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UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU
FACULDADE DE LACCE – LETRAS, ARTES, COMUNICAÇÃO E CIÊNCIAS DA
EDUCAÇÃO
RELAÇÃO ENTRE FILOSOFIA E DEMOCRACIA
AUTOR
LEANDRO YOSHIO KADOTA (201207614)
SÃO PAULO
2012
1. INTRODUÇÃO
O estudo do liberalismo clássico é ponto de partida para podermos entender
como funciona nossa atual forma de governo, tanto no âmbito político quanto no
econômico. Além desse ponto, o estudo da filosofia liberal nos permite identificar a
origem de nossas estruturas sociais e o momento histórico em que vivemos.
Para estudarmos o liberalismo, procuramos identificar como esse conjunto de
ideias se estruturou à luz da filosofia e do seu momento histórico. Inicialmente é
importante entender a base, a origem da palavra Política e o que ela representou em
principio. Só então passamos ao estudo das ideias iluministas.
Desejamos uma boa leitura.
2 O NASCIMENTO DA POLÍTICA
2.1 A Gênese Helênica
Política é uma palavra de etimologia grega – Ta politika, vinda de pólis – e
significa a arte ou ciência de governar (Dicionário Houaiss). Na Grécia Antiga, ta
politika designava os negócios públicos dirigidos pelos polítikós, cidadãos gregos
que tratavam dos costumes, leis, administração dos serviços públicos e das
atividades econômicas da cidade.
Outra civilização da Antiguidade Clássica que organizou sua sociedade ao
redor da prática política foi a romana. Para os romanos, ta politika grega ganhou um
correspondente latino: Res publica, que significa coisa pública, ou seja, os negócios
públicos dirigidos pelos patrícios ou cidadãos livres, os chamados populus romanus.
A política, não foi criada para defender a idealização de uma sociedade sem
classes, justa e feliz; mas para oferecer soluções aos conflitos e contradições,
negando a resignação à vontade dos deuses e buscando, por conseguinte, a
racionalização na adequação às mudanças constantes.
2.2 A Filosofia e a Política
No século V A.C, os sofistas atenienses utilizavam a retórica e a eloquência
para construir discursos persuasivos, a fim de alcançar o poder pela atração de
votos e aprovação de leis. Além de utilizar esta arte para a consecução de
interesses próprios, também ensinavam a quem aspirava aos cargos públicos,
serviço este remunerado. No entanto, manipulavam teses de acordo com seus
objetivos, o que tornava os cidadãos vulneráveis aos seus textos demagógicos.
Sócrates, diferentemente dos sofistas, defendia uma filosofia compromissada
com a verdade e a reflexão, qualidades que orientam o indivíduo a buscar o
autoconhecimento. O pensamento racional, proposto por este filósofo, aprimora a
sociedade como um todo, promovendo a instalação de um regime democrático que
discute suas ideias em detrimento da aceitação sistemática. Logo, a filosofia não
surge através de teses puras, mas evolui por meio do debate racional. Dessa
forma, constata-se que política e filosofia nasceram no mesmo berço, muitos dos
primeiros filósofos, chamados pré-socráticos, foram administradores e legisladores
em suas pólis. No decorrer da história, a filosofia sempre influenciou a política,
elaborando teorias coerentes com a finalidade de suprir as necessidades criadas
pelas mudanças sociais.
3 O LIBERALISMO
3.1 A Teoria Liberal e a Queda do Antigo Regime
Desde o século XVI até a consolidação do liberalismo, em 1789 com a
Revolução Francesa, os monarcas mantiveram sua soberania apoiados na teoria do
direito divino, pela qual os reis eram escolhidos por Deus para governar na Terra.
Dessa forma, a autoridade real tornou-se a fonte suprema dos poderes do Estado;
em nome do soberano, o poder era exercido pelos diversos membros da nobreza:
nas finanças, na elaboração das leis, nos tribunais de justiça, no exército, etc.
Com a eclosão das Revoluções Liberais, no século XVIII, os burgueses,
esclarecidos sob o prisma do pensamento iluminista, tomaram consciência de que
estavam à frente do Terceiro Estado – formado por aqueles que não pertenciam à
nobreza ou ao clero - e, como detinham a força de transformação naquele momento,
pois geravam a riqueza que sustentava a aristocracia parasitária, passaram a
reivindicar maior participação política e liberdade econômica.
