O cristianismo e o islamismo na idade média

20.629 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação, Negócios, Tecnologia
0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
20.629
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
149
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O cristianismo e o islamismo na idade média

  1. 1. O CRISTIANISMO E O ISLAMISMO NO OCIDENTE MEDIEVALObjetivo geralPermitir uma reflexão sobre a relação entre o Cristianismo e o Islamismo durante o processode difusão deste último no Ocidente Medieval.Objetivos específicos • Destacar a importância do tema para o conhecimento do período medieval. • Acompanhar o processo de formação das duas religiões, traçando diferenças e semelhanças do ponto de vista teológico. • Mostrar as explicações para os conflitos que marcaram uma fase importante da Idade Média - as Cruzadas. • Destacar o papel das Cruzadas no sentido de impedir uma maior influência islâmica no Ocidente. • Ressaltar a contribuição árabe/muçulmana em países como Espanha e Portugal.1. Conceitos introdutóriosAs religiões "mundiais" (antigas religiões históricas) e sua importância. Tiveram origem emtrês regiões da Ásia: - Oriente Médio - judaísmo, cristianismo e islamismo; - Índia - hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo; - Extremo Oriente - confucianismo, taoísmo e xintoísmo.As religiões monoteístas do Oriente Próximo:- Convergências e divergências; continuidades e descontinuidades;- Judaísmo e cristianismo;- Judaísmo e islamismo;- Cristianismo e islamismo.Periodização: a interação mais importante entre o cristianismo e o islamismo coincidiu com operíodo medieval (desde uma perspectiva ocidental). Períodos da história do Ocidente:- Período Antigo - desde o início da era cristã até a "queda" de Roma (em 476, o generalgermânico Odoacro depôs o último imperador romano ocidental, Rômulo Augústulo) ou opontificado de Gregório Magno (590-604).- Período Medieval - do final do período antigo até a Reforma Protestante. Daí a designação"Idade Média", ou seja, entre a Antiga e a Moderna. Preconceitos: época de barbarismo,ignorância, superstição; a "Idade das Trevas".- Por sua vez, o período medieval se subdivide em três: (a) Idade Média Antiga: colapso final davelha civilização romana; (b) Alta Idade Média ou período gótico: reconstrução, surgimento de
  2. 2. uma nova civilização; (c) Idade Média Posterior: a partir de 1300; novas crises etransformações.Bibliografia acadêmica- História da Europa (Império Romano, invasões bárbaras, reconfiguração política e social)- História do cristianismo (Igreja antiga e medieval, papado, Igreja e estado)- História medieval (feudalismo, Sacro Império, surgimento das nações-estado)- História do islamismo (surgimento, expansão, califados, cultura)- História do cristianismo e islamismo (influências mútuas; quatro períodos de conflitos:séculos VII-VIII, séculos IX-X, séculos XI-XIII, séculos XIV-XV)- História das cruzadas (antecedentes, motivações, conflitos armados, conseqüências)Eixos de discussão:- Aspecto geopolítico;- Aspecto religioso e ideológico;- Tendências da pesquisa: defesa da posição cristã ou islâmica;- Multiculturalismo; revisão crítica da história do Ocidente;- Temas: tolerância e intolerância, diálogo inter-religioso, fundamentalismo religioso;- A questão da subjetividade/objetividade histórica;- Necessidade de equilíbrio e simpatia em relação ao tema, especialmente à luz dosacontecimentos atuais (pós 11 de setembro de 2001).2. Trajetórias cristã e muçulmana no Ocidente2.1 Origens cristãsO cristianismo não nasceu em um vácuo, mas sofreu a influência decisiva de uma tradiçãoreligiosa anterior - o judaísmo. Ao mesmo tempo, afastou-se dessa tradição religiosa matricialde maneiras significativas.Como várias outras das chamadas religiões mundiais, o cristianismo teve um "fundador", umapersonalidade criativa inicial, Jesus de Nazaré ou Jesus Cristo, ainda que ele nunca tivessepretendido fundar uma nova religião.Do judaísmo, Jesus e seus primeiros seguidores herdaram vários valores importantes: omonoteísmo, a ética elevada e as Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), embora a versãomais usada nos primeiros tempos tenha sido a Septuaginta grega (LXX).Os dois séculos e meio que vão de Nero até Diocleciano foram um período de conflitos deduração e intensidade variável entre o estado romano e os cristãos. Essa época ficou gravadano imaginário cristão como o período heróico das perseguições contra a Igreja Primitiva. Alémda perseguição de Nero (c. 64), bem-atestada por autores cristãos e não-cristãos, destacaram-se aquelas promovidas por Domiciano (95), Marco Aurélio (177), Septímio Severo (202), Décio(250) e especialmente Diocleciano e Galério (305-311). Os mártires derem origem ao culto dossantos.
