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Civilização 2.0? Reflexão sobre
a montagem transcultural da
saúde digital
José Carlos Pinto da Costa
CRIA/FCSH-NOVA
14 de agosto de 2021
EMCM/UFRN
Primeira Parte
Assemblagem e montagem
(Imagem de fundo – Caroline Secq)
Assemblagem (cf. Deleuze/Latour)
What is na assemblage? It is a multiplicity which
is made up of many heterogeneous terms and
which establishes liaisons, relations between
them, across ages, sexes and reigns – diferente
natures. Thus, the assemblages’ only unity is
that of a co-functioning: it is a symbiosis, a
“sympathy”. It is never filiations which are
importante, but aliances, alloys; thes are not
successions, lines of descent, but contagious,
epidemics, the wind.
(Deleuze, in Deleuze & Parnet, Dialogues II: 69)
Fundamentos:
_ Propriedades emergentes – propriedade de
um todo que não estão presentes nas suas
partes
_ Relações de exterioridade entre partes – as
assemblagens como todos emergentes em que
as suas partes possuem uma certa autonomia
Formada por dois eixos:
_ Material-Expressivo, referindo-se às funções
que cada componente pode desempenhar
_ Territorialização-Desterritorialização,
referindo-se a processos que podem estabilizar
ou desestabilizar a identidade emergente da
assemblagem
Montagem (cf. Did-Huberman/McLean)
“a creative practice
oriented less toward the
naturalistic depiction of
existing realities than
toward the production of
new objects of knowledge
and reflection”
(McLean, 2013: 67)
Assemblagem vs. Montagem
• Assemblagem (cf. Deleuze/Latour)
• Refere-se à produção de relações dinâmicas entre coisas, à organização e à estratégia
• Esquematiza a unidade com o fito da totalidade
• Foca-se no movimento enquanto estratégia da história e exclui o que é fixo
• Apoia-se em relações de exterioridade
• Montagem (cf. Didi-Huberman/McLean)
• Refere-se à criação de correspondências estáveis, à liminaridade e à imaginação
• Salienta a incompletude, o ainda-não
• Foca-se na instabilidade generativa que simultaneamente conjuga e diferencia
elementos justapostos e intervalos espácio-temporais
• Apoia-se em relações de interioridade
p. 144
O ainda-não
O “entre”
O “ser do meio”
_ Confrontar os limites da explicação social ao
reconhecer a primazia ontológica do entre
O “in-between”
_ Reconhecer a primazia ontológica do entre
toma a forma de uma exploração, que
Crapanzano (2003, 2005) designa por
“horizontes imaginativos” – momentos de
transição ou transformação que resistem à
articulação através de características familiares
I would suggest that the between can be
understood not only as a void or absence but
also as a superabundant plenitude, overflowing
our received explanatory categories
(McLean, 2013: 61)
https://steemit.com/geology/@johan-nygren/iceland-as-a-continental-island-formed-by-continental-
crust-separating-two-rift-zones
A liminaridade – a primazia ontológica do “entre” (cf.
Crapanzano, 2004, que critica Turner por se focar ou na
estrutura ou na anti-estrutura, fornecendo primazia ontológica
a um ou a outro momento.
O problema da concessão da primazia ontológica quer à
estrutura quer à anti-estrutura não é evitado pela adoção da
assemblagem como instrumento analítico, uma vez que esta
atribui primazia ontológica à anti-estrutura (Marcus & Saka,
2006). Desta forma, a assemblagem não pode ser usada como
único instrumento analítico para resolver o problema,
promovendo um novo reducionismo, acrescentando-o ao
micro-reducionismo (do interacionismo simbólico) ao macro-
reducionismo (do funcional-estruturalismo) e ao meso-
reducionismo (das teorias de prática – Bourdieu – e da dupla
estruturação – Giddens)
Segunda Parte
A montagem transcultural da saúde digital
(imagem de fundo Gerhard Richter)
A saúde digital, ou eHealth, consiste no
“uso de TIC nos produtos de saúde,
serviços e processos combinado com a
mudança organizacional nos sistemas de
saúde e em novas competências, de
modo a melhorar a saúde dos cidadãos,
a eficiência e a produtividade na
prestação de cuidados de saúde, e o
valor económico e social da saúde. A
saúde digital cobre a interação entre
pacientes e serviços prestadores de
cuidados, transmissão de dados
instituição-para-instituição, ou
comunicação par-para-par entre
pacientes e/ou profissionais de saúde”
(Comissão Europeia, 2012, p. 3).
