Apostila de mtc

29.741 visualizações

Publicada em

apostila de metodologia do trabalho cinetifico

Publicada em: Educação
1 comentário
7 gostaram
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
29.741
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
378
Comentários
1
Gostaram
7
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Apostila de mtc

  1. 1. Metodologia do Trabalho Científico 1 UN I VERSI DADE DE UBERABA  Valeska Guimarães Rezende da Cunha  I olanda Rodrigues Nunes  I vanilda Barbosa  Ernani Cláudio Borges  André Luís Teixeira Fernandes  Raul Sérgio Reis Rezende M ETODOLOGI A DO TRABALHO CI EN TÍ FI CO  2ª edição  revista e ampliada Uberaba ­ MG  2006 
  2. 2. 2 UNIUBE ­ Educação a Distância Série Metodologia do Trabalho Científicoã 2006 by Universidade de Uberaba Todos os direitos de publicação e reprodução em parte ou no todo, reservados para Universidade de Uberaba. P rodução e Supervisão: Programa de Educação a Distância Revisão Textual e Tratamento Didático­P edagógico: Marco Antônio Escobar Capa: Layout e arte final: Ney Braga e Programa de Educação a Distância Colaboração: Eliane Mendonça Marquez de Rezende Luiz Fernando Ribeiro de Paiva Maria Bárbara Soares e Abrão Raul Sérgio Reis Rezende Edição: Universidade de Uberaba I mpressão: Gráfica Universitária ­ Universidade de Uberaba Gerência: Wilson Oliveira Catalogação elaborada pelo Setor de Referência Biblioteca Central da UN I UBE  M567   Metodologia do trabalho científico / Valeska Guimarães Rezende da  Cunha... [et al.]. – 2. ed. rev. e ampl. ­­ Uberaba : Universidade  de Uberaba, 2006  120 p. –  (Metodologia)  Colaboradores: Iolanda Rodrigues Nunes, Ivanilda Barbosa,  Ernani Cláudio Borges, André Luís Teixeira Fernaneds, Raul Sérgio  Reis Rezende  Produção e supervisão: Programa de Educação a Distância  da  UNIUBE  ISBN  85­88920­32­8  1. Pesquisa ­ Metodologia. 2. Metodologia científica. I. Nunes,  Iolanda  Rodrigues. II. Barbosa, Ivanilda. III. Borges, Ernane  Cláudio. IV. Fernandes, André Luís Teixeira. V. Rezende, Raul  Sérgio Reis. VI. Universidade de Uberaba.  Programa de Educação  a Distância. VII. Série.  CDD  001.42
  3. 3. Metodologia do Trabalho Científico 3 A P R ESEN TA ÇÃ O  Ao  vivenciar  esta  nova  forma  de  aprender,  possibilitada  pela,  educação  a  distância,  certamente você percebeu que ela lhe permite personalizar o seu processo de aprendizagem, uma vez que você pode imprimir aos seus estudos um ritmo próprio, permanecer em seu meio cultural e natural, não tendo que se locomover para estudar. Além disso, é você que escolhe os horários em que seu rendimento é maior. Entretanto, certamente pôde se conscientizar também de que, para um melhor desempenho nesta modalidade de estudo, precisa organizar­se e assumir uma postura mais autônoma em relação à sua aprendizagem.  Saber estudar é, como alguém já disse, o caminho mais fácil de aprender o que quer que seja. O conteúdo de Metodologia do Trabalho Científico, constante deste volume, pretende contribuir para que o aluno universitário adquira esta competência. Nele, você encontrará informações sobre os métodos e processos de produção do conhecimento científico, noções básicas sobre as normas técnicas e a sistemática que envolve os processos de investigação científica e de produção de um trabalho acadêmico.  Estas informações foram organizadas em quarto unidades de estudo.  Na primeira unidade, você  encontrará orientações para a  organização de seus estudos  e ficará sabendo de que forma a universidade pode contribuir para a sua formação e também qual a sua parcela de responsabilidade, enquanto aluno, neste processo.  A segunda unidade contém os esclarecimentos necessários para ajudá­lo(a) no estudo dos textos acadêmicos. Você verá como os textos acadêmicos são organizados, os procedimentos adequados para a leitura desse tipo de texto e as diversas formas de registro de seus estudos.  A terceira unidade se ocupa do conhecimento, suas diversas formas de manifestação e respectivas características e também de sua aplicabilidade.  Na quarta e última unidade você aprenderá as normas para a elaboração e apresentação de trabalhos acadêmicos.
  4. 4. 4 UNIUBE ­ Educação a Distância
  5. 5. Metodologia do Trabalho Científico 5 SUM Á RI O ORI ENTAÇÕES GERAI S .................................................................................. 07 UNI DADE 1 ­  ORGANI ZAÇÃO DOS ESTUDOS NA UNI VERSI DADE ............... 09  1.1  Considerações iniciais ................................................................................ 11  1.2  Autonomia e aprendizagem ........................................................................ 11  1.3  Os instrumentos de trabalho ....................................................................... 13  1.4  O papel da universidade na formação acadêmica do aluno e o papel do  aluno na própria formação ......................................................................... 21  Exercícios de Fixação ......................................................................................... 25 UNI DADE 2 ­  ESTUDOS DE TEXTOS ACADÊMI COS  ....................................... 29  2.1  Conceito de texto e os modos de organização dos textos acadêmicos ................. 31  2.2  Procedimentos para a leitura de um texto didático­científico ............................. 49  2.3  Outras formas de registro de estudos acadêmicos ........................................... 53  Exercícios de Fixação ......................................................................................... 54 UNI DADE 3 ­  COMP REENDENDO O SI GNI FI CADO DO CONHECI MENTO ..... 59  3.1  Considerações iniciais ................................................................................ 61  3.2  Bases conceituais e caracterísiticas dos tipos de conhecimento .......................... 62  3.3  A diferença entre conhecimento e informação ................................................ 69  3.4  Conhecimento científico e senso comum ....................................................... 73  3.5  Características e aplicabilidade do conhecimento ............................................ 79  Exercícios de Fixação ......................................................................................... 81 UNI DADE 4 ­  NORMAS DE AP RESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMI COS .................................................................................................  85  4.1  Considerações iniciais ................................................................................ 86  4.2  O trabalho acadêmico ............................................................................... 86  4.3  A elaboração da questão geradora ............................................................... 89  4.4  O levantamento bibliográfico e as anotações .................................................. 90  4.5  Estrutura, etapas e principais elementos do trabalho acadêmico ........................ 91  4.6  Aspectos técnicos e normativos da apresentação de trabalhos  acadêmicos ............................................................................................102  Exercícios de Fixação ........................................................................................110 REFERENCI AL DE RESP OSTAS ......................................................................115 REFERÊNCI A S .......................................................................................... 117
  6. 6. 6 UNIUBE ­ Educação a Distância
  7. 7. Metodologia do Trabalho Científico 7 ORI EN TAÇÕES  GER AI S  A fim de facilitar a sua aprendizagem, no decorrer do texto você encontrará ícones, quadros, esquemas e imagens que lhe fornecerão pistas valiosas para a compreensão do conteúdo. Elabora­ mos  uma legenda para que  você  possa  aprender  mais  facilmente seus  significados. Recorra a ela sempre  que  precisar.  Exemplos ou Explicações. Atenção! Informação Importante. Quadro com borda  simples Conceito ou definição relativos ao conteúdo. Quadro com borda dupla  Esquemas ou resumos. Ainda para facilitar a sua compreensão, optamos por colocar o glossário no decorrer do texto. Assim, sempre que houver uma palavra cujo significado é preciso esclarecer, ela virá marcada com uma tarja cinza e, ao lado, o esclarecimento aparecerá num quadro cinza, sem contorno.  Ao realizar o estudo de cada unidade, você deverá cumprir uma série de atividades que o(a) auxiliarão  a  compreender  e  fixar  melhor  o  conteúdo.  Para  estas  atividades,  você  encontrará  as respostas no referencial colocado ao final deste volume.  Desejamos a você muito sucesso nos estudos!  Equipe de professores.
