Boaventura de Sousa Santos
Ivanilde Apoluceno de Oliveira
Maria Betânia Albuquerque
Mestranda: Gabriela C. Faval (Fotos: Sebastião Salgado)
Publicações em globalização, sociologia do direito
epistemologia, democracia e DH
Impulsiona o Fórum Social Mundial
Coord. Científico do Observatório Permanente da
Justiça Portuguesa
Dirige o Projeto “Alice – Espelhos estranhos, lições
imprevistas
http://www.boaventuradesousasantos.pt/pages/pt/homepage.php
• 15 de Novembro de 1940
• Licenciado em Direito
• Pós-graduação Filosofia do Direito (Berlim)
• Doutorado em Yale
• Fez investigação no Brasil, em Cabo Verde,
Macau, Moçambique, África do Sul, Colômbia,
Bolívia, Equador e Índia.
Pensamento
Abissal
Conhecimento
como emancipação
(Ponto de ignorância – colonialismo) (Ponto de conhecimento – solidariedade)
RAZÃO INDOLENTE:
• Razão Metonímica
 ECOLOGIA DE SABERES
 TRADUÇÃO INTERCULTURAL
Convergem na busca de
Epistemologias do Sul
Se opõe a logica da
monocultura do conhecimento e
do rigor científicos, e identifica
outros saberes e critérios de
rigor e validez que operam de
forma crível em praticas sociais
que a razão metonímica declara
não existentes.
Sociologia das Ausências
Toda ignorância é de um
determinado tipo de conhecimento,
e todo conhecimento é a superação
de uma ignorância particular.
Marx
É a crítica mais
convincente e
emancipadora do
capitalismo enquanto
modo de produção
colonialismo
patriarcado
análise marxista é muito
insuficiente e, por vezes,
equivocada ou totalmente
ausente
Freire
Pedagogia
do Oprimido
A dialética não é mais entre saber e
ignorância mas antes entre saberes
distintos onde todos aprendem ensinando
e, portanto, onde todos são educadores.
Limites externos
Limites internos
Saber científico Ecologia de Saberes
Restrições que são consequência do que
ainda não se sabe, mas, por um
determinado tipo de conhecimento, pode-
se saber
O que não se sabe nem se pode saber
mediante um determinado tipo de
conhecimento (Filosofia africana)
implicam reconhecer intervenções
alternativas que só são possíveis
com outros tipos de conhecimento
A ecologia dos saberes se centra nas relações concretas entre os saberes e nas hierarquias e forças
que se geram entre eles, questiona quais são as hierarquias e forças abstratas que a historia, por meio deles,
naturalizou
1. Abandono à concepção linear do tempo – Copresença radical
2. Resposta à Razão Indolente – desperdício da experiência.
3. Contraepistemologia que articula o cognitivo e o político
4. O saberes são incompletos e de utilidades específicas aos objetivos
5. Se constrói ao longo da caminhada, sem receitas prontas.
6. Não é uma estratégia epistemológica ou política para dialogar com os opressores, mas para
criar força entre os oprimidos.
6. Propõe / requer a fratura dos conhecimentos científicos
7. Opõe-se a comercialização da academia
8. É a maneira que grupos sociais amplos representam o mundo como seu. Um mundo que lhes
pertence e sobre o qual eles têm possibilidade de mudar. (SANTOS, 2014)
“A ecologia de saberes é um processo coletivo de produção de
conhecimentos que visa reforçar as lutas pela emancipação social.”
(SANTOS, 2014)
Neste domínio as dificuldades são
acrescidas porque cada
movimento tem sua autonomia,
para se organizar, ver quais são
suas estratégias. Isso é realpolitik.
1. Não se realiza nos gabinetes das universidades ou dos movimentos, mas nas
oficinas das UPMS – dialógica
2. É uma “minga” – deve-se saber escutar profundamente
• Cientistas sociais que integram as oficinas
• Líderes de MS com formação acadêmica
• Uso de linguagem incompreensível
3. Estabelecer “acordos de convivência”
4. “Processo algo anárquico” (SANTOS)
5. Não pode ocultar as “contradições secundárias”
6. Incluir outros movimentos e outros saberes transversais.
“Estão tentando nos dividir, temos que nos reencontrar.”
