Monografia Anailma Pedagogia 2011

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Pedagogia 2011

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Monografia Anailma Pedagogia 2011

  1. 1. 13 INTRODUÇÃO O trabalho de conclusão de curso que ora apresentamos tem aporte noTrabalho Infantil e dentro dessa área de conhecimento, recortamos o estudo sobre ainferência na vida escolar das crianças; a temática foi escolhida no decorrer do cursode pedagogia, a partir de observações, bem como estágio em algumas instituições.O que se percebeu durante essas visitas é que, existe no meio escolar umaquantidade relevante de crianças que trabalham. São muitos os discursos; muitas entidades públicas encarregadas de coibir,mas nada feito no sentido de prevenir e como já me sentia familiarizada com atemática em questão, antes de posicionar-me contra ou a favor, busquei na pesquisada educação partindo do conhecimento já existente chegar o mais próximo possíveldo real através de leituras, análise de teorias, informações, coleta de dados eargumentos. Nesse fiel propósito, objetivou-se identificar na visão das professoras quais ossignificados que elas dão em relação ao Trabalho Infantil, principalmente, porque oque a comunidade em geral e autoridades públicas pensam a respeito do trabalhoinfantil já é sabido por todos. Perante a lei, é uma pérfida contravenção que afeta física, mental eafetivamente o desenvolvimento infantil; daí o meu foco de pesquisa se direcionarpara o que pensam e sentem os educadores em relação ao trabalho precoce e combase nestas indagações iniciamos nosso trabalho, tendo como lócus a EscolaMunicipal Herculano de Almeida Lima, localizada no Distrito de Igara Município deSenhor do Bonfim Bahia. Sendo assim:Esta monografia é composta por quatro capítulos, a saber: No capítulo I apresento à problemática, onde contextualizamos sobre otrabalho Infantil, falamos da pertinência do presente estudo e traçamos os objetivosa serem atingidos.
  2. 2. 14 No capítulo II construímos o quadro conceitual a partir dos conceitos- chave:“Significados”, “Professor”, “Escola” e “Trabalho Infantil”, apoiando-nos, sobre tudonos seguintes autores: Ferreira (2001), Oliveira (1985), Costa (2001),Gadotti (2003),Rodrigues (2003), Candau(2000), OIT (Organização Internacional do Trabalho), ECA(Estatuto da Criança e do Adolescente), entre outros. No capitulo III, referente aos procedimentos metodológicos, descrevemos otipo de estudo, a população alvo, os instrumentos de pesquisa e a proposta decoleta de dados. Quanto ao quarto Capitulo, debruçamo-nos sobre os dados colhidos napesquisa empírica ao tempo em que os interpretamos, no confronto com afundamentação teórica, produzindo os diversos significados do estudo. Enfim, nas Considerações Finais recuperamos as principais conclusões a quechegamos com a realização do presente trabalho monográfico.
  3. 3. 15 CAPÍTULO I TRABALHO INFANTIL, ONTEM E HOJE. Partindo da nossa preocupação em refletir sobre a temática do trabalhoinfantil fazemos aqui uma breve recapitulação histórica da inserção dessa atividadeno contexto das mudanças ocorridas na sociedade, ontem e hoje. É sabido que desde o surgimento da humanidade, já existia a distribuição depapéis diferenciados para homens, mulheres e crianças, o que proporcionou umadiferença comportamental desde muito cedo. Assim, na era primitiva o trabalho era visto como necessário para que osindivíduos em seus diferentes grupos sobrevivessem às condições que lhe eramimpostas. Nesse sentido o trabalho dos adultos, jovens e crianças, na antiguidadenão se afastavam do ambiente doméstico e tinha fins principalmente artesanais. Osmenores ao observar os mais velhos, aprendiam todas as técnicas a fim de usá-lasposteriormente em prol do grupo. Sobre isso Brandão (2001), discorre que: Os meninos observam os homens quando fazem arcos, flechas; o homem os chama para perto de si e eles se vêem obrigados a observá-lo. As mulheres por outro lado, levam as meninas para fora de casa, ensinando-as a conhecer as plantas boas para confeccionar cestos e a argila que serve para fazer potes. [...] ensinavam-nas a cozinhar e aconselhavam-nas sobre a busca de bagas e outros frutos, assim como sobre a colheita de alimentos (p. 21). Nessa perspectiva o trabalho fornecia as bases de uma organização socialigualitária, em que a família funcionava como unidade básica de produção,acumulando e trocando os conhecimentos indispensáveis à subsistência de todos osseus membros. O trabalho infantil era tido como uma espécie de “ajuda” familiar, umtrabalho gratuito que contribuía para a sua integração ao grupo familiar. No intervalo de acontecimentos ocorridos na Idade Média já havia registrosda prática do trabalho infantil, o qual era exercido nas oficinas domésticas com o
  4. 4. 16intuito de suscitar nas crianças/adolescentes o aprendizado de um oficio. Emalgumas regiões, as crianças começaram a trabalhar muito novas, porem já eramtidos como capazes de obedecer e obterem atenção. Segundo Minharro (2003): Nas cidades medievais, a produção era realizada pelos artesãos, reunidos nas corporações de ofício, onde durante anos, a criança e os adolescentes trabalhavam sem percepção de salário e até, muitas vezes, pagando ao mestre uma determinada quantia para que este lhes ensinasse o oficio; o que acontecia até então sem fins lucrativos apenas como preparação para a vida adulta(MINHARRO 2003, p.22). Adentrando na historicidade da sociedade moderna, verifica-se que o trabalhoinfantil foi perdendo pouco a pouco o seu caráter de aprendizagem. Como início daindustrialização, a exploração do trabalho dos menores passou a ser utilizado emgrande escala nas mais variadas atividades, acentuando consideravelmente aproblemática social em torno dessa atividade. Ainda segundo Minharro(2003): O trabalho então não só foi um meio de sobrevivência, mas também um caminho que ajudou a dividir a sociedade, onde a classe dominante usava seus subalternos para fazer serviços árduos. [...] As crianças já executavam tarefas como se fossem adultos (p.184). Coma revolução industrial do século XVIII a problemática do trabalho infantilse expande, visto a falta de proteção a qual os pequenos estavam submetidos.Passou-se a não fazer uma destinação entre o trabalho infantil e adulto. Diante dissoa criança passou a trabalhar em condições que colocava em risco seudesenvolvimento físico e mental. Como salienta Priore (2000) “O trabalho, quando é obstáculo ao plenodesenvolvimento da criança ou mesmo perigoso, é percebido como degradante(p.10),” Esse caráter humilhante e exploratório da mão-de-obra infantil despertou apreocupação da sociedade dando margem ao surgimento das primeiras leis quevisavam à proteção da criança.
  5. 5. 17 Mesmo com o advento das leis, na sociedade contemporânea, a situação deexploração mercantil ainda continuou tanto no que concerne à mão-de-obra adultaquanto infantil, em conseqüência da desigualdade social que assola as camadasmais pobres da população, essas pessoas são, muitas vezes, obrigadas a sesujeitarem a vários tipos de trabalho, devido à falta de oportunidade econseqüentemente de qualificação para empregos mais satisfatórios. Daí adisparidade social abriu brechas para que setores empresariais utilizem de formailegal a mão-de-obra de crianças e adolescentes no intuito de aumentar seus lucros. Para Cruz (2002): A exigência de produção sob o modo de produção capitalista, tal como se manifestou, não só despertou e ordenou o trabalho familiar, como também impossibilitou os pais de manterem-se próximos dos filhos. Esse aspecto nos remete ao fato de que o trabalho infantil, como produto da vítima capitalista, precisa ser analisado a partir do contexto no qual se insere (p. 58). O capitalismo não inventou o trabalho infantil, mas criou as condições paraque as crianças não só fossem transformadas em adultos precoces, emtrabalhadores livres, como derruídas de uma tradição em que trabalho e relaçõesfamiliares, permitiam a sua reprodução enquanto criança. Diante disso, é de extrema importância assegurar as crianças e adolescenteso dever de que a família, a comunidade, o Poder Público e a sociedade em geralpossibilitem – lhes direitos essenciais como os definidos no Estatuto da Criança e doAdolescente Art. 4º: È dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, a educação ao esporte, ao lazer à profissionalização, á cultura, a dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária (p, 7). Assim, percebe-se que a educação é um dos direitos fundamentais da pessoahumana, e é um dos fatores que mais podem, hoje, contribuir para oferecer asoportunidades e facilidades previstas aos jovens por lei, além, de facultar odesenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social.
