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O Absoluto Impessoal e o Deus Pessoal
                                              Carlos A. P. Campani
           Existem duas grandes escolas da filosofia hindu: dvaita e advaita. Para a filosofia advaita (não dualista, monista) apenas o
Absoluto Impessoal, Brahman (chamado também de Parabrahman ou Parashiva), é real e todo nome e forma é irreal, ilusório. O
Absoluto Impessoal é imutável, oculto, inefável, incognicível e sem atributos. Um praticante advaita acredita que o mundo é ilusório,
assim como todos os níveis de consciência – o estado de vigília é tão ilusório quanto o de sono profundo. Assim, a filosofia advaita
identifica Atman (alma) com Brahman (o Absoluto), e o praticante desta filosofia afirma “Eu sou Brahman.” As práticas associadas à
filosofia advaita envolvem a compreensão da transitoriedade da existência e a renúncia completa às coisas do mundo.
           Por outro lado, a filosofia dvaita (dualista) afirma que existe o Absoluto Impessoal e sua energia ativa, Shakti, cuja
manifestação é Kali (Deus Pessoal). Um praticante desta filosofia diria que “Brahman é o Todo, Eu sou uma parte.” Para a filosofia
dvaita, os nomes e formas são reais, aspectos derivados do Absoluto que se manifesta como criador (Brahma), mantenedor (Vishnu) e
destruidor (Shiva) – que são a raiz do movimento do mundo, permanecendo Ele, o Absoluto, imutável. Kali, a Deusa Mãe (metáfora
para a Natureza), é a criadora da ilusão (maya) que mantém as almas atadas às cadeias do mundo. Para o praticante dvaita o caminho
para o Absoluto é trilhado por meio de submissão e devoção (bakti) ao Deus Pessoal.
           A cabala nos apresenta uma terceira abordagem, que chamaremos de não dualista qualificada. Para os cabalistas, o
Absoluto (Ain Sóf) manifesta-Se por meio de duas faces: a Face Grande e a Face Pequena. A Face Grande é Deus-sem-Nome-Forma,
Deus absconditus, Deus-em-Si-Mesmo, o aspecto transcendente de Deus, e a Face Pequena é o Deus-com-Nome-Forma, Deus-em-
Suas-Manifestações, o aspecto imanente de Deus. Neste abordagem, todo nome e forma se unifica na Face Pequena (Deus Pessoal),
que é um intermediário para a Face Grande e o Absoluto. O que a cabala ensina é que tudo se unifica em Deus e no Seu santo Nome
(YHVH).
           As diferenças entre as escolas dvaita e advaita são ilusórias, e a abordagem cabalística representa uma síntese de ambas.
Bhagavan Sri Ramakrishna dizia que “aquele que acredita que Deus está em todas as coisas é igual àquele que diz que Deus é Nada”,
quem realizou tal compreensão pode dizer “Tu és Eu. Eu sou Tu… Vejo-Te em tôdas as partes. Onde quer que ponha os olhos, vejo
Tua forma.”
           Para aqueles que trilham o caminho da devoção (baktas), uma das práticas mais úteis e poderosas é a recitação do santo
Nome de Deus. Repetir, cantar e pensar o Nome de Deus nos faz cada vez mais próximos de Sua divina presença.

Bibliografia
O Evangelho de Ramakrishna, Ed. Pensamento, 1971.

Gershom Scholem, A Cabala e seu Simbolismo, Ed. Perspectiva, 2009, ISBN: 9788527301329.

Daniel    Feldman,    Qabala:    The   Mystical      Heritage   of    the   Children            of    Abraham.      Disponível     em:
http://www.workofthechariot.com/PDF/qabalah.pdf último acesso em: 28/02/2010.

Sri Swami Krishnananda, Yoga, Meditação e Japa Sadhana, The Divine Life Society. Disponível em: http://www.swami-
krishnananda.org/ymj/Yoga_Meditation_and_Japa_Sadhana_Portugese.pdf último acesso: 25/02/2010.

