos com técnicos de engenharia, tanto na
e laboração de planos diretores ele conjuntos,
layouts e plantas industriah, quanto no projeto
de edifícios complementares (áreas administra-
tivas, refeitórios, centros sociais) decorrentes da
ausência inicial de planejamento físico dos com-
plexos industriais. As vicissitudes econômicas
uos auos de 1980 deprimiram a aliviclade indus-
trial como um todo, embora o período se tenha
caractcri1.ado como o ele melhorias das áreas so-
ciais, corno resultado da reivindicação de síndica-
Los mais bem organizados que emergiram com o
fim ela era de exceção c a normalização do qua-
dro político.
164 • Arquileluras 1/U /Jrasil
ARQUITETURA EM
HIDRELÉTRICAS
Um dos aspectos marcantes na história da
ene rgia elétrica no Brasil foi o e mbate entre a
ação efetiva de concessionárias estrangeiras na
produçào c distribuiçáo energética e as posturas
n:-tcionalistas propugnando a intervenção doEs-
tado no setor.
No período da segunda pós-guerra, a in-
d ustrialização acelerada (com o surgimento ele
setores de alta demanda: metalurgia, química,
fannacêntica, bens de capital) e a forte urbani-
zação (com o incremento do consumo de ener-
gia elétrica domiciliar e pública) acentuaram a
ausência de 11ma política de investimento em
infra-estrutura encrg(:tica, tornando-se um pon-
to de. estrangulamento na dinàmica ecouômica
que em ergia nesse morncnto. Nos anos de 19!10,
cerca de~ 80% da produção de energia elétrica
eram ele responsabilidade de empresas estrangei-
ras, que não realizavam novos investimentos no
setor diante das haixas t<~rifas impostas pelo go-
wrno. A crise energética impulsionou o Estado a
programar invcsrimentos na expansão da capaci-
dade instalada de energia elétrica no país, cami-
nhando em sintonia com o ideário nacionalista,
industrialista. <' intervencionista que se im planta-
ra rlesrle a revolução de 1930. Getúlio Vargas, e-m
sua seg unda gestão presidencial (1951 -1954),
prossq~uiu e-m sua política nacionalista e definiu
uma estratégia privilegiando a presença do Esta-
do nos serviços públicos de base, com ên fase ern
transportes e energia elétrica. Essa visão naciona-
lista definiu as fronteiras de competências entre
a iniciativa privada e o poder público: enquanto
este se voltava para a ampliação do setor de gera-
ção, aquela se dedicou à distribuição de energia.
Enu·e 1945 e 1962 (ano da constituição da
Eletrobrás- estatal responsável pela política nacio-
nal de energia elétrica), inúmeras companhias
públicas de energia elétrica - reclerais e estaduais
- foram organizadas. Uma das referências funda-
mentais desse período pioneiro da indústria ele
ene rgia elétrica no Brasil foi a experiência de-
senvolvida no vale do rio Tennessce, nos Estados
Unidos, em torno da Tennessee Valley Authority.
A TVA foi um esforço inserido no New Deal norte-
americano; criada em 1933 como uma iniciaLiva
federal de planejamento territorial de uma região
pobre e desassistida, possuía múltiplos ol ~crivos:
Inclhorar a navegação c controlar inundações do
rio Tcuuesscc mediante barragens acopladas a
centrais hidrelétricas propiciando eletrificação
rural e industrial, modernização da agricultura,
refl orestameuto c proteção do solo, estabeleci-
mento de rede de com unicações e estruturas ur-
h<mas- enfim, um projclo de desenvolvimento
regional integrado. /o mencionar o ernprecncli-
men Lo, Anatole Kopp [1990, pp. 197-l 98] desta-
ca a participação ela arquitetura no processo ele
supervisão de todas as realiz<Jções- u as barra-
gens, nas ccn trais h idrelétrícas, nas habitações e
nas obras complementares elo sistema viário. O s
arquitetos da TVA formn responsáveis pelos pro-
jetos de resiclênci<1s dos opcr~tri os de barragens,
posteriormente ocupad:-ts pelos e ncarregados de
operação das centrais hidrelétricas- as chamadas
"vilas ele oper;.~dores", pequenas "cidades" a servi-
ço das operaçôes energéticas. Eswdos de pr~jetos
habitacionais envolvendo pré-fabricação, incluslria-
lizaç~to, alojamentos rlesmontáveis c transportá-
veis, foram preocupações dos arquitetos e nvolvi-
dos no programa. Os prqjctos arquitetônicos da
TVA foram objetos de uma exposição em 1941-
1942 na priucipai instituição div1.1 lgadora da arqui-
tetura moderna em meados do século 20: o Mu-
scum of Modcrn Arl. ele Nova York [Built... 19441 .
As iniciativas congê neres brasileiras inspi-
raram-se na experiê ncia norte-americana, mas
não a reproduziram na íntegra. A participação
de arquitetos rw setor energético data do final
dos anos de 1950, inicialmeutc de fo rma d iscre-
ta (Tsukumo 1989; 1994j.
No Estado ele São Paulo, o escritório do
arquiteto Ícaro de Castro Mello (1913-1986) foi
contratado para o proj eto das edificações de uso
comunitário da vila residencial dos operadores
da usina Salto Grande, no rio Paranapanema. O
arquiteto e ncarregado desse projeto, Hélio Pasta
(n. em 1927), posteriormente interferiu na solu-
ção arquite tônica da casa de força- constitu in-
do a primeira participação consistente de u m
arquiteto em projeto até então de exclusiva ges-
tão de engenheiros. Tamhém pioneiramente, o
arquiteto-paisagista Roberto Coelho Carclozo (n.
e m 1923) foi chamado para desenvolver uma
proposta de recuperação da paisagcrn do entor-
no imediato da usina, inaugurada em 1958.
Hélio Pasta, a partir dessa experiência, enga-
jou-se em diversos projetos hidrelétricos, amplian-
do o seu campo de atuação. Na usinaJurumirim,
também no rio Paranapanema, Pasta não só par-
ticipou integralmente - ao lado d os engenheiros
- na concepção d a casa de força, como definiu
elementos da barragem c do ver tedouro, além da
vila de operadores. A atividade de Pasta f·oi mar-
cante a ponto de estabelecer um setor de arquite-
tura na companhia responsável pelo aproveita-
mento energético da bacia do rio Paranapanema:
a Usinas Elétricas do Paranapanema- Usclpa.
No início dos anos de 1960, a Uselpa con-
tava com e(1uipe de arquitetos e desenhistas-pro-
jetistas liderada por Hélio Pasta, com a partici-
pação de Robe no Coelho Cardozo em projetos
paisagísticos. Em São Paulo, também a Compa-
nhia Ilirlrelétrica do Rio Pardo- CHERl'- rece-
bia uma assessoria de namreza <HC]llitetônic:a por
meio do engenheiro Ernst Robert de Carvalho
Mange (n. em 1922) . No Estado ele Minas Ge-
rais, a Central Elétrica de Furnas contava, desde
1963, com a colaboração do arquit.cw-paisagist.a
Fernando Magalhães Chacel (n. em 1931) em
118. Hélio Pasta (anp1itctura ), Roberto Coelh o Carclozo
(paisagismo) : Usina Hidn.:lé LricaJururllir·irn, SP, 1962.
Apisódios áe 11111 Brasil Grande P Mndemo • 165
ll ll. Jú lio K~r ti n sky, Hélio l'asra, llé lio Pe nteado,
Uruuen o l.euue (arquitetura), Ro berto Co elho Car·dozo ,
Fernando Chaccl (paisagismo): usina h iclrclérrica ele
Xavantes, SP, 1970.
projetos de tratamento paisagístico de entornas
de barragens, vilas de operad ores e subestaçôcs.
A fusão das empresas estaduais ele en ergi<'~
elétrica de São Paulo em 1966 na CESP- Centrais
Elétricas de São Paulo - transformou o agrupa-
mento d e arquitetos da Uselpa no núcleo inicial
do que mais tarde se constituiu com o a Divisão
de Arquiterura e Urbanismo da empresa, diri-
gida por Hélio Pasta. Ao longo do tempo, ares-
ponsabilidade dos anplit.et.os na definiçã.o das par-
tes dos empreendimentos hidrelétricos tornava-se
maior: casas de força, casas de comando, coman-
do de eclusa, aclmp<lmentos de operários, vilas
de operadores, edificações comunitárias, recupe-
ração da paisagem do en torno de usinas, trata-
mento pai~agí~Lico de vilas, ~ubest.açôes c ent.or-
nos do reservatório - foram tare fas enfren tadas
pelos arquitetos da CESP. A partir dos a nos de
1970, o setor de arquitetura passou a desenvol-
ver trabalhos de abordagem multidisciplinar pre-
ocupados com o impacto ambiental regional do
empreendimento hidrelétrico- num<l ~poc:<l em
que as preocupações de natureza ecológica ape-
nas se esboçavam no mundo. O comp lexo Parai-
buna/ Paraitinga, no rio Paraíba, foi a experiên-
cia pio neira no gênero [Tsukumo 1994] .
Paralelamente à Divisão ele Arquitetura c
Urbanismo da CESP, o engenheiro Ernest Robert
JGG • Arquileturets no Brasil
120..Joào Rodolfo Stroctcr (arquit.el•to·:•). A,;, Ab'Sahcr, Fn-
nanclo Chaccl, Ninajanm• Tsukumn ( paisag-is1110): usina hi-
d rclétriCil ele Paraihuu" e h:1rr~g<>m (],. f'araiLiuga, SP. 1978.
de Carvalho Mange de~envolvcu um vigoroso Lra-
balho de arquileLUra e urbanismo, inicialmente
para a Chcrp e, em seguida, para a CESP, por meio
de seu escritório Planemak- associado ao arqui-
teto Jriaki Kato (n. crn 1931). Mange, como t>n-
genheiro, tiulta fúrrnaç::ío profissional "confiável"
para o meio técnico envolvido no setor hidrelétri-
co e era profission<1l com gnmde sensibilidack
para a arquitetura, lendo sido professor da Facul-
dade de Arquitelttra c Urbanism o da Universida-
de d e São Paulo. Ele iniciou suas atividades no
setor em 19.~~ com pequenos projetos residen-
ciais para a usina Limoeiro, no rio Pardo, e foi se
envolvendo e m questões maiores, até chegar aos
projetos de usinas. A Planernak, nos anos de 1960,
desenvolveu para a nsina de .Jupiá, no rio Para-
ná (na divisa dos Estados do Ylato (~rosso e São
Paulo), os pn~jetos arc]uirerô nicos para casa de
força, sulH'SI"(ào, eclusa, casa de comando c
acampamento de operários (o primeiro esforço
planejado levando em con ta os problemas sociais
envolvidos ern obras desse porte) e a arquitetura
para a então rnaior hidrelétrica do país, a usina
de Ilha Solteira, inaugurada em 1973, também no
rio Paraná. Ilha Solteira constitui uma referência
tecnológica e urbanística-arquitetônica no setor
energético brasileiro. Todo o edifício industrial
de geração de e nergia (integrado numa estrutu-
ra-barreira de concreto armado de 984,50 m de
extensão) foi concebido com marcante visão ar-
qui tetânica e paisagística, sem descurar da radi-
cal racionalidad e exigida por proje tos desse por-
te c natureza. A Planemak desenvolveu o p roje-
to urbanístico da cidade de Ilha Solteira- a pri-
meira experiência de criação de um aglomerado
urbano permanente (a partir de 19G7) , voltado
inicialmente para abrigar a pop11la<;ão de operá-
rios envolvidos na obra (que chegou ao pico com
cerca de 30 mil homens) e com o horizonte de se
transformar em município independe nte. Ao fi-
nal elos anos de 1980, ela contava com uma popu-
lação de cerca de 25 mil habitantes c com um dos
melhores padrões de vida da região. A cidade de
Ilha Soltein1caracterizou-se como um e mpreen-
d imento criador de um púlo de desenvolvimen-
to regional, num tenitório até eulào de ocupa-
<JL<> rarefeita c rede urbana deficiente LTsukumo
1989: 1994].
A atuação dos dois principais agrupamen-
tos arquitetônicos envolvidos com projews hidre-
lé lricos de São Paulo - a Divisão de Arquitcmra c
Urbanismo da CF.SP e a Planemak - assinalam a
comrapartidi'l arquitetônica no desenvolvimento
da tec n o l ogi<~ b r<~sileira no setor da conslrução
de centrais hidrelé tricas. Todavia, lllais d o fJUe
caracterizar 11tn ramo específico da arquitetura,
a participação dos arquitetos n esses eul)Jrecndi-
mentos revela-se um esfo rço integrado de várias
áreas de conhecimento (da engenharia à ecolo-
gia, passando pelo leque do desenho urhano c
das ciências sociais) em que a contribuição ar-
quirerônica não faz sentido sem essa interação
em busca das complexas soluções qu e têm como
o~j eto mais visível a 11sina hidrelétrica, envolven-
do um conjunto ele o perações que necessaria-
mente provocam forte impacto ambien tal, eco-
nômico c social sobre vastos territórios atingidos
por esses e mpreendimentos. A colaboração dos
arquitetos no setor é um processo em marcha. A
participação pioneira ele H élio Pasta e E rnest
Robe rt de Carvalho Mange constituiu o marco
inicial dessa colaboração ela arquite tura num
âmbito de in tervenção Ler ritorial mais amplo. A
atuação posterior de maior número de arquite-
tos c o reconhecimento da importância da par-
ticipação desse profissional no setor _caracteriza-
ram as primeiras décadas da implantação do se-
tur elétrico no Brasil. Nina Tsukumo [1989;
1994] propõe que o projeto rla cidade de Porto
Primavera (1980), prornovicto pela CESP- incor-
porando a experiê ncia pioneira elo núcleo ele
Ilha Solteira-, assinale o fim desse período pio-
neiro, pelo menos no âmbito elo Estado ele São
Paulo. De fato, a realidade do país nos a nos de
1980 parece direcionar a política energética
para outros caminhos, aparentemente com ru-
mos e estratégias rpte não condizem com a ima-
gem moderniz:1dora do período entre o golpe
militar de 1964 e a falência elo modelo "desen-
volvimentista" brasileiro nos anos de 1970. A atu-
ação d o Departamen Lo de Projetos Ambientais c
ele Arquitetura das Centrais Elétricas do Sul elo
Brasil - Ektrosul - sobretudo com o projeto da
cidade de Nova It.á- indica novas experimenta-
ções no setor.
Com o alagamento decorrente ela Usina
Hidrelétrica ltá, as cerca de duzentas famílias
desse município - cuja população mantém ain-
da estreitos vínculos de pa1·entesco e viLinhança
-foram incentivadas a se rnudar para urna nova
cidade, cerca de quatro quilômetros do sítio
original , com a promessa ele uma organização
condicionada à preservação das relações urba-
nas, usos e costumes. Essa preocupação não se
restringiu apenas aos aspectos urbanísticos. A
arquitetura dos edifícios buscou uma linguagem
atribuindo aos prédios públicos características
referenciais marcantes, bem com o habitações
com feiçôes personali7.adas - resultantes <k um
diálogo arquiteto-usuário nos limites de parâme-
tros flexíveis estabelecidos pela equipe de proje-
to. As formas c os materiais adotados para as cons-
truções sào as mais tradicionais e convencionais:
não se adotam referências que possam ser estra-
nhas ao repertório da população reJocada l"Re-
locação..." 1985; Santos 1989; Scgawa El89].
Embora atrelado a um esforço de moder-
nização dependente de circunstâncias políticas e
econômicas peculiares, a pan.icipação dos arqui-
tetos nos projetos hidrelétricos (sobretudo com
o agrupamento inserido numa estatal) deve ser
interpretada como uma importante contribuição
tecnológica e cultural, ainda pouco reconhecida.
LjJisódius de 11111 Drasil ( ;rande e /Vlodenw • 16 7
O exame dos objetos edificados pela CESP reve-
lam o qnanr.o a estatal patrocinou a arquitetu-
ra e os arquitetos da linha paulista. Todavia, h~1
urna dimensão maior na iniciativa. Nesse perío-
do (grosso modo, cn ITC:' 1966 e 1980) os projetos
hidrelétricos serviram como suporte para as ex-
perimentaçôcs arquitetôn icas fortemente im-
pregnadas pelo racionalismo técnico, numa ma-
terialização elo ideário modernista dos anos de
1920 no qual a arquitetura deveri<t representar a
nova sociedade industrial - icon icamcntc simbo-
lizada, nos discursos de Gropius eLe Corbusier,
em instalações hbris ou silos. A harr:1gt>m , ~~ casa
de força, a casa de comando, 1cstituíram esse
imaginário relacionando a arfluitetura moderna
com a instalação industJ-i<tl. A figlll-a elo arquite-
to atrelado ao "edifício" se torna difnsa: o que é
o "edifício" numa instalavio hidrelétrica? A hidre-
létrica limita-se apenas à usina? Nesse sentido, o
significado tradicional de "cditicio" esmaccc-se
em meio à complexidade tecnológica-urbanística-
ambiental do empreendimento hidrelétrico, sub-
vertendo o papel tradicional do atTJlliteto numa
atuaçüo mullifacctada, bem ao espírito da abran-
gência totalizaclora assumida pelo movimento
modenw da <uquilelura do século 20. Nesse seu-
lido, a arquitetura de hidrelétricas desenvolvida
pela CESP (incluindo, nessa defin ição, os váJ-ios
níveis e campos de atuação dos arquitetos envol-
vidos no empreendimento) representou a síntese
elas possibilidades e potencialidades desse ideário,
filho ou neto da revolução industrial.
TERMINAIS RODOVIÁRIOS
DE PASSAGEIROS
Ainda no início dos anos de 1960, uma ci-
dade do porte de São Paulo não tinha um edi-
fício especialmeo te cuustruídu para servi r como
terminal de ônibus intermunicipal c interesta-
dual de passageiros- a estação rodoviária. O aten-
dimento desse serviço se fazia ele forma d escen-
tralizada, na porta das agências de ônibus - no
meio-fio das ruas e praças d o centro da cidade.
168 • Arquitet11rus 110 Rrasil
Quase a totalidade das cicbtdes brasileiras nessa
t!poca desconhecia a tipologia ela e-stação rodo-
viária - ou algo mais organizado que Ulll <l sala
ele espera, uma garagem ou abrigo improvisado
para passageiros munidos de bagagem. Não que
houvesse desconforto total - muilas dessas agên-
cias eram cuidadosamente ordenaclrts -, mas a dis-
persão desses serviços traduzia-se em ineficii-ncia,
desconforto e congeslionamcnw nos centros ur-
banos maiores.
Nos anos ck I~)70 , o Oepartamenlo Nacio-
nal ele Estradas ele Rodagem- oq!;anismo vincu-
lado ao Minist ~rio elos Transportes - c departa-
mentos estaduais estabelecem uormas para
implantação de terminais ele carga t> passageiros.
Essa regulamentação d efini a crité rios de localiza-
ção e dimensionamento ele terminais rodoviários,
consideraudo a inserção rlcssc equipamento nas
cidades: le is de uso dC' solo e parcelamento, cus-
tos do terreno, acessos rodoviários I" sistema viú-
rio lindeiro, facilidade de deslocamento para os
usuários, população servida, número de partidas
c chegadas, viabilidade econômica do empreen-
dimento. A estação rodoviária não mais er<1 um-
n.:bida como um espaço exclusivo para transbor-
do ele passageiros: constituía também local ele
viv(:neia c lazer, lugar de encontro para a popu-
lação da cidade, oferecendo bares, rcstauntntes e
pequeno com{;rcio como atrativos.
São Paulo roi o Estado que melh or organi-
zou seu sistema de rod ovias, implantando , ao
longu dos anos de 1970 e até hoj e, ccn tenas ele
estações rodoviárias, boa parte delas projetadas
por arquitetos.
121. Paulo Mt·rHies d:r Rocha.
!Vloacyr Freitas, Ercílio So 11za:
rodoviária de C11i<tbá. .vrr. 1977.
Nos anos do "milagre econômico", ambicio-
sos projetos foram concebidos c cxl"cut<tdos, como
o terminal rodoviário ele Flori<tnópolis, em Santa
Catarina (1976-198 1) dos arquitetos Yamandu
C,;ulevaro (n. e m 1934) e Enrique Brena (n. em
1937), - prcvcnrlo complexa org<t nização d e nu-
xos de carga e a bastecimen to, com instalações
alranclcgúrias - ou o Terminal Rodoaquaviário
ele Vitória, no Espírito Saulo (arquitetos Carlos
Maxim iliano Fayer e Nelson Inda, 1978), urna
granrlc estrntm·a intermodal ele transporte terres-
tre (ônibus) c marítimo (barros). Embora progra-
madas para uso intensivo, no fin al elos anos de
1980 ambas as estações atcnrlcm a demanda dis-
creta - te ndo sido a aquavicria desativada.
AEROPORTOS
A saturaç5o elos principais aeroportos bra-
sileiros nos anos de 1960 ensejou o redimensio-
namento d o sistema aeroportuário do país, pla-
nejarlo nos de 1970, c boa parte malcrializada na
cl{;c.ada seguinte. Os aeroportos das principais
capitais brasileiras foram implantados nos anos
de 1940-1950 - Rio de J aneiro, S~o Paulo, Porto
Alegre, Recife, Salvador, Curitiba - , alguns deles
clararncnte inspirados no modelo ditado pelo ae-
roporto Santos Dumont do Rio de J aueiro, pro-
jeto dos irmãos Roberto. O crescimento dessas ci-
dades fez com que os outrora distantes isolados
aeroportos fossem rodeados por novos bairros,
tornando conflitante o convívio desses terminais
122. Milton Ramos/ Figueiredo
Ferraz Consulto ria e Engenha-
ria de Projetos: Aeroporto de
Confins, MG, 1979-1984.
na malha urbana- além de não mais campana-
rem os avanços da tecnologia aeronáutica.
Três Estados foram contemplados com ter-
minais internacionais de primeira categoria: São
Paulo, Rio deJaneiro e Belo Horizonte .
O Aeroporto ele Cumbica, na região metro-
politana da cidade de São Paulo, é o maior tcnni-
nal brasileiro, segundo o sistema .fingerde atraca-
menta de aeronaves. A concepção básica é de
autoria do arquilcto Walter Mattci (n. em 1942),
fnncion:'írio da empresa de projetos IF.Si- lntt'r-
nacio nal de Engenharia. O desenvolvimemo do
projeto executivo envolveu ampla equipe de téc-
nicos e consultores especializados. As obras foram
iniciadas em 1979, e o prime iro dos cinco te rmi-
nab previstos foi inaugurado em 1985.
Os estudos para o proje to d o Aero porto
de Contins, na região metropolitana ele Belo Ho-
rizonte, datam de 1979, com projeto de um con-
sórcio liderado pela Figueiredo Ferraz Consulto-
ria e Engenharia de Pr~j eto. A con cepção
a.rC(llitctônica do terminal, no siste ma ?10.'f!-in, é
do arquiteto Milton Ramos (n. e m 1929), que
orie ntou e acompanhou o detalhamento arqui-
tetônico da obra, com evidente marca ele solu-
ções pessoais. O primeiro dos quatro terminais
gêmeos elo conjunto estava concluído em 19R4.
Todavia, não há perspectiva imediata de constru-
çào dos demais te rminais previstos.
Fpi.widios de 11111 nmsil C7mnde e .l fodemo • 169
Tanto o aeroporto do G;.tl6io, elo Rio de.Ja-
neiro, quanto o aeroporto in tcrnacional de Ma-
naus, Estado do Amazonas, fora m projetados
pela consultoria de engenharia TTielroservice , se-
gundo o sistema nose-i.n d e atracamento de aero-
n<tves, c cstavam rm fn ncion<tmcn to no fim dos
anos de 1970.
Vários aeroportos de menor porre foram
o u ainda estão sendo refor mados P adaptados,
sem mudança de sítio. Em 1984, o term inal de
passageiros do aeroporto internacional de Salva-
dor, Estado ela Bahia, foi re modelado (arquitetos
André Sá e Francisco Mora) . Um imp ortante ae-
ropon o, o de Brasília, apenas no início elos anos
de 1990 está sendo rcforrnulado, com ttllt proje-
to C(He prevê a total transformação do terminal de
passageiros sem interrupção do l'uncio namento
elo terminal antigo (arquiteto Sérgio Roberto Pa-
rada (n. ern 1951 )/ Themag Engenharia) .
O quadro econômico dos anos de 1990 não
confirmou as previsões ele demauda do equipa-
mf'nto aeroportuário formulado nos anos de 1970.
O otimismo exagerado dos tempos elo "milagre
econômico" superdime nsíouou o h oriL:on le de
realização dos terminais c , além do knto e ncami-
nhamento de algumas obras anteriormente cm-
pen hadas e das reformas de cslrlllttras antigas,
tudo indica que a participação decisiva de arqui-
tetos na concepção dos p r~j ctos aeroportuários
770 • Arqui/e/1/rctS 110 /Jrasi/
123. Marcelo Frag•·lli/ Promo n Engcn hari:-t: estar~"' Armê-
nia, lin ha Norte-Sul do Metrô de São Paulo, c l.J70.
iniciada nos anos de 1970 encerra-se duas déca-
das depois com o acroporlo de Br::~sília.
ARQUITETURA MRTROVIARIA
A implantação elo metrô no Brasil come-
çou mais de cem anos depois de inaugurado
corno u m sistema de transporlc subterrâneo em
Londres e depois de mais de meio século de fun-
<.:ionamento em Rne nus Aires. As duas primeiras
linhas de metrô no Brasil datam de meados dos
anos de 1960, crnhora propostas de adoção d es-
se sistema recu em até os ::~ nos de 1920. O metrô
urbano pesado- como um sistema ferroviário
peculiar de rede segregaria com vocação típica
para as áreas urbanas, capaz de :Ht>ncler a de-
manchts superiores a :20 mil passageiros/hora/
sentido com estações próximas entre si e deman-
da homogênea durante o dia- n esse momento
se configurava como a solução adequada para o
candente problema elo transporte de massas para
o Rio de _janeiro e São Paulo, as duas maiores
metrópoles brasileiras. Cidades territorialmente
dispersas, grandes centros de ativiriade terciária,
apresem avam intensa circulação nos seus princi-
pais corredores urbanos e os respectivos centros
tradicionais em ponto d e saturação.
O Brasil não tinha nenh um domínio técni-
c~ acerca rio sistema: em São Paulo, um consórcio
te11to-brasileiro foi encarregado ele desenvolver os
estudos de viabilidade e o proje to de engenharia
em 1966 (quase o mesmo consórcio realizou os
estudos para o Rio deJaneiro, pouco depois). [ P"
1968 era fundada a Companhia do MetropolitaP
de São Paulo, e nesse ano iniciavam-se as obras da
prime ira linha - a Norte-Sul- que en trou em
o perapio comercial parcial em 1974.
No início, toda a tecnologia (projetos, equi-
pamentos) foi imponada. A adoção dos conceitos
alemães mostrou-se inadequada <i realidade local
(tanto em São Paulo como uo Rio de Janeiro).
Segundo essa orie nlação, o metrô seria um meio
altern::~ ti vo ao transporte individual c não um sis-
tema esscucial de transporte de massas, relaciona-
elo ao contexto urbano. A cidade é um centro de
múltiplos deslocamen tos, e um sistema de trans-
portes pode também valer-se da combinação de
meios diferen tes (metrô, ônibus, trem nrhano,
automóvel), evitando possíveis estrangulamentos
e visando urna circulação funcional e adequada
para as car<lcterísticas de uma grande metrópole
como São Paulo. Nesse sentido , o projcto original
do m e L1Ô de São Paulo visava apenas usuários
lindeiros às linh<ls, desconsiderando as possibili-
dades de aniculaç?ío com outros meios ric trans-
porte. Na pioneira Norte-Sul, a dcsapropriaçiio
de terrenos ao longo do trajeto limitou-se hasica-
menlc às ~trc;-Js correspondeulcs aos acessos das
estações - o que demandou , posteriorlllcnte, no-
vas intervenções para liberar áreas destinadas a
terminais intermodais. A segunda linha em São
Paulo, a Leste-Oeste (iniciada em 1975, aiuda em
andamento) , totalmc11Le p rojetada n o Rrasil, assi-
milou os problemas detectados na experiência an-
tt>rior, e o m etrô foi concebido dentro ele uma
óptica plan~jadora, como um indutor de renova-
ção urbana e integrado ao sistema de transporles
ela cidade. Superava-se também o conceito de que
o me trô era necessariamente um sistema subter-
râneo. As desapropriações previam a implantação
de terminais de transbot-clo, áreas de renovação
urbana e controle de ocupação do solo das faixas
lindeiras à linha.
A participa<,:ão de arquitetos na implanta-
ção do sistema m etroviário deu-se tanto nas equi-
pes técnicas de planejamento urbano quanto na
elaboração dos projetos de estações e terminais
imcrmodais.
ü m dos aspectos mais marcantes elo metrô
ele São Paulo são as suas estações. Os pr~jetos ori-
ginais elas estaçôes da linha Norte-Sul desenvolvi-
dos pelo consórcio teuto-brasileiro ainda seguiam
os conceitos elo metrô ele Paris do coweço do s(~­
culo 20. A equipe ele arquitetos da l'romon En-
genharia, liderada por Marcello Fragelli (n . e m
l9~H) numa reavaliação das proposras em I967-
196R, clescnvolveu os projetos arquitetônicos es-
tabelecendo um novo padrão, de me lhor quali-
cace arcpútetônica c funciona. Coerente com a
tendência em voga - rla arquitetura expressa
como uma esu·utura -,as estações elevadas foram
d elineadas como estruturas-pontes esculLUrais
em concreto armado, de rorte presenç-a na paisa-
gem (deve-se lembrar também elo viarlu to no tre-
cho próximo à estação Conceição, concebido por
Fragelli); as estações subterrâneas també rn ex-
ploravam a plasticidade do concreto aparente,
adotando diferentes configurações estrul.ttrais e
dcsc!lh os de fôrmas - caracterizando espaços
austeros, mas não nccessariamente. r!:"'petitivos e
monótonos, pelo trabalho em concreto.
A concepção arquitetônica das estações da
linha Leste-Oeste, na segunda metade dos anos
de 1970, foi desenvolvida por equipe própria da
Companhia do Metropolitano de São Paulo. Reco-
nhecendo a experiência desenvolvida por Fragelli
na linha None-Sul, assimilada à concepção de q ue
o ramal I,este se desenvolve na superfície ou crn
via elevada, c restrita à realidade de um momen-
to econô mico menos opulento que a fase ele im-
plantação da linha pioneira, as estações da Leste-
Oeste buscaram soluções mais econômicas c de
execução rápida (estruturas de alumínio e ferro,
nu lugar do predomínio do concreto apare11te),
preocupadas com a presença na paisagem com
marcante uso da cor. As cstaçôes subterrân eas
buscaram sempre alguma referência ao exterior,
m ediante aberturas que pe rmitem vislumbrar o
céu das platarormas, aliadas a vistas para jardins.
Dentro do sistema metroviário de São Pau-
lo, caberia destacar os term inais intcnnodais: u
t:pisódios de 11111 Brasil G'mncle e .l!oclemo • 1 - 1
Terminal de Ônibus Interurbanos doJabaquara
(pr~j ctoJcrôu i mo Esteves (n. em 1933), Israel
Sancovski e Paulo Bastos, 1972), o Termina! Inter-
municipal do .Jabaquara (pn~jeto .Júlio Neves c
Luigi Villavecchia (n. em 1940), 1974) c o Termi-
nal Rodoviário do Tietê (elaborado pela equipe
de arquitetos do Metrô : Renato Vicgas, Roberto
MacFadden (n. em 1944) , Dicran Kassardjian,
Aruo Hardlich Filho), inaugurado em l9R2
como o maior terminal de passageiros da Amé-
rica Latina. I:<:ssas ob1·as devem ser exzrmi nadas à
luz da reo,-g:mização cios padrões de terminais
intermunicipais e rodoviários regulamentados
nos anos de t970. O Centro rl~ Controk Opera-
cional do :.Vfetrô, projetado em 1072 pelo escritó-
rio Crocc, i.Jlalo & Caspcriui, é o utra obra arqui-
tetônica de interesse elaborado para o sistema.
O escritório PAAL, dos arquitetos Sabino
Barroso (n. em 1927),jos(: Leal (n. em 1931) e
Jayme Zcttel (n. em I9~ 1), responsabilizou-se em
1968 pelos projetos pioneiros das estações das
duas linhas do mctn) do Rio de Jan eiro, com fi-
liação à verten te arquitetura! de Oscar Nicm cycr.
Suas obras envolveram in tervenções e m á reas
históricas do centro da cidade, c os projews elo
~rupu PAAL tinham preocupaçõe-s rl<' intcgração
paisagística ao contcxro, cmno no jXUjt:tu de reur-
h<~n i zação do trecho Largo da Carioca-rua Uru-
g uaiana. Dificuldades no andamento das obras
atrasaram c atrasam o cronograma do e mpreen-
dimento (que inaugurou seus primeiros 5 km
apenas em 1979) e não pcrmirjram a execução in-
teg-ral das intervenções arquitetônicas propostas.
Corno participação isolada, rnas integra-
elos a sistemas de transporte de linhagem metro-
viária, arquitetos desen volveram projetos d e es-
tações para sistemas de trens metropolitanos. A
Trensurb, sistema de trens que atende à região
me tropolitana de Porto Alegre, teve a estação
Mercado (1R7H) projetada pelo arquiteto Elyscu
Victor Mascarello (n. em 1935) c a estação Ca-
noas (198 1) pr~jetada por Jorge Uecken Dc biagi
(n. em 1939) . Debiagi também é o autor da es-
tação Central elo Oemct ri> de Belo Horizonte-
uma revit.alização da antiga estação fcrruvüü ·ia
com amp liações adaptando-se ao sistema metro-
172 • Arqnilelnms 110 lJmsil
l~ I. Vital P('ssoa de Melo" Reginaldo Estev<'s: estaç:tv Caval<·íro, met.rb do Recife, PE. lJil'>.
pol it<tuo de 1rcns- c da estaç?iu rodumetroferro-
viária de Contagem (ambas inauguradas nos anos
de 1080). Em Recife, os arquiteLOs Viwll'cssoa ele
Melo (n. em l9~fi) t> Reginalclo Estevcs (n. em
1930) desenvolveram o pn~jel o das estaçôcs Co-
queiral <: Cavaleiro, para a linha do trem metm-
politano da Melrorcc, inaugurada em 19RG.
CENTRAIS DE ABASTECIMENTO
Os anos ele 19(-iO conheceram uma crescen-
te preocupa(ão governamental quanto à regula-
mentação dos mecanismos de armazenamento,
conservação, clistribuiçào t> comercialização de
produtos alimentares perecíveis e- de origem ve-
gelal -os ltortifrutig-ranjeiros - , em husr<t da ga-
rantia de fluxos regulares, padrões de qualidade
e controle de preços. Na visão cksenvolvimentis-
ta do período, o governo adotou um sln.~an gran-
dioso: "Brasil terá o tamanho de st1a agrícullllra".
E~trultJrou-se um sistema envolvendo agentes fe-
derais, estaduais e municipais. O Ministério da
Agricultura rC'sponsahilizou-se por uma parcela
ponderável do sistema, atuando no controle dos
preços, na estocagem ele alimentos e na distribui-
ção de produtos. Na es~era estadual, criaram-se as
cent1ais estaduais ele abastecimento- CEASA.-
grandes estruturas com instalaçúcs e serYiços
para recebime nto c distribuição ele hortifruti-
granjeiros por atacado, localizadas nos centros
nrbauos maiores. i ciistrihuição va rejista (tendo
como fornecedora as CEASAs) era e ncargo dos
municípios, mediante a ot-gan izaçüo ele merca-
dos municipais c feiras-livres.
Nos anos de- 1970, inúmeras CEASAs e mer-
carlos mtmicip<tis foram implantados nas e<tpitais
c grand!"s ridatles, na esteira dessa polílica. A em-
presa ele consultoria IIidroserviu: foi responsável
pelas CF.iSAs ele algumas capitais, como Belo Ho-
rizonte, fortaleza, .João Pessoa e Curitiba. Do
ponto rle vista uquitctôníco, o mais interessanle
pn~eto de central de abastecinu:nto foi desenvol-
vido no Riu Grande elo Sul. A CEASA de Porto
Alegre foi um minucioso projeto elaborado pelos
arquitetos Carlos Maximiliano Fayct, Cláudio
Luiz AraCuo, Carlos Eduardo Dias Contas (n. em
194~) eJosé Américo Caudcnzi. Situada num es-
tratégico cntrone<tmento elas principais rodovias
do Esraclo na região metropolitana da r;:tpital, o
complexo desenvolve-se numa área ele tiO 000 rn~.
Para a resolução dos grandes vãos livres exigidos
para os pavilhões, os arquitetos couvocaram o
engenheiro uruguaio Eláclio Dicste (n. em 1917),
respons;lvel pelo cálculo e execução das abóbadas
de tijolo armarlo ele dupla curvaLu ra. (PaviIhão
dos Produtores, vãos de 25,4 m) ou autoportan-
tes (Pavilhão dos Comerciantes, v<ios centrais de
20 111 e balanços de 5 m). A experiência ela Ceasa
dt':' Porto Alegre serviu de referência para o Minis-
tério da Agricultura para outras obras. As C:~~ASAs
de Maceió c Rio deJaneiro também adotaram os
sistemas ele cobertura projetados por Dieste.
A realização da CEASA de Porto Alegre de-
monstra um caráter específico da arquitetura do
Rio Grande do Sul. Até então, o engenheiro Elá-
dio Dieste era um profissional de atuação li mita-
da ao seu país, o Uruguai, completamente des-
conhecido nos demais centros do Brasil. Foi o
intcrcfnnbio histórico entre o Rio (;rande do Sul
e o Uruguai que assegurou essa colaboração en-
tre Fayet & Araújo e Dieste, caraneriz;mclo rn(lis
uma vez a permeabilidade ele influências com o
Cone Sul do contine11te- lipo de relacionamen-
to inexistente nas demais paragens brasileiras.
ESCOLAS E O ESPA<,_;o
lJ N IVERSlTÁRlO
O programa escolar foi ttnt lema penua-
nenle ua pauta da arquitetura no Brasil do sf-nt-
Epísóclíos de 11111 !Jmsíl (1mnele e ,1/odemo • 173
lo 20. Mencionamos, em outros capítulos f"Do
Anticolonial ao Neocolonial... 1RR0-1926" e "Mo-
dernidade Pragn1~1tica 1922-194~"] episódios em
que o eciitlcio escolar foi 1mporrc dc d<'h<~tes esté--
ticos e funcionais. Em 1936, I.e Corbusier fora
comidado também para desenhar a Cidade Uni-
vt"rsilária ela Uniw·rsiclade do Brasil [ver capítulo
"Modernidade Correllte l !:!29-1945"j. Nos anos de
1950, edifícios escolares para c11rsos hásicos tam-
bém mereceram projetos de arquitetos ilustres -
Demétrio Ribeiro no Rio Grande do Sul, Oscar
Nicmcycr para escolas em Minas Gerais e Mato
Grosso, enln:: outros. Em São l'aulo. o programa
do C01wênio Escolar, desenvolvido entre 1949 e
1955 pela municipalidade com a participação do
Governo do Estado, inlrodt u ia d<" fonna singular
uma coleção de 68 edifícios na linguagem "cario-
ca" (com alguns arqni1e1os formados no Rio de Ja-
neiro): Hélio Duarte (coordenador, arquiteto que
trabalhou no Rio ele.Janeiro c Salvador - ver capí-
125. Carlos M. fa)•eL, Cl:tUuiu Antúju. Carlos E<luanlo Colllas,.Jos(~ Amí~rico (;;mrlcnzi (arCJlli tellra), F.l<'idio J)ieste (estru-
run t em cerâmica armada): Central de Ahaslcci nw nto ck P01·Lo Akg-~<: , RS, 1972.
174 • Jlrquileturas 110 Hmsíl
t.ulo "A Afirmação rle uma Hegemonia 1945-
1970"), Eduardo Corona (n. em 1921, ex-proj~t.is­
la de Nícmcyer), José Robe rto Tibau (n. em
1924), Oswaldo Corrêa Gonçalves (n. em l917) c
o engenheiro F.rncst Robert de Carvalho Mange.
Tam bém em Silo Paulo , entre 1957 e 1975,
o lnslilllto ele Previdência do Estado de São Pau-
lo (I PESP) e, a partir de 1959, o Funrlo E!itadual
de Constn1çõcs Escolares (Ft·:cE) desenvolveram
um conj111llo dC' escolas públicas com a vanguar-
da da linha paulista, tornando-se uma rcferênci<l
para as e-xperiências em ou tras partes do Brasil.
Nesse progrmna, ensaio n-se, no início da década
de 1060, o em prego de pré-Fabricação e estrutu-
ras prolendidas de concreto.
Os anos de 1970 conheceram programas
de construção escolar nas quais a normalização c
a raciumtlização ela construção geraram manuais
llilllllllllllllllliiiiiii!UIIIlU!Illll;t:l!;lllllnÍR
I;IJ!ill:;:uan~;:uu::tun~m•;~uammmIU11iln
'""'w"'"'""'"'""'u. lllll!lllmmummxm:iillllllllllllllllllnmmt
uummuunnurwrum IIIIIIIIIIJIIIIIIIillllllliii!UUUUIIIII!:IIIunnuJ
....,. ==:::::::: SIIDIIIIIIIIIHIIIHIIIUIDIIIIIIIDnnmmumno
1!1:1 mmn1111u"u"""rnoa 111111101nummnumuunw
., .DIIUU. 110. UJIUUIUIIIIW . -
~1LQI.IIiii@!_W.J:;f..!l~
de projetos de edifícios c equipamentos escolares.
J.<:m São Paulo, a Companhia de Construções Es-
colares do Estarlo (Conesp) desenvolveu um cui-
dadoso trabalho de normalização técnica, traba-
lho preocupado com constnu,:ão em massa com
qualidade c diversidad e, coordenado por .João
Ho núrio de Mello Filho (n. e m 1940), envolveu-
do a participação de mais de quinhe ntos arqui-
tetos 0 11 escritórios independentes pr~jctando
edifícios escolares; no â111biLO federal, o Centro
Brasileiro de Construçôcs e Equipamentos Esco-
lares (Cebrace-), subordinado ao Ministério da
Educação e Cultura, elaborou vários cadernos de
orientação ele projetos escolares.
Não se porle constatar, todavia, u m <t tra-
dição simila r nos espaços de ensino superior. As
universidades brasileiras nasceram da reunião
de unidades isoladas, cada qual com acomoda-
1:./6. f.duar·do Kneesc de Ml'llo, Joel
Ramalho Jr., Sidney ele Oliveira: con-
j unto residencial d<l Univcnid adc de
São Paulo, l96~. lJ ma d as propostas
pioneiras em pré-f"abricação n ;1 ar-
quitelllra d o início dessa déc;~da.
127. .Jorge Machado Moreira/ Escri-
tório Técn ico da Universid ad e do
Brasi l: préd io da Facu ldade de Ar-
quitetura, Rio de Janeiro, I!157.
ções usualmente adaptadas e m imóveis não pro-
priamente d esenhados para abrigar o ensino
universitário. A mais antiga universidade brasilei-
ra- a cto Rio ele Janeiro - foi fundada em 1922.
Seguiram-lhe a de Minas Gerais (1927), São Pau-
lo (1934), Pernambuco, Bahia (década de 1940),
Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Paraíba (déca-
da de 1950) - entre as oficiais. Uli iversidades par-
ticulares de origem religiosa Sllrgiram em várias
capitais brasilt'it·as nos anos clL: 1940-1950. fu ci-
dades universitárias projetadas para n Universida-
de de São Paulo, Minas Gerais e Universidade do
Brasil (Rio de J aneiro) rlata m do .final dos anos
de 1940 e 1~50, com destaque para o último caso,
projeto da equipe coordenada po rJorge Macha-
do Moreira. O Centro PoliLécnico da Universida-
de Federal do Paraná, em Curiliü a, foi pr~jcto de
Rubens Mcistcr de 1956. Todavia, a construção
dos edifícios nniversit.ários nt>sst's campi foi pre-
dominantemente executada na década de 1Y60.
O ano df> 19111 é significativo na vida uui-
versitária do país: fundava-se a Universidade de
Brasília (Unn) -nma p rop osta de modelo <tead(~-
128. P au lo Zimbrcs: reitoria
d a Unive rsidade de llrasília,
década de 1970.
I ~U- .José Calhin sk i: r!'f!'irório
da Uni·ersidadc de Rrasília,
década de 1970.
t:písódíos de 11111 Brasil C:ra/1(/c: c: Modem u • 175
mico inédito no país, sob a orientação ele Anísio
Teixeira e Darcy Ribeiro ( 1922-1997) -c a apro-
vação da Lei ele Diretrizes c P,ases da Educação -
definindo a cst.nll.ttra das un iv~rsid ades. O golpe
de 1964 liquidou a experiência ela UnB, t' a t-e-
gulamentação ela lei de 1961 sofre u graves clis-
torçôes, alé m d os descam inhos políticos que a
educação sofreu no final dos anos ele 19()0 cont
o endurecimento do regime militar e a persegui-
ção dos intelectuais. Destroçado e m seu conteú-
do, no en tanto, o espaço físico elas universidades
brasileiras foi-se consolidand o ao longo d essa
década e principalmente no decênio seguinte. Í<:
pertinen te afir mar que o "milagre econ ômico"
patrocinou a construção ele vários setores c cdifl-
cios de campi universilúrios em lodo o país, tan-
to nas universidades federais quan to em institui-
ções privadas (sobretudo as vin culadfls com
mantcnedoras religiosas). A crise econômica pos-
lt'rior de ixou in(tmeros desses campi como can-
teiros em aberto; w davia, os arquitetos brasileiros
desenvolveram uma larg-a experiê ncia em plane-
jame nto ele espaços uuiversit:uios no período.
776 • Arquiteturas 110 J11·asil
130. Franci~co rlc Assis Reis: s!"dé' da Companhia !Iidrc létri-
ca do Siio Ft-ancisco, Salvad or, BA, I':J79-I.':Jtl~.
131. I lumbcrto Scrp a, M<1rciv Pinto de Barros, iVIarcus V i-
nícius Mcycr, William Ramos Abdalla: edifício-sed e do
Banco de Dest:nvulvirueutu de Minas Ccrais, ReJo Hori-
zvnte, MG, 19 69.
CENTROS
POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS
E A BUROCRACIA OFICIAL
O abrigo das atividades governamentais é
uma f]Uestão arquitetônica cbssica, preocupação
de qualquer tratado ou manual de arquitetura
do passado. No entanto, a articulação entre as
várias partes de urna administração pública -
quaisquer sejam as esferas: municipal, estadual,
federal- complíca-se na mesma proporção que
a burocracia se Lorna mais complexa e na maio-
ria das vezes ininteligível. Rebatendo essa com-
plexidade no espaço físico, o crescimenLU confu-
so da burocracia produz uma desorgani;.ação
espacial usualmente caracterizada pela pulveri-
zação de repartições no tramo das cidades tradi-
cionais, acomorlações nem sempre satisfatórias
do ponto de vista da articulação das partes admi-
nistrativas do conjunto. Essa observação parte
apeuas de um pt-cssuposto de organização técni-
ca . Do espaço da administração pública não se
deve isolar sua denotação mais ampla de locus do
poder, da simbologia inerente ao exercício das
práticas políticas em uma sociedade. Brasília
configura a experiência máxima ela espacializa-
ção de um desejo de projetar um símbolo de
poder da nação e sobre " nação.
A nova capital do Brasil não é experiência
pioneira nessa vertente: Belo Horizonte, capital
do Estado de Minas Gerais ( 1894) e Goiânia ,
capital do Estado do Goiás (1933) representa-
ram esforços anteriores recentes para assinalar
vontades políticas de afirmação territorial e de
autoridade pública. Nenhum desses empreendi-
mentos se isentam de urna prcocupaçáo de ocu-
par vazios humanos, d o caráter de domínio
territorial de regiões ulexploradas, a imposição
de vetores de desenvolvimento urbano ou rural.
Mais recentemente, Palmas, capital do novo Es-
tado de Tocantins (1990) d;Í seqL.Jê ncia à inven-
ção de capitais.
llrasília transformou-se também num para-
digma para a reorganização física dos espaços da
burocracia oficial. A hnsc:a ele lugares pr-óprios
para a administração pública tornou-se recorren-
te sobretudo no Brasil dos anos de 1970 - tanto
com a implantação de centros político-administra-
tivos ocupando grandes vazios na periferia urba-
na (como o vazio anterior de Brasília) quanto na
construção de sunLuosos edifícios para sedes de
empresas estatais ou paraestatais - , fenômeno
que não deve ser desvinculado da ostentação do
"milagre econômico" do período nem da políti-
ca de centralização administrativa, ao estilo auto-
ritário do governo pós-golpe de 1964. Claro que
l:.pisódios dc> 11m Dmsil Cm11dr,> r,> Jlodemn • 1 77
..
132. .João Filg uciras Lima: edifício de secretaria do C<'ntro Po lírico-Admin istrativo lht Rahia, Salv;ultll, BA, 1973.
l ~~ . Saty•·o Pohl Moreira de Castilh o , .J(IIi o dt> Lamon ir<t
Fn.:in.:, SC:·rgiu de Mor:1es, Antônio Carlos Carp intt:ro. Ma-
nuel Perez Sa ntana, Moacyr Fre itas, José Antônio Lemos
do~ S;tnto~, Antô ni o Rodrigues Can 'a lh o, Pau lo Zimbres
(consultor) , fira nk Svensson (consultor): Centro Político-
Administrativo do Estado do Ma10 Grosso, Cuiabá, MT.
1971.
a proposta de cen tros político-administrativos
não é ncu:ssariamcnte sinônimo de d iladttra: o
Paraná organizou seu Centro Cívico Es tadu<~l em
1951, uum período democrático; Brasília foi obra
de uma gestão democrá tica. A mo numentalida-
de, quando atributo próprio do programa arqui-
tetônico, não é suntuosidade gratuita.
Os cen tros político-administrativos esla-
rlnais efetivados nos anos de 1970 foram organi-
zados como cidadelas afastadas dos núcleos urba-
nos tradicionais. Implantados em grandes vazios
periféricos à cidade, obedecendo a planos dire-
tores que, na maioria dos casos, reproduziam o
esquema de Brasília: edifícios isolados para cada
fnnção ou agrupamento de fun çôcs, scgunrlo
conveniências d e exeqüibilidade e m dikrcntes
freu tes ele trabalho. Assim se desenvolveram os
centros político-administrativos de Salvador (com
plano urbanístico de Lucio Costa), Rclé m, Porto
Alegre, For1aleza, Natal. A grandeza desses em-
preendimentos ínvíabílízou a sua conclusão, es-
gotada a gastança do "milagre econômico".
Um dos mais eloqüentes exe111plos desses
complexos administrativos- c que também foge
um pouco à regra - foi o Centro Político-Admi-
nistrativo do F.stado elo Mato Grosso. O pr~jeto,
iniciado em 1971, reunia uma equipe básica d e
j ovens arquite tos formados na Universidade de
778 • Arquitet11ras 110 Brasil
Brasílit~. O complexo aclministrativo deveria ocu-
par um vazio de 3 mil hcclarcs, afastado do cen-
tro de Cuiabá- numa superfície maior que a
área total da capital. Essf' <~f<~s t anwn to pressupu-
nha urna tentativa d e estabe lecer um vetor de
cr<'scimento para a cidade, rumo ao centro po-
lítico-administrativo. O c:onjunto não privilq~ia­
va edifícios isolados: uma malha estrutural regu-
lar organizava os vários blocos, proporcionando
um sentido de continuidade, resultando num
conjunto de edifícios com unidade arquitetônica
abrigaudo tanto a sede Jo governo quanto as se-
cret.arias como que num único volume espraiado
- como uma megaeslrulura. A proposta inicial
não foi respeitada pelas administrações pustcrio-
res. O conjunto hoje se encontra incompleto, e
vários edifícios isolados se ;1dicionaram ~~ paisa-
g-em circundan te do centro político-administra-
tivo, rompen do a unirbtde original.
O PLANEJAMENTO DE CURITIBA
Uma das mais bem-sucedidas ações dc pl<t-
nc:jamento urbano no Brasil desenvolveu-se para
a cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná,
a partir ele 1964. !"esse ano, o Depanamenlo de
U rbanismo da Prefeitura e a Companhia de De-
senvolvimcn lO do Paraná - Codt>par - abriram
uma concorrência pública para a elaboração ele
um plano preliminar de urbanismo. O concurso
foi vencido pelo consúrcio.Jor~e Wilheim Arqui-
le Los Associados (conceituação e proposição urba-
nística) c Sen·te Engenharia (estudos de engenha-
ria, iufi·a-cstrutura e aspectos sócio-econômicos).
O aspecto metodológico principal da proposta elo
arquitetoJ orge Alilheim (n. em 1928) foi a ele de-
linear nm plano com cliretrizcs gerais, sem um de-
senho ftxo, que dcveria ser desenvolvido a partir
da criação ele uma estrutura local de acompanha-
mento do plano, com profundo envolvimento de
técnicos da própria cidade.
Em 1960, Curitiba abrigava 344560 habi-
tantes - o nono maior aglomerado brasileiro; ao
longo da década, sua população cresceu cerca de
40%, alcançand o a marca de 483 038 habi laules
em 1970. As diretrizes de Wilheim referenciav;J-se
nos seguintes pontos: l. mudar a conformação
radial da expansão para nma lin cr~ri zula, inte-
grando os transportes ao uso do solo; 2. descon-
gestionar a área central e preservar o centro tra-
dicional; 3. conter a populaç;'io de Curitiba dentro
elos seus limites físico-territoriais; 4. dar um supor-
te econômico ao desenvolvimento urbano; 5. pro-
piciar o equipamento global da cidade.
O plano básico foi desenvolvido no primei-
ro semestre de 19G.S, com a particip<~ç;'io de vár-i-
os profissionais locais - entre e les, engenh eiros
civis Uovens c veteranos) que complementavam
suas formações freql'1entando o recém-aberto cw--
so de arquitetura, e formados na primeira turma,
em 1964. Wilhcitu c seu grup o ele assessoramcn-
LO local percorreram toda C11ritiba, e essa intera-
ção estabe leceu os vínculos entre o cotidiano ur-
~· ·
134. ll'l'UC: plano de Curitiba, PR.
. l,.,.....,,.....
- .l('.a.(:lo O(., ....:t~l ·;.~f->'! i ~
COI., IOOI..
..
~~
CURITIBit
.t5?:5I:J
bano e as diretrizes teóricas de ordenação da ci-
dade. O plano propunha o desenvolvimento da
capital mediante duas vias estruturais ele tráfego
rápido formando vetores de expansão (rumando
para oeste e sudoeste) tangenciando o centro ,
sem sufocar o núcleo central -adequadamente
servido com transporte coletivo e preser vando-o
do adensamento sem controle. As áreas lindeiras
das vias constituíam alternativas qualificadas para
ocupação. Outra inovação para a época foi a pro-
posta de peclestrianização ela via principal do cen-
tro antigo da cidade, a rua Quinze de Novembro
- espaço tradicional de encontro ela população,
embora urna via fregüentada p or automóveis.
F.ssa postura refletia a iciéia de f[UC o crescimen-
to da cidade poderia ser ordenado sem ciru rgias
urbanas radicais no centro tradicional -com to-
das as seqüelas econômicas e sociais, às vezes mais
graves que os problemas que se imentavam solu-
cionar. A ddinição ele áreas industriais compati-
velmente localizadas em relação à cidade e a im-
plantaçào de :ti-cas de recreação c lazer nos
bairros eram outras diretrizes prioritárias do pla-
no básico.
O conjunto ele propostas foi apresentado
num seminário aberto ao longo do mês de julho
ele 1gf)!), com a parricipaçi"io de associaçôes de
classe, profissionais liberais e interessados em ge-
ral. Em seguida, formalizou-se a criação de um
organismo responsável pela institucionalização
do plano, o lnslituto de Pesquisa c Planejamen-
to Urbano da Cidade de Curiliba-ll'PUC - ,que
complementou a proposta inicial do plano de
Wilheim, afinal transformada no Plano Diretor
de Curitiba, aprovada pela Câmara Mu nicipal
em 1966.
Ao final dos anos de 1980, a capital do Pa-
r<má é considerada a cidade com a melhor quali-
dade de vida urbana do país. As soluções implan-
tadas pela administração pública nos moldes elo
plano da década ele 1960 foram apropriadas satis-
fatoriamen te pela população. Como se explica
essa trajetória?
Embora o plano elaborad o em 1q55 há
muito tenha sido superado, as bases do processo
ele planc::jamento e desenho urbano esboçaram-se
Episódios de 11111 Brasil Gra11de e .lodemu • 1 ~
nessa oportunidade. Inicialmente, estabelecendo
diretrizes flexíveis que foram conformadas de
acordo com a realidade a partir da filtragem por
técnicos locais, mais sintonizados com o cotidia-
no ela cidade - e Wilheim não desdenhou esse
aspecto da contri buição local. A institucionali-
zação do planejamento mediante a criação do
IPPUC - absorvendo a equipe local que acompa-
nhou vVilheim e incorporando novos elementos,
afinados com os princípios originais- estabele-
ceu um sistema de acompanhamento do proces-
so de planejamento que foi trabalhando o plano
inicial com prqjetos arquitetônicos e urbanísti-
cos pontuais, a ponto de consolidar uma série de
propostas f[U e , amadurecidas, foram e ncampa-
das pelo govern ador elo Estado, nomeando pre-
sidente do TPPUC o arquiteto J aime Lcrr1cr (n .
em 1937), prefeito de Curitiba em 1971 (nessa
época, em pleno regime militar, os prefeitos das
capitais não eram eleitos, mas nomeados) . A im-
plantação concreta do plano iniciou-se em sua
gestão. Cenas propostas, como a peclestrianíza-
ção da principal rua do centro tradicional (a pri-
meira experiência no pa ís), sofreu fortíssima
oposição do comércio, além do estranharnento
gcr·al corn a r·ctir ad<t dos automóveis- um símbo-
lo ela industrialização no Brasil; as vias estrutu-
rais foram consideradas "perigosas", pela velo-
cidade elos veículos q ue nelas transitavam. O
conjunto de diretrizes estabelecidas pelo IPPUC
conseguiu, com maior ou menor sucesso, vencer
as resistências e atravessar sucessivas admin istra-
çôcs, diminuindo o impacto da descontinuidade
do planejamento municipal. Jaime Lerner vol-
tou à prefeitura de Curitiba em 19R9, triunfal-
mente pelo voto direto.
Curitiba significou urna possibilidade real
de desenvolver planos urbanos ele forma bem-
sucedida. A experiência tornou-se paradigmáti-
ca em termos brasileiros e, a tualmente, opa-
drão de qualidade de vida ela cidade chama a
atenção dos técnicos do mundo. Todavia, con-
vém caracterizar esse sucesso como a conjuga-
ção de uma coleção ele fatores que permitiram
materializar essa utopia p lanejadora. Bem lem-
bra Jorge Wilheim que, no mesmo ano em que
180 • ArquitelllrttS 110 Brasil
ganhou a concorrência para o plano de Curitiba,
seu consórcio também foi indi c::~rlo par·a desen-
volver o plano de Joinvillc, cidade no Estado ele
Santa Catarina. Segundo o arquiteto, as idé ias
nesse p lano catarinense eram mais inovad oras
do que as da capital paranaense. Todavia, a fal-
ta de uma vontarl<:> política e a a usência de Ullla
equipe local de acompanhamen to do pr~jelü
frustrou a seqüência do plano [Memória... 1990].
HABITAÇAO POPULAR
l~ impor/ali/e que o BNJ-1 (Banco Narional da
f-fabitariio) Lmha presenlP IJUP Pslri criando uma nova
smuíntica de moradia limsi.Lei-ra.
Nós jJagu.nln.m.ns St' PHI' 1101111 .ügnijiwdo não é
11ada mui.~ do ']l.W '11.111.11 delet-iomfâu rrijJidn di' algo
quese eslntlumva fJusilivmnente. Temos mrrlo rle que,
denlro t'm breve, moradia para o bmsileim seia rtfw-
na~ um cúlt-ulo "'' Unidrult's de Patb·ào de Crédito,
nu a preocupação rom. n jiTestaçiio mensal e ronSP-
qüenle mneriio on o pavor rfp .wr levado mnlm. a von-
tade Jmm um ajHtrlanumlo rm r:oniu.nto n>sidl'nrial.
1:,'./tt jnt!Of:'llfwçrin, goslodmn11s dt' t-ransmiti lo ao
/JN/1. (;nstnriamu' lfltl' ,.z,,-''''l'"''slionassl' a 'i rne;mo
,UÚrt' o qut• rslti Jnznulo.
RI'.NJTO SARNO, presidente
do Instituto de Anp1itetus do B1·asil, 197 1
[Scrran 1976, p. B9 l
A participação de arquitetos modernos e m
projetos habimcio nais inicia-se de forma mais sis-
temática com a ação dos lnstitutos de Aposenta-
doria e Pensões ligados às categorias profissionais
-os IAPs -,a Fundação da Casa Popular e o Depar-
tamento de Habitação Popular, como vimos no ca-
píwlo anterio r.
A euforia desenvolvimentista dos <tnos de
1950 não se sensibilizou com uma das maiores ca-
rências do país. O Plano de Metas do presidente
Juscelino Kubitschek não continha qualquer refe-
rência à questão habitacional. /. prática governa-
mental limitava-se à repressão da construção de fa-
velas ou medidas institucionais de levantamenLO
censitário e diagnóstico elo quadro de carências
habitacionais para população de baixa renda. Co-
missão para Extinção de Favelas (Rio de Janeiro.
1947), Serviço de Recuperação de Favelas (Rio de
Janeiro, 1952), Comissão de Desfavebmento da
Prefeitura de .Belo Horizonte (1955), Cruzada São
Sebastião (Rio de J aneiro, 1956), Serviço Social
comra o Mocambo (Pernambuco, 1956) são no-
mes sugestivos de iniciativas na área habitacional
nos anos de 1910-1950 [Finep/ GAP 1985]. Favelas,
mocambos, malocas, barracos, alagados, cortiços-
termos regio nais para formas de moradia estra-
nhas aos parânwtros arquitetúnicos e 11rbanísticos
tradicionais, classificados oficialmente como habi-
tações "subnormais" o u de "interesse social".
A iniciativa do governo militar de criar o
Banco Nacional da Habitação (BNII) e m 1965 foi
tomada na ép oca como u m alen to ao déficit ha-
hitacion;.JI. Até sua extinção, em 1990, a institui-
ção passou por diferen tes etapas de atuação, que
não caberia aqui retomar. A política habitacional
pós-golpe de 19G4 priorizou os investimentos na
construção iutcusiva de casas para venda (segun-
do o conceito de pt·opriedade residencial para as
classes de men or renda) com o forma ele estimu-
lar o setor da construção civil e recurso para ame-
nizar o dcscuq.ncgo, por ser atividade capaz de
absor ver mão-de-obra não-qualific<1da nos gran-
des centros u rbanos. A diretriz não era assegurar
condições mínimas de habitação. Implementar
um setor produtivo e com bater o d esemprego
era a preocupação básica, tendo como subprodu-
to a construção de moradias ao menor custo pos-
sível. Essa condicio nante gerou conjuntos habita-
cionais com padrões de qualidade muito baixos.
O produto concreto dessa prática resultou em
dezen as de agrupamentos de construções em
altura ou com descnvolvirnento h orizontal, isola-
dos elos contextos urban os aos quais se deveriam
relacionar- posto que se abstraísse a articulação
da q uestão habitacional como uma problemática
urbanística. Praticava-se a periferização oficial e
compulsória de largos scgmen tos ela população
com custos imediatos baixos; a médio c lon go
prazo, a consolidação dessas periferias demanda-
ram investimen tos altíssimos na instalação de
infra-estrutura negada n o primeiro momento .
i;jJis<idios de 11111 lirasi! Crand<? e .Vlodemo • 181
135. j oiio BaLisla Vilanova Artigas, F;thio PC'nleadu, Paulo :<lcndcs da Rocha: conjlHllO Hahi Lacional Cccap Zezinho Maga-
lhiies l'rado, Gurtrulhos, SP, 1967 .
Distorções da política habitacional do pe-
ríodo pós-1961 levaram o Banco Nacional d a
Habitação a contemplar sobretudo o financia-
mento de moradias para a classe média e alla. O
aproflmdamento do déficit habilaciomtl parr. r.s
populações de baixa renda manifestava-se no in-
cremento de htvelas, invasões, loteamenLOs clan-
destinos, cortiços, sobretrabalho na autoconstru-
ção- a transfo rmação da paisagem das periferias
das grandes cidaucs como ::~ssen tamentos de es-
paços de subsistêncir.. Foi na década de I960
que se tornavam nítidas duas atitudes dislintas
dos arquitetos perante à degradação habitacio-
nal, à ineficácia do programa govf'rnamcntal c
os resultados ir11positivos e pouco qualificados
das realizações oficiais conveucionais.
De um lado, arquitetos politicamente opos-
tos ao regime m ilitar, mas interessados pela cau-
sa habitacional, ocupando trilhas insti tucionais
do Estado a partir da proposição de espaços de
formu lação erudita. No outro extremo, a assimi-
lação da cu ILura e da prútica popular corno re-
curso possível e des~jávd para a resolução does-
paço da moradia pobre. Na prilneira vcnente, a
exp eriência mais consiste nte foi a realização, a
pa rtir de 1967, do conjun to habitacional Zezi-
nho Mag-alhães Prado, patrocinado pela Caixa
Estadual de Casas para o Povo (Cccap) no muni-
cípio de Guarulhos, Estado de São Paulo- conhc-
cido também como conjnnro Cecap-Cumbica. O
pr~je to foi coordenado por três expoentes da li-
uha paulista:.João Batista Vilanova Artigas, Fábio
Penteado e Paulo Mendes ela Rocha. TrM.ava-se de
um conjunto planejado para uma populaç:'ío de
55 mil habitantes em 130 hectares de área, con-
tando com toda infra-estr utura urbana: escolas,
hosp ital, centro de saúde, posto de puericultura,
estádio, cinemas, hotel, teatro, comércio próprio,
clube, transporte etc. A organização dos espaços
se l'::tzin f'm turuo do conceito da freguesia - termo
tradicional do urbanismo portugu(:s relacionado
com uma comunidade com vínculos eclesiásticos,
atualizado em scn sentido no Cecap-Cumbica
como conjunto de pessoas com interesses comu-
nitários. Cad<1 freguesia comportava agrupamen-
tos de edifícios c equipamentos urbanos em u.:r-
ca de 15 hectares, com população prevista para
9 884 habitantes. Uma derivação do conceito de
superquadra, adotada por Lucio Costa em Brasí-
lia. O conjunto Cecap-Cumbica- incon cluso-
funciona hoje parcialmente segundo a concepção
original, ocupado por populaçáo de renda média.
No outro extremo, e mergiu llOS anos de
1960 uma contestação ao conceito de conjuntos
habitacionais no princípio da unidade de habi-
tação- corno e m Pedregulho, Várzea do Carmo,
Brasília ou Cecap-Cumbica. A crítica ao con cei-
to par tia da constatação mínima da inviabilidade
182 • A rquitet11ras 110 13rasil
do acesso à população marginalizada a empreen-
dime ntos cuja totalização - tida corno ambiciosa
- exigia altos investimentos, subordinados a po-
líticas de financiamento nem sempre favoráveis
ou capacitadas a arcar com tal aporte, diante das
múltiplas demandas de uma economia carente
de recursos em inúmeras outras áreas de igual
prioridade ou precedência econômica ou social
- sobretudo as relacionadas ao controle d o cres-
cimento urban o dos grandes centros. A a morti-
zação desses conjuntos seria inviável ao poder
aquisitivo do segmento populacional de baixa
renda, salvo nus casos de redução ao máximo
dos custos, ao nível do absurd o da inabitabilida-
de - como se constatou efetivamente. Um primei-
ro reconhecimento dessas contingências limitado-
ras foi tentado por Acácio Gil Borsoi, em 1963, em
Pernambuco, onde, por iniciativa do Serviço So-
cial con tra o Mocambo, o arquiteto propôs, para
a comu nidade favelada elo C~jueiro Seco, casas
segundo um sistema de pré-fabricação de com-
ponen tes construtivos baseado na taipa- sistema
tradicional <Jssociando urna malha de made ira
revestida com barro -, uma arquitetu ra de cusLO
baixo e factível dentro das limitações orçamen-
136 e 137. Acácio Gil Bo rsoi: comunidade dt:
C~j u ci w Seco,.Jaboatiiu, PE. 1963.
protective painting. • ~
ptntura de prote~o. .,-
rll> • """';;::sii.: - 'ESC N-/.
/?,-.... . -
.
rool storage.
depósito de rolos.
.
table.
mesa.
,
tárias d a população d e baixa renda. A proposta
buscava integrar um certo repertório construtivo
tradicional, a. fixação da população no local com a
alternativa de morar em casas de melhor qualida-
de, sem violentar as características culturais c co-
tidianas da comunidade favelada. O golpe de l964
interrompeu a experiência, sem possibilidade de
avaliação. Em 1969, um gmpo dejovens arfJuitetos
do Rio de janeiro -Adina Mera (n. em 1927), Ana
Maria Sobral, Carlos Nelson Ferreira dos Santos
(1943-1989), joão Vicente Amaral Mello, Marcos
Meycrhol'e r Rissin (1939-?) c Silvia Lavanere Wan-
derley - apresentava um relatório para o X Con-
gresso Inter nacional da União Internacio nal de
Arquitetos (UIJ.) com uma abordagem inédita no
meio profissional brasileiro. A problernatização
do grupo partia de três questões:
1. Elll que merlida a incorporação de soluç<l<:s indi-
viduais c espont:'ln<:>as de moradia - tais corno as encon-
tramos nas ravelas e que achamos muitas vezes válid<ts- c
sua tradução n~ linguagem própria dos <1 rquirc ros, pode-
r-ia coutrib1rir para reali?.ações de u·ansccnd[·ncüt social?
2. Como as potencialidades do favelado, conside-
rando a exi stênci <~ de nma mobilidade soci<1l c](' veloci-
dadt: direrenre nas nossas cliversas situações nrlturilis,
•
pre - cut straw bunches.
feixes de folhas preparadas.
straw stora~.
depósito de folhas.
poderia u1 ser canalizadas para contribuir para a solu-
ção dos p ro ble mas de moradia das populações de ba i-
xa renda?
:1. Estamos pre parados, os arquitetos de países sub-
clesenvolviclos, para e ncara r estes aspectos especia is ela
nossa realidade para os qu:-tis nossa participação é solici-
tada? [Serran 1976, pp. 128-129].
Essc.:s arquitetos propunham , e ntão, uma
atuação em que os fins necessariamente refletis-
sem os me ios:
No campo da habitação de intcrt-sse social, na medi-
d a e m que p udermos aceitar cen as formas espontâ rwas
d t> moracli<1 corno express:'io vftlida da vontade huma na
- c sobreLUdo como me io eficiente de satisfazê-la - tal-
vez possamos lhes trazer a contrihniçiío de uma arquite-
tura erud ita, ao invés de competir co lll elas uun1 proces-
so despótico e destrutivo. [...j Nesse sen tido, pensamos
q ue a maior contrib uição q ue o arquiteto poderia d::u-
aos progra mas de habitação de interesse social seria pro-
mover seu rd<~e i onalllc n to no todo urbano, fun cionan-
do como liga~·iio e ntre estas duas cidades contíguas e tà.o
opost<JS, :1 cla ndestina dentro ela o fi c ial. [...] Supomos
q ue cada vet se (;v . mais n cccss:í ri o que o arq uiteto, ao
agir nesse campo, procure resp eitar os siste mas de Yalo-
res c apn::nder com eks. Ao cruz:1r se us conheci m~:n tvs
de uma arquitetura erudita, com esta outra, espontâ neil,
n ascirl;~ das possibilidades c dispon ibilidades dire tas do
indivíduo, objeto d t> ações de interesse social, talve7. (')('
possa criar conceitos, p,·en1issas ou tt>ori<~s sobre o ur·ba-
nismo .- ha bitação até agora n:io previstos entre n ós
[ S t: IT<LI I 197G, p . i:H , j)({SSim.j.
As investigações deJ ohn Turner foram bas-
tante intluc n r.es nessa linha de pe nsame nLo . A
post11ra pela urbanização de favelas, da regulari-
zação do ilegal, ela atitude de.: fixar populações de
baixa renda e m sítios consolidados e conven ien-
tes, encontrava um a razão de ser, conhecendo
largo desenvolvim ento entre j ovens arquite tos
politizados nos anos de 1970, como um desafio
ao quadro d e severa repressão política e cultural
da ditadura militar pós-1964 e ante o descalabro
da situação da população marginalizada dianLe
dos programas habitacionais do governo.
Os acertos e equívocos dessa postura po-
de m ser estudados na auto-reflexão que Carlos
Nelson Ferre ira dos Santos promoveu, a partir
de sua experiência de trabalho conjunto com a
Federação elas Associações de Favelas do Estado
h."pisódios d~ tllll Brasil c:ra1tdl' e ,1/odemo • 183
da Guanabara (FAFEG), n a urbanização ele fa"C-
las desenvolvidas pela Compan hia de Desenvol-
vimen to de Comunidades (Codesco), e ntre 1967
e 1970, registrada no livro Movimentos Urbanos no
Rio deJaneiro- uma dissertação acadêmica na
área de antropologia social dando conta dos mi-
tos e elas realidades na interação <.: uo conflito
entre a cultura favdacla e a p resença de.: um téc-
nico (como o foi Ferreira dos Santos) na rcso-
luçào da questão habilacíonal de baixa rencla .
Re fl etia Ca rlos Nelson , a nos mais tarde, nu m
rccncontro distauciado com sua prática do final
dos anos ele 1960:
Ali m e d emonstrava m ll lllil Lec nolvgia que c u so
cons1·gnin1 im p lan tar ele forma m u ito impel"feita em
me us próprios trabalhos [favela de Brás de Pina] por-
q ue ob"iamcn te jamais pod eria conseguir u ma fusão
tão anint!ada entre planos, modo de "ida e t>xpecl<lti-
vas d a popul aç~w c envolvimento cotidiano. Em suma,
realizavam algo que para mim era a penas uma possibi-
lidade teórica [Valladares 1983, p. 88].
Em termos genf>ricos, os anos de 19f:i0 her-
daram a trad ição moderna dos conj untos habita-
cionais esquematizados em sua LOLaliclade - in-
cluindo nessa categoria tanto as propostas u1ais
elaboradas pelos arquiLelos, quanto os absurd os
coujun tos do JJNH (degeneraçiio de concc it.os
como os de superquaclra) [Comas 19H6l - c in-
corporaram a atitude alternativa de reconhcccr os
asseuL<uuculos margiuai!; como estruturas válidas
no con texto das grandes cidades. Era o embate
entre o reconhecido, o regular, o oficializado, com
a clandestinidad e, as invasões, a ileg·alidacle. O
Ranco Nacional da Habitação c sua política fo-
ram a baliza: ou a inserção no Sistema Financei-
ro da Habitação ou a oposição a ele. À medida
que a políLica oficial marginalizava as popula-
ções de renda mais baixa - mais e mais excluídos
do sistema ecouômico - c se acirravam os âni-
mos peran te a situação polírica ele exceção na
p rimeira me tad e dos an os de 1970, radicaliza-
vam-sc as posições. A questão h abitacional assu-
mia sua natural cond ição de bandeira política c
ideológica, e , entre os arq uitetos, o tema deixa-
va de ser também um dado de desenho para si-
784 • A rqui/eturas 11() Brasil
luar-se sobret.udo como uma problemática no
âmbito pulílico-ideológico.
O reducionismo da ação governamental
na área habitacional nos anos de 1970-1 980 difi-
cilmente poderia ser caract.erizado como um
"programa": a trajetória entre o conju nto de Pe-
dregulho, rle Reidy, üs casas-embriões servidas
basicamente com a instalação da pane h idráuli-
ca{; suficiente para ilustrar o retrocesso ao longo
dessas décadas. Superado o radicalismo entre as
partes, exl into o Banco Nacion;tl da Habitação, a
questão permanece e m aberto. O pod er público
hoje rambém assimilou as críticas aos programas
h abitaciouais e à arquiletu ra praticada nos con-
j untos. A parccri;-~ e ntre iniciativas ofi ciais e a
população de baixa re nda faz pane das p ráticas
de alguns mun icípios brasileiros. Todavia , ne-
nh uma <hts rluas ;-~tit udes, tão marcadas nos a nos
de 1960 c suas derivações, quase uma 1crceira ou
q uarta via inspirad<ts nas experiências anteriores,
qualificam-se corno resposLas abrangentes para o
problema. Constituem ainda um reconhecimen-
to prcc::i rio da questão c uma :-~ção microscópica,
localizada, possível e fac tível de marf'rialização.
Talvez a chavt> da resposta esteja em estar aten-
to nessas ações pequenas e insiste ntes - c, quem
sabe, cousist.en rcs num fu turo q ualcpwr.
ORDENAR E REFAZER CIDADES
Em 1965, criava-se o Banco Nacional ela
H:-~hitação (BNH) . 1'o ano seguinte surgia o Servi-
ço Fed eral de l labitaçâo e Urbanismo (Serthau).
A implantação de um sistema ou política nacio-
nal de planejamento urbano teria seu corolário
com a definição das regiões metropolitanas c a
criação da Comissão Nacional ele Regiões Met.ro-
politanas e Política Urbana (CNPU) em 1974. Ob-
serva Nestor Goulart Reis Filho que
[...] a popula~-,-w brasileira vem r.enclenclo a se coJtcen-
trar nas aglomerações ele maior porte - regiôes meu·opo-
litanas, me trópoles regio11ais c cicl<1des médias- e n qu<~n-
- ------------- ---
to as cidades de m~;;uor porte permanecem pr<~licamcn­
le in;tl leradas. Em 1960 apenas duas metrópoles, Rio de
J aneiro e São Pau lo. poswíam 111ais de um milhão de
habitantes (contavam cnt<io com mais de r.r('s milhões) .
Em 1970 tínhamos cin co c e m 19RO nove regiôes me-
tropo litanas c- nrasíli<~ colll mais de um milhão qut:. em
conjunto, acolh iam mais clr 35 111ilhôcs de habitanles.
Nos nwsm os ittlnva los, o nú mero dt' cid ades com mais
de I00 m il habitantes passou d1· 31 pa ra 60 c 95, res-
pel"livam cu Le. c as com ma is de 50 111il, de(-)!) pi!r:t 115
e 198. Em 1980 as nove regiôes mclropolitanas (excl u-
indo-se Brasíli a, ponanto) abson·iam 29% da popula-
t;ão lotai do p<'~Ís c 42% de stJa população urban a (Re is
Fil ho 199fi, p. 231.
Nessa trajetória, pi"Oliferaram os or~;.~n is­
mos de assistl:n cia técnica aos municípios para
promoção de "planos locais integrad os", "planos
diretores" e ou tras a tividades-meios, C[ uc: so-
m e nte alilncntaram os devau eios da recn o-bu-
rocracia que monopolizara m os gabinetes polí-
ticos dos anos d t> 1970. No mesmo diapasão, o
en tendimen lo que as disciplinas de urbanismo
das escolas d e arquitetura não acom pan havam
as tran sformações que se operavam no plano
tccno-burocrá lico conduziu à implcwentação,
com incen tivos oficiais, dP cursos de pós-gradu-
ação e m plan eja mento urhano. São Paulo , Rio
de .Janeiro. Pono Alegre, Pern ambuco e Brasília
aIin hara m-se nessa diretriz, além elo interesse
suscitado pelas inúmeras opções de cu rsos no ex-
terior. Certo é que, n esse momento, o problema
urbano cada vez mais se configu rava como a de-
d uç~o de uma conjuntura econômica e política,
caracterizando u!lla poswra cviden ciadora elas
figuras do economista e do sociólogo, sobretudo.
F<tlava-se o "economês", o "sociologuês" c o utras
"línguas" d erivadas ele jargões técnicos, buscan-
d o-se fusões d e disciplinas distintas em produ-
tos d isLan tes e à revelia elo cotidiano d os cida-
dãos. Na radica lização do discurso de oposição
ao regime não-d emocrático, os arquitetos poli-
ticamente eng~j ados extremavam seus posicio-
namentos com a atitude elo "não-proje to", u ma
exacerbação das análises de Sérg-io Ferro sobr-e
o contexto brasileiro e a prática arquitetô n ica
[ver final do capítulo anterior] . A discussão so-
bre a arquitetura c o urbanismo nas escolas pri-
vilegiavam as a nálises políticas e sociológicas,
e m detrime nto do projeto.
No plano internacioual, os resultados ne-
gativos ele um planejamt>nro recnicista susci ta-
vam críticas. No grasil, a estagnação ela moder-
nização econômica com a falê ncia elo "milagre"
evidenciou a falácia do discurso plan<::jador de-
senvolvido nos anos de 1960-1970. Esses legados
decerto conduziram a uma nova perspectiva que
ganhou corpo 11<1 década ele 80: o rlr'srm.ho ttrbann.
Essa visão ganhou força e esta ruto para debates
entre nós a partir elo I Seminário sobre Desenho
Urbano no Brasil, reunido em 1984 em Brasília.
Linha de trabalho que mereceu discussões e con-
testações até de natureza etimológica (teria o
Desenho Urbano o mesrno coutel!du do Urhan
Design ventilado nos Estados Unidos e 11 a Europa
no linal dos anos de 1970?) . O Desenho Urbano
pareceu consubsranciar urna nova atitude pt>ran-
te as intervenções sobre novas e antigas tramas
urbanas. Se é evidente um posicionamento críti-
co d iante dos postulados fnncionalistas à C:Jrta
de Atenas, igual disposiç::io se observa contra o
privilégio das análises cenu·adas exclusivamente
sobre o processo sócio-ecouôuúco nas cidades. O
Desenho Urbano saía em busca de uma relação
entre as implicações do espaço concreto (a forma
urbana) sobre as práticas c referências sociais.
Essa postura conduziria a outras formulações
para o espaço urbano, no plano do cotidiano do
habitar a cidade e o respeito aos valon.:s dos ci-
dadãos c dos grupos sociais. Pcsrprisas como
Qucmrln a Rua Vim Casrt, coordenada po r Carlos
Nelson Fe rre ira dos Santos, apontava m cami-
nhos. Não mais a renovação urbana à base do
Bulldozer mas a preservação c a reciclagem dos
espaços exist.ent.es sem a rragmentação do tecido
social. As expansões urbanas, os lotea me ntos, as
invasôes, as favebs, os conjuntos habitacionais,
as cidades n ovas. seriam questões tratadas com
nma postura não mais apenas no plano da inter-
venção físico-ambiental como couciliação de
conflitos de uso do solo urbano, ou na dicotomia
"cidade convencional x cidade m arginal". A
abordage m era outra c cerramente a d iscussão
ainda está longe de atingir o consenso.
Hpisôdios de 11111 Brasil ( ,"rc111dc e .llodemo • 185
TENTATIVAS DE NOVAS CIDADES
Semear cidades no Brasil é um empreen-
d imento que se confunde com a integraçi'io de
seu território à economia mundial, desde épocas
coloniais. A uropia estava na América: a "cidade
ideal" se d esenvolveria harmoniosamente neste
lado do oceano - pe nsavam os antigos. Parte des-
sas ··utopias" chegaram aqui apenas na forma de
traçados urhanos, f[Ue corrcsponderam à aspira-
ção de modernidade que alimentou o Brasil-inde-
pendente: Teresina, Be lo Horizonte, Goiânia c
Brasília, com maior ou menor inspiração, reprc-
sl"ntararn c representam um desejo de aulo-afii·-
mação, buscando legitimidaclt> em conteúdos u r-
banísticos consagrados no pensamento ocidental.
A euforia econômica e a síndromc plane-
j adora dos anos de 1970 palrociuaram a criilçi'io
dt> diversas Yibs t> cidades: colonização, miuera-
ção e hidrt>li>tricas serviram de álibi p ara deslo-
car dinheiro e gente pelo firasil. No entanto, o
qui" existe entre a cidade-do-agrimensor c a cida-
cle-carta-de-<Henas? Como são essas cidades cria-
das n a maioria das vezes num território vazio de
seres humanos? Poderiam ser corno Vila Amazo-
nas e Vila Se rra do Navio, no Amapá, concebidas
por Oswaldo Bratke nos anos de 1950 como cida-
des de apoio à mine ração de man~anês, soluções
brilhantes de arquitetura e de convivência com
o ambiente regional. Dificil coufigurar o perfil
de um assentamento que, desenhado por· arqui-
tetos, nascido sob tutela, cresce, amadurece e se
torna independente. Ou o oposto, com o a cida-
d e-laboratório TTumboldt, proposta de núcleo
urbano no noroeste elo Estado do Mato Grosso
para abrigar alt os estudos sobre a Amazônia.
Criado em 1973 numa iniciativa envolvendo a
Universidade Federal do M:Ho Grosso, o gover-
no elo F.st·ado e alguns ministérios (Planejamen-
to, Interior e Educação c Cultura), no fin al elos
anos de 1970 o projeto estava em desativaç<io. Di-
ficuldade de conlignração por conta de experiên-
cias implantadas e por implantar, mas recentes
demais para urna averiguação: conhecem-se inú-
rneros uúclcus empreendidos nos anos de 1970
l8G • /Irq11 ile/11 ms 11u Hmsil
l !-IH. .Joaquilll Guedes: núcleo n :side11<.:ial Pilar para Caraíba Metais, .Jaguara ri. 13A, 1976-1982.
n o none elo Mato Gro~~o, polarizados por Alta
Fl ore~ta, c dos quais pouco se sab<.: <:tc<.:rca de suas
"vidas" urbamts.
Matupá, no Mato Grosso, é outra promes-
sa de núcleo urbano nascido cl::~ iniciativa coloni-
zadora particular que, no futu ro, ganhará sua
autonomia política conforme o sucesso do t>m-
preendimenw. Pr~jetado por Cândido Malta
Campos Filho (n. em 1936) e Luí~ Carlos Costa
(n. em 1935) no início dos anos de 1980, trata-
se de pro post::~ ele assentamento com expansão
preocupada com sua integração ao meio amazô-
nico- uma sensibilidad e ambie ntal que assume
contornos mais nítidos nessa década.
A equipe deJ oaquim Guedes desenvolveu,
no período de 1976-1982, o projeto do Núcleo
Residencial Pilar, p ara a Caraíba Metais, no nor-
te da Bahia, subordinada à mineração de cobre.
U m cuidado inovador foi o de se estudar os pa-
drões urbanos c arquitetõnicos de assentamentos
consolidados nas vizinhanças do sítio de implan-
tação da nova vila, <.:m busca de uma idenlidade
espacial compatível com o repertório dos habitan-
tes da região semi-árida local [Camargo 1989;
Zcin 1989] . O fracasso da cxploração mineral se-
lou o d estino da cidad e. Guedes também foi o
responsável pelo plano da Vila dos Cabanos, nú-
clco urbano para a mineração ele alumínio em
Barcarena, Pará, implantando na década rle 1980.
Uma cidade aberta, para receber moradores que
não se subordinam ao controle do empr<.:endi-
men to minerador. No e nlanto, sua proposta d e
distribuição de habiLa~ões e equipamentos urba-
nos teve sua realização desvirtuada. Da concepção
original reslou apenas o traçado urbano.
Um ambiente pode pt·essupor uma paisa-
ge m física como uma memória social. E o dese-
nho urbano parece incorporar esses valores, tão
desprezados pelos planejadon.:s num passado re-
ccnte e tão significativos para os que vivenciarão
esses novos espaços. Valorizar "práticas corrcn tes,
lógicas de uso consagradas historicamente" foram
motes utilizados pela equipe do Instituto Brasi-
leiro de Administração Municipal (IBAM) coor-
de nacta por Carlos Nelson Ferreira dos Santos,
destacada para projetar seis cidades-novas em
Roraima. Intervenções em espaçosjá habitados,
população que estava e ntre os futuros usuários
desses asscntamcntos inspiraram propos t::~s per-
meadas por um sentido de cidadania, de gestões
coletivas para "se ajJmjni anlos lugares, r.ornando-
os afJrojJ'I"iados a seus fins, fazendo-os p-róp·1ios",
Epistídios de 11111 /Jrasif Gra11de e .llodemo • 18-
segundo Carlos Nelson. Uma concepção decida-
de antiautoritária, na visão do urbanista [Santos
1987; 1988] .
A sofisticação do discurso na elaboração
de novas cidades não foi propriamente uma re-
gra. As Cornpany Towns, ou assentamentos orga-
niz<ldos por empresas a título ele infra-estrutura
urbana de seus e mpreendimentos, povoa ram os
esforços de in tegração e exploração de vastas
áreas anlcriormenlc iuart.iculadas do território
~:~~'lfJ
~ --
139. Carlos Nelson Fen·cira dos Santos/ IBAM: proposta de quan cirão para cidades novas em Roraima, RR, 19H5.
188 • llrquileluras nu Brasil
brasileiro. Entre a sofisticação d e Vila Serra do
Navio ou Vila de Cana Brava (Estado de Tocan-
tins) e os inúmeros acampamentos precários co-
mo Vila Cachocirinha (Rondônia), núcle os
como Mass;~ngana (Rondônia), Itabira (Minas
Gerais) , Paulo Afonso (fiah ia), Vila Resideucial
de Tucuruí, Carajás, Parauapcbas/ Rio Verde (to-
das no Pará) fazem parte de uma linhagem de
novos assentamentos que mereceram [Farah e
Farah 1993; Oliveira 1989] ou me recerão diag-
n ósticos acerca dos aspectos antro pológicos c
sócio-econômicos de comllnirladcs fechadas,
muitas delas uccxisl(:ncia fumra incerta face ao
destino das alividades que as geraram.
E nada mais perturbardor em um contex-
to - urbano ou nalUral - que o surgimento de um
represamento de h idrelé trica. Relações urbanas c
ecológicas que silo modificadas n esLC grande em-
preendimento que assinalou a política energéti-
ca brasilci1a pós-1964. No início dos anos de
19BO, algumas populações atingidas por css"s c"-
tústrofes pessoais e role livas têm merecido maiOI-
consideração por parte das empresas energéticas.
.Já se mencionou , ante riormente, a experiência
em curso de Nova Itá, em Santa Catarina.
O reassentamento de Porto Castro Alves.
Bahi<1 (perto ele Cachoeira), pelo represamento
do rio Paraguassu ~ e o surgimento do reservató-
rio de Pedra do Cavalo - contemplou uma popu-
lação de ce1-ca de quinhentas famílias, transferidas
para um núcleo onde os técnicos elo Consórcio
Nacional de Enge nheiros Consultores (CN ~C) -
coordenados por HecLOr Vigliecca Gani - desen-
volveram um projeto em 1983-1981 suhsidiado
por uma análise lipológica do hábitat popular da
localidade, buscando-se a manutenção de laços de
vizinhança c as atividades de apoio existcutes.
Muitos dos assentamen tos impliln tados
desde os anos ele J950 são verdadeiras incógnitas
quanto ao seu dest.ino. Decerto, alguns floresce-
ram e frutificaram; outros dissiparam-se ou estão
em vias de se tornarem cidades mo rtas. Talvez o
Brasil seja um dos países que mais scmearam ci-
dades no século 20; todavia, ainrla não rem clare-
za do que colheu ou colherá, cloravan tc, apesar
de tão vast.a experiência.
9
DESARTICULAÇÃO E REARTICULAÇÃO?
1980-1990
O Brasil se revela uma vasta desaTLiculação.
O t.odo pa-rece uma exjnessão riivena, r.st-ranha, n.lheia ás jwrtes.
]<,' estas pennaneam fragmentadas, dissoárulas, ràt.erando-.w~ rll]lti ou lá,
ontem ou hoje, corno que extraviadas, em busca de seu luga1: I... I
fiá momentos wm que o jmís jntrece uma nação
compTeendida como um todo em movimento e l'mn5jónnação.
lvl.as siío freqüentes as conjunturas em que se revelam
as disparidades inerentes às divenidades dos estados e regiões,
dos grupos raciais e classes sociais.
Acontece que as forças da díspersiio .freqüentemente se nnjJõem
r!quelas que atu.am no sentido da inugmção.
As mesmas .forças predominam no âmbilo do Estado,
w ·ri)i:'rindo-lhe a wpacidade de wntrola·1; acmnodar e dinamiza·r,
reiteram continuamente as desil..,rualdades e desencontms,
que fnomovem a desarticulação.
OcrAvlO lANNl, "Uma Nação em Busca de Conceito", 1992 [pp. 177-178]
Nos anos de 1970, morreram Pablo Picasso
(1881 -1973), Charles Chaplin (1889-1977), Tgw
Stravinsky (1882-1971), Pablo Neruda (1904-
1973), André Malraux (1901-1976), 1lexander
Calder (1898-1976), De Chirico (1888-1978), Max
Ernst (1891-1976), David Siqueiros (1896-1974),
Bertrand Russell (1872-1970), Martin Heidegger
(1889- 1976), Hanna Arendt (1906-1975), Charles
Lindhergh (1902-1974)- entre outros. Parte sig-
nificativa ela miLOlogia da modernidade do sécu-
í
190 • A rquiteluras 110 JJrasil
lo 20 desaparecia n essa décad a. Mortos ilustres,
qne mereceram páginas de elogios 0 11 retrospec-
tivas nos principais meios de comunicação. Uma
morte, todavia, foi pouco noticiada, e talvez, tar-
diamente percebida, con for me o com un icado
"oticial". O crítico de anptilctura Chark sjen cks
anunciou ao mundo, em 1977, C]Ue a arquite tu-
ra moderna morreu em julho de 1972 em Saint
Louis, nos Estados Un idos, com a implosão do
conjunto habitacional Pr uitt-Igoe, de Minoru
Yarnasaki.
Aos anos de 1970 atribuem-se uma série de
rcavalia(ÕCS dos paradig-mas rlo passado. MurLcs
de ex-líderes como Charles De Gaullc (1~90-
1970), Colda Meir (1R98-1978) ou Mao Tsé-Tung
(1893-1973) anunciavam a extinção dos super-
condutores de povos. As instituições foram macu-
IMb s: Rlchard Nixon era obrigado a renunciar. O
acideu te nuclear ele Th1-ce MiJe Islancl mostrava
os riscos da confiança irrestrita no poder reden-
tor da cif>ncia para o futuro da humanidade. O
conceito de m assa como valor absoluto (segundo
a crença dos anos de 1960) perdia espaço para o
cultivo do individual, da YaloriY.ação da idcmida-
cle, devido à tolerància com as diferenças indivi-
duais c à e mergf:ncia rias minorias (mulheres,
negros, homossf'xuais). O conservacionisrno eco-
lógico ganhava força, e o conceito de "conserva-
dor" deixava de ser pejorativo para ser promovi-
do a uma categoria positi'a.
Foi esse também o quadro dos a nos de
1970 para a América do Sul? O presiden te chile-
no Salvador Allf'ndc (1908-1973) foi deposto em
1973 por um golpe militar.Juan Domingos PeJ-ón
morre em 1974, e sua sucessora, Maria Este la
Perón, é derrubada do governo argentino dois
anos depois pelos militares. O Brasil conheceu
uma década de presidentes indicados pe los mili-
tares. O período fo i u-ágico para a democracia la-
Lino-amcricana, tomada por ditaduras tecnocrá-
ticas e intolerantes. Intolerância que, no Brasil,
perseguiu sobretudo os intelectuais c simpatizan-
tes da esquerda- presos, mortos ou exilados. Os-
car Niemeyer passou parte dessa década exilado
em Paris, onde continuou deseuvolvendo sua ati-
vidade profissional. Os anos de 1970, para a Amé-
rica Lati na, foram dos su pe rlíderes ditatoriais,
d a repressão à ma nifestação individual c d issi-
dente, da hipervalo rização da tccn ohurocracia
estatal.
O AÇAMBARCAMENTO
DE UMA VANGUARDA
Ji11 me.fonnPi em /974 {. .. f No meu ltmpo de es-
wln, n qu1•stão do praur <!llt arquiil•lurn ''~lava abso-
ltttamPniP inllmli!nda. Nrrmn exatamPnle u.~ mw~ do
governo Mhtiri e essa inlenliçiin foi colowda jJelus
pni/J1'Ú!S j!ro[Psson!s r. e~tudnntes de arqnitetu:m: ·nen•s-
sário substituir o lrífJÍS poT instru.mmtos lii(IÍS ronlun-
dentes. [... / Nós vínhamos dP trinta ou quarenta
anos de uma arquitetura muito rigorosa, muito disri-
jJlirwda. que se conl·mjmnhn a 'l""llfltL"'. idéia df PX-
(I'SSo.. .
ANTOI10 CA.RLOS SA::T'A:":-Aj(:NIOR
Lt'rojrto 1990.p.l44] .
Ao contrário de alguns países elo Prime iro
Mundo, o Brasil, na segunda metade dos anos de
1960 e início dos anos de 1970, passava por urna
época de pl~jauça econômica. Parte do legado da
arqu itetura dos anos d e 1950-l960 encontrou ca-
minhos ele viabilizaçáo nos an os d o "milagre".
Um conjunto de valores da arquitetura moderna
brasileira- que em seu momento inicial instau-
ro u um saber in ovad or - foi açambarcado, crista-
lizou-se destituíd o da força inaugural. Um certo
pensamento e prática, de vitalidade e sensibilida-
de local, mas de un iversalidad e suficiente p ara
seduzir a crítica internacion al, diluiu-se c institu-
cionalizou-se como conhecimen to d efini tivo e
imutável. Filtrada por uma ideologização qu e
n eutralizava as diferenças, escamoteava as con-
tradições, n egava a interrogação (coerente com
o espírito autoritário do mome nto), propugnava-
se um ideal de cultura arquitetônica com pressu-
postos oriundos de um momen to ép ico da arqui-
te tura brasileira- mas agora for m ulado corno
único, autorizado c h egernônico. Canon izava-se
e burocratizava-se uma postura arquitetônica.
Não importava o programa de uso: da casa ao vi-
aduto, da agência bancária ao forno crematório,
da escola à torre de garagem, do sofá ao edifício
administrativo - era a moda (ou ditadura) das
grandes estruttu-as de concreto, do concrelo apa-
rente, dos pilares esculturais, das estruturas pro-
tendidas, do exibicionismo estrutural, a competi-
ção por vãos livres maiores, dos panos de vidro -,
imitaçôes esvaziadas dos conteúdos elaborados
por mestres como Niemeyer, Vilanova Artigas e
seguidores consistentes. Evidências técnicas e
formais que simbolizavam uma visão de moder-
nidade, certa compostura legitimadora de uma
arquitetura sem crítica ou críticos, num tempo
de generalizada desconfiança e perseguição po-
licialesca, no qual o criticar era uma atitude re-
primida ou interpretada como cldac,:ão política.
Ingressar no clube dos países desenvolvi-
dos: LL!ll sonho dos militares, mas certamente o
sonho de qualquer cidadão de um país subde-
senvolvido. A arquitetura brasileira desses anos
do "milagre" também alimentou uma pretensão
dessa natureza. É provável que nunca se tenha
planejado c projetado tanlo no país em tão pou-
co tempo; nunca se construiu tanto, também.
Mas o sign o da quantidade nã.o autoriza uma
equivalência de qualidade. O excesso de trabalho
embaraçava a autocrítica. Os arquitetos encaste-
lavam-se num isolamento de olímpica auto-sufi-
ciência ante as discussões em curso no mundo. A
arquitetura brasileira dialogava menos com o ex-
terior. E dialogava menos internamente, porquan-
to a última revista da "fase heróica" da arquitetu-
ra brasileira, a Acrópole, deixou de circular em
1971, ficando os arquitetos brasileiros sem ne-
nhum periódico regular até 1973, com o lança-
mento de q Arquitetura (extinta em 1978) e o
rclançarncnio, crn 1975, ela revista M<idulo (de Os-
car Niemeyer), sem a pluralidade de posiçôes, to-
davia, que marcaram as revistas de outras épocas.
A ilusCtu do "Brasil-grande" desabou , tra-
zendo a reboque um grave quadro institucional.
A arquitetura brasileira, no início dos anos de
1980, sen tia mas não acusava as necessárias revi-
sões no discurso c na pr:tlica <tryuitetônica. O
debate da pós-modernidade somente alcançou
f)esarliculaçao e Nea rliculaçi.io ' • 1.91
a lguma densidade tardia na segunda metade
dessa década.
VELHAS PERPLEXIDADES
Não se pode negar que a discussão inter-
nacional em torno do pós-modernismo contri-
buiu para o arejamento dos debates no Brasil.
Entretanr.o, é preciso verificar até que instância
essa polêmica teve repercussão n a virada dos
anos de 1970 para os de 1980. Esses debates -
fortes nos países desenvolvidos c tímidos no am-
biente local - , por si só, não alimentaram as mu-
danças e não explicam as transformaçôes consta-
tadas na arquitetura brasileira na década de
1980. A questão pós-nwderna abriu as sensibili-
dades c a tolerância com a diversidade de posi-
cionamentos, corn a apreensão e compreensão
de o utras formas de instrumentar o raciocínio
do projeto. Fcuôwcno~ ]JCrccbidos mundialm~;;n­
te 'tpnrtavam ent.re os arquite tos brasileiros: a
percepção da falência ele panacéias arq uite tôni-
cas (soluçôes snpostamente válidas para todas as
realidades), o maior diálogo com o contexto ur-
bano ou o ambiente naLUral na implantação elos
edifícios, o reconhecimento da história como re-
ferência projctual, a rcvalorização da reciclagem
de edifícios como atitude de preservação cultu-
ral, a produção do espaço como resultado de
uma colaboração entre arquitetos c usuários,
bem como uma postura menos hierálica, unívo-
ca, dete rminista e sintética, substituída por uma
conduta mais analílica, simbólica, admitindo a
ambigüidade. Esses valores podem ser percebi-
dos em diversas obras e intentos teóricos sobre-
tudo a partir da segunda metade elos anos ele
1980, entre arquitetos mais jovens, com suave
adesão de profissionais mais antigos.
O tcnno "ade~ão" compona urna arnbigi.ti-
claclc. Em que medida o questionamento pós-
moderno efetivamente transformou o posiciona-
mento dos arquitetos? É a dúvida que paira ao se
examinar, por exemplo, o trabalho de Severia-
no Porto e Mário Emílio Ribeiro (n. ern 1930),
192 • llrquitetums 1111 R1·asil
110. S~:v<.:ri ano Porto c: Mário Emílio Ribeiro: Centro dC' Proteção Ambiental de Balbina, AM, 19~4- 1 080.
141. Milton 1onte e Paulo S.:·rgio Nasci nwnw: lntcrpass Club. Belém, PA. 19R9.
arquitetos engajados na n:giiio amazônica brasi-
k·ira desde os anos de 1960 e que, no início ela
década dC' 1980, emergiram como supostos "pós-
modernos", com seus projetos em madeira (casa
do arquiteto em Manaus, I971; Pousada da Ilha
de Silves, 1979; e Centro d e Proteção Ambiental
de Balbina, 1984), inserção ecológica com mate-
riais industrializados (campus da Universidade
do Amazonas, 1971) e obras executadas com uma
economia d e meios (pequenas estações telefôni-
cas n a selva amazônica) que rompiam com o mo-
delo vigente d os grandes centros "produtores"
da cultura arquitetônica brasileira. Na rt>alidade,
dcvc-st> r·econhecer a obra de Porto e Ri beiro na
linha de frente da arquile tura l>rasilcira recente
como resultad o de uma persistente experimenta-
ção arquitetônica ao lo ngo de mais de vinte anos
de vivência regional [Zein 1986a]. A atitude de
Porto e Ribeiro confunde-se com alguns posicio-
namentos genericamente pós-modernos, mas eles
são, ante o contexto de seus trabalhos e traje tória
de coerência p rofissional, gen uínos a rquitetos
modernos - que certa sensibilidade pós-mod er-
na soube reconhecer e valorizar. Mas a moderni-
dade de Severiano Porto e Mário Emílio Ribeiro
não pode ser entendida sem a referência do Park
Hotel de Nova Friburgo, clássico projeto em ma-
deira executado em 1942 por Lucio Costa. A
Amazônia, por suas peculiaridades ambientais, é
capaz de induzir à formulação de uma arquitetu-
ra específica, necessariamente em diálogo com o
meio. Esse diálogo não nasceu de uma imposição
teórica, mas resulta de uma visão pragmática, de-
purada ao longo do tempo e produto sobretudo
do amadurecimento dos arquitetos diante de sua
região. É o caso de Milton Monte (n . em 1928) e
.João Castro Filho (n. em 1950), entre outros - ar-
quitetos que produzem urna arquitetura com
dara consciência dos limites c das imposições
do aml.Jícnte, c por isso mesmo cl<.:mentos de
insumo para o desafio de buscar soluções cr ia-
tivas e inovadoras [Segawa 1992] .
A EMERGÊNCIA
DE REGIONALISMOS
Esses arquitetos amazônicos poderiam per-
feitamente ser qualificados na categoria "nco-
vernacular" de Charlcs.Jencks ou no "regionalismo
crítico", conceito que emergiu na primeira meta-
de dos anos de 1980, sobretudo com o proselitis-
mo de Kenneth Frampton. Esse crítico atribuiu ao
regionalisnw crítico um pote11te vetor ideológico:
En tre as condí<;ôes prévias para o ,,urgímeuto d a
(Oxpr(Ossáo regional crít.ir.a náo f:: sufi ciente 3penas a
prosperid ade, mas t.amb(~m que exista um forte desejo
de realizar uma idenlidade . Uma das causas da cultura
reg ionalista i_~ UITI scntirn cnto anti-ccn tr·ista, 1.1111?1 aspira-
(ÜO a alguma ro rma de independência cultural, er.on ô-
m ica e política [A & V 1985, p . :!01.
