Samira Ortet, Márcia Bento, Ana Beatriz Ferreira, Patrícia Valério 
Sociologia da Educação I – Licenciatura Educação e Formação 
Instituto de Educação – Universidade de Lisboa 
MEDIA E EDUCAÇÃO
Jovens e vocações e as suas escolhas – Vídeo montado com peças televisivas por Samira Ortet, Ana Beatriz Ferreira, Márcia Bento e Patrícia Valério 
APRESENTAÇÃO
OS FATORES SOCIAIS NAS DECISÕES INDIVIDUAIS 
Família 
Escola 
Amigos 
Media
Qual o enquadramento nacional das profissões, que caminho tem seguido o país. Como se reflete na educação, como se caracteriza a sociedade portuguesa. 
O EMPREGO E O ENSINO
QUEM SOMOS, DE ONDE VIMOS, PARA ONDE VAMOS
VALORES DA E PÓS MODERNIDADE 
Como se realiza a entrada no mundo laboral? 
Passagem do pleno emprego para a flexibilização e desemprego estrutural 
Confronto de valores relacionados com o trabalho 
Valores materialistas 
Valores pós-materialistas 
Como se realizou a transição entre os valores 
Essa transição está ou não relacionada com crise económica e desemprego
VALORES MODERNOS E PÓS MODERNOS 
Segurança física 
Segurança económica 
Atribuição de sentido 
Desenvolvimento pessoal 
Sentimentos de pertença 
Sentimentos de auto-estima 
VALORES MATERIALISTAS 
VALORES PÓS MATERIALISTAS
SISTEMA DE EMPREGO 
Dos anos 60 para os anos 90 
Agricultura e indústria perdem peso na população activa portuguesa 
42% da geração que frequentou o ensino médio no inicio da década de 90 descendia de pais com habilitações ao nível do ensino básico 
23,4% de empresários e dirigentes eram filhos de pais operários
SISTEMA DE EMPREGO 
Em 2001 as profissões intelectuais quadruplicaram 2,8% para 8,6% 
Operários não especializados mantém os 30% de quase 50 anos 
De 2000 a 2010 predominam prestadores de serviços pouco qualificados, sector transformativo tradicional, pequenas empresas e administração pública 
Crescente dinamismo banca e seguros 
Emergência do imobiliário 
Sector das novas tecnologias
O DESEMPREGO JOVEM 
Fonte: Instituto Nacional de Estatística - Portugal
STATUS SOCIAL 
O Sistema de Ensino Superior, geralmente considerado um dos principais canais de promoção da mobilidade – apesar de ter crescido massivamente nas últimas décadas, e acolher hoje um volume significativo de estudantes provenientes dos estratos da classe média-baixa e trabalhadora -, debate-se com indefinições diversas e muitos jovens que o frequentam, vêem-se perante a impossibilidade de aceder a uma profissão que lhes garanta um estatuto socioprofissional substancialmente superior ao das suas famílias de origem.
STATUS SOCIAL 
O sucesso educacional, no plano da formação superior, é o elemento fundamental no estímulo à mobilidade social 
O sucesso educacional é a ligação mais forte entre o capital humano e a produtividade laboral 
Em Portugal, as habilitações alcançadas pelos pais – nomeadamente o facto de o pai ter ou não o ensino secundário completo – são o factor mais influente na conclusão de um curso superior por parte do filho 
In “A Classe Média: Ascenção e Declínio” (Estanque,2012)
MOBILIDADE, IMOBILIDADE E REPRODUÇÃO SOCIAL 
Mobilidade social associada a classe média 
Mudanças de estrutura do emprego e os efeitos sociais relacionados 
Oportunidades ao dispor dos mais talentosos 
Acesso com base no mérito posições socioprofessionais mais compensatorias
PONTO CHAVE: EDUCAÇÃO 
“os níveis educacionais e as características ocupacionais das variáveis demográficas são considerados referências para a definição dos valores do trabalho. A educação é ponto chave em todas as estratégias de desenvolvimento e o esforço de modernização na sociedade portuguesa foi notório nas últimas décadas.” (Ponte, 2012)
A EDUCAÇÃO E O (DES) EMPREGO
QUAL O EFEITO DOS MEDIA NAS DECISÕES VOCACIONAIS?