  6. 6. 181.1 Trabalho Infantil no Brasil. Da mesma forma como aconteceu no desenvolvimento da historia, o trabalhoinfantil refletiu o mesmo processo no Brasil. Os primeiros registros históricos daocorrência do trabalho infantil no país datam a época da escravidão e perdurou porquase quatro séculos no país. No inicio os filhos de escravos acompanhavam seuspais nos mais diversos tipos de trabalho e exerciam tarefas que exigiam esforçossuperiores a suas capacidades físicas. Assim o surgimento dos novos escravos acontecia a partir do momento queos senhores observavam certo desenvolvimento físico nos menores. Algumas vezes,eram separados dos pais ainda criança e vendidos para outros senhores, que ostransportavam para áreas distantes. No auge da infância as crianças já executavamtarefas domésticas na lavoura. Pois, como descreve Minharro (2003): Aos escravos, independentemente da idade, não era assegurada proteção de lei nenhuma, e as crianças não eram empregadas apenas em atividades domésticas, mas também em fábricas rudimentares, como a olaria. Os sujeitos à escravidão eram forçados a executar as atividades laborais e tinham os frutos de seu trabalho revertidos inteiramente ao proprietário que controlava a produção (p.22). O quadro de exploração do trabalho infantil no Brasil iniciado com a inserçãoda escravidão demonstra as relações de poder que começam a refletir acerbamentena divisão de classes do país. A relação de poder e dominação exercida sobre as crianças foram sendoacentuadas ao longo do tempo acompanhando o desenvolvimento e o crescimentodo país. Nas últimas décadas, no contexto da flexibilização do mundo do trabalho, dareestruturação produtiva e das políticas neoliberais, o aumento da inserção dascrianças no campo trabalhista continua ocorrendo, tanto no meio formal quanto no
  7. 7. 19informal. No entanto, são notáveis as desigualdades em relação aos valores médiosde salários pagos para os trabalhos realizados pelas crianças. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho) há ainda um grandeíndice de crianças que trabalham atualmente oriundas, sobretudo das classesoperárias, o que evidencia a existência de um sistema relacional de ajuda e trocadentro da própria família. Seu trabalho ou sua ajuda são, assim, uma forma deretribuição (SARTI, 2003, p.104). Diante do quadro das desigualdades sociais, e do fato do trabalho infantil, serum reflexo de tal situação, o Brasil passa a ponderar sobre o grave problema determos crianças trabalhando. Assim, auxiliado pelos órgãos internacionais como aOIT o país passa a ter novas diretrizes e metas para erradicar a difícil questão. Conforme expõe o Ministério da Previdência e Assistência Social (1999): Na década de 80, o país implementou uma forte mobilização em torno dos direitos da infância e da adolescência, o que culminou com a inscrição de prerrogativas na defesa desses direitos na Constituição Federal de 1988.Em 1990, o país ratificou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, com relação ao trabalho infantil, o Brasil participa desde 1992, do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil - IPEC da Organização Internacional do Trabalho Infantil – OIT, que se propõe a apoiar os países participantes a combater progressivamente o trabalho infantil, objetivando sua erradicação(p.8). A legislação brasileira, no que diz respeito à proibição do trabalho infantil, éclara: nenhuma atividade produtiva pode ser exercida com idade abaixo de 14 anos.Patamar este definido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e confirmadopela atual Constituição Brasileira, que proíbe o trabalho de crianças, salvo nacondição de aprendiz, acima dos 12 anos, e desde que não seja interrompido seuacesso a escola. Apesar de toda a proteção legal, do alto grau de desenvolvimento cientifico deavanços tecnológicos e da mobilização de setores das sociedades preocupadas comos direitos humanos e cidadania de crianças e adolescentes o trabalho infantil ainda
  8. 8. 20encontra espaços para a sua continuidade. No Brasil essa realidade reflete o modelopolítico - vigente nas últimas décadas, que vêm conduzindo o país a um processo deconcentração de renda sem precedentes na história, colocando um enormecontingente de nossa população em situação de extrema pobreza. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pelomenos 7,3 milhões de crianças trabalham no Brasil. Essas crianças em sua maioriasão de famílias com baixa renda e 58% trabalham na agricultura. É preciso ressaltarque a maioria dessas crianças encontram - se especialmente nos estados doNordeste. Essa ocorrência tem colocado o país na mira dos foros dos direitoshumanos numa conjuntura bastante desconfortável em termos das relaçõeseconômico-sociais internacionais e nacionais. Tendo em vista essa situação constrangedora, implica conhecer também, asmedidas de combate na erradicação ao trabalho infantil.1.2 Erradicação do Trabalho Infantil: medidas de combate O governo brasileiro vem desenvolvendo ações e programas na área socialvoltadas para a proteção e o desenvolvimento integral infanto-juvenil, nas áreas detrabalho, educação, saúde, cultura, direitos humanos e previdência social. Há,portanto, uma preocupação sistemática em integrar políticas setoriais direcionadaspara a criança e o adolescente, como também, medidas são tomadas no tocante àfiscalização através das ações do Grupo de Fiscalização Móvel no sentido de coibirtodas as formas degradantes de trabalho, sobretudo o infantil. E nessa conjuntura que surge o PETI (Programa de Erradicação do TrabalhoInfantil) o qual foi lançado em maio de 1996 tendo, como meta inicial atender 1500crianças, hoje o PETI atende mais de 820 mil crianças afastadas do trabalho emmais de 3,5 mil municípios. O programa reconhece a criança e o adolescente comosujeito de direito, protege-as contras as formas de exploração do trabalho e contribuipara o desenvolvimento integral.
  9. 9. 21 Com isso, o PETI oportuniza o acesso à escola formal, saúde, alimentação,esporte, lazer, cultura e profissionalização, bem como a convivência familiar ecomunitária e aponta como objetivo: Retirada de todos os filhos menores de 16 anos de atividade laborais; Manutenção de todos os filhos na faixa etária de sete a quinze anos na escola; Apoio à manutenção dos filhos nas atividades da jornada ampliada; Participação nas atividades sócio- educativas; Participação em programas e projetos de qualificação profissional e de geração de trabalho e renda oferecidos. (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL, 2002, P.03) Na área da educação, é necessário que crianças ou adolescentes de 6 a 15anos possuam matrícula e frequência escolar mínima de 85%. Para os adolescentesde 16 e 17 anos de idade, a matrícula e a frequência escolar mínima devem ser de75%. Vale ressaltar que as ações de combate ao trabalho infantil, dadas as suasdimensões e seus desafios tem contado com a parceria de inúmeras entidades daSociedade Civil: Cruz (2002) pontua que: Apesar de muitas iniciativas de combate às desigualdades sociais na tentativa de reverter os graves problemas sociais que afetam a população brasileira, sobretudo a infantil; muito ainda é preciso ser feito. Os resultados alcançados a partir da implantação destes programas governamentais, são ainda bastante desconhecidos e, na nossa compreensão, carecem ainda de estudos e investigações, que nos permitam avaliar os impactos resultantes da implementação dos mesmos (p. 60). Apesar do esforço dos órgãos governamentais ou da sociedade civilorganizada não se possa deixar de considerar que existem iniciativas para aerradicação do trabalho infantil, fica claro que para o combate ao trabalho realizadopor crianças ainda falta o aprofundamento, destas, no sentido de conhecer e tornarconhecido, provocando a participação social.
  10. 10. 22 É pertinente abrirmos um parêntesis para uma breve referência ao povoadode Igara, pertencente ao município de Senhor do Bonfim, Estado da Bahia. Opovoado registra uma população de quase dez mil pessoas. A economia do distrito émovimentada basicamente da agricultura familiar, tendo como principal fonte amandioca. Muitas famílias não tendo como sobreviver da agricultura vêem - seobrigadas a colocar seus filhos no mundo do trabalho. Por conta disso, nossa preocupação volta-se especialmente ao trabalhoinfantil, pois constatamos que nesse povoado a maioria da população é muitocarente e necessita de mão de obra de seus filhos no orçamento familiar, e o localde trabalho é a feira-livre através de atividades no transporte de mercadorias(carrinho de mão) ou vendedores ambulantes de produtos hortigranjeiros. Assim este estudo tem como finalidade refletir acerca do trabalho infantil esua relação com o processo ensino aprendizagem. Essa problemática, vivenciadaainda hoje, nos remeteu as seguintes inquietações: Quais os significados que asprofessoras da Escola Municipal Herculano Almeida Lima dão ao trabalho infantil noprocesso ensino aprendizagem?Com essa abordagem que será feita com as professoras pretende-se:Identificar e analisar os significados que as professoras da Escola MunicipalHerculano Almeida Lima dão ao trabalho infantil no processo ensino aprendizagem;
  11. 11. 23 CAPÍTULO II REFERENCIAL TEÓRICO Partindo do nosso objeto de pesquisa que é investigar o significado que osprofessores da escola Herculano Almeida Lima dão ao trabalho infantil no processoensino aprendizagem, considerando que este é um problema que tira a dignidade demilhões de crianças brasileiras, causando desrespeito aos direitos humanosfundamentais das crianças os quais são reconhecidos seja por culpa do poderpúblico, quando não atua de forma prioritária, ou por culpa da família e dasociedade, quando se omitem diante do problema,buscamos nessa abordagemaprofundar o debate em torno dessa questão trabalhamos com os seguintesconceitos–chave: significados, professor, escola e trabalho infantil.2.1 Significados Para compreendermos os significados que as professoras dão ao TrabalhoInfantil é necessário entendermos o que é significado. Por isso temos como ponto departida o entendimento de Ferreira (2001), que relata que a palavra significado vemdo latim significatus que representa aquilo que uma língua expressa acerca domundo em que vive ou de um mundo possível, sendo a interpretação ecompreensão do que as coisas querem dizer ou representam. Significado diz respeito a exprimir, mostra-se, expressar-se, ou seja, aoatribuímos significado estamos exprimindo, mostrando ou expressando o queachamos sobre alguma coisa, e é basicamente o que fazemos no nosso dia-a-dia,sempre damos significados às coisas, ora da forma positiva, ora negativa.(FERREIRA, 2001) Sobre o significado, Burke (2003), nos revela que: O significado de alguma coisa para o indivíduo é sempre a mesma assimilação dessa coisa, ás estruturas que formam seu universo metal... Portanto, há tantos significados para um mesmo objeto quando são indivíduos que tiveram tido contato com ele, e os significados serão, também, sempre mais ou menos móveis para cada indivíduo. (p. 31)
  12. 12. 24 Com base na fala de Burke (2003) compreendemos que há uma subjetividadeem cada indivíduo, visto que cada professor poderá ter significados diferentes sobretrabalho infantil. Essa diversidade de significados na escola de alguma forma poderáinfluenciar no desempenho dos alunos, pois fora o processo de ensino-aprendizagem dos conhecimentos sistemáticos, também existe no espaço escolar aconstrução dos significados ou saberes para a vida. A esse respeito, Oliveira (1985), nos confirma que: É no significado que se encontra a unidade das duas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. São os significados que vão propiciar a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real, constituindo-se no filtro através do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. (p. 81) Nesta perspectiva, o professor pode ser relevante na formação dossignificados pelos educandos, e com isso poderá contribuir para a maneira dosmesmos agirem aos problemas ocorrentes no meio social, como a entender evalorizar a cultura em que estão inseridos. Para a filosofia o significado representa os vários aspectos da compreensãodas palavras e expressões lingüísticas. Nessa visão filosófica, Japiassú eMarcondes (1996) dizem que a relação de referência é um dos elementosconstitutivos do significado, os mesmos salientam que: “a referência é precisamentea relação entre o signo lingüístico e o real, o objeto designado pelo signo (p. 224)”. Os autores também citam Frege para indicar outro aspecto importante, ondese propõe significado refere-se ao sentido que atribuímos aos elementos, destaforma dois termos sinônimos teriam a mesma referência, mas não o mesmo sentido.Sobre isso Vygostky (1988), citado por Sigardo (2000) discorda ao comentar quesignificado é diferente de sentido. Para ele o primeiro é uma construção histórica,relativamente estável e já o segundo é a soma dos eventos psicológicos que apalavra evoca na consciência.