  8. 8. 8 UNIUBE ­ Educação a Distância
  9. 9. Metodologia do Trabalho Científico 9 UN I DADE   1 ORGAN I ZAÇÃO DOS ESTUDOS N A  UNI VERSI DADE  Valeska Guimarães Rezende da Cunha  Iolanda Rodrigues Nunes  Ernani Cláudio Borges  André Luís Teixeira Fernandes  Raul Sérgio Reis Rezende
  10. 10. 1.1  CON SI DERA ÇÕES  I N I CI AI S  Ao final desta unidade, você  deverá manifestar consciência da necessidade de se organizar em sua vida de estudos e ter discernimento quanto aos métodos e estratégias necessários  ao seu bom desempenho neste componente curricular bem como nas outras disciplinas de seu curso. Deverá, também, saber posicionar­ se criticamente em relação ao papel que a universidade desempenha na formação acadêmica do aluno e ao papel do aluno na sua própria formação.  Sabemos que o estudo é fundamental na vida das pessoas e por meio dele buscamos alcançar os diversos tipos de conhecimento, que serão aplicados em inúmeras situações de nossa vida.  Durante sua formação escolar, você encontrará exigências, obstáculos e desafios que o(a) farão ter uma  nova  postura  diante  dos  estudos.  Daí  a  necessidade  de  você  repensar  e  avaliar  a  forma  como  vem estudando até agora.  Muitos(as) alunos(as), apesar de seu esforço, não conseguem obter o sucesso escolar que estaria ao seu alcance, pois trabalham com métodos inadequados. A obtenção de bons resultados escolares, que é o objetivo de todos os estudantes, consegue­se com métodos e estratégias de estudo eficazes.  A princípio, é preciso que você se conscientize de que o resultado de todo o processo depende de você mesmo(a), ao assumir uma postura com maior autonomia para a efetivação da aprendizagem. Além disso, você deve empenhar­se num projeto de estudo altamente individualizado, apoiado no domínio e na manipulação de uma série de instrumentos, que o(a) auxiliarão na organização de sua vida de estudo e na disciplina de  sua vida  acadêmica.  Sabemos que cada aluno(a) tem um estilo e um método próprio para estudo. Alguns têm uma postura passiva e mecânica, ao passo que outros constróem seu conhecimento de forma ativa e dinâmica durante sua vida escolar. Nesta unidade, estaremos sugerindo instrumentos de estudo que o(a) ajudarão a assumir uma postura de  agente construtor(a)  de seu  próprio conhecimento,  conseguindo, assim,  um aprendizado  mais significativo. São palavras­chave para melhor aproveitamento dos estudos:  Motivação Organização do tempo Organização dos materiais Autonomia 1.2  AUTON OM I A  E  AP REN DI ZAGEM   Para que tenha possibilidades de construção de sua autonomia ao longo do processo, é necessário que  você  seja  autor(a)  de  sua  própria  fala  e  do seu  próprio  agir,  pois  a  autonomia  é  uma  conquista  que somente se completa e se realiza à medida que a pessoa cresce e amadurece, no convívio com os outros (PRETI, 1996).  A autonomia, para ser construída, exige de você, aluno(a), uma tomada de posição e um compromis­ so consigo mesmo(a) e com a instituição onde estuda. Segundo Preti (1996), a sua capacidade de aprender de forma autônoma, fazendo com que você ganhe confiança  em si mesmo(a), não depende passivamente da figura do professor, de alguém que vem para “ensinar ao outro que não sabe”.  Nesse sentido, sugerimos que você considere a sua participação nas atividades acadêmicas como um elemento indispensável para a construção da autonomia. Mas, nesta altura, você deve estar se perguntando: 
  11. 11. 12 UNIUBE ­ Educação a Distância  O que devo fazer, enquanto aluno(a), para aprender a aprender, Como estudar? a me autoformar, a regular a minha aprendizagem, a ter autonomia no processo de aprendizagem? Existem instrumentos e técnicas para me auxiliar nesse processo? Esse é o grande desafio! Para isso, ofereceremos diversas técnicas de estudo e inúmeras atividades que facilitarão a sua aprendizagem.  Exercite, pratique a sua autonomia na realização dos trabalhos solicitados por seus professores. Freqüente a biblioteca, navegue na Internet, para aprofundar seus estudos e fazer leituras diferentes. É importante que você amplie sua visão.  Para Preti (1996), não há dúvida de que existem inúmeras dificuldades que você deverá considerar e procurar superar, tais como:  ·  dificuldade de adaptar­se a novas situações de aprendizagem  ·  pouco  tempo  livr e  ·  descr ença  da  validade  e  aplicabilidade  de  estudos  teór icos  ·  dificuldades  econômicas  ·  pr oblemas  de  saúde  ·  pr oblemas  inter pessoais  ·  dificuldade  de  concentr ação  ·  tr anstor nos  afetivos  e  outr os  É importante que você perceba suas limitações pessoais para procurar superá­las!
  12. 12. Metodologia do Trabalho Científico 13  Segundo Aretio (1994, apud PRETI, 1996), é necessário que  Apud você “se eduque para que saiba como aprender, como adaptar­se e como mudar”, se quiser continuar desfrutando do seu estudo e de sua vida. Às  Citado por. Termo usado quando um au­  tor cita em  seu livro outro autor e você vezes, não  conseguimos superar todas  as dificuldades, mas  é preciso  deseja usar a mesma citação, e não tem saber lidar com elas e ir superando­as aos poucos.  acesso à  obra original.  Inicialmente,  é  fundamental  um  olhar  para  si  mesmo,  é importante observar­se e perguntar­se: como estudo, isto é, como apren­ do, quais as estratégias metacognitivas utilizadas? Como ocupo e orga­  M etacognitiva nizo o tempo ao longo do dia e da semana? Quando, quanto, como e onde estudo? Quais os horários mais proveitosos? Que técnicas utilizo  Etimologicamente, significa  para  “além  da cognição”, isto é, a faculdade de co­ para ler, resumir e estudar, de uma maneira geral? (PRETI, 1996).  nhecer o próprio ato de conhecer, ou, dito  de outra forma de “pensar sobre o pen­  sar”.  Sugerimos, portanto, um conhecimento de si mesmo, enquanto aprendiz, pois essa auto­avaliação o(a) ajudará a melhor definir e ponderar suas metas em relação à disciplina. Reflita sobre as estratégias que você  utiliza  para  estudar.  Depois,  organize  seu  tempo,  distribuindo  melhor  suas  atividades  ao  longo  da semana.  A nossa intenção até agora foi propor reflexões sobre as significações e as dimensões da autonomia, dentro do processo educacional. Não pretendemos torná­las um “receituário” ou um “pacote de regrinhas” que  devem  ser  seguidas  para,  automaticamente,  garantir  o  processo  de  autonomia  na  aprendizagem. Pretendemos, sim, dar uma orientação e um suporte a você, para que planeje suas ações, organize seu tempo de estudo e tenha consciência de que o seu sucesso depende, em grande parte, do seu envolvimento e esforço individual.  No início pode parecer difícil, principalmente se você não estiver muito habituado(a) a estudar com regularidade. Mas é importante não desanimar e estar sempre prestando atenção ao seu desenvolvimento, aos horários nos quais você produz com maior facilidade. Enfim, preste atenção em você e, aos poucos, crie um hábito de estudo que se adapte ao seu ritmo pessoal. 1.3  OS  I N STRUM EN TOS  DE  TRABALHO  Esperamos que você, realmente, tenha refletido sobre seu tempo, seu ritmo de estudo e que tenha procurado algumas alternativas. Agora, vamos prosseguir nosso conteúdo estudando os instrumentos que o(a) auxiliarão na organização de sua vida de estudo e na disciplina de sua vida acadêmica.  A  tarefa  de  aprendizagem  na  universidade  se  inicia  pelo  embasamento  teórico,  próprio  de  cada área. Antes  de  iniciar  as  atividades  práticas,  de  laboratório  ou  de  campo,  você  precisa  compreender  o conteúdo específico de sua área de estudo. Para isso, é necessário dispor de diversos instrumentos de trabalho (cf.  quadro  1)  que, em  nosso  meio,  são  fundamentalmente  bibliográficos,  os quais  garantirão  seu  estudo pessoal no decorrer de sua vida acadêmica (SEVERINO, 2002).
  13. 13. 14 UNIUBE ­ Educação a Distância  É importante para seus estudos, que você comece a formar sua biblioteca pessoal, munindo­se de livros, resumos, textos complementares, periódicos, revistas, dicionários e recursos eletrônicos gerados pela tecnologia informacional.  Quadro 1 ­ Exemplos e definições de instrumentos de trabalho  1.3.1  EXP LORAÇÃO DOS I NSTRUMENTOS DE TRABALHO O  material  didático  científico  é  a  base  para  o  estudo  pessoal  do(a)  aluno(a),  que  deve  se esforçar para construir os sentidos dos conceitos ou das idéias apresentadas no texto, ou seja, você não precisa se preocupar  com o “decorar”, com  o “memorizar”. Algumas vezes  é importante memorizar certas informações, mas de nada adianta memorizar sem compreender. 
