FILOSOFIA – 11º

              Instrumentos e Competências
                      (Revisão 10º Ano)




Jorge Barbosa, 2012                         Texto 1
FILOSOFIA – 11º

1. – PROBLEMAS
                                    A Filosofia é uma
     1. - Exemplos                  atividade de discussão
     2. - Competências              de problemas.




Se não percebermos ou se perdermos de vista os problemas que estão
 a ser discutidos, não conseguiremos compreender as matérias ou os
                          autores estudados
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Exemplos de Problemas filosóficos
• O que é agir livremente?
• Será que o bem e o mal dependem da sociedade?   Nem todos os problemas filosóficos são
• O que é o conhecimento?                         imediatamente compreensíveis e
                                                  mesmo os que são precisam de ser
• Será que Deus existe?                           esclarecidos.

• Qual é o valor da arte?                         Por exemplo, quando perguntamos o
                                                  que é o conhecimento, a que género de
• O que têm de especial as teorias científicas?   conhecimento nos estamos a referir?
• O que é uma sociedade justa?


Esclarecer os problemas a discutir é uma parte importante da atividade
                             filosófica.
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Competências relativas a problemas

   1. – Identificar problemas filosóficos
   2. – Formular problemas filosóficos
   3. – Relacionar problemas filosóficos
   4. – Justificar a relevância de um problema filosófico
       Para identificar um problema, basta apontar a sua
       designação filosófica habitual.
       Formular um problema exige que o apresentemos com
       clareza e rigor.
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Competências relativas a problemas
   Tomemos como exemplo o chamado “problema do mal”
   Quando se afirma: “Este texto é sobre o problema do mal”
                 Estamos a identificar o problema no texto
   Para o formular, poderíamos apresentá-lo de uma destas formas
   1. - Se o poder de Deus não tem limites e Ele é sumamente
   bom, por que razão existe tanto mal no mundo?
   2. – O problema do mal é a questão de saber se, num mundo em
   que há tanto mal, pode existir um ser omnipotente e sumamente
   bom
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Competências relativas a problemas
   Relacionar problemas é mostrar de que modo a forma como
   respondemos a um tem implicações para responder ao outro.
   Consideremos esta posição sobre o problema do mal:
   Se for verdade que a liberdade (ou livre-arbítrio) dos seres
   humanos implica a possibilidade de praticar o mal, então muito
   do mal que existe no mundo é uma consequência inevitável da
   nossa capacidade de agir livremente. Por isso, esse mal não é da
   responsabilidade de Deus
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Competências relativas a problemas
   Justificar a relevância de um problema filosófico consiste em:
   Apresentar razões que o tornem digno de atenção.
   Vejamos duas formas de justificar a relevância de um problema:
   1. – O problema do mal é relevante porque, se não conseguirmos
   resolvê-lo, ficaremos com boas razões para não acreditar em
   Deus.
   2. – O problema do mal tem importância, na medida em que nos
   leva a pensar na origem do mal e a procurar razões que o
   justifiquem
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2. – TESES
                                   As teses são respostas aos
   1. - Frases e Proposições
   2. – Proposições condicionais
                                 problemas. Podemos
                                 também usar termos como
   3. – Proposições universais
                                   “teorias” ou “perspetivas”
   4. – Contraexemplos
                                   para nos referirmos às
   5. – Consistência               teses
  Uma das características da filosofia é a ausência de respostas
          consensuais para os problemas discutidos.
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Se estivermos a discutir a existência de Deus, que teses poderemos
formular?
    Resposta:
                                       As teses mais importantes costumam
   A. Deus existe                      ser designadas por “ismos”.
   B. Deus não existe
                                       As teses A, B e C correspondem
   C. Não sabemos se Deus existe       respetivamente ao “teísmo”, ao
                                       “ateísmo”, e ao “agnosticismo”.



    Não devemos usar os “ismos” sem saber exatamente que tese
                            designam.
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Frases e Proposições
   As teses são proposições ou conjuntos de proposições.

   Uma proposição é aquilo que é expresso por uma frase
   declarativa que tem valor de verdade

   As frases que não são declarativas, como as perguntas e as
   ordens, não exprimem proposições.
   Uma frase exprime uma proposição, se, além de ser
   declarativa, fizer sentido classificá-la como verdadeira ou como
   falsa.
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As frases com valor de verdade são aquelas que são verdadeiras ou
falsas, mesmo que não saibamos se são uma coisa ou outra.

  As frases seguintes não exprimem proposições:

            •   Abre a porta.                 Perguntar pelo valor de verdade de
            •   A porta está aberta?
                                              uma frase ou da proposição que ela
                                              exprime é o mesmo que perguntar se
            •   Não abras a porta.            ela é verdadeira ou falsa.



        As teses são proposições ou conjuntos de proposições
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As frases com valor de verdade são aquelas que são verdadeiras ou
falsas, mesmo que não saibamos se são uma coisa ou outra.

