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O burrinho pedrês,
   de Guimarães Rosa
      Manoel Neves
GUIMARÃES ROSA
                      Terceira Geração do Modernismo
                     A LINGUAGEM É VISTA COMO INSTRUMENTO


               grande volume de metáforas surpreendentes, paradoxos, símiles
                 sua obra mimetiza a linguagem do sertanejo + neologismos
               alteração da sintaxe tradicional + efeitos poéticos de linguagem
Pata a pata, casco a casco, soca soca, fasta vento, rola e trota, cabisbaixos, mexe lama, pela
estrada, chifres no ar. [fragmento do conto “O burrinho pedrës”]
GUIMARÃES ROSA
           Terceira Geração do Modernismo
                 REGIONALISMO [ambiente] UNIVERSALISTA [temática]
 SERTÃO           ambientaliza questões universais no interior de Minas
                  a redenção, a volta à verdadeira natureza, a vingança
            1946: primeiro livro de Guimarães Rosa [contos: narrativas curtas]
SAGARANA
           neologismo: saga [narrativa épica] + rana [à maneira de] = epopéias
ENREDO
                                        O burrinho pedrês
  na Fazenda da Tampa, do Major Saulo [homem forte, analfabeto, de olhos verdes e bom senso de humor], os

   homens estão terminando os preparativos para sair pelo sertão, levando uma boiada [460] de bois de corte;

        por acaso, Sete-de-Ouros, que estava na varanda da casa, é visto e lembrado: nele vai o franzino

    João Manico; o burrinho pedrês já tivera tido vários donos e funciona como um duplo do seu dono [Saulo]:

  são calmos, tenazes, não dados a efusões sentimentais e ao desperdício de emoções; a história transcorre em

  um só dia, num janeiro chuvoso de um ano que acaba em seis; como alguns cavalos fugiram, o burrinho, que

       cometera o engano de ficar buscando sal perto da varanda da casa acabou sendo escolhido; este é

o primeiro equívoco que decide o destino e ajeita caminho à grandeza dos homens e dos burros, segundo narrador

   Francolim, o capataz, alerta o patrão de uma iminente briga entre Badu e Silvino; Badu namorava uma moça

  caolha q desprezou Silvino, daí o ódio deste último; no percurso, vários casos são relatados pelos boiadeiros;

 1) touro calundu [mau humor, irritabilidade] não batia em gente a pé, mas perseguia os cavaleiros; certa vez, na

  proteção de um grupo de vacas e bezerros, enfrentou uma onça e a pôs para correr; 2) matou Vadico, filho do

 fazendeiro Neco Borges: o pai, vendo o filho ensangüentado, puxou e revólver e decidiu matar o touro; o menino
ENREDO
                                       O burrinho pedrês
 pediu para q poupassem a vida de Calundu; o pai, então, envia-o, por Raymundão, a outra fazenda, mas o touro

misteriosamente amanhece morto; depois da chuva grossa, a boiada chega ao córrego da Fome, como a travessia

 é perigosa, o Major pede cautela; todos passam; em certa altura da viagem Saulo pede para q Francolim troque

de lugar com Manico e monte Sete-de-Ouros; Francolim pede p/ q destroquem antes de chegar ao povoado, pois

 não ficaria bem o capataz chegar num burrinho daqueles; Silvino é motivo de preocupação, pois vendera seus 4

   bois por um preço abaixo do mercado e carregava mais bagagem q os outros, por isso o Major determinou q

Francolim ficasse de olho nos dois; a chegada da boiada é uma festa: o povo, mesmo com chuva, vai para o curral

   da estrada de ferro, assistir ao embarque; os vaqueiros andam pelo povoado; todos bebem; quem fica mais

   embriagado é Badu; na hora de voltarem, destinam-lhe Sete-de-Ouros; Francolim espera por Badu, o povo

vaia o vaqueiro Bêbado: dizem q o burrinho era muito pequeno para Badu, cujas pernas já iam quase arrastando

  no chão; o Major Saulo não está com a comitiva; seguem Badu, Francolim e mais oito vaqueiros, na volta para

  a fazenda da Tampa; Tote tenta convencer seu irmão Silvino a não matar Badu, mas o vaqueiro está resolvido;

             os 10 vaqueiros em suas montarias se dirigem para o Rio da Fome, de volta para casa;
ENREDO
                                        O burrinho pedrês
 mais histórias são contadas: 3) a do estouro da boiada q matou dois vaqueiros no tempo em que o Major Saulo

era novo; 4) a história do tristonho pretinho de Goiás q acabou desaparecendo com a boiada; Silvino vai tramando

  a morte de Badu quando os boiadeiros se assustam com a enchente; o passarinho João Corta-Pau anuncia o

 perigo e Manico e Juca Bananeira temem enfrentar as águas; com medo, todos esperam para ver se o burrinho

 entraria na água [pois burro nunca entra em um lugar de onde não consegue sair]; Sete-de-Ouros, carregando