(Entrevista dada à TEMPUS, 2014)
Poderes sociais que emergem da nova constitucionalidade que cria dualidades:
1. De Saberes: hegemônico eurocêntrico x popular das autonomias indígenas
2. De Poderes: colonial (agricultura capitalista) x decolonial (reforma agrária)
3. Econômica: desenvolvimento extrativista (capitalista) x Bem Viver
4. Plurinacionalidade x concepção colonial do Estado eurocêntrico
As várias ecologias:
1. De saberes
2. Das temporalidades
3. Dos reconhecimentos
4. Das transescalas
5. Das produtividades
“Cero de coca es lo mismo que
cero de quechuas, es lo mismo
que cero de aymaras. La coca es
economía y cultura ancestral.”
(Evo Morales. SANTOS, entrevista à revista Tempus, 2014)
Coord. do Núcleo de Ed. Popular Paulo Freire / UEPA
Coord. da Cátedra Paulo Freire na Amazônia (EJA, Inclusão,
Ed. Popular)
É Pesquisadora do Observatório Nacional de Educação
Especial, da Rede Freireana de Pesquisadores, da Rede
Luso-brasileira de Alfabetização de Jovens e Adultos e da
Rede Interculturalidade e Movimentos Sociais - Rede Mover
• Graduada em Filosofia pela UFPA
• Realizou mestrado em Educação Popular na UFPB
• Doutorado sanduiche na UNAM e UAM-Iztapalapa
no México
• Concluiu o doutorado em Educação (Currículo) pela
PUC-SP
• Pós-doutoramento em educação na PUC-RJ
Coordenadora do Grupo de Pesquisa em História da
Educação na Amazônia (GHEDA)
Pesquisadora da Linha de Pesquisa: Saberes Culturais e
Educação na Amazônia
Livros: ABC do Santo Daime (2007); Padrinho Sebastião:
Máximas de um filósofo da floresta (2009); Epistemologia
e Saberes da Ayahuasca (2011) e Beberagens Indígenas e
Educação não escolar no Brasil colonial (2012).
• 01 de maio de 1968 – Óbidos
• Graduada em Pedagogia (UFPA)
• Especialista em Filosofia Contemporânea (UFPA)
• Mestre em Educação pela UFMG
• Doutora em Educação (PUC/SP)
• Pós-Doutoramento pelo Centro de Estudos Sociais
da Universidade de Coimbra (CES-Portugal)
1990 – mudanças em
relação aos povos indígenas
Educação
escolar indígena
Políticas de
educação escolar
Visava superar o modelo educacional
integracionista existente.
Necessidade de
transformar a Educação
Educação do índio
Denotava
Outro olhar para a escola
Deixa de ser: espaço de
socialização do saber
sistematizado dominante
Para ser: espaço de diálogo
entre culturas e saberes
antes dicotomizados
“Sujeitos outros,
pedagogias outras”
Pluralismo cultural
Inclusão
EJA
Educ. Indígena
Gerou dicotomias
excludentes
Ecologia de saberes:
•Produtor de cultura
•Focada em ações/experiências
cotidianas
“Cultura de conversa” (OLIVEIRA; MOTA NETO, 2004)
“Deve ser pensada e deve ser praticada como
um cenário multifocal de experiências culturais
de trocas de vivências destinadas à criação
entre-nós de saberes e à partilha da experiência
do exercício inacabável de aprender.”
(BRANDÃO, 2002a, p.76).
Cotidiano como centro
Superar representações
discriminatórias
Superar práticas históricas de
exclusão
Superar o paradigma escolar
dominante
Trata-se de reinventar a escola no sentido de
superar a educação conteudista e silenciadora
das vozes dos excluídos e ampliar a noção de
cultura para além da visão que a reduz aos
livros e museus.
(FREIRE, 1989)
Superar o conflito entre saber
científico e saber cotidiano indígena
Garantir o multilinguismo e a
etnicidade
Europa se apresenta como «o mundo»
humano por excelência, constituindo-se o
mundo dos outros (as demais culturas) a
«barbárie», a «marginalidade», o «não-ser».
(DUSSEL, 1994)
• Culpado pela sua inferioridade
• Sujeito moderno é inocente do mal que causa
• O sofrimento é um mal necessário
O índio não foi descoberto como Outro e sim como
«o mesmo» - “en-coberto” como mesmo e “des-
coberto” como outro
R
E
F
O
R
Ç
A
Superar a postura histórica que sempre a
atrelou ao conhecimento erudito
distanciada dos
saberes do cotidiano
silenciadora das práticas e processos
de formação humana que se
inscrevem dentro de outras lógicas
R
E
Q
U
E
R
Romper a visão eurocêntrica
Reconhecer uma episteme no
saber dos indígenas
Refletir sobre o lugar ocupado pelo pensamento
indígena no campo filosófico-educacional
Sobre o ensino de filosofia nas escolas indígenas
P
R
E
S
S
U
P
Õ
E
A filosofia não pode ser pensada fora de seu solo o qual, não é, contudo,
apenas uma fronteira geográfica. Ele é uma delimitação identitária.
