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BARBOSA, Aparecida.

A música como instrumento lúdico de transformação

          Aparecida Barbosa. Praia Grande, 2012.

                   49 Folhas: il.; 30 cm.

    Orientadora: Profª. Ms. Eliane Aparecida Bacocina.

    TCC - Trabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia).
          Faculdade do Litoral Sul Paulista, 2012.

  1. Música 2. Lúdico 3. Inovação no contexto educacional
DEDICATÓRIA




         Ao pequeno anjo, que apesar de ser “apenas” uma
         criança e possuir pouca idade, é possuidor de uma
         sabedoria inestimável, a qual era capaz de traduzir
         meu falso sorriso, identificando meus momentos
         felizes e tristes que poucos identificavam.

         A qual me enchia de beijos e carinhos, meio este
         que a ele e a mim eram uma maneira de encontrar
         forças para a caminhada, e a causadora de minha
         felicidade.

         Anjo este especial a mim, motivador de todos os
         nossos sonhos, pois os seus sonhos são meus e
         os meus sonhos são teus.

         Motivo pela a qual não me entrego às
         circunstâncias da vida, e hoje vivencio esta
         felicidade que a mim tem proporcionado. Dedico a
         você “Bruno Henrique”, com todo amor...




         Música: “Quando Nasce Uma Criança”
         CD: Crianças Diante do Trono

         Quando nasce uma criança
         O mundo inteiro sorri
         Porque brilha a esperança,
         De algo bom que está por vir.

         Deus tem um plano para cada bebê
         Antes mesmo de nascer
         Um lindo propósito uma missão
         Um sonho gravado em seu coração
         Pra viver e marcar sua geração

         E você também precisa saber
         Que antes mesmo de nascer
         Deus já tinha um plano pra você

         Um lindo propósito uma missão
         Um sonho gravado em seu coração
         Pra viver e marcar sua geração.
AGRADECIMENTOS




             Agradeço primeiramente a Deus, por ter me proporcionado esta
oportunidade de mais um sonho ser realizado, e por ter me dado forças para ser
perseverante e superar todos os obstáculos que surgiram no decorrer desta jornada,
e com fé, esperança em Deus e dedicação hoje estou no final deste percurso, a qual
eu pretendo ampliá-lo no decorrer de minha carreira.

             E com lágrimas nos olhos agradeço ao meu eterno “bebê” que fez parte
desse processo, vivenciando cada passo dessa jornada, se alegrando com minha
alegria e sofrendo com o meu sofrimento e ausência, pois muitas vezes mesmo que
presente tornava-se ausente por estar com o pensamento distante focada nos
estudos sem dar lhe maior atenção.

             Agradeço a esta criança tão pequena, que muitas vezes me solicitava
para conversar, contar história, brincar e nem sempre podia suprir seus desejos. E
mesmo diante desta dificuldade, ele sabia ser adorável, com seu jeito amável e
carinhoso.

             Agradeço a toda minha família pela compreensão de minha ausência, em
especial à minha mãe, por estar ao meu lado me apoiando e ajudando ao longo
deste processo de formação.

             Às minhas colegas e amigas de faculdade em especial a Regina Duarte, a
Glória Camanho, Michelly Aparecida e Camila Laiola, aonde juntas transformávamos
as informações em conhecimentos com nossas pesquisas e dúvidas que apareciam
ao longo do curso, além de nossas confidências, desabafos, passeios relaxantes,
em fim por se tornarem parte integrante e necessária de minha vida.

             A minha professora, orientadora Ms. Eliane A. Bacocina, por ter nos
acompanhado neste processo de graduação, onde estava sempre aberta a tirar
nossas dúvidas, disponibilizando materiais, sendo esta pessoa sempre prestativa,
atenciosa e acima de tudo possuidora de um saber amplo a qual explanava nossas
dúvidas com clareza, contribuindo para a nossa formação.
A professora Elizabeth, por ser uma pessoa extremamente justa em suas
ações, onde conhecia a personalidade de cada aluno. Em suas aulas estava sempre
estimulando o nosso crescimento com sua fala “está muito bom, mas você é capaz
de ir mais além”, a qual acreditava em nossa capacidade onde, contribuiu muito no
inicio da e decorrer da faculdade, onde já estava há 10 anos sem estudar, com a
mente “enferrujada”.

          A professora Arlete, por ser esta pessoa tão humanista, e sábia, a qual
não tira conclusões precipitadas, mas é capaz de identificar cada aluno, sendo
extremamente justa em suas ações.

          Ao professor Artarxerxes, por relatar um pouquinho da prática pedagógica
em suas aulas, fazendo reflexões sobre a práxis - teoria e prática.

          A professora Fátima possuidora de um grande saber e alegria que a todos
contagiava, onde tornava suas aulas prazerosas e ricas em informações e
conhecimentos.

          A professora Ocirema por entender nosso ponto de vista, dificuldades e
contribuir mediante suas aulas para nossa ampliação e entendimento, como também
à professora Cristina, Gisele, Vera e Marina, onde me identifiquei muito com suas
aulas, apesar destas terem ocorrido em apenas um bimestre. Obrigada a todas as
professoras e professores que, com sua especificidade, contribuíram para formação,
propiciando novos aprendizados sobre as diferentes concepções de educação.
“A   tarefa     do    professor    é    preparar
motivações para atividades culturais, num
ambiente      previamente     organizado,        e
depois     se        abster   de       interferir".
M. Montessori
RESUMO




           A forma como se tem possibilitado o desenvolvimento social, físico,
afetivo e cognitivo, vem sendo discutido por muitos pesquisadores no intuito de
redimensionar práticas inovadoras que ressaltem o processo de formação da
criança, a qual torne o saber mais significativo. Conclui-se que ela é uma verdadeira
linguagem de expressão e uma das mais importantes formas de expressão humana,
a qual contribui para a formação global da criança. Justifica-se por si só, a sua
presença na educação como um todo, abrangendo as diferentes áreas e disciplinas
educacionais.


           Palavras chaves: Música, lúdico, inovação, contexto educacional.




                                  ABSTRACT




           The way it has allowed the social, physical, cognitive and affective, has
been discussed by many researchers in order to resize innovative practices that
underscore the formation process of the child, which makes the learning more
meaningful. We conclude that it is a true expression language and one of the most
important forms of human expression, which contributes to the formation of the child.
Justified itself, its presence in education as a whole, covering different educational
fields and disciplines.


           Keywords: Music, playfulness, innovation, educational context.
Sumário



Introdução................................................................................................................11

  1. Parte de mim.....................................................................................................13
  2. A importância de práticas transformadoras para o processo de ensino
       aprendizagem....................................................................................................16
  3. A música como instrumento lúdico de transformação.......................................21
  4. A música e a inclusão........................................................................................32
  5. A música e o brincar..........................................................................................35
  6. A música folclórica.............................................................................................38
  7. O uso da música como um recurso didático......................................................42
  8. Considerações finais..........................................................................................47
  9. Referências bibliográficas..................................................................................48
8




                                  INTRODUÇÃO




            Impressionada ao presenciar crianças sendo vítimas do “autoritarismo”
em sala de aula, na qual as atividades são desenvolvidas de forma tradicional, onde
a criança não desperta nenhum interesse em relação ao processo de ensino
aprendizagem, e nem tem conhecimento da importância em aprender, percebi a
necessidade de práticas inovadoras, diferenciadas e lúdicas que venham a atender
as especificidades de cada criança.
            Mediante algumas aulas pouco construtivas que presenciei, fui
percebendo a necessidade de metodologias que, antes de tudo, levem em conta a
criança e sua totalidade.
            E a minha experiência vivida com a música me motiva a buscar novas
metodologias a serem desenvolvidas, que despertarão o interesse de nossos futuros
cidadãos.
            Pois o método tradicional de ensino é um perfil mecânico, que forma
cidadãos passivos, e este perfil não cabe mais à sociedade atual, pois estamos na
era da tecnologia, que exige conhecimentos que vão além do mecânico e do mero
reprodutor, e sim que levem à reflexão, ou seja, que levem à formação de seres
pensantes, ativos e reflexivos.
            O primeiro capítulo retrata minha experiência com a música, aonde
presenciei os benefícios que esta me proporcionou. No segundo capitulo, é
abordado sobre a importância das práticas transformadoras na educação. Neste
capitulo são abordadas a concepção tradicional e a concepção construtivista,
descrevendo os principais pensadores da educação musical na Idade Moderna e
suas contribuições, e outros pesquisadores que comprovaram os benefícios da
música na vida do ser humano, fazendo uma breve reflexão sobre a lei que torna
obrigatório o ensino de música a partir do ano de 2012. Este capítulo também
percorre na reflexão sobre a importância da música como prática transformadora
para o processo de ensino aprendizagem, esta reflexão percorre os outros capítulos
nos quais são abordados os temas sobre a música no processo de inclusão, sobre a
música e o brincar como um processo de assimilação do real, sobre a música
9



folclórica como retrato de nossa cultura, e no último capitulo descreverei algumas
possibilidades de inserir a música no âmbito pedagógico.
          Nas séries iniciais, o aluno não tem a maturidade de entender a função da
escola e sua importância, então cabe a nós professores procurar práticas inovadoras
que possam suprir a necessidade de conhecimento nos dias atuais, que atenda as
especificidades de cada criança despertando sua curiosidade e vontade em
aprender e conscientizando sobre a importância daquele aprendizado.
10




      1. PARTE DE MIM




          Filha    de   mãe   extremamente     religiosa,   frequentava   a   igreja
constantemente e, mediante a imposição de alguns dogmas daquela religião, não
tive contato com os meios de comunicação e informação na minha infância e
adolescência, portanto, foi lá que tive meu primeiro contato com a música, a qual me
encantava e motivava constantemente.

          Quando menina era extremamente tímida, porém, quando cantava era
como se não fosse eu, todos os meus medos e vergonhas simplesmente não
existiam naquele momento, a timidez era tanta que não me socializava, mas quando
comecei a ter o contato com a música era como se fosse mágico, eu era capaz de
comunicar com as outras pessoas do grupo. E mesmo com essa mudança de
comportamento não sabíamos que era a música que estava sendo benéfica ao meu
desenvolvimento.

          Contudo, quando engravidei, procurava meios que trouxessem benefícios
para mim e o bebê e, apesar de gostar de música, nunca havia observado os efeitos
que ela poderia causar e, mediante este objetivo, comecei relacionar os efeitos da
música em meu eu e em um ser que estava em formação dentro de mim.

          Com isso, comecei a perceber que a música incitava a criança presente
em meu ventre e a impressão que tinha sempre que ouvia música é que ela saltitava
de alegria. Era como se estivéssemos em contato externo e em plena harmonia,
como se ambos relaxassem conjuntamente com a música.

          Ao nascer, a criança chora pelo seu primeiro contato com o mundo
externo, e isso aconteceu naturalmente. Mediante seu choro, comecei a entoar uma
canção que ouvíamos muito em sua formação e, mediante essa canção, o bebê se
acalmou e parou de chorar.

          E com esta rica experiência que tive com a minha gestação, comecei
ainda mais explorar o universo da música, procurando sempre selecionar diversos
11



gêneros musicais em que acredito que irão contribuir para a educação, formação,
desenvolvimento e aprendizagem de meu filho.

          Hoje vivencio os benefícios da música no desenvolvimento do meu filho,
em sua aprendizagem e formação de conceitos podendo afirmar que seu processo
de desenvolvimento evoluiu de forma precoce, comparando a teoria do
desenvolvimento cognitivo de Piaget.

          Aos dois anos o meu filho “Bruno” já sabia identificar as cores, os
números e o alfabeto. Foi assim que aprendeu as cores, os números, o alfabeto e
até mesmo diversas culturas mediante algumas musicas infantis, porém, procuro
utilizar diversos gêneros musicais, não me restringindo apenas à música infantil.

          Hoje em dia (aos quatro anos) ele é uma criança questionadora que não
recebe tudo como uma verdade absoluta e, infelizmente, muitas das vezes acabo
falando a ele: “Agora não, filho, depois conversamos, estou fazendo trabalho”.

          Também foi com a música que consegui superar alguns momentos
difíceis que ocorreram na minha gestação, e com isso agradeço muito a Deus pelo
privilégio e experiência que tive em conhecer um pouco - na prática - esse universo
musical, que a mim foi muito marcante. Como relata Bondia:

                       A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não
                      o que se passa não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam
                      muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-
                      ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça.
                      Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de
                      experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas
                      coisas, mas a experiência é cada vez mais rara. (BONDIA, 2002, p. 24)



          Mediante vários conhecimentos adquiridos ao longo do curso de
Pedagogia, e o desenvolvimento cognitivo e motor do meu bebê, percebi que é
possível trabalhar com a música nas séries iniciais da educação, contribuindo com a
formação de conceitos de forma lúdica.

          Então, a experiência vivida é uma informação mediante a qual poderemos
ampliar nossos conhecimentos para formação de novos conceitos, passando este
conhecimento de vivência para o científico. Contudo, muitas vezes estas
experiências passam despercebidas diante da vida agitada que a sociedade atual
12



está vivendo.


                     ...a experiência é cada vez mais rara, por falta de tempo. Tudo o que se
                     possa passa demasiadamente depressa, cada vez mais depressa. E com
                     isso se reduz cada vez mais o estimulo fugaz e instantâneo, imediatamente
                     substituído por outro estimulo ou por outra excitação igualmente fugaz e
                     efêmera. (BONDIA, 2002, p. 23)



          Mediante a falta de tempo que o mundo moderno não permite devido ao
excesso de trabalho, acabamos muitas das vezes não dando valor a um fato que a
vida nos permite vivenciar, podendo ser uma experiência de extrema importância,
pois ao analisar uma experiência vivenciada com a teoria estudada podemos
observar que ambas caminham de mãos dadas, fazendo-os crescer como sujeitos.

          Pois de fato, isso é muito comum, porém, se pararmos um pouco para
refletir sobre elas, podemos perceber que, muitas servirão para a nossa vida. Pois,
“o saber que vem dos livros e das palavras e é no trabalho que se adquire a
experiência”. (BONDIA, 2002, p.23).
13




      2. A IMPORTÂNCIA DE PRÁTICAS TRANSFORMADORA PARA O
         PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM




          Antigamente, a criança era vista como um adulto em miniatura, pois a
idade não a diferenciava do adulto. A mesma partilhava do trabalho dos adultos,
sendo considerado um “adultocentro”, ou seja, não se tinha conhecimento de suas
necessidades e especificidades.

                          A preocupação com o estudo da criança é bastante recente na
                          história da humanidade. Aliás, a própria ideia de criança, tal como a
                          concebemos hoje (como um ser que tem necessidades, interesses,
                          motivos e modo de pensar específicos), não existia antes do século
                          XVII (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 6).



          E “a partir do século XVII, passou-se admitir a ideia de que a criança era
diferente do adulto não apenas fisicamente” e com isso começou a surgir no começo
do século XX concepções mediante um estudo cientifico do comportamento infantil a
qual descrevessem as necessidades das crianças.

          Essas concepções educacionais descrevem a importância da infância,
sendo a infância uma fase de extrema importância onde ocorre à formação de
personalidade   e   caráter,   e   mediante    isto,   podemos       perceber     a   grande
responsabilidade do professor nesse processo, a qual poderá contribuir ou não para
a formação dos futuros cidadãos.

          A LDB, Lei de Diretrizes e Bases – Lei de Darcy Ribeiro relata que a
educação é dever da família e do estado, a qual visa o “desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício de cidadania e sua qualificação para o
trabalho”. Então podemos perceber o grau de importância para as séries iniciais
mediante o processo de formação de cidadão.

          Como formar um cidadão capaz de intervir em sua realidade social
mediante uma educação tradicionalista a qual segundo Fontana “a Pedagogia
tradicional considera que os conceitos científicos não têm nenhuma história interna,
14



sendo esses transmitidos prontos à criança e memorizados tal qual por elas,” visto
que para desenvolver as capacidades no aluno proposto pela LDB é necessário um
ensino que leve o aluno a ser o sujeito de sua ação, um aluno ativo e questionador.

                     O resgate da reflexão do educador sobre sua prática pedagógica é o
                     embrião de sua teoria que desemboca na necessidade de confronto e
                     aprofundamento com outros teóricos. E, é nessa tarefa de reflexão que o
                     educador formaliza, da forma, comunica o que praticou, para assim pensar,
                     refletir, rever o que sabe e o que ainda não conhece; o que necessita
                     aprender, aprofundar em seu estudo teórico (FREIRE 2008. P. 57).




          Cabe a nós refletirmos sobre nossa prática pedagógica, pois uma grande
parte das concepções de ensino utilizadas nas escolas provém do método
tradicional, que forma seres passivos, que recebem tudo sem questionar e não
levando em conta a expressão da criança e suas elaborações, pois os conceitos
passados nesse método são transmitidos às crianças com definições prontas para
transmitir o significado a elas e mediante uma série de exercícios de repetições,
levando-as a decorarem e não a entenderem.

          Na prática pedagógica construtivista, o professor leva em consideração a
construção do conhecimento pelo aluno, despertando seu interesse em relação ao
processo de ensino aprendizagem partindo do conhecimento que os educando já
possuem para ampliá-los.