  14. 14. Metodologia do Trabalho Científico 15  Sugerimos que você crie o hábito de registrar a matéria abordada em aula, os elementos complementares a esta matéria, as informações anotadas nas aulas expositivas, nos debates em grupo, nos seminários e conferências.  Durante seus registros você não conseguirá anotar tudo aquilo que é exposto, pois muitas idéias ficam truncadas e você acaba perdendo a concentração durante essas anotações. Preocupe­se com palavras ou expressões que traduzam conteúdos conceituais e idéias fundamentais, para que, mais tarde, em sua casa ou em um ambiente de estudo, possa submeter suas anotações a um processo de correção, de complementação e de triagem.  Veja, a seguir, no Quadro 2, exemplo de uma anotação concisa do que foi exposto até agora:  Quadro 2 ­ Exemplo de anotações importantes  1. Universidade novas exigências necessidade de novos desafios rever forma de estu- do 2. Ritmo de estudo é pessoal desenvolver a autonomia livros / resumos / periódicos/ / dicionários / 3. Instrumentos de Internet trabalho É importante: formar uma biblioteca básica adquirir hábitos de anotação  Chamamos sua atenção para o fato de que a prática de registro pessoal deve tornar-se uma constante em sua vida, pois é preciso convencer-se de sua necessidade e utilidade, considerando-a como parte integrante do processo de estudo. Fazer registro é a maneira mais adequada e sistemática de estudar, pois expressa um resultado das atividades intelectuais de todo aquele que procura estar em dia com as produções do pensamento humano. O(a) aluno(a) tem de estar ciente de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal.
  15. 15. 16 UNIUBE ­ Educação a Distância  Indicaremos, a seguir, uma forma de fazer registro dos estudos, denominada fichamento.  Para que fazer o Será mesmo necessário nos registro da localização ocuparmos com tais de documentos, dos fichamentos? livros que lemos? Certamente que sim. Aí vão algumas razões: neles podemos buscar dados para chegar com mais agilidade a uma informação importante ou  para fundamentar nossas afirmações; registrar nossas impressões e nossas reflexões acerca de um assunto e racionalizar o nosso trabalho.  Outro ponto interessante a ser observado é que sempre o estudo de um texto (científico, artístico, religioso etc.) se inicia por um processo de contextualização, gerando o fichamento do assunto estudado.  O FICHAMENTO é uma prática de escrita acadêmica que tem por objetivo identificar um objeto  de estudo (um livro, um capítulo de livro, um artigo, um filme, um documento, um monumento, uma  obra artística) ou reunir dados e proposições sobre determinado tema. Por ser um procedimento  básico de identificação, está sempre relacionado a outras práticas de escrita acadêmica.  Enquanto método pessoal de estudo, podemos identificar três formas de fichamento: o fichamento bibliográfico, o fichamento temático e o fichamento geral. Veremos, a seguir, essas três formas de fichamento.  Para fazer fichamento, você pode utilizar fichas próprias, compradas em papelaria, que podem ser manuscritas, ou utilizar o computador, criando pastas e arquivos. 1.3.1.1 Fichamento Bibliográfico Esta forma de registro se constitui num conjunto de referência sobre livros, artigos e trabalhos  dentro de uma área do saber. Este tipo de fichamento é útil  porque permite consultar, facilmente o  conteúdo da obra que você leu sobre o assunto em questão, quando for realizar realizar algum  trabalho sobre um determinado assunto. 
  16. 16. Metodologia do Trabalho Científico 17  Para exercitar esse tipo de fichamento, sugerimos que, à medida que você tome contato com os livros, artigos, trabalhos e informes diversos, habitue­se a fazer um fichário, que pode ser manuscrito, ou digitado no computador, o qual possibilita maior facilidade na inserção e manipulação dos dados.  Veja,  no  Quadro  3,  um  exemplo  de  fichamento  bibliográfico,  que  complementará  o  fichamento temático.  Exemplo de fichamento bibliográfico  Quadro 3 ­ Exemplo de fichamento bibliográfico  GARCIA, Ana Maria Felipe. O Conhecimento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org). Metodologia Científica:  Cadernos de Texto e Técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999.  LAKATOS, Eva Maria;  MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica.  São  Paulo: Atlas, 1990.  DEMO, P. Neutralidade Científica. IN: ______. Metodologia Científica em Ciências Sociais. 3. ed.  São  Paulo: Atlas, 1995.  Tema: O conhecimento 1.3.1.2  Fichamento Temático  Esta forma de registro baseia­se nos conceitos fundamentais de uma determinada área do saber,  podendo se referir a uma ou mais obras. Este tipo de fichamento é útil quando você for realizar   algum trabalho sobre um determinado assunto. Ao consultar a ficha, você terá acesso às obras que  tratam do assunto em questão, bem como a um breve resumo.  Esse tipo de fichamento pode ser elaborado de diversas formas:  colocar  o  conceito  entre  transcrição  literal  (cópia  aspas, indicando o autor,  fiel) das palavras do autor  a obra e a página de onde  foi retirado  dispensam­se  as  aspas,  síntese das idéias do autor  mantendo a indicação da  fonte idéias pessoais, anotadas  não é necessária a utiliza­  a partir de uma aula  ção de aspas nem a indi­  cação da fonte. 
  17. 17. 18 UNIUBE ­ Educação a Distância  AA seguir, apresentaremos um exemplo de um fichamento temático com a síntese das idéias do autor e também com idéias pessoais. Trata­se de uma forma dentre as muitas que podem ser utilizadas para este fim. A se  Exemplo de fichamento temático  Quadro 4 ­ Exemplo de fichamento temático  O  Conhecimento.  A autora analisa o sentido e o papel que o conhecimento exerce na realidade humana atual através de três relações:  fazer, usar e se posicionar:  a)  apresenta o homem como ser racional que, pela linguagem,  intrepreta o mundo e se mostra nessa interpreta­  ção;  b) caracteriza o conhecimento como renascimento, isto é, formas sempre novas de estar no mundo;  c) o processo do conhecimento dá a verdadeira medida do homem: ser que renasce sempre quando está aberto ao  mundo.  Comentário  pessoal:  O texto destaca três possibilidades de conhecimento, mas ainda não revela o papel específico da ciência.  Referência:  GARCIA, Ana Maria Felipe. O Conhecimento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia científica:  cadernos de texto e técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999.  Fonte:  GARCIA, Ana Maria Felipe. O Conhecimento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia cientí­  fica: cadernos de texto e técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999. 1.3.1.3  Fichamento Geral  Para esse tipo de fichamento, você pode proceder conforme sugerimos, a seguir.  ­  Faça um apanhado amplo do assunto, sem muita profundidade  (leitura do prefácio, sumário, introdução).  ­  Em seguida, faça uma leitura mais aprofundada com apontamen­  tos mais rigorosos.  ­  Lembre­se: as diversas informações devem ser seguidas pela  in­  dicação, entre parênteses, das respectivas páginas.  É aquele realizado de maneira sistemática e organizada, no qual o(a) aluno(a) arquiva as apostilas,  os textos de seminários, os trabalhos didáticos, os textos de conferência e outros, cujo uso seja  julgado importante, formando um conjunto de textos relacionados com a área de estudo do(a)  estudante.  Ao realizar algum trabalho acadêmico, com maior valor científico, você poderá recorrer a este tipo de fichamento que servirá de base para o fichamento temático ou mesmo para o fichamento bibliográfico (SEVERINO, 2002).  À medida que você desenvolve seus estudos, o trabalho de fichamento deve ser sistematicamente realizado.  Procedendo  habitualmente dessa  forma,  você  perceberá,  na  prática, a  utilidade  do  fichamento, inserido como parte integrante do seu processo de estudo.
  18. 18. Metodologia do Trabalho Científico 19  Relacionamos, a seguir, algumas orientações práticas, que serão úteis no seu dia­a­dia:  a) Considere material de fichamento tudo o que julgar importante e útil para seus estudos: as  leituras, as aulas, os seminários, os grupos de discussão, as conferências;  b) para  fichas manuscritas ou para os registros feitos no computador, deve­se observar as  seguintes orientações:  ∙  evitar longas transcrições;  ∙  registros feitos a partir de leituras, devem conter: título e fonte no cabeçalho. Por ‘fonte’ se  entende: nome do autor, título da obra, local, editora, página, ano;  ∙  registros feitos a partir de aulas devem conter: data, disciplina, assunto e nome do professor.  ∙  providenciar um fichário próprio, no caso de se utilizar fichas;  ∙  transcrever os assuntos dos cadernos para as fichas ou para o editor de textos/planilha, no  computador.  c) para a elaboração da ficha manuscrita deve­se considerar:  ∙  tamanho adequado, que pode ser grande, médio ou pequeno (optar por um tamanho único);  ∙  cabeçalho – título e fonte – no verso escrever de cabeça para baixo;  ∙  aspas ( “ “ ) para citação; asterisco ( * ) para resumo; duas barras ( // ) para indicar idéias  pessoais.  d) para a elaboração dos arquivos no computador deve­se considerar:  ∙  tamanho do papel e margens adequados para impressão;  ∙  espaçamento entre linhas de modo a permitir uma boa leitura;  ∙  tipo e tamanho de fonte (letra) legíveis;  ∙  cabeçalho contendo título e fonte da documentação;  ∙  usar  aspas (  “ “  ) para  citação; asterisco  ( *  )  para resumo;  duas barras  ( //  ) para  indicar  idéias  pessoais.  O Quadro 5, a seguir, representa a estrutura padrão de um fichamento geral, e o Quadro 6, apresenta um exemplo de fichamento geral.  Quadro 5 ­ Estrutura padrão de um fichamento geral.
