SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 12
Baixar para ler offline
688
O USO DO CINEMA NO ENSINO DE CIÊNCIAS: UMA PROPOSTA A PARTIR DO
FILME “TÁ CHOVENDO HAMBÚRGUER”
Pedro Henrique Ribeiro de Souza (Laboratório de Divulgação Científica no Ensino de
Ciências LABDEC/CEFET-RJ – Colégio Pedro II )
Roberta Rodrigues da Matta (Secretaria Municipal de Educação – Itaguaí/RJ)
Carlos Alberto Andrade Monerat (LABDEC/CEFET-RJ – Centro Universitário Celso Lisboa)
Marcelo Borges Rocha (Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Educação –
LABDEC/CEFET-RJ)
Marcelo Diniz Monteiro de Barros (Departamento de Ciências Biológicas – PUC/MG)
RESUMO
O uso de filmes em sala de aula configura um valioso recurso pedagógico no processo de
ensino-aprendizagem, ao despertar o interesse dos estudantes. A animação “Tá chovendo
hambúrguer” foi escolhida por abordar questões científicas e tecnológicas, como produção de
alimentos, de lixo e a natureza da ciência. A construção de um guia do filme para utilização
dos professores é um relevante instrumento educativo, pois propicia a discussão de diversos
aspectos científicos, tecnológicos e sociais e problematiza suas potencialidades para aplicação
no Ensino de Ciências e Biologia. Conclui-se que é importante utilizar filmes com este perfil,
pois permitem a construção do pensamento crítico do aluno, habilitando o indivíduo a
argumentar sobre temas abordados no filme que afetam a sociedade atual.
Palavras-chave: Ensino de Ciências, Cinema e Ensino, filme como estratégia de ensino.
Introdução
O cinema, através da sua ótica, a qual costuma retratar personagens, personalidades,
fatos históricos e acontecimentos em geral, cotidianos ou não, está diretamente ligado com a
percepção de mundo que os indivíduos possuem. Estes mesmos fatores sempre foram
retratados em filmes e reproduzidos no imaginário das pessoas (COELHO & VIANA, 2011).
Logo, conforme relata Duarte (2002), a história da humanidade e muito do que as
pessoas têm em termos da sua compreensão está inevitavelmente caracterizada pelo contato
que o público possui com as imagens cinematográficas.
A educação vai ao encontro desses fatores, já que procura ampliar a percepção do
mundo dos indivíduos, mostrando o que é desconhecido e estimulando o aprender. Neste
entendimento, o cinema pode ser um valioso recurso pedagógico para o processo de ensino-
aprendizagem, uma vez que o interesse e o estímulo dos estudantes, sejam crianças ou
adultos, provocados pelos filmes, podem incentivá-los a buscar leituras mais complexas,
desenvolvendo pensamentos críticos e instigando-os à reflexão.
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
689
O educador, por sua vez, deve encontrar nos filmes o processo necessário a uma
adequada escolarização, extraindo deles reflexões que associem suas mensagens ao
conhecimento construído em sala de aula. Desse modo, a seleção das obras cinematográficas
com propósito educativo deve levar em consideração a articulação entre os conteúdos e os
conceitos que serão ou que já foram trabalhados.
Portanto, segundo Coelho e Viana (2011), o ambiente escolar vincula-se facilmente ao
cinema, pois o ato de assistir a filmes é um hábito comum em quase todas as sociedades,
sendo comum encontrar nesses a emergência de questões científicas e tecnológicas de apelo
social e, com isto, contribuir para a atividade de ensino-aprendizagem na contextualização do
conteúdo escolar.
Articulando Cinema e Ciência
Cinema e ciência caminham juntos por muito tempo, havendo registros desta
articulação desde o século XIX, como forma de entretenimento e de divulgar seus propósitos
científicos (OLIVEIRA, 2006). Para este autor:
(...) a vivacidade das imagens e sua reprodutibilidade facilitaram sua
aceitação como pura representação da realidade. Mesmo sabendo que
são montadas, a magia e o encantamento do fluxo de imagens fazem o
espectador reagir como se fosse a própria realidade (OLIVEIRA,
2006, p. 134).
O cinema pode ser encarado como uma das inovações da modernidade, dessa forma
assumindo-se como um meio pelo qual o conhecimento circula, e onde novas experiências e
valores culturais são difundidos (OLIVEIRA, 2006). Por meio do cinema é possível visualizar
cenas do cotidiano, retratações históricas, conhecer a biografia de personalidades e reconhecer
histórias e personagens literários, oriundas de adaptações de obras literárias (BRIDI et al,
2012). Dessa forma percebe-se as múltiplas funções atribuídas a sétima arte. Ainda que seja
reconhecido o importante papel atribuído por si só ao cinema e em atividades que o
incorporem, há dificuldades que são vivenciadas, como a perda da audiência. Oliveira (2006)
destaca que, a respeito do cinema na cultura brasileira:
Perdeu parte do glamour e da preponderância que possuía na vida
social com a difusão da televisão. Porém, ainda detém um poder
enorme e continua mobilizando cifras e audiências monumentais, para
as quais segue vendendo estilos de vida, construindo e legitimando
determinadas identidades sociais e desautorizando outras (OLIVEIRA,
2006, p. 136).
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
690
A sétima arte no Ensino de Ciências
No Brasil, um importante marco para o uso de filmes no ensino ocorreu em 1936,
quando foi criado o Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), sob a direção do
antropólogo Roquette Pinto. O instituto esteve ativo durante 30 anos e contou com a
colaboração de cineastas como Humberto Mauro, realizando em torno de quatrocentos curtas-
metragens até sua extinção, em 1966. Aproximadamente um terço de sua produção foi voltada
para temas que abordassem a educação científica e divulgação de ciência e tecnologia
(GALVÃO, 2004).
Desde então, filmes comerciais têm sido utilizados como ferramenta de ensino em
diferentes campos do conhecimento. É possível encontrar na literatura relatos a respeito do
uso de filmes comerciais no ensino para abordar temas diversos, incluindo conteúdos
adicionais, além daqueles trazidos pelos currículos tradicionais, como conhecimentos básicos
de genética e fisiologia humana (MAESTRELLI & FERRARI, 2006; NASCIMENTO et al.,
2016); AIDS e homossexualidade (CAMPOS et al., 2015); humanismo na prática médica
(BLASCO et al, 2005); conflitos religiosos (OLIVEIRA, TRINDADE & QUEIROZ, 2013); e
ética (DUIM et al, 2007).
No Ensino Superior, propostas utilizando o cinema foram elaboradas gerando o que os
autores chamam de ação sócio-discursiva, sendo capazes ainda de emocionar, conscientizar e
chocar (BRIDI et al., 2012). Em sua proposta para utilização do cinema como recurso
afetivo/efetivo na educação humanística, Blasco e colaboradores (2005) apontam que através
do uso do cinema na educação pode-se obter o ensino de valores humanos, virtudes e atitudes;
a promoção da reflexão individual, de forma a trabalhá-la educacionalmente e fomentar
atitudes, elementos essenciais na formação de um indivíduo; a criação de uma linguagem de
comunicação rápida e eficaz para educadores e educandos, dessa forma, prolongando o
aprendizado do cotidiano.
O uso de filmes constitui um recurso válido no ensino de Ciências, pois a utilização
deste material com potencial para ser trabalhados em sala de aula contribui para práticas
interculturais críticas e numa perspectiva interdisciplinar (OLIVEIRA, TRINDADE &
QUEIROZ, 2013).
Mediante tais argumentos, Barros, Girasole & Zanella (2013) indicam uma lista com
83 filmes que podem ser utilizados no Ensino de Ciências e Biologia, oferecendo também os
possíveis conteúdos que podem ser trabalhados em cada filme. Esta lista foi elaborada com o
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
691
auxílio de professores que foram entrevistados a respeito da utilização dos filmes em sala de
aula.
Dada esta grande diversidade de filmes que podem ser utilizados no Ensino de
Ciências, além de diferentes abordagens temáticas e problematizadoras que os mesmos
oferecem, a construção de um guia do educador permite que o professor possa adequar a
exibição de uma obra cinematográfica pretendida à sua proposta pedagógica. Desta forma, o
educador é direcionado por pesquisadores da área de Ensino de Ciências a adotar uma
metodologia que o permita discutir e propor atividades com seus alunos, contemplando todas
as possíveis problematizações que relacionam o conteúdo do filme escolhido ao conteúdo
escolar.
Dentre os exemplos de produção de guias do educador, há o projeto pedagógico para a
exibição do filme “As melhores coisas do mundo”, de 2010, cujo objetivo é unir cultura e
educação, cinema e aprendizado, em um filme cuja temática consiste no universo da
adolescência, apresentando diversas discussões sociais a respeito da vida dos jovens (AS
MELHORES COISAS DO MUNDO, 2010). Outro exemplo de guia foi elaborado para a
