SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 7
02/04/2021 AVA UNINOVE
O ensino de Ciências
REFLETIR SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES DO ENSINO DE CIÊNCIAS.
Quando falamos em ciências, ou melhor, se pedirmos para que você desenhe um cientista, o que você
imaginaria? Muitas pessoas poderiam imaginar a figura de um homem de avental branco, usando óculos,
dentro de um laboratório, com um tubo de ensaio na mão e um comportamento anormal ou estranho, ou
seja, o estereótipo do "cientista maluco".
Para muitos, o fato de ser cientista pode conferir a pessoa uma inteligência acima dos padrões considerados
normais. Assim, muitas vezes podemos observar a valorização do conhecimento científico em detrimento
do conhecimento do senso comum.
O que é senso comum (conhecimento popular) e conhecimento científico? De acordo com Marconi e
Lakatos (2005), desde a Antiguidade até aos nossos dias, um agricultor, mesmo analfabeto ou sem formação
acadêmica, sabe o momento certo do plantio, da colheita, como adubar a terra e proteger as plantações de
ervas daninhas e pragas e qual o tipo de solo adequado para as diversas culturas. Atualmente, a agricultura
utiliza-se de sementes selecionadas, de adubos químicos, de defensivos contra as pragas e controle
biológico dos insetos daninhos.
Assim, nesse exemplo, os dois tipos de conhecimento se mesclam:
Nesse sentido, o conhecimento popular não se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade
nem pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a forma, o modo ou o método e os
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 1/7
02/04/2021 AVA UNINOVE
O primeiro, vulgar ou popular, geralmente típico do camponês, transmitido de geração
para geração por meio da educação informal e baseado em imitação e experiência pessoal;
portanto, empírico e desprovido de conhecimento sobre a composição do solo, das causas
do desenvolvimento das plantas, da natureza das pragas, do ciclo reprodutivo dos insetos,
etc.; o segundo, científico, é transmitido por intermédio de treinamento apropriado, senso
um conhecimento obtido de modo racional, conduzido por meio de procedimentos
científicos.
MARCONI; LAKATOS, 2005, P. 75
instrumentos do "conhecer", de forma que os dois saberes têm características compartilhadas quando
procuram explicar os fenômenos, as regularidades do mundo. No entanto, enquanto o conhecimento
comum é espontâneo, usado para desempenhar as nossas atividades cotidianas, o conhecimento científico
privilegia o método científico.
O que é método científico?
Método "é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia,
permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –, traçando o caminho a ser seguido,
detectando erros e auxiliando as decisões do cientista". (MARCONI; LAKATOS, 2005, p.83).
"Ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com
o objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação" (TRUJILLO FERRARI, 1974, p.8).
Todas as Ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos, de modo que "não há ciência sem
o emprego de métodos científicos". (MARCONI; LAKATOS, 2005, p.83).
Por que estudar Ciências?
Vamos retomar a discussão da figura do cientista: é claro que aquela figura estereotipada é exagerada,
contudo, nos últimos tempos as constantes revoluções tecnológicas, a quantidade imensa de descobertas e
de informações disponíveis passaram a fazer parte da nossa vida cotidiana.
A ciência está presente nas nossas vidas: na internet, nos produtos tecnológicos, nos filmes, na literatura e
outros. Os meios de comunicação também divulgam as pesquisas e descobertas, como o aquecimento
global, os alimentos transgênicos e o uso das células tronco.
Apesar dos avanços, a Ciência também trouxe problemas como a extração indiscriminada de matéria-prima,
excesso de dejetos gerados pelas indústrias, o consumismo exacerbado, poluição, destruição do meio
ambiente, entre outros.
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 2/7
02/04/2021 AVA UNINOVE
[...]às influências sociais, políticas e econômicas a que estão sujeitos os cientistas e as
pesquisas científicas. O trabalho dos cientistas é financiado por grupos de poder, que
estão inseridos em comunidades sociais e sujeitos a influências econômicas. Fatores
sociais, econômicos e políticos podem determinar o que as Ciências investigam, como
essa investigação se dá, o conteúdo dos resultados das investigações e quão divulgados ou
não serão esses resultados.
MORAIS; ANDRADE, 2009, P. 12
Nesse sentido, a Ciência pode auxiliar os seres humanos enquanto participantes ativos de uma sociedade,
de modo que as pesquisas e tecnologias possam colaborar na resolução dos problemas, porém, de forma
crítica e consciente, de modo que ela seja entendida "como um processo, isto é, uma maneira de conhecer o
mundo, que não utiliza um único método e não depende de gênios individuais". (MORAIS; ANDRADE, 2009,
p. 11)
Na história da Ciência, várias descobertas, definições, teorias foram consideradas adequadas para explicar
fenômenos e processos em determinado momento. No entanto, com a realização de novos estudos e