  19. 19. 20 UNIUBE ­ Educação a Distância Que tal colocar em prática os tipos de fichamentos, vistos anteriormente? Experimente criar exemplos utilizando a forma manuscrita ou o computador. Siga o exemplo de fichamento geral, a seguir. Exemplo de fichamento geral: Quadro 6 ­ Exemplo de fichamento geral  ESTUDAR  Técnicas de trabalho  1  FURLAN, Vera Irma. O estudo de textos teóricos. In: CARVALHO, Maria Cecília M. (Org.)  Construindo o saber: técnicas de metodologia científica. Campinas: Papirus, 1988.  Resumo:  A autora cita que os textos são obra e produto humano, expressos pelos mais variados meios simbólicos e  representam a memória do homem, constituindo­se na herança que possibilita a continuidade de sua obra.  (p. 131)  Sobre os textos teóricos, afirma que moldam a visão do homem e seu pensamento e que, além de ser obras  que demonstram um conhecimento do mundo, fazem ver o que foi produzido pelos homens na sua existência,  expressando  momentos  históricos  contendo  toda  série  de  situações.  Também  são  sistematizados,  organizados e metódicos, fruto de construção de cientistas na tentativa de explicar o real. (p. 132)  Interpreta o texto como uma “voz humana”, do passado, à qual se tem que “dar vida” e “ ‘ouvir’ a sua  palavra,  o  seu  mundo  a  compreensão  dos  significados  nele  implícitos”.  Continua  afirmando  que  é  no  encontro histórico, quando diversas experiências se defrontam, que se torna possível a compreensão e  interpretação dos textos. (p. 133)  Através dos textos teóricos é que entramos em contato com a produção científica. Portanto, para poder  decifrar melhor o mundo, é necessário compreendê­los e, para tanto, é necessário ter um objetivo para o  estudo dos mesmos. Também é necessário ter claro as questões e problemas contidos nos textos e saber  localizá­lo no tempo e espaço, etapas estas que facilitam a compreensão. É também sugerida a demarcação  dos conceitos, doutrinas desconhecidas, autores citados, para, a seguir, fazer uma consulta a dicionários,  enciclopédias e manuais para buscar explicações, que facilitem a compreensão da mensagem do autor. (p.  134)  Citações:  “Segundo Paulo Freire, o papel do educador é o de proporcionar a organização de um pensamento correto  através da relação educador­educando e educando­educador”. (p. 108)  “No laboratório de classe não há lugar para a reprodução mecânica do conhecimento mas para a recriação  e, até, criação de um trabalho cooperativo de professor e aluno”. (p. 109)  “O professor deverá orientar seus alunos para um sistema de auto­aprendizagem através de métodos de  pesquisa bibliográfica e documentação”. (p. 109)  Idéias Pessoais:  // Texto bastante significativo e que propõe uma metodologia aprofundada de leitura de textos teóricos//  Local:  Consultar o livro conforme referência da parte superior da ficha. Fonte:  FURLAN,  Vera  Irma.  O  estudo  de  textos  teóricos.  In:  CARVALHO,  Maria  Cecília  M.  (Org.)  Constr uindo  o saber : técnicas de metodologia científica. Campinas: Papirus, 1988.
  20. 20. Metodologia do Trabalho Científico 21 1.4  O P AP EL DA UN I VERSI DADE N A FORM AÇÃO ACADÊM I CA DO  ALUN O E O P AP EL DO ALUN O N A P RÓP RI A FORM AÇÃO  Vamos prosseguir nosso conteúdo destacando o papel que a universidade desempenha na socieda­ de, analisando e enfatizando as contribuições que ela exerce na formação acadêmica do(a) aluno(a). Vamos também refletir sobre o papel do(a) aluno(a), inserido nessa sociedade, na sua própria formação.  A questão inicial que se coloca, portanto, é a seguinte: Qual o papel da universidade na sociedade? Na verdade, há vários autores com opiniões divergentes sobre esse assunto. Por isso é interessante conhecer essas opiniões para que possamos refletir e tomar uma posição frente à questão apresentada.  A universidade visa possibilitar aos diplomados o exercício competente da função ou emprego,  com remuneração satisfatória. Acrescento dimensão social mais ampla: técnicos, funcionários  saídos dos  bancos universitários ajudam  a elevar tanto o  nível da qualidade  da produção,  como  o do  país,  assim  como qualidade  e  quantidade da  produção  nas  diferentes áreas  da  atividade humana. (JUSTO, 1995).  ...a instituição universitária, em qualquer realidade social, sempre tem respondido pela ex­  celência  do  saber  científico  e  do  nível filosófico  e  cultural,  e  por  isso  mesmo  geralmente  tem recebido por parte da sociedade o reconhecimento a que faz jus, mas também tem sido  severamente  criticada  quando  não  consegue  acompanhar  os  avanços  científicos  e  tecnológicos, perdendo assim sua capacidade para traduzir em ações concretas as necessi­  dades  emergentes da  sociedade,  através de  suas funções  básicas:  o ensino,  a  pesquisa e  a  extensão. (SOLINO apud INFANTE, 2003)  Você  deve  ter  constatado,  por  estas  citações,  que  a  função  social  da  universidade  é  preparar profissionais para o mercado de trabalho. Segundo esses autores, a universidade precisa ouvir e compreen­ der as necessidades da sociedade,  detectando as mudanças de mercado e elaborando estratégias que possi­ bilitem  a  otimização  das  relações  que  deve  existir  entre  a  universidade  e  a  sociedade.  Isso  é  um  grande desafio a ser enfrentado, pois conhecer o perfil dinâmico e multifacetado dos profissionais que o mercado de trabalho exige é um trabalho cauteloso e de diálogo permanente (Figura 1). Torna­se necessário, portanto, criar condições para essa comunicação, oferecendo apoio à inovação tecnológica e à criatividade, para que o(a) universitário(a) se enquadre no mercado de trabalho que a sociedade exige.  SISTEMA EDUCACIONAL  Setor privado, MERCADO DE empresas, estatais e Setor público TRABALHO fundações Figura 1 – Ajuste entre o mercado de trabalho e o sistema educacional de terceiro grau.
  21. 21. 22 UNIUBE ­ Educação a Distância  Segundo Infante (2003), atualmente se exige da universidade competitividade no nível de formação do novo profissional, preparando­o tanto na dimensão do “como fazer” quanto do “porque fazer”. Isto se dá pelo fato da universidade, ao gerir o conhecimento artístico, científico e tecnológico, estar sempre em confronto com as exigências da atual era da evolução da informação.  1  Essa  idéia  de  Infante  vem  ao  encontro  das  idéias  de  Pereira  em  um  debate  sobre o papel da universidade.  Segundo  Pereira  (2003),  a  universidade  de  qualidade  é  aquela  que  forma  profissionais competitivos, críticos e eficientes e, para tal, é preciso que os docentes dessa universidade também sejam eficientes. A forma de avaliar a eficiência dos docentes  é o número de artigos publicados, a participação em congressos, o número de pesquisas que orienta e outras formas de produção.  Nesse contexto, fica claro que a universidade produtiva é fundamentalmente uma universidade que produz  conhecimento,  através  do  ensino,  pesquisa  e  publicações.  Isso  fica  ainda  mais  claro  quando  ele afirma que  “...os professores têm que ser eficientes, têm que produzir, se preocupar com os custos, e viabilizar alguma coisa que seja politicamente possível”.  Percebemos que todos os autores citados defendem a idéia de uma universidade produtiva. Sendo assim, é importante que entendamos o conceito de “universidade produtiva”, que está implícito nas idéias apresentadas até agora.  Certamente você compreendeu que o conceito de universidade produtiva defendido pelos autores Justo (1995), Solino (2003), Infante (2003) e Pereira (2003), é a de uma universidade que prepara profissi­ onais tecnicamente eficientes para atuarem no mercado de trabalho, esquecendo­se de pensar numa formação mais ampla, ou seja, a que prepara profissionais críticos e conscientes dos problemas sociais.  A  partir  destas  colocações,  seria  interessante  levantarmos  outras  questões:  Qual  seria  a  função social da universidade? A universidade é acessível a todas as camadas sociais?  Reflita sobre as afirmações anteriores e faça suas considerações referentes aos questionamentos colocados. Como dissemos anteriormente, há autores que defendem idéias diferentes dessas apresentadas até agora. Para Ramos (1996),  a universidade não se universalizou de fato, pelo menos nos países do Terceiro Mundo. E mesmo naqueles  países que conseguiram eliminar o analfabetismo e proporcionar à totalidade da sua população uma educa­  ção básica, ela continua reproduzindo as classes sociais diferenciadas, conforme a origem social de seus  alunos. Aqueles provenientes das classes que detêm  o poder econômico encaminham­se ‘naturalmente’  para os cursos de estudos superiores; os demais, para os cursos técnicos profissionalizantes ou, simples­  mente, para as ocupações manuais não especializadas.  Chauí (2003), também tem um posicionamento diferente, defendendo o papel da universidade em uma outra perspectiva. Ao contrário dos outros autores citados, ela se opõe à universidade voltada, apenas, para o mercado de trabalho. A professora defende uma universidade crítica, reflexiva, aberta a questões que possam interessar a todo o conjunto da sociedade e no qual a educação é colocada como um dever do Estado. 1  Debate entre Marilena Chauí e Luiz Carlos Bresser Pereira, que marcou a abertura pública do IV Congresso da USP. O título do debate foi ‘Que Universidade queremos: crítica ou produtivista?’ 