  13. 13. 25 Barbosa (2008) nos traz uma reflexão positiva sobre significados ao comentarque existe uma relação interessante entre os conceitos de verdade e significados,pois quando se observa a verdade em alguma frase observaremos também umsignificado. E diante desta perspectiva é que acreditamos que ao identificarmos ossignificados que os professores dão ao trabalho infantil estaremos conhecendo, ounão às verdades sobre a relação existente entre os conhecimentos e o que osmesmos poderão fazer para erradicar o trabalho infantil. Já na concepção de Triviños (1987), os significados através de produçõesverbais manifestam as reações e atuações dos indivíduos na realidade em qualestão inseridos, ou seja, os significados são relacionados com a captação demensagens sobre determinado contexto, onde se faz necessário entender osacontecimentos em torno dos significados construídos, pois os significados são ainterpretação e compreensão dessa realidade. E ao compreendermos os significados que as professoras dão ao TrabalhoInfantil, também será possível uma melhor análise da relação com o processo doensino-aprendizagem, uma vez que também se compreenderá o contexto educativoaos quais os sujeitos estão inseridos. E assim sendo, se faz necessária umaabordagem sobre o que significa professor dentro desta conjuntura.2.2. Professor: Produtor de cidadania Segundo, Fernandes (1997), professor é aquele que professa ou ensina umaciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina; sendo chamado de mestre.Buscando uma melhor definição, Costa, (2001), aprofunda mais o conceito quandonos diz que: “Professor é mais do que um cidadão, ele é um produtor de cidadania,que atua na “fábrica” onde se produz a esmagadora maioria dos cidadãos destepaís, que é a escola pública” (p.05). Na definição de Ferreira (2001) professor é aquele que ensina uma ciência,arte ou técnica. Com isso na visão simples, de algumas pessoas a função doprofessor é basicamente ensinar, reduzido este ato a uma perspectiva mecânica,
  14. 14. 26entretanto ninguém ensina no vazio, há toda uma contextualização marcada pelointeresses de determinada época e sociedade. Sob esta perspectiva, a crescente complexidade e diversidade das atuaissociedades exigem da parte dos professores uma mais ampla preparaçãoprofissional e maior autonomia para enfrentarem questões de âmbito educacional.Por isso, a concepção de professor vai mais além de “professor profissional” comobem nos explica Arce (2001), para quem o professor é: Aquele que ensina que deve possuir competência (que supere a improvisação, o amadorismo e a mediocridade), tenha precisão, rigor filosófico e disciplina metodológica, criatividade e criticidade na forma de entender e trabalhar o conhecimento conforme o contexto em que foi produzido (p.181). Na opinião de Zanatto (2000), o professor deve ser capaz de identificar aspeculiaridades de seus alunos, e assim reforçar de forma positiva ou negativa essaspeculiaridades, estando atento às diferenças; é preciso tolerância e sensibilidadepara entender o processo de aprendizagem, levando em consideração as vivênciasque seus alunos trazem para a sala de aula para que haja interação entre o pré-estabelecido e a possibilidade de construção de um novo conhecimento. Evidentemente, na esfera de ações do professor, empenhado em promover aaprendizagem de seus alunos, uma postura dinâmica é essencial à tarefa de ensinare quanto a esse proceder Tacca (2000) enfatiza que: É preciso, sim, ter metas e objetivos, saber sobre o que se vai ensinar, mas não se pode perder de vista, um segundo sequer, para quem se está ensinando e é disso que decorre o como realizar. Integrar tudo inclui dar conta de diversas facetas do processo ensino- aprendizagem, ou seja, a do aluno concreto, real, a do conhecimento, a das estratégias de ensino, e a do contexto cultural e histórico em que se situam (p.25). Diante desse panorama, o trabalho educativo necessita ser mais criterioso edirecionado ao que Castro (2005) alerta: Há que se estimular os professores (e professoras) para estarem alertas, para o exercício de uma educação por cidadanias e
  15. 15. 27 diversidade em cada contato, na sala de aula ou fora dela em uma brigada vigilante anti-racista, anti-sexista, a (anti-homofóbica) e de respeito aos direitos das crianças e jovens, tanto em ser, como em vir a ser; não permitindo a reprodução de piadas que estigmatiza,, tratamento pejorativo (...) (p.22). Nessa intenção, professores e professoras desempenharão melhor suaprofissão de transformadores e construtores do saber interdisciplinar cultivandoatitudes de justiça e trato igualitário para com seus alunos, tratando-os conformesuas diferenças, mas para tanto Tardif (2002) ressalta que: (...) o professor deve ser capaz de assimilar uma tradição pedagógica que se manifesta através dos hábitos, rotinas e truques do oficio, deve possuir uma competência cultural oriunda a cultura comum e dos saberes cotidianos que partilha com seus alunos: deve ser capaz de argumentar e de defender um ponto de vista (p.176). Afinal, o que é ser professor hoje? Gadotti (2000) responde: “Ser professorhoje é viver intensamente o seu tempo, conviver: é ter consciência e sensibilidade.Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores, assim comonão se pode pensar num futuro sem poetas e filósofos. Os educadores numa visãoemancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e emconsciência critica, mas também formam pessoas” (p.10) Para Nérice (1977) “Professor é quem se dispõe a orientar a aprendizagemde outrem para que alcancem objetivos que seja útil a sua pessoa ou à sociedadeou mesmo a ambos”, (p. 29). Na concepção de Gomes (2003), o professor é o profissional que direciona aprodução do conhecimento executando as atividades de ministrar aulas, elaboraravaliações, corrigir trabalhos, discutir resultados e desenvolver pesquisas além deconstruir a relação do homem com a sociedade. Ainda segundo este autor. Os docentes constroem valores e reproduzem entre seus alunos e colegas, produzem conhecimentos e desenvolvem competências próprias do seu campo de atuação, a saber, docência. Mas juntamente com esses aspectos esse profissional também constrói
  16. 16. 28 e desenvolve valores acerca do universo cultural e social em que vive, e isso envolve as representações sociais positivas e negativas que incidem sobre determinados grupos sociais e éticos geracionais. (p. 160). No entanto, na visão simples de algumas pessoas a função do professor ébasicamente ensinar, reduzindo este ato a uma perspectiva mecânica. Ao ensinar oprofessor também emprega determinados meios de atingir certas finalidades e comisso acaba por desempenhar vários papéis entre eles o de agente de mudança. Assim, o professor deverá conhecer os seus alunos e adaptar o ensino àssuas necessidades, incorporando a experiência do educando ao conteúdo eestimulando sua participação no ouvir, no dialogar e no compreender. Tudo issodeve fazer parte do cotidiano do professor, o mundo exterior não deve ser refletidonegativamente no rendimento do aluno, pois este é o foco do processo educativocomo salienta Vasconcellos (2006), “Ter respeito para com os alunos é uma dasnecessidades da postura de um educador consciente” (p.93). Atualmente, o professor não pode ser mais apenas um transmissor deconhecimentos, mas, educador, orientador para exercer de fato sua função deconstrutor de conhecimentos. Devendo assim, servir como um referencial seguro noqual o aluno possa se apoiar deve representar uma figura significativa de referência,ou seja, alguém que exprima com clareza informações e diretrizes, tão necessáriaao sujeito em formação. Para Outeiral (1994). Os professores também são pessoas importantes para os adolescentes se identificarem e, nesse sentido, têm uma participação essencial no processo. A maioria das pessoas adultas é capaz de lembrar-se de professores importantes, com os quais se identificou da mesma forma que daqueles com os quais buscou ser completamente diferente. (p. 72) Diante disso, a prática pedagógica deve sempre prezar o bem estar doeducando, pois os professores passarão pela vida dos alunos deixando suas marcaspositivas e inesquecíveis.
