Avaliação nutricional de escolares participantes de competição esportiva


Cíntia Lopes Castro Lucho *
Rita de Cássia Diez Leal Siqueira *


*Nutricionista do Núcleo de Nutrição da Secretaria Municipal de Educação
Prefeitura Municipal de Alvorada


INTRODUÇÃO

            A realização de atividades para coleta de dados para realização de avaliação
nutricional e informações sobre hábitos alimentares e sedentarismo são importantes para
traçarmos o perfil nutricional de escolares, buscando alternativas para incentivarmos a
alimentação saudável, a prática de atividade física e garantia de um desenvolvimento
adequado.
            O Brasil, já há algum tempo, vive a chamada “transição nutricional”, onde o
predomínio da obesidade ultrapassa os números da desnutrição, cujas principais influências
são o perfil alimentar, com aumento de consumo de alimentos ricos em gorduras e alto valor
energético, e a inatividade física, devido a mudanças sociais, econômicas e atuação da
mídia. 1, 2
            A presença da obesidade desencadeia nas crianças o isolamento social, pela
mesma ser discriminada, causando alto estima reduzida, culminando em sedentarismo, pois
acabam brincando menos. A ansiedade leva ao maior consumo de alimentos para aliviar o
sofrimento, tornando esse processo um círculo vicioso. 1 Estudos mostram que o sobrepeso
é um fator de risco para desenvolvimento de doenças como dislipidemias e hipertensão. 2
            A avaliação nutricional é um instrumento diagnóstico, e tem como objetivo
verificar se o crescimento está se afastando do padrão esperado, por doença e/ou por
condições sociais desfavoráveis, determinando o estado nutricional do avaliado, sendo o
resultado dessa avaliação um indicador de qualidade de vida. 3
            O presente trabalho teve como principal objetivo determinar o perfil
antropométrico de escolares participantes evento esportivo no município de Alvorada. Como
objetivos específicos apresentamos: verificar o percentual de adesão dos escolares à
alimentação escolar, determinar a frequência da execução de atividade física; e determinar
a frequência do consumo de guloseimas e alimentos gordurosos.

MATERIAL E MÉTODOS

          Através de estudo com delineamento quantitativo, transversal e observacional,
foram avaliados 457 alunos (n=374 masculinos e n=83 femininos) de escolas municipais e
estaduais, participantes da 2ª Etapa dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul, em
Alvorada, modalidade futebol de salão, no mês de junho de 2011. Foram coletadas medidas
antropométricas, e respondidos questionários com dados pertinentes a alimentação
saudável e de atividade física. As variáveis antropométricas coletadas foram: peso corporal
(kg), idade (anos), altura (cm), circunferência do braço (CB) em cm, e prega cutânea triciptal
(PCT) em mm, sendo posteriormente calculados índice de massa corporal (IMC) em kg/m 2
para idade e circunferência muscular do braço (CMB) em cm. O questionário solicitava as
seguintes informações de frequência semanal: atividade física, consumo de alimentação
escolar, consumo de guloseimas e alimentos gordurosos, escola de origem (estadual ou
municipal), sexo (masculino e feminino) e data de nascimento.
          Os dados foram avaliados através de Frisancho (1981), Frisancho (1990),
Organização Mundial da Saúde (2007) e Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional
(2008). Os equipamentos utilizados foram 01 balança digital, marca Plenna, capacidade
máxima de 180 kg, com precisão em 100g, 01 fita métrica em aço, marca Sanny, inelástica,
com precisão em 1mm, 01 plicômetro científico, marca Cescorf, com relógio para leitura e
precisão em 1mm e 01 estadiômetro, marca Sanny, com régua em alumínio, base móvel,
com precisão em 1mm. Os educandos foram pesados e medidos com o mínimo de roupa,
descalços, em pé, com posição ereta. Os dados foram coletados e avaliados em programa
Excel, Windows.
          Foi enviado projeto para execução desse trabalho para o Departamento de
Educação Física da SMED e para a Secretária Municipal de Educação de Alvorada, que
apresentaram para os professores responsáveis pelos alunos de cada escola, todas as
etapas de execução, destacando os objetivos da pesquisa e a metodologia empregada, para
autorização da realização desse trabalho. Os dados foram coletados por nutricionistas e
estagiárias de curso técnico de Nutrição e Dietética lotadas na Secretaria Municipal de
Educação do município.