  22. 22. Metodologia do Trabalho Científico 23  “Muitas  vezes  o  professor  é  impedido  de    realizar  o  seu  trabalho  de  docência,  e  ano  após  ano, repete a mesma aula, porque não tem tempo de preparar outra, porque ele vai ser avaliado pelo número de papéis,  de livros,  de  notas de  rodapé,  de congressos”  (CHAUÍ,  2003).  Nesse  sentido, ela  defende  que  a avaliação da qualidade da universidade, não deve ser feita apenas pela quantidade de vezes que seus docen­ tes participam de congressos, pelo número de artigos que publicam ou por outras medidas quantitativas, mas, principalmente, pela qualidade das aulas ministradas pelos docentes, o que implica, necessariamente, uma reavaliação das condições de trabalho desses docentes. Torna­se necessário que ocorra uma revalorização da docência para que o professor reveja o que é preparar, ministrar e avaliar uma aula universitária.  Cabe ressaltar que no espaço universitário, a pesquisa não pode estar separada do ensino, conforme observa Demo (1992), ao considerar que a maioria dos professores das universidades fizeram “opção” pelo ensino,  passando  a  vida  contando  aos  alunos  o  que  aprenderam  de  outrem,  imitando  e  reproduzindo subsidiariamente. Segundo esse autor, “quem ensina carece pesquisar” e “quem pesquisa carece ensinar”.  Para Chauí(2003), o mercado exige rotina, repetição, tudo que não inclui inovação, nem criatividade, nem originalidade, nem profundidade. Isso é devido ao fato de o mercado considerar que somente as agênci­ as  de  publicidade  é  que  precisam  ser  originais  e  criativas.  Entretanto,  não  haveria  desenvolvimento  do conhecimento  sem  inovação  nem  criatividade.  Por  isso,  a  necessidade  da  pesquisa,  que,  por  seu  caráter questionador, sempre produz novos conhecimentos.  Nesse sentido, a pesquisa, o ensino e a extensão devem estar integrados dentro de uma universidade.  Você deve ter percebido que o conceito de universidade crítica, defendida pelos autores, vai além do conceito de universidade produtiva, porque embora eles não desprezem a competência técnica do profis­ sional, defendem que a universidade deve ter critérios de avaliação mais qualitativos do que quantitativos e que a universidade deve ser direito de todos e os profissionais que forma devem ser mais críticos e reflexi­ vos, engajados em pesquisas e projetos sociais.  A essa altura, você já deve ter se posicionado frente às contribuições dos autores citados. Qualquer que seja a sua opinião, gostaríamos de abrir agora um outro questionamento: Qual o seu compromisso com a sua própria formação?  Você deve ter percebido que, ao pensarmos sobre o papel da universidade na formação acadêmica do(a) aluno(a), inevitavelmente devemos pensar no tipo de sociedade que temos. Ao expressar nossa idéia de sociedade e, portanto, o tipo de profissional que a universidade deve formar, estamos, na verdade, expres­ sando a maneira como compreendemos o mundo.  Por isso, para pensar no seu compromisso com a sua própria formação, não podemos deixar de considerar a sociedade da qual faze­ mos parte. Sendo assim, precisamos levar em conta a nova era da infor­ mação que estamos vivendo por meio da globalização do conhecimen­ to,  que    propicia  a  aceleração  da  quebra  de  paradigmas  de  forma  Paradigma multidimensional, permitindo a concepção e o nascimento de novos mo­ delos de gestão, comportamento, demanda e outros. Estamos vivenciando  Visão de mundo que predomina em um  momento  histórico  e  que  influencia  o uma  grande  transformação  proveniente  do  confronto  e  da  aliança  do  comportamento,  as  atitudes  e  os ensino com as tecnologias de comunicação, surgindo então novas for­  valores  das  pessoas. mas de comunicação da universidade com a sociedade.
  23. 23. 24 UNIUBE ­ Educação a Distância  Segundo Bentes apud Barichello (2003), em re­ lação a essa transformação é essencial enfatizarmos dois pontos cruciais e relevantes nessa nova comunicação en­ tre  universidade  e  sociedade:  a  cultura  midiática,  que  é utilizada atualmente por uma grande parte da sociedade,  e  Cultura  midiática o excesso de informações descontextualizadas, que atin­  Uma forma cultural proveniente do contexto social     atu­ gem desde a população mais carente até os setores mais  al. Se até há pouco tempo livros, apostilas, jornais e revis­ privilegiados da sociedade. Nesse novo contexto midiático,  tas  eram  a  principal  fonte de  estudo  e  de  pesquisa, hoje  também se integram a esses recursos os CD­ROMs e as o professor passa a ser um orientador, utilizando diversos  páginas  de  Internet,  bem  como  os  de  áudio  e recursos  tecnológicos  nas  atividades  educacionais,  videoconferências.  Se  a  biblioteca  era  a  referência  para criando, assim, uma nova possibilidade de interação entre  pesquisas nas diversas áreas do conhecimento, o próprio  conceito de biblioteca hoje muda, com os sistemas de pes­ os  diferentes  campos  de  conhecimento.  Tal  interação  quisa online nas bibliotecas digitais e virtuais. otimiza  novas  formas  de  sociabilidade,  sem  acabar  com as diferenças e especificidades de cada saber ou realida­ de.  Após as reflexões você percebeu que o professor que apenas transmite informação está fazendo o mesmo papel das mídias, ou seja, transmitindo informações descontextualizadas. Na verdade, o papel do (a) professor(a), hoje, deve ser o de problematizar, criar situações e orientar os(as) alunos(as) no sentido de buscar, organizar e analisar as informações, aplicando­as na resolução dos problemas.  Consideramos,  diante  da  realidade  atual,  que  o(a)  aluno(a)  universitário(a)  não  está  em  busca, apenas, de informações. Ao contrário, ele(ela) está em busca de uma formação pessoal e profissional que o(a)  torne  competente,  mas  também  agente  transformador(a)  da  sociedade.  Nesse  sentido,  cabe  ao(à) professor(a) orientá­lo(a) nesse processo.  Quando falamos do papel do professor e do aluno entramos em um assunto chamado processo de ensino­aprendizagem. Se tomamos ensino­aprendizagem como algo a ser construído, a partir da interação dos sujeitos envolvidos (professor(a) – aluno(a)), de forma cooperativa e colaborativa e que esse processo se dá  em um meio  sócio­cultural, então precisamos elencar  algumas atitudes, habilidades  e competências fundamentais que precisam ser desenvolvidas pelos(as) alunos(as) sob a orientação do(a) professor(a).  Sendo assim, busca­se uma mudança de mentalidade e atitude, tanto por parte do(a) aluno(a) como por parte do(a) professor(a), que devem criar um ambiente favorável para que essa mudança ocorra.  Veja, no quadro, a seguir, a relação de algumas atitudes, habilidades e competências que servem como diretrizes para essa mudança:  ·  Desenvolver uma atitude mais participativa e ativa nas aulas.  ·  Trabalhar individualmente para aprender.  ·  Aplicar as técnicas de registro dos estudos realizados.  ·  Interagir com os colegas, sabendo debater e dialogar.  ·  Ver professores e colegas como parceiros colaboradores no processo de aprendizagem.  ·  Saber pesquisar.  ·  Assumir a responsabilidade da própria aprendizagem.  ·  Saber trabalhar em equipe.  ·  Desenvolver atitudes e valores como ética, respeito aos outros e às suas opiniões.  ·  Estar aberto ao novo.  ·  Desenvolver a criticidade.  ·  Desenvolver a sensibilidade às necessidades da comunidade na qual atuará como  profissional.  ·  Buscar soluções técnicas e condizentes com a realidade para melhoria da qualidade de  vida da população.
