Fonte: Revista Internacional de Espiritismo. Outubro de 2012
Na história do Psiquismo se salienta, como um brilhante de primeira
grandeza num diadema, a figura singular do Missionário Lionês. Bacharel em
ciências e letras, doutor em medicina, linguista distinto, professor emérito
substituto de Pestalozzi, regendo no Liceu Polimático as cadeiras de fisiologia,
astronomia, química e física, o Dr. Denizard Hypolite Léon Rivail recebeu
em 1854 os primeiros influxos das manifestações que deveriam iniciá-lo em
sua carreira missionária. E sem dispensar o espírito crítico, vestido de todos
os conhecimentos necessários para o empreendimento de uma grande
verdade que tinha por fim operar radical transformação em todas as
ramificações do saber humano, Allan Kardec não relutou tomar a frente dessa
grande missão que o tornou célebre e conhecido em todo o mundo.
Traçando o seu retrato, Mme. Ana Blackwell (tradutora das obras de Allan
Kardec para o inglês) assim se exprime: "Allan Kardec é de mediana estatura,
robusto, testa ampla, olhos grises pardos, parecendo mais alemão que
francês. É enérgico e tenaz, mas de temperamento tranquilo, precavido e
realista até à frialdade, incrédulo por natureza e por educação; racionalista,
lógico e preciso, é eminentemente prático em ideias e ações, não
mantendo nem o entusiasmo nem o misticismo. Austero, cuidadoso no
pronunciar-se, sem exterioridades e cheio de independência e de critério que
assinalam o seu caráter, ele, sem provocar discussões, não as evita entretanto,
e recebe amavelmente inúmeros visitantes que, de todas as partes do mundo
vão falar-lhe das ideias, de que ele é o mais autorizado expoente.
O Mestre contesta as objeções, resolve as dificuldades, dá informes a todos
os investigadores sérios, com quem conversa livre e animadamente sob a
Nova Revelação de que foi constituído o porta-voz. Nunca se o viu rir, mas o
seu rosto é radiante, prazenteiro e genial. O Imperador Napoleão III, cujo
interesse pelos fenômenos espíritas todos conhecem, teve com ele largas
conversações nas Tulherias, acerca das doutrinas que ele expôs em O Livro
dos Espíritos". A missão de Allan Kardec parece que não podia ser entregue a
outra individualidade; só ele, grande Gênio, poderia levá-la ao triunfo
definitivo, porque ele representava, de fato, o espírito do critério aliado ao
bom-senso, como bem qualificou-o Camille Flammarion. Ele compreendeu
logo a gravidade da tarefa que ia empreender e entreviu nesses fenômenos a
chave do problema, tão obscuro e tão controvertido, do passado e do futuro
da humanidade, cuja solução sempre procurou.
Recebeu, enfim, nessas manifestações, a ideia de uma revolução completa
nas ideias e nas crenças do mundo. Com efeito, as manifestações psíquicas,
espíritas, propriamente ditas e anímicas, desde o mais simples movimento
das "mesas rodantes", até as vozes diretas, fotografias, materializações não
têm outro fim que a demonstração da Imortalidade. Elas devem
forçosamente revelar o passado e o futuro da humanidade. Mas esta
conclusão devia ser privilégio de um grande Espírito, pois nenhum dos
grandes filósofos de todos os países e de todos os tempos pôde ver nesses
fatos, a base da religião, da ciência, da filosofia e da moral, como o fez o
Missionário francês, votado à espiritualização da humanidade. Foi depois
dessa conclusão acertada que ele deu início à sua tarefa de coligir e codificar
os Ensinos dos Espíritos.
Fundou a Sociedade de Estudos Psíquicos, fundou a "Revue Spirite", tendo
antes disso publicado as interessantes obras: O Livro dos Espíritos, O Livro
dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A
Gênese, livros esses que têm alcançado enormes edições sucessivas e são
traduzidos em todos os idiomas. Allan Kardec, considerando que as palavras
"espiritual", "espiritualista", "espiritualismo" não davam a verdadeira
significação da sua Doutrina, criou as expressões "espírita", "espiritista",
"Espiritismo" que exprimem magnificamente a nova Religião-Ciência que
se acha plenamente exposta nos seus livros. Alçando a bandeira do progresso,
ele programou o princípio das vidas sucessivas e dos mundos habitados,
como meios de conquistas da Vida Eterna. A alma possui uma individualidade
antes de se encarnar e conserva essa individualidade ao separar-se do corpo
carnal.