"Realizar uma iclenticladc" é um intento
programático, na maioria das vezes inexistente ou
inadequado para qualificar uma série de ma-
nifestações que têm corno origem a necessidade
de respostas arq uitetônicas diante de questões
concretas c premen tes - na maioria das vezes,
com motivaçôes jJmg'mátiws. A arquitetura ama-
Desarliculaçéio e Rea rticulaçiio? • 193
zônica antes referida surge ma1s por uma per-
cepção de contexto que por urna vo ntade de
tipificar alguma manifestação arquitetônica. São
manifestações que coinciclern com alguma preo-
cupação pós-moderna, mas não t.êm origem nes-
se fenômeno internacional. Tampouco voltam-se
a uma busca específica de identidade. Se há al-
guma preocupação n esse sentido, trata-se ele um
esforço da crítica de arquit.emra. E é a partir da
apreensão dessa diversidade, do apro(i.Jndamen-
to das diferenças que se permite estabelecer a
condição mais precisa do regionalismo: caracte-
rizar uma singularidade no inrerior de uma r.ota-
lidade; a prálica de um<t especificidade que se ar-
ticula e interage numa dimensão mais ampla.
Nos anos de 1980, colhem-se, no â mbito
arquitetônico, os primeiros frutos dos programas
de interiorização da economia no país. Os arqui-
tetos que se deslocaram pelo território brasilei-
ro corno rnigrantes e nômades, saindo elos gran-
des centros, c os profis~ionai~ egressos dos vários
cursos de arquitetura implantados nos anos de
1960 e 1970 fora dos centros tradicionais, enfren-
taram seus primeiros projews de magnimde com
o "milagre econômico" e tiveram suas primeiras
obras importantes materializadas ao longo das úl-
timas duas décadas. Arquitetos com rcpcrt.(>rios
dos grandes centros ou formados segundo esse
modelo, enfrentando um Brasil distinto do Rio
de.Janeiro ou São Paulo: o interior e as áreas me-
nos modernizadas do país. Outras arquiteturas
surgiram dessa dialética.
MAPEAMENTO DA DIVERSIDADE
A consolidação de uma revista de arquite-
tura independente (desvinculada d e entidades
profissionais ou universidades) d urante os anos
de 1980- a J>rojeto, lançada oficialmente em 1977,
mas cuja origem remonta ao ano de 1972, como
um periódico do SindicaLO dos Arquitetos do Es-
tado de São Paulo - caracterizou o renascer da dis-
cussão arquitetônica em seus termos mais especí-
ficos. Pouco a pouco, a pauta arquitetônica como
194 • Arquiteturas no Brasil
um problema de desenho- e não de sociologia
ou ciência política - retomava o fôlego mediante
um veículo de comunicação específico de circu-
lação nacional. Esse fenômeno foi reforçado a
partir de 1985 com o lançamento da revista !I u-
Arquitetura e UTbanismo, também em São Paulo.
O ponto de partida para uma rearticulação
do debate amplo teve seu primeiro momento
com uma grande exposição organizada em 1983
pela revista Projeto, associada com o Centro de
Arte y Comunicación (CAYC) de Buenos Aires. O
ecl itor d a revista, Vicente Wissen bach (n. em
1942) c o crítico argentinoJorge Glusberg (n. em
19:)2) organizaram uma semana de arquitetura no
CAYC, cuja participação brasileira contou com 97
arquitetos ou equipes expondo centenas d e
obras, numa coletiva que apresentava um in(:rlito
panorama brasileiro de duas décadas - mesmo
para os brasileiros. Essa grande mostra, deuomi-
nada Arquite tura firasileir<t Atual, foi inaugurada
em Bue nos Aires, percorrendo d epois algumas
capitais brasileiras (São Paulo, Brasília c Rio de
.Janeiro). A iniciativa, do ponto de vista argentino,
foi tão bem-sucedida que o CAYC transformou a
Semana de Arquitetura na Bien al de Arquitetura
de Buenos Aires a partir de 1985.
Essa exposição configurou u m excelenle
mapeamento arquitetônico para a revista, que pas-
sou sistematicamen te a publicar essa enorme di-
versidade de manifestações sem outro critério se-
não o de dar publicidade a toda arquitetura que
se produziu e se produzia no país. Gradativamen-
te, a revista foi crescendo e incorporando novas
seções, algu mas das quais permitiram veicular tra-
balhos teóricos ou de investigação de arquitetos
ou professores desconhecidos em nível nacional
(na maioria, jovens) . Foram os primeiros passos
por urna nova crítica de arquitetura n o Brasil.
REINTRODUZINDO A VITALIDADE
Em fins de 1979, um grupo de jovens ar-
quitetos de Minas Gerais iniciava a publicação da
revista Pampulha. O título era uma óbvia referên-
cia ao principal marco do modernismo arquite-
tônico brasileiro em terras mineiras - conjunto
arquitetônico proje tado po r Oscar ~iemeyer em
1939. Seu primeiro número trazia na capa um
desenho do próprio Niemeyer, e as matérias prin-
cipais eram um depoimento de Niemeyer e uma
entrevista com Lucio Costa. Nada mais conven-
cional que a homenagem aos grandes mestres
modernos, não fosse Pamjn.1.lha transformar-se
(mesmo sem esse intento inicial), em seus poucos
n úmeros e anos de circulação, numa referência
do debate por outras linhas de arquitetura - exa-
tamen te as não representadas por Nie meyer e
seus seguidores.
Como produto editorial, Pamputha tói uma
revista independente, re unindo os interesses e a
vontade ele arquitetos numa difusa e não-
direcionada discussão arquitetônica. Era porta-
dora de u ma mensagem com linguagem local,
bem-humorada, otimista c n em um pouco com-
promissada com discursos fechados e completos
- refletindo um coletivo de colaboradores das
mais diversas matizes. Ainda e m plen o período
da ditadura militar, a revista publicava artigos de
arquitctura, artes plásticas, literatura, ecologia e
temas afin~ com uma seren idade distanciada da
engaj ada retórica política vigente em São Pau lo
c Rio de J aneiro.
Esse clima de descontração também assina-
lou outro momen to importante para a arquitetu-
ra brasileira. Foram os arquitetos de Minas Gerais
que organizaram o XII Congresso Brasileiro de
Arquitetos em Belo I Iorizonte, e m 198.1 - e et~jo
homenageado principal era Vilanova Artigas, fale-
cido no início desse ano. Nesse encontro com
mais de cinco mil profissionais, a realidade políti-
ca (abrandamento da ditadura, então com a pos-
sib ilidade de indicação ele um candida to civil à
presidência da República) e econômica (agrava-
mento ela recessão e crise inflacion ária) convive-
ram civilizadamente com a discussão da arquitetu-
ra como disciplina, abordagem até então bloqueada
nas escolas e na categoria profissional diante do
quadro de acirramen to político e ideológico.
O grupo mineiro, n um certo sentido, ca-
talisou uma coleção de ansiedades reprimidas. A
discussão sobre a arquiLetura pós-moderna, alé
então represada, ganhara um foro, espelhando-
se sobretudo na pequena mas ousada produção
dos arquitetos mineiros: muitas idéias ainda em
desenho (às vezes, o desenho quase como uma
proposta em si) , obras modestas, desvinculadas
das práticas e linguagens usuais dos modelos ar-
quitetônicos do Rio d e .Janeiro e São Paulo. Ál-
varo (Veveco) Hardy (n. em 1942), Éolo Jv[aia
(n. em 1Y4~), Maria.Josetina de Vasconcellos (n.
em l947), José Eduardo Fcrulla (n. em 1947) ,
Gustavo Penna (n. em 1950) ,Joel Campolina (n.
em 1947), Sylviu Podcslá (n. em 1952) são arqui-
tetos desse grupo m ineiro que desenvolveram
projetos de maior envergadura posteriormente.
!Jesarliculaçãn e keur l iculuçàu" • 195
142. Éolo Maia: Grupo Escolar
Vale Verde, Timó teo, MG ,
ID83-1985.
143. Gustavo Pcnna c Flávio
Carsalade: TV Bandeiran Lcs,
Belo Horizonte, MG, 19R'l.
UM PANORAMA EM ABERTO
Se u grupo mineiro constituiu a vertente
menos compromissada com a tradição moderna
local- c, em panicular, as obras de Éolo Maia c
Sylvio Podestú como as mais livres e ousadas nas
formas , no mesmo plano das experimentaçÕ<::s
mais arrojadas em prática fora do Brasil, mas
presumivelmente com elementos da cultura mi-
neira - , h;i de se localizar outras manifestaçôes
que revelavam preocupaçôes de assimilar repertó-
rios formais regionais característicos. São os casos
dos arquitetos Moacyr Moojen Marques,.João.José
Vallandro (veteranos arquitetos) e Carlos Alberto
196 • Arquttetllras 110 limsil
144. Moacyr Mnu je11 Marq ues, J o:io Jo~é Valandro. Carlos
Albcno HüiJller: (;pnrro de Ativirlades do Scsc, Caxias do
Sul, RS. 19R5-1 989.
145. Dcparlam.-nro dt' Projetos Ambientais c de A.rqu itt" lu-
ra da Eletrosul: púnito da gaiN i::l comercial, prefeitura c
câmara rnunicipal (ao lúndn) Jc 1ova ltá, se, 1985-1 989.
Hübncr, especificamente no Cemro de Atividades
do Serviço Social do Comércio (SESC) na ci-
dade de Caxi;t:; do Sul, EsLado do Rio (~ranrle do
Snl, e da arquitetura do projeto de relocame nlO
da cidade de Ttá, no Estado de Santa C:ararina,
pela Divisão de Urbanismo da F.ktrosul- Cen-
trais Elé tricas do Sul do Brasil. Em ambos os casos,
o reconhecimento da arquitetura popular tradici-
onal do Sul- carac1erizado pela presença de imi-
grantes alemães e italianos, sobretudo (contigcn-
tes imigrados durante o século 1q) -serviu para
a elal>or;.~ção de edifícios relacionados com as for-
mas arquite tônicas características dessas culturas
["Relocação..." 1985; Santos 1989; Segawa 1989].
Esse ripo de abordagem do contexto tam-
bém su cede com os arquitetos amazônicos, -com
forte imprrgnação da na tureza, da preocupa-
ção de inseri r anefatos em ambien tes ecológi-
cos seusívt>is.
Todavia, se o contexto é a me trópole, essas
referências culturais e ambientais inexistem ou
se diluelll num complexo emaranhado de valores
que não nece.ssariamente se retlctcm na resolu-
ção arquitetônica. Metrópoles como São Paulo e
Rio de Janeiro abrigam gr·andes escritórios que
buscam atender às de mandas arquitetônicas de
grandes e mpresas nacio nais e multinacionais,
produzindo uma cuidadosa arquitetura cujo com-
promisso de eficiência tecnológica e a imagem
empresarial é cldinicla por padrões internacio-
nais: Croce, Aflalo & (;asperini, Carlos Bratke,
Kõnigsberger/ Vannucchi, Edison & Edmundo
Musa, Rino Levi Arquitetos Associados, Botti &
Rubin, Pontual, en tre outros, são grandes escri-
146. Fl;"tl"io Kiefer e Jocl (;orski: Casa de Cu lrura Múrio
Quinlana, Porto Alcgrr;, RS, 1987-1990.
147. l.niz Panlo Conri<:, Sérgio l'vlagalhiies, Cristina
Hartmann: Ceutro de Treinamento e Aperf"eiçoamlénto
Pessoal, Rio de .Janeiro, 1912-191!"i.
tórios de excelência nesse segmento- alguns dos
quais com décadas ele atividade.
A condição urbana c suas transformações
funcionais também asseguraram, nesses tempos
recentes, intervenções em estruturas arquitetô-
nicas antigas - quer e m refuncionalizações como
em obras de restauro. Os casos mais bem-sucedi-
dos pela qualidade de proje to c sucesso na apro-
pria~,.:ão pública foi a reciclagem de um antigo
galpão fabril em São Paulo, transformado em
centro de lazer pelo Serviço Social do Comércio
(SESC) num pr~jeto de Lina Bo llardi, em co-au-
toria com André Vainer (n. em 1954), Marcelo
Ferraz (n. em 1955); o restauro do Mercado Mo-
delo em Salvador ou a Fábrica Danneman em
São Félix, Bahia, projetos de Paulo Ormindo
David de Azevedo (n. em 1937); e a reciclagem
do antigo hotel Majestic, transformado na Casa
de Cultura Mário Quintana na cidade de Porto
Alegre, Rio Grande elo Sul, pro_jeto ele Flávio
Kiefer (n. em 1956) ejoel Gorski.
Independentemente de categorias estan-
ques, inúmeros arquitetos vêm d esenvolve ndo
obras de interesse. Alguns podem ser enquadra-
dos como seguidores da linha carioca ou línha
Desarl'iculaçào e Rearticufaçào? • 19-
paulista, com méritos próprios, como Acácio Gil
Borsoi,João Filgueiras Lima (n. em 1932, conhe-
cido como Leié), Paulo Mendes da Rocha,João
Walter Toscano, Ruy Ohtake, Milton Ramos,
Paulo Zimbres (n. em 1933) , Marcos Acayaba (n.
em l944),Jamcs Lawrencc Vianna (n. em 1951),
Marco Antônio Borsoi (n. em 1954) ou mesmo
Lina Bo Bardi- entre outros.
Paralelo a essas linhas - outrora quase do-
minantes- c críticos em relação a essa "herança"
carioca ou paulista, arquitetos como Joaquim
Guedes, Luiz Paulo Conde (n. em 1934) e Francis-
co Assis Reis (n. em 1926) , Vital Pessoa de Melo
(n. em 1936), Sérgio Magalhães (n. em 1944),
.Juan Villà (n. em 1944) defendem distintas fren-
tes conceituais. A maioria dos arquitetos citados
em capítulos anteriores seguem trabalhando, al-
guns fiéis às origens; outros, preocupados com o
futuro, mas não necessariamente partidários de
correntes consensuais ou armados em grupos ar-
ticulados, mesmo informalmente.
FIM DA UTOPIA
E O ESTIGMA DA MODERNIDADE
Em 1984, o Brasil frustrava-se com a der-
rota da emenda constitucional que restabelecia
o voto direto para presidente da República. To-
davia, era o início do retorno à normalidade de-
mocrática. Com a assimilação do debate sobre o
pós-moderno, ganha corpo um sentimento anti-
mudenüsla no Brasil. As milológicas ol.Jras da ar-
quitetura dos anos de 1950-1960, por falta de
manutenção e por obsolescência, transforma-
ram-se em ruínas da modernidade; Brasília, cida-
de elaborada no período democrático, am a-
durecida durante o regime militar, confunde-se
com o caráter autoritário do período; as realiza-
ções dos anos de 1970, pela suntuosidade e pelo
monumentalismo, transformam-se no símbolo
da burocracia estatal e do desperdício.
Criticar Niemeyer e Brasília, negar valida-
de às teses de Vilanova Artigas tun1aram-se pon-
tos de vista correntes e dominantes. Antes, a re-
198 • Arquite!Ttras uo Brasil
fcrê ncia a e les era um recurso de legi1imação;
hoje, parece que uma lig<~ção com esses mestres
é um atestado d e maus antecedentes. Boa parte
dessa .~eaçã o derivou de um sentimento de índo-
le pós-moderna: o ocaso das "gra ndes narrativas"
ou in terpretações racionalizad oras, o fim das
utopias,. o questionamen to dos modelos, dos
grandes sistemas de pensamento. Na revisão pós-
moderna intcrnacion<Jl, caía definitivamente a
utopia dos modernos dos anos de 19~0 por um
mundo melhor e, por conseguinte, o suposto po-
d er reformador e redentor da sociedade medi-
ante o desenho, o fJrojeto, tese e estand arte do gr u-
po de Vilanova Artigas. As límpidas geometrias e
curvas de outrora tornam-se rlP:modées, substituí-
d as por "contextnalismos" e "citações", sob o
m<Jnto da "diversidade". No plan o interuacional,
a impiedosa varredura dos cânones do funciona-
lismo e do rar.ionalismo arrastou t;Jmbérn o for-
malismo brasileiro- uma ocasião qualificada ele
"irracional" por Pevsner.
~o Brasil, uma reavaliação segundo uma
óptica da condição pós-moderna, lodavia, não sig-
nificou a implantação de uma arquitetura pós-
moderna. O mal-estar ela modemidade é um sin-
toma não necessariamente compartilhado pelos
países n:to-cksenvolvidos, como o Brasil. A atual
contestação à arquitetura moderna brasileira atin-
g-e seus m i1.0s, não seus princípios. Essa crítica
tem (iJndamentos e- é precisa em vários aspectos,
mas por enquanto caracteriza-se mais como uma
atitude ele reação a uma precisa modernidade,
sem apresentar uma alternativa concreta comes-
pessura conceilual consistente. Nos anos ele 1970,
o cerceamento ele opiniões conflitan tes, em nome
de uma "unidade estratégica" e "consensual" ele
contornos nitidamente ideológicos - em outras
palavras, a f~tlta de uma crítica sistemática despro-
vida de paixões- prostrou os horizontes possíveis
de avaliação, renovação c atualiz.açào de conceitos
e práticas de brilhante fatura local. Desperdiça-
ram-se oportunidades da verificação e prova da
qualidade e da natureza da arquitetura brasileira,
em nome da preservação de u ma memória posi-
tiva e ela exaltação de episódios m·arcantes dessa
mesma arquitetura, ereta como paradigma quali-
tativo inatingível e insu perávcl - por isso mesmo
relegada aos panegíricos ela história da arquitetu-
ra. Uma permaneme assombração do passado a
rondar o futuro - isto é, a nós.
Essa herança moderna brasile ira, em tem-
pos pós-modernos, constitui objeto manejável?
Não me parece que essa h erança se tornou im-
produtiva, deixou de deitar galhos. Jovens arqui-
te tos, não alheios do de bate internacional, mas
vigorosamente ciosos da experiência mode rna
brasileira, vêm trabalhando sobre o tema. Se é
certo que alguns .~amos dessa árvore ele raízes
modernas estão fenecendo - por in frutíferos,
por incapacidad e de reprodução - , outras rami-
ficações parecem buscar simbioses, sincretismos.
Numa época ele obsolescência programada, a ar-
quitetura bt·asilcira 1cm a pos:>ibilidade de não
simplesme nte defencstrar seus paradigmas dig-
nos, mas renová-los. Ora, o termo "renovar" cons-
ta no dicionário com as acepções ele "substituir
por um novo", "recomeçar", "modificar para me-
lhor", "consertar", "restabelece r", "revigorar".
Nos arquitetos brasileiros, persiste a responsabi-
lidade por uma busca consciente de u ma nova ar-
ticulação com a realidade elo país ante as tran s-
formações no mundo. Uma busca por um ftHuro
digno. Nisso, há uma utopi::t que túo pode seres-
tigmatizada.
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Academia Imperial de Belas Artes da Rússia, 65
Academia Polit.écuica do Porto, 35
Acayaba, Maccos, 197
;tcrópote (revista), 72<'>, I;)(), 147, 1!'í2-3, 191
Affonso Eduardo Reidy: vTorks anel Projects, d e Klaus
Franck, 108
Agache, Donat Alfrecl, 25-6, 52, 62, 76, 87, 89, 9 1
AlAjoumn.l (revista) , 107
Allende, Salvador, 190
Almanach D 'arcltilecltu e Modt·rne, de l.c Corbusier, 77
Almeida, Eduardo de, 151
Almeida, Fernando, 26
Almeida, l'aulo Camargo ele, 67
Alphand, Adolphe, llJ
Amaral , Tarsila do, 45, 49
Amorim , Delilm, 13 1, 136, 137
Andrade, Mário de, 43, 49, !70, 77, 100-1, 103, 114
Andrade, Oswald ele, 42. 49, 51, 77
Andrade, Rodrigo IYkllo Franco de, 7H, H9, 96
Antonio, Celso, 45, 92
Antltnes, Ricardo, HK
Araújo, Cláudio Luiz, 163, 172, 173. Ver também Equipe
de Arquitetos
Archileclural Desigu (•evisla), 107
Architcctural Forum (revista), 93, 107
Architectural Rccord (revista), 107
Architcctural Review (revista), I07-9
Architc:clure D'Aujourd ' Hui (L ') (revista), 107-8, 112
Architecture Vithout Architects, de Bernard Rudofsky,
134
Architecture/fonne~/ Fon c tions (revista) , I 07
Archite LLura Moderna (L'), de Gillo Dorllcs, l 08
Arendt, 1-lanna, lS~J
Argan, Giulio Cado, 107
Arine, Oscar, 133, I J J
Arkitdaur (revista), 107
Arquitcctura México (revista) , 107
Arquiteto: a Máscara c a Face, de Paulo Bicca, 156
Arquitetum (revista), 130
Arquitetura e Engenharia (revista), 130
Arqnitctur<L c Urbanismo (revista), 72, 93
ArligCJ~, .Jo<lo Falisla Vil<m ova, lnl, 1lfi. 122-3.129. 140,
142, 1 '1:~-7 ; 147, I'IR-51 , l'i4-5. l h9, I RI, 181, 19 1,
194, 197
2 76 • 11 rquiteruras 110 lJrasil
Arts & Arch itecture (revista), 140, 149
Ans ct Tcchniques dans la Vic Moclerne (exposiç~w ), 73
AU- Arquilctura e Url>an ismo (revista), 194
Azambuja, Ary Fon toura de, 76
Az;unhuja, David Xavier, 142, 141
Azevedo, Fernando de, 35. 37-8, 41, 70
Azevedo, Paulo Ormi nclo David de, 197
Azevedo, Wash ington, 90
Bahiana, Elisiário Antônio da Cunh;1, ?íR-9, 61, 6~ , 65
Bakt'llla, Jacob, 101
Baltar, An tonio Bezerra, 85
Ra1tco Nacional da Habitação (BNH) , 180-1, 183-4
R<tnham , Reyner, 104, 108, 110, 150
ilarbosa, .f. S. de Casrro, 17
Barbosa, Luiz Hona, 123
Bardi, Liua Ho, 105, 130, l:l1, 136, 137, 197
Banii, Pier ro Maria, 105, 136
Barragán, Luís, 47
BatTclo, Lima, 32
Barros, Má1úo Pimo de, I 76
Barroso, Sahino, 171
Bastos, Paulo, 151, 171
Bauhaus, 45-6, 48, 54, 59-60, 73, 14!í
Baumgart, Emílio, 91
Bayardo, Nelson, 150
Becker, Alfredo Ernesro, 73
Bchrens. Pe ter, 55
Benevolo, Leuuardo. 108
Berlage, Ilendrik Per rus, 60
Bernardes, Sér~io, 1OG; 107
Ricca, l'aulo, 156
Bienal de Arquitetura de Bueuos Aires, 1911
Bienal de São Paulo, IOfi, 108, I 13, 1'19
Rilac, Olavo. 36
Bill, Max, 106-9, 113. lHJ, 143
BNH , ver Banco Nacional da Habitarão
Roase, Anhur.J., 107
Bolonha, F1·ancisco, 118, 120
13orsoi, Mário Gil, 131, 132, 136, 142, 182, 182, 197
Rorsui, Marco An tônio, 197
Botti & Ru bin , 196
Braga, Theodoro, fi I
Brasília (revista), I30
Bratke, Carlos, 196
Bratke, üswaldoArthur, 63, 106, 140, 140, 141, 149, 185
Brazil D·uild~ (exposi ç~w , catálogo), 92, 100, 100-1, 102,
105, 107-8, 118, 134
Brazil, Alvaro Vital, 46, 78, 81 , 85-fi, 86, I 18
Bredwret, Victor, 45
Brena. Enrique, 168
Brcuer, Milrcel, 104, 106
Brito, Fernando Satur11ino de, R4
Bri to, Francisco Rodrigues Sarnrn ino de, TJI'-r Saturnino
de Brito, Francisco Rodrigues
Broos, Hans, 161-2, 162
Bruhns, Ângelo, 90
Rrun clleschi, 8 1
Buckingham, .James Silk, 11 fi
Buddeus, Alexander, !íR-9, 68-9, 78
l~unschaft, Gorclon, 104
Burle Marx, Roberto, 85, 92, 106, 110-l, 111,123, 131,
162, 162
Caixa Estadual de Casas para o Povo (Cecap), 181; 18 1
Calaui, Uaniele, 13R
Calder, Alexandcr, 106, 189
Campolina, J oel, I9?í
Campos, Carlos de, 24
Campos, Olavo Reidig de . 142
Ctm. Our CiliPs Su-rvivf', de j osep Lluis Sert, I L)
Candeia, Fclix, I IO
Candilis, Georges, 104
Candiota, Paulo, 70
r:an lf!Í-ro e o DPstmlw, de Sérgio Feno, 155-6
Capanema, Gustavo, 89-90
Capello, Roberto, 72
Carduzo,J oaquim, 85
Cardow, Roberto Coelho, 165; /65
Carlevaro, Yamandu, 168
Caron, .Jorgc, 156-7
Carpin tero, Antônio Carlos, 177
Carsalade, Flávio, 195
Carvalho, Antônio Rodrigues, 177
Carvalho, Aynon, 85
Carvalho, Flávio de, 50, 50, 51-2, 59, 6 1, 78
r:asabella (revista), 107, 110, 135
Case Study llouses, 140, 149
Castilh o, S~tyru Po hl Moreira de, 177
Castro Fil ho, João, 193
C.as1ro, Vicente de, 153
Cavalcanti, Carlos de Lima, R3
Cavalcanri, Emiliano Di, 45
Cavalcanli , !Iélio Uchôa, 11 7, 11 8
Cebrace, vPrCentro Brasi le iro de Construções e Equipa-
mt:"n tos Escola res
Cecap, ver Caixa Estadual de Casas para o Povo
Celso, Afo nso, 29
Cendrars, Blaise, 63
...
Centrais Elétricas ele São Paulo, ver Divisão ele Arquite-
tura e Urban ismo da CF.SP
Centro Brasileiro de Construções e Equipamentos Esco-
lares (Ccbrace), 174
Cerqueira César, Roberto, 139, 140
CESI' , ver Divisão de Arquitetura c Urbanismo ela CESP
Chaccl, Fernando Magalhàes, 165; 165-6
Chapli u, Charles, 189
Chateaubriancl , Assis, I O!i; 136
Choay, françoise, 107
Christiaui & Nielscn, 64, 68, 70
Churchill, Winston, 104
CIAM, ur Congrês lnternationaux ci'Architecture
Moderne
City of San Paulo llnprovements and Freehold Company.
22; 22
q Arquitetu ra (revista), 191
Club ele Engeulraria do Rio rk .Janeir·u, 18
CNEC, 160, 188
CNPU, uerComissão Nacional de Rt'KiÕes Metropolitanas
e Política Urbana
Cudcsco. verCompanh ia de Ocsenvolvinrenl.o de Conll r-
nidades
Comas, Carlos Eduardo Dias, 172; 17)
Comissão d e Ocsfavela111en1.o da Prt:>fei tura d e Belo Ho-
rizo nte, 180
Com issão Nacional de Rcgiôes IVIetrupolílanas c Política
Urh;rna (CNPU) , 184
Comissiio para Extinção de Favelas, 180
Compaguie eles Arts Français, 60
Companhia ~rasileira !mobiliária c Construçõcs, 70
Com panhia City. lli!T City of Sau Paulo lm provemen ts
and Frcehold Cornpany
Companhia Constr utora de Samos, 47. 5 1, 55, 55-6, 66, 77
Companhia de Construçõ es F.sr.olues elo Estado
(C:on esp), 174
Companhia d e Desenvolvimento de Comunidades
(Codesco), 183
Companhia Urbauizadont cl<t Nova Capital (Novacap), 123
Condc, Luiz Paulo, 197, 197
Conesp, un Cu111panh ia de Construções Escolares d o
Estado
Confea. ve r Conselho Federal de Engenharia e Arqui-
tetura
C:o ng d :s 1n terualionaux d 'Archi tecture Modernc
(CIAM), 4fi, 7R, 82, 105, llfi-6, 121
Congresso Brasileiro de Arquitetos, 113, 191
Congresso de Engenharia e Indústria, 18-9
Cuugre.~so Intern acional da Un ião Inter nacional de Ar-
quitetos, 182
Congresso Pan-Americauo de Arquite tos, 51 , fí4, 11 6
Índice Remissivo • 2 77
Conselho Federal de Engenharia c Arq uit etura, 130-1
Construtora Co111ercial e Ind ustrial do Brasil, 70
Convênio Escolar, 173
Corona, Eduardo, 174
Co rona, Luiz Fernando, 142
Correio da Manhã (jornal), 44
Correio Pau listano (jornal), 45
Costa, José Oswaldo H en riqucs da, 118
Costa, Lucio, 3R, 48, !í9, 61, 77-9, 80, 81-3, 85, 89-90, 92,
93, 93, 94-5, 96, I00-1, 103, I06, I09-1O, 112-3, 123-
7, 122-5, 131, 112-4, 177, 181, 193-1
Costa , Luís Carlos, JH('i
Costa, Osvaldo, 49
Coutinho, Aluizio Bo .n ra, 7i
Creighton, Thomas, I08
Crocc, Af1alo & Gasperini , 171, 196
Cro nache di Ar-chitetlura (rt>vista), 107
Cruzada São Schasti:'io , 180
Cuchct, Francisque , 61, l:l9
C.:ttllum Brasileira (A), <ic Fernando de Azr vedo, 37
Cunha, Euclides da , :12
Cuuha,.Jos(; Mariano Carneiro da, tJer Mari;rno Filhn,Jos~
llAC, vt'r Departa nwlllt> de Ar·lJllitctura c Urbanismo,
Pernambuco
Daly, César, 3 1, 35
Das Ncuc Frankfurt (revista), 49
DllJ, ver Deparlameut o de ArqnitTlll rtl c Urbanismo,
Pernambu co
!)(• Chirico, Giorgio, Hl0
Ocbit~gi , Jorge Deckcn. 171
Oecade of Conlt>mporar y Arch itcctu re, d e Siegfriccl
Ciedion. 105
Uelaunay, Son ia, 15
Dcpartamemo de Arquitetura c Urbanismo, Pernambu-
co ( OiU), 84-5; /55
Departame nto de Correios e Telí·)!;rafos, fi!l; 77
Depar tam e nto de H abi tação Popular· da Prefeitura do
Distrito Federal, 11 8, l.19 20, 180
[)cp:'lrtamento de Projetos Ambientais e d e Arquitetura
d as Centrais Elétricas do Su l do Brasil - Elct rosul,
167, 196
Departamcnlo Nacio nal de Estradas de Rodagem, 168
Deu tscher Werkbund, !">!í, GO
Diário Nacional (jornal), 45, 50
Dias, Cícero, '15
Dieste, Elaclio, 172, 173
Diretor·ia d e Arquitetma e Constru ção d o Pernambuco .
ver Departamento de ArquiiCi ura c Crhanismo. Pt>r-
nambuco
Diretoria de Engenh aria da Prefeitura <io Disrl'ito Fede-
ral, Rio de Janeiro, 69, 82
218 • Arquiteturus no Bmsil
Diretoria de O bras de Porto Alegre, 69
Di retoria dt' Ohra~ Púhlicas elo ~:staclu de São Paulo, 66, 67
Disney, 'vVall , I 00
Divisão de Arquitetura e Urbanismo da CESP, 165
Divisão de Prtidios e Aparelh amentos Escola1·es d o De-
partame nto dt' f.dnc;rçiio da Prefeitura do Distrito
Federal, 67, 68
O:.JER, uer Depart;unt'nto N;Kional de t:srrad<Js de Rodagem
D ormt.' (revista), I 07-8, 136
Dorfles. Gillo, I07-8
Duarte, Ilélio, 142, 173
Dubugras, Vinor, 33, 33, :14-6, 56, 60, 149
Duhart, Emílio. 150
Earnes, Charles, 104
f:cole Spuiale eles Tnwaux P11hli cs du Bãliment et de
L'Jndustrie de Paris, 57
Fhistihs (revista). 107
F.lcme11ti dcll'archi te ttura hmzio nale (Gli), de Alhrno
Sarloris, 45, 68
Elerrosnl, ver Departamento de Projetos Ambiemais e
ck Arquitetura da;. c...11trais Elétricas do Sul do Bra-
sil - F.letrusul
ENBA, ua Escola Nacio11al de Belas Artes do Rio de J a-
neiro
Eng-ineering NeVS ReuJfd (n·viqa) , 107
Eq uipe de Arlluitcros, 163. ltn· tamblm. /,·alijo , Claúdio
Luiz; F::~ y<' l , e;,ri os .Maxirniliano; Marques, Moacyr
Moojen ; Pert>ira, Mign<'l Alves
EmesL, Max, 1t>Y
Escola dt' Arquitetura da TJn iversidad<· de Minas Gerais,
] ?,()
Escola de 13elas Artt's de Pemawhuco, 131 , 138
~:scola ele Belas Artes de Salvador. 130-l. 142
r:sçola de Engenharia de Porto Alegre, 130, 132
F.scolé! de Engenharia Mack<:nzie, 105, 140, 149
Esrol<~ de Mi n a~ ele Ouw P1·ew. 18
Escola Nario nal de Belas Artes do m o de .Janeiro, 48. 51,
77-81,83,85-6,89, 130-1, 142
Escola Pol itécnica do Rio de .Janeiro, 19, 29
Escritório Técnico da Universidade d o firC~sil , 174
Escritório Técnico F. P. Ramos de Azevedo , 35, 37
F.;jJril Nouveau (L) (rt'vista) , 5 1, 56,77
Estado de S. Paulo (O) Uor·nal), 37, 43, 48
Este lila, Lúcio, 137
Iisli:lica (rt'vista), 42
Esteves, J erônimo Bonilha, 171
Esrcves, Rcginaldo, 172; 172
Estrella, Thomaz, 88
Exposição do Cen tenário da Revolução Farroupilha, 62,
62-J, 74, 75, 84
Exposição do Cenrcnário no Rio de Janeiro, 36
Expositio n Tnl t'rn;Jtional e des Ans Décoratifs ct
lndustriels Modcrnes, 54, 59
Faculdade de ArquitetUJ·a da Bahia, l31
Faruldade de Arqnill'llll·a da Universidade de Porto Ale-
grt>, 130-1 ; ver também Faculdade de Arqnircrura do
Rio Grande do Sul
Fanliclad<· de Arquitetura da Uni'ersielade de Recife, 131
Faculdadt> de Arquilel11ra da Universidade do Rio Gran-
de do Sul. 146
Fanildadc de.: Arquitemra do Rio Grande do S11l, 13 1; vl'r
também Faculdade de Arquitetura J a lJ II ivnsidade
de Porto Alegre
Faculdade de Arqu itetura e U rbaui~mo da llllivnsidaclc
de Siio Pau lo, 1:10, 112, l 4G, 14R, 152, 154, 166
Faculdade de Arquitetura Mackenzit', 1:w, 148
Faculdade Nacional de Arq uitetur<J da Universidade do
Brasil, 1?.0, ~ ~~2. 141
Facultar! dt- Arq11itertura de Montevidcu, 132
FAPEG, m•r Fede1a<.:ào das Associações de Favelas do F.~ta­
do da Guanabara
F<~ ri <l, Ubatuba de, 2fi
Fayet & Ar<J,·,ju, ver Fayet, Carlos Maximiliano; c Ara(rjo.
Cláudio Lui7.
Fayet, Carlos Maximil iano, 142, 163, i6R, 172, 173
FCP, verFundação da Casa Popular
FECE, ver Fundo Estadual de Cow;tr uçôes Escnl <ll'e~
Federariio das Associa~·ões d e Favelas elo Estado da
Cnan::r hara (FAPEC), 183
Ferolla..José Eduardo, 195
Ferraz, Figueiredo, 169
Fe.-raz, Marcelo, 197
Ferreira, Carlos Frederico, l l8, 121
Ferreira, .José. Ma mede Alvt>s. 1m· Mamecle,J osé
Fe JTeira, Múrio L<:al, 26
Ferro, Sér~io. 152. 1.'>4-7, 184
Feniu, Mario, 70
Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Pn ut'los,
160, 169
Figue iredo, Nestor, 26
l~ilsi nger, Franz, 58
Firme, Raul Pen na, 67
Flodercr, 64
Flores, Alben o de Mello, 117, 118
Fonyat, J osé Biua, 142
Form (revista), 78
Foucault, Michel, 155-6
Frage lli, Marcello, 170, 171
Fragoso, Paulo, 90
Frarn pton, Ken neth, 108, 193
....
Fnmck, Klaus, 108
Franco, Luiz Roberto Car valho, 139, 140
Freire & Sodré, 65
Freire, Júlio de Lamonica, 177
Freitas. Bernardo Ribeiro de, ~1, 35, 39
Freitas, Moacyr, 177
Frt>sn<:>do Siri , Román , 132
Fro ntin, André Augusto Paulo de, 24, 29
Fu ndação da Casa Popular (FCP) , 115, 118, 180
Fundo Estadual de Construções Escolan~s ( FECE), 174
Cabaglia, G. R., 29
Gabinete de Resistência de Materiais, 34
Galbinski, J osé, 175
Calvão, Raphae l, 70
Candolfi ,José Maria, 152, 153
Gandolfi, Ro berto Luiz, 1!'í2
Cardclla, Iguazio, 135
Gardolinski, F.dn•undo, 118, 121, 121
Casperini, Giancarlo, 138-9, 149, 17 1
Ga t cp<~c, ver Grupo d e Ar tistas y T écnicos Espaõoles
para el Progreso de la Arquitecm ra Conte•npm·;ínca
Caudenzi, José Américo, 172, 173
Gaitlle, Charlcs De , ElO
Gelben, Christiano de la Paix, 62, 69, 70
Ciedion, Sicgfried, 46-7, 1OG-7, 11 1, 115
Ginsberg, J ean, 136, 137
Gire, joseph. 64, 65
Gladosch , Arnaldo, 26, 76, 75
Glusberg, Jorge, 191
Goff, Bruce, 101
Cumes. Elgson Ribeiro, 136
Gonçalves, O swaldo Corrêa, 174
Cootlwin, Philip L., 100-1 , 11 !>
Corski,.Jocl, 196, l'.J7
(~ra<:>ff, Edgar, 12:!, 132-3, 1'12, 146
G•·az, .John, 45
Craz, Regina Comide, '15
Grêmi o Politécnico de São Paulo, 34
Crop ius, Walter, 55, 69, 81, 104, 106-8, llO, 136, 146,
14'.J, 167
Gross, Carmcla, 156-7
Grupo de Artistas y Técnicos l::spailol~s para d Progrcso
d e la Arq uitectura Comemporánea (Catepac), 82
Guarda, Gabriel, 150
Cuecles,Joaquirn , 152, 152, 1R6, 186, 197
Guimarães, .An tonio Hugo , 61
H abitat (revista), 130, 136
Hardlich Filho, Amo, 171
H anly, Álvaro (Veveco), 195
Hanmann, Cristina, 197
Ha ussmann, Barão de, 82
Índice Remissivo • 219
H ecp, Adolf Franz, 136, 137
Heiclegger, Mani n, 189
JTt"nnebique, François, 3'1
Ilidroservicc, 160, 169,172
Hitchcock. Ilen ry-Russcll, 108, 112
Hoffmann, .Josef, 60
l lolanda, Sérgio Buarquc de, 42-3
llolford, William , 123
Tloward , Ebenez.er, 22, 111i
H1-ilm cr, Carlos Alberto, 196, 196
Huxtahlc, Acla Lo uise , 107
1.B, vt:r InslÍ lll lO de Arquitetos do Brasil
Ianni, Octávio, 189
IAPC, ver In stituto de Aposentadoria e Pensões dos
Comerciários
IAPI. wr ln sritnto de Apos.-uladuria c Pcnsôcs d os
Industriários
IFSt , 160, 169
Inda, t elsuu , lu~
Instituto Brasileiro d~ Arquitetos, 36
Instituto d e Aposentadoria~ Pensôes d os Comerciários
(IAPC), 87, 118
l nMilUto de Aposent;Jdoria e Pensôcs dos Industriários
(1:1'1) , l i G-7, 116, 121 , 121, 177
Instituto ele Aposentadoria e Pensôf's, I 15-6, 1 ~2. l2.'J,
180; 1wrltunhhn IAPC, IAPI, IPASE
Instituto de Arquitetos do Brasil (ti11), 113
In stituto ele Belas Artes do Rio (~rancle elo Sul, I ~()
Instituto de Pesquisa c Plan~ jamenlo llrh~no rb Cidade
de Curitiba (IPPUC), 178, 179
Instituto de Previdência do Est<~do de Siio Paulo (IPF.SP),
174
Instituto de Previdência c Assistência ao, S,.rvidores do
Estado (IPASE) . 118
In~t ituto Pol itécn ico Brasileiro, 18
lnte,·national Styie, de H enry-Rn ssel Hichcock e Phi lip
Johnson, 108
lntcrnationale Architektur, d e Walter Gropius, G9
IPASE, vn· l n stit:Uto d e Pt·evid ê:ncia e Assistc~n cia aos Sec-
vitlores do Estado
IPESI', ver Instituto de Previdência do Esrado de São Paulo
JPPUC, ver lnstit11to de Pesquisa e l'lanejamenw Urbano
da Cidade de Curitiba
Irrniios Roberto, 86, 106, 131, 112, 168. Ver lambhn Ro·
beno, Marcelo, Maurício. Milton
.Je::~n n cret, C:harles-Edouard, va Corbusier. Le
.Jcan nen:t, Pierre, 99, 99
Jwcks, Charlc~. 110, 190, 193
220 • Arquitelltms no Rrasil
J en ncy, William Lt> fbron, 63
J oão VI, Dom, 29
J o hausen, .Joh n, 104
J ohnson, Philip, 104, 108
J nurnal a rRIBA (revista), 110
J uliano, Mignt>l, I!íl
Kamimtn·a, Massayoshí, 151
Kassardj ian, Dicra n, 171
Kat insky, Julio, I!í I , 156-7, 165
Kiefer, Flftvio, I06, 197
Kirchgãssucr. Frederico, !'J7, 57
K1abin, Mi n <~ , 44, 49
Knt"t"Sf' ri~: Mello. Eduardo, 18, 118, 174
Kõnigsucrgcr/ Vannncchi, 196
Korngold, Lukjan. J::l5, 135
Krutcr, Marcos, 118, 121 , 121
Kubitsc hek,Juscelino, 25, 96, 100, 114, 123, 126, 141,
Hi0-1, IRO
Kun sl~chule dl' lkrli m, 57
f.andscafJe ATchitt'clure (rnista), 107
l .anf!.uagP of Po~t-1noriPm Arrhill'c/uu (Tht'), de Charl<:s
.Je ncks, 110
Latin AmCI·ican Archi tenure sincc 1945, de Henry-
Russcl Ilitchcock, 108
Lavcrgn e, Gérard , 34
!.e Corhusier, 1fí-8, fí0-2, 54, 56, 59-60, 67, 7:',, 77-?12, ?14-7,
80-02. 95,99. 99, 10 1, 104, 10G, 110, 11 3, 116, 118-9,
12 1, 123, 125, 132. 136, 14l-6, 148-!'J I, ló7, 173
Leal, J ost>, 171
Leal, Waldir, I IR
1.eão, Carlos, 78, 80, R9
Lt>fevre, Rodrígo, 152, 153, J56
Legorreta,Juan, 11 2
Leié, vn- Liona, João Filgueiras
Lemos, Carlos A. C., 141
Leoll(', Umben o, 165
Levi, Rino, 43, 56, 61, 64, 106, 1 16, 123, 1 ~l8-9, 139, 40,
143, 149-50, !til , 196
Liga Pró-Saneamento do Brasil, }6
Lima, Attilio Corre:iil, 26, 62, 88, 101, 11!>, 117, 118, 12 1
Lima, João Filguciras, 177, 197
Lindbergh, Charlcs, 189
Lipchi tz,Jacqucs, 45, 92
Lohato, Monteiro, 36, 42
Lohwcg, Julius, 58
Los Campos, de, J~2
Luís, Washington, 23
MacFacldcn, Roberto, 171
Mackenzie College, 18, 130
Maekawa, Kun io, 101
Maffei, Waltcr, I69
Magalhães, Sérgio , 197, 197
Maia, Éolo, 195, 195
M<lia, Francisco Prestes, ver Prestes Maia, Franci.~co
Malcher, Gama, 68, 68
Malfatti, A.nita, 42, 45
Mallet-Stevens, Roh, 67
Malnwx, André. HlY
Mamcrlc , J osé, 30
Mange, Ernst Rohcrt de Carvalho, 165-6, 174
M;1riauo Filho ,.José, 36, 3H. 43, 53, 61-2, 66-7, 78-9, 96
Marinho, Adhe milr, 85
Marques, Moacyr Moojcn , 163, 195. 196. Ver Lllmbém
Equipe de Arquitetos
Mars, 82
Maninclli, Giuseppe, 63-4
Marx, Roberto Hurlc . Ver Burle Marx, Roberto
i'vlascarello, Elyseu Victor, 171
Matarazzo Neto, Fran cisco , I OI
Matarazzo Sobrinho, frandsco, 106
Mathias, Alfredo, 13!-l
May, .t::rnest, 4(); 54
Meio·, Golda, 198
Meister, Rubens, 142, 142, 17!)
Me ll o, Ícaro de Castro, 164
Mello, João Vicente Amaral, 182
Melo, Vital Pessoa de, l T:.!, 172, 197
Me111Úria, Archimcdes, 61; 89
Mendelsohn , Erich, 101
Men donça, Carlos Alberto de Holanda, 142
Mera, Adiou, 1H2
Meyer, Adolf, 5.'í, 136
Meyer, Mal'Cus Vinícius, 176
Mies van der Rohe, Ludwig, 81, 101, 148-9
Mi llan, Carlos, 150-1, 150
Mindlin , H enrique , 102, 105, 107, 113, 123, 136
Miranda, Alcides da Roch a, 131, 133
Modern Architecture in Bra7.il, de H enrique Mindlin , l07
Moclcrn fi::~uformen (revisla), 78
Modesto, H elio, 118
Módulo (revista) , 109, 130, 143, 152, 191
Moholy-Nagy, Sybyl, 107
Monte, Milton , 192, 193
Monteiro Lobato, .José Bento, ver Lobato, Monteio·o
Mon teiro Neto, João Am o nio, 58
Montigny, Auguste H enri Victor Grandjean de, 30
Moraes, Dácio Aguiar d e, 45-6
-
Moraes, Léo Ribeiro de, 101
Moraes, Neto, Prudente de, 42-3
Moraes, Sérgio de, 177
Morales de los Rios Filho, Adolfo, 132
Moreira,Jorge Machado, 81, 8R-9, RY, I On, 123, 13 1, 174,
175
Morowwki, Edi~on , 153
Morozowki, Eve r~on, 153
Morpurgo, Vitorio, 90
.1ota, Francisco, l 69
Motta, Arthur, 36, 77
Motta, Flávio L, 144, 156-7
Moura, Luiz Eduardo Frias de, 76
lvlovimentos Urbanos no Rio dejaneim, ck Carl os Ndson
Ferreira dos SanLOs, 18~
Moya, Antônio Garcia, 18, 13, 60
Musa, Edison & Edmundo , 196
Nascimento, Paulo Sérgio, 192
Nassau, Maurício de, 83
National Evil and Pranical Remedies, ~li th The Plan of
a Model Town, de ] ames Silk Buckingbam, 11G
Neruda, Pablo, IR9
Ncrvi, Picr Luigi, 107, 149
Netto, Luiz Forte, 152, f 5'3
Neutra, Richard, 107, 140, 149
Neves, Christiano Stockler das, 58, 60, 75, 75, 79
Ncvcs, Josf Mari~ dil Silva, 67, 67
Neves,Júl io, 171
Niemeyer, Oscar, f1-2, 85, 88-9, 93, 94-5, 96, 97, 97, 98, 98,
99, 99,100-1,104,106-9, 109,1 10, 112,123,130- 1,
133, 139-'11, 117-9,152,161, 171 , 173,190-1,194,197
Nitschc, Marcelo, J5fi-7
Nixo.n, Richard , 160, 190
Novacap, ver Companhia Urbanizadora da Nova Capital,
123
Nuestra Arquitectura (revista), 107
Nunes, Luiz, 62, 81, 83-5, 84, 85
ODAM, va Organização em Defesa da Arquitetura Mo-
derna
O'Corman, Juan, 104, 112
O htake, Ruy, I!J I, 152, 156-7, 197
Oliveíra,.Juscelino Kubitschek de, ver Kubitschek, Jusce-
lino
Oliveira, Siclney de, 174
Olmsteacl, Freclerick Law, 111
Organização ern Defesa da Arquitetura Moderna (00/M),
13()
Oscar N ierneyer: Works in Progrcss, de Stamo Papadaki,
107
Oud ,Jacobus J P., I IO
Ozenfant, Arnédée, 56, 77
PAAI., 171
Paiva , Edvaldo Pereira, 26
Palanti, Giancarlo, 123, 135, 135
Pampu.lha (revista), 194
Pani, Mario, 106
Papadaki, Stamo, 107, 123
Parada, Sérgio Roberto, 169
Parkcr, Bari'}', 22, 65
Índice Remissivo • 22 7
Passos, Francisco Pereira, 19, 24, 82
Pasta, Hélio, 164-5, 165, 166
J'J)J•: ver Revista cht Diretoria de Engenharia.
Pedrosa, Mário, 106, 108, 112, 122
Pcnna, Gustavo, I~J5, l .'J5
l'emeado, Ernani do Vai, 88
Penteado, Fábio, 151. 181, Jfll
Penteado, Hélio, 165
Pereira, Migl.tel Alves, 163. Ver também Equipe de Arquitetos
Pcrón, .Juan Domingos, 190
Pnón, Maiia Estda, 190
Perret, Auguste, 58-60, 7:
Peny, Clarence, 116, 125
Perry, I.11iz F.du ~rdn, 153
Persico, Eduardo, 136
l'esenti, Cesare, 34
f'evsner, Nikolaus, 107-8, llO, 198
Piacen ti ni, Marcello, 60, 67, 74, 90
Pi casso, Pahlo, 189
l'ileggi, Sérgio, 151
Pillon, Jacqucs, 136
Pinheiro, Israel, 123
Pirandello, Luigi, 63
Plan emak, 166
Podestú, Sylvio, llJ:)
Poelzig, L-lans, 138
l'olillo, Raul de, 53
Politécnica de Milão, 135
Pon ti , Gio, 107, 136
l'onLUal Arquitetos, 196
Portinari, (;ândido, 92, IOFi, 11 2
Portinh o, Canneu, 78, 81, 118, 121
Porlo & Ribeiro, 191
Porto, Rnbens, I 16, 776
Porto, Severian o, 134, 19 1, f 92
Ponoghesi, Paolo, 104
Po·rtugália (revista), 35
Prado, Carlos da Silva, 51-2, 52
Praesens ZP, S2
222 • Arquiteturas no Brasil
Précisions Sur un Ét<tt Présent dt> L'Architccnu-c e t d e
L' UrbaHisnw , deLe Corbusier, 78
Prcntice & Floden~ r. (i;f , 66
Prestes Maia, Francisco, 25-6, 26
Pmble ma da Habitação Higiênicil nos Países Que ntes
em Face da "Arq ui tetura Viva, <k Aluizio Bezt'rra
Coutinho, 78
Problewa das Casas Opc:ní ri<ts e os Institutos e Caixas de
Pensc"ws, de Rub<'ns Pono, 116
Prog•·essive Arcl tilnl ur<' (revista), 107-8
l'mjPIO (revista), 193
Promon Engenharia, 160, 170, 170, 171
Przyrcmbel, Georg, 36, 43
PucuLe y 'l'ourn ier, 1~2
Pu jol Júnior, IIyp polito Gustavo, 3'1
Quando a Rua Vim C:a..lf1, de Carlos Nelson Fen-eira dos
Santos, 18!"i
Ragon, Michel, I 07
Ramalho J r. ,J oel, 1!>2, 153, 171
Ramos, H<'rculano, 30
Ramos, Milton. 169, 169, 197
Real Acaclc·mia de Belas Artes de Berlim , :0
Real Escola Superior de Arqnitc tur<t c.l<:: Ro ma, 4:1
Rebou(as, Oiógcnes, 142
Rêg is, Fhívio Amilcar, 1'12
Rêgo, Flávio Mariuho, 1 18
Rcidy, !lfonso Eduardo. 62. 78, 81-2, f/2, 89, SY, ~~ I , I 06,
1()6, lOR-0, 113, 118.119, 123,131, 139, H 2, 14!l, 181
Rt>if, Victor, 138
Reis. Aarão, 19
Re is, Francisco Assis, 776, 197
Reis, Jos<·:, XR
Revista da Di retoria de Engt>nh;Hia , R1
Revista Polytechnica, 33-, 51, 5!)
IUHA .fottrnal (revista) , 107
IUI~A. ver Royal Institnte of British Arrhitects
Ribe iro, D;tn:y, 175
Ribeiro , Deméu·io, 11 2, H 2, 115-6, 173
Ribei•·o , Enilda, 113
Ribeiro, Má•·io Emílio , 191, 192
Ribeiro. l'aulo Antunes, 123, 112
Ri<'"gl, Alols, 11'1
Rissin, Marcos Mey<::rhofer, 182
Robcn o, Irmãos, 116, 123. lft'r também Roberto, Marcelo;
Robcn o, :VIíiLOn
Rob<::rto, Marcelo, 86-7, 86-7, 101
Roberto, Milton , 86-7, 86-7, 101
Robinson, Charles Mulford, 116
Rocha, Paulo Mendes da, 15 1, 156-7, 157, 181, lf/1, 197
Roder, Samuel, 65
Rodrigues, Jaime Fo nS<:C<t, 116, 116
Rodrigues, José Wasth, 111' r Wasth Rodrigues, .José
Rodrigues, Sérgio, 142
Rog<::rs, Ernesto Nathan, 10'1, 106, 11 0
RooseveiL, Franklin, I 00
Rotiual, Manricc, I 16
Royal1ustitute of IJritish Arch itects (RIBA) , 110
Rubem Pono, 116
Rudol'sky, Bernard, 107. UH, 734
Rudolp h, l'<tul. 104
Russell, 13enranc.l, 18!)
Russo, Mário, 138, 1J8
Sá, Agosti n ho, 116, 71 6
Sú, Auc.lré, 169
Sá, P<tulo, 82, li G, 11ó
Saarinen, Eero, l 04
Sakakunt,.Junzo, 104, 106
Saldanha, Firmino, 90
Salgado, Plínio, '19
Sampaio. Carlos, 25
Sanrovski , ls•·ael, 17 1
Sanovicz, Abrahão, 1!)1, /52
San t'Auua jr., Amonio Carlos, 190
Santana, Manuel Pcrcz, 177
Sant'Elia, An tonio, GO
Santoro, Filinto, 32
Sautos, Carlos Nelson Ferreira dos, 182-3, lS!"i, 187, 187
San tos, José Antônio Lemos d os, 177
San tos. Renato Mesq uita elos, 88
Saraiva. Pcdro Paulo de M<'llo, 151
Sarno , BcnitO, 180
Sartoris, Albeno, 45, 68, 107
Saturn ino ele' Rrito, Fernando, uerBrito, Fernando S<ttur-
n ino rlt>
Saturnino de Brito, Francisco Rod•·igues, 20, 21
Seasso, J m111 Anton io, I 32
Scharoun, H ans, 110
Schreiner, Luiz, 30
Seidler, Harry, 139
Semana de Arte Moderna d<:: São Paulo (1922), 36, 42-
1,18,55, 60
Seminário sobre Desenho Urbano no Brasil, 185
Serete Engenharia, 178
Serpa, HumI.><::no, 176
Sen, J osé Luís, 106, 11 5-6, 118
Serviço de Recuperação de Favelas, 180
Serviço do Patrimônio H istórico e Artístico Nacional
(SPIIAN) , 85, 96
Serviço Social Con n·a o Mocambo, 180, 182
Severo, Ricardo, 35-6, 36, 38-9, 43
Siegen, Karl, 58
-
Signorelli, Luiz, 62, 71
Si lva Telles, Francisco Teixeira da, 77
Silva Telles, Jayme da, 51 , 56, 77-8
Silva, I::néas, 67, 68, 70, 8 1, 83, 88
Silva, José Loureiro da, 26
Si lva, José Theodulo da, ll7, 117
Simôes, Pereira , 30
Simonsen, Roberto Cochrane, 47, 55-6, 77
Siqueiros, David , 189
Si t·i, Ro mán Fresnedo, l ll'r Fresnedo Siri, Román
Siue, Cam illo, 21
Sive, André, 123
Sm ith , G. E. Kidder, 100
Sntit.hsott, Alison, 104, 150
Smithson, l'eter, 104, 150
Sobial, Aua Maria, 182
Sociedade Eugênica de S. Paulo, 36
Sotiro, Rtll<llo, 88
Souza, Erdlio, /fi/1
Souza, J orge Félix de, 63
Souza, Nelson, 113
Souza, Nashi ngtnn Luís Pen~ ira ele, t1m- l.uís, WashingTOn
Souza, Wladirnir Alves de, 67, 88
SPHA:', ver Set·vi(o cln Pittrirnônio llistÍlrico e Artístico
'lacional
Stein , Clarence, 125
Steinhor, Eugenio, 132
Stntvinsky, I~or, 180
Strneler,Jo:io Rodolfo, 166
Stubbins, IIugh, 104
Sulac.ap, lJer Sulamérica Capitalização
Sulambica Capitalizaç<i.u (Sulacap), 72, 72, 75
Surraco, Carlos, 132
Suzuki, Marcelo, 197
Svensson. Frank, 1 77
Szilard, Adal herto, 64
Tange. Kenzo, 104
Taul, Bruno, 13H
Taylor, Frecleri ck Winslow, 47, 55, R3
Techniques et Arch itecture (revista ), 107
Tec hnísclw Hochschnlc de Ikrlim-GharloUcnlHLrg, 13R
Tecwn, 82
Teixeira, Anísio. 49, 67, 83, 175
Tell e~, Francisco Teixeira da Silva, ver Silva Telles, Fran-
cisco Teixeira da
Tclles, J ayme da Silva, ver Silva Telles, Jayme da
Tcncnge, 160
Tennessee Valley Authorily. (TVA), 164
'J'eorie e Storia Dell'architeltum, de lvlanfredo Tafuri, 110
Terra roxa c 01nras terras (revista), 44
Terragni, Giuseppe, 60
Testa, Clorinclo, 150
Índice Remissivo • 223
The Architects' Journal (revista) , 107
The mag t:ngenharia, 160, 169
Thiesen, Fleming, 64, ófí
T ibau,José Roberto, 174
To ledo, AugustO de, 33
Tomorrow, de Ebenezcr Howard. 116
Torres, !viário H. G., 117
Toscan o,João Walter, 14:l, l.'i l , 151, 197
Toscano, üdiléa, 15 1
Tozzi, Décio, 151
'11-abalho lvlorlemo (0 ), d e Roberto Simonsen , 55
Trienal de Jvlilâo de 1936, 1 3~J-6
Tsé-Tnng, Mao , 190
Tsukunw, Nina Mat iaJnnra, 166, 167
Turner,J ohn , l H3
UIA, ver Union lnternatíonale d 'irchiteclcs
U nion Internationale eles Archilecles (UIA), 115, 182
Universidade de Brasília, 131, 133, 146, 175, 177-8
Universidade Fe d eral do Cear;:L (curso d e arfjHil etnra) ,
131, 133
Universidade Federal do Parú (curso dt arquitetura),
131, 133
Universiclaclc Federal do Paran:L (curso de arquitetura),
131. 175
Unwin, Rayrnond, 22
Urbanisme, de Lc Corbusier, 77
Utzon,Jorn , 104, 110
Vallandrn, Jn;;o Jns<':, 19!), 196
Van Eyck , Aldo, 104
Vargas, Getúlio, 23-4, 49, 66, 74, 76, 78, 89-90, 92, I00,
112, lJ4-5, 159, 164
Vasconcellos, Er nani, 81, 89, 89
Vasconcellos, Maria Josctlna d e, 195
1'Í'n une Aâ úl!iâuni, de Lc Corbusicr, 52, 78
Vianna, An tonio Ferreira, ~ 1
Vianna,Jamcs Lawrence, 197
Vicgas, Renato, 1TI
Viganô, Vittoriano, I 04
Vigliecc.a Gani, Heclor, 188
Villa Lobos, Heitor, 49, 1Ot>
Vil!à,Juan, 197
Villagrán García, José, J 12
Villam::l_j<Jn:~n , 132
Villanueva, Carlos Raúl, 112
Villavecchia, Luigi, 171
Viscomi, Affonso, I 16
Vital Brazil , Álvaro, oer Brazil, Álvaro 'ital
Warchavchik, Gregori, 44-5, 45, 46, -//. -!~9. :l~ . 33-= -
7, 72-3, 77-9, 81 , 96, 10G, 111 , 1~9 . H9
224 • Arquiteturas 1'10 Brasil
Wasth Rodrigues, José, 37
Werk (revista) , I07
Whitten, Roberl., 116
Wiedersphan, T heo, 57
Wilhcim, Jorge, 178-9, 180
Wisscnbach, Vicente, 194
Wright, Henry, 125
Yamasaki , Min o r u, 104, 190
Zancttini, Siegbcrl, 151, !52
Zerhfuss, Bernard, 104
Zcncl, .Jayme, 171
Work of üscar Niemeyer (The) , de Stamo Papadaki, 107
Wrig~lt, Frank Lloyd, 60, 79, 81, 104, 149
Zcvi, Bruno, 104, 107-8, 110, 149
Zimbres, Paulo, 175, 177, 197
Zodiac (revista), 107
Títuio
Autor
Produção
Projeto Crájico
CajJa
EditomçâoE/et•·ônica
I~'ditoraçõ.o de 'Texto
Reviscio de Texto
Revisão de Provas
Divulgaçcio
Seaetaria Editorial
Formato
Mancha
Tipologia
PajJel
Número de Páginas
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Fotolito
Impressão eAcabamento
A Edu1p é ofiliodo 6
Arquiteturas no Brasil
Irugo Segawa
Julia Uoi
ll•laria Cristina Bugan
Lígia Eluf
Studium Gcnerale
Alice Kyoko Miyashiro
Valéria FrancoJacintho
Ricardo Miyake
Regina Brandão
Guilherme Maffei Leão
Aline Frederico
Eliane F. dos Santos
22 x 27 em
16 x 22,5 em
Ncw Baskerville !O/ 14
Cartão Supremo 250 g/m2
(capa)
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~~I>~
IWOCioÇAOt.:IASlEIAA.OE Of!E:ITO$ REPROGAÁACOS
CÓPIA NÃO AUTORIZADA ' CR I ME
,...-~---
Arquiteturas no Brasil, ao mesmo tempo que
traça um panorama do período pós-Guerra,
considerado o apogeu do prestígio
internacional da arquitetura brasileira, narra
as realizações da época e examina seus
principais protagonistas - entre os quais Lúcio
Costa, Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas. Ao
investigar as relações externas e internas dos
arquite tos e da cultura arquitetônica do
período, o autor estabelece um quadro
referencial que balizou o desenvolvimentismo
nas décadas de 1950 a 1970- ascensão e
ocaso de uma arquitetura que mergulhou
num período de incertezas e ausência de
rumos, característico da chamada "década
perdida": os anos de 1980.
Esta obra constitui, desse modo, uma
leitura inovadora em vários aspectos das
conquistas, das polêmicas e também dos
malogros d a aventura de construir
espaços,·cidades e edifícios num país em
formação e em busca de afirmação.
H uço MA.SSAKI SECAWA é professor do
Departamento de Arquitetura e Urbanismo da
Escola de Engenharia de São Carlos,
Universidade de São Paulo. Autor de Ao Amor
do Público:jardins no Brasil (São Paulo' Studio
Nobel, 1996), co-autor de Oswaldo Arthur Bratiu
(São Paulo' Pro-Editores, 1997), Casas
Latirummericanas (México: Gustavo Gili, 1994);
editor de Arquiteturas no Brasil/ Anos 80 (São
Paulo: Projeto, 1989).
·;;--
-::. .
'
' • I
ISBN 85- 314-0445-2
111111111 11 1111111111111111111
9 78853 1 404450
--

Segawa arquiteturas no brasil 2

  • 1.
  • 2.
    A arquitetura brasileirado século XX alcançou prestígio ii.[ern~cional como poucos países do mundo lograram atingir. Brasília é obra consagrada como uma das contribuições brasileiras às criações mais marcantes na cultura do século. Mas se esse reconhecimento é a face mais visível da sua importância, não menos importante é reconhecer os múltiplos rumos e os processos na gênese dessa produção, tão alardeada e tão pouco examinada em seu conjunto como realizações de um contexto conturbado como o que marcou a história do Brasil nos últimos cem anos. Arquiteturas no Brasil 1900-1990 é uma obra que vem proporcionar uma visão abrangente e ao mesmo tempo concisa da arquitetura brasileira no século XX, sob o signo da releitura do movimento moderno após a crítica do pós-modernismo- embora situe o moderno como o epicentro das inquietações do século. Ao relacionar as intervenções urbanas como signos de modernização no final do século XIX, o livro identifica as raízes de modernidades paralelas aos movimentos como a Semana de Arte Moderna de 1922. Realizações estas que passaram tanto pela arquitetura neocolonial quanto por diferentes manifestações arquitetônicas em três linhas - modernismo programático, modernidade pragmática e modernidade corrente - caracterizando práticas distintas no país até a Segunda Guerra Mundial.
  • 3.
  • 4.
    [ill}l Reitor Vir·e-rcitnr led:: Diretor-preside11/e /'residente Vire-pre.tidenre UNIVERSIDADI; DE SÃOPAULO Adolpho José Melfi Hélio Nogueira da Cruz EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAUtO Plinio Martins Filho COMISSÃO EDITORIAL José Mindlin Oswaldo Paulo Forattini I'lrasílio João Sallulll Júnior Carlos Alberto l:lurbosa Dantas Guilherme Leite da Silva Dias Laura de Mello e Souza Murillo Marx l'linio Martins f'ilho Dire/ora Editorial Silvana 13irul Dircrora Comercial Eliana Urabuyashi Diretara Administrmiva Angela Maria Conceição Torres Editora-assi.l'tente Marilena Vizentin
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    Copyright © 1998by Hugo Scgawa I' edição: I 998 2' edição: 1999 2' edição, 1' reimpressão: 2002 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Drasildra do Livro, SI', Brasil) Segawa, Hugo, 1956- N.Cham.:- 720.981 S454a 2.ed. Autor: Segawa, Hugo,l956- Tílulo: Arquitetura no Brasil 1900-1 990 . lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllEx.2 CAC Arquiteturas no Brasill900- l990 I llugo Segawa . - 2. ed. I. reimpr.- São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002.- (Acadêmica; 21 ) Bibliografia. ISBN: 85-314-0445-2 1. Arquitetura - Brasii- História I. Título li. Série. 98-1!54 CDD-720.981 Índices para catálogo sistemático: L. Brasil :Arquitetura : llístória 720.98 1 Direitos reservados à Edusp - Editora da Universidade de São Paulo Av. Prof. Luciano Gualbeito. Travessa J, 374 6° andar- Ed. da Antiga Reitoria - Cidade Universitária 05508-900 - São Paulo- SP - Brasil Fax (Oxx 11 )3091-4151 Tel. (Oxx 11) 3091-4008 I 3091-4150 www.usp.br/edusp- e-mail: edusp@edu.usp.br Printed in Brazil 2002 Foi feito o depósito legal ~ 40657800 Ac.25035 l ;iilil
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    SUMÁRIO ilg-ulll<t Explicação ...........................................................................................................................13 I. O Brasil em Ud)aniração 1862-1945 ........................................................... .......................... 17 2. Do An Licolonial ao Ncocolon ial: i Busca de A lg-um;t Mod ernidade l HH0-1 926 ....................................................................... 29 3. Modernismo Prug-ra m úlicu 1q17-1q:12 ................................................................................... 41 1. Muclcrn irlad!· Prag-má tica 1922-1~)4:~ .... ...... ............................ .................. .. ..... ....................... 5;) 5. Modernicladc Correm<' 1929-1945 ......................................................................................... 77 6. A Afirmação de uma Escola 19 1 ~- 1 960........ ...... . .... ...... .... .. ............ ............ ... .... .................... 1 0~ 7. A Afirmação ele uma Hegemonia 1945-1970 ........................................................................ 129 H. Episódios ele um Brasil Grande e Moderno 1950-1980 ...................................................... 159 9. Desaniculação e Rcarticulação? 1980-1990 .......................................................................... 189 1O. Referências Ribliográficas ........................................................................................................ 199 Font es das llusLraçõcs ................. ........................................... ........................................................... 213 Índ ice Re tn issi'C> ............................................................................................................................... 21!) ...
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    .,,_tl]/JU J.I.11-IJJ/11fJ.W, J';u~wt nJ "lliil :mu nw.s· 'II W11Up ?J d.ll/Vt}UUJ f!IJ/ fUJ fd ..UII!IIlJSJ/ltWIII S.IIIJ/ J]J JJI!/)U //)/!},7 fltJ(llJOlll l11Ú HIUSIV.I S~J/3 St10.1]V/!Yrlf YJf 'SJ}'I10Jl SJ/ 'SJ/ntfn,t.J.' ',Jf 'uvpo 'll11, p ,).JU,)JlS d/ .IVC{ S/1.0 /1 il]? S~WII/1.' 'J.I.i/.tf.~,?} Z:ll(J H{(/1liO.J !VJ .'SIIJ'if XI'IV fd 'dWI!f.l X III) Jf /10(}. 11J.(Jn f1 d''d.tpttd f d jlli/J.tJ"f ,1/J./! .Wrj /<} Jf(/J}}V[(/1111 llii.'W./. Jlln .IV(/ JltÚ1.if111V./ J/) J]fj11ÚIIUJ 0/!}fliJf fD.f (i(,G1 'nso:) ü i:JirJ "'S!Jll J/1 0.1/UJ p !'7 1/WIW/.'J J1i.Ú YV/11 'Ji/ IIOS VJillll/ J /U,/iJ V Jllb ~OSlO.) ,Jp '.wp_lNI!ÚSJ SI)SIO.J mp 1}.1(/IUJ/ JS J 'Zi/J/ 'Jil/J]UOJ OJff 'V.I/IIOJliJ JY ;mb 01/IIJJ Jfll,/B u ' IJfi?.t.d.tns W J vsJ.u/.ms 11p '.wl;u,"il .wvnlm 'yunJ.J !iOpnbv opu<~; ......
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    ALGUMA EXPLICAÇÃO Sou de urna geração de arquitetos br<tsilei- ros ?t C]ll<ll , nos hancos escolares, se ensin ou que existe uma mane ira de l'azer arquitetura, de apreciar arquitcLUra, de usufruir as cidades. Q ue o arquiteto tem uma m issão messiânica ao exer- cer a sua pro1issão na sociedade. Nossos p rofes- sores mrtndm·am lt>r Pt>vsnPr, Hitchcock, Giedion, Zcvi c scHH..:lhaHtcs- autores que escreveram retratos to tal izadores, mostraram in terpre t<t- ções amparadas em grandes modf'los de expli- cação, que esgotavam quaisquer dúvidas elo sa- be r ver e faze r arC]uitetu ra. Nada tão frustrante qua m o o abismo entre a academia c a vida. Essa escritura tdculógica que legi timou a afi rm<tç;1o d e uma certa modernidade eu ropéia e norte- arnericana e consolidou mitologias arquitetôni- cas permanece no imaginário de muita gen te. Leitores de diversificados matizes ainda.buscam em revistas e livros interpretações à altura dos "pioneiros da teoria moderna". Certamen te, os pevsners, hitchcocks, giedions e zevis deste final de milê nio não serão tão persuasivos; nem seu s leitores, tão persuadidos. O risco de escrever um estudo sobre a ar- quitetura brasileira do século 20 é reproduzir inadverridamcnte aquilo que se critica: uma vi- são LOtalizadora que apaga as diferenças, exalta as formas dominadoras e dissimula a diversida- de. A história c a historiografia recentes ainda se refazem elo impacto epistemológico provo- cado, por exemp lo, pelas idéias de um Michel Foucault- escritos tecidos com a microtrama de nrna co1t1plcxa urdidura. lesse caminho, a via- bilidade ele dar formas a p roblemas, de articular p erguntas é mu ito mais intensa que nossa capa- cidade in divid ual de formu lar respostas. Respos- tas que tendem cada vez mais a exames localiza- dos, talvez profundos (contempland o minorias, "vencidos", movimentos populares e Le.). U ma posLUra que se avizinha às tendências da frag- mentação "regulamentada" do con hecimento, como que u ma reação às grandes leituras tota- lizacoras. O h istoriador britânico Eric Hobsbawn, comentando a respeito de algumas tendências da historiografia n o tina! dos anos 1970, escrevia:
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    74 • Arquiteturasno nrasil Não há nada de novo em ol har o m undo com um microscópio ou com um telescópio. Desde que coJJcor· d eJJIOs <!'"" estam os estudando o meswo cosrnns, a es· colha eutrc o microcosmo e o m acrocosmo é uma ques· tão de sclccion:'ll" a técnica apropriada. r.signific:~tivo que atualme nte mais historiadores julguem o microscó- pio mais (ttil. Mas isso n:'in sígn i!ica necessat·iamc nLc que eles rejeiwm o t ele~c ópio, como instrumento snp<>rado. E.ste livro teve uma gê nese peculiar: con- vidado pela Universidade Autôn oma 1etropo- litana do México para integrar u rna coleção ele monografias sobre arqn itt"tn ra latino-america- na , seu form ato original c ircunstanciava-sc a um compê ndio de arquitetura brasileira no sé- culo 20 pa ra o púhlíco latino-americano. A oportunidade d e uma edição brasileira não cles- ca•·acl «:>rizou esse perfil. O difícil e> sutil equilí- brio a se ati ng ir no con teúdo deste trabalho é uma ta re fa que deve respeitar as características ela iniciatiYa editorial, exigindo u ma compostu- ra que se expressa num jargão arq uitetônico, no Lermo francês bienshm ce. As circ unstâncias apon tam mais para o manejo d o tt"lescópio; to- davia, o microscópio às vezes foi útil, m esmo com prt:juízo de alguma coerência lotalizador a (C]ue não constitui, propriamente , uma preocu- pação cPntral) . A manutenção das lentes e as direções para que elas apou1arn são de minha in te ira responsabilidad e; a razão dessas dire- ções, espero que os leitores a percebam percor- rendo as páginas deste trabalho. AS REFERÊNCIAS Ao escrever um trabalho do presente esco- po, fui me reportar às obras d e mesm a natureza -aos manuais de história da a•·quitetura brasilei- ra - que não são muitos e possuem enfoques dis- tintos. Trabalhos como Quatro Séculos de Arquite· tu:ra, de Paulo Ferreira Sant.os ( 1977, primeira versão 1965), Atlas dos Monumentos flistóriros e A-r- tísticos do Brasil, de Augusto Carlos da Silva Tellcs (1975) c Arqu.ilelum Bmsilr>ira, d e Carlos A. C. Lemos (1979), são panoramas de qnatro séculos de arquitCLura; o século 20 é um segmen to des- se conjunto. A arquitetura brasileira é pane de um contexto mais amplo também em Arqu.itectum y lh-ba.nismo en lberoa.merica, de Ramón Guliérrez ( 1983) . Precisamente pelo númer·o reduzido de trabalhos nesse úmbito, publicaçôes como o ca- túlogo Braz.il Builds, editado ~•n 1943 pelo MOl'v1A ele Nova York, e Modern Archilectu·rp in JJmzil, de TTenrique Mindlin, ele 1956 poderiam ser cu- quadradas como panoramas ela arquitetura bra- sileira da primeira rnetacle d o século 20. Rigorosame nte, seriam três os trabalhos no gênero preLendido por m inh a pesquisa: Ar- quitetura Contemporânea no Bmsil, ele Yvcs Rruand ( lY81), Arquitet·um Moderna NrasileiTa, ele Sylvia Ficher c Marlene Milan Acayaba (1982) e oca- píwlo "Arquitetura Contemporúnea" escrito por Carlos A. C. Lemos na H istória G11ml ela A-rlf no Bmsil (coordenada por Walter Zanini, 1983) . Todas e ssas obras foram importantes na elaboração do presente livro. Paulo F. Santos, A. C. Silva Tellcs e Carlos A. C. Lem os são si- m ultan eamente historiadores e protagonistas do que re latam. O saboroso capítulo du livro d e Paulo Santos é um depoimen to de um persona- gem que vivenciou os 11uiclos criarivos do mo- dernismo carioca da primeira metade d o sécu- lo . Carlos A. C. Lemos é importante pelo q ue escreveu c por tudo que aprendi como seu alu- uo c estagiário; os escritos em forma de manu- ais do professor Lemos são parte pequ ena d e um(] vida dedi cada à pesquisa. 8-razil Ruilrls e M otlr>rn An hilectm·e in Brazil são trabal hos apolo- géticos da arquite tura moderna, no espírito in- sinn::~do no início desta explicação, formad ores de mitografias da moderna arquitetura brasilei- ra e, como tal, são objetos d e an álise no meu texto . A impor1ância de Fichcr e Acayaba está na modesta aspiração de ser um guia in trodutó- rio da arquitetura moderna brasileira. Sua o ri- gem, aliás, demo nstra o propósito: tratava-se de um verbe te do fnlenwtional Handbook ofContem- jJorar)• Developrnents in An:hitecture, dirig ido por Warren Sanderson (1982) . Um roteiro que p io- neiramente incluiu, no map a arq uitetura! bra- sil eiro, alg umas regiões pouco conte mpladas,
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    sem a vtsaomodernista c hcgcmônica que ca- racteriza o livro de Yves Bruand. Arquitetum Contemporânea no B-rasil é o mais completo clossiê sobre a arquitetura brasi- leira elo s{:cnlo 20 at.é 1969, momeulo de con- clusão dessa tese, apresentada na Université de Paris IV em 1971 e publicada dez anos depois e m português (lamentavelmente, sem uma revisão técnica adequada da tradução, comprometendo parcialmente sua leitura). Bruand escreveu uma obra fundarncn t.alnie ll te baseada 11a variada hi- hliografia brasileira e internacional e na coleta de depoiment:os de estudiosos locais, reunindo um conjunto documental do maior valor: um re trato do estado-da-arte da bibliografia brasi- leira até os anos de 1960. No e ntanto, o autor francês, embora não sendo arquilclu, assimilou todos os preconceitos modernistas contra a ar- quitetura do ecletismo ("da constatação de que a arquitetura brasileira só conhecera dois gran- des períodos de atividade criadora: a arte luso- brasileira dos séculos 17 c IH [...] e o período atual", escreveu). Bruand dedicou-se principal- mente ao Rio ele .Janeiro, São Paulo, Bahia e Brasília, deix<mdo a descoberto outras importan- tes regiões, cludindo a diversidade da produç~w arquitetônica brasileira . Ademais, seu posiciona- mento sobre o sentido de "moderno'' desgastou- se no tem po: "o adjetivo 'moderno' não é de mo- do algum con veniente, pois contém apenas uma noção ele tempo aplicável ao con junto da produ- ção de uma época e não unicamente a uma d e suas partes; substituir sua acepção cronológica por um elemento de valor é um contra-senso... " A avaliação de Bruand padece uma leitura tri unfalista e apologética da arquitetura moderna do Brasil. Se não há un1 comprometimento do valor intrínseco do excelente trabalho que desen- volveu, suas posições são historicarnenLe datadas. PONTOS DE PARTIDA Meu trabalho não tem a pretensão acadê- mica do amplo esforço de Yves Bruand e volta-se A~!{llma Ex:plicaçiiu • 1 5 para um outro mapeamenco arquitetônico. Os re- tra tos de grandes arquitetos e das obras-primas da arquitetura brasileira constituem uma contri- buição insuperada em Arquitetura Contemporânea no Brasil: protagonistas e realizações são o cerne da sua pesquisa. Sem pretender contestar o sig- nificado dessa abordagem, busquei eswdar os jJmcessos da constituição da nossa arquitetura moderna e m matizes diversos, caracterizando modernidades clistint.as, que intitulam os capítu- los. Nesse sentido, nào privilegiei arquitetos (ex- ceções honrosas a Warchavchik, Niemeyer, Lu- cio Costa c Vilanova Artigas), tampouco obras (também com exceçôes) , rnas a inserção de ar- quitetos e obras no debate cultural e arquitetô- n ico num certo recorte da história. Ao operar com processos, o desejo ele realizar uma carto- grafia arquitetônica turna-se uma empreitada d ifícil, d evido :1 ~!mplitud e c complexidade elo panorama arquitetônico brasileiro. Todavia, mesmo na ausência de vários arquitetos ou obra:; no presente trabalho, o possível entendi- mento advindo dos processos que d escrevo per- mitiria u ma contextualizaçào dos personagens e realizações preteridos em meu mapeamento. Tendo como eixo de narrativa a arquitetura, imagino a possibilidade de interlocução com outras disciplinas sem necessariamente preten- der r esenhar episódios da história, ela sociolo- gia ou ela economia brasileiras. Os lemas urbanismo c cidades têm un1 peso significativo no primeiro terço do livro, para virtualmente ficarem pulverizados no res- tante elo trabalho . A complexidade desses tópi- cos após a Segunda Guena- quando a maioria da população no Brasil passa a viver em cidades - uào recomendaria o aprofundamento da ques- tão, sob o risco d e o autor ser obrigado a escre- ver não um, mas dois livros. Reuniões como as realizadas pela ANPUR e os Seminários de Histó- ria da Cidade e elo Urbanismo nos últimos anos relevam cada vez mais certa autonomia discipli- nar no trato dessas questões. A mençào in icial à questão urbana tem uma relação mais próxima com o te ma moder- n idade. Uma preocupação fim-de-século- qual
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    1 ó •Arqu ilelums no lJrasil será a arquitetura do século 20? - permeou lanl- bé m localizad os debates sobre o tema no Rrasil do século 19. Ao m e debruçar sobre esse mote, p rocurei resgatar alg umas interpretações so bre o mod erno ern arrprircrnra. Não há defin ição unívoca de m odernidade: se n ::~ Europa a pro- blemática é objeto de entend imento diverso, o con ceito de moderno no Brasil é ain ci::~ mais controverso, p rccisalllcnte p ela necessidade de examiná-lo sob uma óptica apropriada à realida- de local - sem dcscnrar de sua entrop ia com um meio mais amplo. A segunda p::1rt e elo livro foi AGRADECIMENTOS Toda relação de agradecimentos é u ma lista d e esqu ecimen tos injustos. Não posso rela- cio nar c agradecer a todas as pessoas e institui- ções que me ajudaram na re;:~ l i zação d esta pes- quisa. Todavia, deYo lembrar-m e de Conce pción Vargas e Ernesto Alva, que me confiaram origi- nalmente a escrita deste trabalho. Pela feitura deste livro, dt:vo meus reconhecimentos a Vicen- te Wissenbach , editor da revista Projeto, da qual fui colaborador há muito tempo g raças <1. cora- gem de seu editor; à Ruth Verde Zein, colega na revista e in terlocuto ra pe rmane nte; ao J<.leber Friz?.era c ~ Universidade Federal do Espírito Santo; à Vera Helena Moro Rin ~ Ely e à 1.Jnivcr- organizada com a preocupação de mostrar as vá- rias modernidades p raticadas na arquite tura d o Brasil no período e n tregucrras. No correr das páginas e com o evoluir da na rrativa, a a bordagem dos assuntos torna-se mais esquemática. Naturalmente, o tempo é um poderoso depurador c o distanciamento maio r dos acon tecimentos pc rrni!.e selecion ar as len- tes mais adequad as para o exame das qucstôes. Por isso, a con tem poraneidadc sempre é mais seduro ra e instigan te. E os riscos ele equívocos, proporcionais ao nosso discernimento. siclade Federal de Santa Catarin a; e àisa Pierma- tiri e à Universidade Fcrler::JI do Paraná, <]Ue , em diferentes mo me ntos no in ício de minha aproxi- mação com a arquitetura brasile ira do século 20, me convidaram para ministrar cu rsos, obrigan- do-me a desenvolver uma estrutura de aula que está na raiz deste trabaho; ao arquhcto c profe~­ sor Paulo Rrnna CJlle, convidand o-me a auxiliá-lo numa disciplina de pós-graduação na U niversida- de Mackcnzic , me permitiu cxpot· h ipóteses d e interpretações que estão alinhavadas neste liTo. Aos alunos desses cursos, a paciência de ouYirem c d iscuLircm min has idéias que, após essas ses- sôes, deixaram de ser exclusivamt:n le minhas.
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    1 0 BRASIL EMURBANIZAÇÃO 1862-1945 Na arquitetura (o 1/ll,!!;enlu:irol perpetua as gló·rú1> de ma j;âtria em monunu•nüJs, que os séculos veneram snn destruir I' r/ri nos sr•us wntemfJOTâneos nocâo do (11do euritmiw derivado das obms f;rimas da Antigüidade, que f!oT sua or:z. o recebeu de civilizarõr:s idas, 11 que rlej)()is rir millzarPs de anos !'IP faz ressusritar ao impulso aiador do seu r;ênio! Nas ridruiPs, ai rmdP as multidliPs SP ojnimPm Pm busra do bPm-PJ!fll; nas grnndPs rolmhns, Ptn quP a alividariP jfbril do homnn vai diarian!l'nte premcher o seu papel jHMiidencial de elemrnlo ronstitutivo dt> riquPZa jJP/o lmbalho, o mr;enhPirn; ainda a luz, o guia na r>smlha de localidades, no preparo do solo, nn orientaçâo e traçado das ruas, 110 rstwlo das !IPrPssidadPs públiras f' parlirularrs, uo.ç jlnigos, na. mwgênrias P ali> nas rrisPs patológiras! Sf' um baino é diji.rilmeniP ventilado, se uma jHtTie do litoml é otujHtda intermitentemente jJelas águas em seu etemoflu ."w e refluxo, ei-lo removendo montanhas, dilatando a área 1ahrm a P anulando s-ilnnltanr:amr>nfe duas fontes de insalubridade.' j. S. DE CASTRO BARBOSA, Lrecho elo panegírico ~obre a profissão do.engenheiro por ocasião do l6Q aniversário elo Club de Engenharia do Rio ele Janeiro em 1896. O an o de 1900, além de algum sig nifica- do na numerologia, não te m muita importância ~ >(· .1'. datas marcantes da histó ria mundial, a não ser o fato de assinalar a transição do século 19 para o século 20. Todavia, para o Brasil, o ano marcou a grande efeméride da celebração dos
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    L...i 18 • llrquile/urus110 flrasil quatrocen tos anos da cheg-ada de u ma frota pon ug-uesa na cost.a sul-americana - contato que ofiriali1.ou o domínio de Ponugal sobre essas terras que, mais tarde, se transformariam num país de dimensões continentais. Foi em fins ele 1900 que, a pretexto dessas comcmoraçiks, o Clnh de F:ngenharia p romoveu o Congresso de Engenharia c lnrlústria. O Club de l•:ngenharia era uma ag-remiação politicamen- te vitoriosa em busca de uma a firmação inédi- ta naquele tempo: a Rcpltbl ica havia sido pro- clamada pouco ;uJles, e o Club, ele convicçfto republicana (an tagônica ao monárquico lnsti- llll<> Polité-cnico Rt·asile iro) .firmava-se como o furo oficioso de urna corporação que buscava habilitar-se como uma alternativa na esfera po- lítica contra o monopólio exercido por ou tra c<Jtegoria profissional: os bacharéis de D ire itu. CREDENCIAMENTO TÉCNICO PARA A MODERNIZAÇÃO A formação d a elite intelectual brasileira na passagem do século sustentava-se num Ll"ÍfJé: a medicina (cujas primeiras escolas datam de 1808-1809) , as ci{:ncias juríclicas (suas duas aca- demias foram fundadas em 1827) c a engenha- ria- n~a consolidação se faria no final do século 19 com a Escola Politécnica rlo Rio de Janeiro em 1874, a Escola ele Minas, em Ouro !'reto , ele H:l76, a Pol it <:cnica rle São Paulo em 1894 e a Mackenzie College (de origem norte-am erica- na) , também em São Paulo, em 1896. Foi a ver- tente jurídica que maior espaço conquist(m no cxcrcicio do poder ao longo rlo sécu lo 19- domí- nio ora crn rlisputa com engenheiros e médicos, no alvorecer do novo século. Os enge nheiros buscavam repercussão em suas recomendações nascidas ele pautas am- biciosas. De acorrlo com o seu programa, o Con- gresso de Engenharia e Indústria teve como [...] objeto exclusivo discutir e deliberar sobre as prin- cipais questões técnicas, industriais, econômicas, finan- <.:eiras e administrativas que. de mai~ pt-rlo t' rlirt-tamcn- te, possam interessar ao desenvolvimento material d o B•·asil, de modo a formu lar rt-soilt ~·flt's <JHC' tradn~:o.m com clilreza o parecer dos mais competentes sobre a so- lu (<'io prútica de r::tdil uma d as yucstõcs vcHLiladas, c que scr:ío submel idas ú ap reciação dos poderes públi- cos. I"Prog ra ntlll <l ..." 190 l , pp. 7-1!>] . O temário do congresso Locou numa série ele questões que inven tariavam um repertório de tare fas nacionais nesse momento: sistema ferro- viário, portos e navegação interio r, h idráulica agrícola, saneamento das cidades, urbanização. A bem da verdade, em IH.:nhunl momento se em- pregou, nos debates ern 1900, o lermo "urhaui- zação" ou qualquer derivado de "urbe" como ci- dade. Mas o contexto geral dos debates indicava esse rnmo. DO SJNF.JMF.NTO AO URBANISMO O Brasil aJentrava o século 20 com uma população da ordem de 17 mi lhões de h abitan- tes, com cerca d e 36% elos brasileiros vivendo nas cidades. A economia do país era impulsiona- da <I base da exportação de produtos prirn{trios. Entre 1871 e 1Y28, o café - um artigo de consu- mo das mesas abastadas na Europa e nos Estados Unidos- participava com mais d a metade da receita brasileira de exportação, sccundaclo por um período de te mpomaiscurro ( 1891 a 1913) pela borracha [Singer 1985] . O paí!j possuía uma rarefeita economia urbana, pulverizada em cen- tros urbanos nas frentes agrícolas ou cidades portuárias a serviço da exportação ons p rodutos: Campinas, São Paulo, San tos, Campos e Rio de J an eiro para o café; Recife para a zona açucarei- ra; Salvador para o cacau; Porto Alegre para cou- ro c peles; Be lém e Man aus para a borracha. E, embora incipiente como rede urbana, algumas capitais conheceram um extraordinário cresci- mento demográfico: o Rio de J aneiro em 1900 era habitado por 746.749 habitantes- sua p opu- lação aumentou 271% em relação à de 1872; São Paulo, nesse mesmo período, Leve um aumen to
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    populacional da ordemele 870%, com 2~19 .820 habitantes na virada do século; Bdém yuase du- plicou sua população de 53 150 habiran tes em 1872 para 96. :)60 em 1900 [Graham 1973, p . 40J . Os núme ros apenas indiciavam os graves conflitos de espaço que se afiguravam com o crescimento clesorden;~do cbs cid;~rles . A cidade afirmava-se como o palco do moderno - modernização Lendo como referên- cia a organização, as atividades e o modo de vi- ver do mundo europeu. Os engenheiros coloca- vam-se como agentes dessa modernização - era a corporação que apostava na ciência c na récni- ca como os instrumentos de progresso material para o país, nos moldes do desenvolvimento in- dustrial do Velho Mundo, vislumbrando, na in- d ustrialização, um objetivo nacional a se atingir. O Congresso de Engenharia e Tnclústria demons- trava a amplitude das tarefas da profissão c apont;~va nm1os para a montagem ela nova cena: t·acionalização nas intervenções de ocupação territorial, vetores de urbanização num país de vastas regiões inexploradas. O desejo de mudan- ça era late nte: a elite nrh<~n<~, progressista, posi- tivista, cosmopolita, contrapunha-se à sociedade tradicional, de índole agrária e conservadora. CIDADES COMO CENÁRIOS DE MODERNIDADE Algumas cidades brasileiras, j{t na segunda metade do século l 9, assimilavam intervenções modernizadoras ern suas infra-estruturas, à ma- neira das metrópoles eu ropfias - resson<lnci<l da questão (central na cidade européia oitocentis- ta) do sauitarismo ou salubrismo. Cidades como Rio de.Janeiro (a partir de 1862) , Recife, Santos, São Paulo, Manaus c Salvador contaram com em- presas que instalaram e operaram sistemas de drenagem, abastecimento de água e esgoto-urba- nos. Também nesse f'inal do século opentvam nessas cidades, e ainda em Fortaleza, Belém e Porto Alegre, companhias de gás; serviços de ele- tricidade e transporte urbano também funciona- O Brasil em Urbanização • I 9 ram em algumas dessas cidades - em sua maioria, empreendinrentos com o envolvimento de capi- tais e empresas inglesas (também responsáveis, desde o século 19, pela implantação do sistema ferroviário no país) [Graham 1973, pp. l 21 -124J . A implan tação dessa infra-estrutura técni- ca nas cidades consolidadas configurou m edidas <JliC não ncccssariarnente prcconit.ararn a reor- denação d o tecido urbano -sobretudo a reorga- nização dos espaços físicos he rdados da cidade colonial, no caso brasileiro. Ao contrário, a im- plan 1aç<-to desses mclhoranwntos reil<~ ntv<l a es- tr utura existente, com poucas modificações. O sentido ele intervenção urbana como produto de uma elaboração icleolúgica n ão sú derivava dos processos de saneamento urbano desenvolvidos no século 10, mas adquiria nova condição - co- mo visão racionalizadora c integrada de intcrfc- rência na cidade, numa lógica de modernização das estruturas urbanas -com a codificação de uma disciplina específica: o urbanismo. Simbolícameme, pode-se e leger quatro even tos como representativos de: formas de m o- dernização urbana no Brasil na passagem do sé- enio 19 para o 20. A N ECAÇAO DAS ESTRUTURAS URBANAS COLONIAIS O primeiro even t.o {; a transfcr(:ncia, crn 1H9G, da capital do Estado de Minas Gerais da co- lonial Ouro Prelo para uma cidade nova, inlcira- menle planejada e construída para ab rigar as funções administrativas ck sede governamenlai - lklo Horizonte - , projeto de nma comissão che- fiada pelo engenheiro Aarão Reis (1853-1936), formado na l'olit{;cnica do Rio de Janeiro . O segundo é a "haussm anisatio n " (num ncologismo criado por Pierrc Lavedan) do Rio de Janeiro, grande intervenção promovida pelo prefeito Francisco Pereira Passos (1836-1913), a partir de 1904, com a criação ele novos eixos vi- ários, a unifor mização das fachadas dessas aveni- das e a implantação de parques públicos median-
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    te a rC'modelac::ãodo tecido urbano colonial da cidad<:. Foi uma iniciativa de saneamento físico e social e ele "e mbelezamento" (termo corrente na época) da cidade- capital e principal en tra- da in ternacional ao país. Conciliar a <:nadicação d as epidemias que varreram a cidade ao long-o d o século 19, afastar a populaÇão pobre de seto- res estratégicos para a <:xp<msão urbana e confe- rir <1 paisagetn uma <..:slélica arquitetônica d e pa- drão europeu carac terizaram iniciativas para a ntodclagcm de ttm llrasil condizente com o fig-u- rino de nma nação "civilizada". PRIMÓRDIOS DO PLAN~JAMENTO URBA~O O terc<'iro evento reprcscutativo não é es- pccificatttctt t<..: uma, mas 'árias intcrv<:nçõcs, concebidas com ideários comuns: aquelas desen- volvidas pelo engenheiro Francisco Saturnino Ro- drigues ck Brito (1864-1929), formado na Esco- la Politécnica do Rio de .Jan eiro. Saturnino de Brito é considerado o fundador ela engenharia sa- nitária brasileira pelo conjunto dos projetos (cer- ca de dttas clcL.enas em 'ários quadrantes do país) c pela contribuição tecnológica ad,·incla dessas propostas. Brito tah-ez se tornasse apenas mais unt itnpul"l<lltlt' tfcnico na árPa san it át~ia no Bra- sil nas primeir;ts d{·cadas do século 20 não rosse certa sensibilidade (re forçada pela cren ça positi- vista) q ue o tornou um sanitarista n::io só 'olt<tdo para as equaçôes ck r<:gimes hidráulicos ou para as últimas novidades em sistemas de abastecimen- to c cscoan1ento, 1nas também preocupado com o ambiente da cidack como um Lodo, p redorni- nantcmcttt<..: f'ísico, mas com interfaces sociais. ü plano de san <:<un<:nto da cidade de Cam- pos, no Estado do Rio deJaneiro, ele 1903, é uma referência para a engenharia sanitária: um exten- so diagnóstico abordando d e forma inte-grada as questões tecno-sanitárias- abastecimento de água, esgotos, águas pluviais - com a ocupação do solo - sistemas construtivos, habitações populares, es- paços P cdil'ícios públicos, ori<:ntação e insolação, O Rmsif em 1/r/;unizoçiio • 2 7 circulação etc. A segu nda referência fundamental elaborada por Saturnino de Brito foi o plano de saneamento c <:xpansão de Santos, no Estado de São Paulo, desenvolvido entre 1905 e 1910 para o principal porto de exportação de caf{:. Nesse pro- .ieto, às a titudes inovadoras <tdotadas no plano de Campos acresc<:utuu-s<: " dimensão cslética na re- solttçào dos problemas u rbanos: Satttntino de Brito reconhecia em seus escritos a importância de um aporte urbanístico a p<trtir das id{·ias de Camillo Sitte (1843-1903). Ao longo elos <Utos de l ~:llO, o engenheiro foi um atento monitor das discussões em curso na Europa sobre o Town Planning ou Urbanisme, disciplina em institucio- nali;.ação na {;poca por m<:Ío de coug-r<:ssos iut~:::1~ nacionais, os quais freqiicnta'a como ouvinte ott ;~prcsentando comunicações. Sem nunca se auto- qualificar Townplanner ou Urbaniste, Saturnino de Brilo ioi uw ideúlogo d a engenharia sanitária que, a seu tempo, de forma pioneira introduziu em seus planos o leque de d iretrizes metodológi- cas d o repertório téc nico da então nascente dis- ciplina urbanística. Essas idéias, todavia, não fo- ra m inrorporad<ts sem u ma filtragem crítica: sua atuação sempre Considerntt ttma a'aliaç·ão dos pro('editucutos c das L(~cn icas codificados pela ex- periência européia e, nas proposições c cspcciti- caçõcs de seus projetos, percebe-se que há uma elaborac::ão de uma solução apropriada tendo em vista as condições específicas do meio em que atnm·a: as limitações, as potencialidades e as pos- sibilidades locais configuravam projetos tecnoló- gicos específicos como respostas a realidades concretas, brasileiras [S<:gawa 1987a, !JP· 66-70] . JARDINS-UTOPIAS URBANAS A potencialidade da expansão nrbana das cidades brasikiras j á chamava a atendío dos in- gleses na segu nda metade do <;é·culo 19, como jc'i visto, mas foi na década d<: 191 Oqu<: o capilal cs- Lrangeiro inverteu recursos numa ousada inicia- tiva d<: im plantação ele bairros novos. A cidade de São Paulo, e m pleno crescimento econômico
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    t- 2 2 •ArquítN11ms 110 l5rusíf LIIAIRRO Ol::lõl.ITE l'ropricdadc tle 1 Manoel Garcia da Silva !-lll·:,~ ID ·D'lf!J"' [1 rr-·tni·D~~n~ ~l~~-~~ft I~Q~Ifq! ",'",, / I / " / E) "".:'::;-'-'_( ~ _, ---- .... -·,- -'- ~- Pwpa~a1ul;o de 1928 do Jardim Europa e m São Paulo, bairro que itnilava o ntoclclo do conLíguo Jar- N• aae•-• alf.Jf.ad• ela. Pra4:a •••..aarelaa A.PDOTE•TE A. 'I'A.DDE DE HOJE Alem de C1tcr 11m paucio 'Srad».Yel r~J 1~ ~~:tN~~~:~~;,c:~í "':l,ci:~~~~~~~,:J~I;~..,11pr~c'iaa· o ç:r~nJ•· oll:t"lnl nh·iwento dirn An1érit:a, n--odi/a·úo ela Cia. A iUttttth~ão Jmbli~ c~~O:,~~d: 1 ~~.{}~!1l1':u:~,::.~,;~rl:::.~...s.!Y4 fciw a iHJiti(ur~o PALACJET~.; •: Lt...-.:...~ Dlt "I'C.;ft.R~NU City, dcmonstraorlo o apelo do pa- '-': • l>f'riola~ÕK-,.. 'Uil' 1~ r 1"''1'"''11:1• chlr.kla• lllf~ , Ao. dOtMin~o• "" lon:.l ,. m)" oh.l• ,.,..j. ua rlr:io gfl.rdt•JI rifit•.. LOJA DO JAPAO e físico com a riqueza propiciada pela exporta- (ào do "~fé· , roi contemplada com uma operação espccubtiva que trouxe um padr~m urbanístico inédito na América do Sul. Em 1912 fói conslituí- <.la, em Londres, a Tbe City ofSan Paulo lmprove- me>nt~ élncl Frcchold Company, empresa organi- t.ada para lotear grandes áreas a1~1Sl<t<hts ao sul e a oeste da cidade - então em plena área rural - , com a finalidade de criar bairros de allo padrão para a crcscenrt> burguesia cafccira. Para o pro- jeto urbanístico, foram contratados Ra)'lliOlld U nwin (1863- 1940) e P.~1rry P:wker (1867-HHl), ambos n•!;ponsáveis pela implantação das primei- ras cidades-jardins inglesas, segundo os prr>ct:itos <.k Ebenezer llowarcl ( lS:í0-1928). Parker desen- volveu dois projetos- o .Jardim Amérie<t e o Ciry Lapa - c a remodelação de um jardim público na <:tVenida P<'lulista (Parque Trianon) entre 1017 c 1919, período em que se estabelt:ceu em São Pau- lo. Todavia, foi uma operação de long-o prazo: os bairros conheceram alguma ocupação a partir do fi nal da década de 1920, c a consolidação efe- tiva somente se proct:ssou bem mais tarde. Pela qualidade projt>tual t: a rigorosa legislação t:ntão elaborach1 para os loteamentos, tanto o Jardim América quanto o City Lapa resistiram às trausfor- mações urbanas por mais de setenta anos e con- servam até hoje as qu<'llidades ambientais propos- - __,_ Hua S. Bento..JO ~ (;AHCI. IH SUX & CIA. tas no idcário das cidades-jardins de Howard [Scgawa 1987a, pp. 71-77; Bm:clli 1982J. As primeiras duas décadas do século 20 testemunharam. transformações nas cidadt:s bra- sileiras numa escala c num ritmo até então sem precedentes: alt~ts laxas ele crescimento popu- lacional nas principais capitais pressionavam a demanda por habitação c serviços urbanos; a prosperidade proporcionada pelo café tral'.ia be- nefícios materiais e novos padrões de consumo para alguns segmentos da populayão, mas as es- lxulut·<t8 urb<tnas, t'm sua rn.ai.or·,t h erd·'"das ÜQ período colonial, não se coadunavam com as ex- pectativas de uma sociedade que se urbanizava em passo acelerado, embora sustentada por uma economia agroexportaclora de valores arraigada- mente rurais. As cidades transformavam-se nas plataformas rumo ao mundo moderno, isto é, em busca de um nível de vida à maneira das grandes metrópoles europ éias ou norte-america- nas. Alguns esforços convergiram para esse ideal. O pretexto da ciência, da técnica, da racionali- zação d os meios e rt:cursos para se alcançar esses oqjerivos foram argumentos instaurados nesse início de século. Embora em nenhum momento se identif-ique, no conjunto de iniciativas, algu- ma coerência de estratégia - um planejamento sobre uma enorme extensão territorial mergu- I ~
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    lhada na p!'"rifcriaela economia mundial-, há um vetor comum nas pontuais operações urba- nas processadas nesse período: a apropriação de um repertório ieleologizaelo ele intervenção nas estruturas urbanas - o urbanismo como discipli- na, tal como se coclificava na Europa- , instru- menw modernizador por excelência, uma tenta- tiva de equiparação da cidade brasileira aos patamares europeus o u a prnn1ra ele uma tênue modernidade à brasileira. O ENTREGUERRAS E AS CIDADES No final dos anos de 19 1O, o Brasil conti- nuava um país de economia funclamentalrnentc agrocxport<iclora, modelado na riqueza propor- cionada pela vencia do café no mercado imcrna- cional. A exlra<,:iio da borrac ha, atividade que movimentou o norte do país - na regiüo da bacia do rio Amazonas-, entre o final do século 19 e a primeira década do século 20. fracassou c!iantc da concorrência dos seringais ela Malásia c de Cinga- pur<~_ A dil'nsão elo gosto pelo chocolate eus<.:jou o nc:scimento do plantio do cacau na P.:-~h ia, uma elas culturas que se expandem a partir de então numa escala regioual ponderável. A atividade pecuarista, por seu turno, dc:sen volvia-se nos Es- Lados suliuos, sobretudo no Rio Granelc do Sul. No final elos anos ele 1920, oito produtos primá- rios respondiam por 90% do valo r tot<tl das expor- tações: café (com cerca ele 70%), açúcar, cacau, algodão, mate, tabaco, borracha, couro e peles [Abreu l986J. A estrutura da economia brasilc:i- ra, em 19 19, baseava-se 79% na agricullura e 21% n a indústria. Nos anos de 1920, a política econômica persistia no privilégio da produção do café, com poucas alterações e m relação à prática anterior à Primeira Guerra. O domínio político-partidário da oligarquia cafeeira de: São Paulo assegurava a sustentação de sua cotação medianLe tllanobras que viabilizavam os preços internacionais do pro- duto. Na segunda metade dessa década, a cafei- cultura sofreu forte expansão na produção, em O Hrasil em Urhtlltizaçàu • 2 3 alguma rnedida associada à política mo netária c à entrada de capitais estrangeiros (em forma de investimentos e ÜJJanciamento ele obras públi- cas, sobretudo de origem inglesa) [Abreu 1986J. !hegemonia política e as formas ele con- trole e manipulação do poder dos grupos ligados ú agroexportação não estavam isentas do descon- tentamen to de setores da sociedade, sobretudo os segme ntos de classe média urbana não repre- sentados pela oligarquia agrária. Ao lado de gre- ves operárias (marcantes a partir de 19 18, com o fim da Guerra), as mais si){nificativas manifes- tações contrárias ao quadro vigente partiram dos quartéis, em movimentos liderados por elemen- tos da ala jovem da oficialidade militar- os te- nentes. A partir de 1922, inúmeros levautes em quartl~ is- yue ficaram conh ecidos co mo rcvolt<1s "ten ent·istas" ou, enquanto fenômeno político, "teueutismo" - foram registrados em vári<~s cida- des rio Brasil, alguns extrapolando os limites da caserna e assum indo contornos revolucio nários, como no Rio de .Janeiro, no Rio Grande do Sul c em São Paulo. A oposição fazia con tatos com a oficialidade inquicr.a, em nome de uma "morali- zação do regime", e se preparava o c<1minho para a Revolução de 1930. O colapso elo mercado lltUIH-Iial provoca- do pela quebra da Bolsa de Nova York, em outu- bro de 1929, não deixou d e repercutir no Brasil, so hrewclo cliautc da fragilidade ela política de manute nção dos preços elo café. O s altos esto- ques do produto aliados à vertiginosa queda ela sua cotação internacional levaram a economia cafeeira à bancarrota. Em 1930, revolucionários do Rio Grande do Sul derrubaram o presidente Washingwn Luís (1870-19S7) sem maior como- ção. Assumia o poder Getúlio Vargas (1883-1954). Segundo Singer [1985, p. 235], "o princi- pal mérito ela Revolução de 1930 foi ter g uinda- elo ao poder uma aliança heterogên ea ele corren- tes políticas e militares que , para se consolidar, não podiam se dar ao luxo de seguir a onocloxia liberal no campo econô mico, assistindo ele braços cruzados à hecatombe de atividades produtivas que a crise mundial estava acarretando". Ainda segundo esse autor, "a oligarquia agroexportado- ..
