Panorama do Teatro Ocidental Teatro Grego e Teatro Romano By Claudia Venturi
 
Função Social Não é uma diversão, mas uma celebração divina, religiosa; Teatro de todos e para todos, independente da classe social; Teatro da cidade, gratuito. Todas as atividades de trabalho são suspensas; Teatro de festa – os valores da cidade ganham voz; Baseado na participação – momento de coesão social, de fortalecer o sentimento de cidadania (pertencimento a Atenas)
Teatro Grego de Taormina – Sicília - Itália
Características Físicas O espaço cênico é construído sobre o declínio de uma montanha, com o palco (orquestra) circular, onde se movimentam atores e coro (a voz da consciência ou da cidade); No palco existem elementos fixos como  skené  (parede nos fundos para as trocas dos atores) e  Thymele  (um altar fixo em pedra); Sem cenário – o texto deve dar todas as explicações; Sem figurino – todos utilizavam a mesma vestimenta, uso de coturnos; Utilização de máscaras para amplificar a voz, diferenciar os personagens e também como símbolo – Creonte é o Tirano, Medéia o ciúme...
Taormina
Características gerais O teatro era sempre em área aberta e em contato com a natureza – sagrada por ser a morada dos deuses; Envolvimento do público – além de não pagar, pode se expressar, falar, jogar o lanche se não gostar da interpretação etc. Interpretação neutra; Apenas 3 atores (protagonista, deuteragonista e triagonista) que se revezavam de forma que o principal sempre fizesse as partes com maiores falas; É sacrado – imerso nas festas dionisíacas – deus do renascimento da natureza. Sacrifício do “bode expiatório”.
 
Gêneros Dramáticos Tragédia – sério, o mito que educa. Provocando sentimento de terror e piedade (catarse) purifica a cidade das ameaças de subversão. Concentra-se nos momentos de crise. Leva a cidade a refletir sobre o que teme. Coloca em cena debates sobre temas políticos, religiosos e morais. O herói sofre pelos erros; Drama Satírico – Apresentado após um grupo de 3 tragédias. É um tipo de tragédia brincalhona com os mesmos personagens; Comédia – denuncia situações e comportamentos reconhecíveis na sociedade. O herói vence, o resto é consequência.
Autores da Tragédia – sec. V a.C. Ésquilo (525 – 456 a.C.) – A justiça divina culpa quem infringe a lei. O destino é inevitável – a punição dos deuses coincide com a ação do homem, que não tem escolha – segue o seu destino. Aumenta o número de atores para dois. 7 obras –  Sete contra Tebas, Prometeu Acorrentado, Orestes ... Sófocles (497 – 406 a.C.) – A ação que define o herói e o seu destino. Por mais que ele tente se desvencilhar mais se afunda na ruína. Inventa a cenografia (panos de fundo pintados) e introdução do 3° ator. 7 obras –  Édipo Rei, Antígona, Electra ... Eurípedes ( 485 – 406 a.C.) – Diminui a relação entre deuses e homens para interrogar a razão humana nas escolhas. Normas e estrutura sociais, submissão as paixões. 17 obras –  As Troianas, As Bacantes, Medeia ...
Máquinas para efeitos especiais Refletores
Autor de Comédia – séc. V a.C. Aristófanes ( 445 – 380 a.C.) – através do riso ele revela o tecido social, político e civil. A crua realidade interage com utopia, soluções fantásticas e oníricas. 11 obras –  Lisistrata, As Nuvens, Os Pássaros ...
Período Helenístico Pólo cultural é transferido para Alexandria no Egito. Com a biblioteca e o museu como centros de armazenamento de textos, tornou-se mais fácil a transmissão de notícias e desnecessário as reuniões coletivas. O teatro sofre um profundo declínio.  Evolução na forma de interpretação e truques de cena.  Apenas um autor se destaca – Menandro (343 – 292 a.C.) – que escreve comédias com motivos amorosos e questões privadas, não mais público. 5 obras –  O Misantropo
 
A poética de Aristóteles (384 – 322 a.C.) A situação trágica perfeita é aquela na qual o homem é superior ao nível comum – mais bom do que mau – que vive em prosperidade e goza de ótima reputação, por ignorância dos fatos ou situações adversas, passa subitamente da felicidade para a infelicidade. Catarse – piedade e medo – do termo médico que indica liberação, desabafo, corporal. Uma metáfora biológica para o significado de purificação do corpo social que , depois de um estado de excitação física e psíquica, reencontra um maior equilíbrio e maior consciência.
Teatro Romano Influencia da cultura grega, não sentido como próprio. Teve seu apogeu no período imperial; Muitas atividades espetaculares e diferentes tipos de atores; Pão e circo (I – V d.C. – Augusto) – mais diversão que no grego; Obscenidade, lascívia e um gosto macabro pelo sangue e pela tortura, motivo pelo qual a igreja começava a ir contra o teatro.