Allan Kardec fez as suas experiências através das inteligências comunicantes
por meio de perguntas e respostas, obtendo assim todo o material
necessário para escrever seus livros. Durante todo o tempo do exercício de sua
grande missão, o Mestre foi incansável no seu trabalho de divulgação da
Doutrina. Não se limitou à publicação de livros e revistas; saía pelas cidades da
França e circunvizinhanças, fazia conferências, proferia alocuções convidando
os ouvintes ao estudo e à experimentação, método por ele adotado
durante a sua existência terrena. O ano de 1869 assinala, a 31 de março, o
desaparecimento do emérito missionário que a 3 de outubro de 1804 fizera a sua
entrada neste mundo. Todos os jornais da época se ocuparam da morte de
Allan Kardec e procuraram medir-lhe as consequências. Eis, a título de
lembrança, o que a seu respeito escreveu o Sr. Pagès de Noyez, no "Journal de
Paris”, de 3 de abril de 1869:
"Aquele que por tão longo tempo ocupou o mundo científico e religioso sob o
pseudônimo de Allan Kardec, chama-se Rivail e morreu na idade de 65 anos.
"Vimo-lo deitado num simples colchão, no meio dessa sala de sessões que
há tantos anos ele presidia; vimo-lo com o seu semblante calmo como se
extinguem aqueles a quem a morte não surpreende e que, tranquilos quanto
ao resultado de uma vida honesta e laboriosamente preenchida, imprimem
como que um reflexo de pureza de sua alma sobre o corpo que
abandonaram. "Resignados pela fé em uma vida melhor, e pela convicção da
imortalidade da alma, inúmeros discípulos tinham vindo lançar um
derradeiro olhar àqueles lábios descorados que ainda na véspera lhes
falavam a linguagem da terra. Mas eles recebiam já a consolação de além-
túmulo:
o espírito de Allan Kardec veio dizer-lhes quais as suas primeiras impressões,
quais, dos que o haviam precedido no além-túmulo, tinham vindo ajudar sua
alma a desprender-se da matéria. Se 'o estilo é o homem' aqueles que
conheceram Allan Kardec em vida não podem deixar de ficar emocionados
pela autenticidade dessa comunicação espírita." Concluindo esta tirada, nos
associamos a todos os espíritas pelas lembranças e preces de gratidão que a 3 de
outubro dirigiram ao Missionário da Revelação das revelações. Oxalá que
tão elevado Espírito reapareça brevemente, no cenário mundial, como
prometeu, para trazer o complemento da sua grande obra de imortalidade e
progresso.
Cairbar Schutel (RIE em outubro de 1935).
Muita Paz!
Visite o meu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br
A serviço da Doutrina Espírita; com estudo comentado de O Livro dos Espíritos
e de Reflexões sobre O Livro dos Médiuns.
O amanhã é sempre um dia a ser conquistado. Pense nisso!
Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec!

O missionário lionês

  • 2.
    Fonte: Revista Internacionalde Espiritismo. Outubro de 2012 Na história do Psiquismo se salienta, como um brilhante de primeira grandeza num diadema, a figura singular do Missionário Lionês. Bacharel em ciências e letras, doutor em medicina, linguista distinto, professor emérito substituto de Pestalozzi, regendo no Liceu Polimático as cadeiras de fisiologia, astronomia, química e física, o Dr. Denizard Hypolite Léon Rivail recebeu em 1854 os primeiros influxos das manifestações que deveriam iniciá-lo em sua carreira missionária. E sem dispensar o espírito crítico, vestido de todos os conhecimentos necessários para o empreendimento de uma grande verdade que tinha por fim operar radical transformação em todas as ramificações do saber humano, Allan Kardec não relutou tomar a frente dessa grande missão que o tornou célebre e conhecido em todo o mundo.
  • 3.
    Traçando o seuretrato, Mme. Ana Blackwell (tradutora das obras de Allan Kardec para o inglês) assim se exprime: "Allan Kardec é de mediana estatura, robusto, testa ampla, olhos grises pardos, parecendo mais alemão que francês. É enérgico e tenaz, mas de temperamento tranquilo, precavido e realista até à frialdade, incrédulo por natureza e por educação; racionalista, lógico e preciso, é eminentemente prático em ideias e ações, não mantendo nem o entusiasmo nem o misticismo. Austero, cuidadoso no pronunciar-se, sem exterioridades e cheio de independência e de critério que assinalam o seu caráter, ele, sem provocar discussões, não as evita entretanto, e recebe amavelmente inúmeros visitantes que, de todas as partes do mundo vão falar-lhe das ideias, de que ele é o mais autorizado expoente.
  • 4.
    O Mestre contestaas objeções, resolve as dificuldades, dá informes a todos os investigadores sérios, com quem conversa livre e animadamente sob a Nova Revelação de que foi constituído o porta-voz. Nunca se o viu rir, mas o seu rosto é radiante, prazenteiro e genial. O Imperador Napoleão III, cujo interesse pelos fenômenos espíritas todos conhecem, teve com ele largas conversações nas Tulherias, acerca das doutrinas que ele expôs em O Livro dos Espíritos". A missão de Allan Kardec parece que não podia ser entregue a outra individualidade; só ele, grande Gênio, poderia levá-la ao triunfo definitivo, porque ele representava, de fato, o espírito do critério aliado ao bom-senso, como bem qualificou-o Camille Flammarion. Ele compreendeu logo a gravidade da tarefa que ia empreender e entreviu nesses fenômenos a chave do problema, tão obscuro e tão controvertido, do passado e do futuro da humanidade, cuja solução sempre procurou.