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    i........l 2 4 •,1l"<jll ilei11 r11s 110 1Jr11sil ra, economicamente arruinada, leve que ceder o papel de fração hcgcmúnica à coligação indus- trializame de tecnocratas, militares e empr('s<Írios, CJllC vC"io g-anhando poder c acumulando capital ao longo de lodo este período". No pcríodo ID:-20- 192~) , a agricult.ura sc clcscnvolveu com taxas mé-- dia~ <tttuais de /1,1%, enquanto a indústria <T('SC('ll 2,8%. A inércia ctlU·c os anos I~J2D e 1933 era o sintoma inH'diato da Crandc Lkptcssão. Entre 1933-10:-39, inverteram-se as posi(Ôes: a agricultu- ra virtualmente estagnou-se com taxas de 1,7%, e a indústria desen volveu-se a índ ice~ de 11,2% ao auo. Em 1939, a agricultura <linda respondi<~ por 57% da csrrnmra da economia brasileira, mas a indústri<t já comparecia com ponderável parcela de 4~ 1 /fJ [Dinii' 19lnj. A ~u pcração ela estrutura de privikgios do domínio agrário somente se l"aria ele fornta <· li- ciente mediante a substitui<;ão dos instrumentos de controle c operarão do porl<'r. O sentido de modC"rn ii'a(;io da chamada ''Era Vargas" ( 1930 1945) fundamentava-se na 1ransformac;ão das es- trulUras de sustentação ela oligarquia cafccira numa administração centra]i;.ada c intcrn,ncio- nista, de d iscurso naciomdista. rs principais me- didas políticas e !"conômicas tornar-se-iam deci- sões orientadas por políticas nacion<1is de Fstado, em detrimento das políticas regionalistas de in- tCl·esses !ocali1ados; crit{Tios 'jnrídicos" e "polí- ticos" eram suhsl il tiÍdos por t·;tzócs técnicas", "econômicas" e 'tdmiuistnttivas", vinculadas a rnecanismos de mercado [Fonseca 19H9l . Novas leis, códigos e dC"lC"rmina(Õcs davam amparo ao processo de modernização. ; reformula(ão do aparelho estatal, com a criação de noYos ministé- rios (da Educação e Saúde, do Trabalho) c órgãos públicos operacionalizavam as mudanças, articu- lando os setores público c privad o. Constituía-se um mercado nacional integrado, definiam-se ru- mos para o capitalismo industrial do país; ohser- 'a-se, no plano econômico, ··o deslocamento do l·ixo da economia do pólo agroexportador para o pólo urbano-industrial c, no plano político, o es- vaziamento da infht€>ncia e elo poder dos interes- ses ligados à presen-ação da preponderância do setor externo no conjun1o ela economia" [Di.niz l9R3]. Esse ide:írio seria reafirmado de for ma autoritária com a implantação do Estado :--Jovo, golpe cuntinuísla de Vargas e111 1037 (contrarian- do a CarLa de 1!);)4, rp w previ<~ c lciçôcs presiden- ciais para esse ano) com a ou torga de uma cons- tituição CJll<' perduro u até a CJUeda do d itad or, com o fim da Segunci.-t Cuerra. ORDENAR AS CIDADES No final dos anos de 1920, a população do Brasil era ela o rdem de 37 milhôC"s de habitallles, com cerca de 70% ,·ivendo na úrca ntral. Em l 940, esse total ati11gia pouco mais df:' IJ 1 milhtll's, com a mesma propon;ão ele brasileiros vivendo no campo. Novas frentes de exp ansão agrícola pelo território gerayam m ig rações inte r nas in- tensas, assim como, em regiões de incremento econômico mais di nâmico (sobretudo São Paulo c Rio d e Janeiro), as tendências apo11tavam para o d eslocuncn to ele populações da área rural pan1 a ull.>aml - a confirmar a caracterizaçáo das cidades como locais de cstn tfllração elo poder e organização das atiYidades comerciais c financei- ras, bem como das inslituiçôcs burocráticas do Estado rPatarra 19861 . O Rio dejatwiro continum·a sendo o alvo preferido para inter'cnçôcs "hattsstmtn ianas", ua seqüência das gTandcs obras empreend idas pelo prefeito Pereira Passos a part ir ele 190<1. Em 1919, o ex-assistente ele Pereira Passos, o enge- n heiro Paulo de Frontin (1860-1933), assulllia a p refeitura elo Distrito Federal e r~ali zaya uma série ele obras vi:trias de porte . Dois anos mais tarde, o prefeito Carlos de Campos (1866-1927) detonava o d esmonte do morro do Castelo, um dos prime iros sítios ocupados pelos portugueses no século 16 para a fun dação da cidade, e criava um "vazio" urbano onde seria provisoriamente montada a Exposição do Centenário da Indepen- dê ncia, C lll 1922 rver próximo capítulol. Tratava- se efetivamente de nm "vazio", porquan to ne- nhuma destinação prévia havia sido planejada para a esplanada que surg-ira. O material do ar-
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    U lJmsil e111f !rhaniz(lç(Jo • 2 5 ..... :i .... C).... ,;; ·l~·,,;~~;;;•,S>~;~ ·--.._ •, '',,... L-4. Projcto núo l'~t·( 11tado de arr11~111 e nro para a área rc:;ultante do d esalt'r rn rln morr o do Castelo c para án:a a tt'tTada rlt>srlc a Glória até a Ponta do Calabuurn. S<').;lllldo proposta de uma comissúu dc cngenlwiros c· arCJuitctos nomeados pelo [li efeito do Rio de Jancim, Carlos Sampaio, 1920 1922. 1·as:1mento do morro foi transferido para a com- pactação de um aterro que, lllais tarde, abrigaria v Aeroporto Santos Dumont. A capital elo país contiuua,·a a ditar a voga de intervenções urbanísticas. O irnpassc do de- senvolvimento c a ocupação urbana do Distrito Federal ensejariam a contratação, em 1927, do <~r­ quiteto Donat Alfred Agache ( IH7!l--1959), profis- sional que vinha se notabilizando na França, des- de ;t década ele 1910, em assnntm url>anísticos. Agache desenvolveu um volumoso relatório com diretrizes urbanísticas básicas publicado em 1930, que. com a Revolução, n~t o !'oi imedia tamente implementado. Em 1931 era criada uma Comis- são do Plano da Cidade para o reestudo do Plano Agache, permitindo sua aplicação parcial. Em 1937, com o Estado NoYO, uma no'a comissão de- senvolveu um projeto que acolheu inúmeros sub- sídios do plauo de l 930 e foi o que orientou o desenvolvime nto do Rio de .Janeiro até por volta dos anos 1960 [Rezende 1982; Bruand 1981J. Alfred Agache dese nvolveu no Brasil, nes- se período, vários projetos c consultorias: ern ]935 fc:z o desenho do Parqu e Farroupilha Iver capítulo "Modemidade Pragrnútica 1922-194:-r'l, faria consultoria para o cntüo prefeito de Belo TIori7onte, J uscdiuu Kubitschek de O liveira (1902-1976) no f"inal rlos anos El30 [ver capítulo "Modernidade Corrente 1929-1945"], um plano diretor para a cidade de Curitiba (1913) e o de- senho de um bairro de clirc e m São Paulo, em Interlagos (anos de 1940). Participou de inúme- ros outros planos, como os de Vitória, Campos, Cabo Frio, Araruama, Petrópolis, São João da Barra e Atafona lSilva 1996]. A cidade de São P<nlio, também ao tina! dos auus ele 1920, apresentaria um plano corn preocupação basicamente viária mas não isenta de elementos referenciados nas questões urbanís- ticas mais amplas. O engenheiro-arquite to Fran- cisco Prestes Maia (1896-1 965) foi o autor de um <tmbicioso "Plano de Avenidas" publicado num relatório em 1930 - tão suntuoso qu anto o de Agache. A Re,·oluçào de 30 também. interferiria na adoção do plano; todavia, em 19~7, com o Estado Novo, Prestes Maia era conduzido à pre-
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    26 • Arquiteturasno nmsil I< ,».. :;t' ..f... ·~-~ '·.-~·t·:~:''.. ·-' f". ~é "' ~}; 'I. t:o ,, -~:)..:. ..; "'~,~l... t ?.":"" ···""'"" t : ••;t ,;~ ..., ""'..,:~.:E.-';1 ·i~..:: ·~ ... ; . -~ ';' I -~ - .;: ~ - .,J_, : -...'! r~~ ..,. --~ ''"····.'.< ' --·1-~ !.$;, ~l :;.l; ~ ~ z~ •"-" ... '-~:, !! &) "' ...... ~l' •' ,. ~ .. ' :t; ·~ !; .'. Proposta elo l'lano de ivenicbs, de 19:10, cl.- l'restt's Maia , para p raça circul:tr na imerccssào das ;~v.-nidas do EsLado e da Jnclcpc nch~ncia: monurncntal id adc vi;i t ia num entorno campeslr<>. fcimra de São Puulo c em sua primt>ira g-csl<'io at<:: 194!i, e posleriorrnenre entre 1961 c 196Pí (quan- do foi cleiLo prefeito da r iclade) , ele implan Io u parcialmente seu projeto, incompleLO em sua execução pe la falla de recursos. As diretrizes bá- sicas do plauo foram seguidas até 1969 pelo seu sucessot· [Toledo 1996]. Os planos para o Rio de jane iro e São Pau- lo ensejaram uma seqüência de propostas para várias cidades brasileiras, em maior ou menor me- dida inspirados nessas experiências. No início elos anos dt" 1930, Nestor Fig-tteiredo c Fernando Al- meida clesenvolveram pl:mos de remodelaçiio e extensão para diversas capitais do Nordeste: For- taleza, João Pessoa, Recife e para a cidade ele Cabedelo. Recife ainda seria estudado em 1934 por AtLilio Correia Lima (190 l-1943) e em 1942 por Ulhôa Cinlra (1BH7-1944). O mesmo Correia Lima elahorflria uma tese no Instituto de Urbanis- mo da Universidade ele Paris sobre um plano de remodda<:ão e extensão de Niterói em 1932 e, no auo seguinte, faria o desenho ela nova capital do Fsl<tdo de Goiás, (;oiânia fver tarnb(:m capítulo "Modernidade Pragmática 192:2-1943"]; em 1941, elabora I';.Jmbém o plano para a cidade de Volta Redonda ILopes 19941. Na primeira metade dos anos de 1930, os engenh eiros U batuba de Faria e Edvaldo Pereira Paiva preparariam um plano pant Porto Alegre sob a inspiração elo plano Agach e para o Rio de Janeiro. Com a nomeação do pre- feito José Loureiro da Silva (l9m~-1964) com o Estado Novo, o arquiteto elo Rio deJaneiro Arnal- do Gladoscl! era contratado para o descnvoh·i- mento d e um IJlano direror para a cidade; nos anos de 1940, Edvaldv Paiv<1 iria desenvolver estu- dos nrbanísticos par·a a capital com o título "Ex- pedien te Urbano". Salvador também teve organi- zada, entre 1 9~4 e 1 9~7, a Comissão do Plano da Cidade, desativada pelo li.~taco Novo. Somente em 1942 seria organizado o Escritório elo Plano de Urbanismo ela Cidade ele Salvador (EPUC:S) , di- rigido pelo e ngenheiro Mário Leal Ferreira. O sub strato conceitual desses inúmeros esforços era referenciado em teorias e expcri-
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    ências urbanísticas européiasc norte-america- na::;; enqu::1n to propostas concretas, boa parte se limit ava a esquemas de circulação com novos sistemas viários sobrepostos aos tecidos urbanos antigos, quando não se tratava ele áreas eu1 ex- pansão o u cidades novas. A 111aiori::J dt>sscs pro- jetos foram rejeitados pelas câmaras muni('ipais ou adot::Jclos c.m condições excepcionais, isto é, com prefeitos nomeados pelo Estado Novo, que uão se suhorrl.inavam ao respaldo do poder legis- lativo para suas in tervcn ções urbanas. Mesmo nessas sitml<:Ôcs ele exceção, esses prefeitos não conseguiram implementar os planos na sua tota- lidadf', pela amplitude e complexidade das pro- postas a exigir recursos que demandariam o in- vestimento de inúmeras gcraçôes de cidadãos. O plauejanu.:nLo das cidades, a funciona- lizaçào dos espaços, a organiwr,·ão de uma hierar- quia viária eficiente e a definição de políticas de construção mediante códigos t>clificatórios vinnl- lados a padrócs urbanos foram aspectos que, a parti r de 1930, caracterizaram uma faceta da mo- derniza~· ;lo dos grandes centros urbanos do país. Quando concretizados, <.:onstituíram verdackiras O /Jmsil e111 Urbanizaçâo • 2 7 cirurgias urbanas que tentaram 'arrer as referên- cias da cidade colonial ou imperial, substituindo- se a paisagem "at1·asada" do casario antigo por largas e arc::jadas ;wrnidas ou bulevares e constru- ções vistosas ele <1rquitctura modernil'.<mtc ou rno- rlerna. Todavia, entre a utopia transformaclo•·a e a realidade conscr'adora, estabeleceu-se um impas- se que acabou gerando nf'nhnma imagem integral de modernidade. ;'!em se pode afirmar, categori- camente, que os significados dessa modernização estivessem conscientemente assimilados pelos ci- dadãos ou govcrnan tes. Ademais, cst rat{:gias des- sa narnrcza c·ontcmplando ol-~jctos tão complexos como as cidades dificilmente são exeqüíveis em prazos condicionados às veleidades ele autoricl:Kks ou autoritarismos. No entanto, o conjunto de ten- tativ;ls d(' plant:jameiJto u•lxnw no Brasil que se registrou no período rl.o enrregucrras inclicia, com rnaior ou tneuor sucesso, que o Brasil procurava ingresso entre <'~S naçócs dcscm·olvidas buscando encontrar formas racionalizaci::Js ele uso c manipu- lação elo espaço das cidades, segundo regras de uma das disciplinas instauracloras da modernida- de do século 20: o urbanismo.
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    2 DO ANTICOLONIAL AONEOCOLONIAL: A BUSCA DE ALGUMA MODERNIDADE 1880-1926 O estilo modr.mo aceita lodos os estilos, cai l''ln todos OJ PXrP.uos, t' '//(LO formando idéia das IU'rt>ssidadr.s tâo várias da gerarlio f.m•scnte, finde-se na jiP.stpú.w rir• 11ovas f ormas n r.rim; de nova exjJTfSSÚo a ado/(l,r; o seu caráter rssr•náal é a ri'úvida I' a incerteza. ANDRÉ {_;( ISTAVO PAU LO DE FRO:-.lTIN, proposições sobre "estilos em arCJUilct tu·a", tese apresentada em concurso C'm Engenharia Civil para a Escola Politécnica do Rio d e Jancil·o, 1880. Ufanismo é uma palavra derivada do ver- bo uümar. Esclarece o di cionário que o Lermo de nota a "atitude, posição ou sentime nto dos que, influen ciados pelo potencial das riquezas brasileiras, pelas belezas naturais do país etc., dele se vangloriam, desmedidamente" [Ferreira 1975, p. 1.436]. Trata-se de uma alusão ao livro de Affon so Celso (1860-1938) , Por quf' me Ufano do uu•n Pais, ediLado em 1900, precisarnenLe no calor das celebrações elo quarto centenário elo descobrimento do Brasil. No final do século 19, o Brasil não se ufa- nava de sua arquitetura. F. d enegria seus antece- dentes: "Herdamos dos a ntigos portugu eses a parte má do gosto arquitetônico; e, por muito tempo, nos conservamos estacionários. Recente- mente as construções vão se ndo mais elegantes e adequadas às condições de nosso clima, porém ainda com excesso inútil ele materiais". Era essa a opinião do engenheiro C. R. Cabaglia [1869, p. 103J em 1866. O ensino de arquitetura no Brasil é ante- rior ao estabelecimento dos cursosjurídicos, mas nem por isso os arquite tos angariaram prestígio equivalente ao dos bacharéis. Data de 1816 a vin- da de urn grupo de artistas fi·anceses para a cor- Le do Rio de Janeiro, ainda sob a regência do en- tão p ríncipe D..Joào (1767-1826 -futuro D.João Vl , rei d e Portugal), para introduzir no país um con hecimenLO artístico de gosto neoclássico.
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    ....._ .3 O •Arquil!!lllrCIS 110 Brasil Mas i· somL·ntc em 1827 que com~ça a runcionar regularmente a Academia ele Relas-Ancs, incluin- do em seu currículo a arquitemra, curso o rg;.u ti..:<t- clo por Augustc Hcnri Victor (~randjean ele Mon- Ligny (177b-1 R50), arcptiLelo francf>s de algum prestígio em seu país de origem, autor de nm á l- bum de levantamentos arquilctúuicos, Arr!tileclure inscanc, ou jwlai.1, uwi.wns, e/ autrfis édijlas rll' la 'f'osumc, J.>tthlicado elHr(' 180ti e l Hli). CARÊNCIA DE ARQUITETURA As ;w;-tliações sobre o cnsiuo da arquirctu- r<t no último quartel do século 19 uão eram nada promissoras. Luiz Schrciner (1838-1892), enge- nheiro c arqnitc:to fo rmado na Real Academia de Rf'hs-Artes de Berlim e ativo no Rio de Janei- ro, foi unt crítico radical da situação no país. Em Hl83 manifestava-se: Se não pod emos nc:gar, que a nossa Escol;~ Politécni- c;t jií tctn formado engenheiros q ue p odt"tll ri,·;tli7ar con1 os tlll'ilwres do Vcllto iVIundo, i: tamb.:m indiscutí- vt'l que a a1 qnitetura ainda(; pouco rulti v:~rla c-ntrf" n<'>s, :l.Ch:lnclo-sc: a art ... d e co nstruir ainda hoje mcri<l:l na ca- misa de força c hamada "rotina", c melo isso pe lo t:tto de sr c nt f' nd !"r que utn arquiteto pod e form::H-st> n:~ Aca d...,nia das B<·hts Ar l('s I ... 1 Ainda hoje os alunDs copiam os mesmos d esenhos do fundador da aub ele a rquit!"ttt- ra (está entendido qu <> ralo d a parte construti'a, c não csrhica destas rópi:ts) n qual, no fínt do s(<.:ulo passado c no prin cípio do nosso . d istingu iu-se por ter p u blicad o uma obra sobre arquitetura toscana L...j . 6. Casa d~.: Detenção elo Reci fe, projt·tada e construída pelo engen heiro .José Mameclt· Alves Ferreira (lf20-1862) a par- til· de 18!'>0. ü engen hcit·o Perei ra Sim<ics c o arquiteto Ilcrculan o Ra11tos comen taram em 1882: "a nossa Casa de Detcn- çiio , estudada em face da teoria da arquitc1 11ra, é- um dos p oucos edifícios onde existe h armonia mais o u men<" perfei ta e ntre.: a forma adotada"' a necessidade que ocasionou a construção. H ii ali. tH:sse ponto rk vista c em relação ao conjunto de elementos, o caráter acertado das obras raciona lm ente feitas. [...j Cada ç lcme nto t<.:tn assim nma significação peran te.: a arte; cada lin ha pode despertar um 'cntime uto rapaz de concorre r para o fim a qnc se destina a di spo~içiio geral" [Scgawa l J87al .
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    i arquitetura entrenós não de u um pas'o ;1antc desde o princípio deste sécu lo, c·rnhnra l'sta t-poca mar- casse uma revnln(";)o co loss;~l ISehreine 1884, p. 7·1. A situação cios arquitetos uo Brasil à épo- ca sofria também de constrangimen tos suscitados pelo próprio poder público. Um aviso do tninis- tro do lmpf-rio, Antonio Ferreira Viauw.t (1834- 1005), solicitava em 1HH9 a contrara<;ão de u m arquiteto na Europa. Na j ttstificativa rla solicila- çào, argumentava-se cptc A ,..J,..vação cln nosso n ÍH'I int<"kctual torna çada dia menos su ponáH·I a !'alta de gr·a(a t> t>stilo em nossas construções. ainda as destinadas a , ,.,·viços pÍihlicos d:~ lllaior imponãnci:1. como se a beleza não fosse cond i ç;io essencial ou d ela sç pudesse prescindi r a troco d;1 solidez, nem sempre conseguida. r...1 F. f' l't>Ciso que à primitiva ane d e constru ir se jnmc·m a concep<;<io e a diglliclacte da arquitetura. cujos exen1 plarcs são t:'io ril- ros en tre nós, t' , o que é m<'lis inquietante. em gera l vi- t'l'<llii do pe ríodo colo nial !Vianna IH!JU, pp. 12 1- 122j. O ESTADO DA ARQUITETURA MODFRNA Esse tipo de ceticismo era também com- partilhado pelo engenheiro civil Bern<Jrdo Ribei- ro rle Freitas (formado na Escola Puliti::cnica em 1881) , par<J qncm, em 1888, o ensino arquitetô- nico no Brasil era "quase desconhecido". É Rihei- ro de Freitas que publica, nesse ano, nma avalia- ção do quadro ela arquitcwra naquele final de sécu lo. Num anigo intitulado "A Arquitetura Mo- derna", o engenheiro tecia considerações sobre as grandes Lransrurmações tecnológicas e sociais processadas ao longo do século que t'erminava, assinalando a perplexidade de sua época: O século 19. instigado pt'la~ grandes conquist:Js rias ciências e das indústri as, fone pelo fl:rro que tornou-se a sua matéria-prima por excelf>ucia, revoltou-se contra o P"ssado c de ous;Idi<~ em ousadia apresentou for mas in- 1c-iramentc novas que acharam sua raôo ck st>r nas leis ela estatística, mas que se afastaram da estética até ago- ra conhecida. Estamos em pleno domínio da rt>voluçào. Como se mptT acon tece nas rt>voltas, os acaclf>lll icos, os que g uardavam corno sagrad os os princípios da ar- no Antirolo11ial oo Nroroloniol • 3 l quitt>tttra [...] protestam contra as exigf·ucias cl<t indús- tria e cteclararam n:bcldes e fora ro>npletamente ela (O- Ill tlllhào da arte as novas manifesta<,:ôcs elas H<·cessiu<Ides h umanas c: elas idéias elo nosso s(•cttlo. Oaí dois cam pos lwm d istintos na arte das constru- ~·<->('S: os rc·voi LOso~. w, progressistas, ele 11111 lado: do ou- tro, os fié is. os respeitadores da an c a nrig;.t. Não ohsratllc a coustatação do dualismo, Ribeiro de Ft-eitas supunha concmnirantcmente uma unicidade da arquitetura de seu tempo: "nos diversos povos o caráter arC]nirctflnico é um; é a expressão da civili:t.ação da era presente. F,certo que ainda há poYos separarlos da comunhão ge- ra.l; mas nos países 'errladeiramentc civilizados, conforme as nossas idéias há uma só civilização, costumes e idéias concordes, e daí um<l arquite- tura, a arqui telllra moderna". Tomando ClllJXestadas as análises de César Daly (181 1-1R91), Ribeiro de Freitas via a arq ui- tetura dividindo-se em três correntes: o "grupo histórico" ("fiel da csli:tica mais conhecida, acei- ta somente as arqui teLUr<Js Cllle caracterizam as duas civilizaçôcs mais notáveis: a greco-romana c a da Idade Média"), o "grupo er.l{:tico" ("reserva- se o direito ele escolher em todos os estilos, em rorlas as manifestações da construção o que mais perfeito julgar para o fim que se tiYer em vista") c o "grupo racionalista" ("é uma reação elo pre- scnre contra o passado [... ] lançando mão dos novos malcr·iais l---J esse grupo adotou a libercla- ck da t<>rrna, sem obrigação d e atender às leis da estética legadas pdo passado"). Negando a existên cia de um "corpo de doutrina" aos grupos "eclético" e "racionalista", as pa lavras do engenheiro brasilei ro bem espe- lham o dilema da modernidade arquitetônica no crepúsculo do sfculo 19: () ar LisLa moderno, o an1uitt>to moderno lnta com gr<tncle~ d ificuldades, se se fil ia à e~co l a ,·acionalista, tendo por único guia a mecâni ca aplicada , tem(~ cair e m formas secas, frias, esque letos, ó rg::io:; de máquinas antes do que elementos arq ui tetôu ico~ ; se aceita a es- cola eclética, sen1 outro critéi-io para escolher· as suas normas a não ser o se u próprio _juízo cai no cetic ismo <trtístico, no :.~handono e d esprezo de todos os princí- pios admitidos.
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    32 • Arquitetumsno nmsil lkssf' estado da arquitetura moderna 11<1SI'' o ind i- vid ualislno ('111 qnestüo da arte; cada um é: seu préJprio _juiz c não actmi1e dog111a ~ c· 1weceitos estéticos. Há a per- feita dt'sor){ani·tação das verdadeiras escolas. A crítica artística desapareceu , pois qnc nào há leis esté-ticas; mio hú cúdigo, logo u<lo h{t,iuiz [Freitas lfltll:l, pp. 1!1!1- 1~11 . MODF.RNIDADE E IDENTIDADE CULTURAL A hesitação pelos caminhos que a arquitc- Lura deveria trilhar- debate em curso sobretu- do na Europa - collhcceu no Brasil uma outra variável: a da nacionalidade. Em meio a uma vida culrural r mundana orientada pelos padrôcs fr;:Jnct>ses (daí o recorrente uso da cxprcss:'io " hc- lle êpoLJLI<.:" para esse período na historiografia brasileira), rssa preocupação se esboçou com maior i11 Lcnsidadc nos meios literários. O ltfanis- rno de Affonso Cf'lso in;m?;u rava o palriolismo oficial; escritores como Euclides da Cunha ( 1866- 1909) e Lima Barreto (1881-1922) teciam abor- dagens distintas d::~quclas prt'scrilas na literaLUra <lo Velho Mundo. Não há registros escr itos de rlf'hates dessa natureza no âmbito da arcptitt>lu- ra na J.nimcira década do século ~0. Todavia, a questão era la lelllc, c, ao menos isoladamente, arquitelos manifestavam-se a rf'spPito na esteira da discussão mais ampla. É o que se ctr preencle ele um memorial explicativo df' um projeto ele palá<.:io municipal para Belém, cidade que se beneficiava., nesse momento, ela riqueta proporcionada pela cxpor- ra(i'io da borracha. Seu autor, o engcnhf'it-o ar- quiteto Filinto Santoro, era italiano com estudos em Nápo les, tendo chegado ao Rio de .Janeiro em 1890. Sahc-sc CjtH' foi um profissional que es- teve aLivo e m várias cidades bt·asileiras (Rio de Janeiro, Vilória, M::~naus, Belém c Salvador), fi- gura de prestíg-io com obras públicas de impor- tância [Derenji 1988] . Ao elaborar sua memória técnica sobre o j amais cxccULaclo palácio, em 1908, Santoro reg-istrava a situação presente ela arquitetura: O s~cn l o atual , possante e inov<tdor nas cii'·ncias, n8s teu·as c nas demais arLcs. nfw conseguiu ainda ter 11111a 110'a ;n qnitctura. i maior parte dos granrlio~os t'ciilícios 'O IISI ruído~. longe de tc1· uma fisionomia prú- pria, como nos sé-culos passados, ou são cópias de anti- gos m o n umentos ou compo, i(i>Ps bhoriosas de elc- llll'ntos llt'lt'rogêneos amalgamados com maior nu menor habilidade. Certo é que o espírito ntodl·rno toge ;ls velhas form as; c os arcpr irt'tos, nwsn1o os mais geniaiS, CSforçalll-S(' para dotar a ll OSSa t:]JOCa ele lllll non1 estilo arquitetura! CJlH' mdhor respu1uLt ús aspira- ções hod iernas e ao bom gosLo, acocdando-o com o desenvolvimento grandioso progrrssivo dt' ioclas as ar- les apl icadas. Na nossa pcrcgrinaç~o aos velhos e cultos países da Europ<~ ficamos convencidos de que pouco~ são aqtlt'lt's que m;unêm na arquitetura os expressivos elementos cl;1ssicos c quase achamos os artistas de hoje identificados, concordes ua pt'squisa de um novo ideal estéLico. mostr::~ndo até em algu mas consLruções, ap'- sar das iucvitá,·cis inccrl e~:as e exagems, uw complexo hannôuico dr.: linhas, 11111 conj11n1o till, rif' inf'undú a es· pera u ~·a de n;io estar longe o ad·t'nto da d t'st·jada ar- quitL:tura do século 20. E posicion;.~va-se quanto ao eslilo adequa- do ao BrasiI: N u111 país novo, que seuiP a cada hor<J ;1 i11rlui'ucia ·ariável da~ idéias d<' além-n1ar, a imposição ele um e~­ tilo único seria i111proccdeute [... j Todo c qualqu.-r estilo, consoante a sua oportunida- de. pode e deve ser adapi<Jrio ao nosso clima e ao nosso meio, dc~de que sejam iiTepreensiw·l mentc obsen·ada~ as modernas prcscrit;Ões higiênicas. I'o Vl'lho M uudo todas as l'orm<~s a rquitc wrais t>rocnlcram de estilos an- tc1·iores aos qua i, foi sc111pre assimilado um elemento e.~tran h o, dependente d o progresso e da transCormaçüo das v;íri<Js civilizações, da aquisição d e um·os conhl'ci- mentos, d<J inrJu ência de novas idéias c sen1ime11los (' 1ambénoda introdJl(iio de novos materiai s. Deixt"-S<', pois, ao cngeuheiro, num país como o nosso, <t escolha do eslilo que melhor corresponda ao seu gosto, às suas idéias e aos l'ins a que se destina o edifício. Esta liberdade de agir, porém, niio o d ispensa d e se preocupar in ccssa n tem <' llll> com os ele uieuLOs cuja influência t;m to ~e afirma sobre as construções: o clima, as tendências do viver coletivo, o progresso dos materiais ele que, porventura, disponha [Santoro 1900, pp. 111 -t 11]. Não obstante o oLimismo e o tom progres- sista do discurso, o Palácio Municipal de Santoro era um pr~jeto de arquitetura convencional.
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    ESTETICA DA RACIONALIDADE Osmais surpn:<:ndcntcs escritos irnprt>g na- dos de uma precoce modernidacl<: foralll feitos a respeito ela ohra rlo arquiteto Victor Dubugras ( I R6R-l 933), francf:s com formação profissional em Rucnos Aires c radicado no Brasil a partir ele 1890. Dubugras, t-m st> us primeiros projetOs co- m o fun cionário público para o Est::ldo rle s:w Paulo, dese nho! fúruns c escolas ncogúlicos. Na virada elo século. o arquitt:to er<l um projetista p<:dcitamente sintonizado com a expcrirncnra- ção Art Nouvcau, praticando obras residenciais com ::l mesma desenvo ltura modernista de Bru- xelas, nan-elona O ll Paris. Em 1905, o arquile to havia org<mizado uma exposição de seus projetos e obras e foi saudado pela Revista Pul)'lechníra, periódico crlitado pelo grêm io cs1udan Lil tla Escola Politécnica de São no A nlimlonial rto Nt>orolonial • 3 3 Paulo, pe la "coragem do arqlitcto cnt expor lra- balhos que fogem compkt<mt<:ntc às formas ha- nais, manifestando uma tendência hem acentua- da para urn novo método de construção, ainda pouco c.studcldo" (n:feria-se ao concreto armado). Poucos 1neses depois, a r<:vísla publicou uma aprt>- c:ia~:ão do csLUdan te Augusto de Toledo sobrt- a obra elo seu professor, Dubugras, manifestando 11 rna inédita postura estético-construtiva: Eut toda coustr ução o Sr. Dubu~ras deu inteira p rl:'- fer~ucia às form<:~s ele est rutura real. As d i sros i ~·iH'' const.rut i';lS c· a natureza dos mat l:'riais s~to rrancamen- tc acusadas. lealmente poslas em evidê ncia: o que pare- ce parte ~upunad;1 funciona verdadeirame n te como L~ I; o g ran ito i:: g-r:-tni to 1nesmo; os rc'cstimentos dt· <trg;t- massa não iluden1; e wda pcp d e madcirajú eslú colll ~ua co•· própria , tendo apenas uma C;lm<td a protetora de verniz transparente. Aplau dimos convictos esta maneira de construir tão honesta c racional. O arquücw te m de cingir-se ao> re- cursos de que dispõe, e à~ formas impostas pela 1-'stahi- ----------- --------~ ------ ---------·--------------.--:.-·::---_-- - -'":- · - --:-- U Oue!.lJ6Ftt;,. fi"'c. 4 7_ Vinor Duhugras: estação fcr.-oviúria em Ma irinquc, SP, 1905- 1908.
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    31 • Arquiteturas110 Brasil lidade c resistência dos materiais. Lade:>ar dificuldades ou siullllar riquezas cn 111 fingim e ntos c an ifícios t:, a nosso vt'r, cair em uma ane viciada c mcntiros;l. Nada mais rid ículo d o que, por cxcrnplo. os 111<Írmores d e es- mquc c os trontõcs impropo~iamcntc t>st;1tchodos no nll·- po das rachadas. O distiu to professor pt>s de maq; t'm todo velho ;u·- scnal de cornijas, consolos, balaústres decorat ivos, ao·- lf llil ravcs etc. l~ o caros aos rotineiros , aos que L1zcm arquircwra com as fcu·malísticas e inllllúvcis receitas de Vinhola. c c nvt>rednu corajosamo•ottc pela a n e llwdcr- ua c pt>los modernos processos de constr u~ ão ITolcclo 1901í, p. 771. Trb au os d epois a mesma RPvisla Poly lechnicn publicou um elogio à então recém-inau- gurada estarão ferroviária na cidade de Mairin- que, no Estado de São Paulo, projeto de Dubu- gras. O edifício é praticamen te uma esLrn tura monol íLica de concreto armado, estrutura com trilho~ (fundações, pilares c vig-as) e metal ex- pandido, o ·metal déjJLoyé (pared es, lajes, abóba- das), alérn d e empregar coberturas a tiran tadas sobre <'ls pla taformas. Num artigo assinado por P. J. (hipoleticamente Hyppolito Pujol.Júnior, li-l!-10-1 952, engenheiro civil recém-formado) , ressaltava-se o pioneirismo da obra: A bela composição do Sr. Dubugras tem [...] [o] grande mé rito [... j de co nvencer d :~ possibilidade d e fazer be la uma obra de r imerno armarlo os d e~crentes da estt'- rica do novo sisrema de COilslnoção, os que acre- d itam que o único me io de tornar atraente uma o bra t>xecu tada com essl:! tmncrial é esconder a natural rigi- d(~z geom(•trica d:~s formas que decorrem da consrru- (ào mesma, fazendo-a dcsaparPcer sob suct>ssivas ~.:ama­ das de em boço e r<"'boco (...] A simplicidade do mé todo es1élico a qne rcçorre o arq11itPto mocomposição da sua linda garr, a f~1c i lid;~de c nal.llralidadc ela ordenança elas sua~ fac hadas, não são, ento-etanto, seniiu aparentes ... uào excluem, pelo menos para quem não possuir as superiores qua lidades de artista elo d istintO mestre, um penoso ll·aballoo de ra- ciocíuio e uma ponderação muito j usta do noYo méw- do de const r uç~o , de que d.-ve decorrer nt-cessaria- mente todo o efei to arquitetura! , quer d o conjunto, CJU<"'r da dccora(i.o ckmcntar da obra. I:: para mostrar q ue não é f~1cil chegar a uma composiç;'io tàu rac:ion;~ l , tão elegante e a paren temente' tão esponr:inea e f<ícil, para acentuar todo o merecimen to desta bela constru- ção, basta lembrar o clt>plorável aspecto das cdilicações e m cimento armado que se alastram pelos Estados Uni- dos c pela Ir;lia, pela luglaterra e pela Françil, reconlan- do parti cu l<~ rmt>nte as casas em n·1ncnto scmi-annato de Alzano d i Sopra c a memorável casa d o cngt>nheinJ lle n nc biq ue, em Paris- em que, ora s1· descur::t inll·i- ramento:: du efe ito arqu itt>lônico. tratando ape nas chl pa rte COIISI.nltiva e utili1ária, ora, como no caso da Villa Hcnnt>biq11e, se sacrifica todo o cfei lo decorativo, afo- g-ando a construção de cimento arm:-tdo e on uma imit:-t- ção ridícula c co m p!icad;~ de a h·cnari;~ de pedra [...]. É que é cfetivanwnl c difícil e~cap;n ú insensível IT- pc li<Jw elas velhas u orm:~s ci... composição, adaptar-se a u m mate-rial intciramenle novo, se-guindo uuicanwntc as indicações do bom senso, procurar uma composição geral <" um;o decoração inspiradas na própria constrll- r;io, chegando, e nfim , a uma obra o riginal, inteligente c bela [...] E essa é precisamente a dificuldade que su- pe ra mag-istralmente o iusigne <~rqu ileto . que nos dá com a Estação Mairinque u m brilhan le exemplo a se:>- gn ir, no camin ho ela reabil itação esl ética d o cimc11 to arm<~rlo, túu cedo t> tão ít~j usta mt"n LI:! con den:~do u .llllO coisa fund;tllwn talmente dt>sgraciosa c fe ia [...] [P. J. 1HJX, pp. 189-190]. Na primeira década elo século 20, a Esco- la Politécn ica de São Paulo ainda comple tava seu prime iro decênio de.: funcionamc.:nto, c a tarefa de buscar e organizar o conhccimcnto ciell tífico era urna prioridade. Em 1899, criava-se o Gal>i- uetc de Resistência de Materiais, constiLuinclo um laboratório de ponta em tecnologia da cons- trução. Cottb<.: a Hyppoli to Pujoljúnior, quando estudante, diri)!;ir a elaboração do Manual de Re- sistência dos Materiais, publicado e m 1905 pelo Grêmio Politécnico; assim como, dois a uos de- pois, já como professor da Politécnica, realizar urna viagem por laboratórios de ensaios de ma- teriais na Europa [Pujul Júnior 1907]. Man uais pioneiros de concreto armado corno os d e Gé- rard Lwergne (1901), Cesarc Pesenti (190fi) ou catálogos da Fxpanded Metal (1905) de Londres ou da /VlPtal déployé de Paris eram publicaçôes acessíveis en tre os en genheiros em Sio Pa ulo. Victor Dubugras beneficiou-se de um contexto fe bril ele capacitação tecnológica na escola em que era p rofessor, e não foi grat11iLa a admiração de seus alunos <]llando o mestre respondeu ao entusiasmo tecnológico corrente corr.t uma apli- cação judiciosa do novo material numa obra ar- quitetonicamente elaborada.
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    Não há registros,todavia, ele novas expe- riências dessa natureza, ou ao menos com reper- cussão equivalente. Dubugras aparentemente prosseguiu sua carreira sem repetir o radicalismo coustrutivo experimentado n a estação Mairin- que, mas continuou como um arquite to aten to <lO <~mbicn tc inrcrnacional c local. Recém-ch ega- do ao Bntsil, co111 po11co ntais d e vin te a nos d e idade, abraçava a linguagem neogótica; com pou co mais de trin ta anos, praticava o Arl Nou- vcau sim ultaneame nte aos seus colegas euro- pclls; prúxi111o dos q11arc nta anos, na pri111cira década do sécu lo 20, desenvolveu experiê ncias f!llC o filiariam ao "gr11po racionalista", detecta- da por Ribeiro de Freitas, em 188R, a partir ele categorias elaboradas por César Daly. Aproxi- mando-se <lOS rinqt-tcnra anos ck idade, VicLOr Dubugras embarcou numa nova experimcnta~·ão rorrnal, inclllindo-se entre os pioneiros que, na metade da década de I!) I O, adotariam a arquiLe- tura inspirada na arte tracl irion aI hrasi le ira: o n eocolonial. O FUTURO NO PASSADO O ano de 1914 pode ser considerado como a data inaugural de um movimento que incorporou um componente inédito no debate sobn· a modet·nização da arquitetura no Brasil. Nesse ano, Ricardo Severo ( 1869-1940) profe- ri u na Sociedade de Cultura ArlísLica um a con- ferên cia, "A Arte Tradicional no Brasil", preco- nizando a valorização d a .arte tradicional como man ifestação de nacionalidad e e corn o elemen- to de constitui~·áo de uma arte b rasile ira. Dis- corrcnelo sobre ;.~s o rigens portuguesas da cultu- ra brasileira, Severo defendia o estudo da arte colon ia! como orientação para "perfeita crista- lização da nacionalidade". Se·ero não defendia uma postura propriamente conser vadora. For- mado engenheiro civil e de minas na Academia Politécnica do Porto, em 1891 exilou-se no Bra- sil devido ao seu envolvimento com o movimen- to republicano português, preconizador ela im- l!n A nlirnlrrnilll 110 Nr>nro/oniol • .') 5 plan taçiio da democracia ern Portugal- afinal be m-sucedida em 191 O. Entrc 1H9H c 190H rcror- nou ao seu país de origem c editou uma publi- cação de valorização ela cnltu ra rr;.~d icional por- tuguesa, Portugálirt, com trabalhos de etnologia e a rqueol ogi<~ , sua contribuição para 11111 movi- men to de afirmação da cultura l u ~a em curso em Portugal na virada do século- iniciativa que se confund ia corn as conviq:úes republicanas. Radicando-se de fini tivamente no Tirasi l em 1909, associou-se ao maior escritório de enge- nharia e arquitetura e m São Paulo, o Escritório T{·cnico Ramos de Azevedo, c iniciou seu prose- lilismo por uma "arte nacional". O "culto à tra- rli(;1o" já era mna posi~:ão revelada com sua ati- vic.htdt: "lusilanista" em Portugal desde o final elo ~éculo 19, c sua atuação p rosseguiu 110 Brasil, transro r mando a ex<~ltação ela raiz cultural c é tnica portugu esa no fundam ento da a rte bra- sileira. Era uma compatível corn u11hão da creu- (a republicana e luso-nacio nalista co m o em er- gente ufan ismo elo Brasil elo início do s(:culo 20. Seu discurso, todavia, era u ma especulação sobre o presen te: Não procurem ver, meus senhon:!S, nesta veneração 1radicionalista, diluída em nostálg ica poesia do passado, 1 1rn~ Jnan if<'sf"a(fio d(· ''saudoslstno" rontc'"tn tico t' rt't rúgn.L- do. Com efeito, para criar urna an e que seja nossa c do nosso tempo. cumprirá. qualquer que seja a orientação, CJII<' não se pes()uisem motivos. origens, fontes de inspi- ração. pa1<1 muito lon~c de nós próprios. do meio cn1 qul· tleco1 n·u o uosso passado c no qual Lerá que prosseguir o nosso fut uro. Ficará he m explícito qne não se intima ao anisla de hoje a postura iuerte tl>t esfinge, voliada e m adoração estática para os mitos do passado, mas si111 a atilllde viva do caminhante que, olhando o lüwro, tem de seguir um caminho clcm a•·cado pela cxperif nçia e pelo estudo do passado, e CL0a única diretriz é o progres- so e a glória das artes nacionais [Sevcm 1916, p. RI] . A publicação de sua conferência de 191.4. e de outra palestra, proferida na Escola Politéc- nica de São Paulo em 1917, constituem as pri- m eiras tentativas de sistematização do conheci- mento sobre a arquitetura tradicional brasileira. Todavia, a manifestação pioneira de Severo não encontrou rcbatimen to imed iato em for ma de obras realizadas, porquan to a deflagração da Pri-
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    3 G •A rquilelllros //() nrasil ··.. I flg. 26 - Velha egreja de Santos. R. lht"raçào utilizad;, por Ricardo Scv<·•·o na conferl-n cia '', Arre Tradiciun:1l n o Brasil ", <'111 j ulho ck Jql 11. xm·ira Guerra (1914-1918) repercu!i11 negativa- mente no ritmo cb construção civil no país. Vic- tor Dubttgras, n esse se n Lido,já em 1915 pn~jeta­ va as primeiras casas de inspiração tradicio nal na cidade de Santos [Motta 19571 . A p ropagação dessas idéias lastreava-sc num sentimento de nacioualismo q ue se inten- sificava desde as com e111ora~:ões do quarto cen- tcn;~rio do descobri111cnto elo Brasil. A década de l 9 LOconheceu a institucionalização de rno- vimenLos nacionalistas - como a Liga ele Defe- sa Nacional, criada e m 1916 pelo pocra O lavo Bilac ( 1865-1918 ) [Naglc 1974], ou o recrudes- cimento de movimen tos capi taneados por insti- tuições como a Sociedade Eugê nica ele S. Pau- lo ou a Liga Pró-Saneamento elo Brasil- críticos do falso ufanismo c da situação médico-sanitá- ria no Brasil lLobato 1918] . Foi o proselitismo do médico e historiado r de arte José Mariauo Filho (1881-1946), no Rio de .Janeiro, no entanto, que assegurou maior re- percussão à linha tradicio nalista com maiores conseqüências que a ação ele Severo em São Pau- lo. Respousávcl pela denominação "ncocolonial" ao movimento [Maria no Filho 1926], seu ativis- mo, a p<1rtir d e 1919 como ideólogo e incentiva- c <w n.() "'~~ ·o.n:~'t~.)~ c '<I.IÚ'i>t'à~, a'm-iu esp~ço para que uma série de obras públicas d e porte fossem ex~cutadas com inspiração na arq uitetu- ra tradiciom.d brasileira. A pregação de Ricardo Sev<.:ro c .losé Mariano Filho roi bastan te bem- sucedida em d uas frentes d istinlas. Na Exposiç;'io d o Centenário no Rio de Janeiro em 1922 -co- memoração da inde pe ndência brasileira -, al- guns elos principa is pavilh<ies foram projetados dentro do espírito neocolonial. De o utro lado, no mesmo ano d e 1922, a Sernana de Arte Mo- clcrna, prou10vid a em São Panlo por um ?;rupo d <-' jovens inte lectuais, re unia no Teatro IVl unici- pal um:.t exposição de pintura, escultura e arqni- tetura, com apresenlação de músicas e leitura de textos e poemas deliberadamen te chocantes para o~ padrões r~ rtísticos vigentes no país- a primei- ra manift>st<t<;ão antitrauicionalista, cultivada com a inspiração dos movimentos artísticos modernos eurnpcus, que ;)ntadureccria a partir ele então. Touavia, a pa rticipa1,:ào da arquiretur<J r<.:stnniu-se aos esboços ck dois arquitetos: Amônia Garcia Moya (1891- 1949) e Georg Przyrem bel (1R85- 195fi) - o primeiro, com desenhos de volumes gcomctrizados cuja i nspir::~ção podcri ::~ ser tau to a arqnilctura asteca qua nto a m editerrânea; c o segundo, polonês de ror maç;io germânica, mos- trou o projeto ele sua casa de praia, no padrão ela ar(ju ite tura tradicional brasileira [Amaral 1972, pp. 148-156; P.atista 199 1]. Marir~no patrocinnu, no lnsrituto Brasilei- ro de Arquit<.:tos, alguns concursos d e arquitetu- ra e mobiliário e interh:riu junto ao governo para que, nos editais dos concursos para os pro- je tos elos pavilhões do Brasil na Exposição de Fi- ladélfia (1925) e na exp osição de Sevilha (1928) e do projeto do novo edif'ício da Escola Normal (1928), obrigatoriamente se in spi1·assem ua ar- quitetura tradicio nal brasileira [Santos 1977, pp. 98-100]. O recon hecimento oficial do neocolonial e a construção de im portantes edifícios públicos nessa linh a vulgarizaram os elementos ornamen- tais ele gosto tradicio nal a ponto de serem apro- priados, em todo o Brasil, em edificações tão
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    TJn Anlímlrmío! rtoNmm/onial • 3 7 9. F.snitúrio Tt('toico F. P. Ramos d e Azevedo; Sociedade Port11g11t"a dt' lkncllcência de Santos. Sl'. dccada de 19:>0. distin tas C]Uanto h abilações populares o u postos de gasuliua. J aplicação indiscriminada do n eo- colonial gerou u ma acalorada discussão entre a rq uitetos e artistas - tendo como opositores sistemáticos os de fensores d o pensam ento Tka 11x-art s mais o r10doxo, ou que julgava1n a arte colonial brasileira ou a barroca p onuguesa destituídas d e conteúdo estético significativo . O debate culminou numa série de reportagens or- gani;.ada por Fernando de i.zevedo (1891-1971), puhlicada no jornal O i;'stado rle S. Paulo em 1926, sob influê ncia de Severo e Mariano. At.everlo , posterio rmente, se transformaria num dos mais importantes educadores brasileiros, o~o pensa- mento se manifestaria em totalidade nos vários tomos de A r:utt1tm Rmsi!Pim, editaria em 1 94~. É in tcrcssau te registrar o cará ter de "progresso" q ue os defe nsores do movimento a tribuíam ao neocolo nial. Severo reafirmava suas convicções mani festadas em 1914 e radicalizava os objetivos de transformação: A açio primitria tem que ser a r.-.,·olurâo; ma~ a e~~êu­ ci<~ rl:1 obra constru tiva é apenas a tradição; c :1 meta de~­ St> I r:1dicionalismo rt>Yolucionário i- o nwsmD d esen 'olvi- IIICntu do progresso que todos os p o'OS buse<llll 11:1 t 11ai~ a ngu stiosa elas ansiedades. F.m m<ttéria de arre, alistar-me-ia "a priori'' como "fu· n orist;o"- consoante o ten110 em moda -s<· este pseudo· fuwrismo não sig-nificasse um ilogísmo ana rcptil.an te, se uão fosse urna n eg;niv<t~ se não dt:nnn r.iassc un1n fac:~ ­ çào ele fa to retrógrada f...1 Po rém este tradicionalismo revolucionário é também futuri sr:-~ [Sever·o 192fij . O d epoimento do pintor José Wasth Ro- drigues (1891-1 957), na mesma série de reporta- gens, constataya uma d imensão mais ampla no neocolonial: Não faço mais do que seguir um movimento que me parece universal. O regionalismo é :-t const>qi'téncia do
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    _:) 8 •~rquile/JirtiS 110 Nrosif excesso ele cosmopoli tismo. O que, fatigados de lellla- lias, prnc nralllOS n a arquitetut·a colonial é arte que repousa o espíri to. traga o ca r:ttcr das coisas brasileiras e falo llla is, tanto an scntimt"nto como?. scusi bilidack. Niio quero a arq nitewra <lntiga na sua rigidel. mas uma arte moderna que a í proc urt" unt elemento de renova- ~·;io [Wasth Rodrigues 1Y2t"l. O movimento nt>ocolonial teve sen apo- geu na déc:-~rl a de 1920; praticad o ou apropria- elo popularmente na~ décadas seguintes, a força i11staurado ra co11tida e m seus postulados foi fe- necendo em imitac,:ôes iuco nsistcntes e destitu- ídas da carga ideológica formulada pelos seus idealizadores. A úlrima o bra neocolonial impor- tan te executada no Brasil foi o edifício da Facul- d aelc ue Direito ele São Paulo, projeto de Ricardo S<>vero inaugurado em 1939; a mais ex- te nsa concenTração d e arquitetura neocolonial, a cicladc de Ottro Preto, lt>ve a maior pan e das construções qtte caracterizam o atua l cenário "colo nial " e rguida após a dé cada de 19::!0. No entanto, nào se pode afirmar que o movime nto se snstcntasse com uma consistên cia perfeita. Em. Fc n,-;1.ndo de. 1'I .t::'>'CÓO - parü <ário <lo neo- co lnnial-, nas conclusões do d chatf> flUe pt·omo- ""-'-' "" "n,.~p1 e u sa, vi s lumhr::~va-se inadvertida- ment e a principal crítiot ao movimento, mesmo que a co nsi dera~,:ão não se <<tracrf'rizassc como uma autocrüica consciente: A rcuasCI"IICa da arte na a rquitcttn·a se dará com a con dição cssc·llcial de se ;tpo iar "sobre princípios"<' u ão «solwe fonnas... Os verdadeiros artistas têm q ue lear sem- pn· em conta a va riedade complexa das l"ondi çf>cs m esnlúgicas e sociais c abandonar o erro em q ue incidem ti·e(jücntemente os arquitetos de adstringir-se à reprodu- ção d e formas ct ~o sen tido não co nlwcem e n;o procu- ram p enetrar. Nas mais belas épol"as cl<-- arquitetura hou- ve sentpre utlla concord ância en tn' idéia e expressão, entre a estr utura c a forma. Que é originalidade senão a cxprcssãojusta de uma idéia, a illt erpt-ctaç~to ornamental das formas clrrivadas dos materiais c a adaptação exata dos motivo~ ú vm·icdadt· fun cio nal das construçõeú , vc1~ d:1cle, porém. é fJUC não temos tentado ver claramente que ess:1s disposições c formas de outras épocas, Cl~a rcs- tauraç<io se p•·ocura, só se dci'Clll restaurar, pot·qHe elas, por exprimirem as nossas o rigens c a nossa tradição. es- tive ram, como estão ainda, em funçiio elo meio físico para o CJUal se transpvnaram [Azevedo lY26b] . i aparente postura liberal e aberta à rno- uerniza~·;io com a clualíslica fo rmulação de um "tradicionalismo n .:voluciou;:irio" não foi sufi- cienLc para Ricardo Severo assimilar o cubismo, o uadaísmu, () ··geometrismo rctilinear" na arqui- tetura c o jazz-band- mauifestações que, em seu conjtil1lO, se caracterizavam para ele co mo "no- víssima aspiração social, a praga nevrálgica que assola a sociedade mode rna", ·'vícios ou molésti- as d os sentidos ou do gêtiio" [Severo l9::!6] .José Mariau o Filho adotava um lingn~jar de c~quiva­ lentc virulê ncia <to tratar das manifestações da arquite tura funcionalista européia em curso nas décadas de 19::!0 e 1930, taxando-as de "comunis- tas" ou 'judias" fMariano Filho 1 94~]. Essas apre- ciações revelavam as fronteiras de um liberalismo que admitia uma ruptura ftmdame ntada e m pa- drões do tradicionalismo colonial ou ibérico, avessos à ortodoxia do fechado sistema estético Beaux-arts, mas incapaz de estabelecer uma crí- tica coeren te sobre a irnprevisibilidaclc do novo, representado pelo fnncio nalismo europeu, emer- gindo daí uma coleção mais de ata(el ?H~<.:.<W­ ceituosos que ele argumentos fund amentados. N~>.o cnt' -..~ c.úúc~ o-:; neocolon·ta)istas contra o fun cionalism o fosse absolutamente infundada; mas a carga de p reconceitos político-ideológicos uebilitava a alltCnticidaclc d<t crítica. Essa neg-ação completa do (quase) total- men te novo permite..: situar o neocolonialismo 1111ma posição simétrica ao sistema Bea11x-ans: ambos se sustentam c se legirimam no passado, com discursos tautológicos- de monstram teses rcpetinuo-as com palavras diferentes. O perfil distinto na rctó t·ica ncocolonial é o tempero na- cionalista; o repertó rio sistematizado das formas do colonia l hrasilei•-o ou elo barroco ibérico e n- quan to indiciador de manifestação nacional, no lugar das regras clássicas, seria o rompimento <'i norma . Efe tivame nte, esses aportes n ão p ro- põem uma ruptura estrutural - apenas a substi- lltição de formas. Mtrdam-se as formas, não os princípios. O ncocolonial, n a prática concreta , afig uro u-se como uma variação do ecle tism o no que busca eleger um "estilo " mais ad equado para o fim que se tinha em vista, num con texto
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    ainda de dcsconcertantesd ikums sobre a nova arquite tura d o século 20 - uma tentativa e m meio à "perfei1a desorganização de verdadeiras escolas'', como havia escrito o engenheiro Ber- nan lo Ribeiro de Freitas em 1888. Não se nega, erllretanto, ao episódio neo- colonial na arquitetura brasileira um papel signi- tic;.~ ti vo no debate das idéias sobre novos con cei- tos arquitetônicos. O discurso rlc seus defensores não é isen to de uma vontade modcrnizadora no sentido de atualizar a arquitemra face às transfor- rnaçôes da sociedade c da cultura material do iní- cio do século 20. Independente do referencial ele "modernidade" que adotavam , o principal aporte da postura n eocolonial foi a introdução do con- traponto 1egionali.sta - a busca de uma arquitetu- ra identifi carlora d<i nacionalidade - como fator de renovação. O substrato conce itual dos líderes do movimento era de n atureza reacionári<1, po- rém intcrpre1açiics mais brandas- destituídas do /Jo An.liroloniol ao Nt'O(I)/nnial • 3 9 sectarismo c capazes de reformular com sere nida- de os radicalismos- for maram a base de uma ati- lude ele assimilação de posições aparentemente antagônicas, como o próprio Ricardo Severo for- mulou, mas não materializou: o "tradicionalismo revolucionário". A busca de uma arte moderna no contexLO brasileiro foi alimentada por um in- lcllSo debate da questão da nacionalid<1de e ela aulonomia nacional- do w sco ufanismo da vira- da do século, atravessando as instituições eugenís- ticas c redunda11do no patriotismo mistificado das comemorações do centenário da indepen- dência. A versão arquiLetõnica desses episódios ela história brasileira elas prime iras décadas elo sécu- lo consubslanciam-se na mirabolante campanha neocolonialista, CJUe, em sua essência, trazia algu- mas raízes d(l vertente de arquitetura moderna <lllC vai irromper no Rio deJaneiro, na década de 1930, prolagon izacla por um ex-discípulo do nco- colouial: o arquite to Lucio Costa (1902-1 998) .
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    3 MODERNISMO PROGRAMÁTICO 1917-1932 A raquit11tnm no Bmsil está jJositivamente deslocada das duas correntes adversárias em. que se dividi', do jwnlo dn vista ltTlist/t:o, a concepção da aTquill'lum wodenw. Nüo estó, r/,, Jato, ·r1f'11l rom os rrfnrmrulorr's rnwlnl'ionários qu.f' procuram na arquitetum um jO[ÇO de fonnas geomélriras jJrirnâ1·ias ordenadas no esjHtÇO virtu.a.l f' df' u.m mráter snrial mormdo; IUWI rom os tmrlirionalistas que a querem f'ncamda sob uma ój>tirn loral, rrn todos os aspectos qui' loma rw S(!'U ambiente. Nem SI' nriPnla 110 Sl'ntirlo rlP uma "arte mundial" em rptP sf. apaguem as díji'YI'TI(fl' n'gion!tÜ I' ruja estética ·resulit' do umm lhuica de construrão e da so/uçiio de fHob/emas fmrmrumfl' utiliLIÍTios; nem tnilrt vinrula·r a arte âs tmrliuie., lowis e rw rsfJirito da mra. fim uma jJalavm nem é /radicionalista, 11em antitmdirionalisla. Nem nacional, nem "sufJranacivnal ". Definiu-a Montei-ro Lobalo com essa exjJI'I'Hrio Este capítulo é d edicado ao estudo ele uma certa modernidade no Brasil na seguuda década do século 20. Preliminarmente, conviria alertar que esse modern ismo - rle matriz sobre- tudo literária, mas com 'erten tes nas artes plás- ticas e ~rqui tetura - é distinto das ma nifestações motPjorlom: "um jogo internacion al rü dísf){lmftl.l'... " F ERNANDO DF. iZEVEDO r1926a] modernistas - ele raízes literárias - que se mani- festaram na América Latina ao longo da segun- da metade do século 19 [Franco 1985]. São Paulo, na década de 1910, j á se gaba- ritava como a grande metrópole brasileira d o sé- culo 20. Lugar onde a riqueza do café patrocina-
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    12 • AIYfllitetums110 Brasil va um quadro de prosperidade material c capa- citação iutlustrial num Rrasil ainda dominant.e- rnen te rural. Era 11m am bicnte provinciano, mas a elite urban<t espelhava-se nos cent-ros irradia- dores de cuhura fora do país. É consensu;d, cutre os historiadores, que o marco inicial do movimento moderno no 11rasil aconteceu em São Paulo, t>m dezembro de 1917: a exposição de pinturas de Anita lvlalbttti (IR96- 1964). A jovem artista- qne expunha o scn apren- dizado artístico na Alemanh<t e nos Fstarlos Uni- dos- não pretC'ndia, com suas telas de car{ucr.faurlt', deflagr<~r nenhum movim ento. Mas a reaçi'ío negativa, sobretudo a do escritor Monteiro Loba- to (1882-194B), provocada pelas suas pintmas sem ncnhum;t relação com o academisrno c o naturalismo vig·eutes chamo u a atenção de jo- vens intelectuais <]Ue se solidari ;.o;.~ram com a pin- tora. Poetas,jornalistas e artistas reuniram-se em torno de 11m debate: o car<Íter conservador, "pas- sadista" do meio artístico. Articulava-se o primei- ro g-rupo modernista brasile iro. A pintn ra catalisou o movimento, a reu- nião organizou-se com a concorrê ncia sobretudo de literatos, mas o sentido de "movimento" visa- va algo além das artes plásticas c da lite ratura: a causa era ;.1 renovação do ambiente cultural em geral- <tlimcntada com os valores da vanguarda e uropéia, sem necessariam e nte aderir-se a uma ou outra corrente literária ou p ictórica. 1 pri- meira man ifestação conjunta desse grupo (con- tando também com a participa(;io de intcleclll- ais do Rio de .Janeiro) aconteceu em 1922, em pleno ano da comemo•·ação do centenário da in- dependê ncia do Brasil. Em fevereiro, o Teatro Municipal de São Paulo abrigou a Semana ele Arte Moderna: três sara11s com literatnr::l e mú- sica, urna exposi~:ão d e arquitetura, escullllr<t e pintura. A reação do público fo i de escândalo, mas o desafio estava perpetrado. Periodiza-se como um primeiro momento elo modernismo brasileiro os anos 1917-1924: urna fase iconoclasta, em que o modernizar era permeado pela polêmica dos modernistas contra os valores passadistas, acadêmicos. A preocupa- ção era opor-se ao passadismo, era a busca d a atualizarão estética sem a oricntaç;"io de corren- tes específicas. MODERNISMO NAl'IVO Uma segunda l~1sc <"stabelece-se eJttre 1924 e 1929. Naquele ano, o escritor e jomalista Oswald de Andrade (1l')<.J0-l954) publicava o "Manifesto Pau-Brasil ", in troduzindo uma problemática até então inédita na discussão da literatura moder- nista: o nacionalismo. "O modernismo passa a adotar como primordial a questão da elaboração de uma cultura nacional: a qualidade da obra de arte uão reside mais no seu caráter de renovação formal. Ela deve au tes refleti r o país em que foi criada". O ide;'u·io d o grupo modernista, a partir de 102'1 , subordinar-se-ia a um princípio: "só atingiremos o universal passand o pelo nacional" [Moraes 107~. p. 49, passim] . Diferentes grupos formavam um mosaico de posições sobre utna arte brasileira de dimen- são univers<tlizautc. A combinação positiva entre trarlição e mo<lcrn id<~de er<t um discurso recor- rente na retór-ica dos apologistas da arquitetura neocolonial. Sérgio Bua.rque d e Tlolau da ( 1902- 1982) e Pn1dente de Nforaes Neto (1904-1982), modernistas diretores da revista l~slélim, do Rio de janeiro, rlcfendiam uma posiv~w antipassa- dista com uma rcin terpretação do alcan ce do modernism o: 'lodos os que antes de nós <>ncararam o problema de uma arte brasileira seguiram dois processos que hoje nos parecem, sen iio negativos, pelo mt"n us iucficazes. Para tti i S a questão cifrava-se na criação de 11111a espécie de Jnirologia n<u.: ional, de nma lenda heróica ~ man eira das que possuíam o utros povos. Não tardon que essa rendf>ncia parecesse artifici;1l e fillsa. A ouu·a ten tou iuspirar-se em motivos brasileiros, mas salientou apenas o que havi<t de pitoresco, de exó- tico nesses motivos. Quer di zer: condenava-nos a se- r estra ngeiros dentro do Brasil. [...] Penso, ao con trário, que se a tendência modernista pode oferect>r o aspecto de um rom pimentO com a con- linuidade de nossa tradição é porque julga que essa tra- dirão (jUase nunca re fletiu o sentido de nacional idade .
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    Assim declarava Holandanuma entrevista para um jornal em 192!>. Prude n te d e lforaes, n ;;~ mesma entrevista, indicava o caminho: I r ivilizaç;"io no firasil pegou de enxerto. Isso fc:t com que surgisse aqui uma faba u·.,diç;io que n:.o pass;~ do prolougau ien lo de lradirôcs alheias. [...] Precisamos, ponanto, achar por nós mesmos o nos- so c1minho. 0 1·a, o modernismo que ao lado de SU;) fci- ~·üo univC'rsal correspondt> t>m toda parte a uma cxaiLa- ção de u acioualiswo est<Í m<1gn ificame nte apart>lhado para enfre ntar esse problema. rBarbosa EJ89, pp. 70-73] . ARQUITETURA MODERNISTA Modern idade e tradição era um ;;~ pcnc!ên- cia sobretudo nos meios literários. Modernidade espelhada nas vanguardas européias, porquanto, no âmbito da arquiretura, o conceito ele moderno era veiculado como uma variação do ecletismo, o neocolonial. Nesse scntido, a arqui tetu rrt n:'io acompan hava o mestHo vigor do debate literário ou pictórico: a mostra em particular dos arqnite- LOS na Semaua de Arle Moderna não 1·egistrou ne- nhuma celeuma. Apresen taram-se apenas dese- nhos; a aust'ncia de obras construídas reforçou a indiferença do meio profissional. Tí!mpouco seus participantes demonstraram, posteriormente, vo- cação "para o direito <1 pesquisa estética", que o rnodcmisla Mário de Amlntdc (1RfJ1- l~H !)) quali- ficou como conquista do movimenw elo qual foi um elos líderes. Georg Przyrcmbcl, arquiteto po- lonês que rrabalhou com o neogótico e o neoro- mân ico em igrejas, colé~ios e conventos, apre- sentou no Teatro Municipal sua inlerprcLação elo neocolonial aplicacla e m casa de praia [Amaral 1Yn , pp. 237-23HJ. Antônio Garcia Moya expôs desenhos de mausoléus, templos c casas de ins- piração maia ou asteca, confundíveis também com infl uências ela arquitetura popular mediter- rânea (Moya tinha ascendência espan hola) , sem dúvida estranhos aos cânoncs Bcaux-arts. Nas décadas seguintes, entretan to, e le prosseguiu sua carreira éomo um profissional eclético, para quem o moderno era apenas mais um estilo. Os Jl!fodl.'rllisnw f>ro8 ra málico • 4.) arquitetos da Semana ele Arte Moderna não os- le n tavam uma consistência programáüca como os seus colegas literatos ou arr is1as plásticos. A introdttção da problemática elo nacio- nal ism o como vetor de mode rn idade tornava mais evide n te o d escompasso da arqu itc tllra com a vanguarda literária modernista. O poder de persuasão das palavras - num meio cultural de forte adesão à verbalização bach are lesca - confrontava-se com a imaterialicladc d o argu- mento a rcp1iterônico: a inexisLência da obra moderna cou.struída conde nava a intenção ar- quitetô ni c:.~ ao limbo da utopia. O debate na arquiLetura estava virtualme nLe monopolizado pelo prosclil ismo c pelas obras executadas sob a inspiração de José Marian o Filho c Ricardo Severo na cr uzada pelo ncucolonial - postnra que somhreav<t a preocupação da nacionalidade d os modernislí!s c arre111essava a questão do na- cionalismo ao rol da discussão estilística, nos moldes acadêmicos. MODERNOS DE PRIMEIRA HORA Ern I9~5 dois ílrtigos na g-rande imprensa registravam os primeiros discursos ele fundo mo- d erno publicad os n o Brasil. O primeiro d e les, publicado no_jornal O.t'stado de 5;. Prmú1, e m 15 de outubro, e ra uma carta do jovc111 brasileiro Rino Levi (190l -J<:J65) enviaria de Roma (onde cursa- va a Real Escola Superior de ArquitcLUra), intitu- lada "A Arquitetura e a Estética das Cidades". Nela, Levi fazia uma apologia da realidade mo- derna chamando a atenção para os novos mate- riais e "aos grandes progressos conseguidos nes- tes últimos a nos na técnica da construção c sohrel ndo ao novo espírito que reina ern contra- posição ao neoclassicismo, frio c insípido". Cla- mava de pela "praticidade c economia, arquitetu- ra de volumes, linhas simples, poucos elementos decorativos, mas sinceros e bem em destaque, nada d e mascarar a estrutura elo edifício para conseguir efeitos que no mais das vezes são des- proporcionados ao fim, c que constituem sempre
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    .P-1 • ,1/if/l'it'C1"1'1'/i"/.l-tlfl i?trr.rtl uma coisa falsa c artificial". E conc l uí::~ seu pensa- mento voltado ao Br::tsil: f: p1·eciso estudar o que se [,..z c? o fJLIC se c;,tá fazen- do nu <'Xterior c resolver os IIossos casos so bre estética da cidade com alma hrasilcii·a. Pelo nosso clima, pela nossa naw reza c cusLUmcs, as nossas cidadt>s dcYem ter um Gll"<tl!"r dil"crentc das da Europa. Creio 411t' a nossa llurescentc 'egeti~çào e todas as nossas ínigua l;ívcis belczils na1111-ais podem (' ckvcin sug-eri,· aos nossos artistas algun1a coisa de o ri~i nal dau- do às nossas cidades 11111<1 gntça ctc 'ÍYacicladc e de co- n.:s, única no mu nelo [Levi 1987. pp. 21-22] . No mês seguinte, em 1" ele novembro, o Correio da Manhâ do Rio de Janeiro publicava o artig-o "Acerca da Arquitetura Mode rna" do arfJui- teto russo emigrado para o Hrasil, Gregori War- chavchik (1896-19n). Originalmente publicado e m italiano Jlltmjornal da colônia iraliana em ju- nho de 1 9~ 5, sub o título "Fuluri~mo?", o texto e ra um elogio cb racionalidade da máquina, do "princípio da econ omia e comoclidade" e dane- ga(::lo do uso dos estilos do passado, salvo no que e les OnLribuam pelo desenvolvimento de um "sentimento csrhico". Era a apologia da inclústria: ros nossos indusl ri<1is, propulsores do progresso téc- n ico. cabe o papel dos :vff'rlici da época rf,.. HnwissanrP r do~ LtlÍses da fr;,nça. Os princípios da gramlt> iudllstria. a t:>stan dardizaç:10 (i_ e ., prodttçiin em grande <:".~cal<~ ba- seada no pri11 CÍpio da di·isão elo trabalho) terão q ue achar a sn:l apl ict~·iio na m;Jis b,t·ga cscal ~, na cotistruçào de edifícios modernos. A estandardizaç;'io dt• ponas eja- nclas, em vez de pr~judicar a anptitetura modc·rna, só poderá ajudar o arquiteto a criar o qu<", uo futuro . se chan1ará o estilo do nosso tempo. O arquiteto set·ú for- çado a pensar com lllaior in tensielade, sua atcnçâo não ficará presa pelas decora~·ões de janelas e portas, buscas de proporç(-tes etc. As panes cstandard i~.<tdas ele ediHcio são como tons n<t mt'1sica, elos quais o com positor cons- trói utn edifício music<~l. Constr uir um <~ e<tS<l a mais cômoda P barata possí·el, eis o que deve preocupar o arquiteto constrmor da nos- sa ~poca tlt: perptr tt o <:apita lismn onde a qucst:1n d<>eco- nomia predomin:~ todas as d('mais. A beleza da t~tchaela tem que resultar da racionalidade do p lano da disposi- ção interio r, como a form a da nníquina é determinada pe lo mec<tn ismo que é sua alma. [Ferra? 1965. p. ~9D j. Rino Levi e Grcgori Warchavchik eram do is personagens com traços comuns nesse mo- mento. Am bos estavam afastados do ambiente local: Levi, estudando em Roma, onde se forma- ria em 19~6, e Warchavchik, estrangeiro ch egado ao Brasil em 1923, proveniente de Rom.a, onde se fonuara em 1920. A publicação desses man ifcs- los e m nada alterou a rotina da arquite tura cor- rente no Brasil. Foralll textos p ioneiros resgata- dos muito tempo depois pela h istoriografia do modernismo, mas que prenunciaram <-l a tividade futura desses d ois arq uitew s, CJlle efelivarnentc mais tarde materializaram suas idéias em obn-ts construíelas. PROSELITISMO E MODERNIDADE EM WARCHAVCHIK Wa1-chavchik foi quem ntais rápido soube explorar sua vcrve amalizada, passando a dialo- gar com os re manescentes ela Semana de Ln c Moderna. Em J9~6. n o último número editado da revista Terra Roxa e Outras Term,ç- o mais com- pleto panfle to dos nwdernistas de São Paulo pela pesquisa da especificidade brasileira após o "Man ift>sLo Pau-Brasil" fLara 1977] -, esta1llpava- sc uma cnlrevisla concedida por Warchavchik, in- titulada "Lrquit('tura Tkasilcira". Em duas meias páginas do quinzenário, era o arLigo de maior ta- manho que se p ublicou nos sete números da re- vista. Todavia, o reor das declarações do arquite- to não contemplava a pauta nacionalista que a maioria das matérias traziam. Mas o relaciona- mento entre o arquiteto russo e os mode rnistas estava estabelecido. No ano seguinte, em 19~ 7 , Warchavhik se casaria com Mina Klahin (1896-1%9), de um<l rica fam ília de industriais de São Paulo. O casa- mento lhe assegurou ingresso nos círculos da eli te local, bem como lhe proporcio nou condi- ções p ara realizar suas experiências arquitetô- nicas construindo para si mesmo e para a famí- lia. A sua pró pria casa, concluída em 1928 no distante su búrbio da Vila Mariana (onde os Kla- bin eram proprietários de grandes Lcrrenos), constituiu a primeira expressão de arquitetura
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    moderna nos termosdo proselitismo do arquite- to. Dois importantes jornais, o Cormio Paulistano (politi<.:amcn te d <~ si tuação) e o {)iário Nacional (de oposição, reduto dos modernistas) cobriram o "acontC'cimcnto": uma <.:asa moderna na rua Santa C:ntL. A boa divulgação pela imprensa de urna o bra que o arquite to a firmava ser de uma linha ~qu e já vencera ua França, na Alemanha, na Che- coslov;tquia, na JTolanda e outros países" [Ferraz 1965, fJ· 2G] atiçou a reação dos arquitetos tradi- <.:iouais, c a indiferença que cercou o manifesto de 192!> fui substituída por uma polêmica r1u Cor- reio Pm.distano com os ataques do arquiteto Dácio Aguiar ele Moraes e a possibilidade de defender se us pontos de vista, o que lhe rendeu a publica- ~,·ào de <kz arligos nas páginas desse cliúio ao longo do ano de 1928, divulgando suas idéias ele modernidade. Eutre 192R c El31, Warchavchik projetou etc residências (além da sua) c dois COltjuntos de moradias econômicas em São Paulo bem corno uma residência no Rio de Janeiro. Dessas obras, a casa da r ua ltúpolis, no P<·tcaernbu, roi a que mais se aproximou do ideal à Bauhaus de integra- ção das artes. Warchavchik organizou a Exposição 1O. Gregori Warchavchik: casa na rua Sanla Cruz, São Paulo, 1928. Fo1o da época, do act:n•o do arquitctu , possiv<"llliCIIlC ja- mais publicad a , acentuando o eixo de simeu·ia definido desde a ent1·ada d o terreno. 1l1orlf'mismu f'ro.rvamáticu • 4 5 de U lll a Casa Modernista, evenlO de inaugura<;ão de uma moradia patrocinada pela loteadora, a Cia. City (que contou com ampla cobnwra <.la imprensa c a visitação de cerca de trinta mil pes- soas [Fe rraz l965J) com interiores decorados por obras assinadas pela nata dos artistas plásticos modernistas: Tarsila do Amaral ( 1886-1973) ,Joh n Cra:t. (1891-1980) , Regina Gomide Graz (1902- 1973), Di Cavak<~nt i ( IFl97-l 976), Cícero Dias (n. em 190Fl), Celso Amonio (1896-1984), Victor Brecherct (1894-l 9!'i.5), Anita Malfatti c mobiliá- rio clesenhado pelo próprio arquiteto, akrn de al- g umas peças de Jacqucs Lipchitz (1891-1973), Sonia Delaunay (1885-J979) e tapeçaria d :-~ Bauhaus. i casa William Nordschild, na rna Toneleiros no Rio de J aneiro, foi inaugurada em 1931 também com tr ma exposição [Ferraz 1965]. Suas casas e seu aLivismo renderam-lhe também repercussão internacional: q uando Le Corbusie r (1RR7- I 965) esteve em São Paulo em 1929, convidou-o para ser delegado para a Arn{·- rica elo Sul do CTAM (Congrcs International cl'Ar- chitcuure: Modcrne), formado no ano anterior em La Sarr<1z, hem como suas obras publicadas em Gli Elemenli dell'A rrhitt?ttum Funzionalt!de Alber- to Sartoris (1901-1998) em 19~1.
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    1 6 •Arquiteturas 110 Brasil Em que medida W::~rchavchi k se inseria no panoram a internacional da arquitetura moder- na? A sua primeira obra, a própria residência na rua Santa Cruz, não pode ser con siderada um trabalho h ei ao ideário moderno europc11, tam- pouco ao seu discurso revolucion:trio: era uma casa que aparentava ter uma geometria própria para racionalização ela coustruçào, ntas era toda dt:> tijolo revestido c não empregava o concrclo armado, Lamponco cowponcn tes pré-fabricados. As fotos ela época mostram uma fach ada princi- pal com uma simetria ele co mposição convencio- nal (bem explorada pelo fotógrafo) que não se rebate n<t disposiç::ío das depen dências inte rnas. vVarchavch ik teria btlSC<tdo contemporit'.ar a in- le nçào moderna com elementos locais, declaran- do para a imprensa, logo após a inangnração, que tcnron "criar um cará ter de arquitetura qu<..' se adaptasse a esta região, ao clima c ta111hém às antigas tradições desta terra" [.Ferraz 1965, p. 27], assim jusr.iticando também a cobertura de telhas tradicionais. Todavia, ern seu diálogo in- ternacional, o argumento era outro. Em relató- rio preparado para a rcnniào do CTAM de Bruxe- las em 19:>0 e e nviado a Siegfricd Giedion (1888-1968) (então secrt>t;Í rio geral da entida- de), Warchavchik escrevia que uã.o e mpregara o teto~jardim p01·que não havia "ma terial iSolante" adequado para essa finalidade no mercado local [Ferraz l96fí, p. 51J, o que não correspondia ?t realidade, conhecendo-se outras construções até a nteriores à casa da Vila l'viariana com terraços e m concreto. Suas obras posteriores superaram <ts limitações iniciais e utilizaram concreto arma- do, chegando a soluções com terraços nas cober- turas (sem jardin s) e volnmetrias mais condizen- tes com o geome trisn10 famili<t•· à linguagem racionalista; no entanto, o a rquiteto, em seu re- latório ao CIA M, descrevia "certos p rogressos" ao fabr·icar ern "sua própria oficina" portas de ma- de ira compensada e mandar executar janelas, grades, maçanetas, lusLres e outros porme nores de decoração conform e dcsenhos de gosto mo- derno, mas de forma artesanal - co11trariando a concepção de não mais se preocupar com as "de- corações d e janelas e portas, buscas de propor- ções etc. " c o ba rateamenlo da obra pela estan- clardização, como manifestava o artigo pioneiro de 1~l2fl. Import;u1te {: assinalar, torlavia, que War- chavch ik tin ha con heci mento das experiências <~ u ropéias acerca da paclronizaçào de componen- te s arquitetônicos e economia da construção. Num dos artigos-respostas a Dácia A. de Moraes, em 1928, o <~rquiteto comentava sobre "o senti- d o econômico n<t arte" e tecia considerações so- hre a "casa tipo" da Bauhaus da exposição d e Weimar ern 1923, as casas ern Pcssac de Le Cor- busier de 1924-1926 (sem se rcfet·ir ao fr<te<1sso d o empreendimento) e as casas econômicas d e Frankfurt, projct<:~das por Ernst May (1886-1970) a partir de 1925 [Warch<tvchik 1928] . As experiências de casas populares de vVar- chavchik foram convencionais, tanto const-rutiva- mentc. qnanLo em termos de plaula (dir-se-ia ro- tincir<ls ao padrão local) . A:; casas de melhor padrão, como as da rua ltápolis, a de Luiz da Sil- va Prado (r ua Bahia) c a de Antônio da Silva Pra- do (rua Estados Unidos) - em prega·am discreta- mente o concreto armado na estrutura e , contando com ter renos maiores ou diferenciados (íngreme, na rua Bahia), tiveram plantas mais elaboradas. Eru especial, a casa na rua Estados Unidos pode ser considerada a sua mais o usrtda experiê ncia. CONSTRUÇAO MODERNA Warchavchik era um construtor cuidadoso - assim se pocic concluir do depoimento de um outro pioneiro da arquitetura moderna brasileira, Álvaro Vital Brazil (1909-1997) , que visitou e ad- mirou os cuidados de uma obra do arquiteto rus- so na década de 1930 [Segawa 1987bJ. O caráter renovador que Warchavchik não só assumia como alardeava pelos meios de comunicação demanda- va um cu idado pro jetual e de execução que mini- mamen te deveriam corresponder ao seu partida- rismo modernista, para e nfren tar as pesadas críticas dos a rquite tos passadistas. No relatório
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    ll.Grcgo ri Warchavchik:casa na r ua Bahia. Sáo Pau lo. 1930. Folo da é poca. do an·r'o do arquiteto, possiv<'lmcntc nunca publicada. li!: f;;'"' ~-.~, ,, para Gicdion crn 1930, Warchavchik, ao descre- ver a sua própria casa, descia aos pormenores de acabamento exterior ("reboco rústico de cimento branco, caulim e mica"- numa textura muito pró- xima ao que J.uís Barragán empregava em suas obras no M{:xico) c interior (incluindo o mobiliá- rio, todo desenhado e executado por ele), com as combinações de materiais c cores: "entrada pinta- da em cor limão claro, vermelho vivo e branco", estúdio com "forro de esmalte prateado", sala de jantar em "vários tons de cinza e prata, preLO c branco'', sala de música em "azul-claro acinzenta- do", cortinas azuis, <;stofados roxo-·iolcta c cinza, móveis prateados e pretos; o primeiro andar era rodo branco, porras c móveis na cor vermelho- vivo. Le Corbusie r, em sua visita às casas de War- chavchik em 19~9 , admirou-se com o uso da cor -o verde dos jardins contrastava com o branco das paredes c o vcrmdho das venezianas na casa Max Graf [Ferraz 1965, p. 29] . Era o próprio arquiteto, contudo, gue re- clamava das conrliçôcs predirias de construir modernamente, em 1928: Em São Paulo, dada a carestia ele cimento e a falta de materia is para ('onstruçào (materiais adequados à Modemis111o Pm,~miiiCÍ!ico • 4 7 coHsLruçiio ltiOderna) ainda nào é possívl'l fa'lc r o C( lll' j[l se faz <'111 ou1ras partt'S do lllll!ldo. A indústria local, l>elll que em estado ele incessan te progre sso, ainda niio fabrica as peças necessárias, estancla J-d i7.adi!s , de bom !-(OSLo e de bo<1 qualidade, como sej<tm: portas,j;Jncl;Js, ferragens. a parelhos sanitários e tc. Estamos sem pre pei<tdos pt' la ohl·ig·a ç;)o de empreg<~ r ma1crial imporla- do, o que Yem a e ncarecer muito as construções [Warchavchik 1928]. Warchavchík refere-se, em outra parte d esse texto, à construção conduzida "cientifi- camen te", sugerindo que ele tivesse conheci- me nto das idéias de Frederick Winslow Taylor (185G-1915) , vulgarmente conh ecidas como taylorismo. Os princípios taylorist.as pc rmca- vam a lógica industrialista d os <11-quitetos racio- nalistas. Foram introduzidos no Brasil em 1918 pelo engenheiro Roberto Cochrane Simonsen (1889-1948) e eram discutidos na Escola Poli- técnica d e São Paulo por volta de 1924 lFre ire 1924], mas certamente Warchavchik deve ter se familiarizado com a metodologia quando trabalhou para Simonscn na Companhia Cons- trutora de San tos, empresa gue o trouxe para o Brasil em 1923 [a propósito, ver adiante no capítulo "Modernidade Pragmática 1922-1943''1.
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    4 8 •!lnpliteruras 110 /Jrasif LIMITES DA MODERNIDADE DE WARCllAVCHIK Nn rualtrífJolis 'J'I" 61, a casa moderna ria "Cia. City". Muita genll' rouht•n• f.:la leve um dia d f jJOfJularirla- tli'..'uns paredes nuas desconcntamm, s1ws janrlru qua- dradas initant?ll, st•n aT drfortoleza mexicana causou nr- rejJio:s. H oje rmlron inlegmlmenle em nossos wstwnes. Vencen. Qu.t•m nmslrói um bangalô, já espeta no tareiro um mrmdarant.{. ..]. D1•jmis, sP-g·uiu-se para a rua Bahia n" 114 n fim de vi- silnr a "casa modernista" também conslruída fwlo senh.o·r Grr~ori Wanlwvchih. Nessa residênria, o m·quilelo aplicou todos os rrr:u.rso.1 de que, modernamantr, disjJÕe a nrquile/ura. PrerJI:UfHm- rlo-~t' quase exclusivamentP rom n ntilidad1• da -residíhtcia, a roucefJrão até ar;ora aceita do belo r11i.o entmu em con- sideraçri.o. A.1 rlependhu·ias todas cuidadosamente estudrula~, de modo a jJmporcionar oo.1 mnmdores o máximo ronfor- lo JmHível, Juram ronstnddas r:om. simplir:itlttde. A linha reta ajllimda em tudo, mas vendo-se que houve um esfor- ço íntelignzte para qne a ronslrurüo, escravizando-se rw cubismo, nâo foHI' jJrejudirrula no ponto de vista do r:on- jurlu. Os congn~ssi.,la pnsenles fomm unlinimes em arlmi- mr o cunslnlçào do senhor Gregnri Wan:lwvrhill, uumifes- tanrlo n seu agrado tique/e arquiteto. A imjm'SSito ,; ogradâoel. Os que se mantinham rm1, Tt'· snva foram logo conquistados. Afinal, jJensando bmt, os modernistas não .fizeram mnis que lúnjHtr as fachadas, nmjJ/ia·r r rPtijicm· os resjJiradouros, nbriT esfm_ços pmn tl luz e jmm o m; mjJ1'imir a·rrebiques, f risos, lambreqnins, tudo aqnilo que du mnfl' muito tempo parr.ren 1m(11ilar uma casa. Ora, 11 éjJOca P. do wbelo ru1·to e liso, das veslimrm/as simjJtissimas, dos sajHtios de biro latgo. Uma casa modernista é uma rasa qv e almnçou a última sim- filiridade. Disso ~u rgin a beleza. 0 ESTADO DE S. P; ULO, 28 de maio de 1931. Nenhuma das obras pioneiras ele Warchav- chik corrcsponde u plenamente ao discurso m o- dernizador panflctado em seus anigos e é preci- samente nesses textos CJtle o próprio arquiteto reconheceu as limitações locais quanto aos ma te- riais c técnicas construtivas disponíveis, inadequa- dos aos conceitos de racionalização ou escala in- dustrial. A modernidade de sua obra persistiu mais como uma intenção, aplicada em casas bur- guesas, até os interiores, mas que ele não pôde demonstrar em programas de alcance social ou econômico maiores- como habit.açôes popnlilres, escolas, edifícios ou fáhricas - condizentes com as preocupações dos rnocternistas europeus. Não obstan te a prática limitada, Warchavchik teve o importante papel de agimdor cultural ao mobili- zar a opinião pública com suas realizações c pro- mover uma causa - a arquiletura moderna racio- nalista. A repercussão mais sign i(!cativa de seu trabalho foi o convite, cm 1931, <k Lucio Costa- então o reor~J;anizador <la Escola Nacional de Belas-Artes no Rio ele j aneiro - para panicipar da re formulação do curso de arquiterura, com um currículo modernizante. Extrapolar a discussão do meio int.clc<:rual ou profissional para ser obje- to de caricaturas na grande impre nsa - o (jUe parece insignificante para nós, Lcnrlo clecorrirlo mais de sessenta anos - constituiu um aconteci- m ento de imponância para uma cidade e um país culturalmente provincianos. O úuico prece- dente significativo, nesse sentido, roi a Sema na de Arte Mocterna, que, com vVarchavchík, é re- prcscnrativ::~ ele uma renovação formal c da atua- lização das id(;ias como negação do pclssadismo em plc:na d écada d e 1920. Warchavchik foi "adotado" pelos moder- nistas de São Paulo, preenchendo uma lacuna inexistente na literaturil ou nas arlcs plásticas. J.<~n t re ta nto , na segunda met.arlc rla décad a de 1920, as correntes modernistas (então dividindo- se em algumas vertentes) condamavam por um conteúdo nacionalista sem , todavia, abandona- rem radicalmente as citaçôes ;' vanguarda euro- péia. O d iscurso nacionalista era embaraçado di- ante dessas referências: era incomum refe rir-se aos modelos europeus nos q u<~is os escritores modernistas brasileiros se teriam inspirado; toda- via, e ram inúmeras as manifestações laudatórias desses mesmos modernistas para com Le Corbu- sier, sobretudo e m sua visita ao Brasil e m 1929, além das citações do próprio Warch avchik acer- ca do arquiteto franco-suíço, da Bauhaus e da ex- periência Das Neue Franlifitrt. Ainda era tênue, na
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    arquitetura, essa preocup<~çàode brasilidadt>. São ~olitúrias as menções ao caráter nativo da obra de "archavchik. O educador Anísio Teixeira (1900- 1971 ), ainda em 1929, foi o mais generoso, numa emn·vist<t à imprcusa: "A pintura de Tarsila elo Amaral, a música dt-· Villa Lobos, a arquiLl'lur<~ de "archavchik sáo esforços deliciosos para não se ...e r nada senão l}rasiI c esse .Br<~sil novo que e stá a{ora sm gindo" [Ferraz 19(15, p. !H)]. O svaldo Costa, num artigo de jornal em 192R, chamava atenção sobre a incorporação de d elllentos tradicionais na casa ela rua Satll<t Cruz: (...] o onais curioso é que ·w a rch;wchik pôde c souht- ,..."trair para ela intt-rt-ssantcs elemen tos elo uosso colo- la!. e isso porque, ao contrário dos d emais pt>srptisado- ·e• que. pn·nrttpados exclusivamente com o oruamt•n- :al do nos~o v!'lho t•stil o. se csq uccera tn d e n:·-r nel e, mo Warchavcltik, o es;oencial. E foi a"im que o ilus- • t m·q uitc•to r usso [...] chegou, sem esforço. a lançar as ••,e, ele ltlla <u·qui ft- t ur~, essa sirn pu ramen te hrasilci- nr rnt>lhor, rropical, dt:- tal rno<io se adapta às condi- · c:-, c circunstftncia;, do meio ambi<'nle t· cuncspontk 'nt·rt>ssidades elo nmso cl ima. rcmpc rament o, tr·acli- o. rosltrrm·s Clt.:. [FerTa7 1965, p. 60]. .Lírio ele Andrad e, pouro depois da sua nau{uraç·ão, caractcrituu a casa de Warchavch ik como uma p1ova ele "cp tc m esmo cn1 arquitetu- ra no~ coube iniciar a mocleru ização artísLica do Bfa!,il". alinhando a obra como representativa de m noYo concei lo tk arqui tetunt 111odcrn a. E h:una·a a atençao d os jardins ela casa: "Os gra- mado;, l i~os e planos, emoldurados por n tctos c palmeira~ são d umJ originalidade esplêndida e dão~··> conjunto urna nota feliz de lropi r.alismo e di-.riplina" [/_ndrade 1972, p. 26J. Esse jardint, projetado pela mulher do ar- uiu.:to. ~fi na Klabin Warchavch ik, efetivamente :m~tiw i o aspecto mais "brasileiro" da casa da ila ~!ariana. [,,as mençôes refe re m-se à casa pioneira '~chaYc h ik; exceto uma ou outra menção ~terior. 'iào raras as referências da "brasilida- - da •- bra elo arquiteto. Os e logios nacio nalis- as.. concerurado~ sobretudo na casa do próprio uilero. eram esforcos de compatibilizar a no- ricbde moderna de 'archavchik com o ideário Mudentismo l'm.({l·wnáJ ico • 4 9 do modernismo nacio nalizante, sem recair no rcacionarismo do neocoloni<tl. O patrocínio d os modc-~rnistas foi o grande trunfo de Warchavchik para se inserir no circui- to intelectual de São Paulo f' do Rio de Jane iro, e se u trabalho corresponcle11 à tardia participa- ção ela ar(juitcwra no concerto ensaiado a par- I ir de 1917 por urn movime nto de re novação dils artes. Participação não propriamente sintoniza- da com as preocupações por uma arte brasileira - o papel d t> 1Tarchavchik, nesse.: 1>entido, fo i muito mais ele u m pione iro n a rnptura com a arquitetura conservadora passadista. A renova- ç;io inspirava-se em idéias européias, mas restrin- giu-se apenas n o pbno das idéias, porq uan ro concretamente a p rática do arquiteto estava afas- tada de conteúdos de maior repercussão social, como se preconizava no fuucionalismo europeu de entreguerras. Os modernistas brasileiros, a pilrtir de l 9~0, com a derrnhacla da oligarquia do café· e a ascensão do presidente Getúlio Vargas, ingTes- saram também no ativismo político - t.::tnto para a c~querda (Oswalu de Anclraclc) quanto para a direita (Plínio Salgado, ll:l95-1975). Jean Franco chama a atenção para o fato ele que, [...] na Europa, é legítimo estudar <1 arte como uma t radi~:;[o centrada ('rrt si mesma e na q ual podem s rr r- gi r· n ovos movime11tos como soluçào a problemas mc- l'<ll tlente formais; esta siTuaç;io t- impossível na A111é ri ca Latin a . on d e até os nom es d os mo,·im e ntos lit t-rários dikrcm dos e uro peu s. "Modernisn,o ", "no- vomuu disrno", "i11d igcuis111o ", dr·fi ne rn a ti tudcs soci- ais. f...] A difcrenç<~ í· ex trerrl <J m<"ntc irnporta11te pois sig nifi ca que, e m geral, os 111uvimen ros artísticos nflo constituem rlt>sprcndim err tos d e urn movime nto ;rnt t'- rior, mas surge111 c:omo respostas a fatores externos i arte [Fra nco I ~JH5, p. ! ;)]. A se acreditar nc.:ssa interpre1ação, Gregori Warchavch ik não vai acompanhar a polilização do modernismo brasileiro, tamp ouco partir.ipa- rá da cooptaçáo da linguagem mod e rna pelo Estado na década de 1930. Pode-se afirmar que o papel ele protagonista da arquitetura moderna d e Warchavchik encerrou-se no alvorecer da d é- cada de 1930.
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    '50 • ArquílelltrasJl!i Brasil TRIBUTÁRIOS DO MODERNISMO DE SÃO PAULO Nos íil timos anos cl:"l década de 1920 c inícios de 1930 a arquitetura modern a com re- ferê ncias na v;mguard a eu ro pL·ia era uma pre- ocupação corren te mais no meio int<'lectnal que p rop riam ente no meio d os arqui tetos. Le Corbusier e ra um nome conh ecido no Br-.sil : seus liv.-os eram acessíveis no Rio de J aneiro c em São Paulo , c sua visita ao Brasil e m 1929 t.ev<> nJaior repcrcuss;io no Rio de .Janeiro que em São Paulo (como verewos adiante). Entre os eventos que registram inte nções modernizantcs, vale le mbrar a ruidosa pol(:m i- ca surg ida com o concu rso (posterio rme nLc anulado) par;1 o Palácio do Go'erno do Estado de São Paulo, orga niz;1do em fins de 1927. O proje to d o engenheiro Flávio de Carvalho (1899-EJ73) cham ava a atenção por seu inedi- tismo fo rmal e suas proposições rniliLaristas: um p alácio com o ap;-trato bé lico/ cstraté·gico de uma fortaleza militar. A proposta mereceu vári- os artigos de apoio dos escritores modernistas na imp1·cnsa, em meio à reação elos arquitetos couscrvadores. Mário de Andrade ch cgnu a lhe dcdic ::~r três artigos no Diário Nru:imwl analisau- d o e defendendo a idéia. Era u m::~ pro posição }rr , ~'"'""- • •·~~. ,u •! IC. Q"tft f,.,~ .,.. ~,~ ..,( L no. •.l•~t' ti... ~~"..lJoM. h>~«-1 , .,.._j - • Mo. •"')'t 'I S']• .,..,Ji,. "'.- futd fo. tr Í Kw hoc>..,.._ .J mais leúrica que propriamente um projeLo para vencer concurso, mas o seu caráter pro p<lgan- dístico e iconoclasta condizia com a von r.ad c renovadora elos modernistas, da qual Flávio de Carval ho to rno u-se u m ad epto a p oslni uri. Es- cr evia Carvalho no come ço d e 1928 que, em seu pr~jeto, prevalecia "a doutrina moclen1a d e Le Corhusier, modificada para melhor: no pré- dio o imporlante é a p lan la. O prédio é o de- senvolvimento natu ral da planta. A fachada(· um Le rmo que não exisLe na arquite tura moder- na" [Dahcr I !JH2, p. 17] . Flávio de Carvalho participou, em 1928, ctc mais quatro concursos com suas idéias revolu- cionárias: o Palácio d o Congresso Estadual dl' São Paulo (no mesmo lugar do anre rior Palácio do Governo ), a embaixada do Brasil na Argenti- na, a U niversidade de Belo H orizonte e o Farol de Colombo na República Dominicana. Sua pro- posta para o P;-tlácio do Congresso foi aprcscnta- d<~ com o mesmo pseudôn imo (indiretamente identificando o a uto r) e gerou a mesma reper- cu ssão do concurso de 1927. Carvalho propôs, então, a "111::iquina d e legislar", n u ma referên cia à célebre fr;;tsc de Le Corbusier. Io caso elo Fawl de Colombo, havia referências formais ao fuLUris- lllO c a clemen LOs p ré-colombiau os [Leir.e 1983]. Sem pre um concorren te malsucedido mas formidável polemista, Flávio de Carvalho 1~. Fl(lvio ele Carvalho: propos(a para o con curso do Farol d e Colombo, Repúbl ica Domini- ca na, IY28.
