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Roxane Rojo
Cristina Lastoria
Concepção e leitura crítica:
Jacqueline Peixoto Barbosa e
Regina Cândido Ellero Gualtieri
eqüência
idática
Gêneros de
divulgação científica
Governo do Estado de São Paulo
Governador: Cláudio Lembo
Secretaria de Estado da Educação de São Paulo
Secretária da Educação: Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos
Secretária Adjunta: Carmem Vitória Annunziato
Chefe de Gabinete: Evandro Fabiani Capano
Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP)
Coordenadora: Sonia Maria Silva
equipe técnica:
Maria Silvia Sanchez Bortolozzo
Valéria de Souza
Luiz Fábio Simões Pucci
Eva Margareth Dantas
Regina Aparecida Resek
Roseli Cassar Ventrella
Ione da Silva Jovino
Marcio Savignano
Marisia Margarida Santiago Buitoni
Ruy Pietropaulo
Angélica Fontoura Garcia Silva
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 
Caro aluno,
Buscamos com este material oferecer a você um kit de ferramen-
tas que será útil para ajudá-lo a compreender melhor os textos e
discursos que costuma encontrar na área de Ciências da Natureza,
Matemática e suas Tecnologias (CNMT).
Aqui, você vai aprender mais sobre gêneros de texto que já conhe-
ce: verbetes, textos didáticos e, sobretudo, artigos de divulgação
científica. Vai ver como e quando alguns desses gêneros surgiram
e aprenderá alguns dos mecanismos básicos de seu funcionamen-
to, constatando que esses gêneros de texto podem ser de grande
valia, tanto em pesquisas escolares quanto como leitura de entre-
tenimento e informação.
Pretendemos que você reflita sobre algumas das propriedades des-
ses gêneros, para aprender a tirar deles o melhor proveito possível,
de acordo com as finalidades de sua leitura – informar-se, distrair-
se ou ampliar seus conhecimentos. E também para dialogar com
eles numa perspectiva crítica, se for o caso.
Você vai ler diversos textos e refletir sobre eles, conversar e es-
crever a respeito, construindo um arcabouço de informações que
depois poderá divulgar. Afinal, esse conhecimento todo não pode
ficar escondido.
Um jeito interessante de divulgar o que você aprendeu é criar um
blog. Há algum tempo, os blogs deixaram de ser apenas diários
on-line e se tornaram também espaços para debate. Existem, por
exemplo, blogs que discutem fatos políticos, economia ou arte; há
também os humorísticos e os de divulgação científica. Então, eis
nossa proposta: que, ao longo deste trabalho, seu grupo crie um
blog para divulgar ciência.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica

Conheça alguns blogs de divulgação científica:
http://rastosdeluz.blogspot.com/2005_10_01_rastosdeluz_
archive.html
http://falardepi.blogs.sapo.pt/
http://cienciaemdia.zip.net/
http://fisicocinico.blogspot.com/
Se for impossível para seu grupo fazer essa divulgação pela inter-
net – por dificuldade de acesso a computadores, falta de boa cone-
xão ou outros motivos –, vale a pena procurar alguma alternativa.
Uma delas consiste em fazer a divulgação apenas no ambiente
escolar, montando um Mural da Ciência na escola ou na sala de
aula, escrevendo uma seção para o jornal ou a revista de sua escola
ou ainda ocupando espaço na programação de rádio da escola: que
tal um programa do tipo “Ondas da Ciência”? Enfim, com a ajuda
de seu professor, vocês vão definir o que fazer.
Mas, seja qual for o tipo de divulgação, vocês precisam se organi-
zar e decidir, entre outras tarefas:
Quem participará do grupo, com até seis membros?
Quais temas pretendem divulgar? De quais disciplinas ou ­áreas?
Astronomia? Biologia? Geologia? Física? Química? Mais de uma?
Quem pesquisará as imagens?
Quem vai reunir o material?
Quem vai editar?
Quem vai postar/publicar os textos?
Se o grupo optar pelo Mural da Ciência, precisa resolver:
Onde ele será exposto? No pátio da escola? No corredor? Em
sua sala de aula?
Quem serão os leitores: apenas seus colegas de turma ou toda
a comunidade escolar?
Qual será o suporte? Um quadro de cortiça? Folhas de papel
kraft?
Quais as dimensões do suporte e o que caberá nele?
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 
E se a opção for por qualquer outro formato de publicação, o grupo
deverá combinar bem qual será o espaço ou o tempo, de que modo
pretende organizar a informação e para quem quer divulgar – ou
seja, quais são os potenciais leitores ou ouvintes.
Ainda há tempo para decidir tudo isso, mas, por enquanto, procu-
re informar-se a respeito do funcionamento de um blog e conhecer
as ferramentas utilizadas. Para isso, consulte sites de provedores
– seus, de seus colegas ou da escola –, como estes, por exemplo:
http://blog.terra.com.br/
http://www.blogger.com/start?hl=pt-BR
http://blog.uol.com.br/
Ou, então, dê uma busca no Google sobre “bloggers” ou “weblog-
gers”. Navegue um pouco e verá como é fácil fazer seu blog.
Agora, sem perder de vista o futuro blog ou o possível Mural da
Ciência, vamos aos gêneros de texto. Bom trabalho!
As autoras
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica

Parte 1 Como você lê os textos
da área de CNMT?
Para entender os textos e as instruções da divulgação científica é
preciso dispor de um conjunto de saberes e procedimentos. Para
começar o trabalho, vamos ver como você interage com esses
textos. Com as atividades a seguir, seu professor também poderá
perceber o que você já sabe (ou não) sobre esses gêneros de texto
e quais capacidades e procedimentos de leitura já utiliza (ou não)
no seu processo de compreensão.
Leia os textos a seguir.
Texto 1
Toda tecnologia avançada pode ser usada para fins pacíficos ou
bélicos. Isso ocorre com a eletrônica, a nanotecnologia, a biologia, a
engenharia genética e também com a energia nuclear. Os conheci-
mentos podem ser aplicados – e são – na guerra, mas também podem
contribuir para melhorar a qualidade de vida da população. A energia
nuclear – conhecida pelas bombas lançadas em 1945 sobre as cida-
des japonesas de Hiroshima e Nagasaki, bem como pelos acidentes
ocorridos com reatores nos Estados Unidos e na Ucrânia –, ganhou
um estigma que até hoje prejudica uma discussão ponderada sobre
os riscos e benefícios advindos dessa tecnologia. No entanto, inúmeras
atividades presentes em nosso dia-a-dia empregam, direta ou indire-
tamente e de modo seguro, as radiações nucleares. Por exemplo, as
técnicas nucleares têm sido anualmente responsáveis pela cura ou
prevenção do câncer em milhões de pessoas. A energia elétrica produ-
zida em reatores gera quase 20% desse tipo de energia no mundo e é
uma das áreas que mais se preocupam com a segurança, o que levou,
nos últimos anos, vários países a optar por essa tecnologia. A energia
nuclear também tem sido amplamente empregada no ambiente, na
indústria e na pesquisa.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 
[...] Na natureza, existem 92 elementos. Cada elemento pode ter quan-
tidades diferentes de nêutrons. Os núcleos com mesmo número de
prótons, mas que diferem no número de nêutrons, são denominados
isótopos de um mesmo elemento. Para determinadas combinações de
nêutrons e prótons, o núcleo é estável – nesse caso, são denominados
isótopos estáveis. Para outras combinações, o núcleo é instável (isóto-
pos radioativos ou radioisótopos) e emitirá energia na forma de ondas
eletromagnéticas ou de partículas, até atingir a estabilidade.
Dá-se o nome genérico de radiação nuclear à energia emitida pelo
núcleo. As principais formas de radiação são: i) emissão de nêutrons;
ii) radiação gama, ou seja, radiação eletromagnética, da mesma natu-
reza que a luz visível, as microondas ou os raios X, porém mais ener-
gética; iii) radiação alfa (núcleos de hélio, formados por dois prótons
e dois nêutrons); iv) radiação beta (elétrons ou suas antipartículas, os
pósitrons, cuja carga elétrica é positiva). [...] A liberação de energia
do núcleo se dá através de dois processos principais: decaimento ra-
dioativo (também chamado desintegração) e fissão. [...]
Odair Dias Gonçalves e Ivan Pedro Salati de Almeida.
Comissão Nacional de Energia Nuclear (RJ), revista Ciência Hoje.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica

Texto 2 – A Terra como uma estufa
Antes de tentar explicar o que é efeito estufa,
devo dizer que este assunto é uma polêmica.
Isto é: alguns pesquisadores acreditam que
a Terra está ficando cada vez mais quente,
cada ano mais um pouquinho, embora não
muito. Mas, ao mesmo tempo, outros cientis-
tas não estão tão seguros de que isso esteja
mesmo ocorrendo. Pois bem, a gente precisa
entender com cuidado isso aí para entrar na discussão deles e dar
também nossos palpites. Afinal, todos podemos ter idéias. Posso con-
tar algumas coisas sobre o chamado efeito estufa, mas o resto fica
para vocês investigarem, se não, perde a graça.
Então, vejamos. Que tal começarmos pela fonte de todo nosso calor?
Sim, pelo Sol, porque, se a Terra está esquentando, ele deve ter algu-
ma coisa a ver com isso. Primeira novidade: não é o Sol que esquenta
diretamente o ar, ou, pelo menos, ele esquenta muito pouco o ar! Na
verdade, o Sol, ou melhor, a radiação solar, é o tempo todo absorvida
pelo chão, areia, asfalto, plantas, pedras, mar, objetos, pessoas e
esquenta tudo isso. São todas essas coisas, inclusive nós, que ficam
sempre irradiando calor para a atmosfera, o que faz esquentar o
ambiente. Depois, este calor é irradiado de volta para o espaço, por-
que, se ficasse todo acumulado na atmosfera, a Terra esquentaria
sem parar.
Só que não é todo o calor que vai de uma vez só de volta para o es-
paço. Uma parte dele fica guardada provisoriamente na atmosfera,
como numa estufa. [...]
Maria Regina Kawamura, Instituto de Física/USP.
Suplemento ECHO, Petrobras.
Imagem do Sol sob
uma tempestade.
nasa
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 
Texto 3 – M473M471C0 (53N54C1ON4L):
4S V3235 3U 4C0RD0
M310 M473M471C0.
D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0
3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0NZ3...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05
http://fisicocinico.blogspot.com Acesso em 27/07/2006.
Texto 4 – Alternativas de energia
Fontes renováveis de energia, junto com a co-geração descentralizada (produção
combinada de eletricidade e calor, tipicamente com gás natural), já superaram a
capacidade de geração global de usinas nucleares (gráfico). A saída anual dessas fontes
de pouco ou nenhum carbono, que excluem grandes hidrelétricas, irá exceder a das
usinas nucleares neste ano. A energia eólica está se expandindo com particular rapidez.
Capacidade
de
geração
de
eletricidade
mundial
(gigawatts)
REAL PROJEÇÃO
2000 2002 2004 2006 2008 2010
800
700
600
500
400
300
200
100
0
Co-geração descentralizada sem biomassa
Geotérmica
Fotovoltaica
Biomassa e lixo
Pequenas barragens hidrelétricas
Eólica
Nuclear
Ano
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica

Texto 5
J.Laurence,Biologia–EnsinoMédio.Volumeúnico.SãoPaulo:NovaGeração,2005,p.143.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 
Atividade 1
Como você vê a leitura desses textos?
1Discuta com seu professor e com os colegas:
a. Você já leu textos como esses? Em que disciplinas?
b. Você considera que textos dessa natureza são interessantes?
Importantes? Por quê?
c. Quais parecem ser os objetivos deles?
d. Você sente alguma dificuldade para compreendê-los? Se sim,
qual ou quais?
e. Como é, para você, a leitura desses textos? Algo chato, para o
que você não vê nenhum sentido? Interessante, porque você
aprende coisas novas? Importante, porque ajuda a compreender
a realidade em que vive?
Atividade 2
O que você sabe sobre esses gêneros de texto?
Agora, vamos ver o que você sabe sobre esses gêne-
ros de texto. Responda em seu caderno.
2Como você classificaria cada um dos textos lidos?
Escreva em seu caderno a qual gênero de texto você
acha que pertence cada um dos textos anteriores.
3Retome mais atentamente a leitura dos Textos 1 e 2. Quais dife-
renças você vê entre eles? Levante o máximo de diferenças que
conseguir.
4A que você atribui as diferenças que levantou na questão anterior?
Para que tipo de leitor esses textos foram escritos?
Alguns exemplos de gêneros de
texto são: depoimento, notícia, re-
portagem, poema, letra de música,
romance, conto, novela, ensaio,
diálogo, piada e relato histórico.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
10
5Um dos textos lidos não pode ser caracterizado como científico ou
didático. Qual? Por quê?
6Em que o Texto 5 é diferente dos dois primeiros? Quais diferenças
você pode apontar entre o Texto 5 e os Textos 1 e 2?
7Faça uma síntese em seu caderno, buscando dar uma primeira
definição do que seriam textos de divulgação científica e quais
suas características.
Atividade 3
Como você lê os textos de divulgação
científica?
8Excetuando o Texto 3, todos os outros abordam um mesmo tema
central. Que tema é esse?
9O que você já sabe sobre esse tema? Responda livremente.
10 O Texto 1 afirma que a energia nuclear produzida por reatores
pode ter usos benéficos ou maléficos para a humanidade – como o
tratamento do câncer ou a bomba de Hiroshima. A despeito de os
autores levantarem vantagens e desvantagens do uso da energia
nuclear, você acha, afinal, que eles são a favor ou contra a gera-
ção e o uso desse tipo de energia? Que considerações dos autores
servem como argumentos que sustentam a posição defendida por
eles? Por que você acha que eles assumem essa posição?
11 O Texto 4 sugere que há formas de geração de energia menos dis-
pendiosas e danosas para o meio ambiente que a energia nuclear
ou a construção de grandes hidrelétricas. O que você pensa sobre
isso? Registre sua posição em seu caderno, sustentando sua opi-
nião com argumentos.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 11
12 O Texto 4 tem por título “Alternativas de energia”. Qual seria
o tema do texto maior de que ele faz parte? Por que você acha
isso?
13 Quais são as seis fontes de geração de energia referidas no Texto
4? Tente definir cada uma delas sem usar o dicionário e depois
diga como fez para defini-las. Veja o exemplo, que define a primei-
ra fonte mencionada:
“Co-geração descentralizada sem biomassa é a produção combi-
nada de eletricidade e calor, tipicamente com gás natural. Sei disso
porque localizei a informação na legenda do gráfico.”
Siga este modelo para definir as cinco outras fontes de geração de
energia mencionadas no texto.
14 Quais dessas formas de geração de energia se expandiram mais
até 2004, em termos de capacidade de geração de eletricidade, e
qual permaneceu mais estável? Como você sabe?
15 Pela legenda do gráfico, quais formas de geração de energia você
acha que o texto aponta como mais interessantes para a humani-
dade e o meio ambiente? Por que você acha isso?
16 O Texto 1 apresenta os conceitos de isótopo, isótopo estável e radio-
isótopo. Defina isótopo e diferencie isótopo estável de radioisótopo.
17 O mesmo texto apresenta uma ilustração na forma
de um infográfico. O que o infográfico ilustra?
Como você descreveria esse processo com suas palavras?
Veja no boxe da página 38
o que é infográfico.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
12
Reflita...
Aqui você pôde não só descobrir o que sabe sobre os textos de
divulgação científica e textos didáticos da área de Ciências da
Natureza, mas também identificar e avaliar alguns dos procedi-
mentos de leitura que utiliza. É bom lembrar que esse mundo tão
fascinante da ciência só pode ser de fato interessante, instigante,
se a gente conseguir de verdade compreendê-lo e perceber o sen-
tido dessas informações, para usá-las em nosso cotidiano, para
compartilhar o conhecimento construído pela humanidade ou
para desfrutar dessas novas informações, imagens e viagens que
ele nos oferece.
Agora, no seu caderno, você vai fazer uma síntese dessa expe­
riência: como você interage com esses textos? Com curiosidade
e interesse? De maneira aborrecida? O que você sabe sobre eles?
Para que eles servem? O que trazem de novo para seu mundo?
Como você os lê? O que é difícil? O que é agradável, instigante?
Qual sua maior curiosidade?
Esse seu depoimento, juntamente com os dos outros membros do
grupo, será sua primeira contribuição para o blog ou outro traba-
lho coletivo que o grupo for fazer e, por isso, poderá ser conhecido
por todos os interessados – leitores ou ouvintes. Que tal um título
como: “Navegando na ciência”? Você acha sem imaginação? Pois
pense em um mais interessante e criativo. E que tal procurar na
internet ou em revistas algumas imagens para ilustrar seu blog ou
seu mural? Só não vale ficar parado. Mãos à obra!
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 13
Parte 2 Pensando sobre as
ciências e sua divulgação
O que é ciência? O que são ciências da natureza? Nunca houve
uma forma única de entender esse termo. Ainda hoje, continuam
divididas as opiniões acerca do que deve ou não ser considerado
“científico”, sendo difícil estabelecer uma definição rigorosa e
consensual para “ciência”.
Numa primeira resposta pode-se dizer que a ciência é fruto de
uma indagação, de uma busca de respostas para questões rela-
tivas aos fatos da natureza, incluindo o que acontece com o ser
humano, numa tentativa de entender como ocorrem e por que são
como são. Muitas das perguntas mais elementares que a huma-
nidade se colocou desde os tempos remotos podem dar origem a
estudos científicos. Eis alguns exemplos: por que chove? O que é o
trovão? De onde vem o relâmpago? Por que as ervas crescem? Por
que existem os montes? Por que razão tenho fome? Por que meus
semelhantes morrem? Por que cai a noite e a seguir vem o dia de
novo? O que são as estrelas? Por que razão os pássaros voam? Por
que os objetos caem no chão?
De onde vêm as estrelas? Como se formaram as nebulosas? Qual a origem das galáxias?
nasa
nasa
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
14
No entanto, todas estas perguntas também podem originar outro
tipo de resposta, sem ser a científica. Vejamos um exemplo.
Atividade 1
Mito ou ciência?
1 Leia este texto.
A origem dos diamantes
Há muito tempo, vivia à beira de um rio uma tribo de índios. Dela fazia
parte um casal muito feliz: Itagibá e Potira. Itagibá, que significa braço
forte, era um guerreiro robusto e destemido. Potira, cujo nome quer
dizer flor, era uma índia jovem e formosa. Vivia o casal tranqüilo e ven-
turoso, quando rebentou uma guerra contra uma tribo vizinha. Itagibá
teve de partir para a luta. E foi com profundo pesar que se despediu da
esposa querida e acompanhou os outros guerreiros.
Potira não derramou uma só lágrima, mas seguiu, com os olhos cheios
de tristeza, a canoa que conduzia o esposo, até que a mesma desa-
pareceu na curva do rio. Passaram-se muitos dias sem que Itagibá
Indagações sobre o
passado da Terra e sobre
o Universo.
RICARDO
BENICHIO
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 15
voltasse à taba. Todas as tardes a índia esperava, à margem
do rio, o regresso do esposo amado. Seu coração sangrava de
saudade. Mas permanecia serena e confiante, na esperança que
Itagibá voltaria à taba.
Finalmente, Potira foi informada que seu esposo jamais regres-
saria. Ele havia morrido como um herói, lutando contra o inimi-
go. Ao ter essa notícia, Potira perdeu a calma que mantivera até
então e derramou lágrimas copiosas. Vencida pelo sofrimento,
Potira passou o resto de sua vida, à beira do rio, chorando sem
cessar. Suas lágrimas puras e brilhantes misturaram-se com as
areias brancas do rio.
A dor imensa da índia impressionou Tupã, o rei dos deuses. E este,
para perpetuar a lembrança do grande amor de Potira, transformou
suas lágrimas em diamantes. Daí a razão pela qual os diamantes são
encontrados entre os cascalhos dos rios e regatos. Seu brilho e sua
pureza recordam as lágrimas de saudade da infeliz Potira.
Texto extraído do livro Lendas e mitos do Brasil, de Theobaldo Miranda Santos.
São Paulo: Nacional, 2004.
2A lenda atribui a origem dos diamantes a que fato? Segundo a
lenda, como foram formados? Anote em seu caderno.
Leia esta outra lenda.
A lenda da chuva
(Conforme relato verbal do índio Puhuy Maxacali, ouvido e transcrito
por Luiz Carlos Lemos)
Os dedos das mãos e dos pés de cem guerreiros é pouco pra mostrar
há quantas luas se passou o que vou contar, na beira deste fogo.
Tempo. Muito tempo mesmo.
Naquele tempo, começo do mundo, não tinha chuva. Era só dia e noite,
sol e lua e nada mais. Não tinha bichos, não tinha planta, não tinha
árvore, não tinha verde. Só pedra grandes e rios grandes, no meio
das pedras. Nada mais.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
16
Os homens só comiam os peixes dos rios, que eram muitos. Mas, se
não comiam peixe, morriam de fome porque não tinha outra coisa não.
E os peixes então pularam muito alto e descobriram que no céu tinha
água também, nas nuvens grandes. Então eles pularam mais alto
ainda e fugiram para as nuvens e foram viver nas águas que mora-
vam no céu.
E os homens, que não tinham mais peixe para comer, começaram a
morrer de fome na terra inteira, em cima das pedras, na beira dos
rios vazios de peixe.
Os peixes olharam lá do céu e viram os homens morrendo e chorando,
todos com fome. E eles ficaram com pena dos homens e começaram a
chorar. As lágrimas dos peixes aumentaram muito as águas do céu e
o céu não pôde mais segurar as águas. Então as águas do céu caíram
em forma de chuva, que molhou as pedras, que se desmancharam em
terra, e as plantas nasceram para dar comida aos homens.
Mas os peixes sentiram saudade dos rios e começaram a pular de
volta para a terra. Os que caíram nos rios continuaram peixes. Os
que caíram fora dos rios viraram animais e pássaros.
E os homens, que tinham agora o que comer, juraram que só pesca-
riam, só caçariam e só tirariam das árvores o necessário para não
morrer de fome. Por este respeito que os homens têm pelos rios,
pelos animais e pelas florestas, é que o mundo existe até hoje, pois,
enquanto o homem não matar a Natureza, a Natureza não vai deixar
o homem morrer de fome.
http://jangadabrasil.com.br/colaboracoes/13.htm Acesso em 14/07/2006.
3A que a lenda atribui a origem da chuva? Segundo a lenda, como
surgiram os animais? Anote em seu caderno.
4Agora, é sua vez: qual a explicação científica da chuva? Anote
também.
5Conclua então: que diferença você vê entre o pensamento mítico
e o científico? Anote.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 17
As respostas míticas ou religiosas aos pro-
blemas da natureza apelam para razões
que não dependem da observação ou da
racionalidade humana: são associadas à
vontade de um Deus ou de deuses, espí-
ritos e outros seres animados, e suas
explicações assumem a forma de narra-
tivas (mitos ou lendas) que contam uma
história sobre a origem dos fenômenos.
Essas respostas nem sempre se baseiam
em estudos sistemáticos da natureza;
estão associadas a crenças e não encora-
jam a crítica, pois são a aceitação mítica,
que submete os homens a um poder
mais alto. Por outro lado, as explicações
míticas e religiosas de um dado povo
constituem, muitas vezes, códigos de
conduta social, moral e ética que, inte-
grados com a origem mítica do Univer-
so, determinam o que se deve e o que
não se deve fazer.
6Com a lenda da chuva, o que se pretende
ensinar?
7O desenvolvimento da ciência na história da humanidade vem se
pautando pelo mesmo tipo de princípio? Justifique.
As explicações míticas e religiosas são, de certa forma, antepassa-
dos das ciências, pois, apesar de submeterem a natureza e os seres
humanos a poderes superiores, já buscavam respostas para alguns
fenômenos naturais e sociais, constituindo um dos primeiros
passos em direção às ciências.
Zeus e satélites
meteorológicos:
a busca de
explicações.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
18
Atividade 2
Conhecimento científico e senso comum
Leia os dois textos a seguir.
Texto 1
Características do senso comum
Exprime sentimentos e opiniões individuais e de grupos
sobre as coisas observadas, variando de uma pessoa para
outra, ou de um grupo para outro, de acordo com as condições
em que vivem; baseia-se em hábitos e tradições cristalizadas; leva
a uma avaliação qualitativa das coisas conforme os efeitos que
produzem em nossos órgãos dos sentidos; não se preocupa com a
regularidade, com a constância, repetição e diferença das coisas,
mas, ao contrário, se dirige para o que é imaginado como único,
extraordinário, maravilhoso ou miraculoso; costuma projetar nas
coisas ou no mundo sentimentos de angústia e de medo diante do
desconhecido.
Texto 2
Características do conhecimento científico
Pretende-se objetivo; procura estruturas universais das coisas ob-
servadas; é quantitativo, ou seja, busca medidas, padrões, critérios
de comparação e de avaliação para coisas que parecem diferentes;
baseia-se em pesquisas, investigações metódicas e sistemáticas;
busca as leis gerais de funcionamento dos fenômenos, que são as
mesmas para fatos que nos parecem diferentes; busca o desencan-
tamento ou desenfeitiçamento do mundo, mostrando que nele não
agem forças secretas, mas causas e relações racionais que podem
ser conhecidas.
Textos adaptados de Ma-
rilena Chauí, Convite à fi-
losofia. 13. ed. São Paulo:
Ática, 2005, pp. 217-220.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 19
1Com base nesses dois textos, complete a frase em seu caderno:
A ciência se distingue do senso comum porque...
2Apresente, ou recolha entre conhecidos, diferentes explicações
para a queda abrupta de uma pedra ou a quase flutuação de uma
pena. Registre as explicações, indicando se cada uma delas tem
características científicas (usando uma lei universal) ou de senso
comum (justificativas casuísticas).
3Dê exemplos de explicações de senso comum que são refutadas
por explicações científicas.
4Para um fenômeno como a origem da vida humana, procure
identificar explicações consideradas científicas, míticas ou
­
religiosas.
Atividade 3
Analisando o desenvolvimento das ciências
As ciências da natureza conheceram desenvolvimento sem pre-
cedente nos séculos xix e xx. Uma “enxurrada” de inventos, ao
longo desse período, tornou nossa vida mais duradoura e supor-
tável, quando não mais prazerosa. Neste período foram criados
o estetoscópio (inventado em 1816), os flocos de milho (lançados
em 1898), o telégrafo, o rádio, o telefone, vários utensílios domés-
ticos, a fotografia, o cinema, arranha-céus, elevadores, escadas
rolantes, metrô, anestesia, penicilina, medidor de pressão arterial,
papel higiênico, vaso sanitário com descarga automática, escova
de dente, creme dental, sabão em pó, refrigerantes gasosos, fogão
a gás, aquecedor, refrigerador, sorvete, comida enlatada, cerveja
engarrafada, caixa registradora...
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
20
1Observe as imagens e responda em seu caderno: você acha que os
resultados científicos e as tecnologias significam um progresso
para a humanidade, mais qualidade de vida e maiores possibili-
dades de lazer e prazer? Dê sua resposta e justifique sua opinião
em seu caderno.
delfim martins/olharimagem
JUCA martins/olharimagem
JOãO
RAMID
ANA
ARAÚJO
STEFAN KOLUMBAN/olharimagem
©Purestock
GUY
VANDERELST
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 21
2Leia o texto.
A experiência do século XX, entretanto, fez com que se tornassem
problemáticas as pretensões de progresso com base na ciência e
na tecnologia. O século XX fez ver que a capacidade tecnológica
não basta para melhorar a vida humana; é preciso um paralelo
progresso moral do homem. Os acontecimentos traumatizantes do
século XX – as duas guerras mundiais, a bomba atômica, a devas-
tação da natureza, a desigualdade social galopante, a miséria, o
terrorismo – foram o pano de fundo de uma profunda crise também
intelectual.
O progresso científico e tecnológico também não significou necessaria-
mente a melhoria das relações humanas. O século da corrida espacial,
da engenharia genética e de tantas outras criações foi também o
século da invenção de formas de destruição em massa, do genocídio
e da intolerância.
Tudo isso está pedindo uma outra prática das ciências da natureza,
ou outra relação destas com as ciências humanas, para ingressar no
terceiro milênio com mais perspectivas do que deixamos o século XX.
Talvez já se possa entrever uma nova compreensão, na qual a ciência
orientará o convívio humano com a natureza, não nossa apropriação
da natureza ou nossa intervenção nela, mas é preciso que tal com-
preensão cresça e se torne ação, assim como entre nós humanos é
preciso desenvolver relações mais éticas e solidárias.
3Com base nesse texto, você confirmaria ou reescreveria sua res-
posta à questão 1 desta atividade? Por quê?
