Texto 1
Educar para conviver
Sem políticas de promoção da diversidade e combate ao preconceito contra homossexuais, a
escola torna-se palco de intolerância e homofobia
Por Tory Oliveira — publicado 08/03/2013
Convivência, respeito às diferenças e à diversidade são temas recorrentes nas aulas de Língua
Portuguesa e Literatura dos alunos do 8º e 9º ano da Escola Estadual Frei José Maria Audrin. O
professor Rubenilson Araújo, 37 anos, discute questões de gênero e diversidade sexual com obras
literárias, imagens e jornais. O objetivo é enfrentar a homofobia, o preconceito contra homossexuais.
“Encontramos ainda muito preconceito. A escola está estagnada, não sabe lidar com os alunos
homossexuais. Por conta do ambiente hostil, a maior parte deles acaba saindo”, critica o educador, que
atua na rede pública de Porto Nacional, em Tocantins.
O educador fala por experiência própria. Homossexual, sofria com atitudes preconceituosas por
parte dos colegas e dos professores em seu tempo de escola. “A minha vida foi marcada pela
discriminação. Inúmeras vezes eu cheguei a fazer xixi na sala de aula porque os meninos me batiam se
eu saísse da classe”, lembra. Dos professores, recebia indiferença ou simplesmente a ordem: “Seja
homem!”
Histórias como as de Rubenilson ainda são realidade. Promovida pela Unesco em 2004 entre
alunos brasileiros dos ensinos Fundamental e Médio, a pesquisa Juventude e Sexualidade revelou que
um em cada quatro estudantes não gostaria de ter um colega de classe homossexual. Outra pesquisa
realizada pelo órgão indica o preconceito também entre os educadores. De acordo com O Perfil dos
Professores Brasileiros, 59,7% dos docentes acreditam ser “inadmissível” uma pessoa ter experiências
homossexuais.
Publicada em 2009, a pesquisa Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil – Intolerância e
Respeito às Diferenças Sexuais também examina a questão da discriminação em razão da orientação
sexual. Um dado salta aos olhos: a escolaridade desponta como o fator mais determinante na
diminuição da homofobia. Segundo a pesquisa, enquanto metade dos brasileiros que nunca
frequentaram a escola (52%) apresenta comportamentos homofóbicos, apenas 10% daqueles com
Ensino Superior manifestam o mesmo. Nenhuma das outras variáveis – como idade, renda ou religião –
se mostrou um influenciador tão marcante.
Segundo o sociólogo e coordenador da pesquisa, Gustavo Venturi, várias hipóteses tentam
explicar o porquê de a escola ser tão determinante para a diminuição do comportamento homofóbico.
Desde os anos 1990, os parâmetros curriculares atuam como uma espécie de filtro sobre os conteúdos
dos livros didáticos, que não podem apresentar expressões ou personagens racistas, homofóbicos ou
misóginos (com conteúdo negativo ou de aversão às mulheres). Além disso, por ser um espaço de
socialização mais amplo do que a família, a escola permite uma convivência maior com a diversidade.
“Está demonstrado que a convivência com pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e
transexuais) provoca uma diminuição do preconceito. Ao conhecer de perto um gay, a pessoa acaba
desmontando a imagem preconceituosa.”
“A escola é o espaço de formação de cidadania mais importante nas sociedades atuais”, afirma
Marco Aurélio Máximo Prado, professor de psicologia da UFMG e pesquisador do Núcleo de Direitos
Humanos e Cidadania LGBT (NUH). Desde 2008, Prado é o coordenador-geral do Educação sem
Homofobia, projeto de capacitação de professores sobre o tema que acontece em Minas Gerais.
RedaCEM
9.30
Ano/Série: 9º Fundamental Entrega: 30/10/2017
Tema: Sexualidade e Preconceito – Dissertação-argumentativa
Proposta de Redação
Baseando-se na reportagem acima e nas discussões em sala de aula, elabore um texto
dissertativo-argumentativo cujos argumentos defendidos tratem de Sexualidade e Preconceito. O seu
texto deve ter aproximadamente 30 linhas, paragrafação adequada, com no mínimo 4 parágrafos, um
título e ser redigido em norma padrão da língua.