          Segundo Rangel (2002) a prática construtiva é fundamentada em
conceitos relevantes e pertinentes para o contexto social. A teoria não é algo distinto
da realidade educacional, a qual muitos professores têm colocado, torna-se distinta
no momento em que o professor conhece a teoria e não utiliza em sua prática
pedagógica, ou pensam que as novas concepções visam que o aluno, sozinho, deve
construir seus conhecimentos. Na concepção construtivista o aluno “reconstrói” o
conhecimento como afirma Pedro Demo em uma entrevista ao site educacional


                           Eu guardo um profundo respeito pela proposta piagetiana chamada
                           construtivismo. Mas eu prefiro o termo reconstrutivismo, porque é
                           culturalmente mais plantado. Normalmente, a gente não produz
                           conhecimento totalmente novo, no sentido de uma construção nova.
                           Nós partimos do que já está construído, do que já está disponível, do
                           conhecimento que está aí diante de nós e o refazemos,
                           reelaboramos. Eu penso que o termo reconstrução é muito mais
                           realista, só isso (DEMO, 2012).
15




           Nesse processo de reconstrução de conhecimento, o professor tem
fundamental importância, pois o mesmo deverá desempenhar o papel de mediador
do conhecimento, levando o aluno a reconstruir e reformular os conceitos, ou seja,
ele não pensará pelos alunos, mas deverá orientá-los quanto à diversidade de
caminhos que poderá seguir, oferecendo assim recursos e desenvolvendo propostas
pedagógicas que irão favorecer na reconstrução e apropriação do conhecimento.

           Essas concepções novas e norteadoras do construtivismo estão
propostas no PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais - que são diretrizes para uma
educação de qualidade fundamentada nos principais pesquisadores da educação e
na LDB.

           O PCN visa uma educação voltada para as necessidades de
aprendizagem da criança e que acompanhe seu processo de desenvolvimento e
maturação. E perante seus princípios inovadores propõe que esta educação venha
partir do conhecimento que o aluno possui para ampliá-los, partindo do seu contexto
social, formando cidadãos aptos a viverem em sociedade, sendo estes seres críticos
e reflexivos.

           No processo de ensino aprendizagem, será de fundamental importância o
conhecimento do professor mediante as concepções inovadoras de ensino que
descrevem como a criança aprende, pois a criança nas series iniciais é uma criança
curiosa e questionadora, e muitas vezes o professor ao invés de instigar essa
qualidade da criança, mediante sua falta de conhecimento ou comprometimento os
mesmos acabam tirando isso da criança mediante seus dogmas e imposições que
visam que os alunos sejam seres passivos e, esse processo de ensino trata-se da
educação tradicional que ocorre mediante a depositação de conteúdos para que os
alunos memorizem, ou seja, uma educação bancária.

                    A educação “bancária”, em cuja prática se dá a inconciliação educador-
                    educando rechaça o companheirismo. Na educação bancária o educador é
                    sempre o que sabe, enquanto os educando serão os que não sabem. A
                    rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processo
                    de busca. E é lógico que seja assim. No momento em que o educador
                    “bancário” vivesse a superação da contradição já não seria mais “bancário”
                    (p.68).
16



             Freire em seu livro “Pedagogia do Oprimido” deixa claro o seu repúdio à
educação tradicional, pois a mesma domestica os alunos, tornando seres para o
outro e não para si. Denominou-se então a educação tradicional como uma
educação bancária, que tem por visão que o aluno é uma “tábua rasa”, um ser sem
conhecimentos anteriores, a qual se devem depositar conteúdos. Nesta concepção,
não cabe o diálogo sendo um elemento fundamental para uma educação
transformadora, um exercício de consciência, compreensão e transformação de sua
realidade.

             Para Freire a educação é um ato político e pedagógico, não é algo neutro.
E a prática educativa como prática política não se restringe à mera reprodução de
conteúdos, mas esses conteúdos devem ser algo significativo aos alunos, fazendo
parte de sua realidade, para que os mesmos venham a identificar os problemas,
sociais, culturais, regionais e até mesmo educacionais e mediantes estes, eles
venham refletir e agir sobre esta realidade, tornando-se cidadãos históricos culturais.

             Muito se confunde ao falarmos em formar um aluno ativo, porém, formar
um aluno ativo dependerá das ações do professor, do critério de ensino utilizado e a
forma como este é desenvolvido. O professor que utiliza meios que levem o aluno à
reflexão, este será um facilitador na formação de um aluno ativo, tornando o
educando capaz de usar a atividade mental, cognitiva.

             Nesse processo, é de fundamental importância que o professor leve o
aluno a identificar suas falhas, com o propósito de que o aluno compreenda e
reconstrua seus próprios conhecimentos, e em meio esse desajuste ocorrerá o
desequilíbrio e a reequilibração, ou seja, a atividade cognitiva, a qual levará o aluno
à apropriação do conceito.

             Todavia, segundo Rangel, a teoria de Piaget não nega a importância da
memorização dos conteúdos aprendidos, embora se refira à importância da
aprendizagem significativa para que haja memorização.

             Pois existem conteúdos que exigem a memorização, como algumas
regras gramaticais, por exemplo, e essa memorização pode acontecer mais
facilmente em decorrência de uma atividade mais interessante. O aprendizado deve
ser significativo e fazer sentido para o aluno, para que este venha a fixar, não
17



esquecendo em decorrência dos anos, tornando a prática consistente e voltada para
a autoconstrução integral do educando como ser humano.

          Porém, não existe um método pronto, pois o processo de ensino
aprendizagem não é algo fácil e dependerá muito do comprometimento,
conhecimento e responsabilidade do professor, mediante as novas concepções de
ensino, que tem por objetivo nortear os professores para uma educação de
qualidade que venha atender as especificidades de cada criança.

          Com conhecimento, responsabilidade e comprometimento do professor, o
mesmo estará apto a estimular o seu aluno a desenvolver a autonomia intelectual e
a formação de ideias críticas.
18



       3. A MÚSICA COMO INSTRUMENTO LÚDICO DE TRANSFORMAÇÃO




           A música já vem sendo trabalhada há séculos, desde a Grécia Antiga.
Para os gregos, a música tinha um grande significado, a qual era sinônimo de cultura
intelectual que engloba a literatura e a arte.

           Para os Gregos, a música tinha o objetivo de propiciar uma cultura de
espírito no ser humano através do ritmo e da harmonia, transcendendo o domínio
musical, propiciando equilíbrio numa relação cósmica, enquanto a ginástica, já
estava ligada à cultura do corpo, sendo os dois principais objetivos da educação
naquela época, e também os principais atributos dos deuses gregos, a qual era tida
com o propósito de temperar a alma. Como descreve FONTERRADA:



                      Essa visão é colaborada por Platão que, em muitos de seus textos
                      desenvolve uma ampla discussão estética e ética a respeito da música.
                      Para Platão e todos os gregos, a literatura, a música e a arte tem grande
                      influencia no caráter, e seu objetivo é imprimir ritmo e harmonia e
                      temperança a alma. Por isso deve-se preservá-la como tarefa do estado. (p.
                      19, 2005)



           Platão identificou que a música afeta positivamente o caráter emocional
dos indivíduos, tendo o poder de produzir estados emotivos nos ouvintes, já para
Aristóteles, a música tem o poder de modificar o estado de espírito do individuo e da
alma. Porém, foi Platão quem pensou a música com objetivo pedagógico, a qual
traria equilíbrio e perfeição aos indivíduos.

                      A música é a mais imediata expressão de Eros, uma ponte entre a ideia e
                      fenômeno. Nessa concepção, o principal papel da música é pedagógico,
                      pois sendo responsável pela ética e pela estética, esta implicada na
                      construção da moral e do caráter da nação, o que transforma em evento
                      publico e não privado. Cada melodia, cada ritmo e cada instrumento tem um
                      efeito peculiar na natureza moral da res publica. Segundo a concepção
                      helênica, a boa música promove o bem estar e determina as normas de
                      conduta moral, enquanto a música de baixa qualidade destrói. Desse modo,
                      na Grécia, a boa música é estreitamente relacionada e determinada pelas
                      normas de conduta moral, o que se mostra o uso da mesma palavra –
                      nomos – para designar a correta harmonia e lógicas musicais e as leis
                      morais, sociais e políticas do estado (p. 19).
19



          Para os gregos a música tinha o mesmo valor na educação quanto à
disciplina de filosofia e matemática. A princípio, para a civilização grega, a educação
de música era atrelada à ginástica. Com o passar do tempo, o estudo da música
passou a incluir a poesia e letras (gramática), e era só no ensino superior que era
incluída a Filosofia como disciplina, objetivando a preparação dos educando para a
vida em sociedade e ao exercício da cidadania.

          Na história da música ouve oscilações, pois Aristóteles apesar de
reconhecer que a música pode modificar o estado de espírito do indivíduo e da alma,
ele afirma que a mesma não serve para se utilizar na educação moral.



                     Diferentes concepções convivem e se entrelaçam e pode se dizer que, na
                     época, a música é considerada uma disciplina cientifica, mas de acordo com
                     o santo Agostinho, “não serve a propósitos educacionais e morais, como
                     queria o pensamento platônico e de outros filósofos gregos” (Lang, 1941, p.
                     50). Para ele, a importância das artes liberais poderia ser avaliada de outro
                     modo: as várias disciplinas não seriam a única via para Deus, mas um meio
                     de prevenção contra as tentações oferecidas pelo mundo herético
                     (FONTERRADA, 2005, p. 24).



          Apesar de a cultura da Grécia Antiga ter dado origem à presente
civilização ocidental, não foi mantida uma continuidade direta da música, porém,
influenciou significativamente a cultura romana e consequentemente ampliando a
Idade Média mediante suas noções de harmonia, escalas e modo.

          Já na Idade Moderna, Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778), exerceu
uma forte influência sobre o pensamento musical de sua época. Rousseau foi um
dos principais percussor da Pedagogia Moderna, e era considerado como o pai da
Pedagogia Moderna, por ter identificado que a criança é um ser que tem suas
necessidades e é necessário educá-la de acordo com sua natureza.

          A pedagogia musical rousseauniana foi um marco histórico educacional,
por sua pedagogia tomar como base a experiência lúdica, e essas perspectivas
educacionais propiciaram com o rompimento da pedagogia musical escolástica e o
conceito de infância, a qual tinha como ideia a criança como um adulto em miniatura.

          Para Rousseau, a produtividade dos processos pedagógicos musicais só
é alcançada por meio de investigações específicas para identificam o modo de
20



aprendizado dos sentidos e os conhecimentos prévios já adquiridos de cada criança,
esse processo já foi defendido por vários estudiosos como fundamental no ato
pedagógico partir do conhecimento e experiência de cada criança para depois
ampliá-los, tornando esse aprendizado significativo, pois a criança não é uma tábua
rasa e vazia na qual devem ser depositados conteúdos, mas ela é um ser em
construção com conhecimentos e necessidade específica de aprendizagem.

           Rousseau foi um dos precursores da pedagogia musical ativa, a qual tem
por característica o respeito pela criança em seu crescimento e desenvolvimento
físico, psíquico e intelectual, onde cada indivíduo é único e o processo de ensino
aprendizagem deve pensar na formação do ser e não no acúmulo de
conhecimentos.

           Para Rousseau, o ser humano nasce bom, e ao entrar na sociedade o
mesmo vai sendo corrompido por ela, e para que isso não ocorra na pedagogia
musical, é importante o seu gosto e usar estratégias a partir de seus interesses para
despertar o gosto pela música. O melhor caminho no início da pedagogia musical,
segundo Rousseau, é ouvir e vivenciar a música através da sensação, trabalhando o
pulso, o movimento sonoro e até o corpo em si para depois fazer a leitura da música.

           Segundo Fonteferrada, além de Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Froebel
fazem parte desse grupo- principais percussores dos métodos ativo da pedagogia
musical.

           Pestalozzi (1746 – 1827) era educador suíço primeiro reconhecido como
educador infantil a qual sua proposta educacional visava à formação do caráter, e
para ele, a música favorecia na educação moral, contribuindo positivamente no
caráter do cidadão, seus princípios da educação musical segundo Fonteferrada
(2005 p. 52) era:

                          Ensinar sons antes de ensinar signos e fazer a criança a aprender a
                     cantar antes de aprender a escrever as notas ou pronunciar nomes.
                          Levá-la a observar auditivamente e a imitar sons, suas semelhanças
                     e diferenças, seu efeito agradável e desagradável, em vez de explicar
                     coisas ao aluno – em suma, tornar o aprendizado ativo, e não passivo.
                          Ensinar uma coisa de cada vez: ritmo, melodia e expressão antes da
                     criança executar a difícil tarefa de praticar elas de uma vez.
                          Fazê- la trabalhar cada passo dessa divisão até que domine antes de
                     passar para o próximo.
                          Ensinar os princípios e as teorias após a prática.
21



                           Analisar e praticar os elementos do som articulado para aplicá-los na
                      música.
                           Fazer que os nomes das notas correspondam aos da música
                      instrumental.


            Herbart (1776 – 1841) opõe-se as ideias de Pestalozzi e Rousseau. Para
ele, a educação deveria ser um processo conservador, ele foi o primeiro
desenvolvedor do sistema de teoria da educação musical, a qual tinha por finalidade
a formação do caráter moral do indivíduo.
            Froebel, educador alemão que viveu entre 1782 a 1852 e foi considerado
o educador mais completo do séc. XIX. Em 1826, ele desenvolveu o primeiro jardim
de infância. A essência de sua pedagogia era voltada à ideia de atividade e
liberdade, e seus pensamentos propiciaram a reformulação da educação.
            Para Froebel, o ensino de canto deveria iniciar com canções divertidas,
animadas e simples, utilizando essas músicas com frequência, pois a criança
pequena no início de sua aprendizagem musical não desenvolveria várias coisas ao
mesmo tempo. Froebel defende a inclusão de artes na escola como o ensino de
canto musical, “com a intenção de assegurar a cada criança um amplo e completo
desenvolvimento de sua natureza na apreciação de obra artística” (Fonteferrada
2005 p.53 apud Scholes).
            Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Froebel pensaram a música como parte
integrante no processo educacional, sendo que Rousseau, Pestalozzi e Froebel
pensaram o ensino de música atrelado às necessidades e especificidades das
crianças, enquanto Herbart pensou o ensino de música como um processo
conservador, porém, todos perceberam o quanto a música é importante para o
desenvolvimento da criança.
            A música era uma das disciplinas escolares, mas aos poucos, foi
perdendo o seu espaço na escola. Hoje, após 40 anos sem música como uma das
disciplinas escolares, podemos dizer que fomos beneficiados com a lei 11.769/2008,
que trata da obrigatoriedade da música na educação. Apesar de este relato ser
oportuno já que há diversos estudos que comprovam os benefícios da música neste
processo.

            A lei 11.769 foi publicada no Diário Oficial da União, em 19 de agosto de
2008 alterou a LDB – Lei de Diretrizes e Bases nº 9394 de 20 de dezembro de 1996,
tornando obrigatório o ensino de música no Ensino Fundamental e Médio, e foi
22



estipulado o prazo de três anos as escolas públicas e particulares, para a inserirem a
música como mais uma disciplina da grade curricular, tornando-a obrigatória a partir
do ano de 2012.

            Com isso, trabalhar com a música tornou-se um desafio para muitas
instituições de ensino, por falta de preparo e de profissionais qualificados, formados
nessa área.

            A lei 11.769, não descreve sobre a inserção da música nas séries iniciais,
porém, o RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil
descreve:

                      Adultos cantam melodias curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras
                      cantadas com rimas, parlendas, etc..., reconhecendo o fascínio que tais
                      jogos exercem. Encantados com o que ouvem os bebês tentam imitar e
                      responder, criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e
                      cognitivo, responsáveis pela criação de vínculos tanto com os adultos
                      quanto com a música.

                      Integrar a música à educação infantil implica que o professor deva assumir
                      uma postura de disponibilidade em relação a essa linguagem.
                      Considerando-se que a maioria dos professores de educação infantil não
                      tem uma formação específica em música, sugere-se que cada profissional
                      faça um contínuo trabalho pessoal consigo mesmo no sentido de:

                      • sensibilizar-se em relação às questões inerentes à música;

                      • reconhecer a música como linguagem cujo conhecimento se constrói;

                      • entender e respeitar como as crianças se expressam musicalmente em
                       cada fase, para, a partir daí, fornecer os meios necessários (vivências,
                       informações, materiais) ao desenvolvimento de sua capacidade expressiva
                       (BRASIL, 1998, p. 51).



            O RCNEI propõe a utilização da música na Educação Infantil desde os
pequenos (berçário), a qual proporciona um vínculo afetivo que é fundamental para
despertar na criança a confiança, sendo um fator importantíssimo e “facilitador” no
processo de ensino aprendizagem. Mediante essa proposta, o professor poderá ir
ampliando o seu trabalho com a música, pois a mesma contribui para a socialização,
noção de espaço, sendo inúmeros os benefícios que ela proporciona às crianças.

            No Ensino Fundamental I, ficará a cargo do Pedagogo a trabalhar com
esta disciplina, o que será benéfico ao professor e para o aluno, sendo mais uma
forma lúdica de ensinar, a qual promove momentos de prazer e diversão. Dessa
23



forma, o professor será capaz de levar as crianças a atingir o aprendizado com
excelência.

           A música vem sendo discutida por vários estudiosos que identificaram em
suas pesquisas o poder de transformação que proporciona na vida das pessoas,
contribuindo principalmente no processo de assimilação do conhecimento,
ampliando o desenvolvimento cognitivo da criança.

           Hans Gunther Bastian realizou, na Alemanha vários estudos e pesquisas
para identificar os benefícios que a música proporciona nos indivíduos e, procurou
identificar que atividade representa na vida das pessoas.

           E, mediante esta pesquisa, realizada em crianças em idades escolares,
em um período aproximado de dois anos de inserção da música na educação
escolar, percebeu-se o poder transformador que ela exerce no processo
pedagógico, a qual ocasionou um aumento significante do QI – quociente de
inteligência – nas crianças. Além de reduzir as manifestações de violência na criança
que, segundo Bastian “um dos fatores que propiciavam estas violências de forma
geral, era alguns programas de televisão, como filmes, desenhos e novelas”, além
de muitas crianças que viviam em ambientes desfavoráveis, presenciando diversos
tipos de violências e isso reflete na vida escolar, tornando complexo o cotidiano
escolar.

