O Sociólogo é um ser social e faz parte da realidade que analisa – a realidade social -, facto que dificulta o processo de pesquisa.
Obstáculos à produção do conhecimento científico (resultantes do facto de observador e observado se confundirem): O senso comum A familiaridade com o social A ilusão da transparência do social O naturalismo O individualismo O etnocentrismo e
O senso comum   Há uma tendência natural para explicar a realidade a partir do que parece evidente. Exemplos: “ O insucesso escolar resulta da falta de trabalho dos alunos”.  No entanto, há outras explicações como a origem social dos alunos. “ Quanto maior o apego às tradições do país de origem, mais difícil é a integração dos imigrantes”. No entanto, há estudos que demonstram o contrário, devido ao apoio dado pelas comunidades de imigrantes. É necessário romper com as evidências do senso comum.
A familiaridade com o social   Os indivíduos conhecem a realidade social porque dela fazem parte. Por isso, não sentem necessidade de procurar novos conhecimentos que permitam interpretá-la. Exemplo: “ Os indivíduos conhecem o fenómeno da pobreza porque conhecem situações concretas de pessoas pobres”. No entanto, o fenómeno da pobreza é um fenómeno de tal forma complexo que, para compreendê-lo, é necessário recorrer à investigação científica: . Quais os grupos mais vulneráveis à pobreza? . Haverá diferentes formas de viver a pobreza? . Como se produz e reproduz a pobreza?
A ilusão da transparência do social   Os fenómenos sociais aparentemente são facilmente explicáveis porque os apreendemos de forma imediata, uma vez que com eles estamos directamente relacionados. No entanto, nem tudo o que é parece. Exemplo: Aparentemente, as mulheres estão mais vocacionadas para o desempenho de tarefas domésticas devido à experiência da maternidade. No entanto, as desigualdades de género são socialmente construídas: . Pela aprendizagem, desde que se nasce; . Pelas relações de dominação homem/mulher; . Pelos mecanismos que dificultam o acesso a cargo de poderes. A proximidade com a realidade observada cria uma ilusão de transparência e de compreensão clara dessa mesma realidade.
O naturalismo   Tendência para explicar os fenómenos sociais como se de fenómenos naturais se tratasse. No entanto, os fenómenos sociais são socialmente construídos. Exemplo: Texto pág. 31: A natureza social dos comportamentos. “ Causas das neuroses das mulheres casadas e com filhos” . Checoslováquia: surgem sobretudo em mulheres que não trabalham e passam a maior parte do tempo em casa. . Espanha: surgem sobretudo em mulheres que acumulam trabalho com ocupações a criar e a educar os filhos. A diferença deve-se a diferentes representações sociais acerca do papel da mulher na sociedade: no 1º caso é considerado normal a mulher trabalhar; no 2º e considerado não normal.
O individualismo   Tendência para explicar os fenómenos sociais como se resultassem apenas de decisões ou características individuais. No entanto, as práticas sociais são socialmente condicionadas; obedecem a modelos, normas e regras sociais. Na realidade, não há antagonismo entre indivíduo e sociedade: a acção humana não é meramente individual, embora não haja determinismo social. “ A realidade social não existe sem indivíduos; os indivíduos não existem fora da realidade social”. Exemplo: pág. 32: “Os comportamentos individuais obedecem a modelos sociais.” Visto-me de certa forma porque gosto. Porém, ao optar por determinada forma de vestir, faço-o, de forma mais ou menos inconsciente, influenciado pelo contexto social onde actuo. Um acto tão individual como o suicídio é condicionado também por variáveis de ordem social.
O etnocentrismo   Tendência para considerar a cultura do grupo ou sociedade a que se pertence como sendo superior às outras. “ Os outros são: incultos, pouco civilizados, inferiores, fanáticos, bizarros ou com hábitos reprováveis…” Porém, não há culturas superiores e inferiores, mas diferentes. Cada cultura só pode ser compreendida e interpretada em função do contexto social que a produz. Uma cultura deve ser estudada segundo os seus próprios significados e valores. Exemplos: Um ocidental dificilmente sobrevive no seio dos povos aborígenes; Estudar a cultura cigana implica despirmo-nos dos preconceitos habituais acerca dos ciganos, tais como: . “Os ciganos são um povo machista”; Só é possível compreender os rituais religiosos árabes em função do seu próprio contexto social e não à luz dos conceitos das sociedades ocidentais. O etnocentrismo faz-nos olhar as outras culturas como sendo bizarras ou como tendo hábitos reprováveis pelo simples facto de serem diferentes da cultura a que pertencemos.

Obstáculos Epistemológicos

  • 1.