  17. 17. 29 Dessa forma, percebe-se que o modo de agir do professor em sala de aula,mas do que suas características de personalidade que colabora para uma adequadaaprendizagem dos alunos fundamentam-se numa determinada concepção do papeldo professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade (ABREU &MASETTO, 1990). E assim sendo, se faz necessária uma abordagem sobre o quesignifica escola dentro desta conjuntura.2.3 Escola: conceito e perspectivas. Por escola entendemos como estabelecimento de ensino responsável portransmitir os conhecimentos sistemáticos ao homem e também é uma organizaçãoque tem, em sua estrutura física, itens pedagógicos e filosóficos, tendo comofinalidade, adequar às necessidades individuais e dos grupos que ali estão inseridos. Como bem afirma Rodrigues (2003): A instituição escolar tem, portanto por função repassar e organizar o saber e viabilizar a todos os membros de uma sociedade o acesso aos instrumentos de produção cultural, científica, técnica, e política da sociedade em que esses indivíduos vivem (p. 63). Portanto, a escola funciona como um importante agente socializador, queamplia as possibilidades de aquisição de conhecimento e de experiências e desafiosconstruindo-se em um espaço privilegiado para o desenvolvimento da criança. Segundo Nérice (1977): A escola existe para completar a ação educativa do lar, na sua tarefa de preparar novas gerações para o exercício pleno da cidadania. [...] é a mais especifica das instituições educacionais, pois se organiza em bases únicas para promover a educação daqueles que tem a tarefa de dar prosseguimento à obra de conservação e progresso da sociedade (p. 194). Para Candau (2000), a escola é orientada fundamentalmente a promover àapropriação do conhecimento considerado relevante a formação da cidadania, eassim preparar o indivíduo a conviver na sociedade, capacitando-o para interferirnas questões econômicas e sociais, ou seja, a escola tem que: “Formar pessoas
  18. 18. 30capazes de ser sujeitos de suas vidas, conscientes de suas opções, valores eprojetos de referência e autores sociais comprometidos com projeto de sociedade ehumanidade” (p. 14). É importante salientar que para uma grande maioria, a escola é um únicoespaço de encontro com saberes valorizado pela sociedade e esses por sua vezdevem orientar as práticas sociais dos indivíduos que a ele estão inseridos. Rodrigues (2003), por sua vez, acredita que a escola antes de qualquer coisaprecisa ser democrática, aonde venha a desenvolver uma educação que atenda aosdiversos interesses que perpassam a sociedade, compreendendo e permitindo oconflito e a manifestação das várias contradições, também tem que ser organizada,possibilitando apresentar alternativas, críticas, observações e sugestões. A escola democrática defendida por Rodrigues (2003) tem ficado de lado,dando lugar a uma escola salvadora da pátria com relação às questões dedesemprego e questões precárias da sociedade, como a fome e por isso esta sendousado como espaço de investimento econômico a fim de produzir pessoas aptas aotrabalho o que também poderá resolver os problemas sociais. No entanto para conseguir essa democratização é necessário que a escolatenha autonomia, para daí formar um cidadão crítico e reflexivo. Como bem salienta Gadotti (2000): [...] escola autônoma não significa escola isolada, mas em constante intercambio com a sociedade. Nesse momento, lutar por uma escola autônoma e lutar por uma escola que projete, com ela, uma outra sociedade. Pensar numa escola autônoma e lutar por ela é dar um sentido novo a função social da escola e do educador que não se considera um mero cão de guarda de um sistema iníquo e imutável, mas se sente responsável também por um futuro possível com eqüidade (p. 47 e 48). Reforçando o pensamento de Gadotti (2000), o ideal seria que cada escolaescolhesse e construísse o seu próprio projeto pedagógico, levando em conta que aautonomia não significa divisão, mas unidade e capacidade de comunicação. Nesse
  19. 19. 31contexto, a escola não significa, por sua vez, um prédio, um único espaço ou local;significa um projeto, uma idéia que poderia associar várias “unidades escolares”.Sendo assim, se faz necessário uma abordagem sobre o que significa trabalhoinfantil dentro desta alínea.2.4 Trabalho Infantil: conceituações e pressupostos teóricos. Entendemos por trabalho Infantil, nesta pesquisa, toda e qualquer ocupaçãoque exija esforço, físico, mental e espiritual da criança, remunerado ou não, comvistas a atingir um determinado fim preestabelecido. Em diferentes países, demaneira em geral, o trabalho infantil costuma ser definido como aquele realizado por“crianças e adolescentes.” A palavra trabalho tem também muitos significados. Às vezes, carregada deemoção, lembra dor, tortura, suor no rosto, fadiga. Em outras, mais que aflição efardo, designa a operação humana de transformação de matéria natural em objetode cultura. Para Max (1878): “O trabalho é um processo de que participa o homem e a natureza , processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercambio material com a natureza como uma de suas forças. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza”(p. 18) Dessa forma, podemos concebê-lo como fruto de problemas econômicos:conseqüência da má distribuição de renda que por sua vez, é resultante dessacrescente desigualdade social estampada a nossa frente. Sobre o trabalho infantil, a OIT (Organização Internacional do Trabalho), odefine como sendo toda atividade econômica, desempenhada por uma pessoa commenos de 15 anos de idade, seja qual for à situação de trabalho (assalariado,autônomo, familiar, não remunerado etc.) (OIT- BRASIL, 1993).
  20. 20. 32 Na Revolução Industrial a concepção sobre trabalho infantil era de que ascrianças pobres deveriam trabalhar, porque o trabalho protegia do crime e damarginalidade, uma vez que o espaço fabril era concebido em oposição ao espaçode rua, considerado desorganizado e desregulado. Além disso, o trabalho dascrianças permitia um aumento da renda familiar, ao mesmo tempo em que podia servisto como uma escola, a escola do trabalho (ALVIM, 1994:136). Talvez uma forma de descrever o trabalho infantil seja pelas marcas quedeixa na vida das crianças e jovens que a eles são submetidos. Para essaspessoas, a sina é trabalhar sob qualquer condição, enfrentar cansaço, fome, àsvezes mutilação e abandono. O trabalho infantil pode ser definido como o que é feito por crianças e adolescentes que estão abaixo da idade mínima para a entrada no mercado de trabalho, segundo a legislação em vigor no país. No entanto, é preciso refinar essa definição, considerando aspectos de tradições culturais em diferentes lugares do mundo (OIT, 2001) Contemporaneamente, o trabalho infantil afigura-se como fenômeno genérico,alcançando cerca de 250 milhões de crianças em todo mundo, sendo queespecialmente nos países pobres, assume uma proporção mais grave. De acordocom dados, divulgados pela OIT (Organização Internacional do trabalho), 250milhões de criançasentre5 e 14 anos trabalham em todo mundo, sendo que, 120milhões em tempo integral, os restantes combinam trabalho com estudos e comoutras atividades não- econômicas. Apesar de oficialmente proibido pelo ECA (Estatuto da Criança e doAdolescente), em 1990, o trabalho infantil é ainda uma triste realidade do Brasil. Sãomilhões de brasileiros que desconhecem a educação e o lazer. São meninos emeninas que não podem brincar ir à escola, que não podem ser crianças, embora aConstituição Federal e o ECA garantam a toda criança e adolescente, comprioridade absoluta, o direito a vida e a saúde, alimentação, educação, cultura,esporte, lazer. (Art. 277). Ao ingressar precocemente no mundo do trabalho, a criança é impedida deviver a infância e a adolescência sem ter assegurado seus direitos de brincar e de
  21. 21. 33estudar. Isso dificulta muito a vivência, e nas experiências fundamentais para seudesenvolvimento e acaba comprometendo seu bom desempenho escolar, condiçãocada vez mais necessária para a transformação dos indivíduos em cidadãoscapazes de intervir na sociedade de uma forma crítica, responsável e produtiva. Vê-se que atualmente no nosso país, crianças são inseridas no mercado detrabalho não por vontade própria, mas pela pobreza que continua sendo a maiorcausa do trabalho infanto-juvenil. A exploração da mão-de-obra infantil é, portanto,um fenômeno histórico ainda não superado pela humanidade. O trabalho infantil no Brasil ainda é um grande problema social. Milhares de crianças ainda deixam de ir à escola e ter seus direitos preservados, e trabalham desde a mais tenra idade na lavoura, campo, fábrica ou casas de família, muitos deles sem receber remuneração alguma (PABLO ZEVALLOS s/d). Os indicadores sobre o conhecimento de crianças na força do trabalho nosmostram que essa participação cresce com a idade e entre crianças oriundas defamílias de baixa renda. Dados do IBGE (1994) comprovam que o índice de criançase adolescentes que trabalham é muito maior nas faixas de rendas mais pobre dapopulação dada à necessidade e a situação de pobreza dos pais, que os obriga atrabalhar para aumentar a renda familiar.
  22. 22. 34 CAPÍTULO IIIESTRUTURA METODOLOGICA: CONSTRUINDO OS CAMINHOS DA PESQUISA A partir dos nossos objetivos neste trabalho de identificar os significados queas professoras da Escola Municipal Herculano Almeida Lima dão ao trabalho infantilno processo ensino aprendizagem e analisar de que forma o trabalho infantilinterfere na vida escolar das crianças que trabalham. Assim, apresentamos a nossametodologia que de acordo com Triviños (1987) “é um conjunto de atividades intelectuais tendentes á descoberta de novos conhecimentos e se caracteriza por um estudo minucioso, articulado a uma realidade, a fim de descobrir, aperfeiçoar, ou acrescentar novas informações sobre o que já existe, ou seja, mostra algo novo a respeito do fato estudado (p. 122). Com base nessa perspectiva, é que se realizou a presente pesquisa, que tevecomo objetivo identificar os significados que as professoras da Escola MunicipalHerculano Almeida Lima dão ao trabalho infantil no processo ensino eaprendizagem.3.1 Pesquisa qualitativa em educação. O tipo de pesquisa utilizada foi à abordagem qualitativa de pesquisa emeducação, pois envolve o contato, melhor interação entre pesquisador e pesquisadoe assim maior entendimento sobre a temática investigada. Para Ludke e André(1986), a abordagem qualitativa: “Envolve a obtenção de dados descritivos, obtidosno contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando mais oprocesso do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dosparticipantes” (p. 11). Os autores acima mencionados argumentam que a abordagem qualitativa emdescrições de pessoas, situações e acontecimentos, onde todos os dados sãoimportantes, o que demonstra uma preocupação maior com o processo do que como produto.