RESULTADOS

            Da amostra analisada, encontramos 81,84% do sexo masculino e 18,16% do
sexo feminino. Em relação a frequência de realização de atividade física, a maioria praticava
no mínimo 3 vezes por semana, tanto meninos (71,38%), quanto meninas (66,39%). O
consumo de alimentação escolar se diferenciou entre os sexos. Os meninos (53,62%)
consumiam no mínimo 2 vezes por semana, enquanto as meninas (51,92%) não consumiam
nenhuma vez na semana. O consumo de balas, chocolates, doces e salgadinhos distribuiu-
se diferentemente entre os sexos. A maioria das meninas (58,3%) consumiram entre 4 a 5
dias da semana, em comparação com os meninos (65,07%) que consumiram entre 1 a 3
vezes por semana. A classificação do estado nutricional através do IMC (OMS, 2007)
mostrou para meninos e meninos, respectivamente, 75,85% e 70,13% eutróficos, 2,68% e
3,55% com baixo peso, 15,06% e 14,51% com sobrepeso, 6,4% e 11,79% com obesidade.
A classificação através do CMB (FRISANCHO, 1990) para meninos e meninas,
respectivamente, 78,79% e 79,81% eutróficos, 12,48% e 5,97% baixo peso, 6,58% e 9,38%
sobrepeso, 2,14 e 4,84% obesidade. A classificação através de PCT (FRISANCHO 1990)
para meninos e meninas, respectivamente, 78,16% e 76,90% eutróficos, 1,04% e 2,52%
baixo peso, 17,02% e 14,39% sobrepeso, 3,77% e 6,16% obesidade.

DISCUSSÃO
             A amostra analisada durante o competição esportiva, teve representativa maior
de alunos do sexo masculino, provavelmente porque a prática esportiva em questão, o
futebol de salão, ainda tenha maior adesão do sexo masculino. Foram utilizados 3 medidas
antropométricas para realizar a avaliação nutricional dos escolares, que foram classificadas
da mesma forma: eutrofia, baixo peso, sobrepeso e obesidade. A maioria dos escolares
foram classificadas como eutróficas, em todas as avaliações, não havendo diferença
significativamente estatística entre os sexos. Entretanto, quando analisamos os resultados
que se referem a obesidade, encontramos as meninas, em média, com o dobro de
percentual, quando comparadas aos meninos. Pode haver relação quanto ao consumo de
guloseimas e alimentos gordurosos, pois na média geral, os meninos consomem com menor
frequência esses alimentos, quando comparados às meninas. A alimentação escolar
apresentou maior adesão dos meninos, quando comparados às meninas. Ressaltamos que
os alimentos adquiridos pela escola não incluem guloseimas e frituras, incluem frutas,
verduras, cereais, leguminosas, produtos lácteos, entre outros. A grande maioria, em ambos
os sexos declarou realizar atividade física no mínimo 3 vezes por semana. A prática de
atividade física e baixo consumo de doces e alimentos gordurosos são preconizados para
garantir uma alimentação saudável. 4

CONCLUSÕES
          Os alunos analisados nessa amostra, mostraram em média um perfil de cerca de
14,78 % com sobrepeso e 9,09% de obesidade. Alguns fatores mostraram-se relacionados,
tais como consumo alimentar e atividade física. Torna-se importante incentivar a prática de
atividade física e mudança de perfil alimentar para que as crianças classificadas com
sobrepeso não migrem para a faixa de obesidade.
            Estudos referem que o incentivo à alimentação saudável e prática de atividade
física mostram resultados benéficos na redução dos números de sobrepeso e obesidade,
proporcionando maior longevidade e qualidade de vida para a população.
            É sabido que essa população é diferenciada, tendo em vista que praticam
atividade física, já que participam de uma competição esportiva. Análise de dados de coleta
de outra população, diretamente das escolas, sem o vínculo da prática esportiva, pode
mostrar números diferentes da classificação nutricional, tendo em vista que a prática de
atividade influencia no estado nutricional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 CANO, M.A.T.; et al. Estudo do estado nutricional de crianças na idade escolar na cidade
de Franca-SP: uma introdução ao problema. Revista eletrônica de Enfermagem. V. 07, n.
02, p. 179-184, 2005.