 Badu às costas, entra na água; todos o seguem; então, dá-se a tragédia – oito vaqueiros morrem naquela noite:

   Benevides, Silvino, Leofredo, Raymundão, Sinoca, Zé Grande, Tote e Sebastião; o burrinho Sete-de-Ouros

com Badu agarrado à sua crina e Francolim à cauda, conseguiu atravessar o mar de águas em q se transformara

    o pequeno córrego; já em terra firme, livrou-se de Francolim e seguiu para a fazenda, onde livraram-no do

                                vaqueiro que dormia em suas costas e do arreio.
O BURRINHO PEDRÊS
                             aspectos técnicos
           E ao meu macho rosado/ carregado de algodão/ perguntei: pra onde ia/ Pra rodar no mutirão

epígrafe             macho [burrinho]; carga leve e pesada [Badu: apaixonado e bêbado]

                        carga [fardo da vida, peso do mundo]; resposta [solidariedade]
O BURRINHO PEDRÊS
                                         aspectos técnicos
                                            O BURRINHO
                                         [aspectos da personagem]


       Brinquinho               Rolete            Chico Chato             Capricho           Sete-de-Ouros

velho, sábio e limpo [sem bicheiras nem carrapato]; está sempre de olhos semicerrados [contemplação filosófica]

é convicto, resignado e guarda forças para quando for preciso é impassível e sereno, contrapondo-se ao mundo

das paixões humanas; é um filósofo em meio aos tumultos dos bois e à impaciência dos cavalos; é sereníssimo

     pode-se afirmar que, nesta história, o protagonista, Sete-de-Ouros, aparece personificado; veja, ainda:

É, mas a pior de todas é a arrancada do gado triste, querendo-a; querência... Boi apaixonado,
que desmama, vira fera... Saudade em boi, eu acho que ainda dói mais do que na gente.
O BURRINHO PEDRÊS
                                        aspectos técnicos
                                        METALINGUAGEM
                          [na história, há personagens que contam histórias]


mamparra [na condução da boiada, os boiadeiros puxam conversas e contam casos]: histórias dentro da história:

além das já indicadas no resumo do enredo, há a do homem mau, q vendia o gado e depois o roubava; o gado, ao

         morrer berrava o nome do homem, acrescentando q ele iria para o inferno [Leôncio Madureira]

                                      GÊNERO LITERÁRIO
                             [por se tratar de um conto, o gênero é épico]



              aspectos trágicos                                        aspectos cômicos


       o conto relata a morte de oito vaqueiros              riso do patrão, ciganos q marcaram o burrinho,

         que são tragados pelo Rio da Fome                        ridículo chapéu de Francolim [jóquei]
O BURRINHO PEDRÊS
                                          aspectos técnicos
                                         FOCO NARRATIVO
                               [terceira pessoa: narrador onisciente neutro]


o locutor, distanciado, constrói uma história na qual o protagonista se agiganta no final [misto de novela e epopéia]

                                                   TEMPO
                          [a cronologia é imprecisa: há idas e voltas no tempo]


 a história transcorre em um dia apenas [caráter trágico], de um ano terminado em seis [caráter negativo]; lentidão

                                                  ESPAÇO
                                                [sertão mineiro]


         Fazenda da Tampa; Vale do Rio das Velhas; atente para o significativo nome do rio [Rio da Fome]
O BURRINHO PEDRÊS
                                     a festa da linguagem
                                           metáforas e símiles

mosca varejeira usa barriga azul; crina do burrinho é como uma escova de dentes; dorso do gado são cordilheiras

de cacundas sinuosas; um zebu está vestindo os lados cara com as orelhas; chifres [parênteses, âncoras, liras...]

                                                  hipélage

            os currais se mexiam de tanto boi [transporte de características do objeto para o sujeito]

                                        cromatismo hiperbólico

       e o Major Saulo indicava, mesmo na beira do estacado, um boi esguio, preto-azulado, azulego; não

                          azul-asa-de-gralha, água longe, lagoa funda, céu destapado.