                   Quando pensamos na complexidade de tudo o que ocorre na escola,
                     percebemos a multiplicidade de relações em que este envolvido o ensinar e
                     o aprender. Relações econômicas, materiais, relações sociais e
                     institucionais, relações entre conteúdos e métodos de ensino, crenças,
                     concepções, teorias. O cotidiano da escola é sempre permeado por tudo
                     isso e, dessa forma, não é tarefa simples procurar aprendê-lo, analisa-lo e
                     compreende-lo (FONTANA; CRUZ, 1997, p. 4).



           São inúmeros fatores que ocorrem nas relações sociais das crianças, que
dificultam o processo de assimilação do conhecimento.

           Segundo um estudo realizado pela revista “Nature Neuroscience”
realizado no Canadá pelo instituto Neurológico de Montreal e do Hospital Neuro na
Universidade McGill e publicado no site “g1.com.br”, o efeito da música que leva o
ser humano a se apaixonar é causado pela mesma razão que esses são atraídos
para o sexo, jogo ou comida saborosa.
24



            Este estudo foi realizado em pessoas consideradas amantes da música,
com as mesmas músicas relatadas por elas que causavam sensações de prazer,
como: arrepio, calar frio e tremor. O método de investigação foi realizado da seguinte
forma: foi deixado que os participantes ouvissem as músicas selecionadas por eles
durante 15 minutos. Após ouvirem as músicas foi injetada nos participantes uma
substância radioativa que liga aos receptores da dopamina e com um aparelho
específico conseguiram ver a reação que a música proporcionou aos participantes.

            Com este aparelho, os estudiosos conseguiram ver uma enorme
quantidade de dopamina sendo liberada, e se essas ocupavam todos os receptores
cerebrais disponíveis, e mediante este estudo conseguiram ver definitivamente e
pela primeira vez que o individuo, ao ouvir uma música que o emociona, o cérebro é
capaz de liberar grandes quantidades de dopamina, que é um importante
neurotransmissor presente no cérebro que atua promovendo, entre outros efeitos, as
sensações de prazer e motivação.

            Após esta comprovação, essas pessoas também foram submetidas a
outro teste através da Ressonância Magnética Funcional, e esse teste foi feito com a
execução das músicas selecionadas, e mediante esta técnica foi comprovado que a
liberação da dopamina presente no cérebro não só ocorre ao ouvir a música, mas no
momento de antecipação musical, e esse efeito é ampliado ainda mais quando a
música esta em sua parte mais intensa.

            Esse estudo demonstra que a música proporciona um “prazer abstrato”, e
este é comparado com a mesma sensação de um ato sexual, de uma alimentação
saborosa e até mesmo a sensação causada no ato da utilização de drogas, porém,
esta sensação é saudável, não trazendo sequelas, mas consequências positivas.

            A música, por seu poder transformador, poderá contribuir para o
desenvolvimento da inteligência da criança, e por ela ter o “poder” de invadir e
contagiar a criança e por ser uma atividade lúdica a qual proporciona na criança um
aprendizado de forma prazerosa, contribuindo na formação de um ser crítico e
criativo.

                      Criar “é um processo existencial. Não lida apenas com pensamentos, nem
                      somente com emoções, mas se origina nas profundezas do nosso ser, onde
                      a emoção permeia os pensamentos ao mesmo tempo em que a inteligência
                      estrutura, organiza as emoções. A ação criadora da forma torna inteligível,
25



                     compreensível o mundo das emoções”. (FREIRE 2008. p.63 apud
                     OSTROWER).



           A criança que tem a oportunidade de vivenciar diversas experiências
musicais amplia sua forma de expressão e de entendimento do mundo e, essa
experiência musical possibilita o desenvolvimento do pensamento criativo. Segundo
Weigel criar é:


                     Um ato de originar alguma coisa. Ser criativo é viver adaptando formas de
                     expressão as necessidades da vida. O processo criativo está em
                     desenvolvimento quando somos capazes de criar ou recriar determinada
                     situação com a qual nos deparamos. Para estimular a criatividade, é
                     necessário que o professor seja criativo para estimular a criança, podendo
                     auxiliar na reelaboração do pensamento para ideias produtivas. A música
                     por si só contribui para o desenvolvimento criativo (WEIGEL, 1988, p.188).



           O estudo sobre a criatividade é recente, pois antigamente os estudiosos
acreditavam que para ser criativo era necessário ser inteligente, e foi a partir da
década de 50 que começaram os estudos sobre a criatividade, a qual foi
comprovada que para estimular a criatividade é necessário ser criativo, ou seja, a
criança para desenvolver sua criatividade é necessário que ela faça parte de
ambientes que a estimulem a desenvolver a criatividade, onde esta se faça presente
neste ambiente.
           O educador deve ser possuidor da criatividade, e utilizá-la no ambiente
educacional, antes de querer cobrar que seus alunos sejam criativos, pois o
educador criativo irá auxiliar a criança na reelaboração do pensamento para novas
ideias.
           Hoje em dia é muito comum em escolas municipais, nas avaliações do
desenho, a cobrança sobre o poder de criatividade da criança. Mas, como a criança
conseguirá desenvolver sua criatividade se o professor não é possuidor dessa
qualidade, se suas aulas são meramente reproduções repetitivas de conteúdos? Se
a criança não tiver outros estímulos e depender só da escola para desenvolver a
criatividade, isso só será possível se o professor for comprometido com sua prática
pedagógica, a qual entende como a criança aprende respeitando e trabalhando
mediante cada especificidade.
           A música seria uma das possíveis formas de o professor desenvolver a
criatividade na criança, pois ela favorece no desenvolvimento físico, social e
26



cognitivo da criança, propiciando uma maior sensibilidade, reflexão e criatividade. A
inserção da música no desenvolvimento da criança contribui para sua formação de
caráter, tornando os discentes capazes de observar e escutar o mundo à sua volta,
sendo este também um ato de generosidade, no qual os mesmos aprenderá ouvir o
outro, pois:

                     O ver e o escutar fazem parte do processo de construção desse olhar.
                     Também não fomos educados para a escuta. Em geral não ouvimos o que o
                     outro fala, mas sim o que gostaríamos de ouvir. Neste sentido, imaginamos
                     o que o outro estaria falando... Não partimos da sua fala, mas de nossa fala
                     interna. Reproduzimos, desse modo, o monologo que nos ensinaram
                     (FREIRE, 2008, p.45).



           A música é uma das atividades que favorece esse trabalho de escuta,
levando a criança a ouvir e analisar um enunciado. Segundo Freire “o ver e ouvir
demanda implicação, entrega ao outro”, e o professor poderá propiciar que esta
situação ocorra através da construção de grupos na sala de aula.

                     Um grupo se constrói no espaço heterogêneo das diferenças entre cada
                     participante: da timidez de um, do afobamento do outro; da serenidade de
                     um, da explosão do outro; do pânico velado de um, da sensatez do outro;
                     da seriedade desconfiada de um, da ousadia do risco do outro; da mudez
                     de um, da tagarelice de outro; do riso fechado de um, da gargalhada
                     debochada do outro; dos olhos miúdos de um, dos olhos esbugalhados do
                     outro; de lividez do rosto de um, do encarnado do rosto de outro (FREIRE,
                     2008 p. 104).



           Segundo Freire “um grupo se constrói enfrentando o medo que o
diferente, o novo, provoca, educando o risco de ousar e o medo de causar rupturas”,
e isso ocorrem quando o docente propicia atividades musicais que leve a criança
conviver com personalidades, pensamentos e preferências opostas a sua, com isso
o discente vai perdendo seu lado egocêntrico e aprendendo a conviver em grupo. E
segundo Freire o papel do educador é...

                     ...instigar o exercício do conflito na construção das diferenças (para
                     construir a individualidade, a identidade) e, ao mesmo tempo, possibilitar o
                     “desgrude” de seu modelo, até que sua mediação como mito não seja mais
                     necessária... Pois, o mito no grupo muitas vezes cumpre o papel de
                     mediador para a estrutura do conhecimento e a conquista da autonomia
                     (FREIRE 2008, p.110).
27



          E isso só será possível se houver uma relação saudável entre
professor/aluno, aluno/aluno e aluno/professor, num ambiente onde todos vivenciam
uma relação de amizade, repeito, admiração e afetividade. Ao englobar todos esses
aspectos em sala de aula, será por meio da admiração pelo professor e seus
colegas que os alunos tentarão imitar as atitudes e desenvolturas dos mesmos nas
diferentes disciplinas tornando- se cada vez mais autônomos. Segundo Freire:

                     Não existe processo de autonomia que parta da imitação heterogênea.
                     Educando imita educador porque se identifica com este. Educador se
                     empresta como modelo porque se identifica com o educando que um dia ele
                     também foi, e com as hipóteses que este formula (2008, p. 73).



          Para aprender, é necessário o desejo da criança, pois o aprender
segundo Freire “envolve introjeção de modelos, e isso será possível mediante uma
atividade lúdica que desperte o interesse da criança ao aprendizado e a interação e
admiração nessa relação de construção de conhecimento”. E é por meio do lúdico
que a realidade e o faz de conta se confundem, fazendo com que a criança, aos
poucos, vá construindo sua concepção de mundo e sua própria identidade.

          Ao trabalhar com atividades lúdicas, o processo de ensino aprendizagem
é positivo, pois é na interação que as crianças aprenderão a conviver com as
diferenças respeitando-as. As atividades lúdicas tornam o aprendizado prazeroso e
estimulante, oportunizando o desenvolvimento da criança de forma produtiva,
mediante as relações professor - aluno e aluno – aluno.

                     Desde o nascimento a criança está em constante interação com os adultos,
                     que compartilham com ela seu modo de viver, de fazer as coisas, de dizer
                     de pensar integrando-a aos significados que foram sendo produzidos e
                     acumulados historicamente. As atividades que ela realiza, interpretadas
                     pelos adultos, adquirem significado no sistema de comportamento social do
                     grupo a que pertence (FONTANA; CRUZ, 1997, p. 57).

          Pois é na interação que eles aprenderão a conviver, respeitando as
diferenças e favorecendo o seu desenvolvimento como descreve Fontana e Cruz
sobre o pensamento de Vygotsky:

                     O desenvolvimento é compreendido por Vygotsky como um processo de
                     internalização de modos culturais de pensar e agir. Esse processo de
                     internalização inicia-se nas relações sociais, nas quais os adultos ou as
                     crianças mais velhas, por meio da linguagem, do jogo, do “fazer junto”,
                     compartilham com a criança seus sistema de pensamento e ação
                     (FONTANA; CRUZ, 1997, p. 63).
28




            Mediante esta concepção, a criança em nível escolar estará em constante
desenvolvimento, se o professor desenvolver atividades que potencializam a
capacidade de compreensão através da música, pois segundo Vygotsky, “o bom
aprendizado é somente aquele que se adianta ao desenvolvimento”. Sendo a
música,    uma ferramenta         valiosa   para   dar   continuidade   ao   processo   de
desenvolvimento e formação do aluno.

            Poderemos trabalhar com a música na educação nos diferentes níveis
escolares, desde as séries iniciais, pois ao utilizarmos a música desde os
pequeninos, podemos presenciar o quanto ela é importante no processo de
aquisição da fala. Podem-se observar uma criança que é estimulada com a música,
ela tenta “cantarolar” as canções que ouvira e tenta imitar e se socializar com o
ambiente, já que a música é um produto cultural e universal, e está presente na vida
de todos e em todo o mundo. Fontana descreve que, “segundo a abordagem
histórico cultural, a relação do homem e o meio é sempre mediada por produtos
culturais humanos com o instrumento e o signo e pelo o outro”.

            A música também é uma linguagem e o educador pode interagir com a
criança por meio desta linguagem, buscando o universo desta criança em relação à
música, como sua tradição e seus ritmos preferidos, pois o conhecimento do mundo
se dá por diversos canais, porém, o da música é o único que não tem outra atividade
que a substitui.

            Nesse processo de inserção da música na educação, é importante que o
professor tenha a sensibilidade para lidar com os diversos gêneros musicais, não
gerando     preconceito,   pois    cada     criança   terá   suas   preferências   musicais
influenciadas às vezes pelo ambiente em que vive. Então, a música não se limita
apenas em ouvir e cantar, podendo ser uma alinhada do professor em suas práticas
pedagógicas, e é papel do professor utilizar dos meios para atingir os fins, que é
uma educação de qualidade contra o preconceito, e alienação, mas tornando um ser
criativo e crítico.
29



         4. A MÚSICA E A INCLUSÃO




           Nos últimos anos as propostas educativas evoluíram muito no que se
refere às pessoas com necessidades educacionais especiais, avançaram de forma
significativa no Brasil.

           Todos os profissionais que estejam envolvidos com o processo de
reabilitação e acreditam que o lúdico na música é um instrumento valioso de
desenvolvimento para o ser humano, precisam se conscientizar da importância de se
buscar novos meios para a prática pedagógica diversificada, que vise, acima de
tudo, o ser humano.

           Até meados de 40 a atenção às pessoas com necessidades especiais era
baseada no paradigma de institucionalização e se caracterizava pela segregação de
pessoas com deficiência em instituições residenciais ou escolas especiais em
lugares distantes da sua família.

           A partir da década de 40, os questionamentos fundamentados na
Declaração Universal dos Direitos Humanos, discutem o direito a liberdade e
igualdade de todos os seres humanos em dignidade, independente da sua raça, cor,
sexo, língua ou outras características, bem como o direito à educação gratuita a
todos.

           Nesse contexto, dois novos conceitos integraram o debate social no que
se referia à relação da sociedade com as pessoas com deficiência, à
“desinstitucionalização” e à normalização que defendiam a necessidade de introduzir
a pessoa com necessidades educacionais especiais na sociedade, procurando
ajudá- la a adquirir melhores condições de vida.

           Integração era o nome desse conceito de querer deixar o deficiente mais
semelhante às demais pessoas para integrá-los ao convívio em sociedade.

           Esse modelo de atenção à pessoa com deficiência denominou-se
paradigma de serviços, que logo recebeu críticas, pois criava a expectativa de que
pessoas com deficiência deveriam se assemelhar às pessoas sem deficiência.
30



          A partir dessa discussão, surgiu o paradigma de suporte, que para os
direitos serem iguais é necessário que haja um suporte (social econômico, físico ou
instrumental), ou seja, um instrumento que garanta à pessoa o acesso a todo e
qualquer recurso da comunidade.

          Cabe à escola promover adaptações, sejam elas quais forem, o que torna
necessários ao professor ter conhecimento sobre as questões pedagógicas e
estruturais. É importante refletirmos sobre outras possibilidades educacionais, tais
como o lúdico na música, pois certamente as manifestações artísticas integram a
educação e trazem benefícios imensuráveis para a formação de todo o indivíduo.

          O lúdico na música pode ser um instrumento importante para se aprimorar
a comunicação, com muita frequência assume aspectos de recreação e, certamente,
é fonte comprovada de reabilitação.

          Mas todas essas possibilidades em relação à música, não excluem a
importância da educação musical, vista como um processo pedagógico bem
estruturado de alfabetização e sensibilização, ainda mais que dentro deste processo,
além da aprendizagem musical em si, pode-se observar a melhoria de vários
aspectos na vida do indivíduo.

          A prática pedagógica vem comprovando isso constantemente. Existem
alunos que além de aprender conteúdos sobre a música ao mesmo tempo, tem um
ótimo rendimento musical, neste caso, é importante que não haja distância entre
educar e habilitar através do lúdico musical.

                     A deficiência exige, muitas vezes, adaptações. E dentro delas há inúmeras
                     possibilidades. Em relação ao fazer musical, podemos promover
                     adaptações de instrumentos musicais, como órteses para auxiliarem no
                     manuseio de instrumentos ou baquetas. Podemos também promover
                     adaptações de materiais, tais como partitura em Braille, material ampliado
                     para os com visão subnormal, apostilas simplificadas para quem tem
                     deficiência mental, dentre outras. (LOURO, 2006).

          Esse trabalho de educação e reabilitação exige muita dedicação,
competência, fundamento teórico e criatividade, a qual o professor possa criar...

                     ...adaptações de objetivo e de conteúdo, isto é, alterações no currículo para
                     que o aluno possa acompanhar melhor a aula. Por exemplo, enquanto para
                     uns estejam sendo abordados compassos com diferentes unidades de
                     tempo, para um aluno com deficiência mental pode-se abordar a
                     compreensão da semínima como pulsobase para a realização de um ditado
                     rítmico. Nesse contexto, o professor avaliará de forma diferenciada ambos
31



                     os alunos, mas cada qual dentro de suas competências para aquele
                     momento. (LOURO, 2006)



          A educação musical, realizada por profissionais formados e consistentes
com de seu papel, educa e reabilita a todo o momento, uma vez que afeta o
indivíduo em seus aspectos principais, sendo eles, físico, mental, emocional e social.
32



      5. A MÚSICA E O BRINCAR




          A música está presente na vida da criança através de jogos, brincadeiras,
desenhos infantis e até mesmo na escola, mediante as comemorações e festas,
porém, dificilmente presenciamos a música sendo inserida como parte do processo
pedagógico.
          O professor, ao inserir a música e a brincadeira no processo de ensino
aprendizagem, estará criando na sala de aula uma atmosfera de motivação,
permitindo o aluno participar ativamente na construção de seu conhecimento de
forma lúdica e eficaz, a qual irá assimilar experiências e informações e, sobretudo,
incorporando atitudes e valores.



