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PARÁGRAFO

TERESIANO

Avi s o s
26 Domingo das bênçãos do Menino Jesus.
27 S. Henrique de Ossó (1840 - 1896).
28 S. Tomás de Aquino (1225 - 1274).

ChAMA
DO CARMO
DE VIANA DO CASTELO

DOMINGO III DO TEMPO COMUM
NS 213
JANEIRO 26 2014

31 São João Bosco (1815 - 1888)

Começando a fugir das ocasiões e a dar-me
mais à oração, começou o Senhor a fazerme as mercês, como quem desejava,
segundo parecia que as quisesse receber.
Começou Sua Majestade a dar-me, muito
de ordinário, oração de quietude e muitas
vezes a de união que durava muito tempo.
Como nesses tempos tinha acontecido
haver grandes ilusões em mulheres, e
enganos a que as tinha levado o demónio,
comecei a temer, pois era tão grande o
deleite e a suavidade que sentia, e muitas
vezes sem o poder evitar, ainda que, por
outra parte, visse em mim uma grande
segurança de que aquilo era Deus, em
especial quando estava em oração, e que
saía dela muito melhorada e com mais
fortaleza. Mas, em me distraindo um
pouco, tornava a temer e a pensar se o
demónio quereria, fazendo entender que
aquilo era bom: suspender-me o
entendimento para me tirar a oração
mental e não pudesse pensar na Paixão
nem me aproveitar do entendimento.
Isto me parecia a mim maior perda, pois
não o compreendia (V 23, 2).
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA (23:2)

chamadocarmo.blogspot.com
Telefone 258 822 264
viana@carmelitas.pt

[PRECE]
Senhor Jesus, em tempo de crise de
compromisso, não nos deixes cair na
tentação do desânimo e ensina-nos a
deixar que sejas Tu a gerar relações novas
de amizade contigo, com todos os que
estão mais longe de Ti.

Oremos.

A EXPOSIÇÃO «AS FUNDAÇÕES»
Nos próximos dias pode visitar nos Claustros
do nossso Convento uma exposição
dedicada às Fundações de Santa Teresa.
Venha visitá-la. Nem precisa de pedir licença.
Oração

LITURGIA DAS HORAS
• Semana III do Saltério.

A Palavra
DOMINGO IV DO TEMPO COMUM
• Malaquias 3:1-4.
• Salmo 23.
• Hebreus 2:14-18.
• Lucas 2:22-40.

(02 DE FEVEREIRO )

Um sermão muito curto!
Conversão. Por ter vivido quase só na cidadezinha de Nazaré Jesus era considerado galileu. Ao tempo de Jesus a
região da Galileia – literalmente, «A Província» – era uma região desprezada, por ser escura e sombria, porque ali
se concentravam os pagãos alheios à fé judaica e outros não crentes indiferenciados e desprezados. Por assim dizer
a Galileia foi naturalmente a primeira escolha e primeiro destino de Jesus para o anúncio da salvação do Reino. O
Evangelho deste domingo descreve como Jesus se revela como o concretizador das promessas dos profetas: Jesus
surge ali como a luz que começa a brilhar e propõe à humanidade a Boa Nova da chegada do Reino. Ao Seu apelo
respondem logo os discípulos: são eles os primeiros! Coube-lhes receber em primeira mão a proposta de Jesus, e
foram eles também os encarregados de ser testemunhas e portadores da Boa Notícia a toda a terra.
As palavras de Jesus eram curtas e directas. E por isso eficazes e nada redondas. Já ouviu o Sermão de Jesus?

Um sermão muito curto!
Conta-se de um pároco de aldeia que certo
dia, quase por acaso, se apercebeu que um
dos seus paroquianos decidira não voltar a
entrar na igreja. Tinha ele um argumento
poderoso que sustentava tal decisão: o dito
homem descobrira que podia falar
directamente com Deus passeando
livremente pela natureza, como se estivesse
na assembleia dominical!
Uma noite o pároco decidiu visitá-lo. Bateu
à porta e foi recebido. Sentaram-se ambos à
lareira e os dois homens deixaram-se ficar
palrando sobre mil assuntos, mas sem jamais
abordar a participação na missa.
Ao fim de um bom bocado o pároco
apanhou a tenaz e tirou uma brasa do lume,
e acto contínuo colocou a brasa refulgente
no chão entre os dois.
E ficaram a olhar.
E os dois viram que, pouco a pouco, a brasa
começava a apagar-se até se ir desfazendo em
cinza. Por sua vez, as outras ardiam
valentemente e reluziam de calor e as suas
chamas bailavam alegres sob os olhares de
ambos.
O pároco permanecia em silêncio.