Cristina Ponte 
Observatório (OBS*) Journal, vol.6 – nº4 (2012), 077-107 
*CIMJ, FCSH – Universidade Nova de Lisboa 
Jovens e escolhas vocacionais em magazines informativos portugueses (2000-2008)
MEDIA: A REVISTA GENERALISTA 
Capacidade de surpreender 
Fornecer temas (in)esperados 
Confirmação de impressões 
Espelho onde leitores se encontram 
Domínios de interesse dos leitores 
Convocação directa 
Sugestão indentitária
MEDIA: A REVISTA GENERALISTA 
Quem são os leitores: 
Durante décadas a imprensa diária foi associada ao leitor adulto, do sexo masculino, cidadão culto e letrado 
As revistas penetram mais nas leitoras adultas, pela sua linguagem: 
Uso de expressões defensivas 
Recurso à avaliação emocional mais do que á avaliação intelectual 
Uso de intensificadores de expressão, diminutivos e adjectivos 
Artigos de comportamento, resportagem, testemunhos, perfis e histórias exemplares
“Este efeito de espelho é realizado pela escrita e pela imagem” 
PODIA SER VOCÊ!
Revista semanal 
Ano 52 semanas – 52 edições 
Leitores 
Classe Média, Média Baixa 
Zona Sul e Grande Lisboa 
Revista semanal 
Ano 52 semanas – 52 edições 
Leitores entre os 25 e os 44 anos 
Classe Alta, Média Alta, Média Baixa 
Quadros Médios e Superiores 
Residentes em regiões Urbanas 
Revista semanal Ano 52 semanas – 52 edições Leitores todas as classes Território Nacional e Madeira 
AS REVISTAS GENERALISTAS
0S JOVENS, ESCOLHAS VOCACIONAIS E O TRABALHO 
Com que frequência se fala(va) do tema em revistas informativas de grande circulação? 
Como se falava de emprego juvenil entre 2000 e 2008? 
Em que momentos aparecem referenciadas as opções vocacionais? 
Quais as perspectivas profissionais dos jovens? 
Que jovens aparecem? 
Que jovens estão ausentes? 
Como são apresentados os jovens?
PEÇAS SOBRE PROBLEMÁTICAS ASSOCIADAS A JOVENS
INFOGRAFIA
* 
*valor extrapolado tendo em conta que cada publicação tem um mínino de 20 peças
AS CAPAS
SER JOVEM EM “REVISTA” 
Jovens em plural 
Idade, geração, histórias da atualidade: 
Oportunidades/desafios ensino superior 
Precariedade laboral 
Vivências geracionais na recessão e crise 
Jovens que se distinguem 
Enfoque em projectos e desempenhos: 
Notável sucesso escolar 
Artistas 
Cientistas 
Desportistas de Alta Competição 
Contexto Cosmopolita 
Experiência de vida transcende fronteiras 
Busca pelo saber, beleza e vigor 
GERACIONAL – 17 PEÇAS 
EXCEPCIONAL – 18 PEÇAS
“São apolíticos, consumistas e um pouco menos letrados que os seus colegas Europeus. Recusam o individualismo e ainda não se desligaram da “roupa de marca”. Em Portugal, a geração que sucede à X adora o telemóvel, a Net e os Chats. Mas só agora começa a ter comportamentos“à la Britney Spears”:Sexo seguro ou só depois do casamento…” 
in Visão N.º481 – 23 a 28 Maio 2002 
JOVENS – A GERAÇÃO
“Individualistas e consumistas, 
cultivam mais corpo do que os livros. 
não passam sem as novas tecnologias. 
mas também são capazes dos 
sentimentos mais nobres, política é que não: 
metade dos 375 mil novos eleitores não tenciona 
votar, nas próximas eleições” 
JOVENS – A GERAÇÃO
“Têm as melhores qualificações de sempre e vivem no país europeu com o menor número de licenciados. Mesmo assim, os jovens portugueses não arranjam emprego ou esbarram na precariedade. Retrato de uma geração adiada. “ 
In Visão N.º 782 28 de Fevereiro de 2008 
JOVENS – A GERAÇÃO
JOVENS – A GERAÇÃO 
Jovens no plural, como grupo de idade e geração 
Histórias marcadas pela atualidade 
Oportunidades e desafios de estudante no contexto do ensino superior 
Precariedade laboral 
Vivências geracionais num ciclo de recessão e crise económica 
Duas narrativas distintas 
Condição dos jovens estudantes 
Retrato geracional com interesses e preocupações dos jovens e empregabilidade (destaque após 2005)
JOVENS – A GERAÇÃO 
Diversidade de oportunidades dos jovens 
Valorização 
Mobilidade social 
Optimismo 
Competitividade 
Calculismo 
Ambição 
Valores materialistas 
Pai: Eng.º Civil Mãe: Empresária 
É um dos futuros génios da Nação. […] O avô é o seu ídolo:”Era uma pessoa de poucas posses mas subiu a pulso na vida. 