4O que motivou e tem motivado o desenvolvimento científico: a
“curiosidade” humana, as necessidades humanas, interesses po-
líticos e econômicos, uma ou várias dessas razões? Justifique sua
resposta com exemplos.
5Agora, seu grupo vai escrever um artigo de opinião, que fará parte
do blog ou do Mural da Ciência, sobre o tema “Educação para a
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
22
­
ciência hoje: dilemas e desafios”. Mas, antes de começar a escrever,
vocês precisam:
Pensar em exemplos de questões polêmicas atuais sobre o
desenvolvimento científico e tecnológico que envolvam proble-
máticas ambientais, éticas ou políticas.
Pesquisar a respeito dessas questões e discutir em grupos as vá-
rias perspectivas e interesses que cercam tais problemáticas.
Refletir sobre qual deve ser o papel da Educação Básica – Ensino
Fundamental e Médio – na formação de sujeitos que possam
agir eticamente no que diz respeito à ciência.
Pensar em como a sociedade poderia agir no sentido de contri-
buir para que a produção da ciência se desenvolva de modo mais
ético e solidário.
Atividade 4
O acesso ao conhecimento ao
longo da História
1Fazer ciência, isto é, pensar sobre o funcionamento das coisas da
natureza e do ser humano, e transmitir ensinamentos a respeito
dessa reflexão são atividades simultâneas desde a Grécia Antiga.
Mas houve muitas modificações, ao longo do tempo, no público
que tem acesso a esses conhecimentos, nas finalidades do ensina-
mento e na forma como ele se dá.
Levando em conta o que você sabe a respeito das épocas e dos
fatos históricos que constam do quadro a seguir, relacione as ca-
racterísticas do ensino das ciências aos tempos históricos mencio-
nados: associe o número que identifica a época ou o fato histórico
à letra correspondente na coluna de ensino de ciências. Faça em
seu caderno o registro correspondente aos quatro itens.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 23
A. Nesse período da História, vários são
os objetivos por trás da defesa de que a
educação deve abranger os conhecimentos
científicos. Alguns defendem que a pre-
paração para o trabalho deve abranger
conhecimentos científicos, pois boa parte da
tecnologia usada no trabalho advém desses
conhecimentos, que seriam responsáveis
pelo manejo eficiente da tecnologia. Outra
parcela significativa da sociedade defende
tal ensino por seu potencial democratizante.
Trata-se de ainda fazer valer os ideais da
Revolução Francesa, para que os cidadãos
possam compreender melhor a realidade
que vivem e exercer sua cidadania de forma
mais plena.
B. Nesse período, a educação era uma
preocupação freqüente dos iniciados das
ciências e da filosofia. Embora a democra-
cia fosse muito pregada e, de certa forma,
vivenciada, ela era de fato destinada a pou-
cos, apenas aos homens livres; mulheres e
escravos estavam excluídos. Essa educação,
versando sobre a ciência e a filosofia, era
destinada a alguns privilegiados e tinha o
objetivo de garantir a eles a permanência,
a sobrevivência e o aprofundamento dos
próprios conhecimentos.
C. Nessa época, a produção do conheci-
mento era controlada pela Igreja, que não
permitia a divulgação de informações que
de alguma forma pudessem ameaçar a fé
cristã. O ensino de conhecimentos ligados às
ciências, à filosofia e à religião contava com
enciclopédias escritas em latim, baseadas
em textos de autores clássicos e cristãos,
e se destinava a uma elite privilegiada, for-
mada sobretudo pelos quadros da Igreja. O
objetivo da educação e dessas publicações
era pensar de que maneira ciência, conhe-
cimento e fé poderiam ser compatibilizados
e dar fundamento à prática cristã dos fiéis.
No final desse período, a burguesia começou
a reivindicar acesso a esses conhecimentos,
seja para seus negócios, seja para se apre-
sentar como mais bem “educada”.
D. A educação, nesse período da História,
passou a ser vista como um direito de todos.
Imbuídos pelo espírito das palavras de or-
dem “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”,
os enciclopedistas empreenderam o projeto
de elaborar uma (enorme) enciclopédia,
que pudesse levar o conhecimento a todos
os “homens do mundo”. É nesse período
também que se consolida a escola pública e
gratuita, com ambições de universalização.
Época ou fato da História
1. Idade Antiga/Grécia Antiga
2. Idade Média/Renascimento
3. Idade Moderna/Iluminismo
4. Idade Contemporânea/ Constituição do Estado de Direito
Ensino de ciências
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
24
Por várias razões – mudanças sócio-históricas, interesse na qua-
lificação dos trabalhadores, mudanças na dinâmica política e nas
classes dominantes – a ciência, tal como as artes e os ofícios, sem-
pre foi um bem cultural cobiçado. A idéia de “di-vulg-ação”, isto
é, a ação de dar ao vulgo (à plebe, aos pobres, aos trabalhadores,
aos que falam a língua vulgar, o povo) os bens do conhecimento,
ganhou força e foi incentivada pelos intelectuais da Revolução
Francesa – os iluministas, que levariam as luzes (da ciência) ao
século XVIII.
O tipo de texto e de discurso que estamos estudando – didático
e de divulgação científica – nasceu justamente dessa vontade
política de dar ao vulgo os bens culturais da ciência e do co-
nhecimento. No século XVII, pela pena de Rabelais, Gargântua
escreveu na carta a seu filho Pantagruel um novo e irreverente
programa de estudos, que faria dele uma imensa enciclopédia
viva. Leia um trecho.
Entendo e quero que aprendas perfeitamente as lín-
guas [...]. Que não haja história de que não tenhas
memória presente [...]. Das artes liberais dar-te-ei
a sentir o gosto logo de pequeno [...]. E, quanto ao
conhecimento dos fatos da natureza, quero que te
entregues com curiosidade, que não haja mar, rio
ou fronteira de que não conheças os peixes; todos os
pássaros do ar, todas as árvores, arbustos e frutífe-
ras das florestas, todas as ervas da Terra, todos os
metais escondidos no ventre dos abismos, todas as
pedrarias do oriente e do sul, que nada te seja des-
conhecido. Depois, revisita cuidadosamente os livros
dos médicos gregos, árabes e latinos, sem esquecer
os talmudistas e cabalistas e, por anatomias fre-
qüentes, adquire perfeito conhecimento desse outro
mundo que é o homem.
Pantagruel, VIII: 134-135.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 25
Na época,eram sete as Ar-
tes Liberais, apresenta-
das em dois grupos de dis-
ciplinas: primeiramente era
ensinado o Trivium (Gra-
mática, Retórica e Dialéti-
ca ou Lógica); em seguida,
o Quadrivium (Aritmética,
Geometria, Música e As-
tronomia).
Esses bens culturais foram disputados pelos homens livres, pelos
padres da Igreja, pela burguesia, pelos iluministas e pelos traba-
lhadores. Ao final da chamada Idade Moderna, já havia em boa
parte do Ocidente uma situação na qual todas as classes tinham
acesso à escolarização – inclusive como mecanismo disciplinador
dos “bárbaros”. E a escola se tornou obrigatória e universal, isto é,
em princípio, todos deveriam ter acesso a ela e, logo, aos conheci-
mentos científicos selecionados para compor o currículo escolar.
Mas, embora desde sempre as compilações
de textos didáticos tivessem acompanhado
o ensino da Filosofia, da História e das sete
Artes Liberais, a vontade de divulgar os
achados da ciência fora da escola, ao povo
ou ao “homem do mundo”, data do século
das luzes, o século XVIII. A ação de maior
impacto foi, justamente, a organização
da Encyclopédie por Denis Diderot (1713-
1784) e Jean Le Rond d’Alembert (1717-1783). Esse
empreendimento, que tomou a seus organizadores
e colaboradores mais de vinte anos e resultou em
28 volumes, com verbetes sobre temas e conceitos
científicos, organizados pela primeira vez em ordem
alfabética, deu origem ao formato de enciclopédia
que hoje conhecemos.
A elaboração da Encyclopédie enfrentou grandes di-
ficuldades: proibida por duas vezes, ficou suspensa
durante oito anos. Começada em 1751, foi concluí­
da em 1772. Popularizou e defendeu as idéias de
liberdade individual; liberdade de pensar, escrever e
publicar; liberdade comercial e industrial; e declarou
guerra às idéias religiosas e ao absolutismo político,
considerados obstáculos para a liberdade. Não é de
Diderot, um dos autores da
Encyclopédie.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
26
estranhar, portanto, que tenha sido perseguida e proibida pela
Igreja e pelos soberanos.
As novas idéias da Encyclopédie – de igualdade e fraternidade entre
os homens, bem como de liberdade – tiveram um papel impor-
tante na eclosão da Revolução Francesa e se difundiram também
pela Europa e pela América. Apesar da rigorosa censura, as obras
e os autores proibidos (a própria Encyclopédie, Montesquieu, Vol-
taire, Rousseau) foram entrando clandestinamente nas colônias
espanholas. No Brasil, sua influência se manifestou claramente
na Inconfidência Mineira (1789).
2Esse breve panorama histórico evidencia algumas das razões
que fazem com que conhecimentos relativos às ciências – e aqui,
especificamente às ciências da natureza – permaneçam presentes
nos currículos escolares.
Você concorda que esse tipo de conhecimento deve fazer parte
do currículo do Ensino Médio hoje? Justifique.
Que conhecimentos você acha que devem estar presentes? De
que forma devem ser trabalhados?
Discuta o assunto com seu professor e sua turma.
Como vimos, a Encyclopédie inaugurou uma nova
maneira de fazer circular as idéias científicas
e colocou à disposição do povo um enorme
conjunto de textos organizados para divulga-
ção. Com isso, consolidaram-se dois gêneros
que nos são muito familiares na escola e no
ensino: a própria enciclopédia, tal como é hoje,
e o verbete.
O conteúdo da Encyclopédie foi organizado em
ordem alfabética, em verbetes ou entradas
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 27
autônomos. Essa opção não foi casual: Dide-
rot e D’Alembert pretendiam fornecer uma
visão geral dos achados da ciência, uma es-
pécie de mapeamento interdisciplinar, livre
de divisões por disciplina.
Escreveu D’Alembert que a ordem enciclopé-
dica de nossos conhecimentos
[...] consiste em reuni-los no menor espaço possí-
vel e, por assim dizer, em colocar o filósofo acima
desse vasto labirinto num ponto de vista suficientemente elevado para
que ele possa perceber em simultâneo as principais ciências e artes;
ver num relance os objetos das suas especulações e as operações que
pode fazer sobre esses objetos; distinguir os ramos gerais dos conhe-
cimentos humanos, os pontos que os separam e os unem e entrever
mesmo algumas estradas secretas que os aproximam. É uma espécie
de mapa-múndi que deve mostrar os principais países, a sua posição e
dependência mútua, o caminho em linha reta que vai de um a outro; ca-
minho freqüentemente obstruído por mil obstáculos que não se deixam
conhecer pelos habitantes e viajantes de cada país e que só em cartas
particulares muito detalhadas poderiam ser mostrados. Essas cartas
particulares são os diferentes artigos da Encyclopédie e a Árvore ou
Sistema figurado será o mapa-múndi.
L’Encyclopédie, “Discours Préliminaire”, pp. 59-60. Disponível em
http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/enciclopedia/cap2p5/tar-plan.htm. Acesso em 25/07/2006.
Ricas ilustrações para verbetes
da Encyclopédie.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
28
Assim, os livros não estavam organizados por ciência ou por
temas científicos disciplinares, mas sim pela aleatória ordem
alfabética. Mas, como o próprio Diderot esclareceu no verbete
“enciclopédia”, por sua raiz etimológica a palavra significa “en-
cadeamento de conhecimentos”. Para fazer esse encadeamento
apesar da ordem aleatória, os autores acabaram inventando
a remissão dentro dos verbetes e, entre eles, uma espécie de
“linkagem”, fazendo com que a Encyclopédie apresente, de certa
forma, o primeiro hipertexto.
Para quem navega na internet, a idéia de link é familiar. A nova
informação, em rede, está a um clique de seu mouse. Na Encyclo-
pédie, a linkagem ou remissão é feita pela própria organização do
texto dos verbetes. Vamos pensar um pouco sobre isso.
Dentro de um texto, toda remissão (notas de rodapé, boxes
e hiperlinks) supõe a participação do leitor. Mas ela é feita
com o objetivo de facilitar a exploração do edifício textual.
As remissões são, em última análise, hipóteses de leitura, “iti-
nerários de viagem”. Cabe ao autor ou ao editor dar a sugestão e
colocar a informação à disposição do leitor, mas é o leitor que vai
ou não utilizar essas possibilidades.
Atividade 5
Trabalhando com verbetes
1Suponha que seu professor de Física tenha
proposto que vocês realizem um seminário
sobre o sistema solar e as estrelas. Para isso,
você precisará desenvolver várias atividades,
entre as quais a consulta a obras de referência
– por exemplo, enciclopédias impressas (na
biblioteca) ou virtuais (na internet). Vamos
ver como você poderá pesquisar seus temas
Uma das melhores ferramentas de bus-
ca de conteúdos na internet é o Google.
Acesse http://www.google.com.br e
digite no campo de “Busca” o que você
quer pesquisar – por exemplo, “sis-
tema solar”. Aparecerá uma lista de
resultados, entre os quais você poderá
selecionar os que lhe interessam.
Ver, sobre isso, a Parte
4, Atividade 4, pág. 78.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 29
na internet. Se entrar, por exemplo, na Wikipédia, em http://
pt.wikipedia.org/wiki/, e digitar “sistema solar” na barra de
busca à esquerda, você encontrará o seguinte texto, ou seja, o
seguinte verbete referente a sistema solar:
2Agora, escolha quais links e remissões você acha importante fazer
nesse verbete sobre o sistema solar. Um critério que você pode
usar é o de Diderot: quais conceitos estão relacionados aos expos-
tos aí e devem remeter a outros verbetes? Outro critério pode ser
seu próprio mapa de leitura: reflita sobre os conceitos em relação
aos quais sente necessidade de ter mais informações, o que exigi-
ria uma consulta a outros verbetes. Escreva em seu caderno quais
são esses conceitos.
O Sistema Solar é constituído pelo Sol e um imenso grupo de corpos celestes que o
rodeiam, em que se destacam os planetas, mas existem outros pequenos corpos tais
como os planetas anões e os corpos menores do Sistema Solar (asteróides e trans-
neptunianos, cometas até pequenos meteoróides), para além dos satélites naturais
dos planetas. A outros sistemas semelhantes em volta de outras estrelas é dado o
nome de sistema planetário, dado que “solar”, refere-se ao “Sol”.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
30
3Após pesquisar (na Wikipédia ou em outras enciclopédias impres-
sas) os termos ou conceitos que tiver escolhido para fazer links,
copie a explicação, ou reescreva-a de forma sintética, em um arqui-
vo de texto ou no seu caderno. Lembre-se de que seu leitor deverá
conseguir entender as definições, então é preciso organizar bem o
texto; você pode seguir o modelo do verbete “Sistema solar”. Abra
uma pasta para Sistema solar e coloque ali todos esses textos,
inclusive o do verbete principal, que deu origem à pesquisa.
4Chegou a hora de fazer os hiperlinks e começar a organizar seu
hipertexto. Se você estiver trabalhando com Word, o hiperlink
pode ser inserido da seguinte maneira:
Selecione, no texto principal, a palavra para a qual você quer
criar um hiperlink.
Na barra de ferramentas principal, clique em Inserir e depois
em Hiperlink.
Preencha a janela que se abre com o nome do arquivo que conte-
rá o verbete ao qual você quer remeter. Para tanto, pesquise e se-
lecione os arquivos da pasta que você criou, finalizando com OK.
Pronto! Você tem seu primeiro hipertexto.
5Reúna-se com seu grupo para vocês compararem os verbetes e
hipertextos de cada um e selecionarem o mais interessante para
postar ou publicar no blog do grupo.
6Se seu grupo optou pelo Mural da Ciência ou outra forma de pu-
blicação, discutam como vão organizar os verbetes: no formato
de enciclopédia ou dicionário, em ordem alfabética, ou simulan-
do o formato linkado, por meio de diagramas e boxes. Criem os
diagramas, se essa for a segunda opção. Não se esqueçam de que,
no verbete principal, os termos ou conceitos sobre os quais forem
feitos links devem aparecer em maiúsculas.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 31
Então, o que é um verbete? Trata-se de um texto não muito longo que,
no caso da divulgação científica, é organizado por um especialista
do campo científico (no caso da pesquisa sobre sistema solar, um
astrônomo) que visa transmitir conceitos de diversas áreas do co-
nhecimento (no exemplo, a astronomia). O especialista busca
transmitir ao leigo (ao não-especialista) um conceito científico de
maneira relativamente simples e compreensível. Por isso, procura
simplificar a linguagem científica e abreviar o assunto. Logo, os
temas dos verbetes são os conceitos ou noções elaborados pelas
ciências, mas simplificados. Os verbetes podem ser tanto de uma
enciclopédia quanto de um dicionário – comum ou especializado.
Quem consulta uma enciclopédia ou um dicionário? Em geral, o
não-especialista, leigo no assunto, que precisa da informação para
estudar ou para qualquer outra finalidade. O gênero verbete, em
sua forma textual, reflete esse contexto de comunicação: deve ser
o mais breve possível, identificar o campo principal de referência
e dar a definição específica desse campo, seguida de outras defi-
nições, menos científicas e mais populares, se houver, e de alguns
contextos em que a palavra é usada.
Essa definição “simples” utilizará o vocabulário das ciências – a
linguagem especializada –, portanto não será tão “simples” assim.
Em primeiro lugar, certos enfoques das ciências pretendem tratar
de “verdades universais, eternas”. Assim, as definições sempre
aparecem no tempo presente ou por meio da ausência dos verbos,
ou seja, sob formas nominais, ou utilizando verbos no chamado
“presente de definição”, um eterno tempo presente: “O sistema so-
lar é constituído pelo Sol e um imenso grupo de corpos que o rodeiam,
em que se destacam os planetas...”. Além disso, como não é fácil
simplificar a linguagem especializada das ciências, o verbetista
precisará sempre remeter a novos conceitos, fazendo as remissões
ou linkagens necessárias.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
32
Se a enciclopédia tradicional já é uma
espécie de hipertexto pelo qual cami-
nhamos, atravessando páginas e páginas,
volumes e volumes, em busca de novos
verbetes, novos textos, para podermos
entender cada vez mais nosso tema ou
assunto, a internet, com seus verdadeiros
hipertextos, tornou tudo mais fácil. Por
meio de um link, o verbetista pode reme-
ter a outra entrada da enciclopédia, como
“asteróides” ou “transneptunianos”, bas-
tando clicar sobre o termo em azul e/ou
sublinhado no texto (o hiperlink).
Para ter uma idéia de quantos termos
científicos dependem de mais esclareci-
mentos para entendermos verdadeiramente a síntese do conceito
que o verbetista quer passar, basta observar o verbete sobre
Sistema Solar que copiamos na página 29. Nas 68 palavras desse
trecho, oito remetem a outros conceitos científicos – quase 12%
do texto. Por isso, é às vezes desalentador consultar uma enciclo-
pédia ou um dicionário: cada verbete remete a muitos outros, em
um sem-fim de busca de conhecimento.
Atividade 6
Criando verbetes e hipertextos
1Chegou a hora de você e seu grupo começarem a construir verbetes
e hipertextos sobre os conceitos-chave do tema que escolheram
para divulgar, por meio do blog, do Mural da Ciência ou de outro
instrumento.
Pesquisem o assunto na internet ou em revistas, jornais e livros
da biblioteca.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 33
Façam um levantamento de conceitos-chave e, por meio de
novas buscas e pesquisas, definam esses conceitos.
Montem verbetes e/ou hipertextos a respeito desses conceitos-
chave.
Comecem a pesquisar imagens relacionadas a seu tema e aos
verbetes e hipertextos redigidos. Lembrem-se de que o Google
tem uma ferramenta exclusiva de busca de imagens: basta
digitar o tema e clicar no hiperlink
“Imagens”, que está logo acima da
caixa do campo de busca.
Divulguem esses primeiros verbetes,
hipertextos e imagens em seu blog
ou em seu mural.
Para concluir, digamos que o verbete é um gênero clássico de divul-
gação científica e, geralmente, é o primeiro que buscamos ao ini-
ciar uma pesquisa. Entretanto, dependendo do trabalho que esta-
mos realizando, não precisamos e não devemos nos limitar ao que
enciclopédias e dicionários oferecem no campo do conhecimento
científico. Uma vez que, ao menos em parte, as metas modernas
e burguesas do Iluminismo foram alcançadas, hoje encontramos
nas salas de aula, nas bancas de jornais, na internet e também nas
bibliotecas textos de divulgação científica confiáveis e atualizados
(artigos, matérias, notícias, resenhas e resumos).
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
34
Parte 3 Texto e imagem em
material didático e de
divulgação científica
Atividade 1
Onde encontrar textos sobre temas
científicos?
Você está cercado de textos e de infor-
mações sobre os achados e aplicações
das ciências. Olhe em volta, em sua
própria sala de aula, em sua escola,
na biblioteca, nas bancas de jornal,
na internet: além das enciclopédias e
dos dicionários especializados, muitos
outros tipos de publicação ou veículos
podem ser de interesse.
1Você e seu grupo vão fazer um levantamento de publicações que
trazem textos ensinando sobre a ciência ou divulgando suas
descobertas. Façam uma lista de veículos desse tipo que sejam
acessíveis a vocês, em português.
2Consigam exemplares de algumas dessas publicações ou naveguem
por sites especializados, buscando informações sobre:
a. Quando surgiram essas publicações? Quem as publica?
Chamamos veículo ou suporte os meios em que as informações são divul-
gadas. No caso dos textos de divulgação científica, são exemplos de suporte:
revistas especializadas, colunas, seções ou editorias especializadas em jornais e
revistas, documentários em vídeo, revistas on-line etc.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 35
b. Quais suas finalidades?
c. A que tipo de leitor se destinam?
d. Quem escreve os textos? É possível saber sua formação e sua
profissão?
e. Olhem os índices ou os sumários: quais são os temas tratados?
Esses temas fazem parte de quais ciências?
3Classifiquem a lista que vocês levantaram, usando os seguintes
critérios:
finalidades da publicação;
leitor visado;
temas abordados.
4Publiquem essa lista, já classificada, no blog ou no mural do grupo,
para que outros leitores e pesquisadores tenham acesso a uma
variedade maior de fontes.
Os textos que você vai encontrar nesses veículos ou publicações –
textos didáticos, com seus exercícios e atividades; artigos, notí-
cias e notas de divulgação científica – muitas vezes apresentam
uma estrutura intricada e são escritos na linguagem especiali-
zada das ciências, o que muitas vezes dificulta a compreensão
por parte do leitor.
É justamente para tratarmos de como você deve proceder para ler
esses textos, seja para estudar, seja para se informar, satisfazer
curiosidades ou ocupar o tempo de lazer, que vamos desenvolver
as atividades a seguir.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
36
Atividade 2
A organização dos textos na página
Vamos ver, em primeiro lugar, como esses textos se apresentam
na página, sua diagramação e seus componentes, bem como as
implicações que isso tem para sua leitura.
1Veja e analise graficamente estas páginas aqui reproduzidas.
Texto 1
O Aqüífero Guarani é um enor-
me reservatório de água
doce subterrâneo, situado
sob a América do Sul. É tão
grande que é chamado de “mar
de água doce” ou “reserva de
água da humanidade”.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 37
Texto 2
a. Você diria que estas páginas fazem parte de que tipo de publi-
cação ou veículo? Justifique.
b. Que semelhanças e diferenças você consegue apontar nas pá-
ginas dessas publicações? Anote, em seu caderno, os elementos
que estas páginas apresentam em comum.
Texto
Foto
Título
Subtítulo
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
38
Diagramação em colunas
Infográfico
Ilustração
Boxe
Introdução
Gráfico
c. Que conclusões você tira das com-
parações? Anote em seu caderno e
discuta com seu professor e seus
colegas.
Podemos, então, concluir que esses dois textos de divulgação
científica, quer circulem em revistas, quer em livros didáticos,
apresentam mais semelhanças que diferenças, pelo menos por
enquanto.
Sim, porque se você respondeu que o Texto 1 foi publicado em uma
revista e o Texto 2 num livro didático, acertou. Significa que você
já conhece bem esses veículos.
Como você deve ter percebido, ambos os textos apresentam recur-
sos e linguagens visuais e verbais.
Créditos dos textos das págs. 36 e 37
Texto 1: José Luiz Flores Machado (geólogo da CPRM/Serviço Geológico do
Brasil), em “A redescoberta do Aqüífero Guarani”. Scientific American Brasil,
n. 47, abr./2006.
Texto 2: Oswaldo Frota-Pessoa (biólogo e professor emérito do Instituto de Bio-
ciências da USP), Os caminhos da vida III – Biologia no Ensino Médio – genética
e evolução. Capítulo 12: “A nova engenharia”. São Paulo: Scipione, 2001.
Infografia ou infográficos são representa-
ções visuais de informação ou conhecimento. Esses
gráficos são usados onde a informação precisa ser
explicada de forma mais dinâmica, como em mapas,
jornalismo e manuais técnicos, educativos ou cien-
tíficos. São um recurso com forte atração visual,
muitas vezes combinando fotografia, desenho e tex-
to. No design de jornais, por exemplo, o infográfico
costuma ser usado para descrever como aconteceu
determinado fato, quais suas conseqüências, além de
explicar, por meio de ilustrações, diagramas e textos,
fatos que o texto ou a foto não conseguem detalhar.
Também são úteis para cientistas como ferramentas
de comunicação visual, sendo aplicados em todos os
aspectos da visualização científica.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infográfico
Acesso em 16/07/2006.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 39
Os recursos visuais são:
A forma de diagramação da página – texto cheio ou texto em
colunas, presença de boxes, legendas e destaques, além de ilus-
trações de diferentes tipos.
Os recursos verbais são:
O texto e suas subdivisões – título, introdução, texto propria-
mente dito, subtítulos, textos dos boxes e das legendas.
As diferenças não ocorrem nos elementos que estão sempre
presentes, mas na escolha deles e em seu uso e funcionamento.
No Texto 1, por exemplo, as páginas são ilustradas principal-
mente com fotos (legendadas ou não) e têm uma diagramação
mais sofisticada: em colunas, com maior número de boxes. Já as
páginas do Texto 2 utilizam uma diagramação de página cheia,
com a inserção de apenas um boxe, e o texto é ilustrado com um
infográfico. Mais adiante nos textos, outras escolhas serão feitas:
haverá fotos em profusão no livro didático e muitos infográficos
na revista. Mas ilustrações, de diferentes tipos, estarão presentes
em ambos os casos. No que se refere aos textos, as semelhanças
são até maiores: ambos apresentam títulos, diferentes tipos de
introdução (com ou sem boxes) e subtítulos.
E o que isso importa para o modo como você lê um texto? Bem,
antes de mais nada, sabemos que você lerá as imagens e os textos
de forma inter-relacionada.
Atividade 3
Leitura das ilustrações
De nossa conversa até aqui, você já deve ter concluído que há di-
ferentes tipos de ilustração. Algumas simplesmente ilustram ou
exemplificam, tornando o texto menos monótono. Outras acres-
centam mais informação. Por exemplo, o trecho do texto do livro
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
40
didático apresentado nesta página, cujo subtítulo é “A genética
vem em socorro de uma arara brasileira em extinção”, é ilustrado
por meio de duas fotos com legendas.
Ora, se você nunca tinha tido oportunidade de ver uma arari-
nha-azul, teve agora. A foto trouxe alguma informação nova
em relação ao texto? Se sim, qual(is)?
Agora observe a outra foto, relativa aos padrões de DNA. Você
já viu imagens como essa? Juntando as informações dessa ima-
gem, da legenda e do texto, responda:
• Como essa imagem permite avaliar as semelhanças genéticas
entre os indivíduos e, portanto, seu grau de parentesco?
Crédito:
Frota-Pessoa,
2001, p.
133
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 41
Outras formas de ilustração acrescentam informações novas, que
podem ser decisivas para a compreensão do texto. Elas também
supõem novos procedimentos de leitura. É o caso, por exemplo,
dos gráficos e infográficos.
