Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
               Instituto de Agronomia
               Departamento de Solos
 Disciplina de Aptidão Agrícola e Manejo dos Solos




Introdução ao Mapeamento Digital
             do Solo

             Alessandro Samuel-Rosa

          Seropédica, novembro de 2012
Conteúdo
●   Mapeamento clássico
    –   Conceitos
    –   Dificuldades
    –   Resultados obtidos
●   Mapeamento digital
    –   Conceitos
    –   Exemplos/produtos
    –   Passos
    –   Conhecimento necessário
Mapeamento clássico - Conceitos
●   Determinístico → Relação Solo-Paisagem
●   Área Mínima Mapeável → Escala
●   Categórico → Polígonos
●   Analógico → Estética
●   Conhecimento Tácito → Modelos Mentais
Pedólogo A
             MODELO

             CLORPT




             Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
Pedólogo B
             MODELO

             CLORPT




             Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
Pedólogo C
             MODELO

             CLORPT




             Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
Pedólogo D
             MODELO

             CLORPT




             Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
Mapeamento pedológico clássico




                                                    MODELO
                                                    CLORPT:
                                                  Como explicar
                                                essas diferenças?


Sobreposição da interpretação de uma fotografia aérea feita por 20 pares de
observadores trabalhando separadamente. Fonte: Jean Paul Legros (2006).
“Cada cabeça, uma sentença!”
                  Relação solo-paisagem
                  no Rebordo do Planalto
                  da Bacia do Paraná




                          Fonte: Samuel-Rosa (2009)
“Cada cabeça, uma sentença!”
                  Relação solo-paisagem
                  no região de Santa Fé,
                  Argentina




                          Fonte: Samuel-Rosa (2010)
“Cada cabeça, uma sentença!”
                  Relação solo-paisagem
                  na Cordilheira dos
                  Andes




                         Fonte: Samuel-Rosa (2010)
“Cada cabeça, uma sentença!”
                  Relação solo-paisagem
                  na ilha de Maui, Hawai'i




                          Fonte: Samuel-Rosa (2003)
Mapeamento clássico vs. Mapeamento digital




                                  Fonte: César Chagas (2006)
Mapeamento digital - Conceitos
    CLÁSSICO                    DIGITAL
●   Determinístico →        ●   Determinístico + Aleatório
    Relação Solo-Paisagem       + Incerteza
●   AMM → Escala            ●   Pixel → Resolução
●   Categórico → Polígono   ●   Contínuo → Grid
●   Analógico → Estética    ●   Digital → Funcionalidade
●   Conhecimento Tácito     ●   Conhecimento Formal →
    → Modelo Mental             Modelo Estatístico
Mas o que é o mapeamento digital?
     O MDS é definido como a criação e população de
     sistemas de informação pedológica espacial
     através do uso de métodos observacionais de
     campo e laboratório, acoplados a sistemas de
     inferência pedológica espacial e não-espacial
     (Lagacherie e McBratney, 2006).

                                  Conceitos chave: sistemas de
                              informação, métodos observacionais
                                    e sistemas de inferência!



Fonte: Regina Guedes (2010)
Sistema de informação
         Sistema que abrange pessoas, máquinas,
         e/ou métodos organizados para coletar,
         processar, transmitir e disseminar dados que
         representam informação para o usuário e/ou
         cliente (Wikipedia, 2012).



                                        Apenas uma mapa
                                             impresso
                                       não é mais suficiente!


Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
Sistema de informação pedológica




Fonte: Hengl (2011), Apple (2012),
Samuel-Rosa (2012).
Métodos observacionais




Fonte: Samuel-Rosa (2006-2012); Hengl (2011).
Sistemas de inferência
●   Sistemas...
●   Pedometria: aplicação de métodos matemáticos
    e estatísticos para o estudo da distribuição e
    gênese do solo (Heuvelink, 2003):
    –   Métodos matemáticos e estatísticos (quantitativo);
    –   Gênese do solo (relação solo-paisagem);
    –   Distribuição do solo (espaço, tempo e atributos).