SIDEKUM: tem como questão fundante o
reconhecimento de sua verdadeira
condição e de seus modos de pensar
ESTERMANN: (andina)pensar dialético sobre o
mundo – entes inter-relacionados
IRARRAZAVAL: (andina) o “outro” permanece
“outro” nas relações (sentimento e
sensibilidade na relação com o cosmo)
VIVEIROS DE CASTRO: (perspectiva ameríndia)
não usa a oposição mas a prolongação
de um mundo em outro (o espírito
permeia todo corpo vivo) – Sabedoria
ecosófica.
ELSJE LAGROU: relação homem-natureza é
orgânica (divindade presente em tudo)
• Reconhece uma mestiçagem entre sujeitos e objetos
• A humanidade é a condição primeira do universo
• Pensa em continuidade e não dicotomia
• Funda-se no animismo (tudo tem alma)
• Admite a dimensão social das relações entre
humanos e não-humanos
A diferença está no corpo. A ideia de
corpo, contudo, não se restringe a
diferenças fisiológicas. Trata-se de “um
conjunto de maneiras ou modos de ser
que constituem um hábitus.
(VIVEIROS DE CASTRO, 2002)
“A filosofia como exercício do pensamento, que se pretende crítico, autônomo e
criativo, se configura como campo de saber, capaz de possibilitar às comunidades
indígenas o próprio questionamento da Razão ocidental, que a todo custo tenta
expropriar as razões do outro impondo a sua própria como única e legítima.”
“O estudo da filosofia nas escolas indígenas deveria incluir o estudo analítico dos
modos de pensar indígenas, das categorias que tais comunidades constroem para dar
sentido ao mundo e nele perpetuar-se, bem como as diferentes linguagens e
simbologias nas quais uma parcela historicamente significativa de pessoas que
habita este país enfrenta o mundo e os desafios da vida cotidiana.”
(OLIVEIRA; ALBUQUERQUE, 2010, p.12)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARROYO, Miguel G. Outros sujeitos, outras pedagogias. Petrópolis-RJ: Vozes, 2012.
KARNEIRO, Fernando Ferreira (et al). A práxis da ecologia de saberes: entrevista com Boaventura de Sousa Santos. Revista
Tempus - UNB. Coletânea Actas de Saúde. Brasília (8): 2014, p. 331 – 338) Disponível em:
http://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/1530 Acessada em: 27/04/2019
SANTOS, Boaventura de Sousa. Ecologia de Saberes. (Cap. 3). In: A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São
Paulo: Cortez, 2006 9p. 137 a 165)
_________________________. UPMS / Alice (vídeo). Encontro de Ecologia de Saberes. Série Com a Palavra – OBSI/OBTEIA,
Fortaleza-CE: Aicó Cultura, 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=R1HAyIJ0TGw&t=7s Acessado em:
27/04/2019.
_________________________. Ponencia “Asuntos epistemológicos y políticos em las nuevas convergências” (vídeo). Congreso
IAP em Cartagena. Colombia: 2017. Disponível em: http://kaired.org.co/archivo/3132 Acessado em: 26/04/2019.
_________________________. De las dualidades a laa ecologias. Serie Cuaderno de Trabajos 18. La Paz-Bolívia: REMTE, 2018.
Disponível em: http://www.boaventuradesousasantos.pt/media/cuaderno%2018.pdf Acessado em: 26/04/2019.
OLIVEIRA, Ivanilde Apoluceno de; ALBUQUERQUE, Maria Betânia. Filosofia, cultrua e educação indígena. In: HENNING, Leoni
Maria. Pesquisa, ensino e extensão no campo filosófico-educacional: debate contemporâneo sobre a educação filosófica.
Londrina: EDUEL, 2010.

Epistemologias da Educação

  • 1.
    Boaventura de SousaSantos Ivanilde Apoluceno de Oliveira Maria Betânia Albuquerque Mestranda: Gabriela C. Faval (Fotos: Sebastião Salgado)
  • 2.