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    somente executaria suasp1·ina:iras obras mo- rlcrnizadoras a panir de 1933: um conjunto de casas para aluguel na a lameda Lorena e alame- d a Ministro Rocha Azevedo. Moradias com al- gumas novidades de planta e que foram alug-adas com certa dificulclacle, apesar d e ter contado com urna publicidade impressa dando conta elas "óltimas criações rlc Flávio de Carva- lho", com informações sobre o "modo de usar" as casas lDaher 1981, pp. 137-153j . Carvalho foi um arquiteto de poucas obras e limi1 m1-se em sua atuação na arquitetura. ;lo- tabilízou-sc como um artista em várias fren tes: pintu1·a, desenho, escultura, cenografia, rearro t' ainda corno um precursor de performances públi- cas. Foi mais um uutsidt•r ela arquitetura, polemis- lil <pie íllllOiliiOS IJI"illleiros momentOS do mocler- niSHIO arquitetônico em Süo Paulo. J ayme da Silva Teltes (1895-1966) foi ou- tro arquiteto que Leve participação no debate da arquitetura moderna na passagem da déca- da de 1920 para 1 9~0 em São Paulo. Formado na Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de .Janeiro em lY26, foi dos poucos assinantes bra- si lf' iros ria revista /,'IIspril nmweau [a respeito, ver também o capítulo "Modernidade Corn:nle 1929-1945 '1. Radicado Clll São Paulo como run- cionário da Companhia Construtora de Santos, Si lva Telles esteve presente na reunião com Le Corhusier na casa de W<trchavchik em 1929; e m l :l:W, publicaria em revistas e jornais artigos de franca deresa pela n ova arquitetura, tendo rea- lizado alguns projetos c obras de linha moder- na, h<~je demolidas. Flávio de Carvalho e Jayme da Silva Telles foram rlc-si.gn:.~rlos como os dois delegados modernistas de São Paulo para o rv Congresso Pan-americano ele Arq uitetos de 19:10, e111hora o último Lenha declinado da no- meação [Tell<.:s 1967] . CRÍTICA SOLITÁRIA A mais surpreendente manifestação teóri- ca no período partiu de um engenheiro-arquite- . BiblioteGJ. Joaquim CardO'~o 1 I CAC • UFPEl Modemismo Prugmmâtico • 51 to q ue, cf'rtamente assumindo (mesmo incons- cientemen te) o teor de sua crítica, pouco pro- duziu em arquitetura. Carlos ela Silva Prado (n. em 1908) completava o último ano elo curso de engenheiros-arquitetos da Escola Politécnica de São Paulo quando publicou, no último n ÚIIH.:m de 1932 da Rl'11isla PolylN:hnim, o artigo "A Ar- quitetura do Futuro em Face da Sociedade Ca- pitalista". l•:m seis páginas, Praelo fazia urna con- tunde nte crítica às tendências <~rqn itctônicas e m dehatf' a panir de uma ótica marxista. No Brasil, o comunismo erneq.~iu oficialmente com a fundação elo Partido Comunista Brasile iro em 1922 e em 1030 con lava com a adesão do mo- dernisra Oswald ele Anelraele em seus quadros. Todavia, até então, nenhuma manifestação de natu reza e SI(: I Íca havia sido IJ ul.Jlicada com a ên rasc de Prado. Ele criticava tanto as tendênci- as passadistas quanto a:; Lentativas moclernizaclo- ras, posto que ambas escamoteassem a dimen- são social da arquitetura: Os ~pologisras burgueses d a arq uiLctura moderna vêem nela apena~ o resul tado da aplicação de novos materiais e nova técnica, isto é. o cimento. o ferro, o con creto armado. O arg utllt'tllo de:: que se servem f. que com estes ma- teriais se podem obter fo rmas C)ll<' st•t·iam irrealizáveis sem elas. Este ;u gunte n to levado ao extremo ind uziu mesmo algn ns arquiteto~ a co.11~truírem c1sas r.sff.ric.as, casas suspe11sas ou e m equil íbrio sobre um mastro, c ainda Olllras CXtravag{tn c i;-Is. r...l Os mat<~ r iais não se podem co tt~Lrui r a si mesmos. São os h o nt t:IIS q ue projetam c executam. Por outro lado, ninguém c:onstrói um edifício qualquer sem que haja necessidade deste ediflcio. Ora acpti csrá justamen- te a questão prin cipal. O que ç;n·at· tc·t·i~:a principa lmcnrP u ma arquitetura são as necessidad es de habitaçfio, rrabalho , recreio etc., da sociedadt• qu e a pt·od uz_Nnma sociedade mais de- se nvolvida , os homr-ns procuram ad<tptar os materiais às suas necessidades. Duas sociedades em que predomi- nam necessidades diferentes não JXoduzem arquilcllt- ras iguais, mesmo quando dispõem elos mesmos mate- riais. Quando porém as necessidades são as mesmas, o emprego dl" ma t cri:~ is difcrcnrcs produz arquiteturas semelhan tes. Defendendo o aspecto econômico ela cons- trução - a repetição, a padronização, a produção
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    4 MODERNIDADE PRAGMÁTICA 1922-1943 Os anoslf'llt' vti.o riP 1914 a 1918, f' dt' 19 18 a 1930 são, para a Arnh-ira do Svl, rtnos inmLorPS, como quaisquer outros. Nâo obstrmlr', ajlnnrmws qui' o modernismo dt• tif)(} Pumpen é la.miH;m nosso. Por qun- Porqur é o bonde q11e nos runuhn. E por quê nos ronvém? - T'orqnr é o bonde que 11em depois... R ·UL DE POLILLO [193 1, p. 13) Como ~e ltá de discutir com ulftlttros, que nâo ./' dão ao l·mbaL!to de raciocinar sobre o que d izem? Eli's uiio rPrlamam da trcnica modnna a solução a·rquiletônim rJp que carecemos. Contentam-se emfazerfmses lilerâ1irts. "A wsa é a júnção". "A jit11çào[az a casa ". "A fonna é a.fun ,r:ri.o". Enquanto se entretêm em dejinirões cabalísticas deixam os arquitrtos de ajustar a tal técnica nwrlrrna ao nosso mso jMtlt,liru: Pa-ra nós bra.si!Pims, j10uro si' nos dá que a l~·u.ropa jaça uso, por motivos que só a ela inlf'ressaut, dt' um determinado gênero rir arqniiPlnm. O que nos imfHnla a nós outros, é a solucüo do nosso caso aTlj'ttiletfini ro. Gregori '"arch;lchik repre~enwu. para a imelenualidade emohid3 r... '-...·:::~•'a rle 19~~. a referência que falta"3 de t..::::.- t.a da arquitetura. a partir.d! ~ JOS~: MARIM0 FILIIO [1943, p. 25] qualilicada como mode rna - a própria mo radia, na r ua Santa Cruz. O arquiteto russo correspon- Jc:-u plenamenre a seu papel de agitad o r cultural polemi~r.. no con;;en-ador meio arquitetônico
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    54 • ArquileturasJto Brasil culrc 19~8 c 1933. Sua capacidade de mobilizar os meios de comunicação (grande imprensa, re- vistas, documentário cinematográfico e, certa~ mente, o rádio) notabilizaram-no fora do ;tmhito proJissional, alcançando setores sociais alheios a polêmicéts df' nétn reza est·étic-o-arquitetônicas - e talvez com mais repercussão que seus parceiros literatos ou artistas plásticos. É inegável a sua con- diçáo de pioneiro, ao postular puhlicamcutc po- siçôcs referenciadas na arquitetura racionalista de vanguarda da Europa, e sobretudo por intro- duzir, d e forma ampla, o debate p úblico acerca da modernidade arquitetônica. É ccrw que, en- tre o discurso escrito (o manifesto ele 1925, a po- lêmica na imprensa) c o arquitetônico (a obra construída) havia um relativo hiato, c isso procu- ramos demonstrar no capítulo anterior. Todavia, é ponderável que Warchavchik buscasse urna re- novação arquitetônica direcionada - reterencia- cla na Bauhaus, em Ernst May, <:m Lt: Corbusier c em tantas outras experiências que o arquiteto russo le nha tom ado conhecim ento e tentado trasladar enquanto conceito para suas obras bra- sileiras. Warchavchik inseriu o Brasil no mapa da arquitetura moderna mundial logo no início dos anos de 1930. Nesse contexto, Warchavchik foi po- siciomtdo na historiografia ria arquitetura corno o iniciador da arquitetura moderna no Brasil. O rlirccionamento que vVarchavchik im- primiu 110 seu discurso foi a sua principal virtu- de e contribuiçào para a arguitcLUra brasileira. No entanto, a mod ernidade de inspiração euro- péia preconizada pelo arquiteto russo era apenas nma vertente entre tantas outras que se formula- ram no imediato pós-primeira guerra. Moderni- dades que caracterizavam as inccnczas de urna socicuadc iustável, recém-saída d e uma confla- gração da qual emergiram rcaliclacles díspares, em que uma Alemanha humilhada c urna Fran- ça vitoriosa seriam os contextos ele d iferentes formulações d e modernid ade arq uitetônica. A França sublimou uma noção de moder- no de difícil caracterit.ação. A grande celebração à modernidade, a Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Moderncs, em 1925, bem espelhou a busca de qualquer moclernida- de, a necessidade de exprimir idéias novas, d e tentar ser mod erno mesmo sem que se pudesse esclan:ccr o que isso significava ou como se che- gava à condição ele moderno. A busca ele um comportamento novo refleti<J a instabilidade d e uma sociedade mais preocupada com prazeres efêmeros fJIIe com realizações duráveis - o te r- mo "lcs anécs follcs" aplicado ~~ década ck 1920 é sintomático-, incapaz de fixa/ uma escolha en- tre u rna her·arH;a cultural do século 19 c as pers- pectivas indttstrial istas da era da máquina. Essa ambigüidade também a limentou os sonhos de uma afluente sociedade norte-americana, que tomou emprest<J.do e multiplicou os artifícios decorativos do lado próspero da cultura euro- péia- artifícios que, d écadas depois, convencio- no u-se chamar irt Déco. A modernidade d e vanguarda nutriu a difusa perspectiva Art. Déco, c essa diluiçào é o poulo d e antagouismo entre as vanguardas c o Déco. O engajamento polít ico-ideológico do fn- turismo. o anliinacioualismo, o anLi-suujelivis- mo e a eliminação elo supérfluo nas plataformas dos programas do neoplast.icisrno holandês, do constru tivismo russo, do purismo francês e ela Rauhaus alemã - foram todos manifestos conrr~t­ rios ao otimismo c à frivolidade Déco, nascirlos em contexros históricos convulsivos, com assumi- do engajamen to ideológico c social. Funcionalis- mo, utilitarismo, estandardização, foram palavras de o rdem numa formulação de modernidade engajada. O Brasil não deixou de sentir a voga mo- d crnizadora européia dos anos del910 a 1930. Resta saber como se processou essa assimi lação no campo arquitetônico. Nesse sentido, vVarchav- chik pode ter sido um pioneito, rnas outras for- mas de modernidade também se man ifestaram até a nte rio rme nte ao advento da casa da rua Santa Cruz. Sáo arquiteturas que também foram chamadas de "modernas", "cúbicas", "futuristas", "comunistas", 'judias", "estilo 19~5", "estilo cai- xa d'água" e assim por d iante . Hoje podem ser ide ntificadas ainda como Déco e também corno fascista. O presente capítulo alinha algumas des- sas modernidades. Talvez não as manifestações
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    radicais ou asefusivas, mas demonstrações de re- nova~·ão anptitetôn ica, qualquer que seja ela - à maneira folle, mimeticamentc, pragrnaticamen te ou como transformação modernizadora em sua dimensão perversa. A MARGEM DO MODERNISMO ENGAJADO Ano de 19~~: centenário da inclepend(·n- cia, Semana de Arte Moderna. No marcante ano de 1922, ttlll edifício recém-inaugurado angaria- va repercussão regional, nem tanto por sua arCjlli- tetura, mas por se tratar da mais luxuosa casa de diversão da cidade. Era o Cassino c Teatro Parque Ba lneário na cidade de Santos, Estado de São Paulo. San Los era o porto estratégico para o es- coamento do principi! l item de exportação da economia hrasileira- o caf(:. O Cassino/ Teatro era uma obra d e arCjui- l.clura destoante do meio: formalmente se filiava ·, 'iii Modernidadr Pmgmâliut • 55 à arquitetura da Deutscher vVerkbund - a orga- uização não Linha uma linguagem artística par- ticular, mas, por analogia, fi liava-se à produçáo anterior a 1920 de arquitetos ligados ao movi- mento como Pc tcr Bc hrcns ( I!:l6R-1940), Walrer Gro pius (1883-1969) c Adolf Mcycr (1881-1929). Não se conhece o autor do projeto , mas e ra mais uma obra da Companhia Construtora d e Santos (entre outras <]Ue osten tavam formas ma is depu- radas), empresa con stituída em 1912 pelo enge- nheiro civil Roberto Cochrane Simonsen e colc- ~<ts . A constr utora de Simonsen notabilizou-se por pr~jetar e construir inúmeras obras pt."tblicas importantes na cidade, por rcr investido cnt ha- bitaçôes ccontmticas c em planejamento urbano. O engenheiro foi o introdutor dos princípios tay- loristas n o Brasil, ao publicar, em 1919, o livro O Tmúallw Moderno. Entre 1921 e 1924, <t compa- nhia admiu isLruu c construiu simultaneamente 26 qLtartéis de grande porte (alguns e m áreas ele incipiente urban izaçáo) em nove Estados brasi- le iros. Mediante a normalização d e processos adrni ttislrat ivos, revisão e adequação dos pr~je- ·~ ~~~- ; -- -- : ·--~"·~:.;;.!! ~~.:::···~~-~ , , -, 14. Co mpanhia Construtora d e Santos: Cassino c Teatro Parque Balneário d e S;mt.os, SP, 1922.
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    56 • /lnfiiÍI<'IIImsno I:Jmsil los à racionalização de can teiro e adaptação de sistemas conslrutiYos às pecu1iariJades locais (in- cluindo alguns sistemas rústicos de pré-l'ahrica- ção), a empresa cumpr iu <.:ronogramas reduzidos (alguns casos, quartéis com pk tos ern oito me- ses) rncsmo trabalhando numa escala operacio- nal q ue envolvia ciist;incias de milhares de q uilô- metros e condiçõt>s de trab<tlhu extremamente ad'ersas - rnmo materiais em hoa parte tra ns- portados para o local da obra ISimonscn 1931]. Simonseu foi um. elos balu:-trtes da industri- alização no Hrasil, e sua atuação empresari(ll e po- lítica foi se d ivt:rsificando (e-m detrimento ele sua construtora) sempre nessa perspectiva. Esse per- fil ccnamente pode se relacionar com o possível contato que o jovem Simonseu teve com os prin- cípios da Werkhund akmã. Outras evidências, todavia, relacionam o engenheiro com manifesta- ções de arquitet"nra moderna: Sim onsen era o redator da Revista PolytPtlmira de l 90H, que puhli- rou a pioneiríssirna crílint de modern idade cons- trutiva sob1 e a Estação Mairinque de Victor Du- bugras [ver capítulo "Do AnLicolo nial ao "Ncoco- lonial... 1RRO- L926"] ; em 1922, Simonsen era um dos onze brasileiros que mantinham uma assina- tura da revista I ,'f<.'sfnit nmweau, de Le Corbusier <' Améd('C' Ozenfan t ( 1RR6-1 96G) [San tos 111 n/. 1987]; roi a Co r11 pa nhia Construto ra d e San- tos qu e tr o uxe ao Brasil o a rquitet o Gregm-i vVarchavchik c teve em sens quad ros técnicos os arquitetosjayme da Silva Tclles e Rino Levi, na segunda metad e da clécad <~ de 1920 . Essas evi- dências pontuais não comprovam necessariamen- te coerência de perspectiva arquitetônica; no cn- tauto, a perspectiva industrialista ele Simonsl:'n ind icia u 111a possível aliança entre a apo logia da in dústria na arquitetura racionalista !."uropéia e a in trodução de elementos inovadores na arquite- tura mediante a m odernização da const rução ci- vil no llrasil das primeir(IS décadas do si'culo ~0. No extremo sul do país, um(! outra obra foi precursora isolada de uma linha racionalizan- te da arquitetura, sobretudo pela sna função uti- litária: o edifício do Moinho Chaves, e m Porto /:). Companhia ConstruLora de Santos: Ca.,sino c Teatro Parque Baln eário de Sanros, SP, 1922.
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    16. Júlio de.-bre u Jl.: pr(:dio ua an:nicb An~élica. S:w Paulo. 191!H. ,legrt>, construído em 1921 com pr~jeto do ar- quiteto alemão Theo Wiedersphan (1878-1952). Fachada marcada por pilastras acentuando a ver- Licaliúade, repelitividade de janela~ e apenas uma discreta linha de cimalha e desenho de platiban- da, o tratameuto externo do edifício industrial de quatro pavimentos parecia refletir a sobrieclade do pro~r<tma arquitetônico. Uma construção que passaria despercebida hoje, não tivesse sido rea- lizad::t no início da clécacla de 1920 [Wcirner 19R9, pp. M29-M31; 19921. Wiedersphan , r<tdica- do no Brasil em 1908, pode ser considerado um arquiteto que trouxe informaçôes sobre a arqui- Lelllra alemã das primeiras décadas do século, produzindo algumas obras que refletiam prcocu- pacões modernizantcs, embora a maioria de seus trabalhos ostentassem compostura tradicional. No ano em que Gregori vVarchavchik inici- a·a as obras ele sn:o~ prim e ir::~ n ·sidência modernis- ta.Júlio de Alm.:uJúnior (11. <::m 1895) c:uncluía um cdif'ício de seis pavimentos na avenida Angé- lica. em São Paulo. Era um prédio d e apartamen- tos CLUa fachada era composta apenas pelos vazi- 'h dos terraços da sala e pelas parceles lisas de fechamento dos banheiros, mais algun s vãos de entilacão e iluminação. Nenhuma decoração tra- dicional. Os quartos voltavam-se para o fundo elo iote. orientados para o sol poente, e a cobertura abrü;aYa as dependências de empregados- num arranjo não mual para a época [Xavier f'l nl. I9R~; Lemos 1~1'-'' E--co!a p,,...__n u-~e en ~en hciro na ~~'- em 191-l. com Modt'midr~dr< Pm!{IIIIÍiha • 5 7 17. F•t·dc·ri<'o Kirchgiissu t..-: casa do a rqui teto~'"' Cu ritiba, PR, 19~10. poste'rior <"Studos n<J École Specia lc eles Travaux Publics du Bâtiment et d e L'Industrie de Paris. Atuando em São Paulo com edifícios residenciais e industriais, obras residenciais com característi- cas formais próximas ao cclilício da avenida Angé- lica foram construídas também para o Rio ele .Ja- neiro. Não era ele, todavia, um arquiteto que adotava a linguagem rnoderna como princípio. Mais fiel à identidade moderna foi Frede- rico Ki.rchgãssncr (1899-1988), descend ente de alemães nascido no Estado de Santa Catarina que fez um curso por corrcsponclência na Kunstschulc ele Berlim, tendo conse~uiclo o diploma de arqui- teto ao prestar exames na então capital alemã em 1929. No ;mo seguinte, Kirchgassner construiria sua própria residência em Curitiba, Estado do Pa- raná: casa adotando formas modernas, com terra- ço-mirante que clava vista para a serra no horizon- te distante, c projctacla com mobiliário coerente com a moradia. Na ainda mais provinciana capital do Estaclo elo Paraná, a obra toi recebida com hos- tilidade. Kirchgassner construiu algumas poucas obras com linhas modernas, lendo sido relcrnbra- do como um pioneiro incompreencliclo cerc<~ de' quarenta anos após a obra inovadora [Piermartiri 1989]. Aos alemães c seus dcsccnclcntcs, o Brasil deve uma avaliação ainda n ão totalmente conhe- cida como contribuin tes na introd ução de lin- gua~cns modernas na arquitetura elo sul do país. Günter 'eimcr [1989] anota que as primeiras manifeqacõe' modernas em Porto .Jc!?,"rC (cxce-
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    58 • /lrqui/('/uras 110 Hrasil tw1ndo urna casa projetada por Joiio Antouio Monteiro Neto (1R93-1956) em 193~) se deve a profissiouais alemães: Franz Filsinger, atuanre no Brasil entre 192!í c l~J:-~9, autor das primeir·as re- sidências de linhas modernas e m 19?. l I 1932; Karl Siegert (1R89-1961) ejulius Lohweg (lR79- l 9GO), au Lor de projetos d e Jllaior porte, roJllo os cdi fícios da Fcrle raçào Rural, o Agostin ho Piccardo c o Rio Rranco hem coJuo a fábrica da camis:1ria Taunllauser, Lodas as obras situadas na capital elo Rio Grande do Snl. São manifcstaçôes que ainda merecem al- gum aprofundamcuco enq uanto vertentes do 1110dernismo brasileiro. UMA ESTRUTURA PARA O MODERNO ils ili!Jrll('rJI'S I' as de.l·obertas rir•ntífims nriu exmc fl'rt/111 ;,~fluenria alguma tiOS ,•.,tilvs dn. ouJuitetura, nr•m me~nw o rimrn/o mmodo, qu.r• ,; 1111'1 11U!lt'1Úti ilu·sthirn, .fi'io em Sllju•i.fhir·, df a.ljH•do Ji'in r• mO'rio e fJII I' lvnw ((1111 o temjJo "mte sale pati·ne". nn diur do j1mji>ssnr Cloq111'1. CIIIUSTIANO DiS Nl::VI·:S, 1930 (p. 3) No CUJTÍ<'ulo profissional do arquiLcto Eli- siário Bahiana ( lH91-J9HO) arquivado na l Jniver- sidacle de São Paulo. uma observação ano1ando o insucesso lluma participação em concurso no Rio de .Janeiro{: basLante reveladora. Consta o seguinte: "Pn~jeto do Estádio do Clube de Rega- tas do Flamengo, na Cávea, c tira o 2° lugar com projclO moderno, gênero Perret (o primeiro lu- gar foi adjudicado a um projeto clássico)". Esse concurso foi promm·ido em 1925: por "clássico", pode-se entender a adoção de linguagens orna- men l<lÍS Bcaux-ans; por "moderno", a idcn tifica- (ào é eloqüente. Em 1928, Bahiana novamente ohtevc um segundo IJJ).'al.., agora no concurso pa ra a embai- xada da Argentina; o vencedor era seu colega de IS. Vale do Anhangahaú e 'iaduto d o Chá, e m posLal de 1955. llurn inaç;io kérica compôc o ccnát·io de modernidade.
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    wrma, que apresentaraum projeto de gosto neo- colonial: Lucio Costa. Flá'io de Carvalho, o mo- dernista de São Paulo, fora desqualificado. Entre 1927 e 1943, Bahiana pr~jetou no Rio rlc J aneiro c em São Paulo prédios públicos, edifícios comer- ciais e/ ou rcsidênciais, casas e até~ um viaduto, um dos cartões-postais rle São Paulo: o viaduto do Chá [Segawa 1984] . Nem Lodos os projetos obe- deciam ao mesmo tr atarncnt.o formal, mas predo- minava uma linha nas obras maiores: o Art Uéco. Em 1979, numa cntrt>vista com o velho arquiteto, ele não compreendia o significado desse termo. O Art Déco, como "estilo", jarna1s existiu: como convenção figurativa, nasceu na rt>lrospectiv<l "Les Anées 25", em 1966. Ele recusava também o rótulo ele "futurista"- uma palavra f!IIC popu- lanuen le trazia uma conotação pe jorativa nas décadas de 1920 c 1930. F.m todas as hipóteses, sctt trabalho e ra "moderno", "gênero Perrct ". F.lisiário Bahiana não foi um arquiteto ge- nial ou revolucionário, mas U lll pwfission::1l hem- sucedido por ter projetado obras sign ificativas nas duas maiores cidades brasileiras. Como tan- tos ourros arquitetos de sua geração, Bahiana !JOd<: ser tolllado como um profissionaI arq uetí- pico de uma etapa da arqttitcl m a brasileira: for- mado nos valores Beaux-arts, "inti·ingiu" os ensi- narnen ws adotando uma linguagem distinta da boa norma acadêmica. em busca de uma arqui- tetura moderna, sem eslan.lalhaço ou panHetis- mo. Modernidade nem i Lt> C01busiet·, nem à Bauhaus, nem aos fun cionalistas/ racionalistas europeus. Talvez um pouco disso tudo. Mas, mo- dernidade, como o próprio Rahiana revere ncia- va, àAuguste Pcrrct (1874-1~54) . O CAMINHO DE PERRET J.c Corbusier c Augustc Pcrrct (1874-1954) eram de tendências opostas, escrevia I .ucio Costa em 1951 [19G2, p. 187]. I.e Corbusier fjllalifica- va Perret não como um revolucionário, mas um "continuador" rla "grande, nohrc c elegante ver- dade da ar(}uitetura francesa". Todavia, o arquite- M nrlr•müladr l'mgmrílim • 59 to franco-suíço reconhecia em sua autobiografia que, em 191O, Perrct era "o único no caminho por uma nova direção ela arquitetura" [ajmrl Collins 1959, p. 153]. A "nova direção" era uma lingua- gem desenvolviela a partir da experimentação t{~c­ nica e formal sobre o concreto armado: o aparta- me nto da rua Franklil1 C lll Paris é considerado como o primeiro uso do concreto como urn meio de expressão arqtlitctônica. Seu trabalho elabo- rava nm novo raciocínio arquircttmico inserido num contexto técnico novo, sem abandonar re- ferências tradicionais. "Jão é incorreto associar-se o pensamento ele Auguste PerreL ao Art 1)(-co ou, mais precisa- mente, à Exposition lutcrnatiuualc eles Arts Dé- coratirs et lndustriels Morlt>rnes em Paris no ano de 1925. O relatório final do evento, n a seção de arquitetura, é tudo permeado pelo ideário do ar- quiteto rranco-belga. Definia-se a arquitetura mockrna como a que, '·tirando vantagem elas con- quistas da indústria, utiliLa, para realizar os novos programas, os materiais e procedimentos da cons- trução de seu te mpo" rFxjmsition. . 192H, p. lOJ . Assim elegia ela a técnica construtiva dos tempos modernos: "Podemos dizer, com Auguste Perrct, que se os homens desaparecessem subitamente, os edifícios ent fe rro e aç.o n::io tardariam em se- gui-los. [...J O 'material' ou , ~e pn"'ft>rir, o 'apare- lho' da arquitetura moderua é, sem clüvida, o con- creto armado" [ExjJusition... Hl28, p. 15]. Do concreto armado derivaria uma nova estética: E"islt> uma .-,rética do concre to arruado, como a da pedra, da madrira , do ft-rro. Sc:-111 dúvida, é o pro~··ama que clita a composi(<io e a co mposiçiio em si que deter- mina a escolha dos m<J tt>ri ai~. Mas a m a1i'ria escolhida repercute por sua vez sobre a planta. Se o a rqui1 C'to é tanr.o coustrutor quanto anista, c ele de,·t> sê-lo, compo- siç;iu e m<~1 r.riai s se apresentam silllultaneanlc:-ll lf' a seu e ·pírito, inclissoluve lmcn u· ligados, como o são. na illla- ginarão do cnalllisla , o galho do pote e a terra. Que rormas nascem , en1[Jo, na turalmente , do con- creto arm ado' A.~ fonnas simplçs e grandiosas. Apiloado nas fôrmas , ele exclui as com plicações. Se se presta para ;nnplas a bóbadas, de se coloca sobretudo em honra à linha horizonral. , plcn<l sc(ão dt> se us p il an~s lhes con- fere uma clcgincia austera. Nada de bases, pois a cohma bruta do solo. Nada de capitêis, porque a Yiga c a coluna
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    (Í O •Arq11iter11ras no Hrasif são da mesm a matéria. O capitel, útil cn1 nma constni(Úo de ped ras e mp<IIT ih adas. po r rt'parrir sobre o apoio a carga da arqnitrave ou lin td, torna-se supé:rflno em tllll sist~:ma monolítico flixfJIJ.ütion... 1928, p. 189J. F talvez um n ovo eslilo? O concreto M lllado é a conc rcçào ck materia is t:w con hec idos <·m rod o o pai~ t' e le pode satisfaLer. en1 cnnd içocs bem econômicas, ;~s exigências d e v;~ri ados progr:u11as ele tal m odo q••c seu emprego tende a se torna r ltnin:•·sal. [...J Poder-se-ia dizer q ue dessa maneira de construir nas- cer~• un1 csrilo n niV!' rsal? 1-'clizmen l<', nflo chega mos lá. Sem n1esmo con tar co1n ns climas, os gostos das raças, das uações, as tcnd(·ncias individuais mantêm uma g ran- de variedilde n;1s sol uç<ir.~ a rquit<:tônicas, assilll r o mo na dccoraçiio pintada ou esculpida dos edifícios. A Exposi- (iío de 192G fúi a testemunha d isso ll•.'xposition... 1928, pp. 19-20]. 1 primei r<~ obra no Brasil condizente com o discurso de Perret e o elogio :10 concreto ar- m<tdo fo i contcmporâuea (se não anterior, en- quanto re tórica) à elaboração dessa teorização. Já nos referimos anteriorlllcnre à estação ferro- viária em Maírinque, projeto d e Victor Dubugr<~s de 1907 c ol~jeto de lottvor crítico pela sua racio- nalidade na época de sua inauguração lver capí- tulo "Do Anticolonial ao Neocolo nial. .. 1880- 1926"1 . D11 hl1gras é um caso pione iro, e mbora isolado. LIMITES DO ART DÉCO Nós, anjtlittto.l, ru-Jwmos ótimo o "estilo moderno·~ ,·omo tudo qw<éfimta.l·ia, uniwmm'!lt• f/llrrt esses am- bit•ntt'.l de alegria romo utihmslr, cinema.·, ttwlrínlws, ''p,wronnih'es ". etc. t•lr. CH RISTliNO DAS N i·:VES, 1920 [ l929b, p. 161 1:-'stt• e.1tilo f 925, fu•sto, idiota, raplajifrí quejitz os mrdíorres .JirarPm babando de JPiirir/ade. LE CORBUSIF.R, 19:-W [Santos el al. 1987, p. 96] Ao se ad o tar o termo Jn Déco, corre mos o risco de acentuar u m so taque francês risonho, de um país vitorioso - contrariamente às demais nações devastad as, re moendo-se em inquie la- ções sociais c econ ômicas na Europa d o p rimei- ro pós-guerra -, Lmindo manifestações tão d ispa- ratadas entre si, como a Compagu ie eles Arts Français e a nauhatts, a valorização elo decorati- vismo de culturas d itas "exóticas" (asteca, egíp- cia, exln:rno-oriente) e a Deutscher 'Verkbund, ou a fusão ctc refcrêucias ;-Jrqnite tônicas marcan- tes como Anguste Perret, Frank LIO)'d Wrigh t (Hl67-HI59) , Hendrik Petnts Berlage (1856- 19311) un J osef H offm;-Jn n (1870-1056) numa massa amorfa. Adema is, estudos d edicados ao Art Déco, e m geral, desconsideram a contribui- ção da llália, país que. desde o início do século 20, desenvolvia alta Lecnologia em coucrcto arma- d o [Pesenti 190G] c estabelece urna arquite tura de t.n·ttamento for mal geom et.ri?.acto IMclani 1910] à maneira futurista de Antouio San t'Elia (1888-1916), concretamente ilustrado na diversi- dade de um Marcello Piacenti ni ( l 8H1- 1960) no período fascista ou em nma vcn ente do raciona- lismo, como em Giuseppe Te rragni (1904-1941) e seus colegas d e geração - o que não é despre- zíve l enquanto iniluê nci;-J no Hrasil, diante do enorme anuxo da imigração italiana para o país desde o úllimo q uarte l do século 19. Para efeitos práticos, vou considerar o Art Déco n o Brasil mais como urna manifesta- ção essencialme nte decorativa que propriame n- te construtiva - embora c tn certas siluações as !'moleiras entre a deco ração e a tectônica s<.jarn lê nnes. O ART DÉCO COMO "ESTILO" O s vários trabalhos que o arquiteto Antô- nio Moya aprescnwu no Teatro Municipal de São Paulo, na Semana de Ane lVIoderna de 1 92~ , captavam a vertente "exótica" q ue pairava no ambicnlc culLttral de então. Alguns de seus esbo- ços conotarn inspiração maia, como já dito [ver
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    capítulo "Modernismo ProgramáIico 1917-1932"] e é a mais antiga proposição conhecida dessa tendê ncia d e tomar emprestado motivos pré-co- lombianos no Brasil. Antecedeu à proposta de Flávio de Carvalho para o concurso do Farol de Colombo em 1928 c foi o precursor de um forma- lismo que se seguiu ao esgotamellto da voga n co- colonial: no início da década d e 1930, o p intor Theodoro Braga (1872-1953) preconizava uma saída por uma arte brasileira mirando-se na ex- periência dos países latino-americanos que ado- tavam desenhos pré-hispânicos como ornamen- tação lBraga 1930J. Braga foi um estudioso dos motivos da cerâmica man~joara- uma an Liga cul- lllr,. ,.nlcrior à chcgad,. dos ponugt~cses , na ilh,. do Marajú, no Estado do Pará, onde o pi 111or nasceu . Enquanto idéia, ,.. aplicação de temática marajoara foi bem-suced ida ao ser adotada no projeto d e Archimedes Memória (lH4~-l!-lfiO) e Francisquc Cuchet, vencedor do concurso para <l st>df' do Min istério da Educação f' Saú.de p m 1935 (foi o pn~j eto preterido pelo governo, que enco- mendon outro a Lucio Costa [ver capítulo "Mo- dernidade Corrente 1929-1945"]. O mar;:Uoara e ouI ras fignraçôes pré-colombianas roram recor- 19.Rino Lcl'i: Cinc Uf<t-P<tlúcio no Recife. PE. 19:H. Mudnnidwlr PraKm.rílim • 6 7 rentes na decoração de interiores nos anos 1930, e seu geometrismo combinava com o gosto Déco. O Art Déco foi o suporte fo rmal para inú- meras tipologias ;u-guitctônicas que se afirma- vam a partir dos anos de 1930. O cinema (c por associação, alguns teatros), a grande novidade entre os espetáculos ele massa que mimetizava as fantasias da cultura moderna, desfilava sua tecnologia sonora e visual em deslumbrantes sa- las no Rio de janeiro, em São Pau lo c algumas outras capitais em verdadeiros monumentos Déco; algumas sedes de e missoras de rádio fo- ram conslruídas ao goslo, como"' R;.ídio C!lllu- ra de São Paulo, de Elisiário Bcthiana, ou a tardia (194R) sede d" Rádio .Jom;:~l do C:omi-rc:io de Re- cife, do engenheiro Antonio Hugo Guimarães [Silva 1988]. A maioria dessas construções foram demolidas. VITRINE DE MODERNIDADE C'I'Yirtmt' lllr nrio jáltarào lugar!'s Jmm a conslru.- rüo de nlifiâus fJúbliros impirados na arquill'lum
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    62 • /lrquilelumsno Hrosif ri)IIIUnisla. A cidadP r/p Goiânia, jmr rxrmjJfo, I'SitÍ 1'111 nwti>ria dP M·qllilelllra, mais longr' do SPnlimr•nlo national, do qw' rrrlrn ridades da pmimula ilir'rim. jOSf M,RtANO FILHO r1943, p. 12R] Se o Art Déco se consagrou numa grande exposição, certo caráter l'ugaL yue pcrrm:ou a voga Déco pode ter sido refon:ado pela reali;.a- ção de grandes exposições transitórias com o predomínio de pavilhões desenharlos ao gosto. A VIl Feira Internacional de- Amostras de 1934, rea- li1ada no Rio deJaneiro (no aterro onde hoje se ergue o Museu de irte Moderna, de Reidy), era uma vit rine rla prorlução industrial e agrícola bra- sileira abrigada em edifícios de traços Déco. Um evento de maior porlc, a Exposi~:ão rlo Cente ná- rio d a Revolução Farroupilha e m Puno Alc~!;r<.:, no ano de 1935, transformou o amigo Campo da Redenção - grande área verde hoje no coração da cidade - no Parque Farroupilha, com pr~je­ to básico do urbanista francês Alfrcd Agache e a montagem de um complexo, para exposição de produtos agrícolas e indnstriais, organizado por Christiano de la Paix Gelbcrt (1899-19R4). Con- tando com pavilhões te máticos (como :::~gricu l tu- ra, inrlttstria estrangeira, empresas ferroviárias e outros), par<J diversão (cassino, caf(:-har, restau- rante), de quatro Estados brasile iros (o ele Per- nambuco foi projetado pela equipe m odernista dirigida por Lu iz Nunes ( 1 ~08- 1 937) ) c os admi- n ist.rativos, predom inava a figu ra(ão Déco nos edifícios (inclusive com a variação marajoara no pavilh:'io do Pará). O caráter efêmero dessas obras conduzia a opções simples ele conslru~:üo c deco- ração: os pavilh ões eram estruturas de madeira com fechamentos em estuque (à excq:ão do Pará, de alvenaria); o despojamen to ou a n~jo orna- mental subordinava-se ao sistema construtivo em- pregado, e o Déco coníluía para urna solução for- mal menos rebuscada~ Inúmeras obras públicas de importâ ncia seguiram a tendência; ttrn:.i rlC'l;.~s , é a Prefei tura de Belo TJorizon te ( 1036- 1939), projnada por Luiz Signore lli. Goiân ia, a nova capital do Esta- d o de Goiás, criada em 1q33, com urbanismo e primeiros edifícios (palácio do governo, prefeitu- ra e hotel) p rojetados por Attilio Correia Lima, tem imponentes monumentos Déco, como o tea- tro ela cidade e a antiga estação ferroviária, além dos pioneiros palácios. Em São Paulo, o primei- ro viaduto Déco foi o Boa Vista, projetado em 20.Exposiçâo do Cenlt!núrio d;o Revolução Farroupi lh a, c·m 1935, no an tigo Campo da Redenção, em Porto Alegre, RS. Traçado orig inal elo parq ue ck Atfred Agache.
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    2l. Pa,·ilhào doParii na h;posiçào do C<'n tcn;írio da Rf",·o- luç<1 o Fa rroupilh a, em Porto Alq~re. RS, I~)3f>. Tcmns da cerâtnica tnar~joara tOlll O l liOtiYo~ dccortltivos. Foto·( ente· sia de Cüntcr Weimcr. 1930 por um engenhciro-arqmteto recém-lonna- d o, Oswaldo Arthur Bratke ( I907-1997) (ele se- ria, n us anos de 1950, u m dos mais irnponantcs arqui tetos modernos) . Um elos símbolos da cida- de do Rio de.Jant"iJU, o Cristo Rcrlcntor, nu topo d o morro do Corcovado, é urna estátua Déco. É certo que todas essas referências de importâucia urba na ser viram para disseminar popularmente o gosto Art Déco. IMAGENS DO FUTURO: O ARRANHA-CÉU Os orran/111-dus n o limsil /HOVI;IIl de um nm fJrofundo. RinjustifirrÍ1<riP lammtável numa lerm rira de PS/)(t('u t'.HI' Úl/ntw rl1• ron.l'/l'll(ÕfS qui' em ou- tws rirlotfn, 1'111 Nova IOI'({III', por exnnJ!lo, 11'111 sua I'Xfllica{'âll r sua razrio rft• se~: Nu Riu deJanàm a l'xis- /Pncía dvs tiiTflnlw-dto urio IPI/I sentido. f; uma imitaçrio. As Jonnw d1• arte nrio rr.wllam tl1• LW/11 vontade. Nâo !ui .forma tft• tnlt• infl'nrional. E, jmr isso mesmo, os vo;sos arranha crus qut' nâo rorre.1pondrm a uma tll'tessidadr, qtw nrio surgt'lll e.- {)(m/aneanwnlr da il'tTa, 1rio 11/'I'P.uariamenlr uma I'Xfwessâo falsa di: arl1•. Pf'11so muito qw•, de um modo gemi, a arqui/i•lura do Rio 1; IJllilSP 1ww oji>n.1·a it pai- sagnn. DPve-sP jn·ururar semjnt' ·t.mw lirilw corrrsfion- dn!le t) do nolu rt•za. L UIC! PIR. NDEI.LO, 1927 rBarbosa 1989, p. 98] ,lodernidadt• f>mgmrítiw • 63 ~~.Jorg<' Ft·lix de Souta: Tf'aln>de l;oián i;~, CO, r. I94~. Li a rnlrevi.1111 d1· Pimrtd!•lln / ...} e rerordo-lltt' das suas jmlrwms a jlrojlâsilo do.~ arm11fw-rPus. St• 111i11 IIU' Pngano ela fala na nnt'.l.wlodt' dt• se rrior no l?io I.L/1111 an;uilt•lum qu'' sc ronjonne rom a linha do fulisagt•llt. 'llwto mrllw1: .V1io snia o raso de Sf romltu.ir 1•dijírú>1' da o{l!o·a do !'r'io-rle-rpímr ou do Co1·wvrulo? Creio 111Ps1no qw· Nnbora sPfiussr'm aqui Nlificios tlua.1 ou trfs veus 1110im·es que os de Nmm lorqtu a linha da jmisagem nada so.frPria. 11 própria tw111reza dá o exemjJio u M'!fLÚt: {. .} Arlw IJIIl' a o!JsPnJa({tO rfp Pirandrllo ,; idiota: com llllta Jmisagl'/11 leio Krr11uliosa o Rio J)f'rlllile r l'<igP llli'WIU que u.1 Sl'll. nlijírios .ll'jnm altos. BLLSE CE1 DR:R~. 1927 lBad>Osa l!l89, p. 101 ] Cerca de quareuta anos se passaram entre os dez andares do primeiro shysrm{Jf'r projeLado por Will iam L e Baron .Jcnney (1832-1907) em Chicago e as pion eiras lentativas do gên ero no Rio de .Janeiro e em São Paulo. Nesta última ci- dade, u m ambicioso empreendimento elo imi- grante italiano C iuscppe Martinelli (11-70-1946) t>rgucria, entre 1924 c 1929, um arran ha-céu com 105,65 m de altura c 25 andares: o Edifício Marti- uelli. Ern 1928 era pr~jetaclo o edifício A Noit<', no Rio d e.Janeiro, concluído no início dos anos de 1930 cont 24 pavimentos e l 02,5 m de a!Lura. ConLrariando a t"xperii·ncia norte-americana, ambos em concreto armado . Recorda o pionei- ro livro de Starrctt l l<l28] u quanlo o arranh<~-
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    64 • Arquitettt.rasno Brasil céu, nos primórdios, foi esteticamente d escte- n hado. Quase contemporâneos, o Martinclli e A Noite representavam duas verte ntes opostas: o primeiro, uma torre ornamentada ao gosto eclé- tico; o segundo, um edifício de linhas geométri- <::ts, com toque lkco. Joseph Gire c Elisiário Bahiana, ao projetarem o edifício A Noite, da- vam vazão ao preceito perrcliano de uma arqui- te tura integrada à estrutura. A solução Déco, doravan te, prevaleceria na corrida sul-americana às altur<ts: o edifício Kavanagh em Buenos Aires, de 1935, com 1~5 , 30 m de altura, seria o mais alto préd io da Am érica do Sul até 1954 fVascon- cclos 1985]. Na década de 1930, a linguagem Art Dé-co estaria associada ao envoltório por excelência das granrles estruturas qu e romperiam os horizon tes urbanos desenhados pelos homens, rnarcados so- bretudo (ou apenas) pela verticalidade de torres sineiras cic igrejas ou referências semelh antes. Assim, em São Paulo, o eciif'ício Saldanha Mari- nho competiria com o seisccntista convento e ign;ja dos franciscanos; o edittcio Oceania em Sal- vador - a maior construção em todo o Norte e Nordeste na época lAzevedo 1988] -faria o con- tJ·aponto robusto ao esbelto farol da Barra, do sé- culo IH. A inserção mais espetacular de uma obra Déco n a paisagem tradicional foi, sem dúvida, o Elevador Lacerda, tamh~m e m Salvador. Trata-se da ligação entre a parte alta e a baixa ua cidade, na peculiar topografia cia capital da llahia, com uma estrutura de 73,50 m de altura em concreto armado. O discreto relevo e a geomctrização pre- dominante da esguia estrutura de elevadores sal- tando na paisagem e sobrepujando a íngreme escarpa em dezessete segundos sinalizava o arro- jo c a velocidade dos tempos modernos. Prqjetacio pelo arquiteto Fleming Thiesen, foi detalhado pelo escritório Prentice & Flodercr elo Rio de j a- neiro, com a provável participação do arquiteto húngaro Ad alberto Szilard [Lima 1990] para a firma dinamarquesa Ch ristian i & Nielsen e construído ao longo do ano de 1929. Paulo Or- min do de Azevedo [1988] o considera a primeira o bra de arquitetura moderna construída na Bahia. l! (0:., ~ .j) ..~ ~_,_ " :;J~. J A N e 1.o) p, 9J'tJ ~ ,;.,':_~Ífi . 1'; . ~· _(~ ~(:.~,. .... ',...:)l~'~·· •.:~~!",. . ~ ~ í··' ~.., 23.Carlaz do 4° Congresso Pan-amt:ricano dt· Arquitetos no Rio de Jane iro, 1930. Na maioria elas grandes ciciarles brasileiras nas décadas de 1930 e 1940 as estruturas altas de gosto Déco ou variações predominariam na ver- ticalização das paisagens. Usualmente, e ram edi- fícios comerciais: nos anos de 1930/ 1940, o arra- nha-céu era um investimento pesado, e mesmo nos Estados Unidos, pairavam dúvidas quanto à sua viabilidade técnica e econômica. Enquanto solução para habitação no Brasil, o edifício em altura era um desafio para uma sociedade que desconhecia esse modo de vida, tido como pro- míscuo. A falta de habitação no período entre- guerras, num certo sentido, incentivou a vertica- lização das estruturas para habitação, e somen te em 1928 uma lei estabeleceu as bases do direito d e propriedade elas un idades componentes de um edifício. Em São Paulo, um dos primeiros eciificios de apartam entos residenciais - o Columbus- foi projetado por Rino Levi e inaugurado em 1932.
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    ,.,,. .,J. •( lU I::~li Wi ru ef!i r: r. Vi ;n: 11 11 1 li ; i•:; :a: ; ·li;"" l•: 1! 11 i r~ tu IC:'; ~-L Jn~e ph Cin: c F.lisiário Ihhiana: edifício A Noilc, Rio rl" Janeiro, 1'1?.0. O bra inovadora para a época: para uma socieda- de pouco afeita à "promiscuidade" ou ao "cole- Ü'ismo" da moradia em altura, um projeto com planta c infra-estrutura be m resolvidas (vale lembrar que os primeiros arranha-céus no Brasil tin ham péssima resolução de planta, pelo inedi- tismo da tipologia), destinado a usuários de bom padrão econômico - quando ainda a casa c o j ar- d im eram valores altamente considerados num am biente arquitetonicamente conservador. O Colurnbus (hoje d emolido) e ra u m edifício ele dez andares com uma massa robusta que se des- w.cou na paisagem da época. Seu exterior não foi propriamente uma aplicação do moderno perre- tiano, mas tributário do racionalismo italiano formalmente d espojado: paredes lisas revestidas coin argamassa de cimento branco, cal, areia, gr ão~ de mármore, granito, quartzo e mica (aca- M odrmidade l'ragmátiw • 6 5 25. Freire &: Sodré: edifício ücea11ia. Sal"aclor, liA, d(·ca- das de l!J:IO- lJ~U . bamento largamen1·t> empreg-ado rra Í'poca) , h<rl- cóes curvos, os indispensáveis porm enores pe la manutenção dos muros (peitoris, pingadciras) c algumas aplicações de gosto Déco no térreo y ua- lificam as f'orm<rs simples da obra; simplicidade, entretanto, sem perda de dignidade- destoando elo rehuscamento decorativo típico da ocasi;'ío. O Columbus está muito mais para conteúdos racio- nalistas q ue preocupações de fachadas Déco. A simplificação decorativa por geom etri- zaçõcs derivadas das estruturas em concreto ti- nha razões pragm;iticas crn edifícios altos. Sa- muel Rod er (1894-1985) , enge nh eiro-arqniteto forrnad.o n a Academia Imperial de Belas-Artes na Rússia em 1917 e auxiliar ele Barry Parker em São Paulo - e ainda urn dos primeiros a pn~jeta r ern linguagem Déco na cidade, no final dos anos de 1920, calculando suas própr ia~ cslrtlturas em
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    66 • ,~trquiteturas110 Hmsil concn:to armado-, afirmava cpw !lão via senti- do em decorar arranha-céus com ornamentos que não seriam visíveis ao observador n a rua ou que implicassem a especificação de ornamentos em tamanho compatível para serem apreciados à distância, cncarf'<e nuo a obra [Segawa 1985b1. Essa lógica não pode ser tomada como tínicajus- tificativa da supressão ck elementos decorativos tradicionais, mas é certo CJUC muitos e dif'lcios dessa époe<t osleraam ornamentos que, vistos d o ch ão, não nos fazem suspeitar da dimensão des- sas peças, hem corno smrs implicações construti- vas c orçamentárias. VERTENTES RACIONALISTAS: AS OBRAS PÚBLICAS Pam rir<sgwra do Brnsil, "~ grandrs nportuniria- rfps arquiti1LÔnirn~ surgiram w11w 'lue por ''fJid,•mirt, depois da rrvoluctlo. O 11l011wnto teria sido jJrojJício jJam SI' rrgnnrm monuwttmlos de arte, condúionados ris nossas ju•culiares PXigÍ>ncios mesológico-.1oriais. E.to!JI'lro•n-sp tt111 padulo ínfimo, miserá1n•l, a m ixa d'ág-ua 1'1171id·raçarla que sr1imjilrm tou em aula hoir Til à guisa de esrola municipal. () mrsmo padriio peslrnn o cidadr, i nfiltrrmdo-sr nos mimstérios. Sob o m:c;umrulo muito sedutor de qur I'.Ul' gênero r/11 arquitl'lnm dt• baixa classt• é bamtíssimo, u:. hrn1w11s do gmwrno não hr'.~ilorrnn em adolrí-lo. Quando tiver passado rs.1a onda de e.1lujJidn, olhando fmrn os ma:.to<io11tes de rimr111o ondr• se alojam a fnero.l d1' qui/ando os nobrf's edifícios fní./Jliros, as geracões jú- turas fJoderrio rm j ustiça julga·r o Tmlgm-idarlr da épo- ca em quP ,,_,/amos TJivtmrlo. .J OSÉ .1AIUA:0 FTUlü, "A Sovielização cta Ar- qu itetura Brasileira·· ( l943, p. 241 :'los anos de 1930, conceitos como funcio- nalidade, eficiência e economia na arquitetura - termos próprios de equações racionalistas - tive- ram firme aplica~:ão em obras públicas. l3oa pane delas, projetos e obras de repartições oficiais de engenharia e arquitetura. A racionalização admi- nistrativa e coustr utiva foi largamente cxperimen- 26. Fleming Thicsen/ Prenticc 8.: Flode rcr: clcYador L.•cl•rcla, Salvador, ~A. 1!}~9. t.ada no início dos anos de 1920 com a Compa- nhia Construtora ele Sanros e a empreitada de levantar int'rmcros quartéis a várias ·regiões no Brasil, como vimos ant.eriormcnLc. São Paulo e Rio de .Janeiro experimenta- ram, logo após a ascensão do presidente Getú lio Vargas, uma proposta d e re formulação da :m;a educacional- reflexo das transformações preco- nizadas pe lo discurso dos revolucionários de 1930 - , esforço que redundou também na elabo- ração de modelos de edifícios escolares. As linhas geornetrizantes foram caracteri- zadoras da arquitetura escolar dessa época. Toda- via, não se tratava somente de uma preocupação estética. Isso se de prcende elo trabalho que a Secretaria da Educação de São Paulo ll936] de- senvolveu com a Diretoria de Obras Públicas do EsLado de São Paulo: uma série de tópicos funcio- nais, programáticos c pedagógicos - orien tação do edifício e desenhos de janelas, organização do programa mínimo de de pendências, acabamcn-
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    ros - foramdestacados como elementos determi- nantes para u m novo modelo de prédio escolar. José :1aria da Silva Neves (18%-1978), e ngenhei- ro-arqttitew responsável por inúmeros desses projetos, citava arquitetos como Mallct-Stcvens, Le Corbusier e Piacentini, conceituando: F<tt-<::r ;trquilclura n;1o {· somcnl!· construir r~ c h a­ das. A arquilelttra é fnnç;!o dos processos d e <'011s trn- cào d" época. O grande anptileto de u111a époc:~ é o seu e'tado ~oc i a l. Acima das ohras, acin1a dos pn>gnunas l':.pcciais. h ít o programa dos programils: a civil il ação de cada sécnlo,- a ré ou a incredulidade. a de mocracia ou a aristocracia. a sneridaclc ou a desmo t·al i~aç;io elos costumes. [...] Seja111os a rtistas elo nosso te mpo e 1en' 111os Jt•;II i;.a- do uma nob1-c missão. 1'ão podemos admitir hoje uma arq uitetura q ue não seja r;tcional , pois, a escola d<''(' apro,·eit.ar de todo o conforto das conslruções moder- nas. de torlns ns conq uistas da cii'·ncia no scnliclo el e realilar a pc r fcir iio sob o ponto de vista da higien e pe- dagógi<:a. L... j Fa7.er a rquitetura moderna não sig nifica copi ar o ülti1110 l'iguri110 de l1oscou ou de Paris. A arquitetura raciollal exige o e mprego de male ri ai~ daregiüo, a 1<'11- cll"nrlo ils condi ções de clima, usos, co~tu111 cs ele. Obe- decendo a esses princípios básicos, criaremos um est i- lo origi11al para cada povo . Niio deve haver temores quanto à monotonia da arquitetura. E. ironizava os defensores da linha neoco- lon ial para as fachadas ele escolas: "Se adotásse- mos novamente a rótula, a taipa ou a ensilharia ele pedra, deveríamos também voltar para a sole- 27.Jos<' M ari ;~ da Silva N<·v<'s/ Dirt>toria ele Obras Pt'1blicas do Estado dl" São l'<lllio: Grupo Escolar Visconde cic Congonhas do Campo. São Paulo. r..l9~fi. Modr•mirlacle f'ragmrítim • 6 7 tração. a palmatória e o decuriáo" [Secretaria... 1936, pp. 63-65]. Pouco anterior à iniciativa de São Paulo, a nova orientaç;,io preconizada pelo educador baiano Anísio Teixeira como d iretor do Departa- mento de Educaçáo do Distrito Federal a partir rlc 1Bl rt>dundon na ref'ormu hu,:ão do programa educacional da cidade do Rio de Janeiro com reflexos na arquitetura escolar. Estabelecendo uma família de cinco tipos ele escolas, de acordo corn um plano pedagógico elaborado por Teixei- ra, a Divisão de Prédios e Aparelhamentos Esco- lares do Departamento de Educação da Prefeitu- ra do Distrito Federal projetou ~H prédios a té 1935, com a participação de a rquitetos como Enéas Silva, Wladimir Alves de Souza (n. em 1908) , Paulo Camargo de Almeida ( 1906- 1 97~) c Raul l'cnna Fir m e lSisson 19901. José Mariano Filho, defensor da adoção do n eocolonial na ar- quitetura escolar, cleHagrou raivosa campanha na imprensa contra a proposta dos novos edifícios escolares. Mariano os classificava ele "estilo arqui- tetônico 'caixa d 'úgua"', com "ligurino comunis- ta", inspirados em "alguns mode los corriqueiros de escolas alemãs ou russas, ahstr(lindo-sc de ra- ciocinar que elas lerão de lidar com fatores mesológicos que não foram considerados pelos arquitetos europeus que as conceberam muito de acordo com as condições locais de seus paí- ses" f:1ariano Filho 19'13, p. í 6, f)(lssim]. Projeta- das por Enéas Silva, eram construções de baixo custo (scgtmdo estimativa do amor elo pn~jeto) em estrutura de concreto annado e fechamentos de alvenaria, coberturas ern te iTaçojarclilll, cir- culações c ventilações cuidadosamente a nalisa- das em função do prog-rama pedagógico e acaba- mentos padronizados. Segundo o projetista, O aspect o arquiretôn ico d C'SI:tS ron stnu; ues é pura- mente funcional. Não !oi seq uer ol~je to de conjecturas, quilisquer estilo clássico ou regional. Rit111o plástico obtid o mercê elo próprio partido a•·quite tôuico adota- do e m plan1a, as 111assas plenas singelamente coloridas em vermel ho, alaranjado e verde-cla ro e os vãos d e esquaclt·ia recortados de luz c som bra. bra nco c negro se harmonizam , se complctau1, dalJdo ao çonjunto um aspecro ntracntc c sugestivo à jovial idade caracterísLica do pequeno escolar. [...]
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    6& • llrqnireru m s 110 Brasil ~-,;...,_ ' l ' 2X. I·:nh l' Silva/ Divisão ele Pré<líus e ip a re lh:"llll<"ll tos f.sco- la r c s do De p<lll <tlllt' ll (o de Edncll'iio do Distrito Feder;)): Escola Argentina, Rio de Janeiro , c 193')_ Concepção pura mente baseada e m eficiê ncia e eco- nomia , realizam de fato esses prédios em tod a sua ple- nitude, o s car·:~ r i Prístí cos para os quais foram proje ta- nos e construídos. [Silva 1935, p p . 363-364j Todavia, do pon to de vista do conforto am- biental, as escolas efetivamen te foram mal-suce- didas. Em Belém, a administração do interventor Gama Malcher (1872-1956), en tre 1937 e 1943 (na vigên cia do Estado Novo) , executou alguns edifícios escolares de linhas modernizantes, ain- da que n eles p revalecessem antigas regras de si- metria. Mas o edifício escolar mais importante li- gado à linguagem d a arquite tura racion alista no Brasil foi realizado em Salvador. O Instituto de Educação da Bahia foi construído entre 1937 c 1939 pela empresa dinamarquesa Christiani & Niel- ~~::;;~~~:;b ..tâ~ "--~-.C--~~ y :-:::=.~- .... ......... ,-{oi.···· 29. Escrítúrio T écnico J- Ganta Malche r: Gr-upo Escolar Villwna Alv<·s, 1-klé rn , PA, c. 1038. 30.Aif'xander Buddeus (atribuído a) : l n stíwto cll" Ed uca- ( <i o da Ba hia , Salvador. UA, 1 9~17- 19~9 . F o to-co r tesia de Paulo O r mindo de "-Le l'êclo. sen (a mesma do Elevador Lacerda) e é um com- p lexo de edifícios ligados por passarelas e entre- meados com quadra, piscina e áreas de recreio claramente identificados com a arquitetura racio- nalista como propagada por Sartoris em Gli Ele- mm ti Dell'ATchitettura Funz.ionale (1931). Atribui-se a autoria do projeto a Alexander Buddeus [Aze- vedo 1988], arquiteto belga radicado no Rio de J aneiro no início dos anos 1930 (ver o próximo capítulo, "Modernidade Corrente 1929-1945"] e que anteriormente havia projetado o Pavilhão Hanscático Germânico da Exposição de Antuér- pia e o Ae roporto de Munique [Santos 1977] . Buddcus foi o arquiteto de outra notável obra racionalista em Salvador: a sede do Instituto do Cacau, realizada em 1933-1936 pela Christiani & Nielsen. Era um edifício construtivamente sofisti-
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    (·ado. com lajes-cogumeloe estrutura para abrigar -.alão para armazen amento, com equipamcmos e peciais como esteiras subterrâneas automatiza- das para transporte de sacarias até o porto, auto- claves para expurgo do cacau, controle de umida- de interna por meio de ventilação forçada c filtros instalados na cobertura [Azevedo 1988) - um edifício inclustrial de eficiência c imagem coe- rente com as realizaçôes fabris reproduzidas por Gropius no fnternationale An:hiteMunl c 1925. No Rio Grande do Sul, a Seção ele Arqui- tetura da Diretoria de Obras da cidade, chefiada por Chris1iano de la Paix Gelbcrt desenvolveu projetos ao gosto Déco, como o Hospital de Pron- to-Socorro (1940-1943), o Centro ele Saúclc Mo- delo (1910-1913) c o Mercado Livre (1943) [Sil- ,.a 1Y4:1; Wcimcr 1YHY]. Duas outras repartições públicas se carac- terizariam nos anos de 1930 por sua aproximação à linguagem racionalista: a Dire toria de Enge- nharia da Prefeitura do Distrito Federal no Rio 11/odemidadt' Pra;;málica • Ó 9 de .Janeiro e a Diretoria de Arquitetura e Cons- trução de Pernambuco. Essas iniciativas serão ob- jeto de estudo no próximo capítulo. Decerto, o mais ambicioso projcro nacion;.~ l de normalização arfplitetônica oficial estabeleceu- se no âmbito do então Departamento de Corre i- os e Telégrafos. Num esforço ele reequipamento do sistema, os anos de 1Y30-1940 conheceram um esforço de aperfeiçoamento ela infra-estrutura de edifícios mediante o prc~eto e a construção de se- des regionais nas capitais c agências das princi- pais cidades brasileiras: Belém, São Luís, Teresi- na, Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Vitória, Belo Hori1.on te, Curitiba e Flo- rianópolis foram al~1mas das capitais contempla- das; Campo Grande, no Estado do Ma10 Grosso; Juazeiro, Alagoinhas, Feira de Santana c Tlhéus, na Bahia; Colatina, Cachoeira de Itapemirim, no Espírito Santo; Friburgo c Tcrcsópolis, no Rio de Janeiro; Poços de Caldas, Cambnquira, Lambari, Caxambu e j uiz ele Fora, em Minas Gerais; Uru- 3 1./11:-xatuler n udde11s: l~t sl illl l o do Caca11. Salvador, !lA. 1933-193G.
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    70 • /1rquilelurasno lirasil 3~_Chri~ l iano de la P<1ix r..-Jlwr f: llt"pítal de" Pronlo-Socor ro, Porw :lc!{l·c, RS, 1')40-19,n _ guaiana, Alegrete, Caçapava, Taquari, Piratini, Caxias do Sul e São Bo1ja, no Rio Grande do Sul, são algumas cidades que ostentam agências cons- truídas nos anos de 1930. Em dez anos, o gover- uo federal construiu 141 agt'-ncias em todo o Tira- si! [Schwartzman 1982J. O e nt<io Departamento elos Correios e Te légrafos, em 1932, contratou vários ar<.JUÍtctos no Rio de.Janeiro (entre os apu- rados, Raphael (~alvão (n. em 1894). Paulo Can- diota c Mario Fertin), fornecendo-lhes ttm pro- gram a funcional pormenorizado e fotografias elo local do futuro cditlcio. São edifícios estrategica- mente localizados na malha urbana (parece haver um predomínio em lOLes de esquina), caracteriza- dos por evidente separação ele acessos ou por cir- culações independ entes conforme hierarC]uia fnncioual, amplos salões de atendimento propor- cionados pelo emprego de estruturas em concreto armado com grandes vãos e despojados de decora- ção (agências importantes, como Salvador, osten- tavam interiores com motivos marajoaras; Belém possuía imponentes c caprichosos gradis) c exte- rim·es de linhas gcornctrizada:>, algurnlls ao gosto Déco. A ag-ência de Salvador foi criticacla na épo- ca pela imprensa local, qu<1lificada como "cúhic:a" e "pouco adaptada ao nosso clima pelo uso abun- danLe elo vidro e falta de varandas de proteção" [Azevedo 1988, p . 161. A maioria dessas agências continuam em funcionamento. É possível que essa políLica arquitetônica moderna tenha se inspirado na ação dos Correios e Telégraios da França. Essa abra ngên cia u aciunaltambém carac- terizou a iniciativa privad a, em vários sentidos. Construtoras como a Ch ristiani & Iielsen espe- cializaram-se em obras de grande pon e com re- fe rências modernas e m várias panes do Brasil; a Construtora Comercial e Industrial do Brasil foi a responsável pelas obras tanto d a moderna agf:n- cia dos Correios e Telégrafos de Salvador quanto de uma escola municipal no Rio de Janeiro pro- jetada p or Enéas Silva. Nesse sen tido, a Compa- nhia Rrasileira Imobiliária e Constr uções em Sal- vador deve ser destacada corno uma empreiteira que dih.mdiu a nova arquitetura na Bahia [izcve-
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    ,YJodernidade /'·ragmática •71 33 .Deparlamenlo de Correios e Telégrafos : agência de Belo Ho rizonte , MC, rlécarlas de 1930-1 940 (;i esq11 rrrhl ); l.niz Sig n o relli, Preft>it m<t de Tklo TTorizonle, MG, 1936-19?,9, 34.D epar lainenlo de Cor reios c Telégrafos: agência de Cnt'il iha, PR, 1934. 35.Depanamento de Correios e Telégrafos: agên cia postal relegrMica I ', classe, proj eto n" 90. 1934-1 936. A agê ncia de Barbacena, H;, ro i co11slntída co nfo rme o padrão , 36.Departamento de Correios e Tel(:grafos: agência postal telegráfica tipo especial parl ronizad<t , projclo n' H5 , 1934. As agências de Carangola e Cataguases, :VIC , de I r.abuna, BA, e ele .Jaú. SI', !o ram construídas segundo o modelo.
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    72 • ;Irq11 itl'tt!IYIS no Brasil --~ • ... ''T ••••I... - - .::; ii rd ;;;; •M - 3i.Rohrrln Capl'llo: edifício Snlac~p. Bl'lo Horizonte. M(~, 19·'11. do 19t>t>]. No setor empresarial, a Sulamérica Ca- piwlização (Sulacap)- empresn de investimentos -foi uma gr:mde empn:endcdora de edifícios comerciais de alto padrão e arquitetura de ponta, com linhas moc!erncts. São demonstrações dessa iniciativa vários ananha-céus projetados m1 segun- da metade dos anos de 1930 nu Rio de Janeiro, em São Paulo, SanLOs, Salvador, Belo I-loriwnte c Porto Alegre, empregando profissionais do Rio d e .Jctm:iro para pr~jetá-lus. DILUIÇÃO E ENGAJAMENTO DE UMA MODERNIDADE Na segunda metade dos anos de 1930, as arquiteturas "cúbicas" e Art Uéco disseminavam- se entre os profissionais de várias regiões elo Bra- sil. Em duas revistas de arquitetura surgidas nes- sa época, A rquitetu·m e Urbanismo (1936, no Rio de .Janeiro) e AcrójJole ( 193H, São Paulo), havia uma convivência pacífica entre circunspectas obras tra- dicionalistas, exóticas casas ncocoloniais c geomé- tricas consLruções modern i:t.an t<'S em suas ecléticas páginas, mas com leve p redominância das linhas modernas - ampliando-se esse domínio ano a ano, mais nos programas tlc úmbito coleti- vo- prédios comerciais, terminais de transporte, mc~:cados , clubcs etc. - c menos nas obras resi- clenci;:tis. Boa parte dcss::~s obras resultavam da ausência de um ideal estético definido, configu- rando puro forma lismo de fachada. O Art Déco conquistava arleptos populares ao ser adotado, em linhas mais simplificadas, nas vilas operárias em singelas moradias conhecidas como "porta-e- j«nela'', em todos os q uadrantes do Brasil. Cida- des construídas nos anos de 1930-1940 são verda- deiras concentrações ele arquilelura popular de gosto Déco, nas mais variadas interpreLações pos- síveis e imagináveis. A agitação provocada pelas paredes lisas e sem ornamentos de Warchavchik, em 1928, esta- va Lranqüilamcnte assimilada menos de dez anos
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    ·depois, às vezespelos mesmos profissionais que se postaram contra a inovação. Da mesma forma, arquitetos que cerraram as primeiras filas pela arquite tura moderna d eixaram o dogmatismo renovador de lado por um relacionamento me- lhor com uma clientela conservadora, ignorante ou indiferente, incapaz de criteriosarnente fixar urna opção arquitetônica. Foram poucos, aliás, que seguiram fiéis a linhas arquitetônicas defini- das e acompanharam o desenvolvimento das re- ferências modernas dos anos ele I~~20. Sequer Warchavchik - radical ao abraçar e propagandear os conceitos da vanguarda européia - foi ortodo- xo nesse sentido, derivan do a sua obra a partir dos anos de 1940 para o lugar-comum do me rca- do imobiliário elas elites sociais d e São Paulo. Boa parte dos arquitetos que praticaram o moderno "à Perret" não se engajaram no proseli- tismo deLe Corhusier 011 no raciocínio à Rauhaus. Os arquitetos alemães no Sul que operaram corn linhas modernas ou se alistaram nas filas do na- zismo ou foram acusad os como simpatizantes lWeimer 19~ 9]. O Art Déco como ornamenta- M orlemirlru/,• Pmgmrítim • 73 ção decaía no gosto elos arquitetos c era pratica- mente abandonado n<:t década de 1940. Da ar- quite tura de linhas geornetrizadas dos anos de 1930 derivaria urna arquitetura monumental que.; tomava emprestadas soluções compositivas de grandes massas do ensinamento Beaux-arts. Era mna tendência q11 e se acentuava na Europa de crescente inquietação política, com a ascensão do nazismo e elo f'ascismo , visto com simpatia en- quanto ideologias de discurso nacionalista c f'omen tadoras da arte como manifestação de uma cultura própria e apropriada. No plano arquite tônico, essa visão mate- rializava-se em concei tos e obras q ue não passa- ram despercebidos no Brasil. Alfredo E rnesto Becker, arquiteto atuante em São Paulo c con- sultor da revista Acrópole, fazia vaticínios sobre o futuro da arquitetura a partir dessa tendência. Admirando a arquitetura do Museu de Arte Mo- derna e o Pavilhão Italiano na exposição Arts P-t tP.clmiqu.es dans la vie moderneem Paris, em 1937, bem como o estádio de Nurcmhcrg, na Alemanha, Becker qualificava esses projetos como "obras-pri- :JH.Casas populares na zona leste de São Pau lo . As refonnas nas fachadas registram os m odismos arquite tônicos de várias é· pocas.
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    74 • Arquiteturas110 Bmsi/ "".............., --~- .. ·t..D ' ...L i "'~Ao,, i ·~~· .;;~ it;,~_[;.;~' ~··~-"'~ " ~f).Crandc eixo d a ~:x posiçâo do Cerllen:Orio rl~ Re,·ol uç~io Farroupilh" em Puno Alegre, RS, 19~1G. Fuw-concsia ck Gün rer ''e in u' r. w as l...] podendo mesmo servir de pontos de par- tida para a scdimenlação definiti'a da arquitetu- r<l contemporânea": Em que ronsisu:m , no e ntanto, a importância e o v;r lo r estético dessas uhras? A resposta a esta perg unta pode ser resumida n'l d efini ção que se segue: volra às antig<~s t> indestrutíveis conce pções dr belc:w , p an icu- larcs às r;~ças brannts e que há milhares de anos j á en- contrado Isirj is suas sed imentações mais p erfeitas, mais cristalinas e mais sint{·ticas, nos estilos "clássico- gr<'go" c "clássico gr<'gn-romano ". F.ste retorno , conin- do, n ão si)!;niíica submissão ser vil ou mera reedição de rcalizaçÕ(~S antigas, p elo contrário prm·a o ressurgi me n- to in doruáw l de arquétipos, que as nr-woses arrísticas elo "Art nouv!';m ", elo "Fururismo" c do "Uri litarismo à Le Corbusie r~ tinham consegui ndo ''recalcar" pa ra as mais p rofun <i;~ s esferas do su bconsciente . [...] O ressurgimento dos "arquétipos" da an e arq niletô- nica o pe rou-se, no c ulre tanto, evo lutiva rn ente- quer d izer·, de acordo com o ambien te e com as novas llC('(' S- sidades da nossa época, dando em result::.clo reali?ações infditas e de rara beleza [ ... ] c qut> mostram até fJliC ponto as divü~as n acionali d ad e~ co nseguiram irnpri- rnir-lhes os seus ca racterísticos próprios [Bcckcr 19;)H, pp. ê1-~5 1' Essa arquitetura monumental- que pode ser classificada como um moderno inspirado nos arquétipos "clássicos"- constituiria ontr·o arqué:- tipo: a configuração dos c en;;'trios de ideologias e governos autoritários, de direita ou de esquerda. A implantação do Estado :-.lovo no Brasil, com :1 permanência do presidente Getúlio V<~rgas à frente do poder, ensejaria os ânimos pela manu- tenção das veleidades dessa arquite LUra. São P<~u­ lo oste nta uma das obras mais proximam ente re- presentativas dessa linha: a antiga sede do grupo empresarial Matarazzo, edifício numa das vistosas cabeceiras do Viadul'o do Chá, no coração da ci- dade, projetado pelo arquiteto oficial do fascis- mo, Marcello Piacen tini. Um exemplo de espaço <~bert.o dentro dos princípios monume ntais des- se pensamento é o grande eixo do Parque .Far-
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    C h ristianoStoc kler das N~:ves : Mini'"'rio d a Cll<' rra , R • de .Janeiro, I'1:'1'1 , postal de l !)5:1. '"Oupilha em Porto Alegre (que abrigou a Expo- ,icão do Cente nário da Revolução Farroupilha, anteriormente mencionado). Esse monumenta- li~mo serviria a programas arquitetônico-ideoló- gicos tão distintos como a Faculdade de Medici- n a de São Pa ulo (demro do padrão hospit.alar norte-americano ela Rockefd.ler Foundation ) ou o Ministério da Guerra no Rio de Janeiro (1937- 1941) , projetado por Christiano das Neves (1889- l9H~) rLima 19901. As grandes cidades brasileiras na virada da década de 19:30 para 1940 tiveram suas fisio no- mias alte radas sobretudo com o adensamento ele seu s núcleos antigos ou áreas lindciras. Essa ocu- pação se processou sobretudo com a verticali- zação, com a construção de gran diosos volumes e m concreto armado - no imaginário ela época, signos de progresso e modernização- in seridos em lotes definidos por padrões de divisão fun- diária do período colonial c do Império. As ten- Modt•rnir/(lr/t> Pmgm.ál ú:a • 7 5 41.Arnaldo Gladosch: cdíliciu Sula~,ap, Porlo Alegre, RS. IO:lR-1 949.
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    76 • Arquiletums110 JJrasi/ tativas d e p lanej ame nto urbano nesse período buscaram alguma d isciplina. Alfrcd Agache foi um dos principais teóricos elo modelo de rlese- u ho urbano enlrc o tina! dos a nos ele 1920 à dé- cada de 1910, formulan do planos para o Rio de Janeiro e Curitiba c um seguidor seu , Arn r~ ldo Gladosch, responsahi lizando-sc por um plano para Porto Alegre. Gladosch, nesse sentido, foi um arf]uite to que projetou edífTcios que bem re- presentam um conceito de implantação de gran- des obras na paisagem u rb<ma das cidades orde- nadas nos moldes à Agache: o edifício Sulacap em Porto Alegre (pr~jetado e m 19~8, concluído em 1949) é um paradigma de boa qualidarle da arf]uitelura P'1r:-~ fins comerciais d esse período. No Rio de .Janeiro, a esplanada do Castelo -resultado do desmonte de um morro no centro da cidade -foi uma das áreas em que se respei- taram as recomendações do Plano Agache. Nes- se espaço foram construídos ecliHcios abrigando ministérios, alguns criados a pa•-tir de 1930 com o presidente Vargas. Dois desses edifícios chamam a atenção pela oposição ele composturas, embora 1·i~orosamente contemporâneos entre si. O Mi- nistério da Fazenda (1938-l94.3). proj etado por uma equipe coordenada pdo engenheiro Ary Fonlüura de Azambuja c com projeto do arquite- to Luiz Eduardo Frias de Moura (Cavalcanti 1995], é um monumento típico do moderno "classiciza- do" pela sua simétrica e maciça volumetria assen- t<lda sobre toda uma quadra, emoldurando a pra- ça do Expcdicionário (ou emolclurado por ela). Ao seu lado, o Ministério da Educação e Saúde (1936-194!'>), projetado por Lucio Costa e equipe, um prisma sobre pilotLç, virtualmente liberando o nível rérrco para circulação e jardins: um edifício que impunha uma monumen talidade não pela imposição física de sua presença, mas exatamen- te pelo con trário. Era outra a modernidade, a que se formulou na década de 1930.
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    5 MODERNIDADE CORRENTE 1929-1945 f)pvfl! qui'estou na AmPrica querem .fazer dr mim um filósofo. Dizem que defendo idéias filosóficas. Pouco uu1 importa o qnr jJP.nsrm. l.F. CORI3USIER, anotação no Rio rlc Janeim , 1929 IS:1n tos f't ai 19R7, p. fi!'>] Em outubro de 1920, Charlcs-Ed ou ard Jeanneret c Amédée Ozenfant lançavam u prí- mein.> número da revista L 'Hçfnit nmweau., pnhli- cação·quc d urou até 1925. Foi o início da carrei- ra do "hommc de le ttres" (como se qualificava profissionalmente no passaporte), o jovem suíço Jeannerct, qnc logo passou a assinar com o Lc Corbusier. Até 1922, onze brasileiros constavam como assinantes da revista. Entre eles, os moder- nistas de São Paulo, Yfário de Andrade e Oswald de Andrade, o estudante da Escola Nacional de lle las-Arres Jayme da Silva Telles, seu irmão, o engenheiro-arquiteto Francisco Teixeira da Silva Telles (n. em 1886) , e o engen heiro Roherto Si- monsen, d a Companhia Construto ra de Santos [Santos et nl. 1987, p . 39]. í.: dif'ícil saher quantos c como muitos brasileiros tiveram acesso à pro- dução literária de Le Corbusier. Lucia Costa lem- bra que foi seu contemporâneo de escola,.Jayme da Silva Telles, fonuauo em 1926, quem chamou a atenção em anta para C&fJrit nouveau [Costa 1962, p. 192; ver também o e<1pítulo "Modernis- mo Programático 1 9 1 7- 1 9~2 "1. ( ~regori Warchav- chik, em seu manifesto modernisLa de 1925, vi- sivelmente veiculava algumas idéias de Vers une arrlúlecture (1923, livro-reun ião de artigos publi- cados em L'EJfJrit 1uruveau) . Em uma viagem com J1nalidade técnica em 1927, o d ire tor da Repar- tição de Águas e EsgoLus d o Eslado de São Pau- lo Arthur Mol.La (1R79- 1936) adqui ria em Paris a nona edição de Urbanisme (primeira cdiçiio: 1925) c o Alrnanach d'anhilectuTe modeme (1926). Em 1929, o pern<Jmbucano Aluizio Bezerra Cominho (n. em 1909) doutorava-se na Faculdade de Me-
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    78 • Arquilt>luros110 Rr({Sil tlicina do Rio de J ;,neiro com a Lese O l'mh!PIIW da habitacüo hip,'iênim nos paísf!S qwmlt•s emfaa da "11rquitetum Viva'·. Nesse trabalho, defendia o conf'orto ambien tal c a funcionalidarle na l!abi- la<;Üo, citando lers UIU' arrhi!Prlure c Almanarh ti 'ardzilett1uP moderlll' [Silva 1988] . O ano de 1929 seria fundamental para a dissem inaç;io das idéias d<' I.e Curhusier ua Am é- rica do Su l. Su;,s palestras em Buenos Aires, Siin Paulo e Rio dejaneiro foram ollvidas por atentas pla téias n<1s três ciclad<.:s. No Rio de .Janeiro, os cstudall(es de <n·quitelllra na Escola !acionai de Belas-Artes Carlos Leão (1006-1983 - formado em 1931) e Álvaro Vital Brazil (formado ern 1933) passariam a acomp;mhar a obra corbusieriana; a engenheira civil Carmen Portin ho (n. em 1906) confirmaria suas impressões ao vivo, antes <ip<'- nas vislumbradas na leitura das publicações rsc- gawa 1988aJ . F.rn S;LO Paulo, L<: Corbusier ro- nllccerb Cregori Wan:l!avch ik e o convidaria para ser delegado do l.T.Au1 para a A111érica do Sul [ver capílulo "Modernismo Progralll<Íiico 1917- 1932"], b<.:m como travaria contato com Jayme da Silva Tcllcs c Flávio de Carvalho eur reunião na casa do arq uiteto russo lFerraz 19fi:Jl. O rclaw dess;1 viag-em Lc Cor·J1usier fez em Précisions S'/11' un é/ai prést>nl dP l'arrh.itec/UJY' "'de l'urbanismt), publica- do nu segundo semestre de> 1930. No ano s<.:guin- te (senão aulcs), o livro estaYa à venda no Brasil. A REFORMA NA ESCOl.A NACIONAL DE BELAS-ARTES A tomada do poder central por Getúlio Vargas, em ouLUbro de 1930, troux<.:, no plano do ensino elas artes na capital do país, a nomeação do arquitelo Lucio Costa para a direç:ão da Esco- la Nacional de Belas-Artes (Ef:BA) . Ainda a com- pletar ~9 anos, o j ovem diretor, que s<.: formara no curso rle arquitetura em 1921 na escola que passava a dirigir, havia sido convidado por Rodri- go Mello Franco de Andrade ( 1891:3-1 968), inte- lectual de Minas Cerais ligado aos escritores mo- dernos, então chefe de gabinete do recém-criado Ministério da l•:ducaçilo e Saúde. Não se conhe- ciam pessoalmen te, mas constituiu-se um relacio- namento qu<.: perduraria cloravanle. O arquiteto foi indicado com poderes plenos p<tra reformular· o e"nsino acadêmico ministr<tdo na ENBJ. A princípio, a sua nomeação foi bem aco- lhida pelos artistas c arCJll itetos 1rarlicionalistas. Lucio Costa até então ti nha deseirvolviclo uma prátic.;, profissional ele arquitetura eclética t·· era associado ao movimento neocolonial de.José Ma- riano Filho, ptH· quem fora comissionado em 19~~ par<t estudar a arquit<.:tura colonial da cidade de Diamantina, além de outras viagens de estudos realizadas em 19~6-1927; projetou também obras c vcnc<.:u con curso com ]Jroposras neocoloniais. Todavia, em 1930 ele já se havia desinteressado por <.:ssa corrente, e a tra nsformação dos cursos da ENBA se procedeu com o afastamento do cor- po docente academizanle e a contratação de pro- ressores aliuhaclos com conceitos de a!l.e moder- na. Em arquitclura, Lncio Costa chamou Gregori vTarchavchik (que conlr<.:cia apenas pelas notíci- as de suas experiências moclernis1as em São Pau- lo e que n<.:ssa oportunidade estava construindo a casa Nordschild e reformando um aparta me n- Lo, uo Rio ele Janeiro), Nfomo Eduardo Reicly ( 1909-1964 - destacado ex-aluno formado <.:111 1020, que se tornou assistente de ·warchavchik) e Alcxandcr Buddcus- arquiteto bdga, talvez pouco mais novo qu<" Warchavchik (segun do de- poimento oral de Costa ao autor), que chamou a sua atenção por uma obra na rua ela Alfândega, no Rio deJaneiro. Rllddeus leria introdttzido na ENfiA revistas como Fonn e Modern Bauformen, difundindo os conceitos elo racionalismo euro- peu. Scguudo Buddeus: " O motkrnismo não é urna evolução do tradicional, isto é, dos valores artísticos do pass::~do, mas uma criação integ-ral do nosso tempo. A orientação mod erna é cons- Lnu.iva, social c econômica, ao passo qu<.: a orien- tação tradicional era artística, decorativa, simbó- lica" [Santos 1977, p. 108; a respeito d<.: Bnddeus, ver também o capítulo "Mod<.:ruidadc Pragmáti- ca l9~~-1 943"J. A reorganização da l•:NBA prontamente ge- rou reações dos tradicionalistas. Christiano das
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    Neves, e mSão Paulo, e José Mariano Filho, n o Rio de janeiro, publicaram agressivos artigos na imprensa. Marian o, antecessor d e Costa ll <l dire- ção da escola, taxou a reforma corno "orientaçao pe rniciosa", com a transformação da ENBA n um "centro propulsor das idéias derrotistas" (como qualificava o pensamento deLe Corbusier) "por iuiciativct de um jovem inexperiente e ambicio- so partidário extremado do estilo nacional até a véspera de galgar o ambicioso posto" [Mariano Filho 194?•, p. 54, passirn]. Lucio Costa revidaria pela imprensa com urna agressividade à altura, assumindo uma auto- crítica. Todos nús, sem cxn:cúes, sú le11•os feito pasüche, ca- nwlot<', falsa anl'lÍT<'Tllra l'nfim, e m todos os se ntidos, tradicionalista ou não . As nossas ob•·as são amontoados de contradições s~m o m~nor s~ntido comum . 1. .. 1 O sr. José Manano cosr.mna cír.ar como modelo da a rquite tura falsamente por ele chamada tradicionalista ]nota: neocolonialj, de acordo com os seus fa lsos ide- a is, o novo edirício da Escola Normal. O s seus a•·quitelos são meus amigos, vítimas, como igual men te fui , de um e-rro inicial , c me compreenderão. A Escola Normal pode ser mu ito bem composta , tudo o t[Ue tJuiserem meuo~ an]UiLetura no verdad eiro sentido da e xp ress;i o. A Escola Nor mal {> simplesmen- te uma anomalia arquitetônica [Xavier 1987, p. -18] . A experiência renovadora implantada por Lucio Costa d uraria até setembro de 1931, quan- d o ele foi exonerado elo cargo, sob o protesto dos estudantes, que iniciaram uma greve. Nessa oe<t- sião, Frank Lloyd Wright encontrava-se no Rio de janeiro participando do j ú ri do segundo con- curso do Farol ele Colombo e, procurado pelos estudantes, ele foi solidário no protesto contra o fim ela reforma na ENBA [Samos 1977]. Embora tenha durado pouco mais de sete meses e nada tenha restado da reslrutun.tção após a saíd<t rlc Lucio Costa, esse período foi marcante o sufi- ciente para que uma geração de futuros arquite- tos tivesse consciência das transformaçôes em curso na arquitetura mundial - consciência im- pensável numa estrutura conservadora como a que prevaleceu. Modem idade Correu/e • 79 A OPÇÃO POR UMA MODERNIDADE Desligado da direção da F.NBA, mas presti- giado por aqueles que se revelavam preocupados com as ideologias modernas. Lucio Costa associa- va-se, em 1931, a Crcgori Warchavchík, co111 <[UCIII manteve um escritório por cerca de três anos. A crise econômica pós-1929 e uma tentativa de re- volução em São Paulo crn 19;)2 prejudicaram as atividades da construção civil, e dessa sociedade resultaram apenas três residências (duas execu- tadas) c um conjunto de casas para operários no bairro da Camboa [Ferraz 1965]. Foram as pri- meiras obras construídas po r Lucio Costa em linguagem moderna. At{: tins de l9ê{!), ao ser con- vocado para fazer o novo projeto ela sede du Mi- n isté:rio da Educação c Saúrk, l.ucio Cosia per- maneceu no ostracismo, com pouco serviço no cscrirúrio c com parricipa~:ã o mals11ccdida em concursos, corno o pr·~jeto da cidade ele Mon- lcvadc clll Minas Gcrais, classificado em último lttgar. O re tiro serviu-lhe como um período de meditação. Não obstante a tentativa de reorganização da FNRA se amparasse num quadro de professo- res mod ernistas e a essência da ref"orma buscas- se a mod ern ização elo conlel'lclo cu rricular, as referências de Lucio Costa para a sua ref"ormu- laçãu baseavam-se numa difusa interpretação elas vanguardas europ éias e da p ercepção da moder- nidade num quadro d e transformações sociais c mate riais. A resposLa do arquiteto para José Ma- riano Filho era uma autocrítica pela prática eclética (como _já citado), uma dcclanu;ão anti- tradicionalista on antíacademicista ("evitar que os nossos escultores e pintores continuassem imo- bilizados no seu rnodo de pensar c ver", escrevia Costa), o reconhecimento da inte rnacionaliza- ção da cullura ("as cxlraordin:u-ias facilidades de informações e comunicaçôes rápidas [...] aboli- ram o isolamento em que viviam países e provín- cias r..-1 e a arquitetura não pode deixar de os acusar, 'clesnacionalizando-se"'), a percepção das novas realidades sócio-econômicas ("os proble- mas de ordem econômica em tempo algum tive-
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    80 • Arquiteturasno Brasil I -. ' . ·- .L ~b~~~;iil~~~:~;;:, ,,..,,, ··. ~· .~::. i"-1 i ·'?i ..};1 .. ~~·:_/ ~~--- •· . ;--':1 ·-/ ''"' . . ' .... ;~../ ·~ ;, ~ ·~ . . .;·~- • ~~- ...... ... 1.'1. .,~_i..~_:e; ,. " • • ~' ·;-...,.;, ' 4 ··/ ,./;f<~~'L·. . --y:-.;-:.~"' ~ f:-;,.&..-...~;;" -····'~:~. ·t: ·.;~1~~i~'~!~~v,f!l~ · ·. ' .. ·'- r ~::;.'-t:~ · .ét':J ''fjiifl!:w . -: ~~r;-··_::~-~~L/~~: .:il .t1, ,.·:~t~ V'~:"'~~ "',, - ;?'/l~"· ' ..~ . / :-;.,_;::;;;:.:c:~~-, . • , ., ,. . _-y ~. • ' .<.-·' ..,-... ·~,... l j ~ .~.... ;""' ... ,,,..=..::; .. • •,...,• •·.....;:.~ •''I ~_::..---: 'i;;..~:~.... ·;'1·,,. ~ • . • " ó' >!"· '!'l"''' :111. .. t.. •to- __, .. _..- ..J'q., . . ·.·. ' ,. •} .i. • J ~ ·, ...:- ,_ 42. Lucio Costa: Museu da, Miss!a·,, Santo Ângelo, RS. 19~7. T"thalhando como funcionário do SPHAN. o arrpliteto <·n- rr>rllt·ou uma brillt'-lnle soluç:in para inserir uma conslft( ~tu nova uas inwdi~ çôes das r uín as da ntissüo _jesuítica cio sécu lo I R. () museu - constr uído em parte com <'IPmt·n tos arquitetônico' reman escentes encontrado' na rcgiúo - (' a c~sa do 7.t>lador intq~nun-sc intcligcntenwnlf' ao co njun to monumental. Est<~ teal i~aç<io - uma rcfrri> n c i<~ do I'"Pt'i de Lucio Cos- ta na lorlllulaçào de uma pr~ tic1 arquitetônica que int!"gra o an tigo COtH o moderno- caraderi1011 o arquiteto como um dos principais rcspons~vcis pelo pcn sam('nto oficial d o patrimô nio ltistúricn doravan le. ram t.amanha preponde rância"; "a questão social nunca esteve..: tão em evidência. As diferentes clas- ses tendem a uma aproximação cada ve7. mais m<tr- cada") c o rt'conhccimenLO da padroni?.ação ("u que foi a arte grega senão uma pnra e contínua cstandardização?") lXavier 1987, p. 50]. Em ne- nhum momento comparecia uma filiação clara a alguma doutrina específica da vanguarda - mes- mo porque, em 1930, Lucio Costa as rlesconhecia. O arquiteto ad mite que, quando ass1mtiu a direção da ENBA, estava em completo "alhca- mento", sequer conhecia l.e Corbusier e aventu- rava-se nesse rlesaf'io apenas com a insatisfação do ecletismo dominante. Em cana ao arquiteto franco-suíço em janeiro de 1936, Costa relatava- lhe que, em 1929, chegara ao meio de sua confe- reucta no Rio de Janeiro, com a s;.tla repleta, c qu e "cinco minutos mais tarde saía csc.andalil'.a- do", acreditando ter se deparado com um '·cabo- Lino'' [Santos et al. 1987, p. 142]. O seu aprendi- zado moderno se realizaria na convivência curla como diretor da ENHA e no ostracismo profissio- nal, com leituras pmporcionadas sobretudo com as inrlicaçõcs de Carlos Leão, seu sócio entre 1933 e 1 9~6, e dono de uma atualizada biblioteca. fora m nesses momentos que antecederam ao convite para o projeto da sede do Ministério da Educação e Saúde (MES) que Lucio Costa se con- verteu ao credo corlmsieriano: [ ...j foi então, nessa época que tomei conhecimento a fu ndo, de verdade, de todo esse movimento que havia ocorrido na Europa [...1 Aí comecei a tomar conheci-
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    men to daobra de Le Corbusicr (' lll C api!ixonei, p01·quc ele e ra extraordinário, tan to na paixão q ue tinha pelo que estava fazendo co mo foi o único dactue les arqu ite- tos q ue trabalhara m na época, lodos extraord inários- o G ropius, o Mies van der Ro he -, q ue fez u ma aborda- gem com pleta do movimen to do pon to de vista social, do pon to de vista tecn o lógico, das novas técnicas cons- trutivas. e do ponto de 'Ísla pl:tstico, pon to d(' visl<t das an cs. Ele re n ni<1 esses p1·opósitos abrangen1es; os o u- tros cuidaYam da <~rq u itel u ra, cada u111 fazia seu pr(·clio, sua arquii!'IUnJ, tuas nunca u ma aborcl<lgem global. lLc Corbusie r] crio u u m movimento un;l nimc no sentido de encarar essa possibilidade de transforma(ões tanto no campo da ::r(jllitc nn·a e do urbanismo como do pon- to de ·ista socia l, pois hm·ia u111a coinc idi'·ncia. Na épo- ca est<ivamos conve ncidos d e q ue uma cois<t era vi ncu- lad a a outra, re ndo as mesmas o rige ns, na revolução indust ria l. Essa arct u il e t ur<~ nuva que vinha surgindo destinava-se a um a n ova era soc ial. uma nova época, porq ue pan.:cia qu e as coisas iam S<' encamin ha r num sen tido wuito claro. H avia uma cena ética, uma coisa de cunho mo ral até, um apego ck não se pc:rm itir cer- tas lil>erdacles que não se e uquad rassem be m den tro dessa con cepção sociológica ISe~awa 1987c, p. 147). O contato ao vivo com Wrigh 1. não como- ve u Lucio Costa tan to quanto o proselitismo li- te rário, a a mplitude da <tl>ordagem de Le Cor- busier, imbuído em espírito de transformações sociais. A reu nião das reflexões desse período transformaram-se no que pode ser considerada a mais comple ta apologia sobrt> a modernidade arquite tô nica na p erspectiva rlc transição dos anos de 1930 escrita por um brasileiro: "Razões da Nova Arqui tetura", um texto elaborado em 19~4- 1 935. 1~: uma man ifestação de vislum bre so- bre o presente (com "falta de r umo, de raízes", de "de molição !:>umúria de tudo que precedeu ") e o futuro ("as transform<L.ções se processam tão p rofundas e radicais qu e a pró pria aven tura h u- maníst.íca d o Renascim ento l ...J talvez ve nha a parecer [...] um simples jogo de intclcctllais re- quin tados"; "as 'revoluções' -com os seus desati- nos- são, apenas, o meio de veucer a encosta le- vando-nos de um plano já árido a outro, ainda fértil"). Dedica-se a uma louga reflexão sobre o significado da técnica na transformação das soci- edades, ou ao menos como "pouto de partida", o advento da indústria e em panicula r o descom- passo da técnica com a aJ"te ("no sentido acadêmi- J1udemidade Correllle • 81 co": "a nova técnica reclama a revisão elos valores plásticos tradiciouais"); não vendo no intemacio- nalismo da arquitct ttra rnodermt qualquer excep- cionalidade, porquanto o passado seria pleno de situações de arquilelllras "in ternacionais", como o górico, barroco ou o classicismo modela ndo as arquiteturas em todos os recantos da Europa e Am{:rica. Um texto denso ct~ja compreensão está snbordinada <ls críticas ao modernismo arquitetõ- nico em debate n <~ época, de difícil sín l t'st'. Mas n o q ual ficava clara a admiração ele Lucia Costa por Lc Corhusier, que e ra elogiado como o Hru- nellcsch i elo século 20 [Costa 1962, pp. 17-4 I]. PLATAFORMAS DA MODERNIDADE Lucio Cosr<t pu blicou seu man iíesto mo- den w no primeiro número de 1936 da Revista da J)i1Ploria rle Engr'nlwria, periódico da repartição oficial da Pref'eitttra do Distrito Federal respon- sável pelas obras públicas na cid ade do Rio ele Jau eiro. A ccliç~w inaugural da publicação saiu em julho de 1932 e, junto com matérias té-cnicas ele engenharia civil, publicava um projeto rle Affonso Eduardo Reid)' (!üncioná1io da diretoria) e as h:1bitações operárias no Garnboa, de Lucio Costa e vVa rch <~ vc h i k. Rebatizada depois COIIt a abreviatura J'm' (Prefeitura do Distrito Federal), a revista tornou-se o prime iro periódico de divulga- ção da arquitetura modem a no Rrasil (jamais pu- blicou proj etos academicistas) e pioneira no trato de assuntos urbanísticos, trazendo experiê ncias d e outras cidades do mundo c as p ropostas para o Rio ele J an eiro. Sua co-fundadora c secretária (de pois diretont) , a engenheira Carmeu Porti- n lto, era a gra.nrle <>ntusiasta dessa produção no Rio de J aneiro, gra<:,:as aos contaros cpH' csrahclc- ceu com os jovens arquitetos a partir de seu ma- rido, Affonso Eduardo Re idy, tornando-se divnl- gadora privilegiada (as matérias ele arquitetura abriam a revista) das p rimeiras o bras dos grevis- tas ua E~l3A em 19::11, corno Luiz N unes, Jorge Machado Mo reira (1901-1992), Erna n i Vascon- cellos (1909-1988), Álvaro Vital Brazil, Oscar
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    82 • Arquiteturasno Bmsil Nicmeyer (n. em 1907) c antros [Scgawa 19R8a], além de obras modernas de linhas diversificadas, como as escolas de Enéas Silva e as agências dos Correios c Telégrafos no Nordeste. Vários ante- projetos de concursos em linha moderna não aproveitados eram divulgados nas suas púginas (sede da Associação Brasileira de Imprensa, Ae- roporto Santos Dumont, cidade operária de Vila Monlevaclc). Um me lho r conhecimento sobre insolação e iluminação (fundamental para o de- senho de b-rise-soleils) derivou dos estudos de urn colaborador da Pm; o engcn heiro Paulo Sá. Are- vista ser viu també m corno veículo de info•-m a- çõcs arquitetôn icas internacionais: notícias so- bre os CIAMs, C irpac, os grupos Praesens 7.P (polonês), (~atepac (cspanhol) , Mars (inglês) e Tccto n (d o qual se publicou o Penguín Pool , cujas rampas certamente in11uenciaram os arqui- tetos brasileiros) e textos de Le Corbusier (um elogio ao "homem de visão" que fora o prefeito Pereira Passos nas grandes reformas urbanas elo início do século 20, à Haussrnann e a artigo so- bre as "favelas" parisienses) , além da literatura urbanística e de construção internacional. Affonso Eduardo Reidy foi no meado ar- qu iteto-ch efe ela Diretoria d e Engenharia da Prefeitura do Distrito Federal em 1 9~2 . Corno funcionário público, Rt:idy vai p rojetar alg uns edifícios de lin h as moder nas, caracteri7.a ndo u ma tentativa de modernização isolada, num discurso projctual regido pela busca de respos- tas lógicas ao programa de necessidades - racio- nalização dos usos e circulações, ênfase para a iluminação c insolação adequadas associadas a dispositivos especiais rle ventilação e a modula- ção estrutural em concreto armado corno lógi- ca construtiva, sem nenhuma con cessão a for- malismos senão o r cba1·imento das questões técnicas c econômicas sobre o resultad o arqui- tetônico linal. Esse racionalismo radical - per- meável na le itura dos mcuwriais dos p rojetos (em que pese, todavia, serem artigos numa re- vista de engenharia) - aplicado em edifícios ad- ministrativos, escola , pequenas unidades de apoio (para policiamento, vestiário) , tanto em seus projetos p ara <t diretoria como na prática privada, teria um ponto de in flexão a partir de 1936, quando Reicly participou da equip e de Lucio Costa p ara <'I e laboração do pr~je lo da sede do Ministério da Educação e Saúde - exp e- riência que o tornou um incondicional adepto ao ideário dt: Le Corbusier. 43.AJTo nso Eduardo Reicly: pmjcto (não executado) de bar para jardim público na Tijuca, Rio de .Janeiro, c. 1939.
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    OS FRUTOS DAREFORMA I~ /(onbém meu destju que ludus unnjJI'et-'rtrlant- smn. a menor dúvida que estas nossas realizações, cheias dr r.jJÍritu wnle11!f}()rfinro, i.wnlas de 1fUalqun injlu- êuáa indivúlualisla, que Jora.m até agora dirigidas jwr um trilhio d11 absoluta horwstirl.rulr< fnojissilmal, capaz de wnrluzir a urna tÍ'mica rna.is evoluída, mais fH!rfl:ila r: fmrlrmlo 1jir"ir:nte, jir:arrí rlumnte algu m tempo ainda, marrando em J'ernamlntro uma época 11111 qui', 1'01/lo nos l'l'nlms gm·ndr•s rir. rirJi!izarr7o, a m·- quilr:lura 1; uma jneor:ufla ráo wlmiuislrotiva, u ma demonstmcrio de cu.I!ura e espirilu. muila wasa 1Ü: humano e soâal. Essa profissão de fé no "espírito contem- porJneo" /Luiz Nunes 19(:i~), p. 5J era uma men- sagem dirigida aos seus ex-auxiliares, demitido que estava do comando d<l Diretoria de Arquite- tura c Construção (DAC) do Estado do Pernam- buco, por suspeita de atividades subversivas por ocasião da Intentona Comunista em J935. Luiz Carlos Nunes de Souza, nascido em 1inas Gerais, foi o presidente do diretório acadê- mico que liderou a greve contra o afastamento de Lucio Costa da direção da Escola Nacional de Bdas-Artcs em 1931. Em 1934, Nunes dirigia-se: a Recife para organizar mna in{:dita rcpartiç;.lo de arquitetura (autônoma da engenharia) desdo- brada dentro da Secretaria de Obras Públicas, n uma iniciativa administrativa modcrnizan te do governador Carlos de Lima Cavalcanti (1892- l Y67), tido como um progressista dentro das li- mitações da "aristocracia do açúcar" [Silva 1988], que modelou a economia e a sociedade pernam- bucana desde os tempos coloniais. Pernambuco, nos anos de 19:)0, ahrigava. a CJilinr.a maior con- centração populacional do paí:s; era o mais indus- trializado Estado do Nordeste brasileiro ao final dessa década- mas a inda distante de ser uma região social c economicame nte pujante. Luiz Nunes tinha clara consciência do pa- pel modcrmzador da arquitetura c seu potencial transformador. "Arquitetura [...] é urna demons- tração de cultura", escrevia em 193() lp. 60J, ca- 111'odenridad<' 0 1tH" IIf<" • 83 paz de "marcar uma época", ilustrando seu pen- samento nas obras racionalmente implantadas pela administração de Maurício de Nassau du- rante a ocupação holandesa de Pernambuco (1639-1654) e nas escolas propostas por Anísio Teixeira para o Distrito Federal, projetadas por Enéas Silva [ver, a propósito, o capítulo "Moder- nidade Pragmática l922-l 943"j. Nunes tinha ciência do padrão construti- vo regional e do empirismo técnico conservadoi- e desqualificado da in:w-de-obra. Ele criticava os maus resultados decorrentes de um sistema de trabalho viciado, erros na rotina ele construções via concorrências públicas c a ineficiência do Estado em gerir suas próprias o bras. Ao criar o DAC em 1Y35, Nunes buscou centralizar "todos os serviços ele arquitetura e construções numa única repartição devidamente aparelhada", com "um quadro mínimo de funcionários efetivos c um quadro variável de contratados", que se am- pliava ou diminuía conforme as necessidades de serviço. Ele pretendia que os projetos fossem e laborados rlcnrro de um "crir{:rio único", na pcr~:>pcctiva de introduzir novos métodos c ma- teriais ele consrruçüo, desenvolvidos a partir de pesquisas e ensaios Lecnológ"icos visando a raci- onalização dos processos construtivos, o dimen- sionamento adequado e econômico das estrutu- ras e a funcion alidade das plantas_ As diversas fases de uma obra - concepção arquitetônica, cálculos cstruturaís, q uan tifi caç·ão, orçamentos, controle e medição de materiais, estoque, tem- po dispendido nos diversos serviços - eram rigo- rosamente controladas c a etapa ele canteiro era permanentemente acompanhada com relatórios di~trios. Esse: cuidado, que hoje: parece óbvio do ponto de vista de sisTematização de trabalho, era uma preocupaç;{o quase inédit<l num momento em que o taylorismo ainda se implantava no mundo. Nunes exLrapolava até a d ime nsáo alie- nadora taylorista e integrava os profissionais e n- volvidos com o OAC mediante a preparação de opedrios em escolas-oficinas, em cursos tecno- profissionais e mesmo o aproveitamento das ofi- cinas da casa de detenção. Os envolvidos na construção- do engenheiro ao pin tor, do arqui-
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    84 • Arquiteturasnu Brusd teto ao carpinleiro- deveriam ter uma partici- pa~:;io ativa n o can teiro de obras, pesquisando as melhores soluções (o DAC in troduziu, tta re- gião, os tetos planos Li pu p·ilzendech c rifJjJendeck, lajes rnis1as, lajes-logurnclo e o desenho de vi- gas com d imensionamento e perfis variáveis obtendo o máximo d a resist.f:n cia com a m enor q uantírlarle d e material), evitando dc~pcnlícios e org-anizando o rr::~balho em uma eq uipe ho- mogênea, co m "espírito de unidade " [Nunes J~g(:i; .Ualtar 10ü3]. Defendia Nun es: "Num meio pobre, csra possibilidade d o Cover no constru ir bem e por preço baixo, melhorando as condições locais, educando, aperfeiçoando, seleciona ndo, pesquisauuo c uniformizando, seria uma conquista de ordem técnica e social tão expressiva, que justificaria rodos os sacrifí- cios..." [Nunes 19~6, p. 57, jH1ssim]. A ação de Luiz Nunes e m Pernambuco teve duas fases: a primeira, durante 19:15; a se- gunrl:o~, em fins d e 1 9~6, quando o arquiteto foi convocado a dar continuidade ao trabalho inicia- do an teriormente, por pressão dos funóonários da repartição, r.ransformanclo-se a antiga unidade no Dcpanamento de Arquitetura c Urh;m ismo (DA li) . Essa gestão durou até novem bro de 1037, quando o golpe do Estado Novo iutcnompcu os trabalhos. A m orte de Nunes nesse ano, por do- <~n ça , privou o movimento de uma lidera nça, e virlualrncn te encerrou-se a inéclita expe riê ncia governamen tal elo Estado de Pernambuco. O DAC projetou e construiu o Hospilal da Brigada Mili tar, a Escola Rural Alberto Tor res, a Usina I-Iigienizador<t de LeiLc, al(:m rk peque nas obras; pr~jeLou Lam bém o pavilhão de Pernam- buco na Exposição do Centenário da Revolução Farroupilha em Pono Alegre. Afora o pavilhão, os trabalhos da primeira fase e ram o p rod ttlo de n m conceito ele arquitetura no qual os condicio- nantes técnicos e econômicos presidiam a elabo- ração dos pr~jetos - concepção de um raciona- lismo radical, conformado pelas limitações locais e sem concessão a formalismos gratuitos, mas com formas (poder-se-ia qualificar de "duras") derivadas da sobriedade funcionalista dos pro- gramas ele n ecessidades. 44.1.uit ~unes/ Depan;u nenw dt'" Arquitetura t' C.on.~1r11· ~·iio: pavilhão ele Pernambuco na t-:xposi(iio do Ccntl"ll:írio ela Revolução Farro upilha. Porto 1legrc, RS, I~l:lii . A sime· tda e a luz ro rarn cknu::nlos recorrcn t~s nos vário~ pavi- lhôe, do recinto. FoiO·COrt(•sia de Günu•r Weimcr. O pl an~jame nto urbano tel'ia sido a gran- de conquista d a seg1uHla e última fase da a tua- ç;'io de Luiz. N unes t>In Pernambuco, rebatizada como DAU. Foram <lpenas dez 111escs ele efetivo trabalho, materializad o apenas em algu ns pou- cos cd il'ícios, com o o lep rosário de Mirueira, o pavilhão de verificação de óbitos ela Faculdade de Medicina e o reservatório de úgua ele Olinda e ou tras p equena~ obras. Foi nessa fase que o DAU adotou in tensivamente o empreg-o do cobo- gó, peças pré-Fabricadas ele cimen to e areia com 50x50xl Oem, com orifícios de 5x5 em que, asso- ciadas, compu nham extensas supe rfícies servin- d o como brise-solr{il.1· e como superfícies vazadas para ven tilação, ao m esmo tempo que definiam fach adas neutras, sem propriamente serem ce- gas. As obras desse período preservaram todas as preocupações d e elonomia e fuucionalidade e incorporavam um pad rão estético mais elabora- do, sendo o exemplo mais evidcnlc a ascendên- cia de Le Corbusier no pavilhão de verificação de óbitos. Decerto essa influência se deve à presen- ça d e Fernan do Saturnin o de BriLO- jovem a r- quiteto formado no Rio d e Janeiro - , incorpora- do à equipe do DAU. Esse edifício foi constr uído praticamen te com sobras de ma Lerial; o fato inu- sitado gerou desconfianças, e mais tarde foi abe r-
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    45.Lui,. Nunes/ Departamentode Arquitetura c Urbanis- mo: lep.-os;írio de Mirucira. PE. 1936. em imagem receu- tc: os c:ohogós d efiniam a fachada d o bloco. Foto-cortesia de Geraldo Co mes. LO um inquérito para se apurar como se cons- truiu um edifício sem verbas específicas para a tlm1lidarlc [Silva 19RR]. Em 1036, n o imervalo ele atuação entre o DiC e o DAU, Luiz Nunes retor- nou ao Rio de Janeiro on de organ izou um escri- tório particular de arquitetura. Nessa passagem pela c:apital, o arquiteto mamcvc contato cu111 a revista J'f>F, o nde publicou artigo sobre a sua ex- periência em Pernambuco c em vários outros pro- jetos. Nessa rápida passagem, deve ter assimilado alg uma influência corbusieriana (considerando- se que, em 1936, Le Cor-busier esteve no Rio de Janeiro por um mês), que adotaria ern Per nambu- co enquanto chefe do DAU no fimll ele sua vida . bnbura a experiência de Luiz Nunes em Pernamhnco não tenha frutificarlo, alguns profis- sionais de sua equipe se destacaram posterio r- mente: o engenheiro calculista (anista plástico e poela, também) Joaquim Cardozo (1R97-197R- futuro íntimo colaborador ele Niemeyer e m Pam- pulha e Brasília) , o eng-enheiro e urbauista An to- nio Bezerra Baltar (n. em 1915- que mais J(lrrl<' chegou a prestar serviços à ONU), o e ngenhe iro Ayrton Carvalho (n. em 19 13) (que, por mais de meio século dírígíu o escritório regional do Pau·i- mônio Histórico e Artístico Nacion(ll); no mesmo período da experiência DAC/ DAU, fui muito pró- xima a colaboração dessa repartição com o dirc- t1/udemidade Corrente • 85 '""-~-- --- - --------------- . 4ii. Lu iz Nunes/ Departamento de irquilt·tura e Urbanis- mo: esquema e srn11ur:li do ~t·~crva t ório cte água d e O linda, PE, rcprodmido d•• ••s11ulo •·lahnraclo por Rita de Cássia Vaz [ 1989] . ror de Parqu es e Jardins de Recife, o jovem pai- sagista Roberto Rurlc Marx (1909-1994) . SINAIS DE MUDANÇA Vimos no capítulo a11Lerior, "Modernidade Pragm<ítica 1922-1943", que, ua segunda metade da década de 1930, tendências modernizantes o n não-acadêmicas estavam em plena assimilação nas cidades brasileiras. Nessa apropriação também se incluíam as arquileluras mais eng<úadas ele mo- dernidade, isto é, aquelas baseadas em princípios definidos ou praticadas por arquitetos antagôn i- cos aos valores tradicionalistas. São exemplos no- táveis dessa vertenle algtm1é!S oh réts realizadas pot- jovens arquitetos, com menos de !Tinta anos de idade, como Álvaro Vital Brazil e os ir111ãos Mar- celo (190R-1964) e Milton Roberto (1914-1953). Álvaro Vital Rrazil e Adhemar Mar.inho (n. em 1909), esludantes da ENBA q ue participa- ram da greve em solidariedade a Lucio Costa e m 1931, ganh aram e m 1936 o concurso de antepro- je tos para um edifício d e uso misto de alro pa- d rão em São Paulo. Álvaro Vital Brazil levt: que d issolver a sociedade para transferir-se a São Pau- lo e acompanhar a ohra, a pedido da constr utora,
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    86 • /-l1"quiteturasno Brasil .., 47. Álvaro ViLa! Brazíl Jcfronlt: ao t:difício EsLher, Süo Pau- lo. t: lll 1!85. resultando dis.so a rcformulação parcial do pr~je­ to inicial. O edifício Esther localizava-se num p onto privilegiado da cidade (a Praça da Repú- blica) e ben eficiou-se ao sn concebido como um prédio isolado em suas quatro face~, num remanC:jamento no terreno que ainda as~cgurou t::spaço para a constntção de outro editicio na área do primitivo lote. Embora sendo um edifí- cio de alto padrão, Vital Brazil conduziu o pro- jeto no sentido de encontrar as soluções mais econômicas sem abrir mão elos "cinco pontos da arquitetura nova" preconizados em 1926 por I.e Corbu~ier: volume construído e levado em fJilotis, pla nta livre com estr utura independente, racha- da livre, jan elas dispostas na ho1·izontal (fenêtre en longueu-r) t> o terraço:jardim. Atender aos cinco pontos sig-nificou equacionar uma série d e con- dicionantes inéditos e não necessariame nte eco- nô micos para a tecnologia ou para a rotina da construção d a é poca. A adoção de plantas livres 48. Marcelo e MilLOn Rohcrr.o : Associ~ção R1·asilcira de Im prensa, Rio de }1nc iro, 1936. possibilitou acomod ar diferentes arranjos e m cada pavimento, abrigando lojas, andares para escritórios c unidades residenciais (algumas em duplex), demonstrando a versatilidade possível com o conceito d a estr utura ind ependente. O térreo, embora com estr utura em pilotis, é apro- veitado de maneira convencional, não se benefi- ciando integralmente da solução. Foi urna obra de impacto ao ser inaugurada e m 1938 [Brazil 19H6; Daher 1981; Segawa 1987bj. Os ir mãos Marcelo (formad os na ENBA em 1930) e Milron Roberto (formado em 1934, nm dos grevistas d e 1931) formaram uma vitori- osa dupla em concursos no Rio de .Janeiro: em 1936, ganharam a concorrência para o projeto da sede da Associação Brasileira de Imprensa (Am ); no ano seguinte, alcançaram o p rimeiro lugar com o an teprojeto para o Aeroporto San- tos Dumont. Como Vital Brazil e Marinho, os ir- mãos Roberto também operavam com os "cinco
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    Corbusier. Todavia, diferentementeda oportu- na possibilidade de isolar o edifício no lote como feito no caso do Esther, a ABI cingiu-se à norma d e im plantação estabelecida no Plano Agache, que determinava a integração da mas- sa edificada alinhada nos limites do passeio e do lote , com previsão de recuo nos fundos, forman- do, conjuntamente com os prédios contíguos da quadra, um pá lio central. Com as li mitações de uma implantação tradicional, alguns dos concei- tos ine rentes aos "cinco po ntos" perdiam pane de sua força , plena quando adotados em edifí- cios totalmen te desvinculados de construções adjacentes. No entanto, os Roberto souberam explorar o fato de as duas racharias principais se orientarem p ;u a o norte c oeste (percurso sola r do período da tarde, o mais quente) e desenha- ram dois sóbrios e elegantes alçados que se dis- tinguiam pela sucessão clt> hrise-soleils verticais lixos ou, descrevendo de outra forma, pela au- sência de j anelas tradicion<~is. Sob a forte luz do P1!RS~CTIVA illoder11idade Corr<'111e • 8 7 Rio de .Janeiro, a sede da ABI tran sforma-se num volume de plástica construtivista, variando os efe itos visuais conforme a incidên cia do sol so- bre as lâminas sombreantes. Os brises não atuam diretamente nas salas de trabalho; eles protegem galerias que percorrem o perímetro das tacha- das uortc c oeste, que funcionam como antecâ- maras d e atenuação do calor para o interior do edifício. Não se pude afirm:.1r que as linhas mo- dernas do prétliu tenham tido uma boa e unâni- me acolhid a, mas.a repercussão posterior fo i positiva IBruand 1981]. A proposta vencedora para o At>roporro Santos Dumont, em 1937, não teve a mesma sor- te que a sede da AHI. A idéia original previa um terminal maior e mais complexo. Sua construção arrastou-se de 193l:! a 1Y44, à exceção do ha ngar n!.! 1, concluído em 1940 com u m sofisticado sis- tema estrutural e uma fachada protegida com bri- se-soleiLç verticais. Quanto ao terminal, a volume- tria inicial proposta em 1937 reduziu-se a um 49.Marcelo c Milron Roheno: Je::ropurLO Santos Uumo nt. Rio de J aneiro, 1937-l 94'1 .