                                                  antíteses

                      Badu era um homem muito ébrio em cima de um burro muito lúcido

                                                 paradoxos

                      Silvino é medroso, mole, está sempre em véspera de coisa nenhuma
O BURRINHO PEDRÊS
                                        a festa da linguagem
neologismo [perigalhos]                               hipérbole                             neologismo [desinfeliz]

                de noite, saiu uma lua rodoleira, que alumiava até passeio de pulga no chão fala Raymundão

                                                      sinestesia

                                     o cheiro da chuva cheira gostoso, cheiro de novidade

                                          parágrafo só de adjetivos

Galhudos, gaiolos, estrelos, espcios, combucos, cubetos, lobunos, lompardos, calderios, cambraias, chamurros,
churriados, corombos, cornetos, bocalvos, borralhos, chumbados, vareiros, silveiros... E os tocos da testa do
mocho macheado, e as armas antigas do boi comalão...

                                          pentassílabos virgulados
As ancas balançam e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa
embolorada com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado
junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão.

                                           aliterações, trissilábicos

Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... dansa doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... vai, vem,
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O BURRINHO PEDRÊS
                                            personagens
                                        SETE-DE-OUROS
                     [miúdo, resignado, idoso, protagonista: será posto à prova]



                                          MAJOR SAULO
                                 [dono do burro, da fazenda e dos bois]


Corpulento, quase obeso, olhos verdes. Só com o olhar mandava um boi bravo se ir de castigo. Estava sempre
rindo: riso grosso, quando irado; riso fino, quando alegre; riso mudo de normal. Não sabia ler nem escrever, mas
cada ano ia ganhando mais dinheiro, comprando gado e terras.

                                          JOÃO MANICO
                           [vaqueiro pequeno que montara Sete-de-Ouros]


Manico montou no burrinho na ida. Na volta, trocou de montaria. Na hora de entrar na água, refugou, alegou
resfriado e escapou da morte.

                                            FRANCOLIM
                     [capataz da fazenda, cumpre estritamente ordens do major]
O BURRINHO PEDRÊS
                   personagens
                   RAYMUNDÃO
 [vaqueiro de confiança; conta as histórias do zebu mau]



                    ZÉ GRANDE
       [vai à frente da boiada, tocando o berrante]



                       SILVINO
[perdera a namorada para o Badu, por isso o queria matar]



                        BADU
  [vaqueiro apaixonado q escapa da água e de Silvino]

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Análise de o burrinho pedrês, de guimarães rosa