In Domingo 14/12/2002 
Pai: Empresário Mãe: Bancária Reformada 
Escolheu o curso de Estudos Africanos com o secreto sonho de trabalhar numa ONG e judar aquele país (Angola) 
In Domingo 14/12/2002
JOVENS – A GERAÇÃO 
“As trajectórias e as escolhas vocacionais (ou a sua ausência) em excertos nas legendas de imagens de jovens fotografados nos seus ambientes, evidenciam as diferenças entre os meios, capitais educacionais, as perspectivas de futuro:” (Ponte, 2012) 
Sofia Marques 1.º Ano de Medicina A média de 19,73 valores valeu-lhe um prémio 
Puto da Musgueira 
Aluno do Ensino recorrente 
“Era um rebelde”: Abandonou a escola aos 15 anos sem saber ler nem escrever
OS EXCEPCIONAIS – vocação e esforço 
Vocação pressentida desde cedo 
Valores idealistas, pós materialistas 
 envolvimento afectivo/desenvolvimento pessoal 
Sinais de transmissão cultural por parte das famílias 
Predominância de meios socioeconómicos mais favorecidos e com maior capital cultural 
“Eu sempre gostei de matemática, mas tive uma professora primária que me incentivava e a minha mãe também gostava dessa disciplina” 
In Domingo 22/10/2000
OS EXCEPCIONAIS – redes e trajectórias 
As redes sociais, as influências de professores, os conhecimentos do meio e as hipóteses económicas de ir estudar para fora do país são especialmente importantes para os jovens cientistas. Claramente há quem um capital social mais alargado ou mais restrito, em relação com a posse de capital económico e cultural, recorrendo de novo aos conceitos de Bourdieu. As oportunidades decorrentes não são iguais para todos” 
Além dos amigos, Miguel Santos conta aínda com o forte apoio dos pais In Domingo 22/10/200 
Michelle tinha apenas 9 anos quando os pais foram abordados por um olheiro norte- americano
OS EXCEPCIONAIS - vivências 
Em discurso directo 
Enfoque na paixão e num tempo sem horários 
Despojamento e recusa de valores materiais 
“Que tem um trabalho como o meu é uma pessoa de sorte, porque é como se tivesse um hobby, e não um empreso na verdadeira acepção da palavra. Quando existe um desafio para vencer trabalha-se 24 horas sem cansaço e com as mais alta motivação” In Domingo Magazine 01/01/2006 
“Gosto muito do que faço. Faço-o durante 12 horas/dia. Nunca paramos porque a ciência é isso mesmo. In Domingo Magazine 03/12/2006
OS EXCEPCIONAIS – iniciativa e pioneirismo 
Sucesso associado ás habilitações académicas 
Sucesso associado à credibilidade dos graus académicos 
Outras formas de considerar o sucesso: 
Perfis de sucesso de jovens sem formação universitária 
Jovens de sexo feminino que optam por profissões tradiconalmente masculinas 
Jovens imigrantes com excecional rendimento escolar
OS EXCEPCIONAIS – cá dentro/lá fora 
Sobretudo jovens cientistas 
Contrastes de políticas públicas de intervenção nas ciências e artes 
“O ambiente universitário inglês é mais dinâmico. Contactamos com pessoas que publicam em grandes revistas” 
In Visão 16/08/2001 
“Continua a faltar uma aposta clara na ciência, financiamento que chegue a tempo e horas e o fortalecimento da carreira de investigação” In Visão 25/08/2005
Autoria: Claudio Munoz 
…
CARACTERIZAÇÃO 
Revelou-se uma escassa atenção e espaço editorial atribuido a problemáticas associadas a jovens e à sua consideração enquanto agentes dessas escolhas. 
Tendência para publicação das temáticas num momento de agenda de acontecimentos reduzida – verão 
Clara desigualdade por tipo de revista
CARACTERIZAÇÃO 
Domingo, 
associa-se ao jornal popular – constitui-se como um espelho para aqueles que, em contextos de menores capitais educacionais e de desfavorecimento económico, se empenham em “virar o destino”. 
Noticias Magazine 
 distingue-se pela quase ausência de atenção a este tema. 
Visão 
 Com uma voz rápida, reduzida e redutors, apresenta imagem de jovens com condições de progressão nos seus estudos, de desenvolvimento das suas capacidades intelectuais e de redes sociais. O que no final causa a deceção aos jovens ao tentarem entrar no mercado de trabalho.
