ÍndiceO que é lúpus? ............................................. 2Quem tem lúpus? .........................................
1. O que é lúpus?     O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ouapenas lúpus) é uma doença inflamatória crôni-ca de origem auto...
frequente em pessoas mestiças e nos afro-des-cendentes. No Brasil, não dispomos de núme-ros exatos, mas as estimativas ind...
pessoa, cada pessoa com lúpus tende a ter ma-nifestações clínicas (sintomas) específicas emuito pessoais.4. Quais são os s...
ça. As lesões mais características são manchasavermelhadas nas maçãs do rosto e dorso donariz, denominadas lesões em asa d...
assintomáticas, ou, se manifestar como dor nopeito. Caracteristicamente no caso da pleuris, ador ocorre ao respirar, poden...
sangramento menstrual, hematomas e sangra-mento gengival. Geralmente a diminuição dosglóbulos brancos é assintomática.5. C...
úteis para auxiliar no diagnóstico do LES,mas não é obrigatório que a pessoa com LESseja enquadrada nesses critérios para ...
Os sintomas mais leves podem ser tratadoscom analgésicos, anti-inflamatórios e/ou dosesbaixas dos corticóides (prednisona ...
de higiene (pelo risco potencial de infecções).Idealmente deve-se evitar alimentos ricos emgorduras e o álcool (mas o uso ...
rose e melhorando o sistema imunológico.    O objetivo geral dos cuidados com a saúde(incluindo os medicamentos) para as p...
e, o uso irregular dos corticóides, antimaláricos(difosfato de cloroquina ou hidroxicloroquina),azatioprina e micofenolato...
a cada 3 a 6 meses, no entanto, nos casos dedoença em atividade, podem ser necessáriosretornos mais freqüentes, como seman...
apenas os anticorpos antifosfolipídeos), têmmais chance de perda do bebê e podem neces-sitar usar anticoagulantes (injeçõe...
mento pré-natal deve ser iniciado no primeiromomento que a pessoa com LES saiba que estágrávida e também é essencial a man...
alguns dos mecanismos naturais de defesa donosso organismo.    O lúpus tem cura? O LES é uma doençacrônica que passa por p...
dade física regular. O seu reumatologista sempretentará usar a menor dose possível e essa tendea ser bem baixa após o cont...
muito parecidos e podem também ter o examede FAN positivo sem que tenham lúpus.     Quem tem LES tem mais problemas decora...
ainda assim ter LES? Sim. Mas espera-se quetodas as pessoas portadoras de LES apresen-tem, ao longo de sua evolução, o exa...
As informações contidas nesta cartilhasão gerais e não representam obriga-toriamente todos os espectros clínicospossíveis ...
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  1. 1. ÍndiceO que é lúpus? ............................................. 2Quem tem lúpus? ........................................ 2O que causa o lúpus?................................... 3Quais são os sintomas da doença? .............. 4Como o diagnóstico é feito?........................ 7Como se trata o lúpus? ................................ 8Que outros cuidados as pessoascom lúpus devem ter? ................................. 9Quanto tempo dura o tratamento? .............11Quem tem lúpus pode engravidar? ............13Verdades e mentiras sobre o lúpus.............15 2
  2. 2. 1. O que é lúpus? O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ouapenas lúpus) é uma doença inflamatória crôni-ca de origem autoimune, cujos sintomas podemsurgir em diversos órgãos de forma lenta e pro-gressiva (em meses) ou mais rapidamente (emsemanas) e variam com fases de atividade e deremissão. São reconhecidos 2 tipos principais delúpus: o cutâneo, que se manifesta apenas commanchas na pele (geralmente avermelhadas oueritematosas e daí o nome lúpus eritematoso),principalmente nas áreas que ficam expostas àluz solar (rosto, orelhas, colo (“V” do decote) enos braços) e o sistêmico, no qual um ou maisórgãos internos são acometidos. Por ser uma do-ença do sistema imunológico, que é responsávelpela produção de anticorpos e organização dosmecanismos de inflamação em todos os órgãos,quando a pessoa tem LES ela pode ter diferentestipos sintomas em vários locais do corpo. Al-guns sintomas são gerais como a febre, emagre-cimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo.Outros, específicos de cada órgão como dor nasjuntas, manchas na pele, inflamação da pleura,hipertensão e/ou problemas nos rins.2. Quem tem lúpus? O lúpus pode ocorrer em pessoas de qual-quer idade, raça e sexo, porém as mulheres sãomuito mais acometidas. Ocorre principalmen-te entre 20 e 45 anos, sendo um pouco mais 3
