Inês Severino nº 8
      12ºA
Watson e os
seus       investigadores
consideram os estados
de    consciência     como
realidades     individuais,
privadas,     subjectivas,
interessando, por isso,
apenas o sujeito. Cabe à
psicologia   estudar     o
comportamento, isto é, o
conjunto de respostas
que    um    corpo,     um
organismo dá a um
conjunto de estímulos.

         Só             o
comportamento     e     a
situação que lhe deu
origem                são
objectivamente
observáveis,        logo,
passíveis    de   serem
quantificados e medidos.
O      domínio     do
behaviorismo não impede o
aparecimento de uma concepção
alternativa – a psicanálise.
Freud procede a uma ruptura
com o que se considerava dever
ser a psicologia: coloca os
conflitos internos da mente no
centro das suas reflexões. Na
busca da fonte dos conflitos,
Freud afirma a existência do
inconsciente. E é em termos de
conflitos intrapsíquicos que a
psicanálise    reequaciona   o
estudo dos seres humanos.
         Para a psicanálise, a
abordagem do psiquismo em
termos      de    mente,    de
consciência, é superficial. Os
aspectos decisivos da vida
psíquica humana acontecem no
inconsciente.
O desenvolvimento da cibernética e da informática não
tiveram só efeito na organização social e na vida das pessoas:
afectam o modo como a psicologia organizou as suas reflexões e
investigações.
         Começa, então, a vigorar a ideia de que o que fazemos e o
modo como reagimos envolve um conjunto de processos complexos
que não são observáveis.
         O modo de recolher, processar e transformar a
informação, é próximo de funcionamento dos computadores: o
cérebro corresponderia ao hardware e os processos mentais ao
software.
A comparação entre a
maneira de funcionar da mente e a
forma     de    funcionamento    dos
computadores conduziu ao modelo
de mente computacional, modelo
que marcou as investigações e
estudos em várias áreas da
psicologia. Algumas dessas áreas são
a percepção, a cognição, a memória,
aprendizagem,      inteligência.   A
revolução cognitivista tem como
objecto de estudo os processos
cognitivos     que     orientam    o
comportamento.
         Foi-se tornando evidente
que a representação da mente
humana como uma máquina de
processamento de informação não é
uma modelo adequado. No entanto, é
inegável que esta perspectiva abriu
possibilidades interessantes que
foram     sendo     articuladas  em
compreensões alternativas.
Jerome Bruner foi um dos impulsionadores da corrente
cognitivista. Contudo, considerou que o modelo computacional era
limitativo e redutor, não reflectindo a complexidade e plasticidade da
mente humana. O pensamento não segue os caminhos do computador: o
desenvolvimento da mente está ligado à construção de significados
pelos seres humanos na sua relação com o meio. Estes significados
nada têm a ver com o modo informático de processamento da
informação: neste processo a mente é criativa, produz sentido, é
pessoal e subjectiva. Mas ao mesmo tempo é partilhada com os outros
que fazem parte do seu contexto social.
A pertença a um dado grupo social marca a forma de uma pessoa
pensar e de se comportar e por isso não podemos compreender os processos
cognitivos sem termos em conta o factor cultural. Por       exemplo,     o
comportamento “baixar os olhos” tem significados diferentes em diferentes
contextos culturais.
         Os significados são construções produzidas para explicar como é
que os seres humanos funcionam e como se relacionam uns com os outros, por
que razão se comportam de determinada maneira, como encaram os
problemas, etc. O privilegiar a questão do significado e da sua construção
enriqueceu a mente, a visão da mente permitindo uma valorização cada vez
maior do lado activo do sujeito e do seu funcionamento mental.
Estes     conteúdos,     estas
explicações, são adquiridos no
processo de socialização numa dada
sociedade,      numa      determinada
cultura. Variam de sociedade para
sociedade     pois    dependem      das
práticas sociais e das instituições.
         Para compreender a mente
não     basta       compreender       o
funcionamento cerebral. O estudo da
mente implica um conjunto de
factores     que     se     influenciam
mutuamente. Bruner considera que a
psicologia deve ter sempre em conta
as dimensões biológica e cultural e o
modo      como     interagem       numa
determinada situação, daí afirmar
que, em psicologia, os métodos devam
ser biossociossituacionais.
1- A corrente cognitivista apresenta como objecto de estudo:
       A- o inocente e as pulsões.
       B- a mente e os processos cognitivos.
       C- a consciência e os estudos mentais.
       D- o comportamento objectivamente observável.