exibição do filme “Eu Christiane F, treze anos, drogada e prostituída”, que também relaciona-
se com o período da adolescência, mas que está focado em discutir a utilização abusiva de
drogas psicotrópicas e todos os conflitos que isto acarreta na vida dos jovens (CAIXETA,
MARTINS & BARROS, 2010). Outros guias do educador discutem questões que relacionam
aspectos éticos da ciência, sejam eles pertinentes à Genética, conforme destacam Nascimento
e colaboradores (2016), que construíram um guia do educador sobre o filme “X-Men Primeira
Classe”, e pertinentes à Saúde, conforme ilustram Campos e colaboradores (2015) na
construção do guia do educador para o filme “Filadélfia”.
Assim sendo, o objetivo deste trabalho consiste na elaboração de um guia do educador
para o filme “Tá chovendo hambúrguer”, discutindo aspectos científicos, tecnológicos e
sociais que o filme aborda e as suas potencialidades para o Ensino de Ciências e Biologia.
O filme e a construção do guia do educador
A construção do guia do educador foi realizada como proposta de avaliação para a
disciplina “Os recursos audiovisuais como estratégias para a educação em ciências e em
biologia”, ministrada pelos Professores Marcelo Diniz Monteiro de Barros e Marcelo Borges
Rocha, para o curso de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Educação do CEFET – RJ.
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
692
Para tal, ficou a cargo dos participantes a escolha de um filme que pudesse ser utilizado para
as aulas de Ciências da Educação Básica ou do Ensino Superior.
A animação “Tá chovendo hambúrguer” (CLOUDY WITH A CHANCE OF
MEATBALLS, 2009) foi selecionada por abordar questões científicas e tecnológicas
pertinentes, como produção de alimentos, de lixo e natureza da ciência. A figura 1 representa
o encarte do filme no Brasil. Baseado no livro homônimo de Judi e Ron Barrett, publicado em
1978, o filme narra a história do cientista Flint Lockwood, morador da pequena ilha Boca da
Maré (Chewandswallow no original), cujo principal alimento é o peixe. Flint concebe projetos
científicos desde sua infância, porém nunca foi reconhecido como deveria pelos seus
conterrâneos e, em especial, pelo seu pai.
Figura 1: Cartaz do filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Fonte: http://www.jornaldacapital.com.br/2011/upload/100693.jpg
A partir de então, Flint produz uma máquina que tem a capacidade de transformar
água em alimento, o que garantiria o seu reconhecimento enquanto inventor de algo que pode
mudar a história da produção de alimentos. Porém, devido à ganância do prefeito da cidade,
que tenta se aproveitar do sucesso do invento, Flint acaba perdendo o controle de sua
máquina, que começa a produzir verdadeiras “tempestades de comida”, como chuvas de
almôndegas, furacões de macarrão, dentre outros fenômenos meteorológicos envolvendo
alimentos. Com o auxílio de amigos e de seu pai, o cientista tenta controlar o seu invento para
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
693
que a ilha Boca da Maré não seja completamente soterrada pela comida produzida pela
máquina.
Embora indicado para o público infanto-juvenil, o filme apresenta passagens que
contribuem para a reflexão de diferentes aspectos da Ciência e da Tecnologia, os quais
nortearam a confecção do guia do educador, cujo objetivo almeja promover uma percepção a
respeito da temática abordada no filme, sobre a produção e consumo dos alimentos.
O guia sugere a entrega de um questionário previamente à exibição da animação, para
que os alunos o respondam enquanto assistem ao filme. Em seguida é proposto um debate de
forma a discutir as questões norteadoras, que tratam de diferentes passagens do filme. O guia
também recomenda que os alunos sejam criativos e elaborem perguntas complementares, de
modo a enriquecer o debate com suas concepções acerca das temáticas exibidas no filme
(figuras 2, 3 e 4).
Figura 2: Capa do guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Fonte: Guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
694
Figura 3: Apresentação do guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Fonte: Guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Figura 4: Sumário do guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Fonte: Guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”.
Em seguida, o guia indica uma série de atividades envolvendo as diversas temáticas
desenvolvidas pela animação, sendo um total de sete atividades, cada uma podendo ser
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
695
desenvolvida em uma aula. Deste modo, o aluno pode transpor o que foi abordado no filme
com diferentes aspectos científicos e tecnológicos (quadro 1).
Quadro 1: Atividades propostas no guia do educador para o filme “Tá chovendo
hambúrguer”.
Objetivo: promover uma percepção a respeito da temática abordada no filme, sobre a
produção e consumo dos alimentos
Procedimentos: Essa atividade pode ser dividida em dois momentos:
1º momento: exibição, em duas aulas de 50 minutos, do filme.
O professor deve entregar o questionário (atividade 1) aos alunos antes da exibição para que
eles fiquem atentos aos elementos a serem discutidos posteriormente.
2º momento: debate, a partir do questionário proposto.
O segundo momento, com uma aula de 50 minutos (sugestão), constitui-se do debate baseado
nas questões do questionário entregue aos alunos.
Conteúdos que podem ser explorados pelo professor: produção de alimentos; alimentos
naturais, industrializados e orgânicos; bioquímica dos alimentos; desperdício e produção de
lixo; e natureza da Ciência e CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade).
Atividade 1: Questionário para o debate – Perguntas sugeridas aos alunos:
- Qual era o sonho do personagem principal?
- Por que a ilha de Boca da Maré era famosa?
- Que problema a ilha enfrentou em relação as sardinhas?
- Qual a solução encontrada por Flint?
- Como Flint é visto por seus conterrâneos?
- O que começa a acontecer com a comida? Por quê?
- Que tipos de alimentos você consegue identificar nesta “chuva”? Há uma ocorrência maior
de alimentos naturais ou industrializados?
- Por que a Sam diz “e se estivermos com os olhos maiores que a barriga”?
- Você acha possível que chova comida como no filme? Por quê?
- Quando o Flint precisa da senha desativadora, o pai dele consegue enviar? Por quê?
- O que o bebê Brant queria?
- De que maneira o prefeito encarou a situação e qual sua postura ao perceber que o desastre
era irreversível?
Nota: estimule os alunos a criarem suas perguntas!
Atividade 2: Produção de alimentos
Nesta atividade, busca-se que o aluno possa relacionar a produção dos alimentos e a
desigualdade na sua distribuição. Propostas de perguntas e tarefas para os alunos:
- Segundo a ONU, a população mundial tem mais de 7 bilhões de habitantes, muitos dos
quais não possuem alimento. De que maneira a situação do filme poderia contribuir nessa
questão?
- Você acha que a solução proposta no filme seria segura?
- Construa um mapa destacando os países de maior população, os maiores produtores de
gêneros alimentícios e os maiores consumidores. O que é possível perceber?
- Relacione, com base no filme, a produção de alimentos com características culturais,
ambientais e comerciais da região geográfica descrita no filme.
Atividade 3: Características dos alimentos
Nesta atividade, propõem-se que os alunos identifiquem as principais características dos
principais gêneros alimentícios que ocorrem no filme, percebendo quais são naturais e quais
passam por processo de industrialização. As seguintes tarefas são propostas nesta atividade:
- Faça uma listagem contendo pelo menos 20 alimentos identificados no filme, diferenciando
os naturais (frutas, legumes, carnes não processadas) dos industrializados (macarrão, carnes
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
696
processadas, pães).
- Cite vantagens e desvantagens de cada tipo de alimento, considerando prazo de validade e
presença ou não de conservantes.
- Pesquise a respeito da agricultura orgânica, identificando suas vantagens e desvantagens (o
professor pode desenvolver um debate adicional neste momento, com a criação de um júri
simulado, por exemplo).
Atividade 4: Bioquímica dos alimentos
Neste momento, os alunos podem identificar a principal composição bioquímica da maioria
dos alimentos que surgem no filme, relacionando com a demanda do organismo humano e
transtornos alimentares. Os alunos podem desenvolver as seguintes tarefas:
- Identificar a constituição bioquímica básica dos alimentos listados na atividade 3,
considerando se são mais ricos em carboidratos, em lipídios ou em proteínas, verificando
também a presença de sais minerais e vitaminas.
- Comparar a ocorrência destas substâncias químicas, relacionando com o que um organismo