2 PEGOLO, G.E.; SILVA, M. V. Estado nutricional de escolares da rede pública de ensino de
Piedade, SP. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, 15(1):76-85, 2008.

3 MELLO, E. D. O que significa a avaliação do estado nutricional. Jornal de Pediatria. Vol.
78, N.5, 2002.

4 Guia alimentar para a população brasileira : promovendo a alimentação saudável /
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de
Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
RESUMO EXPANDIDO

Avaliação nutricional de escolares participantes de competição esportiva

Cíntia Lopes Castro Lucho *
Rita de Cássia Diez Leal Siqueira *

*Nutricionista do Núcleo de Nutrição da Secretaria Municipal de Educação
Prefeitura Municipal de Alvorada

INTRODUÇÃO: a realização de atividades para coleta de dados para realização de
avaliação nutricional e informações sobre hábitos alimentares e sedentarismo são
importantes para traçarmos o perfil nutricional de escolares. A avaliação nutricional é um
instrumento diagnóstico, e tem como objetivo verificar se o crescimento está se afastando
do padrão esperado, por doença e/ou por condições sociais desfavoráveis, determinando o
estado nutricional do avaliado, sendo o resultado dessa avaliação um indicador de qualidade
de vida. O presente trabalho teve como principal objetivo determinar o perfil antropométrico
de escolares participantes evento esportivo no município de Alvorada. Como objetivos
específicos apresentamos: verificar o percentual de adesão dos escolares à alimentação
escolar, determinar a frequência da execução de atividade física; e determinar a frequência
do consumo de guloseimas e alimentos gordurosos. MATERIAL E MÉTODOS: estudo
quantitativo, transversal e observacional, 457 alunos (n=374 masculinos e n=83 femininos)
de escolas municipais e estaduais, participantes da 2ª Etapa dos Jogos Escolares do Rio
Grande do Sul, em Alvorada, modalidade futebol de salão. As variáveis antropométricas
coletadas foram: peso corporal (kg), idade (anos), altura (cm), circunferência do braço (CB)
em cm, e prega cutânea triciptal (PCT) em mm, sendo posteriormente calculados índice de
massa corporal (IMC) em kg/m 2 para idade e circunferência muscular do braço (CMB) em
cm. Foi aplicado questionário que solicitava as seguintes informações de frequência
semanal: atividade física, consumo de alimentação escolar, consumo de guloseimas e
alimentos gordurosos, escola de origem (estadual ou municipal), sexo (masculino e
feminino) e data de nascimento. Os dados foram avaliados através de Frisancho (1981),
Frisancho (1990), Organização Mundial da Saúde (2007) e Sistema de Vigilância Alimentar
e Nutricional (2008). Os equipamentos utilizados foram 01 balança digital, marca Plenna,
capacidade máxima de 180 kg, com precisão em 100g, 01 fita métrica em aço, marca
Sanny, inelástica, com precisão em 1mm, 01 plicômetro científico, marca Cescorf, com
relógio para leitura e precisão em 1mm e 01 estadiômetro, marca Sanny, com régua em
alumínio, base móvel, com precisão em 1mm. Os educandos foram pesados e medidos com
o mínimo de roupa, descalços, em pé, com posição ereta. Os dados foram coletados e
avaliados em programa Excel, Windows. Foi enviado projeto para execução desse trabalho
para o Departamento de Educação Física da SMED e para a Secretária Municipal de
Educação de Alvorada, que apresentaram para os professores responsáveis pelos alunos
de cada escola, todas as etapas de execução, destacando os objetivos da pesquisa e a
metodologia empregada. Os dados foram coletados por nutricionistas e estagiárias de curso
técnico de Nutrição e Dietética lotadas na Secretaria Municipal de Educação do município.
RESULTADOS: encontramos 81,84% do sexo masculino e 18,16% do sexo feminino. Em
relação a frequência de realização de atividade física, a maioria praticava no mínimo 3
vezes por semana, tanto meninos (71,38%), quanto meninas (66,39%). O consumo de
alimentação escolar se diferenciou entre os sexos. Os meninos (53,62%) consumiam no
mínimo 2 vezes por semana, enquanto as meninas (51,92%) não consumiam nenhuma vez