Vamos rever o infográfico da abertura do capítulo do livro didático.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
42
Para entendê-lo, é claro que precisamos procurar saber o que são
os “plasmídios” (ou plasmídeos), já que o infográfico esquematiza
“como os plasmídios são usados em engenharia genética”. Uma
busca na enciclopédia digital (http://pt.wikipedia.org/wiki/, aces-
so em 26/07/2006) diz que os plasmídios são:
Moléculas circulares duplas de DNA que estão separadas do DNA cro-
mossômico. Geralmente ocorrem em bactérias. Existem entre uma, para
grandes plasmídeos, até cinqüenta cópias de um mesmo plasmídeo numa
única célula. Os plasmídeos contêm geralmente um ou dois genes que
conferem uma vantagem seletiva à bactéria que os abriga, por exemplo,
a capacidade de construir uma resistência aos antibióticos. Todos os plas-
mídeos contêm pelo menos uma seqüência de DNA que serve como uma
origem de replicação ou ori (um ponto inicial para a replicação de DNA),
e que permite ao DNA do plasmídeo replicar-se independentemente do
DNA cromossômico.
1Com isto, você já pode ler o infográfico. Siga as flechas e anote em
seu caderno: como os biólogos de engenharia genética produzem
o hormônio do crescimento humano?
2A seguir, escreva, também em seu caderno, como você fez para
chegar a essa conclusão:
Recorreu ao texto ou à imagem, isoladamente, ou a ambos ao
mesmo tempo?
Se tivéssemos retirado os textos do infográfico, como ficaria
sua descrição sobre a produção do hormônio do crescimento
humano pelos biólogos de engenharia genética? Você teria
compreendido o processo?
Então, qual a função dos textos nesse infográfico?
Quais aspectos da imagem foram importantes para a leitura?
Anote em seu caderno as alternativas relevantes e discuta com
sua turma por que foram importantes:
• Flechas sinalizando o caminho/direção que toma o processo;
• Cores da ilustração;
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 43
• Posição das imagens no infográfico (mais ao alto ou mais
embaixo; à esquerda ou à direita);
• Repetição das imagens;
• Fundo azul do infográfico;
• Fundo quadriculado do infográfico;
• Figura do menino no canto inferior direito do infográfico.
Com esse exercício, você pôde notar que, ao ler uma ilustração
do tipo infográfico, trabalhamos ao mesmo tempo com imagens
e textos, com diferentes tipos de linguagem, para construir um
esquema mental de um processo. Aliás, é exatamente disso que
em geral os infográficos tratam: neles, são apresentados esquemas
teóricos simplificados de processos muito mais complexos.
No infográfico do livro didático, se houvesse apenas o texto, os
leitores teriam de imaginar o esquema, o que não seria tarefa fácil
– lembre-se de que estamos falando de divulgação científica, ou
seja, de levar ciência a pessoas que não fazem parte necessaria-
mente do meio científico. Além do mais, o texto é bem sucinto,
justamente porque possui o esquema que o completa.
Assim, podemos dizer que, mais do que apenas compor os infográ-
ficos, imagem e texto se complementam, são interligados. Certa-
mente podemos transformar o infográfico apenas em texto, mas
será que sua leitura seria simples e agradável? Você pode tentar.
3Retome o texto que você fez descrevendo o processo e troque-o
com o de outro colega ou o de outro grupo. Faça anotações e con-
siderações em seu caderno sobre o texto trocado: é interessante?
Ficou legível? É cansativo? Incompreensível?
Ao fazer uma leitura integrada de imagens e textos, você aciona
conhecimentos que já possui, mesmo que não se dê conta deles.
Por exemplo, como lemos de cima para baixo e da esquerda para a
direita, o processo não pode começar no meio; as flechas indicam
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
44
direção; imagens repetidas significam uma mesma coisa ou pro-
cessos repetidos muitas vezes e não muitas coisas etc.
E para que os textos de divulgação científica precisam de ilustra-
ções ou imagens explicativas? Para esclarecer essa questão, vamos
inverter o processo:
4Baseie-se neste texto sobre um processo químico (acidificação
dos oceanos) e desenhe um infográfico para ilustrá-lo, levando
em conta os elementos de representação que você usou para ler o
infográfico sobre os plasmídios.
O CO2
absorvido do ar se combina à água para formar o ácido car-
bônico. Uma parte desse composto fica no oceano, mas o resto se
dissocia em íons de hidrogênio e íons bicarbonato, que também se
separam formando íons carbonato e mais íons de hidrogênio. Tais
mudanças químicas alteram os “horizontes de saturação” para calcita
e aragonita, nível abaixo do qual as conchas de organismos marinhos
feitos desses minerais começam a se dissolver.
Publique seu infográfico no Mural da Ciência ou no blog. Dê-lhe
um título que capture o essencial do processo descrito.
Se quiser uma inspiração para essa tarefa, reveja o infográfico do
Texto 1, que você leu na Parte 1 (página 5), sobre o processo de
desintegração nuclear.
Depois, compare o infográfico que você fez com o original da re-
vista, que está no material do seu professor.
5Para ampliar sua reflexão sobre a leitura de imagens e a relação
imagem-texto em ilustrações gráficas, volte também às respostas
que deu às questões 5 a 8, Atividade 3, da Parte 1 deste material
Para postar seu infográfico no blog,
é claro, você precisará digitalizá-lo
por meio de um escâner.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 45
(página 11). Lá, tratava-se de uma leitura de gráfico, que também
é uma forma de imagem que esquematiza visualmente processos e
quantidades em correlação. Discuta com seu professor e colegas:
Que outros elementos estão presentes naquele gráfico, além dos
que já discutimos no infográfico?
Que tipo de conhecimento ele supõe?
6É interessante saber como os info-
gráficos ganharam vida no ambien-
te digital, onde podem contar com
a imagem em movimento; o texto
impresso, ao contrário, só permite
o uso de imagens estáticas, fixas,
paradas. Se você tiver acesso a um
computador conectado, veja como
os infográficos digitais funcionam,
veja os que Frederick van Amstel
faz em seu site, “Usabilidoido”. Um
especialmente interessante é sobre
os tipos de voto que podemos dar
nas eleições. O endereço é: http://www.usabilidoido.com.br.
Mas, antes, veja o depoimento de Frederick como programador,
do tipo “o primeiro infográfico a gente nunca esquece”.
Só para explorar o formato e aprender mais sobre, resolvi criar um info-
gráfico sobre a questão dos transgênicos. Bolar o conceito é a parte mais
difícil do projeto. Demorei horas até definir o que queria. Depois, foi só
zarpar. Infográficos são mais complicados do que websites porque não
há receitas de bolo. Cada interface é única e deve estar bem adaptada ao
assunto. Por outro lado, isso é uma vantagem para a realização criativa
do designer.
http://www.usabilidoido.com.br. Acesso em 24/07/2006.
Vale a pena dar uma olhada nele, até porque o tema é próximo ao
do livro didático que estamos analisando.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
46
Atividade 4
Como relacionar imagens e texto?
Como já dissemos, infográficos e gráficos complementam, expli-
cam e esquematizam novas informações em relação ao que é dito
no texto principal. Agora vamos ver como isso ocorre.
1No texto do livro didático que estamos estudando, antes do info-
gráfico, é dada a seguinte informação:
Clone significa um conjunto de indivíduos geneticamente idênticos,
sejam eles gêmeos monozigóticos, mudas de roseira obtidas de pedaços
de seu caule ou planárias que se obtêm partindo-se uma delas ao meio.
Frota-Pessoa, 2001, p. 125.
Depois da apresentação do infográfico, o próximo texto rela-
cionado ao assunto é o de subtítulo “Hoje, bactérias com genes
humanos produzem medicamentos e vacinas”, que reproduzimos
a seguir:
Também por engenharia genética, produz-se o hormônio de
crescimento, utilizado para tratar crianças com nanismo
causado por defeitos do gene correspondente. Antes, esses
medicamentos eram tirados de animais mortos, mas isso
acarretava dois inconvenientes. No caso do hormônio de
crescimento, que era extraído da hipófise de cadáveres, houve casos de
contaminação com a síndrome de Creutzfeldt-Jacob, doença neurológica
produzida por um príon, proteína que também causa a “doença da vaca-
louca”. A insulina tirada de animais dava, às vezes, efeitos colaterais
indesejáveis.
Frota-Pessoa, 2001, pp. 126-127.
Assim, esses textos circundantes trazem informações complemen-
tares ao gráfico. No entanto, há vários termos, como monozigóti-
cos, planárias, nanismo, que não se encontram definidos. Por isso,
caso você não conheça alguns deles, talvez precise ir à biblioteca e
recorrer a outras fontes, como dicionários e enciclopédias (digitais
ou impressos). Tal como fizemos para saber o que são plasmídios.
Nanismo é um distúrbio do
crescimento, que faz com que
as pessoas fiquem com estatura
muito abaixo da média (anões).
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 47
Algumas vezes, os livros didáticos já trabalharam determinados
conteúdos, em volumes de séries anteriores, e não julgam neces-
sário retomar certas definições e conceitos, pois consideram que
o aluno já domina uma parte do vocabulário científico.
Por esta e por outras razões, quando isso acontece, você, seus colegas
e seu professor é que terão de completar as informações que faltam
entre um assunto e outro, de modo a estabelecer uma coerência.
2No texto sobre o Aqüífero Guarani há um infográfico para explicar
um difícil conceito, próximo ao seguinte trecho do texto:
Constituição complexa
Estabelecida e delimitada a ocorrência de quatro grandes comparti-
mentos em nível regional, a próxima meta a ser alcançada é determi-
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
48
nar o reflexo que essa compartimentação teve no arcabouço hidroes-
tratigráfico do aqüífero, ou seja, em que nível essa compartimentação
afetou a distribuição das camadas aqüíferas.
Machado, 2006, p. 36. Reprodução da página da Scientific American Brasil.
Neste caso, também, o infográfico acrescenta informação nova ao
texto. Vamos ver como?
Releia o trecho do texto acima, que na revista está antes do info-
gráfico e tem como subtítulo “Constituição complexa”. O que ele
ajuda você a saber sobre o Aqüífero Guarani? Como ele se carac-
teriza? Anote em seu caderno.
3Você sabe o que quer dizer “arcabouço hidroestratigráfico”? Não?
Então, sem procurar no dicionário, você vai tentar descobrir. Faça
os exercícios em seu caderno:
a. Divida a palavra “hidroestratigráfico” em três partes que pa-
reçam ter significado ou que se aproximem de outras palavras
que você conheça. Para cada parte, anote mais duas palavras
que você conhece e que também contêm essa parte.
b. A seguir, tente levantar uma hipótese sobre o que quer dizer
“arcabouço hidroestratigráfico” do Aqüífero Guarani. Anote em
seu caderno.
c. Agora, considere essa reformulação do autor: “arcabouço hidro-
estratigráfico do aqüífero, ou seja, [...] a distribuição das cama-
das aqüíferas”. Reveja sua hipótese. Ela se modificou? Anote.
d. Discuta com seus colegas e com seu professor as palavras seme-
lhantes e a hipótese que levantou. Cheguem a uma conclusão
sobre o significado da expressão.
e. Verifique, então, no dicionário se sua hipótese aproxima-se do
significado desejável, consultando a palavra “estratigrafia”.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 49
Essa é uma capacidade de leitura importante em textos didáticos
ou de divulgação científica: procurar inferir o significado das pala-
vras ou termos científicos desconhecidos. Como você viu, há pelo
menos duas maneiras de fazer isso por você mesmo. A primeira é le-
vantar hipóteses sobre o significado das palavras, quando você tem
pistas nos textos e alguma base de conhecimento para isso. Nesse
caso, depois você deverá se certificar da adequação de sua hipótese
ao longo da leitura do texto ou buscando outras informações.
A segunda é, quando possível – e muitas vezes isso não acontece
em provas e exames –, ir atrás de informações sobre os termos do
vocabulário científico em dicionários ou enciclopédias, impressos
ou digitais.
Se, nas anotações que fez para responder à questão 3, você disse
que o Aqüífero Guarani tem uma constituição complexa, pois é di-
vidido em quatro grandes compartimentos em diferentes regiões
e essa divisão afeta a distribuição das camadas subterrâneas de
água, você chegou perto do significado do parágrafo. Continue-
mos, então.
4Do que trata o infográfico de título “O vai-e-vem da água” (pág. 47)?
5Pelo texto da parte superior do infográfico, você diria que todas as
águas subterrâneas do aqüífero são potáveis e de boa qualidade?
6Que outros tipos de água são encontrados no aqüífero?
7Quais são as camadas aqüíferas presentes no infográfico?
8Em qual posição do infográfico estão as águas de melhor qualida-
de? Escolha uma alternativa e anote em seu caderno:
Superior esquerda
Superior direita
Inferior esquerda
Inferior direita
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
50
9Analise as alternativas abaixo e registre em seu caderno quais
delas descrevem os recursos de leitura que você usou para com-
preender o infográfico:
a. Recorri ao texto da parte superior do infográfico.
b. Recorri aos textos sobrepostos às imagens do infográfico.
c. Recorri às imagens do infográfico.
d. Nas imagens, recorri às flechas sinalizando o caminho/direção
que toma o processo.
e. Nas imagens, recorri às cores de fundo da ilustração.
f. Nas imagens, recorri às figuras da ilustração.
g. Recorri à repetição de imagens.
h. Recorri à posição das imagens no infográfico (mais ao alto ou
mais embaixo; à esquerda ou à direita).
Como você vê, localizar e relacionar informações dos textos e das
imagens também é um procedimento de leitura importante.
10 Agora, para finalizar, responda em seu caderno: qual ou quais
informação(ões) o infográfico acrescenta ao texto da página 47
(”Constituição complexa”)?
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 51
Parte 4 Textos didáticos e de
divulgação científica: os
caminhos da leitura
No início da Parte 3, após analisarmos a apresentação das páginas
dos textos didáticos e de divulgação científica, concluímos que
elas contêm imagens de diferentes tipos e diagramações diversas,
mas que, quanto ao texto, têm em comum a presença de título,
introdução, subtítulos e boxes (Atividade 2, questão 1b). Vamos
ver como esses textos funcionam?
Atividade 1
Em contato com os temas dos textos
O primeiro contato que temos com o tema de um texto se dá, em
geral, por meio de seu título e de sua introdução. Esse primeiro
contato é importante não só para direcionarmos o restante de
nossa leitura, como também para trazer à mente o conjunto de
conhecimentos que já temos sobre esse tema e que estaremos
usando para fazer a leitura.
Nesta atividade, vamos observar um pouco como se dá esse pri-
meiro contato em textos didáticos e de divulgação científica.
1Suponha que você se depare com o seguinte título de um texto
didático:
Um modelo para os estados físicos dos materiais
a. No livro de qual disciplina esse texto provavelmente estaria?
Justifique sua resposta.
b.Cite três termos que certamente estarão presentes no texto que
você vai ler.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
52
c. No contexto das ciências da natureza (Física, Química, Biolo-
gia), qual o sentido do termo “modelo”? Por que os especialistas
dessas áreas propõem modelos?
Agora, dê uma olhada nas primeiras páginas de dois artigos:
Texto 1
O pároco de um vilarejo da Inglaterra do século 18, até certo
ponto obscuro em seu tempo, é festejado e considerado avan-
çado nos meios científicos atuais – tudo por ter escrito um
pequeno ensaio sobre probabilidade. O processo de raciocínio
idealizado por Thomas Bayes nesse texto, que ele mesmo
sequer levou a público, é tido hoje como uma nova forma de
ver o mundo, como a base de uma verdadeira revolução em
diferentes campos do conhecimento, da genética à teo­logia.
Mas o que é o raciocínio bayesiano e por que vem ganhando
tanto prestígio?
Sérgio Danilo Pena, em Ciência Hoje, vol. 38, n. 228, pp. 22-
29, jul./2006. Disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/
view/209. Acesso em 30/09/2006.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 53
2Leia o Texto 2 e, a partir dele, escreva três hipóteses para o título
do artigo.
Texto 2
Se você visitar hoje o campus de uma universidade
norte-americana, é provável que encontre estudan-
tes usando camisetas com a inscrição Bayes rules! A
tradução para o português seria algo como “Bayes
é o ‘cara’!” (em inglês, a frase contém um trocadi-
lho que será revelado mais adiante). Curioso, você
decide checar quem é esse Bayes, e o melhor lugar
para isso é certamente a internet. Ao digitar o nome
‘Bayes’ em uma página de busca (www.google.com.
br, por exemplo), descobre-se que o nome completo
dele é Thomas Bayes, que há um teorema de Bayes
e que esse nome é citado (em junho deste ano) em
nada menos que 9,3 milhões de páginas de internet!
Se usarmos a palavra inglesa bayesian (bayesiano),
o total de páginas sobe para 23,2 milhões. Se bus-
carmos informação em uma área específica, como
o banco de dados de literatura biomédica Pubmed (www.ncbi.nlm.nih.
gov), colocando ‘Bayes’ na linha de procura, encontramos nada menos
que 6.655 artigos! Finalmente, uma consulta, usando o nome ‘Bayes’, ao
excelente repositório de sabedoria que é a Enciclopédia de Filosofia de
Stanford (http://plato.stanford.edu) faz surgirem muitos verbetes: “teo-
rema de Bayes”, “lógica indutiva”, “epistemologia bayesiana”, “milagres”,
“argumento teleológico para a existência de Deus”, “teoria dos jogos”,
“conhecimento comum”, “interpretações de probabilidade”, “filosofia da
economia”, “o problema do mal”, “teoria formal do aprendizado” e “ate-
ísmo e agnosticismo”! Isso já permite admitir que esse tal de Bayes deve
ser de fato o “cara” e certamente nos deixa ainda mais curiosos. Este
artigo tenta apresentar quem foi Bayes, o que são o seu teorema e a
sua teoria da probabilidade e por que ele é importante em tantas áreas.
Pena, 2006.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
54
3Agora leia o Texto 3 e verifique se as suas respostas à questão 1
desta atividade foram adequadas.
Texto 3
Eduardo Fleury Mortimer e Andréa Horta Machado. Química – Ensino Médio.
Volume único. São Paulo: Scipione, 2006.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 55
4Agora, veja alguns títulos de capítulos de livros didáticos (na pri-
meira coluna) e de artigos de divulgação (na segunda):
a)Capítulo 12 – Propriedades e
estruturas das substâncias
e)A ciência do sudoku
b)Capítulo 15 – Refração da luz f)Thomas Bayes: o “cara”!
c)Capítulo 8 – Logaritmo e função
logarítmica
g)Computadores de DNA ganham vida
d)Capítulo 13 – Variação e seleção
natural
h)Combate a um assassino silencioso
Escolha três desses títulos e escreva em seu caderno um parágrafo
sobre o provável assunto dos textos por eles nomeados.
5Qual dos gêneros de texto tem títulos mais abertos, sobre os quais
você pode formular mais hipóteses: livros didáticos ou artigos de
divulgação?
6Por que você acha que é assim?
7Agora, você e seu grupo vão criar um título bem sugestivo e convi-
dativo, mas que também faça prever um pouco qual será seu tema,
para o artigo de divulgação científica que irão publicar mais tarde
no blog ou no mural.
Podemos, então, concluir que, muitas vezes, os textos didáticos bus-
cam uma objetividade maior, apresentando títulos mais fechados
e diretos, que procuram indicar exatamente o conteúdo que será
abordado no capítulo. São poucas as exceções. Já os artigos muitas
vezes (mas nem sempre) buscam títulos mais abertos e sugestivos,
que permitem a você imaginar um pouco de seu conteúdo, inci-
tando sua curiosidade. Função semelhante têm os textos de intro-
dução em ambos os gêneros. Vamos verificar?
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
56
8Observe bem a diagramação das páginas da revista e do livro
didático. Na introdução do capítulo do livro didático há apenas
um texto, em duas colunas, quase sem ilustrações (há apenas
uma marca d’água). Já no artigo da revista Ciência Hoje, além de
uma belíssima ilustração que faz o fundo da página (entre outros
elementos que aparecem no original, como vinhetas nos cantos
superiores e o título “Thomas Bayes, ‘o cara’!” ocupando as duas
páginas), à esquerda e à direita das páginas há dois textos, que
funcionam como introdução. Vamos analisar as diferenças entre
os três textos.
a. Releia os três textos (1, 2 e 3). Qual a intenção do autor em cada
um deles? Explique em seu caderno.
b. Quais são mais objetivos e quais são mais abertos, buscando
incitar a curiosidade?
c. Você viu que o artigo da revista
apresenta dois textos de introdu-
ção, e o capítulo de livro didático,
apenas um, em geral denominado
“abertura do capítulo”. O primeiro
texto de introdução do artigo, o
Texto 1, é em geral chamado de
olho do artigo. Nele, o autor procu-
ra despertar o interesse do leitor,
apresentando questões, dando
exemplos, relatando fatos ou co-
locando problemas. No caso do olho do texto “Thomas Bayes: o
‘cara’!”, quais desses recursos são usados?
Olho é uma parte da notícia
que vem logo abaixo do título.
Sua função é criar no leitor
interesse pela notícia, median-
te sua síntese. Distingue-se do
título por apresentar um tama-
nho de letra menor,em geral em
itálico. Isso faz com que tam-
bém se diferencie do corpo do
texto, que aparece num tama-
nho menor ainda e em formato
regular. Nem todas as notícias
apresentam olho.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 57
9Vamos ver mais alguns olhos de artigos.
Texto 1
A redescoberta do Aqüífero
Guarani
“O megarreservatório hídrico subterrâneo da Améri-
ca do Sul não é o ‘mar de água doce’ que se pensava
existir. Novos estudos sobre sua diversidade geológica
revelam que, em espaços de algumas centenas de qui-
lômetros, sua potencialidade pode variar drasticamen-
te. Enquanto algumas áreas são excelentes, em outras
a água é inacessível, escassa ou não-potável. [...]”
Texto 2
O magnífico laser
“É bem provável que, nos meses que separam a finalização deste ar-
tigo pelo autor até este exato momento – em que ele é lido por você,
leitor –, dezenas ou mesmo centenas de novas aplicações para o laser
já tenham sido idealizadas e desenvolvidas. Daí se dizer que esse
magnífico instrumento é ‘uma solução em busca de problemas’. Da
própria física à medicina, da indústria ao comércio, da computação ao
entretenimento, não há hoje atividade humana em que essa invenção
não tenha uma aplicação. Currículo invejável para algo com pouco
menos de meio século de vida. Embora suas aplicações sejam impor-
tantes, o estudo do laser em si está longe de ser concluído. Entender
esse fenômeno é papel de uma das mais ativas áreas da investigação
científica deste início de século. [...]”
Vanderlei Salvador Bagnato, Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005.
São textos que relatam fatos ou vidas de cientistas? Ou textos
mais descritivos? Indicam aplicações das descobertas científicas
que podem deixar você curioso? Indique, em seu caderno, quais
recursos são usados.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
58
10 Na questão 2 (pág. 53), quando buscou um título para o texto
sobre Thomas Bayes, você leu o Texto 2, que funciona como intro-
dução propriamente dita ao artigo. Volte a ele e responda:
a.Você já pode dizer quem foi Thomas Bayes? Qual era a ciência
que ele praticava?
b.Seu teorema tem aplicações em que campos?
c. O que o autor pretende fazer no restante do artigo?
Veja estas outras quatro introduções de artigos:
Introdução 1
A ciência do sudoku
“É de esperar que um jogo de lógica desperte o interesse de pouquís-
simas pessoas – matemáticos, fanáticos por computador, apostadores
compulsivos. O sudoku, porém, tornou-se imensamente popular em
um curto período de tempo, fazendo lembrar a febre do cubo mágico
do começo dos anos 80.
Ao contrário do cubo, que é tridimensional, um quebra-cabeça sudoku
é formado por um quadrado bidimensional. Na versão mais comum,
contém 81 casas (distribuídas em nove linhas e nove colunas), agrupa-
das, por sua vez, em nove quadrados menores (subgrades) com nove
casas cada um. O jogo começa com algumas casas já preenchidas
por números, cabendo ao jogador completar as casas restantes com
algarismos de 1 a 9, de modo que nenhum deles se repita na mesma
coluna ou linha, nem dentro da mesma subgrade. Cada quebra-
­
cabeça tem uma única solução.
Embora envolva números, o sudoku não exige conhecimento mate-
mático: nenhuma operação numérica contribui para o preenchimento
do quadrado, que em princípio poderia ser completado com qualquer
conjunto de nove símbolos diferentes (letras, cores, figuras etc.). Ape-
sar disso, o sudoku oferece vários desafios a matemáticos e especia-
listas em computação. [...]”
Jean-Paul Delahaye, Scientific American Brasil, n. 50, jul./2006.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 59
Introdução 2
O magnífico laser
“O princípio básico de funcionamento do laser está baseado nas leis
fundamentais da interação da radiação luminosa com a matéria. Mais
especificamente, a luz laser é resultado de um fenômeno denominado
emissão estimulada. E daí vem seu nome: laser, em inglês, significa
luz amplificada pela emissão estimulada de radiação.
A emissão estimulada consiste no seguinte: vamos imaginar um átomo
de determinado material e supor um elétron desse átomo que esteja
em um estado excitado, ou seja, com ‘excesso’ de energia.
Esse elétron excitado apresenta uma forte tendência de voltar para o
seu estado ‘natural’, isto é, para um nível de energia mais baixa. Ao
fazer isso, ele devolve ao meio essa energia na forma de um pacote
de luz (fóton). Porém, sozinho esse retorno é extremamente demorado
– pelo menos, nas escalas de tempo dos processos atômicos. Mas ele
pode ser antecipado com a ajuda de um agente externo: outro fóton.
Portanto, a emissão estimulada resulta em dois fótons: um emitido
pelo átomo excitado ao voltar ao seu estado de energia mais baixo,
e o próprio fóton que ‘acelerou’ (ou estimulou) esse processo. Os dois
são idênticos.
Na produção da luz laser, basicamente, um meio ativo – ou seja, uma
amostra sólida, líquida ou gasosa –, contendo energia na forma de
inúmeros átomos excitados, é colocado no interior de uma cavidade
óptica – para nossos propósitos aqui, podemos imaginar essa cavida-
de como um recipiente com as paredes internas espelhadas.
A luz do laser, portanto, provém justamente da emissão de fótons
que ocorre quando, em um processo estimulado pela própria luz,
elétrons retornam de seus estados excitados para níveis mais baixos
de energia, acumulando na cavidade porções de luz fisicamente idên-
ticas. [...]”
Vanderlei Salvador Bagnato, Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
60
Introdução 3
A redescoberta do Aqüífero Guarani
“Maio de 1996. Em um workshop em Curitiba, o geólogo uruguaio
Danilo Anton propôs o nome Guarani a uma camada aqüífera que,
imaginava-se, seria transfronteiriça entre os quatro países que então
formavam o bloco econômico do Mercosul. Este aqüífero chegou a
ser considerado e divulgado na imprensa como o maior do mundo e
seria constituído de um megarreservatório de água subterrânea doce
e potável. Suas reservas estratégicas poderiam abastecer a população
brasileira por cerca de 2.500 anos. De fato, diante desse cenário seria
possível excluir de nossas preocupações uma futura crise da água,
pois a Natureza nos teria presenteado com uma fonte de água sub-
terrânea de boa qualidade e quase inesgotável.
Mas esses dados, em grande proporção fantasiosos, têm sido revis-
tos por pesquisas com rigor científico que, em vez de diminuir sua
importância para o futuro do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai,
procuram avaliar de forma mais realista sua ocorrência. A divulgação
da existência de um grande aqüífero, entretanto, foi extremamente
importante, pois, além de colocar em discussão o papel das águas
subterrâneas no abastecimento futuro desses países, atraiu também
o interesse do público leigo pelo tema.
Ainda não existem estudos detalhados sobre toda a área de ocorrên-
cia do Aqüífero Guarani no Brasil e nos outros países do Mercosul.
Entretanto, teria sido melhor denominá-lo ‘Sistema Aqüífero Guarani’,
já que se trata de um conjunto heterogêneo de ‘unidades hidroestra-
tigráficas’ que podem conter muita, pouca ou nenhuma água. Sinte-
ticamente, essas unidades poderiam ser descritas como formações
geológicas portadoras de água, em maior ou menor quantidade.
Algumas delas, exploradas há mais de cem anos, já foram estudadas
por pesquisadores dos países do Mercosul. [...]”
José Luiz Flores Machado, Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 61
Introdução 4
Aplicações do magnetismo
“Os fenômenos magnéticos foram, talvez, os primeiros a despertar
a curiosidade da humanidade sobre o interior da matéria. Os mais
antigos relatos de experiências com a ‘força misteriosa’ da magnetita
(Fe3
O4
), o ímã natural, são atribuídos aos gregos e datam de 800 a.C.
A primeira utilização prática do magnetismo foi a bússola, inventada
pelos chineses na dinastia Han, em 200 d.C., e baseada na proprie-
dade que uma agulha magnetizada tem de se orientar na direção do
campo magnético terrestre. A bússola foi empregada em navegação
pelos chineses em 900 d.C., mas só foi descoberta e usada pelo mun-
do ocidental a partir do século 15.