humano adulto e saudável necessita e com o surgimento de transtornos alimentares, como a
obesidade, e doenças cardiovasculares, renais e hepáticas.
Atividade 5: Desperdício
Nesta atividade, o intuito é possibilitar que os alunos desenvolvam uma postura crítica em
relação à quantidade de alimentos desperdiçados, desde sua produção até seu consumo nos
grandes centros urbanos, promovendo uma relação com a quantidade de lixo produzida e os
impactos ambiental e social decorrentes deste desperdício. Propostas de perguntas e tarefas
para os alunos:
- Imagine uma cidade com tanta comida produzida. Os habitantes conseguem consumir tudo?
- Como ficam as ruas dessa cidade?
- Compare com a produção de lixo que produzimos. Faça um levantamento da quantidade de
lixo produzida em uma residência e na escola. Os resultados podem ser expressos em
exposições fotográficas, gráficos, tabelas, etc..
- O lixo decorrente do desperdício de alimentos é produzido apenas pelos consumidores?
- Pesquise a respeito do desperdício de alimento ainda em sua produção.
- Observe quanto do lixo é orgânico. Proponha soluções para minimizar o desperdício.
Atividade 6: Natureza da Ciência
Nesta etapa, os alunos podem identificar elementos que ilustram e/ou distorcem a natureza do
trabalho científico, permeada por estereótipos que podem ser corroborados ou refutados pelo
filme. Para isso, sugerem-se as seguintes propostas de tarefas:
- Flint vive vários momentos ao longo do filme. Ele recebe apoio das pessoas? Qual o
principal interesse da população e do prefeito em relação a Flint? Você acha que essas
características são atribuídas a muitos cientistas?
- Realize uma pesquisa a respeito de um dos cientistas brasileiros. Aponte que problemas eles
encontraram ao longo da vida, destacando, também, os avanços e possibilidades que os seus
legados deixaram para a ciência.
Atividade 7: Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS)
Nesta conclusão do trabalho, os alunos podem perceber de que maneira ciência e tecnologia
impactam a sociedade e o ambiente. Considerando o caráter dual do conhecimento científico
e tecnológico – que pode acarretar em consequências boas ou ruins para a vida das pessoas e
dos seres vivos –, os alunos podem desenvolver o senso crítico, criando bases para a
alfabetização científica e tecnológica. São sugeridas as seguintes propostas de atividades:
- De que maneira a máquina de Flint alterou a vida das pessoas na ilha de Boca da Maré?
- Que impactos ambientais podem ser percebidos após as anomalias produzidas pela
máquina?
- Devido ao transtorno gerado, você considera que a ciência e a tecnologia são essencialmente
negativas para as pessoas e para o ambiente?
- O que pode ser feito para reverter a situação na ilha?
Nota: estimule os alunos a criarem suas perguntas!
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
697
Considerações Finais
O cinema, produtor em grande escala dos chamados filmes comerciais, pode se
destacar em muitos momentos como um precioso subsídio pedagógico no contexto
educacional. A prática de articular o cinema ao ensino, ressalta a procura por diferentes
metodologias que possam valorizar o lúdico, tendo nos filmes poderosos recursos
audiovisuais, que por meio da narrativa, dos personagens, do cenário, da trilha sonora e da
história em si, podem, quando utilizados de modo correto, gerar excelentes experiências de
aprendizado, as quais ainda podem envolver as emoções, desenvolvendo a aprendizagem
afetiva.
É importante destacar que a prática da projeção de filmes em instituições de ensino,
seja no ambiente escolar, ou mesmo em universidades, deve estar fundamentada no
planejamento. O professor deve conhecer o conteúdo do filme a ser exibido para que possa, se
necessário, selecionar os trechos, as cenas ou os elementos que expressem o conteúdo
pedagógico proposto, de modo a apontar estes itens durante a execução do filme. Esta parte
também é relevante para que se evitem surpresas desagradáveis devido ao desconhecimento
do conteúdo exibido, evitando-se a perda do planejamento ao projetar um conteúdo
inapropriado a um determinado público ou fora da temática em questão. A preparação dos
alunos para o filme também é parte do planejamento e, assim, a sala de aula deve ser
aproveitada como local para comentários prévios em relação aos temas que serão abordados
no filme em questão e a sua associação com o conteúdo programático. Desse modo, professor
e estudantes podem tirar o melhor proveito da atividade proposta.
O filme “Tá chovendo hambúrguer” foi escolhido devido à sua temática, que mostrou
potencialidades nas diversas abordagens de matérias científicas e tecnológicas pertinentes ao
ensino de ciências e biologia, como os excessos na produção e o desperdício de alimentos, a
geração de lixo, os exageros na ingestão alimentar e as suas implicações na saúde, além da
natureza da ciência. É pertinente registrar a presença de questões que levavam a impasses,
dilemas e dúvidas necessários para o desenvolvimento de uma educação científica. Dessa
maneira, além da aprendizagem dos conteúdos curriculares, a associação dos temas
relacionados no filme com o ensino de ciências poderá favorecer a construção de um
pensamento mais crítico, habilitando-o a argumentar sobre os temas relacionados à
tecnologia, às mudanças ambientais, à produção de alimentos, dentre outros, mostrados no
filme e que afetam substancialmente o modo como vivemos na sociedade atual.
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
698
Referências Bibliográficas
AS MELHORES COISAS DO MUNDO. Guia de discussão para educadores e pais. Casa
Redonda, 2010.
BARROS, M.D.M.; GIRASOLE, M.; ZANELLA, P.G. O uso do cinema como estratégia
pedagógica para o ensino de ciências e de biologia: o que pensam alguns professores da
região metropolitana de Belo Horizonte. Revista Práxis, v. 5, n. 10, p. 97-115, 2013.
BLASCO, P.G.; GALLIAN, D.M.C.; RONCOLETTA, A.F.T.; MORETO, G. Cinema para o
Estudante de Medicina: um Recurso Afetivo/Efetivo na Educação Humanística. Revista
Brasileira de Educação Médica. Rio de Janeiro, v .29, n. 2, p. 119-128, 2005.
BRIDI, J.P.M.; NOGUEIRA, M.T.; SILVA, V.M.; CAMARGO, M.A.S. Cinema
extraordinário: o documentário enquanto mote gerador de reflexões. In: XVII Seminário
Interinstitucional de Ensino, Pesquisa e Extensão. Anais... Cruz Alta: UNICRUZ, 2012.
CAIXETA, A.F.C.; MARTINS, L.M.A.; BARROS, M.D.M. O cinema na sala de aula: a construção
de um guia do educador para o filme Eu Christiane F., treze anos, drogada e prostituída. In: V
Encontro Regional de Ensino de Biologia, 2010, Vitória. Resumos..., Vitória: SBEnBIO, 2010.
CAMPOS, P.M.C.; SOARES, R.C.C.; BATISTA, S;M.; BARROS, M.D.M. Guia do
educador para o filme Filadélfia. Tecnologia e Cultura, n. 26, ano 17, p. 62-73, 2015.
CLOUDY WITH A CHANCE OF MEATBALLS. Direção: Phil Lord, Christopher Miller.
Intérpretes: Bill Hader, Anna Faris, James Caan, entre outros. Roteiro: Phil Lord, Chris
Miller, baseado em livro de Judi e Ron Barrett. Sony Pictures Animation: EUA, 2009. (95
min.), DVD.
COELHO, R. M. de F.; VIANA, M.C.V.; A utilização de filmes em sala de aula: um breve
estudo no instituto de ciências exatas e biológicas da UFOP. Revista da Educação
Matemática da UFOP, v. 1, p 89-97, 2011.
DUARTE, R. Cinema & Educação. Editora Autêntica. 3ª ed. Belo Horizonte: 2002.
DUIM, A.C.L.; ROSISCA, J.R.; MACHADO, E.M.; CARAMORI, L.P.C. Ética na pesquisa:
Uma abordagem em sala de aula utilizando o filme “Cobaias”. Terra e Cultura, n. 45, ano 23,
p. 157-166, 2007.
GALVÃO, E. A ciência vai ao cinema: uma análise dos filmes educativos e de divulgação
científica do INCE. Dissertação de Mestrado. Departamento de Bioquímica – Universidade
Federal do Rio de Janeiro, 2004.
MAESTRELLI, S.R.P.; FERRARI, N. O Óleo de Lorenzo: o uso do cinema para
contextualizar o ensino de genética e discutir construção do conhecimento científico.
Genética na Escola, v. 2, p. 35-39, 2006.
NASCIMENTO, J.M.L; MEIRELLES, R.M.S.; SILVA, M.M.; NASCIMENTO, R.L.;
BARROS, M.D.M. Guia do educador para o filme “X-Men Primeira Classe”. Genética na
Escola, v. 13, n. 1, p. 28-35, 2016.
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
699
OLIVEIRA, B.J. Cinema e imaginário científico. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v.
13, p. 133-150, 2006.
OLIVEIRA, R.D.V.L.; TRINDADE, Y.R.A.; QUEIROZ, G.R.P.C. O filme “Jardim das
Folhas Sagradas” e a possibilidade de uma abordagem intercultural em aulas de Ciências. In:
IX ENPEC, 2013, Águas de Lindóia. Atas... Águas de Lindoia: ABRAPEC, 2013.
Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Projeto EJA_ 2º bimestre - Profa. Dafiana Carlos
Projeto  EJA_ 2º bimestre - Profa.  Dafiana CarlosProjeto  EJA_ 2º bimestre - Profa.  Dafiana Carlos
Projeto EJA_ 2º bimestre - Profa. Dafiana CarlosDafianaCarlos
 