  24. 24. Metodologia do Trabalho Científico 25  Todos os pontos citados, anteriormente, devem ser desenvolvidos desde as séries iniciais do curso. Não  basta  apenas  memorizar  conteúdo.  É  necessário  ir  além,  desenvolvendo  uma  consciência  crítica  em relação ao conhecimento e aos problemas sociais.  Para que tudo isso ocorra, uma das formas que os professores utilizam, além das aulas, é a orientação de projetos e a solicitação de trabalhos. Por isso é importante que você fique atento(a) a dois pontos:  1.  Entender que os trabalhos solicitados pelos professores não são mera formalidade, mas parte  fundamental da sua própria aprendizagem;  2.  Ser capaz de analisar, comparar, discutir, transformar a informação em conhecimento, expressando  a sua opinião sobre o tema discutido.  Um trabalho nunca deve ser mera formalidade a ser cumprida, mas meio de aprendizagem  para o(a) aluno(a) que o realiza.  O(a) professor(a), ao avaliar o trabalho realizado  pelo(a) aluno(a), pode perceber falhas e enganos conceituais que precisam ser esclarecidos ou lacunas com relação ao conteúdo que precisam ser preenchidas. Portanto, os trabalhos acadêmicos são instrumentos auxiliares na tarefa do professor, que é a de orientar o(a) aluno(a) para alcançar a aprendizagem. Por isso, é importante realizá­los com seriedade.  1.4.1    CON SI DERAÇÕES  FI N AI S  Considerando  que  estamos  diante  de  uma  realidade  marcada  por  conflitos  sociais,  chegamos  à conclusão de que a alternativa que temos para caminharmos na direção de uma sociedade um pouco mais justa é a  conscientização das pessoas no sentido de  que exerçam seus direitos e  deveres como cidadãos. Profissionais  competentes  tecnicamente  falando,  não  ajudam  muito  a  alcançarmos  este  ideal.  Tornam­se necessários profissionais com competência  técnica sim, mas também engajados em projetos    sociais que possam contribuir para a transformação da sociedade.  Chegamos, assim, ao final de nossa primeira unidade! Esperamos que você tenha compreendido os pontos essenciais e se sinta motivado(a) a colocar em prática o que aprendeu. EXER CÍ CI OS  DE  FI XAÇÃO 01.  A vida de estudo na universidade exige do aluno uma organização e uma racionalidade técnica  e prática afim de que seu estudo seja prazeroso, positivo, consistente e de qualidade. Para que  o aluno consiga atingir os objetivos propostos para uma disciplina é necessário que:  a)  (  )  as atividades de ensino­aprendizagem utilizem sempre das tecnologias mais modernas  e atraente.  b)  (  )  o  hábito  de  estudo,  a  manutenção  de  horários  e  a  organização  do  tempo  escolar  sejam constantemente mantidos  pelo aluno.  c)  (  )  as tarefas exigidas e as reflexões assimiladas pelos alunos podem ser adquiridas e  dinamizadas de acordo com o seu interesse.  d)  (  )  o  sucesso  dos  estudos  desenvolvidos  pelo  aluno  na  universidade,  dependem  fundamentalmente do  nível das  aulas expositivas apresentadas pelo professor.
  25. 25. 26 UNIUBE ­ Educação a Distância 02.  A criação do hábito  de documentar os conteúdos abordados em  aula, as informações obtidas  nos debates, seminários e conferências possibilitam uma racionalização do trabalho do tempo  e a assimilação  das idéias  centrais. Podemos classificar as formas de documentação em  três  níveis:  a)  (  )  Fichamento  geral, fichamento  específico  e fichamento  científico.  b)  (  )  Fichamento  temático, fichamento  bibliográfico  e fichamento  oficial.  c)  (  )  Fichamento geral, fichamento temático  e fichamento  do cotidiano.  d)  (  )  Fichamento  temático, fichamento  bibliográfico  e fichamento  geral. 03.  O  estudo,  compreensão  e  aplicação  do  conteúdo  de  Metodologia  do  Trabalho  Científico,  possibilitará  ao  aluno:  I­  Tomar decisões rápidas e apropriadas, utilize métodos adequados e seja agente construtor  do  seu  conhecimento.  II­  Perceber que se não partilhar com os colegas o processo de aquisição de conhecimentos,  seus resultados serão ineficazes.  III­Estudar individualmente, mas é amparado por uma série de instrumentos, que contribuem  para uma melhor organização de sua vida escolar.  IV­ Colaborar com os demais colegas de disciplina na construção de um conhecimento coletivo,  autônomo e eficaz.  Agora, dentre as alternativas a seguir, marque a que agrupa as afirmativas corretas.  a)  (  )  I e II  b)  (  )  II e IV  c)  (  )  I  e III  d)  (  )  II  e  III 04.  A  prática  do  fichamento  é  a  maneira  mais  importante,  sistemática  e  adequada  de  um  bom  método pessoal de estudo. Sobre as formas desses fichamento, podemos afirmar que:  a)  (  )  o fichamento temático é o mais importante porque ela apresenta níveis aprofundados  e uma visão de conjunto ampla.  b)  (  )  o fichamento geral é realizada de maneira sistemática e organizada, possibilitando  que as apostilas, os textos de seminários e conferências sejam agrupados formando  um conjunto coeso e científico.  c)  (  )  o fichamento bibliográfico apresenta uma visão panorâmica da produção acadêmica  e as informações possibilitam uma visão menos profunda.  d)  (  )  o fichamento bibliográfico contempla muitas informações, que se não forem resumidas  em fichários, único instrumento que as unifica, o acervo se perde. 05.  Em relação à prática da escrita acadêmica, responda as questões a seguir:  a) Explique, com suas palavras, as características das 03 formas de fichamento: bibliográfico,  temático e geral.  ________________________________________________________________  ________________________________________________________________ b) Para cada situação apresentada a seguir, aponte o tipo de fichamento mais adequado: 
  26. 26. Metodologia do Trabalho Científico 2706.  Ao pensar sobre o papel da universidade na formação acadêmica do aluno, devemos pensar no  tipo de sociedade que temos. Estabeleça na tabela abaixo a diferenciação entre universidade  crítica e produtiva, apontando o papel de cada uma, o tipo de profissional que deve formar e a  sua opinião sobre elas. 07.  Ao praticar a autonomia no convívio com os outros, existem inúmeras dificuldades que devemos  considerar e procurar superar. Aponte 04 dificuldades que você possuiu e já superou ou ainda  possui em relação ao estudo do componente de Metodologia do Trabalho Científico bem como  em relação às demais disciplinas de seu curso.  a)  __________________________________________________________________  b)  __________________________________________________________________  c)  __________________________________________________________________  d)  __________________________________________________________________ 08.  Na universidade, antes de iniciar as atividades específicas próprias de cada área de conhecimento  é fundamental utilizar diversos instrumentos de trabalho que auxiliam na organização de sua  vida de estudo e na disciplina de sua vida acadêmica.  Cite 02 instrumentos que você mais utiliza e aponte 02 vantagens que cada um proporciona.  a)  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________  b)  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________  __________________________________________________________________
  27. 27. 28 UNIUBE ­ Educação a Distância
  28. 28. Metodologia do Trabalho Científico 29 UN I DADE 2 ESTUDO DE TEXTOS ACADÊM I COS  Ivanilda Barbosa
  29. 29. 30 UNIUBE ­ Educação a Distância
  30. 30. Metodologia do Trabalho Científico 31 2.1 CONCEI TO DE TEXTO E OS M ODOS DE ORGANI ZAÇÃO DOS  TEXTOS ACADÊM I COS  2.1.1  CON SI DER AÇÕES  I N I CI AI S  Nesta unidade,  estudaremos o  texto acadêmico. Desenvolveremos algumas reflexões sobre o seu conceito e sua organização. Em seguida, veremos  alguns procedimentos mais adequados para a leitura  de um texto científico e, finalizando, serão indicadas as formas de textos acadêmicos mais freqüentes para os registros dos estudos que são realizados nos cursos de graduação.  Além dos exemplos que serão dados, vamos sugerir algumas atividades para  o exercício da leitura.  O que se pretende  é que você amplie  seus conhecimentos sobre as formas de organização e o uso adequado desses textos, para o seu melhor desempenho nos estudos. 2.1.2  A P ALAVRA TEXTO  Para compreender o que é um texto acadêmico, seria interessante investigar o lugar que a palavra texto  vem  assumindo  em  nossa  vida  dentro  e  fora  da  escola.  Desde  que  aprendemos  a  ler  e  a  escrever, ouvimos  diariamente  as  pessoas  dizerem  “leia  o  texto”,  “escreva  um  texto”,  “gostei  de  seu  texto”,  “foi publicado um texto no jornal sobre...”, “o texto constitucional garante...”.  Ouvindo essas expressões, relacionamos texto a uma seqüência articulada de palavras escritas que, em maior ou menor extensão, nos permite:  • obter informações;  • expressar o que pensamos;  • dizer do que ou de quem gostamos;  • saber da Física, da Química, da Biologia, das leis de uma sociedade, da política e dos costu­  mes dos povos;  • aprender a geografia e a história do país;  • conhecer o pensamento do meu colega, do cientista, do poeta.  Poderíamos enumerar uma infinidade de situações e de pessoas com as quais nos envolvemos por meio de um texto escrito. E o gesto, o desenho, a fala? É possível construir  situações e relações humanas com os gestos, os desenhos e as falas, assim como fazemos com as palavras escritas? E entre os povos que não adotaram a escrita como um recurso de comunicação e trabalho, não existe texto? Como são passadas as tradições, os costumes, as normas de convivência em grupos sociais que não adotam a língua escrita?  À medida que essas questões vão sendo respondidas, a imagem de texto vai se diversificando, pois empregamos a palavra TEXTO para nomear diferentes objetos:  • as seqüências de gestos nos rituais;  • de linhas e cores, em uma pintura;  • de sons, nos diálogos e músicas.  Assim, é comum ouvirmos: “ esse texto fotográfico foi tirado da revista  x”, “o  texto em quadrinho era do Ziraldo...”, “o  texto cinematográfico .....”. Então, perguntamos:  O que há de comum entre uma fotografia, uma história em quadrinho, um filme, uma letra de música, um ritual indígena e uma seqüência musical para que todos sejam denominados TEXTO? 