                 MODELO SCORPAN
Solo = f(s, c, o, r, p, a, n)
●   s = informação prévia do solo
●   c = clima
●   o = organismos
●   r = relevo
●   p = material de origem (parent material)
●   a = tempo (age)
●   n = localização espacial
Modelo universal de variação do solo

          Z(s) = Z*(s) + ε'(s) + ε''


                   Parte determinís-   Parte estocásti-
Valor predito da                                                Ruído do modelo
                    tica do modelo   ca do modelo pre-
variável pedoló-                                                preditivo. Parte da
                    preditivo. Parte ditivo. Parte da va-
gica (classe ou                                                 variação que não
                   da variação que riação que mostra
 atributo), além                                                 pode ser predita
                   é predita através estrutura espacial
  da incerteza                                                  usando os dados
                    de um modelo     e pode ser mode-
 associada ao                                                   e modelos dispo-
                     estatístico ou      lada com um
  valor predito.                                                       níveis.
                       heurístico.        variograma.

                                              Fonte: Burrough et al. (1986); MacMillan (2012)
Modelo universal de variação do solo




                           Fonte: Burrough et al. (1994)
Modelos possíveis
●   Parte determinística (estatística)
    –   Regressão linear múltipla
    –   Árvore de regressão e decisão
    –   Regressão logística múltipla
    –   Redes neurais
    –   Lógica nebulosa
    –   Lógica Bayesiana e sistemas especialistas
●   Parte estocástica
    –   Semivariograma e krigagem (geoestatística)
UM EXEMPLO:
                        Árvore de regressão para a
                        predição da profundidade do
Declividade             perfil do solo (m). Os valores
                        preditos são mostrados nos
                        retângulos e elipses. Os
                        valores sob os retângulos e
                        elipses são as variâncias.
          Índice de
          umidade
          topográfica
                        Elevação relativa



                                 Temperatura média anual

Declividade


                                      Fonte: McKenzie e Ryan (1999).
Produtos do MDS – atributo do
                solo
Média (a) e
desvio
padrão (b)
do
conteúdo
de matéria
orgânica no
solo. Fonte:
Nol et al.
(2012).
Produtos do
MDS – classe
  de solo
     Fonte: ten Caten (2008)
Passos do MDS
1. Identificação da demanda
2. Compilação das informações já existentes
  i. Formulação do modelo conceitual de pedogênese
3. Amostragem + laboratório + harmonização
4. Variáveis preditoras
5. Construção do modelo preditivo + predição
6. Validação + análise da incerteza
7. População do sistema de informação
Só precisamos saber...
●   Ciências exatas e da terra
    –   Matemática (álgebra, equações diferenciais...)
    –   Probabilidade e estatística (análise multivariada,
        geoestatística...)
    –   Ciência da computação (linguagem de
        programação, banco de dados, sistema de
        informação...)
    –   Física (radiação eletromagnética...)
    –   Geociências (geologia, geotectônica,
        geocronologia, estratigrafia, sensoriamento
        remoto, meteorologia, geodésia, geomorfologia,
        pedologia...)
O Grito, de Edvard Munch
Vamos continuar
Eng. Agrônomo                                com a ideia de que
                                             podemos fazer tudo
                                             sozinhos?




                Fonte: Samuel-Rosa (2009).
Vamos continuar
 Eng. Agrônomo                       com a ideia de que
                                     podemos fazer tudo
                                     sozinhos?
                                          Eng. Agrônomo
                                        Estatístico
                                      Geógrafo
                            Eng. Florestal


Ou vamos trabalhar
com outros
profissionais que
sabem lidar com
“números” melhor do     Garoto de
que nós, engenheiros    programa
agrônomos?                                                  Geólogo
                       Fonte: Samuel-Rosa (2009). Matemático
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
               Instituto de Agronomia
               Departamento de Solos
 Disciplina de Aptidão Agrícola e Manejo dos Solos