Ficha de atendimento do aee
Ficha de atendimento do aeeFicha de atendimento do aee
Ficha de atendimento do aeeLima Pedagoga
 
PPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADE
PPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADEPPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADE
PPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADEQUEDMA SILVA
 
Prova biomas 7º ano Matias.pdf
Prova biomas 7º ano Matias.pdfProva biomas 7º ano Matias.pdf
Prova biomas 7º ano Matias.pdfEduardoCerchi2
 
Adaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTRO
Adaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTROAdaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTRO
Adaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTROeejadyr
 
Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.
Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.
Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.André Fernandes Passos
 
Proposta curricular para o 2º ano do ensino fundamental
Proposta curricular para o 2º ano do ensino fundamentalProposta curricular para o 2º ano do ensino fundamental
Proposta curricular para o 2º ano do ensino fundamentalRosemary Batista
 
Plano aula modelo gasparim genero textual
Plano aula modelo gasparim  genero textualPlano aula modelo gasparim  genero textual
Plano aula modelo gasparim genero textualLuis Carlos Santos
 
Projeto de Estagio - Educação Especial
Projeto de Estagio - Educação EspecialProjeto de Estagio - Educação Especial
Projeto de Estagio - Educação EspecialFábio Ribeiro Silva
 
Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...
Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...
Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...Justiniano Fonseca
 
Os biomas brasileiros , plano de aula ppt
Os biomas brasileiros , plano de aula pptOs biomas brasileiros , plano de aula ppt
Os biomas brasileiros , plano de aula pptRoseliMorais
 
Meu plano de aula de Ciências
Meu plano de aula de CiênciasMeu plano de aula de Ciências
Meu plano de aula de CiênciasAmanda Freitas
 
Modelo proposta pedagógica
Modelo proposta pedagógicaModelo proposta pedagógica
Modelo proposta pedagógicatatyathaydes
 

Mais procurados (20)

Portfólio pronto
Portfólio prontoPortfólio pronto
Portfólio pronto
 
Projeto EJA_ 2º bimestre - Profa. Dafiana Carlos
Projeto  EJA_ 2º bimestre - Profa.  Dafiana CarlosProjeto  EJA_ 2º bimestre - Profa.  Dafiana Carlos
Projeto EJA_ 2º bimestre - Profa. Dafiana Carlos
 
Ficha de atendimento do aee
Ficha de atendimento do aeeFicha de atendimento do aee
Ficha de atendimento do aee
 
Apresentação do portfólio
Apresentação do portfólioApresentação do portfólio
Apresentação do portfólio
 
modelo-de-projeto-politico-pedagogico
modelo-de-projeto-politico-pedagogicomodelo-de-projeto-politico-pedagogico
modelo-de-projeto-politico-pedagogico
 
PPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADE
PPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADEPPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADE
PPP - SLIDES DE APRESENTAÇÃO PARA A COMUNIDADE
 
Alunos e allunas de eja
Alunos e allunas de ejaAlunos e allunas de eja
Alunos e allunas de eja
 
Prova biomas 7º ano Matias.pdf
Prova biomas 7º ano Matias.pdfProva biomas 7º ano Matias.pdf
Prova biomas 7º ano Matias.pdf
 
Adaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTRO
Adaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTROAdaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTRO
Adaptação curricular - EE PROFESSORA JADYR G. CASTRO
 
Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.
Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.
Relatorio estagio supervisionado I Historia 52 pag.
 
Proposta curricular para o 2º ano do ensino fundamental
Proposta curricular para o 2º ano do ensino fundamentalProposta curricular para o 2º ano do ensino fundamental
Proposta curricular para o 2º ano do ensino fundamental
 
Educacao especial
Educacao especialEducacao especial
Educacao especial
 
Plano aula modelo gasparim genero textual
Plano aula modelo gasparim  genero textualPlano aula modelo gasparim  genero textual
Plano aula modelo gasparim genero textual
 
Projeto de Estagio - Educação Especial
Projeto de Estagio - Educação EspecialProjeto de Estagio - Educação Especial
Projeto de Estagio - Educação Especial
 
Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...
Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...
Orientação para os professores acerca da formatação e estruturação da avaliaç...
 
Os biomas brasileiros , plano de aula ppt
Os biomas brasileiros , plano de aula pptOs biomas brasileiros , plano de aula ppt
Os biomas brasileiros , plano de aula ppt
 
Meu plano de aula de Ciências
Meu plano de aula de CiênciasMeu plano de aula de Ciências
Meu plano de aula de Ciências
 
Sugestões de Materiais e Recursos
Sugestões de Materiais e RecursosSugestões de Materiais e Recursos
Sugestões de Materiais e Recursos
 
Salas de Recursos Multifuncionais
Salas de Recursos Multifuncionais Salas de Recursos Multifuncionais
Salas de Recursos Multifuncionais
 
Modelo proposta pedagógica
Modelo proposta pedagógicaModelo proposta pedagógica
Modelo proposta pedagógica
 

Semelhante a Ensino de Ciências com o filme Tá Chovendo Hambúrguer

Reflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamental
Reflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamentalReflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamental
Reflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamentalelizetearantes
 
O Uso de Reportagens científicas produzidas em um curso de Licenciatura ...
O Uso de Reportagens científicas      produzidas em um curso de Licenciatura ...O Uso de Reportagens científicas      produzidas em um curso de Licenciatura ...
O Uso de Reportagens científicas produzidas em um curso de Licenciatura ...Seminário Latino-Americano SLIEC
 
Cinema e educação ok
Cinema e educação okCinema e educação ok
Cinema e educação okticblog1
 
Cinema e educação ok
Cinema e educação okCinema e educação ok
Cinema e educação okticblog1
 
Cinema e educação ok
Cinema e educação okCinema e educação ok
Cinema e educação okticblog1
 
A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.
A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.
A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.coisasblog
 
Alfabetização audiovisual
Alfabetização audiovisual Alfabetização audiovisual
Alfabetização audiovisual Tatiana Teixeira
 
A arte do real e a teoria crítica: algumas considerações
A arte do real e a teoria crítica: algumas consideraçõesA arte do real e a teoria crítica: algumas considerações
A arte do real e a teoria crítica: algumas consideraçõesAndréa Kochhann
 
Convite programação completa ( jig - 2014)
Convite   programação completa ( jig - 2014)Convite   programação completa ( jig - 2014)
Convite programação completa ( jig - 2014)João Massarolo
 
Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997
Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997
Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997AlexandrePedrini
 
Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...
Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...
Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...Joice Araújo Esperança
 
Documentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e cibercultura
Documentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e ciberculturaDocumentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e cibercultura
Documentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e ciberculturaSebastiao Vieira
 

Semelhante a Ensino de Ciências com o filme Tá Chovendo Hambúrguer (20)

Cinema tics
Cinema ticsCinema tics
Cinema tics
 
Reflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamental
Reflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamentalReflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamental
Reflexões sobre o estudo do cinema no ensino fundamental
 
Cinema e ciência
Cinema e ciênciaCinema e ciência
Cinema e ciência
 
O Uso de Reportagens científicas produzidas em um curso de Licenciatura ...
O Uso de Reportagens científicas      produzidas em um curso de Licenciatura ...O Uso de Reportagens científicas      produzidas em um curso de Licenciatura ...
O Uso de Reportagens científicas produzidas em um curso de Licenciatura ...
 
Cinema e educação ok
Cinema e educação okCinema e educação ok
Cinema e educação ok
 
Cinema e educação ok
Cinema e educação okCinema e educação ok
Cinema e educação ok
 
Cinema e educação ok
Cinema e educação okCinema e educação ok
Cinema e educação ok
 
A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.
A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.
A utilização de filmes comerciais no ensino de ciências.
 
