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4 DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015
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Trote_parte 1

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Reportagem alerta sobre a violência nos trotes universitários e discute o tema com especialistas e estudantes.
Observação: texto dividido em três partes.

Publicada em: Educação
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Trote_parte 1

  1. 1. 4 DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015 capa Rê Campbell redacao@universal.org.br Compartilhe: universal.org/31980 C hicotadas, humilha- ções, tapas, xingamen- tos, cuspe no rosto, ameaças, abuso sexu- al, estupro e até envenenamen- to. Esses atos foram praticados por estudantes de grandes uni- versidades públicas e privadas do Brasil, nos últimos 10 anos, como parte da recepção de candidatos aprovados no vesti- bular. O ritual é popularmente conhecido como “trote”. Desde dezembro de 2014, relatos de práticas como essas vêm sendo colhidos por inte- grantes de uma Comissão Par- lamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que apura a vio- lação dos direitos humanos em universidades paulistas. Os depoimentos na CPI comprovam que pouca coisa mudou desde a morte do estu- dante Edison Hsueh, em 1999. Edison tinha acabado de ingres- sar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e morreu afogado duran- te trote organizado por alunos do mesmo curso. Ele foi jogado na piscina da associação atlética da faculdade, mesmo sem saber nadar. Em 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) absol- veu os quatro acusados do crime definitiva- mente, por falta de provas. Há limite para o trote? Quando entramna universidade, muitos jovenssão pressionados aparticiparde atividadesque vãodepintura derostoa agressões físicas Neste ano, o trote ainda pode ser uma ameaça para muitos jovens que estão ingres- sando no ensino superior. A pergunta que fica é: até quando as agressões ocorridas dentro e ao redor de universidades fica- rão impunes no Brasil? Brincadeira ou violência? Pinturasnorostoenocorpo, gincanas e corte de cabelo são os trotes mais noticiados pela mídia. As atividades costumam acontecer no momento da ma- trícula, nos primeiros dias de aula e nas festas de “recepção de calouros”, dentro e fora das dependências das universida- des. A justificativa é dar as boas- vindas aos novos alunos. Para muitos, o trote é apenas uma brincadeira, enquanto outros se sentem forçados a participar. Afinal, há limite para o trote? O doutor em Sociologia Antônio Ribeiro de Almeida Júnior, que estuda trotes desde 2001, é contra qualquer forma de trote, até mesmo os “solidá- rios”. Ele defende que a práti- ca deve ser banida das univer- sidades. “O trote não é uma forma de integração, ele divide os alunos. Não existe limite, aquilo que é brincadeira para um pode ser violência para ou- tro”, afirma o especialista, que escreveu livros sobre o assunto e é professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Quei- roz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), unidade localizada em Piracicaba, no interior de São Paulo. Almeida Júnior explica que em algumas universidades o trote é institucional, ou seja, faz parte da cultura da instituição e recebe apoio de alunos, pro- fessores, funcionários do alto es- calão e até de ex-alunos. Nesses casos, os abusos acabam sendo escondidos. “O trote é um pro- cesso de seleção de pessoas para grupos que disputam o poder dentro dessas universidades. Para fazer parte do grupo, a pessoa deve obedecer e perma- necer em silêncio mesmo após ser humilhada e agredida.” O NOVO ALUNO toma banho de lama na Escola Politécnica da USP, durante trote em 2010. No mesmo dia, outros ingressantes tiveram cuecas rasgadas e ovos quebrados na cabeça Aluna foi agredida, xingada e recebeu cuspe no rosto por se recusar a ficar de joelhos FOLHAPRESS DANILOVERPA/FOLHAPRESS Trote “elefantinho”: novos alunos andam em fila, com as mãos entrelaçadas debaixo das pernas dos colegas

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