9º ano reda cem - 9.30

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    Texto 1 Educar paraconviver Sem políticas de promoção da diversidade e combate ao preconceito contra homossexuais, a escola torna-se palco de intolerância e homofobia Por Tory Oliveira — publicado 08/03/2013 Convivência, respeito às diferenças e à diversidade são temas recorrentes nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura dos alunos do 8º e 9º ano da Escola Estadual Frei José Maria Audrin. O professor Rubenilson Araújo, 37 anos, discute questões de gênero e diversidade sexual com obras literárias, imagens e jornais. O objetivo é enfrentar a homofobia, o preconceito contra homossexuais. “Encontramos ainda muito preconceito. A escola está estagnada, não sabe lidar com os alunos homossexuais. Por conta do ambiente hostil, a maior parte deles acaba saindo”, critica o educador, que atua na rede pública de Porto Nacional, em Tocantins. O educador fala por experiência própria. Homossexual, sofria com atitudes preconceituosas por parte dos colegas e dos professores em seu tempo de escola. “A minha vida foi marcada pela discriminação. Inúmeras vezes eu cheguei a fazer xixi na sala de aula porque os meninos me batiam se eu saísse da classe”, lembra. Dos professores, recebia indiferença ou simplesmente a ordem: “Seja homem!” Histórias como as de Rubenilson ainda são realidade. Promovida pela Unesco em 2004 entre alunos brasileiros dos ensinos Fundamental e Médio, a pesquisa Juventude e Sexualidade revelou que um em cada quatro estudantes não gostaria de ter um colega de classe homossexual. Outra pesquisa realizada pelo órgão indica o preconceito também entre os educadores. De acordo com O Perfil dos Professores Brasileiros, 59,7% dos docentes acreditam ser “inadmissível” uma pessoa ter experiências homossexuais. Publicada em 2009, a pesquisa Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil – Intolerância e Respeito às Diferenças Sexuais também examina a questão da discriminação em razão da orientação sexual. Um dado salta aos olhos: a escolaridade desponta como o fator mais determinante na diminuição da homofobia. Segundo a pesquisa, enquanto metade dos brasileiros que nunca frequentaram a escola (52%) apresenta comportamentos homofóbicos, apenas 10% daqueles com Ensino Superior manifestam o mesmo. Nenhuma das outras variáveis – como idade, renda ou religião – se mostrou um influenciador tão marcante. Segundo o sociólogo e coordenador da pesquisa, Gustavo Venturi, várias hipóteses tentam explicar o porquê de a escola ser tão determinante para a diminuição do comportamento homofóbico. Desde os anos 1990, os parâmetros curriculares atuam como uma espécie de filtro sobre os conteúdos dos livros didáticos, que não podem apresentar expressões ou personagens racistas, homofóbicos ou misóginos (com conteúdo negativo ou de aversão às mulheres). Além disso, por ser um espaço de socialização mais amplo do que a família, a escola permite uma convivência maior com a diversidade. “Está demonstrado que a convivência com pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) provoca uma diminuição do preconceito. Ao conhecer de perto um gay, a pessoa acaba desmontando a imagem preconceituosa.” “A escola é o espaço de formação de cidadania mais importante nas sociedades atuais”, afirma Marco Aurélio Máximo Prado, professor de psicologia da UFMG e pesquisador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH). Desde 2008, Prado é o coordenador-geral do Educação sem Homofobia, projeto de capacitação de professores sobre o tema que acontece em Minas Gerais. RedaCEM 9.30 Ano/Série: 9º Fundamental Entrega: 30/10/2017 Tema: Sexualidade e Preconceito – Dissertação-argumentativa
  • 2.
    Proposta de Redação Baseando-sena reportagem acima e nas discussões em sala de aula, elabore um texto dissertativo-argumentativo cujos argumentos defendidos tratem de Sexualidade e Preconceito. O seu texto deve ter aproximadamente 30 linhas, paragrafação adequada, com no mínimo 4 parágrafos, um título e ser redigido em norma padrão da língua.