CARACTERIZAÇÃO 
 Essa diferença é transversal a ambas as grandes narrativas identificadas: 
a dos jovens excecionais 
dos jovens enquanto grupo e geração.
CARACTERIZAÇÃO 
Embora com marcas de diálogo, o discurso destas revistas é dominado pela voz editorial 
É marcadamente influenciada pela agenda política 
É repleta de detalhes aparentemente banais e de impressões que fornecem um background sobre a sociedade envolvente 
Revela a forma como o jornalismo está a trabalhar estas problemáticas e como as poderia trabalhar de forma a: 
Estimular a reflexão acerca dos temas 
Apelar à participação dos jovens
ENTÃO QUAL O VERDADEIRO PAPEL DOS MEDIA NAS DECISÕES VOCACIONAIS?
M. Benedita Portugal e Melo 
Sociologia da Educação Revista Luso-Brasileira ano 2 n 4 Dezembro 2011 
Escolhas escolares e opções profissionais – entre a família a escola e os amigos, que papel desempenham os media?
ENTÃO QUAL O PAPEL DOS MEDIA? 
A sua influência depende sempre de um conjunto diversificado de factores 
Fazendo-se sentir no plano das intenções, conhecimentos, crenças ou opiniões 
Têm o poder de nos dizer sobre que assuntos devemos pensar e como devemos pensar sobre esses mesmo assuntos
FONTES UTILIZADAS PELOS ALUNOS 
Fontes de Informação 
N 
% 
Mãe 
981 
55,3 
Amigos 
973 
54,8 
Professores 
969 
54,6 
Psicólogos/Orientadores Vocacionais 
962 
54,3 
Internet 
822 
46,3 
Pai 
816 
46,0 
Outros familiares 
503 
28,4 
Irmãos 
395 
22,30 
TV 
281 
15,80 
Revistas 
171 
9,60 
Jornais 
164 
9,20 
Fonte: Inquérito aos alunos 2009 – ICS (Melo, 2011)
QUE FONTES UTILIZAM OS JOVENS? 
Fontes de Informação 
N 
% 
Mundo Escolar (professores, orientadores) 
1309 
73,0 
Família ( pai, mãe, irmãos, outros) 
1206 
67,9 
Amigos 
973 
54,8 
Internet 
822 
46,3 
Media Tradicionais (TV, revistas, jornais) 
386 
21,5 
Fonte: Inquérito aos alunos 2009 – ICS (Melo, 2011)
QUE FONTES UTILIZAM OS JOVENS? 
A influência dos media é mediada e amenizada por outras redes informativas 
No caso de estudantes de meios sociais cultural e económicamente privilegiados, a família, mais concretamente a mãe, desempenha uma papel relevante no seu processo de escolha 
No caso de estudantes sem acesso a “bússolas parentais” (por ausência de recursos culturais), irmãos ou outros familiares, assim como pares e a escola são as referências
QUE FONTES UTILIZAM OS JOVENS? 
Os media (novos e tradicionais) são uma fonte complementar de in(formação) de recurso 
Utilizada ao nível da consolidação e reorientação 
A internet é mais procurada do que jornais e a TV
OS MEDIA NAS ESCOLHAS VOCACIONAIS 
As entrevistas e inquéritos realizados, mostram que os meios de comunicações sociais ocupam um lugar inferior em relação ao peso das redes familiares e de pares, nas escolhas vocacionais jovens 
È a figura da mãe, ou de quem exerce o papel maternal, que ocupa o lugar de destaque 
Associação da mãe, com a leitora de revistas generalista, levando a uma complementação de ambos os estudos efectuados (Ponte, 2012) e (Melo, 2011)
A ESCOLA, A FAMÍLIA E A REPRODUÇÃO SOCIAL 
A escola se tem revelado um mecanismo de reprodução das diferenças sociais, as variáveis de tipo social, como o nível socioeconómico ou as habilitações literárias dos pais são também importantes quer para as escolhas vocacionais, quer para os tipos de percurso escolar dos alunos. (César, 1992)
PORTUGAL E OS MEDIA 
“Em Portugal tem sido diagnosticada uma «fraca interação» entre a imprensa e a opinião pública (Oliveira, 1995), denunciada pela inexistência de um massivo público leitor de jornais (Seaton e Pimlott, 1983), não obstante existir uma forte relação, ou mesmo «interpermutação» (Garcia, 1995), entre a imprensa e a elite política. No passado, esta diferenciação manifestou-se num profundo distanciamento entre a «maioria sociológica» e as «minorias ideológicas», de modo que a monopolização do poder simbólico pelas elites acentuou o fosso comunicacional entre estas e as massas (Cabral, 1998).”
