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Este arquivo é uma análise sociológica da manifestação cultural do Bumba-meu-boi no Marnhão, durante a temporada junina de 2009, com contra-pontos no efeito midiático que medeia essa manifestação no atual contexto...

Publicada em: Educação
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Projeto Bumba Meu Boi

  1. 1. Introdução<br />Este projeto é resultado da curiosidade intelectual e a aproximação amorosa com o Bumba-Meu-Boi, buscando expor os efeitos da constante influência midiática nesta manifestação, e que falseia as ações ideológicas da transformação da cultura popular em cultura de massa, no contexto atual.<br />Ele busca compreender como o paradigma da modernidade, concomitante ao crescimento tecnológico foram responsáveis por um processo de espetacularização do Bumba-Meu-Boi, que é uma manifestação centenária, símbolo do estado do Maranhão, mas que infelizmente sua essência e história é desconhecida pelos próprios maranhenses, o que acaba sendo motivo de uma maior valorização por parte dos turistas.<br />Assim a turma 102 do curso de Eletrônica do Instituto Federal, mediados pelo professor Jorge Leão, fez uso dos conhecimentos teóricos de Sociologia para analisar os efeitos do capitalismo na cultura popular e, desta forma construir uma postura crítica, a fim de problematizar acerca da desvalorização do folclore maranhense.<br />Por meio, de um estudo amplo e estruturado buscou-se com pesquisas livrescas e de campo, a concatenação de materiais que servissem como ponto inicial para um processo de dissecação histórica do Bumba-Meu-Boi, fazendo visitas aos Arraiais na temporada junina, pesquisas na WEB, entrevistas e outras fontes que acrescentassem informações valiosas para o nosso estudo.<br />A partir de iniciativas como essa, começa-se uma caminhada em busca da manutenção da identidade cultural do nosso povo, abandonando assim a condição de subservientes da mídia e do sistema, autores de sua própria visão de mundo sem distorções ideológicas e contribuindo para a perpetuação de manifestações folclóricas tão antigas, como o Bumba-Meu-Boi.<br />Sumário<br />- Descrição e Análise da Pesquisa de Campo<br />– Boi Brilho do Sol Nascente<br />– Boi da Maioba<br />– Análise Crítica<br />Anexos<br />Considerações Finais<br />Referencial Bibliográfico<br />2.0 - Análise Crítica<br />Com a intensificação do processo de globalização e o desenvolvimento dos meios de comunicação acreditou-se que o processo de democratização da cultura permitiria o acesso cultural a todos, indiferente de status social. Porém, a partir do século XIX com a segunda revolução industrial a denominada sociedade pós-industrial condicionou as artes uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural, baseada na idéia do consumo de “produtos culturais” fabricados em série.<br />No estado do Maranhão, o Bumba-Meu-Boi é uma manifestação folclórica centenária, muito conhecida internacionalmente, entretanto com a constante massificação da cultura, banalizando a expressão artística e intelectual essa manifestação está gradualmente perdendo sua tradicionalidade. Aspectos da singularidade e originalidade se perdem em meio à mercantilização da cultura.<br />Ao contemplarmos as apresentações dos conjuntos de Bumba-Meu-Boi fica explícito que há uma crescente adequação das apresentações à temas pertinentes do contexto atual, como por exemplo, o boi Brilho do Sol Nascente, trouxe para a temporada junina 2009 o tema “ bumba-mon-boi en La France” ressaltando o ano da França no Brasil, acontecimento atual. Desta forma o Boi, que deveria circundar em torno da história de Pai Francisco e Catirina, como nos primórdios, além de transmitir características da realidade de história de sua comunidade, adquire uma nova roupagem espetacularizada como evento de consumo.<br />Por outro lado, outros bois fazem das apresentações, da imagem e poder de difusão, veículo de mecanismos ideológicos, que falseiam interesse político-econômico e marketing empresarial de Corporações, como a Vale, o grupo Mateus, a Alumar, entre outras. Através do efeito midiático o grupo que domina e comanda a indústria cultural massifica a cultura e separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado, formando uma “elite cultural”. Divide-se a sociedade em elite “culta” e massa “inculta”, em vez de garantir o mesmo direito á totalidade da produção cultural.<br />A cultura enquanto produto deve agradar e interessar o consumidor, assim os grupos de Bumba-Meu-Boi buscam artifícios para a popularização. Para isso alguns bois utilizaram-se do culto á beleza estética física em forma de belas índias e sarados índios, além de ricas indumentárias, perpetuando ideologias que padronizam a beleza e buscando a inovação paradoxalmente tornando-se reprodutivas e repetitivas, como a firma a professora de filosofia da USP, Marilena Chauí, “a ‘média’ é os senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova”. <br />Originariamente, o Bumba-Meu-Boi surgido no século XVIII, no chamado Ciclo do Gado em Portugal, foi trazido para o Brasil e espalhou-se pela região nordeste. Inicialmente as indumentárias e instrumentos eram simples, as toadas traziam temas sempre relacionados com a comunidade local sem nunca desprezar aspectos do Auto, da representação e significado do boi e as intrínsecas ralações com o religioso, o que hoje em dia está sendo cada vez mais deixado de lado. Alguns Bois deixaram de fazer alusão aos Santos e Padroeiros homenageados pela festa, além de os próprios integrantes da brincadeira não conhecerem a estória do Bumba-Meu-Boi em si, nem a história do próprio grupo a que está relacionado.