                       Para Piaget, a brincadeira infantil é uma assimilação quase pura do real
                     ao eu, não tendo nenhuma fidelidade adaptativa. A criança pequena sente
                     constantemente a necessidade de adaptar-se ao mundo social dos adultos,
                     cujos interesses e regras ainda lhes são estranhos, e uma infinidade de
                     objetos, acontecimentos e relações que ela ainda não compreende
                     (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 120).



          A música e o jogo presente no brincar é um dos diferentes recursos,
pouco utilizado no processo educacional, que propicia o desenvolvimento cognitivo e
emocional do ser humano, e por ser uma atividade lúdica além do desenvolvimento
cognitivo, favorece o desenvolvimento das estruturas psicológicas, afetivas e
emocionais. É uma atividade benéfica, pois desperta o interesse de todos a
participarem das atividades e, mediante isto, todos aprendem de forma prazerosa,
pois aprendem brincando. Como relata FONTANA (p.126).



                     Na situação de brincadeira a criança supera a ação impulsiva também
                     relativamente aos objetos. Crianças muito pequenas ainda não tem essa
                     capacidade: os objetos é que determinam o que devem fazer, porque sua
                     percepção é sempre um estimulo para a atividade, ou seja, a criança
                     pequena age de acordo com o que vê (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 126).



          No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), o
brincar é considerado essencial ao desenvolvimento, aprendizagem e a socialização
da criança, sendo estes momentos de brincadeiras muitos significativos, nos quais,
33



as crianças manifestam no brincar o modo como elas constituem seus pensamentos,
sentimentos, ideais e conflitos. É com a brincadeira do faz de conta que
identificamos sua cultura e os signos sociais presentes no ambiente em que estão
inseridas.
             Piaget (1978) e Vygotsky (1998) descrevem a brincadeira do faz de conta
como fundamental para o desenvolvimento do pensamento infantil, como descreve
Oliveira:


                       A brincadeira do faz de conta está intimamente ligada ao símbolo, uma vez
                       que por meio dele, a criança representa ações, pessoas ou objetos, pois,
                       estes trazem como temática para essa brincadeira o seu cotidiano (contexto
                       familiar e escolar) de uma forma diferente de brincar com assuntos fictícios
                       contos de fadas ou personagens de televisão (p. 76).



             É na brincadeira que o professor poderá identificar a realidade vivida dos
alunos, as quais, muitas vezes, são sinônimos da “desaprendizagem” da criança, e
com isso poderá contribuir para que essa criança venha a aprender. Wallon relata
que quando nosso emocional não está bem o processo de ensino aprendizagem
também não fluirá de forma significativa, pois, segundo ele, o processo de evolução
depende tanto da capacidade biológica do sujeito quanto do ambiente, que o afeta
de alguma forma.
             Piaget descreve a importância da brincadeira simbólica, do faz de conta, e
do jogo dramático, pois segundo ele, essas atividades são essenciais e
responsáveis ao desenvolvimento integrado da criança, em seus aspectos
cognitivos, afetivos e relacionais. É por meio da brincadeira do faz de conta que a
criança realiza sonhos, revela seus conflitos e se autoexpressa. É na brincadeira que
as crianças reproduzem papéis que representam situações de sua vida real.


                       Para Piaget, situações como essas indicam que na brincadeira do faz de
                       conta (chamada por ele de jogo simbólico) as crianças criam símbolos
                       lúdicos que podem funcionar como uma espécie de linguagem interior, que
                       permite a elas reviver e repensar acontecimentos interessantes ou
                       impressionantes. As crianças, mais do que repensar necessitam de reviver
                       os acontecimentos. Para isso recorrem ao simbolismo direto da brincadeira
                       (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 121).



             Segundo o RCNEI, a música remonta sua função ritualística, seguindo os
costumes que respeitam os momentos próprios de cada manifestação musical, ou
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seja, desde sempre a criança está em contato com a música, mediante as diversas
manifestações musicais que tem acompanhado a história da humanidade através
das diversas culturas presentes em nosso país e também no mundo, onde essas
culturas são manifestadas através de:


                Músicas para manifestar;
                Músicas para dançar;
                Músicas para relaxar;
                Músicas para festividade comemorativas, tais como: o carnaval, a
                  festa junina, música de natal, entre outras.

            Assim como o brincar, a linguagem musical é uma atividade lúdica por
sua multiplicidade, a qual contribui para o desenvolvimento total da criança quando a
música é inserida como parte do processo pedagógico, contribuindo para os
aspectos cognitivos, sociais e afetivos.

            E a música é articulada à brincadeira há década, como na cantiga de
roda, brinquedos cantados, jogos musicais e brinquedos com estilos de instrumentos
musicais.

            Existem diversas brincadeiras antigas, que podem ser inseridas de forma
eficaz, pois possibilitam trabalhar de diversas maneiras, como a “dança da cadeira”,
que possibilita poderá trabalhar o respeito pelo próximo ao respeitar as regras,
trabalhar a coordenação motora, o ritmo da música, mediante os passos dados em
volta da cadeira, e inúmeras outras possibilidades com essa brincadeira e com as
inúmeras outras músicas folclóricas presentes em nosso Brasil.
35




      6. A MÚSICA FOLCLÓRICA



          As músicas folclóricas são canções populares transmitidas de geração a
geração, cujos autores são geralmente do interior do Brasil, e seus nomes é
desconhecidos. Essas canções folclóricas fazem parte de nossa cultura popular
brasileira, podendo ser utilizadas com o objetivo lúdico, utilizando-as nos jogos e
brincadeiras e como parte das atividades pedagógicas.

          Por possuírem letras simples e repetitivas, as músicas folclóricas poderão
ser introduzidas nas séries iniciais do processo de alfabetização e letramento,
poderão ser utilizada para trabalhar a pluralidade cultural presente na música,
demonstrando e descrevendo situações vividas. Geralmente, as suas letras fazem
parte das situações do cotidiano brasileiro do interior de nosso país e retratam por
meio da música, o amor, o namoro, o casamento e o relacionamento, bem como
temas do universo infantil e canções para acalentar o bebê, como essa:

          Nana neném

          Que a cuca vem pegar

          Papai foi pra roça

          Mamãe foi trabalhar

          Desce gatinho

          De cima do telhado

          Pra ver se a criança

          Dorme um sono sossegado



          Boi, boi, boi, Boi da cara preta

          Pega esta criança que tem medo de careta

          Não, não, não, Não pega ele não

          Ele é bonitinho, ele chora coitadinho...

         Bicho papão sai de cima do telhado

         Deixe essa criança dormir sossegada
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          O feio bicho papão, Está em cima do telhado
          Para ver se o meu menino, está no berço deitado."

          "Vai-te coca vai-te coca,
          Sai de cima do telhado
          Deixa dormir o menino,
          um soninho descansado."




          Na canção “Nana neném”, leva-me a acreditar que está sendo relatada,
através da letra, a realidade vivenciada pelo autor desta música, que nesta canção
retrata sobre pais ausentes e criaturas assustadoras, sendo que as criaturas
assustadoras são muito comuns em canções de ninar.

          Essas canções trazem em si, marcas muito comuns de uma cultura da
sociedade, a qual era carregada de estereótipos, preceitos, morais, preconceitos e
até mesmo a imposição do medo para conseguir “dominar” a criança, e não
objetivando conquistar nelas o respeito.

          Em um artigo publicado na Revista Veja em 2006 sobre a modificação de
algumas letras das músicas folclóricas para a utilização nas escolas, eles tentam
mostrar que há algumas letras de músicas que podem estimular a violência nas
crianças, mostrando que essas modificações devem estar de acordo com as
propostas educacionais dos dias atuais. A seguir, algumas figuras com canções e
suas respectivas reescritas publicadas pela revista “Veja” on-line:



              Figura I – “Músicas Folclóricas”.
37




Disponível em: http://veja.abril.com.br/220306/p_116.html.

WEINBERG 2006.
38



          Será que realmente nossas crianças são influenciadas pela letra da
música? E, se isso ocorre, não será pela falta de conscientização e conhecimento?
Pois se trabalhássemos com essas cantigas explicando sua cultura, como o porquê
que essas canções eram escritas dessa forma, e como seria escrever uma canção
em nossos dias atuais estimulando as próprias crianças reescreverem essas
cantigas, o ensino não se tornaria mais efetivo? As duas formas poderão ser válidas
se o professor souber trabalhar propondo os alunos a reescreverem, ou
demonstrando a letra original e sua reescrita, explicando o fato que levou a reescrita
desta canção e conscientizando-os.

          O ensino das tradições no contexto escolar é estimulado pela LDB (LDB-
9394/96), pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – 8069/90) pelo
PCN e pelo RCNEI.

          O ECA e a LDB propõem a valorização das manifestações populares que
os alunos trazem de sua educação materna para a sala de aula, não
desconsiderando essa diversidade, mas vendo essa diversidade como um
instrumento riquíssimo para demonstrar para os alunos a diversidade cultural
presente em nosso país, e que cada peculiaridade é característica de uma região de
nosso pais e até mesmo de outros que vieram para o Brasil, como os Portugueses,
que influenciaram e deixaram algumas características para o nosso pais, como é
proposto pelo ECA:

                   Artigo 58 - “no processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais,
                     artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do
                     adolescente garantindo-se a este a liberdade de criação e acesso as fontes
                     de culturas”(ECA – 8069/90).



          A música não deixa de ser “uma fonte de cultura”, pois sua variedade de
estilos e ritmos também representa diversas manifestações artísticas de nossa
cultura desde a antiguidade até os dias atuais. Por isso, descrevo a música nesse
contexto como uma manifestação artística do ser humano, ou seja, a música é uma
das mais belas artes de manifestação humana.
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       7. O USO DA MÚSICA COMO UM RECURSO DIDÁTICO




            A música, por seu poder transformador, pode ser tornar uma aliada do
professor em seu processo pedagógico, pois além de acalmá-los, motivá-los, e
contribuir para a formação de caráter, de um cidadão ativo, critico, criativo e
reflexivo, é capaz de propiciar um nível de inteligência mais elevado nos alunos que
usufruem da música cotidianamente.

            Com a utilização de músicas do repertório infantil é possível utilizar
músicas também no processo de alfabetização e letramento. Nesse universo infantil
encontramos músicas que contribuem para que as crianças reconheçam as cores,
as formas geométricas, o alfabeto, a sequência numérica, as estações do ano e até
mesmo as famílias silábicas, somo esta:

Alfabeto

Carrossel da Fantasia
O que é que começa com a-
Abacate e avião
O que é que começa com b-
Brincadeira e beliscao
O que é que começa com c-
Carochinha e camião
O que é que começa com d-
Dado dedo e decisão
O que é que começa com e-
Elefante e empurrao
O que é que começa com f-
Faca foca e feijão
O que é que começa com g-
Gato garfo e gratidão
O que é que começa com h-
Harmonia e habitação

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo buuuuuu
Ca ce ci co cuuuuu
Da de di do duuuuuuu....




            E como aliada do professor, a música pode ser inserida nas diferentes
disciplinas pedagógicas, não se restringindo apenas a uma matéria específica,
sendo inserido no princípio da aula, instigando nos alunos o interesse por iniciar a
aula com a música.
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              E esse método não fará o professor fugir de seu contexto, pois no Brasil
temos um acervo riquíssimo de músicas de diferentes compositores, letras, gêneros,
estilos e gostos, essas trazem, em sua letra, diversos enunciados de nossa
realidade atual e de nosso passado, retratando fatores sociais, econômicos,
históricos, geográficos, políticos e ambientais. Vejamos a seguir a música Aquarela
Brasileira:

Aquarela Brasileira

Vejam essa maravilha de cenário:
É um episódio relicário,
Que o artista, num sonho genial
Escolheu para este carnaval.
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela.
Caminhando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais.
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó.
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais.
Estava no Ceará, terra de irapuã,
De Iracema e Tupã
E fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia...
Bahia de Castro Alves, do acarajé,
Das noites de magia do Candomblé.
Depois de atravessar as matas do Ipu
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu.
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza, arquitetura.
Feitiço de garoa pela serra!
São Paulo engrandece a nossa terra!
Do leste, por todo o Centro-Oeste,
Tudo é belo e tem lindo matiz.
No Rio dos sambas e batucadas,
Dos malandros e mulatas
De requebros febris.
Brasil, essas nossas verdes matas,
Cachoeiras e cascatas de colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
E moldura em aquarela o meu Brasil.




              A música Aquarela Brasileira é interpretada por Fernanda Abreu e
também pelo Martinho da Vila, e retrata o belo cenário brasileiro em suas diferentes
regiões, descrevendo algumas regiões e suas características, como, Rio do Samba
e Bahia de Castro Alves. Podendo ser utilizada nas diferentes disciplinas:
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               Língua Portuguesa: levar o aluno a analisar a estrutura do texto, o
                  gênero textual empregado, o significado de alguns enunciados, etc.
               História: a historicidade das regiões descritas no texto, levando os
                  alunos a identificarem quem foi Castro Alves e qual foi o fator que
                  levou ele a ser reconhecido dessa forma? E porque o Rio de
                  Janeiro é reconhecido como Rio do Samba, quais os fatores que
                  propiciaram essa nomeação?
               Ciências: partir da música para levar os alunos a entenderem um
                  pouco sobre a vegetação e a distribuição florestal presente no
                  Brasil. Qual a função da vegetação, por que é importante preservá-
                  la?
               Podendo, também, levar o aluno a reescrever a música sobre a
                  vegetação de sua realidade local, se há algum meio de incentivo
                  para a preservação das poucas árvores existentes.
               Geografia: levar o aluno a identificar a localização de cada região
                  descrita na música;



           O objetivo das diferentes disciplinas é partir da realidade do aluno e seu
conhecimento prévio para, depois, ampliá-los, um meio para conhecer, sondar sua
realidade, também pode ser efetuada através da música, iniciando a aula com uma
música que retrate uma sociedade e, após ouvir, pedir para que os alunos
reescrevam a música retratando sua realidade vivida na sociedade em que cada um
convive. Neste contexto, podem ser utilizadas diversas músicas, tais como:



    O Xote ecológico – de Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga
     Não posso respirar
     Não posso mais nadar
     A terra está morrendo
     Não dá mais pra plantar
     Se plantar não nasce
     Se nascer não dá
     Até pinga da boa
     É difícil de encontrar
     Cadê a flor que estava aqui
     Poluição comeu
     O peixe que é do mar
     Poluição comeu
     O verde onde é que está
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Poluição comeu
Nem o Chico Mendes Sobreviveu


       Brasil de Cazuza - Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...
43



      Grande pátria
      Desimportante
      Em nenhum instante
      Eu vou te trair
      Não, não vou te trair...

      Brasil!
      Mostra a tua cara
      Quero ver quem paga
      Pra gente ficar assim
      Brasil!
      Qual é o teu negócio?
      O nome do teu sócio?
      Confia em mim.

           Em nosso repertório musical brasileiro, há inúmeras possibilidades de
empregar a música ao tema e disciplina em que o professor pretende trabalhar.
Como exemplo o tema “Sociedade”, poderá ser empregada a esse contexto
pedagógico a música Elis Regina – Redescobrir e Cazuza – Ideologia; no tema
“Brasil” poderá usar a música de Cazuza – Brasil e MPB 4 - Brasil de A a Z; no tema
“Ditadura Militar” poderá usar a música Elba Ramalho - Canção da Volta e a música
de Chico Buarque - Meu Caro Amigo. São inúmeros temas que são abordados nas
músicas brasileiras que podem ser associado ao trabalho educativo, como meio de
reflexão e debate.
44




                                  CONSIDERAÇÕES FINAIS




           A música, por seu aspecto lúdico, é um instrumento inovador para ser
usado no processo educacional, e possibilita diversos meios favoráveis para uma
educação de qualidade propiciadora do aprendizado. Contribui de forma significativa
e positiva para a formulação do conceito, e na formação de caráter do sujeito.

          A inserção da música pode ser feita nas diferentes disciplinas escolares e
nas diferentes séries, desde a Educação Infantil favorecendo a construção de uma
prática inovadora, porém, não pretendo defender que a educação se restrinja à
utilização da música, mas mostrar que é possível aliar a música na formação de
nossos discentes.

          A música aumenta a capacidade da criança no aprendizado de
matemática, leitura, escrita e na formulação do conceito. A música e a matemática
estão interligadas, pois desde a Grécia antiga, essa disciplina tinha uma relação
importante nos experimentos de Pitágoras. Pitágoras, com seu instrumento
monocórdio, averiguava, calculava e comparava as vibrações sonoras.

          É importante que nós, educadores, venhamos a construir nossas
propostas pedagógicas pensando nas necessidades dos alunos, e despertemos seu
interesse para a aprendizagem, procurando meios que contribuem para que o
aprendizado seja significativo, contribuindo para a formação de um individuo
pensante e atuante na sociedade.
45




         REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:


ARIÉS, Philippe: História Social da Criança e da Família, Tradução:
Dora Flaksman Rio de Janeiro: Guanabara, 1981.

BASTIAN, Hans Günther, Música na escola: a contribuição do ensino
de música no aprendizado e no convívio social da criança. São
Paulo: Paulinas, 2009.

BRASIL, LDB. Lei 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional.

BRASIL, Secretaria da Educação Fundamental. “Referenciais
Curriculares para a Educação Infantil”: Artes Brasília MEC/SEF,
1998.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental.                   “Parâmetros
Curriculares Nacionais”: introdução/ MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental.                   “Parâmetros
Curriculares Nacionais”: artes/ MEC/SEF, 1997.

BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de
experiência. Revista Brasileira de Educação. 2002.