Os fenômenos magnéticos ganharam uma dimensão muito maior
quatro séculos mais tarde, com a descoberta de sua relação com a
eletricidade através dos trabalhos do dinamarquês Hans Christian
Oersted (1777-1851), do francês André Marie Ampère (1775-1836), do
inglês Michael Faraday (1791-1867) e do norte-americano Joseph Hen-
ry (1797-1878), para citar alguns poucos exemplos. No final do século
19, diversos fenômenos já eram compreendidos e tinham inúmeras
aplicações tecnológicas, das quais o motor e o gerador elétrico eram
as mais importantes.
Apesar de séculos e séculos de investigações, o magnetismo em nível
microscópico só foi compreendido na primeira metade do século pas-
sado, após o advento da física quântica, que nasceu em 1900, com a
hipótese do físico alemão Max Planck (1858-1947) dos quanta de ener-
gia, ou seja, a de que, na natureza, a energia é gerada e absorvida
em diminutos pacotes – os quanta – e não como um fluxo contínuo,
como se imaginava até então. Posteriormente, essa idéia levou ao
desenvolvimento da chamada física quântica – teoria para os fenô-
menos do diminuto universo das entidades atômicas e moleculares
– através dos trabalhos do físico alemão Albert Einstein (1879-1955),
do dinamarquês Niels Bohr (1885-1962), do alemão Werner Heisenberg
(1901-1976), do britânico Paul Dirac (1902-1984), entre outros.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
62
O século passado testemunhou um avanço impressionante no enten-
dimento do fenômeno do magnetismo, e, conseqüentemente, suas
aplicações se multiplicaram e foram substancialmente aprimoradas.
Apesar desses avanços, ainda há muitas coisas por compreender.
[...]”
Marcelo Knobel, Ciência Hoje, vol. 36, n. 215, maio/2005.
11 Os autores dos quatro textos escolheram dois recursos básicos
para introduzir seus temas. Quais foram? Indique os dois artigos
que começam descrevendo os seus temas ou objetos de estudo. O
que fazem os outros dois?
12 Qual das duas estratégias desperta mais interesse em você?
13 Agora, você e seu grupo vão escrever o olho e a introdução do
artigo de vocês para publicar no blog ou no Mural da Ciência. Lem-
brem-se, há vários recursos que vocês podem usar para chamar a
atenção do leitor e aguçar sua curiosidade; a ilustração de fundo
é também importante – não esqueçam. Escolham um ou alguns
recursos e mãos à obra. Se a página de seu blog tiver contagem de
visitas, acompanhem quantos leitores se interessaram por seu tex-
to. Se estiverem publicando no mural, adicionem a ele uma lista
a ser assinada pelos leitores-visitantes. Com isso, vocês poderão
checar se de fato aguçaram a atenção dos leitores para o resto do
artigo que vão escrever adiante.
Atividade 2
Como se organizam os artigos de divulgação –
as partes do texto
Para que vocês possam redigir melhor seu artigo, assim como ler
com maior facilidade outros artigos e os livros didáticos, vale a
pena refletirmos um pouco mais sobre como estes textos se orga-
nizam. Você já viu, na Parte 3, que, além do título, da introdução
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 63
e do olho, eles se organizam por meio de subtítulos. Vamos ver
como e para quê.
Veja estas formas de organizar ou de compor os textos de divul-
gação escolhidas por seus autores. São quatro artigos publicados
nos anos de 2005 e 2006, em duas revistas de divulgação on-line
– a Scientific American Brasil e a Ciência Hoje.
Para compor o quadro, indicamos o título, o autor e o veículo dos
textos numa linha e as partes de cada texto na outra. Para obter
as partes dos textos recorremos aos subtítulos dos artigos.
1 Artigo Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006
A redescoberta do Aqüífero Guarani
José Luiz Flores Machado, geólogo da CPRM/ Serviço Geológico do Brasil
Partes Olho
do texto Introdução
Aqüíferos diversificados
O Aqüífero no Rio Grande
Constituição complexa
Potencialidade variável
Gigante subterrâneo
Infográfico: O vai-e-vem da água
Boxes:
• Resumo/Sistema Aqüífero Guarani
• O autor
• Onde está a água potável?
• Para conhecer mais
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
64
2 Artigo Revista Ciência Hoje, vol. 36, n. 215, mai./2005
Aplicações do magnetismo
Marcelo Knobel, físico da Unicamp
Partes Olho
do texto Introdução
Três categorias
O ciclo de histerese
Um bom ímã
A descoberta recente
Doces, suaves ou moles
Onde a nanotecnologia é realidade
Gigante da resistência
Como um minúsculo ímã
Fluidos magnéticos
Aplicações promissoras
Boxes:
• Missão: Otimizar propriedades
		 • Efeito giromagnético: Einstein como físico experimental
3 Artigo Scientific American Brasil, n. 50, jul./2006
A ciência do sudoku
Jean-Paul Delahaye, professor de Ciência da Computação da
Universidade de Ciências e Tecnologias de Lille, França
Partes Olho
do texto Introdução
Árvore genealógica
Bilhões de possibilidades
Soluções por computador
Métodos de solução
• Método 1
• Método 2
• Método 3
• Método 4
Métodos de solução
Estratégias dos jogadores
Boxes:
• O autor
• Para conhecer mais
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 65
4 Artigo Revista Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005
O magnífico laser
Vanderlei Salvador Bagnato, físico do Instituto de
Física de São Carlos (USP)
Partes Olho
do texto Introdução
Formação do feixe
Quatro características
Grande invasão
Aplicações científicas
O surgimento da fotônica
Na indústria
Lentes e braços articulados
Corte, marcação e solda
No comércio
Cirurgia e terapia com luz
Biópsia óptica
Substituindo as brocas do dentista
Conhecimento em cubos
Boxes:
• O inventor do laser
• Inovação e difusão
• Sugestões para leitura
1Observando os quadros, anote em seu caderno:
a. Quais partes dos textos são comuns aos quatro artigos?
b. Em que revista estão os artigos mais descritivos? E os mais
preocupados com a aplicação dos conhecimentos científicos?
Escolha dois subtítulos mais descritivos e dois mais voltados
para aplicações.
c. Mesmo não tendo lido os textos, é possível identificar uma
lógica de composição em suas partes. Veja o esquema de organi-
zação dos subtítulos, bastante descritivo, no Texto 1 (Aqüífero
Guarani):
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
66
Aqüífero Guarani
Aqüíferos diversificados
O Aqüífero
no Rio Grande
Constituição
complexa
Potencialidade
variável
Gigante
subterrâneo
d. Transforme num parágrafo o que os subtítulos dizem sobre o
Aqüífero Guarani. Ele é composto de...
e. No caso do Texto 4, quais são as aplicações enumeradas? Escre-
va um parágrafo sobre as principais aplicações do laser. Note
que esta é uma maneira de resumir os artigos.
f. Agora, faça em seu caderno o esquema de organização dos
­
Textos 3 e 4.
Vamos ver como esses subtítulos nos guiam para resumir os ar-
tigos que lemos, seja para guardar anotado para uma pesquisa,
seja mentalmente, para lembrarmos os temas? Você reparou que
um dos boxes do Texto 1 é intitulado “Resumo: sistema Aqüífero
Guarani”? Vamos ver em que consiste esse resumo.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 67
2Em seu caderno, anote a parte do texto ou subtítulo correspon-
dente a cada parágrafo do texto-resumo do boxe abaixo.
Resumo – Sistema Aqüífero Guarani
§ 1 O Sistema Aqüífero Guarani tem cerca de 1,2
milhão de km2
e abrange territórios do Brasil,
Argentina, Uruguai e Paraguai.
§ 2 Ao contrário da versão popular, ele não é um
“mar de água doce”, sendo composto por uma
sucessão de camadas aqüíferas.
§ 3 Estudos recentes têm demonstrado que, devi-
do à evolução geológica, além de descontínuo, ele
apresenta uma hidroestratigrafia complexa.
§ 4 O Rio Grande do Sul é um exemplo de como
essas camadas aqüíferas foram compartimenta-
das, estando o sistema dividido em pelo menos
quatro grandes blocos.
§ 5 Esses quatro compartimentos apresentam
diferenças marcantes quanto ao conjunto de
aqüíferos e sua qualidade, o que se reflete na
potencialidade do sistema aqüífero.
§ 6 Apesar dessas constatações, o Sistema Aqüí-
fero Guarani, por suas dimensões continentais, é
um recurso hídrico de extraordinária importân-
cia para os quatro países do Mercosul.
3Agora, explique: o que o autor fez no resumo?
4 Sua próxima tarefa é resumir o seguinte texto didático, sobre
física: “Afinal, física por que e para quê?” (escrito pela professora
Sônia Salém especialmente para esta publicação), com a ­finalidade
de apontar as principais razões por que se deve estudar essa
Aqüíferos diversificados
O Aqüífero no Rio Grande
Constituição complexa
Potencialidade variável
Gigante subterrâneo
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
68
­
ciência. Primeiro, procure fazer um esquema do texto, tentando
localizar os subtemas tratados por ele. Para tanto, anote esses
subtemas e as idéias centrais de cada parágrafo em seu caderno.
Depois monte um esquema do texto, relacionando esses subtemas
por meio de setas, chaves etc. Por fim, escreva alguns parágrafos
que resumam o texto.
Afinal, Física por que e para quê?
Sônia Salém
§1 “Por que estudar ciências? Para que servem? Se não tenho em vista
uma profissão como Física, Astronomia, Engenharia, Farmácia, Bio-
química, Computação, Contabilidade etc., por que preciso estudar
Física, Química, Biologia ou Matemática?”. Essas são perguntas que
podemos fazer, quando nos deparamos com o aprendizado das
Ciên­cias Naturais e da Matemática ao ingressar no Ensino Médio.
§2 Tal como a História, a Geografia, a Língua Portuguesa, a Filosofia,
a Música, a Literatura, o Desenho e outras artes, os conhecimentos
científicos fazem parte da cultura e da vida de todo cidadão. Ciência
e tecnologia estão cada vez mais presentes no mundo em que vive-
mos. Seja na vida individual, social ou profissional. Na vida presente
ou futura.
§3 A Física envolve conhecimentos que abarcam diferentes campos de
estudo e de investigação – os movimentos, a eletricidade e o magnetis-
mo, o calor, a luz, a constituição da matéria, a evolução do Universo.
Conhecimentos esses que envolvem aspectos práticos e tecnológicos,
históricos e filosóficos, éticos e sociais. Que nos permitem compreen-
der fenômenos presentes em nosso cotidiano, enfrentar situações e
problemas de ordem prática – na vida doméstica ou social –, discutir
indagações filosóficas ou, ainda, participar de forma crítica de deba-
tes públicos relevantes no mundo contemporâneo acerca dos usos e
“desusos” da ciência e da tecnologia, seus benefícios e riscos.
§4 Como evitar um choque elétrico ou um curto-circuito, como escolher
aparelhos elétricos de modo a economizar energia, como estimar
Sônia Salém é
professora de Físi-
ca e Coordenadora
Técnica do Institu-
to de Física da Uni-
versidade de São
Paulo (Ifusp).
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 69
ou medir distâncias, tempos e velocidades, prever movimentos
de automóveis ou bolas, como utilizar uma bússola ou o Sol para
nos orientar, como escolher utensílios de cozinha para uma dada
finalidade ou materiais apropriados para o isolamento térmico em
uma casa, como estimar o gasto de combustíveis, compreender o
funcionamento de aparelhos como telefone celular, rádio, televisão,
computador, controle remoto, forno de microondas, aquecedores
solares, como nos proteger de relâmpagos, de radiações utilizadas
em aparelhos de radiodiagnóstico... Esses são alguns exemplos de
saberes práticos, presentes em nossa vida, que envolvem conheci-
mentos da Física.
§5 Ainda nesse âmbito, de saberes mais diretamente ligados ao mundo
cotidiano, podemos levantar muitas outras questões relacionadas a
fenômenos físicos naturais, como os ciclos dia e noite, estações do
ano, fases da lua e eclipses, como se explica a cor azul do céu, como
se forma um arco-íris, por que sentimos frio quando estamos com
febre, como se formam os ventos, as chuvas ou orvalhos, o que é
uma frente fria ou uma inversão térmica, como enxergamos e como
percebemos as cores.
§6 A Física trata, também, de indagações menos concretas, mas não
menos importantes, do mundo astronômico ou do mundo subatômico.
Qual a origem do Universo? Do que ele é constituído e como evolui? De
onde vem a energia que recebemos do Sol, essencial às nossas vidas?
Ela pode acabar um dia? É possível haver vida fora da Terra? Do que
é feita a matéria que compõe esse mundo? Como é possível obtermos
energia dos átomos? São questões que também nos permitem conhe-
cer melhor o nosso mundo e nele nos situarmos.
§7 Do ponto de vista social e ético, podemos elencar temas atuais rele-
vantes que envolvem o saber físico, tais como o que é o efeito estufa,
quais as causas, efeitos e meios de controlar sua intensificação; quais
as diferentes fontes de energia utilizadas no mundo e seus impactos
sociais e ambientais; quais os riscos e benefícios do uso de diferentes
tipos de radiações, como das antenas de TV ou celulares, dos moni-
tores de computadores, dos fornos de microondas ou dos raios X, ou
daquelas de origem nuclear, ditas radioativas, como as do urânio uti-
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
70
lizado nas usinas nucleares ou dos elementos presentes no chamado
lixo atômico.
§8 Finalmente, há os aspectos históricos ou culturais, que abarcam
questões como: de que modo a Física é construída e se transforma,
quais os seus limites e impasses, como influencia e é influenciada
pelo contexto histórico, social e cultural; que relações estabelece com
outros conhecimentos e expressões da cultura humana.
§9 Quando lemos uma notícia de jornal que trata desses temas, um ar-
tigo de revista de divulgação, um livro didático, o resultado de uma
pesquisa científica, podemos perceber que a ciência em geral, e a
física em particular, tem uma linguagem própria, formas específicas
de descrever o mundo – seja no vocabulário, nos códigos e símbolos
ou nas formas de representação que utiliza: tabelas e gráficos, ex-
pressões matemáticas, notações numéricas, unidades de medida.
§10 E não apenas em textos discursivos nos deparamos com essa lingua-
gem específica. Ao ler uma receita de óculos, o manual ou plaqueta
de um aparelho eletrodoméstico, uma conta de luz, aviso de seguran-
ça em instalação comercial ou industrial, placa de trânsito, mapas,
rótulos de alimento, gráficos meteorológicos, imagens de satélites,
encontramos códigos e símbolos que precisamos conhecer e inter-
pretar. Compreender e utilizar essa linguagem nos permite resolver
problemas reais, avaliar informações, argumentar, emitir opiniões e
participar dos acontecimentos e transformações no mundo em que
aspectos físicos são relevantes.
§11 Enfim, a compreensão de fenômenos naturais, de teorias científicas,
de processos e equipamentos tecnológicos, assim como da lingua-
gem e dos métodos presentes na Física e nas demais ciências se faz
necessária para que possamos ser efetivamente cidadãos do mundo
contemporâneo.
Na verdade, quando escreve o artigo, a autora pensa em subtemas
que quer ou precisa desenvolver e pode dar-lhes um subtítulo.
Nessa parte do texto, ela desenvolve uma idéia central, por meio
de definições, exemplos e explicações. Quando você prepara um
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 71
resumo, pode tomar esses subtítulos também para chegar à idéia
central de cada subtema e assim terá uma súmula das idéias prin-
cipais do texto.
5Agora, você e seu grupo vão eleger os subtemas do tema principal
que vocês escolheram para seu artigo. Comecem discutindo o que
querem falar desse tema geral, sobre o qual estão pesquisando
desde o início desta Seqüência Didática. Identifiquem os subtemas
com subtítulos claros e interessantes. Anotem também uma idéia
central a ser desenvolvida em cada um deles.
6Uma vez preparado esse planejamento, façam um boxe-resumo,
para aparecer no final do artigo.
7Retomem também o olho e a introdução, para ver se estão coe-
rentes com o planejamento e o boxe-resumo. Pronto: agora vocês
já têm um planejamento do artigo para desenvolver na próxima
atividade.
Atividade 3
As partes do texto e a progressão na leitura
Nessa parte do trabalho que vocês acabaram de rea-
lizar, ficou claro que um modo importante de orga-
nizar e compor seu artigo de divulgação é – além de
dar-lhe um título, fazer um olho e uma introdução
– dividi-lo pelos subtemas ou tópicos que você con-
sidera fundamentais para sua matéria. Resta saber
como desenvolver subtemas, tópicos ou aspectos do
tema relevantes para compor seu texto.
Para pensar sobre isso, vamos ver o texto de ficção científica a
seguir, em que o autor, Douglas Adams, inventa uma nova ciência:
a Bistromática, fazendo uma paródia dos textos científicos.
Douglas Adams.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
72
A Bistromática em si é apenas uma nova e revolucionária
forma de entender o comportamento dos números. Assim como
Einstein observou que o tempo não era absoluto, mas algo
que dependia do movimento de um observador no espaço, e
que o espaço não era absoluto, mas dependia do movimento
do observador no tempo, hoje sabemos que os números não
são absolutos, mas dependem do movimento do observador nos
restaurantes.
O primeiro número não-absoluto é o número de pessoas para
quem a mesa está reservada. Ele irá variar no decorrer das primeiras
três ligações para o restaurante e depois não apresentará nenhuma
relação aparente com o número de pessoas que realmente estarão
presentes, ou com o número de pessoas que irão se juntar a elas de-
pois do show, partida, festa, filme, ou ainda com o número de pessoas
que irão embora ao ver quem mais apareceu por lá.
O segundo número não-absoluto é a hora real de chegada.
Este número é hoje conhecido como um dos mais bizarros conceitos
matemáticos, uma reciproversexclusão, um número cuja existência
só pode ser definida como sendo qualquer outra coisa diferente de
si mesmo. Em outras palavras, a hora real de chegada é o único
momento no tempo no qual é impossível que qualquer participante
do grupo chegue de fato. A reciproversexclusão tem, atualmente, um
papel vital em diversos campos da matemática, incluindo a estatística
e contabilidade, além de fazer parte das equações básicas usadas na
engenharia dos campos de Problema de Outra Pessoa.
O terceiro e mais misterioso não-absolutismo de todos diz respei-
to à relação entre o número de itens na conta, o valor de cada item
e o número de pessoas na mesa, assim como quanto cada uma delas
está disposta a pagar (o número de pessoas que trouxeram algum
dinheiro é apenas um subfenômeno desse campo).
Douglas Adams, A vida, o Universo e tudo o mais. São Paulo: GMT, 2005.
Douglas Adams escolheu uma forma relativamente simples de
compor seu texto, formado basicamente por definições (X é Y).
Escolhido seu tema – a Bistromática –, ficamos sabendo, por de-
Bistromática: alusão a
bistrô, restaurante pe-
queno e simples, porém
aconchegante, típico da
França.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 73
finição, que ela é “uma nova e revolucionária forma de entender
o comportamento dos números” e que estes, os números, “não
são absolutos, mas dependem do movimento do observador nos
restaurantes”. Dito isto, basta enumerar (subtemas ou tópicos) os
tipos de números não-absolutos – primeiro, segundo e terceiro – e
passar a defini-los. Esta é uma forma fácil de compor os textos.
Mas há outras maneiras de escolher e desenvolver os aspectos do
tema a abordar. Vejamos alguns exemplos, desta vez, de artigos
de divulgação científica, propriamente ditos.
Nos artigos de divulgação científica as definições estão também
muito presentes, mas complementadas por explicações, exem-
plos etc. Vamos retomar a leitura da introdução do artigo “O
magnífico laser”:
O princípio básico de funcionamento do laser está baseado nas leis
fundamentais da interação da radiação luminosa com a matéria. Mais
especificamente, a luz laser é resultado de um fenômeno denominado
emissão estimulada. E daí vem seu nome: laser, em inglês, significa
luz amplificada pela emissão estimulada de radiação.
A emissão estimulada consiste no seguinte: vamos imaginar um átomo
de determinado material e supor um elétron desse átomo que esteja
em um estado excitado, ou seja, com ”excesso” de energia.
Esse elétron excitado apresenta uma forte tendência de voltar para o
seu estado “natural”, isto é, para um nível
de energia mais baixa. Ao fazer isso, ele
devolve ao meio essa energia na forma de
um pacote de luz (fóton). Porém, sozinho
esse retorno é extremamente demorado
– pelo menos, nas escalas de tempo dos
processos atômicos. Mas ele pode ser
antecipado com a ajuda de um agente
externo: outro fóton. Portanto, a emissão
estimulada resulta em dois fótons: um
Equipamento emissor de luz laser.
KIM
STEELE
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
74
emitido pelo átomo excitado ao voltar ao seu estado de energia mais
baixo, e o próprio fóton que “acelerou” (ou estimulou) esse processo.
Os dois são idênticos.
Na produção da luz laser, basicamente, um meio ativo – ou seja,
uma amostra sólida, líquida ou gasosa –, contendo energia na forma
de inúmeros átomos excitados, é colocado no interior de uma cavi-
dade óptica – para nossos propósitos aqui, podemos imaginar essa
cavidade como um recipiente com as paredes internas espelhadas.
A luz do laser, portanto, provém justamente da emissão de fótons que
ocorre quando, em um processo estimulado pela própria luz, elétrons
retornam de seus estados excitados para níveis mais baixos de energia,
acumulando na cavidade porções de luz fisicamente idênticas.
1Anote em seu caderno as definições de:
a.Princípio básico de funcionamento do laser.
b.Luz do laser.
c. Emissão estimulada.
2Sublinhe, em seu caderno, os verbos das definições. Em que tempo
e modo verbal esses verbos estão?
3Anote os particípios passados adjetivos que aparecem nas defini-
ções, como: baseado...
Como vimos nos verbetes, as definições e explicações científicas
tendem a usar os verbos numa espécie de “presente eterno” – o
“presente de definição”. Não se trata bem de um tempo presente,
pois “a emissão estimulada resulta em dois fótons” ou “a Terra gira
em torno do Sol” não é algo válido só para agora, neste momento,
mas para agora e para sempre, até que a ciência descubra uma
outra explicação.
As definições e explicações apresentam também muitos substanti-
vos, formas nominais do verbo (particípios, gerúndios), adjetivos,
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 75
advérbios. Tudo isso porque se trata de um discurso sobre os es-
tados da matéria e não sobre as ações humanas: para dizer como
as coisas são ou estão e não o que as pessoas fazem.
4Só para confirmar, leia este parágrafo explicativo:
“A luz do laser, portanto, provém justamente da emissão de fótons que
ocorre quando, em um processo estimulado pela própria luz, elétrons
retornam de seus estados excitados para níveis mais baixos de energia,
acumulando na cavidade porções de luz fisicamente idênticas.”
Anote em seu caderno o número de:
Substantivos
Adjetivos
Advérbios
Particípios
Gerúndios
Verbos no presente
5Na leitura também, para localizar e comparar informações do
texto, essa organização da linguagem é importante. Por exemplo,
vá ao texto e responda:
a. O que é um elétron excitado?
b. O que é um fóton?
c. Como um elétron excitado gera um fóton?
Ao responder a essas perguntas, você localizou e comparou infor-
mações no texto. E para isso usou as palavras. Discuta com sua
turma e com seu professor:
d Como você fez para localizar as definições?
e. Que parte delas você localizou (já estava dada na pergunta) e
que parte completou (era nova e respondia à pergunta)?
f. Como fez para comparar as duas informações e responder à
pergunta c?
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
76
E como progridem as definições e explicações nesses textos? Va-
mos olhar mais de perto a explicação sobre o que é a luz laser.
“A luz laser é resultado de um fenômeno denominado emissão estimu-
lada. E daí vem seu nome: laser, em inglês, significa luz amplificada
pela emissão estimulada de radiação.
A emissão estimulada consiste no seguinte: vamos imaginar um átomo
de determinado material e supor um elétron desse átomo que esteja
em um estado excitado, ou seja, com ‘excesso’ de energia.”
Luz LASER Emissão estimulada
Luz amplificada pela emissão estimulada de radiação Elétron de átomo que esteja em estado excitado
Em seguida, o texto passa a definir ou explicar o que é um elétron
excitado. Esse processo de “costura” do texto, que retoma um con-
ceito e define usando um outro, e em seguida define este outro e
assim por diante, é o que chamamos de coesão e é responsável pela
progressão do tema no texto. É bem parecido com a linkagem nos
hipertextos ou verbetes, só que não se dá em rede, mas na linha:
um conceito depois do outro.
6Pronto! Agora, você e seus colegas já podem desenvolver os tó-
picos ou subtemas de seu artigo de divulgação científica, para
publicá-lo no blog ou no Mural da Ciência. Lembre-se: cada sub-
tema ou subtítulo deve ser desenvolvido por meio de definições e
explicações, que se encadeiam umas nas outras por meio de pro-
cessos de coesão, fazendo o tema progredir. Lembre-se também
de que para alguns subtemas você pode e deve recorrer a imagens
e infográficos (Parte 3 desta Seqüência Didática). Cada subtítulo
deve se equacionar em tamanho com os outros. Se estiver ficando
muito grande, é porque está na hora de subdividir, criando um
outro subtítulo.
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 77
Atividade 4
O papel dos boxes
Vamos voltar ao quadro das partes dos quatro artigos (Atividade
2, pág. 62) que estamos discutindo, desta vez para analisar os
boxes.
1 Artigo Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006
A redescoberta do Aqüífero Guarani
José Luiz Flores Machado, geólogo da CPRM/
Serviço Geológico do Brasil
Partes Boxes:
do texto Resumo/Sistema Aqüífero Guarani
O autor
Onde está a água potável?
Para conhecer mais
2 Artigo Ciência Hoje, vol. 36, n. 215, mai./2005
Aplicações do magnetismo
Marcelo Knobel, físico da Unicamp
Partes Boxes:
do texto Missão: otimizar propriedades
Efeito giromagnético:
		 Einstein como físico experimental
3 Artigo Scientific American Brasil, n. 50, jul./2006
A ciência do sudoku
Jean-Paul Delahaye, professor de Ciência da Computação da
Universidade de Ciências e Tecnologias de Lille, França
Partes Boxes:
do texto O autor
Para conhecer mais
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
78
Discuta com seus colegas e com seu professor:
1Alguns títulos dos boxes se repetem. Quais são?
2Que veículo (revista) publicou os artigos com os boxes de mesmo
título?
3Você acha que isso é uma decisão do autor ou da editoria da revista?
4Qual a função desses boxes que se repetem? Que tipo de informa-
ção eles acrescentam?
5E os outros?
6A partir de suas respostas anteriores, conclua: qual a função de
acrescentar boxes a um texto? Em que eles se parecem com notas
de rodapé? E com os textos linkados num hipertexto?
7Em resumo: que tipo de informação deixamos para o rodapé, o
boxe, ou para alguns links?
Pois é! Você já deve ter percebido, ao fazer as atividades desta Seqüên-
cia Didática, que nem toda informação se encontra no corpo dos
textos. Aqui mesmo você pode ter notado a presença de uma ferra-
menta essencial da divulgação científica, escolar ou não: os boxes.
8Volte à página 38. Por que você acha que a definição de infografia
não está diretamente no texto?
4 Artigo Revista Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005
O magnífico laser
Vanderlei Salvador Bagnato, físico do Instituto de
Física de São Carlos (USP)
Partes Boxes:
do texto O inventor do laser
Inovação e difusão
Sugestões para leitura
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica 79
Os boxes trazem uma informação complementar ao texto. Pode ser
uma definição que o autor não quer encaixar no corpo do texto,
porque não cabe no desenvolvimento do tema, ou uma curiosidade
sobre o tema, sugestões para leitura complementar, tabelas e/ou
gráficos comparativos, dados sobre o autor do artigo etc. Por exem-
plo: se você já sabe o que é um infográfico e vê o título do boxe, vai
passar por ele sem ler. Num texto didático, você vai ao boxe para
colher informações além das que o corpo do texto lhe oferece.
Os boxes são também muito importantes para aquele processo
de linkagem ou remissão que comentamos na Parte 2. Quando
a definição de um termo específico da linguagem da ciência não
está no corpo do texto, como mostramos, procure nos boxes, pois
lá certamente você encontrará a informação, ou pelo menos uma
dica para descobrir o que não ficou claro.
9Agora, você e seu grupo vão selecionar, dentre todas aquelas
informações que ficaram faltando e dentre todas as idéias que
não couberam no texto, aquelas que são mais importantes e vão
colocá-las em boxes. Se quiserem indicar as fontes de consulta
que usaram para escrever o artigo, criem um boxe do tipo “Para
saber mais”. Lembrem-se: os boxes são pequenos e breves, para
acrescentar informação sem tomar muito tempo do leitor.
