ANÁLISE DE POEMAS
THIAGO DE MELLO
Ana Fabyely Kams
LITERATURA REGIONAL
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NARCISO CEGO
Tudo o que de mim se perde
acrescenta-se ao que sou.
Contudo, me desconheço.
Pelas minhas cercanias
passeio - não me frequento.
Por sobre fonte erma e esquiva
flutua-me íntegra, a face.
Mas nunca me vejo: e sigo
com face mal disfarçada.
Oh que amargo é o não poder
rosto a rosto contemplar
aquilo que ignoto sou;
distinguir até que ponto
sou eu mesmo que me levo
ou se um nume irrevelável
que (para ser) vem morar
comigo, dentro de mim,
mas me abandona se rolo
pelos declives do mundo.
Desfaço-me do que sonho:
faço-me sonho de alguém
oculto. Talvez um Deus
sonhe comigo, cobice
o que eu guardo e nunca usei.
Cego assim, não me decifro.
E o imaginar-me sonhado
não me completa: a ganância
de ser-me inteiro prossegue.
E pairo - pânico mudo -
entre o sonho e o sonhador.
As ensinanças da dúvida
Tive um chão (mas já faz
tempo)
todo feito de certezas
tão duras como lajedos.
Agora (o tempo é que fez)
tenho um caminho de barro
umedecido de dúvidas.
Mas nele (devagar vou)
me cresce funda a certeza
de que vale a pena o amor
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Análise de poemas - Thiago de Mello

  • 1.
    ANÁLISE DE POEMAS THIAGODE MELLO Ana Fabyely Kams LITERATURA REGIONAL Visite: www.desmazelas.com.br
  • 2.
    NARCISO CEGO Tudo oque de mim se perde acrescenta-se ao que sou. Contudo, me desconheço. Pelas minhas cercanias passeio - não me frequento. Por sobre fonte erma e esquiva flutua-me íntegra, a face. Mas nunca me vejo: e sigo com face mal disfarçada. Oh que amargo é o não poder rosto a rosto contemplar aquilo que ignoto sou; distinguir até que ponto sou eu mesmo que me levo ou se um nume irrevelável que (para ser) vem morar comigo, dentro de mim, mas me abandona se rolo pelos declives do mundo.
  • 3.
    Desfaço-me do quesonho: faço-me sonho de alguém oculto. Talvez um Deus sonhe comigo, cobice o que eu guardo e nunca usei. Cego assim, não me decifro. E o imaginar-me sonhado não me completa: a ganância de ser-me inteiro prossegue. E pairo - pânico mudo - entre o sonho e o sonhador.
  • 4.
    As ensinanças dadúvida Tive um chão (mas já faz tempo) todo feito de certezas tão duras como lajedos. Agora (o tempo é que fez) tenho um caminho de barro umedecido de dúvidas. Mas nele (devagar vou) me cresce funda a certeza de que vale a pena o amor Visite: www.desmazelas.com.br