c h a m a d o c a r m o . b l o g s p o t . c o m
Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt
A v s o s
ChAMADO CARMO
DE VIANA DO CASTELO
05 Domingo VI da Páscoa.
Dia da Mãe.
09 Dia de oração pelos defuntos da Ordem.
21:00h | Encontro com a Bíblia.
09 Rogações.
Dia de oração pelas vocações.
12 Encontro de formação litúrgica.
12 Solenidade da Ascensão do Senhor.
DOMINGO VI DA PÁSCOA
MAIO 05 2013
NS 187
A Palavra
DOMINGO DO PENTECOSTES (12 DE MAIO)
• Actos dosApóstolos 1:1-11.
• Salmo 46:2-3.6-9.
• Efésios 1:17-23; ou Hebreus 9:24-28.
• Lucas 24:46-53.
Oração
LITURGIA DAS HORAS
• Semana II do Saltério
PARA SEMPRE
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
O velho,
o novo e o essencial
[TERCEIRAFRASEQUEJESUSDISSENACRUZ:]
«– Mulher,
eisaí oteu filho.
Depois disseao discípulo:
eisaíatuaMÃE!»
O velho, o novo e o essencial
Vivia na Polónia certo homem muito sábio e famoso. Era visitado por muitos e foi visitado por um
turista, que, ao chegar se surpreendeu com a casa do sábio: era só de uma assoalhada, limpa e
arrumada, com apenas um catre, uma mesa, duas cadeiras e uns livros.
Perguntou o turista: – Sábio, onde estão os teus móveis?
E o sábio respondeu-lhe com uma pergunta: – e onde estão os teus?
E obteve como resposta: – Eu sou um turista, estou aqui só de passagem.
E o sabio encerrou a conversa dizendo: – Também eu estou aqui de passagem.
O velho. Jesus era judeu, os apóstolos eram
judeus, os primeiros discípulos eram judeus, e
Jerusalém foi a sede dos primeiros cristãos. A
primeira herança dos cristãos foi o Antigo
Testamento, a figura de Moisés e o Templo, o
sábado, a sinagoga e a circuncisão.
À medida que a Igreja foi crescendo crescia
também a alegria dos que se juntavam à fé,
crescia a glória de Deus e a sua salvação, e
cresciam também os problemas e as
diferenças.
O novo. Os novos cristãos vinham de outras
culturas e outros ritos, eram outra música e
outro mundo. Os novos cristãos queriam ser
de Cristo, não queriam ser judeus. Queriam
ser marcados com o Espírito de Jesus, não
com o de Moisés. Eles queriam ser da nova
Igreja, não queriam ser da sinagoga.
E foi assim que estalaram as confusões e as
discórdias entre o que era novo e o que era
antigo, entre judeus e gentios, entre os de
sempre e os recém-chegados, entre os
trabalhadores da primeira e os da última
hora, entre Jerusalém e Antioquia.
Verificou-se então um confronto inevitável,
porque vieram alguns da Judeia que
ensinavam assim aos irmãos: “Se vós não vos
circuncidardes segundo a Lei de Moisés não
vos salvareis”.
O conflito estava lançado. Paulo e Barnabé
procuraram manter a calma e a tolerância,
mas nada alcançaram porque os velhos
cristãos vindos do Judaismo impunham por
sua conta e risco os velhos critérios judaicos:
para se ser cristão teria de se ser primeiro
judeu! Como Paulo nada conseguiu decidiu-
se então enviar a Jerusalém, isto é, à
autoridade dos Apóstolos, uma delegação
que os consultaria, a fim de se evitar o
aumento da discórdia, a perturbação e a
divisão da comunidade cristã de Antioquia,
que se situava fora do contexto judaico.
E assim foi. Reuniu-se a delegação cristã de
Antioquia com os Apóstolos a fim de resolver
o diferendo entre a lei de Moisés e a fé em
Jesus, entre o velho e o novo, entre judeus e
gentios.