  3. 3. frequente em pessoas mestiças e nos afro-des-cendentes. No Brasil, não dispomos de núme-ros exatos, mas as estimativas indicam queexistem cerca de 65.000 pessoas com lúpus,sendo a maioria mulheres. Acredita-se assimque uma a cada 1.700 mulheres no Brasil tenhaa doença. Desta forma, em uma cidade como oRio de Janeiro teríamos cerca de 4.000 pessoascom lúpus e em São Paulo aproximadamente6.000. Por essa razão, para os reumatologistas,o lúpus é uma doença razoavelmente comumno seu dia-a-dia.3. O que causa o lúpus? Embora a causa do LES não seja conheci-da, sabe-se que fatores genéticos, hormonais eambientais participam de seu desenvolvimento.Portanto, pessoas que nascem com susceptibili-dade genética para desenvolver a doença, em al-gum momento, após uma interação com fatoresambientais (irradiação solar, infecções virais oupor outros micro-organismos), passam a apre-sentar alterações imunológicas. A principal de-las é o desequilibrio na produção de anticorposque reagem com proteínas do próprio organismoe causam inflamação em diversos órgãos comona pele, mucosas, pleura e pulmões, articula-ções, rins etc.). Dessa forma, entendemos que otipo de sintoma que a pessoa desenvolve, depen-de do tipo de autoanticorpo que a pessoa tem e,que como o desenvolvimento de cada anticorpose relaciona às características genéticas de cada 4
  4. 4. pessoa, cada pessoa com lúpus tende a ter ma-nifestações clínicas (sintomas) específicas emuito pessoais.4. Quais são os sintomas da doença? Os sintomas do LES são diversos e tipica-mente variam em intensidade de acordo com afase de atividade ou remissão da doença. É mui-to comum que a pessoa apresente manifestaçõesgerais como cansaço, desânimo, febre baixa(mas raramente, pode ser alta), emagrecimento eperda de apetite. As manifestações podem ocor-rer devido a inflamação na pele, articulações(juntas), rins, nervos, cérebro e membranas querecobrem o pulmão (pleura) e o coração (peri-cárdio). Outras manifestações podem ocorrerdevido a diminuição das células do sangue (gló-bulos vermelhos e brancos), devido a anticorposcontra essas células. Esses sintomas podem sur-gir isoladamente, ou em conjunto e podem ocor-rer ao mesmo tempo ou de forma sequencial.Crianças, adolescentes ou mesmo adultos po-dem apresentar inchação dos gânglios (ínguas),que geralmente é acompanhada por febre e podeser confundida com os sintomas de infecçõescomo a rubéola ou mononucleose. As manifestações clínicas mais frequentes são: a) Lesões de pele: ocorrem em cerca de80% dos casos, ao longo da evolução da doen- 5
  5. 5. ça. As lesões mais características são manchasavermelhadas nas maçãs do rosto e dorso donariz, denominadas lesões em asa de borboleta(a distribuição no rosto lembra uma borboleta)e que não deixam cicatriz. As lesões discóides,que também ocorrem mais frequentemente emáreas expostas à luz, são bem delimitadas e po-dem deixar cicatrizes com atrofia e alteraçõesna cor da pele. Na pele também pode ocorrervasculite (inflamação de pequenos vasos), cau-sando manchas vermelhas ou vinhosas, dolo-rosas em pontas dos dedos das mãos ou dospés. Outra manifestação muito característicano LES é o que se chama de fotossensibilidade,que nada mais é do que o desenvolvimento deuma sensibilidade desproporcional à luz solar.Neste caso, com apenas um pouco de exposiçãoà claridade ou ao sol, podem surgir tanto man-chas na pele como sintomas gerais (cansaço)ou febre. A queda de cabelos é muito frequentemas ocorre tipicamente nas fases de atividadeda doença e na maioria das pessoas, o cabelovolta a crescer normalmente com o tratamento. b) Articulares: a dor com ou sem incha-ço nas juntas ocorre, em algum momento, emmais de 90% das pessoas com LES e envolveprincipalmente as juntas das mãos, punhos, jo-elhos e pés. A artrite (inflamação das juntas)tende a ser bastante dolorosa e ocorrer de for-ma intermitente, com períodos de melhora epiora. Às vezes também surgem tendinites. c) A inflamação das membranas que reco-brem o pulmão (pleuris) e coração (pericardite)são relativamente comuns, podendo ser leves e 6