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O Absoluto Impessoal e o Deus Pessoal

  • 1. O Absoluto Impessoal e o Deus Pessoal Carlos A. P. Campani Existem duas grandes escolas da filosofia hindu: dvaita e advaita. Para a filosofia advaita (não dualista, monista) apenas o Absoluto Impessoal, Brahman (chamado também de Parabrahman ou Parashiva), é real e todo nome e forma é irreal, ilusório. O Absoluto Impessoal é imutável, oculto, inefável, incognicível e sem atributos. Um praticante advaita acredita que o mundo é ilusório, assim como todos os níveis de consciência – o estado de vigília é tão ilusório quanto o de sono profundo. Assim, a filosofia advaita identifica Atman (alma) com Brahman (o Absoluto), e o praticante desta filosofia afirma “Eu sou Brahman.” As práticas associadas à filosofia advaita envolvem a compreensão da transitoriedade da existência e a renúncia completa às coisas do mundo. Por outro lado, a filosofia dvaita (dualista) afirma que existe o Absoluto Impessoal e sua energia ativa, Shakti, cuja manifestação é Kali (Deus Pessoal). Um praticante desta filosofia diria que “Brahman é o Todo, Eu sou uma parte.” Para a filosofia dvaita, os nomes e formas são reais, aspectos derivados do Absoluto que se manifesta como criador (Brahma), mantenedor (Vishnu) e destruidor (Shiva) – que são a raiz do movimento do mundo, permanecendo Ele, o Absoluto, imutável. Kali, a Deusa Mãe (metáfora para a Natureza), é a criadora da ilusão (maya) que mantém as almas atadas às cadeias do mundo. Para o praticante dvaita o caminho para o Absoluto é trilhado por meio de submissão e devoção (bakti) ao Deus Pessoal. A cabala nos apresenta uma terceira abordagem, que chamaremos de não dualista qualificada. Para os cabalistas, o Absoluto (Ain Sóf) manifesta-Se por meio de duas faces: a Face Grande e a Face Pequena. A Face Grande é Deus-sem-Nome-Forma, Deus absconditus, Deus-em-Si-Mesmo, o aspecto transcendente de Deus, e a Face Pequena é o Deus-com-Nome-Forma, Deus-em- Suas-Manifestações, o aspecto imanente de Deus. Neste abordagem, todo nome e forma se unifica na Face Pequena (Deus Pessoal), que é um intermediário para a Face Grande e o Absoluto. O que a cabala ensina é que tudo se unifica em Deus e no Seu santo Nome (YHVH). As diferenças entre as escolas dvaita e advaita são ilusórias, e a abordagem cabalística representa uma síntese de ambas. Bhagavan Sri Ramakrishna dizia que “aquele que acredita que Deus está em todas as coisas é igual àquele que diz que Deus é Nada”, quem realizou tal compreensão pode dizer “Tu és Eu. Eu sou Tu… Vejo-Te em tôdas as partes. Onde quer que ponha os olhos, vejo Tua forma.” Para aqueles que trilham o caminho da devoção (baktas), uma das práticas mais úteis e poderosas é a recitação do santo Nome de Deus. Repetir, cantar e pensar o Nome de Deus nos faz cada vez mais próximos de Sua divina presença. Bibliografia O Evangelho de Ramakrishna, Ed. Pensamento, 1971. Gershom Scholem, A Cabala e seu Simbolismo, Ed. Perspectiva, 2009, ISBN: 9788527301329. Daniel Feldman, Qabala: The Mystical Heritage of the Children of Abraham. Disponível em: http://www.workofthechariot.com/PDF/qabalah.pdf último acesso em: 28/02/2010. Sri Swami Krishnananda, Yoga, Meditação e Japa Sadhana, The Divine Life Society. Disponível em: http://www.swami- krishnananda.org/ymj/Yoga_Meditation_and_Japa_Sadhana_Portugese.pdf último acesso: 25/02/2010.