    Publicações em globalização,sociologia do direito epistemologia, democracia e DH Impulsiona o Fórum Social Mundial Coord. Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa Dirige o Projeto “Alice – Espelhos estranhos, lições imprevistas http://www.boaventuradesousasantos.pt/pages/pt/homepage.php • 15 de Novembro de 1940 • Licenciado em Direito • Pós-graduação Filosofia do Direito (Berlim) • Doutorado em Yale • Fez investigação no Brasil, em Cabo Verde, Macau, Moçambique, África do Sul, Colômbia, Bolívia, Equador e Índia.
  • 3.
    Pensamento Abissal Conhecimento como emancipação (Ponto deignorância – colonialismo) (Ponto de conhecimento – solidariedade) RAZÃO INDOLENTE: • Razão Metonímica  ECOLOGIA DE SABERES  TRADUÇÃO INTERCULTURAL Convergem na busca de Epistemologias do Sul Se opõe a logica da monocultura do conhecimento e do rigor científicos, e identifica outros saberes e critérios de rigor e validez que operam de forma crível em praticas sociais que a razão metonímica declara não existentes. Sociologia das Ausências Toda ignorância é de um determinado tipo de conhecimento, e todo conhecimento é a superação de uma ignorância particular.
  • 4.
    Marx É a críticamais convincente e emancipadora do capitalismo enquanto modo de produção colonialismo patriarcado análise marxista é muito insuficiente e, por vezes, equivocada ou totalmente ausente Freire Pedagogia do Oprimido A dialética não é mais entre saber e ignorância mas antes entre saberes distintos onde todos aprendem ensinando e, portanto, onde todos são educadores. Limites externos Limites internos Saber científico Ecologia de Saberes Restrições que são consequência do que ainda não se sabe, mas, por um determinado tipo de conhecimento, pode- se saber O que não se sabe nem se pode saber mediante um determinado tipo de conhecimento (Filosofia africana) implicam reconhecer intervenções alternativas que só são possíveis com outros tipos de conhecimento A ecologia dos saberes se centra nas relações concretas entre os saberes e nas hierarquias e forças que se geram entre eles, questiona quais são as hierarquias e forças abstratas que a historia, por meio deles, naturalizou
  • 5.
    1. Abandono àconcepção linear do tempo – Copresença radical 2. Resposta à Razão Indolente – desperdício da experiência. 3. Contraepistemologia que articula o cognitivo e o político 4. O saberes são incompletos e de utilidades específicas aos objetivos 5. Se constrói ao longo da caminhada, sem receitas prontas. 6. Não é uma estratégia epistemológica ou política para dialogar com os opressores, mas para criar força entre os oprimidos. 6. Propõe / requer a fratura dos conhecimentos científicos 7. Opõe-se a comercialização da academia 8. É a maneira que grupos sociais amplos representam o mundo como seu. Um mundo que lhes pertence e sobre o qual eles têm possibilidade de mudar. (SANTOS, 2014) “A ecologia de saberes é um processo coletivo de produção de conhecimentos que visa reforçar as lutas pela emancipação social.” (SANTOS, 2014) Neste domínio as dificuldades são acrescidas porque cada movimento tem sua autonomia, para se organizar, ver quais são suas estratégias. Isso é realpolitik.
  • 6.
    1. Não serealiza nos gabinetes das universidades ou dos movimentos, mas nas oficinas das UPMS – dialógica 2. É uma “minga” – deve-se saber escutar profundamente • Cientistas sociais que integram as oficinas • Líderes de MS com formação acadêmica • Uso de linguagem incompreensível 3. Estabelecer “acordos de convivência” 4. “Processo algo anárquico” (SANTOS) 5. Não pode ocultar as “contradições secundárias” 6. Incluir outros movimentos e outros saberes transversais. “Estão tentando nos dividir, temos que nos reencontrar.” (Entrevista dada à TEMPUS, 2014)
  • 7.
    Poderes sociais queemergem da nova constitucionalidade que cria dualidades: 1. De Saberes: hegemônico eurocêntrico x popular das autonomias indígenas 2. De Poderes: colonial (agricultura capitalista) x decolonial (reforma agrária) 3. Econômica: desenvolvimento extrativista (capitalista) x Bem Viver 4. Plurinacionalidade x concepção colonial do Estado eurocêntrico As várias ecologias: 1. De saberes 2. Das temporalidades 3. Dos reconhecimentos 4. Das transescalas 5. Das produtividades “Cero de coca es lo mismo que cero de quechuas, es lo mismo que cero de aymaras. La coca es economía y cultura ancestral.” (Evo Morales. SANTOS, entrevista à revista Tempus, 2014)
  • 9.