  As frases seguintes exprimem proposições:

            •   A porta está aberta.            Perguntar pelo valor de verdade de
            •   A porta não está aberta.
                                                uma frase ou da proposição que ela
                                                exprime é o mesmo que perguntar se
            •   Se a porta está aberta, então   ela é verdadeira ou falsa.
                alguém a abriu



        As teses são proposições ou conjuntos de proposições
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As frases são a expressão linguística das proposições.

  Para clarificar a relação entre frase e proposição, devemos ter em
  atenção o seguinte:
                                                    As frases “Lisboa fica a sul do Porto” e
   1. Se duas frases diferentes significam o        “O Porto fica a norte de Lisboa”
      mesmo, então exprimem a mesma                 exprimem a mesma proposição
      proposição
   2. Se uma frase pode significar coisas           A frase “Joana viu o Miguel com os
      diferentes, então pode exprimir               binóculos” pode exprimir duas
      proposições diferentes                        proposições. Quais?


        As teses são proposições ou conjuntos de proposições
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Proposições condicionais
    Algumas teses filosóficas consistem em proposições
    condicionais.
    Exemplos de proposições condicionais:
    Se está a chover, então o chão está molhado.
    Se os animais não têm deveres, então não têm direitos.

 Todas as proposições condicionais podem ser expressas por frases
 com a forma “Se P, então Q”. No lugar de “P” e de “Q” encontramos
                       também proposições.
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Todas as proposições condicionais podem ser expressas por frases
com a forma “Se P, então Q”. No lugar de “P” e de “Q” encontramos
também proposições.

  A proposição condicional Se está a chover, então o chão está
  molhado é constituída pelas duas proposições expressas pelas
  frases está a chover e o chão está molhado .

                                           Numa frase com a forma “Se P, então
                                           Q”, a primeira proposição “P” é a
                                           antecedente, e a segunda proposição “Q”
                                           é a consequente.
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1. Numa proposição condicional, a antecedente é uma condição
   suficiente para a consequente.

  Na proposição condicional Se está a chover, então o chão está
  molhado, significa que estar a chover é uma condição
  suficiente para o chão estar molhado.

2. Numa proposição condicional, a consequente é uma condição
   necessária para a antecedente.
  Na proposição condicional Se está a chover, então o chão está
  molhado, é preciso que seja verdade que o chão está
  molhado, para que também seja verdade que está a chover.
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Vejamos as seguintes proposições condicionais:

          1.   Se está a chover, então o chão está molhado.

          2.   Se o chão está molhado, então está a chover.

Estas duas proposições condicionais são iguais?
  Não. São duas proposições diferentes.

   A primeira diz-nos que chover é condição suficiente para que o
   chão esteja molhado

   A segunda diz-nos que chover é condição necessária para que o
   chão esteja molhado.
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Proposições bicondicionais

         1.   Se está a chover, então o chão está molhado.

         2.   Se o chão está molhado, então está a chover.

Se estas duas proposições forem verdadeiras, então:
  A proposição “está a chover” é condição necessária e suficiente
  para “o chão está molhado”
  Para transformar as duas numa só proposição, devemos dizer:
  Está a chover se, e apenas se, o chão está molhado
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Proposições bicondicionais

  As proposições bicondicionais podem ser expressas por frases com a
      forma “P se, e apenas se, Q”


As bicondicionais são condicionais que funcionam nos dois sentidos.
   As duas proposições relacionadas numa bicondicional não são
   designadas de “antecedente” e “consequente”


 Numa proposição bicondicional, estabelece-se uma relação de
 equivalência entre as duas proposições que a constituem: cada
 uma delas é uma condição necessária e suficiente para a outra.
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Proposições bicondicionais

  Se quisermos apresentar a tese segundo a qual os alunos só passam
      de ano se estudarem todos os dias, utilizando duas proposições
      equivalentes (proposição bicondicional), como devemos formulá-
      la numa forma lógica?
Resposta: Os alunos passam de ano se, e apenas se, estudarem todos
   os dias.
 Se esta proposição for verdadeira, será que podemos dizer que “se os alunos
 estudarem todos os dias” é garantido que passam de ano?

Resposta: Sim, porque cada uma das proposições é considerada
   necessária e suficiente para a outra.
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Proposições universais
   Muitas teses filosóficas consistem em proposiçõesuniversais.

   Exemplos de proposições universais afirmativas:
    Todos os mamíferos são animais.
    Qualquer obra de arte imita a realidade.

  A forma mais comum das proposições universais afirmativas é
Todos os A são B; a forma mais comum das universais negativas é
                         Nenhum A é B
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Proposições universais
   Muitas teses filosóficas consistem em proposições universais.

   Exemplos de proposições universais negativas:
    Nenhum mamífero tem penas.
    Nenhuma ideia é inata.

  A forma mais comum das proposições universais afirmativas é
Todos os A são B; a forma mais comum das universais negativas é
                         Nenhum A é B
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Proposições universais
    As proposições universais, sejam elas afirmativas ou
    negativas, envolvem condicionais:
    Exemplo:
     Nenhum mamífero tem penas.
     Para qualquer objeto X, se X é um mamífero, então não tem
     penas
  Quer uma quer outra afirmação significa que ter a propriedade de ser um
mamífero é condição suficiente para ter a propriedade de não ter penas (não ter
             penas é condição necessária para se ser mamífero)
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Proposições não universais
    Consideremos proposições que não são universais
     Algumas aves não voam.
     Algumas ideias são inatas.
     Sócrates era um filósofo.
     Lisboa é uma cidade antiga.

