José saramago

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José saramago

  1. 1. José Saramago
  2. 2. José de Sousa SaramagoNasceu em Azinhaga, Golegã, em Novembro de 1922, no distrito de Santarém, na província geográfica do Ribatejo.
  3. 3.  Foi escritor, argumentista, teatrólogo, ensaista, jornalisa, dramaturgo, contista, etc. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi director-adjunto do Diário de Notícias
  4. 4. ATEISMONuma entrevista Saramago diz: •O meu ateísmo facilitou, e muito, na criação do Evangelho. Se fosse católico, teria que aceitar as versões bíblicas, sem me opor a nada. Como ateu, leio os Evangelhos de um ponto de vista mais livre, como se fosse um grande livro de história. O meu ateísmo não é destrutivo, mas sim crítico. •Sou ateu, mas não sou tolo! A sociedade onde cresci e onde vivemos não se concebe sem Deus. Na arte, na linguagem, na cultura popular e erudita a religião cristã está presente. Eu não creio em Deus. Mas se uma pessoa que está ao pé de mim acredita em Deus, então Deus existe para mim através da realidade que é essa pessoa.
  5. 5. Saramago foi considerado o responsávelpelo efectivo reconhecimentointernacional da prosa em línguaportuguesa.
  6. 6.  Foi, em 1992, um dos  fundadores da Frente  Nacional para a Defesa da  Cultura (FNDC) 
  7. 7. Casado, em segundasnúpcias, coma espanhola Pilar delRío, Saramago viveu nailha espanhola deLanzarote, nas IlhasCanárias, onde faleceuem 2010.
  8. 8. OBRAS
  9. 9. As súas obras mais importantes são, “Levantado do Chão”(1980) “Memorial do Convento” (1982),  “O Ano da Mortede Ricardo Reis” (1984), “História do Cerco de Lisboa”(1989), “O Evangelho segundo Jesus Cristo” (1991),“Ensaio sobre A Cegueira” (1995), “As Intermitências daMorte” (2005), “Poesía Completa” (2005).
  10. 10. Memorial do ConventoMemorial do Convento, éum romance histórico ,conhecido internacionalmente,publicado pela primeira vez emOutubro de 1982.Nesta obra, Saramago retrata apersonalidade do rei D. João Ve narra também a vida de váriosoperários anónimos quecontribuíramna quixotesca construção doConvento de Mafra.
  11. 11. E estructura da obra e a seguinte: • A obra é composta por 25 capitulos. Para além da sua divisão em capítulos, da obra destacam-se ainda 3 planos: 1. Plano da Historia. • Portugal no século XVIII. • Reinado de D. João. • Construção do Convento de Mafra. • Inquisição, autos de fé, casamento dos infantes. 2. Plano da ficção da História. • O narrador molda as personagens históricas, transformando-as. • D. João e D. Ana caricaturados. 3. Plano do fantástico. • Construção da Passarola. • Dom de Blimunda.
  12. 12. CONVENTO DE MAFRA
  13. 13. FRAGMENTO COMEÇO DA OBRAD. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de suamulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria paradar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou. Já se murmura nacorte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca,insinuação muito resguardada de orelhas e bocas delatoras e que só entre íntimos seconfia. Que caiba a culpa ao rei. Nem pensar, primeiro porque a esterilidade não émal dos homens, das mulheres sim, porisso são repudiadas tantas vezes, e segundo, material prova, se necessária ela fosse,porque abundam no reino bastardos da real semente e ainda agora a procissão vaina praça. Além disso, quem se extenua a implorar ao céu um filho não é o rei, masa rainha, e também por duas razões. A primeira razão é que um rei, e ainda maisse de Portugal for, não pede o que unicamente está em seu poder dar, a segundarazão porque sendo a mulher, naturalmente, vaso de receber , há-de sernaturalmente suplicante, tanto em novenasorganizadas como em orações ocasionais.
  14. 14. O Evangelho segundo Jesus CristoFoi publicado em Novembro do ano 1991.O livro conta uma história humanizada da vida de Jesus ealude a uma sua eventual relação com MariaMadalena. Ao adoptar essa perspectiva,de humanização de Cristo, distante da representaçãotradicional do Evangelho e evidenciando o seu caráterfrágil e vulnerável, colocase a propaganda história dacrucificação de Jesus, de acordo com a sua visão demundo, segundo a qual “por causa e em nome de Deus éque se tem permitido e justificado tudo, principalmente omais horrendo e cruel", e que, "no fundo, o problema nãoé um Deus que não existe, mas a religião que o proclama.Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas àHumanidade. São palavras duras, mas há que dizê-las". Isso levou a que o livro fosse considerado ofensivopor diversos sectores da comunidade católica, e queSousa Lara, vetasse este livro de uma lista de romancesportugueses candidatos a um prémio literário europeu por"atentar contra a moral cristã".
  15. 15. A principal crítica feita contra a obra é a da livre interpretação dos textossagrados, desvirtuando de forma abusiva os Evangelhos canônicos.Quando saiu a público, o Evangelho Segundo Jesus Cristo suscitou reaçõespolémicas de parte dos católicos. Entre elas, a do arcebispo de Braga, D. EuricoDias Nogueira, proferida em maio de 1992:  •Um escritor português, ateu confesso e comunista impenitente, como ele mesmo se apresenta, resolveu elaborar uma delirante vida de Cristo, na perspectiva da sua ideologia político-religiosa e distorcida por aqueles parâmetros. A apregoada beleza literária, a existir nesta obra, longe de atenuante e muito menos dirimente, constitui circunstância agravante da culpabilidade do réu, seu autor.
  16. 16. O Ano da Morte de Ricardo ReisÉ um romance escrito em 1984 cujoprotagonista é o heterónimo RicardoReis de Fernando Pessoa.Após a morte de Pessoa, José Saramagoaventurou-se a terminar a história deRicardo Reis, o que acha que "sábio éaquele que se contenta com o espectáculodo mundo". O autor cria a sua versãoalternativa da história, a que poderia tersido, fazendo uso de informações oficiais emisturando-as com fontes oficiosas.O personagem que empresta o nome à obraretorna a Lisboa em 1936, após umaausência de 16 anos, e aí se instalaobservando e testemunhando o desenrolarde um ano trágico, através do qual o leitor élevado a sentir o clima sombrio em queo fascismo se afirma na sociedade,antevendo-se um futuro negro na históriade Portugal, Espanha e Europa.
  17. 17. História do Cerco de LisboaÉ um romance de  que funde duas histórias. Aprimeira história é a de um revisor de provas quetem como trabalho verificar as correcções de umaobra intitulada "História do cerco de Lisboa". Estehomem é tentado a fazer uma alteraçãoao texto introduzindo a palavra "não" quandoexiste a aceitação por parte dos cruzados deajudarem o rei português a tomar a cidade. Assim aobra ficaria adulterada, uma vez que os cruzadospassam a não ajudar o rei a tomar a cidade aosmuçulmanos. A outra história é a da tomadade Lisboa aos Muçulmanos, que o revisor acabarápor recontar imaginando que os cruzados nãoajudavam os portugueses.Nesta segunda história, que no livro decorre emsimultâneo com a primeira, a obra assume carácterde romance histórico, mostrando Saramago a suamaestria na descrição medieval domundo islâmico e cristão.
  18. 18. Ensaio sobre A CegueiraEnsaio sobre a Cegueira é um romance ,publicado em 1995. A obra se tornouuma das mais famosas de seu autor.Saramago diz do livro, "Este é um livrofrancamente terrível com o qual eu queroque o leitor sofra tanto como eu sofri aoescrevê-lo. Nele se descreve uma longatortura. É um livro brutal e violento e ésimultaneamente uma das experiênciasmais dolorosas da minha vida. São 300páginas de constante aflição. Através daescrita, tentei dizer que não somos bons eque é preciso que tenhamos coragem parareconhecer isso."
  19. 19. É uma crítica aos valores sociais, expondo o caos a que se chega quando amaioria da população cega. Revela traços da sociedade portuguesacontemporânea, vislumbrando a maneira como as pessoas vivem atravésde suas descrições das casas, dos utensílios, das roupas. As personagensnão têm nomes, sendo descritas por características próprias. O primeirocego, o médico, a mulher do primeiro cego, a rapariga de óculos, etc.Uma epidemia se alastra a partir de um homem que cega esperando osemáforo abrir. Inexplicável é a imunidade da mulher do médico,parecendo que sua bondade, sua preocupação com o marido, mesmoconvivendo entre os cegos sem medo de cegar, a impede de contrair amoléstia. Mas a solidariedade da mulher do médico estende-se, ainda,àqueles de convívio mais estrito, sendo verdadeiro anjo de guarda dos quedividem com ela a enfermaria do hospício abandonado em que sãoconfinados os primeiros a contrair o mal.
  20. 20. FILMENuma cidade grande, o trânsito é subitamente atrapalhado quando um motorista de origemjaponesa, não consegue dirigir e diz ter ficado cego. Ele é ajudado a chegar em casa por umhomem, que acaba por roubar seu carro. No dia seguinte ele e a mulher vão consultar umoftalmologista, que não descobre nada de errado com os olhos do primeiro cego. Esse diz aindaque uma "luz branca" impede a sua visão. Pouco tempo depois, todas as pessoas que tiveramcontato com o primeiro cego - sua esposa, o ladrão, o médico e os pacientes da sala de espera doconsultório - também ficam cegas. O governo trata a doença como uma epidemia e imediatamentecoloca de quarentena os doentes, em uma instalação vigiada o tempo todo por soldados armados.A mulher do oftalmologista é a única que não é afetada, mas finge estar com a doença paraacompanhar o marido em seu confinamento.O filme foi rodado em Toronto, no Canadá, em São Paulo e Osasco no Brasil eem Montevidéu no Uruguai.
  21. 21. FRAGMENTO COMEÇO DA OBRAO disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleram antesque o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho dohomem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando asfaixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos separeça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas,impacientes, com o pe no pedal de embraiagem, mantinham em tensão oscarros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar achibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para oscarros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora,aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares desemáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores decada um, é ima das causas mais consideráveis dos engorgiamentos dacirculação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termocorrente.
  22. 22. POESÍA
  23. 23. A poesía de Saramago, é escasa. Está composta portres livros, “Os poemas possíveis”, “Provavelmente Alegria”,e “ O Ano de 1993”.
  24. 24. Até ao sabugoPrimeiro poema da obra “Os Poemas Possíveis” Dirão outros, em verso, outras razões, Quem sabe se mais úteis, mais urgentes. Deste, cá, não mudou a natureza Suspensa entre duas negações. Agora, inventar arte e maneira De juntar o acaso e a certeza, Leve nisso, ou não leve, a vida inteira. Assim como quem rói as unhas rentes.
  25. 25.  Foi galardoado com  o Nobel de  Literatura de 1998. Também ganhou o  Prémio Camões, um  dos mais importantes  em literatura  portuguesa em 1995.
  26. 26. FIM

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