  6. 6. assintomáticas, ou, se manifestar como dor nopeito. Caracteristicamente no caso da pleuris, ador ocorre ao respirar, podendo causar tambémtosse seca e falta de ar. Na pericardite, além dador no peito, pode haver palpitações e falta de ar. d) Inflamação nos rins (nefrite): é umadas que mais preocupam e ocorre em cerca de50% das pessoas com LES. No início pode nãohaver qualquer sintoma, apenas alterações nosexames de sangue e/ou urina. Nas formas maisgraves, surge pressão alta, inchaço nas pernas,a urina fica espumosa, podendo haver diminui-ção da quantidade de urina. Quando não trata-da rapidamente e adequadamente o rim deixade funcionar (insuficiência renal) e o pacientepode precisar fazer diálise ou transplante renal. e) Alterações neuro-psiquiátricas: essasmanifestações são menos frequentes, mas podemcausar convulsões, alterações de humor ou com-portamento (psicoses), depressão e alterações dosnervos periféricos e da medula espinhal. f) Sangue: as alterações nas células dosangue são devido aos anticorpos contra es-tas células, causando sua destruição. Assim,se os anticorpos forem contra os glóbulos ver-melhos (hemácias) vão causar anemia, contraos glóbulos brancos vai causar diminuição decélulas brancas (leucopenia ou linfopenia) ese forem contra as plaquetas causarão dimi-nuição de plaquetas (plaquetopenia). Os sin-tomas causados pelas alterações nas célulasdo sangue são muito variáveis. A anemia podecausar palidez da pele e mucosas e cansaçoe a plaquetopenia poderá causar aumento do 7
  7. 7. sangramento menstrual, hematomas e sangra-mento gengival. Geralmente a diminuição dosglóbulos brancos é assintomática.5. Como o diagnóstico é feito? O diagnóstico é feito através do reconhe-cimento pelo médico de um ou mais dos sinto-mas acima. Ao mesmo tempo, como algumasalterações nos exames de sangue e urina sãomuito características, eles também são ha-bitualmente utilizados para a definição finaldo diagnóstico. Exames comuns de sangue eurina são úteis não só para o diagnóstico dadoença, mas também são muito importantespara definir se há atividade do LES. Emboranão exista um exame que seja exclusivo doLES (100% específico), a presença do examechamado FAN (fator ou anticorpo antinucle-ar), principalmente com títulos elevados, emuma pessoa com sinais e sintomas caracte-rísticos de LES, permite o diagnóstico commuita certeza. Outros testes laboratoriaiscomo os anticorpos anti-Sm e anti-DNA sãomuito específicos, mas ocorrem em apenas40% a 50% das pessoas com LES. Ao mes-mo tempo, alguns exames de sangue e/ou deurina podem ser solicitados para auxiliar nãono diagnóstico do LES, mas para identificarse há ou não sinais de atividade da doença.Existem critérios desenvolvidos pelo ColégioAmericano de Reumatologia, que podem ser 8
  8. 8. úteis para auxiliar no diagnóstico do LES,mas não é obrigatório que a pessoa com LESseja enquadrada nesses critérios para que odiagnóstico de LES seja feito e que o trata-mento seja iniciado.6. Como se trata o lúpus? O tratamento da pessoa com LES dependedo tipo de manifestação apresentada e deve por-tanto, ser individualizado. Dessa forma a pessoacom LES pode necessitar de um, dois ou maismedicamentos em uma fase (ativa da doença) e,poucos ou nenhum medicamento em outras fa-ses (não ativas ou em remissão). Ao mesmo tem-po, o tratamento sempre inclui remédios pararegular as alterações imunológicas do LES ede medicamentos gerais para regular alteraçõesque a pessoa apresente em consequência da in-flamação causada pelo LES, como hipertensão,inchaço nas pernas, febre, dor etc. Os medicamentos que agem na modula-ção do sistema imunológico no LES incluemos corticóides (cortisona), os antimaláricos e osimunossupressores, em especial a azatioprina,ciclofosfamida e micofenolato de mofetil. É ne-cessário enfatizar a importância do uso dos foto-protetores que devem ser aplicados diariamenteem todas as áreas expostas à claridade. O pro-duto deve ser reaplicado, ao longo do dia, paraassegurar o seu efeito protetor. Em alguns casospodem ser usados cremes com corticosteróidesou com tacrolimus aplicados nas lesões de pele. 9