  3. 3. 2.2 Origens islâmicasCerca de um ano após a morte de Maomé, Abu Bakr, seu sucessor, ordenou a compilação dosensinos do profeta; mais tarde, por causa das variantes e confusões surgidas, Otman, oterceiro califa (644-656), ordenou uma revisão final do texto e a destruição de todas as cópiasanteriores.Doutrinas essenciais 1. Crença em um único Deus (Alá) - monoteísmo radical. 2. Crença no Corão - Alá deu aos homens vários livros - a Lei a Moisés, os Salmos a Davi, o Evangelho a Jesus e o Corão a Maomé. Judeus e cristãos são os "povos do livro". 3. Crença nos profetas de Alá - o Corão menciona 28 profetas; 22 pertencem ao Antigo Testamento e três ao Novo Testamento (Zacarias, João Batista e Jesus); outro é Alexandre, o Grande. Maomé é o último e maior dos profetas. 4. Crença nos anjos: intercedem pelos homens junto a Alá; Gabriel é o arcanjo (é chamado o "Espírito Santo"); jinns ou gênios são espíritos intermediários entre os homens e os anjos; um dos jinn é o diabo (Shaitin ou Iblis); é acompanhado de shaiyatin, demônios. 5. Crença no juízo final, paraíso e inferno: no fim do mundo haverá uma ressurreição geral. O paraíso é descrito com abundantes prazeres para os sentidos (rios e jardins, ricas iguarias e diversos deleites sensuais). O inferno também é descrito com muito realismo. 6. Crença no destino (kismet): tudo está predestinado por ordem de Alá; fatalismo absoluto.Deveres essenciais (os pilares do islamismo) 7. Recitação diária da confissão (Shahadah): "Não existe deus senão Alá e Maomé é o seu profeta". A simples repetição desse credo é aceita como prova de conversão ao islamismo. 8. Oração (Salat): os fiéis devem orar cinco vezes ao dia, de preferência em uma mesquita ou então sobre um tapete, voltados para Meca, a cidade sagrada do Islã, na Arábia Saudita. Nas sextas-feiras realizam-se cerimônias especiais. 9. Esmolas (Zakat): a conversão ao islamismo supõe claramente o pagamento desse imposto de 2,5% dos rendimentos para os pobres e necessitados. 10. Jejum (Sawm): especialmente no mês sagrada de Ramadã (9º mês), durante o dia. 11. Peregrinação a Meca (Hajj): pelo menos uma vez durante a vida, para caminhar ao redor da mesquita sagrada e beijar a pedra da Kaba sete vezes; em caso de impossibilidade, pode-se mandar um substituto. 12. Jihad: alguns consideram como outro pilar a luta espiritual particular ou o esforço em prol da expansão do islã por todo o mundo. Às vezes é entendida como defesa do território muçulmano e agressão militar ("guerra santa").Maomé e o cristianismo: a falta de familiaridade de Maomé com o cristianismo ortodoxo ecom a Bíblia fica evidente no Corão. O livro refuta as afirmações cristãs de que Jesus morreuna cruz (Sura 4:157), de que ele era o filho de Deus e de que Deus é um ser triúno, mastambém questiona afirmações que os cristãos nunca fizeram, como a de que Maria era irmã deArão e Moisés (Sura 19:28) e era parte da Trindade.No ano 711, os omêiades atravessaram o estreito de Gibraltar sob o comando de Tarik (daíGibraltar = Jebel al-Tarik = "rocha de Tarik") e invadiram a Península Ibérica, ocupando a maior
  4. 4. parte do território até 716. Os sobreviventes cristãos se retiraram para as montanhas donoroeste, onde se prepararam para resistir ao invasor. Em seguida, os mouros ou sarracenosatravessaram os montes Pirineus e entraram na França, mas foram finalmente derrotados porum exército cristão comandado por Carlos "Martelo", avô do futuro imperador Carlos Magno(Batalha de Tours ou Poitiers, 732). (Ver Crônica de S. Dinis, CH, p. 22.)Continuando o seu ataque contra a cristandade em seus dois extremos, quase ao mesmotempo os muçulmanos marcharam contra o Império Bizantino. Em 717-718 elesdesembarcaram na Ásia Menor e cercaram Constantinopla. Se tivessem tomado a cidade,poderiam ter conquistado todo o continente. Mas os bizantinos resistiram. Sua capital só iriacair diante do islã muitos séculos mais tarde. Em 750, estava encerrado o primeiro grandeperíodo de expansão islâmica.A maior parte dos muçulmanos crêem que Maomé era sem pecado, mas não divino, e que eraanalfabeto. Seu status profético não pode ser questionado. Ele constitui o maior exemplo paratodos os aspectos da vida. Alá lhe deu permissão para ter 12 esposas, ao contrário dos outrosmuçulmanos (4).Fundador: Maomé (Muhammad, c. 570-632). As tradições sobre ele são conhecidas comohadith. Sua vida pode ser dividida nos seguintes períodos: - Um árabe comum(até 35 anos) -nasceu em Meca, principal cidade da Arábia, centro de animismo e idolatria; foi criado pelo tioAbu Talib; dedicou-se a atividades de pastoreio e comércio (caravanas); visitou a Síria e aPalestina, onde teve alguns contatos com judeus e cristãos, dos quais teria recebido suasconcepções monoteístas; casou-se com uma rica viúva, Kadijah, com a qual teve a filha Fátima.- Em busca de luz religiosa (35-40 anos) - resolveu um conflito entre três sheikhs no templo deMeca (Kaba); concluiu que podia ser um grande líder religioso de seu povo, então muitodividido; estava descontente com as condições sociais e morais existentes.- Visões e prédicas sem êxito (40-52 anos) - em um período de crise, sentiu-se chamado peloanjo Gabriel a pregar a religião de um Deus absoluto, criador, poderoso e juiz do mundo;continuou a ter visões por doze anos; sua mensagem de monoteísmo e juízo futuro e suadenúncia da idolatria e do infanticídio tiveram pouca repercussão em Meca. Aos 50 anos (620),segundo o Corão, Alá confirmou o seu chamado levando-o à noite para Jerusalém (Cúpula daRocha), onde ele conversou com Jesus, Moisés e Abraão. A seguir, ele e o anjo subiram poruma escada ao sétimo céu.- Fuga ou emigração - Hégira (52 anos) - com apenas um companheiro, Abu Bakr, fugiu deMeca para salvar a vida, indo para Yatrib (depois Medina = "a cidade do profeta"), 370 km aonorte. Ponto de partida do calendário muçulmano: 622 d.C.- Evolução teocrática em Medina (52-60 anos): estabeleceu o governo de Alá; implantou todoum sistema religioso, político e social com base nos princípios da nova fé. A primeira vitóriacontra os inimigos de Meca ocorreu na Batalha da Badr (624). À medida que se fortalecia comolíder, adotou novas práticas na sua política e modo de viver (postura na oração, jejum noRamadã, atitude quanto aos judeus, poligamia).- Soberania absoluta em Meca (60-62 anos): com a capitulação de Meca, estendeu a suasoberania política sobre toda a Arábia. Destruiu os ídolos da Kaba, exceto as imagens de Jesuse Maria. Morreu em Medina em 8 de junho de 632, após uma rápida febre, nos braços deAisha, a esposa favorita do seu harém.