FONTANA, Roseli. Psicologia e Trabalho Pedagógico. São Paulo:
Atual, 1997. Fonte: Site Educacional Online disponível em:
http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0035.asp Acesso
em 22/04/2012
Fonte:      Site   Legislação      Planalto      Online    disponível    em:
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/le
i%2011.769-2008?OpenDocument Acessado em 18/05/2012
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e
Terra , 1988.
FREIRE, Madalena. Educador educa a dor. São Paulo: Paz e Terra,
2008.
LOURO, Viviane dos Santos. Educação musical e deficiência:
propostas pedagógicas. São Paulo: Do Ponto, 2006.
46



FONTERRADA, M. T. O. De tramas e fios: um ensaio sobre música e
educação. São Paulo: UNESP; Rio de Janeiro: Funarte, 2005.

RANGEL, Anna Maria P. Construtivismo:           Apontando     Falsas
Verdades. Porto Alegre: Mediação, 2002.
WALLON, H. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins
Fontes, 2007.
WEIGEL, A. M. G. Brincando de música. Porto alegre: Kuarup, 1988.
WEINBERG, Monica. Será que funciona? Revista Veja São Paulo, 20
mar. 2006. Disponível em: http://veja.abril.com.br/220306/p_116.html.
Acesso em 30 junho de 2012.
G1- PORTAL DE NOTÍCIAS, Ouvir música causa liberação de dopamina.
São Paulo 10/01/2011. Disponível em http://g1.globo.com/ciencia-e-
saude/noticia/2011/01/ouvir-musica-causa-liberacao-de-dopamina-diz-
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A MÚSICA COMO INSTRUMENTO LÚDICO DE TRANSFORMAÇÃO

