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ROMANTISMO
Romantismo
“Metamos    o martelo nas teorias, nas
 poéticas e nos sistemas. Abaixo este
 velho reboco que mascara a fachada
               da arte!”
                                Victor Hugo
Características gerais
 Europa (metade do século XVIII)
 Libertação dos padrões neoclássicos da
  Literatura
 Valorização da imaginação
 Originalidade
 Nacionalismo (identidade das nações)
 Emoção supera razão
 Consciência Social
Victor Hugo
   Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda
    mais. Morrer de amor é viver dele.

   Há pensamentos que são orações. Há
    momentos nos quais, seja qual for a posição
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    futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.
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    gênero humano não a ouve.

   Tudo quanto aumenta a            liberdade,
    aumenta a responsabilidade.
1ª Geração Romântica
2ª Geração Romântica
3ª Geração Romântica
Gonçalves Dias
O canto do guerreiro


   CANTO I


   Aqui na floresta
   Dos ventos batida,
   Façanhas de bravos
   Não geram escravos,
   Que estimem a vida
   Sem guerra e lidar.
   — Ouvi-me, Guerreiros,
   — Ouvi meu cantar.

    
C a n ç ã o d o e x íl io

  Minha terra tem palmeiras,
       Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
      Não gorjeiam como lá.
 Nosso céu tem mais estrelas,
 Nossas várzeas têm mais flores,
 Nossos bosques têm mais vida,
     Nossa vida mais amores.
 Em  cismar, sozinho, à noite,
    Mais prazer eu encontro lá;
    Minha terra tem palmeiras,
       Onde canta o Sabiá.
   Minha terra tem primores,
   Que tais não encontro eu cá;
   Em cismar –sozinho, à noite–
    Mais prazer eu encontro lá;
    Minha terra tem palmeiras,
       Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
     Sem que eu volte para lá;
  Sem que disfrute os primores
     Que não encontro por cá;
 Sem qu'inda aviste as palmeiras,
       Onde canta o Sabiá. 
                          
         De Primeiros cantos (1847)
               Gonçalves Dias
                      
Projeto Literário da 1ª Geração
Álvares de Azevedo
Sonhando


Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa, que filha de Deus!
 Tão pálida ao vê-la meu ser devaneia,
  Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
           Não corras assim!
          Donzela, onde vais?
          Tem pena de mim!

  A praia é tão longa! e a onda bravia
 As roupas de gaza te molha de escuma;
 De noite aos serenos a areia é tão fria,
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia!
        Não corras assim!
        Donzela, onde vais?
        Tem pena de mim!

A brisa teus negros cabelos soltou,
 O orvalho da face te esfria o suor;
Teus seios palpitam a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
A brisa teus negros cabelos soltou,
 O orvalho da face te esfria o suor;
Teus seios palpitam a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!

 E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou;
Sentou-se na praia; sozinha no chão
 A mão regelada no colo pousou!
               (...)
   E a imagem da virgem nas águas do mar
      Brilhava tão branca no límpido véu!
      Nem mais transparente luzia o luar
     No ambiente sem nuvens da noite do
                      céu!