  5. 5. A atividade principal era o pastoreio e o comércio através das caravanas; os árabescontrolavam o comércio entre o Oceano Índico e o Mar Mediterrâneo. Foi nesse contexto quesurgiu o islamismo.Todavia, as cidades do noroeste da Arábia ("Hijaz") permaneceram isoladas da difusão docristianismo entre os árabes sírios. Além de alguns poucos cristãos, havia algumascomunidades judaicas na Arábia. A forma religiosa predominante era o politeísmo animista,mas parece que também existia a crença em uma divindade suprema acima dos muitos deusesO cristianismo teve um efeito aglutinador semelhante e no final do quarto século já haviasurgido uma cultura cristã árabe amadurecida. O desenvolvimento dessa cultura foi facilitadono quinto século pela difusão do nestorianismo e do monofisismo, que tinham em comum aoposição à Igreja Bizantina Oficial.A aliança com Bizâncio acelerou o surgimento de um senso de identidade nacional árabe e aelevação do seu idioma à categoria de uma língua literária. A inscrição de Namara, a maisantiga ocorrência conhecida de uma forma lingüística que pode ser identificada como arábica,é o epitáfio de Imru al-Qays (m.328), no qual ele se identifica como "Rei de Todos os Árabes.Geopoliticamente, os árabes estavam na periferia de dois grandes impérios, o ImpérioBizantino (Síria e Egito) e o Império Sassânida (Pérsia e Mesopotâmia), dos persaszoroastrianos. A terra em que habitavam incluía o deserto da Síria, ao norte, e a PenínsulaArábica, ao sul. Os sírios tinham estreitas ligações com os bizantinos, dos quais receberam doisimportantes elementos - o cristianismo e a monarquia centralizada.Um dado final é a questão geopolítica. No quarto século, o Império Romano havia se divididoem dois por razões administrativas: Império Ocidental, com sede na Itália, e Império Oriental,com sua capital em Constantinopla. No século quinto, com a contínua infiltração germânica, oimpério ocidental chegou ao fim. No entanto, o Império Oriental haveria de perdurar por maismil anos, com o nome de Império Bizantino. Foi esse o império que mais sofreu com a eventualexpansão do islamismo.Às vésperas de surgir o islamismo, a Igreja Cristã estava solidamente estabelecida em quasetoda a orla do Mediterrâneo, em algumas regiões já há vários séculos. A fé cristã também seexpandia entre os povos bárbaros que ocuparam progressivamente a Europa, como osvisigodos (arianos) e os francos (católicos).Esse período continuou a ser marcado por dissidências ou "heresias", como foi o caso doarianismo, do nestorianismo, do monofisismo, do donatismo, do maniqueísmo e dopelagianismo, entre outras.Esses séculos também marcaram a chamada "idade de ouro da patrística", ou seja, o períodoem que viveram os maiores Pais da Igreja: no Oriente grego, vultos como Atanásio deAlexandria, Eusébio de Cesaréia, os três capadócios (Basílio de Cesaréia, Gregório de Nissa eGregório de Nazianzo) e João Crisóstomo; no Ocidente latino, Ambrósio de Milão, Jerônimo e omaior de todos, Agostinho de Hipona.A "Igreja Católica", legalizada por Constantino e declarada oficial por Teodósio (380),preocupou-se também em definir o seu corpo doutrinário, especialmente no tocante ao ser deDeus. O quarto e o quinto séculos foram a época dos primeiros concílios ecumênicos da Igreja:os de Nicéia (325) e Constantinopla (381) definiram a doutrina da trindade e os de Éfeso (431)
  6. 6. e Calcedônia (451) articularam o entendimento da pessoa de Cristo em suas duas naturezas,divina e humana.A chamada "Igreja Imperial" aperfeiçoou extraordinariamente a sua estrutura, fundada sobre ahierarquia, tendo no alto os bispos; o bispo de Roma adquiriu status cada vez mais elevado,até o desenvolvimento completo do papado, no quinto século - Leão Magno (440-461) éconsiderado o primeiro papa no pleno sentido da palavra.No início do quarto século, com o surgimento do primeiro imperador romano cristão,Constantino (313), a história da Igreja iniciou um período radicalmente diferente. De umacomunidade reprimida, a Igreja, devido à sua associação com o estado, passou a ser umainstituição privilegiada, rica e influente. Ao mesmo tempo, surgiu uma série de escritores eintelectuais cristãos que se propuseram a articular, expor e defender a fé cristã contra seuscontestadores internos e externos. São os primeiros "Pais da Igreja", vultos como Inácio deAntioquia, Justino Mártir, Irineu de Lião, Tertuliano de Cartago (pai da teologia latina),Clemente de Alexandria, Orígenes e Cipriano de Cartago.Esse período também foi marcado por grande fermentação na área teológica, com osurgimento de vários movimentos dissidentes, formas alternativas de cristianismo. As maisconhecidas são o docetismo, o gnosticismo, o marcionismo, o montanismo e omonarquianismo. A igreja majoritária denominava-se "católica" e caracterizava-se por trêselementos de coesão: o episcopado, o credo e o cânon.Com isso, a fé cristã inseriu-se de modo profundo no mundo greco-romano, na civilizaçãohelênica que vinha desde a época de Alexandre, o Grande. Logo o grego se tornou a línguapredominante dos cristãos, o que fez com que todo o Novo Testamento tenha sido escritonesse idioma (e somado ao Antigo Testamento também em grego). De modo espontâneo einformal, o cristianismo se expandiu em todas as