2- O modelo computacional da mente encara-a como:
       A- uma máquina que processa a informação.
       B- uma máquina que explora o inconsciente.
       C- um complexo sistema de comportamentos.
       D- um reflexo do sistema social e cultural.

3- Bruner rompe com o cognitivismo porque defende que a
mente:
       A- processa a informação como um computador.
       B- é criativa pessoal e subjectiva.
       C- se organiza a partir do inconsciente.
       D- só pode ser estudada a partir do comportamento.
4- Para Bruner a pertença a um grupo social influencia a
forma de o sujeito pensar e de se comportar. Esta
afirmação é:

         A- falsa, porque a mente é autónoma relativamente
aos constrangimentos sociais.
         B- verdadeira, porque no processo de socialização o
sujeito integra modos de ser e pensar de uma cultura.
         C- falsa, porque é o património genético que define o
modo como reflectir e agir.
         D- verdadeira, porque os grupos sociais definem o
pensamento do sujeito de forma compulsiva.



                                                Soluções:

                                                1. B    2. A
                                                3. B    4. B
As diferentes narrativas têm origem
nas dinâmicas sociais de uma determinada
população, e manifestam-se de várias formas:
relatos do quotidiano, romances, notícias, filmes,
mitos, histórias, familiares, contos populares,
acontecimentos históricos, etc.
         Bruner considera a narrativa como o
elemento de ligação entre o nosso “eu” e o mundo
social, como a “moeda comum”, o que sugere que
têm a mesma origem.
Quando procuramos definir-nos enquanto
pessoas únicas, reportamo-nos ao nosso património
genético, à cultura onde estamos inseridos, aos
diferentes contextos a que pertencemos ou a que
estamos ligados. Esta história pessoal constitui uma
narrativa na qual somos a personagem principal.
         Reconhecemo-nos e somos reconhecidos na
unidade do que designamos por “eu” constituído pela
síntese das componentes orgânica, intelectual,
afectiva, ética, e muitas outras.
As nossas experiências de vida, as nossas acções
transformam-se em narrativas onde nos vamos posicionando.
         Nas nossas narrativas entrelaçam-se significados pessoais
(reflectindo o sujeito que as narra) e significados socioculturais
(reflectindo o que o grupo social partilha). Bruner considera que os
psicólogos devem ouvir as narrativas das pessoas: o que contam
acerca do que fazem, do que os outros fazem, das razões que os
levam a actuar de determinada maneira, dos interesses e desejos que
têm… Esta é a forma de conhecer a mente.
         A dimensão da história pessoal é o lugar onde construímos
sequências com sentido para as experiências que temos. As narrativas
ajudam-nos a captar as suas personagens e respectivas identidades,
as suas acções.
Estas identidades não são
fixadas pelas mesmas narrativas. As
narrativas possuem sempre um certo
espaço para a negociação e criação
de      alternativas,      para      a
transformação das histórias, assim
como das identidades, das suas
personagens.      Uma            outra
contribuição da consideração das
narrativas para a compreensão dos
processos     de    construção     das
identidades é que as coloca numa
permanente negociação entre as
pessoas, liga as identidades ao mundo
e permite compreender a forma como
são sempre mudança e coerência. As
narrativas ganham coerência e
continuidade ao tornarem-se parte
de uma forma de ser pessoal, da
identidade com que nos vemos a nós,
aos outros e ao mundo, como
conhecemos e agimos, o que sentimos,
etc.
Chamam a nossa atenção,
finalmente, para como nos tornamos
quem somos, numa permanente
negociação entre significados e
posicionamentos,     possíveis   e
presentes,        pessoais       e
socioculturais.
         A arte, a ciência, assim
como as identidades das pessoas
dependem sempre da capacidade
humana de construir e reconstruir
significado no mundo, de organizar
as experiências e as acções de uma
forma integrada e com sentido.
1. Para Bruner, a mente é:

  A- reflexo dos acontecimentos vividos.
  B- produto de processos genéticos complexos.
  C- construtora de sentido e dos significados.
  D- produto da acção do cérebro.