<br />A mídia tomou conta dos Arraiais, infestou o Bumba-Meu-Boi e muitas outras manifestações culturais, são banners espalhados por todos os lados com logomarcas das empresas patrocinadoras, constantes lembretes durante as apresentações sobre a venda do CD e DVD dos grupos, além das camisas das equipes de apoio dos bois estarem sempre repletas de nomes de empresas.<br />Segundo Arnold Hauser, a arte popular ou folclore deve ser anônimo, deve traduzir a visão de mundo e os sentimentos coletivos do grupo no qual tem sua origem, ou seja, o conteúdo da experiência expressa na arte folclórica é comum a toda uma coletividade, deve também desenvolver-se dentro de convenções fixas, ter como público o próprio grupo que a criou e não ser inspirada e nem influenciada por modas, no entanto o Bumba-Meu-Boi enquanto, arte folclórica está sendo dirigido pela demanda, passando, portanto, por modismos, está sendo feita objetivando um público sem muita informação estética e mais passivo, sendo oi povo alvo da produção e não origem e visando o entretenimento, características de uma cultura de massa.<br />Posto isso, leva-se a crer que em poucos anos com a crescente subserviência midiática da população, tradicionais manifestações folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi perder-se-ão por conta da passibilidade do povo em assumir uma postura crítica que possa nos levar ao questionamento de idéias prontas e acepções tidas como verdades absolutas, para que deixemos de ser simples “brinquedos” do sistema e possamos construir a nossa própria visão de mundo indiferente de ideologias e assim perpetuar a identidade cultural do nosso povo.<br />4.0 - Considerações Finais<br />Através do efeito midiático expressões culturais estão se massificando para o consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação em massa, transformando-se em propaganda e publicidade, sinal de status social, prestígio político e controle cultura. Assim como Marx se questionou em sua teoria materialista histórica dialética sobre por que o vínculo entre o poder econômico e o poder político não é percebido pela sociedade, devemos buscar assumir uma nova postura diante do mundo, uma postura menos passiva, intimidados criticamente e dogmáticos, evitando assim a vulgarização das artes e do conhecimento pela indústria cultural.<br />5.0 - Referencial Bibliográfico<br />CHUÍ, Marilena. Filosofia. 1ª edição. São Paulo: Editora Ática, 2002.<br />ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Temas de filosofia/ Maria Lúcia de Arruda Aranha, Maria Helena Pires Martins. - 3. ed. rev. – São Paulo: Moderna, 2005. <br />TEIXEIRA, Ubiratan. Dicionário de Teatro. – São Luís: Editora Instituto Geia, 2005.<br /> Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão<br />Bumba-Meu-Boi: Traçando perspectivas a partir de uma visão sociológica do fenômeno cultural.<br />São Luís – MA<br />2009<br />Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão<br />Bumba-Meu-Boi: Traçando perspectivas a partir de uma visão sociológica do fenômeno cultural.<br />Dennys Damião Rodrigues Albino<br />Trabalho apresentado junto á área <br />curricular Sociologia para a obtenção<br />de conhecimentos. <br />Professor: Jorge Leão<br />São Luís – MA<br />2009<br />– Anexos<br />- Descrição e Análise da Pesquisa de Campo<br />Nome do Conjunto: Boi Brilho do Sol Nascente<br />Data: 26/06/09<br />Hora: 23h<br />Evento: Arraial do João Paulo<br />Grupo: Europeu (Branco)<br />Sotaque: Orquestra<br />Toadas/Temas: As toadas tinham sempre como tema as influências franceses no Brasil, aliás, esta era a temática desta temporada do boi “bumba-mon-boi em La France”. Interessante foi uma toada que narrava todo o auto do bumba-meu-boi.<br />Evolução do Conjunto: O conjunto dançou enfileirado, com as índias no centro, apresentando uma coreografia bem ensaiada, as índias dançavam em evidência sempre e muitas vezes o boi ficava em segundo plano.<br />Couro do boi: tinham imagens que lembravam São Luís e a França, sempre ressaltando esse sincretismo cultural.<br />Festa x Representação: O verdadeiro sentido da festa junina, enquanto culto aos Santos padroeiros, não foi explorado, porém teve o auto do bumba-meu-boi. Faltou preservar a tradicionalidade do bumba-boi do maranhão, pois se apresentou aspectos mais característicos de manifestações como o Carnaval do Rio de Janeiro e Boi de Parintins no Amazonas.<br />Nome do Conjunto: Boi da Maioba<br />Data: 24/07/09<br />Hora: 00h<br />Evento: Arraial do Maranhão<br />Grupo: Índio<br />Sotaque: Matraca<br />Toadas/Temas: Exaltavam a beleza da Natureza, São Luís e Cultura do povo Maranhense, além de dá ênfase ao auto do Bumba-Meu-Boi e estar fortemente ligado a traços religiosos.<br />Evolução do Conjunto: a coreografia não era ensaiada, todos que quisessem participar, mesmo do seu lado participavam, as roupas eram um tanto simples.<br />Couro do boi: Tinham representações de paisagens e santos.<br />Festa x Representação: tinham uma forte relação com o significado das festas juninas, a representação simbólica do boi e preservação da tradição do bumba-boi de matraca.<br />

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