direções a partir da Palestina. Todavia, adireção principal do crescimento foi na direção do noroeste, ou seja, da Europa.Progressivamente, foram alcançados, no Oriente Médio, a Síria, a Ásia Menor (atual Turquia) emais tarde a Armênia e a Mesopotâmia; no norte da África, o Egito, a Etiópia, a Líbia e maisadiante a Numídia (Cartago); na Europa, a Península Balcânica (Grécia, Macedônia), a Itália, aGália (França) e a Britânia.Inicialmente judaico, o movimento cristão teve de enfrentar um grande desafio ao decidir oque fazer com os elementos não-judaicos (gentios) que buscavam filiação. A decisão em favorda abertura aos não-judeus, registrada em Atos dos Apóstolos, capítulo 15, teve vastasconseqüências para o cristianismo, permitindo que viesse a se tornar uma religiãointernacional, multi-étnica e multicultural.Os ensinos, ações e experiências de Jesus, bem como as experiências dos seus primeirosseguidores e suas reflexões acerca da mensagem e pessoa de Jesus eventualmente secristalizaram em uma série de documentos que vieram a constituir o conjunto de 27 livrossagrados especificamente cristãos - o Novo Testamento -, com suas três coleções de escritos:os evangelhos (sinóticos e João), as cartas de Paulo (tendo Atos dos Apóstolos como elo deligação) e as chamadas cartas gerais (mais o Apocalipse).Ao mesmo tempo, Jesus deixou claro que ele também era parte da sua mensagem, da novaproposta de relacionamento das pessoas com Deus (o Pai) e umas com as outras. As primeirastradições acerca de Jesus (os evangelhos) deixam claro que ele se considerava o Filho de Deus,o Messias prometido, e que tanto a sua vida e ensinos quanto especialmente a sua morte eressurreição tinham um sentido reconciliador, redentor.
  7. 7. O conceito básico da sua mensagem foi o "Reino de Deus" (o evangelho ou boas novas doreino), uma nova realidade em que a soberania de Deus é reconhecida e aceita e onde toda avida e relacionamentos são transformados mediante a adoção dos novos valores.Jesus reinterpretou e aprofundou os ensinos do Antigo Testamento, dando ênfase especial aalguns de seus elementos mais significativos como a igualdade fundamental de todos os sereshumanos e uma ética baseada no amor e na solidariedade.Nos anos 691-694, os muçulmanos construíram em Jerusalém, na esplanada do antigo templo,a Mesquita Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha, no local em que Maomé teria subido ao sétimo céu.Os muçulmanos conquistaram a Armênia em 693, dominando-a até 862. Após a conquista doOriente Médio e do Egito, os exércitos islâmicos marcharam ao longo da costa mediterrâneada África. Cartago foi conquistada em 698 e em seguida o restante do norte da África. JeremyJohns aponta uma diferença entre as conquistas dos primeiros califas e as dos omêiades,atribuindo-a ao fermento ideológico que levara o islã à maturidade (p. 169).Durante o califado de Umar, os exércitos islâmicos conquistaram sucessivamente a Síria, aPalestina, o Iraque e o Egito. Jerusalém foi tomada em 638 e Cairo (Fustat) foi fundada em 641.(Ver Pacto de Omar, CH, p.18.) O objetivo dessas conquistas foi mais político (a união dospovos árabes) do que ideológico. Damasco passou a ser a sede do califado omêiade (660-750),que incluiria a Síria, o norte da África e a Espanha.Divisões políticas: - Califado omêiade(660-750): de Umar; Síria, Norte da África e Espanha- Califado abássida (750-1258): de AbulAbbas; Bagdá- Califado espanhol: Córdova (755-1031) e Granada (1238-1492)- Califadofatímida (910-1171): de Fátima; Egito e norte da África- Califado otomano (1281-1924): tomouConstantinopla em 1453 e o Egito em 1517.Principais seitas:(a) Sunitas: grupo majoritário; insistem no sunna (caminho) que vem do fundador seminterrupção. Afirmam que os quatro califas foram sucessores legítimos de Maomé.(b) Xiitas: sustentam que os legítimos sucessores são os familiares de Maomé, a começar doseu primo e genro Ali. Esses sucessores (em número de 7 ou 12) são conhecidos como "imãs".Os xiitas estão principalmente no Irã e na África. Shia = "seita".(c) Sufis (de suf = veste de lã tosca): místicos com tendência panteísta; concentram-se no Irã ena Índia.História posterior: Maomé morreu sem deixar um sucessor designado. Por 28 anos, aliderança foi exercida por quatro companheiros pessoas do profeta, os califas (=representantes ou sucessores): Abu Bakr (632-634), Umar (634-644), Otman (644-656) e Ali(656-660), cujo assassinato dividiu o islamismo para sempre em seitas.Maomé se consideravaum herdeiro das tradições judaica e cristã e a parte inicial do Corão expressam a esperança deque os "povos do Livro" aceitem Maomé como profeta. Partes posteriores do livro fazem fortepolêmica contra os dois grupos. Mesmo assim, Maomé manteve uma atitude positiva paracom os cristãos em geral e decretou que eles (e os judeus) deviam receber proteção sob odomínio islâmico.Segundo o islã, Jesus era um profeta de Deus, porém inferior a Maomé. Ele nasceu da virgemMaria e realizou muitos milagres, mas foi protegido da morte por crucificação e nãoressuscitou dentre os mortos. Ele subiu ao céu após a morte e retornará à terra. Era ummuçulmano fiel ou seguidor de Alá.O Corão é constituído de 114 capítulos ou "suras", queformam um volume um pouco menor que o Novo Testamento.