Recentemente, o conceito de saúde
digital tornou-se mais abrangente e
passou a integrar a eHealth (que inclui a
mHealth, ou a saúde digital por via
móvel, através do smartphone,
fundamentalmente) e algumas áreas
emergentes, como “o uso de ciências de
computação avançada em big data, a
genómica e a inteligência artificial”
(Organização Mundial de Saúde, 2021).
A partir do discurso sobre a saúde digital
percebe-se claramente que “há uma
necessidade global para uma organização nova
dos sistemas de saúde” (Martins, 2020: 290),
porém, ainda há muita resistência à
implementação das suas premissas.
A resistência e a dispersão das organizações
de saúde e uma certa falta de visão
integradora, por parte dos decisores, não
tem possibilitado uma ampla
desmaterialização de muitos processos que
suportam as atividades do setor, com grande
prejuízo na produtividade e na eficiência das
organizações, além de um enorme
transtorno e insatisfação para os seus
utilizadores
(Ribeiro, 2019: 13).
Henrique Martins identificou as necessidades
para a construção do sistema digital de saúde
em Portugal da seguinte maneira: “a saúde
digital precisa de padrões de
interoperabilidade, arquitetura empresarial,
gestão de serviço, capacidade de operação a
uma escala elevada, cooperação internacional,
estratégia de cibersegurança, uso de dados,
um calendário (roadmapping) e vigilância
ética” (Martins, 2020: 291). Só desta forma se
pode, de facto, empoderar tanto o sistema
como os cidadãos. Porém, atingir um tal nível
de excelência não é fácil, uma vez que, como
este autor lembra, a instalação da saúde digital
acontece por cima de um sistema pré-
existente, que possui uma determinada
logística e uma certa complexidade. O enxerto
de um sistema sobre outro é um processo
difícil de fazer, por isso, há quem fale na
substituição de um modelo por outro, de uma
transformação radical (Ribeiro, 2019), cultural
(Martins, 2019).
Civilização 2.0?
A chamada quantificação do self e dos corpos é a pedra de base da discursividade global da
saúde digital e da sua montagem transcultural.
Através de práticas de quantificação, mudam a prática e o acesso à medicina. As práticas
médicas e os comportamentos de “ir ao médico” tendem a não ser simplesmente exercícios
para fornecer/prescrever cuidados ou para procurar ajuda, respetivamente.
O cruzamento da fronteira entre as fases pré-paciente e paciente gradualmente ocupa um
significado secundário. A prioridade agora é prever e prevenir doenças e, para tanto, é
necessária a participação das pessoas, fundamentalmente, para que adotem práticas de
quantificação como forma regular de se comportarem, tornando-se cada vez mais
responsáveis pela sua saúde.
A adoção de comportamentos regulares de quantificação torna-se numa adoção de
comportamentos para regular comportamentos.
Ao fornecer os seus dados, o paciente torna-se um coprodutor de um novo status quo,
envolvendo-se, assim, na busca de uma utopia.
Conclusão
• A discursividade global sobre a saúde digital é uma variável da
discursividade global sobre a saúde. Por sua vez, a discursividade global
sobre a saúde é um processo fundamental de uma dada economia
política sobre a saúde global.
• Adicionalmente, a economia política da saúde global é uma variação
de uma dada economia política global, que, em última instância, tem
como propósito regular a vida dos indivíduos e das populações.
• Consequentemente, a discursividade global sobre a saúde digital é um
instrumento de regulação da vida dos indivíduos e das populações, ou,
para usar outro termo, é um instrumento biopolítico.
• Como instrumento envolvido na prossecução de uma dada
biopolítica, ou política sobre a vida, a discursividade global sobre a
saúde digital justifica-se e legitima-se pelo seu valor económico-político.
• A discursividade global sobre a saúde digital é uma discursividade
impelida por ideais neoliberais que vai sendo adaptada para as
realidades nacionais na forma de exceções neoliberais que moldam a
cidadania (cf. Ong. 2006).
Referências
• Birch, K. (2017). Rethinking Value in the Bio-economy: Finance, assetization, and the
management of value. Science, Technology, & Human Values, 42(3), 460-490.
• Bloch, E. (1970). A Philosophy of the Future. New York: Herder and Herder.
• Bourdieu, P. (2000). Esquisse d’une théorie de la pratique. Paris : Éditions du Seuil.
