PARÁGRAFO TERESIANO





Avi s o s
23 Domingo das bênçãos.

Ofereceu-se uma vez, estando eu com uma
pessoa, dizer-me ela e a outras que, se
quiséssemos ser freiras à maneira das
Descalças, seria talvez possível poder-se vir a
fazer um mosteiro.
Como andava com estes desejos, comecei a
tratar com aquela senhora minha
companheira viúva, de quem já falei e que
tinha o mesmo desejo. Ela começou a fazer
planos para lhe dar renda. Ao que agora vejo,
não levava muito caminho, mas o desejo que
disso tínhamos nos fazia parecer que sim. Por
outro lado, como me sentia com tão
grandíssimo contento na casa onde estava,
porque era muito a meu gosto e a cela em
que vivia feita muito a meu propósito,
detinha-me todavia. Combinámos, contudo,
encomendar muito a Deus o caso.
Tendo eu um dia comungado, Sua Majestade
mandou-me instantemente que o procurasse
realizar com todas as minhas forças, fazendome grandes promessas de que o mosteiro não
se deixaria de fazer, e nele se serviria muito a
Deus, e que lhe pusesse o nome de S. José e
ele nos guardaria uma das portas e Nossa
Senhora a outra e Cristo andaria connosco.
Que esta casa seria uma estrela que irradiaria
de si grande resplendor e, embora as Religiões
estivessem relaxadas, não pensasse eu que Ele
era pouco servido nelas. Que seria do mundo
se não fossem os religiosos? Que dissesse ao
meu confessor que Ele me pedia isto e a ele
lhe rogava não fosse contra, nem me
impedisse.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA (32:10)

01 - 02 Março: Encontro de Pastoral Litúrgica. São convidados a participar todos os que
na nossa Comunidade do Carmo exercem
algum serviço litúrgico: Acólito, leitor, ministro
da comunhão, canto, ou outro. Custo de
inscrição, 10:00•. Mais informações junto de
algum dos sacerdotes.

ChAMA
DO CARMO
DE VIANA DO CASTELO

DOMINGO VI DO TEMPO COMUM
NS 217
FEVEREIRO 23 2014

chamadocarmo.blogspot.com
Telefone 258 822 264
viana@carmelitas.pt

QUARTAS-FEIRAS PENITENCIAIS
Aprestamo-nos para celebrar uma nova Quaresma. Mais uma vez a todos convidamos a
viver este tempo aprofundando a oração e a
penitência. Também em comunidade. Será às
Quartas-feiras, com o seguinte PROGRAMA:
19:00

Oração de Vésperas.

19:30

Sopa penitencial.

20:00

Oração de Completas.

Oração

LITURGIA DAS HORAS
• Semana III do Saltério.

A Palavra
DOMINGO VI DO TEMPO COMUM
• Isaías 49:14-15.
• Salmo 61: 2-3.6-9.
• 1 Coríntios 4:1-5.
• Mateus 6:24-34.

(02 DE MARÇO)

O extraordinário
está ao teu alcance!
Perdoar. Aos amigos a amizade, aos inimigos o desprezo. Essa é lei que todos cumprimos com gosto. Essa é a
forma antiga de Lei; mas não tão antiga que tenha sido esquecida e ultrapassada. O Evangelho deste domingo abre-nos para uma nova era do relacionamento humano, que ultrapassa esses tais limites usuais que costumam ser
impostos entre os seres humanos. É que Jesus convida-nos a viver o amor muito para além das peias e dos critérios
humanos. O Primeiro Testamento mandava amar o próximo, porque entendia o amor como algo que se restringia
aos da mesma religião e da mesma raça, ou seja, aos amigos. Por isso, se desprezava, como sempre, os inimigos.
Nisso não havia distinção com as outras raças e religiões. Mas Jesus não pensou nem ensinou a pensar assim!