    Coord. do Núcleode Ed. Popular Paulo Freire / UEPA Coord. da Cátedra Paulo Freire na Amazônia (EJA, Inclusão, Ed. Popular) É Pesquisadora do Observatório Nacional de Educação Especial, da Rede Freireana de Pesquisadores, da Rede Luso-brasileira de Alfabetização de Jovens e Adultos e da Rede Interculturalidade e Movimentos Sociais - Rede Mover • Graduada em Filosofia pela UFPA • Realizou mestrado em Educação Popular na UFPB • Doutorado sanduiche na UNAM e UAM-Iztapalapa no México • Concluiu o doutorado em Educação (Currículo) pela PUC-SP • Pós-doutoramento em educação na PUC-RJ
  • 10.
    Coordenadora do Grupode Pesquisa em História da Educação na Amazônia (GHEDA) Pesquisadora da Linha de Pesquisa: Saberes Culturais e Educação na Amazônia Livros: ABC do Santo Daime (2007); Padrinho Sebastião: Máximas de um filósofo da floresta (2009); Epistemologia e Saberes da Ayahuasca (2011) e Beberagens Indígenas e Educação não escolar no Brasil colonial (2012). • 01 de maio de 1968 – Óbidos • Graduada em Pedagogia (UFPA) • Especialista em Filosofia Contemporânea (UFPA) • Mestre em Educação pela UFMG • Doutora em Educação (PUC/SP) • Pós-Doutoramento pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-Portugal)
  • 11.
    1990 – mudançasem relação aos povos indígenas Educação escolar indígena Políticas de educação escolar Visava superar o modelo educacional integracionista existente. Necessidade de transformar a Educação Educação do índio Denotava Outro olhar para a escola Deixa de ser: espaço de socialização do saber sistematizado dominante Para ser: espaço de diálogo entre culturas e saberes antes dicotomizados “Sujeitos outros, pedagogias outras” Pluralismo cultural Inclusão EJA Educ. Indígena Gerou dicotomias excludentes Ecologia de saberes: •Produtor de cultura •Focada em ações/experiências cotidianas
  • 12.
    “Cultura de conversa”(OLIVEIRA; MOTA NETO, 2004) “Deve ser pensada e deve ser praticada como um cenário multifocal de experiências culturais de trocas de vivências destinadas à criação entre-nós de saberes e à partilha da experiência do exercício inacabável de aprender.” (BRANDÃO, 2002a, p.76). Cotidiano como centro Superar representações discriminatórias Superar práticas históricas de exclusão Superar o paradigma escolar dominante Trata-se de reinventar a escola no sentido de superar a educação conteudista e silenciadora das vozes dos excluídos e ampliar a noção de cultura para além da visão que a reduz aos livros e museus. (FREIRE, 1989) Superar o conflito entre saber científico e saber cotidiano indígena Garantir o multilinguismo e a etnicidade
  • 13.
    Europa se apresentacomo «o mundo» humano por excelência, constituindo-se o mundo dos outros (as demais culturas) a «barbárie», a «marginalidade», o «não-ser». (DUSSEL, 1994) • Culpado pela sua inferioridade • Sujeito moderno é inocente do mal que causa • O sofrimento é um mal necessário O índio não foi descoberto como Outro e sim como «o mesmo» - “en-coberto” como mesmo e “des- coberto” como outro R E F O R Ç A
  • 14.
    Superar a posturahistórica que sempre a atrelou ao conhecimento erudito distanciada dos saberes do cotidiano silenciadora das práticas e processos de formação humana que se inscrevem dentro de outras lógicas R E Q U E R Romper a visão eurocêntrica Reconhecer uma episteme no saber dos indígenas Refletir sobre o lugar ocupado pelo pensamento indígena no campo filosófico-educacional Sobre o ensino de filosofia nas escolas indígenas P R E S S U P Õ E A filosofia não pode ser pensada fora de seu solo o qual, não é, contudo, apenas uma fronteira geográfica. Ele é uma delimitação identitária.
  • 15.