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    88 • !lrquiteturas11n Rrusil volurne prismático regular, preservando algnns aspectos da sintaxe corbusieriana. !o e ntanto, o padrão do :.~eroporto do Rio ele Janeiro (com a marc<rntc: galcTia loug·itudin al n o miolo do edifí- cio) constituiu a partir de en tão um pan ido tipo- lúgico para os terminais (co mo o de Po rlo AJt.._ gre, Curitiba c Rccirc). O concurso de an teproj etos para o Aero- porr.o Santos Dumont deve ser entendido dentro da política desenvolvida pelo Depan amenro rlc Aero11áutica Civil, no scmido de dotar as cidades brasileiras com terminais aeroportuários adequa- dos para o novo c cada vez mais utilizado mt>io ele transporte q ue se implarHava no Brasil na déca- da de 1930. Em l93f>, foram construídos os aero- portos de Pelotas, Bagé c Pono Alegre rCawn he- de Filho IY~7l Foram iniciativas desse p eríodo os ae ropon os d e tr0s das mais imp ortantes cida- des hrasilt>iras: S<rlvador, São Paulo c Rio de J a- neiro. ü terminal d<~ Salvador, uma estação ele h idroavi<->es, teve seu projeto encomendado a um arquiteto elo Rio ele Janeiro, Ricardo Antunes, c foi inaugurado em 1939; era um obra de linhas moderna~ . O aeroporto ele S.:io Paulo não estava vinculado à área fcelcral: o F.stado construiu um terminal nos anos d e 1940, ele gosto Déco, snhs- rinríclo depois pela obra definitiva, projetada pdo arq uiteto Ernani elo Vai Pcn teaclo (1901-19RO) c inaugurada nos anos ele I!:150, também dentro ele linhas modernas. A capital do país estava se equi- pando com um novo tcrminallcncstre sirnultanea- mcntc à implantação de um terminal para hidro- aviões, ambos objeto de concurso de arquite tura. Attilio Correia Lima, que havia participado ela !"CJUipe que tirou o segundo lugar no concur- so para o tenninal terrestre, foi mais bem-sucedi- do no concurso para a estação de hidn>s. Dada a urgência de um terminal aeroviário para o Rio deJaneiro, o proje to ele Correia Lima foi rapida- mente executado, estan do em funcionamen to em 193H (t>mhora, com a inauguração do termi- nal projetado pelos Roht>rto , a estação de h idros caísse em desuso). Proje t<tda em equipe com .Jor- ge Ferreira (n. em 1913), Renato )vfesquita dos Santos (n. em 1914) , Renato Soeiro (19ll-l9R4) e Thomaz Estrella ( 1912-1980), adotando estrutu- ra independe nte em concreto armado, generosos panos de vidro e espaços interiores amplos c ela- borados (como o hall principal, onde se destaca- va uma escu Itnral escada), a Estação de Hidros transrormon-se numa obra admirada pela pu reza de suas lin ha:; c a qualidade de seus acabamen- tos, caracterizando-se como urna referên cia de uma vertente ele arquitetura moder na que se produzia I lOS anos de 1930. Os pri ncipais termiu ais aeroportuários desse período, de modo geral, fo ra m pr~j etados em linhas modernas. Mais que u m gosto por fa- chadas, o programa funcional de um aeroporto refle tia um sen tido d e racionalidade que quase compulsoriamente conduzia as soluções arquite- tônicas para uma verten te moderna. Eviden te- me nte , isso uão constituía um a regra porquanto algu ns aero portos men ores fo ra m construíd os em linhas neocoloniais. Todavia, os estudos :;o- bre os aeroportos mais complexos eram referen- ciados em literatura técnica estrangeira e, nesses caso:;, eram raras (para não dizer inexistentes) as arq uite turas de aeroportos realizados em mol- des fo rmalmente academicizantes. A accita('ão clt> lin has mod ernas para aero- por to:; não significou um alinhamenro dos pode- res públicos com a arquitetura modcn m de ideo- logia mai:; defi nida pela vang-uarda. Importantes concursos de editícios de programas mais conven- cio nais acatavam modernismos tradicionalizanles, ele vert.ente couscr vadora. O concurso para a sede elo Miuist{:rio ela Fazenda, realizado e m fi ns de 1 9~6. contemplou o projeto elos arquite tos Enéas Silva e Wladirnir Alves de Souza em primei- ro lugar, com uma obra d e compostura monu- mental ele linha moderna "classicizante"; o segun- do lugar foi atribuído à equipe ele Jorge Moreira, Oscar Nicrneyer e José Reis (n. em 1909) , jovens grevistas de l~3 1 . Nas apreciações do j úri, os p on- tos positivos do anteprojeto quase vencedor pou- savam nas qualidades da planta c das soluçóes téc- n icas; pecavam pela "composição arqu itetônica sofrível" [Concurso... 19~17]. Algo semelh an te ocorreu em 1935, por ocasião do concurso para a sede do Ministério da Educação e Saúde. Todavia, os desdobramentos foram diferentes.
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    50. .Jorgto Moreirae Ernani Vasconcellos: proposta não selec ionad;-1 para o concurso da sede do Ministt~rio da E.duca~·<io e Saúde, Rio de janeiro, J ~n!í. Apesar elas facha- das modernas. o partido do 'oiumt: ainda respeitava um eixo de simetl'ia central. A SEGUNDA ESTADIA DELE CORBUSIER L•:m I :!:~5, era ahertn o cnncttrso para ante- projetos da nova sede elo Ministério da Educação e Saúde (MES), em terreno na esplanada doCas- te lo , centro elo Rio ele Jane iro- área anterior- meute ocupada pelo morro do Castelo, arrasado para conquistar novas áreas planas destinadas à urbanização, com normas de ocupação determi- nadas pe lo Plano Agach e. Archimed es Memória e Francisque Cuchet furam proclamados os ven- cedores, com um projeto que se d estacava pela ornamentação marajoara la respeito, ver capítu- lo "Modernidade Pragmálica 1922-1943"]. Am- bos formavam o mais importante escritório de arrplitctnra elo Rio de.Janeiro, alérn de Memória ter sido o sucessor de Lucio Costa n a direção da E.NKA e cidadão com forte penelrac;-ào no gover- no, partidário de agrupamento político de apoio ao presidente Vargas. Foi um grande desafio para Gustavo Capanema (1901-1985) pre miar o projeto vencedor e não construí-lo. Capanema, segundo ministro da pasta de Educação c Saúde d esde sua criaç<io em 1930, e ra um político de Minas Gerais que se cercou de intelectuais mo- dernistas contcrráneos à frente ele sua gestão mi- · nisterial, em bora não se ide ntificasse organica- Mod<!ntidade Curre11te • 89 51. Affonso Eduardo Reidy: proposta não sdecionada para o í'OIICllrso ela st->de d o Mi nist(·rio da Educaçüo e Saúde , Rio d e J ancit·o, I~n'í_ At·qllitCtlln1 inspintda nos edifícios modernos da Europa Central. Illcnte com seus assesson:s. Durante o gctulismo, ;-1 arte r:> a cul tttra errtm os Ílnicos canais de assi- III ÍLH,:~to c convívio ent.rc os iu t.elcctuais e o po- der [Schwartzman et al. 1984]. O anteprojeto ven- cedor (e os dem ais finalistas, exceto um deles) não se coadunava com as preocup;.tçôcs rnoderni- zantes de seus auxiliares c com o apoio deles (en- tre eles Rodrigo Mello Franco de Andrade), Ca- panr:>ma r:>n r;1o apr:>lott para o arbítrio pr:>ssoal r:> decidiu desprezar o resultado do concurso cha- mando I.ucio Costa e m setembro de 1935 para projetar a nova sede de seu ministério. O m inis- tro não era o ti tular da pasta por ocasião d o io- cidente da re forma curric ular da ENBA em 1931 (ele asstunitt em 19~4 c somente o deixaria com a qneda d e Getú lio Vargas e m 1945), e nessa época Lncio Costa ainda ;1marg;wa os momen- tos pós-EN.BA hem como uma situação profissio- nal pouco confortável, embora com prestígio intelectual sedimentado. f .u~io Costa n::io tomou o enc;u·go apenas para si. Convocou os arquitetos que haviam apre- sentado anteprojetos modernos no concurso para formarem urna equipe sob sua ch efia: Affonso Eduardo Reic!y, Carlos l.ó'to c Jo rge Moreira. Ernani Vasconcellos reivindicou urn lugar por ser assisrcntc ele Moreira c Oscar Nicmcycr kz o mes- mo, pelo lado ele Lucio Costa. Assim organizado, o grupo passou a desenvolver o novo projeto.
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    90 • Arqllile/1/rtiS110 Rmsil A pdoridadc arquitetônica do ministério, nu e11Lanto, não era a su<t ~ecle própria. Capan e- rna preocupava-se sobretudo com a implantação da Universidade elo Brasil, a rlcmandar um cam- pus que seria a primeira obra do gênero nu país. Para tanl"o, o ministro havia instaurado em ju- nho de 19~5 uma comissão de estudos formada por professores para a cleJiniçâo de um organo- grama c das suas nt>ressidades físicas, ao mesmo tempo que convid;wa Marcello Piacentin i - autor da fascista Cidade Universitária de Roma - para realizar o pr<~jeto da congênere no Rio de .lanei- ro. Em meados dos anos de 1930, o alinhamen- to político do Brasil era ambíguo em relação ao nazismo e ao fascismo, embora o getulismo cor- respondesse em !inh as ger·ais ~ts formas ele auto- ritarismo em voga na Alemanha e na Itália. O ar- qrriteto italiano chegou ao Brasil em agosto de 1935, mas o Conselho Regional de Engenharia c Arquitcmra advertia o ministro da proibição de contratar profissionais estrangeiros para essa fi- nalicladc. Em atenção ao t"::!to, o ministro inslan- rou urna comissão de arquitetos (Angelo Bruhns (1896-?), Lncio Costa, Firmino Saldanha ( 190fí- 1986)) e eng-enheiros (Paulo Frag-oso (n. em 1904) e Washington Azevedo) fSchwanzman et aL. 19R4]. Lucio Costa, consultado a respeito d e Piacentini por Ctpancma, emitiu um parecer conn;irio à atribuição Jo pn~je to ao arquite to ita- liano, subme tendo à apreciação do ministro o no111e deLe Corhnsier como contrapartida [San- tos P.t nl. 1987, p. 142]. (;ustavo Capancma acolheu a sugestão ~" tornou as providências para trazê-lo ao Brasil. O convite a Le Corbusicr para uma série de conferências 110 Rio de J aneiro foi um álibi para que o arquiteto franco-suíço viesse para uma consultoria sobre o projeto cl<-1 sede elo MES e da Cidade Unive rsitária do Brasil (CU~). sem afrontar diretam ente a legislação que vedava o exercício profissional de estrangeiros no país. Efetivamente, ele foi remunerado pelas suas p a- lestras, mas, ao longo ele sua permanência de 31 dias em j ulho c agosto de 1936, se envolveu in- Le nsame nte nos dois ateliês organizados para os projetos do MES e da CUB. A CIDADE UNIVERSITÁRIA O anteproje to dét cidade universitária na Quinta ela Boa Vista, desenvolvido por Le Cor- busier e m sua passagem pelo Brasil [Le CorhiJ.- sier... 1967; Cidade Universitária... 1937] foi suh- rnetido à comissão de professores criada n o ano anlerior e sumariamente rejeitado. Essa comissão tinha clara identificação com as idéias d e Piacentini, em oposição ao gru po de arguilctos e engenheiros pró-Le Corbusier. Essa c~uipe t>laho- ro u um novo plano ["Universidade do Brasil..." 19~-17J que, submetido a novo exame, foi definiti- vamente reje iLado em 1937. Nesse ano a comissão de arquitetos e engenheiros era formalmente dis- solvida, e Piacentini, convocado para desenvolver o plano da Clm_ Associado a Vitorio Murpurgo, que esteve no Rio de Janeiro para estudar o p ro- je to, a proposta final dos italianos foi aprovada pela comissão de professores em 1~l 38. O projeto definitivo foi entregue pelos arquitetos; no entau- Lo, a construção da cidade universitária não foi imedi at<~, e, com o ingresso do Bra~i l na guerra conu·a o Eixo, nada resultou desses eslorços de- senvolvidos durante o Estado Novo, com a queda de Vargas em 191!í fSch wartzman et al. 1984; Mello .Júnior l 9S5; Tognon 199ó]. A SEDE DO MTNTSTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE Le Corbusier <:tO chegar no Brasil já tinha conhecimcnLO do projeto da equipe liderada por Lucio Costa, posw que este lhe enviara com seis meses de antecipação as fo tografias da proposta elos brasileiros. Na realidade, os arquitetos apro- priaram-se d os cnsina mentos teóricos corbusie- rianos mas estavam inseguros elo resultado final, a ponto de solicitarem um pa recer do próprio mestre, mesmo às custas ela inter·rupção dos tra- balhos - já em pouto de início ele obras [Costa 1984]. Le Corbusicr foi bastan te benevolente com seus discípulos, elogiando-os no seu parecer
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    apresentado ao ministroCapanema; no entanto, preferiu de recomeçar o proj eto sugerindo a 1ransl'e rência do edifício para nma nova localiza- <;ão: da úrca na esplan ada do Castelo para um aterro junto ao mar (onde hoje se encontra o Mu- seu de Arte Moderna, de Reidy). A idéia foi ini- cialmente encampada pelo ministro, c um p r~jc­ to, esboçado. Todavia, as contingências leg;-tis de permuta do terreno irnpeGliram a concretizaçiio dessa proposta, e, às vésperas de sua partida, Le Corbusie r desenhou uma última proposta para o terreno original. A partir desses estudos, a I:'C]IIi- pe brasileira desenvolveu o projeto definitivo, que foi submetido aLe Corbusier por· cana e m julho d<.: 1937, tendo como resposta o seguinte: St' u ecliHcio do Ministério da Educaç.1o e Saúde Pú- blica parece-me excelente. Di.-ia ::Jté.: animado de urn es- pírito ehtrivideHLe, <:uus<:iente dos ol~jcLivos: servir e etuo- cionar. Ele não tern esses h iatos ou barharistuus que freq i"ten tem<:"nl t> " li;is, em outras o bras modcruas, mos- t r am (j u e não se sabe o que é harm onia. Ele cstú se ndo construíclo? Sim? F.n rào tan to melhor, c estou cert o q11c serú IJott ilu. Será como uma péro la em lixo ";-tg;ichico··. Mf:'ns cumpt-itTt ettto~. me u "O K" (como você red;uuava) LSantos et a/. 1!:!~7. pp. ll!J-1:201. Pode-se afirmat- que, no co r~j o rlas várias propostas daboraclas na ocasião, o pr~j e to dos seis arquitetos brasileiros evoluiu para uma solu- ção com person alidade pró pt·ia, e mbora com evidentes citações dos esboços e das idéias deLe Corbusier [cf. Bruan d 1981; SanLos ela!. 1987; Comas 19871 . A obra in corporava toda a sinlaxc corbusieriana - sobretudo os "cinco p on Los da arquiteLura n ova". A situação do edifício e m meio de qu adra subvertia as n ormas de ocupa- ção do Plano Agache (que obrig-ava a construção dos volum<.:s alin hados n o perímetro externo do lote- daí a expressão ''lixo 'agáchico'" na carta ele Le Corbusicr) c refletia u m modelo de im- plantação de arran ha-céus isolados não caract<.:- rizadorcs das combatidas ruas-corredores, re- m ontando ao urbanismo d a Cidarlc d e Três Milhões de Habitantes ou ao Plan Voisin. O vo- lume Iamclar sobre pilotis e os dois blocos baixos (um dos quais também sobre pilotis) Iiher<~m llllla <.:splanacla aberta rpte rlissolve o sentido tra- .llodemidade Corre11te • 91 clicional de quadra fechada por edificações c constitui uma praça/ jardim público. Esse entor- no livre caracteriza uma moldura ao edifício, atribuindo ao conjunto uma monumentalidade não deriYacla das formul ações rradicionais- de massas volumétricas pesadas e impositivas, à nta11e ira da arquitelura do l"ascismo- mas resul- tante rlo contraste da imponência da escala da obra e dos vazios criados no dist.anciarnerllO en- tre o volulJie prismútico doMES com os crlif"ícios aqjacentes, muros contínuos compulsoriameute t"slabelecidos pelo padrão Agache. Do ponto ele vista eslrut.ural, a sede doMES constituiu um desafio de c:tlculo brilltauternenle <.:ufrentaclo pelo engenheiro Emílio llaumgart (1889-1943). O emprego ele pilotis não era propri- amente uma n ovidade, masjamais se havia adota- do a solução na escala de um prédio como o MES - crian do dific uldades para o ron lravento rla es- rrurura. Contrariando as normas então vigentes, Baumgan atribuiu às hjes f.llanas a fuw,:ào de vi- gas dispostas horizonlalmentt•, apoiadas nas pare- des cegas laterais (qu<.; süo interrompidas na h~je de encontro com os fúlotis; S<' elas s~.:guissem até o chão, o problema ele contravctllamemo estaria resolvido). A busc<t O(' urna soht(ão <.:slrutural ··ar- quitelônica" - como preconizava T.e Corhusicr - ensc:jou a definição ele uma <.:sLruwra que evitou vigas, ao mesmo tempo que se conseg-uiram lajes ele pouca espessura para os pavirnenros. Pela primeira vez se especificou no Brasil a l<úe-cogu- melo , e de forma inovadora. A estrutura 1.:111 co- gumelo desvirtua a concepção de letos lisos; a solução proj etada previu a inversão do capitcl para a face superior da laje, deixando liso o aca- bamento pelo lado elo fo rro. O nivelamento do piso seria feito com material leve, aproveitando- se esse espaço de enchimento para a passagem das insLalações elétricas rvasconcelos 1985]. A í t nplan la~,_:ão numa esplanada ahena e o desafogo assegurado pelos fJiloti::. no nível térreo são idéias corbusicrianas que vão de cncoutro a uma m elhor ventilação du e rllorno elo MES. A fachada nor te do edifício (pennanenLemente c:1stigada pelo sol) é: protegida com brise-soleils horizon tais; a fachada sul (que ern nenhum mo-
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    92 • Antnileln ros no Brasil mcn to do ano recebe sol d ireto) é um jJan de ·oerre integral -a primeira aplicaçào ele uma fa- d 1ada de vidro em escala monumental (anterior às aplicações das torres de vidro norte-america- nas, do início dos anos 1950) . Tal solução en- stejou 11m sistema natural ele ventila~:;io cruzada: a diferença de temperaturas entre as duas fact>s do edifício(~ capaz de criar um deslocamento de ar no interior do prédio que, em não havendo ob~túculos, atravessa transversalmente o prérlio criando uma corrente natural d e vento atenua- clara d o calor típico do Rio de .Janeiro. Daí os ambientes inte rnos originais dos andares terem sido desenhados sempre com divisórias a meia- altura -.iá que a pl:lnta é independente de mu- ros estruturais. Lt> Corhusier deixou uma série d e reco- mendações valorizando aspectos tipicc1mente re- gionais: o uso d e granitos disponíveis no Rio de Janeiro, em detrimento de materiais importados; a recuperação dos azulejos, tradicional revesti- mento colonial de origem portuguesa, suporte de painéis artísticos; a valorizaçilo ela palmeira impt>rial (recuperada da tradição paisagística do Rio deJaneiro do século 19) [ Hruand 19t:n; Le- mos 19R4] . A scck do MES foi complementada com obras d e arte de notáveis artistas: Cándido Por- tin;;ui (1903-1952) (murais no gabinete elo minis- tro e dt>senho de todos os azulejos), esculturas de Celso Antonio, Bruno Giorgi (190:J-199~) e .Jacques Lipchitz e jardins de Roberto Burle Marx -dentro do princípio da integraç-;w das ancs na an1uilct.ura. A sede do Miuistúio da Educação e Saú- de é considerado o ponto inicial de uma arqni- tetu ra moderna de fe itio brasileiro. A avaliação é controversa, mas os desdobramentos posterio- res c<1m in haram nu sentido de confirmar a afir- mação, sobretudo no plano inte rnacional. A construção do edifício (iniciada em 1937) arras- tou-se ao longo dos anos com dificuldades, so- bretudo com o advento da Guerra em 1939. Por volta de 1942, o edifício estava virtualmente completo em seus exteriores e assim foi fotogra- fado pelos norte-americanos para a e xposir;üo ~;ir~~~--·· f>2 .1 .nrio <:ns101 e t"q uipe: Ministério ela Eclncaçào e Saúde, Riu de Jan.-iru, cn1 postal dos anos de 1910. Cortesia de Donalo Mel lo .Júnior. Rmzil TJuilds. A inauguração oficial por Getúlio Vargas somente se dari<1 em 1945 - também o ano da queda do Estado Novo. A PRIMEIRA MATERIALJZAÇAO Enquanto se arrastava a construção da se- ele elo Ministério da Educaçào e Saúde, uma o u- tra obra antecipou a surpresa que esse edifício provocaria mais tarde. O calendário de eventos de 1939 leria dois pontos altos por conta do es- forço dos Estados Un idos crn promover urn "en- contro" de nações, no delicado panorama p olí- tico internacional, que acabou desembocando na Segunda Guerra. Os norte-americanos orga-
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    · -~.Luci oCosLa c o Ministério da Educa~ào e Saúde, Rio .lt' Janeiro, 19lli. '1izaram dnas grandes feiras - uma em Nova York e outra em São Francisco, das q uais o Rra- "il participou com pavilhôcs individuais que mar- caram presença. O pavilhão da feira na Costa Oeste fora pr(~eLado por um arquiteto nonc-amc- ,;cano, c sua repercussão roi limitada; a rcprcsen- ta<,:ão na fe ira elo Leste, ao contrário, tra nsfor- mou-se numa das grandes e boas surpresas. Lucia Cost<~ havia vencirlo o concurso de anteprojetos pa•-a o pavilhão brasileiro da Feira Iundial de Nova York em 19?!R. Embora premi- ado sem con testações, o arquitetO surprccudcn- temenle renunciaria à sua idéia para propor um projeto em associação com outro concorrente, Oscar Niemcyer. El'etivamente, Niellle)'er acom- panhou Costa como assisten lc para Nova Yor k para desenvolverem o projeto t•um cscril úrio per- Mudem idade Correllfe • 93 to do parque da Feira Mundial. A versão definiti- va do pavilhão juntava alguns aspectos da pro- posta inicial de Costa- os pilotis, a ramp<~ rlc aces- so e os clt>mt>ntos vazados de fachada, a LÍLulo de brüe-sole'il- com a de Nieme)'er- a curvatura da parede acompanh ando o le rrcno, o jardim na parte poslerior. Nenhuma das proposlas inrlivirlu- ais era tão bem-sucedida quanto o resultado final, desenvolvido por Niemeyer (que ficou no~ E~ta­ dos Unidos até entregar o pmjeto) cotn a o t·ien- tação de Lucio Costa (que voltara an1es, por pro- blemas f'amiliart>s). O pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova York roi consirlcrarlo um dos pontos alws de toda a exposição, tanto na sua arquitetura quanto em seus interiores prqjelados pelo nor- te-americano Paul Leste r 1liener (1HY5-l 967). Em seu número especial cledicaclo às tt>iras inter- n acionais de Nova York e S~o Francisco, a revis- ta 'f'!U' Architer:tun:tll•'orwn teceu comentários para cada pavilhão das feiras e elegeu a representação sueca, projetada por Sven Markelius ( l~8<J-1Vn), como a melho1- arquitetura de roda a feira (Mar- kelius t<un bém se notabilizaria mundialmente a partir desse projeto). dedica ndo duas páginas para ela; os dois outros paYilhõcs que me1·eceram o mesmo destaque foram o finlandês, de Alvar Aalw (1898-1976), e o brasileiro [The Archileclu- ralForum 1939]. O sucesso na mídia internacio- nal gerou uma positiva repercussão no Brasil, com a revista Arqnitetum e Urbanismo reproduzin- do os comentários elogiosos~~ arquitetura brasilei- ra ("o pavilhão brasileiro tem urna pureza c csli- lo que faz a gen te perder o fôlego", elogiava o M.af!:azine Ar/, ou "Lucio Costa c Oscar Niemeyer s<io provas da maturidade intelectual do Brasil", cumcnlava Fmlune) l"O Brnsil. .. " 19:19, p . 5301. Uma mistura de surpresa c ufanismo caracteriza- va o noticiário brasileiro do feito em Nova York. O sucesso internacional do pavilhão brasi- leiro pode ser creditado a uma postura serena quan to ao significado do Brasil e da arquitetura brasileira no contexto rnulldial, como bem per- cebeu Lucio Costa: Em um;~ rerr<t indllslrial e r ullltralmente desenvo l- vida como os Estados U nidos e numa fe ira e m que to-
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    ~ l)1 • -4rtjllile/umsl/li l~ru.,-i! r---... ,.- w I ......... ~,.... -I.:J):.~7,.,....l1 ...____ ------------51 _Lucio Costa: esboço rápido da sua proposta inicial para o l'avi lh;-,o do 1ra~il na Feira ivlundial dP lova York, f"ciw muna f'lll rf'I'Í~Ia t'llii9X7 (recuperado com computação g•·áfica) . fí5 .Lucio Co~1.a c Oscar lie111eyer: P;11·ilhào do llrasil " "Feira "1undial d e Nova York, 193H.
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    Modemic/(.fde Corrente •95 - - " f>A. Lucio Costa c Oscar Niemeyer: jardim. itHcrior c acesso superior ao l'avilhfw do l:$rasi l na Feira l'vlundia l de • ork. 1938. parte países tão mais ricos c "cxperiJOf'tWldos" no ·su, não se poderia r;Jzoan~lmente pensar em ,._air pelo aparato, pela monumcntalidadt> ou pela .a. Procurou-se então in tcrcssar de outra maneira: -O-se um pavilhão simples, pouco formalístico, te e acol hedor, q1•c se impusesse, n<io pelas suas rcõcs- que o terreno não é grande- nern p elo -que o país ainda é pobre - mas pelas suas q uali- ..tdes de harmonia e equilíbrio e como expressão, lan- 'l qua nto possívtl pura, de arte contemporânea lCos- - 1939, p. 471]. EsLava amadurecida, tambi-m, a superação --!o racionalismo mais ortodoxo, com a consciê u- ~:a de uma nova dimcn:;ão estética da arquiLetu- r:i moderna acima da aridez do mero rcbaLirncn- da fu nção sobre a forma - lição aprendida no m·ívio com Le Corbusier em 1 9~6 e algo ma is: Respeitamos a lição de l.e Corbusier. Não pretende- , ubunlinar o espírito moderno exclusivamente às cotll'eHit:ncias de ordem técnica e funcional nem tão pouco fazer cenografia '·pseuclo-modcrn n", dessa t;io em ,-oga aí. n os E.U.A. Queremos, isso sim, a aplicação rigorosa ela técn ica moderna e" Siltisfar~o p rt'cisa das cxig·L·ncias de p rugr;.llllil e locai!, tudo por~nl guiado e cont ro lad o, no con junto e nos deta lhes, pelo desejo COI!stan tt· de fazt'r obra de al'le pl;tslie<t IJU sen lidu mais puro da expressão. Na ;~rquitt' l tll'<·l assi111 <'Otnprt'cndi- da , a pintura e a escu ltura vêm romar namralmente cada qua l o seu lugar m1o coJno sirnples o r11atos 011 elc- •nc ntos decorativos mas como valor artístico autônomo embora fazendo pane in tegrante d<t com posi(<io rPrmi- lhâo do Bmsil... El3U 1- Foi em um<t obr<t cie uso efê mero que se gestaram alguns dos d iscursos arquétipos que iriam cloravante pm·oar a arquitetura brasileira. A assimilação de conteúdo tradicional da arqui- tetura coloni<tl em uma ele suas dimensões for- mais - a curva barroca - era assumida pda pri- meira vez desde o trauma provocado por José
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    96 • Arquitetu,·asno Brasil Mariano Filho em sua campanha pelo neocolo- nial. Até então, nenhum pronunciamento escrito havia aven tado essa relação incestuosa entre tra- dição e modernidade. Escrevia Lucio Costa: "Essa quebra d e rigidez, esse movimt:nto ordenado que percorre de um extremo a outro toda a composi- ção tem mesmo qualquer coisa de banoco - no bom sentido da palavra- o que é muito importan- te para nós pois representa de certo modo uma li- gação com o espírito tradicional da arquitetura luso-brasileira" [Pavilhão do Brasil... 1939] . Por outro lado, Oscar Niemeyer já f01java nesse pavilhão nma de suas analogias preferidas em sua apologia da curva, como revela uma car- ta de Lucio Costa para Le Corbusier, em 1939: "Oscar tt:ve a idéia de aproveitar a curva do terre- no - bela como nma·curva de mulher- e o resul- tado foi uma arquitetura elegante e graciosa, com um espírito um pouco jônico, ao contrário da maior parte da arquitetura moderna, que se apro- xima mais do dórico" [Sautus et al. 1987, p. l91J. A curva barroca e a curva feminina: este- reótipos de uma arquitetura moderna brasilei- ra tempos depois. A ASCENSAO DE OSCAR NIEMEYER Com a consagração do pavilhão brasilei- ro na Feira Mundial de Nova York, Lucio Costa apenas ampliou um prestígio já consolidado, mas, na esteira do su cesso, ele reconheceu a ca- pacidade extraordinária de seu assistente, Oscar Niemeyer. Até esse mome nto, o jovem arquiteto (então com 32 anos d e idade) n ão passava de um coadjuvante talentoso: fora desenhista no es- critório Lucio Costa/ Gregori Warchavchik, sem ter demonstrado nenhuma aptidão especial; en- trara na equipe d e projeto do Ministério da Edu- cação e Saúde por deferência de Costa, assim como compôs a equipe encarregada da Cidade Universitári<t. Mas, ao longo dos trabalhos, reve- lou-se uma personalidade habilidosa. Participara de con cursos, tendo chegado próximo à vitória (Ministério da Fazenda, pavilhão do Brasil para Nova York), mas não despontava com brilho in- dividuaL Apenas u m de seus projetos de maior porte havia sido construído até então: o prédio da entidade assistencial à maternidade, a Obra do Berço, em 1937. Sua associação com Lu cia Costa em Nova York (e o estímulo de seu protetor) fez do apagado Niemeyer um arquiteto imedia ta- mente encarregado de trabalhos de maior porle e responsabilidade. Em 1939, a Niemeyer seriam confiados dois importantes trabalhos: o Serviço do Patri- mônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) o e n carregaria de p rojetar o Grande Hotel d e Ouro Preto, c o prefeito indicado de Belo Hori- zonte, Juscelino Kubitschek de Oliveira, o convo- caria para projetar alguns edifícios públicos, aco- lhendo recomendação de Rodrigo Mello Franco d e Andrade. O Grande Hotel era um projeto com d i- fi culdades peculiares: tratava-se ele um edifício novo, de grande porte, a ser inserido no sete- centista tecido urbano p reservado da capilal do ciclo de exploração de ouro na e ntão província de Minas Gerais. Tratava-se do primeiro desafio d essa natureza enfrentado pelo órgão que, por princípio, deveria ser o guardião da paisagem tradicional d a cidade, uma das mais homogê- neas que restou n o Brasil. A ideologia moderni- zante dos dirigentes do SPHAN repudiava as rei- vindicações de José Mariano Filho [1943] pela imprensa, a exigir uma o bra de gosto ncocolo- nial como ún ica alternativa para o impasse. O projeto d e Nicmeyer resultou numa obra cujo volume e lançamento na topografia eram desto- antes na paisagem. E ele era ainda condiciona- do pelo imperativo do contexto , com pormeno- res formais emprestados ela arquite tura tradicional - telhas de barro, trançados de ma- deira à maneira de muxarabis, volume longilí- neo dividido e m balcões contín uos - que miti- gavam a presença do edifício no locaL Não obstante o efeito mediano, o Grande Hotel con- figurou-se como o ponto inicial de uma atitude em que a convivên cia d o "novo" dentro do "velho" se realiza com a ética de evidenciar a inserção nova na trama antiga auibuindo-lhe identidade própria -
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    .lludernidade Corrente •97 'l9.0 scar Nit>llH')'f'r: paisagem descorti nacla do Grande Hotel de Ouro PrelO. MG, en1 croqui do arquiteto. ôO.Cro<Jui de Oscar icmcycr, ilustrando uma justificati,·a do arquiteto: "Piasticamcnlc procu ra- mos uma solução que fosse uma expressão o mais possiYcl pura de a•·tc contemporânea, mas apre- sentando a necessária ligação com o ambiente local. Os j1ilnti.1. a cobertura de telha de canudo, as j anelas em série, a silhueta do bloco em que predomina a linha ho.-izontal c mesmo a utiliza- 's'âu d'-' ccrtut; c ll'rrlcnLus tradi cionais, con1u tre liças etc. fo rnm crnpregados cum cs~a irncn çàn''. 61 e 62. Oscar Nicmeyer: Teatro Mu nicipal de Be lo Hori- zonte, MG. 1940 (ob,·a não concluída) . .·' ', . /
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    98 • Arqu treturas no lJrasil ·-··----·--- - /:. f. ~-:.I. ti_,_.4t-_=o- YI -=~- : . .=...,..-..,..,:-:::·~ ~ ~~);) /r,/ -"~ ,-_p.:vfP ·-~...._,.. ,?. ,, - .... 7 ( ~ -:J -~ __.-"/' ./ _,.,.,- I ~ ' r-rr:-,_; ~jl'c~-~.~- _.. , _) () i~..... -~L' n3 c 64. Oscar Niemeye r: ho tel da Pampulh<>, Belo H o rizonte. M(;, 1940 (o bra não rxccmada). isto é, o novo não copia o antigo buscando con- fundir o presente com o passado, de modo que a arquitetura antiga seja reconhecida e valoriza- da por ser a genuína, distinguindo-se das imita- ções. .Juscelino Kubitschek cha mou Oscar Nie- meycr em 1940 para desenvolver o proje to do Teatro Municipal de Belo Horizonte e um conjun- to de edifícios em um novo e afastado bairro da cidade, Pampulha. Quanto ao novo bairro, o pre- feito contrariava uma recome ndação que Alfred Agache - contratado por KubiLSchek para assesso- rá-lo- lhe havia feito. O urbanista francês havia sugerido criar uma cidade-saté lite naquele recan- lo a 10 krn da capital. Juscelino preferiu criar um bairro de elite, balizado por um lago artificial, p ontilhando suas margens com equipame ntos de lazer c turismo: um ca:;:;ino, um iate-clube, um restaurante/casa de baile, um hotel e um clube de golfe, além ele uma capela (!) [Segawa 1985a]. O conjunto construído da Pampulha materializou-se apenas com os três p rimeiros edifícios e a capela. Em Pampulha, Oscar Niemeyer - agora tra- balhando só - produziu uma arquite tura que se afastava d a sintaxe corbusie riana por urna ex- pressão mais pessoal, decert o amadurecida com a sua expe riência novaiorquina. A sede do iate-
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    65.0scar Nicmcrc r:croqui da casa para J uscelino Kubitschek na Pampu- lha, Gelo H orizonte, MG. 1940. 66.Le Corbusier e Pierrc Jcannerel: rasa Frrawri7, Chile, 1930 (obra não t'xt'c utada). clube (c uma casa desenhada para .Juscelino Kubistchck, nas proximidades) tinha como refe- rência a solução de cobertura da casa Errazuriz de I.e Corbusier e Pierre .Jean ne re l (l H19- 1967), de 1930 (planos inclinados vertendo para uma calha central); todavia, afastando-se dess::~ inspi- ração, o cassino é uma contrastante combinação de um volume prismático regular, de rigorosa modulação estrutural -explorando a liberdade de ordenação dos espaços internos proporciona- dos pelos pilotü -, associado ao curvil ín eo c translúcido corpo que abriga a pisLa de dauça. A Casa de Railc- pequeno t·estaurante com pista de dança- é um edifício situado numa pequena ilha artificial, de planta baseada em dois círculos sccantcs da qual se desprende uma marqui e si- nuosa, con1o a acompanhar as ondulantes mar- gens do lago. A pequena capela de São Francis- co de Assis é a obra mais instigante do conjunto. Modemidade Corrente • 99 67.0scar Niemeycr: axonornétrica da capela de São F•·an- cisco de Assis n a Parnpulha, 1l'lo Hori7ont ~. MC , El40.
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    100 • Arquiteturasno Hrasil Inovador?_ pelo inusiLado emprego de uma casca parabolóide para a nave, associada a abóbadas para o abrigo das demais dependências rel igio- sas, numa combinação de estruturas cuja resul- Laut.c formal afastava-se de qualquer formulação do racionalismo do pós-guerra. A capela, no t->11- la nto, não estava concluída quando da maciça divulgação que Pam pulha recebeu com a expo- sição Brazil Ruilds, corno veremos adiante. O bairro promovido por Juscelino Kubitschek, a princípio, cliluiu-se no conjunto de realizações que os arquitetos modernos brasileiros apresen- tavam como sinais de uma inédila vitalidade para um mundo em plena beligerância. Lucio Costa, em 195 1, vislumbrou Pampulha como um marco divisor, um "rumo diferente" que assegu- rou urna "nova era". A repercussão dessas obras d e Niemeyer serão revisitadas adiante. BRAZ!!. BUJLDS 1'.·1.1 rrew que este é um dos gPstos de hwnanirlrui.P- mais fecundos quPos t.•stados Unidos já jJraticamm em relacrio a nrí., n.~ hrrHilt'irns_ Porque ele virá, já vrio, regt'llf'rrt1' tt nnssa confianra nn nrís, P diminuir o des(tstroso mmfJh•xo dt• inferioridadr• de mesticos qui' nos prejudica trmlo. já escutt'Í muito brmiiPiro, não apenas a.umnbmdn, mas até mesmo eslo'/1/al{ado, di- ante desse livro que prova jJosstúnnos uma arqu.ilelu- m moderna tiio boa como os mais avanç1tdos jHtísP.s do mundo. Essa ronsciência dr nossa normalidade hummw srí mrsmo os estrangei-ros é que podem nos dar. Po-rque nÓ., pelo mesmo comjJlexo tfp injl'riorida- dr, ou reagimos rai11(/o num poT-qur-me-ttjanismo idi- ota, ou n-umjeca-laluísnw nmfonnista e apodrerl'nle. MARIO DE ANDRADE, comenrário sobre Braúl13uilds, 1943 [1980, p. 26] . O bem-sucedido pavilhão brasileiro na Fe i- ra Mundial parece ler sugerido ao Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York realizar um reconhecimento mais abrangente ela arquiteLUra brasile ira [Comas 1989] . Em 1943, o Mo_MAabria a exp osição Bmzil Bu.ilds, que circulou també m pelo Brasil. A mostra foi acom panhad a por um 68 c (j!:J_ Sobrecapa pouco conhecida do ca[áJogo Bmzil Builds, frcJt Le e verso, reite rando as questões antigo/ mo- derno c 1radiç:io/ rru,>deruidade , belo livro-catúlogo de duzentas páginas, resulta- do de uma viagem pelo país do arquiteto Philip L. Goodwin (1885-1958) (vice-presidente executivo do MoMA) c do fotógrafo G. E. Kidder Sm ith (1913-1997) , registrando a tradicional e a nova arquitetura do Rrasil. Não se pode desvincular esse extraordinário esforço dos norte-americanos dos interesses geopolíticos de então_ Goodwin, no prefácio d o catálogo, tratava o Brasil como "nosso futuro aliado". O Brazil Bu,ilds era uma das peças da "política de boa vizinhança" que o presidente Franklin Roosevelt (1882-194-5) desen- volvia na América Latina para angariar alianças estratégicas no conflito mundial que corroía a Europa. Até então, o presidente brasileiro Getú- lio Vargas exercia uma política de neutralidade: "namorava" nazistas e norte-americanos. Graças a essa ambigüidade, o Brasil conseguiu recu rsos norte-americanos para a implantação da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, Walt Disney dese-
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    nhou um personagembrasileiro, o Zé Carioca, c o MoMA organizou o Bmzil Builds. E os brasilei- ros exportaram para os Estados Un idos a atriz/ bailari na Carmen Mirancta (1909-1955) e BmziL Bu.ilds para o mundo [Segawa l983al. Bnnil Builds resgatava algumas imagens es- quecidas e muitas inéditas. Dividida em duas partes- "obras antigas", com fotogTafias da ar- quitetura colonial e do Império, e "obras moder- nas"-, Goodwin organizou uma publicação de arquitetura brasileira q ue os próprios brasileiros desconheciam , como testemunhava Mário de Andrade. A ordenaç;:-LO "antigo/moderno" revi- gorava a relação tradição/ rrwdernidade no d is- curso que se instaurava entre os arquitetos mo- dernos do Rio de Janeiro. Goodwin , como um observador externo, enfatizava certas conquistas de que a média dos arquitetos brasileiros não se apercebia. Tomando o exemplo do Ministério da Educação c Saúde (então em construção) , o nor- , Biblioteca Joaquim Cardozo 1 l CAC- UFPE I Modernidade Corrente • 101 te-americano reconhecia a influência de Le Corbusicr e comentava: Nele a sua influência reflete-se acentuadame nte, o mais importante porém é que aí se manifestam livres a imaginação do desenho e a condenação da velha trilha oficial. Enquanto o clássico dos ed ifícios Federais de W<lshington, o arqueológico da Academia Re<1l de Lon- dres e o clássico nazista de Munich dominam triunhm- tcs, o Brasil teve a cor<1gem ele quebrar a rotina e tomar um rumo novo tendo colllo resultado pode r o Rio or- gulh<lr-se dt> possuir os m<1is belos edifícios públ icos do continente ame ricano [Gooclwin 1943, p. 91 ]. Goodwin chamava a atenção das várias verLentes modernas que se praücavam no Brasil: a influência germânica na Escola Normal de Sal- vador Lver capítulo "Modernidade Pragmática I922-1943"] ou a linguagem "pesada" (no dizer ele Goodwin) e pretensiosamente moderna, de origem italiana, da Biblioteca Pública Municipal de São Paulo (hoje Biblioteca Municipal Mário de Andrade), projetada porJacques Pilon (1905- l9b~ ) e Francisco Mat.arazzo Neto (rn. ern l~HO); mas a ênfase recaiu sobre a p"rodução vinculada aos arquitetos do Rio de Janeiro, com destaque (pelo menos quatro páginas a cada um) para o Minist{:rio da Educação c Saúde (Lucio Costa c equipe), a sede da Associação Brasileira de Im- prensa (Marcelo e Milton Roberto) , a Estação de Hidroaviões (Atílio Correia Lima e equipe) , a casa CavalcanLi, o Grande Hotel de Ouro Preto, a Obra do Berço c o conjunto da Pampulha (Os- car Niemeyer). Em São Paulo, o "complexo de iníeriori- dade" citado por Mário ele Andrade se transmu- taria num exercício de auto-estima e imensu- rável auto-valorização, tendo como argumento o sucesso de JJrazíllJuíLds. Umjovem arquiteto, Léo Ribeiro de Moraes (1912-1978) , cobrava do poder público ("cabe ao Estado eslimuhu o de- senvolvimento da arquitetura") maior conside- ração para com os arquiletos de prática privada, em detrimento das repartições públicas presas a "rotinas" pouco criativas rMoracs 1944] . O Es- tado era definitivamente o maior mecenas des- sa arquitetura tão elogiada no exterior.
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    702 • Arquire/1uas 110 Rrasi! Pouco depois de inaugurada a exposição, o arquiteLo Henrique Mindlin (1911-1971), em via- gem pelos Estados Unidos, tomou conhecimento cte u ma nova expressão acerca da arqu itetura fei- ta no país: Brazilian School [Moraes 1944; Minctlin 1975]. /Jmzil Buil,ds, publicado em pleno conOiLo mundial, fo i o principal passaporte da arquiteLU- ra brasileira para o mundo pós-segunda guerra.
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    6 A AFIRMAÇÃO DEUMA ESCOLA 1943-1960 A jJrimeira escola, o que fJode-se chamaT legitimamente de "escola" de aTquitetum modeTna no Bmsil, f oi a do Rio de faneim, mrn I.w:io Costa à jTenle, rt ainda r!slá ini!fUalada até hoje. Um intelectual da importância de Mário de Andrade parece ter sido o primeiro brasilei- ro a caracterizar o grupo ele arquitetos em ativi- dade no Rio ele .Janeiro como uma "escola", no sentido ele uma concepção arquitetônica com adeptos seguidores. Brazilian School, Cariocan School, First National Style in Modern Arch itecture, Neob<tr- roco, foram alguns dos rótulos atribuídos pela história c crítica ela arquitetura pensada e escri- ta pelos estudiosos europeus e norte-americanos, para a arquitetura feita no Brasil mais ou menos entre a década ele 1930 até Brasília, naquilo que , no Brasil, se convenciona chamar ele aTquitetura morlenw bn1sileira - em distinção, talvez, à aTqui- M.ÁRIO DE A NDRADE, 1943 [ 1980, p. 26) tetum contemjJorânea, diferenciação que se faria n ecessária ante as qualificações ele pós-moderno ou até o late mode-rn que se veiculam internacio- nalmente. Mas as considerações que originaram tais rótulos, mais algumas apreciações amáveis (ou não) ele repercussão internacional, devem ne- cessariamente ser recebidas como produto de uma revisão da prática da arquitetura que se pro- cessou no segundo pós-guerra- e não somente na prática, mas também na revisão historiográfi- ca que se sucedeu na Europa e nos Estados Uni- dos, por uma crítica especializada que, obviamen- te, não deixou de sentir os efeitos corrosivos elo con niLo mundial.
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    701 • Arquiteturas110 Brasil A ARQUITETURA NO PÓS-GUERRA Para a crítica internacional (ou , ao menos, nos estudos publicados até o início dos anos de 1970), esse períod o do pós-guerra é re pleto ele novos nom es c qualificações: Goff ( 1904-1982), Sakakura (1904-1968), O'Go rman (1905-1982), Maekawa (1905-198{)) , J ohnson, Niemeyer, Eames (1907-1978) , Rogers (1909-1969), Bun sch aft (1909-1990), Saarinen (1910-1961) , Zerhf11ss (191 1-1996) , Slllubins (n. em 1912), Yamasaki (1912-1986), Tange (n. em 1913), Candillis (1913-1995), Bakcma (1914-1981), Johansen (n. e m 19 16), Utzon (n. em 1918), Van Eyck (n. em 1918) , Rudolph (1918-1998), Viganõ (1919-1996), Smithson (1928-1993), ao b elo dos veteranos c mestres Mies (1886-1969), Gropius, Le Corbusier e ' "'right [Kulterrnann 1969] . Não faltavam qualificaç;ôes simplificado- ras: o Bay Region Stylc norte-americano, o neo- e mpirismo escandinavo, o New Brutalism batiza- d o por Banham (1922-1988), o nco-realismo italiano, o Neolihcrty de Paulo Portoghesi (n. em 1931) ou a versão italianizada da arqui tetura wrightiana sintctizad::t por Bruno Zevi (n. em 1918) em sua an:hilettum organica, e aqueles a que nos referimos, lembrando a arquiteLUra brasileira. Júse disse q ue essa diversidade resultava como corolário adverso das concepções ideadas pela geração pioneira ou pelos vários movimen- tos presentes do início do século 20 até o fim dos a nos ele 1 9~0 , estabe lecendo o lnternational Style ou, melhor, uma diversificação contestado- ra ela suposta austeridade e impessoalidade des- sa arquitetura dita "funcioualista". Constituíram, portanto, regionalizações como con traponto à h omogeneidade pressuposta pelos p ioneiros, muitas vezes, conformando não mais que idiossin- crasias arquitetônicas em nome de concepções efetivas. Eram algumas manifestações CJUe, imbuí- das de "historicismo", semeavam o icleário pós-mo- derno acalentado na metade dos anos de I970. A NOVA GEOGRAFIA ARQUITETÔNICA No pós-guerra, a geo?;mfia da arqu itetu ra m oderna diversifi cava-se: não mais (ou não só) a França, Jtália, Alemanha ou llol<tnda, 111as tam- bém , a partir de então, os Estados Uniclos (bene- ficiados pela im igração dos "notáveis" europeus corno Gropius, Mies, Rreuer (1902-1981), Men- delsohn (1887-1953)), oJ apão, os países escandi- uavos, o México, a Venezucb-1, o Brasil. Geog-rafia que não pôde se clesvincnlar de alguma geopolí- tica: foi Winston Churchill (1874-1965) em 1946 qne alertou os uorte-american os p ara a su a nova posiç:ão perante o devastado panorama elo mun- do, causado de guerra. A crise nos gran des cen- tros capital i sta~ (França, Tngla le r ra, Bélgica, Holanda, Itália, Alemanha c .Japão) reforçava a posição dos Estados Unidos de centralizar e de- senvolver "as decisões e açôes in d ispensáveis à p reservação e expan são do sistema econômico funclaclo na livre empresa". A Doutrina T ruman indicou o~ caminhos norte-americanos ele inter- venção nos assuntos políticos internos de nações pe riféricas, estabc lccenclo o sentido da chamada Guerra Fri a. O presiclen te norte-americano IIarryTruman (1884-1972), em 1949, anunciava o pomo IV, "relativo à assistência e cooperação com as 'áreas subdest>nvolvidas', com o parte de u m program a em favor da 'paz c Hherdade"' Llanni 1971, p. 104] . A debilitada Europa Ocidental acabaria reco1-rendo aos Estados Uuiclos, que proporiam o Plauo Marshall para a recuperação dos p rejuí- zos do palco ela g uerra. A América Latina, e o Brasil em part icular, beneficiada por imenso sal- do em câmbios estrangeiros, preparou a dinami- zação de seu seto r industrial - não sem an tes se situar na esfera da influência política e econômi- ca norte-americana: "corrcspondeu à conciliação entre a decisão dos govcrnauLes d e impulsionar o d esenvolvimento econômico brasileiro, a escas- sez de recursos (capital e tecn ologia) n acionais e a nova fase de expansionismo econômico dos Estados U nidos" [lanni 197 1, p. 117].
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    O próprio (;IAMapercebe-se dessa realida- de quando recomenda trato especial no tocante <1 "atitude do arquiteto fren te aos países subde- ~enlolvdos", no dizer de Siegfried Gicdion , num prefácio da segunda edição de ; Decade ofConlun- pomTy An:hiti'Ctu:re, ao fazer um r(tpiclo balanço dos novos problemas cristali1.aclos nos anos 1947-1951. AUTOCONSCIÊNCIA DA MUDANÇA Essas relaçôes j á co ntribuíam para o redirecionamento da política externa brasileira. Colatcralmen te, a difusão da arquitetura moc!cr- na brasileira benefi ciou-se dessa ligação. No ca- pítulo anterior, comentei :;obre a origem c reper- cussão da exposição c catálogo Rraúl Builds, do ~1useurn of Modcrn An of New York, c essa ini- ciaftva àeve :>tr ·mseúà d. Y) <:on .e';(...0 (.<.:. 1..)'a se configuro u. N um d iscurso p ronunciado na Escola de Engenha ria Mackenzie em agosto de I ~.J4!), o arquiteto H enrique Mind lin prestava co11tas d a importância c da auto-suficiên cia dessa nova ar- quitetura emergente: O roteiro da nova arquiteLura n o Brasil j:1se acha traçado. Como nos ouLros países, ondt> o trabalho dos bon, arquitetos. evoluindo do estrito fullcionalismo de 'lHe ano~ alr{IS, se c:wacteriza hojt> por 11111 regionalismo -....<dio, assim também entre nós o.~ arquitetos emancipa- dos estiio criando uma nova visáo, uma uol'a li nguagem o~.rqu i telural. Não se trat:·l ele estreito nacionalismo, c sim •~e uma adaptação prorunda à terra e ao meio. Dentro óa mais completa identificação com o espírito da época, ,obre a base larga d e liberdade espiritual. C]ue é uma u·a- ;'to da nossa cultura, ao sopro ele um lirismo que é o re1lexo ela alma coletiva, os n ovos arquiLetos elo Brasil C"'..J.o criando a arqu itetura elo sol. Do sol, porque foi uo ~n1do do fato pri mário da luz no controle da insolação, uc: 'e assen t(lram as primeiras realízaçôcs concretas da o s-a arquíLcLura. Foi assim que nasceram a rBl, o Mi- ·.-·t:rio ela Educação, a Estação de Hidros e tantas outras cbf'.._, que a crítica internacional consagrou como a PSCO- zsileira. Foi ela con~osa aplicação de um ponto de " t;.,. intransigen temente orgàn ico aos nossos proble mas kx.-'i~. que surgiram esses edifícios che ios d e luz c ar a.puntados em Lodos os países como exemplo aos arqui- A Afirmaçào de 111110 F.scola • 105 tetos d e hoje. Esse prestígio de que se dourou a cultura brasileira, pelo consenso internacional de que tais obras consliLuc m atualmen te a mais importan te co ntribuiçüo do Brasil ao p<~ trilll ôni o da cultura uni versal, esse reco- n hecimento I!;Cral de <tue a nossa nova arqu itetu ra in te- ressa ao mundo ínLciro, clcvc·m servir, ao me nos, para apon tar o camin ho a q ttcm (]ueíra estudar ar(] uit<' tltra lMindliu 1975, p. 172]. ATENÇÕES CULTURAIS SOBRE O BRASIL Antes de entrar no mérito das apreciaçôes interuacionais sohre a arquilc tura brasileira, va- leria a pena ampliar um pouco mais o guadm da internacionalização da arte no Brasil, ocorrência sim ultânea ü o msoliclação da n ova arquitetura. No panorama m undial d o período da guerra, dois nomes brasileiros d estacavam-se no cenário das artes: o p in tor Cândido Porünar·I e o músico Heitor Villa-Lobos ( 1887-1959). Poni- nari colaborou com os arqu itetos brasileiros nos painéis do edifício elo Ministério da Educação e Saúde (1945) c no edifício-sede da ONU e m No- va York (1957), n otabilizando-se pe la pin tura de cunho social, na trilha do muralismo mexicano. A p L~j ança econômica no imedia to pós- guerra concorreu com um ambien te prop ício para um maior in tercâmbio com as artes plásticas internacion ais: a criação do Mu seu de Arte de São Paulo (MASP) em ]947, sob o patrocínio do em- presário de comunicações, Assis Ch ateaubriand (1892-1968) , ens~j ou a vind a do casal Lina Bo (1914-1992) e Pietro Maria Bardi (n. em 1900) para a organização do novo espaço cultural, assim como a aquisição de impo rtantes obras de signi- ficativos pintores europeus de várias épocas, cons- tituindo o mais importante acervo do gênero na América do Sul. Para a formação dessa cultura cosmopolita, contribuíram também a criação do .:vfuseu rle Arte Moderna rlo Rio de J an eiro (MAM/ HJ) e o Museu de Arte Mode rna de São Paulo (MAM/ SP- este, núcleo gerador das bienais de a rtes plásticas) -ambos em 1948. Nesse a no,_ o a rquiteto Hen rique Mindlin organizava, no
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    106 • Arquitelurttsno Brasil ...~ ....... 70.1ffonso Eduanlo Rcidy: proposta de muS("ll com planta triangular na avenida l';llllista, São Paulo, inicio da década ele 1950. salão do pioneiro ed ifício do Ministério da Edu- cação e Saúde, uma exposição do emergente Alexander Calder (1898-1976) , assim como dois anos depois, a exposição do suíço Max Bill (1908- 1996) no MASP influenciaria Locia uma geração de jovens artistas concrelistas brasileiros. O evento culminante dessa rápida fermentação foi a Bienal Inrernacional de Artf'S Plásticas de São Paulo, rea- lizada pela primeira vez em 1951 , gesto eloqüen- te e mecênico do industrial Francisco .Matarazzo Sobrinh o (1898-1977) -típico capitão-de-i ndús- tria produzido pelo esforço da imigração italiana em busca de fortun a em novas terras, acolhido pelo febril arnbiente de São Paulo. A segu nda edição da llien al, inaugurada em fins de 1953, concorreu tam bém com os pre- para tivos dos festejos do quarto centenário da fu ndação ela cidade de São Paulo (no ano seguin- te) constituindo o cenário adequado para pr~je­ tar, em definitivo, o evento entre os grandes acon- tecimentos in ternacionais no mu ndo elas artes plásticas e arquitetura. Durante as primeiras Bie- nais, para o Brasil acorreram críticos, historiado- res de arte e arquiteros internacionais, amplian- do o circuito de d ivulgação da atividade artística e arquite tônica e m curso no país. Giedion, Gro- pius, Pani (1911-1993), Sakakura, Aalto, Sert (1902-1983), Rog-e rs, Breu er, entre outros, por aqui passaram como membros do júri das Bienais ou participantes em even tos. Ao que se saiba, a primeii-a premiação internacional concedida a Le Corbusier foi numa Bienal de São Paulo. O crítico b rasileiro Mário Pedrosa (1900- 1981) observou que a Bienal [...] cedo extr avasou de nossas fronteiras, e atraindo a ate nção dos meios artísticos dos países vizinhos, p ermi- tiu q ue se intensificasse o intercâmbio cultural entre o Brasil e as n:~ çõcs latino-americanas. E sol.HT esses p::tí- ses, mesmo os ma is remotos e isolados, exerceu ames- ma influência que sobre os centros regionais elo Brasil. Na época d as bienais, São Paulo tornava-se, com deito, um centro vivo de contalO c inte•·câmbio de impressões e idéias cnrre críticos e artistas do mundo, mas sobre- tudo da América Latina [Pedrosa 1973, pp. 9-lüj. Esse contexto é parcialmente explicador da repercussão do Brasil no ambiente das artes plásticas em geral e, em particular, da arquitetu- ra no panorama mundial. Oscar Nicmeyer era lançado como o grande arquiteto, ombro a om- bro com os "notáveis" dos países desenvolvidos. Lucio Costa, Affonso Eduardo Rcidy, irmãos Roberto , Rino Levi, Roberto Burle Marx, Sérgio Bcrnardes (n. em 1919), Oswaldo Bratke, Jorge Moreira, Grcgori Warchavchik e outros tornam-
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    - - -- -- - - - ---------------------------------------------~ A AjlnnaçZlo de u ma A'scnlci • 10 7 71. Sérgio Bnnardes: projelo de residência, final dos anos de 1940. se nomes familiares nos p eriódicos e livros es- trangeiros especializados em arte e arquitetura e até em tecnologia. O PONTO DE VISTA INTERNACIONAL l::nt.re 1943 c 1973, o levantamento biblio- grát1co de Alberto Xavier ls.d.J registrou B7 re- ferências em periódicos .especializados fora elo Brasil, tratando da arquitetura brasileira em ge- ral, e 170, a resp eito de Brasília. Desses, d estaca- ·w n-se os números especiais dedicados ao Brasil da L'Architecture rl'aujourd'h1ú (1947, 1952, 1960, ~964) , ArchitecturalForum (1947), Progressive Archi- .«ture (1947) , Ar-chitecturalReview (1954), Arquitec- .,ra illéxico (1 95tl), Nuestra Arquitectura (1960) e Zodiac (1960) . Revistas como Architect-ural R.eview, T~rhniqw:s et arr:hiter:ture, A n:hiter:tural Recorri, _i.rchitectural Design, RJBA .Journal, Arhitektm; _vchitecture/fonnes/fonctions, Domus, Werk, The .1.rchitects '.Joumal, Ehistiks, Casabella, Landscape _·vchitecluTe, Cmnache di Architettura, AIA.Jou.rnal, en rre ourras, publicavam ar·tigos com freqüência sobre temas brasileiros. Autores como Giulio Carlo i.rgan, vValter Gropiu s, Max llill, Gillo Dorf1es, Siegfried Giedion, Nikolaus Pevsner, Gio Ponti (lHY l -l Y79) , .Michel Kagon , Alberto Sartoris, Ada Louise Huxtable, Richard Neutra, Bernarcl Rudotsky (l905-1988), Bruno Zevi, Fran- çoise Choay, Sybyl Moh oly-Nagy, Pier Luigi Nervi - lembrando alguns, elogiavam ou criticavam a ar- quitetura brasileira em artigos publicados em pe- riódicos. Três artigos de ArthurJ. Roasc, publica- dos em },'ngineering News R ecm"d em 1944-1945, chamavam a ate nção para a peculiaridade do cál- culo estrutural em concreto no Brasil, em especial no edifício do Ministério da Educação e Saúck. Após o Brazil Build~} de 1943 - que pode ser considerado o pioneiro livro internacional sobre arquitetura moderna brasileira - , a primei- ra monografia com tema brasileiro foi The Worl~ of OscaT Niemeyer, ele Stamo Papadaki, em 1950; seis anos depois, o mesmo autor publicou Uscar Niemeyer: vVorhs in Progress- ambos editados pela Rcinhold d e Nova York. Nicmcycr teve vários li- vros dedicados à sua obra, em diferen tes línguas. O livro de Henrique Mindlin, Nlodern Architecture in Brazil, de 1956 (edições no Rio de Jan eiro/ Amsterdã e Nova York) , tornou-se a mais difun- dida obra sobre o conjunto da produção brasilei- ra depois de BmziL Builds. Mora Niemeyer, so-
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    ·~ 108 • Arquileluras no JJrasil men te Arro nso Eduar do Rcidy m ereceu uma monografia estrangeira nesse pe ríodo: o Affonso Fdurmlo Rt!idy: Works and Proier:Ls, de Klaus Franck, editado ern inglês c alemão e m 1960. A OPINIÃO ESTRANGEIRA Qual é a umfr·iúuiriio da arquiletum úmsileira 110 movimento contnnpurrineu? Na minhn ojJin.iào, são li"Í;~ t•lmumtos: emjn-inll•iro lugm; a gen.erosirludr do desr•nho r ria ronstruçâo; em segundo lugar, lntzer solurtit's simjJles para jnohlnnas t:omplexos, Si'lll ex- rlui1· a nPrr•uária <nganizarão, mos st•m estar rlomi- nadajJor l'ia; t' rlaertu a rontriúuirrio mais import(UJ- te pam 11 arqu.itetn ra runtemfJorânPa: o senso que jumnite animar as grandes mfH'rficifs por eslrulumç vivas P multifonne.~. S!EC FRIED G ! F l)ION, 19!)2 [l.'Arrhi/('(ture d'nujourd'lwi 19G2] Num primeiro esforço rle ;.~ prox im ação polítiGI via intercâmbio cultural no :;cgundo pós- guer ra, na !in ha do Bmzil Bu.ilds, o Mu seum of Modern Art de Nova York promoveu , em 1955, a exposição c o catálogo Latin Arnerican Anhitec- t-ure sinre 1945, com a participação do mais pres- tigioso crítico e historiado r norte-american o do momento, Henry-Rnssell Ilitch cock - o idealiza- dor, ao lado de Philip .Johnson (n . e m 1906), do manifesto lnternational Style, de 1932. Em seu texto, Hitchcock. tecia elogios à arquitetura lati- no-americana com fo rte d ose de paternalismo . Na geografia da <'~rqui telllra do pós-segunda g uerra - a qual implicava tarnh ém necessaria- men te dimensões geopolíticas-, os países peri- féricos (mesmo semi-incólumes das fagulhas da gue rra) foram postados na linha auxiliar dos ri- cos - observação facilmente comprovávcl na lei- tura dos sumários e ínrlices das publicações eu- ropéias c norte-americanas editadas até os an os de 1970. Compêndios de história da arquite tura mode r na m u ndial são p rodu tos editoriais dos pa íses desenvolvidos. Alguns deles d edicam capítulos ou comen- t{trios sobre a arquiLCLura brasileira. De man eira geral, os panoramas mais bem rcalizarlos, como us ele Leonardo Benevolo 11974] e Ken neth Framp- ton [1981], seguem uma in lerpn:tação desenvol- vida por Mário Pcd rosa, publicada em 1953 na L 'Arclzitectw·e rl'aujottrd 'hui. Gillo Do rfles, em seu L'Anhitettum Morlf!l'na [1957, pp. 110-l HJ, escre- ve um capítulo in titu lad o "A Nova Arq uiletura Brasileira e o Neobarroco". Em 1954, Gropius afirmava qne os brasilei- ros "desenvolveram uma atitude .:u-quitctôn ica moderna própria" e dizia: "eu não acredito q ue se ja apenas urna moda passageira, mas um movi- mento co m vigor" [Anhitectuml Revir1w 19EJ4]. As qualificações e aproximações são as mais diversificadas. DorDcs, num artigo para Dmnus em setem bro de 1959, faz um jogo d e p alavras reu- nindo dois tem as do mom ento: "Neobarroco ma non ncoliber ty". Thom as Creighton , num a Pro- gressive Architn'lttTe tam bém de setembro de 1959, publicou um anigo sobre a a rquitetura brasileira com o t.ítulo 'Thc New Scnsmtlism".Já Rcync r Ba- nham, mais tarrli:1mentc, classificou r1 arquite tura brasileira como derivada dos postulados corhusi- erianos, m as chamando-a de "ti rst natio nal style in modern architeclUre" [Banha m 1977, p. ~9] . Em bora prevalecesse certa perplexid ade positiva pela arquiterura que se prorluzia n o Bra- sil, nem todas críticas eram favoráveis. Max Bill, Brun o 7.evi e N ikolaus Pevsner estavam e ntre aqueles que disparam ácidas considerações sobre a "escola brasileira". Coube ao designer suíço Max Bill as pri- me iras contunden tes críticas não assimiladas pelos arqu ite tos brasileiros. Lau reado corn o Prê mio Internacional de Escultura da I Bienal d e São Paulo em 1951, conferencista em su a vi- agem ao Brasil no ano seguin te e, nessa época, no meado reitor da H oc/w;hule für Gestaltung d e. Ulm, Bill escreveu uma contundente crítica n a Arrhitectuml Review rle outubro de 1954, referi n- d o-se com ênfase aos pilares desenhados por Oscar Niemcyer em edifícios do conjunto d o Parque Ibirapucra em São Paulo (onde se pro- moveu a li Bienal):
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    110 • Arquile/uras110 Brasil urna tradição de cultura ainda em formação - o que nos Pxpi'><' naturalmente mais à crítica daqueles que sejulgam repres(•nr;mws c!P uma civilização su perior. 1as, tamh.:m, somos simples e confiantes em nossa obra. O suficien te , pelo tnenos, para apt·eciar essa cd tica, ainda quando par- la de homens q ue não possncm, profission<-tlmC'nte, as crC'- dcnciais necessárias. É claro flUe <1 autoridade ele Cmpius é diferente, embora cumpra ressalvar a pouca afinidade q ue temos com sua técnint e fria sensibilidade. Consideramos a Anptilettll'a obra de ane e que, como tal, sô subsiste quando se ren~la espontânea e criadora. Trabalhamos co m o concreto armado, material dócil c generoso a todils as nossas t:tn tasias. Tirar dele beleza c poesia. especular sobre suas imensas possibi lidades é o tlue uos seduz c apaixona. profissionalnteult'. E por estas r01zües é q ue Lall LO nos identificamos cotn a obra de Le Corbusirr. Obra dr amor e harmonia, onde as caracterís- ticas (,k criação c beleza são as constan tes fundamentais. E f'oijustamcnte de ntro desse espírito de liherta(<io e niação at·tística que a nossa Arquilctura conseguiu em qninrt' anos ( I ~::$8-1 953) o pres1ígio mundial d(• q ue ine- gavehncnte hoje desfruta ["Criticada..." 19i'i5 , p. 171. O corpo .editorial da Módulo foi menos su- til: procurou rebaixar a autoridade de Ernesto Nathan Rogcrs c Max Bill (que escreveram na tevista inglesa) afirmando desconhecer a obra de- les, "a não.ser pequenos e inexpressivos projeLOs", desdenhando ironicamente. Na edição seguinte, a revista apelava para a rctaliaç:'ío: reproduzindo imagens de um pobre cor~jun to habiracional em Milão projetado por Rogcrs (então ed itor rlil Casabella-Continuità e respuusávcl pela transfor- mação da revista numa das mais conceituadas pu- blicações européias entre 19fí3 c 1964) , a Módulo prete ndeu atacar a competê ncia opinativa do ar- quiteto mostrando uma obra menor, no lugar de rebater as opiniões divergentes com argumentos. Isto é, procurou desquali.G.car o crítico, não a crí- tica. 1nfelizmcntc, o esnobismo e as reações in- tempestivas c retaliativas tornaram-se a norma de resposta às críticas formuladas contra a arquitetu- ra brasileira. Contrariamente à elegância contun- dente de Lucio Costa, os arquitetos brasileiros, de maneira geral, preferiram o caminho mais fácil e menos inteligente ele não assimilar e raciocinar sobre as opiniões contrárias, virtualmente criando uma barreira contra críticas de qualquer nature- %a- formuJaclas no exterior ou aqui, mesmo sen- do pertine ntes. Esse comportamento inibiu algu- mas gerações de arquitetos brasileiros e sufocou uma discussão construtiva - em parte, responsá- vel pela atitude refratária a qualquer forma de crí- tica à arquitetura brasileira desde e ntão até hoje. Pampulha, de Oscar Nicrneyer, tornou-se, no pensamento de )Jikolaus Pevsner, uma obra de caráter subversivo. Na virada da década de 1950 para 1960, u mil polêmica tornou conta dos debates arquitetônicos na Europa, envolvendo Bruno Zevi, Reyn er Banham c Pcvsne r, d e um lado, na d efesa de uma postura funcionalista c t.ecnologista da arquitetura moderna, contra ma- nifestações de "histuricismo", corno a colocada pelo grupo italiano Neoliberty, capitaneado por Ernesto Rogers. Não cabe retomar essa discus- são, registrada por Manrredo Tafuri no primeiro capítulo ctc 'f f.orif! e Storia rfplf'Architettura e por CharlesJencks no início da terceira parte de T'he Lm1Kuage ofPost-mor!Pm Anhitecluu:. Pcvsner, n um célebre discurso no Royal Institute or British Architects em 1961, publicado no Joumal da e n- tidade, Modem Archileclurr' anrl the Histmian, or the Retum oj' .llisto-rir.i.wn, atribui a Nierneyer u ma grande responsabilidade: Mas a questão fu ndamental para explicar o retorno d o ltistol'icismo con tinua a ser o fato de q ue, mais ou menos a panir de 1938, ocorreu uma mudança na ar- qui u~ rnra . A princípio ela pareceu baslan l.e inócua: o NPo-Accomodating da h abita~·ão esca ndi nava e o Beton- Rororo na obra de Oud e o utros, pouco an tes da guer- ra. Mas repentinamen te ela ga11hou enorme vigor, com o jovem Oscar Niemeycr no Brasil, em 1942-43. Seus ed ifícios são os primeiros que, de mo do enfático, não milis pertencem ao chamad o /n(ernatimwl Style, c são o bras qu e têm força, têm porlrr, que ostentam uma grande carga de o riginalidade, mas são, enfaticamente, anti-racion;lis [Pevsner 1961] . Nessa oportunidade, Pevsner qualificou a produçào de arquitetos como H ans Scharoun (1893-1972), j 0rn Utzon, Felix Candela (1910- 1997) e Oscar Niemeyer como de um anti-máona- lismo pós-mnrlrrno, num dos primeiros empregos do te rmo "pós-moderno" na crítica de arquitetura. Menos controvertida foi a aceitação do trabalho paisagístico de Roberto Burle Mar x.
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    Siegfried Giedion foium exaltado admirador do paisagista brasileir o. T raçando uma rápida evolução da arte dos jardins- com o paisagismo inglês, citando Frederick Law Olmstead (1822- 1903), Adolphe Alphand (1817-18~1) - o críti- co suíço se questionava e respondia: Como imaginais o jardim íntimo de nosso tempo? Como utilizar a cor? Que formas dar aos canteiros de flores e gramados? As respostas serão imprecisas c, se perguntarmos o nome de h orticultores qu e tenham encontrado uma exprcssiio que seja verdadeiramente aquela elo jardim ele nossa época, estaremos diante da incerteza. Sem risco poderei indicar um: é Roberto Ru de .Marx elo Rio de J aneiro. Ele é pintor abstrato. F: um artista sensível que com preend e a linguagem das plantas. Em seu país exótico, e le pesquisou as plantas nativas nas !lorestas virgens amazônicas. Mas ele encon- trou, também, a maneira de usar as plantas mais sim- ples, aquelas que crescem em todo lugar. As flores são plan r:1das em massas c co1-cs unifo,·mes. Esses tufos de cores fortes, com formas livres, são como que extraídos de uma tela e pousados sobre o relvado. Esta afinidade com a ane contem porânea é o segrecto elos jardins rk· Burle Marx rG1edion 19521. A Ajlrmação de uma E'icola • 111 Esse discurso de Giedion parece ter orien- tado a maioria das apreciações posteriores sobre Burle Marx, que alcançou o reconhecimento mundial como um dos principais paisagistas do século 20. A produção latino-americana, e a brasilei- ra em particular, que alcançou significativa reper- cussão mundial no período, sempre foi analisada como extensão do lnternational Style formado a partir dos anos de 1920 na Europa, o que, confor- me a abordagem, pode constituir grave equívoco conceituaL Não existiu um lntcrnational Style pro- priamente dito no Brasil, antes do advento do gru- po do Rio de Janeiro no cenário da arquitetura local, à exceção, talvez, do esforço isolado de um Gregori Warchavchik no final dos anos de 1n0. Algumas análises da crítica internacional pressu- põem que a moderna arquitetura brasileira evo- luiu na mesma linearidade histórica configur<tda nos países europeus, analogamenle ao raciocínio que vislumbra o barroco/ rococó latino-america- no como mera extensão do fenômeno estilístico 7'l. Rohf'rio Rurlc Marx· flora do granito do Parque Zoobotãnico de Brasília, 1961.
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    112 • 11rqullelumsnu Bmsil europeu. Entretanto, as comemorações do quin- to centenário da chegada de Colmnl>o à Améri- ca, se enfatizaram, desde 1992, a revisão a respei- to do alcance da influência do Novo Mundo no pensamento do velho continente. A arquite tura moderna brasileira, mesmo informada de um conteúdo internacionalista, correspo nde a um esforço de transfiguração de concepções, adquirindo cores próprias sem se apoiar numa tradição local imediata (eclética nas trb primeiras d écadas do século 20) mas buscando no passado referências de ideutidade - um desafio pr-óprio ciaqueles que buscam a cri- ação c a originalidade inerentes à con tempora- nc irlade, mesmo enfrenta ndo c carregando as marcas das incoerências políticas e sociais bem como o peso das divergências ideológicCis de um país à margem. QUADRO DE CONFLITOS IDEOLÓGICOS Con tradiçôcs idcolúgicas parece Ler sido o aspecto comum a vários países latino-america- nos. Um fato marcante na implantação do movi- mento moderno no suhcontinente latino foi o evidente patrocínio governamental: o grupo bra- sileiro liderado por Lucio Costa Leve impulso inicia l do presidente Getúlio Vargas - um dita- do r que tendia para o fascismo - , e seus desdo- bramentos posteriores tiveram forte impulso ofi- cial para efetivar suas criações arquitetônicas; no Mé-xico, Juan O'Gorman, Juan l.egorreta, Álva- ro Aburto, J osé Villagrán Carcía (1901-1 982); e na Vcnezuela, Carlos Raúl Villanueva (1900- 1972) realizaram su as obras com pleno apoio oficial de governos populistas. O patrocínio es- tatal como pano de fundo para a introdução do modernismo na América Latin a não passou d es- percebido a Henry-Russell H itchcock [1955]. A arquitetura c a arte moderna brasileira desenvolveram-se no imediato segundo pós-guer- ra- ambie nte da chamada Guerra Fria. O mais eminente dos arquitetos brasileiros, Oscar Nie- meyer, sofreu severas restrições no período por sua postura abertamente comunista: teve seu vis- to de entrada recusado pelo Departamento do Estado norte-americano em l 946 para uma con- ferência em Vale, assim como foi impedido de se tornar professor na Universidade de São Paulo em 1951. Contudo conservou considerável clien- tela oficial no Brasil, Lendo participado da equi- pe original que desenvolve u os estudos para a sede das Nações Unidas em Nova York em 1947, como também projetou uma unidade de habita- ção em Fe rlim em 1955. É certo que o credo co- munista do mais importante arquile to brasileiro influenciou o pensamento das novas gerações. Cândido Poninari, o mais prestigiado pintor bra- sileiro nessa época, elegera-se senador da Repú- blica em ]946 pelo Partido Comunista Brasileiro. A intelectualidade, por assim dizer, "pro- gressista" cntr incheirava-se nas esquerdas. A con- tradição aparente enrre a vanguarda artística do momento c seu "idílio" com governos antagôni- cos ao pensamento socialista, aliada à tutela nor- te-americana, couheceu episódios que bem acen- tuam a delicada teia de relações políticas elo momento. Um dos mais combativos críticos de arte e arcp1itetura brasileira, Mário Pedrosa, trotkista, defendia abertamente a Bienal de São Paulo e nquanto alternativa para ampliação do repertório artístico, rompendo o "círculo fecha- do em que se desenrolavam as atividades artísti- cas no Brasil", embora reconhe:ccsse o conteúdo especulativo-capitalista por trás do evento [Pc- drosa 1 97~]. O próprio Pcdrosa foi o p rimeiro a alertar, no plano internacional, e m artigo para L 'Architectu·re d 'aujou·rd'huí em 1952, sobre as re- lações entre a ditadura e o patrocínio da arqui- tetw·a moderna no Brasil. Na corrente principal da esquerda brasi- leira, situada e n Lre os membros do Partido Co- munista Brasileiro - então estalinista,- urna de suas alas fazia a crítica ao movimento moderno centrando-se na questão do suposLo distancia- mento entre a linguagem estética do moderno c o repertório formal de domínio popular, ou da "arte do povo revolucionário". O arquiteto De- métrio Ribeiro (n. em 1916) - importante lide-
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    rança intelectual emPorto Alegre- defendia no início dos anos de 1950 uma arquite tura que pu- desse ser "compreendida pelas massas", porquan- to a nova arquitewra diferia "da arquitetura do nosso passado e de lodos os edifícios que o povo conhece". Para Ribeiro, a arquitetura moden1a continuava "isolada do povo c reservada aos lati- fundiários burgueses", "para agradar à burgue- sia" [Amaral 1984, p. 2791, insinuando, sem mui1a clareza, uma arquitetura rormalmente re- ferenciada em padrões convcnciouais. F.m 1956, Ribeiro, Nelson Souza (n. em 1925) e Enilda Ribeiro (n. em 1923) publicavam sua proposta de moção ao IV Congresso dos Arquitetos, na qual concluíam: 1) A arquitetura brasileira está ameaçada de dege- nerescência devido ao seu isolan1e11to do povo. 2) A ún ica possibilidade de d csenvoh·ilnento da a r- quitetu ra brasi leira 1·csidc em sua dcnwnatização, na base ela satisfação das necessidades materiais c cspiritn- ais d o povo. ~) Os con h ~c:imen tos teóricos dos a1·qnitcros sobre os problemas sociais, h istóricos 1:' e.~téticos desempe- nham um papel decisivo na evolu(ão ela arquitetura. O d ebate desses p1·oblemas n o IAB (l nstilnto de Arquite- tos do Brasil), nas organ izações estudantis, c nas esco- las é uma uecessidacle urgente da ;.~ rqni t c-tnnt brasilei- ra [XaYie1· 1987, p. 154]. Outra importante liderança emergente nos anos de 1950,João Batista Vi lanova Artigas (1915-1985)- que se tornaria a mais importan- te figura de São Paulo nos anos de 1960 - , con- testava posturas "revivalistas" n<-~ forma arq uiletô- nica (ou a busca de imagens estereotipadas da cultura popular) , sem, contudo, deixar de l ado ataques ü arquitetura modernr~ como uma forma de dominação do capitalismo. Em dois artigos puhlicarlos e m 1951 e 1952, respectivamente, "Le Corbusier e o Imperialismo" e "Os Caminhos da Arqttiletura Moderna", Artigas sentenciava: ''A arquitetura morlerna, tal como a conhecemos, é nma arma de opressão, arma da classe dominan- te; uma arma de opressores contra oprimidos" rArtigas 1981, p. 63]. Em outro lugar: Hoje f1952] a arquitetura moderna bt·asile il·a pmgri- de no 'eu tido de servir ele can at. ele propaganda para 11 l l}irmaçéio de 11 ma Escola • J 73 tudo quanto f- malandragem comercialcsca do tipo ven- das em condomínio c hotéis e m praias dt>st'rt.as, ao mes- 1110 tempo que con corre, para reforçar a penetração do impct·ialismo, dando-lhe cobcnun1 para entra1· despcl·cc- bido pelas ponas d os movimen tos culturais do ti po Bic-nal de São Paulo o u União Cultural Brasil-Estad os Unidos [Anigas 19RI , p. 77] . Posições essas que transcendiam as formas de crítica arquitetônica conentes do momento, <:ntrclaulo, carregadas ela linguagem temperada da Guerra Fria c ele lllTla ortodoxia ideológica decorrente do m eio político da época. Artigas, posteriormente, abrandaria seu discurso virulen- to, caminhando m esmo por uma linguagem cor- busieriana em sua obra, uma década depois. Uma crítica coutundcnte contra a arquite- tura moderna brasileira encontrava um ponto co- mum: a sua pouca expressão em obras de cunho social - à exrcção elo isolado projeto habitacio- nal de Pedregulho , rlt' Al"fonso Eduardo Reidy. Essa crítica, n;corrente nas esquerdas, atazanada por Max Rill, tinha vazão também c>m interlocu- tores ao centro, como em Henrique Mindlin, tão cedo como, em 1945, uo discurso enaltecedor do reconhecimento internacional da arquitetura brasileira reproduzido rarágrafos atrás. Dizia de: F.n trerantn, falta-nos ainda muita coisa. falta-nos a visão concreta, re<~ l izad a ua p1·<'í ti c<~, rios grandc-s pro- blemas sociais ela colet ividarle. Faltam-nos habitações populares, falta ut-uos escolas, hospitais, loc<1 is clec~ ntcs de trabalho. Faltam-nos, ~ohrctu do , um urba n ismo de sen tido soei<~ L um urbanismo voltado para as ncccssida- dC's do pm·o, da massa trabalhadora e mio paJ a as con- veniê ncias de al g uu~ 111 ilhares d e a u tomóveis. Sup1 i1· essas faltas, equipar o Brasil de amanhi"t, st-"rú tllll traba- lho giga ntesco, uma tarefa para a qual todos os a rq ui- te tos do país serão po ucos. Po1· isso poderá ser também , se soube rem si:' int C'grar no espírito elo nosso tempo. CO IIIO ho1nens e como cidadüos, ;1 t:~rcfa principal rlos moços que têm a sorte e o privilé-gio de estudar arf]ni- tcrura [Mindlin 1975. p. 172]. A necessidade de uma autocrítica também se fazia presente en trc os protagonistas elo mo- vimento. Lucio Costa, em sua resposta a Max Bill (em 1953), já afirmava que "a arqniremra brasi- leira [...] anda muito necessitarla de d ucha fria d e quando em quando" LCosta 1962, p. 159].
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    111 • Arctu íteturus no I::Jmsil Luiz Saia (1 911 -1975), arquiteto de São Paulo ligado a Mário ue Andrade, e m 1954, ao mesmo rcmpo que reconhecia um perfil d efinitivo da arquitetura brasileira, alertava quan to à diluição c banalização d os princípios dessa arquitetura: Es,~· assu nto da existência ou não de lllll<t <~rquit<'tll­ rn con tcrnporâne<l brasileira, do ponto de vista fo rmal, não f: mai s passível tle d iscussões. Existe, c e~r~ ilcabaclo. As cla>ses dominantes já aceit aram " possibilidade esté- ric<l. além do neoclássico c do colonial. O govem o já re- con heceu a necessidade de instalar escolas especializa- da> de <Hfjuitl'tura.l ... 1 Ja verdade. a cxeges<~ rl;1 arquirernra b ra~il cira leva- ria, como é natui·al, à proposição sincera C' honesta d os seus problemas anta is, cujo traw polêmico fo rçaria uma revisão incômoda elas "verdades" q ue atu<J lment<· s<' impingcm aos incaut os, mas q ue não resistem à menor crítica, c que já provoril r<~m , ela pnrte de especialistas estrangei ros, sérias reslriçi'ie~. as quais. embora visivel- mente "interessadas" c ca•,.egadas d e S<'gllnuas in lcn- ções, não deixa m de tC'r p•·ocedência, yuando encaradas de tun ponto rle vista rrilerioso. Com efeito, as cartas elo ;'ltual barallt<lo são poucits e fáceis, cticientes e rendosas: meia dúzia de solurõcs for- mais e algumas palavras de poder mágico: b1ise-solr.il, "co- lunas em V", pilolis, "amebas", "pan os con tínuos ele vi- dro", "moderno", "funcional" e i C'. O prestígio dessas furlllas c dessas p<llitvras e o seu abuso sonegam a consi- deração j usta dos problemas que realmente são propos- tos prlo !ralo ruais conscntãneo d a nossa arq uitetura. Mesmo n o estudo de um projeto parricul ar, h a bita~:ão, rdifícío p úblico, fábric:~ ou o que quer que s<ja, a efi ci- ência pmfissional fica mu itas ve<:es prejlldicada pela in- ten~·ão modernista e acadêm ica, em detrimento rla cxce- lê:ncia do Lrab;llho [Xavier· 1987, pp. 199-200J. O bviamen te, o debate ideológico do mo- men to n:'ío se circunscreveu aos poucos exemplos mencio nados, mas as con tingências políticas e econômicas condll7.iam a uma aliança implícita cte grupos políticos conflitantes, numa co-existência de antagonismos sob as estratégias de desenvolvi- mento nacional. O nacionalismo era o signo con- dutor do desenvolvimentismo dos anos de 1950, temperado, todavia, pe lo reform ismo populista [Mota 19771 . O presidente Juscelino Kubitschek estabeleceu, em 1956, o Plano de Yletas, on a pla- nificação da política econômica voltada para a di- namização do setor industrial, sin tonizada com o sistema capitalista mundial orquestrado pelos Esrados Unidos. Brasília está no bojo desse proje- to d esenvolvimcntista e constituiu o marco final d essa vanguarda arquitetônica alime nlada por uma política de "conciliações" ideológicas. O marco cronológico final dessa etapa está em 1964, com a implantação ela clit<tdura mili tar, encerran- uo a u topia d o segundo pós-guerra. HABITAR MODERNO its casas proletária., mnslnâda.1· jJrlas Caixas e Institutos rm vários Estados, ainda .wio t'm peqvl'f/0 nú·mero e de jJ!'I!(O elr.11orlo, em. rrlnçtio âs f)()SSI'S dus t'm.pn•gados. Dt•i ·inslnt(Õt•s ao Ministério do Trabalho para qur, srm prrjuíw das constru.ções i.wtodas ondr st• tm· nanm rum?Jrlhâl!eis. estude e jnojete gmndl's núcfe- os de habita~·õP. modPstlJs r mnforláveiç. Hecomendei, para isso, lflll' si! adquimm gmndes árm.1· de ten·pnos t', se preciso, qw?sr, desapropánn ro· mais vantajosas; que se jnoi'Pria â avalia{âo das uws·mn.1; qw• se lt•vr1n em considemrtio os nu•ios d e lmnsporll' para Pssrs mí- rlPus; q1te se racionafiu.m os méludos de ronslnt(tio; que sr adquiram os malt•riais, din•l.rwumtt• do produ- tm:: t.udo, l'!ifim, dr· modo a se obtn: pelo mrnur jHI'(:o, a mrlltor rasa. GETÚl.I O VARGAS, 19:18 rl 94 pp. 239-240'1 () arrasamento d11 IIWmm.hos, frmrlas r co1·liros r.sl.ú n a m nsáência de todos e us msu.llrulos disso sfío já f}(ltentes. {...]Nas ~;rrmdes rúladt•s, mn grande esforço vai Sl'll- do feito nu ;entido de substituir essi'S núdt•ns insa!u- brPS pu,- habitações de!'lln/I?S. Essa camjmnlta nem sem- jJTe lem sido hPm romjHemdida. [...] Sr a. pojwlaçâo que vegeta nos rorhiclwluJ das favelas, nas escarpas dos m.m·Tos, .fur 1·emovida., jJam onde poderá dirigir-se a nciu srr fJa.m muito lon- ge ou para os lúgubres alagadiços da baía? [.. .] A campanha dr conslrurües populares lem. sidu orientada romu por um rígido espi?ito j1russiano. Quando libertada dessa durr1za e com propagantla melhor rntrnnPnle os gntjJOS h umanos çp disporão a vivn neJses novos lugares qur lhrs sâo indimdos, sem a ojl!'riza I' a aversâo de hoje, que os .fazem fneferir n morte lenlct dos mon-os ou das vánras. /Já um grande número de prujrtos, alguns em fJle- na exrcu_çâo, de conjuntos dr habitações baratas, tal
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    romo se deu1w liuropa e, mais rt•rt•ntnnnllr, nos l·.'s- tados Unidos. Attilio Corn'irt Lima é o autor de wn gm.ndr risro destinado 11 wn bai·rm industrial de Stiu Paulo. l·.'stá nele incluído certo número dt• altos sobra- dos de ofJarliwwnlos, ofirinos t• Oll/ms instalarõt•s gt•rrâs.Realengo é uma interessantt' PXjJerifnria rlr ha- bitafáo rolrliva, rmnjlrl'lmdrndo lauto m.ws de apar- tamentos romo rrsirlfnrias isolados. PtttUP L GOODWIN, 1912 [1943, p p. 96-971 {... } ,'linguhn podr Pwondt•r o raos que impera nas ridnrlrs qui' a b1nguesia dirige. Muito ao rontrário, todos oromprmhrnn os jJI'olrsto.l pofmlaus, inclusive os urbanistas r lraladistas qut' 111!; di.lfnttmn entre si mguuwn/IJS fmm uforrar e dm· corrs vivas às miséri- as u rbrwas. 0 .1livros de ttrbani.ww, mn gnal, siioum jNtSSI'ÍO 1111. mrfÍ(OS. {. . } Os termos para isrnlar rir rnljJa n burguesia, jmm f'IJ11111'1lrrr que nâo adianta dPrrubâ-la do poder, qw• lllrfll ,1'111/Jr e foi o qw• r, l'lio ditlt'rWI~. Siegfried (;irdinn, n famoso oilicu d,, 111/fLÚii•l·llm 'fltl' ainda a fJuuw uo~ visitou a nmvilt• da Bienal imperialista, 'l'l'i'011li'nd Iou! um li'uro do urbanistajosé !.uis Sert (Ca11 Our Cities Survivt>' ) {..} Pn.lavms que cuns- til!tnn tamhhn o alerta de um lída burguês {Gierlion/ ao. .11'!1.1 mmmulrulos aTquitetos, uTbanislas I' .mriólo- ~;os rir nrmbaltlt·, de nâo l'SfjLU'/"1'1"1'111 mmra 0 .1 ''jJla- 1/0S ", ntiu asjúmm r·ealizar muito mais do que ron- venar o jníbliro da inut'ência da bw-guesirl. Que o proletariado se convença que o cortiço, a ignorânân, a fome, a "reduzida r mrsquinha .forma de vida que é obrigado a legar", thn a sua origem, niio na explo- raçâo do lwmrm j;elo ltomern, na essfnâa rio rPgime wpitali~llt, ma~ "no estado atual de nossas adades", 110 roo~ urbano' j. B. VILANOVA ARTIGAS, 1952 [1981, pp. 65-671 Num quadro de confl itos ideológicos, nada mais patente q ue a questão habitacional como fulcro <..k divngências para a conjuntura polírir<l cl<1 époc::1. E nada m ais emblemático , como símbolo da mode rnidad e arqu ite tônica e ..Irbanística, que a moradia popular. Tudo o debate do CIAM anterior à Segunda Guerra (I ,a Sarraz, 1928; Frankfilrt, 1929; Rruxe- A Ajlrmaçiío de uma T:Scola • 115 las, 1930; a bordo do Patris lf, 1933: Paris, 1937) desenvolveu-se num crescend o rumo à questão urbanística e à sagração do habitar racional como o fundamento da cidade moderna. Can Ottr Cities Stnvive?, uma síntese das d iscussões do IV c v CJAfs, foi um dos manuais mais difundidos entre os arquitetos e urbanistas brasileiros. É certo que as recomendações formuladas nos CliMs, bem corno possivelmen te as experi- ências de distritos residenciais norte-americanos, como Radburn, instrumentaram um a vertente dos programas oficiais de habitação popular no Brasil nos anos 1940-1950. Apesar da oratória promissora de Getúlio Vargas tomando a mora- dia social corno uma p lata f'o rma de g-overno - não só du rante a ditad ura q uanto em seu m :-~n­ dat.o como p residente eleito - , a resolução do problema habitacional n ão alcançou os resulta- dos pretendidos em seu discurso populisla. To- davia, h á de se cousidcrar q ue, com V:-tr!{as, sP. esboçou um es(jnema ele financi::1mentu e cous- truç;lo e m escala d e habita1;ücs populares me- diante caneiras p rediais estabelecidas 11::1 es- trutura previdenciária dos vários Institutos de Aposentadoria c l'ensúcs - os chamados TAPs- criados durante o ~stado Novo. Recursos capi- talizados com a arrecadação compulsória com a organização do sistema previd enciário gcraralll reservas que viabilizara m o investirneulo em se- tores que o pod e r público passava a assumi r como e ncargos d e sua responsabilidade. i par- tir d e 1937, o governo ;mtorizou os lAPs a apli- carem seus recursos e m construção e habitação lFara h 1985]. As obras derivadas dessas inicia- tivas assentava m-se e m premissas do urbanism o moderno. A Fundação da Casa Popular- FCP, criada em 1946 - , fr;:~r;:~ss::1rlo ensaio ele um orga- nismo federal dedicado exclusivamente ao pro- blem a da habiwção econômica, também abra- çou teses modernas na resolução de conjuntos habitacionais. Sç essas instituiçôes (ç algumas outras, de abrangência regional c local, estabe- lecidas na época) não form ularam propriamen- te uma política de habitação pop ular, e las en- camparam uma série dç iniciativas impregnadas de valores de uma modernidade rcfor111ista, ao
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    -~----------------------------------------------------------------------------------------------------- 116 • ;!rquiteturas110 8rusil sabor de alguns ideais da modernidade arquite- tônica e urbanística da prime ira metade do sé- culo ~0. Tal espírito moderno estava imbuído nos estamentos burocráticos do Ministério do Tra h;;~­ lho, ao qual se subordinavam os IAPs. É interes- sante observar as referências urbanísticas elo pe- ríodo - usualmente tidas cowo circunscritas ao repertório do CIAM e a Lc Cor busier, mas não apenas a esses círculos. O arquiteto Rubens Por- to (do Serviço de Engenharia do Conselho Na- cional do Trabalho, fun cionário da a lta ltie rar- fJttia do ministério), numa publicação de 1938, O Proúfmw rlas Casas OjJerárias e os institutos e Caixas de Pensões, descrevia um estudo de conjunto re- sidencial (do qual não se publicaram os dese- nhos) -elaborado pelos arquitetos Ruhr>ns Por- tu e Aifumo Visconti e os engenheiros Paulo Sá c Agostinho Sá- revelando algumas das matrizes de cultura urban ística. Com ênfase, o autor cita- va o socialista utópico .James Silk Buckingham ( 1786-1855) c o livro National Hvil anel Prartiral Hrmwdies, with the J>tan ofa Model Town, de 1819, e Ebcnezer Howard com TrnnmTow, a bíblia elas ci- dadcs:jardins publicada em 1H9H. Sem precisar as fontes, mencionava Clan:ucc Pcrry (1872-194.1) (sistemarizador da Neighborhood Unit) , Rubert Whiw.:n (diretor de pesquisa da School of ê,ity Planning,da Harvard University), Charks Mulforcl H.obinson (1869-1917), Maurice Rotina! eLe Cor- husier. A capa do livro reproduzia a maqueta da Casa Bloc em Barcelona, projetada por.José Luis Scrt c construída e ntre 1932-193fi. A p ro posta da equipe de Rubens Porto sin tetizava um ideário de estrutura habitacional de m:ilt riz racionalista. Contemplava um COI~jun­ to de "2000 moradias econôm icas a sere m CO IIS- trnídas em série por processos racionalizados". Conside rava o enfoque teórico de inserir a habi- tação num quadro regional, examinando os aci- clentes geográficos, os recursos naturais, o sistema de transporte; o en tendirnento de un<a relativa a utonom ia dos conjuntos h abitacionais como Neighborhood Unit Cells, cada qual com sua es- cola, igreja, comércio, diversões, infra-estrutura administrativa (com previsão para serviço médico, /~tiTU!=fJf~L,·.~:~,rr··..,--~- i . n-~~~~- .--___ ~=~ii ~r:~l -·· • ../~[•,-::-:;:':.-c."-:. O., I(;, ! '"",~ )...... - 74.Rubens Porto. .Jaime Fonseca Rodrigues, Aro;ostinho S(t, Paulo Sá: rcstauranl<' popular do !AI'!, c. 1939 (projeto não cxcnnarlo). telégrafo-correio e posto policial); a hierarquiza- ção elas via.-; de comunicação internas c externas aos conjuntos; a preferência por habitações cole- tivas em casas geminadas com terreno próprio ou em blocos não mais altos que quatro pavi- mentos (evitando elevadores), vislumbrando a padronização e pré-fabricação rlos componentes construtivos; o emprego de jJilotis como recurso para liberar :treas de convívio COIIJUHitário e con- tato com a natureza; a racionalização elo interi- or da nnidade d e moradia com a adoção do apartam en to e m dúplex; a entrega ele unida- des com mobiliário racionalmente concebido, de acordo com a arquitetura [Porto 1938, pp. 40- 55] . Não se sabe se essa proposta se materiali- zou; todavia, o repcnório proposto por Rubens Porto se coadunava com a política que alguus !Al's desenvolveram n os anos scg11in tcs. Entre os IAPs, as m:ilis sig nificativas realiza- ções de caráter moderno foralll desenvolvidas pelo Instituto de Aposen tadoria e Pensões dos Incl ustriários - JAPI. Suas primeiras iniciativas apontavam a tendência: um editlcio para rendas em São Paulo, projeto não executado de Rino Levi em 1939 [Rino V vi 1974]; estudo de ResL<w - rante Popular de "arquitetura racional" desen- volvido por Ru bens Porto, Jaime Fonseca Rodri- gues, Agostinho Sá c Paulo Sá [Porto 1939] ; o edifício Anchieta em São Paulo (avenida Paulis- ta esquina com avenida Consolação) e o Conjun- to Residencial da Penha no Rio de Janeiro, com 1 248 unidades, ambos projetados pelos irmãos Roberto (o último, premiado e m 1940 no V Con- gresso Pan-americano de Arquitetos e m Monte- vidéu [Finep/ GAP 1985, p. 54, jiassim]); o Cem-
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    . . Alht>rlo ck M 117 "' e 7 G itt ili o c e ° Flôrcs. •o rr<:i't 1 ·C ' .tma, Hé lio U .• aval canti <' J • ' h o.t . . osc Th<:odulu .. con 1 u n to ..· da Stlva: t <;~t denc i alC 'árzea arm o _ IAPI s·· elo. . • ' •10 Paulo, 1l'l'> . parcwlmcn te , , - (obta ex~ru t arla) . I ---)~ I .1 . (irmaâi ..I • 11 -
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    1JR • Arquil(>lllrtts110 Brasil junto Residencial Várzea do Carmo em São Pau- lo com 11038 unidades, projeto parcialmente im- plantado de Alberto de Me llo Flôre s, Auilio Correia Lima, Hé lio Uchôa Cavalcanti c José T h eodulo da Silva no início dos anos 1940 [Flo- res et al. 1942]; c o Conj unto Residencial d o Rcalengo n o Rio de .Janeiro, com 23114 unida- des IFi ne p / GAI' 1085], proje tado po r Carlos Frederico Ferreira (1906-1996), Waldir Leal e Mário H. C. Torres - os dois últimos cor~juntos, le mbrados t>m Rmúl Bui lds. Carlos Frederico Ferreira, que foi chefe da área de Arquitetura do Setor de Engenharia do IAPI entre 1939 e 1964 [Boncluki 19941, projetou també m o edifí- cio-sede ela delegacia <.lo IAPI com apartamentos no Recife [Ferreira 1942] e o Conjunto Residen- cial Vila Guiomar em San to André, São Paulo, e m 1919, com 111 1 unidades. Outras obras sig- nificativas foram o Conjunto Residencial Passo d 'Areia em Porto Alegre, com pr~jcto de Marcos Kruter e Edmundo Gardolinski, com 2 500 uni- dades realizadas entre 1946 e 1950; e o edifício .]apurá, em São Paulo, projelo de 1949 ele Eduar- do Kneesc de Mello (1906-1994) com 2314 uni- dades, inaugur<~do em lYS7. O s ócmais IAPs aparentemente não osten- taram o mesmo fôlego e envergadura do IAPI. Notáveis foram os pr~jetos de Eduardo Kneesc de Mello e m 1947 para um grandioso conjunto reside ncial do Instituto de Aposentadoria c Pen- sões d os Comerciários (IAPC) em São Paulo, às margens do rio Pi11he iros, c o Conjunto Residen- cial Vila Ipiranga em Niterói, projetado em 1947 por Álvaro Vila! Brazil [1986] para o lnsriruto de Previdência c Assistência aos Ser vidores do Esta- do (IPASE) - ambos não executados. Uma amostra de arquitetura e nrbanismo modernos promovida pela Fundação da Casa Po- pular é o Conjunto Residencial em Deodoro, no Rio de .Janeiro, conjunto de 1314 unidades pro- j etado p o r Flávio Marinho Rêgo (n . em 1925) [1954]. A mais difundida experiência de habitação popular da arqui tetura moderna brasileira foi realizada pelo Departamento de Habitação Popu- lar da Prefeitura do Distrito Federal, instituído em 194G. O Departamento nasceu de uma gestão da engenh eira Carmen Portinha, inspirada nos estudos de reconstrução <ias cidades britânicas que conheceu durante visitas técnicas realizadas em l94!'í na Inglaterra, de onde trouxe o concei- to de "unidades de vizinhança", conforme depoi- mento ISegawa 1988a], aplicadas no Conjunto Residencial PrefeilO Mendes de Moraes - conh e- cido como Pedregulho - , projetado por Mfonso Eduardo Reidy a partir de 1947, com 328 unida- des para abrigar funcionários públicos do Discri- to Federal. Outros conjun tos com característ iras similares foram realizados (mas não concluídos) nos ;mos de 1950: o Conjunto Habitacional da Gávca (1954), de Reidy, c o Conjunto Residen- cial de Vila Isabel (1955), de Francisco Bolonha (n. em 1923) [1956a; 195()b l- uma citação aos edifícios à Lc Corhnsie r ou à Casa Bloc de José Luis Sert. O Departamento de Habitação Popular desenvolveu, ainda no final dos an os de 1940, uma linhagem de moradias econômicas unifami- liarcs térreas em lotes isolados, com variações tipo- lógica~ derivarias das dimensões e características do terreno, número de dependências e :trca útil cons- truída e ntre 37,29 m~ c 57 m". Projetadas por Fran- cisco Bolonha,J osé Oswaldo Henriques da Costa e Helio Modesto, formavam um repertório de ti- pos residenciais à guisa de pr~je tos-padrõcs refe- renciados em nor ma do Distrito Federal estabele- t:eudo a categoria de "habitações prole tárias" • c......k.. &... w..tcv. . ~~~ c:~~J -......J.....~ ..........tu-~ 77.Eduardo Kneese d e :11c llo: conjunto o-csidcncial Cidade .Jardim - IAPC, São Panlo , 1947. Dia!-(rama d e o rdenação dos equipamentos coletivos, blocos de habi tação c circu- lação.