Finalmente o paroquiano quebrou o ruidoso
silêncio, e disse: — No próximo domingo
estarei na missa!
Talvez a historieta nada a tenha a ver com o
evangelho deste domingo, ou talvez sim. Ali se
narra que Jesus, cheio do Espírito Santo,
depois do seu baptismo, deu início à sua
caminhada evangélica, ao seu ministério.
O seu baptismo foi, poderíamos dizer, a sua
graduação, o acto em que o Espírito assina o
seu diploma e o Pai lhe confere o anel da
união de amor.
E assim municiado partiu Jesus para a
Galileia, a terra da escuridão dos pagãos e dos
não crentes. E foi ali que começou a sua
pregação. O sermão de Jesus era curtíssimo,
tão curto que não há cristão que não conheça
a música e a letra. Dizia: — É preciso mudar de
vida. O reino de Deus está próximo!
Jesus não mudava a letra. E de música também
não. O sermão que a antena das pessoas
recolhia era só o da conversão: — É preciso
mudar de vida. O reino de Deus está próximo!
Conversão não diz só respeito à mudança de
costumes, nem tão-só às escravidões da carne,
ou às seduções do mundo e às tentações. Não,

isso não, pois estas sempre nos vão
acompanhar ao longo da vida e nos irão
tentar repetidamente.
Conversão é tudo isso e muito mais que isso:
não podemos assumi-la só pela negativa,
havemos de vê-la também pela positiva.
Conversão é, sobretudo, encontrar-se com a
força da mudança; e a força que nos
impulsiona para a mudança é só uma: a pessoa
de Jesus Cristo! Só em comunhão com Jesus é
que alguém pode iniciar o caminho de
mudança e de conversão!
Conversão é seguir o Senhor. E aquele que
chamou Pedro, André, Tiago e João e Teresa
foi Jesus! Só Ele nos empolga de tal maneira
que descobrirmos ter encontrado o caminho
verdadeiro e nos determinamos a segui-Lo!
Hoje somos nós os chamados a ser discípulos.
Já ouviu, você, o convite de Jesus? Já O
escutou a dizer o seu nome? Sente-se
chamado? Julga, porventura, que é hoje mais
difícil segui-Lo que antes? Já se deu conta da
existência de um chamamento sociológico e de
uma intransmissível resposta pessoal?
Para se ser discípulo de Jesus é importante
deixar-se encontrar por Ele. Ele não força, mas
vai passando, hoje e amanhã, junto à porta da
sua casa ou do seu escritório, junto às redes
do seu barco ou pela eira da sua casa. Tornar-se discípulo de Jesus é deixar-se fazer seu
discípulo! Repare: conversão não é uma
conquista, mas um ser conquistado. É
muitíssimo importante deixar tudo e segui-Lo,
porque «o Reino está próximo».
Não somos cristãos para nos salvarmos, mas
para transformarmos o mundo em lugar
agradável a Deus — o seu reino. E só existe
um método: fazer-se pescador ao largo do mar
da vida!