pesquisas, as ideias anteriormente divulgadas passaram a ser modificadas ou mesmo substituídas. Podemos
citar como exemplo a teoria de que a Terra ocuparia o centro do Universo; depois que ele seria ocupado
pelo sol. Assim, as teorias científicas também sofrem modificações e estão sujeitas às revisões.
Outro aspecto que deve estar presente durante os estudos, às discussões e nas aulas de Ciências, refere-se:
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 3/7
Assim, a Ciência não é neutra e pode estar em função de interesses econômicos, políticos, sociais ou em
benefícios coletivos, produzindo, por exemplo, produtos que melhorem a qualidade de vida humana ou
simplesmente atendam a interesses econômicos e contrariem as indicações de preservação
socioambientais.
Desse modo, a construção dos conhecimentos científicos pode propiciar aos alunos uma melhor qualidade
de vida, assim como uma postura crítica frente às novas tecnologias e descobertas. Para isso, é importante
conhecer um pouco da história do ensino das Ciências no Brasil, que veremos a seguir.
Breve histórico do ensino de Ciências
O ensino de Ciências nas escolas tem se orientado por diferentes tendências. Na década de 50, a disciplina
era ministrada apenas nas duas últimas séries do antigo curso ginasial.
A Lei de Diretrizes e Bases Nº 4024/61 ampliou bastante a participação da disciplina de Ciências no
currículo escolar, que passou a ser ministrada desde o primeiro ano do curso ginasial. No curso colegial
houve aumento da carga horária de Física, Química e Biologia. Essas disciplinas passaram a ter a função de
desenvolver o espírito crítico com o exercício do método científico.
02/04/2021 AVA UNINOVE
Os alunos não serão adequadamente formados se não correlacionarem as disciplinas
escolares com a atividade científica e tecnológica e os problemas sociais contemporâneos.
Uma reforma que tenha pleno êxito depende da existência de bons materiais, incluindo
livros, manuais de laboratórios e guias de professores, docentes que sejam capazes de
usá-los, bem como condições na escola para o seu pleno desenvolvimento.
KRASILCHIK (2000, P.85)
Em 1971, com a Lei 5692, essa obrigatoriedade passou a ser estendida a todas as séries do Ensino
Fundamental. No entanto, as disciplinas científicas passaram a ter caráter profissionalizante,
descaracterizando sua função no currículo.
Em 1994, os dispositivos da Lei 9494/96 (alterada pela Lei nº 11.274, de 2006) tornaram a disciplina de
Ciências obrigatória em todos os ciclos do Ensino Fundamental de nove anos.
Desse modo, na medida em que a Ciência e a Tecnologia foram reconhecidas como essenciais no
desenvolvimento econômico, cultural e social, o ensino da primeira foi ganhando mais destaque em todos
os níveis de ensino.
É possível identificar durante esse período mudanças no ensino dessa área. Em um primeiro momento, as
aulas resumiam-se à transmissão de conhecimentos por meio de aulas expositivas. Aos alunos cabia
responder aos questionários e nas provas repetir os conceitos apresentados nas aulas.
Em uma segunda fase prevaleceu a ideia da existência de uma sequência fixa e básica de comportamentos,
que caracterizaria o método científico na identificação de problemas, elaboração de hipóteses e verificação
experimental delas, o que permitiria chegar a uma conclusão e levantar novas questões.
Desse modo, a proposta de transmissão de conhecimentos foi mantida, porém, com inclusão de atividades
práticas e de experimentação como complementação das aulas teóricas, de modo que o aluno participasse
não pesquisando, mas apenas assistindo uma demonstração relacionada a um conceito.
Na fase atual percebe-se a necessidade do aluno construir o conhecimento científico, que não deveria ser
simplesmente repassado. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, as ideias prévias dos
educandos têm papel fundamental no processo de aprendizagem, que só é possível embasada naquilo que
ele já sabe. (MEC, 1997, p.45).
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 4/7
Retomado a discussão do cientista, como eles nascem? Você sabe responder a esse
questionamento? Para ter uma ideia, leia o texto Como nascem os cientistas, de José Reis.
Disponível em: www.mat.uel.br (http://www.uel.br/pessoal/plnatti/Textos-
escolhidos/como_nascem_os_cientistas_.htm). Acesso em: 19 out. 2013.
REFERÊNCIA
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 5/7
02/04/2021 AVA UNINOVE
KRASILCHIK, Myriam. Reformas e realidade: o caso do ensino das ciências. São Paulo em Perspectiva, v.14,
n.1, p. 85-93, 2000.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica. 6 ed. São
Paulo: Atlas, 2005.
MORAIS, Marta Bouissou; ANDRADE, Maria Hilda de Paiva. Ciências: ensinar e aprender. Belo Horizonte:
Dimensão, 2009.
REIS, José. Educação é Investimento. São Paulo: IBRASA, 1968.
TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da Ciência. 3 ed. Rio de Janeiro: Kennedy, 1974.
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 6/7
02/04/2021 AVA UNINOVE
https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 7/7
02/04/2021 AVA UNINOVE