na semana. O consumo de balas, chocolates, doces e salgadinhos distribuiu-se
diferentemente entre os sexos. A maioria das meninas (58,3%) consumiram entre 4 a 5 dias
da semana, em comparação com os meninos (65,07%) que consumiram entre 1 a 3 vezes
por semana. A classificação do estado nutricional através do IMC (OMS, 2007) mostrou para
meninos e meninos, respectivamente, 75,85% e 70,13% eutróficos, 2,68% e 3,55% com
baixo peso, 15,06% e 14,51% com sobrepeso, 6,4% e 11,79% com obesidade. A
classificação através do CMB (FRISANCHO, 1990) para meninos e meninas,
respectivamente, 78,79% e 79,81% eutróficos, 12,48% e 5,97% baixo peso, 6,58% e 9,38%
sobrepeso, 2,14 e 4,84% obesidade. A classificação através de PCT (FRISANCHO 1990)
para meninos e meninas, respectivamente, 78,16% e 76,90% eutróficos, 1,04% e 2,52%
baixo peso, 17,02% e 14,39% sobrepeso, 3,77% e 6,16% obesidade. DISCUSSÃO: a
amostra analisada durante o competição esportiva, teve representativa maior de alunos do
sexo masculino, provavelmente porque a prática esportiva em questão, o futebol de salão,
ainda tenha maior adesão do sexo masculino. Foram utilizados 3 medidas antropométricas
para realizar a avaliação nutricional dos escolares, que foram classificadas da mesma
forma: eutrofia, baixo peso, sobrepeso e obesidade. A maioria dos escolares foram
classificadas como eutróficas, em todas as avaliações, não havendo diferença
significativamente estatística entre os sexos. Entretanto, quando analisamos os resultados
que se referem a obesidade, encontramos as meninas, em média, com o dobro de
percentual, quando comparadas aos meninos. Pode haver relação quanto ao consumo de
guloseimas e alimentos gordurosos, pois na média geral, os meninos consomem com menor
frequência esses alimentos, quando comparados às meninas. A alimentação escolar
apresentou maior adesão dos meninos, quando comparados às meninas. Ressaltamos que
os alimentos adquiridos pela escola não incluem guloseimas e frituras, incluem frutas,
verduras, cereais, leguminosas, produtos lácteos, entre outros. A grande maioria, em ambos
os sexos declarou realizar atividade física no mínimo 3 vezes por semana. A prática de
atividade física e baixo consumo de doces e alimentos gordurosos são preconizados para
garantir uma alimentação saudável. CONCLUSÕES: os alunos analisados nessa amostra,
mostraram em média um perfil de cerca de 14,78 % com sobrepeso e 9,09% de obesidade.
Alguns fatores mostraram-se relacionados, tais como consumo alimentar e atividade física.
Torna-se importante incentivar a prática de atividade física e mudança de perfil alimentar
para que as crianças classificadas com sobrepeso não migrem para a faixa de obesidade.
Estudos referem que o incentivo à alimentação saudável e prática de atividade física
mostram resultados benéficos na redução dos números de sobrepeso e obesidade,
proporcionando maior longevidade e qualidade de vida para a população. É sabido que essa
população é diferenciada, tendo em vista que praticam atividade física, já que participam de
uma competição esportiva. Análise de dados de coleta de outra população, diretamente das
escolas, sem o vínculo da prática esportiva, pode mostrar números diferentes da
classificação nutricional, tendo em vista que a prática de atividade influencia no estado
nutricional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 CANO, M.A.T.; et al. Estudo do estado nutricional de crianças na idade escolar na cidade
de Franca-SP: uma introdução ao problema. Revista eletrônica de Enfermagem. V. 07, n.
02, p. 179-184, 2005.
2 PEGOLO, G.E.; SILVA, M. V. Estado nutricional de escolares da rede pública de ensino de
Piedade, SP. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, 15(1):76-85, 2008.
3 MELLO, E. D. O que significa a avaliação do estado nutricional. Jornal de Pediatria. Vol.
78, N.5, 2002.
4 Guia alimentar para a população brasileira : promovendo a alimentação saudável /
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de
Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