  • 1. BARBOSA, Aparecida. A música como instrumento lúdico de transformação Aparecida Barbosa. Praia Grande, 2012. 49 Folhas: il.; 30 cm. Orientadora: Profª. Ms. Eliane Aparecida Bacocina. TCC - Trabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia). Faculdade do Litoral Sul Paulista, 2012. 1. Música 2. Lúdico 3. Inovação no contexto educacional
  • 2. DEDICATÓRIA Ao pequeno anjo, que apesar de ser “apenas” uma criança e possuir pouca idade, é possuidor de uma sabedoria inestimável, a qual era capaz de traduzir meu falso sorriso, identificando meus momentos felizes e tristes que poucos identificavam. A qual me enchia de beijos e carinhos, meio este que a ele e a mim eram uma maneira de encontrar forças para a caminhada, e a causadora de minha felicidade. Anjo este especial a mim, motivador de todos os nossos sonhos, pois os seus sonhos são meus e os meus sonhos são teus. Motivo pela a qual não me entrego às circunstâncias da vida, e hoje vivencio esta felicidade que a mim tem proporcionado. Dedico a você “Bruno Henrique”, com todo amor... Música: “Quando Nasce Uma Criança” CD: Crianças Diante do Trono Quando nasce uma criança O mundo inteiro sorri Porque brilha a esperança, De algo bom que está por vir. Deus tem um plano para cada bebê Antes mesmo de nascer Um lindo propósito uma missão Um sonho gravado em seu coração Pra viver e marcar sua geração E você também precisa saber Que antes mesmo de nascer Deus já tinha um plano pra você Um lindo propósito uma missão Um sonho gravado em seu coração Pra viver e marcar sua geração.
  • 3. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por ter me proporcionado esta oportunidade de mais um sonho ser realizado, e por ter me dado forças para ser perseverante e superar todos os obstáculos que surgiram no decorrer desta jornada, e com fé, esperança em Deus e dedicação hoje estou no final deste percurso, a qual eu pretendo ampliá-lo no decorrer de minha carreira. E com lágrimas nos olhos agradeço ao meu eterno “bebê” que fez parte desse processo, vivenciando cada passo dessa jornada, se alegrando com minha alegria e sofrendo com o meu sofrimento e ausência, pois muitas vezes mesmo que presente tornava-se ausente por estar com o pensamento distante focada nos estudos sem dar lhe maior atenção. Agradeço a esta criança tão pequena, que muitas vezes me solicitava para conversar, contar história, brincar e nem sempre podia suprir seus desejos. E mesmo diante desta dificuldade, ele sabia ser adorável, com seu jeito amável e carinhoso. Agradeço a toda minha família pela compreensão de minha ausência, em especial à minha mãe, por estar ao meu lado me apoiando e ajudando ao longo deste processo de formação. Às minhas colegas e amigas de faculdade em especial a Regina Duarte, a Glória Camanho, Michelly Aparecida e Camila Laiola, aonde juntas transformávamos as informações em conhecimentos com nossas pesquisas e dúvidas que apareciam ao longo do curso, além de nossas confidências, desabafos, passeios relaxantes, em fim por se tornarem parte integrante e necessária de minha vida. A minha professora, orientadora Ms. Eliane A. Bacocina, por ter nos acompanhado neste processo de graduação, onde estava sempre aberta a tirar nossas dúvidas, disponibilizando materiais, sendo esta pessoa sempre prestativa, atenciosa e acima de tudo possuidora de um saber amplo a qual explanava nossas dúvidas com clareza, contribuindo para a nossa formação.
  • 4. A professora Elizabeth, por ser uma pessoa extremamente justa em suas ações, onde conhecia a personalidade de cada aluno. Em suas aulas estava sempre estimulando o nosso crescimento com sua fala “está muito bom, mas você é capaz de ir mais além”, a qual acreditava em nossa capacidade onde, contribuiu muito no inicio da e decorrer da faculdade, onde já estava há 10 anos sem estudar, com a mente “enferrujada”. A professora Arlete, por ser esta pessoa tão humanista, e sábia, a qual não tira conclusões precipitadas, mas é capaz de identificar cada aluno, sendo extremamente justa em suas ações. Ao professor Artarxerxes, por relatar um pouquinho da prática pedagógica em suas aulas, fazendo reflexões sobre a práxis - teoria e prática. A professora Fátima possuidora de um grande saber e alegria que a todos contagiava, onde tornava suas aulas prazerosas e ricas em informações e conhecimentos. A professora Ocirema por entender nosso ponto de vista, dificuldades e contribuir mediante suas aulas para nossa ampliação e entendimento, como também à professora Cristina, Gisele, Vera e Marina, onde me identifiquei muito com suas aulas, apesar destas terem ocorrido em apenas um bimestre. Obrigada a todas as professoras e professores que, com sua especificidade, contribuíram para formação, propiciando novos aprendizados sobre as diferentes concepções de educação.
  • 5. “A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir". M. Montessori
  • 6. RESUMO A forma como se tem possibilitado o desenvolvimento social, físico, afetivo e cognitivo, vem sendo discutido por muitos pesquisadores no intuito de redimensionar práticas inovadoras que ressaltem o processo de formação da criança, a qual torne o saber mais significativo. Conclui-se que ela é uma verdadeira linguagem de expressão e uma das mais importantes formas de expressão humana, a qual contribui para a formação global da criança. Justifica-se por si só, a sua presença na educação como um todo, abrangendo as diferentes áreas e disciplinas educacionais. Palavras chaves: Música, lúdico, inovação, contexto educacional. ABSTRACT The way it has allowed the social, physical, cognitive and affective, has been discussed by many researchers in order to resize innovative practices that underscore the formation process of the child, which makes the learning more meaningful. We conclude that it is a true expression language and one of the most important forms of human expression, which contributes to the formation of the child. Justified itself, its presence in education as a whole, covering different educational fields and disciplines. Keywords: Music, playfulness, innovation, educational context.
  • 7. Sumário Introdução................................................................................................................11 1. Parte de mim.....................................................................................................13 2. A importância de práticas transformadoras para o processo de ensino aprendizagem....................................................................................................16 3. A música como instrumento lúdico de transformação.......................................21 4. A música e a inclusão........................................................................................32 5. A música e o brincar..........................................................................................35 6. A música folclórica.............................................................................................38 7. O uso da música como um recurso didático......................................................42 8. Considerações finais..........................................................................................47 9. Referências bibliográficas..................................................................................48
  • 8. 8 INTRODUÇÃO Impressionada ao presenciar crianças sendo vítimas do “autoritarismo” em sala de aula, na qual as atividades são desenvolvidas de forma tradicional, onde a criança não desperta nenhum interesse em relação ao processo de ensino aprendizagem, e nem tem conhecimento da importância em aprender, percebi a necessidade de práticas inovadoras, diferenciadas e lúdicas que venham a atender as especificidades de cada criança. Mediante algumas aulas pouco construtivas que presenciei, fui percebendo a necessidade de metodologias que, antes de tudo, levem em conta a criança e sua totalidade. E a minha experiência vivida com a música me motiva a buscar novas metodologias a serem desenvolvidas, que despertarão o interesse de nossos futuros cidadãos. Pois o método tradicional de ensino é um perfil mecânico, que forma cidadãos passivos, e este perfil não cabe mais à sociedade atual, pois estamos na era da tecnologia, que exige conhecimentos que vão além do mecânico e do mero reprodutor, e sim que levem à reflexão, ou seja, que levem à formação de seres pensantes, ativos e reflexivos. O primeiro capítulo retrata minha experiência com a música, aonde presenciei os benefícios que esta me proporcionou. No segundo capitulo, é abordado sobre a importância das práticas transformadoras na educação. Neste capitulo são abordadas a concepção tradicional e a concepção construtivista, descrevendo os principais pensadores da educação musical na Idade Moderna e suas contribuições, e outros pesquisadores que comprovaram os benefícios da música na vida do ser humano, fazendo uma breve reflexão sobre a lei que torna obrigatório o ensino de música a partir do ano de 2012. Este capítulo também percorre na reflexão sobre a importância da música como prática transformadora para o processo de ensino aprendizagem, esta reflexão percorre os outros capítulos nos quais são abordados os temas sobre a música no processo de inclusão, sobre a música e o brincar como um processo de assimilação do real, sobre a música
  • 9. 9 folclórica como retrato de nossa cultura, e no último capitulo descreverei algumas possibilidades de inserir a música no âmbito pedagógico. Nas séries iniciais, o aluno não tem a maturidade de entender a função da escola e sua importância, então cabe a nós professores procurar práticas inovadoras que possam suprir a necessidade de conhecimento nos dias atuais, que atenda as especificidades de cada criança despertando sua curiosidade e vontade em aprender e conscientizando sobre a importância daquele aprendizado.
  • 10. 10 1. PARTE DE MIM Filha de mãe extremamente religiosa, frequentava a igreja constantemente e, mediante a imposição de alguns dogmas daquela religião, não tive contato com os meios de comunicação e informação na minha infância e adolescência, portanto, foi lá que tive meu primeiro contato com a música, a qual me encantava e motivava constantemente. Quando menina era extremamente tímida, porém, quando cantava era como se não fosse eu, todos os meus medos e vergonhas simplesmente não existiam naquele momento, a timidez era tanta que não me socializava, mas quando comecei a ter o contato com a música era como se fosse mágico, eu era capaz de comunicar com as outras pessoas do grupo. E mesmo com essa mudança de comportamento não sabíamos que era a música que estava sendo benéfica ao meu desenvolvimento. Contudo, quando engravidei, procurava meios que trouxessem benefícios para mim e o bebê e, apesar de gostar de música, nunca havia observado os efeitos que ela poderia causar e, mediante este objetivo, comecei relacionar os efeitos da música em meu eu e em um ser que estava em formação dentro de mim. Com isso, comecei a perceber que a música incitava a criança presente em meu ventre e a impressão que tinha sempre que ouvia música é que ela saltitava de alegria. Era como se estivéssemos em contato externo e em plena harmonia, como se ambos relaxassem conjuntamente com a música. Ao nascer, a criança chora pelo seu primeiro contato com o mundo externo, e isso aconteceu naturalmente. Mediante seu choro, comecei a entoar uma canção que ouvíamos muito em sua formação e, mediante essa canção, o bebê se acalmou e parou de chorar. E com esta rica experiência que tive com a minha gestação, comecei ainda mais explorar o universo da música, procurando sempre selecionar diversos
  • 11. 11 gêneros musicais em que acredito que irão contribuir para a educação, formação, desenvolvimento e aprendizagem de meu filho. Hoje vivencio os benefícios da música no desenvolvimento do meu filho, em sua aprendizagem e formação de conceitos podendo afirmar que seu processo de desenvolvimento evoluiu de forma precoce, comparando a teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget. Aos dois anos o meu filho “Bruno” já sabia identificar as cores, os números e o alfabeto. Foi assim que aprendeu as cores, os números, o alfabeto e até mesmo diversas culturas mediante algumas musicas infantis, porém, procuro utilizar diversos gêneros musicais, não me restringindo apenas à música infantil. Hoje em dia (aos quatro anos) ele é uma criança questionadora que não recebe tudo como uma verdade absoluta e, infelizmente, muitas das vezes acabo falando a ele: “Agora não, filho, depois conversamos, estou fazendo trabalho”. Também foi com a música que consegui superar alguns momentos difíceis que ocorreram na minha gestação, e com isso agradeço muito a Deus pelo privilégio e experiência que tive em conhecer um pouco - na prática - esse universo musical, que a mim foi muito marcante. Como relata Bondia: A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se- ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça. Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara. (BONDIA, 2002, p. 24) Mediante vários conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Pedagogia, e o desenvolvimento cognitivo e motor do meu bebê, percebi que é possível trabalhar com a música nas séries iniciais da educação, contribuindo com a formação de conceitos de forma lúdica. Então, a experiência vivida é uma informação mediante a qual poderemos ampliar nossos conhecimentos para formação de novos conceitos, passando este conhecimento de vivência para o científico. Contudo, muitas vezes estas experiências passam despercebidas diante da vida agitada que a sociedade atual
  • 12. 12 está vivendo. ...a experiência é cada vez mais rara, por falta de tempo. Tudo o que se possa passa demasiadamente depressa, cada vez mais depressa. E com isso se reduz cada vez mais o estimulo fugaz e instantâneo, imediatamente substituído por outro estimulo ou por outra excitação igualmente fugaz e efêmera. (BONDIA, 2002, p. 23) Mediante a falta de tempo que o mundo moderno não permite devido ao excesso de trabalho, acabamos muitas das vezes não dando valor a um fato que a vida nos permite vivenciar, podendo ser uma experiência de extrema importância, pois ao analisar uma experiência vivenciada com a teoria estudada podemos observar que ambas caminham de mãos dadas, fazendo-os crescer como sujeitos. Pois de fato, isso é muito comum, porém, se pararmos um pouco para refletir sobre elas, podemos perceber que, muitas servirão para a nossa vida. Pois, “o saber que vem dos livros e das palavras e é no trabalho que se adquire a experiência”. (BONDIA, 2002, p.23).
  • 13. 13 2. A IMPORTÂNCIA DE PRÁTICAS TRANSFORMADORA PARA O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM Antigamente, a criança era vista como um adulto em miniatura, pois a idade não a diferenciava do adulto. A mesma partilhava do trabalho dos adultos, sendo considerado um “adultocentro”, ou seja, não se tinha conhecimento de suas necessidades e especificidades. A preocupação com o estudo da criança é bastante recente na história da humanidade. Aliás, a própria ideia de criança, tal como a concebemos hoje (como um ser que tem necessidades, interesses, motivos e modo de pensar específicos), não existia antes do século XVII (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 6). E “a partir do século XVII, passou-se admitir a ideia de que a criança era diferente do adulto não apenas fisicamente” e com isso começou a surgir no começo do século XX concepções mediante um estudo cientifico do comportamento infantil a qual descrevessem as necessidades das crianças. Essas concepções educacionais descrevem a importância da infância, sendo a infância uma fase de extrema importância onde ocorre à formação de personalidade e caráter, e mediante isto, podemos perceber a grande responsabilidade do professor nesse processo, a qual poderá contribuir ou não para a formação dos futuros cidadãos. A LDB, Lei de Diretrizes e Bases – Lei de Darcy Ribeiro relata que a educação é dever da família e do estado, a qual visa o “desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício de cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Então podemos perceber o grau de importância para as séries iniciais mediante o processo de formação de cidadão. Como formar um cidadão capaz de intervir em sua realidade social mediante uma educação tradicionalista a qual segundo Fontana “a Pedagogia tradicional considera que os conceitos científicos não têm nenhuma história interna,
  • 14. 14 sendo esses transmitidos prontos à criança e memorizados tal qual por elas,” visto que para desenvolver as capacidades no aluno proposto pela LDB é necessário um ensino que leve o aluno a ser o sujeito de sua ação, um aluno ativo e questionador. O resgate da reflexão do educador sobre sua prática pedagógica é o embrião de sua teoria que desemboca na necessidade de confronto e aprofundamento com outros teóricos. E, é nessa tarefa de reflexão que o educador formaliza, da forma, comunica o que praticou, para assim pensar, refletir, rever o que sabe e o que ainda não conhece; o que necessita aprender, aprofundar em seu estudo teórico (FREIRE 2008. P. 57). Cabe a nós refletirmos sobre nossa prática pedagógica, pois uma grande parte das concepções de ensino utilizadas nas escolas provém do método tradicional, que forma seres passivos, que recebem tudo sem questionar e não levando em conta a expressão da criança e suas elaborações, pois os conceitos passados nesse método são transmitidos às crianças com definições prontas para transmitir o significado a elas e mediante uma série de exercícios de repetições, levando-as a decorarem e não a entenderem. Na prática pedagógica construtivista, o professor leva em consideração a construção do conhecimento pelo aluno, despertando seu interesse em relação ao processo de ensino aprendizagem partindo do conhecimento que os educando já possuem para ampliá-los. Segundo Rangel (2002) a prática construtiva é fundamentada em conceitos relevantes e pertinentes para o contexto social. A teoria não é algo distinto da realidade educacional, a qual muitos professores têm colocado, torna-se distinta no momento em que o professor conhece a teoria e não utiliza em sua prática pedagógica, ou pensam que as novas concepções visam que o aluno, sozinho, deve construir seus conhecimentos. Na concepção construtivista o aluno “reconstrói” o conhecimento como afirma Pedro Demo em uma entrevista ao site educacional Eu guardo um profundo respeito pela proposta piagetiana chamada construtivismo. Mas eu prefiro o termo reconstrutivismo, porque é culturalmente mais plantado. Normalmente, a gente não produz conhecimento totalmente novo, no sentido de uma construção nova. Nós partimos do que já está construído, do que já está disponível, do conhecimento que está aí diante de nós e o refazemos, reelaboramos. Eu penso que o termo reconstrução é muito mais realista, só isso (DEMO, 2012).
  • 15. 15 Nesse processo de reconstrução de conhecimento, o professor tem fundamental importância, pois o mesmo deverá desempenhar o papel de mediador do conhecimento, levando o aluno a reconstruir e reformular os conceitos, ou seja, ele não pensará pelos alunos, mas deverá orientá-los quanto à diversidade de caminhos que poderá seguir, oferecendo assim recursos e desenvolvendo propostas pedagógicas que irão favorecer na reconstrução e apropriação do conhecimento. Essas concepções novas e norteadoras do construtivismo estão propostas no PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais - que são diretrizes para uma educação de qualidade fundamentada nos principais pesquisadores da educação e na LDB. O PCN visa uma educação voltada para as necessidades de aprendizagem da criança e que acompanhe seu processo de desenvolvimento e maturação. E perante seus princípios inovadores propõe que esta educação venha partir do conhecimento que o aluno possui para ampliá-los, partindo do seu contexto social, formando cidadãos aptos a viverem em sociedade, sendo estes seres críticos e reflexivos. No processo de ensino aprendizagem, será de fundamental importância o conhecimento do professor mediante as concepções inovadoras de ensino que descrevem como a criança aprende, pois a criança nas series iniciais é uma criança curiosa e questionadora, e muitas vezes o professor ao invés de instigar essa qualidade da criança, mediante sua falta de conhecimento ou comprometimento os mesmos acabam tirando isso da criança mediante seus dogmas e imposições que visam que os alunos sejam seres passivos e, esse processo de ensino trata-se da educação tradicional que ocorre mediante a depositação de conteúdos para que os alunos memorizem, ou seja, uma educação bancária. A educação “bancária”, em cuja prática se dá a inconciliação educador- educando rechaça o companheirismo. Na educação bancária o educador é sempre o que sabe, enquanto os educando serão os que não sabem. A rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processo de busca. E é lógico que seja assim. No momento em que o educador “bancário” vivesse a superação da contradição já não seria mais “bancário” (p.68).
  • 16. 16 Freire em seu livro “Pedagogia do Oprimido” deixa claro o seu repúdio à educação tradicional, pois a mesma domestica os alunos, tornando seres para o outro e não para si. Denominou-se então a educação tradicional como uma educação bancária, que tem por visão que o aluno é uma “tábua rasa”, um ser sem conhecimentos anteriores, a qual se devem depositar conteúdos. Nesta concepção, não cabe o diálogo sendo um elemento fundamental para uma educação transformadora, um exercício de consciência, compreensão e transformação de sua realidade. Para Freire a educação é um ato político e pedagógico, não é algo neutro. E a prática educativa como prática política não se restringe à mera reprodução de conteúdos, mas esses conteúdos devem ser algo significativo aos alunos, fazendo parte de sua realidade, para que os mesmos venham a identificar os problemas, sociais, culturais, regionais e até mesmo educacionais e mediantes estes, eles venham refletir e agir sobre esta realidade, tornando-se cidadãos históricos culturais. Muito se confunde ao falarmos em formar um aluno ativo, porém, formar um aluno ativo dependerá das ações do professor, do critério de ensino utilizado e a forma como este é desenvolvido. O professor que utiliza meios que levem o aluno à reflexão, este será um facilitador na formação de um aluno ativo, tornando o educando capaz de usar a atividade mental, cognitiva. Nesse processo, é de fundamental importância que o professor leve o aluno a identificar suas falhas, com o propósito de que o aluno compreenda e reconstrua seus próprios conhecimentos, e em meio esse desajuste ocorrerá o desequilíbrio e a reequilibração, ou seja, a atividade cognitiva, a qual levará o aluno à apropriação do conceito. Todavia, segundo Rangel, a teoria de Piaget não nega a importância da memorização dos conteúdos aprendidos, embora se refira à importância da aprendizagem significativa para que haja memorização. Pois existem conteúdos que exigem a memorização, como algumas regras gramaticais, por exemplo, e essa memorização pode acontecer mais facilmente em decorrência de uma atividade mais interessante. O aprendizado deve ser significativo e fazer sentido para o aluno, para que este venha a fixar, não
  • 17. 17 esquecendo em decorrência dos anos, tornando a prática consistente e voltada para a autoconstrução integral do educando como ser humano. Porém, não existe um método pronto, pois o processo de ensino aprendizagem não é algo fácil e dependerá muito do comprometimento, conhecimento e responsabilidade do professor, mediante as novas concepções de ensino, que tem por objetivo nortear os professores para uma educação de qualidade que venha atender as especificidades de cada criança. Com conhecimento, responsabilidade e comprometimento do professor, o mesmo estará apto a estimular o seu aluno a desenvolver a autonomia intelectual e a formação de ideias críticas.