Os media e a educação

Os media e a educação

  • 1.
    Samira Ortet, MárciaBento, Ana Beatriz Ferreira, Patrícia Valério Sociologia da Educação I – Licenciatura Educação e Formação Instituto de Educação – Universidade de Lisboa MEDIA E EDUCAÇÃO
  • 2.
    Jovens e vocaçõese as suas escolhas – Vídeo montado com peças televisivas por Samira Ortet, Ana Beatriz Ferreira, Márcia Bento e Patrícia Valério APRESENTAÇÃO
  • 3.
    OS FATORES SOCIAISNAS DECISÕES INDIVIDUAIS Família Escola Amigos Media
  • 4.
    Qual o enquadramentonacional das profissões, que caminho tem seguido o país. Como se reflete na educação, como se caracteriza a sociedade portuguesa. O EMPREGO E O ENSINO
  • 5.
    QUEM SOMOS, DEONDE VIMOS, PARA ONDE VAMOS
  • 6.
    VALORES DA EPÓS MODERNIDADE Como se realiza a entrada no mundo laboral? Passagem do pleno emprego para a flexibilização e desemprego estrutural Confronto de valores relacionados com o trabalho Valores materialistas Valores pós-materialistas Como se realizou a transição entre os valores Essa transição está ou não relacionada com crise económica e desemprego
  • 7.
    VALORES MODERNOS EPÓS MODERNOS Segurança física Segurança económica Atribuição de sentido Desenvolvimento pessoal Sentimentos de pertença Sentimentos de auto-estima VALORES MATERIALISTAS VALORES PÓS MATERIALISTAS
  • 8.
    SISTEMA DE EMPREGO Dos anos 60 para os anos 90 Agricultura e indústria perdem peso na população activa portuguesa 42% da geração que frequentou o ensino médio no inicio da década de 90 descendia de pais com habilitações ao nível do ensino básico 23,4% de empresários e dirigentes eram filhos de pais operários
  • 9.
    SISTEMA DE EMPREGO Em 2001 as profissões intelectuais quadruplicaram 2,8% para 8,6% Operários não especializados mantém os 30% de quase 50 anos De 2000 a 2010 predominam prestadores de serviços pouco qualificados, sector transformativo tradicional, pequenas empresas e administração pública Crescente dinamismo banca e seguros Emergência do imobiliário Sector das novas tecnologias
  • 10.
    O DESEMPREGO JOVEM Fonte: Instituto Nacional de Estatística - Portugal
  • 12.
    STATUS SOCIAL OSistema de Ensino Superior, geralmente considerado um dos principais canais de promoção da mobilidade – apesar de ter crescido massivamente nas últimas décadas, e acolher hoje um volume significativo de estudantes provenientes dos estratos da classe média-baixa e trabalhadora -, debate-se com indefinições diversas e muitos jovens que o frequentam, vêem-se perante a impossibilidade de aceder a uma profissão que lhes garanta um estatuto socioprofissional substancialmente superior ao das suas famílias de origem.
  • 13.
    STATUS SOCIAL Osucesso educacional, no plano da formação superior, é o elemento fundamental no estímulo à mobilidade social O sucesso educacional é a ligação mais forte entre o capital humano e a produtividade laboral Em Portugal, as habilitações alcançadas pelos pais – nomeadamente o facto de o pai ter ou não o ensino secundário completo – são o factor mais influente na conclusão de um curso superior por parte do filho In “A Classe Média: Ascenção e Declínio” (Estanque,2012)
  • 14.
    MOBILIDADE, IMOBILIDADE EREPRODUÇÃO SOCIAL Mobilidade social associada a classe média Mudanças de estrutura do emprego e os efeitos sociais relacionados Oportunidades ao dispor dos mais talentosos Acesso com base no mérito posições socioprofessionais mais compensatorias
  • 15.
    PONTO CHAVE: EDUCAÇÃO “os níveis educacionais e as características ocupacionais das variáveis demográficas são considerados referências para a definição dos valores do trabalho. A educação é ponto chave em todas as estratégias de desenvolvimento e o esforço de modernização na sociedade portuguesa foi notório nas últimas décadas.” (Ponte, 2012)
  • 16.
    A EDUCAÇÃO EO (DES) EMPREGO
  • 17.
    QUAL O EFEITODOS MEDIA NAS DECISÕES VOCACIONAIS?
  • 18.