Cine cidadania
Cine  cidadaniaCine  cidadania
Cine cidadania
 
O que e e quem faz ciencia
O que e e quem faz cienciaO que e e quem faz ciencia
O que e e quem faz ciencia
 
Informativo março (versão final)
Informativo março (versão final)Informativo março (versão final)
Informativo março (versão final)
 
Alfabetização audiovisual
Alfabetização audiovisual Alfabetização audiovisual
Alfabetização audiovisual
 
871 3066-1-pb
871 3066-1-pb871 3066-1-pb
871 3066-1-pb
 
A arte do real e a teoria crítica: algumas considerações
A arte do real e a teoria crítica: algumas consideraçõesA arte do real e a teoria crítica: algumas considerações
A arte do real e a teoria crítica: algumas considerações
 
Convite programação completa ( jig - 2014)
Convite   programação completa ( jig - 2014)Convite   programação completa ( jig - 2014)
Convite programação completa ( jig - 2014)
 
Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997
Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997
Artigo divulgaçaoalgasredpop 1997
 
Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...
Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...
Consumo e produção das infâncias contemporâneas, Congresso Internacional de E...
 
Documentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e cibercultura
Documentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e ciberculturaDocumentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e cibercultura
Documentários de divulgação científica em tempos de redes sociais e cibercultura
 
Boletim março (final)
Boletim   março (final)Boletim   março (final)
Boletim março (final)
 
Inf historia 5
Inf historia 5Inf historia 5
Inf historia 5
 

Mais de Fabiano Antunes

Mudando as atitudes dos alunos perante a ciência
Mudando as atitudes dos alunos perante a ciênciaMudando as atitudes dos alunos perante a ciência
Mudando as atitudes dos alunos perante a ciênciaFabiano Antunes
 
Pozo e crespo 2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...
Pozo e crespo  2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...Pozo e crespo  2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...
Pozo e crespo 2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...Fabiano Antunes
 
Situação de estudo e abordagem temática
Situação de estudo e abordagem temáticaSituação de estudo e abordagem temática
Situação de estudo e abordagem temáticaFabiano Antunes
 
Aprendizagem significativa crítica
Aprendizagem significativa críticaAprendizagem significativa crítica
Aprendizagem significativa críticaFabiano Antunes
 
Aprendizagem significativa
Aprendizagem significativaAprendizagem significativa
Aprendizagem significativaFabiano Antunes
 
Negociação de significados marco antonio
Negociação de significados marco antonioNegociação de significados marco antonio
Negociação de significados marco antonioFabiano Antunes
 
Historia da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medioHistoria da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medioFabiano Antunes
 
História da ciencia no ensino de ciências
História da ciencia no ensino de ciênciasHistória da ciencia no ensino de ciências
História da ciencia no ensino de ciênciasFabiano Antunes
 
Para uma imagem não deformada do conhecimento científico
Para uma imagem não deformada do conhecimento científicoPara uma imagem não deformada do conhecimento científico
Para uma imagem não deformada do conhecimento científicoFabiano Antunes
 
Aprendizagem significativa fabiano antunes
Aprendizagem significativa fabiano antunesAprendizagem significativa fabiano antunes
Aprendizagem significativa fabiano antunesFabiano Antunes
 
41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado
41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado
41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisadoFabiano Antunes
 

Mais de Fabiano Antunes (20)

Mudando as atitudes dos alunos perante a ciência
Mudando as atitudes dos alunos perante a ciênciaMudando as atitudes dos alunos perante a ciência
Mudando as atitudes dos alunos perante a ciência
 
Atividades praticas
Atividades praticasAtividades praticas
Atividades praticas
 
Pozo e crespo 2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...
Pozo e crespo  2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...Pozo e crespo  2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...
Pozo e crespo 2009. aprendizagem e o ensino de ciencias. do conhecimento cot...
 
Temas controversos 1
Temas controversos 1Temas controversos 1
Temas controversos 1
 
Astrobiologia1
Astrobiologia1Astrobiologia1
Astrobiologia1
 
Popper
PopperPopper
Popper
 
Atividade discursiva
Atividade discursivaAtividade discursiva
Atividade discursiva
 
Situação de estudo e abordagem temática
Situação de estudo e abordagem temáticaSituação de estudo e abordagem temática
Situação de estudo e abordagem temática
 
Cts1
Cts1Cts1
Cts1
 
Aprendizagem significativa crítica
Aprendizagem significativa críticaAprendizagem significativa crítica
Aprendizagem significativa crítica
 
Aprendizagem significativa
Aprendizagem significativaAprendizagem significativa
Aprendizagem significativa
 
Negociação de significados marco antonio
Negociação de significados marco antonioNegociação de significados marco antonio
Negociação de significados marco antonio
 
Historia da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medioHistoria da ciencia no ensino medio
Historia da ciencia no ensino medio
 
História da ciencia no ensino de ciências
História da ciencia no ensino de ciênciasHistória da ciencia no ensino de ciências
História da ciencia no ensino de ciências
 
Temas transversais
Temas transversaisTemas transversais
Temas transversais
 
Para uma imagem não deformada do conhecimento científico
Para uma imagem não deformada do conhecimento científicoPara uma imagem não deformada do conhecimento científico
Para uma imagem não deformada do conhecimento científico
 
Corefabianoantunes
CorefabianoantunesCorefabianoantunes
Corefabianoantunes
 
Momentos pedagógicos
Momentos pedagógicosMomentos pedagógicos
Momentos pedagógicos
 
Aprendizagem significativa fabiano antunes
Aprendizagem significativa fabiano antunesAprendizagem significativa fabiano antunes
Aprendizagem significativa fabiano antunes
 
41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado
41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado
41 a historia-da-ciencia-no-ensino-da-termodinamica-revisado
 

Último

Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdf
Geometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdfGeometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdf
Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdfDemetrio Ccesa Rayme
 
LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.
LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.
LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.HildegardeAngel
 
PRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basico
PRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basicoPRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basico
PRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basicoSilvaDias3
 
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbv19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbyasminlarissa371
 
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 anoAdelmaTorres2
 
HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024Sandra Pratas
 
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveAula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveaulasgege
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileirosMary Alvarenga
 
BRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdf
BRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdfBRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdf
BRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdfHenrique Pontes
 
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptxAs Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptxAlexandreFrana33
 
Dança Contemporânea na arte da dança primeira parte
Dança Contemporânea na arte da dança primeira parteDança Contemporânea na arte da dança primeira parte
Dança Contemporânea na arte da dança primeira partecoletivoddois
 
PRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕES
PRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕESPRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕES
PRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕESpatriciasofiacunha18
 
Guia completo da Previdênci a - Reforma .pdf
Guia completo da Previdênci a - Reforma .pdfGuia completo da Previdênci a - Reforma .pdf
Guia completo da Previdênci a - Reforma .pdfEyshilaKelly1
 
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão LinguísticaA Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão LinguísticaFernanda Ledesma
 
Cultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdf
Cultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdfCultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdf
Cultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdfaulasgege
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoCelianeOliveira8
 
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdfLinguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdfLaseVasconcelos1
 
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGISPrática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGISVitor Vieira Vasconcelos
 
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024GleyceMoreiraXWeslle
 
QUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptx
QUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptxQUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptx
QUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptxIsabellaGomes58
 

Último (20)

Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdf
Geometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdfGeometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdf
Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdf
 
LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.
LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.
LIVRO A BELA BORBOLETA. Ziraldo e Zélio.
 
PRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basico
PRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basicoPRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basico
PRIMEIRO---RCP - DEA - BLS estudos - basico
 
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbv19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
 
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
 
HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO3_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
 
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveAula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
 
BRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdf
BRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdfBRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdf
BRASIL - DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - Fund 2.pdf
 
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptxAs Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
 
Dança Contemporânea na arte da dança primeira parte
Dança Contemporânea na arte da dança primeira parteDança Contemporânea na arte da dança primeira parte
Dança Contemporânea na arte da dança primeira parte
 
PRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕES
PRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕESPRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕES
PRÉ-MODERNISMO - GUERRA DE CANUDOS E OS SERTÕES
 
Guia completo da Previdênci a - Reforma .pdf
Guia completo da Previdênci a - Reforma .pdfGuia completo da Previdênci a - Reforma .pdf
Guia completo da Previdênci a - Reforma .pdf
 
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão LinguísticaA Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
 
Cultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdf
Cultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdfCultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdf
Cultura e Sociedade - Texto de Apoio.pdf
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
 
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdfLinguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdf
 
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGISPrática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
Prática de interpretação de imagens de satélite no QGIS
 
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
 
QUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptx
QUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptxQUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptx
QUARTA - 1EM SOCIOLOGIA - Aprender a pesquisar.pptx
 

