PARÁGRAFO TERESIANO





Avi s o s

Neste tempo veio a este lugar o Padre
Francisco, que era duque de Gandia e
havia já alguns anos que, deixando tudo,
entrara na Companhia de Jesus.
Procurou o meu confessor, e o cavaleiro
que tenho dito – e também me vinha
ver – que lhe falasse e desse conta da
oração que tinha, pois sabia que ele ia
muito adiante em ser muito favorecido e
presenteado por Deus; como a quem
tinha deixado muito por Ele, já nesta
vida lhe pagava.
Assim, depois de me ter ouvido, disseme que era espírito de Deus e lhe
parecia já não era bem resistir-Lhe mais.
Até então havia sido bem feito, mas que
começasse sempre a oração por um
passo da Paixão e, se depois o Senhor
me levasse o espírito, Lhe não resistisse,
mas o deixasse levar a Sua Majestade,
não o procurando eu. Como quem ia
bem adiante, deu o remédio e o
conselho, pois fazia nisto muito a
experiência. Disse que já era erro o
resistir mais.
Fiquei muito consolada e o cavaleiro
também; alegrou-se muito com que
dissesse que era espírito de Deus e
sempre me ajudava e dava conselhos no
que podia, que era muito.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA (24:3)

02 Festa da Apresentação do Senhor.
02 Domingo da Vida Consagrada.
03 Dia de oração pelos Defuntos da Ordem.

ChAMA
DO CARMO
DE VIANA DO CASTELO

DOMINGO IV DO TEMPO COMUM
NS 214
FEVEREIRO 02 2014

03 21:00h | Encontro com a Bíblia.
04 S. João de Brito (1647 - 1693).
04 14:00h | Tarde de adoração eucarística.

DOMINGO
DA VIDA CONSAGRADA

Dia de oração pelas missões Carmelitas.
05 S. Águeda (230 - 251).
06 S. Paulo Miki e Compaheiros (1562 - 1597).
07 Festa das Cinco Chagas do Senhor.

chamadocarmo.blogspot.com
Telefone 258 822 264
viana@carmelitas.pt

[PRECE]
Senhor Jesus,
nós te rezamos por todos os jovens
que Te procuram
e não sabem como encontrar-Te,
para que sejam acompanhados por rostos
que irradiam alegria,
cujo brilho vem do Evangelho. Oremos.

Oração

LITURGIA DAS HORAS
• Semana IV do Saltério.

A Palavra
DOMINGO V DO TEMPO COMUM
• Isaías 58:7-10.
• Salmo 111.
• 1 Coríntios 2:1-5.
• Mateus 5:13-16.

(09 DE FEVEREIRO )

Vida Consagrada com história
Consagrados. Quando utilizamos a expressão Vida Religiosa ou Consagrada (VC) estamos a referir-nos a
certos cristãos – homens e mulheres – que vivem uma forma especial de seguimento a Jesus Cristo. As
características da sua vida são: (1) Vida em comunidade de irmãos ou irmãs; (2) Dedicação à oração; (3) Exercício
da meditação da Palavra de Deus; (4) Participação na missão evangelizadora da Igreja, dedicando-se com especial
atenção aos mais pequeninos – os preferidos de Jesus: pobres, enfermos, marginalizados... Os que abraçam esta
vida não casam, vivem pobremente e obedecem a uma regra de vida expressa em constituições próprias do Instituto
a que pertencem. Olhando ainda mais de perto: os homens e mulheres que aderem a este estilo de consagração atam
a sua vida a Deus e a Cristo e aderem amorosamente ao Evangelho e ao Reino de Deus. Ao longo da geografia dos
séculos as formas de consagração foram mudando. Apontamos doze passos.