    Cristina Ponte Observatório(OBS*) Journal, vol.6 – nº4 (2012), 077-107 *CIMJ, FCSH – Universidade Nova de Lisboa Jovens e escolhas vocacionais em magazines informativos portugueses (2000-2008)
  • 19.
    MEDIA: A REVISTAGENERALISTA Capacidade de surpreender Fornecer temas (in)esperados Confirmação de impressões Espelho onde leitores se encontram Domínios de interesse dos leitores Convocação directa Sugestão indentitária
  • 20.
    MEDIA: A REVISTAGENERALISTA Quem são os leitores: Durante décadas a imprensa diária foi associada ao leitor adulto, do sexo masculino, cidadão culto e letrado As revistas penetram mais nas leitoras adultas, pela sua linguagem: Uso de expressões defensivas Recurso à avaliação emocional mais do que á avaliação intelectual Uso de intensificadores de expressão, diminutivos e adjectivos Artigos de comportamento, resportagem, testemunhos, perfis e histórias exemplares
  • 21.
    “Este efeito deespelho é realizado pela escrita e pela imagem” PODIA SER VOCÊ!
  • 22.
    Revista semanal Ano52 semanas – 52 edições Leitores Classe Média, Média Baixa Zona Sul e Grande Lisboa Revista semanal Ano 52 semanas – 52 edições Leitores entre os 25 e os 44 anos Classe Alta, Média Alta, Média Baixa Quadros Médios e Superiores Residentes em regiões Urbanas Revista semanal Ano 52 semanas – 52 edições Leitores todas as classes Território Nacional e Madeira AS REVISTAS GENERALISTAS
  • 23.
    0S JOVENS, ESCOLHASVOCACIONAIS E O TRABALHO Com que frequência se fala(va) do tema em revistas informativas de grande circulação? Como se falava de emprego juvenil entre 2000 e 2008? Em que momentos aparecem referenciadas as opções vocacionais? Quais as perspectivas profissionais dos jovens? Que jovens aparecem? Que jovens estão ausentes? Como são apresentados os jovens?
  • 24.
    PEÇAS SOBRE PROBLEMÁTICASASSOCIADAS A JOVENS
  • 25.
  • 26.
    * *valor extrapoladotendo em conta que cada publicação tem um mínino de 20 peças
  • 27.
  • 28.
    SER JOVEM EM“REVISTA” Jovens em plural Idade, geração, histórias da atualidade: Oportunidades/desafios ensino superior Precariedade laboral Vivências geracionais na recessão e crise Jovens que se distinguem Enfoque em projectos e desempenhos: Notável sucesso escolar Artistas Cientistas Desportistas de Alta Competição Contexto Cosmopolita Experiência de vida transcende fronteiras Busca pelo saber, beleza e vigor GERACIONAL – 17 PEÇAS EXCEPCIONAL – 18 PEÇAS
  • 29.
    “São apolíticos, consumistase um pouco menos letrados que os seus colegas Europeus. Recusam o individualismo e ainda não se desligaram da “roupa de marca”. Em Portugal, a geração que sucede à X adora o telemóvel, a Net e os Chats. Mas só agora começa a ter comportamentos“à la Britney Spears”:Sexo seguro ou só depois do casamento…” in Visão N.º481 – 23 a 28 Maio 2002 JOVENS – A GERAÇÃO
  • 30.
    “Individualistas e consumistas, cultivam mais corpo do que os livros. não passam sem as novas tecnologias. mas também são capazes dos sentimentos mais nobres, política é que não: metade dos 375 mil novos eleitores não tenciona votar, nas próximas eleições” JOVENS – A GERAÇÃO
  • 31.
    “Têm as melhoresqualificações de sempre e vivem no país europeu com o menor número de licenciados. Mesmo assim, os jovens portugueses não arranjam emprego ou esbarram na precariedade. Retrato de uma geração adiada. “ In Visão N.º 782 28 de Fevereiro de 2008 JOVENS – A GERAÇÃO
  • 32.
    JOVENS – AGERAÇÃO Jovens no plural, como grupo de idade e geração Histórias marcadas pela atualidade Oportunidades e desafios de estudante no contexto do ensino superior Precariedade laboral Vivências geracionais num ciclo de recessão e crise económica Duas narrativas distintas Condição dos jovens estudantes Retrato geracional com interesses e preocupações dos jovens e empregabilidade (destaque após 2005)
  • 33.