Chama do carmo_213

  • 1.
        PARÁGRAFO TERESIANO Avi s os 26 Domingo das bênçãos do Menino Jesus. 27 S. Henrique de Ossó (1840 - 1896). 28 S. Tomás de Aquino (1225 - 1274). ChAMA DO CARMO DE VIANA DO CASTELO DOMINGO III DO TEMPO COMUM NS 213 JANEIRO 26 2014 31 São João Bosco (1815 - 1888) Começando a fugir das ocasiões e a dar-me mais à oração, começou o Senhor a fazerme as mercês, como quem desejava, segundo parecia que as quisesse receber. Começou Sua Majestade a dar-me, muito de ordinário, oração de quietude e muitas vezes a de união que durava muito tempo. Como nesses tempos tinha acontecido haver grandes ilusões em mulheres, e enganos a que as tinha levado o demónio, comecei a temer, pois era tão grande o deleite e a suavidade que sentia, e muitas vezes sem o poder evitar, ainda que, por outra parte, visse em mim uma grande segurança de que aquilo era Deus, em especial quando estava em oração, e que saía dela muito melhorada e com mais fortaleza. Mas, em me distraindo um pouco, tornava a temer e a pensar se o demónio quereria, fazendo entender que aquilo era bom: suspender-me o entendimento para me tirar a oração mental e não pudesse pensar na Paixão nem me aproveitar do entendimento. Isto me parecia a mim maior perda, pois não o compreendia (V 23, 2). SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582) LIVRO DA VIDA (23:2) chamadocarmo.blogspot.com Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt [PRECE] Senhor Jesus, em tempo de crise de compromisso, não nos deixes cair na tentação do desânimo e ensina-nos a deixar que sejas Tu a gerar relações novas de amizade contigo, com todos os que estão mais longe de Ti. Oremos. A EXPOSIÇÃO «AS FUNDAÇÕES» Nos próximos dias pode visitar nos Claustros do nossso Convento uma exposição dedicada às Fundações de Santa Teresa. Venha visitá-la. Nem precisa de pedir licença. Oração LITURGIA DAS HORAS • Semana III do Saltério. A Palavra DOMINGO IV DO TEMPO COMUM • Malaquias 3:1-4. • Salmo 23. • Hebreus 2:14-18. • Lucas 2:22-40. (02 DE FEVEREIRO ) Um sermão muito curto!
  • 2.
    Conversão. Por tervivido quase só na cidadezinha de Nazaré Jesus era considerado galileu. Ao tempo de Jesus a região da Galileia – literalmente, «A Província» – era uma região desprezada, por ser escura e sombria, porque ali se concentravam os pagãos alheios à fé judaica e outros não crentes indiferenciados e desprezados. Por assim dizer a Galileia foi naturalmente a primeira escolha e primeiro destino de Jesus para o anúncio da salvação do Reino. O Evangelho deste domingo descreve como Jesus se revela como o concretizador das promessas dos profetas: Jesus surge ali como a luz que começa a brilhar e propõe à humanidade a Boa Nova da chegada do Reino. Ao Seu apelo respondem logo os discípulos: são eles os primeiros! Coube-lhes receber em primeira mão a proposta de Jesus, e foram eles também os encarregados de ser testemunhas e portadores da Boa Notícia a toda a terra. As palavras de Jesus eram curtas e directas. E por isso eficazes e nada redondas. Já ouviu o Sermão de Jesus? Um sermão muito curto! Conta-se de um pároco de aldeia que certo dia, quase por acaso, se apercebeu que um dos seus paroquianos decidira não voltar a entrar na igreja. Tinha ele um argumento poderoso que sustentava tal decisão: o dito homem descobrira que podia falar directamente com Deus passeando livremente pela natureza, como se estivesse na assembleia dominical! Uma noite o pároco decidiu visitá-lo. Bateu à porta e foi recebido. Sentaram-se ambos à lareira e os dois homens deixaram-se ficar palrando sobre mil assuntos, mas sem jamais abordar a participação na missa. Ao fim de um bom bocado o pároco apanhou a tenaz e tirou uma brasa do lume, e acto contínuo colocou a brasa refulgente no chão entre os dois. E ficaram a olhar. E os dois viram que, pouco a pouco, a brasa começava a apagar-se até se ir desfazendo em cinza. Por sua vez, as outras ardiam valentemente e reluziam de calor e as suas chamas bailavam alegres sob os olhares de ambos. O pároco permanecia em silêncio. Finalmente o paroquiano quebrou o ruidoso silêncio, e disse: — No próximo domingo estarei na missa! Talvez a historieta nada a tenha a ver com o evangelho deste domingo, ou talvez sim. Ali se narra que Jesus, cheio do Espírito Santo, depois do seu baptismo, deu início à sua caminhada evangélica, ao seu ministério. O seu baptismo foi, poderíamos dizer, a sua graduação, o acto em que o Espírito assina o seu diploma e o Pai lhe confere o anel da união de amor. E assim municiado partiu Jesus para a Galileia, a terra da escuridão dos pagãos e dos não crentes. E foi ali que começou a sua pregação. O sermão de Jesus era curtíssimo, tão curto que não há cristão que não conheça a música e a letra. Dizia: — É preciso mudar de vida. O reino de Deus está próximo! Jesus não mudava a letra. E de música também não. O sermão que a antena das pessoas recolhia era só o da conversão: — É preciso mudar de vida. O reino de Deus está próximo! Conversão não diz só respeito à mudança de costumes, nem tão-só às escravidões da carne, ou às seduções do mundo e às tentações. Não, isso não, pois estas sempre nos vão acompanhar ao longo da vida e nos irão tentar repetidamente. Conversão é tudo isso e muito mais que isso: não podemos assumi-la só pela negativa, havemos de vê-la também pela positiva. Conversão é, sobretudo, encontrar-se com a força da mudança; e a força que nos impulsiona para a mudança é só uma: a pessoa de Jesus Cristo! Só em comunhão com Jesus é que alguém pode iniciar o caminho de mudança e de conversão! Conversão é seguir o Senhor. E aquele que chamou Pedro, André, Tiago e João e Teresa foi Jesus! Só Ele nos empolga de tal maneira que descobrirmos ter encontrado o caminho verdadeiro e nos determinamos a segui-Lo! Hoje somos nós os chamados a ser discípulos. Já ouviu, você, o convite de Jesus? Já O escutou a dizer o seu nome? Sente-se chamado? Julga, porventura, que é hoje mais difícil segui-Lo que antes? Já se deu conta da existência de um chamamento sociológico e de uma intransmissível resposta pessoal? Para se ser discípulo de Jesus é importante deixar-se encontrar por Ele. Ele não força, mas vai passando, hoje e amanhã, junto à porta da sua casa ou do seu escritório, junto às redes do seu barco ou pela eira da sua casa. Tornar-se discípulo de Jesus é deixar-se fazer seu discípulo! Repare: conversão não é uma conquista, mas um ser conquistado. É muitíssimo importante deixar tudo e segui-Lo, porque «o Reino está próximo». Não somos cristãos para nos salvarmos, mas para transformarmos o mundo em lugar agradável a Deus — o seu reino. E só existe um método: fazer-se pescador ao largo do mar da vida!