Vida Consagrada com história
O Cristianismo foi (e provavelmente ainda é) um
dos elementos centrais da formação cultural e
política da história universal. Somos uma
religião curiosa: nascemos no Oriente (Palestina),
como um grupo marginalizado pela religião e
pela sociedade judaica, mas as artes e manhas do
tempo fizeram-nos ganhar o espaço maior e
adquirir maior força no mundo romano, cuja
cultura politeísta nos era totalmente oposta. Em
150 anos passamos de religião minoritára e
escorraçada a maioritária e poderosa!
A chamada VC não é um estilo de vida único, não
é próprio do Ocidente, nem mesmo do
Cristianismo. Civilizações anteriores já nos dão
conta dessa existência fecunda, caso dos monges
budistas na Ásia. E, por sua vez, os sufis do séc.
IV, são entre os muçulmanos o que os monges
entre os cristãos.
A VC da não é exclusiva da matriz cristã, não
teve sempre o mesmo rosto, e o mais natural é
que vá sofrendo mudanças e evoluções, upgrades!
(0) A primeira geração de cristãos acreditava
pertencer a uma élite revolucionária, e essa ideia
encorajava-os sempre que eram perseguidos e
martirizados. Depois de um período de
perseguição por parte do Império Romano, o
Cristianismo entrou em mudança porque foi
absorvido como religião do Império, em 313. A

fusão entre a fé cristã e a cultura romana fez cair
um véu sobre os cristãos, que já quase não se
diferenciavam dos demais cidadãos!
(1) É neste contexto que alguns fiéis se exilam no
deserto do Egipto, em busca de um maior rigor e
fidelidade às origens da nossa fé. Este movimento
foi encabeçado por S. Antão, morto em 373: é ele o
autor do estilo de vida cristã chamado VC.
Seguir-se-ão, sempre que necessário, upgrades
sempre de teor radical ao longo dos séculos.
(2) Por volta de 391, Agostinho, bispo de Hipona,
fundou uma comunidade religiosa, a quem
entregou uma Regra que orientava o grupo. Seis
séculos depois a mesma Regra será re-activada
com grande eficácia e esplendor.
(3) Pelo ano 430 São Patrício empreendeu a
introdução do Cristianismo na Irlanda e fê-lo
socorrendo-se da adaptação do estilo de vida dos
monges do Oriente ao Ocidente, com duas
adaptações: a itinerância e a missionariedade.
(4) No ano 500 São Bento revela-se como o
fundador da VC do Ocidente e estabelece uma
forma de vida que se manterá inalterada por sete
séculos, centrada no trabalho e na oração. Os
seus mosteiros sobressaíam como grandes
centros de vida espiritual e lugares do divino.
(5) A elitização da vida dos mosteiros conduziu à
origem de um novo estilo de VC – os frades

mendicantes: Franciscanos, Dominicanos,
Carmelitas..., que abandonando a segurança dos
mosteiros se dirigem para as margens e periferias
do poder, criticando todo o sistema económico
instalado pelo paternalismo feudal e propondo a
vida de fraterna igualdade.
(6) O séc. XVI, pela via das Descobertas, produz
um giro no mundo Ocidental, redescobre-se,
entretanto, a Antiguidade, brota o Humanismo e
dá-se a reforma das grandes Ordens Religiosas:
surgem, por exemplo, os Carmelitas Descalços.
(7) Como em outros momentos, o Espírito suscita
um novo ciclo, na linha forte dos mendicantes,
mas com maior sentido apostólico, sem obrigação
do ofício coral, com uma estrutura interna forte
que visa combater as heresias através de missões,
pregações, ensino e cuidado dos desvalidos.
(8) No séc. XVII a VC quase desaparece no seio da
cidade laicizada. Surgem, porém, Institutos
voltados para dentro, que reunem os sacerdotes
diocesanos em vida comum, reforçam a formação
dos seminários, as missões populares, ou então,
de leigos, que se dedicam às escolas cristãs.
(9) No séc. XIX a VC renasce lentamente das
cinzas ou sob novas formas. Em 1814, Pio VII
restabelece os Jesuítas, reconhecendo-os como
«hábeis remadores» da barca de Pedro quase
soçobrando por causa das tempestades.
(10) Floresce também a VC na expressão do
feminino.
(11) Na primeira metade do séc. XX surgem os
leigos consagrados em Institutos Seculares, como
forma de testemunhar a Cristo na cidade sem
abandonar o mundo.
(12) Depois do Vat. II a VC entra em sobressalto,
aliás, como toda a Igreja. Depois de alguma
tribulação a está tomando novo rosto rico de
cores e cambiantes. Somos hoje, por isso,
religiosos ao estilo tradicional; mas também
fatalmente centrados na Páscoa de Cristo; e na
atenção à justiça e solidarieade com as margens
do lauto consumo do Primeiro Mundo.