Resumo FENERC 2012 - Alvorada

  • 1.
    Avaliação nutricional deescolares participantes de competição esportiva Cíntia Lopes Castro Lucho * Rita de Cássia Diez Leal Siqueira * *Nutricionista do Núcleo de Nutrição da Secretaria Municipal de Educação Prefeitura Municipal de Alvorada INTRODUÇÃO A realização de atividades para coleta de dados para realização de avaliação nutricional e informações sobre hábitos alimentares e sedentarismo são importantes para traçarmos o perfil nutricional de escolares, buscando alternativas para incentivarmos a alimentação saudável, a prática de atividade física e garantia de um desenvolvimento adequado. O Brasil, já há algum tempo, vive a chamada “transição nutricional”, onde o predomínio da obesidade ultrapassa os números da desnutrição, cujas principais influências são o perfil alimentar, com aumento de consumo de alimentos ricos em gorduras e alto valor energético, e a inatividade física, devido a mudanças sociais, econômicas e atuação da mídia. 1, 2 A presença da obesidade desencadeia nas crianças o isolamento social, pela mesma ser discriminada, causando alto estima reduzida, culminando em sedentarismo, pois acabam brincando menos. A ansiedade leva ao maior consumo de alimentos para aliviar o sofrimento, tornando esse processo um círculo vicioso. 1 Estudos mostram que o sobrepeso é um fator de risco para desenvolvimento de doenças como dislipidemias e hipertensão. 2 A avaliação nutricional é um instrumento diagnóstico, e tem como objetivo verificar se o crescimento está se afastando do padrão esperado, por doença e/ou por condições sociais desfavoráveis, determinando o estado nutricional do avaliado, sendo o resultado dessa avaliação um indicador de qualidade de vida. 3 O presente trabalho teve como principal objetivo determinar o perfil antropométrico de escolares participantes evento esportivo no município de Alvorada. Como objetivos específicos apresentamos: verificar o percentual de adesão dos escolares à alimentação escolar, determinar a frequência da execução de atividade física; e determinar a frequência do consumo de guloseimas e alimentos gordurosos. MATERIAL E MÉTODOS Através de estudo com delineamento quantitativo, transversal e observacional, foram avaliados 457 alunos (n=374 masculinos e n=83 femininos) de escolas municipais e estaduais, participantes da 2ª Etapa dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul, em Alvorada, modalidade futebol de salão, no mês de junho de 2011. Foram coletadas medidas antropométricas, e respondidos questionários com dados pertinentes a alimentação saudável e de atividade física. As variáveis antropométricas coletadas foram: peso corporal (kg), idade (anos), altura (cm), circunferência do braço (CB) em cm, e prega cutânea triciptal (PCT) em mm, sendo posteriormente calculados índice de massa corporal (IMC) em kg/m 2 para idade e circunferência muscular do braço (CMB) em cm. O questionário solicitava as seguintes informações de frequência semanal: atividade física, consumo de alimentação escolar, consumo de guloseimas e alimentos gordurosos, escola de origem (estadual ou municipal), sexo (masculino e feminino) e data de nascimento. Os dados foram avaliados através de Frisancho (1981), Frisancho (1990), Organização Mundial da Saúde (2007) e Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (2008). Os equipamentos utilizados foram 01 balança digital, marca Plenna, capacidade máxima de 180 kg, com precisão em 100g, 01 fita métrica em aço, marca Sanny, inelástica,
  • 2.