  31. 31. 32 UNIUBE ­ Educação a Distância  Vamos refletir juntos. Todos esses textos: ­ surgem de uma necessidade: a pessoa (o autor) quer se expressar para se relacionar com outra  (ouvinte, leitor, expectador);  ­ trazem as marcas do seu autor e do seu destinatário;­ relacionam­se a uma situação;  ­ suas partes relacionam­se umas com as outras, formando uma unidade de sentido;  ­ mantêm relação com o mundo do autor e do destinatário;  ­ o autor se utiliza de código(s) para produzí­los  Inter locução  Conversação  entre  duas  ou  mais  pessoas.  Todo  aquele  O  texto  verbal é um  espaço de diálogo, de interlocução. E, como  que produz um texto, tem em todo diálogo, necessita de condições para  sua existência. Entre essas condi­  mente uma pessoa a quem se ções se destacam a coesão e a coerência. Da coesão, depende a organização  dirige  quando  fala,  escreve,  gesticula, desenha, ou seja, o interna entre as partes dos texto, para   que seja  um  todo significativo. Da  seu interlocutor. coerência , depende o sentido histórico do texto, o seu conteúdo, que poderá ser ponto de partida e de chegada para o conhecimento de mundo.  C oesã o  Relações de sentido entre os  Portanto, um texto resulta das relações de coesão e coerência que se  componentes do texto. juntam para constituir  uma unidade de sentido.  Coer ência  Relações de sentido do texto  com o mundo, isto é, com o  contexto externo.  UNIDADE DE SENTIDO  notícia                                  um chamado                          elogio                   artigo científico  lei  história em quadrinho                 poema  resenha                    relato  mapa                                gráfico                      relatório de pesquisa                    livro               portfólio  resumo                           memorial                                crônica            propaganda  TEXTO  Sendo uma unidade de sentido, cada texto tem existência própria, embora se relacione com tantas outras unidades de sentido, isto é,  outros textos,  que o antecederam ou  que dele poderão surgir.  Como você pode perceber,  o ato de ler deve ser entendido em seu sentido mais amplo. Estamos continuamente lendo os textos que são produzidos no cotidiano do espaço cultural em que vivemos.  O ato de ler pode ser definido como o momento em que o leitor se volta para compreender   essa unidade de sentido que é o texto.  Seria diferente ler um artigo de jornal ou um poema? Um romance ou um tratado científico? Se eles têm formas e finalidades diferentes, é possível que nós os leiamos de variadas maneiras. Mas, quem determina as maneiras de ler um ou outro texto?  Para responder a essas indagações, vamos ler dois textos. 
  32. 32. Metodologia do Trabalho Científico 33 Texto 1  A barata e o rato  Era uma dessas baratinhas brancas e nojentas, acostumadas só a imundicies e ao  monturo, comendo calmamente sua refeição composta de um pedaço de batata podre e um pedaço de  tomate podre . Chegou junto dela um Rato transmissor de peste bubônica e lhe disse: "Comadre,  ontem tive uma aventura extraordinária. Estive num lugar realmente impressionante, como você, comadre,  certo jamais encontrará em toda sua vida". Barata comendo. "O lugar era uma coisa que realmente me  deixou de boca aberta" ­ prosseguiu o Rato ­ "tão espantoso e tão diferente é de tudo que tenho visto  em minha vida roedora" . Barata comendo. "imagina você" ­ prosseguiu o Rato ­ "que descobri o lugar  por acaso. Vou indo numa das cavidades subterrâneas por onde passeio sempre, entrando aqui e ali  numa casa e noutra, quando, de repente, percebo uma galeria que não conheço. Meto­me nela, um  pouco amedrontado por não saber onde vai dar e de repente saio numa cozinha inacreditável. O chão,  limpo, que nem espelho! Os espelhos, de um brilho de cegar! As panelas, polidas como você não pode  imaginar! O fogão, que nem um brinco! As paredes, sem uma mancha! O teto, claro e branco como se  tivesse sido acabado de pintar! Os armários, tão arrumados e cuidados que estavam até perfumados!  Poeira em nenhuma parte, umidade inexistente, no chão nem um palito de fósforo...  E foi aí que a Barata não se conteve. Levou a mão à boca num espasmo e protestou:  "Que mania! Que horror! Sempre vem contar essas histórias exatamente no momento em que a gente  está comendo!"  MORAL: PARA O VÍRUS A PENINCILINA É UMA DOENÇA.  SUBMORAL: A ECOLOGIA É MUITO RELATIVA  (MILLÔR, Fernandes. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Cultural,1980.)  Este texto é uma fábula. As fábulas são textos narrativos que  apresentam questões complexas de uma  forma simples  e  concisa.  Algumas  circulam há  séculos,  mas,  em   cada  época que  são  lidas, elas  se renovam. Podemos fazer uma leitura das fábulas com a intenção de satirizar os costumes (paródia, crítica) ou para resgatar a moral nelas existentes. Foi o que Millôr fez, retomando a antiga história da D. Baratinha.  Observe nesta fábula as partes da narrativa simples:  • uma situação inicial (a barata come calmamente sua refeição);  • uma mudança de situação (a chegada do rato);  • o desenvolvimento (o relato do rato enquanto a barata come);  • uma situação final (o protesto da barata).  O que garante a conexão entre as partes da narrativa são alguns elementos como: a pontuação, os tempos verbais (era, chegou, lhe disse), expressões como “barata comendo”, “prosseguiu o rato”, “e foi aí”. Articuladas,  bem conectadas,  a  história  vai progredindo  e  as partes  formam  um  todo. Também  podemos estabelecer  uma  relação  entre  a  situação  vivenciada  pelo  rato  e  pela  barata  com  situações  cotidianas  em nosso meio social  e com  os valores culturais e  pontos de vista das pessoas.  Vejamos um outro  texto.