     As duas primeiras são particulares (uma negativa, a outra
afirmativa) por dizerem respeito só a algumas coisas, as outras são
         singulares por dizerem respeito a uma única coisa.
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Contraexemplos
   Na atividade filosófica discutem-se as teses propostas. Tentamos
   defender certas teses e refutar outras.
   Quando se pretende refutar uma tese que consiste numa
   proposição universal, uma forma de o fazer é apresentar
   contraexemplos

   Um contraexemplo é um caso particular que contraria uma
   proposição universal.
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Contraexemplos
   Como se faz para apresentar um contraexemplo a uma proposição
   universal afirmativa com a forma “Todos os A são B”?
   Resposta: Indica-se algo que é A, mas que não é B.
  Suponhamos que queremos refutar a afirmação: “Todas as obras de
  arte imitam a realidade”. Como apresentamos o contraexemplo?

    Resposta: Uma sinfonia ou uma pintura abstrata podem servir de
    contraexemplos a esta afirmação, já que estes objetos são obras
    de arte, mas, aparentemente, não imitam a realidade.
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Contraexemplos
   Como se faz para apresentar um contraexemplo a uma proposição
   universal negativa com a forma “Nenhum A é B”?
   Resposta: Indica-se algo que é A, mas que também é B.
  Suponhamos que queremos refutar a afirmação: “Nenhuma obra de
  arte imita a realidade”. Como apresentamos o contraexemplo?

    Resposta: Um retrato ou um romance histórico podem servir de
    contraexemplos a esta afirmação, pois estes objetos são obras
    de arte, mas pretendem imitar a realidade e, aparentemente, é o
    que fazem.
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Contraexemplos
   Será possível refutar uma proposição particular com
   contraexemplos?
   Resposta: Não. As proposições particulares não são
   contrariadas por contraexemplos.


   Porquê?
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Consistência
    As proposições estão relacionadas entre si de várias formas. Uma
    das relações mais importantes é a de consistência. O termo
    “coerência” também é usado para referir esta relação.

    Um conjunto de proposições é consistente se, e apenas se, é
    possível que todas sejam verdadeiras


  Quando se diz que “é possível que todas as proposições sejam
verdadeiras” não se quer dizer que o sejam, mas que nenhuma das
  proposições consideradas contraria ou falsifica outra qualquer.
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Consistência
   As seguintes proposições formam um conjunto inconsistente:

   As sinfonias de Beethoven não imitam a realidade.
   Todas as obras de arte imitam a realidade.
   As sinfonias de Beethoven são obras de arte.
   Estas proposições são logicamente incompatíveis entre si. Não precisamos
   de saber nada a respeito de Beethoven, sobre sinfonias ou sobre obras de
     arte para concluir que é impossível que todas estas proposições sejam
               verdadeiras. Pelo menos uma delas tem de ser falsa.
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Consistência
   Quem defende teses inconsistentes está de certeza enganado em
   algum aspeto, pois pelo menos uma dessas teses é falsa.
   No entanto:
  Se um conjunto de proposições é consistente, isso não
  garante que alguma delas seja verdadeira.
   A consistência garante a possibilidade de verdade, mas não a verdade das
   proposições. Podemos ter conjuntos consistentes constituídos apenas por
     proposições falsas. As hipóteses numa investigação científica são um
   exemplo de conjuntos de proposições consistentes que ainda é necessário
                          verificar se são verdadeiras.
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Competências relativas a Teses

   1. – Identificar teses e teorias que sejam respostas a problemas
   filosóficos
   2. – Reconhecer o alcance e os limites de teses e teorias
   3. – Formular teses que constituam ou se integrem em teorias
   filosóficas
   4. – Comparar teses relativas a um mesmo problema filosófico.
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1. – Identificar teses e teorias que sejam
respostas a problemas filosóficos
    Identificar uma tese é reconhecer a proposição que está a ser
    defendida
    Quando se diz “Neste texto, o autor defende que a ética é
    relativa à sociedade”, está-se a identificar a tese no texto em
    questão.
   Pergunta a fazer: “O que está o autor a tentar defender neste
   texto”?
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2. – Reconhecer o alcance e os limites de
teses e teorias
    Para reconhecer o alcance – e assim, os limites – de uma
    tese, importa perceber o problema ou problemas a que pode
    responder.
    Por exemplo, a tese de que a existência de Deus é compatível
    com o mal é uma das respostas possíveis ao problema do mal.
    No entanto, não responde ao problema da própria existência de
    Deus.
   Pergunta a fazer: “Que problemas são resolvidos e que
   problemas não são; que novos problemas levanta”?
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3. – Formular teses que constituam ou se
integrem em teorias filosóficas
    É preciso ser capaz de formular, com clareza e rigor, as teses
    mais importantes em discussão.
   Por exemplo, se o problema for o da “origem do
   conhecimento”, é preciso não só saber reconhecer:
   1. Que o racionalismo e o empirismo são duas respostas rivais
      a este problema;
   2. Mas também saber explicar corretamente o que caracteriza
      cada uma das respostas.
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4. – Comparar teses relativas a um mesmo
problema filosófico.
    Comparar teses distintas relativas a um problema filosófico
    consiste em mostrar como elas se relacionam logicamente
    entre si
   Por exemplo, dizer que o racionalismo e o empirismo são
   inconsistentes entre si é dizer que entre estas teses existe uma
   relação lógica de incompatibilidade.
   Existem outras relações entre teses:
    Uma pode ser mais geral do que outra;
    Uma pode apoiar outra, etc.
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Conceitos
As proposições são constituídas por conceitos.