    SIDEKUM: tem comoquestão fundante o reconhecimento de sua verdadeira condição e de seus modos de pensar ESTERMANN: (andina)pensar dialético sobre o mundo – entes inter-relacionados IRARRAZAVAL: (andina) o “outro” permanece “outro” nas relações (sentimento e sensibilidade na relação com o cosmo) VIVEIROS DE CASTRO: (perspectiva ameríndia) não usa a oposição mas a prolongação de um mundo em outro (o espírito permeia todo corpo vivo) – Sabedoria ecosófica. ELSJE LAGROU: relação homem-natureza é orgânica (divindade presente em tudo) • Reconhece uma mestiçagem entre sujeitos e objetos • A humanidade é a condição primeira do universo • Pensa em continuidade e não dicotomia • Funda-se no animismo (tudo tem alma) • Admite a dimensão social das relações entre humanos e não-humanos A diferença está no corpo. A ideia de corpo, contudo, não se restringe a diferenças fisiológicas. Trata-se de “um conjunto de maneiras ou modos de ser que constituem um hábitus. (VIVEIROS DE CASTRO, 2002)
  • 16.
    “A filosofia comoexercício do pensamento, que se pretende crítico, autônomo e criativo, se configura como campo de saber, capaz de possibilitar às comunidades indígenas o próprio questionamento da Razão ocidental, que a todo custo tenta expropriar as razões do outro impondo a sua própria como única e legítima.” “O estudo da filosofia nas escolas indígenas deveria incluir o estudo analítico dos modos de pensar indígenas, das categorias que tais comunidades constroem para dar sentido ao mundo e nele perpetuar-se, bem como as diferentes linguagens e simbologias nas quais uma parcela historicamente significativa de pessoas que habita este país enfrenta o mundo e os desafios da vida cotidiana.” (OLIVEIRA; ALBUQUERQUE, 2010, p.12)
  • 17.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARROYO, MiguelG. Outros sujeitos, outras pedagogias. Petrópolis-RJ: Vozes, 2012. KARNEIRO, Fernando Ferreira (et al). A práxis da ecologia de saberes: entrevista com Boaventura de Sousa Santos. Revista Tempus - UNB. Coletânea Actas de Saúde. Brasília (8): 2014, p. 331 – 338) Disponível em: http://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/1530 Acessada em: 27/04/2019 SANTOS, Boaventura de Sousa. Ecologia de Saberes. (Cap. 3). In: A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2006 9p. 137 a 165) _________________________. UPMS / Alice (vídeo). Encontro de Ecologia de Saberes. Série Com a Palavra – OBSI/OBTEIA, Fortaleza-CE: Aicó Cultura, 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=R1HAyIJ0TGw&t=7s Acessado em: 27/04/2019. _________________________. Ponencia “Asuntos epistemológicos y políticos em las nuevas convergências” (vídeo). Congreso IAP em Cartagena. Colombia: 2017. Disponível em: http://kaired.org.co/archivo/3132 Acessado em: 26/04/2019. _________________________. De las dualidades a laa ecologias. Serie Cuaderno de Trabajos 18. La Paz-Bolívia: REMTE, 2018. Disponível em: http://www.boaventuradesousasantos.pt/media/cuaderno%2018.pdf Acessado em: 26/04/2019. OLIVEIRA, Ivanilde Apoluceno de; ALBUQUERQUE, Maria Betânia. Filosofia, cultrua e educação indígena. In: HENNING, Leoni Maria. Pesquisa, ensino e extensão no campo filosófico-educacional: debate contemporâneo sobre a educação filosófica. Londrina: EDUEL, 2010.

Notas do Editor

  • #3 Tese de Doutorado: Direito dos Oprimidos Fórum Social Mundial: A partir de 1980 Projeto Alice:
  • #5 Princípio da Incompletude: todos os saberes são incompletos
  • #6 1. Os sujeitos e práticas de ambos lados da linha abissal são contemporâneos sempre e quando houver mais de um tipo de contemporaneidade. 2. Contraepistemologia: renuncia às epistemologias gerais 6. Ex.: a ciência que trabalha para os agrotóxicos e a que trabalha contra eles 7. Vinculação das universidades aos interesses do mercado
  • #7 1. UPMS – Universidades Populares dos Movimentos Sociais 2. Mutirão, constrói-se coletivamente Sede de ajudar, mas dentro de seus termos, sem respeito à vontade do conjunto Querem mostrar que sabem mais principalmente quando há presença indígena 3. Tomás Huanacu (Bolívia) – erguer as mãos e abanar – garantia de democracia nas discussões mandar mensagens pelo celular quando alguém faz fala 4. Anárquico – sentido de democrático: processo democrático de construção de saberes democráticos 5. divergências existentes entre os grupos/movimentos 6. Inserção de mulheres no debate sobre posse da terra (Bolívia)
  • #8 Fala da construção de outra identidade país que celebra a diversidade, a enorme capacidade de não desperdiçar a experiência histórica dos guardiães da terra.