O extraordinário está ao teu alcance!
O que a seguir contarei é verídico. Passou-se no
Canadá há uns anos atrás. É a história de dois
vizinhos lavradores e amigos. Um dia o cão de
um soltou-se, saltou a cerca e matou o filho de
dois anos do vizinho.
O pai do menino morto, angustiado, cortou a
comunicação e a relação com o seu vizinho. Os
anos seguintes foram de uma atroz e infecunda
inimizade.
Até que um certo dia um incêndio arrasou a
propriedade do agricultor dono do cão. O
incêndio queimou-lhe a propriedade e as alfaias.
O lavrador tinha terra mas já não podia lavrá-la:
o futuro era negríssimo. Porém, uns dias depois,
apercebeu-se que as suas terras tinham sido
lavradas e estavam preparadas para a
sementeira. Saiu a informar-se da autoria da
façanha e soube que a benfeitoria fora do seu
inimigo e angustiado vizinho. Então, encheu-se
de humildade e foi à sua procura; encontrando-o
perguntou-lhe por que o fizera. E obteve como
resposta: —Lavrei as tuas terras para que Deus continue
vivo!
(Acredite se quiser!)
Sim, se quiser, mas, o certo, é que isto dá que
meditar, pois, afinal, o amor cristão, é muito mais
que o afecto, é muito mais que a amizade, é
perdão e reconciliação, é graça e ressurreição.
No domingo passado falávamos entre nós de Lei
e Mandamentos.

E ouvíamos Jesus comentar as Dez Palavras
animando os seus seguidores a superar o espírito
da letra e a aprofundá-lo, isto é, a vivê-las desde a
sua autêntica dimensão: o amor!
Repare: Jesus não manda nada; jamais Jesus se
constituiu como um legislador. Jamais se
aproximou de nós com um sólido código de leis
numa mão e espada na outra. Sim, Jesus não veio
com ameaças! Jesus veio como inspirador, veio
animar-nos a viver em plena harmonia com
Deus; veio dizer-nos que a harmonia com todos é
possível. Aliás, já dizia o agricultor da história:
Para que Deus continue a viver é necessário
destruir os muros que nos separam!
Oh, valha-me Deus, pois somos tão cegos! Então,
não é que ainda não vimos, ainda não caímos na
conta: Deus perdoa! O ofício de Deus é perdoar!
Imagine-se a si mesmo como é, como quem é,
oficial do seu ofício qualquer que seja. Imagine-se
a si mesmo trabalhando devotamente com zelo.
Você é bom trabalhador(a), não é? Pois, Deus
também o é. E o ofício de Deus é perdoar: isso é o
que ele faz bem e com gosto! Perdoar!
E você, perdoa?
Você consegue amar e perdoar os seus inimigos,
aqueles que o(a) ferem com palavras e acções?
Para nós, cristãos, perdoar, é mais que um verbo
que encontramos nos livros de auto-ajuda.
(«Perdoai e sereis perdoados», disse.)
Perdoar é o nosso saber e o nosso ofício. Enfim,

em algo nos podemos parecer a Deus: no perdão!
Os seguidores de Jesus deveriam saber perdoar
sem reservas e sem condições. E seríamos como
Jesus, parecidos com Ele, vestindo a sua camisola!
Por que carregas o peso do ódio um dia atrás
doutro? Porque te amarras a histórias e a pessoas
que odeias? Porque te cansas quando poderias
perdoar mansamente?
Perdoar inteiramente pode até nem fazer bem
algum à pessoa que é odiada, mas liberta aquele
que odeia! Dá paz e libera de fardos duríssimos!
Perdoar é difícil, mesmo sabendo que (me) liberta.
Pelo que só é possível perdoar amando, e o amor,
segundo Jesus, é mais que um sentimento de
pacificação; é uma decisão de querer bem. Amar
ao estilo de Jesus é querer o bem-estar dos
próximos e dos longínquos, dos amigos e dos
inimigos, é desejo sincero de que estejam bem, de
que nada de mau lhes suceda, e, já agora, que
mudem de vida e de coração.
Amar é um acto sublime. O habitual entre nós é
que amemos quem nos ame, visto que quem meus
filhos beija minha boca adoça. E como não há dar
sem dar, naturalmente, eu dou aos que me dão, e
já isso é grande. Mas Jesus ensina mais, sugere-nos que voemos mais alto. Pede-nos que sejamos
extraordinários: que sejamos como o Pai que faz
nascer o sol para os bons e para os maus!
O extraordinário é o estilo de Deus: Ele perdoa a
todos, espera que perdoemos a todos, que
soframos a injustiça, oremos pelos que nos
perseguem, amemos os inimigos, demos com
generosidade. A nossa marca d’água é o
extraordinário: sermos como Jesus, o homem
mais extraordinário que só soube ser para os
outros. Eis a nossa distinção: (Fazer o bem e)
perdoar sem olhar a quem! É difícil, mas é um
treino que vale a pena. E como nunca se fizeram
campeões treinando só ao fim de semana, olhe,
isso lhe peço, treine com afinco, pois não lhe
faltarão ocasiões!