Por exemplo: a proposição “Os
mamíferos são animais” inclui os
conceitos de “mamífero” e de
“animal”.
Que conceitos estão incluídos na
proposição “O conhecimento
científico é incerto”?
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Termos e Conceitos
Do mesmo modo que usamos frases para
exprimir as proposições, usamos termos
para exprimir conceitos.


Os conceitos são os significados
dos termos
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Termos e Conceitos

   Se dois termos significam o mesmo, então exprimem os
   mesmo conceito
   Por exemplo, “encarnado” e “vermelho”

   Se um termo pode ter mais de um significado, então exprime
   mais de um conceito
   Por exemplo, “banco” como mobiliário ou como instituição
   financeira
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Definições

   A clarificação de conceitos é uma parte importante da atividade
   filosófica
   Por exemplo: “O que é o conhecimento?”

    Para elucidar o significado de um termo, recorre-se a
    definições
   Por exemplo, Uma pessoa é um ser racional, autónomo e
   consciente de si.
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Definições Explícitas

    Neste tipo de definições, estamos a dizer que o termo a definir
    (pessoa) significa o mesmo que outra expressão (ser
    racional, autónomo e consciente de si.)

   Para definir explicitamente C de uma forma correta, é preciso
   apresentar condições necessárias e suficientes para que algo
   seja C.
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Definições Explícitas

    Uma definição explícita é errada se aquilo que pretende definir
    se encontra na expressão definidora
   Por exemplo: “Um ato livre é aquele que realizamos livremente”

   Por exemplo: “A ciência é a investigação científica”

    Por exemplo: “As divindades são os seres divinos”
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Definições Explícitas
   Uma definição explícita é errada se a expressão definidora for
   mais obscura do que a que se pretende definir.
   Por exemplo: “Um ato livre é uma manifestação imediata da
   transcendência”
   Por exemplo: “As divindades são os fantasmas do inconsciente
   humano”
    De facto é mais difícil compreender o que é uma “manifestação imediata da
     transcendência” do que o que é um ato livre, do mesmo modo que não é
    nada claro o que se pode entender por “fantasmas do consciente humano”
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Argumentos
Os filósofos não se limitam a apresentar
teses em resposta aos problemas
colocados


Propõem também argumentos para
defender as teses em que acreditam.
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Premissas e Conclusão

   Argumentar a favor de uma tese é
   apresentar razões para a
   aceitarmos


   Por exemplo: “Os animais têm
   direitos porque são capazes de
   sofrer, e um ser tem direitos se tiver
   essa capacidade”
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Premissas e Conclusão

   A tese defendida no argumento anterior é a de que os animais
   têm direitos. Para justificar ou sustentar esta tese apresentam-
   se duas razões:
   1. Se um ser tem a capacidade de sofrer, então tem direitos;
   2. Os animais têm capacidade de sofrer.

   Logo, os animais têm direitos.
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Premissas e Conclusão

   A ordem pela qual se apresentam as premissas (as razões que
   sustentam a conclusão) é irrelevante; a conclusão surge no
   fim, precedida por logo ou pelo símbolo lógico ∴
   1. Se um ser tem a capacidade de sofrer, então tem direitos;
      (premissa)
   2. Os animais têm capacidade de sofrer. (premissa)
   Logo, os animais têm direitos. (conclusão)
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Avaliar Argumentos

   Nem todos os argumentos são bons ou sólidos (para usar o
   termo técnico)
   Um argumento é sólido se, e apenas se, (1) tiver premissas
      verdadeiras, (2) for válido.
   Um argumento é válido se, e apenas se, as premissas apoiam
   logicamente a conclusão
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Avaliar Argumentos

   Consideremos os seguintes argumentos:

   Todas as aves voam         Todos os seres vivos são animais
   Os pombos são aves         As árvores são seres vivos
   ∴ Os pombos voam           ∴ As árvores são animais

    Estes dois argumentos são válidos. As suas premissas apoiam
    a conclusão. Mas não são sólidos (não são bons argumentos).
                             Porquê?
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Avaliar Argumentos

    Consideremos os seguintes argumentos:

 Todos os mamíferos são animais    Todas as árvores são plantas
 As aves não são mamíferos         Todas as plantas são seres vivos
 ∴ Os gatos não são plantas        ∴ Todos os seres vivos são
                                       árvores
      Todas as premissas destes argumentos são verdadeiras. No
               entanto, nenhum deles é sólido. Porquê?
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Atenção!
Vai ser necessário fazer os
exercícios.