  23. 23. 35 Buscando subsídio em Bodgan e Biklen (1998, APUD BARBOSA, 2000),sobre pesquisa qualitativa, eles compreendem que: [...] o comportamento e a experiência humana. Eles procuram entender o processo pelos quais as pessoas constroem significados e descrevem o que são aqueles significados. Usam observações empíricas, porque é com os eventos concretos do comportamento humano que os investigadores podem pensar mais clara e profundamente sobre a condição humana (p. 18). Em consonância com essa fala de Bogdan e Biklen (1998), Ludke e Andre(1986) concordam quando discorrem que a atenção especial do pesquisador sempreestá voltada para os significados que as pessoas dão as coisas e as pessoas. O pesquisador qualitativo faz pouco segredo do seu envolvimento íntimo noprocesso de descoberta, tendo em vista que há poucos estágios, ou talvez nenhum,durante os quais ele se veja alijado dos procedimentos de pesquisa. Segundo Ludkee Andre (1986) é cada vez mais evidente o interesse que os pesquisadores da áreade educação vêm demonstrando pelo uso das metodologias qualitativas. Esse relato nos aproximou do nosso objeto de estudo junto a outrosargumentos acima relatados, acreditamos que a pesquisa qualitativa nos deu umsuporte para as reflexões acerca da nossa temática.3.2 Lócus: conhecendo o ambiente da pesquisa. O campo de realização desta pesquisa foi a Escola Municipal Herculano deAlmeida Lima, situado em Igara, distrito de Senhor de Bonfim - Bahia, localizada noKm 10, entre Andorinha e Senhor do Bonfim. A topografia e relativamente plana nasede e no interior do distrito. A economia do distrito é movimentada basicamente daagricultura familiar, tendo como principal cultura a mandioca, com a comercializaçãodo beiju1. A realização da feira livre aos domingos contribui significativamente naeconomia do município. Durante a realização da pesquisa, concluímos que há umgrande número de alunos que estudam nas escolas do distrito, trabalham.1 Beiju: Tipo de bolo feito de massa de mandioca enrolando em pequenos cilindros ocos. De origemindígena e típica do Nordeste brasileiro
  24. 24. 36 Seu espaço físico é composto de 08 salas de aula, 01 sala de recursos, 01sala de informática, 01 sala de professores, 01 secretária, 01 diretoria, 01 cantina,02 banheiros e área de lazer. A escola funciona nos três turnos com cerca de 400alunos, distribuídos entre 3ª série do Ensino Fundamental I até o 3º ano do EnsinoMédio. Atualmente a escola tem como Gestora Ana Lúcia Castro e Castro, e abrangeo Ensino Fundamental I e II nos turnos matutino, vespertino e noturno com umaclientela de 400 alunos. Nessa pesquisa, buscou-se compreender e interferir na realidade, com oobjetivo Identificar os significados que as professoras da Escola Municipal HerculanoAlmeida Lima dão ao trabalho Infantil no sentido de amenizar os efeitos negativosprovocados pelo trabalho infantil atrapalhando o rendimento escolar das criançasque ali estudam.3.3 Sujeitos: Os protagonistas da história. Entendemos por sujeito, a peça fundamental em qualquer pesquisa que sepretende realizar, visto que, é através dele que o pesquisador obtém as informaçõese respostas a suas inquietações. Dessa forma, Triviños (1987) aborda: “Os sujeitosindividualmente poderão ser submetidos a várias entrevistas, não só com o intuito deobter o máximo de informações, mas também para avaliar as variações dasrespostas em diferentes momentos” (p. 146). Os sujeitos de pesquisa foram 6 (seis) professoras da Escola MunicipalHerculano Almeida Lima, que lecionam no 4º e 5º Ano do Ensino Fundamental I e 6°Ano do Ensino Fundamental II Séries Finais, no turno matutino e vespertino. Ossujeitos foram escolhidos por nosso conhecimento, saber que estas, têm alunos quetrabalham. As pessoas selecionadas para participar da pesquisa receberam os devidosesclarecimentos sobre o nosso tema de estudo “Trabalho Infantil”. O primeiromomento se deu com a observação na sala de aula, durante o mês de julho. Ainda
  25. 25. 37procuramos estabelecer um clima de estímulo e aceitação para com os pesquisadospara que se sentissem a vontade.3.4 Instrumentos de coleta de dados: as fontes da pesquisa Os instrumentos de coleta de dados foram de vital importância, uma vez que,a pesquisa científica requer procedimentos sistemáticos, pois é através deles que oinvestigador obtém a resposta e o esclarecimento do problema que deu origem ainvestigação. Por isso, para essa pesquisa ser desenvolvida foi necessário aplicar osinstrumentos elaborados e as técnicas selecionadas, contribuindo assim nainterpretação da problemática apresentada, identificar os significados que asprofessoras da Escola Municipal Herculano Almeida Lima dão ao trabalho infantil. Os instrumentos escolhidos para a coleta de dados e que conseqüentementenos fornecerão subsídios para alcançarmos o objetivo da pesquisa: a observaçãoparticipante, o questionário fechado e a entrevista semi-estruturada.3.4.1 Observação Participante A observação participante beneficiou, uma vez que, nos possibilitou umcontato maior com os sujeitos pesquisados, nos dando dimensão a uma experiênciadireta com o envolvimento entre o pesquisador e o sujeito da pesquisa. Segundo Ludke e André (1986) é no ato de observar que: O pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidências, pedindo cooperação ao grupo. Contudo terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tomado público pela pesquisa (p. 29). Existem várias formas de observação, contudo a mais adequada a nossoobjeto de estudo foi à observação participante, que para Marconi e Lakatos (1996)consistem em procedimentos onde a identidade e objetivos do pesquisador sãorevelados ao grupo pesquisado.
  26. 26. 38 Segundo Ludke e André (1986), esse tipo de observação: [...] consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele. Fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais deste... O objetivo inicial é ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreende a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo ou sua missão (p. 68). Ocupando um lugar privilegiado na pesquisa educacional, a observaçãogarante ao pesquisador uma visão mais ampla da vida do sujeito pesquisado. Comoenfatiza Ludke e André (1986), nesse convívio, o observador acompanha os sujeitose sua compreensão sobre visões de mundo, e o significado que eles atribuem àrealidade que os cerca e as suas próprias ações. Ainda na visão de Ludke e André (1986), a observação participante precisaser sistemática, para isso será necessário fazer um planejamento cuidadoso e umapreparação rigorosa do observador. Definindo-se o foco da investigação e suaconfiguração espaço-temporal, ficando evidentes quais aspectos do problema serãocobertos e melhor captá-los. Relacionando os argumentos dos autores com o nosso objeto de pesquisa, aobservação participante foi de fundamental importância para identificarmos ossignificados que as professoras da Escola Municipal Herculano Almeida Lima,localizada no Distrito de Igara no município de Senhor do Bonfim – Bahia dão aotrabalho infantil no processo ensino aprendizagem.3.4.2 Questionário Fechado A opção pelo questionário fechado foi feita pela necessidade de levantarmosos dados que permitissem traçar o perfil dos pesquisados, buscando posteriormente;delinear os sujeitos em seus espaços sociais, econômicos e educacionais. Tambémpor ser um instrumento bem utilizado na abordagem qualitativa. Sendo assim,Triviños (1987): “sem dúvida o questionário fechado, de emprego usual no trabalhopositivista, também o podemos utilizar na pesquisa qualitativa” (p. 137).
  27. 27. 39 Gressler (l989) define questionário como: [...] uma série de perguntas organizadas, com o objetivo de levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas são formuladas pelo informante ou pesquisadas sem assistência direta ou orientação do investigador. Todas as questões do questionário são pré-elaboradas e as respostas são dadas por escrito (p.58). O questionário é um dos instrumentos mais utilizados nas pesquisas porrecolher informações de uma forma rápida e com menor custo, o mesmo não temum número determinado de questões, todavia não pode ser cansativo aopesquisado, e deve assegurar aos utilizadores que os dados recolhidos serãopreservados e não serão cedidos a terceiros. (BARROS, 2000). Esse instrumento de coleta de dados apresenta algumas vantagens emrelação aos outros utilizados no desenvolvimento de uma pesquisa. Entre elasGressler (1989), cita: o anonimato exigido por algumas pesquisas, uma maiorliberdade em expressar opiniões e ausência de pressão sobre o pesquisado, o quepermite tempo para refletir sobre as respostas. Ainda na definição de Gressler (1989), “o questionário fechado apresentarespostas limitadas e algumas alternativas do indivíduo, onde lhe é solicitadoescolher ou assimilar apenas uma das repostas do questionário”. Porém deve seatentar que o questionário fechado utilizado como instrumento na coleta de dados naperspectiva qualitativa, deve ser acompanhado de outros instrumentos, para facilitara compreensão das relações subjetivas, no nosso caso o questionário fechado foiacompanhado da observação participante e da entrevista semi-estruturada.3.4.3 Entrevista Semi-Estruturada: Um diálogo possível A entrevista é um procedimento utilizado na investigação para que seestabeleça uma relação de interação entre pesquisador e sujeito da pesquisa,permitindo ao entrevistador aprofundar, questionar e recolher uma diversidade deinformações a respeito de um determinado assunto.
  28. 28. 40 Usamos a entrevista do tipo semi-estruturada como um dos instrumentosbásicos para a coleta de dados que possibilita ao receptor interagir ativamente como emissor além de possibilitar informações claras e objetivas. Segundo Triviños (1987): Entende-se por entrevista semi-estruturada de uma maneira geral, aquela que parte de certos questionários básicos, apoiados em teorias e hipóteses que, interessam à pesquisa e que, em seguida, oferece amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante (p. 146). Na visão de Ludke e André (1986), a entrevista ganha vida quando começa,pois a relação que se constrói durante sua realização é de diálogo e interação entrequem entrevista e quem é entrevistado. Com isso facilita ao entrevistador sempreestar atento, as respostas que se obtém ao longo dessa interação, observando maisde perto a gestos, expressões, entonações e sinais não verbais, visto que todacaptação é importante para compreender o que foi dito. Esse instrumento também apresenta grande vantagem sobre outras técnicas,pois permite a captação imediata e corrente da informação desejada com qualquertipo de informante, como também permite correções, esclarecimentos e adaptaçõesdesejadas. (LUDKE E ANDRÉ, 1986). Para alguns autores a entrevista pode ser de vários tipos, sempre visando àadequação ao objeto de estudo. Visto que o objeto da presente pesquisa foiidentificar de que forma o trabalho infantil interfere no rendimento escolar dos alunosda Escola Municipal Herculano Almeida Lima, a entrevista semi-estruturada é a quemais se adequou, por permitir a identificação de significados que ficaria fora de umaesquematização de uma entrevista fechada. Ainda com base em Triviños (1987), a entrevista do tipo semi-estruturadavaloriza a presença do investigador, pois oferece elementos para que o informanteencontre a espontaneidade o que enriquece a investigação do problema. Assim o
  29. 29. 41entrevistador deve saber estimular a obtenção de informações, criando um clima deconfiança onde deve prevalecer o respeito pelas crenças e ideais do entrevistado.