Chama do Carmo_217

  • 1.
    PARÁGRAFO TERESIANO    Avi so s 23 Domingo das bênçãos. Ofereceu-se uma vez, estando eu com uma pessoa, dizer-me ela e a outras que, se quiséssemos ser freiras à maneira das Descalças, seria talvez possível poder-se vir a fazer um mosteiro. Como andava com estes desejos, comecei a tratar com aquela senhora minha companheira viúva, de quem já falei e que tinha o mesmo desejo. Ela começou a fazer planos para lhe dar renda. Ao que agora vejo, não levava muito caminho, mas o desejo que disso tínhamos nos fazia parecer que sim. Por outro lado, como me sentia com tão grandíssimo contento na casa onde estava, porque era muito a meu gosto e a cela em que vivia feita muito a meu propósito, detinha-me todavia. Combinámos, contudo, encomendar muito a Deus o caso. Tendo eu um dia comungado, Sua Majestade mandou-me instantemente que o procurasse realizar com todas as minhas forças, fazendome grandes promessas de que o mosteiro não se deixaria de fazer, e nele se serviria muito a Deus, e que lhe pusesse o nome de S. José e ele nos guardaria uma das portas e Nossa Senhora a outra e Cristo andaria connosco. Que esta casa seria uma estrela que irradiaria de si grande resplendor e, embora as Religiões estivessem relaxadas, não pensasse eu que Ele era pouco servido nelas. Que seria do mundo se não fossem os religiosos? Que dissesse ao meu confessor que Ele me pedia isto e a ele lhe rogava não fosse contra, nem me impedisse. SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582) LIVRO DA VIDA (32:10) 01 - 02 Março: Encontro de Pastoral Litúrgica. São convidados a participar todos os que na nossa Comunidade do Carmo exercem algum serviço litúrgico: Acólito, leitor, ministro da comunhão, canto, ou outro. Custo de inscrição, 10:00•. Mais informações junto de algum dos sacerdotes. ChAMA DO CARMO DE VIANA DO CASTELO DOMINGO VI DO TEMPO COMUM NS 217 FEVEREIRO 23 2014 chamadocarmo.blogspot.com Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt QUARTAS-FEIRAS PENITENCIAIS Aprestamo-nos para celebrar uma nova Quaresma. Mais uma vez a todos convidamos a viver este tempo aprofundando a oração e a penitência. Também em comunidade. Será às Quartas-feiras, com o seguinte PROGRAMA: 19:00 Oração de Vésperas. 19:30 Sopa penitencial. 20:00 Oração de Completas. Oração LITURGIA DAS HORAS • Semana III do Saltério. A Palavra DOMINGO VI DO TEMPO COMUM • Isaías 49:14-15. • Salmo 61: 2-3.6-9. • 1 Coríntios 4:1-5. • Mateus 6:24-34. (02 DE MARÇO) O extraordinário está ao teu alcance!
  • 2.
    Perdoar. Aos amigosa amizade, aos inimigos o desprezo. Essa é lei que todos cumprimos com gosto. Essa é a forma antiga de Lei; mas não tão antiga que tenha sido esquecida e ultrapassada. O Evangelho deste domingo abre-nos para uma nova era do relacionamento humano, que ultrapassa esses tais limites usuais que costumam ser impostos entre os seres humanos. É que Jesus convida-nos a viver o amor muito para além das peias e dos critérios humanos. O Primeiro Testamento mandava amar o próximo, porque entendia o amor como algo que se restringia aos da mesma religião e da mesma raça, ou seja, aos amigos. Por isso, se desprezava, como sempre, os inimigos. Nisso não havia distinção com as outras raças e religiões. Mas Jesus não pensou nem ensinou a pensar assim! O extraordinário está ao teu alcance! O que a seguir contarei é verídico. Passou-se no Canadá há uns anos atrás. É a história de dois vizinhos lavradores e amigos. Um dia o cão de um soltou-se, saltou a cerca e matou o filho de dois anos do vizinho. O pai do menino morto, angustiado, cortou a comunicação e a relação com o seu vizinho. Os anos seguintes foram de uma atroz e infecunda inimizade. Até que um certo dia um incêndio arrasou a propriedade do agricultor dono do cão. O incêndio queimou-lhe a propriedade e as alfaias. O lavrador tinha terra mas já não podia