Interior do Coliseu - Roma
Espetáculos Romanos -  ludi Ludi Circense  – desde a época monárquica - corridas de carro (e outros tipos) e pugilismo. Acrobacias, exibição de animais ferozes. Ludi Gladiatori  – de origem etrusca, parte integrante de celebrações fúnebres – combates até a morte.  Venationes  (combate com animais ferozes ambientados como uma caça).  Naumachie  (Bataglia naval) Ludi scaenici ou teatrais  – origem - Roma (364 a.C.) – com cantos, flautas, danças de origem etrusca e versos harmônicos e satíricos. Em princípio realizados para acalmar os deuses em situações devastantes. Tragédia e comédia.
Teatro Plástico de Roma
Estilos Teatrais Romanos Fescennini  – Improvisações de caráter sexual em festas agrícolas; Saturae  – espetáculos de variedade com pequenos quadros da atualidade dos camponeses. Início de um teatro não improvisado (habilidade gestual, musical, rítmica) que favoreceu o aparecimento do virtuosismo teatral. Fábula Atelana  – 1ª forma dramática latina popular que terá uma evolução culta e escrita. Presença de 4 personagens fixos (circundados de outros não caricaturais), caracterizados por máscara e figurino. (+ - do sec II a.C – V d.C.)
Plástico de Roma
Tragédia e Comédia Ludi scaenici  – graças aos escravos ou libertos cultos, originários da Magna Grécia, que o teatro baseado no texto vem a substituir o improvisado; Ligação superficial com a religião; A tragédia manteve características gregas; A comédia se misturou com a tradição preexistente, com predileção pela dança e canto. O coro é excluído; A tragédia e comédia que mantinham os temas gregos foram chamados  Fábula Cothurnata  e  Fábula Palliata ; Tragédia e comédia com temas romanos –  Fábula Praetexta  e  Fábula Togata .
Mimo – de origem grega, representação da vida cotidiana com cantos e dança. Parte da imitação e da representação que facilitam a fantasia. Importante o rosto nu (ator de baixa condição não precisa se esconder com uma máscara). Pés descalços permitem maior mobilidade. Aparecem atrizes, consideradas bruxas ou prostitutas. Obscenidade.  Pantomima – Um orador recita uma história mítica, trágica ou melodramática e o “pantomimo” representa as reações emotivas com coreografias e gestos simbólicos. Virtuosismo baseado na música e na plasticidade do corpo. Mais dança que representação. Uso de máscaras.
Planta do teatro de Marcello – 1)Orquestra, 2)cavea, 3)Forma semi-circular, 4)cena fixa, 5)Pórtico multifuncional
Autores Romanos Plauto (254 – 148 a.C.) -  Comédia – derivado da Comédia nova, conflitos entre os aspirantes a um bem, que enfrentam dificuldades e intrigas. Invertida de aspectos característicos da sociedade romana (escravo que vira patrão) Terenzio (194 – 159 a.C.) – comédia – insere trechos de outros dramas (criticado por isso). Procurava estimular a paixão, amizade e relações familiares. Aprovação maior posterior que contemporâneo. Sêneca – (4 a.C. – 65 d.C.) – tragédias com intuito pedagógico, provavelmente destinadas mais a leitura que a representação, ´mesmo pelo seu gosto macabro, o que dificultava a encenação.
Atores Histriões – atores de tragédia e comédia; Mimos ou saltadores – atores de menor importância, inclusive mulheres, má fama. A partir do sec. I a.C., os protagonistas de mimo e pantomima começaram a se destacar e ser chamados  Divo . A gestualidade ganhava grande importância e solicitava longa preparação, pois um teatro poderia comportar até 14 mil espectadores.
Modelos de teatro Romano
Características físicas Máscara – controvérsias quanto ao uso. Figurino – Mimos simples, provavelmente túnica / pantomimos, confortável / Tragédia, mais suntuosos / Comédia, mais variado de acordo com o personagem. Música – mais improvisada para prender a atenção. Cenário – Parece que era simples, com indicações no texto sobre a ambientação. No entanto continha:  scenae frons  (arquitetura similar a fachada de um prédio com várias aberturas),  periaktoi   (prismas triangulares, rotáveis, pintados com uma cena trágica de um lado, uma cômica no outro e uma satírica no último) e  aulaeum  (Pano pintado que desce ao fundo com uma nova cena)
Ruínas de teatro romano
Composição e Tradução:  Claudia Venturi Atriz, Diretora e Professora de Teatro Bibliografia: Bernardi, C. e Susa, C. Storia Essenziale del Teatro. Vita e Pensiero. Milano.