  30. 30. 42 CAPÍTULO IV ANALISE E DISCUSSÃO DOS DADOS Este capítulo apresenta os dados obtidos através da observação, da coleta deinformações e questionário composto de perguntas abertas e fechadas aplicadas asprofessoras que lecionam no 4º, 5º e 6º Ano da Escola Municipal Herculano deAlmeida Lima, seguido da analise dos dados coletados durante a pesquisa, istoservirá de base para obtenção das respostas em torno da questão de pesquisa, aqual procura identificar os significados que as professoras dão ao trabalho infantil noprocesso ensino aprendizagem. Os resultados dessa pesquisa serão utilizados como instrumento de reflexãopor parte dos educadores e possíveis adoção na sua prática pedagógica. Alémdisso, despertá-los para continuação de trabalhos nessa área, visando um melhorsignificado sobre trabalho infantil.4.1 Observação participante: a contribuição desse momento Inicialmente foram realizadas observações participantes no lócus dapesquisa, onde pudemos perceber como se fundamenta a prática educativa. Osprimeiros contatos foram relevantes para constatarmos diretamente como se realizao processo de ensino aprendizagem com as crianças que estudam e trabalham aomesmo tempo, como também para um primeiro contato com as professoras sujeitosda nossa pesquisa. Pôde-se observar que elas ficaram apreensivas, impacientes,porém ao mesmo tempo muito prestativas. No que diz respeito às relações entre educadores, coordenação, crianças eadolescentes percebe-se um nível de interação bastante significante, as conversasno corredor, as discussões das temáticas se dá na troca de pensamentos, nosquestionamentos, nas dúvidas onde o vínculo de amizade, de cuidado eaprendizado acontece continuamente. Não houve um significado relevante para a escolha do lócus, mas no períodode observação encontramos elementos que nos aproximassem a essa escola
  31. 31. 43especificamente, pois nos períodos anteriores fizemos algumas visitas econstatamos que ali havia um número consideravelmente, relevante de crianças quetrabalham. O contato com essa escola também nos fez refletir sobre a existência devarias realidades sobre o trabalho infantil, pois desde o início de nossa formaçãodentro do espaço acadêmico, especialmente nas aulas de Economia e Trabalhorelatamos muito sobre o que seja trabalho nas diversas esferas o que acabouchamando minha atenção para este tema.4.2 Questionário fechado: A aplicação do questionário para as professoras teve como objetivo sondar asopiniões destas sobre alguns aspectos pertinentes do tema em estudo. Nossa preocupação condicionou-se, sobre tudo em saber quais ossignificados que as professoras da Escola Municipal Herculano Almeida Lima dão aotrabalho infantil no processo ensino aprendizagem. Para o estudo foram escolhidas 6 (seis) professoras, as mesmas lecionam no4º, 5º e 6º Ano do Ensino Fundamental I e II. Optou-se por esse percentual dequestionários e entrevistas por que achamos que esse número era suficiente pararesponder o objetivo da pesquisa.4.2.1 Perfil das professoras Com a intenção de levantar o perfil das professoras que lecionam na EscolaMunicipal Herculano Almeida Lima, procurou - se, inicialmente obter alguns dados,que pudesse nos ajudar a conhecer melhor os sujeitos da pesquisa e assim,encontrarmos respostas relevantes que nos auxiliaram na explicação dos dadosencontrados.4.2.2 Faixa etária Quanto às respostas das professoras nas questões fechadas, evidenciou-seque: das 6(seis) ou seja, 100% das professoras envolvidas na pesquisa, cujas
  32. 32. 44idades variavam entre 25 a 35 anos de idade. Observem esses dados no gráficoabaixo. FAIXA ETÁRIA 25 a 35 anos 100% Figura 1:Faixa etária4.2.3 Gênero Quanto ao gênero100% ou seja, 6 (seis) são do sexo feminino. Observemesses dados no gráfico abaixo: GÊNERO 25 a 35 anos 100% Figura 2:Gênero Observando o gráfico acima nos leva a perceber que há uma grandeparticipação da figura feminina na carreira docente na Escola Municipal HerculanoAlmeida, pois, apesar das mudanças ocorridas na educação brasileira, esse traçofeminino ainda é muito forte, talvez, em virtude do preconceito ainda arraigado nasociedade que condiciona essa atividade como sendo coisa de mulher. Observe nográfico abaixo, quanto à porcentagem relacionada ao gênero.
  33. 33. 454.2.4 Nível de escolaridade Das 06(seis) professoras, constatou-se que 83,3% ou seja, 5(cinco) têm nívelsuperior completo enquanto só 16,7% ou seja, 1(uma) não tem superior completo.Veja esses dados no gráfico abaixo: NÍVEL DE ESCOLARIDADE superior completo superior incompleto 17% 83% Figura 3 Nível de escolaridade Observando o gráfico acima, percebemos então a predominância do nívelsuperior completo, se constitui, na nossa compreensão, fator importante naaprendizagem dos educandos daquela instituição e na compreensão dos problemasdecorrentes do trabalho infantil.4.2.5 Tempo de exercício na carreira docente Em relação ao tempo que atuam na carreira docente, todas foram unânimesao declarar que estão trabalhando como docentes entre 1 (um) e 2 (dois) anos, querdizer 100% ou seja 6(seis) professoras. Observe no gráfico essa porcentagem. TEMPO DE EXERCÍCIO NA CARREIRA DOCENTE Entre 1(um) e 2 (dois) ano 100% Figura 4 : Tempo de exercício na carreira docente
  34. 34. 464.2.6 Carga horária No que se refere à carga horária 83,3% ou seja, 5(cinco) responderam que temuma jornada de trabalho referente a 40h enquanto 16,7% ou seja, 1(uma) trabalhasomente 20h. CARGA HORÁRIA Carga horária 40 h Carga horária 40 h 17% 83% Figura 5: Carga horária4.2.7 Renda familiar Quanto a renda familiar das professoras 100% ou seja, 6 (seis) declararam querecebem de 1 a 3 salários mínimo. Todas são efetivas do município. RENDA FAMILIAR 1 a 3 salários mínimo. 100%Figura 6: Renda familiar Observando o gráfico da página anterior notamos que 100% dos sujeitosentrevistados trabalham somente na escola citada. Assim ressaltamos que a cargahorária e o tempo de permanência na escola constituem fator preponderante narelação professor-aluno, para um acompanhamento mais próximo da vida doeducando, inclusive da sua relação no âmbito familiar e com o trabalho.
  35. 35. 474.3 A FALA DAS PROTAGONISTAS: DESVENDANDO OS SIGNIFICADOSSOBRE O TRABALHO INFANTIL Através da entrevista semi-estruturada, sempre associada aos outrosinstrumentos de coleta de dados já citados, apresentamos aqui, através dosdepoimentos coletados junto as entrevistadas as falas das nossas protagonistas, ossujeitos da pesquisa. Conseguimos classificar o significado de trabalho infantil emnove categorias:4.3.1 Trabalho Infantil: Os significados sob a ótica das protagonistas A primeira categoria que se apresentou na fala das professoras foi sobre osignificado de Trabalho Infantil que conseguimos identificar de acordo com asseguinte fala:4.3.2 1ª Trabalho infantil como algo Negativo Sobre essa primeira categoria, segue o seguinte depoimento. P(1) “Negativo. Porque a criança tem que aproveitar seu tempo brincando, estudando, fazendo as atividades da sua própria idade.” Partindo desse discurso que evidencia o quanto o trabalho infantil sejanegativo, consideramos também que é uma das formas mais cruéis de se negar ofuturo do ser humano, pois adentrar no mundo do trabalho a criança perde a infânciapara ajudar no sustento da família, a criança para de estudar e perde a possibilidadede se tornar um cidadão apto a enfrentar os enormes desafios do mundo moderno. Todo o elemento apresentado pela professora reafirma o significado atribuídoao trabalho infantil, cuja Emenda da constituição nº 20 aborda ressaltando que éaquele que prejudica a saúde da criança; interfere na freqüência escolar e nãopermite tempo livre para o estudo fora da escola; rouba a infância e o lazer. Significa o emprego de criança de forma genérica, especialmente em trabalhoque possa interferir na sua educação, pois as crianças que trabalhadoras acabamdesenvolvendo atividades penosas, perigosas. Trabalhos que por sua natureza sãoexercidos vê acabam comprometendo sua saúde, seu desenvolvimento físico.
  36. 36. 484.3.3 2ª Trabalho Infantil como uma prática que trará dificuldades futuras A segunda categoria que se apresentou na fala das professoras foi que otrabalho infantil trará dificuldades futuras para ás crianças. Conseguimos identificarde acordo com as seguintes falas: P(3) “Acredito que o trabalho infantil quando exploratório, possa acarretar dificuldades futuras. P (4) “O trabalho infantil tira a infância do aluno, uma vez que ele fica impedido de brincar.” P (5) “O trabalho infantil rouba vida social da criança.” As professoras são categóricas em fazerem seus depoimentos, onde deixamclaro que o trabalho precoce não é e nunca foi estágio necessário para a vida social.Na história de cada criança trabalhadora a infância, que é o período de crescimentoem todos os sentidos fica perdida. As atividades próprias das diversas etapas de seudesenvolvimento, na família, na escola e na sociedade, como um todo sãoatropelados. Brincar, ter tempo para criar, tudo isso lhes é negado. Com isso observamos a aproximação do significado que as professorasatribuíram ao trabalho infantil ao que a OIT (Organização internacional do trabalho)aborda é todo trabalho exercido por crianças e adolescentes, abaixo da idademínima permitida para o trabalho, prejudicando assim, seu desenvolvimento físico,psíquico, moral e social.4.3.4 3ª Trabalho infantil como uma prática que prejudica o desenvolvimentointelectual Na terceira categoria observamos muito claramente a associação que nossasdepoentes fazem relacionado ao significado de trabalho infantil: Eis as falas das depoentes: P (2) “Trabalho Infantil é um atentado ao desenvolvimento físico, mental e intelectual das crianças, negando assim, seu direito de cidadão.” P (6) “Trabalho infantil prejudica o desenvolvimento intelectual da criança.”
