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Brasil, 28 poemas
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Características básicas
 Versos livres e brancos,
estrofação irregular
 Ritmo determinado pelo
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 A medida dos versos segue agora o impulso
lírico, o soluço sentimental do poeta
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Não, meu coração ...
 Às vezes um poema com uma quase
métrica
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Dentaduras duplas!
Inda não sou bem velho
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Características básicas
 Tom elevado e sério
substitui o vulgar e o
grotesco
 Compromisso com o
instante social
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9 temas de Drummond
 O indivíduo “retorcido”
 Terra natal
 Família
 “Amigos”
 Choque social
 Amor “amaro”
 Metaling...
A precariedade do indivíduo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças es...
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
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Eu tenho um coração maior que o mundo,
tu, formosa Marília, bem o sabes;
um coração, e basta,
onde tu mesma cabes.
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Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
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Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
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as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gent...
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Poesia contemplada
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Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
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Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, or...
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De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
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Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
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Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
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Esse incessante morrer
que nos teus versos encontro
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Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de
Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e
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A morte, a consideração
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É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
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É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
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Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
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O choque social e a Esperança
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Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns s...
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Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração c...
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Sentimento do mundo

  1. 1. Carlos Drummond de Andrade Sentimento do Mundo, 1940, 2.ª fase da poesia modernista no Brasil, 28 poemas rafabebum.blogspot.com
  2. 2. Características básicas  Versos livres e brancos, estrofação irregular  Ritmo determinado pelo impulso sentimental do eu lírico rafabebum.blogspot.com
  3. 3.  A medida dos versos segue agora o impulso lírico, o soluço sentimental do poeta rafabebum.blogspot.com Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem sequer as minhas dores. (O texto “O Operário no Mar” é prosa poética)
  4. 4.  Às vezes um poema com uma quase métrica rafabebum.blogspot.com Dentaduras duplas! Inda não sou bem velho para merecer-vos... Há que contentar-me com uma ponte móvel e esparsas coroas.
  5. 5. Características básicas  Tom elevado e sério substitui o vulgar e o grotesco  Compromisso com o instante social rafabebum.blogspot.com Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco.
  6. 6. 9 temas de Drummond  O indivíduo “retorcido”  Terra natal  Família  “Amigos”  Choque social  Amor “amaro”  Metalinguagem  Exercícios lúdicos  Reflexões metafísicas rafabebum.blogspot.com
  7. 7. A precariedade do indivíduo Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor. Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes. rafabebum.blogspot.com
  8. 8. Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis. Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho desfiando a recordação do sineiro, da viúva e do microcopista que habitavam a barraca e não foram encontrados ao amanhecer esse amanhecer mais noite que a noite. rafabebum.blogspot.com
  9. 9. Eu tenho um coração maior que o mundo, tu, formosa Marília, bem o sabes; um coração, e basta, onde tu mesma cabes. (Tomás Antônio Gonzaga) rafabebum.blogspot.com
  10. 10. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo. Mais vasto é meu coração. (livro Alguma Poesia) rafabebum.blogspot.com
  11. 11. rafabebum.blogspot.com
  12. 12. rafabebum.blogspot.com Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo. Por isso me grito, por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas [livrarias: preciso de todos. Sim, meu coração é muito pequeno. Só agora vejo que nele não cabem os homens. Os homens estão cá fora, estão na rua. A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava. Mas também a rua não cabe todos os homens. A rua é menor que o mundo. O mundo é grande.
  13. 13. rafabebum.blogspot.com Outrora escutei os anjos, as sonatas, os poemas, as confissões patéticas. Nunca escutei voz de gente. Em verdade sou muito pobre. ("Mundo Grande", Sentimento do mundo) O social
  14. 14. rafabebum.blogspot.com
  15. 15. rafabebum.blogspot.com
  16. 16. Poesia contemplada rafabebum.blogspot.com Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. (“Mãos Dadas”)
  17. 17. rafabebum.blogspot.com Não serei o cantor de uma mulher, de uma história. não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens [presentes, a vida presente. Vista da janela da casa de Drummond
  18. 18. rafabebum.blogspot.com
  19. 19. rafabebum.blogspot.com
  20. 20. A terra natal rafabebum.blogspot.com Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas.
  21. 21. rafabebum.blogspot.com De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil, este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa...
  22. 22. rafabebum.blogspot.com Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói! (“Confidência do Itabirano”) Parede do quarto de Drummond
  23. 23. rafabebum.blogspot.com
  24. 24. rafabebum.blogspot.com
  25. 25. A família rafabebum.blogspot.com Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis, alto de muitos metros e velho de infinitos minutos, em que todos se debruçavam na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca. Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos. Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava que rebentava daquelas páginas. (“Os Mortos de Sobrecasaca”)
  26. 26. rafabebum.blogspot.com
  27. 27. Amigos rafabebum.blogspot.com
  28. 28. rafabebum.blogspot.com Esse incessante morrer que nos teus versos encontro é tua vida, poeta, e por ele te comunicas com o mundo em que te esvais. debruço-me em teus poemas e neles percebo as ilhas em que nem tu nem nós habitamos (ou jamais habitaremos!) (“Ode ao Cinquentenário do Poeta Brasileiro”)
  29. 29. rafabebum.blogspot.com Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos
  30. 30. rafabebum.blogspot.com
  31. 31. A morte, a consideração existencial rafabebum.blogspot.com É preciso estudar volapuque, é preciso estar sempre bêbedo, é preciso ler Baudelaire, é preciso colher as flores de que rezam velhos autores.
  32. 32. rafabebum.blogspot.com É preciso viver com os homens, é preciso não assassiná-los, é preciso ter mãos pálidas e anunciar o FIM DO MUNDO. (“Poema da Necessidade”) Reificação Aporia
  33. 33. rafabebum.blogspot.com Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo. (...) Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan. (“Elegia 1938”)
  34. 34. O choque social e a Esperança rafabebum.blogspot.com Meus amigos foram às ilhas. Ilhas perdem o homem. Entretanto alguns se salvaram e trouxeram a notícia de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias, entre o fogo e o amor.
  35. 35. rafabebum.blogspot.com Então, meu coração também pode crescer. Entre o amor e o fogo, entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode. — Ó vida futura! nós te criaremos (“Mundo Grande”)
  36. 36. rafabebum.blogspot.com

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