Panorama Do Teatro Ocidental

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    Panorama do TeatroOcidental Teatro Grego e Teatro Romano By Claudia Venturi
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    Função Social Nãoé uma diversão, mas uma celebração divina, religiosa; Teatro de todos e para todos, independente da classe social; Teatro da cidade, gratuito. Todas as atividades de trabalho são suspensas; Teatro de festa – os valores da cidade ganham voz; Baseado na participação – momento de coesão social, de fortalecer o sentimento de cidadania (pertencimento a Atenas)
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    Teatro Grego deTaormina – Sicília - Itália
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    Características Físicas Oespaço cênico é construído sobre o declínio de uma montanha, com o palco (orquestra) circular, onde se movimentam atores e coro (a voz da consciência ou da cidade); No palco existem elementos fixos como skené (parede nos fundos para as trocas dos atores) e Thymele (um altar fixo em pedra); Sem cenário – o texto deve dar todas as explicações; Sem figurino – todos utilizavam a mesma vestimenta, uso de coturnos; Utilização de máscaras para amplificar a voz, diferenciar os personagens e também como símbolo – Creonte é o Tirano, Medéia o ciúme...
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  • 7.
    Características gerais Oteatro era sempre em área aberta e em contato com a natureza – sagrada por ser a morada dos deuses; Envolvimento do público – além de não pagar, pode se expressar, falar, jogar o lanche se não gostar da interpretação etc. Interpretação neutra; Apenas 3 atores (protagonista, deuteragonista e triagonista) que se revezavam de forma que o principal sempre fizesse as partes com maiores falas; É sacrado – imerso nas festas dionisíacas – deus do renascimento da natureza. Sacrifício do “bode expiatório”.
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  • 9.
    Gêneros Dramáticos Tragédia– sério, o mito que educa. Provocando sentimento de terror e piedade (catarse) purifica a cidade das ameaças de subversão. Concentra-se nos momentos de crise. Leva a cidade a refletir sobre o que teme. Coloca em cena debates sobre temas políticos, religiosos e morais. O herói sofre pelos erros; Drama Satírico – Apresentado após um grupo de 3 tragédias. É um tipo de tragédia brincalhona com os mesmos personagens; Comédia – denuncia situações e comportamentos reconhecíveis na sociedade. O herói vence, o resto é consequência.
  • 10.
    Autores da Tragédia– sec. V a.C. Ésquilo (525 – 456 a.C.) – A justiça divina culpa quem infringe a lei. O destino é inevitável – a punição dos deuses coincide com a ação do homem, que não tem escolha – segue o seu destino. Aumenta o número de atores para dois. 7 obras – Sete contra Tebas, Prometeu Acorrentado, Orestes ... Sófocles (497 – 406 a.C.) – A ação que define o herói e o seu destino. Por mais que ele tente se desvencilhar mais se afunda na ruína. Inventa a cenografia (panos de fundo pintados) e introdução do 3° ator. 7 obras – Édipo Rei, Antígona, Electra ... Eurípedes ( 485 – 406 a.C.) – Diminui a relação entre deuses e homens para interrogar a razão humana nas escolhas. Normas e estrutura sociais, submissão as paixões. 17 obras – As Troianas, As Bacantes, Medeia ...
  • 11.
    Máquinas para efeitosespeciais Refletores
  • 12.
    Autor de Comédia– séc. V a.C. Aristófanes ( 445 – 380 a.C.) – através do riso ele revela o tecido social, político e civil. A crua realidade interage com utopia, soluções fantásticas e oníricas. 11 obras – Lisistrata, As Nuvens, Os Pássaros ...
  • 13.
    Período Helenístico Pólocultural é transferido para Alexandria no Egito. Com a biblioteca e o museu como centros de armazenamento de textos, tornou-se mais fácil a transmissão de notícias e desnecessário as reuniões coletivas. O teatro sofre um profundo declínio. Evolução na forma de interpretação e truques de cena. Apenas um autor se destaca – Menandro (343 – 292 a.C.) – que escreve comédias com motivos amorosos e questões privadas, não mais público. 5 obras – O Misantropo
  • 14.
  • 15.
    A poética deAristóteles (384 – 322 a.C.) A situação trágica perfeita é aquela na qual o homem é superior ao nível comum – mais bom do que mau – que vive em prosperidade e goza de ótima reputação, por ignorância dos fatos ou situações adversas, passa subitamente da felicidade para a infelicidade. Catarse – piedade e medo – do termo médico que indica liberação, desabafo, corporal. Uma metáfora biológica para o significado de purificação do corpo social que , depois de um estado de excitação física e psíquica, reencontra um maior equilíbrio e maior consciência.
  • 16.