Chama do Carmo_214

  • 1.
    PARÁGRAFO TERESIANO    Avi so s Neste tempo veio a este lugar o Padre Francisco, que era duque de Gandia e havia já alguns anos que, deixando tudo, entrara na Companhia de Jesus. Procurou o meu confessor, e o cavaleiro que tenho dito – e também me vinha ver – que lhe falasse e desse conta da oração que tinha, pois sabia que ele ia muito adiante em ser muito favorecido e presenteado por Deus; como a quem tinha deixado muito por Ele, já nesta vida lhe pagava. Assim, depois de me ter ouvido, disseme que era espírito de Deus e lhe parecia já não era bem resistir-Lhe mais. Até então havia sido bem feito, mas que começasse sempre a oração por um passo da Paixão e, se depois o Senhor me levasse o espírito, Lhe não resistisse, mas o deixasse levar a Sua Majestade, não o procurando eu. Como quem ia bem adiante, deu o remédio e o conselho, pois fazia nisto muito a experiência. Disse que já era erro o resistir mais. Fiquei muito consolada e o cavaleiro também; alegrou-se muito com que dissesse que era espírito de Deus e sempre me ajudava e dava conselhos no que podia, que era muito. SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582) LIVRO DA VIDA (24:3) 02 Festa da Apresentação do Senhor. 02 Domingo da Vida Consagrada. 03 Dia de oração pelos Defuntos da Ordem. ChAMA DO CARMO DE VIANA DO CASTELO DOMINGO IV DO TEMPO COMUM NS 214 FEVEREIRO 02 2014 03 21:00h | Encontro com a Bíblia. 04 S. João de Brito (1647 - 1693). 04 14:00h | Tarde de adoração eucarística. DOMINGO DA VIDA CONSAGRADA Dia de oração pelas missões Carmelitas. 05 S. Águeda (230 - 251). 06 S. Paulo Miki e Compaheiros (1562 - 1597). 07 Festa das Cinco Chagas do Senhor. chamadocarmo.blogspot.com Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt [PRECE] Senhor Jesus, nós te rezamos por todos os jovens que Te procuram e não sabem como encontrar-Te, para que sejam acompanhados por rostos que irradiam alegria, cujo brilho vem do Evangelho. Oremos. Oração LITURGIA DAS HORAS • Semana IV do Saltério. A Palavra DOMINGO V DO TEMPO COMUM • Isaías 58:7-10. • Salmo 111. • 1 Coríntios 2:1-5. • Mateus 5:13-16. (09 DE FEVEREIRO ) Vida Consagrada com história
  • 2.
    Consagrados. Quando utilizamosa expressão Vida Religiosa ou Consagrada (VC) estamos a referir-nos a certos cristãos – homens e mulheres – que vivem uma forma especial de seguimento a Jesus Cristo. As características da sua vida são: (1) Vida em comunidade de irmãos ou irmãs; (2) Dedicação à oração; (3) Exercício da meditação da Palavra de Deus; (4) Participação na missão evangelizadora da Igreja, dedicando-se com especial atenção aos mais pequeninos – os preferidos de Jesus: pobres, enfermos, marginalizados... Os que abraçam esta vida não casam, vivem pobremente e obedecem a uma regra de vida expressa em constituições próprias do Instituto a que pertencem. Olhando ainda mais de perto: os homens e mulheres que aderem a este estilo de consagração atam a sua vida a Deus e a Cristo e aderem amorosamente ao Evangelho e ao Reino de Deus. Ao longo da geografia dos séculos as formas de consagração foram mudando. Apontamos doze passos. Vida Consagrada com história O Cristianismo foi (e provavelmente ainda é) um dos elementos centrais da formação cultural e política da história universal. Somos uma religião curiosa: nascemos no Oriente (Palestina), como um grupo marginalizado pela religião e pela sociedade judaica, mas as artes e manhas do tempo fizeram-nos ganhar o espaço maior e adquirir maior força no mundo romano, cuja cultura politeísta nos era totalmente oposta. Em 150 anos passamos de religião minoritára e escorraçada a maioritária e poderosa! A chamada VC não é um estilo de vida único, não é próprio do Ocidente, nem mesmo do Cristianismo. Civilizações