• Comissão Europeia (2012). Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao
Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões: Plano de
ação para a saúde em linha, 2012-2020 - cuidados de saúde inovadores para o
século XXI (COM(2012)736 final). Disponível em:
http://ec.europa.eu/health/ehealth/docs/com_2012_736_en.pdf
• Crapanzano, V. (2003). Imaginative Horizons: Na essay in literary-philosophical
anthropology. Chicago and London: The University of Chicago Press.
• Crapanzano, V. (2005). Horizontes imaginativos e o aquém e além. Revista de
Antropologia, 48(1), 363-384.
• Deleuze, G. & Parnet, C. (2007). Dialogues II. New York : Columbia University Press.
• Didi-Huberman, G. (2003). Images malgré tout. Paris: Éditions de Minuit.
• Duerr, H.P. (1985). Dreamtime: Concerning the boundary between wilderness and
civilization. Oxford: Basil Blackwell.
• Foucault, Michel 2004. Naissance de la Biopolitique. Cours au Collège de France
(1978-1979). Paris: Seuil.
• Giddens, A. (2000). Dualidade da Estrutura: Agência e Estrutura. Oeiras: Celta.
• Ingold, T. (2016). On human correspondence. Journal of the Royal Anthropological
Institute (N.S.) 00, 1-19.
• Marcus, G. & Saka, E. (2006). Assemblage. Theory, Culture & Society, 23(2–3), 101-
109. DOI: 10.1177/0263276406062573
• Martins, H. (2019). Digital transformation and digital leadership. Healthcare
Informatics Research, 25(4), 350-351.
• Martins, H. (2020). Digital Healthcare Systems: Now more than ever.
Healthmanagement.org The Journal, 20, 4, 290-293.
• McLean, S. (2013). All the difference in the world: Liminality, montage, and the
reinvention of comparative anthropology. In C. Suhr and R. Willerslev (Eds.)
Transcultural Montage (pp. 58-75). New York, Oxford: Berghahn Books.
• Ong, A. (2006). Neoliberalism as Exception: Mutations in citizenship and sovereignty.
Durham and London: Duke University Press.
• Organização Mundial de Saúde (2021). Global strategy on digital health 2020-2025.
Disponível em: https://www.thecompassforsbc.org/sbcc-tools/who-global-strategy-
digital-health-2020-2025
• Ribeiro, J. (2019). Saúde digital: Um sistema de saúde para o século XXI. Lisboa:
Fundação Francisco Manuel dos Santos.
• Simondon, Gilbert. 2005. L'individuation à la lumière des notions de forme et
d'information. Grenoble: Millon.
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Civilização 2.0? Reflexão sobre a montagem transcultural da saúde digital

  • 1. Civilização 2.0? Reflexão sobre a montagem transcultural da saúde digital José Carlos Pinto da Costa CRIA/FCSH-NOVA 14 de agosto de 2021 EMCM/UFRN
  • 2. Primeira Parte Assemblagem e montagem (Imagem de fundo – Caroline Secq)
  • 3. Assemblagem (cf. Deleuze/Latour) What is na assemblage? It is a multiplicity which is made up of many heterogeneous terms and which establishes liaisons, relations between them, across ages, sexes and reigns – diferente natures. Thus, the assemblages’ only unity is that of a co-functioning: it is a symbiosis, a “sympathy”. It is never filiations which are importante, but aliances, alloys; thes are not successions, lines of descent, but contagious, epidemics, the wind. (Deleuze, in Deleuze & Parnet, Dialogues II: 69) Fundamentos: _ Propriedades emergentes – propriedade de um todo que não estão presentes nas suas partes _ Relações de exterioridade entre partes – as assemblagens como todos emergentes em que as suas partes possuem uma certa autonomia Formada por dois eixos: _ Material-Expressivo, referindo-se às funções que cada componente pode desempenhar _ Territorialização-Desterritorialização, referindo-se a processos que podem estabilizar ou desestabilizar a identidade emergente da assemblagem
  • 4. Montagem (cf. Did-Huberman/McLean) “a creative practice oriented less toward the naturalistic depiction of existing realities than toward the production of new objects of knowledge and reflection” (McLean, 2013: 67)
  • 5. Assemblagem vs. Montagem • Assemblagem (cf. Deleuze/Latour) • Refere-se à produção de relações dinâmicas entre coisas, à organização e à estratégia • Esquematiza a unidade com o fito da totalidade • Foca-se no movimento enquanto estratégia da história e exclui o que é fixo • Apoia-se em relações de exterioridade • Montagem (cf. Didi-Huberman/McLean) • Refere-se à criação de correspondências estáveis, à liminaridade e à imaginação • Salienta a incompletude, o ainda-não • Foca-se na instabilidade generativa que simultaneamente conjuga e diferencia elementos justapostos e intervalos espácio-temporais • Apoia-se em relações de interioridade
  • 8. O “ser do meio” _ Confrontar os limites da explicação social ao reconhecer a primazia ontológica do entre O “in-between” _ Reconhecer a primazia ontológica do entre toma a forma de uma exploração, que Crapanzano (2003, 2005) designa por “horizontes imaginativos” – momentos de transição ou transformação que resistem à articulação através de características familiares I would suggest that the between can be understood not only as a void or absence but also as a superabundant plenitude, overflowing our received explanatory categories (McLean, 2013: 61)
  • 10.