    Teatro Romano Influenciada cultura grega, não sentido como próprio. Teve seu apogeu no período imperial; Muitas atividades espetaculares e diferentes tipos de atores; Pão e circo (I – V d.C. – Augusto) – mais diversão que no grego; Obscenidade, lascívia e um gosto macabro pelo sangue e pela tortura, motivo pelo qual a igreja começava a ir contra o teatro.
  • 17.
  • 18.
    Espetáculos Romanos - ludi Ludi Circense – desde a época monárquica - corridas de carro (e outros tipos) e pugilismo. Acrobacias, exibição de animais ferozes. Ludi Gladiatori – de origem etrusca, parte integrante de celebrações fúnebres – combates até a morte. Venationes (combate com animais ferozes ambientados como uma caça). Naumachie (Bataglia naval) Ludi scaenici ou teatrais – origem - Roma (364 a.C.) – com cantos, flautas, danças de origem etrusca e versos harmônicos e satíricos. Em princípio realizados para acalmar os deuses em situações devastantes. Tragédia e comédia.
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  • 20.
    Estilos Teatrais RomanosFescennini – Improvisações de caráter sexual em festas agrícolas; Saturae – espetáculos de variedade com pequenos quadros da atualidade dos camponeses. Início de um teatro não improvisado (habilidade gestual, musical, rítmica) que favoreceu o aparecimento do virtuosismo teatral. Fábula Atelana – 1ª forma dramática latina popular que terá uma evolução culta e escrita. Presença de 4 personagens fixos (circundados de outros não caricaturais), caracterizados por máscara e figurino. (+ - do sec II a.C – V d.C.)
  • 21.
  • 22.
    Tragédia e ComédiaLudi scaenici – graças aos escravos ou libertos cultos, originários da Magna Grécia, que o teatro baseado no texto vem a substituir o improvisado; Ligação superficial com a religião; A tragédia manteve características gregas; A comédia se misturou com a tradição preexistente, com predileção pela dança e canto. O coro é excluído; A tragédia e comédia que mantinham os temas gregos foram chamados Fábula Cothurnata e Fábula Palliata ; Tragédia e comédia com temas romanos – Fábula Praetexta e Fábula Togata .
  • 23.
    Mimo – deorigem grega, representação da vida cotidiana com cantos e dança. Parte da imitação e da representação que facilitam a fantasia. Importante o rosto nu (ator de baixa condição não precisa se esconder com uma máscara). Pés descalços permitem maior mobilidade. Aparecem atrizes, consideradas bruxas ou prostitutas. Obscenidade. Pantomima – Um orador recita uma história mítica, trágica ou melodramática e o “pantomimo” representa as reações emotivas com coreografias e gestos simbólicos. Virtuosismo baseado na música e na plasticidade do corpo. Mais dança que representação. Uso de máscaras.
  • 24.
    Planta do teatrode Marcello – 1)Orquestra, 2)cavea, 3)Forma semi-circular, 4)cena fixa, 5)Pórtico multifuncional
  • 25.
    Autores Romanos Plauto(254 – 148 a.C.) - Comédia – derivado da Comédia nova, conflitos entre os aspirantes a um bem, que enfrentam dificuldades e intrigas. Invertida de aspectos característicos da sociedade romana (escravo que vira patrão) Terenzio (194 – 159 a.C.) – comédia – insere trechos de outros dramas (criticado por isso). Procurava estimular a paixão, amizade e relações familiares. Aprovação maior posterior que contemporâneo. Sêneca – (4 a.C. – 65 d.C.) – tragédias com intuito pedagógico, provavelmente destinadas mais a leitura que a representação, ´mesmo pelo seu gosto macabro, o que dificultava a encenação.
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    Atores Histriões –atores de tragédia e comédia; Mimos ou saltadores – atores de menor importância, inclusive mulheres, má fama. A partir do sec. I a.C., os protagonistas de mimo e pantomima começaram a se destacar e ser chamados Divo . A gestualidade ganhava grande importância e solicitava longa preparação, pois um teatro poderia comportar até 14 mil espectadores.
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  • 28.
    Características físicas Máscara– controvérsias quanto ao uso. Figurino – Mimos simples, provavelmente túnica / pantomimos, confortável / Tragédia, mais suntuosos / Comédia, mais variado de acordo com o personagem. Música – mais improvisada para prender a atenção. Cenário – Parece que era simples, com indicações no texto sobre a ambientação. No entanto continha: scenae frons (arquitetura similar a fachada de um prédio com várias aberturas), periaktoi (prismas triangulares, rotáveis, pintados com uma cena trágica de um lado, uma cômica no outro e uma satírica no último) e aulaeum (Pano pintado que desce ao fundo com uma nova cena)
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    Composição e Tradução: Claudia Venturi Atriz, Diretora e Professora de Teatro Bibliografia: Bernardi, C. e Susa, C. Storia Essenziale del Teatro. Vita e Pensiero. Milano.