10 Uma vez completo o artigo, republiquem-no no blog ou no Mu-
ral da Ciência.
Com isso, você e seu grupo terminaram seu primeiro artigo de di-
vulgação científica. Esperamos que o primeiro de muitos... Quem
sabe vocês não criam mesmo um blog de ciência na internet? Ou
se responsabilizam permanentemente por um mural ou por uma
seção de jornal (falado ou impresso) de divulgação científica em
sua escola?
Seqüência didática Gêneros de divulgação científica
80
Esperamos também que você se torne um leitor assíduo dos mui-
tos textos de divulgação científica que trazem diariamente fatos
interessantíssimos sobre os novos achados e discussões da ciência
e que, com isso, possa complementar também suas aprendizagens
a partir dos textos escolares. E acrescentar um novo campo de
circulação de conhecimentos a seu cotidiano.
Fundação Carlos Alberto Vanzolini
Diretor Presidente: Gregório Bouer
Diretor Vice-Presidente: Paulino Graciano Francischini
Coordenador Geral do Programa Ensino Médio em Rede: Guilherme Ary Plonski
Coordenadora Executiva: Beatriz Leonel Scavazza
Coordenadora Executiva Adjunta: Angela Sprenger
Equipe do Ensino Médio em Rede
Logística: Carolina Monteiro
		 Denise Blanes
Orientação Instrucional: Jacqueline Peixoto Barbosa
		 Luiza Christov
		 Regina Cândida Ellero Gualtieri
Autores: Roxane Rojo
		 Cristina Lastoria
Equipe de Produção Editorial de Materiais Educacionais
Editora Executiva: Maristela Lobão de Moraes Sarmento
Editora: Elzira Arantes
Assistente de Produção: Marcelo Felix
Revisor: Paulo Roberto de Moraes
Pesquisa Iconográfica: Iolanda Husak
Direitos Autorais: José Carlos Augusto
Projeto Gráfico, Edição de Arte e Produção Gráfica: Mare Magnum Artes Gráficas

Generos_de_divulgacao_cientifica.pdf

  • 1.
    verbetes artigo dedivulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação saberes procedimentos senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum artigo de divulgação científica verbetes gêneros ciências pesquisa publicação texto imagem procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem ciências pesquisa publicação gêneros procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciência s pesquis a publicação procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação saberes procedimentos senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum artigo de divulgação científica verbetes gêneros ciências pesquisa publicação texto imagem procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem ciências pesquisa publicação gêneros procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem gêneros ciências pesquisa publicação procedimentos saberes senso comum verbetes artigo de divulgação científica texto imagem Roxane Rojo Cristina Lastoria Concepção e leitura crítica: Jacqueline Peixoto Barbosa e Regina Cândido Ellero Gualtieri eqüência idática Gêneros de divulgação científica
  • 2.
    Governo do Estadode São Paulo Governador: Cláudio Lembo Secretaria de Estado da Educação de São Paulo Secretária da Educação: Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos Secretária Adjunta: Carmem Vitória Annunziato Chefe de Gabinete: Evandro Fabiani Capano Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) Coordenadora: Sonia Maria Silva equipe técnica: Maria Silvia Sanchez Bortolozzo Valéria de Souza Luiz Fábio Simões Pucci Eva Margareth Dantas Regina Aparecida Resek Roseli Cassar Ventrella Ione da Silva Jovino Marcio Savignano Marisia Margarida Santiago Buitoni Ruy Pietropaulo Angélica Fontoura Garcia Silva
  • 3.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Caro aluno, Buscamos com este material oferecer a você um kit de ferramen- tas que será útil para ajudá-lo a compreender melhor os textos e discursos que costuma encontrar na área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (CNMT). Aqui, você vai aprender mais sobre gêneros de texto que já conhe- ce: verbetes, textos didáticos e, sobretudo, artigos de divulgação científica. Vai ver como e quando alguns desses gêneros surgiram e aprenderá alguns dos mecanismos básicos de seu funcionamen- to, constatando que esses gêneros de texto podem ser de grande valia, tanto em pesquisas escolares quanto como leitura de entre- tenimento e informação. Pretendemos que você reflita sobre algumas das propriedades des- ses gêneros, para aprender a tirar deles o melhor proveito possível, de acordo com as finalidades de sua leitura – informar-se, distrair- se ou ampliar seus conhecimentos. E também para dialogar com eles numa perspectiva crítica, se for o caso. Você vai ler diversos textos e refletir sobre eles, conversar e es- crever a respeito, construindo um arcabouço de informações que depois poderá divulgar. Afinal, esse conhecimento todo não pode ficar escondido. Um jeito interessante de divulgar o que você aprendeu é criar um blog. Há algum tempo, os blogs deixaram de ser apenas diários on-line e se tornaram também espaços para debate. Existem, por exemplo, blogs que discutem fatos políticos, economia ou arte; há também os humorísticos e os de divulgação científica. Então, eis nossa proposta: que, ao longo deste trabalho, seu grupo crie um blog para divulgar ciência.
  • 4.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Conheça alguns blogs de divulgação científica: http://rastosdeluz.blogspot.com/2005_10_01_rastosdeluz_ archive.html http://falardepi.blogs.sapo.pt/ http://cienciaemdia.zip.net/ http://fisicocinico.blogspot.com/ Se for impossível para seu grupo fazer essa divulgação pela inter- net – por dificuldade de acesso a computadores, falta de boa cone- xão ou outros motivos –, vale a pena procurar alguma alternativa. Uma delas consiste em fazer a divulgação apenas no ambiente escolar, montando um Mural da Ciência na escola ou na sala de aula, escrevendo uma seção para o jornal ou a revista de sua escola ou ainda ocupando espaço na programação de rádio da escola: que tal um programa do tipo “Ondas da Ciência”? Enfim, com a ajuda de seu professor, vocês vão definir o que fazer. Mas, seja qual for o tipo de divulgação, vocês precisam se organi- zar e decidir, entre outras tarefas: Quem participará do grupo, com até seis membros? Quais temas pretendem divulgar? De quais disciplinas ou ­áreas? Astronomia? Biologia? Geologia? Física? Química? Mais de uma? Quem pesquisará as imagens? Quem vai reunir o material? Quem vai editar? Quem vai postar/publicar os textos? Se o grupo optar pelo Mural da Ciência, precisa resolver: Onde ele será exposto? No pátio da escola? No corredor? Em sua sala de aula? Quem serão os leitores: apenas seus colegas de turma ou toda a comunidade escolar? Qual será o suporte? Um quadro de cortiça? Folhas de papel kraft? Quais as dimensões do suporte e o que caberá nele?
  • 5.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica E se a opção for por qualquer outro formato de publicação, o grupo deverá combinar bem qual será o espaço ou o tempo, de que modo pretende organizar a informação e para quem quer divulgar – ou seja, quais são os potenciais leitores ou ouvintes. Ainda há tempo para decidir tudo isso, mas, por enquanto, procu- re informar-se a respeito do funcionamento de um blog e conhecer as ferramentas utilizadas. Para isso, consulte sites de provedores – seus, de seus colegas ou da escola –, como estes, por exemplo: http://blog.terra.com.br/ http://www.blogger.com/start?hl=pt-BR http://blog.uol.com.br/ Ou, então, dê uma busca no Google sobre “bloggers” ou “weblog- gers”. Navegue um pouco e verá como é fácil fazer seu blog. Agora, sem perder de vista o futuro blog ou o possível Mural da Ciência, vamos aos gêneros de texto. Bom trabalho! As autoras
  • 6.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Parte 1 Como você lê os textos da área de CNMT? Para entender os textos e as instruções da divulgação científica é preciso dispor de um conjunto de saberes e procedimentos. Para começar o trabalho, vamos ver como você interage com esses textos. Com as atividades a seguir, seu professor também poderá perceber o que você já sabe (ou não) sobre esses gêneros de texto e quais capacidades e procedimentos de leitura já utiliza (ou não) no seu processo de compreensão. Leia os textos a seguir. Texto 1 Toda tecnologia avançada pode ser usada para fins pacíficos ou bélicos. Isso ocorre com a eletrônica, a nanotecnologia, a biologia, a engenharia genética e também com a energia nuclear. Os conheci- mentos podem ser aplicados – e são – na guerra, mas também podem contribuir para melhorar a qualidade de vida da população. A energia nuclear – conhecida pelas bombas lançadas em 1945 sobre as cida- des japonesas de Hiroshima e Nagasaki, bem como pelos acidentes ocorridos com reatores nos Estados Unidos e na Ucrânia –, ganhou um estigma que até hoje prejudica uma discussão ponderada sobre os riscos e benefícios advindos dessa tecnologia. No entanto, inúmeras atividades presentes em nosso dia-a-dia empregam, direta ou indire- tamente e de modo seguro, as radiações nucleares. Por exemplo, as técnicas nucleares têm sido anualmente responsáveis pela cura ou prevenção do câncer em milhões de pessoas. A energia elétrica produ- zida em reatores gera quase 20% desse tipo de energia no mundo e é uma das áreas que mais se preocupam com a segurança, o que levou, nos últimos anos, vários países a optar por essa tecnologia. A energia nuclear também tem sido amplamente empregada no ambiente, na indústria e na pesquisa.
  • 7.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica [...] Na natureza, existem 92 elementos. Cada elemento pode ter quan- tidades diferentes de nêutrons. Os núcleos com mesmo número de prótons, mas que diferem no número de nêutrons, são denominados isótopos de um mesmo elemento. Para determinadas combinações de nêutrons e prótons, o núcleo é estável – nesse caso, são denominados isótopos estáveis. Para outras combinações, o núcleo é instável (isóto- pos radioativos ou radioisótopos) e emitirá energia na forma de ondas eletromagnéticas ou de partículas, até atingir a estabilidade. Dá-se o nome genérico de radiação nuclear à energia emitida pelo núcleo. As principais formas de radiação são: i) emissão de nêutrons; ii) radiação gama, ou seja, radiação eletromagnética, da mesma natu- reza que a luz visível, as microondas ou os raios X, porém mais ener- gética; iii) radiação alfa (núcleos de hélio, formados por dois prótons e dois nêutrons); iv) radiação beta (elétrons ou suas antipartículas, os pósitrons, cuja carga elétrica é positiva). [...] A liberação de energia do núcleo se dá através de dois processos principais: decaimento ra- dioativo (também chamado desintegração) e fissão. [...] Odair Dias Gonçalves e Ivan Pedro Salati de Almeida. Comissão Nacional de Energia Nuclear (RJ), revista Ciência Hoje.
  • 8.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Texto 2 – A Terra como uma estufa Antes de tentar explicar o que é efeito estufa, devo dizer que este assunto é uma polêmica. Isto é: alguns pesquisadores acreditam que a Terra está ficando cada vez mais quente, cada ano mais um pouquinho, embora não muito. Mas, ao mesmo tempo, outros cientis- tas não estão tão seguros de que isso esteja mesmo ocorrendo. Pois bem, a gente precisa entender com cuidado isso aí para entrar na discussão deles e dar também nossos palpites. Afinal, todos podemos ter idéias. Posso con- tar algumas coisas sobre o chamado efeito estufa, mas o resto fica para vocês investigarem, se não, perde a graça. Então, vejamos. Que tal começarmos pela fonte de todo nosso calor? Sim, pelo Sol, porque, se a Terra está esquentando, ele deve ter algu- ma coisa a ver com isso. Primeira novidade: não é o Sol que esquenta diretamente o ar, ou, pelo menos, ele esquenta muito pouco o ar! Na verdade, o Sol, ou melhor, a radiação solar, é o tempo todo absorvida pelo chão, areia, asfalto, plantas, pedras, mar, objetos, pessoas e esquenta tudo isso. São todas essas coisas, inclusive nós, que ficam sempre irradiando calor para a atmosfera, o que faz esquentar o ambiente. Depois, este calor é irradiado de volta para o espaço, por- que, se ficasse todo acumulado na atmosfera, a Terra esquentaria sem parar. Só que não é todo o calor que vai de uma vez só de volta para o es- paço. Uma parte dele fica guardada provisoriamente na atmosfera, como numa estufa. [...] Maria Regina Kawamura, Instituto de Física/USP. Suplemento ECHO, Petrobras. Imagem do Sol sob uma tempestade. nasa
  • 9.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Texto 3 – M473M471C0 (53N54C1ON4L): 4S V3235 3U 4C0RD0 M310 M473M471C0. D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0 3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05, C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L. 540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0... QU1N23 PR45 0NZ3... 7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0... M45 L060 C410 N4 R34L 3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505 H1NDU-4R481C05 http://fisicocinico.blogspot.com Acesso em 27/07/2006. Texto 4 – Alternativas de energia Fontes renováveis de energia, junto com a co-geração descentralizada (produção combinada de eletricidade e calor, tipicamente com gás natural), já superaram a capacidade de geração global de usinas nucleares (gráfico). A saída anual dessas fontes de pouco ou nenhum carbono, que excluem grandes hidrelétricas, irá exceder a das usinas nucleares neste ano. A energia eólica está se expandindo com particular rapidez. Capacidade de geração de eletricidade mundial (gigawatts) REAL PROJEÇÃO 2000 2002 2004 2006 2008 2010 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Co-geração descentralizada sem biomassa Geotérmica Fotovoltaica Biomassa e lixo Pequenas barragens hidrelétricas Eólica Nuclear Ano
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Texto 5 J.Laurence,Biologia–EnsinoMédio.Volumeúnico.SãoPaulo:NovaGeração,2005,p.143.
  • 11.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica Atividade 1 Como você vê a leitura desses textos? 1Discuta com seu professor e com os colegas: a. Você já leu textos como esses? Em que disciplinas? b. Você considera que textos dessa natureza são interessantes? Importantes? Por quê? c. Quais parecem ser os objetivos deles? d. Você sente alguma dificuldade para compreendê-los? Se sim, qual ou quais? e. Como é, para você, a leitura desses textos? Algo chato, para o que você não vê nenhum sentido? Interessante, porque você aprende coisas novas? Importante, porque ajuda a compreender a realidade em que vive? Atividade 2 O que você sabe sobre esses gêneros de texto? Agora, vamos ver o que você sabe sobre esses gêne- ros de texto. Responda em seu caderno. 2Como você classificaria cada um dos textos lidos? Escreva em seu caderno a qual gênero de texto você acha que pertence cada um dos textos anteriores. 3Retome mais atentamente a leitura dos Textos 1 e 2. Quais dife- renças você vê entre eles? Levante o máximo de diferenças que conseguir. 4A que você atribui as diferenças que levantou na questão anterior? Para que tipo de leitor esses textos foram escritos? Alguns exemplos de gêneros de texto são: depoimento, notícia, re- portagem, poema, letra de música, romance, conto, novela, ensaio, diálogo, piada e relato histórico.
  • 12.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 10 5Um dos textos lidos não pode ser caracterizado como científico ou didático. Qual? Por quê? 6Em que o Texto 5 é diferente dos dois primeiros? Quais diferenças você pode apontar entre o Texto 5 e os Textos 1 e 2? 7Faça uma síntese em seu caderno, buscando dar uma primeira definição do que seriam textos de divulgação científica e quais suas características. Atividade 3 Como você lê os textos de divulgação científica? 8Excetuando o Texto 3, todos os outros abordam um mesmo tema central. Que tema é esse? 9O que você já sabe sobre esse tema? Responda livremente. 10 O Texto 1 afirma que a energia nuclear produzida por reatores pode ter usos benéficos ou maléficos para a humanidade – como o tratamento do câncer ou a bomba de Hiroshima. A despeito de os autores levantarem vantagens e desvantagens do uso da energia nuclear, você acha, afinal, que eles são a favor ou contra a gera- ção e o uso desse tipo de energia? Que considerações dos autores servem como argumentos que sustentam a posição defendida por eles? Por que você acha que eles assumem essa posição? 11 O Texto 4 sugere que há formas de geração de energia menos dis- pendiosas e danosas para o meio ambiente que a energia nuclear ou a construção de grandes hidrelétricas. O que você pensa sobre isso? Registre sua posição em seu caderno, sustentando sua opi- nião com argumentos.
  • 13.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 11 12 O Texto 4 tem por título “Alternativas de energia”. Qual seria o tema do texto maior de que ele faz parte? Por que você acha isso? 13 Quais são as seis fontes de geração de energia referidas no Texto 4? Tente definir cada uma delas sem usar o dicionário e depois diga como fez para defini-las. Veja o exemplo, que define a primei- ra fonte mencionada: “Co-geração descentralizada sem biomassa é a produção combi- nada de eletricidade e calor, tipicamente com gás natural. Sei disso porque localizei a informação na legenda do gráfico.” Siga este modelo para definir as cinco outras fontes de geração de energia mencionadas no texto. 14 Quais dessas formas de geração de energia se expandiram mais até 2004, em termos de capacidade de geração de eletricidade, e qual permaneceu mais estável? Como você sabe? 15 Pela legenda do gráfico, quais formas de geração de energia você acha que o texto aponta como mais interessantes para a humani- dade e o meio ambiente? Por que você acha isso? 16 O Texto 1 apresenta os conceitos de isótopo, isótopo estável e radio- isótopo. Defina isótopo e diferencie isótopo estável de radioisótopo. 17 O mesmo texto apresenta uma ilustração na forma de um infográfico. O que o infográfico ilustra? Como você descreveria esse processo com suas palavras? Veja no boxe da página 38 o que é infográfico.
  • 14.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 12 Reflita... Aqui você pôde não só descobrir o que sabe sobre os textos de divulgação científica e textos didáticos da área de Ciências da Natureza, mas também identificar e avaliar alguns dos procedi- mentos de leitura que utiliza. É bom lembrar que esse mundo tão fascinante da ciência só pode ser de fato interessante, instigante, se a gente conseguir de verdade compreendê-lo e perceber o sen- tido dessas informações, para usá-las em nosso cotidiano, para compartilhar o conhecimento construído pela humanidade ou para desfrutar dessas novas informações, imagens e viagens que ele nos oferece. Agora, no seu caderno, você vai fazer uma síntese dessa expe­ riência: como você interage com esses textos? Com curiosidade e interesse? De maneira aborrecida? O que você sabe sobre eles? Para que eles servem? O que trazem de novo para seu mundo? Como você os lê? O que é difícil? O que é agradável, instigante? Qual sua maior curiosidade? Esse seu depoimento, juntamente com os dos outros membros do grupo, será sua primeira contribuição para o blog ou outro traba- lho coletivo que o grupo for fazer e, por isso, poderá ser conhecido por todos os interessados – leitores ou ouvintes. Que tal um título como: “Navegando na ciência”? Você acha sem imaginação? Pois pense em um mais interessante e criativo. E que tal procurar na internet ou em revistas algumas imagens para ilustrar seu blog ou seu mural? Só não vale ficar parado. Mãos à obra!
  • 15.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 13 Parte 2 Pensando sobre as ciências e sua divulgação O que é ciência? O que são ciências da natureza? Nunca houve uma forma única de entender esse termo. Ainda hoje, continuam divididas as opiniões acerca do que deve ou não ser considerado “científico”, sendo difícil estabelecer uma definição rigorosa e consensual para “ciência”. Numa primeira resposta pode-se dizer que a ciência é fruto de uma indagação, de uma busca de respostas para questões rela- tivas aos fatos da natureza, incluindo o que acontece com o ser humano, numa tentativa de entender como ocorrem e por que são como são. Muitas das perguntas mais elementares que a huma- nidade se colocou desde os tempos remotos podem dar origem a estudos científicos. Eis alguns exemplos: por que chove? O que é o trovão? De onde vem o relâmpago? Por que as ervas crescem? Por que existem os montes? Por que razão tenho fome? Por que meus semelhantes morrem? Por que cai a noite e a seguir vem o dia de novo? O que são as estrelas? Por que razão os pássaros voam? Por que os objetos caem no chão? De onde vêm as estrelas? Como se formaram as nebulosas? Qual a origem das galáxias? nasa nasa
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 14 No entanto, todas estas perguntas também podem originar outro tipo de resposta, sem ser a científica. Vejamos um exemplo. Atividade 1 Mito ou ciência? 1 Leia este texto. A origem dos diamantes Há muito tempo, vivia à beira de um rio uma tribo de índios. Dela fazia parte um casal muito feliz: Itagibá e Potira. Itagibá, que significa braço forte, era um guerreiro robusto e destemido. Potira, cujo nome quer dizer flor, era uma índia jovem e formosa. Vivia o casal tranqüilo e ven- turoso, quando rebentou uma guerra contra uma tribo vizinha. Itagibá teve de partir para a luta. E foi com profundo pesar que se despediu da esposa querida e acompanhou os outros guerreiros. Potira não derramou uma só lágrima, mas seguiu, com os olhos cheios de tristeza, a canoa que conduzia o esposo, até que a mesma desa- pareceu na curva do rio. Passaram-se muitos dias sem que Itagibá Indagações sobre o passado da Terra e sobre o Universo. RICARDO BENICHIO
  • 17.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 15 voltasse à taba. Todas as tardes a índia esperava, à margem do rio, o regresso do esposo amado. Seu coração sangrava de saudade. Mas permanecia serena e confiante, na esperança que Itagibá voltaria à taba. Finalmente, Potira foi informada que seu esposo jamais regres- saria. Ele havia morrido como um herói, lutando contra o inimi- go. Ao ter essa notícia, Potira perdeu a calma que mantivera até então e derramou lágrimas copiosas. Vencida pelo sofrimento, Potira passou o resto de sua vida, à beira do rio, chorando sem cessar. Suas lágrimas puras e brilhantes misturaram-se com as areias brancas do rio. A dor imensa da índia impressionou Tupã, o rei dos deuses. E este, para perpetuar a lembrança do grande amor de Potira, transformou suas lágrimas em diamantes. Daí a razão pela qual os diamantes são encontrados entre os cascalhos dos rios e regatos. Seu brilho e sua pureza recordam as lágrimas de saudade da infeliz Potira. Texto extraído do livro Lendas e mitos do Brasil, de Theobaldo Miranda Santos. São Paulo: Nacional, 2004. 2A lenda atribui a origem dos diamantes a que fato? Segundo a lenda, como foram formados? Anote em seu caderno. Leia esta outra lenda. A lenda da chuva (Conforme relato verbal do índio Puhuy Maxacali, ouvido e transcrito por Luiz Carlos Lemos) Os dedos das mãos e dos pés de cem guerreiros é pouco pra mostrar há quantas luas se passou o que vou contar, na beira deste fogo. Tempo. Muito tempo mesmo. Naquele tempo, começo do mundo, não tinha chuva. Era só dia e noite, sol e lua e nada mais. Não tinha bichos, não tinha planta, não tinha árvore, não tinha verde. Só pedra grandes e rios grandes, no meio das pedras. Nada mais.
  • 18.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 16 Os homens só comiam os peixes dos rios, que eram muitos. Mas, se não comiam peixe, morriam de fome porque não tinha outra coisa não. E os peixes então pularam muito alto e descobriram que no céu tinha água também, nas nuvens grandes. Então eles pularam mais alto ainda e fugiram para as nuvens e foram viver nas águas que mora- vam no céu. E os homens, que não tinham mais peixe para comer, começaram a morrer de fome na terra inteira, em cima das pedras, na beira dos rios vazios de peixe. Os peixes olharam lá do céu e viram os homens morrendo e chorando, todos com fome. E eles ficaram com pena dos homens e começaram a chorar. As lágrimas dos peixes aumentaram muito as águas do céu e o céu não pôde mais segurar as águas. Então as águas do céu caíram em forma de chuva, que molhou as pedras, que se desmancharam em terra, e as plantas nasceram para dar comida aos homens. Mas os peixes sentiram saudade dos rios e começaram a pular de volta para a terra. Os que caíram nos rios continuaram peixes. Os que caíram fora dos rios viraram animais e pássaros. E os homens, que tinham agora o que comer, juraram que só pesca- riam, só caçariam e só tirariam das árvores o necessário para não morrer de fome. Por este respeito que os homens têm pelos rios, pelos animais e pelas florestas, é que o mundo existe até hoje, pois, enquanto o homem não matar a Natureza, a Natureza não vai deixar o homem morrer de fome. http://jangadabrasil.com.br/colaboracoes/13.htm Acesso em 14/07/2006. 3A que a lenda atribui a origem da chuva? Segundo a lenda, como surgiram os animais? Anote em seu caderno. 4Agora, é sua vez: qual a explicação científica da chuva? Anote também. 5Conclua então: que diferença você vê entre o pensamento mítico e o científico? Anote.
  • 19.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 17 As respostas míticas ou religiosas aos pro- blemas da natureza apelam para razões que não dependem da observação ou da racionalidade humana: são associadas à vontade de um Deus ou de deuses, espí- ritos e outros seres animados, e suas explicações assumem a forma de narra- tivas (mitos ou lendas) que contam uma história sobre a origem dos fenômenos. Essas respostas nem sempre se baseiam em estudos sistemáticos da natureza; estão associadas a crenças e não encora- jam a crítica, pois são a aceitação mítica, que submete os homens a um poder mais alto. Por outro lado, as explicações míticas e religiosas de um dado povo constituem, muitas vezes, códigos de conduta social, moral e ética que, inte- grados com a origem mítica do Univer- so, determinam o que se deve e o que não se deve fazer. 6Com a lenda da chuva, o que se pretende ensinar? 7O desenvolvimento da ciência na história da humanidade vem se pautando pelo mesmo tipo de princípio? Justifique. As explicações míticas e religiosas são, de certa forma, antepassa- dos das ciências, pois, apesar de submeterem a natureza e os seres humanos a poderes superiores, já buscavam respostas para alguns fenômenos naturais e sociais, constituindo um dos primeiros passos em direção às ciências. Zeus e satélites meteorológicos: a busca de explicações.
  • 20.
    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 18 Atividade 2 Conhecimento científico e senso comum Leia os dois textos a seguir. Texto 1 Características do senso comum Exprime sentimentos e opiniões individuais e de grupos sobre as coisas observadas, variando de uma pessoa para outra, ou de um grupo para outro, de acordo com as condições em que vivem; baseia-se em hábitos e tradições cristalizadas; leva a uma avaliação qualitativa das coisas conforme os efeitos que produzem em nossos órgãos dos sentidos; não se preocupa com a regularidade, com a constância, repetição e diferença das coisas, mas, ao contrário, se dirige para o que é imaginado como único, extraordinário, maravilhoso ou miraculoso; costuma projetar nas coisas ou no mundo sentimentos de angústia e de medo diante do desconhecido. Texto 2 Características do conhecimento científico Pretende-se objetivo; procura estruturas universais das coisas ob- servadas; é quantitativo, ou seja, busca medidas, padrões, critérios de comparação e de avaliação para coisas que parecem diferentes; baseia-se em pesquisas, investigações metódicas e sistemáticas; busca as leis gerais de funcionamento dos fenômenos, que são as mesmas para fatos que nos parecem diferentes; busca o desencan- tamento ou desenfeitiçamento do mundo, mostrando que nele não agem forças secretas, mas causas e relações racionais que podem ser conhecidas. Textos adaptados de Ma- rilena Chauí, Convite à fi- losofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005, pp. 217-220.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 19 1Com base nesses dois textos, complete a frase em seu caderno: A ciência se distingue do senso comum porque... 2Apresente, ou recolha entre conhecidos, diferentes explicações para a queda abrupta de uma pedra ou a quase flutuação de uma pena. Registre as explicações, indicando se cada uma delas tem características científicas (usando uma lei universal) ou de senso comum (justificativas casuísticas). 3Dê exemplos de explicações de senso comum que são refutadas por explicações científicas. 4Para um fenômeno como a origem da vida humana, procure identificar explicações consideradas científicas, míticas ou ­ religiosas. Atividade 3 Analisando o desenvolvimento das ciências As ciências da natureza conheceram desenvolvimento sem pre- cedente nos séculos xix e xx. Uma “enxurrada” de inventos, ao longo desse período, tornou nossa vida mais duradoura e supor- tável, quando não mais prazerosa. Neste período foram criados o estetoscópio (inventado em 1816), os flocos de milho (lançados em 1898), o telégrafo, o rádio, o telefone, vários utensílios domés- ticos, a fotografia, o cinema, arranha-céus, elevadores, escadas rolantes, metrô, anestesia, penicilina, medidor de pressão arterial, papel higiênico, vaso sanitário com descarga automática, escova de dente, creme dental, sabão em pó, refrigerantes gasosos, fogão a gás, aquecedor, refrigerador, sorvete, comida enlatada, cerveja engarrafada, caixa registradora...