  37. 37. 49 A P (2) e P (6) nos relatam que o trabalho infantil é uma violação para que acriança chegue ao estado de cidadania, se a educação a que lhes é necessária, éobstruída pela condição de trabalhador infantil. Trouxemos também um relato feitopela UNICEF (1997), onde frisa que o trabalho infantil é uma traição a todos osdireitos da criança como ser humano e uma ofensa a nossa civilização. O discurso que a UNICEF (1997), nos mostra o quanto a infância de muitascrianças estão sendo furtada seja, por uma educação a qual lhes é roubada. Nadadisso importa o que devemos fazer é trazer essas crianças a escola para que nofuturo elas tenham uma vida digna. Partindo desse discurso sobre o que seja Trabalho Infantil é considerado queseus efeitos sejam no desenvolvimento físico, psíquico e mental das crianças quenuma idade cronológica inferior a 15(quinze) anos, ao invés de brincar e estudarestão trabalhando para ajudar no sustento da casa e muitas vezes, em situaçõesconsideradas inadequadas e perigosas até para adultos, como por exemplo, naslavouras (OIT, 2001). Apesar de todos esses elementos citados pela OIT(Organização Internacionaldo Trabalho) fazerem parte do trabalho infantil, percebeu que a professora nãoassocia esse elemento a uma opressão que as crianças sofrem dos gruposdominadores e que esse elemento vem a ser uma forma de explorar a mão de obrainfantil. Nas respostas feitas pelas depoentes notamos que as declarações sãodiversas ao que seja trabalho infantil, observamos que todas as professoras sãoterminantemente contra o trabalho infantil, alegando que o mesmo além deimpossibilitar a criança de viver a infância, impede inclusive no seu desenvolvimentointelectual.4.3.5 4ª Trabalho infantil como causa do baixo rendimento escolar Quando questionamos sobre o rendimento escolar dos alunos que trabalham,as entrevistadas foram categóricas ao responderem que:
  38. 38. 50 Eis a fala das depoentes: P(1) “Deficiente.” P (2) “Em geral eles têm baixo rendimento.” P (3) “Igual aos demais.” P (4) “Regular.” P (5) “Tem baixo rendimento.” P (6) “Mais ou menos.” Nestas respostas observamos que o trabalho precoce interfere negativamentena escolarização dessas crianças, provocando repetência e abandono da escola,pois muitos dos que trabalham tem baixo aproveitamento devido ao cansaço. A fala das professoras ainda nos remete ao relato feito pela OIT (2001), onúmero e proporção de crianças trabalhadoras elevam-se substancialmente na faixaetária dos 10 aos 14 anos. Apesar de a maioria estar matriculada, a diferença derendimento escolar entre os mais pobres e os considerados de classe baixa é muitogrande. Observe no gráfico abaixo, a porcentagem relacionada ao rendimentoescolar das crianças que trabalham: RENDIMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS QUE TRABALHAM Não vê diferenças Regular ou mais 17% ou menos 33% É deficiente e tem baixo rendimento 50% Figura 7:Rendimento escolar dos alunos que trabalham Notem no gráfico acima o qual se evidenciou que 50% das entrevistadas, ouseja, a P(1) diz: tem um aprendizado "deficiente" ou da P(2) e P(5) que corresponde50%, diz que: "os alunos que trabalham tem um baixo rendimento". Apenas 17% ouseja, a P(3), não vê discrepância no aproveitamento dos estudos do aluno quetrabalha.
  39. 39. 514.3.6 5ª Trabalho infantil como interferência escolar: Nessa quinta categoria questionamos sobre a interferência do trabalho infantilno rendimento escolar as professoras,foram unânimes em responder que: P(1) “Sim. Os alunos chegam na sala cansados e sem concentração.” P (2) “Sim. Pelo fato de perder a concentração de não estudar em casa e etc.” P (5) “Sim. E muito.” P (6) “Sim. Pelo fato de não terem tempo para estudar em casa.” As respostas coletadas, nas falas das entrevistadas: P1, P2, P5 e P6demonstram de forma clara que o trabalho infantil interfere de forma decisiva noaprendizado das crianças, seja pelo cansaço ou pela falta de tampo para se dedicara escola. Tanto nessa categoria como em alguns trechos das falas das professoras quese apresentam na categoria anterior apresenta os discursos das mesmasevidenciando o significado de trabalho infantil publicado pelo IBGE (InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística), o qual indica que um terço das criançasbrasileiras não chegam ao segundo grau, devido o impacto do trabalho sobre odesempenho escolar dessas crianças. A descontinuada dos estudos é ocasionadaprincipalmente pela dificuldade de conciliação entre trabalho e escola, devido aocansaço falta de tempo e estímulo para estudar; resultando em repetência e evasãoescolar dentro do sistema educacional. A P(3) e P(4) conforme depoimentos abaixo nos relatam que o trabalhorealizado pelos alunos não atrapalham na aprendizagem. P (3) “Não. Até porque a maioria das atividades são feitas na sala de aula.” P (4) “Não, pois como são pequenos, eles saem com os pais poucas vezes.” O discurso da professora P(4) demonstra um elemento novo em relação aotrabalho infantil, uma vez que o mesmo não interfere no rendimento escolar, pois ospequenos saem poucos com seus pais. A fala da professora vai de encontro ao
  40. 40. 52relato feito pelo ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente), quando ressalta queé de extrema importância que a família deva colocar as crianças a salvo de todaforma de exploração.4.3.7 6ª Trabalho infantil como resultado da estrutura econômica da família As causas que fazem parte do trabalho infantil que foram citados pelasprofessoras nos discursos anteriores, se fazem presente nessa sexta categoria, poisquando questionadas sobre os motivos pelos quais as crianças trabalham, asprofessoras foram unânimes em certificar que: Observamos as falas. P (1) “Para ajudar a família.” P (2) “Porque os pais têm dificuldades financeiras.” P (4) “Para ajudar a família.” P (6) “Para ajudar a família nas despesas.” Como se evidencia na fala das professoras, que todas as crianças quetrabalham o fazem para auxiliar na renda familiar, e assim ajudar a suprir asdespesas da família. A fala das professoras P(3) e P(5) ressaltam que as famílias das criançastrabalhadoras possuem uma renda baixa, o que tem sido um fator determinante paraalguns pais levar as crianças ao trabalho muito cedo ajudando assim no orçamentofamiliar. P (3) “Para ajudar a renda familiar.” P(5) “Como os pais têm uma renda baixa eles ajudam no orçamento familiar.” Em consonância com estudos desenvolvidos pela OIT (OrganizaçãoInternacional do Trabalho), ressalta que: o trabalho infantil é aquele executado porcrianças menores de 15 anos, com o objetivo de promover seu sustento/ ou de suafamília - o relato das professoras evidencia que muitas famílias ainda encontram-seà margem da concentração de renda, em precárias situações socioeconômicas.