    O Sociólogo éum ser social e faz parte da realidade que analisa – a realidade social -, facto que dificulta o processo de pesquisa.
  • 2.
    Obstáculos à produçãodo conhecimento científico (resultantes do facto de observador e observado se confundirem): O senso comum A familiaridade com o social A ilusão da transparência do social O naturalismo O individualismo O etnocentrismo e
  • 3.
    O senso comum Há uma tendência natural para explicar a realidade a partir do que parece evidente. Exemplos: “ O insucesso escolar resulta da falta de trabalho dos alunos”. No entanto, há outras explicações como a origem social dos alunos. “ Quanto maior o apego às tradições do país de origem, mais difícil é a integração dos imigrantes”. No entanto, há estudos que demonstram o contrário, devido ao apoio dado pelas comunidades de imigrantes. É necessário romper com as evidências do senso comum.
  • 4.
    A familiaridade como social Os indivíduos conhecem a realidade social porque dela fazem parte. Por isso, não sentem necessidade de procurar novos conhecimentos que permitam interpretá-la. Exemplo: “ Os indivíduos conhecem o fenómeno da pobreza porque conhecem situações concretas de pessoas pobres”. No entanto, o fenómeno da pobreza é um fenómeno de tal forma complexo que, para compreendê-lo, é necessário recorrer à investigação científica: . Quais os grupos mais vulneráveis à pobreza? . Haverá diferentes formas de viver a pobreza? . Como se produz e reproduz a pobreza?
  • 5.
    A ilusão datransparência do social Os fenómenos sociais aparentemente são facilmente explicáveis porque os apreendemos de forma imediata, uma vez que com eles estamos directamente relacionados. No entanto, nem tudo o que é parece. Exemplo: Aparentemente, as mulheres estão mais vocacionadas para o desempenho de tarefas domésticas devido à experiência da maternidade. No entanto, as desigualdades de género são socialmente construídas: . Pela aprendizagem, desde que se nasce; . Pelas relações de dominação homem/mulher; . Pelos mecanismos que dificultam o acesso a cargo de poderes. A proximidade com a realidade observada cria uma ilusão de transparência e de compreensão clara dessa mesma realidade.
  • 6.
    O naturalismo Tendência para explicar os fenómenos sociais como se de fenómenos naturais se tratasse. No entanto, os fenómenos sociais são socialmente construídos. Exemplo: Texto pág. 31: A natureza social dos comportamentos. “ Causas das neuroses das mulheres casadas e com filhos” . Checoslováquia: surgem sobretudo em mulheres que não trabalham e passam a maior parte do tempo em casa. . Espanha: surgem sobretudo em mulheres que acumulam trabalho com ocupações a criar e a educar os filhos. A diferença deve-se a diferentes representações sociais acerca do papel da mulher na sociedade: no 1º caso é considerado normal a mulher trabalhar; no 2º e considerado não normal.
  • 7.
    O individualismo Tendência para explicar os fenómenos sociais como se resultassem apenas de decisões ou características individuais. No entanto, as práticas sociais são socialmente condicionadas; obedecem a modelos, normas e regras sociais. Na realidade, não há antagonismo entre indivíduo e sociedade: a acção humana não é meramente individual, embora não haja determinismo social. “ A realidade social não existe sem indivíduos; os indivíduos não existem fora da realidade social”. Exemplo: pág. 32: “Os comportamentos individuais obedecem a modelos sociais.” Visto-me de certa forma porque gosto. Porém, ao optar por determinada forma de vestir, faço-o, de forma mais ou menos inconsciente, influenciado pelo contexto social onde actuo. Um acto tão individual como o suicídio é condicionado também por variáveis de ordem social.
  • 8.
    O etnocentrismo Tendência para considerar a cultura do grupo ou sociedade a que se pertence como sendo superior às outras. “ Os outros são: incultos, pouco civilizados, inferiores, fanáticos, bizarros ou com hábitos reprováveis…” Porém, não há culturas superiores e inferiores, mas diferentes. Cada cultura só pode ser compreendida e interpretada em função do contexto social que a produz. Uma cultura deve ser estudada segundo os seus próprios significados e valores. Exemplos: Um ocidental dificilmente sobrevive no seio dos povos aborígenes; Estudar a cultura cigana implica despirmo-nos dos preconceitos habituais acerca dos ciganos, tais como: . “Os ciganos são um povo machista”; Só é possível compreender os rituais religiosos árabes em função do seu próprio contexto social e não à luz dos conceitos das sociedades ocidentais. O etnocentrismo faz-nos olhar as outras culturas como sendo bizarras ou como tendo hábitos reprováveis pelo simples facto de serem diferentes da cultura a que pertencemos.