  8. 8. O primeiro capítulo contém uma breve oração inicial, a famosa Fatiha. Em seguida, oscapítulos estão dispostos segundo o seu tamanho, desde o maior, com 286 versículos, até osmais breves no final, dos quais o menor tem apenas três versículos. Todos os capítulos, excetoo nono, começam com uma fórmula: "Em nome de Alá, o Compassivo, o Misericordioso".Livrosagrado: Corão (Quran = "recitação"). O islamismo é a única religião mundial cujos livrossagrados declaram ser a revelação do próprio Deus ao fundador, considerado o último e maiordos profetas. Quem fala no Corão é principalmente Alá. Os muçulmanos crêem que o Corão foirevelado a Maomé pelo arcanjo Gabriel.Os séculos IX e X testemunharam várias incursões muçulmanas no Mediterrâneo cristão. Aconquista de Creta (823) preparou o caminho para a invasão da Sicília (827), cuja conquista foiconcluída em 902. Nessa ocasião, um exército islâmico invadiu a Itália e fez nova tentativafrustrada de atacar Constantinopla a partir do oeste.A Sicília permaneceu nas mãos dos árabes até 1092 e ao longo dos séculos IX e X serviu debase para ataques contra as duas costas da Itália. Em 846, a própria Roma foi atacada.No ano1000, a maior parte da população da Terra Santa talvez ainda fosse cristã. Isso começou amudar por duas razões. Primeiro, um novo líder muçulmano local, o califa el-Hakim, perseguiuferozmente cristãos e judeus, e ordenou a destruição da Igreja do Santo Sepulcro (1009), quehavia sido reconstruída (também perseguiu os coptas no Egito).Em segundo lugar, os turcosseljúcidas, nômades pagãos das estepes da Ásia central, invadiram o Oriente Médio. Em 1055,eles capturaram Bagdá, ganhando o controle do califado abássida (750-1258). Ironicamente,ao conquistarem os árabes, os rudes turcos se converteram ao islã. Eles ocuparam a Palestinade 1071 a 1098, quando foi retomada pela dinastia fatímida xiita do Egito.Nesse período, os turcos perseguiram os cristãos locais.Os bizantinos haviam por um séculoreconquistado a Armênia e boa parte da Síria. Agora, os turcos penetraram fundo na Armênia,Geórgia e Anatólia, até derrotar completamente os bizantinos em Manzikert (1071), nascercanias do lago Van. Com isso, estes perderam definitivamente a Ásia Menor, o celeiro ecampo de recrutamento do império. Bizâncio apelou várias vezes à cristandade latina embusca de socorro contra os turcos. Vinte e cinco anos depois, a Europa ocidental respondeucom a Primeira Cruzada.Conseqüências: as conquistas muçulmanas foram um rude golpe para o cristianismo,principalmente para a Igreja Oriental. Grande parte dos mais antigos e florescentes centroscristãos foram perdidos definitivamente: Palestina, Síria, Ásia Menor, Egito, Numídia. Todavia,várias igrejas minoritárias conseguiram sobreviver nos novos domínios islâmicos (monofisitassírios, coptas, armênios, nestorianos). Estes últimos chegaram até Pequim (monumentonestoriano em Sianfu, do ano 781, refere-se a um missionário que ali esteve 146 anos antes).Acristandade européia estava em crise e sem condições de enfrentar os invasores islâmicos.Aprofundava-se cada vez mais o fosso entre cristãos romanos e gregos. O papadoexperimentou longos períodos de decadência, como no século X (ver Duffy, Santos epecadores, 83, 86).Depois do reinado de Carlos Magno, tardou a surgir uma autoridade central forte. A Europaestava fragmentada política e territorialmente.3. As CruzadasEm 1095, o Ocidente finalmenterespondeu ao drama dos cristãos orientais organizando a primeira cruzada. Cruzadas =campanhas militares movidas pelos cristãos europeus com o objetivo de repelir o avanço turcoe libertar a Terra Santa das mãos dos infiéis.Motivações das cruzadas (mistura de motivosreligiosos e profanos):
  9. 9. a) Libertar os locais sagrados das origens do cristianismo.b) Facilitar as peregrinações à Palestina (os primeiros cruzados se consideravam peregrinos).c) Lutar contra os infiéis: iniciativa do papado reformista.- Adaptação e ampliação da doutrinada guerra justa (Agostinho): promessa de vida eterna em caso de morte (mártir) ou deindulgência plenária; contrato com Deus.- Canalizar as energias ociosas da classe guerreira (Trégua de Deus ou Paz de Deus);surgimento dos cavaleiros cristãos (militia Christi).d) Benefícios materiais: apropriar-se dasterras ocupadas, atração do saque ou pilhagem, aventura no Oriente exótico e misterioso.1ª Cruzada (1096-1099): pregada pelo papa Urbano II no Concílio de Clermont (novembro de1095): "Deus vult". Foi estimulada por uma ofensiva dos turcos seljúcidas na Ásia Menor, quepressionava a fronteira oriental de Bizâncio. Em 1099, Jerusalém foi capturada, em meio ahorrível massacre da população (muçulmanos, judeus e árabes cristãos). Foi criado o ReinoLatino de Jerusalém (1099-1187, 1229-1244). Nos vinte anos seguintes, uma série de estadoscruzados foi estabelecida no Oriente. As cruzadas subseqüentes foram instigadas paradefender esses reinos.Em 1118, foi criada a ordem dos Cavaleiros Templários para proteger osperegrinos; depois surgiram os Hospitalários e os Cavaleiros Teutônicos (monges guerreiros).Os templários foram destruídos em 1312 por pressão de Filipe IV da França sobre o papaClemente V.2ª Cruzada (1147-1149): Bernardo de Claraval proclamou a necessidade de nova cruzada paralibertar