O essencial. Depois da reunião os delegados
regressaram a casa com a seguinte
mensagem: «Nós e o Espírito Santo decidimos
não vos impôr nenhuma carga desnecessária!».
Enfim, triunfara a tolerância, triunfara Jesus
Cristo e a nova lei de Cristo! A circuncisão da
carne ficou para sempre abolida, e nós
aprendemos a circuncidar, purificar e renovar
diariamente o coração com a renovação a
Jesus.
Passados dois mil anos não parece que os
velhos pregadores tenham concordado com a
decisão saída da reunião de Jerusalém, porém,
uma nova tradição tinha nascido sem ter de
obedecer às velhas tradições judaicas.
De facto, o problema mantém-se actual,
talvez com outros nomes, com outros ritos. O
desafio é constante: procurar sempre a
unidade no essencial, aquela unidade que une
o coração da nossa fé, aquela que ninguém
nos pode roubar.
E o essencial é Cristo, porque Cristo é que é o
fundamento: se eliminarmos Cristo todo o
edifício cai!
Celebremos Cristo na sua Igreja, comamos
Cristo na sua Igreja, recebamos o perdão de
Cristo na sua Igreja, vivamos Cristo na sua
Igreja, porque só Cristo é o essencial. E
naquilo que não é essencial deixemos que
cresça e floresça a pluralidade e a diversidade.
Nem todos rezam como eu, nem como eu
gostam todos das mesmas novenas, rezas e
procissões; porém, todos somos de Cristo e é
Cristo que nos ensina a amar e a guardar a
sua palavra, porque é guardando a sua
palavra que Ele e o Pai vêm ao nosso coração
e ali fazem a sua morada! Poderá haver
melhor circuncisão que Cristo habitando no
nosso coração? O seu amor ama, santifica e
salva e faz de mim casa de Deus para sempre.
Ele que amou o preto e o branco, o velho e o
novo, o judeu e o gentio, ensina-me a amar
como Ele ama. Jesus deixou-nos como
herança o seu Espírito Santo de amor e a sua
paz. É desta herança que todos temos de
viver sem medo que ela se esgote.

Chama do Carmo_187

  • 1.
    c h am a d o c a r m o . b l o g s p o t . c o m Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt A v s o s ChAMADO CARMO DE VIANA DO CASTELO 05 Domingo VI da Páscoa. Dia da Mãe. 09 Dia de oração pelos defuntos da Ordem. 21:00h | Encontro com a Bíblia. 09 Rogações. Dia de oração pelas vocações. 12 Encontro de formação litúrgica. 12 Solenidade da Ascensão do Senhor. DOMINGO VI DA PÁSCOA MAIO 05 2013 NS 187 A Palavra DOMINGO DO PENTECOSTES (12 DE MAIO) • Actos dosApóstolos 1:1-11. • Salmo 46:2-3.6-9. • Efésios 1:17-23; ou Hebreus 9:24-28. • Lucas 24:46-53. Oração LITURGIA DAS HORAS • Semana II do Saltério PARA SEMPRE Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. Carlos Drummond de Andrade O velho, o novo e o essencial [TERCEIRAFRASEQUEJESUSDISSENACRUZ:] «– Mulher, eisaí oteu filho. Depois disseao discípulo: eisaíatuaMÃE!»
  • 2.