    com precisão em1mm, 01 plicômetro científico, marca Cescorf, com relógio para leitura e precisão em 1mm e 01 estadiômetro, marca Sanny, com régua em alumínio, base móvel, com precisão em 1mm. Os educandos foram pesados e medidos com o mínimo de roupa, descalços, em pé, com posição ereta. Os dados foram coletados e avaliados em programa Excel, Windows. Foi enviado projeto para execução desse trabalho para o Departamento de Educação Física da SMED e para a Secretária Municipal de Educação de Alvorada, que apresentaram para os professores responsáveis pelos alunos de cada escola, todas as etapas de execução, destacando os objetivos da pesquisa e a metodologia empregada, para autorização da realização desse trabalho. Os dados foram coletados por nutricionistas e estagiárias de curso técnico de Nutrição e Dietética lotadas na Secretaria Municipal de Educação do município. RESULTADOS Da amostra analisada, encontramos 81,84% do sexo masculino e 18,16% do sexo feminino. Em relação a frequência de realização de atividade física, a maioria praticava no mínimo 3 vezes por semana, tanto meninos (71,38%), quanto meninas (66,39%). O consumo de alimentação escolar se diferenciou entre os sexos. Os meninos (53,62%) consumiam no mínimo 2 vezes por semana, enquanto as meninas (51,92%) não consumiam nenhuma vez na semana. O consumo de balas, chocolates, doces e salgadinhos distribuiu- se diferentemente entre os sexos. A maioria das meninas (58,3%) consumiram entre 4 a 5 dias da semana, em comparação com os meninos (65,07%) que consumiram entre 1 a 3 vezes por semana. A classificação do estado nutricional através do IMC (OMS, 2007) mostrou para meninos e meninos, respectivamente, 75,85% e 70,13% eutróficos, 2,68% e 3,55% com baixo peso, 15,06% e 14,51% com sobrepeso, 6,4% e 11,79% com obesidade. A classificação através do CMB (FRISANCHO, 1990) para meninos e meninas, respectivamente, 78,79% e 79,81% eutróficos, 12,48% e 5,97% baixo peso, 6,58% e 9,38% sobrepeso, 2,14 e 4,84% obesidade. A classificação através de PCT (FRISANCHO 1990) para meninos e meninas, respectivamente, 78,16% e 76,90% eutróficos, 1,04% e 2,52% baixo peso, 17,02% e 14,39% sobrepeso, 3,77% e 6,16% obesidade. DISCUSSÃO A amostra analisada durante o competição esportiva, teve representativa maior de alunos do sexo masculino, provavelmente porque a prática esportiva em questão, o futebol de salão, ainda tenha maior adesão do sexo masculino. Foram utilizados 3 medidas antropométricas para realizar a avaliação nutricional dos escolares, que foram classificadas da mesma forma: eutrofia, baixo peso, sobrepeso e obesidade. A maioria dos escolares foram classificadas como eutróficas, em todas as avaliações, não havendo diferença significativamente estatística entre os sexos. Entretanto, quando analisamos os resultados que se referem a obesidade, encontramos as meninas, em média, com o dobro de percentual, quando comparadas aos meninos. Pode haver relação quanto ao consumo de guloseimas e alimentos gordurosos, pois na média geral, os meninos consomem com menor frequência esses alimentos, quando comparados às meninas. A alimentação escolar apresentou maior adesão dos meninos, quando comparados às meninas. Ressaltamos que os alimentos adquiridos pela escola não incluem guloseimas e frituras, incluem frutas, verduras, cereais, leguminosas, produtos lácteos, entre outros. A grande maioria, em ambos os sexos declarou realizar atividade física no mínimo 3 vezes por semana. A prática de atividade física e baixo consumo de doces e alimentos gordurosos são preconizados para garantir uma alimentação saudável. 4 CONCLUSÕES Os alunos analisados nessa amostra, mostraram em média um perfil de cerca de 14,78 % com sobrepeso e 9,09% de obesidade. Alguns fatores mostraram-se relacionados, tais como consumo alimentar e atividade física. Torna-se importante incentivar a prática de
  • 3.
    atividade física emudança de perfil alimentar para que as crianças classificadas com sobrepeso não migrem para a faixa de obesidade. Estudos referem que o incentivo à alimentação saudável e prática de atividade física mostram resultados benéficos na redução dos números de sobrepeso e obesidade, proporcionando maior longevidade e qualidade de vida para a população. É sabido que essa população é diferenciada, tendo em vista que praticam atividade física, já que participam de uma competição esportiva. Análise de dados de coleta de outra população, diretamente das escolas, sem o vínculo da prática esportiva, pode mostrar números diferentes da classificação nutricional, tendo em vista que a prática de atividade influencia no estado nutricional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 CANO, M.A.T.; et al. Estudo do estado nutricional de crianças na idade escolar na cidade de Franca-SP: uma introdução ao problema. Revista eletrônica de Enfermagem. V. 07, n. 02, p. 179-184, 2005. 2 PEGOLO, G.E.; SILVA, M. V. Estado nutricional de escolares da rede pública de ensino de Piedade, SP. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, 15(1):76-85, 2008. 3 MELLO, E. D. O que significa a avaliação do estado nutricional. Jornal de Pediatria. Vol. 78, N.5, 2002. 4 Guia alimentar para a população brasileira : promovendo a alimentação saudável / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