              Nas águas do mar
             Não durmas assim!
            Não morras, donzela,
              Espera por mim!
            (Álvares de Azevedo)
Projeto Literário da 2ª Geração
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O Navio Negreiro
         'Stamos em pleno mar
 Era um sonho dantesco... o tombadilho,
  Que das luzernas avermelha o brilho,
         Em sangue a se banhar.
   Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
          Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
  Magras crianças, cujas bocas pretas
       Rega o sangue das mães:
 Outras, moças... mas nuas, espantadas,
 No turbilhão de espectros arrastadas,
         Em ânsia e mágoa vãs.
E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
     E da ronda fantástica a serpente
           Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
   Ouvem-se gritos... o chicote estala.
           E voam mais e mais...
     Presa dos elos de uma só cadeia,
      A multidão faminta cambaleia
            E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
  Outro, que de martírios embrutece,
           Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra
 E após, fitando o céu que se desdobra
         Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
   "Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
         Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
      E da ronda fantástica a serpente
             Faz doudas espirais!
Qual num sonho dantesco as sombras voam...
  Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
               E ri-se Satanás!...
       Senhor Deus dos desgraçados!
        Dizei-me vós, Senhor Deus!
         Se é loucura... se é verdade
      Tanto horror perante os céus...
Ó mar, por que não apagas
 Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
   Rolai das imensidades!
  Varrei os mares, tufão!...
Quem são estes desgraçados
 Que não encontram em vós
 Mais que o rir calmo da turba
 Que excita a fúria do algoz?
Quem são?... Se a estrela se cala,
  Se a vaga à pressa resvala
  Como um cúmplice fugaz,
  Perante a noite confusa...
   Dize-o tu, severa musa,
    Musa libérrima, audaz!
São os filhos do deserto
  Onde a terra esposa a luz.
 Onde voa em campo aberto
   A tribo dos homens nus...
 São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
    Combatem na solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
    Hoje míseros escravos
 Sem ar, sem luz, sem razão...
São mulheres desgraçadas
 Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos
Filhos e algemas nos braços,
    N'alma lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
 Têm que dar para Ismael...
Lá nas areias infindas,
        Das palmeiras no país,
     Nasceram crianças lindas,
       Viveram moças gentis...
      Passa um dia a caravana
  Quando a virgem na cabana
   Cisma das noites nos véus...
 ...Adeus! ó choça do monte!...
 ...Adeus! palmeiras da fonte!...
    ...Adeus! amores... adeus!...
Senhor Deus dos desgraçados!
  Dizei-me vós, Senhor Deus!
 Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus...
  Ó mar, por que não apagas
   Co'a esponja de tuas vagas
  De teu manto este borrão?
  Astros! noite! tempestades!
     Rolai das imensidades!
    Varrei os mares, tufão!...
E existe um povo que a bandeira empresta
   P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
    E deixa-a transformar-se nessa festa
     Em manto impuro de bacante fria!...
  Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira
                    é esta,
    Que impudente na gávea tripudia?!...
    Silêncio!... Musa! chora, chora tanto
   Que o pavilhão se lave no seu pranto...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
 Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
 Tu, que da liberdade após a guerra,
 Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
 Extingue nesta hora o brigue imundo
 O trilho que Colombo abriu na vaga,
 Como um íris no pélago profundo!...
        ...Mas é infâmia demais...
             Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!
Exercícios
1- Pesquisar os termos subsequente, que se
  desenvolveram como características do
  movimento do Romantismo.
a- Indianismo          h- Religiosidade
b- Nacionalismo        i- Condoreirismo
c- “Mal do século”
d- Pessimismo
e- Byronismo
f- Escapismo
g- Satanismo
2 – Pesquise o perfil da “mulher” nas três
 gerações do Romantismo.
3 – Conforme sua preferência, selecione
 três poemas que, respectivamente,
 representem cada uma das gerações
 românticas, interprete-os e aponte as
 características que corroborem seus
 estilos românticos.
4 – Pesquise a tradução da música “Bring
 me to life” e relacione-a com a segunda
 geração romântica.