Ensino de Ciências com o filme Tá Chovendo Hambúrguer

  • 1. 688 O USO DO CINEMA NO ENSINO DE CIÊNCIAS: UMA PROPOSTA A PARTIR DO FILME “TÁ CHOVENDO HAMBÚRGUER” Pedro Henrique Ribeiro de Souza (Laboratório de Divulgação Científica no Ensino de Ciências LABDEC/CEFET-RJ – Colégio Pedro II ) Roberta Rodrigues da Matta (Secretaria Municipal de Educação – Itaguaí/RJ) Carlos Alberto Andrade Monerat (LABDEC/CEFET-RJ – Centro Universitário Celso Lisboa) Marcelo Borges Rocha (Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Educação – LABDEC/CEFET-RJ) Marcelo Diniz Monteiro de Barros (Departamento de Ciências Biológicas – PUC/MG) RESUMO O uso de filmes em sala de aula configura um valioso recurso pedagógico no processo de ensino-aprendizagem, ao despertar o interesse dos estudantes. A animação “Tá chovendo hambúrguer” foi escolhida por abordar questões científicas e tecnológicas, como produção de alimentos, de lixo e a natureza da ciência. A construção de um guia do filme para utilização dos professores é um relevante instrumento educativo, pois propicia a discussão de diversos aspectos científicos, tecnológicos e sociais e problematiza suas potencialidades para aplicação no Ensino de Ciências e Biologia. Conclui-se que é importante utilizar filmes com este perfil, pois permitem a construção do pensamento crítico do aluno, habilitando o indivíduo a argumentar sobre temas abordados no filme que afetam a sociedade atual. Palavras-chave: Ensino de Ciências, Cinema e Ensino, filme como estratégia de ensino. Introdução O cinema, através da sua ótica, a qual costuma retratar personagens, personalidades, fatos históricos e acontecimentos em geral, cotidianos ou não, está diretamente ligado com a percepção de mundo que os indivíduos possuem. Estes mesmos fatores sempre foram retratados em filmes e reproduzidos no imaginário das pessoas (COELHO & VIANA, 2011). Logo, conforme relata Duarte (2002), a história da humanidade e muito do que as pessoas têm em termos da sua compreensão está inevitavelmente caracterizada pelo contato que o público possui com as imagens cinematográficas. A educação vai ao encontro desses fatores, já que procura ampliar a percepção do mundo dos indivíduos, mostrando o que é desconhecido e estimulando o aprender. Neste entendimento, o cinema pode ser um valioso recurso pedagógico para o processo de ensino- aprendizagem, uma vez que o interesse e o estímulo dos estudantes, sejam crianças ou adultos, provocados pelos filmes, podem incentivá-los a buscar leituras mais complexas, desenvolvendo pensamentos críticos e instigando-os à reflexão. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 2. 689 O educador, por sua vez, deve encontrar nos filmes o processo necessário a uma adequada escolarização, extraindo deles reflexões que associem suas mensagens ao conhecimento construído em sala de aula. Desse modo, a seleção das obras cinematográficas com propósito educativo deve levar em consideração a articulação entre os conteúdos e os conceitos que serão ou que já foram trabalhados. Portanto, segundo Coelho e Viana (2011), o ambiente escolar vincula-se facilmente ao cinema, pois o ato de assistir a filmes é um hábito comum em quase todas as sociedades, sendo comum encontrar nesses a emergência de questões científicas e tecnológicas de apelo social e, com isto, contribuir para a atividade de ensino-aprendizagem na contextualização do conteúdo escolar. Articulando Cinema e Ciência Cinema e ciência caminham juntos por muito tempo, havendo registros desta articulação desde o século XIX, como forma de entretenimento e de divulgar seus propósitos científicos (OLIVEIRA, 2006). Para este autor: (...) a vivacidade das imagens e sua reprodutibilidade facilitaram sua aceitação como pura representação da realidade. Mesmo sabendo que são montadas, a magia e o encantamento do fluxo de imagens fazem o espectador reagir como se fosse a própria realidade (OLIVEIRA, 2006, p. 134). O cinema pode ser encarado como uma das inovações da modernidade, dessa forma assumindo-se como um meio pelo qual o conhecimento circula, e onde novas experiências e valores culturais são difundidos (OLIVEIRA, 2006). Por meio do cinema é possível visualizar cenas do cotidiano, retratações históricas, conhecer a biografia de personalidades e reconhecer histórias e personagens literários, oriundas de adaptações de obras literárias (BRIDI et al, 2012). Dessa forma percebe-se as múltiplas funções atribuídas a sétima arte. Ainda que seja reconhecido o importante papel atribuído por si só ao cinema e em atividades que o incorporem, há dificuldades que são vivenciadas, como a perda da audiência. Oliveira (2006) destaca que, a respeito do cinema na cultura brasileira: Perdeu parte do glamour e da preponderância que possuía na vida social com a difusão da televisão. Porém, ainda detém um poder enorme e continua mobilizando cifras e audiências monumentais, para as quais segue vendendo estilos de vida, construindo e legitimando determinadas identidades sociais e desautorizando outras (OLIVEIRA, 2006, p. 136). Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 3. 690 A sétima arte no Ensino de Ciências No Brasil, um importante marco para o uso de filmes no ensino ocorreu em 1936, quando foi criado o Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), sob a direção do antropólogo Roquette Pinto. O instituto esteve ativo durante 30 anos e contou com a colaboração de cineastas como Humberto Mauro, realizando em torno de quatrocentos curtas- metragens até sua extinção, em 1966. Aproximadamente um terço de sua produção foi voltada para temas que abordassem a educação científica e divulgação de ciência e tecnologia (GALVÃO, 2004). Desde então, filmes comerciais têm sido utilizados como ferramenta de ensino em diferentes campos do conhecimento. É possível encontrar na literatura relatos a respeito do uso de filmes comerciais no ensino para abordar temas diversos, incluindo conteúdos adicionais, além daqueles trazidos pelos currículos tradicionais, como conhecimentos básicos de genética e fisiologia humana (MAESTRELLI & FERRARI, 2006; NASCIMENTO et al., 2016); AIDS e homossexualidade (CAMPOS et al., 2015); humanismo na prática médica (BLASCO et al, 2005); conflitos religiosos (OLIVEIRA, TRINDADE & QUEIROZ, 2013); e ética (DUIM et al, 2007). No Ensino Superior, propostas utilizando o cinema foram elaboradas gerando o que os autores chamam de ação sócio-discursiva, sendo capazes ainda de emocionar, conscientizar e chocar (BRIDI et al., 2012). Em sua proposta para utilização do cinema como recurso afetivo/efetivo na educação humanística, Blasco e colaboradores (2005) apontam que através do uso do cinema na educação pode-se obter o ensino de valores humanos, virtudes e atitudes; a promoção da reflexão individual, de forma a trabalhá-la educacionalmente e fomentar atitudes, elementos essenciais na formação de um indivíduo; a criação de uma linguagem de comunicação rápida e eficaz para educadores e educandos, dessa forma, prolongando o aprendizado do cotidiano. O uso de filmes constitui um recurso válido no ensino de Ciências, pois a utilização deste material com potencial para ser trabalhados em sala de aula contribui para práticas interculturais críticas e numa perspectiva interdisciplinar (OLIVEIRA, TRINDADE & QUEIROZ, 2013). Mediante tais argumentos, Barros, Girasole & Zanella (2013) indicam uma lista com 83 filmes que podem ser utilizados no Ensino de Ciências e Biologia, oferecendo também os possíveis conteúdos que podem ser trabalhados em cada filme. Esta lista foi elaborada com o Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 4. 691 auxílio de professores que foram entrevistados a respeito da utilização dos filmes em sala de aula. Dada esta grande diversidade de filmes que podem ser utilizados no Ensino de Ciências, além de diferentes abordagens temáticas e problematizadoras que os mesmos oferecem, a construção de um guia do educador permite que o professor possa adequar a exibição de uma obra cinematográfica pretendida à sua proposta pedagógica. Desta forma, o educador é direcionado por pesquisadores da área de Ensino de Ciências a adotar uma metodologia que o permita discutir e propor atividades com seus alunos, contemplando todas as possíveis problematizações que relacionam o conteúdo do filme escolhido ao conteúdo escolar. Dentre os exemplos de produção de guias do educador, há o projeto pedagógico para a exibição do filme “As melhores coisas do mundo”, de 2010, cujo objetivo é unir cultura e educação, cinema e aprendizado, em um filme cuja temática consiste no universo da adolescência, apresentando diversas discussões sociais a respeito da vida dos jovens (AS MELHORES COISAS DO MUNDO, 2010). Outro exemplo de guia foi elaborado para a exibição do filme “Eu Christiane F, treze anos, drogada e prostituída”, que também relaciona- se com o período da adolescência, mas que está focado em discutir a utilização abusiva de drogas psicotrópicas e todos os conflitos que isto acarreta na vida dos jovens (CAIXETA, MARTINS & BARROS, 2010). Outros guias do educador discutem questões que relacionam aspectos éticos da ciência, sejam eles pertinentes à Genética, conforme destacam Nascimento e colaboradores (2016), que construíram um guia do educador sobre o filme “X-Men Primeira Classe”, e pertinentes à Saúde, conforme ilustram Campos e colaboradores (2015) na construção do guia do educador para o filme “Filadélfia”. Assim sendo, o objetivo deste trabalho consiste na elaboração de um guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”, discutindo aspectos científicos, tecnológicos e sociais que o filme aborda e as suas potencialidades para o Ensino de Ciências e Biologia. O filme e a construção do guia do educador A construção do guia do educador foi realizada como proposta de avaliação para a disciplina “Os recursos audiovisuais como estratégias para a educação em ciências e em biologia”, ministrada pelos Professores Marcelo Diniz Monteiro de Barros e Marcelo Borges Rocha, para o curso de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Educação do CEFET – RJ. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 5. 692 Para tal, ficou a cargo dos participantes a escolha de um filme que pudesse ser utilizado para as aulas de Ciências da Educação Básica ou do Ensino Superior. A animação “Tá chovendo hambúrguer” (CLOUDY WITH A CHANCE OF MEATBALLS, 2009) foi selecionada por abordar questões científicas e tecnológicas pertinentes, como produção de alimentos, de lixo e natureza da ciência. A figura 1 representa o encarte do filme no Brasil. Baseado no livro homônimo de Judi e Ron Barrett, publicado em 1978, o filme narra a história do cientista Flint Lockwood, morador da pequena ilha Boca da Maré (Chewandswallow no original), cujo principal alimento é o peixe. Flint concebe projetos científicos desde sua infância, porém nunca foi reconhecido como deveria pelos seus conterrâneos e, em especial, pelo seu pai. Figura 1: Cartaz do filme “Tá chovendo hambúrguer”. Fonte: http://www.jornaldacapital.com.br/2011/upload/100693.jpg A partir de então, Flint produz uma máquina que tem a capacidade de transformar água em alimento, o que garantiria o seu reconhecimento enquanto inventor de algo que pode mudar a história da produção de alimentos. Porém, devido à ganância do prefeito da cidade, que tenta se aproveitar do sucesso do invento, Flint acaba perdendo o controle de sua máquina, que começa a produzir verdadeiras “tempestades de comida”, como chuvas de almôndegas, furacões de macarrão, dentre outros fenômenos meteorológicos envolvendo alimentos. Com o auxílio de amigos e de seu pai, o cientista tenta controlar o seu invento para Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 6. 693 que a ilha Boca da Maré não seja completamente soterrada pela comida produzida pela máquina. Embora indicado para o público infanto-juvenil, o filme apresenta passagens que contribuem para a reflexão de diferentes aspectos da Ciência e da Tecnologia, os quais nortearam a confecção do guia do educador, cujo objetivo almeja promover uma percepção a respeito da temática abordada no filme, sobre a produção e consumo dos alimentos. O guia sugere a entrega de um questionário previamente à exibição da animação, para que os alunos o respondam enquanto assistem ao filme. Em seguida é proposto um debate de forma a discutir as questões norteadoras, que tratam de diferentes passagens do filme. O guia também recomenda que os alunos sejam criativos e elaborem perguntas complementares, de modo a enriquecer o debate com suas concepções acerca das temáticas exibidas no filme (figuras 2, 3 e 4). Figura 2: Capa do guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Fonte: Guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 7. 694 Figura 3: Apresentação do guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Fonte: Guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Figura 4: Sumário do guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Fonte: Guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Em seguida, o guia indica uma série de atividades envolvendo as diversas temáticas desenvolvidas pela animação, sendo um total de sete atividades, cada uma podendo ser Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 8. 