  • 11. A liminaridade – a primazia ontológica do “entre” (cf. Crapanzano, 2004, que critica Turner por se focar ou na estrutura ou na anti-estrutura, fornecendo primazia ontológica a um ou a outro momento. O problema da concessão da primazia ontológica quer à estrutura quer à anti-estrutura não é evitado pela adoção da assemblagem como instrumento analítico, uma vez que esta atribui primazia ontológica à anti-estrutura (Marcus & Saka, 2006). Desta forma, a assemblagem não pode ser usada como único instrumento analítico para resolver o problema, promovendo um novo reducionismo, acrescentando-o ao micro-reducionismo (do interacionismo simbólico) ao macro- reducionismo (do funcional-estruturalismo) e ao meso- reducionismo (das teorias de prática – Bourdieu – e da dupla estruturação – Giddens)
  • 12. Segunda Parte A montagem transcultural da saúde digital (imagem de fundo Gerhard Richter)
  • 13. A saúde digital, ou eHealth, consiste no “uso de TIC nos produtos de saúde, serviços e processos combinado com a mudança organizacional nos sistemas de saúde e em novas competências, de modo a melhorar a saúde dos cidadãos, a eficiência e a produtividade na prestação de cuidados de saúde, e o valor económico e social da saúde. A saúde digital cobre a interação entre pacientes e serviços prestadores de cuidados, transmissão de dados instituição-para-instituição, ou comunicação par-para-par entre pacientes e/ou profissionais de saúde” (Comissão Europeia, 2012, p. 3). Recentemente, o conceito de saúde digital tornou-se mais abrangente e passou a integrar a eHealth (que inclui a mHealth, ou a saúde digital por via móvel, através do smartphone, fundamentalmente) e algumas áreas emergentes, como “o uso de ciências de computação avançada em big data, a genómica e a inteligência artificial” (Organização Mundial de Saúde, 2021).
  • 14. A partir do discurso sobre a saúde digital percebe-se claramente que “há uma necessidade global para uma organização nova dos sistemas de saúde” (Martins, 2020: 290), porém, ainda há muita resistência à implementação das suas premissas. A resistência e a dispersão das organizações de saúde e uma certa falta de visão integradora, por parte dos decisores, não tem possibilitado uma ampla desmaterialização de muitos processos que suportam as atividades do setor, com grande prejuízo na produtividade e na eficiência das organizações, além de um enorme transtorno e insatisfação para os seus utilizadores (Ribeiro, 2019: 13). Henrique Martins identificou as necessidades para a construção do sistema digital de saúde em Portugal da seguinte maneira: “a saúde digital precisa de padrões de interoperabilidade, arquitetura empresarial, gestão de serviço, capacidade de operação a uma escala elevada, cooperação internacional, estratégia de cibersegurança, uso de dados, um calendário (roadmapping) e vigilância ética” (Martins, 2020: 291). Só desta forma se pode, de facto, empoderar tanto o sistema como os cidadãos. Porém, atingir um tal nível de excelência não é fácil, uma vez que, como este autor lembra, a instalação da saúde digital acontece por cima de um sistema pré- existente, que possui uma determinada logística e uma certa complexidade. O enxerto de um sistema sobre outro é um processo difícil de fazer, por isso, há quem fale na substituição de um modelo por outro, de uma transformação radical (Ribeiro, 2019), cultural (Martins, 2019).