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  • 2. Romantismo “Metamos o martelo nas teorias, nas poéticas e nos sistemas. Abaixo este velho reboco que mascara a fachada da arte!” Victor Hugo
  • 3. Características gerais  Europa (metade do século XVIII)  Libertação dos padrões neoclássicos da Literatura  Valorização da imaginação  Originalidade  Nacionalismo (identidade das nações)  Emoção supera razão  Consciência Social
  • 4. Victor Hugo  Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.  Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.
  • 5. Ser bom é fácil. O difícil é ser justo.  O futuro tem muitos nomes. Para os fracos é o inalcançável. para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade.  Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.
  • 6. Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável.  É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.  Tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade.
  • 11. O canto do guerreiro CANTO I Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros, — Ouvi meu cantar.  
  • 12. C a n ç ã o d o e x íl io Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em  cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar –sozinho, à noite– Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.    De Primeiros cantos (1847)   Gonçalves Dias  
  • 13. Projeto Literário da 1ª Geração
  • 15. Sonhando Na praia deserta que a lua branqueia, Que mimo! que rosa, que filha de Deus! Tão pálida ao vê-la meu ser devaneia, Sufoco nos lábios os hálitos meus!
  • 16. Não corras na areia, Não corras assim! Donzela, onde vais? Tem pena de mim! A praia é tão longa! e a onda bravia As roupas de gaza te molha de escuma; De noite aos serenos a areia é tão fria, Tão úmido o vento que os ares perfuma!
  • 17. És tão doentia! Não corras assim! Donzela, onde vais? Tem pena de mim! A brisa teus negros cabelos soltou, O orvalho da face te esfria o suor; Teus seios palpitam a brisa os roçou, Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
  • 18. A brisa teus negros cabelos soltou, O orvalho da face te esfria o suor; Teus seios palpitam a brisa os roçou, Beijou-os, suspira, desmaia de amor! E o pálido mimo da minha paixão Num longo soluço tremeu e parou; Sentou-se na praia; sozinha no chão A mão regelada no colo pousou! (...)
  • 19. E a imagem da virgem nas águas do mar Brilhava tão branca no límpido véu! Nem mais transparente luzia o luar No ambiente sem nuvens da noite do céu! Nas águas do mar Não durmas assim! Não morras, donzela, Espera por mim! (Álvares de Azevedo)
  • 20. Projeto Literário da 2ª Geração
  • 21. Bring me to life
  • 24. O Navio Negreiro 'Stamos em pleno mar Era um sonho dantesco... o tombadilho, Que das luzernas avermelha o brilho, Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar do açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar...
  • 25. Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras, moças... mas nuas, espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs.
  • 26. E ri-se a orquestra, irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Se o velho arqueja... se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais... Presa dos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia E chora e dança ali!
  • 27. Um de raiva delira, outro enlouquece... Outro, que de martírios embrutece, Cantando, geme e ri! No entanto o capitão manda a manobra E após, fitando o céu que se desdobra Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: "Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!..."
  • 28. E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais! Qual num sonho dantesco as sombras voam... Gritos, ais, maldições, preces ressoam! E ri-se Satanás!... Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus...
  • 29. Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noite! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão!...
  • 30. Quem são estes desgraçados Que não encontram em vós Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? Quem são?... Se a estrela se cala, Se a vaga à pressa resvala Como um cúmplice fugaz, Perante a noite confusa... Dize-o tu, severa musa, Musa libérrima, audaz!
  • 31. São os filhos do deserto Onde a terra esposa a luz. Onde voa em campo aberto A tribo dos homens nus... São os guerreiros ousados, Que com os tigres mosqueados Combatem na solidão... Homens simples, fortes, bravos... Hoje míseros escravos Sem ar, sem luz, sem razão...
  • 32. São mulheres desgraçadas Como Agar o foi também, Que sedentas, alquebradas, De longe... bem longe vêm... Trazendo com tíbios passos Filhos e algemas nos braços, N'alma lágrimas e fel. Como Agar sofrendo tanto Que nem o leite do pranto Têm que dar para Ismael...
  • 33. Lá nas areias infindas, Das palmeiras no país, Nasceram crianças lindas, Viveram moças gentis... Passa um dia a caravana Quando a virgem na cabana Cisma das noites nos véus... ...Adeus! ó choça do monte!... ...Adeus! palmeiras da fonte!... ...Adeus! amores... adeus!... Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se eu deliro... ou se é verdade
  • 34. Tanto horror perante os céus... Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão? Astros! noite! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão!...
  • 35. E existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia?!... Silêncio!... Musa! chora, chora tanto Que o pavilhão se lave no seu pranto...
  • 36. Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra, E as promessas divinas da esperança... Tu, que da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança, Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!...
  • 37. Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu na vaga, Como um íris no pélago profundo!... ...Mas é infâmia demais... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo... Andrada! arranca este pendão dos ares! Colombo! fecha a porta de teus mares!
  • 38. Exercícios 1- Pesquisar os termos subsequente, que se desenvolveram como características do movimento do Romantismo. a- Indianismo h- Religiosidade b- Nacionalismo i- Condoreirismo c- “Mal do século” d- Pessimismo e- Byronismo f- Escapismo g- Satanismo
  • 39. 2 – Pesquise o perfil da “mulher” nas três gerações do Romantismo. 3 – Conforme sua preferência, selecione três poemas que, respectivamente, representem cada uma das gerações românticas, interprete-os e aponte as características que corroborem seus estilos românticos.
  • 40. 4 – Pesquise a tradução da música “Bring me to life” e relacione-a com a segunda geração romântica.