  9. 9. Os sintomas mais leves podem ser tratadoscom analgésicos, anti-inflamatórios e/ou dosesbaixas dos corticóides (prednisona - 5 a 20 mg/dia). Na vigência de manifestações mais gravesdo LES, as doses dos corticóides podem serbem mais elevadas (prednisona - 60 a 80 mg/dia). Geralmente, quando há envolvimento dosrins, do sistema nervoso, pulmões ou vasculiteé necessário o emprego dos imunossupressoresem doses variáveis de acordo com a gravidadedo acometimento. Um aspecto importante nouso desses medicamentos é a atenção necessá-ria quanto ao risco aumentado de infecções, jáque eles diminuem a capacidade do indivíduode defender-se contra infecções, incluindo a tu-berculose. Em pacientes com LES grave, comrápida evolução, pode-se utilizar altas doses deglicocorticóide por via endovenosa. O uso da cloroquina (ou hidroxicloroquina)está indicado tanto para as formas mais levesquanto nas mais graves e deve ser mantido mes-mo que a doença esteja sob controle (remissão),pois auxiliam na manutenção do controle do LES.7. Que outros cuidados as pessoas com lúpus devem ter? Além do tratamento com remédios, as pes-soas com LES devem ter cuidado especiais coma saúde incluindo atenção com a alimentação,repouso adequado, evitar condições que provo-quem estresse e atenção rigorosa com medidas 10
  10. 10. de higiene (pelo risco potencial de infecções).Idealmente deve-se evitar alimentos ricos emgorduras e o álcool (mas o uso de bebidas al-coólicas em pequena quantidade não interfe-re especificamente com a doença). Quem estáutilizando anticoagulantes por ter apresentadotrombose (muitas vezes relacionada à síndro-me antifosfolipídeo associada ao LES), deveter um cuidado especial que é a manutençãode uma dieta “monótona”, ou seja, parecida emqualidade e quantidade todos os dias, para queseja possível um controle adequado da antico-agulação. Pessoas com hipertensão ou proble-mas nos rins, devem diminuir a quantidade desal na dieta e as com glicose elevada, devemrestringir o consumo de açúcar e alimentos ri-cos em carboidratos (massas, farinhas e pães). Outra medida de ordem geral é evitar (oususpender se estiver em uso) os anticoncepcio-nais com estrogênio e o cigarro (tabagismo),ambas condições claramente relacionadas àpiora dos sintomas do LES. Pessoas com LES,independentemente de apresentarem ou nãomanchas na pele, devem adotar medidas deproteção contra a irradiação solar, evitando aomáximo expor-se à “claridade”, além de evitara “luz do sol” diretamente na pele, pois além deprovocarem lesões cutâneas, também podemcausar agravamento da inflamação em órgãosinternos como os rins. Outra medida muito im-portante é a manutenção de uma atividade físi-ca regular, preferencialmente aeróbia que ajudanão só para o controle da pressão e da glicoseno sangue, mas também contribui para melho-rar a qualidade dos ossos, evitando a osteopo- 11
  11. 11. rose e melhorando o sistema imunológico. O objetivo geral dos cuidados com a saúde(incluindo os medicamentos) para as pessoascom LES é permitir o controle da atividadeinflamatória da doença e minimizar os efeitoscolaterais dos medicamentos. De uma formageral, quando o tratamento é feito de formaadequada, incluindo o uso correto dos me-dicamentos em suas doses e horários, com arealização dos exames necessários nas épocascertas, comparecimento às consultas nos perí-odos recomendados e os cuidados gerais aci-ma descritos, é possível obter um bom controleda doença e melhorar de forma significativa aqualidade de vida das pessoas