Mais conteúdo relacionado

Semelhante a O ensino de Ciencias e Biologia arquivo ppt

100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia
100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia
100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia
gica15
 
Pcn cincias-130902130158-phpapp02
Pcn cincias-130902130158-phpapp02Pcn cincias-130902130158-phpapp02
Pcn cincias-130902130158-phpapp02
Fernanda Ciandrini
 
Desenvolver projetos e_organizar
Desenvolver projetos e_organizarDesenvolver projetos e_organizar
Desenvolver projetos e_organizar
UEM
 
Pc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_ciencias
Pc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_cienciasPc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_ciencias
Pc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_ciencias
franciele_regina
 
Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01
Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01
Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01
mariacarmcorreia
 
Aula 1 - ciência.. construção de conhecimento
Aula 1  - ciência.. construção de conhecimentoAula 1  - ciência.. construção de conhecimento
Aula 1 - ciência.. construção de conhecimento
aula123456
 
Iniciação científica um salto para a ciência
Iniciação científica um salto para a ciênciaIniciação científica um salto para a ciência
Iniciação científica um salto para a ciência
Nívia Sales
 
Jornada_Cientifica_2013
Jornada_Cientifica_2013Jornada_Cientifica_2013
Jornada_Cientifica_2013
Major Ribamar
 
Historia da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medioHistoria da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medio
Fabiano Antunes
 

Semelhante a O ensino de Ciencias e Biologia arquivo ppt (20)

Planejamento anual 2º ano - física
Planejamento anual   2º ano - físicaPlanejamento anual   2º ano - física
Planejamento anual 2º ano - física
 
Visao cienc
Visao ciencVisao cienc
Visao cienc
 
Currículo referência ciências da natureza 6º ao 9º ano
Currículo referência ciências da natureza 6º ao 9º anoCurrículo referência ciências da natureza 6º ao 9º ano
Currículo referência ciências da natureza 6º ao 9º ano
 
Slides-resumo_Ciências_biológicas_4.pdf
Slides-resumo_Ciências_biológicas_4.pdfSlides-resumo_Ciências_biológicas_4.pdf
Slides-resumo_Ciências_biológicas_4.pdf
 
Material jogos e textos citologia
Material jogos e textos citologiaMaterial jogos e textos citologia
Material jogos e textos citologia
 
100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia
100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia
100776843 hereditariedade-e-a-natureza-da-ciencia
 
Pcn ciências
Pcn   ciênciasPcn   ciências
Pcn ciências
 
Marie Skłodowska Curie - Episódios de Ensino: Contribuições ao Ensino de Ciên...
Marie Skłodowska Curie - Episódios de Ensino: Contribuições ao Ensino de Ciên...Marie Skłodowska Curie - Episódios de Ensino: Contribuições ao Ensino de Ciên...
Marie Skłodowska Curie - Episódios de Ensino: Contribuições ao Ensino de Ciên...
 
Pcn cincias-130902130158-phpapp02
Pcn cincias-130902130158-phpapp02Pcn cincias-130902130158-phpapp02
Pcn cincias-130902130158-phpapp02
 
Desenvolver projetos e_organizar
Desenvolver projetos e_organizarDesenvolver projetos e_organizar
Desenvolver projetos e_organizar
 
Pc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_ciencias
Pc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_cienciasPc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_ciencias
Pc sc fundamentos-teoricos_metodologicos_ensino_ciencias
 
Sequência didática - Biotecnologia.pdf
Sequência didática - Biotecnologia.pdfSequência didática - Biotecnologia.pdf
Sequência didática - Biotecnologia.pdf
 
Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01
Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01
Cinciasexperimentaisno1ciclo20122013 121028114507-phpapp01
 
Aula 1 - ciência.. construção de conhecimento
Aula 1  - ciência.. construção de conhecimentoAula 1  - ciência.. construção de conhecimento
Aula 1 - ciência.. construção de conhecimento
 
Iniciação científica um salto para a ciência
Iniciação científica um salto para a ciênciaIniciação científica um salto para a ciência
Iniciação científica um salto para a ciência
 
Jornada_Cientifica_2013
Jornada_Cientifica_2013Jornada_Cientifica_2013
Jornada_Cientifica_2013
 
Historia da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medioHistoria da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medio
 
1ª Mostra Ciências da Natureza e Geografia
1ª Mostra Ciências da Natureza e Geografia1ª Mostra Ciências da Natureza e Geografia
1ª Mostra Ciências da Natureza e Geografia
 
Doutor Vitor Gil
Doutor Vitor GilDoutor Vitor Gil
Doutor Vitor Gil
 
Projeto de eletiva jovem cientista.docx
Projeto de eletiva jovem cientista.docxProjeto de eletiva jovem cientista.docx
Projeto de eletiva jovem cientista.docx
 

Último

Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptxAspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
profbrunogeo95
 
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdfHistória concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
GisellySobral
 
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
aulasgege
 

Último (20)

Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autoresModelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
 
Teatro como estrategias de ensino secundario
Teatro como estrategias de ensino secundarioTeatro como estrategias de ensino secundario
Teatro como estrategias de ensino secundario
 
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialFUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
 
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptxQuímica-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
 
Slides Lição 7, CPAD, O Perigo Da Murmuração, 2Tr24.pptx
Slides Lição 7, CPAD, O Perigo Da Murmuração, 2Tr24.pptxSlides Lição 7, CPAD, O Perigo Da Murmuração, 2Tr24.pptx
Slides Lição 7, CPAD, O Perigo Da Murmuração, 2Tr24.pptx
 
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptxAspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
 
APRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
APRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVASAPRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
APRENDA COMO USAR CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
 
Histogramas.pptx...............................
Histogramas.pptx...............................Histogramas.pptx...............................
Histogramas.pptx...............................
 
Sequência didática Carona 1º Encontro.pptx
Sequência didática Carona 1º Encontro.pptxSequência didática Carona 1º Encontro.pptx
Sequência didática Carona 1º Encontro.pptx
 
Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...
Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...
Proposta de redação Soneto de texto do gênero poema para a,usos do 9 ano do e...
 
Acróstico - Maio Laranja
Acróstico  - Maio Laranja Acróstico  - Maio Laranja
Acróstico - Maio Laranja
 
Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...
Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...
Slides Lição 7, Betel, Ordenança para uma vida de fidelidade e lealdade, 2Tr2...
 
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdfHistória concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
 
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - GeoprocessamentoDados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
 
662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica
 
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São PauloCurrículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
 
Pré-História do Brasil, Luzia e Serra da Capivara
Pré-História do Brasil, Luzia e Serra da CapivaraPré-História do Brasil, Luzia e Serra da Capivara
Pré-História do Brasil, Luzia e Serra da Capivara
 
UFCD_8291_Preparação e confeção de peixes e mariscos_índice.pdf
UFCD_8291_Preparação e confeção de peixes e mariscos_índice.pdfUFCD_8291_Preparação e confeção de peixes e mariscos_índice.pdf
UFCD_8291_Preparação e confeção de peixes e mariscos_índice.pdf
 
Quiz | Dia da Europa 2024 (comemoração)
Quiz | Dia da Europa 2024  (comemoração)Quiz | Dia da Europa 2024  (comemoração)
Quiz | Dia da Europa 2024 (comemoração)
 
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
1. Aula de sociologia - 1º Ano - Émile Durkheim.pdf
 

O ensino de Ciencias e Biologia arquivo ppt

  • 1. 02/04/2021 AVA UNINOVE O ensino de Ciências REFLETIR SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES DO ENSINO DE CIÊNCIAS. Quando falamos em ciências, ou melhor, se pedirmos para que você desenhe um cientista, o que você imaginaria? Muitas pessoas poderiam imaginar a figura de um homem de avental branco, usando óculos, dentro de um laboratório, com um tubo de ensaio na mão e um comportamento anormal ou estranho, ou seja, o estereótipo do "cientista maluco". Para muitos, o fato de ser cientista pode conferir a pessoa uma inteligência acima dos padrões considerados normais. Assim, muitas vezes podemos observar a valorização do conhecimento científico em detrimento do conhecimento do senso comum. O que é senso comum (conhecimento popular) e conhecimento científico? De acordo com Marconi e Lakatos (2005), desde a Antiguidade até aos nossos dias, um agricultor, mesmo analfabeto ou sem formação acadêmica, sabe o momento certo do plantio, da colheita, como adubar a terra e proteger as plantações de ervas daninhas e pragas e qual o tipo de solo adequado para as diversas culturas. Atualmente, a agricultura utiliza-se de sementes selecionadas, de adubos químicos, de defensivos contra as pragas e controle biológico dos insetos daninhos. Assim, nesse exemplo, os dois tipos de conhecimento se mesclam: Nesse sentido, o conhecimento popular não se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a forma, o modo ou o método e os https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 1/7
  • 2. 02/04/2021 AVA UNINOVE O primeiro, vulgar ou popular, geralmente típico do camponês, transmitido de geração para geração por meio da educação informal e baseado em imitação e experiência pessoal; portanto, empírico e desprovido de conhecimento sobre a composição do solo, das causas do desenvolvimento das plantas, da natureza das pragas, do ciclo reprodutivo dos insetos, etc.; o segundo, científico, é transmitido por intermédio de treinamento apropriado, senso um conhecimento obtido de modo racional, conduzido por meio de procedimentos científicos. MARCONI; LAKATOS, 2005, P. 75 instrumentos do "conhecer", de forma que os dois saberes têm características compartilhadas quando procuram explicar os fenômenos, as regularidades do mundo. No entanto, enquanto o conhecimento comum é espontâneo, usado para desempenhar as nossas atividades cotidianas, o conhecimento científico privilegia o método científico. O que é método científico? Método "é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista". (MARCONI; LAKATOS, 2005, p.83). "Ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com o objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação" (TRUJILLO FERRARI, 1974, p.8). Todas as Ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos, de modo que "não há ciência sem o emprego de métodos científicos". (MARCONI; LAKATOS, 2005, p.83). Por que estudar Ciências? Vamos retomar a discussão da figura do cientista: é claro que aquela figura estereotipada é exagerada, contudo, nos últimos tempos as constantes revoluções tecnológicas, a quantidade imensa de descobertas e de informações disponíveis passaram a fazer parte da nossa vida cotidiana. A ciência está presente nas nossas vidas: na internet, nos produtos tecnológicos, nos filmes, na literatura e outros. Os meios de comunicação também divulgam as pesquisas e descobertas, como o aquecimento global, os alimentos transgênicos e o uso das células tronco. Apesar dos avanços, a Ciência também trouxe problemas como a extração indiscriminada de matéria-prima, excesso de dejetos gerados pelas indústrias, o consumismo exacerbado, poluição, destruição do meio ambiente, entre outros. https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 2/7
  • 3. 02/04/2021 AVA UNINOVE [...]às influências sociais, políticas e econômicas a que estão sujeitos os cientistas e as pesquisas científicas. O trabalho dos cientistas é financiado por grupos de poder, que estão inseridos em comunidades sociais e sujeitos a influências econômicas. Fatores sociais, econômicos e políticos podem determinar o que as Ciências investigam, como essa investigação se dá, o conteúdo dos resultados das investigações e quão divulgados ou não serão esses resultados. MORAIS; ANDRADE, 2009, P. 12 Nesse sentido, a Ciência pode auxiliar os seres humanos enquanto participantes ativos de uma sociedade, de modo que as pesquisas e tecnologias possam colaborar na resolução dos problemas, porém, de forma crítica e consciente, de modo que ela seja entendida "como um processo, isto é, uma maneira de conhecer o mundo, que não utiliza um único método e não depende de gênios individuais". (MORAIS; ANDRADE, 2009, p. 11) Na história da Ciência, várias descobertas, definições, teorias foram consideradas adequadas para explicar fenômenos e processos em determinado momento. No entanto, com a realização de novos