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    78.A!fonso Eduarrlo Rcidy/DepartamcuiO d,.. TTabica~·üo Popular: conjunLU residen cial Prefeito Mendes clt: Moraes- Ped regulho-, Riu d,.. .Ja ne iro. HH7. para edificações de no máximo 70 m", em lotea- mentos convencionais, sem vínculo com um pen- samento urbanístico de maior amplitude ["Habi- tação Popular" l94R] . Francisco Bolonha teve materializado o Con junto Residencial de Paque- t.á, reunião d e casas assobradacla.'; econômicas ele 1952 [Franco 1988]. Evidentemente, a vitrine do DHP foi Pedregulho, elogiado p or Max Bill em 1953 [Aquino 1953] c louvado por Le Corbusicr em su a passagem pelo Brasil em 1962 [Segawa 198Ra], vistosa amostragem de preocupaçües so- ciais dos governan tes que, toclavia, não livraram essas iniciativas da dccadêllcia e da degradação nas dl:cadas subseqüentes, supostamente por mal gerenciamento c d esvirtuamento dos con- ceitos que presidiram a criação dos conjun tos. Infelizmente constituem , h~j e, ru ín as de umrt certa modernidade. Os grandes conjunLO~ de moradias desen- volvidos pelos sistemas previdenciários c institui- ções habiLacionais realizados dos anos de 1940 em cl.iante revelavam sua filiação aos propósit.os do urbanismo racionalista, enquanto uma teoria global (supostamente científica) para enfrentar os problemas urbanos c a hipótese cl.e um mode- lo completo de organização de cidade. Os proj«"- tos urbanos pressupunham um ideal de território no qual se pretendeu a reconquista do controle público sobre a terra, preconizando o fim da ex- ploração inteu siva do solo mediante a disciplina dos espaços segundo uma lógica onde a ordena- ção fundiária se subordinava ao bem-estar cole- tivo dos habitanles, e não aos interesses dos pro- príet:u·ios. Esses conjuntos prornoYe ram a orde nação de áreas suburbanas, periféricas ao<. cen trus tradicionais - euormes terrenos adquiri-
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    I J 7on.'in1osl u <><'.L " •' ~r '(, 0~'>1110$ . . . ' llciOJ. ' tu 01 ~lll. ti . 1lcud ·"'Li·Hvh I '· ~ .:.o.qJt< -sot. . 1 1 n:hntqv.t( :>p s • ·' 'OR ::. 6LI ' "IIIUOt ( ~- . u O.l~r:llllU,,/: ) 0( !_L . •dJQ/ I!ljllliiOa · ') O)U.)LUV.).reO!):'Jt:ltqP.J-j' ~~ IJ/1 '/J./1/JJ/lllÚ.I V/!SIJ.II:f . • ()(;l --
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    dos a custosmais baixos. A crítica à cidade tra- dicional, privilegiadora do espaço rle prorlução (tJ·abalho, comércio, circulação) reorientflva as diretrizes da cirlade moderna, como no discurso sintetizado pelas quatro funções urbanas preco- nizadas pela Carta de Atenas: trabalhar, circular, habitar c cultivar o corpo e o cspíriLO. Os últimos dois tópicos foram ressaltados numa nova ordem urbana: a habitação wrnava-sc a p;)rte mais im- ponante da cirlacle, insepar::ivel dos espaços de recreação c demais equipamentos como assisti~n­ cia médica, ensino, comércio, transporte e tc. A unidade de viúHilauça configurava um padrão mínimo de território racionalmente lli<:rarquiz:~­ do c auto-suficiente- um grau de ;wtonomia que acentuava o carúter de enclavc lúncionalista ante a cidade tradicional. A cl ualidadc espaço público/ espa~·o priva- do - tão cara ao pe nsame ntu urbanístico moder- no - encontrou manífcstaçõc>s c> cli;tlélicas distin- tas na resolução dos conjuntos habitacionais brasileiros. Propostas como as de Pedregulho, ele RPirly, e o Conjunto Residencial IAPI Várzea elo Carmo da equipe de Attilio Correia Lima vislum- bravam alta densidade populacional c o tot;1l controle do solo co mo espaço público: blocos rle quatro aduLe pavimentos isolados num ambien- te dc> parque, à maneira da Ville Verte corbusic- riana. O Conjunto Residencial do Rcalengo, ele Carlos Frederico Ferreira, administrava uma so- lução mista ele edifícios coletivos e unidades uni- familares geminadas. O Co njunto Residencial IAPl Passo D'Areia, de Kruter e Gardolinski, assi- milava a figuração das cidad<'s-jardins, combi- nando blocos coletivos c unidades geminadas e isoladas, organicamen te distribuídos no territó- rio, com quintais privados em cada unidade. l~sses conjuntos resideuciais fo~javam ma- neiras de convivência e ntre seus habitantes: d o controle da célul<l habitacional às áreas livres, o pr~jeto dos espaços buscava o r·denar as relações sociais, a vida comuníLária, afetando o se ntido de privacidade c coletividade de seus moradores. F. inegável a vocaç;io educadora desses espaços, o imprimir um a llloral inerente à doutrinare- dentorfl do urbanismo moderno. ri Aflmwçiío de 11111{/ !!:~cola • 121 81 c R2. .Marcos Krutcr c Edmund o Gardolinski: conjunLO rt>idenrial PasM> d'.rt'ia - T.PI, Porto Aleg-re, RS, 11 1411. No mesn10 conjun to, convivência <k bloco ' residt:IH iais, unidades geminadas e isoladas de hahi taç~o. Ped regulho c Passo D'Arcia parecem con s- tituir os cxln:m os da expcrif> ncia I;J·asilcira no âmbito dos COJ"Úuntos habitacionais do pós-segun- da guerra: no Rio de jam:iro, o conj unto impreg- nado dos preceitos urbanísticos do CIAM, as áre- as livres de caráter ge nérico, a colc>tivizaçào dos espaços, dos equipamentos (como a lavanderia), o refinament-o da geome Lrização form;1l à Le Cor- husier, à "escola cflrioca"; ern Porto Alegre, a sua- vidade uo pad rão u rbanístico ci dadc~ja rdi m, a mistura dc> códig-os simbólicos novos (blocos co- letivos) e tradicio nais (casfls c.om quintais) com a predo minância de formas arquitetôn icas verna- cnlares, estabelecendo cntornos familiares o u de fácil assimilação. Carmen Po rtiuho trouxe a in- formação britânica das New Towns; Garclolinski também parece r.cr mirado a experiência inglesa
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    122 • Arq11itt?t11ms110 Brasil - não na escalr1 elos grandes blocos, mas na inlimi- dade dos bairros como ern Stcvcnage ou, m ais provavelmente, na "nova tradição" das cidades- _jardins. O sucesso ou o fracasso desses conjuntos, enquan to apropriação dos usuários, pode ser ;wa- liado segundo a relação que as propostas [unnu- laram a nte a questão e a ponderação de três do- mínios: o público, o privado e o comunitário. Bonduki relativiza a produção habitacio- nal dos fAPs e da FCP. A realização de pouco mais de 140 m il unidad es h abitacionais pode ser considcrach1 nm marco positivo d iante das con- di~:<lcs e da população brasilcir<1 da época, assi- nalando sobrnudo a questão da qualidade arqui- tetônica das ohras executadas: O fa lo é q tt<" apesar de tudo o que já se ::1pon tou como fn tgilicladc ela aç.ão govf' f'lt <L IIJt:ntal , o resultado não foi to talmr.n le clecepc iuttant l' c mere ce um a obser- vação mais cuidaclosa d o rl' '"' te m sido kila. E, por ou- tro lado. demonstra que existia m p l e n ;~s cond ições no Brasil dos anos 40 e 50 para M! impl e mentar uma massiva p•·odução d e habitação social, de cxcC'Ien te qua lidade!, se não capaz d l' ale nrlf'•· às necessidades da popul a~:~LO d e baixa renda , ao menos pa1·a limitar c con- feri r 11m o utro padrão de q ual idaclf' ao incontt·olável processo de favelização e perifC:' rização que tomou con- ta d::Js p rin c ipa i~ c idades brasileiras a partir de então LBund uki 1QQ1, r-199] É claro que as diversas experiên cias habi- tacionais dos modernos cariocas podem ser con- sideradas como ensaios da nova capital do país. BRASÍLIA A -rrvnluriio que B-rasília imj1licaria, rm devt?-ria simbolizar, llmi rlt• rrim 1·aízes, descer às inji·a-estru- turas .soriai~, jmm swgir aos olhos do povo e das eli- tes como obra Hut (r nüu tafn"ir"hn rio prrsidente), obra rn{f'liVU, r.rtfmz. dt• YI'/JTfSl"'llal; f.JI/1(111/I(i, U/1/ IO II I" Ila ll l na hi.l-ltírin fJolítica, snrial e rultumt do Hmsil. MÁRIO PEOROSA, 195il [ 1981, p. 33R] 11 Arquitl'l·ll'm Brasileira lnn SIII'TJÍ(OS fneslnrlos á nnrionalidade nr.ue sentido. Mostrou ao mundo ad- mirado qur o H•·asil pode ergurr-.lt' fJam o roncerto 1111iven al de nacões, com linguagrm /JIIÍ/Jria, na qual o brasileiro e o tt11Ívasal se rasam hannoniosa.mente. Onlrun, mnslruírmws timidamente nlf!,1WS edijiâns; lwjt', j ilumos Brasilia - uma t:idade intrim - w-m argumrnlns nossos. De Casa em Casa, rl11 {',idnrlf' em. Cidnrlr., fiwi n•rloç, r~judaremos a reconquistar o Bra- sil pam ns hmsilrirus. J. fi. VILANOVA iRT IGAS, 1959 r19sl, ~->~->· 31-321 A rnonttmrm.talidad" de Rm..1ília alimenta-se na fo-rça I' no lransborrlaniP. nrg'lllho dt• 1tm povo quedes- ro/yre seus próprios caminhos ,, .li' jJiir t'm marcha, ten- do dianlr de si grandiosas penprrtivas df' desenvolvi- mento. /...} I~ muito jJrovâvi!l f[1U! Rrasília, como solu_câo ur· banística e arqnitetônim, ente1TP mil e um pequenosc
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    grandes dejeitos -mas é inegável que a obra j;ossui o essencial: expressa os grandes r nobres ideais de liber- taçrio do fJovo brasileiro, que já SI! revelam como )in- ca atuante. EDGAR GRAEFF, 1960 ll979, p. 1')) Juscelino Kubitschek foi um político visio- nário. Durante o Estado Novo, nomeado prefe i- to de Belo Horizonte, empreendeu o bairro de Pampulha convocando Oscar Niemeyer e Rober- to Burle Marx para os projetos de arquitetura e paisagismo. Eleito presidente do Brasil em 1955, criou un1 .1l11[!/tn para o ritmo d esenvolvimcntis- d · "r, O h" B1·as'1ta que preten eu 1mpor: :J anos em ,J . < - lia foi uma das alavancas ele sua gestão. A idéia da transferência ela capital elo país do Rio d e .Janeiro para o coração d o território brasileiro data da primeira conslituição republica- na, ele 1891. Estudos nesse senlido foram desen- volvidos ao longo da primeira metade elo século seo·uinte. Corn seis meses da administração de1':1 Kubitschek, em agosto d e 1956, o Congresso Na- cional aprovava a mensagem d e lei prevendo a transferência da capital para nova localidade, si- tuada no Planalto Central- região :u·icla, a cerca 83.Brasília e sua escala JllOJHlmental, s~gundo o cro<1ui de Lucio Costa . A Afirmaçi:ío de uma Escola • 123 de 1100 m ele alwra elo mar e corn pouca clensicla- ele humana - , em área junto a um lago artificial, clclimitacla a partir ele estudos de urna consultoria norte-americana. Con ta-se que, para o desenvol- vimento do projeto da nova capital rlo Brasil, Affonso Eduardo Reidy c Roberto Burle Marx haviam suo·erido a contratação de Le Corbusier,o repetindo a experiência elo Ministério ela Educa- ção e Saúde de 1936 [Bruand 1981, p. 3541. Pres- sões do Instituto ele Arquitetos do Brasil e uma d ose ele nacionalismo conduziram à solução da abertura de urn concurso público nacional, divul- gado em setembro de 19!'ifi, contemplando ape- nas o plano urbanístico. Nesse momento, .Jusceli- no Kubitschek j á havia d eterminado que Oscar Niemcycr fosse o autor dos projetos arquil.etôni- cos dos principais edif"ícios públicos. A pan.ir de uma documentação cartográ- fica e o·eotécn ica remanescente elos estudos det> localização do sítio da nova capital, a determina- ção ele uma cidade para no máximo 500 mil ha- bitantes, a exigência gráfica rnínima de "um tra- çado básico da cidade, indicando a disposição dos principais elementos da estrutura urbana, a loca- lização e interligação dos diversos setores, centros, instalações e serviços, distribuição dos espaços li- vres e vias de comunicação (escala 1:20.000) " e um "relatório jusúficativo", uma elite da arquitetura brasileira participou elo concurso (com as nota- elas ausências de Reidy, Burle Marx c Jorge Mo- reira). Vinte e seis projetos foram submetidos a um júri formado pelo inglês Wílliam llolford (1907-1975) , o francês André Sive, o norte-ame- ricano Stamo Papadaki (autor dos livros sobre Niemeyer) e os brasileiros Oscar Niemeyer, Pau- lo Antunes Ribeiro (1905-1973), L uiz Horta Bar- bosa e Israel Pinheiro ( 1896-197::1) (presidente da Novacap, empresa oficial responsável pelo de- senvolvime nto da nova capital) . Em março ele 1957, proclamou-seu resultado: Lucio Costa era o autor do projeto vencedor, estando en tre os demais prem iados arquitetos como Ríno Levi, irmãos Roberto, Henrique Mindlin / Giancarlo Pahmti (l90G-1977) e .J. R. Vilanova Art.igas. Alguns participantes d o concurso elabora- ram complexos projetos incluindo estudos sócio-
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    124 • .llr(/llilelllms110 R rnsil econô rnicos e dcscnvoh·imcnto arquitetônico. O vt:ncedor, ao cont r<írio, apresentou-se com urna idéia, um plano-piloto em uma única planta c croquis ilustrativos dos conceitos contidos num relatório que delineava apenas o t"sseu cial da proposta, como observou o parecer do júri: ''ex- plica tudo o CfUe é preciso saber nesta fase; e ornitt" tudo que é sem propósito". O relatór-io ele Lucio Costa c.:ra direto quanto à apresentação elas soluções: propunha a cidade "não apenas como 1nbs, mas como ci- vitas, possnidora dos atributos inereu tcs a uma capital". Seu desenh o inicial nasceu de uma poé- tica analogia ao "gcsto p rimário de quem assina- la um lugar ou dele toma posse: dois eixos cru- zando-se em ftngulo reto, o tt seja, o próprio sinal da cruz" [Costa 1991, p. 20]. O dcscn ho f'i nal buscou conformar-se à orif'nt<tção c às caracte- rísticas do sítio. L ucio Costa a1ribuiu à sua cidade 11111a or- clenaçiio segundo quatro gn111des escalas: a mo- numental, :1 residencial, a gregária e <~ bucólica. Numa re;walia(ão da cicbclc, trinta anos de pois de sua concepção: A presença da escala monuntent"l - "náo no ~entido cb ostt·n taç<io, mas no se-ntido ela expressão palpán:•l, por assiut di;.:cr, rrm <l'il'nle dctquilo rp ot' vale e signitka .. - conferiu ü cidn.-k nascente, dt:sde seus princípios, a mao-ca inelu~<ívd de efetiva c<tpital elo país. A escala n·sidencial, com a proposta inovadora da superqttadra, a st>rcnidade urbana asscg uracta pelo ga- ba ri to un ifo r me de seis paviml'n tos. o chão li vre e :1Ces- sível a toclos atrayés elo uso generalizado elos jJiloli. <: o franco predom ínio do 'enle, trouxe consigo o t!mbriiio de uma nowt III<IIH'Í ra de viver, própria de Brasíli>~ c in- tciramenl!· diversa das de mais cidades brasileiras. A escala g regária, prevista pan1 o centro da cidade -até hoje ainda em granclc pane dcsocurado -, teve a intenção dt> criar um espaço urbano mais densamente utilizado c propício ao encontro. As t"Xtensas úreas livres, a serem dcnsameutc arbo- rizadas ou guarclitndo a cobertura Vt:){t'tal nativa, dire- Tamen te contígua~ a <it·eas edificadas, man.:am a presen- ça d a t'SCala bucólica fCo~la 1987. p. 116). Cada um dos grandes eixos assumiu urna significação. O n1enor, concebido co mo o rixo mo- numentaL, espaço para o centro cívico e adminis- rrarivo, os setores comerciais, de serviço c cultu- t·ais- corresponde à "escala rnonunH~ntal ". O eixo maior, arqneado, o eixo mdnviário-residenáaf, é es- truturado pelas amopistas de comunicação com as regiões vi:>:inhas e ao longo das quais se alinha- vam os blocos d<' moradia, organizados segundo o princípio das superqu.adms : conjun to de quatro CfHaclras de 300 m de lado cada, <t>rcadas perife- ricamente por densa arbori7.ação e admitindo <l"Tn~ Qt f. ~ t .J>l!AJ(. I A L ·.·=..--------~ ·_".'::,. - S tToQ. (DhEitC•A.l E S ii.T"'R.. !:>~ b <vE~~ ~ '> 84. A escala residencial ,. a proposta da suprrquaclra de Brasília. 85. O cent.ro d(· J3rasília abrigando a escala grcgclria.
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    somente edifícios linearesde seis pavimentos so- bre pilotis, formando uma "vizinhança" servida de toda infra-estrutura comercial e de serviços para a comunidade local - à maneira das "unidaeles de vizinhança", idealizadas por Clarcnce Perry c materializadas por Clarence Stein (1882-1975) e Henry Wright ( 1878-1936) ern Radburn, Estados Unidos, e m 1929. É a solução cor respondente à "escala residencial". No cruzameu lo dos eixos ordenaelorcs, uma plataforma em vários níveis equacionando o sistema viário e abrigando o ter- minal rodoviário - concentrando em sua vizi- nhauça o principal centro comercial c de diver- sôes da cidade - rep resen ta a "escala grcgúia ". O plano de Lucio Costa previu a localização pre- cisa elos principais edifícios públicos c a organ i- zação dos setores funcio11ais na malha da cidade. Brasília n asceu sob o signo da hierarq uia: pen sada corno capital de u m país, Lucio Costa atribuiu ao seu projeto o coeren te caráter de ri- vilas - atributo nem semp re evidenciado nos dem ais partici p<HHcs do conc urso, rnas rlevida- mcntc formulad o pelo vencedor e destacado na ata do júri. Hierarquia c1ue pernu;ia o desenh o da cidade: uma clara d efinição da dimensão pú- blica (eixo mon umen tal) da dim cusão privada (eixo residencial) e, no aspecto intra-urbano, a A 1{imwçiio de 11111a Escola • 125 sctorização das aLiviclad es em áreas especiali- zadas (setor hoteleiro, setor bancário, setor indus- trial, setor de cliversôcs e tc.) . O autor sempre r<'- lacionou Brasília aos espaços públicos de Paris (os grandes eixos haussmanianos, Champs Ely- sécs) e Londres (Picadilly Circns, Times Squa- rc), rei ntcrpretando-os na resolução do dese- nho urbano da nova capital, sem prescindir da referência às concepçôes ela Villc Radieuse, de Lc Corbusier. A organização Jo setor residencial encontron seu pretcxto Lambérn no mestre fra n- co-suíço: fiel ao princípio da Ville Ver te, Lucio Costa concebeu espaços residenciais em blocos habitacionais isolados, dispostos e m grandes {treas verdes (a chamad a "escala bu cólica''), eli- minando a rua tradicional como eixo definidor c aniculador dos volu mes constr uídos. F.rn li- nhas gerais, aboliuclo o lote privaclo, o espaço residencial caracteriza-se por lllll<l extcns;:io cou- tín ua c livre, senr barreiras c tráfego ele automó- veis, como um grande parq ue público. As lições elos cuuj un tos habitacionais modenros ~ Tmtnei- ra dos blocos dos IAPs ganhavam uma versão de- finitiva enquan to agreg<Jção llrbana integral. As prirnciras supcrquadras implantadas ostcntam essas caract.críslicas; ho8 parte, no en tan to, care- ce desse tratamento paisagístico. I I_ Hfi. A v<'gctaçào envolvendo ;os supcrquadras c as extensas iir"'"' livrt's a rboriLadas como referências <I escala bucúlica de Brasil ia.
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    J2G • Artjllitetums nu Rmsil É. incgúvcl que a generosidade dos espaços livres condizia também com o caráter rodoviário da o rganização urbana ("de uma parte, técnica rodoviúria, de ourra, técnica paisagística ele par- ques c _jardins", asseverava I ,ucio Costa em sua justilicativa do plano-piloto em 1957) . Pistas de alta velocidade estruturam o eixo maior da cida- d e; o sistema viário intra-urbano roi concebid o vinualmentc sem cruzamentos de nível (dizia-s<.:, uo início, q ue e ra uma cidade sem semáforos) ; a setorização das funções na trama urbana acabou exigindo nma forrna d e transporte motorizado para veJ1ccr as dis tâncias e os compromissos. ão se pode compreeudcr essa ênfase rodovia- rista sem caracterizar agu ele momento de indus- trialização que o país atravessava no final dos anos d e 1950:Juscelino Kubitschek foi o grande iucentivador da implantaç;:ío d a indústria auto- mobilística brasileira. Ati: então, o impacto do automóvel na malha urbana das cidades era re- lativamente restrito, por ser um tipo ele u·anspor- te ainda não acessível à maioria ela po pulação. O espaço ocupado pelo veículo automotor não e ra questão prevista no p rojeto d as casas e edifícios brasileiros, que>, até d urante a d(:cacla seguinte, não comportavam áreas para garagem. Uma das grandes virtudes que o júri do concurso deve te r vislumbrado na proposta de Lucio Costa !"oi uma concepção de cidade possí- vel de se viabilizar materia lme nte em quatro anos- te mpo que restava para o fim da gestão de Juscelino Kubitschek erigir sua ca pital. Não fosse a característica genérica de urna cidade formada por edifícios isolad os eiTl um grande parque - assegurando uma estratégia de organi- zar v;:írias frentes simultâneas de canteiros de obra-, difici lrnent<.: o preside nte te rminaria seu mandado sem um coujunto razoável de obras construídas a j ustificar urna inauguração da cida- de e a transfe rência da sede do p oder político para a nova capital -como o fez , efetivamente, em 21 de abril de 1960. A prioridade atribuída à con strução de Brasília c a sua inauguração em tempo recorde foi nm audacioso lance de afirmação política pe- rante a nação e uma bem-sucedida ação de marhe- tinginternacional: o Brasil - uma terra subdesell- volvida - projetava-se no mundo como um país de grandes iniciativas, capaz d e realizaçõ<.:s que uma potência do Primeiro Mundo não linha ou- s<tdo empreender- construir e inaugurar nn1a nova capital. A repercussão internacio nal foi de- vidame llle apropriada pelo meio político c pela população e-n1 geral e, panicularmeu le, merece u novamente um cntusiúst.ico posicionamento elos arq ui teros dian te d as realizações ela categoria. Todavia , se o êxito form <JI, em lermos de ima- gem po lí1ica, foi hem-sucedido, o açodaru<.:nto exigido pel<1 estratégia de Kuhitschek voltou-se contra a própria afinnação de Brasília não com o r:apital, mas como cidarle. O pressuposto ancestral ela transferência da capital para o inte rior fundamentava-se na necessidade t"stratégica de ocupação te rritor ial ele vasta área inan iculada econ ômica e demogra- fica mentc com o resto do país. Nesse sentid o, uma n ova cidade plantada na aridez do Planalto Central esta be lecia um e lo de ligação entre o Sudeste induslrializaclo c densam<.:nte ocupado c o Norte e o Centro-Oeste, fronteiras agrícolas virtualmente virgens na busca de reconhecimen- to e ocupação política elo território brasileiro. Ao se caraCLcrizar como ponto de articulação entre regiões clesiguais, Brasília cornou-se local atrativo para as enormes corren1es m igratórias campesi- nas que fugiam das regiões mais pobres rumo ao Sudeste ou às novas frc utes de ocupação do Nor- lt> c Cenlro-Ocslc. Tornou-se o epicentro desse fen ômeno. A nova capital foi concebida sem maiores estudos sócio-econômicos, sobre os possíveis im- pactos de um núcleo urbano em tão isolada po- sição, sem um sistema urbano ou rural apoiando sua implantação. Ao con trário, Brasília foi indu- tora da criação ele um sistema urbano, tornou-se uma cidade-pioneira na região e, por isso mesmo, um núcleo depe ndente ele suprime ntos que ne- cessitavam ser impo rtados de regiôes afastadas. Mas, por essa con dição arLiculadora, a Brasília-ca- pital se confron tou com a Brasília-frente pioneira. O desenho ele Lucia Costa para Brasília atribuiu à cidade uma significação espacial con-
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    dizente com ocaráter cívico de capital da nação. Seu escopo inicial - nos term os do concurso - previa uma população-limite de 500 mil habitan- tes, c~jo horizonte de expansão supostamente atingiria seu patamar máximo por volta do ano 2000. Contrariando o ideal, a nova capital aco- lheu gente não somente para formar uma p opu- lação de trabalhadores administrativos, m as para abrigar migrantes em busca de ponto de apoio para as perspectivas de expansão da ocupação do Centro-Oeste . Inicialmente, como cidad e- cante iro a ser materializada em quatro anos, Bra- sília reuniu uma massa de mão-de-obra de forma extensiva, que preferiu posteriormente fixar-se na "cidade do futuro". O fluxo migratório pros- seguiu tendo em vista as potenciais frentes de emprego na nova cidade e na região. A absorção desses contigentes extrapolou a previsão inicial de seus planejadores, que não anteviram o assen- tam ento dessa população e tampouco admitiam a sua permanência no nobre setor residencial da nova capital. Núcleos periféricos ao plano-pilo- to foram oficialmente criados ao longo das d é- cadas seguintes - as chamadas cidades-satélites - para abrigar uma população remediada, im- possihilir.ada d e adquirir um imóvel no plano- piloto, ou mesm o ex-moradores do plano-pilo- to que preferiram pcriferizar-se: auferira m um valor ao seu patrimônio, alienando a proprieda- de dum setor nobre. Originalmente, esses novos núcleos somente deveriam ocorrer com a com- pleta ocupação do plano-piloto; todavia, suce- deu-se o inverso. Às rígidas normas urbanísticas no plano-piloto opõem-se a liberdade construti- va nas cidades-satélites: estas, cidades d e dese- nho tradicional, de certa maneira "informais" (embora com regras definidas de ocupação, são convencionais no conteúdo) , cresceram muito mais e são m aiores do que a cidade inovadora, a cidade "formal", por assim dizer. Até 1985, o pla- no-piloto abrigava cerca de 396 mil habitantes; as oito cidades-satélites juntas abrigavam quase l ,l milhão de h abitantes. A Afirmação de uma Escola • 127 A interação dessas partes não permite afirmar que Brasília é apenas o plano-piloto de Lucio Costa. O Distrito Federal, como um todo, continua se ampliando, novos núcleos vêm se agregando ao conjunto, tornando-se um com- plexo de características m etropolitanas. Nessa reedição de processos conurbativos comuns a núcleos urbanos não n ecessariam ente organiza- dos em sua expansão, demonstra-se que Brasília se tornou uma cidade como outra qualquer, apenas com um setor originalmente planejado. A UNESCO, em 1987, elevou Brasília à categoria · de "Monumento da Humanidade". Como Quito, no Equador, ou Salvador, no Brasil, Rrasília teve um se tor de sua cidade reconhecido pelo seu valor cultural. Curiosamente, ela agora é cativa das n ormas de preservação arquitetônica e ur- banística como suas coloniais cidades-monu- mentos-irmãs. Brasília, uma cidade no limiar dos quarenta anos de rundaçàO, filha de U!II ur- banismo que concebe a cidade como um todo, que negou boa parte do desenho tradicional de cidades históricas como Quito ou Salvador, tem agora reconhecido um... "centro histórico". F:ntiio eu senti esse rnovimenlo, essa vida intensa dos verdadeiros brasiliensi'S, I'.Hn 11/.fl.I"Stt qu.e vive fora e converge para a rodoviária. Ali é a casa deles, é o lugar onde eles se sentem à vontade {. ..] Isso tudo é muito diferente do que eu linha imaginado jJam esse centro urbano, como uma coisa mais requintada, ·meio cosmo- polita. Mas não é. Quem tomott wuta dele .foram esses brasiltnros verdadeiros q·ue conskrnírmn n r.irlrulti e estão ali legitimamente [. ..j }:;les estão com a rauio, e eu é que eslava errado. Eles tomaram conta daquilo que não jói concebido pam eles. Foi urna bastilha. Então eu vi que Brasília tem mízes brasileiras, reais, não é uma flor de estufa corno poderia m; Bmsília está funcionando e vai junciona1· cada vez mais. Na verdade. o sonho foi menor do que a realidade. A realidade foi maior, mais bela. Eu fiquei satisfeito, me senti m-gulhoso de ter cont1ibuído. LUClü Cü.STA (1991, p. 7)
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    7 A AFIRMAÇÃO DEUMA HEGEMONIA 1945-1970 J' inegávP-f IJW! n Tli!S.IIl rlHf'U,ileiuTa Ü!11l grartjuuJ.n S'IJ.U!SSO mundial juslo:nUinle fiO/ afrmsr:uiaT alguns rMjH!I:ios originnis, LijJir:amenili lnasiltáros. Nossa anzuiteinra wnfinna, na Jnrílir:a, que o jnocesso de universalização da arte é alcançado na medida em que ela reflete o e;pà"iio nacional, as exp,-essões rnais caraUe-rislicas de seu p1úprio jJovo. (. ..1 Vemos, jJor outro lado, que as expTessões novas da a.Tquiletura no Brasil, vêm sendo aceitas pelo povo, mesmo quando se aprestinlu em .mr.IS formas rnnis a.uriru:io.as. Pudemos mesmo d'iz.eT que o povo bmsileim abre urn crédito de confiança aos seus arquitetos. É nesse clima de súnfJatia e apoio pufntlm· que lemos enwnlTadn o mrúm· incentivo ao nono trabalho de oiaçào. A repercussão internacional da moderna arquitetura brasileira representou, no plano do- méstico, uma legitimação e um reconhecimento social inéditos para uma categoria e para uma prá- lica profissional, até então visível como urna d e- rivação da engenharia ou apenas uma atividade ar- tística associada à construção. Elementos formais dessa arquitetura de prestígio foram apropriados como modismo, quer por construtores popula- res (às vezes com ingênua elegância), quer por j. B. VILA'IOVA ARTICAS, 1955 (1981, p. 16] engenheiros, tão ciosos quanto ignorantes do conteúdo arquitetônico por trás dessas formas. O extremo dessa situação foi o açambarcamen- to grosseiro d e soluções formais "modernas" por anúdinas constru~:ôes patrocinadas pela especula- ção imobiliária oportunista. Cidades em todo Bra- sil que expandiarn seus limites tn-banos nos anos de 1950-1960 formaram verdadeiros repositórios dessa arquitetura imitativa- às vezes, alcançando resultados agradáveis ou, no mínimo, toleráveis.
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    -~~~=------------- 130 • ,-1rquilelurasno !3rasi/ REVISTAS DE ARQUITETURA A arquitetura como Lema autônomo mani- fesl"ou-se nos tlnos ele 1950-1960 com a circulação de q uase: urna dezena de: periódicos especializa- dos- publicações com pauta centrada na arqui- Lel.llra (ou re lacionada com as a rtes plásticas - unut J->arceri:-1 típica do m omento) e não voltada apenas a alguns de: seus aspectos, como as traeli- cion:.lis revistas de: decoração, engcnharia e cons- trução. Algumas delas tiveram boa duração: Acrô- fwle ( Jg4l-197l- sen período áureo foi entre 19fí0 e 1970), ArquilPtum e Engenlul'lia (1946-1965), Ha- bitat (1950-1%5- dirigida inicialmente por Lina Bo Bardi) , Hmsil Anruitetura Contmnjmrânea (1953- 1957) , AI> Arquitetura f /)pcora(âo (1953- 19SR) , Módulo (1955-Hl65- revista do g r upo de Oscar Nierneycr) , /hasilia (1gfí7-l %l- publicação da estatal que construiu llrasília) c A'rquztetum (19Gl - 1969) - entre as mais import.t1tm•s. O ano de: 1965 marca o fim de algnm<ts revistas com os proble- mas políticos relacionados ao golpe m ilitar de 1961. Nunca, em momento anterior ou poste- rior. os leitores estiveram tão ser vidos com publi- cações esvccializaclas de arquitetura. A vulgarização elo tt>ma arquitetônico em tli;trios e publicações ele grande circulação c , so- bretudo, a gran de aven tura que se r.ornou Brasília, com ampla divulgação elo papel dos arqnit<::Los na concretização elo e mpreendimento, redundaram também numa maior demanda por profissionais ele urna categoria de "prestígio" no afluente mer- cado dos anos de 19!JO, com reflexos na rcformu- lação do ensino de arquitetura - de antiga espccirt- liztlç:ào derivada da cngcn haria ou be las-artes para cursos autônomos, or-igem das escolas exclusiva- mente orientadas para a arquitetura e urbanismo. A DISSEMINAÇÃO DO ENSINO DA ARQUITETURA A r egulamcntação federal das profissões de e ngenheiro e de arquiteto data de 1933, com a criação do Con selho Federal de Engenharia e Arquitetura- Conka. A principal escola de for- mação de arquitetos no Brasil até 1945- a Esco- la Nacional de Belas-Artes- era a sucedânea ela Academia ele llelas-Art<:s, fundada 110 Rio eleJa- neiro em 1H26 com a pretensão ele implantar o ensino artístico de alto nível no Império. Outros cursos antigos, de alg-uma expressiio, funcion a- vam: e m São Paulo (o da Escola Poli técn ica, fun- dada em l 891, e do Mackem.ie College, criad o em 1917, como derivações do curso ele engen ha- ria) , eru Belo Horizonte (fundado em 1930) e, m ui to irregularmente, em Salvador (Escola ele Belas-Artes, de 1896) . Na década ele 1940, con comitan te ao cres- cimento elo prestígio da arqu itc:tnra como ativi- dade (devido à sua r·epcrc ussão inte rnacional), o ensino da arrJuitetura vai ganhando nitidez c autonomia das estr uturas de escolas de belas-ar- tes e cugcnharia. Em 194!1, a reforma ua cslru- wra da Escola Nacion:-1l de Belas-Artes do Rio ele .Janeiro tornava o ensino da arquitetura indepen- dente, com a criação da Faculdade Nacional de ArquitcLUra da U niversidade do Brasil. Na nova cst.rulura, a habilitação crn urbanismo d ecorria ele um curso de dois :-1nos acessível :-1penas aos portadores de diplomas em arquitetura on enge- nharia civil. Em 1946, os diplomas da Escola ele: Arquitetura da lJn iversiclaclc rk Min;1s Gerais (sucedânea do curso fundado e ru 1930) foram validados nacionalmente. Em 1947, recon hecia- se, no nível federal , a Faculdade de lrquitetura Mackenzie enr São Paulo (separada ela Escola de Engenharia). A funda ção da Faculdade de Ar- quiletura f' Urbanismo da univcrsid<tcle de São Paulo (independente d rt Escola Politécnica) deu-se no ano segu inte, em 1948, com currícu- lo de urbanismo m inistrado no período de gra- d uação. No Rio Grande d o Sul, o curso de arqui- tetura foi autorizado a funcionar (em nível federal) no interior do Instituto de Belas-Artes em 1945; um ano depois, o governo federal au- todzou a criação elo curso de arquite tura na Es- cola d e Engenharia, criando uma duplicidacle que foi resolvida com a fusão elos dois cursos na Faculdade d e Arquitetura da U niversidade de
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    Porto Alegre em1951. Em 1945, o governo fede- ral reconheceu o cu rso de arquitetura da Escola de Belas-Artes de Pern ambuco, que se integrou à Universidade do Recife n o ano seguinte. Toda- via, somc n te e m 1959 foi criada a Faculdade ele Arquite tura d a Universidad e ele Recife, junta- men te com a ela Bahia. Em Salvador, o curso de arquitetura, no bojo ela Escola de Belas-Artes, fo i in corporado à Univcrsiclaclc ela Rahia em 191fJ, e mbo ra o Conselho Federal de Engenharia e Ar- quitetura tenha admitido a validade dos diploma- dos anteriormen te. A autonomia didática veio apenas em 1959, com a fundação da Faculdade de Arquitetura [Moralcs de los Rios Filho 19G4]. Na década de 1960, com a realização de Bra- sília, a p rofissão esteve em seu auge. Os cursos de arquitetura criados em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná (1961) e o de Belé m, na Un i- versidade Fed eral d o l'ad (19().1)), tiveram em suas p rime iras turmas muitos veteran os en ge- nhe iros civis que buscaram a qualificação de ar- quitetos. Em Fortaleza, a Un iversidade Federal do Ceará instalava-se e m 1965 como a terceira escola uo Nordeste. A criação da Universidade de Brasíl ia (U11B) apon tava para o surgimen to ele uma escola de arquitetura revoluciomíria - experiência estancada com o gol pe militar ele 1964. Como já dito, o principal centro de forllla- ção ele arquitetos até por volta de 1950 era o Rio d t>Janeiro. Todavia, se se buscar nma c.orrelaçào entre o surgim en w d a arquitetura m oderna bra- sileira e a Escola 1""acional de Belas-Artes, consta- tar-se-á um e nigm a. A estrutura acad êmica do curso de a rquitetura do Rio dejaneiro foi abso- lutamente convencional, à exceção da curtíssima gestão ele Lucio Costa à frente da ENBA em 1930- 1931. Os alunos e professores part.iclários do j o- vc:-m f> revolucionário diretor - mais tarde consa- grados como os arquitetos in ovadores ela linha carioca - quase não desempenharam atividades no ensino formal de arquitetura. Lucio Costa, de- pois de 1931, nunca mais entrou numa sal<~ para ensinar; Oscar Niemeycr teve uma cuna experiên- cia docen te em Brasília, depois de 196~. Reiciy c Alcides da Rocha Yliranda (n. em 1909) foram as A Ajirmaçiio de 11111a lfe,~e/1/ollia • 131 exceções de uma regra que incluiu Burle Marx, Jorge Moreira, irmãos Robeno, entre os que não m ilitaram sistematicamente no ensino da arquite- tura, mas promoveram verdadeiras aulas magnas fora da escola e não d t>ntro de uma faculdade. Nesse sentido, surgiu uma maledicente afirmação sohre as escolas d e arquitetura: "fez-se arquitetu- ra no Brasil, apesar das escolas". ARQUITETOS PEREGRINOS, NÔMADES E MIGRANTES É possível aventar a hipótese de que hou- ve dois fatores (entre tantos outros) mais signifi- cativos na dissf'min<~ção dos valores ela arquiteLU- ra moderna atravi:s do país. A criação de escolas de arquitetura em várias regiões d o Brasil teria sido urn d eles; o deslocamento de profi ssion ais de uma região para outra também foi decisivo para a afirmação de nma linguagem comum pelo território brasileiro. Esses dois aspectos se con- fundem no te mpo c no espaço. Uma escola de arquitelu ra pode ser um impor tante centt-o formador e disseminador de idéias. Mas não basta apenas a sua existência. Sua consistência intelectual deriva elas pessoas q ue nela mil itam - estnd<~ntes e professores, principalmente - , suas in terações com o meio profissional c suas relações com a sociedade e m que se insere. Contrariando a maledicência (a de "exis- tir aryuilclura u u país apesar das escolas"), o ambiente de discussão nas escolas de a rquitetu- ra foi fundamental para a afirmação ela arquite- tura moderna entre os jovens. E foi a circulação de jovens arquitetos pelo Brasil que conslituiu um vetor de disseminação das novas idéias. Foi um jovem t·ecérn-forrnac..lo (1Y4Y) no Rio deJaneiro um dos portadores da mensagem moderna para o Nordcsle. Trausfcriudu-sc para o Recife em 1951, Acácio Gil Borsoi (n. em 1924) inicio u sua atividade docente em 1951 na Esco- la de Belas-Artes do Recife, r.ornando-se urn dos mentores- ao lado do português Delfim Amorim
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    -------- 132 • Arquflalllras110 llmsil (1917-1972) (de quem sp falará adian Lc) - cte uma "linha pernambucana" de cuquitetura (urna derivação com linguagem própria da linha cario- ca) , que vai form::~r algumas gerações de arqui- lctos que hoje aLuam por toda a região, extrapo- lando as fronteiras do Estado de Pernambuco e mesmo ela regi;"ío em si rsilva 1988] o Outro jovem recém-[onnaclo (1947) na Faculdade Nacional de Arcp1itc>tma, Edgar Craeff (1921 -1990), foi quem levou para Puno Alegre a informação ria linha carioca, influiu na organiza- ção da Faculdarlc de Arquitetura (na refonna do ensino de 1962), tornando-se um incliscuLível lí- der intelectual, fortemente impregnado do ideá- rio arquiletônico originado no Rio de Janeiro. Outra influência no Rio Grande do Sul derivou do fascinanle modernismo uruguaio protagoniza- do por arqui tetos corno Villamajó (1894-1 948) , Surraco (1896-1976), Scasso ( 1892-1975) , de Los f7. Adlcio Gil ilorsoi: t:<ISa e m J oão Pessoa. I'B, i11ício dos anos de 19f>0. RR. Román Frcsn cdo Siri: tribll- nas sociais d o .Jockcy Cl ub d e Porto Alcgrt!, RS, 19!:>2. A pr<'- sc n <:<'~ da arllllil<::LUra uruguoia t->rn urna obra ítn par no panora- 111a gaú cho. Campos, Puente y Tournicr c a Facultad de Arquitectura de Moutcvideo- de onde egTcssou Demé trio Ribeiro - outra imponante referê n- cia intelectual no sul do l3rasil. A escola d e ilr- quite tura do Riu Grande do Sul , nesse sen tido, é tribmária da informação vanguardista de Montevidéu, do Rio de Janeiro e talvez, da eu- ropéia, com o ainda não-avaliado papel desem- penhado pelo austríaco Eugenio Stcinhof, rni- lit.aJil C no ensino de arquitetura na Escola de Engenharia rlc Pono Alegre, antes de sua integração ao curso m inistrado nas Belas-Artes. St.ein ho[ foi saudado em 1929 por Adolfo Montles de los Rios Filho (1887-1973) como um "arquite- to moderno" vie nense, por ocasião de sua con- ferên cia no Rio de Janeiro, com poucos meses de diferença da palestra ele Le Corbusier. Essa fusão de influências no Rio Grande do Sul talvez esteja na raiz da grande rnobilicla-
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    de de seusarquitetos. Mobilidade produzida por um vetor específico : o ensino de arquitetura. Parcela po nderável de profissionais que partici- pa ra m d o corpo docente p ioneiro elo cu rso de Arquitetura da Universidade de Brasília era com- posta por oriundos do Rio Grande do Sul. O gru- po origimtl que implantou o curso de arquite ru- ra em Reté m, no Estado do Pa rá, na primeira metade dos anos de 19fi0, e ra majoritariamente de gaúch os - u ma empre itada de atl·avessar o país do extremo sul ao extremo u orte. São Paulo foi també m u m grande celeiro de pro fissionais para o Brasil. Outra parcela ponderável do corpo docente original da Univer- sidade de Rrasília partiu ele São Paulo; o gr upo inicial ele professores do curso ele arquitetura de Curitiba, Estad o do Paraná era basicame nte compostO por arquitetos de São Paulo . Nota-se também a forte p resen ~·a paul ista na formação do cm·so de arquitetura de For taleza. Mas a síntese do signo do d eslocamento na arquitetura encontra sua maior expressão em Brasília: o cor po docente da experimental Facul- dad e d e Arquite tura da Universidad e de Brasília foi fo rmado por um con tingente de j ovens do Rio de janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Pernamhnco, capitaneado por me~­ tres do pone de u m Oscar Niemeyer, Alcides da Rocha Miranda e Edgar Gracff. A reunião ctcsscs arquitd os num ponto então longínquo no terri- tório brasile iro confunde-se com a própria epo- R9. Osca r Arint': fórum de T rê' Lagoa~, MT, I!Hili. 11llfimwçiio de uma 1/egPmmlia • 133 péia de centenas de milhares de brasileiros, (jlle vislumbraram em Brasília n ma nova etapa da história d o país [Scgawa 1988a] . É claro q ue o ensino não foi o único vetor cte deslocamento de ar(juitetos. O ensejo de tra- balho promissor é capaz de mobilizar qualquer tipo de profissional em b usca de uma oportun i- dade mdhm· para ganhar a vida. Parte dos arqui- tetos que peregrinaram pelo Brasil, sob o signo do eusiuo de arquitetura, e ncontraram tambbn um lugar ctcfinitivo par:~ desenvolver também a atividade de pr~jctista. No en tanto, (jUanclo o deslocamento profissional é provocado apenas pela busca ele oportun idade mt>lhor, t>sse mapea- men to é mais difícil, mas certamente fac tível de uma análise mais documen tada no futuro. Ape- nas para ilustra r essa situ ação, dois exemplos bastariam. A política rlc ocupação do interior do país no período pós-1964 definiu urna cstrat(:gia de orupaç;ôio e integração de regiões isoladas c pou- co desenvolvidas do Brasil, como o CenLro-Oeste c a Amazônia. O Mato Grosso, Estado q ue faz fronteira com a Bolívia e o Paraguai, foi bri ndado com recu rsos para sua modernização, inrlnindo o reforço de sua rede urbana com a melhoria da infra-esu·utura administrat iva e de serviços públi- cos, o que levou o arquiteto Oscar Arin c (n. em 1 9~~), de São P:-nllo, a transferir-se para a capital do Estado, Cuiabá, e eventualmente levar colegas de sua cidade n atal para desenvolver pn~jctos de
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    -------~~---- - -- - - /_:yf • Arquiteturas 110 Brasil edifícios públicos - escolas, rónms, hospi1ais, ca- deias, delegarias, a11ditórios c: a té um campus uni- versitário - , kvaudo para uma região inóspita um Lipo de anplitctura de vanguarda que se praticava em São Paulo nos anos de 1960 lSegawa 1990]. Situação anúloga c simultânea ocorreu com o arquiteto do Rio de.Janeiro, Severiano Porto (n. e m 1930): convidado para desenvolver pr~j etos e fiscalizar obras em Manaus, capital elo F.staclo do Amazonas, Porto foi o primeiro arquiteto a se transferir para o Estado, 11a segunda mcwde dos anos de 1960, e sua prorlu('ão credenciou-o como um dos importantes arquitetos brasileiros no últi- mo quartel do século 20 [Zein 198(-)a j. Essas migrações inte rnas- como procnr<J- m os demonstrar sinteticamen te - transcendem o mero sentido de deslor.amento de profissionais em busca de oportunidades melhores. Esse trân- sito de profissionais pelo país simboliza uma tro- ca e nm enriquecirncuto de valores que, como sementes ao vento, vão desenvolver novas atitu- des em outras parageus. É a origem do quadro diversificado da produção arquitetônica que vai dcsahroch::Jr no Brasil nos anos de 1980, como verificaremos mais adiante. Essas migrações ca- racterizaram um processo d e transferência de conhecimento c tecnologia de regiões mais de- senvolvidas (como o Rio de Ja neiro, São Paulo c os grandes centros regionais) para outras menos d esenvolvidas, num processo indutivo de moder- nização c uniformização de valores culturais e técnicos via a rquiLc:tura. Nesse sen tido, o arqui- teto roi um agente de modernização, contribuin- 90 . Rcrnard Rudofsky: relojoaria em São Paulo, 1939. elo com uma informação que, adequadamente apropriada ao nível regional, !'oi e será capaz de estabelecer uma nova base de atuação dos arqui- tetos no arnbicntc. EM nuSCA DA AMÉRICA: ESTRANGEIROS NO BRASIL (l uando eslava no úliimo ano da fa.cu.ldadl<, saiu um livro sobre a grande llllftiÍlelum bmsili'Ú'fl, IJitR, naquele temfw, 110 imediato pós-guerra, foi rumo um farol d1! luz a resjJlnnrll'l'l't l'llt um mntjlll dP mm·te I...I })·a uma roisa maravilhosa. LINA Bo BARDI, sobre B-mzil Ruild.~. l9R9 J P rojPIO I~~9~, p. M] A perversão da guerra é capaz cte p rovo- car fenôme n os à maneira de uma diúspora. A Europa, desde o tem po de prenúncio do grande conflito, até pouco depois de seu fim, conheceu também um a diáspora de intelectuais, cientistas, arquitetos e artistas. Destroçado pda guerra, o Velho Mundo pouco tinha a oferecer senão u m penoso trabalho ele reconstrução c urna situação econômica e política pouco confortável, mesmo com a vitória dos aliados. O Brasil também acolheu inúmeros refugi- ados ilustres, incluindo aí literatos, artisws pl~lsti­ cos e arcptitcws. I enorme repercussão do Bmút Huild.s durante o período de guerra foi decisiva para a opção que alguns desses imigran tes sem rumo tomaram. Um dos mais co n hecido~ estrangeiros atu- antes no Brasil foi Bernard Rudofsky, o arquite- to austríaco conhecido como o autor do livro A r- chiteclun~ willwnt Architects, além de outras obras de temáti<:;a alternativa. Fala-se que Ruclof:~ky veio ao Brasil tendo como meta alcançar os Estados Unidos: nessa é poca, um europeu não conseguia im igrar diretamente a esse país. Trabalhon em São Paulo e ntre janeiro de 19~9 e abriI ele 1941, tendo vivido antes no Rio de.Janeiro por seis me- ses. Rudofsky construiu duas casas em São Paulo (Arnstcin c Frontini, publicadas em BraziLBuil.ds),
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    91. Lukjan Kornp;old:cdillcio CBI-Esplanada, São L'aulo, IV46. projetou lojas, desenvolveu trabalhos em artes gráficas e desenhou móveis de caráter precursor para o meio, empregan do materiais nativos. Che- gou a ser premiado em um concurso ele rlesign promovido pelo Museum ofMoclern Art de Nova York em 1941 [Amaral1983; Segawa 1982, 1983], O polonês Lukjan Korngold (1897-1963) chegou ao Brasil para se instalar definitivamente no início de 1940, tendo no currículo um diploma de honra da Trienal de Milão em 1936 e uma passagem profissional por Tel Aviv em meados dos anos de 1930, durante o boorn de arquitetura moderna que marcou a paisagem dessa cidade [The White City... 1994]. Ern 1946, projetou a en- tão maior estrutura de concreto armado do país, o edifício CBI, no Parque do Anhangabaú, um dos canões-postais da cidade. Com rigorosa modulação estrutural, criando plantas livres com / I Ajirrnaçãn de uma He15emonia • 13 5 9L. Giancarlo Palanti: edifício Condt"" dt": Prale s, S:-to Pau- lo . I!JI'j2. andares panorâmicos, essas inovações tornaram o prédio uma referência para os edifícios de escri- tórios posteriormen t.c desenvolvidos. Korngold também foi o responsável pelo primeiro edifício com estrutura metálica no Brasil - o Palácio do Comércio, também em São Paulo, em 1951. A experiência anterior do italiano Gian- carlo Palanti o credenciava como um inovador: diplomado na Politécnica de Milão em 1929, foi professor de sua escola a partir de 1935 até 1946, ano de sua chegada ao Brasil, onde faleceu. Na Europa, participava do grupo milanês em torno do racionalismo italiano ligado à revista Casabella (fechada pelo fascismo em 194;)), ao lado de Igna- zio Gardella (n. em 1905), Franco Albini (1905- 1977)- com quem compartilhou projetos- e Giu- seppe Pagano (1896-1945), entre outros. Palanti foi um dos co-autores do Grande Salão da VI
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    136 • Arquilc1urasno Brasil Trienal de Milão de 1936, na equipe liderada por Eduardo Persico (1900-1936). No Brasil, Palanti foi um pioneiro no desenho de mobiliário indus- trial ao fun dar em 1947, com Lina Bo Bardi, o Studio de Arte Palma; entre 1952 e 1954, dirigiu a seção de ;~ rqu i te rura da Construtora Alfredo Math ias; e, de 19!16 a 1963, esteve associado a IIen- rique Mindlin, dirigindo o escritório de São Pau- lo da sociedade. Sua atividade concentrou-se ba- sicamente nos anos de 1940-1950 em projetos de edifícios come•-ciais, residenciais e desenho de mobiliário [Rocha 1991] . Como já dito ant·es, ; 1 romana Achillina (Lina) Bo Hard i veio ao Brasil em 1947 acompa- n han do o lll<trido, o crítico ele arte e mrtrchanrt Pietro Maria Barcli, convidado para organizar o Museu ele Arte de São Paulo pelo j ornalista Assis Chateaubriand. Na Itália, Lina Bo havia trabalha- elo com Gio Ponti (1891-1979) e dirigido a revis- ta lJomus no período da Guerra. No Brasil, em seus primeiros anos, Lina dirigiu a revista Habitat, desenvolveu pr~jetos de desenho de móveis, ar- quitetura de interiores, cen ografia e a residência do casal, obra marcante para a época (1949) . En- tre 1958 e 1964 trabalhou em Salvador, Escada da Bahia, cie..,envolvendo projetos museogr:dicos, o projeto de restauro do Solar do Unhão, transfor- mando-o no Museu de Arte Popular e o pn~jeto de uma casa (demolida) . Arquiteta de poucas obras, sua principai realização ary_uitctônica dessa fase foi o Museu de Arte de São Paulo (1957-1968), que a lançou como urna das grandes figuras no cenário brasileiro - e cujo trabalho lerá desdo- bramentos nos anos de 1970-1980. Sua obra atu- almente vem merecendo as atenções mundiais, sobretudo a partir de uma exposição e d o livro reunindo suas realizações, sistematizando um co- nhecintento até então fragmentado sobre as vá- rias facetas da arquiteta como musa e agitadora cultural [Ferraz 1993] . O utro estrangeiro imigrado em 1947 foi o tcheco Adolr Franz H eep (1902-1978), formado em Frankfurt, onde Leve en tre seus professores Walter Gropius e Adolf Meyer (com que m traba- lhou até J928) . Entre 1928 e 1943, Heep viveu na França: trabalhou para Le Corbusier, associando- se em 1932 a Jean Ginsberg (1905-1983) (outro discípu lo de Le Cnrbusicr), com quem proj etou alguns edifícios de apartamentos na linha do mestre suíço (obras que hoje fazem parte do ro- teiro arquitetônico moderno de Paris) . Em São Paulo , Fra nz Heep trabalhou inicialmen te para Jacq ues Pillon, para quern modificou o proj eto da sede do jornal O Estado de S. Paulo; trabalhou por um breve período com Henrique Mindlin c abriu escritório próprio em l 950. Sua maior pro- dução concentrou-se e ntre 1954 e 1962, com pro- je tos de edifícios resicleuciais, comerciais e indus- triais, além de algumas residências - todas obras meticulosamente detalhaclas, transformando-se num a prática q ue con heceu seguidores en tre seus colegas brasileiros [Gaui 1987). Heep criou uma referência de q ualidad e para ed ifícios de- senvolvidos pa•·a o mercado imobiliário, num período de inLensa verticalização da cidade de São Paulo. Entre seus prqjetos destacam-se o edi- fício Itália (1956) e a igreja de São Domingos (1953) no bairro das Perdizes. Professor do cur- so de arqn it.etura do Mackenzie, a ativid ade de Franz Ileep em Süo Paulo deixou discípulos, como o arquiteto Salvador Candia (1924-1 991) c Elgsoll Ribeiro Gomes (n. em 1922) -que se transferiu para Curiliba, capital do Estado do Pará c projetou, com sett mestre, o ed ifício Sou- za Naves (1 95~), considerado como o primeiro prédio moderno dessa cidade. Outro importau le imigrante para a arqui- tetura brasileira foi o p ortuguês Delfim 1rnorim. Formado no Pot·to em 1947, foi professor e m sua escola e co-fun dador da Organização e m Defesa da Arq uitetura Mocierna (ODAM), movimen to portugu~s q ue tinha, entre suas referências, a ar- quitetura b rasileira de então. Amorim imigmu para Recife em 195 L, trabalhando inicialmente com Acácio Gil Borsoi c, em seguida, tornando- se seu assistente no curso de arquitetura da Es- cola de Belas-Artes. Amorim, ao lado de Borsoi, foi uma figura cle ponta como projetista c edu- cador n o panorama do Nordeste, tendo sido um dos responsáveis pela formaçi'io de uma "escoi<J pernambucana" a partir dos anos de 1960 [Del- fim Amorim 1981).
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    A A{irnwçi:io deurna He,r;emouia • 737 93. Li11a Ro !%reli: casa no C ha me Chame, Salvador, BA, 195il. 95. Fra n 1 T-Tccp: cdificio Ti nguá, Sã o Pa ul o , década de 1950. 94. Franz H ccp c Jean Cinsbcrg: edifício de apartamentos enl Paris, 19::1. 96. Del!"irn Arn orinr e Lúc io EsLeliLa: cdificio Acaiaca, Re- cife, PE, 1958. foto-co rtesia de Geraldo c;omcs.
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    -- 138 • Arquiteturas1w Brasil Ao lado desses nomes, podem ser lembra- dos lambém os de Mário Rnsso (m. e m 1996), Victor Reif (n. em 1909), Daniclc Calabi (1~06- 1964) c Giancarlo Gaspe1Í11i (n. em 1!:)~6) - os três úllimos alivos em São Paulo. O italiano Ma- rio Russo pode ser co n s id ~raclo um precursor moderno em Pernambuco, ao chegar a 1949 con tralado como Chefe do Escritório Técnico cb Cidade Universit;:íri". elo Rt:cife. Desenvolveu o plano urbanístico do campus c os projetos da Faculcladt: de Medicina, do Hospital das Clíni- cas, d o InsliLuLo de Biologia Marítima , do Ins- tituto de An tihiólicos, da Escola de Enge nharia e d e unidades residenciais n a p rimeira metade dos <li10S d e IYSO (nem todos realizados) . Foi professor do curso de arquilc LUra da Escola de Belas-Artes, matriz d o curso de arguirctura [Sil- va 1988; Russo 1956]. O polonês Victor Reif viveu anos acarlêmi- cos e m plena efer vescência ela van ~u arda de Berlim no fimtl dos anos de 1920. Estudando na famosa Technische Hochschule de Berlim-Ch ar- lottcnburg a partir de 1927, f'oi aluno de I-Jans Poelzig (1869-1936) e estagiou alguns meses com Bruno Taut. ( 1889-193R) , trabalhando nos estudos de habitação mínima e no conhecido projeto do conjunto habitacional "Ferradura " em Berlim ( 1925-1930). Nos anos de 1930 e 1940 (mesmo durante a Guerra) trabalhm' e111 Varsóvia e na re- gião ela Silésia com construção, proje to~ arquite- tônicos e imcriores. Chegou ao Rio deJaneiro ern 1950 com perspectiva de serviços em arquitetura de interiores, mas logo deslocou-se p ara São Pau- lo, onde seg11iu cancira em escritório p1·óprio desenvolven do belos projetos residenciais marca- dos por sua formação racionalista, com desenhos de geometria límpida acrescidos de um tOC]Ue tro- pic<~ l. Segue até o presente como p,-ofessor da Fa- culdi1de ele ArquiteLUra do Mackenzie. Nascido em Vcrona, Daniele Calabi for- mou-se e ngenheiro em Pádua (1929) e o bteve grau de arquiteto em Milão em 1933. Calabi de- senvolveu algumas obras significativas na Itália (Casa d e! Fascio em Aban o Terme, Pádua; Colonia Principi di Piemonti, Veneza; observató- rio astrofísico da Universidad e de.: Pádua) antes lJ7. M>trio Russo: Faculdade de Medicina da UFPE, Recife, PF., décarl~• rlc 1950. de se refugiar no Brasil em 1939, por sua origem judaica. Em São Paulo, manteve uma construto- ra c desenvo lveu projctos (alguns em parceria com Rino Levi) e desenhou algumas residê ncias noLáveis. Deixou o "Brasil cm 1949, com um pro- jeto incolllpleto (C<~sa da Infância da Liga elas Senhoras Católicas) associado ao n.:cém-chegado Giancarlo Palanli. De volra à Itália, pr~jetou irn- portantes edifícios universitá rios (1nstilul o ele Geologia e Mineralogia da Universidade de Mi- lão, restauro do conven to dos To letinos e nova sede do lstituto UniversiLario di Architeltura di Venezia), inúmcras obras hospitalares e de inser- ção de ediiicios novos em tecidos antigos (Bihlio- teca Augusta em Perúgia) - tendo sido premiado por diversas dessas obras rzucconi 1992]. Dan ie- le Calabi foi o único dos estrangeiros ,-adicados no Brasil que retornou ao seu país de origem com uma carreira viLoriosa.
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    Giancarlo Gasperini, formadona llália, e sem perspectivas de trabalho em sua terra natal, optou pelo Brasil ao conhecer pessoalmente o Rio de janeiro, para onde imigrou e freqüentou novamente o curso de arquitetura. Ao mudar-se para São Paulo no início dos anos de 1950, car- regava consigo u1na forte influência de Affon so Reidy e iniciou uma brilhante carreira, toruanclo- se um dos importantes arquitetos brasileiros. O renome internacional de Oscar Niemcycr foi ca- paz de atrair para o Brasil inúmeros estudantes e arquitetos latino-am ericanos e d e outras partes do mundo para estágios com o mestre- entre os fJU<~is o a11straliano Harry Seidler (n. em 1923), que, antes de voltar para sua terra após graduar- se e m Harvard, passou uma temporada traba- lhando no Rio de Janeiro. Sua obra, ainda hoje, traz reminiscências d essa passagem. Boa pane desses estrangeiros chegaram ao Brasil atraídos pela vanguarda arquitetônica que se vislumbrava, a panir do combalido ambiente europeu. Todavia, destacar esses personagens não é uma apologia da qualidade e da capacida- de de sedução de uma arquitetura local. Impor- la destacar que alguns desses arquitetos, em con- tato com o Brasil e os brasileiros, contribuíram com sua cultura de origem e, na interação com a cultura local, foram capazes de fertilizar obras que corroboram o poder de assimilação a que a moderna arquitetura brasileira recorreu em sua origem, a partir de fontes e uropéias - capacida- de de assimi !ação, às vezes conciliando opostos, comportamento pouco afeito a certo racionalis- mo ou funcionalismo em voga nos anos de 1940- 19fi0 - c, talvez, razão primordial da "exuber:m- cia" brasileira ante o olhar europeu. CAMINHOS PARALELOS A vanguarda ela arquiletura brasileira fica- va no Rio eleJaneiro, mas boa parte dos arquite- tos-imigranles estrangeiros veio par'a São Paulo. Essa preferê ncia tinha sua razão no dinamismo A /Jjlrm açan de 111/la Hegemonia • 139 que o Estado apresentava nos anos de 1940, j:t como a principa l unidade eco nômica do país. O Rio de Janeiro e ra a capital (e até a década de 1960, a cidade mais populosa) , e as encome1u.las aos arquite tos modernos eram, em sua maioria, patrocinadas pelo poder público; em São Paulo, ao conrr{trio, o patrocínio eslalal aos escritórios privados era diminuto. O acesso a obra~ maiores pelos proCissionais liberais dependia principal- ment.e da encomenda ela iniciativa privada. Rino Levi foi o primeiro nnt<ÍvPI arquiteto moderno de São Paulo depois de Warchavchik. Trazendo ela Itália uma sólida formação profis- sional [a propúsiLO, ver o capítulo "Modernismo Programático 1917-1932"], a sua obra madura, a partir dos anos de 1940, transformou-se numa referência par;t os jovens arq uitetos c demais colegas por seu cuidado na elaboração dos as- pectos técnicos e artísticos, com a análise dos condicionamentos fun cionais de programas ar- quitetônicos complexos de forma pioneira no meio profissional. Levi tornou-se um especialis- ta em arquitetura hospitalar (o que o levou a ser chamado pelo governo venezuelano para organi- zar um sistema de edifícios hospitalares p;1ra o país), de cinemas e teatros (o arquiteto mesmo cuidava dos cálculos de acústica desses ambien- tes) , bem como enfrentou inúmeros encargos ele resolução complexa na área industrial. Rompen- do com a tradição local, Rino Levi foi o primei- 98. Riuo Levi, Roberto Cerqueira César e Luiz Roberto Carvalho Franco: Instit.ut.u úe Ca~lroenterologia, São Pau- lu,l959.
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    740 • Arrplite/Jn·asnu Rmsil ro arquiteto e m São Paulo a se dedic1r exclusiva- mente ao projeto, desincumbíndo-sc ela coustru- ção. Ele e seus sócios mais jovens, Roberto Cer- queira César (n. em 1917) c Luiz Roberto Carva- lho Franco (n. em I926), construíram uma repu- tação profissional excepcional, marcando época por sua atuação. O segu ndo a seguir a trilha ele indepen- dência da obra, ainda nos anos de I940, f·oi ( )swal- do Arthur Bratke, formado no curso de engenhei- ros-arquitetos do Mackcnzic em 1~J:-10. Bratkc, nascido no mesmo ano d e Niemeyer, é represen- tativo das tnuctórias disliutas cutrc os arquitetos modernos do Rio de janeiro e de São Paulo. ~ão houve arquiteto for mado em São Paulo da mes- ma gera·ão elos pioneiros cariocas que tenha ini- ciado sua vida profissional con1 a linguage m moderna e sem envolvimento com a construçiio. Todos os paulistas praticaram uma arquitetura eclética antes de se converterem ao modernis- rno; todos, também , adquiriram grande prática 99. Q,waldo BraLke : ,íJa Sena <.lo 1'avio, AI', 1955-1960. de canteiro, porquanto rara era a encomenda de projeto sem a respectiva obra. A in trodução de componentes modernos na arquitetura paulista não se in iciou med iante os recur·sos formais que caracterizaram a linha carioca: foi no tratame n- to racional e inovador das plantas que certa modernidade emergiu em São Paulo. Í~ provável que um dos arquitetos que mais se sensibiliza- ram com essa preocupação no contato profissio- nal com Bratke fosse o estagiári o João Batista Vilanova Artigas. Bratke também foi um admirador da ar- quitetura que se desenvolveu na Costa Oeste dos Estados Uniclos, sobretudo ela obra ele Richarcl Neutra (1882-1970) e das manifestav)es ern tor- no da revista da vanguarda Arts & Arr;h.itectu:re, cujo p rograma das Case Study Houses (raciona- li7.açiio ria construçiio, inrlustrializaçào c experi- mentação de materiais, análise dos novos modos ele vida pós-segunda guerra) marcou vários ar- quitetos paulistas. Decerto Oswalrlo Bratke é o
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    mais paradigmático entreos profissionais que compartilharam desses princípios, não se atendo à int1uência de Le Corbusier como a maioria de seus colegas de geração. Numa outra senda, Bratke projetou dois núcleos urbanos no então território do Amapá - Vila Serra do Navio e Vila Amazonas - entre 1955 e 1960, bases para a estrutura de mineração de manganês promovida pela empresa !COMI. Divergindo de certa conduta funcionalista do ur- banismo de entào sem, contudo, negar opções racionalizantes, Bratke foi cuidadoso em inserir núcleos e projetar edifícios que buscassem ade- quação ao ambienlt: amazônico e à cullura local, sobretudo no desenho das casas operárias, des- tinadas aos nativos da região. Realização con - temporânea à conslrução de Brasília, Serra do Navio é um conlraponlo urbanístico à Brasília no panorama da época [Ribeiro 1992; Segawa e Dourado, 1997] . A DIFUSÃO DE UMA LINGUAGEM A influência da linha carioca se fez visível em várias partes do Brasil, em obras de destaque nas principais cidades do país. A disseminação dessa linguagem deu-se, em hoa parte, pela par- ticipação de arquitetos do Rio de Janeiro ou que se formaram na Faculdade Nacional de Arquite- tura. Por outro lado, diante da ampla divulgação e repercussão por meio de publicações especiali- zadas ou não, o repertório formal e projetual mais ou menos codificado da linguagem carioca permitiu que profissionais não necessariamente relacionados com o movimento do Rio de Janei- ro aplicassem as idéias dessa arquitetura moder- na com maior ou menor fidelidade e acerto - e entre esses profissionais, incluíam-se engenheiros civis, técnicos de edificação e construtores - isto é, uma apropriação tanto erudita quanto popular. O Rio de Janeiro, por sua então condição de capital do país, era uma referência cullural muito forte para as demais cidades e regiões - mesmo para São Paulo, no pós-guerra assumin- A Afirmaçàu de uma Hegemonia • 141 do a condição de mais importante centro eco- nômico e industrial do Brasil. Em São Paulo, mesmo contando com arqui- tetos de primeira linha em atividade, para o proje- to do Parque lbirapuera- centro das comemora- ções do quarto centenário da fundação da cidade de São Paulo - a comissão organizadora contratou Oscar Niemeyer - que reuniu urna equipe local para auxiliá-lo na tarefa. No período entre 1951 e 1956, Niemeyer esteve projetando edifícios co- merciais e residenciais para empresários de São Paulo (num período de pujança econômica), chegando a organizar um escritório na cidade, dirigido por Carlos A. C. Lemos (n. em 1925). O edificio Copan foi projetado nessa época. No iní- cio dos anos de 1950, Niemeyer também foi cha- mado para inúmeros projetos em Minas Gerais- relacionados com seu mecenas mineiro, Jusceli- no Kubitschek (que havia encomendado o con- junto de Pampulha quando prefeito de Belo Ho- rizonte), então eleito governador elo Estado nessa época. Vários edifícios públicos (biblioteca c I00. David Xavier Azambuja c equipe: Centro Cívico Esta- ""'"· Curitiba, PR, 195 1. I. Palâóo do Gover no; 2. garagem; 3. residência do gov{'rnadnr; ~t. monun1enlo. Ptdúcio da.Justi:a; tJ. Tribunal Eleitoral; li. Palacio da .Justiça; 7. Tribunal do Júri; 8. Câ- lilara dos Deputados (secretaria); 9 . Plenário da C:imara; IO Conlissúes ti'·cnicas ela C;imara dos lkp11 1.adns; 11. Pa- l;'tcio rlas s<~(T<~larias de El'it.ado; 1~ . Pag<:uluria.
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    ---- 742 • Arr;ui/('1/1 ms l/O !Jrasil teatro na capital, escolas públicas no interior do Estado) I' privac!os (cdificios resicle nriais, clulws, hotel) foram projetados e alguns construídos. .Jove ns de várias partes do Rrasil qnc foram busc.u· formação em arquitetura no Rio deJam;i- ro se transformaram e m me nsageiros da arquite- tura moderna. Edgar (:raefT, do Riu Grande do Sul, jú foi lembrado anterio rmente. O baiano Jusl: Bina Fonyat (191 H-?), n1esmo estabelecielo no Rio de J ane iro, d e:;euvolveu inúmeros proje- tos para Salvador - o mais destacado, o teatro Castro Alves (1 qs7- I9Gu) . O paranaense David Xavie r Azambuja (1910-19H2) lide rou a equipe do projeto do Ccnrro Cívico Estadual em Curiti- ba, ao lado de O lavo Rcidig de Campos (1906- 1984), Flávio Amilcar Régis (n. em 1908) c Sér- gio Rodrigues (n. em 1927). Arquitctos-rnigrantes (como conceituamos anLe rionnente) que se forma ram no Rio de Ja- neiro rlisst:>minaram a linguagem carioca. Acácia Gil Borsoi, como já lembrado, foi uma fig ura c::~­ pir.al par::~ Pernambuco. Carlos A!berro rlc Holan- da Mendonça (1920-l V56), al::~goano qut> se trans- feriu para Porto Alegre em 1948, introduziu o padrão carioca e m empreendimento:; comerciais rom dig-nidade c, não fosse a morte prematura, seria um arquilt>lo com maior reconhecimento. O carioca IIélio Dllartc (I 906-1989) foi p ara- di?;mático como um arquite to-peregrino: for- mado na Escol(l Nac ional ele Belas-Artes e m 1930 (antes d a tenlal iva de reforma de Lucia Costa), D uartc t.raha1hou na d écada de 19::10 no Rio d e .Jane iro e em Salvarlor, até instalar- se definitivam en le e m São Paulo, em ·1944. Le- vou para Salvador, onde fo i pro ressor da F.sco- la de Rl·l:-1s-Ancs até 1914, as id(:ias de Le Corbusier - embora não tenha co nseg-uido im- por conceitos modernos no curso. Projetou al- gulls cc!ifícios que estão entre as primeiras obras m odernas da capital da Bah ia. Em São Paulo, desenvolveu bem-sucedida carreira profis- :;ional e acadêmica, aposentando-se como profes- sor titular d ::1 FJU-USP [Segawa 1990 1. O outro caminho para a vulgarização do pensamen Lo carioca foi a apropriação dos concei- tos por profissionais de outras regiões. Fo i o caso 101. Rubens Meistcr: Teatro Guaíra, C:u ritiba , PR, 1941-. ~;w~~ .~~:;~--~&~tk:~~,..{~~-,;~..;..; :4ffu,;~~~~!4~;· 102. Jo~o Ralista VilaHoYa Anigas e Carlos C:ascaldi: rodo- viária de l.o11d rina, PR, 1tl50. de Diógenes Rebouças (1914-1 991 ) em Salvador, cujo TTotel rla Bahia (1947-1949), qne con to u com a co-a11Loria do n 1rioca Paulo Antunes Ribe i- ro, foi uma das mais significativas obras do perío- do. Rebouças, formado tan.liamen te n o curso rle arquitetura da Bahia, foi um notável seguidor da linha carioca por aproximação aos mestres como Niemeycr e Reidy, sem todavia ter vivenciado d i- re tamen te a agitação cultural do Rio d e Janeiro [Reis el al. 1995] . No sul do país, Nelson Souza, formado e m Porto Alegre, com o projeto do Ae- roporto Salgado Filho (1950), retomou o mode- lo do aeroporto Santos Dumont do Rio ele Janei- ro, dos irmãos Roberto. Luiz Fernando Carona (1923-1977) c Carlos Maximiliano Fayet (n. em 1930) ganharam um concurso púhlico nacional de anteprojetos (1953) para o Palácio da j ustiça de Porto Alegre com uma proposta clarameu tc referenciada n a linha carioca. No Paraná, o en- genheiro Rubens Meister (n . em 1922), inequivo- cam ente um pioneiro do moderno paranaense,
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    ao projetar oTeatro Gnaíra na capiral do Estado, o faz com algumas referências fo rmais à arq uite- tura d o Rio de Janeiro. Todavia, Meister, na se- qüência d e sua obra nos anos de 1950-1960, cle- senvolve u uma linha menos vi nculacla à linha carioca, aproximando-se d a arq ui tetu ra norte- americana [Zein 1986]. Em São Paulo, um arqtti- tcto de personalidad e própria como Rino Lcvi também desenvolveu projetos com p equenas re- f'er€-ncias à linha carioca; e um arquiteto que fez fran ca oposi~:ão idcol(>gica ao t.rahalho de Lc Corbusier, João Ratista Vilan ova Artigas, abra- ço u a ling uagem da arcplÍtetura carioca e 111 obras como o Edifício Louvcira, em São Paulo, ou seus projetos para a cidade de Londrina, in- terior do Estado do Paraná, como o edifício Auto lo n c a estação rodoviária, do final da déca- da de 1940 [Segawa 1990aj. A AUTOCRÍTICA DE NIEMEYER Consagrada urna no rma arquite tônica, apropriada uma coleção de "regras" para fazer "boa " arquitetura, o lugar-comum c a banaliza- ção de soluçôcs que consagraram a arquitetura brasileira tornaram-se cami sas-de-forç<~ ranro para os arquite tos que participa ram d a insta uração dessa linh agem arquite tônica quanto para os jo- vens seguidores. Esse falo não passava despercc.:- bido ao seu principalmentor, Lu cio Costa, quan- do adm i1iu - tão cedo como em 1953 - que a "arquitetura brasileira [...] anda muilo n ecessita- da de du cha fria de quando em quando", por O('asião da resposta às críticas ele Max Bill. A crítica (ou auwcrüica) mais rclc:.:vantc.: c de re percussão foi elaborada pelo protagon ista mais e rn evidência, Oscar Nie meyt>r. Na seguuua metade elos anos ele 1950, e ngajado nos projetos dos palácios de Brasília, o arquir.ero publicou uma série de artigos na revista M ódulo, que j.>O- de mos considerar entre as mais importantes ma- nifestações por escrito de um arquite to moderno brasileiro, depois dos ensaios d e L ucia Costa . Em uu1 cl:lc:brc tcxlo, "Depoimento", saíd o em A Afirmaçiio de 11111{1 lie,~emonia • 143 fevereiro de 1958, ~ iemeye r revelava ter passa- do po r "um processo houcsLO c frio de revisão de me u trabalho ele arquiteto". Fazeudo sua mea- r:nljm pelo excesso d e projetos sem o d evido cui- dado, reveland o sentimentos de contradi ç~w pessoal diante do quadro social no Brasil c sua atuação profissio nal j u nto .:s "classes abastadas", ele admitia ter-se descuidado "de certos pro ble- mas e a adotar uma te ndência excessiva para a originalidade, no que e ra incentivado pelo:,; p ró- p rios interessados, de:,;cjosos ele dar a seus pré- dios maior repercussão c realce. Isso prejudicou e m alguns casos a simplicidade das construções e o sentido ele lógica e economia que muitos re- clamavam" l).fiemeyer 195HJ. Nessa busca de de- puração, o próprio arquiteto alinhavou o que considerava como uma n ova etapa dt: seu tl·aba- lho, a partir d e alguns poucos princípios: Nesse sentido . passaram a me in [Crcssar as soluções co1npaclas, simp lt>s <" gt>om;;tricas; os p rohle111as de hi- erarq uia c de caráter arqui teJôniro; ~1 s convc ni ê·n cias de un idade c h ar mon ia e ntre os edifícios e, ai nda , que es1es não mais se exprimam por sctts dellleulüs secuu- cl:trios, 111as pt>b própria estru tu ra, ctevidamente in te- g rada na concepção plástica ol"igiual [Niemeyer 1958]. A simplicidade b uscada pelo arquiteto encontraria na r.slm.lnra st"n principal protagonis- ta, como pouco depois ele mesmo accnt11aria: De ntro dessa a rquiletu J·a, [JI OCuro orientar meus p,·oj<'tos caracterizaudo-os, se mpre CJ llf' possÍYe l, pela p rópria estrutura_Nunca baseada nas imposi(Õcs rad i- cai s do fnn cionalismo, mas sim, na procu ra de soluções novas e variadas, se possíve l lógi<as rlcn rro do sis1cma estático. F. isso sem lemer as contradições de forma com a técnica e a fun çào , certo que permanecem, un icamen- re, as solu:Ócs bdas, in esperadas e hilr mon iosas. Com esse objetivo, ;-tecilo todos os artifícios, tOdos os compro- missos, convicto de que a arq uit t'lur<J não consliLUi uma simples qucsr<io de engeultal'ia, mas umz, m;-, nift>staç;io do espírito , da imagina(iio e da poesia [Nic-J11eyer lY(iOJ . Esse parágrafo contém a síntese do pensa- men to niemeycriano: a licen ça pol:tica sem su- bordinação às imposições técnicas - mas o con- trário- admitindo a busca ela "forma bela", do "novo " como desafio à orLocloxia elo lúncionalis- mo, um reconhecimcnto da "von tade artística"
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    144 • ,;.JI·quiteturas no HrusiI (Kunstwollen) à maneira tlc Alols Rit>gl (1858- 1905) como vetor da arquitetura, elegendo a es- lrumra como personagem principal da sua cria- ção [Segawa 1992] . O manifesto de 1958 foi prontamente sentido pelos colegas: seu con teúdo foi semin al para os arquitetos das esquerdas e certamente tornou-se um ponto de partida para uma nova "linha": um tipo de arquitetura feita em São Pau- lo, a "linha paulista". VILANOVA ARTIGAS E A LINHA PAULISTA No comPro de 1967fizemo.~ u·m estudo sob-re a j>a- ln.vra desenho cuja inümrtlo era mostrar como na his- tória do desenvolvimento econômico-social bru.siüáro twhn ela perdido fmrtfi "'' sru sig;nijicado, o signifi- cado de desígnio, de projeto. C'umo o desPnho é eman- rijJa{'ão Como o projeto é demonstmção rlPsoberania. J. B. V TI.Al"'OVA ARTIGAS, 1974 [1977, p. 35] Essa manifestação de 1967 sinteli:tava u rn conjunto de preocupaçõe:; de João Barista Vi- lanova Anigas que data do final da década de 1950. Nesse momento - na efervescência de Bra- sília- a vanguarda arquitetônica, as esquerdas e alguns setores da sociedade compartilhavam da estratégia do desenvolvimentismo brasileiro com forte tintura nacionalista. Postulava A.rtigas: A década de 50 caracter-izava-se para a história da arquitetura brasileira pela planificação c construção de Brasília. Note-se que a arquitetura brasileira represen- tada por Lucio Cost<t e Oscar Niemeyer jü gozava nacio- nalmente de prestígio suficiente para não ser necessá- ria uma ''t:obcrtura" técnico-cultural estrangeira par'a enfrentar tarefa desse tamanho [Artigas 1977, p. J3j. O arquiteto de São Paulo pretendia de- monstrar uma tese: que a responsabilidade social do arquiteto se sustentava no conceito do projeto como um instrumen to de emancipação política e ideológica. Ao comentar a regulamentação profis- sion al de 1933, Artigas caracterizou-a apenas como uma n orma de natu reza corporativa, sem dimensão política: O rlerreto ck rcgulamcnlação [...) baseava-se no princípio ele assegurar para os l'ngenheiros (c para os arquitetos) a construção dos edi.lícios que esteve por· longo tempo a cargo de leigos. O "projeto" na rcalirla- de não tinha importância maior. Qualquer projeto. Ou t<~lvez fosse mais corrt>tu dizer que não se atribuía valor de autenticidade ao projeto brasileiro. Para construir o Ministério da Educação foi necessária" presença deLe Corbusier a fim de gar;-rntir o resultado ela obra, seu sig- ni ficado moclenrizarlor tão necessário à conjuntura da Revolução de 30 nas a lw r·as de 1937. No fim da década de 50 já podíamos definir o pro- j eto, os pr~j etos em geral, como manifestações de sobe- rania. A compreensão deste princípio muito custou e ain - da custará aos arC]uitetos brasileiros. Ele cuutém em si a idéia de emancipação de nossa cultura técnica e artís- tica, de df'resa da nacionalidade [Artigas 1977, p. 34] . O mais brilhante interlocutor de Vilanova Anigas nesse período foi o professor Flávio L. Motta (n. em 1923), com quem dialogou para a elaboração de um forte e influente discurso sobre a semântica dos termos "projeto" e "desenho " e a poderosa carga ideológica a eles atribuída. Convém, preliminarmente, fazer uma obser- vação de natureza etimológica. Na língua portu- guesa, não existe a diferenciação que em inglês se manifesta nos termos "rlesign" e "drawing", ou em espanhol com "diseiio" e "dibtuo" - ambos se defi- nem, no português, ambiguamente no termo "de- senho". Um texto de Flávio Motta, de 1967 (a partir de considerações anteriormente feitas por Lucio Costa), ~jucla a ilustrar a dimensão ideo-lógica dos conceitos propalaclos por Artigas: O problema do desenho tem muito a ver com a nossa emancipação política. Ele se confunde com n desígnio de forj<lrmos urna cultura humanística. Bem sabemos que a palavra "desenho" tem, o rigi- nalmente, um comprom isso com a palavra "desígnio". Ambas se identificavam. Na medida em que restabele- cemos, efelivamente, os vínculos entre as duas palavras, estaremos também recuperando a capacidade de inf1uir nu rumo do nosso viver. Assim, o desenho se aproxima- ra da noção de "pr-ojeto" (pr-ojet), de uma espécie de
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    lançar-se para afrente, incessantemente, movido por uma "preocupação". Essa "pré-ocupação" compartilha- ria da consciência da necessidade. Nu m certo senlido, elaj;j assinala um encaminhamento no plano da liber- dad e. Desde que se considere a preocupação como re- sull<tnte d e dimensões históricas c sociais, ela transfor- rna o projeto em "projeto social". Na medida c·m f[ll<' 1111l él soriPdadc ITilliza suas con- dições hum aníst icas de viver, então o desenlw se mani- festa mais preciso e dinâmico em seu significado. Vale dizer que através d o desenho podemos idenLificar o pro- jeto social. E com ele enconr.rarem os a linguagem ade- quada para conduzir a emancipação humana rMotta 1975, p. :!9J. O próprio Anig-as, em análise de HJ74, circunscreveu o contexto inicial desses posicio- namentos: Os anos q u e antecederam 1962 roram de intensa <ttivielack elos <~ rquitetos brasileirosjunto à Un i ~n Inter- nacional de Arqu itetos I ..j Na Uli a couviveucia dos arquitetos de LOdas as ua- ç.ôes, para um mundo de paz, pretend e a valorização da cultura arquitetônica de c:ada país, a dcscolonizaçiio des- ta~ c ul t.llld~. A ui ~tlibui~:ão entre torht' <L~ culturas das melhores conquistas da técn ica universal ;1 pa•· do respc~i­ to e reconhecimento à história de cada uma delas. [...] A d cscolonização na arqu itetura não se faz pela proihiç.ão da importação de modelos de solução de pro- bl emas estético-construtivos. Mas prin cipalmente pela descolonização da consciência dos arquitetos dentro da cultura em que trabalham . Por isso são importantes as escolas de arquitetura nacionais. A elas cabe educar os arqttit.ctos na direção de c.onhecr.rem a fundo as ques- IÓes d e suas p~t!ri as para versan·u1-nas eles mesll)oS l...j A posição colonizada fllle se caracteriza pelo "não sabe- mos" atribui a outros setores da cultura responsabilida- d es nossas. Entretan to o pior dessa ati tude é que com ela também se atribui a estrangeiros na constante pro- cura de liderança metropolitana, co1no se constata nas declarações sobre a crise da arquitellrra brasileira e tan- tas outras rArtigas 1977, p. ::141 . É preciso relembrar o delicado quadro político do segundo pós-guerra e da década de 1050, como moldura d essa rellexão- imperialis- mo, colonialismo, Guerra Fria, Cortina de Ferro, macarthismo, a crítica ao estalinismo promovida durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, a invasão da H ungria por tropas do Exército Vermelho - tudo isso esgar~:a­ va as esquerdas brasileiras. A Ajirmaçâo de 1111/tl I /ei;enJ0 /1 ia • 715 No capítulo anterior, "A Afirmação de urna Escola 1943-1960", reportamo-nos ao deba- te entre o grupo comunista do Rio Grande do Sul (à frcutc Demétrio Ribeiro) c o arquiteto paulista. Artigas posicionava-se contra o tipo de uacionalisrno c o tradicioualismo da arquitetura dos gaúchos, defensores d e estéticas "compreen- síveis" ao povo. Ao contr~trio, ele seguiu a senda da arquitetnra moderna da vanguarda ocidental: Assumi posiçcies próximas rla arquite tura rhamarla r:1cionalist:1 , on post erior mente cha mada "cn rhusie ri;J- na ", lll<t~ fá: isso con1 espíri lu u íticu, 111 eu própri o, sa- ht>ndo f[llf> t>ssas posi(Ôt>s er<~rn j;í nri11ndas de u rna vi- são de mun do das quais homens como CorbHsier, que as fundamentavam, não podiam participar. Essas foram, rra sua e~sê11cia, originc-1<1:-ts de lllllél corrc~ptcio ."iociali s- la do mundo, buscadas nos primórdios do socialismo 11a U11i;tu Suviéti c:~, e se tTisLali L~u-an.t L Uill as inllTjJJT- taçôes pessoais de uma porção de gente que se aprcscn- t<tva 11<1 ilcman h<t, 11<1 Fr<tnc;a- n<-10 nos Estados Unidos - corno 1 . .. 1 pessoas t)lle lurava111 contra as opressrws dt>ntro do seu próprio país, e ofereciam isso ao seu povo, acima ele tudo, a casa populnr, como um mo men- to de art.c moderna. Foi com essa compreensão, já com uma comp•·een- são de que nao era aí que estavam os idc<Jis do povo brasileiro, mas nos idcai.s ele li be rtação nacional, de lnT:1 conTra os poderes rnuito maiores que nos opri mi- am, toi dentro desse caos que pude con str uir minha vis;lo ele arquiTeTura [Arrigas llJRHh, p . 94]. Vilanova Artigas abraçou uma interpreta- ção peculiar do intcrnacionalismo, sob a leitu- ra d e Le nin: E quando se fala em estilo internacional. qualquer comunista. como cu n aquele tempo, logo sabia que o sentido da intemacionalidade era de origem p roletári<l. universal. Q ue r dizer, universal fJelo conteúdo, nacional {llilafm·uut. U ma arrptitet.ura intern<Jcio nal seria aquela que servisse ao total ela humanidade e tivesse suas lor- lllas 1Laciouais cobrindo a i111ernacionalidatlc tla int.en- ção. Essa relação entre forma c conteúdo é tipicamen- te do pensa.mc:nt.o d essa época e , partiCltlarmente, d e Lenin [Arligas 1989, p. 601. Assim reconheceria Anigas em 1981. A reconstituição do seu raciocínio em momentos diversos mostra correlações que permitem com- preender a coerência interna do pensamen to desse arquiteto, fundamental na formulação de
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    14() • AnJUÍ/elumsnu Rrusi/ conceitos ~u c embasaram a arquitetura paulista elos anos ele 1960. Sem renuucíar às suas convic- ções nacio nalistas e anticolonialistas (no plano da subordinação cultural e tecnológica diante das potências ocidentais) - ao ponto de qualificar Lc Corbusier como um "agente do imperialismo"- , Arligas cnconlrou em Lenin uma interpretação de solidariedade universalista ("internacionalida- de oper~{ria") sem conflito com a busca ele iden- tidade c nacionalidade. Ao vislumbrar no movi- menlo moderno ela arquitetura elos anos de 1920 (anterior a CorbusitT e Gr·opius, estes tributários daquele) uma utopia de concepções socializantcs, com proposlas por uma sociedade igualitária c justa, servindo ao "tot<~l ela humanidade" sob a égide da industrialização, essa arquitetura moder- na, em seu desenvolvimento, afigurar-se-ia como um caminho redentor para a sociedade como um Lodo. A arquitetura moderna, e ntão, como mui- to bem colocou Aualolc Kopp [ 1990], não seria lllais um estilo, mas uma causa. MATURAÇAO DO PROJETO PAULISTA A partir ele 1957, os Encontros Nacionais de Arquitetos, Professores e Estudantes de Ar- quit<:tura promoveram vários tóruns de debate acerca da formulação de um currículo mínimo para os cursos de arquitetura. Em 1962, a Facul- dade de Arquitetura c Urbanismo da Universicla- clc de São Paulo e a Faculdade de Arquitetura da Un iversidade elo Rio Grande do Sul irnplanta- varn seus novos currículos, produtos desses anos ele discussões. As propostas foram capitaneadas pelos mais importantes líderes regionais: no Sul, por Demétrio Ribeiro e F.elgar Graeff (que, toda- via, nesse ano já estaria engajado na organização do curso de arquitetura da U nive rsidade de Bra- sília); em São Paulo, Vilanova Artigas. Há de se constatar que essas duas faculdades- fermentan- do d esde os anos de l9!'í0 - tiveram fundamen~ tal relevância nos anos de I960-1970: a de Porto Alegre, pela formação ele profissionais que se engé~aram no ensino, na teorização, e se deslo- caram pelo país nessa peregrinação; a ele São Paulo, também pela formação de teóricos mas, sobretudo, pelo desenvolvimento ela prática de uma arquitetura com características peculiares, ao ponto de ser qualificada como uma "escola". O currículo da FAU-USI', na proposição de Vilanova Artigas, tinha como fundamento básico o conceito ele fJmjel.o estruturando o curso, em torno do estúdio ou ateliê como espaço de aula e discussão, e organização didático-administraliva em departamentos - História, Projetos e Técni- cas - com o departamento de Projetos instiluído em seqüên cias temáticas ele planejamento urba- nístico, do edifício, da comunicação visual e elo desenho industrial. Essa amplitude de áreas, se- gundo Artigas, visava a formação de um profis- sional qualificado para f: n[re ntar as mais dis- tintas demandas: Os cursos de arquitetura devem padronizar o futu- ro arquite to d e for ma mais ampla do yue até lHlje. Abrir as eHradas para o conhecimento d~s v::i rias ques- tões permitindo ao estud ante d escobrir o seu mais pro- fundo inLeresse , a sua maior vocação. A Fl.U-USP tem alg uma experiência p rática nesse sentido, se conside- rarmos que seus alunos se clistrih twrn na açiio pe los mais variad os ramos das L{~c nicas c das artes. Assim, o jJnfil elo arquiteto eleve se•· o mais variado possível e ba- seaclo no mais am plo sistema de informaçôes de rnanei- ,·a que possamos contar com arquitetos nos mais varia- dos ramos da arividadc social. O arquiteto, nessa visão derivada da expe- riência da Bauhaus, era um profissional "com- pleto": "Há que formar e educar e prestigiar os arquitetos para desempenharem as mais variadas missões. Desde a construção, passando pela foto- grafia, e a canção, até os cargos de natureza ad- ministrativa c política". Mais elo que apenas um construtor, o conceito de projeto embutido nessa proposta instauraclora atribuía ao arquiteto uma verda- deira tarefa redentora, missionária, ele reformu- lação do mundo: Educar os estuda ntes na convicção d e que o dese- nho é arma de expressão das pesquisas as mais profun-
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    das e desínteses as mais complexas. Exato como os re- cursos da ciência. Os arquitetos tênt experiência acumulada para o tra- Tamento de questiies que envolvem o condicionamen to do espaço apropriado para a vida lnuuana. Os limites que a tecnologia moderna estendem para o domínio ela n<ltLlleza ultrap<lssam os limites da terra. As ciências do meio ambiente vêm mostrando que o homem é cada vez mais o se nhor da natureza. P reocuparn-se e nos alertam a todo o momento sobre as relações sociais entt·e os ho- men s, as quais poderão lev~-lo rk senhor~ destruidor do meio em que vivem. Repilo-lhes estas coisas para desta- c;u o papel que o arquiteto poderCt desempenhar na apropriação cautelosa do meio ambien te assim como na participação social cap:u de modirica r as relações enue os homt>ns em proveito do pn)p,·io homem. As escoi:ls de arquirerura devem educar os jovens pa ra a p;-trricipa- ~·;to do arqnircro twsr<· concciro de cnnhccimcntn dare- alidade da existência humaua [Art.iga' 1977, p. :37] . ARQUITETURA COMO MODELO Qual a razão do alcance e influência que a linha paulista atingiu n os anos de 1960-1970? Um aspcno fundamental foi a clareza c a forç_:a ideo- lógica contida em torno dos conceitos de fJrojeto c de.wn.lw, linha mestra d a reorganização curricular da Faculdad e de Arquitetura da Universidade de São Paulo c convicção prorw.uncnt.c assimilada ou discutida por alunos e discípulos. É preciso con- siderar algun s dos fatores que propiciaram um meio fértil para cliscussào e legitimação desse 103. .João Batista Vilanova Arligas c Carlos Cascaldi : Giná- sio de lLanhaém, SP, 1959. A estrutura é definidora da for- rna do edifício. A Aj!rmaçào de uma 1/egenu m ia • 147 ideário: 1. as condições políticas de discussão e ação das eSC]Ite rdas, possíveis nessa passagem de década para os anos del960, até o golpe militar de 1964; 2. a arquitetura era um tema presente no debate público cotidiano ern função sobre tu- do da construção de Brasília; 3. o domínio de uma tecnologia própria constituía uma elas q ttestôes program<Íticas do nacional-desenvolvi- mentismo da época, e São Paulo, como o m aior pólo industrial do país, enquadrava-se adequa- damente ao figurino de centro de pesquisa ele soluções tecnológicas e industrialização da cons- trução (nos moldes ela busca de resposta indus- trial para a construção em massa, tese da arqni- tetu ra moderna d esde os anos ele 1920); 4 . o curso ele arquitetura em São Paulo, diferente- mente das demais reg iões, ti nha suas origens não nas belas-artes, mas na engenharia, o que lhe configu rava uma maior familiaridade com a arquitetura enquanto questão tecnológica. Mas o fator mais palpável para a materia- lização de uma arquitetura formalmente identi- ficável como "paulista" deveu-se ao seu caráter de continuidade à linha carioca. A importante autocrítica d e Oscar Nicmeyer em 1 95~ foi pron- tamente apreendida pelos arquitetos, sobre tudo aqueles i<kologicarncnLe alinhados ao mestre do Rio deJaneiro. Mas Vilanova Artigas foi enf:ttico, e o primeiro a acusar sua import~mcia de manei- ra positiva na revista 1crójJole, com um curto tex- to, "Revisão Crítica de Niemeyer", alguns meses depois da divulgação elo manifesto de Niemeyer: T rata-se de documento rico de sugestões para a aná- lise da atual etapa d o dcseuvolvi mcnto d a arquitclllra h r ;-1silel r;-l. Ni(~JTJ t->ye r nos C (Hnunic~l con fian·a n o desti- ll ü da no~sa arquitetura e da cultura nacim1al. Numa demonstração de grande se nsibil idade, define corn se- gurança o significado d e certos aspectos deco.-at.ivos qu~ in1agina1110S f}llf" d e C~r1a ronna t"' il Vo }vialn ll US~;-1s expressões arquitetônicas, traçando o rumo certo para evitá-los [Xavier 1987, p. 2~-1] . A autocrítica ele Nicmcycr foi muito mar- cante para Artigas. l1Iesmo anos depois (1965), o arquiteto d e São Paulo vo ltaria a citar esse mani- festo num ensaio, "Uma Faba Crise" [Artigas 1981], a propósito da polêmica da anti-racionali-
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    r.--- - --- 148 • A ·rrtllili!fllms 110 lJmsil dade de Ronchamps ck l.e Corbusier e o debate sohrc a falência elo funcionalismo. ~esse texto, AJ·tigas, além de manifestar-sua reconcilia~:ào com o mestre franco-suíço (chamava-o de "genial arquiteto"), rckmbrava a passagem de outro tex- to de Niemeycr com sua apologia d a r'.lntlum como suporte de uma "manift>staç':ío do espírito, ela imaginação e pocsia" [ver a parte "A Autocrí- tica de Oscar NienH.:ycr" no preseme capítulo]. O caráter mais marcante da arquitetura paulista - a eslrutum mmo mquiletura - é tribut.ário das condu- sões de Niemf:'yer de 1058-- l960. Não se deve descartar, também, uma influ- ê ncia da visão "indusLrial izávcl" da arqnitetura no rte-americana, q uer pelo conhecimento dos princípios elas Case Study Houses, e em particu- lar a obra de Mies van der Rohe- sinteti:t.aclor da máxima da "arquitetura como estrutura". A no- ção de "modelo" tamhé-m veio caracter-izar uma série de atitudes elos arquiletos paulistas: mode- los de soluções arquitetônicas, modelos d e estru- turas, até modelos de relações sociais (!). Ao assim ilar a au tocrítica de Niemeyer, Artigas encon trou uma "saída" concreta de co- mo expressar materialme nte um a coleção d e conceitos de admirável coesão in terna. Difer-en- temente de seus colegas de restruturação c.rtrri- cular do Rio Grande do Sul - que também de- senvolveram :suas teses de ensino a partir elos encontros de 1957-1062 c abra~:ararn fundamen- tos conceituais ele e::oqucrda - , Artigas foi um pro- fícuo realizador na prancheta e no cantt>iro, pa- ralclarncn rc à condição d e esplêndido teórico rzein l984]. Se Niemeyer foi u ma referência co- muul ao Rio Grande do Sul e a São Paulo, no Sul, o mestrf:' carioca era reverenciado pelas convic- ções políticas c alguma mime::oe arquitetônica; em São Paulo, Nicmeyer foi cultuado pelas idé ias e pelas realizações construídas que, passadas por uma releitnra, se transformaram noutra arquite- tura nas mãos dos arquitetos paulistas- sem per- da da essência que a originou. As formu lações teóricas e ideológicas do gr upo em torno de Vilanova Artigas buscavam fundamentar teses-utopias que, longe de corres- ponder apenas a teorias arquitetônicas tradi- cionais, elevavam a questão a nma d imensão rla é Lica po lítica e social. Essas idé ias conheceram tentativas de materialização em forma de edifí- cios, conjuntos edificados e espaços urbanos, com linguagens formais e técnicas apropriadas da experiência da arquitetu ra carioca, da essên- cia da estética de Osc;;~r Niemeyer. Nunca antes no J3rasi1houve uma ~.:sforr,;o Lão claro de correla- cionar urna série de teses com realizações arqui- tetônicas concretas. Ética e estética nunca estive- ram Lào e rn evidência. Uma estética com ética ou u ma é tica com eslética -jogos de palavras que rondaram as discussões e a prútica da arquiteLu- ra em São Paulo no::; anos de 1960-1970. CONSOLIDA<;ÃO DO MODELO Vila nova Arligas era um personagem ca- rism ático, !Jl'Ofcssor eloqüente c articulado, mi- litante de esquerda: perfil q ue lhe granjeou admi ração, seguidores e vasta influência, com o detr-alores e adversários. Mas não se pode crecli- lar a e le a solitária tarefa de formulação de uma linguagem clcsenvolvida em São Paulo. À man ei- ra da lin ha carioca, a linha paulista também foi um conjunto de vertentes não formalmente e m acordo entre si, unitário, mas, examinadas e m seus fu udamentos, derivadas de uma saudável dialética entre as duas estolas de arquitetw-a (USP c Mackenzie) , um ativo departamento regio- nal do Instituto de Arquiletos c profissionais inde- pendemes, respeitados por suas realizações, e m wrno de preocupações concerne ntes à maio ria. Grosso modo, cada vertente poderia ser clisLingui- da como urna resposta possível a essas questões comuns. A identidade paulista, portanto, não se encontra somente na sim ilaridade formal que obras de alguns arquitetos podem compartilhar, mas ele pressupostos iniciais comuns que geraram respostas distintas. Entre as referências dire tas ou indiretas, a arquitetllra brasi le ira em geral estava atenta a determ inadas discussões ou personalidades no plano internacionaLA polarização entre posições
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    "organicistas" (da linhade Frank U oyd Wright e do proselitismo de Bruno Zevi) e "racionalistas" (Le Corbusier, Gropius, Mies) tornou boa parte dos debates até o início dos anos de 1960. Um a rquiteto guc inspirou muitosj ovens brasileiros foi Richard Neutra, que visitou o país e foi o úuico arquiteto estrangeiro nesses anos que teve nma publicação bilíngüe cuitacla no Brasil (Ar- quitetura Social ern Países de Clima Quente/llrchi- ü:r.l1.m: ofSocial Concern in Hegions ofM ild Climate, 1948), com uma introdução do pioneiro Grego- ri Warchavchik. Ademais, a an1uir.et.ura da Costa Oeste dos Estados Unidos teve ampla repercus- são em São Paulo, sobn:tudo 111cdiantc as p:-ígi- nas da revista A-rts & Architecture e as propostas dos arquitetos do programa Case S!udy TTouses - experiências de habitações racionalizadas na tec- nologia e na revisão dos conceitos de vida do- méstica no período pós-segunda guerra [Segawa e Dourado 1997J. A linha carioca foi um referencial marcan- te: além da óbvia alus3o a Niemeyer, a influé'ncia de Reidy pode ser notada em arquitetos tão díspares do cenário paulista (pela trajetória pos- terior) quanto Art.igas, GiarKarlo Gasperini ou João Waltcr Toscano (n. em 1933). A tecnologia da constru('ão era um te ma relevante: a industrialização representava o alvo maior para o pensame nto nacioual-desenvolvi- mentista ela época. Para essa mentalidade, o do- mínio de tecnologia própria constituía um atri- buto ol~j e tivo elo grau de progresso do país. A industrialização da constrnção foi uma preocupa- ção constante, ainda vestígio do credo revolucio- nário europeu dos anos de 1920. O emprego de pré-moldados e a busca ela pré-fabricação conhe- ceram ensaios no período (ern todo o Rr<~sil ) sem, todavia, ter-se alcançado resolução salisfató- ria, afora experiências isoladas de alcance resu-i- to. Mas o domínio da construção, mesmo artesa- nal e tradicional, conhecia em São Paulo a força dos mestres de obras e construtores italianos e alemães, aliada à sólida inform<~ção dos egressos da Escola Politécnica e da Escola de Engenharia do Mackenzic. Rino Levi e Oswaldo Bratke foram profissionais que primaram pela elaboração téc- A Jifirmaçüo de 11111a llegemo11ia • 149 nica de seus pr~j etos, constituindo um paradig- ma de qualidade para os jovens arquitetos. No âmbito d os sistem as construtivos de maior tecnologia , o concreto armado lll0110poli- zou as espccificaçôes: material de ampla d isponi- bilidade no mercado brasileiro, sem a concor- rê ncia dos sistemas metálicos - na ocasião, não rão acessíveis à con strução civil. São Paulo co- nhecia longa tradição com a matéria - desde a pioneira estação Mairinque de Victor Duhugras [ve1· capítulo "Do Anticolonial ao Neocolonial: A Busca de Alguma Mockmidadc 1880-1026", em especial, a parte "Estética da Racionalidade"], até uma vasta literatura c ensaios t.ccnolé>gicos prodmirlos pela Escola Politécnica desde os anos ck 1920.Já em 1951, os hrasileiros tomnvam co- nhecimento dos e nsaios em concreto apare nte de Le Corbusier na unidade de habitação e m Marselha ( 1 946- L95~), por meio dos premiados painéis presentes na I Bienal Internacional de São Paulo. Na mesma mostra, as exuberantes es- truturas aparentes de outro premiado, Pier Luigi Ncrvi (1891-1979), para o edificio para Exposi- ções de Turim (1948-1949) e o hang;u· para avi- iks ( I940-1943), cenamente sugeriram novas es- t é-ti c<~s pa•·a os arquitetos brasileiros. Reidy foi o primeiro a empregar o concreto aparente de maneira exprt"ssiv::~ no Museu de Arte Moderna do Rio deJaneiro, em obras no final dos anos de 19!'i0. Qua ndo Rino T,evi começou a trabalhar também com o concreto aparente de forma escultural, não tardou a disseminar um<:1genera- lizada aceitação das possibilidades esté-t icas do material apare nte. Com a deferência de Oscar Nicmcycr c sua apologia do material como suporte ideal pa- ra suas elaboraçôes p l~sl iras, o concreto armado torno u-se uma solução recor ren te c im harível entre os arquitetos alinhados ao pensamento da "escola". Enfim, o concreto transformou-se na expressão contemporânea da técnica construti- va brasile ira. Não se deve, todavia, limitar a aurangf:n- cia da expressivid adc elo concreto armado ao Brasil. Em tocb América Latina, a influência de Le Corbusier ou, por via indireta, a influência ela
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    750 • Arquitctumsno Rrasil arq ui tetura brasileira de vcrl(;Utc corbusieriana, promove u u m conjunto de obras rcfcrenci::lis da cnlltlra arquitetô nica latinO-americana: o Edifí- cio das Nações Unidas/CEPAL(l 960-1966), de Emílio Duhan (n . em 1918), a Capela do Mostei- ro Be neditino (1964), de Gabriel Guarda (11. em 1928) c outros, arnbos em Santiago de Chile; o Urnário do Cem itério do Norte (1962) em Mon- tevidé u, Urug uai, de Nelson Bayardo; o Edif'ício de la C obernació n (1956-1963) de Santa Rosa, Argentina, de Clo rinclo Testa (n. (;IH 1923) e ou- tros- entre algumas obras marcantes_ O apelo à exprc:;sividadc do concreto, de matri;.-. c:orbusieriana, também seria tributário do pensamento em torno do movimento anglo-sa- xô nico d o Rrutalismo, ou Novo Br utalismo, d e meados dos anos de 1950, como caracterizado por Reyn er Banh<Hll [Marchán Fiz J974, pp. 10G- 416j. A austeridade e o respeito no uso de m ate- riais c instalações à vista (tidos como acaharnen- tos em si), a preocupação por um funcionalismo n ão necessariamen te mecanicista, fo ram evidê n- cias formais que, associadas às ol>ras de Vilanova Artigas e seu grupo, geraram a alcunha de "nru- talismo Pau lista" ao trabalho dos arquitetos de São Paulo. O Brutalismo pmpalado pelo casal inglês Smithson tinha compone ntes de inquieta- ção social e ético que se <~justariam ao pcns::lmen- to paulista _Todavia, o próprio Vila nova Artigas contestou essa influência em 1965, traçaudo um paralelo ao seu pensamen to ao comentar postu- mamente a obra ele seu cokga Car los Milla n ( 1927-1964): As últimas residi'-nci01s CJUe construiu em São Paulo rf'w laou u m a tend ência para o que a coítica, em especial a europé ia, chama cl c hn n alismo. Um brutalismo bra- s.ileiro, por assi m d izer. Não creio que isto se justifique ele todo. O conteúdo ideológico do hrnralismo europeu é bem o utro. Traz consigo uma carga de irracionalismo tt"nrlen te a abandonar os valores artísticos d a arqui tetu- ra, d t' um l:ulo, aos imperativos da técnica construLiv<t qne se transform a e m fator de term inante; de o utro lado , a forma arquitetôn ica surg ir ia como tnn <lc ide rne da solução técnica. Como só o artista colhesse, na anar- quia das soluções téntícas, os momentos de emoção que mio prerle tcrminou mas que surgiram ao ar;~so IAnigas 1988a] . 104. Carlos Mí llan: casa 110 Morumbi, São Paulo. 1961. Não se pode negar que arquite tos brasile i- ros também foram tri butários do Br utalismo; muitos paulistas caminharam por essa sen da, e talvez nela tenham identificado um recurso con- C(;itual de legitimação de uma prática. Todavia, dislinguir a produção paulista como "n ru talista" força uma relação de ascendência que minimiza as dernais influências o u condicionamcs significa- tivas na formação de~se pensamen to arquitetôni- co. Não há como tornar equivalentes a austericl:l- de l>ritânica de um país que ainda passava pelo rescaldo de gue rra, sufocado pela momentânea carê ncia material, e um país como o Brasil , de li- mitados recursos tecnológicos e cuja sobriedade arquitetônica (para não dizer "rusticidade esteti- cizada") derivava dos limites impostos pelas pos- sibilidades ofe 1~ec idas pela indústria da constru- ção civil. O concreto armado c sua potencialidade plástica e estética (via Lc Corbusier ), nesse senti- do, era o Jront tecnológico mais avançado à dispo- sição dos arquitetos brasileiros. Entre a melancolia do pós-guerra europ eu e o simultân eo o timismo nacional-desenvolvi- mentista brasileiro, os arquitetos iludiram-se com as possibilidades de transformação do Brasil rumo ao progresso c ao atendimento das neces- sidades sociais_A prática arquitetônica paulista d os an os de 1960 - apesar d o golpe militar de 1964 - não abandonou o positivista ideário utó- pico de um país novo, econômica c socialmen te resolvido . Mesmo distante ele qualquer transfor-
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    i h•t>liotecaJoaquimCardofo, ) CAC- uTIE AAjirmaçiiode umallegemonia • 151 mação redentora da sociedade brasileira (que as esquerdas naturalmente não admitiam como sen- do o golpe militar, muito ao contrário), a arqui- tetura rleveria ensaiar modelos de espaços para uma sociedade democrática, atendendo aos an- seios da maioria da população. Para esses arqui- tetos, a cidade era concebida como um espaço democrático, espaço de convivência, de encon- tro. O solo urbano deveria ser de todos e assim manc:;jado, com a rninirnizaç;io ela propriedade privada. Brasília, em suas características funda- mentais (organização à Ville Verte de Le Corbu- sicr, sctorização de funções, abolição das estrutu- ras urbanas tradicionais, planos de massa), era um paradigma ele cidade, que poderia ser traba- lhado como um modelo urbano aplicável no ra- ciocínio ele um edifício. Um escopo mais amplo justificando soluções genéricas, a busca de um sentido maior na prática de arquiLewras meno- res, mas supostamente coeremes com pressupos- tos dignos: um modelo ideal. Modelo que, aplicado numa habitação, cri- ticava padrões e valores tidos como "burgueses". Condicionadas pelas limitações elo lote urbano tradicional, as casas implantadas em vizinhanças convencionais fechavam-se introspectivamente com empenas cegas, como que negando o entor- no imediato e voltando-se para dentro, em volu- mes monohlocos (fiel ao instrumento do plano de massas ao nível urbano). Os interiores, todavia, eram admiravelmente abcl'los, com ambientes .Ou- ente:s e interligados física e visualmente, muitas vezes abolindo hierarquizações ele uso e convivên- cia tradicionais. Os espaços comunitários eram va- lorizados; os recantos privados, compaclarlos. Vilanova Anigas foi o decano da tendência; a geração seguinte ampliou o retrato paulista com formuladores ou praticantes: Carlos Millan, Pau- lo Mendes da Rocha (u. em 1928), Fábio Peute<t- do (n. em 1 9~8 ), .Miguel j uliano (n. em 1928) , Julio Kuinsky (n. em 19~2) ,João Waltcr Toscano, Eduardo de Almeida (n. em 1933), Pedro Paulo de Mello Saraiva (n. em 1933), Abrah ão Sanovicz (n. em 1934), Siegbert Zanettini (n. em 1934), Décio Tozzi (n. em 1!)36), Paulo Bastos (n. em 1936) , Ruy Ohtakc (n. e m 1938) , Sérgio Pileg-gi 105. J oão Walte r Toscano, Odiléa Toscano e Mass<lyo~hi Kalllimura: Balneário de Águas da Prata, SP, I969-1073.