com LES.8. Quanto tempo dura o tratamento? O lúpus é uma doença crônica, assim comotambém o são a hipertensão, diabetes, váriasdoenças intestinais, alergias e outras doençasreumatológicas. Todas as pessoas que têm es-sas doenças necessitam de um acompanhamen-to prolongado, mas isso não quer dizer que adoença vai estar sempre causando sintomas, ouimpedindo a pessoa de viver sua vida, traba-lhar fora ou cuidar dos filhos e da casa, poisa evolução natural do lúpus, se caracteriza porperíodos de maior e menor “atividade” (comquantidade maior ou menor de sintomas). Aomesmo tempo, o uso regular dos medicamentosauxilia na manutenção da doença sob controle 12
  12. 12. e, o uso irregular dos corticóides, antimaláricos(difosfato de cloroquina ou hidroxicloroquina),azatioprina e micofenolato mofetil favorece areativação da doença. Quando a pessoa com lúpus, não aceitaa existência da doença e não se conscientizaque são necessárias algumas mudanças no diaa dia, as coisas ficam bem mais difíceis, poisquem tem LES, deve manter um acompanha-mento médico para sempre. Algumas medidas são para a vida todacomo proteção solar (chapéus, sombrinhas,etc., além dos cremes fotoprotetores já citados),não fumar, exercícios físicos regulares, contro-le alimentar, não faltar às consultas, realizarexames com a periodicidade recomendada eseguir as orientações e sempre retirar suas dú-vidas com seu médico reumatologista. Quanto ao uso dos remédios, isto varia deacordo com a fase da doença. O reumatologis-ta, que é o médico especialista para o tratamen-to do LES, sempre vai tentar empregar os me-dicamentos nas menores doses possíveis, pelomenor tempo possível, mas a decisão quanto aque doses utilizar em cada momento, dependede uma avaliação especializada que é feita du-rante a consulta. Portanto, as doses prescritasnão devem ser modificadas para que não hajaretardo na melhora programada, mesmo quea pessoa esteja se sentindo bem a acredite quedaria para reduzir os remédios. Antes de qual-quer mudança na dose de qualquer medicamen-to, a pessoa com LES sempre deve conversarcom o seu reumatologista. As consultas geralmente são marcadas 13
  13. 13. a cada 3 a 6 meses, no entanto, nos casos dedoença em atividade, podem ser necessáriosretornos mais freqüentes, como semanal e, senecessário até mesmo com internação hospita-lar (condição que não é necessária para a maio-ria das pessoas com LES).9. Quem tem lúpus pode engravidar? Durante muito tempo os médicos acredita-ram que quem tinha lúpus não poderia jamaisengravidar. No entanto, já há cerca de 20 anos,sabe – se que a gravidez não está proibida paraas mulheres com lúpus, mas que ela deve serprogramada. O ideal é que a pessoa com LESsó engravide com a doença totalmente sob con-trole por pelo menos 6 meses, portanto antes depensar em engravidar, converse com seu reu-matologista, já que alguns medicamentos usa-dos no tratamento do LES devem ser suspensosantes da gravidez. A cloroquina por outro lado,pode e deve ser mantida durante a gestação. Normalmente as pessoas com lúpus vãoter crianças normais. Por outro lado, sabemosque existe uma pequena chance de ocorrer umabortamento, ou do bebê nascer prematuro oucom baixo peso. Ao mesmo tempo, as pesso-as que têm hipertensão (por qualquer razão enão só pelo LES), têm mais chances de desen-volver pré-eclâmpsia que é uma complicaçãograve da gestação. As mulheres com LES quetambém têm a síndrome antifosfolipídeo (ou 14
  14. 14. apenas os anticorpos antifosfolipídeos), têmmais chance de perda do bebê e podem neces-sitar usar anticoagulantes (injeções de hepari-na ou warfarina) durante toda a gravidez. Uma situação especial que pode ocorrer du-rante a gravidez em pessoas com LES (e tambémsem LES) é o desenvolvimento de um bloqueiocardíaco, que determina batidas mais lentas docoração do bebê. Hoje em dia, já se sabe queesse tipo de problema está relacionado à pre-sença de um anticorpo no sangue da mãe (antiRo), que passa pela placenta e afeta o coração dobebê. Apesar disso, a grande maioria dos bebêsfilhos de mulheres com