Introdução ao Mapeamento Digital
             do Solo

              Alessandro Samuel Rosa
     e-mail: alessandrosamuel@yahoo.com.br
            homepage: soil-scientist.net

          Seropédica, novembro de 2012

Introdução ao Mapeamento Digital do Solo

  • 1.
    Universidade Federal Ruraldo Rio de Janeiro Instituto de Agronomia Departamento de Solos Disciplina de Aptidão Agrícola e Manejo dos Solos Introdução ao Mapeamento Digital do Solo Alessandro Samuel-Rosa Seropédica, novembro de 2012
  • 2.
    Conteúdo ● Mapeamento clássico – Conceitos – Dificuldades – Resultados obtidos ● Mapeamento digital – Conceitos – Exemplos/produtos – Passos – Conhecimento necessário
  • 3.
    Mapeamento clássico -Conceitos ● Determinístico → Relação Solo-Paisagem ● Área Mínima Mapeável → Escala ● Categórico → Polígonos ● Analógico → Estética ● Conhecimento Tácito → Modelos Mentais
  • 4.
    Pedólogo A MODELO CLORPT Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
  • 5.
    Pedólogo B MODELO CLORPT Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
  • 6.
    Pedólogo C MODELO CLORPT Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
  • 7.
    Pedólogo D MODELO CLORPT Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
  • 8.
    Mapeamento pedológico clássico MODELO CLORPT: Como explicar essas diferenças? Sobreposição da interpretação de uma fotografia aérea feita por 20 pares de observadores trabalhando separadamente. Fonte: Jean Paul Legros (2006).
  • 9.
    “Cada cabeça, umasentença!” Relação solo-paisagem no Rebordo do Planalto da Bacia do Paraná Fonte: Samuel-Rosa (2009)
  • 10.
    “Cada cabeça, umasentença!” Relação solo-paisagem no região de Santa Fé, Argentina Fonte: Samuel-Rosa (2010)
  • 11.
    “Cada cabeça, umasentença!” Relação solo-paisagem na Cordilheira dos Andes Fonte: Samuel-Rosa (2010)
  • 12.
    “Cada cabeça, umasentença!” Relação solo-paisagem na ilha de Maui, Hawai'i Fonte: Samuel-Rosa (2003)
  • 13.
    Mapeamento clássico vs.Mapeamento digital Fonte: César Chagas (2006)
  • 14.
    Mapeamento digital -Conceitos CLÁSSICO DIGITAL ● Determinístico → ● Determinístico + Aleatório Relação Solo-Paisagem + Incerteza ● AMM → Escala ● Pixel → Resolução ● Categórico → Polígono ● Contínuo → Grid ● Analógico → Estética ● Digital → Funcionalidade ● Conhecimento Tácito ● Conhecimento Formal → → Modelo Mental Modelo Estatístico
  • 15.
    Mas o queé o mapeamento digital? O MDS é definido como a criação e população de sistemas de informação pedológica espacial através do uso de métodos observacionais de campo e laboratório, acoplados a sistemas de inferência pedológica espacial e não-espacial (Lagacherie e McBratney, 2006). Conceitos chave: sistemas de informação, métodos observacionais e sistemas de inferência! Fonte: Regina Guedes (2010)
  • 16.
    Sistema de informação Sistema que abrange pessoas, máquinas, e/ou métodos organizados para coletar, processar, transmitir e disseminar dados que representam informação para o usuário e/ou cliente (Wikipedia, 2012). Apenas uma mapa impresso não é mais suficiente! Fonte: Osmar Bazaglia (2012)
  • 17.
    Sistema de informaçãopedológica Fonte: Hengl (2011), Apple (2012), Samuel-Rosa (2012).
  • 18.
  • 19.
    Sistemas de inferência ● Sistemas... ● Pedometria: aplicação de métodos matemáticos e estatísticos para o estudo da distribuição e gênese do solo (Heuvelink, 2003): – Métodos matemáticos e estatísticos (quantitativo); – Gênese do solo (relação solo-paisagem); – Distribuição do solo (espaço, tempo e atributos). MODELO SCORPAN