  • 1. O burrinho pedrês, de Guimarães Rosa Manoel Neves
  • 2. GUIMARÃES ROSA Terceira Geração do Modernismo A LINGUAGEM É VISTA COMO INSTRUMENTO grande volume de metáforas surpreendentes, paradoxos, símiles sua obra mimetiza a linguagem do sertanejo + neologismos alteração da sintaxe tradicional + efeitos poéticos de linguagem Pata a pata, casco a casco, soca soca, fasta vento, rola e trota, cabisbaixos, mexe lama, pela estrada, chifres no ar. [fragmento do conto “O burrinho pedrës”]
  • 3. GUIMARÃES ROSA Terceira Geração do Modernismo REGIONALISMO [ambiente] UNIVERSALISTA [temática] SERTÃO ambientaliza questões universais no interior de Minas a redenção, a volta à verdadeira natureza, a vingança 1946: primeiro livro de Guimarães Rosa [contos: narrativas curtas] SAGARANA neologismo: saga [narrativa épica] + rana [à maneira de] = epopéias
  • 4. ENREDO O burrinho pedrês na Fazenda da Tampa, do Major Saulo [homem forte, analfabeto, de olhos verdes e bom senso de humor], os homens estão terminando os preparativos para sair pelo sertão, levando uma boiada [460] de bois de corte; por acaso, Sete-de-Ouros, que estava na varanda da casa, é visto e lembrado: nele vai o franzino João Manico; o burrinho pedrês já tivera tido vários donos e funciona como um duplo do seu dono [Saulo]: são calmos, tenazes, não dados a efusões sentimentais e ao desperdício de emoções; a história transcorre em um só dia, num janeiro chuvoso de um ano que acaba em seis; como alguns cavalos fugiram, o burrinho, que cometera o engano de ficar buscando sal perto da varanda da casa acabou sendo escolhido; este é o primeiro equívoco que decide o destino e ajeita caminho à grandeza dos homens e dos burros, segundo narrador Francolim, o capataz, alerta o patrão de uma iminente briga entre Badu e Silvino; Badu namorava uma moça caolha q desprezou Silvino, daí o ódio deste último; no percurso, vários casos são relatados pelos boiadeiros; 1) touro calundu [mau humor, irritabilidade] não batia em gente a pé, mas perseguia os cavaleiros; certa vez, na proteção de um grupo de vacas e bezerros, enfrentou uma onça e a pôs para correr; 2) matou Vadico, filho do fazendeiro Neco Borges: o pai, vendo o filho ensangüentado, puxou e revólver e decidiu matar o touro; o menino
  • 5. ENREDO O burrinho pedrês pediu para q poupassem a vida de Calundu; o pai, então, envia-o, por Raymundão, a outra fazenda, mas o touro misteriosamente amanhece morto; depois da chuva grossa, a boiada chega ao córrego da Fome, como a travessia é perigosa, o Major pede cautela; todos passam; em certa altura da viagem Saulo pede para q Francolim troque de lugar com Manico e monte Sete-de-Ouros; Francolim pede p/ q destroquem antes de chegar ao povoado, pois não ficaria bem o capataz chegar num burrinho daqueles; Silvino é motivo de preocupação, pois vendera seus 4 bois por um preço abaixo do mercado e carregava mais bagagem q os outros, por isso o Major determinou q Francolim ficasse de olho nos dois; a chegada da boiada é uma festa: o povo, mesmo com chuva, vai para o curral da estrada de ferro, assistir ao embarque; os vaqueiros andam pelo povoado; todos bebem; quem fica mais embriagado é Badu; na hora de voltarem, destinam-lhe Sete-de-Ouros; Francolim espera por Badu, o povo vaia o vaqueiro Bêbado: dizem q o burrinho era muito pequeno para Badu, cujas pernas já iam quase arrastando no chão; o Major Saulo não está com a comitiva; seguem Badu, Francolim e mais oito vaqueiros, na volta para a fazenda da Tampa; Tote tenta convencer seu irmão Silvino a não matar Badu, mas o vaqueiro está resolvido; os 10 vaqueiros em suas montarias se dirigem para o Rio da Fome, de volta para casa;
  • 6. ENREDO O burrinho pedrês mais histórias são contadas: 3) a do estouro da boiada q matou dois vaqueiros no tempo em que o Major Saulo era novo; 4) a história do tristonho pretinho de Goiás q acabou desaparecendo com a boiada; Silvino vai tramando a morte de Badu quando os boiadeiros se assustam com a enchente; o passarinho João Corta-Pau anuncia o perigo e Manico e Juca Bananeira temem enfrentar as águas; com medo, todos esperam para ver se o burrinho entraria na água [pois burro nunca entra em um lugar de onde não consegue sair]; Sete-de-Ouros, carregando Badu às costas, entra na água; todos o seguem; então, dá-se a tragédia – oito vaqueiros morrem naquela noite: Benevides, Silvino, Leofredo, Raymundão, Sinoca, Zé Grande, Tote e Sebastião; o burrinho Sete-de-Ouros com Badu agarrado à sua crina e Francolim à cauda, conseguiu atravessar o mar de águas em q se transformara o pequeno córrego; já em terra firme, livrou-se de Francolim e seguiu para a fazenda, onde livraram-no do vaqueiro que dormia em suas costas e do arreio.