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 20 1Observe as imagens e responda em seu caderno: você acha que os resultados científicos e as tecnologias significam um progresso para a humanidade, mais qualidade de vida e maiores possibili- dades de lazer e prazer? Dê sua resposta e justifique sua opinião em seu caderno. delfim martins/olharimagem JUCA martins/olharimagem JOãO RAMID ANA ARAÚJO STEFAN KOLUMBAN/olharimagem ©Purestock GUY VANDERELST
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 21 2Leia o texto. A experiência do século XX, entretanto, fez com que se tornassem problemáticas as pretensões de progresso com base na ciência e na tecnologia. O século XX fez ver que a capacidade tecnológica não basta para melhorar a vida humana; é preciso um paralelo progresso moral do homem. Os acontecimentos traumatizantes do século XX – as duas guerras mundiais, a bomba atômica, a devas- tação da natureza, a desigualdade social galopante, a miséria, o terrorismo – foram o pano de fundo de uma profunda crise também intelectual. O progresso científico e tecnológico também não significou necessaria- mente a melhoria das relações humanas. O século da corrida espacial, da engenharia genética e de tantas outras criações foi também o século da invenção de formas de destruição em massa, do genocídio e da intolerância. Tudo isso está pedindo uma outra prática das ciências da natureza, ou outra relação destas com as ciências humanas, para ingressar no terceiro milênio com mais perspectivas do que deixamos o século XX. Talvez já se possa entrever uma nova compreensão, na qual a ciência orientará o convívio humano com a natureza, não nossa apropriação da natureza ou nossa intervenção nela, mas é preciso que tal com- preensão cresça e se torne ação, assim como entre nós humanos é preciso desenvolver relações mais éticas e solidárias. 3Com base nesse texto, você confirmaria ou reescreveria sua res- posta à questão 1 desta atividade? Por quê? 4O que motivou e tem motivado o desenvolvimento científico: a “curiosidade” humana, as necessidades humanas, interesses po- líticos e econômicos, uma ou várias dessas razões? Justifique sua resposta com exemplos. 5Agora, seu grupo vai escrever um artigo de opinião, que fará parte do blog ou do Mural da Ciência, sobre o tema “Educação para a
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 22 ­ ciência hoje: dilemas e desafios”. Mas, antes de começar a escrever, vocês precisam: Pensar em exemplos de questões polêmicas atuais sobre o desenvolvimento científico e tecnológico que envolvam proble- máticas ambientais, éticas ou políticas. Pesquisar a respeito dessas questões e discutir em grupos as vá- rias perspectivas e interesses que cercam tais problemáticas. Refletir sobre qual deve ser o papel da Educação Básica – Ensino Fundamental e Médio – na formação de sujeitos que possam agir eticamente no que diz respeito à ciência. Pensar em como a sociedade poderia agir no sentido de contri- buir para que a produção da ciência se desenvolva de modo mais ético e solidário. Atividade 4 O acesso ao conhecimento ao longo da História 1Fazer ciência, isto é, pensar sobre o funcionamento das coisas da natureza e do ser humano, e transmitir ensinamentos a respeito dessa reflexão são atividades simultâneas desde a Grécia Antiga. Mas houve muitas modificações, ao longo do tempo, no público que tem acesso a esses conhecimentos, nas finalidades do ensina- mento e na forma como ele se dá. Levando em conta o que você sabe a respeito das épocas e dos fatos históricos que constam do quadro a seguir, relacione as ca- racterísticas do ensino das ciências aos tempos históricos mencio- nados: associe o número que identifica a época ou o fato histórico à letra correspondente na coluna de ensino de ciências. Faça em seu caderno o registro correspondente aos quatro itens.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 23 A. Nesse período da História, vários são os objetivos por trás da defesa de que a educação deve abranger os conhecimentos científicos. Alguns defendem que a pre- paração para o trabalho deve abranger conhecimentos científicos, pois boa parte da tecnologia usada no trabalho advém desses conhecimentos, que seriam responsáveis pelo manejo eficiente da tecnologia. Outra parcela significativa da sociedade defende tal ensino por seu potencial democratizante. Trata-se de ainda fazer valer os ideais da Revolução Francesa, para que os cidadãos possam compreender melhor a realidade que vivem e exercer sua cidadania de forma mais plena. B. Nesse período, a educação era uma preocupação freqüente dos iniciados das ciências e da filosofia. Embora a democra- cia fosse muito pregada e, de certa forma, vivenciada, ela era de fato destinada a pou- cos, apenas aos homens livres; mulheres e escravos estavam excluídos. Essa educação, versando sobre a ciência e a filosofia, era destinada a alguns privilegiados e tinha o objetivo de garantir a eles a permanência, a sobrevivência e o aprofundamento dos próprios conhecimentos. C. Nessa época, a produção do conheci- mento era controlada pela Igreja, que não permitia a divulgação de informações que de alguma forma pudessem ameaçar a fé cristã. O ensino de conhecimentos ligados às ciências, à filosofia e à religião contava com enciclopédias escritas em latim, baseadas em textos de autores clássicos e cristãos, e se destinava a uma elite privilegiada, for- mada sobretudo pelos quadros da Igreja. O objetivo da educação e dessas publicações era pensar de que maneira ciência, conhe- cimento e fé poderiam ser compatibilizados e dar fundamento à prática cristã dos fiéis. No final desse período, a burguesia começou a reivindicar acesso a esses conhecimentos, seja para seus negócios, seja para se apre- sentar como mais bem “educada”. D. A educação, nesse período da História, passou a ser vista como um direito de todos. Imbuídos pelo espírito das palavras de or- dem “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, os enciclopedistas empreenderam o projeto de elaborar uma (enorme) enciclopédia, que pudesse levar o conhecimento a todos os “homens do mundo”. É nesse período também que se consolida a escola pública e gratuita, com ambições de universalização. Época ou fato da História 1. Idade Antiga/Grécia Antiga 2. Idade Média/Renascimento 3. Idade Moderna/Iluminismo 4. Idade Contemporânea/ Constituição do Estado de Direito Ensino de ciências
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 24 Por várias razões – mudanças sócio-históricas, interesse na qua- lificação dos trabalhadores, mudanças na dinâmica política e nas classes dominantes – a ciência, tal como as artes e os ofícios, sem- pre foi um bem cultural cobiçado. A idéia de “di-vulg-ação”, isto é, a ação de dar ao vulgo (à plebe, aos pobres, aos trabalhadores, aos que falam a língua vulgar, o povo) os bens do conhecimento, ganhou força e foi incentivada pelos intelectuais da Revolução Francesa – os iluministas, que levariam as luzes (da ciência) ao século XVIII. O tipo de texto e de discurso que estamos estudando – didático e de divulgação científica – nasceu justamente dessa vontade política de dar ao vulgo os bens culturais da ciência e do co- nhecimento. No século XVII, pela pena de Rabelais, Gargântua escreveu na carta a seu filho Pantagruel um novo e irreverente programa de estudos, que faria dele uma imensa enciclopédia viva. Leia um trecho. Entendo e quero que aprendas perfeitamente as lín- guas [...]. Que não haja história de que não tenhas memória presente [...]. Das artes liberais dar-te-ei a sentir o gosto logo de pequeno [...]. E, quanto ao conhecimento dos fatos da natureza, quero que te entregues com curiosidade, que não haja mar, rio ou fronteira de que não conheças os peixes; todos os pássaros do ar, todas as árvores, arbustos e frutífe- ras das florestas, todas as ervas da Terra, todos os metais escondidos no ventre dos abismos, todas as pedrarias do oriente e do sul, que nada te seja des- conhecido. Depois, revisita cuidadosamente os livros dos médicos gregos, árabes e latinos, sem esquecer os talmudistas e cabalistas e, por anatomias fre- qüentes, adquire perfeito conhecimento desse outro mundo que é o homem. Pantagruel, VIII: 134-135.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 25 Na época,eram sete as Ar- tes Liberais, apresenta- das em dois grupos de dis- ciplinas: primeiramente era ensinado o Trivium (Gra- mática, Retórica e Dialéti- ca ou Lógica); em seguida, o Quadrivium (Aritmética, Geometria, Música e As- tronomia). Esses bens culturais foram disputados pelos homens livres, pelos padres da Igreja, pela burguesia, pelos iluministas e pelos traba- lhadores. Ao final da chamada Idade Moderna, já havia em boa parte do Ocidente uma situação na qual todas as classes tinham acesso à escolarização – inclusive como mecanismo disciplinador dos “bárbaros”. E a escola se tornou obrigatória e universal, isto é, em princípio, todos deveriam ter acesso a ela e, logo, aos conheci- mentos científicos selecionados para compor o currículo escolar. Mas, embora desde sempre as compilações de textos didáticos tivessem acompanhado o ensino da Filosofia, da História e das sete Artes Liberais, a vontade de divulgar os achados da ciência fora da escola, ao povo ou ao “homem do mundo”, data do século das luzes, o século XVIII. A ação de maior impacto foi, justamente, a organização da Encyclopédie por Denis Diderot (1713- 1784) e Jean Le Rond d’Alembert (1717-1783). Esse empreendimento, que tomou a seus organizadores e colaboradores mais de vinte anos e resultou em 28 volumes, com verbetes sobre temas e conceitos científicos, organizados pela primeira vez em ordem alfabética, deu origem ao formato de enciclopédia que hoje conhecemos. A elaboração da Encyclopédie enfrentou grandes di- ficuldades: proibida por duas vezes, ficou suspensa durante oito anos. Começada em 1751, foi concluí­ da em 1772. Popularizou e defendeu as idéias de liberdade individual; liberdade de pensar, escrever e publicar; liberdade comercial e industrial; e declarou guerra às idéias religiosas e ao absolutismo político, considerados obstáculos para a liberdade. Não é de Diderot, um dos autores da Encyclopédie.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 26 estranhar, portanto, que tenha sido perseguida e proibida pela Igreja e pelos soberanos. As novas idéias da Encyclopédie – de igualdade e fraternidade entre os homens, bem como de liberdade – tiveram um papel impor- tante na eclosão da Revolução Francesa e se difundiram também pela Europa e pela América. Apesar da rigorosa censura, as obras e os autores proibidos (a própria Encyclopédie, Montesquieu, Vol- taire, Rousseau) foram entrando clandestinamente nas colônias espanholas. No Brasil, sua influência se manifestou claramente na Inconfidência Mineira (1789). 2Esse breve panorama histórico evidencia algumas das razões que fazem com que conhecimentos relativos às ciências – e aqui, especificamente às ciências da natureza – permaneçam presentes nos currículos escolares. Você concorda que esse tipo de conhecimento deve fazer parte do currículo do Ensino Médio hoje? Justifique. Que conhecimentos você acha que devem estar presentes? De que forma devem ser trabalhados? Discuta o assunto com seu professor e sua turma. Como vimos, a Encyclopédie inaugurou uma nova maneira de fazer circular as idéias científicas e colocou à disposição do povo um enorme conjunto de textos organizados para divulga- ção. Com isso, consolidaram-se dois gêneros que nos são muito familiares na escola e no ensino: a própria enciclopédia, tal como é hoje, e o verbete. O conteúdo da Encyclopédie foi organizado em ordem alfabética, em verbetes ou entradas
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 27 autônomos. Essa opção não foi casual: Dide- rot e D’Alembert pretendiam fornecer uma visão geral dos achados da ciência, uma es- pécie de mapeamento interdisciplinar, livre de divisões por disciplina. Escreveu D’Alembert que a ordem enciclopé- dica de nossos conhecimentos [...] consiste em reuni-los no menor espaço possí- vel e, por assim dizer, em colocar o filósofo acima desse vasto labirinto num ponto de vista suficientemente elevado para que ele possa perceber em simultâneo as principais ciências e artes; ver num relance os objetos das suas especulações e as operações que pode fazer sobre esses objetos; distinguir os ramos gerais dos conhe- cimentos humanos, os pontos que os separam e os unem e entrever mesmo algumas estradas secretas que os aproximam. É uma espécie de mapa-múndi que deve mostrar os principais países, a sua posição e dependência mútua, o caminho em linha reta que vai de um a outro; ca- minho freqüentemente obstruído por mil obstáculos que não se deixam conhecer pelos habitantes e viajantes de cada país e que só em cartas particulares muito detalhadas poderiam ser mostrados. Essas cartas particulares são os diferentes artigos da Encyclopédie e a Árvore ou Sistema figurado será o mapa-múndi. L’Encyclopédie, “Discours Préliminaire”, pp. 59-60. Disponível em http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/enciclopedia/cap2p5/tar-plan.htm. Acesso em 25/07/2006. Ricas ilustrações para verbetes da Encyclopédie.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 28 Assim, os livros não estavam organizados por ciência ou por temas científicos disciplinares, mas sim pela aleatória ordem alfabética. Mas, como o próprio Diderot esclareceu no verbete “enciclopédia”, por sua raiz etimológica a palavra significa “en- cadeamento de conhecimentos”. Para fazer esse encadeamento apesar da ordem aleatória, os autores acabaram inventando a remissão dentro dos verbetes e, entre eles, uma espécie de “linkagem”, fazendo com que a Encyclopédie apresente, de certa forma, o primeiro hipertexto. Para quem navega na internet, a idéia de link é familiar. A nova informação, em rede, está a um clique de seu mouse. Na Encyclo- pédie, a linkagem ou remissão é feita pela própria organização do texto dos verbetes. Vamos pensar um pouco sobre isso. Dentro de um texto, toda remissão (notas de rodapé, boxes e hiperlinks) supõe a participação do leitor. Mas ela é feita com o objetivo de facilitar a exploração do edifício textual. As remissões são, em última análise, hipóteses de leitura, “iti- nerários de viagem”. Cabe ao autor ou ao editor dar a sugestão e colocar a informação à disposição do leitor, mas é o leitor que vai ou não utilizar essas possibilidades. Atividade 5 Trabalhando com verbetes 1Suponha que seu professor de Física tenha proposto que vocês realizem um seminário sobre o sistema solar e as estrelas. Para isso, você precisará desenvolver várias atividades, entre as quais a consulta a obras de referência – por exemplo, enciclopédias impressas (na biblioteca) ou virtuais (na internet). Vamos ver como você poderá pesquisar seus temas Uma das melhores ferramentas de bus- ca de conteúdos na internet é o Google. Acesse http://www.google.com.br e digite no campo de “Busca” o que você quer pesquisar – por exemplo, “sis- tema solar”. Aparecerá uma lista de resultados, entre os quais você poderá selecionar os que lhe interessam. Ver, sobre isso, a Parte 4, Atividade 4, pág. 78.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 29 na internet. Se entrar, por exemplo, na Wikipédia, em http:// pt.wikipedia.org/wiki/, e digitar “sistema solar” na barra de busca à esquerda, você encontrará o seguinte texto, ou seja, o seguinte verbete referente a sistema solar: 2Agora, escolha quais links e remissões você acha importante fazer nesse verbete sobre o sistema solar. Um critério que você pode usar é o de Diderot: quais conceitos estão relacionados aos expos- tos aí e devem remeter a outros verbetes? Outro critério pode ser seu próprio mapa de leitura: reflita sobre os conceitos em relação aos quais sente necessidade de ter mais informações, o que exigi- ria uma consulta a outros verbetes. Escreva em seu caderno quais são esses conceitos. O Sistema Solar é constituído pelo Sol e um imenso grupo de corpos celestes que o rodeiam, em que se destacam os planetas, mas existem outros pequenos corpos tais como os planetas anões e os corpos menores do Sistema Solar (asteróides e trans- neptunianos, cometas até pequenos meteoróides), para além dos satélites naturais dos planetas. A outros sistemas semelhantes em volta de outras estrelas é dado o nome de sistema planetário, dado que “solar”, refere-se ao “Sol”.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 30 3Após pesquisar (na Wikipédia ou em outras enciclopédias impres- sas) os termos ou conceitos que tiver escolhido para fazer links, copie a explicação, ou reescreva-a de forma sintética, em um arqui- vo de texto ou no seu caderno. Lembre-se de que seu leitor deverá conseguir entender as definições, então é preciso organizar bem o texto; você pode seguir o modelo do verbete “Sistema solar”. Abra uma pasta para Sistema solar e coloque ali todos esses textos, inclusive o do verbete principal, que deu origem à pesquisa. 4Chegou a hora de fazer os hiperlinks e começar a organizar seu hipertexto. Se você estiver trabalhando com Word, o hiperlink pode ser inserido da seguinte maneira: Selecione, no texto principal, a palavra para a qual você quer criar um hiperlink. Na barra de ferramentas principal, clique em Inserir e depois em Hiperlink. Preencha a janela que se abre com o nome do arquivo que conte- rá o verbete ao qual você quer remeter. Para tanto, pesquise e se- lecione os arquivos da pasta que você criou, finalizando com OK. Pronto! Você tem seu primeiro hipertexto. 5Reúna-se com seu grupo para vocês compararem os verbetes e hipertextos de cada um e selecionarem o mais interessante para postar ou publicar no blog do grupo. 6Se seu grupo optou pelo Mural da Ciência ou outra forma de pu- blicação, discutam como vão organizar os verbetes: no formato de enciclopédia ou dicionário, em ordem alfabética, ou simulan- do o formato linkado, por meio de diagramas e boxes. Criem os diagramas, se essa for a segunda opção. Não se esqueçam de que, no verbete principal, os termos ou conceitos sobre os quais forem feitos links devem aparecer em maiúsculas.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 31 Então, o que é um verbete? Trata-se de um texto não muito longo que, no caso da divulgação científica, é organizado por um especialista do campo científico (no caso da pesquisa sobre sistema solar, um astrônomo) que visa transmitir conceitos de diversas áreas do co- nhecimento (no exemplo, a astronomia). O especialista busca transmitir ao leigo (ao não-especialista) um conceito científico de maneira relativamente simples e compreensível. Por isso, procura simplificar a linguagem científica e abreviar o assunto. Logo, os temas dos verbetes são os conceitos ou noções elaborados pelas ciências, mas simplificados. Os verbetes podem ser tanto de uma enciclopédia quanto de um dicionário – comum ou especializado. Quem consulta uma enciclopédia ou um dicionário? Em geral, o não-especialista, leigo no assunto, que precisa da informação para estudar ou para qualquer outra finalidade. O gênero verbete, em sua forma textual, reflete esse contexto de comunicação: deve ser o mais breve possível, identificar o campo principal de referência e dar a definição específica desse campo, seguida de outras defi- nições, menos científicas e mais populares, se houver, e de alguns contextos em que a palavra é usada. Essa definição “simples” utilizará o vocabulário das ciências – a linguagem especializada –, portanto não será tão “simples” assim. Em primeiro lugar, certos enfoques das ciências pretendem tratar de “verdades universais, eternas”. Assim, as definições sempre aparecem no tempo presente ou por meio da ausência dos verbos, ou seja, sob formas nominais, ou utilizando verbos no chamado “presente de definição”, um eterno tempo presente: “O sistema so- lar é constituído pelo Sol e um imenso grupo de corpos que o rodeiam, em que se destacam os planetas...”. Além disso, como não é fácil simplificar a linguagem especializada das ciências, o verbetista precisará sempre remeter a novos conceitos, fazendo as remissões ou linkagens necessárias.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 32 Se a enciclopédia tradicional já é uma espécie de hipertexto pelo qual cami- nhamos, atravessando páginas e páginas, volumes e volumes, em busca de novos verbetes, novos textos, para podermos entender cada vez mais nosso tema ou assunto, a internet, com seus verdadeiros hipertextos, tornou tudo mais fácil. Por meio de um link, o verbetista pode reme- ter a outra entrada da enciclopédia, como “asteróides” ou “transneptunianos”, bas- tando clicar sobre o termo em azul e/ou sublinhado no texto (o hiperlink). Para ter uma idéia de quantos termos científicos dependem de mais esclareci- mentos para entendermos verdadeiramente a síntese do conceito que o verbetista quer passar, basta observar o verbete sobre Sistema Solar que copiamos na página 29. Nas 68 palavras desse trecho, oito remetem a outros conceitos científicos – quase 12% do texto. Por isso, é às vezes desalentador consultar uma enciclo- pédia ou um dicionário: cada verbete remete a muitos outros, em um sem-fim de busca de conhecimento. Atividade 6 Criando verbetes e hipertextos 1Chegou a hora de você e seu grupo começarem a construir verbetes e hipertextos sobre os conceitos-chave do tema que escolheram para divulgar, por meio do blog, do Mural da Ciência ou de outro instrumento. Pesquisem o assunto na internet ou em revistas, jornais e livros da biblioteca.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 33 Façam um levantamento de conceitos-chave e, por meio de novas buscas e pesquisas, definam esses conceitos. Montem verbetes e/ou hipertextos a respeito desses conceitos- chave. Comecem a pesquisar imagens relacionadas a seu tema e aos verbetes e hipertextos redigidos. Lembrem-se de que o Google tem uma ferramenta exclusiva de busca de imagens: basta digitar o tema e clicar no hiperlink “Imagens”, que está logo acima da caixa do campo de busca. Divulguem esses primeiros verbetes, hipertextos e imagens em seu blog ou em seu mural. Para concluir, digamos que o verbete é um gênero clássico de divul- gação científica e, geralmente, é o primeiro que buscamos ao ini- ciar uma pesquisa. Entretanto, dependendo do trabalho que esta- mos realizando, não precisamos e não devemos nos limitar ao que enciclopédias e dicionários oferecem no campo do conhecimento científico. Uma vez que, ao menos em parte, as metas modernas e burguesas do Iluminismo foram alcançadas, hoje encontramos nas salas de aula, nas bancas de jornais, na internet e também nas bibliotecas textos de divulgação científica confiáveis e atualizados (artigos, matérias, notícias, resenhas e resumos).