  • 20.
    Solo = f(s,c, o, r, p, a, n) ● s = informação prévia do solo ● c = clima ● o = organismos ● r = relevo ● p = material de origem (parent material) ● a = tempo (age) ● n = localização espacial
  • 21.
    Modelo universal devariação do solo Z(s) = Z*(s) + ε'(s) + ε'' Parte determinís- Parte estocásti- Valor predito da Ruído do modelo tica do modelo ca do modelo pre- variável pedoló- preditivo. Parte da preditivo. Parte ditivo. Parte da va- gica (classe ou variação que não da variação que riação que mostra atributo), além pode ser predita é predita através estrutura espacial da incerteza usando os dados de um modelo e pode ser mode- associada ao e modelos dispo- estatístico ou lada com um valor predito. níveis. heurístico. variograma. Fonte: Burrough et al. (1986); MacMillan (2012)
  • 22.
    Modelo universal devariação do solo Fonte: Burrough et al. (1994)
  • 23.
    Modelos possíveis ● Parte determinística (estatística) – Regressão linear múltipla – Árvore de regressão e decisão – Regressão logística múltipla – Redes neurais – Lógica nebulosa – Lógica Bayesiana e sistemas especialistas ● Parte estocástica – Semivariograma e krigagem (geoestatística)
  • 24.
    UM EXEMPLO: Árvore de regressão para a predição da profundidade do Declividade perfil do solo (m). Os valores preditos são mostrados nos retângulos e elipses. Os valores sob os retângulos e elipses são as variâncias. Índice de umidade topográfica Elevação relativa Temperatura média anual Declividade Fonte: McKenzie e Ryan (1999).
  • 25.
    Produtos do MDS– atributo do solo Média (a) e desvio padrão (b) do conteúdo de matéria orgânica no solo. Fonte: Nol et al. (2012).
  • 26.
    Produtos do MDS –classe de solo Fonte: ten Caten (2008)
  • 27.
    Passos do MDS 1.Identificação da demanda 2. Compilação das informações já existentes i. Formulação do modelo conceitual de pedogênese 3. Amostragem + laboratório + harmonização 4. Variáveis preditoras 5. Construção do modelo preditivo + predição 6. Validação + análise da incerteza 7. População do sistema de informação
  • 28.
    Só precisamos saber... ● Ciências exatas e da terra – Matemática (álgebra, equações diferenciais...) – Probabilidade e estatística (análise multivariada, geoestatística...) – Ciência da computação (linguagem de programação, banco de dados, sistema de informação...) – Física (radiação eletromagnética...) – Geociências (geologia, geotectônica, geocronologia, estratigrafia, sensoriamento remoto, meteorologia, geodésia, geomorfologia, pedologia...)
  • 29.
    O Grito, deEdvard Munch
  • 30.
    Vamos continuar Eng. Agrônomo com a ideia de que podemos fazer tudo sozinhos? Fonte: Samuel-Rosa (2009).
  • 31.
    Vamos continuar Eng.Agrônomo com a ideia de que podemos fazer tudo sozinhos? Eng. Agrônomo Estatístico Geógrafo Eng. Florestal Ou vamos trabalhar com outros profissionais que sabem lidar com “números” melhor do Garoto de que nós, engenheiros programa agrônomos? Geólogo Fonte: Samuel-Rosa (2009). Matemático
  • 32.
    Universidade Federal Ruraldo Rio de Janeiro Instituto de Agronomia Departamento de Solos Disciplina de Aptidão Agrícola e Manejo dos Solos Introdução ao Mapeamento Digital do Solo Alessandro Samuel Rosa e-mail: alessandrosamuel@yahoo.com.br homepage: soil-scientist.net Seropédica, novembro de 2012