  • 7. O BURRINHO PEDRÊS aspectos técnicos E ao meu macho rosado/ carregado de algodão/ perguntei: pra onde ia/ Pra rodar no mutirão epígrafe macho [burrinho]; carga leve e pesada [Badu: apaixonado e bêbado] carga [fardo da vida, peso do mundo]; resposta [solidariedade]
  • 8. O BURRINHO PEDRÊS aspectos técnicos O BURRINHO [aspectos da personagem] Brinquinho Rolete Chico Chato Capricho Sete-de-Ouros velho, sábio e limpo [sem bicheiras nem carrapato]; está sempre de olhos semicerrados [contemplação filosófica] é convicto, resignado e guarda forças para quando for preciso é impassível e sereno, contrapondo-se ao mundo das paixões humanas; é um filósofo em meio aos tumultos dos bois e à impaciência dos cavalos; é sereníssimo pode-se afirmar que, nesta história, o protagonista, Sete-de-Ouros, aparece personificado; veja, ainda: É, mas a pior de todas é a arrancada do gado triste, querendo-a; querência... Boi apaixonado, que desmama, vira fera... Saudade em boi, eu acho que ainda dói mais do que na gente.
  • 9. O BURRINHO PEDRÊS aspectos técnicos METALINGUAGEM [na história, há personagens que contam histórias] mamparra [na condução da boiada, os boiadeiros puxam conversas e contam casos]: histórias dentro da história: além das já indicadas no resumo do enredo, há a do homem mau, q vendia o gado e depois o roubava; o gado, ao morrer berrava o nome do homem, acrescentando q ele iria para o inferno [Leôncio Madureira] GÊNERO LITERÁRIO [por se tratar de um conto, o gênero é épico] aspectos trágicos aspectos cômicos o conto relata a morte de oito vaqueiros riso do patrão, ciganos q marcaram o burrinho, que são tragados pelo Rio da Fome ridículo chapéu de Francolim [jóquei]
  • 10. O BURRINHO PEDRÊS aspectos técnicos FOCO NARRATIVO [terceira pessoa: narrador onisciente neutro] o locutor, distanciado, constrói uma história na qual o protagonista se agiganta no final [misto de novela e epopéia] TEMPO [a cronologia é imprecisa: há idas e voltas no tempo] a história transcorre em um dia apenas [caráter trágico], de um ano terminado em seis [caráter negativo]; lentidão ESPAÇO [sertão mineiro] Fazenda da Tampa; Vale do Rio das Velhas; atente para o significativo nome do rio [Rio da Fome]
  • 11. O BURRINHO PEDRÊS a festa da linguagem metáforas e símiles mosca varejeira usa barriga azul; crina do burrinho é como uma escova de dentes; dorso do gado são cordilheiras de cacundas sinuosas; um zebu está vestindo os lados cara com as orelhas; chifres [parênteses, âncoras, liras...] hipélage os currais se mexiam de tanto boi [transporte de características do objeto para o sujeito] cromatismo hiperbólico e o Major Saulo indicava, mesmo na beira do estacado, um boi esguio, preto-azulado, azulego; não azul-asa-de-gralha, água longe, lagoa funda, céu destapado. antíteses Badu era um homem muito ébrio em cima de um burro muito lúcido paradoxos Silvino é medroso, mole, está sempre em véspera de coisa nenhuma
  • 12. O BURRINHO PEDRÊS a festa da linguagem neologismo [perigalhos] hipérbole neologismo [desinfeliz] de noite, saiu uma lua rodoleira, que alumiava até passeio de pulga no chão fala Raymundão sinestesia o cheiro da chuva cheira gostoso, cheiro de novidade parágrafo só de adjetivos Galhudos, gaiolos, estrelos, espcios, combucos, cubetos, lobunos, lompardos, calderios, cambraias, chamurros, churriados, corombos, cornetos, bocalvos, borralhos, chumbados, vareiros, silveiros... E os tocos da testa do mocho macheado, e as armas antigas do boi comalão... pentassílabos virgulados As ancas balançam e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolorada com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão. aliterações, trissilábicos Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... dansa doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando.
  • 13. O BURRINHO PEDRÊS personagens SETE-DE-OUROS [miúdo, resignado, idoso, protagonista: será posto à prova] MAJOR SAULO [dono do burro, da fazenda e dos bois] Corpulento, quase obeso, olhos verdes. Só com o olhar mandava um boi bravo se ir de castigo. Estava sempre rindo: riso grosso, quando irado; riso fino, quando alegre; riso mudo de normal. Não sabia ler nem escrever, mas cada ano ia ganhando mais dinheiro, comprando gado e terras. JOÃO MANICO [vaqueiro pequeno que montara Sete-de-Ouros] Manico montou no burrinho na ida. Na volta, trocou de montaria. Na hora de entrar na água, refugou, alegou resfriado e escapou da morte. FRANCOLIM [capataz da fazenda, cumpre estritamente ordens do major]
  • 14. O BURRINHO PEDRÊS personagens RAYMUNDÃO [vaqueiro de confiança; conta as histórias do zebu mau] ZÉ GRANDE [vai à frente da boiada, tocando o berrante] SILVINO [perdera a namorada para o Badu, por isso o queria matar] BADU [vaqueiro apaixonado q escapa da água e de Silvino]