A Era das Revoluções, nome dado pelo historiador Eric J. Hobsbawm ao
período compreendido entre os anos de 1789 e 1848, assistiu à substituição das
bases absolutistas pelas fundações da economia liberal, consequência da
consolidação da Revolução Industrial e concretização do sistema capitalista.
As propostas liberais, juntamente com as revoluções burguesas, exaltaram a
liberdade do homem e implicaram a separação entre público (política) e
privado (atividades particulares/econômicas); além da criação de assembleias
representativas; estas, cada vez mais fortalecidas pelos estratos aos quais dava voz
ativa nas decisões políticas.
3.2 A Filosofia Iluminista e o ideal liberal
A filosofia iluminista, centrada no ideal de liberdade, visava a reformar as
instituições políticas, sociais e econômicas para levar a sociedade humana à
felicidade. O filósofo francês Montesquieu propôs a descentralização política em três
instâncias independentes e equilibradas: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Jonh Locke, um dos teóricos da corrente filosófica liberal, afirmou que a
propriedade privada teria origem divina, uma vez que Deus expulsou Adão e Eva do
paraíso e condicionou a sobrevivência à prática do trabalho. Convenientemente,
questionou a teoria do direito divino, pregando que uma vida virtuosa bastaria para
cumprir os desígnios celestiais.
Os iluministas preconizavam que o governo deveria ser exercido por aqueles
que usavam o pensamento racional aliado ao conhecimento. Afirmavam que os
homens possuem direitos naturais e que as relações sociais deveriam ser reguladas
por normas de caráter idêntico.
Uma das principais contribuições que a filosofia iluminista legou à democracia
se deu na reflexão a respeito da igualdade que todos os membros do corpo social
devem ter perante a lei. Por se tratar de um direito natural dos homens, já que todos
nascem livres e iguais entre si, a lei não deveria privilegiar alguns em detrimento de
outros. Além disso, Jean-Jaques Rousseau discute em Contrato Social
Além dessa igualdade entre os homens, uma segunda ideia propõe o bem
comum, que é a organização social baseada na garantia da propriedade e na
liberdade do indivíduo que busca por seus interesses.
4. CONCLUSÃO
Frente ao exposto no desenvolvimento, nota-se que o liberalismo foi o divisor
de águas do século XVIII. A classe burguesa, iluminada pela Ilustração, desenvolveu
senso crítico e entendeu sua importância política frente a monarquia e a aristocracia.
Dessa forma, a política liberal respaldou com maestria os anseios dessa classe
ascendente e marcou o ponto de partida para o surgimento de uma nova sociedade
econômica: a sociedade capitalista.
Entretanto, o modelo econômico e social capitalista não encontrava bases
para se instituir no Antigo Regime. Para que isso acontecesse era necessária a
libertação dos indivíduos dos laços religiosos, a implementação de um Estado que
interferisse minimamente nas leis naturais de oferta e procura e, principalmente,
protegesse a propriedade privada por leis.
A teoria clássica liberal ainda ecoa nos dias contemporâneos, não puramente
como outrora, mas de forma modificada. O Neoliberalismo, inaugurado pelo
economista e filósofo inglês John Maynard Keynes (1883-1946), rechaça a ideia do
laissez-feire (livre funcionamento do mercado) liberal e institui o chamado Welfare
State, ou Estado de bem estar social, definido como estado administrativo, que
assegure a eficácia dos direitos sociais, oferecendo de forma efetiva e democrática
serviços como previdência, educação e saúde.
Dessa forma observamos que, tanto para o Liberalismo quanto para o
Neoliberalismo, a filosofia teve importância na criação das teorias que validaram,
instituíram e modificaram o capitalismo e a forma de democracia, inicialmente com
as ideias de Thomas Hobbes, depois com as teorias lockianas sobre propriedade
privada, Estado de natureza e, finalmente, com as ideias de Keynes. Ademais, a
filosofia mostra-se um importante instrumento dentro da pratica política democrática,
seja pelos filósofos clássicos ou pelos iluministas, pois ela preza pelo poder que
emana do povo.
5. REFERÊNCIAS
Jobson de A. Arruda, José; Alves da Silva, Francisco; De Moura
Ramos, Ciro; Turin, Eva. Curso e Colégio Objetivo - História Geral. São Paulo:
Editora CERED, Ano N/C.