esse anticorpo, não temnenhum problema. Esse mesmo anticorpo tam-bém pode causar uma situação chamada lúpusneo-natal, na qual o bebê nasce ou desenvolvemanchas parecidas com as de quem tem lúpus.No entanto essas manchas são temporárias e acriança não desenvolve lúpus propriamente dito. Do ponto de vista genético, as chances deuma mulher com LES, ter um filho que tambémdesenvolve LES, são muito pequenas. Mas atu-almente, já sabemos que pessoas que têm umfamiliar com LES, têm mais chance de tambémdesenvolver LES. Ainda em relação à gravidez, alguns remé-dios podem ser usados durante toda a gestação,outros (como a maioria dos imunossupressorese alguns para hipertensão), devem ser evitados.Portanto, a gravidez de uma mulher com LES,sempre deve ser planejada e sempre deve serconsiderada uma gestação de alto risco, paraque medidas mais rigorosas de acompanha-mento possam ser instituídas. O acompanha- 15
  15. 15. mento pré-natal deve ser iniciado no primeiromomento que a pessoa com LES saiba que estágrávida e também é essencial a manutenção doacompanhamento no pós-parto, incluindo pro-gramação dos medicamentos que podem serusados durante a amamentação. Ainda que agestação em quem tem LES seja consideradasempre de alto risco, se todos os cuidados fo-rem tomados, a grande maioria das gestações étranquila e bem sucedida.10. Verdades e mentiras sobre o lúpus. Estresse emocional causa lúpus? Não.Emoções negativas como a perda de um parentepróximo ou uma separação, podem desencadearos sintomas iniciais da doença ou provocar umareativação. Esses fatores não são a causa, mascontribuem para sua exacerbação (reativação). Quem tem LES tem mais chance de teruma infecção? Como sabemos, o lúpus é umadoença que interfere com o sistema imunoló-gico, que é o nosso sistema de defesa contra asinfecções de uma forma geral. Este desequili-brio facilita um pouco o aparecimento de in-fecções. Por outro lado, na maioria das vezes,as infecções nas pessoas com LES, são facili-tadas pelo uso de alguns medicamentos (cor-ticóides e imunossupressores) que ao inibirema produção excessiva de anticorpos, inibem 16
  16. 16. alguns dos mecanismos naturais de defesa donosso organismo. O lúpus tem cura? O LES é uma doençacrônica que passa por períodos de atividade eperíodos de remissão. Logo nessas fases (re-missão), a pessoa pode ficar totalmente bem,sem qualquer sintoma, mas isso não signifi-ca que o distúrbio imunológico que “causou”o LES, foi corrigido definitivamente. Logo, oideal é que consideremos o LES como uma do-ença crônica, que pode ficar sem sintomas mas,que sempre vai necessitar um acompanhamen-to médico contínuo. Há algum problema de usar remédiospara outras doenças já usando os medica-mentos para lúpus? Possivelmente sim. Aúnica forma de saber é discutindo com o seureumatologista a receita toda. Embora ocorrararamente, alguns remédios para tratamento dahipertensão, alguns antibióticos, remédios parao colesterol e mesmo alguns para tratamentode infecções por fungos, podem provocar sin-tomas semelhantes aos do lúpus ou interferircom os do lúpus. Os remédios para o lúpus sempre deixama pessoa inchada? Não. No entanto os corticói-des quando em doses altas, para as fases maisativas e graves da doença, podem deixar a pes-soa inchada. Outro aspecto é que os corticóidesaumentam o apetite. Logo, quando for necessá-rio o uso de doses altas desses medicamentos, énecessário controlar a dieta e manter uma ativi- 17