    JOVENS – AGERAÇÃO Diversidade de oportunidades dos jovens Valorização Mobilidade social Optimismo Competitividade Calculismo Ambição Valores materialistas Pai: Eng.º Civil Mãe: Empresária É um dos futuros génios da Nação. […] O avô é o seu ídolo:”Era uma pessoa de poucas posses mas subiu a pulso na vida. In Domingo 14/12/2002 Pai: Empresário Mãe: Bancária Reformada Escolheu o curso de Estudos Africanos com o secreto sonho de trabalhar numa ONG e judar aquele país (Angola) In Domingo 14/12/2002
  • 34.
    JOVENS – AGERAÇÃO “As trajectórias e as escolhas vocacionais (ou a sua ausência) em excertos nas legendas de imagens de jovens fotografados nos seus ambientes, evidenciam as diferenças entre os meios, capitais educacionais, as perspectivas de futuro:” (Ponte, 2012) Sofia Marques 1.º Ano de Medicina A média de 19,73 valores valeu-lhe um prémio Puto da Musgueira Aluno do Ensino recorrente “Era um rebelde”: Abandonou a escola aos 15 anos sem saber ler nem escrever
  • 35.
    OS EXCEPCIONAIS –vocação e esforço Vocação pressentida desde cedo Valores idealistas, pós materialistas  envolvimento afectivo/desenvolvimento pessoal Sinais de transmissão cultural por parte das famílias Predominância de meios socioeconómicos mais favorecidos e com maior capital cultural “Eu sempre gostei de matemática, mas tive uma professora primária que me incentivava e a minha mãe também gostava dessa disciplina” In Domingo 22/10/2000
  • 36.
    OS EXCEPCIONAIS –redes e trajectórias As redes sociais, as influências de professores, os conhecimentos do meio e as hipóteses económicas de ir estudar para fora do país são especialmente importantes para os jovens cientistas. Claramente há quem um capital social mais alargado ou mais restrito, em relação com a posse de capital económico e cultural, recorrendo de novo aos conceitos de Bourdieu. As oportunidades decorrentes não são iguais para todos” Além dos amigos, Miguel Santos conta aínda com o forte apoio dos pais In Domingo 22/10/200 Michelle tinha apenas 9 anos quando os pais foram abordados por um olheiro norte- americano
  • 37.
    OS EXCEPCIONAIS -vivências Em discurso directo Enfoque na paixão e num tempo sem horários Despojamento e recusa de valores materiais “Que tem um trabalho como o meu é uma pessoa de sorte, porque é como se tivesse um hobby, e não um empreso na verdadeira acepção da palavra. Quando existe um desafio para vencer trabalha-se 24 horas sem cansaço e com as mais alta motivação” In Domingo Magazine 01/01/2006 “Gosto muito do que faço. Faço-o durante 12 horas/dia. Nunca paramos porque a ciência é isso mesmo. In Domingo Magazine 03/12/2006
  • 38.
    OS EXCEPCIONAIS –iniciativa e pioneirismo Sucesso associado ás habilitações académicas Sucesso associado à credibilidade dos graus académicos Outras formas de considerar o sucesso: Perfis de sucesso de jovens sem formação universitária Jovens de sexo feminino que optam por profissões tradiconalmente masculinas Jovens imigrantes com excecional rendimento escolar
  • 39.
    OS EXCEPCIONAIS –cá dentro/lá fora Sobretudo jovens cientistas Contrastes de políticas públicas de intervenção nas ciências e artes “O ambiente universitário inglês é mais dinâmico. Contactamos com pessoas que publicam em grandes revistas” In Visão 16/08/2001 “Continua a faltar uma aposta clara na ciência, financiamento que chegue a tempo e horas e o fortalecimento da carreira de investigação” In Visão 25/08/2005
  • 40.
  • 41.
    CARACTERIZAÇÃO Revelou-se umaescassa atenção e espaço editorial atribuido a problemáticas associadas a jovens e à sua consideração enquanto agentes dessas escolhas. Tendência para publicação das temáticas num momento de agenda de acontecimentos reduzida – verão Clara desigualdade por tipo de revista
  • 42.
    CARACTERIZAÇÃO Domingo, associa-seao jornal popular – constitui-se como um espelho para aqueles que, em contextos de menores capitais educacionais e de desfavorecimento económico, se empenham em “virar o destino”. Noticias Magazine  distingue-se pela quase ausência de atenção a este tema. Visão  Com uma voz rápida, reduzida e redutors, apresenta imagem de jovens com condições de progressão nos seus estudos, de desenvolvimento das suas capacidades intelectuais e de redes sociais. O que no final causa a deceção aos jovens ao tentarem entrar no mercado de trabalho.
  • 43.