  • 15. Civilização 2.0? A chamada quantificação do self e dos corpos é a pedra de base da discursividade global da saúde digital e da sua montagem transcultural. Através de práticas de quantificação, mudam a prática e o acesso à medicina. As práticas médicas e os comportamentos de “ir ao médico” tendem a não ser simplesmente exercícios para fornecer/prescrever cuidados ou para procurar ajuda, respetivamente. O cruzamento da fronteira entre as fases pré-paciente e paciente gradualmente ocupa um significado secundário. A prioridade agora é prever e prevenir doenças e, para tanto, é necessária a participação das pessoas, fundamentalmente, para que adotem práticas de quantificação como forma regular de se comportarem, tornando-se cada vez mais responsáveis pela sua saúde. A adoção de comportamentos regulares de quantificação torna-se numa adoção de comportamentos para regular comportamentos. Ao fornecer os seus dados, o paciente torna-se um coprodutor de um novo status quo, envolvendo-se, assim, na busca de uma utopia.
  • 16. Conclusão • A discursividade global sobre a saúde digital é uma variável da discursividade global sobre a saúde. Por sua vez, a discursividade global sobre a saúde é um processo fundamental de uma dada economia política sobre a saúde global. • Adicionalmente, a economia política da saúde global é uma variação de uma dada economia política global, que, em última instância, tem como propósito regular a vida dos indivíduos e das populações. • Consequentemente, a discursividade global sobre a saúde digital é um instrumento de regulação da vida dos indivíduos e das populações, ou, para usar outro termo, é um instrumento biopolítico. • Como instrumento envolvido na prossecução de uma dada biopolítica, ou política sobre a vida, a discursividade global sobre a saúde digital justifica-se e legitima-se pelo seu valor económico-político. • A discursividade global sobre a saúde digital é uma discursividade impelida por ideais neoliberais que vai sendo adaptada para as realidades nacionais na forma de exceções neoliberais que moldam a cidadania (cf. Ong. 2006).
  • 17. Referências • Birch, K. (2017). Rethinking Value in the Bio-economy: Finance, assetization, and the management of value. Science, Technology, & Human Values, 42(3), 460-490. • Bloch, E. (1970). A Philosophy of the Future. New York: Herder and Herder. • Bourdieu, P. (2000). Esquisse d’une théorie de la pratique. Paris : Éditions du Seuil. • Comissão Europeia (2012). Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões: Plano de ação para a saúde em linha, 2012-2020 - cuidados de saúde inovadores para o século XXI (COM(2012)736 final). Disponível em: http://ec.europa.eu/health/ehealth/docs/com_2012_736_en.pdf • Crapanzano, V. (2003). Imaginative Horizons: Na essay in literary-philosophical anthropology. Chicago and London: The University of Chicago Press. • Crapanzano, V. (2005). Horizontes imaginativos e o aquém e além. Revista de Antropologia, 48(1), 363-384. • Deleuze, G. & Parnet, C. (2007). Dialogues II. New York : Columbia University Press. • Didi-Huberman, G. (2003). Images malgré tout. Paris: Éditions de Minuit. • Duerr, H.P. (1985). Dreamtime: Concerning the boundary between wilderness and civilization. Oxford: Basil Blackwell. • Foucault, Michel 2004. Naissance de la Biopolitique. Cours au Collège de France (1978-1979). Paris: Seuil. • Giddens, A. (2000). Dualidade da Estrutura: Agência e Estrutura. Oeiras: Celta. • Ingold, T. (2016). On human correspondence. Journal of the Royal Anthropological Institute (N.S.) 00, 1-19. • Marcus, G. & Saka, E. (2006). Assemblage. Theory, Culture & Society, 23(2–3), 101- 109. DOI: 10.1177/0263276406062573 • Martins, H. (2019). Digital transformation and digital leadership. Healthcare Informatics Research, 25(4), 350-351. • Martins, H. (2020). Digital Healthcare Systems: Now more than ever. Healthmanagement.org The Journal, 20, 4, 290-293. • McLean, S. (2013). All the difference in the world: Liminality, montage, and the reinvention of comparative anthropology. In C. Suhr and R. Willerslev (Eds.) Transcultural Montage (pp. 58-75). New York, Oxford: Berghahn Books. • Ong, A. (2006). Neoliberalism as Exception: Mutations in citizenship and sovereignty. Durham and London: Duke University Press. • Organização Mundial de Saúde (2021). Global strategy on digital health 2020-2025. Disponível em: https://www.thecompassforsbc.org/sbcc-tools/who-global-strategy- digital-health-2020-2025 • Ribeiro, J. (2019). Saúde digital: Um sistema de saúde para o século XXI. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. • Simondon, Gilbert. 2005. L'individuation à la lumière des notions de forme et d'information. Grenoble: Millon.