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    !52 • .Arquitetllrasno Brasil IOG. Sicgbcrl 7.anctrin i: flospital c Maternidadt"' rlc Vila :uva C<tdwt'irinha, São Paulo. l9Gl:l-l !)72. 107. Ahrahüo Sanovicz: Parqu.- Cccap Serra Negra, SP, 197f). (n. em 19~9) - <.:ntre alguns CJllt' se ckstacaram com escritórios próprios ou na docência -, a maio- ria engajada na 1;',."U-USP. A produção de alguns ar- quitetos, supostamente antagônica ou divergen te ckssa linha, n ão pode, entretanto, ser avaliada sem o contexto da linha paulista: Joaquim Gue- des (n . em 1932), Sérgio Ferro (n. em 1938) e Rodrigo Lerevre (1938-1984). A cidade de Curitiba abrigou a derivação m ais eloqiien te do pensamcn to de São Paulo. Como já dito pouco acima [em "i.rquiteros Pere- grinos, i'ôm<-~ des e Migrantcs"], a porção pau- lista do corpo docente do curso de arquitetura paranaense - entre os quais.José Yfaria GandoHi 10::!. R11y Ohtakc: Aché l.aboratúrios Farmacêuticos, G u;u·ulhos. SI'. I970. 109. .Joaqu illl Cucdcs: casa em S<io Paulo, 19!>!. (n. em 1933),Jocl RamalhoJúnior (n. eml934), Luiz Forte Netto (n. em 1935), Roberto Luiz Gaudolfi (n . em 1936) - e a vizinhança dos Esta- dos do Paraná c São Paulo asseguraram um in- tenso inlercâmbio e in fluêucia profissional. A dissem inação mais ampla de alguns va- lores da arquitetura paulista, no en tanto, se deu por meio da revista ic·rópole, editada em São Pau- lo. Em 1965, várias revistas de arquitetura deixa- ram de cit-ctdar, inclusive a influenle Jtfódulo, de Niemcyer. De alcance nacional, ao lado da revis- ta paulista, apenas a A-rqu.itPtum, edilada pelo departamento carioca do 1nstituLO de Arquitetos do Brasil, mantinha uma regularidade confiável.
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    A -~lirmaçilt' deuma li<~~em 11:a • li O. Lui7 Forte :--leto. José ~laria Gandolfi, Joel Ra malho Jr. e 'i- Ct"ll t e dl:' C;o.,l oo : Cl:'n lro Prei- cle nciãrio do Es1ado elo Para ná . Curitiba, I'R, 1967 . 11 1. Ed ison Morozowki, Everson Morozowski, l.niz Eduardo Pcrr y: Sede Social e Recreativa d os E co JJUI JJiÚ Jios do P:n an(l, C 11ri ti- ha, PR, 1976-1978. 11 2. Rodrigo l .t'fi:·vn·: casa em São Paulo, I970. Pela trad ição, a Ar.róf>olr (em circulação desde 1941 ) impôs-se como a prinôpnl p ublicação d os arquice tos c até ~c u fcch <uncnto, em "1971, vir- tmtlmcntc e ra o órgão oticial de divulgação da li- nha paulista. A DILUIÇÃO UO MODELO E A CRÍTICA /fá momentos {.../ romo no Rm .,il mlre 10 t' 60, em que os ~i-nlomrH de um fJiovávd drsl"nvolvimt•nlo socinl [. ..] esliumlaTa111 'll ma olimista. n.lividadr anlecifJadora. Ofu.tu-ro parecia conter jJromPssas pró- ximas qu11 [... / n•queriam novos instrttmentos. 1s
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    154 • Arquiteturas1zo Rrasi/ jJmfJOstas, sHpostamente passíveis de afnoveitamento quase imediato, procuram cola·r-se às disfJOnibilidrule. concretas do nosso máo r: ás r.rt-ríinr.ias do nosso sub- desenvolvimento. 1~· o que distingue os trabalhos de Ntt!liWJWT e Artigas: av1mçamm uma arquitetura sóbria e diretrt, armada wm lodos os re1:unos rulequados â situação bmsilàra. r:quiparam-se r:om a clareza, a abertum e a coragem construtiva frrtÍflrins j)(l,m as transfonno.- .(Õt!S vagamente anunárulas. l!ntsília marcou o apo- geu e a in terrujl(âo destas esperanças.· logo f>'eamus nossos tímidos e ilusó-rios avrmços sociais e atendemos ao /()(flUI militar de raollun: SÉRGIO FF.R RO, l9tiB l19RO, p 901 Urn jovem professor da FAU-USP, Sérgio Ferro (então com trinta anos de idade), escre- veu em 1968 uma contundente crítica à arquite- tura de seus colegas paulistas. Intelectual e nga- jado nas esquerdas, militamc de urna dissidência do Partido Comunista Brasileiro, Ferro posicio- nou-se radicalmente contra seu~ antigos compa- nheiros de ideologia. O ano não poderia ser mais carregado d e denotaçõe~ críLicas, ern todo o m undo. No plano local, foi um momento de grave crise político-insLitucional, que resultou no endurecimento do regime militar com bárba- ras perseguições a inte lectuais c opositores ao regime ou às figuras instaladas no pode r. Em 1968, a situação econômica tampouco era boa, mas a mudança desse quadro era anun- ciada: n os anos posteriores o país conheceu um p eríodo de puja nça econômica sem precedentes. Foi o chamado "milagre" econômico. O jovem crítico op erava sua análise em torno ela produção arquitetônica de um período de economia em baixa (entre 1964- an o do golpe militar - e 1968). Mas Ferro constatou com clareza na obra de seus pares uma exacerbação projetual contra- ditória com a utopia que originou algumas atitu- des da linha paulista. Para ele, as novas gerações, formadas sob o signo do desenvolvimentismo e ele uma nova realidade democrática e social que não se concretizou, preparadas para responder com propostas de grande alcance social, fr ustraram-se com os rumos tomados pelo golpe militar. Impo- tentes para materializar suas crenças numa escala ele transformação ela sociedade, Ferro acusava seus colegas de "maneiristas": Ao adiamento d e suas esperanças reagiram [os ar- quite tos], no primeiro inst;mte, com a afirmação reno- vada e acentuada de su as posições principais. Daí I':'SICI espéci e cabocla de brutalismo (oposto ao brutalísmo eslet i zC~ n t l':' e11ropeu ); est<1 clícl<llização forçada de rodos os procedimen tos; a excessiva racionalização constru ti- va; o "econ omisrno" gerador d e espaços ultradensos ra- ramente justificados por imposições objetivas etc... Re petindo: nos projetos elaborados por este grupo de novos arquitetos - o mais significativo d a atual gera- ção -, a panir de 60, as propostas anteriores que carac- terizavam a arquitetura brasile ira, feitas para um clesen- volvimeulo que parecia provável, são retomadas com a e nfase exagerad a d ecorren te da consciência d e: sua impralicabilidade presente e d o desaparecimento de suas tênues bases efetivas, desapa1·ecimento selado pelo trunc:1mento irracional d o nosso processo social [refe- rindo-se ao golpe milirarj lFerr-o 19RO, p. 9 11. Os vários aspectos formais da linha paulis- ta são dcsa.tados na crítica: Se antes o uso do concreto aparente, na sua rustici- dade, colabo rava para uma constr ução mais fra.nca e econômica, h oje com<Jndi!, po1· razões qu e ninguém examina, as mais rebuscadas filigranas. A organização dife rente de plantas e espaços, fruto de um pensame n- to at.enlo, desem boca n o exolismo inconseq üente dos arranjos hiperbólicos. E tudo explicado em função d e cuidadosa observação de significação imanente de téc- nicas ou materiais, sob a proteção da racionalidade pró- pria de sua evolução. A técnica cristalizaela assume o papel ativo - ela contém a verdade . De ins trume nto passa à motivação lFerro 1980, p . 92 ]. A técnica do concreto armado e sua ex- pressividade plástica eram parte de um discur- so auto-suficiente e exibicionista: As estrutu ras foram sempre uma preocupação fun- d amental para o arq ui teto brasileiro e por várias ra- zões: oposição ao primitivismo d e nossos an ti quados métodos construtivos, necessidaele didática de um mo- vimento que buscava a firmação , reflexo de uma visão de conjunto racion alizan tc estimulada pela promessa ele d esenvolvimento etc. Se eram escolhidas e propor- cionadas com algum excesso, respondiam a uma de- manda d e experiências. Hoje assistimos, n as obras de m ui tos arquitetos ela nova geração, à hemorragia das pseudo-eso·uturas. Muitas ap resentam um novo dese-
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    nho d aspoucas fó rmulas estruturais compatíveis com as nossas limitadas possibilidad es, geralmente inadapta- d o às reduzidas dimensões elo programa. Sublin hadas artificialmente para evidenciar sua presença [...] com- paradas às anteriores imediatamente revelam seu absur- do: a simplicidade c a efi cácia esquecidas pelo prazer do virtuosismo individual [Ferro l 980, p. 92]. Sérgio Ferro d enun ciava o desvirtuamen- to das melhores r.écnicas e práticas, anterior- me nte elaboradas sob a perspectiva de mudan- ças progressistas: Assim , os esLUclos sobre planejamento ou sobre nos- sa li mitação construtiva h~jc são utilizados, depois de conven icn 1c men te deformados, pelas forças mesmas que estas in tenções modificadoras, em essência, contra- riam: a ditadura c o imperialismo L...] . A in esgotável capacidade antropofúgica elo sistema baseado no comércio forçado pela propaganda de mcr- cado,·ias freqüentemente supérfluas, com sua crônica carência ele novidades cstirnulames, clegllltill, com faci- lidade, o qu e parecia conter todo~ os req uisi tos de urna atitude inquietante: a arquitetura brasilcil·n, castraria, serviu de agente de vendas [Ferro 1980, p. Yll. Radicalizando, d enunciava os d escami- nhos da arquitetura para situações "sem saída" - extrapolando o limite da arquitetura corno prá- tica política: Para enfrentar a~ fon,:a> negativas que os clilucm, aceitam a fragmentação d a particularidade, o que é outra forma de diluição. Adensando seus projetos, re- vestindo-os d e malabarismos expressivos para agredir, afastam-se mais e mais do objeto da agressão e da pos- sibilidade da agressão: com pl exos demais, já não são mais ouvidos. Para de,alienarcm-sc, au me ntam a pró- pria alienação. Dentro da arquitetura, este é o limite da ati tude crítica : a radicalização da con tnHlição ató o ab- surdo. Esta situação, obviamente, é insuperável porca- minhos arquitetônicos [Ft:rro 1980, p. 921. A trilha analítica seguida por Ferro condu- ziu-o à elaboração de uma complexa hipótese de reavaliação da arquitetura, centrada f'undamen- talmen re numa visão marxista do "modo de pro- dução arquitetura!". Num texto de 1969-1970, o arquiteto sintetizava a base de seu pensarnenlo: O atual modo de produção arquitetura!, d eformado e deformador, nilo podeservir como base de uma nova .A Afirmação de uma 1-Iew.>monia • 755 consciência da arquitet.ura, ne m como gu ia da elabora- ção d e um programa para a for maç;o d e arquitetos. A atual situação ele crise e de transição impõe uma conduta metodológica específica c experimental, colll- posta de três e t.apas fundamentais: A) Preservar e aper kiçoar os me ios d e produção arquitcturais. B) Aprofundar a crítica I·adical do atual modo de produção. C) Tentar, com um critério rígido, novos modos d e produç~o arquitetura!, na expectativa de nma determi- nação por um uovo Illodo de produção social. /s novas necessidades a tuais, se examin<u las racio- nalmente, estarão na o rigem dos mod os ele produção arqu itetura is novos, próximos. possivelmente, daq ueles considerados por um outro tempo [Ferro 1980a, p. 991. O corolário dessa complexa elaboração teórica foi um trabalho que circulou no Brasil ern uma publicação alternativa, em meio ao qua- dro ele repressão da ditadura na primeira meta- de dos anos de J 970, com o autor exilado n a França. O texto, que em 1979 foi publicado em forma de livro, cham ava-se O Canteiro e n Desenho. U m libelo contra as formas de exploração capi- talisla ela mão-de-obra operária, a sua alicnaç~LO a nte o trabalho que realiza (divisão do trabalho no canteiro de obra como recurso segmentador d o d omín io do conh ecimento do trabalh ador diante do produto em gesLào) e a responsabiLida- de do arquiteto corno amor do desenho (numa alusão ao "desenho" de Artigas). Não se pode desvincular o conjunto de enunciados de Sérgio Ferro do contexto intelec- tual simbolizado n os acontecimentos de 1968. O clima de discursos radicais dos inLelectuais fnm- ceses (com os quais Ferro tinha afinidades) c o ambien te opressivo que se formava n o Rrasil no final dos anos de 1960 explicam parte elas postu- ras de Ferro. No plano latino-americano, o deba- te arquitetônico tendeu também para uma visão polilizacla, allamente sociologizante da arquitetu- ra, direcionando o interesse elos estudantes para o plan~jamento urbano. Sérgio Ferro, embora auscn te do Brasil (e talvez por isso m esmo), foi entronizado corno principal intelectual alternati- vo da arquilelura sob o regime ditatorial. Suas ob- servações guardam relações com as análises que filósofos fnwccses (entre os quais Michel Fou-
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    756 • Arquiteturas11n 11wsi/ __.,._. . --~ ... , -· " ~ 1 1:~. P~11l o Me ndt·s d a Roch a, J orge Caron, Júl io Katiusky, R11y Ohtakc (ar<]uitctuca); Flávio Mo11a , Mnn:~· lo :-.litsch c, í.a.-111ela C ross (consultores): Pavilhão do Tlrasil na Feira In ternacional d e Osaka, 1969-1!-170 . cault (1026-19R4) ) desenvolviam denuncia ndo as derormaçõcs da modernidade, o racionalismo re- pressivo, a te leologia posilivist.a do modernismo. Todavia, suas idéias no Brasil foram transformadas na palavra de ordem contra o projeto, isto é, a defesa do "não-projeto". Fcucr o projeto de arqui- tewra significava endossar o sis1ema, corroborar a ditadura; recusar o projeto era boicotar o "modo de produção arquiteturéll" vig-ente, que deveria ser subslituído. O CantPiTO e o DPsenho torn ou-se um dos mais mencionados trabalhos entre os estudan- tes de arquitetura c osjovens profissionais, muito embora rarissimamcnte lido na íntegra c compre- endido. Trata-se de nm texto de dificílima leitura. O pr·óprio autor esclareceu, mais de dez anos de- pois, que sua escrita complexa derivava de uma época p olítica pesada, na qual os intelectuais se manifestavam (às vezes, instintivamente como de- fesa) median te figuras de linguagem muitas vezes indccifráwis, pelo temor à perseguir,:ão. Tendo participado de escaramuças políti- cas e sido preso, Sérgio Ferro exilou-se no exte- rior no início dos anos de 1970, radicando-se e m Grenoble, França, onde ainda hoj e atua como professor do curso de arquitetura e como pintor, abandonando o projeto arquitetônico. Organizou um grupo de pesquisa que prossegue em suas teorizações acerca das re lações entre o canteiro c o desenho, tendo publicado artigos dele c de seu grupo de estudos na França e no Brasil, mais re- centemente. Seu seguidor brasikiro rnais consis- tente é o gaúcho Paulo Bicca (n. em 1943), que publicou em 1984 o livro Arljuileto: A Máscam e a Fau:, prosseguindo a vertente aberta p or Ferro. Recluso nas idé ias e nos pincéis, Sérgio Ferro n ào buscott rebater a sua teorização na prática. Todavia, ele teve um inte rlocuto r que perseguiu um desdobramento concreto desses conceitos. Rodrigo Brotcro Lel'evrc foi um com- panhe iro de trabalho ele Feno que não abando- n ou a p rancheta, tampouco o can teiro (e a do- cência, na qual foi urn professor de gran de influência) . Cioso da possibilidade de supentr as desavenças contidas nessas duas esferas da materialização da arqui te tura, Lcfcvre raleceu num cante iro de obras na África, trabalhando para u ma grande em presa de consultoria brasi- leira- talvez ensaiando as teses tão caras a si e a Sérgio Ferro fZein 19R4aJ. Deduzidas as de notações próprias d o cli- ma político da época, Sérgio Ferrojá havia pres- sentido o açambarcamento d a vitalidade criativa e progressista imbuída no pensamento arquite tô- nico dos pioneiros do Rio de J aneiro e de São Paulo. Efeti vamente , os anos do "milagre econô- mico" burocratizaram as formas originalmen te
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    . f :; •·-c-.--.,....·--• • - ----' - "-.·.·· ~ ... ... , .... instauracloras ele inovações e plenas ele con teú- dos ideológicos de forte coerência interna. Essas formas foram eslampaclas indistintamente aos mais diversos programas arquitetônicos, nas mais disparatadas escalas: casas, escolas, agências ban- cárias, hospilais, lcrminais rodoviários, garagens, clubes, prédios residenciais, prédios comerciais, escritórios, igrejas, forno crematório, galpões industriais, viadutos etc. A generalização elo mo- delo banalizou a inovação, a ruptura. Diluía-se e degenerava-se uma visão de arquitetura. O marco simbólico de encerramenlo des- se ensaio de vanguarda arquitetônica foi, sem dú- vida, o Pavilh ão do Brasil na Feira Mundial de 1970 em Osaka,Japão, projeto ele uma equipe li- derada por Paulo Mendes da Rocha. Síntese elos aspectos morfológicos mais caros ~t linha paulis- A A(lrmaçào de umu llef!.emonio • 15- • ............... -- •• • .J ·--~ .:11 .... v-- t,.t.... ;.... ta: uma grande cobertura regular, com ilumina- ção zenital em toda sua extensão, apoiada em apenas quatro pontos. Espaço coberto, livre: pa- vilhão CJUC não tem portas, barreiras físicas, o piso "interno" era uma continuid ade do chão comum d e toda a Feira; local ele encontro, recin- to de confraternização. Fonuit.a a eleição das refe rê ncias de uma época: a primeira obra efeLivarnenLe reconhecida ela arquitetura rnoclenJ<t bra.sileira foi o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York; o mar- co simbólico da arquitetura paulista foi o Pavilhão do Brasil em Osaka. Parece uma ironia deste que escreve: os paradigmas de uma vanguardaj ~t uão mais existem. Naturalmente, não foram concebi- dos como paradigmas. Tampouco para sobreviver ao tempo: c•a m ;;uquiteturas do efêmero.
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    8 EPISÓDIOS DE UMBRASIL GRANDE E MODERNO 1950-1980 Ainda há pouco, certo órgão da imprensa brasilei1·a definia o Brasil, em manchete. como o país do "Samba, Café e A1·quitetum ". Vejo "''SSfl df'jirti{"ão um intuito uwliciuso de fazer anrditm· ainda hojr> q1w o nosso jmú f uma terra estranha, curiosrt e indefinível, desordenada e injustificável. É uma definição que pn•tende dimitwir a torlo1 t' apre~entar a aTquitr>tura romo um desenvolver acromegáliw, sem justij!cntírJa no desenvolvimento nacional. O quarto de século após o té rmino da Se- gunda Gue rra foi crucial para a transformação do perfil do Brasil. Em 1950, 63,9% de seus qua- se f)~ milhôcs de habitantes viviam no campo. Em 1970, 56% dos mais de 93 milhões de habi- tal'tes viviam nas cidades. Essa variação ilustra a pressão demográfi ca que as cirlarlcs brasile iras sentiram no período. A guerra, sempre um signo de destruição, assegurou à América um momento positivo na siluação econômica c culturaL Vários países lati- no-ame ricanos beneficiaram-se de nm bom saldo J. R. V!LAJ'OVA iRTIGAS, 1959 [1981, p. 25] cambial decorrente das exportaçôes de produtos para o palco de conflitos e pa ra os aliados, ge- rando um excedente qne, no caso brasileiro, ·em parte estimulou o desenvolvimento industrial nacional com a importação de equipamentos a custos baixos, graças às diferenças cambiais favo- ráveis nessa oportunidade. O Brasil ela primeira m(·tadc dos anos de 1950 sofreu convu lsôes políticas com o suicídio do presiden te Getúlio Vargas c movimentações no sentido de impedir a posse consLitucional d o presidente ele ito, Jusce:>lino Kubitsch ek d e Oli-
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    160 • !lrqui/l'lurus1111 limsif veira. Superada a c ri~e, Kubitschek eng<~jou-sc em seu Plano de Metas, cujo símbolo m;úor foi a transfcr(:ncia da capital federal para Brasília. For<'!m anos de intensa atividade econômica - com a reordenação elo sistema ele energia e trans- portes, implantação de estruturas industriais c de bc.:ns de produção (siderurgia, elétrica pes;lda, máquinas, construção naval) c o nascimento ela indústria automo bilística brasikira. Essa aparen- te prosperidade era acompanhada, ao ritmo do surgimento ela Bos::;a Nova no Rio de .Jane iro, pelos clois campeonatos mundiais de futebol con- yuistados pelo Hrasil (1956 e 1960) e pela gran- de divulgação da arquitetura brasileira, solJrct.u- do com as expectativas em torno de Brasília. A chamada "Era .JK" (iniciais do presiden- te) trouxe uma série de inovaçôes no quadro econômico l>r:-tsilciro, mas deixou uma herança crítica com inflação alta e déficit dr~ balança de pagamentos. O conflituoso quadro político no início elos anos de 1960- entre uma esquerda confiante e a direita acuada, entre nacionalistas e liberal-intcr- nacionali~tas - teve como corolário o golpe militar de março de 1064, com o triunfo elos conservado- rt>s. O Exército passava a controlar os ncgúcios públicos, com forte resp<tldo civil. O F.staclo pas- saria por um processo d e modernização burocrá- tica apoiada em intensa cenu·aliza<;ào arlministra- tiva c financeira na esfera federal. i política das reformas pós-1964 voltava-se para a capaci t;~ção do aparelho do Estado para intervir na economia, apc.:sar da retórica liberal de seus promotores. Nesse período, a estatal Petrobrás (setor pe trolí- fe ro) tornou-se a maior e mpresa da América La- tina, ingressando no clnhc das cem maiores do mundo. O vcto1· domiuante na economia era a concentração; na verdade, o incentivo à organi- zação de conglomerados fortes, às custas ela reu- nião ou absorção de grupos pequenos. Essa me- dida contemplou áreas estratégicas da economia: setor energético, serviços bancários, transportes, comércio atac;~ dista e varejista etc. No campo da construção c da arquitetura, h ouve uma "intensificação do processo de dife- renciação no setor da construção civil, baseado fundamentalmente nas áreas de infra-e~lrutura , transporte, comunicação, estradas e outros, num projeto político-econômico de integração nacio- nal, constituindo um ramo dinâmico c concen- trado no setor e solidário aos setores mais dinâ- micos da economia" LOseki 1982, p. 120]. Nesse ímpeto de modernização e int egra- ção nacional, a arqllit.etnra vai conhecer novos recantos gpogr<í.ficos, até então inexplorados. Arquitetos vão se envolver em grandes pn~jetus desenvolvimentistas, embutidos em equipes rn- ganizadas por grand es empresas de engenharia comultiva (Thernag, IIidroservice, Pr·o11rou, Fi- gu eiredo Ferraz, lESA, C:N vc, Tcucngc), que, nos anos de 1960-1970, virtualmente monopolizaram o planejamento das grandes obras civis do regi- me militar. Entrc 19G8 c 1974, o crescimf'nto médio da ccunornia brasileira foi da ordem de lO% ao ano. Os investimentos intcnracion;.ris ingTessavam no Brasil ern grandes fltrxos. O capitalismo brasilei- ro tinha como base de sustentaç~o o Estado, as multi naciouais c o grande capital local. Nf'ssa época, o presidente nonc-arnericano Richard Nixon (191?,-1994) afirmava: "p<rnt onde se incli- nar o Brasil se inclinará a América Latina" L~it]. A crise elo petróleo faz desmoronar todo c.:ssc oti- mismo ilusório. Conviria retomar alguns desses aspcctos em scus dcsdobramentos no plano da arqnitf'llrra. ARQUITETURA INDUSTRIAL Comojá dito, circuustâncias cambiais favo- ráveis nos anos subseqüentes à Se)?;unda Guerra assinalaram uma época ele grande desenvolvi- mc.:nro para a economia brasileira e, em particu- lar, um momento de prosperidade industrial. Uma política seletiva de importações (prioridade à aquisição ele equipamentos e matéria-prima e dcscsúmulo a bens manufaturados, criando urna reserva aos produtos nacionais) e, em seguida, a entrada maciça de capitais estrangeiros no setor manufatureiro (sobretudo com a rápida implan-
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    tação da indústriaautomobilística, e m apenas cinco anos) constituíram fatores m arcan tes na boa fase econômica registrada entre 1946 c 1961 no Brasil. Entre 1948 e 1955, a produção industrial global teve um incremento de 87% em seu desem- penho. Num exame setorizado, a indústria têxtil evoluiu 61%, a de alimentação 77%, a indústria metalúrgica em 172% e a q uímica em 608% ~ es- ta última, beneficiada com o petróleo e o mono- pólio do refino atribuído à estatal Petrobrás [Pe- reira 1 98~]- Não se pode a firmar que, nesse momen- to, o edifício industrial fosse uma encomenda típica aos arquitetos. A grande maioria das ins- ta lações industriais abrigava-se em galpócs an- tigos, improvisados ou adaptados. Examinando-se o conjunto de obras indus- triais divulgadas em publicações especialiLadas entre 1950 e 1!::170 [Costa et al. 19741, há evid en- te pred omínio de obras projetadas para a indús- tria automobilíslica, química, têxti l e alimentar. Roa parte dos projetos era atribuída a construto- ras e e mpresas de engenharia. Pela complexida- de e especialiLação das estruturas industriais que aportavam no Brasil como iniciativas estrangei- ras, o layout industrial e as plantas eram elabo- radas nas matrizes e transplantadas ou adap tadas para as condições do país. Predomin<tv<t, tam- bém, o proje to do galpão industrial isolado ~ sem a amplitude de um conjunto mais amplo de preocupações quanto à expansão das instalações, sistemas de segu rança indnstrial e con trole de emissão de resíduos, depen dências ele atendi- mento social e conforto dos operários. Algumas mu llinacionais, todavia, ch egaram a impla ntar indústrias p reviamente elaboradas com planos diretores do com plexo industriaL No início dos an os de 1950, o projeto da fábric::-1 Peixe c Duchcn (prndHtns alimentícios) torno u-s<.: bastante conhecido por ser de au toria ele Oscar N iemeyer ~ tipologia arquitetônica, to- davia, rara no acervo do arquiteto. Rino Levi no- tabilizou-se também com projetos indu striais: os escritórios e torrefação Café .Jardim (1943) e o Laboratório Paulista ele Biologia (indústria far- Lj.>isúdius de 11111 Brasil C ronde e Moderno • 767 rnacêutica, 1956-1959), em São Paulo. Dois dos mais interessantes projetos industriais iniciados nos anos de 1960 foram desenvolvidos para seto- res distintos: na área têxtil, setor tradicional, o complexo da Companhia Tiering na cidade de Blurnenau, Estado de Santa Catarina, é um exem- plo de planejamento físico de longo prazo com a participação do arquiteto Hans Broos (n . em 1921); no setor químico, a Refinaria Alberto Pas- qualini no município de Canoas, região metropo- litana de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, constituiu um trabalho inusitado e inova- dor no campo da <trquitetura. A origem do complexo têxtil da Compa- n h ia Bering data de 1880, qua ndo os irmãos Bering, de origem alcrnà, montaram uma tecela- gem em Blumenan ~ colôn i a germânica em San- ta Catarina, atualmente um dos mais importantes municípios <'lo Esrado. A colahora(ào profissional do arquit<.:to Haus Broos ua Hering data dos anos de 1960 e constitui, ainda hoje, um exemplo pou- co usual de processo con linuaclo de planf'jamcn- to físico das instalações de uma ?;rancle indústria brasileira. A atual matriz industrial da Hering desen- volveu-se ao longo do vale do Bom Reriro, nas cercanias de Blumenau, no mesmo local onde os fun claclores da empresa montaram os galpôcs da malharia e confecção no final do século 19. O plano diretor elaborado por Hans Broos buscou equacionar uma complexa ?;ama de condicio- nantes ~ o maior deles, relacionado à vontade da empresa de permanecer no sítio original do em- preendimento pioneiro da b rnília, em detrimen- to de uma expansão para outro .locaL As premis- sas e as dificuldades básicas que nortearam a formulação do plano diretor foram: respeitar a paisagem e a vegetação do vale onde se insere o conj unto; organizar e construir um conjunto de edifícios numa área de configuraçào estreita e alongada; valoriza.r os remanescentes arquitetôni- cos das instalações pioneiras da empresa e inse- rir novas edi[icações industriais e administrativas com outra escala volumétrica; implantar a expan- são do conjunto sem interro mper a linha de pro- dução exi~Lcnle; programar a execução do con-
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    1ó2 • Arquitet11 ras 11n Fimsi/ 114 e 11 ?;. Hans Rroos c equipe. Rob~::rto Burle Marx (pai'a~ i snw): complexo tC·xtil da Companh ia Hering, Blumcn~ n , S< :, década <k 1970. junto em etapas. A paisagem final do conjunto é marcada pel<t estruturação linear do parque in- dustrial num fundo de vale rodeado de vegeta- ção, onde edifícios an ligos (com características da arquitetura da imigração alemã da região) convivem com os novos blocos fabris, administra- tivos c sociais em concreto aparen te c tUolo à vis- ta e em permanente contaLO com bem cuidados jardins, projetados por Roberto Burle Marx. A expansão da indústria estendeu-se tam- bém para regiões vizinhas, segundo a concepção
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    d<.: "satélites" -unidades d<.: costura com empre- go cte mã.o-dt>-ohra de peCjuen;1s cid;1d es locali- zadas no inte rior elo Estado de Santa Catarina, inspiradas nos conceitos q tte orien taram a. ar- quitetura dos espaços de produção e convivên- cia social do conjunto matriz de Blumenau. F.rn 19()1, quatro escritórios foram conviria- dos para desenvolver o plano diretor d<ts :ueas administrativas c os projetos dos edifícios da Re- finaria Alberto Pasquali ni , primeira instalação dessa natureza e porle da Petrobrás no Rio Gran- de do Sul. A equipe que então se o rganizou- formada por Carlos Maximilano Fayet, Cláudio Luiz Araijo (n. em l9:il) , Moacyr Moqjen Mar- ques (n. em 1930) c Miguel Alves Pereira (n. em 193?!) - preocupou-se em definir um projeto pai- sagístico no qual bosques e a antiga casa-sede da fazenda original do síLio foram preservados, bem corno o plauliu ele novas úrvores na ~{rea. O pla- nejamento paisagístico do entorno de refinarias era uma proposição inédita na ocasião. Todas as LjJisôdios de 11111 Dra.>tf Grande e Moderno • 763 1](i. Eq~tipe de arquitetos: refeitório na Refinaria Alhcno Pasqualini, Canoas, RS, 1962- 1969. 117. Equipe de arquit.c t.os: montagem de galpão de man~tt.e n ção na Refinaria Alber- to Pasqualini , Canoas, RS, 1962-1969. Ex- periência pioneira em pré-fabricação. edificações (incluindo as do Terminal Almirante Souza Dutra, em Tramanclaí) - mais ele 25 pré- dios- foram concebidas pelos arquitetos, desta- cando-se a portaria (Pereira), o refeitório de lin- guagem da arquitetura do Rio deJaneiro (Mar- CJUes) e o emprego pioneiro de pré-moldados nos galpões de manuLeiH,;ào (Fayet c Araújo). A hem- sucedida contribuiçüo dos arquitetos reflete-se h~je , quando os membros cb eCJuipe original ain- da são consultados para reciclagens ou novas ins- t.alações dentro elo conjunto. Com o "milagre econômico" dos anos de 1970, a expansão industrial patrocinou inúrn<.:- ras encomendas de projetos a escritórios de ar- quitetura c empresas de consultoria de engenha- ria com quadros funcionais incluindo arquilelos. A experiência desse período redundou num cer- to grau de especialização de profissionais, sinro- niZ<tdos com técnicos de engenharia, tanto na e laboração de planos diretores ele conjuntos, layouts e plantas industriah, quanto no projeto de edifícios complementares (áreas administra- tivas, refeitórios, centros sociais) decorrentes da ausência inicial de planejamento físico dos com- plexos industriais. As vicissitudes econômicas uos auos de 1980 deprimiram a aliviclade indus- trial como um todo, embora o período se tenha caractcri1.ado como o ele melhorias das áreas so- ciais, corno resultado da reivindicação de síndica- Los mais bem organizados que emergiram com o fim ela era de exceção c a normalização do qua- dro político.
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    164 • Arquileluras1/U /Jrasil ARQUITETURA EM HIDRELÉTRICAS Um dos aspectos marcantes na história da ene rgia elétrica no Brasil foi o e mbate entre a ação efetiva de concessionárias estrangeiras na produçào c distribuiçáo energética e as posturas n:-tcionalistas propugnando a intervenção doEs- tado no setor. No período da segunda pós-guerra, a in- d ustrialização acelerada (com o surgimento ele setores de alta demanda: metalurgia, química, fannacêntica, bens de capital) e a forte urbani- zação (com o incremento do consumo de ener- gia elétrica domiciliar e pública) acentuaram a ausência de 11ma política de investimento em infra-estrutura encrg(:tica, tornando-se um pon- to de. estrangulamento na dinàmica ecouômica que em ergia nesse morncnto. Nos anos de 19!10, cerca de~ 80% da produção de energia elétrica eram ele responsabilidade de empresas estrangei- ras, que não realizavam novos investimentos no setor diante das haixas t<~rifas impostas pelo go- wrno. A crise energética impulsionou o Estado a programar invcsrimentos na expansão da capaci- dade instalada de energia elétrica no país, cami- nhando em sintonia com o ideário nacionalista, industrialista. <' intervencionista que se im planta- ra rlesrle a revolução de 1930. Getúlio Vargas, e-m sua seg unda gestão presidencial (1951 -1954), prossq~uiu e-m sua política nacionalista e definiu uma estratégia privilegiando a presença do Esta- do nos serviços públicos de base, com ên fase ern transportes e energia elétrica. Essa visão naciona- lista definiu as fronteiras de competências entre a iniciativa privada e o poder público: enquanto este se voltava para a ampliação do setor de gera- ção, aquela se dedicou à distribuição de energia. Enu·e 1945 e 1962 (ano da constituição da Eletrobrás- estatal responsável pela política nacio- nal de energia elétrica), inúmeras companhias públicas de energia elétrica - reclerais e estaduais - foram organizadas. Uma das referências funda- mentais desse período pioneiro da indústria ele ene rgia elétrica no Brasil foi a experiência de- senvolvida no vale do rio Tennessce, nos Estados Unidos, em torno da Tennessee Valley Authority. A TVA foi um esforço inserido no New Deal norte- americano; criada em 1933 como uma iniciaLiva federal de planejamento territorial de uma região pobre e desassistida, possuía múltiplos ol ~crivos: Inclhorar a navegação c controlar inundações do rio Tcuuesscc mediante barragens acopladas a centrais hidrelétricas propiciando eletrificação rural e industrial, modernização da agricultura, refl orestameuto c proteção do solo, estabeleci- mento de rede de com unicações e estruturas ur- h<mas- enfim, um projclo de desenvolvimento regional integrado. /o mencionar o ernprecncli- men Lo, Anatole Kopp [1990, pp. 197-l 98] desta- ca a participação ela arquitetura no processo ele supervisão de todas as realiz<Jções- u as barra- gens, nas ccn trais h idrelétrícas, nas habitações e nas obras complementares elo sistema viário. O s arquitetos da TVA formn responsáveis pelos pro- jetos de resiclênci<1s dos opcr~tri os de barragens, posteriormente ocupad:-ts pelos e ncarregados de operação das centrais hidrelétricas- as chamadas "vilas ele oper;.~dores", pequenas "cidades" a servi- ço das operaçôes energéticas. Eswdos de pr~jetos habitacionais envolvendo pré-fabricação, incluslria- lizaç~to, alojamentos rlesmontáveis c transportá- veis, foram preocupações dos arquitetos e nvolvi- dos no programa. Os prqjctos arquitetônicos da TVA foram objetos de uma exposição em 1941- 1942 na priucipai instituição div1.1 lgadora da arqui- tetura moderna em meados do século 20: o Mu- scum of Modcrn Arl. ele Nova York [Built... 19441 . As iniciativas congê neres brasileiras inspi- raram-se na experiê ncia norte-americana, mas não a reproduziram na íntegra. A participação de arquitetos rw setor energético data do final dos anos de 1950, inicialmeutc de fo rma d iscre- ta (Tsukumo 1989; 1994j. No Estado ele São Paulo, o escritório do arquiteto Ícaro de Castro Mello (1913-1986) foi contratado para o proj eto das edificações de uso comunitário da vila residencial dos operadores da usina Salto Grande, no rio Paranapanema. O arquiteto e ncarregado desse projeto, Hélio Pasta (n. em 1927), posteriormente interferiu na solu-
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    ção arquite tônicada casa de força- constitu in- do a primeira participação consistente de u m arquiteto em projeto até então de exclusiva ges- tão de engenheiros. Tamhém pioneiramente, o arquiteto-paisagista Roberto Coelho Carclozo (n. e m 1923) foi chamado para desenvolver uma proposta de recuperação da paisagcrn do entor- no imediato da usina, inaugurada em 1958. Hélio Pasta, a partir dessa experiência, enga- jou-se em diversos projetos hidrelétricos, amplian- do o seu campo de atuação. Na usinaJurumirim, também no rio Paranapanema, Pasta não só par- ticipou integralmente - ao lado d os engenheiros - na concepção d a casa de força, como definiu elementos da barragem c do ver tedouro, além da vila de operadores. A atividade de Pasta f·oi mar- cante a ponto de estabelecer um setor de arquite- tura na companhia responsável pelo aproveita- mento energético da bacia do rio Paranapanema: a Usinas Elétricas do Paranapanema- Usclpa. No início dos anos de 1960, a Uselpa con- tava com e(1uipe de arquitetos e desenhistas-pro- jetistas liderada por Hélio Pasta, com a partici- pação de Robe no Coelho Cardozo em projetos paisagísticos. Em São Paulo, também a Compa- nhia Ilirlrelétrica do Rio Pardo- CHERl'- rece- bia uma assessoria de namreza <HC]llitetônic:a por meio do engenheiro Ernst Robert de Carvalho Mange (n. em 1922) . No Estado ele Minas Ge- rais, a Central Elétrica de Furnas contava, desde 1963, com a colaboração do arquit.cw-paisagist.a Fernando Magalhães Chacel (n. em 1931) em 118. Hélio Pasta (anp1itctura ), Roberto Coelh o Carclozo (paisagismo) : Usina Hidn.:lé LricaJururllir·irn, SP, 1962. Apisódios áe 11111 Brasil Grande P Mndemo • 165 ll ll. Jú lio K~r ti n sky, Hélio l'asra, llé lio Pe nteado, Uruuen o l.euue (arquitetura), Ro berto Co elho Car·dozo , Fernando Chaccl (paisagismo): usina h iclrclérrica ele Xavantes, SP, 1970. projetos de tratamento paisagístico de entornas de barragens, vilas de operad ores e subestaçôcs. A fusão das empresas estaduais ele en ergi<'~ elétrica de São Paulo em 1966 na CESP- Centrais Elétricas de São Paulo - transformou o agrupa- mento d e arquitetos da Uselpa no núcleo inicial do que mais tarde se constituiu com o a Divisão de Arquiterura e Urbanismo da empresa, diri- gida por Hélio Pasta. Ao longo do tempo, ares- ponsabilidade dos anplit.et.os na definiçã.o das par- tes dos empreendimentos hidrelétricos tornava-se maior: casas de força, casas de comando, coman- do de eclusa, aclmp<lmentos de operários, vilas de operadores, edificações comunitárias, recupe- ração da paisagem do en torno de usinas, trata- mento pai~agí~Lico de vilas, ~ubest.açôes c ent.or- nos do reservatório - foram tare fas enfren tadas pelos arquitetos da CESP. A partir dos a nos de 1970, o setor de arquitetura passou a desenvol- ver trabalhos de abordagem multidisciplinar pre- ocupados com o impacto ambiental regional do empreendimento hidrelétrico- num<l ~poc:<l em que as preocupações de natureza ecológica ape- nas se esboçavam no mundo. O comp lexo Parai- buna/ Paraitinga, no rio Paraíba, foi a experiên- cia pio neira no gênero [Tsukumo 1994] . Paralelamente à Divisão ele Arquitetura c Urbanismo da CESP, o engenheiro Ernest Robert
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    JGG • Arquileturetsno Brasil 120..Joào Rodolfo Stroctcr (arquit.el•to·:•). A,;, Ab'Sahcr, Fn- nanclo Chaccl, Ninajanm• Tsukumn ( paisag-is1110): usina hi- d rclétriCil ele Paraihuu" e h:1rr~g<>m (],. f'araiLiuga, SP. 1978. de Carvalho Mange de~envolvcu um vigoroso Lra- balho de arquileLUra e urbanismo, inicialmente para a Chcrp e, em seguida, para a CESP, por meio de seu escritório Planemak- associado ao arqui- teto Jriaki Kato (n. crn 1931). Mange, como t>n- genheiro, tiulta fúrrnaç::ío profissional "confiável" para o meio técnico envolvido no setor hidrelétri- co e era profission<1l com gnmde sensibilidack para a arquitetura, lendo sido professor da Facul- dade de Arquitelttra c Urbanism o da Universida- de d e São Paulo. Ele iniciou suas atividades no setor em 19.~~ com pequenos projetos residen- ciais para a usina Limoeiro, no rio Pardo, e foi se envolvendo e m questões maiores, até chegar aos projetos de usinas. A Planernak, nos anos de 1960, desenvolveu para a nsina de .Jupiá, no rio Para- ná (na divisa dos Estados do Ylato (~rosso e São Paulo), os pn~jetos arc]uirerô nicos para casa de força, sulH'SI"(ào, eclusa, casa de comando c acampamento de operários (o primeiro esforço planejado levando em con ta os problemas sociais envolvidos ern obras desse porte) e a arquitetura para a então rnaior hidrelétrica do país, a usina de Ilha Solteira, inaugurada em 1973, também no rio Paraná. Ilha Solteira constitui uma referência tecnológica e urbanística-arquitetônica no setor energético brasileiro. Todo o edifício industrial de geração de e nergia (integrado numa estrutu- ra-barreira de concreto armado de 984,50 m de extensão) foi concebido com marcante visão ar- qui tetânica e paisagística, sem descurar da radi- cal racionalidad e exigida por proje tos desse por- te c natureza. A Planemak desenvolveu o p roje- to urbanístico da cidade de Ilha Solteira- a pri- meira experiência de criação de um aglomerado urbano permanente (a partir de 19G7) , voltado inicialmente para abrigar a pop11la<;ão de operá- rios envolvidos na obra (que chegou ao pico com cerca de 30 mil homens) e com o horizonte de se transformar em município independe nte. Ao fi- nal elos anos de 1980, ela contava com uma popu- lação de cerca de 25 mil habitantes c com um dos melhores padrões de vida da região. A cidade de Ilha Soltein1caracterizou-se como um e mpreen- d imento criador de um púlo de desenvolvimen- to regional, num tenitório até eulào de ocupa- <JL<> rarefeita c rede urbana deficiente LTsukumo 1989: 1994]. A atuação dos dois principais agrupamen- tos arquitetônicos envolvidos com projews hidre- lé lricos de São Paulo - a Divisão de Arquitcmra c Urbanismo da CF.SP e a Planemak - assinalam a comrapartidi'l arquitetônica no desenvolvimento da tec n o l ogi<~ b r<~sileira no setor da conslrução de centrais hidrelé tricas. Todavia, lllais d o fJUe caracterizar 11tn ramo específico da arquitetura, a participação dos arquitetos n esses eul)Jrecndi- mentos revela-se um esfo rço integrado de várias áreas de conhecimento (da engenharia à ecolo- gia, passando pelo leque do desenho urhano c das ciências sociais) em que a contribuição ar- quirerônica não faz sentido sem essa interação em busca das complexas soluções qu e têm como o~j eto mais visível a 11sina hidrelétrica, envolven- do um conjunto ele o perações que necessaria- mente provocam forte impacto ambien tal, eco- nômico c social sobre vastos territórios atingidos por esses e mpreendimentos. A colaboração dos arquitetos no setor é um processo em marcha. A participação pioneira ele H élio Pasta e E rnest Robe rt de Carvalho Mange constituiu o marco inicial dessa colaboração ela arquite tura num âmbito de in tervenção Ler ritorial mais amplo. A atuação posterior de maior número de arquite- tos c o reconhecimento da importância da par- ticipação desse profissional no setor _caracteriza- ram as primeiras décadas da implantação do se-
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    tur elétrico noBrasil. Nina Tsukumo [1989; 1994] propõe que o projeto rla cidade de Porto Primavera (1980), prornovicto pela CESP- incor- porando a experiê ncia pioneira elo núcleo ele Ilha Solteira-, assinale o fim desse período pio- neiro, pelo menos no âmbito elo Estado ele São Paulo. De fato, a realidade do país nos a nos de 1980 parece direcionar a política energética para outros caminhos, aparentemente com ru- mos e estratégias rpte não condizem com a ima- gem moderniz:1dora do período entre o golpe militar de 1964 e a falência elo modelo "desen- volvimentista" brasileiro nos anos de 1970. A atu- ação d o Departamen Lo de Projetos Ambientais c ele Arquitetura das Centrais Elétricas do Sul elo Brasil - Ektrosul - sobretudo com o projeto da cidade de Nova It.á- indica novas experimenta- ções no setor. Com o alagamento decorrente ela Usina Hidrelétrica ltá, as cerca de duzentas famílias desse município - cuja população mantém ain- da estreitos vínculos de pa1·entesco e viLinhança -foram incentivadas a se rnudar para urna nova cidade, cerca de quatro quilômetros do sítio original , com a promessa ele uma organização condicionada à preservação das relações urba- nas, usos e costumes. Essa preocupação não se restringiu apenas aos aspectos urbanísticos. A arquitetura dos edifícios buscou uma linguagem atribuindo aos prédios públicos características referenciais marcantes, bem com o habitações com feiçôes personali7.adas - resultantes <k um diálogo arquiteto-usuário nos limites de parâme- tros flexíveis estabelecidos pela equipe de proje- to. As formas c os materiais adotados para as cons- truções sào as mais tradicionais e convencionais: não se adotam referências que possam ser estra- nhas ao repertório da população reJocada l"Re- locação..." 1985; Santos 1989; Scgawa El89]. Embora atrelado a um esforço de moder- nização dependente de circunstâncias políticas e econômicas peculiares, a pan.icipação dos arqui- tetos nos projetos hidrelétricos (sobretudo com o agrupamento inserido numa estatal) deve ser interpretada como uma importante contribuição tecnológica e cultural, ainda pouco reconhecida. LjJisódius de 11111 Drasil ( ;rande e /Vlodenw • 16 7 O exame dos objetos edificados pela CESP reve- lam o qnanr.o a estatal patrocinou a arquitetu- ra e os arquitetos da linha paulista. Todavia, h~1 urna dimensão maior na iniciativa. Nesse perío- do (grosso modo, cn ITC:' 1966 e 1980) os projetos hidrelétricos serviram como suporte para as ex- perimentaçôcs arquitetôn icas fortemente im- pregnadas pelo racionalismo técnico, numa ma- terialização elo ideário modernista dos anos de 1920 no qual a arquitetura deveri<t representar a nova sociedade industrial - icon icamcntc simbo- lizada, nos discursos de Gropius eLe Corbusier, em instalações hbris ou silos. A harr:1gt>m , ~~ casa de força, a casa de comando, 1cstituíram esse imaginário relacionando a arfluitetura moderna com a instalação industJ-i<tl. A figlll-a elo arquite- to atrelado ao "edifício" se torna difnsa: o que é o "edifício" numa instalavio hidrelétrica? A hidre- létrica limita-se apenas à usina? Nesse sentido, o significado tradicional de "cditicio" esmaccc-se em meio à complexidade tecnológica-urbanística- ambiental do empreendimento hidrelétrico, sub- vertendo o papel tradicional do atTJlliteto numa atuaçüo mullifacctada, bem ao espírito da abran- gência totalizaclora assumida pelo movimento modenw da <uquilelura do século 20. Nesse seu- lido, a arquitetura de hidrelétricas desenvolvida pela CESP (incluindo, nessa defin ição, os váJ-ios níveis e campos de atuação dos arquitetos envol- vidos no empreendimento) representou a síntese elas possibilidades e potencialidades desse ideário, filho ou neto da revolução industrial. TERMINAIS RODOVIÁRIOS DE PASSAGEIROS Ainda no início dos anos de 1960, uma ci- dade do porte de São Paulo não tinha um edi- fício especialmeo te cuustruídu para servi r como terminal de ônibus intermunicipal c interesta- dual de passageiros- a estação rodoviária. O aten- dimento desse serviço se fazia ele forma d escen- tralizada, na porta das agências de ônibus - no meio-fio das ruas e praças d o centro da cidade.
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    168 • Arquitet11rus110 Rrasil Quase a totalidade das cicbtdes brasileiras nessa t!poca desconhecia a tipologia ela e-stação rodo- viária - ou algo mais organizado que Ulll <l sala ele espera, uma garagem ou abrigo improvisado para passageiros munidos de bagagem. Não que houvesse desconforto total - muilas dessas agên- cias eram cuidadosamente ordenaclrts -, mas a dis- persão desses serviços traduzia-se em ineficii-ncia, desconforto e congeslionamcnw nos centros ur- banos maiores. Nos anos ck I~)70 , o Oepartamenlo Nacio- nal ele Estradas ele Rodagem- oq!;anismo vincu- lado ao Minist ~rio elos Transportes - c departa- mentos estaduais estabelecem uormas para implantação de terminais ele carga t> passageiros. Essa regulamentação d efini a crité rios de localiza- ção e dimensionamento ele terminais rodoviários, consideraudo a inserção rlcssc equipamento nas cidades: le is de uso dC' solo e parcelamento, cus- tos do terreno, acessos rodoviários I" sistema viú- rio lindeiro, facilidade de deslocamento para os usuários, população servida, número de partidas c chegadas, viabilidade econômica do empreen- dimento. A estação rodoviária não mais er<1 um- n.:bida como um espaço exclusivo para transbor- do ele passageiros: constituía também local ele viv(:neia c lazer, lugar de encontro para a popu- lação da cidade, oferecendo bares, rcstauntntes e pequeno com{;rcio como atrativos. São Paulo roi o Estado que melh or organi- zou seu sistema de rod ovias, implantando , ao longu dos anos de 1970 e até hoj e, ccn tenas ele estações rodoviárias, boa parte delas projetadas por arquitetos. 121. Paulo Mt·rHies d:r Rocha. !Vloacyr Freitas, Ercílio So 11za: rodoviária de C11i<tbá. .vrr. 1977. Nos anos do "milagre econômico", ambicio- sos projetos foram concebidos c cxl"cut<tdos, como o terminal rodoviário ele Flori<tnópolis, em Santa Catarina (1976-198 1) dos arquitetos Yamandu C,;ulevaro (n. e m 1934) e Enrique Brena (n. em 1937), - prcvcnrlo complexa org<t nização d e nu- xos de carga e a bastecimen to, com instalações alranclcgúrias - ou o Terminal Rodoaquaviário ele Vitória, no Espírito Saulo (arquitetos Carlos Maxim iliano Fayer e Nelson Inda, 1978), urna granrlc estrntm·a intermodal ele transporte terres- tre (ônibus) c marítimo (barros). Embora progra- madas para uso intensivo, no fin al elos anos de 1980 ambas as estações atcnrlcm a demanda dis- creta - te ndo sido a aquavicria desativada. AEROPORTOS A saturaç5o elos principais aeroportos bra- sileiros nos anos de 1960 ensejou o redimensio- namento d o sistema aeroportuário do país, pla- nejarlo nos de 1970, c boa parte malcrializada na cl{;c.ada seguinte. Os aeroportos das principais capitais brasileiras foram implantados nos anos de 1940-1950 - Rio de J aneiro, S~o Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador, Curitiba - , alguns deles clararncnte inspirados no modelo ditado pelo ae- roporto Santos Dumont do Rio de J aueiro, pro- jeto dos irmãos Roberto. O crescimento dessas ci- dades fez com que os outrora distantes isolados aeroportos fossem rodeados por novos bairros, tornando conflitante o convívio desses terminais
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    122. Milton Ramos/Figueiredo Ferraz Consulto ria e Engenha- ria de Projetos: Aeroporto de Confins, MG, 1979-1984. na malha urbana- além de não mais campana- rem os avanços da tecnologia aeronáutica. Três Estados foram contemplados com ter- minais internacionais de primeira categoria: São Paulo, Rio deJaneiro e Belo Horizonte . O Aeroporto ele Cumbica, na região metro- politana da cidade de São Paulo, é o maior tcnni- nal brasileiro, segundo o sistema .fingerde atraca- menta de aeronaves. A concepção básica é de autoria do arquilcto Walter Mattci (n. em 1942), fnncion:'írio da empresa de projetos IF.Si- lntt'r- nacio nal de Engenharia. O desenvolvimemo do projeto executivo envolveu ampla equipe de téc- nicos e consultores especializados. As obras foram iniciadas em 1979, e o prime iro dos cinco te rmi- nab previstos foi inaugurado em 1985. Os estudos para o proje to d o Aero porto de Contins, na região metropolitana ele Belo Ho- rizonte, datam de 1979, com projeto de um con- sórcio liderado pela Figueiredo Ferraz Consulto- ria e Engenharia de Pr~j eto. A con cepção a.rC(llitctônica do terminal, no siste ma ?10.'f!-in, é do arquiteto Milton Ramos (n. e m 1929), que orie ntou e acompanhou o detalhamento arqui- tetônico da obra, com evidente marca ele solu- ções pessoais. O primeiro dos quatro terminais gêmeos elo conjunto estava concluído em 19R4. Todavia, não há perspectiva imediata de constru- çào dos demais te rminais previstos. Fpi.widios de 11111 nmsil C7mnde e .l fodemo • 169 Tanto o aeroporto do G;.tl6io, elo Rio de.Ja- neiro, quanto o aeroporto in tcrnacional de Ma- naus, Estado do Amazonas, fora m projetados pela consultoria de engenharia TTielroservice , se- gundo o sistema nose-i.n d e atracamento de aero- n<tves, c cstavam rm fn ncion<tmcn to no fim dos anos de 1970. Vários aeroportos de menor porre foram o u ainda estão sendo refor mados P adaptados, sem mudança de sítio. Em 1984, o term inal de passageiros do aeroporto internacional de Salva- dor, Estado ela Bahia, foi re modelado (arquitetos André Sá e Francisco Mora) . Um imp ortante ae- ropon o, o de Brasília, apenas no início elos anos de 1990 está sendo rcforrnulado, com ttllt proje- to C(He prevê a total transformação do terminal de passageiros sem interrupção do l'uncio namento elo terminal antigo (arquiteto Sérgio Roberto Pa- rada (n. ern 1951 )/ Themag Engenharia) . O quadro econômico dos anos de 1990 não confirmou as previsões ele demauda do equipa- mf'nto aeroportuário formulado nos anos de 1970. O otimismo exagerado dos tempos elo "milagre econômico" superdime nsíouou o h oriL:on le de realização dos terminais c , além do knto e ncami- nhamento de algumas obras anteriormente cm- pen hadas e das reformas de cslrlllttras antigas, tudo indica que a participação decisiva de arqui- tetos na concepção dos p r~j ctos aeroportuários
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    770 • Arqui/e/1/rctS110 /Jrasi/ 123. Marcelo Frag•·lli/ Promo n Engcn hari:-t: estar~"' Armê- nia, lin ha Norte-Sul do Metrô de São Paulo, c l.J70. iniciada nos anos de 1970 encerra-se duas déca- das depois com o acroporlo de Br::~sília. ARQUITETURA MRTROVIARIA A implantação elo metrô no Brasil come- çou mais de cem anos depois de inaugurado corno u m sistema de transporlc subterrâneo em Londres e depois de mais de meio século de fun- <.:ionamento em Rne nus Aires. As duas primeiras linhas de metrô no Brasil datam de meados dos anos de 1960, crnhora propostas de adoção d es- se sistema recu em até os ::~ nos de 1920. O metrô urbano pesado- como um sistema ferroviário peculiar de rede segregaria com vocação típica para as áreas urbanas, capaz de :Ht>ncler a de- manchts superiores a :20 mil passageiros/hora/ sentido com estações próximas entre si e deman- da homogênea durante o dia- n esse momento se configurava como a solução adequada para o candente problema elo transporte de massas para o Rio de _janeiro e São Paulo, as duas maiores metrópoles brasileiras. Cidades territorialmente dispersas, grandes centros de ativiriade terciária, apresem avam intensa circulação nos seus princi- pais corredores urbanos e os respectivos centros tradicionais em ponto d e saturação. O Brasil não tinha nenh um domínio técni- c~ acerca rio sistema: em São Paulo, um consórcio te11to-brasileiro foi encarregado ele desenvolver os estudos de viabilidade e o proje to de engenharia em 1966 (quase o mesmo consórcio realizou os estudos para o Rio deJaneiro, pouco depois). [ P" 1968 era fundada a Companhia do MetropolitaP de São Paulo, e nesse ano iniciavam-se as obras da prime ira linha - a Norte-Sul- que en trou em o perapio comercial parcial em 1974. No início, toda a tecnologia (projetos, equi- pamentos) foi imponada. A adoção dos conceitos alemães mostrou-se inadequada <i realidade local (tanto em São Paulo como uo Rio de Janeiro). Segundo essa orie nlação, o metrô seria um meio altern::~ ti vo ao transporte individual c não um sis- tema esscucial de transporte de massas, relaciona- elo ao contexto urbano. A cidade é um centro de múltiplos deslocamen tos, e um sistema de trans- portes pode também valer-se da combinação de meios diferen tes (metrô, ônibus, trem nrhano, automóvel), evitando possíveis estrangulamentos e visando urna circulação funcional e adequada para as car<lcterísticas de uma grande metrópole como São Paulo. Nesse sentido , o projcto original do m e L1Ô de São Paulo visava apenas usuários lindeiros às linh<ls, desconsiderando as possibili- dades de aniculaç?ío com outros meios ric trans- porte. Na pioneira Norte-Sul, a dcsapropriaçiio de terrenos ao longo do trajeto limitou-se hasica- menlc às ~trc;-Js correspondeulcs aos acessos das estações - o que demandou , posteriorlllcnte, no- vas intervenções para liberar áreas destinadas a terminais intermodais. A segunda linha em São Paulo, a Leste-Oeste (iniciada em 1975, aiuda em andamento) , totalmc11Le p rojetada n o Rrasil, assi- milou os problemas detectados na experiência an- tt>rior, e o m etrô foi concebido dentro ele uma óptica plan~jadora, como um indutor de renova- ção urbana e integrado ao sistema de transporles ela cidade. Superava-se também o conceito de que o me trô era necessariamente um sistema subter- râneo. As desapropriações previam a implantação de terminais de transbot-clo, áreas de renovação urbana e controle de ocupação do solo das faixas lindeiras à linha. A participa<,:ão de arquitetos na implanta- ção do sistema m etroviário deu-se tanto nas equi-
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    pes técnicas deplanejamento urbano quanto na elaboração dos projetos de estações e terminais imcrmodais. ü m dos aspectos mais marcantes elo metrô ele São Paulo são as suas estações. Os pr~jetos ori- ginais elas estaçôes da linha Norte-Sul desenvolvi- dos pelo consórcio teuto-brasileiro ainda seguiam os conceitos elo metrô ele Paris do coweço do s(~­ culo 20. A equipe ele arquitetos da l'romon En- genharia, liderada por Marcello Fragelli (n . e m l9~H) numa reavaliação das proposras em I967- 196R, clescnvolveu os projetos arquitetônicos es- tabelecendo um novo padrão, de me lhor quali- cace arcpútetônica c funciona. Coerente com a tendência em voga - rla arquitetura expressa como uma esu·utura -,as estações elevadas foram d elineadas como estruturas-pontes esculLUrais em concreto armado, de rorte presenç-a na paisa- gem (deve-se lembrar também elo viarlu to no tre- cho próximo à estação Conceição, concebido por Fragelli); as estações subterrâneas també rn ex- ploravam a plasticidade do concreto aparente, adotando diferentes configurações estrul.ttrais e dcsc!lh os de fôrmas - caracterizando espaços austeros, mas não nccessariamente. r!:"'petitivos e monótonos, pelo trabalho em concreto. A concepção arquitetônica das estações da linha Leste-Oeste, na segunda metade dos anos de 1970, foi desenvolvida por equipe própria da Companhia do Metropolitano de São Paulo. Reco- nhecendo a experiência desenvolvida por Fragelli na linha None-Sul, assimilada à concepção de q ue o ramal I,este se desenvolve na superfície ou crn via elevada, c restrita à realidade de um momen- to econô mico menos opulento que a fase ele im- plantação da linha pioneira, as estações da Leste- Oeste buscaram soluções mais econômicas c de execução rápida (estruturas de alumínio e ferro, nu lugar do predomínio do concreto apare11te), preocupadas com a presença na paisagem com marcante uso da cor. As cstaçôes subterrân eas buscaram sempre alguma referência ao exterior, m ediante aberturas que pe rmitem vislumbrar o céu das platarormas, aliadas a vistas para jardins. Dentro do sistema metroviário de São Pau- lo, caberia destacar os term inais intcnnodais: u t:pisódios de 11111 Brasil G'mncle e .l!oclemo • 1 - 1 Terminal de Ônibus Interurbanos doJabaquara (pr~j ctoJcrôu i mo Esteves (n. em 1933), Israel Sancovski e Paulo Bastos, 1972), o Termina! Inter- municipal do .Jabaquara (pn~jeto .Júlio Neves c Luigi Villavecchia (n. em 1940), 1974) c o Termi- nal Rodoviário do Tietê (elaborado pela equipe de arquitetos do Metrô : Renato Vicgas, Roberto MacFadden (n. em 1944) , Dicran Kassardjian, Aruo Hardlich Filho), inaugurado em l9R2 como o maior terminal de passageiros da Amé- rica Latina. I:<:ssas ob1·as devem ser exzrmi nadas à luz da reo,-g:mização cios padrões de terminais intermunicipais e rodoviários regulamentados nos anos de t970. O Centro rl~ Controk Opera- cional do :.Vfetrô, projetado em 1072 pelo escritó- rio Crocc, i.Jlalo & Caspcriui, é o utra obra arqui- tetônica de interesse elaborado para o sistema. O escritório PAAL, dos arquitetos Sabino Barroso (n. em 1927),jos(: Leal (n. em 1931) e Jayme Zcttel (n. em I9~ 1), responsabilizou-se em 1968 pelos projetos pioneiros das estações das duas linhas do mctn) do Rio de Jan eiro, com fi- liação à verten te arquitetura! de Oscar Nicm cycr. Suas obras envolveram in tervenções e m á reas históricas do centro da cidade, c os projews elo ~rupu PAAL tinham preocupaçõe-s rl<' intcgração paisagística ao contcxro, cmno no jXUjt:tu de reur- h<~n i zação do trecho Largo da Carioca-rua Uru- g uaiana. Dificuldades no andamento das obras atrasaram c atrasam o cronograma do e mpreen- dimento (que inaugurou seus primeiros 5 km apenas em 1979) e não pcrmirjram a execução in- teg-ral das intervenções arquitetônicas propostas. Corno participação isolada, rnas integra- elos a sistemas de transporte de linhagem metro- viária, arquitetos desen volveram projetos d e es- tações para sistemas de trens metropolitanos. A Trensurb, sistema de trens que atende à região me tropolitana de Porto Alegre, teve a estação Mercado (1R7H) projetada pelo arquiteto Elyscu Victor Mascarello (n. em 1935) c a estação Ca- noas (198 1) pr~jetada por Jorge Uecken Dc biagi (n. em 1939) . Debiagi também é o autor da es- tação Central elo Oemct ri> de Belo Horizonte- uma revit.alização da antiga estação fcrruvüü ·ia com amp liações adaptando-se ao sistema metro-
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    172 • Arqnilelnms110 lJmsil l~ I. Vital P('ssoa de Melo" Reginaldo Estev<'s: estaç:tv Caval<·íro, met.rb do Recife, PE. lJil'>. pol it<tuo de 1rcns- c da estaç?iu rodumetroferro- viária de Contagem (ambas inauguradas nos anos de 1080). Em Recife, os arquiteLOs Viwll'cssoa ele Melo (n. em l9~fi) t> Reginalclo Estevcs (n. em 1930) desenvolveram o pn~jel o das estaçôcs Co- queiral <: Cavaleiro, para a linha do trem metm- politano da Melrorcc, inaugurada em 19RG. CENTRAIS DE ABASTECIMENTO Os anos ele 19(-iO conheceram uma crescen- te preocupa(ão governamental quanto à regula- mentação dos mecanismos de armazenamento, conservação, clistribuiçào t> comercialização de produtos alimentares perecíveis e- de origem ve- gelal -os ltortifrutig-ranjeiros - , em husr<t da ga- rantia de fluxos regulares, padrões de qualidade e controle de preços. Na visão cksenvolvimentis- ta do período, o governo adotou um sln.~an gran- dioso: "Brasil terá o tamanho de st1a agrícullllra". E~trultJrou-se um sistema envolvendo agentes fe- derais, estaduais e municipais. O Ministério da Agricultura rC'sponsahilizou-se por uma parcela ponderável do sistema, atuando no controle dos preços, na estocagem ele alimentos e na distribui- ção de produtos. Na es~era estadual, criaram-se as cent1ais estaduais ele abastecimento- CEASA.- grandes estruturas com instalaçúcs e serYiços para recebime nto c distribuição ele hortifruti- granjeiros por atacado, localizadas nos centros nrbauos maiores. i ciistrihuição va rejista (tendo como fornecedora as CEASAs) era e ncargo dos municípios, mediante a ot-gan izaçüo ele merca- dos municipais c feiras-livres. Nos anos de- 1970, inúmeras CEASAs e mer- carlos mtmicip<tis foram implantados nas e<tpitais c grand!"s ridatles, na esteira dessa polílica. A em- presa ele consultoria IIidroserviu: foi responsável pelas CF.iSAs ele algumas capitais, como Belo Ho- rizonte, fortaleza, .João Pessoa e Curitiba. Do ponto rle vista uquitctôníco, o mais interessanle pn~eto de central de abastecinu:nto foi desenvol- vido no Riu Grande elo Sul. A CEASA de Porto Alegre foi um minucioso projeto elaborado pelos arquitetos Carlos Maximiliano Fayct, Cláudio Luiz AraCuo, Carlos Eduardo Dias Contas (n. em 194~) eJosé Américo Caudcnzi. Situada num es- tratégico cntrone<tmento elas principais rodovias do Esraclo na região metropolitana da r;:tpital, o complexo desenvolve-se numa área ele tiO 000 rn~. Para a resolução dos grandes vãos livres exigidos para os pavilhões, os arquitetos couvocaram o engenheiro uruguaio Eláclio Dicste (n. em 1917), respons;lvel pelo cálculo e execução das abóbadas de tijolo armarlo ele dupla curvaLu ra. (PaviIhão dos Produtores, vãos de 25,4 m) ou autoportan- tes (Pavilhão dos Comerciantes, v<ios centrais de 20 111 e balanços de 5 m). A experiência ela Ceasa dt':' Porto Alegre serviu de referência para o Minis- tério da Agricultura para outras obras. As C:~~ASAs de Maceió c Rio deJaneiro também adotaram os sistemas ele cobertura projetados por Dieste.
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    A realização daCEASA de Porto Alegre de- monstra um caráter específico da arquitetura do Rio Grande do Sul. Até então, o engenheiro Elá- dio Dieste era um profissional de atuação li mita- da ao seu país, o Uruguai, completamente des- conhecido nos demais centros do Brasil. Foi o intcrcfnnbio histórico entre o Rio (;rande do Sul e o Uruguai que assegurou essa colaboração en- tre Fayet & Araújo e Dieste, caraneriz;mclo rn(lis uma vez a permeabilidade ele influências com o Cone Sul do contine11te- lipo de relacionamen- to inexistente nas demais paragens brasileiras. ESCOLAS E O ESPA<,_;o lJ N IVERSlTÁRlO O programa escolar foi ttnt lema penua- nenle ua pauta da arquitetura no Brasil do sf-nt- Epísóclíos de 11111 !Jmsíl (1mnele e ,1/odemo • 173 lo 20. Mencionamos, em outros capítulos f"Do Anticolonial ao Neocolonial... 1RR0-1926" e "Mo- dernidade Pragn1~1tica 1922-194~"] episódios em que o eciitlcio escolar foi 1mporrc dc d<'h<~tes esté-- ticos e funcionais. Em 1936, I.e Corbusier fora comidado também para desenhar a Cidade Uni- vt"rsilária ela Uniw·rsiclade do Brasil [ver capítulo "Modernidade Correllte l !:!29-1945"j. Nos anos de 1950, edifícios escolares para c11rsos hásicos tam- bém mereceram projetos de arquitetos ilustres - Demétrio Ribeiro no Rio Grande do Sul, Oscar Nicmcycr para escolas em Minas Gerais e Mato Grosso, enln:: outros. Em São l'aulo. o programa do C01wênio Escolar, desenvolvido entre 1949 e 1955 pela municipalidade com a participação do Governo do Estado, inlrodt u ia d<" fonna singular uma coleção de 68 edifícios na linguagem "cario- ca" (com alguns arqni1e1os formados no Rio de Ja- neiro): Hélio Duarte (coordenador, arquiteto que trabalhou no Rio ele.Janeiro c Salvador - ver capí- 125. Carlos M. fa)•eL, Cl:tUuiu Antúju. Carlos E<luanlo Colllas,.Jos(~ Amí~rico (;;mrlcnzi (arCJlli tellra), F.l<'idio J)ieste (estru- run t em cerâmica armada): Central de Ahaslcci nw nto ck P01·Lo Akg-~<: , RS, 1972.
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    174 • Jlrquileturas110 Hmsíl t.ulo "A Afirmação rle uma Hegemonia 1945- 1970"), Eduardo Corona (n. em 1921, ex-proj~t.is­ la de Nícmcyer), José Robe rto Tibau (n. em 1924), Oswaldo Corrêa Gonçalves (n. em l917) c o engenheiro F.rncst Robert de Carvalho Mange. Tam bém em Silo Paulo , entre 1957 e 1975, o lnslilllto ele Previdência do Estado de São Pau- lo (I PESP) e, a partir de 1959, o Funrlo E!itadual de Constn1çõcs Escolares (Ft·:cE) desenvolveram um conj111llo dC' escolas públicas com a vanguar- da da linha paulista, tornando-se uma rcferênci<l para as e-xperiências em ou tras partes do Brasil. Nesse progrmna, ensaio n-se, no início da década de 1060, o em prego de pré-Fabricação e estrutu- ras prolendidas de concreto. Os anos de 1970 conheceram programas de construção escolar nas quais a normalização c a raciumtlização ela construção geraram manuais llilllllllllllllllliiiiiii!UIIIlU!Illll;t:l!;lllllnÍR I;IJ!ill:;:uan~;:uu::tun~m•;~uammmIU11iln '""'w"'"'""'"'""'u. lllll!lllmmummxm:iillllllllllllllllllnmmt uummuunnurwrum IIIIIIIIIIJIIIIIIIillllllliii!UUUUIIIII!:IIIunnuJ ....,. ==:::::::: SIIDIIIIIIIIIHIIIHIIIUIDIIIIIIIDnnmmumno 1!1:1 mmn1111u"u"""rnoa 111111101nummnumuunw ., .DIIUU. 110. UJIUUIUIIIIW . - ~1LQI.IIiii@!_W.J:;f..!l~ de projetos de edifícios c equipamentos escolares. J.<:m São Paulo, a Companhia de Construções Es- colares do Estarlo (Conesp) desenvolveu um cui- dadoso trabalho de normalização técnica, traba- lho preocupado com constnu,:ão em massa com qualidade c diversidad e, coordenado por .João Ho núrio de Mello Filho (n. e m 1940), envolveu- do a participação de mais de quinhe ntos arqui- tetos 0 11 escritórios independentes pr~jctando edifícios escolares; no â111biLO federal, o Centro Brasileiro de Construçôcs e Equipamentos Esco- lares (Cebrace-), subordinado ao Ministério da Educação e Cultura, elaborou vários cadernos de orientação ele projetos escolares. Não se porle constatar, todavia, u m <t tra- dição simila r nos espaços de ensino superior. As universidades brasileiras nasceram da reunião de unidades isoladas, cada qual com acomoda- 1:./6. f.duar·do Kneesc de Ml'llo, Joel Ramalho Jr., Sidney ele Oliveira: con- j unto residencial d<l Univcnid adc de São Paulo, l96~. lJ ma d as propostas pioneiras em pré-f"abricação n ;1 ar- quitelllra d o início dessa déc;~da. 127. .Jorge Machado Moreira/ Escri- tório Técn ico da Universid ad e do Brasi l: préd io da Facu ldade de Ar- quitetura, Rio de Janeiro, I!157.
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    ções usualmente adaptadase m imóveis não pro- priamente d esenhados para abrigar o ensino universitário. A mais antiga universidade brasilei- ra- a cto Rio ele Janeiro - foi fundada em 1922. Seguiram-lhe a de Minas Gerais (1927), São Pau- lo (1934), Pernambuco, Bahia (década de 1940), Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Paraíba (déca- da de 1950) - entre as oficiais. Uli iversidades par- ticulares de origem religiosa Sllrgiram em várias capitais brasilt'it·as nos anos clL: 1940-1950. fu ci- dades universitárias projetadas para n Universida- de de São Paulo, Minas Gerais e Universidade do Brasil (Rio de J aneiro) rlata m do .final dos anos de 1940 e 1~50, com destaque para o último caso, projeto da equipe coordenada po rJorge Macha- do Moreira. O Centro PoliLécnico da Universida- de Federal do Paraná, em Curiliü a, foi pr~jcto de Rubens Mcistcr de 1956. Todavia, a construção dos edifícios nniversit.ários nt>sst's campi foi pre- dominantemente executada na década de 1Y60. O ano df> 19111 é significativo na vida uui- versitária do país: fundava-se a Universidade de Brasília (Unn) -nma p rop osta de modelo <tead(~- 128. P au lo Zimbrcs: reitoria d a Unive rsidade de llrasília, década de 1970. I ~U- .José Calhin sk i: r!'f!'irório da Uni·ersidadc de Rrasília, década de 1970. t:písódíos de 11111 Brasil C:ra/1(/c: c: Modem u • 175 mico inédito no país, sob a orientação ele Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro ( 1922-1997) -c a apro- vação da Lei ele Diretrizes c P,ases da Educação - definindo a cst.nll.ttra das un iv~rsid ades. O golpe de 1964 liquidou a experiência ela UnB, t' a t-e- gulamentação ela lei de 1961 sofre u graves clis- torçôes, alé m d os descam inhos políticos que a educação sofreu no final dos anos ele 19()0 cont o endurecimento do regime militar e a persegui- ção dos intelectuais. Destroçado e m seu conteú- do, no en tanto, o espaço físico elas universidades brasileiras foi-se consolidand o ao longo d essa década e principalmente no decênio seguinte. Í<: pertinen te afir mar que o "milagre econ ômico" patrocinou a construção ele vários setores c cdifl- cios de campi universilúrios em lodo o país, tan- to nas universidades federais quan to em institui- ções privadas (sobretudo as vin culadfls com mantcnedoras religiosas). A crise econômica pos- lt'rior de ixou in(tmeros desses campi como can- teiros em aberto; w davia, os arquitetos brasileiros desenvolveram uma larg-a experiê ncia em plane- jame nto ele espaços uuiversit:uios no período.
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    776 • Arquiteturas110 J11·asil 130. Franci~co rlc Assis Reis: s!"dé' da Companhia !Iidrc létri- ca do Siio Ft-ancisco, Salvad or, BA, I':J79-I.':Jtl~. 131. I lumbcrto Scrp a, M<1rciv Pinto de Barros, iVIarcus V i- nícius Mcycr, William Ramos Abdalla: edifício-sed e do Banco de Dest:nvulvirueutu de Minas Ccrais, ReJo Hori- zvnte, MG, 19 69. CENTROS POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS E A BUROCRACIA OFICIAL O abrigo das atividades governamentais é uma f]Uestão arquitetônica cbssica, preocupação de qualquer tratado ou manual de arquitetura do passado. No entanto, a articulação entre as várias partes de urna administração pública - quaisquer sejam as esferas: municipal, estadual, federal- complíca-se na mesma proporção que a burocracia se Lorna mais complexa e na maio- ria das vezes ininteligível. Rebatendo essa com- plexidade no espaço físico, o crescimenLU confu- so da burocracia produz uma desorgani;.ação espacial usualmente caracterizada pela pulveri- zação de repartições no tramo das cidades tradi- cionais, acomorlações nem sempre satisfatórias do ponto de vista da articulação das partes admi- nistrativas do conjunto. Essa observação parte apeuas de um pt-cssuposto de organização técni- ca . Do espaço da administração pública não se deve isolar sua denotação mais ampla de locus do poder, da simbologia inerente ao exercício das práticas políticas em uma sociedade. Brasília configura a experiência máxima ela espacializa- ção de um desejo de projetar um símbolo de poder da nação e sobre " nação. A nova capital do Brasil não é experiência pioneira nessa vertente: Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais ( 1894) e Goiânia , capital do Estado do Goiás (1933) representa- ram esforços anteriores recentes para assinalar vontades políticas de afirmação territorial e de autoridade pública. Nenhum desses empreendi- mentos se isentam de urna prcocupaçáo de ocu- par vazios humanos, d o caráter de domínio territorial de regiões ulexploradas, a imposição de vetores de desenvolvimento urbano ou rural. Mais recentemente, Palmas, capital do novo Es- tado de Tocantins (1990) d;Í seqL.Jê ncia à inven- ção de capitais. llrasília transformou-se também num para- digma para a reorganização física dos espaços da burocracia oficial. A hnsc:a ele lugares pr-óprios para a administração pública tornou-se recorren- te sobretudo no Brasil dos anos de 1970 - tanto com a implantação de centros político-administra- tivos ocupando grandes vazios na periferia urba- na (como o vazio anterior de Brasília) quanto na construção de sunLuosos edifícios para sedes de empresas estatais ou paraestatais - , fenômeno que não deve ser desvinculado da ostentação do "milagre econômico" do período nem da políti- ca de centralização administrativa, ao estilo auto- ritário do governo pós-golpe de 1964. Claro que
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    l:.pisódios dc> 11mDmsil Cm11dr,> r,> Jlodemn • 1 77 .. 132. .João Filg uciras Lima: edifício de secretaria do C<'ntro Po lírico-Admin istrativo lht Rahia, Salv;ultll, BA, 1973. l ~~ . Saty•·o Pohl Moreira de Castilh o , .J(IIi o dt> Lamon ir<t Fn.:in.:, SC:·rgiu de Mor:1es, Antônio Carlos Carp intt:ro. Ma- nuel Perez Sa ntana, Moacyr Fre itas, José Antônio Lemos do~ S;tnto~, Antô ni o Rodrigues Can 'a lh o, Pau lo Zimbres (consultor) , fira nk Svensson (consultor): Centro Político- Administrativo do Estado do Ma10 Grosso, Cuiabá, MT. 1971. a proposta de cen tros político-administrativos não é ncu:ssariamcnte sinônimo de d iladttra: o Paraná organizou seu Centro Cívico Es tadu<~l em 1951, uum período democrático; Brasília foi obra de uma gestão democrá tica. A mo numentalida- de, quando atributo próprio do programa arqui- tetônico, não é suntuosidade gratuita. Os cen tros político-administrativos esla- rlnais efetivados nos anos de 1970 foram organi- zados como cidadelas afastadas dos núcleos urba- nos tradicionais. Implantados em grandes vazios periféricos à cidade, obedecendo a planos dire- tores que, na maioria dos casos, reproduziam o esquema de Brasília: edifícios isolados para cada fnnção ou agrupamento de fun çôcs, scgunrlo conveniências d e exeqüibilidade e m dikrcntes freu tes ele trabalho. Assim se desenvolveram os centros político-administrativos de Salvador (com plano urbanístico de Lucio Costa), Rclé m, Porto Alegre, For1aleza, Natal. A grandeza desses em- preendimentos ínvíabílízou a sua conclusão, es- gotada a gastança do "milagre econômico". Um dos mais eloqüentes exe111plos desses complexos administrativos- c que também foge um pouco à regra - foi o Centro Político-Admi- nistrativo do F.stado elo Mato Grosso. O pr~jeto, iniciado em 1971, reunia uma equipe básica d e j ovens arquite tos formados na Universidade de
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    778 • Arquitet11ras110 Brasil Brasílit~. O complexo aclministrativo deveria ocu- par um vazio de 3 mil hcclarcs, afastado do cen- tro de Cuiabá- numa superfície maior que a área total da capital. Essf' <~f<~s t anwn to pressupu- nha urna tentativa d e estabe lecer um vetor de cr<'scimento para a cidade, rumo ao centro po- lítico-administrativo. O c:onjunto não privilq~ia­ va edifícios isolados: uma malha estrutural regu- lar organizava os vários blocos, proporcionando um sentido de continuidade, resultando num conjunto de edifícios com unidade arquitetônica abrigaudo tanto a sede Jo governo quanto as se- cret.arias como que num único volume espraiado - como uma megaeslrulura. A proposta inicial não foi respeitada pelas administrações pustcrio- res. O conjunto hoje se encontra incompleto, e vários edifícios isolados se ;1dicionaram ~~ paisa- g-em circundan te do centro político-administra- tivo, rompen do a unirbtde original. O PLANEJAMENTO DE CURITIBA Uma das mais bem-sucedidas ações dc pl<t- nc:jamento urbano no Brasil desenvolveu-se para a cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná, a partir ele 1964. !"esse ano, o Depanamenlo de U rbanismo da Prefeitura e a Companhia de De- senvolvimcn lO do Paraná - Codt>par - abriram uma concorrência pública para a elaboração ele um plano preliminar de urbanismo. O concurso foi vencido pelo consúrcio.Jor~e Wilheim Arqui- le Los Associados (conceituação e proposição urba- nística) c Sen·te Engenharia (estudos de engenha- ria, iufi·a-cstrutura e aspectos sócio-econômicos). O aspecto metodológico principal da proposta elo arquitetoJ orge Alilheim (n. em 1928) foi a ele de- linear nm plano com cliretrizcs gerais, sem um de- senho ftxo, que dcveria ser desenvolvido a partir da criação ele uma estrutura local de acompanha- mento do plano, com profundo envolvimento de técnicos da própria cidade. Em 1960, Curitiba abrigava 344560 habi- tantes - o nono maior aglomerado brasileiro; ao longo da década, sua população cresceu cerca de 40%, alcançand o a marca de 483 038 habi laules em 1970. As diretrizes de Wilheim referenciav;J-se nos seguintes pontos: l. mudar a conformação radial da expansão para nma lin cr~ri zula, inte- grando os transportes ao uso do solo; 2. descon- gestionar a área central e preservar o centro tra- dicional; 3. conter a populaç;'io de Curitiba dentro elos seus limites físico-territoriais; 4. dar um supor- te econômico ao desenvolvimento urbano; 5. pro- piciar o equipamento global da cidade. O plano básico foi desenvolvido no primei- ro semestre de 19G.S, com a particip<~ç;'io de vár-i- os profissionais locais - entre e les, engenh eiros civis Uovens c veteranos) que complementavam suas formações freql'1entando o recém-aberto cw-- so de arquitetura, e formados na primeira turma, em 1964. Wilhcitu c seu grup o ele assessoramcn- LO local percorreram toda C11ritiba, e essa intera- ção estabe leceu os vínculos entre o cotidiano ur- ~· · 134. ll'l'UC: plano de Curitiba, PR. . l,.,.....,,..... - .l('.a.(:lo O(., ....:t~l ·;.~f->'! i ~ COI., IOOI.. .. ~~ CURITIBit .t5?:5I:J
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    bano e asdiretrizes teóricas de ordenação da ci- dade. O plano propunha o desenvolvimento da capital mediante duas vias estruturais ele tráfego rápido formando vetores de expansão (rumando para oeste e sudoeste) tangenciando o centro , sem sufocar o núcleo central -adequadamente servido com transporte coletivo e preser vando-o do adensamento sem controle. As áreas lindeiras das vias constituíam alternativas qualificadas para ocupação. Outra inovação para a época foi a pro- posta de peclestrianização ela via principal do cen- tro antigo da cidade, a rua Quinze de Novembro - espaço tradicional de encontro ela população, embora urna via fregüentada p or automóveis. F.ssa postura refletia a iciéia de f[UC o crescimen- to da cidade poderia ser ordenado sem ciru rgias urbanas radicais no centro tradicional -com to- das as seqüelas econômicas e sociais, às vezes mais graves que os problemas que se imentavam solu- cionar. A ddinição ele áreas industriais compati- velmente localizadas em relação à cidade e a im- plantaçào de :ti-cas de recreação c lazer nos bairros eram outras diretrizes prioritárias do pla- no básico. O conjunto ele propostas foi apresentado num seminário aberto ao longo do mês de julho ele 1gf)!), com a parricipaçi"io de associaçôes de classe, profissionais liberais e interessados em ge- ral. Em seguida, formalizou-se a criação de um organismo responsável pela institucionalização do plano, o lnslituto de Pesquisa c Planejamen- to Urbano da Cidade de Curiliba-ll'PUC - ,que complementou a proposta inicial do plano de Wilheim, afinal transformada no Plano Diretor de Curitiba, aprovada pela Câmara Mu nicipal em 1966. Ao final dos anos de 1980, a capital do Pa- r<má é considerada a cidade com a melhor quali- dade de vida urbana do país. As soluções implan- tadas pela administração pública nos moldes elo plano da década ele 1960 foram apropriadas satis- fatoriamen te pela população. Como se explica essa trajetória? Embora o plano elaborad o em 1q55 há muito tenha sido superado, as bases do processo ele planc::jamento e desenho urbano esboçaram-se Episódios de 11111 Brasil Gra11de e .lodemu • 1 ~ nessa oportunidade. Inicialmente, estabelecendo diretrizes flexíveis que foram conformadas de acordo com a realidade a partir da filtragem por técnicos locais, mais sintonizados com o cotidia- no ela cidade - e Wilheim não desdenhou esse aspecto da contri buição local. A institucionali- zação do planejamento mediante a criação do IPPUC - absorvendo a equipe local que acompa- nhou vVilheim e incorporando novos elementos, afinados com os princípios originais- estabele- ceu um sistema de acompanhamento do proces- so de planejamento que foi trabalhando o plano inicial com prqjetos arquitetônicos e urbanísti- cos pontuais, a ponto de consolidar uma série de propostas f[U e , amadurecidas, foram e ncampa- das pelo govern ador elo Estado, nomeando pre- sidente do TPPUC o arquiteto J aime Lcrr1cr (n . em 1937), prefeito de Curitiba em 1971 (nessa época, em pleno regime militar, os prefeitos das capitais não eram eleitos, mas nomeados) . A im- plantação concreta do plano iniciou-se em sua gestão. Cenas propostas, como a peclestrianíza- ção da principal rua do centro tradicional (a pri- meira experiência no pa ís), sofreu fortíssima oposição do comércio, além do estranharnento gcr·al corn a r·ctir ad<t dos automóveis- um símbo- lo ela industrialização no Brasil; as vias estrutu- rais foram consideradas "perigosas", pela velo- cidade elos veículos q ue nelas transitavam. O conjunto de diretrizes estabelecidas pelo IPPUC conseguiu, com maior ou menor sucesso, vencer as resistências e atravessar sucessivas admin istra- çôcs, diminuindo o impacto da descontinuidade do planejamento municipal. Jaime Lerner vol- tou à prefeitura de Curitiba em 19R9, triunfal- mente pelo voto direto. Curitiba significou urna possibilidade real de desenvolver planos urbanos ele forma bem- sucedida. A experiência tornou-se paradigmáti- ca em termos brasileiros e, a tualmente, opa- drão de qualidade de vida ela cidade chama a atenção dos técnicos do mundo. Todavia, con- vém caracterizar esse sucesso como a conjuga- ção de uma coleção ele fatores que permitiram materializar essa utopia p lanejadora. Bem lem- bra Jorge Wilheim que, no mesmo ano em que
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    180 • ArquitelllrttS110 Brasil ganhou a concorrência para o plano de Curitiba, seu consórcio também foi indi c::~rlo par·a desen- volver o plano de Joinvillc, cidade no Estado ele Santa Catarina. Segundo o arquiteto, as idé ias nesse p lano catarinense eram mais inovad oras do que as da capital paranaense. Todavia, a fal- ta de uma vontarl<:> política e a a usência de Ullla equipe local de acompanhamen to do pr~jelü frustrou a seqüência do plano [Memória... 1990]. HABITAÇAO POPULAR l~ impor/ali/e que o BNJ-1 (Banco Narional da f-fabitariio) Lmha presenlP IJUP Pslri criando uma nova smuíntica de moradia limsi.Lei-ra. Nós jJagu.nln.m.ns St' PHI' 1101111 .ügnijiwdo não é 11ada mui.~ do ']l.W '11.111.11 delet-iomfâu rrijJidn di' algo quese eslntlumva fJusilivmnente. Temos mrrlo rle que, denlro t'm breve, moradia para o bmsileim seia rtfw- na~ um cúlt-ulo "'' Unidrult's de Patb·ào de Crédito, nu a preocupação rom. n jiTestaçiio mensal e ronSP- qüenle mneriio on o pavor rfp .wr levado mnlm. a von- tade Jmm um ajHtrlanumlo rm r:oniu.nto n>sidl'nrial. 1:,'./tt jnt!Of:'llfwçrin, goslodmn11s dt' t-ransmiti lo ao /JN/1. (;nstnriamu' lfltl' ,.z,,-''''l'"''slionassl' a 'i rne;mo ,UÚrt' o qut• rslti Jnznulo. RI'.NJTO SARNO, presidente do Instituto de Anp1itetus do B1·asil, 197 1 [Scrran 1976, p. B9 l A participação de arquitetos modernos e m projetos habimcio nais inicia-se de forma mais sis- temática com a ação dos lnstitutos de Aposenta- doria e Pensões ligados às categorias profissionais -os IAPs -,a Fundação da Casa Popular e o Depar- tamento de Habitação Popular, como vimos no ca- píwlo anterio r. A euforia desenvolvimentista dos <tnos de 1950 não se sensibilizou com uma das maiores ca- rências do país. O Plano de Metas do presidente Juscelino Kubitschek não continha qualquer refe- rência à questão habitacional. /. prática governa- mental limitava-se à repressão da construção de fa- velas ou medidas institucionais de levantamenLO censitário e diagnóstico elo quadro de carências habitacionais para população de baixa renda. Co- missão para Extinção de Favelas (Rio de Janeiro. 1947), Serviço de Recuperação de Favelas (Rio de Janeiro, 1952), Comissão de Desfavebmento da Prefeitura de .Belo Horizonte (1955), Cruzada São Sebastião (Rio de J aneiro, 1956), Serviço Social comra o Mocambo (Pernambuco, 1956) são no- mes sugestivos de iniciativas na área habitacional nos anos de 1910-1950 [Finep/ GAP 1985]. Favelas, mocambos, malocas, barracos, alagados, cortiços- termos regio nais para formas de moradia estra- nhas aos parânwtros arquitetúnicos e 11rbanísticos tradicionais, classificados oficialmente como habi- tações "subnormais" o u de "interesse social". A iniciativa do governo militar de criar o Banco Nacional da Habitação (BNII) e m 1965 foi tomada na ép oca como u m alen to ao déficit ha- hitacion;.JI. Até sua extinção, em 1990, a institui- ção passou por diferen tes etapas de atuação, que não caberia aqui retomar. A política habitacional pós-golpe de 19G4 priorizou os investimentos na construção iutcusiva de casas para venda (segun- do o conceito de pt·opriedade residencial para as classes de men or renda) com o forma ele estimu- lar o setor da construção civil e recurso para ame- nizar o dcscuq.ncgo, por ser atividade capaz de absor ver mão-de-obra não-qualific<1da nos gran- des centros u rbanos. A diretriz não era assegurar condições mínimas de habitação. Implementar um setor produtivo e com bater o d esemprego era a preocupação básica, tendo como subprodu- to a construção de moradias ao menor custo pos- sível. Essa condicio nante gerou conjuntos habita- cionais com padrões de qualidade muito baixos. O produto concreto dessa prática resultou em dezen as de agrupamentos de construções em altura ou com descnvolvirnento h orizontal, isola- dos elos contextos urban os aos quais se deveriam relacionar- posto que se abstraísse a articulação da q uestão habitacional como uma problemática urbanística. Praticava-se a periferização oficial e compulsória de largos scgmen tos ela população com custos imediatos baixos; a médio c lon go prazo, a consolidação dessas periferias demanda- ram investimen tos altíssimos na instalação de infra-estrutura negada n o primeiro momento .