lavrá-la: o futuro era negríssimo. Porém, uns dias depois, apercebeu-se que as suas terras tinham sido lavradas e estavam preparadas para a sementeira. Saiu a informar-se da autoria da façanha e soube que a benfeitoria fora do seu inimigo e angustiado vizinho. Então, encheu-se de humildade e foi à sua procura; encontrando-o perguntou-lhe por que o fizera. E obteve como resposta: —Lavrei as tuas terras para que Deus continue vivo! (Acredite se quiser!) Sim, se quiser, mas, o certo, é que isto dá que meditar, pois, afinal, o amor cristão, é muito mais que o afecto, é muito mais que a amizade, é perdão e reconciliação, é graça e ressurreição. No domingo passado falávamos entre nós de Lei e Mandamentos. E ouvíamos Jesus comentar as Dez Palavras animando os seus seguidores a superar o espírito da letra e a aprofundá-lo, isto é, a vivê-las desde a sua autêntica dimensão: o amor! Repare: Jesus não manda nada; jamais Jesus se constituiu como um legislador. Jamais se aproximou de nós com um sólido código de leis numa mão e espada na outra. Sim, Jesus não veio com ameaças! Jesus veio como inspirador, veio animar-nos a viver em plena harmonia com Deus; veio dizer-nos que a harmonia com todos é possível. Aliás, já dizia o agricultor da história: Para que Deus continue a viver é necessário destruir os muros que nos separam! Oh, valha-me Deus, pois somos tão cegos! Então, não é que ainda não vimos, ainda não caímos na conta: Deus perdoa! O ofício de Deus é perdoar! Imagine-se a si mesmo como é, como quem é, oficial do seu ofício qualquer que seja. Imagine-se a si mesmo trabalhando devotamente com zelo. Você é bom trabalhador(a), não é? Pois, Deus também o é. E o ofício de Deus é perdoar: isso é o que ele faz bem e com gosto! Perdoar! E você, perdoa? Você consegue amar e perdoar os seus inimigos, aqueles que o(a) ferem com palavras e acções? Para nós, cristãos, perdoar, é mais que um verbo que encontramos nos livros de auto-ajuda. («Perdoai e sereis perdoados», disse.) Perdoar é o nosso saber e o nosso ofício. Enfim, em algo nos podemos parecer a Deus: no perdão! Os seguidores de Jesus deveriam saber perdoar sem reservas e sem condições. E seríamos como Jesus, parecidos com Ele, vestindo a sua camisola! Por que carregas o peso do ódio um dia atrás doutro? Porque te amarras a histórias e a pessoas que odeias? Porque te cansas quando poderias perdoar mansamente? Perdoar inteiramente pode até nem fazer bem algum à pessoa que é odiada, mas liberta aquele que odeia! Dá paz e libera de fardos duríssimos! Perdoar é difícil, mesmo sabendo que (me) liberta. Pelo que só é possível perdoar amando, e o amor, segundo Jesus, é mais que um sentimento de pacificação; é uma decisão de querer bem. Amar ao estilo de Jesus é querer o bem-estar dos próximos e dos longínquos, dos amigos e dos inimigos, é desejo sincero de que estejam bem, de que nada de mau lhes suceda, e, já agora, que mudem de vida e de coração. Amar é um acto sublime. O habitual entre nós é que amemos quem nos ame, visto que quem meus filhos beija minha boca adoça. E como não há dar sem dar, naturalmente, eu dou aos que me dão, e já isso é grande. Mas Jesus ensina mais, sugere-nos que voemos mais alto. Pede-nos que sejamos extraordinários: que sejamos como o Pai que faz nascer o sol para os bons e para os maus! O extraordinário é o estilo de Deus: Ele perdoa a todos, espera que perdoemos a todos, que soframos a injustiça, oremos pelos que nos perseguem, amemos os inimigos, demos com generosidade. A nossa marca d’água é o extraordinário: sermos como Jesus, o homem mais extraordinário que só soube ser para os outros. Eis a nossa distinção: (Fazer o bem e) perdoar sem olhar a quem! É difícil, mas é um treino que vale a pena. E como nunca se fizeram campeões treinando só ao fim de semana, olhe, isso lhe peço, treine com afinco, pois não lhe faltarão ocasiões!