                                          Soluções:

                                          1. C

Psi2 - Inês

  • 1.
  • 3.
    Watson e os seus investigadores consideram os estados de consciência como realidades individuais, privadas, subjectivas, interessando, por isso, apenas o sujeito. Cabe à psicologia estudar o comportamento, isto é, o conjunto de respostas que um corpo, um organismo dá a um conjunto de estímulos. Só o comportamento e a situação que lhe deu origem são objectivamente observáveis, logo, passíveis de serem quantificados e medidos.
  • 4.
    O domínio do behaviorismo não impede o aparecimento de uma concepção alternativa – a psicanálise. Freud procede a uma ruptura com o que se considerava dever ser a psicologia: coloca os conflitos internos da mente no centro das suas reflexões. Na busca da fonte dos conflitos, Freud afirma a existência do inconsciente. E é em termos de conflitos intrapsíquicos que a psicanálise reequaciona o estudo dos seres humanos. Para a psicanálise, a abordagem do psiquismo em termos de mente, de consciência, é superficial. Os aspectos decisivos da vida psíquica humana acontecem no inconsciente.
  • 5.
    O desenvolvimento dacibernética e da informática não tiveram só efeito na organização social e na vida das pessoas: afectam o modo como a psicologia organizou as suas reflexões e investigações. Começa, então, a vigorar a ideia de que o que fazemos e o modo como reagimos envolve um conjunto de processos complexos que não são observáveis. O modo de recolher, processar e transformar a informação, é próximo de funcionamento dos computadores: o cérebro corresponderia ao hardware e os processos mentais ao software.
  • 6.
    A comparação entrea maneira de funcionar da mente e a forma de funcionamento dos computadores conduziu ao modelo de mente computacional, modelo que marcou as investigações e estudos em várias áreas da psicologia. Algumas dessas áreas são a percepção, a cognição, a memória, aprendizagem, inteligência. A revolução cognitivista tem como objecto de estudo os processos cognitivos que orientam o comportamento. Foi-se tornando evidente que a representação da mente humana como uma máquina de processamento de informação não é uma modelo adequado. No entanto, é inegável que esta perspectiva abriu possibilidades interessantes que foram sendo articuladas em compreensões alternativas.
  • 7.
    Jerome Bruner foium dos impulsionadores da corrente cognitivista. Contudo, considerou que o modelo computacional era limitativo e redutor, não reflectindo a complexidade e plasticidade da mente humana. O pensamento não segue os caminhos do computador: o desenvolvimento da mente está ligado à construção de significados pelos seres humanos na sua relação com o meio. Estes significados nada têm a ver com o modo informático de processamento da informação: neste processo a mente é criativa, produz sentido, é pessoal e subjectiva. Mas ao mesmo tempo é partilhada com os outros que fazem parte do seu contexto social.
  • 8.
    A pertença aum dado grupo social marca a forma de uma pessoa pensar e de se comportar e por isso não podemos compreender os processos cognitivos sem termos em conta o factor cultural. Por exemplo, o comportamento “baixar os olhos” tem significados diferentes em diferentes contextos culturais. Os significados são construções produzidas para explicar como é que os seres humanos funcionam e como se relacionam uns com os outros, por que razão se comportam de determinada maneira, como encaram os problemas, etc. O privilegiar a questão do significado e da sua construção enriqueceu a mente, a visão da mente permitindo uma valorização cada vez maior do lado activo do sujeito e do seu funcionamento mental.
  • 9.
    Estes conteúdos, estas explicações, são adquiridos no processo de socialização numa dada sociedade, numa determinada cultura. Variam de sociedade para sociedade pois dependem das práticas sociais e das instituições. Para compreender a mente não basta compreender o funcionamento cerebral. O estudo da mente implica um conjunto de factores que se influenciam mutuamente. Bruner considera que a psicologia deve ter sempre em conta as dimensões biológica e cultural e o modo como interagem numa determinada situação, daí afirmar que, em psicologia, os métodos devam ser biossociossituacionais.