Consultar o “Moodle”




 JB, 2012

Filosofia Nº 1 - 11º Ano

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    FILOSOFIA – 11º Instrumentos e Competências (Revisão 10º Ano) Jorge Barbosa, 2012 Texto 1
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    FILOSOFIA – 11º 1.– PROBLEMAS A Filosofia é uma 1. - Exemplos atividade de discussão 2. - Competências de problemas. Se não percebermos ou se perdermos de vista os problemas que estão a ser discutidos, não conseguiremos compreender as matérias ou os autores estudados
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    FILOSOFIA – 11º Exemplosde Problemas filosóficos • O que é agir livremente? • Será que o bem e o mal dependem da sociedade? Nem todos os problemas filosóficos são • O que é o conhecimento? imediatamente compreensíveis e mesmo os que são precisam de ser • Será que Deus existe? esclarecidos. • Qual é o valor da arte? Por exemplo, quando perguntamos o que é o conhecimento, a que género de • O que têm de especial as teorias científicas? conhecimento nos estamos a referir? • O que é uma sociedade justa? Esclarecer os problemas a discutir é uma parte importante da atividade filosófica.
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    FILOSOFIA – 11º Competênciasrelativas a problemas 1. – Identificar problemas filosóficos 2. – Formular problemas filosóficos 3. – Relacionar problemas filosóficos 4. – Justificar a relevância de um problema filosófico Para identificar um problema, basta apontar a sua designação filosófica habitual. Formular um problema exige que o apresentemos com clareza e rigor.
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    FILOSOFIA – 11º Competênciasrelativas a problemas Tomemos como exemplo o chamado “problema do mal” Quando se afirma: “Este texto é sobre o problema do mal” Estamos a identificar o problema no texto Para o formular, poderíamos apresentá-lo de uma destas formas 1. - Se o poder de Deus não tem limites e Ele é sumamente bom, por que razão existe tanto mal no mundo? 2. – O problema do mal é a questão de saber se, num mundo em que há tanto mal, pode existir um ser omnipotente e sumamente bom
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    FILOSOFIA – 11º Competênciasrelativas a problemas Relacionar problemas é mostrar de que modo a forma como respondemos a um tem implicações para responder ao outro. Consideremos esta posição sobre o problema do mal: Se for verdade que a liberdade (ou livre-arbítrio) dos seres humanos implica a possibilidade de praticar o mal, então muito do mal que existe no mundo é uma consequência inevitável da nossa capacidade de agir livremente. Por isso, esse mal não é da responsabilidade de Deus
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    FILOSOFIA – 11º Competênciasrelativas a problemas Justificar a relevância de um problema filosófico consiste em: Apresentar razões que o tornem digno de atenção. Vejamos duas formas de justificar a relevância de um problema: 1. – O problema do mal é relevante porque, se não conseguirmos resolvê-lo, ficaremos com boas razões para não acreditar em Deus. 2. – O problema do mal tem importância, na medida em que nos leva a pensar na origem do mal e a procurar razões que o justifiquem
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    FILOSOFIA – 11º 2.– TESES As teses são respostas aos 1. - Frases e Proposições 2. – Proposições condicionais problemas. Podemos também usar termos como 3. – Proposições universais “teorias” ou “perspetivas” 4. – Contraexemplos para nos referirmos às 5. – Consistência teses Uma das características da filosofia é a ausência de respostas consensuais para os problemas discutidos.
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    FILOSOFIA – 11º Seestivermos a discutir a existência de Deus, que teses poderemos formular? Resposta: As teses mais importantes costumam A. Deus existe ser designadas por “ismos”. B. Deus não existe As teses A, B e C correspondem C. Não sabemos se Deus existe respetivamente ao “teísmo”, ao “ateísmo”, e ao “agnosticismo”. Não devemos usar os “ismos” sem saber exatamente que tese designam.
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    FILOSOFIA – 11º Frasese Proposições As teses são proposições ou conjuntos de proposições. Uma proposição é aquilo que é expresso por uma frase declarativa que tem valor de verdade As frases que não são declarativas, como as perguntas e as ordens, não exprimem proposições. Uma frase exprime uma proposição, se, além de ser declarativa, fizer sentido classificá-la como verdadeira ou como falsa.
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    FILOSOFIA – 11º Asfrases com valor de verdade são aquelas que são verdadeiras ou falsas, mesmo que não saibamos se são uma coisa ou outra. As frases seguintes não exprimem proposições: • Abre a porta. Perguntar pelo valor de verdade de • A porta está aberta? uma frase ou da proposição que ela exprime é o mesmo que perguntar se • Não abras a porta. ela é verdadeira ou falsa. As teses são proposições ou conjuntos de proposições
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    FILOSOFIA – 11º Asfrases com valor de verdade são aquelas que são verdadeiras ou falsas, mesmo que não saibamos se são uma coisa ou outra. As frases seguintes exprimem proposições: • A porta está aberta. Perguntar pelo valor de verdade de • A porta não está aberta. uma frase ou da proposição que ela exprime é o mesmo que perguntar se • Se a porta está aberta, então ela é verdadeira ou falsa. alguém a abriu As teses são proposições ou conjuntos de proposições