  • 5.
    Recebeu, enfim, nessasmanifestações, a ideia de uma revolução completa nas ideias e nas crenças do mundo. Com efeito, as manifestações psíquicas, espíritas, propriamente ditas e anímicas, desde o mais simples movimento das "mesas rodantes", até as vozes diretas, fotografias, materializações não têm outro fim que a demonstração da Imortalidade. Elas devem forçosamente revelar o passado e o futuro da humanidade. Mas esta conclusão devia ser privilégio de um grande Espírito, pois nenhum dos grandes filósofos de todos os países e de todos os tempos pôde ver nesses fatos, a base da religião, da ciência, da filosofia e da moral, como o fez o Missionário francês, votado à espiritualização da humanidade. Foi depois dessa conclusão acertada que ele deu início à sua tarefa de coligir e codificar os Ensinos dos Espíritos.
  • 6.
    Fundou a Sociedadede Estudos Psíquicos, fundou a "Revue Spirite", tendo antes disso publicado as interessantes obras: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, livros esses que têm alcançado enormes edições sucessivas e são traduzidos em todos os idiomas. Allan Kardec, considerando que as palavras "espiritual", "espiritualista", "espiritualismo" não davam a verdadeira significação da sua Doutrina, criou as expressões "espírita", "espiritista", "Espiritismo" que exprimem magnificamente a nova Religião-Ciência que se acha plenamente exposta nos seus livros. Alçando a bandeira do progresso, ele programou o princípio das vidas sucessivas e dos mundos habitados, como meios de conquistas da Vida Eterna. A alma possui uma individualidade antes de se encarnar e conserva essa individualidade ao separar-se do corpo carnal.
  • 7.
    Allan Kardec fezas suas experiências através das inteligências comunicantes por meio de perguntas e respostas, obtendo assim todo o material necessário para escrever seus livros. Durante todo o tempo do exercício de sua grande missão, o Mestre foi incansável no seu trabalho de divulgação da Doutrina. Não se limitou à publicação de livros e revistas; saía pelas cidades da França e circunvizinhanças, fazia conferências, proferia alocuções convidando os ouvintes ao estudo e à experimentação, método por ele adotado durante a sua existência terrena. O ano de 1869 assinala, a 31 de março, o desaparecimento do emérito missionário que a 3 de outubro de 1804 fizera a sua entrada neste mundo. Todos os jornais da época se ocuparam da morte de Allan Kardec e procuraram medir-lhe as consequências. Eis, a título de lembrança, o que a seu respeito escreveu o Sr. Pagès de Noyez, no "Journal de Paris”, de 3 de abril de 1869:
  • 8.
    "Aquele que portão longo tempo ocupou o mundo científico e religioso sob o pseudônimo de Allan Kardec, chama-se Rivail e morreu na idade de 65 anos. "Vimo-lo deitado num simples colchão, no meio dessa sala de sessões que há tantos anos ele presidia; vimo-lo com o seu semblante calmo como se extinguem aqueles a quem a morte não surpreende e que, tranquilos quanto ao resultado de uma vida honesta e laboriosamente preenchida, imprimem como que um reflexo de pureza de sua alma sobre o corpo que abandonaram. "Resignados pela fé em uma vida melhor, e pela convicção da imortalidade da alma, inúmeros discípulos tinham vindo lançar um derradeiro olhar àqueles lábios descorados que ainda na véspera lhes falavam a linguagem da terra. Mas eles recebiam já a consolação de além- túmulo:
  • 9.
    o espírito deAllan Kardec veio dizer-lhes quais as suas primeiras impressões, quais, dos que o haviam precedido no além-túmulo, tinham vindo ajudar sua alma a desprender-se da matéria. Se 'o estilo é o homem' aqueles que conheceram Allan Kardec em vida não podem deixar de ficar emocionados pela autenticidade dessa comunicação espírita." Concluindo esta tirada, nos associamos a todos os espíritas pelas lembranças e preces de gratidão que a 3 de outubro dirigiram ao Missionário da Revelação das revelações. Oxalá que tão elevado Espírito reapareça brevemente, no cenário mundial, como prometeu, para trazer o complemento da sua grande obra de imortalidade e progresso. Cairbar Schutel (RIE em outubro de 1935).
  • 10.
    Muita Paz! Visite omeu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br A serviço da Doutrina Espírita; com estudo comentado de O Livro dos Espíritos e de Reflexões sobre O Livro dos Médiuns. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado. Pense nisso! Leia Kardec! Estude Kardec! Pratique Kardec! Divulgue Kardec!