  • 10.
    1- A correntecognitivista apresenta como objecto de estudo: A- o inocente e as pulsões. B- a mente e os processos cognitivos. C- a consciência e os estudos mentais. D- o comportamento objectivamente observável. 2- O modelo computacional da mente encara-a como: A- uma máquina que processa a informação. B- uma máquina que explora o inconsciente. C- um complexo sistema de comportamentos. D- um reflexo do sistema social e cultural. 3- Bruner rompe com o cognitivismo porque defende que a mente: A- processa a informação como um computador. B- é criativa pessoal e subjectiva. C- se organiza a partir do inconsciente. D- só pode ser estudada a partir do comportamento.
  • 11.
    4- Para Brunera pertença a um grupo social influencia a forma de o sujeito pensar e de se comportar. Esta afirmação é: A- falsa, porque a mente é autónoma relativamente aos constrangimentos sociais. B- verdadeira, porque no processo de socialização o sujeito integra modos de ser e pensar de uma cultura. C- falsa, porque é o património genético que define o modo como reflectir e agir. D- verdadeira, porque os grupos sociais definem o pensamento do sujeito de forma compulsiva. Soluções: 1. B 2. A 3. B 4. B
  • 12.
    As diferentes narrativastêm origem nas dinâmicas sociais de uma determinada população, e manifestam-se de várias formas: relatos do quotidiano, romances, notícias, filmes, mitos, histórias, familiares, contos populares, acontecimentos históricos, etc. Bruner considera a narrativa como o elemento de ligação entre o nosso “eu” e o mundo social, como a “moeda comum”, o que sugere que têm a mesma origem.
  • 13.
    Quando procuramos definir-nosenquanto pessoas únicas, reportamo-nos ao nosso património genético, à cultura onde estamos inseridos, aos diferentes contextos a que pertencemos ou a que estamos ligados. Esta história pessoal constitui uma narrativa na qual somos a personagem principal. Reconhecemo-nos e somos reconhecidos na unidade do que designamos por “eu” constituído pela síntese das componentes orgânica, intelectual, afectiva, ética, e muitas outras.
  • 14.
    As nossas experiênciasde vida, as nossas acções transformam-se em narrativas onde nos vamos posicionando. Nas nossas narrativas entrelaçam-se significados pessoais (reflectindo o sujeito que as narra) e significados socioculturais (reflectindo o que o grupo social partilha). Bruner considera que os psicólogos devem ouvir as narrativas das pessoas: o que contam acerca do que fazem, do que os outros fazem, das razões que os levam a actuar de determinada maneira, dos interesses e desejos que têm… Esta é a forma de conhecer a mente. A dimensão da história pessoal é o lugar onde construímos sequências com sentido para as experiências que temos. As narrativas ajudam-nos a captar as suas personagens e respectivas identidades, as suas acções.
  • 15.
    Estas identidades nãosão fixadas pelas mesmas narrativas. As narrativas possuem sempre um certo espaço para a negociação e criação de alternativas, para a transformação das histórias, assim como das identidades, das suas personagens. Uma outra contribuição da consideração das narrativas para a compreensão dos processos de construção das identidades é que as coloca numa permanente negociação entre as pessoas, liga as identidades ao mundo e permite compreender a forma como são sempre mudança e coerência. As narrativas ganham coerência e continuidade ao tornarem-se parte de uma forma de ser pessoal, da identidade com que nos vemos a nós, aos outros e ao mundo, como conhecemos e agimos, o que sentimos, etc.
  • 16.
    Chamam a nossaatenção, finalmente, para como nos tornamos quem somos, numa permanente negociação entre significados e posicionamentos, possíveis e presentes, pessoais e socioculturais. A arte, a ciência, assim como as identidades das pessoas dependem sempre da capacidade humana de construir e reconstruir significado no mundo, de organizar as experiências e as acções de uma forma integrada e com sentido.
  • 17.
    1. Para Bruner,a mente é: A- reflexo dos acontecimentos vividos. B- produto de processos genéticos complexos. C- construtora de sentido e dos significados. D- produto da acção do cérebro. Soluções: 1. C