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    FILOSOFIA – 11º Asfrases são a expressão linguística das proposições. Para clarificar a relação entre frase e proposição, devemos ter em atenção o seguinte: As frases “Lisboa fica a sul do Porto” e 1. Se duas frases diferentes significam o “O Porto fica a norte de Lisboa” mesmo, então exprimem a mesma exprimem a mesma proposição proposição 2. Se uma frase pode significar coisas A frase “Joana viu o Miguel com os diferentes, então pode exprimir binóculos” pode exprimir duas proposições diferentes proposições. Quais? As teses são proposições ou conjuntos de proposições
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõescondicionais Algumas teses filosóficas consistem em proposições condicionais. Exemplos de proposições condicionais: Se está a chover, então o chão está molhado. Se os animais não têm deveres, então não têm direitos. Todas as proposições condicionais podem ser expressas por frases com a forma “Se P, então Q”. No lugar de “P” e de “Q” encontramos também proposições.
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    FILOSOFIA – 11º Todasas proposições condicionais podem ser expressas por frases com a forma “Se P, então Q”. No lugar de “P” e de “Q” encontramos também proposições. A proposição condicional Se está a chover, então o chão está molhado é constituída pelas duas proposições expressas pelas frases está a chover e o chão está molhado . Numa frase com a forma “Se P, então Q”, a primeira proposição “P” é a antecedente, e a segunda proposição “Q” é a consequente.
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    FILOSOFIA – 11º 1.Numa proposição condicional, a antecedente é uma condição suficiente para a consequente. Na proposição condicional Se está a chover, então o chão está molhado, significa que estar a chover é uma condição suficiente para o chão estar molhado. 2. Numa proposição condicional, a consequente é uma condição necessária para a antecedente. Na proposição condicional Se está a chover, então o chão está molhado, é preciso que seja verdade que o chão está molhado, para que também seja verdade que está a chover.
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    FILOSOFIA – 11º Vejamosas seguintes proposições condicionais: 1. Se está a chover, então o chão está molhado. 2. Se o chão está molhado, então está a chover. Estas duas proposições condicionais são iguais? Não. São duas proposições diferentes. A primeira diz-nos que chover é condição suficiente para que o chão esteja molhado A segunda diz-nos que chover é condição necessária para que o chão esteja molhado.
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesbicondicionais 1. Se está a chover, então o chão está molhado. 2. Se o chão está molhado, então está a chover. Se estas duas proposições forem verdadeiras, então: A proposição “está a chover” é condição necessária e suficiente para “o chão está molhado” Para transformar as duas numa só proposição, devemos dizer: Está a chover se, e apenas se, o chão está molhado
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesbicondicionais As proposições bicondicionais podem ser expressas por frases com a forma “P se, e apenas se, Q” As bicondicionais são condicionais que funcionam nos dois sentidos. As duas proposições relacionadas numa bicondicional não são designadas de “antecedente” e “consequente” Numa proposição bicondicional, estabelece-se uma relação de equivalência entre as duas proposições que a constituem: cada uma delas é uma condição necessária e suficiente para a outra.
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesbicondicionais Se quisermos apresentar a tese segundo a qual os alunos só passam de ano se estudarem todos os dias, utilizando duas proposições equivalentes (proposição bicondicional), como devemos formulá- la numa forma lógica? Resposta: Os alunos passam de ano se, e apenas se, estudarem todos os dias. Se esta proposição for verdadeira, será que podemos dizer que “se os alunos estudarem todos os dias” é garantido que passam de ano? Resposta: Sim, porque cada uma das proposições é considerada necessária e suficiente para a outra.
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesuniversais Muitas teses filosóficas consistem em proposiçõesuniversais. Exemplos de proposições universais afirmativas: Todos os mamíferos são animais. Qualquer obra de arte imita a realidade. A forma mais comum das proposições universais afirmativas é Todos os A são B; a forma mais comum das universais negativas é Nenhum A é B
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesuniversais Muitas teses filosóficas consistem em proposições universais. Exemplos de proposições universais negativas: Nenhum mamífero tem penas. Nenhuma ideia é inata. A forma mais comum das proposições universais afirmativas é Todos os A são B; a forma mais comum das universais negativas é Nenhum A é B
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesuniversais As proposições universais, sejam elas afirmativas ou negativas, envolvem condicionais: Exemplo: Nenhum mamífero tem penas. Para qualquer objeto X, se X é um mamífero, então não tem penas Quer uma quer outra afirmação significa que ter a propriedade de ser um mamífero é condição suficiente para ter a propriedade de não ter penas (não ter penas é condição necessária para se ser mamífero)