695 desenvolvida em uma aula. Deste modo, o aluno pode transpor o que foi abordado no filme com diferentes aspectos científicos e tecnológicos (quadro 1). Quadro 1: Atividades propostas no guia do educador para o filme “Tá chovendo hambúrguer”. Objetivo: promover uma percepção a respeito da temática abordada no filme, sobre a produção e consumo dos alimentos Procedimentos: Essa atividade pode ser dividida em dois momentos: 1º momento: exibição, em duas aulas de 50 minutos, do filme. O professor deve entregar o questionário (atividade 1) aos alunos antes da exibição para que eles fiquem atentos aos elementos a serem discutidos posteriormente. 2º momento: debate, a partir do questionário proposto. O segundo momento, com uma aula de 50 minutos (sugestão), constitui-se do debate baseado nas questões do questionário entregue aos alunos. Conteúdos que podem ser explorados pelo professor: produção de alimentos; alimentos naturais, industrializados e orgânicos; bioquímica dos alimentos; desperdício e produção de lixo; e natureza da Ciência e CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). Atividade 1: Questionário para o debate – Perguntas sugeridas aos alunos: - Qual era o sonho do personagem principal? - Por que a ilha de Boca da Maré era famosa? - Que problema a ilha enfrentou em relação as sardinhas? - Qual a solução encontrada por Flint? - Como Flint é visto por seus conterrâneos? - O que começa a acontecer com a comida? Por quê? - Que tipos de alimentos você consegue identificar nesta “chuva”? Há uma ocorrência maior de alimentos naturais ou industrializados? - Por que a Sam diz “e se estivermos com os olhos maiores que a barriga”? - Você acha possível que chova comida como no filme? Por quê? - Quando o Flint precisa da senha desativadora, o pai dele consegue enviar? Por quê? - O que o bebê Brant queria? - De que maneira o prefeito encarou a situação e qual sua postura ao perceber que o desastre era irreversível? Nota: estimule os alunos a criarem suas perguntas! Atividade 2: Produção de alimentos Nesta atividade, busca-se que o aluno possa relacionar a produção dos alimentos e a desigualdade na sua distribuição. Propostas de perguntas e tarefas para os alunos: - Segundo a ONU, a população mundial tem mais de 7 bilhões de habitantes, muitos dos quais não possuem alimento. De que maneira a situação do filme poderia contribuir nessa questão? - Você acha que a solução proposta no filme seria segura? - Construa um mapa destacando os países de maior população, os maiores produtores de gêneros alimentícios e os maiores consumidores. O que é possível perceber? - Relacione, com base no filme, a produção de alimentos com características culturais, ambientais e comerciais da região geográfica descrita no filme. Atividade 3: Características dos alimentos Nesta atividade, propõem-se que os alunos identifiquem as principais características dos principais gêneros alimentícios que ocorrem no filme, percebendo quais são naturais e quais passam por processo de industrialização. As seguintes tarefas são propostas nesta atividade: - Faça uma listagem contendo pelo menos 20 alimentos identificados no filme, diferenciando os naturais (frutas, legumes, carnes não processadas) dos industrializados (macarrão, carnes Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 9. 696 processadas, pães). - Cite vantagens e desvantagens de cada tipo de alimento, considerando prazo de validade e presença ou não de conservantes. - Pesquise a respeito da agricultura orgânica, identificando suas vantagens e desvantagens (o professor pode desenvolver um debate adicional neste momento, com a criação de um júri simulado, por exemplo). Atividade 4: Bioquímica dos alimentos Neste momento, os alunos podem identificar a principal composição bioquímica da maioria dos alimentos que surgem no filme, relacionando com a demanda do organismo humano e transtornos alimentares. Os alunos podem desenvolver as seguintes tarefas: - Identificar a constituição bioquímica básica dos alimentos listados na atividade 3, considerando se são mais ricos em carboidratos, em lipídios ou em proteínas, verificando também a presença de sais minerais e vitaminas. - Comparar a ocorrência destas substâncias químicas, relacionando com o que um organismo humano adulto e saudável necessita e com o surgimento de transtornos alimentares, como a obesidade, e doenças cardiovasculares, renais e hepáticas. Atividade 5: Desperdício Nesta atividade, o intuito é possibilitar que os alunos desenvolvam uma postura crítica em relação à quantidade de alimentos desperdiçados, desde sua produção até seu consumo nos grandes centros urbanos, promovendo uma relação com a quantidade de lixo produzida e os impactos ambiental e social decorrentes deste desperdício. Propostas de perguntas e tarefas para os alunos: - Imagine uma cidade com tanta comida produzida. Os habitantes conseguem consumir tudo? - Como ficam as ruas dessa cidade? - Compare com a produção de lixo que produzimos. Faça um levantamento da quantidade de lixo produzida em uma residência e na escola. Os resultados podem ser expressos em exposições fotográficas, gráficos, tabelas, etc.. - O lixo decorrente do desperdício de alimentos é produzido apenas pelos consumidores? - Pesquise a respeito do desperdício de alimento ainda em sua produção. - Observe quanto do lixo é orgânico. Proponha soluções para minimizar o desperdício. Atividade 6: Natureza da Ciência Nesta etapa, os alunos podem identificar elementos que ilustram e/ou distorcem a natureza do trabalho científico, permeada por estereótipos que podem ser corroborados ou refutados pelo filme. Para isso, sugerem-se as seguintes propostas de tarefas: - Flint vive vários momentos ao longo do filme. Ele recebe apoio das pessoas? Qual o principal interesse da população e do prefeito em relação a Flint? Você acha que essas características são atribuídas a muitos cientistas? - Realize uma pesquisa a respeito de um dos cientistas brasileiros. Aponte que problemas eles encontraram ao longo da vida, destacando, também, os avanços e possibilidades que os seus legados deixaram para a ciência. Atividade 7: Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) Nesta conclusão do trabalho, os alunos podem perceber de que maneira ciência e tecnologia impactam a sociedade e o ambiente. Considerando o caráter dual do conhecimento científico e tecnológico – que pode acarretar em consequências boas ou ruins para a vida das pessoas e dos seres vivos –, os alunos podem desenvolver o senso crítico, criando bases para a alfabetização científica e tecnológica. São sugeridas as seguintes propostas de atividades: - De que maneira a máquina de Flint alterou a vida das pessoas na ilha de Boca da Maré? - Que impactos ambientais podem ser percebidos após as anomalias produzidas pela máquina? - Devido ao transtorno gerado, você considera que a ciência e a tecnologia são essencialmente negativas para as pessoas e para o ambiente? - O que pode ser feito para reverter a situação na ilha? Nota: estimule os alunos a criarem suas perguntas! Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 10. 697 Considerações Finais O cinema, produtor em grande escala dos chamados filmes comerciais, pode se destacar em muitos momentos como um precioso subsídio pedagógico no contexto educacional. A prática de articular o cinema ao ensino, ressalta a procura por diferentes metodologias que possam valorizar o lúdico, tendo nos filmes poderosos recursos audiovisuais, que por meio da narrativa, dos personagens, do cenário, da trilha sonora e da história em si, podem, quando utilizados de modo correto, gerar excelentes experiências de aprendizado, as quais ainda podem envolver as emoções, desenvolvendo a aprendizagem afetiva. É importante destacar que a prática da projeção de filmes em instituições de ensino, seja no ambiente escolar, ou mesmo em universidades, deve estar fundamentada no planejamento. O professor deve conhecer o conteúdo do filme a ser exibido para que possa, se necessário, selecionar os trechos, as cenas ou os elementos que expressem o conteúdo pedagógico proposto, de modo a apontar estes itens durante a execução do filme. Esta parte também é relevante para que se evitem surpresas desagradáveis devido ao desconhecimento do conteúdo exibido, evitando-se a perda do planejamento ao projetar um conteúdo inapropriado a um determinado público ou fora da temática em questão. A preparação dos alunos para o filme também é parte do planejamento e, assim, a sala de aula deve ser aproveitada como local para comentários prévios em relação aos temas que serão abordados no filme em questão e a sua associação com o conteúdo programático. Desse modo, professor e estudantes podem tirar o melhor proveito da atividade proposta. O filme “Tá chovendo hambúrguer” foi escolhido devido à sua temática, que mostrou potencialidades nas diversas abordagens de matérias científicas e tecnológicas pertinentes ao ensino de ciências e biologia, como os excessos na produção e o desperdício de alimentos, a geração de lixo, os exageros na ingestão alimentar e as suas implicações na saúde, além da natureza da ciência. É pertinente registrar a presença de questões que levavam a impasses, dilemas e dúvidas necessários para o desenvolvimento de uma educação científica. Dessa maneira, além da aprendizagem dos conteúdos curriculares, a associação dos temas relacionados no filme com o ensino de ciências poderá favorecer a construção de um pensamento mais crítico, habilitando-o a argumentar sobre os temas relacionados à tecnologia, às mudanças ambientais, à produção de alimentos, dentre outros, mostrados no filme e que afetam substancialmente o modo como vivemos na sociedade atual. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 11. 698 Referências Bibliográficas AS MELHORES COISAS DO MUNDO. Guia de discussão para educadores e pais. Casa Redonda, 2010. BARROS, M.D.M.; GIRASOLE, M.; ZANELLA, P.G. O uso do cinema como estratégia pedagógica para o ensino de ciências e de biologia: o que pensam alguns professores da região metropolitana de Belo Horizonte. Revista Práxis, v. 5, n. 10, p. 97-115, 2013. BLASCO, P.G.; GALLIAN, D.M.C.; RONCOLETTA, A.F.T.; MORETO, G. Cinema para o Estudante de Medicina: um Recurso Afetivo/Efetivo na Educação Humanística. Revista Brasileira de Educação Médica. Rio de Janeiro, v .29, n. 2, p. 119-128, 2005. BRIDI, J.P.M.; NOGUEIRA, M.T.; SILVA, V.M.; CAMARGO, M.A.S. Cinema extraordinário: o documentário enquanto mote gerador de reflexões. In: XVII Seminário Interinstitucional de Ensino, Pesquisa e Extensão. Anais... Cruz Alta: UNICRUZ, 2012. CAIXETA, A.F.C.; MARTINS, L.M.A.; BARROS, M.D.M. O cinema na sala de aula: a construção de um guia do educador para o filme Eu Christiane F., treze anos, drogada e prostituída. In: V Encontro Regional de Ensino de Biologia, 2010, Vitória. Resumos..., Vitória: SBEnBIO, 2010. CAMPOS, P.M.C.; SOARES, R.C.C.; BATISTA, S;M.; BARROS, M.D.M. Guia do educador para o filme Filadélfia. Tecnologia e Cultura, n. 26, ano 17, p. 62-73, 2015. CLOUDY WITH A CHANCE OF MEATBALLS. Direção: Phil Lord, Christopher Miller. Intérpretes: Bill Hader, Anna Faris, James Caan, entre outros. Roteiro: Phil Lord, Chris Miller, baseado em livro de Judi e Ron Barrett. Sony Pictures Animation: EUA, 2009. (95 min.), DVD. COELHO, R. M. de F.; VIANA, M.C.V.; A utilização de filmes em sala de aula: um breve estudo no instituto de ciências exatas e biológicas da UFOP. Revista da Educação Matemática da UFOP, v. 1, p 89-97, 2011. DUARTE, R. Cinema & Educação. Editora Autêntica. 3ª ed. Belo Horizonte: 2002. DUIM, A.C.L.; ROSISCA, J.R.; MACHADO, E.M.; CARAMORI, L.P.C. Ética na pesquisa: Uma abordagem em sala de aula utilizando o filme “Cobaias”. Terra e Cultura, n. 45, ano 23, p. 157-166, 2007. GALVÃO, E. A ciência vai ao cinema: uma análise dos filmes educativos e de divulgação científica do INCE. Dissertação de Mestrado. Departamento de Bioquímica – Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2004. MAESTRELLI, S.R.P.; FERRARI, N. O Óleo de Lorenzo: o uso do cinema para contextualizar o ensino de genética e discutir construção do conhecimento científico. Genética na Escola, v. 2, p. 35-39, 2006. NASCIMENTO, J.M.L; MEIRELLES, R.M.S.; SILVA, M.M.; NASCIMENTO, R.L.; BARROS, M.D.M. Guia do educador para o filme “X-Men Primeira Classe”. Genética na Escola, v. 13, n. 1, p. 28-35, 2016. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia
  • 12. 699 OLIVEIRA, B.J. Cinema e imaginário científico. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 13, p. 133-150, 2006. OLIVEIRA, R.D.V.L.; TRINDADE, Y.R.A.; QUEIROZ, G.R.P.C. O filme “Jardim das Folhas Sagradas” e a possibilidade de uma abordagem intercultural em aulas de Ciências. In: IX ENPEC, 2013, Águas de Lindóia. Atas... Águas de Lindoia: ABRAPEC, 2013. Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016 VI Enebio e VIII Erebio Regional 3 SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia