Absolutismo régio

O absolutismo régio estabeleceu-se na Europa a partir da segunda metade do século XV. Um
pouco por toda a Europa Ocidental, as Coroas assumiram-se cada vez mais como detentoras
únicas do poder. Em Espanha, o processo foi desencadeado por Carlos V. Em França, Luís XI
derrotou o poder dos grandes senhores, chamando a si o protagonismo do poder. Na Inglaterra,
Henrique VII        ergueu uma monarquia forte sobre os alicerces do poder constitucional.
Em Portugal, como de resto em toda a Europa, é difícil determinar com rigor o início da monarquia
absoluta. No entanto, pode afirmar-se que o absolutismo é estabelecido por D. João II, que,
decidido a aniquilar as tendências feudalistas da Casa de Bragança, inspirou os procuradores dos
concelhos a formularem queixas contra os nobres. Mais tarde, D. Manuel I e D. João III
reforçaram      o          poder     régio      e       completaram         a      centralização      administrativa.
O absolutismo em Portugal sofreu uma paragem e até um certo retrocesso durante a ocupação
espanhola (1580-1640), período em que se verificou um aumento do poder e influência não só das
autoridades locais como das camadas mais privilegiadas. Por outro lado, a Restauração de 1640,
com a fisionomia algo democrática própria do momento, dificultou a imposição do poder real. Além
disso, a monarquia estava desprovida de órgãos de autoridade central. Reconhecendo a limitação
do poder real, D. João IV decretou que um monarca português, antes de o ser, teria de jurar
salvaguardar os privilégios, as liberdades e fraquezas do seu povo. Por tudo isto, a monarquia
absoluta                                                                                                      perigava.
No entanto, passado este período conturbado da História portuguesa, o poder real foi-se
reafirmando         e     o    absolutismo          reapareceu,       tornando-se       cada    vez        mais   forte.
O absolutismo no nosso país atingiu o auge no século XVIII. Com D. José, o intervencionismo da
Coroa é total, levando o absolutismo às últimas consequências, raiando mesmo o despotismo
integral e intolerante. O rei, cujo poder ilimitado se dizia provir de Deus, legislava como entendia.
Esta prática fez-se sentir em todos os domínios da vida política, desde problemas de grande
importância nacional e internacional a problemas da vida quotidiana das populações. Nem a Igreja
escapava às garras deste poder. Só no período das Lutas Liberais (1820-1834) se iria pôr termo à
monarquia absoluta em Portugal.




Como                                 referenciar                                 este                             artigo:
absolutismo.   In       Infopédia   [Em   linha].    Porto:   Porto   Editora,   2003-2010.    [Consult.    2010-10-05].
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Absolutismo regio -_leitura_suplementar

  • 1.
    Absolutismo régio O absolutismorégio estabeleceu-se na Europa a partir da segunda metade do século XV. Um pouco por toda a Europa Ocidental, as Coroas assumiram-se cada vez mais como detentoras únicas do poder. Em Espanha, o processo foi desencadeado por Carlos V. Em França, Luís XI derrotou o poder dos grandes senhores, chamando a si o protagonismo do poder. Na Inglaterra, Henrique VII ergueu uma monarquia forte sobre os alicerces do poder constitucional. Em Portugal, como de resto em toda a Europa, é difícil determinar com rigor o início da monarquia absoluta. No entanto, pode afirmar-se que o absolutismo é estabelecido por D. João II, que, decidido a aniquilar as tendências feudalistas da Casa de Bragança, inspirou os procuradores dos concelhos a formularem queixas contra os nobres. Mais tarde, D. Manuel I e D. João III reforçaram o poder régio e completaram a centralização administrativa. O absolutismo em Portugal sofreu uma paragem e até um certo retrocesso durante a ocupação espanhola (1580-1640), período em que se verificou um aumento do poder e influência não só das autoridades locais como das camadas mais privilegiadas. Por outro lado, a Restauração de 1640, com a fisionomia algo democrática própria do momento, dificultou a imposição do poder real. Além disso, a monarquia estava desprovida de órgãos de autoridade central. Reconhecendo a limitação do poder real, D. João IV decretou que um monarca português, antes de o ser, teria de jurar salvaguardar os privilégios, as liberdades e fraquezas do seu povo. Por tudo isto, a monarquia absoluta perigava. No entanto, passado este período conturbado da História portuguesa, o poder real foi-se reafirmando e o absolutismo reapareceu, tornando-se cada vez mais forte. O absolutismo no nosso país atingiu o auge no século XVIII. Com D. José, o intervencionismo da Coroa é total, levando o absolutismo às últimas consequências, raiando mesmo o despotismo integral e intolerante. O rei, cujo poder ilimitado se dizia provir de Deus, legislava como entendia. Esta prática fez-se sentir em todos os domínios da vida política, desde problemas de grande importância nacional e internacional a problemas da vida quotidiana das populações. Nem a Igreja escapava às garras deste poder. Só no período das Lutas Liberais (1820-1834) se iria pôr termo à monarquia absoluta em Portugal. Como referenciar este artigo: absolutismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-10-05]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$absolutismo>.