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    FILOSOFIA – 11º Proposiçõesnão universais Consideremos proposições que não são universais Algumas aves não voam. Algumas ideias são inatas. Sócrates era um filósofo. Lisboa é uma cidade antiga. As duas primeiras são particulares (uma negativa, a outra afirmativa) por dizerem respeito só a algumas coisas, as outras são singulares por dizerem respeito a uma única coisa.
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    FILOSOFIA – 11º Contraexemplos Na atividade filosófica discutem-se as teses propostas. Tentamos defender certas teses e refutar outras. Quando se pretende refutar uma tese que consiste numa proposição universal, uma forma de o fazer é apresentar contraexemplos Um contraexemplo é um caso particular que contraria uma proposição universal.
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    FILOSOFIA – 11º Contraexemplos Como se faz para apresentar um contraexemplo a uma proposição universal afirmativa com a forma “Todos os A são B”? Resposta: Indica-se algo que é A, mas que não é B. Suponhamos que queremos refutar a afirmação: “Todas as obras de arte imitam a realidade”. Como apresentamos o contraexemplo? Resposta: Uma sinfonia ou uma pintura abstrata podem servir de contraexemplos a esta afirmação, já que estes objetos são obras de arte, mas, aparentemente, não imitam a realidade.
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    FILOSOFIA – 11º Contraexemplos Como se faz para apresentar um contraexemplo a uma proposição universal negativa com a forma “Nenhum A é B”? Resposta: Indica-se algo que é A, mas que também é B. Suponhamos que queremos refutar a afirmação: “Nenhuma obra de arte imita a realidade”. Como apresentamos o contraexemplo? Resposta: Um retrato ou um romance histórico podem servir de contraexemplos a esta afirmação, pois estes objetos são obras de arte, mas pretendem imitar a realidade e, aparentemente, é o que fazem.
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    FILOSOFIA – 11º Contraexemplos Será possível refutar uma proposição particular com contraexemplos? Resposta: Não. As proposições particulares não são contrariadas por contraexemplos. Porquê?
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    FILOSOFIA – 11º Consistência As proposições estão relacionadas entre si de várias formas. Uma das relações mais importantes é a de consistência. O termo “coerência” também é usado para referir esta relação. Um conjunto de proposições é consistente se, e apenas se, é possível que todas sejam verdadeiras Quando se diz que “é possível que todas as proposições sejam verdadeiras” não se quer dizer que o sejam, mas que nenhuma das proposições consideradas contraria ou falsifica outra qualquer.
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    FILOSOFIA – 11º Consistência As seguintes proposições formam um conjunto inconsistente: As sinfonias de Beethoven não imitam a realidade. Todas as obras de arte imitam a realidade. As sinfonias de Beethoven são obras de arte. Estas proposições são logicamente incompatíveis entre si. Não precisamos de saber nada a respeito de Beethoven, sobre sinfonias ou sobre obras de arte para concluir que é impossível que todas estas proposições sejam verdadeiras. Pelo menos uma delas tem de ser falsa.
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    FILOSOFIA – 11º Consistência Quem defende teses inconsistentes está de certeza enganado em algum aspeto, pois pelo menos uma dessas teses é falsa. No entanto: Se um conjunto de proposições é consistente, isso não garante que alguma delas seja verdadeira. A consistência garante a possibilidade de verdade, mas não a verdade das proposições. Podemos ter conjuntos consistentes constituídos apenas por proposições falsas. As hipóteses numa investigação científica são um exemplo de conjuntos de proposições consistentes que ainda é necessário verificar se são verdadeiras.
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    FILOSOFIA – 11º Competênciasrelativas a Teses 1. – Identificar teses e teorias que sejam respostas a problemas filosóficos 2. – Reconhecer o alcance e os limites de teses e teorias 3. – Formular teses que constituam ou se integrem em teorias filosóficas 4. – Comparar teses relativas a um mesmo problema filosófico.
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    FILOSOFIA – 11º 1.– Identificar teses e teorias que sejam respostas a problemas filosóficos Identificar uma tese é reconhecer a proposição que está a ser defendida Quando se diz “Neste texto, o autor defende que a ética é relativa à sociedade”, está-se a identificar a tese no texto em questão. Pergunta a fazer: “O que está o autor a tentar defender neste texto”?
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    FILOSOFIA – 11º 2.– Reconhecer o alcance e os limites de teses e teorias Para reconhecer o alcance – e assim, os limites – de uma tese, importa perceber o problema ou problemas a que pode responder. Por exemplo, a tese de que a existência de Deus é compatível com o mal é uma das respostas possíveis ao problema do mal. No entanto, não responde ao problema da própria existência de Deus. Pergunta a fazer: “Que problemas são resolvidos e que problemas não são; que novos problemas levanta”?
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    FILOSOFIA – 11º 3.– Formular teses que constituam ou se integrem em teorias filosóficas É preciso ser capaz de formular, com clareza e rigor, as teses mais importantes em discussão. Por exemplo, se o problema for o da “origem do conhecimento”, é preciso não só saber reconhecer: 1. Que o racionalismo e o empirismo são duas respostas rivais a este problema; 2. Mas também saber explicar corretamente o que caracteriza cada uma das respostas.
