Dezembro. 2014 
DESAFIOS ECONÔMICOS PARA O ANO NOVO 
Mais um final de ano se aproxima e no ar ainda se sente o clima de pós-eleições no Brasil. Nesse cenário, alguns 
importantes questionamentos (ou desafios) pairam sobre o ambiente de negócios: como será o desempenho da eco-nomia 
brasileira em 2015? Qual é a real situação econômica do país? Que expectativas devemos nutrir sobre a conjun-tura 
econômica de curto prazo? Certamente não são dúvidas de fácil resposta e, seguramente, não há “bola de cristal” 
econômica ou manual de autoajuda financeira capazes de facilmente elucidar tais incertezas. A seguir, faremos breves 
observações no intuito de trazer alguns insights sobre o presente e o futuro próximo. 
Alguns esclarecimentos iniciais: “conjuntura econômica” é um conceito dinâmico, que procura demonstrar o 
fluxo e o refluxo das atividades econômicas ao longo do tempo. De modo genérico, representa o estudo da totalidade 
das condições de mercado, da atuação do Estado, e da estrutura política e social de um país ou de uma região. É, por-tanto, 
um termo que vai além do significado de “situação econômica”, que pode ser compreendida como uma simples 
descrição dos fatos econômicos ocorridos em um momento. Falemos então de conjuntura econômica brasileira! 
Até 2009, o relativo sucesso da política econômica brasileira esteve atrelado à combinação de controle inflacio-nário, 
superávit primário (dinheiro que “sobra” nas contas do governo depois de pagar as despesas, exceto juros da 
dívida pública), e câmbio flutuante. O Brasil cresceu, nesse período, em meio ao bom momento da economia interna-cional, 
obtendo inclusive o grau de investimento da agência de classificação de risco Standard & Poor's em 2008. Nesse 
sentido, entre 1998 e 2008, é notável a evolução dos indicadores macroeconômicos no país, tais como o PIB per capita, 
o nível de crédito, as exportações, as reservas internacionais e o investimento externo direto (IED). Basta observar que, 
em 2002, o Brasil ocupava a 12ª posição entre as maiores economias (ranking PIB) do mundo, passando, em 2011, a 
ocupar a 6ª colocação. 
Veio a crise econômica internacional de 2008/2009. Foi “marola”? Definitivamente, não! O Brasil “escapou” 
dessa crise por meio do uso de uma política fiscal expansionista (aumento do gasto público e redução de impostos no 
setor produtivo) e redução dos juros. Aumentou-se no país o intervencionismo estatal e ampliaram-se os programas 
sociais. Nesse cenário, expectativas positivas sobre o desempenho futuro de nossa economia se espalharam entre a 
população e o meio empresarial, sendo alardeadas em capa de novembro de 2009 da prestigiosa revista The Economist 
(Brazil takes off). 
Porém, nos últimos anos, a realidade econômica se mostrou bastante diferente. A partir de 2010, o aumento des-controlado 
do gasto público, a ausência de uma reforma tributária e de uma reforma política no país, a expansão do 
consumo privado pautado essencialmente na ampliação do crédito, a lenta evolução da infraestrutura produtiva local 
(e, em decorrência, do aumento da produção de bens e serviços e da produtividade) trouxeram pífios índices de cresci-mento 
da economia, levando o país a um cenário de estagnação econômica. Mais do que isso: o aumento do consumo 
descolado do aumento da capacidade de oferta (produção), ainda nos fez reviver o fantasma da inflação, que insiste 
em romper os “tetos das metas” oficiais estabelecidas. Assim, mais uma vez fomos capa da revista The Economist (Has 
Brazil blown it?) em setembro de 2013, com teor bastante diferente (e decepcionante) sobre nosso futuro econômico. 
Para 2015 os desafios são claros ao país: retomar o crescimento econômico, “ajustar” as contas públicas, melho-rar 
radicalmente a infraestrutura produtiva local, ampliar e aprimorar programas sociais e voltados à educação, com-bater 
com firmeza a inflação, e compatibilizar crédito e carga tributária em níveis adequados ao desenvolvimento eco-nômico, 
entre outros. E aguardemos nossa próxima aparição na capa da The Economist... 
inovabs.com.br 
INOVA BUSINESS SCHOOL INOVA EM FOCO 
LEILA ROCHA PELLEGRINO 
EXPERIÊNCIA E ATUAÇÃO: 
Economista e Mestre em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP. Doutoranda em Administra-ção 
de Empresas pelo Mackenzie de São Paulo. Atua como professora em cursos de Graduação e de 
Pós-Graduação. Sócia e consultora da SPN treinamentos empresariais. 