  17. 17. dade física regular. O seu reumatologista sempretentará usar a menor dose possível e essa tendea ser bem baixa após o controle da fase ativa dadoença e, as doses baixas de corticóide causampouca ou nenhuma inchação. O lúpus pode causar trombose? Não. Noentanto a síndrome antifosfolipídeo que podeestar presente em associação com o LES emalgumas pessoas, causa tromboses. Quem tem LES pode se aposentar pordoença? Não. A maioria das pessoas com LESpode ter uma vida produtiva cuidando da casa,trabalhando fora, estudando etc. No entanto,algumas pessoas têm uma evolução mais com-plicada e perdem a capacidade produtiva. Nes-ses casos isolados, que ocorrem com quem temlúpus e também com quem tem outras doenças,pode haver indicação de algum benefício daprevidência social. É possível a pessoa ter duas doenças au-toimunes juntas? Sim. A pessoa que tem umadoença autoimune tem na verdade, um distúrbiodo seu sistema imunológico que favorece o de-senvolvimento de uma ou mais doenças imuno-lógicas. A síndrome antifosfolipídeo é uma doen-ça que se associa em muitos pacientes com LES. Outras doenças podem ter os mesmossintomas de LES? Sim. Os sintomas do lúpusnão são exatamente exclusivos. Pessoas que temhanseníase, hepatite C, rubéola ou outras doen-ças autoimunes podem desenvolver sintomas 18
  18. 18. muito parecidos e podem também ter o examede FAN positivo sem que tenham lúpus. Quem tem LES tem mais problemas decoração ou de câncer? Sim. À semelhança devárias outras doenças inflamatórias, pessoas comLES tendem a ter mais doenças cardiovasculares.A hipertensão, o colesterol elevado e a insuficiên-cia renal, todas condições que são mais freqüen-tes em quem tem LES, contribuem significativa-mente para a maior freqüência das doenças docoração e por isso merecem atenção especial du-rante o cuidado com o LES de uma forma geral.Por outro lado, o risco de câncer é praticamente omesmo da população em geral (apesar desse ris-co ser discretamente maior) e por isso, pessoasLES também devem atentar para as medidas deprevenção, que incluem principalmente cuidadosquanto ao câncer de mama e do colo do útero. A pessoa pode ter o exame de FAN po-sitivo e mesmo assim não ter LES? Sim. Al-gumas doenças e mesmo pessoas sem doençaalguma, e também parentes de pessoas comdoenças autoimunes podem ter FAN positivo enunca desenvolverem LES. Cabe ressaltar quena maioria das vezes os títulos desse exame(FAN) tendem a ser baixos e que títulos altosdo FAN (dependendo do padrão encontrado),mesmo que a pessoa não tenha sintomas de lú-pus, requerem observação a longo prazo (semque seja necessário usar nenhum remédio). E se a pessoa tiver os sintomas de LES eo exame de FAN for negativo, a pessoa pode 19
  19. 19. ainda assim ter LES? Sim. Mas espera-se quetodas as pessoas portadoras de LES apresen-tem, ao longo de sua evolução, o exame do FANpositivo. Quem tem LES pode tomar vacinas?Sim. Algumas vacinas devem ser usadas porquem tem LES porque aumentam as defesas edentre essas as mais importantes são as contraa pneumonia pneumocócica e as contra o vírusda gripe além das geralmente indicadas no Pro-grama Nacional de Imunizações do Ministérioda Saúde. Se a pessoa com LES estiver usandoimunossupressores, incluindo os corticóides,não deve receber as vacinas com vírus vivosatenuados como as da febre amarela, varicela,rotavírus e Sabin. Quando o tempo está nublado, tambémé necessário proteger-se com fotoprotetor?Sim. A maioria das pessoas com lúpus tem sen-sibilidade ao sol, e essa sensibilidade não é só àluz direta do sol, mas à claridade. Logo, mesmonos dias nublados e na sombra de uma formageral, é necessário usar fotoprotetor e preferen-cialmente cobrir-se com uma blusa fina. Existem produtos “naturais” ou vacinasque melhorem a imunidade? Não. A melhoratitude para melhorar a imunidade é manteruma vida saudável, incluindo uma dieta balan-ceada, sem álcool, cigarro ou excessos dieté-ticos. Não existem produtos que melhorem aimunidade e alguns podem mesmo prejudicara sistema imunológico. 20
  20. 20. As informações contidas nesta cartilhasão gerais e não representam obriga-toriamente todos os espectros clínicospossíveis de serem encontrados em pes-soas com lúpus.Em caso de dúvidas, converse com o seureumatologista.Se você desejar, entre em contato com aSociedade Brasileira de Reumatologia,no portal www.reumatologia.org.br ouatravés do endereço eletrônico da SBR:contato@reumatologia.com.br.O portal da SBR também contém umlink (ícone) para acesso a referências so-bre os reumatologistas em cada um dosestados do Brasil: clique em “procureum reumatologista”. 21

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