  • 4.
    RESUMO EXPANDIDO Avaliação nutricionalde escolares participantes de competição esportiva Cíntia Lopes Castro Lucho * Rita de Cássia Diez Leal Siqueira * *Nutricionista do Núcleo de Nutrição da Secretaria Municipal de Educação Prefeitura Municipal de Alvorada INTRODUÇÃO: a realização de atividades para coleta de dados para realização de avaliação nutricional e informações sobre hábitos alimentares e sedentarismo são importantes para traçarmos o perfil nutricional de escolares. A avaliação nutricional é um instrumento diagnóstico, e tem como objetivo verificar se o crescimento está se afastando do padrão esperado, por doença e/ou por condições sociais desfavoráveis, determinando o estado nutricional do avaliado, sendo o resultado dessa avaliação um indicador de qualidade de vida. O presente trabalho teve como principal objetivo determinar o perfil antropométrico de escolares participantes evento esportivo no município de Alvorada. Como objetivos específicos apresentamos: verificar o percentual de adesão dos escolares à alimentação escolar, determinar a frequência da execução de atividade física; e determinar a frequência do consumo de guloseimas e alimentos gordurosos. MATERIAL E MÉTODOS: estudo quantitativo, transversal e observacional, 457 alunos (n=374 masculinos e n=83 femininos) de escolas municipais e estaduais, participantes da 2ª Etapa dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul, em Alvorada, modalidade futebol de salão. As variáveis antropométricas coletadas foram: peso corporal (kg), idade (anos), altura (cm), circunferência do braço (CB) em cm, e prega cutânea triciptal (PCT) em mm, sendo posteriormente calculados índice de massa corporal (IMC) em kg/m 2 para idade e circunferência muscular do braço (CMB) em cm. Foi aplicado questionário que solicitava as seguintes informações de frequência semanal: atividade física, consumo de alimentação escolar, consumo de guloseimas e alimentos gordurosos, escola de origem (estadual ou municipal), sexo (masculino e feminino) e data de nascimento. Os dados foram avaliados através de Frisancho (1981), Frisancho (1990), Organização Mundial da Saúde (2007) e Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (2008). Os equipamentos utilizados foram 01 balança digital, marca Plenna, capacidade máxima de 180 kg, com precisão em 100g, 01 fita métrica em aço, marca Sanny, inelástica, com precisão em 1mm, 01 plicômetro científico, marca Cescorf, com relógio para leitura e precisão em 1mm e 01 estadiômetro, marca Sanny, com régua em alumínio, base móvel, com precisão em 1mm. Os educandos foram pesados e medidos com o mínimo de roupa, descalços, em pé, com posição ereta. Os dados foram coletados e avaliados em programa Excel, Windows. Foi enviado projeto para execução desse trabalho para o Departamento de Educação Física da SMED e para a Secretária Municipal de Educação de Alvorada, que apresentaram para os professores responsáveis pelos alunos de cada escola, todas as etapas de execução, destacando os objetivos da pesquisa e a metodologia empregada. Os dados foram coletados por nutricionistas e estagiárias de curso técnico de Nutrição e Dietética lotadas na Secretaria Municipal de Educação do município. RESULTADOS: encontramos 81,84% do sexo masculino e 18,16% do sexo feminino. Em relação a frequência de realização de atividade física, a maioria praticava no mínimo 3 vezes por semana, tanto meninos (71,38%), quanto meninas (66,39%). O consumo de alimentação escolar se diferenciou entre