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Relação entre filosofia e democracia

  • 1. UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU FACULDADE DE LACCE – LETRAS, ARTES, COMUNICAÇÃO E CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO RELAÇÃO ENTRE FILOSOFIA E DEMOCRACIA AUTOR LEANDRO YOSHIO KADOTA (201207614) SÃO PAULO 2012
  • 2. 1. INTRODUÇÃO O estudo do liberalismo clássico é ponto de partida para podermos entender como funciona nossa atual forma de governo, tanto no âmbito político quanto no econômico. Além desse ponto, o estudo da filosofia liberal nos permite identificar a origem de nossas estruturas sociais e o momento histórico em que vivemos. Para estudarmos o liberalismo, procuramos identificar como esse conjunto de ideias se estruturou à luz da filosofia e do seu momento histórico. Inicialmente é importante entender a base, a origem da palavra Política e o que ela representou em principio. Só então passamos ao estudo das ideias iluministas. Desejamos uma boa leitura.
  • 3. 2 O NASCIMENTO DA POLÍTICA 2.1 A Gênese Helênica Política é uma palavra de etimologia grega – Ta politika, vinda de pólis – e significa a arte ou ciência de governar (Dicionário Houaiss). Na Grécia Antiga, ta politika designava os negócios públicos dirigidos pelos polítikós, cidadãos gregos que tratavam dos costumes, leis, administração dos serviços públicos e das atividades econômicas da cidade. Outra civilização da Antiguidade Clássica que organizou sua sociedade ao redor da prática política foi a romana. Para os romanos, ta politika grega ganhou um correspondente latino: Res publica, que significa coisa pública, ou seja, os negócios públicos dirigidos pelos patrícios ou cidadãos livres, os chamados populus romanus. A política, não foi criada para defender a idealização de uma sociedade sem classes, justa e feliz; mas para oferecer soluções aos conflitos e contradições, negando a resignação à vontade dos deuses e buscando, por conseguinte, a racionalização na adequação às mudanças constantes. 2.2 A Filosofia e a Política No século V A.C, os sofistas atenienses utilizavam a retórica e a eloquência para construir discursos persuasivos, a fim de alcançar o poder pela atração de votos e aprovação de leis. Além de utilizar esta arte para a consecução de interesses próprios, também ensinavam a quem aspirava aos cargos públicos, serviço este remunerado. No entanto, manipulavam teses de acordo com seus objetivos, o que tornava os cidadãos vulneráveis aos seus textos demagógicos. Sócrates, diferentemente dos sofistas, defendia uma filosofia compromissada com a verdade e a reflexão, qualidades que orientam o indivíduo a buscar o autoconhecimento. O pensamento racional, proposto por este filósofo, aprimora a sociedade como um todo, promovendo a instalação de um regime democrático que discute suas ideias em detrimento da aceitação sistemática. Logo, a filosofia não surge através de teses puras, mas evolui por meio do debate racional. Dessa forma, constata-se que política e filosofia nasceram no mesmo berço, muitos dos
  • 4. primeiros filósofos, chamados pré-socráticos, foram administradores e legisladores em suas pólis. No decorrer da história, a filosofia sempre influenciou a política, elaborando teorias coerentes com a finalidade de suprir as necessidades criadas pelas mudanças sociais.