Edessa, que havia sido tomada pelo sultão de Alepo em 1144. Essa cruzada fracassadateve como líderes os reis Luís VII da França e Conrado III da Alemanha. Vinte anos depois,subiu ao poder no Egito o grande sultão Saladino (1169-1193), que liderou uma contra-ofensiva islâmica. Ele capturou Jerusalém em 1187, destruindo o exército cruzado.3ª Cruzada (1189-1192): a tomada de Jerusalém levou à convocação de nova cruzada, quefalhou no intento de libertar a Cidade Santa. Foi liderada pelo inglês Ricardo Coração de Leão,pelo alemão Frederico Barba Roxa e pelo francês Filipe II (Augusto).4ª Cruzada (1202-1204): os bizantinos tinham uma postura dúbia; precisavam de auxílio militarcontra os turcos, mas ao mesmo tempo se ressentiam com a criação dos estados cruzados. Arixa Oriente-Ocidente levou a uma nova cruzada, em que um exército de venezianos, francesese flamengos saqueou Constantinopla (ver Noll, Momentos Decisivos, 146). Foi estabelecido umimpério latino com sede naquela cidade (1204-1261). Alguns anos depois, ocorreu a infameCruzadas das Crianças (1212).O saque de Constantinopla envenenou de maneira profunda asrelações entre o Oriente e o Ocidente e foi a causa principal da ruptura definitiva das duasgrandes tradições cristãs (Igrejas Grega e Latina).Outras cruzadas:(a) 5ª Cruzada (1217-1221): foi liderada pelo "rei de Jerusalém" (João de Brienne) contraDamieta, no Egito, e terminou em fracasso.(b) 6ª Cruzada (1228-1229): liderada pelo imperador excomungado Frederico II, libertouJerusalém mediante um acordo com o sultão; Jerusalém seria perdida definitivamente em1244.(c) 7ª e 8ª Cruzadas (1248-1254, 1270): liderada por Luís IX, que morreu vitimado pela febreem Túnis, na Tunísia (1270); foi canonizado em 1297. Os cruzados se retiraram definitivamenteda Palestina em 1291, com a queda de Acre.4. ConseqüênciasAs cruzadas deixaram junto aos
  10. 10. muçulmanos e bizantinos uma imagem de barbarismo. Elas nunca representaram uma ameaçamilitar para o islã, mas a própria existência dos estados cruzados causou grave ofensa aosmuçulmanos: a profanação da Cidade Santa, a redução da população islâmica à condição desúditos inferiores, a interferência no hajj e outras obrigações religiosas, tudo isso representouuma afronta à dignidade coletiva do islã.A expulsão dos cruzados também constituiu uma humilhação duradoura e amarga para oorgulho cristão. Essas velhas feridas seriam reabertas nos séculos XIX e XX. Para outrasconseqüências, ver González, Story of Christianity, I:298-300).O único ganho militar duradourodas cruzadas para a cristandade foi o controle naval do Mediterrâneo e suas ilhas. A principalconseqüência estratégica de longo prazo foi interna: a 4ª Cruzada destruiu as defesasbizantinas da fronteira oriental da Europa, abrindo caminho para a conquista islâmica dosBálcãs, da Grécia e da Europa oriental.Os otomanos: no século XIII, uma nova força muçulmana surgiu na Ásia Menor: os turcosotomanos. Em 1300, o sultão Osman I fundou o Império Otomano na atual Turquia. As naçõescristãs dos Bálcãs começaram a cair diante do avanço da nova potência: Sérvia (1ª batalha deKosovo, 1389), Bulgária (1393), Hungria (2ª batalha de Kosovo, 1448).Os bizantinos ficaramapenas com a cidade de Constantinopla, que finalmente foi tomada em 1453 (com a morte doúltimo imperador, Constantino XI).A monumental igreja de Hagia Sophia (dedicada pelo imperador Justiniano em 27-01-537) foitransformada em uma mesquita. [Depois que a Turquia tornou-se uma república secular, em1924, o templo passou a ser um museu cultural e os historiadores da arte puderam restaurarmuitos elementos cristãos.Nos 200 anos seguintes, a Europa suplantou progressivamente opodes islâmico. Os muçulmanos perderam o controle do comércio asiático terrestre e nuncadesenvolveram a tecnologia naval para concorrer com os europeus no mar.Em 1683, osotomanos lançaram o seu último ataque contra a Europa, fazendo o segundo cerco de Viena (oprimeiro havia sido em 1529). A cidade foi salva por um exército polonês. O mundo islâmicoestava caindo em um longo período de declínio do qual só iria despertar no século XX.Além da guerra, houve outras respostas cristãs ao islã na Idade Média, na forma de polêmicaescrita e tentativas de conversão. - Pedro, o Venerável, abade de Cluny, promoveu o estudo doislamismo e a tradução do Corão para o latim (1143). Em 1219, durante o cerca de Damieta, noEgito, Francisco de Assis tentou pregar ao sobrinho de Saladino, o sultão Malik al-Kamil.-Tomás de Aquino escreveu a Summa Contra Gentiles (1238), uma apologética contra o islã.- Omaior missionário medieval aos muçulmanos foi o espanhol Raimundo Lull, morto por umaturba na Argélia em 1315.A Península Ibérica: o antigo reino visigótico da Espanha havia sido destruído pelosmuçulmanos no século VIII e somente alguns resquícios do mesmo continuaram a ter precáriaexistência na região das Astúrias, ao norte. Mais tarde, os francos firmaram sua influência noleste. Desses dois pontos partiu a longa luta conhecida como Reconquista.Na unificação daEspanha cristã, a "descoberta" do túmulo de São Tiago desempenhou um papel importante.No século IX, ele havia se tornado um dos principais locais de peregrinação para os cristãos daEuropa ocidental. Eventualmente, Santiago tornou-se o padroeiro da luta contra osmuçulmanos - Santiago Matamoros.Em 1002, morreu o último dos grandes califas de Córdoba e as terras muçulmanas foramdivididas em muitos pequenos reinos. Foi isso que deu ímpeto à Reconquista. Em 1248, oúnico estado mouro na península era o Reino de Granada, que sobreviveu pagando tributo ao