os sexos. Os meninos (53,62%) consumiam no mínimo 2 vezes por semana, enquanto as meninas (51,92%) não consumiam nenhuma vez na semana. O consumo de balas, chocolates, doces e salgadinhos distribuiu-se diferentemente entre os sexos. A maioria das meninas (58,3%) consumiram entre 4 a 5 dias da semana, em comparação com os meninos (65,07%) que consumiram entre 1 a 3 vezes por semana. A classificação do estado nutricional através do IMC (OMS, 2007) mostrou para meninos e meninos, respectivamente, 75,85% e 70,13% eutróficos, 2,68% e 3,55% com baixo peso, 15,06% e 14,51% com sobrepeso, 6,4% e 11,79% com obesidade. A classificação através do CMB (FRISANCHO, 1990) para meninos e meninas,
  • 5.
    respectivamente, 78,79% e79,81% eutróficos, 12,48% e 5,97% baixo peso, 6,58% e 9,38% sobrepeso, 2,14 e 4,84% obesidade. A classificação através de PCT (FRISANCHO 1990) para meninos e meninas, respectivamente, 78,16% e 76,90% eutróficos, 1,04% e 2,52% baixo peso, 17,02% e 14,39% sobrepeso, 3,77% e 6,16% obesidade. DISCUSSÃO: a amostra analisada durante o competição esportiva, teve representativa maior de alunos do sexo masculino, provavelmente porque a prática esportiva em questão, o futebol de salão, ainda tenha maior adesão do sexo masculino. Foram utilizados 3 medidas antropométricas para realizar a avaliação nutricional dos escolares, que foram classificadas da mesma forma: eutrofia, baixo peso, sobrepeso e obesidade. A maioria dos escolares foram classificadas como eutróficas, em todas as avaliações, não havendo diferença significativamente estatística entre os sexos. Entretanto, quando analisamos os resultados que se referem a obesidade, encontramos as meninas, em média, com o dobro de percentual, quando comparadas aos meninos. Pode haver relação quanto ao consumo de guloseimas e alimentos gordurosos, pois na média geral, os meninos consomem com menor frequência esses alimentos, quando comparados às meninas. A alimentação escolar apresentou maior adesão dos meninos, quando comparados às meninas. Ressaltamos que os alimentos adquiridos pela escola não incluem guloseimas e frituras, incluem frutas, verduras, cereais, leguminosas, produtos lácteos, entre outros. A grande maioria, em ambos os sexos declarou realizar atividade física no mínimo 3 vezes por semana. A prática de atividade física e baixo consumo de doces e alimentos gordurosos são preconizados para garantir uma alimentação saudável. CONCLUSÕES: os alunos analisados nessa amostra, mostraram em média um perfil de cerca de 14,78 % com sobrepeso e 9,09% de obesidade. Alguns fatores mostraram-se relacionados, tais como consumo alimentar e atividade física. Torna-se importante incentivar a prática de atividade física e mudança de perfil alimentar para que as crianças classificadas com sobrepeso não migrem para a faixa de obesidade. Estudos referem que o incentivo à alimentação saudável e prática de atividade física mostram resultados benéficos na redução dos números de sobrepeso e obesidade, proporcionando maior longevidade e qualidade de vida para a população. É sabido que essa população é diferenciada, tendo em vista que praticam atividade física, já que participam de uma competição esportiva. Análise de dados de coleta de outra população, diretamente das escolas, sem o vínculo da prática esportiva, pode mostrar números diferentes da classificação nutricional, tendo em vista que a prática de atividade influencia no estado nutricional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 CANO, M.A.T.; et al. Estudo do estado nutricional de crianças na idade escolar na cidade de Franca-SP: uma introdução ao problema. Revista eletrônica de Enfermagem. V. 07, n. 02, p. 179-184, 2005. 2 PEGOLO, G.E.; SILVA, M. V. Estado nutricional de escolares da rede pública de ensino de Piedade, SP. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, 15(1):76-85, 2008. 3 MELLO, E. D. O que significa a avaliação do estado nutricional. Jornal de Pediatria. Vol. 78, N.5, 2002. 4 Guia alimentar para a população brasileira : promovendo a alimentação saudável / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.