  • 5. 3 O LIBERALISMO 3.1 A Teoria Liberal e a Queda do Antigo Regime Desde o século XVI até a consolidação do liberalismo, em 1789 com a Revolução Francesa, os monarcas mantiveram sua soberania apoiados na teoria do direito divino, pela qual os reis eram escolhidos por Deus para governar na Terra. Dessa forma, a autoridade real tornou-se a fonte suprema dos poderes do Estado; em nome do soberano, o poder era exercido pelos diversos membros da nobreza: nas finanças, na elaboração das leis, nos tribunais de justiça, no exército, etc. Com a eclosão das Revoluções Liberais, no século XVIII, os burgueses, esclarecidos sob o prisma do pensamento iluminista, tomaram consciência de que estavam à frente do Terceiro Estado – formado por aqueles que não pertenciam à nobreza ou ao clero - e, como detinham a força de transformação naquele momento, pois geravam a riqueza que sustentava a aristocracia parasitária, passaram a reivindicar maior participação política e liberdade econômica. A Era das Revoluções, nome dado pelo historiador Eric J. Hobsbawm ao período compreendido entre os anos de 1789 e 1848, assistiu à substituição das bases absolutistas pelas fundações da economia liberal, consequência da consolidação da Revolução Industrial e concretização do sistema capitalista. As propostas liberais, juntamente com as revoluções burguesas, exaltaram a liberdade do homem e implicaram a separação entre público (política) e privado (atividades particulares/econômicas); além da criação de assembleias representativas; estas, cada vez mais fortalecidas pelos estratos aos quais dava voz ativa nas decisões políticas. 3.2 A Filosofia Iluminista e o ideal liberal A filosofia iluminista, centrada no ideal de liberdade, visava a reformar as instituições políticas, sociais e econômicas para levar a sociedade humana à
  • 6. felicidade. O filósofo francês Montesquieu propôs a descentralização política em três instâncias independentes e equilibradas: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Jonh Locke, um dos teóricos da corrente filosófica liberal, afirmou que a propriedade privada teria origem divina, uma vez que Deus expulsou Adão e Eva do paraíso e condicionou a sobrevivência à prática do trabalho. Convenientemente, questionou a teoria do direito divino, pregando que uma vida virtuosa bastaria para cumprir os desígnios celestiais. Os iluministas preconizavam que o governo deveria ser exercido por aqueles que usavam o pensamento racional aliado ao conhecimento. Afirmavam que os homens possuem direitos naturais e que as relações sociais deveriam ser reguladas por normas de caráter idêntico. Uma das principais contribuições que a filosofia iluminista legou à democracia se deu na reflexão a respeito da igualdade que todos os membros do corpo social devem ter perante a lei. Por se tratar de um direito natural dos homens, já que todos nascem livres e iguais entre si, a lei não deveria privilegiar alguns em detrimento de outros. Além disso, Jean-Jaques Rousseau discute em Contrato Social Além dessa igualdade entre os homens, uma segunda ideia propõe o bem comum, que é a organização social baseada na garantia da propriedade e na liberdade do indivíduo que busca por seus interesses.
  • 7. 4. CONCLUSÃO Frente ao exposto no desenvolvimento, nota-se que o liberalismo foi o divisor de águas do século XVIII. A classe burguesa, iluminada pela Ilustração, desenvolveu senso crítico e entendeu sua importância política frente a monarquia e a aristocracia. Dessa forma, a política liberal respaldou com maestria os anseios dessa classe ascendente e marcou o ponto de partida para o surgimento de uma nova sociedade econômica: a sociedade capitalista. Entretanto, o modelo econômico e social capitalista não encontrava bases para se instituir no Antigo Regime. Para que isso acontecesse era necessária a libertação dos indivíduos dos laços religiosos, a implementação de um Estado que interferisse minimamente nas leis naturais de oferta e procura e, principalmente, protegesse a propriedade privada por leis. A teoria clássica liberal ainda ecoa nos dias contemporâneos, não puramente como outrora, mas de forma modificada. O Neoliberalismo, inaugurado pelo economista e filósofo inglês John Maynard Keynes (1883-1946), rechaça a ideia do laissez-feire (livre funcionamento do mercado) liberal e institui o chamado Welfare State, ou Estado de bem estar social, definido como estado administrativo, que assegure a eficácia dos direitos sociais, oferecendo de forma efetiva e democrática serviços como previdência, educação e saúde. Dessa forma observamos que, tanto para o Liberalismo quanto para o Neoliberalismo, a filosofia teve importância na criação das teorias que validaram, instituíram e modificaram o capitalismo e a forma de democracia, inicialmente com as ideias de Thomas Hobbes, depois com as teorias lockianas sobre propriedade privada, Estado de natureza e, finalmente, com as ideias de Keynes. Ademais, a filosofia mostra-se um importante instrumento dentro da pratica política democrática, seja pelos filósofos clássicos ou pelos iluministas, pois ela preza pelo poder que emana do povo.
  • 8. 5. REFERÊNCIAS Jobson de A. Arruda, José; Alves da Silva, Francisco; De Moura Ramos, Ciro; Turin, Eva. Curso e Colégio Objetivo - História Geral. São Paulo: Editora CERED, Ano N/C.