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 34 Parte 3 Texto e imagem em material didático e de divulgação científica Atividade 1 Onde encontrar textos sobre temas científicos? Você está cercado de textos e de infor- mações sobre os achados e aplicações das ciências. Olhe em volta, em sua própria sala de aula, em sua escola, na biblioteca, nas bancas de jornal, na internet: além das enciclopédias e dos dicionários especializados, muitos outros tipos de publicação ou veículos podem ser de interesse. 1Você e seu grupo vão fazer um levantamento de publicações que trazem textos ensinando sobre a ciência ou divulgando suas descobertas. Façam uma lista de veículos desse tipo que sejam acessíveis a vocês, em português. 2Consigam exemplares de algumas dessas publicações ou naveguem por sites especializados, buscando informações sobre: a. Quando surgiram essas publicações? Quem as publica? Chamamos veículo ou suporte os meios em que as informações são divul- gadas. No caso dos textos de divulgação científica, são exemplos de suporte: revistas especializadas, colunas, seções ou editorias especializadas em jornais e revistas, documentários em vídeo, revistas on-line etc.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 35 b. Quais suas finalidades? c. A que tipo de leitor se destinam? d. Quem escreve os textos? É possível saber sua formação e sua profissão? e. Olhem os índices ou os sumários: quais são os temas tratados? Esses temas fazem parte de quais ciências? 3Classifiquem a lista que vocês levantaram, usando os seguintes critérios: finalidades da publicação; leitor visado; temas abordados. 4Publiquem essa lista, já classificada, no blog ou no mural do grupo, para que outros leitores e pesquisadores tenham acesso a uma variedade maior de fontes. Os textos que você vai encontrar nesses veículos ou publicações – textos didáticos, com seus exercícios e atividades; artigos, notí- cias e notas de divulgação científica – muitas vezes apresentam uma estrutura intricada e são escritos na linguagem especiali- zada das ciências, o que muitas vezes dificulta a compreensão por parte do leitor. É justamente para tratarmos de como você deve proceder para ler esses textos, seja para estudar, seja para se informar, satisfazer curiosidades ou ocupar o tempo de lazer, que vamos desenvolver as atividades a seguir.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 36 Atividade 2 A organização dos textos na página Vamos ver, em primeiro lugar, como esses textos se apresentam na página, sua diagramação e seus componentes, bem como as implicações que isso tem para sua leitura. 1Veja e analise graficamente estas páginas aqui reproduzidas. Texto 1 O Aqüífero Guarani é um enor- me reservatório de água doce subterrâneo, situado sob a América do Sul. É tão grande que é chamado de “mar de água doce” ou “reserva de água da humanidade”.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 37 Texto 2 a. Você diria que estas páginas fazem parte de que tipo de publi- cação ou veículo? Justifique. b. Que semelhanças e diferenças você consegue apontar nas pá- ginas dessas publicações? Anote, em seu caderno, os elementos que estas páginas apresentam em comum. Texto Foto Título Subtítulo
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 38 Diagramação em colunas Infográfico Ilustração Boxe Introdução Gráfico c. Que conclusões você tira das com- parações? Anote em seu caderno e discuta com seu professor e seus colegas. Podemos, então, concluir que esses dois textos de divulgação científica, quer circulem em revistas, quer em livros didáticos, apresentam mais semelhanças que diferenças, pelo menos por enquanto. Sim, porque se você respondeu que o Texto 1 foi publicado em uma revista e o Texto 2 num livro didático, acertou. Significa que você já conhece bem esses veículos. Como você deve ter percebido, ambos os textos apresentam recur- sos e linguagens visuais e verbais. Créditos dos textos das págs. 36 e 37 Texto 1: José Luiz Flores Machado (geólogo da CPRM/Serviço Geológico do Brasil), em “A redescoberta do Aqüífero Guarani”. Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006. Texto 2: Oswaldo Frota-Pessoa (biólogo e professor emérito do Instituto de Bio- ciências da USP), Os caminhos da vida III – Biologia no Ensino Médio – genética e evolução. Capítulo 12: “A nova engenharia”. São Paulo: Scipione, 2001. Infografia ou infográficos são representa- ções visuais de informação ou conhecimento. Esses gráficos são usados onde a informação precisa ser explicada de forma mais dinâmica, como em mapas, jornalismo e manuais técnicos, educativos ou cien- tíficos. São um recurso com forte atração visual, muitas vezes combinando fotografia, desenho e tex- to. No design de jornais, por exemplo, o infográfico costuma ser usado para descrever como aconteceu determinado fato, quais suas conseqüências, além de explicar, por meio de ilustrações, diagramas e textos, fatos que o texto ou a foto não conseguem detalhar. Também são úteis para cientistas como ferramentas de comunicação visual, sendo aplicados em todos os aspectos da visualização científica. http://pt.wikipedia.org/wiki/Infográfico Acesso em 16/07/2006.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 39 Os recursos visuais são: A forma de diagramação da página – texto cheio ou texto em colunas, presença de boxes, legendas e destaques, além de ilus- trações de diferentes tipos. Os recursos verbais são: O texto e suas subdivisões – título, introdução, texto propria- mente dito, subtítulos, textos dos boxes e das legendas. As diferenças não ocorrem nos elementos que estão sempre presentes, mas na escolha deles e em seu uso e funcionamento. No Texto 1, por exemplo, as páginas são ilustradas principal- mente com fotos (legendadas ou não) e têm uma diagramação mais sofisticada: em colunas, com maior número de boxes. Já as páginas do Texto 2 utilizam uma diagramação de página cheia, com a inserção de apenas um boxe, e o texto é ilustrado com um infográfico. Mais adiante nos textos, outras escolhas serão feitas: haverá fotos em profusão no livro didático e muitos infográficos na revista. Mas ilustrações, de diferentes tipos, estarão presentes em ambos os casos. No que se refere aos textos, as semelhanças são até maiores: ambos apresentam títulos, diferentes tipos de introdução (com ou sem boxes) e subtítulos. E o que isso importa para o modo como você lê um texto? Bem, antes de mais nada, sabemos que você lerá as imagens e os textos de forma inter-relacionada. Atividade 3 Leitura das ilustrações De nossa conversa até aqui, você já deve ter concluído que há di- ferentes tipos de ilustração. Algumas simplesmente ilustram ou exemplificam, tornando o texto menos monótono. Outras acres- centam mais informação. Por exemplo, o trecho do texto do livro
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 40 didático apresentado nesta página, cujo subtítulo é “A genética vem em socorro de uma arara brasileira em extinção”, é ilustrado por meio de duas fotos com legendas. Ora, se você nunca tinha tido oportunidade de ver uma arari- nha-azul, teve agora. A foto trouxe alguma informação nova em relação ao texto? Se sim, qual(is)? Agora observe a outra foto, relativa aos padrões de DNA. Você já viu imagens como essa? Juntando as informações dessa ima- gem, da legenda e do texto, responda: • Como essa imagem permite avaliar as semelhanças genéticas entre os indivíduos e, portanto, seu grau de parentesco? Crédito: Frota-Pessoa, 2001, p. 133
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 41 Outras formas de ilustração acrescentam informações novas, que podem ser decisivas para a compreensão do texto. Elas também supõem novos procedimentos de leitura. É o caso, por exemplo, dos gráficos e infográficos. Vamos rever o infográfico da abertura do capítulo do livro didático.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 42 Para entendê-lo, é claro que precisamos procurar saber o que são os “plasmídios” (ou plasmídeos), já que o infográfico esquematiza “como os plasmídios são usados em engenharia genética”. Uma busca na enciclopédia digital (http://pt.wikipedia.org/wiki/, aces- so em 26/07/2006) diz que os plasmídios são: Moléculas circulares duplas de DNA que estão separadas do DNA cro- mossômico. Geralmente ocorrem em bactérias. Existem entre uma, para grandes plasmídeos, até cinqüenta cópias de um mesmo plasmídeo numa única célula. Os plasmídeos contêm geralmente um ou dois genes que conferem uma vantagem seletiva à bactéria que os abriga, por exemplo, a capacidade de construir uma resistência aos antibióticos. Todos os plas- mídeos contêm pelo menos uma seqüência de DNA que serve como uma origem de replicação ou ori (um ponto inicial para a replicação de DNA), e que permite ao DNA do plasmídeo replicar-se independentemente do DNA cromossômico. 1Com isto, você já pode ler o infográfico. Siga as flechas e anote em seu caderno: como os biólogos de engenharia genética produzem o hormônio do crescimento humano? 2A seguir, escreva, também em seu caderno, como você fez para chegar a essa conclusão: Recorreu ao texto ou à imagem, isoladamente, ou a ambos ao mesmo tempo? Se tivéssemos retirado os textos do infográfico, como ficaria sua descrição sobre a produção do hormônio do crescimento humano pelos biólogos de engenharia genética? Você teria compreendido o processo? Então, qual a função dos textos nesse infográfico? Quais aspectos da imagem foram importantes para a leitura? Anote em seu caderno as alternativas relevantes e discuta com sua turma por que foram importantes: • Flechas sinalizando o caminho/direção que toma o processo; • Cores da ilustração;
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 43 • Posição das imagens no infográfico (mais ao alto ou mais embaixo; à esquerda ou à direita); • Repetição das imagens; • Fundo azul do infográfico; • Fundo quadriculado do infográfico; • Figura do menino no canto inferior direito do infográfico. Com esse exercício, você pôde notar que, ao ler uma ilustração do tipo infográfico, trabalhamos ao mesmo tempo com imagens e textos, com diferentes tipos de linguagem, para construir um esquema mental de um processo. Aliás, é exatamente disso que em geral os infográficos tratam: neles, são apresentados esquemas teóricos simplificados de processos muito mais complexos. No infográfico do livro didático, se houvesse apenas o texto, os leitores teriam de imaginar o esquema, o que não seria tarefa fácil – lembre-se de que estamos falando de divulgação científica, ou seja, de levar ciência a pessoas que não fazem parte necessaria- mente do meio científico. Além do mais, o texto é bem sucinto, justamente porque possui o esquema que o completa. Assim, podemos dizer que, mais do que apenas compor os infográ- ficos, imagem e texto se complementam, são interligados. Certa- mente podemos transformar o infográfico apenas em texto, mas será que sua leitura seria simples e agradável? Você pode tentar. 3Retome o texto que você fez descrevendo o processo e troque-o com o de outro colega ou o de outro grupo. Faça anotações e con- siderações em seu caderno sobre o texto trocado: é interessante? Ficou legível? É cansativo? Incompreensível? Ao fazer uma leitura integrada de imagens e textos, você aciona conhecimentos que já possui, mesmo que não se dê conta deles. Por exemplo, como lemos de cima para baixo e da esquerda para a direita, o processo não pode começar no meio; as flechas indicam
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 44 direção; imagens repetidas significam uma mesma coisa ou pro- cessos repetidos muitas vezes e não muitas coisas etc. E para que os textos de divulgação científica precisam de ilustra- ções ou imagens explicativas? Para esclarecer essa questão, vamos inverter o processo: 4Baseie-se neste texto sobre um processo químico (acidificação dos oceanos) e desenhe um infográfico para ilustrá-lo, levando em conta os elementos de representação que você usou para ler o infográfico sobre os plasmídios. O CO2 absorvido do ar se combina à água para formar o ácido car- bônico. Uma parte desse composto fica no oceano, mas o resto se dissocia em íons de hidrogênio e íons bicarbonato, que também se separam formando íons carbonato e mais íons de hidrogênio. Tais mudanças químicas alteram os “horizontes de saturação” para calcita e aragonita, nível abaixo do qual as conchas de organismos marinhos feitos desses minerais começam a se dissolver. Publique seu infográfico no Mural da Ciência ou no blog. Dê-lhe um título que capture o essencial do processo descrito. Se quiser uma inspiração para essa tarefa, reveja o infográfico do Texto 1, que você leu na Parte 1 (página 5), sobre o processo de desintegração nuclear. Depois, compare o infográfico que você fez com o original da re- vista, que está no material do seu professor. 5Para ampliar sua reflexão sobre a leitura de imagens e a relação imagem-texto em ilustrações gráficas, volte também às respostas que deu às questões 5 a 8, Atividade 3, da Parte 1 deste material Para postar seu infográfico no blog, é claro, você precisará digitalizá-lo por meio de um escâner.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 45 (página 11). Lá, tratava-se de uma leitura de gráfico, que também é uma forma de imagem que esquematiza visualmente processos e quantidades em correlação. Discuta com seu professor e colegas: Que outros elementos estão presentes naquele gráfico, além dos que já discutimos no infográfico? Que tipo de conhecimento ele supõe? 6É interessante saber como os info- gráficos ganharam vida no ambien- te digital, onde podem contar com a imagem em movimento; o texto impresso, ao contrário, só permite o uso de imagens estáticas, fixas, paradas. Se você tiver acesso a um computador conectado, veja como os infográficos digitais funcionam, veja os que Frederick van Amstel faz em seu site, “Usabilidoido”. Um especialmente interessante é sobre os tipos de voto que podemos dar nas eleições. O endereço é: http://www.usabilidoido.com.br. Mas, antes, veja o depoimento de Frederick como programador, do tipo “o primeiro infográfico a gente nunca esquece”. Só para explorar o formato e aprender mais sobre, resolvi criar um info- gráfico sobre a questão dos transgênicos. Bolar o conceito é a parte mais difícil do projeto. Demorei horas até definir o que queria. Depois, foi só zarpar. Infográficos são mais complicados do que websites porque não há receitas de bolo. Cada interface é única e deve estar bem adaptada ao assunto. Por outro lado, isso é uma vantagem para a realização criativa do designer. http://www.usabilidoido.com.br. Acesso em 24/07/2006. Vale a pena dar uma olhada nele, até porque o tema é próximo ao do livro didático que estamos analisando.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 46 Atividade 4 Como relacionar imagens e texto? Como já dissemos, infográficos e gráficos complementam, expli- cam e esquematizam novas informações em relação ao que é dito no texto principal. Agora vamos ver como isso ocorre. 1No texto do livro didático que estamos estudando, antes do info- gráfico, é dada a seguinte informação: Clone significa um conjunto de indivíduos geneticamente idênticos, sejam eles gêmeos monozigóticos, mudas de roseira obtidas de pedaços de seu caule ou planárias que se obtêm partindo-se uma delas ao meio. Frota-Pessoa, 2001, p. 125. Depois da apresentação do infográfico, o próximo texto rela- cionado ao assunto é o de subtítulo “Hoje, bactérias com genes humanos produzem medicamentos e vacinas”, que reproduzimos a seguir: Também por engenharia genética, produz-se o hormônio de crescimento, utilizado para tratar crianças com nanismo causado por defeitos do gene correspondente. Antes, esses medicamentos eram tirados de animais mortos, mas isso acarretava dois inconvenientes. No caso do hormônio de crescimento, que era extraído da hipófise de cadáveres, houve casos de contaminação com a síndrome de Creutzfeldt-Jacob, doença neurológica produzida por um príon, proteína que também causa a “doença da vaca- louca”. A insulina tirada de animais dava, às vezes, efeitos colaterais indesejáveis. Frota-Pessoa, 2001, pp. 126-127. Assim, esses textos circundantes trazem informações complemen- tares ao gráfico. No entanto, há vários termos, como monozigóti- cos, planárias, nanismo, que não se encontram definidos. Por isso, caso você não conheça alguns deles, talvez precise ir à biblioteca e recorrer a outras fontes, como dicionários e enciclopédias (digitais ou impressos). Tal como fizemos para saber o que são plasmídios. Nanismo é um distúrbio do crescimento, que faz com que as pessoas fiquem com estatura muito abaixo da média (anões).
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 47 Algumas vezes, os livros didáticos já trabalharam determinados conteúdos, em volumes de séries anteriores, e não julgam neces- sário retomar certas definições e conceitos, pois consideram que o aluno já domina uma parte do vocabulário científico. Por esta e por outras razões, quando isso acontece, você, seus colegas e seu professor é que terão de completar as informações que faltam entre um assunto e outro, de modo a estabelecer uma coerência. 2No texto sobre o Aqüífero Guarani há um infográfico para explicar um difícil conceito, próximo ao seguinte trecho do texto: Constituição complexa Estabelecida e delimitada a ocorrência de quatro grandes comparti- mentos em nível regional, a próxima meta a ser alcançada é determi-
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 48 nar o reflexo que essa compartimentação teve no arcabouço hidroes- tratigráfico do aqüífero, ou seja, em que nível essa compartimentação afetou a distribuição das camadas aqüíferas. Machado, 2006, p. 36. Reprodução da página da Scientific American Brasil. Neste caso, também, o infográfico acrescenta informação nova ao texto. Vamos ver como? Releia o trecho do texto acima, que na revista está antes do info- gráfico e tem como subtítulo “Constituição complexa”. O que ele ajuda você a saber sobre o Aqüífero Guarani? Como ele se carac- teriza? Anote em seu caderno. 3Você sabe o que quer dizer “arcabouço hidroestratigráfico”? Não? Então, sem procurar no dicionário, você vai tentar descobrir. Faça os exercícios em seu caderno: a. Divida a palavra “hidroestratigráfico” em três partes que pa- reçam ter significado ou que se aproximem de outras palavras que você conheça. Para cada parte, anote mais duas palavras que você conhece e que também contêm essa parte. b. A seguir, tente levantar uma hipótese sobre o que quer dizer “arcabouço hidroestratigráfico” do Aqüífero Guarani. Anote em seu caderno. c. Agora, considere essa reformulação do autor: “arcabouço hidro- estratigráfico do aqüífero, ou seja, [...] a distribuição das cama- das aqüíferas”. Reveja sua hipótese. Ela se modificou? Anote. d. Discuta com seus colegas e com seu professor as palavras seme- lhantes e a hipótese que levantou. Cheguem a uma conclusão sobre o significado da expressão. e. Verifique, então, no dicionário se sua hipótese aproxima-se do significado desejável, consultando a palavra “estratigrafia”.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 49 Essa é uma capacidade de leitura importante em textos didáticos ou de divulgação científica: procurar inferir o significado das pala- vras ou termos científicos desconhecidos. Como você viu, há pelo menos duas maneiras de fazer isso por você mesmo. A primeira é le- vantar hipóteses sobre o significado das palavras, quando você tem pistas nos textos e alguma base de conhecimento para isso. Nesse caso, depois você deverá se certificar da adequação de sua hipótese ao longo da leitura do texto ou buscando outras informações. A segunda é, quando possível – e muitas vezes isso não acontece em provas e exames –, ir atrás de informações sobre os termos do vocabulário científico em dicionários ou enciclopédias, impressos ou digitais. Se, nas anotações que fez para responder à questão 3, você disse que o Aqüífero Guarani tem uma constituição complexa, pois é di- vidido em quatro grandes compartimentos em diferentes regiões e essa divisão afeta a distribuição das camadas subterrâneas de água, você chegou perto do significado do parágrafo. Continue- mos, então. 4Do que trata o infográfico de título “O vai-e-vem da água” (pág. 47)? 5Pelo texto da parte superior do infográfico, você diria que todas as águas subterrâneas do aqüífero são potáveis e de boa qualidade? 6Que outros tipos de água são encontrados no aqüífero? 7Quais são as camadas aqüíferas presentes no infográfico? 8Em qual posição do infográfico estão as águas de melhor qualida- de? Escolha uma alternativa e anote em seu caderno: Superior esquerda Superior direita Inferior esquerda Inferior direita
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 50 9Analise as alternativas abaixo e registre em seu caderno quais delas descrevem os recursos de leitura que você usou para com- preender o infográfico: a. Recorri ao texto da parte superior do infográfico. b. Recorri aos textos sobrepostos às imagens do infográfico. c. Recorri às imagens do infográfico. d. Nas imagens, recorri às flechas sinalizando o caminho/direção que toma o processo. e. Nas imagens, recorri às cores de fundo da ilustração. f. Nas imagens, recorri às figuras da ilustração. g. Recorri à repetição de imagens. h. Recorri à posição das imagens no infográfico (mais ao alto ou mais embaixo; à esquerda ou à direita). Como você vê, localizar e relacionar informações dos textos e das imagens também é um procedimento de leitura importante. 10 Agora, para finalizar, responda em seu caderno: qual ou quais informação(ões) o infográfico acrescenta ao texto da página 47 (”Constituição complexa”)?
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 51 Parte 4 Textos didáticos e de divulgação científica: os caminhos da leitura No início da Parte 3, após analisarmos a apresentação das páginas dos textos didáticos e de divulgação científica, concluímos que elas contêm imagens de diferentes tipos e diagramações diversas, mas que, quanto ao texto, têm em comum a presença de título, introdução, subtítulos e boxes (Atividade 2, questão 1b). Vamos ver como esses textos funcionam? Atividade 1 Em contato com os temas dos textos O primeiro contato que temos com o tema de um texto se dá, em geral, por meio de seu título e de sua introdução. Esse primeiro contato é importante não só para direcionarmos o restante de nossa leitura, como também para trazer à mente o conjunto de conhecimentos que já temos sobre esse tema e que estaremos usando para fazer a leitura. Nesta atividade, vamos observar um pouco como se dá esse pri- meiro contato em textos didáticos e de divulgação científica. 1Suponha que você se depare com o seguinte título de um texto didático: Um modelo para os estados físicos dos materiais a. No livro de qual disciplina esse texto provavelmente estaria? Justifique sua resposta. b.Cite três termos que certamente estarão presentes no texto que você vai ler.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 52 c. No contexto das ciências da natureza (Física, Química, Biolo- gia), qual o sentido do termo “modelo”? Por que os especialistas dessas áreas propõem modelos? Agora, dê uma olhada nas primeiras páginas de dois artigos: Texto 1 O pároco de um vilarejo da Inglaterra do século 18, até certo ponto obscuro em seu tempo, é festejado e considerado avan- çado nos meios científicos atuais – tudo por ter escrito um pequeno ensaio sobre probabilidade. O processo de raciocínio idealizado por Thomas Bayes nesse texto, que ele mesmo sequer levou a público, é tido hoje como uma nova forma de ver o mundo, como a base de uma verdadeira revolução em diferentes campos do conhecimento, da genética à teo­logia. Mas o que é o raciocínio bayesiano e por que vem ganhando tanto prestígio? Sérgio Danilo Pena, em Ciência Hoje, vol. 38, n. 228, pp. 22- 29, jul./2006. Disponível em http://cienciahoje.uol.com.br/ view/209. Acesso em 30/09/2006.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 53 2Leia o Texto 2 e, a partir dele, escreva três hipóteses para o título do artigo. Texto 2 Se você visitar hoje o campus de uma universidade norte-americana, é provável que encontre estudan- tes usando camisetas com a inscrição Bayes rules! A tradução para o português seria algo como “Bayes é o ‘cara’!” (em inglês, a frase contém um trocadi- lho que será revelado mais adiante). Curioso, você decide checar quem é esse Bayes, e o melhor lugar para isso é certamente a internet. Ao digitar o nome ‘Bayes’ em uma página de busca (www.google.com. br, por exemplo), descobre-se que o nome completo dele é Thomas Bayes, que há um teorema de Bayes e que esse nome é citado (em junho deste ano) em nada menos que 9,3 milhões de páginas de internet! Se usarmos a palavra inglesa bayesian (bayesiano), o total de páginas sobe para 23,2 milhões. Se bus- carmos informação em uma área específica, como o banco de dados de literatura biomédica Pubmed (www.ncbi.nlm.nih. gov), colocando ‘Bayes’ na linha de procura, encontramos nada menos que 6.655 artigos! Finalmente, uma consulta, usando o nome ‘Bayes’, ao excelente repositório de sabedoria que é a Enciclopédia de Filosofia de Stanford (http://plato.stanford.edu) faz surgirem muitos verbetes: “teo- rema de Bayes”, “lógica indutiva”, “epistemologia bayesiana”, “milagres”, “argumento teleológico para a existência de Deus”, “teoria dos jogos”, “conhecimento comum”, “interpretações de probabilidade”, “filosofia da economia”, “o problema do mal”, “teoria formal do aprendizado” e “ate- ísmo e agnosticismo”! Isso já permite admitir que esse tal de Bayes deve ser de fato o “cara” e certamente nos deixa ainda mais curiosos. Este artigo tenta apresentar quem foi Bayes, o que são o seu teorema e a sua teoria da probabilidade e por que ele é importante em tantas áreas. Pena, 2006.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 54 3Agora leia o Texto 3 e verifique se as suas respostas à questão 1 desta atividade foram adequadas. Texto 3 Eduardo Fleury Mortimer e Andréa Horta Machado. Química – Ensino Médio. Volume único. São Paulo: Scipione, 2006.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 55 4Agora, veja alguns títulos de capítulos de livros didáticos (na pri- meira coluna) e de artigos de divulgação (na segunda): a)Capítulo 12 – Propriedades e estruturas das substâncias e)A ciência do sudoku b)Capítulo 15 – Refração da luz f)Thomas Bayes: o “cara”! c)Capítulo 8 – Logaritmo e função logarítmica g)Computadores de DNA ganham vida d)Capítulo 13 – Variação e seleção natural h)Combate a um assassino silencioso Escolha três desses títulos e escreva em seu caderno um parágrafo sobre o provável assunto dos textos por eles nomeados. 5Qual dos gêneros de texto tem títulos mais abertos, sobre os quais você pode formular mais hipóteses: livros didáticos ou artigos de divulgação? 6Por que você acha que é assim? 7Agora, você e seu grupo vão criar um título bem sugestivo e convi- dativo, mas que também faça prever um pouco qual será seu tema, para o artigo de divulgação científica que irão publicar mais tarde no blog ou no mural. Podemos, então, concluir que, muitas vezes, os textos didáticos bus- cam uma objetividade maior, apresentando títulos mais fechados e diretos, que procuram indicar exatamente o conteúdo que será abordado no capítulo. São poucas as exceções. Já os artigos muitas vezes (mas nem sempre) buscam títulos mais abertos e sugestivos, que permitem a você imaginar um pouco de seu conteúdo, inci- tando sua curiosidade. Função semelhante têm os textos de intro- dução em ambos os gêneros. Vamos verificar?
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 56 8Observe bem a diagramação das páginas da revista e do livro didático. Na introdução do capítulo do livro didático há apenas um texto, em duas colunas, quase sem ilustrações (há apenas uma marca d’água). Já no artigo da revista Ciência Hoje, além de uma belíssima ilustração que faz o fundo da página (entre outros elementos que aparecem no original, como vinhetas nos cantos superiores e o título “Thomas Bayes, ‘o cara’!” ocupando as duas páginas), à esquerda e à direita das páginas há dois textos, que funcionam como introdução. Vamos analisar as diferenças entre os três textos. a. Releia os três textos (1, 2 e 3). Qual a intenção do autor em cada um deles? Explique em seu caderno. b. Quais são mais objetivos e quais são mais abertos, buscando incitar a curiosidade? c. Você viu que o artigo da revista apresenta dois textos de introdu- ção, e o capítulo de livro didático, apenas um, em geral denominado “abertura do capítulo”. O primeiro texto de introdução do artigo, o Texto 1, é em geral chamado de olho do artigo. Nele, o autor procu- ra despertar o interesse do leitor, apresentando questões, dando exemplos, relatando fatos ou co- locando problemas. No caso do olho do texto “Thomas Bayes: o ‘cara’!”, quais desses recursos são usados? Olho é uma parte da notícia que vem logo abaixo do título. Sua função é criar no leitor interesse pela notícia, median- te sua síntese. Distingue-se do título por apresentar um tama- nho de letra menor,em geral em itálico. Isso faz com que tam- bém se diferencie do corpo do texto, que aparece num tama- nho menor ainda e em formato regular. Nem todas as notícias apresentam olho.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 57 9Vamos ver mais alguns olhos de artigos. Texto 1 A redescoberta do Aqüífero Guarani “O megarreservatório hídrico subterrâneo da Améri- ca do Sul não é o ‘mar de água doce’ que se pensava existir. Novos estudos sobre sua diversidade geológica revelam que, em espaços de algumas centenas de qui- lômetros, sua potencialidade pode variar drasticamen- te. Enquanto algumas áreas são excelentes, em outras a água é inacessível, escassa ou não-potável. [...]” Texto 2 O magnífico laser “É bem provável que, nos meses que separam a finalização deste ar- tigo pelo autor até este exato momento – em que ele é lido por você, leitor –, dezenas ou mesmo centenas de novas aplicações para o laser já tenham sido idealizadas e desenvolvidas. Daí se dizer que esse magnífico instrumento é ‘uma solução em busca de problemas’. Da própria física à medicina, da indústria ao comércio, da computação ao entretenimento, não há hoje atividade humana em que essa invenção não tenha uma aplicação. Currículo invejável para algo com pouco menos de meio século de vida. Embora suas aplicações sejam impor- tantes, o estudo do laser em si está longe de ser concluído. Entender esse fenômeno é papel de uma das mais ativas áreas da investigação científica deste início de século. [...]” Vanderlei Salvador Bagnato, Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005. São textos que relatam fatos ou vidas de cientistas? Ou textos mais descritivos? Indicam aplicações das descobertas científicas que podem deixar você curioso? Indique, em seu caderno, quais recursos são usados.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 58 10 Na questão 2 (pág. 53), quando buscou um título para o texto sobre Thomas Bayes, você leu o Texto 2, que funciona como intro- dução propriamente dita ao artigo. Volte a ele e responda: a.Você já pode dizer quem foi Thomas Bayes? Qual era a ciência que ele praticava? b.Seu teorema tem aplicações em que campos? c. O que o autor pretende fazer no restante do artigo? Veja estas outras quatro introduções de artigos: Introdução 1 A ciência do sudoku “É de esperar que um jogo de lógica desperte o interesse de pouquís- simas pessoas – matemáticos, fanáticos por computador, apostadores compulsivos. O sudoku, porém, tornou-se imensamente popular em um curto período de tempo, fazendo lembrar a febre do cubo mágico do começo dos anos 80. Ao contrário do cubo, que é tridimensional, um quebra-cabeça sudoku é formado por um quadrado bidimensional. Na versão mais comum, contém 81 casas (distribuídas em nove linhas e nove colunas), agrupa- das, por sua vez, em nove quadrados menores (subgrades) com nove casas cada um. O jogo começa com algumas casas já preenchidas por números, cabendo ao jogador completar as casas restantes com algarismos de 1 a 9, de modo que nenhum deles se repita na mesma coluna ou linha, nem dentro da mesma subgrade. Cada quebra- ­ cabeça tem uma única solução. Embora envolva números, o sudoku não exige conhecimento mate- mático: nenhuma operação numérica contribui para o preenchimento do quadrado, que em princípio poderia ser completado com qualquer conjunto de nove símbolos diferentes (letras, cores, figuras etc.). Ape- sar disso, o sudoku oferece vários desafios a matemáticos e especia- listas em computação. [...]” Jean-Paul Delahaye, Scientific American Brasil, n. 50, jul./2006.