  33. 33. 34 UNIUBE ­ Educação a Distância  Texto 2  O Termo Direito  Não é fácil perceber todas as significações encerradas no termo "Direito", ou tirar desse termo  o  conteúdo  que  possa  nos  aproximar  da  compreensão  do  que  seja  a  finalidade  da  ciência  que  pretendemos conhecer: direito, do latim directus, adj. ­ colocado em linha reta; direito, reto; certeiro;  direto; preciso. O vocábulo ora significa: a) ordenamento ou norma ­ conjunto de normas ou sistema  jurídico vigente num país:o Direito da Alemanha; b) autorização ou permissão de fazer o que a norma  não proíba, ou o que a norma autorize, ou seja, certo poder de exigir ou dispor de uma ação :isso é  direito meu; c) qualidade do que atende a um anseio de justiça e retidão, do que é justo e reto: isso não  é direito; d) prerrogativa que alguém possui de exigir de outrem a prática ou abstenção de certos atos:  defendo­me porque alguém põe em risco o meu direito; e) ciência de norma coercitivamente imposta  (obrigatória): o Direito é a ciência normativa; f) conjunto de conhecimentos acerca dessa ciência: essa  regra de Direito.  Também pode significar um conjunto de conhecimentos englobantes, que se ocupa de uma  série de disciplinas diferentes: "a filosofia do Direito, a sociologia do Direito, a história do Direito e a  .(9)  Jurisprudência ("dogmática jurídica"), para se referir somente às mais importantes  (9) Karl Larenz, Metodologia da ciência do direito, 3.ed.,cit.,p.261  NERY, Rosa Maria de Andrade. O Direito como ciência, arte e técnica. In:______. Noções preliminares  de Direito Civil. São  Paulo:  Revista dos Tribunais, 2002.  Este  texto  foi  retirado  de  uma  publicação  dirigida  a  pessoas  que  se  interessam  por  adquirir conhecimentos básicos sobre Direito. Lendo­o, podemos observar que o autor:  • situa­se  como  alguém  solidário  ao  leitor,  quando  usa  as  expressões  "...nos  aproximar  ...pretendemos";  • fornece pistas para o leitor ampliar seu conhecimento acerca do assunto quando fundamenta suas  explicações, recorrendo a outros autores;  • usa termos técnicos: preocupa­se em traduzir, nos parênteses, cada palavra que possa impedir a  compreensão do significado do termo Direito.  O leitor se sente amparado pelo autor que parece compreender suas dificuldades de se relacionar com um assunto novo. Podemos afirmar que o objetivo do autor é didático, ou seja,  facilitar a compreensão do significado do termo Direito.  Como você pode observar, cada um dos textos exige um tipo de leitura . Portanto, é o próprio texto que nos fornece o caminho para a leitura.  Vamos prosseguir nossa reflexão, procurando compreender o que se denomina ‘texto acadêmico’.  2.1.3    O  TEXTO  ACADÊM I CO:  UM A  DEFI N I ÇÃO  Na primeira unidade, você teve a oportunidade de trocar idéias sobre a organização dos estudos na universidade. Entre outros pontos, destacou­se a importância  dos recursos que são utilizados em seus estudos, para que você seja um dos atores do processo de ensino­aprendizagem durante seu curso de graduação. Entre esses recursos estão os textos verbais.
  34. 34. Metodologia do Trabalho Científico 35  Usando a linguagem verbal, os cidadãos produzem textos orais e escritos, conforme suas necessidades e as suas circunstâncias sociais e históricas. A produção dos textos orais é tão variada quanto variadas são as situações de encontros entre as pessoas. Mas, ainda assim, podemos identificar uma estrutura de base em todos os textos orais. É a estrutura do diálogo:  • há sempre a suposição de que uma pessoa  se dirige a outra;  • a  fala  pode  ser  mais  espontânea  ou  mais  formal,  conforme  a  pessoa  esteja  mais  ou  menos  à  vontade na situação;  • gestos, expressões faciais, complementam a fala;  • as pessoas falam a mesma língua.  Em geral, distinguimos dois tipos de diálogos, os informais (bate­papos) e as conversas dirigidas (entrevistas e debates).  Como a universidade é um espaço de pesquisa, de produção e de difusão de conhecimentos acumu­ lados ao longo da história da humanidade, em princípio, os textos que circulam no espaço universitário são os mesmos que encontramos no espaço social mais amplo e que estão disponíveis para os cidadãos.  Se  considerarmos  as  funções  da  escrita  numa  dada  sociedade, identificamos cinco  grandes gêneros de textos:  literário;  comercial  e oficial  Gêner os  de  texto  Os gêneros de textos surgem (incluindo  nesses  últimos  os  tipos  legal  e  jurídico);  científico  (e  didático­  de uma prática social, uso da científico);  jornalístico  e  publicitário;    religioso.  linguagem em  determinadas  situações  e  para  determina­  Cada um deles pode se apresentar sob diferentes formas ­ variantes ­  dos fins. que resultam de técnicas de redação que são escolhidas a partir dos objetivos que o autor tem, nas diferentes situações em que se usa a escrita.  Observe o quadro, a seguir:  Geralmente são os textos técnicos e científicos os mais indicados como referência para a ampliação das reflexões realizadas em sala de aula com colegas e professor ou para subsidiar a pesquisa e conhecimen­ to do que já se produziu sobre assuntos de interesse para a sua formação profissional, estejam esses textos nos livros, em revistas especializadas e em jornais impressos ou online.  Ao mesmo tempo, você também é solicitado(a) a registrar o que ouve e lê, a dizer o que leu, a opinar sobre o assunto que pesquisou, de forma oral ou escrita. Ou seja: você também produz textos para apresentar ao professor e aos colegas em sala de aula, em eventos científicos ou para publicar em periódicos.  Na prática escolar, o debate, a entrevista, o artigo, a resenha, o resumo, o relatório, a monografia  o memorial e o portfólio são produzidos com a finalidade específica de alimentar o processo de ensinar e de aprender.
  35. 35. 36 UNIUBE ­ Educação a Distância  A escola adota, então, alguns modelos de textos, adequando­oes aos estudos que os alunos e os professores desenvolvem para a progressiva ampliação e troca  de conhecimentos necessárias à formação profissional. A esses textos estamos denominando textos acadêmicos. TEXTOS ACADÊMICOS: conjunto de textos com os quais lidamos, no dia­a­dia de nossos estudos  na  universidade,  com  o  objetivo  de  ampliar  nossos  conhecimentos  científicos  sobre  determinado  assunto, ou que produzimos para registrar o estudo que realizamos.  2.1.4    M ODOS  DE  ORGAN I ZAÇÃO  DOS  TEXTOS  ACADÊM I COS  No contexto da universidade  desenvolvemos um conjunto de ações que nos levam a memorizar, analisar, interpretar, a compreender e a produzir textos orais  e escritos.  Para cada situação, procuramos recuperar o que já  conhecemos e adequar a nossa fala e escrita, com o propósito de realizar mais competentemente os nossos estudos. Por exemplo, se o professor pede a você que participe de um debate. Você, que já  assistiu a debates entre candidatos a  cargos políticos, entre especialistas em esportes, entre cientistas e educadores, faz uma idéia do que o professor espera de você enquanto debatedor. Da mesma forma, podemos pensar sobre uma entrevista, que pode ser instrumento de coleta  de  dados  para  uma  pesquisa  ou  para  a  realização  de  uma  matéria  jornalística. Temos  experiência, conhecimento dos componentes de um debate ou de uma entrevista, pois são duas práticas de linguagem muito freqüentes  no nosso contexto social. Somos, também, capazes de contrapor uma carta familiar a uma correspondência oficial; de distinguir um artigo científico de uma reportagem. Quanto mais temos contato com  essas formas  de textos, mais fácil se torna reconhecê­las e identificar  o  espaço delas no contexto social.  Afirmamos, no item anterior, que, na prática escolar, esses tipos de textos são adequados ao exercício do ensinar e do aprender. Na escola, além de usarmos a linguagem para estabelecer os vínculos de cooperação e de interação,  como em qualquer outro espaço da sociedade, também simulamos situações de comunicação como um recurso de aprendizagem.  Assim sendo, para nossa maior competência comunicativa, é interessante conhecer um pouco mais sobre a composição e finalidade dos textos acadêmicos. Precisamos aprender a adequar o que já sabemos fazer  com os  objetivos  de nossos estudos. Ou ainda, saber como usar o debate, a entrevista, a reportagem, o  artigo  científico  para  o  desenvolvimento  de  habilidades  que  são  esperadas  dos  profissionais  que  têm formação universitária.  2.1.4.1 Textos orais: a entrevista e o debate  ENTREVISTA  Você  já foi  entrevistado(a)?  Já  entrevistou alguém?  Já  assistiu a  uma  entrevista  de algum  grupo musical ou de uma equipe esportiva?  Certamente, em todas essas situações, reconhecemos dois papéis distintos, presentes em toda entre­ vista: o papel do entrevistador, que é o responsável por abrir o diálogo, fazer as perguntas, dar continuidade ao assunto, controlar os rumos da conversa e encerrar a entrevista; e o papel do entrevistado, que é o de responder às perguntas.  A  entrevista se organiza a partir de um esquema padrão:  ­ situação inicial: apresentação dos interlocutores e as razões da entrevista (INTRODUÇÃO); 

×