  11. 11. rei de Castela e finalmente foi vencido pelos reis católicos Fernando e Isabel em 1492, o anoem que Colombo chegou à América.Os muçulmanos souberam integrar ou preservar aspopulações cristãs que viviam entre eles. Até hoje, existem antigas comunidades cristãs emvários países árabes (igreja copta do Egito, etc.). Os cristãos não tiveram a mesmapreocupação, revelando-se hostis contras as comunidades muçulmanas.Na Espanha, as ações estatais e eclesiásticas contra os mouros e os judeus foram facilitadaspela criação da Inquisição Espanhola, mediante aprovação papal, em 1479.Foi no contexto dareconquista que nasceu Portugal. Afonso Henriques, o fundador da primeira dinastiaportuguesa, a Casa de Borgonha (1139), tomou Lisboa dos sarracenos em 1147, com a ajudade cruzados ingleses e franceses. Finalmente, os muçulmanos entregaram o Algarve, em1249.Gilberto Freyre analisa a enorme influência moura na formação da identidade lusitana(aspectos étnico, econômico e cultural) e seus reflexos diretos na colonização do Brasil. (VerCasa-grande e senzala, 274-287) 5.Realizações e contribuições culturais dos muçulmanos:Arquitetura:Grande Mesquita de Damasco (705s);Mesquita Azul de Córdova (786s);Mesquita de Ibn Tulan, em Cairo (878);Alcázar de Sevilha (1181s);Alhambra (1248s).Filosofia:filósofos mutazilitas (757-847);Al-Kindi (803s); Al-Farabi (870-950);Ibn Sina (Avicena, 980-1037);Ibn Rush (Averróis, 1126-1198).J. Johns: "A contribuição da sabedoria grega, transmitida através do islã, para odesenvolvimento da filosofia cristã, é tão grande que não pode ser quantificada" (p. 189).As traduções do grego para o árabe começaram c. 800 em Bagdá e continuaram nos séculos IXe X.Outras áreas:medicina, história, geografia, ciência, física, teologia, poesia.Outros nomes:Al-Ghazali (teólogo, 1058-1111),Omar Khayyam (poeta, 1038-1123)Outras contribuições:algarismos arábicos (tomados dos indianos c. 750, que os haviam inventado c. 150 anos antes),cavalos, xadrez, utensílios, vocabulário:Sura 4:157: "E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus,filho de Maria, o apóstolo de Deus, embora não sendo na realidade certo que o mataram nemo crucificaram, senão que isso lhes foi simulado.E aqueles que discordam quanto a isso estão na dúvida, porque não possuem conhecimentoalgum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas; porém, em realidade, não o mataram".Sura 19:34-35: "Este é Jesus, filho de Maria; é a pura verdade, da qual duvidam. É inadmissívelque Deus tenha tido um filho. Glorificado seja!"
  12. 12. 6. Referências BibliográficasALCORÃO Sagrado. Versão portuguesa do árabe por Samir El Hayek. Rio de Janeiro: Otto PierreEditores, 1980.ALEXANDER, Pat (Org. Ed.). Eerdmans handbook to the worlds religions. Grand Rapids:William B. Eerdmans, 1994. (WATT, Montgomery. Islam: the way of the prophet;KERR, David. The worship of Islam;ANDERSON, Norm. The law of Islam;SCHMALFUSS, Lothar. Science, art and culture in Islam;KERR, David. The unity and variety in Islam;NAZIR-ALI, Michael J. Islam in todays world)ARMSTRONG, Karen. Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e noislamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. (Título do original: The battle for God)ARMSTRONG, Karen. Uma história de Deus: quatro milênios de busca do judaísmo,cristianismo e islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.BELTRÃO, Cláudia. Os árabes na Idade Média: os senhores do deserto. São Paulo: FTD, 2000.BODANSKY, Yossef. Bin Laden: o homem que declarou guerra à América. São Paulo: Prestígio,2001. (Traduzido do inglês) BRASWELL, JR., George W. Islam: its prophet, peoples, politics andpower. Broadman & Holman, 1996. (Perspectiva cristã)CHRISTIAN HISTORY. Christians and muslims: confronting fourteen centuries of ambition,sorrow, and bad faith. Issue 74 (Vol. XXI, No. 2), 2002. (COFFMAN, Elesha. Secrets of Islamssuccess;BEVERLEY, James A. Muhammad amid the faiths;CRAWFORD, Paul. A deadly give and take [The crusades]; ELASS, Mateen A. Four jihads;MOFFETT, Samuel Hugh. Divided by Christ;WALLS, Andrew F. Imperial evasion)DAHMUS, Joseph. A history of the Middle Ages. New York: Barnes & Noble, 1995.DURANT, Will. The age of faith: a history of medieval civilization - Christian, Islamic, and Judaic- from Constantine to Dante: A.D. 325-1300. New York: Simon and Schuster, 1950.DURANT, Will. A idade da fé: história da civilização medieval - cristianismo, islamismo ejudaísmo, de Constantino a Dante: A.D. 325-1300. Rio de Janeiro: Record, 1950. ELIADE,Mircea;