    CARACTERIZAÇÃO  Essadiferença é transversal a ambas as grandes narrativas identificadas: a dos jovens excecionais dos jovens enquanto grupo e geração.
  • 44.
    CARACTERIZAÇÃO Embora commarcas de diálogo, o discurso destas revistas é dominado pela voz editorial É marcadamente influenciada pela agenda política É repleta de detalhes aparentemente banais e de impressões que fornecem um background sobre a sociedade envolvente Revela a forma como o jornalismo está a trabalhar estas problemáticas e como as poderia trabalhar de forma a: Estimular a reflexão acerca dos temas Apelar à participação dos jovens
  • 45.
    ENTÃO QUAL OVERDADEIRO PAPEL DOS MEDIA NAS DECISÕES VOCACIONAIS?
  • 46.
    M. Benedita Portugale Melo Sociologia da Educação Revista Luso-Brasileira ano 2 n 4 Dezembro 2011 Escolhas escolares e opções profissionais – entre a família a escola e os amigos, que papel desempenham os media?
  • 47.
    ENTÃO QUAL OPAPEL DOS MEDIA? A sua influência depende sempre de um conjunto diversificado de factores Fazendo-se sentir no plano das intenções, conhecimentos, crenças ou opiniões Têm o poder de nos dizer sobre que assuntos devemos pensar e como devemos pensar sobre esses mesmo assuntos
  • 48.
    FONTES UTILIZADAS PELOSALUNOS Fontes de Informação N % Mãe 981 55,3 Amigos 973 54,8 Professores 969 54,6 Psicólogos/Orientadores Vocacionais 962 54,3 Internet 822 46,3 Pai 816 46,0 Outros familiares 503 28,4 Irmãos 395 22,30 TV 281 15,80 Revistas 171 9,60 Jornais 164 9,20 Fonte: Inquérito aos alunos 2009 – ICS (Melo, 2011)
  • 49.
    QUE FONTES UTILIZAMOS JOVENS? Fontes de Informação N % Mundo Escolar (professores, orientadores) 1309 73,0 Família ( pai, mãe, irmãos, outros) 1206 67,9 Amigos 973 54,8 Internet 822 46,3 Media Tradicionais (TV, revistas, jornais) 386 21,5 Fonte: Inquérito aos alunos 2009 – ICS (Melo, 2011)
  • 50.
    QUE FONTES UTILIZAMOS JOVENS? A influência dos media é mediada e amenizada por outras redes informativas No caso de estudantes de meios sociais cultural e económicamente privilegiados, a família, mais concretamente a mãe, desempenha uma papel relevante no seu processo de escolha No caso de estudantes sem acesso a “bússolas parentais” (por ausência de recursos culturais), irmãos ou outros familiares, assim como pares e a escola são as referências
  • 51.
    QUE FONTES UTILIZAMOS JOVENS? Os media (novos e tradicionais) são uma fonte complementar de in(formação) de recurso Utilizada ao nível da consolidação e reorientação A internet é mais procurada do que jornais e a TV
  • 52.
    OS MEDIA NASESCOLHAS VOCACIONAIS As entrevistas e inquéritos realizados, mostram que os meios de comunicações sociais ocupam um lugar inferior em relação ao peso das redes familiares e de pares, nas escolhas vocacionais jovens È a figura da mãe, ou de quem exerce o papel maternal, que ocupa o lugar de destaque Associação da mãe, com a leitora de revistas generalista, levando a uma complementação de ambos os estudos efectuados (Ponte, 2012) e (Melo, 2011)
  • 53.
    A ESCOLA, AFAMÍLIA E A REPRODUÇÃO SOCIAL A escola se tem revelado um mecanismo de reprodução das diferenças sociais, as variáveis de tipo social, como o nível socioeconómico ou as habilitações literárias dos pais são também importantes quer para as escolhas vocacionais, quer para os tipos de percurso escolar dos alunos. (César, 1992)
  • 54.
    PORTUGAL E OSMEDIA “Em Portugal tem sido diagnosticada uma «fraca interação» entre a imprensa e a opinião pública (Oliveira, 1995), denunciada pela inexistência de um massivo público leitor de jornais (Seaton e Pimlott, 1983), não obstante existir uma forte relação, ou mesmo «interpermutação» (Garcia, 1995), entre a imprensa e a elite política. No passado, esta diferenciação manifestou-se num profundo distanciamento entre a «maioria sociológica» e as «minorias ideológicas», de modo que a monopolização do poder simbólico pelas elites acentuou o fosso comunicacional entre estas e as massas (Cabral, 1998).”