    O velho, onovo e o essencial Vivia na Polónia certo homem muito sábio e famoso. Era visitado por muitos e foi visitado por um turista, que, ao chegar se surpreendeu com a casa do sábio: era só de uma assoalhada, limpa e arrumada, com apenas um catre, uma mesa, duas cadeiras e uns livros. Perguntou o turista: – Sábio, onde estão os teus móveis? E o sábio respondeu-lhe com uma pergunta: – e onde estão os teus? E obteve como resposta: – Eu sou um turista, estou aqui só de passagem. E o sabio encerrou a conversa dizendo: – Também eu estou aqui de passagem. O velho. Jesus era judeu, os apóstolos eram judeus, os primeiros discípulos eram judeus, e Jerusalém foi a sede dos primeiros cristãos. A primeira herança dos cristãos foi o Antigo Testamento, a figura de Moisés e o Templo, o sábado, a sinagoga e a circuncisão. À medida que a Igreja foi crescendo crescia também a alegria dos que se juntavam à fé, crescia a glória de Deus e a sua salvação, e cresciam também os problemas e as diferenças. O novo. Os novos cristãos vinham de outras culturas e outros ritos, eram outra música e outro mundo. Os novos cristãos queriam ser de Cristo, não queriam ser judeus. Queriam ser marcados com o Espírito de Jesus, não com o de Moisés. Eles queriam ser da nova Igreja, não queriam ser da sinagoga. E foi assim que estalaram as confusões e as discórdias entre o que era novo e o que era antigo, entre judeus e gentios, entre os de sempre e os recém-chegados, entre os trabalhadores da primeira e os da última hora, entre Jerusalém e Antioquia. Verificou-se então um confronto inevitável, porque vieram alguns da Judeia que ensinavam assim aos irmãos: “Se vós não vos circuncidardes segundo a Lei de Moisés não vos salvareis”. O conflito estava lançado. Paulo e Barnabé procuraram manter a calma e a tolerância, mas nada alcançaram porque os velhos cristãos vindos do Judaismo impunham por sua conta e risco os velhos critérios judaicos: para se ser cristão teria de se ser primeiro judeu! Como Paulo nada conseguiu decidiu- se então enviar a Jerusalém, isto é, à autoridade dos Apóstolos, uma delegação que os consultaria, a fim de se evitar o aumento da discórdia, a perturbação e a divisão da comunidade cristã de Antioquia, que se situava fora do contexto judaico. E assim foi. Reuniu-se a delegação cristã de Antioquia com os Apóstolos a fim de resolver o diferendo entre a lei de Moisés e a fé em Jesus, entre o velho e o novo, entre judeus e gentios. O essencial. Depois da reunião os delegados regressaram a casa com a seguinte mensagem: «Nós e o Espírito Santo decidimos não vos impôr nenhuma carga desnecessária!». Enfim, triunfara a tolerância, triunfara Jesus Cristo e a nova lei de Cristo! A circuncisão da carne ficou para sempre abolida, e nós aprendemos a circuncidar, purificar e renovar diariamente o coração com a renovação a Jesus. Passados dois mil anos não parece que os velhos pregadores tenham concordado com a decisão saída da reunião de Jerusalém, porém, uma nova tradição tinha nascido sem ter de obedecer às velhas tradições judaicas. De facto, o problema mantém-se actual, talvez com outros nomes, com outros ritos. O desafio é constante: procurar sempre a unidade no essencial, aquela unidade que une o coração da nossa fé, aquela que ninguém nos pode roubar. E o essencial é Cristo, porque Cristo é que é o fundamento: se eliminarmos Cristo todo o edifício cai! Celebremos Cristo na sua Igreja, comamos Cristo na sua Igreja, recebamos o perdão de Cristo na sua Igreja, vivamos Cristo na sua Igreja, porque só Cristo é o essencial. E naquilo que não é essencial deixemos que cresça e floresça a pluralidade e a diversidade. Nem todos rezam como eu, nem como eu gostam todos das mesmas novenas, rezas e procissões; porém, todos somos de Cristo e é Cristo que nos ensina a amar e a guardar a sua palavra, porque é guardando a sua palavra que Ele e o Pai vêm ao nosso coração e ali fazem a sua morada! Poderá haver melhor circuncisão que Cristo habitando no nosso coração? O seu amor ama, santifica e salva e faz de mim casa de Deus para sempre. Ele que amou o preto e o branco, o velho e o novo, o judeu e o gentio, ensina-me a amar como Ele ama. Jesus deixou-nos como herança o seu Espírito Santo de amor e a sua paz. É desta herança que todos temos de viver sem medo que ela se esgote.