  13. 13. COULIANO, Ioan P. Dicionário das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1995.FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala: introdução à história da sociedade patriarcal noBrasil. 43. ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2001. Cap. III: O colonizador português:antecedentes e predisposições. GLUBB, John Bagot. A short history of the Arab peoples.London: Quartery Books, 1969.HINNELLS, John R. Dicionário das religiões. Trad. Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix,1984.HUME, Roberto Ernesto. Las religiones vivas. Buenos Aires: Editorial Mundo Nuevo, 1931.IRVIN, Dale T.; SUNQUIST, Scott W. History of the world Christian movement. Vol. I: EarliestChristianity to 1453. Maryknoll, NY: Orbis Books, 2001.JOHNS, Jeremy. Christianity and Islam. In: McMANNERS, John (Ed.). The Oxford illustratedhistory of Christianity. Oxford: Oxford University Press, 1992. p. 163-195. (Jeremy Johns éprofessor de Arqueologia Islâmica na Universidade de Oxford)KEEN, Maurice. The Penguin history of medieval Europe. London: Penguin Books, 1991.KEPEL, Giles. A revanche de Deus: cristãos, judeus e muçulmanos na reconquista do mundo.São Paulo: Siciliano, 1992. (Tradução do francês) KÜNG, Hans et al. Christianity and worldreligions: paths of dialogue with Islam, Hinduism, and Buddhism. Maryknoll, NY: Orbis Books,1996.LARI, Sayyid Mujtaba Musavi. Islam y la civilización occidental. Teherán: Oficina de Promociónde la Cultura Islâmica, 1990.LAWRENCE, Bruce B. Shattering the myth: Islam beyond violence. Princeton, NJ: PrincetonUniversity Press, 1998.LEWIS, Bernard. Islam and the West. 1994. (Especialista em estudos do Oriente Médio; escrevesobre o islamismo de modo crítico, mas equilibrado, sem o otimismo de autores como JohnEsposito, Karen Armstrong e Jane Smith. Também escreve para o periódico The AtlanticMonthly.)LEWIS, Bernard. The Middle East: a brief history of the last 2,000 years. 1995.LEWIS, Bernard. What went wrong: Western impact and the Middle Eastern response. 2001.LYNCH, Joseph H. The medieval church: a brief history. London: Longman, 1992.MASSOULIÉ, François. Conflitos no Oriente Médio. 5. ed. São Paulo: Ática, 1997.MEYENDORFF, John. The Orthodox Church: its past and its role in the world today. 4th rev ed.Crestwook, NY: St. Vladimirs Seminary Press, 1996.NEILL, Stephen. Christian faith and other faiths. Downers Grove, IL: Intervarsity Press, 1984.PRIMEIRO ciclo de estudos da religião: judaísmo, cristianismo, budismo e islamismo.
  14. 14. Universidade Federal de Ouro Preto, 1989. READ, Piers Paul. Os templários. Trad. Marcos Joséda Cunha. Rio de Janeiro: Imago, 2001.REILLY, Bernard F. Cristãos e muçulmanos: a luta pela Península Ibérica. Lisboa: Teorema,1996. (Título do original: The contest of Christian and Muslim Spain: 1031-1157; o autor éprofessor de história da Universidade Villanova, em Filadélfia)RICHARD, Jean. The crusades: c. 1071-c. 1291. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.(Traduzido do francês) RILEY-SMITH, Jonathan (Ed.). The Oxford history of the crusades.Oxford: Oxford University Press, 1999.RUNCIMAN, Steven. A history of the crusades. 3 vols. Cambridge: Cambridge University Press,1996 (1951-1954). (Condena os combatentes cristãos e descreve os muçulmanos como vítimasinocentes e heróicas)SAID, Edward W. Orientalism. 1979. (Um dos fundadores dos estudos pós-coloniais; argumentaque o Ocidente fabricou uma imagem do "outro" oriental a fim de conquistar e dominar omundo islâmico.)YEOR, Bat. The dhimmi. 1985. (Pseudônimo de uma estudiosa judia nascida no Egito; critica asuposta tolerância religiosa do islamismo documentando práticas e políticas agressivasdirigidas contra minorias não-islâmicas desde o século sétimo.)YEOR, Bat. The decline of eastern Christianity under Islam: from Jihad to Dhimmitude. 1996.Internet Islamic History Sourcebook, de Paul Halsall (grande coleção de fontes primárias, obrasacadêmicas e outros links):www.fordham.edu/halsall/islam/islamsbook.htmlReferências adicionais:ALI, Tariq. Confronto de fundamentalismos. Rio de Janeiro: Record, 2002. (Escritor paquistanêsque estudou em Oxford.)BARTLETT, W. B. História ilustrada das cruzadas. São Paulo: Ediouro, 2002. 500p.DEMANT,Peter. O mundo muçulmano. São Paulo: Contexto, 2004.DOUGLAS, J. D. (Ed.). The new international dictionary of the Christian church. Grand Rapids:Zondervan, 1978.DOWLEY, Tim (Ed.). Atlas Vida Nova da Bíblia e da história do cristianismo. São Paulo: EdiçõesVida Nova, 1997.DUFFY, Eamon. Santos e pecadores: história dos papas. São Paulo: Cosac eNaify, 1998.GONZÁLEZ, Justo L. The story of Christianity. 2 vols. New York: HarperCollins, 1984.GONZÁLEZ,Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. 10 vols. São Paulo: Vida Nova.GIORDANO, Mário Curtis. História do mundo árabe medieval. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1997.(Professor de filosofia na Universidade Federal Fluminense e de direito romano na Faculdadede Direito Cândido Mendes; outras obras: História da antiguidade medieval, História doImpério Bizantino, História do mundo feudal, História dos reinos bárbaros.)
  15. 15. LO JACONO, Cláudio. Islamismo: história, preceitos, festividades, divisões. São Paulo: Globo,2002. (Excelente síntese não acadêmica, ilustrada em cores)NOLL, Mark A. Momentosdecisivos na história do cristianismo. Trad. Alderi Souza de Matos. São Paulo: Editora CulturaCristã, 2000.PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Idade Média: textos e testemunhas. SãoPaulo: Editora UNESP, 2000.RASHID, Ahmed. Jihad: a ascensão do islamismo militante na Ásia Central. São Paulo: Cosac eNaify, 2003. (Autor é jornalista correspondente).

×