anteriores já nos dão conta dessa existência fecunda, caso dos monges budistas na Ásia. E, por sua vez, os sufis do séc. IV, são entre os muçulmanos o que os monges entre os cristãos. A VC da não é exclusiva da matriz cristã, não teve sempre o mesmo rosto, e o mais natural é que vá sofrendo mudanças e evoluções, upgrades! (0) A primeira geração de cristãos acreditava pertencer a uma élite revolucionária, e essa ideia encorajava-os sempre que eram perseguidos e martirizados. Depois de um período de perseguição por parte do Império Romano, o Cristianismo entrou em mudança porque foi absorvido como religião do Império, em 313. A fusão entre a fé cristã e a cultura romana fez cair um véu sobre os cristãos, que já quase não se diferenciavam dos demais cidadãos! (1) É neste contexto que alguns fiéis se exilam no deserto do Egipto, em busca de um maior rigor e fidelidade às origens da nossa fé. Este movimento foi encabeçado por S. Antão, morto em 373: é ele o autor do estilo de vida cristã chamado VC. Seguir-se-ão, sempre que necessário, upgrades sempre de teor radical ao longo dos séculos. (2) Por volta de 391, Agostinho, bispo de Hipona, fundou uma comunidade religiosa, a quem entregou uma Regra que orientava o grupo. Seis séculos depois a mesma Regra será re-activada com grande eficácia e esplendor. (3) Pelo ano 430 São Patrício empreendeu a introdução do Cristianismo na Irlanda e fê-lo socorrendo-se da adaptação do estilo de vida dos monges do Oriente ao Ocidente, com duas adaptações: a itinerância e a missionariedade. (4) No ano 500 São Bento revela-se como o fundador da VC do Ocidente e estabelece uma forma de vida que se manterá inalterada por sete séculos, centrada no trabalho e na oração. Os seus mosteiros sobressaíam como grandes centros de vida espiritual e lugares do divino. (5) A elitização da vida dos mosteiros conduziu à origem de um novo estilo de VC – os frades mendicantes: Franciscanos, Dominicanos, Carmelitas..., que abandonando a segurança dos mosteiros se dirigem para as margens e periferias do poder, criticando todo o sistema económico instalado pelo paternalismo feudal e propondo a vida de fraterna igualdade. (6) O séc. XVI, pela via das Descobertas, produz um giro no mundo Ocidental, redescobre-se, entretanto, a Antiguidade, brota o Humanismo e dá-se a reforma das grandes Ordens Religiosas: surgem, por exemplo, os Carmelitas Descalços. (7) Como em outros momentos, o Espírito suscita um novo ciclo, na linha forte dos mendicantes, mas com maior sentido apostólico, sem obrigação do ofício coral, com uma estrutura interna forte que visa combater as heresias através de missões, pregações, ensino e cuidado dos desvalidos. (8) No séc. XVII a VC quase desaparece no seio da cidade laicizada. Surgem, porém, Institutos voltados para dentro, que reunem os sacerdotes diocesanos em vida comum, reforçam a formação dos seminários, as missões populares, ou então, de leigos, que se dedicam às escolas cristãs. (9) No séc. XIX a VC renasce lentamente das cinzas ou sob novas formas. Em 1814, Pio VII restabelece os Jesuítas, reconhecendo-os como «hábeis remadores» da barca de Pedro quase soçobrando por causa das tempestades. (10) Floresce também a VC na expressão do feminino. (11) Na primeira metade do séc. XX surgem os leigos consagrados em Institutos Seculares, como forma de testemunhar a Cristo na cidade sem abandonar o mundo. (12) Depois do Vat. II a VC entra em sobressalto, aliás, como toda a Igreja. Depois de alguma tribulação a está tomando novo rosto rico de cores e cambiantes. Somos hoje, por isso, religiosos ao estilo tradicional; mas também fatalmente centrados na Páscoa de Cristo; e na atenção à justiça e solidarieade com as margens do lauto consumo do Primeiro Mundo.