  41. 41. 53 Segundo dados do IBGE (1994), o índice de crianças e adolescentes quetrabalham é muito maior nas faixas de rendas mais pobres da população, dada anecessidade e a situação de pobreza dos pais, que os obriga a trabalhar paraaumentar a renda familiar Sob essa ótica, percebe-se que a criança que trabalha é um co-provedor dafamília e essa difícil função que lhe é imputada por questões sociais e econômicas apriva de usufruir á ludicidade da infância como também, minimiza a sua capacidadede estudar e aprender.4.3.8 7ª “O trabalho infantil como tema secundário no trabalho escolar” Há de considerarmos que na sala de aula, há alunos de lugares e classessociais diferentes, o que requer do professor um olhar atento e diferenciado aostemas e às inúmeras diferenças com as quais manejará no exercício da suaatividade docente. Em presença disso, suscitamos a seguinte inquietação: Já houvediscussão em sala de aula sobre a temática Trabalho Infantil?Justifique. P (1) “Sim. Busco falar sobre o tema através de textos.” P (2) “Apenas conversas, mas nada programado.” P (3) “Sim. Somente conversas.” P (5) “Sim. Conversas.” P(6) “Sim. Através de diálogos.” Observa-se claramente nas falas das professoras que falta por parte delas abusca através de pesquisa sobre o tema. Freire (1996), nos trás algumas reflexõessobre o docente que tem consciência que é educador estendendo o limite de suacarga horária tem a percepção que não há ensino sem pesquisa e pesquisa semensino e implica diretamente no compromisso consigo mesmo e com o outro,promovendo uma pedagogia que dê aos educandos oportunidades para estimular acapacidade criadora e o costume de interrogar, investigar e deixá-los conscientesque são sujeitos que fazem parte da história e como protagonistas dela podemmudar seu rumo e ter autoridade para tomar decisões. Ao compreender amplamente os desafios da educação, não se acomodandoa repetir e aplicar simplesmente os métodos e técnicas pré-estabelecidos pelo
  42. 42. 54sistema educacional, mas buscando significar sua pratica e transmitir estasignificação ao seu aluno, seja através de textos ou diálogos, acreditamos que odocente contribuirá profundamente para a formação de cidadãos capazes deinterferir socialmente através da leitura e escrita. A busca pela temática se faz presente no depoimento da P(1), isso nosmostra quanto os educandos se sentem gratificantes por participarem ativamente doprocesso de ensino – aprendizagem, principalmente quando se refere as suasvivências fora da sala de aula. É notório nas declarações que as discussões sobre a temática é importantepara a escola e para o processo de ensino-aprendizagem ainda mais por ser arealidade da maioria dos seus alunos. Essas crianças que crescem com asdificuldades de uma classe oprimida, mas que também tem o direito de expressarseu modo de viver. A fala da (P(4)) mostra também outra realidade vivenciada pelos docentes, afalta de material didático para que se possa fazer um bom trabalho. P (4) “Não. Pois falta material didático nessa área.” A resposta da professora P (4) é ratificada em Montessori (s/d) quando elaafirma que o material didático é de grande importância na aprendizagem da criança,pois desperta no aluno a concentração, o interesse de desenvolver sua inteligência. Para Negrine (1994), o material didático tem diversas funções, como porexemplo, fornecer aprendizagens ativas e construtivas; proporcionar oestabelecimento de elos entre informações e conhecimento. Todavia a partir dos discursos das depoentes fica evidente que o trabalhoinfantil acaba excluindo uma grande parte das crianças da escola, seja pelo fato denão terem tempo para estudar em casa P (6), seja para ajudar na renda familiarP(3), seja pelo cansaço e falta de concentração P (1), seja por falta de materialdidático P(4). Nesse sentido, o professor deverá conhecer seus alunos e adaptar oensino às suas necessidades, incorporando a experiência do educando ao conteúdo
  43. 43. 55e estimulando sua participação no ouvir, no dialogar e no compreender. Para Arce(2001), professor é aquele que ensina que deve possuir capacidade que supere aimprovisação, o amadorismo e a mediocridade.4.3.9 8ª Trabalho exercido pelos alunos: a confirmação da problemática Ao serem indagadas sobre se há alunos na turma que trabalham e quais asprincipais atividades exercidas por eles as professoras responderam: P (1) “Sim, Na feira livre e em casas de famílias.” P(2) “Sim. Na roça e na feira livre.” P (3) “Sim. Pegam carrego na feira livre ou ajudam os pais na roça.” P (4) “Sim. Vendem vassoura.” P (5) “Sim. Vendem vassoura nas portas.” P (6) “Sim. Na roça” As professoras declaram que sim, que em suas turmas existem crianças quetrabalham e são muitas a atividades exercidas pelas crianças, com uma fortepredominância do comercio de vassouras e do trabalho em feiras livres, mas otrabalho na roça esta muito presente, apesar de ser uma atividade que exige muitoda criança. Nenhuma atividade produtiva pode ser exercida com idade abaixo de 14anos. Patamar este definido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e éconfirmado pela atual Constituição brasileira, que proíbe o trabalho de crianças,salvo na condição de aprendiz, acima dos 12 anos, e desde que não sejainterrompido seu acesso á escola. Acima desse limite, a legislação permite apenasatividades que não sejam consideradas insalubres, penosas ou que nãoproporcionem perigos físicos. Tanto nessa categoria como em alguns trechos das falas das professoras quese apresentam nas classes anteriores apresentam os discursos evidenciando osignificado de trabalho infantil publicado pela OIT (2001), onde diz: é preciso refinaressa definição, considerando aspectos de tradições culturais em diferentes lugaresdo mundo.4.4 9ª Aluno trabalhador X Aluno não trabalhador
  44. 44. 56 Quando questionadas se há diferença entre o perfil do aluno trabalhador parao não trabalhador, neste item verificamos a fala das professoras e obtivemos osseguintes depoimentos: P (1) “Aluno trabalhador: falta bastante as aulas, tem desinteresse e cansaço. Aluno não trabalhador: falta menos,demonstra interesse e tem mais atenção.” P (2) “Sim. O aluno trabalhador é mais disperso e o aluno não trabalhador consegue se desenvolver mais.” P (3) “Alguns demonstram mais educação e maturidade.” P (5) “O aluno trabalhador é mais calmo.” Como se evidencia na fala da P(1) o aluno trabalhador falta bastante às aulasalem de demonstrar desinteresse e cansaço, enquanto o aluno não trabalhador faltamenos, demonstra interesse e tem mais atenção nas aulas. Observando a fala da P (3) notamos outro aspecto relacionado ao trabalhoinfantil quando ela cita que o aluno trabalhador demonstra mais educação,percebemos que ainda existe em algumas pessoas o mito do trabalho como valorético e moral “formativo”, “escola de vida”, que torna o homem “mais digno”. Nuncavisto como deformador da infância, isso tudo só tem contribuído para o agravamentodo problema. Essa situação segundo Martins (1991), diminui a possibilidade deobtenção de profissionalização, e que empurra esse contingente para as posiçõesocupacionais mais desfavoráveis, onde o nível de remuneração é baixo. A P(4) e P(6) conforme depoimentos abaixo nos relatam que os alunostrabalhadores assimilam melhor os conteúdos matemáticos chegando à resoluçãomais rápido que os alunos não trabalhadores. P(4) “O aluno que trabalha tem mais facilidade em entender matemática.” P (6) “O aluno que trabalha tem facilidade nas contas.” A fala da P(3) que vai de encontro ao estudo desenvolvido pela OIT (2001),que ressalta que: È preciso romper com o mito de que a criança que trabalha ficamais esperta, aprende a lutar pela vida e tem mais condições de vencerprofissionalmente quando adulta. Essa ideologia não se aplica às crianças e não
  45. 45. 57passa de um mero discurso, visto que, trabalho infantil é necessidade vital paraalguns e forma eficaz de exploração para outros. A fala da professora P (4) nos remete ao pensamento de Santos (2003) (apudFERRETE 2006), que argumenta: As necessidades cotidianas fazem com que osalunos desenvolvam uma inteligência essencialmente prática, que permitareconhecer problemas, buscar e selecionar informações, tomar decisões e, portanto,desenvolver uma ampla capacidade para lidar com atividade matemática. Quandoessa capacidade é potencializada pela escola a aprendizagem apresenta melhorresultado. TECENDO AS CONSIDERAÇÕES
  46. 46. 58 Entendemos que o trabalho infantil é uma das formas mais cruéis de se negaro futuro do ser humano. Ao adentrar no mundo do trabalho a criança perde ainfância para ajudar no sustento da família, a criança para de estudar e perde apossibilidade de se tornar um cidadão apto a enfrentar os enormes desafios domundo moderno. Durante a realização da pesquisa, foi possível concluir que há um grandenúmero de alunos que estudam na escola do distrito de Igara e trabalham seja nafeira livre, na roça ou em a fazeres domésticos. Percebeu-se ainda que os pais dosalunos necessitam da renda obtida nessa atividade. Nesta perspectiva procuramos através desta pesquisa investigar quais ossignificados que as professoras da Escola Municipal Herculano de Almeida Lima noDistrito de Igara dão ao trabalho infantil e sua interferência na aprendizagem escolardas crianças que trabalham. Sobre os significados que elas dão ao trabalho infantil, os relatos emitidospelas depoentes foram diversos: atentado ao desenvolvimento físico; tira a infânciado aluno; rouba a vida social da criança, entre outros, pode-se notar que asprofessoras estão conscientes dos motivos causados pelo trabalho infantilresultando assim, com um quadro inconcebível de crianças mal preparadas no planofísico, intelectual, psicológico e social para ocupar seu lugar no mundo de adultosporque criança que trabalha não se prepara adequadamente para o futuro. Tomou-se conhecimento, também, que as professoras têm noção do quanto otrabalho infantil prejudica na aprendizagem dos alunos, e o quanto se faz necessárioterem material de apoio oferecido pelos órgãos públicos para que elas possamdiscutir junto às famílias dos alunos trabalhadores sobre a proibição dos mesmos noque se refere ao trabalho infantil. Em virtude disso constatamos que as crianças deixam de estudar paraaumentar a renda familiar, embora a constituição federal de 1988 estabeleça oensino obrigatório dos 7 aos 14 anos (Art. 208 ), assegurando ao menor afreqüência à escolar.
  47. 47. 59 Todavia, é preciso acreditar num mundo melhor para nossas crianças, ondeelas tenham o direito de desfrutar a infância brincando de adulto na brincadeira dofaz de conta; brincando de comadre e compadre, de guizado, de roda, de esconde eesconde e outras brincadeiras que as crianças que trabalham para ajudar nasdespesas da casa não têm mais tempo disponível para brincar por que estãotrabalhando para ajudar na renda familiar. O trabalho infantil, conforme o recorte dado por essa pesquisa nos levou àconfirmação de que estamos sumariamente diante de um grande problema social,um obstáculo à educação por afastar as crianças da escola, obrigando-a a escolherentre o trabalho e os estudos, uma vez que a necessidade de ajudar a família nosustento da casa grita mais alto, colocando a educação em segundo e até em últimoplano. Independente da causa que leva o menor ao mercado de trabalho, seja pelapobreza, pela miséria, entre outras causas, chega-se à conclusão de que parasolucionar esse mal que aflige toda a nação é elevar a qualidade da educação nopaís, uma estratégia eficiente de forma a reduzir a exploração da mão-de-obrainfantil. Assim, há necessidade imediata de mudanças, no intuito de construircoletivamente, perspectivas de avaliação dessa realidade que afeta a vida dascrianças igarenses, buscando despertar em cada criança o seu verdadeiro papel nasociedade. Assim, poderemos proporcionar às crianças trabalhadoras uma vidadigna, para que no futuro elas sejam adultas críticas e sociais aos demais cidadãos.Para tal urge que os profissionais da educação (diretores, coordenadores eprofessores) reavaliem criticamente o tema “trabalho Infantil” e ainda, que assumamum compromisso de trabalhar numa ação conjunta para que o sucesso naerradicação do trabalho dos menores chegue ao fim. Ainda nesse sentido este estudo serve como um sinalizador e estimulo para queos educadores repensem sobre sua metodologia utilizada em sala de aula.
  48. 48. 60 Sugere - se que sejam feitos estudos posteriores sobre a temática em questãono sentido de tentar solucionar as dificuldades de aprendizagem dos alunostrabalhadores. Encerramos este estudo com a frase mais celebre “Criança não trabalha,criança dá trabalho” (ARNALDO ANTUNES).

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