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 59 Introdução 2 O magnífico laser “O princípio básico de funcionamento do laser está baseado nas leis fundamentais da interação da radiação luminosa com a matéria. Mais especificamente, a luz laser é resultado de um fenômeno denominado emissão estimulada. E daí vem seu nome: laser, em inglês, significa luz amplificada pela emissão estimulada de radiação. A emissão estimulada consiste no seguinte: vamos imaginar um átomo de determinado material e supor um elétron desse átomo que esteja em um estado excitado, ou seja, com ‘excesso’ de energia. Esse elétron excitado apresenta uma forte tendência de voltar para o seu estado ‘natural’, isto é, para um nível de energia mais baixa. Ao fazer isso, ele devolve ao meio essa energia na forma de um pacote de luz (fóton). Porém, sozinho esse retorno é extremamente demorado – pelo menos, nas escalas de tempo dos processos atômicos. Mas ele pode ser antecipado com a ajuda de um agente externo: outro fóton. Portanto, a emissão estimulada resulta em dois fótons: um emitido pelo átomo excitado ao voltar ao seu estado de energia mais baixo, e o próprio fóton que ‘acelerou’ (ou estimulou) esse processo. Os dois são idênticos. Na produção da luz laser, basicamente, um meio ativo – ou seja, uma amostra sólida, líquida ou gasosa –, contendo energia na forma de inúmeros átomos excitados, é colocado no interior de uma cavidade óptica – para nossos propósitos aqui, podemos imaginar essa cavida- de como um recipiente com as paredes internas espelhadas. A luz do laser, portanto, provém justamente da emissão de fótons que ocorre quando, em um processo estimulado pela própria luz, elétrons retornam de seus estados excitados para níveis mais baixos de energia, acumulando na cavidade porções de luz fisicamente idên- ticas. [...]” Vanderlei Salvador Bagnato, Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 60 Introdução 3 A redescoberta do Aqüífero Guarani “Maio de 1996. Em um workshop em Curitiba, o geólogo uruguaio Danilo Anton propôs o nome Guarani a uma camada aqüífera que, imaginava-se, seria transfronteiriça entre os quatro países que então formavam o bloco econômico do Mercosul. Este aqüífero chegou a ser considerado e divulgado na imprensa como o maior do mundo e seria constituído de um megarreservatório de água subterrânea doce e potável. Suas reservas estratégicas poderiam abastecer a população brasileira por cerca de 2.500 anos. De fato, diante desse cenário seria possível excluir de nossas preocupações uma futura crise da água, pois a Natureza nos teria presenteado com uma fonte de água sub- terrânea de boa qualidade e quase inesgotável. Mas esses dados, em grande proporção fantasiosos, têm sido revis- tos por pesquisas com rigor científico que, em vez de diminuir sua importância para o futuro do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, procuram avaliar de forma mais realista sua ocorrência. A divulgação da existência de um grande aqüífero, entretanto, foi extremamente importante, pois, além de colocar em discussão o papel das águas subterrâneas no abastecimento futuro desses países, atraiu também o interesse do público leigo pelo tema. Ainda não existem estudos detalhados sobre toda a área de ocorrên- cia do Aqüífero Guarani no Brasil e nos outros países do Mercosul. Entretanto, teria sido melhor denominá-lo ‘Sistema Aqüífero Guarani’, já que se trata de um conjunto heterogêneo de ‘unidades hidroestra- tigráficas’ que podem conter muita, pouca ou nenhuma água. Sinte- ticamente, essas unidades poderiam ser descritas como formações geológicas portadoras de água, em maior ou menor quantidade. Algumas delas, exploradas há mais de cem anos, já foram estudadas por pesquisadores dos países do Mercosul. [...]” José Luiz Flores Machado, Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 61 Introdução 4 Aplicações do magnetismo “Os fenômenos magnéticos foram, talvez, os primeiros a despertar a curiosidade da humanidade sobre o interior da matéria. Os mais antigos relatos de experiências com a ‘força misteriosa’ da magnetita (Fe3 O4 ), o ímã natural, são atribuídos aos gregos e datam de 800 a.C. A primeira utilização prática do magnetismo foi a bússola, inventada pelos chineses na dinastia Han, em 200 d.C., e baseada na proprie- dade que uma agulha magnetizada tem de se orientar na direção do campo magnético terrestre. A bússola foi empregada em navegação pelos chineses em 900 d.C., mas só foi descoberta e usada pelo mun- do ocidental a partir do século 15. Os fenômenos magnéticos ganharam uma dimensão muito maior quatro séculos mais tarde, com a descoberta de sua relação com a eletricidade através dos trabalhos do dinamarquês Hans Christian Oersted (1777-1851), do francês André Marie Ampère (1775-1836), do inglês Michael Faraday (1791-1867) e do norte-americano Joseph Hen- ry (1797-1878), para citar alguns poucos exemplos. No final do século 19, diversos fenômenos já eram compreendidos e tinham inúmeras aplicações tecnológicas, das quais o motor e o gerador elétrico eram as mais importantes. Apesar de séculos e séculos de investigações, o magnetismo em nível microscópico só foi compreendido na primeira metade do século pas- sado, após o advento da física quântica, que nasceu em 1900, com a hipótese do físico alemão Max Planck (1858-1947) dos quanta de ener- gia, ou seja, a de que, na natureza, a energia é gerada e absorvida em diminutos pacotes – os quanta – e não como um fluxo contínuo, como se imaginava até então. Posteriormente, essa idéia levou ao desenvolvimento da chamada física quântica – teoria para os fenô- menos do diminuto universo das entidades atômicas e moleculares – através dos trabalhos do físico alemão Albert Einstein (1879-1955), do dinamarquês Niels Bohr (1885-1962), do alemão Werner Heisenberg (1901-1976), do britânico Paul Dirac (1902-1984), entre outros.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 62 O século passado testemunhou um avanço impressionante no enten- dimento do fenômeno do magnetismo, e, conseqüentemente, suas aplicações se multiplicaram e foram substancialmente aprimoradas. Apesar desses avanços, ainda há muitas coisas por compreender. [...]” Marcelo Knobel, Ciência Hoje, vol. 36, n. 215, maio/2005. 11 Os autores dos quatro textos escolheram dois recursos básicos para introduzir seus temas. Quais foram? Indique os dois artigos que começam descrevendo os seus temas ou objetos de estudo. O que fazem os outros dois? 12 Qual das duas estratégias desperta mais interesse em você? 13 Agora, você e seu grupo vão escrever o olho e a introdução do artigo de vocês para publicar no blog ou no Mural da Ciência. Lem- brem-se, há vários recursos que vocês podem usar para chamar a atenção do leitor e aguçar sua curiosidade; a ilustração de fundo é também importante – não esqueçam. Escolham um ou alguns recursos e mãos à obra. Se a página de seu blog tiver contagem de visitas, acompanhem quantos leitores se interessaram por seu tex- to. Se estiverem publicando no mural, adicionem a ele uma lista a ser assinada pelos leitores-visitantes. Com isso, vocês poderão checar se de fato aguçaram a atenção dos leitores para o resto do artigo que vão escrever adiante. Atividade 2 Como se organizam os artigos de divulgação – as partes do texto Para que vocês possam redigir melhor seu artigo, assim como ler com maior facilidade outros artigos e os livros didáticos, vale a pena refletirmos um pouco mais sobre como estes textos se orga- nizam. Você já viu, na Parte 3, que, além do título, da introdução
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 63 e do olho, eles se organizam por meio de subtítulos. Vamos ver como e para quê. Veja estas formas de organizar ou de compor os textos de divul- gação escolhidas por seus autores. São quatro artigos publicados nos anos de 2005 e 2006, em duas revistas de divulgação on-line – a Scientific American Brasil e a Ciência Hoje. Para compor o quadro, indicamos o título, o autor e o veículo dos textos numa linha e as partes de cada texto na outra. Para obter as partes dos textos recorremos aos subtítulos dos artigos. 1 Artigo Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006 A redescoberta do Aqüífero Guarani José Luiz Flores Machado, geólogo da CPRM/ Serviço Geológico do Brasil Partes Olho do texto Introdução Aqüíferos diversificados O Aqüífero no Rio Grande Constituição complexa Potencialidade variável Gigante subterrâneo Infográfico: O vai-e-vem da água Boxes: • Resumo/Sistema Aqüífero Guarani • O autor • Onde está a água potável? • Para conhecer mais
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 64 2 Artigo Revista Ciência Hoje, vol. 36, n. 215, mai./2005 Aplicações do magnetismo Marcelo Knobel, físico da Unicamp Partes Olho do texto Introdução Três categorias O ciclo de histerese Um bom ímã A descoberta recente Doces, suaves ou moles Onde a nanotecnologia é realidade Gigante da resistência Como um minúsculo ímã Fluidos magnéticos Aplicações promissoras Boxes: • Missão: Otimizar propriedades • Efeito giromagnético: Einstein como físico experimental 3 Artigo Scientific American Brasil, n. 50, jul./2006 A ciência do sudoku Jean-Paul Delahaye, professor de Ciência da Computação da Universidade de Ciências e Tecnologias de Lille, França Partes Olho do texto Introdução Árvore genealógica Bilhões de possibilidades Soluções por computador Métodos de solução • Método 1 • Método 2 • Método 3 • Método 4 Métodos de solução Estratégias dos jogadores Boxes: • O autor • Para conhecer mais
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 65 4 Artigo Revista Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005 O magnífico laser Vanderlei Salvador Bagnato, físico do Instituto de Física de São Carlos (USP) Partes Olho do texto Introdução Formação do feixe Quatro características Grande invasão Aplicações científicas O surgimento da fotônica Na indústria Lentes e braços articulados Corte, marcação e solda No comércio Cirurgia e terapia com luz Biópsia óptica Substituindo as brocas do dentista Conhecimento em cubos Boxes: • O inventor do laser • Inovação e difusão • Sugestões para leitura 1Observando os quadros, anote em seu caderno: a. Quais partes dos textos são comuns aos quatro artigos? b. Em que revista estão os artigos mais descritivos? E os mais preocupados com a aplicação dos conhecimentos científicos? Escolha dois subtítulos mais descritivos e dois mais voltados para aplicações. c. Mesmo não tendo lido os textos, é possível identificar uma lógica de composição em suas partes. Veja o esquema de organi- zação dos subtítulos, bastante descritivo, no Texto 1 (Aqüífero Guarani):
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 66 Aqüífero Guarani Aqüíferos diversificados O Aqüífero no Rio Grande Constituição complexa Potencialidade variável Gigante subterrâneo d. Transforme num parágrafo o que os subtítulos dizem sobre o Aqüífero Guarani. Ele é composto de... e. No caso do Texto 4, quais são as aplicações enumeradas? Escre- va um parágrafo sobre as principais aplicações do laser. Note que esta é uma maneira de resumir os artigos. f. Agora, faça em seu caderno o esquema de organização dos ­ Textos 3 e 4. Vamos ver como esses subtítulos nos guiam para resumir os ar- tigos que lemos, seja para guardar anotado para uma pesquisa, seja mentalmente, para lembrarmos os temas? Você reparou que um dos boxes do Texto 1 é intitulado “Resumo: sistema Aqüífero Guarani”? Vamos ver em que consiste esse resumo.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 67 2Em seu caderno, anote a parte do texto ou subtítulo correspon- dente a cada parágrafo do texto-resumo do boxe abaixo. Resumo – Sistema Aqüífero Guarani § 1 O Sistema Aqüífero Guarani tem cerca de 1,2 milhão de km2 e abrange territórios do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. § 2 Ao contrário da versão popular, ele não é um “mar de água doce”, sendo composto por uma sucessão de camadas aqüíferas. § 3 Estudos recentes têm demonstrado que, devi- do à evolução geológica, além de descontínuo, ele apresenta uma hidroestratigrafia complexa. § 4 O Rio Grande do Sul é um exemplo de como essas camadas aqüíferas foram compartimenta- das, estando o sistema dividido em pelo menos quatro grandes blocos. § 5 Esses quatro compartimentos apresentam diferenças marcantes quanto ao conjunto de aqüíferos e sua qualidade, o que se reflete na potencialidade do sistema aqüífero. § 6 Apesar dessas constatações, o Sistema Aqüí- fero Guarani, por suas dimensões continentais, é um recurso hídrico de extraordinária importân- cia para os quatro países do Mercosul. 3Agora, explique: o que o autor fez no resumo? 4 Sua próxima tarefa é resumir o seguinte texto didático, sobre física: “Afinal, física por que e para quê?” (escrito pela professora Sônia Salém especialmente para esta publicação), com a ­finalidade de apontar as principais razões por que se deve estudar essa Aqüíferos diversificados O Aqüífero no Rio Grande Constituição complexa Potencialidade variável Gigante subterrâneo
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 68 ­ ciência. Primeiro, procure fazer um esquema do texto, tentando localizar os subtemas tratados por ele. Para tanto, anote esses subtemas e as idéias centrais de cada parágrafo em seu caderno. Depois monte um esquema do texto, relacionando esses subtemas por meio de setas, chaves etc. Por fim, escreva alguns parágrafos que resumam o texto. Afinal, Física por que e para quê? Sônia Salém §1 “Por que estudar ciências? Para que servem? Se não tenho em vista uma profissão como Física, Astronomia, Engenharia, Farmácia, Bio- química, Computação, Contabilidade etc., por que preciso estudar Física, Química, Biologia ou Matemática?”. Essas são perguntas que podemos fazer, quando nos deparamos com o aprendizado das Ciên­cias Naturais e da Matemática ao ingressar no Ensino Médio. §2 Tal como a História, a Geografia, a Língua Portuguesa, a Filosofia, a Música, a Literatura, o Desenho e outras artes, os conhecimentos científicos fazem parte da cultura e da vida de todo cidadão. Ciência e tecnologia estão cada vez mais presentes no mundo em que vive- mos. Seja na vida individual, social ou profissional. Na vida presente ou futura. §3 A Física envolve conhecimentos que abarcam diferentes campos de estudo e de investigação – os movimentos, a eletricidade e o magnetis- mo, o calor, a luz, a constituição da matéria, a evolução do Universo. Conhecimentos esses que envolvem aspectos práticos e tecnológicos, históricos e filosóficos, éticos e sociais. Que nos permitem compreen- der fenômenos presentes em nosso cotidiano, enfrentar situações e problemas de ordem prática – na vida doméstica ou social –, discutir indagações filosóficas ou, ainda, participar de forma crítica de deba- tes públicos relevantes no mundo contemporâneo acerca dos usos e “desusos” da ciência e da tecnologia, seus benefícios e riscos. §4 Como evitar um choque elétrico ou um curto-circuito, como escolher aparelhos elétricos de modo a economizar energia, como estimar Sônia Salém é professora de Físi- ca e Coordenadora Técnica do Institu- to de Física da Uni- versidade de São Paulo (Ifusp).
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 69 ou medir distâncias, tempos e velocidades, prever movimentos de automóveis ou bolas, como utilizar uma bússola ou o Sol para nos orientar, como escolher utensílios de cozinha para uma dada finalidade ou materiais apropriados para o isolamento térmico em uma casa, como estimar o gasto de combustíveis, compreender o funcionamento de aparelhos como telefone celular, rádio, televisão, computador, controle remoto, forno de microondas, aquecedores solares, como nos proteger de relâmpagos, de radiações utilizadas em aparelhos de radiodiagnóstico... Esses são alguns exemplos de saberes práticos, presentes em nossa vida, que envolvem conheci- mentos da Física. §5 Ainda nesse âmbito, de saberes mais diretamente ligados ao mundo cotidiano, podemos levantar muitas outras questões relacionadas a fenômenos físicos naturais, como os ciclos dia e noite, estações do ano, fases da lua e eclipses, como se explica a cor azul do céu, como se forma um arco-íris, por que sentimos frio quando estamos com febre, como se formam os ventos, as chuvas ou orvalhos, o que é uma frente fria ou uma inversão térmica, como enxergamos e como percebemos as cores. §6 A Física trata, também, de indagações menos concretas, mas não menos importantes, do mundo astronômico ou do mundo subatômico. Qual a origem do Universo? Do que ele é constituído e como evolui? De onde vem a energia que recebemos do Sol, essencial às nossas vidas? Ela pode acabar um dia? É possível haver vida fora da Terra? Do que é feita a matéria que compõe esse mundo? Como é possível obtermos energia dos átomos? São questões que também nos permitem conhe- cer melhor o nosso mundo e nele nos situarmos. §7 Do ponto de vista social e ético, podemos elencar temas atuais rele- vantes que envolvem o saber físico, tais como o que é o efeito estufa, quais as causas, efeitos e meios de controlar sua intensificação; quais as diferentes fontes de energia utilizadas no mundo e seus impactos sociais e ambientais; quais os riscos e benefícios do uso de diferentes tipos de radiações, como das antenas de TV ou celulares, dos moni- tores de computadores, dos fornos de microondas ou dos raios X, ou daquelas de origem nuclear, ditas radioativas, como as do urânio uti-
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 70 lizado nas usinas nucleares ou dos elementos presentes no chamado lixo atômico. §8 Finalmente, há os aspectos históricos ou culturais, que abarcam questões como: de que modo a Física é construída e se transforma, quais os seus limites e impasses, como influencia e é influenciada pelo contexto histórico, social e cultural; que relações estabelece com outros conhecimentos e expressões da cultura humana. §9 Quando lemos uma notícia de jornal que trata desses temas, um ar- tigo de revista de divulgação, um livro didático, o resultado de uma pesquisa científica, podemos perceber que a ciência em geral, e a física em particular, tem uma linguagem própria, formas específicas de descrever o mundo – seja no vocabulário, nos códigos e símbolos ou nas formas de representação que utiliza: tabelas e gráficos, ex- pressões matemáticas, notações numéricas, unidades de medida. §10 E não apenas em textos discursivos nos deparamos com essa lingua- gem específica. Ao ler uma receita de óculos, o manual ou plaqueta de um aparelho eletrodoméstico, uma conta de luz, aviso de seguran- ça em instalação comercial ou industrial, placa de trânsito, mapas, rótulos de alimento, gráficos meteorológicos, imagens de satélites, encontramos códigos e símbolos que precisamos conhecer e inter- pretar. Compreender e utilizar essa linguagem nos permite resolver problemas reais, avaliar informações, argumentar, emitir opiniões e participar dos acontecimentos e transformações no mundo em que aspectos físicos são relevantes. §11 Enfim, a compreensão de fenômenos naturais, de teorias científicas, de processos e equipamentos tecnológicos, assim como da lingua- gem e dos métodos presentes na Física e nas demais ciências se faz necessária para que possamos ser efetivamente cidadãos do mundo contemporâneo. Na verdade, quando escreve o artigo, a autora pensa em subtemas que quer ou precisa desenvolver e pode dar-lhes um subtítulo. Nessa parte do texto, ela desenvolve uma idéia central, por meio de definições, exemplos e explicações. Quando você prepara um
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 71 resumo, pode tomar esses subtítulos também para chegar à idéia central de cada subtema e assim terá uma súmula das idéias prin- cipais do texto. 5Agora, você e seu grupo vão eleger os subtemas do tema principal que vocês escolheram para seu artigo. Comecem discutindo o que querem falar desse tema geral, sobre o qual estão pesquisando desde o início desta Seqüência Didática. Identifiquem os subtemas com subtítulos claros e interessantes. Anotem também uma idéia central a ser desenvolvida em cada um deles. 6Uma vez preparado esse planejamento, façam um boxe-resumo, para aparecer no final do artigo. 7Retomem também o olho e a introdução, para ver se estão coe- rentes com o planejamento e o boxe-resumo. Pronto: agora vocês já têm um planejamento do artigo para desenvolver na próxima atividade. Atividade 3 As partes do texto e a progressão na leitura Nessa parte do trabalho que vocês acabaram de rea- lizar, ficou claro que um modo importante de orga- nizar e compor seu artigo de divulgação é – além de dar-lhe um título, fazer um olho e uma introdução – dividi-lo pelos subtemas ou tópicos que você con- sidera fundamentais para sua matéria. Resta saber como desenvolver subtemas, tópicos ou aspectos do tema relevantes para compor seu texto. Para pensar sobre isso, vamos ver o texto de ficção científica a seguir, em que o autor, Douglas Adams, inventa uma nova ciência: a Bistromática, fazendo uma paródia dos textos científicos. Douglas Adams.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 72 A Bistromática em si é apenas uma nova e revolucionária forma de entender o comportamento dos números. Assim como Einstein observou que o tempo não era absoluto, mas algo que dependia do movimento de um observador no espaço, e que o espaço não era absoluto, mas dependia do movimento do observador no tempo, hoje sabemos que os números não são absolutos, mas dependem do movimento do observador nos restaurantes. O primeiro número não-absoluto é o número de pessoas para quem a mesa está reservada. Ele irá variar no decorrer das primeiras três ligações para o restaurante e depois não apresentará nenhuma relação aparente com o número de pessoas que realmente estarão presentes, ou com o número de pessoas que irão se juntar a elas de- pois do show, partida, festa, filme, ou ainda com o número de pessoas que irão embora ao ver quem mais apareceu por lá. O segundo número não-absoluto é a hora real de chegada. Este número é hoje conhecido como um dos mais bizarros conceitos matemáticos, uma reciproversexclusão, um número cuja existência só pode ser definida como sendo qualquer outra coisa diferente de si mesmo. Em outras palavras, a hora real de chegada é o único momento no tempo no qual é impossível que qualquer participante do grupo chegue de fato. A reciproversexclusão tem, atualmente, um papel vital em diversos campos da matemática, incluindo a estatística e contabilidade, além de fazer parte das equações básicas usadas na engenharia dos campos de Problema de Outra Pessoa. O terceiro e mais misterioso não-absolutismo de todos diz respei- to à relação entre o número de itens na conta, o valor de cada item e o número de pessoas na mesa, assim como quanto cada uma delas está disposta a pagar (o número de pessoas que trouxeram algum dinheiro é apenas um subfenômeno desse campo). Douglas Adams, A vida, o Universo e tudo o mais. São Paulo: GMT, 2005. Douglas Adams escolheu uma forma relativamente simples de compor seu texto, formado basicamente por definições (X é Y). Escolhido seu tema – a Bistromática –, ficamos sabendo, por de- Bistromática: alusão a bistrô, restaurante pe- queno e simples, porém aconchegante, típico da França.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 73 finição, que ela é “uma nova e revolucionária forma de entender o comportamento dos números” e que estes, os números, “não são absolutos, mas dependem do movimento do observador nos restaurantes”. Dito isto, basta enumerar (subtemas ou tópicos) os tipos de números não-absolutos – primeiro, segundo e terceiro – e passar a defini-los. Esta é uma forma fácil de compor os textos. Mas há outras maneiras de escolher e desenvolver os aspectos do tema a abordar. Vejamos alguns exemplos, desta vez, de artigos de divulgação científica, propriamente ditos. Nos artigos de divulgação científica as definições estão também muito presentes, mas complementadas por explicações, exem- plos etc. Vamos retomar a leitura da introdução do artigo “O magnífico laser”: O princípio básico de funcionamento do laser está baseado nas leis fundamentais da interação da radiação luminosa com a matéria. Mais especificamente, a luz laser é resultado de um fenômeno denominado emissão estimulada. E daí vem seu nome: laser, em inglês, significa luz amplificada pela emissão estimulada de radiação. A emissão estimulada consiste no seguinte: vamos imaginar um átomo de determinado material e supor um elétron desse átomo que esteja em um estado excitado, ou seja, com ”excesso” de energia. Esse elétron excitado apresenta uma forte tendência de voltar para o seu estado “natural”, isto é, para um nível de energia mais baixa. Ao fazer isso, ele devolve ao meio essa energia na forma de um pacote de luz (fóton). Porém, sozinho esse retorno é extremamente demorado – pelo menos, nas escalas de tempo dos processos atômicos. Mas ele pode ser antecipado com a ajuda de um agente externo: outro fóton. Portanto, a emissão estimulada resulta em dois fótons: um Equipamento emissor de luz laser. KIM STEELE
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 74 emitido pelo átomo excitado ao voltar ao seu estado de energia mais baixo, e o próprio fóton que “acelerou” (ou estimulou) esse processo. Os dois são idênticos. Na produção da luz laser, basicamente, um meio ativo – ou seja, uma amostra sólida, líquida ou gasosa –, contendo energia na forma de inúmeros átomos excitados, é colocado no interior de uma cavi- dade óptica – para nossos propósitos aqui, podemos imaginar essa cavidade como um recipiente com as paredes internas espelhadas. A luz do laser, portanto, provém justamente da emissão de fótons que ocorre quando, em um processo estimulado pela própria luz, elétrons retornam de seus estados excitados para níveis mais baixos de energia, acumulando na cavidade porções de luz fisicamente idênticas. 1Anote em seu caderno as definições de: a.Princípio básico de funcionamento do laser. b.Luz do laser. c. Emissão estimulada. 2Sublinhe, em seu caderno, os verbos das definições. Em que tempo e modo verbal esses verbos estão? 3Anote os particípios passados adjetivos que aparecem nas defini- ções, como: baseado... Como vimos nos verbetes, as definições e explicações científicas tendem a usar os verbos numa espécie de “presente eterno” – o “presente de definição”. Não se trata bem de um tempo presente, pois “a emissão estimulada resulta em dois fótons” ou “a Terra gira em torno do Sol” não é algo válido só para agora, neste momento, mas para agora e para sempre, até que a ciência descubra uma outra explicação. As definições e explicações apresentam também muitos substanti- vos, formas nominais do verbo (particípios, gerúndios), adjetivos,
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 75 advérbios. Tudo isso porque se trata de um discurso sobre os es- tados da matéria e não sobre as ações humanas: para dizer como as coisas são ou estão e não o que as pessoas fazem. 4Só para confirmar, leia este parágrafo explicativo: “A luz do laser, portanto, provém justamente da emissão de fótons que ocorre quando, em um processo estimulado pela própria luz, elétrons retornam de seus estados excitados para níveis mais baixos de energia, acumulando na cavidade porções de luz fisicamente idênticas.” Anote em seu caderno o número de: Substantivos Adjetivos Advérbios Particípios Gerúndios Verbos no presente 5Na leitura também, para localizar e comparar informações do texto, essa organização da linguagem é importante. Por exemplo, vá ao texto e responda: a. O que é um elétron excitado? b. O que é um fóton? c. Como um elétron excitado gera um fóton? Ao responder a essas perguntas, você localizou e comparou infor- mações no texto. E para isso usou as palavras. Discuta com sua turma e com seu professor: d Como você fez para localizar as definições? e. Que parte delas você localizou (já estava dada na pergunta) e que parte completou (era nova e respondia à pergunta)? f. Como fez para comparar as duas informações e responder à pergunta c?
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 76 E como progridem as definições e explicações nesses textos? Va- mos olhar mais de perto a explicação sobre o que é a luz laser. “A luz laser é resultado de um fenômeno denominado emissão estimu- lada. E daí vem seu nome: laser, em inglês, significa luz amplificada pela emissão estimulada de radiação. A emissão estimulada consiste no seguinte: vamos imaginar um átomo de determinado material e supor um elétron desse átomo que esteja em um estado excitado, ou seja, com ‘excesso’ de energia.” Luz LASER Emissão estimulada Luz amplificada pela emissão estimulada de radiação Elétron de átomo que esteja em estado excitado Em seguida, o texto passa a definir ou explicar o que é um elétron excitado. Esse processo de “costura” do texto, que retoma um con- ceito e define usando um outro, e em seguida define este outro e assim por diante, é o que chamamos de coesão e é responsável pela progressão do tema no texto. É bem parecido com a linkagem nos hipertextos ou verbetes, só que não se dá em rede, mas na linha: um conceito depois do outro. 6Pronto! Agora, você e seus colegas já podem desenvolver os tó- picos ou subtemas de seu artigo de divulgação científica, para publicá-lo no blog ou no Mural da Ciência. Lembre-se: cada sub- tema ou subtítulo deve ser desenvolvido por meio de definições e explicações, que se encadeiam umas nas outras por meio de pro- cessos de coesão, fazendo o tema progredir. Lembre-se também de que para alguns subtemas você pode e deve recorrer a imagens e infográficos (Parte 3 desta Seqüência Didática). Cada subtítulo deve se equacionar em tamanho com os outros. Se estiver ficando muito grande, é porque está na hora de subdividir, criando um outro subtítulo.
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 77 Atividade 4 O papel dos boxes Vamos voltar ao quadro das partes dos quatro artigos (Atividade 2, pág. 62) que estamos discutindo, desta vez para analisar os boxes. 1 Artigo Scientific American Brasil, n. 47, abr./2006 A redescoberta do Aqüífero Guarani José Luiz Flores Machado, geólogo da CPRM/ Serviço Geológico do Brasil Partes Boxes: do texto Resumo/Sistema Aqüífero Guarani O autor Onde está a água potável? Para conhecer mais 2 Artigo Ciência Hoje, vol. 36, n. 215, mai./2005 Aplicações do magnetismo Marcelo Knobel, físico da Unicamp Partes Boxes: do texto Missão: otimizar propriedades Efeito giromagnético: Einstein como físico experimental 3 Artigo Scientific American Brasil, n. 50, jul./2006 A ciência do sudoku Jean-Paul Delahaye, professor de Ciência da Computação da Universidade de Ciências e Tecnologias de Lille, França Partes Boxes: do texto O autor Para conhecer mais
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 78 Discuta com seus colegas e com seu professor: 1Alguns títulos dos boxes se repetem. Quais são? 2Que veículo (revista) publicou os artigos com os boxes de mesmo título? 3Você acha que isso é uma decisão do autor ou da editoria da revista? 4Qual a função desses boxes que se repetem? Que tipo de informa- ção eles acrescentam? 5E os outros? 6A partir de suas respostas anteriores, conclua: qual a função de acrescentar boxes a um texto? Em que eles se parecem com notas de rodapé? E com os textos linkados num hipertexto? 7Em resumo: que tipo de informação deixamos para o rodapé, o boxe, ou para alguns links? Pois é! Você já deve ter percebido, ao fazer as atividades desta Seqüên- cia Didática, que nem toda informação se encontra no corpo dos textos. Aqui mesmo você pode ter notado a presença de uma ferra- menta essencial da divulgação científica, escolar ou não: os boxes. 8Volte à página 38. Por que você acha que a definição de infografia não está diretamente no texto? 4 Artigo Revista Ciência Hoje, vol. 37, n. 222, dez./2005 O magnífico laser Vanderlei Salvador Bagnato, físico do Instituto de Física de São Carlos (USP) Partes Boxes: do texto O inventor do laser Inovação e difusão Sugestões para leitura
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 79 Os boxes trazem uma informação complementar ao texto. Pode ser uma definição que o autor não quer encaixar no corpo do texto, porque não cabe no desenvolvimento do tema, ou uma curiosidade sobre o tema, sugestões para leitura complementar, tabelas e/ou gráficos comparativos, dados sobre o autor do artigo etc. Por exem- plo: se você já sabe o que é um infográfico e vê o título do boxe, vai passar por ele sem ler. Num texto didático, você vai ao boxe para colher informações além das que o corpo do texto lhe oferece. Os boxes são também muito importantes para aquele processo de linkagem ou remissão que comentamos na Parte 2. Quando a definição de um termo específico da linguagem da ciência não está no corpo do texto, como mostramos, procure nos boxes, pois lá certamente você encontrará a informação, ou pelo menos uma dica para descobrir o que não ficou claro. 9Agora, você e seu grupo vão selecionar, dentre todas aquelas informações que ficaram faltando e dentre todas as idéias que não couberam no texto, aquelas que são mais importantes e vão colocá-las em boxes. Se quiserem indicar as fontes de consulta que usaram para escrever o artigo, criem um boxe do tipo “Para saber mais”. Lembrem-se: os boxes são pequenos e breves, para acrescentar informação sem tomar muito tempo do leitor. 10 Uma vez completo o artigo, republiquem-no no blog ou no Mu- ral da Ciência. Com isso, você e seu grupo terminaram seu primeiro artigo de di- vulgação científica. Esperamos que o primeiro de muitos... Quem sabe vocês não criam mesmo um blog de ciência na internet? Ou se responsabilizam permanentemente por um mural ou por uma seção de jornal (falado ou impresso) de divulgação científica em sua escola?
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    Seqüência didática Gênerosde divulgação científica 80 Esperamos também que você se torne um leitor assíduo dos mui- tos textos de divulgação científica que trazem diariamente fatos interessantíssimos sobre os novos achados e discussões da ciência e que, com isso, possa complementar também suas aprendizagens a partir dos textos escolares. E acrescentar um novo campo de circulação de conhecimentos a seu cotidiano.
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    Fundação Carlos AlbertoVanzolini Diretor Presidente: Gregório Bouer Diretor Vice-Presidente: Paulino Graciano Francischini Coordenador Geral do Programa Ensino Médio em Rede: Guilherme Ary Plonski Coordenadora Executiva: Beatriz Leonel Scavazza Coordenadora Executiva Adjunta: Angela Sprenger Equipe do Ensino Médio em Rede Logística: Carolina Monteiro Denise Blanes Orientação Instrucional: Jacqueline Peixoto Barbosa Luiza Christov Regina Cândida Ellero Gualtieri Autores: Roxane Rojo Cristina Lastoria Equipe de Produção Editorial de Materiais Educacionais Editora Executiva: Maristela Lobão de Moraes Sarmento Editora: Elzira Arantes Assistente de Produção: Marcelo Felix Revisor: Paulo Roberto de Moraes Pesquisa Iconográfica: Iolanda Husak Direitos Autorais: José Carlos Augusto Projeto Gráfico, Edição de Arte e Produção Gráfica: Mare Magnum Artes Gráficas