  • 18. 18 3. A MÚSICA COMO INSTRUMENTO LÚDICO DE TRANSFORMAÇÃO A música já vem sendo trabalhada há séculos, desde a Grécia Antiga. Para os gregos, a música tinha um grande significado, a qual era sinônimo de cultura intelectual que engloba a literatura e a arte. Para os Gregos, a música tinha o objetivo de propiciar uma cultura de espírito no ser humano através do ritmo e da harmonia, transcendendo o domínio musical, propiciando equilíbrio numa relação cósmica, enquanto a ginástica, já estava ligada à cultura do corpo, sendo os dois principais objetivos da educação naquela época, e também os principais atributos dos deuses gregos, a qual era tida com o propósito de temperar a alma. Como descreve FONTERRADA: Essa visão é colaborada por Platão que, em muitos de seus textos desenvolve uma ampla discussão estética e ética a respeito da música. Para Platão e todos os gregos, a literatura, a música e a arte tem grande influencia no caráter, e seu objetivo é imprimir ritmo e harmonia e temperança a alma. Por isso deve-se preservá-la como tarefa do estado. (p. 19, 2005) Platão identificou que a música afeta positivamente o caráter emocional dos indivíduos, tendo o poder de produzir estados emotivos nos ouvintes, já para Aristóteles, a música tem o poder de modificar o estado de espírito do individuo e da alma. Porém, foi Platão quem pensou a música com objetivo pedagógico, a qual traria equilíbrio e perfeição aos indivíduos. A música é a mais imediata expressão de Eros, uma ponte entre a ideia e fenômeno. Nessa concepção, o principal papel da música é pedagógico, pois sendo responsável pela ética e pela estética, esta implicada na construção da moral e do caráter da nação, o que transforma em evento publico e não privado. Cada melodia, cada ritmo e cada instrumento tem um efeito peculiar na natureza moral da res publica. Segundo a concepção helênica, a boa música promove o bem estar e determina as normas de conduta moral, enquanto a música de baixa qualidade destrói. Desse modo, na Grécia, a boa música é estreitamente relacionada e determinada pelas normas de conduta moral, o que se mostra o uso da mesma palavra – nomos – para designar a correta harmonia e lógicas musicais e as leis morais, sociais e políticas do estado (p. 19).
  • 19. 19 Para os gregos a música tinha o mesmo valor na educação quanto à disciplina de filosofia e matemática. A princípio, para a civilização grega, a educação de música era atrelada à ginástica. Com o passar do tempo, o estudo da música passou a incluir a poesia e letras (gramática), e era só no ensino superior que era incluída a Filosofia como disciplina, objetivando a preparação dos educando para a vida em sociedade e ao exercício da cidadania. Na história da música ouve oscilações, pois Aristóteles apesar de reconhecer que a música pode modificar o estado de espírito do indivíduo e da alma, ele afirma que a mesma não serve para se utilizar na educação moral. Diferentes concepções convivem e se entrelaçam e pode se dizer que, na época, a música é considerada uma disciplina cientifica, mas de acordo com o santo Agostinho, “não serve a propósitos educacionais e morais, como queria o pensamento platônico e de outros filósofos gregos” (Lang, 1941, p. 50). Para ele, a importância das artes liberais poderia ser avaliada de outro modo: as várias disciplinas não seriam a única via para Deus, mas um meio de prevenção contra as tentações oferecidas pelo mundo herético (FONTERRADA, 2005, p. 24). Apesar de a cultura da Grécia Antiga ter dado origem à presente civilização ocidental, não foi mantida uma continuidade direta da música, porém, influenciou significativamente a cultura romana e consequentemente ampliando a Idade Média mediante suas noções de harmonia, escalas e modo. Já na Idade Moderna, Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778), exerceu uma forte influência sobre o pensamento musical de sua época. Rousseau foi um dos principais percussor da Pedagogia Moderna, e era considerado como o pai da Pedagogia Moderna, por ter identificado que a criança é um ser que tem suas necessidades e é necessário educá-la de acordo com sua natureza. A pedagogia musical rousseauniana foi um marco histórico educacional, por sua pedagogia tomar como base a experiência lúdica, e essas perspectivas educacionais propiciaram com o rompimento da pedagogia musical escolástica e o conceito de infância, a qual tinha como ideia a criança como um adulto em miniatura. Para Rousseau, a produtividade dos processos pedagógicos musicais só é alcançada por meio de investigações específicas para identificam o modo de
  • 20. 20 aprendizado dos sentidos e os conhecimentos prévios já adquiridos de cada criança, esse processo já foi defendido por vários estudiosos como fundamental no ato pedagógico partir do conhecimento e experiência de cada criança para depois ampliá-los, tornando esse aprendizado significativo, pois a criança não é uma tábua rasa e vazia na qual devem ser depositados conteúdos, mas ela é um ser em construção com conhecimentos e necessidade específica de aprendizagem. Rousseau foi um dos precursores da pedagogia musical ativa, a qual tem por característica o respeito pela criança em seu crescimento e desenvolvimento físico, psíquico e intelectual, onde cada indivíduo é único e o processo de ensino aprendizagem deve pensar na formação do ser e não no acúmulo de conhecimentos. Para Rousseau, o ser humano nasce bom, e ao entrar na sociedade o mesmo vai sendo corrompido por ela, e para que isso não ocorra na pedagogia musical, é importante o seu gosto e usar estratégias a partir de seus interesses para despertar o gosto pela música. O melhor caminho no início da pedagogia musical, segundo Rousseau, é ouvir e vivenciar a música através da sensação, trabalhando o pulso, o movimento sonoro e até o corpo em si para depois fazer a leitura da música. Segundo Fonteferrada, além de Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Froebel fazem parte desse grupo- principais percussores dos métodos ativo da pedagogia musical. Pestalozzi (1746 – 1827) era educador suíço primeiro reconhecido como educador infantil a qual sua proposta educacional visava à formação do caráter, e para ele, a música favorecia na educação moral, contribuindo positivamente no caráter do cidadão, seus princípios da educação musical segundo Fonteferrada (2005 p. 52) era:  Ensinar sons antes de ensinar signos e fazer a criança a aprender a cantar antes de aprender a escrever as notas ou pronunciar nomes.  Levá-la a observar auditivamente e a imitar sons, suas semelhanças e diferenças, seu efeito agradável e desagradável, em vez de explicar coisas ao aluno – em suma, tornar o aprendizado ativo, e não passivo.  Ensinar uma coisa de cada vez: ritmo, melodia e expressão antes da criança executar a difícil tarefa de praticar elas de uma vez.  Fazê- la trabalhar cada passo dessa divisão até que domine antes de passar para o próximo.  Ensinar os princípios e as teorias após a prática.
  • 21. 21  Analisar e praticar os elementos do som articulado para aplicá-los na música.  Fazer que os nomes das notas correspondam aos da música instrumental. Herbart (1776 – 1841) opõe-se as ideias de Pestalozzi e Rousseau. Para ele, a educação deveria ser um processo conservador, ele foi o primeiro desenvolvedor do sistema de teoria da educação musical, a qual tinha por finalidade a formação do caráter moral do indivíduo. Froebel, educador alemão que viveu entre 1782 a 1852 e foi considerado o educador mais completo do séc. XIX. Em 1826, ele desenvolveu o primeiro jardim de infância. A essência de sua pedagogia era voltada à ideia de atividade e liberdade, e seus pensamentos propiciaram a reformulação da educação. Para Froebel, o ensino de canto deveria iniciar com canções divertidas, animadas e simples, utilizando essas músicas com frequência, pois a criança pequena no início de sua aprendizagem musical não desenvolveria várias coisas ao mesmo tempo. Froebel defende a inclusão de artes na escola como o ensino de canto musical, “com a intenção de assegurar a cada criança um amplo e completo desenvolvimento de sua natureza na apreciação de obra artística” (Fonteferrada 2005 p.53 apud Scholes). Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Froebel pensaram a música como parte integrante no processo educacional, sendo que Rousseau, Pestalozzi e Froebel pensaram o ensino de música atrelado às necessidades e especificidades das crianças, enquanto Herbart pensou o ensino de música como um processo conservador, porém, todos perceberam o quanto a música é importante para o desenvolvimento da criança. A música era uma das disciplinas escolares, mas aos poucos, foi perdendo o seu espaço na escola. Hoje, após 40 anos sem música como uma das disciplinas escolares, podemos dizer que fomos beneficiados com a lei 11.769/2008, que trata da obrigatoriedade da música na educação. Apesar de este relato ser oportuno já que há diversos estudos que comprovam os benefícios da música neste processo. A lei 11.769 foi publicada no Diário Oficial da União, em 19 de agosto de 2008 alterou a LDB – Lei de Diretrizes e Bases nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, tornando obrigatório o ensino de música no Ensino Fundamental e Médio, e foi
  • 22. 22 estipulado o prazo de três anos as escolas públicas e particulares, para a inserirem a música como mais uma disciplina da grade curricular, tornando-a obrigatória a partir do ano de 2012. Com isso, trabalhar com a música tornou-se um desafio para muitas instituições de ensino, por falta de preparo e de profissionais qualificados, formados nessa área. A lei 11.769, não descreve sobre a inserção da música nas séries iniciais, porém, o RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil descreve: Adultos cantam melodias curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras cantadas com rimas, parlendas, etc..., reconhecendo o fascínio que tais jogos exercem. Encantados com o que ouvem os bebês tentam imitar e responder, criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cognitivo, responsáveis pela criação de vínculos tanto com os adultos quanto com a música. Integrar a música à educação infantil implica que o professor deva assumir uma postura de disponibilidade em relação a essa linguagem. Considerando-se que a maioria dos professores de educação infantil não tem uma formação específica em música, sugere-se que cada profissional faça um contínuo trabalho pessoal consigo mesmo no sentido de: • sensibilizar-se em relação às questões inerentes à música; • reconhecer a música como linguagem cujo conhecimento se constrói; • entender e respeitar como as crianças se expressam musicalmente em cada fase, para, a partir daí, fornecer os meios necessários (vivências, informações, materiais) ao desenvolvimento de sua capacidade expressiva (BRASIL, 1998, p. 51). O RCNEI propõe a utilização da música na Educação Infantil desde os pequenos (berçário), a qual proporciona um vínculo afetivo que é fundamental para despertar na criança a confiança, sendo um fator importantíssimo e “facilitador” no processo de ensino aprendizagem. Mediante essa proposta, o professor poderá ir ampliando o seu trabalho com a música, pois a mesma contribui para a socialização, noção de espaço, sendo inúmeros os benefícios que ela proporciona às crianças. No Ensino Fundamental I, ficará a cargo do Pedagogo a trabalhar com esta disciplina, o que será benéfico ao professor e para o aluno, sendo mais uma forma lúdica de ensinar, a qual promove momentos de prazer e diversão. Dessa
  • 23. 23 forma, o professor será capaz de levar as crianças a atingir o aprendizado com excelência. A música vem sendo discutida por vários estudiosos que identificaram em suas pesquisas o poder de transformação que proporciona na vida das pessoas, contribuindo principalmente no processo de assimilação do conhecimento, ampliando o desenvolvimento cognitivo da criança. Hans Gunther Bastian realizou, na Alemanha vários estudos e pesquisas para identificar os benefícios que a música proporciona nos indivíduos e, procurou identificar que atividade representa na vida das pessoas. E, mediante esta pesquisa, realizada em crianças em idades escolares, em um período aproximado de dois anos de inserção da música na educação escolar, percebeu-se o poder transformador que ela exerce no processo pedagógico, a qual ocasionou um aumento significante do QI – quociente de inteligência – nas crianças. Além de reduzir as manifestações de violência na criança que, segundo Bastian “um dos fatores que propiciavam estas violências de forma geral, era alguns programas de televisão, como filmes, desenhos e novelas”, além de muitas crianças que viviam em ambientes desfavoráveis, presenciando diversos tipos de violências e isso reflete na vida escolar, tornando complexo o cotidiano escolar. Quando pensamos na complexidade de tudo o que ocorre na escola, percebemos a multiplicidade de relações em que este envolvido o ensinar e o aprender. Relações econômicas, materiais, relações sociais e institucionais, relações entre conteúdos e métodos de ensino, crenças, concepções, teorias. O cotidiano da escola é sempre permeado por tudo isso e, dessa forma, não é tarefa simples procurar aprendê-lo, analisa-lo e compreende-lo (FONTANA; CRUZ, 1997, p. 4). São inúmeros fatores que ocorrem nas relações sociais das crianças, que dificultam o processo de assimilação do conhecimento. Segundo um estudo realizado pela revista “Nature Neuroscience” realizado no Canadá pelo instituto Neurológico de Montreal e do Hospital Neuro na Universidade McGill e publicado no site “g1.com.br”, o efeito da música que leva o ser humano a se apaixonar é causado pela mesma razão que esses são atraídos para o sexo, jogo ou comida saborosa.
  • 24. 24 Este estudo foi realizado em pessoas consideradas amantes da música, com as mesmas músicas relatadas por elas que causavam sensações de prazer, como: arrepio, calar frio e tremor. O método de investigação foi realizado da seguinte forma: foi deixado que os participantes ouvissem as músicas selecionadas por eles durante 15 minutos. Após ouvirem as músicas foi injetada nos participantes uma substância radioativa que liga aos receptores da dopamina e com um aparelho específico conseguiram ver a reação que a música proporcionou aos participantes. Com este aparelho, os estudiosos conseguiram ver uma enorme quantidade de dopamina sendo liberada, e se essas ocupavam todos os receptores cerebrais disponíveis, e mediante este estudo conseguiram ver definitivamente e pela primeira vez que o individuo, ao ouvir uma música que o emociona, o cérebro é capaz de liberar grandes quantidades de dopamina, que é um importante neurotransmissor presente no cérebro que atua promovendo, entre outros efeitos, as sensações de prazer e motivação. Após esta comprovação, essas pessoas também foram submetidas a outro teste através da Ressonância Magnética Funcional, e esse teste foi feito com a execução das músicas selecionadas, e mediante esta técnica foi comprovado que a liberação da dopamina presente no cérebro não só ocorre ao ouvir a música, mas no momento de antecipação musical, e esse efeito é ampliado ainda mais quando a música esta em sua parte mais intensa. Esse estudo demonstra que a música proporciona um “prazer abstrato”, e este é comparado com a mesma sensação de um ato sexual, de uma alimentação saborosa e até mesmo a sensação causada no ato da utilização de drogas, porém, esta sensação é saudável, não trazendo sequelas, mas consequências positivas. A música, por seu poder transformador, poderá contribuir para o desenvolvimento da inteligência da criança, e por ela ter o “poder” de invadir e contagiar a criança e por ser uma atividade lúdica a qual proporciona na criança um aprendizado de forma prazerosa, contribuindo na formação de um ser crítico e criativo. Criar “é um processo existencial. Não lida apenas com pensamentos, nem somente com emoções, mas se origina nas profundezas do nosso ser, onde a emoção permeia os pensamentos ao mesmo tempo em que a inteligência estrutura, organiza as emoções. A ação criadora da forma torna inteligível,
  • 25. 25 compreensível o mundo das emoções”. (FREIRE 2008. p.63 apud OSTROWER). A criança que tem a oportunidade de vivenciar diversas experiências musicais amplia sua forma de expressão e de entendimento do mundo e, essa experiência musical possibilita o desenvolvimento do pensamento criativo. Segundo Weigel criar é: Um ato de originar alguma coisa. Ser criativo é viver adaptando formas de expressão as necessidades da vida. O processo criativo está em desenvolvimento quando somos capazes de criar ou recriar determinada situação com a qual nos deparamos. Para estimular a criatividade, é necessário que o professor seja criativo para estimular a criança, podendo auxiliar na reelaboração do pensamento para ideias produtivas. A música por si só contribui para o desenvolvimento criativo (WEIGEL, 1988, p.188). O estudo sobre a criatividade é recente, pois antigamente os estudiosos acreditavam que para ser criativo era necessário ser inteligente, e foi a partir da década de 50 que começaram os estudos sobre a criatividade, a qual foi comprovada que para estimular a criatividade é necessário ser criativo, ou seja, a criança para desenvolver sua criatividade é necessário que ela faça parte de ambientes que a estimulem a desenvolver a criatividade, onde esta se faça presente neste ambiente. O educador deve ser possuidor da criatividade, e utilizá-la no ambiente educacional, antes de querer cobrar que seus alunos sejam criativos, pois o educador criativo irá auxiliar a criança na reelaboração do pensamento para novas ideias. Hoje em dia é muito comum em escolas municipais, nas avaliações do desenho, a cobrança sobre o poder de criatividade da criança. Mas, como a criança conseguirá desenvolver sua criatividade se o professor não é possuidor dessa qualidade, se suas aulas são meramente reproduções repetitivas de conteúdos? Se a criança não tiver outros estímulos e depender só da escola para desenvolver a criatividade, isso só será possível se o professor for comprometido com sua prática pedagógica, a qual entende como a criança aprende respeitando e trabalhando mediante cada especificidade. A música seria uma das possíveis formas de o professor desenvolver a criatividade na criança, pois ela favorece no desenvolvimento físico, social e
  • 26. 26 cognitivo da criança, propiciando uma maior sensibilidade, reflexão e criatividade. A inserção da música no desenvolvimento da criança contribui para sua formação de caráter, tornando os discentes capazes de observar e escutar o mundo à sua volta, sendo este também um ato de generosidade, no qual os mesmos aprenderá ouvir o outro, pois: O ver e o escutar fazem parte do processo de construção desse olhar. Também não fomos educados para a escuta. Em geral não ouvimos o que o outro fala, mas sim o que gostaríamos de ouvir. Neste sentido, imaginamos o que o outro estaria falando... Não partimos da sua fala, mas de nossa fala interna. Reproduzimos, desse modo, o monologo que nos ensinaram (FREIRE, 2008, p.45). A música é uma das atividades que favorece esse trabalho de escuta, levando a criança a ouvir e analisar um enunciado. Segundo Freire “o ver e ouvir demanda implicação, entrega ao outro”, e o professor poderá propiciar que esta situação ocorra através da construção de grupos na sala de aula. Um grupo se constrói no espaço heterogêneo das diferenças entre cada participante: da timidez de um, do afobamento do outro; da serenidade de um, da explosão do outro; do pânico velado de um, da sensatez do outro; da seriedade desconfiada de um, da ousadia do risco do outro; da mudez de um, da tagarelice de outro; do riso fechado de um, da gargalhada debochada do outro; dos olhos miúdos de um, dos olhos esbugalhados do outro; de lividez do rosto de um, do encarnado do rosto de outro (FREIRE, 2008 p. 104). Segundo Freire “um grupo se constrói enfrentando o medo que o diferente, o novo, provoca, educando o risco de ousar e o medo de causar rupturas”, e isso ocorrem quando o docente propicia atividades musicais que leve a criança conviver com personalidades, pensamentos e preferências opostas a sua, com isso o discente vai perdendo seu lado egocêntrico e aprendendo a conviver em grupo. E segundo Freire o papel do educador é... ...instigar o exercício do conflito na construção das diferenças (para construir a individualidade, a identidade) e, ao mesmo tempo, possibilitar o “desgrude” de seu modelo, até que sua mediação como mito não seja mais necessária... Pois, o mito no grupo muitas vezes cumpre o papel de mediador para a estrutura do conhecimento e a conquista da autonomia (FREIRE 2008, p.110).
  • 27. 27 E isso só será possível se houver uma relação saudável entre professor/aluno, aluno/aluno e aluno/professor, num ambiente onde todos vivenciam uma relação de amizade, repeito, admiração e afetividade. Ao englobar todos esses aspectos em sala de aula, será por meio da admiração pelo professor e seus colegas que os alunos tentarão imitar as atitudes e desenvolturas dos mesmos nas diferentes disciplinas tornando- se cada vez mais autônomos. Segundo Freire: Não existe processo de autonomia que parta da imitação heterogênea. Educando imita educador porque se identifica com este. Educador se empresta como modelo porque se identifica com o educando que um dia ele também foi, e com as hipóteses que este formula (2008, p. 73). Para aprender, é necessário o desejo da criança, pois o aprender segundo Freire “envolve introjeção de modelos, e isso será possível mediante uma atividade lúdica que desperte o interesse da criança ao aprendizado e a interação e admiração nessa relação de construção de conhecimento”. E é por meio do lúdico que a realidade e o faz de conta se confundem, fazendo com que a criança, aos poucos, vá construindo sua concepção de mundo e sua própria identidade. Ao trabalhar com atividades lúdicas, o processo de ensino aprendizagem é positivo, pois é na interação que as crianças aprenderão a conviver com as diferenças respeitando-as. As atividades lúdicas tornam o aprendizado prazeroso e estimulante, oportunizando o desenvolvimento da criança de forma produtiva, mediante as relações professor - aluno e aluno – aluno. Desde o nascimento a criança está em constante interação com os adultos, que compartilham com ela seu modo de viver, de fazer as coisas, de dizer de pensar integrando-a aos significados que foram sendo produzidos e acumulados historicamente. As atividades que ela realiza, interpretadas pelos adultos, adquirem significado no sistema de comportamento social do grupo a que pertence (FONTANA; CRUZ, 1997, p. 57). Pois é na interação que eles aprenderão a conviver, respeitando as diferenças e favorecendo o seu desenvolvimento como descreve Fontana e Cruz sobre o pensamento de Vygotsky: O desenvolvimento é compreendido por Vygotsky como um processo de internalização de modos culturais de pensar e agir. Esse processo de internalização inicia-se nas relações sociais, nas quais os adultos ou as crianças mais velhas, por meio da linguagem, do jogo, do “fazer junto”, compartilham com a criança seus sistema de pensamento e ação (FONTANA; CRUZ, 1997, p. 63).
  • 28. 28 Mediante esta concepção, a criança em nível escolar estará em constante desenvolvimento, se o professor desenvolver atividades que potencializam a capacidade de compreensão através da música, pois segundo Vygotsky, “o bom aprendizado é somente aquele que se adianta ao desenvolvimento”. Sendo a música, uma ferramenta valiosa para dar continuidade ao processo de desenvolvimento e formação do aluno. Poderemos trabalhar com a música na educação nos diferentes níveis escolares, desde as séries iniciais, pois ao utilizarmos a música desde os pequeninos, podemos presenciar o quanto ela é importante no processo de aquisição da fala. Podem-se observar uma criança que é estimulada com a música, ela tenta “cantarolar” as canções que ouvira e tenta imitar e se socializar com o ambiente, já que a música é um produto cultural e universal, e está presente na vida de todos e em todo o mundo. Fontana descreve que, “segundo a abordagem histórico cultural, a relação do homem e o meio é sempre mediada por produtos culturais humanos com o instrumento e o signo e pelo o outro”. A música também é uma linguagem e o educador pode interagir com a criança por meio desta linguagem, buscando o universo desta criança em relação à música, como sua tradição e seus ritmos preferidos, pois o conhecimento do mundo se dá por diversos canais, porém, o da música é o único que não tem outra atividade que a substitui. Nesse processo de inserção da música na educação, é importante que o professor tenha a sensibilidade para lidar com os diversos gêneros musicais, não gerando preconceito, pois cada criança terá suas preferências musicais influenciadas às vezes pelo ambiente em que vive. Então, a música não se limita apenas em ouvir e cantar, podendo ser uma alinhada do professor em suas práticas pedagógicas, e é papel do professor utilizar dos meios para atingir os fins, que é uma educação de qualidade contra o preconceito, e alienação, mas tornando um ser criativo e crítico.