estudos e pesquisas, as ideias anteriormente divulgadas passaram a ser modificadas ou mesmo substituídas. Podemos citar como exemplo a teoria de que a Terra ocuparia o centro do Universo; depois que ele seria ocupado pelo sol. Assim, as teorias científicas também sofrem modificações e estão sujeitas às revisões. Outro aspecto que deve estar presente durante os estudos, às discussões e nas aulas de Ciências, refere-se: https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 3/7 Assim, a Ciência não é neutra e pode estar em função de interesses econômicos, políticos, sociais ou em benefícios coletivos, produzindo, por exemplo, produtos que melhorem a qualidade de vida humana ou simplesmente atendam a interesses econômicos e contrariem as indicações de preservação socioambientais. Desse modo, a construção dos conhecimentos científicos pode propiciar aos alunos uma melhor qualidade de vida, assim como uma postura crítica frente às novas tecnologias e descobertas. Para isso, é importante conhecer um pouco da história do ensino das Ciências no Brasil, que veremos a seguir. Breve histórico do ensino de Ciências O ensino de Ciências nas escolas tem se orientado por diferentes tendências. Na década de 50, a disciplina era ministrada apenas nas duas últimas séries do antigo curso ginasial. A Lei de Diretrizes e Bases Nº 4024/61 ampliou bastante a participação da disciplina de Ciências no currículo escolar, que passou a ser ministrada desde o primeiro ano do curso ginasial. No curso colegial houve aumento da carga horária de Física, Química e Biologia. Essas disciplinas passaram a ter a função de desenvolver o espírito crítico com o exercício do método científico.
  • 4. 02/04/2021 AVA UNINOVE Os alunos não serão adequadamente formados se não correlacionarem as disciplinas escolares com a atividade científica e tecnológica e os problemas sociais contemporâneos. Uma reforma que tenha pleno êxito depende da existência de bons materiais, incluindo livros, manuais de laboratórios e guias de professores, docentes que sejam capazes de usá-los, bem como condições na escola para o seu pleno desenvolvimento. KRASILCHIK (2000, P.85) Em 1971, com a Lei 5692, essa obrigatoriedade passou a ser estendida a todas as séries do Ensino Fundamental. No entanto, as disciplinas científicas passaram a ter caráter profissionalizante, descaracterizando sua função no currículo. Em 1994, os dispositivos da Lei 9494/96 (alterada pela Lei nº 11.274, de 2006) tornaram a disciplina de Ciências obrigatória em todos os ciclos do Ensino Fundamental de nove anos. Desse modo, na medida em que a Ciência e a Tecnologia foram reconhecidas como essenciais no desenvolvimento econômico, cultural e social, o ensino da primeira foi ganhando mais destaque em todos os níveis de ensino. É possível identificar durante esse período mudanças no ensino dessa área. Em um primeiro momento, as aulas resumiam-se à transmissão de conhecimentos por meio de aulas expositivas. Aos alunos cabia responder aos questionários e nas provas repetir os conceitos apresentados nas aulas. Em uma segunda fase prevaleceu a ideia da existência de uma sequência fixa e básica de comportamentos, que caracterizaria o método científico na identificação de problemas, elaboração de hipóteses e verificação experimental delas, o que permitiria chegar a uma conclusão e levantar novas questões. Desse modo, a proposta de transmissão de conhecimentos foi mantida, porém, com inclusão de atividades práticas e de experimentação como complementação das aulas teóricas, de modo que o aluno participasse não pesquisando, mas apenas assistindo uma demonstração relacionada a um conceito. Na fase atual percebe-se a necessidade do aluno construir o conhecimento científico, que não deveria ser simplesmente repassado. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, as ideias prévias dos educandos têm papel fundamental no processo de aprendizagem, que só é possível embasada naquilo que ele já sabe. (MEC, 1997, p.45). https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 4/7 Retomado a discussão do cientista, como eles nascem? Você sabe responder a esse questionamento? Para ter uma ideia, leia o texto Como nascem os cientistas, de José Reis. Disponível em: www.mat.uel.br (http://www.uel.br/pessoal/plnatti/Textos- escolhidos/como_nascem_os_cientistas_.htm). Acesso em: 19 out. 2013. REFERÊNCIA
  • 5. https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 5/7 02/04/2021 AVA UNINOVE KRASILCHIK, Myriam. Reformas e realidade: o caso do ensino das ciências. São Paulo em Perspectiva, v.14, n.1, p. 85-93, 2000. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2005. MORAIS, Marta Bouissou; ANDRADE, Maria Hilda de Paiva. Ciências: ensinar e aprender. Belo Horizonte: Dimensão, 2009. REIS, José. Educação é Investimento. São Paulo: IBRASA, 1968. TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da Ciência. 3 ed. Rio de Janeiro: Kennedy, 1974.