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    FILOSOFIA – 11º 4.– Comparar teses relativas a um mesmo problema filosófico. Comparar teses distintas relativas a um problema filosófico consiste em mostrar como elas se relacionam logicamente entre si Por exemplo, dizer que o racionalismo e o empirismo são inconsistentes entre si é dizer que entre estas teses existe uma relação lógica de incompatibilidade. Existem outras relações entre teses:  Uma pode ser mais geral do que outra;  Uma pode apoiar outra, etc.
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    FILOSOFIA – 11º Conceitos Asproposições são constituídas por conceitos. Por exemplo: a proposição “Os mamíferos são animais” inclui os conceitos de “mamífero” e de “animal”. Que conceitos estão incluídos na proposição “O conhecimento científico é incerto”?
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    FILOSOFIA – 11º Termose Conceitos Do mesmo modo que usamos frases para exprimir as proposições, usamos termos para exprimir conceitos. Os conceitos são os significados dos termos
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    FILOSOFIA – 11º Termose Conceitos Se dois termos significam o mesmo, então exprimem os mesmo conceito Por exemplo, “encarnado” e “vermelho” Se um termo pode ter mais de um significado, então exprime mais de um conceito Por exemplo, “banco” como mobiliário ou como instituição financeira
  • 40.
    FILOSOFIA – 11º Definições A clarificação de conceitos é uma parte importante da atividade filosófica Por exemplo: “O que é o conhecimento?” Para elucidar o significado de um termo, recorre-se a definições Por exemplo, Uma pessoa é um ser racional, autónomo e consciente de si.
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    FILOSOFIA – 11º DefiniçõesExplícitas Neste tipo de definições, estamos a dizer que o termo a definir (pessoa) significa o mesmo que outra expressão (ser racional, autónomo e consciente de si.) Para definir explicitamente C de uma forma correta, é preciso apresentar condições necessárias e suficientes para que algo seja C.
  • 42.
    FILOSOFIA – 11º DefiniçõesExplícitas Uma definição explícita é errada se aquilo que pretende definir se encontra na expressão definidora Por exemplo: “Um ato livre é aquele que realizamos livremente” Por exemplo: “A ciência é a investigação científica” Por exemplo: “As divindades são os seres divinos”
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    FILOSOFIA – 11º DefiniçõesExplícitas Uma definição explícita é errada se a expressão definidora for mais obscura do que a que se pretende definir. Por exemplo: “Um ato livre é uma manifestação imediata da transcendência” Por exemplo: “As divindades são os fantasmas do inconsciente humano” De facto é mais difícil compreender o que é uma “manifestação imediata da transcendência” do que o que é um ato livre, do mesmo modo que não é nada claro o que se pode entender por “fantasmas do consciente humano”
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    FILOSOFIA – 11º Argumentos Osfilósofos não se limitam a apresentar teses em resposta aos problemas colocados Propõem também argumentos para defender as teses em que acreditam.
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    FILOSOFIA – 11º Premissase Conclusão Argumentar a favor de uma tese é apresentar razões para a aceitarmos Por exemplo: “Os animais têm direitos porque são capazes de sofrer, e um ser tem direitos se tiver essa capacidade”
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    FILOSOFIA – 11º Premissase Conclusão A tese defendida no argumento anterior é a de que os animais têm direitos. Para justificar ou sustentar esta tese apresentam- se duas razões: 1. Se um ser tem a capacidade de sofrer, então tem direitos; 2. Os animais têm capacidade de sofrer. Logo, os animais têm direitos.
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    FILOSOFIA – 11º Premissase Conclusão A ordem pela qual se apresentam as premissas (as razões que sustentam a conclusão) é irrelevante; a conclusão surge no fim, precedida por logo ou pelo símbolo lógico ∴ 1. Se um ser tem a capacidade de sofrer, então tem direitos; (premissa) 2. Os animais têm capacidade de sofrer. (premissa) Logo, os animais têm direitos. (conclusão)
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    FILOSOFIA – 11º AvaliarArgumentos Nem todos os argumentos são bons ou sólidos (para usar o termo técnico) Um argumento é sólido se, e apenas se, (1) tiver premissas verdadeiras, (2) for válido. Um argumento é válido se, e apenas se, as premissas apoiam logicamente a conclusão
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    FILOSOFIA – 11º AvaliarArgumentos Consideremos os seguintes argumentos: Todas as aves voam Todos os seres vivos são animais Os pombos são aves As árvores são seres vivos ∴ Os pombos voam ∴ As árvores são animais Estes dois argumentos são válidos. As suas premissas apoiam a conclusão. Mas não são sólidos (não são bons argumentos). Porquê?
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    FILOSOFIA – 11º AvaliarArgumentos Consideremos os seguintes argumentos: Todos os mamíferos são animais Todas as árvores são plantas As aves não são mamíferos Todas as plantas são seres vivos ∴ Os gatos não são plantas ∴ Todos os seres vivos são árvores Todas as premissas destes argumentos são verdadeiras. No entanto, nenhum deles é sólido. Porquê?
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    FILOSOFIA – 11º Atenção! Vaiser necessário fazer os exercícios. Consultar o “Moodle” JB, 2012