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    i;jJis<idios de 11111lirasi! Crand<? e .Vlodemo • 181 135. j oiio BaLisla Vilanova Artigas, F;thio PC'nleadu, Paulo :<lcndcs da Rocha: conjlHllO Hahi Lacional Cccap Zezinho Maga- lhiies l'rado, Gurtrulhos, SP, 1967 . Distorções da política habitacional do pe- ríodo pós-1961 levaram o Banco Nacional d a Habitação a contemplar sobretudo o financia- mento de moradias para a classe média e alla. O aproflmdamento do déficit habilaciomtl parr. r.s populações de baixa renda manifestava-se no in- cremento de htvelas, invasões, loteamenLOs clan- destinos, cortiços, sobretrabalho na autoconstru- ção- a transfo rmação da paisagem das periferias das grandes cidaucs como ::~ssen tamentos de es- paços de subsistêncir.. Foi na década de I960 que se tornavam nítidas duas atitudes dislintas dos arquitetos perante à degradação habitacio- nal, à ineficácia do programa govf'rnamcntal c os resultados ir11positivos e pouco qualificados das realizações oficiais conveucionais. De um lado, arquitetos politicamente opos- tos ao regime m ilitar, mas interessados pela cau- sa habitacional, ocupando trilhas insti tucionais do Estado a partir da proposição de espaços de formu lação erudita. No outro extremo, a assimi- lação da cu ILura e da prútica popular corno re- curso possível e des~jávd para a resolução does- paço da moradia pobre. Na prilneira vcnente, a exp eriência mais consiste nte foi a realização, a pa rtir de 1967, do conjun to habitacional Zezi- nho Mag-alhães Prado, patrocinado pela Caixa Estadual de Casas para o Povo (Cccap) no muni- cípio de Guarulhos, Estado de São Paulo- conhc- cido também como conjnnro Cecap-Cumbica. O pr~je to foi coordenado por três expoentes da li- uha paulista:.João Batista Vilanova Artigas, Fábio Penteado e Paulo Mendes ela Rocha. TrM.ava-se de um conjunto planejado para uma populaç:'ío de 55 mil habitantes em 130 hectares de área, con- tando com toda infra-estr utura urbana: escolas, hosp ital, centro de saúde, posto de puericultura, estádio, cinemas, hotel, teatro, comércio próprio, clube, transporte etc. A organização dos espaços se l'::tzin f'm turuo do conceito da freguesia - termo tradicional do urbanismo portugu(:s relacionado com uma comunidade com vínculos eclesiásticos, atualizado em scn sentido no Cecap-Cumbica como conjunto de pessoas com interesses comu- nitários. Cad<1 freguesia comportava agrupamen- tos de edifícios c equipamentos urbanos em u.:r- ca de 15 hectares, com população prevista para 9 884 habitantes. Uma derivação do conceito de superquadra, adotada por Lucio Costa em Brasí- lia. O conjunto Cecap-Cumbica- incon cluso- funciona hoje parcialmente segundo a concepção original, ocupado por populaçáo de renda média. No outro extremo, e mergiu llOS anos de 1960 uma contestação ao conceito de conjuntos habitacionais no princípio da unidade de habi- tação- corno e m Pedregulho, Várzea do Carmo, Brasília ou Cecap-Cumbica. A crítica ao con cei- to par tia da constatação mínima da inviabilidade
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    182 • Arquitet11ras 110 13rasil do acesso à população marginalizada a empreen- dime ntos cuja totalização - tida corno ambiciosa - exigia altos investimentos, subordinados a po- líticas de financiamento nem sempre favoráveis ou capacitadas a arcar com tal aporte, diante das múltiplas demandas de uma economia carente de recursos em inúmeras outras áreas de igual prioridade ou precedência econômica ou social - sobretudo as relacionadas ao controle d o cres- cimento urban o dos grandes centros. A a morti- zação desses conjuntos seria inviável ao poder aquisitivo do segmento populacional de baixa renda, salvo nus casos de redução ao máximo dos custos, ao nível do absurd o da inabitabilida- de - como se constatou efetivamente. Um primei- ro reconhecimento dessas contingências limitado- ras foi tentado por Acácio Gil Borsoi, em 1963, em Pernambuco, onde, por iniciativa do Serviço So- cial con tra o Mocambo, o arquiteto propôs, para a comu nidade favelada elo C~jueiro Seco, casas segundo um sistema de pré-fabricação de com- ponen tes construtivos baseado na taipa- sistema tradicional <Jssociando urna malha de made ira revestida com barro -, uma arquitetu ra de cusLO baixo e factível dentro das limitações orçamen- 136 e 137. Acácio Gil Bo rsoi: comunidade dt: C~j u ci w Seco,.Jaboatiiu, PE. 1963. protective painting. • ~ ptntura de prote~o. .,- rll> • """';;::sii.: - 'ESC N-/. /?,-.... . - . rool storage. depósito de rolos. . table. mesa. , tárias d a população d e baixa renda. A proposta buscava integrar um certo repertório construtivo tradicional, a. fixação da população no local com a alternativa de morar em casas de melhor qualida- de, sem violentar as características culturais c co- tidianas da comunidade favelada. O golpe de l964 interrompeu a experiência, sem possibilidade de avaliação. Em 1969, um gmpo dejovens arfJuitetos do Rio de janeiro -Adina Mera (n. em 1927), Ana Maria Sobral, Carlos Nelson Ferreira dos Santos (1943-1989), joão Vicente Amaral Mello, Marcos Meycrhol'e r Rissin (1939-?) c Silvia Lavanere Wan- derley - apresentava um relatório para o X Con- gresso Inter nacional da União Internacio nal de Arquitetos (UIJ.) com uma abordagem inédita no meio profissional brasileiro. A problernatização do grupo partia de três questões: 1. Elll que merlida a incorporação de soluç<l<:s indi- viduais c espont:'ln<:>as de moradia - tais corno as encon- tramos nas ravelas e que achamos muitas vezes válid<ts- c sua tradução n~ linguagem própria dos <1 rquirc ros, pode- r-ia coutrib1rir para reali?.ações de u·ansccnd[·ncüt social? 2. Como as potencialidades do favelado, conside- rando a exi stênci <~ de nma mobilidade soci<1l c](' veloci- dadt: direrenre nas nossas cliversas situações nrlturilis, • pre - cut straw bunches. feixes de folhas preparadas. straw stora~. depósito de folhas.
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    poderia u1 sercanalizadas para contribuir para a solu- ção dos p ro ble mas de moradia das populações de ba i- xa renda? :1. Estamos pre parados, os arquitetos de países sub- clesenvolviclos, para e ncara r estes aspectos especia is ela nossa realidade para os qu:-tis nossa participação é solici- tada? [Serran 1976, pp. 128-129]. Essc.:s arquitetos propunham , e ntão, uma atuação em que os fins necessariamente refletis- sem os me ios: No campo da habitação de intcrt-sse social, na medi- d a e m que p udermos aceitar cen as formas espontâ rwas d t> moracli<1 corno express:'io vftlida da vontade huma na - c sobreLUdo como me io eficiente de satisfazê-la - tal- vez possamos lhes trazer a contrihniçiío de uma arquite- tura erud ita, ao invés de competir co lll elas uun1 proces- so despótico e destrutivo. [...j Nesse sen tido, pensamos q ue a maior contrib uição q ue o arquiteto poderia d::u- aos progra mas de habitação de interesse social seria pro- mover seu rd<~e i onalllc n to no todo urbano, fun cionan- do como liga~·iio e ntre estas duas cidades contíguas e tà.o opost<JS, :1 cla ndestina dentro ela o fi c ial. [...] Supomos q ue cada vet se (;v . mais n cccss:í ri o que o arq uiteto, ao agir nesse campo, procure resp eitar os siste mas de Yalo- res c apn::nder com eks. Ao cruz:1r se us conheci m~:n tvs de uma arquitetura erudita, com esta outra, espontâ neil, n ascirl;~ das possibilidades c dispon ibilidades dire tas do indivíduo, objeto d t> ações de interesse social, talve7. (')(' possa criar conceitos, p,·en1issas ou tt>ori<~s sobre o ur·ba- nismo .- ha bitação até agora n:io previstos entre n ós [ S t: IT<LI I 197G, p . i:H , j)({SSim.j. As investigações deJ ohn Turner foram bas- tante intluc n r.es nessa linha de pe nsame nLo . A post11ra pela urbanização de favelas, da regulari- zação do ilegal, ela atitude de.: fixar populações de baixa renda e m sítios consolidados e conven ien- tes, encontrava um a razão de ser, conhecendo largo desenvolvim ento entre j ovens arquite tos politizados nos anos de 1970, como um desafio ao quadro d e severa repressão política e cultural da ditadura militar pós-1964 e ante o descalabro da situação da população marginalizada dianLe dos programas habitacionais do governo. Os acertos e equívocos dessa postura po- de m ser estudados na auto-reflexão que Carlos Nelson Ferre ira dos Santos promoveu, a partir de sua experiência de trabalho conjunto com a Federação elas Associações de Favelas do Estado h."pisódios d~ tllll Brasil c:ra1tdl' e ,1/odemo • 183 da Guanabara (FAFEG), n a urbanização ele fa"C- las desenvolvidas pela Compan hia de Desenvol- vimen to de Comunidades (Codesco), e ntre 1967 e 1970, registrada no livro Movimentos Urbanos no Rio deJaneiro- uma dissertação acadêmica na área de antropologia social dando conta dos mi- tos e elas realidades na interação <.: uo conflito entre a cultura favdacla e a p resença de.: um téc- nico (como o foi Ferreira dos Santos) na rcso- luçào da questão habilacíonal de baixa rencla . Re fl etia Ca rlos Nelson , a nos mais tarde, nu m rccncontro distauciado com sua prática do final dos anos ele 1960: Ali m e d emonstrava m ll lllil Lec nolvgia que c u so cons1·gnin1 im p lan tar ele forma m u ito impel"feita em me us próprios trabalhos [favela de Brás de Pina] por- q ue ob"iamcn te jamais pod eria conseguir u ma fusão tão anint!ada entre planos, modo de "ida e t>xpecl<lti- vas d a popul aç~w c envolvimento cotidiano. Em suma, realizavam algo que para mim era a penas uma possibi- lidade teórica [Valladares 1983, p. 88]. Em termos genf>ricos, os anos de 19f:i0 her- daram a trad ição moderna dos conj untos habita- cionais esquematizados em sua LOLaliclade - in- cluindo nessa categoria tanto as propostas u1ais elaboradas pelos arquiLelos, quanto os absurd os coujun tos do JJNH (degeneraçiio de concc it.os como os de superquaclra) [Comas 19H6l - c in- corporaram a atitude alternativa de reconhcccr os asseuL<uuculos margiuai!; como estruturas válidas no con texto das grandes cidades. Era o embate entre o reconhecido, o regular, o oficializado, com a clandestinidad e, as invasões, a ileg·alidacle. O Ranco Nacional da Habitação c sua política fo- ram a baliza: ou a inserção no Sistema Financei- ro da Habitação ou a oposição a ele. À medida que a políLica oficial marginalizava as popula- ções de renda mais baixa - mais e mais excluídos do sistema ecouômico - c se acirravam os âni- mos peran te a situação polírica ele exceção na p rimeira me tad e dos an os de 1970, radicaliza- vam-sc as posições. A questão h abitacional assu- mia sua natural cond ição de bandeira política c ideológica, e , entre os arq uitetos, o tema deixa- va de ser também um dado de desenho para si-
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    784 • Arqui/eturas 11() Brasil luar-se sobret.udo como uma problemática no âmbito pulílico-ideológico. O reducionismo da ação governamental na área habitacional nos anos de 1970-1 980 difi- cilmente poderia ser caract.erizado como um "programa": a trajetória entre o conju nto de Pe- dregulho, rle Reidy, üs casas-embriões servidas basicamente com a instalação da pane h idráuli- ca{; suficiente para ilustrar o retrocesso ao longo dessas décadas. Superado o radicalismo entre as partes, exl into o Banco Nacion;tl da Habitação, a questão permanece e m aberto. O pod er público hoje rambém assimilou as críticas aos programas h abitaciouais e à arquiletu ra praticada nos con- j untos. A parccri;-~ e ntre iniciativas ofi ciais e a população de baixa re nda faz pane das p ráticas de alguns mun icípios brasileiros. Todavia , ne- nh uma <hts rluas ;-~tit udes, tão marcadas nos a nos de 1960 c suas derivações, quase uma 1crceira ou q uarta via inspirad<ts nas experiências anteriores, qualificam-se corno resposLas abrangentes para o problema. Constituem ainda um reconhecimen- to prcc::i rio da questão c uma :-~ção microscópica, localizada, possível e fac tível de marf'rialização. Talvez a chavt> da resposta esteja em estar aten- to nessas ações pequenas e insiste ntes - c, quem sabe, cousist.en rcs num fu turo q ualcpwr. ORDENAR E REFAZER CIDADES Em 1965, criava-se o Banco Nacional ela H:-~hitação (BNH) . 1'o ano seguinte surgia o Servi- ço Fed eral de l labitaçâo e Urbanismo (Serthau). A implantação de um sistema ou política nacio- nal de planejamento urbano teria seu corolário com a definição das regiões metropolitanas c a criação da Comissão Nacional ele Regiões Met.ro- politanas e Política Urbana (CNPU) em 1974. Ob- serva Nestor Goulart Reis Filho que [...] a popula~-,-w brasileira vem r.enclenclo a se coJtcen- trar nas aglomerações ele maior porte - regiôes meu·opo- litanas, me trópoles regio11ais c cicl<1des médias- e n qu<~n- - ------------- --- to as cidades de m~;;uor porte permanecem pr<~licamcn­ le in;tl leradas. Em 1960 apenas duas metrópoles, Rio de J aneiro e São Pau lo. poswíam 111ais de um milhão de habitantes (contavam cnt<io com mais de r.r('s milhões) . Em 1970 tínhamos cin co c e m 19RO nove regiôes me- tropo litanas c- nrasíli<~ colll mais de um milhão qut:. em conjunto, acolh iam mais clr 35 111ilhôcs de habitanles. Nos nwsm os ittlnva los, o nú mero dt' cid ades com mais de I00 m il habitantes passou d1· 31 pa ra 60 c 95, res- pel"livam cu Le. c as com ma is de 50 111il, de(-)!) pi!r:t 115 e 198. Em 1980 as nove regiôes mclropolitanas (excl u- indo-se Brasíli a, ponanto) abson·iam 29% da popula- t;ão lotai do p<'~Ís c 42% de stJa população urban a (Re is Fil ho 199fi, p. 231. Nessa trajetória, pi"Oliferaram os or~;.~n is­ mos de assistl:n cia técnica aos municípios para promoção de "planos locais integrad os", "planos diretores" e ou tras a tividades-meios, C[ uc: so- m e nte alilncntaram os devau eios da recn o-bu- rocracia que monopolizara m os gabinetes polí- ticos dos anos d t> 1970. No mesmo diapasão, o en tendimen lo que as disciplinas de urbanismo das escolas d e arquitetura não acom pan havam as tran sformações que se operavam no plano tccno-burocrá lico conduziu à implcwentação, com incen tivos oficiais, dP cursos de pós-gradu- ação e m plan eja mento urhano. São Paulo , Rio de .Janeiro. Pono Alegre, Pern ambuco e Brasília aIin hara m-se nessa diretriz, além elo interesse suscitado pelas inúmeras opções de cu rsos no ex- terior. Certo é que, n esse momento, o problema urbano cada vez mais se configu rava como a de- d uç~o de uma conjuntura econômica e política, caracterizando u!lla poswra cviden ciadora elas figuras do economista e do sociólogo, sobretudo. F<tlava-se o "economês", o "sociologuês" c o utras "línguas" d erivadas ele jargões técnicos, buscan- d o-se fusões d e disciplinas distintas em produ- tos d isLan tes e à revelia elo cotidiano d os cida- dãos. Na radica lização do discurso de oposição ao regime não-d emocrático, os arquitetos poli- ticamente eng~j ados extremavam seus posicio- namentos com a atitude elo "não-proje to", u ma exacerbação das análises de Sérg-io Ferro sobr-e o contexto brasileiro e a prática arquitetô n ica [ver final do capítulo anterior] . A discussão so- bre a arquitetura c o urbanismo nas escolas pri-
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    vilegiavam as análises políticas e sociológicas, e m detrime nto do projeto. No plano internacioual, os resultados ne- gativos ele um planejamt>nro recnicista susci ta- vam críticas. No grasil, a estagnação ela moder- nização econômica com a falê ncia elo "milagre" evidenciou a falácia do discurso plan<::jador de- senvolvido nos anos de 1960-1970. Esses legados decerto conduziram a uma nova perspectiva que ganhou corpo 11<1 década ele 80: o rlr'srm.ho ttrbann. Essa visão ganhou força e esta ruto para debates entre nós a partir elo I Seminário sobre Desenho Urbano no Brasil, reunido em 1984 em Brasília. Linha de trabalho que mereceu discussões e con- testações até de natureza etimológica (teria o Desenho Urbano o mesrno coutel!du do Urhan Design ventilado nos Estados Unidos e 11 a Europa no linal dos anos de 1970?) . O Desenho Urbano pareceu consubsranciar urna nova atitude pt>ran- te as intervenções sobre novas e antigas tramas urbanas. Se é evidente um posicionamento críti- co d iante dos postulados fnncionalistas à C:Jrta de Atenas, igual disposiç::io se observa contra o privilégio das análises cenu·adas exclusivamente sobre o processo sócio-ecouôuúco nas cidades. O Desenho Urbano saía em busca de uma relação entre as implicações do espaço concreto (a forma urbana) sobre as práticas c referências sociais. Essa postura conduziria a outras formulações para o espaço urbano, no plano do cotidiano do habitar a cidade e o respeito aos valon.:s dos ci- dadãos c dos grupos sociais. Pcsrprisas como Qucmrln a Rua Vim Casrt, coordenada po r Carlos Nelson Fe rre ira dos Santos, apontava m cami- nhos. Não mais a renovação urbana à base do Bulldozer mas a preservação c a reciclagem dos espaços exist.ent.es sem a rragmentação do tecido social. As expansões urbanas, os lotea me ntos, as invasôes, as favebs, os conjuntos habitacionais, as cidades n ovas. seriam questões tratadas com nma postura não mais apenas no plano da inter- venção físico-ambiental como couciliação de conflitos de uso do solo urbano, ou na dicotomia "cidade convencional x cidade m arginal". A abordage m era outra c cerramente a d iscussão ainda está longe de atingir o consenso. Hpisôdios de 11111 Brasil ( ,"rc111dc e .llodemo • 185 TENTATIVAS DE NOVAS CIDADES Semear cidades no Brasil é um empreen- d imento que se confunde com a integraçi'io de seu território à economia mundial, desde épocas coloniais. A uropia estava na América: a "cidade ideal" se d esenvolveria harmoniosamente neste lado do oceano - pe nsavam os antigos. Parte des- sas ··utopias" chegaram aqui apenas na forma de traçados urhanos, f[Ue corrcsponderam à aspira- ção de modernidade que alimentou o Brasil-inde- pendente: Teresina, Be lo Horizonte, Goiânia c Brasília, com maior ou menor inspiração, reprc- sl"ntararn c representam um desejo de aulo-afii·- mação, buscando legitimidaclt> em conteúdos u r- banísticos consagrados no pensamento ocidental. A euforia econômica e a síndromc plane- j adora dos anos de 1970 palrociuaram a criilçi'io dt> diversas Yibs t> cidades: colonização, miuera- ção e hidrt>li>tricas serviram de álibi p ara deslo- car dinheiro e gente pelo firasil. No entanto, o qui" existe entre a cidade-do-agrimensor c a cida- cle-carta-de-<Henas? Como são essas cidades cria- das n a maioria das vezes num território vazio de seres humanos? Poderiam ser corno Vila Amazo- nas e Vila Se rra do Navio, no Amapá, concebidas por Oswaldo Bratke nos anos de 1950 como cida- des de apoio à mine ração de man~anês, soluções brilhantes de arquitetura e de convivência com o ambiente regional. Dificil coufigurar o perfil de um assentamento que, desenhado por· arqui- tetos, nascido sob tutela, cresce, amadurece e se torna independente. Ou o oposto, com o a cida- d e-laboratório TTumboldt, proposta de núcleo urbano no noroeste elo Estado do Mato Grosso para abrigar alt os estudos sobre a Amazônia. Criado em 1973 numa iniciativa envolvendo a Universidade Federal do M:Ho Grosso, o gover- no elo F.st·ado e alguns ministérios (Planejamen- to, Interior e Educação c Cultura), no fin al elos anos de 1970 o projeto estava em desativaç<io. Di- ficuldade de conlignração por conta de experiên- cias implantadas e por implantar, mas recentes demais para urna averiguação: conhecem-se inú- rneros uúclcus empreendidos nos anos de 1970
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    l8G • /Irq11ile/11 ms 11u Hmsil l !-IH. .Joaquilll Guedes: núcleo n :side11<.:ial Pilar para Caraíba Metais, .Jaguara ri. 13A, 1976-1982. n o none elo Mato Gro~~o, polarizados por Alta Fl ore~ta, c dos quais pouco se sab<.: <:tc<.:rca de suas "vidas" urbamts. Matupá, no Mato Grosso, é outra promes- sa de núcleo urbano nascido cl::~ iniciativa coloni- zadora particular que, no futu ro, ganhará sua autonomia política conforme o sucesso do t>m- preendimenw. Pr~jetado por Cândido Malta Campos Filho (n. em 1936) e Luí~ Carlos Costa (n. em 1935) no início dos anos de 1980, trata- se de pro post::~ ele assentamento com expansão preocupada com sua integração ao meio amazô- nico- uma sensibilidad e ambie ntal que assume contornos mais nítidos nessa década. A equipe deJ oaquim Guedes desenvolveu, no período de 1976-1982, o projeto do Núcleo Residencial Pilar, p ara a Caraíba Metais, no nor- te da Bahia, subordinada à mineração de cobre. U m cuidado inovador foi o de se estudar os pa- drões urbanos c arquitetõnicos de assentamentos consolidados nas vizinhanças do sítio de implan- tação da nova vila, <.:m busca de uma idenlidade espacial compatível com o repertório dos habitan- tes da região semi-árida local [Camargo 1989; Zcin 1989] . O fracasso da cxploração mineral se- lou o d estino da cidad e. Guedes também foi o responsável pelo plano da Vila dos Cabanos, nú- clco urbano para a mineração ele alumínio em Barcarena, Pará, implantando na década rle 1980. Uma cidade aberta, para receber moradores que não se subordinam ao controle do empr<.:endi- men to minerador. No e nlanto, sua proposta d e distribuição de habiLa~ões e equipamentos urba- nos teve sua realização desvirtuada. Da concepção original reslou apenas o traçado urbano. Um ambiente pode pt·essupor uma paisa- ge m física como uma memória social. E o dese- nho urbano parece incorporar esses valores, tão desprezados pelos planejadon.:s num passado re- ccnte e tão significativos para os que vivenciarão esses novos espaços. Valorizar "práticas corrcn tes, lógicas de uso consagradas historicamente" foram
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    motes utilizados pelaequipe do Instituto Brasi- leiro de Administração Municipal (IBAM) coor- de nacta por Carlos Nelson Ferreira dos Santos, destacada para projetar seis cidades-novas em Roraima. Intervenções em espaçosjá habitados, população que estava e ntre os futuros usuários desses asscntamcntos inspiraram propos t::~s per- meadas por um sentido de cidadania, de gestões coletivas para "se ajJmjni anlos lugares, r.ornando- os afJrojJ'I"iados a seus fins, fazendo-os p-róp·1ios", Epistídios de 11111 /Jrasif Gra11de e .llodemo • 18- segundo Carlos Nelson. Uma concepção decida- de antiautoritária, na visão do urbanista [Santos 1987; 1988] . A sofisticação do discurso na elaboração de novas cidades não foi propriamente uma re- gra. As Cornpany Towns, ou assentamentos orga- niz<ldos por empresas a título ele infra-estrutura urbana de seus e mpreendimentos, povoa ram os esforços de in tegração e exploração de vastas áreas anlcriormenlc iuart.iculadas do território ~:~~'lfJ ~ -- 139. Carlos Nelson Fen·cira dos Santos/ IBAM: proposta de quan cirão para cidades novas em Roraima, RR, 19H5.
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    188 • llrquilelurasnu Brasil brasileiro. Entre a sofisticação d e Vila Serra do Navio ou Vila de Cana Brava (Estado de Tocan- tins) e os inúmeros acampamentos precários co- mo Vila Cachocirinha (Rondônia), núcle os como Mass;~ngana (Rondônia), Itabira (Minas Gerais) , Paulo Afonso (fiah ia), Vila Resideucial de Tucuruí, Carajás, Parauapcbas/ Rio Verde (to- das no Pará) fazem parte de uma linhagem de novos assentamentos que mereceram [Farah e Farah 1993; Oliveira 1989] ou me recerão diag- n ósticos acerca dos aspectos antro pológicos c sócio-econômicos de comllnirladcs fechadas, muitas delas uccxisl(:ncia fumra incerta face ao destino das alividades que as geraram. E nada mais perturbardor em um contex- to - urbano ou nalUral - que o surgimento de um represamento de h idrelé trica. Relações urbanas c ecológicas que silo modificadas n esLC grande em- preendimento que assinalou a política energéti- ca brasilci1a pós-1964. No início dos anos de 19BO, algumas populações atingidas por css"s c"- tústrofes pessoais e role livas têm merecido maiOI- consideração por parte das empresas energéticas. .Já se mencionou , ante riormente, a experiência em curso de Nova Itá, em Santa Catarina. O reassentamento de Porto Castro Alves. Bahi<1 (perto ele Cachoeira), pelo represamento do rio Paraguassu ~ e o surgimento do reservató- rio de Pedra do Cavalo - contemplou uma popu- lação de ce1-ca de quinhentas famílias, transferidas para um núcleo onde os técnicos elo Consórcio Nacional de Enge nheiros Consultores (CN ~C) - coordenados por HecLOr Vigliecca Gani - desen- volveram um projeto em 1983-1981 suhsidiado por uma análise lipológica do hábitat popular da localidade, buscando-se a manutenção de laços de vizinhança c as atividades de apoio existcutes. Muitos dos assentamen tos impliln tados desde os anos ele J950 são verdadeiras incógnitas quanto ao seu dest.ino. Decerto, alguns floresce- ram e frutificaram; outros dissiparam-se ou estão em vias de se tornarem cidades mo rtas. Talvez o Brasil seja um dos países que mais scmearam ci- dades no século 20; todavia, ainrla não rem clare- za do que colheu ou colherá, cloravan tc, apesar de tão vast.a experiência.
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    9 DESARTICULAÇÃO E REARTICULAÇÃO? 1980-1990 OBrasil se revela uma vasta desaTLiculação. O t.odo pa-rece uma exjnessão riivena, r.st-ranha, n.lheia ás jwrtes. ]<,' estas pennaneam fragmentadas, dissoárulas, ràt.erando-.w~ rll]lti ou lá, ontem ou hoje, corno que extraviadas, em busca de seu luga1: I... I fiá momentos wm que o jmís jntrece uma nação compTeendida como um todo em movimento e l'mn5jónnação. lvl.as siío freqüentes as conjunturas em que se revelam as disparidades inerentes às divenidades dos estados e regiões, dos grupos raciais e classes sociais. Acontece que as forças da díspersiio .freqüentemente se nnjJõem r!quelas que atu.am no sentido da inugmção. As mesmas .forças predominam no âmbilo do Estado, w ·ri)i:'rindo-lhe a wpacidade de wntrola·1; acmnodar e dinamiza·r, reiteram continuamente as desil..,rualdades e desencontms, que fnomovem a desarticulação. OcrAvlO lANNl, "Uma Nação em Busca de Conceito", 1992 [pp. 177-178] Nos anos de 1970, morreram Pablo Picasso (1881 -1973), Charles Chaplin (1889-1977), Tgw Stravinsky (1882-1971), Pablo Neruda (1904- 1973), André Malraux (1901-1976), 1lexander Calder (1898-1976), De Chirico (1888-1978), Max Ernst (1891-1976), David Siqueiros (1896-1974), Bertrand Russell (1872-1970), Martin Heidegger (1889- 1976), Hanna Arendt (1906-1975), Charles Lindhergh (1902-1974)- entre outros. Parte sig- nificativa ela miLOlogia da modernidade do sécu-
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    í 190 • Arquiteluras 110 JJrasil lo 20 desaparecia n essa décad a. Mortos ilustres, qne mereceram páginas de elogios 0 11 retrospec- tivas nos principais meios de comunicação. Uma morte, todavia, foi pouco noticiada, e talvez, tar- diamente percebida, con for me o com un icado "oticial". O crítico de anptilctura Chark sjen cks anunciou ao mundo, em 1977, C]Ue a arquite tu- ra moderna morreu em julho de 1972 em Saint Louis, nos Estados Un idos, com a implosão do conjunto habitacional Pr uitt-Igoe, de Minoru Yarnasaki. Aos anos de 1970 atribuem-se uma série de rcavalia(ÕCS dos paradig-mas rlo passado. MurLcs de ex-líderes como Charles De Gaullc (1~90- 1970), Colda Meir (1R98-1978) ou Mao Tsé-Tung (1893-1973) anunciavam a extinção dos super- condutores de povos. As instituições foram macu- IMb s: Rlchard Nixon era obrigado a renunciar. O acideu te nuclear ele Th1-ce MiJe Islancl mostrava os riscos da confiança irrestrita no poder reden- tor da cif>ncia para o futuro da humanidade. O conceito de m assa como valor absoluto (segundo a crença dos anos de 1960) perdia espaço para o cultivo do individual, da YaloriY.ação da idcmida- cle, devido à tolerància com as diferenças indivi- duais c à e mergf:ncia rias minorias (mulheres, negros, homossf'xuais). O conservacionisrno eco- lógico ganhava força, e o conceito de "conserva- dor" deixava de ser pejorativo para ser promovi- do a uma categoria positi'a. Foi esse também o quadro dos a nos de 1970 para a América do Sul? O presiden te chile- no Salvador Allf'ndc (1908-1973) foi deposto em 1973 por um golpe militar.Juan Domingos PeJ-ón morre em 1974, e sua sucessora, Maria Este la Perón, é derrubada do governo argentino dois anos depois pelos militares. O Brasil conheceu uma década de presidentes indicados pe los mili- tares. O período fo i u-ágico para a democracia la- Lino-amcricana, tomada por ditaduras tecnocrá- ticas e intolerantes. Intolerância que, no Brasil, perseguiu sobretudo os intelectuais c simpatizan- tes da esquerda- presos, mortos ou exilados. Os- car Niemeyer passou parte dessa década exilado em Paris, onde continuou deseuvolvendo sua ati- vidade profissional. Os anos de 1970, para a Amé- rica Lati na, foram dos su pe rlíderes ditatoriais, d a repressão à ma nifestação individual c d issi- dente, da hipervalo rização da tccn ohurocracia estatal. O AÇAMBARCAMENTO DE UMA VANGUARDA Ji11 me.fonnPi em /974 {. .. f No meu ltmpo de es- wln, n qu1•stão do praur <!llt arquiil•lurn ''~lava abso- ltttamPniP inllmli!nda. Nrrmn exatamPnle u.~ mw~ do governo Mhtiri e essa inlenliçiin foi colowda jJelus pni/J1'Ú!S j!ro[Psson!s r. e~tudnntes de arqnitetu:m: ·nen•s- sário substituir o lrífJÍS poT instru.mmtos lii(IÍS ronlun- dentes. [... / Nós vínhamos dP trinta ou quarenta anos de uma arquitetura muito rigorosa, muito disri- jJlirwda. que se conl·mjmnhn a 'l""llfltL"'. idéia df PX- (I'SSo.. . ANTOI10 CA.RLOS SA::T'A:":-Aj(:NIOR Lt'rojrto 1990.p.l44] . Ao contrário de alguns países elo Prime iro Mundo, o Brasil, na segunda metade dos anos de 1960 e início dos anos de 1970, passava por urna época de pl~jauça econômica. Parte do legado da arqu itetura dos anos d e 1950-l960 encontrou ca- minhos ele viabilizaçáo nos an os d o "milagre". Um conjunto de valores da arquitetura moderna brasileira- que em seu momento inicial instau- ro u um saber in ovad or - foi açambarcado, crista- lizou-se destituíd o da força inaugural. Um certo pensamento e prática, de vitalidade e sensibilida- de local, mas de un iversalidad e suficiente p ara seduzir a crítica internacion al, diluiu-se c institu- cionalizou-se como conhecimen to d efini tivo e imutável. Filtrada por uma ideologização qu e n eutralizava as diferenças, escamoteava as con- tradições, n egava a interrogação (coerente com o espírito autoritário do mome nto), propugnava- se um ideal de cultura arquitetônica com pressu- postos oriundos de um momen to ép ico da arqui- te tura brasileira- mas agora for m ulado corno único, autorizado c h egernônico. Canon izava-se e burocratizava-se uma postura arquitetônica.
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    Não importava oprograma de uso: da casa ao vi- aduto, da agência bancária ao forno crematório, da escola à torre de garagem, do sofá ao edifício administrativo - era a moda (ou ditadura) das grandes estruttu-as de concreto, do concrelo apa- rente, dos pilares esculturais, das estruturas pro- tendidas, do exibicionismo estrutural, a competi- ção por vãos livres maiores, dos panos de vidro -, imitaçôes esvaziadas dos conteúdos elaborados por mestres como Niemeyer, Vilanova Artigas e seguidores consistentes. Evidências técnicas e formais que simbolizavam uma visão de moder- nidade, certa compostura legitimadora de uma arquitetura sem crítica ou críticos, num tempo de generalizada desconfiança e perseguição po- licialesca, no qual o criticar era uma atitude re- primida ou interpretada como cldac,:ão política. Ingressar no clube dos países desenvolvi- dos: LL!ll sonho dos militares, mas certamente o sonho de qualquer cidadão de um país subde- senvolvido. A arquitetura brasileira desses anos do "milagre" também alimentou uma pretensão dessa natureza. É provável que nunca se tenha planejado c projetado tanlo no país em tão pou- co tempo; nunca se construiu tanto, também. Mas o sign o da quantidade nã.o autoriza uma equivalência de qualidade. O excesso de trabalho embaraçava a autocrítica. Os arquitetos encaste- lavam-se num isolamento de olímpica auto-sufi- ciência ante as discussões em curso no mundo. A arquitetura brasileira dialogava menos com o ex- terior. E dialogava menos internamente, porquan- to a última revista da "fase heróica" da arquitetu- ra brasileira, a Acrópole, deixou de circular em 1971, ficando os arquitetos brasileiros sem ne- nhum periódico regular até 1973, com o lança- mento de q Arquitetura (extinta em 1978) e o rclançarncnio, crn 1975, ela revista M<idulo (de Os- car Niemeyer), sem a pluralidade de posiçôes, to- davia, que marcaram as revistas de outras épocas. A ilusCtu do "Brasil-grande" desabou , tra- zendo a reboque um grave quadro institucional. A arquitetura brasileira, no início dos anos de 1980, sen tia mas não acusava as necessárias revi- sões no discurso c na pr:tlica <tryuitetônica. O debate da pós-modernidade somente alcançou f)esarliculaçao e Nea rliculaçi.io ' • 1.91 a lguma densidade tardia na segunda metade dessa década. VELHAS PERPLEXIDADES Não se pode negar que a discussão inter- nacional em torno do pós-modernismo contri- buiu para o arejamento dos debates no Brasil. Entretanr.o, é preciso verificar até que instância essa polêmica teve repercussão n a virada dos anos de 1970 para os de 1980. Esses debates - fortes nos países desenvolvidos c tímidos no am- biente local - , por si só, não alimentaram as mu- danças e não explicam as transformaçôes consta- tadas na arquitetura brasileira na década de 1980. A questão pós-nwderna abriu as sensibili- dades c a tolerância com a diversidade de posi- cionamentos, corn a apreensão e compreensão de o utras formas de instrumentar o raciocínio do projeto. Fcuôwcno~ ]JCrccbidos mundialm~;;n­ te 'tpnrtavam ent.re os arquite tos brasileiros: a percepção da falência ele panacéias arq uite tôni- cas (soluçôes snpostamente válidas para todas as realidades), o maior diálogo com o contexto ur- bano ou o ambiente naLUral na implantação elos edifícios, o reconhecimento da história como re- ferência projctual, a rcvalorização da reciclagem de edifícios como atitude de preservação cultu- ral, a produção do espaço como resultado de uma colaboração entre arquitetos c usuários, bem como uma postura menos hierálica, unívo- ca, dete rminista e sintética, substituída por uma conduta mais analílica, simbólica, admitindo a ambigüidade. Esses valores podem ser percebi- dos em diversas obras e intentos teóricos sobre- tudo a partir da segunda metade elos anos ele 1980, entre arquitetos mais jovens, com suave adesão de profissionais mais antigos. O tcnno "ade~ão" compona urna arnbigi.ti- claclc. Em que medida o questionamento pós- moderno efetivamente transformou o posiciona- mento dos arquitetos? É a dúvida que paira ao se examinar, por exemplo, o trabalho de Severia- no Porto e Mário Emílio Ribeiro (n. ern 1930),
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    192 • llrquitetums1111 R1·asil 110. S~:v<.:ri ano Porto c: Mário Emílio Ribeiro: Centro dC' Proteção Ambiental de Balbina, AM, 19~4- 1 080. 141. Milton 1onte e Paulo S.:·rgio Nasci nwnw: lntcrpass Club. Belém, PA. 19R9. arquitetos engajados na n:giiio amazônica brasi- k·ira desde os anos de 1960 e que, no início ela década dC' 1980, emergiram como supostos "pós- modernos", com seus projetos em madeira (casa do arquiteto em Manaus, I971; Pousada da Ilha de Silves, 1979; e Centro d e Proteção Ambiental de Balbina, 1984), inserção ecológica com mate- riais industrializados (campus da Universidade do Amazonas, 1971) e obras executadas com uma economia d e meios (pequenas estações telefôni- cas n a selva amazônica) que rompiam com o mo- delo vigente d os grandes centros "produtores" da cultura arquitetônica brasileira. Na rt>alidade, dcvc-st> r·econhecer a obra de Porto e Ri beiro na linha de frente da arquile tura l>rasilcira recente como resultad o de uma persistente experimenta- ção arquitetônica ao lo ngo de mais de vinte anos de vivência regional [Zein 1986a]. A atitude de Porto e Ribeiro confunde-se com alguns posicio- namentos genericamente pós-modernos, mas eles são, ante o contexto de seus trabalhos e traje tória de coerência p rofissional, gen uínos a rquitetos modernos - que certa sensibilidade pós-mod er- na soube reconhecer e valorizar. Mas a moderni-
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    dade de SeverianoPorto e Mário Emílio Ribeiro não pode ser entendida sem a referência do Park Hotel de Nova Friburgo, clássico projeto em ma- deira executado em 1942 por Lucio Costa. A Amazônia, por suas peculiaridades ambientais, é capaz de induzir à formulação de uma arquitetu- ra específica, necessariamente em diálogo com o meio. Esse diálogo não nasceu de uma imposição teórica, mas resulta de uma visão pragmática, de- purada ao longo do tempo e produto sobretudo do amadurecimento dos arquitetos diante de sua região. É o caso de Milton Monte (n . em 1928) e .João Castro Filho (n. em 1950), entre outros - ar- quitetos que produzem urna arquitetura com dara consciência dos limites c das imposições do aml.Jícnte, c por isso mesmo cl<.:mentos de insumo para o desafio de buscar soluções cr ia- tivas e inovadoras [Segawa 1992] . A EMERGÊNCIA DE REGIONALISMOS Esses arquitetos amazônicos poderiam per- feitamente ser qualificados na categoria "nco- vernacular" de Charlcs.Jencks ou no "regionalismo crítico", conceito que emergiu na primeira meta- de dos anos de 1980, sobretudo com o proselitis- mo de Kenneth Frampton. Esse crítico atribuiu ao regionalisnw crítico um pote11te vetor ideológico: En tre as condí<;ôes prévias para o ,,urgímeuto d a (Oxpr(Ossáo regional crít.ir.a náo f:: sufi ciente 3penas a prosperid ade, mas t.amb(~m que exista um forte desejo de realizar uma idenlidade . Uma das causas da cultura reg ionalista i_~ UITI scntirn cnto anti-ccn tr·ista, 1.1111?1 aspira- (ÜO a alguma ro rma de independência cultural, er.on ô- m ica e política [A & V 1985, p . :!01. "Realizar uma iclenticladc" é um intento programático, na maioria das vezes inexistente ou inadequado para qualificar uma série de ma- nifestações que têm corno origem a necessidade de respostas arq uitetônicas diante de questões concretas c premen tes - na maioria das vezes, com motivaçôes jJmg'mátiws. A arquitetura ama- Desarliculaçéio e Rea rticulaçiio? • 193 zônica antes referida surge ma1s por uma per- cepção de contexto que por urna vo ntade de tipificar alguma manifestação arquitetônica. São manifestações que coinciclern com alguma preo- cupação pós-moderna, mas não t.êm origem nes- se fenômeno internacional. Tampouco voltam-se a uma busca específica de identidade. Se há al- guma preocupação n esse sentido, trata-se ele um esforço da crítica de arquit.emra. E é a partir da apreensão dessa diversidade, do apro(i.Jndamen- to das diferenças que se permite estabelecer a condição mais precisa do regionalismo: caracte- rizar uma singularidade no inrerior de uma r.ota- lidade; a prálica de um<t especificidade que se ar- ticula e interage numa dimensão mais ampla. Nos anos de 1980, colhem-se, no â mbito arquitetônico, os primeiros frutos dos programas de interiorização da economia no país. Os arqui- tetos que se deslocaram pelo território brasilei- ro corno rnigrantes e nômades, saindo elos gran- des centros, c os profis~ionai~ egressos dos vários cursos de arquitetura implantados nos anos de 1960 e 1970 fora dos centros tradicionais, enfren- taram seus primeiros projews de magnimde com o "milagre econômico" e tiveram suas primeiras obras importantes materializadas ao longo das úl- timas duas décadas. Arquitetos com rcpcrt.(>rios dos grandes centros ou formados segundo esse modelo, enfrentando um Brasil distinto do Rio de.Janeiro ou São Paulo: o interior e as áreas me- nos modernizadas do país. Outras arquiteturas surgiram dessa dialética. MAPEAMENTO DA DIVERSIDADE A consolidação de uma revista de arquite- tura independente (desvinculada d e entidades profissionais ou universidades) d urante os anos de 1980- a J>rojeto, lançada oficialmente em 1977, mas cuja origem remonta ao ano de 1972, como um periódico do SindicaLO dos Arquitetos do Es- tado de São Paulo - caracterizou o renascer da dis- cussão arquitetônica em seus termos mais especí- ficos. Pouco a pouco, a pauta arquitetônica como
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    194 • Arquiteturasno Brasil um problema de desenho- e não de sociologia ou ciência política - retomava o fôlego mediante um veículo de comunicação específico de circu- lação nacional. Esse fenômeno foi reforçado a partir de 1985 com o lançamento da revista !I u- Arquitetura e UTbanismo, também em São Paulo. O ponto de partida para uma rearticulação do debate amplo teve seu primeiro momento com uma grande exposição organizada em 1983 pela revista Projeto, associada com o Centro de Arte y Comunicación (CAYC) de Buenos Aires. O ecl itor d a revista, Vicente Wissen bach (n. em 1942) c o crítico argentinoJorge Glusberg (n. em 19:)2) organizaram uma semana de arquitetura no CAYC, cuja participação brasileira contou com 97 arquitetos ou equipes expondo centenas d e obras, numa coletiva que apresentava um in(:rlito panorama brasileiro de duas décadas - mesmo para os brasileiros. Essa grande mostra, deuomi- nada Arquite tura firasileir<t Atual, foi inaugurada em Bue nos Aires, percorrendo d epois algumas capitais brasileiras (São Paulo, Brasília c Rio de .Janeiro). A iniciativa, do ponto de vista argentino, foi tão bem-sucedida que o CAYC transformou a Semana de Arquitetura na Bien al de Arquitetura de Buenos Aires a partir de 1985. Essa exposição configurou u m excelenle mapeamento arquitetônico para a revista, que pas- sou sistematicamen te a publicar essa enorme di- versidade de manifestações sem outro critério se- não o de dar publicidade a toda arquitetura que se produziu e se produzia no país. Gradativamen- te, a revista foi crescendo e incorporando novas seções, algu mas das quais permitiram veicular tra- balhos teóricos ou de investigação de arquitetos ou professores desconhecidos em nível nacional (na maioria, jovens) . Foram os primeiros passos por urna nova crítica de arquitetura n o Brasil. REINTRODUZINDO A VITALIDADE Em fins de 1979, um grupo de jovens ar- quitetos de Minas Gerais iniciava a publicação da revista Pampulha. O título era uma óbvia referên- cia ao principal marco do modernismo arquite- tônico brasileiro em terras mineiras - conjunto arquitetônico proje tado po r Oscar ~iemeyer em 1939. Seu primeiro número trazia na capa um desenho do próprio Niemeyer, e as matérias prin- cipais eram um depoimento de Niemeyer e uma entrevista com Lucio Costa. Nada mais conven- cional que a homenagem aos grandes mestres modernos, não fosse Pamjn.1.lha transformar-se (mesmo sem esse intento inicial), em seus poucos n úmeros e anos de circulação, numa referência do debate por outras linhas de arquitetura - exa- tamen te as não representadas por Nie meyer e seus seguidores. Como produto editorial, Pamputha tói uma revista independente, re unindo os interesses e a vontade ele arquitetos numa difusa e não- direcionada discussão arquitetônica. Era porta- dora de u ma mensagem com linguagem local, bem-humorada, otimista c n em um pouco com- promissada com discursos fechados e completos - refletindo um coletivo de colaboradores das mais diversas matizes. Ainda e m plen o período da ditadura militar, a revista publicava artigos de arquitctura, artes plásticas, literatura, ecologia e temas afin~ com uma seren idade distanciada da engaj ada retórica política vigente em São Pau lo c Rio de J aneiro. Esse clima de descontração também assina- lou outro momen to importante para a arquitetu- ra brasileira. Foram os arquitetos de Minas Gerais que organizaram o XII Congresso Brasileiro de Arquitetos em Belo I Iorizonte, e m 198.1 - e et~jo homenageado principal era Vilanova Artigas, fale- cido no início desse ano. Nesse encontro com mais de cinco mil profissionais, a realidade políti- ca (abrandamento da ditadura, então com a pos- sib ilidade de indicação ele um candida to civil à presidência da República) e econômica (agrava- mento ela recessão e crise inflacion ária) convive- ram civilizadamente com a discussão da arquitetu- ra como disciplina, abordagem até então bloqueada nas escolas e na categoria profissional diante do quadro de acirramen to político e ideológico. O grupo mineiro, n um certo sentido, ca- talisou uma coleção de ansiedades reprimidas. A
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    discussão sobre aarquiLetura pós-moderna, alé então represada, ganhara um foro, espelhando- se sobretudo na pequena mas ousada produção dos arquitetos mineiros: muitas idéias ainda em desenho (às vezes, o desenho quase como uma proposta em si) , obras modestas, desvinculadas das práticas e linguagens usuais dos modelos ar- quitetônicos do Rio d e .Janeiro e São Paulo. Ál- varo (Veveco) Hardy (n. em 1942), Éolo Jv[aia (n. em 1Y4~), Maria.Josetina de Vasconcellos (n. em l947), José Eduardo Fcrulla (n. em 1947) , Gustavo Penna (n. em 1950) ,Joel Campolina (n. em 1947), Sylviu Podcslá (n. em 1952) são arqui- tetos desse grupo m ineiro que desenvolveram projetos de maior envergadura posteriormente. !Jesarliculaçãn e keur l iculuçàu" • 195 142. Éolo Maia: Grupo Escolar Vale Verde, Timó teo, MG , ID83-1985. 143. Gustavo Pcnna c Flávio Carsalade: TV Bandeiran Lcs, Belo Horizonte, MG, 19R'l. UM PANORAMA EM ABERTO Se u grupo mineiro constituiu a vertente menos compromissada com a tradição moderna local- c, em panicular, as obras de Éolo Maia c Sylvio Podestú como as mais livres e ousadas nas formas , no mesmo plano das experimentaçÕ<::s mais arrojadas em prática fora do Brasil, mas presumivelmente com elementos da cultura mi- neira - , h;i de se localizar outras manifestaçôes que revelavam preocupaçôes de assimilar repertó- rios formais regionais característicos. São os casos dos arquitetos Moacyr Moojen Marques,.João.José Vallandro (veteranos arquitetos) e Carlos Alberto
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    196 • Arquttetllras110 limsil 144. Moacyr Mnu je11 Marq ues, J o:io Jo~é Valandro. Carlos Albcno HüiJller: (;pnrro de Ativirlades do Scsc, Caxias do Sul, RS. 19R5-1 989. 145. Dcparlam.-nro dt' Projetos Ambientais c de A.rqu itt" lu- ra da Eletrosul: púnito da gaiN i::l comercial, prefeitura c câmara rnunicipal (ao lúndn) Jc 1ova ltá, se, 1985-1 989. Hübncr, especificamente no Cemro de Atividades do Serviço Social do Comércio (SESC) na ci- dade de Caxi;t:; do Sul, EsLado do Rio (~ranrle do Snl, e da arquitetura do projeto de relocame nlO da cidade de Ttá, no Estado de Santa C:ararina, pela Divisão de Urbanismo da F.ktrosul- Cen- trais Elé tricas do Sul do Brasil. Em ambos os casos, o reconhecimento da arquitetura popular tradici- onal do Sul- carac1erizado pela presença de imi- grantes alemães e italianos, sobretudo (contigcn- tes imigrados durante o século 1q) -serviu para a elal>or;.~ção de edifícios relacionados com as for- mas arquite tônicas características dessas culturas ["Relocação..." 1985; Santos 1989; Segawa 1989]. Esse ripo de abordagem do contexto tam- bém su cede com os arquitetos amazônicos, -com forte imprrgnação da na tureza, da preocupa- ção de inseri r anefatos em ambien tes ecológi- cos seusívt>is. Todavia, se o contexto é a me trópole, essas referências culturais e ambientais inexistem ou se diluelll num complexo emaranhado de valores que não nece.ssariamente se retlctcm na resolu- ção arquitetônica. Metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro abrigam gr·andes escritórios que buscam atender às de mandas arquitetônicas de grandes e mpresas nacio nais e multinacionais, produzindo uma cuidadosa arquitetura cujo com- promisso de eficiência tecnológica e a imagem empresarial é cldinicla por padrões internacio- nais: Croce, Aflalo & (;asperini, Carlos Bratke, Kõnigsberger/ Vannucchi, Edison & Edmundo Musa, Rino Levi Arquitetos Associados, Botti & Rubin, Pontual, en tre outros, são grandes escri- 146. Fl;"tl"io Kiefer e Jocl (;orski: Casa de Cu lrura Múrio Quinlana, Porto Alcgrr;, RS, 1987-1990.
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    147. l.niz PanloConri<:, Sérgio l'vlagalhiies, Cristina Hartmann: Ceutro de Treinamento e Aperf"eiçoamlénto Pessoal, Rio de .Janeiro, 1912-191!"i. tórios de excelência nesse segmento- alguns dos quais com décadas ele atividade. A condição urbana c suas transformações funcionais também asseguraram, nesses tempos recentes, intervenções em estruturas arquitetô- nicas antigas - quer e m refuncionalizações como em obras de restauro. Os casos mais bem-sucedi- dos pela qualidade de proje to c sucesso na apro- pria~,.:ão pública foi a reciclagem de um antigo galpão fabril em São Paulo, transformado em centro de lazer pelo Serviço Social do Comércio (SESC) num pr~jeto de Lina Bo llardi, em co-au- toria com André Vainer (n. em 1954), Marcelo Ferraz (n. em 1955); o restauro do Mercado Mo- delo em Salvador ou a Fábrica Danneman em São Félix, Bahia, projetos de Paulo Ormindo David de Azevedo (n. em 1937); e a reciclagem do antigo hotel Majestic, transformado na Casa de Cultura Mário Quintana na cidade de Porto Alegre, Rio Grande elo Sul, pro_jeto ele Flávio Kiefer (n. em 1956) ejoel Gorski. Independentemente de categorias estan- ques, inúmeros arquitetos vêm d esenvolve ndo obras de interesse. Alguns podem ser enquadra- dos como seguidores da linha carioca ou línha Desarl'iculaçào e Rearticufaçào? • 19- paulista, com méritos próprios, como Acácio Gil Borsoi,João Filgueiras Lima (n. em 1932, conhe- cido como Leié), Paulo Mendes da Rocha,João Walter Toscano, Ruy Ohtake, Milton Ramos, Paulo Zimbres (n. em 1933) , Marcos Acayaba (n. em l944),Jamcs Lawrencc Vianna (n. em 1951), Marco Antônio Borsoi (n. em 1954) ou mesmo Lina Bo Bardi- entre outros. Paralelo a essas linhas - outrora quase do- minantes- c críticos em relação a essa "herança" carioca ou paulista, arquitetos como Joaquim Guedes, Luiz Paulo Conde (n. em 1934) e Francis- co Assis Reis (n. em 1926) , Vital Pessoa de Melo (n. em 1936), Sérgio Magalhães (n. em 1944), .Juan Villà (n. em 1944) defendem distintas fren- tes conceituais. A maioria dos arquitetos citados em capítulos anteriores seguem trabalhando, al- guns fiéis às origens; outros, preocupados com o futuro, mas não necessariamente partidários de correntes consensuais ou armados em grupos ar- ticulados, mesmo informalmente. FIM DA UTOPIA E O ESTIGMA DA MODERNIDADE Em 1984, o Brasil frustrava-se com a der- rota da emenda constitucional que restabelecia o voto direto para presidente da República. To- davia, era o início do retorno à normalidade de- mocrática. Com a assimilação do debate sobre o pós-moderno, ganha corpo um sentimento anti- mudenüsla no Brasil. As milológicas ol.Jras da ar- quitetura dos anos de 1950-1960, por falta de manutenção e por obsolescência, transforma- ram-se em ruínas da modernidade; Brasília, cida- de elaborada no período democrático, am a- durecida durante o regime militar, confunde-se com o caráter autoritário do período; as realiza- ções dos anos de 1970, pela suntuosidade e pelo monumentalismo, transformam-se no símbolo da burocracia estatal e do desperdício. Criticar Niemeyer e Brasília, negar valida- de às teses de Vilanova Artigas tun1aram-se pon- tos de vista correntes e dominantes. Antes, a re-
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    198 • Arquite!Ttrasuo Brasil fcrê ncia a e les era um recurso de legi1imação; hoje, parece que uma lig<~ção com esses mestres é um atestado d e maus antecedentes. Boa parte dessa .~eaçã o derivou de um sentimento de índo- le pós-moderna: o ocaso das "gra ndes narrativas" ou in terpretações racionalizad oras, o fim das utopias,. o questionamen to dos modelos, dos grandes sistemas de pensamento. Na revisão pós- moderna intcrnacion<Jl, caía definitivamente a utopia dos modernos dos anos de 19~0 por um mundo melhor e, por conseguinte, o suposto po- d er reformador e redentor da sociedade medi- ante o desenho, o fJrojeto, tese e estand arte do gr u- po de Vilanova Artigas. As límpidas geometrias e curvas de outrora tornam-se rlP:modées, substituí- d as por "contextnalismos" e "citações", sob o m<Jnto da "diversidade". No plan o interuacional, a impiedosa varredura dos cânones do funciona- lismo e do rar.ionalismo arrastou t;Jmbérn o for- malismo brasileiro- uma ocasião qualificada ele "irracional" por Pevsner. ~o Brasil, uma reavaliação segundo uma óptica da condição pós-moderna, lodavia, não sig- nificou a implantação de uma arquitetura pós- moderna. O mal-estar ela modemidade é um sin- toma não necessariamente compartilhado pelos países n:to-cksenvolvidos, como o Brasil. A atual contestação à arquitetura moderna brasileira atin- g-e seus m i1.0s, não seus princípios. Essa crítica tem (iJndamentos e- é precisa em vários aspectos, mas por enquanto caracteriza-se mais como uma atitude ele reação a uma precisa modernidade, sem apresentar uma alternativa concreta comes- pessura conceilual consistente. Nos anos ele 1970, o cerceamento ele opiniões conflitan tes, em nome de uma "unidade estratégica" e "consensual" ele contornos nitidamente ideológicos - em outras palavras, a f~tlta de uma crítica sistemática despro- vida de paixões- prostrou os horizontes possíveis de avaliação, renovação c atualiz.açào de conceitos e práticas de brilhante fatura local. Desperdiça- ram-se oportunidades da verificação e prova da qualidade e da natureza da arquitetura brasileira, em nome da preservação de u ma memória posi- tiva e ela exaltação de episódios m·arcantes dessa mesma arquitetura, ereta como paradigma quali- tativo inatingível e insu perávcl - por isso mesmo relegada aos panegíricos ela história da arquitetu- ra. Uma permaneme assombração do passado a rondar o futuro - isto é, a nós. Essa herança moderna brasile ira, em tem- pos pós-modernos, constitui objeto manejável? Não me parece que essa h erança se tornou im- produtiva, deixou de deitar galhos. Jovens arqui- te tos, não alheios do de bate internacional, mas vigorosamente ciosos da experiência mode rna brasileira, vêm trabalhando sobre o tema. Se é certo que alguns .~amos dessa árvore ele raízes modernas estão fenecendo - por in frutíferos, por incapacidad e de reprodução - , outras rami- ficações parecem buscar simbioses, sincretismos. Numa época ele obsolescência programada, a ar- quitetura bt·asilcira 1cm a pos:>ibilidade de não simplesme nte defencstrar seus paradigmas dig- nos, mas renová-los. Ora, o termo "renovar" cons- ta no dicionário com as acepções ele "substituir por um novo", "recomeçar", "modificar para me- lhor", "consertar", "restabelece r", "revigorar". Nos arquitetos brasileiros, persiste a responsabi- lidade por uma busca consciente de u ma nova ar- ticulação com a realidade elo país ante as tran s- formações no mundo. Uma busca por um ftHuro digno. Nisso, há uma utopi::t que túo pode seres- tigmatizada.
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    ,.,. lNDJCE REMISSIVO Aalto ,Alvar, 93, 106 Ab'Sabcr, Azi7., 116 Ahrbll;1, W íllía m Ramos, 176 Abreu jr.,Júlio de, 57, 57 Aburto, Alvaro, 112 Academia de Belas Artes elo Rio ele Janeiro, 30, 130 Academia Imperial de Belas Artes da Rússia, 65 Academia Polit.écuica do Porto, 35 Acayaba, Maccos, 197 ;tcrópote (revista), 72<'>, I;)(), 147, 1!'í2-3, 191 Affonso Eduardo Reidy: vTorks anel Projects, d e Klaus Franck, 108 Agache, Donat Alfrecl, 25-6, 52, 62, 76, 87, 89, 9 1 AlAjoumn.l (revista) , 107 Allende, Salvador, 190 Almanach D 'arcltilecltu e Modt·rne, de l.c Corbusier, 77 Almeida, Eduardo de, 151 Almeida, Fernando, 26 Almeida, l'aulo Camargo ele, 67 Alphand, Adolphe, llJ Amaral , Tarsila do, 45, 49 Amorim , Delilm, 13 1, 136, 137 Andrade, Mário de, 43, 49, !70, 77, 100-1, 103, 114 Andrade, Oswald ele, 42. 49, 51, 77 Andrade, Rodrigo IYkllo Franco de, 7H, H9, 96 Antonio, Celso, 45, 92 Antltnes, Ricardo, HK Araújo, Cláudio Luiz, 163, 172, 173. Ver também Equipe de Arquitetos Archileclural Desigu (•evisla), 107 Architcctural Forum (revista), 93, 107 Architectural Rccord (revista), 107 Architcctural Review (revista), I07-9 Architc:clure D'Aujourd ' Hui (L ') (revista), 107-8, 112 Architecture Vithout Architects, de Bernard Rudofsky, 134 Architecture/fonne~/ Fon c tions (revista) , I 07 Archite LLura Moderna (L'), de Gillo Dorllcs, l 08 Arendt, 1-lanna, lS~J Argan, Giulio Cado, 107 Arine, Oscar, 133, I J J Arkitdaur (revista), 107 Arquitcctura México (revista) , 107 Arquiteto: a Máscara c a Face, de Paulo Bicca, 156 Arquitetum (revista), 130 Arquitetura e Engenharia (revista), 130 Arqnitctur<L c Urbanismo (revista), 72, 93 ArligCJ~, .Jo<lo Falisla Vil<m ova, lnl, 1lfi. 122-3.129. 140, 142, 1 '1:~-7 ; 147, I'IR-51 , l'i4-5. l h9, I RI, 181, 19 1, 194, 197
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    2 76 •11 rquiteruras 110 lJrasil Arts & Arch itecture (revista), 140, 149 Ans ct Tcchniques dans la Vic Moclerne (exposiç~w ), 73 AU- Arquilctura e Url>an ismo (revista), 194 Azambuja, Ary Fon toura de, 76 Az;unhuja, David Xavier, 142, 141 Azevedo, Fernando de, 35. 37-8, 41, 70 Azevedo, Paulo Ormi nclo David de, 197 Azevedo, Wash ington, 90 Bahiana, Elisiário Antônio da Cunh;1, ?íR-9, 61, 6~ , 65 Bakt'llla, Jacob, 101 Baltar, An tonio Bezerra, 85 Ra1tco Nacional da Habitação (BNH) , 180-1, 183-4 R<tnham , Reyner, 104, 108, 110, 150 ilarbosa, .f. S. de Casrro, 17 Barbosa, Luiz Hona, 123 Bardi, Liua Ho, 105, 130, l:l1, 136, 137, 197 Banii, Pier ro Maria, 105, 136 Barragán, Luís, 47 BatTclo, Lima, 32 Barros, Má1úo Pimo de, I 76 Barroso, Sahino, 171 Bastos, Paulo, 151, 171 Bauhaus, 45-6, 48, 54, 59-60, 73, 14!í Baumgart, Emílio, 91 Bayardo, Nelson, 150 Becker, Alfredo Ernesro, 73 Bchrens. Pe ter, 55 Benevolo, Leuuardo. 108 Berlage, Ilendrik Per rus, 60 Bernardes, Sér~io, 1OG; 107 Ricca, l'aulo, 156 Bienal de Arquitetura de Bueuos Aires, 1911 Bienal de São Paulo, IOfi, 108, I 13, 1'19 Rilac, Olavo. 36 Bill, Max, 106-9, 113. lHJ, 143 BNH , ver Banco Nacional da Habitarão Roase, Anhur.J., 107 Bolonha, F1·ancisco, 118, 120 13orsoi, Mário Gil, 131, 132, 136, 142, 182, 182, 197 Rorsui, Marco An tônio, 197 Botti & Ru bin , 196 Braga, Theodoro, fi I Brasília (revista), I30 Bratke, Carlos, 196 Bratke, üswaldoArthur, 63, 106, 140, 140, 141, 149, 185 Brazil D·uild~ (exposi ç~w , catálogo), 92, 100, 100-1, 102, 105, 107-8, 118, 134 Brazil, Alvaro Vital, 46, 78, 81 , 85-fi, 86, I 18 Bredwret, Victor, 45 Brena. Enrique, 168 Brcuer, Milrcel, 104, 106 Brito, Fernando Satur11ino de, R4 Bri to, Francisco Rodrigues Sarnrn ino de, TJI'-r Saturnino de Brito, Francisco Rodrigues Broos, Hans, 161-2, 162 Bruhns, Ângelo, 90 Rrun clleschi, 8 1 Buckingham, .James Silk, 11 fi Buddeus, Alexander, !íR-9, 68-9, 78 l~unschaft, Gorclon, 104 Burle Marx, Roberto, 85, 92, 106, 110-l, 111,123, 131, 162, 162 Caixa Estadual de Casas para o Povo (Cecap), 181; 18 1 Calaui, Uaniele, 13R Calder, Alexandcr, 106, 189 Campolina, J oel, I9?í Campos, Carlos de, 24 Campos, Olavo Reidig de . 142 Ctm. Our CiliPs Su-rvivf', de j osep Lluis Sert, I L) Candeia, Fclix, I IO Candilis, Georges, 104 Candiota, Paulo, 70 r:an lf!Í-ro e o DPstmlw, de Sérgio Feno, 155-6 Capanema, Gustavo, 89-90 Capello, Roberto, 72 Carduzo,J oaquim, 85 Cardow, Roberto Coelho, 165; /65 Carlevaro, Yamandu, 168 Caron, .Jorgc, 156-7 Carpin tero, Antônio Carlos, 177 Carsalade, Flávio, 195 Carvalho, Antônio Rodrigues, 177 Carvalho, Aynon, 85 Carvalho, Flávio de, 50, 50, 51-2, 59, 6 1, 78 r:asabella (revista), 107, 110, 135 Case Study llouses, 140, 149 Castilh o, S~tyru Po hl Moreira de, 177 Castro Fil ho, João, 193 C.as1ro, Vicente de, 153 Cavalcanti, Carlos de Lima, R3 Cavalcanri, Emiliano Di, 45 Cavalcanli , !Iélio Uchôa, 11 7, 11 8 Cebrace, vPrCentro Brasi le iro de Construções e Equipa- mt:"n tos Escola res Cecap, ver Caixa Estadual de Casas para o Povo Celso, Afo nso, 29 Cendrars, Blaise, 63
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    ... Centrais Elétricas eleSão Paulo, ver Divisão ele Arquite- tura e Urban ismo da CF.SP Centro Brasileiro de Construções e Equipamentos Esco- lares (Ccbrace), 174 Cerqueira César, Roberto, 139, 140 CESI' , ver Divisão de Arquitetura c Urbanismo ela CESP Chaccl, Fernando Magalhàes, 165; 165-6 Chapli u, Charles, 189 Chateaubriancl , Assis, I O!i; 136 Choay, françoise, 107 Christiaui & Nielscn, 64, 68, 70 Churchill, Winston, 104 CIAM, ur Congrês lnternationaux ci'Architecture Moderne City of San Paulo llnprovements and Freehold Company. 22; 22 q Arquitetu ra (revista), 191 Club ele Engeulraria do Rio rk .Janeir·u, 18 CNEC, 160, 188 CNPU, uerComissão Nacional de Rt'KiÕes Metropolitanas e Política Urbana Cudcsco. verCompanh ia de Ocsenvolvinrenl.o de Conll r- nidades Comas, Carlos Eduardo Dias, 172; 17) Comissão d e Ocsfavela111en1.o da Prt:>fei tura d e Belo Ho- rizo nte, 180 Com issão Nacional de Rcgiôes IVIetrupolílanas c Política Urh;rna (CNPU) , 184 Comissiio para Extinção de Favelas, 180 Compaguie eles Arts Français, 60 Companhia ~rasileira !mobiliária c Construçõcs, 70 Com panhia City. lli!T City of Sau Paulo lm provemen ts and Frcehold Cornpany Companhia Constr utora de Samos, 47. 5 1, 55, 55-6, 66, 77 Companhia de Construçõ es F.sr.olues elo Estado (C:on esp), 174 Companhia d e Desenvolvimento de Comunidades (Codesco), 183 Companhia Urbauizadont cl<t Nova Capital (Novacap), 123 Condc, Luiz Paulo, 197, 197 Conesp, un Cu111panh ia de Construções Escolares d o Estado Confea. ve r Conselho Federal de Engenharia e Arqui- tetura C:o ng d :s 1n terualionaux d 'Archi tecture Modernc (CIAM), 4fi, 7R, 82, 105, llfi-6, 121 Congresso Brasileiro de Arquitetos, 113, 191 Congresso de Engenharia e Indústria, 18-9 Cuugre.~so Intern acional da Un ião Inter nacional de Ar- quitetos, 182 Congresso Pan-Americauo de Arquite tos, 51 , fí4, 11 6 Índice Remissivo • 2 77 Conselho Federal de Engenharia c Arq uit etura, 130-1 Construtora Co111ercial e Ind ustrial do Brasil, 70 Convênio Escolar, 173 Corona, Eduardo, 174 Co rona, Luiz Fernando, 142 Correio da Manhã (jornal), 44 Correio Pau listano (jornal), 45 Costa, José Oswaldo H en riqucs da, 118 Costa, Lucio, 3R, 48, !í9, 61, 77-9, 80, 81-3, 85, 89-90, 92, 93, 93, 94-5, 96, I00-1, 103, I06, I09-1O, 112-3, 123- 7, 122-5, 131, 112-4, 177, 181, 193-1 Costa , Luís Carlos, JH('i Costa, Osvaldo, 49 Coutinho, Aluizio Bo .n ra, 7i Creighton, Thomas, I08 Crocc, Af1alo & Gasperini , 171, 196 Cro nache di Ar-chitetlura (rt>vista), 107 Cruzada São Schasti:'io , 180 Cuchct, Francisque , 61, l:l9 C.:ttllum Brasileira (A), <ic Fernando de Azr vedo, 37 Cunha, Euclides da , :12 Cuuha,.Jos(; Mariano Carneiro da, tJer Mari;rno Filhn,Jos~ llAC, vt'r Departa nwlllt> de Ar·lJllitctura c Urbanismo, Pernambuco Daly, César, 3 1, 35 Das Ncuc Frankfurt (revista), 49 DllJ, ver Deparlameut o de ArqnitTlll rtl c Urbanismo, Pernambu co !)(• Chirico, Giorgio, Hl0 Ocbit~gi , Jorge Deckcn. 171 Oecade of Conlt>mporar y Arch itcctu re, d e Siegfriccl Ciedion. 105 Uelaunay, Son ia, 15 Dcpartamemo de Arquitetura c Urbanismo, Pernambu- co ( OiU), 84-5; /55 Departame nto de Correios e Telí·)!;rafos, fi!l; 77 Depar tam e nto de H abi tação Popular· da Prefeitura do Distrito Federal, 11 8, l.19 20, 180 [)cp:'lrtamento de Projetos Ambientais e d e Arquitetura d as Centrais Elétricas do Su l do Brasil - Elct rosul, 167, 196 Departamcnlo Nacio nal de Estradas de Rodagem, 168 Deu tscher Werkbund, !">!í, GO Diário Nacional (jornal), 45, 50 Dias, Cícero, '15 Dieste, Elaclio, 172, 173 Diretor·ia d e Arquitetma e Constru ção d o Pernambuco . ver Departamento de ArquiiCi ura c Crhanismo. Pt>r- nambuco Diretoria de Engenh aria da Prefeitura <io Disrl'ito Fede- ral, Rio de Janeiro, 69, 82
  • 207.
    218 • Arquiteturusno Bmsil Diretoria de O bras de Porto Alegre, 69 Di retoria dt' Ohra~ Púhlicas elo ~:staclu de São Paulo, 66, 67 Disney, 'vVall , I 00 Divisão de Arquitetura e Urbanismo da CESP, 165 Divisão de Prtidios e Aparelh amentos Escola1·es d o De- partame nto dt' f.dnc;rçiio da Prefeitura do Distrito Federal, 67, 68 O:.JER, uer Depart;unt'nto N;Kional de t:srrad<Js de Rodagem D ormt.' (revista), I 07-8, 136 Dorfles. Gillo, I07-8 Duarte, Ilélio, 142, 173 Dubugras, Vinor, 33, 33, :14-6, 56, 60, 149 Duhart, Emílio. 150 Earnes, Charles, 104 f:cole Spuiale eles Tnwaux P11hli cs du Bãliment et de L'Jndustrie de Paris, 57 Fhistihs (revista). 107 F.lcme11ti dcll'archi te ttura hmzio nale (Gli), de Alhrno Sarloris, 45, 68 Elerrosnl, ver Departamento de Projetos Ambiemais e ck Arquitetura da;. c...11trais Elétricas do Sul do Bra- sil - F.letrusul ENBA, ua Escola Nacio11al de Belas Artes do Rio de J a- neiro Eng-ineering NeVS ReuJfd (n·viqa) , 107 Eq uipe de Arlluitcros, 163. ltn· tamblm. /,·alijo , Claúdio Luiz; F::~ y<' l , e;,ri os .Maxirniliano; Marques, Moacyr Moojen ; Pert>ira, Mign<'l Alves EmesL, Max, 1t>Y Escola dt' Arquitetura da TJn iversidad<· de Minas Gerais, ] ?,() Escola de 13elas Artt's de Pemawhuco, 131 , 138 ~:scola ele Belas Artes de Salvador. 130-l. 142 r:sçola de Engenharia de Porto Alegre, 130, 132 F.scolé! de Engenharia Mack<:nzie, 105, 140, 149 Esrol<~ de Mi n a~ ele Ouw P1·ew. 18 Escola Nario nal de Belas Artes do m o de .Janeiro, 48. 51, 77-81,83,85-6,89, 130-1, 142 Escola Pol itécnica do Rio de .Janeiro, 19, 29 Escritório Técnico da Universidade d o firC~sil , 174 Escritório Técnico F. P. Ramos de Azevedo , 35, 37 F.;jJril Nouveau (L) (rt'vista) , 5 1, 56,77 Estado de S. Paulo (O) Uor·nal), 37, 43, 48 Este lila, Lúcio, 137 Iisli:lica (rt'vista), 42 Esteves, J erônimo Bonilha, 171 Esrcves, Rcginaldo, 172; 172 Estrella, Thomaz, 88 Exposição do Cen tenário da Revolução Farroupilha, 62, 62-J, 74, 75, 84 Exposição do Cenrcnário no Rio de Janeiro, 36 Expositio n Tnl t'rn;Jtional e des Ans Décoratifs ct lndustriels Modcrnes, 54, 59 Faculdade de ArquitetUJ·a da Bahia, l31 Faruldade de Arqnill'llll·a da Universidade de Porto Ale- grt>, 130-1 ; ver também Faculdade de Arqnircrura do Rio Grande do Sul Fanliclad<· de Arquitetura da Uni'ersielade de Recife, 131 Faculdadt> de Arquilel11ra da Universidade do Rio Gran- de do Sul. 146 Fanildadc de.: Arquitemra do Rio Grande do S11l, 13 1; vl'r também Faculdade de Arquitetura J a lJ II ivnsidade de Porto Alegre Faculdade de Arqu itetura e U rbaui~mo da llllivnsidaclc de Siio Pau lo, 1:10, 112, l 4G, 14R, 152, 154, 166 Faculdade de Arquitetura Mackenzit', 1:w, 148 Faculdade Nacional de Arq uitetur<J da Universidade do Brasil, 1?.0, ~ ~~2. 141 Facultar! dt- Arq11itertura de Montevidcu, 132 FAPEG, m•r Fede1a<.:ào das Associações de Favelas do F.~ta­ do da Guanabara F<~ ri <l, Ubatuba de, 2fi Fayet & Ar<J,·,ju, ver Fayet, Carlos Maximiliano; c Ara(rjo. Cláudio Lui7. Fayet, Carlos Maximil iano, 142, 163, i6R, 172, 173 FCP, verFundação da Casa Popular FECE, ver Fundo Estadual de Cow;tr uçôes Escnl <ll'e~ Federariio das Associa~·ões d e Favelas elo Estado da Cnan::r hara (FAPEC), 183 Ferolla..José Eduardo, 195 Ferraz, Figueiredo, 169 Fe.-raz, Marcelo, 197 Ferreira, Carlos Frederico, l l8, 121 Ferreira, .José. Ma mede Alvt>s. 1m· Mamecle,J osé Fe JTeira, Múrio L<:al, 26 Ferro, Sér~io. 152. 1.'>4-7, 184 Feniu, Mario, 70 Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Pn ut'los, 160, 169 Figue iredo, Nestor, 26 l~ilsi nger, Franz, 58 Firme, Raul Pen na, 67 Flodercr, 64 Flores, Alben o de Mello, 117, 118 Fonyat, J osé Biua, 142 Form (revista), 78 Foucault, Michel, 155-6 Frage lli, Marcello, 170, 171 Fragoso, Paulo, 90 Frarn pton, Ken neth, 108, 193
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    .... Fnmck, Klaus, 108 Franco,Luiz Roberto Car valho, 139, 140 Freire & Sodré, 65 Freire, Júlio de Lamonica, 177 Freitas. Bernardo Ribeiro de, ~1, 35, 39 Freitas, Moacyr, 177 Frt>sn<:>do Siri , Román , 132 Fro ntin, André Augusto Paulo de, 24, 29 Fu ndação da Casa Popular (FCP) , 115, 118, 180 Fundo Estadual de Construções Escolan~s ( FECE), 174 Cabaglia, G. R., 29 Gabinete de Resistência de Materiais, 34 Galbinski, J osé, 175 Calvão, Raphae l, 70 Candolfi ,José Maria, 152, 153 Gandolfi, Ro berto Luiz, 1!'í2 Cardclla, Iguazio, 135 Gardolinski, F.dn•undo, 118, 121, 121 Casperini, Giancarlo, 138-9, 149, 17 1 Ga t cp<~c, ver Grupo d e Ar tistas y T écnicos Espaõoles para el Progreso de la Arquitecm ra Conte•npm·;ínca Caudenzi, José Américo, 172, 173 Gaitlle, Charlcs De , ElO Gelben, Christiano de la Paix, 62, 69, 70 Ciedion, Sicgfried, 46-7, 1OG-7, 11 1, 115 Ginsberg, J ean, 136, 137 Gire, joseph. 64, 65 Gladosch , Arnaldo, 26, 76, 75 Glusberg, Jorge, 191 Goff, Bruce, 101 Cumes. Elgson Ribeiro, 136 Gonçalves, O swaldo Corrêa, 174 Cootlwin, Philip L., 100-1 , 11 !> Corski,.Jocl, 196, l'.J7 (~ra<:>ff, Edgar, 12:!, 132-3, 1'12, 146 G•·az, .John, 45 Craz, Regina Comide, '15 Grêmi o Politécnico de São Paulo, 34 Crop ius, Walter, 55, 69, 81, 104, 106-8, llO, 136, 146, 14'.J, 167 Gross, Carmcla, 156-7 Grupo de Artistas y Técnicos l::spailol~s para d Progrcso d e la Arq uitectura Comemporánea (Catepac), 82 Guarda, Gabriel, 150 Cuecles,Joaquirn , 152, 152, 1R6, 186, 197 Guimarães, .An tonio Hugo , 61 H abitat (revista), 130, 136 Hardlich Filho, Amo, 171 H anly, Álvaro (Veveco), 195 Hanmann, Cristina, 197 Ha ussmann, Barão de, 82 Índice Remissivo • 219 H ecp, Adolf Franz, 136, 137 Heiclegger, Mani n, 189 JTt"nnebique, François, 3'1 Ilidroservicc, 160, 169,172 Hitchcock. Ilen ry-Russcll, 108, 112 Hoffmann, .Josef, 60 l lolanda, Sérgio Buarquc de, 42-3 llolford, William , 123 Tloward , Ebenez.er, 22, 111i H1-ilm cr, Carlos Alberto, 196, 196 Huxtahlc, Acla Lo uise , 107 1.B, vt:r InslÍ lll lO de Arquitetos do Brasil Ianni, Octávio, 189 IAPC, ver In stituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários IAPI. wr ln sritnto de Apos.-uladuria c Pcnsôcs d os Industriários IFSt , 160, 169 Inda, t elsuu , lu~ Instituto Brasileiro d~ Arquitetos, 36 Instituto d e Aposentadoria~ Pensôes d os Comerciários (IAPC), 87, 118 l nMilUto de Aposent;Jdoria e Pensôcs dos Industriários (1:1'1) , l i G-7, 116, 121 , 121, 177 Instituto ele Aposentadoria e Pensôf's, I 15-6, 1 ~2. l2.'J, 180; 1wrltunhhn IAPC, IAPI, IPASE Instituto de Arquitetos do Brasil (ti11), 113 In stituto ele Belas Artes do Rio (~rancle elo Sul, I ~() Instituto de Pesquisa c Plan~ jamenlo llrh~no rb Cidade de Curitiba (IPPUC), 178, 179 Instituto de Previdência do Est<~do de Siio Paulo (IPF.SP), 174 Instituto de Previdência c Assistência ao, S,.rvidores do Estado (IPASE) . 118 In~t ituto Pol itécn ico Brasileiro, 18 lnte,·national Styie, de H enry-Rn ssel Hichcock e Phi lip Johnson, 108 lntcrnationale Architektur, d e Walter Gropius, G9 IPASE, vn· l n stit:Uto d e Pt·evid ê:ncia e Assistc~n cia aos Sec- vitlores do Estado IPESI', ver Instituto de Previdência do Esrado de São Paulo JPPUC, ver lnstit11to de Pesquisa e l'lanejamenw Urbano da Cidade de Curitiba Irrniios Roberto, 86, 106, 131, 112, 168. Ver lambhn Ro· beno, Marcelo, Maurício. Milton .Je::~n n cret, C:harles-Edouard, va Corbusier. Le .Jcan nen:t, Pierre, 99, 99 Jwcks, Charlc~. 110, 190, 193
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    220 • Arquitelltmsno Rrasil J en ncy, William Lt> fbron, 63 J oão VI, Dom, 29 J o hausen, .Joh n, 104 J ohnson, Philip, 104, 108 J nurnal a rRIBA (revista), 110 J uliano, Mignt>l, I!íl Kamimtn·a, Massayoshí, 151 Kassardj ian, Dicra n, 171 Kat insky, Julio, I!í I , 156-7, 165 Kiefer, Flftvio, I06, 197 Kirchgãssucr. Frederico, !'J7, 57 K1abin, Mi n <~ , 44, 49 Knt"t"Sf' ri~: Mello. Eduardo, 18, 118, 174 Kõnigsucrgcr/ Vannncchi, 196 Korngold, Lukjan. J::l5, 135 Krutcr, Marcos, 118, 121 , 121 Kubitsc hek,Juscelino, 25, 96, 100, 114, 123, 126, 141, Hi0-1, IRO Kun sl~chule dl' lkrli m, 57 f.andscafJe ATchitt'clure (rnista), 107 l .anf!.uagP of Po~t-1noriPm Arrhill'c/uu (Tht'), de Charl<:s .Je ncks, 110 Latin AmCI·ican Archi tenure sincc 1945, de Henry- Russcl Ilitchcock, 108 Lavcrgn e, Gérard , 34 !.e Corhusier, 1fí-8, fí0-2, 54, 56, 59-60, 67, 7:',, 77-?12, ?14-7, 80-02. 95,99. 99, 10 1, 104, 10G, 110, 11 3, 116, 118-9, 12 1, 123, 125, 132. 136, 14l-6, 148-!'J I, ló7, 173 Leal, J ost>, 171 Leal, Waldir, I IR 1.eão, Carlos, 78, 80, R9 Lt>fevre, Rodrígo, 152, 153, J56 Legorreta,Juan, 11 2 Leié, vn- Liona, João Filgueiras Lemos, Carlos A. C., 141 Leoll(', Umben o, 165 Levi, Rino, 43, 56, 61, 64, 106, 1 16, 123, 1 ~l8-9, 139, 40, 143, 149-50, !til , 196 Liga Pró-Saneamento do Brasil, }6 Lima, Attilio Corre:iil, 26, 62, 88, 101, 11!>, 117, 118, 12 1 Lima, João Filguciras, 177, 197 Lindbergh, Charlcs, 189 Lipchi tz,Jacqucs, 45, 92 Lohato, Monteiro, 36, 42 Lohwcg, Julius, 58 Los Campos, de, J~2 Luís, Washington, 23 MacFacldcn, Roberto, 171 Mackenzie College, 18, 130 Maekawa, Kun io, 101 Maffei, Waltcr, I69 Magalhães, Sérgio , 197, 197 Maia, Éolo, 195, 195 M<lia, Francisco Prestes, ver Prestes Maia, Franci.~co Malcher, Gama, 68, 68 Malfatti, A.nita, 42, 45 Mallet-Stevens, Roh, 67 Malnwx, André. HlY Mamcrlc , J osé, 30 Mange, Ernst Rohcrt de Carvalho, 165-6, 174 M;1riauo Filho ,.José, 36, 3H. 43, 53, 61-2, 66-7, 78-9, 96 Marinho, Adhe milr, 85 Marques, Moacyr Moojcn , 163, 195. 196. Ver Lllmbém Equipe de Arquitetos Mars, 82 Maninclli, Giuseppe, 63-4 Marx, Roberto Hurlc . Ver Burle Marx, Roberto i'vlascarello, Elyseu Victor, 171 Matarazzo Neto, Fran cisco , I OI Matarazzo Sobrinho, frandsco, 106 Mathias, Alfredo, 13!-l May, .t::rnest, 4(); 54 Meio·, Golda, 198 Meister, Rubens, 142, 142, 17!) Me ll o, Ícaro de Castro, 164 Mello, João Vicente Amaral, 182 Melo, Vital Pessoa de, l T:.!, 172, 197 Me111Úria, Archimcdes, 61; 89 Mendelsohn , Erich, 101 Men donça, Carlos Alberto de Holanda, 142 Mera, Adiou, 1H2 Meyer, Adolf, 5.'í, 136 Meyer, Mal'Cus Vinícius, 176 Mies van der Rohe, Ludwig, 81, 101, 148-9 Mi llan, Carlos, 150-1, 150 Mindlin , H enrique , 102, 105, 107, 113, 123, 136 Miranda, Alcides da Roch a, 131, 133 Modern Architecture in Bra7.il, de H enrique Mindlin , l07 Moclcrn fi::~uformen (revisla), 78 Modesto, H elio, 118 Módulo (revista) , 109, 130, 143, 152, 191 Moholy-Nagy, Sybyl, 107 Monte, Milton , 192, 193 Monteiro Lobato, .José Bento, ver Lobato, Monteio·o Mon teiro Neto, João Am o nio, 58 Montigny, Auguste H enri Victor Grandjean de, 30 Moraes, Dácio Aguiar d e, 45-6
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    - Moraes, Léo Ribeirode, 101 Moraes, Neto, Prudente de, 42-3 Moraes, Sérgio de, 177 Morales de los Rios Filho, Adolfo, 132 Moreira,Jorge Machado, 81, 8R-9, RY, I On, 123, 13 1, 174, 175 Morowwki, Edi~on , 153 Morozowki, Eve r~on, 153 Morpurgo, Vitorio, 90 .1ota, Francisco, l 69 Motta, Arthur, 36, 77 Motta, Flávio L, 144, 156-7 Moura, Luiz Eduardo Frias de, 76 lvlovimentos Urbanos no Rio dejaneim, ck Carl os Ndson Ferreira dos SanLOs, 18~ Moya, Antônio Garcia, 18, 13, 60 Musa, Edison & Edmundo , 196 Nascimento, Paulo Sérgio, 192 Nassau, Maurício de, 83 National Evil and Pranical Remedies, ~li th The Plan of a Model Town, de ] ames Silk Buckingbam, 11G Neruda, Pablo, IR9 Ncrvi, Picr Luigi, 107, 149 Netto, Luiz Forte, 152, f 5'3 Neutra, Richard, 107, 140, 149 Neves, Christiano Stockler das, 58, 60, 75, 75, 79 Ncvcs, Josf Mari~ dil Silva, 67, 67 Neves,Júl io, 171 Niemeyer, Oscar, f1-2, 85, 88-9, 93, 94-5, 96, 97, 97, 98, 98, 99, 99,100-1,104,106-9, 109,1 10, 112,123,130- 1, 133, 139-'11, 117-9,152,161, 171 , 173,190-1,194,197 Nitschc, Marcelo, J5fi-7 Nixo.n, Richard , 160, 190 Novacap, ver Companhia Urbanizadora da Nova Capital, 123 Nuestra Arquitectura (revista), 107 Nunes, Luiz, 62, 81, 83-5, 84, 85 ODAM, va Organização em Defesa da Arquitetura Mo- derna O'Corman, Juan, 104, 112 O htake, Ruy, I!J I, 152, 156-7, 197 Oliveíra,.Juscelino Kubitschek de, ver Kubitschek, Jusce- lino Oliveira, Siclney de, 174 Olmsteacl, Freclerick Law, 111 Organização ern Defesa da Arquitetura Moderna (00/M), 13() Oscar N ierneyer: Works in Progrcss, de Stamo Papadaki, 107 Oud ,Jacobus J P., I IO Ozenfant, Arnédée, 56, 77 PAAI., 171 Paiva , Edvaldo Pereira, 26 Palanti, Giancarlo, 123, 135, 135 Pampu.lha (revista), 194 Pani, Mario, 106 Papadaki, Stamo, 107, 123 Parada, Sérgio Roberto, 169 Parkcr, Bari'}', 22, 65 Índice Remissivo • 22 7 Passos, Francisco Pereira, 19, 24, 82 Pasta, Hélio, 164-5, 165, 166 J'J)J•: ver Revista cht Diretoria de Engenharia. Pedrosa, Mário, 106, 108, 112, 122 Pcnna, Gustavo, I~J5, l .'J5 l'emeado, Ernani do Vai, 88 Penteado, Fábio, 151. 181, Jfll Penteado, Hélio, 165 Pereira, Migl.tel Alves, 163. Ver também Equipe de Arquitetos Pcrón, .Juan Domingos, 190 Pnón, Maiia Estda, 190 Perret, Auguste, 58-60, 7: Peny, Clarence, 116, 125 Perry, I.11iz F.du ~rdn, 153 Persico, Eduardo, 136 l'esenti, Cesare, 34 f'evsner, Nikolaus, 107-8, llO, 198 Piacen ti ni, Marcello, 60, 67, 74, 90 Pi casso, Pahlo, 189 l'ileggi, Sérgio, 151 Pillon, Jacqucs, 136 Pinheiro, Israel, 123 Pirandello, Luigi, 63 Plan emak, 166 Podestú, Sylvio, llJ:) Poelzig, L-lans, 138 l'olillo, Raul de, 53 Politécnica de Milão, 135 Pon ti , Gio, 107, 136 l'onLUal Arquitetos, 196 Portinari, (;ândido, 92, IOFi, 11 2 Portinh o, Canneu, 78, 81, 118, 121 Porlo & Ribeiro, 191 Porto, Rnbens, I 16, 776 Porto, Severian o, 134, 19 1, f 92 Ponoghesi, Paolo, 104 Po·rtugália (revista), 35 Prado, Carlos da Silva, 51-2, 52 Praesens ZP, S2
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    222 • Arquiteturasno Brasil Précisions Sur un Ét<tt Présent dt> L'Architccnu-c e t d e L' UrbaHisnw , deLe Corbusier, 78 Prcntice & Floden~ r. (i;f , 66 Prestes Maia, Francisco, 25-6, 26 Pmble ma da Habitação Higiênicil nos Países Que ntes em Face da "Arq ui tetura Viva, <k Aluizio Bezt'rra Coutinho, 78 Problewa das Casas Opc:ní ri<ts e os Institutos e Caixas de Pensc"ws, de Rub<'ns Pono, 116 Prog•·essive Arcl tilnl ur<' (revista), 107-8 l'mjPIO (revista), 193 Promon Engenharia, 160, 170, 170, 171 Przyrcmbel, Georg, 36, 43 PucuLe y 'l'ourn ier, 1~2 Pu jol Júnior, IIyp polito Gustavo, 3'1 Quando a Rua Vim C:a..lf1, de Carlos Nelson Fen-eira dos Santos, 18!"i Ragon, Michel, I 07 Ramalho J r. ,J oel, 1!>2, 153, 171 Ramos, H<'rculano, 30 Ramos, Milton. 169, 169, 197 Real Acaclc·mia de Belas Artes de Berlim , :0 Real Escola Superior de Arqnitc tur<t c.l<:: Ro ma, 4:1 Rebou(as, Oiógcnes, 142 Rêg is, Fhívio Amilcar, 1'12 Rêgo, Flávio Mariuho, 1 18 Rcidy, !lfonso Eduardo. 62. 78, 81-2, f/2, 89, SY, ~~ I , I 06, 1()6, lOR-0, 113, 118.119, 123,131, 139, H 2, 14!l, 181 Rt>if, Victor, 138 Reis. Aarão, 19 Re is, Francisco Assis, 776, 197 Reis, Jos<·:, XR Revista da Di retoria de Engt>nh;Hia , R1 Revista Polytechnica, 33-, 51, 5!) IUHA .fottrnal (revista) , 107 IUI~A. ver Royal Institnte of British Arrhitects Ribe iro, D;tn:y, 175 Ribeiro , Deméu·io, 11 2, H 2, 115-6, 173 Ribei•·o , Enilda, 113 Ribeiro, Má•·io Emílio , 191, 192 Ribeiro. l'aulo Antunes, 123, 112 Ri<'"gl, Alols, 11'1 Rissin, Marcos Mey<::rhofer, 182 Robcn o, Irmãos, 116, 123. lft'r também Roberto, Marcelo; Robcn o, :VIíiLOn Rob<::rto, Marcelo, 86-7, 86-7, 101 Roberto, Milton , 86-7, 86-7, 101 Robinson, Charles Mulford, 116 Rocha, Paulo Mendes da, 15 1, 156-7, 157, 181, lf/1, 197 Roder, Samuel, 65 Rodrigues, Jaime Fo nS<:C<t, 116, 116 Rodrigues, José Wasth, 111' r Wasth Rodrigues, .José Rodrigues, Sérgio, 142 Rog<::rs, Ernesto Nathan, 10'1, 106, 11 0 RooseveiL, Franklin, I 00 Rotiual, Manricc, I 16 Royal1ustitute of IJritish Arch itects (RIBA) , 110 Rubem Pono, 116 Rudol'sky, Bernard, 107. UH, 734 Rudolp h, l'<tul. 104 Russell, 13enranc.l, 18!) Russo, Mário, 138, 1J8 Sá, Agosti n ho, 116, 71 6 Sú, Auc.lré, 169 Sá, P<tulo, 82, li G, 11ó Saarinen, Eero, l 04 Sakakunt,.Junzo, 104, 106 Saldanha, Firmino, 90 Salgado, Plínio, '19 Sampaio. Carlos, 25 Sanrovski , ls•·ael, 17 1 Sanovicz, Abrahão, 1!)1, /52 San t'Auua jr., Amonio Carlos, 190 Santana, Manuel Pcrcz, 177 Sant'Elia, An tonio, GO Santoro, Filinto, 32 Sautos, Carlos Nelson Ferreira dos, 182-3, lS!"i, 187, 187 San tos, José Antônio Lemos d os, 177 San tos. Renato Mesq uita elos, 88 Saraiva. Pcdro Paulo de M<'llo, 151 Sarno , BcnitO, 180 Sartoris, Albeno, 45, 68, 107 Saturn ino ele' Rrito, Fernando, uerBrito, Fernando S<ttur- n ino rlt> Saturnino de Brito, Francisco Rod•·igues, 20, 21 Seasso, J m111 Anton io, I 32 Scharoun, H ans, 110 Schreiner, Luiz, 30 Seidler, Harry, 139 Semana de Arte Moderna d<:: São Paulo (1922), 36, 42- 1,18,55, 60 Seminário sobre Desenho Urbano no Brasil, 185 Serete Engenharia, 178 Serpa, HumI.><::no, 176 Sen, J osé Luís, 106, 11 5-6, 118 Serviço de Recuperação de Favelas, 180 Serviço do Patrimônio H istórico e Artístico Nacional (SPIIAN) , 85, 96 Serviço Social Con n·a o Mocambo, 180, 182 Severo, Ricardo, 35-6, 36, 38-9, 43 Siegen, Karl, 58
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    - Signorelli, Luiz, 62,71 Si lva Telles, Francisco Teixeira da, 77 Silva Telles, Jayme da, 51 , 56, 77-8 Silva, I::néas, 67, 68, 70, 8 1, 83, 88 Silva, José Loureiro da, 26 Si lva, José Theodulo da, ll7, 117 Simôes, Pereira , 30 Simonsen, Roberto Cochrane, 47, 55-6, 77 Siqueiros, David , 189 Si t·i, Ro mán Fresnedo, l ll'r Fresnedo Siri, Román Siue, Cam illo, 21 Sive, André, 123 Sm ith , G. E. Kidder, 100 Sntit.hsott, Alison, 104, 150 Smithson, l'eter, 104, 150 Sobial, Aua Maria, 182 Sociedade Eugênica de S. Paulo, 36 Sotiro, Rtll<llo, 88 Souza, Erdlio, /fi/1 Souza, J orge Félix de, 63 Souza, Nelson, 113 Souza, Nashi ngtnn Luís Pen~ ira ele, t1m- l.uís, WashingTOn Souza, Wladirnir Alves de, 67, 88 SPHA:', ver Set·vi(o cln Pittrirnônio llistÍlrico e Artístico 'lacional Stein , Clarence, 125 Steinhor, Eugenio, 132 Stntvinsky, I~or, 180 Strneler,Jo:io Rodolfo, 166 Stubbins, IIugh, 104 Sulac.ap, lJer Sulamérica Capitalização Sulambica Capitalizaç<i.u (Sulacap), 72, 72, 75 Surraco, Carlos, 132 Suzuki, Marcelo, 197 Svensson. Frank, 1 77 Szilard, Adal herto, 64 Tange. Kenzo, 104 Taul, Bruno, 13H Taylor, Frecleri ck Winslow, 47, 55, R3 Techniques et Arch itecture (revista ), 107 Tec hnísclw Hochschnlc de Ikrlim-GharloUcnlHLrg, 13R Tecwn, 82 Teixeira, Anísio. 49, 67, 83, 175 Tell e~, Francisco Teixeira da Silva, ver Silva Telles, Fran- cisco Teixeira da Tclles, J ayme da Silva, ver Silva Telles, Jayme da Tcncnge, 160 Tennessee Valley Authorily. (TVA), 164 'J'eorie e Storia Dell'architeltum, de lvlanfredo Tafuri, 110 Terra roxa c 01nras terras (revista), 44 Terragni, Giuseppe, 60 Testa, Clorinclo, 150 Índice Remissivo • 223 The Architects' Journal (revista) , 107 The mag t:ngenharia, 160, 169 Thiesen, Fleming, 64, ófí T ibau,José Roberto, 174 To ledo, AugustO de, 33 Tomorrow, de Ebenezcr Howard. 116 Torres, !viário H. G., 117 Toscan o,João Walter, 14:l, l.'i l , 151, 197 Toscano, üdiléa, 15 1 Tozzi, Décio, 151 '11-abalho lvlorlemo (0 ), d e Roberto Simonsen , 55 Trienal de Jvlilâo de 1936, 1 3~J-6 Tsé-Tnng, Mao , 190 Tsukunw, Nina Mat iaJnnra, 166, 167 Turner,J ohn , l H3 UIA, ver Union lnternatíonale d 'irchiteclcs U nion Internationale eles Archilecles (UIA), 115, 182 Universidade de Brasília, 131, 133, 146, 175, 177-8 Universidade Fe d eral do Cear;:L (curso d e arfjHil etnra) , 131, 133 Universidade Federal do Parú (curso dt arquitetura), 131, 133 Universiclaclc Federal do Paran:L (curso de arquitetura), 131. 175 Unwin, Rayrnond, 22 Urbanisme, de Lc Corbusier, 77 Utzon,Jorn , 104, 110 Vallandrn, Jn;;o Jns<':, 19!), 196 Van Eyck , Aldo, 104 Vargas, Getúlio, 23-4, 49, 66, 74, 76, 78, 89-90, 92, I00, 112, lJ4-5, 159, 164 Vasconcellos, Er nani, 81, 89, 89 Vasconcellos, Maria Josctlna d e, 195 1'Í'n une Aâ úl!iâuni, de Lc Corbusicr, 52, 78 Vianna, An tonio Ferreira, ~ 1 Vianna,Jamcs Lawrence, 197 Vicgas, Renato, 1TI Viganô, Vittoriano, I 04 Vigliecc.a Gani, Heclor, 188 Villa Lobos, Heitor, 49, 1Ot> Vil!à,Juan, 197 Villagrán García, José, J 12 Villam::l_j<Jn:~n , 132 Villanueva, Carlos Raúl, 112 Villavecchia, Luigi, 171 Viscomi, Affonso, I 16 Vital Brazil , Álvaro, oer Brazil, Álvaro 'ital Warchavchik, Gregori, 44-5, 45, 46, -//. -!~9. :l~ . 33-= - 7, 72-3, 77-9, 81 , 96, 10G, 111 , 1~9 . H9
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    224 • Arquiteturas1'10 Brasil Wasth Rodrigues, José, 37 Werk (revista) , I07 Whitten, Roberl., 116 Wiedersphan, T heo, 57 Wilhcim, Jorge, 178-9, 180 Wisscnbach, Vicente, 194 Wright, Henry, 125 Yamasaki , Min o r u, 104, 190 Zancttini, Siegbcrl, 151, !52 Zerhfuss, Bernard, 104 Zcncl, .Jayme, 171 Work of üscar Niemeyer (The) , de Stamo Papadaki, 107 Wrig~lt, Frank Lloyd, 60, 79, 81, 104, 149 Zcvi, Bruno, 104, 107-8, 110, 149 Zimbres, Paulo, 175, 177, 197 Zodiac (revista), 107 Títuio Autor Produção Projeto Crájico CajJa EditomçâoE/et•·ônica I~'ditoraçõ.o de 'Texto Reviscio de Texto Revisão de Provas Divulgaçcio Seaetaria Editorial Formato Mancha Tipologia PajJel Número de Páginas Tiragem Fotolito Impressão eAcabamento A Edu1p é ofiliodo 6 Arquiteturas no Brasil Irugo Segawa Julia Uoi ll•laria Cristina Bugan Lígia Eluf Studium Gcnerale Alice Kyoko Miyashiro Valéria FrancoJacintho Ricardo Miyake Regina Brandão Guilherme Maffei Leão Aline Frederico Eliane F. dos Santos 22 x 27 em 16 x 22,5 em Ncw Baskerville !O/ 14 Cartão Supremo 250 g/m2 (capa) Offset Pigmentado 85 g/m2 (miolo) 224 3 000 Macin Calor Imprensa Oficial do Estado ~~I>~ IWOCioÇAOt.:IASlEIAA.OE Of!E:ITO$ REPROGAÁACOS CÓPIA NÃO AUTORIZADA ' CR I ME
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    ,...-~--- Arquiteturas no Brasil,ao mesmo tempo que traça um panorama do período pós-Guerra, considerado o apogeu do prestígio internacional da arquitetura brasileira, narra as realizações da época e examina seus principais protagonistas - entre os quais Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas. Ao investigar as relações externas e internas dos arquite tos e da cultura arquitetônica do período, o autor estabelece um quadro referencial que balizou o desenvolvimentismo nas décadas de 1950 a 1970- ascensão e ocaso de uma arquitetura que mergulhou num período de incertezas e ausência de rumos, característico da chamada "década perdida": os anos de 1980. Esta obra constitui, desse modo, uma leitura inovadora em vários aspectos das conquistas, das polêmicas e também dos malogros d a aventura de construir espaços,·cidades e edifícios num país em formação e em busca de afirmação. H uço MA.SSAKI SECAWA é professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. Autor de Ao Amor do Público:jardins no Brasil (São Paulo' Studio Nobel, 1996), co-autor de Oswaldo Arthur Bratiu (São Paulo' Pro-Editores, 1997), Casas Latirummericanas (México: Gustavo Gili, 1994); editor de Arquiteturas no Brasil/ Anos 80 (São Paulo: Projeto, 1989).
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    ·;;-- -::. . ' ' •I ISBN 85- 314-0445-2 111111111 11 1111111111111111111 9 78853 1 404450 --