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Inova em Foco - Dez/2014 - Desafios Econômicos para o Ano Novo

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    Dezembro. 2014 DESAFIOSECONÔMICOS PARA O ANO NOVO Mais um final de ano se aproxima e no ar ainda se sente o clima de pós-eleições no Brasil. Nesse cenário, alguns importantes questionamentos (ou desafios) pairam sobre o ambiente de negócios: como será o desempenho da eco-nomia brasileira em 2015? Qual é a real situação econômica do país? Que expectativas devemos nutrir sobre a conjun-tura econômica de curto prazo? Certamente não são dúvidas de fácil resposta e, seguramente, não há “bola de cristal” econômica ou manual de autoajuda financeira capazes de facilmente elucidar tais incertezas. A seguir, faremos breves observações no intuito de trazer alguns insights sobre o presente e o futuro próximo. Alguns esclarecimentos iniciais: “conjuntura econômica” é um conceito dinâmico, que procura demonstrar o fluxo e o refluxo das atividades econômicas ao longo do tempo. De modo genérico, representa o estudo da totalidade das condições de mercado, da atuação do Estado, e da estrutura política e social de um país ou de uma região. É, por-tanto, um termo que vai além do significado de “situação econômica”, que pode ser compreendida como uma simples descrição dos fatos econômicos ocorridos em um momento. Falemos então de conjuntura econômica brasileira! Até 2009, o relativo sucesso da política econômica brasileira esteve atrelado à combinação de controle inflacio-nário, superávit primário (dinheiro que “sobra” nas contas do governo depois de pagar as despesas, exceto juros da dívida pública), e câmbio flutuante. O Brasil cresceu, nesse período, em meio ao bom momento da economia interna-cional, obtendo inclusive o grau de investimento da agência de classificação de risco Standard & Poor's em 2008. Nesse sentido, entre 1998 e 2008, é notável a evolução dos indicadores macroeconômicos no país, tais como o PIB per capita, o nível de crédito, as exportações, as reservas internacionais e o investimento externo direto (IED). Basta observar que, em 2002, o Brasil ocupava a 12ª posição entre as maiores economias (ranking PIB) do mundo, passando, em 2011, a ocupar a 6ª colocação. Veio a crise econômica internacional de 2008/2009. Foi “marola”? Definitivamente, não! O Brasil “escapou” dessa crise por meio do uso de uma política fiscal expansionista (aumento do gasto público e redução de impostos no setor produtivo) e redução dos juros. Aumentou-se no país o intervencionismo estatal e ampliaram-se os programas sociais. Nesse cenário, expectativas positivas sobre o desempenho futuro de nossa economia se espalharam entre a população e o meio empresarial, sendo alardeadas em capa de novembro de 2009 da prestigiosa revista The Economist (Brazil takes off). Porém, nos últimos anos, a realidade econômica se mostrou bastante diferente. A partir de 2010, o aumento des-controlado do gasto público, a ausência de uma reforma tributária e de uma reforma política no país, a expansão do consumo privado pautado essencialmente na ampliação do crédito, a lenta evolução da infraestrutura produtiva local (e, em decorrência, do aumento da produção de bens e serviços e da produtividade) trouxeram pífios índices de cresci-mento da economia, levando o país a um cenário de estagnação econômica. Mais do que isso: o aumento do consumo descolado do aumento da capacidade de oferta (produção), ainda nos fez reviver o fantasma da inflação, que insiste em romper os “tetos das metas” oficiais estabelecidas. Assim, mais uma vez fomos capa da revista The Economist (Has Brazil blown it?) em setembro de 2013, com teor bastante diferente (e decepcionante) sobre nosso futuro econômico. Para 2015 os desafios são claros ao país: retomar o crescimento econômico, “ajustar” as contas públicas, melho-rar radicalmente a infraestrutura produtiva local, ampliar e aprimorar programas sociais e voltados à educação, com-bater com firmeza a inflação, e compatibilizar crédito e carga tributária em níveis adequados ao desenvolvimento eco-nômico, entre outros. E aguardemos nossa próxima aparição na capa da The Economist... inovabs.com.br INOVA BUSINESS SCHOOL INOVA EM FOCO LEILA ROCHA PELLEGRINO EXPERIÊNCIA E ATUAÇÃO: Economista e Mestre em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP. Doutoranda em Administra-ção de Empresas pelo Mackenzie de São Paulo. Atua como professora em cursos de Graduação e de Pós-Graduação. Sócia e consultora da SPN treinamentos empresariais. C M Y CM MY CY CMY K