  • 29. 29 4. A MÚSICA E A INCLUSÃO Nos últimos anos as propostas educativas evoluíram muito no que se refere às pessoas com necessidades educacionais especiais, avançaram de forma significativa no Brasil. Todos os profissionais que estejam envolvidos com o processo de reabilitação e acreditam que o lúdico na música é um instrumento valioso de desenvolvimento para o ser humano, precisam se conscientizar da importância de se buscar novos meios para a prática pedagógica diversificada, que vise, acima de tudo, o ser humano. Até meados de 40 a atenção às pessoas com necessidades especiais era baseada no paradigma de institucionalização e se caracterizava pela segregação de pessoas com deficiência em instituições residenciais ou escolas especiais em lugares distantes da sua família. A partir da década de 40, os questionamentos fundamentados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, discutem o direito a liberdade e igualdade de todos os seres humanos em dignidade, independente da sua raça, cor, sexo, língua ou outras características, bem como o direito à educação gratuita a todos. Nesse contexto, dois novos conceitos integraram o debate social no que se referia à relação da sociedade com as pessoas com deficiência, à “desinstitucionalização” e à normalização que defendiam a necessidade de introduzir a pessoa com necessidades educacionais especiais na sociedade, procurando ajudá- la a adquirir melhores condições de vida. Integração era o nome desse conceito de querer deixar o deficiente mais semelhante às demais pessoas para integrá-los ao convívio em sociedade. Esse modelo de atenção à pessoa com deficiência denominou-se paradigma de serviços, que logo recebeu críticas, pois criava a expectativa de que pessoas com deficiência deveriam se assemelhar às pessoas sem deficiência.
  • 30. 30 A partir dessa discussão, surgiu o paradigma de suporte, que para os direitos serem iguais é necessário que haja um suporte (social econômico, físico ou instrumental), ou seja, um instrumento que garanta à pessoa o acesso a todo e qualquer recurso da comunidade. Cabe à escola promover adaptações, sejam elas quais forem, o que torna necessários ao professor ter conhecimento sobre as questões pedagógicas e estruturais. É importante refletirmos sobre outras possibilidades educacionais, tais como o lúdico na música, pois certamente as manifestações artísticas integram a educação e trazem benefícios imensuráveis para a formação de todo o indivíduo. O lúdico na música pode ser um instrumento importante para se aprimorar a comunicação, com muita frequência assume aspectos de recreação e, certamente, é fonte comprovada de reabilitação. Mas todas essas possibilidades em relação à música, não excluem a importância da educação musical, vista como um processo pedagógico bem estruturado de alfabetização e sensibilização, ainda mais que dentro deste processo, além da aprendizagem musical em si, pode-se observar a melhoria de vários aspectos na vida do indivíduo. A prática pedagógica vem comprovando isso constantemente. Existem alunos que além de aprender conteúdos sobre a música ao mesmo tempo, tem um ótimo rendimento musical, neste caso, é importante que não haja distância entre educar e habilitar através do lúdico musical. A deficiência exige, muitas vezes, adaptações. E dentro delas há inúmeras possibilidades. Em relação ao fazer musical, podemos promover adaptações de instrumentos musicais, como órteses para auxiliarem no manuseio de instrumentos ou baquetas. Podemos também promover adaptações de materiais, tais como partitura em Braille, material ampliado para os com visão subnormal, apostilas simplificadas para quem tem deficiência mental, dentre outras. (LOURO, 2006). Esse trabalho de educação e reabilitação exige muita dedicação, competência, fundamento teórico e criatividade, a qual o professor possa criar... ...adaptações de objetivo e de conteúdo, isto é, alterações no currículo para que o aluno possa acompanhar melhor a aula. Por exemplo, enquanto para uns estejam sendo abordados compassos com diferentes unidades de tempo, para um aluno com deficiência mental pode-se abordar a compreensão da semínima como pulsobase para a realização de um ditado rítmico. Nesse contexto, o professor avaliará de forma diferenciada ambos
  • 31. 31 os alunos, mas cada qual dentro de suas competências para aquele momento. (LOURO, 2006) A educação musical, realizada por profissionais formados e consistentes com de seu papel, educa e reabilita a todo o momento, uma vez que afeta o indivíduo em seus aspectos principais, sendo eles, físico, mental, emocional e social.
  • 32. 32 5. A MÚSICA E O BRINCAR A música está presente na vida da criança através de jogos, brincadeiras, desenhos infantis e até mesmo na escola, mediante as comemorações e festas, porém, dificilmente presenciamos a música sendo inserida como parte do processo pedagógico. O professor, ao inserir a música e a brincadeira no processo de ensino aprendizagem, estará criando na sala de aula uma atmosfera de motivação, permitindo o aluno participar ativamente na construção de seu conhecimento de forma lúdica e eficaz, a qual irá assimilar experiências e informações e, sobretudo, incorporando atitudes e valores. Para Piaget, a brincadeira infantil é uma assimilação quase pura do real ao eu, não tendo nenhuma fidelidade adaptativa. A criança pequena sente constantemente a necessidade de adaptar-se ao mundo social dos adultos, cujos interesses e regras ainda lhes são estranhos, e uma infinidade de objetos, acontecimentos e relações que ela ainda não compreende (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 120). A música e o jogo presente no brincar é um dos diferentes recursos, pouco utilizado no processo educacional, que propicia o desenvolvimento cognitivo e emocional do ser humano, e por ser uma atividade lúdica além do desenvolvimento cognitivo, favorece o desenvolvimento das estruturas psicológicas, afetivas e emocionais. É uma atividade benéfica, pois desperta o interesse de todos a participarem das atividades e, mediante isto, todos aprendem de forma prazerosa, pois aprendem brincando. Como relata FONTANA (p.126). Na situação de brincadeira a criança supera a ação impulsiva também relativamente aos objetos. Crianças muito pequenas ainda não tem essa capacidade: os objetos é que determinam o que devem fazer, porque sua percepção é sempre um estimulo para a atividade, ou seja, a criança pequena age de acordo com o que vê (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 126). No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), o brincar é considerado essencial ao desenvolvimento, aprendizagem e a socialização da criança, sendo estes momentos de brincadeiras muitos significativos, nos quais,
  • 33. 33 as crianças manifestam no brincar o modo como elas constituem seus pensamentos, sentimentos, ideais e conflitos. É com a brincadeira do faz de conta que identificamos sua cultura e os signos sociais presentes no ambiente em que estão inseridas. Piaget (1978) e Vygotsky (1998) descrevem a brincadeira do faz de conta como fundamental para o desenvolvimento do pensamento infantil, como descreve Oliveira: A brincadeira do faz de conta está intimamente ligada ao símbolo, uma vez que por meio dele, a criança representa ações, pessoas ou objetos, pois, estes trazem como temática para essa brincadeira o seu cotidiano (contexto familiar e escolar) de uma forma diferente de brincar com assuntos fictícios contos de fadas ou personagens de televisão (p. 76). É na brincadeira que o professor poderá identificar a realidade vivida dos alunos, as quais, muitas vezes, são sinônimos da “desaprendizagem” da criança, e com isso poderá contribuir para que essa criança venha a aprender. Wallon relata que quando nosso emocional não está bem o processo de ensino aprendizagem também não fluirá de forma significativa, pois, segundo ele, o processo de evolução depende tanto da capacidade biológica do sujeito quanto do ambiente, que o afeta de alguma forma. Piaget descreve a importância da brincadeira simbólica, do faz de conta, e do jogo dramático, pois segundo ele, essas atividades são essenciais e responsáveis ao desenvolvimento integrado da criança, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais. É por meio da brincadeira do faz de conta que a criança realiza sonhos, revela seus conflitos e se autoexpressa. É na brincadeira que as crianças reproduzem papéis que representam situações de sua vida real. Para Piaget, situações como essas indicam que na brincadeira do faz de conta (chamada por ele de jogo simbólico) as crianças criam símbolos lúdicos que podem funcionar como uma espécie de linguagem interior, que permite a elas reviver e repensar acontecimentos interessantes ou impressionantes. As crianças, mais do que repensar necessitam de reviver os acontecimentos. Para isso recorrem ao simbolismo direto da brincadeira (FONTANA; CRUZ, 1997 p. 121). Segundo o RCNEI, a música remonta sua função ritualística, seguindo os costumes que respeitam os momentos próprios de cada manifestação musical, ou
  • 34. 34 seja, desde sempre a criança está em contato com a música, mediante as diversas manifestações musicais que tem acompanhado a história da humanidade através das diversas culturas presentes em nosso país e também no mundo, onde essas culturas são manifestadas através de:  Músicas para manifestar;  Músicas para dançar;  Músicas para relaxar;  Músicas para festividade comemorativas, tais como: o carnaval, a festa junina, música de natal, entre outras. Assim como o brincar, a linguagem musical é uma atividade lúdica por sua multiplicidade, a qual contribui para o desenvolvimento total da criança quando a música é inserida como parte do processo pedagógico, contribuindo para os aspectos cognitivos, sociais e afetivos. E a música é articulada à brincadeira há década, como na cantiga de roda, brinquedos cantados, jogos musicais e brinquedos com estilos de instrumentos musicais. Existem diversas brincadeiras antigas, que podem ser inseridas de forma eficaz, pois possibilitam trabalhar de diversas maneiras, como a “dança da cadeira”, que possibilita poderá trabalhar o respeito pelo próximo ao respeitar as regras, trabalhar a coordenação motora, o ritmo da música, mediante os passos dados em volta da cadeira, e inúmeras outras possibilidades com essa brincadeira e com as inúmeras outras músicas folclóricas presentes em nosso Brasil.
  • 35. 35 6. A MÚSICA FOLCLÓRICA As músicas folclóricas são canções populares transmitidas de geração a geração, cujos autores são geralmente do interior do Brasil, e seus nomes é desconhecidos. Essas canções folclóricas fazem parte de nossa cultura popular brasileira, podendo ser utilizadas com o objetivo lúdico, utilizando-as nos jogos e brincadeiras e como parte das atividades pedagógicas. Por possuírem letras simples e repetitivas, as músicas folclóricas poderão ser introduzidas nas séries iniciais do processo de alfabetização e letramento, poderão ser utilizada para trabalhar a pluralidade cultural presente na música, demonstrando e descrevendo situações vividas. Geralmente, as suas letras fazem parte das situações do cotidiano brasileiro do interior de nosso país e retratam por meio da música, o amor, o namoro, o casamento e o relacionamento, bem como temas do universo infantil e canções para acalentar o bebê, como essa: Nana neném Que a cuca vem pegar Papai foi pra roça Mamãe foi trabalhar Desce gatinho De cima do telhado Pra ver se a criança Dorme um sono sossegado Boi, boi, boi, Boi da cara preta Pega esta criança que tem medo de careta Não, não, não, Não pega ele não Ele é bonitinho, ele chora coitadinho... Bicho papão sai de cima do telhado Deixe essa criança dormir sossegada
  • 36. 36 O feio bicho papão, Está em cima do telhado Para ver se o meu menino, está no berço deitado." "Vai-te coca vai-te coca, Sai de cima do telhado Deixa dormir o menino, um soninho descansado." Na canção “Nana neném”, leva-me a acreditar que está sendo relatada, através da letra, a realidade vivenciada pelo autor desta música, que nesta canção retrata sobre pais ausentes e criaturas assustadoras, sendo que as criaturas assustadoras são muito comuns em canções de ninar. Essas canções trazem em si, marcas muito comuns de uma cultura da sociedade, a qual era carregada de estereótipos, preceitos, morais, preconceitos e até mesmo a imposição do medo para conseguir “dominar” a criança, e não objetivando conquistar nelas o respeito. Em um artigo publicado na Revista Veja em 2006 sobre a modificação de algumas letras das músicas folclóricas para a utilização nas escolas, eles tentam mostrar que há algumas letras de músicas que podem estimular a violência nas crianças, mostrando que essas modificações devem estar de acordo com as propostas educacionais dos dias atuais. A seguir, algumas figuras com canções e suas respectivas reescritas publicadas pela revista “Veja” on-line: Figura I – “Músicas Folclóricas”.
  • 38. 38 Será que realmente nossas crianças são influenciadas pela letra da música? E, se isso ocorre, não será pela falta de conscientização e conhecimento? Pois se trabalhássemos com essas cantigas explicando sua cultura, como o porquê que essas canções eram escritas dessa forma, e como seria escrever uma canção em nossos dias atuais estimulando as próprias crianças reescreverem essas cantigas, o ensino não se tornaria mais efetivo? As duas formas poderão ser válidas se o professor souber trabalhar propondo os alunos a reescreverem, ou demonstrando a letra original e sua reescrita, explicando o fato que levou a reescrita desta canção e conscientizando-os. O ensino das tradições no contexto escolar é estimulado pela LDB (LDB- 9394/96), pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – 8069/90) pelo PCN e pelo RCNEI. O ECA e a LDB propõem a valorização das manifestações populares que os alunos trazem de sua educação materna para a sala de aula, não desconsiderando essa diversidade, mas vendo essa diversidade como um instrumento riquíssimo para demonstrar para os alunos a diversidade cultural presente em nosso país, e que cada peculiaridade é característica de uma região de nosso pais e até mesmo de outros que vieram para o Brasil, como os Portugueses, que influenciaram e deixaram algumas características para o nosso pais, como é proposto pelo ECA: Artigo 58 - “no processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente garantindo-se a este a liberdade de criação e acesso as fontes de culturas”(ECA – 8069/90). A música não deixa de ser “uma fonte de cultura”, pois sua variedade de estilos e ritmos também representa diversas manifestações artísticas de nossa cultura desde a antiguidade até os dias atuais. Por isso, descrevo a música nesse contexto como uma manifestação artística do ser humano, ou seja, a música é uma das mais belas artes de manifestação humana.
  • 39. 39 7. O USO DA MÚSICA COMO UM RECURSO DIDÁTICO A música, por seu poder transformador, pode ser tornar uma aliada do professor em seu processo pedagógico, pois além de acalmá-los, motivá-los, e contribuir para a formação de caráter, de um cidadão ativo, critico, criativo e reflexivo, é capaz de propiciar um nível de inteligência mais elevado nos alunos que usufruem da música cotidianamente. Com a utilização de músicas do repertório infantil é possível utilizar músicas também no processo de alfabetização e letramento. Nesse universo infantil encontramos músicas que contribuem para que as crianças reconheçam as cores, as formas geométricas, o alfabeto, a sequência numérica, as estações do ano e até mesmo as famílias silábicas, somo esta: Alfabeto Carrossel da Fantasia O que é que começa com a- Abacate e avião O que é que começa com b- Brincadeira e beliscao O que é que começa com c- Carochinha e camião O que é que começa com d- Dado dedo e decisão O que é que começa com e- Elefante e empurrao O que é que começa com f- Faca foca e feijão O que é que começa com g- Gato garfo e gratidão O que é que começa com h- Harmonia e habitação Refrão: A e i o uuuuuuu Ba be bi bo buuuuuu Ca ce ci co cuuuuu Da de di do duuuuuuu.... E como aliada do professor, a música pode ser inserida nas diferentes disciplinas pedagógicas, não se restringindo apenas a uma matéria específica, sendo inserido no princípio da aula, instigando nos alunos o interesse por iniciar a aula com a música.
  • 40. 40 E esse método não fará o professor fugir de seu contexto, pois no Brasil temos um acervo riquíssimo de músicas de diferentes compositores, letras, gêneros, estilos e gostos, essas trazem, em sua letra, diversos enunciados de nossa realidade atual e de nosso passado, retratando fatores sociais, econômicos, históricos, geográficos, políticos e ambientais. Vejamos a seguir a música Aquarela Brasileira: Aquarela Brasileira Vejam essa maravilha de cenário: É um episódio relicário, Que o artista, num sonho genial Escolheu para este carnaval. E o asfalto como passarela Será a tela do Brasil em forma de aquarela. Caminhando pelas cercanias do Amazonas Conheci vastos seringais. No Pará, a ilha de Marajó E a velha cabana do Timbó. Caminhando ainda um pouco mais Deparei com lindos coqueirais. Estava no Ceará, terra de irapuã, De Iracema e Tupã E fiquei radiante de alegria Quando cheguei na Bahia... Bahia de Castro Alves, do acarajé, Das noites de magia do Candomblé. Depois de atravessar as matas do Ipu Assisti em Pernambuco A festa do frevo e do maracatu. Brasília tem o seu destaque Na arte, na beleza, arquitetura. Feitiço de garoa pela serra! São Paulo engrandece a nossa terra! Do leste, por todo o Centro-Oeste, Tudo é belo e tem lindo matiz. No Rio dos sambas e batucadas, Dos malandros e mulatas De requebros febris. Brasil, essas nossas verdes matas, Cachoeiras e cascatas de colorido sutil E este lindo céu azul de anil E moldura em aquarela o meu Brasil. A música Aquarela Brasileira é interpretada por Fernanda Abreu e também pelo Martinho da Vila, e retrata o belo cenário brasileiro em suas diferentes regiões, descrevendo algumas regiões e suas características, como, Rio do Samba e Bahia de Castro Alves. Podendo ser utilizada nas diferentes disciplinas:
  • 41. 41  Língua Portuguesa: levar o aluno a analisar a estrutura do texto, o gênero textual empregado, o significado de alguns enunciados, etc.  História: a historicidade das regiões descritas no texto, levando os alunos a identificarem quem foi Castro Alves e qual foi o fator que levou ele a ser reconhecido dessa forma? E porque o Rio de Janeiro é reconhecido como Rio do Samba, quais os fatores que propiciaram essa nomeação?  Ciências: partir da música para levar os alunos a entenderem um pouco sobre a vegetação e a distribuição florestal presente no Brasil. Qual a função da vegetação, por que é importante preservá- la?  Podendo, também, levar o aluno a reescrever a música sobre a vegetação de sua realidade local, se há algum meio de incentivo para a preservação das poucas árvores existentes.  Geografia: levar o aluno a identificar a localização de cada região descrita na música; O objetivo das diferentes disciplinas é partir da realidade do aluno e seu conhecimento prévio para, depois, ampliá-los, um meio para conhecer, sondar sua realidade, também pode ser efetuada através da música, iniciando a aula com uma música que retrate uma sociedade e, após ouvir, pedir para que os alunos reescrevam a música retratando sua realidade vivida na sociedade em que cada um convive. Neste contexto, podem ser utilizadas diversas músicas, tais como:  O Xote ecológico – de Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga Não posso respirar Não posso mais nadar A terra está morrendo Não dá mais pra plantar Se plantar não nasce Se nascer não dá Até pinga da boa É difícil de encontrar Cadê a flor que estava aqui Poluição comeu O peixe que é do mar Poluição comeu O verde onde é que está
  • 42. 42 Poluição comeu Nem o Chico Mendes Sobreviveu  Brasil de Cazuza - Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel Não me convidaram Pra esta festa pobre Que os homens armaram Pra me convencer A pagar sem ver Toda essa droga Que já vem malhada Antes de eu nascer... Não me ofereceram Nem um cigarro Fiquei na porta Estacionando os carros Não me elegeram Chefe de nada O meu cartão de crédito É uma navalha... Brasil! Mostra tua cara Quero ver quem paga Pra gente ficar assim Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim... Não me convidaram Pra essa festa pobre Que os homens armaram Pra me convencer A pagar sem ver Toda essa droga Que já vem malhada Antes de eu nascer... Não me sortearam A garota do Fantástico Não me subornaram Será que é o meu fim? Ver TV a cores Na taba de um índio Programada Prá só dizer "sim, sim" Brasil! Mostra a tua cara Quero ver quem paga Pra gente ficar assim Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim...
  • 43. 43 Grande pátria Desimportante Em nenhum instante Eu vou te trair Não, não vou te trair... Brasil! Mostra a tua cara Quero ver quem paga Pra gente ficar assim Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim. Em nosso repertório musical brasileiro, há inúmeras possibilidades de empregar a música ao tema e disciplina em que o professor pretende trabalhar. Como exemplo o tema “Sociedade”, poderá ser empregada a esse contexto pedagógico a música Elis Regina – Redescobrir e Cazuza – Ideologia; no tema “Brasil” poderá usar a música de Cazuza – Brasil e MPB 4 - Brasil de A a Z; no tema “Ditadura Militar” poderá usar a música Elba Ramalho - Canção da Volta e a música de Chico Buarque - Meu Caro Amigo. São inúmeros temas que são abordados nas músicas brasileiras que podem ser associado ao trabalho educativo, como meio de reflexão e debate.
  • 44. 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS A música, por seu aspecto lúdico, é um instrumento inovador para ser usado no processo educacional, e possibilita diversos meios favoráveis para uma educação de qualidade propiciadora do aprendizado. Contribui de forma significativa e positiva para a formulação do conceito, e na formação de caráter do sujeito. A inserção da música pode ser feita nas diferentes disciplinas escolares e nas diferentes séries, desde a Educação Infantil favorecendo a construção de uma prática inovadora, porém, não pretendo defender que a educação se restrinja à utilização da música, mas mostrar que é possível aliar a música na formação de nossos discentes. A música aumenta a capacidade da criança no aprendizado de matemática, leitura, escrita e na formulação do conceito. A música e a matemática estão interligadas, pois desde a Grécia antiga, essa disciplina tinha uma relação importante nos experimentos de Pitágoras. Pitágoras, com seu instrumento monocórdio, averiguava, calculava e comparava as vibrações sonoras. É importante que nós, educadores, venhamos a construir nossas propostas pedagógicas pensando nas necessidades dos alunos, e despertemos seu interesse para a aprendizagem, procurando meios que contribuem para que o aprendizado seja significativo, contribuindo para a formação de um individuo pensante e atuante na sociedade.
  • 45. 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS: ARIÉS, Philippe: História Social da Criança e da Família, Tradução: Dora Flaksman Rio de Janeiro: Guanabara, 1981. BASTIAN, Hans Günther, Música na escola: a contribuição do ensino de música no aprendizado e no convívio social da criança. São Paulo: Paulinas, 2009. BRASIL, LDB. Lei 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. BRASIL, Secretaria da Educação Fundamental. “Referenciais Curriculares para a Educação Infantil”: Artes Brasília MEC/SEF, 1998. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. “Parâmetros Curriculares Nacionais”: introdução/ MEC/SEF, 1997. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. “Parâmetros Curriculares Nacionais”: artes/ MEC/SEF, 1997. BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação. 2002. FONTANA, Roseli. Psicologia e Trabalho Pedagógico. São Paulo: Atual, 1997. Fonte: Site Educacional Online disponível em: http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0035.asp Acesso em 22/04/2012 Fonte: Site Legislação Planalto Online disponível em: http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/le i%2011.769-2008?OpenDocument Acessado em 18/05/2012 FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra , 1988. FREIRE, Madalena. Educador educa a dor. São Paulo: Paz e Terra, 2008. LOURO, Viviane dos Santos. Educação musical e deficiência: propostas pedagógicas. São Paulo: Do Ponto, 2006.
  • 46. 46 FONTERRADA, M. T. O. De tramas e fios: um ensaio sobre música e educação. São Paulo: UNESP; Rio de Janeiro: Funarte, 2005. RANGEL, Anna Maria P. Construtivismo: Apontando Falsas Verdades. Porto Alegre: Mediação, 2002. WALLON, H. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 2007. WEIGEL, A. M. G. Brincando de música. Porto alegre: Kuarup, 1988. WEINBERG, Monica. Será que funciona? Revista Veja São Paulo, 20 mar. 2006. Disponível em: http://veja.abril.com.br/220306/p_116.html. Acesso em 30 junho de 2012. G1- PORTAL DE NOTÍCIAS, Ouvir música causa liberação de dopamina. São Paulo 10/01/2011. Disponível em http://g1.globo.com/ciencia-e- saude/noticia/2011/01/ouvir-musica-causa-liberacao-de-dopamina-diz- pesquisa.html. acessado em 5 /07/12 as 18:45 horas